República Federativa do Brasil Ministério de Minas e Energia CPRM – Serviço Geológico do Brasil Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial Residência de Fortaleza PROGRAMA DE RECENSEAMENTO DE FONTES DE ABASTECIMENTO POR ÁGUA SUBTERRÂNEA NO ESTADO DO CEARÁ DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO Fernando A. C. Feitosa Sara Maria Pinotti Benvenuti Fortaleza 1998 COORDENAÇÃO TÉCNICA DIGITAÇÃO Antonio Maurilio Vasconcelos Antônia Maria da Silva Lopes Fernando A. C. Feitosa Célida Socorro Rocha Rodrigues Jaime Quintas dos Santos Colares Evanilson Batista Mota dos Santos Francisca Aurineide Almeida Freire COORDENAÇÃO DA EDIÇÃO E EDITORAÇÃO Maria Ednir de Vasconcelos Moura Francisco Edson Mendonça Gomes Ritaraci Lopes Wladiston Cordeiro Dias C OORDENAÇÃO DO BANCO DE DADOS PROCESSAMENTO DOS DADOS GEOGRÁFICOS Homero Coelho Benevides Euler Ferreira da Costa C T C Francisco Edson Mendonça Gomes OORDENAÇÃO DOS RABALHOS DE AMPO José Roberto de Carvalho Gomes MANIPULAÇÃO DO BANCO DE DADOS Maria do Socorro Lopes Teles Eriveldo da Silva Mendonça R Francisco Edson Mendonça Gomes ECENSEADORES Aderson Reis Moreira CONSISTÊNCIA DE DADOS Anibal Libério Lopes de Souza Elisabete da Silva Nunes Coordenação: Henrique Gomes Lima Sara Maria Pinotti Benvenuti Equipe: APOIO LOGÍSTICO Edenise Mônica Puerari Jader Parente Filho Francisco Almir Acácio Gomes Luiz da Silva Coelho Francisco Juarez Alves Francisco Roberto de Oliveira T Francisco Vladimir Castro de Oliveira EXTO José Carlos Rodrigues Caracterização Geral do Município Maria do Socorro Lopes Teles Epifanio Gomes da Costa Rosemary C. de Sá Miranda Sergio João Frizzo Zulene Almada Teixeira Recursos Hídricos EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Carlos Eduardo Sobreira Leite Ana Carmen Albuquerque Cavalcante Fernando A. C. Feitosa Maria Ednir de Vasconcelos Moura DESENVOLVIMENTO DO APLICATIVO DO REVISÃO DO TEXTO BANCO DE DADOS Homero Coelho Benevides DEINFO Edjane Marques Ferreira APOIO ADMINISTRATIVO Administração Financeira REFO ] Eriveldo da Silva Mendonça Maria de Nazaré M. Amazonas Pedroso Francisco Edson Mendonça Gomes Tesouraria Antônio Pinto de Mendonça Filho DIGITALIZAÇÃO Michele Silva Holanda Base Geográfica Serviços Ana Carmen Albuquerque Cavalcante Antônio Ivan Moreira Gonçalves Francisco Tácito Gomes da Silva Ednardo Rodrigues Ferreira Eriveldo da Silva Mendonça Francisco de Assis Vasconcelos Iaponira Paiva Gomes Lourivaldo Gonçalves Filho José Emilson Cavalcante Maria Ivete Rocha Selêucis Lopes Nogueira Maria Zeneide Rocha Vasconcelos Vicente Calixto Duarte Neto Maria Zeli de Moraes Mapa de Pontos D’Água Maria do Socorro Bezerra Sousa Ana Carmen Albuquerque Cavalcante Maria do Socorro Pinheiro Matos Paulo Fernando Moreira Torres Paulo Afonso Cavalcante de Moraes Ricardo Lima Brandão Raimundo Nonato de Souza Lima Sergio João Frizzo Rosa Monte Leão APRESENTAÇÃO A população da região Nordeste do Brasil enfrenta, secularmente, graves problemas ligados à falta de água e, conseqüentemente, à fome, ocasionados pelos freqüentes períodos de estiagem, que caracterizam o clima semi-árido desta região, e são conhecidos, popularmente, pela temida palavra – SECA. Nesses períodos de chuvas escassas ou inexistentes, os pequenos mananciais superficiais geralmente secam e os grandes chegam a atingir níveis críticos, provocando muitas vezes colapso no abastecimento de água. Dentro desse panorama aumenta a importância da água subterrânea, que representa, muitas vezes, o único recurso disponível para o suprimento da população e dos rebanhos. Como reflexo dessa realidade, desde o início do século, a cada nova seca, os governos federal e estaduais promovem, entre outras medidas emergenciais, programas de perfuração de poços na tentativa de aumentar a oferta de água e minimizar o sofrimento da população. Esses programas são materializados hoje por uma enorme quantidade de poços, muitos dos quais desativados ou abandonados por motivos diversos, e que poderiam voltar a funcionar, na medida em que sofressem pequenas ações corretivas. O Serviço Geológico do Brasil – CPRM, ciente dessa realidade e não podendo omitir-se diante de um quadro que degrada a dignidade humana, vem dar sua contribuição ao problema através do “Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará”. Esse programa tem como meta básica o levantamento das condições atuais de todas as fontes (poços tubulares, poços amazonas e fontes naturais) que captam e produzem água subterrânea existentes em cada município do estado, fornecendo subsídios para implantação imediata, por parte dos órgãos governamentais, de ações corretivas em captações passíveis de recuperação, na expectativa de aumentar a oferta de água, e minorar o drama atual da população do Ceará. A CPRM acredita que as informações levantadas e sintetizadas neste relatório são uma ferramenta importantíssima e indispensável para uma gestão racional dos recursos hídricos do município de Araripe, na medida em que retrata um panorama real e atual da disponibilidade de água subterrânea existente. CLODIONOR CARVALHO DE ARAÚJO Chefe da Residência de Fortaleza da CPRM SUMÁRIO APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................................4 1.1 Justificativa e Objetivos.......................................................................................4 1.2 Metodologia e Produtos.......................................................................................4 2 CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE.................................................5 2.1 Localização e Acesso...........................................................................................5 2.2 Aspectos Socioeconômicos..................................................................................5 2.3 Aspectos Fisiográficos..........................................................................................7 3 RECURSOS HÍDRICOS...........................................................................................7 3.1 Água Superficial................................................................................................7 3.2 Água Subterrânea..............................................................................................8 3.2.1 Domínios Hidrogeológicos.......................................................................8 3.2.2 Diagnóstico Atual da Explotação...............................................................8 3.2.3 Aspectos Quantitativos e Qualitativos.....................................................11 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES...................................................................13 REFERÊNCIAS..............................................................................................................15 APÊNDICE......................................................................................................................16 Planilhas de Dados das Fontes de Abastecimento..................................................16 ANEXO Mapa de Pontos D’Água Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE 1 INTRODUÇÃO A CPRM – Serviço Geológico do Brasil, empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia e que tem como missão, garantir as informações geológicas e hídricas fundamentais ao desenvolvimento econômico e social do país, diante do atual momento de extrema escassez de água pelo qual passa o estado do Ceará, concebeu o “Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento de Água Subterrânea no Estado do Ceará”. Este programa, devido ao seu caráter emergencial e forte apelo social foi, de imediato, incluído nas linhas prioritárias de ação da empresa para o segundo semestre do ano de 1998, constituindo, atualmente, sua atividade básica no Ceará. 1.1 Justificativas e Objetivos O estado do Ceará está localizado na região Nordeste do Brasil e abrange uma superfície de cerca de 148.000 km2. Encontra-se, na sua totalidade, incluído no denominado Polígono das Secas, que apresenta um regime pluviométrico marcado por extrema irregularidade de chuvas no tempo e no espaço. Nesse cenário, a água constitui um bem natural de elevada limitação ao desenvolvimento socioeconômico desta região e, até mesmo, na subsistência da população. A ocorrência cíclica de secas e seus efeitos catastróficos no âmbito regional são por demais conhecidos e remontam aos primórdios da história do Brasil. Esse quadro de escassez, no entanto, poderia ser definitivamente solucionado em determinadas regiões, através de uma gestão integrada dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Entretanto, a carência de estudos específicos e de abrangência regional, fundamentais para avaliação da ocorrência e potencialidade desses recursos, é um fator limitante para a aplicação dessa gestão. Para efeito de gerenciamento de recursos hídricos num contexto emergencial, como é o caso das secas, merece destaque o grau de utilização das fontes de abastecimento de água subterrânea, pois esse recurso torna-se significativo no suprimento hídrico da população e dos rebanhos. É de conhecimento geral que uma grande quantidade de captações de água subterrânea no semi-árido, principalmente em rochas cristalinas, encontra-se desativada e/ou abandonada a partir de problemas diversos, das quais uma parcela poderia voltar a funcionar, e aumentar a oferta de água, a partir de pequenas ações corretivas. Essa realidade justifica a execução do presente programa, que tem como objetivo básico o levantamento, em cada município do estado, da situação atual de todas as captações existentes, o que dará subsídios e orientação técnica às comunidades, gestores municipais e órgãos governamentais na tomada de decisões, para o planejamento, execução e gestão dos programas emergenciais de perfuração e recuperação de poços. 1.2 Metodologia e Produtos Definida a parte burocrática inicial inerente ao programa, sua implantação, em julho de 1998, tornou-se realidade a partir da seleção e treinamento da equipe 4 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE executora, composta de 16 técnicos da CPRM e um grupo de 34 recenseadores, na maior parte estudantes de nível superior dos cursos de Geografia e Geologia. Considerando a necessidade de implantação do recenseamento em todo o estado do Ceará, exceto o município de Fortaleza, e o tempo como fator preponderante na execução das atividades, adotou-se a estratégia de subdividir o estado em oito regiões, aproximadamente equidimensionais, abrangendo, cada uma, uma superfície de cerca de 18.000 km2, a serem cobertas por uma equipe formada por dois técnicos da CPRM, coordenando as tarefas de quatro recenseadores. O tempo previsto para a conclusão dos trabalhos de campo foi estimado em dois meses, sendo planejado o levantamento praticamente de todas as fontes de água subterrânea do estado. Os dados coletados em campo foram repassados, diariamente, à sede da Residência da CPRM, em Fortaleza, para a composição de um banco de dados, após rigorosa triagem das informações coletadas. Esses dados, devidamente consistidos e tratados, possibilitaram a elaboração de um mapa de pontos d’água de cada um dos municípios que compõem o estado do Ceará, cujas informações são complementadas por esta nota explicativa, elaborada de forma bastante objetiva, clara e ilustrada, visando um manuseio e compreensão acessíveis às diferentes classes da sociedade. Além desses produtos impressos, todas as informações coligidas estarão disponíveis sob a forma digital, permitindo o seu acesso através dos meios mais modernos de comunicação. 2 CARACTERÍSTICAS DOMUNICÍPIO DE ARARIPE 2.1 Localização e Acesso O município de Araripe situa-se na chapada do Araripe, porção sudoeste do estado do Ceará, limitando-se com os municípios de Campos Sales, Potengi, Santana do Cariri, além de porções limítrofes com o estado de Pernambuco. Compreende uma área de 853 km2, localizada nas cartas topográficas Campos Sales (SB.24-Y-D-I) e Santana do Cariri (SB.24-Y-D-II). O acesso ao município, a partir de Fortaleza, pode ser feito por via terrestre através da rodovia Fortaleza/Canindé/Tauá/Campos Sales/Araripe. Através de estradas estaduais, asfaltadas ou carroçáveis, atinge-se demais vilas, lugarejos, sítios e fazendas, todos interligados e com franco acesso durante todo o ano. 2.2 Aspectos Socioeconômicos O município apresenta quadro socioeconômico empobrecido, castigado por fatores climáticos adversos. A população, em 1993, era de 17.409 habitantes, com maior concentração na zona rural. A sede do município dispõe de abastecimento de água (CAGECE), fornecimento de energia elétrica (COELCE), serviço telefônico (TELECEARÁ), agência de correios e telégrafos (ECT), serviço bancário, hospitais, hotel(éis), ginásio(s) e/ou colégio(s). 5 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE 0 42 037 0 -2 LEGENDA: Coberturas sedimentares Araripe cenozóicas Coberturas sedimentares mesozóicas Coberturas sedimentares paleozóicas Embasamento cristalino Município 0 50 100 150 km Escala gráfica 0 -8 Figura 2.1 – Localização do município de Araripe em relação aos domínios sedimentares e cristalino do estado do Ceará. 6 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE A principal atividade econômica reside na agricultura, com as culturas de subsistência de feijão, milho, mandioca e monocultura de algodão, banana, cana-de- açúcar, castanha de caju hortaliças e frutas diversas. Na pecuária extensiva destaca criação de bovinos, ovinos, caprinos, suínos e aves. O extrativismo vegetal sobressai com a fabricação de carvão vegetal, extração de madeiras diversas para lenha e construção de cercas, além de atividades com oiticica, carnaúba e babaçu. O artesanato de redes e bordados é extensivo no município. Na área de mineração a extração de gipsita, rochas ornamentais, rochas para cantaria (brita, fachadas e usos diversos na construção civil) representa divisas para o município. Por outro lado, a extração de areia e argila (utilizada na fabricação de telhas e tijolos) bem como a extração de rocha calcária (utilizada na fabricação de cal) atendem às necessidades do município. A atividade pesqueira é desenvolvida em açudes locais ou em pequenos córregos. 2.3 Aspectos Fisiográficos As informações que se seguem foram colhidas no Atlas da Fundação Instituto de Planejamento do Ceará – IPLANCE (1997) e no Plano Estadual dos Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos SRH-CE (1992). O município de Araripe registra temperaturas médias de 23 ºC na quadra invernosa, e de 29 ºC no verão, e uma pluviosidade, em base anual, de 650 mm. O relevo, na maior parte do município é tabular, correspondendo ao topo da chapada do Araripe e com altitudes próximas dos 800 m; a norte e porções mais baixas as formas são suaves e dissecadas, pertencendo à denominada Depressão Sertaneja. Na região são encontrados latossolos, solos podzólicos e terra roxa estruturada, sobre os quais se desenvolve a vegetação de carrasco (xerófila arbustiva densa de caules finos), mata seca (floresta subcaducifólia tropical pluvial) e caatinga arbórea (floresta caducifólia espinhosa). Rochas graníticas do Pré-Cambriano indiviso constituem o substrato cristalino da região, tendo superpostos arenitos e calcários do Mesozóico e uma expressiva cobertura aluvial de sedimentos arenosos inconsolidados, do Quaternário. 3 RECURSOS HÍDRICOS 3.1 Águas Superficiais O município de Araripe está totalmente inserido na bacia hidrográfica do Alto Jaguaribe e tem como principais drenagens os riachos Montevidéu, Brejinho e Quinquê. Segundo a CAGECE, 100% da população urbana é abastecida com água e para tal é feito uso do açude João Luís. 7 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE 3.2 Águas Subterrâneas 3.2.1 Domínios Hidrogeológicos No município de Araripe pode-se distinguir dois domínios hidrogeológicos distintos: rochas cristalinas e coberturas sedimentares. As rochas cristalinas predominam totalmente na área e representam o que é denominado comumente de “aqüífero fissural”. Como basicamente não existe uma porosidade primária nesse tipo de rocha, a ocorrência da água subterrânea é condicionada por uma porosidade secundária representada por fraturas e fendas, o que se traduz por reservatórios aleatórios, descontínuos e de pequena extensão. Dentro deste contexto, em geral, as vazões produzidas por poços são pequenas e a água, em função da falta de circulação e dos efeitos do clima semi-árido é, na maior parte das vezes, salinizada. Essas condições atribuem um potencial hidrogeológico baixo para as rochas cristalinas sem, no entanto, diminuir sua importância como alternativa de abastecimento em casos de pequenas comunidades ou como reserva estratégica em períodos prolongados de estiagem. As coberturas sedimentares compreendem manchas isoladas de sedimentos detríticos que, em função das espessuras bastante reduzidas, têm pouca expressão como mananciais para captação de água subterrânea. 3.2.2 Diagnóstico Atual da Explotação O levantamento realizado no município de Araripe registrou a presença de 51 poços, dos quais 42 do tipo tubular profundo (28 públicos e 14 privados) e 9 do tipo amazonas (8 públicos e 1 particular), como mostra a figura 3.1 de forma percentual. Figura 3.1 – Tipos de Poços P oços Amazonas 18% P oços T ubulares 82% 8 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE Com relação à distribuição desses poços por domínios hidrogeológicos, verificou- se que existem 49 em rochas cristalinas e apenas 2 poços no domínio de coberturas sedimentares. A figura 3.2 mostra essa distribuição considerando, ainda, o tipo de poço. Poços Amazonas Poços Tubulares S edimentar S edimentar 2% 11% Cristalino 89% Cristalino 98% Figura 3.2 – Distribuição dos tipos de poços por domínios hidrogeológicos A situação atual dessas obras, levando em conta, ainda, seu caráter público ou privado e o tipo de poço é apresentada no quadro 3.1, e sob forma percentual, nas figuras 3.3a e 3.3b. Quadro 3.1 - Situação atual dos poços cadastrados PÚBLICO Tipo de Poço Abandonado Desativado Em Uso Não Instalado Amazonas - 5 3 - Tubular 6 8 9 5 PRIVADO Tipo de Poço Abandonado Desativado Em Uso Não Instalado Amazonas - - 1 - Tubular 6 1 2 5 (a) Poços Públicos Poços Amazonas Poços Tubulares Não Instalados Abandonados 18% 21% E m Uso 38% Desativados 62% E m Uso 32% Desativados 29% 9 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE (b) Poços Privados Poços Tubulares Não Instalados Abandonados 36% 43% E m Uso 14% Desativados 7% Figura 3.3 – Situação atual dos poços cadastrados As figuras 3.4a e 3.4b mostram a relação entre os poços atualmente em uso e os poços passíveis de entrar em funcionamento (não em uso – desativados e não instalados). Para os poços amazonas privados verifica-se que 100% do total (1 poço) estão em uso. Para os públicos, 38% encontram-se em uso (3 poços) e 62% (5 poços) podem ser reativados. Para os poços tubulares privados verifica-se que 14% do total (2 poços) estão em uso e 43% (6 poços) são passíveis de entrar em funcionamento (desativado - 1 poço; não instalados - 5 poços). Com relação aos poços tubulares públicos, 47% (13 poços) encontram-se desativados ou não instalados e, conseqüentemente, podem ser aproveitados, enquanto que 32% (9 poços) estão sendo utilizados. (a) Poços Amazonas 10 Nº de poços 0 P rivado P úblico E m Uso 1 3 Não em Uso 5 10 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE (b) Poços Tubulares 20 Nº de poços 10 0 P rivado P úblico E m Uso 2 9 Não em Uso 6 13 Figura 3.4 – Relação entre poços em uso e poços não em uso 3.2.3 Aspectos Quantitativos e Qualitativos Em relação ao aspecto quantitativo serão considerados, para efeito de cálculos, apenas os poços tubulares profundos, os quais apresentam uma explotação sistemática através de equipamentos de bombeamento diversos. O objetivo básico é quantificar de forma referencial a produção de água subterrânea do município e verificar o aumento da oferta de água a partir das unidades de captação existentes não utilizadas (desativadas e não instaladas). Deve-se ressaltar, entretanto, que os números aqui apresentados representam uma estimativa baseada em médias de produtividade de cada domínio hidrogeológico considerado, obtidas a partir de estudos regionalizados anteriores. Uma determinação mais precisa da produtividade e potencialidade dos poços existentes teria que passar por estudos detalhados a partir da execução de testes de bombeamento em todos os poços. Para o caso do município de Araripe, foi considerado, nos cálculos, apenas o domínio das rochas cristalinas, que abrange 96% das captações de água subterrânea existentes. Considerando a diretriz proposta, foi considerada, para o domínio das rochas cristalinas, uma vazão média de 1,7 m3/h, resultado de uma análise estatística de mais de 3.000 poços no cristalino do estado do Ceará (Möbus et alli, 1998). 11 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE Quadro 3.2 – Estimativa da disponibilidade instalada atual e potencial das rochas cristalinas do município de Araripe Estimativa da Estimativa da Poços Disponibilidade Instalada Disponibilidade Instalada Tubulares Atual Potencial Em Qe unit. Qe Total Desativados/ Qe unit. Qe Total % de aumento da 3 3 3 3 Uso (m /h) (m /h) Não (m /h) (m /h) disponibilidade Instalados atual Públicos 9 1,7 15,3 5 1,7 8,5 46% Privados 2 1,7 3,4 6 1,7 10,2 54% Total 11 - 18,7 11 - 18,7 100% Qe = Vazão de explotação O quadro 3.2 mostra que, considerando-se 11 poços tubulares em uso no cristalino, pode-se inferir uma produção atual da ordem de 18,7 m3/h de água para todo o município de Araripe, sendo que 15,3 m3/h são devidos a poços públicos e 3,4 m3/h a poços privados. Caso seja implantada uma política de recuperação e/ou instalação dos poços que atualmente não estão em uso, estima-se que seria possível atingir um aumento da ordem de 100% (18,7 m3/h) em relação à atual oferta d´água subterrânea. Considerando-se somente os poços de domínio público, o aumento estimado seria de 8,5 m3/h, ou seja, 46%. Do ponto de vista qualitativo, foram considerados, para classificação, os seguintes intervalos de STD (Sólidos Totais Dissolvidos): 0 a 500 mg/L --- água doce 500 a 1.500 mg/L --- água salobra > 1.500 mg/L --- água salgada As figuras 3.5a e 3.5b ilustram a classificação das águas do município de Araripe, correspondente a poços amazonas e tubulares, respectivamente, considerando as situações: em uso, desativados e não instalados. Deve-se ressaltar que só foram analisados os poços onde foi possível realizar coleta de água. Nos poços amazonas, das 9 análises, 4 (cerca de 44%) são classificadas como doce, enquanto as restantes são classificadas como salobra. Quanto aos poços tubulares, os resultados mostraram o seguinte: no conjunto dos poços tubulares em uso, a predominância é de água salobra (6 poços), representando 60% do total das amostras neste grupo específico. Com os poços passíveis de entrar em funcionamento (desativados + não instalados) ocorre algo semelhante, com cerca de 71% (5 poços) do total destes poços, apresentando água salobra, e conseqüentemente, sendo o tipo predominante. 12 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE (a) Poços Amazonas 10 Nº de P oços 0 DOCE S ALOBRA S ALINA E m Uso 2 2 Desativados 2 3 (b) Poços Tubulares 10 Nº de P oços 0 DOCE S ALOBRA S ALINA E m Uso 2 6 2 Desativados 2 1 Não Instalados 1 3 Figura 3.5 – Qualidade das águas subterrâneas do município de Araripe. 4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A análise dos dados referentes ao recenseamento de poços executado no município de Araripe permitiu estabelecer as seguintes conclusões:  Em termos de domínio hidrogeológico predomina o das rochas cristalinas, que apresenta um baixo potencial hidrogeológico, caracterizado por baixas vazões e péssima qualidade de água. É neste contexto que se encontra a quase totalidade dos poços tubulares (41 dos 42 poços) e dos poços amazonas (8 dos 9 poços) cadastrados no município;  Depósitos aluvionares também estão presentes na região, entretanto parecem pouco explorados; 13 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE  A situação atual dos poços existentes no município é a seguinte: Paralisados Tipo de Poço Em uso Definitivamente Passíveis de Funcionamento Públicos Tubulares 32% 21% 47% Amazonas 38% - 62% Privados Tubulares 14% 43% 43% Amazonas 100% - -  Levando em conta os poços tubulares paralisados passíveis de entrar em funcionamento, pode haver um aumento na oferta de água do município de cerca de 100%, considerando poços públicos e privados, ou 46%, considerando, apenas, os poços públicos;  Em termos de qualidade das águas subterrâneas, as amostras analisadas mostraram que a maioria dos poços apresenta águas com teores de sais dissolvidos médios, ou seja, cerca de 62% do total de poços amostrados apresentaram água do tipo salobra; cerca de 12% das amostras apresentaram águas salinizadas, somente recomendadas para o consumo animal e uso humano secundário (lavar, banho etc.). Com base nas conclusões acima estabelecidas pode-se tecer as seguintes recomendações:  Seria interessante avaliar as potencialidades dos depósitos aluvionares que, aparentemente, são pouco explotados e poderiam constituir uma alternativa para abastecimento de diversas localidades;  Os poços desativados e não instalados deveriam entrar em programas de recuperação e instalação de poços, para aumentar a oferta de água da região;  Poços paralisados em virtude de média ou alta salinidade, deveriam ser analisados com detalhe (vazão, análise físico-química, no de famílias atendidas pelo poço etc.) para verificação da viabilidade da instalação de equipamentos de dessalinização;  Todos os poços deveriam sofrer manutenção periódica para assegurar o seu funcionamento, principalmente em tempos de estiagens prolongadas;  Para assegurar a boa qualidade da água do ponto de vista bacteriológico devem ser implantadas, em todos os poços, medidas de proteção sanitária. 14 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE REFERÊNCIAS CEARÁ, IPLANCE. Atlas do Ceará. Fortaleza, 1997. 65 p. Mapa Colorido, Escala 1:1.500.000. CEARÁ. Secretaria dos Recursos Hídricos. Plano Estadual de Recursos Hídricos: Atlas. Fortaleza, 1992, 4v, v.1. MÖBUS, G. SILVA, C. M, S. V. & FEITOSA, F. C. Perfil estatístico de poços no cristalino Cearense. In: SIMPÓSIO DE HIDROGEOLOGIA DO NORDESTE, 3, 1998, Recife. Anais do... Recife: ABAS, 1998. P. 184-192. 15 Programa de Recenseamento de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Ceará DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO DE ARARIPE ANEXO MAPA DE PONTOS D`ÁGUA 16