MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ RODOLPHO TOURINHO NETO ALMIR JOSÉ DE OLIVEIRA GABRIEL Ministro de Estado Governador do Estado SECRETARIA DE MINAS E SECRETARIA EXECUTIVA DE IN- METALURGIA DÚSTRIA, COMÉRCIO E MINERAÇÃO LUCIANO DE FREITAS BORGES ALOISIO AUGUSTO LOPES CHAVES Secretário Secretário de Estado PREFEITURA MUNICIPAL DE MONTE ALEGRE JARDEL VASCONCELOS CARMO Prefeito Municipal COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS Diretor Presidente Carlos Oiti Berbert Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Gil Pereira de Souza Azeredo Diretor de Geologia e Recursos Minerais António Juarez Milmann Martins Diretor de Administração e Finanças José de Sampaio Portela Nunes Diretor de Relações Institucionais e De- senvolvimento Augusto Wagner Padilha Martins Superintendente Regional de Belém Xafi da Silva Jorge João Chefe do Departamento de Gestão Terri- torial Cássio Roberto da Silva MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA INFORMAÇÕES PARA GESTÃO TERRITORIAL - GATE PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO MINERAL EM MUNICÍPIOS DA AMAZÔNIA – PRIMAZ DIAGNÓSTICO DO POTENCIAL ECOTURÍSTICO MUNICÍPIO DE MONTE ALEGRE Autor: JOSÉ MARIA DO NASCIMENTO PASTANA Geólogo BELÉM 1999 CRÉDITOS DE AUTORIA JOSÉ MARIA DO NASCIMENTO PASTANA Revisão Geral Agildo Pina Neves José de Moura Carreira INFORMAÇÕES PARA GESTÃO TERRITORIAL - GATE PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO MINERAL EM MUNICÍPIOS DA AMAZÔNIA- PRIMAZ Executado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM Superintendência Regional de Belém Coordenação Editorial a cargo da Superintendência Regional de Belém PASTANA, José Maria do N. Diagnóstico do potencial ecoturístico do município de Monte Alegre Programa Informações para Gestão Territorial. Estado do Pará: CPRM, 1999. Município de Monte Alegre p.:il.; + mapa Executado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM, Superintendência Regional de Belém COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS EQUIPE TÉCNICA COORDENADOR EXECUTIVO: MANOEL DA REDENÇÃO E SILVA SUPERVISOR: AGILDO PINA NEVES COORDENADOR DA ÁREA OESTE: JOSÉ MARIA DO NASCIMENTO PASTANA EQUIPE EXECUTORA: José Maria do Nascimento Pastana Sheila Cristina Fonseca Rosa (estagiária) PARTICIPAÇÃO: Alain Giorgio Bahia Xavier (PMMA) Aluízio Marçal Moraes de Souza Antônio Pereira de Araújo Júnior Expedito Jorge de Souza Costa Graciete Branco Cunha da Silva Nelci Sadeck (SETRANS/MTA) DIGITAÇÃO: Josiane Macedo de Oliveira* Sheila Cristina Fonseca Rosa Tatiana Brasil Brandão Gandra (PMS) APOIO DE CAMPO: Denise Silva Pamplona (estagiária) Raimundo José Machado Bahia * EDITORAÇÃO E CARTOGRAFIA DIGITAL: José Ferreira da Rocha * Rosinete Borges Cardoso Rodrigues* NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: Maria Léa Rebouças de Paula DOCUMENTAÇÃO FOTOGRÁFICA: José Maria do Nascimento Pastana Thiago do Carmo Júnior (PMMA) Pinon Friaes FORMATAÇÃO: Josiane Macedo de Oliveira* * Prestador de Serviço AGRADECIMENTOS Para a elaboração deste "Diagnóstico do Potencial Ecoturístico", foram necessários a co- leta e o ordenamento de um grande número de informações relacionadas à atividade turística no município Monte Alegre. Nessas ações, foram essenciais o apoio e a parceria fornecidos por instituições e pessoas físicas atuantes no município, quer no fornecimento de material para pesquisa bibliográfica, na geração de informações, na cessão de fotos ilustrativas, quer no apoio durante os trabalhos de campo. Desta maneira, ficam aqui re- gistrados os agradecimentos da CPRM/PRIMAZ à Prefeitura Municipal de Monte Alegre, na pessoa do Exmo. Sr. Prefeito, Dr. Jardel Vasconcelos Carmo, pelo apoio irrestrito à equipe; à Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, através de seu titular, Dr. Alain Giorgio Bahia Xavier, bem como à Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Des- porto e Turismo, na pessoa da Professora Aldenora C. da Silva, chefa do Departamento de Cultura, pelo fornecimento de informações consubstanciadas e atuais; ao Dr. Thiago do Carmo Júnior, Secretário Municipal de Obras, Urbanismo e Terras Patrimoniais, o qual, juntamente com o Sr. Pinon Friaes, ecologista e historiador, foram responsáveis pela ces- são de grande parte da documentação fotográfica que é apresentada neste trabalho; ao Dr. Nelci Sadeck, engenheiro da SETRANS e, inegavelmente, o maior conhecedor dos sítios arqueológicos com pinturas rupestres de Monte Alegre, pelo fornecimento de farta literatura sobre o setor turístico regional, fundamental para a pesquisa bibliográfica; ao Sr. Raimundo José Machado Bahia ("Deputado"), pelo apoio durante os trabalhos de campo; e, às demais pessoas e/ou instituições, que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste Diagnóstico do Potencial Ecoturístico do Município de Monte Ale- gre. SUMÁRIO 1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS 1 2 - CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO 7 2.l - Localização e acesso 7 2.2 - Área e população 9 2.3 - Clima 9 2.4 - Estrutura político administrativa 10 3 - INFRA-ESTRUTURA 11 3.1 - Malha rodoviária 11 3.2 - Hospedagem 13 3.3 - Comunicação e energia 13 3.4 - Saneamento 14 3.5 - Sistema bancário 15 3.6 - Saúde e Educação 15 4 - A HISTÓRIA DE MONTE ALEGRE 17 4.1 - O Início da Colonização 17 4.2 - O Período Pombalino 18 4.3 - O fim do Período Colonial 19 4.4 - A Cabanagem em Monte Alegre 21 4.5 - Depois da guerra civil 22 5 - POTENCIAL TURÍSTICO 24 5.1 - Introdução 24 5.2 - Conceituação 24 5.3 - Atrativos turísticos 25 5.3.1 - Atrativos histórico culturais 25 5.3.1.1 - Sítios arqueológicos e pinturas rupestres 26 5.3.1.2 - Sítios líticos 42 5.3.1.3 - Sítios cerâmicos 42 5.3. l .4 - Sítios com petroglifos 42 5.3.2 - Atrativos físicos 43 5.3.2.1 - Bacias hidrográficas 43 5.3.2.2 - Cachoeiras 47 5.3.2.3 - Formações rochosas 57 5.3.2.4 - Fontes termais sulfurosas 67 5.3.3 - Atrativos biológicos 75 5.3.3.1 - Várzea 75 5.3.3.2 - Cerrado/Savana 76 5.3.3.3 - Floresta 77 5.3.3.4 - Garças e botos 78 5 3.4 - Atrativos esportivos 78 5.3.4.1 - Pesca esportiva 78 5.3.4.2 - Montanhismo e rapel 79 5.3.4.3 - Canoagem 79 5.3.5 - Outros atrativos 79 5.3.5.1 - Festas religiosas 79 5.3.5.2 - Festas populares 81 5.3.5.3 - Festas cívicas 81 5.3.5.4 - Exposições 81 5.3.5.5 - Gastronomia 82 5.3 5.6 - Artesanato 82 5.3.5.7 - Folclore 83 6 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 84 7 - BIBLIOGRAFIA 86 ANEXO Mapa do Potencial Ecoturístico Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 1 – CON SIDERAÇÕES GERAIS No atual contexto econômico mun- zação do ócio. Esse número chega a atingir dial, o turismo é a atividade que apresenta 200 milhões de pessoas, anualmente. os mais elevados índices de crescimento, movimentando, anualmente, a fantástica De acordo com a Organização cifra de US$ 3,5 trilhões. Na última déca- Mundial de Turismo, o número de turistas da, a expansão do setor atingiu cerca de que empreendeu viagens internacionais, no 57% (EMBRATUR, 1994), suplantando ano de 1995, é estimado em 534 milhões de segmentos tradicionais da economia pessoas; para o ano 2000, a previsão é de mundial, como as indústrias bélica, auto- 661 milhões. Em termos de ganhos finan- mobilística e petrolífera (revista VEJA, de ceiros, o crescimento do turismo interna- 16/10/96). cional passou de US$18 bilhões, em 1970, para US$324 bilhões, em 1993 Em termos de geração de empre- (EMBRATUR, 1994). go, de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, o mercado turístico em- Por se tratar de uma indústria sem pregou cerca de 183 milhões de pessoas, chaminés, possível de se desenvolver sem no ano de 1991, com previsão de atingir causar agressões ao meio ambiente, desde que 203 milhões, em 1994. Atualmente, estima- devidamente planejada, e, também, pelo se que o setor turístico empregue um em seu caráter educativo, o turismo começa a cada nove trabalhadores no mundo, o que despontar como um instrumento de susten- representa cerca de 300 milhões de em- tação de um novo modelo de desenvolvi- pregos. Segundo o Dossiê da Europa (in mento, capaz de envolver os mais diversos QUINTÃO, 1990), o turismo constitui uma segmentos da sociedade, contribuindo, deci- das principais fontes geradoras de em- sivamente, para a melhoria da qualidade de prego nos países da Comunidade Euro- vida, nas regiões com vocação para a atividade péia, representando cerca de 6% do em- turística. prego total, ocupando 7,5 milhões de euro- peus. Atualmente, a França é o país mais procurado por turistas do mundo inteiro, ten- Segundo MAYA (in QUINTÃO, op do sido visitada por cerca de 60 milhões de cit), é significativo o número de pessoas pessoas, no ano de 1995. Em seguida, vêm que, anualmente, realizam algum tipo de a Espanha, os Estados Unidos, a Itália, o viagem para fora de suas regiões de origem, Reino Unido, a China, a Hungria, o México, a na busca de novos conhecimentos, renova- Polônia e a Áustria. ção de energia ou, simplesmente, em via- gens de puro lazer, na busca da valori- Na América do Sul, a Argentina ocu- 1 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre pa a 1a colocação (31° lugar no "ranking" EMBRATUR, podem ser citados os progra- mundial), sendo visitada por cerca de 4,1 mas criados, especificamente, com o objeti- milhões de turistas ao ano. Em segundo lu- vo de mudar o perfil do turismo do Brasil gar, aparece o Uruguai (41° no "ranking" mun- (Folha do Meio Ambiente, 04/97): dial) com 2,5 milhões de turistas ao ano. - Programa Nacional de Municipaliza- Nesse panorama mundial, o Brasil, ção do Turismo (PNMT) - criado em a- apesar de possuir dimensões continentais, gosto de 1995, envolve 151 entidades di- incomensuráveis recursos naturais, cerca de 8 ferentes; em apenas 2 anos, engajou mil quilômetros de litoral e algumas das regi- 757 municípios em todo o país, treinando ões mais ricas em vida animal do planeta, mais de 1.000 monitores municipais. O tem, no turismo, uma de suas atividades de PNMT, coordenado pela EMBRATUR, menor desempenho, detendo apenas 0,05 % segue a orientação da Organização do mercado turístico mundial e ocupando um Mundial do Turismo - OMT, cadastrando insignificante 42° lugar entre os países mais municípios com potencial turístico e procurados pêlos turistas internacionais. promovendo o treinamento de guias de Ainda de acordo com a revista VEJA ecoturismo. (16/10/96), no ano de 1995 o Brasil foi visitado, somente, por 2 milhões de turistas, sendo - Programa de Qualificação Pro- suplantado pela minúscula península de fissional dos Recursos Humanos - res- Macau (28° lugar), pela Romênia (37° lu- ponsável pelo treinamento de 32 mil traba- gar) e pelo quase desconhecido Baharein lhadores do setor turístico; para o ano de (39°lugar), além do vizinho Uruguai, anterior- 1997, estavam previstos recursos ori- mente citado. Segundo reportagem da Folha undos do Fundo de Assistência ao do Meio Ambiente (Brasília, 04/97), "o destino Trabalhador - FAT, da ordem de US$ 16 mi- Brasil representa apenas 0,3 % do total de lhões. viagens e a receita em divisas não ultrapassa a casa dos US$ 2 bilhões". - Programa Nacional do Finan- ciamento do Turismo - com recursos Para reverter esse quadro, é necessá- de R$ l bilhão, oriundos do BNDES. ria a adoção de medidas visando a promoção, cada vez mais intensa, da atividade turística, em - PRODETUR - com financiamento do níveis nacional e internacional, além da busca Banco Interamericano de Desenvolvimento da sua sustentabilidade, a longo prazo. - BID, visando a aplicação de US$ 800 milhões em obras de infra-estrutura bá- Como ações efetivas do governo fede- sica, nos principais pólos turísticos do ral, através do Instituto Brasileiro de Turismo - Nordeste. 2 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre - PROECOTUR - financiado através do " é uma forma de turismo que combi- BID, visa a aplicação de US$ 210 mi- na a conservação com o desenvolvi- lhões para o ordenamento do ecotu- mento, pois cria opções econômicas rismo, na Amazônia Legal. que incentivam a população a con- servar o meio ambiente"(GLASER & No contexto nacional, a Amazônia MARCUS, 1996). destaca-se por sua extrema exuberância, sendo detentora da maior reserva de matas De uma forma bem mais simples, tropicais do planeta, da mais extensa e com- o ecoturismo pode ser caracterizado plexa bacia hidrográfica e, também, da como aquele turismo desenvolvido em maior diversidade genética da face da terra, áreas com potencial ecológico, onde a além de abrigar inúmeras culturas indíge- referida atividade interage com a preser- nas, artesanais, etc. Em função dessa in- vação ambiental. comensurável riqueza em recursos natu- rais, a região vem experimentando, nos Detentor de cerca de 50% dos a- últimos anos, o crescimento de um tipo parti- trativos turísticos da região amazônica, de cular de atividade turística, denominada eco- acordo com os dados do Programa de turismo ou turismo ecológico. Estudos e Pesquisas dos Vales Amazôni- cos - PROVAM/1995 - SUDAM/OEA, pu- Dentre as definições usualmente blicados no jornal O LIBERAL (Repórter empregadas para o ecoturismo, podem ser 70, de 18/11/96), o Estado do Pará repre- destacadas as seguintes: senta uma das regiões de maior potencial - "é a atividade de lazer voltada para para investimentos no setor turístico. To- a valorização do ócio, em que o ho- davia, ainda de acordo com aquela repor- mem busca, por necessidade e por di- tagem, apesar de todo o potencial, o tu- reito, a revitalização da capacidade rismo receptivo, no Estado, ainda é insig- interativa e do prazer lúdico nas rela- nificante, registrando apenas 40.600 turis- ções com a natureza" (QUIN- tas ao ano, os quais permanecem, em TÃO,1990). "é um segmento da ativi- média, 2,5 dias. A geração de renda a dade turística que utiliza, de forma partir da atividade turística, no Pará, é de sustentável, o patrimônio natural e apenas US$ 78,2 milhões ao ano, dos cultural, incentiva sua conservação e quais somente 10% estão relacionados a busca a formação de uma consciên- turistas estrangeiros. cia ambientalista através da interpre- tação do ambiente, promovendo o Para tentar mudar esse quadro e bem-estar das populações envolvi- promover a alavancagem do setor turísti- das" (EMBRA-TUR,1994). co no Estado é necessário, inicialmente, o 3 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre conhecimento do real potencial das áreas milhões, sendo US$ 10 milhões somente para com maiores vocações turísticas, em espe- a fase de pré-investimentos. Esses recur- cial para o ecoturismo; em paralelo, devem sos serão internalizados de forma igualitária ser estabelecidas ações junto a agentes no setor público e na iniciativa privada, com financeiros nacionais e internacionais, na bus- 50% para cada uma das partes. ca de recursos para investir na área de infra- estrutura: ampliação e/ou melhoramento da O programa abrange os nove es- malha viária, combinada com a criação e/ou tados que compõem a Amazônia Legal, ampliação de sistemas portuários e aeroportu- sendo que em cada um destes foi sele- ários, saneamento básico, rede hoteleira, e- cionada uma região de reconhecida vocação nergia, saúde, educação (incluindo educação turística, onde foi instalado um pólo de ecotu- ambiental), qualificação de mão-de-obra, etc. rismo. Por sua reconhecida capacidade na No Estado do Pará, através de uma geração de emprego e internalização de ren- ação da Secretaria de Estado de Ciência, da, a atividade turística vem tendo sua impor- Tecnologia e Meio Ambiente - SECTAM, foi tância cada vez mais destacada, como elemen- selecionado o Pólo Tapajós, que inclui os to indutor do fortalecimento econômico do Es- municípios de Santarém, Belterra, Aveiro e tado do Pará. Essa importância vem sen- Itaituba, na bacia do Tapajós, além de Monte do demonstrada através de sucessivas a- Alegre, Alenquer, Óbidos e Oriximiná, na mar- ções governamentais, nas esferas federal, esta- gem esquerda do Amazonas. Segundo a dual e municipal. SECTAM, "a seleção da região do Pólo Tapajós se constitui em opção apropriada, Recentemente, o governo do Estado não só porque dispõe unidades viáveis para priorizou a indústria do turismo para a con- exploração sob o manejo ecoturístico, como cessão de incentivos fiscais e financeiros, atra- também, no entorno das mesmas, situa-se vés da Lei Estadual n° 5.943, de 02.02.96 uma variada cadeia de produtos turísticos (SECTAM, 1998). potenciais, favorecendo, junto à oferta de inte- resse ecológico, um extraordinário e diversifica- Em nível federal, a criação do do roteiro de opções". PROECOTUR representa, provavelmente, o marco mais importante para a impulsão do Entre outros atrativos, o Pólo Ta- turismo na Amazônia. Tendo como principal pajós é constituído por regiões de extre- objetivo o ordenamento do eco t u r is m o na ma beleza cênica, representadas por flo- Amazônia Legal, o PROECOTUR é coordena- restas nativas, praias de água doce, cam- do pela Secretaria da Amazônia Legal, do pos naturais, áreas de cerrado, várzeas, MMA, tendo o BID como agente financei- cachoeiras, rios, lagos, serras, caver- ro. Os recursos são da ordem de US$ 210 nas, etc, além disso, merecem destaque 4 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre as lindíssimas fauna e flora, que com- Aramanaí Turismo. põem os mais diferentes ecossistemas, Apoio: SECTAM e ITERPA. geralmente ainda bem preservados. O conhecimento e posterior ordenamento de 3 - Fortalecimento Institucional todo esse potencial, deve constituir-se em Coordenação: Prefeitura Municipal de um dos objetivos primordiais do Itaituba. PROECOTUR/Pólo Tapajós. Participação: Fundação Esperança, UFPA e Associação Cristã de Moços. A cidade de Santarém, principal Apoio: SEICOM, PARATUR e GTT. centro irradiador de progresso para todo o oeste paraense, tem um destaque especi- 4 - Marco Regulatório al na estrutura organizacional do Pólo Coordenação: SECTAM/Governo do Tapajós, a qual está assim constituída: Estado. Apoio: Secretaria de Estado de Desen- ! Coordenação Institucional - SECTAM volvimento Estratégico SEDE/Governo do Apoio: Secretaria de Estado de Desenvol- Estado. vimento Estratégico -SEDE. 5 - Estudos e Projetos ! Coordenação Operacional - Prefeitura Coordenação: Secretaria de Estado de Municipal de Santarém Desenvolvimento Estratégico - Apoio: GTT e Trade SEDE/Governo do Estado. Apoio: SEPEAN, SEICOM., PARATUR, ! Secretárias Técnicas: GTT. 1 - Planejamento do Ecoturismo nos municípios do Pólo Um dos integrantes do Pólo Tapa- Coordenação: Prefeitura Municipal de jós, o Município de Monte Alegre, está Santarém. situado na porção nor-noroeste do Estado Coordenadoria Municipal de Turismo Par- do Pará, na margem esquerda do rio ticipação: Secretarias de Turismo dos Amazonas. Municípios do Pólo. Apoio: PARATUR. Originário de uma das mais anti- gas fundações urbanas do interior para- 2- Áreas Protegidas ense, Monte Alegre é um município ex- Coordenação: Prefeitura Municipal de tremamente rico em recursos naturais, Belterra. que representam importantes atrativos Participação: Prefeituras de Oriximiná, turísticos, destacando-se, entre outros, as Itaituba e Óbidos; cavernas com pinturas rupestres, as fon- Grupo Gestor da FLONA do Tapajós e tes termais sulfurosas, as áreas de vár- 5 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre zea, os campos naturais, os rios e lagos banco de dados, capaz de subsidiar a piscosos, etc., além do rico artesanato, a elaboração de políticas públicas voltadas deliciosa cozinha regional, o clima saudá- vel e, sobretudo, a extrema hospitalidade para o fortalecimento do turismo da região de seu povo. e, conseqüentemente, da melhoria da A avaliação de todo esse imenso qualidade de vida da população, é o obje- potencial, a partir da formação de um tivo principal do presente trabalho. 6 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 2 – CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO 2.1 - Localização e Acesso do. Parte integrante da Mesorregião do O acesso fluvial, é efetuado por Baixo-Amazonas, o município de Monte meio de embarcações de médio porte Alegre está localizado na porção (barco-motor) e, eventualmente, de gran- nor-noroeste do estado do Pará, entre as de porte (navio tipo Catamarã), que ope- coordenadas de 00°22'51" de latitude Norte ram no trecho Belém/Manaus, através do e 02°25'35" de latitude Sul, e 53°41'11" e rio Amazonas, fazendo escala em Monte 54°54'12" de longitude Oeste (fig. 1). Alegre. As viagens têm freqüência sema- A cidade de Monte Alegre, sede mu- nal, cobrindo um percurso de 850 km em nicipal, está situada na porção sul-sudeste 72 horas. Com Santarém, o acesso fluvial do município, na margem esquerda do é realizado diariamente (à exceção de paraná do Gurupatuba, próximo à ligação domingo), através de barcos-motor de deste com o rio Amazonas, tendo como pequena e média tonelagem, que reali- coordenadas centrais 02°02'27MS e zam um percurso de 100 km em 6 horas. 54°04'08"W, que correspondem à sede da Outra opção é utilizar uma lancha-motor, Prefeitura Municipal. que realiza essa viagem em 4 horas. Monte Alegre está ligada às duas Existe, ainda, uma terceira opção, principais cidades do Estado do Pará - Be- que é o uso combinado de transporte flu- lém e Santarém - por vias aérea, terrestre vial/rodoviário. Há uma balsa que sai dia- e fluvial. A ligação com a capital do Esta- riamente de Santarém (à exceção do do- do, por via aérea, é efetuada por meio de mingo), transportando pessoal e veículos, aeronaves de pequeno e médio portes, tipos inclusive ônibus de passageiro, levando Caravan e Bandeirante, das empresas 2:30h para fazer o percurso Santa- PENTA e TAIL, respectivamente. Os vôos rém/Santana do Tapará. Dali, através da são diários e com escalas, de segunda a rodovia PA-255, a cidade de Monte Ale- sábado, com duração aproximada de 3:00h gre é acessada num tempo aproximado sendo a distância entre as duas cidades, de l :30h. em linha reta, é de 630 km. A ligação com Santarém é efetuada através das aerona- A ligação de Monte Alegre com os ves supramencionadas, das mesmas em- demais municípios vizinhos (Prainha, presas aéreas, cobrindo a distância de Alenquer, Óbidos e Oriximiná) pode ser 85 km num vôo de aproximadamente 25 realizada, também, por vias fluvial e ter- minutos, diariamente, de segunda a sába- restre. No primeiro caso, são utilizados 7 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO MINERAL EM MUNICÍPIOS DA AMAZÔNIA -PRIMAZ- MAPA DE LOCALIZAÇÃO SURINAME 56° GUIANA INGLESA RORAIMA 52° ILHA CAVIANA ILHA 48° ALMERIM MEXIANA 0° 0° ALENQUER MONTE ALEGRE PRAINHA SANTARÉM AMAZONAS 4° 4° MARANHÃO TOCANTINS 8° 8° MATO GROSSO 56° 52° 48° MUNICÍPIO DE MONTE ALEGRE ESCALA 1:10.000.000 Figura 01 Serviço Geológico do Brasil 8 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre barcos-motor, enquanto que o acesso, de Monte Alegre é do tipo awi, clima tro- por via rodoviária, é efetuado através da pical chuvoso, no qual as temperaturas PA-254, havendo linhas regulares de ôni- médias mensais nunca atingem valores bus para cobrir esses percursos. inferiores a 18°C e a precipitação do mês menos chuvoso alcança menos de 2.2 - Área e População 60mm, com período seco bem definido, deixando vestígios na vegetação e não A atual configuração do município apresentando variações de estações, de Monte Alegre foi estabelecida com com amplitude térmica inferior a 5°C base na Lei n° 158, de 31/12/48, que cri- (SUDAM, 1984). ou os municípios de Juruti, Óbidos, Alen- quer, Monte Alegre, Prainha e Itaituba, a A caracterização climática teve partir do desmembramento de Santarém. como base a série de dados, coletados De acordo com os dados oficiais (IBGE, durante 11 anos na estação meteorológi- 1994), a área do município é de ca do Instituto Nacional de Meteorologia- 20.232,50 km2, conforme aprovado na INMET, localizada no próprio município, Resolução-PR N° 0064, de 12 de setem- apresentados por OLIVEIRA JÚNIOR bro de 1994, na qual foram estabelecidos (1998). os valores para as áreas dos estados e As temperaturas médias mensais municípios do Brasil. variam de 25,7 a 27,TC, enquanto que a média das máximas varia de 30,0 a A população atual, de acordo com 32,5°C e a média das mínimas de 21,0 a o último censo efetuado pelo IBGE 22,0°C (SUDAM, op cit). (1996), é de 49.602 habitantes, apresen- tando um pequeno crescimento popula- O período mais chuvoso vai de fe- cional em relação ao censo anterior (1991 vereiro a maio, com precipitações pluvi- - 46.591 habitantes), da ordem de 5,64%, ométricas médias mensais superiores a num período de 5 anos. Desse total, 200mm, destacando-se o mês de abril 37,75%, representam a população urbana como o auge desse período "invernoso" (18.727 habitantes), enquanto os 62,25% (317,2mm), contribuindo com 18% do restantes correspondem à população total anual de chuva. O período menos rural (30.875 habitantes). chuvoso compreende os meses de se- tembro, outubro e novembro, com médias 2.3 - Clima mensais inferiores a 50mm, sendo que os dois últimos contribuem, individualmente, De acordo com a classificação de com apenas 2% do total anual de chuva, Kõppen, o clima dominante no município correspondendo ao ápice do período se- 9 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre co "verão". A insolação média mensal, cia da Câmara é exercida pela vereadora durante o verão, é sempre superior a Ismênia Reis Vasconcelos da Costa 225,00 horas (OLIVEIRA JÚNIOR, op. (PSDB). cit.). A estrutura organizacional da Pre- 2.4 - Estrutura Político-Administrativa. feitura Municipal, de acordo com a Lei n° 3.294, de 1989, está caracterizada pelo O poder político-administrativo es- Gabinete do Prefeito, 2 Assessorias (As- tá representado pelo prefeito atual, o o- sessoria Técnica e Assessoria Jurídica) e dontólogo Jardel Vasconcelos Carmo 7 Secretarias Municipais (Administração; (PSDB), além dos 13 vereadores que Finanças; Educação, Cultura, Desporto e compõem a Câmara Municipal, sendo 4 Turismo; Saúde; Assistência e Bem Estar do PMDB, 3 do PSDB, 3 da coligação Social; Obras, Urbanismo e Terras Patri- PTB/PL, 2 do PDT e l do PT; a presidên- moniais; Agricultura e Meio Ambiente). 10 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 3 - INFRA – ESTRUTURA À semelhança da grande maioria gando Monte Alegre aos municípios de dos municípios paraenses, Monte Alegre Prainha (a leste), Alenquer, Óbidos e é extremamente carente em termos de Oriximiná (a oeste). Apresenta direção infra-estrutura básica, muito embora a geral E-W e razoáveis condições de trá- atual administração esteja empenhada na fego durante o ano inteiro, mesmo não priorização de investimentos nos setores sendo pavimentada. Essa rodovia consti- de educação, estradas, saneamento, etc. tui, também, a principal ligação com a importante "zona das colônias", que re- Entretanto, para uma região que presenta um dos núcleos agrícolas do tem no potencial turístico uma de suas município. maiores vocações, torna-se urgente a adoção de políticas públicas voltadas para A partir do cruzamento da PA-254 o fortalecimento da infra-estrutura básica, com a PA-423 (localidade denominada em nível municipal, além da criação de Placas), seguindo para oeste, em direção uma consciência generalizada de que o ao rio Maecuru, partem inúmeras estra- turismo é um importante instrumento de das de penetração, para o norte e para o crescimento econômico, capaz de sul da PA-254 a intervalos regulares de 5 contribuir para a geração de emprego e km; essas estradas secundárias são de- renda, e, conseqüentemente, para a nominadas de Setores, sendo que aque- melhoria da qualidade de vida da po- las direcionadas para o sul recebem as pulação. numerações ímpares (Setor l a Setor 13), 3.1- Malha rodoviária enquanto as que se dirigem para o norte possuem as numerações pares (Setor 2 a Setor 14). Ao longo dos setores, estão A malha rodoviária instalada no instalados os assentamentos agrícolas, município está representada por três ro- que respondem por grande parte da pro- dovias estaduais, responsáveis pela liga- dução do município. ção de Monte Alegre com os municípios vizinhos, além de várias estradas munici- A rodovia PA-423, com direção pais e ramais diversos, que respondem pelas ligações intramunicipais. aproximada N-S e 48 km de extensão, liga a sede do município à PA-254, à altu- A PA-254 é a mais importante ro- ra da localidade denominada Placas. dovia estadual, com uma extensão de Embora sem pavimentação, apresenta 100 km dentro do espaço municipal, li- condições razoáveis de tráfego durante a 11 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre maior parte do ano (foto 1), à exceção do Monte Alegre ao porto de Santana do trecho onde a mesma corta o igarapé Tapará, no vizinho município de Santa- Ipepaquí, que fica quase intransitável rém, local da travessia do rio Amazonas, durante o período de inverno. Todavia, através de balsa motorizada, para a cida- a partir do presente ano, com a constru- de de Santarém. Dentro do município de ção de uma ponte de concreto com 20m Monte Alegre, a PA-255 tem uma exten- de comprimento sobre o referido curso são de 90 km, apresentando razoáveis d'água, o tráfego ao longo da PA-423 condições de tráfego (foto 2) durante o será contínuo, durante todo o ano. ano inteiro. Essa rodovia é a principal via de acesso à "zona dos lagos", onde estão concentrados importantes núcleos urba- A rodovia PA-255 liga a cidade de nos, na porção sul do município. Foto 1 – Rodovia PA-423 mesmo não sendo pavimentada, a rodovia apresenta razoáveis condições de tráfego, durante o ano inteiro. 12 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 2 – Rodovia PA-255 que liga a cidade de Monte Alegre ao porto de Santana do Ta- pará (Município de Santarém), apresentando razoável condições de tráfego. 3.2-Hospedagem aparelho de TV. O hotel está localizado no bairro da Cidade Alta, na esquina da Trav. Dr. A falta de infra-estrutura básica Carlos Arnóbio Franco com a rua Rui Barbo- tem grande reflexo nos meios de hospeda- sa (foto 3), cobrando uma diária de gem do município. Mesmo sendo considerado R$ 15,00 a R$ 25,00, com direito a café da uma estância hidromineral, Monte Alegre manhã. Os demais meios de hospedagem dispõe de três hotéis em razoáveis condi- estão restritos a algumas pensões ou hospe- ções, instalados na sede municipal, capazes darias, sem condições de receber fluxo turís- de abrigar os viajantes e turistas que, espora- tico, razão pela qual não são aqui citados. dicamente, visitam a região. 3.3 - Comunicação e Energia O Hotel Casa de Férias, um anti- go convento de propriedade da Congre- Dentre os sistemas de comunica- gação Religiosa Irmãs da Imaculada Concei- ção instalados em Monte Alegre, desta- ção, encontra-se, atualmente, arrendado para cam-se os serviços prestados à população o Sr. Rui Macedo, o qual mantém em funcio- pela Empresa de Correios e Telégrafo - ECT, namento um pequeno, porém agradável hotel, que mantém uma agência na sede municipal, dispondo de 12 quartos com banheiro privati- responsável pelo recebimento e envio de car- vo e ventilador, alguns poucos com frigobar e tas e telegramas, além do serviço de Sedex. 13 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 3 – Hotel Casa de Férias, localizado no bairro da Cidade Alta. Os órgãos de comunicação de KWA. Essa potência está sendo ampliada massa estão representados pela rádio FM em mais 845 KWA, através da instalação Pinta - Cuia, de propriedade do empresário de 5 novos grupos geradores, por meio de Mateus Almeida, inaugurada no ano 1998, serviços terceirizados pela empresa Guascor além de uma repetidora de TV que retransmi- do Brasil. te as programações das redes Globo e Bandei- rante. 3.4 - Saneamento Os serviços de telefonia são opera- O saneamento básico, na cidade de cionalizados pela TELEMAR, que dispõe de Monte Alegre está restrito a uma rede de 27 17 telefones públicos e cerca de 1.100 galerias pluviais, que somente atende parte da terminais de telefonia convencional, além cidade. de postos de serviços instalados nas vilas Em virtude da inexistência de rede de Inglês de Sousa e Mulata. de esgotamento sanitário, os efluentes A geração de energia elétrica está a oriundos dos domicílios e das unidades co- cargo do Grupo Rede/CELPA, que mantém merciais são lançados, diretamente, nas um sistema composto por 9 grupos gerado- vias públicas, a céu aberto, drenando para res, com uma potência instalada de 3.000 o Paraná do Gurupatuba, que passa em 14 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre frente à cidade. A destinação final das cedentes de poços Amazonas e tubulares águas servidas e dos dejetos sanitários são rasos, perfurados por particulares, em su- as fossas domiciliares, secas ou negras; na as próprias residências, revelaram a pre- ausência destas, as águas servidas são lan- sença de coliformes totais e coliformes fecais, çadas diretamente nas sarjetas, a céu aberto. indicando a contaminação pela presença de fossas negras às proximidades dos poços, A produção diária de lixo na cidade tornando essas águas impróprias para o con- é de 19,2 toneladas, sendo 12 toneladas sumo humano. de lixo residencial e comercial, 7 tonela- das de inertes e 0,2 tonelada de lixo hospi- 3.5 - Sistema Bancário talar (QUARESMA, 1998). Na área urbana, a coleta desse lixo é efetuada, diariamente, O sistema bancário que opera em enquanto que nos bairros periféricos a cole- Monte Alegre está representado por duas ta é irregular, ficando a própria população agências instaladas na sede municipal, sendo incumbida de queimar ou enterrar o lixo, ou, uma do Banco do Brasil e a outra do Banco da simplesmente, jogá-lo a céu aberto. A disposi- Amazônia Sociedade Anônima - BASA, locali- ção final do lixo coletado é efetuada, atualmen- zadas na cidade alta e na cidade baixa, respec- te, em dois verdadeiros lixões a céu aberto. tivamente. O abastecimento d'água, efetuado pe- Essas duas agências operam com o la Companhia de Saneamento do Pará - sistema "on line", no horário das 10:00 h às COSANPA, ainda é realizado de forma precá- 14:00 h, nos dias úteis. Na agência do ria, através da captação de aqüíferos subter- Banco do Brasil está instalado um caixa râneos, por meio de baterias de poços tubula- eletrônico, com terminal para saques e outras res rasos (12 a 14 metros de profundidade), operações bancárias, funcionando das 10:00 h com utilização de bombas a vácuo. A oferta às 17:00 h, de segunda a sexta-feira. atual é da ordem de 2.500 m3/dia, suprindo, 3.6 - Saúde e Educação apenas, 63% da demanda, o que implica em um déficit diário de 1.500/m3 (PASTANA & Em Monte Alegre, o sistema de sa- SOUZA, 1998). A água que é distribuída à úde é administrado e operacionalizado pê- população foi submetida a análise bacterio- los governos federal, estadual e municipal, lógica (SOUZA, 1998), não apresentando através da Fundação Nacional de Saúde nenhum indício de contaminação por coli- (FNS), da Secretaria de Estado de Saúde formes, devido à eficiência no processo (SESPA) e da Secretaria Municipal de Saúde de cloração, na estação de tratamento (SESMA), respectivamente. (ETA) da COSANPA. Todavia, as análises bacteriológicas efetuadas em amostras pro- A FNS dispõe da melhor e mais antiga 15 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre unidade hospitalar instalada no município - ense Monte Alegre enfrenta sérios pro- Unidade Mista de Monte Alegre - dotada blemas relacionados à educação, regis- de 20 leitos e responsável pelas interna- trando altas taxas de evasão escolar e ções hospitalares, atendimentos de emer- baixas taxas de aprendizagem. gência e assistência ambulatorial básica. O sistema de ensino instalado no A participação da SESPA consiste município é mantido, exclusivamente, numa ação conjunta com o município, pelo Poder Público, representado pela desenvolvendo o Plano Municipal de Sa- Secretaria de Estado de Educação a úde e o Programa de Agentes Municipais (SEDUC), através da 6 URE (Unidade de Saúde. A SESPA dispõe, também, de Regional de Ensino), e pela Secretaria um consultório médico exclusivo para os Municipal de Educação, Cultura, Despor- segurados do IPASEP, além de um con- to e Turismo. A Universidade Federal do sultório odontológico. Pará (UFPa) é responsável pelo curso de Licenciatura Plena em Letras, ministrado A rede municipal de saúde conta durante o recesso escolar, enquanto que com o Centro de Saúde Nilo Peçanha, o Estado, em parceria com o município, além de 51 postos de atendimento, com mantém dois cursos profissionalizantes - 44 salas de curativos, prestando assis- Habilitação em Magistério e Agropecuá- tência ambulatorial básica. A prefeitura ria - além do Supletivo de 1° e 2° graus e dispõe, ainda, de um consultório médico do Projeto Gavião, destinado à recicla- exclusivo para os segurados do Instituto gem de professores. de Previdência do Município de Monte Existem atualmente, no município, Alegre - 1PMMA, além de um consultório 190 escolas municipais de ensino funda- odontológico. mental e 41 escolas estaduais, que abri- gam um contingente de 17.250 alunos A rede particular é integrada por (cerca de 35% da população municipal), dois consultórios médicos e dois consul- sob a orientação de 640 professores. E- tórios odontológicos, além de três peque- xiste apenas uma escola de 2° grau, na nos laboratórios de análises clínicas. sede municipal, com l. 170 alunos matri- A exemplo de todo o interior para- culados. 16 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 4 - A HISTÓRIA DE MONTE ALEGRE De acordo com o historiador Arthur zonas em 1639, integrando a expedição co- César Ferreira Reis (1942), Monte Alegre mandada pelo capitão Pedro Teixeira representa uma das mais antigas funda- (FRIAES, 1997). O primeiro local visitado foi o ções urbanas da Amazônia, cuja a origem aldeamento de Gurupatuba, localizado na antecede à própria ocupação da região margem esquerda do Paraná homônimo, pêlos colonizadores lusitanos. cuja denominação foi herdada dos índios Gurupatuba, antigos habitantes da região. Segundo os relatos históricos, o Além dos Gurupatuba, outros grupos de silví- primeiro navegador estrangeiro que explo- colas viviam na região, como os Carabocas, os rou a região do Médio-Baixo Amazonas Bubuizes, os Mariaus e os Serranos (REIS, foi o espanhol Francisco Orellana, em 1942). 1540, durante a sua viagem ao longo do Grande Rio, percorrendo-o de sua nascente No início da colonização portuguesa, até sua foz. Essa viagem deu origem a mui- coube aos religiosos Capuchos da Piedade tas lendas, como a da tribo das índias grande parte das terras da margem esquer- Amazonas, que deu nome à região, ao da do rio Amazonas, para fundarem "mis- principal rio e ao maior Estado, o Amazonas. sões" que tinham como principal objetivo a catequese dos índios, daquela região. Se- No início do século XVII, preocu- gundo alguns historiadores, essa cateque- pado com a constante presença de inva- se teria sido iniciada no começo do século sores estrangeiros, o governo português XVIII, antes de 1710, considerando que uma enviou várias expedições à Amazônia, a Carta Régia datada de 2 de julho, daquele fim de combatê-los. Uma dessas expedi- ano, entregava, a região do Jari, aos padres ções, comandada por Francisco Caldeira da Companhia de Jesus, excluindo os Castelo Branco, fundou a atual cidade de religiosos das ordens das Mercês e da Belém, capital do estado do Pará, no ano Piedade, os quais, no entendimento da- de 1616. A partir de Belém, foram organi- queles historiadores, já se encontravam zadas várias outras expedições, que subi- em serviço de catequese, na margem ram o rio Amazonas com a finalidade de esquerda do Amazonas (FERREIRA PENA,...). expulsar os invasores das terras sob o domí- nio lusitano. Embora não exista uma definição com relação à época de fundação do núcleo origi- 4.1- O Início da Colonização nário da atual cidade de Monte Alegre, é aceito Os primeiros colonizadores portugue- que os Capuchos da Piedade teriam iniciado a ses chegaram à região do Médio-Baixo Ama- colonização do município, a partir da criação de 17 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre uma missão, na aldeia dos Gurupatuba, às Gurupá, onde aqueles religiosos construíram margens do Paraná homônimo; posterior- uma estrutura maior. mente, a mesma teria sido transferida para o local onde está erigida, atualmente, a sede Por sua posição geográfica, Gurupa- municipal (CORRÊA, 1976). tuba representava o núcleo populacional amazônico mais ocidental, sob o domínio Existem, todavia, controvérsias entre português. O estabelecimento das missões os historiadores com relação à ordem religio- religiosas na Amazônia obedecia a um critério sa que estabeleceu a primeira "missão" na geográfico, uma vez que as mesmas se aldeia de Gurupatuba. Segundo Arthur Ce- situavam, geralmente, em pontos estratégi- zar Ferreira Reis, um dos mais brilhantes cos. Assim, além do religioso, existia o estudiosos da história de Monte Alegre, o cunho político, pois, a pretexto de guarne- primeiro posto de catequese na aldeia foi cer as missões estabelecidas, o governo estabelecido por religiosos da Companhia de de Portugal instalava fortificações militares Jesus, jesuítas, ainda no século XVII. De a- em pontos estratégicos, estendendo o seu cordo com o mesmo autor, o jesuíta missio- domínio através de uma região que, por nário João Felipe de Bettendorf, nascido em força do Tratado de Tordesilhas, pertencia à Luxemburgo, visitou a aldeia de Gurupatuba Espanha. em 1661, tendo ali erguido uma cruz. A partir de 1681, a aldeia passou a contar com a 4.2 - O Período Pombalino presença permanente dos religiosos Ina- cianos, responsáveis pela edificação de uma Com a morte de D. João V, rei de Por- igreja a Nossa Senhora da Conceição. Nesse tugal, subiu ao trono seu filho D. José, que período, Gurupatuba experimentou uma fase nomeou Sebastião José de Carvalho e Melo - o de grande desenvolvimento, chegando a marquês de Pombal - para a Secretaria de representar, pela sua importância, o papel de Negócios Estrangeiro, em 1750. Pombal uma verdadeira capital das missões do Baixo logo se transformou em um influente estadis- Amazonas. Com a chegada dos frades da ta do governo português e, durante sua admi- Piedade, à região, Gurupatuba passou para o nistração, foram tomadas importantes medi- domínio dos mesmos, que ali se estabelece- das relacionadas ao Brasil, como a extinção ram por mais de meio século, edificando, do Estado do Maranhão, o fim do regime entre outras obras, um grande templo em de capitanias hereditárias e a criação da homenagem a São Francisco de Assis, Companhia Geral do Comércio do Grão- hoje padroeiro da cidade de Monte Alegre. Pará, destinada ao fomento da produção e da Durante a administração dos frades da Pieda- exportação. de, a posição de destaque que era ocu- Ao proclamar a libertação dos indíge- pada por Gurupatuba foi transferida para nas brasileiros, em 1755, Pombal entrou em 18 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre atrito com os religiosos da Companhia de D. Marcos de Noronha Brito, o Conde dos Ar- Jesus, resultando na revolta dos Jesuítas, no cos (FRIAES, 1997) - na pesca e na pecuá- Pará. O agravamento da crise, em Portugal, ria, esta última incentivada pelo Capitão - culminou com a expulsão dos jesuítas, General Manoel Bernardo, encantado com tanto da nação portuguesa como de suas as belas campinas existentes no território mon- colônias, o que ocorreu em 1757. tealegrense (REIS, op cit). Além disso, a vila de Monte Alegre tornou-se famosa pela produ- Para governar o Estado do Grão- ção de cuias pintadas, responsável, até hoje, Pará e Maranhão, Pombal nomeou seu ir- pela denominação de "pinta-cuias", para todos mão, Francisco Xavier de Mendonça Furta- os montealegrenses. do, que chegou à região amazônica em 1757. O novo governador realizou uma exce- 4.3- O Fim do Período Colonial lente administração, adorando, entre ou- tras medidas, a criação de vilas em substi- Encerrado o Período Pombalino, a tuição às missões religiosas instaladas na regi- ascensão de D. Maria I ao trono de Portugal - ão. devido ao falecimento de D. José -n não trouxe, de imediato, qualquer mudança signi- Em 1758, durante uma viagem à ficativa para as vilas instaladas na região ama- Mariuá, no rio Negro, onde se encontraria zônica. com representantes do governo espanhol, a fim de tratar da demarcação dos limites Em Monte Alegre, como em todo entre as terras das coroas Lusitana e Es- o restante da Amazônia sob o domínio panhola, Mendonça Furtado aportou em português, nas últimas décadas do Período Gurupatuba, no dia 27 de fevereiro; nessa Colonial, o quadro social era extremamente mesma data, a antiga missão foi elevada à desfavorável ao primitivo habitante da região categoria de vila, recebendo a denomina- - o índio -do qual dependia qualquer ação ção de Monte Alegre, em alusão a uma vila executada pelo poder constituído ou pêlos situada ao norte de Portugal, e, também, à colonos. Sem a presença do índio, o Estado beleza que o local proporcionava aos não teria mão-de-obra para a colheita, para a visitantes (REIS, 1942). construção de obra públicas e para os contin- gentes militares; os colonos não teriam como Como vila, Monte Alegre alternou desenvolver suas atividades. épocas de grande progresso com épocas de dificuldades, durante todo o período Todavia, mesmo sendo reconhecida a colonial. Sua economia baseava-se na pro- sua importância para o desenvolvimento da dução agrícola - notadamente no plantio do região, o índio era vítima da voracidade do cacau, um dos principais produtos de exporta- Estado, através das ações de diretores de ção, cuja cultura fora introduzida em 1802, por vilas que os exploravam e os hostilizavam, 19 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre num flagrante descumprimento às instruções Os ideais que nortearam a Revolução legais de proteção aos silvícolas. Esses des- Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternida- mandos só foram minimizados a partir do go- de) espalharam-se pelo novo mundo e chega- verno de D. Francisco Maurício de Souza ram à Amazônia, no início da 3a década do Coutinho, que também foi o responsável pela século XIX (1821), encontrando um clima pro- instalação, em Monte Alegre, de uma pício à sua disseminação. Em Belém, as dife- serraria para beneficiamento de madeiras renças eram marcantes entre os reinóis (pes- nobres- principalmente o cedro- cujos tron- soas naturais do reino) e os paraenses; en- cos eram carregados pelo rio Amazonas, em quanto os primeiros representavam o poder direção ao Atlântico. e a opulência, aos nativos restavam o mal- estar, a fome e as demais dificuldades que A serraria Real, inaugurada no final sempre são impostas às classes menos do século XVIII, beneficiava as toras de ce- favorecidas. Dessa maneira, as idéias de dro, transformando-as em pranchas que democracia dos filósofos europeus passaram eram comercializadas com Belém, e, desta, a constituir a aspiração maior da gente da regi- exportadas para Lisboa, a fim de atender às ão. grandes construções que eram realizadas em Portugal. O inevitável choque entre esses dois grupos sociais ecoou por todo o interior do A "pesca" e o posterior beneficia- Estado. Em Monte Alegre, a elite social e mento de toras de madeiras-de-lei trans- econômica era representada pêlos fazen- formou-se em um próspero negócio para os deiros de gado, os proprietários das planta- montealegrenses, que se tornaram em gran- ções de cacau, os exploradores do setor des fornecedores de matéria-prima para a madeireiro, enfim, os senhores da terra. A construção naval, notadamente em Belém, grande maioria da população, representada onde eram construídos navios para a frota por descendentes de índios, vivia à margem lusitana (REIS, op cit). das mais elementares conquistas sociais e, naturalmente, sonhava com mudanças nesse Na segunda década do século XIX, tão injusto quadro social. devido à escassez de matéria-prima e à má administração exercida pelo governo do Esta- Assim, a sonhada Independência foi do, a serraria Real encerrou suas atividades, recebida com grande entusiasmo pêlos mon- em Monte Alegre, transferindo-as para o tealegrenses e, a 12 de outubro de 1822, vizinho município do Óbidos. Essa transfe- Monte Alegre declarava sua adesão ao novo rência representou mais uma perda para sistema liberal. Por ocasião da Independência Monte Alegre, que, ao final do período coloni- do Brasil, Monte Alegre ainda detinha status al, via diminuir sua importância econômica. de vila, o que foi mantido, mesmo após a no- 20 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre va divisão administrativa da Amazônia, da vila o capitão-mor Antônio Clemente estabelecida pelo Conselho Provincial, de- Malcher (ironicamente, primo do primeiro pois de decretado o Código do Processo presidente cabano, Félix Antônio Clemen- Criminal do Império (REIS, op cit). te Malcher, um montealegrense), que co- mandava a terceira Companhia da Guarda 4.4 - A Cabanagem em Monte Alegre Nacional. A cabanagem, o único movimento Sob o comando de António Mal- revolucionário através do qual o povo brasi- cher, Monte Alegre preparou-se para a leiro chegou efetivamente ao poder, foi desen- luta armada, guarnecendo a vila para en- cadeada na Província do Grão-Pará, no perío- frentar um possível ataque dos rebeldes do de 1833 a 1840. cabanos, além de enviar uma expedição a Àquela época, embora o Brasil já es- Belém, para apoiar as forças "legalistas". tivesse independente há mais de uma déca- A seguir, aliou-se a Santarém, onde fun- da, no norte do País, mais precisamente no cionava a Comarca do Baixo Amazonas, Pará, os portugueses agiam como se a Na- cujo juiz de direito - Dr. Joaquim Rodri- ção Brasileira ainda fosse colônia de Portugal, gues de Souza - assumiu a defesa da causando profundo mal-estar e desconten- região, promovendo as ações necessárias tamento na população nativa, notadamente à manutenção "da ordem e da legalidade", nos mais pobres, que residiam nas peri- em todo o Baixo Amazonas. ferias da capital e nas regiões ribeirinhas. O clima de tensão perdurou por to- Estes, via de regra, viviam em habitações do o ano de 1835. Todavia, o esperado extremamente modestas, cobertas de palhas e ataque a Monte Alegre não aconteceu, denominadas "cabanas". apesar das ondas de boatos que davam Assim, a principal causa da revolta conta da presença cabana, às proximida- era o antagonismo entre portugueses e des. O estado de tensão atingiu o clímax brasileiros, fomentador de um crescente no final daquele ano, quando foi descober- sentimento de ódio aos dominadores, aliado a to o plano cabano para tomar de assalto a um forte sentimento nacionalista. vila, na noite de Natal. Com a prisão dos mentores da pretensa invasão - Hilário Com a explosão do movimento re- Inácio Pereira, José Pires, Alexandre volucionário na capital da Província, pre- Sanches de Brito, Isidro Antônio Raiol e cipitado pela morte prematura do cônego Teodoro Ruiz Vieira - imaginaram os mon- Batista Campos-mentor intelectual da Ca- tealegrenses que o perigo havia passado. banagem - Monte Alegre passou a viver Todavia, na madrugada de 28 de fevereiro dias de agitação, assumindo a segurança de 1836, depois de ocuparem Breves e 21 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Garupa, os cabanos finalmente atacaram o vigário Antônio Macário Alves da Costa, Monte Alegre. A primeira vítima foi o capi- o juiz municipal Tomaz Ferreira e o juiz de tão- mor António Clemente Malcher, se- órfãos Vitório de Assunção. E, a 22 de guindo-se a execução de inúmeros mora- julho de 1836 tinha fim a dominação em dores. Monte Alegre, da mesma forma Monte Alegre, muito embora os cabanos que as demais vilas do Alto e Baixo tenham realizado outras tentativas de re- Amazonas, estava sob o domínio cabano tomada do poder. (REIS op cit). Finalmente, em outubro do mesmo Durante a ocupação de Monte Ale- ano, aportou em Santarém uma grande gre, o governo da Província era exercido expedição enviada pelo general Soares por Eduardo Angelim, que foi o terceiro Andréa, com o objetivo de expulsar defini- presidente cabano. Os rebeldes de Monte tivamente os cabanos e pacificar a região, Alegre, circunstancialmente no poder, contando com o apoio de Monte Alegre, reuniram a câmara local e impuseram o que enviou um contingente para reforçar a reconhecimento de Angelim como presi- tropa legalista. dente da Província. A vitória cabana, à- quela altura, estava consumada. Ao final do movimento cabano. Monte Alegre havia pago um alto preço: A partir de Monte Alegre, os rebel- além das centenas de vidas ceifadas, de des, cada vez mais fortalecidos com a ambos os lados conflitantes, os caçoais, chegada de novos adeptos à causa, de- sua principal fonte de riqueza, estavam sencadeavam expedições aos núcleos destruídos ou abandonados. que ainda opunham alguma resistência à dominação cabana. 4.5 - Depois da Guerra Civil Entretanto, na capital, aumentava A partir de 1840, a recuperação da cada vez mais a resistência à revolução economia do município passou a ser a cabana. Em abril de 1836, à frente de um maior preocupação em Monte Alegre. Es- forte aparato militar, o general Francisco sa recuperação foi iniciada na região dos José Soares Andréa conseguia depor E- lagos e às margens dos principais rios da duardo Angelim e retomar o governo da região, o Amazonas, o Maecuru e o Guru- Província. Da mesma maneira, o Alto e o patuba. Tradicional sociedade de agricul- Baixo Amazonas também iniciavam sua tores e pastores, os montealegrenses de- reação, na tentativa de restaurar a "legali- dicaram-se, novamente, a lavrar terra, dade" em toda a região. Em Monte Alegre, abrindo novos cacoais e implantando no- à frente da resistência estavam o presi- vas fazendas de criação de gado. E o es- dente da Câmara, Francisco José Nunes, forço não foi em vão, haja vista que, em 22 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre menos de duas décadas, o município já seiva da Hevea brasiliensis (seringueira), estava produzindo café, algodão e cacau atividade que influenciou, de maneira de- (REIS, op cit). finitiva, a história econômica da Amazônia. Na vila, à época habitada por ape- Após a proclamação da República, nas 4.000 moradores, a câmara concedia ocorreu uma ampla reorganização da ad- terrenos nas partes alta e baixa da cidade, ministração pública brasileira, sendo extin- além de incentivar a abertura de novos tas as Câmaras Municipais e criados os comércios, visando aumentar a renda lo- Conselhos Municipais. Em Monte Alegre, cal. a extinção da Câmara ocorreu no dia 3 de fevereiro de 1890 (Decreto n° 27), sendo Uma significativa mudança, na vida criado, no mesmo dia, o Conselho de In- do município, começou a ocorrer a partir tendência Municipal (Decreto n° 28), com de 1860, quando, atraída pelas vantagens a imediata nomeação de todos os seus oferecidas para a exploração dos serin- membros. No ano seguinte, foi realizado o gais, a mão-de-obra montealegrense foi primeiro pleito municipal, sob o regime abandonando a lavoura do cacau e a cria- republicano, sendo eleito o Presidente do ção do gado, migrando para os vales dos Conselho (e, conseqüentemente, o Inten- rios Tapajós, Xingu e Madeira. Assim co- dente Municipal), Augusto Teodorico Nu- mo outros milhares de brasileiros, os ex- nes, além dos vogais Pedro Paulo de Ma- agricultores de Monte Alegre também fo- cedo, Miguel Maria A. Lopes, João Antô- ram seduzidos pela possibilidade de aufe- nio Dias de Lima e Veríssimo Ferreira de rir maiores ganhos com a extração da Moraes (CORRÊA, 1976). 23 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 5 - POTENCIAL TURÍSTICO 5.1 - Introdução 5.2 - Conceituação O município de Monte Alegre é ex- Uma vez que este trabalho é desti- tremamente rico em recursos naturais, nado a pessoas ainda não familiarizadas que constituem áreas de grande beleza com as terminologias usualmente empre- cênica. Entre outros, destacam-se as flo- gadas por especialista em turis- restas e savanas, os rios e lagos pisco- mo/ecoturismo, são apresentados, a se- sos, os igarapés de águas frias, as belas guir, alguns conceitos básicos sobre o cachoeiras e mirantes naturais, além das tema, extraídos do "Guia de Preparação áreas de várzea, com suas exuberantes do Pré-Investimento do PROECOTUR fauna e flora, constituindo ecossistemas nos Pólos de Ecoturismo", elaborado bem preservados. Em adição, merecem pelo Ministério do Meio Ambiente, do Re- também destaque o clima saudável, o cursos Hídricos e da Amazônia Legal - artesanato diversificado, o rico folclore e a MMA, através da Secretaria de Coordena- deliciosa cozinha regional. ção da Amazônia, em 1998. Ecoturismo - "é um segmento da a- Todavia, o maior potencial do mu- tividade turística que utiliza, de for- nicípio, com relação ao setor turístico, ma sustentável, o patrimônio natural está representado pelas fontes termais e cultural, incentiva sua conserva- sulfurosas da região do Ererê e, princi- ção e busca a formação de uma palmente, pelo complexo de serras (Ererê, consciência ambientalista por meio Lua, Aroxi e Paytuna) que abrigam sítios da interpretação do meio ambiente, arqueológicos com impressões da arte promovendo o bem-estar das popu- rupestre, registros cientificamente com- lações envolvidas". provados da mais remota ocupação hu- mana na Amazônia e, possivelmente, nas Ecoturista - é aquele (a) que se de- Américas. dica à pratica do ecoturismo;em ge- ral, é um indivíduo que tem acesso a Nesse contexto, a própria sede informações sobre ecologia, meio municipal- a cidade de Monte Alegre- e o ambiente e culturas diversas. seu entorno possuem inúmeros atrativos Destino Ecoturístico - "área de e- que podem ser aproveitados em prol da levado valor ecológico e cultural, fa- atividade turística, em função de suas vorável à prática do ecoturismo". importâncias histórico-cultural, contempla- tiva, científica ou de puro lazer. Turismo de Massa - "é um tipo de 24 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre turismo no qual os turistas,em gran- meios e normas, visando a atração de número, são tratados de forma de empreendimentos ecoturísticos homogênea, levados a conhecer os particulares". Não é, necessaria- mesmos atrativos"; é praticado por mente, uma área geograficamente turistas inexperientes, que querem definida, podendo consistir de cor- conhecer uma amostragem dos redores turísticos ou de grupos de principais atrativos de um lugar (ou atrativos complementares, unidos um País), onde tudo é novo e inte- por um roteiro turístico. ressante em relação à sua limitada experiência. 5.3 - Atrativos turísticos Turismo Segmentado - "modalida- Os recursos naturais disponíveis de de turismo com enfoque específi- no município de Monte Alegre, passíveis co"; baseia-se na atração de seg- de utilização no setor de turis- mentos do turismo, como observa- mo/ecoturismo, foram classificados como ção de aves, pesca esportiva, turis- Atrativos Histórico-Culturais, Físicos, Bio- mo científico, canoagem, etc. lógicos e Esportivos, de acordo com suas respectivas potencialidades como fatores Atrativos Turísticos - "são recursos indutores de fluxo. Merecem, ainda, des- naturais e culturais de interesse tu- taque as inúmeras manifestações cultu- rístico que despertam o interesse de rais, representadas por festas populares, potenciais visitantes". cívicas, religiosas, folclóricas e gastronô- Produtos Turísticos - "são atrativos micas, além do artesanato e das comidas turísticos preparados para receber típicas. os visitantes e atender a suas ex- pectativas". 5.3.1- Atrativos histórico-culturais Indutores de Fluxo - "são aqueles Dentre os inúmeros Atrativos His- fatores que motivam (ou induzem) o tórico-Culturais, merecem destaque os visitante a tomar a decisão de pas- "sítios arqueológicos" e as "pinturas sar suas férias (ou, simplesmente, a rupestres", testemunhos da mais remota permanecer por mais tempo) em um ocupação humana na Amazônia, quiçá, determinado destino". nas Américas. Os sítios mais conhecidos estão localizados na porção centro-sul do Pólo de Ecoturismo - "é uma zona município, bem caracterizados no comple- prioritária para investimentos, na xo constituído pelas serras da Lua, do qual o poder público implantará Ererê, do Paituna e do Aroxi. 25 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 5.3.1.1 - Sítios arqueológicos e Pinturas tros, podem ser destacados como de alta rupestres relevância técnico-científica os seguintes trabalhos: Roteiro Espeleológico das De acordo com os relatos históri- Serras do Ererê e Paituna (Grupo Espe- cos, as primeiras informações sobre a leológico Paraense/GEP: SILVEIRA, L.T.; existência de arte rupestre na região de Monte Alegre, foram registradas no início PINHEIRO, R.V.L.; PINHEIRO S.V.L. do século XIX, pelos pesquisadores ale- 1984); Arte Rupestre no Pará: mães Carlos Frederico Felipe de Martius (botânico) e Hohann Baptist Von Spix (zo- ólogo), que empreenderam uma viagem Análise de Alguns Sítios de Monte Ale- de estudos pelo Brasil, de 1817a 1820. gre (CONSENS, M 1987); Em 1871, C. F. Hartt, outro pesqui- Relatório Preliminar Sobre o Levanta- sador alemão, desenvolveu estudos na mento e Escavações na Caverna da região de Monte Alegre, reportando-se às Pedra Pintada, Monte Alegre , Pará, pinturas rupestres da serra da Lua. Em Brasil, 1991: A Segunda Etapa de Cam- 1889, A. R. Wallace publicou um trabalho po do Projeto Arqueológico Santarém contendo descrições das serras e grutas (ROOSEVELT, A.C. 1991); Paleoindian da região, fazendo referências às pinturas Cave Dwellers in the Amazon: The Pe- rupestres. Orvile Derby, em 1898, descre- opling of the Americas (ROOSEVELT, veu a serra do Aroxi, assinalando a exala- A.C. et ai. 1996). ção de gases quentes a partir de uma cavidade localizada na encosta da mes- ma, o que foi ratificado, bem mais tarde, As áreas que contêm os sítios ar- em 1930, por Adolpho Ducke, que realizou queológicos estão relacionadas a uma das pesquisas na Amazônia, entre 1919 e mais proeminentes estruturas geológicas 1928. As pinturas rupestres localizadas na da bacia sedimentar do Médio-Baixo A- gruta de Itatupaoca (serra do Ererê) foram mazonas, denominada Domo de Monte assinaladas por Katzer, em 1933 (in Alegre, localizado na porção centro-sul do SILVEIRA et ai, 1984). município, a noroeste da sede municipal. Mais recentemente, nas duas últi- mas décadas, a região vem sendo objeto O Domo de Monte Alegre apresen- de estudos específicos, o que constitui ta uma forma aproximadamente elíptica, uma notável contribuição científica, nota- com eixo maior de direção NE-SW e cerca damente nos campos da espeleologia e de 30 km de extensão, e um eixo menor da arqueologia amazônicas. Dentre ou- NW-SE, com 16 km. A porção central do 26 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Domo, conhecida como Planície do circundada por um anel de serras, onde Ererê, apresenta um relevo plano, estão situadas as grutas com pinturas coberto por vegetação tipo savana, rupestres (foto 4). Monte Alegre Serra do Ererê 1 4 5 3 2 Serra do Paytuna Foto 4 - Domo de Monte Alegre: uma das mais proeminentes estruturas geológicas da Bacia Sedimentar do Médio-Baixo Amazonas, é constituído por rochas do Período Paleozóico, com idades estimadas entre 380 e 350 milhões de anos. Apresenta uma porção central com relevo plano onde se desenvolve uma vegetação do tipo savana (planície do Ererê), circundada por um anel de serras, onde estão localizadas as gru- tas com arte rupestre. 1- Pedra do Mirante 2- Gruta da Pedra Pintada 3- Pedra do Pilão 4- Serra da Lua 5- Gruta Itatupaoca As rochas que compõem o Domo ficados por M. CONSENS (1987), na regi- são do Período Paleozóico, representadas ão de Monte Alegre, estão associados às pelas formações Ererê, Curuá, Faro e serras do Ererê, Lua, Paituna e Aroxi, lo- Monte Alegre, com idades estimadas en- calizadas a oeste-sudoeste da sede muni- tre 380 e 350 milhões de anos, além da cipal, em distâncias que variam entre 12 a Formação Alter do Chão, do Período Ter- 15 km, em linha reta, cujo acesso é efetu- ciário, iniciado há 65 milhões de anos. Os ado por via rodoviária, através da PA - seis principais sítios arqueológicos identi- 255, que dá aceso à Colônia Agrícola Nú- 27 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre cleo Inglês de Souza, complementado por deste do Domo de Monte Alegre, onde estradas vicinais e ramais. está situada a serra do Ererê (PASTANA et ai, 1974). Alguns dos atrativos histórico- culturais do município estão relacionados O acesso a serra é efetuado por à serra do Ererê, um dos mais importantes via rodoviária, através da PA-255, desde a acidentes geográficos da região. sede municipal até o Núcleo Inglês de Sousa, num percurso de 15 km; a partir do A serra do Ererê está localizada na Núcleo, seguindo para o sul, é utilizada a porção centro-sul do município, a oeste da estrada que leva à vila do Ererê, sendo o cidade de Monte Alegre, distante 12 km deslocamento, a partir daquela vila, reali- da mesma, em linha reta. Apresenta uma zado através de caminhos secundários e forma alongada, com direção geral N60°E, ramais, alguns dos quais levando direta- possuindo 4 km de comprimento, largura mente às grutas. Esse deslocamento é de l a 1,5 Km e altitude máxima de 220 m, geralmente efetuado em veículo do tipo sendo parte integrante do anel de serras "Pick-up", tracionado, uma vez que as vias que circunda a planície do Ererê (fotos 5 e de acesso se desenvolvem, em grande 6). O perfil é irregular e acidentado, exi- parte, sobre um solo extremamente are- bindo topo plano e encostas abruptas, noso. chegando a formar paredões com mais de 100 m de altura. Os solos são rasos e Na serra do Ererê propriamente di- cascalhentos (OLIVEIRA JÚNIOR, 1998), ta (uma vez que a serra da Lua, na reali- enquanto que a vegetação é dominante- dade, é parte integrante da serra do Ere- mente do tipo savana, com presença de rê), os atrativos histórico-culturais, conhe- campos limpos, campos sujos e cerrados cidos, está representado pela gruta Itatu- (SILVEIRA et ai, 1984); às vezes, é mar- paoca ou gruta da Capela, localizada no cante a presença de cactos, notadamente lado sudeste da serra, a uma altitude a- no topo da serra. proximada de 215 m. Geologicamente, a serra é constitu- ída por rochas sedimentares-arenitos-da A gruta Itatupaoca foi estudada, Formação Ererê, pertencente ao Período em 1984, pelo Grupo Espeleológico Para- Devoniano, com idade aproximada de 380 ense (GEP), que apresentou uma descri milhões de anos, determinada através de ção completa do local, incluindo uma plan- estudos de fósseis. A orientação da serra ta baixa, em escala, onde podem ser ob- (N60°E) é perfeitamente coincidente com servados vários detalhes da gruta (fíg 2). a direção de uma grande falha geológica Em destaque, mostra um grande salão (Falha do Ererê) que trunca o flanco su- abobadado, com 36 m de extensão, onde 28 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 29 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre é celebrada uma missa no Natal Serra da Lua (SILVEIRA et ai, 1984). CONSENS, em 1987, ao estudar a A serra da Lua constitui, na reali- gruta Itatupaoca, documentou a existên- dade, uma parte da serra do Ererê, estan- cia de um sítio com manifestações do localizada na extremidade sudoeste, arqueológicas da arte rupestre. desta última. Em 1991, ROOSEVELT publicou Na referida serra, existem magnífi- os primeiros resultados de suas pesquisas antropológicas na região de Monte Alegre, cos exemplos de pinturas polícromas, a onde estudou, entre outras, a gruta Itatu- céu-aberto e no interior das grutas. As paoca, na qual a eminente pesquisadora pinturas representam uma grande varie- norte-americana e sua equipe realizaram dade de motivos, reproduzidos geralmente alguns testes com o auxílio de um trado, nas cores vermelha e amarela, mais ra- visando a detecção de remanescentes ramente em marrom e branca. Entre os pré-históricos, para identificação e poste- vários painéis a céu-aberto, destaca-se rior datação. Todavia, foram recuperados um grande painel de pinturas rupestres, apenas alguns fragmentos de cerâmica, mostrando, entre outros, o desenho de um relacionada a estágios culturais cerâmicos círculo com cerca de 1 m de diâmetro, recentes, e descobertos alguns desenhos apresentando um núcleo amarelo-ocre e pintados e parcialmente recobertos por uma porção periférica vermelha; esse de- vegetação. senho, que segundo os habitantes da re- gião simboliza a lua, é responsável pela A destacar a beleza da gruta de consagrada denominação de serra da Itatupaoca, ressalta-se a coloração es- Lua. Nesse painel, podem ser observados verdeada de sua entrada, dada pêlos outros desenhos bastante nítidos, mos- musgos e outras pequenas plantas que trando círculos concêntricos, com raios ou recobrem as paredes internas, caudas, ou simples impressões de mãos, permanentemente úmidas pela presença da água que se infiltra através da rocha todos em pintura vermelha (foto 7). Esse permeável. painel está localizado em um paredão, a Outro importante atrativo, localiza- cerca de 100 m de desnível em relação à do na serra do Ererê é a Pedra do Miran- base da serra, sendo acossado através de te; contudo, como inexiste registro arqueo- um caminho bastante íngreme; para quem lógico, a mesma, será descrita no capítulo chega à serra da Lua através da estrada referente aos atrativos físicos. principal, é o primeiro painel a ser visitado. 30 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 31 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 7: Painel a céu-aberto, com pinturas rupestres. Serra da Lua, Monte Alegre (PA). Outras pinturas rupestres encontradas em painéis a céu-aberto, na Serra da Lua, mostram figuras humanas ou de animais, reproduzindo cenas diversas, como caçadas, nascimento, etc (fotos 8 e 9). Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 08 - Detalhe de pinturas rupestres, mostrando figuras humanas e animais. Serra da Lua – Monte Alegre (PA). 32 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 09 - Detalhe de pinturas rupestres, mostrando figuras humanas e animais. Serra da Lua – Monte Alegre (PA). Serra do Paituna trole de inúmeras grutas ou cavernas, as quais estão estruturadas segundo exten- Está situada 2 km ao sul da serra sas e profundas fendas, que seccionam do Erere (foto 4), possuindo direção os arenitos que compõem a serra do Pai- NNW/SSE, com cerca de 3 km de exten- tuna. são, largura média de l km e, aproxima- damente, 200 m de altitude. É constituída A serra contém alguns dos mais por arenitos da Formação Ererê, apresen- importantes sítios arqueológicos da regi- tando encostas íngremes e declives acen- ão, representados tanto nas grutas como tuados; essas rochas acham-se freqüen- em outras formas naturais, esculpidas temente fraturadas, sendo que as princi- pela erosão eólica, constituindo blocos pais fraturas são responsáveis pelo con- líricos que recebem denominações diver- 33 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre sas, distribuídos ao longo das encostas e da, com acesso relativamente fácil, atra- no topo da serra. vés de um ramal de estrada que leva dire- Dentre as grutas encontradas na tamente à entrada principal. serra do Paituna, destacam-se as grutas do Míríriepé, do Labirinto e da Pedra Pin- A gruta apresenta cerca de 80 m tada, enquanto os principais sítios líricos de desenvolvimento, tendo sua entrada estão representados pela Pedra do Pilão, principal representada por um amplo por- Pedra do Cogumelo e Pedra da Tartaruga, tal, com 9 m de largura e 8 m de altura esta última localizada entre a serra do (fotos 10 e 11), em cujas paredes se en- Paituna e a serra do Erere. Dentre todos contram painéis com pinturas rupestres esses atrativos, somente a Gruta da Pe- (fotos 12 e 13). dra Pintada e a Pedra do Pilão são con- sideradas como “atrativos histórico- culturais", devido à presença de painéis Em 1984, o Grupo Espeleológico com pinturas rupestres, sendo descritos Paraense (GEP) realizou um amplo traba- no presente capítulo. Os demais, sem a lho sobre espeleologia, na região de Mon- presença das pinturas polícromas, serão te Alegre, incluindo um estudo detalhado tratados no capítulo referente aos atrati- da Gruta da Pedra Pintada, fazendo uma vos físicos. descrição completa da mesma, acompa- nhado de uma planta baixa, em escala, Gruta da Pedra Pintada cuja reprodução é mostrada na figura 3. Inegavelmente, o mais importante "atrativo histórico-cultural" já identifica- Mais recentemente, a partir de do na região, a "Gruta da Pedra Pintada" 1991, a gruta foi alvo de estudos específi- vem sendo objeto de estudo de inúmeros cos, através da antropóloga norte- pesquisadores brasileiros e estrangeiros, americana Dra. ANNA CURTENIUS os quais, no entanto, sempre procuraram ROOSEVELT, que realizou escavações enfocar o registro, a localização e a des- estratigráficas e estudos arqueobiológicos, crição das pinturas rupestres, na referida complementados por datações radiocar- gruta. bônicas. Esses trabalhos permitiram, à A Gruta da Pedra Pintada está lo- pesquisadora, documentar as principais calizada no extremo sudeste da serra do fases ocupacionais hipotéticas para a re- Paituna, com cerca de 120 m de altura, gião, possibilitando um melhor entendi- em relação ao rio Amazonas. Apresenta- mento da evolução das culturas que ali se se retilínea, com direção N30°W, sendo desenvolveram, desde a chegada dos bastante fresca e ventilada, bem ilumina- primeiros habitantes até aos dias atuais. 34 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 10: gruta da Pedra Pintada - entrada principal. Monte Alegre - PA. Fotografia: Thiago do Carmo Junior. Foto 11: gruta da Pedra Pintada - entrada principal, vista do interior para o exterior. Detalhes da parede e do teto da gruta. Foto: Thiago do Carmo Junior. 35 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Fotos 12 e 13 - Painel com pinturas rupestres, no interior da Gruta da Pedra Pintada; abaixo, detalhes de uma das pinturas. 36 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 37 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Os trabalhos desenvolvidos pela ção, revelaram idades entre 4.000 e 3.000 Dra. ANNA ROOSEVELT e equipe consis- anos, indicativas do Período Formativo tiram, inicialmente, de um levantamento (ROOSEVELT, op cit). topográfico da gruta e seu entorno; em seguida, foram realizadas 20 sondagens Abaixo das camadas escuras, apa- com trado , dentro e fora da gruta, para receu um estrato de coloração cinza, sem avaliar a qualidade, a extensão e a natu- registro de remanescentes humanos anti- reza dos depósitos mais antigos. O passo gos. seguinte foi a execução de 6 escavações A seguir, apareceu uma camada de no interior da gruta, cada uma com seção coloração cinza-escura, contendo diferen- de l m x l m, nos locais propícios à desco- tes materiais, incluindo fragmentos de berta de depósitos arqueológicos mais cerâmica e rochas. profundos e bem preservados, conforme a indicação dos furos de trado Nessa camada, foram coletadas (ROOSEVELT, 1991). amostras de material orgânico (carapaças Todas as escavações atingiram a de moluscos, tartarugas e carvão) e efe- rocha fresca, que representa o piso origi- tuadas 4 datações radiocarbônicas, que nal da gruta. O depósito arqueológico, forneceram idades entre 7.500 e 6.500 encontrado, apresentou uma espessura anos, posicionando essa camada no Perí- aproximada de 1,50 m, desde a superfície odo Arcaico (ROOSEVELT, op cit). até alcançar a rocha fresca. Abaixo do depósito Arcaico, ocorre De acordo com a descrição deta- uma camada arenosa, de coloração ama- lhada da pesquisadora norte-americana, o rela a acinzentada, com cerca de 25 cm depósito multicomposto inicia com um de espessura, na qual não foram obser- pacote de camadas escuras, marrom- vados registros de remanescentes huma- acinzentadas, contendo carvão e material nos antigos. de poste, associados com cerâmica recente; as datações radiocarbônicas, Depois dessa camada estéril, apa- efetuadas em amostras de carvão e receu uma camada muito escura, com material de poste, forneceram idades cerca de 20 cm de espessura, "constituída entre 1.000 e 500 anos, posicionando da várias superfícies de ocupação, cober- esse estrato no Período de Chefia. A tas com micro-lascas líticas, instrumentos porção inferior das camadas marrom- líticos, pigmentos, numerosas sementes acinzentadas apresentou, além de de palmeira carbonizadas e algum carvão” cerâmica, semente carbonizada e carvão, que, submetidos à datação, revelaram 38 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre (as aspas reproduzem descrições "ipsi utilizado em algumas pinturas rupestres. literis" da Dra. Arma Roosevelt). Essa ca- Em toda a camada escura era freqüente a mada de ocupação apresentou duas por- presença de sementes de palmeiras, além ções distintas, sendo uma porção superi- de alguns pedaços de carvão. As oito da- or, onde predominam micro-lascas do tações radiocarbônicas, efetuadas nesses material lítico, representado por diabásio, materiais (sementes e carvão), revelaram arenito silicifícado e cristais de quartzo, idades entre 11.100 e 10.300 anos, posi- além de instrumentos uni e bifaciais, las- cionando essa camada cultural no Período cados por pressão e percussão; a porção Paleoíndio (ROOSEVELT, op cit). inferior apresentou um material um pouco diferente, com abundante lascas de quart- A seguir, é mostrada de forma re- zo e numerosas peças de rocha, estas sumida, a distribuição das camadas cultu- últimas, às vezes, manchadas de verme- rais que compõem o depósito arqueológi- lho, provavelmente pelo próprio pigmento co da Gruta da Pedra Pintada. CAMADAS CULTURAIS 1.000 a 500 anos (datações radiocarbônicas em CHEFIA carvão e material de poste, associadas com Camadas escuras, marrom - cerâmica recente). acinzentadas 4.000 a 3.000 anos (datações radiocarbônicas FORMATIVO em sêmentes carbonizadas e carvão, associdas com cerâmica formativa) CERÂMICO AR- CÁICO Camada estéril, cinza Sem registro de remanescente humanos antigos PRÉ-CERÂMICO 7.500 A 6.500 anos (4 datações radiocarbônicas Camada cinza escura ARCÁICO em crapaças de moluscos, tartarugas e cravão) Camada estéril, amarela e Sem registros de remanescente humanos anti- cinza (25cm) gos Camada muito escura 11.300 a 10.300 anos (8 datações radiocarbôni- (20 cm) PALEOÍNDIO cas, em carvão e sementes de palmeiras) Camada arenosa amarela, estéril (15 a 25 cm) Rocha fresca xxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Fonte: ROOSEVELT, 1991 39 1,50 m Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Os trabalhos realizados pela Dra. Assim, de acordo com a descober- Anna Roosevelt, em Monte Alegre, mais ta arqueológica da Dra. Anna Roosevelt, especificamente na Gruta da Pedra Pin- em Monte Alegre estão documentadas as tada, representam a primeira informação, melhores evidências acerca dos povos cientificamente comprovada, sobre a pre- mais antigos que habitaram a região, pro- sença de Paleoíndios na região amazôni- vavelmente no final do Pleistoceno e início ca, indicando uma associação dos mes- do Holoceno (épocas geológicas que mos com a arte rupestre; mostram, tam- compõem o Período Quaternário): os Pa- bém, as similaridades entre esses sítios leoíndios Amazônicos. Paleoíndios e outros já estudados em dife- rentes lugares, nas Américas. Os resulta- Pedra do Pilão dos desses trabalhos, segundo a pesqui- sadora norte-americana, sugerem que as Parte integrante da serra do Paitu- pinturas rupestres de Monte Alegre podem na, a Pedra do Pilão representa uma mo- representar "algumas das mais antigas já numental escultura natural, localizada na identificadas no Novo Mundo e parte do porção sul da referida serra, com cerca de estágio Paleolítico da arte rupestre". 120 m acima do topo da mesma (foto 14). Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 14 - Vista geral da Pedra do Pilão, observada de sul para norte. Serra da Paituna, Mon- te Alegre-PA. 40 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 15 - Detalhe da Pedra do Pilão, observada de norte para sul. A Pedra do Pilão é uma das mais Às proximidades da Pedra do Pi- belas formas erosivas identificadas na lão, na encosta da serra do Paituna, exis- região, resultado de um processo de ero- te um grande painel, com magnífico e- são eólica, aluando sobre os arenitos da xemplo de arte rupestre de Monte Alegre Formação Ererê (foto 15). A partir desse (foto 16). Esse painel apresenta uma mirante natural, é possível uma visão pa- grande variedade de desenhos e figuras norâmica de toda a região, destacando- se, ao sul, o esplendor da área de várzea, geométricas, com destaque para um con- com seus inúmeros lagos e, ao fundo, o junto de quadrados que se interceptam, rio Amazonas. lembrando um calendário do tempo. 41 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 16 – Painel com pinturas rupestres, às proximidades da Pedra do Pilão. Monte Alegre - PA. 5.3.1.2-Sítios líticos representados, entre outros, na serra do Ererê, onde foram descobertos fragmen- Representam aqueles locais onde tos de cerâmica representativa de está- são encontrados restos de artefatos indí- gios culturais cerâmicos recentes (Roose- genas, confeccionados em rochas e/ou velt, 1991). Na sede municipal, foram lo- minerais. Em Monte Alegre, merece des- calizados sítios cerâmicos na praça da taque o sítio lítico identificado e estudado Matriz e no morro do Surubeju, os quais, pela Dra. Anna Roosevelt, na gruta da todavia, ainda não foram objeto de estu- Pedra Pintada (Serra da Lua), onde foram dos específicos (informações verbais). encontrados, durante as escavações es- tratigráfícas, objetos confeccionados em quartzo e calcedônia, representados, prin- 5.3.1.4 - Sítios com petroglifos cipalmente , por pontas de flechas e lâmi- São os locais onde existem ro- nas (Roosevelt et al, 1996). chas com desenhos em baixo-relevo, exe- 5.3.1.3 - Sítios Cerâmicos cutados por primitivos habitantes da regi- ão. Segundo informações verbais, existem São os locais onde ocorrem res- sítios com petroglifos na cachoeira da tos de cerâmica indígena, estando bem Muira, no rio Maecuru. 42 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 5.3.2 – Atrativos Físicos Atualmente, o Amazonas é con- siderado o maior rio do mundo, tanto em 5.3.2.1 – Bacias Hidrográficas extensão - 6.885 km - como em volume Pelas peculiaridades inerentes à d'água, lançando ao mar cerca de 3 região, as águas superficiais assumem 300.000 m de água, por segundo. uma importância fundamental para as As nascentes do rio Amazonas populações amazônicas, uma vez que estão localizadas na Cordilheira dos An- representam os acessos naturais às áreas des, no Peru, a uma altitude de 4.000 me- mais ínvias, além de constituírem sua tros, a partir da confluência dos rios Mara- principal fonte de alimentos. Assim, a rede nõn e Ucayali . Ao penetrar em território hidrográfica, integrada por 3 grandes ba- brasileiro, próximo à cidade de Tabatinga cias, cujos principais cursos d'água são os (AM), recebe a denominação de Solimões, rios Amazonas, Maecuru e Jauari (alto conservando-a por um percurso de 1.550 curso), destaca-se como um dos mais km, até à cidade de Manaus, capital do importantes atrativos físicos do município vizinho Estado do Amazonas. A partir daí, de Monte Alegre. Além de grandes e belos recebe o seu maior afluente da margem rios, essas bacias possuem igarapés de esquerda - o rio Negro - e passa a ser águas frias e cristalinas, bem como lagos denominado rio Amazonas, até desaguar piscosos e de acentuada beleza cênica, no oceano Atlântico. com seus ecossistemas bem preservados. O rio Amazonas é um típico rio Bacia do Amazonas de planície, com declive muito fraco. Para um percurso aproximado de 3.000 km - de Situada na porção sul do municí- Tabatinga até o oceano Atlântico - o des- pio, a bacia do Amazonas serve de limite nível topográfico é de 65m, o que dá uma entre Monte Alegre e os municípios de declividade média de apenas 20mm/km. Prainha e Santarém, ocupando cerca de Suas águas são barrentas, devido à gran- 15% do espaço municipal e tendo como de quantidade de argila em suspensão. principal integrante o rio homônimo, que corta o município de Monte Alegre no sen- O rio Amazonas possui largura e tido de oeste para leste e, depois, do su- profundidade bastante variáveis. Em fren- doeste para nordeste, num percurso apro- te à cidade de Óbidos (PA), atinge sua ximado de 100 km. Nessa bacia, além do parte mais estreita (1,9 km) e profunda grande rio, uma das paisagens mais mar- (130m), conhecida como "garganta do cantes é a várzea, que compreende as Amazonas"; sua largura máxima está re- áreas temporariamente submetidas às gistrada às proximidades de Parintins inundações do Amazonas. (AM) e em frente à Santarém ±50 km). 43 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Dentro do Município de Monte Alegre, a choeiras e corredeiras, obstáculos natu- largura do Amazonas varia de 500m (a rais à navegação. O seu baixo curso, ao jusante da Vila de Guieiras, na várzea) até contrário, pode ser facilmente acossado 12 km (da margem esquerda do paraná por embarcações de pequeno porte (im- de Monte Alegre até o meio do rio, na di- pulsionadas por motor-de-popa), a partir visa com o município de Prainha). A cor- da sede municipal, através do Lago Gran- renteza varia de 2.000 m/h, durante a es- de de Monte Alegre, local onde o rio Mae- tiagem, até 4.500 m/h, no período das curu deságua. enchentes, enquanto que a vazão varia de 200.000 m3/seg. a 300.000 m3/seg., lan- As nascentes do rio Maecuru si- çando no mar cerca de 160 milhões de tuam-se no extremo norte do município de toneladas de material em suspensão, a Monte Alegre, com coordenadas de cada ano. 0° 23' 30" N e 54° 50' 27" WGr, na divisa com os municípios de Almerim (a leste) e Além do potencial para diversos Alenquer (a oeste). Trata-se de uma regi- segmentos do ecoturismo, a bacia hidro- ão bastante elevada, com altitudes entre gráfica do Amazonas representa, também, 300 e 400 metros, aplainada e densamen- um importante componente na economia te florestada, integrante do Planalto Dis- do município e de toda a região, por sua secado Norte da Amazônia contribuição significativa na produção de (NASCIMENTO et ai, 1976). A partir daí , pescado. o rio Maecuru corre no sentido norte-sul, segundo trechos sinuosos e pouco pro- Bacia do Maecuru fundos, extremamente encachoeirados, A bacia do Maecuru ocupa cerca atravessando regiões desabitadas e de de 75% de toda a área do município, dis- aspecto selvagem, com fauna e flora, e- tribuindo-se pelas porções norte e oeste, xuberantes. na divisa com Alenquer. O rio Maecuru Próximo à foz, apresenta como constitui o principal curso d'água, podendo característica marcante meandros ou cur- ser definido como um rio tipicamente mon- vas pronunciadas, que cortam a região de tealegrense, tendo sua bacia confinada, várzea, compondo, no conjunto, um pa- integralmente, ao município de Monte A- drão tipicamente anastomosado, resultan- legre. do em um espetáculo natural de rara be- O médio e o alto cursos do rio leza. No baixo curso do Maecuru, merece Maecuru, situados ao norte da rodovia destaque a presença de inúmeros lagos PA-254, são praticamente inacessíveis à de grande beleza cênica, ricos em peixes visitação, pela presença de inúmeras ca- e propícios à observação de pássaros. 44 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Bacia do Jauari localizadas ao norte do rodovia PA-254, entre os ramais do Setor 2 e do Setor 4. Está situada na porção leste do Atravessa toda a porção setentrional do municípios, na divisa com Prainha, ocu- município, correndo de norte para sul, pando cerca de 10% da área total de Mon- passando na vila da Mulata e próximo à te Alegre. O rio Jauari é o principal curso Andirobal; em seguida, toma o rumo oes- d'água, acompanhado por um afluente da te, até à vila do Açu da Fazenda. A partir margem esquerda; todavia, somente os desse ponto, inflete novamente para sul, altos cursos desses dois rios compõem a até desaguar no rio Maecuru, à altura da bacia do Jauari, dentro dos limites do mu- vila de Turará, próximo ao local onde a nicípio de Monte Alegre. PA-225 atravessa o Maecuru. Ao longo O extremo norte dessa bacia desse percurso, o igarapé Açu recebe (Serra do Jauari) é de difícil acesso, ca- diversas denominações, tais como Açu da racterizando uma região plana e elevada, Mulata, Açu do Ubim e Açu das Pedras. com altitudes próximas dos 200 metros, Em cada um desses trechos, podem ser recoberta de Floresta Densa e Floresta observadas belas paisagens e diversos Aberta com Palmeiras, sendo parte inte- outros atrativos físicos do município de grante do Planalto Rebaixado da Amazô- Monte Alegre, com destaque para a ca- nia - lado norte da Bacia do Amazonas choeira do Açu das Pedras. (NASCIMENTO et ai, op cit). Nessa bacia, O igarapé do Ererê, bem menos além da beleza cênica, destaca-se a ri- extenso do que o anterior, corta toda a queza da fauna e da flora. planície homônima, de norte para sul, até Igarapés desaguar no Lago Grande, próximo à se- de municipal. Como curiosidade, apresen- São pequenos cursos d'água, ge- ta certos trechos de seu leito completa- ralmente estreitos, pouco profundos e de mente revestido por lajeiros de rocha fres- difícil navegabilidade. Na porção centro- ca. No verão, alguns desses trechos ficam sul do município, que corresponde à regi- completamente secos. ão habitada, e, conseqüentemente, dota- Além do Açu e do Ererê, merecem da de razoável infra-estrutura de acesso, também destaque os igarapés Ipepaqui merecem destaque, entre outros, o igara- (ao norte da sede municipal, facilmente pé Açu e o igarapé do Ererê. acessado através da PA - 254) e Jatuara- O igarapé Açu , também conhecido na, que representam dois cursos d'água como Cauçu, é um dos maiores afluentes perenes, de águas límpidas e frias, propí- do rio Maecuru, tendo suas nascentes cias para banhos. 45 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Lagos tores de pescado. Os lagos de Monte Alegre estão Nos entorno dos lagos, situam-se concentrados, principalmente, na porção as regiões de várzea, periodicamente i- sul do município, nas bacias dos rios A- nundadas, com seus campos naturais e mazonas e Maecuru, intimamente relacio- exuberantes flora e fauna, além de solos nados com as áreas de várzea. Além de de grande fertilidade (foto 17). São tam- importantes atrativos turísticos, os lagos bém marcantes as presenças de inúmeras desempenham um papel fundamental na fazendas, com seus rebanhos de bovinos economia municipal, como grandes produ- e eqüinos. Fotografia: Raimundo Cosme de Oliveira Junior Foto 17 – Lago Paracari, mostrando uma típica área de várzea, com seus campos natu- rais e solos férteis. Monte Alegre - PA. Os lagos de Monte Alegre repre- cos centímetros a 2 metros, nas vazantes" sentam "típicos lagos de várzea, ocupan- (SILVEIRA et al, 1984). Durante as en- do depressões da planície aluvial em for- chentes, inúmeros lagos tomam-se interli- mação, ou seja, áreas ainda não inteira- gados, constituindo um único corpo de mente colmatadas (entulhadas/ preenchi- água; no verão, quando as águas atingem das) pelo material depositado durante as cheias, no processo normal de construção seus níveis mínimos, esses lagos tomam- das várzeas; possuem margens pouco se novamente individualizados, variando, definidas e profundidades que variam de 2 a cada período (cheia/seca), sua forma e a 6 metros, durante as cheias, e de pou- dimensões. 46 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Além do potencial paisagístico, os Taxipá, o São João, o Jereriteua e o Ma- lagos de Monte Alegre constituem locais ruim, na bacia do Amazonas, além dos propícios à prática da pesca esportiva, lagos Maripá, Tucará, Cojubim e Bom "camping", observação de pássaros e/ou Jardim, na bacia do Maecuru, em seu bai- vitória-régia; cada um apresenta seu atra- xo curso. tivo específico, tomando-se necessária a realização de um levantamento geral de Durante o período das enchentes, informações, a fim de serem estabeleci- alguns lagos da bacia do Amazonas são dos roteiros ecoturísticos diferenciados, invadidos completamente pelas águas do para visitações. "grande rio”, não mais podendo ser indivi- dualizado, a exemplo do que ocorre com Localizado na porção centro sul os lagos Jereriteua e Maruim. Na bacia do do município, o Lago Grande ocupa uma Maecuru, alguns lagos representam anti- posição de destaque em relação aos de- gos meandros abandonados ou lagos "re- mais, sobretudo por suas excepcionais siduais". dimensões, chegando a atingir uma ex- tensão de 40 km (somente nos limites de 5.3.2.2-Cachoeiras Monte Alegre), na direção leste-oeste, As cachoeiras representam aci- entre as vilas de Cuieiras (próxima ao dentes geográficos de grande beleza cê- limite com Prainha) e Calvário (na divisa nica, com potencial para o ecoturismo. com Santarém). Como um típico lago de várzea, mostra-se pouco profundo e com No município de Monte Alegre e- margens mal definidas, apresentando va- xistem dezenas de cachoeiras, na bacia riações de forma e superfície, dependen- do Maecuru, notadamente ao longo do rio do da época do ano. Tem como caracte- principal, em seus médio e alto cursos, em rística marcante à presença de águas de áreas de difícil acesso, sem ligação por colorações diferentes, sendo esbranqui- via rodoviária. As cachoeiras Muira e Pan- çadas, barrentas, na porção sul, forneci- cada Grande, localizadas no baixo-médio das pelo rio Amazonas, e límpidas na por- curso, constituem, no entanto, exceções, ção norte, recebidas do rio Maecuru. Além podendo ser acessadas com relativa faci- da presença abundante de peixes, desta- lidade, por vias fluvial e terrestre. ca-se a grande quantidade de aves multi- Na região da serra do Itauajuri, coloridas, em suas margens. ao norte da sede municipal, existem duas Outros lagos que também constitu- cachoeiras bastante conhecidas na regi- em importantes atrativos ecoturísticos são ão, com acesso relativamente fácil, que o Paracari, o Jacarecapá, o Branco, o são as cachoeiras do Açu das Pedras e 47 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre do Igarapé Anai. Na região do vale do Paraíso exis- tem inúmeras cachoeiras, destacando-se, A mais conhecida cachoeira de entre outras, as cachoeiras Véu de Noiva, toda a região é, inegavelmente, a cacho- Preciosa e Paraíso. Esta última foi con- eira do Paraíso, localizada no vale ho- templada com a implantação de uma inci- mônimo, podendo ser considerada, inclu- piente infra-estrutura turística, por parte do sive, como um "produto ecoturístico", uma proprietário do local, Sr. José Alfredo Gan- vez que o local já dispõe de uma incipien- tuss, residente na cidade de Alenquer. te infra-estrutura, sendo visitado, todos os anos, por inúmeros turistas brasileiros e A cachoeira do Paraíso, localizada estrangeiros. no igarapé Ambrosinho, é esculpida em rochas sedimentares da Formação Mae- O vale do Paraíso está localizado curu, do Período Paleozóico (Devoniano na porção centro-oeste do município de Inferior=380 milhões de anos) da bacia Monte Alegre, sendo que o balneário ho- sedimentar do Amazonas, representadas mônimo apresenta coordenadas centrais por arenitos finos, micáceos, com interca- 01° 29' 25" S e 54° 31' 19" WGr. Pertence lações de siltitos. Possui uma queda d'á- à bacia do igarapé Ambrosinho, afluente gua com 8 metros de altura, escalonada do igarapé Ambrósio II, o qual, por sua em vários degraus, terminando em um vez, deságua no rio Maecuru. "poção", no próprio leito do igarapé (fotos Muito embora geograficamente 18 e 19). Além da indizível beleza cênica, localizado no município de Monte Alegre, o local pode ser desfrutado para banhos o vale do Paraíso recebe toda a sua infra- diferenciados, nos "chuveiros" naturais da estrutura turística a partir da cidade de cachoeira, ou nas águas límpidas e cal- Alenquer, sede do município homônimo, mas do igarapé Ambrosinho (fotos 20 e vizinho a Monte Alegre. A partir de Alen- 21). Merece também destaque a vegeta- quer, o vale é alcançado após um percur- ção exuberante, típica da Floresta Densa so aproximado de 60 km, sendo 50 km de Terra Firme. através das rodovias PA-427 (47 km, no sentido sudoeste-nordeste) e PA-254 Em complemento aos atrativos (3km, de oeste para leste), completamen- mencionados, foram identificadas algumas tados por mais 10 km através de um ramal curiosidades geológicas, às proximidades que parte da PA-254, no rumo norte. A da cachoeira, em alguns blocos de rocha partir da cidade de Monte Alegre, o deslo- que ocorrem na margem direita do igara- camento até o vale do Paraíso é de 115 pé: trata-se de típicas estruturas sedimen- km, sendo 105 km através das rodovias tares, do tipo 'marcas de ondas" (fotos 22 PA-423 e PA-254. e 23), além de abundante material fossilí- 48 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre fero (fotos 24 e 25), ambas associadas passíveis de serem utilizadas como atrati- aos arenitos da Formação Maecuru , vo ao turismo científico. Fotos 18 e 19 – Cachoeira do Paraíso, no Igarapé Ambrosinho; vista da queda d´água, com 8m de altura, escalonada em degraus 49 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotos 20 e 21 – Vale do Paraíso, mostrando duas opções aos banhistas, os chuveiros na- turais da cachoeira ou as águas límpidas e tranqüilas do igarapé. 50 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotos 22 e 23 – Estruturas sedimentares do tipo “marcas de ondas”, impressas em arenitos da Formação Maecuru, na margem direita do igarapé Ambrosinho, próximo à cachoeira do Paraíso. 51 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 52 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre A infra-estrutura, existente no local, bém, uma antena parabólica, aparelho de foi implantada no final de 1995, numa ini- TV e vídeo cassete, além de sistema de ciativa do Sr. José Alfredo Gantuss, o som, com CD. A cozinha está equipada qual, utilizando somente recursos pró- com geladeira, freezer, fogão industrial (6 prios, instalou a Pousada Balneário Vale bocas) e churrasqueira. do Paraíso, às margens do igarapé ho- mônimo, logo abaixo da cachoeira. As refeições constam de um café da manhã, completo, incluindo frutas, al- A Pousada é extremamente rústi- moço e jantar. O cardápio básico é consti- ca, embora higiênica e relativamente con- tuído por feijoada e churrasco, havendo, fortável. Todas as dependências foram como opcionais, galinha caipira, pato no construídas em madeira, inclusive as co- tucupi, peixada, pirarucu, etc. Os preços berturas (cavaco), o que mantém a perfei- praticados, em julho/98, eram os seguin- ta interação com o ambiente selvagem da tes: região. Como unidades habitacionais, Chalé (para 4 pessoas) - R$ 25,OO/ diá- possui dois pequenos chalés (fotos 26 e ria 27), cada um dispondo de varanda, dois Quarto (para 4 pessoas) - R$ 15,00/diária dormitórios em níveis diferentes, com du- Refeição (por pessoa) - R$ 3,00 a as camas de casal e armadores para 3 R$ 6,00 Café da manhã (por pessoa) - redes, banheiro privativo, luz elétrica e R$ 1,00. água encanada. Existe um terceiro chalé avarandado, com maiores dimensões (foto Além de já atender a diversos 28), equipado com dois banheiros, dois segmentos do ecoturismo - turismo con- sanitários e 5 quartos, dos quais 4 possu- templativo, científico, biológico, etc - a em uma cama de casal e armadores para região do vale do Paraíso é excelente duas redes, enquanto que o último quarto para a prática de "treking" (caminhada dispõe de duas camas de solteiro e arma- ecológica), havendo várias trilhas que dores para duas redes. ligam a Pousada às cachoeiras Véu de Noiva e Preciosa, ambas, de extrema be- A Pousada dispõe, ainda, de servi- leza. ços de bar e restaurante, além de uma A Pousada Balneária Vale do Pa- pequena pista de danças (fotos raíso é visitada, anualmente, por turistas 29,30,31,32). Toda a água encanada é brasileiros de várias regiões e estrangei- captada no próprio igarapé do Paraíso, ros de diversos países. A época mais pro- acima da cachoeira, sendo distribuída por pícia à visitação, segundo informações do gravidade. A energia elétrica é fornecida proprietário, vai de dezembro a setembro. por um gerador de 7,5 KVA. Existe, tam- Para facilitar o serviço de reservas, existe 53 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre um escritório instalado na cidade de Alen- do Paraíso pode ser considerado como quer, no seguinte endereço: Av. Getúlio um "produto turístico", ainda que inacaba- Vargas n° 490; Fone/Fax (091) 526- do, necessitando de melhoramentos, que 1284; Alenquer - Pará – Brasil. permitam atender uma demanda à altura de sua importância, para o ecoturismo, em Por suas características, o Vale toda a região. Fotos 26 e 27 – Unidades habitacionais da Pousada Balneário Vale do Paraíso; Chalés para 4 pessoas. 54 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotos 28 e 29 – Aspecto geral das instalações de bar e restaurante, na Pousada Balneá- rio Vale do Paraíso. 55 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotos 30 e 31 – Pousada Balneário Vale do Paraíso – bar com pista de danças; observar o cuidado com a preservação da limpeza, no local. 56 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 32 – Chalé avarandado, contendo 5 quartos, 2 banheiros e 2 sanitários. Pousada Balneário Vale do Paraíso 5.3.2.3 - Formações rochosas tivo aos atrativos histórico-cultural), sendo formada por um verdadeiro complexo de Sob esta denominação, foram a- grutas ou cavernas. Os trabalhos realiza- grupadas as principais "grutas" sem regis- dos em Monte Alegre, pelo GEP, tro de pinturas rupestres, os monólitos (SILVEIRA et al, 1984), apresentaram um (mirantes naturais), todos bem represen- completo levantamento da gruta do Labi- tados no município de Monte Alegre. rinto, incluindo duas plantas em escala de Grutas detalhe (1:2.000), relativas aos níveis infe- rior e superior, da referida gruta (figuras 4 Dentre as inúmeras grutas que não e 5). Esses trabalhos mostraram, também, apresentam o registro de pinturas polí- uma descrição completa do interior da cromas, destacam-se as do Labirinto e gruta, destacando a extensão do seu de- Miritiepé, localizadas na serra do Paituna, senvolvimento (90 m) e a presença de a sudoeste da sede municipal, distante várias entradas e salões, além de infor- cerca de 40 km, por via rodoviária. mações sobre a fauna e a flora, locais. A gruta do Labirinto situa-se no Ainda de acordo com SILVEIRA et flanco oeste da serra , às proximidades da al (op cit), "outro ponto que merece desta- Pedra do Pilão (já estudada no item rela- que, por sua beleza e mistério, é o piso 57 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 58 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 59 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre superior da gruta do Labirinto, que apre- é possível a elaboração de roteiros alter- senta um belo portal, a cerca de 30m, na nativos para excursões espeleológicas, a encosta da serra, bem como um exótico fim de explorar essas maravilhosas gru- salão, com meio teto iluminado por uma tas, um presente da natureza à região de tênue luz azulada. Ainda nesta gruta, os Monte Alegre. visitantes mais arrojados, e dispondo de equipamento especial, podem atingir o Monólitos topo da serra, a partir da entrada existente Os monólitos da região de Monte na base, através de caminhos escuros e Alegre representam formas rochosas com labirintosos, percorrendo mais de 1OOm aparências exóticas, resultantes de um pelo interior da serra do Paituna. A gruta processo de erosão eólica, aluando sobre do Labirinto está desenvolvida em arenito os arenitos da Formação Ererê. As formas da Formação Ererê. esculpidas lembram figuras que se asse- A gruta do Miritíepé situa-se no melham a animais ou plantas que, em flanco noroeste da serra do Paituna, de- função dessas semelhanças, receberam senvolvida em arenitos da Formação Ere- denominações que acabaram consagra- rê e mostrando um forte controle estrutu- das pelo uso. ral, evidenciado através de sua orientação retilínea, acompanhando um fraturamento No município de Monte Alegre, N-S. entre os monólitos mais conhecidos, des- tacam-se a Pedra da Tartaruga (foto 33), Esta gruta foi, igualmente, objeto localizada entre as serras do Ererê, do de estudos por parte do GEP (SILVEIRA Paituna, e a Pedra do Cogumelo (foto 34), et al, op cit), à semelhança da gruta des- no flanco oeste da serra do Paituna. Am- crita anteriormente. Os autores realizaram bas representam, inegavelmente, curiosi- um levantamento completo da gruta do dades geológicas que constituem excelen- Miritiepé, descrevendo seu corredor a tes atrativos para o turismo contemplativo. céu-aberto, suas entradas e salões, bem ilustradas numa planta em escala de deta- lhe (1:400), mostrada na figura 6. Monte Alegre, também conhecida como Terra dos Mirantes (FRIAES, As grutas de Labirinto e do Miriti- 1997), tem como característica a extrema epé representam importantes atrativos beleza paisagística de seu meio físico, para alguns segmentos do ecoturismo, representado pelos rios, lagos, serras, principalmente aos aficionados da Espe- florestas, savanas, etc. Toda essa beleza leologia. A partir dos estudos detalhados natural pode ser observada, às vezes em do Grupo Espeleológico Paraense (GEP), conjunto, a partir de locais privilegiados, 60 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 61 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 33 – Pedra da Tartaruga; escultura produzida pela erosão eólica, cuja for- ma lembra uma tartaruga, no alto do monólito. Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Foto 34 – Pedra do Cogumelo; monólito cuja aparência se assemelha a um cogumelo gigante. 62 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre geralmente situados em pontos elevados, mais expressivas feições topográficas da genericamente denominados de mirantes região, com altitudes que alcançam 400 m naturais. (foto 37). Geologicamente, a serra situa- se no flanco nordeste da estrutura conhe- Dentre os vários mirantes natu- cida como Domo de Monte Alegre, sendo rais existentes na região, destacam-se a constituída por rochas sedimentares da Pedra do Mirante, a Serra de Itauajuri, o Formação Faro, com idades estimadas Bar do Mirante, a Serra Oriental e a Serra entre 345 e 325 milhões de anos (Carbo- Ocidental, os três últimos situados na se- nífero Inferior); predominam arenitos, fo- de do município. lhelhos e calcários, estes últimos forman- A Pedra do Mirante está locali- do importantes jazidas desse bem mine- zada na porção nordeste da serra do Ere- ral. Subordinadamente, ocorrem rochas rê, com cerca de 220m de altitude, repre- básicas (diabásios). sentando o ponto culminante da referida A "Serra de Itauajuri" possui topo serra (fotos 35 e 36). Desse local, é pos- aplainado e bordas escarpadas, notada- sível observar toda a região, notadamente mente as bordas Sul e Oeste, sendo re- a bela área de várzea, a zona dos lagos e coberta por uma vegetação denominada o rio Amazonas, todos localizados ao sul Campinarana (falsa Campina), caracteri- da serra. Para o norte, descortina-se a zada por uma associação entre elementos magnífica paisagem proporcionada pelo florísticos da mata das terras altas e es- Domo de Monte Alegre, mostrando uma pécies da flora dos campos ou campinas. porção central exumada (a Planície do Do alto da serra pode ser contem- Ererê), circundada por um anel de serras. plada toda a exuberante paisagem da O acesso até a base da Pedra do Mirante região, o que a toma um importante atrati- pode ser efetuado por veículo tracionado. vo para o turismo contemplativo. Deve ser Além de importante atrativo para ressaltada, também, a presença de belas o turismo contemplativo, a Pedra do Mi- cachoeiras na região da serra do Itauajuri, rante pode representar um atrativo em como a do igarapé Anai e do igarapé Açu potencial para um outro segmento do eco- das Pedras, já mencionadas em outro turismo: o turismo esportivo (rapel). capítulo. O "Bar do Mirante" está localiza- A Serra de Itauajuri está localiza- do na sede municipal, na rua Dr. Malcher, da ao Norte da cidade de Monte Alegre, bairro da Cidade Alta (foto 38). O referido distante cerca de 15 km (em linha reta), bar foi edificado na borda de uma eleva- sendo facilmente acessada através da ção em forma de platô, com cerca de 80m rodovia PA-423. Representa uma das de altitude, desenvolvida em arenitos da 63 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Fotografia: Thiago do Carmo Júnior Fotos 35 e 36 – Pedra do Mirante; ponto culminante da Serra do Ererê, com 220m de altitude, constitui um dos mais conhecidos “mirantes naturais” da região de Monte Alegre. 64 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 37 – A serra de Itauajuri, um dos pontos mais elevados da região de Monte Ale- gre, constitui um importante “mirante natural”. Fotografia: Pinon Friaes Foto 38 – Bar do mirante, situado na borda de uma elevação com 80 m de altitude, locali- zado na Cidade Alta de Monte Alegre – PA. 65 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre da Formação Alter do Chão. Esta eleva- região de várzea, sendo o verde claro ção é que constituí, na realidade, o supra- indicativo das áreas de campos naturais, citado "mirante natural". enquanto que o verde-escuro caracteriza as áreas de florestas de várzea. A paisagem que se descortina do Na borda do "Mirante" foi constru- alto desse "Mirante", olhando em direção ída uma grade de proteção, a fim de dar ao Sul, caracteriza uma das maiores bele- mais segurança às pessoas que buscam zas cênicas de toda a região, representa- aquele local, a fim de contemplar uma das da pela fantástica área de várzea (foto mais fascinantes paisagens de toda a re- 39). Em primeiro plano, destaca-se o pa- gião de Monte Alegre. raná do Gurupatuba, com suas águas barrentas; num plano intermediário, a re- Em função da infra-estrutura exis- gião dos lagos; e, ao fundo, o imenso rio tente, embora, ainda incipiente, o "Miran- Amazonas. Nesse cenário de rara beleza te" pode ser considerado como um "pro- destacam-se, ainda, as diversas tonalida- duto ecoturístico", fundamental para a des de verde que compõem a flora da prática do turismo contemplativo. Fotografia: Pinon Friaes Foto 39 – Belíssima paisagem da várzea, observada do Mirante localizado no bar ho- mônimo. Bairro Cidade Alta de Monte Alegre – PA. 66 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Situadas na sede do município, a Oeste a paisagem, marcante, é represen- Serra Oriental e a Serra Ocidental ser- tada pelas serras do Ererê e do Paituna. vem de denominação para os bairros ho- mônimos, de onde é possível descortinar As serras Oriental e Ocidental re- toda a beleza da morfologia regional. De presentam importantes mirantes natu- diversos pontos dessas serras, podem ser rais, com altitudes máximas entre 70 e 80 observados os vários componentes da m, desenvolvidos em arenitos da Forma- várzea de Monte Alegre, com destaque ção Alter do Chão. para a região dos lagos, os campos natu- 5.3.2.4 - Fontes Termais Sulfurosas rais e a floresta de várzea, além do pró- prio rio Amazonas (fotos 40 e 41), todos Completando o elenco de atrati- situados no extremo sul do município. vos físicos disponíveis no município de Monte Alegre, merecem destaque especi- Para Norte, o destaque é para a al as fontes termais sulfurosas, cuja bela visão proporcionada pela serra de primeira citação de cunho científico foi Itauajuri, com morfologia peculiar e sua efetuada no final do século passado, atra- coloração azulada, enquanto que para vés do pesquisador alemão F. KATZER. Foto 40 - Paisagem da várzea de Monte Alegre, observada a partir da serra Oriental. 67 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 41 - Paisagem da várzea de Monte Alegre, observada a partir da serra Ocidental. As fontes termais sulfurosas, ou amostras de águas sulfurosas de Monte simplesmente sulfurosas, como são co- Alegre (Anexo I). nhecidas na região, estão localizadas na planície do Ererê, porção central do Domo Em 1957, o Departamento Nacio- de Monte Alegre, distante cerca de 13 km nal de Produção Mineral (DNPM) divulgou a noroeste da sede municipal, com fácil o resultado da análise efetuada em uma acesso através da rodovia PA-255. amostra de gás, coletada em uma fonte termal sulfurosa de Monte Alegre (Anexo Em 1898, KATZER (in TANCREDI II). Ainda no mesmo ano, aquele Órgão & SILVA, 1997) referiu-se às águas ter- publicou o resultado da análise realizada mais sulfurosas de Monte alegre, desta- em uma amostra de água, procedente da cando a presença de duas nascentes que fonte sulfurosa do Menino Deus, em Mon- poderiam ser aproveitadas para banhos te Alegre (Anexo III). Em função dessa sulfurosos. Reportou-se ainda, àquela análise, a água da referida fonte foi classi- altura, sobre a possibilidade do aprovei- ficada como "água mineral alcalino- tamento daquelas fontes, como forma de bicarbonatada, sulfurosa e isotermal", de atrair visitantes brasileiros e estrangeiro à acordo com o Código de Águas Minerais, região. O mesmo autor, em 1933, publicou vigente àquela época, sendo ressaltadas, os resultados analíticos referentes a duas ainda, suas propriedades terapêuticas e 68 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre sua temperatura fíxa, de 36° C (in (IDESP) publicou um trabalho intitulado TANCREDI & SILVA), op cit. "Reconhecimento Hidrogeológico das Fontes Termais de Monte Alegre", de au- Em 1971, o extinto Departamento toria dos geólogos António Carlos F.N.S de Águas e Esgotos (DAE) efetuou uma Tancredi e Alberto Rogério da Silva, que análise físico-química em amostra de á- representa um dos mais completos estu- gua oriunda de uma fonte sulfurosa de dos realizados, até hoje, sobre aquelas Monte Alegre, cuja coleta foi efetuada em fontes. No referido estudo, os autores i- uma tubulação adaptada a um tanque de dentificaram uma área de emergências concreto, construído sobre a fonte. De hidrominerais, com cinco fontes termais acordo com o laudo técnico, expedido sulfurosas, localizadas em zonas de fratu- pelo DAE, a amostra foi classificada como ras. "água alcalino-bicarbonatada e hipoter- mal". A área identificada pelos citados autores está situada na porção centro-sul Em 1976, a Companhia de Pesqui- da planície do Ererê, conhecida como sa de Recursos Minerais (CPRM), através Campo do Desterro. Nessa região, os de seu Laboratório Central de Análises trabalhos de mapeamento geológico, Minerais (LAMIN), realizou um Ensaio de desenvolvidos pela CPRM, constataram a Mineralização em amostra de água proce- presença de rochas paleozóicas da For- dente de uma fonte sulfurosa de Monte mação Ererê, do Devoniano Médio (387 a Alegre. O resultado da análise revelou 374 milhões de anos), representadas por tratar-se de uma "água mineral, sendo siltitos cinza-azulados, duros, densos, ressalvada, todavia, a necessidade de silicificados e intensamente fraturados, estudo completo em amostra coletada por estratificados em bancos, com intercala- técnico oficial. ções de folhelhos (PASTANA et ai, 1978); Naquele mesmo ano, PASTANA et diques e soleiras de diabásio cortam es- ai, durante a realização de trabalhos pros- sas rochas paleozóicas. pectivos na região de Monte Alegre, des- Dentre as fontes identificadas por tacaram algumas características das á- TANCREDI & SILVA (1977) destacam-se guas termais sulfurosas, como a tempera- as do Menino Deus, cujas propriedades tura elevada (35° C) e o forte odor de en- medicinais foram ressaltadas há muitos xofre, devido a grande quantidade de gás anos, tendo sido, inclusive, objeto das sulfídrico, dissolvido. diversas análise físico-químicas, anterior- Em 1977, o Instituto do Desenvol- mente citadas. vimento Econômico-Social do Pará As fontes do Menino Deus estão 69 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre localizadas a 13 km da sede municipal, às ainda, valores significativos de bicarbona- proximidades da rodovia PA-255. Repre- to e enxofre. Nas análises efetuadas pelo sentam as mais importantes emergências DNPM (1957), foram obtidos 3,4 mg/l de hidrominerais da região de Monte Alegre, F^S, responsável pelo sabor e odor carac- sendo utilizadas para balnoterapia. No terísticos daquelas águas. local, foi implantada uma incipiente infra- estrutura, a partir do ano de 1951, incluin- Nos recentes estudos realizados do a construção de um pequeno balneá- pelo PRIMAZ/Monte Alegre, SOUZA rio. Após alguns períodos de abandono, (1998) efetuou um "Reconhecimento dos as instalações passaram por um processo Aqüíferos da Cidade de Monte Alegre", de recuperação, apresentando, atualmen- divulgando os resultados analíticos relati- te, condições razoáveis de uso. vos às amostras de água coletadas em dois poços tubulares profundos, sendo um No local, existe uma pequena pis- na sede da Associação Nipo-Brasileira cina (foto 42) e quatro banheiros (foto 43); (134 m) e outro na Associação Atlética a piscina é alimentada por tubulações, Banco do Brasil (150 m). As análises que captam a água oriunda de algumas revelaram a boa qualidade dessas águas, fontes, enquanto que os banheiros foram classificadas com Cloretadas Sódicas, à construídos, diretamente, sobre fontes. semelhança das águas da fonte do Meni- Existe, também, serviço de no Deus, conforme pode ser observado no bar/restaurante, campo de futebol, malo- Diagrama de Piper (figura 8). quinhas, barracão e um "play ground" (fo- to 44). Atualmente, a prefeitura de Monte Desta maneira, tanto as águas Alegre é a responsável pela manutenção termais das fontes do Menino Deus, como do balneário. as águas oriundas dos poços tubulares profundos, da sede municipal, possuem a Com relação à classificação das mesma classificação: cloretadas sódi- águas, os resultados das análises efetua- cas. Uma diferença significativa é contu- das pelo DNPM (1957), CPRM (1976) e do, a presença, nas primeiras, de bicarbo- IDESP (1977), em amostras procedentes natos e enxofre, provavelmente em decor- das fontes termais do Menino Deus, divul- rência dos diferentes tipos de rocha que gados por TANCREDI & SILVA (op cit) e ocorrem nas duas distintas regiões: as mostrados na figura 7, foram posicionados fontes termais do Menino Deus estão situ- no diagrama de Piper, pelo geólogo Aluí- adas em siltitos (rochas arenosas, de gra- zio Marçal Moraes de Souza nulometria muito fina) da Formação Ererê, (CPRM71999), que as classificou como na região do domo de Monte Alegre, onde Cloretadas Sódicas (figura 8), contendo, ocorrem, também, rochas extremamente 70 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre sulfetadas (folhelhos carbonosos, pirito- aquecendo-as, dissolvendo e transpor- sos, da Formação Curuá) e carbonatadas tando os sais, contribuindo, assim, com os (calcários, da Formação Itaituba), enquan- teores significativos de bicarbonato e en- to que os poços da zona urbana atraves- xofre, que caracterizam as fontes do Me- sam, somente, arenitos da Formação Alter nino Deus. do Chão, sem influência de outras rochas. Com relação às vazões, Uma vez que a qualidade das á- TANCREDI & SILVA (op cit) calcularam guas é conseqüência da composição mi- em 0,5 l/seg (43.200 l/dia) a produção neralógica das rochas que as circundam, total das fontes que alimentam os banhei- e considerando que a região do domo de ros do balneário da PA - 255 , enquanto Monte Alegre é intensamente afetada por LUZ (DNPM, 1957) estimou em 0,29 l/seg folhas e fraturas, é admissível supor que (± 25.000 l/dia) a vazão das fontes que as águas de superfície circulem através alimentam apenas um daqueles banhei- de falhas/fraturas extensas e profundas, ros.. Foto 42 - Aspecto da infra-estrutura existente nas fontes termais sulfurosas do Menino Deus, com piscina. 71 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 43 - Aspecto da infra-estrutura existente nas fontes termais sulfurosas do Menino Deus, constando de banheiros. Foto 44 – Vista geral do balneário construído na área das fontes Termais do Menino Deus. 72 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Resultado de Análise das Águas Termais de Monte Alegre DNPM -1957 Cátions Mg/l k meq % Anions Mg/l k meq % Ca 18,7 0,04990 0,09331 7,99 S04'2 - 0,02082 - - Mg2 2,5 0,08224 0,2056 1,76 HCO³ 341,3 0,01639 5,5939 47,98 Na' 233,7 0,04350 10,1660 87,07 Cl- 215 0,02821 6,0652 52,02 K 14,5 0,02558 0,3709 3,18 11,6591 100% 11,6756 100% Fonte; TANCREDI & SILVA, 1997 Classificação: Cloretada sódica bicarbonatada CPRM -1976 Cátions Mg/l k meq % Anions Mg/l k meq % Ca-2 42,7 0,04990 2,1307 18,51 S04" 0,2 0,02082 0,0042 0,04 Mg'2 0,00 0,08224 - - HCC>3- 301,6 0,01639 4,9432 43,40 Na' 202,0 0,04350 8,7870 76,32 cr 228,4 0,02821 6,4432 56,56 K 23,3 0,02558 0,5960 5,17 11,3906 100% 11,5137 100% Fonte: TANCREDI & SILVA, 1997 Classificação: Cloretada sódica bicarbonatada IDESP -1977 Cátions Mg/l k meq % Anions Mg/l k meq % Ca2 19,3 0,04990 0,9631 9,38 S04~ 0,3 0,02082 0,0062 0,06 Mg'2 2,9 0,08224 0,2385 2,32 HC03' 286,0 0,01639 4,6875 44,74 Na' 200,0 0,04350 8,7 84,76 Cl- 205,0 0,02821 5,7831 55,20 K 14,2 0,02558 0,3632 3,54 10,4768 100% 10,2648 100% Fonte: TANCREDI & SILVA, 1997 Classificação: Cloretada sódica bicarbonatada 73 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre DIAGRAMA DE PIPER B 100 100 Sulfatada Cálcica JF-02 JF-01 A Bicarb. Cloretada 0 Cálcica Sódica 0 C100 100 Bicarb. Sódica 100 0 0 0 100 Ca 0 0 Cl + NO3 100 Fig. 08 SOUZA, A. M. M. De (CPRM/PRIMAZ/1998/1999) CPRM - 1976 IDESP - 1977 Fontes termais do Menino Deus (Formação Ererê) DNPM - 1957 CPRM - 1998 Poços tubulares profundos, na zona urbana (Formação Alter do Chão) 74 Mg SO 4 + Cl + NO 3 Ca 3 + HCO 3 SO 4 Mg a +C + KNa Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre A par de suas propriedades físicas, 5.3.3 – Atrativos biológicos físico-químicas e químicas, determinadas, principalmente, através das análises efe- 5.3.3.1 - Várzea tuadas pelo DNPM), as águas termais Compreende as áreas submetidas sulfurosas de Monte Alegre poderiam ser às inundações temporárias do rio Amazo- aproveitadas em balnoterapia, desde que nas e afluentes, bem caracterizadas na aqueles resultados fossem confirmados porção sul do município, cobrindo uma por análises mais completas e rigorosas superfície aproximada de 800 km , tendo (incluindo radiatividade), complementadas como principais características o relevo por orientações de médicos especialistas. plano e rebaixado, os solos férteis e a Deve ser ressaltada, também, a necessi- acentuada beleza natural. dade de estudos técnicos sobre vazões, captações adequadas, natureza das fon- De uma maneira geral, a várzea é tes e extensão das áreas mineralizadas, a constituída pela justaposição de ilhas, fim de definir o real potencial das fontes cordões fluviais e diques marginais, entre- termais sulfurosas, visando o futuro apro- cortados por lagos, rios, furos e igarapés, veitamento comercial das mesmas, em que se interligam, compondo um cenário larga escala. de excepcional beleza cênica, com seu ecossistema ainda bem preservado. Por Deve, ainda, ser ressaltada, a exis- se tratar de um ecossistema frágil, as tência de um poço tubular profundo (± 200 questões ambientais assumem uma im- m de profundidade), executado pela portância fundamental, nas áreas de vár- CPRM, para o INCRA (1997), na vila de zea, a fim de que seja evitada a sua de- Inglês de Souza (região do domo de Mon- gradação. te Alegre), que produz água com tempera- tura um pouco elevada e forte odor de A origem da várzea está relaciona- enxofre. Esse poço, perfurado em rochas da à deposição de sedimentos pelo rio da Formação Curuá (com predomínio de Amazonas (principalmente), levando à folhelho carbonoso, piritoso), produz água formação de ilhas e estruturas de trans- de fratura, imprópria para o consumo hu- bordamento (diques marginais e cordões mano; todavia, as características dessa fluviais), que caracterizam essa região. A água (temperatura elevada e forte odor de vegetação típica está representada por enxofre), aliadas à grande vazão do poço, gramíneas, que compõem os campos na- ensejam a realização de estudos voltados turais, secundadas pela floresta aluvial ou ao futuro aproveitamento da mesma , com "mata-de-várzea"; a fauna, bastante rica e finalidade terapêutica. diversificada, é composta por grande 75 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre variedade de pássaros, primatas e rép- Embora se desenvolva em várias teis, entre outros. regiões do município , a mais típica área A várzea, além da beleza cênica, é de ocorrência do cerrado / savana situa-se detentora de uma porção considerável da na porção central do domo de Monte Ale- bíodiversidade regional, apresentando gre, conhecida como planície do Ererê ou grande potencial para o turismo contem- campo do Desterro, próximo à sede muni- plativo (observação de pássaros, botos e cipal (6 a 8 km), com fácil acesso através tabuleiros de quelônios), pesca esportiva da PA-255 e estradas vicinais. Trata-se de e “camping", entre outros segmentos do uma região de topografia plana, com solos ecoturismo. pouco desenvolvidos, assentados direta- mente sobre rocha fresca. 5.3.3.2 - Cerrado / Savana O binômio relevo/vegetação é Compreende aquelas áreas reco- responsável pela incrível beleza cênica bertas por vegetação de porte médio, com do campo do Desterro (fotos 45 e 46), alturas variando entre 4 a 7 m, onde pre- com destaque para as diferentes tonali- dominam tipos tortuosos, arbustivos, dis- dades do verde, notadamente na estação persos sobre uma cobertura contínua de chuvosa quando as gramíneas cobrem o gramíneas (OLIVEIRA JÚNIOR, 1999). campo com um verdadeiro "tapete verde". Foto 45 – Planície do Ererê. 76 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Foto 46 – Planície do Ererê (ou Campo do Desterro), localizada na porção central do Do- mo de Monte Alegre; típica área de Cerrado/Savana. Complementando a paisagem, destacam- distribuídas, principalmente, nas porções se, no entorno do cerrado da região do central e setentrional do município. A Flo- Ererê, as serras que compõem a porção resta Tropical Densa é o ecossistema do- externa do domo de Monte Alegre. Além minante, com suas fauna e flora, exube- da beleza cênica, o cerrado/ savana re- rantes. presenta um ecossistema bem preserva- do, constituindo um atrativo para diversos Considerando que a floresta se de- segmentos do ecoturismo. senvolve notadamente em áreas ínvias, sem nenhuma infra-estrutura de acesso (a Outras áreas de ocorrência de cer- não ser o encachoeirado rio Maecuru), rado/ savana estão situadas na serra de toma-se impraticável para a visitação de Itauajuri (topo e flanco norte) e na região turistas. Como alternativa, existe uma pe- do Centro Grande, esta última próximo à quena área remanescente de Floresta zona dos lagos, porção sul-sudoeste do Tropical Densa, localizada às proximida- município. des da sede municipal, no baixo curso do igarapé do Ererê, facilmente acessada por 5.3.3.3-Floresta vias fluvial e terrestre, a partir da cidade As áreas de floresta ocupam cerca de Monte Alegre; essa região, conhecida de 60% do espaço físico de Monte Alegre, como Floresta da Gorgota, representa 77 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre um belíssimo mostruário da floresta ama- quele ninhal; ao alvorecer, as garças par- zônica, apresentando árvores de grande tem novamente em bandos, numa repeti- porte, com alturas que atingem de 30 a ção do espetáculo anterior. 40m, mostrando, como curiosidade, a pre- sença de bromélias nos galhos superio- A presença de botos também se res. constitui em um forte atrativo ao turismo contemplativo. Esses grandes mamíferos A Floresta da Gorgota representa aquáticos podem ser observados diaria- um importante atrativo biológico, com po- mente, a qualquer hora, ao longo de todo tencial para diversos segmentos do ecotu- o paraná do Gurupatuba, que passa em rismo, como o turismo científico, contem- frente à cidade de Monte Alegre. plativo e biológico, bem como para a prá- tica do "treking" (caminhada ecológica). 5.3.4- Atrativos esportivos: 5.3.3.4- Garças e botos No município de Monte Alegre, dentre os inúmeros atrativos passíveis de Os garçais - habitat natural das serem utilizados para as atividades espor- garças, aves que se destacam entre os tivas, destacam-se as áreas para pesca, mais belos representantes da fauna regio- montanhismo, rapel e canoagem, entre nal representam importantes atrativos outras. biológicos para o turismo contemplativo, estando distribuídos em várias áreas do 5.3.4. l - Pesca esportiva município, notadamente na porção sul, Conforme enfocado em capítulos nas margens do lagos, rios e furos que anteriores. Monte Alegre é um município integram a região da várzea. com presença marcante de rios e lagos Entre outros, destacam-se os gar- piscosos, notadamente nas áreas de vár- çais das regiões do rio Paituna (outra de- zea; no período de verão, os mesmos nominação empregada para o rio Maecu- ficam com suas profundidades bastante ru, em seu baixo curso) e dos lagos Jereri- reduzidas, facilitando, sobremaneira, a teua, Maruim e Grande. Um dos mais co- captura de pescado. nhecidos garçais de Monte Alegre está A presença de rios e lagos pisco- localizado na própria sede municipal, pró- sos, confirmados através de projetos de ximo às margens do paraná do Gurupatu- pesquisa, desenvolvidos pelo Projeto la- ba, mais precisamente na serra Ocidental ra/IBAMA, são indicativos do grande po- . Ali, diariamente, ao entardecer, centenas tencial do município para o desenvolvi- de garças chegam em revoada, pousando mento da pesca esportiva, inegavelmente sobre a serra, a fim de passar a noite na- um importante segmento do ecoturismo. 78 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Dentre os espécimes mais impor- na, onde existem as corredeiras Fartura, tantes, destacam-se o tucunaré, conheci- Panacu e Lontra, entre outras. Por sua do internacionalmente como o "imperador relativa proximidade em relação à sede da Amazônia", tambaqui, surubim e pes- municipal, esse trecho do rio Maecuru cada branca, além de peixes de grande poderia ser aproveitado para a prática da porte, como o pirarucu e a pirarara, que canoagem, pêlos adeptos desse esporte pode alcançar até 50 kg. radical. 5.3.4.2 - Montanhismo e rapel 5.3.5 – Outros atrativos Algumas das serras já referencia- 5.3.5.1 – Festas religiosas das como atrativos histórico-culturais ou atrativos físicos, também poderão ser Dentre as inúmeras festas religio- consideradas para a prática de monta- sas promovidas em Monte Alegre, desta- nhismo e rapei, com destaque para a ser- cam-se as festas juninas, sendo a mais ra do Ererê, que atinge altitudes máximas conhecida e tradicional a Festa de São de 220m, com encostas abruptas, às ve- João, na vila do Airi, também conhecida zes formando paredões de até 100 m de como Folia do Airi, realizada na vila ho- altura. A serra do Paituna também oferece mônima (distante cerca d 5 km da sede condições para a prática dos referidos municipal), no período de 18 a 24 de ju- esportes, apresentando altura aproximada nho. de 200m, com encostas íngremes e decli- A referida festa consta de uma ex- ves acentuados. Da mesma maneira, de- tensa programação, cujo início antecede ve ser considerada a serra de Itauajuri, ao supramencionado período. Assim, três que atinge altitudes de até 400 m, com dias antes do começo das festividades, destaque para as bordas sul e oeste, for- um grupo de pessoas percorre as casas temente escarpadas. da comunidade, recolhendo doações para 5.3.4.3 - Canoagem o Santo padroeiro, as quais podem ser na forma de dinheiro, animais ou alimentos Notadamente na época de verão, o em geral. O grupo é constituído por oito rio Maecuru apresenta alguns trechos de pessoas, sendo que seis tocam tambores, difícil navegabilidade, devido à presença pandeiros e xeque-xeque, enquanto as de inúmeras corredeiras e cachoeiras. Um outras duas transportam bandeiras - uma desses trechos, localizado em uma área branca e uma vermelha, contendo a figura que pode ser alcançada através da PA- de São João, pintada no centro - que são 254, situa-se às proximidades da referida agitadas no ar. Durante as apresentações rodovia, entre os igarapés Fartura e Ipixu- do grupo, a imagem do Santo é colocada 79 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre em lugar de destaque, enquanto os "foli- No dia 15 de agosto, é comemora- ões" cantam suas músicas. O grupo fol- da a Festa de Nossa Senhora do Livra- clórico é denominado Foliões do Airi, o mento, no bairro do Surubeju, com reali- qual, como curiosidade, produz os seus zação de procissão e novenas, além de próprios instrumentos musicais, utilizando arraial, leilões de donativos, corrida de apenas taboca, cuia e missangas. argolinha e festa dançante. No dia 31, realiza-se a Festa de São Raimundo No- A festividade tem prosseguimento nato, na vila de Inglês de Souza, com pro- com a realização de procissões, novenas gramação semelhante à de Nossa Senho- e missas, complementadas por extensa ra do Livramento. programação profana, incluindo corrida de argolinhas ou cavalhada, pau-de-sebo, Na segunda quinzena de setembro bingos, festa dançante e dança de quadri- (data móvel) é realizado o Círio de São lha, além da "levantação do mastro" e da Francisco de Assis, padroeiro de Monte "derrubação do Mastro", no início e final Alegre. As festividades são iniciadas com da festa, respectivamente. uma Procissão Terrestre, pela manhã, No dia 20 de janeiro acontece a além de uma Procissão Fluvial, vesperti- Festa de São Sebastião, com a realização na; à noite, é realizada a tradicional Pro- de procissão, missas e novenas, além de cissão das Barquinhas, onde cada “bar- arraial com venda de comidas típicas e quinha" é constituída por um pedaço de leilões e donativos. aninga ou taboca, contendo, em seu inte- rior, uma vela acesa, protegida por um Durante o mês de maio, são reali- pedaço de papel colorido. Às centenas, as zadas inúmeras comemorações alusivas à "barquinhas" multicoloridas descem o pa- Festa de Santa Maria, na vila do Pariço, raná do Gurupatuba, constituindo um es- distante cerca de 5 km da sede municipal. petáculo de rara beleza. Como parte dos festejos, são realizadas procissões e novenas, além de leilões de No dia 4 de outubro, é comemora- donativos, torneio de futebol, corrida de do o dia de São Francisco de Assis e a argolinha, venda de comidas típicas e programação consta de transladação flu- festa dançante. vial e procissão terrestre, seguidas de novenas, leilões de donativos e arraial, No mês de junho, além da Folia do culminando com a já tradicional queima de Airi, já referenciada, é comemorada a Fes- fogos. Este acontecimento marca o encer- ta de Santo Antônio, no dia 13, nas comu- ramento dos festejos que se iniciam com o Círio. nidades de Curicaca e Ererê, além da Festa de São Pedro, nas comunidades de Em novembro, é realizada a Festa Jurunduba e Camarazinho. de Cristo, no bairro de Pajuçara. 80 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre No dia 13 de dezembro, é realizada em Ação de Graças, Festival uma Canção a festa de Santa Luzia, constando de pro- para Monte Alegre, Torneio Cidade de cissão, novenas, leilões de donativos, Monte Alegre, Concurso de Poesias e arraial e torneio de futebol. Concurso Garota de Monte Alegre. 5.3.5.2 - Festas Populares No dia 19 de abril, são realizadas festividades alusivas ao Dia do Índio. No mês de fevereiro, ocorrem os festejos alusivos ao Carnaval, com a reali- No dia 1° de maio, é realizado um zação de batalha de confete, desfiles de torneio de futebol em comemoração ao blocos e escolas de samba, incluindo o Dia do Trabalho, envolvendo equipes re- Desfile Oficial e o Desfile de Encerramen- presentativas de diversas entidades, atu- to do carnaval; são realizadas, também, antes no município. diversos bailes nos dois principais clubes da cidade, o São Francisco Esporte Clube No mês de setembro, ocorrem as e o Esporte Clube Norte Montealegrense. comemorações alusivas à semana da Pátria, com realização de desfile escolar, No mês de abril, é realizada a copa nas zonas urbana e rural; é também reali- rural, com duração de uma semana, en- zado um torneio de futebol, envolvendo volvendo equipes de futebol representa- escolas municipais e estaduais. tivas de várias colônias do município de Monte Alegre. 5.3.5.4 - Exposições Em outubro, ocorrem dois impor- A principal exposição do município a tantes eventos populares. No dia 12, é ocorre na 2 quinzena de julho, no parque comemorado o Dia da Criança, com a de exposições da vila do Airi, denominada realização de brincadeiras diversificadas, Exposição Feira Agropecuária. Durante o na praça do Mirante, na cidade alta; em evento, são realizadas diversas ativida- data móvel, são realizados os jogos Inter- des, incluindo vaquejada, rodeio, corrida colegiais, que envolvem escolas munici- de argolinha, mesa negra, futebol, baile pais. dançante e outros. 5.3.5.3 - Festas Cívicas Outra importante exposição é re- presentada pela feira do Produtor Rural, No dia 15 de março, é realizada realizada em data e local móvel. Durante uma das mais importantes festas cívicas o evento, são expostos diversos produtos do município, que é o aniversário de Mon- do município, tais como grãos, legumes, te Alegre. Consta de uma extensa pro- hortaliças, garrafadas, comprimidos feitos gramação, incluindo a realização de Missa à base de produtos naturais, como copai- 81 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre ba e babosa, doces de frutas e alimenta- • Festival do Acari - na vila de Cur- ção alternativa. ralinho (região de várzea, margem direita do paraná de Gurupatuba), 5.3.5.5 - Gastronomia no mês de agosto. A deliciosa cozinha montealegren- • Festival do Caju - na sede munici- se é , sem sombra de dúvida, um impor- pal, escola de Ensino Fundamental tante atrativo turístico do município. A ex- Professora Rosália Simões Barbo- celência dos pratos típicos, elaborados, sa, no mês de Setembro. principalmente, à base de peixes diversos, é reconhecida e apreciada em toda a re- 5.3.5.6 -Artesanato gião. Além do tucunaré, do tambaqui e do pirarucu, muito apreciados pelo sabor de O artesanato de Monte Alegre, rico suas carnes, destaca-se também o Acari, e diversificado, inclui atividades de tecela- um peixe cascudo que pode ser prepara- gem de palha, reciclagem de esteira, tra- do de diversas maneiras, tais como guisa- balhos em balata, argila, taboca e crochê, do, cozido, assado e desfiado, este último além das famosas cuias pintadas, uma constituindo o piracuí, uma farinha de pei- tradição que remonta ao século 1XX. xe de sabor agradável e alto conteúdo protéico, utilizada no preparo de bolinhos, Na sede municipal, o destaque é tortas, omeletes, sopas, etc. para o artesanato em balata, com a con- fecção de pequenos animais (macaco, O município também realiza inú- cavalo, boi, cobra, boto, etc.) meros festivais de comidas, destacando- Na vila do Pariçó, destaca-se a se, entre outros, os seguintes: confecção de cuias pintadas, esteiras de • Festival da Melancia - realizado na junco e taboa (um tipo de palmeira da 1a semana de março, na sede mu- região), trabalhos em argila vermelha (pa- nicipal. nelinhas, vasos, caretas, etc.), em raízes e palhas; plantas desidratadas; reciclagem • Festival do Tacacá - realizado no com a utilização de envira (fibra vegetal): mês de junho, na Escola de Ensino chapéus, bolsas e roupas; e, trabalhos em Fundamental Prefeito Carim Me- crochê. lém, na cidade de Monte Alegre. Nas vilas de Jurunduba e Juçara- • Festival da Banana - também rea- teua, próximas ao Pariçó, destacam-se o lizado na sede municipal, na cida- artesanato em palha (cestas, bolsas e cha- de baixa, durante o mês de julho. péus) e em taboca (vasos, cinzeiros, etc.). 82 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre Na vila do Airi, além da produção manifestações folclóricas destacando-se o de farinha-de-mandioca, destaca-se o Festival Folclórico, realizado na Praça do artesanato com telas e cipós, produzindo Mirante (cidade alta), durante o mês de paneiros e peneiras, em geral sob enco- junho, sem data fixa. Durante o festival, menda. são apresentadas danças folclóricas e Na região da várzea, com destaque diversos cordões juninos, representados para o Lago Grande, o artesanato está pelos "pássaros" (Beija-Flor, Pavão, Gar- representado, principalmente, pela con- ça, Uirapuru, Colhedeira, etc.), Boi- fecção de redes de pesca. bumbás e as Formigas Cabeçudas. Den- 5.3.5.7-Folclore tre as danças folclóricas, destaca-se o O município conta com diversas Carimbó, na vila de Piafu. 83 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre 6 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Em função da riqueza de seus re- oeste paraense, neste caso numa ação cursos naturais, onde despontam ricas conjunta com o Governo do Estado (Pólo áreas de várzea, florestas e savanas, rios Tapajós), toma-se imperativo o ordena- e lagos piscosos, mirantes naturais e fon- mento das informações relacionadas ao tes termais sulfurosas, além de rico folclo- ecoturismo, no município de Monte Alegre re e artesanato diversificado, o município (integrante do pólo Tapajós), de forma a de Monte Alegre tem, no turismo, uma de subsidiar a geração de um grande banco suas maiores vocações. Associada a toda de dados, que deverá ser constituído, pa- essa riqueza, a presença de sítios arqueo- ra toda a área do Pólo Tapajós. Dentro lógicos, contendo as mais antigas pinturas dessa ótica, a elaboração do presente rupestres, já cientificamente comprova- Diagnóstico do Potencial Ecoturístico das, no Brasil e, quiçá nas Américas, em- do Município de Monte Alegre , assume presta à região um imenso potencial para uma importância fundamental para o se- o turismo científico, um dos importantes tor, a partir da maneira ordenada como segmentos do ecoturismo. relaciona, descreve e posiciona, em ma- pas, os principais atrativos turísticos do Para transformar todo esse poten- município. cial em uma atividade capaz de acelerar a geração de empregos e a internalização Dentre as recomendações que po- de renda, no município, toma-se necessá- derão contribuir para o fortalecimento da rio, inicialmente, adquirir um conhecimen- atividade turística, em Monte Alegre, são to generalizado dos principais atrativos apresentadas algumas que poderão, in- turísticos, dentro do espaço municipal, a clusive, integrar o elenco de ações que fim de direcionar os investimentos em serão desenvolvidas através do infra-estrutura básica, bem como para PROECOTUR/ Pólo Tapajós: implementar as ações necessárias à transformação desses atrativos em produ- • Incluir na grade curricular das escolas tos turísticos, passíveis de serem explora- públicas municipais, disciplinas relacio- dos comercialmente. nadas à educação ambiental e ao eco- turismo. No momento em que o Governo Federal investe em um amplo programa • Incluir no programa da disciplina His- voltado para o desenvolvimento do eco- tória, nas escolas públicas de Monte turismo na região amazônica Alegre, noções sobre a evolução histó- (PROECOTUR), com destaque para o rica do município e as potencialidades 84 Diagnóstico do Potencial Ecoturístico - Cidade de Monte Alegre do mesmo. dos vândalos que vêm depredando es- se patrimônio histórico-cultural. • Criar programas de educação e cons- cientização da população para a impor- tância do ecoturismo, como instrumen- • Realizar um levantamento detalhado to de sustentação para o desenvolvi- na área em que estão localizadas as mento regional, gerando empregos e Fontes Termais Sulfurosas do Menino melhorando a qualidade de vida da po- Deus, visando a definição do real po- pulação montealegrense. tencial, das mesmas. Esse levantamento deverá incluir testes de • Incentivar a formação de mão-de-obra vazão, estudos sobre a origem e especializada, sobretudo guias turísti- composição da água, extensão da cos, com sólidos conhecimentos sobre zona mineralizada, condições de os principais atrativos/produtos ecotu- captação das fontes, adequação das rísticos do município. instalações para banhos, etc. • Fortalecer os serviços de infra- estrutura básica, notadamente com re- • Incentivar a melhoria dos hotéis, res- lação às vias de acesso às grutas com taurantes e bares existentes, além de pinturas rupestres. promover incentivos à construção de hotéis ecológicos em diferentes ambi- • Realizar um mapeamento completo entes. da área onde estão situadas as grutas com pinturas rupestres, incluindo sua delimitação, localização exata dos atra- • Criar praças com instalações padroni- tivos e levantamento planialtimétrico zadas permanentes para alimentação e detalhado, visando as futuras instala- artesanato. ções de equipamentos para proteção dos atrativos/produtos ecoturisticos • Fazer gestões juntos às empresas de portões, cercas, torres, guaritas, etc.). turismo no sentido de tomar Monte A- • Propor a criação de uma unidade de legre "parada obrigatória" para visitas conservação estadual, para a supra- turísticas. mencionada área. • Adotar, urgentemente, medidas de • Promover intensa campanha de "Mar- proteção às grutas e serras com pintu- keting" para incentivar o turismo em ras ruprestes, a fim de coibir a ação Monte Alegre. 85 7 – BIBLIOGRAFIA BRASIL. 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André Araújo, 2160 - Aleixo dar CEP 70830-030- Brasília -DF Te- CEP: 69065-001 - Manaus - AM lefone: (061) 312-5253 (PABX) Telefone: (029) 663-5614 Escritório do Rio de Janeiro Superintendência Regional de Porto Av. Pasteur, 404 Alegre CEP: 22290-240 - Rio de Janeiro - RJ Rua Banco da Província, 105 - Sta. Tere- Telene: (021) 295-0032 (PABX) sa CEP: 90840-030 - Porto Alegre -RS Telefone: (051) 233-7311 Diretoria de Hidrologia e Gestão Terri- torial Superintendência Regional de Recife Av. Pasteur, 404 3° andar CEP: Av. Beira Rio, 45 - Madale- 22290 - Rio de Janeiro - RJ na CEP: 50610-100 - Recife - PE Telefone: (081)227- Departamento de Gestão Territorial 0277 Av. Pasteur, 404 CEP: 22290-240 - Rio de Janeiro - RJ Superintendência Regional de Salvador Telefone: (021) 295-6147 Av. Ulysses Guimarães, 2862 Sussuarana Centro Administrativo da Bahia CEP: Divisão de Documentação Técnica 41213-000 - Salvador - BA Telefone: (071) Av. Pasteur, 404 230-9977 CEP: 22290-240 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (021) 295-5997 - 295-0032 (PABX) Superintendência Regional de São Pau- lo Superintendência Regional de Belém Av. Dr. Freitas n° 3645 - Bairro do Rua Barata Ribeiro, 357 - Bela Vista Marco CEP: 66095-110 - Belém - PA CEP: 01308-000 - São Paulo - SP Telefone: (091) 246-8577 Telefone: (011)255-8155 Divisão de Gestão Territorial da Ama- zônia Residência de Fortaleza Av. Dr. Freitas, 3645 - Bairro do Mar- Av. Santos Dumont, 7700 - Bairro Papicu co CEP: 66095-110 - Belém - PA Te- CEP: 60150-163 - Fortaleza - CE Telefo- lefone: (091) 246-1657 ne: (085) 265-1288 Superintendência Regional de Belo Horizonte Residência de Porto Velho Av. Brasil, 1731 - Bairro Funcionários Av. 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