MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL CPRM - Serviço Geológico do Brasil PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL PROJETO PROVÍNCIA MINERAL DE ALTA FLORESTA (PROMIN-ALTA FLORESTA) GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ALTA FLORESTA FOLHA SC.21-X-C ESTADOS DE MATO GROSSO E DO PARÁ Organizadores Cipriano Cavalcante de Oliveira Mário Cavalcanti Albuquerque BRASÍLIA/2005 GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ALTA FLORESTA FOLHA SC.21-X-C ESCALA 1:250.000 MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL Ministro de Estado Silas Rondeau Cavalcante Silva Secretário Executivo Nelson Hubner Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Cláudio Scliar COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS – CPRM SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL Diretor-Presidente Agamenon Sergio Lucas Dantas Diretor de Geologia e Recursos Minerais Manuel Barreto da Rocha Neto Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial José Ribeiro Mendes Diretor de Administração e Finanças Alvaro Rogério Alencar Silva Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Fernando Pereira de Carvalho Chefe do Departamento de Geologia Carlos Schobbenhaus Filho SUPERINTENDÊNCIAS REGIONAIS Superintendente de Belém Manfredo Ximenes Ponte Superintendente de Belo Horizonte Elbio Pereira Superintendente de Goiânia Maria Abadia Camargo Superintendente de Manaus Daniel Borges Nava Superintendente de Porto Alegre Irineu Capeletti Superintendente de Recife José Wilson de Castro Temóteo Superintendente de Salvador Ivanaldo Vieira Gomes da Costa Superintendente de São Paulo José Carlos Garcia Ferreira Superintendente de Fortaleza Darlan Filgueira Maciel Superintendente de Porto Velho Helena da Costa Bezerra Superintendente de Teresina Francisco Batista Teixeira PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL PROJETO PROVÍNCIA MINERAL DE ALTA FLORESTA COORDENAÇÃO NACIONAL Carlos Schobbenhaus Filho Inácio de Medeiros Delgado COORDENAÇÃO E SUPERVISÃO TÉCNICA Cartografia Geológica Joffre Valmório de Lacerda Filho Geologia Estrutural Reginaldo Alves dos Santos Geofísica Murilo Machado Pinheiro Geoquímica Eric Santos Araújo e Renato Sales de Andrade Metalogenia Inácio de Medeiros Delgado e Franciscus Jacobus Baars Geocronologia Márcio Martins Pimentel Petrografia Maria Abadia Camargo Sensoriamento Remoto Cidney Rodrigues Valente EQUIPE EXECUTORA Superintendência Regional de Goiânia Coordenação e Supervisão Regional Joffre Valmório de Lacerda Filho Chefia do Projeto João Olímpio Souza Equipe Executora Cipriano Cavalcante de Oliveira Mário Cavalcanti Albuquerque Cartografia Digital Pedro Ricardo Soares Bispo Claudionor Francisco da Silva Valdivino Patrocínio da Silva Renivan Bartolomeu Rodrigues Luiz Carlos de Melo Apoio de Secretaria Nair Dias Gessy Cristina Gomes Silva Brenner Colaboradores Emílio Lenine C. Catunda da Cruz Consultores Augusto José Pedreira João Orestes Schneider Santos Nilson Francisquini Botelho (UnB) Roberto Gusmão de Oliveira Wilson Wildner Ruy Benedito Calliari Bahia Waldemar Abreu Filho CRÉDITOS DE AUTORIA Capítulo 1 INTRODUÇÃO 2.2.8 Suíte Colíder Cipriano C. de Oliveira Cipriano C. de Oliveira Mário Cavalcanti Albuquerque Luiz Carlos Moreton Edson Gaspar Martins Capítulo 2 GEOLOLOGIA 2.2.9 Suíte Intrusiva Vitória 2.1 Contexto Geológico Regional 2.2.10 Cipriano C. de Oliveira Cipriano C. de Oliveira Antônio A. Soares Frasca 2.2 Estratigrafia Paulo F. Villas Boas 2.2.1 Complexo Bacaerí-Mogno Pedro Sérgio E. Ribeiro Cipriano C. de Oliveira 2.2.11 Granito São Pedro Antônio A. Soares Frasca Cipriano C. de Oliveira Pedro Sérgio E. Ribeiro Antônio A. Soares Frasca Maria Abadia Camargo Paulo F. Villas Boas 2.2.2 Complexo Cuiú-Cuiú Pedro Sérgio E. Ribeiro Cipriano C. de Oliveira Granito Teles Pires 2.2.3 Suíte Intrusiva Juruena Cipriano C. de Oliveira Cipriano C. de Oliveira Luiz Carlos Moreton Maria Abadia Camargo Pedro Sérgio E. Ribeiro 2.2.4 Suíte Intrusiva Paranaíta Maria Abadia Camargo Cipriano C. de Oliveira 2.2.12 Grupo Beneficente Antônio A. Soares Frasca João Olímpio Souza Maria Abadia Camargo 2.2.13 Diabásio Cururu 2.2.5 Alcalinas Rio Cristalino Cipriano C. de Oliveira Cipriano C. de Oliveira 2.2.14 Depósitos Aluvionares Maria Abadia Camargo Cipriano C. de Oliveira 2.2.6 Intrusivas Básicas Guadalupe Cipriano C. de Oliveira Capítulo 3 GEOLOGIA ESTRUTURAL E TECTÔNICA Pedro Sérgio E. Ribeiro Cipriano C. de Oliveira Paulo F. Villas Boas Maria Abadia Camargo Capítulo4 RECURSOS MINERAIS E METALOGENIA 2.2.7 Granito Nhandu Cipriano C. de Oliveira Cipriano C. de Oliveira Antônio A. Soares Frasca Capítulo 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Maria Abadia Camargo Cipriano C. de Oliveira GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ALTA FLORESTA Revisão final Inácio de Medeiros Delgado Augusto J. Pedreira Reginaldo A. Santos Leo Rodrigues Teixeira PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL PROJETO PROVÍNCIA MINERAL DE ALTA FLORESTA (PROMIN- ALTA FLORESTA) Executado pela CPRM- Serviço Geológico do Brasil Superintendência Regional de Goiânia Coordenação – Rio de Janeiro DEPAT/DICART/DIEDIG (Editoração/Diagramação/Design) O482 Oliveira, Cipriano Cavalcante de Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil - PLGB. Geologia e Recursos Minerais da Folha Alta Floresta SC. 21-X-C. Estados de Mato Grosso e do Pará. Escala 1:250.000 / Organizado [por] Cipriano Cavalcante de Oliveira [e] Mário Cavalcanti Albuquerque. – Brasília : CPRM - Serciço Geológico do Brasil/ DEPAT/ DIEDIG, 2003. 1 CD-ROM Projeto Província Mineral de Alta Floresta (PROMIN - Alta Floresta) Executado pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Superintendência Regional de Goiânia. 1. Geologia Econômica – Mato Grosso. 2. Geologia Econômica – Pará. 3. Economia Mineral – Mato Grosso. 4. Economia Mineral – Pará. 5. Mapeamento Geológico – Mato Grosso. 6. Mapeamento Geológico – Pará. 7. Geomorfologia. 8. Metalogenia. I. CPRM - Serviço Geológico do Brasil. I. Projeto Província Mineral de Alta Floresta (PROMIN - Alta Floresta). IV. Título. V. Título: Geologia e Recursos Minerais da Folha Alta Floresta. CDD 558.11 SUMÁRIO RESUMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . vii ABSTRACT. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . xix 1 INTRODUÇÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1.1 Histórico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1.2 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 1.3 Localização e Acesso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 1.4 Aspectos Socioeconômicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 1.5 Aspectos Fisiográficos e Geomorfológicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 2 GEOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2.1 Contexto Geológico Regional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2.2 Estratigrafia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.2.1 Complexo Bacaeri-Mogno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.2.2 Complexo Cuiú-Cuiú. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 2.2.3 Suíte Intrusiva Juruena PPj . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 2.2.4 Suíte Intrusiva Paranaíta PPp . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 2.2.5 Alcalinas Rio Cristalino PP1rc . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 2.2.6 Intrusivas Básicas Guadalupe PPg . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 2.2.7 Granito Nhandu Ppn . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 2.2.8 Suíte Colíder PPc. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 2.2.9 Suíte Intrusiva Vitória Ppv. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 2.2.10 Granito São Pedro Ppsp. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 2.2.11 Granito Teles Pires Pptp. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 2.2.12 Grupo Beneficente Ppb . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 2.2.13 Diabásio Cururu Jde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2.2.14 Depósitos Aluvionares Qza. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 3 GEOLOGIA ESTRUTURAL E TECTÔNICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 3.1 Análise Descritiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 3.1.1 Domínio Dúctil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 3.1.2 Domínio Rúptil-Dúctil a Rúptil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 3.2 Evolução Tectônico-Geológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 4 RECURSOS MINERAIS E METALOGENIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 4.1 Ouro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 – v – 4.1.1 Mineralização Secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 4.1.2 Mineralização Primária. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 4.1.2.1 Tipologia dos Depósitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 4.2 Manganês . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 4.3 Calcário. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 4.4 Minerais e/ou Rochas Industriais Utilizados na Construção Civil . . . . . . . . . . . . . . 95 4.5 Indícios Mineralométricos, Geoquímicos e Geofísicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 SÚMULA DOS DADOS FÍSICOS DE PRODUÇÃO ANEXOS I Mapa Geológico II Mapa de Estações Geológicas – v i – RESUMO Este trabalho apresenta os resultados do ma- alto grau, com assinatura toleiítica, vestígio de uma peamento geológico, na escala 1:250.000 da Folha crosta oceânica incipiente, e de ortognaisses do Alta Floresta (SC.21-X-C), numa área aproximada Complexo Cuiú-Cuiú (1,99Ga). Essas unidades 2 de 18.000km , situada na parte norte de Mato Gros- serviram de encaixantes às rochas do arco mag- so e sudoeste do Pará, integrante do Projeto Provín- mático Juruena, formado por um segmento pluto- cia Mineral de Alta Floresta, dentro do Programa no-vulcânico deformado em domínio rúptil a rúptil- Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil – dúctil e outro plutônico de médio a alto grau, defor- PLGB. mado em domínio dúctil. Para obtenção desses resultados, foram efetua- No segmento pluto-vulcânico com deformação dos cerca de 1.806km de perfis geológicos distri- descontínua (rúptil a rúptil-dúctil), foram ordenadas buídos ao longo de estradas, rios e trilhas; estuda- e diferenciadas as seguintes unidades litoestrati- dos 400 afloramentos; realizadas 169 análises pe- gráficas: Suíte Intrusiva Juruena (1.848Ma-U/Pb) – trográficas e 6 calcográficas; 53 análises litoquími- granitos e monzogranitos, calcioalcalinos alto po- cas e determinações geocronológicas: U/Pb tássio, metaluminosos; Suíte Intrusiva Paranaíta SHRIMP (3), U/Pb (2) e Sm/Nd (6). (1.819  6Ma a 1.793  6Ma; idade-modelo 2,21Ga Foi executado levantamento geoquímico regio- com Nd(t) -1,25) – granitos e monzogranitos com nal através da coleta sistemática de sedimentos de magnetita e quartzo azulado, calcioalcalinos alto corrente (470 amostras) e concentrados de bateia potássio; Alcalinas Rio Cristalino (1.806  3Ma; (431 amostras). Em convênio com o Observatório U/Pb) – sienitos, riebeckita-egirina sienitos e quart- Nacional, foram efetuados cerca de 125km de per- zo sienitos; Granito Nhandu – magnetita-biotita gra- fis gravimétricos ao longo das rodovias MT-206 e nitos, monzonitos, sienogranitos e subvulcânicas, MT-325. de linhagem calcioalcalina alto potássio, com ten- A integração multidisciplinar das informações dência shoshonítica; Suíte Colíder (1.801  11Ma a obtidas permitiu estabelecer uma nova ordenação 1.773  9Ma) – riodacitos, dacitos e andesitos (ho- estratigráfica para a área e a caracterização de um mogêneos sem estrutura de fluxo), microgranitos e arco magmático paleoproterozóico formado entre derrames de lavas ácidas intercalados em sedi- 1,85Ga e 1,75Ga. mentos epiclásticos e material piroclástico, e Intru- As rochas mais antigas da área foram reunidas sivas Básicas Guadalupe – gabros, dioritos e dia- no Complexo Bacaeri -Mogno (2,24Ga, básios em diques e/ou enclaves. Sm/Nd-isócrona) e Nd(t) +2,5) – constituído de ro- No domínio essencialmente plutônico, de médio chas supracrustais (gnaisses sílico-aluminosos, e alto grau, ocorrem a Suíte Intrusiva Vitória (1.785  cherts e anfibolitos) e metagabróides, de médio a 8Ma, U/Pb e idade-modelo 2.182Ma, Sm/Nd, Nd(t) – v i i – -2,56) - enderbitos, metadioritos e metaquartzodio- da 1ª fase com vetor 1 na posição N55E, com ge- ritos, relacionados a uma série calcioalcalina, de ração de megazonas de cisalhamentos transcor- médio a alto potássio e o Granito São Pedro (1.786 rentes e oblíquas, de cinemática predominante si-  17Ma a 1.784  17Ma, U/Pb, idade-modelo nistral, orientadas NW-SE, WNW-ESE. 2.144Ma a 2.060Ma, Sm/Nd) – metagranitos e me- O domínio rúptil a rúptil-dúctil distribui-se pelo tahornblenda biotita granitos de afinidade calcioal- cinturão plutono-vulcânico, de modo descontínuo calina, peraluminosa a metaluminosa. através de fraturas extensionais (T=N55E) e de ci- Em espaço temporal pós-arco magmático Jurue- salhamento, nucleadas e transformadas em zonas na ocorre o Granito Teles Pires (1.757  16Ma, U/Pb de cisalhamentos transcorrentes, confinadas, ori- e idade modelo 2,10Ga, Sm/Nd), formado por álca- entadas EW, NW-SE e ENE/SSW/subverticais. li-granitos e leucogranitos rapakivíticos, subsolvus, Foram identificados dois tipos principais de jazi- calcioalcalinos alto potássio. mentos auríferos: em veios de quartzo preenchen- Os sedimentos paleoproterozóicos do Grupo do fraturas e/ou zonas de cisalhamento confina- Beneficente (bacia do Cachimbo), com idade máxi- das (domínio rúptil-dúctil) e em stockworks, bre- ma de deposição de 1,70Ga (Pb/Pb em zircões de- chas hidrotermais e veios extensionais (domínio tríticos), foram divididos em 5 subunidades: PPb1 – rúptil). siliciclástica basal; PPb2, PPb3 e PPb4 – peli- O levantamento geoquímico regional revelou al- to-carbonáticas e PPb5 – siliciclástica (topo). gumas áreas anômalas para Au e ratificou as áreas Foram determinados dois domínios tecto- com mineralizações auríferas já conhecidas, con- no-estruturais: um essencialmente dúctil e outro centradas no domínio dos magnetita granitos, tipo I rúptil a rúptil-dúctil, desenvolvidos em duas fases oxidados: Suíte Paranaíta e Granito Nhandu, e das compressivas. A primeira foi conduzida pelo vetor vulcânicas e subvulcânicas da Suíte Colíder. Foram compressivo (1) na direção N65W, através de identificados também indícios: de fosfato (grupo da mecanismo de cisalhamento puro, com forte encur- hamlinita), ligados às Alcalinas Rio Cristalino; de tamento crustal na direção NW-SE, gerando estru- barita e fluorita no âmbito de brechas andesíticas turas lineares NE-SW, afetando as unidades mais (Suíte Colíder) com disseminações de pirita, calco- antigas (complexos Bacaeri-Mogno e Cuiú-Cuiú). A pirita e pirrotita, situados a NE do porto da fazenda outra fase provocou a transposição das estruturas Vaca Branca. – viii – ABSTRACT This work presents the geologic mapping in a arc, formed by a plutonic-volcanic segment, de- 1:250.000 scale, in Alta Floresta Sheet (SC.21-X-C), formed in a brittle to a brittle-ductile and to another, 2 in one area close to 18.000km , located north of plutonic, medium to high grade, deformed in ductile Mato Grosso and southwest of Pará States, as a part domain. of the Alta Floresta Mineral Province Project, inside In the plutonic-volcanic segment with discontin- Brazil Basic Geological Survey Programme – PLGB. uous deformation (brittle to brittle-ductile), it was or- To obtain these results, it was carried out about dered and dist inguished the fol lowing 1.806km of geologic profiles along roads, rivers and lithoestratigraphic units: Juruena Intrusive Suite paths; studied 400 outcrops; realized 169 (1.848Ma-U/Pb) – granites and monzogranites, petrographic, 06 chalcographic and 53 geochemic high K calc-alkaline, metaluminous; Paranaíta Intru- analyses and the following geochronologic deter- sive Suíte (1.819  6Ma to 1.793 + 6Ma; model age minations: U/Pb, SHRIMP (3), U/Pb (2) and Sm/Nd 2,21 Ga with Nd(t) – 1,25) – granites and (6). monzogranites, high K calc-alkalines; Rio Cristalino A regional geochemical survey was carried out Alkalines (1.806  3Ma; U/Pb) – syenites, by collecting and treating stream sediments (470 riebeckite-aegirine syenites and quartz syenites; samples) and pan concentrates (431 samples). In Nhandu Granite – magnetite-biotite granites, an agreement with the National Observatory it was monzonites, syenogranites and subvolcanics, from elaborated about 125 km of gravity profiles along a high K calc-alkaline lineage, with shoshonitic MT-206 and MT-325 routes. trend; Colíder Suite (1.801  11 Ma to 1.773  9Ma) – Integrated information allowed to establish a new rhyodacites, dacites and andesites, homogeneous estratigraphic order to the area and a characteriza- without flux structures), microgranites and acid lava tion of a paleoproterozoic magmatic arc, formed flows intercalated with epiclastic sediments and between 1,85 Ga and 1,75 Ga. pyroclastic materials; and Guadalupe Basic The oldest rocks in the area integrate Intrusives – gabbros, diorites and diabases, form Bacaeri-Mogno Complex (2,24 Ga, Sm/Nd isochron dykes and/or enclaves. and Nd(t) +2,5) – composed by supracrustal rocks In domain essencially plutonic, medium to high (silicic and aluminous gneisses, cherts and amphi- grade, occur Vitória Intrusive Suite (1.785  8Ma, bolites) and metagabbroids, medium to high grade, U/Pb and model age 2.182Ma, Sm/Nd, Nd(t) -2,56) tholeiitic signature, an incipient oceanic crust ves- – enderbites, metadiorites, metaquartzdiorites, me- tige and by the Cuiú-Cuiú Complex orthogneisses dium to high K calc-alkaline series, and the São (1,99Ga). These units served as host to the Pedro Granite(1.786  17Ma, U/Pb, model age plutonic-volcanic rocks, from Juruena magmatic 2.144 to 2.060Ma, Sm/Nd) – metagranites and – ix – metahornblende-biotite granites, calc-alkaline af- megashear zones generation, mainly sinistral kine- finity, peraluminous to metaluminous. matic, orientated NW-SE, WNW-ESE. In a temporal space post Juruena Magmatic Arc The brittle to brittle-ductile domain distributes occurs Teles Pires Granite (1.757  16Ma, U/Pb and throughout plutonic-volcanic belt, discontinuously model age 2,10Ga, Sm/Nd), composed by al- formated by extensional (T=N55E) and shear frac- kali-granites and rapakivitic leucogranites, tures, nucleated and transformed into confinated subsolvus, high K calc-alkaline. transcurrent shear zones, orientated EW, NW-SE Beneficente Group paleoproterozoic sediments and ENE/SSW/subvertical. (Cachimbo Basin), with deposition maximum age It was identified two main types of gold deposits: 1,70Ga (Pb/Pb in detrital zircons) were divided into quartz veins filling fractures and/or confinated 5 subunits: PPb1 -0150 basal siliciclastic; PPb2, shear zones (br i t t le-duct i le domain) and PPb3 e PPb4 – pelitic-carbonate and PPb5 – stockworks, hidrothermal breccias and extensional siliciclastic (top). veins (brittle domain). It was determined two tectonic-structural do- Regional geochemical survey revealed some mains: one essentially ductile and another brittle to anomalous areas for gold and confirmed the gold brittle-ductile, developed in two compressive mineralized areas already known, concentrated in phases. The first one was conducted by a compres- the magnetite granite domains, type I oxidized: sive component (1), direction N65W, by pure Paranaíta Intrusive Suite, Nhandu Granite and shear mechanism, with strong crustal shortening in Colíder Suite volcanic and subvolcanic rocks. It was NW-SE direction, producing NE-SW linear struc- identified too, indicators of phosphate (hamlinite tures, af fect ing the more ancient uni ts group), associated to Rio Cristalino Alkalines; barite (Bacaeri-Mogno and Cuiú-Cuiú Complexes). The and fluorite related to andesitic breccias (Colíder other phase provoked the transposition of the first Suite), with pyrite, chalcopyrite and pyrrhotite dis- phase structures with a component (1) in N55E seminations, located NE of Vaca Branca farm har- posit ion, and a transcurrent and obl ique bour. – x – SC.21-X-C (Alta Floresta) 1 INTRODUÇÃO 1.1 Histórico Os trabalhos de levantamento geológico básico, em escala 1:250.000, consistiram em uma integra- Este trabalho reúne as informações coletadas du- ção multidisciplinar, envolvendo as seguintes ativi- rante o mapeamento geológico básico, na escala dades e os técnicos participantes: 1) Mapeamento 1:250.000, da Folha Alta Floresta (SC.21-X-C), que geológico sistemático (geólogos Cipriano Cavalcan- junto com as folhas Vila Guarita (SC.21-Z-B), Ilha 24 te de Oliveira e Mário Cavalcanti de Albuquerque); 2) de Maio (SC.21-Z-A) e Rio São João da Barra Prospecção geoquímica regional, por meio da coleta (SC.21-V-D-B) constituem o Projeto Província Mineral sistemática de sedimentos de corrente e concentra- Alta Floresta (Promin-Alta Floresta), executado pela dos de bateia (geólogo Eric Santos Araújo com apoio CPRM – Serviço Geológico do Brasil, Superintendên- dos geólogos Renato Sales de Andrade e Expedita cia Regional de Goiânia, como parte do Programa Gonçalves Torres (SUREG-RE), responsável pela Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil análise mineralógica semiquantitativa dos concen- (PLGB). Teve como objetivo a execução da cartogra- trados de bateia); 3) Geofísica – Interpretação e ela- fia geológica básica e avaliação do potencial mine- boração de mapas aerogeofísicos (geólogo Murilo ral, voltado principalmente para a vocação aurífera Machado Pinheiro); 4) Levantamento gravimétrico da Província Mineral de Alta Floresta,de onde foram realizado por técnicos do Observatório Nacional, extraídas, entre 1980 e 1998, cerca de 125 toneladas com participação dos geólogos Murilo Machado Pi- de ouro, por meio de atividades garimpeiras. nheiro e Roberto Gusmão de Oliveira (SUREG-RE); 5) A cartografia geológica dessa folha foi executada fotointerpretação de imagens de satélite (geólogo em dois estágios. O primeiro, iniciado em 1998 como Cidney Rodrigues Valente); 6) Petrografia microscó- parte do Programa Nacional de Prospecção de Ouro pica (geóloga Maria Abadia Camargo); 7) Calcogra- (área MT-02-Alta Floresta), que consistiu na execu- fia (geóloga Lucia Maria da Vinha); 8) Palinologia (pa- ção de perfis geológicos estratégicos realizados pe- leontóloga Norma Maria da Costa Cruz); 9) Datações los geólogos Cipriano Cavalcante de Oliveira, Mário geocronológicas (geólogos Márcio Martins Pimentel Cavalcanti de Albuquerque e Felicíssimo Rosa Bor- – (UnB) - Laboratório de Geocronologia do Instituto ges, cujos dados levantados foram, a partir de 1999, de Geociências, Universidade de Brasília e João integrados e incorporados ao Projeto Promin-Alta Orestes Schneider Santos - SUREG-MA/Laboratório Floresta, que prosseguiu com a coleta de dados,até da University of Wertern Austrália); 10) Geologia es- completar o mapeamento geológico básico. trutural e controle das mineralizações auríferas (geó- – 1 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil logo Reginaldo Alves dos Santos - SUREG-SA); 11) A última fase consistiu na interpretação, compati- Rochas vulcânicas/subvulcânicas (geólogo Wilson bilização, integração e consolidação dos dados le- Wildner - SUREG-PA); 12) Rochas sedimentares vantados e das análises laboratoriais, culminando (geólogo Augusto José Pedreira - SUREG-SA); 13) com a redação deste relatório e de relatórios temáti- Alterações hidrotermais relacionadas a mineraliza- cos (prospecção geoquímica, geofísica, estudos de ções auríferas (geólogo Emílio L.C.C. Cruz - DEREM); prospectos, rochas vulcânicas, alterações hidroter- 14) Granitos e Litogeoquímica (geólogo Nilson Fran- mais relacionadas a alguns depósitos auríferos, e ro- cisquini Botelho - UnB); 15) Metalogenia (geólogos chas sedimentares). Inácio de Medeiros Delgado - DIGEOB e Franciscus Jacobus Baars - DEREM). 1.3 Localização e Acesso 1.2 Metodologia A Folha Alta Floresta ocupa uma superfície de aproximadamente 18.000km², localizada na parte O Projeto Promin-Alta Floresta foi desenvolvido norte do Estado de Mato Grosso e sudoeste do Pará, sob a coordenação da Gerência de Recursos Mi- região amazônica, limitada pelos paralelos 900’ e nerais (GEREMI) da Superintendência Regional de 1000’ de latitude sul e meridianos 5530’ e 5700’ Goiânia (SUREG-GO) e constou de 3 fases princi- de longitude oeste de Greenwich, englobando par- pais. tes dos municípios de Alta Floresta, Paranaíta, Car- A primeira fase, denominada de pré-campo, con- linda, Novo Mundo e Itaituba (PA). (figura 1.1). sistiu em atividades de planejamento, aquisição de O acesso à área, a partir de Cuiabá-MT por via ro- documentação técnica, compilação bibliográfica, in- doviária, é feito através da BR-163 (Cuiabá-Santa- terpretação de fotografias aéreas e de imagens de rém/PA) até a cidade Nova Santa Helena, em um per- satélite e radar, interpretação de levantamentos ae- curso de 620km e daí segue-se, através das rodovias rogeofísicos com elaboração de mapas gamaespec- estaduais asfaltadas MT-320 e MT-208, em trajeto de trométricos canais de K, Th, U e contagem total, e 180km, até a cidade de Alta Floresta, principal centro magnetométrico; catalogação de dados geocronoló- urbano da região. Diversas rodovias estaduais e mu- gicos. Esse estágio culminou com a elaboração do nicipais, além de estradas vicinais, facilitam o deslo- mapa geológico preliminar e programação das eta- camento para a área. Por via área atinge-se Alta Flo- pas de campo. resta através de vôos regulares em aeronaves de A segunda fase foi desenvolvida de maneira inter- médio e pequeno porte, no trajeto Cuiabá-Alta Flo- mitente entre 1998 e 2001, e envolveu prioritariamen- resta. te a cartografia geológica básica, na escala 1:250.000, tendo como apoio a realização de perfis 1.4 Aspectos Socioeconômicos geológicos estratégicos, ao longo de estradas, rios, trilhas e picadas; estudos de detalhe dos principais As principais atividades econômicas da região es- jazimentos auríferos primários; prospecção geoquí- tão ligadas ao setor primário, com destaque para a mica regional através de coleta sistemática de sedi- pecuária, seguida da agricultura, extrativismo vege- mentos de corrente (1 amostra/ 5km2 até 1 amostra/ tal e atividade garimpeira. 15km2) e concentrados de bateia (1 amostra/ A pecuária envolve a criação de gado para corte, 25km2); levantamento gravimétrico, realizado pelo destacando-se a instalação de um frigorífico em Alta Observatório Nacional-RJ, com apoio da CPRM. Floresta, que exporta produtos semi-industrializados Nos intervalos entre as campanhas de campo, foram para outros estados. realizadas análises petrográficas, palinológicas, A agricultura desenvolve-se de forma moderada químicas, mineralógicas e geocronológicas. As com a produção de arroz, milho, café, guaraná, fei- análises petrográficas foram feitas na SUREG-GO; jão, mandioca, mamona, coco, cacau e cupuaçu, ge- as análises químicas de rocha em laboratórios ex- ralmente ligada a pequenos produtores. ternos (Bondar Clegg e ACME); as análises quími- A extração de madeira, atividade pioneira na re- cas de sedimentos de corrente no Laboratório da gião, começa a dar sinais de esgotamento em razão Bondar Clegg; as análises mineralógicas de con- da escassez de matéria prima e de uma fiscalização centrados de bateia, nas Superintendências Regi- mais efetiva dos órgãos ambientais. Atualmente as onais de Recife e Porto Alegre; as análises palino- espécies mais exploradas são: peroba, umburana, lógicas no LAMIN-RJ e as datações geocronológi- piúva, angico, ipê, cedro e mogno. cas no Instituto de Geociências da Universidade A atividade garimpeira, na Folha Alta Floresta, flo- de Brasília e na Austrália. resceu principalmente nas décadas de oitenta e – 2 – SC.21-X-C (Alta Floresta) 8°00’ VENEZUELA SURINAME GUYANE COLÔMBIA GUYANA 0°00’ R QUA DO E B R A S I L 8°00’ P E R U 16°00’ BOLÍVIA PARAGUAI 24°00’ O AN ARGENTINA C E O URUGUAI 32°00’ 40°00’ SC.21-V-D Rio São João da Barra SC.21-X-C Alta Floresta 48°00’ 58°00’ 57°00’ 55°30’ 84°00’ 72°00’ 60°00’ 48°00’ 36°00’ 24°00’ 09°00’ R 09°00’io São João da IO B SÃO a PARÁ rra MAN MO ATO GROSS Ri oE OL Cr Área da Folha Alta Floresta i s Apiacás t a l i noOU TELES PIR E S Nova Paranaíta M Bandeirantes T- Nova Monte 206 Verde MT- 208 Alta Floresta 54°00’ 10°00’ 10°00’ 58°00’ Carlinda Rio Pei xo to Peixoto de Matupá oh Cidade, Vila Azevedo ni R i i x o t o e P R i P a o r BR-080 Estrada pavimentada ad o Estrada sem pavimentação Terra Nova Drenagem Nova Canaã Colider do Norte Limite interestadual 11°00’ 11°00’ 57°00’ 55°30’ 54°00’ 20 10 0 10 20km SC.21-Z-A Ilha 24 de Maio SC.21-Z-B Vila Guarita figura 1.1 – Mapa de localização da Folha SC-21-X-C Alta Floresta. noventa, quando a produção média anual situava-se onais da borda sul da bacia do Cachimbo, visando em torno de 1.300kg de ouro. Com a exaustão dos de- detectar depósitos significativos deste bem mineral. pósitos secundários e devido à fiscalização pelos ór- Alta Floresta constitui um dos principais núcleos gãos ambientais, a produção entrou em declínio e fi- urbanos do norte do Estado de Mato Grosso, dispon- cou restrita a alguns depósitos de ouro primário com do de uma boa infra-estrutura como hospitais, agên- uma produção anual não superior a 50kg de ouro. A cias bancárias, hotéis, Universidade Estadual, ener- perspectiva para retomada da produção aurífera as- gia elétrica, água tratada, agência telefônica, emis- senta-se na pesquisa de ouro primário, em nível em- soras de rádio e televisão, e comércio bem diversifi- presarial, devido à potencialidade e vocação aurífera cado. Na região também se instalaram empreendi- dessa província, conforme demonstram as informa- mentos hoteleiros tipo resorts na selva amazônica, li- ções básicas disponibilizadas neste trabalho. gados ao ecoturismo. Matérias-primas para construção civil são abun- Na fazenda Ouro Branco, a noroeste de Paranaíta, dantes em toda a área,entretanto o pó calcário, com ocorre o sítio arqueológico denominado Pedra Preta, grande demanda local, proveniente de Nobres-MT, onde existem inscrições rupestres gravadas em laje- chega a Alta Floresta a um custo bastante elevado, dos de rochas graníticas que foram tombadas pelo em razão do frete. Neste trabalho, foi constatada uma Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – pequena ocorrência de calcário nas imediações do IPHAN, e vem se transformando em ponto de interes- Porto da Madeisek, indício que suscita estudos adici- se científico e turístico (foto 1.1). – 3 – T E LE O S R I P IR E S A ze v e d o BR-163 O PACÍFICO OCEA N C H I L E ATLÂNTICO a í t a an R i o arP R R IO A PIA C Á S O JI UR U E N A R Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil A vegetação dominante na região é constituída por floresta densa, abrangendo cerca de 40% de sua área, em meio a zonas aplainadas e dissecadas, se- guida por floresta aberta, que ocorre nas encostas de elevações, depressões e em relevo tabular, ca- racterizada por espécies de grande porte, como mogno, cedro e ipê. As cercanias dos principais nú- cleos urbanos (Alta Floresta, Paranaíta e Carlinda) que, com suas estradas vicinais regularmente traça- das, perfazem aproximadamente 30% da folha, são ocupadas por testemunhos dessa extensa floresta, que foi devastada e substituída por pastagens e cul- turas diversas. Os estudos efetuados por Boaventura (1974) e Foto 1.1 – Sítio arqueológico da Pedra Preta, controlado Melo & Franco (1978), caracterizaram 4 tipos de fei- pelo IPHAN – Instituto Patrimônio Histórico e Artístico ções geomorfológicas distintas nessa folha: Depres- Nacional, contendo inscrições rupestres em lajedo do são Interplanáltica da Amazônia Meridional; Planalto Granito da Suíte Intrusiva Paranaíta. Morro da Pedra Dissecado Sul da Amazônia; Planalto Residual do Preta, fazenda Ouro Branco, cerca de 32km a NW de Norte de Mato Grosso/Sul do Pará; e Planalto Apia- Paranaíta, rodovia MT-206. cás-Sucunduri. A Depressão Interplanáltica da Amazônica Meridi- 1.5 Aspectos Fisiográficos e Geomorfológicos onal perfaz cerca de 60% da área e distribui-se a sul da Serra do Cachimbo, compreendendo superfícies A região de Alta Floresta apresenta um clima quen- aplainadas e dissecadas com formas convexas, e te e úmido com temperatura média anual em torno de cotas variando entre 150m e 200m. É constituída 25C. Dados disponibilizados pelo SIH/ANEEL, indi- principalmente pelas suítes graníticas e vulcânicas caram que no período de junho/1999 a maio/2001, pouco deformadas, recobertas por solo podzólico nos meses de julho, agosto e setembro a temperatu- vermelho, distrófico, pouco espesso. ra média máxima oscilou entre 32,5 e 34,8C, sendo A feição conhecida como Planalto Dissecado Sul que no mês de agosto atingiu-se a temperatura máxi- da Amazônia abrange cerca de 15% da área e con- ma de 37C. Nos meses de julho e agosto a tempera- centra-se na parte centro-oeste, no interflúvio dos tura média mínima variou entre 14 e 18C, registran- rios Paranaíta/Apiacás e norte do rio Teles Pires, no do a mínima de 11,4C em julho. domínio do Granito São Pedro e da Suíte Colíder, pre- A precipitação pluviométrica média anual dessa dominando formas convexas e tabulares, descontí- região situa-se na faixa de 2.500 a 2.700mm, nos últi- nuas, com cotas variando de 250 a 400m. mos 20 anos, definindo duas estações climáticas O Planalto Apiacás-Sucunduri responde por cerca bem distintas: uma com verão chuvoso (dezembro a de 15% da folha, distribuída a norte do rio Teles Pires, abril) com altos índices pluviométricos, chegando a numa faixa linearizada e alçada topograficamente, atingir 364 mm, e elevada umidade relativa do ar, e a alongada na direção WNW-ESE, com cotas variando outra de inverno seco (junho a agosto) de baixos índi- de 300m a 450m, demarcando os limites entre as ro- ces pluviométricos e baixa umidade relativa do ar. chas da Suíte Colíder e os sedimentos do Grupo Be- A área acha-se restrita à bacia do rio Teles Pires e neficente. seus tributários, representados pelos rios Apiacás, E finalmente, tem-se a Serra do Cachimbo, que do- Paranaíta, Santa Helena e Quatro Pontes, afluentes mina a parte norte da área, sendo representada por da margem esquerda e rios Cristalino, Rochedo, extensas chapadas de topografia aplainada, disse- São Benedito e São Benedito II, pela margem direi- cada, amplos espaços interfluviais e de constituição ta, que apresentam seus cursos localmente contro- arenosa (predominante) até argilosa. Esta feição é lados por falhas (neotectônica). As drenagens me- conhecida como Planalto Residual do Norte do Mato nores distribuem-se num padrão dendrítico, varian- Grosso/Sul do Pará, com cotas variando de 140m a do para radial circular. 450m. – 4 – SC.21-X-C (Alta Floresta) 57º00’ 55º30’ 9º00’ 9º00’ PLANALTO RESIDUAL DO NORTE DE MATO GROSSO/SUL DO PARÁ PLANALTO APIACÁS-SUCUNDURI PLANALTO DISSECADO SUL DA AMAZÔNIA DEPRESSÃO INTERPLANÁLTICA DA AMAZÔNIA MERIDIONAL 10º00’ 10º00’ 57º00’ 55º30’ 0 66km Figura 1.2 – Unidades geomorfológicas da Folha Alta Floresta (SC-21-X-C). Fonte: modificado do Radambrasil, 1980. – 5 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil 2 GEOLOGIA 2.1 Contexto Geológico Regional 1984), com base em dados geocronológicos e geo- lógicos, consideraram o Cráton Amazônico como um Desde o final do século passado existem referên- conjunto de massas continentais aglutinadas no cias de reconhecimento geológico da região norte Arqueano ou Paleoproterozóico, geradas por pro- do Estado de Mato Grosso, mas somente a partir da cessos geológicos ainda não muito esclarecidos, década de 70 esta área foi alvo de estudos sistemáti- que teriam posteriormente sido afetadas por retraba- cos, com a execução de uma série de projetos de lhamento crustal e rejuvenescimento isotópico. Esse mapeamento geológico, levantamentos geoquími- protocontinente, oriundo de processos colisionais, cos, geofísicos e datações geocronológicas, cujos seria compartimentado em blocos crustais limitados resultados estão contidos em Silva et al. (1974 e por megacinturões de cisalhamento transcorrentes 1980); Liberatore et al. (1972); Souza et al. (1979); Sil- ou contracionais, demarcados por anomalias mag- va Neto et al. (1980) e Lima et al. (1975). néticas e gravimétricas e pelas ocorrências de ro- Após esses levantamentos, os trabalhos nessa re- chas granulíticas e gnáissicas de médio a alto grau, gião foram retomados, na segunda metade da déca- além de granitóides e supracrustais (Hasui et al., da de 90, pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil, 1984; Costa & Hasui, 1997; e Sena Costa & Hasui, através do Projeto Província Mineral de Alta Floresta; 1997). Nesta concepção a Província Juruena estaria por Universidades na elaboração de dissertações de contida no Bloco Juruena, limitando a nordeste com mestrado e teses de doutorado; e por empresas de o Bloco Araguacema, (figura 2.1a). mineração na busca de ouro. A outra hipótese, fundamentada em crescentes e A Província Juruena, que ocupa a maior parte do atualizados dados isotópicos, propõe uma evolução presente projeto, acha-se contida na porção cen- do Cráton Amazônico a partir de acreção juvenil e tro-sudoeste do Cráton Amazônico (figura 2.1c), que aglutinação de fragmentos crustais antigos (terrenos tem sua evolução ligada ao Arqueano e ao Protero- granito-greenstone) em torno dos quais se desenvol- zóico, atingindo sua estabilidade nos eventos brasili- veram cinturões proterozóicos, formados sobre uma anos. Os modelos para a evolução geológica do Crá- crosta preexistente ou envolvendo geração de crosta ton Amazônico acham-se embasados em torno de em arcos magmáticos (Cordani & Brito Neves, 1982). duas hipóteses: retrabalhamento de uma crosta anti- Nesta linha, Tassinari (1996); Tassinari et al. (1996) & ga e eventos de acreção crustal. Tassinari & Sato (1997) subdividiram o Cráton Ama- No modelo de retrabalhamento crustal, Gibbs & zônico em diversos domínios geocronológico-tectô- Barron (1983), Hasui et al. (1984) e Amaral (1974 e nicos, com características próprias. Esses domínios – 6 – SC.21-X-C (Alta Floresta) 70º00’ 65º00’ 60º00’ 55º00’ 1 50º00’ 5 5º00’ 5º00’ 3 2 15 8 6 16 4 0º00’ 0º00’ 14 7 17 18 5º00’ 5º00’ 10 13 19 11 20 9 10º00’ 10º00’ 12 500km 0 500km 22 21 15º00’ 15º00’ 70º00’ 65º00’ 55º00’ 50º00’ Figura 2.1a – Blocos crustais da Região Amazônica no Brasil. (Hasui et al., 1984). PROVÍNCIAS GEOCRONOLÓGICAS E TECTÔNICAS DO CRÁTON AMAZÔNICO 69º00’ 62º00’ 55º00’’ 48º00’ Oceano Atlântico PROVÍNCIAS UNIDADES 4º00’ N GEOCRONOLÓGICAS GEOLÓGICAS Amazônia Central Coberturas Fanerozóicas 2,3Ga 0º00’ Granitóides Maroni-Itacaiúnas Purus Belém 2,2 - 1,95Ga Coberturas Sedimentares Monte Gurupá Pré-Cambrianas Alegre Iquitos Manaus Ventuari-Tapajós 4º00’ S 1,95 - 1,80Ga Coberturas VulcânicasCarajás Ácidas-Intermediárias BACIA DO Ridge Rio Negro - Juruena AMAZONAS 1,80 - 1,55Ga Vulcanismo básico Porto 8º00’ Rondônia - San Ignácio Greenstone Belts Velho 1,55 - 1,30Ga Complexos Granulíticos Sunsas 1,25 - 1,0Ga Faixa de Dobramentos Neoproterozóica 12º00’ Alto Estrutural do Embasamento Localização do Projeto Oceano Promin Alta Floresta Atlântico Fonte: Tassinari & Macambira (1999). Figura 2.1b – Províncias Geocronológicas e Tectônicas do Cráton Amazônico (Tassinari & Macambira, 1999). – 7 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil representariam fragmentos crustais, cinturões móve- onal transcorrente, conforme modelo proposto por is e arcos magmáticos cuja interação e aglutinação Liégeois (1998). teria gerado uma grande massa cratônica no final do O período pré-colisional, na região, acha-se docu- Mesoproterozóico. De acordo com esta concepção a mentado por supracrustais do Complexo Bacaerí- região em foco estaria inserta no domínio Rio Ne- Mogno, de idade isocrônica Sm/Nd de 2,24Ga com gro-Juruena. (figura 2.1b). Nd(t) de + 2,5, obtida em anfibolitos (vestígios de Neste trabalho, adotou-se a proposta de Santos et al. uma antiga bacia oceânica, formada no estágio (2000) para evolução do Cráton Amazônico, que apro- pré-orogênico), e pelos ortognaisses graníticos e xima-se do modelo de Tassinari (1986), com divisão do monzoníticos do Complexo Cuiú-Cuiú (U-Pb 1.992 cráton nas seguintes províncias: Carajás-Imataca 7Ma), afetadas por metamorfismo da fácies anfiboli- (3,10-2,53Ga), Transamazônica (Guianas) to alto a granulito, deformação dúctil coaxial com for- (2.15-2.00Ga); Tapajós-Parima (2,10- 1,87Ga); Amazô- te encurtamento crustal na direção NW-SE, decor- nia Central (1,88-1,70Ga); Rio Negro (1,86-1,52Ga); rente da compressão máxima em torno de N65W. O Juruena (1,85-1,75Ga); Rondônia (1,76-1,47Ga) e Sun- fechamento dessa bacia oceânica foi conduzida por sas (1.33-0.99Ga). (figura 2.1c). processos de subducção e conseqüente colisão Os dados coligidos pelo levantamento geológi- oblíqua com o Arco Magmático Cuiú- Cuiú (Vasquez co-geoquímico e geocronológico no Promin-Alta Flo- et al., 2002), gerando as suítes plutono-vulcânicas e resta, aliados a uma reavaliação dos dados biblio- plutônicas do Arco Magmático Juruena (1.85- gráficos, permitiram tecer um quadro regional com 1.75Ga.). individualização de três ambientes geotectônicos Ocorrências restritas de leucogranitos peralumi- distintos,denominados Arco Tapajós (1,9 Ga), Arco nosos (Granito Apiacás), cavalgamentos oblíquos, Juruena (1,85-1,75Ga), e Terrenos de retroarco da feições de anatexia e metamorfismo de fácies anfibo- região do Cabeças (1,74 Ga). lito alto a granulito, marcam o período colisional da Na Folha Alta Floresta, foram reconhecidos princi- Província Juruena, que provocou espessamento palmente dois estágios geotectônicos: um orogênico crustal e formação de uma provável sutura, sinaliza- e outro pós-orogênico. dos por uma expressiva anomalia gravimétrica de di- O estágio orogênico acha-se representado pelas reção WNW-ESE, detectada no quadrante SW da fo- associações: pré- colisionais, colisional e pós-colisi- lha (figura 2.3). PROVÍNCIA GEOTECTÔNICAS DO 6 CRÁTON AMAZÔNICO 9 1 Coberturas Fanerozóicas 5 7 8 2 Sunsas 3 Rondônia 4 Juruena 5 Rio Negro 1 8 6 6 Tapajós-Parima 7 7 Amazônia Central 4 8 Carajás-Imataca 9 Transamazônica 3 2 1 1 Projeto Promin Alta Floresta Área de interesse 0 250 500km 1 - Cráton Amazônico (Modificado de Santos, et al. 2000) Figura 2.1c – Área do Projeto Promin-Alta Floresta, inserida no centro-sudoeste do Cráton Amazônico. – 8 – SC.21-X-C (Alta Floresta) O Arco Magmático Juruena foi desenvolvido princi- obtida em zircão detrítico de conglomerados da uni- palmente no período pós-colisional (segundo a con- dade (PPb1), que representa idade máxima Pb/Pb ceituação de Liégeois, 1998), e apresenta uma estru- para início da deposição dessa bacia. São controla- turação NW-SE, compreendendo dois segmentos das às vezes por megazonas transcorrentes EW a crustais: 1) Granito-vulcânico e 2) Terreno Acrescio- NW-SE, constituindo possíveis reativação e rearticu- nário de médio a alto grau metamórfico. lação das feições estruturais herdadas da evolução O primeiro segmento constitui um cinturão de ro- do arco magmático Juruena, propiciando o desen- chas plutono-vulcânicas afetadas por deformação volvimento de bacias tipo pull apart e assemelhadas rúptil a rúptil-dúctil (confinada), metamorfismo incipi- em posição de retroarco e zonas transtensionadas. ente, formadas por um magmatismo calcioalcalino O Fanerozóico acha-se representado pelos diques alto potássio da série monzonítica/monzonítica-gra- de diabásio jurássicos (180Ma) tipo Cururu. nítica: suítes Juruena (1.848  17Ma a 1.817  57Ma) Recobrindo as unidades mais antigas, ocorrem as e Paranaíta (1.803  16Ma a 1.793  6Ma), reunindo coberturas detríticas e lateríticas terciárias e aluvio- granitos tipo I oxidados, em íntima associação tem- nares quaternárias, que completam o quadro geoló- poral e espacial com as Intrusivas Básicas Guadalu- gico da Província Juruena. pe e com as vulcânicas ácidas e intermediárias da Suíte Colíder (1.801  11Ma a 1.786  17Ma), onde 2.2 Estratigrafia predominam microgranitos, micromonzonitos, rioli- tos, riodacitos e andesitos. Os trabalhos anteriores desenvolvidos nessa área Junto a este segmento ocorrem no final do estágio somados aos novos dados obtidos pelas equipes do pós-colisional granitos calcioalcalinos alto potássio Projeto Promin-Alta Floresta, através da análise de altamente fracionados, tipo I oxidados (Granito sensores remotos, descrição sistemática de aflora- Nhandu) com tendência shoshonítica e rochas alcali- mentos e de frentes garimpeiras, prospecção geo- nas saturadas (Alcalinas Rio Cristalino-U/Pb 1.806  química, levantamento gravimétrico e análises petro- 3Ma). gráficas, calcográficas, químicas e geocronológi- Ocorre ainda, um terreno acrescionário de médio a cas, permitiram a elaboração do mapa geológico in- alto grau formado no estágio pós-colisional, na fase tegrado desse Projeto ( Figura 2.2a) e a individualiza- distensional, constituído por granitóides calcioalcali- ção, na Folha Alta Floresta, de quatorze unidades li- nos, sin a tarditranscorrentes dispostos segundo me- toestratigráficas, posicionadas estratigraficamente gazonas de cisalhamentos transcorrentes transtensi- desde o Paleoproterozóico até o Quaternário (figura onais, dúcteis de direção NW-SE a WNW-ESE, adja- 2.2b). centes a uma provável zona de sutura, reunidos como Granito São Pedro (idade U/Pb de 1.786Ma 2.2.1 Complexo Bacaeri-Mogno (PPbm) 17Ma a 1.784  17Ma e idade Sm/Nd 2.147 e 2.060Ma com Nd(t) = -1,11 e +0,65) e Suíte Intrusiva Esta unidade foi cartografada como Complexo Vitória (idade U/Pb 1.775  10Ma com idade-modelo Xingu por Silva et al. (1980), na Folha SC.21-Juruena, 2.260Ma). Esses dados, somados à presença de res- onde foi descrita como um conjunto polimetamórfico titos máficos e pelíticos nestes granitóides, atestam a indiviso, reunindo granitos, granodioritos, gnaisses, fusão de uma placa crustal (Complexo Bacae- migmatitos, anfibolitos e granulitos como fazendo ri-Mogno), que interagiu com fontes mantélicas na parte de um embasamento pré-cambriano médio a geração desses granitóides. superior. Em espaço temporal tardio a este terreno acresci- Silva Neto et al. (1980), em trabalho de cartografia onário pós-colisional, e num estágio pós-orogênico, geológica (1:250.000), na metade oeste da Folha ocorrem os alcaligranitos Teles Pires (idade U/Pb de SC.21-X-C (Alta Floresta) individualizaram, no seu 1,75Ga e idade-modelo TDM de 2,10Ga), intrusivos quadrante sudoeste, no vale do rio Apiacás e interflú- em rochas da Suíte Colíder e em granitóides da Suíte vio dos rios Paranaíta/Apiacás, terrenos da “Suíte” Juruena. Metamórfica Cuiú-Cuiú, formados por anfibolitos e Finalmente, marcando a estabilização desse frag- kinzigitos, supostamente evoluídos de uma seqüên- mento crustal, edificado no final do Ciclo Transama- cia vulcanossedimentar, constituída por rochas ultra- zônico, ocorrem as coberturas sedimentares que for- básicas, básicas, pelitos e psamitos, transformados mam o Grupo Beneficente constituído pelas seqüên- em gnaisses e migmatitos de médio a alto grau meta- cias: Siliciclástica basal (PPb1), clasto-química mórfico. (PPb2, PPb3 e PPb4) e siliciclástica (topo) (PPb5), de Scabora (1997), em trabalhos de pesquisa mine- idade 1,7Ga (Pb/Pb), segundo Saes & Leite (2002) ral, nas fazendas Mogno, Apiacás e Bacaeri, para a – 9 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil PROJETO PROMIN ALTA FLORESTA CENOZÓICO Granito Apiacás MAPA GEOLÓGICO Depósitos Aluvionares Coberturas Tércio-Quaternárias Granito São Romão 58°00’ 55°30’ Granito São Pedro MESOZÓICO 09°00’ Diabásio Tonalito Vitória MESOPROTEROZÓICO Alcalina Rio Cristalino Grupo Caiabís: Formação Dardanelos Granito Nhandu PALEOPROTEROZÓICO Suíte Intrusiva Paranaíta Grupo Beneficente Intrusivas Básicas Guadalupe Granito Teles pires Suíte Intrusiva Juruena Diques Básicos Suíte Intrusiva Matupá Suíte Intrusiva Suite Subvulcânica/Vulcânica Colider Flor da Serra Suite intrusiva Nova Canaã Complexo Nova Monte Verde Seqüencia Metavulcanossedimentar Complexo Bacaeri-Mogno Complexo Cuiú-Cuiú São Marcelo - Cabeça 10°00’ 54°00’ 58°00’ 10°00’ 17 11°00’ 11°00’ 57°00’ 54°00’ Figura 2.2 a – Mapa geológico integrado do Projeto Promin-Alta Floresta. – 10 – SC.21-X-C (Alta Floresta) UNIDADES LITOLÓGICAS CENOZÓICO DEPÓSITOS ALUVIONARES GRANITO NHANDU Qa Magnetita-biotita granito, biotita-hornblenda granito, magnetita-Aluvião arenoso e argiloso, localmente com níveis de cascalho. PPn biotita monzogranito, magnetita-biotita-homblenda monzogranito e MESOZÓICO sienogranito a eqüigranulares, vermelhos a róseos, com monzonitos DIABÁSIO CURURU finos porfiríticos e granofirícos, micromonzogranitos porfiríticos e JC Diabásio. micromonzodioritos subordinados. PALEOPROTEROZÓICO INTRUSIVAS BÁSICAS GUADALUPE GRUPO BENEFICENTE PPb5 Gabros, microgabros, diabásios, hornblenda clinopiroxenitos eArgilito e siltito, vermelhos e com lentes de arenito. PPg PPb4 Arenito friável com lentes de argilito e siltito dioritos, biotita-hornblenda a eqüigranulares. PPb3 Arenito com raras lentes de argilito e siltito. PPb2 Argilito vermelho com intercalações de arenito, siltito e calcário. ALCALINAS RIO CRISTALINO PPb1 Arenito com lentes de siltito e conglomerado. PP rc Riebeckita - aegirina sienito, sienitos e quartzo sienitos. GRANITO TELES PIRES SUÍTE INTRUSIVA PARANAÍTA PPtp Biotita granitos, álcaligranitos e sienogranitos, porfiriticos a Biotita-hornblenda monzogranito, biotita monzogranito, biotita- eqüigranulares, as vezes rapakiviticos, vermelho-tijolo a róseos PPp com microgranitos, granitos finos e granófiros subordinados. homblenda quartzo monzonito, biotita quartzo monzonito, biotita- homblenda granito e biotita granito, porfiríticos a eqüigranulares, GRANITO SÃO PEDRO ricos em magnetita e às vezes com quartzo azulado. Biotita metagranito, granada-biotita metagranito, hornblenda- PPsp biotita metagranito, metagranodiorito e metatonalito, às vezes SUÍTE INTRUSIVA JURUENA com enclaves de quartzo metadiorito associado. Biotita granitos e monzogranitos, porfiríticos a eqüigranulares. PPj SUÍTE INTRUSIVA VITÓRIA Enderbitos e metaquartzo diorito. COMPLEXO CUIÚ-CUIÚPPv PPcc Ortognaísses graníticos a monzoníticos. SUÍTE COLÍDER Enderbitos e metaquartzo diorito. COMPLEXO BACAERI-MOGNO /' and Microgranitos, microquartzo monzonitos, micromonzonitos, PPbm Kinzigitos e granada-cordierita-sillimanita-biotita gnaisses com brechas vulcânicas, riolitos, riodacitos, dacitos e andesitos (and), af intercalações de piroxênio-granada quartzitos ferruginosos (BIF), porfiríticos, com derrames de riolitos porfiríticos, com derrames homblenda-piroxênio-granada quartzitos (chert), calcossilicàticas, de riolitos pórfiros, intercalados em depósitos piroclásticos e epiclásticos anfibolitos com orto e clinopi-piroxênios (af) e plútons de metagabróides. Figura 2.2b – Mapa geológico da Folha Alta Floresta. – 11 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Figura 2.3. – Mapa Gravimétrico Bouguer com interpretação de uma faixa de rochas e estruturas com forte contraste positivo de densidade. – 12 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Mineração Santa Elina, separou uma Seqüência Me- rochas sedimentares química, tipo chert ferrifero tassedimentar, formada por migmatitos (fusão par- e/ou carbonático. Incluem-se ainda orto e clinopiro- cial de rochas supracrustais aluminosas/kinzigitos) xênio anfibolito de derivação vulcânica, em forma de com intercalações lenticulares de quartzitos e forma- lentes interestratificadas nessas rochas metassedi- ções ferríferas (cherts carbonáticos) e um Complexo mentares, localizadas na fazenda Mogno (CC-235), Intrusivo Máfico (hiperstênio tonalitos magnéticos e onde acham-se atravessadas por granitos da Suíte noritos), mantendo-os ainda, agrupados estratigrafi- Intrusiva Paranaíta. camente como fazendo parte do Complexo Xingu. Esse conjunto está intensamente deformado em Este conjunto foi deformado em regime compressivo, regime compressivo,no domínio dúctil e faz contato acompanhado de metamorfismo regional de alto com os granitóides São Pedro, através de expressi- grau (fácies anfibolito alto a granulito), imprimindo vas e amplas zonas de cisalhamento dúctil, de regi- nas rochas supracrustais uma pronunciada foliação me compressivo oblíquo, marcadas por uma foliação EW e alongamento dos corpos ígneos na mesma di- milonítica, com atitudes EW a ESE/WNW e mergulhos reção, preservando, no entanto, as estruturas ígneas de médio a alto ângulo invariavelmente vergando dos corpos máficos intrusivos. para N/NE. Neste trabalho, propõe-se a denominação de Com- Entre as rochas supracrustais predominam os plexo Bacaeri-Mogno, para designar essa associação gnaisses sílico-aluminosos, tipo kinzigitos, cuja para- de rochas supracrustais e corpos plutônicos básicos gênese principal é formada por quartzo  feldspato (gabro e norito) reequilibrados na fácies anfibolito alto potássico (pertítico)  plagioclásio  sillimanita  cor- a granulito, que ocorrem principalmente nas fazendas dierita  estaurolita  granada  cianita  espinélio Mogno e Bacaeri (área-tipo) situados no quadrante (tabela 2.1). SW da folha, no vale do rio Apiacás e no interflúvio dos São identificados como cordierita-sillimanita gnais- rios Apiacás e Paranaíta. se (CC-249A) que transicionam para grana- Em cartas aerogeofísicas os litótipos desse com- da-sillimanita-cordierita-biotita gnaisse (CC-237), es- plexo respondem com as mais expressivas anomali- taurolita-sillimanita-granada-cordierita gnaisse as magnéticas detectadas na área, refletindo o alto (CC-244) e sillimanita gnaisse (CC-240), desenvolvi- conteúdo de magnetita disseminada tanto nas su- dos em ambiente de médio a alto grau metamórfico. pracrustais como nos corpos plutônicos associados: Com freqüência exibem transição para terrenos mig- metagabróides. Já os mapas gamaespectrométricos matíticos com a formação de restitos (paleossoma) de revelaram baixos valores de K e U seguidos por uma natureza máfica, invadidos por mobilizados graníticos anomalia de Th. Perfis gravimétricos realizados pelo (neossoma) preenchendo falhas/fraturas ou interpon- Promin-Alta Floresta ao longo da rodovia MT-208 do-se ao longo da foliação milonítica/bandamento (Alta Floresta a Nova Monte Verde) e de algumas es- metamórfico, incorporando-se à estrutura gnáissica, tradas transversais, com espaçamento de leitura de como acontece no retiro da fazenda Mogno (CC-239). 1km, identificaram uma descontinuidade gravimétri- Estes gnaisses distribuem-se pelas fazendas Mogno, ca na fazenda Mogno e adjacências, onde foram de- Bacaeri e Apiacás e apresentam cor cinza-rosada tectados os maiores valores gravimétricos da área, com manchas cinza escuras, estrutura gnáissica/mi- delineando uma extensa faixa anômala com direção lonítica, cuja trama microscópica é dada por uma tex- WNW a ESE, que se prolonga até Nova Monte Verde tura granoblástica poligonal fina a média, de composi- (Folha Rio São João da Barra) figura 2.3), correspon- ção quartzo-feldspática, variando para porfiroblásti- dendo a uma fatia de rochas reequilibradas em con- ca, com matriz granolepidoblástica nas zonas mais dições de metamorfismo próprio da fácies anfibolito deformadas. alto a granulito (Complexo Bacaeri-Mogno), encon- Na caracterização mineralógica dessas litologias trado em ambiente infracrustal. destacam-se os seguintes termos: quartzo - ocorre Associação de rochas supracrustais – é formada estirado na forma ribbon, com forte extinção ondu- essencialmente por gnaisses sílico-aluminosos, de lante; feldspato potássico - é pertítico, forma agrega- derivação de rochas sedimentares, representados dos fraturados e, às vezes, é porfiroclástico com sub- por cordierita-sillimanita-biotita gnaisse, grana- granulação periférica nas zonas de maior deforma- da-sillimanita-biotita gnaisse e sillimanita gnaisse ção; plagioclásio (andesina) – mostra-se como cristais com intercalações lenticulares, de poucos metros de tabulares, subidiomórficos a xenomórficos; sillimanita espessura, de ortopiroxênio-clinopiroxênio- granada - ocorre em prismas alongados, aciculares, paraleli- quartzito ferruginoso (BIF), hornblenda-grana- zados aos ribbons de quartzo, marcando a foliação da-ortopiroxênio quartzito, tremolita-granada quart- milonítica, às vezes deriva para uma variedade fibrosa zito e rochas calcissilicáticas, estas de derivação de (fibrolita) associada a intercrescimentos simplectí- – 13 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Tabela 2.1 – Composição modal estimada (%) das rochas supracrustais do Complexo Bacaeri-Mogno (hb-gd-opx quartzito - CC-249C; opx- qz-gd-quartzito; cord-sill-bi gnaisse -CC-249A; est-sill-gd-cord-bi gnaisse - CC-244; cord-sill- bi-gnaisse - CC-243; gd-sill-cord-bi gnaisse - CC-237; sill. gnaisse - CC-240; opx-cpx anfibolito - CC-235; opx-cpx-gd - quartzito ferruginoso (BIF) - CC-234A; tremolita-gd quartzito (BIF) - CC-234; sill-cord-bi gnaisse - CC-99B. (cpx - clinopiroxênio, cord - cordierita, gd - granada, est - estaurolita, hb - hornblenda, opx - ortopiroxênio, sill - sillimanita). Amostras CC-2 CC- CC-2 CC-2 CC-2 CC-2 CC-2 CC-9 CC- CC- CC- CC-9 34 234A 35 37 40 43 44 9B 249A 249B 249C 9B Minerais Quartzo 37 35 2 32 20 32 15 25 34 32 50 25 Granada 20 25 - 2 - - 10 - - 40 10 - Ortopiroxênio (hiperstênio) 10 10 15 - - - - - - 20 10 - Hornblenda 5 - 30 - - - - - - - 10 - Clinopiroxênio - 20 15 - - - - - - - - - Plagioclásio (andesina) - - 30 5 23 5 15 20 15 - - 20 Feldspato Potássico - - - 25 30 25 18 31 20 - - 31 Tremolita 15 - - - - - - - - - - - Biotita - - 2 12 10 15 10 8 10 1 tr 8 Cordierita - - - 10 - 5 12 5 8 - - 5 Sillimanita - - - 10 10 15 8 - 10 - - 2 Opacos 10 10 3 3 4 3 5 - 3 5 20 - Estaurolita - - - - - - 3 - - tr - - Cianita - - - - - - - 3 - - - 3 Apatita - - tr tr - tr - - tr tr tr - Carbonato tr - 3 - 1 tr - tr - 2 - - Rutilo - - - tr - - tr - - - - - Pinita - - - 1 - tr - - - - - - Zircão - tr tr tr tr tr - - tr tr tr - Espinélio - - - - - - 3 - - - ticos com a biotita (fotomicrografia 2.1); cordierita - é decamétrica. Estas acham-se associadas a delga- tabular, xenomórfica, parcialmente substituída pela das lentes de clino- ortopiroxênio anfibolitos, como pinita nas bordas, mostrando efeitos de retrometa- foi verificado no retiro da fazenda Mogno (CC-234 e morfismo; granada - aparece em cristais xenomórfi- CC-235) e fazenda Apiacás (CC-249). cos, poiquiloblásticos arredondados, contornados por quartzo; biotita - manifesta-se como palhetas subi- diomórficas e agregados lamelares, orientados e com pleocroísmo pardo a marrom-avermelhado, próprio da variedade titanífera (alta temperatura); cianita - ocorre em agregados granulares e prismáticos asso- ciados a biotita; espinélio - exibe-se como cristais xe- nomórficos, de cor verde, de natureza aluminosa, e opacos - principalmente magnetita em cristais idio- mórfico a subidiomórfico, atingindo às vezes parte significativa da rocha. Entre os minerais acessórios aparecem zircão, rutilo, opacos, apatita, e espinélio. A tremolita, carbonato, pinita e sericita atestam uma fase retrometamórfica, produtos de alteração hidrotermal. Intercalados nesses gnaisses sílico-aluminosos, Fotomicrografia 2.1 – Intercrescimento simplectítico ocorrem quartzitos a ganada ferrífera e ortopiroxê- entre biotita e quartzo em granada-sillimanita- nio que transicionam para formações ferríferas (BIF) cordierita-biotita gnaisse (cc-237) pertencente às na forma de lentes com espessura centimétrica a supracrustais do Complexo Bacaeri-Mogno. LPx10. – 14 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Os quartzitos a granada e ortopiroxênio apresen- Entre os metagabróides associam-se os metadio- tam-se finamente bandados e foliados, com bandas ritos de cor cinza com tonalidades esverdeadas e es- subcentimétricas, cinza-claro e cinza-escuro, alter- curas, com níveis cinza-esbranquiçados, textura nando-se regularmente, compostas respectivamen- granonematoblástica média e estrutura isótropa a fo- te de quartzo e minerais máficos (ortopiroxênio, horn- liada e milonítica nas zonas de maior deformação. blenda, granada e opacos-magnetita). Ocorrem em Apresentam composição quartzo-diorítica, realçada morrotes alinhados na direção da estruturação geral pelo plagioclásio que ocorre em cristais prismáti- EW. Estes termos petrográficos gradam para forma- cos-tabulares hipidiomórficos distribuídos em mosái- ções ferríferas (BIF) pelo incremento de minerais opa- cos poligonizados. O quartzo forma agregados de cos (magnetita). cristais xenomórficos, intersticial ao feldspato. O cli- Ao microscópio são caracterizados por uma para- nopiroxênio ocorre em cristais tabulares, xenomórfi- gênese à base de quartzo + granada + ortopiroxênio cos verdes claros. A biotita é marrom e forma agrega-  hornblenda + opacos (magnetita), mostram textura dos lamelares, orientados, e a hornblenda aparece granoblástica média a grossa e estrutura bandada. em cristais prismáticos-tabulares de cor verde, subidi- O quartzo ocorre em cristais xenomórficos, poligoni- omórficos. Entre os minerais acessórios destacam-se zados, ora tangenciais ora imbricados entre si, for- apatita, zircão e magnetita. mando mosaicos em bandas entremeadas por ban- das ricas em ortopiroxênio e granada. O ortopiroxê- nio (hiperstênio) aparece em cristais prismáticos e tabulares, idiomórficos a subidiomórficos, poiquilíti- cos, incluindo grãos de quartzo. Metagabróides – Incluem metagabro, metanorito e metaquartzo-diorito, que ocorrem no retiro da fazen- da Mogno e no Morro do Túnel, encaixados em gna- isses sílico-aluminosos (kinzigitos) às vezes associa- dos a enderbitos. Situam-se em zonas de relevo pediplanizado, na forma de lajedos ou blocos subarredondados e carac- terizam-se por registrar fortes anomalias magnéticas nos mapas aerogeofísicos (figuras 2.4 e 2.5). O metagabro apresenta cor cinza, com tonalida- des esverdeadas e escuras, estruturas bandada/mi- Fotomicrografia 2.2 – Metapelito quartzoso mostrando lonítica a protomilonítica, granulação fina a média e cristais prismáticos de hiperstênio poiquilítico, granada composição à base de plagioclásio, hornblenda, cli- em cristais xenomórficos, arredondados e poiquilíticos, no e ortopiroxênios, granada e biotita. associada a opacos (magnetita). Entre os minerais acessórios destacam-se a biotita lamelar, geralmente Nessa associação o plagioclásio (An-35 a 60%) é cloritizada, apatita e zircão em grãos. o mineral predominante e ocorre em cristais tabula- res subidiomórficos a idiomórficos, formando mosai- cos poligonizados, com pontos de junção tríplice (Fotomicrografia 2.3), com maclas ígneas complexas preservadas; nos termos mais deformados ocorrem estirados com subgranulação periférica. O ortopiroxênio mostra-se em cristais prismáti- co-tabulares com pleocroísmo incolor a rosado, com as bordas substituídas por hornblenda (produto retro- metamórfico). O clinopiroxênio manifesta-se em cris- tais tabulares, incolores a verde-pálido, dispostos em mosaicos, geralmente bordejados pela hornblenda. A hornblenda ocorre em cristais prismáticos-tabulares, de cor verde e substitui os piroxênios, reflexo de uma fase metamórfica retrogressiva, subseqüente à fase de granulitização principal. A biotita ocorre em agre- Fotomicrografia 2.3 – Cristais de plagioclásio poligonizados gados lamelares marrons. Entre os minerais acessóri- compostos, dispostos em junção tríplice e maclas ígneas os destacam-se magnetita, apatita e zircão. complexas em metaquartzo-dioritos (CC-246). – 15 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Figura 2.4 – Mapa Magnetométrico de sinal analítico integrado. – 16 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Figura 2.5 – Mapa Magnetométrico de continuação ascendente para altura de 4.000m. – 17 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Entre estes termos associam-se também, rochas onde foi sucessivamente reequilibrado à fácies anfi- (CC-249B) ricas em granada (40%) e ortopiroxênio bolito, xisto-verde até completa exumação. (hiperstênio-20%), com textura granoblástica gros- Associação de rochas supracrustais – os resulta- sa, enquadradas como granulito máfico rico em gra- dos químicos (tabela 2.2), mostram uma forte disper- nada tipo pyrigarnita, segundo normas da IUGS – são nos valores dos óxidos, principalmente, SiO2 que International Union of Geological Sciences. variou de 59% a 70%. Esse conjunto de rochas apre- O evento metamórfico principal, atuando sobre es- senta natureza peraluminosa, com índices A/KCN tas rochas metagabróides, transformou e recristalizou superiores a 1, ricos em minerais alumino-silicatos a paragênese magmática inicial para uma paragêne- como sillimanita, cordierita e cianita. Os percentuais se metamórfica dada por ortopiroxênio (hiperstênio) de K2O são geralmente superiores aos de Na2O, su- recristalizado + clinopiroxênio + plagioclásio + horn- gerindo uma natureza pelítica, reunida a sedimentos blenda verde-escuro  biotita (marrom)  quartzo. químicos (formação ferrífera bandada e chert carbo- A recristalização de ortopiroxênio em suítes plutô- nático), semelhante aos metassedimentos da fácies nicas máficas é aceita como diagnóstico da fácies granulito do NW da Escócia (Drury, 1973). granulítica (Turner & Verhoogen, 1960; de Ward, Esses litótipos revelaram altas concentrações de 1965; Winkler, 1977; e Miyashiro, 1973). Pontos de elementos tipo LILE, com enriquecimento acentuado junção tríplices observados entre as principais fases de Zr (451 ppm), Ba (1.400 ppm) e Th (50 ppm) (tabe- minerais, constituem textura de equilíbrio, compatí- la 2.2 e figura 2.6), atestando sua condição sedimen- veis com condições de alto grau metamórfico. tar, com valores acima da média crustal (Taylor & Eventos metamórficos superpostos podem atingir Mcclennan, 1985). o equilíbrio com base na reação seguinte: 1) horn- A fusão parcial das rochas supracrustais peli- blenda + biotita + quartzo  hiperstênio + feldspato to-químicas foi responsável pela geração dos mig- potássico + plagioclásio + H2O. Essa reação, segun- matitos (metatexitos e diatexitos), semelhante aos do Winkler (1977) marca a passagem da fácies anfi- granulitos do Complexo Granulítico Anápolis-Itauçu, bolito alto para granulito. A ausência sistemática de em Goiás (Oliveira, 1997). Granito de cor cinza-claro, feldspato potássico entre os metagabróides, seria rico em granada, encontrado na parte SE da Folha explicada pela perda metassomática de potássio Rio São João da Barra, sugere a geração de magma para as camadas superiores. anatético, a partir de kinzigitos ou rochas alumino- Piroxênios em transformação para hornblenda po- sas, com características texturais e químicas, com- dem indicar caminho inverso, caracterizando um patíveis com os granitos tipo S (Hine et al., 1978). evento retrometamórfico superposto, ligado a pro- Os gnaisses sílico-aluminosos tipo kinzigitos (Fi- cessos deformacionais e de descompressão, com gura 2.7) mostram um fracionamento de elementos ascendência do bloco granulítico aos níveis crustais de terras-raras leves (ETRL) e depleção dos elemen- mais superiores, formando rochas hidratadas (retro- tos terras-raras pesadas (ETRP), com uma pequena metamórficas). anomalia negativa de európio. As reações texturais e associações paragenéti- CC-237 2175-PS-R-145 2175-PS-R-152 2175-PS-R-44 cas, realçadas pelos termos petrográficos dessa uni- 1000 dade, notadamente, as supracrustais que diagnosti- cam uma fácies granulítica de baixa pressão (6-8Kb) e alta temperatura (800C), evoluída no campo de es- 100 tabilidade da sillimanita (Green & Ringwood, 1972) mineral largamente encontrado nos kinzigitos e hi- 10 perstênio-granada quartzitos encontrados entre as supracrustais, acompanhados por uma deformação essencialmente dúctil. 1 Durante o processo de granulitização esse bloco foi afetado por episódios tectônicos compressivos direcionados inicialmente na direção NW-SE (1ª .1 fase) que a partir da colisão tornou-se NE-SW (2ª fase), provocando a formação de underthrust de dire- .01 ção WNW/ESE. Após o ciclo de granulitização, inici- ou-se o processo de descompressão desse bloco, Figura 2.6 – Padrões multielementares normalizados ao com inversão dos movimentos e sua ascendência manto primitivo de amostras da Associação de Rochas progressiva rumo aos níveis superiores da crosta, Supracrustais do Complexo Bacaeri-Mogno. – 18 – Li K Rb Cs Ti Pb Ba Th U Nb La Ce Sr Pr Nd Zr Sm Eu Gd Tb Ti Dy Y Ho Er Tm Yb Lu Sc V Zn Cu Ni Cr SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.2 – Análises químicas de elementos maiores, traço e terras-raras em rochas supracrustais do Complexo Bacaeri-Mogno. Amostras PS-R-44 PS-R-145 PS-R-152 CC-R-99B CC-R-235 CC-237 Elementos Maiores (%) SiO2 59,20 62,25 60,43 68,22 47,33 70,36 TiO2 0,53 0,83 0,95 0,12 1,75 0,63 Al2O3 14,65 16,97 15,29 16,39 13,67 14,90 Fe2O3 1,13 1,31 0,95 0,61 2,30 0,67 FeO 5,74 6,69 4,83 3,11 11,74 3,43 MnO 0,17 0,07 0,13 0,11 0,17 0,04 MgO 4,78 1,41 3,05 1,39 7,48 1,04 CaO 6,76 1,81 7,59 1,14 10,66 1,11 Na2O 2,32 2,34 2,20 1,73 2,21 2,49 K2O 2,22 4,62 2,86 3,88 0,42 3,73 P2O5 0,15 0,09 0,36 0,07 0,10 0,03 arP.F. 0,50 0,58 0,58 1,13 - - Total 98,15 98,57 99,22 97,90 97,83 98,43 Elementos-Traço (ppm) Rb 104 152 103 142 4 114 Sr 257 236 427 290 159 266 Y 54 31 31 46 32 - Zr 277 448 279 389 82 451 Nb 12 - 13 1,1 4,7 14 Ba 510 1400 690 1300 46 943 Th 14 50,90 26 14 - 20,70 U 1 2 - - 0,10 2,80 Cr 310 140 57 75 - - Ni 75 34 25 13 - - Cu - - - - 136 2 Pb - - - - - 16 Zn - - - - 15 23 Co 29 16 25 7 61 10 Sc 34 14 22 14 47 8 Hf 7,70 16 7,60 11 2,40 12 Elementos Terras-Raras (ppm) La 34 150 74 47,50 4,50 65,10 Ce 72 256 120 80 12,90 134,70 Nd 44 120 56 35 13,10 63,20 Sm 11,40 19,50 9,20 5,80 3,90 9,90 Eu 1,80 3,10 2,00 1,50 1,38 1,83 Gd - - - - 5,18 7,36 Dy - - - - 6,00 5,22 Ho - - - - 1,26 0,98 Er - - - - 3,85 2,94 Tm - - - - 0,49 0,41 Yb 6 3 3 6 3,55 2,60 Lu 0,70 0,40 0,50 0,70 0,51 0,45 – 19 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil 1.000 Metagabróide – os resultados químicos de amos- tras metagabróides contidos na Tabela 2.3, revela- ram que são empobrecidos em SiO2 (46,41% a 50,54%), K2O (0,09% a 0,76%) e Na2O (0,09% a 100 2,89%) e enriquecidos em FeO (7,18% a 27,29%), Fe2O3 (1,41% a 5,35%), CaO (4,16% a 11,79%) e MgO (4,55% a 20,33%) em relação à média crustal estabelecida por Taylor (1965), tendo profundas afi- 10 nidades toleiíticas (Figura 2,9). Esses litótipos revelaram ainda baixa concentra- ção em Ba (77 a 358 ppm), Sr (7 a 491 ppm), La (8 a 40 ppm) e Ce (14 a 55 ppm). A relação K/Rb de 9,0 a 403, situou essas rochas 1 como originárias de arcos toleiíticos, confirmada Figura 2.7 – Espectros de elementos de terras-raras, pela relação Ba/Sr, que oscilou entre 0,39 e 2,20, amostras de gnaisses sílico-aluminosos (kinsigitos) da bem superior à faixa relativa a toleiítos oceânicos Associação de Rochas Supracrustais do Complexo (0,1) (Gast, 1968). Bacaeri-Mogno, normalizadas segundo o manto primitivo Os padrões de terras-raras normalizados ao man- (Taylor & McLennan, 1985). to primitivo, esboçados no aranhograma mostram um fracionamento de ETRL (elementos terras-raras A depleção de Eu desenvolveu-se em função da leves) e uma depleção de ETRP (elementos ter- proveniência desses metassedimentos de uma fonte ras-raras de anomalia de európio, assemelhando aos de provável natureza calcioalcalina, ou de uma mis- arcos de toleiítos modernos. (figura 2.10). tura reunindo rochas máficas e félsicas, como atesta- Os resultados de Sm/Nd, obtidos por Pimentel ram Jakes & Taylor (1974) em rochas sedimentares (2001), em anfibolito da Fazenda Mogno, revelaram pré-cambrianas. uma idade isocrônica de ca. 2,24Ga, com eNd (t) de Os elementos terras-raras, normalizados ao manto +2,5, considerada a mais antiga da área e ligada a primitivo, obtidos a partir do anfibolito (CC-235) da fa- restos de uma associação vulcânica (oceânica) pre- zenda Mogno, mostraram-se completamente depleta- servada de caráter juvenil (Lacerda Filho et al., dos em elementos de terras-raras leves (ETRL) e pe- 2001). Na construção dessa isócrona foram usadas 5 sadas (ETRP) resultando uma curva suborizontaliza- amostras, cujos valores de eNd(t) variaram de +1,42 a da, (figura 2.8) semelhante aos padrões estabeleci- 3,10 (Tabela 2.4) indicando sua ligação com fontes dos para os toleiítos arqueanos (TH1) e basaltos de mantélicas enriquecidas com alguma contribuição fundo oceânico (tipo MORB), segundo Condie (1981). crustal (Depaolo,1988). 1.000 FeO Toleiítico 10 Calcioalcalino 1 Figura 2.8 – Espectros de elementos de terras-raras, de Na O + O MgO amostra CC-235 (opx-cpx anfibolito), da associação de Figura 2.9 – Diagrama AFM, segundo Irvine & Baragar Rochas Supracrustais do Complexo Bacaeri-Mogno, (1971), aplicado a amostras de metagabróides de normalizado segundo o manto primitivo. Complexo Bacaeri-Mogno. – 20 – La La Ce Ce Pr Pr Nd Nd Sm Sm Eu Eu Gd Gd Tb Tb Dy Dy Ho Ho Er Er Tm Tm Yb Yb Lu Lu SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.3 – Análises químicas de elementos maiores, traços e terras raras em metagabróides do Complexo Bacaeri-Mogno. Amostras CC-R-98A CC-R-98B CC-R-99A JD-16 AF-47C Elementos Maiores (%) SiO2 47,90 46,41 47,82 46,91 49,92 TiO2 1,68 2,11 0,40 0,11 0,92 Al2O3 13,10 14,85 12,95 3,55 5,39 Fe2O3 2,57 2,80 1,41 5,35 1,98 FeO 13,12 14,26 7,18 27,29 10,10 MnO 0,34 0,26 0,18 0,87 0,20 MgO 7,24 5,89 13,20 4,55 20,33 CaO 9,97 10,16 11,79 4,16 9,42 Na2O 0,97 1,17 0,85 0,09 0,60 K2O 0,23 0,16 0,37 0,09 0,34 P2O5 0,20 0,41 0,06 0,23 0,27 P.F. 0,89 - 1,61 3,84 - Total 98,21 98,48 97,82 97,04 99,47 Elementos Traços (ppm) Rb 21 13 25 6 70 Sr 139 370 195 7 162 Y 25 26 9 - 38 Zr 104 154 31 27 72 Nb - - - - 3,5 Ba 110 330 77 300 358 Th - - 0,70 3,20 0,40 U - - - 1 - Cr 160 - 2530 45 - Cu - - - - 185 Pb - - - - 4 Zn 140 180 - - 21 Co 69 73 64 51 93 Sc 50 62 51 4 50 Hf 3,10 4,80 - - 2,30 Elementos Terras Raras (ppm) La 11 27 8 12 13,60 Ce 23 55 14 27 36 Nd 18 39 - 13 37 Sm 4,70 7,90 1,90 2,70 8,70 Eu 1,60 2,50 0,60 1 1,53 Gd - - - - 8,35 Dy - - - - 7,22 Ho - - - - 1,51 Er - - - - 4,28 Tm - - - - 0,50 Yb 3 4 2 2 3,51 Lu 0,40 0,50 - 0,30 0,50 – 21 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil 1.000 Essas rochas do Complexo Cuiú-Cuiú ocorrem in- trudidas pelos granitóides das suítes Paranaíta e Ju- ruena e pelo Granito Nhandu, como acontece a nor- deste de Alta Floresta (CC-2), onde foram constata- dos xenólitos de gnaisses graníticos englobados 100 pelo Granito Juruena e interceptados por diques de granito da Suíte Paranaíta (CC-106). A maioria dos seus contatos, no entanto, com essas unidades gra- níticas é feita através de zonas de cisalhamento transcorrente sinistral, de direção EW a ESE-WNW, 10 marcadas por uma expressiva foliação milonítica com atitude média N80W/80NE, por vezes paraleli- zada ao bandamento (CC-262). Nas zonas miloníti- cas, é freqüente a ocorrência de estruturas tipo S/C 1 (Foto 2.1); em “cabo de guarda-chuva”, leito do rio Teles Pires (CC-340, foto 2.2); ou com cristais de feld- Figura 2.10 – Espectro de elementos terras-raras de spato amendoados e de quartzo estirados (bastone- metagabróides do Complexo Bacaeri-Mogno, tes) e dobras assimétricas abertas e fechadas, trun- normalizado ao manto primitivo. cadas por falha transcorrente dextral. Tabela 2.4 – Dados isotópicos Sm/Nd, Pimentel (2001) – Laboratório de Geocronologia, Universidade de Brasília – Instituto de Geociências/CPRM - Promin-Alta Floresta. Nº DE CAMPO AMOSTRA (Nº Sm Nd Sm147/ Nd143/  (t)LABORATÓRIO) (ppm) (ppm) Nd Nd144 Nd144 CC-235 GHP-235 3.197 9.412 0,2053 0,512897±17 +3,10 CC-235A GHP-236 3.207 9.751 0,1988 0,512817±15 +3,02 CC-235B GHP-237 4.885 16.458 0,1794 0,512447±17 +1,42 CC-235C GHP-238 3.418 10.093 0,2047 0,512876±36 +2,82 CC-235E GHP-240 478 15.746 0,1835 0,512580±25 +1,89 2.2.2 Complexo Cuiú-Cuiú (PPcc) As rochas gnáissicas, migmatíticas e anfibolíticas anteriormente mapeadas e consideradas como Complexo Xingu (Silva et al. 1980 e Barros, 1993) na área, foram reduzidas a estreitas faixas alongadas e correlacionadas ao Complexo Cuiú- Cuiú, definido na Província Tapajós (Pessoa et al., 1977), nas proxi- midades da vila homônima. Na área cartografada, os litótipos do Complexo Cuiú-Cuiú acham-se representados por fatias rema- nescentes, descontínuas e alongadas de direção ESE-WNW, com cerca de 12km de comprimento por 1km a 2km de largura, em média, localizadas princi- palmente a nordeste da cidade de Alta Floresta (1ª e 2ª vicinais norte) e nos arredores de Carlinda, em meio a um relevo dissecado, e litossolo are- no-argiloso cinza-amarelado, com assinatura geofí- sica marcada por baixos valores radiométricos (50 a Foto 2.1 – (CC-305) – Lajedo de gnaisse granítico do 80cps) e às vezes por anomalias magnéticas positi- Complexo Cuiú-Cuiú, exibindo superfícies S/C. Vicinal D, vas. NE de Carlinda. – 22 – La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu SC.21-X-C (Alta Floresta) nematolepidoblásticos. Os primeiros são constituí- dos por cristais prismático-tabulares, hipidiomórfi- cos, de plagioclásio feldspato potássico pertítico, e quartzo em agregados intersticial aos feldspatos. Já os níveis nematolepidoblásticos acham-se inva- riavelmente enriquecidos em cristais prismáti- co-tabulares de hornblenda verde e biotita em agregados lamelares. Possuem como minerais acessórios magnetita, zircão, apatita e titanita e como minerais de alteração sericita, epidoto, car- bonato e argilominerais. Estudos litoquímicos preliminares indicaram ten- dência calcioalcalina, metaluminosa a peraluminosa, Foto 2.2 – (CC-340) – Lajedo de ortognaisse granítico do e são relacionados a ambiente de arco vulcânico na Complexo Cuiú-Cuiú com vênulas de quartzo-feldspato Província Tapajós (Klein et al., 2000). Datação em or- potássico, inseridas ao longo da foliação milonítica, tognaisses graníticos (CC-2), norte de Alta Floresta, dispondo-se às vezes em dobras rompidas e estruturas pelo método U/Pb SHRIMP, revelou idade de 1.992  tipo guarda-chuva. Leito do Rio Teles Pires (4ª vicinal – 7Ma, compatível com as idades obtidas por Santos et leste de Alta Floresta). al. (1997) e Santos (1999) através U/Pb convencional e SHRIMP compreendidas entre 2.005  7Ma e O Complexo Cuiú-Cuiú, na área, é formado por ro- 2.033Ma em gnaisses e granitóides do Complexo chas gnáissicas ortoderivadas de composição graní- Cuiú-Cuiú na Província Tapajós, apontadas como tica a monzonítica, às quais se associam granitóides idade de cristalização dessas rochas. e anfibolitos (enclaves). Os termos petrográficos mais comuns são ortog- 2.2.3 Suíte Intrusiva Juruena (PPgj) naisses graníticos a monzoníticos, com predomínio deste último, em geral com texturas porfiroblástica e A denominação Granito Juruena foi proposta por porfiroclástica, estrutura foliada (milonítica) a banda- Silva et al. (1974) para designar corpos graníticos re- da, marcada pela predominância de faixas leucocrá- mobilizados do Complexo Xingu, situados na Folha ticas quartzo-feldspáticas, alternadas a máficas enri- SC. 21 - Juruena, apresentando expressão topográfi- quecidas em biotita e hornblenda (Foto 2.3). ca positiva nas imagens de radar, forma elíptica a fu- Ao microscópio são caracterizados pela compo- siforme e orientação NW-SE, compreendendo grani- sição quartzo-feldspática, textura granolepido- tóides porfiróides biotíticos e muscovíticos, freqüen- blástica, estrutura foliada, às vezes bandada, real- temente gnaissificados. Sugeriram uma origem sino- çada pela alternância de níveis granoblásticos e rogênica para esses corpos graníticos, correlacio- nando-os ao Ciclo Transamazônico (2.600-1.800 Ma). Silva Neto et al. (1980) relacionaram o termo a uma série de corpos graníticos, granodioríticos e trond- hjemitos, ovalados, semicirculares, de contornos ir- regulares, estrutura isótropa, não deformados, pós-cinemáticos, distribuídos a sul e sudeste de Pa- ranaíta. No presente trabalho, ratifica-se a designação de Juruena para representar uma suíte de rochas graní- ticas calcioalcalinas de médio a alto potássio, forma- das essencialmente de biotita granitos e monzogra- nitos, porfiríticos a eqüigranulares, isotrópicos, cin- za-claros a cinza-rosados, pouco magnéticos, bai- xos valores radiométricos, geralmente desprovidos de enclaves máficos. Foto 2.3 – Ortognaisse granítico do Complexo Cuiú-Cuiú Ocorrem na forma de batólitos aglutinados e amal- exibindo mesodobras desarmônicas (1ª vicinal leste de gamados, dispostos na direção NW-SE, exibindo Alta Floresta, CC-02). contatos tectônicos ou intrusivos com os granitos – 23 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Nhandu e Paranaíta, geralmente encobertos por um ção modal de amostras representativas desta unida- espesso latossolo argiloso cinza-amarelado. de que, quando locadas no diagrama QAP de Strec- Acham-se também intrusivos em rochas granito- keisen (1976), plotam dominantemente os campos gnáissicas do Complexo Cuiú-Cuiú, e seus aflora- graníticos a monzograníticos (figura 2.14). mentos constituem grandes blocos e matacões ova- Os estudos petrográficos desses litótipos mostram lados (foto 2.4). uma composição mineralógica à base de feldspato potássico, plagioclásio, quartzo e biotita, geralmente acompanhados de epidoto, sericita, clorita, muscovi- ta, carbonato e argilominerais, como produtos de al- teração hidrotermal, e de titanita, allanita, apatita, opacos e zircão como minerais acessórios. Possuem textura eqüigranular a porfirítica (foto 2.5) com matriz granular fina a média e exibem crista- is de feldspato potássico com cerca de 1cm de tama- nho, excepcionalmente atingindo 2cm, prismáticos, tabulares, subidiomórficos, pertíticos e com gemina- ção polissintética cruzada. O plagioclásio ocorre em cristais prismáticos-tabulares, idiomórficos a subidi- omórficos parcialmente saussuritizados, às vezes zonados e com bordas albitizadas. O quartzo é in- tersticial aos feldspatos, recristalizado e forma mosa- icos de subgrãos, tangenciais ou imbricados entre si. Foto 2. 4 – Aspecto de afloramento dos granitos da Suíte A biotita verde aparece como agregados lamelares, Intrusiva Juruena na forma ovalada. SE de Carlinda, na geralmente em transformação para clorita ou musco- estrada MT-208, para o Porto da INDECO (CC-70). vita. A Suíte Intrusiva Juruena é constituída por rochas Distribui-se numa extensa faixa orientada NW-SE, da série calcioalcalina alto potássio, metaluminosa a desde sul/sudeste de Carlinda, até norte/noroeste de peraluminosa, com quimismo e características mine- Paranaíta. Entre Alta Floresta e Paranaíta esta faixa ralógicas compatíveis com granitos de arcos vulcâni- alarga-se sobremaneira, dominada por uma região cos, similares às intrusões encontradas em margens amplamente peneplanizada e dissecada, constituí- continentais ativas. da por latossolos cinza amarelados. Acham-se bem Seus litótipos possuem valores de SiO2 variando documentados a sul e sudeste de Carlinda, na estra- de 58% a 71%, 11% a 16% e Al2O3, 0,78% a 5% de da para o porto da INDECO; na 1ª vicinal, a norte de CaO e elevadas razões MgO/TiO2 (1,60) e K2O/Na2O Alta Floresta; e nas estradas Alta Floresta-Carlinda (>1). Mostram enriquecimento em elementos de raio (MT-206) e Alta Floresta-Paranaíta (MT-208). Seus litótipos exibem geralmente textura porfirítica a eqüigranular, estrutura isótropa, interrompida ape- nas por uma deformação confinada, rúptil a rúp- til-dúctil, caracterizada por zonas de cisalhamento, transcorrentes com larguras centimétricas a métri- cas, formadas a partir da nuclearização de fraturas de cisalhamento, conjugadas e extensional, onde ocorrem filonitos, constituídos por quartzo + sericita  clorita  epidoto. Em cartas aerogeofísicas, esses granitóides exi- bem baixos valores radiométricos (canais de K, Th e U) (figuras 2.11, 2.12 e 2.13) e ausência de anomali- as magnéticas em razão do seu baixo conteúdo de magnetita. São essencialmente granitos homogêneos e ge- Foto 2.5 – Aspecto textural do biotita granito porfirítico ralmente desprovidos de enclaves máficos e com da Suíte Intrusiva Juruena, estrada MT-208 - pouca magnetita. A Tabela 2.5 fornece a composi- Carlinda-Porto da INDECO. CC-70). – 24 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Figura 2.11 – Imagem radiométrica canal de K, integrada do Projeto Promin-Alta Floresta. – 25 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil – 26 – SC.21-X-C (Alta Floresta) – 27 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Tabela 2.5 – Composição modal (%) de amostras da Suíte Juruena. Amostras CC-18 CC-19 CC-87 CC-264 CC-291 CC-296B CC-27 Minerais Quartzo 20 20 20 20 25 25 30 K-Feldspato 35 34 45 28 38 38 36 Plagioclásio 30 25 20 37 25 45 15 Biotita 5 10 6 3 2 5 5 Sericita 2 2 2 2 1 1 3 Epidoto 5 4 3 5 3 2 4 Clorita - - 1 2 4 2 2 Muscovita 2 3 - - - 2 - Carbonato - tr tr 1 - tr tr Allanita - tr tr tr tr - tr Apatita tr tr tr tr tr tr tr Opacos tr 1 1 1 1 1 2 Titanita 1 1 1 tr tr tr 1 Zircão Tr tr tr tr tr tr tr Q terras-raras pesadas (ETRP) (Tabela 2.6) semelhan- tes às suítes calcioalcalinas alto K, definidas por Lié- geois et al. (1998) no noroeste da África, região de Tuareg. Em relação ao índice de saturação de alumina, dado pelo diagrama de Maniar & Piccoli (1989), es- sas rochas são metaluminosas a peraluminosas e formadas em ambiente de arco continental (figura 2.15), podendo ser classificadas como calcioalcali- na de alto potássio (Le Maitre 1989. et al.) (Figura 2.16). Os padrões de terras-raras obtidos para amostras representativas desta unidade (figura 2.17), mos- tram-se bastante consistentes e semelhantes, reve- lando um elevado enriquecimento em elementos ter- A P ras-raras leves (ETRL) e uma depleção dos elemen- tos terras-raras pesadas (ETRP). Os padrões são for- temente fracionados, evidenciado pela relação La/Yb=180 e uma pequena anomalia negativa de eu- rópio. iônico grande (LIL): (Ba - 300 a 2.032 ppm, Sr - 84 a No diagrama multielementar, normalizado ao man- 698ppm, Rb - 99-291ppm), elementos com alto cam- to primordial, as rochas graníticas da Suíte Juruena po de forças (HFS): (Zr - 189 a 517ppm e Hf - 5,50 a caracterizam-se por acentuadas anomalias negati- 16ppm e Y - 20 a 164ppm) e em elementos ter- vas de Nb, Ti e Sc (figura 2.18), semelhantes à suíte ras-raras leves (ETRL) (La-32 a 190ppm e Ce-72 a calcioalcalina pós-colisional de Tuareg a NW da Áfri- 227ppm), e uma acentuada depleção em elementos ca (Liégeois et al., 1998). – 28 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.6 – Resultados de análises químicas em amostras da Suíte Intrusiva Juruena. Elementos Maiores (%) Amostras PS-35 PS-35A PS-35B PS-108 PS-108A PS-116 JD-9A LM-106 GM-68 CC-264 CC-291 Minerais SiO2 69,59 76,19 59,85 70,94 65,92 70,56 72,19 65,06 58,1 68,32 70,53 TiO2 0,54 0,27 1,1 0,31 0,53 0,57 0,3 0,63 0,9 0,27 0,26 Al2O3 13,9 11,69 15,13 14,52 16,37 13,84 13,77 16,7 16,36 16,27 14,95 Fe2O3t 3,43 1,65 3,2 1,82 3,84 2,71 1,95 3,7 7,1 2,16 1,57 MnO 0,09 0,04 0,2 0,08 0,12 0,08 0,06 0,06 0,15 0,05 0,04 MgO 0,8 0,3 1,47 0,28 0,66 0,51 0,24 0,98 2,84 0,62 0,38 CaO 2,27 0,78 4,36 1,32 1,94 1,55 0,91 3,28 4,99 2,12 1,35 Na2O 3,15 2,43 3,79 3,83 4,46 3,63 3,45 4,43 4,3 4,03 3,38 K2O 4,72 5,31 3,44 5,24 5,13 4,8 5,76 3,38 2,7 4,37 5,43 P2O5 0,19 0,06 0,45 0,1 0,14 0,21 0,12 0,31 0,36 0,06 0,05 P.F. 0,4 0,36 0,71 0,4 0,36 0,58 0,4 0,4 1,07 0 0 Total 99,08 99,08 93,71 98,84 99,47 99,04 99,15 99,4 98,87 98,27 97,04 Al2O3/TiO2 25,74 43,29 13,75 46,83 30,88 24,28 45,9 26,5 17,77 60,25 57,6 CaO/Na2O 0,72 0,32 1,15 0,34 1,32 0,42 0,26 0,85 1,16 0,52 0,39 Elementos-Traço (ppm) Rb 232 279 183 294 291 262 211 99 155 138 175 Sr 205 119 303 132 124 179 84 698 636 611 336 Y 73 42 90 128 86 164 65 23 33 20 20 Zr 463 189 470 327 521 361 456 488 517 230 267 Nb 20 22 15 15 32 30 27 26 29 21 9,5 Ba 900 300 1000 580 780 150 560 1800 480 2032 1534 Th 28 49 6,1 43 39 38 29 26 24 9,9 36 U 3 6 1 7 9 9 4 2 5 1 3,5 Cr 30 20 25 30 20 37 20 20 32 Cu 6 9 Pb 17 16 Zn 30 35 Co 7 5 13 5 7 5 5 7 23 4 3 Elementos Terras-raras (ppm) La 89 94 100 190 32 248 120 110 61 55,3 50,9 Ce 160 160 190 227 72 327 233 200 130 101,2 108 Nd 75 68 110 150 46 160 90 68 59 39,7 40,7 Sm 13,3 10 21,7 23,86 12,2 22,6 15 9 10 5,7 6,4 Eu 1,6 1,2 3,6 2 1 3,1 1 1,7 1,4 1,02 0,9 Gd 3,99 4,44 Dy 3,39 3,57 Ho 0,66 0,73 Er 2 2,18 Tm 0,26 0,33 Yb 8,8 5 8 14 12 16 5 2 3 2,17 2,37 Lu 1 0,6 1,1 1,8 1,5 2,2 0,7 0,3 0,5 0,27 0,34 – 29 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil 3 CC-264 CC-264 1.000 Metaluminoso Peralcalino 2 CAG 10 POG 1 Peraluminoso 0,5 0 1 2 1 Al2O3(CaO + Na2O + K2O) Figura 2.15 – Amostras da Suíte Juruena plotadas no Figura 2.17 – Diagrama de elementos de terras-raras diagrama de Shand (in Maniar & Piccoli, 1989). CAG - normalizados segundo o manto primitivo (Taylor & granitóides de Arco Continental e POG - granitóides McLennan, 1985), aplicado às amostras da Suíte pós-orogênicos. Juruena. 5 CC-264 - CC-291 1.000 4,5 Alto-K 4 100 3,5 3 10 2,5 Medio-K 2 1 1,5 1 0.1 0,5 Baixo-K 0 43 45 55 65 75 79 0.01 SiO2 (peso%) Figura 2.16 – Amostras da Suíte Juruena no diagrama Figura 2.18 – Diagrama multielementar normalizado de Le Maitre et al. (1989). segundo o manto primitivo (Taylor & McLennan, 1985), aplicado à amostra da Suíte Juruena. Na tentativa de discriminar quimicamente as ro- Harris et al. (1986) consideraram a colisão de pla- chas intrusivas ácidas a intermediárias de zonas de cas um evento dinâmico, evoluindo desde o estágio colisão, Harris et al. (1986) elaboraram o diagrama de subducção inicial de uma placa litosférica oceâni- Hf-Rb/30-3Ta, no qual as amostras da Suíte Juruena ca até a estabilização da litosfera continental, razão plotam no campo de granitos de arco vulcânico (Gru- pela qual geralmente ocorrem sobreposições de as- po I) e apenas 2 amostras situam-se no campo dos sinaturas geoquímicas do Grupo I (arco vulcânico) e granitos pós-colisionais (figura 2.19). III (pós-colisional). – 30 – K O(peso%) Al2O3( Na2O + K2O)2 Basalto Basalto/Andesito Andesito Dacito e Riolito Li K La Rb Cs Ce Ti Pb Ba Pr Th U Nd Nb La Sm Ce Sr Pr Eu Nd Zr Gd Sm Eu Gd Tb Tb Ti Dy Dy Y Ho Ho Er Tm Er Yb Lu Tm Sc V Yb Zn Cu Ni Lu Cr SC.21-X-C (Alta Floresta) Rb\30 2.2.4 Suíte Intrusiva Paranaíta ( PPp ) Está distribuída em áreas anteriormente tidas e car- tografadas como pertencentes ao Complexo Xingu, a Formação Iriri e ao Granito Teles Pires (Silva Neto et al., 1980; Silva et al., 1980; e Souza et al., 1979). Scabora (1997), em trabalhos de exploração mine- VAG ral na região da fazenda Mogno e adjacências, pela SYN-COLG Mineração Santa Elina, individualizou corpos graníti- cos dessa unidade, que na ocasião foram cartogra- CC-264 PS-35A POST-COLG fados como um Complexo Intrusivo Félsico (alvos do PS-35 PS-116 Rato e Morro do Túnel) formados por granitos porfiríti- 109A PS-108 PS-358 PS-291 cos sulfetados, hornblenda-biotita gnaisses porfiríti- GM-68 PS-108A cos e granitos finos róseos, foliados, encaixados e re- LM-106 WPG unidos a rochas migmatíticas e enderbíticas do Com- plexo Xingu. Hf Ta*3 Bittencourt Rosa et al. (1997) realizaram perfis ge- ológicos na região de Paranaíta e Alta Floresta e de- Figura 2.19 – Amostras da Suíte Juruena plotadas no nominaram essas rochas graníticas de Granitóide diagrama de Harris et al (1986). VAG -Granitos de arcos Paranaíta. vulcânicos, Syn-Colg - granitos sincolisionais, Post - JICA/MMAJ (2001), em estudos de prospecção Colg - granitos pós- colisionais e WPG - granitos mineral na busca de depósitos auríferos, selecionou intraplacas. uma área situada a 20km a noroeste de Paranaíta (Bloco C) no domínio desses granitos, tendo na oca- Wyborn et al. (1992) utilizaram o diagrama multie- s ião chamado esses l i tót ipos de grani tos lementar normalizado ao manto primordial para mos- pré-Uatumã, identificados como tipo II, e correlacio- trar que os granitos podem ser empobrecidos em Y e nados ao Granito Matupá (Moura, 1998). ricos em Sr ou empobrecidos em Sr e ricos Y. O pri- No presente trabalho propõe-se a designação de meiro grupo teve a granada estável nas regiões fon- Suíte Intrusiva Paranaíta para representar um clã de tes em algum estágio de sua geração e o segundo rochas graníticas calcioalcalinas de médio a alto po- grupo teve o plagioclásio como mineral predominan- tássio, formadas dominantemente por litótipos da sé- te na região geradora. A ausência de anomalia de Y rie monzogranítica, destacando-se monzogranitos, no Granito Juruena indica, portanto, que a granada biotita-quartzo monzonitos, biotita granitos, hornblen- jamais foi uma fase estável nas fontes geradoras des- da-biotita granitos e magnetita-biotita granito. São se granito, implicando em níveis de profundidades porfiríticos a eqüigranulares, isotrópicos, com de- menores do que os 45km requeridos na geração formação confinada, portadores geralmente de quart- desses granitóides (Wyborn et al., 1992). zo azulado, magnetita e de enclaves de dioritos, micro- Dados petrográficos e químicos dos granitos da dioritos e quartzo-dioritos pórfiros (foto 2.6). Suíte Juruena, como as ausências de enclaves máfi- 2Ocorrem na forma de batólitos com 200km a cos e de anomalias de Y em diagramas multielemen- 2600km de área, que se acham às vezes aglutinados tares, existência de leve anomalia negativa de Eu, entre si, e stocks alongados na direção EW a NW-SE, baixos conteúdos de Sr (<650 ppm) e correlação ne- geralmente balizados por falhas transcorrentes sinis- gativa entre Sr e os indicadores de fracionamento, trais EW e N40W conjugadas, e bem documentadas sugerem a geração do magma em condições de a NW de Paranaíta (córrego Jaú e adjacência do Por- pressão menores que 10 Kb, onde a granada esteve to da Aldeia – área-tipo). Seus contatos são tectôni- ausente, o plagioclásio residual é mais abundante e cos com as rochas da Suíte Juruena, do Granito São a evolução crustal processou-se por cristalização Pedro e da Suíte Colíder ou estão numa suposta rela- fracionada (Norman et al. 1992 e Rapela & Pank- ção de intrusão com os granitos Juruena e transicio- hurst, 1996). nais com as vulcânicas Colíder. A maioria de seus Datação pelo método U/Pb (MMAJ/JICA, 2000) em contatos acha-se geralmente encoberta por latosso- biotita monzogranito situado aproximadamente los argilosos. Os afloramentos ocorrem na forma de 40km a noroeste de Matupá (área-piloto G) na Folha grandes blocos ovalados. SC-21-X-D (Aeroporto de Cachimbo) forneceu ida- Distribuem-se também nos arredores de Alta Flo- des de 1.81757Ma, 1.82335Ma e 1.94817Ma. resta e a noroeste de Carlinda, em contato brusco e in- – 31 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Acham-se bem documentados a noroeste de Para- naíta (garimpos Grota Rica, Buriti e Dona Diva), onde geralmente são acompanhados de enclaves máficos de 5cm a 10cm de composição diorítica a quart- zo-diorítica, exibindo fluxos magmáticos, com for- mas elípticas a arredondadas e com feições de min- gling dadas por ocorrência de cristais pingados de plagioclásio. A composição modal de amostras sele- cionadas está expressa na Tabela 2.7 e no diagrama QAP de Streckeisen (1976), recaindo dominante- mente no campo do monzogranito a quartzo-monzo- nito (figura 2.20), estendendo-se de modo subordi- nado a quartzo monzodiorito e quartzo-diorito (encla- ves). Foto 2.6 – Bloco de hornblenda-biotita monzogranito Estes litótipos mostram uma composição minera- porfirítico com enclaves de quartzo-diorito, pertencentes lógica à base de feldspato potássico, plagioclásio, à Suíte Intrusiva Paranaíta.Garimpo do Valdomiro, NW quartzo, biotita e, às vezes hornblenda e geralmente de Paranaíta (CC-156). acompanhada de epidotosericitaclorita argilomi- neraiscarbonatos, produtos de alterações hidroter- trusivo nos granitos gnáissicos do Complexo Cuiú- mais. Os minerais acessórios se acham representa- Cuiú ou envolvidos pelos granitóides Nhandu. Foram dos por magnetita, ilmenita, apatita, zircãoallanita constatados também stocks desses granitóides na re- titanita. gião das fazendas Mogno (Garimpo do Rato) e Apia- Essas rochas são essencialmente quartzo-felds- cás (Túnel), intrusivo nas supracrustais do Complexo páticas de composição granítica/monzogranítica Bacaeri-Mogno. exibindo textura porfirítica com matriz granular média Seus litótipos exibem geralmente textura porfiríti- a grossa e estrutura maciça. Tanto os pórfiros como a ca, estrutura isótropa, interrompida apenas por uma matriz acham-se representados por feldspato potás- deformação rúptil-dúctil confinada, caracterizada sico e plagioclásio. O feldspato potássico ocorre em por zonas de cisalhamento transcorrentes com lar- megacristais de 1cm a 2cm, excepcionalmente atin- gura de 0,5m a 1m, formadas a partir da nucleariza- gindo 4cm de tamanho (Pedreira Alta Floresta), é ção de fraturas dilatantes com a geração de filonitos prismático-tabular a xenomórfico, pertítico, e exibe (quartzo + sericita + clorita) em razão do amoleci- geminações Carlsbad e polissintética cruzada. Alte- mento do granito por soluções hidrotermais. ra-se para sericita e albita e associa-se, às vezes, a Em cartas aerogeofísicas, estes granitóides res- microclínio tardio. O plagioclásio aparece como pondem com acentuadas anomalias magnéticas (fi- gura 2.4), refletindo o alto conteúdo de magnetita dis- Q seminada (1% do volume da rocha) e conferin- do-lhes uma susceptibilidade magnética maior que 10 x 10 e.m.u/g, limite para o enquadramento desses litótipos como granito a magnetita (Ishihara, 1981), geneticamente ligado a um magma granítico hidrata- do com alta taxa de fugacidade de oxigênio, com ca- racterísticas metalogenéticas enriquecidas em sulfe- tos e Au. Já os mapas gamaespectrométricos revela- ram baixos valores nos canais de K, Th e U, no domí- nio dessas rochas. Constitui uma suíte formada principalmente por monzogranitos (biotita-hornblenda monzogranito e biotita monzogranito pórfiros), quartzo-monzonitos (biotita-hornblenda quartzo-monzonito e biotita quartzo-monzonito) e biotita granito (biotita-horn- blenda granito e biotita granito), de cor cin- A P za-arroxeado a cinza-rosado, textura porfirítica gros- Figura 2.20 – Amostras da Suíte Intrusiva Paranaíta no sa a eqüigranular e estrutura homogênea, isótropa. diagrama QAP, de Streckeisen (1976). – 32 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.7 – Composição modal (%) de amostras da Suíte Intrusiva Paranaíta - ol-oligoclásio, an-andesina. Amostras CC-13B CC-22D CC-4 CC-2C CC-13 CC-13A CC-14 CC-22A Minerais (enclave) (enclave) Quartzo 20 12 20 20 10 15 25 8 K-Feldspato 43 35 32 40 20 36 37 3 Plagioclásio 25 35(ol) 20 25 50 25 25 68(ol/an) Biotita 2 8 10 5 10 6 5 12 Hornblenda - 7 - - - 6 - - Sericita 1 3 3 1 2 3 2 1 Epidoto 2 5 8 4 4 5 3 3 Clorita 3 - 2 2 tr - tr - Carbonato - 1 1 tr - - tr - Zircão tr tr tr tr tr tr tr tr Allanita - tr tr - - - - - Apatita tr tr tr tr tr tr tr tr Opacos 2 2 2 1 1 1 3 3 Titanita 1 2 1 1 2 2 2 - Amostras CC-113A CC-108 CC-113B CC-117A CC-118 CC-56 CC-210 CC-262 Minerais (enclave) Quartzo 25 6 20 20 15 20 25 10 K Feldspato 31 25 37 32 32 32 38 35 Plagioclásio 28 36 20 30 30 30 20 32 Biotita 5 8 8 8 8 8 10 10 Hornblenda - 8 3 - 2 1 - 5 Sericita 4 2 2 2 2 2 1 1 Epidoto 3 10 3 4 4 3 1 2 Clorita 2 1 2 2 3 1 1 - Carbonato tr tr - 2 - tr 1 - Zircão tr tr tr - - tr - - Allanita - - tr tr tr - - tr Apatita - tr tr tr tr tr tr - Opacos tr 1 1 tr 1 1 1 2 Titanita tr 2 1 1 2 1 tr 2 – 33 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil megacristais tabulares zonados com até 4cm de tama- nho (média±1cm), idiomórficos a subidiomórficos, ge- minados segundo as leis de Albita e Albita-Carlsbad, e composição variando de oligoclásio a andesina (An 20 a 40). O quartzo é azulado (nos termos subvulcânicos), xenomófico, forma mosaicos de cristais fraturados, tan- genciais ou imbricados entre si, exibe extinção ondu- lante, e ocupa os interstícios dos feldspatos. A biotita é verde e ocorre na forma de agregados lamelares, ge- ralmente transformados em clorita. A hornblenda foi observada apenas em algumas amostras e geralmente ocorre associada a biotita, titanita e magnetita. Foram observados, também, biotita granitos porfi- ríticos, cinza-rosados, isótropos, com enclaves centi- métricos a métricos de biotita quartzo-diorito e bioti- Foto 2.8 – Biotita granito porfirítico, com enclave de ta-hornblenda diorito, pórfiros (Pedreira de Alta Flo- quartzo-diorito pórfiro contendo cristais de feldspato resta). Na estrada Alta Floresta-Paranaíta, ocorre dio- “pingados”, evidenciando duas direções de fluxo rito pórfiro, distribuído na forma de megaenclave nos magmático. Pedreira Alta Floresta (CC-22). granitos, relacionado às rochas básicas Guadalupe, geneticamente ligadas à evolução dessa suíte. Ainda na pedreira de Alta Floresta, foram observa- Foram observados veios de granito pegmatóide, das duas direções de fluxos magmáticos, uma ligada com espessura de 1cm a 2cm e atitudes N80W/ a orientação dos megacristais de feldspato potássi- 20SW, interceptando o conjunto. co (magma félsico) (N70W/50SW) e outra de encla- A Suíte Intrusiva Paranaíta é constituída por rochas ves máficos de quartzo-dioritos (E-W/subvertical), da série calcioalcalina de alto potássio, metalumino- foto 2.7, indicando mistura de magmas, onde ocor- sa a peraluminosa, com quimismo e características rem feições de mingling ( foto 2.8 ), caracterizadas mineralógicas compatíveis a granitos de arcos vulcâ- por cristais “pingados” de feldspato potássico. nicos, similares às intrusões calcioalcalinas encon- tradas em margens continentais ativas, como as séri- es calcioalcalinas monzoníticas modernas da Pata- gônia (Lameyre,1987; Rapela, & Pankhurst, 1996). Seus litótipos possuem valores de SiO2 variando de 56% a 73%, elevadas razões MgO/TiO2 (2,1) e K2O/Na2O >1 (com apenas 3 amostras abaixo de 1 em enclaves dioríticos); 14% a 18% de Al2O3; 1,5% a 4,70% de CaO; enriquecimento de Ba (1.100ppm) e Sr (440ppm); valores moderados de Zr (373ppm) e Rb (91 a 245ppm); e baixos conteúdos de Nb (19ppm), Y (40ppm) e Ta (1,60ppm) Em relação ao índice de saturação de alumina, dado pelo diagrama de Maniar & Piccoli (1989), os monzogranitos e granitos da Suíte Paranaíta podem ser classificados como granitóides de arco continen- tal (figura 2.21). Pelos diagramas de Irvine e Baragar (1971) e Le Maitre (1989) (figuras 2.22 e 2.23), essas rochas po- dem ser classificadas como calcioalcalinas de alto potássio, que aliadas às suas características petro- gráficas, como a presença de hornblenda, titanita, al- lanita, magnetita (magmática) e ausência de anfibóli- Foto 2.7 – Fluxo magmático em biotita granito porfirítico os e piroxênios alcalinos, permitiram identificá-las da Suíte Paranaíta, dado pela orientação dos como calcioalcalinas, semelhantes aos granitos tipo I megacristais de feldspato potássico e de enclave de oxidados e fracionados do cinturão Lachan na Aus- diorito. Pedreira de Alta Floresta (CC-22). trália, onde Blevin & Chappell (1995) verificaram uma – 34 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.8 – Resultados químicos de amostras da Suíte Paranaíta: Biotita granito pórfiro (CC-1, CC-22A, CC-108, CC-145 e CC- 210); biotita monzogranitos pórfiros (CC-13, CC-117A e CC-155) hornblenda-biotita monzogranito (CC-113B, CC-155, CC-156C); biotita quartzo-monzonito (CC-123); biotita-hornblenda quartzo-monzonito (CC-2C, CC-118, CC-14); microquartzo monzonito, biotita-hornblenda monzonito pórfiro (CC-113A); e biotita-quartzo diorito pórfiro (CC-22D). Elementos Maiores (%) Amostras CC-1 CC-2C CC-13 CC-14* CC-22A CC-22D* CC-113A* CC-113B CC-113B** CC-13** CC-117A CC-118 CC-108 CC-123 CC-145 CC-156C CC-155 CC-210 Minerais SiO2 65,08 65,71 64,42 58,13 69,42 58,82 56,00 65.80 64,30 63,68 67,16 63,71 72,51 68,57 69,92 63,07 58,86 67,57 TiO2 0,53 0,59 0,60 0,94 0,43 0,84 0,88 0,57 0,64 0,61 0,58 0,84 0,21 0,57 0,51 0,79 0,88 0,65 Al2O3 16,47 15,28 15,15 15,48 15,02 18,60 16,80 15,37 15,38 15,14 14,60 16,53 14,35 15,22 14,02 14,78 16,84 15,57 Fe2O3 3,79 4,19 4,18 7,47 2,00 5,28 7,42 4,02 4,38 1,68 3,85 4,30 1,44 2,58 3,26 5,72 7,14 3,54 MnO 0,08 0,10 0,12 0,22 0,04 0,09 0,27 0,10 0,07 0,09 0,10 0,14 0,09 0,11 0,09 0,09 0,22 0,11 MgO 1,15 1,33 1,90 2,76 0,42 1,42 3,94 1,45 1,72 1,36 1,56 0,47 0,78 0,42 0 3,03 0,56 CaO 3,75 3,38 3,64 4,71 2,46 6,13 6,00 3,08 3,35 3,65 2,62 2,78 1,65 1,97 1,69 3,44 4,71 1,97 Na2O 4,33 2,68 3,25 3,48 3,69 5,13 3,97 3,40 3,30 3,13 3,12 3,46 3,47 3,86 3,11 2,83 4,67 3,13 K2O 3,13 4,29 4,29 4,56 4,69 1,84 3,20 4,53 4,63 3,30 4,87 3,73 4,26 4,79 5,17 4,82 2,67 4,85 P2O5 0,33 0,38 0,26 0,53 0,34 0,78 0,46 0,30 0,37 0,26 0,26 0,12 0,09 0,23 0,15 0,48 0,41 0,18 P.F. 0,27 0,31 0,00 0,58 0,36 0,36 1,11 0,54 0,67 1,99 0,36 0,45 0,40 0,50 0,22 Total 98,91 98,12 97,44 98,86 98,87 99,29 100 99,08 98,14 94,54 99,19 99,16 98,90 99,13 98,74 96,02 99,93 98,25 Al2O3/TiO2 31,00 25,80 24,83 16,46 34,90 22,10 19,00 26,90 24,03 24,80 25 19,60 68,3 26,7 27,4 18,9 19,0 23,9 CaO/Na2O 1,19 0,78 0,85 1,03 0,52 3,33 1,87 0,89 1,01 1,16 0,53 0,74 0,38 0,41 0,32 0,71 1,76 0,40 Elementos-Traços (ppm) Rb 106 140 194 215 157 91 174 185 176 200 223 185 183 186 189 Sr 769 435 491 351 325 675 471 465 514 534 400 481 478 372 147 472 432 153 Y 38 34 37 43 23 33 23 31 33 34 35 40 34 51 59 57 39 86 Zr 486 309 303 315 481 1098 145 319 401 314 275 358 238 342 702 590 198 580 Nb 6 17 17 16 2,00 9 10 10 15,8 19,6 16 32 27 34 21 25,70 12,00 34 Ba 2300 1200 960 580 1300 1300 660 1100 1082 890 780 1200 850 1600 500 1100 Th 13 27 23 17 25 17 11 18 18,3 17,9 19 36 26 32 30 26,20 11 41 U 1 1 4 6 5 5 3 3 5,40 5,90 6 8 12 16 3 12,30 6 5 Ta 1 1,40 1,20 1,00 1,60 1,10 1,10 1,40 1,50 1,60 3,10 1,4 2,40 1,80 8,20 1,20 2,70 Hf 10 8,90 8,60 8,80 12,00 29,00 4,00 7,90 10,60 7,80 7,50 10 5,6 8,90 22 14,90 6,20 15 Cr 30 20 25 20 20 20 39 24 49 20 25 20 20 20 20 26 Cu 14 Pb 10 Zn 100 100 100 110 100 100 110 100 64 70 Co 10 11 10 21 5 13 23 11 12 12 10 17 5 7 5 15 22 6 Elementos Terras-raras (ppm) La 130 100 62 87 90 99 47 69 68,20 17,90 81 81 72 96 66 80,40 73 160 Ce 140 160 110 130 150 150 92 110,00 129,4 116,10 130 231 120 160 110 171,10 120 266 Nd 85 65 50 69 63 62 51 47 49,5 49,1 56 75 57 81 59 77,20 54 140 Sm 10,70 9,30 7,70 10,40 8,30 7,80 8,40 6,70 7,90 8,50 8,20 12,20 12,20 12,20 11,30 12,00 8,20 22,40 Eu 2,30 1,7 1,50 2,10 1,70 2,80 1,70 1,40 1,53 1,52 1,40 1,80 1,50 1,80 2,50 1,93 1,70 2,80 Gd 5,97 7,14 Dy 5,19 5,78 Ho 1,24 1,26 Er 3,61 3,98 Yb 3,81 3,92 4 7 3 6 7 6,49 5 10 Lu 0,64 0,63 0,50 0,80 0,40 0,70 1,00 1,04 0,60 1,20 Tm 0,49 0,53 – 35 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil 3 No diagrama multielementar normalizado ao man- Metaluminosos Peraluminosos to primordial essas rochas caracterizam-se por acentuadas anomalias negativas de Nb, Sr, Ti, Sc, Sm e Eu, ausência de anomalias de Y e Yb e aumento dos valores de Rb, Th e U (Figura 2.25). CAG Foram observados, também, enriquecimentos de elementos litófilos de íons grande (LIL), (Rb e Ba); de elementos de alto campo de forças (HFS), (Zr, Hf), e elementos terras-raras leves (ETRL) e acentuada de- pleção em terras-raras pesadas (ETRP) semelhantes aos padrões verificados na suíte calcioalcalina mon- zonítica da Patagônia (Rapela, & Pankhurst, 1996). Peralcalinos 5 0,5 1 2 4,5 Calcioalcalino Al2O3(CaO + Na O + K O) Alto-K2 2 4 Figura 2.21 – Amostras da Suíte Intrusiva Paranaíta plotadas no diagrama de Shand (in Maniar & 3,5 Piccoli,1989). CAG - granitóides de arco continental e 3 IAG - granitóides de arco-de-lha. Calcioalcalino 2,5 FeO Médio-K 2 1,5 1 Toleiíto Toleiítico 0.5 Baixo-K 0 43 45 55 65 75 79 SiO2 (peso%) Figura 2.23 – Amostras da Suíte Intrusiva Paranaíta no diagrama de Le Maitre (1989). Calcioalcalino 1.000 Na2O+K2O MgO Figura 2.22 – Amostras da Suíte Intrusiva Paranaíta no diagrama AFM de Irvine & Baragar (1971). 100 progressão das mineralizações de Au-Cu em dire- ção aos granitóides mais oxidados e fracionados. Os padrões de elementos terras-raras de amos- tras da Suíte Intrusiva Paranaíta mostram comporta- 10 mento muito semelhante, com elevado enriqueci- mento em ETRL em relação ao manto primitivo e me- nor enriquecimento de ETRP. Os padrões são forte- mente fracionados (La/Yb=19) e com anomalia nega- tiva de Eu (figura 2.24). 1 Com base no comportamento de elementos como Sr e Rb, a hipótese de plagioclásio residual parece Figura 2.24 – Diagrama de elementos de terras-raras ser mais adequada para explicar a anomalia negati- normalizado segundo o manto primitivo de Taylor & va de európio dos monzogranitos. McLennan (1985) de amostras da Suíte Paranaíta. – 36 – K2 O (peso%) La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu SC.21-X-C (Alta Floresta) 10.000 Rb/30 1.000 100 10 VAG SYN-COLG 1 113a 155 108 13 1 117a POST-COLG 113c 2c 118 22a 210 123 145 ,01 22d WPG ,001 Hf Ta*3 Figura 2.25 – Diagrama multielementar normalizado Figura 2.26 – Amostras da Suíte Intrusiva Paranaíta no segundo manto primitivo, (Taylor & McLennan 1985), de diagrama de Harris et al. (1986), VAG - granitos de amostras da Suíte Intrusivas Paranaíta (amostras arcos vulcânicos, Syn–Colg-granitos sincolisionais, CC-R-02C, CC-13, CC-14, CC-108, CC-113A, CC-113B, Post-Colg - granitos pós-colisionais e WPG - Granitos CC-117A, CC-123, CC-145, CC-155, CC-156C, CC-210). intraplacas. O enriquecimento em K, Ba, Rb e Th e terras-raras luminoso a levemente peraluminoso, contendo bioti- leves (ETR) sugere fonte híbrida, gerada a partir da ta e hornblenda como minerais específicos, (Barba- refusão de uma placa basáltica subductada numa rin, 1997), híbridos (mistura crosta + manto), posicio- crosta continental e em estreita associação com uma nados numa zona transicional. cunha do manto litosférico subcontinental, em posi- Datação pelo método U/Pb (Santos, 2000), em bio- ção distal da zona de sutura. tita granito pórfiro coletada nas proximidades da Pe- Pelo diagrama de Harris et al. (1986), tendo como dreira de Alta Floresta, forneceu idade de 1.793  parâmetros Hf x Rb/30 x 3 Ta, os granitóides da Suíte 6Ma e idade-modelo TDM de 2.080Ma, e análises iso- Paranaíta plotam o campo de arco vulcânico Grupo I tópicas Sm/Nd, feitas por Pimentel (2000), no Labo- e apenas 2 amostras situam-se no campo ratório de Geocronologia da UnB, no granito porfiríti- pós-colisional (Grupo III) (figura 2.26). co da Pedreira de Alta Floresta (CC-22) revelaram ra- 147 144 143 144 Harris et al. (1986) consideraram a colisão de zões Sm /Nd de 0,1121 e Nd /Nd de placas um evento dinâmico, evoluindo desde está- 0,511584  13 (1l) e idade-modelo TDM de 2.221 Ma, gio inicial de subducção de uma litosfera oceânica com eNd(t) de 1,15, indicação próxima à estabelecida até um período de litosfera continental estabiliza- por Depaolo (1981) o que permite enquadrar esses da, razão pela qual pode existir mais de uma região granitóides dentro de um ambiente evolutivo de arco fonte para os magmas colisionais, havendo geral- magmático em margens continentais. mente a sobreposição entre as assinaturas geoquí- Os dados isotópicos reforçam uma origem híbrida micas dos ambientes tectônicos. Portanto, as intru- para esses granitóides, produtos de uma mistura de sões do Grupo I (arco vulcânico) e III (pós-colisio- componentes mantélicos (Nd>0) e crustal (Nd<0). nal) apresentam similaridades geoquímicas. O Datações U/Pb (JICA/MMAJ, 2000) em monzogra- magmatismo pós-colisional forma suítes calcioal- nitos, situados a 20km a noroeste de Paranaíta (Bloco calinas similares às de arco vulcânico a partir de C), indicaram idades de 1.803  16Ma e 1.801  uma cunha do manto enriquecido em elementos 7,8Ma LIL, em conexão com uma litosfera oceânica sub- ductada, modificada por contaminação com líqui- 2.2.5 Alcalinas Rio Cristalino ( PPlrc) dos da crosta inferior. Os litótipos dessa unidade se colocam no campo Estas rochas foram correlacionadas ao Sienito Ca- dos granitóides orogênicos de arco continental namã, definido por Silva & Issler (1974), na região do (CAG) de Manniar & Piccoli, (1989), com característi- rio Canamã e tido como integrante intrusivo do Grupo ca calcioalcalina de alto potássio, baixo cálcio, meta- Uatumã. – 37 – Li K Rb Cs Ti Pb Ba Th U Nb La Ce Sr Pr Nd Zr Sm Eu Gd Tb Ti Dy Y Ho Er Tm Yb Lu Sc V Zn Cu Ni Cr Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Silva et al. (1980) cartografaram um corpo subcir- cular de natureza alcalissienítica, na Folha SC. 21-X-C (Alta Floresta), na confluência dos rios Teles Pires e Cristalino, semelhante ao descrito no rio Ca- namã, e denominaram de Alcalinas Canamã, com idade Rb/Sr de 1.175  14 Ma. No presente trabalho propõe-se a mudança de de- signação para Alcalinas Rio Cristalino, em razão das suas relações de campo, da datação feita por Santos (2000), no corpo supramencionado, ter indicado ida- de U/Pb de 1.806  3 Ma e dos resultados litogeoquí- micos. Constituem um clã de rochas formadas por si- enitos, quartzo sienitos e riebeckita-egirina sienitos que ocorrem na confluência dos rios Cristalinos e Te- les Pires, leste do Porto da Madeiseik, cerca de 24km Foto 2.10 – Aspecto textural do sienito pegmatóide com a NNE de Alta Floresta, na 1ª vicinal leste. megacristais de anfibólio sódico prismático-tabulares Acham-se reunidas num batólito de aproximada- (com até 4cm de tamanho), pertencente às Alcalinas Rio mente 14km por 7km, em formato elipsoidal, onde os Cristalino ( 2 km a leste do Porto da Madeiseik, no rio seus contatos encontram-se mascarados por cober- Teles Pires, CC- 218). Plano Vertical. turas aluvionares e latossolos argilosos vermelhos, com magnetita disseminada. Em cartas aerogeofísicas, essas rochas respon- No afloramento CC-218, margem direita do rio Te- dem pelas mais expressivas anomalias de K, Th e U les Pires, cerca de 2km a leste do Porto da Madeiseik, (Figuras 2.11, 2.12 e 2.13) da área, tendo sido con- expõe uma brecha de intrusão com “xenólitos” angu- firmados registros de até 1.500 cps (cintilômetro lares de vulcânica ácida, englobada por um riebecki- SPP-2), no domínio do riebeckita-egirina sienito por- ta-egirina sienito (foto 2.9). firítico (CC-218). Estes valores foram acompanha- Associa-se também um sienito pegmatóide (fácies dos também por uma acentuada anomalia magnéti- tardia dessa unidade), contendo megacristais pris- ca (>5,8 nT/m), reflexo do alto conteúdo de magneti- mático-tabulares de anfibólio sódico com até 4cm de ta disseminada em latossolos argiloso, cinza-aver- tamanho (Foto 2.10). melhado, produto da alteração residual dessas ro- Acha-se na sua parte sudoeste em contato, por fa- chas. A partir de análises mineralógicas efetuadas lha transcorrente, com os sedimentos do Grupo Be- em concentrados de bateia, obtidas no âmbito des- neficente. sas rochas, foram detectados fosfatos de estrôncio do grupo da hamlinita (série goiasita-gorceixita-flo- rencita). Os riebeckita-egirina sienitos possuem cor cin- za-avermelhado, textura porfirítica com matriz hipidi- omórfica granular média e estrutura maciça. Os feld- spatos potássicos são predominantemente pertíticos e ocorrem em cristais prismático-tabulares, euédri- cos a subédricos, tanto como pórfiros, como na ma- triz. O plagioclásio é parte essencial da matriz e é in- tersticial ao feldspato potássico. Os minerais máficos formam agregados de megacristais xenomórficos, por vezes poiquilíticos, com inclusões de feldspatos, e estão representados por clinopiroxênios ver- de-limão (egirina) e por anfibólio sódico (riebeckita) azul a verde, atingindo às vezes 4cm de tamanho no sienito pegmatóide (Fotomicrografia 2.4). Entre os Foto 2.9 – Aspecto textural do riebeckita-egirina sienito minerais acessórios ocorrem magnetita e titanita. com megacristais prismático- tabulares, de anfibólio Na fazenda do Cristalino ocorre uma fácies mais sódico pertencente às Alcalinas Rio Cristalino, contendo fina do sienito, com cor vermelha-escura, textura fina xenólitos de rocha vulcânica ácida (2 km de Porto da a média, estrutura maciça, isótropa, constituída es- Madeiseik, rio Teles Pires, CC-218). Plano vertical. sencialmente por feldspato potássico (80%) em cris- – 38 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Fotomicrografia 2.4 – Aspecto textural do Foto 2.11 – Aspecto textural rapakivítico do riebeckita-egirina sienito. quartzo-sienito pertencente às Alcalinas Rio Cristalino, 1ª vicinal leste de Alta Floresta, 700m a norte da entrada tais pertíticos, euédricos e geminados segundo Carl- da fazenda Machado. sbad. O plagioclásio é prismático e intersticial ao feldspato potássico, geminado segundo as leis de calcioalcalino de alto potássico (HKCA), pós-colisio- Albita e Albita-Carlsbad, e aparece associado ao nal, gerador das suítes intrusivas Juruena e Paranaíta quartzo. Entre os minerais de alteração hidrotermal e do Granito Nhandu. Apresentam alto conteúdo de ocorrem sericita, clorita e argilominerais. A magnetita alumínio, revelando um índice agpaítico (AI) = Na + K e fluorita sobressaem entre os minerais acessórios, em torno de 0,67, bem abaixo do revelado para as ro- que contam ainda com zircão e apatita. chas alcalinas típicas (>1). Com aumento de quartzo estes termos petrográfi- Pelo diagrama multielementar (figura 2.27), nor- cos passam para quartzo sienitos, distribuídos a sul malizado no manto primordial, as amostras mostram do Porto da Madeiseik (CC-6), de cor marrom-aver- um enriquecimento em elementos com alto campo melhada com manchas verdes-escuras, textura gra- de forças (HFS) como Zr, P, Nb. Th, U e empobreci- nular média-grossa rapakivítica (foto 2.11), estrutura mento de Ti e elementos LILE (Sr e Ba), sugerindo isótropa, de composição quartzo-feldspática. O feld- uma maior participação de fontes mantélicas na ge- spato potássico mostra-se tabular, xenomórfico e ração dessas rochas. pertítico. O plagioclásio é tabular, subidiomórfico a xenomórfico e intersticial ao feldspato potássico. O quartzo é xenomórfico, intersticial aos feldspatos e 2175-CC-R-218B CC-R-0610.000 forma mosaicos de cristais fraturados, ora imbrica- dos ora tangenciais entre si. Como minerais de alte- 1.000 ração hidrotermal aparecem clorita em agregados lamelares e carbonato e fluorita em vênulas preen- chendo fraturas e clivagens nos feldspatos. Como 100 minerais acessórios destacam-se magnetita, titanita, apatita e zircão. 10 Os resultados químicos demonstram que as amos- tras analisadas são homogêneas, têm filiação coge- nética, com os seguintes valores: SiO2, variando de 1 61 a 62,58%; e os de MgO de 0,06% a 0,66%; Na2O 6,75% a 8,16%; Al2O3 16,01% a 16,38%; e CaO de ,1 0,27% a 2,39%, assemelhando-se aos resultados das alcalinas pós-colisionais de Mali (África) (Liége- ois et al., 1998). ,01 Estas rochas derivam de um magmatismo alcalino caracterizado por alto conteúdo de Na2O, ratificado Figura 2.27 – Diagrama multielementar normalizado pela presença de minerais ferromagnesianos sódi- segundo o manto primitivo (Taylor & McLennan, 1985), cos (egirina e riebeckita), vinculado ao magmatismo aplicado às Alcalinas Rio Cristalino. – 39 – Li K Rb Cs Ti Pb Ba Th U Nb La Ce Sr Pr Nd Zr Sm Eu Gd Tb Ti Dy Y Ho Er Tm Yb Lu Sc V Zn Cu Ni Cr Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Os padrões de elementos terras-raras de duas O cenário geodinâmico é similar para a geração amostras dessa unidade, normalizadas ao manto pri- de rochas alcalinas, calcioalcalinas alto potássio mitivo (Figura 2.28) revelaram um elevado enriqueci- (HKCA) e shoshoníticas, apresentando, no entanto, mento em ETRL e, depleção em ETRP, relação fontes geradoras distintas: placa subductada modifi- La/Yb=14 e uma pequena anomalia negativa de eu- cada na litosfera superior gerando rochas shoshoníti- rópio, indicativos do fracionamento de plagioclásio, cas (HKCA). Já a litosfera inferior enriquecida e aste- num líquido silicático durante a evolução de um mag- nosfera constituem o núcleo gerador das rochas al- ma parental mais máfico. calinas, relacionadas principalmente à intensidade Segundo Liégeios et al. (1998) o magmatismo cal- de delaminação e/ou tectônica litosférica, semelhan- cialcalino de alto potássio (HKCA), próprio do Grani- te às fontes geradoras dos granitóides de Madagas- to Nhandu e da Suíte Juruena, apresenta ampla dis- car, derivados do manto litosférico potássico, e para tribuição, areal e maior volume, compatíveis com am- as rochas alcalinas associadas, uma proveniência biente pós-colisional, originário de uma subducção da litosfera inferior/astenosfera (Nedelc et al., 1995). oblíqua, balizada por profundas zonas de cisalha- Silva et al. (1974), com apoio de Basei (1974), pro- mento transcorrente. Já o magmatismo alcalino ocor- puseram para o sienito Canamã idade de 1.200 Ma re restrito, em volume menor e é ligado a profundas Basei (1974) conseguiu determinar uma isócrona falhas litosféricas, demarcando o fim do período verdadeira em rocha total, pelo método Rb/Sr, com 87 86 pós-colisional. razão inicial Sr /Sr do 0,705, obtendo uma idade Os granitóides HKCA geralmente são resultantes de 1.175  14 Ma. da subducção e desidratação de uma placa oceâni- Tassinari & Teixeira (1978) obtiveram idade K/Ar ca, provocando um metassomatismo potássico ou de 1.169  57 Ma, no sienito da Folha Aripuanã hibridização do manto litosférico subjacente e permi- (SC.21-Y-A), tido como Alcalinas Canamã. tindo a geração de magmas potássicos (Foley, Silva et al. (1980) conseguiram uma isócrona Rb/Sr 1992). Portanto, zonas do manto ricas em potássio de 1.332  29 Ma, no sienito do rio Cristalino (Folha vão gerar as séries HKCA (Suíte Juruena) e até as sé- Alta Floresta), onde (Santos, 2000), obteve idade ries shoshoníticas (Granito Nhandu). Liégeois et al. U/Pb de 1.806  3 Ma, o que acarretou a mudança de (1998) propuseram, para o magmatismo alcalino, um Alcalina Canamã para Alcalinas Rio Cristalino, apro- enriquecimento localizado da litosfera inferior e topo ximando este evento ao magmatismo calcioalcalino da astenosfera, atingida por falhas litosféricas (me- alto potássio (HKCA) pós-colisional do Arco Juruena. gazonas de cisalhamento) profundas e delaminação litosférica, permitindo a ascensão localizada da aste- 2.2.6 Intrusivas Básicas Guadalupe (PPg) nosfera enriquecida. Stocks, diques e sills de diabásios, gabros e diori- tos de idade neoproterozóica foram cartografados 2175-CC-R-218B CC-R-06 1.000 por Barros et al. (1994) na região de Peixoto de Aze- vedo/Matupá, relacionando-os ao magmatismo ano- rogênico da Região Amazônica. Moura (1998) identificou diques de diabásio porfi- rítico, intrusivos no Granito Matupá, portadores de 100 assinatura geoquímica semelhante aos toleiítos con- tinentais, tipo basaltos de médio potássio, subalcali- nos, parecidos com as lavas de margem continental primitiva, e os correlacionou aos diques paleoprote- rozóicos intrusivos no Maciço de Goiás (Kuyumjian, 10 1998). A denominação Intrusivas Básicas Guadalupe é proposta neste projeto para designar um clã de cor- pos básicos, representados por gabros, microga- bros, diabásios e dioritos porfiríticos a eqüigranula- 1 res, relacionados com os granitóides das suítes Pa- ranaíta e Juruena, e da Suíte Colíder, como uma mis- Figura 2.28 – Diagrama de elementos de terras-raras, tura de magmas ou na forma intrusiva, controlados às normalizado segundo ao manto primitivo, (Taylor & vezes por fraturas extensionais (N50E) ou falhas McLennan 1985), aplicado às Alcalinas Rio Cristalino. transcorrentes NW-SE a E-W. – 40 – La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu SC.21-X-C (Alta Floresta) Acham-se distribuídos a sudoeste de Alta Floresta, cronológica próxima desses granitos, em torno de na comunidade Nossa Senhora de Guadalupe (área- 1,8Ga. tipo), numa área peneplanizada e dissecada, onde ocorrem gabros (CC-261) que transicionam para dio- 2.2.7 Granito Nhandu (Ppgn) ritos pórfiros (fazenda Cachoeirinha, próximo à Pe- dreira de Alta Floresta), formando um stock nos gra- Acha-se distribuído em áreas anteriormente carto- nitos porfiríticos da Suíte Intrusiva Paranaíta. Foram grafadas como rochas gnáissicas do Complexo Xin- encontrados enclaves de diorito pórfiros insertos gu e vulcânicas da Formação Iriri e Granito Teles Pi- nesses granitos, como acontece na Pedreira de Alta res (Silva et al., 1974; Silva Neto et al, 1980 e Silva et Floresta (CC-22). al, 1980). O gabro apresenta cor cinza-escuro-esverdeado, O termo Granito Nhandu foi introduzido por Souza textura granular média, estrutura maciça e é com- et al. (1979) para representar granitóides porfiríticas posto de hornblenda verde, em cristais primáti- com matriz fanerítica, de composição granodioríti- co-tabulares, dispostos em agregados e substitui os ca-tonalítica, coloração cinza-clara, textura pseu- clinopiroxênios. O plagioclásio é prismático, subidio- do-rapakivítica e estrutura isótropa, distribuídos em mórfico e parcialmente saussuritizado. O clinopiro- corpos subcirculares, no médio curso do rio Nhandu, xênio acha-se envolto por hornblenda. O quartzo e o separados dos gnaisses e migmatitos do Complexo feldspato potássico são intersticiais. A biotita, epído- Xingu por essas feições peculiares. to, sericita, carbonato e pirita são produtos de altera- No presente trabalho é mantida a denominação ção hidrotermal e a titanita, magnetita e apatita cons- Granito Nhandu para designar uma unidade consti- tituem minerais acessórios. tuída por batólitos e stocks graníticas elipsoidais, O diorito pórfiro é verde-escuro com manchas cin- epizonais, discordantes a subconcordantes. Ocor- zas, textura porfirítica, e compõe-se de cristais de rem ainda fácies subvulcânicas, na forma de diques hornblenda, prismático-tabulares, imersos numa ma- e sills. triz de plagioclásio, em cristais subidiomórficos, poli- Os litótipos plutônicos são constituídos de magne- gonizados, parcialmente saussuritizados; o clinopi- tita-biotita granitos, magnetita-biotita monzogranitos roxênio acha-se também em parte substituído pela e sienogranito cinza-avermelhados a rosados, finos a hornblenda. Os mesmos minerais secundários e grossos, eqüigranulares a porfiríticos, com enclaves acessórios detectados no gabro acham-se presen- de dioritos e quartzo monzodioritos. As fácies subvul- tes no diorito. De modo subordinado, ocorre horn- cânicas são mais restritas e formadas por granitos fi- blenda clinopiroxenito (CC-25), na 1ª vicinal oeste de nos a microquartzo monzodioritos, granófiros, eqüi- Alta Floresta, formado por megacristais poiquilíticos granulares a porfiríticos. de hornblenda com até 3cm de tamanho, incluindo Os batólitos e stocks acham-se aglutinados entre plagioclásio, epidoto, titanita, e clinopiroxênio (subs- si, devido à dificuldade de separá-los individualmen- tituído por tremolita/actinolita). te em razão da escala cartográfica adotada. Foram Foram relacionados, também a esta unidade, reunidos num complexo intrusivo alongado na dire- stocks e diques de diabásios porfiríticos associa- ção E-W, concentrado principalmente na parte su- dos aos granitóides subvulcânicos Nhandu, na re- deste da folha, norte/nordeste de Carlinda e Gleba gião do Trairão (CC-67) e nas subvulcânicas Colí- Nhandu (área-tipo), com limite sul nas cercanias da der em Novo Sonho (CC-187), onde exibem textura cidade de Carlinda. Seus contatos são francamente microporfirítica, com matriz subofítica fina e estru- intrusivos ou através de zonas de cisalhamento dúctil tura maciça. Compõe-se por fenocristais tabulares E-W a ESE-WSW, com os ortognaisses do Complexo e xenomórficos de clinopiroxênio, com bordas Cuiú-Cuiú e supostamente intrusivo em granitóides substituídas por hornblenda verde-pálido, distribu- da Suíte Juruena; a norte faz contato transicional com ídos numa matriz de plagioclásio, em cristais ripi- as rochas subvulcânicas da Suíte Colíder; a oeste en- formes euédricos, fortemente saussuritizados. O globa os granitóides da Suíte Paranaíta, bem docu- quartzo e o feldspato potássico formam intercres- mentado na 4ª leste de AF (Alta Floresta) e em conta- cimentos gráficos e mirmequíticos. Como minerais to tectônico com as Alcalinas Rio Cristalino. Outros acessórios destacam-se magnetita, titanita, apati- três corpos foram cartografados: o primeiro a sul de ta e zircão. Alta Floresta, saída para a pista do Cabeça (CC-9 e Como essas rochas acham-se intimamente asso- CC-10), que engloba parcialmente granitóides da ciadas aos granitóides da Suíte Paranaíta, ocorrendo Suíte Paranaíta e faz contato tectônico com o Granito ora como diques e stocks, ora na forma de encla- São Pedro; o segundo ocorre na vicinal 2ª Leste de ves/megaenclaves, pode-se inferir uma idade geo- Paranaíta (fazenda do Alípio CC-112 e CC-114), en- – 41 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil volvendo os granitóides da Suíte Paranaíta. E o último provavelmente, de um magma granítico hidratado acha-se tectonicamente colocado entre camadas de com alta taxa de fugacidade de oxigênio, com carac- sedimentos do Grupo Beneficente, nas fazendas Ca- terísticas metalogenéticas enriquecidas em sulfetos e choeira e Vaca Branca (CC-283 e CC-289). Au. Já nos mapas gamaespectrométricos revelaram Esses granitóides apresentam diferentes estágios altos valores no canal de K e às vezes no de Th. deformacionais, predominando tipos isótropos a Constitui-se predominantemente de magneti- pouco deformados, interrompidos às vezes por de- ta-biotita granito, biotita-hornblenda granito, magne- formação rúptil a rúptil-dúctil confinada, caracteriza- tita-biotita monzogranito, magnetita-biotita-hornblen- da por zonas de cisalhamento transcorrente com es- da monzogranito e sienogranitos. São rochas cin- pessuras milimétrica a centimétrica (Linha 19/norte za-avermelhados a cinza rosados, com textura eqüi- de Carlinda CC-316), onde fraturas de cisalhamento granular a porfirítica fina a grossa (foto 2.13), e estru- sinistral N70W foram nuclearizadas, gerando zonas tura isótropa. de cisalhamento confinadas, em função do amoleci- Apresentam anisotropias somente nas proximida- mento do granito pela entrada de soluções hidroter- des de contato ou falha. Foram ainda encontrados mais. No contato com os ortognaisses e anfibolitos sills e stocks de rochas máficas representadas por do Complexo Cuiú-Cuiú apresentam-se mais defor- gabrodioritos pórfiros (CC-298) e gabros. mados, com o desenvolvimento de foliação miloníti- A composição modal representada no diagrama ca (N20W/70SW) e estrutura tipo “rabo-de-cavalo”, QAP (Figura 2.29), baseada nos resultados mineraló- indicativas de uma zona de cisalhamento transcor- gicos contidos na Tabela 2.9, evidencia uma homo- rente dúctil dextral, observadas no leito do rio Teles geneidade composicional variando de monzogranito Pires (CC-334) (foto 2.12). a sienograníto, com quartzo-diorito e quartzo-monzo- Em cartas aerogeofísicas responde com acentua- diorito (enclaves) subordinados. As rochas granitói- das anomalias magnéticas positivas, refletindo alto des são claramente predominantes, mas a ocorrên- conteúdo de magnetita disseminada (acima de 1% do cia de enclaves e sills básicos associados é indicati- volume de rocha), enquadrando-os na classificação va de possível mistura de magmas ou atividade mag- de granito a magnetita de Ishihara (1981). É originado, mática bimodal. Os estudos petrográficos mostraram uma composi- ção mineralógica à base de feldspato potássico (per- tita) + plagioclásio + quartzo + biotita  hornblenda  magnetita, geralmente acompanhados de clorita  epidoto  sericita  argilominerais  carbonatos, pro- dutos de alteração hidrotermal. Minerais opacos  al- lanita  titanita  muscovita  fluorita  zircão  apatita  granada, aparecem como minerais acessórios. Foto 2.12 – Estrutura tipo “rabo-de-cavalo”, contida numa zona de cisalhamento transcorrente dextral antitética de direção N-S, que demarca o Granito Nhandu e Foto 2.13 – Aspecto textural porfirítico do Granito subvulcânicas andesíticas associadas. Lajedo no leito do Nhandu; leito do rio Teles Pires, próximo da Ilha de rio Teles Pires a leste do Porto da Vicinal D (Carlinda). Carlinda (CC-340). – 42 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.9 - Composição modal (%) de amostras do Granito Nhandu. Amostras Minerais Quartzo 20 20 20 25 25 25 20 20 10 20 20 8 12 18 25 30 30 30 20 20 20 25 20 25 20 30 25 K - Feldspato 45 37 34 34 30 39 41 55 12 35 35 35 25 59 35 36 29 37 41 43 57 30 38 36 58 36 36 Plagioclásio 20 25 20 20 26 15 20 15 59 28 30 40 37 15 30 25 30 15 15 15 10 20 20 25 15 25 25 Biotita 5 5 10 10 2 5 8 2 1 2 3 3 2 2 2 5 5 2 2 1 10 5 2 1 1 3 Hornblenda 5 1 1 5 5 5 Sericita 1 1 2 3 2 2 2 2 2 3 2 2 3 2 2 1 2 1 2 2 1 2 1 2 1 1 1 Clorita 2 2 1 5 3 1 3 3 5 3 3 10 1 4 2 5 8 3 2 5 3 2 3 Epidoto 3 3 4 3 5 3 4 2 4 3 5 4 5 1 3 2 2 2 3 3 3 2 5 Carbonato 2 tr tr 1 tr tr 1 tr tr tr tr 1 tr Argilominerais 2 1 1 1 2 1 1 3 2 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 1 Allanita 1 tr tr tr tr tr tr tr tr Zircão tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr Apatita tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr 1 tr tr tr tr tr tr tr tr Opacos 3 1 2 tr 3 2 tr 1 1 1 2 2 2 1 tr 10 4 3 2 3 3 1 1 1 10 Titanita 1 2 2 2 tr 1 tr tr 2 tr tr 1 2 1 tr 1 1 1 1 3 2 tr tr 1 1 Granada 1 tr tr 2 Muscovita 5 5 3 1 Fluorita tr tr tr tr – 43 – C C - 9 C C - 1 0 C C C - 1 0 B C C - 1 0 A C C - 2 4 C C - 3 7 C C - 5 4 C C - 5 8 A C C - 5 8 B C C - 6 6 D C C - 6 7 F C C - 6 7 G C C - 7 6 C C - 7 7 C C - 8 0 A C C - 1 1 1 C C - 1 1 2 C C - 2 1 8 C C - 2 8 3 C C - 2 8 9 C C - 2 8 9 A C C - 2 9 7 C C - 3 0 0 C C - 3 0 1 A C C - 3 1 1 C C - 3 3 4 A C C - 3 3 4 B Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Q monzodioritos (CC-58B) associados a esses litóti- pos. Os sienogranitos distribuem-se em posição de transição às fácies descritas anteriormente, em meio a relevo subondulado a subaplainado, com litossolo vermelho bordeaux rico em magnetita e com valores radiométricos variando de 80 a 100cps (fazendas Cachoeira - CC-283 e Vaca Branca - CC-289). Petro- graficamente caracterizam-se por apresentarem co- loração vermelho-escura com manchas verdes, composição quartzo-feldspática, textura porfirítica com matriz granular média a fina granofírica e estru- tura isótropa (foto 2.15). Os pórfiros são de feldspato potássico, plagioclá- sio e quartzo. Os de feldspato potássico mostram-se pertíticos, tabulares, subédricos e ocorrem em maior A P abundância; os de plagioclásio aparecem prismáti- co-tabulares, euédricos e alterados para saussurita e Figura 2.29 – Amostras do Granito Nhandu no diagrama QAP, de Streckeisen (1976). Essas rochas são essencialmente quartzo-feldspáti- cas de composição granítica/ monzogranítica/sieno- granítica, subsolvus, portadoras de textura eqüigra- nular a porfirítica, fina a grossa e estrutura isótropa. Os magnetita-biotita granitos ocorrem na saída sul de Alta Floresta (CC-9) e nos arredores de Carlinda e apresentam coloração marrom avermelhada, textura granular média a grossa, às vezes porfirítica, repre- sentada por cristais de feldspato potássico pertítico (Or75-Ab25), prismático-tabulares e xenomórficos; o plagioclásio aparece tabular, subidiomórfico; o quartzo acha-se, às vezes, azulado e é intersticial aos feldspatos; a biotita é verde, lamelar e geralmen- Foto 2.14 – Aspecto textural eqüigranular do te alterada para clorita; a magnetita é freqüente e en- monzogranito, fazenda do Japonês, NE do Porto da F13 riquecida nas fácies mais deformadas (protomiloníti- (vicinal de Carlinda). co) e nos termos subvulcânicos. Os magnetita-biotita monzogranitos distribuem-se na forma de blocos e matacões subovalados num re- levo subaplainado, dominado por um litossolo argilo- so cinza-avermelhado, rico em magnetita. Apresen- tam textura eqüigranular média a grossa, formada predominantemente por cristais de feldspato potás- sico pertítico, com cerca de 1cm de tamanho (Foto 2.14), às vezes poiquilíticos com inclusões de plagio- clásio e quartzo; hornblenda ocorre em cristais ver- des a azulados, prismático-tabulares e em agrega- dos máficos com a biotita, clorita e titanita (CC-300); o plagioclásio apresenta-se prismático-tabular, zo- nado e hipidiomórfico; o quartzo é xenomórfico, fratu- rado e forma mosaicos de cristais tangenciais e im- bricados entre si. Foram observados, ainda, encla- Foto 2.15 – Sienogranito pórfiro granofírico - Granito ves de quartzo-monzonitos (CC-76) e hornblenda Nhandu, fazenda Vaca Branca (CC-289). – 44 – SC.21-X-C (Alta Floresta) os de quartzo apresentam-se xenomórficos, amebói- As condições de posicionamento, forma e estilo des e com golfos de corrosão pela matriz. A matriz é estrutural indicam tratar-se de corpos intrusivos, de essencialmente quartzo-feldspática, tipicamente forma elipsoidal a alongada, subconcordantes às es- granofírica, com pertitas graficamente intercrescidas truturas regionais. com quartzo. A biotita verde aparece em agregados A ocorrência de biotita verde sugere uma tempera- lamelares parcialmente cloritizada. Nota-se a fre- tura de cristalização baixa ou diminuição na concen- qüente disseminação de sulfetos (pirita e calcopirita) tração de Ti, associada a níveis crustais superiores. nesse litótipo. A fácies subvulcânica aliada às outras evidências Entre os termos subvulcânicos, posicionados ge- ratificam o desenvolvimento de um evento magmáti- ralmente em zonas apicais, cúpulas de stocks ou ba- co marcado por condições epizonais de estilo per- tólitos graníticos dessa unidade, destacam-se mon- missivo. Os estudos desses litótipos evidenciaram zonitos finos porfiríticos granofíricos (CC-67G), mon- padrão de série magmática calcioalcalina alto potás- zogranitos microporfiríticos (CC-67F) com sulfetos sio com tendência shoshonítica, metaluminosa a pe- disseminados, como ocorrem nas cercanias do ga- raluminosa, pós-colisional, com características tex- rimpo Trairão, localmente alterados para greisen. Ao tural e estrutural compatíveis com os granitos de ar- longo do perfil realizado no rio Teles Pires, partindo cos vulcânicos, assemelhados às intrusões calcioal- do porto da vicinal F1 (Carlinda) em direção à foz calinas de margens continentais ativas e modernas. com o rio Cristalino, foram detectadas 3 faixas de ro- A série shoshonítica sugerida por Joplin (1968) en- chas subvulcânicas: a primeira, na ilha Altair globa rochas com alto teor de K2O. Para Wilmot (CC-332), com largura aproximada de 2km, em con- (1972) citado em Hughes (1982) a definição química tato com granito grosso ineqüigranular, é constituída de shoshonitos refere-se essencialmente a rochas al- de micromonzodiorito com textura subofítica fina, for- calinas com razão K2O/Na2O próxima ou maior que 1, mado dominantemente de plagioclásio, clinopiroxê- além de baixos valores de TiO2. Morrison (1980) res- nio, hornblenda e feldspato potássico afetado de in- tringiu este termo para séries de rochas saturadas tensa alteração hidrotermal, com acentuada quanti- em SiO2 e suas características químicas. Os resulta- dade de sulfetos e magnetita (10%). As outras duas dos químicos desses litótipos (Tabela 2.10) evidenci- faixas ocorrem a noroeste do porto da F13 (Carlinda) aram alto conteúdo de SiO2 (~69%) e enriquecimento e na ilha da Ilusão (CC-337), ambas compostas por em K2O (3,92-6,16%), que aliados às suas caracte- granitos finos porfiríticos localizados nas bordas dos rísticas mineralógicas levaram a classificá-los como corpos batolíticos do Granito Nhandu. granitóides subsolvus e associação potássica, com Os enclaves ocorrem na forma de pequenos cor- tendência shoshonítica evidenciada pelos seus prin- pos oblatos centimétricos, inseridos em contato níti- cipais parâmetros químicos, entre os quais sobres- do nos granitóides, apresentando trend composicio- saem: altos conteúdos de K2O + Na2O > 5% e Al2O3 > nal de diorito, quartzo-diorito até monzodiorito, ricos 9%; alta razão K2O/Na2O > 1%; baixos teores de em plagioclásio, hornblenda e biotita (foto 2.16). TiO2<1,3% e enriquecimento em Ba, Rb, Sr, P e ter- ras-raras leves. Esses parâmetros preenchem os requisitos neces- sários à caracterização de séries magmáticas shos- honíticas, propostas por Joplin (1968); Hughes (1982) e Nardi (1986). A tendência shoshonítica é realçada ainda pela análise dos diagramas SiO2 versus K2O (figura 2.30) de Rickwood (1989) e Ce/Yb versus Ta/Yb (figura 2.31) de Pearce (1982). A partir do diagrama de Harris et al. (1986), tendo como parâmetros Hf x Rb/30 x 3Ta (figura 2.32), es- ses granitóides plotaram o campo de arco vulcânico, com uma amostra situando no limite pós-colisional. Harris et al. (1996) consideraram a colisão de placas um evento dinâmico, razão pela qual as assinaturas Foto 2.16 – Enclave de quartzo-diorito no granito geoquímicas entre terrenos de arco vulcânico e o Nhandu, próximo da Ilha Regina, leito do rio Teles Pires magmatismo pós-colisional são parecidas, gerando (CC-330). Plano horizontal. entidades calcioalcalinas assemelhadas. – 45 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Tabela. 2.10 – Análises químicas de elementos maiores, traços e terras-raras, em amostras do Granito Nhandu, Folhas Ilha 24 de Maio, Alta Floresta (CC) e Vila Guarita (LM e GM). AMOSTRAS LM-08 LM-165 GM-13 GM-75 CC-10a CC-10C CC-66D CC-297 CC-311 Elementos Maiores (%) SiO2 69,21 6965 6973 67,97 68,40 69,78 68,44 66,36 68,49 TiO2 0,32 0,81 0,47 0,80 0,41 0,27 0,45 0,97 0,52 Al2O3 14,74 12,71 14,21 14,97 15,39 15,51 15,01 13,66 13,76 Fe2O3 2,32 4,38 2,55 3,40 2,56 1,76 3,00 4,97 4,71 MnO 0,05 0,10 0,08 0,10 0,07 0,04 0,10 0,08 0,08 MgO 0,85 0,81 0,58 0,85 0,50 0,33 0,64 1,07 0,37 CaO 1,69 1,32 1,18 0,68 2,39 1,43 1,60 2,34 0,94 Na2O 4,24 3,80 3,78 3,92 3,78 3,72 4,39 3,37 3,20 K2O 3,92 5,20 5,28 5,42 4,77 5,39 4,14 5,09 6,16 P2O5 0,16 0,17 0,13 0,18 0,29 0,12 0,19 0,45 0,05 P.F. 1,09 0,00 0,67 1,26 0,36 0,67 0,90 0 0 Total 98,59 98,95 98,66 99,55 98,92 99,02 98,86 98,36 98,28 K2O/Na2O 0,92 1,37 1,40 1,38 1,26 1,45 0,94 1,53 1,92 Elementos-Traço (ppm) Rb 132 174 260 226 151 262 193 145 94 Sr 589 62 148 136 304 282 365 207 136 Y 18 73 40 68 28 32 29 76 29 Zr 244 742 501 753 466 298 260 1618 1547 Nb 18 28,6 35 37 21 33 25 23,3 10,2 Ba 1.400 763 690 1.000 1.500 1.300 1.600 1.152 1.296 Th 22 23,82 29 41 30 37 17 17,8 7,1 U 6 6.80 7 9 3 4 3 3 1,8 Cr 0 20 25 27 0 Cu 8 30 11 Pb 14 3 3 Zn 188 100 110 87 49 Co 4 6 6 4 Zr/TiO2 0,0762 0,0916 0,1066 0,0941 0,1137 0,1104 0,0578 0,1668 0,2975 Elementos Terras-raras (ppm) La 39 125,20 86 130 110 79 45 172,3 45,3 Ce 67 258,90 160 241 180 130 76 338,2 104,6 Nd 23 107,30 56 97 81 54 35 153,1 46,7 Sm 2,9 17,20 8 15,3 7 10 5,5 22,9 7,2 Eu 0,6 2,02 0.9 1,8 1,9 1,2 1,3 3,21 2,66 Gd 14,60 17,18 6,28 Tb 2,06 1 2 2,29 0,79 Dy 13,52 13,02 5,19 Ho 2,47 2,71 1,15 Er 8,25 8,41 3,53 Yb 7,88 4 7 2 2 3 7,35 3,44 Lu 1,15 0,6 1 0,3 0,4 0,4 1,07 1,07 Tm 1,07 1,06 0,50 Ce/Yb(N) 8,51 10,36 8,92 23,32 16,84 6,56 11,92 25,33 La/Yb(N) 10,72 14,51 12,54 37,13 26,70 10,13 15,83 28,58 – 46 – SC.21-X-C (Alta Floresta) 7 Esses granitóides são calcioalcalinos alto potás- 6 sio, (figura 2.33), metaluminosos a peraluminosos, hí-Shoshonítico bridos, afetados por contaminação crustal, 5 pós-orogênicos (figura 2.34), segundo Maniar & Pic- coli (1989). 4 Alto-K Essa peraluminosidade da série shoshonítica, se- Calcioalcalino gundo Eklund et al. (1998), pode ser explicada em 3 função do aumento do conteúdo de SiO2, que supera Médio-K 65% nesse caso. 2 Calcioalcalino Os resultados analíticos mostraram altos valores de Ba (763-1.600ppm), Rb (94-262ppm) e Sr (62-589 1 Baixo-K ppm) e baixos valores para Nb (10-37ppm) (Tabela Toleiíto 2.10), compatíveis com os valores estabelecidos por 0 43 45 55 65 75 79 Nardi (1986) para as séries shoshoníticas, similares SiO2(peso%) aos obtidos nos granitóides potássicos pós-colisio- Figura 2.30 – Amostras do Granito Nhandu no gráfico nais do leste da África (Küster et al., 1998), diferindo, K2O vs. SiO2, modificado por Rickwood (1982). 1.000 FeO Shoshonítico 100 LM-57 CC-37A Toleiítico CC297 CC-10CGM-13 LM-165 GM-75 CC-311 CC-66D HG-R5B 10 Calcioalcalino Calcioalcalino Toleiíto 1 ,01 ,1 1 10 Ta/Yb Na2O+K2O MgO Figura 2.31 – Diagrama de Pearce (1982), aplicado às Figura 2.33 – Amostras do Granito Nhandu no diagrama amostras do Granito Nhandu. AFM de Irvine & Baragar (1971). Rb/30 3 Metaluminosos Peraluminosos 2 POG Sincolisional Granitos de Pós-Colisional Arco Vulcânico 1 Peralcalinos Intraplaca 0,5 1 2 Hf Ta*3 Al2O3(CaO + Na2O + K2O) Figura 2.32 – Discriminação do ambiente geotectônico Figura 2.34 – Índice de Shand modificado por Maniar & do Granito Nhandu com base no diagrama de Harris et Piccoli (1989), com amostras do Granito Nhandu. POG - al. (1986). granitos pós-orogênicos. – 47 – Ce/Yb K2O(peso %) Al2O3(Na2O + K2O) Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil no entanto, do quimismo registrado pelos granitos Silva et al. (1980) reuniram na Folha Juruena tipo A, que encerraram baixos valores de Ba, Sr, P e (SC.21) um conjunto vulcânico ácido intermediário altos valores de Nb. (riolitos, riodacitos, dacitos, andesitos, ignimbritos, Os padrões de elementos terras-raras (ETR) obti- aglomerados vulcânicos e piroclásticas), rochas se- dos a partir de três amostras desta unidade, mostra- dimentares e o Granito Teles Pires, denominando-os ram-se consistentes, evidenciando enriquecimento de Grupo Uatumã, termo herdado da Série Uatumã de elementos terras-raras leves (ETRL) e depleção de Oliveira & Leonardo (1940). em elementos terras-raras pesadas (ETRP) com mo- A extensiva distribuição de rochas vulcânicas fél- derada anomalia negativa de európio (figura 2.35), sicas na plataforma amazônica, conduziu os primei- semelhantes aos estabelecidos para o magmatismo ros pesquisadores a considerar um modelo único de calcioalcalino alto potássico, vinculado a ambiente derrame fissural continental de ambiente extensio- pós-colisional (Küster, op cit.). nal. O avanço do conhecimento geológico mostrou Ainda não se dispõe de datação geocronológica que esse vulcanismo ou plutono-vulcanismo, consti- dessa unidade, mas pelas suas relações de contato, tuintes dos Grupos Uatumã/Iriri têm idades, ambien- geralmente intrusivo em granitóides da Suíte Parana- tes, metalogênese e estruturas distintas que permi- íta, cuja idade, pelo método U/Pb, oscilou em torno tem vincular sua evolução a arcos magmáticos pluto- de 1,8Ga, conferindo-lhe uma evolução pós-colisio- no-vulcânicos, soldados entre si, associados a domí- nal, caracterizada por volumoso magmatismo calcio- nios temporal e espacialmente diferenciados, com alcalino de alto potássio. idades sucessivamente decrescentes, sendo as mais antigas na parte nor-nordeste do Cráton Ama- zônico e as mais novas, na parte sul-sudoeste, aban- 2.2.8 Suíte Colíder (PPc) donando, deste modo, o modelo de derrame fissural continental extensivo à toda plataforma amazônica. Compreende o vulcanismo ácido que ocorre no Neste contexto, a faixa vulcânica, ora em estudo, flanco meridional da Serra do Cachimbo, na base do apresenta-se ligada ao arco plutono-vulcânico Ju- Grupo Beneficente. Anteriormente foi denominado ruena, erigido entre 1,85 a 1,75Ga., com os termos de Grupo Iriri, termo introduzido por Forman et al. vulcânicos ácido-intermediários reunidos neste pro- (1972) para representar as rochas vulcânicas e plu- jeto com a designação de Suíte Colíder. Apresenta tônicas ácidas, distribuídas ao longo do rio Iriri. idade isocrônica U/Pb variando de 1,80Ga. a Andrade et al. (1978) adotaram a designação de 1,77Ga., e evolução sincronizada com as suítes gra- Grupo Iriri, subdividindo-o em Formação Iriri (vulca- níticas calcioalcalinas de alto potássio (Paranaí- no-clásticas) e Formação Salustiano (derrames áci- ta/Juruena/ Nhandu), sendo mais jovem do que as dos), na região do Tapajós. vulcânicas do Grupo Iriri, cujas idades Pb-Pb situa- ram entre 1,877 Ma e 2,001 Ma (Lamarão et al., 1999 e Vasquez, 1998). 1.000 Entre seus componentes principais, destacam-se derrames de lavas ácidas riolíticas vitrofíricas e mi- croporfiríticas, riodacitos e dacitos, e lavas interme- diárias andesíticas, porfiríticas, com freqüentes inter- 100 calações de depósitos piroclásticos e epiclásticos, tendo como seção tipo, a estrada para a Pedra For- mosa, localizada a sul da cidade de Colíder, na Folha 10 Vila Guarita. Ocorre também, intimamente associado a esses derrames, uma fácies transicional, represen- tada por intrusões muito rasas, epizonais, formadas 1 de microgranitos, microquartzo-monzonitos, micro- monzonitos, porfiríticos, encimados às vezes por granófiros e riolitos, riodacitos e dacitos, pórfiros, si- 0,1 tuados em zonas apicais, destituídos de textura de fluxo e sem evidências de derrames, formando ex- tensos pacotes homogêneos. Figura 2.35 – Padrão elementos terras-raras normalizado A Suíte Colíder constitui uma ampla faixa que atra- pelo manto primitivo de Taylor & McLennan (1985) de vessa a parte norte dessa folha, na direção E-W a amostras do Granito Nhandu (LM-R-165, LM-R-57, WNW-ESE, entre a borda sul da serra do Cachimbo e – 48 – La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu SC.21-X-C (Alta Floresta) os rios Teles Pires e o ribeirão Rochedo. Sobrepõe-se por fenocristais prismático-tabulares de plagioclásio aos termos plutônicos identificados como Granito e de feldspato potássico pertítico e de quartzo com Nhandu, a Suíte Paranaíta (NW de Paranaíta) e a Suí- bordas de corrosão, envoltos numa matriz microcris- te Juruena (parte oeste). É interceptada e invadida talina. Localmente apresentam estrutura de fluxo, por stocks e batólitos do Granito Teles Pires, como como observado na estrada para o distrito do Novo acontece a oeste do rio Cristalino. A parte norte des- Sonho (CC-186) e próximo da Fazenda do Álvaro Ta- sa faixa acha-se recoberta por derrames de riolitos, vares (CC-179), onde ocorre uma brecha vulcânica riodacito, dacitos e andesitos microporfiríticos a por- com sulfetos (pirita e calcopirita), contendo fragmen- firíticos, além de depósitos piroclásticos e epiclásti- tos centi a decimétricos orientados verticalmente e cos, que se acham expostos, na encosta da serra do estirados ao longo do fluxo magmático (foto 2.17). Cachimbo (Madeireira NSª da Aparecida) e sobre- Esta rocha exibe matriz riodacítica afanítica a mi- postos pelos sedimentos do Grupo Beneficente ou crogranular e os fragmentos são de riodacito e de ro- em contato tectônico por falha transcorrente sinistral, cha quartzo-feldspática, felsítica, cripto a microcris- de direção EW/WSW-ENE (fazenda Vaca Branca). talina. A estrutura bandada, observada em nível de As lavas ácidas acham-se bem documentadas na afloramento, mantém-se preservada ao microscópio, base da serra do Cachimbo, na sua borda centro-sul, sem sinais de qualquer deformação tectônica, indi- próximo da Madeireira Nossa Senhora Aparecida cando que essa estruturação foi formada à época da (CC-202), onde foi constatado um derrame de riolito intrusão, estando posicionada numa área de extra- pórfiro com matriz vitrofírica, intercalada em sedi- ção de magma e/ou voláteis, na forma de brecha de mentos epiclásticos formados por depósitos ressedi- conduto vulcânico (pipe). mentados a partir de material piroclástico, evidenci- Os andesitos concentram-se num corpo distribuí- ando acamadamento gradacional centi- a decimétri- do a noroeste do Porto da Madeiseik, no rio Teles Pi- co e sedimentos arenosos com níveis pelíticos e len- res e sudeste da fazenda Vaca Branca (CC-229), em tes de conglomerados denotando acamadamento meio a um relevo aplainado a subaplainado, com li- gradacional com atitude N65W/40NE, encimado tossolo argiloso vermelho, magnético, em contato por depósitos piroclásticos fracamente soldados, com riodacito pórfiro e intrudidos pelo Granito Teles compostos por fragmentos de púmice e shards vítre- Pires. Os afloramentos ocorrem na forma de blocos e os. Todo este pacote acha-se assentado em rochas raros lajedos, formados por rocha cinza-escura a es- subvulcânicas representadas localmente por intru- verdeada, de textura porfirítica a microporfirítica, sões epizonais variando entre granófiros e riolitos com matriz afanítica, estrutura maciça, isótropa e pórfiros, conforme evidência a seção esquemática composição quartzo-feldspática à base de fenocris- vertical (Figura 2.36), segundo Wildner (2001). tais euédricos, prismático-tabulares e ripiformes de A assinatura geofísica desses terrenos apresenta plagioclásio e raros cristais de quartzo com indícios níveis radiométricos variando de 70 a 160cps, com de corrosão magmática, envoltos numa matriz forma- expressivas anomalias gamaespectrométricas, nos da de micrólitos de plagioclásio, quartzo, feldspato canais de K e Th, superpostas, às vezes, por anoma- potássico e biotita. É muito comum nessas rochas a lias magnéticas. presença de vênulas e disseminações de sulfetos As subvulcânicas são os termos predominantes da (pirita, calcopirita e pirrotita) acompanhados de seri- extensa faixa na direção E-W a ESE e WSW, borda sul cita, clorita, carbonatos, epidoto, argilominerais e da serra do Cachimbo. Seus litótipos são representa- magnetita, produtos de alteração hidrotermal. dos por riolitos, riodacitos, dacitos e andesitos, porfirí- Microgranitos, microquartzo-monzonitos e micro- ticos, desprovidos de textura de fluxo, dissociados de monzonitos constituem, junto com os riodacitos pórfi- derrames, dispostos em pacotes homogêneos, geral- ros, os termos predominantes entre as subvulcâni- mente posicionados acima de zonas apicais, ligadas cas, realçaldos por uma morfologia em pequenos a intrusões rasas, epizonais, formadas por micrograni- morros dispersos ou alinhados, emergindo de uma tos, microquartzo monzonitos e micromonzonitos, topografia subaplainada. Suas principais exposi- conforme mostra a tabela 2.11. ções foram encontradas na fazenda Raio do Sol As amostras deste domínio, quando plotadas no (Álvaro Tavares), onde tem-se um microgranito diagrama QAP de Streckeisen (1976) recaíram domi- (CC-173) de cor cinza-avermelhado, textura porfiríti- nantemente no campo riodacítico com variações ca com matriz granular fina, estrutura maciça e com- para riolito e traquiandesito (figura 2.37). posição quartzo-feldspática, com fenocristais de Os riodacitos são isotrópicos, leucocráticos, cin- feldspatos potássico pertítico, prismático-tabulares, za-rosados a cinza-esverdeados, porfiríticos com às vezes poiquilíticos nas bordas, e de quartzo ané- matriz afanítica a microgranular, maciços, formados drico, com indícios de corrosão magmática, envoltos – 49 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil -Depós i to p i roc lás t ico f racamente soldado,composto por fragmentos de púmice e shards vítreos. -Sedimentos areno-conglomerático com acamamento gradacional -Lentes de conglomerados intercaladas a sedimentos arenoso -Sedimentos arenosos com níveis pelíticos e acamadamentos gradacionais grosseiros. -Derrame de lava de riolito pórfiro com matriz vitrofírica. -Depósito fluxo ressedimentado a partir de material peroclástico apresentando acamadamento gradacional centi a decímétrico. -Intrusões epizonais variando entre granófiros riolitos porfiriticos. Figura 2.36 – Perfil na borda centro-sul da serra do Cachimbo (Madeireira Nossa Senhora Aparecida), Wildner (2001). – 50 – Plutonismo raso Epiclásticas Vulcano-sedimentares Perfil Cachimbo SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.11 – Composição modal estimada (%) de amostras da Suíte Colíder, das folhas Alta Floresta (CC) e Vila Guarita (LM e GM): riodacito (CC-7, CC-174, CC-186B, CC-205B, CC-206B, GM-80, GM-83, GM-97); andesito (CC-229, CC-282, LM-50, GM-13A, GM-17B,GM-57E,GM-69A, GM-78A); microgranito (CC-173, CC-196D, CC-196A e CC-208); microquartzo-monzonito (CC-198A e CC-198B) e brecha riodacítica (CC-179A e CC-179B). Amostras CC-7 CC-8 CC-173 CC-174 CC-179ACC-179BCC-186BCC-196DCC-196ACC-198ACC-198BCC-205BCC-206B CC-208 CC-218A CC-229 CC-282 LM-50 LM-95 GM-13A GM-17B GM-57E GM-69A GM-78A GM-80 GM-83 GM-97 Minerais Quartzo 51 15 15 30 25 25 20 30 20 10 10 20 25 30 20 20 30 10 38 20 10 5 10 20 20 20 Feldspato Potássi- 15 5 49 25 15 15 10 22 36 20 30 15 21 34 25 10 10 10 10 37 15 39 co Biotita 10 5 3 2 3 3 5 2 2 20 5 2 Hornblenda 3 5 5 10 15 Muscovita 2 Sericita 30 15 2 5 3 5 10 2 5 5 10 4 1 10 5 2 50 2 5 5 5 3 4 2 2 5 Epidoto 28 3 1 5 2 2 8 1 1 5 5 3 5 10 10 1 5 3 Clorita 5 1 1 5 5 8 5 12 5 2 tr 3 4 8 10 10 20 4 5 5 5 Fluorita tr tr 1 1 1 1 Carbonatos 1 tr 5 5 5 2 10 10 4 1 tr 3 4 2 1 10 3 Argilominerais 1 1 1 2 5 1 2 3 3 1 1 1 1 20 5 3 1 2 1 1 8 Opacos 2 5 2 2 2 3 2 3 1 10 3 3 2 2 5 3 10 5 3 5 2 2 5 1 3 5 Zircão tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr Tr Titanita 3 1 1 2 1 3 tr 2 1 tr 2 2 2 1 2 1 Apatita tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr Tr Turmalina tr Allanita 1 – 51 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Q tuída por fenocristais de plagioclásio, feldspato po- tássico e de quartzo. A matriz é formada de quartzo e feldspato potássico pertítico, com intercrescimentos gráficos e mirmequíticos. Os termos dessa suíte apresentam características calcioalcalina, metaluminosa a peraluminosa, com- patíveis com os padrões revelados pelos granitos pós-colisionais da série calcioalcalina alto potássio (suítes Paranaíta e Juruena e Granito Nhandu). Nos diagramas multielementares, normalizados ao manto primitivo, acham-se registradas acentua- das anomalias negativas de Nb, Sr, Ti, Sm e Eu, au- sência de anomalias Y e Yb e aumento dos valores Rb, Th e U (Figura 2.38). Foram obtidos enriqueci- mento dos elementos litófilos (LIL), tais como La, Ce, A P Rb e Ba e dos elementos HFS como Zr, Hf e ETRP Figura 2.37 – Diagrama QAP de amostras da Suíte Colíder (terras-raras leves) e uma pronunciada depleção em das folhas Alta Floresta (CC) e Vila Guarita (LM e GM). ETRP (terras-raras pesadas) (Figura 2.39), seme- lhante ao padrão e concentrações dos litótipos da Suíte Paranaíta e do Granito Nhandu, estabelecendo uma certa cogeneticidade com os termos plutônicos ligados à geração do Arco Juruena. As rochas vulcânicas e vulcano-clásticas ácidas a intermediárias distribuídas na área sempre foram vin- culadas ao vulcanismo ácido, explosivo do Grupo Iri- ri, Província Tapajós, pela correspondência litológica e ambiental (Klein et al., 2000), onde foram caracteri- zados derrames de rochas ácidas relacionadas ao magmatismo Uatumã, formado por riolitos e dacitos (Formação Salustiano) e uma associação de rochas vulcano-clásticas (Formação Aruri) com afinidades calcioalcalinas, vinculadas ao granito da Suíte Malo- quinha. Foto 2.17 – Bloco de brecha vulcânica com matriz 2175-CC-R-229, 2175-CC-R-198B, 2175-CC-R-205B, riodacítica e fragmentos orientados de riodacito e de 2175-CC-R-179A1000 uma rocha feldspática-felsítica, microcristalina pertencente à Suíte Colíder. Estrada para o distrito Novo Sonho (CC-186). numa matriz formada por feldspato potássico pertíti- 100 co, quartzo e lamelas de biotita verde, em parte clori- tizada. Este litótipo constitui a encaixante dos veios de quartzo aurífero que constituem o garimpo do Álvaro Tavares (CC-196). Localmente está transfor- mado num microgranito porfirítico hidrotermalizado 10 (sericitização e argilização). Às vezes incorpora hornblenda e transforma-se em biotita-hornblenda microgranito pórfiro, como encontrado na fazenda Fi- lizzola (CC-174). Estes termos variam, às vezes, para 1 microquartzo-monzonito, como na fazenda Nossa Senhora da Aparecida (CC-198), onde assume cor Figura 2.38 – Diagrama multielementar normalizado ao cinza-arroxeado com manchas rósea e verde, textu- manto primitivo (Taylor & McLennan, 1989), aplicado às ra porfirítica, matriz granular fina, granofírica, consti- amostras da Suíte Colíder. – 52 – Li K Rb Cs Ti Pb Ba Th U Nb La Ce Sr Pr Nd Zr Sm Eu Gd Tb Ti Dy Y Ho Er Tm Yb Lu Sc V Zn Cu Ni Cr SC.21-X-C (Alta Floresta) 2175-CC-R-229, 2175-CC-R-198B, 2175-CC-R-205B, 2175-CC-R-179A Diante da discordância dos dados geocronológi- 1.000 cos obtidos nesta faixa de vulcânicas e vulca- no-clásticas ácidas da região norte de Mato Grosso, com idades de formação oscilando entre 1,70Ga e 1,80Ga, mais jovens em pelo menos 80 Ma em rela- 100 ção às unidades similares da Província Tapajós, tor- nou-se imperativo a proposição da Suíte Colíder (Mo- reton & Martins, 2002), para representar um ciclo de vulcanismo ácido explosivo, calcioalcalino, relacio- 10 nado à geração do Arco magmático Juruena. 2.2.9 Suíte Intrusiva Vitória (PPv) Distribui-se em corpos elípticos a sigmoidais, alon- 1 gados e controlados por expressivas zonas de cisa- Figura 2.39 – Diagrama multielementar normalizado ao lhamento de direção NW-SE e WNW-ESE. manto primitivo (Taylor & McLennan, 1989), aplicado às Sua área-tipo é descrita na Agropecuária Vitória amostras da Suíte Colíder. (Frasca, 2002, Folha Ilha 24 de Maio), onde predomi- nam metadioritos, metaquartzo-dioritos, monzodiori- No âmbito da Província Tapajós, Vasquez et al. tos e tonalitos, com seus correspondentes metamór- (1999) obtiveram idade Pb-Pb em zircão de 1.888 ± 2 ficos submetidos à fácies xisto-verde alto a anfibolito Ma para os riolitos da Formação Salustiano; alto. Dall’Agnol et al. (1999) encontraram idade idêntica Na Folha Alta Floresta, destacam-se principalmen- pelo mesmo método, nos riolitos peralcalinos do rio te os termos de médio a alto grau metamórfico, repre- Jamanxim, e Lamarão et al. (1998) conseguiram ida- sentados por enderbitos e metaquartzo-dioritos que des Pb-Pb, em zircão, de 1.890  2 Ma a 1.877 Ma, ocorrem aglutinados em dois plútons, situados no re- em ignimbritos e riolitos, e até 2.001  6 Ma, nos daci- tiro da fazenda Mogno, leste do ribeirão Muquém e tos da Vila Riozinho. nas adjacências do morro do Túnel, limites das fa- Datação efetuada pela JICA/MMAJ (2000), pelo zendas Mogno e Bacaeri. método U/Pb, em riolito pórfiro situado a noroeste de Dispõem-se em forma elipsoidal, alongados na di- Paranaíta, na Folha Alta Floresta, resultou idade de reção EW a WNW-ESE em local de relevo subaplai- 1.786  17 Ma, vinculado temporal e espacialmente nado, com seus afloramentos despontando-se como aos monzogranitos da Suíte Paranaíta, datados nas lajedos (Foto 2.18) ou em matacões ovalados, carac- adjacências, pelo mesmo método, com idades da or- terizados por fortes anomalias aeromagnéticas (figu- dem de 1.801 a 1.803 Ma (JICA/ MMAJ). ra 2.4). Datações realizadas neste projeto, em riolito pórfi- ro (GM-80), localizado a sudeste de Santa Helena (MT-320), na Folha Vila Guarita indicaram, idade U/Pb de 1.781  8 Ma e idade-modelo TDM de 2.344 Ma, com end (t) de -3,75, sinalizando fonte geradora híbrida, mantélica com contaminação crustal (Pi- mentel, 2001). Estes dados foram em parte ratificados pela data- ção feita em ignimbritos e riodacitos proveniente de furo de sonda, da região do rio Moriru, norte da cida- de de Colniza, por Pinho et al. (2001), onde obtiveram uma variação de 1.801  11Ma a 1.773  9Ma, que constitui provavelmente a continuidade para oeste da faixa cartografada pelo Projeto Promin-Alta Flo- resta, principalmente da fácies vulcânica e vulcano- clástica ácido-intermediária, explosiva, encontrada na base da serra do Cachimbo (Folha Alta Floresta) e Foto 2.18 – Aspecto de afloramento do enderbito da serra de Formosa, nos arredores de Colíder (Folha magnético da Suíte Intrusiva Vitória (Fazenda Mogno, Vila Guarita). CC - 233). – 53 – Cs Rb Ba Th U K Nb La Ce Sr Nd Hf Zr Sm Eu TI Gd Dy Y Er Yb Lu Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Seus contatos acham-se geralmente encobertos e foram inferidos pelo alto contraste magnético detec- tado em cartas aerogeofísicas. Quando determina- dos, são intrusivos em supracrustais do Complexo Bacaeri-Mogno, como acontece no afloramento CC-233, onde o enderbito apresenta-se isótropo, pouco deformado e contém xenólitos de anfibolito, com 10 a 20cm de comprimento, orientados N70E. No morro do Túnel, tem-se o enderbito envolvendo e englobando megaenclave de granito magnético da Suíte Intrusiva Paranaíta. Em corpos menores não-mapeáveis nessa escala, observam-se contatos nítidos, sinuosos e irregula- res, principalmente quando associados às rochas graníticas do São Pedro, demonstrando plasticidade Fotomicrografia 2.5 – Cristais poligonizados de e uma reservada mistura mecânica entre as duas uni- plagioclásio com arranjo tipo junção tríplice em dades. A classificação mesonormativa QAP, eviden- enderbito (CC-233) da Suíte Intrusiva Vitória; máficos cia a tendência composicional para termos dioríti- representados por ortopiroxênio, hornblenda, biotita e cos, tonalíticos e granodioríticos (figura 2.40). opacos. Fazenda Mogno. Lp 2.5. A composição mineralógica das diversas litologi- as encontradas na área estão dispostas na Tabela Os metadioritos e metaquartzo-dioritos são de cor 2.12. Os metadioritos são predominantes e gradam cinza com tonalidades esverdeadas e escuras, com por diferenciação magmática para metaquartzo-dio- níveis cinza esbranquiçado, textura granonemato- ritos mais ricos em plagioclásio e com menos horn- blástica média e estrutura isótropa a foliada e miloní- blenda, e atinge-se os enderbitos magnéticos como tica nas zonas de maior deformação. Apresentam os termos mais diferenciados dessa suíte. composição quartzo-diorítica realçada pelo plagio- Apresentam composição quartzo-feldspática rica clásio que ocorre em cristais prismático-tabulares hi- em biotita, hornblenda, ortopiroxênio e opacos (mag- pidiomórficos, distribuídos em mosaicos poligoniza- netita), e exibem textura hipidiomórfica ineqüigranu- dos. O quartzo forma agregados de cristais xeno- lar, média a grossa, localmente granoblástica, forma- mórficos, intersticial ao feldspato. O clinopiroxênio da por agregados de cristais idiomórficos poligoniza- ocorre em cristais tabulares, xenomórficos ver- dos de plagioclásio que mostram pontos de junção trí- de-claros. A biotita é marrom e forma agregados la- plice (fotomicrografia 2.5), própria de metamorfismo melares, orientados e a hornblenda é verde e tabular. de médio a alto grau metamórfico (enderbitos). Os enderbitos apresentam cor cinza-esverdeada com manchas pretas, textura hipidiomórfica, ineqüi- Q granular média a grossa, às vezes granoblástica, es- trutura homogênea, maciça, pouco deformada. 1a Compõem-se de plagioclásio (49%), em agregados de cristais idiomórficos, poligonizados, reunidos em 1b mosaico exibindo junção tríplice própria de meta- morfismo de médio a alto grau, acompanhados de quartzo (15%) xenomórfico e intersticial ao feldspato, de biotita (10%) parda a avermelhada em agregados lamelares, de hornblenda verde (10%), prismáti- co-tabular, envolvendo cristais de hiperstênio (8%), 2 3a 3b 4 5 subidiomórfico tabular. Destaca-se ainda a expressi- va quantidade de magnetita (5%), que ratifica as anomalias aeromagnétcas registradas na fazenda Mogno e adjacências (figura 2.4). 6* 7* 8* 9* 10* Os litótipos analisados mostram uma afinidade calcioalcalina (figura 2.41), médio potássio (figura A 6 7 8 9 10 P 2.42), em grande parte metaluminosos, com indícios Figura 2.40 – Classificação QAP mesonormativa da Suíte de contribuição crustal, em razão da peraluminosi- Intrusiva Vitória. Le Maitre (1989). dade indicada em algumas amostras. – 54 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.12 – Composição modal (%) da Suíte Vitória nas folhas Alta Floresta (CC) e Ilha 24 de Maio (AF e HG). Litologia Dioritos e Quartzodioritos Enderbitos Tonalitos Minerais AF80a AF113a AF113b AF91 AF77 AF79 AF92 HG25 CC100 CC97 CC233 HG133b AF54 HG22c Quartzo 15 5 10 12 10 15 5 10 10 8 10 20 20 25 Plagioclásio 58 46 32 56 61 60 55 67 68 45 48 55 50 56 K-Feldspato 2 - - - - - - 5 - - - 3 5 - Honrblenda 10 - 29 7 5 10 15 - 5 25 15 5 8 - Biotita 12 15 15 10 15 12 12 10 10 10 15 10 6 10 Hiperstênio - - - - - - - - - - 3 - - - Clorita - - 2 - - - 3 1 - - - - 1 - Sericita 1 - 4 2 1 1 2 2 2 tr - 1 1 2 Epidoto tr - 3 10 3 Tr 4 2 3 - - 3 2 5 Granada - 10 - - - - - - - - - - - - Titanita 1 - - 1 2 - 2 tr 1 - - 2 2 - Apatita tr - Tr tr tr tr tr - tr tr tr - tr tr Allanita - - Tr tr tr - - tr - - - tr tr tr Zircão tr - Tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr Opacos 1 - 1 1 1 2 1 tr 1 7 6 1 4 tr Carbonato - - Tr Tr - - - tr tr 5 2 - - 1 Argilominerais - - 1 1 1 - 1 2 1 - - 1 1 1 – 55 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil FeO 3 Metaluminoso Peraluminoso Toleiítico 2 CAG Calcioalcalino 1 Peralcalino 0,5 1 2 Al2O3/(CaO+Na2O+K2O) Na2O+K2O MgO Figura 2.41 – Diagrama de AFM de Irvine & Baragar Figura 2.43 – Índice de Shand modificado por Maniar & (1971). Piccoli (1989). CAG - granitóides de arco continental, IAG - granitóides de arco-de-Ilha. 5 4.5 Calcioalcalino 4 Alto-K Os padrões de terras-raras apresentam comporta- mento coerente com litodemas de rochas graníticas. 3.5 As curvas obtidas evidenciam um modelo enriqueci- 3 do em ETRL e depletado em ETRP, com leve anoma- Calcioalcalino lia negativa de európio, compatíveis com o padrão 2.5 Médio-K encontrado em rochas calcioalcalinas (figura 2.44a). 2 O padrão em terras-raras do enderbito da fazenda Mogno revelou baixos níveis de ETR, com enriqueci- 1.5 mento relativo em ETRL e depleção em ETRP, sem 1 anomalia negativa de európio (Figura 2.44b), con-Toleiíto Baixo-K trastando com os outros termos dessa suíte. Apre- 0.5 sentou, no entanto, um comportamento assemelha- 0 do aos enderbitos e charnoenderbitos, reequilibra- 43 45 55 65 75 79 dos na fácies granulito, encontrados na região de SiO2 (peso%) Laje/Mutuípe, Bahia, descritos por Barbosa, (1986). Figura 2.42 – Gráfico K2O x SiO2, Le Maitre (1989). O padrão multielementar revelado pelos seus termos predominantes (figura 2.45) assemelha-se aos dos granitos São Pedro e São Romão, com os quais man- Dados de Nd(t) negativos, ratificam a contribuição têm relação de campo direta, pois estes contêm au- crustal na formação dessas rochas. tólitos de dioritos e quartzodioritos, supostamente As amostras quando plotadas no diagrama da fi- derivados da Suíte Vitória. gura 2.43, índice de Shand, modificado por Maniar & Análises isotópicas pelo método U/Pb em zircões Piccoli (1989), recaíram no campo indicativo de uni- de tonalitos indicaram idade de 1.785  8Ma e por dade desenvolvida a partir de arco magmático. Sm/Nd, idades-modelo de 2.182Ma com valores de A tabela 2.13, mostra teores de SiO variando de Nd(t) de –2,56, sinalizando contribuição crustal e2 51% a 69%, valores altos em FeO(t), CaO e MgO, e conseqüente hibridização na sua origem. valores elevados para K2O nas rochas de composi- Quando comparadas com as idades U/Pb do Gra- ção diorítica a enderbítica. A média normal para es- nito São Pedro (metagranito porfirítico) de 1.784  tes litótipos segundo Le Maitre (1976) em Cox et al., 17Ma e idades-modelo Sm/Nd de 2.060Ma a (1979) é de 1,76% e 2,07 respectivamente, alto teor 2.147Ma, com valores de Nd(t) entre + 0,65 e –1,11, a em álcalis K2O + Na2O>5% e teores elevados em Rb, correlação e afinidade genética dessas duas unida- Zr e Ba. des ficam comprovadas. – 56 – K2 O (peso%) Al2O3/(Na2O+K2O) SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.13 – Análises químicas de elementos maiores (%), traço e terras-raras (ppm), em amostras da Suíte Vitória. AMOSTRAS CC-166 PS-42 PS-R42 CC-100 HG-25b HG-22c AF-47b AF-91 CC-233 SiO2 63,19 60,64 62,28 60,19 63,47 69,10 60,75 57,23 50,54 TiO2 0,76 0,70 0,61 0,90 0,68 0,34 0,60 1,18 1,54 Al2O3 13,94 17,08 16,72 16,73 17,67 15,41 17,35 16,27 18,56 FeO(t) 7,68 7,01 6,77 7,16 4,37 2,40 5,94 8,50 1,8 MnO 0,23 0,11 0,15 0,14 0,10 0,07 0,07 0,11 9,19 MgO 2,75 2,55 2,03 2,48 1,26 0,87 2,99 3,41 0,14 CaO 3,77 4,66 4,66 5,46 4,24 3,01 5,33 6,33 3,42 Na2O 3,19 2,97 3,10 2,89 4,94 4,64 3,44 2,88 8,43 K2O 2,62 2,32 2,07 2,51 1,50 2,29 1,67 2,32 2,89 P2O5 0,30 0,09 0,18 0,21 0,22 0,13 0,16 0,47 0,76 P.F. 0,76 0 0,68 0,45 0,85 0,44 0 0 0,73 Total 99,19 98,13 99,25 99,12 99,30 98,70 98,30 98,70 98,00 Rb 160 112 103 - 107 116 29 134 33 Sr 150 340 305 - 620 347 1016 498 491 Ba 590 497 560 1.100 460 490 785 484 276 Y 74 49 53 - 45 34 7 66 38 Zr 664 343 444 - 440 180 110 541 933 Nb 27 14,8 8 - 23 21 5,5 27,5 17,4 Th 15 95,2 120 4,2 17 19 0,7 13,5 5,20 U 3 4,1 2 - 1 3 0,4 5,51 6,40 Cr 120 - 82 26 36 - - - 0 Cu - 56 - - - - 27 40 76 Pb - 11 - - - - 27 40 18 Zn 130 70 - - - - 59 86 50 Co 15 19 17 21 10 5 20 24 36 La 56 252,9 325 29 110 55 18,10 58,5 40,7 Ce 99 543,4 574 52 212 110 33,4 122,3 96,4 Nd 52 235,8 260 31 82 36 16,4 66,9 55,3 Sm 12,8 33,7 36,3 5,4 12,4 6 2,8 12,7 9,9 Eu 2,4 3,26 3,6 1,7 2,5 1 1,13 2,55 3,28 Gd - 20,78 - - - - 1,78 11,78 8,8 Tb 2 2,33 3 - 1 - 0,24 1,67 1,14 Dy - 10,94 - - - - 1,36 9,92 7,05 Ho - 2,03 - - - - 0,26 2,17 1,45 Er - 5 - - - - 0,8 6,91 4,63 Yb 9 4,23 4 2 3 3 0,75 6,39 0,61 Lu 1,3 0,66 0,5 0,3 0,5 0,4 0,11 0,97 4,53 Tm 0,59 - - - - - 0,1 0,97 0,72 – 57 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil AF-91, 2175-PS-12, PS-12, 2175-CC-R-166 AF-91, PS-R-12, PS-12, CC-R-166 10.000 1.000 1.000 100 100 10 10 1 1 1 ,01 Figura 2.44(a) – Elementos terras-raras normalizados Figura 2.45 – Diagrama multielementar normalizado segundo o manto primitivo de Taylor & McLennan segundo o manto primitivo, Taylor & McLennan (1985). (1985). Suíte Intrusiva Vitória. 100 Os dados levantados apontam para uma origem híbrida a partir da fusão parcial de rochas orto e para- derivadas do Complexo Bacaeri-Mogno misturadas a materiais mantélicos. Os enclaves básicos, associ- 10 ação de campo, afinidades composicionais e geo- químicas com os migmatitos do Complexo Nova Monte Verde, presença de tonalitos peraluminosos e valores negativos de Nd constituem as principais evi- dências desse processo. 1 2.2.10 Granito São Pedro (PPsp) Silva et al. (1974) caracterizaram de forma genéri- ca um conjunto de corpos graníticos na Folha Jurue- na, individualizando-os do Complexo Xingu e deno- 0,1 minando-os de Granito Juruena. Leal et al. (1980) usaram para esses mesmos granitos a designação Figura 2.44(b) – Espectro de ETR do enderbito (CC-233), normalizado segundo o manto primitivo de Gnaisse Apiacá, que juntamente com os litótipos (Taylor & McLennan, 1985). da Suíte Metamórfica Cuiú-Cuiú (Pessoa et al. 1977) foram reunidos como Complexo Xingu. Durante a execução do Promin-Alta Floresta esta unidade lito- Datação pelo método U-Pb SHRIMP feita por Pi- dêmica foi reconhecida e individualizada como uma mentel (2001), no enderbito (CC-233) da fazenda unidade tanto independente do Complexo Xingu Mogno, intrusivo nas supracrustais do Complexo Ba- quanto do Granito Juruena. caeri-Mogno, revelou idade herdada de 1,85Ga e Foram denominados Granito São Pedro, os corpos idade de cristalização de 1.775  10Ma, com idade- plutônicos anisótropos de aspecto sigmoidal, sob a modelo de 2.260Ma. forma de batólitos e stocks aglutinados, formando Esses dados sugerem que esta suíte apresenta uma extensa faixa, controlada por amplas e extensi- uma certa identidade cogenética e forte correlação vas zonas de cisalhamento dúctil, transcorrente oblí- com a fase granítica sin a pós-colisional dos eventos qua e contracional, com direção predominante São Pedro e São Romão. WNW-ESE a NW-SE. – 58 – La La Ce Ce Pr Pr Nd Nd Sm Sm Eu Eu Gd Gd Tb Tb Dy Dy Ho Ho Er Er Tm Tm Yb Yb Lu Lu Li K Rb Cs Ti Pb Ba Th U Nb La Ce Sr Pr Nd Zr Sm Eu Gd Tb Ti Dy Y Ho Er Tm Yb Lu Sc V Zn Cu Ni Cr SC.21-X-C (Alta Floresta) Acha-se constituído basicamente por biotita meta- cinemática preferencialmente sinistral, revelados por granito, granada-biotita metagranito, hornblen- foliações S/C, estruturas sigmoidais e rotação de da-biotita metagranito, com metagranodiorito, e me- porfiroclastos, formados em ambiente crustal de tatonalito subordinado e são portadores, geralmente, meso a catazona, sob regime deformacional dúctil. de enclaves de pelitos, de quartzo-metadiorito e de Apresenta estruturas protomiloníticas a miloníticas micro-quartzo-metadioritos. Exibem geralmente co- e augen gnaisses com variações deformacionais in- loração cinza-avermelhada a rosada e texturas ine- ternas, posicionadas em função da proximidade de qüigranulares média a grossa, porfiríticas, nos ter- zonas de alto strain e realçadas pelas recristaliza- mos menos metamórficos e distais das zonas de mai- ções, cominuição mineral e cristais poligonizados, or strain, e porfiroclástica, porfiroblástica, granoblás- constituindo mosaicos com junção tríplice. tica e granolepidoblástica, válidas também para os Nas bandas de cisalhamento, acha-se exposta enclaves. uma trama milonítica, exibindo tectonitos L e LS, for- Seus litótipos apresentam-se geralmente afetados mados por porfiroclastos de feldspato alcalino, bioti- por acentuada deformação dúctil, refletida pela pre- ta e quartzo, alinhados segundo a foliação milonítica. sença constante de protomilonitos, milonitos e gnais- Em cartas aerogeofísicas, esses granitóides res- ses de transposição nas zonas de alto strain. pondem a acentuadas anomalias radiométricas de O Granito São Pedro tem área-tipo no assentamen- potássio (figura 2.11), que serviram de apoio à carto- to homônimo, pertencente ao INCRA, localizado a grafia realizada, coincidentes, às vezes, com valores norte da fazenda Mogno, no interflúvio dos rios Para- significativos de Th e U (figuras 2.12 e 2.13). Medidas naíta e Apiacás. Apresenta-se cartografado, na Fo- cintilométricas, tomadas no terreno, oscilaram entre lha Alta Floresta, como uma extensa faixa NW-SE, 80 e 200cps. Os valores revelados pela magnetome- distribuída desde o sul de Alta Floresta, prolongan- tria são baixos, com algumas anomalias positivas do-se continuamente e adentrando-se para oeste, na isoladas. Folha Rio São João da Barra. Suas melhores exposi- Constitui-se predominantemente de biotita meta- ções localizam-se no Assentamento São Pedro granito, granada-biotita metagranito, hornblen- (CC-158 a CC-160), na 3ª vicinal sul de Alta Floresta da-biotita metagranito com metagranodiorito e meta- (CC-41 e CC-259), na fazenda São Bento (CC-152) e tonalito subordinados. Mostram coloração cin- na Serraria (CC-138). Seu contato, em toda sua ex- za-avermelhada a rosada, textura ineqüigranular mé- tensão leste/nordeste com o Granito Nhandu e as suí- dia a grossa, porfiroclástica, granoblástica, granole- tes Juruena e Paranaíta, é marcado por expressivas pidoblástica e porfiroblástica nos termos mais defor- zonas de cisalhamento dúctil, transcorrente oblíqua mados, a porfirítica nos termos preservados. e contracional WNW/ ESE, representadas por amplas As composições modais (tabela 2.14), quando faixas milonítica e protomilonítica contínuas, de lar- plotadas no diagrama QAP (figura 2.46), evidencia- gura quilométrica e alto ângulo de mergulho, vergan- ram um trend composicional de monzogranito a sie- do sempre para NE até vertical, com indicativos de nogranito com granodiorito e tonalito subordinados. Estudos petrográficos revelaram uma composição mineralógica à base de feldspato potássico (pertita) + plagioclásio + quartzo + biotita  hornblenda  granada, geralmente acompanhada de clorita  seri- cita  epidoto  argilominerais  carbonatos  musco- vita como minerais secundários e de fluorita  zircão  apatita  allanita  opacos, como minerais acessórios. Essas rochas são essencialmente quartzo-felds- páticas, reunidas como metagranitóides, equilibra- das na fácies anfibolito, com enclaves de quartzo metadiorito e microquartzo metamonzonito. As estru- turas protomiloníticas a miloníticas predominam nas amplas zonas de cisalhamento. Os granada-biotita metagranitos ocorrem princi- palmente no Assentamento São Pedro (CC-158 a CC-166), interflúvio dos rios Paranaíta e Apiacás, Foto 2.19 – Granito porfirítico São Pedro, estrutura com variações locais para biotita metagranito e horn- orientada, exibindo veio de aplito, inserido ao longo da blenda-biotita metagranito. Exibem cor cinza-aver- foliação milonitica, 1ª vicinal sul de Alta Floresta. melhado, textura porfiroclástica, estrutura protomilo- – 59 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Tabela 2.14 - Composição modal (%) de amostras do Granito São Pedro: metabiotita granito (CC-11; CC-11A), biotita granito porfirítico deformado (CC-90); hornblenda-biotita metagranito porfirítico (CC-95); biotita metagranito (CC-137; CC-138A); micro-quartzo-metamonzogranito (enclave – CC-138B); granada-biotita metagranito protomilonítico (CC-141 e CC-160); biotita granito (CC-145, 210 e 214); hornblenda-biotita granito protomilonítico (CC-166 e CC-138B); granada-biotita metagranito protomilonítico (CC-141, CC-158B e CC-160); metagranodiorito porfirítico (CC-105) e biotita-metatonalito (CC-41A). Amostras CC-41A CC-138B CC-10CC-11 CC-11A CC-90 CC-95 CC-137 CC-138A CC-141 CC-145 CC-158B CC-160 CC-166 CC-210 CC-214 Minerais (enclave) 5 Quartzo 20 20 20 25 20 25 25 20 25 20 25 30 25 25 25 25 K - Feldspato 34 38 40 37 36 33 20 31 49 36 31 30 38 45 20 Plagioclásio 20 25 53 20 20 25 25 30 25 20 20 25 21 20 15 40 Biotita 10 3 10 5 10 5 5 10 5 5 8 6 12 10 5 5 Hornblenda 3 6 Clorita 2 2 1 1 tr 3 3 2 1 1 1 1 3 tr Sericita 3 2 3 2 2 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 Epidoto 5 3 5 3 3 3 10 3 2 1 2 2 3 2 3 Carbonato 2 tr tr tr tr tr tr tr Argilominerais 2 1 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 1 1 Allanita tr tr 1 tr tr 1 tr tr tr tr tr Apatita tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr Zircão tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr tr Titanita 1 tr 1 tr 2 tr 1 2 1 tr 3 1 1 tr 1 Granada 1 Fluorita tr tr tr 3 1 tr Muscovita 2 7 3 2 1 1 3 2 1 3 Opacos 1 tr 1 1 tr 1 tr 1 tr 3 1 tr 1 2 1 – 60 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Q Q 1a 1b Granito Gra Sieno Monzo nodi 2 3a 3b 4 5orito X X X X X 6 7 8 9 10 A 6 7 8 9 10 P A P Figura 2.46 – Amostras do Granito São Pedro no Figura 2.48 – Classificação mesonormativa do Granito diagrama QAP de Streckeisen (1976). São Pedro. Le Maitre (1989). nítica a milonítica, formadas por porfiroclastos amen- 3 doados de feldspato potássico com até 2cm de ta- manho dispostos assimetricamente (sombra de Metaluminoso Peraluminoso pressão), interpostos na foliação milonítica, realçada pelas placas de biotita, subgrãos de quartzo recrista- CAG lizado e minúsculos cristais de granada rotaciona- 2 dos, com indicativos de uma cinemática preferenci- almente sinistral. Os resultados químicos revelaram um padrão de série magmática calcioalcalina de alto potássio, me- POG taluminosa a peraluminosa (figuras 2.47, 2.48 e 1 2.49). Peralcalino Os dados da Tabela 2.15 evidenciam valores de SiO2 variando de 60% a 69%; altos conteúdos de K2O 0,5 1 2 FeO* Al O (CaO + Na O + K O)2 3 2 2 Figura 2.49 – Índice de Shand, modificado por Maniar & Piccoli (1989). CAG - granitos de arco continental, POG - granitos pós-orogênicos. Toleiítico + Na2O (>6%), crescentes com aumento de SiO2; Na2O/K2O de 0,5 a 1,6; Al2O3 de 14,17 a 16,59%; bai- xos valores de TiO2 0,52% a 0,99% e enriquecimento em K, Rb, Ba, Th, U e Ta. Esses parâmetros preenchem requisitos de uma série contínua, onde o aumento de SiO2 é seguidoCalcioalcalino pelo acréscimo de K2O, constituindo termos granitos a sienogranitos. Verifica-se que os valores de Rb são proporcionais aos de Sr, para concentrações eleva- das de SiO2, indicando prévio fracionamento de pla- Na O + K 2 O MgO2 gioclásio, incluindo Ba, Sr e fixando Rb e K2O para o Figura 2.47 – Amostras do Granito São Pedro no fracionamento de feldspato potássico, conforme pre- diagrama AFM de Irvine & Baragar 1971. viram Grigoriev et al. (1988). – 61 – Al O ( Na O + K O) 2 3 2 2 Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Tabela 2.15 – Análises químicas de elementos maiores, traços e terras-raras, do Granito São Pedro. Amostras HG19 HG115B HG119 HG137A AF89 AF110 AF130A Elementos Maiores % peso SiO2 65,37 68,44 60,34 67,46 69,65 63,79 68,53 TiO2 0,66 0,56 0,95 0,52 0,56 0,99 0,69 Al2O3 16,59 14,94 16,40 14,89 14,74 14,36 14,17 Fe2O3 3,95 3,41 5,75 3,98 2,38 5,27 3,79 MnO 0,09 0,10 0,12 0,10 0,05 0,06 0,08 MgO 0,88 0,56 1,88 1,54 0,21 1,74 0,59 CaO 3,01 2,18 5,63 3,02 1,50 4,06 2,58 Na2O 4,46 4,16 3,70 3,35 3,44 2,99 3,30 K2O 2,73 4,70 2,87 4,10 6,46 5,08 4,49 P2O5 0,23 0,35 0,63 0,27 0,07 0,52 0,50 P.F. 1,28 0,31 0,90 0,49 0 0 0 Total 99,25 99,71 99,17 99,72 99,06 98,86 98,72 Al2O3 / 1,51 1,10 1,63 1,31 0,97 1,16 1,19 (Na2O+K2O) Elementos Traços (ppm) K 22.663 39.016 23.825 34.035 53.626 42.171 37.273 Rb 120 182 124 190 221 170 163 Sr 433 207 642 468 115 370 220 Ba 1.000 1.400 1.100 940 1.008 1.091 1.338 Y 44 82 40 29 134 49 141 Zr 514 836 530 244 795 982 1.518 Nb 22 18 15 21 42,3 23,2 20,3 Ta - 1,3 - 1,7 5,5 2,8 5,4 Th 29 35 15 20 42,5 27,6 60,4 U - 4 4 10 10,6 5 7,10 Cr 26 29 25 30 - - - Cu - - - - 10 20 11 Pb - - - - 6 27 3 Zn - - - - 49 48 50 Co - - - - 2 2 5 Elementos Terras-raras (ppm) La 130 120 90 55 119,3 82,3 191,2 Ce 219 242 160 100 255,5 179 413,4 Nd 82 100 61 39 118,8 80,6 188,8 Sm 11,1 18,8 9 6,1 21,2 13,6 32,1 – 62 – SC.21-X-C (Alta Floresta) A partir do diagrama de Harris et al. (1986), com + AF-130a + AF-110 + AF-89 base em Hf x Rb/30 x 3Ta (figura 2.50), as amostras 1000 desses granitóides plotaram nos campos de granito de arco vulcânico e pós-colisionados, propriedades que, reunidas às suas características estruturais, são indicativas de uma evolução centrada numa zona de 100 sutura, período de fechamento e choque continental, numa fase sin a pós-colisão. Apresentam semelhanças aos granitóides gera- dos a partir de magmatismo calcioalcalino alto po- 10 tássio, sincisalhamentos, pós-colisionais, desen- volvidos em zona de sutura, segundo Liegeios, (1998). Os padrões de terras-raras, revelaram curvas com enriquecimento em ETRL, depleção e estabilização 1 em ETRP (figura 2.51), e anomalia negativa de euró- pio pouco evidenciada, para SiO2 menor que 70%, Figura 2.51 – Padrão de elementos terras-raras, compatível com os granitos calcioalcalinos de alto normalizado segundo manto primitivo.Taylor e potássio. McLennan (1985), em amostras do Granito São Pedro. Os dados litoquímicos atestaram derivação calcio- alcalina, peraluminosa a metaluminosa, origem híbri- da, para esses granitóides, gerados provavelmente Datações feitas por Pimentel (2001), pelo método num ambiente pós-colisional, na zona de sutura, e U/Pb (SHRIMP), em zircões provenientes de grana- derivados, em parte, por processos da anatexia de da-biotita metagranito (CC-158 Assentamento São terrenos de alto grau metamórfico (Complexo Bacae- Pedro) e do biotita metagranito (CC-138, Gleba Man- ri-Mogno) e de fontes mantélicas. Foram emplaça- dacaru), forneceram idades respectivamente de dos e posicionados na meso e catazona, relaciona- 1.784  17Ma e 1.786  17Ma e idades-modelo dos a eventos metamórficos tipo Barroviano de baixa Sm/Nd de 2.147Ma e 2.060Ma, com valores de pressão e alta temperatura, controlados por movi- Nd(t)-1,11 e +0,65, indicativos de fusão de uma pla- mentos transcorrentes oblíquos, de cinemática pre- ca crustal interagindo com fontes mantélicas. ferencialmente sinistral e às vezes dextral, exumados A fusão crustal é evidenciada pela presença de em zonas de escape lateral decorrentes de movi- enclaves pelíticos e máficos, oriundos de núcleos mentos transtensivos, em fase de descompressão granulíticos (Complexo Bacaeri-Mogno) e de migma- tardia. titos (Complexo Nova Monte Verde), formados em condições de médio a alto grau metamórfico e insta- lados em zona de sutura, sob a égide de um regime Rb/30 compressional, transcorrente oblíquo, com compo- nentes transtensionais. A intrusão destes corpos, sincinemáticos às falhas transcorrentes, reflete reajuste de blocos crustais sob um regime de esforços compressivos, em ambi- ente de pós-colisão, em estreita vinculação com nú- Gra cleos granulíticos localizados, ratificando um modelo S nii tn o- sCo acrescionário, convergente, com consumo de umalisional placa litosférica. Granitos Pós-Colisional 2.2.11 Granito Teles Pires (PPgtp) Granitos Intraplaca Denominação dada por Silva et al. (1974) na re- gião do rio Iriri para designar um conjunto de corpos Hf Tax3 graníticos com estrutura anelar, tendência alasquíti- Figura 2.50 – Diagrama de posicionamento tectônico, ca, anorogênicos, condicionados ao ambiente de Harris (1986). formação das lavas ácidas da Formação Iriri. – 63 – Arco GV ru al nc iâ ton sic do e La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Isler et al. (1977) incluíram esses alcaligranitos fina a microgranular, felsítica e com estrutura maciça como integrantes do Grupo Uatumã, relacionados ao e homogênea. vulcanismo subseqüente ao Evento Transamazôni- Estudos petrográficos desses litótipos mostraram co. composição mineralógica essencialmente quart- Souza et al. (1979) definiram plútons graníticos Te- zo-feldspática, de natureza granítica, sienogranítica les Pires como corpos circulares, pós-cinemáticos, e alcaligranítica, conforme evidencia o diagrama de dimensões variadas, predominando alcaligrani- QAP de Streckeisen (1976) (figura 2.52). tos, alaskíticos, rapakivíticos, hololeucrocráticos, Possuem textura eqüigranular a porfirítica, média a com a presença de viborgitos e piterlitos. grossa e estrutura maciça, onde predominam os se- Tassinari (1981) atribuiu idade de 1.600Ma a es- guintes minerais: megacristais de feldspato potássi- ses alcaligranitos, relacionando-os a um magmatis- co em cristais tabulares (±1cm de tamanho), xeno- mo subvulcânico pós-tectônico, restrito à Província mórficos e pertíticos; quartzo em cristais xenomórfi- Rio Negro-Juruena, e distribuído na faixa Porto Ve- cos, intersticiais aos cristais de feldspato potássico; lho-Rio Juruena. plagioclásio em cristais prismáticos, em percentual Ratifica-se a designação de Granito Teles Pires reduzido, atingindo quantidades acessórias nos al- para representar um conjunto de corpos graníticos caligranitos (tabela 2.16). intrusivos, pós-orogênicos, calcioalcalinos de alto Os minerais máficos também ocorrem em propor- potássio, formados dominantemente por granito por- ções mínimas, tornando essas rochas essencialmen- firítico, vermelho-tijolo, localmente com textura rapa- te hololeucocráticas, com raras lamelas de biotita, kivi, reunido a granitos finos e alcaligranito, eqüigra- freqüentemente alteradas para clorita. Entre os mine- nulares a porfiríticos, isotrópicos, não deformados, rais resultantes da alteração hidrotermal, além da dispostos na forma de stocks e batólitos subcircula- clorita, aparecem epidoto, sericita e carbonatos. res a elipsoidais, geralmente intrusivos nas rochas Os minerais acessórios são representados pela vulcânicas da Suíte Colíder. Os termos subordinados fluorita, zircão ± allanita e titanita. São enquadrados são representados por microgranitos, granitos finos como granitos subsolvus, potássicos, metalumino- e granófiros, ocorrendo geralmente na forma de di- sos, de evolução pós-orogênica em transição para ques e sills, encontrados na fazenda Ilha do Cristali- formação de uma crosta estável, similares aos grani- no (CC-288) e norte do Porto da Madeiseik (CC-222). tos potássicos subsolvus, pós-colisionais relaciona- Foram cartografados 3 batólitos graníticos com dos à geração do arco magmático Juruena. áreas de 120 km2 a 250km2 e alguns stocks, intrusi- Esses granitóides são caracterizados por alto con- vos nas vulcânicas e subvulcânicas da Suíte Colíder, teúdo em SiO2 (acima de 70%); acentuado enriqueci- constituindo um rosário de corpos de direção EW a mento em álcalis, principalmente K2O em torno de ESE-WNW, localizado na borda sul da serra do Ca- 5%; relação K2O/Na2O>1; e baixo conteúdo em Al2O3 chimbo. (12 a 14%), classificados como metaluminosos e O corpo de maior destaque ocorre a norte do rio Teles Pires, entre a fazenda Vaca Branca e o rio Cris- Q talino, exibindo forma elipsoidal e contato intrusivo em riodacitos e andesitos da Suíte Colíder, deforma- dos e amoldados por força da intrusão. Os aflora- mentos ocorrem na forma de lajedos ou em grandes blocos ovalados. Em cartas aerogeofísicas exibem acentuadas anomalias positivas gamaespectrométricas (canais de K, Th e U) (figuras 2.11, 2.12 e 2.13) e baixa sus- ceptibilidade magnética, com ausência de anomali- as magnéticas significativas (Figura 2.4). É formado por biotita granito, leucogranito, alcali- granito, subsolvus, cinza-avermelhado a verme- lho-tijolo, de granulação média a grossa, eqüigranu- lar a porfirítico, ocasionalmente com textura rapakiví- tica, e com estrutura maciça, homogênea, não defor- mada. Associam-se também fácies subvulcânicas A P representadas por microgranitos, granitos finos e Figura 2.52 – Amostras do Granito Teles Pires no granófiros, cinza-rosados a avermelhados, textura diagrama QAP de Streckeisen (1976). – 64 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 2.16 Composição modal (%) de amostras do Granito Teles Pires (amostras: GM - Folha Vila Guarita; PS, PV. PT- Folha Rio São João da Barra e CC- Folha Alta Floresta). AMOSTRAS CC-183 CC-222 CC-288 GM-04 GM-07 GM-10 PV-195 PS-289 PS-215 PS-218 PT-72 PT-76 MINERAIS Quartzo 25 25 25 30 18 18 25 25 25 22 16 15 Feldspato Potássico 62 42 33 25 43 45 48 36 35 38 45 45 Plagioclásio 5 25 28 25 25 25 20 25 20 20 20 20 Biotita tr 3 1 2 1 1 4 2 3 3 5 10 Sericita 1 1 2 1 2 2 1 2 2 3 2 2 Epidoto - 1 2 2 3 1 - 3 5 5 3 3 Clorita 5 2 5 1 3 3 1 3 3 3 3 3 Carbonato tr - tr - - - - - - - - - Zircão tr tr tr - - - - - - - - - Fluorita 1 - - - 1 1 tr tr - tr - - Titanita - tr tr - 1 tr - 2 3 2 2 1 Argilominerais 1 1 1 1 2 1 - 1 1 1 2 2 Opacos tr tr 3 - - - - - - - - - Allanita tr tr - - - - - - - - - - – 65 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil pós-orogenéticos pelo diagrama de Maniar & Piccoli granitos rapakavi do Meio Oeste dos Estados Uni- (1989), (Figura 2.53) e calcioalcalinos de alto potás- dos, de idade mesoproterozóica, relacionados a am- sio pelo diagrama de Le Maitre et al. (1989) Figura biente de subducção e geração de arco magmático 2.54. (Nelson & Depaolo, 1985; Nyman et al., 1987). Suas características petrográficas, químicas e re- Wernick (2001) sugere que os granitos rapakivíti- lações de campo vinculam sua evolução às séries cos podem ocorrer tanto relacionados a arco mag- magmáticas calcioalcalinas de alto potássio do Arco mático ou a fragmentos de crosta estabilizada, adi- Juruena, assemelhando-se aos granitos tipo I alta- cionados a arco pós-colisionado ou vinculados a mente fracionados, com similaridades com os grani- ambiente anorogênico, emplaçados em regime tos alcalinos tipo A. O Granito Teles Pires apresenta transtensional a extensional e posicionados imedia- similaridade, química e petrográfica com os granitos tamente após o magmatismo tipo I. Considera a Pro- pós-colisionais descritos por Sylvester (1989) no víncia de Itu do Cinturão da Ribeira um típico exem- Alaska (EUA) e Nova Inglaterra (Austrália) e com os plo de magmatismo rapakivítico pós-colisional rela- cionado à geração de arco magmático (Wernick et 3 al., 2000). Quanto aos elementos-traço (tabela 2.17), obser- Metaluminoso Peraluminoso va-se que os níveis de concentrações de Ba e Sr são parecidos aos encontrados nas suítes calcioalcali- nas de alto potássio (Granito Nhandu) e mostram va- 2 lores mais elevados quando comparados com os granitos alcalinos anorogênicos, que são profunda- mente depletados nestes elementos (Küster et al., 1998). Pelo diagrama de Harris et al. (1986), figura POG 2.55, tendo como parâmetros Hf x Rb x 30 x 3Ta, as amostras do Granito Teles Pires plotaram o campo 1 de granito de arco vulcânico e apenas uma situou-se Peralcalino no espaço reservado aos granitos pós-colisionais. Esses granitos revelaram acentuado enriqueci- mento em HFSE (Zr, Hf) e Terras-Raras (figuras 2.56 0,5 1 2 e 2.57), com moderada anomalia negativa de Eu, Al O (CaO + Na O + K O) 2 3 2 2 Assemelhando-se aos granitos calcioalcalinos de Figura 2.53 – Amostras do Granito Teles Pires plotadas alto potássio (Suíte Juruena e Granito Nhandu), vin- no diagrama de Shand, modificado por Maniar & Piccoli culados à geração de arco magmático. (1989). POG - granitóides pós-orogênicos. Rb/30 6 5 Alto -K 4 SYN-COLG GM-4 3 CC-183 Médio-K VAG POST-COLG 2 1 Baixo-K WPG Hf Ta*3 0 43 45 55 65 75 79 Figura 2.55 – Diagrama de Harris et al. (1996) aplicado SiO (peso%) às amostras do Granito Teles Pires (VAG - Granitos de2 arco vulcânico, SYN-COLG - Granitos sincolisionais, Figura 2.54 – Amostras do Granito Teles Pires no POST-COLG - granitos pós-colisionais e WPG - granitos diagrama de Le Maitre (1989). intraplacas). – 66 – K 2O(peso%) Al O ( Na O + K O) 2 3 2 2 Basalto Basalto Andesítico Andesito Dacito E Riolito SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela. 2.17 – Resultados de análises químicas das amostras do Granito Teles Pires. AMOSTRAS GM-04 GM-07 GM-10 PV-195 CC-183 Elementos Maiores% SiO2 74,53 71,32 72,89 70,62 75,60 TiO2 0,10 0,45 0,27 0,51 0,08 Al2O3 13,71 13,77 13,56 12,93 12,21 Fe2O3 0,60 2,08 1,57 3,62 1,42 MnO 0,05 0,11 0,11 0,05 0,05 MgO 0,08 0,47 0,33 0,60 0,03 CaO 0,37 1,07 0,94 1,61 0,46 Na2O 4,05 4,10 3,94 2,88 3,75 K2O 4,81 4,89 5,03 5,08 4,79 P2O5 0,02 0,15 0,05 0,20 0,02 P.F. 0,62 0,76 0,71 - 0,36 Total 98,94 99,17 99,40 98,20 90,77 Elementos Traços (ppm) Rb 219 231 211 333 398 Sr 26 147 92 137 21 Y 32 101 69 167 134 Zr 119 574 451 490 263 Nb 25 47 43 26 46 Ba - 620 370 636 78 Th 28 30 28 74 52,8 U 3 6 7 19,7 11 Cu - - 14 8 - Pb - - 6 46 - Zn 100 100 44 320 100 Co 5 5 1,4 5,8 5 Elementos Terras-raras (ppm) La 18 100 73 238 87 Ce 49 207 160 295,3 170 Nd 19 83 54 158,4 76 Sm 4,3 14,1 92 22,8 15 Eu -0,5 1,3 0,80 1,99 -0,5 Gd - - 8,03 21,50 - Dy -1 - - 20,3 - Er - - 6,61 13,78 - Yb 3 10 7 12 14 Lu 0,4 1,4 1 1,87 1,8 Tm - - 0,97 1,79 - – 67 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil 10.000 Igarapé das Pedras. Diversos outros autores usaram esta mesma terminologia para caracterizar os sedi- 1.000 mentos encontrados desde o Rio Sucunduri até a BR-163 (Cuiabá-Santarém), na região conhecida 100 como serra do Cachimbo, dentre os quais desta- cam-se Liberatore et al. (1972), Silva et al. (1974), Almeida (1974), Santos et al. (1975), Santos et al. 10 (1977), Leal et al. (1978) e Silva et al. (1980). Santiago et al. (1980), em mapeamento na região 1 de confluência dos rios Juruena e Tapajós, propõem a divisão dos sedimentos ali aflorantes em uma uni- dade proterozóica, com a denominação de Forma- 1 ção Palmares, e outra paleozóica, subdividida em di- versas formações e subunidades. Bizinella et al. ,01 (1980) introduziram a denominação Grupo Jatuarana para englobar as formações paleozóicas, e Pinheiro Figura 2.56 – Diagrama multielementar normalizado & Ferreira (1999) indicaram o nome Formação Buiu- segundo o manto primitivo, Taylor & McLennan (1985), çu para os sedimentos proterozóicos, em razão de o aplicado às amostras do Granito Teles Pires. termo Palmares já ter sido utilizado, na categoria de Formação, na Faixa de Dobramentos Sergipana. 1000 Com base na interpretação de aerofotos e de ima- gens de radar e satélite e nos dados coletados no campo, foram individualizadas, no Promin-Alta Flo- resta, 5 unidades litológicas, que ocupam toda a por- 100 ção norte da folha. A atual borda desta bacia é mar- cada por um sistema de falhas transcorrentes predo- minantemente sinistrais. Nas imediações das fazen- das Vaca Branca, Cachoeira e Santa Helena tem-se 10 uma zona transpressionada, resultante da compres- são N55E e do recobrimento lateral de falhas trans- correntes, gerando falhas de empurrão e dobras, provocando o aparecimento entre os sedimentos de rochas do embasamento como as da Suíte Colíder, 1 do Granito Nhandu, marcados por rejeitos aparentes de grandes amplitudes e de outliers isolados como o Figura 2.57 – Diagrama de elementos de terras-raras do porto da Madeiseik. normalizados segundo o manto primitivo (Taylor & Unidade I (PPb1) – Distribui-se sob a forma de es- McLennan 1985), aplicadas às amostras do Granito treita faixa com orientação WNW-ESE a E-W, reco- Teles Pires. brindo discordantemente as rochas da Suíte Colíder, ocupando o terço superior da encosta da serra dos Datações isotópicas efetuadas por Santos (2000), Apiacás e mostra mergulhos em torno de 40º para em biotita granito na região de Terra Nova do Norte, NNE/N. Contatos tectônicos com outras unidades Folha Vila Guarita, forneceram idade U/Pb de 1.757 ± também são observados. Nas seções estudadas sua 16 Ma e idade-modelo Sm/Nd de 2.100 Ma, ratifican- espessura é estimada em 150m predominando are- do um posicionamento pós-orogenético em relação nitos e arenitos líticos brancos a creme, com grãos fi- à evolução do arco magmático Juruena. nos a médios, subangulosos e bem selecionados, dispostos sob a forma de estratos e camadas com 2.2.12 Grupo Beneficente (PPb) freqüentes estratificações plano-paralelas e cruza- das acanaladas e tabulares. Segundo Pedreira Esta denominação foi proposta por Almeida & No- (2000) estas rochas tipificam um sistema fluvial en- gueira Filho (1959) para designar uma seqüência se- trelaçado, onde os arenitos com estratificações cru- dimentar composta por duas litofácies: uma inferior, zadas planares representam barras transversais. Na quartzítica, aflorando no povoado de Beneficente e fazenda da Sierra, localizada 20km a NNE de Alta Flo- uma superior, pelítica, aparecendo no baixo curso do resta, a parte inferior desta unidade é formada por ca- – 68 – La Li K Rb Ce Cs Ti Pr Pb Ba Th Nd U Nb Sm La Ce Eu SrPr Nd Gd Zr Sm Tb Eu Gd Tb Dy Ti Dy Ho Y Ho Er Er Tm Yb Tm Lu Sc Yb V Zn Cu Lu Ni Cr SC.21-X-C (Alta Floresta) madas métricas de conglomerados polimíticos (clast tes. Lâminas delgadas dos siltitos mostram predomi- supported), com os clastos de rochas vulcânicas, are- nância de cristais recristalizados de quartzo (>80%) nitos e argilitos, atingindo 20cm de diâmetro (foto 2.20). envolvidos por argilominerais, impregnados por hi- A norte de Paranaíta, na estrada para a fazenda do dróxido de ferro vermelho. Fragmentos de feldspatos Furlan, inicia-se com arenito argiloso marrom-claro a e minerais opacos, parcialmente oxidados, comple- róseo, de granulação média e bem selecionado, ca- tam sua composição. Nas margens do rio Teles Pires peado por uma sucessão de finas camadas de areni- (porto de Areia, CC-286) aflora calcário margoso, tos, arenitos líticos e argilitos, avermelhados e com cinza-escuro, com textura muito fina, estrutura fina- clastos de argila e granocrescência ascendente, e mente laminada (foto 2.21), composto predominan- recobertos por uma camada de argilito vermelho temente por carbonatos, argilominerais, sericita, com manchas brancas de descoloração e com nova quartzo, feldspato potássico, clorita e opacos e apre- alternância de argilitos vermelhos e arenitos verme- sentando forte efervescência ao HCl diluído. A pre- lho-escuro, friáveis e com estratificações cruzadas sença dos argilitos indica planície de inundação ou tabulares, com indicação de paleocorrentes para superfície de afogamento e, devido à presença de oeste. Neste pacote, com espessura de 5m, os areni- lentes de rochas carbonáticas, esta unidade é inter- tos basais com clastos de argila são indicativos de lo- pretada como integrante de uma plataforma carbo- bos progradantes sob a forma de pequenos leques nática. preenchendo canais, enquanto os arenitos com es- tratificações cruzadas tabulares e os argilitos são in- terpretados, respectivamente, como barras linguói- des ou transversais e deposição em planícies de inundação (Pedreira, 2000). Nas proximidades da sede da fazenda Vaca Branca, os sedimentos dessa unidade iniciam-se com uma alternância de estratos centimétricos de arenitos finos, bem selecionados e argilito vermelho com níveis escuros e carbonosos, nos quais, em estudos palinológicos realizados pelo LAMIN-RJ, não foram observados fósseis. São inter- pretados como depósitos overbank ou planícies de inundação, com os níveis de material escuro repre- sentando zonas pantanosas. Petrograficamente os arenitos mostram grãos de quartzo subarredondados, pouco recristalizados e com fraca extinção ondulante. Próximos a zonas de Foto 2.20 – Matacões de conglomerado exibindo falha estes grãos exibem forte extinção ondulante e granocrescência ascendente. estão bem recristalizados. Fragmentos de rochas vulcânicas, arenitos finos e argilitos foram observa- dos nestes arenitos. Os conglomerados são forma- dos por clastos subarredondados a angulosos de ro- chas vulcânicas, arenitos impuros, siltitos e argilitos, imersos em uma matriz quartzosa. Unidade II (PPb2) – Distribui-se sob a forma de es- treita faixa paralela à unidade anterior, à qual recobre de maneira concordante. Suas melhores exposições foram observadas ao longo da estrada de acesso à fazenda do Furlan, localizada a norte de Paranaíta, com espessura estimada em mais de 150m. Constitui um espesso pacote de pelitos avermelhados onde os argilitos laminados representam as rochas predomi- nantes. Arenitos finos e arenitos manganesíferos aparecem como lentes ou finas intercalações. Essas rochas encontram-se alteradas, formando, na maior Foto 2.21 – Lajedo de calcário margoso com parte da área, solo argiloso avermelhado, em contra- estratificação plano-paralela. Grupo Beneficente. Porto posição aos solos arenosos das unidades envolven- da Areia (rio Teles Pires), CC-286. – 69 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Unidade III (PPb3) – Mostra-se distribuída sob a tatou-se a predominância de solos argilosos averme- forma de estreita faixa paralela às unidades anterio- lhados provavelmente originados da alteração de ar- res, constituindo a parte mais acidentada da borda gilitos e siltitos, em contraste com os solos arenosos. desta bacia sedimentar, conhecida regionalmente Nos raros locais onde rochas pouco alteradas foram como serra do Apiacás. As unidades I e III, compos- observadas, notam-se intercalações de siltitos e are- tas predominantemente por arenitos, formam morro- nitos finos e níveis de silexito. Arenitos finos creme a tes alinhados constituindo lineamentos positivos nas marrom-claro, bem selecionados, com estratifica- imagens de satélites e de radar, enquanto na Unida- ções plano-paralela e cruzada acanalada de peque- de II, argilosa, o relevo é mais abaulado, conferindo no porte e marcas onduladas, afloram nas margens uma textura fotográfica diferente, o que, aliado aos do rio São Benedito. Camadas horizontalizadas de dados de campo, permitiram sua individualização. arenitos, com estratificações plano-paralelas e cru- Recobre concordantemente os pelitos da Unidade II zadas, aparecem no topo dos morrotes e nos locais e é constituída por camadas de arenitos fino a médio, mais elevados. Ao microscópio, esses arenitos mos- com estratificações plano-paralelas, cruzadas e lo- tram textura granular fina e compõem-se essencial- calmente apresentando finas intercalações de siltitos mente de grãos recristalizados de quartzo em mosai- e argilitos. Sua espessura é estimada em cerca de cos e com extinção ondulante moderada. Zircões idi- 100m. omórficos ou em grãos angulosos, grãos ovais de tur- Unidade IV (PPb4) – É constituída por uma seqüên- malina, opacos parcialmente oxidados e minúsculas cia de arenitos claros com intercalações lenticulares palhetas de sericita e clorita aparecem como ele- de argilitos e siltitos avermelhados, nem sempre car- mentos-traço. tografáveis na escala deste projeto. Sua espessura é Arenitos róseos, finos, arcosianos a ortoquartzíti- estimada em pouco mais de 150m e em razão de as cos, com grãos bem selecionados, localmente mos- camadas apresentarem mergulhos mais suaves em trando estratificações cruzadas, e silexito e cherts fo- relação às unidades sotopostas, sua faixa de ocor- ram descritos por Silva Neto et al. (1980) ao longo rência é bem mais ampla, distribuindo-se paralela- dos rios Azul e São Benedito. Esta unidade e as duas mente às unidades anteriores. Seu prolongamento anteriores foram inicialmente consideradas por Pe- para a parte NE da Folha Alta Floresta baseou-se so- dreira (2000) como um sistema fluvial entrelaçado mente em trabalhos de fotointerpretação, em razão com planícies de inundação. Rochas ígneas de cor da inexistência de acesso (reserva da Base Aérea da avermelhada, compactas, finas e vítreas, são descri- Serra do Cachimbo). Devido as intercalações de ar- tas pelos autores acima citados e estão correlaciona- gilitos exibirem mergulho suave e os arenitos serem das a zonas de falhas N-S, localizadas a oeste da fa- bastante friáveis, os locais onde se instalou esta uni- zenda rio Azul e possivelmente correlacionam-se ao dade acham-se arrasados e marcados por uma ve- Diabásio Cururu. getação menos exuberante, facilitando sua individu- A partir da interpretação de dois furos de sonda lo- alização através de fotointerpretação, o que foi con- calizados nas partes NW (serra do Urucu) e SE (serra firmado no campo. do Cachimbo) e de seções geológicas levantadas na Os arenitos apresentam cor esbranquiçada, gra- Folha Alta Floresta, Lopes (2001) sugere, a individua- nulação fina a média, estratificações plano-paralelas lização de três seqüências siliciclásticas e uma car- e cruzadas acanaladas e tabulares. Localmente fo- bonática (figura 2.58). Uma tentativa de correlação ram observados níveis de granulação grossa a mi- entre os perfis executados na borda sul da serra do croconglomerática, geralmente associados a faixas Cachimbo, norte da Folha Alta Floresta, e estes furos de argilitos avermelhados com lentes de siltitos e are- é mostrada na figura 2.58. A Unidade I corresponde- nitos muito finos. ria à Seqüência Siliciclástica Basal (SS1). A Unidade Unidade V (PPb5) – Expõe-se nas porções norte e II, predominantemente pelítica, equivaleria à parte leste, recobrindo a unidade anterior ou em contato basal da Seqüência Carbonática (SC), com seu topo com outras unidades através de falhas transcorren- coincidindo com a superfície de máxima inundação. tes. Normalmente suas camadas acham-se horizon- As unidades III e IV e parte da V seriam correlacioná- talizadas ou apresentam mergulho suave para N, em veis ao restante da SC, presente no furo SE e ausente contraste com os mergulhos fortes observados nas no furo NW, possivelmente devido a processos erosi- unidades basais na borda, que diminuem progressi- vos. Os arenitos do topo da Unidade V corresponde- vamente até esta unidade. Nos perfis realizados, a riam à Seqüência Siliciclástica 2 (SS2). nordeste da fazenda Vaca Branca e na Pousada Sal- Lopes (2001) sugere ainda idade proterozóica to do Thaymaçu, não foi observada discordância an- para a SS1 e SC, e idade Paleozóica para a SS2 e a gular com a unidade sotoposta. Nestes locais cons- correlaciona à Formação Prosperança, e uma idade – 70 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Pelitos Ritmitos calcíferos e pelitos Arenitos Calcário, dolomito Furo de sonda na Serra do Cachimbo (SE) Embasamento Calcarenitos, arenitos calcíferos, dolarenitos. Brecha dolomítica Seqüência Siliclástica 3 Siltito e Argilito Arenitos finos a médios Vermelho 50 0 50 100 Seqüência Siliclástica 2 UNIDADE 5 UNIDADE Furo de sonda na Serra do Urucu (NW) 4 UNIDADE 3 Superfície Máxima de inundação UNIDADE 2 Superfície de Afogamento UNIDADE 1 Seqüência Siliclástica 1 Superfície Erosiva Serra do Urucu Serra do Cachimbo (BR-163) Lopes (2001) Faz. Raio de Sol Faz. do Furfan Faz. Vaca Branca Faz. Sierra Lopes (2001) Figura 2.58 – Correlação litoestratigráfica do Grupo Beneficente, em perfis de sondagem, realizados nas serras do Urucu (NW), Cachimbo (SE) e em seções geológicas na Folha Alta Floresta (modificado de Lopes 2001). – 71 – S Q Ü C A R B O N Á T I C A SQÜ SILICLÁSTICA 2 S E Q Ü E N C I A C A R B O N Á T I C A Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil cenozóica para a Seqüência Siliciclástica SS3, for- diques intrudem os sedimentos do Grupo Beneficen- mada por camadas de arenitos com densidade mui- te. Apresentam composição de diabásio a olivina di- to elevada no perfil gama-gama. abásio, de cor cinza-escura a preta, textura ofítica a Em face de não terem sido encontrados fósseis na subofítica e são compostos por plagioclásio, piroxê- Unidade I, nem informações seguras da idade da Se- nio (augita), hornblenda, minerais opacos (magneti- qüência Carbonática presente no furo da serra do ta, sulfeto) e às vezes olivina, apatita, clorita, epidoto Cachimbo; da grande distância entre a área mapea- e carbonato. da e o local onde Santiago et al. (1980) cartografaram Diversas datações pelo método K/Ar foram efetua- a Bacia Sedimentar do Alto Tapajós; e levando em das em diques de diabásio correlacionáveis ao Dia- consideração as idades obtidas por Tassinari et al básio Cururu, fornecendo idades 190  5 Ma (Bizinel- (1978) em siltitos (1.485 ± 32Ma – Rb/Sr em rocha to- la et al., 1980), 180  9 Ma (Santos et al., 1975) e 177  tal e 1.331 ± 28Ma – Rb/Sr em fração fina) aflorantes 8 Ma (Basei, 1974). na BR-163 a sul da Base Aérea de Serra do Cachim- bo, preferiu-se mantê-la como de idade proterozói- 2.2.14 Depósitos Aluvionares (Q2a) ca. Mapeamentos mais detalhados de toda a bacia da serra do Cachimbo e datações geocronológicas Na área foram identificadas coberturas aluviona- mais precisas serão imprescindíveis para a delimita- res, sub-recentes de paleocanais, paleoterraços e ção das unidades geológicas e a determinação de de depósitos das aluviões concentradas ao longo suas idades. Estes sedimentos são cortados por di- das drenagens atuais. ques básicos datados de 1,3Ga, o que sugere idade Os depósitos aluvionares destacam-se por sua proterozóica para estes sedimentos (Valente, 1998). morfologia típica de planícies sedimentares associa- Idades Pb/Pb obtidas por Saes & Leite (2002), em das ao sistema fluvial, sendo que as aluviões zircões detríticos provenientes de conglomerados sub-recentes ocorrem em posições topográficas da base do Grupo Beneficente, indicaram a idade mais alçadas em relação às aluviões recentes. máxima de 1,7Ga, para o inicio de sua deposição, Essas coberturas aluvionares são formadas por corroborando uma idade paleoproterozóica para sedimentos arenosos e argilosos inconsolidados e essa unidade. semiconsolidados, com níveis de cascalho associa- dos, concentrando-se na área ao longo do rio Teles 2.2.13. Diabásio Cururu (Jdc) Pires e seus tributários: Quatro Pontes, Santa Helena e Paranaíta (margem esquerda) e ribeirão Rochedo Silva et al. (1974) denominaram Dolerito Cururu os (margem direita). corpos intrusivos de extensões quilométricas, desta- Os depósitos inconsolidados são constituídos es- cados em imagem de radar, com expressões topo- sencialmente de areia (quartzo-feldspática) com ní- gráficas positivas. Estes corpos são formados por veis de seixos arredondados de quartzo e fragmen- eruptivas básicas, de natureza toleiítica, sob a forma tos de rocha, que se concentram como barras de ca- de diques de diabásio, relacionados aos basaltos da nais (frontal, lateral e meio de canal). Os níveis rudá- sinéclise do Amazonas, localizados no vale do rio ceos ocorrem geralmente como depósitos de fundo, Cururu, na Folha Tapajós. revelados por ocasião da dragagem da lavra garim- Silva et al. (1980) modificaram o termo dolerito peira. para diabásio e cartografaram inúmeros diques com Depósitos semiconsolidados são encontrados nas dimensões variáveis de dezenas a milhares de me- planícies aluviais dos rios, onde a deposição dos se- tros de comprimento, distribuídos na margem direita dimentos argilosos, com níveis arenosos e de seixos do rio Teles Pires, intrusivos nos sedimentos do Gru- associados, formam pacotes com espessuras variá- po Beneficente, na serra do Cachimbo. Apresentam veis. Estes sedimentos exibem às vezes estratifica- similaridade estratigráfica ao Diabásio Periquito, ções plano-paralela e cruzada tabular. descrito por Almeida & Nogueira (1959) na cachoeira Em geral, tanto os depósitos aluvionares recentes do Periquito, no rio Aripuanã, intrusivo em sedimen- como os sub-recentes são portadores de ouro, locali- tos da Formação Prainha. zado principalmente nos níveis de ruditos, o que oca- Destacam-se vários diques concentrados no qua- sionou uma corrida garimpeira e a extração desorde- drante NE da Folha Alta Floresta, realçados por ex- nada de Au aluvionar, alterando substancialmente a pressivos alinhamentos topográficos na direção paisagem natural desses depósitos, notadamente na NW-SE, bem demarcados na imagem de satélite, região norte e noroeste de Paranaíta, no córrego Jaú com dimensões de até 30km de comprimento. Esses e adjacências. – 72 – SC.21-X-C (Alta Floresta) 3 GEOLOGIA ESTRUTURAL E TECTÔNICA Silva et al. (1980) foram os primeiros a tratar em de ouro) existentes na Província Mineral de Alta Flo- escala regional os principais traços estruturais da resta e destacou que a maioria dessas ocorrências parte norte do Estado de Mato Grosso e sudoeste foram geradas num ambiente tectônico compressi- do Pará, propondo um regime tectônico extensio- vo, rúptil a rúptil-dúctil, marcado por veios extensio- nal, marcado por movimentos verticais diferencia- nais (quartzo), subverticais, com direção N55E dos, demarcados por extensivos lineamentos e fa- (afloramento típico, próximo à pedreira de Matupá), lhamentos de orientação NW-SE e WNW-ESE, inter- corroborado pela cartografia realizada. A partir ceptados por lineamentos de estruturação NE-SW. dessa compressão foram geradas falhas transcor- Megafeições estruturais como o Alto Estrutural Ju- rentes de direção predominante NW-SE de cine- ruena-Teles Pires, graben do Cachimbo, Linea- mática sinistral (Garimpos da Peteca, Cuiabá, Ser- mento São João da Barra-Teles Pires, Falha do rinha e Tapajós, na Folha Vila Guarita), falhas conju- Cristalino, entre outras, circunscritas à área do Pro- gadas e subsidiárias de direção N-S de cinemática min-Alta Floresta, foram cartografadas pelos auto- dextral (filão do Paraíba) e NE-SW. Caracterizou res supracitados. ainda deformação dúctil para o filão do Fabinho Barros (1994), em trabalhos localizados na re- (Folha Ilha 24 de Maio), encaixado numa foliação gião de Peixoto de Azevedo e adjacências, propõe milonítica N70E/80SE, contendo lineação de esti- um modelo tectônico-estrutural marcado por regi- ramento de alto rake, impondo um formato de tecto- mes compressivo e extensional, gerando zonas nito L. transcorrentes NW-SE e EW (mais antigas) de natu- Lacerda Filho, et al. (2001) constataram, a partir reza dúctil a dúctil-rúptil e um sistema NE-SW, rúp- da cartografia geológica sistemática realizada til, pós-Uatumã. pelo Promin-Alta Floresta, a predominância de Siqueira (1997), em trabalho de detalhe no filão dois domínios tectono-estruturais: rúptil/rúptil- do Paraíba e adjacências, caracterizou diferentes dúctil e dúctil, edificados num regime compressi- zonas de cisalhamentos transcorrentes, dúctil, vo convergente, colisional, com evolução para dúctil-rúptil e rúptil com direções predominantes transcorrente, pois coexistem indicadores que noroeste, norte-noroeste, nordeste e leste-oeste, diagnosticam tanto compressão (lineação de esti- em consonância ao padrão de Riedel. ramento de alto rake) como transcorrência (linea- Santos (2000 e 2001) realizou análise estrutural ções e assimetrias de porfiroclastos de feldspato em diversas frentes de lavra garimpeira (extração suborizontalizadas). – 73 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil O domínio rúptil a rúptil-dúctil é distribuído pelos apertadas com eixos Lb-10/N30. Esses elemen- terrenos com deformação não penetrativa descon- tos planares e lineares foram transpostos por uma tínua, próprio do nível estrutural do cinturão pluto- segunda superfície (Sn+1) milonítica, com a instala- no-vulcânico (suítes intrusivas Juruena e Paranaíta, ção de megazonas de cisalhamento dextral e sinis- granitos Nhandu e Teles Pires e Suíte Colíder) e co- tral conjugadas, de direção EW a WNW-ESE, arti- berturas sedimentares proterozóicas. Acha-se ca- culadas com zonas transcorrentes oblíquas de di- racterizado por zonas de cisalhamento confinadas, reção NW-SE. com largura centimétrica a métrica, na maioria das A 2ª fase compressiva, subseqüente à colisão de vezes descontínuas, formadas a partir de nuclea- blocos continentais e cujo vetor de compressão ção de fraturas e/ou falhas preexistentes, com dire- máxima F1 tem direção N55E, gerou o retrato es- ções predominantes NW-SE e EW, de cinemática trutural dessa área, visto em sensores remotos e sinistral e NS (dextral), num regime compressivo cartografado em trabalhos sistemáticos de campo. com vetor máximo (F1) com direção N50E. Essas É representada por megacisalhamentos transcor- zonas de cisalhamento acham-se representadas rentes dúctil, rúptil-dúctil e rúptil de cinemática do- por rochas filoníticas (quartzo + clorita + sericita ± minantemente sinistral e orientados NW-SE, WNW- epidoto), resultantes da interação da rocha graníti- ESE, e cisalhamentos transcorrentes dextrais, anti- ca e fluidos hidrotermais, confinadas e encaixadas téticos, de direção N-S. Esta fase corresponde ao abruptamente em granitos não deformados. Essas ajustamento de blocos crustais, guiados por esca- descontinuidades alojam as principais mineraliza- pe lateral, formando ambientes distensionais e ções auríferas da área. contracionais localizados, gerados em função da O domínio dúctil acha-se vinculado às rochas de ação conjugada de transcorrências. Em áreas de médio a alto grau metamórfico (Complexos Bacae- recobrimento lateral, dessas transcorrências, ocor- ri-Mogno e Nova Monte Verde, e Granito São Pe- rem zonas transpressionadas (falhas inversas, do- dro) e mostra um estilo deformacional progressivo, bras e ejeção de corpos graníticos Nhandu (fazen- desenvolvido sob regime compressivo de NW para da Vaca Branca e adjacências) e transtensiona- SE, onde formaram megazonas transcorrentes das, ocupadas pelo magmatismo calcioalcalino oblíquas, dúcteis, com direção predominante alto potássio, tardi a pós-colisional (Granito São Pe- NW-SE a EW, cinemática dextral, caracterizadas dro, suítes Colíder, Juruena, Paranaíta e Nhandu) e por uma superfície milonítica Sn+1), que transpôs to- pela deposição de sedimentos paleoproterozóicos tal ou parcialmente o bandamento gnáissico (Sn), do Grupo Beneficente em bacia assemelhada a geralmente disposto em dobras abertas assimétri- pull-apart. cas, confinadas por shear bands. Foi detectada outra superfície milonítica Sn+2, direção NE-SW, 3.1.1 Domínio Dúctil que truncou e transpôs, em parte, as superfícies anteriores. Acha-se preservado no quadrante sudoeste da Folha Alta Floresta, envolvendo os terrenos 3.1 Análise Descritiva deformados em condições mais severas de P (pressão) e T (temperatura), próprios de média a Na Folha Alta Floresta as principais feições estru- infracrosta, representados pelos litótipos do Gra- turais podem ser enquadradas nos domínios tecto- nito São Pedro, Suíte Vitória e Complexo Bacaeri- no-estruturais dúctil e rúptil-dúctil a rúptil, desen- Mogno. Também inclui fatias isoladas do Com- volvidos essencialmente num regime compressio- plexo Cuiú- Cuiú nos arredores de Carlinda, su- nal atuante em duas fases: 1ª fase compressiva, deste da área. responsável pela geração de estruturação NE-SW, Este domínio é marcado inicialmente por um em regime eminentemente dúctil, de encurtamento evento deformacional tipo cisalhamento coaxial crustal, cujo vetor F1 (compressão máxima), posici- puro, não rotacional, com forte encurtamento crus- onado na direção N65W, deformou as unidades li- tal de NW para SE (N65W), seguido por uma defor- toestratigráficas mais antigas, com idade de mação progressiva não coaxial por cisalhamento 2,2-1,85Ga (Bacaeri-Mogno) e 1,9Ga (Complexo simples, transcorrente e oblíquo. Cuiú-Cuiú). Iniciou-se numa fase de convergência Cisalhamento coaxial, puro não rotacional – Res- e fechamento da bacia oceânica (Complexo Baca- ponsável pelo forte encurtamento crustal (colisio- eri-Mogno), que ocasionou a subdução e colisão nal), que ocorreu nessa área, em razão do regime com os remanescentes do Arco Cuiú-Cuiú), em compressivo, cujo vetor de compressão máxima condições mais severas de P (pressão) e T (tempe- (F1) posicionou-se na direção N65W, marcado a ratura), na facies anfibolito a granulito. Esta defor- partir de estruturas tipo mullion (tectonito L), orien- mação é marcada pela foliação e/ou bandamento tado 10E/N30E (Foto 3.1) desenvolvido em silli- gnáissico (Sn) dos ortognaisses e supracrustais, manita quartzitos inseridos em gnaisses do Com- dispostos na forma de dobras isoclinais abertas ou plexo Bacaeri-Mogno. – 74 – SC.21-X-C (Alta Floresta) (retiro da fazenda Mogno) e na fazenda Bacaeri (CC-241) em cordierita-sillimanita gnaisses, com Lb1-80/N70 (foto 3.2). Santos (2001) descreveu no ponto PS-152, leste de Nova Monte Verde (Foto 3.3), gnaisses calcissilicáticos dobrados em estilo desar- mônico, com mobilizados félsicos, subconcordan- tes, cujas superfícies axiais orientam-se em torno de N35/90, com eixos 30/35NE, sugerindo meca- nismos de cisalhamento puro na sua formação. Na Folha Rio São João da Barra, Ribeiro & Villas Boas (no prelo) identificaram várias feições estrutu- rais que comprovam esse evento de encurtamento crustal, dentre as quais se destacam: 1) dobras ptigmáticas (Foto 3.4) em materiais de alto contras- Foto 3.1- Estruturas tipo mullion, em sillimanita te de viscosidade (Ramsay & Huber, 1987), repre- quartzito inserido em gnaisse sílico-aluminoso do sentados por veios pegmatóides (mais competen- Complexo Bacaeri-Mogno. Plano horizontal (PS-237, tes - µ1), inseridos em granada-biotita gnaisses Folha Rio São João da Barra). (menos competentes-µ2)do Complexo Nova Monte Verde (PS-48); e 2) estruturas tipo mullion (Foto Os principais legados estruturais desse evento 3.1), tectonito L, orientado 10/N30, indicativo de acham-se preservados através da superfície Sn (bandamento gnáissico Composicional), dada pela segregação e alinhamento de minerais félsi- cos e máficos, nas supracrustais do complexo Ba- caeri-Mogno, estruturado em dobras isoclinais si- milares às das classes 1C e 3 de Ramsay & Huber (1987), cujos eixos (Lb1), quando reunidos e plota- dos no estereograma de igual área-hemisfério infe- rior, resultou numa atitude predominante de 78/N70 (figura 3.1). Dobras isoclinais foram observadas em anfiboli- to fino (Complexo Bacaeri-Mogno) com eixos vari- ando em torno de 45/N70 na estação CC-235 N Foto 3.2 – Mesodobras isoclinais fechadas a verticais, com eixos Lb=80/N70 em cordierita- sillimanita gnaisses, supracrustais do Complexo Bacaeri- Mogno.(Fazenda Bacaeri - CC- 241). Plano horizontal. 3.4% 6.9% 10.3% 13.8% Lower hemisphere - Integrado I24M e AF-D. Dúctil Lb1 N=29 K=100.00 Sigma=1.000 Peak=3.67 Figura 3.1 – Estereograma de igual área-hemisfério inferior com registro de eixos de dobras isoclinais Foto 3.3 – Afloramento de gnaisse calcissilicático (Lb1) de bandamento (Sn) em supracrustais do exibindo dobras desarmônicas, formadas por Complexo Bacaeri- Mogno com orientação mobilizados félsicos, subconcordantes. PS-152, leste predominante 78/N70E( domínio dúctil). de Nova Monte Verde, visto em perfil. – 75 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil um estágio de encurtamento máximo (Z), gerado cos de feldspato potássico, com atitudes em torno em função da compressão máxima (F1) em dobras de 60/N50, contidos na foliação milonítica de bandamento Sn, em sillimanita quartzitos inseri- N40W/60NE. dos em biotita gnaisses do Complexo Bacae- Cisalhamento Transcorrente/Oblíquo – Respon- ri-Mogno (PS-237, norte do Trivelato) com charnei- dem pela transposição das estruturas formadas no ra afiada/lobada (materiais de baixo contraste de evento anterior (elementos planares e lineares) e viscosidade). geração de uma superfície milonítica (Sn+1), que O Granito São Pedro também acha-se afetado forma megazonas de cisalhamento transcorrente por um forte componente de achatamento, com E-W a WNW-ESE de cinemática dextral e sinistral, desenvolvimento de megazonas de cisalhamento conjugadas e articuladas a zonas de transcorrên- transcorrente compressional (oblíquo) da segun- cia compressiva oblíqua de direção NW-SE. Estão da fase, marcado por expressivas faixas miloníti- expostas na fazenda Mogno/Assentamento São cas e protomiloníticas com algumas centenas de Pedro, em terrenos de alto grau metamórfico (Com- metros de largura e dezenas de quilômetros de plexo Bacaeri-Mogno), provável zona de sutura, comprimento. Distribuem-se entre o Assentamen- cujos resultados gravimétricos atestaram eviden- to São Pedro (CC-158 e CC-163) e fazenda São tes sinais de espessamento crustal (figura 2.3). As Bento, orientadas NW-SE, com mergulhos varian- medidas da foliação milonítica (Sn+1), quando reuni- do de 50 a 90 invariavelmente com caimento das e plotadas no estereograma de igual para NE (Foto 3.5). Marcas de achatamento crustal área-hemisfério inferior, resultaram numa concen- acham-se preservadas na forma de tectonito L tração de atitudes em torno de N60W/83NE (figu- dada pelo alongamento dos porfiroclastos simétri- ra 3.2). Na parte sul das folhas Alta Floresta e Rio São João da Barra (fazenda Mogno/Trivelato/Nova Monte Verde), foram observadas megazonas de ci- salhamento E-W/ESE-WNW/subverticais, com ci- nemática predominante dextral. Nos trabalhos sis- temáticos, essas feições acham-se representadas por mesodobras de bandamento (Sn) rompidas e transpostas por bandas de cisalhamento (Sn+1),pla- no-axiais, sinistrais e dextrais (Foto 3.6), com dire- ção E-W/subvertical. Estruturas sigmoidais em gnaisses calcissilicáticos são indicativas de cisa- lhamento dextral (foto 3.7). Este mesmo comportamento, Santos (2001) descreve no sítio São Joaquim (PS-195), sul de Foto 3.4 – Dobras ptigmáticas em veios pegmatóides N inseridos em granada-biotita gnaisse, PS-48 ( Folha Rio São João da Barra), visto em perfil. 33.3% 29.2% 25.0% 20.8% 16.7% 12.5% 8.3% 4.2% N=24 K=100.00 Sigma=1.000 Peak=7,74 Lower hemisphere - Alta Floresta D. Dúctil Sn+1 Foto 3.5 – Disposição de exposições do Granito São Pedro sinalizando formas alongadas seguindo Figura 3.2 – Estereograma de igual área-hemisfério orientação dos porfiroclastos de feldspato potássico. inferior, mostrando atitude média de N60W/ 83NE da (60/N50). foliação Sn+1, domínio dúctil. – 76 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Foto 3.6 – Afloramento de gnaisse calcissilicático Foto 3.8 – Zona de cisalhamento transcorrente dúctil mostrando mesodobras (Sn) transpostas e rompidas de cinemática sinistral no Granito São Pedro, leito da por bandas de cisalhamento transcorrente (Sn+1) e estrada MT-206, afloramento CC-136, Gleba cinemática sinistral e dextral. Afloramento PS-44, Mandacaru. Plano horizontal. rodovia MT-208, leste de Nova Monte Verde, plano horizontal. Evidências de cisalhamento transcorrente oblí- quo foram observadas, também, nos metagranitos do Complexo Cuiú-Cuiú a norte de Carlinda (Comu- nidade Jerusalém, vicinal 12, CC-82), onde mega- cristais de feldspato potássico (com até 2cm de ta- manho) acham-se estirados e amendoados entre placas de biotita, clorita e agregados de quartzo, produzindo uma lineação de estiramento Lx-40/ N60 e uma foliação N80W/80NE. Esta faixa milo- nítica prolonga-se para nordeste de Carlinda, vici- nal D (CC-305), em ortognaisses graníticos, onde exibe superfícies S/C (foto 2.1), com S=N85W/ 40SW e C=N40E/80SE. A superfície milonítica é dada por porfiroclastos de feldspatos amendoa- dos, interpostos entre placas de biotita + clorita + sericita + agregados de quartzo. Foto 3.7 – Lajedo de gnaisse calcissilicático do Veios pegmatóides acham-se alojados nesses Complexo Nova Monte Verde,exibindo estrutura ortognaisses de modo concordante à foliação, ou sigmoidal indicativa de zona de cisalhamento discordante na direção N50E (extensional). transcorrente dúctil de cinemática dextral. Afloramento PS-44, rodovia MT-208, leste de Nova Monte Verde Ocorrem também zonas de cisalhamento trans- (Folha Rio São João da Barra). Plano horizontal. corrente dúctil dextral, marcadas pelo desenvolvi- mento de outra superfície milonítica (Sn+2) de dire- ção geral NE-SW, que truncou e transpôs local- Nova Bandeirante, em granitóide porfiroclástico mente as zonas de cisalhamento anteriores. com farrapos de rochas máficas ricas em biotita e Acha-se preservada no ponto CC-136 (Gleba Man- porfiroblastos de granada, mostrando indicação dacaru), no domínio do Granito São Pedro, repre- de rotação sinistral, contidos numa foliação miloní- sentada por uma faixa milonítica com atitude tica N85W/55SW. N55E/75NW, realçada pelo alinhamento de seri- Na Gleba Mandacaru e adjacências, ocorre um cita + agregados de quartzo + feldspato alcalino, megalinhamento estrutural no granitóide São Pe- que intercepta a superfície Sn+1, e pela avaliação e dro, visível através das imagens de satélite, com plotagem em estereograma igual área-hemisfério orientação EW, onde foi constatada uma faixa milo- inferior, resultou uma atitude média N58E/87NW, nítica (CC-136), cuja foliação é formada por placas figura 3.3. estiradas de sericita, clorita, agregados de quartzo Indícios de encurtamento crustal foram obser- e porfiroclastos de feldspatos amendoados, com vados em ortognaisses graníticos do Complexo atitude N70W/65NE. Assimetria dos porfiroclas- Cuiú- Cuiú, na 1ª vicinal a norte de Alta Floresta tos de feldspatos e de mica (mica fish) (Foto 3.8) (CC-2), onde ocorrem mesodobras com amplitu- atesta uma zona de cisalhamento transcorrente si- de de aproximadamente  30cm e eixos Lb=20/ nistral. N90. – 77 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil ção distensional ao longo do mergulho da foliação N N70W/70NE. Orientação de fenocristais pouco a não deformados, marcam o fluxo magmático, para- lelo ao estiramento de porfiroclastos em zonas de deformação em estado sólido. Esses indícios acham-se possivelmente ligados à fase de des- compressão (tardia), responsável pela exumação 50.0 % dos terrenos granulíticos (Complexo Bacae- ri-Mogno) e criação de zonas transtensionadas. 37.5 % 25.0 % 3.1.2 Domínio rúptil-dúctil a rúptil 12.5 % Acha-se preservado através dos terrenos com deformações descontínuas, não penetrativas, pró- prios das suítes intrusivas Juruena, Paranaíta, Gra- nitos Nhandu, Teles Pires, vulcânicas/(subvulcâni- N=8 K=100.00 Sigma=1.000 Peak=3.96 cas Colíder) e coberturas paleoproterozóicas (Gru- Lower hemisphere - Alta Floresta D.Dúctil Sn2 po Beneficente), perfazendo cerca de 75% da fo- lha. Caracteriza-se por zonas confinadas de cisa- Figura 3.3 – Estereograma de igual área-hemisfério lhamento, com largura centimétrica a métrica, for- inferior com registro da foliação Sn+2, atitude média mada pela nucleação de fraturas e/ou falhas pree- N58E/87NW no domínio dúctil. xistentes. Fraturas extensionais (T) – São preenchidas por Sinais de rotação de F1 (vetor de compressão veios de quartzo freqüentemente com texturas pri- máxima) foram observados em afloramento márias tipos cocar, pentes, drusas e cristais de (CC-258) do Granito São Pedro, exibindo porfiro- quartzo crescidos perpendiculares às paredes das clastos de até 4cm de tamanho de feldspato potás- fraturas, como ocorrem a norte de Carlinda (CC-83) sico, alinhados segundo foliação com atitude e na Fazenda do Japonês. Os registros avaliados e N40W/60ENE, interceptada por veios de quartzo medidos acham-se plotados no estereograma de (extensional) e de microgranitos (Foto 3.9) na dire- igual área-hemisfério inferior (figura 3.4), revelando ção N80W/80NE. Estes veios mostram zonea- uma atitude resultante N56E/88NW, marcadora mento no preenchimento da fratura, marcada por do vetor de compressão máxima (F1), balizador das sucessivos estágios de abertura, acompanhados fraturas de cisalhamento de Riedel (R, R’, P, Y e X), de pulsos magmáticos correspondentes. (figura 3.5). Indícios de uma tectônica distensiva, própria de ajustamento de blocos crustais, após períodos de colisão, foram diagnosticados por Santos (2001) no Granito São Pedro, parte norte do Assentamento São Pedro, a partir de raros porfiroclastos assimé- tricos de feldspato, indicativos de uma movimenta- Foto 3.9 – Veios pegmatóides graníticos, intrusivos no Granito São Pedro. 1ª vicinal sul de Alta Floresta, CC-259. Plano vertical. – 78 – SC.21-X-C (Alta Floresta) N 48.6 % 43.2 % 37.8 % 32.4 % 27.0 % 21.6 % 16.2 % 10.8 % 5.4 % Foto 3.10 – Zona de cisalhamento transcorrente sinistral, rúptil-dúctil confinada, com terminação em rabo-de-cavalo, desenvolvida no Granito Juruena. N=37 K=100.00 Sigma=1.000 Peak=19.11 Fazenda do Português (PS-35). Folha Rio São João da Lower hemisphere - Alta Floresta - D. Rúptil/Rúptil - Dúctil Y/R - Frat.Cis. Barra. Vista em planta. Figura 3.5 – Estereograma de igual área-hemisfério inferior mostrando plano médio E-W/ subvertical para a bém confinadas e nucleadas a partir de fraturas, fratura de cisalhamento de Riedel (Y), com cinemática em granitóides pouco deformados das suítes Juru- sinistral. ena e Paranaíta e Granito Nhandu, cujos registros plotados no estereograma de igual área-hemisfério inferior apontaram uma orientação dominante Fraturas de Cisalhamento (Y/R) – Dispostas ao N81W/subvertical (figura 3.6), com variações para longo de descontinuidades, marcadas por falhas E-W e ENE-WSW. Os indicadores cinemáticos tipo e/ou zonas de cisalhamento confinadas, geralmen- estruturas S/C (CC-60), assimetria de lamelas de te preenchidas por veios de quartzo em zonas quartzo, sigmóides de micas (mica fish) apontam transtensionais (dilational jogs), como ocorre no para uma cinemática sinistral, como acontece nos garimpo Pé de Fora. São faixas descontínuas, de granitos de Nhandu (CC-60), vicinal da linha 12 largura centimétrica a métrica, confinadas em ro- (Carlinda). chas graníticas não deformadas (CC-68), com dire- Neste contexto foi desenvolvida a falha do Cris- ção predominante E-W/subvertical, cinemática si- talino, que constitui um megalineamento destaca- nistral, indicada por estruturas S/C e mica-fishes do em imagem de satélite com mais de 80km de ex- observadas a norte da vicinal D3 de Carlinda tensão, orientado numa direção geral E-W com in- (CC-63) e estruturas em rabo de cavalo (foto 3.10), flexões para ENE/WSW. Esta estrutura foi confirma- na Folha Rio São João da Barra. A foliação miloníti- da em afloramento a 500m a norte da sede da fa- ca é definida pelo estiramento de agregados de zenda Vaca Branca, onde foi constatada uma faixa quartzo recristalizado e bandas milimétricas ricas métrica de filonito (quartzo + clorita + sericita) (foto em clorita + sericita  epidoto  óxidos, realçada 3.11), exibindo foliação orientada N80E/70NW, através de estruturas sigmoidais, relação S/C e contendo cristais de quartzo estirados e rotaciona- mica fishes, sugerindo uma temperatura de 200 a dos e assimetria de porfiroclastos sigmóides de 400C durante essa deformação. As zonas de cisa- clorita/sericita (mica fish), indicativas de zona de ci- lhamento rúptil-dúctil confinadas resultam da nu- salhamento transcorrente sinistral. cleação dessas fraturas, mediante a interação do Demarca os sedimentos paleoproterozóicos do fluxo de fluidos hidrotermais com minerais ricos em Grupo Beneficente das vulcânicas/subvulcânicas Fe, Mg e feldspatos dos granitos, resultando quart- da Suíte Colíder. Essa megafeição prolonga-se zo, epidoto, clorita, sericita, carbonatos e sulfetos para oeste até a fazenda Pedra Grande, colocan- nas fraturas dilatantes. do-se em posição de recobrimento lateral à direita Tourigny & Trembley (1997) propuseram que as (overstep) com outra falha transcorrente sinistral juntas e fraturas dilatantes agiram como paleopla- também com orientação geral E-W/subvertical e di- nos de fraqueza ao longo dos quais houve intera- mensões similares, distribuída da fazenda Santa ção fluido/rocha, resultando o amolecimento da ro- Helena (leste) até a cachoeira da Perdição (rio Te- cha granítica. les Pires). Na área de recobrimento dessas estrutu- Zonas de cisalhamento transcorrente – Na re- ras desenvolveu-se um campo transpressionado, gião a norte de Alta Floresta e Carlinda, foram regis- localizado em função desse overstep e do vetor de tradas zonas de cisalhamento transcorrente, tam- compressão máxima, orientada N55E (figura 3.7). – 79 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil N N 36.0% 32.0% 28.0% 24.0% 20.0% 16.0% 12.0% 8.0% 4.0% Figura 3.7 – Diagrama esquemático da zona de transpressão da fazenda Vaca Branca e adjacências, com geração de falhas inversas e dobras, ocasionadas pelo recobrimento lateral à direita de zonas de cisalhamento transcorrente sinistral (falhas do Cristalino e da Cachoeira da Perdição). N=25 K=100.00 Sigma=1.000 Peak=9.21 Lower hemisphere - Alta Floresta-D. Rúptil/Rúptil-Dúctil Transcorrências ralizações auríferas filonianas dos garimpos Grota Figura 3.6 – Estereograma igual área-hemisfério Rica, Mandioca, Valdomiro e Arara. inferior com registros de zona de cisalhamento No garimpo do Valdomiro observou-se uma dimi- transcorrente confinada com orientação média N81W nuta zona de cisalhamento de 30cm de largura, for- nos granitóides do Suítes Juruena e Paranaíta e mada por vênulas de quartzo e fatias de filonitos Granito Nhandu, domínio rúptil a rúptil-dúctil. (quartzo-sericita-clorita) encaixadas em monzo- granitos magnéticos saprolitizados da Suíte Intrusi- va Paranaíta. Neste trend foi registrado, na fazenda Filizzola (CC-206), uma zona de cisalhamento con- finada (largura métrica), em riodacitos da Suíte Co- líder, marcada por superfícies miloníticas (Foto 3.12), com orientação N30W/75SW, regularmen- te espaçadas, formadas por agregados de quartzo recristalizado e estirado, reunidos a sericita, epido- to, sulfetos e magnetita. Fraturas de Cisalhamento (R’/X) – Zonas confina- das de cisalhamento transcorrente geradas a partir da nucleação de fraturas de cisalhamento dextral (R’/X), conjugadas e antitéticas ao movimento prin- cipal da área, foram registradas a leste do Porto da vicinal D3 (Carlinda), no leito do rio Teles Pires Foto 3.11– Aspecto do filonito (CC-334), onde têm direção N-S/70W e demarcam (quartzo+clorita+sericita) exibindo foliação milonítica e o contato do Granito Nhandu com rocha vulcânica estruturas tipo “mica fish” (clorita-sericita), indicativas (andesito) da Suíte Colíder, evidenciando estrutura de uma zona de cisalhamento transcorrente sinistral tipo rabo-de-cavalo. (foto 3.13). (Falha do Cristalino), 500m a norte da sede da fazenda Foram também registradas estruturas tipo Vaca Branca CC-290. Vista em planta. tension gashes ligadas a zonas de cisalhamento transcorrente dextral no Granito São Romão (Folha Isto provocou a geração de dobras nos sedimentos Rio São da Barra, foto 3.14). (Grupo Beneficente) e falhas inversas responsáve- A análise das imagens de satélite aliada aos indí- is pela ascensão de corpos plutônicos (Granito cios coligidos no campo indicaram uma estreita vin- Nhandu), entre esses sedimentos (fazenda Pedra culação da estruturação dos sedimentos do Grupo Grande). Beneficente com a reativação de megafeições A noroeste de Paranaíta, na bacia do córrego Jaú transcorrentes antigas (paleoproterozóicas), à se- e baixo curso do rio Paranaíta, desenvolveram-se melhança da Falha do Cristalino, que limita esses zonas de cisalhamento rúptil-dúctil, confinadas, si- sedimentos com os terrenos vulcânicos/subvulcâni- milares às descritas anteriormente, mas com orien- cos da Suíte Colíder, com direção geral EW a tação francamente NW-SE, portadoras de indicado- WNW-ESE, desenvolvidas durante e após o período res cinemáticos, que sinalizam uma movimentação de sedimentação. Essas falhas transcorrentes agi- sinistral. Essas feições são controladoras das mine- ram de modo conjugado, gerando zonas transtensi- – 80 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Foto 3.12 – Riodacito milonítico em zona de Foto 3.14 – Lajedo de Granito São Romão mostrando cisalhamento transcorrente confinado. Fazenda estruturas tension gashes de quartzo, desenvolvidas em Filizzola, NNW de Paranaíta, CC-206. Plano vertical. zona de cisalhamento transcorrente dextral, afloramento PS-26, Folha Rio São João da Barra, visto em planta. enchidas por diques de diabásio (Cururu), de ida- de jurássica, que seccionam os sedimentos do Grupo Beneficente, concentrando-se na parte nor- deste da Folha Alta Floresta. Marcas dessa tectônica perduram até o Ceno- zóico, observadas nos depósitos aluvionares e no controle do traçado das grandes drenagens, como rio Teles Pires, que na área orienta-se basicamente na direção NW-SE com variação para EW. A história geológica da região foi marcada princi- palmente, pelo desenvolvimento do arco magmáti- co paleoproterozóico, aqui denominado Juruena, desenvolvido entre 1,85Ga e 1,75Ga., acrescioná- rio ao Arco Magmático Cuiú-Cuiú de 2.033Ma a 2.005Ma (Vasquez et al.,2002) ou Ventuari-Tapajós (Tassinari, 1996). 3.2 Evolução Tectônico-Geológica Visando um melhor entendimento dos processos Foto 3.13 – Estrutura tipo rabode-cavalo, contida numa tectono-geológicos envolvidos, segmentou-se a zona de cisalhamento transcorrente dextral antitética, história evolutiva do Arco Magmático Juruena em 3 de direção N-S, que demarca o Granito Nhandu e estágios principais: subvulcânicas andesíticas associadas. Lajedo no leito Estágio 1- Pré-arco (2,2Ga a 1,85Ga) – Corres- do rio Teles Pires a leste do Porto da vicinal D3 ponde à fase de convergência de blocos continen- (Carlinda). tais separados por uma incipiente crosta oceânica (Figura 3.8). Na área, foram encontrados restos onadas, tipo graben rombóide que evoluiu progres- dessa seqüência oceânica preservados, em meio sivamente para uma bacia rombóide cujo eixo prin- a rochas juvenis, representados por anfibolito per- cipal situou na direção WNW-ESE. Em reforço a tencente ao Complexo Bacaeri-Mogno, com idade esta tectônica binária, ocorre, na bacia do rio São isocrônica Sm-Nd ca. 2,24Ga com Nd(T) de + 2,5 Benedito, uma ampla dobra aberta, tipo sinclinal (Pimentel, 2001 e Lacerda Filho et al., 2001), cor- com eixo NW-SE e amplitude de algumas dezenas respondendo à idade mais antiga já determinada de quilômetros. nos terrenos paleoproterozóicos da região de Alta Em estágio francamente rúptil e distensional, o Floresta. A litogeoquímica de elementos ter- Mesozóico é marcado pela reativação de estrutu- ras-raras, dos anfibolitos desse complexo indicou ras antigas e geração de estruturas novas, distribu- uma derivação mantélica e semelhança com os to- ídas na forma de fraturas e/ou falhas com direção leiítos arqueanos e modernos do tipo MORB (basal- predominante NW-SE e NNE-SSW, geralmente pre- tos de fundo oceânico). – 81 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Arco Magmático Núcleo Crosta Cuiú-Cuiú Amazônia Central Continental CROSTA OCEÂNICA LITOSFERA ASTENOSFERA 2.1 Ga - 1.9 Ga Arco Magmático Arco Magmático Núcleo Juruena Cuiú-Cuiú Amazônia Central 1.85 -1.8 Ga 1.9 - 1.7 Ga LITOSFERA ASTENOSFERA 1.85 - 1.75 Ga Figura 3.8 – Modelo tectônico da evolução do arco magmático Juruena (1,85Ga-1,75Ga), no Cráton Amazônico. Nesta bacia este vulcanismo original associ- gravimétricos da área, delineando uma extensa fai- ou-se a uma sedimentação psamo-pelítica e quími- xa anômala com direção WNW-ESE (figura 2.3), ca, em relativa estabilidade tectônica, marcada com indicação de espessamento crustal, sinalizan- pela presença de pelitos, quartzito finos, chert, do uma provável zona de sutura. banded iron formation e rochas carbonáticas. Esse Estágio 2 (1,85Ga-1,75Ga) – A partir da colisão estágio é controlado pela 1ª fase compressiva de desses blocos continentais, o novo vetor de com- NW para SE, gerando estruturas NE-SW, em regime pressão máximo F1, agora com orientação N55E eminentemente dúctil de progressivo encurtamen- (fase compressiva 2), transpôs os elementos pla- to e acreção crustal. A fase de fechamento força a nares (Sn) e lineares (Lb) formados na fase anterior. movimentação desta placa oceânica, em direção a Corresponde ao estágio pós-colisional, segundo um segmento de crosta continental, pré-colisional, Liégeois (1998), onde predomina ajustamento de representado na área pelos restos do Arco Magmá- blocos crustais em zonas de escape lateral, provo- tico Cuiú-Cuiú e granitos pós-colisionais da Provín- cados por grandes movimentos horizontais e oblí- cia Tapajós (Klein et al. 2000 e Vasquez, Ricci & quos, ao longo de megazonas de cisalhamentos Klein, 2002), reconhecido na área do projeto pelo dúcteis, de direção EW a WNW-ESE de cinemática Complexo Cuiú-Cuiú (U-Pb de 1.992  7Ma), suítes sinistral (predominante) e dextral, conjugadas e ar- Matupá (U-Pb de 1.872  12Ma, Moura, 1998) e Flor ticuladas a zonas transcorrentes oblíquas (NW- da Serra (Moreton & Martins 2001), exibindo ida- SE). Constitui a principal fase de geração de crosta des-modelo TDM 2,3Ga Com o conseqüente rompi- continental, entre 1,85Ga. a 1,70Ga, com assinatu- mento, subducção e consumo deste fragmento ra de arco magmático plutono-vulcânico, disposto crustal oceânico, foram gerados os primeiros gra- na direção NW-SE, em estágio pós-colisional (Arco nitóides do Arco Magmático Juruena, por volta de Magmático Juruena) formado por um volume enor- 1.848  17Ma (Granito Juruena). Este período de- me de magmatismo ácido calcioalcalino alto potás- formacional é acompanhado progressivamente de sio, metaluminoso, híbrido, ocupando zonas trans- metamorfismo da fácies anfibolito a granulito (am- tensivas, em níveis crustais distintos, exibindo ida- biente infracrustal), refletido pela isógrada sillima- des modelos TDM de 2,1Ga, assemelhadas, eviden- nita/hiperstênio, desenvolvido sob condições de ciando uma certa similaridade da fonte. Dentro temperatura alta e pressão intermediária, em de- desse domínio orogenético, dois segmentos crus- corrência da subducção de rochas orto e paraderi- tais, de relativa contemporaneidade e diferencia- vadas do Complexo Bacaeri-Mogno, de NW para dos em posicionamento crustal, são edificados; os SE, numa placa formada pelos ortognaisses e gra- terrenos plutono-vulcânicos pouco deformados nitóides do Complexo Cuiú-Cuiú. Em apoio a essa (rúptil a rúptil-dúctil) e plutônicos deformados (do- proposta, foi detectada uma descontinuidade gra- mínio dúctil) de médio a alto grau metamórfico. Os vimétrica que passa na fazenda Mogno e adjacên- terrenos plutono-vulcânicos são formados por gra- cias, onde foram encontrados os maiores valores nitos e vulcânicas pós-colisionais sin a tar- – 82 – SC.21-X-C (Alta Floresta) di-orogenéticos, que edificam o arco em si, com co, ocorrem os alcaligranitos Teles Pires (idade metamorfismo incipiente, grande parte intrusivos U/Pb de 1.757  16 Ma, e idade-modelo TDM de 2,06 em rochas pertencentes a crosta pré-colisional Ga, intrusivos nas rochas vulcânicas da Suíte Colí- (Complexo Cuiú-Cuiú), desenvolvidos em domínio der e nos granitóides da Suíte Juruena). rúptil a rúptil-dúctil e caracterizados por uma série As idades-modelo indicaram uma certa similari- monzogranítica a granítica, reunindo granitos calci- dade da fonte, tanto para os granitóides desenvol- alcalinos alto potássio, metaluminosos, da Suíte Ju- vidos nos terrenos plutono-vulcânicos do domínio ruena, com idades 1.848  17Ma a 1.817  57Ma rúptil-dúctil a rúptil, como para as plutônicas do do- (JICA/MMAJ, 2000); por granitos e monzogranitos mínio dúctil, verificando-se um certo recobrimento tipo I, oxidados, subvulcânicos, da Suíte Intrusiva e progressividade na idade de cristalização des- Paranaíta, com idades U-Pb variando 1.793Ma  ses granitóides e vulcânicas, que constituem o 6Ma (Santos, 2000) a 1.803Ma  16Ma (JICA/ Arco Magmático Juruena. MMAJ, 2000) e idade-modelo de TDM de 2,06Ga A diferença corre por conta apenas do posicio- (Lacerda Filho et al., 2001) com gNd(t) – 1,25; pelas namento crustal destes corpos: os de domínio dúc- Alcalinas Rio Cristalino com idade U-Pb de 1.806  til, formaram sob condições de meso a infracrosta, 6Ma (Santos, 2000); e pelas rochas vulcânicas áci- com idades ligeiramente mais jovens (1.770  9Ma das a intermediárias da Suíte Colíder, de idade a 1.785  8Ma) na fase de descompressão (domi- U-Pb de 1.801  11Ma (Pinho, 2001) a 1.786  17Ma nante) e exumação dos terrenos do Complexo Ba- (JICA/MMAJ, 2000), constituindo intrusões epizo- caeri-Mogno, ocupando áreas em que predomi- nais, derrames de lavas e depósitos de fluxo piro- nam megacisalhamentos transtensionados, vincu- clástico e surgência (Wildner, 2001), de natureza lados a zonas de sutura. Já os granitóides e vulcâ- calcioalcalina alto K. A litogeoquímica indica coge- nicas pouco ou não deformados (suítes Intrusiva neticidade associada espaço e temporalmente às Juruena e Paranaíta, granitos Nhandu, Teles Pires, suítes Paranaíta e Juruena. Alcalinas Rio Cristalino, vulcânicas/subvulcânicas Os terrenos plutônicos deformados (dúctil) situa- Colíder e Intrusivas Básicas de Guadalupe) tiveram dos na zona de sutura frontal ao arco montado e uma evolução pós-colisional, e foram colocados a relacionados à fase pós-colisional, foram forma- nível de crosta superior, entre 1.848  17Ma e 1.786 dos na meso e infracrosta, com sinais de metamor-  17Ma em zonas transcorrentes transtensionadas, fismo de médio a alto grau, sem correspondentes fora da área de sutura. vulcânicos na sua evolução. Foram transpostos a Estágio 3 (1,70Ga-1,60Ga) – Caracteriza-se pela níveis crustais superiores, através de megazonas reativação de feições estruturais antigas do domí- de cisalhamento transcorrente oblíquo (EW e nio rúptil-dúctil a rúptil, realçadas por megazonas NW-SE), por ocasião da exumação dos terrenos transcorrentes, de direção EW a NNW-ESE (Falha de alto grau metamórfico, seguindo um modelo ini- do Cristalino), de modo conjugado e sincronizado, cial de colisão oblíqua de alta temperatura, evolu- durante e após sedimentação da bacia do Cachim- indo para um modelo de acreção transcorrente. bo, gerando zonas transtensionadas tipo graben, Esses terrenos agregam uma grande variedade que evoluiu progressivamente para uma bacia de granitóides, com assinatura pós-colisional, de rombóide, receptora dos sedimentos continentais natureza calcioalcalina alto potássio, metalumino- e marinhos do Grupo Beneficente, que tiveram sos a peraluminosos, representados pelos quart- como embasamento as vulcânicas/subvulcânicas zo dioritos e enderbitos da Suíte Vitória, de idade da Suíte Colíder. U-Pb 1.785  8Ma, e pelo Granito São Pedro, de Esta bacia, produto de uma tectônica binária, idade U-Pb SHRIMP de 1.784  17Ma a 1.786  parece demarcar o limite paleoproterozóico/meso- 17Ma e idades-modelo Sm/Nd de 2.147Ma a proterozóico nessa área. 2.060Ma (Pimentel, 2001), com valores Nd(t) Em regime francamente rúptil e distensional, +0,14, indicativos de uma fonte mantélica hibridi- essa tectônica é reativada no Mesozóico (Jurássi- zada por fontes crustais. Há ainda os granitos São co) através da intromissão de diques de diabásio Romão, de idade U-Pb de 1.770  9Ma, e o Granito (Cururu), preenchendo falhas NW-SE e NNE-SSW. Apiacás, tipo S encontrados na Folha Rio São João No Cenozóico, instalou-se uma neotectônica dis- da Barra. tensiva controladora do traçado atual das princi- Em espaço temporal tardio a este terreno acres- pais drenagens (rio Teles Pires) e dos depósitos cionário pós-colisional e num período pós-orogêni- aluvionares pleistocênicos. – 83 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil 4 RECURSOS MINERAIS E METALOGENIA A atividade mineira na Província Mineral de satélite Landsat TM 5 (Valente, 2001), distribuídas Alta Floresta está historicamente ligada às minerali- através de drenagens de pequeno a médio porte, e zações auríferas, tendo sido extraídas cerca 125t concentradas em 4 pólos principais (figura 4.1): 1 - de ouro (CPRM, 1996), no período de 1980 a 1998, Norte-noroeste de Paranaíta, 2 – Fazenda Mogno de aluviões, coluviões e eluviões, através de garim- (Garimpo do Rato), 3 – Norte/Nordeste de Alta Flo- pagem manual ou por lavra, com diferentes graus resta e 4 – Garimpo do Trairão. Distribuídos no do- de mecanização. mínio das suítes graníticas Paranaíta e Nhandu e O esgotamento das reservas aluvionares, nas vulcânicas da Suíte Colíder. áreas tradicionalmente garimpadas, levou à des- A mineralização aluvionar tipo placer foi o objeti- coberta de dezenas de mineralizações primárias, vo principal da atividade garimpeira na Província consideradas no sentido amplo, reunindo tanto ro- de Alta Floresta, tendo sido responsável pela maior cha dura quanto aquelas lavradas no nível saprolíti- parte da produção aurífera dessa região. co dos perfis de alteração intempérica, derivados As frentes de explotação, em número de 28, lista- da mineralização primária propriamente dita. das por Albuquerque (1998), no Programa Nacio- Manganês, calcário, rochas ornamentais, britas, nal de Prospecção de Ouro - PNPO (MT-02-Alta areia, cascalho e argila complementam os bens mi- Floresta), encontram-se atualmente inativas e nerais cadastrados na área. abandonadas, mostrando sinais claros de esgota- Indícios geoquímicos e mineralométricos foram mento e exaustão dessas aluviões, mas seu regis- obtidos a partir do levantamento geoquímico regio- tro histórico é importante, pois foi a partir dessa ati- nal, através da coleta sistemática de sedimentos vidade que se chegou aos jazimentos primários. de corrente e concentrados de bateia, na Folha Alta Nota-se, também, uma convergência entre as áre- Floresta (Araújo & Andrade, 2001). as com maior densidade de mineralizações primá- rias coincidindo, em geral, com as áreas de alta 4.1 Ouro densidade de aluviões garimpadas. Ouro em perfis de alteração supergênica é en- 4.1.1 Mineralização Secundária contrado, na maioria dos jazimentos descritos, e tem sido responsável por uma importante parcela As áreas das aluviões auríferas, extensivamente da produção da região. A explotação do ouro é fei- garimpadas, acham-se assinaladas em imagem de ta pelo desmonte hidráulico de latossolos e litosso- – 84 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Figura 4.1 – Imagem de satélite com áreas de aluviões auríferas (garimpos de Au) distribuídas através de drenagens de pequeno a médio porte (Valente, 2001). – 85 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil los, desenvolvidos sobre os litótipos que hospe- Os depósitos desse tipo acham-se confinados a dam mineralizações primárias, como por exemplo, fraturas extensionais (T=N55E) e de cisalhamento os latossolos argilosos derivados de vulcânica e R (N85E a EW), e Y (N80W) de cinemática sinistral subvulcânica da Suíte Colíder (Garimpo dos Cren- (figura 4.3), nucleadas a partir de fraturas, nos gra- tes) e Garimpo Álvares Tavares (foto 4.1). nitos/monzogranitos magnéticos da Suíte Intrusiva Na região norte-noroeste de Paranaíta, foi detec- Paranaíta, distribuídas pelos: Pólo 1 – nor- tada uma espessura média de 26m, obtida a partir te-noroeste de Paranaíta (garimpos: Grota Rica, de perfurações realizadas pela JICA/MMAJ (2001), Buriti, Valdomiro, Mandioca e Arara – incluídos no em saprólitos graníticos da Suíte Paranaíta (Bloco C Bloco C – área-piloto – Projeto de Exploração Mine- – área-piloto) registrando teores de 0,1g/t a 0,55g/t ral – na área de Alta Floresta – JICA/MMAJ, 2001); de Au, às vezes associado com pirita oxidada. Pólo 2 – Fazenda Mogno (Garimpo do Rato) e Pólo 3 – Norte-nordeste de Alta Floresta (garimpos: Ser- 4.1.2 Mineralização Primária rinha e Pé de Fora). Pólo 1 - Garimpo do Valdomiro – Ocorre a noro- Nove jazimentos primários foram recadastrados este de Paranaíta, no domínio do Bloco C, JICA/ e avaliados no decorrer do projeto e acham-se dis- MMAJ (2001), em veio de quartzo-aurífero, contro- tribuídos nos mesmos pólos, identificados para as lado por uma zona de cisalhamento rúptil-dúctil mineralizações secundárias (figura 4.2). confinada, orientado N40W/45NE com cerca de Com base em características morfológicas, tex- 30cm de espessura, envolto numa delgada faixa turais e estruturais, foram reconhecidos dois tipos de filonito (quartzo + sericita + clorita + epidoto + principais de mineralizações auríferas primárias: magnetita + sulfetos-pirita), desenvolvido a partir veios de quartzo com ouro, preenchendo zonas de da nucleação de fraturas, em hornblenda-biotita cisalhamento, confinados, no domínio rúptil-dúctil, monzogranito porfirítico da Suíte Intrusiva Paranaí- e stockworks, brechas hidrotermais e veios extensi- ta. onais de quartzo com ouro, no domínio rúptil (La- Bloco C – Constituiu área-piloto para trabalhos cerda Filho, 2001; Delgado et al., 2001; Santos, de pesquisa mineral efetuados pelo JICA/MMAJ, 2001; Cruz, 2002 & Ribeiro et al., 2001). situada aproximadamente 20km a norte-noroeste Veios de Quartzo – Os jazimentos estão reunidos de Paranaíta, na bacia do ribeirão Jaú e adjacênci- na forma de veios de quartzo simples (tabela 4.1), as, onde foram identificados dois tipos de minera- com ouro representando cerca de 70% das minera- lização aurífera, uma de alto teor relacionada a lizações estudadas, confinadas a zonas de cisa- veio de quartzo (Garimpo C7) com largura de lhamento transcorrente, estreitas, com espessuras 30cm, controlado por uma zona de cisalhamento centimétricas a métricas, desenvolvidas no domí- rúptil-dúctil, orientada NNW-SSE, confinada, que nio rúptil-dúctil. Os corpos de minério estrutural- atravessa biotita granito porfirítico, magnético, ho- mente controlados são tabulares, subverticaliza- mogêneo, da Suíte Intrusiva Paranaíta, transfor- dos com grande extensão superficial (centenas de mado pela ação hidrotermal num filonito (quartzo metros) e em profundidade (dezenas a centenas + sericita + epidoto + clorita). Seções polidas rea- de metros) e reduzida espessura (centimétrica a lizadas, no minério, indicaram a presença de piri- métrica). ta, magnetita, calcopirita, covellita, esfalerita e grãos de ouro. Os grãos de Au acham-se na forma livre, em fraturas, na pirita e/ou como inclusão no cristal da pirita. Os resultados analíticos do miné- rio mostraram teores de 113,44g/t de Au, 193g/t de Ag e alto conteúdo de bismuto, acompanhados de valores anômalos para Cu, Pb e Zn (JICA/MMAJ, 2001). Estudos de inclusões fluidas, em vênulas de quartzo (C7), indicaram uma temperatura de ho- mogeneização variando de 292,8 a 313C e sali- nidade de 11,9% e 19% em peso de NaCl eq. No geral a salinidade situou, no entanto, entre 2 e 8% em peso NaCl eq., indicativa de mineraliza- ção de ouro, numa posição de crosta superior (JICA/MMAJ, 2001). O outro tipo de mineraliza- Foto 4.1 – Perfil de saprólito mosqueado parcialmente ção é stockwork que apresenta baixo teor, de- lateritizado, derivado de microgranito porfirítico da tectado através de sondagem (JICA/MMAJ, Suíte Colíder. Garimpo Álvaro Tavares, fazenda Raio 2001), ligado a pirita disseminada e/ou na forma do Sol (CC-196). de vênula. – 86 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Figura 4.2 – Imagem de satélite com áreas contendo jazimentos de Au primário distribuídos em 4 pólos: 1 - Norte - noroeste de Paranaíta. 2 - Fazenda Mogno e adjacências (Garimpo do Rato); 3 - Norte-nordeste de Alta Floresta (garimpos: Serrinha, Pé de Fora); 4 - Garimpo Trairão e adjacências. – 87 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Tabela 4.1– Jazimentos de Au em veios de quartzo controlados por zonas de cisalhamento em domínio rúptil a dúctil-rúptil. NOME DO ALTERAÇÃO INCLUSÕES FLUIDAS GARIMPO/ ROCHA ESTRUTURA HIDROTERMAL/MI TIPO DE MINERAL AMBIENTE RESERVA/ METAIS IDADE DA UTM HOSPEDEIRA NERALIZA- MINERALIZA- ÇÃO MINÉRIO TEXTTURA TECTÔNICO SALINIDADE TEMPERATURA TEOR SUGSIDIÁRIOS MINERALIZA- ÇÃO ÇÃO ouro, pirita, Monzogranito ZC rúptil-dúctil Quartzo, sericita, Vênulas de calcopirita, 30cm de clorita, feldspato covellita, 370ppm de Bi,SUÍTE largura com potássico, sericita quartzo em esfalerita, dissseminada arco 11,9% a 19% 292,8C agranito magmático de Nacl e q. 194g/t de Ag Pb/Pb na pirita PARANAÍTA epídoto, caolinita, galena, 313,4C em 1m 1,76Gadireção NNW carbonato saprolitizado bismutinita, pirrotita Hb-bi monzo- ZC súptil-dúctil granito pórfiro e nucleada com K-silicáticasuperfície seritização) e Au em veio de ouro, pirita arcofilonito SUÍTE PARANAÍTA milonítica sulfetação quartzo magmático Sm=40W/SV ZC súptil-dúctil Hb-bi monzo- com  30cm granito pórfiro e de largura, Sericita, clorita, Au em veio de filonito SUÍTE superfície epídoto, magnetita quartzo inclu- ouro, pirita arco PARANAÍTA Sm=N40 W/45 e sulfetos so em filonito magmático  NE ZC súptil-dúctil Monzogranito transcorrente veio de quartzo hidrotermaliza- Monzogranito hi- sinistral inserido em filonito Au em veio de do -0,148ppm drotermalizado SUÍTE N70 W/75 NE (sericita + clorita + quartzo   ouro e sulfeto arco veio de quart- PARANAÍTA entrecortada epídoto) R. incluso em magmático zo = 19,93 a por outra encaixante - filonito 34,93ppm,0,148ppm de Au borda do veio N40E/SV = 3,2ppm Veio e vênulas de quartzo inclusos ouro, pirita, Biotita granito em granito calcopirita, pórfiro ZC-rúptil-dúctil hidrotermalizado Au em veio de bornita, arco 11 g/t até 221 hidrotermalizado N60E/70NW (sericita + clorita + quartzo magnetita, Disseminada magmático g/t epídoto + pirrotita, magnetita + esfalerita sulfetos) ZC rútil-dútil, Hornblen- transcorrente, Veio de quartzo da-biotita-quartz confinada incluso em filonito o monzonito e fi- N50W/SV cor- (quartzo+ sericita Qu em veio de arco lonito. SUÍTE tada por outra + magnetita + quartzo ouro, pirita magmático PARANAÍTA com atitude carbonato) esulfeto N70E/60SE Monzogranito ZC rúptil-dúctil Veio de quartzo pórfiro hidroter- transcorrente inserido em filonito Au em veio de malizado SUÍTE confinado (quartzo + sericita quartzo ouro, pirita Disseminada arco magmático PARANAÍTA EW-SV + clorita + pirita) – 88 – Á r e a - p i l o t o S E R R I N H A B U R I T I / B L O C O C P É D E F O R A ( A L T A R A T O A R A R A V A L D O M I R O G R O T A R I C A ( M M A J / J I C A E 6 1 6 6 6 2 F L O R E S T A ) E 5 3 9 4 9 2 E 5 4 7 2 0 0 E 5 4 7 0 6 7 E 5 4 5 6 3 6 2 0 0 1 ) N 8 9 1 3 9 2 0 E 6 0 3 1 2 6 N 8 8 9 7 7 9 2 N 8 9 4 1 4 5 7 N 8 9 4 7 8 6 8 N 8 9 4 8 4 7 0 E 5 4 6 1 3 1 N 8 9 1 6 3 0 1 N 8 9 5 0 4 5 SC.21-X-C (Alta Floresta) 51.7g/t de Au, preenchendo zonas de cisalhamen- 3 to rúptil-dúctil confinadas. 1 Au Au Datação pelo método Pb-Pb feita pela JICA/ 2 MMAJ, 2001 em pirita contida em veios de quartzo, Au indicou idades de 1,76Ga (Bloco C, garimpo C7) e 1,56Ga (área-piloto Bloco G), na folha Aeroporto de Au Cachimbo (SC-21-X-D), sinalizando uma origem 4 comagmática para o chumbo nessas piritas. A ida- de 1.76Ga encontrada no Bloco C acha-se ligada ao magmatismo pós-colisional do Arco Magmático Juruena. Pólo 2 (Fazenda Mogno) – Garimpo do Rato – Si- tua-se na parte sudoeste da Folha Alta Floresta, Veios de quartzo extensionais 6km a sul da Fazenda Flor do Prado (antiga sede da Veios de quartzo auríferos em falhas e fraturas de Fazenda Mogno). No local, foi aberto um pit de cisalhamento (R, Y, P, R e X) Zonas de cisalhamento com veios de quartzo 200m x 100m atualmente alagado. Pesquisa mineral realizada pela Mineração Santa Elina (Scabora, 1997), identificou, através R' 235º de furos de sondagem, níveis centimétricos a mé-T tricos de milonitos e hidrotermalitos, com atitude R geral N70E/70-80NW, acompanhados de veios de quartzo, às vezes com Au visível e dissemina- Y ções de sulfetos, encaixados em granito porfiríti- = N55ºE R' X co, magnético, da Suíte Intrusiva Paranaíta, inter- T = N55ºE X' ceptado por diques máficos (gabros e dioritos) e Y = N75ºW aplitos, ambos intrusivos nos litótipos do Comple- X = N-S xo Bacaeri-Mogno. Os diques de gabros e dioritos R' = N25ºE Exemplos: Filão do Paraíba (Vila Guarita) Filão do Álvaro Tavares apresentam espessura máxima de 30m, direção R = EW Filão do Valdomiro/Grota Rica N70W, contêm disseminações de pirrotita, reuni- Filão do Pé de Fora, Arara das em concentrações de até 25% do volume da Figura 4.3 – Veios de quartzo com ouro, controlados rocha. por fraturas: extensional (T) e de cisalhamento - Nos filonitos/hidrotermalitos, foram reconheci- conjugadas de Riedel: R,Y,P (sintéticas) e R’ e X dos filetes milimétricos de carbonatos e faixas (antitéticas), em domínio rúptil a rúptil-dúctil. centimétrica até 20m de sulfetos. No geral, os sul- fetos são inferiores a 2% do volume da rocha hi- A sondagem realizada registrou espessuras cen- drotermalizada e acham-se concentrados e con- timétrica a métrica no solo e de 20m (média) para o dicionados aos planos miloníticos, associados a saprólito do biotita granito pórfiro (Suíte Intrusiva Pa- biotita. Nos granitóides hidrotermalizados, foram ranaíta). As anomalias de Au detectadas, no sapróli- observadas, também, zonas com epidoto e serici- to, apresentaram continuidade em profundidade ta. (rocha fresca). A mineralização de Au, no saprólito e A mineralização aurífera está diretamente asso- na rocha fresca, preenche delgadas zonas de cisa- ciada às zonas sulfetadas, sendo que os valores lhamento, confinadas, marcadas por halos de alte- mais expressivos acham-se ligados aos veios de ração hidrotermal (silicificação, epidotização, cloriti- quartzo, onde foram detectados teores de até zação e potassificação - K-feldspato), contida em 75,23g/t de Au num intervalo de 2m. A pirita predo- veios de quartzo e/ou disseminada na pirita. Os fu- mina nessas faixas sulfetadas, secundada por cal- ros de sondagem (RC) de 50m de profundidade má- copirita, pirrotita, esfalerita, bornita, magnetita, il- xima, mostraram 7 amostras mineralizadas, com menita e hematita. teor médio de 1g/t em 2m, e máximo de 4,04g/t de Pólo 3 – Norte-nordeste de Alta Floresta – Garim- Au, enquanto as sondagens (DD) com 100m de pro- po Pé de Fora – Localiza-se a NE de Alta Floresta fundidade, mostraram algumas amostras com teo- (CC-68), distribuído através de 4 escavações, res menores que 1g/t de Au e máximo de 2.72g/t de onde a principal apresenta cerca de 3m de profun- Au. As espessuras dos intervalos mineralizados didade, 20m de comprimento e 15m de largura, ori- atravessados tornaram-se mais estreitos em profun- entada E-W. Embora estejam parcialmente alaga- didade, acompanhados de teores mais baixos. das, foram identificados veios de quartzo leitoso, Em trincheiras abertas no Bloco C, foram consta- lenticulares, com espessuras milimétricas a centi- tados veios de quartzo com atitudes variando de métricas (máximo 25cm), estrutura laminada e fra- N10W a N50W/30 a 60NE, teores de 0.1g/t até turada (foto 4.2). – 89 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil vezes curvos ou sinuosos, multidirecionados, tipo stockwork (foto 4.3), e brechas hidrotermais com fragmentos de granito graisenizado (foto 4.4). Estruturas em pente e drusas (Foto 4.5) tipificam o fraturamento extensional, relacionado a proces- sos magmáticos hidrotermais, envolvendo siste- mas localizados de alta pressão de fluidos, ligados às cúpulas ou periferias de intrusões graníticas (Santos, 2000). Localmente, a rocha encaixante acha-se transformada hidrotermalmente num quartzo-greisen (quartzo-55%, sericita-25%, mus- covita-15% e opacos-5%-magnetita e sulfetos), de- rivada do monzogranito microporfíritico (Granito Nhandu), que ocorre nas cercanias dessa área. Foto 4.2 – Veio de quartzo com Au, inserido em filonito Garimpo dos Crentes – Localizado na margem preenchendo zona de cisalhamento em monzogranito direita do rio Teles Pires (CC-197), sudeste da fa- da Suíte Intrusiva Paranaíta, Garimpo Pé de Fora zenda Raio do Sol, desenvolvido em saprólitos de (CC-68). rochas vulcânicas da Suíte Colíder. A cava princi- pal, apresenta orientação N50E, expondo um sa- Os veios de quartzo acham-se encaixados em saprólito mosqueado do biotita granito porfirítico, magnético, da Suíte Intrusiva Paranaíta, alojados num envelope hidrotermal formado por quartzo, se- ricita, clorita, óxidos de ferro e pirita. A regularidade de direções desses veios e suas formas e texturas são indicativas do preenchimento de fraturas de cisalhamento ao longo de falha transcorrente E-W, de cinemática sinistral. Estes veios foram formados em zonas transtensivas ao longo dessa falha transcorrente (dilational jogs), Santos (2001). Stockworks, brechas hidrotermais e veios exten- sionais de quartzo com ouro – Reúnem os jazimen- tos que se desenvolveram no domínio rúptil, em ambiente extensional. Neste contexto, além dos ve- Foto 4.3 – Vênulas de quartzo multidirecionadas tipo ios de quartzo extensionais, ocorrem também bre- stockwork inseridas em granito subvulcânico chas hidrotermais e stockworks, formados por uma greisenizado Nhandu. Seção vertical da trincheira, rede de veios multidirecionais de espessura mili- Garimpo Trairão (CC-67). métrica a centimétrica. Estas estruturas estão vin- culadas a processos magmático-hidrotermais, en- volvendo sistemas localizados de alta pressão de fluidos (Delgado et al., 2001). Este ambiente é o que apresenta características mais favoráveis ao desenvolvimento de depósitos de grande volume e baixo teor de Au, representados pelos garimpos: Trairão, Crentes e Álvaro Tavares (tabela 4.2). Garimpo Trairão – Situado na parte nordeste da Folha Alta Floresta ( figura 4.2), próximo à fazenda São Paulo, no alto curso do ribeirão Trairão. Sua principal frente de lavra acha-se exposta num corte de aproximadamente 40m de comprimento por 3,5m de altura, onde ocorre a mineralização aurífe- ra associada a um enxame de veios de quartzo lei- toso, preenchendo fraturas extensionais, com cris- tais de quartzo leitoso ou hialino, posicionados per- Foto 4.4 – Brecha hidrotermal mostrando fragmentos pendiculares às paredes das fraturas, com espes- de granito graisenizado Nhandu. Garimpo Trairão suras inferiores a 20cm, lenticulares, tabulares, por (CC-67). – 90 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Tabela 4.2 – Jazimentos de ouro em stockworks, brechas hidrotermais e veios extensionais de quartzo, em domínio rúptil. NOME DO ROCHA METAIS GARIMPO/UTM HOSPEDEIRA ESTRUTURA ALTERAÇÃO HIDROTERMAL/MINERALIZAÇÃO TIPO DE MINERAL- AMBIENTE MINERALIZAÇÃO MINÉRIO TEXTURA TECTÔNICO SUBSI-DIÁRIOS Granito graise- nizado (fácies Epitermal de esverdeada), Fraturas Graisenização (quartzo+sericita+mica branca+opacos); baixa sulfetação Multivenulaçã Granito saproliti- extensionais brechas hidrotermais; veios extensionais de quartzo, e/ou Au-pórfiro Ouro, o de quartzoem veio/vênula de pirita, (s ) e arcozado (fácies es- padrão centimétricos a decamétricos; sulfetos (pirita) dissemi- tockwork Cu branquiçada) s nados e em nódulos e magnetita quartzo magnetita brecha magmático tockwork GRANITO (stockwork) em hidrotermal NHANDU cúpula granítica Rocha vulcâni- ca e subvulcâni- ca, saprolitizada (relíquia de es- Fraturas Alteração hidrotermal penetrativa Epitermal de trutura porfirítica extensionais (quartzo+epidoto+sulfetos+óxidos de ferro); veios baixa sulfetação ouro e disseminada arco no saprólito) e padrão extensionais milimétricos a centimétricos (máximo de 2 e/ou Au-pórfiro sulfetos e stockwork magmático SUÍTES stockwork cm); stockworks (stockwork) PARANAÍTA/ COLÍDER. 1,80Ga Microgranito ouro, pórfiro e Fratura ex- pirita, hidrotermalizad tensional Quartzo+sericita+clorita+argilominerais+ Au em vênulas de arco o SUÍTE N60E/80 SE magnetita+sulfetos quartzo calcopirita,  calcocita, magmático COLÍDER covelita – 91 – Á L V A R O T A V A R E S C R E N T E S T R A I R à O E 5 4 5 9 4 8 N 8 9 6 4 3 9 2 E 5 4 8 8 1 7 N 8 9 6 3 0 3 4 E 6 5 5 8 2 0 N 8 9 1 5 6 3 8 Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil prólito mosqueado, parcialmente lateritizado, con- teritizado, derivado da alteração de microgranito tendo texturas reliquiares porfiríticas da rocha vul- porfirítico (CC-196A), pertencente à Suíte Colíder, cânica, recortada por uma rede de venulações mili- representado por alguns matacões, encontrados métricas de quartzo, caulinizado, multidirecionais no interior da cava. O ouro ocorre associado à rede tipo stockwork (foto 4.6). de vênulas de quartzo multidirecionados preserva- Essa estruturação multivenular foi constatada das no saprólito do microgranito (tabela 4.2). num bloco de rocha preservado com cerca de 1m Cerca de 500m a sul dessa escavação, ocorre o de diâmetro, exposto no fundo da escavação, onde “filão” do Moisés, lavrado de modo subterrâneo, a natureza das fraturas acha-se realçada por cris- onde foram retirados blocos do veio de quartzo e tais de quartzo leitoso, perpendiculares às paredes da rocha encaixante, que eram moídos e processa- dos veios, texturas em pente, espaços vazios e mi- dos na extração de ouro, mostrando vênulas de nidrusas (Santos, 2001). quartzo, com espessura aproximada de 2cm, con- A alteração hidrotermal foi pervasiva e resultou tendo calcopirita e pirita em lentes ou dissemina- na formação de quartzo, epídoto, sulfetos, óxidos das, reunidas, às vezes, a calcocita e covellita de ferro e material argiloso, que ocorrem associa- (análise calcográfica - CC-196D). dos ao ouro (tabela 4.2). Os cristais de quartzo são piramidais, posiciona- Garimpo Álvaro Tavares – Localizado na fazenda dos perpendiculares às paredes da rocha, preen- Raio de Sol, cerca de 35km a norte-noroeste de Pa- chendo fraturas extensionais. A rocha encaixante é ranaíta, numa escavação inativa de aproximada- um microgranito porfirítico marcado por alteração mente 10m de profundidade por 200m de largura e hidrotermal com a formação de sericita, clorita e ar- 600m de comprimento, na direção N65°E, desen- gilominerais. volvida em saprólito mosqueado, parcialmente la- Esse jazimento encontra-se inserido numa faixa de subvulcânicas da Suíte Colíder, com destaque para microgranitos, micromonzogranitos pórfiros e brechas vulcânicas. Foi encontrada a 6km nor- te-noroeste desse garimpo, uma brecha riodacítica afetada por alteração hidrotermal (sericita, clorita, carbonatos e opacos), foto 2.17, destacando-se ainda pirita, calcopirita, ilmenita, rutilo e magnetita disseminadas (CC-179B). 4.1.2.1 Tipologia dos Depósitos Com base no ambiente geológico dos depósitos, rocha hospedeira, natureza da mineralização, assi- naturas hidrotermal e geoquímica, Robert et al. (1977) classificaram em 16 tipos, os principais de- Foto 4.5 – Veio de quartzo com cristais de quartzo pósitos de Au mais comuns. Embasados em alguns formando estruturas em pente e drusas. Garimpo do desses parâmetros, os depósitos de ouro da Folha Trairão (CC-67). Alta Floresta podem ser enquadrados, predomi- nantemente, como do tipo epitermal de baixa sulfe- tação, às vezes em posição de transição para Au pórfiro, como sugerem Giggenbach, (1992) e Pan- teleyev (1996). Em função das assinaturas hidrotermais, restri- tas às mineralizações auríferas, do ambiente tectô- nico (arco magmático vulcano-plutônico), da rocha hospedeira (vulcânicas subaéreas e de intrusões graníticas), da associação do ouro com pirita ± cal- copirita e formas da mineralização em veios, disse- minadas e/ou stockwork, Cruz, (2002) classificou alguns depósitos da Província Alta Floresta, como fazendo parte de sistemas epitermais de baixa sul- fetação. A ausência de alteração K-silicática Foto 4.6 – Rede de vênulas de quartzo com Au tipo (K-feldspato + biotita) contribuiu para descaracteri- stockwork em saprólito de rocha vulcânica zar esses jazimentos como do tipo Au pórfiro. hidrotermalizada da Suíte Colíder. Garimpo dos Moura (1998) classificou o depósito de Serrinha Crentes, NNW de Paranaíta (CC-179).. (Matupá), situado na Folha Vila Guarita, como ouro – 92 – SC.21-X-C (Alta Floresta) pórfiro em função de estudos isotópicos e de inclu- água meteórica, (< 20% NaCl eq.). Arco pluto- sões fluidas e da alteração potássica (K-feldspato no-vulcânico Juruena, (suítes calcioalcalinas tipo I, + biotita) na zona central, que passa externamente oxidadas), (tipo: garimpos: C 7, Pé de Fora, Valdo- para uma zona sericítica, com mineralização do miro - Suíte Paranaíta); Trairão (Granito Nhandu) e tipo disseminada em pirita, acompanhada de mag- Crentes e Álvaro Tavares (Suíte Colíder). netita hidrotermal e rutilo. Os valores obtidos para Os depósitos de Au da Folha Alta Floresta d34S de pirita associada à mineralização de ouro da acham-se ligados aos granitos e monzogranitos Serrinha oscilaram entre + 1,3 a + 3,5%, semelhan- pórfiros, magnéticos, calcioalcalinos (Suíte Intru- tes aos estabelecidos para os sulfetos de depósi- siva Paranaíta e Granito Nhandu) e subvulcânicas tos pórfiros da zona andina (Ohmoto & Goldhaber, (microgranitos porfiríticos da Suíte Colíder), vincu- 1997). As inclusões fluidas revelaram-se hipersali- lados ao magmatismo pós-colisional do Arco Juru- nas (30-60% em peso de NaCl eq.) e temperaturas ena. A composição, grau de fracionamento e esta- de homogeneização de 500 a 600C, indicativas de do de oxidação/redução das rochas graníticas um nível crustal entre 4 a 5km de profundidade. constituíram controles fundamentais na geração À medida que os plútons ascenderam a níveis dos jazimentos auríferos, com uma forte ligação crustais mais rasos (1 a 2km) e entraram em contato entre os depósitos de Au e os granitos da série com água meteórica, ocorreu um rebaixamento da magnetita e do grau de fracionamento correspon- salinidade dos fluidos magmáticos-hidrotermais dente (figura 4.5), conforme estabelece Sillitoe para ordem <15% em peso de NaCl eq. e tempera- (1996). turas abaixo de 300C, ocasionando a geração de Os depósitos de Au, contidos na Tabela 4.2 (ga- uma zona de alteração fílica (sericítica), tardia. No rimpos do Trairão, Crentes e Álvaro Tavares), foram modelo proposto por Moura (1998), Figura 4.4, formados em condições de crosta rasa (1 a 2km), li- essa fase constitui o estágio tardio, constituindo-se gadas a intrusões subvulcânicas (micrograni- numa transição para os sistemas epitermais, nos tos/micromonzogranitos porfiríticos), calcioalcali- quais se encaixam a maioria dos depósitos de Au no, pós-colisionais, distribuídos em veios/vênulas da Folha de Alta Floresta. Estudos de inclusões flui- de quartzo extensionais, stockwork e brechas hi- das feitas pelo JICA/MMAJ, 2001, em vênulas de drotermais, exibindo expressiva alteração sericíti- quartzo do Garimpo C7 (Bloco C), revelaram uma ca (quartzo-sericita-mica branca e sulfetos), de- salinidade de 11,9% a 19% peso de NaCl eq. e tem- senvolvidos no domínio rúptil. No garimpo Trairão, peratura de homogeneização de 293C a 313C. o protólito granito foi totalmente greisenizado para Estágios: A) depósito de Au pórfiro com piri- quartzo, sericita, muscovita, sulfetos (pirita) e mine- ta-cúpula de plúton-granítico calcioalcalino, tipo I, rais opacos com caracteres favoráveis, sinalizando oxidado, gerado em ambiente de arco pluto - vulcâ- a potencialidade de depósitos de grande volume e nico, a partir de fluido magmático hipersalino baixo teor (Delgado et al., 2001). Já o Garimpo dos (30-60% NaCl eq.), tipo: Depósito de Serrinha Crentes, desenvolvido em rocha subvulcânica sa- (Moura 1998). B) Estágio tardio - epitermal de baixa prolitizada (Suíte Colíder), mostra relíquias de es- sulfetação - gerado em condições mais rasas na trutura porfirítica da rocha encaixante e veios de crosta (2-3km). Com mistura do fluido salino com quartzo milimétricos a centimétricos, tipo stock- A B ra fa lha fratu Água meteórica fria Água meteórica fria Água meteórica Água meteórica aquecida aquecida Fluido exsolvido do magma granítico T > 400ºC, sal > 45% NaCl eq. Alteração Alteração fílica T~315ºC, potássica (biotita + 2-3Km sal. < 20% NaCl eq - Altera- 4-5Km K-feldspato) ção potássica (biotita + K-feldspato) Figura 4.4 – Modelo esquemático para a gênese e evolução das mineralizações auríferas na Província Alta Floresta, modificado de Moura (1998). – 93 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil (PV-173), afluente esquerdo do rio São Benedito, estrada para a cachoeira da Perdição, rio Teles Pi- Cu-Au res. Au Cu-Mo Mo É constituída por blocos de manganês (foto 4.7), Au incrustados, distribuídos numa área aproximada de 1.000m2W-Mo Sn , formados pela concentração supergê- W nica a partir de arenitos manganesíferos, da Unida- de II (PPb2) do Grupo Beneficente. Análise química por ICP-ES, na amostra PV-171, revelou teores de Sn-W 36,73% de Mn e 1,57% de Fe. 4.3 Calcário GRAU DE FRACIONAMENTO Ocorrência situada a norte-nordeste de Alta Flo- Figura 4.5 – Diagrama do grau de fracionamento dos resta, próxima ao Porto de Areia, rio Teles Pires, cer- granitos versus estado de oxidação/redução (Sillitoe, ca de 400m a norte da sede da fazenda do Sr. Antô- 1996). nio Beviláquia, distribuída numa lente de aproxima- damente 30m de largura por algumas centenas de work, onde ocorreu alteração hidrotermal pervasi- metros de comprimento, interestratificada em siltitos va marcada por quartzo + epidoto + sulfetos + óxi- cinza-avermelhados da unidade PPb2 do Grupo Be- dos de ferro. O Garimpo Álvaro Tavares de caracte- neficente, em meio a uma topografia aplainada e re- rísticas similares apresenta veios de quartzo preen- baixada, sujeita a inundações periódicas. chendo fraturas extensionais, desenvolvidos em Trata-se de um calcário margoso, textura muito micromonzogranitos pórfiros (Suíte Colíder), asso- fina, estrutura laminada (foto 2.21) com atitude ciados a pirita, calcopirita, calcocita e covellita, E-W/30S, forte efervescência ao HCl diluído e uma acompanhados de minerais produtos de alteração composição predominante de carbonatos (58%) hidrotermal, como sericita, clorita e argilominerais. em agregados de cristais xenomórficos, entremea- Em função dos parâmetros levantados, obser- dos por argilominerais (10%), sericita (5%), grãos vou-se a presença de uma pervasiva alteração fíli- detríticos de quartzo (10%), K-feldspato (5%) e ca desenvolvida em condições de crosta rasa, do- cristais tabulares de hornblenda (5%). mínio francamente rúptil e ausência de alteração Seus caracteres texturais, estruturais, composi- potássica (biotita + K-feldspato), sugerindo o en- cionais e de litoambiência induzem a uma provável quadramento desses depósitos em sistemas epi- correlação litoestratigráfica com a unidade clasto- termais de baixa sulfetação, formados a temperatu- química basal definida em furos de sondagem, na ras <300C, justapostos, às vezes, a mineralização região de Terra Preta, cabeceiras do rio Sucunduri de Au pórfiro, com telescopagem entre alteração (Carvalho & Figueiredo, 1982), bem como a Se- hidrotermal de alta temperatura e paragênese epi- qüência Carbonática (Figura 4.6), detectada em fu- termal, como propõe Sillitoe (1991). ros de sondagem nas partes NW e SE da serra do A descrição e as análises efetuadas, nos teste- Cachimbo (Lopes, 2001), pertencentes ao Grupo munhos dos furos de sondagem do Bloco C Beneficente. (JICA/MMAJ, 2001), revelaram uma alteração po- tássica (K-feldspato), pervasiva por toda extensão da rocha granítica atravessada, mostrando maior intensidade nas zonas mais cisalhadas, geralmen- te acompanhadas de fraca a moderada geração de epidoto, clorita e sílica. O enriquecimento de Au nos testemunhos de sondagem apresentou ligação mais direta a pirita disseminada e/ou em vênulas, do que com a alteração potássica. As mineraliza- ções de Au detectadas, na sondagem realizada, foram interpretadas como do tipo stockwork de bai- xo teor, pertencentes provavelmente a sistemas transicionais para Au pórfiro. 4.2 Manganês Foto 4.7 – Ocorrência de manganês, no córrego Uma pequena ocorrência foi constatada na parte Rasteira, estrada para a Cachoeira da Perdição noroeste da Folha Alta Floresta, córrego Rasteira (PV-173). – 94 – OXIDAÇÃO/REDUÇÃO SC.21-X-C (Alta Floresta) Terra Preta Cachimbo 1.000 Seqüência clástica superior Seqüência clastoquímica intermediária 800 600 Seqüência clástica intermediária 400 Seqüência clastoquímica basal Depósito de cobre de Terra Preta 200 Seqüência detrítica basal 0 Figura 4.6 – Correlação litoestratigráfica entre furos de sonda da região da Terra Preta, cabeceiras do rio Sucunduri (Carvalho & Figueiredo, 1982), e da região da serra do Cachimbo (Lopes, 2001). 4.4 Minerais e/ou Rochas Industriais Nhandu e Teles Pires e os cinza-rosados das Suítes Utilizados na Construção Civil Intrusivas Paranaíta e Juruena, portadores de re- quisitos para elaboração de pedras polidas ou não. Pedras Ornamentais – Cerca da metade da Fo- A proximidade dessas ocorrências aos maiores lha Alta Floresta é constituída por expressivos aflo- centros urbanos da parte do norte de Mato Grosso ramentos, na forma de lajedo e/ou blocos subova- (Alta Floresta e SINOP) e a infra-estrutura já implan- lados com alguns metros de diâmetro, de granitói- tada, conferem a essa área atributos potenciais des homogêneos e não deformados, com matizes para se revestir num futuro pólo graniteiro, dessa diversas, destacando-se os granitos vermelhos região. – 95 – Unidade 1 Unidade 2 Unidade 3 Unidade 4 Unidade 5 Unidade 6 Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil  Brita – Foi cadastrada uma pedreira no granito Intrusiva Paranaíta e o último ocorre vinculado ao cinza-rosado da Suíte Paranaíta, na fazenda Ca- Granito Nhandu. choeirinha, próxima ao frigorífico de Alta Floresta Os resultados obtidos em sedimentos de corren- onde são produzidas britas destinadas à pavimen- te variaram de 1 a 5.102ppb de Au com uma média tação da rodovia MT-206, trecho Alta Flores- de 45ppb de Au, enquanto a análise mineralógica ta-Paranaíta. feita em concentrados de bateia quantificou uma Além da produção de brita, a fração areia grossa variação de 1 a 260 pintas de Au, havendo geral- proveniente da britagem é comercializada com mente uma correspondência entre os valores máxi- boa aceitação pelo mercado. mos de Au em sedimentos de corrente e os maiores  Areia/Cascalho – Seus principais depósitos números de pintas obtidos nos concentrados de acham-se distribuídos nas planícies aluviais do rio bateia. Teles Pires e seus principais tributários, com desta- A distribuição da pirita nos concentrados de ba- que para os rios Santa Helena e Paranaíta, e ribei- teia mostrou-se dispersiva e aleatória, não servindo rão Rochedo. Nesses sítios, predominam lentes de como mineral farejador às mineralizações aurífe- areia média a grossa, sobrepostas a níveis de cas- ras, apesar de estar ligada geneticamente aos jazi- calhos, próprias para produção de argamassa e mentos auríferos primários. Essa dissociação é concreto. creditada principalmente pela facilidade de altera- Sedimentos arenosos do leito ativo do rio Teles ção deste sulfeto no ambiente secundário. Pires, sofrem contínuo transporte e redeposição Notou-se, também, uma ampla dispersão na fai- sucessiva, formando expressivos depósitos de xa de 1 a 10 pintas de Au por toda a Folha Alta Flo- areia. resta, creditada em parte ao efeito pepita, resulta-  Argila – Acha-se distribuída amplamente pela do de solubilização sucessiva e reprecipitação de Folha Alta Floresta, como constituinte do litossolo, Au na corrente. produto da alteração intempérica de rochas grani- Barita e Fluorita – O mapa de distribuição de Li tóides e também como resultado da sedimentação (ppm) em sedimentos de corrente e de barita, fluo- em planícies aluviais, destacando-se a do ribeirão rita, turmalina e epidoto em concentrados de bateia Quatro Pontes, oeste de Carlinda. Esses depósitos, (figura 4.8), revela uma zona anômala com indícios formados por argila vermelha, são destinados à de barita (1%), fluorita (1%) e topázio (>2%), distri- produção de tijolos, telhas e cerâmica vermelha. buída a norte do rio Teles Pires, entre os portos Ma- deiseik e da fazenda Vaca Branca, no domínio de vulcânica/subvulcânica da Suíte Colíder, represen- 4.5 Indícios Mineralométricos, Geoquímicos tada por andesitos microporfiríticos (CC-229) com e Geofísicos sulfetos disseminados (pirita, calcopirita e pirroti- ta), riodacito, brecha andesítica com fragmentos A cartografia geológica básica do Projeto Pro- de granito, intrudidos pelo Granito Teles Pires. min-Alta Floresta foi acompanhada de prospecção Nesta área, superpõem-se ainda, expressivas geoquímica, através da coleta sistemática de sedi- anomalias de Fe, Cu e La com valores máximos de mentos ativos de corrente e concentrados de bate- >3%, 45 e 85 ppm respectivamente, obtidos em se- ia, distribuídos numa densidade de 1 amostra/5 dimento de corrente. km2 de área de captação, na Folha Alta Floresta, Os resultados geoquímicos e o ambiente geoló- cujos resultados acham-se reproduzidos em ma- gico próprio de alto nível crustal (vulcânica/subvul- pas de distribuição de elementos-traço em sedi- cânica), acompanhado de processos de brecha- mentos de corrente e de minerais pesados, detec- ção magmática e alteração hidrotermal, conjuga- tados na análise mineralógica semiquantitativa óti- dos à presença de barita, fluorita e sulfetos, são al- ca, em concentrados de bateia (Araújo & Andrade, guns dos parâmetros requeridos, na montagem do 2001). modelo de depósito de Au-U-Cu, tipo Olympic Dam  Ouro-pirita – O mapa de distribuição de Au (sul da Austrália), segundo Pollard & Williams (ppb) em sedimentos de corrente e de pintas de (1999). Au e pirita em concentrados de bateia (Figura  Fosfato e Monazita – Alguns indícios de fosfato 4.7), ratificou os 4 pólos principais de concentra- e monazita foram detectados a norte de Alta Flores- ções auríferas da Folha Alta Floresta: 1 – Nor- ta no domínio das Alcalinas Rio Cristalino, através te-noroeste de Paranaíta – bacia do córrego Jaú e da análise mineralógica ótica (semiquantitativa) em adjacências (Bloco C – JICA/MMAJ); 2 – Fazenda concentrados de bateia (Figura 4.9), coincidindo Mogno – Morro do Túnel; 3 – Norte-nordeste de com expressivas anomalias de K, Th e U, ratifica- Alta Floresta – garimpos Serrinha e Pé de Fora e 4 das em parte pelo valor de 1.500cps (cintilômetro – Garimpo do Trairão e adjacências. Os três pri- SPP-2), medido no afloramento, CC-218 (riebecki- meiros acham-se em domínio dos granitos e mon- ta-egirina sienito), e superpostas a elevados valo- zogranitos magnéticos e porfiríticos da Suíte res magnéticos (cartas aerogeofísicas). – 96 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Figura 4.7 – Mapa de distribuição de Au (ppb) em sedimento de corrente e de pintas de ouro e pirita em concentrados de bateia. – 97 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Figura 4.8 – Mapa de distribuição de Li (ppm) em sedimento de corrente e de barita, fluorita, turmalina e epídoto em concentrados de bateia. – 98 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Figura 4.9 – Mapa de distribuição de La em sedimento de corrente e fosfato e monazita em concentrados de bateia. – 99 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Nesta área, foram identificados fosfatos perten- Foram identificados também vários indícios de centes ao grupo da hamlinita, entre os quais se des- monazita, com valores de até 15% (análise semi- tacam a goiasita (fosfato básico hidratado de estrôn- quantitativa) em concentrados de bateia e expres- cio e alumínio), gorceixita (fosfato básico hidratado sivas anomalias de Y, La e As em sedimentos de de bário e alumínio); e florencita (fosfato básico de corrente, distribuídos no quadrante sudoeste da cério e alumínio), que em certas amostras atingiram Folha Alta Floresta, em gnaisses sílico-aluminosos, a marca de 15% (análise semiquantitativa). do Complexo Bacaeri-Mogno. – 100 – SC.21-X-C (Alta Floresta) 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Os resultados obtidos na cartografia geológi- Foi detectada uma descontinuidade gravimétri- ca da Folha Alta Floresta permitiram alguns avan- ca na fazenda Mogno e adjacências, onde foram ços no conhecimento geológico da parte norte de encontrados os maiores valores gravimétricos, dis- Mato Grosso e sudoeste do Pará, no que diz respei- tribuídos numa extensa faixa anômala de direção to a sua ordenação estratigráfica e sua evolução WNW-ESE, indicativa de espessamento crustal e tectônica no estabelecimento do Arco magmático de uma provável zona de sutura, constituída pelos Juruena (1,85Ga a 1,75Ga). terrenos de alto grau do Complexo Bacaeri-Mogno, A Folha Alta Floresta é integrada a outras 3 folhas que foram subductados numa antiga crosta conti- que formam o Promin-Alta Floresta e as interpreta- nental (Complexo Cuiú-Cuiú), situadas na parte ções e conclusões aqui emitidas, às vezes, são ex- leste da área. tensivas às demais e acham-se embasadas em da- Foram cartografados dois segmentos crustais dos multidisciplinares: geológicos, geofísicos, ge- distintos> plutono-vulcânico descontinuamente oquímicos, metalogenéticos e geocronológicos, deformado (domínio rúptil a rúptil-dúctil) e terreno descritos a seguir: de médio a alto grau (domínio dúctil), deformado Como conjunto de rochas mais antigo da área, continuamente, com assinaturas de arco magmáti- foi determinado o Complexo Bacaeri-Mogno cons- co, denominado de Juruena , disposto numa dire- tituído de supracrustais (gnaisses sílico-alumino- ção NW-SE e formado entre 1,85Ga e 1,75Ga (U/Pb sos, iron banded formation, chert, rochas calcissili- e Pb/Pb). cáticas e anfibolitos) e metagabróides de médio a O segmento plutono-vulcânico é formado por alto grau metamórfico. Os anfibolitos mostraram as- granitos e vulcânicas pós-colisionais, sin a tardio- sinatura toleiítica tipo MORB (basaltos de fundo rogênicas, intrusivos numa crosta pré-colisional oceânico) e revelaram idade isocrônica Sm-Nd ca. (Complexo Cuiú-Cuiú), numa posição distal da 2,24Ga e gNd(t) + 2,5, constituindo vestígio de uma zona de sutura. Dentro desse segmento crustal fo- incipiente crosta oceânica, que fez parte de uma ram determinadas e diferenciadas as seguintes bacia paleoproterozóica, em fase de convergência unidades litodêmicas: Suíte Intrusiva Juruena entre 2,2Ga até 1,85Ga, quando colidiu com uma (1.848Ma, U/Pb) composta de granitos e monzo- crosta continental representada na área por ortog- granitos, calcioalcalinos, metaluminosos a peralu- naisses do Complexo Cuiú-Cuiú; minosos, pouco magnéticos, desprovidos geral- Foram determinadas fatias de ortognaisses gra- mente de enclaves máficos; Suíte Intrusiva Paranaí- níticos e granitóides do Complexo Cuiú-Cuiú ta (1819Ma  6Ma,1.803  16Ma a 1.793  6Ma), e (1,99Ga), que serviram de encaixantes às pluto- idade-modelo TDM de 2,21Ga com gNd(t) -1.25, for- no-vulcânicas do Arco magmático do Juruena; mada por hornblenda-biotita granitos, monzograni- – 101 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil tos, quartzo-monzonitos, magnéticos, tipo I oxida- hornblenda-biotita metagranito com enclaves de do, híbridos (mistura crosta + manto), com encla- metapelitos e metaquartzo-diorito, de afinidade ves de diorito, calcioalcalinos de médio a alto po- calcioalcalina, peraluminosa a metaluminosa, ori- tássio, metaluminosos a levemente peraluminosos; gem híbrida, gerado em ambiente pós-colisional, Alcalinas Rio Cristalino (1.806  3Ma) constituída em zona de sutura, a partir da anatexia de litótipos de sienitos, riebeckita-egirina sienitos e quartzo si- dos complexos Bacaeri-Mogno e Cuiú-Cuiú reuni- enitos, produtos de magmatismo alcalino sódico, dos a fontes mantélicas, emplaçados em zonas com volume restrito, mantélico, em estreita cone- transcorrentes oblíquas e exumados através de xão com o magmatismo calcioalcalino alto potássio movimentos transtensivos em fase de descom- (HKCA) já referido; Granito Nhandu formado por pressão tardia (zona de escape). magnetita-biotita granitos, magnetita-biotita mon- Foram caracterizados e cartografados os sedi- zonitos, sienogranitos e subvulcânicas, portadores mentos paleoproterozóicos da bacia do Cachimbo, de enclaves, de dioritos e quartzo-monzodioritos, constituída pelo Grupo Beneficente (1,70 Ga, de linhagem calcioalcalina alto potássio (HKCA) Pb/Pb, idade máxima do início de sua sedimenta- com tendência shoshonítica, metaluminosos a pe- ção, obtida em zircões detríticos de conglomera- raluminosos, pós-colisional, fase terminal; Suíte dos da base dessa unidade), que foi subdividido Colíder (1.801  11Ma. a 1.773  9Ma) representa- em 5 subunidades litoestratigráficas informais: da por riodacitos, dacitos e andesitos, homogêne- PPb1 – siliciclástica basal – constituída de arenitos os, desprovidos de textura de fluxo, ligados a intru- e conglomerados polimíticos com clastos de vulcâ- sões rasas apicais de microgranitos, microquart- nicas da Suíte Colíder, que lhe serviu de embasa- zo-monzonitos e micromonzonitos e por derrames mento; PPb2, PPb3 e PPb4 – de natureza peli- de lavas ácidas (riolitos pórfiros) intercaladas em to-carbonática – pelitos avermelhados, argilitos la- sedimentos epiclásticos associados a material pi- minados, siltitos, arenitos e calcários margosos e roclástico, portadores de características químicas PPb5 – siliciclástica (topo) – suborizontalizada, similares aos granitos calcioalcalinos alto potássio composta por arenitos, siltitos e silexitos. Essa ba- (Juruena/Paranaíta, Granito Nhandu), sinalizando cia resultou de uma tectônica binária, ditada pela vinculação genética, temporal e espacial com es- reativação de megazonas de cisalhamento trans- sas unidades plutônicas formadoras do Arco mag- corrente rúptil-dúctil a rúptil, de direção E-W a mático Juruena; Intrusivas Básicas Guadalupe re- NNW-ESE, atuantes de modo conjugado e sincro- presentadas por gabros, microgabros, diabásio e nizado, criando área transtensionada tipo graben, dioritos distribuídos na forma de diques, cortando que evoluiu progressivamente para uma bacia os granitos e vulcânicas supracitadas e/ou como rombóide, receptora de sedimentos continentais a enclaves nos granitos (Suíte Paranaíta/Nhandu) marinhos rasos. quando exibem feições de mistura de magma; Gra- As feições estruturais investigadas levaram à nito Teles Pires (1.757  16Ma U/Pb e 2.100Ma, identificação de domínios tectono-estruturais: dúc- Sm/Nd, como idade-modelo) constituído por alcali- til e rúptil-dúctil a rúptil desenvolvidos em duas fa- granitos e leucogranitos, rapakivíticos, subsolvus, ses compressivas. A primeira erigida em condi- potássicos, metaluminosos, de evolução ções severas de pressão e temperatura (fácies an- pós-orogenética ligada ao estágio final de estabili- fibolito a granulito), próprias do domínio dúctil, con- zação do Arco Juruena. Apresentam característi- duzida por um vetor de compressão máxima (F1) cas assemelhadas aos granito tipo A, mas encon- posicionado na direção aproximada de N65W, tram-se espacial e geneticamente ligados à evolu- afetando as unidades mais antigas (complexos Ba- ção dos granitos calcioalcalinos alto potássio, com caeri-Mogno e Cuiú-Cuiú) corresponde a fase de os quais partilham inúmeras similaridades petro- convergência e fechamento da bacia oceânica, co- gráficas, geoquímicas e isotópicas. lisão com uma placa continental (Arco Cuiú-Cuiú) e Terreno de médio a alto grau (domínio dúctil) for- geração de encurtamento crustal e geração de es- mado além das supracrustais e metaplutônicas do truturas NE-SW. A 2ª fase compressiva é implanta- Complexo Bacaeri-Mogno já referido, pela Suíte Vi- da a partir da colisão dos blocos continentais, tória (1.785  8Ma, U/Pb e idade-modelo 2.182Ma, quando o vetor F1 posiciona-se na direção N55E, Sm/Nd, com gNd -2,56), representada por enderbi- gerando megacisalhamentos transcorrentes e tos, metadioritos e metaquartzo, dioritos, calcioal- oblíquos, dúctil, rúptil-dúctil a rúptil de cinemática calina médio potássio, metaluminosa, híbrida, con- predominante sinistral, orientados NW-SE, WNW- trolada por expressivas zonas de cisalhamento ESE, e cisalhamentos transcorrentes dextrais, anti- transcorrente e oblíqua (zona de escape lateral), e téticos, de direção aproximada NS. Essa fase cor- pelo Granito São Pedro (1.786  17Ma, a 1.784  responde a geração de áreas transtensionadas e 17Ma, U/Pb e idade-modelo 2.144Ma a 2.060Ma, transpressionadas geradas em função dessa tec- Sm/Nd, com gNd(t) -1,11 e +0,65) constituído de tônica binária, que afetou os terrenos de médio a metabiotita granito, granada-biotita metagranito, alto grau (Complexo Bacaeri-Mogno, Suíte Vitória e – 102 – SC.21-X-C (Alta Floresta) Granito São Pedro), na zona de sutura, no domínio Os jazimentos mais freqüentes acham-se reuni- dúctil e o segmento plutono-vulcânico (suítes Intru- dos na forma de veios de quartzo com ouro, confi- sivas Juruena, Paranaíta, Granito Nhandu, Alcali- nados a zonas de cisalhamento, estreitas com es- nas Rio Cristalino, Suíte Colíder, Intrusivas Básicas pessuras centimétrica a métrica, inseridos em del- Guadalupe e Granito Teles Pires) pouco deforma- gadas faixas de filonitos (quartzo + sericita + clorita do, no domínio rúptil-dúctil a rúptil, fora da zona de + epidoto + magnetita + sulfetos-pirita), formadas a sutura. partir da nucleação de fraturas de cisalhamento R Os registros de feições lineares como mullions – com direção N85E a NW-SE com predominância tectônico L, orientadas 10 N30E e dobras isocli- em torno N70-60W de cinemática sinistral e fratu- nais de Sn (bandamento gnáissico), com eixos em ras de cisalhamento dextral (antitética) em torno NS torno de 40N70E, obtidos em supracrustais do (X) e de fraturas extensionais (T) de direção aproxi- Complexo Bacaeri-Mogno, são indicativos do forte mada N55E. Foram identificados 3 pólos de jazi- encurtamento crustal controlado por mecanismo mentos auríferos desse tipo: 1. Norte-noroeste de de cisalhamento puro, coaxial não-rotacional, pro- Paranaíta (garimpos: Grota Rica, Buriti, Valdomiro, vocado por uma compressão NW-SE que afetou as Mandioca e Arara, todos situados no Bloco C – unidades mais antigas, caracterizando o estágio área-piloto de pesquisa mineral realizada pelo inicial do domínio dúctil. JICA/MMAJ, 2. Fazenda Mogno (Garimpo do Rato) Um evento deformacional marcado por cisalha- e 3. Norte-nordeste de Alta Floresta (garimpos: Ser- mento transcorrente/oblíquo de natureza rotacional rinha e Pé de Fora). foi responsável pela transposição das estruturas O outro tipo de jazimento de ouro ocorre dissemi- formadas no evento anterior e geração de uma su- nado em veios de quartzo extensionais, em bre- perfície milonítica (Sn+1) de direção predominante chas hidrotermais e numa rede de veios de quartzo N60W/80NE, formadora das megazonas de cisa- multidirecionados (stockworks), desenvolvidos no lhamento transcorrente de direção EW a WNW- domínio rúptil e localizados em cúpulas ou zonas ESE, de cinemática sinistral e dextral, conjugadas e periféricas a plútons do Granito Nhandu e/ou liga- articuladas com zonas de cisalhamento oblíquo de dos a faixa subvulcânica da Suíte Colíder, afetados direção NW-SE, desenvolvida em terreno de médio por processos magmático-hidrotermais, represen- a alto grau. Foram constatadas outras zonas de ci- tados pelos garimpos: Trairão, Crentes e Álvaro Ta- salhamento dúctil dextral marcadas pelo desenvol- vares. vimento de outra superfície milonítica (Sn+2) com di- Em função do ambiente geotectônico (Arco reção predominante N60E/subvertical, que trun- magmático Juruena), assinaturas hidrotermais res- cou e transpôs as zonas de cisalhamento anterio- tritas às mineralizações, rochas hospedeiras (vul- res. cânicas subaéreas e plútons granitos), da associa- Domínio rúptil-dúctil a rúptil, preservado no seg- ção mineralógica: ouro + pirita  calcopirita e for- mento plutono-vulcânico pouco deformado e nos mas das mineralizações (veios, brechas hidroter- sedimentos do Grupo Beneficente, caracterizado mais e stockworks) a maioria dos depósitos de ouro através de zonas de cisalhamento de largura centi- da Folha Alta Floresta foi classificada como parte métrica a métrica, descontínuas e confinadas, ge- de sistemas epitermais de baixa sulfetação, forma- radas a partir de um componente compressivo má- dos a temperaturas < 300C, desenvolvidos em ximo (F1), orientado N55E, definido a partir de re- condições de crosta rasa com ausência de altera- gistros de fraturas extensionais (T), com atitude ção potássica (K-feldspato), justaposta, às vezes, N55E/subvertical, acompanhadas de fraturas de e em transição a mineralizações do tipo Au pórfiro, cisalhamento (Y/R), dispostas ao longo de descon- sinalizado pela associação hidrotermal de alta tem- tinuidades que se interconectam e são nucleadas, peratura, com alteração potássica (K-feldspato) formando falhas e/ou zonas de cisalhamento trans- verificada em profundidade nos furos de sonda re- corrente sinistral, orientadas preferencialmente alizados em granito da Suíte Paranaíta. EW, NW-SE e ENE-SSW, subverticais, portadoras, Os grãos de Au ocorrem na forma livre em fratu- às vezes, de veios de quartzo contendo mineraliza- ras na pirita e/ou como inclusão nesta. Estudos de ções auríferas. Foram feitos também registros de inclusões fluídas em vênulas de quartzo, indicaram fraturas de cisalhamento dextral (R’/X), conjugadas temperaturas de homogeinização variando de e antitéticas com orientação em torno de N-S/70W. 292C a 313C e salinidade de 2% a 8% eq. em A partir das características morfológicas, textu- peso de NaCl. Datação efetuada, em cristais de pi- rais e estruturais foram identificados dois tipos prin- rita contidos em veios de quartzo, indicou idade de cipais de mineralizações auríferas: veios de quart- 1,76 Ga (Pb/Pb). zo com ouro preenchendo zonas de cisalhamento Os depósitos de ouro contidos em veios de confinadas, no domínio rúptil-dúctil e em stock- quartzo, revelaram altos teores atingindo 113g/t de works, brechas hidrotermais e veios extensionais Au (Garimpo C7), 221g/t (Garimpo do Rato), reuni- de quartzo com ouro, no domínio rúptil. dos, no entanto, em pequenos corpos, com baixa – 103 – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil reserva, geralmente acompanhados de Ag, Bi e va- precisão, os granitos magnéticos (tipo I oxidado), lores anômalos de Cu, Pb e Zn. potencialmente suscetíveis de acumularem depó- Os depósitos de ouro vinculados a intrusões sitos auríferos. subvulcânicas (microgranitos, micromonzonitos Propõe-se a cartografia geológica básica porfiríticos), calcioalcalinas, pós-colisionais, que 1:100.000 do terreno de médio a alto grau, na zona ocorrem encaixados em veios de quartzo extensio- de sutura, priorizando a caracterização das supra- nais, stockworks e brechas hidrotermais, exibindo crustais e metaplutônicas do Complexo Bacae- alteração fílica, pervasiva, desenvolvida em condi- ri-Mogno, com estudos geobarométricos e geoter- ções de crosta rasa, em domínio francamente rúp- mométricos para definição e determinação da in- til, apresentam expectativa de reservas maiores tensidade do metamorfismo que atuou nesse ambi- com baixos teores. ente colisionado (complementar com datação geo- A prospecção geoquímica realizada ratificou as cronológica e caracterizão litogeoquímica). áreas com mineralizações auríferas já conhecidas Como áreas-piloto para pesquisa de ouro, foram (garimpos), como definiu outras áreas anômalas selecionadas prioritariamente as detentoras de ve- para ouro passíveis de serem investigadas. ios de quartzo extensionais com ouro, brechas hi- Foram detectados também indícios de barita e drotermais e stockworks, localizadas na periferia fluorita, na análise mineralógica de concentrados e/ou cúpulas do granito porfirítico magnético, de bateia, em área dominada por andesitos micro- transformado em quartzo greisen, como acontece porfiríticos e brechas andesíticas com dissemina- no Garimpo Trairão e adjacências (Pólo 4) e nas ções de pirita, calcopirita e pirrotita distribuídas à subvulcânicas (microgranitos e micromonzograni- nordeste do Porto da fazenda Vaca Branca, sinali- tos pórfiros e brechas vulcânicas) da Suíte Colíder, zando a possibilidade da ocorrência de depósitos encontradas nos garimpos dos Crentes e Álvaro do tipo Olympic Dam (Au-U-Cu). Tavares, fazenda Raio do Sol, norte-noroeste de Indícios de fosfato do grupo da hamlinita (goiasi- Paranaíta, margem direita do rio Teles Pires. ta, gorceixita e florencita) e monazita foram encon- Indícios de fosfato e monazita encontrados na trados na análise mineralógica ótica em concentra- análise mineralógica ótica, em concentrados de do de bateia, na área situada a norte de Alta Flores- bateia no domínio das Alcalinas Rio Cristalino, per- ta, domínio das Alcalinas Rio Cristalino. mitiram selecioná-lo como área prioritária para Em função dos resultados obtidos e dos proble- prospecção desses bens minerais. mas técnico-científicos ainda persistentes, tor- Os resultados da análise mineralógica ótica, nos na-se imprescindível a implementação de levanta- concentrados de bateia, revelaram também, indíci- mentos geológicos, em escala de maior detalhe os de barita e fluorita, em áreas dominadas por an- por entidades governamentais, ligadas ao setor desitos microporfiríticos e brechas andesíticas mineral visando supri-lo de elementos in- com pirita, calcopirita e pirrotita, disseminadas, e fra-estruturais necessários à execução de empre- distribuídos a norte do rio Teles Pires, entre os por- endimentos governamentais e atração de investi- tos da fazenda Vaca Branca e Madeiseik, sinalizan- mentos privados para o desenvolvimento desse do a possibilidade de ocorrência de depósitos do setor. tipo Olympic Dam (Au-U-Cu). Recomenda-se o prosseguimento do levanta- Caracterização química da ocorrência de calcá- mento geológico básico na escala 1.100.000, no rio margoso, que compõe a cinturão plutono-vulcânico pouco deformado do unidade PPb2 do Grupo Beneficente, encontra- Arco magmático Juruena, focando principalmente da a norte de Alta Floresta (Porto da Areia), e carto- as unidades: Suíte Intrusiva Paranaíta, Granito grafia geológica de semidetalhe, desta área e adja- Nhandu e Suíte Colíder, vocacionadas para conte- cências, com avaliação e individualização dessa rem mineralizações auríferas, subsidiando com da- matéria prima, imprescindível à correção de solos, tações geocronológicas e perfis geofísicos siste- de importância fundamental no desenvolvimento máticos (através de magnetometria terrestre) no da agricultura do norte de Mato Grosso, carente sentido de individualizar e caracterizar, com maior desse bem mineral. – 104 – SC.21-X-C (Alta Floresta) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, M.C.de. 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Projeto na Província Tapajós. Novos dados geocronológi- Província Mineral Alta Floresta. Porto Alegre: CPRM, cos. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 6, 2002. 11p. (Relatório de Campo). Manaus. Boletim de Resumos…Manaus: SBG – So- WINKLER, H. G. F. Petrogenesis of metamorphic ciedade Brasileira de Geologia, 1999. p.471-474. rocks. [s.l.]: Ed. Springer Verlag, 1977. 334p. VASQUEZ, M. L. Projeto de datação das unidades da WYBORN, L. A. I.; WYBORN, D.; WARREN, R. G.; Província Mineral Tapajós pelo método de evapora- DRUMMOND, B. J. Proterozoic granite types in Aus- ção de chumbo em zircões. Belém: CPRM, 1998. tralia: implications for lower crust composition, struc- VASQUEZ, M. L.; RICCI, P. S. F.; KLEIN, E. L. Granitói- ture and evolution. Trans. R. Soc. Edinburgh: Earth des pós-colisionais da porção leste da Província Ta- Sci., v. 83, p.201-209, 1992. 111 SÚMULA DOS DADOS DE PRODUÇÃO Caminhamento Geológico (km) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.806 Afloramentos descritos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 400 Amostras de rochas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 276 Análises petrográficas descritas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169 Análises calcográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06 Amostras de sedimentos de corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 470 Amostras de concentrado de bateia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 431 Garimpos visitados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Amostra de rocha com análises químicas para elementos maiores, menores e traço . . . . . 53 Amostras de rochas com análises químicas para elementos terras-raras . . . . . . . . . . . . 53 Determinações geocronológicas: 3 (método U/Pb SHRIMP); 2 (método U/Pb) e 6 (método Sm/Nd Documentos anexos ao Relatório: - Carta Geológica (escala 1:250.000) - Carta de Estações Geológicas (escala 1:250 000) Documentos disponíveis em arquivos eletrônicos: - Fichas de afloramentos (Base AFLO) - Fichas de análises petrográficas (Base PETRO) - Fichas de cadastramento de ocorrências minerais (Base META) Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil Folhas em Execução NA.19-Z Alto Rio Negro9 SC.24-V-A-I Riacho Queimadas1 SE.23-Z-D-I Conceição do Mato Dentro1 NA.20 Boa Vista8 SD.22-Z-A Itapaci1 SG.22-X-B Itararé1 SA.22-X-D Belém4 SD.22-Z-B Uruaçu1 SH.22 Porto Alegre8 SB.22-X-B Rondon do Pará4 SD.24-Y-B Ilhéus1 SC.20 Porto Velho8 SE.22-V-A Guiratinga1 SC.21-Z-A Ilha 24 de Maio1 SE.23-Z-B-IV Serro1 Folhas Impressas Borda Oeste SC.20-V-C-V Abunã1 SE.21-Y-D Corumbá1 (CD-ROM) Creporizão (Geoquímica) (CD-ROM) SC.20-V-C-VI Mutumparaná1 SE.22-V-B Iporá1 (CD-ROM) NA.20-X Roraima Central9 (CD-ROM) SC.20-V-D-I Jaciparaná1 SE.22-X-A São Luís de Montes Belos2 NA.20-Y Serra Imeri1 (CD-ROM) SC.20-Z-C-V Paulo Saldanha1(CD-ROM) SE.22-X-A-II Sanclerlândia1 (CD-ROM) NA.20-X-C-III Paredão1 SC.20-Z-C-VI Rio Pardo1 (CD-ROM) SE.22-X-A-III Itaberaí1 NA.20-X-C-VI Serra do Ajarani1 SC.21-Z-C Alta Floresta SE.22-X-A-VI Nazário1 NA.20-Z Caracaraí9 (CD-ROM) SC.22-X-A Redenção4 (CD-ROM) SE.22-X-B Goiânia2 (CD-ROM) NB.20-Z-B-V Monte Roraima1 SC.22-X-B Conceição do Araguaia4 (CD-ROM) SE.22-X-B Goiânia8 (1999) (CD-ROM) NB.20-Z-B-VI Monte Caburaí1 SC.23-Y-D Formosa do Rio Preto1 SE.22-X-B-I Nerópolis1 NB.20-Z-D-II Rio Quinô1 SC.23-X-D-IV Campo Alegre de Lourdes1 (CD-ROM) SE.22-X-B-II Anápolis1 NB.20-Z-D-III Rio Cotingo1 SC.23-X-D-I Peixe (CD-ROM) SE.22-X-B-IV Goiânia1 (CD-ROM) NB.20-Z-D-V Vila Pereira1 SC.23-Z-A/Y-B Curimatá/Corrente1 (CD-ROM) SE.22-X-B-V Leopoldo de Bulhões1 NB.20-Z-D-VI Rio Viruquim1 SC.23-Z-C Santa Rita de Cássica1 SE.22-X-B-VI Caraíba1 NB.21-Y-A-IV Sem denominação SC.24-V-A Paulistana1 SE.22-X-D Morrinhos2 NB.21-Y-C-I Sem denominação SC.24-V-A-II Paulistana1 SE.23-V-B São Romão2 SA.20-V Rio Cuiuni1 SC.24-V-A-III Santa Filomena1 SE.23-Z-B Guanhães2 SA.23-Z São Luis NE/SE8 (CD-ROM) SC.24-V-A-IV Barra do Bonito1 SE.23-Z-C Belo Horizonte2 SA.23-Z-C Itapecuru-Mirim4 (CD-ROM) SC.24-V-A-V Afrânio1 SE.23-Z-C-VI Belo Horizonte1 (CD-ROM) SA.22-Y-D Altamira4 (CD-ROM) SC.24-V-A-VI Riacho do Caboclo1 SE.23-Z-D Ipatinga2 SA.23-V-C Castanhal4 (CD-ROM) SC.24-V-B-IV Cristália1 SE.23-Z-D-IV Itabira1 (CD-ROM) SA.23-V-D Turiaçu4 (CD-ROM) SC.24-V-C Petrolina1 SE.24-V-A Almenara2 SA.23-V/Y São Luis SW/NW8 SC.24-V-C-III Petrolina1 SE.24-Y-C-V Baixo Guandu1 SA.23-X-C Cururupu4 (CD-ROM) SC.24-V-D Uauá2 SE.24-Y-C-VI Colatina1 SA.23-Y-B Pinheiro4 (CD-ROM) SC.24-V-D-I Itamotinga1 SF.21 Campo Grande8 (CD-ROM) SA.23-Z-A São Luís4 (CD-ROM) SC.24-X-A Belém de S. Francisco1 (CD-ROM) SF.21-V-B Aldeia Tomásia1(CD-ROM) SA.23-Y-D Santa Inês4 (CD-ROM) SC.24-X-C-V Santa Brígida1 (CD-ROM) SF.21-V-D Porto Murtinho1(CD-ROM) SA.24-Y-D-V Irauçuba3 (CD-ROM) SC.24-X-C-VI Piranhas1 (CD-ROM) SF.21.X.A Aquidauana1 (CD-ROM) SB.20-Z-B-VI Mutum1 SC.24-X-D-V Arapiraca1 (CD-ROM) SF.23-V-D-V-4 São Gonçalo do Sapucaí1 SB.21-V-D Vila Mamãe Anã8 (CD-ROM) SC.24-Y-B Senhor do Bonfim2 SF.23-X-B-I Mariana1 (CD-ROM) SB.21-X-C Caracol8 (CD-ROM) SC.24-Y-B-VI Euclides da Cunha3 SF.23-X-B-II Ponte Nova1 SB.21-Y-B Jacareacanga8 (CD-ROM) SC.24-Y-C Jacobina2 (CD-ROM) SF.23-X-B-IV Rio Espera1 (CD-ROM) SB.21-Z-A Vila Riozinho8(CD-ROM) SC.24-Y-C-V Morro do Chapéu1 (CD-ROM) SF.23-X-C-III Barbacena1 (CD-ROM) SB.21-Z-C Rio Novo8 (CD-ROM) SC.24-Y-D Serrinha1 (CD-ROM) SF.23-X-C-VI Lima Duarte1 SB.22-Y-B São Félix do Xingu4 (CD-ROM) SC.24-Y-D-II Gavião1 SF.23-X-D-I Rio Pomba1 SB.22-X-C Serra Pelada4 (CD-ROM) SC.24-Y-D-IV Mundo Novo1 SF.23-Y-B-II-2 Heliodora1 SB.22-X-D Marabá4 (CD-ROM) SC.24-Y-D-V Pintadas1 SF.24-V-A-II Afonso Cláudio1 SB.22-Z-A Serra dos Carajás4 (CD-ROM) SC.S4-Y-D-VI Serrinha1 SF.24-V-A-III Domingos Martins1 SB.22-Z-B Xambioá4 (CD-ROM) SC.24-Z Aracaju SW8 SF.24-V-A-V Cachoeiro de Itapemirim1 SB.22-Z-C Xinguara4 (CD-ROM) SC.24-Z Aracaju SE8 SF.24-V-A-VI Piúma1 SB.22-Z-D Araguaína4 (CD-ROM) SC.24-Z-A-II Jeremoabo1 SG.22-Z-B Joinville2 SB.23-V-A Açailândia4 (CD-ROM) SC.24-Z-A-III Carira1 SG.22-Z-D-I-2 Botuverá SB.23-V-B Vitorino Freire4 (CD-ROM) SC.25-V-A-II Vitória de Santo Antão1 SG.22-Z-D-II-1 Brusque1 SB.23-V-C Imperatriz4 (CD-ROM) SD.21-Y-C-II Pontes e Lacerda1 SG.22-Z-D-V Florianópolis1 SB.23-V-D Barra do Corda4 (CD-ROM) SD.21-Z-A Rosário do Oeste2 SG.22-Z-D-VI Lagoa1 SB.23-X-A Bacabal4 (CD-ROM) SD.21-Z-C Cuiabá2 SH.22-V-C-IV Santa Maria SB.23-X-B Caxias4 (CD-ROM) SD.22-X-D Porangatu2 SH.22-X-B-IV Criciúma1 (CD-ROM) SB.23-X-C Presidente Dutra4 (CD-ROM) SD.22-Z-B Uruaçu2 SH.22-Y-A Cachoeira do Sul2 SB.24-X Aracaju NE8 (CD-ROM) SD.22-Z-C Ceres2 SH.22-Y-A Cachoeira do Sul2 (CD-ROM) SB.24-Y Jaguaribe SW8 (CD-ROM) SD.22-Z-C-II Morro Agudo1 SH.22-Y-C Pedro Osório1 (CD-ROM) SB.24-Z Jaguaribe SE8 (CD-ROM) SD.22-Z-C-V Goiás1 (CD-ROM) SH.22-Y-A-I-4 Passo do Salsinho1 SB.24-V-C-III Crateús1 SD.22-Z-C-VI Itaguaru1 SH.22-Y-B Porto Alegre1 SB.24-V-D-V Mombaça1 SD.22-Z-D Goianésia2 2Geol. E Rec. Min. do E. de Sergipe (CD-ROM) SB.24-X-B/D Areia Branca/Mossoró2 SD.22-Z-D-IV Jaraguá1 Mapa Geoquímico Internacional (CD-ROM) SB.24-Y-B Iguatu1(CD-ROM) SD.22-Z-D-V Pirenópolis1 Paleontologia das Bacias do Parnaiba e São Luís SB.24-Y-B-II Catarina1 SD.23-X-B Ibotirama2 SB.24-Y-C-V Patos1 (PI) SD.23-X-C-V Coribe1 SB.24-Y-C-VI Simões1 SD.23-X-D Bom Jesus da Lapa2 SB.24-Z-B Caicó1 (CD-ROM) SD.23-Y-C Brasília2 SB.24-Z-B-II Currais Novos3 SD.23-Y-D Buritis2 SB.24-Z-B-V Jardim do Seridó3 SD.23-Z-D-II Monte Azul3 SB.24-Z-C Serra Talhada1 (1999) (CD-ROM) SD.23-Z-D-IV Janaúba3 SB.24-Z-C-VI Afogados da Ingazeira1 SD.23-Z-D-V Rio Pardo de Minas3 SB.24-Z-D-I Patos1 (PB) SD.24-V-A-I Seabra2 (CD-ROM) SB.24-Z-D-II Juazeirinho1 SD.24-V-A-II Utinga1 SB.24-Z-D-IV Monteiro1 SD.24-V-A-V Lençóis1 SB.24-Z-D-V Sumé1 (CD-ROM) SD.24-V-C Livramento do Brumado SB.25-V-C Natal2 SD.24-V-C-II Mucugê1 SB.25-V-C-IV João Câmara1 SD.24-Y-A Vitória da Conquista2 SB.25-Y-C-V Limoeiro1 SD.24-Y-B-V Ibicaraí1 SC.20-V-B-V Porto Velho1 SD.24-Y-B-VI Itabuna1 Folhas em Editoração SF.23-X-C-VI Lima Duarte1 SF.23-X-D-I Rio Pomba1 1Levantamento Geológico/Geoquímico/Metalogenético nas escalas 1:500.000, 1:250.000, 1:100.000, 1:50.000; 2Mapas Metalogenéticos e de Previsão de Recursos Minerais escala 1:250.000; 3Mapas de Previsão de Recursos Hídricos Subterrâneos escala 1:100.000; 4Projeto Especial Mapas de Recursos Minerais, de Solos e de Vegetação para a Área do Programa Grande Carajás – Subprojeto Recursos Minerais; 5Levantamento geológico visando ao meio ambiente; 6Levantamentos aerogeofísicos; 7Integração geológica/geoquímica de regiões metropolitanas; 8Integração geológico/metalogenética nas escalas 1:500.000 e 1:250.000; 9Mapeamento Geológico/Metalogenético da Região Amazônica na escala 1:500.000. Folhas Concluídas Disponíveis para consulta NA.20-X-B Uraricoera2 SC.24-X-B Garanhuns2 SF.23-V-A-II.2 Rio São Lourensinho7 NA.21-V-A Conceição do Maú2 SC.24-X-C Paulo Afonso2 SF.23-V-A-III.1 Itanhaem7 NA.20-X-D Boa Vista2 SC.24-X-D Santana do Ipanema2 SF.23-V-A-III.2 Mangagua7 NA.20-Z-B- Caracaraí2 SC.24-Y-A Mirangaba2 SF.23-Y Rio de Janeiro SW8 NB.20-Z-B e SC.24-Z-A Jeremoabo2 SF.23-Y-A-V.4 Campinas7 NB.21-Z-A Monte Roraima2 SC.24-Z-B/D Aracaju/Estância2 SF.23-Y-A-VI.3 Valinhos7 NB.20-Z-D Vila Surumu2 SC.24-Z-C Tobias Barreto2 SF.23-Y-C-II.2 Indaiatuba7 NB.21-Y-C Rio Maú2 SC.25-V-A Recife2 SF.23-Y-C-II.4 Cabreúva7 NA.21-Z-B Rio Citaré2 SC.25-V-C Maceió2 SF.23-Y-C.III.1 Jundiaí7 NA.22-V-B Rio Oiapoque2 SD.20-V-B Príncipe da Beira2 SF.23-Y-C-III.2 Atibaia7 NB.22-Y-D Cabo Orange2 SD.20-X-A Pedras Negras2 SF.23-Y-C-III.3 Santana do Parnaíba7 NA.22-V-D Lourenço2 SD.20-X-B Vilhena2 SF.23-Y-C-III.4 Guarulhos7 NA.22-Y-A Serra do Tumucumaque2 SD.20-X-C Ilha do Sossego2 SF.23-Y-C-V.2 São Roque7 NA.22-Y-B Rio Araguari2 SD.20-X-D Pimenteiras2 SF.23-Y-C-V.4 Juquitiba7 NA.22-Y-D Macapá2 SD.21-Y-C Mato Grosso2 SF.23-Y-C.VI.1 Itapecerica da Serra7 SA.21-X-B Rio Maicuru2 SD.21-Y-D Barra do Bugres2 SF.23-Y-C-VI.2 São Paulo7 SA.24-Y-A Parnaíba2 SD.22-X-A Araguaçu2 SF.23-Y-C-VI.3 Imbu-Guaçu7 SA.24-Y-B Acarau2 SD.22-X-B Alvorada2 SF.23-Y-C-VI.4 Riacho Grande7 SA.24-Y-C Granja2 SD.22-X-C São Miguel do Araguaia2 SF.23-Y-D-I.1 Piracaia7 SA.24-Y-D Sobral2 SD.22-Y-D Barra do Garças2 SF.23-Y-D-I.2 Igaratá7 SA.24-Z-C Fortaleza2 SD.22-Z-A Mozarlândia2 SF.23-Y-D-I.3 Itaquaquecetuba7 SB.22-X-C Rio Itacaiúnas2 SD.23-V-A Arraias2 SF.23-Y-D-I.4 Santa Isabel7 SB.22-X-D Marabá2 SD.23-V-C Campos Belos2 SF.23-Y-D-II.3 Jacareí7 SB.22-Z-A Rio Paraopebas2 SD.23-X-A Barreiras2 SF.23-Y-D-IV.1 Suzano (Mauá)7 SB.24-V-A Piripiri2 SD.23-X-C Santa Maria da Vitória2 SF.23-Y-D-IV.2 Mogi das Cruzes7 SB.24-V-B Quixadá2 SD.23-Y-A São João d'Aliança2 SF.23-Y-D-IV.3 Santos7 SB.24-V-C Crateús2 SD.23-Z-A Manga2 SF.23-Y-D-IV.4 Bertioga7 SB.24-V-D Quixeramobim2 SD.23-Z-B Guanambi2 SF.23-Y-D-V.1 Salesópolis7 SB.24-X-A Aracati2 SD.24-V-A Seabra2 SF.23-Y-D-V.2 Pico do Papagaio7 SB.24-X-C Morada Nova2 SD.24-V-B Itaberaba2 SF.23-V-A Franca2 SB.24-Y-A Valença do Piauí2 SD.24-V-D Jequié2 SF.23-V-B Furnas2 SB.24-Y-B Iguatu2 SD.24-X-C Jaguaribe2 SF.23-V-C Ribeirão Preto2 SB.24-Y-C Picos2 SD.24-X-A Salvador2 SF.23-V-D Varginha2 SB.24-Y-D Juazeiro do Norte2 SD.24-Y-B Ilhéus2 SF.23-X-A Divinópolis2 SB.24-Z-A Souza2 SD.24-Z-A Itacaré2 SF.23-X-B Ponte Nova2 (CD-ROM) SB.24-Z-B Caicó2 SD.24-Y-C Rio Pardo2 SF.23-X-C Barbacena2 SB.24-Z-D Patos2 SD.24-Y-D Itapetinga2 SF.23-X-D Juiz de Fora2 SB.25-Y-A Cabedelo2 SD.24-Z-C Canavieiras2 SF.23-Y-A Campinas2 SB.25-Y-C João Pessoa2 SE.21-V—D-V Morraria do Ínsua1 SF.23-Y-B Guaratinguetá2 SC.20-V-C Abunã2 SE.21-Y-B-II Lagoa de Mandioré1 SF.23-Y-C São Paulo2 SC.20-V-D Ariquemes2 SE.21-Y-B-III Amolar1 SF.23-Y-D Santos2 SC.20-Y-B Alto Jamari2 SE.23-V-A Unaí2 SG.22-X-A Telêmaco Borba2 SC.20-Y-D Serra dos Uopianes2 SE.23-V-C Paracatu2 SG.22-X-B Itararé2 SC.20-Z-A Rondônia2 SE.23-V-D João Pinheiro2 SG.22-X-C Ponta Grossa2 SC.20-Z-B Rio Branco2 SE.23-X-A Montes Claros2 SG.22-X-D Curitiba2 SC.20-Z-C Presidente Médici2 SE.23-X-B Araçuaí2 SG.23-V-C Cananéia2 SC.20-Z-D Pimenta Bueno2 SE.23-X-C Pirapora2 SG.23-V-A Iguape2 SC.21-Z-B Vila Guarita2 SE.23-X-D Capelinha2 SG.22-Z-D Florianópolis2 SC.22-X-D Miracema do Norte2 SE.23-Y-A Patos de Minas2 SH.21-Z-D Bagé2 SC.22-Z-B Porto Nacional2 SE.23-Y-B Três Marias2 SH.21-Z-B São Gabriel2 SC.22-Z-D Gurupi2 SE.23-Y-C Uberaba2 SH.22-X-B Criciúma2 SC.23-X-D São Raimundo Nonato2 SE.23-Y-D Bom Despacho2 SH.22-Y-D Pelotas2 SC.23-Y-C Natividade2 SE.23-Z-A Curvelo2 SH.22-Z-C Mostarda2 SC.23-Z-B Xique-Xique2 SE.24-V-C Teófilo Otoni2 SI.22-V-A Jaguarão2 SC.23-Z-D Barra2 SE.24-Y-A Governador Valadares2 SI.22-V-B Rio Grande2 SC.24-V-A Paulistana2 SE.24-Y-C Colatina2 SC.24-V-B Salgueiro2 SF.21-V-B Baía Negra2 SC.24-X-A Floresta2 SF.21-X-A Miranda2 Memória Técnica  Mapas de serviço disponíveis para cópias heliográficas (*)  Disquetes de computador com análises químicas, petrográficas, mineralógicas etc (*)  Sistema de Informações em Recursos Naturais – SIR (**)  Bases de Dados: GEOB e GTM – Bibliografia SIGEO – Projetos de Geologia, Geoquímica e Geofísica META – Ocorrências Minerais SISON – Dados de Sondagem AFLO – Descrição de Afloramento DOTE – Acervo Bibliográfico da CPRM PETR – Análises Petrográficas PROJ – Carteira de Projetos da CPRM Locais de acesso: (*) DNPM: Brasília e Distrito Regional; (**) Brasília e Distritos Regionais e CPRM: Rio de Janeiro Departamento de Apoio Técnico Sabino Orlando C. Loguércio Divisão de Cartografia Paulo Roberto Macedo Bastos Divisão de Editoração Geral Valter Alvarenga Barradas EQUIPES DE PRODUÇÃO Cartografia Digital Afonso Henrique S. Lobo Leila Maria Rosa de Alcantara Carlos Alberto da Silva Copolillo Luiz Cláudio Ferreira Carlos Alberto Navarro Luiz Guilherme A. Frazão Carlos Alberto Ramos Marco Antonio de Souza Ivan Soares dos Santos Maria Luiza Poucinho João Carlos de Souza Albuquerque Marília Santos Salinas do Rosário Jorge de Vasconcelos Oliveira Paulo José da Costa Zilves José Carlos Ferreira da Silva Risonaldo Pereira da Silva José Pacheco Rabelo Wilhelm Petter de Freire Bernard Editoração Agmar Alves Lopes José Luiz Coelho Andréia Amado Continentino Laura Maria Rigoni Dias Hélio Tomassini de Oliveira Filho Pedro da Silva Sérgio Artur Giaquino CARTA GEOLÓGICA FOLHA ALTA FLORESTA - SC. 21-X-C ESCALA 1:250.000 - CPRM - 2005 MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL PROJETO PROVÍNCIA MINERAL DE ALTA FLORESTA FOLHA SC.21-X-C ALTA FLORESTA CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL CARTA GEOLÓGICA - ESCALA 1:250.000 - ANEXO I 57º00' 520 45' 540 30' 560 580 09º00' 15' 600 56º00' 620 45' 640 660 55º30' 09º00' Córr. Jd 6 PROVÍNCIAS GEOTECTÔNICAS c DO CRÁTON AMAZÔNICO (abandonado) 9 Ri oa s b. g s La a a g as L 5 7o 8 1 COBERTURAS FANEROZÓICAS 9000 d 9000 Pousada Taimaçu as Rib. d 2 SUNSAS 3 RONDÔNIA B Có S 1 8 4 JURUENArr. ão PPb5 6 Raste iro Benedito 5 RIO NEGRO R 7 ão aS steiro 6 4 TAPAJÓS-PARIMA R rr.io Có 3 7 AMAZÔNIA CENTRAL PPb4a PPb4 Rio 2 8 CARAJÁS-IMATACA Faz. 1 Siqueira Ri PPb4o 9 TRANSAMAZÔNICA PPb3 Cratón Mn S Amazônicoã PPb2 o ito II 0 500kmed Projeto Promin Alta FlorestaBen Be PPb1 nedito II Cach. da (Modificado de Santos, et al. 2000) ãoPerdição S 8980 Q2a PPb1 8980 PAR I. Itaici o I. da uÁ Au Perdição R M IO Az RELAÇÕES LITOESTRATIGRÁFICAS / UNIDADES DAS LITOLOGIASGarimpo ATO ul15' Perdição GROS 60SO Q2a Q2aC 15'órr. DEPÓSITOS ALUVIONARES Cach. Faz. Capitão Fogo B Q2a Furlan PPac I. Esperança PPb4 Aluvião arenoso e argiloso, localmente com níveis de cascalho PPgtp PPb3 1,6Ma Cach. 114Ma M Cap. Felipe DIABÁSIO CURURU Faz. PPgtp Cach. 70 BerlinPPb2 pe Vileroy 5 0 Jdc li 5 Fe 70 DiabásioPPb4 M PPgtp 208Ma Cach. PPb1 1600Ma10 Vileroy PPgtp 70 GRUPO BENEFICENTEFaz.Raio de Sol 65 PPac P PPb5 Cach. TELE S IR AuE Alvaro Oscar Miranda S Tavares PPb4 Córr. da Cach. Au PPgtp Purgatória aSete s Quedas I. Itá PARÁ Faz. PPb4a Sta PPb3 OU MA s MPb1 Helena Q2a 75 Q2a TO GROSS 10 8960 O s(abandonado) 8960 PPb2Córr. Rio (a s proxi ma do ) 5 PPac s PPgj PPb1 PPac s I. Dinorá s PPb5Faz. 10 PPb5 - Argilito e siltito, vermelhos e com lentes de arenito db Oscar Para Romana s PPb1 PPb3 MPb4 PARÁ PPb4 - Arenito friável com lentes de argilito e siltito (a)db n 1803 ± 16a Faz. Pedralta PPb1 PPb1 sGrande MA PPb3 - Arenito com raras lentes de argilito e siltito Q2a Q2a TO GPPb1 PPb2 ROSSO PPb2 - Argilito vermelho com intercalações de arenito, siltito e calcário Porto da PPgn PPac 20 20 PPb1 - Arenito com lentes de siltito e conglomerado Aldeia db I. Lúcia GRANITO TELES PIRES PPgsp 5 I. Léia 25 Porto Q2a s PPgtp de Areia Sítio de Rio Cris Au PPgn Faz. Santa talin 50 75 José‚ Vieira o 30' Cecília Biotita granitos, álcali-granitos e sienogranitos, porfiríticos a equigranulares, às vezes rapakivíticos, 50 Au I. Lila Faz. Vaca 30'1599 ± 52 vermelhos-tijolos a róseos, com microgranitos, granitos finos e granófiros subordinados. 70 Au1786 ± 17 Au Faz. SãoJoaquim Branca Faz Filizzola do Aripuanã I. Lélia GRANITO SÃO PEDRO1801 ± 8 PPac PPb4 MT-206 50 Au Au Au PPgsp Madeireira 45 Faz. de M qz Faz. de Arlindo PPgtp Biotita metagranito, granada-biotita metagranito, hornblenda-biotita metagranito, metagradiorito e Faz. Sol PPgp Sítio de José PPgn Alberto I. Caturrita 60 metatonalito, porfiroclástico, às vezes com enclaves de quartzo metadiorito associado.Afonso Acordi Batista Irmão Lamb Pedra Preta Sítio SUÍTE VITÓRIA SUÍTE COLÍDER ( IPHAN) PPb2Canção I. Hebréia PPb175 PPacand PPac porto do PPb3 and Rosário 60 Faz. Enderbitos e metaquartzo diorito Microgranitos, microquartzo monzonitos, micromonzonitos, brechas vulcânicas, riolitos, Au PPb2Araçatuba PPb1 riodacitos, dacitos e andesitos (and), porfiríticos, com derrames de riolitos pórfiros, inter- 8940 GRANITO NHANDU8940 PPb1 calados em depósitos piroclásticos e epiclásticos.Faz. de Sítio de Jean Saliot Antônio Pousada Rio PPb1 PPgn Veríssimo Cristalino PPb3 I. Elsa I. do Ariosto Magnetita-biotita granito, biotita-hornblenda granito, magnetita- R S E R INTRUSIVAS BÁSICAS GUADALUPE biotita monzogranito, magnetita-biotita-hornblenda monzogranitoIO R Cachoeira A e sienogranito, porfirítico a equigranulares, vermelhos a róseos,PPlrc PPac PPbg com monzogranitos finos porfiríticos, micromonzogranito porfiríti- (abandonado) Porto da do LabirintoEsc. João Paulo I Q2a D O co e micromonzodioritos subordinados Madeseiki PPb2 1332 ± 29 PPb1 SUÍTE INTRUSIVA SUÍTE INTRUSIVA PARANAÍTA Gabro, microgabro, diabásios, hornblenda ALCALINAS RIO CRISTALINO PPgj Sítio de MPb1 R O 1800Ma JURUENA clinopiroxenitos e dioritos, porfiríticos a equigranularesC Carlos C. Q2a H PPgp PPlrc Paranaíta Faz do E D Santos 1806 ± 3 I. Jacinto Sierra O PPgj Biotita-hornblenda monzogranito, biotita monzogranito,PPb2 Sienito, quartzo sienito e biotita-hornblenda quartzo monzonito, biotita quartzo PPlrc riebeckita - aegirina sienitoComunidade Sta Rita 70 Biotita granito rosa a cinza esbranquiçado, monzonito, biotita-hornblenda granito e biotita granito, equigranular a porfirítico,monzogranito, bio- porfirítico a equigranulares, ricos em magnetita e às tita-quartzo monzonito, quartzo diorito, bioti- vezes com quartzo azulado. PPb1 Faz. ta tonalito e granodiorito Tijurê-Aba R PPgp o PPb1 2000MaPPgn che PPgp PPgp dQ2a o . COMPLEXO CUIÚ-CUIÚ MAN ibUEL RI. A 20 raçari PPcc Faz. Santo do Porto da André PPgj 4ª Leste I. Carlinda Ortognaisse graníticos a monzoníticos. Faz. Guarani Sítio Au i São José45' r uc u PPgn Faz. 45' COMPLEXO BACAERI-MOGNOS do Japonês Faz. N.S. do M 50 M O 25 PPbm Perpétuo Socorro Faz. U 8920 PPcc qz M 8920 afAmizade Faz. I. IlusãoFaz. Faz. Sítio Kinzigitos e granada-cordierita-sillimanita-biotita gnaisses com intercalações de Passargada qzOuro Verde São José‚ piroxênio-granada quartizitos ferruginosos (BIF), hornblenda-piroxênio-granadaQue-Quero Q2a Sítiodas Graças quartzitos (chert), calcossilicáticas, anfibolitos com orto e clinopiroxênios (af) eFaz. s Boa migrPPgj 80 2500Ma plútons de metagabróides. PPgsp Esc. Esc. Vitória M BomJesus Esperança s João Paulo I Furlani da Riva Faz. G Q2a Faz São Libra PPgp I. Stela AuPPgj PauloM Faz. T-2 Faz. Au Faz. Sierra 08 Luciano Esc. Vitória Santa migr Faz. Faz. Furlani da Riva Cecília Garimpo Trairão Contato definido Zona de cisalhamento transcorrente 15 Foliação de fluxo cataclástico com Dique vertical (migr - microgranito)Faz. Floresta Azul Ouro Bernado qz Porto da F-13 80 Fartura (agroindustrial Ltda) PPcc Au sinistral mergulho medido Fino Filho Contato aproximado Afloramento descrito Faz. I. Geni 25 PPgn Zona de cisalhamento transcorrente Foliação de fluxo cataclástico vertical Santa Contato aproximado obtido por sinistral aproximada Garimpo em atividade Catarina Alta Floresta M I. Gracinda M 30 1227 ± 39 Esc. João Faz. magnetometria Lineação B com caimento medidodo é Paulo ICó Guaraní Faz.r Sinforme Garimpo inativo1740 ± 91 r. a Cachoeirinha PPgp 55 Assentamento c Q2a PPgn Falha ou zona de cisalhamento Lineação de estiramento com 20 São Pedro Corgão Faz. Vila da Fotolineamentos estruturais: traços de caimento medido G Zona de greisens s r D s ig Gaucho Indeco -3 1840 ± 90 Falha ou zona de cisalhamento superfícies m Colônia da Comusn idade 60 aproximada Sítio arqueológico s Estação do Ministério Faz.F az. Paranaíta s Faz. Juntas extensionais verticais 20 Junta de cisalhamento com mergulho gão São Pedro or s Jacaré da Agricultura PPgp Canaã I. Altair C s Faz N. Sa. 80 Falha transcorrente sinistral medido Brechas magmáticas hidrotermais Retiro da ás Faz. Apiacás 70 Mo. do Patrão s Faz. s Porto da D-3c Comunidade s s Faz. PPbg Guadalupe Q2a Acamadamento com mergulho (pipes) Apia PPbm 60 s Faz. PaulistaPeal s Bandeirante A Falha transcorrente sinistral indicado Junta de cisalhamento com mergulho 60 N.S. de FátimaMT s- 2 08 s 40s aproximada 15 indicado Ocorrência mineral Faz. PPbm 55 Esc. João s s Faz. Beira Rio Acamadamento com mergulho medidos 75 Paulo I s s Rio Pato Branco PPgn Q2a PPgns s 80PPbmaf s Faz. Agroagem s 75 Falha transcorrente dextral 75 s S asnt a s PPgn PPcc s s s s s PPcc Junta de cisalhamento verticals s s s Faz. Caiabis 70 s s s Acamadamento horizontal DADOS GEOCRONOLÓGICOSPPgp MT-208 sFaz. Flor Colônia da Faz. 70 Gleba Nhandu do Prado Patrízia ( Agropecuaria) Faz. São Bento s (Empresa agroindustrial Ltda) s Faz. Luz s 1740 ± 164 Falha contracionals Paleocorrente fluvial 8900 kmN s s s s s PPgv R s 8900 Foliação com mergulho indicado Rb/Sr - isócrona de afloramento io do Aripuanã H s Faz. Divinael s PPgj Carlinda PPgn s Zona de cisalhamento 15 Dique e veios (db - diabásio; qz - (convencional) Mo. do Túnel Ri s en s Carolina s Porto da F-1 Retiro da Faz. o a Foliação com mergulho medidoPPgsp Faz. 50 sEsc. Vsitória Furlani da Riva PPgj M PPcc s s quartzo; migr - microgranito; qz/fK - PPbmaf Mogno Plate s Zona de cisalhamento aproximada U/PbPPbm PPgp Faz. Irmsão Formetini J s Foliação milonítica com mergulho quartzo feldspato potássico)PPbmaf PPgv aran 40 80 70 65 P ait a s Au 70 éli o PPgj s Q2a Zona de cisalhamento contracional indicado Sm/Nd PPcc Retiro da mLa. das Garças Faz. Mogno .PPgsp rSítio rRancho ór a aproximada 80 Dique com mergulho medido (qz - (agropecuaria) Faz. C Faz. Bacaeri Carica 80Alegre PPgn Foliação milonítica com mergulho PPgp quartzo) A B 10º00' 10º00' Zona de cisalhamento transcorrente medido Seção geológica 57º00' 520 kmE 45' 540 30' 560 580 15' 600 56º00' 620 45' 640 660 55º30' compressional sinistral aproximada Foliação milonítica vertical Falha transcorrente sinistral (seção SW NE Zona de cisalhamento transcorrente geológica) (m) SEÇÃO GEOLÓGICA ESQUEMÁTICA compressional dextral aproximada 500 Rib. Muquem PPb4aRio Paranaita Rio Teles Pires Q2a PPb1 PPb1 250 PPb1 PPb5PPb2 MPb3 PPb4 PP jg PPac PPac 0 PPgsp PPgj PPgn CIDADE Outras localidades Estrada sem pavimentação, tráfego Curso de água permanente PPbmaf PPbm PPgp PPgp permanentePPgn PPac PPac Campo de pouso PPbm Estrada sem pavimentação, tráfego periódico Vila Estrada pavimentada Lagos/lagoas A Escala Horizontal 1:250.000 B Caminho Escala Vertical 1:25.000 Autores: Cipriano Cavalcante de Oliveira Base planimétrica digitalizada pela Divisão de Cartografia - DICART, a partir da LOCALIZAÇÃO DA FOLHA ARTICULAÇÃO DA FOLHA folha SC.21-X-C Alta Floresta, escala 1.250.000, 1a edição, 1a impressão, 63° 60° 57° 54° CARTA GEOLÓGICA Mário Cavalcanti Albuquerque58º30' 57º00' 55º30’ 54º00' DSG,1981. 8º00' 8º00' Colaboradores: Digitalização do tema e atualização da base planimétrica, foram executadas pelos 6° 6° Geologia Estrutural: Reginaldo Alves dos Santos técnicos da SUREG/GO: Claudionor Francisco de Souza, Luiz Carlos de Melo, ESCALA 1:250.000 CACHOEIRARIO TELES PIRES SERRA DO CACHIMBO DO CURUÁ Geofísica: Murilo Machado Pinheiro e Roberto Gusmão de OliveiraPedro Ricardo Soares Bispo, Renivan Bartolomeu Rodrigues e Valdivino Patrocinio SC.21-V-B SC.21-X-A da Silva. 5 0 5 10 15 20km SC.21-X-B Geoquímica: Eric Santos Araújo e Renato Sales de Andrade AMAZONAS Petrografia: Maria Abadia Camargo Esta carta foi produzida em meio digital e para publicação na Internet em junho de 8° 8° 9º00' 9º00' Metalogenia: Inácio de Medeiros Delgado2002, pela Divisão de Cartografia - DICART /Departamento de Apoio Técnico - PARÁ DEPAT / Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento - DRI. PROJEÇÃO UNIVERSAL TRANSVERSA DE MERCATOR Geocronologia: João Orestes Schneider Santos Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central 57º W.Gr., Sensoriamento Remoto: Cidney Rodrigues ValenteDiretor da DRI: Fernando Pereira de Carvalho AEROPORTO DO acrescidas as constantes: 10.000km e 500km, respectivamente. RIO SÃO JOÃO ALTA FLORESTA Chefe do DEPAT: Sabino O. Loguercio SC.21-X-C CACHIMBO10° Datum horizontal: SAD-69 - MG. DA BARRA 10° SC.21-X-D Consultores: Chefe da DICART: Paulo Roberto Macedo Bastos Declinação magnética do centro da folha em 1982: 12º12' W, cresce 9’ anualmente SC.21-V-D Márcio Martins Pimentel - CPRM/UnB - Geocronologia Editoração Cartográfica: Wilhelm P. de F. Bernard (coord.), Maria Luiza Poucinho 10º00' 10º00' Nilson Francisquini Botelho - UnB - Petrologia de Rochas GraníticasLuiz Guilherme de A. Frazão e Regina de Sousa Ribeiro CPRM Augusto J. Pedreira - CPRM - Ambiente de SedimentaçãoCoordenação da digitalização: Marília Santos Salinas do Rosário RONDÔNIA 12° Wilson Wildner - CPRM - Petrologia de Rochas Vulcânicas Revisão: Carlos Alberto Copolillo e Paulo José da Costa Zilves 12° MATO GROSSO Serviço Geológico do Brasil TAPAIUNA ILHA 24 DE MAIO VILA GUARITA Revisão na DIEDIG: Antonio Lagarde SC.21-Y-B SC.21-Z-A SC.21-Z-B 2005 O Projeto Especial Província Mineral Alta Floresta (PROMIN - Alta Floresta),foi executado pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil, dentro do Programa 11º00' 11º00' Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil - PLGB, através da Superintendência 63° 60° 57° 54° 58º30' 57º00' 55º30’ 54º00' Regional de Goiânia - SUREG/GO, sob a coordenação do Departamento de Geologia - DEGEO/Diretoria de Geologia e Recursos Minerais - DGM. Diretor da DGM: Manoel Barretto da Rocha Neto. Chefe do DEGEO: Edilton José dos Santos. Chefe DIGEOB/Coordenador Nacional PLGB: Inácio de Medeiros Delgado. Chefe da GEREMI/ Coordenador do Projeto: Joffre Valmório de Lacerda Filho. Chefe do Projeto: João Olímpio Souza. Rio Córr. C ap C ió tãrr o. Córr. Cap. ene Fe dli ipe t o A Vileroy Miranda s Ja r Córr. Jaú Córr. Córr. Jacaré Rio Santa Helena qz São Benedito Jdc Córr. 20 Vale C Rib. Cristalino Rio Quatro Pontes ou Carmindo Rio Jdc s s s s s s s PROTEROZÓICO FANEROZÓICO s s s s MESOZÓICO CENOZÓICO s PALEOPROTEROZÓICO JURÁSSICO QUATERNÁRIO s s s s s s s s s s s s s ss ss s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s s Jdc Jdc Jdc Jdc S s Jdc PIR E s Jdc Jdc ESL TE Jd c 20 8 T- M ÃOS Jdc s s kf axiderm ista z / T q Rib. s s s r. N egu inh as r C ó s s s mig r s s s i tod e Ben s Iga ra pé São s s s s s s s s s s o Ri Córr. s Jaú J s s s s a c a r é s s s s s MANUEL SÃO s alto do S ásc Ap ia s do Rio da Perdição CARTA DE ESTAÇÃO GEOLÓGICA FOLHA ALTA FLORESTA - SC. 21-X-C MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL ESCALA 1:250.000 - CPRM - 2005 SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL PROJETO PROVÍNCIA MINERAL ALTA FLORESTA FOLHA SC.21-X-C ALTA FLORESTA CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL CARTA DE ESTAÇÃO GEOLÓGICA - ESCALA 1:250.000 - ANEXO II 57º00' 520 45' 540 30' 560 580 09º00' 15' 600 56º00' 620 45' 640 660 55º30' 09º00' Cór CONVENÇÕESr. (abandonado) R asib. ag o as Lagoas L 9000 d 9000 PV-122 Afloramento descritoPousada Taimaçu as PV-124 Rib. d Afloramento amostrado B Córr S. ão Afloramento com análise petrográfica iro B Raste enedito o Ra Sã ste PV-123iro Afloramento com análise química Rio ór r. C Afloramento com análise geocronológica o PV-120 PV-121 Ri Afloramento com análise paleontológica Faz. R PV-118 Siqueira io PV-119 PV-173 Sã Sítio Arqueológicoo ito IIed PV-129 PV-127 Ben Bene Garimpo ativodi PV-128 to II Cach. da o Perdição PV-130 PV-131 S ã Garimpo inativo 8980 ou 8980PAR I. ItaiciI. da Á PV-138 Perdição R MA IO PV-126 AGarimpo TO zul 15' Perdi‡Æo GROSS C Oórr CC-182 15' . PV-125 Cach. PV-134 Faz. Capitão Fogo SIGLAS CC-192 CC-181 Furlan PV-117 I. Esperança PV-133 PV-139 CC-191 CC-190 PV-132 PV-150 CC - Cipriano Cavalcante Oliveira Cach. CC-189 CC-180 PV-116 Cap. Felipe CC-188 Faz. CC-184 CC-179 CC-202 Berlin PV-151 PV - Paulo Vilas BoasCach. pe Vileroy CC-186 eli CC-187 CC-201 PV-152 F CC-185 CC-178 PV-154 PV-153 PV-149 PS - Pedro Sérgio Estevam Ribeiro Cach. CC-204 Vileroy CC-203 CC-183 CC-200Faz.Raio de Sol PV-115 PV-155 JD - José DomingosAlves Baêta Junior CC-173 P PV-140 Cach. TELE S IR CC-196E Garimpo dos Crentes CC-199 Oscar Miranda CC-208 CC-209 S CC-172 Córr. da Cach. Garimpo AlvaroTavares PS-008 CC-171 CC-198 CC-195 Purgatória PV-141Sete CC-207 CC-197 Quedas I. Itá PARÁ Faz. Sta U CC-170 PV-148 HelenaO CC-206 MATO GROSSO PV-1478960 8960 Córr. (abandonado) PV-136 (ap R rio oximaCC-194 do) PV-137 PV-146 CC-205 PV-142 CC-215 I. Dinorá CC-193 CC-295 CIDADE Estrada pavimentada Caminho Oscar P CC-177 Faz. a PV-143ra Pna CC-169 Romana Faz. Pedra PV-135 ARÁ CC-214 lta Grande MAT Vila Estrada sem pavimentação, tráfego O GROSSO permanente Curso de água permanente Porto da CC-284 Aldeia CC-225 CC-252 Outras localidadesCC-213 CC-176 CC-294 PV-144 Estrada sem pavimentação, tráfego I. Lúcia CC-293 Campo de pouso periódicoCC-012 Lagos/lagoasI. Léia Porto CC-289 PV-145 CC-224CC-327 CC-212 CC-175 Garimpos Buriti/ de Areia Sítio de CC-283 Rio Cri CC-231 Grota Rica/ C-7 José‚ Vieira Faz. Santa CC-223 stalino 30' CC-211 CC-174 CC-290 Cecília CC-326 CC-139 CC-146 CC-118 CC-114 I. Lila Faz. Vaca 30' Garimpos do Valdomiro CC-119Faz. SãoJoaquim CC-014 Branca CC-222CC-210 CC-128 CC-137 Faz Filizzola do Aripuanã LOCALIZAÇÃO DA FOLHA ARTICULAÇÃO DA FOLHA CC-140 CC-135 CC-129 CC-155 CC-013 CC-117 I. Lélia CC-266 CC-113 63° 60° 57° 54° MT-206 CC-112 58º30' 57º00' 55º30’ 54º00' CC-142 CC-141 Garimpos do CC-156 Garimpos do Valdemar CC-120 CC-282 8º00' 8º00' Madeireira CC-136 Expedito PS-007CC-154 Faz. de CC-253CC-138 CC-143 CC-256CC-127 6°Faz. de CC-124 Arlindo CC-111 CC-325 6° Faz. Sol CC-130 CC-125 Sítio de José CC-221 CACHOEIRA Afonso Acordi Alberto CC-116 I. Caturrita RIO TELES PIRES SERRA DO CACHIMBO Batista Irmão DO CURUÁ Lamb SC.21-V-B SC.21-X-A SC.21-X-B Sítio CC-281 CC-144 CC-126 CC-255 CC-220 AMAZONAS Canção I. Hebréia CC-230 8° CC-228 8° 9º00' 9º00' CC-313 CC-134 CC-157 CC-110 porto do PARÁ Rosário CC-008 CC-219PS-005 CC-121 Faz. CC-254 CC-229 AEROPORTO DOCC-133 RIO SÃO JOÃO ALTA FLORESTACC-145 Araçatuba CC-226 CC-324 CACHIMBODA BARRA SC.21-X-C 8940 Garimpo do CC-015 8940 10° 10° SC.21-X-D CC-227 SC.21-V-D Arara Faz. de Sítio de Antônio CC-265 CC-007Jean Saliot Pousada RioCC-109 10º00' 10º00'Veríssimo CC-122 Cristalino I. Elsa I. do Ariosto RONDÔNIA CC-314 CC-315 R CC-323 12° I S EO R R 12° TAPAIUNA ILHA 24 DE MAIO MATO GROSSO VILA GUARITACC-132 Cachoeira APV-159 CC-217 PV-160 SC.21-Y-B SC.21-Z-A SC.21-Z-B (abandonado) Porto da do Labirinto CC-131 Esc. João Paulo I PV-157 D CC-115 CC-094 O Madeseiki CC-218 PV-158 11º00' 11º00' CC-108 PV-156 63° 60° 57° 54° R 58º30' 57º00'CC-288 55º30’Sítio de 54º00'O C CC-123 Carlos C. HCC-093 CC-286 E Paranaíta CC-287Santos CC-035 I. Jacinto CC-344 CC-322 Faz do D Sierra O CC-216 Autores: Cipriano Cavalcante de OliveiraComunidade Sta Rita CC-006 CC-147 CC-321 Mário Cavalcanti AlbuquerqueCC-274 CC-279 Faz. CC-343 CC-078 Colaboradores: CC-016 Tijurê-Aba CC-320 CC-079 CC-080 Geologia Estrutural: Reginaldo Alves dos Santos CC-148 CC-271 CC-034 CC-076 R CC-278 oc Geofísica: Murilo Machado Pinheiro e Roberto Gusmão de Oliveirah CC-275 CC-342 CC-077 edo Geoquímica: Eric Santos Araújo e Renato Sales de Andrade CC-277 . Petrografia: Maria Abadia Camargo CC-030 MAN ibUEL R Metalogenia: Inácio de Medeiros Delgado CC-149 CC-017 CC-341 I. ACC-005 raçari Base planimétrica digitalizada pela Divisão de Cartografia - DICART, a partir da Geocronologia: João Orestes Schneider Santos Faz. CC-276 CC-270 Santo do Porto da folha SC.21-X-C Alta Floresta, escala 1.250.000, 1 a edição, 1a impressão, Sensoriamento Remoto: Cidney Rodrigues Valente 4ª Leste I. Carlinda CC-280 Faz. Guarani André Sítio DSG,1981. CC-018 CC-273 CC-092 CC-029 São José CC-059 CC-340 CC-339 CC-302 CC-075 Digitalização do tema e atualização da base planimétrica, foram executadas pelos Consultores: 45' icu r CC-019 45' técnicos da SUREG/GO: Claudionor Francisco de Souza, Luiz Carlos de Melo, Márcio Martins Pimentel - CPRM/UnB - Geocronologia Su CC-285 CC-028 Faz. do Japonês Pedro Ricardo Soares Bispo, Renivan Bartolomeu Rodrigues e Valdivino Patrocinio Nilson Francisquini Botelho - UnB - Petrologia de Rochas Graníticas Faz. N.S. do CC-058 CC-312 OU CC-074 da Silva. Augusto J. Pedreira - CPRM - Ambiente de SedimentaçãoPerpétuo Socorro Faz. CC-033 CC-269 8920 8920 Esta carta foi produzida em meio digital e para publicação na Internet em junho de Wilson Wildner - CPRM - Petrologia de Rochas VulcânicasAmizade CC-106 Faz. CC-107 CC-309 I. Ilusão Faz. CC-304 2002, pela Divisão de Cartografia - DICART /Departamento de Apoio Técnico - Faz. Sítio Passargada Ouro Verde São José‚ CC-268 CC-311 CC-338 DEPAT / Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento - DRI. O Projeto Especial Província Mineral Alta Floresta (PROMIN - Alta Floresta),foi Que-Quero CC-004 executado pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil, dentro do Programa CC-162 Sítio CC-057 CC-310 CC-084 Diretor da DRI: Fernando Pereira de Carvalhodas Graças Faz. CC-267 Boa CC-316 CC-065 CC-303 Chefe do DEPAT: Sabino O. Loguercio Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil - PLGB, através da Superintendência Esc. Esc. Vitória PS-006 BomJesusCC-046 EsperançaCC-051 Chefe da DICART: Paulo Roberto Macedo Bastos Regional de Goiânia - SUREG/GO, sob a coordenação do Departamento de João Paulo I Furlani da Riva Faz. CC-337CC-308 CC-067 Faz São Editoração Cartográfica: Wilhelm P. de F. Bernard (coord.), Maria Luiza Poucinho Geologia - DEGEO/Diretoria de Geologia e Recursos Minerais - DGM. Libra CC-032 CC-003 I. Stela CC-301 PauloM Faz. Coordenação da digitalização: Marília Santos Salinas do Rosário Diretor da DGM: Manoel Barretto da Rocha Neto. T-2 Faz. CC-066 0 Esc. Vitória Garimpo Serrinha CC-068 Santa Revisão: Carlos Alberto Copolillo e Paulo José da Costa Zilves Chefe do DEGEO: Edilton José dos Santos. Faz. Sierra 8 Luciano CC-031 Faz. Faz. CC-300 Furlani da Riva Cecília Garimpo TrairÆo Chefe DIGEOB/Coordenador Nacional PLGB: Inácio de Medeiros Delgado.Faz. Floresta Azul Bernado CC-161 Fartura Ouro CC-002 Porto da F-13 Chefe da GEREMI/ Coordenador do Projeto: Joffre Valmório de Lacerda Filho. (agroindustrial Ltda) Filho CC-163 FinoCC-103 CC-026 CC-050 Chefe do Projeto: João Olímpio Souza. Faz. Garimpo P‚ I. Geni CC-164 CC-027 CC-262 CC-083 Santa CC-020 de Fora CC-056 CC-160 Catarina Alta Floresta CC-336 I. Gracinda CC-165 Esc. João Faz.do CC-150 CC-049 Paulo I CC-263 CC-055 CC-166 Córr. é Guaraní Faz. CC-251 ca Cachoeirinha CC-335Assentamento CC-022 CC-264 CC-167 São Pedro Corgão CC-104 CC-085 Faz. Vila da CC-333CC-023 D Gaucho Indeco CC-048 -3CC-021 CC-025 CC-001 CC-332 CARTA DE ESTAÇÃO GEOLÓGICA Colônia da Comunidade CC-086 CC-036 CC-307 CC-064 CC-250 CC-159 Estação do Ministério Faz.Faz. Paranaíta Faz. rgã o São Pedro CC-260 CC-024 CC-062 o CC-105 Jacaré da Agricultura Canaã CC-319 I. Altair CC-334 Retiro da C CC-038 Faz N. Sa. CC-054 ás Faz. Apiacás Mo. do Patrão Faz. CC-063 Porto da D-3 CC-248 piac Comunidade CC-088 CC-272 Faz. Guadalupe A CC-168 Peal CC-317 Faz. Paulista CC-158 N.S. de Fátima Bandeirante CC-009 A ESCALA 1:250.000 MT-20 Faz. 8 CC-087 CC-261 JD-014 CC-039 CC-047 CC-053CC-045 Faz. 5 0 5 10 15 20km CC-101 Esc. João CC-010 CC-331 Beira Rio CC-249 CC-095 CC-153 Paulo I Rio CC-037 Pato Branco CC-306 CC-246 CC-097 CC-096 CC-091 CC-089 Faz. AgroagemCC-244 Sa CC-318CC-098 Faz. CC-082CC-100 MT-208 Caiabis nta CC-060 PROJEÇÃO UNIVERSAL TRANSVERSA DE MERCATOR Faz. Flor Colônia da Faz. CC-090 CC-151 CC-040 JD-013 CC-061 Gleba Nhandu Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central 57º W.Gr., 8900 kmN do Prado CC-081 Patrízia ( Agropecuaria) Faz. São Bento (Empresa agroindustrial Ltda) Faz. Luz CC-328 CC-099 R 8900AF-079 io do Aripuanã Divina acrescidas as constantes: 10.000km e 500km, respectivamente. CC-245 H CC-257 Faz. e CC-044 CC-052 Carlinda CC-072 CC-298 Datum horizontal: SAD-69 - MG. Mo. do Túnel CC-240 CC-235 R len CC-258CC-234 i a Carolina CC-073 Porto da F-1o Faz. Declinação magnética do centro da folha em 1982: 12º12' W, cresce 9’ anualmenteRetiro da Faz. CC-233 CC-102 CC-152 Esc. Vitória Furlani da Riva CC-305 CC-071 Mogno CC-232 Garimpo do Rato Plate Faz. Irmão Formetini CC-292 CC-297 J CC-043 CC-299CC-239 CC-237 CC-236 Paranaita JD-012 CC-329 CPRMCC-243 CC-241 CC-041 CC-259 élio CC-247 Retiro da mCC-242 La. das Garças Faz. Mogno CC-042 Sítio ór r . ar CC-291 Serviço Geológico do Brasil CC-238 Rancho(agropecuaria) CC-011 Faz. C Faz. Bacaeri Carica Alegre CC-069 CC-070 CC-296 2005 10º00' 57º00' 520 kmE 45' 540 30' 560 580 10º00' 15' 600 56º00' 620 45' 640 660 55º30' Rio Córr. C ap C ió tãrr o. Córr. Cap. ene Fe dli ipe t o Vileroy Miranda Ja r Córr. Jaú Córr. Córr. Jacaré Rio Santa Helena São Benedito Córr. Vale C Rib. Cristalino Rio Quatro Pontes ou Carmindo Rio J S PIR E S LE TE 08 T- 2 M ÃOS dermist a Taxi Rib. r. N egr u in h a Có i to ene d B Igarapé São ioR Córr. Jaú a c a r é MANUEL SÃO Sa lto do ásc Ap ia osd Rio da Perdição