
Submissões Recentes
Projeto de educação ambiental: recuperação de áreas degradadas pela mineração de carvão da Bacia Carbonífera de Santa Catarina: relatório de atividades - ano 2025
BELLETTINI, Angela da Silva; TROIAN, Guilherme Casarotto
Avaliação do potencial de lítio no Brasil: área subprovíncia pegmatítica de Solonópole
VALE FILHO, Deoclécio Pereira; ROCHA, José Maria Aladim Carvalho; GARCIA, Pedro Maciel de Paula; CABRAL NETO, Izaac
O lítio (Li) é um metal alcalino estratégico devido às suas propriedades físico-químicas, que o tornam essencial na produção de cerâmicas, vidros, graxas e, principalmente, baterias. O aumento expressivo de sua demanda, impulsionado pelo uso em veículos elétricos, projeta um déficit de oferta de carbonato de lítio até o final da próxima década, com impacto direto nos preços internacionais. Nesse cenário, o Brasil se destaca entre os maiores produtores globais e apresenta elevado potencial para expandir sua participação no mercado, sobretudo por meio dos depósitos localizados no estado do Ceará. Com base nesse contexto, o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) desenvolveu o Projeto de Avaliação do Potencial de Lítio no Brasil: Área Subprovíncia Pegmatítica de Solonópole, de caráter prospectivo, visando ampliar o conhecimento geológico sobre as concentrações do elemento na região. A iniciativa concentra-se em ocorrências litiníferas associadas a pegmatitos e busca fornecer subsídios para a elaboração de modelos exploratórios, guias prospectivos e identificação de novas áreas mineralizadas. Este relatório sintetiza os principais resultados desse projeto. A abordagem metodológica integrou diferentes ferramentas: geoquímica de sedimentos de corrente, análises litogeoquímicas, geofísica aérea e terrestre, espectroscopia de reflectância, geoquímica de minerais e mineralogia aplicada. O Índice Geoquímico de Probabilidade de Mineralização (IGPM) mostrou alta eficiência ao detectar 65 dos 68 pegmatitos litiníferos visitados, revelando anomalias em terrenos graníticos e gnáissicos. Nos granitos Banabuiú e Nenelândia, foram observadas assinaturas peraluminosas, enriquecimento em Cs e Rb, além de depleção em Sr, Ba, Eu, P e Ti, indicando evolução magmática compatível com sistemas do tipo LCT (lítio-césio-tântalo). A integração de dados geofísicos e espectrais confirmou a importância dos controles estruturais e mineralógicos na formação dos pegmatitos. As análises químicas de feldspatos e moscovitas permitiram identificar diferentes estágios de fracionamento magmático e potenciais metalogenéticos nos distritos pegmatíticos de Solonópole-Quixeramobim (DPSQ), Cristais-Russas (DPCR) e Itapiúna (DPIT). Dentre esses, o DPSQ se destaca pelo elevado potencial prospectivo para mineralizações de lítio, césio e tântalo. Os resultados consolidam o Ceará como área estratégica para novas descobertas, alinhando-se aos objetivos de fomentar o setor mineral brasileiro e fortalecer a posição do país como fornecedor relevante de recursos minerais críticos para a transição energética global. A geração de conhecimento geológico integrado sobre a Subprovíncia Pegmatítica de Solonópole contribui, assim, para o desenvolvimento estratégico nacional em médio e longo prazos, ampliando a segurança de oferta de lítio e reforçando a importância do Brasil no cenário internacional.
Avaliação geoquímica da região costeira de São Vicente – SP
INVERNIZZI, André Luís; VIGLIO, Eduardo Paim
Litoestratigrafia e geocronologia da sequência metavulcanossedimentar de Souza, Quadrilátero Ferrífero - MG
SILVA, Rosane Nascimento
As unidades vulcanossedimentares aflorantes ao sul da Serra do Curral, na
região de Itatiaiuçu (Quadrilátero Ferrífero), eram historicamente atribuídas ao Grupo Nova Lima (Supergrupo Rio das Velhas) devido à sua semelhança litológica e proximidade geográfica. Entretanto, tais correlações careciam de embasamento por meio de trabalhos de detalhe, a exemplo um empilhamento estratigráfico formal para as unidades aflorantes e informações geocronológicas. Visando preencher essa lacuna, este trabalho apresenta o levantamento estratigráfico da sequência metavulcanossedimentar, através do recém-definido Grupo Souza, por meio de dados de campo, petrografia e análises isotópicas U-Pb em zircão detrítico via LA-ICP-MS. O Grupo Souza é dividido em duas formações: Rancharia (base) e Vila Pinheiro (topo). A Formação Rancharia compreende os membros Vila Viamão, Canjarana e Córrego Grande, representando uma sucessão metavulcanossedimentar caracterizada por vulcanismo ultramáfico a máfico basal, rochas vulcânicas intermediárias a félsicas e sedimentos químicos. A Formação Vila Pinheiro abrange os membros Vieiras, Veloso e Itatiaiuçu, correspondendo à porção sedimentar superior do grupo, marcada predominantemente por turbiditos. Essas rochas encontram-se metamorfizadas sob as fácies xisto verde a anfibolito. Análises geocronológicas em quatro amostras coletadas na Formação Vila Pinheiro forneceram idades máximas deposicionais neoarqueanas: 2.704 ± 13 Ma e 2.708 ± 18 Ma para metaconglomerados do Membro Vieiras; e 2.709 ± 18 Ma e 2.703 ± 14 Ma para uma metagrauvaca e um sericita-xisto do Membro Veloso. A evolução deposicional registra uma mudança abrupta do vulcanismo subaquático e precipitação química para uma sedimentação clástica de alta energia controlada por falhamento sin-sedimentar. Fluxos de massa induzidos pela gravidade, originados a partir do colapso de escarpas de falha, canibalizaram mecanicamente os cherts subjacentes, depositando conglomerados basais. À medida que a sub-bacia se aprofundou, esses fluxos evoluíram para turbiditos rítmicos espessos, culminando em pelitos de granulometria fina. Regionalmente, ao contrário dos greenstone belts adjacentes que registram transições para sucessões continentais, o Grupo Souza preserva um ambiente persistentemente de águas profundas ao longo de seu registro estratigráfico, truncado por contatos de falha associados ao Supergrupo Minas, do Paleoproterozoico.
Integração e modelagem de dados gamaespectrométricos, magnetométricos e gravimétricos na porção emersa da Bacia de Alagoas
OLIVEIRA, Roberto Gusmão de; RODRIGUES, Marília de Araújo Costa
A Bacia de Alagoas, situada na margem continental leste do Nordeste brasileiro, integra o sistema rifte Sergipe-Alagoas, desenvolvido durante o Cretáceo Inferior como consequência da fragmentação do Gondwana e da abertura do Atlântico Sul. Esse sistema preserva um registro completo das fases pré-rifte, rifte, pós-rifte e cenozoica, refletindo a evolução tectonossedimentar fanerozoica da margem continental leste da Província Borborema. A pesquisa integrou dados geológicos, gravimétricos e aerogeofísicos com o objetivo de caracterizar a arquitetura da bacia, o embasamento adjacente e as estruturas tectônicas regionais. Essa abordagem possibilitou a identificação de feições estruturais controladas por antigas zonas de fraqueza pré-cambrianas reativadas durante o Mesozoico. O estudo apresenta a síntese geológica da área, os métodos de aquisição e processamento dos dados, bem como as metodologias de integração e interpretação adotadas. A análise revelou padrões regionais de anomalias e lineamentos que evidenciam o controle tectônico sobre a sedimentação e a evolução da margem continental. A modelagem integrada dos dados gravimétricos e magnetométricos mostrou-se essencial para a caracterização estrutural da bacia e para a compreensão dos controles tectônicos. Foram realizadas 15 modelagens diretas 2,5D por meio do programa GmSys, integrando informações de 33 poços exploratórios, o que permitiu construir modelos quantitativos de densidade e suscetibilidade magnética consistentes com o arcabouço geológico regional. Os resultados destacam o papel das falhas normais e do embasamento cristalino na compartimentação e evolução da bacia, sendo igualmente discutidas as premissas, limitações e interpretações associadas a cada perfil modelado.


