GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL Geodiversidade do Estado do Amazonas é um produto LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE concebido para oferecer aos diversos segmentos da sociedade amazonense uma tradução do atual conhecimento geocientífico da região, com vistas ao planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE incluindo desde as empresas de mineração, passando SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andarBrasília – DF • 70830-030 pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305 Fax: 61 3225-3985 estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs. Escritório Rio de Janeiro – ERJ Av. Pasteur, 404 – Urca Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-040 Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382 usuários, o mapa compartimenta o território Fax: 21 2542-3647 amazonense em unidades geológico-ambientais, Presidência destacando suas limitações e potencialidades frente à Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838 Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985 agricultura, obras civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras, potencial mineral e geoturístico. Diretoria de Hidrologia e Gestão TerritorialFone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804 Departamento de Gestão Territorial Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094 para a região, são destacadas Áreas de Relevante Diretoria de Relações Institucionais Interesse Mineral – ARIM, Potenciais Hidrogeológico e Desenvolvimento Fone: 21 2295-5837 • 61 3223-1166/1059 e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600 Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Superintendência Regional de Manaus representando rico acervo de dados e informações Av. Andre Araujo, 2160 – Aleixo Manaus – AM • 69060-001 atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Fone: 92 2126-0300/0306 • Fax: 92 2126-0319 tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Assessoria de Comunicação do território nacional. Fone: 21 2546-0215 • Fax: 21 2542-3647 Divisão de Marketing e Divulgação Fone: 31 3878-0372 • Fax: 31 3878-0382 marketing@bh.cprm.gov.br Ouvidoria Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495 ouvidoria@rj.cprm.gov.br Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897 seus@rj.cprm.gov.br rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br 2010 o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação responsável e ao desenvolvimento sustentável. Apoio Institucional 2010 2010 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE CASA CIvIL DA PRESIDÊnCIA DA REPÚBLICA Ministra-Chefe Dilma Rousseff MInIStÉRIO DE MInAS E EnERGIA SECREtARIA DE GEOLOGIA, MInERAÇÃO E tRAnSFORMAÇÃO MInERAL MInIStRO DE EStADO Edison Lobão SECREtáRIO ExECutIvO Márcio Pereira Zimmermann SECREtáRIO DE GEOLOGIA, MInERAÇÃO E tRAnSFORMAÇÃO MInERAL Cláudio Scliar CPRM – SERvIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL COnSELHO DE ADMInIStRAÇÃO Presidente Giles Carriconde Azevedo vice-Presidente Agamenon Sergio Lucas Dantas Conselheiros Benjamim Bley de Brito Neves Cláudio Scliar Luiz Gonzaga Baião Jarbas Raimundo de Aldano Matos DIREtORIA ExECutIvA Diretor-Presidente Agamenon Sergio Lucas Dantas Diretor de Hidrologia e Gestão territorial José Ribeiro Mendes Diretor de Geologia e Recursos Minerais Manoel Barretto da Rocha Neto Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Fernando Pereira de Carvalho Diretor de Administração e Finanças Eduardo Santa Helena da Silva SuPERIntEnDÊnCIA REGIOnAL DE MAnAuS Superintendente Marco Antônio Oliveira Gerência de Hidrologia e Gestão territorial Daniel Oliveira Supervisão de Gestão territorial José Luiz Marmos MInIStÉRIO DE MInAS E EnERGIA SECREtARIA DE GEOLOGIA, MInERAÇÃO E tRAnSFORMAÇÃO MInERAL CPRM - SERvIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE ORGANIZAÇÃO Maria Adelaide Mansini Maia José Luiz Marmos Manaus, Brasil 2010 CRÉDItOS tÉCnICOS Revisão Linguística Prefeitura Municipal de São Gabriel da Cachoeira André Luis de Oliveira Mendonça Prefeitura Municipal de Parintins LEvAntAMEntO Instituto de Proteção Ambiental do Estado Projeto Gráfico/Editoração/Multimídia do Amazonas (IPAAM) DA GEODIvERSIDADE Secretaria Executiva de Geodiversidade e DO EStADO DO AMAZOnAS Departamento de Relações Recursos Hídricos do Amazonas (SEGEORH) Institucionais (DERID) Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Divisão de Marketing e Divulação (DIMARK) COORDEnAÇÃO nACIOnAL Desenvolvimento Sustentável (SDS)(padrão capa/embalagem) Secretaria de Estado de Planejamento e Departamento de Gestão territorial Ernesto von Sperling Desenvolvimento Econômico (SEPLAN) Cassio Roberto da Silva José Marcio Henriques Soares Secretaria de Estado de Infraestrutura (SEINF) Traço Leal Comunicação Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT) Coordenação de Geoprocessamento AMAZONASTURDepartamento de Apoio técnico (DEPAt) e da Base de Dados de Geodiversidade Unidade de Gerenciamento do Programa Social e Divisão de Editoração Geral (DIEDIG) Maria Angélica Barreto Ramos Ambiental dos Igarapés de Manaus (UGPI) Maria Adelaide Mansini Maia (projeto de editoração/diagramação) Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Valter Alvarenga Barradas Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Coordenação Regional Andréia Amado Continentino Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Valter José Marques Agmar Alves Lopes (EMBRAPA) (supervisão de editoração) Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural Execução técnica Andréia Amado Continentino e Biocombustíveis (ANP) Maria Adelaide Mansini Maia Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) Sheila Gatinho Teixeira (editoração) Instituto Nacional de Colonização José Luiz Marmos Agmar Alves Lopes e Reforma Agrária (INCRA) Carlos José Bezerra de Aguiar (edição de imagem) Departamento Nacional de Produção Mineral Organização do Livro Geodiversidade Leila Maria Rosa de Alcantara (DNPM) do Estado do Amazonas Nathalia Valladares Leal (estagiário) Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS) Maria Adelaide Mansini Maia Thaynara Pinheiro Rodrigues de Paiva (estagiário) Refinaria Isaac Sabá (UM-REMAN) José Luiz Marmos Yuri Correa de Souza (estagiário) Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) Superintendência da Zona Franca de Manaus Sistema de Informação Geográfica Superintendência Regional (SUFRAMA) e Leiaute do Mapa de Manaus (SuREG-MA) Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) Maria Adelaide Mansini Maia Gerência de Relações Institucionais Associação Profissional dos Geólogos Sheila Gatinho Teixeira e Desenvolvimento (GERIDE) do Amazonas (APROGAM) Aldenir Justino de Oliveira (projeto de multimídia e editoração) Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura Maria Tereza da Costa Dias e Agronomia (CREA-AM) Apoio Banco de Dados, SIG e Aldenir Justino de Oliveira Grupo Paranapanema S.A. Desenvolvimento da Base Geodiversidade Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP) Agradecimentos As fotos utilizadas na elaboração do João Henrique Gonçalves Prefeitura Municipal de Manaus DVD Multimídia fazem parte do acervo Antônio Rabello Sampaio Prefeitura Municipal de Presidente Figueiredo do projeto, sendo algumas gentilmente Leonardo Brandão Araújo Prefeitura Municipal de Rio Preto da Eva cedidas por AMAZONASTUR e Projeto Elias Bernardi da Silva do Espírito Santo Prefeitura Municipal de Itacoatiara de Mapeamento Geológico da Folha Patrícia Duringer Jacques Prefeitura Municipal de Barcelos Gabriela Figueiredo de Castro Simão Sumaúma (AM), em execução pela CPRM/SGB.Prefeitura Municipal de São Paulo de Olivença Prefeitura Municipal de Silves Colaboração Ana Claudia Viero Angela Maria de Godoy Theodorovicz Antenor de Faria Muricy Filho (ANP) FOTOS DA CAPA: Antonio Theodorovicz Bernardo Faria de Almeida (ANP) 1. Área de relevante interesse mineral: depósito de nióbio do morro de Seis Lagos, município Cintia Itokazu Coutinho (ANP) de São Gabriel da Cachoeira. Edgar Shinzato 2. Risco geológico: solapamento das margens do rio Negro. (fenômeno das “terras caídas”), Gilvan Coimbra Martins (EMBRAPA) município de Barcelos. Hedinaldo Narciso Lima (UFAM) 3. Atrativos geoturísticos: cachoeira do Paredão, rio Juma, município de Apuí. Isao Shintaku 4. Risco geológico: áreas alagáveis em épocas de cheias no rio Amazonas,município de Manaus. Jean Racene dos Santos Martins Jorge Pimentel José Moura Villas Boas Kátia Silva Duarte (ANP) Léo Teixeira Marcelo Eduardo Dantas Maia, Maria Adelaide Mansini. Marcelo Esteves de Almeida Geodiversidade do estado do Amazonas / Organização Marcos Vinícius Laray de Jesus (estagiário) Miguel Arcanjo de Holanda Maria Adelaide Mansini Maia [e] José Luiz Marmos. — Manaus : Mônica Mazzini Perrotta CPRM, 2010. Nelize Lima dos Santos (estagiária) 275 p. ; 30 cm + 1 DVD Nelson Joaquim Reis Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff Regina Célia Gimenez Armesto Programa Geologia do Brasil. Levantamento da Geodiversidade. Renê Luzardo Rodrigo Santana Macedo (EMBRAPA) 1. Geodiversidade – Brasil – Amazonas. 2. Meio ambiente – Warley Arruda (UEA) Brasil – Amazonas. 3. Planejamento territorial – Brasil – Amazonas. Wilson Wildner Wenceslau Geraldes Teixeira (EMBRAPA) 4. Geologia ambiental – Brasil – Amazonas. I. Marmos, José Luiz (Org.). Valter José Marques II. Título. Vitório Orlandi Filho CDD 551.098113 Revisão técnica Maria Adelaide Mansini Maia José Luiz Marmos Este produto pode ser encontrado em www.cprm.gov.br e seus@cprm.gov.br Uma das realizações mais marcantes da atual gestão do Serviço Geológico do Brasil, em estreita sintonia com a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (SGM/MME), tem sido a consolidação do conceito de geodiversidade e, consequentemente, do desenvolvimento de métodos e tecnologia para geração de um produto de altíssimo valor agregado, que rompe o estigma de uso exclusivo das informações geológicas por empresas de mineração. A primeira etapa no caminho dessa consolidação foi a elaboração do Mapa Geodiversidade do Brasil (escala 1:2.500.000), que sintetiza os grandes geossistemas formadores do território nacional. Além de oferecer à sociedade uma ferramenta científica inédita de macroplanejamento do ordenamento territorial, o projeto subsidiou tanto a formação de uma cultura interna com relação aos levantamentos da geodiversidade quanto os aperfeiçoamentos metodológicos. A receptividade ao Mapa Geodiversidade do Brasil, inclusive no exterior, mostrando o acerto da iniciativa, incentivou-nos a dar prosseguimento à empreitada, desta feita passando aos mapas de geodiversidade estaduais, considerando que nos últimos cinco anos o Serviço Geológico atualizou a geologia e gerou sistemas de informações geográficas de vários estados brasileiros. É nesse esforço que se insere o LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS aqui apresentado. Trata-se de um produto concebido para oferecer aos diversos segmentos da sociedade amazonense uma tradução do conhecimento geológico-científico estadual, com vistas a sua aplicação ao uso adequado do território. Destina-se a um público-alvo variado, desde empresas mineradoras tradicionais, passando pela comunidade acadêmica, gestores públicos da área de ordenamento territorial e gestão ambiental, organizações não-governamentais até a sociedade civil. Dotado de uma linguagem de compreensão universal, tendo em vista seu caráter multiuso, o produto compartimenta o território amazonense em unidades geológico-ambientais, destacando suas limitações e potencialidades, considerando-se a constituição litológica da supraestrutura e da infraestrutura geológica. São abordadas, também: características geotécnicas; coberturas de solos; migração, acumulação e disponibilidade de recursos hídricos; vulnerabilidades e capacidades de suporte à implantação de diversas atividades antrópicas dependentes dos fatores geológicos; disponibilidade de recursos minerais essenciais ao desenvolvimento social e econômico do estado. Nesse particular, em função de fatores estratégicos, são propostas Áreas de Relevante Interesse Mineral (ARIMs), constituindo-se em valioso subsídio às tomadas de decisão conscientes sobre o uso do território. O Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas foi gerado a partir dos SIGs Geologia e Recursos Minerais do Estado do Amazonas (2006), escala 1:1.000.000, e do Mapa Geodiversidade do Brasil (2006), escala 1:2.500.000, e de informações agregadas obtidas por meio de trabalho de campo, consulta bibliográfica e dados de instituições públicas e de pesquisa. As informações técnicas produzidas pelo levantamento da Geodiversidade do Estado do Amazonas – na forma de mapa, SIG e texto explicativo – encontram-se disponíveis no portal da CPRM/SGB () para pesquisa e download, por meio do GeoBank, o sistema de bancos de dados geológicos corporativo da Empresa, e em formato impresso e digital (DVD-ROM), para distribuição ao público em geral. APRESENTAÇÃO Com este lançamento, o Serviço Geológico do Brasil dá mais um passo fundamental, no sentido de firmar os mapas de geodiversidade como produtos obrigatórios de agregação de valor aos mapas geológicos, na certeza de conferir às informações geológicas uma inusitada dimensão social, que, em muito, transcende sua reconhecida dimensão econômica. E, como tal, permite maior inserção dos temas geológicos nas políticas públicas governamentais, a bem da melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Agamenon Sergio Lucas Dantas Diretor-Presidente CPRM/Serviço Geológico do Brasil 1. IntRODuÇÃO ...................................................................................... 9 Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff 2. ARCABOuÇO GEOLÓGICO ................................................................. 15 Nelson Joaquim Reis, Marcelo Esteves Almeida 3. COMPARtIMEntAÇÃO GEOMORFOLÓGICA ...................................... 27 Marcelo Eduardo Dantas, Maria Adelaide Mansini Maia 4. RECuRSOS HÍDRICOS SuPERFICIAIS .................................................. 45 Daniel de Oliveira, Nailde Martins Andrade 5. PRInCIPAIS AQuÍFEROS DO EStADO DO AMAZOnAS E QuALIDADE DE SuAS áGuAS ............................................................. 59 Carlos José Bezerra de Aguiar, José Luiz Marmos 6. SOLOS ............................................................................................... 71 Wenceslau Geraldes T. Warley Arruda, Edgar Shinzato, Rodrigo Santana Macedo, Gilvan Coimbra Martins, Hedinaldo Narciso Lima, Tarcísio Ewerton Rodrigues 7. RISCO GEOLÓGICO ........................................................................... 87 Sheila Gatinho Teixeira 8. AtRAtIvOS GEOtuRÍStICOS ........................................................... 101 Sílvia Cristina Benites Gonçales, José Luiz Marmos 9. áREAS DE RELEvAntE IntERESSE MInERAL E REStRIÇÕES ÀS AtIvIDADES DE MInERAÇÃO ........................................................ 115 Maria Adelaide Mansini Maia, Daniel Borges Nava, Hugo Galúcio Pereira 10. RECuRSOS MInERAIS .................................................................... 125 Silvio Roberto Lopes Riker 11. PAnORAMA DA PESQuISA E DO POtEnCIAL PEtROLÍFERO .......... 141 Kátia da Silva Duarte, Bernardo Faria de Almeida, Antenor de Faria Muricy Filho, Cintia Itokazu Coutinho 12. MEtODOLOGIA E EStRutuRAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SIStEMA DE InFORMAÇÃO GEOGRáFICA .................................... 149 Maria Angélica Barreto Ramos, Marcelo Eduardo Dantas, Antônio Theodorovicz, Valter José Marques, Vitório Orlandi Filho, Maria Adelaide Mansini Maia, Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff 13. GEODIvERSIDADE: ADEQuABILIDADES/POtEnCIALIDADES E LIMItAÇÕES FREntE AO uSO E OCuPAÇÃO ..................................... 163 Maria Adelaide Mansini Maia, Sheila Gatinho Teixeira, José Luiz Marmos, Carlos José Bezerra de Aguiar, Edgar Shinzato 14, CEnáRIOS DA GEODIvERSIDADE DO EStADO DO AMAZOnAS .... 211 Valter José Marques, Suely Serfaty Marques, Hugo Galúcio Pereira APÊnDICES I – unIDADES GEOLÓGICO-AMBIEntAIS DO tERRItÓRIO BRASILEIRO II – BIBLIOtECA DE RELEvO DO tERRItÓRIO BRASILEIRO Marcelo Eduardo Dantas III – DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLOS nOtA SOBRE OS AutORES SUMÁRIO GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL Geodiversidade do Estado do Amazonas é um produto LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE concebido para oferecer aos diversos segmentos da sociedade amazonense uma tradução do atual conhecimento geocientífico da região, com vistas ao planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE incluindo desde as empresas de mineração, passando SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andarBrasília – DF • 70830-030 pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305 Fax: 61 3225-3985 estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs. Escritório Rio de Janeiro – ERJ Av. Pasteur, 404 – Urca Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-040 Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382 usuários, o mapa compartimenta o território Fax: 21 2542-3647 amazonense em unidades geológico-ambientais, Presidência destacando suas limitações e potencialidades frente à Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838 Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985 agricultura, obras civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras, potencial mineral e geoturístico. Diretoria de Hidrologia e Gestão TerritorialFone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804 Departamento de Gestão Territorial Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094 para a região, são destacadas Áreas de Relevante Diretoria de Relações Institucionais Interesse Mineral – ARIM, Potenciais Hidrogeológico e Desenvolvimento Fone: 21 2295-5837 • 61 3223-1166/1059 e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600 Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Superintendência Regional de Manaus representando rico acervo de dados e informações Av. Andre Araujo, 2160 – Aleixo Manaus – AM • 69060-001 atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Fone: 92 2126-0300/0306 • Fax: 92 2126-0319 tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Assessoria de Comunicação do território nacional. Fone: 21 2546-0215 • Fax: 21 2542-3647 Divisão de Marketing e Divulgação Fone: 31 3878-0372 • Fax: 31 3878-0382 marketing@bh.cprm.gov.br Ouvidoria Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495 ouvidoria@rj.cprm.gov.br Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897 seus@rj.cprm.gov.br rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br 2010 o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação responsável e ao desenvolvimento sustentável. Apoio Institucional 2010 2010 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS 1 INTRODUÇÃO Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (pedro.augusto@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Geodiversidade .................................................................................................. 11 Aplicações ............................................................................................................ 12 Referências ........................................................................................................... 13 INTRODUÇÃO GEODIVERSIDADE seguramente, a mais importante. Outra parte, com idêntica importância, é a geodiversidade, sendo esta entendida como O planeta Terra se comporta como um sistema vivo, o conjunto das rochas, dos minerais e das suas expressões no por meio de um conjunto de grandes engrenagens que subsolo e nas paisagens. No meu tempo de escola ainda se se movimenta, que se modifica, acolhe e sustenta uma aprendia que a natureza abarcava três reinos: o reino animal, imensidade de seres vivos em sua superfície. A sua “vida” o reino vegetal e o reino mineral. A biodiversidade abrange os se expressa pelo movimento do planeta no entorno do Sol dois primeiros e a geodiversidade, o terceiro. Estando assente, e de seu eixo de rotação e no movimento interno por meio e bem, que biodiversidade é parte integrante da natureza, a das correntes de convecção que se desenvolvem abaixo da designação agora decretada para este importante organismo crosta terrestre. Em decorrência, tem-se, em superfície, do Estado é, no mínimo, desnecessária e redundante. Esta a deriva dos continentes, vulcões e terremotos, além do redundância vem de trás. Ficou consagrada em 2001 na movimento dos ventos e diversos agentes climáticos que Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e da atuam na modelagem das paisagens. Biodiversidade, na sequência da Convenção sobre a Diversi- Embora seja o sustentáculo para o desenvolvimento da dade Biológica (Conferência do Rio, 1992). vida na superfície terrestre, o substrato tem recebido menos Geodiversidade, para Brilha et al. (2008), é a variedade atenção e estudo que os seres que se assentam sobre ele. de ambientes geológicos, fenômenos e processos activos Partindo dessa afirmação, são mais antigos e conhecidos que dão origem a paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos o termo e o conceito de biodiversidade que os referentes e outros depósitos superficiais que são o suporte para a a geodiversidade. vida na Terra. O termo “geodiversidade” foi empregado pela primeira No Brasil, os conceitos de geodiversidade se desenvol- vez em 1993, na Conferência de Malvern (Reino Unido) veram praticamente de forma simultânea ao pensamento sobre “Conservação Geológica e Paisagística”. Inicialmente, internacional, entretanto, com foco direcionado para o pla- o vocábulo foi aplicado para gestão de áreas de proteção nejamento territorial, embora os estudos voltados para geo- ambiental, como contraponto a “biodiversidade”, já que conservação não sejam desconsiderados (SILVA et al., 2008a). havia necessidade de um termo que englobasse os elemen- Na opinião de Veiga (2002), a geodiversidade expres- tos não-bióticos do meio natural (SERRANO e RUIZ FLAÑO, sa as particularidades do meio físico, abrangendo rochas, 2007). Todavia, essa expressão havia sido empregada, na relevo, clima, solos e águas, subterrâneas e superficiais. década de 1940, pelo geógrafo argentino Federico Alberto A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Servi- Daus, para diferenciar áreas da superfície terrestre, com ço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) define geodiversidade uma conotação de Geografia Cultural (ROJAS citado por como: SERRANO e RUIZ FLAÑO, 2007, p. 81). O estudo da natureza abiótica (meio físico) constituída Em 1997, Eberhard (citado por SILVA et al, 2008a, p. por uma variedade de ambientes, composição, fenômenos e 12) definiu geodiversidade como a diversidade natural entre processos geológicos que dão origem às paisagens, rochas, aspectos geológicos, do relevo e dos solos. minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos su- O primeiro livro dedicado exclusivamente à temática perficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, da geodiversidade foi lançado em 2004. Trata-se da obra tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o eco- de Murray Gray (professor do Departamento de Geografia nômico, o científico, o educativo e o turístico (CPRM, 2006). da Universidade de Londres) intitulada “Geodiversity: Va- Já autores como Xavier da Silva e Carvalho Filho (cita- luying and Conserving Abiotic Nature”. Sua definição de dos por SILVA et al., 2008a, p. 12) apresentam definições geodiversidade é bastante similar à de Eberhard. diferentes da maioria dos autores nacionais e internacionais, Owen et al. (2005), em seu livro “Gloucestershire definindo geodiversidade a partir da variabilidade das carac- Cotswolds: Geodiversity Audit & Local Geodiversity Action terísticas ambientais de uma determinada área geográfica. Plan”, consideram que: Embora os conceitos de geodiversidade sejam menos Geodiversidade é a variação natural (diversidade) da conhecidos do grande público que os de biodiversidade, geologia (rochas minerais, fósseis, estruturas), geomor- esta é dependente daquela, conforme afirmam Silva et al. fologia (formas e processos) e solos. Essa variedade de (2008a, p. 12): ambientes geológicos, fenômenos e processos fazem com A biodiversidade está assentada sobre a geodiversidade que essas rochas, minerais, fósseis e solos sejam o substrato e, por conseguinte, é dependente direta desta, pois as rochas, para a vida na Terra. Isso inclui suas relações, propriedades, quando intemperizadas, juntamente com o relevo e o clima, interpretações e sistemas que se inter-relacionam com a contribuem para a formação dos solos, disponibilizando, paisagem, as pessoas e culturas. assim, nutrientes e micronutrientes, os quais são absorvidos Galopim de Carvalho (2007), em seu artigo “Natureza: pelas plantas, sustentando e desenvolvendo a vida no pla- Biodiversidade e Geodiversidade”, assume esta definição: neta Terra. Em síntese, pode-se considerar que o conceito de Biodiversidade é uma forma de dizer, numa só palavra, geodiversidade abrange a porção abiótica do geossistema (o diversidade biológica, ou seja, o conjunto dos seres vivos. qual é constituído pelo tripé que envolve a análise integrada É, para muitos, a parte mais visível da natureza, mas não é, de fatores abióticos, bióticos e antrópicos) (Figura 1.1). 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 1.2 - Principais aplicações da geodiversidade. Fonte: Silva et al. (2008b, p. 182). Figura 1.1 - Relação de interdependência entre os meios físico, biótico e a sociedade. do meio físico e de sua capacidade de suporte para subsidiar atividades produtivas sustentáveis (Figura 1.2). APLICAÇÕES Em uma determinada região, formada por rochas cristalinas, relevo ondulado, solos pouco espessos, clima O conhecimento da geodiversidade nos leva a identi- seco e com poucos cursos d’água perenes, o que seria ficar, de maneira melhor, as aptidões e restrições de uso do possível fazer para aproveitamento econômico da região meio físico de uma área, bem como os impactos advindos (Figura 1.3)? de seu uso inadequado. Além disso, ampliam-se as possibi- O conhecimento da geodiversidade da região impli- lidades de melhor conhecer os recursos minerais, os riscos caria o conhecimento das rochas, portanto, nesse caso geológicos e as paisagens naturais inerentes a uma deter- específico, a rocha sendo um sienito ou um granito, mos- minada região composta por tipos específicos de rochas, traria aptidões para o aproveitamento do material como relevo, solos e clima. Dessa forma, obtém-se um diagnóstico rocha ornamental ou brita para construção civil em áreas Figura 1.3 - Pedreira em rocha da suíte intrusiva Mapuera (Presidente Figueiredo, AM). 12 INTRODUÇÃO próximas. O relevo ondulado e a pequena espessura de solo seriam outros fatores para auxiliar no desenvolvimento dessa atividade. A escassez de água (clima seco, poucos cursos d’água perenes e aquíferos do tipo fraturado) tornaria a área pouco propícia, ou com restrições, à instalação de atividades agrícolas ou assentamentos urbanos. Em outro exemplo, tem-se uma área plana (planície de inundação de um rio) cujo terreno é constituído por areias e argilas, com possível presença de turfas e argilas moles. Nessa situação, os espessos pacotes de areia viabilizam a explotação desse material para construção civil; as argilas moles e turfas, além da suscetibilidade a inundações peri- ódicas, tornam a área inadequada para ocupação urbana ou industrial; a presença de solos mais férteis torna a área Figura 1.5 - Cheia de 2009, atingindo palafitas construídas na propícia à agricultura de ciclo curto. Observa-se, entretan- beira do rio (baixo rio Solimões, AM). to, que justamente em várzeas e planícies de inundação é que se instalou a maior parte das cidades no Brasil, cuja Convém ressaltar que o conhecimento da geodiversidade população sofre periodicamente os danos das cheias dos implica o conhecimento do meio físico no tocante às suas limi- rios (Figuras 1.4 e 1.5). tações e potencialidades, possibilitando a planejadores e ad- Grandes projetos nacionais na área de infraestrutura ministradores uma melhor visão do tipo de aproveitamento e já se utilizam do conhecimento sobre a geodiversidade do uso mais adequado para uma determinada área ou região. da área proposta para sua implantação. Como exemplo, o levantamento ao longo do percurso planejado para as REFERênCIAS ferrovias Transnordestina, Este-Oeste e Norte-Sul, onde o conhecimento das características da geodiversidade da BRILHA, J.; PEREIRA D.; PEREIRA, P. Geodiversidade: região se faz importante para escolha não só dos métodos valores e usos. Braga: Universidade do Minho, 2008. construtivos do empreendimento, como também para o aproveitamento econômico das regiões no entorno desses CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil: escala projetos. 1:2.500.000, legenda expandida. Brasília: CPRM/Serviço Geológico do Brasil, 2006. 68 p. CD-ROM. GALOPIM DE CARVALHO, A. M. natureza: biodiversidade e geodiversidade. [S.l.: s.n.], 2007. Disponível em: . Acesso em: 25 jan. 2010. GRAY, Murray. Geodiversity: valuying and conserving abiotic nature. New York: John Wiley & Sons, 2004. 434 p. OWEN, D.; PRICE, W.; REID, C. Gloucester- shire cotswolds: geodiversity audit & local geodiversity action plan. Gloucester: Glouces- tershire Geoconservation Trust, 2005. SERRANO CAÑADAS, E.; RUIZ FLAÑO, P. Geodiversidad: concepto, evaluación y aplicación territorial – el caso de Tiermes- -Caracena (Soria). Boletín de la Asociación de Geógrafos Españoles, La Rioja, n. 45, p. 79-98, 2007. Figura 1.4 - Inundação do centro da cidade de Manaus, provocada pela SILVA, C. R. da et al. Começo de tudo. In: elevação do nível do rio Negro, que atingiu, em 2009, a marca histórica SILVA, C. R. da (Ed.). Geodiversidade do de 29 m. Brasil: conhecer o passado, para entender o 13 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008a. XAVIER DA SILVA, J.; CARVALHO FILHO, L. M. Índice de 264 p. il. p. 11-20. geodiversidade da restinga da Marambaia (RJ): um exemplo do geoprocessamento aplicado à geografia física. Revista SILVA, C. R. da et. al. Aplicações múltiplas do de Geografia, Recife: DCG/UFPE, v. 1, p. 57-64, 2001. conhecimento da geodiversidade. In: SILVA, C. R. da (Ed.). Geodiversidade do Brasil: conhecer o passado, VEIGA, T. A geodiversidade do cerrado. [S.l.: s.n.], para entender o presente e prever o futuro. Rio de 2002. Disponível em: . Acesso em: 25 jan. 2010. 14 2 ARCABOUÇO GEOLÓGICO Nelson Joaquim Reis (nelson.reis@cprm.gov.br) Marcelo Esteves Almeida (marcelo.esteves@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Compartimentação tectônica .............................................................................. 17 Províncias geocronológicas .................................................................................. 18 Província Tapajós-Parima ................................................................................... 18 Província Rio Negro ........................................................................................... 18 Província Rondônia-Juruena .............................................................................. 19 Bacias sedimentares fanerozoicas ..................................................................... 20 Bacia do Amazonas ........................................................................................... 20 Megassequência Paleozoica ........................................................................... 20 Megassequência Mesozoico-Cenozoica .......................................................... 20 Bacia do Solimões ............................................................................................. 20 Sequência Paleozoica ..................................................................................... 21 Sequência Mesozoico-Cenozoica.................................................................... 21 Bacia do Acre .................................................................................................... 21 Bacia do Alto Tapajós ........................................................................................ 22 Referências ........................................................................................................... 23 ARCABOUÇO GEOLÓGICO COMPARTIMENTAÇÃO TECTÔNICA Geologicamente, o estado do Amazonas é caracterizado por extensa cobertura sedi- mentar fanerozoica, representada pelas bacias do Acre, Solimões, Amazonas e Alto Tapajós, depositadas em um substrato rochoso pré- -cambriano onde ocorrem rochas de natureza ígnea, metamórfica e sedimentar. A maior entidade tectônica está represen- tada pelo Cráton Amazônico (Figura 2.1) e cor- responde a duas principais áreas pré-cambrianas: os escudos das Guianas e Brasil Central, respec- tivamente ao norte e sul da Bacia Amazônica. As rochas pré-cambrianas dos escudos têm sido compartimentadas em domínios tectonoestratigráficos e/ou províncias geocro- nológicas. De acordo com Santos et al. (2006), o arcabouço geológico do estado do Amazo- nas está compartimentado pelas províncias Tapajós-Parima, Rio Negro, Rondônia-Juruena e K’Mudku (Figura 2.2). Sob a compartimentação de domínios tectonoestratigráficos são reconhecidos os domí- nios Uaupés e Imeri, no interior da Província Rio Negro; Uatumã-Anauá e Tapajós, no interior da Província Tapajós-Parima; Roosevelt-Juruena e Ja- mari, na Província Rondônia-Juruena (Figura 2.3). Figura 2.1- Plataforma sul-americana e principais unidades cratônicas. Figura 2.2 - Cráton Amazônico, segundo a concepção de Santos et al. (2006). 17 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS idades no período 2,10-2,00 Ga, estabelecendo uma área-fonte transamazônica (Cuiú-Cuiú) para sua sedimentação. Segundo Almeida et al. (2001), a sedimentação Jacareacanga é delimitada pelas intrusões graníticas Parauari (idade mínima em 1,89 Ga) e embasamento Cuiú-Cuiú (idade máxima em 2,00 Ga). No Mesoproterozoico e superpondo a estrutu- ração mais antiga, imprimiram-se extensos lineamentos de natureza eminentemente rúptil. Eventos compressivos e distensivos, em torno de 1,1 Ga, levaram à reativação de grandes estruturas, em geral com orientação NW-SE a NNW-SSE. O Domínio Uatumã-Anauá (CPRM, 2006) abrange os setores sul-sudeste de Roraima e o nordeste do Amazonas. Caracteriza-se por arranjos de lineamentos estruturais em NW-SE a NE-SW e, subordinadamente, E-W e N-S. No Amazonas, apresenta as seguintes característi- cas em sua evolução (REIS et al., 2003): - Revela duas principais gerações de granitos, com características pós-orogênicas a anorogênicas. A primeira reúne corpos no intervalo 1,87 a 1,88 Ga (SANTOS et al., 2002; VALÉRIO et al., 2006). Uma segunda geração tem fornecido idades em torno de 1,81 Ga (COSTI et al., 2000). Ambas mantêm relação de intrusão no substrato vulcânico Iricoumé, cujas idades situam-se na faixa 1,88-1,89 Ga (COSTI Figura 2.3 - Principais províncias geocronológicas e domínios et al., 2000; SANTOS et al., 2002; VALÉRIO et tectonoestratigráficos do Cráton Amazônico. al., 2005). - Compreende um terreno granito- -gnáissico pouco estudado, cuja principal área de extensão PROVÍNCIAS GEOCRONOLÓGICAS recobre parte das bacias hidrográficas dos rios Jauaperi e Uatumã. Santos et al. (2002) forneceram idades no intervalo Província Tapajós-Parima 1,88-1,86 Ga. - Expõe a cobertura sedimentar Urupi (VEIGA Jr. et al., A Província Tapajós-Parima compreende uma faixa 1979), cuja idade mínima tem sido estabelecida pela soleira orogênica com direção NW-SE cujas idades isotópicas são Quarenta Ilhas em 1,78 Ga (SANTOS et al., 2000). pertinentes ao Paleoproterozoico e revelam rejuvenescimen- - É palco do magmatismo máfico Seringa no intervalo to de leste para oeste. Em seu interior são reconhecidos 0,9-1,2 Ga, possivelmente relacionado à fase extensional dois domínios tectonoestratigráficos: Uatumã-Anauá, ao que culminou com rifteamento e sedimentação da Bacia norte, e Tapajós, a sul. Prosperança. O Domínio Tapajós reúne terrenos granito-gnáissicos a - Contém a Bacia Prosperança, depositada sob con- localmente migmatíticos com idades em torno de 2,00 Ga. dições de planície deltaica e desembocadura em mar raso Assinala a articulação e história orogênica do Ciclo Tran- (NOGUEIRA, 1999). Uma população de zircões detríticos samazônico (metamorfismo e deformação). Entre o final estabelece uma idade mínima mesoproterozoica (Esteniano) da atividade orogênica e o estabelecimento do domínio em 1.027 ± 22 Ma (CPRM, 2001). cratônico (intervalo 1,98-1,88 Ga), sucedeu-se um amplo vulcanoplutonismo calcialcalino de cunho acrescionário Província Rio Negro (ALMEIDA et al., 2000; VASQUEZ et al., 2000). Zircões herdados de granitoides forneceram idades neoarqueanas A Província Rio Negro comparece na porção noroeste no intervalo 2,6-2,7 Ga (ALMEIDA et al., 1999). Santos et de ambos – Cráton Amazônico e estado do Amazonas –, al. (1997) e Almeida et al. (2001) obtiveram para zircões em região limítrofe com a Venezuela e a Colômbia. Mantém detríticos, oriundos dos metassedimentos Jacareacanga, limites com as províncias Parima-Tapajós, a leste, e K’Mudku, 18 ARCABOUÇO GEOLÓGICO a sul (Figura 2.3). Comporta dois principais domínios tecto- rico de evolução similar àquele do Domínio Imeri (ALMEIDA noestratigráficos (Figura 2.4): Uaupés (Cabeça do Cachorro), et al., 2004). Parte das rochas Cumati registra episódio a oeste, e Imeri, a leste (ALMEIDA et al., 2009). Perfaz uma deformacional sob condições da fácies anfibolito, tendo das maiores áreas de embasamento rochoso do estado. gerado uma foliação regional dominantemente disposta O Domínio Imeri possui direção estrutural preferencial na direção NE-SW e, subordinadamente, NW-SE. NE-SW e secundária NW-SE. O embasamento Cauaburi Sob condições sin- a pós-colisionais, instalaram-se reúne metagranitoides e ortognaisses localmente meta- os corpos de granitoides Içana no intervalo 1,54-1,52 Ga. morfizados na fácies anfibolito com idades de cristalização No intervalo 1,51-1,49 Ga, em ambiente pós-orogênico, em torno de 1,80 Ga (ALMEIDA et al., 2002; CPRM, 2003). seguiu-se a geração crustal de granitoides Uaupés e Inha- As intrusões graníticas Marauiá e Marié-Mirim registram moin sob condicionamentos NE-SW e NW-SE, por sua vez idades no intervalo 1,76-1,75 Ga (ALMEIDA et al., 2004). reativados em torno de 1,30-1,10 Ga pelo Evento K’Mudku. Outra suíte granitoide mais jovem (Reilau) possui idade no Ao Neoproterozoico corresponde um magmatismo básico- intervalo 1,54 a 1,52 Ga. O Granito Jauari, sem deformação -alcalino, sob forma dos diques Cujubim, cujas idades e metamorfismo, é aparentemente intrusivo na sucessão situam-se no intervalo 0,98 a 0,94 Ga. Diques mesozoicos metassedimentar Aracá e registra idade de 1,48 Ga. Uaraná cortam as unidades precedentes. Ambos os mag- Santos et al. (2006) associam o metamorfismo de 1,49- matismos máficos representam períodos distintos de um 1,42 Ga do Domínio Imeri ao evento K’Mudku, motivo pelo processo tafrogênico, extensional, registrado em todo o qual inserem a Província K’Mudku no modelo de províncias Cráton Amazônico. geocronológicas (Figura 2.2). A serra Aracá, por sua vez, re- gistra uma deformação na fácies xisto-verde, com evidência Província Rondônia-Juruena local de metamorfismo na fácies anfibolito. Representa um possível registro de episódio deformacional heterogêneo de A Província Rondônia-Juruena possui grande área de provável idade K’Mudku (1,3-1,1 Ga). exposição nos estados de Rondônia e Mato Grosso, cabendo O magmatismo máfico-ultramáfico Tapuruquara ao Amazonas apenas uma área a oeste da Bacia Sedimentar aponta idade grenviliana (1,17 Ga) e mantém correlação Alto Tapajós, nos limites com os referidos estados. Dois com eventos básicos descritos em Rondônia, Mato Grosso principais domínios estão inseridos na província: Roosevelt- e Bolívia (SANTOS et al., 2006). Ao longo do Mesozoico, a -Juruena e Jamari, esse último em área de tributários da mar- intrusão alcalina Seis Lagos e os diques de diabásio Uaraná gem direita do rio Purus (Ituxi e Siriquiqui, dentre outros). podem registrar correspondência com o evento magmáti- O Domínio Roosevelt-Juruena, dominantemente NW- co Taiano, que antecedeu a instalação do rifte Tacutu em -SE, com inflexões para E-W e NE-SW, é caracterizado por Roraima (REIS et al., 2008), no prolongamento estrutural suítes graníticas calcialcalinas com idades no intervalo de NE-SW do Domínio Imeri. 1,79-1,75 Ga e pela sucessão vulcanoclástica Beneficente, O Domínio Uaupés tem como substrato os ortognaisses depositada em ambiente marinho raso a transicional, cuja Cumati e os paragnaisses polideformados e migmatizados idade mínima é estabelecida por uma soleira máfica (Mata- Tunuí. É possível que parte desse complexo revele um histó- -Matá) em 1,57 Ga (BETIOLLO et al., 2009). No geral, a sucessão Beneficente é composta na base por vulcanitos gradacionais a ignimbritos e arenitos tufáceos, tendo para o topo o predomínio de siliciclásticas sobre as vulcanoclásticas. O Domínio Jamari ocupa a porção sul do Amazonas, sendo constituído dominantemen- te por rochas ortognáissicas e subordinadas supracrustais. As primeiras datam ao intervalo de 1,76-1,73 Ga. Zircões detríticos prove- nientes dos paragnaisses forneceram idades no intervalo 1,80 a 1,67 Ma (idade máxima). A idade mínima está indicada pelas rochas granitoides (inclui rapakivi), charnockitoides e gabroides Serra da Providência em 1,60- 1,53 Ga. O Domínio Jamari é afetado por um evento tectonometamórfico de alto grau em 1,35 a 1,30 Ga, que mantém corres- pondência com a Orogenia San Ignácio do Figura 2.4 - Domínios tectonoestratigráficos Uaupés, Imeri e Uatumã-Anauá oeste boliviano. Possui arranjo NNW-SSE e, no estado do Amazonas. Fonte: Adaptado de Reis e Fraga (2000). subordinadamente, E-W. 19 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS BACIAS SEDIMENTARES FANEROZOICAS Megassequência paleozoica Bacia do Amazonas - Sequência Ordoviciano-Siluriana: Constitui o primeiro ciclo deposicional da bacia e equivale ao Grupo Trombetas A Bacia do Amazonas constitui uma unidade sedi- (formações Autás-Mirim, Nhamundá, Pitinga e Manacapu- mentar intracratônica que limita duas principais áreas de ru), encontrando-se em fase de sinéclise intracontinental. É embasamento arqueano-proterozoico: ao norte, o Escudo truncada por discordância decorrente de provável soergui- das Guianas; a sul, o Escudo Brasil Central. Envolve uma mento relacionado à Orogenia Caledoniana. área de aproximadamente 480.000 km2, que atravessa os - Sequência Devoniano-Carbonífera Inferior: Compre- estados do Pará, a leste, e Amazonas, a oeste, estendendo- ende as formações Maecuru e Ererê, do Grupo Urupadi, e -se por uma pequena porção do estado de Roraima. A leste, formações Barreirinha, Curiri, Oriximiná e Faro, do Grupo o Arco Gurupá assinala o limite entre a Bacia do Amazonas Curuá. Caracteriza o segundo ciclo transgressivo-regressivo e a fossa Marajó; a oeste, o Arco Purus limita as bacias da Bacia do Amazonas. A discordância decorrente é relacio- Amazonas e Solimões (Figura 2.5). nada à Orogenia Eo-Herciniana. - Sequência Carbonífera Superior-Per- miana: Caracteriza a terceira e última trans- gressão-regressão marinha na bacia, estando representada pelas formações Monte Alegre, Itaituba, Nova Olinda e Andirá, do Grupo Tapajós. O final do ciclo tectonossedimentar, composto pelas formações Monte Alegre, Itaituba e Nova Olinda, é sucedido pela retomada da sedimentação continental da Formação Andirá, provavelmente associada aos efeitos da Orogenia Tardi-Herciniana. A sequência encontra-se profundamente corta- da pela discordância resultante da Orogenia Gonduanide e Diastrofismo Juruá (diques e soleiras máficas). Figura 2.5 - Situação da bacia sedimentar do Amazonas no estado do Amazonas Megassequência mesozoico-cenozoica (em azul). Nota: 1 – Arco Gurupá; 2 – Arco Purus; 3 – Arco Carauari; 4 – Arco Iquitos. Fonte: Adaptado de Eiras (2005). - Sequência Cretáceo-Paleógena: Compre- ende produtos de origem fluvial e fluviolacustre As linhas estruturais mestras da Bacia do Amazonas das formações Alter do Chão e Solimões. A Unidade Soli- desenvolvem-se nas direções NW-SE, NE-SW, E-W. Sua mões, cujo registro sedimentar atém-se ao soerguimento evolução deveu-se à geometria superimposta às rochas e paroxismo da cadeia andina, não ultrapassa os limites do do embasamento que, em linhas gerais, respondeu pelos Arco Purus. No âmbito da Bacia do Amazonas, tem sido movimentos tectônicos do megacontinente Gondwana identificada uma sedimentação pleistocênica, ocorrente no durante o Paleozoico e instalação de sistemas de falhas flanco leste do arco, que se estende para norte ao longo do normais e de transferência na geração de arcos e discordân- lineamento N-S, que controla o baixo curso do rio Branco, cias regionais. Os arcos promoveram a compartimentação no estado de Roraima. Essa sedimentação registra equiva- da bacia assim formada em blocos estruturais distintos, lência temporal à Formação Içá da Bacia do Solimões (REIS a exemplo das bacias Amazonas, Solimões, Acre e Alto et al., 2006a) e, possivelmente, mantém correlação com as Tapajós. Os efeitos da abertura do oceano Atlântico no formações Novo Remanso (ROZO et al., 2006), do médio Mesozoico também encontram registros no interior da Amazonas, e Praia Vermelha (REIS et al., 2002), da região bacia, sendo processados eventos de magmatismo máfico do baixo curso do rio Teles Pires. e de sedimentação. No Neógeno, a bacia experimentou movimentações essencialmente transcorrentes de natureza Bacia do Solimões dextral (WANDERLEY FILHO, 1991). Duas megassequências de primeira ordem podem ser A Bacia do Solimões constitui uma bacia sedimentar reconhecidas nos 5.000 m do preenchimento sedimentar da intracratônica, com aproximadamente 500.000 km2 de Bacia do Amazonas, limitadas por discordâncias relaciona- área (Figura 2.6), quase toda contida no estado do Ama- das a episódios orogênicos: uma paleozoica, onde aparecem zonas. Encontra-se limitada a oeste pelo Arco Iquitos, que diques e soleiras de diabásio, e uma mesozoico-cenozoica a separa da Bacia do Acre, e a leste pelo Arco Purus, que a (CUNHA et al., 1994): separa da Bacia do Amazonas. Ao norte e sul é bordejada, 20 ARCABOUÇO GEOLÓGICO - Sequência Permocarbonífera: Equivale aos clásticos, carbonatos e evaporitos marinhos e continentais do Grupo Tefé (formações Juruá, Carauari e Fonte Boa) encontrados em quase toda a Bacia do Solimões. Sobre essa sequência há uma discordância erosiva decorrente da atuação do Evento Tectônico Jandiatuba (BE- CKER, 1997). Do Grupo Tefé, apenas a Forma- ção Carauari tem continuidade física na Bacia do Amazonas, representada pelas formações Itaituba e Nova Olinda. Sequência mesozoico-cenozoica - Sequência Neocretácea: Resultante da Figura 2.6 - Situação da bacia do Solimões (em azul) e suas sub-bacias (em erosão das rochas paleozoicas, com ênfase laranja) no estado do Amazonas. Nota: 1 – Arco Gurupá; 2 – Arco Purus; 3 – Arco Carauari; 4 – Arco Iquitos. Fonte: Adaptado de Eiras (2005). na Formação Fonte Boa, e soerguimentos causados pelo magmatismo Penatecaua (207 Ma, Triássico Superior). Implantação de um respectivamente, por rochas proterozoicas dos escudos das sistema fluvial entrelaçado responsável pela deposição da Guianas e Brasil Central. Encontra-se compartimentada em Formação Alter do Chão. Passagem para um sistema fluvial duas sub-bacias – Jandiatuba e Juruá –, situadas, respecti- meandrante e formação de lagos. vamente, a oeste e a leste do Arco Carauari. Na sub-bacia - Sequência Terciária: Equivale aos pelitos e arenitos Juruá, encontram-se as províncias de óleo e gás Juruá e fluviolacustres miopleistocênicos da Formação Solimões, Urucu. O termo “Solimões” foi empregado por Caputo também depositados em conexão com a Orogenia Andina. (1984) em substituição a “Alto Amazonas”. Essa unidade forma uma cunha sedimentar desde o Arco De acordo com Eiras (2005), o preenchimento da Bacia Purus até as bacias subandinas, atingindo mais de 7.000 m do Solimões por rochas sedimentares fanerozoicas atinge de espessura. 3.800 m e 3.100 m de espessura nas sub-bacias Juruá e Jandiatuba, respectivamente. A bacia pode ser dividida em Bacia do Acre duas sequências de primeira ordem: uma principal, pale- ozoica, secionada por diques e soleiras de diabásio; outra A Bacia Sedimentar do Acre possui pequena área de mesozoico-cenozoica. As rochas paleozoicas têm destaque ocorrência no estado do Amazonas, encontrando-se nas por conter rochas geradoras, reservatório e selante para proximidades do limite com o estado do Acre e fronteira hidrocarbonetos. Por sua vez, essas rochas encontram-se com o Peru. Encontra-se limitada a leste pelo Arco Iquitos, sobrepostas pelas extensas sucessões cretáceas e terciqua- que a separa da Bacia do Solimões (Figura 2.7). ternárias que predominam em superfície. De acordo com Cunha (2007), a evolução da bacia relaciona-se a ciclos deposicionais e tectônicos, separados por Sequência paleozoica fases orogênicas – Herciniana e Andina – que atuaram na Placa Sul-Americana. Cabem à Orogenia Herciniana os ciclos depo- - Sequência Ordoviciana: Equivale aos clásticos neríti- sicionais paleozoicos e, à Andina, aqueles mesocenozoicos. cos da Formação Benjamin Constant da sub-bacia Jandia- O arcabouço estratigráfico da bacia é constituído por tuba, os quais se encontram truncados por discordância 11 sequências estratigráficas de segunda ordem, separadas decorrente de provável soerguimento relacionado à Oro- pelos horizontes correspondentes aos limites de sequências genia Taconiana. Registra a primeira transgressão marinha ou grandes discordâncias regionais (CUNHA, 2006). fanerozoica na bacia. - Sequência Siluriano-Devoniana Inferior (?): Tem sua - Sequência Siluro-Devoniana: Equivale aos carbonatos ocorrência inferida por sísmica de reflexão. Na Bacia do e terrígenos neossilurianos e eodevonianos da Formação Solimões, essa sequência está representada por terrígenos Jutaí da sub-bacia Jandiatuba. Registra pacotes transgres- de plataforma marinha rasa. sivo-regressivos e sedimentação sobre o Arco de Carauari. - Sequência Devoniana Inferior/Carbonífero Inferior- - Sequência Devoniano-Carbonífera: Equivale aos -Médio: Sua existência na Bacia do Acre baseia-se em terrígenos e depósitos silicosos neríticos e glaciomarinhos interpretações de dados sísmicos, onde se identifica uma neodevonianos e eocarboníferos do Grupo Marimari que discordância na base do Permocarbonífero. ultrapassam os limites do Arco Carauari e que também se - Sequência Carbonífero Inferior-Médio/Permiano fazem presentes na sub-bacia Juruá. A discordância decor- Médio-Superior: Reúne as formações Apuí (continental) e rente é aparentemente relacionada à Orogenia Eo-Herciniana. Cruzeiro do Sul (marinho raso, plataformal). 21 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Bacia do Alto Tapajós A Bacia Sedimentar do Alto Tapajós, na porção sul do Cráton Amazônico, registra conformação NW-SE, possui uma área de 135.000 km2 e articula-se a SW e SE das ba- cias Amazonas e Solimões, respectivamente, em área dos estados do Amazonas, Mato Grosso e Pará (Figura 2.8). Na proximidade de seus limites e no seu interior, destacam- -se trechos de cursos dos rios Aripuanã, Sucunduri, Tapajós, Juruena e Teles Pires. A Bacia do Alto Tapajós recobre o limite entre as províncias geocronológicas Tapajós-Parima e Rondônia-Juruena, cujo arcabouço e com- Figura 2.7 - Situação da bacia do Acre no estado do Amazonas (em azul). partimentações litológica e faciológica ainda Nota: 1 – Arco Gurupá; 2 – Arco Purus; 3 – Arco Carauari; 4 – Arco Iquitos. permanecem pouco estudados em relação à Fonte: Adaptado de Eiras (2005). estratigrafia paleozoica da Bacia do Amazo- nas, a nordeste, e sub-bacias que integram a - Sequência Permiana Médio-Superior/Permiano Bacia do Solimões, a noroeste. Superior-Triássico Inferior: Tem início com arenitos marinhos Coube a Santiago et al. (1980) a identificação, no transgressivos sobre aqueles da sequência anterior. Enci- flanco norte da Bacia do Alto Tapajós, de uma sucessão mam siltitos, arenitos, folhelhos e carbonatos da Formação sedimentar com características marinhas, dominada por Rio do Moura (neopermiana). falhamentos normais e com registro siluro-devoniano na - Sequência Triássico Inferior/Jurássico Inferior: Está unidade mais inferior. A estratigrafia, da base para o topo, representada pela metade inferior da Formação Juruá- foi definida pelas formações Borrachudo, Capoeiras, São -Mirim, depositada em ambiente fluviolacustre com alguma Benedito, Ipixuna e Navalha, além de unidades fotogeoló- contribuição marinha refletida em sedimentos de planície gicas sobrepostas. Todo o pacote paleozoico encontra-se de sabkha. sobreposto à Formação Palmares, uma unidade sedimentar - Sequência Jurássica Inferior/Superior: Reúne litologias dobrada comparável a outras coberturas, como Benefi- de topo da Formação Juruá-Mirim, interpretadas como cente, Roraima e Gorotire. Sob a designação de Grupo depósitos de ambiente eólico. Revela discordância erosiva Jatuarana, Bizinella et al. (1980) reuniram algumas for- no seu topo e fortes inversões e falhamentos relacionados mações paleozoicas do alto curso do rio Tapajós referidas ao Diastrofismo Juruá. por Santiago et al. (1980) e litologias da região do igarapé - Sequência Cretácea (Aptiano/Albiano Superior- Jatuarana, afluente esquerdo do rio Aripuanã. Os autores -Cenomaniano): Corresponde à base do Grupo Jaquirana, mencionam ainda idades K-Ar jurássicas para o dique de depositado em ambiente fluviodeltaico e nerítico da porção diabásio Periquito que, por sua vez, seciona rochas sedi- inferior da Formação Moa. mentares da Formação Prainha (ALMEIDA e NOGUEIRA - Sequência Cretácea (Albiano Superior-Cenomaniano/ FILHO, 1959). Para os autores, a bacia paleozoica assenta Turoniano Superior-Coniaciano): Corresponde à porção sobre o Grupo Gorotire. superior da Formação Moa, constituída por arenitos e Reis et al. (2006b) estabeleceram para a região dos subordinados folhelhos. rios Tapajós, Teles Pires, Juruena, Bararati e São Tomé am- - Sequência Cretácea (Turoniano Superior-Coniaciano/ pla área de ocorrência de rochas sedimentares do Grupo Campaniano Inferior): Está representada por folhelhos e Jatuarana, tendo reconhecido, ainda, brechas tectônicas arenitos finos marinhos e transicionais da Formação Rio que configuram possíveis zonas de reativação da bacia. Azul. Assinalaram para o grupo (da base ao topo) as formações - Sequência Campaniano Inferior/Eoceno Inferior: Capoeiras, São Benedito, Ipixuna, Navalha e Providência. Representada pelos arenitos fluviais basais da Formação Determinaram idades devonianas para siltitos dos rios Divisor, em contato abrupto sobre a Formação Rio Azul, Juruena (morro Navalha), Bararati e Tapajós (morro São e pelos sistemas deposicionais transgressivos associados à Benedito). Formação Ramon (folhelhos e carbonatos). Reis (2006), em levantamento geológico expedito de - Sequência Eoceno Inferior/Plioceno: Representada por alguns cursos fluviais da região de Apuí, porção sudeste folhelhos de ambiente marinho raso e lacustre, intercalados do Amazonas, concentrou a atenção para o reconheci- com níveis arenosos, por sua vez recobertos por red-beds mento do “Beneficente” como uma unidade paleozoica de idade mioceno-pliocena da Formação Solimões. Registra (ALMEIDA e NOGUEIRA FILHO, 1959), a que integrou às resposta à Orogenia Andina. formações Juma, Prainha e Terra Preta (base para o topo). 22 ARCABOUÇO GEOLÓGICO O arranjo tectônico responsável pela implantação da bacia paleozoica Alto Tapajós ainda permanece especulativo. Diferentemen- te da Bacia do Amazonas, não há registro de sedimentação neoproterozoica que a tenha precedido e sua representante, Formação Prosperança (CAPUTO et al., 1971), ainda permanece limitada à borda norte da Bacia do Amazonas. A sul do Arco Purus, em furo estratigráfico realizado no rio Acari, perma- nece especulativo o posicionamento cronoes- tratigráfico da sucessão de calcários, siltitos e argilitos da Formação Acari, que, por sua vez, pode manter alguma relação com a Bacia do Alto Tapajós. Os resultados palinológicos que Figura 2.8 - Situação da bacia do Alto Tapajós no estado do Amazonas (em azul). hoje se revelam para a Bacia do Alto Tapajós Nota: 1 – Arco Gurupá; 2 – Arco Purus; 3 – Arco Carauari; 4 – Arco Iquitos. permitem estabelecer uma relação cronoestra- Fonte: Adaptado de Eiras (2005). tigráfica com o período siluro-devoniano da Bacia do Amazonas (fase inicial de sinéclise), Propôs a terminologia Grupo Alto Tapajós em substituição representado pelo Grupo Trombetas. Ainda não está evi- a Grupo Jatuarana (BIZINELLA et al., 1980; REIS et al., dente o que levou a Bacia do Alto Tapajós a interromper 2006b), uma vez que essa última designação não unifica sua sedimentação pós-devoniana, já que não há registro ambas as porções a oeste e leste do alto curso do rio Ta- de unidades que mantenham identidade com o período pajós. Forneceu idades siluro-devonianas para amostras subsequente, Devoniano-Carbonífero. Para noroeste, no provenientes dos rios Jatuarana, Juma e Sucunduri, além âmbito da Bacia do Solimões, existe sincronicidade com da BR-230 (Transamazônica). A Formação Beneficente a sequência siluro-devoniana, composta por clásticos e agrupa rochas sedimentares clásticas que repousam em carbonatos neríticos neossilurianos e eodevonianos da descontinuidade sobre as vulcânicas Colíder a sul e a Formação Jutaí (CAPUTO, 1984) da sub-bacia Jandiatuba, sudoeste da região de Apuí, correspondendo à litofácies cuja deposição tem sido descrita ultrapassar os limites inferior estabelecida por Almeida e Nogueira Filho (1959). estabelecidos pelo Arco Carauari (EIRAS et al., 1994). Sob A formação mantém correlação para a região do alto cur- o ponto de vista da ocorrência de rochas carbonáticas, so do rio Tapajós, onde tem recebido a denominação de abundantes no permocarbonífero da Bacia do Amazonas Formação Capoeiras (SANTIAGO et al., 1980; REIS et al., (Grupo Tapajós), a Bacia do Alto Tapajós tem revelado 2002, 2006b). A Formação Juma reúne siltitos e arenitos unidades sedimentares carbonáticas mais jovens. Contudo, finos acinzentados, cuja principal área de ocorrência é a os informes disponíveis ainda são escassos e dependem bacia do rio Juma. Corresponde à litofácies pelítica incluída de maiores estudos quanto ao aspecto da sedimentação no “Beneficente” por Almeida e Nogueira Filho (1959). A (continental-marinho) e sua área de abrangência. Formação Prainha (ALMEIDA e NOGUEIRA FILHO, 1959) Dados recentes de Betiollo et al. (2009) referem-se representa uma sucessão sedimentar clástica sobrejacente à Unidade Beneficente na região de Mata-Matá, rio Ari- à unidade pelítica Juma e é correlacionável às formações puanã, como uma sucessão vulcanoclástica proterozoica São Benedito e Ipixuna (SANTIAGO et al., 1980; REIS et depositada em ambiente marinho raso a transicional, cuja al., 2002, 2006b). A Formação Terra Preta envolve rochas idade mínima é estabelecida por uma soleira máfica datada calcárias, em parte estromatolíticas e terrígenas, aflorantes em 1,57 Ga. na região de Terra Preta, no alto curso do rio Sucunduri. Constitui uma unidade clastoquímica inserida na serra- REFERÊNCIAS -divisor entre as bacias dos rios Sucunduri e Juruena. O calcário é de cor cinza-escura, cortado por veios e estreitas ALMEIDA, M. E., REIS, N. J., MACAMBIRA, M. J. B. vênulas de magnesita de cor branca. Sulfetos de cobre, em Evolução geológica da província Rio Negro (parte oeste especial calcopirita, ocorrem disseminados na rocha. É cor- do escudo das Guianas) com base nos novos dados Sm- relacionável à Formação Navalha (SANTIAGO et al., 1980; -Nd em rocha total e 207Pb-206Pb evaporação em zircão. REIS et al., 2002, 2006b). A Formação Providência (REIS In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 43., 2006, et al., 2006b), reconhecida na região Juruena-Teles Pires, Aracaju. Anais… Aracaju: SBG, 2006. p. 30. pode manter correspondência com a Formação Prainha, tratando-se, desse modo, de uma unidade subjacente à ALMEIDA, M. E.; LUZARDO, R.; PINHEIRO, S. da S.; OLI- Formação Navalha, cuja estratigrafia volta-se para a borda VEIRA, M. A. Folha NA.19-Pico da Neblina. In: SCHOBBE- sul da bacia paleozoica. NHAUS, C.; GONÇALVES, J. H.; SANTOS, J. O. S.; ABRAM, 23 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS M. B.; LEÃO NETO, R.; MATOS, G. M. M.; VIDOTTI, R. M.; CAPUTO, M. V. Stratigraphy, tectonics, paleoclima- RAMOS, M. A. B.; JESUS, J. D. A. de (Eds.). Carta geoló- tology and paleogeography of northern basins of gica do Brasil ao milionésimo. Sistema de Informação Brazil. 1984. 586 f. Tese (Doutorado em Geologia) – Uni- Geográfica (SIG). Programa Geologia do Brasil. Brasília: versity of California, Santa Barbara, USA, 1984. CPRM, 2004. CD-ROM. CAPUTO, M. V.; RODRIGUES, R.; VASCONCELOS, D. N. ALMEIDA, M. E.; PINHEIRO, S. da S.; LUZARDO, R. Re- Litoestratigrafia da bacia do Amazonas. Belém: conhecimento geológico ao longo dos rios Negro, PETROBRAS/RENOR, 1971. 92 p. (Inédito) Xié e Içana (missão Tunuí), noroeste do estado do Amazonas. Manaus: CPRM, 2002. 16 p.: il. COSTI, H. T.; DALL’AGNOL, R.; MOURA, C. A. V. Geology and Pb-Pb geochronology of paleoproterozoic volcanic ALMEIDA, M. E.; FERREIRA, A. L.; MACAMBIRA, M. J. B.; and granitic rocks of Pitinga province, Amazonian craton, SACHETT, C. R. Time constraint based on zircon dating northern Brazil. International Geology Review, [S. l.], for the Jacareacanga group, Tapajos province, Amazon v. 42, n. 9, p. 832-849, 2000. craton, Brazil. In: SOUTH-AMERICAN SYMPOSIUM ON ISOTOPE GEOLOGY, 3., 2001, Púcon, Chile. Extended CPRM. Programa integração, atualização e difusão de abstracts… Púcon: [S. n.], 2001. CD-ROM. dados da geologia do Brasil: subprograma mapas geológi- cos estaduais. In: REIS, N. J.; FERREIRA, A. L.; RIKER, S. L.; ALMEIDA, M. E.; FRAGA, L. M. B.; BRITO, M. F. 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VEIGA JR., J. P.; NUNES, A. C. B.; SOUZA, E. C. de; SAN- p. 47-52. TOS, J. O. S.; AMARAL, J. E. do; PESSOA, M. R.; CRUZ, S. A. de S. Projeto sulfetos do Uatumã: relatório final. VASQUEZ, M. L.; RICCI, P. dos S. F.; KLEIN, E. L.; SANTOS, Manaus: DNPM/CPRM, 1979. 6 v. A.; MARTINS, R. C. Descrição das unidades litoestratigrá- ficas e litodêmicas. In: KLEIN, E.L., WANDERLEY FILHO, J. R. Evolução estrutural da bacia do Amazonas e sua relação com o embasamento. VASQUEZ, M. L. (Orgs.). Projeto especial província 1991. 125 f. Dissertação (Mestrado em Geociências) – mineral do Tapajós: geologia e recursos minerais da Universidade Federal do Pará, Belém, 1991. 26 3 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br) Maria Adelaide Mansini Maia (adelaide.maia@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ..........................................................................................................29 Gênese das paisagens geomorfológicas ..............................................................32 Domínios geomorfológicos do estado do Amazonas ..........................................34 Planície amazônica ...........................................................................................34 Tabuleiros da Amazônia centro-ocidental .........................................................35 Domínio colinoso da Amazônia ocidental ........................................................36 Baixos platôs da Amazônia centro-oriental ......................................................37 Superfícies aplainadas do norte da Amazônia ..................................................38 Planalto residual do norte da Amazônia ..........................................................39 Planalto do divisor Amazonas-Orenoco ............................................................40 Superfícies aplainadas do sul da Amazônia ......................................................41 Planaltos dissecados do sul da Amazônia .........................................................42 Referências ..........................................................................................................43 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA INTRODUÇÃO domínios geomorfológicos: Planície Amazônica, Tabulei- ros da Amazônia Centro-Ocidental, Domínio Colinoso da Na geografia física do estado do Amazonas, predomi- Amazônia Ocidental, Baixos Platôs da Amazônia Centro- na vasto domínio de terrenos de cotas modestas, inferiores -Oriental, Superfícies Aplainadas do Norte da Amazônia, a 200 m, com porções elevadas restritas ao norte do estado, Planalto Residual do Norte da Amazônia, Planalto do com cotas que chegam a alcançar cerca de 3.000 m de Divisor Amazonas-Orenoco, Superfícies Aplainadas do Sul altitude. Na maior parte, as superfícies estão embasadas da Amazônia e Planaltos Dissecados do Sul da Amazônia por rochas sedimentares de diversas idades, pertencentes às (Figuras 3.1 e 3.2). bacias sedimentares do Amazonas e do Solimões. Entretan- Os diversos padrões de relevo do estado (Figura 3.3; to, ressalta-se, tanto a norte quanto a sudeste, um conjunto Quadro 3.1) estão inseridos nos nove domínios geomor- de baixas superfícies de aplainamento e elevações isoladas, fológicos retromencionados e se encontram representados modeladas sobre o embasamento ígneo-metamórfico e no Mapa de Padrões de Relevo do Estado do Amazonas, coberturas sedimentares plataformais de idade arqueana que serviu de subsídio para a elaboração do Mapa Geodi- a mesoproterozoica. Esse amplo conjunto de litologias está versidade do Estado do Amazonas (Apêndice II – Biblioteca inserido, a sul, no Escudo Sul-Amazônico (ou Brasil Cen- de Relevo do Território Brasileiro). A individualização dos tral) e, a norte, no Escudo das Guianas. A despeito dessa diversos compartimentos de relevo foi obtida com base em geodiversidade, todo o estado está enquadrado, segundo análises e interpretação de imagens SRTM (Shuttle Radar Ab’Saber (1967, 1969), no Domínio Morfoclimático das Topography Mission), com resolução de 90 m, e de imagens Terras Baixas Equatoriais da Amazônia. GeoCover, sendo as unidades de relevo agrupadas de acordo Para melhor entendimento de sua geodiversidade, com a caracterização da textura e rugosidade das imagens. o território amazonense foi compartimentado em nove A escala de trabalho adotada foi 1:1.000.000. DOMÍNIOS GEOMORFOLÓGICOS DO AMAZONAS Figura 3.1 - Domínios geomorfológicos propostos para o estado do Amazonas. 29 gEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS 30 Figura 3.2 - Perfil geomorfológico NW-SE no estado do Amazonas. COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA 31 Figura 3.3 - Padrões de relevo identificados no estado do Amazonas. gEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Quadro 3.1 - Declividade e amplitude topográfica das formas de relevo identificadas no estado do Amazonas. Tipo de Relevo Declividade (graus) Amplitude Topográfica (metros) Planícies Fluviais ou Fluviolacustres (R1a) 0 a 3 zero Terraços Fluviais (R1b1) 0 a 3 2 a 20 Vertentes Recobertas por Depósitos de Encosta (R1c1) 5 a 45 Variável Campos de Dunas (R1f1) 3 a 30 2 a 40 Tabuleiros (R2a1) 0 a 3 20 a 50 Tabuleiros Dissecados (R2a2) 0 a 3 20 a 50 Baixos Platôs Dissecados (R2b2) 0 a 5 20 a 50 Planaltos (R2b3) 0 a 5 20 a 50 Chapadas e Platôs (R2c) 0 a 5 0 a 20 Superfícies Aplainadas Conservadas (R3a1) 0 a 5 0 a 10 Superfícies Aplainadas Degradadas (R3a2) 0 a 5 10 a 30 Inselbergs (R3b) 25 a 60 50 a 500 Colinas Amplas e Suaves (R4a1) 3 a 10 20 a 50 Colinas Dissecadas e Morros Baixos (R4a2) 5 a 20 30 a 80 Morros e Serras Baixas (R4b) 15 a 35 80 a 200 Montanhoso (R4c) 25 a 60 300 a 2000 Escarpas Serranas (R4d) 25 a 60 300 a 2000 Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos (R4e) 10 a 45 50 a 200 GÊNESE DAS PAISAGENS GEOMORFOLÓGICAS dimentar do Amazonas (NASCIMENTO et al., 1976), a qual sofreu uma fase de preenchimento desde o Eopaleozoico No estado do Amazonas, destacam-se as seguintes pai- até o Cretáceo, quando foram depositados os arenitos da sagens geomorfológicas: planícies de inundação e terraços Formação Alter do Chão, de composição arcoseana ou fluviais das várzeas amazônicas, tabuleiros de terra-firme, caulínica. superfícies de aplainamento das áreas cratônicas e planaltos Nos períodos Paleógeno e Neógeno, as rochas se- e serras modelados em coberturas plataformais ou litologias dimentares da Bacia do Amazonas foram submetidas a mais resistentes à erosão. Esses ambientes estão submetidos longo período de intemperismo e lixiviação, que originaram a um regime climático quente e úmido a superúmido, sob profundos mantos de alteração de espessura decamétrica e intensa atuação de processos de intemperismo químico e formações supergênicas representadas por diferentes fases lixiviação dos solos, que permitem a formação de paisagens, de formação de perfis lateríticos (HORBE et al., 1997). Tal em geral, monótonas, recobertas em quase sua totalidade processo prolongado de intemperismo químico sob climas pela vegetação florestal. equatoriais úmidos a superúmidos, que oscilaram entre o A maior parte da Amazônia é constituída por terras quente úmido e o quente e semi-úmido no decorrer do baixas, porém, bem drenadas, caracterizadas como uma Neógeno, produziu solos muito desenvolvidos e lixiviados, vasta depressão denominada Depressão Amazônica por com dominância marcante de Latossolos, Argissolos e no- Ross (1985), sendo constituída tanto pelos tabuleiros nas táveis ocorrências de Espodossolos por todo o estado do bacias sedimentares do Solimões e do Amazonas quanto pe- Amazonas (HORBE et al., 2003; IBGE, 2001). las superfícies aplainadas dos escudos cristalinos adjacentes. Na Amazônia são identificados, regionalmente, dois Todavia, a plena compreensão da evolução geomor- eventos de lateritização (COSTA, 1991): o primeiro, mais fológica do estado do Amazonas decorre de uma análise antigo, é caracterizado por crostas lateríticas maturas, histórica de processos geológicos e geomorfológicos ocor- com desenvolvimento de horizonte aluminoso (bauxítico), ridos desde o início do Fanerozoico. de horizonte ferruginoso e concrecionário e, no topo, por A gênese da atual estruturação da paisagem geomor- Latossolo Amarelo argiloso de cobertura, resultante do fológica do Amazonas remonta ao evento de fragmentação intemperismo moderno; o segundo, mais recente, é caracte- do Cráton Amazônico no início do Paleozoico e à individu- rizado por crostas lateríticas imaturas, com desenvolvimento alização dos escudos das Guianas e Sul-Amazônico. Entre similar às maturas, porém incompleto, sem elaboração esses dois escudos foi gerada uma sinéclise de direção do horizonte aluminoso. Horbe et al. (1997) procedem a aproximada E-W, onde foi implantada a grande Bacia Se- uma interessante associação entre eventos de lateritização 32 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA e superfícies de aplainamento na região da Usina de Bal- fluviolacustre (Formação Solimões) no Mioceno e, poste- bina (município de Presidente Figueiredo). Nesse sentido, riormente, com depósitos fluviais de idade quaternária. os autores correlacionam as crostas lateríticas maturas A partir do Pleistoceno Superior, esses depósitos passam à Superfície Sul-Americana, datada do Terciário Inferior a ser incipientemente entalhados, sendo que os níveis (Paleógeno). Estas correspondem aos topos dos baixos deposicionais atuais limitam-se às atuais várzeas. platôs alçados a cotas superiores a 180 m e embasados Concomitantemente ao entulhamento da vasta de- por rochas paleozoicas do Grupo Trombetas. As crostas pressão gerada na Amazônia Ocidental, o embasamento lateríticas imaturas, por sua vez, seriam correlacionadas à cristalino, representado pelos escudos das Guianas e Sul- Superfície Velhas, datada do Terciário Superior (Neógeno). -Amazônico, e a própria Bacia Sedimentar do Amazonas, Estas correspondem aos topos dos baixos platôs alçados a ligeiramente soerguida por movimentos epirogenéticos no cotas entre 140 e 160 m e embasados por rochas cretáceas decorrer do Neógeno/Paleógeno, experimentaram um ou da Formação Alter do Chão. mais episódios cenozoicos de aplainamento, que promove- Com base no exposto e levando em consideração os ram erosão generalizada e arrasamento do relevo em escala processos erosivos subsequentes à elaboração do perfil de regional a subcontinental. Tais superfícies de aplainamento alteração laterítica, distinguem-se dois tipos de perfis late- abrangem extensas áreas dos escudos supracitados, estando ríticos desenvolvidos sobre as rochas da região (Figura 3.4): atualmente algo reafeiçoadas por uma rede de drenagem - Perfis completos, com ocorrência restrita, os quais moderna de baixa densidade. Na Bacia Sedimentar do apresentam uma sequência de horizontes que incluem, da Amazonas, por sua vez, o relevo tabular foi esculpido em base para o topo, rocha-mãe, saprólito, horizonte mosque- um conjunto de baixos platôs e colinas tabulares devido ao ado, crosta laterítica e solo de cobertura. entalhamento vertical da rede de drenagem. Perfis truncados, com ampla distribuição, compostos Com relação às superfícies de aplainamento na Ama- pela rocha-mãe, saprólito, horizonte mosqueado, com ou zônia, o modelo genético que parece ser mais adequado é sem linha de pedra constituída por fragmentos de crosta o de etchplanação, em contraposição ao clássico modelo laterítica e com matriz argiloarenosa a arenoargilosa e solo de pediplanação, exaustivamente aplicado no sudeste do de cobertura. Brasil (BIGARELLA et al., 1965; KING, 1956). O modelo de Um fato marcante que ajuda a elucidar a existência evolução geomorfológica por pediplanação e pedimentação das amplas coberturas sedimentares cenozoicas, que pressupõe um padrão erosivo comandado por processos recobrem mais da metade do estado do Amazonas, está de desagregação mecânica e recuo a remontante das en- associado ao rio Amazonas que, até aproximadamente 10 costas, sob um regime climático dominante que oscilaria milhões de anos (entre o Mioceno e o Plioceno), fluía para entre o semiúmido e semiárido. A despeito da comprovada o oeste em direção ao oceano Pacífico. A partir da orogê- ocorrência de paleoclimas mais secos na Amazônia durante nese andina, devido à colisão das placas Sul-Americana o Quaternário, é inegável a marcante influência do intem- e de Nazca, essa passagem para oeste foi bloqueada e o perismo químico em ambiente quente e úmido que impera rio Amazonas inverteu seu sentido para leste, passando na região. Assim, dificilmente poderia se explicar a evolução a desembocar no oceano Atlântico (RÄSÄNEN et al., geomorfológica da área em apreço evocando, apenas, a 1987). Na Amazônia Ocidental formou-se uma imensa geração de pediplanos em clima semiúmido. bacia sedimentar (parte superior da Bacia do Solimões) Thomas (1994) destaca a importância do intemperismo que foi entulhada por sedimentos provenientes da erosão químico na evolução do modelado do relevo em regiões tro- da cordilheira dos Andes, de início com sedimentação picais úmidas, onde são registrados perfis de alteração com Figura 3.4 - Tipos de perfis lateríticos encontrados na Amazônia. Fonte: Horbe et al. (2005). 33 gEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS espessuras superiores a 50 m. Portanto, pode-se sugerir um os terrenos amazonenses foram compartimentados, neste predomínio de processos de etchplanação (BÜDEL, 1982) estudo, em nove domínios geomorfológicos, descritos a durante a vigência de climas úmidos na Amazônia. Nesse seguir. sentido, os processos de etchplanação teriam, também, importante papel na evolução do relevo regional. DOMÍNIOS GEOMORFOLÓGICOS De acordo com o modelo de evolução por etchpla- DO ESTADO DO AMAZONAS nação, proposto originalmente por Büdel (1982), o relevo de uma região seria rebaixado progressivamente por meio Planície Amazônica de lenta denudação das superfícies de aplainamento condicionada por progressivo rebaixamento do nível de Esse domínio é representado por planícies de inunda- base. Tal rebaixamento estaria controlado pela velocidade ção e terraços fluviais muito amplos (R1a e R1b1), por vezes do intemperismo químico (contato entre rocha sã e rocha com dezenas de quilômetros de largura, que ocorrem ao alterada). longo dos principais canais-troncos da bacia hidrográfica Ocorrem ainda, de forma descontínua, disseminados dos rios Negro-Solimões-Amazonas. Tais formas de relevo em meio às superfícies de aplainamento, agrupamentos de apresentam, portanto, amplo destaque ao longo dos imen- inselbergs e alinhamentos serranos que se destacam como sos fundos de vales dos rios Negro, Solimões, Amazonas, formas de relevo elevadas em meio ao amplo domínio Madeira, Purus, Juruá, Javari, Negro, Içá e Japurá. As de terras baixas. Essas feições ressaltam-se na paisagem planícies e os terraços fluviais consistem nas únicas zonas devido à resistência diferencial de determinadas litologias deposicionais ativas na Amazônia (Figura 3.5). a processos de intemperismo e erosão ou por reativações As planícies aluviais, normalmente recobertas por neotectônicas. As paisagens montanhosas são particular- vegetação de igapó e matas de várzea adaptadas a mente relevantes em parte da porção norte do estado do ambientes inundáveis, são constituídas por depósitos Amazonas, junto à fronteira com a Venezuela. sedimentares atuais ou subatuais; os terraços fluviais são Há de se destacar o importante papel desempenhado correlatos ao Pleistoceno Superior e as planícies de inun- pela neotectônica na esculturação do relevo amazonense, dação, ao Holoceno. As várzeas amazônicas apresentam refletido na formação de perfis lateríticos truncados por notável diversidade morfológica, reflexo dos distintos tipos falhamentos, na orientação e traçado moderno da rede de de sedimentação aluvial desenvolvidos por uma rede de canais, rias e lagos e nos processos de dissecação do relevo drenagem de padrão meândrico de alta sinuosidade (tais na Amazônia Central (BEMERGUY et al., 2002; COSTA, como os rios Purus e Juruá) ou de padrão anastomosado 2001; IGREJA e FRANZINELLI, 1990; LATRUBESSE e FRANZI- ou anabranching (tais como os rios Solimões e Negro). NELLI, 2002, dentre outros). Tal temática foi iniciada há mais Nesse contexto, são identificadas inúmeras formas depo- de 50 anos, por meio dos estudos pioneiros e visionários sicionais: furos, paranás, planícies de acreção em barras do geógrafo Hilgard O’Reilly Sternberg (STERNBERG, 1950, de pontal, planícies de decantação, ilhas fluviais, barras 1953). Mesmo sem ter à disposição os modernos conheci- arenosas, lagos, diques marginais etc. (LATRUBESSE e mentos de geologia estrutural e tectônica de placas, esse FRANZINELLI, 2002) (Figura 3.6). autor atentou para a morfologia de lagos e da rede de canais de diversos tributários dos rios Negro e Amazonas. A partir da constatação de que muitos rios apresentam traçado retilíneo, com direções predominantes e ortogonais NE- -SW e NW-SE, Sternberg sugeriu um controle tectônico para o desenvolvimento da rede hidrográfica amazônica. Tais considerações morfoestruturais foram confirmadas, poste- riormente, na década de 1970, no decurso do Projeto RadamBrasil (NASCIMENTO et al., 1976), com destaque para a região situada entre os rios Uatumã e Negro. A partir de uma breve avaliação sobre a origem e evolução das paisagens do estado do Amazonas, é possível promover uma caracte- rização dos compartimentos geomorfológicos existentes. Com base na análise dos produtos de sensoriamento remoto disponíveis, perfis de Figura 3.5 - Arquipélago das Anavilhanas, um vasto arquipélago gerado no baixo campo e estudos geomorfológicos regionais curso do rio Negro, a despeito do baixo aporte de sedimentos carreados por esse anteriores (IBGE, 1995; ROSS, 1985, 1997), rio, apresentando um padrão de canal tipo anabranching. Fonte: Amazonastur. 34 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA de erosão fluvial (desbarrancamentos), denomi- nados “terras caídas”, que podem promover a destruição de trechos da malha urbana dessas cidades ribeirinhas. Cidades como Parintins e Itacoatiara (no rio Amazonas); Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro (no rio Negro), Manacapuru, Codajás, Coari, Tefé, Fonte Boa, São Paulo de Olivença e Tabatinga (no rio Solimões), Novo Aripuanã, Manicoré e Humaitá (no rio Madeira), Lábrea (no rio Purus) e Eirunepé (no rio Juruá) foram antigos núcleos de povoamento que se es- tabeleceram e se desenvolveram a partir da navegação fluvial, da agricultura de várzea nas planícies fluviais e da ocupação de barrancas mais elevadas em terraços e tabuleiros, por onde foram implantados os sítios urbanos. Figura 3.6 - Planície de inundação do rio Juruá, cujo canal apresenta padrão Tabuleiros da Amazônia meândrico de alta sinuosidade (cercanias da cidade de Eirunepé, AM). Centro-Ocidental Fonte: Amazonastur. Os Tabuleiros da Amazônia Centro- Os rios amazônicos apresentam colorações dife- -Ocidental (outrora denominados Planalto Rebaixado da renciadas de acordo com o pH, carga de sedimentos e Amazônia Ocidental por Mauro et al., 1978) constituem o composição química de suas águas, que podem ser bar- mais amplo domínio geomorfológico do estado do Ama- rentas, claras ou pretas (SIOLI, 1957). As planícies aluviais zonas, ocupando mais da metade de sua superfície. Ross geradas por rios de água barrenta que drenam a vertente (1985) questiona a terminologia de planalto ou planície oriental da cordilheira andina (por exemplo, rios Madeira para essas vastas terras baixas, porém acima das cotas das e Solimões) apresentam planícies de inundação e terraços cheias fluviais, e introduz o termo “Depressão Amazôni- fluviais muito extensos e solos com boa fertilidade natural ca” para melhor caracterizá-las. Portanto, toda essa vasta (condição rara na Amazônia), devido à grande descarga de zona de tabuleiros que se estende para oeste das calhas sedimentos oriunda da dissecação dos Andes. As planícies dos rios Madeira e Negro, até a fronteira brasileira com a que margeiam os rios de água preta (por exemplo, o rio Colômbia, na Bacia Sedimentar do Solimões, está inserida Negro) apresentam menor sedimentação aluvial, decorrente na Depressão Amazônica. de baixa carga de sedimentos em suspensão, aliada à alta Esse domínio (R2a1) é representado por extensos concentração de sesquióxidos de ferro. Assim, os rios de tabuleiros de baixa amplitude de relevo (invariavelmente água preta apresentam restritas e descontínuas planícies inferiores a 30 m), sulcados por rios meândricos de padrão de inundação. As nascentes do rio Negro ocupam um predominantemente dendrítico e, episodicamente, treliça ambiente de clima superúmido do noroeste da Amazônia, ou retangular, denunciando traços da tectônica neógena situado no Cráton das Guianas, com ocorrência de solos que afeta as rochas sedimentares da Bacia do Solimões. profundamente lixiviados. Frequentemente, são observados também cotovelos de Existe, portanto, um amplo domínio de solos hidro- drenagem e lagos gerados por antigas rias barradas pela mórficos, muito maldrenados, nas planícies de inundação sedimentação holocênica (STERNBERG, 1950). (predomínio de Gleissolos), e solos mais bem drenados Esses baixos tabuleiros constituem superfícies planas nos terraços fluviais (predomínio de Neossolos Flúvicos) assentadas sobre rochas sedimentares pouco litificadas (IBGE, 2001). das formações Solimões e Içá. A Formação Solimões, Os rios amazônicos, tradicionalmente, representam os de idade miocênica a pliocênica, consiste de depósitos vetores de interiorização da ocupação humana e suas várzeas fluviolacustres de textura predominantemente argilosa, possuem algumas das melhores terras para agricultura. A gerados durante o processo de inversão do sentido de ocupação urbana é impraticável nas planícies, mas, possível, drenagem da bacia hidrográfica do rio Amazonas com a nos terraços e tabuleiros adjacentes, que consistem em super- consolidação do soerguimento do orógeno andino. Já a fícies acima do nível da cota das cheias periódicas. Acima das Formação Içá, de idade pleistocênica consiste de arenitos barrancas dos rios e a salvo das cheias, um grande número pouco consolidados a inconsolidados, de origem fluvial. Os de cidades pontilha ao longo dos principais rios do estado tabuleiros embasados sobre a Formação Solimões tendem do Amazonas. O principal risco geológico-geomorfológico a ser mais dissecados, devido à baixa permeabilidade dos nesses aglomerados urbanos decorre dos severos fenômenos sedimentos argilosos, com uma atuação mais efetiva dos 35 gEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS processos erosivos por escoamento superficial em climas Domínio Colinoso da Amazônia Ocidental pretéritos mais secos. Sobre a Formação Içá, os tabuleiros tendem a ser muito pouco dissecados e os solos, areno- O Domínio Colinoso da Amazônia Ocidental (denomi- sos. Em todos esses terrenos, ocorre o desenvolvimento nado “colinas dos rios Javari-Juruá” em IBGE, 1995) situa-se da Floresta Amazônica sobre solos profundos (Mata de na porção sudoeste do estado do Amazonas, abrangendo Terra Firme); todavia, esses solos ainda apresentam, por as bacias dos rios Javari e alto Juruá e prolongando-se vezes, uma drenagem imperfeita, predominando Argisso- na fronteira ocidental brasileira em direção ao território los plínticos, Plintossolos e Espodossolos (MAURO et al., peruano. É representado por colinas dissecadas (R4a2) de 1978; IBGE, 2001) (Figura 3.7). pouca amplitude de relevo (entre 20 e 50 m), entalhadas Os terrenos representados pelos tabuleiros da Ama- por uma rede de drenagem de alta densidade com sentido zônia Centro-Ocidental estão, em sua maior parte, ocupa- preferencial NE e padrão subdendrítico a treliça (Figura dos pela Floresta Amazônica preservada, devido à pouca 3.7). Tal relevo colinoso reflete uma franca dissecação da acessibilidade e à dificuldade de implantação de infraes- antiga superfície sedimentar representada pelo evento de- trutura viária em solos imperfeitamente drenados. Exem- posicional que gerou a Formação Solimões, apresentando, plo marcante dessa situação é a implantação da Rodovia frequentemente, alinhamentos de cristas amorreadas com Transamazônica, originalmente projetada para cruzar, de direções preferenciais NNW-SSE e SNE-WSW. Latrubesse e leste a oeste, todo o estado do Amazonas até o município Ranzi (2000) destacam que, na zona de confluência entre de Benjamin Constant, e que foi paralisada na cidade de os rios Moa e Ipixuna com o Juruá (divisa entre os estados Lábrea, às margens do rio Purus. A necessidade de cruzar do Acre e Amazonas), registra-se um bloco abatido em meio centenas de quilômetros dos baixos tabuleiros, conjugada aos terrenos dissecados da Formação Solimões. com a obrigação de atravessar inúmeros cursos d’água, Evidentemente, apenas a baixa permeabilidade dos inviabilizou a conclusão do projeto da rodovia. Dentre os argilitos da Formação Solimões não pode explicar a evo- municípios que se localizam nesse domínio destacam-se: lução geomorfológica dessa região, marcada por intensa Humaitá, Lábrea, Coari, Tefé, Japurá e Tabatinga. morfogênese durante o Neógeno. Existe, também, atuação Figura 3.7 - Contato entre o relevo de topos planos dos tabuleiros da Amazônia centro-ocidental (2) e o relevo dissecado do domínio colinoso da Amazônia ocidental (3) no sudoeste do estado do Amazonas. 36 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA intensa de processos neotectônicos associados à proximi- depósitos cretácicos. Tais fenômenos expuseram a Formação dade do oeste do Amazonas e do Acre com as bacias de Alter do Chão à erosão subaérea, sendo que a nova área retroarco andinas, conforme registrado por Marques et deposicional ao longo do Neógeno passou a ser a Amazô- al. (2001). nia Ocidental. Os processos de franca esculturação desses Esses terrenos colinosos caracterizam-se por um relevo baixos platôs também apresentam uma componente neo- movimentado, embasado por rochas sedimentares da For- tectônica, conforme observado em diversos perfis lateríticos mação Solimões, sendo revestidos pela Floresta Amazônica expostos em cortes de estradas (Figura 3.9) e no notável (Mata de Terra Firme) desenvolvida em solos bem drenados, paralelismo dos principais afluentes da margem esquerda do predominando Argissolos Vermelho-Amarelo distróficos e, subordinadamente, Latossolos Vermelho-Amarelo distróficos e Argissolos Vermelho-Amarelo eutróficos. Destaca-se, ainda, a ocorrência de Luvissolos Crômicos, de boa fertilidade natural, na região adjacente à divisa com o Acre (IBGE, 2001). Os terrenos representados pelas colinas dissecadas da Amazônia Ocidental apresen- tam sua cobertura florestal praticamente toda preservada, em uma região de difícil acessibili- dade, onde se situam os municípios de Envira, Eirunepé, Ipixuna e Atalaia do Norte. Baixos Platôs da Amazônia Centro-Oriental Os Baixos Platôs da Amazônia Centro- -Oriental (outrora denominados “Planalto Dissecado do Rio Trombetas” por Mauro et al., 1978), recobertos por Mata de Terra Fir- me, ocupam expressivas extensões da porção Figura 3.8 - Aspecto da superfície dos baixos platôs, dissecados em pequenos oriental do estado do Amazonas e são caracte- vales ortogonais ao percurso da rodovia. Esses terrenos exibem alta suscetibilidade à erosão, sendo frequente a ocorrência de processos de erosão linear acelerada rizados por terrenos baixos (em cotas inferiores (voçorocamentos), quando desestabilizados pela intervenção humana (rodovia BR- a 200 m), com solos espessos, pobres e bem 174, próximo à cidade de Presidente Figueiredo, AM). drenados (em geral, Latossolos Amarelos). Em certas porções, os platôs, embasados por rochas sedimentares cretácicas da Formação Alter do Chão, são dissecados em um relevo de colinas tabulares (R2a1, R2a2 e R2b2), feição que assume particular relevância na área ao norte da cidade de Manaus. Tal morfologia decorre de um longo processo de elaboração de espessos perfis intempéricos lateríticos, com desenvolvimento de horizontes ferruginosos concrecionários e horizontes aluminosos, em diversas áreas dos tabuleiros e das superfícies aplainadas em toda a Amazônia (COSTA, 1991; HORBE et al., 1997) (Figura 3.8). A gênese dos baixos platôs dissecados inicia-se, efetivamente, com o fecho depo- sicional da Bacia Sedimentar do Amazonas, ou seja, com o término da sedimentação da Formação Alter do Chão durante o Cretáceo. Após o entulhamento da Bacia do Amazonas, em algum momento do Paleógeno, a bacia Figura 3.9 - Corte de estrada exibindo plano de falha, no qual o saprolito da sofreu um processo de epirogênese que re- formação Alter do Chão está alçado ao mesmo nível estratigráfico do Latossolo baixou o nível de base regional e soergueu os Amarelo (rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), próximo à entrada da vicinal ZF1). 37 gEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS rio Amazonas, como os rios Preto da Eva, Urubu, Uatumã, Essas extensas áreas arrasadas por prolongados Jatapu e Nhamundá. eventos de erosão generalizada, conjugados com notável Esse domínio geomorfológico ocupa, portanto, toda estabilidade tectônica em escala regional, apresentam a área de abrangência da Bacia Sedimentar do Amazonas, cotas que variam entre 100 e 250 m e notabilizam-se pela com amplo predomínio de ocorrência da Formação Alter do ocorrência de extensas áreas aplainadas (R3a1 e R3a2) Chão. Contudo, nas bordas dessa bacia, nos limites com o ou levemente entalhadas pela rede de drenagem. Nesse embasamento dos escudos pré-cambrianos, ocorrem aflora- caso, as superfícies aplainadas são desfeitas em um relevo mentos das formações basais da Bacia do Amazonas (como colinoso de baixa amplitude de relevo (R4a1). Tendo em as formações Nova Olinda e Nhamundá). Nessas áreas, os vista que as fases de arrasamento do relevo correspondem platôs são ligeiramente mais elevados e preservados, como a longos períodos de maior aridez ao longo do Cenozoico, observado na localidade de Balbina (município de Presi- o atual clima quente e úmido da região tende a dissecar os dente Figueiredo). Assim, os baixos platôs não dissecados aplainamentos previamente elaborados (AB’SABER, 1982; e protegidos por crostas detrito-lateríticas representam um BIGARELLA e FERREIRA, 1985). marco fisiográfico de grande relevância para a compreen- Destacadas na paisagem, ocorrem inúmeras formas são da evolução geomorfológica dos terrenos dissecados isoladas, alçadas em cotas mais elevadas que a superfície e florestados a norte de Manaus. aplainada, dando origem a inselbergs e demais feições As superfícies tabulares dos baixos platôs são, em residuais do relevo (R3b) (Figura 3.10). geral, truncadas por rebordos erosivos com desníveis que As superfícies aplainadas abrangem, portanto, terrenos variam entre 20 e 50 m, abaixo dos quais se desenvolvem arrasados do Escudo das Guianas, constituídos por um os fundos de vales modernos, provenientes da dissecação embasamento ígneo-metamórfico cratônico de idade ar- das antigas superfícies pediplanadas e/ou etchplanadas. Os queana a mesoproterozoica. Esse domínio é observado em rebordos erosivos são mantidos por cornijas resistentes à duas regiões no estado do Amazonas: a primeira, situada a erosão, oriundas do afloramento da couraça ferruginosa. norte da Bacia Sedimentar do Amazonas e do reservatório Portanto, os baixos platôs representam os relevos remanes- da Usina Hidrelétrica de Balbina, até a divisa com Roraima; centes das superfícies aplainadas e ressaltam na paisagem a segunda, localizada a oeste de Roraima, abrangendo todo por erosão diferencial. o noroeste do Amazonas, incluindo a região denominada Em síntese, os esparsos topos dos baixos platôs, sus- “Cabeça do Cachorro”. tentados pelas couraças lateríticas, representam, em parte, o No primeiro compartimento, predominam rochas nível original da Superfície Velhas, de idade pliopleistocênica. metamórficas (gnaisses) da Suíte Jauaperi, rochas ígneas Todavia, essa associação não pode ser direta na área de estu- intrusivas da Suíte Água Branca (tonalitos e quartzodiori- do devido aos basculamentos neotectônicos que afetaram a tos), e rochas ígneas efusivas do Grupo Iricoumé (dacitos superfície erosiva original. Tais deformações foram constata- e andesitos), todos de idade paleoproterozoica. das pelos truncamentos dos perfis lateríticos em diversos cortes de estrada na região. Os terrenos assentados nos baixos platôs da Amazônia Centro-Oriental representam uma área de notável expansão econômica do estado do Amazonas, pois são atravessados por duas rodovias importantes (BR-319, Manaus-Boa Vista, e AM-010, Manaus-Itacoatiara), além de servirem de substrato para consolidação do Dis- trito Agropecuário da Zona Franca de Manaus. Nesse domínio estão localizadas, na mar- gem esquerda do rio Amazonas, as cidades de Manaus, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Itacoatiara e Silves. Na margem direita, a cidade de Maués. Superfícies Aplainadas do Norte da Amazônia As Superfícies Aplainadas do Norte da Amazônia (outrora denominadas “Pediplano Rio Branco-Rio Negro”, por Franco et al., 1975) Figura 3.10 - Feições residuais remanescentes do processo de arrasamento constituem um extenso domínio geomorfológi- generalizado do relevo no noroeste do Amazonas (serra da Bela Adormecida, co no norte e noroeste do estado do Amazonas. São Gabriel da Cachoeira, AM). Fonte: Marcelo Almeida. 38 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA No segundo compartimento, predominam as rochas planas e elevadas em forma de curtos platôs atestam o metamórficas (augengnaisses, metagranodioritos e meta- desenvolvimento pretérito de uma antiga superfície que monzogranitos) das unidades Tarsira e Cumati, e rochas foi totalmente destruída. ígneas intrusivas das unidades Santa Isabel do Rio Negro e No estado do Amazonas, o Planalto Residual do Norte Marauiá (monzogranitos, sienogranitos e granodioritos), da Amazônia restringe-se ao setor situado a norte da Bacia de idade paleoproterozoica. Muito frequentemente, as Sedimentar do Amazonas e do reservatório da Usina Hidre- formações superficiais que revestem essas litologias nesse létrica de Balbina, até a divisa com Roraima, drenado pelas domínio geomorfológico são representadas por espessas bacias dos rios Uatumã e Jatapu. coberturas de areias inconsolidadas, de origem autóctone, Ressaltam-se, nesse contexto, vários conjuntos de sob condição de lençol freático subaflorante. topografia mais elevada, em cotas que variam entre 200 Na área conhecida como “Cabeça do Cachorro”, as e 400 m, em meio às terras baixas amazônicas, com cotas superfícies aplainadas apresentam-se pontilhadas por insel- inferiores a 150 m. Os terrenos mais elevados do planalto bergs. Tais formas residuais do aplainamento generalizado residual estão, em geral, esculpidos em litologias mais resis- são, invariavelmente, constituídas por litologias mais resis- tentes à erosão, que se impuseram aos longos episódios de tentes ao intemperismo e à erosão. Assim, os inselbergs da arrasamento generalizado do relevo, os quais modelaram as região normalmente são sustentados por plútons graníticos vastas superfícies de aplainamento adjacentes (Figura 3.11). (sienogranitos, monzogranitos e granodioritos das unidades Esse domínio geomorfológico abrange, portanto, ter- Tiquié, Rio Uaupés, Rio Içana e Inhamoim) de idade meso- renos movimentados do Escudo das Guianas, constituídos proterozoica, que se destacam em meio ao embasamento pelo embasamento ígneo-metamórfico cratônico de idades regional metamorfizado. arqueana a mesoproterozoica. Os conjuntos litológicos prin- Como nos tabuleiros, os solos são, em geral, espessos cipais são as rochas ígneas intrusivas de idade paleoprotero- e pobres, bem ou maldrenados, ocupados por Mata de zoica das suítes Mapuera e Madeira (granitos, sienogranitos Terra Firme ou Campinaranas, sob clima equatorial úmido e monzogranitos). Ocorrem, subordinadamente, rochas a superúmido, como no noroeste da Amazônia. A norte de ígneas efusivas do Grupo Iricoumé (dacitos e andesitos), Balbina, predominam os Argissolos e Latossolos Vermelho- rochas sedimentares de antigas coberturas plataformais do -Amarelos distróficos. No noroeste do estado, devido ao Grupo Urupi (arenitos e arcóseos) e derrames basálticos da clima superúmido (área-core da massa de ar Equatorial Unidade Seringa, de idade paleoproterozoica a mesoprote- Continental (mEc)), predominam Espodossolos Hidromór- rozoica. Em geral, as rochas graníticas apresentam relevo ficos e, subordinadamente, Neossolos Quartzarênicos e dissecado em morros, enquanto as rochas sedimentares e Latossolos Vermelho-Amarelos (IBGE, 2001). vulcânicas apresentam um relevo desfeito em pequenos Os terrenos ocupados pelas superfícies aplainadas do platôs e vales aprofundados. norte da Amazônia estão, em sua maior parte, ocupados pela Nesses terrenos, os solos são, em geral, espessos, Floresta Amazônica preservada, devido à sua inacessibilidade pobres e bem drenados, ocupados por Mata de Terra Fir- e à existência de extensas terras indígenas, como as dos Waimiri-Atroari e Ianomâmi. São Gabriel da Cachoeira é a única cidade que se destaca nesse domínio, apesar de seu relevante potencial mineral, como demonstrado pelas províncias minerais do Pitinga (a norte de Presidente Figueiredo) e de Seis Lagos (nas cercanias de São Gabriel da Cachoeira). Planalto Residual do Norte da Amazônia O Planalto Residual do Norte da Amazô- nia (seguindo a denominação de IBGE, 1995) representa um relevo movimentado em colinas dissecadas, morros e esparsos platôs (R4a2, R4b, R2b3 e R2c), apresentando vertentes declivosas e vales estreitos, com média densi- dade de drenagem. Esse conjunto de formas de relevo demonstra um aspecto residual de planalto profundamente erodido em meio às Figura 3.11 - Relevo de colinas dissecadas e morros, característico do planalto vastas superfícies aplainadas do Escudo das residual do norte da Amazônia (próximo à mina do Pitinga, nordeste do Guianas. As raras ocorrências de superfícies Amazonas). 39 gEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS me, sob clima equatorial úmido. Predominam Argissolos tação transcorrente entre as placas Sul-Americana e do Caribe e Latossolos Vermelho-Amarelos distróficos; todavia, nas como um fator imprescindível para melhor entendimento da vertentes mais íngremes podem ser mapeados Neossolos tectônica neógena do norte da Amazônia. Litólicos (IBGE, 2001). Um fato relevante a se destacar sobre as cristas do Os terrenos ocupados pelo Planalto Residual do Planalto do Divisor Amazonas-Orenoco é a ocorrência Norte da Amazônia estão quase que integralmente ocu- esporádica de altos platôs isolados, alçados em cotas aci- pados pela Floresta Amazônica preservada, devido à sua ma de 1.500 m, regionalmente denominados “tepuys”. inacessibilidade e à existência da extensa Terra Indígena Anteriormente denominados “Planalto Sedimentar de Waimiri-Atroari. Roraima”, por Franco et al. (1975), os tepuys representam chapadas muito elevadas em superfícies estruturais de topos Planalto do Divisor Amazonas-Orenoco planos a suavemente dissecados, sustentadas por rochas sedimentares e abruptamente delimitadas por escarpas de O Planalto do Divisor Amazonas-Orenoco (seguindo a vertentes muito íngremes. denominação de IBGE, 1995) representa um relevo mon- Os principais conjuntos litológicos que afloram tanhoso de direção geral WSW-ENE, com serras de grande nesse domínio montanhoso são as rochas ígneas intru- amplitude altimétrica (R4c) e platôs muito elevados, bor- sivas das unidades Santa Isabel do Rio Negro e Marauiá dejados por escarpas íngremes de grande desnivelamento (R2c e R4d), apresentando uma topografia acidentada, dis- secada em vertentes muito íngremes a paredões escarpados em uma rede de canais de alta densidade de drenagem. Esse conjunto serrano forma o divisor regional das bacias hidrográficas dos rios Negro-Amazonas e Orenoco e, por conseguinte, parte da fronteira entre Brasil e Venezuela. No estado do Amazonas, o Planalto do Divisor Amazonas- -Orenoco restringe-se ao extremo norte-noroeste, junto à fronteira com a Venezuela. Esse domínio geomorfológico salienta-se como uma rara paisagem montanhosa na Amazônia brasileira. Destaca-se, nesse contexto, um extenso front de serras cujas linhas de cumeada são sempre superiores a 500 m de altitude. Os alinhamentos serranos mais elevados atingem, todavia, cotas entre 1.000 e 1.800 m, como as serras do Imeri, Tapirapecó, Guarupira e Aracá (Figura 3.12). Os dois pontos culminantes do território nacional (Pico Figura 3.12 - Serra do Aracá, típica feição montanhosa no planalto da Neblina, com 2.994 m de altitude, e Pico 31 de Março, do divisor Amazonas-Orenoco, noroeste do estado do Amazonas. com 2.973 m) situam-se nesse domínio geomorfológico, Fonte: Amazonastur. precisamente na porção mais alta da serra do Imeri. O Pico da Neblina consiste em um belíssimo hogback esculpido em rochas sedi- mentares do Supergrupo Roraima na fronteira com a Venezuela (Figura 3.13). As amplitudes de relevo entre esse domí- nio montanhoso e as monótonas superfícies de aplainamento adjacentes são, portanto, notáveis, podendo alcançar frequentemente mais de 1.000 m de desnivelamento. O Planalto do Divisor Amazonas-Orenoco também está inserido no Escudo das Guianas, constituído por embasamento ígneo-meta- mórfico cratônico, parcialmente recoberto por coberturas sedimentares plataformais, com idade arqueana a mesoproterozoica. Entretanto, esses terrenos, supostamente, experimentaram eventos epirogenéticos de soerguimento que explicam as cotas muito elevadas registradas. Figura 3.13 - Pico da Neblina, típica feição montanhosa do planalto do divisor Bemerguy et al. (2002) consideram a movimen- Amazonas-Orenoco, noroeste do estado do Amazonas. 40 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA (monzogranitos, sienogranitos e granodioritos), de idade como os rios Roosevelt e Manicoré. A segunda ocorrência paleoproterozoica, de forma similar ao conjunto aflorante é bastante restrita e consiste em uma pequena faixa de- nas superfícies aplainadas adjacentes. Tal fato demonstra primida a oeste da calha do rio Juruena. inexistência de controle litológico na gênese desse sistema O substrato rochoso que aflora nesse domínio é de serras. Os tepuys, por sua vez, estão sustentados por bastante variado e compreende rochas metaígneas (me- arenitos e quartzoarenitos das formações Serra da Neblina tassienogranitos, metamonzogranitos e metagranodioritos e Aracá, de idade mesoproterozoica. da Suíte São Romão) e rochas ígneas efusivas (andesitos Nesses terrenos acidentados, os solos são, em geral, e riodacitos do Grupo Colíder), todas de idade paleopro- rasos e jovens, ocupados por Mata de Terra Firme, em terozoica; rochas sedimentares de cobertura plataformal condições de Floresta Montana e Alto-Montana, sob clima (arenitos arcoseanos e conglomerados do Grupo Palmeiral) equatorial úmido a superúmido. Predominam Neossolos e rochas ígneas intrusivas (monzogranitos e sienogranitos Litólicos distróficos, com ocorrência subordinada de Ar- dos Granitos Rondonienses e da Suíte Serra da Providência), gissolos Vermelho-Amarelos (em áreas de relevo menos com idade meso- a neoproterozoica; rochas sedimentares acidentado) e de Afloramentos de Rocha (em paredões um pouco mais novas, de idade siluro-devoniana (arenitos rochosos subverticais ou em porções dos topos dos tepuys) do Grupo Alto Tapajós). A grande diversidade litológica (IBGE, 2001). reflete-se na paisagem pela expressiva ocorrência de feições Os terrenos ocupados pelo Planalto do Divisor Ama- de relevo residuais, muitas associadas a afloramentos de zonas-Orenoco estão inteiramente preservados devido rochas graníticas ou riodacitos do Grupo Colíder. à sua inacessibilidade e à demarcação da Terra Indígena Destaca-se, nas superfícies aplainadas, o desen- Yanomami. Apresenta um bom potencial geoturístico, volvimento de espesso manto de intemperismo, com a caso as difíceis condições de logística (acessibilidade) sejam presença de crostas e concreções lateríticas que podem superadas. atingir dezenas de metros de profundidade (MARMOS et al., 2001) (Figura 3.14). Sobre essas formações superficiais Superfícies Aplainadas do Sul da Amazônia desenvolvem-se solos pobres e espessos, bem drenados, ocupados por Mata de Terra Firme. Predominam Argissolos As Superfícies Aplainadas do Sul da Amazônia (ou- e Latossolos Vermelho-Amarelos distróficos, ocorrendo, trora denominadas “Depressão Interplanáltica Amazônia também, de forma muito restrita, Neossolos Litólicos as- Meridional” por Melo et al., 1977) abrangem duas áreas sociados a relevos residuais em litologias muito resistentes descontínuas no sudeste do estado do Amazonas, indivi- ao intemperismo (IBGE, 2001). dualizadas no Mapa Geomorfológico do Brasil (IBGE, 1995) Vale ressaltar a ocorrência de Plintossolos Háplicos dis- com as seguintes denominações: depressão do rio Ji-Paraná tróficos e Neossolos Quartzarênicos hidromórficos, situados e depressão interplanáltica dos rios Juruena e Teles-Pires. em uma ampla região plana e baixa, denominada “Campos Assim como suas congêneres do norte da Amazônia, essas superfícies aplainadas são áreas arrasadas por prolongados eventos de erosão generalizada, conjugados com notável estabi- lidade tectônica em escala regional, com cotas que variam entre 80 e 150 m. Esse domínio geomorfológico apresenta um notório predo- mínio de superfícies erosivas, frequentemente dissecadas em um relevo colinoso (R4a1 e R3a2), mas também exibe grande número de feições residuais em meio às superfícies aplainadas, tais como inselbergs e pequenas cristas ou baixos alinhamentos de morrotes (R3b e R4a2). As Superfícies Aplainadas do Sul da Ama- zônia abrangem, portanto, terrenos arrasados do Escudo Sul-Amazônico, constituídos por embasamento ígneo-metamórfico cratônico e capeamento sedimentar, de idades paleopro- terozoica a neoproterozoica ou paleozoica. Seguindo a subdivisão proposta pelo IBGE (1995), esse domínio ocorre em duas regiões distintas no sudeste do Amazonas: a primeira Figura 3.14 - Espesso perfil laterítico desenvolvido sobre superfícies aplainadas abrange porções das bacias afluentes do rio do sul da Amazônia, denotando longa e intensa atuação dos processos de Madeira, a oeste da calha do rio Aripuanã, intemperismo e pedogênese (Apuí, AM). 41 gEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS do Tenharim”. Trata-se de uma situação geo- ecológica peculiar, onde se aliam condições de solos muito pobres, arenosos e imperfeita- mente drenados, embasados pelos arenitos da Formação Palmeiral, com relevo plano e clima equatorial úmido, mas com um curto perío- do de chuvas reduzidas (estiagem em torno de três meses). Nesse ambiente específico, a floresta cede espaço à vegetação graminosa e savânica, similar a um campo-cerrado. Tal situ- ação se assemelha aos decantados campos de Humaitá-Puciari descritos por Ab’Saber (1977). Os terrenos assentados nas Superfícies Aplainadas do Sul da Amazônia estão, em par- te, ocupados pelo avanço da fronteira agrícola do estado, em especial na faixa de domínio da Rodovia Transamazônica, entre as cida- des de Humaitá e Apuí. Apesar de a Floresta Amazônica ainda estar intacta na maior parte desse domínio, a região citada é uma das mais Figura 3.15 - Imagem tratada de modelo digital de terreno exibindo nítidas promissoras para a expansão das atividades feições anelares de uma antiga estrutura dômica, posteriormente arrasada por agropecuárias no estado do Amazonas. processos de erosão e aplainamento (domo do Sucunduri, extremo sudeste do estado do Amazonas). Planaltos Dissecados do Sul da Amazônia Litólicos, Cambissolos, Neossolos Quartzarênicos e Plintos- Os Planaltos Dissecados do Sul da Amazônia (seguindo solos Pétricos (IBGE, 2001). a denominação de Melo et al., 1977) exibem um diversifi- O Domo de Sucunduri, por sua vez, aflora no extre- cado conjunto de padrões de relevo, composto de baixos mo sudeste do estado do Amazonas e compreende uma platôs, colinas dissecadas e morros em distintos arranjos espetacular estrutura dômica decepada de dezenas de estruturais (R2b1, R4a2, R2b3 e R4b), apresentando ver- quilômetros de diâmetro, arrasada por processos de ero- tentes declivosas, com média densidade de drenagem. são e aplainamento. Destacam-se, na topografia, extensos Esse conjunto de formas de relevo demonstra profunda arcos de cristas anelares, com padrão de drenagem radial dissecação e arrasamento de um planalto intensamente ou anelar, denunciando a estruturação de um amplo terre- erodido em meio às vastas superfícies aplainadas do Escu- no arqueado e erodido, na forma de um braquianticlinal. do Sul-Amazônico. Domina o cenário geomorfológico do Nesse contexto, afloram, na porção externa do domo, em sudeste do estado do Amazonas e pode ser subdividido forma de cristas concêntricas, os arenitos siluro-devonianos em três unidades contíguas: Planalto de Apuí, Domo de do Grupo Alto Tapajós; no interior do domo erodido, aflo- Sucunduri (MARMOS et al., 2001) e Planalto do Interflúvio ram, além dos citados arenitos, os andesitos e riodacitos Sucunduri-Tapajós (Figura 3.15). do Grupo Colíder; por fim, na porção central do domo Assim como seus congêneres do norte da Amazônia, arrasado, afloram pequenos plútons de rochas alcalinas esses baixos planaltos dissecados apresentam relevo movi- (corpos de quartzossienito – Alcalinas Canamã), de idade mentado de cotas modestas (entre 200 e 400 m), porém mais mesoproterozoica. Nesse caso, a intrusão dos plútons alca- elevadas que as superfícies aplainadas e áreas de tabuleiros linos promoveu o arqueamento da superfície e a gênese do adjacentes. Esse domínio geomorfológico abrange, portanto, Domo de Sucunduri (MARMOS et al., 2001). A dissecação terrenos dissecados do Escudo Sul-Amazônico, constituídos diferencial desses terrenos, controlados por condicionan- por embasamento ígneo-metamórfico cratônico e capea- tes estruturais, produziu um relevo movimentado, com mento sedimentar de idade paleoproterozoica a paleozoica. predomínio de morros, cristas, esparsos platôs e rebordos O Planalto de Apuí, descrito inicialmente por Marmos erosivos, onde ocorrem preferencialmente Argissolos e et al. (2001), está embasado principalmente por arenitos Latossolos Vermelho-Amarelos distróficos. Já nas cristas da bacia siluro-devoniana Alto Tapajós. Também afloram, anelares, predominam Neossolos Litólicos (IBGE, 2001). nesse planalto, os andesitos e riodacitos do Grupo Colíder, O interflúvio Sucunduri-Tapajós está na divisa meri- de idade paleoproterozoica. A paisagem é dominada por dional entre os estados do Amazonas e Pará e consiste de um cenário de baixos platôs, colinas dissecadas e morros, um baixo divisor com cotas modestas (entre 150 e 250 m), com predomínio de solos pobres e espessos, predomi- ligeiramente mais elevadas que as superfícies aplainadas nantemente Latossolos e Argissolos Vermelho-Amarelos esculpidas nas bacias dos rios Madeira e Tapajós. Seu relevo distróficos, com ocorrências subordinadas de Neossolos é representado por colinas dissecadas e morros baixos e 42 COMPARTIMENTAÇÃO gEOMORFOLÓgICA está embasado por rochas metamórficas (xistos da Unidade COSTA, M. L. Aspectos geológicos dos lateritos da Jacareacanga), rochas ígneas intrusivas (monzogranitos, Amazônia. Revista Brasileira de Geociências, Curitiba, sienogranitos e granodioritos da Suíte Parauari), e rochas v. 21, n. 2, p. 146-160, 1991. ígneas efusivas (dacitos e riolitos da Formação Salustiano), todas de idade paleoproterozoica. Também predominam FRANCO, E. M. S.; DEL’ARCO, J. O.; RIVETTI, M. Ge- solos pobres e espessos: Latossolos e Argissolos Vermelho- omorfologia da folha NA.20 (Boa Vista) e parte das -Amarelos distróficos (IBGE, 2001). folhas NA.21 (Tumucumaque), NB.20 (Roraima) e Os terrenos assentados nos Planaltos Dissecados do NB.21. In: DEPARTAMENTO NACIONAL DA PRODUÇÃO Sul da Amazônia estão, em parte, ocupados pelo avanço MINERAL. Projeto RadamBrasil: levantamento de da fronteira agrícola, em especial na faixa de domínio da recursos naturais. Rio de Janeiro: DNPM, 1975. p.139- Rodovia Transamazônica, entre as localidades de Apuí, 180. v. 8. Sucunduri e Jacareacanga, essa última no Pará. Todavia, grande parte desse domínio geomorfológico ainda man- HORBE, A. M. C.; HORBE, M. A. Linhas de pedra na tém a Floresta Amazônica preservada. região nordeste do Amazonas. In: HORBE, A. M. C.; SOUZA, V. S. (Orgs.). Contribuições à geologia da REFERÊNCIAS Amazônia. Manaus: UFAM, 2005. p. 221-229. AB’SABER, A. N. 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Rio de Janeiro: IBGE/ EMBRAPA. 2001. 1 mapa colorido, 107x100cm na escala AB’SABER, A. N. Problemas geomorfológicos da Amazô- 1: 5.000.000. nia brasileira. In: SIMPÓSIO SOBRE BIOTA AMAZÔNICA, 1., 1967, Rio de Janeiro. Atas... Rio de Janeiro: CNPq, IBGE. Mapa geomorfológico do Brasil: escala 1967. p. 35-68. 1:5.000.000. Rio de Janeiro: IBGE, 1995. BEMERGUY, R. L. et al. Structural geomorphology of the brazilian amazon region. In: KLEIN, E. L.; VASQUEZ, M. IGREJA, H. L. S.; FRANZINELLI, E. Estudos neotectônicos L.; ROSA-COSTA, L. T. (Orgs.). Contribuições à geolo- na região do baixo rio Negro, centro-nordeste do estado gia da Amazônia. Belém: SBG/NO, 2002. p. 245-257. do Amazonas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLO- GIA, 36., 1990, Natal. Anais... Natal/RN: SBG/NE, 1990. BIGARELLA, J. J.; FERREIRA, A. M. M. Amazonian geology p. 2099-2108. and the pleistocene and the cenozoic environments and paleoclimates. In: PRANCE, G. T.; LOVEJOY, T. E. (Eds). KING, L. C. 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Projeto RADAMBRASIL: levantamento dos recursos naturais, Rio THOMAS, M. F. Geomorphology in the tropics. New de Janeiro: DNPM, 1976. v. 10. p. 131-181. Jersey: John Wiley & Sons, 1994. 460 p. 44 4 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS Daniel de Oliveira (daniel.oliveira@cprm.gov.br) Nailde Martins Andrade (nailde.andrade@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 47 Caracterização ...................................................................................................... 47 Rede de monitoramento hidrológico.................................................................... 48 Dados da rede de monitoramento hidrológico ................................................. 49 Pluviometria ...................................................................................................... 49 Fluviometria ...................................................................................................... 50 Estações telemétricas ........................................................................................ 53 Medição líquida ................................................................................................ 53 Medição sólida .................................................................................................. 54 Medição de qualidade da água ......................................................................... 55 Levantamento de seção transversal ................................................................... 55 Referências ........................................................................................................... 57 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS INTRODUÇÃO do passa a ser denominado rio Solimões, até o município de Manaus, local onde, ao se unir ao rio Negro, forma o Neste capítulo é apresentada a sistemática dos pro- rio Amazonas, que desemboca no oceano Atlântico, no cedimentos adotados no monitoramento hidrológico no estado do Pará. Estado do Amazonas e os resultados dos estudos obtidos Devido a sua ampla extensão, o rio Amazonas é in- com base nas informações hidrológicas colhidas junto fluenciado pelas variações de precipitações dos hemisférios aos observadores hidrológicos e nos trabalhos realizados Norte e Sul, sendo por isso conhecido pelo regime fluvial de por Engenheiros Hidrólogos, Técnicos e Pesquisadores em duas cheias, fato que ajuda a tornar a Bacia Amazônica a Geociências da CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Tais maior do mundo, com uma área de drenagem, em território informações são inseridas em bancos de dados e formam nacional, correspondente a 64% da bacia como um todo, séries históricas (níveis de água dos rios, índices de precipi- em uma extensão que representa cerca de 40% da super- tação pluviométrica, medições de vazão líquida, medições fície brasileira (ANEEL, 1997). De acordo com a Agência de qualidade da água, medições sólidas e perfis transversais) Nacional de Águas (ANA, 2009), a contribuição média da de cerca de 40 anos, abrangendo, atualmente, um conjunto bacia hidrográfica do rio Amazonas, em território brasilei- de 187 estações hidrometeorológicas no estado do Ama- ro, é da ordem de 133.000 m³/s. Em função dos critérios zonas, que constituem parte da rede hidrometeorológica hidrológicos, segundo Molinier et al. (1994), a bacia do rio básica nacional. Solimões representa 36% da área total da Bacia Amazônica A sustentabilidade hídrica, o acesso universal à água, continental, seguida pelas bacias dos rios Madeira, com a mitigação dos efeitos antrópicos e a proteção das áreas 23% e do rio Negro, com 11% da superfície total. que ainda não sofreram alterações são metas a serem Nessa vasta bacia hidrográfica, os principais cursos alcançadas e, para tanto, o monitoramento hidrológico d’água (Figura 4.1) são rios transfronteiriços, ou seja, com- torna-se ferramenta imprescindível, de forma a diagnosticar partilhados por mais de uma nação, tais como: Solimões, a sazonalidade, os regimes dos rios e os regimes pluvio- Purus, Juruá e Javari (cujas nascentes estão no Peru), Negro métricos nas diversas bacias hidrográficas, além de prover e Japurá (nascentes na Colômbia) e Madeira (nascente na informações relativas ao ciclo hidrológico de cada região. Bolívia). Em território brasileiro, os cursos d’água que ba- Os estudos hidrológicos, fundamentados nas séries nham mais de um estado são considerados rios federais, históricas dos dados colhidos no campo, possibilitam a como os rios Purus (Acre e Amazonas) e Madeira (Rondônia realização de trabalhos que visam ao gerenciamento dos e Amazonas). processos de tomada de decisão por parte dos governantes O rio Amazonas apresenta um dos menores declives e da população em geral, bem como ações mitigadoras de do mundo, sendo que em seu trecho de planície, no curso impactos causados por fenômenos naturais e antrópicos. inferior, a declividade média atinge 2 cm/km, o que origina CARACTERIZAÇÃO O estado do Amazonas é o maior do Bra- sil, com uma superfície de 1.570.746 km², que corresponde a 18% do território nacional. Na região encontra-se um dos oito ecossistemas brasileiros, a Floresta Amazônica, também co- nhecida como Hiléia, a maior floresta tropical do mundo, com 5.500.000 km2, dos quais 60% em território nacional (IBGE, 2010a). O clima no Amazonas é o equatorial (quente e úmido), com umidade relativa do ar variando de 76 a 89% e temperaturas médias de 22,0 a 31,7 ºC, possuindo duas estações bem definidas – o inverno (período das chuvas) e o verão (seca ou período menos chuvoso). O estado está inserido na Bacia Hidrográ- fica Amazônica, a maior bacia do mundo, com uma área de drenagem superior a 6.000.000 km2. É banhado pelo maior rio do mundo, o Amazonas, que recebe várias denominações desde suas nascentes, na Cordilheira dos Andes (5.000 m de altitude, no Peru), até adentrar ao Figura 4.1- Mapa dos principais cursos d’água do estado do Amazonas. Brasil, no município de Tabatinga (AM), quan- Fonte: CPRM (2010). 47 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS um padrão de drenagem meândrico, com lagoas marginais contrato de prestação de serviços para o extinto DNAEE, e campos de inundação alimentados pelo extravasamento que passou posteriormente para a Agência Nacional de dos rios no período das cheias (CARVALHO e CUNHA, 1998). Energia Elétrica (ANEEL) e, atualmente, para a Agência Pela mesma razão, o escoamento das águas fluviais e a Nacional de Águas (ANA). propagação das cheias ocorrem lentamente. Na área de abrangência estadual, os dados de pluvio- metria (chuvas), fluviometria (nível dos rios) e evaporimetria REDE DE MONITORAMENTO HIDROLÓGICO (evaporação) são coletados in loco, junto aos observadores hidrológicos contratados, bem como com auxílio de apa- Na década de 1970, em uma parceria do então De- relhos telemétricos (por satélite). Os dados de medição de partamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE) descarga líquida (vazão), sólida (sedimentos) e qualidade da com o setor de recursos hídricos do United States Geological água são obtidos in loco pelos técnicos e pesquisadores em Survey (USGS), o serviço geológico norte-americano, foi Geociências da CPRM/SGB, em campanhas trimestrais realiza- implantado no Brasil o Sistema de Informações Hidroló- das nas estações hidrometeorológicas, seguindo os critérios gicas (SIH). Em busca da ampliação da rede nacional de definidos pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). hidrometeorologia, após a implantação do SIH, foi criado o Atualmente, esse conjunto de estações que definem Projeto Hidrologia, quando o território brasileiro foi dividido a rede básica de monitoramento hidrológico no estado do em oito bacias hidrográficas, cada uma delas subdivididas Amazonas conta com 187 unidades (Figura 4.2), que são em 10 sub-bacias. A rede hidrometeorológica do estado do operadas quatro vezes ao ano, divididas em 17 roteiros (áre- Amazonas foi iniciada nesse período, estando seus cursos as determinadas em função da logística – fluvial, terrestre d’água inseridos na bacia 1 (Bacia Amazônica), com sete e aérea). Destes, 12 são subempreitados diretamente pela sub-bacias (10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16). Os trabalhos de ANA a uma empresa de prestação de serviços de hidrome- operação e manutenção dessa rede foram iniciados pela tria; os demais são operados pela CPRM/Superintendência CPRM/Superintendência Regional de Manaus, por meio de Regional de Manaus (Tabela 4.1). Figura 4.2 - Mapa da rede hidrometeorológica do estado do Amazonas. Fonte: CPRM (2010). 48 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS Tabela 4.1 - Dados do monitoramento hidrológico no estado do Amazonas. Fonte: CPRM (2009); ANA (2009). Total de Estações Estações Estações Medição Medição Medição Estações Pluviométricas Fluviométricas Telemétricas Descarga Descarga Qualidade da Líquida/Ano Sólida/Ano Água/Ano 187 159 107 63 288 184 116 Dados da Rede de Monitoramento horas, com auxílio de uma proveta graduada em milímetro Hidrológico de altura de chuva, onde 1 mm corresponde a 1 litro/m2. No caso do pluviógrafo, também há necessidade O levantamento das informações hidrometeorológi- do observador hidrológico para a substituição do papel cas, com a formação de longas séries históricas de dados (diagrama) que registra os dados. Cada pluviógrafo dispõe básicos possibilitam a realização de estudos visando ao de um relógio interno, que, com uma pena porosa (tinta) gerenciamento adequado dos recursos hídricos. O Brasil apropriada, registra as leituras em um diagrama, permitindo possui aproximadamente 12% da água doce superficial do medir a intensidade das chuvas em períodos (horários), mundo, enquanto a disponibilidade hídrica de superfície da diferentemente do pluviômetro, onde as leituras são diárias. Amazônia brasileira representa cerca de 74% da disponibi- No estado do Amazonas, o total de 159 estações lidade hídrica de superfície do Brasil. pluviométricas existentes está abaixo do padrão definido No estado do Amazonas, essa disponibilidade ocorre pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que é principalmente devido aos afluentes da margem direita do de uma estação para cada 3.000 km2 (densidade mínima) sistema Solimões-Amazonas, no caso os rios Javari, Jutaí, Juruá, Purus e Madeira, que, juntos, apresentam uma vazão média de 58.205 m3/s (Tabela 4.2). Tabela 4.2 - Resultados do monitoramento hidrológico no estado do Amazonas. Fonte: BRASIL (1994). Cursos Área de Vazão Média d’Água Drenagem Precipitação (km2) (mm/ano) m 3/s l/s/km2 Javari 105.700 2.400 4.545 43,0 Jutaí 77.280 2.781 3020 39,1 Juruá 185.000 2.452 8440 45,6 Içá 143.760 3.160 8.800 61,2 Japurá 248.000 3.000 18.620 75,1 Purus 370.000 2.336 11.000 29,7 Negro 686.810 2.566 28.400 40,8 Figura 4.3 - Distribuição espacial das vazões específicas no Brasil. Solimões* 2.147.740 2.880 103.000 48,0 Fonte: ANA (2009). Madeira 1.420.000 1.940 31.200 22,0 *Rio Solimões em Manacapuru/AM. A vazão específica na Amazônia brasileira apresenta valores superiores a 30 l/s/km2, enquanto a média brasileira é de 20,9 l/s/km2 (Figura 4.3). Pluviometria As estações pluviométricas servem para medir a quan- tidade de chuva em uma região, a qual pode ser obtida por meio de equipamentos como o pluviômetro (Figura 4.4) ou o pluviógrafo. No caso do primeiro aparelho, há necessidade de um observador hidrológico (morador da localidade), Figura 4.4 - Pluviômetro da estação Carvoeiro, no rio Negro que é instruído para proceder às leituras diariamente, às 7 (Barcelos, AM). Fonte: CPRM (2009). 49 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS em regiões com condições adversas. Embora haja necessidade de adensamento da rede pluviométrica, os dados atualmente disponíveis (Figuras 4.5 e 4.6) já permitem decisões apropriadas em diversos setores: na saúde pública, onde é possível dimensionar, por áreas (localidades), os trabalhos contra as pragas (por exemplo, mosquitos transmissores de malária ou den- gue), tendo em vista que a proliferação dos pernilongos ocorre em épocas chuvosas; na agricultura, com o planejamento de culturas mais apropriadas para cada região, definindo épocas e locais ideais para plantio em função da quantidade/intensidade média de chuva em uma determinada área; na construção civil, com o planejamento de obras hidráulicas de forma a prever Figura 4.5 - Isoietas trimestrais (abril, maio e junho) no Amazonas. o dimensionamento de tubulações para o adequado Fonte: Atlas Pluviométrico do Brasil 1977 a 2006 (CPRM, 2009). escoamento das precipitações, bem como a realização de trabalhos visando a evitar alagações, como a limpeza das tubulações em períodos menos chuvosos. No estado do Amazonas, os índices pluviométricos são elevados e variam de aproximadamente 1.700 a 3.200 mm (Figura 4.7). Os locais de maior precipitação no estado se situam na bacia do rio Negro, na região denominada “Cabeça do Cachorro”, no município de São Gabriel da Cachoeira, onde as precipitações podem alcançar valores superiores a 3.200 mm/ano. Fluviometria Nas estações fluviométricas, que medem a variação Figura 4.6 - Isoietas trimestrais (julho, agosto e setembro) no Amazonas. sazonal do nível das águas fluviais, os dados são colhidos Fonte: Atlas Pluviométrico do Brasil 1977 a 2006 (CPRM, 2009). Figura 4.7 - Isoietas médias anuais para o estado do Amazonas. Fonte: Atlas Pluviométrico do Brasil 1977 a 2006 (CPRM, 2009). 50 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS com auxílio das réguas fluviométricas instaladas nas margens dos rios (Figura 4.8). Nesse caso, há necessidade de obser- vadores hidrológicos para realizar as leituras diariamente nas réguas, às 7 e às 17 horas. Para evitar desnivelamentos nessas réguas, elas são fixadas verticalmente e niveladas de acordo com referências de nível estabelecidas, cabendo aos técnicos da CPRM/SGB, na visita trimestral realizada à estação, confirmar e/ou corrigir o nivelamento com auxílio de uma mira e de um nível topográfico. Cabe ressaltar que, na Região Amazônica, há referências de nível arbitrárias, ou seja, não são referenciadas com o nível do mar. A OMM recomenda a instalação de pelo menos uma es- tação fluviométrica para cada 10.000 km2 de área territorial, de forma a se atingir um nível de cobertura satisfatório. No estado do Amazonas há 107 estações, uma para cada 14.680 km2, ou seja, um índice abaixo dos padrões, carecendo a atual Figura 4.9 - Períodos de águas altas no Amazonas. rede fluviométrica de ampliação no número de estações. Fonte: CPRM (2010). A obtenção de dados fluviométricos visa a vários aspec- tos, tais como: conhecimento das vazões sazonais dos rios, de forma a atender às demandas de abastecimento e/ou despejos urbanos e/ou conflitos pelo uso da água; potencial hídrico para construção de usinas hidrelétricas; a variação dos níveis dos rios em épocas de cheia e seca, de forma a avaliar se os rios são navegáveis e/ou saber se a elevação do nível das águas causará problemas aos moradores de áreas ribeirinhas (Figuras 4.9 e 4.10). No final deste capítulo, são apresentados os cotagra- mas das cheias e vazantes máximas nos principais rios do estado do Amazonas, segundo CPRM/SGB. Um bom exemplo da utilidade do monitoramento fluviométrico é o alerta de cheias realizado anualmente para a cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, com mais de 1,5 milhão de habitantes. Desde 1989, a CPRM/ SGB vem executando a previsão de cheias na cidade, com Figura 4.10 - Períodos de águas baixas no Amazonas. base na série histórica (dados de 1902 até a presente data) Fonte: CPRM (2010). de dados de níveis d’água da estação situada no Porto de Manaus (rio Negro) e de dados obtidos no monitoramento (Figura 4.11) realizado em diversas estações localizadas em De posse das informações fluviométricas, é possível pontos estratégicos dos principais cursos d’água da bacia. prever, com antecedência de 75, 45 e 15 dias, a amplitude da cheia que ocorrerá na cidade em meados de junho. Essas previsões proporcionam às secretarias de defesa civil da prefeitura e do estado elementos para promover ações mitigadoras junto à população residente nas áreas atingidas pela água quando a cota em Manaus ultrapassar 28,50 m. Tais ações podem culminar com a retirada dos moradores de suas residências quando o alerta de cheias indicar uma enchente de grandes proporções, como, por exemplo, a ocorrida em 2009 (máxima histórica), que atingiu 29,77 m (Figura 4.12). Estações Telemétricas No estado do Amazonas, devido à grande dimensão territorial e à distribuição populacional muito rarefeita 2 Figura 4.8 - Seção de réguas da estação Tumbira, no rio Curicuriari (aproximadamente 2,3 hab./km ), vários problemas são (São Gabriel da Cachoeira, AM). Fonte: CPRM (2009). enfrentados para que se obtenha uma longa série de dados 51 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS hidrometeorológicos. A carência ou ausência de observa- sendo implantadas estações telemétricas com plataforma de dores hidrológicos em determinadas áreas e épocas do ano coleta de dados que se tornaram equipamentos de funda- acarreta séries históricas com falhas e consequentes perdas mental importância, pois funcionam com memorização de in- significativas de informações. formações. Os dados se tornam disponíveis para transmissão Com o objetivo de evitar a falta de informação e/ou à distância por meio dos vários dispositivos de comunicação, séries com falhas, procedeu-se à automatização das estações, possibilitando a sua avaliação “instantânea” (ANEEL, 1997). ESTAÇÕES ESTRATÉGICAS PARA MONITORAMENTO 2010 Figura 4.11- Mapa das estações estratégicas de monitoramento dos níveis d’água no estado do Amazonas (2010). Figura 4.12 - Vista parcial da vazante do ano de 2005 e da cheia do ano de 2009 (máxima histórica) no Porto de Manaus (AM). 52 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS No estado do Amazonas existem 63 estações telemé- medições de velocidade por vertical, com tempo de me- tricas instaladas (Figura 4.13), que fornecem informações dição em torno de 50 segundos (TUCCI, 1997); no caso dos níveis dos rios e índices pluviométricos, tornando ágil o da Amazônia, face às particularidades dos rios da região processo de disponibilização dos dados para os segmentos e após vários testes, concluiu-se que o trabalho realizado interessados, já que estes são transmitidos via satélite para com uma média de 30 verticais, 2 pontos por vertical (a 20 a central de recepção, quando, então, são consistidos e e 80% da profundidade) e tempo médio de 40 segundos disponibilizados na rede mundial de computadores. atingia resultados com desvios inferiores a 5% do processo convencional, adotando-se, então, esse critério para a rea- lização da maioria das medições de descarga líquida com molinete. Tal processo é demorado e desgastante, já que o trabalho de ancoragem é manual. No uso da tecnologia mais recente, o Perfilador Acús- tico Doppler, o processo é extremamente simples quando comparado aos métodos tradicionais. É um equipamento que transmite ondas sonoras através da água com frequên- cia estabelecida (300 a 1.200 kHz) e recebe, por sensores, o retorno das ondas provocado pelas partículas existentes na água. Com o conhecimento da velocidade da corrente, da área e da profundidade da seção de medição, um programa computacional calcula a vazão total nessa seção (GUYOT et al., 1995) (Figura 4.14). Nos dois casos, com molinetes ou com o Perfilador Acústico Doppler, as medições possibilitam a obtenção de dados de vazão, velocidade, profundidade Figura 4.13 - Estação telemétrica instalada no município de e largura dos rios. Parintins (AM). Fonte: CPRM (2009). Na tabela 4.3 apresenta-se a média das vazões calcu- ladas com o uso do Perfilador Acústico Doppler (período Medição Líquida 2007-2009) em algumas estações monitoradas pela CPRM/ SGB no estado do Amazonas. Nota-se que a soma das A medição líquida (vazão dos rios) pode ser realizada vazões dos rios Negro (Estação Paricatuba, município de por meio de equipamento tradicional, no caso o molinete, Iranduba), Madeira (foz do rio Madeira) e Solimões (muni- onde o processo é bastante desgastante e moroso, ou com cípio de Manacapuru) é 160.495 m3/s, valor muito próximo o uso de nova tecnologia (Perfilador Acústico Doppler), da vazão no rio Amazonas em Itacoatiara, que é da ordem moderno equipamento que permite ágeis medições de des- de 161.847 m3/s. carga líquida, em um processo simples e rápido. No estado Os dados de vazão permitem realizar estudos hidroló- do Amazonas são realizadas 288 medições líquidas por ano. gicos importantes, tais como: avaliação da disponibilidade Nas medições com molinete, são escolhidos entre 6 hídrica de uma região (Tabela 4.4); gestão do uso dos e 20 perfis verticais na largura do rio e 4 a 8 pontos de recursos hídricos, evitando que uma área seja prejudicada Figura 4.14 - Medição de vazão por efeito Doppler no encontro das águas do rio Negro com o rio Solimões, nas proximidades de Manaus, em 01 de julho de 2009. Fonte: CPRM (2009). 53 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS por uma extração maior que a possível em uma região de Após o trabalho precursor de Gibbs (1967), que atribuiu montante em detrimento de uma região de jusante; poten- à erosão atuante na área da cordilheira dos Andes, cerca de cial do aproveitamento hidroenergético, devido ao precário 12% da área total da bacia hidrográfica, a carga de 82% e/ou inexistente suprimento de energia elétrica em alguns dos sedimentos em suspensão encontrados no rio Amazo- pontos da região. nas, Meade (1985, 1994) e Meade et al. (1979), utilizando maior rede de pontos de coleta e diferentes profundidades, Tabela 4.3 - Resultados médios das medições líquidas com concluíram que os Andes peruanos (rio Solimões) e os Andes perfilador acústico Doppler em alguns rios da bacia Amazônica bolivianos (rio Madeira) são responsáveis por 90-95% dos no período de 2007 a 2009. sedimentos em suspensão na Bacia Amazônica. Carvalho e Cunha (1998) verificaram que os sedimentos não se distri- Locais Rio Vazão média (m3/s) buem de maneira uniforme, sendo mais concentrados nas Estação Paricatuba Negro 35.703 proximidades do fundo dos rios que na superfície, inclusive a fração de silte, devido à contribuição dos tributários e à Foz do rio Madeira Madeira 23.732 hidráulica do transporte desses sedimentos. Manacapuru Solimões 101.060 Com base na quantidade de sedimentos em suspensão, Itacoatiara Amazonas 161.847 no grau de acidez de suas águas e no volume de matéria Fonte: CPRM (2009). orgânica dissolvida, os rios da Amazônia podem ser dividi- dos em três categorias: de águas brancas, pretas e claras. Tabela 4.4 - Disponibilidade hídrica no Brasil. No estado do Amazonas, os afluentes com nascentes an- dinas transportam grandes quantidades de sedimentos e são conhecidos como rios de águas brancas ou barrentas Vazão Média Vazão Produção Área de de Longo Específica de (rios Solimões e Madeira). Tributários com grande volume Hídrica Drenagem Período Longo Período de descarga líquida e reduzida carga de sedimentos em (km2) (m3/s) (l/s/km2) suspensão, como o rio Negro, com nascentes no Escudo Bacia 6.112.000 209.000 34,2 das Guianas, onde as taxas de erosão são diminutas, são Amazônica total chamados de rios de águas pretas. No rio Negro, a con- Bacias brasileiras 8.512.000 182.170 21,4 centração média anual de sedimentos em suspensão é de 21 mg/l na estação Cucuí e 12 mg/l no posto Serrinha, Fonte: ANEEL (1997). enquanto no rio Solimões é de 358 mg/l em São Paulo de Medição Sólida Olivença (ELETROBRÁS/IPH, 1992). As medições sólidas são realizadas para conhecer a quan- Medição de Qualidade da Água tidade de sedimentos em suspensão transportados pelos rios, proporcionando dados para os estudos de aproveitamento A rede hidrometeorológica de qualidade da água do hidráulico (barragens, hidrovias, etc.), visando à avaliação do estado do Amazonas é composta por 29 estações que comprometimento do investimento em termos de assorea- permitem a realização de 116 medições/ano, monitorando mento dos cursos d’água ou de reservatórios (ANEEL, 1997). dados relativos aos parâmetros de pH, oxigênio dissolvido, No estado do Amazonas são realizadas, anualmente, 184 medições sólidas, também conhecidas como medições sedimentométri- cas, que coletam amostras de águas dos rios em recipiente removível alojado no corpo dos amostradores (Figura 4.15). As amostras assim coletadas são enviadas para o laboratório de sedimentometria, que determina a quantidade dos sedimentos em suspensão. Segundo Carvalho e Cunha (1998), os fatores que influenciam o estoque de sedimen- tos nas águas do baixo curso do rio Amazonas estão associados às condições naturais e às ati- vidades antrópicas desenvolvidas a montante. As características naturais que participam da erosão potencial, contribuindo para o volume da carga sólida, incluem a topografia, geologia, Figura 4.15 - Amostrador de sedimentos em suspensão. geomorfologia, solo e clima. Fonte: CPRM (2010). 54 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS condutividade elétrica e temperatura, que são medidos in loco. É um trabalho de fundamental importância, pois esses parâmetros, além de indicarem a viabilidade da vida aquática, per- mitem estimar o grau de poluição por matéria orgânica e o nível de autodepuração dos rios (ANEEL, 1997). Tal monitoramento fornece subsídios para o gerenciamento nas tomadas de decisão quanto à contaminação dos corpos d’água, incluindo-se a questão dos garimpos no interior do estado e a poluição por esgotos, indústrias, fossas residenciais, etc., nos rios e igarapés que cortam zonas urbanas. Cabe destacar a impor- tância de o Brasil realizar um monitoramento de qualidade das águas em áreas transfronteiriças, de modo a avaliar se as águas vindas de outros países estão contaminadas, principalmente nas regiões envolvidas com o narcotráfico, evitando Figura 4.16 - Vista parcial do encontro das águas escuras do rio Negro com as que sua população seja prejudicada por proble- águas barrentas do rio Solimões.Fonte: CPRM (2009). mas oriundos de águas internacionais. Por meio de monitoramentos mais específicos de Levantamento de Seção Transversal qualidade das águas, foi possível estabelecer as causas da diferença entre as cores escuras e claras existente nos Os levantamentos de seção permitem conhecer a rios da região (Figura 4.16). Segundo ANEEL (1997), a cor seção transversal do curso d’água onde são realizadas as escura das águas do rio Negro decorre da forte dissolução medições líquidas, que geralmente são feitas junto às réguas de substâncias húmicas coloidais que provêm do manto de fluviométricas. Essas seções são definidas com estacas de matéria orgânica em decomposição fornecida pela vege- madeira de ponto inicial e ponto final. tação florestal que se desenvolve nas áreas inundáveis de O conhecimento da seção transversal dos rios na Ama- suas margens, bem como dos espodossolos das campinas zônia é fundamental para a navegação fluvial, tanto no esco- e campinaranas de suas cabeceiras. amento da produção como no deslocamento humano, visto Portanto, em termos qualitativos e em escala regio- os rios serem as principais vias de transporte na região. Devido nal, as águas amazônicas podem ser divididas, de forma aos custos elevados, é difícil a construção de pontes como a resumida, por sua coloração, tendo ainda alguns outros que está sendo erguida sobre o rio Negro em Manaus, com fatores associados, como as áreas-fonte, as características mais de 3,5 km de comprimento, fazendo do transporte morfoestruturais e físico-químicas, como também algu- hidroviário o caminho mais viável para o desenvolvimento mas especificidades das áreas drenadas pelos grandes rios da região. Grande parte dos rios que banham o estado do (Tabela 4.5). Amazonas é navegável, como os rios Amazonas, Solimões, Segundo Seyler e Boaventura (2003), em escala re- Negro, Madeira, Purus e Juruá, que se constituem em vias gional, os maiores rios da Bacia Amazônica estão livres naturais de transporte (Tabela 4.6). Em relação ao rio Negro, de contaminações oriundas de fontes antrópicas, sejam cabe salientar que, devido à existência de corredeiras na cida- domésticas, industriais ou agrícolas. Isso graças à conside- de de São Gabriel da Cachoeira, não é possível a navegação rável magnitude dos volumes de água do rio Amazonas e em todo o seu curso – partindo de Manaus, o deslocamento de seus maiores tributários, que proporciona grande poder é possível até a localidade de Camanaus, poucos quilômetros de diluição dos eventuais contaminantes. a jusante de São Gabriel da Cachoeira. Tabela 4.5 - Tipologia das águas amazônicas e algumas de suas características de diferenciação em estado natural. Tipo de Água Rio Origem das Águas pH Carga de MES* (mg/l) Branca Solimões, Madeira, Juruá e Purus Andina e subandina 6,5 a 7,0 >100 Clara Xingu, Tapajós e Trombetas Escudos 5,0 a 6,0 <100 Preta Negro, Uatumã e Urubu Escudos, em solos arenosos 4,0 a 5,5 <20 Fonte: Filizola (1999); Meade (1985); Schmidt (1972); Sioli (1967, 1975). *MES: Material em suspensão. 55 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Tabela 4.6 - Principais rios navegáveis da bacia Amazônica. Rio Profundidade Trajeto Extensão (Hidrovia) (m) (90%/ano) (km) Belém/Macapá- Amazonas > 2,10 3108 Tabatinga/AM Foz (Rio Amazonas)- Madeira > 2,10 1048 -Porto Velho (RO) Foz (Rio Amazonas)- Negro > 2,10 1015 -Camanaus/AM Foz (Rio Amazonas)- Juruá > 2,10m 1650 -Eirunepé/AM Foz (Rio Amazonas)- Japurá 1,31 a 2,10 748 -Vila Bitencourt/AM Foz (Rio Amazonas)- Purus 0,80 a 1,30m 2188 -Boca do Acre/AM Eirunepé-Cruzeiro Juruá 0,80 a 1,30 814 do Sul/AC Foz (Rio Negro)- Branco 0,80 a 1,30 420 -Caracaraí/RR Fonte: Brasil (1978). COTAGRAMAS DAS CHEIAS E VAZANTES MÁXIMAS NOS PRINCIPAIS RIOS DO ESTADO DO AMAZONAS (SEGUNDO CPRM/SGB). 56 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS REFERÊNCIAS ANA. Brasil. Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil. Brasília: Agência Nacional de Águas, 2009. 203 p. ANEEL. Brasil. Série de estudos e informações hidro- lógicas e energéticas: Águas. Brasília: Agência Nacional de Energia Elétrica, 1997. AGUIAR, A. Gestão de recursos naturais. Manaus: Instituto de Tecnologia da Amazônia, 1999. p. 1-15. BRASIL. Ministério de Meio Ambiente. Secretaria de Recursos Hídricos. Caderno da região hidrográfica amazônica. Brasília: MMA, 2006. 124 p. BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Mapa de dispo- nibilidade hídrica do Brasil. Brasília: MME/SNE/DNAEE/ CGRH, 1994. BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Mapa das isoie- tas médias anuais do Brasil. Brasília: MME, 1993. BRASIL. Ministério dos Transportes. Rede hidroviária brasileira. Brasília: Ministério dos Transportes, 1978. CARVALHO, N. O.; CUNHA, S. B. 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Porto Alegre: UFRGS, 1997. 58 5 PRINCIPAIS AQUÍFEROS DO ESTADO DO AMAZONAS E QUALIDADE DE SUAS ÁGUAS Carlos José Bezerra de Aguiar (carlos.aguiar@cprm.gov.br) José Luiz Marmos (jose.marmos@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 61 Descrição dos aquíferos e caracterização de suas águas ...................................... 61 Aspectos relevantes do uso .................................................................................. 69 Referências ........................................................................................................... 70 PRINCIPAIS AQUÍFEROS DO ESTADO DO AMAZONAS INTRODUÇÃO DESCRIÇÃO DOS AQUÍFEROS E CARACTERIZAÇÃO DE SUAS ÁGUAS As águas subterrâneas do estado do Amazonas, de modo geral, são de boa qualidade, pouco mineralizadas O território amazonense pode ser dividido, segundo e ligeiramente ácidas. Apesar da densa rede de drenagem suas afinidades hidrogeológicas, em sete grandes domínios superficial, com inúmeros rios de vazões expressivas, cerca hidrogeológicos (Figura 5.1): de 80% das 62 cidades amazonenses são abastecidas - Formações Cenozoicas (aquíferos porosos, com os exclusivamente por águas subterrâneas, devido ao baixo subdomínios aluviões, formações indiferenciadas, Içá e custo de produção. As águas subterrâneas, mais prote- Solimões). gidas de contaminações, são captadas no próprio local e - Bacias Sedimentares (aquíferos porosos, com os não necessitam de tratamento prévio, apenas da adição subdomínios Bacia do Acre, Bacia do Alto Tapajós e Bacia de cloro para eliminação dos coliformes eventualmente do Amazonas). presentes. - Poroso/Fissural (aquífero misto, com rochas sedimen- Os principais aquíferos explotados para abastecimento tares muito cimentadas e compactadas). público no estado do Amazonas são Içá, Alter do Chão e os - Rochas metassedimentares/metavulcânicas (aquífero relacionados às coberturas aluvionares recentes e antigas. fissural). Apesar de estarem assentadas sobre os aquíferos Içá ou Alter - Rochas vulcânicas (aquífero fissural). do Chão, algumas cidades, como Manaus, Manacapuru, Lá- - Rochas cristalinas (aquífero fissural). brea e Coari, possuem um sistema de abastecimento misto, - Rochas carbonáticas e metacarbonáticas (aquífero com captação também de águas superficiais, as quais são fissural). tratadas em estações de tratamento de águas (ETA) antes de As águas subterrâneas do estado do Amazonas ocor- sua distribuição final à população. Já as cidades do extremo rem em quantidades apreciáveis; entretanto, ainda não se oeste, como Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do tem pleno conhecimento de sua magnitude. A título de Norte, situadas sobre os sedimentos da Formação Solimões, ilustração, o maior reservatório de água subterrânea do de caráter essencialmente argiloso a síltico-argiloso, inade- estado, o Aquífero Alter do Chão, no subdomínio Bacia do quados para a perfuração de poços tubulares quando se visa Amazonas, armazena algo em torno de 12 km3 apenas sob à produção de água em grandes volumes, são abastecidas a cidade de Manaus (CPRM, 2002). exclusivamente a partir de captação superficial com posterior Os principais aquíferos explotados no Amazonas, seja tratamento das águas em ETAs. para abastecimento público ou particular, são: Içá, nas Figura 5.1 - Mapa de domínios hidrogeológicos do estado do Amazonas. Fonte: CPRM (2007a). 61 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS porções central, sul e centro-ocidental do estado; Alter do da Colômbia. No estado do Amazonas, aflora na porção Chão, na porção oriental; e os relacionados às coberturas oriental, até a margem direita do baixo rio Negro, com aluvionares (depósitos recentes e terraços fluviais), em locais uma largura aproximada de 380 km; nas porções central e diversos. Ademais, podem ser citados: Aquífero Trombetas ocidental (Bacia do Solimões), encontra-se recoberto pelas (subdomínio Bacia do Amazonas), explotado somente no formações Solimões e Içá (Figuras 5.2 e 5.3). É a base do município de Presidente Figueiredo; unidade Beneficente sistema público de abastecimento de água das três cidades do Grupo Alto Tapajós (aquífero poroso/fissural), utilizada mais populosas do interior do estado (Parintins, Itacoatiara para abastecimento público na cidade de Apuí; aquífero e Manacapuru) e de mais de uma dezena de cidades me- fissural em rochas cristalinas na cidade de São Gabriel da nores, além de complementar o abastecimento nos bairros Cachoeira, explotado em conjunto com águas provenientes periféricos de Manaus (Figura 5.4). De acordo com estudos do manto de intemperismo (Figuras 5.1 e 5.2). realizados pela CPRM/SGB em diversos locais (CPRM, 2005b, O Aquífero Alter do Chão representa o principal 2006a, 2008a, 2008b, 2008c), as águas do Aquífero Alter reservatório da Região Amazônica, ocorrendo das proxi- do Chão, quando não contaminadas, são de boa qualidade, midades de Belém (Pará) até o extremo oeste do Amazo- ligeiramente ácidas, com pH variando de 4,3 a 5,5, pouco nas, estendendo-se para as repúblicas vizinhas do Peru e salinizadas, com sólidos totais dissolvidos (STD) de no má- Figura 5.2 - Mapa geológico simplificado do estado do Amazonas. Fonte: Adaptado de CPRM (2005a). 62 PRINCIPAIS AQUÍFEROS DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 5.3 - Seção geológica esquemática da bacia do Solimões, onde se observa a extensão do aquífero Alter do Chão. Fonte: Adaptado de Eiras et al. (1994). Figura 5.4 - À esquerda, perfuração de poço tubular no aquífero Alter do Chão, nas proximidades da cidade de Manaus; à direita, amostragem em poço de abastecimento público perfurado no aquífero Içá, na cidade de Amaturá, região do alto rio Solimões. ximo 30 mg/L, sendo caracterizadas, quimicamente, como O Aquífero Içá ocupa a maior extensão superficial do águas sódicas, preferencialmente sulfatadas a cloretadas estado do Amazonas, indo, no sentido norte-sul, desde (Tabela 5.1; Figura 5.5). a margem esquerda do médio curso do rio Negro até a Na cidade de Manaus, comumente os poços pro- fronteira com Rondônia e, no sentido este-oeste, desde a fundos no Alter do Chão apresentam vazões superiores a margem direita do baixo rio Madeira até aproximadamente 100 m3/h; a capacidade específica média é de 2 m3/h.m o meridiano 690 (Figuras 5.1 e 5.2). Possui uma espessura e a transmissividade de 4,7 m3/h.m. A espessura média máxima de 130 m de sedimentos arenosos, com intercala- da formação está em torno de 200 m e a profundidade ções argilosas, na região do médio rio Solimões, entre os das águas em 26 m (CPRM, 2002), o que configura uma municípios de Tefé e Coari, incluindo a Província Petrolífera espessa zona não-saturada, fundamental para proteção do de Urucu, sobrepondo-se à Formação Solimões (Figura 5.6). aquífero a eventuais contaminações. Todavia, em Manaus Os poços perfurados nesse aquífero normalmente possuem há locais em que o nível freático do aquífero vem sendo boas vazões, por vezes superando 80 m3/h, e representam a rebaixado continuamente, em razão de uma explotação fonte do sistema público de abastecimento de água de 50% descontrolada. Tal rebaixamento ocorre não por falta de das cidades amazonenses, principalmente nas calhas dos água, mas devido à baixa capacidade de recuperação do rios Solimões, Madeira e Purus. Estudos desenvolvidos pela aquífero, o que, entre outras situações, pode provocar o CPRM/SGB em várias dessas cidades (CPRM, 2006b, 2008d, espalhamento de contaminantes, como observado no bairro 2009) indicam que as águas do Aquífero Içá geralmente de Educandos, zona sul da cidade, decorrente de infiltração são de boa qualidade e apresentam características químicas induzida (AGUIAR, 2003). semelhantes às águas do Aquífero Alter do Chão: possuem 63 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS 64 Tabela 6.1 - Resultados de análises físico-químicas em águas de poços de abastecimento público de diversas cidades, não contaminados, perfurados nos principais aquíferos que ocorrem no estado do Amazonas. Aquífero/Cidade Prof. do - pH CE Alcalinidade Cl SO -2 4 NO - 3 Na K Ca Mg Fe Mn Poço (m) (µS/cm) (mgHCO3-/L) (mg/L) (mg/L) (mg/L) (mg/L) (mg/L) (mg/L) (mg/L) (mg/L) (mg/L) Alter do Chão/Manaus 60 4,5 14,0 < 0,02 0,60 2,00 0,12 0,53 0,21 0,03 0,02 0,01 0,01 Alter do Chão/Parintins 80 4,3 26,4 < 0,02 1,26 < 1,0 0,66 0,21 0,20 < 0,02 0,06 < 0,01 0,01 Alter do Chão/Rio Preto da Eva 150 4,4 14,0 < 0,02 1,60 2,19 0,14 1,02 0,39 < 0,02 0,10 0,10 < 0,01 Alter do Chão/Silves 110 5,6 43,9 14,0 1,98 1,56 0,71 1,40 6,24 0,80 2,04 0,10 NA Içá/Barcelos 40 5,0 28,4 3,7 1,64 2,43 0,69 2,41 2,31 < 0,02 0,68 0,10 NA Içá/Tefé 60 5,8 41,0 19,5 0,27 2,01 0,07 3,33 3,68 0,80 1,01 1,04 0,05 Içá/Santo Antônio do Içá 36 4,4 19,0 1,2 0,19 0,10 1,25 0,22 0,04 0,02 0,02 0,01 < 0,01 Içá/Fonte Boa 60 4,8 23,6 5,5 1,80 1,90 0,11 1,75 3,01 0,13 0,17 0,02 0,02 Alter do Chão e Nova Olinda/Manacapuru 220 6,8 319,0 117,1 6,19 11,62 0,09 3,59 20,26 24,35 10,87 0,03 0,17 Trombetas/Presidente Figueiredo Fonte 4,4 17,2 < 0,02 1,33 1,43 0,14 0,83 0,10 < 0,02 < 0,02 0,10 NA Terraços Fluviais/Tabatinga 30 5,2 22,6 7,3 0,60 1,50 0,54 1,46 1,91 0,26 0,78 0,03 0,02 Depósitos Aluvionares/Anamã 50 6,4 286,0 139,1 5,40 6,20 0,06 26,40 2,70 18,60 10,20 2,12 0,26 Dep. Aluvionares/Zona rural de Manacapuru 45 6,6 455,0 131,8 2,55 1,20 0,02 38,26 5,01 22,10 16,48 10,31 0,95 Fissural (Granitos)/S. Gabriel da Cachoeira 80 6,2 160,0 78,1 0,48 2,59 0,58 8,97 6,17 18,72 2,24 0,13 NA Fissural (Granitos)/S. Gabriel da Cachoeira 80 6,0 122,3 30,5 5,20 2,51 4,75 10,31 2,16 9,60 1,17 0,10 NA Solimões/Benjamin Constant* 36 7,7 490,0 411,1 4,25 29,28 0,18 81,84 2,04 16,20 4,43 0,01 0,02 * Poço particular, pois não há poços de abastecimento público que explore a Formção Solimões CE = Condutividade Elétrica; NA = Não analisado. PRINCIPAIS AQUÍFEROS DO ESTADO DO AMAZONAS pH oscilando de 4,5 a 5,8, quantidade reduzi- da de STD e são do tipo sódicas, variando de sulfatadas/cloretadas a bicarbonatadas (Tabela 5.1; Figura 5.5). Porém, diferentemente do Alter do Chão, o Aquífero Içá apresenta alguns níveis enriquecidos em ferro e/ou manganês, os quais, quando explotados, podem com- prometer a qualidade das águas, tornando-as naturalmente contaminadas nesses metais, impróprias para consumo humano (Tabela 5.1, poço de Tefé). Nesse sentido, destaca-se a cidade de Amaturá, no alto Solimões, onde, no ano de 2009, dos quatro poços de abas- tecimento público em atividade (Figura 5.4), três mostravam-se contaminados por ferro e manganês (CPRM, 2009). O terceiro sistema aquífero mais impor- tante do estado, responsável pelo abastecimen- to público de uma dezena de sedes municipais Figura 5.5 - Diagrama de Piper para águas de poços de abastecimento público e de inúmeras comunidades rurais, é aquele perfurados em diversas cidades amazonenses nos aquíferos Alter do Chão relacionado às coberturas aluvionares forma- (em preto) e Içá (em vermelho) e de fonte natural no aquífero Trombetas, das ao longo das margens dos grandes rios na cidade de Presidente Figueiredo (em amarelo). Figura 5.6 - Parte superior de perfil de sondagem executada na região de Urucu para exploração de petróleo, onde foram detectados os sedimentos arenosos da formação Içá sobre argilitos e siltitos da formação Solimões. 65 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS amazônicos, por vezes com larguras superiores a 30 km Figueiredo é feito a partir de uma fonte natural (Fonte Santa (Figuras 5.1 e 5.2). Essa unidade aquífera, que normalmente Cláudia), com vazão de mais de 300 m3/h, existente na For- apresenta espessura máxima de 40 m e vazões em torno mação Nhamundá do Grupo Trombetas. Análises químicas de 10 a 15 m3/h, pode ser dividida em dois tipos: depósitos realizadas nas águas produzidas por essa fonte revelaram aluvionares recentes, que abastecem cidades como Anamã, que, apesar do pH baixo, elas são de excelente qualidade, Anori e Ipixuna, e terraços fluviais antigos, explotados em similares às do Aquífero Alter do Chão e classificadas como cidades como Boca do Acre, Humaitá e Eirunepé. sulfatadas/cloretadas sódicas (Tabela 5.1; Figura 5.5). Ao Os depósitos aluvionares são os aquíferos mais vulne- longo da rodovia estadual AM-240, que liga a BR-174 à ráveis às contaminações químicas e microbiológicas, pois Usina Hidrelétrica de Balbina, na zona rural de Presidente o nível d’água é subaflorante na maior parte do ano e os Figueiredo, o Aquífero Trombetas é explotado por meio de poços perfurados sobre eles muitas vezes são inundados poços escavados, com profundidades em torno de 20 m, durante as grandes cheias fluviais, como ocorreu em Anamã que produzem águas de boa qualidade. no ano de 2009. Estudos realizados pela CPRM/SGB nessa No que diz respeito às demais unidades da Bacia cidade (CPRM, 2007b) e em comunidades rurais do muni- Sedimentar do Amazonas, que afloram de forma restrita cípio de Manacapuru (Figura 5.7), situadas na planície fluvial do rio Solimões (CPRM, 2006b), indicam que as águas desse tipo de aquífero normalmente não são de boa qualidade para consumo humano. Apesar de o pH próximo ao neutro, variando de 6,0 a 7,0, o conteúdo de STD é algo elevado, em torno de 300 a 500 mg/L, resultado das concentrações de bicarbo- nato, cálcio, sódio e magnésio, caracterizando águas duras, por vezes salobras; além disso, ferro e manganês muitas vezes ocorrem em concentrações excessivas, como contaminações naturais (Tabela 5.1). As águas produzidas por poços perfurados nos depósitos aluvionares são geralmente do tipo bicarbonatadas cálcico- -magnesianas (Figura 5.8). Já os terraços fluviais, por estarem situ- ados em um nível topográfico mais elevado que os depósitos aluvionares atuais, acima das cheias periódicas e com o lençol freático mais rebaixado, apresentam menor vulnerabilidade à contaminação dos aquíferos. Suas águas são de boa qualidade química, como constatado em poços perfurados na zona periurbana de Tabatinga para atender a uma populosa co- munidade indígena. São águas semelhantes às produzidas pelo Aquífero Içá, com pH algo ácido e baixíssimo conteúdo de STD, sendo classificadas como bicarbonatadas sódicas (Tabela 5.1; Figura 5.8). Para as unidades geológicas predominan- temente arenosas que afloram na borda norte da Bacia Sedimentar do Amazonas, em estreita faixa E-W com 20 a 30 km de largura, ou seja, o Grupo Trombetas e a Formação Prosperança, é de se esperar que constituam um sistema aquífero único e armazenem água de boa qualidade, não se descartando a sua utilização de forma expressiva em futuro próximo. Sob Figura 5.7 - Acima, poço público em comunidade rural do município de Manacapuru (comunidade Arapapá) situada em depósito aluvionar do rio a cidade de Manaus, esse sistema ocorre a Solimões; abaixo, amostragem em poço profundo da cidade de Manacapuru, aproximadamente 1.500 m de profundidade. O no qual as águas do aquífero Alter do Chão estão sob influência de águas mais abastecimento público da cidade de Presidente profundas, enriquecidas principalmente ao atravessar a formação Nova Olinda. 66 PRINCIPAIS AQUÍFEROS DO ESTADO DO AMAZONAS nas bordas norte e sul e possuem pouca importância máxima de 20 m. A água produzida é do tipo bicarbonatada com relação à sua utilização como aquíferos, a Forma- cálcico-magnesiana (Figura 5.8), com pH entre 5,5 e 6,5 e ção Nova Olinda, sotoposta à Formação Alter do Chão STD entre 80 e 120 mg/L (Tabela 5.1). e constituída essencialmente por calcários e evaporitos, Por último, deve-se citar o Aquífero Solimões, aflorante merece alguns comentários. Na presença de falhas pro- no extremo oeste-sudoeste do estado, caracterizado por fundas, tal formação pode interferir, indiretamente, na vazões baixas (<10 m3/h), devido à sua constituição predo- qualidade das águas do Aquífero Alter do Chão. Um minantemente argilosa, e pela baixa qualidade natural de exemplo disso é a cidade de Manacapuru, onde alguns suas águas, em função das altas concentrações de sódio, poços públicos, com pouco mais de 200 m de profundi- sulfato, cálcio e bicarbonatos, associadas à existência de dade produzem “águas duras”, com teores elevados de intercalações de níveis de calcário, gipsita e presença de sais bicarbonatos, cálcio e magnésio (Tabela 5.1). Assim, é bem de sódio. Desse modo, o Aquífero Solimões normalmente é provável que as águas do Aquífero Alter do Chão, nesses inadequado para a perfuração de poços tubulares quando poços, estejam sob influência de águas mais profundas se visa à produção de água para abastecimento público, (Sistema Aquífero Prosperança-Trombetas), enriquecidas não sendo utilizado para tal fim em nenhuma cidade ama- principalmente ao atravessarem a Formação Nova Olinda zonense. Nas sedes municipais de Tabatinga e Benjamin (CPRM, 2006b) (Figura 5.7). O resultado, portanto, são Constant, foram perfurados alguns poços particulares, cujas águas com pH próximo ao neutro, entre 6,8 e 7,8, e STD águas se prestam para fins secundários, como lavagens. A entre 200 e 400 mg/L, classificadas como bicarbonatadas Tabela 5.1 apresenta a análise química das águas de um cálcico-magnesianas, de caráter químico similar às águas desses poços (CPRM, 2009), classificada como salobra e provenientes dos depósitos aluvionares, porém com menos bicarbonatada sódica (Figura 5.8). No entanto, em alguns sódio e mais potássio (Figura 5.8). locais, o Aquífero Solimões encerra lentes e camadas de A Bacia Sedimentar do Alto Tapajós, que ocorre no ex- arenito de granulometria fina a muito fina. Esses corpos tremo sudeste do estado do Amazonas, constituída por are- arenosos são de reduzidas dimensões, mas, ocasionalmente, nitos, siltitos, conglomerados argilitos, folhelhos e calcários, podem alcançar dezenas de metros de espessura, como tem na Unidade Beneficente quase a única opção aquífera no município de Boca do Acre, e alguns quilômetros de da região (Figura 5.2). É por meio de poços perfurados nessa extensão. Sob tais circunstâncias, o Solimões se comporta unidade que se realiza o abastecimento público de águas como um aquífero descontínuo. da cidade de Apuí. Entretanto, devido ao elevado grau de Como os principais aquíferos do estado do Amazonas cimentação e compactação de seus arenitos, a Formação são aflorantes, suas águas não estão protegidas contra Beneficente apresenta baixo potencial hidrogeológico, o eventuais contaminações, em virtude da pequena espessura qual será mais elevado em locais com maior incidência de da zona não-saturada (zona localizada entre a superfície do falhas e fraturas (armazenamento poroso/fissural). terreno e o freático), a qual atua como um filtro natural. Por sua vez, o substrato proterozoico que suporta as unidades sedimentares retromen- cionadas é representado por rochas cristalinas e metamórficas de pouca afinidade hidroge- ológica. Em superfície, a norte da cidade de Presidente Figueiredo, é constituído princi- palmente por rochas vulcânicas e intrusivas ácidas de caráter granítico (SOUZA, 1974). Entretanto, na presença de extensas falhas e fraturas abertas é provável que essas rochas ar- mazenem águas em quantidades significativas, na forma de aquíferos fissurais. Nesse sentido, a cidade de São Gabriel da Cachoeira é a única do estado assentada sobre rochas cristalinas, mais especificamente o Granito Uaupés. O abastecimento público de água nessa cidade é feito principalmente a partir de captação su- perficial no rio Negro; porém, há uma série de poços tubulares que complementam o sistema público. Tais poços possuem profundidade em torno de 80 m, apresentam baixas vazões (< Figura 5.8 - Diagrama de Piper para águas de poços perfurados em terraços 10 m3/h) e explotam águas do aquífero fissu- fluviais (em vermelho), em depósitos aluvionares (em amarelo), em rochas do embasamento (aquífero fissural) de São Gabriel da Cachoeira (em azul), ral em conjunto com águas provenientes do na formação Solimões (em verde) e de um poço que explota o aquífero Alter manto de intemperismo, o qual tem espessura do Chão sob influência de águas mais profundas (em preto). 67 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Uma exceção seria o Aquífero Alter do Chão na região de ção municipal, com o objetivo de avaliar a intensidade e Manaus, que apresenta, em média, uma zona não-saturada a extensão de tal contaminação e buscar soluções para o com mais de 25 m de espessura. Todavia, na zona sul da problema (CPRM, 2005b). cidade, no bairro de Educandos e adjacências, as águas Nesse sentido, Parintins é exemplo clássico de um caso do Alter do Chão apresentam-se contaminadas, com con- crítico de contaminação atenuada a partir de sugestões centrações elevadas de nitrato e amônio, provenientes da apontadas por estudos técnicos consistentes. A maior parte infiltração das águas contaminadas do igarapé do Quarenta, dos poços públicos existentes na cidade, assentada sobre depositário de boa parte dos esgotos domésticos da zona o Aquífero Alter do Chão, eram antigos e pouco profun- urbana da capital (AGUIAR, 2003). De modo geral, as dos, com menos de 50 m, situados em locais impróprios, águas subterrâneas da região se caracterizam por fluxos suscetíveis à contaminação por esgotos domésticos (Figura ascendentes, em direções aos rios e igarapés, porém, de- 5.9). Assim, após a avaliação dos resultados das análises vido à acentuada explotação do aquífero nessa localidade, químicas das amostras coletadas, verificou-se que, dos 18 superior à sua cidade de recuperação, o que provoca um poços públicos, 15 apresentavam águas contaminadas expressivo rebaixamento do nível freático, as águas conta- por nitrato, alumínio e/ou amônio. Foi recomendada a minadas do citado igarapé estão se infiltrando e se espalhando, segundo as direções naturais de fluxo subterrâneo. Já que a maioria dos municípios do estado se enquadra nesse modelo e tendo em vista a pequena espessura da zona não-saturada dos aquíferos, associada ao número crescente de fossas residenciais, postos de combustíveis, ce- mitérios, lixões e outras fontes potencialmente contaminantes existentes nas zonas urbanas, o quadro descrito tende a se disseminar para algumas cidades do interior. Nesse contexto, é importante mencionar que a CPRM/SGB vem desenvolvendo estudos técnicos sobre águas subterrâneas desde a década de 1970. A importância do tema levou a instituição, no ano de 1997, à criação do Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS), um banco de dados de âmbito na- cional. Nos estados do Amazonas e Roraima, o SIAGAS conta atualmente com cerca de 5.500 poços cadastrados. Para a área urbana de Ma- naus, encontram-se no cadastro 1.800 poços, de um total estimado de 15.000. Em paralelo ao SIAGAS, a CPRM/SGB criou, em 2003, em conjunto com outras instituições públicas, o Programa Nacional de Pesquisa em Geoquímica Ambiental e Geologia Médica (PGAGEM), o qual, dentre outros objetivos, visa à detecção, por meio de análises físico-químicas de amostras de água superficial e subterrânea e de sedimentos fluviais em todo o território nacional, eventuais casos de contaminação química, natural ou antrópica que possam desencadear problemas de saúde pública. Foi, por exemplo, a partir de uma campanha de amostragem para o PGAGEM que se revelou a contaminação por nitrato, amônio e alumínio nas águas dos poços de abastecimento público na cidade de Parintins, a qual deu origem a Figura 5.9 - Acima, terreno onde estão situados vários poços rasos do sistema de abastecimento público de água de Parintins, ladeado por canais naturais, não um projeto de detalhamento, desenvolvido impermeabilizados, de esgotos domésticos; abaixo, amostragem em poço de pela CPRM/SGB e financiado pela administra- monitoramento na borda norte do aterro sanitário de Manaus (ASM). 68 PRINCIPAIS AQUÍFEROS DO ESTADO DO AMAZONAS desativação imediata dos poços com as concentrações mais 2006a) (Figura 5.9). Tal fato é devido a uma hidrodinâmica elevadas de contaminantes, a desativação gradual daqueles subterrânea concentrativa no local, em direção ao igarapé com intensidade menor de contaminação e a perfuração do Matrinxã, situado na porção leste do aterro, cujas águas de novos poços, com profundidade mínima de 120 m e recebem toda a carga de contaminantes. Assim, como em locais adequados, sem qualquer tipo de elementos quase todos os poços existentes na área de estudo estão potencialmente contaminantes em um raio de pelo menos situados a montante do fluxo subterrâneo (com relação ao 100 m (MARMOS e AGUIAR, 2006). aterro sanitário), suas águas estão isentas de contaminação Por motivos diversos, é grande a quantidade de poços por chorume (Figura 5.10). perfurados no Amazonas em locais inadequados, muito próximos a fontes contaminantes. Todavia, é importante ASPECTOS RELEVANTES DO USO mencionar que a deterioração das águas de um poço pode não ocorrer mesmo nas adjacências de locais efetivamente O potencial hidrogeológico do estado do Amazonas contaminados, como no entorno do Aterro Sanitário de é bastante expressivo e os principais aquíferos explotados Manaus (ASM). No ano de 2006, a CPRM/SGB avaliou a produzem, normalmente, águas de boa qualidade, pouco eventual contaminação do Aquífero Alter do Chão pelo mineralizadas (STD inferior a 30mg/L) e ligeiramente ácidas chorume gerado por aquele aterro e os resultados encon- (pH de 4,3 a 5,8). A Formação Alter do Chão, a unidade trados foram surpreendentes: apenas dois poços no entorno aquífera mais importante da região, é aflorante na por- do aterro revelaram águas contaminadas por chorume; os ção oriental do estado; nas porções central e ocidental, demais, apesar de suas pequenas profundidades, inferiores essa unidade ocorre em profundidades superiores a 200 a 50 m, apresentaram águas de boa qualidade (CPRM, m, protegida, de forma mais expressiva, contra possíveis MAPA PIEZOMÉTRICO E DE DIREÇÕES DE FLUXO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS DO ASM Figura 5.10 - Mapa piezométrico e de direções de fluxo das águas subterrâneas no entorno do aterro sanitário de Manaus (ASM). 69 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS contaminações. Portanto, a exemplo do Sistema Aquífero CPRM. Avaliação da qualidade físico-química das Prosperança-Trombetas, as águas profundas do Alter do águas de abastecimento público da cidade de Bar- Chão podem ser consideradas como reservas estratégicas celos (AM). Manaus: CPRM, 2008d. [Relatório interno]. para o Amazonas. A explotação dos recursos hídricos subterrâneos do CPRM. Mapa de domínios e subdomínios estado já é uma realidade que se impõe. Desse modo, hidrogeológicos do estado do Amazonas. Manaus: recomenda-se aos órgãos ambientais competentes atenção CPRM, 2007a. especial para a qualidade das águas subterrâneas da região. Nesse sentido, é fundamental o monitoramento frequente CPRM. Avaliação técnica do sistema público de de poços considerados representativos, principalmente abastecimento de água da cidade de Anamã (AM). com relação aos compostos nitrogenados e presença de Manaus: CPRM, 2007b. [Relatório interno]. coliformes, acompanhado da prestação de esclarecimentos aos gestores dos sistemas de abastecimento público, e à CPRM. Diagnóstico e avaliação da contaminação população em geral, no que diz respeito à importância da dos recursos hídricos na área do entorno do aterro proteção do entorno dos poços contra a instalação de fontes sanitário de Manaus (AM). Manaus: CPRM, 2006a. potenciais de contaminação, como fossas, lixões, postos de combustível, cemitérios, indústrias etc. CPRM. Projeto dinâmica fluvial do rio Solimões: hi- drogeologia e hidrogeoquímica. Manaus: CPRM, 2006b. REFERÊNCIAS [Relatório de viagem]. AGUIAR, C. J. B. A vulnerabilidade do aquífero Alter CPRM. Mapa geológico do estado do Amazonas: do Chão na cidade de Manaus: um caso de contami- 1:1.000.000. Manaus: CPRM, 2005a. CD-ROM. nação por amônia e nitrato. Manaus: UFAM. 2003. CPRM. Avaliação da qualidade das águas subterrâ- CPRM. Avaliação das águas de abastecimento pú- neas da cidade de Parintins: relatório interno. Ma- blico, da destinação dos resíduos sólidos, das áreas naus: CPRM, 2005b. de risco geológico e dos insumos minerais para construção civil nas sedes dos municípios situados CPRM. Carta hidrogeológica da cidade de Manaus. na região do alto Solimões (AM). Manaus: CPRM, Manaus: CPRM, 2002. 2009. EIRAS, J. F. et al. Bacia do Solimões. In: Boletim de CPRM. Avaliação da qualidade físico-química das Geociências da Petrobras, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. águas de abastecimento público da cidade de 17-45, 1994. Itacoatiara (AM). Manaus: CPRM, 2008a. [Relatório interno]. MARMOS, J. L.; AGUIAR, C. J. B. Avaliação do nível de contaminação do aquífero da cidade de Parintins (AM). CPRM. Avaliação da qualidade físico-química das In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 9., 2006, águas de abastecimento público da cidade de Rio Belém. Anais... Belém: SBG/Núcleo Norte, 2006. CD- Preto da Eva (AM). Manaus: CPRM, 2008b. [Relatório -ROM. interno]. SOUZA, M. M. Perfil geológico da BR-174 (Manaus-Boa CPRM. Avaliação da qualidade físico-química das Vista) no trecho Manaus-Serra Abonari. In: CONGRES- águas de abastecimento público da cidade de Sil- SO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 28., 1974, Porto Alegre. ves (AM). Manaus: CPRM, 2008c. [Relatório interno]. Anais... Porto Alegre: SBG, 1974. p. 75-86. 70 6 SOLOS Wenceslau Geraldes Teixeira (wenceslau@cnps.embrapa.br)¹ Warley Arruda (warleyarruda@gmail.com)² Edgar Shinzato (edgar.shinzato@cprm.gov.br)³ Rodrigo Santana Macedo (macedo-rs@hotmail.com)¹ Gilvan Coimbra Martins (gilvan.martins@cpaa.embrapa.br)¹ Hedinaldo Narciso Lima (hedinaldo@ufam.edu.br)4 Tarcísio Ewerton Rodrigues (in memorian)¹ ¹EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ²UEA – Universidade do Estado do Amazonas ³CPRM – Serviço Geológico do Brasil 4UFAM – Universidade Federal do Amazonas SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 73 Características das principais classes de solos que ocorrem no estado do Amazonas ...................................................................................... 77 Argissolos .......................................................................................................... 77 Latossolos ......................................................................................................... 78 Cambissolos ...................................................................................................... 79 Plintossolos ....................................................................................................... 79 Espodossolos..................................................................................................... 80 Gleissolos .......................................................................................................... 80 Neossolos flúvicos ............................................................................................. 81 Neossolos quartzarênicos .................................................................................. 82 Terras pretas de índio ........................................................................................... 83 Referências ........................................................................................................... 83 SOLOS INTRODUÇÃO (CHAUVEL et al., 1987, 1991; LUCAS et al., 1984; RANZANI, 1980). O projeto Radar da Amazônia (RADAMBRASIL) foi o Os trabalhos de Marbut e Manifold (1926) constituem- maior levantamento em nível exploratório de solos do Ama- -se nos primeiros registros sobre as características dos solos zonas. Esses estudos, baseados em mosaicos de imagens de da Amazônia, cujas informações receberam um grande in- radar na escala 1:250.000, bem como em coleta e excursões cremento com os estudos realizados pela equipe do Instituto em pontos remotos da Amazônia, contaram com o apoio de Pesquisa Agronômico do Norte (IPEAN) (RODRIGUES, de equipes experientes e de helicópteros bem equipados. 1995). Convém ressaltar o trabalho de Sombroek (1966), Os resultados foram publicados, sequencialmente, na escala considerado um marco nos estudos das classes de solo na 1:1.000.000. O estado do Amazonas conta com 12 mapas Amazônia, onde são descritos em detalhes, pela primeira de solos exploratórios, dentre eles as folhas Manaus (BRASIL, vez, as Terras Pretas de Índio e os Plintossolos (Figura 6.1). 1978) e Santarém (BRASIL, 1976) (Figuras 6.3 e 6.4). No estado do Amazonas, a equipe de levantamento Em 1981, com a publicação do “Mapa de Solos do de solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Brasil: Escala 1:5.000.000”, pelo Serviço Nacional de Levan- (EMBRAPA) procedeu a levantamentos e mapeamentos tamento e Conservação de Solos da EMBRAPA, tornaram-se em diferentes escalas, principalmente na década de 1980 disponíveis as informações compiladas sobre os solos da (EMBRAPA, 1982, 1983a, 1983b, 1984a, 1984b, 1984c). Amazônia. Tal publicação foi revista e publicada com uma Nessa década também foram realizados levantamentos se- nova legenda em 2001 (IBGE, 2001). O Serviço de Proteção midetalhados nos municípios de Manacapuru (Figura 6.2), da Amazônia (SIPAM), em parceria com o Instituto Brasileiro Parintins, Careiro da Várzea e Barreirinha pela equipe do de Geografia e Estatística (IBGE), organizou uma base de Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC, 1982, 1986a, dados digitais com informações espacializadas dos solos da 1986b, 1986c, 1986d). Amazônia Legal na escala 1.250.000, que foi compilada prin- Ainda na década de 1980, constam as publicações cipalmente das informações colhidas para o referido mapa. de características e estudos de gênese e levantamentos de A Figura 6.5 e a Tabela 6.1 apresentam, respectivamen- solos concentrados principalmente nas cercanias de Manaus te, a distribuição espacial das principais classes de solos do Figura 6.1 - Levantamento da área da rodovia AM-070 (Cacau Pirêra-Manacapuru). Fonte: IPEAN (1970). Nota: Mapa digitalizado e revitalizado por Teixeira et al. (2008). 73 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 6.2 - Levantamento de reconhecimento de solos e aptidão agrícola do município de Manacapuru (AM). Fonte: CETEC (1986a). Nota: Mapa digitalizado e revitalizado por Teixeira et al. (2008). estado do Amazonas e a porcentagem areal das principais águas barrentas (Solimões, Madeira, Purus, Juruá, dentre classes de solos ocorrentes no estado. Tais informações outros). Os Espodossolos, que perfazem mais de 7% da foram compiladas da base digital da Amazônia Legal (IBGE/ área do estado, predominam na área norte do Amazonas, SIPAM), sendo considerada apenas as classes dominantes principalmente nos municípios de São Gabriel da Cachoeira de cada unidade de solo. No entanto, devido à escala e Barcelos. Sobre esses solos predomina uma vegetação cartográfica empregada, as unidades mapeadas foram mais esparsa, denominada “campinas” e “campinaranas” constituídas na legenda original em associações de solos. (Figura 6.6). Os Plintossolos, com 3,5%, são os solos pre- Assim, na referida tabela, apenas os componentes principais dominantes nos campos e cerrados do sul do estado do das unidades de mapeamento foram considerados. Amazonas (Figura 6.7), principalmente nos municípios de Dentre as classes de solo dominantes no estado do Humaitá, Lábrea e Canutama. As demais classes ocorrem Amazonas, os Argissolos compreendem praticamente em menor proporção em relação à área total do estado e 45% da área do estado. Os Latossolos representam 26% das outras classes; entretanto, são as classes dominantes em da área, sendo predominantemente Latossolos Amarelos, algumas regiões, como os Cambissolos na região do Alto cuja ocorrência se concentra próximo à região central do Solimões (COELHO et al., 2005) e na bacia do rio Urucu, estado nas áreas de terra firme. Gleissolos Háplicos e Ne- na Província Petrolífera de Urucu (Coari) (TEIXEIRA et al., ossolos Flúvicos predominam nas planícies de inundações e 2009). Os Neossolos Quartzarênicos predominam nas áreas perfazem 9% dos solos do Amazonas, sendo em sua quase de terra firme na área da Vila Amazônia, no município de totalidade férteis quando ocorrem nas margens dos rios de Parintins (MARTINS et al., 2007; SOUZA et al., 2008). 74 SOLOS Figura 6.3 - Mapa exploratório de solos – Folha SA.20.Manaus (Projeto RADAMBRASIL, escala 1:1.000.000). Fonte: Brasil (1978). Figura 6.4 - Mapa exploratório de solos – Folha SA.21.Santarém (Projeto RADAMBRASIL, escala 1:1.000.000). Fonte: Brasil (1976). 75 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 6.5 - Mapa exploratório de solos do estado do Amazonas. Nota: Compilado da base digital do IBGE/SIPAM. Tabela 6.1 - Área das principais classes de solos dominantes no estado do Amazonas e seu percentual em relação à área total do estado. Unidade Mapeada Classes de Solos Área (km2) Área (%) AR Afloramentos de Rocha + Neossolos Litólicos 934.9 0.06 Urb Áreas Urbanas 188.27 0.01 PA Argissolos Amarelos 703529.21 44.8 PV Argissolos Vermelhos 599.89 0.04 CX Cambissolos Háplicos 21572.55 1.37 AG Corpos d’Água 73403.28 4.67 ES Espodossolos 112142.53 7.14 G Gleissolos + Neossolos Quartzarênicos Hidromórficos 514.33 0.03 GX Gleissolos Háplicos 140879.37 8.97 LA Latossolos Amarelos 285041.75 18.15 LVA Latossolos Vermelho-Amarelos 124614.33 7.93 RY Neossolos Flúvicos 22749.8 1.45 RL Neossolos Litólicos 13966.46 0.89 RQg Neossolos Quartzarênicos Hidromórficos 14087.67 0.9 SX Planossolos Háplicos 1065.84 0.07 FX Plintossolos Háplicos 54502.69 3.47 FF Plintossolos Pétricos 652.81 0.04 Total 1.570.446 100 76 SOLOS argilosa e argilosa/muito argilosa. Devido à ocorrência de textura mais arenosa no horizonte superficial e, muitas ve- zes, uma drenagem restrita no horizonte Bt, os Argissolos são suscetíveis aos processos de erosão hídrica, principal- mente quando ocorre relevo ondulado ou forte ondulado. Nas proximidades e na cidade de Manaus, problemas de erosão nas áreas urbanas e destruição de ruas e estradas normalmente estão relacionados aos Argissolos. As características químicas dos Argissolos são muito variáveis. Nas partes central e oeste do Amazonas são de- senvolvidos a partir de sedimentos dos períodos Cretáceo/ Terciário, sendo predominantemente distróficos (menos de 50% do complexo de troca e cátions são saturados por bases trocáveis) e mesmo álicos (mais de 50% do complexo Figura 6.6 - Vegetação de campinarana típica dos Espodossolos do norte do estado do Amazonas (São Gabriel da Cachoeira, AM). de troca de cátions são saturados pelo íon alumínio). No Amazonas, os Argissolos, em sua maioria, apresentam reação extremamente a moderadamente ácida (Figura 6.8). Na região oeste do estado do Amazonas, muitas das ocorrências de Argissolos apresentam reduzida drenagem interna (EMBRAPA, 1982; TEIXEIRA et al., 2009), que condiciona o aparecimento de um horizonte com caráter plíntico, resultante de processos de oxidação e redução do ferro devido à variação da aeração causada por encharcar- mentos temporários. Figura 6.7 - Vegetação de campos naturais típica dos Plintossolos do sul do estado do Amazonas (Humaitá, AM). CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS CLASSES DE SOLOS QUE OCORREM NO ESTADO DO AMAZONAS Argissolos Essa classe compreende solos minerais, não hidromór- ficos, que apresentam horizonte B textural (Bt) [horizonte mineral subsuperficial com textura franco-arenosa ou mais fina, onde houve incremento de argila; em geral, ou apre- sentam elevado gradiente textural ou há pouca expressão do gradiente, desde que o horizonte B seja bem estruturado e manifeste forte cerosidade na superfície de seus agregados estruturais], com perfis bem desenvolvidos, profundos e me- dianamente profundos, bem a moderadamente drenados. Distinguem se dos Latossolos pela acentuada diferenciação de classe de textura entre os horizontes A e B, sendo os horizontes superficiais mais arenosos que os horizontes subsuperficiais (EMBRAPA, 2006). As classes de textura predominantes nos horizontes A e Bt nas ocorrências registradas no Amazonas são média/ Figura 6.8 - Perfil típico de Argissolo (Rio Preto da Eva, AM). 77 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS No Apêndice III é apresentado o perfil típico de um Na fração argila ocorrem minerais em avançado estágio Argissolo Amarelo no estado do Amazonas. de intemperismo. No estado do Amazonas, predominam A generalização da aptidão agrícola dos Argissolos o mineral de argila (1:1) caulinita e óxidos de ferro (goe- é difícil pela variabilidade de atributos de interesse agro- thita e hematita). A fração areia é dominada por minerais nômico, como: profundidade efetiva, textura binária (por altamente resistentes ao intemperismo, principalmente o exemplo, média/argilosa, argilosa/muito argilosa), fertilida- quartzo (COELHO et al., 2002) e alguns poucos fragmentos de, caráter plíntico e sua ocorrência em diferentes fases de feldspáticos. Os Latossolos que ocorrem no estado do Ama- relevo. Contudo, aqueles que ocorrem em relevo plano e zonas são profundos ou muito profundos, com espessuras suave ondulado, sem limitações de caráter físico, supridas quase sempre superiores a 2 m (BOTSCHEK et al., 1996; as exigências de corretivos e fertilizantes que os cultivos LUCAS et al., 1984; MARQUES et al., 2004). Apresentam, exigirem, são os que apresentam melhores condições ao na Amazônia Central, predomínio da fração argila, sendo uso agrícola intensivo no estado. Em relevo ondulado, são classificados, em sua maioria, como argilosos ou muito normalmente indicados para culturas permanentes, devido argilosos (RODRIGUES et al., 1971, 1974; SHINZATO et al., à elevada suscetibilidade à erosão hídrica. 2005; TEIXEIRA, 2001). Nos horizontes subsuperficiais, as argilas se encontram Latossolos quase que em sua totalidade floculadas. As estruturas do- minantes são na forma de pequena granular (fortemente A classe dos Latossolos compreende solos minerais, desenvolvida) e em blocos subangulares. Quando há pre- não hidromórficos, que apresentam normalmente uma domínio da estrutura granular, o solo adquire aspecto ma- sequência de horizontes A, Bw [horizonte mineral bastante ciço poroso (RODRIGUES, 1995) com poros apresentando intemperizado, evidenciado por completa ou quase com- distribuição de frequência tipicamente bimodal (macro- e pleta ausência (> 4%) de minerais primários facilmente microporos) (TEIXEIRA et al., 2001). São bastante porosos intemperizáveis; apresentam estrutura forte muito pequena (> de 50% de poros) e muito permeáveis. A estrutura ou pequena granular, ou em blocos subangulares, bem microagregada e a distribuição de frequência bimodal dos como textura franco-arenosa ou mais fina e reduzidos poros dos Latossolos Amarelos fazem com que grande parte teores de silte] (latossólico) e C, com pouca diferenciação da água drene facilmente. entre os horizontes Bw e, em geral, com transição entre os Latossolos com textura argilosa e muito argilosa apre- horizontes plana e difusa (Figura 6.9). sentam altas tensões (“solo seco”) e elevada umidade (> 20% em volume). Embora a água que se encontra dentro de microporos esteja revestindo as partículas de argila, ela não é disponível para a maioria das plantas. Os Latossolos são encontrados predominantemente em relevo plano ou suave ondulado, embora ocorram também em relevo movimentado (SHINZATO et al., 2005). O horizonte superficial A é fraco ou moderado quando há predomínio de argila, sendo mais espesso em áreas mais arenosas. Entretanto, essa maior espessura do horizonte A nas áreas mais arenosas não reflete, necessariamente, maior estoque de carbono, dado que esses teores são relativamente baixos nessas camadas. Apresenta em sua condição original a vegetação de floresta primária, com boa a excelente drenagem, mesmo quando a textura for muito argilosa. Na parte da Amazônia Central, próximo a Manaus, em condições naturais de elevada permeabilidade e bem estruturados, são pouco suscetíveis aos processos de erosão hídrica. Os Latossolos no Amazonas apresentam predomi- nantemente caráter distrófico ou álico. Os valores predo- minantes de pH indicam solos de reação extremamente a moderadamente ácidos. Os estudos dos horizontes superficiais dos Latossolos indicam predominância de car- gas superficiais líquidas negativas e, consequentemente, dominância de capacidade de troca de cátions sobre a troca de ânions. Nas camadas inferiores, em algumas localidades são encontrados valores positivos indicando o predomínio Figura 6.9 - Perfil típico de Latossolo Amarelo (Manaus, AM). de cargas positivas nesses solos, caráter denominado ácrico 78 SOLOS (SHINZATO et al., 2005). No estado do Amazonas ocorrem, Na região do rio Urucu (TEIXEIRA et al., 2009), esses solos predominantemente, Latossolos Amarelos; entretanto, há apresentam drenagem interna do perfil muito reduzida. ocorrência, em menor escala, de Latossolos Vermelho- No Apêndice III é apresentado um perfil típico de um -Amarelos e Latossolos Vermelhos. Cambissolo na Amazônia Central. Apresentam baixa fertilidade natural, com teores muito reduzidos de bases trocáveis e fósforo. Possuem Plintossolos relativamente alta saturação de alumínio, tendo, contudo, potencial de uso para a agricultura e a pecuária, face às Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de So- boas propriedades físicas e ao relevo plano e suave ondula- los (EMBRAPA, 2006), os Plintossolos são solos minerais do, o que facilita seu manejo e mecanização. As limitações que apresentam horizonte plíntico [horizonte mineral de decorrentes da baixa fertilidade e acidez elevada os tornam espessura igual ou maior que 15 cm, caracterizado pela exigentes em corretivos e adubos químicos e orgânicos. presença de plintita em quantidade igual ou superior a No Apêndice III são apresentados dados típicos de 15% por volume de solo; a plintita se refere a um material um perfil de Latossolo Amarelo ocorrente no estado do rico em óxidos de ferro, ou de ferro e alumínio, com a pro- Amazonas. priedade de endurecer irreversivelmente (petroplintita), sob efeito de ciclos alternados de umedecimento e secagem], Cambissolos petroplíntico ou litoplíntico (Figura 6.11). A característica mais marcante dessa classe de solos é a presença de man- Essa classe compreende solos minerais não hidromórfi- chas ou mosqueados avermelhados (plintita), geralmente cos, com estágio intermediário de formação se comparados compondo um mosqueado de cores bem contrastantes aos Argissolos ou Latossolos. No Amazonas, são solos ra- (tons de amarelo e vermelho) com a matriz (geralmente sos e imperfeitamente drenados, com reduzida fertilidade esbranquiçada) (SHINZATO et al., 2005). (Figura 6.10). A classe textural é bastante variável, mas na Quando apresentam concreções endurecidas (pe- região oeste do estado do Amazonas são caracterizados troplintita), são denominados Plintossolos Pétricos. As pelos elevados teores de silte. A maioria dos perfis de petroplintitas, localmente denominadas “piçarras”, são Cambissolos descritos no Amazonas é álico, com deficiên- frequentemente utilizadas para revestimento de estradas cia generalizada de nutrientes. São solos ácidos ou muitos vicinais. Os Plintossolos, normalmente, são encontrados em ácidos, com teores baixos a médios de matéria orgânica. áreas deprimidas, planícies aluvionais e terços inferiores de Os teores de fósforo trocável são muito baixos. Quanto à encosta, situações que implicam reduzida drenagem. São sua utilização, depende da forma do relevo onde ocorrem. geralmente imperfeitamente drenados, à exceção dos que Figura 6.10 - Perfil típico de Cambissolo (Coari, AM). Figura 6.11 - Perfil típico de Plintossolo (Humaitá, AM). 79 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS apresentam como petroplínticos, estes, em sua maioria, no estado do Amazonas, são bem drenados. Os Plintossolos Pétricos, geralmente, são encontrados em relevo suave ondulado e ondulado. No estado do Amazonas predominam os caracteres distróficos ou álicos. Na região sul do estado (municípios de Humaitá, Lábrea e Canutama), são os solos predominantes em grandes áreas sob a vegetação de cerrados ou campos (MARTINS et al., 2003; MACEDO e TEIXEIRA, 2009). É interessante frisar que essa fase de vegetação (cerrados ou campos), que ocorre no Brasil Central por uma limitação da água disponível, no Amazonas sua ocorrência é devida ao encharcamento dos Plintossolos nos períodos de maior precipitação. Os Plintossolos, no sul do estado, apesar de ocorrerem em relevo plano e suave ondulado, propícios à mecanização, apresentam limitações devido à reduzida drenagem e baixa fertilidade (EMBRAPA, 1997). Para cultivo de grãos nesses solos com problemas de drenagem, é ne- cessária a implantação de eficientes sistemas de drenos, pois há dificuldade de colheita e perdas causadas pelo excesso da água no solo e falta de aeração (MACEDO e TEIXEIRA, 2009). No Apêndice III é apresentado um perfil típico de um Figura 6.12 - Perfil típico de Espodossolo (Rio Preto da Eva, AM). Plintossolo na Amazônia. locais sofre períodos de estresse por deficiência hídrica nos Espodossolos períodos de estiagem. Possuem sérias restrições ao uso agrícola, condiciona- Os Espodossolos são solos predominantemente are- das pela textura arenosa: fertilidade natural muito baixa, nosos, com acúmulo de matéria orgânica e compostos reduzida capacidade de reter água e nutrientes e, no caso de ferro e/ou alumínio em profundidade (Figura 6.12). do horizonte espódico cimentado (“orstein”), há restrições Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos pelo excesso de água devido à drenagem deficiente do (EMBRAPA, 2006), os Espodossolos são solos constituídos horizonte espódico. por material mineral, apresentando horizonte diagnóstico No Apêndice III é apresentado um perfil típico de um subsuperficial B espódico (Bh) [horizonte mineral subsuper- Espodossolo no estado do Amazonas. ficial que apresenta acumulação iluvial de matéria orgânica e compostos de alumínio, com presença ou não de ferro Gleissolos iluvial; em geral, a estrutura do horizonte B espódico é maciça e pode se apresentar sob forma consolidada e de Compreendem solos hidromórficos, constituídos por consistência extremamente dura; nesse caso, é denomi- material mineral, que apresentam horizonte glei – horizonte nado “orstein”]. mineral subsuperficial ou eventualmente superficial carac- A estrutura é fraca, pequena, granular ou grãos simples terizado por cores neutras ou mosqueadas que refletem a no horizonte A e maciça no horizonte B espódico. No Ama- prevalência de processos de redução, com ou sem segrega- zonas são geralmente profundos, com acentuado contraste ção de ferro, em decorrência de saturação por água durante de cor entre os horizontes, sendo, por isso, facilmente dis- algum período ou o ano todo (Figura 6.13). tinguíveis no campo. Ao horizonte A, de cor cinza-escura São solos mal ou muito maldrenados em condições na- ou preta, segue-se um horizonte E esbranquiçado, que, turais, tendo o horizonte A cores desde cinzentas a pretas, por sua vez, é normalmente seguido por um horizonte de espessura entre 10 e 50 cm e teores variáveis de carbono coloração preto-amarronzada (horizonte Bh). Apresentam orgânico. São solos formados sob vegetação hidrófila ou reduzida fertilidade e são fortemente ácidos (SHINZATO et higrófila herbácea, arbustiva ou arbórea. A maioria das al., 2005). No Amazonas, predominantemente nos Espo- ocorrências no Amazonas apresenta encharcamento du- dossolos, ocorre vegetação de campinarana, sendo que, rante longos períodos do ano, o que resulta em condições em várias dessas ocorrências, devido à limitada drenagem anaeróbicas e consequente redução do íon férrico para o do horizonte espódico, há um encharcamento temporário íon ferroso, no processo denominado gleização. Esse pro- nos períodos de maiores precipitações. Paradoxalmente, cesso se caracteriza pela presença de cores acinzentadas ou esses solos, pela textura arenosa e estrutura em grão sol- azuladas, consequência da solubilização do ferro, que se tos, apresentam reduzida capacidade de armazenamento transloca e reprecipita formando, em muitas ocorrências, de água; por conseguinte, a vegetação que cresce nesses um mosqueado de cores. 80 SOLOS limitar a sua evolução. Os Neossolos Flúvicos estão associa- dos principalmente ao dique aluvial (barrancos dos rios) e às partes mais elevadas do interior da várzea, enquanto os Gleissolos ocorrem na parte mais interior e mais rebaixada da várzea (Figura 6.14). Nessa classe estão incluídos os solos que, no antigo sistema de classificação, foram classificados, principalmente, como Solos Aluviais. Os Neossolos Flúvicos do estado do Amazonas ocorrem principalmente às mar- gens dos rios e lagos associados aos grandes rios. Os que apresentam caráter eutrófico estão associados ao processo de colmatagem de sedimentos ricos do rio Solimões e seus afluentes de águas barrentas (Madeira, Juruá, Purus etc.), enquanto os distróficos, aos rios de água preta (Negro, Urubu etc.), onde a quantidade de sedimentos é reduzida e há teores elevados de ácidos orgânicos dissolvidos na água (VIEIRA e SANTOS, 1987). Em sua grande maioria, os Neossolos Flúvicos, assim como os Gleissolos, no estado do Amazonas, são solos com elevada fertilidade natural, desempenhando importante papel na produção agrícola familiar da região. São inten- samente utilizados pelos agricultores ribeirinhos durante o Figura 6.13 - Perfil típico de Gleissolo (Parintins, AM). período de vazante, para o cultivo de hortaliças, feijão caupi e plantas fibrosas (juta e malva). Entretanto, apresentam A maior parte dos Gleissolos do estado do Amazonas sérias restrições às culturas perenes e à silvicultura, devido, desenvolveu-se a partir de sedimentos quaternários, nas principalmente, ao alagamento durante longos períodos. proximidades dos cursos d’água e em materiais colúvio- Sua potencialidade agrícola também é em função de sua -aluviais sujeitos a condições de hidromorfia, em áreas posição na paisagem próxima a rios, o que, teoricamente, abaciadas ou depressões. Em algumas áreas, verifica-se facilita o escoamento por via fluvial. Nas áreas de ocorrên- a presença de Gleissolos nas posições mais elevadas da cias dos Neossolos Flúvicos e dos Gleissolos ocorre, frequen- paisagem (região do rio Urucu, município de Coari) onde, temente, o desbarrancamento das margens no leito do rio, nas épocas das chuvas, ocorre um encharcamento na fenômeno conhecido localmente como “terras caídas”. superfície do solo (caráter epiáquico) que se prolonga por vários meses. No estado do Amazonas, a maioria dos Gleissolos apresenta elevada fertilidade (TEIXEIRA et al., 2008). A natureza do material de origem, a posição na paisagem (pequena diferença de cota em relação ao nível das águas no período seco), as condições restritas de drenagem e as inundações periódicas a que estão sujeitos esses solos resultam em reduzida taxa de intemperismo, sendo, por isso, os solos mais novos da paisagem. Apresentam pouca estruturação e teores elevados de silte e areia fina. Na maior parte do estado do Amazonas, não apresentam processos de erosão intensos, especialmente devido ao relevo plano a suave ondulado onde ocorrem e à pequena diferença de cotas entre o nível do solo e o nível das águas. No Apêndice III é apresentado um perfil típico de um Gleissolo no estado do Amazonas. Neossolos Flúvicos Essa classe de solo compreende solos minerais pouco desenvolvidos, apresentando pequena expressão dos pro- cessos pedogenéticos como consequência de características do próprio material, de sua resistência ao intemperismo ou composição química, e do relevo, que podem impedir ou Figura 6.14 - Perfil típico de Neossolo Flúvico (Iranduba, AM). 81 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS No Apêndice III é apresentado o perfil típico de um horizontes superficiais escuros e férteis (epieutróficos). As Neossolo Flúvico no estado do Amazonas. cores escuras desses horizontes superficiais são devidas à elevada concentração de algumas formas aromáticas de Neossolos Quartzarênicos carbono (black carbon), de origem predominantemente pirogênica (GLASER, 2007), muito estáveis e de alto poder São solos minerais, hidromórficos ou não, geralmente pigmentante. Adicionalmente, apresentam grande densi- profundos, essencialmente arenosos, pouco desenvolvidos dade de cargas negativas, que confere a esses horizontes a partir de sedimentos arenoquartzosos ou de arenitos, elevada capacidade de troca de cátions (CTC) (LIANG et al., caracterizados por completa ausência de horizonte B diag- 2006). Essas áreas são também caracterizadas por elevadas nóstico (Figura 6.15). concentrações dos cátions: cálcio, magnésio, zinco e man- ganês (GLASER, 2007; KÄMPF e KERN, 2005; LEHMANN et al., 2003; SMITH, 1980). Os horizontes enriquecidos das TPIs também apre- sentam, normalmente, artefatos cerâmicos arqueológicos e elevada concentração de fósforo total e disponível para plantas (P), quando comparados com os solos adjacentes formados do mesmo material de origem (GLASER e WOO- DS, 2004; KÄMPF e KERN, 2005; KERN e KÄMPF, 1989; LEHMANN et al., 2003; SOMBROEK, 1966; TEIXEIRA et al., 2009; WOODS et al., 2009). Datações por meio de técnicas radiocarbônicas indicam que a formação e ocupação das áreas de TPI ocorreram principalmente entre 500 e 2500 anos antes do presente (A.P.) (NEVES et al., 2004). Os solos que apresentam os horizontes típicos das TPIs não têm uma classificação específica no sistema brasileiro de classificação de solos, sendo caracterizados nos levantamen- tos como solos com horizonte A antrópico, de Argissolos e Latossolos e, menos frequentemente, da classe dos Plintos- solos e Espodossolos (TEIXEIRA et al., 2008) (Figura 6.16). A maioria das TPIs estudadas e mapeadas até o mo- mento no estado do Amazonas se encontra principalmente nas áreas de terra firme (livres da inundação anual dos rios), Figura 6.15 - Perfil típico de Neossolo Quartzarênico com horizonte em barrancos altos próximos (bluffs) às calhas dos grandes A antrópico (Parintins, AM). rios (Solimões, Amazonas, Urubu, Negro). Nas áreas de várzeas (Gleissolos), também são encontrados horizontes A fração areia representa pelo menos 70% do total antrópicos; entretanto, frequentemente estão soterrados de sólidos minerais do solo (EMBRAPA, 2006). A estrutura (MACEDO e TEIXEIRA, 2009; TEIXEIRA e MARTINS, 2003). é muito fraca, pequena granular, com aspecto maciço e/ A origem das TPIs causou muito debate no passado. ou grãos simples. A coloração é bastante variável, poden- Alguns autores afirmavam que as TPIs eram férteis antes do apresentar tonalidades acinzentadas, amareladas ou dos assentamentos e da influência antrópica e que a popu- avermelhadas, em função da presença de óxidos de ferro. lação indígena havia sido atraída para lá devido à fertilidade São normalmente bem a excessivamente drenados e sua daquelas áreas. Várias hipóteses de origens geogênicas capacidade de retenção de água é muito reduzida. A ferti- também foram levantadas: acúmulo de cinzas vulcânicas; lidade natural é muito baixa, com carência generalizada de sedimentação de lagos etc. As primeiras suposições da ori- nutrientes. Devido a tais características, esses solos apresen- gem antrópica das TPIs surgiram na década de 1940, mas tam restrições para uso e necessitam de grande aporte de até a década de 1980 a hipótese de origem não-antrópica corretivos e fertilizantes para se tornar produtivos, o que das TPIs era comum. Kämpf e Kern (2005) procedem a uma geralmente não apresenta viabilidade econômica. revisão histórica dessa questão e fornecem todas as refe- No Apêndice III é apresentado o perfil típico de um rências originais dos trabalhos com as diferentes hipóteses. Neossolo Quartzarênico no estado do Amazonas. Ranzani (1980) classificou corretamente alguns ho- rizontes superficiais típicos das TPIs como de origem an- TERRAS PRETAS DE ÍNDIO trópica. Sombroek (1966) descreveu no platô de Belterra, às margens do rio Tapajós, no Pará, alguns perfis de TPI e As Terras Pretas de Índio (TPI), denominadas Amazo- também alguns horizontes amarronzados, aos quais de- nian Dark Earths em língua inglesa, são áreas encontradas nominou Terras Mulatas (TM). Ambos os horizontes foram principalmente na Amazônia, cujos solos apresentam considerados como de origem antrópica; porém, acredita- 82 SOLOS -colombianas provavelmente utilizavam métodos de cultivo intensivo nas áreas de várzea (onde estas eram disponíveis) e o cultivo semipermanente (nas Terras Mulatas) e permanente (nas Terras Pretas de Índio). A elucidação das formas da agricultura pré-colombiana é um fator crucial que poderá apontar soluções para prá- ticas agrícolas na atualidade na região tropical. A elevada fertilidade e a sustentabilidade das TPIs incitam esforços para compreensão de sua gênese e dos mecanismos de sua estabilidade que apresentam grande resiliência, mantendo suas boas qualidades químicas (elevada fertilidade e altos teores de matéria orgânica) e físicas, mesmo com o uso intensivo (TEIXEIRA e MARTINS, 2003). A possibilidade de replicar o manejo para criação ou recuperação de solos com características semelhantes poderá aumentar o tempo de uso das terras e reduzir a pressão de desmatamento Figura 6.16 - Perfil típico de Argissolo com A antrópico (Terra Preta de Índio) (Iranduba, AM). sobre áreas de vegetação primaria na Amazônia. Uma vez conhecidos os processos e mecanismos de formação -se que as TMs foram formadas por manejo intencional, das TPIs, estes poderão ser utilizados na recuperação de realizado com finalidades de melhoria da qualidade do solo solos degradados, reincorporando áreas abandonadas ao para produção agrícola. A influência antrópica na formação processo produtivo. e nas características das TPIs e TMs foram corroboradas por dados de Hilbert (1968), Smith (1980), Pabst (1985), Woods REFERÊNCIAS e McCann (2001), Neves et al. (2003) e Teixeira et al. (2007). As TPIs na Amazônia Central têm fortes evidências BIRK, J. et al. Origin of nutrients in Amazonian dark ear- de ser resultado da atividade antrópica, por meio da in- ths as assessed by molecular markers. In: WORLD ARCHA- corporação de resíduos orgânicos que adquiriram caráter EOLOGICAL CONGRESS, 6., 2008, Dublin. Abstracts… recalcitrante pelo uso do fogo. Principalmente, os resíduos Dublin: WAC, 2008. p. 1-5. vegetais foram carbonizados e adquiriram elevada capacida- de de reter os nutrientes catiônicos adicionados através de BOTSCHEK, J. et al. Soil chemical properties of a topo- resíduos de origem animal (ossos, sangue, pele e vísceras) sequence under primary rain forest in the Itacoatiara e de origem vegetal (cascas, sobras de alimentos, folhas de vicinity (Amazonas, Brazil). Geoderma, [Amsterdam], v. palmeiras utilizadas nas coberturas das habitações) (KÄMPF 72, p. 119-132, 1996. e KERN, 2005; LIMA et al., 2002, SCHAEFER et al., 2004). Recentemente, tem sido também estudado o provável en- BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. riquecimento da TPI por excrementos (BIRK et al., 2008). Projeto RADAMBRASIL: folha EM 20 Manaus – geolo- Especula-se que, provavelmente, alguma prática ritualística gia, geomorfologia, solos, vegetação e uso potencial da envolvendo a carbonização dos resíduos era hábito dessas terra. Rio de Janeiro: DNPM, 1978. 628 p. + mapas. populações, o que justificaria a ocorrência de TPI em apenas algumas áreas ocupadas por populações pré-colombianas. BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. A área de solos com horizontes antrópicos na Amazônia Projeto RADAMBRASIL: folha EM 21 Santarém – geo- foi estimada entre 6.000 e 18.000 km2 (SOMBROEK et logia, geomorfologia, solos, vegetação e uso potencial da al., 2003). Há algumas estimativas ainda maiores, mas, se terra. Rio de Janeiro: DNPM, 1976. 552 p. (Levantamento existem TPIs nessa densidade e tamanho, estas não foram de Recursos Naturais, 10). adequadamente mapeadas, provavelmente esses números estão superestimados. As TPIs, normalmente, são áreas de CETEC. Levantamento de reconhecimento de solos aproximadamente dois a quatro hectares (SMITH, 1980), e aptidão agrícola em áreas abrangidas pelo PDRI, mas TPIs com dezenas de hectares, como os sítios Hatahara, AM, município de Manacapuru. Belo Horizonte: Fun- Caldeirão e Açutuba, no município de Iranduba, e mesmo dação Centro Tecnológico de Minas Gerais, 1986a. 185 centenas de hectares, têm sido também relatadas (por p. + mapa. exemplo, Santarém e Autazes). Dada a grande extensão de muitos sítios arqueológicos CETEC. Levantamento de reconhecimento de solos na Amazônia Central (PETERSEN et al., 2001) e considerando- e aptidão agrícola em áreas abrangidas pelo PDRI, -se a ineficiência dos instrumentos agrícolas de madeira e AM, município de Parintins: relatório técnico final. machados de pedra para a prática da agricultura de corte Belo Horizonte: Fundação Centro Tecnológico de Minas e queima (DENEVAN, 2001), acredita-se que as tribos pré- Gerais, 1986b. 169 p. + mapa. 83 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS CETEC. Levantamento semidetalhado de solos e EMBRAPA. Serviço Nacional de Levantamento e Conser- aptidão agrícola em áreas abrangidas pelo PDRI, vação de Solos. Levantamento de reconhecimento de mé- AM, município de Barreirinha. Belo Horizonte: dia intensidade dos solos e avaliação da aptidão agrícola Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais, 1986c. das terras de uma área de colonização no município de 177 p. Barreirinha, estado do Amazonas. 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Belin: Springer, 2009. 86 7 RISCO GEOLÓGICO Sheila Gatinho Teixeira (sheila.teixeira@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 89 Tipos de riscos geológicos presentes no estado do Amazonas ............................ 89 Inundações........................................................................................................ 89 Movimentos de massa ...................................................................................... 92 Erosão ............................................................................................................... 94 Erosão pluvial ................................................................................................. 94 Erosão fluvial ................................................................................................. 97 Referências ......................................................................................................... 100 RISCO GEOLÓGICO INTRODUÇÃO erosão na orla fluvial, são observados também outros tipos de riscos, como movimentos de massa (escorregamentos), Em função do desenvolvimento econômico do país, erosão de encostas (ravinas e voçorocas) e assoreamento. diversas cidades brasileiras vêm sofrendo rápido crescimento populacional, o qual, frequentemente, acontece de maneira Inundações desordenada, causando uma pressão significativa no meio físico, a partir de uso e ocupação inadequados dos solos. As inundações são processos naturais e ocorrem Com a alteração do meio físico sem o pleno conhecimento periodicamente, em função da dinâmica fluvial, quando de suas características geológicas, geotécnicas, adequabili- há transbordamento das águas de um rio para suas áreas dades e limitações naturais, ocorre o surgimento de áreas marginais, conhecidas como planícies de inundação ou com riscos geológicos. várzeas, durante os períodos chuvosos. O processo de Segundo Pfaltzgraff et al. (2008), o risco geológico transbordamento é consequência da elevação do nível de caracteriza uma situação de potencial ameaça a pessoas água de um rio, quando a vazão é superior à capacidade e bens materiais e econômicos por um evento geológico, de descarga do canal (CHRISTOFOLETTI, 1981; OLIVEIRA, havendo a possibilidade de quantificação das eventuais 1998) (Figura 7.1). perdas. Entre os diversos tipos de risco geológico, os iden- A inundação fluvial está associada à enchente ou cheia tificados no estado do Amazonas e que serão abordados (acréscimo na descarga por certo período de tempo), asso- neste capítulo são: inundações, movimentos de massa, reamento do canal e barramentos (INFANTI Jr. e FORNASARI erosão e assoreamento. FILHO, 1998). Quando o homem ocupa as planícies de inundação TIPOS DE RISCO GEOLÓGICO PRESENTES de modo inadequado, também está passível aos riscos de NO ESTADO DO AMAZONAS inundação. Segundo Pimentel et al. (2007), as pessoas que habitam tais áreas estão sujeitas a danos à integridade física Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geo- e a perdas materiais e patrimoniais. grafia e Estatística (IBGE), em 2008 o estado do Amazonas O estado do Amazonas está inserido em sua totalidade possuía 3.341.096 habitantes, dos quais aproximadamente na bacia do rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do 51% viviam na capital (Manaus). O estado alcançou um mundo, com uma área de drenagem superior a 6.000.000 grande crescimento populacional no início do século XX, km². O rio Amazonas é também o maior sistema fluvial do devido ao período áureo da borracha, e após a instalação mundo em descarga líquida e é o coletor que recebe águas do Polo Industrial de Manaus, na década de 1960. e sedimentos de uma grande variedade de tributários, Com a expansão das fronteira urbanas, sem plane- como Madeira, Negro, Juruá, Japurá e Purus (LATRUBESSE jamento adequado, ocorreu a ocupação de muitas áreas et al., 2005). impróprias para uso, o que tem gerado resultados negativos As cheias na Bacia Amazônica ocorrem alternadas para a população amazonense, com o surgimento de áreas nos grandes afluentes do Amazonas: por exemplo, o rio suscetíveis a riscos geológicos. Madeira normalmente tem o máximo de sua cheia no final No estado do Amazonas, as áreas suscetíveis a tal tipo de abril e o rio Negro, no final de junho. Já no rio Solimões, de riscos estão associadas, principalmente, à ocupação das a parte do rio Amazonas que vai da fronteira tríplice Brasil- margens da rede de drenagem, sujeitas a inundações e ao -Colômbia-Peru até a cidade de Manaus, o nível máximo solapamento dos taludes dos canais fluviais, uma vez que de cheia ocorre em maio (Figura 7.2). praticamente todos os municípios amazonenses possuem De acordo com Oliveira et al. (2008), as cheias fluviais suas sedes localizadas nas margens dos grandes rios (Amazo- na Amazônia são fenômenos naturais que fazem parte da nas, Negro, Solimões, Madeira, Purus, Juruá, Japurá e Javari). dinâmica dos rios. No caso específico das cheias que ocor- Na cidade de Manaus e em seu entorno, onde o pro- rem na orla de Manaus, elas são causadas, em sua maior cesso de ocupação foi mais intenso, além das inundações e parte, pelas contribuições do rio Solimões e de seus afluen- Figura 7.1 - Ilustração do processo de inundação de um rio. Fonte: Modificado de Press et al. (2006). 89 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS com o maior número de municípios diretamente atingidos pelas cheias de 2009, com 44 cidades afetadas pelas inundações, 41.970 pessoas desalojadas e 8.649 desabrigadas. A estimativa final foi de que 304 mil pessoas tenham sido afetadas de uma maneira ou de outra. Segundo CPRM (2009), a situação mais crítica entre as cidades do Alto Rio Solimões, durante a cheia de 2009, ocorreu em Benjamin Constant, onde mais de 800 famílias morado- ras da orla do rio Javari, conforme cadastro da Defesa Civil local, foram afetadas (Figura 7.6). A maioria das 62 cidades amazonenses está localizada às margens dos grandes rios, em suas amplas planícies de inundação, que correspondem ao domínio das planícies aluvio- nares recentes e, em algumas porções, ao do- mínio dos terraços aluvionares, o que as torna, portanto, passíveis às inundações (Figura 7.7). Figura 7.2 - Transbordamento das águas do rio Solimões para sua planície de inundação em junho de 2007, no baixo rio Solimões (Manacapuru, AM). Na cheia de 2009, vários pontos da capital amazonense foram atingidos (Figuras 7.8, 7.9 e 7.10). tes da margem direita e, em menor grau, pelos tributários da margem esquerda, inclusive o próprio rio Negro. Essas cheias apresentam um longo tempo de percurso, devido às grandes dimensões da bacia hidrográfica e à pequena declividade observada nos leitos dos seus principais rios. Desde 1902 são realizados trabalhos de medição fluviométrica no Sistema Solimões-Negro-Amazonas. Du- rante esse período, as duas maiores cheias registradas em Manaus ocorreram nos anos de 1953 e 2009. Na cheia de 1953, o nível do rio Negro atingiu o máximo de 29,69 m (cota arbitrária) e inundou diversas áreas da zona urbana de Manaus (Figuras 7.3, 7.4 e 7.5). No ano de 2009, ocorreu a maior cheia já registrada em Manaus, mais precisamente no dia 29 de junho, quando o nível do rio Negro atingiu a marca de 29,75 m. De acordo Figura 7.4 - Vista parcial do igarapé São Raimundo na cheia de com dados da Defesa Civil (2009), o Amazonas foi o estado 1953.Fonte: Herrán (2002). Figura 7.5 - Vista parcial da alfândega e da torre de controle dos Figura 7.3 - Vista parcial da rua Visconde de Mauá, na cheia de troles, da ponte flutuante do Porto de Manaus, na cheia de 1953. 1953 (centro de Manaus, AM). Fonte: Herrán (2002). Fonte: Herrán (2002). 90 RISCO GEOLÓGICO Figura 7.8 - Vista parcial da orla da Ponta Negra, em Manaus (AM), na cheia de 2009. Figura 7.6 - Vista parcial de área alagada no bairro Javarizinho Figura 7.9 - Vista parcial do alagamento na rua Eduardo Ribeiro, (Benjamin Constant, AM).Fonte: CPRM (2009). parte do centro comercial de Manaus (AM), na cheia de 2009. Figura 7.7 - Mapa do estado do Amazonas, com a localização das 62 sedes municipais e as áreas de risco de inundação. 91 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Obras e Serviços Básicos (SEMOSB), Empresa Municipal de Urbanização (URBAM) etc.). De acordo com o relatório final dessa comissão (CPRM, 2002), uma das conclusões obtidas foi a de que a orla de Manaus, no rio Negro, está sujeita principalmente a processos de escorregamento e erosão dos tipos ravinas e voçorocas. Tais processos são decorrentes tanto das ca- racterísticas geológico-geotécnicas da Formação Alter do Chão, na qual a cidade está assentada, como do processo de ocupação desordenada do solo. A Formação Alter do Chão é constituída por arenitos, argilitos, arenitos cauliníticos e restritos arenitos silicificados, estes conhecidos como “arenito Manaus”. Em geral, os sedimentos da Formação Alter do Chão são fracamente con- Figura 7.10 - Registro do nível da água do rio Negro no dia 24 de solidados e estão sob um extenso manto de intemperismo, junho de 2009, no Porto Hidroviário de Manaus, que atingiu a que pode atingir 20 m de espessura, capeado por latossolo marca de 29,69m, igualando-se ao nível máximo da cheia de 1953. amarelo. O processo de laterização gerou também níveis concrecionários ferruginosos resistentes que, muitas vezes, Movimentos de Massa sustentam o topo dos taludes da orla da cidade de Manaus. Deve-se ressaltar, como fator natural de predisposição Os movimentos de massa correspondem a todos os aos escorregamentos, o relevo da região, muito disseca- deslocamentos gravitacionais que promovem a movimen- do em interflúvios com encostas ravinadas e interflúvios tação de solos, rochas ou ambos (CHRISTOFOLETTI, 1981; tabulares com densa rede de drenagem, o que gera alta PIMENTEL et al., 2007). O processo pode ser natural ou declividade dos terrenos com desníveis topográficos de induzido pela interferência humana no meio físico, o qual amplitude média de 30 m (Figuras 7.12 e 7.13) (COSTA et pode acelerar e ampliar tais processos de instabilização das al., 1978; CPRM, 2002). encostas. Possuem um papel importante na evolução do relevo e têm sua ocorrência nas vertentes. Quando ocorrem em zonas habitadas, eles assumem, em geral, proporções catastróficas, uma vez que causam danos materiais e perdas de vidas humanas (GUIMARÃES et al., 2008). Os movimentos de massa podem ser classificados de diversas maneiras, em função da grande variedade de ma- teriais, processos e fatores condicionantes (GUIMARÃES et al., 2008; AUGUSTO FILHO apud PIMENTEL et al., 2007), porém, no estado do Amazonas predominam os escorrega- mentos, caracterizados por movimentos rápidos, bruscos, com um plano de ruptura definido, o qual separa o material deslizado do não movimentado (SUMMERFIELD, 1991). Em geral, os escorregamentos apresentam como con- dicionantes naturais as características dos solos e rochas, o relevo (inclinação das encostas), vegetação, clima e nível freático (PIMENTEL et al., 2007). Já as principais causas antrópicas dos escorregamentos, segundo Oliveira (1998), são: concentração de águas pluviais; lançamento de águas servidas nas encostas; vazamentos na rede de abastecimen- to de água; existência de fossas sanitárias; declividade e altura excessivas de cortes; execução inadequada de aterros; deposição de lixo ou existência deste em meio aos aterros; remoção indiscriminada da cobertura vegetal (Figura 7.11). No ano de 2002, em Manaus, foi formada uma co- missão técnica com a finalidade de identificar as edificações com risco de desabamento na orla fluvial da capital. A co- missão foi composta por técnicos do CREA-AM, da CPRM/ SGB, do Ministério Público e de diversos órgãos da Prefeitura Figura 7.11 - Ilustração das principais atividades antrópicas Municipal de Manaus (Defesa Civil, Secretaria Municipal de indutoras de escorregamentos em encostas. Fonte: Oliveira (1998). 92 RISCO GEOLÓGICO Outra característica importante a ser levada em conta, que condiciona boa parte dos processos erosivos em Manaus, é o forte controle neotectônico na região. Segundo Costa et al. (1996), a estruturação da região do baixo rio Negro é definida principalmente por falhas normais de direção NW-SE, que inte- ragem com falhas maiores E-W, transcorrentes dextrais. Essas direções coincidem com os eixos das principais ravinas e voçorocas observadas em Manaus, corroborando a ideia de que tais Figura 7.12 - Vista lateral da geometria e da alta declividade dos taludes da orla processos erosivos são concordantes com os fluvial de Manaus, ao longo da margem esquerda do rio Negro (Manaus, AM). lineamentos estruturais locais e regionais. Fonte: CPRM (2002). De acordo com CPRM (2002), outro fa- tor deflagrador de processos erosivos na orla da cidade de Manaus é antrópico, ou seja, a ocupação humana desordenada. Durante os trabalhos da comissão técnica retromencionada, foram identificadas 12 áreas de risco de escor- regamento na zona urbana de Manaus, nas quais foram mapeadas as moradias sob risco de desabamento, sendo esse risco categorizado em quatro graus: iminente, alto, médio e baixo (Quadro 7.1). Os estudos ocorreram em uma área limitada pela distância de 100 m da quebra de relevo que forma a margem do rio Negro. Durante as avaliações, os autores ado- taram como método principal de trabalho a observação detalhada de cada moradia, buscando a existência de indicadores (trincas no chão ou em paredes, estruturas inclinadas, processos erosivos instalados, presença de lixo Figura 7.13 - Vista frontal de um trecho da orla de Manaus (AM), mostrando a ou entulho, aterros etc.) para hierarquização disposição das moradias, no bairro de Educandos, ao longo do talude fluvial. das situações de risco. Quadro 7.1 - Classificação do grau de risco a desabamento e número de moradias atingidas na orla da cidade de Manaus. Classificação do Risco / Número de Moradias Área de risco Iminente Alto Médio Baixo Total 001 – Compensa 00 09 03 04 16 002 – Compensa 02 23 06 04 35 003 – Compensa 04 20 10 07 41 004 – Compensa 00 25 21 00 46 005 – São Raimundo 00 10 03 22 35 006 – São Raimundo 00 26 13 00 39 007 – São Raimundo 12 33 14 02 61 008 – São Raimundo 00 14 29 00 43 009 – São Raimundo 12 04 43 02 61 010 – Educandos 06 19 05 04 34 011 – Educandos 04 23 23 00 50 012 – Mauazinho 00 07 19 07 33 Total Geral 40 213 189 52 494 Fonte: CPRM (2002) 93 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Nas 12 áreas de risco mapeadas, as principais interven- transporte e acumulação, que transformam e modelam ções antrópicas observadas, segundo CPRM (2002), foram: a superfície terrestre, por meio de seus agentes naturais, cortes abruptos do talude para consolidação das moradias como chuvas, rios, ventos, geleiras e mares. No estado do e portos (Figuras 7.14 e 7.15); retirada da cobertura vegetal Amazonas, além dos movimentos de massa, os processos original; lançamento indevido de águas pluviais e/ou servi- erosivos que atuam com mais intensidade estão ligados das na encosta (Figura 7.16), que, pela ação concentrada principalmente à ação das chuvas (erosão pluvial) e dos nos terrenos, originam e/ou aceleram os processos erosivos; rios (erosão fluvial). presença de lixo e entulhos, normalmente preenchendo ravinas e voçorocas (Figura 7.17). Erosão pluvial Erosão A erosão pluvial ocorre não apenas pelo gotejamento das águas de chuva sobre a superfície, provocando a erosão Segundo Suguio (2003), a erosão é um fenômeno por salpico, mas também pela existência do escoamento natural que engloba diversos processos, tais como desgaste, superficial (run-off) e pela água de infiltração (SUGUIO, Figura 7.16 - Lançamento de águas servidas diretamente em encosta íngreme, contribuindo para sua desestabilização (São Raimundo, Manaus, AM). Fonte: CPRM (2002). Figura 7.14 - Moradias adjacentes a cortes abruptos, suscetíveis a escorregamentos (Parque São Pedro, Manaus, AM). Figura 7.17 - Presença de lixo e entulho em encosta Figura 7.15 - Moradias localizadas em cortes abruptos, próximas à área que já íngreme (Compensa II, Manaus, AM).Fonte: CPRM sofreu escorregamento (Parque São Pedro, Manaus, AM). (2002). 94 RISCO GEOLÓGICO 2003). Ao longo de uma encosta, dependen- do da forma como se processa o escoamento superficial das águas de chuva, podem-se de- senvolver dois tipos de erosão: laminar e linear. Quando a declividade do terreno for pequena, predomina a erosão laminar, que re- cebe essa denominação devido ao escoamento superficial ocorrer de forma difusa, erodindo, teoricamente, uma lâmina homogênea de solo (GUERRA, 1994; SUGUIO, 2003). Com o aumento da inclinação do terreno há um aumento da concentração das linhas de fluxo de run-off, daí predominando a erosão linear. Esta resulta em pequenas incisões nas superfícies do terreno, em forma de sulcos, que podem evoluir para ravinas. Com o aprofunda- mento das ravinas, havendo contribuição dos fluxos de águas subsuperficiais, configura-se o processo conhecido por voçorocamento Figura 7.18 - Vista frontal de voçoroca existente na comunidade Grande Vitória, (CONCIANI, 2008; SUGUIO, 2003). bairro periférico de Manaus (AM). Os fatores condicionantes das erosões lineares profundas (voçorocas) podem ser agrupados em de Molinari et al. (2009) e Vieira e Albuquerque (2004), dois conjuntos: antrópicos, como desmatamentos e uso e procedem a uma caracterização morfométrica detalhada ocupação do solo (agricultura, obras civis, urbanização etc.), dessas voçorocas, que apresentam, em geral, formas re- e naturais, que determinam a intensidade dos processos, tangulares e lineares e ocorrem paralelas ao traçado da destacando-se chuva, cobertura vegetal, relevo, tipos de estrada (Figura 7.20). solo e substrato rochoso. No Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas, Em um bairro periférico de Manaus, observa-se o essa região está inserida na unidade geoambiental deno- desenvolvimento de uma voçoroca, a partir de um sistema minada “Predomínio de arenitos e arenitos cauliníticos”, malplanejado de drenagem de águas pluviais. O processo que possui como substrato os sedimentos arenosos friáveis erosivo, em encosta naturalmente íngreme, foi potenciali- da Formação Alter do Chão, os quais geram solos do tipo zado pela força das águas pluviais, que foram canalizadas Latossolo Amarelo, bastante suscetíveis à erosão. A de- e lançadas na cabeceira da encosta (Figura 7.18). sagregação natural dos solos ocorre principalmente pela A cidade de Manaus encontra-se em intenso proces- influência do impacto das gotas de chuva. Na região, o so de ocupação urbana. Em seu entorno, concentra-se período com maior precipitação pluviométrica compreende a pequena malha rodoviária do estado do Amazonas, os meses de janeiro a abril. representada pelas rodovias federais BR-174 e BR-319 e Outro fator que condicionou a deflagração dos pro- pelas rodovias estaduais AM-010 e AM-240. Ao longo cessos erosivos ao longo da BR-174 foi o mau dimensio- dessa vias de acesso, tanto em Manaus como no entorno namento das canaletas e tubulações pelas quais a água da são registradas inúmeras formas erosivas do tipo ravinas chuva escoa. Segundo Conciani (2008), com a construção e voçorocas. da estrada há redução da permeabilidade do solo, e, con- A Rodovia BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, capital sequentemente, quando ocorrem as chuvas, aumenta o de Roraima, e daí à fronteira com a Venezuela, é fundamen- fluxo das águas superficiais no leito da estrada, que escoam tal para o transporte de cargas na região, principalmente para as suas bordas pelas canaletas e tubulações. Essas do combustível que abastece Roraima a partir da refinaria canaletas apresentam poucos metros de comprimento e localizada em Manaus. Ao longo de seu eixo, são registra- são construídas em concreto. Nesse tipo de estrutura, o dos vários pontos com voçorocamentos. A proximidade volume e a velocidade das águas pluviais são intensificados dessas feições erosivas com a rodovia, juntamente com a e, quando essas águas canalizadas chegam ao ponto de evolução dos processos de erosão, implica sérios problemas descarga e entram em contato com o solo sem vegetação, socioeconômicos e ambientais. há um aumento significativo em seu poder erosivo, levando O traçado inicial da BR-174, próximo a Manaus, passa ao surgimento e à evolução das voçorocas na lateral da por várias cabeceiras de drenagem, afluentes da margem estrada (Figura 7.21). esquerda do igarapé Tarumã-Açu, e as voçorocas estão Para confirmar que tais feições erosivas trazem risco à localizadas principalmente na interseção da estrada com população, em maio de 2008, no Km 14 da Rodovia BR-174, a rede de drenagem, tanto as de primeira como as de cerca de 250 m de pista cederam em função do avanço de segunda ordem (Figura 7.19). Alguns trabalhos, como os uma voçoroca (Figura 7.22). 95 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Além dos fatores citados, deve-se ressaltar a erosão das áreas de empréstimo como um dos processos deflagradores das voçorocas na BR- 174. Essas áreas são locais onde há extração de materiais da construção civil (piçarra e/ou argilas), de uso imediato, que atendem às necessidades das obras de engenharia, como a construção e manutenção de rodovias. No entanto, com a retirada de substrato, há também a retirada da cobertura vegetal, levando à exposição do solo, que se torna mais suscetível à erosão pluvial. À medida que a erosão atua, pode ocorrer o de- senvolvimento de voçorocas. Associado às voçorocas, e como uma de suas consequências, foi verificado também o assoreamento de drenagens ao longo da BR-174. O processo consiste na acumulação excessiva de sedimentos em meio aquoso ou aéreo, que ocorre quando a força do agente transportador natural (curso d’água ou vento) é sobrepujada pela força da gravidade, ou quando a supersaturação das águas permite a deposição de partículas sólidas (INFANTI Jr. e FOENASARI FILHO, 1998). No caso da BR-174, observa-se que o assoreamento está ligado aos processos de desagregação do solo, cujas partículas são car- readas pelo escoamento superficial, tendo como principal agente de transporte as águas pluviais. Essas partículas são levadas até o fundo dos vales, onde são depositadas como sedimentos. O assoreamento das drenagens acarreta um desequilíbrio ambiental, uma vez que leva Figura 7.19 - Espacialização de parte do trecho inicial da rodovia BR-174, próximo a Manaus (AM), sobre modelo digital de elevação de terreno, à morte da vegetação ciliar e reduz a vazão ressaltando o traçado que passa por várias cabeceiras de drenagem. natural dos cursos d’água, o que pode provocar enchentes (Figuras 7.23 e 7.24). Figura 7.20 - Voçoroca com forma linear que ocorre paralelamente Figura 7.21 - Canaletas de concreto, construídas ao longo da ao traçado da rodovia BR-174, entre as cidades de Manaus e rodovia BR-174, que drenam as águas pluviais da rodovia para as Presidente Figueiredo (AM). bordas da estrada. 96 RISCO GEOLÓGICO Erosão fluvial A erosão fluvial está associada à dinâmica natural dos rios e é causada pela força da correnteza das águas fluviais, que retiram detritos do fundo e, principalmente, das margens dos rios, promovendo o desgaste na base dos taludes e o consequente desmoronamento de barrancos. Nos rios amazônicos, são observados vários trechos com atuação mais intensa da erosão fluvial. Na região, os fenômenos de desmoronamento de barrancos recebem o nome de “terras caídas”. Em tais fenômenos, percebe-se a grande influência da abrasão fluvial, associada predo- minantemente à erosão das margens côncavas do canal, que promove o seu solapamento, conforme descrito por Christofoletti (1981) (Figura 7.25). Figura 7.22 - Vista geral do desmoronamento de parte da pista da rodovia BR-174 (km 14), em função do avanço de uma voçoroca. Figura 7.25 - Ilustração da erosão fluvial nas margens côncavas do canal, que desencadeia o solapamento dos taludes. Fonte: Modificado de Press et al. (2006). Figura 7.23 - Imagem de satélite que mostra uma área assoreada às margens da BR-174 (Km 24). Fonte: Google Earth. Disponível em: . Acesso em: nov. 2009. Na margem esquerda do rio Solimões, entre os mu- nicípios de Iranduba e Codajás, são observados diversos trechos com “terras caídas”, os quais atingem extensões de dezenas de metros. São caracterizados por escorrega- mentos do tipo rotacional, representados por superfícies de ruptura côncava, que deslocam grande quantidade de material de maneira rotacional (Figuras 7.26, 7.27 e 7.28). O fenômeno “terras caídas” ocorre principalmente na unidade geoambiental denominada “Planícies Aluvionares Recentes”, cujo substrato são sedimentos síltico-arenosos friáveis, inconsolidados, facilmente desagregáveis. Nos últimos anos, no estado do Amazonas, são regis- trados vários exemplos de municípios que vêm sofrendo com problemas decorrentes do avanço da erosão fluvial ao longo das zonas urbanas, ocasionando o comprometimento de suas respectivas orlas, como observado nas cidades de Figura 7.24 - Assoreamento de drenagem às margens da BR-174 Parintins e Barreirinha, situadas na região do baixo Ama- (Km 24). zonas (Figuras 7.29 e 7.30). 97 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 7.26 - Esquema ilustrativo mostrando o escorregamento do tipo rotacional, processo que Figura 7.27 - Vista frontal de trecho da margem esquerda do rio Solimões, com o origina o fenômeno “terras caídas”. Fonte: Guimarães fenômeno “terras caídas”, onde é possível observar as superfícies de ruptura curva et al. (2008). côncava (Manacapuru, AM). Segundo CPRM (2009), a cidade de São Paulo de Olivença é a que apresenta a mais extensa área sob alto risco de escorregamento, representada por sua orla fluvial, onde os taludes do rio Solimões mostram uma configuração topográfica e geológica que coloca em risco de desmoro- namento dezenas de moradias situadas em seu topo e na meia-encosta. Situação semelhante, porém em área mais restrita, ocorre nas cidades de Tonantins, Santo Antônio do Içá, Tefé, Jutaí e Amaturá. A zona urbana de Jutaí, na margem esquerda do rio Solimões, devido à declividade e à constituição litológica dos taludes fluviais sobre os quais se assenta, é muito suscetível à ocorrência de “terras caídas” (Figura 7.31). Nesse caso, o fenômeno erosivo, registrado em novembro de 2008, atuou sobre sedimentos arenosos da Formação Içá e a ruptura do barranco foi do tipo planar. Nas áreas de situação mais crítica em Tefé e Jutaí, mapeadas como de risco iminente de escorregamento por CPRM (2009), recomendou-se a imediata retirada dos pou- Figura 7.28 - Vista lateral das superfícies de ruptura, curva côncava cos ocupantes, ainda que temporária, com sua transferência característica das áreas com “terras caídas”, margem esquerda do para locais a ser definidos pelos gestores municipais. rio Solimões (Anamã, AM). Figura 7.29 - Vista panorâmica da região do matadouro em Parintins, afetada pelo solapamento das margens do Rio Amazonas. Fonte: Hugo Galúcio. 98 RISCO GEOLÓGICO Figura 7.30 - Vista panorâmica de parte da orla de Barreirinha, comprometida por erosão fluvial. Fonte: Hugo Galúcio. A área urbana da cidade de Barcelos, localizada na margem direita do rio Negro, vem sofrendo danos em sua infraestrutura, em função do fenômeno “terras caídas”. A cidade está assentada sobre os sedimentos arenosos da For- mação Içá, que são facilmente desagregáveis e suscetíveis à erosão fluvial. Em julho de 2008, parte de um muro de um posto de gasolina, localizado na orla da cidade, desabou, em virtude de desmoronamento do barranco (Figura 7.32). No município de Parintins, foi observado um fenôme- no de “terras caídas” de grandes proporções, o qual foi Figura 7.32 - Desabamento do muro de um posto de gasolina na designado de “Evento Saracura”. O evento ocorreu no dia orla da cidade de Barcelos (AM). 2 de março de 2007, no intervalo de 11 às 17 horas, na Enseada da Saracura, margem direita do rio Amazonas, na área da comunidade Costa da Águia, distante 35 km a NW da sede de Parintins. Segundo Vilas Boas e Bueno (2007), o evento provocou o abatimento intermitente de camadas de sedimentos da base para o topo em uma extensão de quase 500 m, em intervalos de tempo, o que gerou ondas intensas no leito do rio, tendo como consequência 130 vítimas, com morte de um agricultor; danos em 32 residências localizadas nas proximidades da margem afetada; perda de aproximada- mente 20 ha de malva; perda de três embarcações e duas residências; perda do cultivo de agricultura de subsistência familiar (Figuras 7.33 e 7.34). Figura 7.33 - Local do “evento Sacarura”, fenômeno de “terras caídas” de grandes proporções, na margem direita do rio Amazonas. Fonte: Vilas Boas e Bueno (2007). Figura 7.31 - Vista frontal de talude subvertical do rio Solimões, na Figura 7.34 - Vista parcial de local próximo ao “evento Saracura”, orla de Jutaí, que sofreu ruptura planar (“terras caídas”), afetando onde se observam embarcações deslocadas para fora do canal do as fundações do prédio de um frigorífico. Fonte: CPRM (2009). rio. Fonte: Vilas Boas e Bueno (2007). 99 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS REFERÊNCIAS LATRUBESSE, E. M.; STEVAUX, J. C.; SANTOS, M. L.; AS- SINE, M. L .Grandes sistemas fluviais: geologia, geomor- CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia fluvial. São Paulo: fologia e paleohidrologia. In: SOUZA, C.R.G.; SUGUIO, K.; Edgard Blucher, 1981. 313 p. OLIVEIRA, A. M. S.; OLIVEIRA, P. E. (Eds.). Quaternário do Brasil. Ribeirão Preto: Holos, 2005. p. 276-297. CONCIANI, W. Processos erosivos: conceitos e ações de controle. Cuiabá: CEFET-MT; KCM Editora e Gráfica, MOLINARI, D. C.; ALVES, N. S.; DONALD, A. R. Notas 2008. 148 p. geológico-geomorfológicas da BR-174: trecho Manaus- -Santo Antônio do Abonari (Presidente Figueiredo) COSTA, R. C. R.; NATALI-FILHO, T.; OLIVEIRA, A. A. B. – Amazonas (AM). In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEO- Geomorfologia: Folha SA.20.Manaus. In: Brasil. DNPM. GRAFIA FÍSICA APLICADA, 13., 2009, Viçosa. Anais... Projeto RADAMBRASIL. Folha SA.20.Manaus: geologia, Disponível em: . terra.Rio de Janeiro, 1978. p. 167-231. [Levantamento de Acesso em: 15 set. 2009. Recursos Minerais, 18]. OLIVEIRA, L.M. Guia de prevenção de acidentes geo- COSTA, J. B. S. C. et al. Neotectônica da região amazôni- lógicos urbanos. Curitiba: MINEROPAR, 1998. 52 p. ca: aspectos tectônicos, geomorfológicos e deposicionais. Geonomos, Belo Horizonte, v. 4, n. 2, p. 23-44, 1996. OLIVEIRA, D.; LOPES, E. S.; OLIVEIRA, M. A. Relatório da cheia 2008. Manaus: CPRM, 2008. 35 p. CPRM. Relatório final da comissão técnica para identificação das edificações em risco de desaba- PEREIRA, H. G.; ANDRETTA, E. R. Diagnóstico das mento da orla de Manaus-AM. Manaus: Áreas de Risco Localizadas ao Longo da Orla de CPRM, 2002. CD-ROM. Parintins-AM. Manaus-AM. CPRM, 2010. 47p. CPRM. Avaliação das águas de abastecimento pú- PFALTZGRAFF, P. A. S. et al. Riscos geológicos. In: SILVA, blico, da destinação dos resíduos sólidos, das áreas C. R. (Ed.). Geodiversidade do Brasil. Rio de Janeiro: de risco geológico e dos insumos minerais para CPRM, 2008. p. 135-146. construção civil nas sedes dos municípios situados na região do alto Solimões (AM). Manaus: CPRM, PIMENTEL, J.; FERREIRA, C. E. O.; VIANA, S. M. Curso de 2009. capacitação de técnicos municipais para prevenção e gerenciamento de riscos de desastres naturais DEFESA CIVIL. Amazônia vive maior cheia de todos em municípios do estado do Rio de Janeiro. Rio de os tempos. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2009. PRESS, F. et al. Para entender a Terra. Tradução de Rual- do Meneget. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. 656 p. GUERRA, A. J. T. Processos erosivos nas encostas. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. (Orgs.). SUMMERFIELD, M. A. Global geomorphology: an Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. introduction to the study of landforms. Edinburgh: Long- Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994. p. 149-199. man, 1991. GUIMARÃES, R. F. et al. Movimentos de massa. In: SUGUIO, K. Geologia sedimentar. São Paulo: Edgard FLORENZANO, T. G. (Org.). Geomorfologia: conceitos e Blucher, 2003. 400 p. tecnologias atuais. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. p. 159-184. VIEIRA, A. F. G.; ALBUQUERQUE, A. R. C. Cadastramento de voçorocas e análise do risco erosivo em estradas: BR HERRÁN, J. 1953: a grande cheia. Manaus: Sonora, -174 (trecho Manaus-Presidente Figueiredo). In: SIM- 2002. CD-ROM. [Editado por Joaquim Bernardo Dias dos PÓSIO NACIONAL DE GEOMORFOLOGIA E I ENCONTRO Santos]. SUL-AMERICANO DE GEOMORFOLOGIA, 5., 2004, Santa Maria. Anais... Santa Maria: UFSM, 2004. p. 50-55. INFANTI JR., N.; FORNASARI FILHO, N. Processos de dinâ- mica superficial. In: OLIVEIRA, A. M. S.; BRITO, S. N. A. VILAS BOAS, J. M.; BUENO, R. F. Relatório de vistoria (Eds.). Geologia de engenharia. São Paulo: Associação do evento Saracura/Costa da Águia, município Brasileira de Geologia de Engenharia; Oficina de Texto, de Parintins, estado do Amazonas. Manaus: CPRM, 1998. 586 p. 2007. 8 p. 100 8 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS Sílvia Cristina Benites Gonçales (silvia.goncales@cprm.gov.br) José Luiz Marmos (jose.marmos@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ......................................................................................................... 103 Principais atrativos geoturísticos ....................................................................... 103 Patrimônio espeleológico ............................................................................... 103 Patrimônio geomineiro .................................................................................. 104 Patrimônio paleontológico ............................................................................. 105 Sítio geológico ............................................................................................... 105 Geoparques .................................................................................................... 106 Polos de ecoturismo do Amazonas e os atrativos geoturísticos ......................... 108 Polo de ecoturismo Amazonas ....................................................................... 108 Polo de ecoturismo Saterê .............................................................................. 109 Polo de ecoturismo Madeira .......................................................................... 110 Polo de ecoturismo Solimões ......................................................................... 110 Polo de ecoturismo Purus-Juruá ..................................................................... 111 Unidades de conservação abertas à visitação .................................................... 111 Referências ........................................................................................................ 113 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS INTRODUÇÃO PRINCIPAIS ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS Geoturismo pode ser definido como o turismo ecológi- O estado do Amazonas possui forte vocação geoturís- co com base em informações e atrativos geológicos. Abran- tica devido a sua rica geodiversidade abrigar uma série de ge monumentos naturais, parques geológicos, afloramentos locais considerados de interesse ecológico e geocientífico, de rocha, cachoeiras, cavernas, sítios fossilíferos, paisagens, os quais constituem o patrimônio geoturístico do estado. fontes termais, minas desativadas e outros pontos ou sítios Muito ainda precisa ser feito com relação ao levantamento e de interesse geológico. detalhamento desse patrimônio, mas, de maneira geral, ele Em função de seus valores científicos e econômicos, pode ser dividido em: espeleológico, geológico, geomineiro, o levantamento do patrimônio geoturístico de uma região sítios geológicos e geoparques, além de inúmeras áreas de é de grande importância para a sociedade. Ele pode ser grande beleza cênica. dividido em patrimônios geológicos, geomorfológicos e paisagísticos, os quais, somados às características ecológicas Patrimônio Espeleológico ou histórico-culturais, devem ser preservados e conserva- dos pela comunidade local e visitantes. Nesse contexto, o Corresponde ao conjunto de elementos bióticos e levantamento do patrimônio geoturístico contribui para o abióticos, socioeconômicos e histórico-culturais, subterrâ- desenvolvimento das atividades de preservação, conserva- neos ou superficiais, representados pelas cavidades naturais ção e sustentabilidade aliadas ao lazer e à educação, por subterrâneas ou a estas associado, conforme Resolução meio da exposição dos estudos geocientíficos de maneira CONAMA n° 347/2004, art. 2°, inciso III (CONAMA, 2004). compreensível ao público leigo (SILVA, 2008). Tais cavidades são denominadas popularmente caverna, Os principais atrativos geoturísticos do estado do Ama- gruta, lapa, toca, abismo, furna e buraco, cujas feições são zonas são representados por complexos de serras, cavernas, resultantes de processos de dissolução, pelas águas natu- corredeiras, minas, afloramentos geológicos, praias de rio, rais, atuantes sobre as rochas sedimentares, notadamente arquipélagos e sítios arqueológicos (Figura 8.1). os calcários. Porém, essas cavidades podem se desenvolver Figura 8.1 - Cartograma com os atrativos geoturísticos do mapa geodiversidade do estado do Amazonas. 103 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS também em mármores, arenitos e quartzitos. A paisagem Patrimônio Geomineiro que se forma nesse tipo de ambiente é de grande beleza cênica, de gênese complexa, formada por maciços rochosos Pode ser entendido pelo reconhecimento de acervo mi- expostos, paredões ou escarpas, vales, torres, depressões, neral ou de afloramento rochoso mineralizado preservado dolinas e lagoas, além das próprias cavernas. que possibilite a reconstituição das atividades de mineração No estado do Amazonas, as áreas que apresentam em uma região. Inclui-se, ainda, o acervo de utensílios e patrimônio espeleológico estão concentradas principalmen- maquinários que possam estabelecer uma cronologia da te no município de Presidente Figueiredo. São cavernas e exploração mineira. No estado do Amazonas, as minas de grutas que possuem como peculiaridade o fato de terem polimetálicos do Pitinga, de calcário do Jatapu e de man- sido formadas sobre rochas quartzoareníticas do Grupo ganês do rio Aripuanã (Beneficente) servem de exemplo Trombetas, pertencente à Bacia Sedimentar do Amazonas. para esse tipo de patrimônio geoturístico. O complexo de cavernas e grutas de Presidente Figueiredo - Mina de Polimetálicos do Pitinga: Mina em plena ativi- se desenvolve em rochas siliciclásticas da Formação Nhamun- dade, localizada entre os municípios de Presidente Figueiredo dá, de idade siluriana, cuja característica deposicional principal e Urucará, com grandes reservas de cassiterita (minério de é a sedimentação marinha costeira com contribuição glacial. estanho), tantalita-columbita (minério de tântalo e nióbio), Na região, as principais e mais conhecidas são a Caver- zirconita e criolita (mineral pouco comum, com várias aplica- na Refúgio do Maruaga (Figura 8.2) e as grutas: da Judeia, ções, contendo flúor, sódio e alumínio) (CPRM, 2006a). No ano do Raio, Palácio do Galo da Serra (Figura 8.3), da Catedral, de 2003, a produção de estanho do Pitinga representou 80% da Onça (Figura 8.4) e do Batismo, cujo teto exibe inscrições da produção nacional (CAMPOS, 2004). A mina recebe visita rupestres (Figura 8.5). técnica de estudantes de níveis médio e superior (Figura 8.6). Figura 8.4 - Paredão próximo à gruta do Batismo (beleza cênica, potencial sítio geológico, espeleológico e geomorfológico). Figura 8.2 - Entrada da caverna Refúgio do Maruaga (beleza cênica, potencial sítio geológico, espeleológico e geomorfológico). Figura 8.5 - Inscrições rupestres no interior da gruta do Batismo Figura 8.3 - Gruta Palácio do Galo da Serra (beleza cênica, (beleza cênica, potencial sítio geológico, espeleológico e potencial sítio geológico, espeleológico e geomorfológico). geomorfológico; patrimônio arqueológico). 104 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS - Mina de calcário, ferro e gipsita do Jatapu: Localizada ficaram preservados nas rochas, os chamados “fósseis” no município de Urucará, na bacia do rio Jatapu, essa mina se (TEIXEIRA et al., 2000). encontra sob controle do Grupo João Santos. Os bens mine- Nas cachoeiras das Orquídeas e da Asframa, no muni- rais ali explorados são empregados na produção de cimento cípio de Presidente Figueiredo, são observados icnofósseis – portland, em fábrica instalada na cidade de Manaus (CPRM, estruturas biogênicas produzidas por animais e preservadas 2006a). A frente de lavra do calcário pertence à Formação nas rocha sedimentares, no caso representadas por rastros Itaituba da Bacia Sedimentar do Amazonas (Figura 8.7). de vermes (Figura 8.9). - Mina de manganês: Mina desativada, denominada Cotovelo, situada cerca de 7 km a montante da localidade Sítio Geológico de Beneficente, na margem esquerda do rio Aripuanã, município de Novo Aripuanã. O minério tem aspecto con- O Brasil é signatário da Convenção para a Proteção do crecionário e se hospeda no interior de arenitos do Grupo Patrimônio Mundial Cultural e Natural da United Nations Edu- Beneficente (CPRM, 2006a) (Figura 8.8). cational, Scientific and Cultural Organization [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura] (UNESCO), Patrimônio Paleontológico realizada em 1972, que tem por objetivo fundamental reco- nhecer os sítios culturais e naturais em âmbito mundial, de Consiste no registro dos restos de animais e de vegetais interesse excepcional e de tal valor universal, que sua proteção ou das evidências das atividades desses organismos que é considerada responsabilidade de toda a humanidade. Figura 8.8 - Carcaça de locomotiva utilizada para transporte de minério na mina desativada do Figura 8.6 - Frente de lavra na mina do Pitinga. Fonte: Nelson Reis. Cotovelo, no rio Aripuanã. Fonte: Nelson Reis. Figura 8.7 - Frente de lavra de calcário na mina do Jatapu. Fonte: Silvio Riker. Figura 8.9 - Registro de icnofósseis na cachoeira das Orquídeas (beleza cênica e potencial sítio paleontológico) (Presidente Figueiredo, AM). 105 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS No Brasil, em 1997, foi criada a Comissão Brasileira de - Dunas da Serra do Aracá: Estão localizadas no muni- Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), representada cípio de Barcelos. São classificadas, no SIGEP, como sítio pa- pelas seguintes entidades: Academia Brasileira de Ciências leoambiental, onde pode ser observado o registro geológico (ABC), Associação Brasileira para Estudos do Quaternário dos últimos 40 mil anos, incluindo dunas desenvolvidas em (ABEQUA), Departamento Nacional de Produção Mineral um contexto climático diferente do atual. A serra do Aracá (DNPM), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recur- é um exemplo típico de montanha de topo plano, também sos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto do Patrimônio conhecida como mesa ou “tepuy”, sustentada por rochas Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Petróleo Brasileiro quartzíticas da Formação Aracá (Figura 8.11). S.A. (PETROBRAS), Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB), Sociedade Geoparques Brasileira de Espeleologia (SBE), Sociedade Brasileira de Ge- ologia (SBG) e Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP). O conceito de geoparque foi elaborado para relacio- A SIGEP tem a missão de proceder ao inventário e cadastro nar as pessoas a seu ambiente geológico-paleontológico- dos monumentos naturais e das formações geológicas e -geomorfológico. De acordo com a UNESCO, geoparque fisiográficas, com base em avaliações técnico-científicas, é uma região com limites bem definidos, envolvendo um envolvendo os membros da comissão e a comunidade ge- número de sítios do patrimônio geológico-paleontológico ocientífica em geral, para promover as propostas dos sítios de importância científica, raridade ou beleza, não apenas geológicos que poderão compor os geoparques. por razões geológicas, mas também em virtude de seu No estado do Amazonas, existem dois sítios geológicos valor arqueológico, ecológico, histórico e/ou cultural. Deve cadastrados no SIGEP: o Pico da Neblina e as Dunas da representar um território suficientemente grande para gerar Serra do Aracá (CPRM, 2006b). Há, ainda, novas áreas em atividade econômica, notadamente por meio do turismo. estudo com potencial para serem classificadas como sítios Ainda segundo a UNESCO, o geoparque deve ter tamanho geológicos, como o encontro das águas dos rios Solimões suficiente para contemplar um número de pequenos sítios e Negro. que, tomados em conjunto, revelem feições geológicas - Pico da Neblina: Localizado no município de Santa importantes e raridade de beleza, não precisando ter so- Isabel do Rio Negro, na serra do Imeri, na fronteira com a mente significado geológico-paleontológico. Além disso, Venezuela, é o ponto culminante do Brasil, com 2.994 m tem de prover, pela educação ambiental, treinamento e de altitude (Figura 8.10). É vizinho do Pico 31 de Março, o desenvolvimento de pesquisa científica nas várias disciplinas qual apresenta altitude de 2.972 m. Ambos estão situados das geociências e dar destaque ao ambiente natural e às no Parque Nacional do Pico da Neblina, cujo acesso mais políticas de desenvolvimento sustentável. fácil parte da cidade de São Gabriel da Cachoeira, de onde O impacto local é imediato, reforçando a identificação saem excursões guiadas para essa unidade de conservação. da população com sua região e promovendo o renascimen- Os dois picos são sustentados por rochas metassedimen- to cultural. Respeitando o meio ambiente, os geoparques tares (meta-arenitos e quartzitos) da Formação Serra da estimulam, por exemplo, a criação de empreendimentos Neblina. Existe proposta no SIGEP para caracterizar o Pico locais inovadores, pequenos negócios, indústrias de hospe- da Neblina também como sítio geomorfológico, pelo fato dagem e novos empregos. Proporcionam-se, assim, ganhos de representar o ponto culminante do Brasil. suplementares para a população local e a atração de capital privado, além do desenvolvimento científico inerente à função dos geoparques. Figura 8.11 - Serra do Aracá (beleza cênica, Figura 8.10 - Pico da Neblina (beleza cênica, potencial sítio geológico e potencial sítio geológico, geomorfológico e geomorfológico). Fonte: Amazonastur. paleoambiental). Fonte: Rasteiro et al. (2007). 106 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS A proposta de transformação de uma área em um “Terra das Cachoeiras”, com o objetivo de consolidar seu geoparque deve ser elaborada por autoridades públicas, potencial geoturístico, já reconhecido, e propor a criação comunidades locais e interesses privados em conjunto. do “Geoparque Cachoeiras do Amazonas”. A proposta, Essa proposta, após os estudos competentes, deve ser nesse caso, consiste em identificar, descrever, divulgar e encaminhada à UNESCO, cujos técnicos responsáveis irão promover nessa região os sítios do patrimônio geológico- aprová-la ou não. -paleontológico de especial importância científica, rari- O Programa Geoparques da CPRM/SGB foi instituído dade ou beleza cênica e agregar a eles valor ecológico, com o objetivo de identificar, classificar, descrever, catalogar, espeleológico, histórico, arqueológico e/ou cultural. Dessa georreferenciar e divulgar os parques geológicos do Brasil, maneira, será possível, por meio do adequado conheci- bem como definir diretrizes para seu desenvolvimento no mento científico, inserir as populações locais e visitantes âmbito da sustentabilidade. Nesse programa, em todo o em práticas preservacionistas, conservacionistas e de território brasileiro, são mencionadas 29 áreas com capaci- sustentabilidade no setor geoturístico (NASCIMENTO et dade potencial de se transformar em geoparques, as quais al., 2008). Entre os patrimônios naturais já identificados se encontram em fase de avaliação. e descritos na região de Presidente Figueiredo, podem ser No estado do Amazonas, a CPRM/SGB está realizan- citados: cachoeiras (Figuras 8.12, 8.13 e 8.14), corredeiras do estudos na região de Presidente Figueiredo, cerca de (Figura 8.15), cavernas, grutas, inscrições rupestres, rochas 120 km ao norte da capital (Manaus), conhecida como fossilíferas (Figura 8.9) e paredões rochosos. Figura 8.14 - Cachoeira Natal (beleza cênica, potencial sítio geológico e geomorfológico) (Presidente Figueiredo, AM). Figura 8.12 - Cachoeira Suçuarana (beleza cênica, potencial sítio geológico e geomorfológico) (Presidente Figueiredo, AM). Figura 8.13 - Cachoeira das Orquídeas (beleza cênica, potencial Figura 8.15 - Corredeira Urubuí (beleza cênica e potencial sítio sítio geológico, paleontológico e geomorfológico) (Presidente geológico) (Presidente Figueiredo, AM). Figueiredo, AM). 107 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS POLOS DE ECOTURISMO DO AMAZONAS Os polos de ecoturismo propiciam práticas de turismo: E OS ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS cultural, aventura, esportes, estudos e intercâmbio, negó- cios e eventos, pesca, saúde, náutico e rural, em locais ou O Ministério do Turismo (MTur), por meio do Macro- áreas naturais com atrativos geoturísticos potenciais. O programa de Regionalização do Turismo, definiu as regiões levantamento dos atrativos geoturísticos, devido à riqueza turísticas estratégicas para fins de organização e gestão, da geodiversidade e da biodiversidade no contexto ama- integrando um conjunto de projetos e ações relacionado zônico, abre excelente oportunidade de desenvolvimento ao planejamento que abrange as 27 unidades federativas para os diversos tipos de turismo nacional e internacional. (BRASIL, 2010). No estado do Amazonas, foram instituídos cinco polos de ecoturismo: Amazonas, Saterê, Madeira, Polo de Ecoturismo Amazonas Solimões e Purus-Juruá. Nesse contexto, a Empresa Estadual de Turismo (Ama- O polo de ecoturismo Amazonas inclui os seguintes zonastur) disponibiliza as informações de interesse ao turista, municípios: Autazes, Barcelos, Careiro, Careiro da Várzea, tais como: parques, cachoeiras, acessos, transportes, guias de Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Manaus, Novo Airão, turismo, infraestrutura hoteleira e Centros de Atendimento Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do ao Turista (CAT) existentes nos municípios do estado. Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Silves (Quadro 8.1). Quadro 8.1 - Patrimônio geológico e arqueológico do polo de ecoturismo Amazonas. Polo de Ecoturismo Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Registros geológicos dos últimos 40 mil anos, incluindo Dunas do Aracá, Barcelos dunas desenvolvidas em um contexto climático diferente Sítio geológico (paleoambiental) do atual. cadastrado no SIGEP Pico da Neblina (geomorfológico) Pico culminante do Brasil. Beleza cênica. Exposições de arenito muito resistente que se destaca Presidente Figueiredo Geoparque proposto no relevo amazônico, com cachoeiras, corredeiras e ca- (estratigráfico, espeleológico, pela CPRM/SGB vernas. Estratigrafia da borda norte da Bacia Sedimentar histórico e cultural) do Amazonas. Presença de inscrições rupestres. Esporos, polens, algas, tubo de Registro fossilífero do último 1,6 milhão de anos (Perío- Paleontológico vermes (icnofósseis) e madeira do Quaternário). fossilizada. Cavernas cadastradas na CECAV Complexo de cavernas em arenitos no município de Espeleológico (Base de Dados Geoespacializados Presidente Figueiredo (Maroaga) e Barcelos (Abismo Guy de Cavidades Naturais Subterrâneas) Collet). Mina do Pitinga Principal mina do Amazonas. Exploração de cassiterita. Geomineiro Minas e garimpos (ouro) abandonados com potencial de AMAZONAS Minas e garimpos (inativos) exemplificação da história geológica da mineralização. Registro arqueológico no lago do Limão (Manacapuru Arqueológico Sítios arqueológicos e Iranduba). Encontro das águas. Praias: Dourada, Grande, da Lua, Praias de rio Ponta Negra, Tupã; Balneários de Rio Preto da Eva, Silves e São Gabriel da Cachoeira. Arquipélagos Anavilhanas (Novo Airão) e Mariuá (Barcelos). Cachoeiras e corredeiras Urubuí, Sucuriju, Santuário, Iracema, Natal, Suçuarana, Orquídeas, Caju (Presidente Atrativos Corredeiras e cachoeiras Figueiredo); cachoeiras de Rio Preto da Eva; cachoeira geoturísticos do Leão (Manaus). Morro dos Seis Lagos, serra da Bela Adormecida, morro Boa Esperança, serra do Caburi, serra do Padre, Pico da Picos, serras e abismos Neblina, Pico 31 de Março (São Gabriel da Cachoeira) e Abismo Guy Collet (Barcelos). Onça, Catedral, Palácio do Galo da Serra, Batismo e Raio Grutas (Presidente Figueiredo). Nota: Unidades de Conservação abertas à visitação. 108 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS Como atração geoturística desse polo, destaca-se o Encontro das Águas (Figura 8.16), na porção leste da cidade de Manaus, local onde se pleiteia, junto ao SIGEP, a criação de um sítio geológico (FRANZINELLI e IGREJA, 2010). Nesse local, as águas pretas do rio Negro se encontram com as águas barrentas do rio Solimões, formando o rio Amazonas. Devido às diferenças marcantes de pH, temperatura, matéria orgânica e quantidade de sólidos dissolvidos e em suspen- são, os dois tipos de água não se misturam por mais de 6 km de extensão, em um fenômeno de grande beleza cênica. Outros atrativos que merecem destaque são as ca- choeiras, corredeiras e grutas de Presidente Figueiredo, os arquipélagos e as praias fluviais do rio Negro (Figura 8.17) e o abismo Guy Collet, com 670 m, na serra do Aracá, considerado o mais profundo do mundo em quartzito, Figura 8.17 - Praia do Tupé, na margem esquerda do rio Negro esculpido em rocha da Formação Aracá, no município de (Manaus, AM). Fonte: Amazonastur. Barcelos (AYUB, 2007.) (Figura 8.18). Com relação aos atrativos geoturísticos, destaca-se a Polo de Ecoturismo Saterê cidade de Maués, que abriga a Praia Ponta da Maresia (Fi- gura 8.19), com mais de 500 m de extensão, nas margens O polo de ecoturismo Saterê abrange os municípios do rio Maués-Açu. Também merecem destaque as praias de Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Itapiranga, Maués, dos rios Mamuru e Uaicurapá, no município de Parintins, Nhamundá, Parintins, São Sebastião do Uatumã, Urucará e as praias do município de Nhamundá, como a Praia da e Urucurituba (Quadro 8.2). Liberdade. Figura 8.18 - Abismo Guy Collet (potencial sítio Figura 8.16 - Encontro das águas dos rios Negro e Solimões (Manaus, AM). geológico, espeleológico e geomorfológico) (serra Fonte: Amazonastur. do Aracá, Barcelos, AM). Fonte: Amazonastur. Quadro 8.2 - Patrimônio geológico e arqueológico do polo de ecoturismo Saterê. Polo de Ecoturismo Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Minas do Jatapu Minas de calcário e ferro do rio Jatapu (Urucará). Geomineiro Minas e garimpos (ouro e ferro) abandonados com Minas e garimpos (inativos) potencial de exemplificação da história geológica da Saterê mineralização. Arqueológico Sítios arqueológicos Registro arqueológico em Parintins. Atrativos geoturísticos Praias de rio Balneários de Parintins, Maués e Nhamundá. Nota: Unidades de conservação abertas à visitação. 109 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS No rio Sucunduri, a montante da Rodovia Transa- mazônica (BR-230), no município de Apuí, são comuns trechos encachoeirados, como é o caso da cachoeira de Monte Cristo (Figura 8.20), suportada por lajedos de rocha arenítica do Grupo Alto Tapajós e que se constitui em um dos atrativos geoturísticos desse polo. No rio Juma, a 4 km da sede de Apuí, destaca-se outro atrativo geoturístico: a cachoeira Apuí (Figura 8.21), com queda d’água de aproximadamente 4 m de altura, sustentada por siltitos acinzentados da Formação Juma (Grupo Alto Tapajós). Ainda no município de Apuí, o rio Camaiú, afluente do rio Sucunduri, expõe um complexo de corredeiras, cânions e cachoeiras de grande beleza cênica. Polo de Ecoturismo Solimões Figura 8.19 - Praia Ponta da Maresia (beleza cênica) (Maués, AM). Fonte: Amazonastur. Os municípios de Amaturá, Atalaia do Norte, Benja- min Constant, Coari, Fonte Boa, Santo Antônio do Içá, São Polo de Ecoturismo Madeira Paulo de Olivença, Tabatinga e Tefé constituem o polo de ecoturismo Solimões (Quadro 8.4). O polo de ecoturismo Madeira contempla os municí- Nesse polo, destaca-se a cidade de Tefé, a maior da pios de Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Apuí e região, e que abriga, nas épocas de vazante, praias às Nova Olinda do Norte (Quadro 8.3). margens do lago homônimo (Figura 8.22). Quadro 8.3 - Patrimônio geológico do polo de ecoturismo Madeira. Polo de Ecoturismo Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Minas e garimpos (ouro) abandonados com po- Geomineiro Minas e garimpos (inativos) tencial de exemplificação da história geológica da Madeira mineralização. Praias, cachoeiras e corredeiras Balneários, cachoeiras e corredeiras de Apuí. Atrativos geoturísticos Serras e domos Complexo de serras do Domo do Sucunduri (Apuí). Nota: Unidades de conservação abertas à visitação. Figura 8.20 - Cachoeira de Monte Cristo (beleza cênica, potencial sítio geológico e geomorfológico) Figura 8.21 - Cachoeira Apuí (beleza cênica, potencial sítio geológico e (Apuí, AM). Fonte: Sílvio Riker. geomorfológico) (Apuí, AM). 110 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS Quadro 8.4 - Patrimônio geológico e arqueológico do pólo de ecoturismo Solimões. Polo de Ecoturismo Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Atrativos geoturísticos Praias de rio Balneários de Tefé. Local de extração de óleo e gás em meio Solimões Geomineiro Extração de óleo e gás à Floresta Amazônica (Coari). Arqueológico Sítios arqueológicos Registro arqueológico em Coari. Nota: Unidades de conservação abertas à visitação. galmente protegidos pelo poder público e integrados aos cenários de desenvolvimento sustentável. O Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC) do Amazonas, conforme modelo adotado pelo Sis- tema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), divide as unidades de conservação em dois grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. São consideradas Unidades de Proteção Integral as Reservas Biológicas (REBIO), os Parques Estaduais (PE), os Parques Nacionais (PARNA), as Estações Ecológicas (ESEC) e as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). Já as Unidades de Uso Sustentável estão divididas nas se- guintes categorias: Reservas Extrativistas (RESEX), Reservas Figura 8.22 - Vista de praia formada às margens do lago de Tefé, de Desenvolvimento Sustentável (RDS), Áreas de Relevante na cidade homônima. Fonte: Amazonastur. Interesse Ecológico (ARIE), Florestas Estaduais (FLOE), Florestas Nacionais (FLONA), Áreas de Proteção Ambiental Polo de Ecoturismo Purus-Juruá (APA) e Reservas Particulares de Desenvolvimento Susten- tável (RPDS). Nesse polo estão inseridos os municípios de Boca A categoria mais restritiva, de nível máximo de proteção, do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé, Envira, Guajará, é a REBIO, que tem como objetivo a preservação integral da Ipixuna, Itamarati, Lábrea, Pauini e Tapauá (Quadro 8.5). biota e demais atributos naturais, sendo permitida somente Como principais atrativos geoturísticos, destacam-se a atividade de pesquisa científica em seus domínios. As ca- praias fluviais nos municípios de Carauari, Eirunepé, Gua- tegorias menos restritivas são: Áreas de Relevante Interesse jará, Itamarati, Lábrea, Pauini e Tapauá. Outros potenciais Ecológico (ARIE) e Áreas de Proteção Ambiental (APA). atrativos são lago do Gavião, em Carauari, e a cachoeira do À exceção das REBIOs e das ESECs, as demais cate- município de Itamarati. gorias de unidades de conservação permitem visitas de turistas. O SEUC do Amazonas contava, em 2009, com 34 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO ABERTAS unidades de conservação estaduais (AMAZONAS, 2007). À VISITAÇÃO Destas, apenas a REBIO Morro dos Seis Lagos não permite visitação (Quadro 8.6). Por meio das políticas públicas atuais, os espaços Existem 48 unidades de conservação federais no territoriais têm seus recursos ambientais, incluindo águas estado do Amazonas, sendo permitida a visitação em 42 jurisdicionais, com características naturais relevantes, le- delas (Quadro 8.7). Quadro 8.5 - Patrimônio geológico do pólo de ecoturismo Purus-Juruá. Polo de Ecoturismo Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Balneários em Carauari, Eirunepé, Guajará, Itamarati, Purus-Juruá Atrativos geoturísticos Praias de rio Lábrea, Pauini e Tapauá. Nota: Unidades de conservação abertas à visitação. Quadro 8.6 - Unidades de conservação estaduais abertas à visitação no Amazonas. Nome Categoria Uso APA da MD do Rio Negro – Setor Paduari/Solimões Área de Proteção Ambiental Uso Sustentável 111 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Nome Categoria Uso APA da ME do Rio Negro – Setor Aturiá/Apuauzinho Área de Proteção Ambiental Uso Sustentável APA da ME do Rio Negro – Setor Tarumã-Açu/Tarumã-Mirim Área de Proteção Ambiental Uso Sustentável APA de Presidente Figueiredo Caverna do Maroaga Área de Proteção Ambiental Uso Sustentável APA de Nhamundá Área de Proteção Ambiental Uso Sustentável FLOE do Rio Urubu Floresta Estadual Uso Sustentável FLOE de Maués Floresta Estadual Uso Sustentável PE da Serra do Aracá Parque Estadual Proteção Integral PE do Rio Negro – Setor Norte Parque Estadual Proteção Integral PE do Rio Negro – Setor Sul Parque Estadual Proteção Integral PE Nhamundá Parque Estadual Proteção Integral PE Sumauma Parque Estadual Proteção Integral RDS Juma Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS Amanã Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS Uacari Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS Rio Amapá Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS do Uatumã Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável7 RDS Piagaçu-Purus Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS do Cujubim Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS Canumã Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS Rio Madeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS Mamirauá Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RESEX do Catuá-Ipixuna Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX Rio Gregório Reserva Extrativista Uso Sustentável RDS Aripuanã (Mosaico do sul do estado) Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RDS Bararati (Mosaico do sul do estado) Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uso Sustentável RESEX do Guariba (Mosaico do sul do estado) Reserva Extrativista Uso Sustentável FLOE de Manicoré (Mosaico do sul do estado) Floresta Estadual Uso Sustentável FLOE do Aripuanã (Mosaico do sul do estado) Floresta Estadual Uso Sustentável FLOE do Sucunduri (Mosaico do sul do estado) Floresta Estadual Uso Sustentável FLOE de Apuí (Mosaico do sul do estado) Floresta Estadual Uso Sustentável PE do Guariba (Mosaico do sul do estado) Parque Estadual Proteção Integral PE do Sucunduri (Mosaico do sul do estado) Parque Estadual Proteção Integral Quadro 8.7 - Unidades de conservação federais abertas à visitação no Amazonas. Nome Categoria Uso ARIE Javari/Buriti Área de Relevante Interesse Ecológico Uso Sustentável ARIE Projeto Dinâmica Biológica de Frag. Florestais Área de Relevante Interesse Ecológico Uso Sustentável FLONA Amazonas Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Balata – Tufari I Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Balata – Tufari II Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Balata – Tufari III Floresta Nacional Uso Sustentável Ampliação FLONA Balata Tufari Floresta Nacional Uso Sustentável 112 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS Nome Categoria Uso FLONA Cubaté Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Cuiari Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA de Humaitá Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA do Pau-Rosa Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Içanã Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Içanã-Aiari Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Iquiri Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Jatuarana Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Mapiá-Inauini Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA PARI – Cachoeira I Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Pari – Cachoeira II Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Piraiauara Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Purus Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Taracuá I Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Taracuá II Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Tefé Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Urucu Floresta Nacional Uso Sustentável FLONA Xié Floresta Nacional Uso Sustentável PARNA Campos Amazônicos I Parque Nacional Proteção Integral PARNA Campos Amazônicos II Parque Nacional Proteção Integral PARNA Campos Amazônicos III Parque Nacional Proteção Integral PARNA do Jaú Parque Nacional Proteção Integral PARNA do Pico da Neblina Parque Nacional Proteção Integral PARNA Juruena Parque Nacional Proteção Integral PARNA Mapinguari Parque Nacional Proteção Integral PARNA Nascentes do Lago Jari Parque Nacional Proteção Integral RESEX Arapixi Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX Auati-Paraná Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX do Baixo Juruá Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX do Médio Juruá Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX do Médio Purus Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX do Rio Jutaí Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX do Rio Unini Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX Ituxi Reserva Extrativista Uso Sustentável RESEX Lago do Capanã Grande Reserva Extrativista Uso Sustentável REFERÊNCIAS o abismo Guy Collet com 670 metros de profundidade, relação preliminar. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ESPE- AMAZONAS. Governo do Estado. Unidades de conser- LEOLOGIA, 29., Ouro Preto, 2007. Anais... Ouro Preto: vação do estado do Amazonas. Manaus: SDS/SEAPE, SBE, 2007. 2007. 88 p. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Base de dados AYUB, S. A. ONG Akakor Geographical Exploring desco- geoespacializados de cavidades naturais subter- bre a caverna mais profunda do mundo em quartzito: râneas do CECAV. [Brasília]: MME, [S. d.]. Disponível 113 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS em: . Acesso em: abr. propostas/Ponta_das_Lajes_AM.htm>. Acesso em: 07 2008. abr. 2010. BRASIL. Ministério do Turismo. Macroprograma de MORAES, C. P. Arqueologia na Amazônia central vista regionalização do turismo. Brasília: [Ministério do de uma perspectiva da região do lago do Limão. Turismo, S. d.]. Disponível em: . Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível Acesso em: 09 abr. 2010. em: . Acesso em: 06 maio 2010. CAMPOS, Sinésio da Silva (Org.). Geodiversidade do Amazonas: política mineral no estado do Amazonas, NASCIMENTO, Marcos A. L. do; RUCHKYS, Ursula A.; relatório da comissão especial. Manaus: Assembleia Le- MANTESSO-NETO, Virginio. Geodiversidade, geocon- gislativa do Estado do Amazonas, 2004. 36 p. servação e geoturismo: trinômio importante para prote- ção do patrimônio geológico. São Paulo: SBG, 2008. 82 p. CONAMA. Brasil. Resolução n. 347, de 10 de setembro de 2004. [Brasília]: Conselho Nacional de Meio Ambiente, PONTOS turísticos em Carauari, Amazonas. Disponível 2004. Disponível em: . Acesso em: 09 abr. 2010. MA%20Espeleologia.xml>. Acesso em: 09 abr. 2010. RASTEIRO, M. et al. Expedição Amazonas na região da CPRM. Geologia e recursos minerais do estado do serra do Aracá. SBE Notícias, [S. l.], n. 39, 21 jan. 2007. Amazonas: Sistema de informações geográficas (SIG). Disponível em: . Acesso em: 7 abr. 2010. -ROM. Programa Geologia do Brasil: integração, atuali- zação e difusão de dados da geologia do Brasil. Mapas SIGEP. Sítios publicados. Disponível em: . Acesso em: 2 abr. 2008. CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil: escala SILVA, Cassio Roberto da (Ed.). Geodiversidade do 1:2.500.000. Rio de Janeiro: CPRM, 2006b. 68 p. Brasil: conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008. 264 p. FRANZINELLI, E.; Igreja, H. Ponta das Lajes: proposta à Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobio- TEIXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Ofici- lógicos. Disponível em: . Acesso em: jun. 2009); Anuário Mineral do Departamento Nacional de Produção Mineral (disponível em: . Acesso em: ago. 2008). Nota: Em negrito estão as áreas com aproveitamento comprovado e/ou com indicação de aproveitamento. - Calcário e Ferro do Rio Jatapu do Amazonas (CIGÁS), com conselhos estaduais (Conselho - Depósitos de Ouro do Rio Madeira Estadual de Meio Ambiente (CEMAAM), Conselho Estadual Os principais recursos minerais do estado do Amazo- de Recursos Hídricos (CERH) e Conselho Estadual de Geodi- nas, incluindo as áreas propostas como de relevante interes- versidade (CEGEO)) e com as unidades gestoras do Centro se mineral são apresentados resumidamente no Quadro 9.1. Estadual de Mudanças Climáticas (CECLIMA) e do Centro Para água mineral (ou potável de mesa), óleo e gás, Estadual de Unidades de Conservação (CEUC). devido a limitações inerentes ao volume de informações nas A SDS promove o uso sustentável dos recursos mine- bases de dados, só foi possível a indicação da importância rais e hídricos a partir do conceito de Geodiversidade, que relativa de áreas com maior concentração de ocorrências. propõe o equilíbrio entre o uso dos recursos minerais, de Devem ser citados corpos graníticos e vulcânicos no óleo e gás e a conservação da natureza. As ações nesse estado do Amazonas que poderiam ser utilizados como setor são conduzidas pela Secretaria Executiva de Geodi- rochas ornamentais. Porém, tais corpos necessitam de versidade e Recursos Hídricos (SEGEORH), criada a partir da estudos mais detalhados para se avaliar seu real potencial. Lei Delegada nº 66/2007. Ainda no estado, há indícios, ocorrências e/ou peque- Na construção das diretrizes para sustentabilidade da nos garimpos de gemas (ametista, turmalina, água-mari- mineração e exploração de óleo e gás no estado do Ama- nha, diamante e topázio), mas, devido à pouca quantidade zonas, a SEGEORH conta com as contribuições do Conselho de dados e carência de estudos nas áreas, optou-se por não Estadual de Geodiversidade (CEGEO/AM), criado a partir realizar a abordagem para esses bens minerais. do Decreto nº 28.677/2009, formado por 67 instituições públicas, privadas e de representação da sociedade civil. POLÍTICA AMBIENTAL DO ESTADO DO AMAZONAS ÁREAS COM RESTRIÇÃO À MINERAÇÃO A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvi- O Sistema Nacional de Unidades de Conservação mento Sustentável (SDS) é a responsável por garantir no Ama- (SNUC) (Lei nº 9.985/2000) define unidade de conservação zonas a proteção da natureza e o uso dos recursos naturais, como “espaço territorial e seus recursos ambientais, in- com valorização social, etnoambiental e econômica. O governo cluindo as águas jurisdicionais, com características naturais do estado do Amazonas, por meio da SDS, objetiva ser re- relevantes, legalmente instituídos pelo Poder Público, com ferência nacional e internacional na formulação e gestão de objetivos de conservação e limites definidos, sob regime políticas públicas ambientais e de desenvolvimento sustentável. especial de administração, ao qual se aplicam garantias A partir da Lei Delegada nº 66, de 09 de maio de adequadas de proteção”. 2007, foram ajustadas as ações da SDS no âmbito de suas O SNUC é constituído por áreas federais, estaduais e finalidades, competências e estrutura organizacional, de municipais e possui diferentes categorias de unidades de forma a fortalecer a presença do Sistema SDS, que atua em conservação, de proteção integral e de uso sustentável de- articulação com autarquias vinculadas (Instituto de Proteção vidamente cadastradas pelo Ministério do Meio Ambiente Ambiental do Amazonas (IPAAM), Agência de Desenvolvi- (MMA), com a colaboração do Instituto Brasileiro do Meio mento Sustentável do Amazonas (ADS), Companhia de Gás Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). 121 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS O grupo das unidades de proteção integral é constitu- Sustentável do Amazonas – Zona Franca Verde. O mosaico ído pelas seguintes categorias: Estação Ecológica, Reserva de áreas protegidas do estado é o maior da América Latina Biológica, Parque Nacional, Monumento Natural e Refúgio (Figura 9.3). da Vida Silvestre, que são consideradas zona rural para os O estado do Amazonas possui 83.584.516 ha de efeitos legais. O grupo das unidades de uso sustentável é áreas protegidas, o que equivale a 51,8% de seu território, composto pelas categorias: Área de Proteção Ambiental, Área sendo que 43.195.987 ha correspondem a terras indíge- de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva nas (27,70%), 19.007.033 ha a unidades de conservação Extrativista, Reserva da Fauna, Reserva de Desenvolvimento federal (12,19%) e 18.591.553 ha a unidades de conser- Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural. vação estadual (11,92%). Existem 8.236.166 ha de áreas O valor coletivo de todas as espécies de animais de sobreposição entre unidades de conservação e terras e plantas, variabilidade genética e diversidade hídrica indígenas e 1.793.759 ha de sobreposição entre as diversas ainda não foi adequadamente estimado por uma aná- categorias de unidades de conservação. lise econômica formal. As áreas protegidas apresentam A criação de áreas protegidas gera novos desafios, um papel importante na promoção do desenvolvimento pois, para muitas delas, ainda não existem planos de ma- sustentável e na manutenção da saúde dos ecossistemas nejo, assim como medidas básicas de implementação em e da integridade necessária para os processos evolutivos termos de monitoramento, controle, educação ambiental e ao longo do tempo. desenvolvimento sustentável não foram tomadas também As áreas protegidas do estado do Amazonas incluem nessas localidades. Devido a grandes dimensões e inaces- unidades de conservação federais, estaduais, municipais e sibilidade dessas áreas protegidas, os custos são conside- terras indígenas. Cada categoria possui sua missão especí- ravelmente altos para o orçamento existente e conflitam fica na implementação da Estratégia Estadual de Conserva- com as demandas de investimentos governamentais em ção da Biodiversidade e no Programa de Desenvolvimento educação, saúde, habitação, infraestrutura etc. Figura 9.3 - Áreas de relevante interesse mineral versus áreas com restrição para as atividades de mineração no estado do Amazonas. Nota: Cartograma incluso no Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas. 122 ÁREAS DE RELEVANTE INTERESSE MINERAL E RESTRIÇÕES ÀS ATIVIDADES DE MINERAÇÃO Atualmente, o estado do Amazonas conta com 41 ção requer a análise técnica da abertura de um ramal que unidades de conservação estaduais e 33 federais, que corres- atravesse as demais unidades de conservação. pondem a 24,11% de sua área total, incluindo as unidades - Calcário dos Rios Jatapu e Abacate (Municípios de de uso sustentável e de proteção integral. O potencial bio- Urucará e São Sebastião do Uatumã): Essas reservas lógico e econômico dessas áreas é largamente reconhecido, sustentam a indústria de cimento Itautinga, que funciona porém ainda pouco estudado. O volume relativamente baixo no Polo Industrial de Manaus. Em função do regime hidro- de estudos detalhados quanto aos aspectos sociais, da bio- lógico dos rios Jatapu e Abacate, que não são navegáveis diversidade, serviços ecológicos e possíveis vulnerabilidades nos períodos de vazante (duração aproximada de seis me- ambientais torna difícil a elaboração de planos de manejo ses), a empresa discute, em seu licenciamento ambiental, e implementação das áreas protegidas no estado. compensações ambientais à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, devido à necessidade do uso do AS ARIMS NO CONTEXTO ramal do Pau-Rosa para escoamento da produção entre os DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL rios Abacate e Uatumã, esse último navegável o ano todo. DO AMAZONAS - Reservas de Óleo e Gás da Bacia Sedimentar do Solimões (Região do Médio Rio Solimões): A poten- O conceito de Geodiversidade nasce da necessidade cialidade comprovada da Bacia Sedimentar do Solimões do uso sustentável dos recursos minerais e de óleo e gás. para exploração de óleo e gás, identificada pelos projetos Nesse sentido, os diversos atores envolvidos no tema de- Urucu e Juruá, da Petrobras, e a recente inauguração do vem trabalhar na atração de investidores, prospectores e Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, têm levado a Agência mineradores imbuídos das tecnologias de pesquisa e lavra Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mineral com sustentabilidade e responsabilidade ambiental. a discutir com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)/IBAMA e com o Centro Esta- Parcerias entre Mineração e as Unidades dual de Unidades de Conservação (CEUC) (Governo do de Conservação Amazonas) a possibilidade de licitação de novos blocos exploratórios na região, sobrepostos, parcialmente, a A mineração e a exploração de óleo e gás são con- Reservas Extrativistas (RESEX) e a Reservas de Desenvolvi- sideradas indutoras do desenvolvimento socioeconômico mento Sustentável (RDS). regional. É preciso estimular ainda outro ganho para o - Reservas de Nióbio de Seis Lagos (Município de São Amazonas e suas unidades de conservação: a preservação Gabriel da Cachoeira): Pesquisa geológica da CPRM/SGB ambiental. na década de 1970 identificou a maior reserva de nióbio Embora os projetos de exploração mineral sejam fre- do mundo na região de Seis Lagos, com cerca de 2,9 quentemente vistos pela comunidade em geral como fontes bilhões de toneladas de minério e teor de 2,8% de óxido de degradação ambiental, o exemplo do Projeto de Carajás de nióbio. O potencial de nióbio contido foi calculado em e sua parceria com a Floresta Nacional de Carajás, no estado 81,5 milhões de toneladas, volume suficiente para manter a do Pará, tem garantido afastada a devastação observada atividade de mineração por cerca de 400 anos. A lavra desse fora dos limites da unidade de conservação. depósito mineral enfrenta sérias questões legais, já que na O estado do Amazonas entende ser possível a convi- região, após a descoberta da importante reserva de nióbio, vência entre a atividade mineral e suas unidades de conser- foram criadas duas unidades de conservação de proteção vação. Desenvolver o setor mineral sob os mais altos padrões integral: o Parque Nacional do Pico da Neblina e a Reserva de sustentabilidade ambiental é dirimir conflitos, minimizar Biológica do Morro dos Seis Lagos, ambas englobando o os impactos ambientais, assegurar o desenvolvimento local da jazida. Além disso, a área foi demarcada como socioeconômico e a participação efetiva das comunidades Terra Indígena Balaio. envolvidas no processo e, quando possível, remover a figura da mineração ilegal – o garimpo. Mineração em Terras Indígenas e em Áreas São apresentados, a seguir, alguns estudos de caso em de Fronteira discussão no âmbito do Conselho Estadual de Geodiversi- dade do Amazonas: O estado do Amazonas possui a maior população - Calcário do Rio Sucunduri (Sul do Amazonas): Re- indígena do Brasil, com cerca de 120 mil pessoas, 66 etnias presentam as únicas reservas de calcário dolomítico (uso na e 29 línguas faladas. Essa riqueza de diversidade cultural agricultura) conhecidas no estado do Amazonas, situadas existente no estado é tão grande quanto as dimensões na localidade de Terra Preta, no município de Apuí. Com continentais do nosso país. a criação em 2005 e 2006 de um mosaico de unidades de A exploração e o aproveitamento de recursos minerais conservação estadual e federal na região sul do Amazonas, em terras indígenas são previstos na Constituição Federal embora os depósitos estejam localizados dentro dos limites de 1988 a partir do que dispõem os artigos 176 e 231. da Floresta Estadual do Sucunduri, o escoamento da produ- No âmbito estadual, a regulamentação da atividade de exploração mineral em terras indígenas vem sendo discu- 123 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS tida por meio de seminários, fóruns e estudos promovidos (iv) desenvolvimento de infraestrutura básica adequada às pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (SEIND) e necessidades e particularidades do setor e da região; (v) re- pela Secretaria Executiva de Geodiversidade e Recursos gularização das atividades de exploração mineral informais. Hídricos da SDS. A SEIND é favorável à exploração mineral, desde que a REFERÊNCIAS lei que regulamentará a atividade inclua a garantia de que as comunidades indígenas sejam ouvidas e possam parti- AMAZONAS (Estado). Relatório de gestão 2008 do cipar do aproveitamento sustentável das jazidas existentes sistema SDS. Manaus: Secretaria de Estado do Meio em suas terras. Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, 2009. 142p. As comunidades indígenas da região do Alto Rio Negro, representadas pela Federação das Organizações AMAZONAS (Estado). Sistema estadual de unidades Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN), são as que apresen- de conservação – SEUC. 2. ed. Manaus: Secretaria de tam maior esforço e maturidade na discussão do tema. Na Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentá- “Carta de Tomada de Decisão dos Povos Indígenas dos Rios vel, 2008. Içana e Tiquié”, aprovada em 2005 no município de São Gabriel da Cachoeira, decidiu-se pelo desenvolvimento de AMAZONAS (Estado). Unidades de conservação do uma agenda positiva, em conjunto com os governos federal, estado do Amazonas. Manaus: Secretaria de Estado estadual, municipal e o poder legislativo, para elaboração do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e implementação do Projeto Extrativismo Mineral e Vegetal 2007, 88 p. Indígena, como fase experimental, cabendo aos gestores públicos legalizar e reconhecer essas atividades. BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Secretaria de A FOIRN e a SEIND trabalham junto às comunidades do Geologia, Mineração e Transformação Mineral. Projeto Alto Rio Negro na discussão e aprovação do Projeto-Piloto ordenamento territorial geomineiro: resultados. LICEU LAPIDART, que tem por objetivo promover a inclusão Brasília: MME, 2008. DVD-ROM. social e geração de renda por meio de cursos profissionali- zantes, com a instalação de uma incubadora de lapidação CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil: influência da de pedras preciosas na cidade de São Gabriel da Cachoeira. geologia dos grandes geossistemas no uso e ocupação Outro desafio que se apresenta no estado é o de dos terrenos. Brasília: CPRM, 2006a. 68 p. 1 CD ROM. estimular a atividade de exploração mineral nas chamadas “Faixas de Fronteira”, que são regulamentadas no Código CPRM. Geologia e recursos minerais do estado do de Mineração como a faixa de 250 km de largura ao longo Amazonas. Brasília: CPRM, 2006b. 126 p. CD ROM. do limite territorial brasileiro. As atividades nessas áreas devem ser submetidas à aprovação do Conselho Nacional CPRM. Mapa de domínios e subdomínios hidrogeo- de Justiça (CNJ) em função das características de soberania lógicos do Brasil. Brasília: CPRM, 2007. CD ROM. e segurança nacional. MATOS, Gerson Manoel Muniz de; MELLO, Ivan Sergio de VISÃO DE FUTURO Cavalcanti; GONÇALVES, João Henrique (Coords.). Áreas de relevante interesse mineral no Brasil (ARIM). O estado do Amazonas reconhece os desafios da mi- Belo Horizonte: CPRM, 2009. 70 p.: il.; 30cm. neração e exploração de óleo e gás em seu território, que, de certa maneira, são semelhantes ao da própria Amazô- REIS, N. J. et al. (Orgs.). Geologia e recursos minerais nia: (i) atualização dos marcos regulatórios a que o setor do estado do Amazonas: texto explicativo. Escala está submetido; (ii) amplo incremento no conhecimento 1:1.000.000. Manaus: CPRM, 2006. 144 p. Disponível dos recursos minerais e de óleo e gás; (iii) implantação de em: ; . Acesso em: 30 dez. 2009. 124 10 RECURSOS MINERAIS Silvio Roberto Lopes Riker (silvio.riker@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ......................................................................................................... 127 Substâncias minerais .......................................................................................... 127 Argila .............................................................................................................. 127 Areia ............................................................................................................... 128 Brita ................................................................................................................ 129 Seixo ............................................................................................................... 130 Rochas ornamentais ........................................................................................ 130 Calcário ........................................................................................................... 130 Caulim ............................................................................................................. 131 Gipsita ............................................................................................................. 132 Fosfato ............................................................................................................ 132 Silvinita ........................................................................................................... 132 Água subterrânea............................................................................................ 133 Linhito ............................................................................................................. 133 Turfa ................................................................................................................ 133 Petróleo e gás ................................................................................................ 133 Bauxita (alumínio) .......................................................................................... 134 Cromo, níquel, cobalto, cobre e platinoides .................................................... 135 Ferro ............................................................................................................... 135 Manganês ....................................................................................................... 135 Metais básicos ................................................................................................. 136 Magnesita ...................................................................................................... 136 Barita .............................................................................................................. 136 Nióbio ............................................................................................................. 136 Estanho (cassiterita) ........................................................................................ 137 Ouro................................................................................................................ 137 Monazita e topázio ......................................................................................... 138 Referências ......................................................................................................... 138 RECURSOS MINERAIS INTRODUÇÃO cerca de 80% da construção civil no estado do Amazonas e produz cerca de 13 milhões de peças/mês (em torno de O desenvolvimento do setor mineral do estado do 90% de tijolos e 10% de telhas). O Polo Cerâmico de Parin- Amazonas passa pela mudança do modelo extrativista ora tins é o segundo mais importante na produção de tijolos em curso, em grande parte, para aquele que possa privi- e telhas e é seguido pelo de Itacoatiara, onde a empresa legiar, além da extração, a verticalização da mineração no próprio estado. Tabela 10.1 - Reservas oficiais de argila do estado do Amazonas. Cumpre enfatizar que a atual restrição à pesquisa e exploração mineral nas terras indígenas, a criação pelo pró- Substância Empresa Município Reservas (t) prio estado de áreas de proteção ambiental em regiões com reconhecido potencial mineral e a demora na liberação das Argila (cerâmica Cerama Iranduba 35.877.339 licenças ambientais expedidas pelos órgãos competentes se vermelha) Litiara Itacoatiara 5.595.700 constituem em entraves ao pleno desenvolvimento do setor Argila (cimento) CBE Manaus 3.546.766 mineral do estado do Amazonas. Fonte: Reis et al. (2006). SUBSTÂNCIAS MINERAIS Argila No estado do Amazonas, seis tipos de material argiloso são conhecidos, sendo com- postos, em grande parte, pela mistura dos mi- nerais caulinita, ilita, montmorilonita, quartzo e goethita: (a) argilas plásticas dos depósitos aluvionares de planície aluvial (são as mais utili- zadas no fabrico de tijolos, telhas e artesanatos cerâmicos); (b) argilas plásticas dos depósitos aluvionares (utilizadas no fabrico de tijolos, telhas e artesanatos cerâmicos); (c) argilas dos depósitos de terraços aluvionares (fabrico de tijolos e, em parte, para telhas); (d) argilas deri- vadas dos argilitos da Formação Novo Remanso (fabrico de tijolos e, em parte, para telhas); (e) argilas mosqueadas derivadas da alteração dos argilitos da Formação Alter do Chão (utilizadas em parte para o fabrico de tijolos); (f) argilas le- vemente arenosas representativas de latossolos (utilizadas em aterros, argamassas e na mistura para o fabrico do cimento portland). As reservas de argila do estado do Ama- zonas podem ser classificadas como oficiais (Tabela 10.1) e não-oficiais. Essas últimas são aquelas quantificadas em projetos efetuados pela CPRM/SGB, estando assim distribuídas: - Reserva geológica do Polo Cerâmico de Iranduba-Manacapuru: 4.315.000.000 m3 (D’ANTONA et al., 2007). Reserva inferida: 320.945.000 m3. Argila quantificada nos municípios de Autazes, Boa Vista do Ramos, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Itapiranga, Maués, Nova Olinda do Norte, Sil- ves, Urucará e Urucurituba (RIKER et al., 2008). O Polo Cerâmico de Iranduba-Manacapu- ru é o mais importante na produção de tijolos Figura 10.1 - (A) Lavra de argila dos depósitos de terraços aluvionares da região e telhas (Figura 10.1). Ele representa 92% da do rio Manacapuru (fabrico de tijolos). (B) Forno tipo “abóbada” para fabricação produção de cerâmica estadual, movimenta de tijolos de oito furos (Manacapuru, AM). Fonte: Teixeira et al. (2009). 127 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Litiara Indústria Cerâmica da Amazônia Ltda. vem produ- Areia zindo cerca de 1,2 milhões de peças/mês de tijolos, blocos estruturais e blocos aparentes (Figura 10.2). A produção A areia é abundante no estado do Amazonas. Com- bruta de argila no estado do Amazonas no ano de 2005 posta essencialmente por grãos de quartzo, é amplamente foi de 131.355 t (BRASIL, 2006). usada na indústria da construção civil. Ocorre nos seguintes Além da aplicação das argilas na indústria da cerâmica tipos de depósitos: vermelha, onde os ensaios tecnológicos indicam aplicabilida- - Depósitos aluvionares representativos de barras de de ao fabrico de tijolos e telhas, necessário se faz fomentar canais fluviais e de dunas subaquosas, comum nos municí- projetos e incentivar empresas a produzir cerâmica artesanal pios de Japurá, Maraã, Tefé, Coari, Codajás, Anori, Anamã decorativa, lajotas para revestimento e pisos cerâmicos. (derivados do desmantelamento da Formação Içá), Novo Além disso, deve-se efetuar o estudo das argilas expansivas Airão, Nhamundá, São Sebastião do Uatumã, Itapiranga, (montmoriloníticas) para produção de agregado leve a ser Maués, Humaitá, Manicoré, São Gabriel da Cachoeira, empregado em concretos estruturais na indústria da cons- Barcelos, Apuí e Lábrea. trução civil e estimular a criação de laboratório, para ensaios - Espodossolos derivados dos arenitos da Formação tecnológicos de argila, para dar suporte aos polos cerâmicos. Novo Remanso (municípios de Careiro da Várzea e Boa Vista do Ramos). - Espodossolos derivados dos arenitos da Formação Alter do Chão (municípios de Ma- naus, Itacoatiara, Rio Preto da Eva, Iranduba, Manacapuru, Novo Airão, Itapiranga, Silves e Urucurituba). - Espodossolos derivados dos arenitos da Formação Nhamundá do Grupo Trombetas (município de Presidente Figueiredo). Para atendimento à grande demanda de areia que se prevê para a cidade de Manaus até o ano da Copa do Mundo (2014), bem como para o consumo que a Região Metropolitana de Manaus terá daqui para frente, sugere- -se o aproveitamento dos depósitos a seguir relacionados, por apresentarem melhor con- dicionamento geológico e maior potencial, já devidamente conhecido, conforme Riker (2009): - Região compreendida entre Manaus, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva; nes- se setor, a CPRM/SGB cadastrou mais de 150 areais, cuja reserva está estimada em cerca de 80 milhões de m3. - Bacia do igarapé Tapaiuna, afluente esquerdo do rio Preto da Eva, município de Ita- coatiara; nessa região se localiza a maior mina de areia do município (Areial do Prefeito), que abastece a sede e seus arredores (Figura 10.3). - Região compreendida por parte dos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, cortada pelas rodovias AM-070 e AM- 352; nesse setor, a CPRM/SGB já cadastrou vários areais. - Leito de igarapés afluentes da margem esquerda do rio Manacapuru, na porção compreendida entre os igarapés Mundurucus e Macumiri, bem como o leito do próprio rio Manacapuru; nesse último ocorre a extração de Figura 10.2 - (A) Lavra em depósitos aluvionares de planície aluvial da empresa areia com draga de sucção de 6 polegadas nas Litiara Indústria Cerâmica da Amazônia Ltda. (B) Produção de tijolos na olaria proximidades da foz do igarapé Mundurucus dessa empresa (Itacoatiara, AM). Fonte: Riker et al. (2008). (Figura 10.4). 128 RECURSOS MINERAIS rio Preto da Eva e rio Urubu (RIKER et al., 2008) e no município de Manacapuru, na bacia do rio homônimo (TEIXEIRA et al., 2009). - Rochas vulcânicas do Grupo Iricoumé (Fi- gura 10.6) e granitoides das suítes Água Branca e Mapuera, que ocorrem no setor setentrional do município de Presidente Figueiredo, cujos afloramentos são alcançados pela Rodovia BR- 174. Nesse município existem seis minas em atividade, com produção de brita proveniente tanto de rochas vulcânicas como de granitoi- des. Porém, a produção encontra-se aquém da demanda atual do setor da construção civil da Grande Manaus. - Gnaisses e metagranitos do Complexo Jauaperi, com frente de lavra na localidade de Moura, no município de Barcelos. Figura 10.3 - Mina de areia representada por espodossolos derivados da A produção registrada de brita no estado formação Alter do Chão, localizada na bacia do rio Preto da Eva (Areial do Amazonas no ano de 2005 foi de 1.218.946 do Prefeito, Itacoatiara, AM). Fonte: Riker et al. (2008). m3 (BRASIL, 2006). Figura 10.4 - Lavra de areia com draga de sucção no leito do rio Figura 10.5 - Pedreira do Aluísio: brita de “arenito Manaus”, Manacapuru. Fonte: Teixeira et al. (2009). próximo à rodovia AM-010 (Itacoatiara, AM). - Leito do rio Negro, na parte compreendida entre a cidade de Novo Airão e 1,0 km a montante da ponte Manaus-Iranduba. Brita A brita usada no estado do Amazonas provém de três fontes distintas: - Arenito silicificado da Formação Alter do Chão, co- nhecido como “Arenito Manaus”. Esse tipo rochoso tem sido amplamente extraído nos arredores da cidade de Manaus e nos municípios de Itacoatiara e Rio Preto da Eva, nas proximidades da Rodovia AM-010 (Figura 10.5). A CPRM/ SGB cadastrou novas ocorrências desse arenito, localizadas nos municípios de Manaus, na bacia dos rios Preto da Eva Figura 10.6 - Pedreira Manaus (brita de rocha vulcânica na e Paraná da Eva; no município de Itacoatiara, nas bacias do propriedade do Sr. Sérgio “Mineiro”) (Presidente Figueiredo, AM). 129 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Seixo - Tipos gnáissicos e metagraníticos acinzentados a avermelhados, que ocorrem na região de Moura, município O seixo produzido no estado do Amazonas, com de Barcelos. aplicação na indústria da construção civil, provém de leitos - Tipos graníticos acinzentados a róseos, que ocorrem ativos de rios, é extraído por dragas de sucção e sua compo- no setor setentrional do município de Presidente Figueiredo. sição é basicamente de quartzo leitoso e, secundariamente, - Tipos graníticos e gnáissicos, que ocorrem no muni- de sílex. A lavra desse bem mineral ocorre nos seguintes cípio de São Gabriel da Cachoeira. rios (REIS et al., 2006): - Tipos escuros (negros) relacionados às rochas máfico- - Japurá, abrangendo parte dos municípios de Japurá -ultramáficas da Suíte Intrusiva Tapuruquara, que ocorrem e Maraã. a noroeste da sede municipal de Santa Isabel do Rio Negro. - Solimões (parte dos municípios de Tefé, Coari, Co- dajás, Anori e Anamã). Calcário - Negro, nos paranás Bacaba e Canta Galo (Novo Ai- rão); na proximidade de Moura (Barcelos); na proximidade As reservas de calcário quantificadas no estado al- de São Gabriel da Cachoeira e de Santa Isabel do Rio Negro. cançam o total de 437.644.518 t. As principais áreas de - Nhamundá, em atendimento às cidades de Faro, ocorrência localizam-se nos municípios de Urucará (mina Nhamundá e Parintins. do rio Jatapu, do Grupo João Santos), Maués (jazida do rio - Uatumã, englobando parte dos municípios de São Parauari, pertencente à Cia. Agro Industrial Amazonense) Sebastião do Uatumã e Itapiranga. e Nhamundá (jazida do rio homônimo), todas hospedadas - Aripuanã, que é o principal fornecedor de seixo do na Formação Itaituba, além do calcário dolomítico, ainda estado do Amazonas. não quantificado, que ocorre no município de Apuí, na região de Terra Preta, no rio Sucunduri (Figura 10.7). Esse Rochas Ornamentais último foi revelado por sondagem efetuada pela Cia. Morro Vermelho na década de 1980, bem como pelos estudos da No estado do Amazonas, existem alguns tipos rochosos, CPRM (2001) e se encontra hospedado na Formação Terra distribuídos em quatro regiões, que apresentam potencialida- Preta, do Grupo Alto Tapajós (REIS et al., 2006) (Tabelas de para produção de rochas ornamentais (REIS et al., 2006): 10.2 e 10.3). Figura 10.7 - (A) Mina de calcário do rio Jatapu (município de Urucará), empregado para o fabrico de cimento portland em Manaus; (B) calcário calcítico do rio Parauari (município de Maués); (C) calcário estromatolítico/dolomítico da região de Terra Preta, rio Sucunduri (município de Apuí). Tabela 10.2 - Potencial de calcário no estado do Amazonas. Reservas (106 t) Status Município Coordenadas Teor (%) PRNT (%) Medida Indicada Inferida 01º 42’ 24” S CaO: 36,04-65,38 Mina Urucará 25,5038 17,84533 - 64,00-93,89 58º 32’ 17” W MgO: 0,43-5,14 04º 54’ 24” S CaO: 38-53,91 Jazida Maués 43,882 87,785 44,000 72,27-89,55 57º 59’ 44” W MgO: 0,25-0,49 01º 26’ 18” S CaO: 48,49-52,77 Jazida Nhamundá 48,92592 169,702468 - 88,26-95,68 57º 49’ 22” W MgO: 0,70-3,22 07º 47’ 50” S CaO: 13,11-46,60 Depósito Apuí - - - 70,42-99,91 58º 51’ 21” W MgO: 16,14-22,44 Fonte: Riker (1999); Reis et al. (2006). 130 RECURSOS MINERAIS Tabela 10.3 - Análises químicas do calcário atravessado pelo furo TP-F4 da Cia. Morro Vermelho, na região de Terra Preta, rio Sucunduri (AM). Intervalo (m) CaO (%) MgO (%) PRNT (%) 17,0 – 18,5 40,16 16,29 99,52 18,5 – 21,5 22,69 22,44 77,72 21,5 – 23,9 40,01 18,93 96,88 23,9 – 26,9 13,11 22,44 70,42 26,9 – 29,9 32,60 18,21 95,38 29,9 – 34,5 38,75 16,14 99,91 34,5 – 37,7 41,23 18,88 98,48 37,7 – 41,7 46,60 17,96 94,28 Fonte: CPRM (2001). A mina do rio Jatapu produziu 413.056 t de calcário produzi-lo na região a um custo competitivo com o explota- em 2005 (BRASIL, 2006), insumo utilizado na fabricação do no Pará. Enquanto o projeto não se materializa, deve-se de cimento portland em Manaus. incentivar empresas nacionais e internacionais de mineração Apesar do grande potencial existente, verifica-se que a se instalar na região, posto que outras aplicações podem esse bem mineral não vem sendo utilizado para o desen- ser dadas ao caulim, tais como: volvimento da agricultura do estado do Amazonas. Todo - Fabricação de azulejos, ladrilhos, materiais sanitários, o calcário empregado como corretivo de solo é importado revestimentos e pisos cerâmicos (indústria da cerâmica branca). dos estados de Mato Grosso e Rondônia. - Fabricação de tintas e vernizes (indústria química). - Fabricação de remédios e cosméticos (indústrias Caulim farmacêutica e de cosméticos). Caulim é o nome genérico para o argilo- mineral “caulinita”, que integra, na geologia do estado do Amazonas, uma fácies da Formação Alter do Chão. Sua ocorrência principal no esta- do está situada entre os municípios de Manaus e Rio Preto da Eva, onde já foi bloqueado um jazimento com reservas totais de cerca de 3,4 bilhões de toneladas de minério, as quais se en- contram distribuídas por uma área de 30.000 ha, cortada pela Rodovia BR-174 (CPRM, 2005) (Tabela 10.4; Figura 10.8). As pesquisas reali- zadas mostram que a principal aplicação desse caulim é na indústria de papel de alta qualidade (coating). Objetivando viabilizar a implantação de um projeto nessa região, já foram feitos alguns contatos na busca de parceiros em nível internacional, inclusive no Canadá. Apesar de o caulim do estado do Amazonas representar cerca de 70% das reservas nacionais conheci- das, o grande desafio até o momento é o de Figura 10.8 - Exposição de caulim no km 45 da rodovia BR-174 (Igarapé Cabeça Branca). Tabela 10.4 - Potencial de caulim do estado do Amazonas. Substância Reservas (t) Medida Indicada Inferida Lavrável Caulim 1.924.282.431 1.218.157.624 263.406.700 1.924.282.431 Fonte: Brasil (2006). 131 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Além disso, recomenda-se o desenvolvimento de estudos Juma, Grupo Alto Tapajós. Essa região vem sendo pesquisada para verificar sua aplicação como material pozolânico (meta- pela empresa Redstone, de capital australiano. Informações caulim de alta reatividade), com fim à aplicação na indústria não-oficiais dão conta da presença de arenitos fosfáticos com da construção civil, em concretos especiais de alta resistência. teores entre 5% e 10% de P2O5. Esses teores demonstram Os jazimentos de caulim de Manaus e Rio Preto da Eva que a Formação Juma é um excelente metalotecto para se têm como subproduto o quartzo de alta pureza, para o qual prospectar fosfato sedimentogênico no Amazonas e pode devem ser conduzidos estudos para verificar sua aplicação hospedar importantes depósitos desse bem mineral. nas indústrias de vidro, óptica e eletroeletrônicas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Silvinita Outras ocorrências de caulim no Amazonas, cadastra- das pela CPRM/SGB, encontram-se no município de Itacoa- A silvinita (mistura de halita e silvita), principal fonte tiara, ao longo da Rodovia AM-010 (RIKER et al, 2008), e na de potássio empregada na indústria de fertilizantes, é abun- zona fronteiriça entre Manacapuru, Iranduba e Novo Airão, dante nos municípios de Nova Olinda do Norte e Itacoatiara. ao longo da Rodovia AM-352 (D’ANTONA et al., 2006). Esse bem mineral está hospedado na Formação Nova Olin- da, da Bacia Paleozoica do Amazonas. Apresenta reservas Gipsita totais da ordem de 1,5 bilhões de toneladas, espessura variando de 0,65 m a 4,38 m e ocorre em profundidades A gipsita ocorre nos municípios de Urucará (bacia de 980 a 1.130 m (Tabela 10.6). do rio Jatapu) e Nhamundá (bacia do rio homônimo) e A silvinita do Amazonas é estratégica para o Brasil, encontra-se hospedada na Formação Nova Olinda, da Bacia visto que existem apenas duas jazidas de potássio em nos- Paleozoica do Amazonas (Tabela 10.5). so país: Taquari/Vassouras, em Sergipe (em explotação), e Há uma mina de gipsita localizada na bacia do rio Fazendinha/Arari, no Amazonas; a Petrobras é a detentora Jatapu, pertencente ao Grupo João Santos, que produziu dos direitos minerários de ambas. Recentemente, as nego- 17.800 t de minério no ano de 2005 (BRASIL, 2006). A ciações para transferência dos direitos da jazida de Fazen- gipsita explotada nessa mina é empregada na composição dinha/Arari à empresa Falcon Metais, do Grupo Forbes & do cimento portland que é fabricado em Manaus. Manhattan, foram suspensas. Recomenda-se o uso da gipsita como gesso na indús- Os principais fatores que justificam a implantação, tria da construção civil do estado, a fim de evitar a impor- em médio prazo, de um projeto para o aproveitamento da tação desse produto, como vem ocorrendo atualmente. silvinita de Nova Olinda/Itacoatiara são os seguintes: - Existência de minério de boa qualidade com reservas Fosfato expressivas. - O Brasil importa do exterior cerca de 91% de suas A ocorrência de fosfato no estado do Amazonas é ve- necessidades de potássio, tendo como implicação a evasão rificada na porção sudoeste do município de Apuí, onde tal de divisas em mais de 1,0 bilhão de dólares/ano. bem mineral se apresenta sob a forma de colofana, associada - Suprimento de energia elétrica provinda do Pará às glauconitas nos arenitos e siltitos escuros da Formação (Tucuruí) em curto prazo. Tabela 10.5 - Potencial de gipsita do estado do Amazonas. Reservas (t) Status Município Localização Medida Indicada Lavrável 01º 46´28,6´´S Mina Urucará 247.430 1.365.120 247.430 58º 31´1,6´´W Jazida Nhamundá - 344.400 - - Fonte: Brasil (1981, 2006). Tabela 10.6 - Reservas de silvinita do estado do Amazonas. Reservas (toneladas x 106) Município Depósito Medida KCl (%) K2O (%) Indicada KCl (%) K2O (%) Inferida KCl (%) K2O (%) Nova Olinda Fazendinha 493,005 26,57 16,79 - - - - - - do Norte 29,00 18,32 32,41 20,47 25,97 16,41 Itacoatiara Arari 446,300 a a 63,02 a a 150,22 a a 34,14 21,57 32,42 20,48 31,96 20,19 Fonte: Reis et al. (2006). 132 RECURSOS MINERAIS - Fácil escoamento fluvial. gio na evolução da formação do carvão mineral. Pode ser - Um projeto de aproveitamento integrado desse bem utilizada como fonte de energia, condicionador de solos mineral tem expectativa de gerar 2.200 empregos diretos na agricultura, material filtrante, carga de enchimento de e 11.000 indiretos na região. concreto leve etc. - O sal-gema, rejeito da mineração, poderá ser apro- As turfeiras, que ocorrem sob forma de delgadas veitado para o consumo doméstico (sal de cozinha), para lentes ou cunhas intercaladas em argilas ou entre siltes e a pecuária e também para produção de cloro (indústria argilas, normalmente são imaturas, com cores indo de preto cloroquímica). O restante deverá ser reintroduzido na mina a marrom, e apresentam caráter alóctone. São formadas para evitar qualquer contaminação ao meio ambiente. por fragmentos decompostos de madeira, folhas e troncos, hospedando-se principalmente nos depósitos aluvionares de Água Subterrânea planície aluvial, seguidos dos depósitos aluvionares (menos maturas) e terraços aluvionares (mais maturas) (RIKER et al., À exceção de Presidente Figueiredo, que tem seus 2008) (Figura 10.9). aquíferos relacionados à Formação Nhamundá do Grupo O maior potencial de turfa conhecido no estado do Trombetas, todas as sedes municipais amazonenses locali- Amazonas está no arquipélago de Tupinambarana, na zadas na Bacia do Médio Amazonas fazem aproveitamento região compreendida pelos paranás Urariá e Ramos e rio de águas subterrâneas provenientes do aquífero Alter do Amazonas, abrangendo parte dos municípios de Nova Chão. Já a maior parte das sedes situadas na Bacia do Olinda do Norte, Maués, Urucurituba e Boa Vista do Ramos, Solimões aproveita o aquífero Içá e, secundariamente, os onde foi estimada uma reserva da ordem de 350.000 m3. depósitos aluvionares. Porém, a turfa dessa região apresenta, na grande maioria A empresa “Águas do Amazonas” é a maior produtora das amostras analisadas, baixo poder calorífico e altos teores de água subterrânea em Manaus. Sua produção está em de cinza, o que inviabiliza seu uso para fins energéticos, torno de 20% de toda a água fornecida para consumo hu- podendo, contudo, ter aplicação como condicionador de mano na capital, sendo ela detentora de cerca de 150 poços solos (REIS e FIGUEIREDO, 1983) (Tabela 10.7). profundos (aquífero Alter do Chão) que abastecem parte da Outras ocorrências de turfa no estado do Amazonas população das zonas norte e leste da cidade. Em seguida, são as seguintes: baixo curso dos rios Sucunduri e Canumã vêm as indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) e em- (RIKER, 1979); rios Demeni e Cauarés (MAIA e SANTOS, presas que engarrafam água mineral (ou potável de mesa), 1980); rios Purus e Madeira (AMARAL e SANTOS, 1980); como Santa Cláudia, Minalar, J. Cruz, Ocrim e Gelocrim. municípios de Urucará, Itacoatiara e Careiro da Várzea As empresas que exploram comercialmente a água (RIKER et al., 2008); paraná Autaz-Mirim, município de subterrânea no Amazonas produziram no ano de 2005 Careiro (TEIXEIRA et al., 2009). cerca de 84.899.000 litros de água mineral (ou potável de mesa), o que correspondeu a um faturamento de Petróleo e Gás R$16.202.132,00 (BRASIL, 2006). A Bacia Sedimentar do Solimões é a mais promissora Linhito para prospecção de hidrocarbonetos no estado do Amazo- O linhito é um material fóssil que se encontra em um estágio entre a turfa e o car- vão mineral. Essa substância, que tem ampla ocorrência no setor ocidental do estado, está associada às litologias da Formação Solimões. Ocorre sob forma de delgadas lentes, de es- pessura milimétrica até o máximo de 1,5 m e sua reserva geológica é de 46,4 bilhões de toneladas (MAIA et al., 1977). Por apresentar baixo poder calorífico, baixo teor de carbono fixo, elevados teores de cinza e reduzidas es- pessuras dos leitos individuais, forma depósitos minerais sem perspectiva de aproveitamento econômico em curto prazo. Turfa A turfa corresponde a material vegetal Figura 10.9 - Ocorrência de turfa no paraná Autaz-Mirim (Careiro da Várzea, decomposto, representativo do primeiro está- AM). Fonte: Riker et al. (2008). 133 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS nas. Nela existem campos de petróleo e gás em parte dos de gás natural nesse mesmo ano foi de 3.732.624.000 municípios de Coari, Tefé e Carauari. Já a Bacia do Médio m3 (Tabela 10.10). Amazonas apresenta gás na região de Silves. Os folhelhos da Formação Jandiatuba são os geradores de hidrocarboneto Bauxita (Alumínio) na Bacia do Solimões, enquanto os arenitos da Formação Juruá constituem os reservatórios. As principais ocorrências de bauxita no estado do Ama- As reservas totais de petróleo no estado do Amazonas zonas situam-se nos municípios de Nhamundá e Presidente são da ordem de 25 milhões de metros cúbicos e as de gás, Figueiredo. Os jazimentos apresentam 151,78 milhões de 70 milhões de metros cúbicos (Tabela 10.8). toneladas de reservas totais (Tabela 10.11). O Polo Petrolífero de Urucu, no município de Co- O jazimento de Nhamundá relaciona-se à lateritização ari, produziu, no ano de 2008, 11.657.205 barris de sobre rochas da Formação Alter do Chão; os direitos mine- petróleo, os quais foram integralmente processados na rários pertencem à Mineração Rio do Norte. Já as ocorrên- refinaria de Manaus (Tabela 10.9), enquanto a produção cias da Província Mineral do Pitinga estão relacionadas aos Tabela 10.7 - Características das turfas da região do arquipélago de Tupinambarana. Nº de Amostras Umidade Cinzas Voláteis Poder Calorífico Carbono Fixo Estudadas Higroscópica (%) (b.s. %) (b.s. %) (b.s. Kcal/kg) (%) 47 4,21 a 69,65 14,14 a 89,90 10,19 a 48,11 766 a 3.425 0,34 a 23,08 3 60,65 a 78,50 18,57 a 28,70 46,50 a 58,51 3.551 a 4.571 20,52 a 24,80 Fonte: Reis e Figueiredo (1983). Tabela 10.8 - Potencial de hidrocarbonetos no estado do Amazonas. Reservas Provadas Reservas Totais Bacia Petróleo Gás Petróleo Gás (milhões de m3) (milhões de m3) (milhões de m3) (milhões de m3) Bacia do Médio Amazonas 0,00 0,00 0,38 4.921,11 Bacia do Solimões 17,11 52.143,39 24,64 64.897,86 Fonte: ANP (reservas consideradas até 31.12.2008). Tabela 10.9 - Produção de petróleo de Urucu e seus derivados (2008). Produção 11.657.205 barris Asfalto 81.395 m3 Gasolina A 216.729 m3 GLP 109.137 m3 Nafta 727.030 m3 Derivados processados na Refinaria de Manaus (REMAN) Óleo combustível 351.757 m3 Óleo diesel 609.355 m3 Querosene de aviação 146.836 m3 Querosene iluminante 170 m3 Fonte: ANP. Tabela 10.10 - Produção de gás natural no polo de Urucu (2008). Produção de gás natural 3.732.624.000 m3 Reinjeção de gás 2.999.875.000 m3 Queima e perda 173.491.000 m3 Consumo próprio 149.398.000 m3 Gás disponível 409.860.000 m3 Fonte: ANP. 134 RECURSOS MINERAIS Tabela 10.11 - Potencial de bauxita no estado do Amazonas. Reservas (t) Status Município Al2O3 Medida Indicada (%) Jazida Nhamundá 131.785.316 - 47,96 Depósito Presidente Figueiredo (Província do Pitinga) - 20.000.000 41,70 Fonte: Brasil (1980); Reis et al. (2006). processos de lateritização atuantes sobre rochas vulcânicas do Grupo Iricoumé e granitos da Suíte Madeira; os direitos minerários pertencem à Companhia Vale do Rio Doce. Cromo, Níquel, Cobalto, Cobre e Platinoides As rochas máfico-ultramáficas da Suíte Intrusiva Ta- puruquara, que ocorrem a noroeste da cidade de Santa Isabel do Rio Negro e que foram estudadas por Araújo Neto et al. (1977) e Araújo Neto e Costi (1979), apresen- tam diferenciação litológica que se assemelha, em parte, a alguns corpos estratiformes portadores de mineraliza- ções importantes, como Bushveld, Sudbury, Skaergaard e Stillwater. No entanto, nas rochas dessa suíte ainda não foram descobertas quaisquer ocorrências significativas de bens minerais metálicos. Desse modo, recomenda-se a re- alização de estudos de detalhe nesses corpos, haja vista se Figura 10.10 - Mina de ferro do rio Jatapu (Urucará, AM). constituírem em metalotectos para cromo, níquel, cobalto, Fonte: Reis et al. (2006). cobre e platinoides. minas Beneficente e Cotovelo, localizadas na calha do rio Ferro Aripuanã, em áreas lindeiras dos municípios de Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí. No momento, a região é palco de no- O minério de ferro, no estado do Amazonas, ocorre vas pesquisas para esse bem mineral. O minério, hospedado no município de Urucará, no interflúvio dos rios Jatapu e em arenitos da Formação Beneficente do Grupo Alto Tapajós Nhamundá. A mina em exploração tem 65.710.318 t de (REIS, 2006), é formado por pirolusita e psilomelana, com reservas totais, sendo que o ferro foi formado a partir de teores na faixa de 45% de manganês. A mineralização está lateritização dos arenitos e siltitos da Formação Nhamundá. associada a enriquecimento supergênico. Atualmente, a mina está sendo lavrada pela Companhia Outras ocorrências de manganês cadastradas no Brasileira de Equipamentos (CBE), do grupo João Santos, estado são: que emprega o ferro na mistura do fabrico de cimento - Serras Palhal e Caracaxá, região do rio Sucunduri. portland em Manaus (Tabela 10.12; Figura 10.10). No ano - Rochas areníticas na Bacia do Alto Tapajós, no inter- de 2005, foram extraídas 10.000 t de minério com teor de flúvio dos rios Manicorezinho e Aripuanã e região dos rios 70% de ferro. Branco e Camaiú. - Região de Seis Lagos, no município de São Gabriel da Manganês Cachoeira, onde o manganês ocorre associado às crostas lateríticas de ferro e nióbio. No estado do Amazonas, o manganês foi extraído nas - Município de Iranduba, ocorrendo sob forma de con- décadas de 1950 e 1960, pela Mineração Bomfim S/A, das creções associadas aos arenitos da Formação Alter do Chão. Tabela 10.12 - Potencial de minério de ferro no estado do Amazonas. Reservas (t) Status Município Produção (t) ROM Medida Indicada Lavrável (2005) Mina Urucará 6.625.943 59.084.375 5.495.855 10.000 Fonte: Brasil (2006). 135 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Metais Básicos Seis Lagos, município de São Gabriel da Cachoeira (JUSTO, 1983), na Província Mineral do Pitinga, município de Presi- A calcopirita (minério de cobre), em associação com dente Figueiredo, e na região da Serra do Aracá, município galena (minério de chumbo), prata e vanádio, foi registrada de Barcelos (BORGES, 1987) (Tabela 10.13). na região de Terra Preta e na cachoeira Fortaleza, no rio O nióbio de Seis Lagos está associado às rochas carbo- Sucunduri (LIBERATORE et at., 1972). A Mineração Morro natíticas da unidade Alcalinas Seis Lagos, de idade atribuída Vermelho, do grupo Camargo Correa, identificou na região, ao Mesozoico (Figura 10.11); na Província do Pitinga, o nió- nas décadas de 1970-80, mineralização de cobre associada bio encontra-se associado a columbita-tantalita e cassiterita, a unidades clásticas e clastoquímicas, cujo teor médio é de que se hospedam nos granitos da Suíte Madeira, enquanto 0,35% de Cu em horizonte mineralizado descontínuo com que aquele da serra do Aracá (columbita) corresponde a 7,0 m de espessura (CARVALHO e FIGUEIREDO, 1982). O depósitos aluvionares. grupo Anglo American, pesquisando essa mes- ma região entre 1997 e 2001, detectou gossans com teores dispersos para cobre e cobalto. Apesar do reconhecido potencial mine- ral existente, na região foram criadas duas unidades de conservação: a Floresta Nacional Jatuarana e o Parque Estadual Camaiú. Magnesita A magnesita (carbonato de magnésio) foi cadastrada na região de Terra Preta, rio Sucun- duri (LIBERATORE et at., 1972). Ela se encontra associada aos calcários estromatolíticos da Formação Terra Preta do Grupo Alto Tapajós, ocorrendo sob forma de veios e estreitas vênu- las (REIS, 2006). Barita Do mesmo modo que a magnesita e a calcopirita, a barita ocorre na região de Terra Preta, no rio Sucunduri (LIBERATORE et at., 1972). No entorno dessa localidade, ela está associada a calcários estromatolíticos como veios esbranquiçados e sob forma cristalizada e amorfa (REIS, 2006). Nióbio Figura 10.11 - Estruturas do Morro Seis Lagos (1), Meio (2) e Norte (3) As maiores ocorrências de nióbio no estado relacionadas ao nióbio ocorrente no município de São Gabriel do Amazonas estão localizadas na região de da Cachoeira. Fonte: Reis et al. (2006). Tabela 10.13 - Potencial de nióbio no estado do Amazonas. Status Município Reservas Minério (t) Nb2O5 (%) Nb2O5 contido (t) Medida 38.376.000 2,85 1.093.716 São Gabriel Indicada 200.640.000 2,40 4.815.360 Jazida da Cachoeira Inferida 2.658.892.800 2,84 75.512.555 Total 2.897.908.800 2,81 81.431.237 Mina Presidente Figueiredo Total - - 781.080 Depósito Barcelos Inferida 330 Fontes: Justo (1983); Borges (1987); Reis et al. (2006). 136 RECURSOS MINERAIS A única mina de nióbio em operação no estado do Amazonas localiza-se na Província Mineral do Pitinga e sua produção, a partir da columbita-tantalita, foi de 1.755 t de Nb2O5 no ano de 2008, segundo informações do 8º Distrito do DNPM. Estanho (Cassiterita) A produção de cassiterita (minério de estanho) no estado do Amazonas ocorre na Província Mineral do Pitinga, entre os municí- pios de Presidente Figueiredo e Urucará, a qual é caracterizada por jazimento primário polimi- neral de classe mundial de estanho, nióbio e tântalo, associados a criolita (minério de flúor), tório, urânio, xenotima (minério de ítrio) e zir- Figura 10.12 - Mina do Pitinga, localizada no município de Presidente Figueiredo conita, além de conter expressivos depósitos de (AM). Fonte: Reis et al. (2006). bauxita formados por processo de lateritização (Tabela 10.14; Figura 10.12). Os depósitos aluvionares de - região do igarapé Preto e bacia dos rios Madeirinha cassiterita nessa região, que apresentavam grandes reservas e Manicoré, no município de Lábrea. de estanho, já foram quase todos explotados. Excluindo-se a bauxita, cujos direitos minerários Ouro pertencem à Companhia Vale do Rio Doce, os demais jazi- mentos dessa província pertencem à Mineração Taboca, que No estado do Amazonas, há uma ampla distribuição está sob controle do grupo empresarial peruano MINSUR. de ouro, conforme descrito a seguir, por municípios. Segundo Costi et al. (1997), na Província do Pitinga - Município de Maués: as ocorrências se verificam ocorrem três tipos de mineralização primária de cassiterita: no prolongamento da Província Aurífera do Tapajós, cuja a) associada à fácies albita-granito do maciço Madeira; maior extensão encontra-se no vizinho estado do Pará. O b) relacionada a greisens do maciço Água Boa; metal ocorre associado às rochas metassedimentares do c) em epissienitos do maciço Água Boa. Grupo Jacareacanga, aos granitoides da Suíte Parauari e No ano de 2008, a produção bruta na mina do Pitinga, às rochas vulcânicas Bom Jardim e Salustiano (ALMEIDA segundo dados do 8º Distrito do DNPM, foi de 6.285 t de es- et al., 2000). No garimpo Abacaxis, a empresa Matapi tanho e de 1.755 t de Nb2O5 contido em columbita-tantalita. Exploração Ltda. quantificou um jazimento na zona de Outras ocorrências de estanho aluvionar no estado do alteração e na rocha sã com cerca de 23.700 kg de ouro Amazonas são relatadas nos seguintes locais: contido (Tabela 10.15). - região das serras Marié-Mirim e Imeri e médio curso - Municípios de Humaitá e Manicoré: nas aluviões do rio Preto, no município de Santa Isabel do Rio Negro; ativas do rio Madeira, a extração de ouro é feita pelo regime de permissão de lavra garimpeira concedida à Cooperativa Tabela 10.14 - Recursos minerais da província mineral do Pitinga. dos Extrativistas Minerais Familiares de Manicoré e Humaitá. Atualmente, na região há em torno de 380 balsas lavrando ouro, com produção semanal variando de 60 gramas a 260 Bem Mineral Reservas Totais (t) gramas de ouro/balsa. Estanho 486.040 - Município de Apuí: ouro aluvionar foi explotado Criolita (Na AlF ) 8.824.357 nos garimpos Gavião e Dez Dias na década de 1980, na 3 6 região sudeste de Apuí, na fronteira com o estado de Nióbio (Nb2O5) 781.080 Mato Grosso. Já na vila Sucunduri, na margem esquerda Tântalo (Ta2O5) 88.760 do rio homônimo, há registro de garimpagem de ouro Tório (ThO2) 289.000 primário em rochas vulcânicas, possivelmente da Suíte Urânio (U3O8) 144.000 Colíder. Xenotima (Y O ) 102.160 - Município de Novo Aripuanã: nesse município há 2 3 Zirconita (ZrO ) 3.388.040 um garimpo, denominado “Eldorado do Juma”, em ativi-2 dade desde o ano de 2006, na bacia do rio Juma, afluente Bauxita (*) 20.000.000 direito do rio Aripuanã (Figura 10.13). Nesse local, o ouro Fonte: Reis et al. (2006). primário está associado a uma sequência vulcanoclástica (*) Dados não-oficiais. e hospeda-se em zonas de deformação rúptil afetadas 137 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Tabela 10.15 - Potencial de ouro no garimpo Abacaxis, município de Maués. Reservas Status Medida Indicada Geológica Au Teor Minério Teor Au Teor Au Minério (t) Contido Jazida (g/t) (t) (g/t) contido (g) (g/t) contido (g)(g) 2.812.702 1,53 4.309.099 1.406.351 1,53 2.151.717 25,83 17.239.000 Fonte: Reis et al. (2006). por hidrotermalismo e dominadas localmente por silicificação, caolinização, carbonatação e sericitização (BRITO et al., 2008). Também em Novo Aripuanã, na região que faz fronteira com Apuí, na margem esquerda do rio Bran- co, interflúvio dos rios Acari e Camaiú, houve atividade garimpeira em aluviões nas décadas de 1980 e 1990 (CPRM, 2001), sendo que a mineralização primária de ouro parece estar associada à sequência vulcanossedimentar da Suíte Colíder. - Município de Japurá: na década de 1990, garimpagem com draga de sucção foi registrada na bacia do rio Puruê, afluente direi- to do rio Japurá, nas proximidades da fronteira com a República da Colômbia (Figura 10.14). Já na serra Traíra, também próximo à fronteira com a Colômbia, houve garimpagem na década Figura 10.14 - Draga garimpando ouro na margem do rio Puruê, no ano de de 1980, em locais onde o ouro está associado 1997 (Japurá, AM). a metassedimentos do Grupo Tunuí. - Município de Barcelos: há registro de garimpagem - Município de Santa Isabel do Rio Negro: os me- de ouro aluvionar a sudeste da serra Aracá (ACHÃO, 1974; tassedimentos da serra Daraá constituem-se em importantes BORGES, 1987). metalotectos para ouro (ALMEIDA et al., 2000b). - Município de São Gabriel da Cacho- eira: garimpagem de ouro aluvionar tem sido registrada nas aluviões que drenam a serra da Neblina (MELO e VILLAS BOAS, 1993; ALMEI- DA et al., 2000b). Nas serras Tunuí e Caparro, o ouro ocorre associado a metassedimentos (MELO e VILLAS BOAS, 1993). Monazita e Topázio Borges (1987) quantificou reservas geoló- gicas de 21 t de topázio e 33 t de monazita em aluviões localizadas a oeste da serra do Aracá, município de Barcelos (AM). REFERÊNCIAS ACHÃO, S. M. Reconhecimento geológico e prospecção aluvionar na porção su- Figura 10.13 - Vista parcial da grota Rica, objeto de extração de ouro no garimpo deste da serra do Araçá: relatório interno. Eldorado do Juma no ano de 2007 (Novo Aripuanã, AM). Manaus: CPRM, 1974. 5 p. 138 RECURSOS MINERAIS ALMEIDA, M. E.; BRITO, M. F. L.; FERREIRA, A. L. Projeto COSTI, H.T., BORGES, R.M.K., DALL’AGNOL, R. Primary Tapajós: geologia da folha SB.21-V-D – Mamãe Anã. Rio mineralizations of the Pitinga tin province, Amazonian de Janeiro: CPRM, 2000a. CD-ROM. craton, north Brazil. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON GRANITES AND ASSOCIATED MINERALIZATIONS, 2, ALMEIDA, M. E. et al. Projeto serra Imeri: geologia 1997, Salvador. Extended Abstract and Program, e recursos minerais das folhas NA.20-Y, SA.20-V-A e 999. p. 44-45. SA.20-V-B. Manaus: CPRM, 2000b. 1 CD-ROM. [Nota explicativa]. CPRM. Zoneamento ecológico-econômico do dis- trito agropecuário da SUFRAMA: meio físico (geo- AMARAL J. E.; SANTOS, J. O. S. Ocorrência de turfa e logia e recursos minerais). Manaus: CPRM, 2005. 45 p. linhito nos rios Purus e Madeira: relatório interno. [Tomo II]. Manaus: CPRM, 1980. 4 p. il. CPRM. Projeto de gestão ambiental integrada do ARAÚJO NETO, H. de. Projeto Tapuruquara: relatório Amazonas: zoneamento ecológico-econômico do vale final. Manaus: DNPM/CPRM, 1977. 2 v. do rio Madeira, área sudeste-sul. Manaus: CPRM, 2001. 92 p. [Relatório interno]. ARAÚJO NETO, H. de; COSTI, H. T. Projeto Tapuruquara II: relatório final. Manaus: DNPM/CPRM, 1979, 2 v. D’ANTONA, R. J. G. et al. Projeto materiais de cons- trução da área Manacapuru-Iranduba-Careiro ARAÚJO NETO, H. de; BONOW, C. de W.; AMARAL J. A. (domínio baixo Solimões). Manaus: CPRM, 2007. 161 F. do; CARVALHO, V. G. D. Projeto Tapuruquara: relató- p. CD-ROM. rio final. Manaus. DNPM/CPRM, 1977. v. I, il. JUSTO, L. J. E. C. Projeto Uaupés: relatório final de BORGES, F. R. Projeto serra do Aracá. Manaus: CPRM, pesquisa. Manaus: CPRM, 1983. 2 v. 1987. 51 p. il. LIBERATORE, G. et al. Projeto Aripuanã-Sucunduri: BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. relatório final. Manaus: DNPM; CPRM, 1972. 8 v. il. Anuário mineral brasileiro 1980. Brasília: DNPM, 1981. MAIA, R. G. N.; SANTOS, A. N. Prospecção geológica visando turfa na bacia hidrográfica do baixo rio BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Negro. Manaus: CPRM/DIVPES, 1980. 13 p. il. Anuário mineral brasileiro 1981. Brasília: DNPM, 1982. MAIA, R.G.N. et al. Projeto carvão no alto Solimões. Manaus: DNPM/CPRM, 1977. 11 v. BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Anuário mineral brasileiro 2004. Brasília: DNPM. MELO, A. F. F.; VILLAS BOAS, P. F. Projeto alto rio Ne- Disponível em: . Acesso em: jan. v. 2010. REIS, N. J. Rochas carbonáticas da região de Apuí, BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Amazonas. Manaus: CPRM, 2006. 60 p. (Série Insumos Anuário mineral brasileiro 2006. Brasília: DNPM. Minerais para Agricultura n. 12). Disponível em: < http://www.dnpm.gov.br/conteudo. asp?IDSecao=68&IDPagina=789>. Acesso em: jan. REIS, N. J.; FIGUEIREDO, E. S. Projeto turfa do médio 2010. Amazonas: relatório de progresso. Manaus: DNPM/ CPRM, 1983. 69 p. il. BRITO, R. S. C.; SILVEIRA, F. V.; LARIZZATTI, J. O garimpo do rio Juma, Novo Aripuanã, SE do estado do Ama- REIS, Nelson Joaquim; ALMEIDA, Marcelo Esteves; RIKER, zonas, Brasil. Brasília: CPRM, 30 p. il. + mapa. Silvio Lopes; FERREIRA, Amaro Luiz (Orgs.). Geologia e recursos minerais do estado do Amazonas: texto explicativo. Escala 1:1. 000.000. Manaus: CPRM, 2006. CARVALHO, M. S.; FIGUEIREDO, A. J. A. Caracterização 144 p. CD-ROM. 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Prospecção geológica no rio Canumã médio curso do rio Manacapuru. Manaus: CPRM, e seus afluentes, baixo curso dos rios Sucunduri, 2009. 84 p. 140 11 PANORAMA DA PESQUISA E DO POTENCIAL PETROLÍFERO Kátia da Silva Duarte (ksduarte@anp.gov.br) Bernardo Faria de Almeida (bfalmeida@anp.gov.br) Antenor de Faria Muricy Filho (amuricy@anp.gov.br) Cintia Itokazu Coutinho (ccoutinho@anp.gov.br) ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis SUMÁRIO Potencial petrolífero nas bacias sedimentares do estado do Amazonas ............. 143 Bacia do Solimões .............................................................................................. 143 Bacia do Amazonas ............................................................................................ 147 Bacias do Acre e Alto Tapajós ............................................................................. 149 Referências ......................................................................................................... 149 PANORAMA DA PESQUISA E DO POTENCIAL PETROLÍFERO POTENCIAL PETROLÍFERO NAS BACIAS mas também com seus planos plurianuais de estudos e SEDIMENTARES DO ESTADO DO AMAZONAS projetos de geologia e geofísica. O plano atual (ANP, 2009), que compreende os anos de 2007 a 2011, já possibilitou a O potencial petrolífero de uma região está primaria- aquisição de novos dados, obtidos de aerolevantamentos mente relacionado à existência, extensão e espessura de seu gravimétricos e magnetométricos, levantamentos geo- pacote sedimentar. Nesse aspecto, o estado do Amazonas químicos e reprocessamento de dados sísmicos, tendo é privilegiado pela existência de quatro bacias sedimentares também planejado a aquisição de novos dados sísmicos que cobrem quase todo o seu território, representadas por de dimensões regionais (Figura 11.5). uma pequena parte das bacias do Acre e do Alto Tapajós, pela parte oeste e centro-oeste da Bacia do Amazonas e BACIA DO SOLIMÕES pela quase totalidade da Bacia do Solimões (Figura 11.1). Em observância à lei vigente que regula a concessão de A Bacia Paleozoica do Solimões tem área total apro- áreas para pesquisa e produção de petróleo e gás, a Agência ximada de 600.000 km², dos quais apenas 350.000 km² Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) são considerados prospectáveis para hidrocarbonetos, fiscalizava no estado do Amazonas, em dezembro de 2009, enquanto os restantes 250.000 km² são negligenciados 30 concessões exploratórias e 9 concessões de produção. em função da pequena espessura sedimentar aí presente. Dessas últimas, seis estão em fase de desenvolvimento e Segundo relatório de integração elaborado por três em produção (campos de Urucu) (Quadro 11.1; Figura Sampaio et al. (1998), a bacia é limitada a sul e a norte 11.2). pelos escudos Brasileiro e das Guianas, respectivamente. Ao longo da história de exploração de hidrocarbonetos O limite a oeste, com a Bacia do Acre, dá-se pelo Arco de na região, foi coletado grande volume de dados geológicos Iquitos, e, a leste, com a Bacia do Amazonas, pelo Arco de e geofísicos (Figuras 11.3 e 11.4). Purus. Na Bacia do Solimões distinguem-se as sub-bacias A ANP atua na busca pelo aumento das reservas pe- do Jandiatuba (oeste) e do Juruá (leste), separadas pelo trolíferas brasileiras, não apenas por meio das concessões, Arco de Carauari, de orientação N-S, que exerceu forte Figura 11.1 - Bacias sedimentares existentes no estado do Amazonas. 143 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Quadro 11.1 - Áreas concedidas para produção e exploração de petróleo e gás em dezembro de 2009 no estado do Amazonas. Fonte: ANP-SIGEP Blocos Exploratórios Contrato Bacia Nº de Blocos Licitação Assinatura Operador BT-SOL-1 Solimões 1 BID 4 02/09/2002 PETROBRAS BT-SOL-3 Solimões 4 BID 7 12/01/2006 PETROBRAS BT-SOL-4 Solimões 10 BID 7 12/01/2006 M&S BT-SOL-4A Solimões 11 BID 7 12/01/2006 Petra Energia AM-T-62_R10 Amazonas 1 BID 10 30/04/2009 PETROBRAS AM-T-83_R10 Amazonas 1 BID 10 30/06/2009 STR AM-T-84_R10 Amazonas 1 BID 10 30/04/2009 PETROBRAS AM-T-85_R10 Amazonas 1 BID 10 30/04/2009 PETROBRAS 30 * Em fase de cessão Campos Nome Bacia Fluido Principal Situação Descoberta Operador Contrato SUDOESTE URUCU Solimões ÓLEO Produção 16/06/1988 PETROBRAS JURUÁ Solimões GÁS Desenvolvimento 24/05/1978 PETROBRAS CUPIÚBA Solimões GÁS Desenvolvimento 16/06/1989 PETROBRAS CARAPANAÚBA Solimões GÁS Desenvolvimento 22/02/1989 PETROBRAS RIO URUCU Solimões ÓLEO Produção 15/09/1986 PETROBRAS LESTE DO URUCU Solimões ÓLEO Produção 15/03/1987 PETROBRAS ARARACANGA Solimões GÁS Desenvolvimento 14/02/2001 PETROBRAS AZULÃO Solimões GÁS Desenvolvimento 02/02/1999 PETROBRAS JAPIIM Solimões GÁS Desenvolvimento 10/09/2001 PETROBRAS Figura 11.2 - Áreas concedidas como blocos exploratórios e campos de produção de óleo e gás no estado do Amazonas (dezembro de 2009). 144 PANORAMA DA PESQUISA E DO POTENCIAL PETROLÍFERO Figura 11.3 - Levantamentos sísmicos no estado do Amazonas realizados para exploração de hidrocarbonetos. Figura 11.4 - Poços perfurados no estado do Amazonas para exploração de hidrocarbonetos. 145 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 11.5 - Projetos do plano plurianual de geologia e geofísica da ANP. Fonte: ANP (2009). controle sobre a sedimentação. A sub-bacia do Juruá tem compressivos da tectônica andina teriam atingido também a estratigrafia bem mais conhecida, em função da pesquisa a Bacia do Solimões. O detalhamento sísmico da inversão para petróleo desenvolvida, principalmente pela Petrobras, vista na linha regional confirmou a hipótese aventada, ao a partir de 1952. Segundo Eiras et al. (1994), o pouco mostrar, no bloco alto, a existência de falha reversa e de conhecimento geológico sobre a sub-bacia de Jandiatuba estrutura dômica associada. Perfurada em 1978, essa es- deve-se às restrições legais impostas à prospecção mineral trutura denominada “Juruá” mostrou-se produtora de gás, em terras indígenas. sendo a primeira descoberta comercial de hidrocarbonetos Ainda segundo o relatório de Sampaio et al. (1998), na bacia, depois de cerca de 60 anos de exploração na a atividade exploratória na Bacia do Solimões teve início Região Amazônica. Tais resultados foram possíveis devido com os trabalhos do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB), prosseguindo com estudos do Departamento POÇOS SOLIMÕES Nacional de Produção Mineral (DNPM) e com o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), instituído em 1938. Contudo, somente a partir da criação da Petrobras, em 1953, é que a bacia passou a ser mais intensamente explorada, por meio de duas campanhas exploratórias de grandes proporções (Figura 11.6). Na primeira campanha, entre os anos de 1958 a 1963, foram perfurados 18 poços (17 estratigráficos e apenas um pioneiro), em geral locados nas margens dos principais rios da região e posicionados principalmente com base em dados gravimétricos. A segunda campanha exploratória foi iniciada em 1976, com a aquisição de uma linha sísmica regional de reconhecimento, que mostrou uma importante inversão Figura 11.6 - Histórico dos poços perfurados na bacia do Solimões em seu final. Segundo Campos e Teixeira (1988), a linha para exploração de hidrocarbonetos. Fonte: ANP-SIGEP (em teve por finalidade testar a hipótese de que os esforços 28.07.2009). 146 PANORAMA DA PESQUISA E DO POTENCIAL PETROLÍFERO à reavaliação geológica favorável da bacia e à melhoria na POÇOS AMAZONAS qualidade das linhas sísmicas, além da evolução dos meios de transporte e de comunicação. Nessa segunda fase, que se estende até hoje, foram perfurados 73 poços pioneiros (um deles por contrato de risco e 72 pela Petrobras), dos quais 21 foram considerados descobridores de ocorrências de hidrocarbonetos e um poço estratigráfico (Figura 11.6). Em 1996, novas descobertas aconteceram, em linea- mentos estruturais de orientação diferente dos alinhamen- tos NE de Urucu e Juruá, porém associados ao mesmo estilo estrutural (tectônica transpressiva). Como resultado da atividade exploratória, que até 1998 correspondeu a investimentos de mais de 1,2 bilhões de dólares, foram descobertas 11 ocorrências de gás, que integram a Província Gaseífera do Juruá, e três ocorrências Figura 11.7 - Histórico dos poços perfurados na bacia do de óleo e gás, que formam a Província Petrolífera do Urucu Amazonas para exploração de hidrocarbonetos. Fonte: ANP-SIGEP (Figura 11.2). As reservas totais foram então estimadas em (em 28.07.2009). 119 milhões de metros cúbicos de óleo-equivalente. Atualmente, a Bacia do Solimões conta com 35.809 km e indicações de óleo/gás no poço 1-AD-1A-AM (Andirá) de linhas sísmicas 2D e 48.783 km2 de sísmica 3D, além de (Figura 11.8). uma parcial cobertura aérea gravimétrica e magnetométrica. De acordo com a COPPE/UFRJ (2001), a maioria dos poços, inclusive os pioneiros, foi perfurada fundamen- BACIA DO AMAZONAS talmente com base em dados gravimétricos, com algum suporte de dados de geologia de superfície e de controle A Bacia Paleozoica do Amazonas, objeto do segundo sísmico, sendo locados principalmente às margens dos rios, relatório de integração elaborado por Sampaio et al. (1998), para aproveitar as facilidades do deslocamento via fluvial. é alongada na direção EW e tem uma área total de 606.000 Em uma segunda fase, entre 1971 e 1990, após km². É uma bacia intracratônica, limitada a norte pelo Escu- levantamentos sísmicos sistemáticos, foram perfurados do das Guianas, a sul pelo Escudo Brasileiro, a oeste, com quatro poços estratigráficos e 34 poços pioneiros, dois a Bacia do Solimões, pelo Arco de Purus, e a leste, com a deles perfurados pelas empresas Pecten e Elf-Aquitaine, Bacia de Marajó, pelo Arco de Gurupá. Tem cerca de 5.000 sob regime de contrato de risco, além de cinco poços de m de preenchimento sedimentar reconhecido, sendo uma extensão (Figura 11.7). As indicações mais significativas de sequência paleozoica (que sofreu intrusão por diques de hidrocarbonetos ocorreram em 1985, nos poços 1-LT-1-AM diabásio) e outra mesozoico-cenozoica. (Lago Tucunaré) e 1-ICA-1-AM (Igarapé Cuia), produtores A exploração de petróleo na Bacia do Amazonas teve de gás e óleo, respectivamente. Boas indicações de gás início com os trabalhos do Serviço Geológico e Mineraló- ocorreram nos poços 1-BR-1A-PA (Belterra), 1-FC-1-PA gico do Brasil (SGMB) e prosseguiu com o Departamento (Fazenda Cachoeira), 1-FZ-1-AM (Fazendinha) e 1-TR-1-PA Nacional de Produção Mineral (DNPM) e com o Conselho (Tauari). O poço 1-RCM-1-AM (Riacho Castanho-Mirim), Nacional do Petróleo (CNP). perfurado pela Pecten, recuperou gás em teste de forma- Com a criação da Petrobras, em 1953, a exploração ção, porém sem registro de vazão. Boas indicações de óleo de petróleo nessa bacia teve um grande impulso, podendo foram reportadas nos poços 1-IJU-1-AM (Igarapé Jacuraru) ser subdividida nas fases a seguir descritas. e 1-PA-1-AM (Paraná do Autás-Mirim). Na primeira fase, de 1953 a 1967, foram perfurados Uma terceira fase teve início em 1996, com a desco- 53 poços estratigráficos e 58 poços pioneiros (Figura 11.7). berta de gás, ocorrida em 1999, no poço 1-RUT-1-AM (Rio A exploração foi bastante intensificada após a descoberta Uatumã), situado no bloco BA-3 da Petrobras (Figura 11.7). de petróleo, logo no início dos trabalhos, nos poços 1-NO- Essa descoberta deu origem ao Campo de Azulão. Em 2001, 1, 1-NO-3 e 1-NO-4-AM (Nova Olinda). Essas descobertas foi perfurado o poço 1-BRSA-98-AM, que deu origem ao se revelaram subcomerciais, em virtude de a pequena ex- Campo de Japiim. Tais descobertas, juntamente com as boas tensão dos reservatórios, associada à distância de centros indicações de óleo observadas no poço 1-LIT-1-AM (Lago industriais e urbanos. Itaúba), perfurado em 1996, abriram novas perspectivas para Indicações de gás foram obtidas nos poços 2-CPST-1- a descoberta de uma nova província produtora, em uma PA (Rio Cupari), 2-BUST-1-PA (Buiuçu), 1-CM-1-PA (Cuminá), bacia de nova fronteira com vastas dimensões (Figura 11.2). 1-FA-1-AM (Faro), 1-FO-1-PA (Fordlândia), 2-LFST-1-AM Em suma, toda a Bacia do Amazonas está amplamente (Lago do Faro), 1-RX-4-AM (Rio Abacaxis) e 1-SO-1-AM recoberta com levantamentos gravimétricos e magneto- (Sampaio). Indicações de óleo ocorreram nos poços 1-AM- métricos terrestres e aéreos (mais recentes adquiridos pela 1, 3, 6A, e 11-AM (Autás-Mirim) e 1-MS-3-AM (Maués) ANP). Foram ainda realizados 78.065 km de levantamento 147 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS diagnosticar quatro áreas de interesse para intensificação das pesquisas, devido à espes- sura sedimentar esperada (aproximadamente 4.000 m), o que poderia indicar regiões com condições favoráveis para geração de petróleo e gás natural. Além disso, o estudo de geoquí- mica terrestre diagnosticou algumas anomalias favoráveis à ocorrência de acumulações de hidrocarbonetos. Em 2010, a ANP prevê a contratação de um levantamento sísmico de escala regional na porção oeste da bacia. A sequência sedimentar da Bacia do Alto Tapajós foi estudada apenas por trabalhos de reconhecimento de superfície. Apesar de o caráter incipiente do conhecimento geológico dessa bacia, ela é considerada potencialmente prospectável, principalmente dada a ocorrência de calcário e fosfato. No entanto, a grande porcentagem de área não-explorável (reservas ambientais, militares e indígenas) compromete a priorização da bacia em termos de investi- mentos exploratórios. Dessa forma, o Plano Figura 11.8 - Indicações de hidrocarbonetos obtidas na primeira fase Plurianual de Geologia e Geofísica da ANP exploratória da bacia sedimentar do Amazonas, após a criação da Petrobras. prevê apenas a realização de levantamento Fonte: ANP-SIGEP. geoquímico, previsto para 2011. sísmico 2D e 210 km2 de sísmica 3D. A disponibilidade de REFERÊNCIAS dados mostra-se mais adensada na porção central da bacia. Das diversas descobertas durante a história de explora- ANP. Plano plurianual de geologia e geofísica. Brasí- ção dessa bacia, atualmente estão sendo desenvolvidos os lia: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocom- campos de Azulão e Japiim que, de acordo com o Boletim bustíveis, 2009. Disponível em: . Acesso em: 2009. de pequeno porte de gás não-associado. Apesar do porte ainda pequeno das decobertas até então realizadas na Bacia CAMPOS, J. N. P.; TEIXEIRA, L. B. Estilo tectônico do baixo do Amazonas, os estudos mais recentes apontam para um Amazonas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, expressivo potencial petrolífero na região. 35., 1988, Belém. Anais... Belém: SBG, 1988. v. 5, p. 2161-2172. BACIAS DO ACRE E DO ALTO TAPAJÓS EIRAS, J. F. et al. Bacia do Solimões. Boletim de Geoci- Pequenas áreas das bacias do Acre e do Alto Tapajós ências da Petrobras, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 17-45, estão presentes no estado do Amazonas. No entanto, al- jan./mar. 1994. guns comentários devem ser feitos sobre elas. A atividade exploratória nessas bacias foi de pequena SAMPAIO, E. E. S. et al. Relatórios de integração: expressão, porém, na Bacia do Acre a pesquisa foi retomada análise de blocos requisitados pela Petrobras (bacias sedi- pela ANP, estando concluído um aerolevantamento gravimé- mentares brasileiras). [S.l.]: ANP/UFBA, 1998. CD-ROM. trico e magnetométrico, como também um levantamento geoquímico. UFRJ. Sistema de apoio gerencial: bacias brasileiras Esses investimentos apresentaram resultados satisfa- de interesse petrolífero. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ; ANP, tórios, a exemplo do aerolevantamento, que possibilitou 2001. 148 12 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA Maria Angélica Barreto Ramos (angelica.barreto@cprm.gov.br)¹ Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br)¹ Antônio Theodorovicz (antonio.theodoroviz@cprm.gov.br)¹ Valter José Marques (valter.marques@cprm.gov.br)¹ Vitório Orlandi Filho (vitorioorlandi@gmail.com)² Maria Adelaide Mansini Maia (adelaide.maia@cprm.gov.br)¹ Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (pedro.augusto@cprm.gov.br)¹ 1CPRM – Serviço Geológico do Brasil ²Consultor SUMÁRIO Introdução ......................................................................................................... 151 Procedimentos metodológicos ........................................................................... 151 Definição dos domínios e unidades geológico-ambientais ................................. 151 Atributos da geologia ........................................................................................ 151 Deformação .................................................................................................... 152 Tectônica: dobramentos ............................................................................... 152 Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/cisalhamento ............................... 152 Estruturas..................................................................................................... 152 Resistência ao intemperismo físico .................................................................. 152 Resistência ao intemperismo químico ............................................................. 152 Grau de coerência ........................................................................................... 153 Características do manto de alteração potencial (solo residual) ...................... 153 Porosidade primária ........................................................................................ 154 Característica da unidade lito-hidrogeológica ................................................. 154 Atributos do relevo ............................................................................................ 155 Modelo digital de terreno – shutlle radar topography mission (SRTM) ............... 155 Mosaico geocover 2000 ..................................................................................... 156 Análise da drenagem.......................................................................................... 157 Kit de dados digitais ........................................................................................... 157 Trabalhando com o kit de dados digitais ......................................................... 157 Estruturação da base de dados: geobank ........................................................... 158 Atributos dos campos do arquivo das unidades geológico-ambientais: dicionário de dados ............................................................................................ 161 Referências ......................................................................................................... 161 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA INTRODUÇÃO critérios adotados para a definição dos domínios e unidades geológico-ambientais do Brasil, com o objetivo de se agrupar Neste capítulo são apresentadas as diversas etapas que conjuntos estratigráficos de comportamento semelhante envolveram o tratamento digital dos dados no desenvolvimen- frente ao uso e ocupação dos terrenos. Da mesma forma, o to do SIG Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas, do resultado obtido não foi um mapa geológico ou tectônico, mas Programa Geologia do Brasil (PGB) da CPRM/SGB, integrante sim um novo produto, denominado Mapa Geodiversidade do do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2009), que Estado do Amazonas, no qual foram inseridas informações de tem como objetivo a geração de produtos voltados para o cunho ambiental, muito embora a matéria-prima para as aná- ordenamento territorial e o planejamento dos setores mineral, lises e agrupamentos tenha sido proveniente das informações transportes, agricultura, turismo e meio ambiente. contidas nas bases de dados de Litoestratigrafia e Recursos As informações produzidas estão alojadas no GeoBank Minerais do GeoBank, bem como na larga experiência em (sistema de bancos de dados geológicos corporativo da mapeamento e em projetos de ordenamento e gestão do CPRM/SGB), a partir das informações geológicas multies- território dos profissionais da CPRM/SGB. calares contidas em suas bases Litoestratigrafia e Recursos Em alguns casos foram agrupadas, em um mesmo Minerais, além da utilização de sensores como o Modelo domínio, unidades estratigráficas com idades diferentes, Digital de Terreno SRTM (Shuttle Radar Topography Mis- desde que a elas se aplicasse um conjunto de critérios clas- sion), do Mosaico GeoCover 2000 e das informações de sificatórios, como: posicionamento tectônico, nível crustal, estruturas e drenagem (CPRM, 2004; RAMOS et al., 2005; classe da rocha (ígnea, sedimentar ou metamórfica), grau de THEODOROVICZ et al., 1994, 2001, 2002, 2005; TRAININI coesão, textura, composição, tipos e graus de deformação, e ORLANDI, 2003; TRAININI et al., 1998, 2001). expressividade do corpo rochoso, tipos de metamorfismo, Do mesmo modo que na elaboração do Mapa Geodiver- expressão geomorfológica ou litotipos especiais. Se, por sidade do Brasil (escala 1:2.500.000), também foram utiliza- um lado agruparam-se, por exemplo, quartzitos friáveis das, para o Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas, e arenitos friáveis, por outro foram separadas formações informações temáticas de infraestrutura, recursos minerais, sedimentares muito semelhantes em sua composição, es- unidades de conservação, terras indígenas e áreas de pro- trutura e textura, quando a geometria do corpo rochoso teção integral e de desenvolvimento sustentável estaduais e apontava no sentido da importância em distinguir uma federais, dados da rede hidrológica e de água subterrânea, situação de extensa cobertura de uma situação de pacote áreas oneradas pela mineração, gasodutos e oleodutos, da- restrito, limitado em riftes. dos paleontológicos, geoturísticos e paleontológicos. O principal objetivo para tal compartimentação é atender a uma ampla gama de usos e usuários interessa- PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS dos em conhecer as implicações ambientais decorrentes do embasamento geológico. Para a elaboração do Mapa Assim como para o Mapa Geodiversidade do Brasil e Geodiversidade do Brasil (escala 1:2.500.000), analisaram- do SIG Geodiversidade ao Milionésimo, os levantamentos -se somente as implicações ambientais provenientes de estaduais foram elaborados seguindo as orientações con- características físico-químicas, geométricas e genéticas tidas em roteiro metodológico preparado para essa fase, dos corpos rochosos. Na escala 1:1.000.000, do recorte apoiados em kits digitais personalizados para cada estado, ao milionésimo e dos estados, foram selecionados atribu- que contêm todo o material digital (imagens, arquivos tos aplicáveis ao planejamento e dos compartimentos de vetoriais etc.) necessário ao bom desempenho da tarefa. relevo, reservando-se para as escalas de maior detalhe o A sistemática de trabalho adotada permitiu a conti- cruzamento com informações sobre clima, solo e vegetação. nuação da organização dos dados na Base Geodiversidade Como a Base Geodiversidade é fruto da reclassificação inserida no GeoBank, desde a fase do recorte ao milionésimo das unidades litoestratigráficas contidas na Base multies- até os estaduais e, sucessivamente, em escalas de maior calar Litoestratigrafia, compondo conjuntos estratigráficos detalhe (em trabalhos futuros), de forma a possibilitar a de comportamento semelhante frente ao uso e ocupação, conexão dos dados vetoriais aos dados alfanuméricos. Em atualmente essa base possui a estruturação em domínios e uma primeira fase, com auxílio dos elementos-chave des- unidades geológico-ambientais apresentada no Apêndice I. critos nas tabelas dos dados vetoriais, é possível vincular Tal estruturação é dinâmica e, na medida do detalhamento facilmente mapas digitais ao GeoBank, como na montagem das escalas, novos domínios e unidades podem ser inseridos. de SIGs, em que as tabelas das shapefiles (arquivos vetoriais) são produtos da consulta sistemática ao banco de dados. ATRIBUTOS DA GEOLOGIA DEFINIÇÃO DOS DOMÍNIOS E UNIDADES Desde a etapa do recorte ao milionésimo, para me- GEOLÓGICO-AMBIENTAIS lhor caracterizar as unidades geológico-ambientais, foram selecionados atributos da geologia que permitem uma O estabelecimento de domínios geológico-ambientais série de interpretações na análise ambiental, os quais são e suas subdivisões para o estado do Amazonas insere-se nos descritos a seguir. 151 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Deformação - Anisotrópica Gnáissica - Anisotrópica Bandada Relacionada à dinâmica interna do planeta. Procede-se - Anisotrópica Concrecional à interpretação a partir da ambiência tectônica, litológica - Anisotrópica Concrecional/Nodular e análise de estruturas refletidas nos sistemas de relevo e - Anisotrópica Biogênica drenagem. - Anisotrópica com Estruturas de Dissolução - Anisotrópica com Estruturas de Colapso Tectônica: dobramentos Resistência ao Intemperismo Físico - Ausente: sedimentos inconsolidados (aluviões, dunas, terraços etc.). Procede-se à dedução a partir da análise da compo- - Não-dobrada: sequências sedimentares, vulca- sição mineral da rocha ou das rochas que sustentam a nossedimentares e rochas ígneas não-dobradas e não- unidade geológico-ambiental. -metamorfizadas. Se for apenas um tipo de litologia que sustenta a uni- - Pouco a moderadamente dobrada: a exemplo dade ou se forem complexos plutônicos de várias litologias, das sequências sedimentares ou vulcanossedimentares. são definidas as seguintes classificações para esse atributo: - Intensamente dobrada: a exemplo das sequências - Baixa: rochas ricas em minerais ferromagnesianos, sedimentares ou vulcanossedimentares complexa e intensa- arenitos, siltitos, metassedimentos argilosos, rochas ígneas mente dobradas e das rochas granito-gnaisse migmatíticas. ricas em micas, calcários, lateritas, rochas ígneas básico- -ultrabásico-alcalinas efusivas. Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/ - Moderada a alta: ortoquartzitos, arenitos silicifica- cisalhamento dos, leucogranitos e outras rochas pobres em micas e em minerais ferromagnesianos, formações ferríferas, quartzitos - Não-fraturada: caso das coberturas sedimentares e arenitos impuros. inconsolidadas. - Não se aplica: sedimentos inconsolidados. - Pouco a moderadamente fraturada: sequências Se forem várias litologias que sustentam a unidade, a sedimentares moderadamente consolidadas. classificação será: - Intensamente fraturada: caso das coberturas - Baixa a moderada na vertical: caso de coberturas proterozoicas e vulcânicas mesozoicas. pouco a moderadamente consolidadas. - Zonas de cisalhamento: caso das faixas de con- - Baixa a alta na vertical: unidades em que o subs- centração de deformação dúctil (cinturões de deformação). trato rochoso é formado por empilhamento de camadas horizontalizadas, não-dobradas, de composição mineral Estruturas e com grau de consolidação muito diferentes, como as intercalações irregulares de calcários, arenitos, siltitos, De acordo com Oliveira e Brito (1998), as rochas argilitos etc. podem apresentar as seguintes características reológicas - Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequên- (comportamento frente a esforços mecânicos): cias sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e com- - Isotrópica: aplica-se quando as propriedades das postas de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas rochas são constantes, independentemente da direção e outras que se caracterizam por apresentarem grande observada. heterogeneidade composicional, textural e deformacional - Anisotrópica: as propriedades variam de acordo lateral e vertical. com a direção considerada. As bibliotecas para o atributo “Estruturas” são: Resistência ao Intemperismo Químico - Isotrópica - Anisotrópica Indefinida Procede-se à dedução a partir da análise da compo- - Anisotrópica Estratificada sição mineral da rocha ou das rochas que sustentam a - Anisotrópica Estratificada/Biogênica unidade geológico-ambiental. - Anisotrópica Maciça/Vesicular Se for só um tipo de litologia que sustenta a unidade - Anisotrópica Maciça/Acamadada geológico-ambiental ou se forem complexos plutônicos de - Anisotrópica Maciça/Laminada várias litologias, são definidas as seguintes classificações - Anisotrópica Acamadada para esse atributo: - Anisotrópica Acamadada/Filitosa - Baixa: calcários, rochas básicas, ultrabásicas, alca- - Anisotrópica Acamadada/Xistosa linas etc. - Anisotrópica Xistosa/Maciça - Moderada a alta: ortoquartzitos, leucogranitos e - Anisotrópica Filitosa/Xistosa outras rochas pobres em micas e em minerais ferromagne- - Anisotrópica Acamadamento Magmático sianos, quartzitos e arenitos impuros. 152 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - Não se aplica: aluviões. As classificações utilizadas neste atributo são: Entretanto, se forem várias litologias que sustentam a - Muito brandas unidade, a classificação será: - Brandas - Baixa a moderada na vertical: unidades em que - Médias o substrato rochoso é formado por empilhamento de - Duras camadas horizontalizadas, não-dobradas, de composição - Muito brandas a duras mineral e grau de consolidação semelhantes a ligeiramente Entretanto, se forem várias litologias, esta será a diferentes e mesma composição mineralógica. classificação: - Baixa a alta na vertical: unidades em que o subs- - Variável na horizontal trato rochoso é formado por empilhamento de camadas - Variável na vertical horizontalizadas, não-dobradas, de composição mineral e - Variável na horizontal e vertical grau de consolidação muito diferentes, como as intercala- - Não se aplica ções irregulares de calcários, arenitos, siltitos, argilitos etc. - Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequên- Características do Manto de Alteração cias sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e com- Potencial (Solo Residual) postas de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas e outras que se caracterizam por apresentarem grande Procede-se à dedução a partir da análise da composi- heterogeneidade composicional, textural e deformacional ção mineral das rochas. Por exemplo, independentemente lateral e vertical. de outras variáveis que influenciam as características do solo, como clima e relevo, o manto de alteração de um ba- Grau de Coerência salto será argiloso e, o de um granito, argilo-síltico-arenoso. - Predominantemente arenoso: substrato rochoso Refere-se à resistência ao corte e à penetração. Mes- sustentado por espessos e amplos pacotes de rochas pre- mo em se tratando de uma única litologia, deve-se prever dominantemente arenoquartzosas. a combinação dos vários tipos de grau de coerência, a - Predominantemente argiloso: predominância de exemplo dos arenitos e siltitos (Figura 12.1). Para o caso de rochas que se alteram para argilominerais, a exemplo de der- complexos plutônicos com várias litologias, todas podem rames basálticos, complexos básico-ultrabásico-alcalinos, estar enquadradas em um único grau de coerência. terrenos em que predominam rochas calcárias etc. Figura 12.1 - Resistência à compressão uniaxial e classes de alteração para diferentes tipos de rochas. Fonte: Modificado de Vaz (1996). 153 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS - Predominantemente argilossiltoso: siltitos, fo- Caso seja apenas um tipo de litologia que sustenta lhelhos, filitos e xistos. a unidade geológico-ambiental, observar o campo “Des- - Predominantemente argilo-síltico-arenoso: crição”, da Tabela 12.1. Entretanto, se forem complexos rochas granitoides e gnáissico-migmatíticas ortoderivadas. plutônicos de várias litologias, a porosidade é baixa. - Variável de arenoso a argilossiltoso: sequências - Baixa: 0 a 15% sedimentares e vulcanossedimentares compostas por alter- - Moderada: de 15 a 30% nâncias irregulares de camadas pouco espessas, interdigita- - Alta: >30% das e de composição mineral muito contrastante, a exemplo Para os casos em que várias litologias sustentam a das sequências em que se alternam, irregularmente, entre si, unidade geológico-ambiental, observar o campo “Tipo”, camadas de arenitos quartzosos com pelitos, com calcários da Tabela 12.1. ou com rochas vulcânicas. - Variável (0 a >30%): a exemplo das unidades - Predominantemente siltoso: siltitos e folhelhos. em que o substrato rochoso é formado por um empilha- - Não se aplica. mento irregular de camadas horizontalizadas porosas e não-porosas. Porosidade Primária Característica da Unidade Relacionada ao volume de vazios em relação ao volume Lito-Hidrogeológica total da rocha. O preenchimento deverá seguir os procedi- mentos descritos na Tabela 12.1. São utilizadas as seguintes classificações: Tabela 12.1 - Tabela de porosidade total dos diversos materiais rochosos. Material Porosidade Total % m Porosidade eficaz % me Normal Extraordinária Obs. Tipo Descrição Média Média Máx. Mín. Máx. Mín. Máx. Mín. Granito 0,3 4 0,2 9 0,05 <0,2 0,5 0,0 A Rochas maciças Calcário maciço 8 15 0,5 20 <0,5 1 0,0 B Dolomito 5 10 2 <0,5 1 0,0 B Rochas metamórficas 0,5 5 0,2 <0,5 2 0,0 A Piroclasto e tufas 30 50 10 60 5 <5 20 0,0 C, E Escórias 25 80 10 20 50 1 C, E Rochas vulcânicas Pedra-pome 85 90 50 <5 20 0,0 D Basaltos densos, fonólitos 2 5 0,1 <1 2 0,1 A Basaltos vesiculares 12 30 5 5 10 1 C Pizarras sedimentares 5 15 2 30 0,5 <2 5 0,0 E Rochas sedimentares Arenitos 15 25 3 30 0,5 10 20 0,0 F consolidadas (ver rochas maciças) Creta blanda 20 50 10 1 5 0,2 B Calcário detrítico 10 30 1,5 3 20 0,5 Aluviões 25 40 20 45 15 15 35 5 E Dunas 35 40 30 20 30 10 Cascalho 30 40 25 40 20 25 35 15 Rochas Loes 45 55 40 <5 10 0,1 E sedimentares Areias 35 45 20 25 35 10 inconsolidadas Depósitos glaciais 25 35 15 15 30 5 Silte 40 50 25 10 20 2 E Argilas não-compactadas 45 60 40 85 30 2 10 0,0 E Solos superiores 50 60 30 10 20 1 E Fonte: Modificado de Custodio e Llamas (1983). Nota: Alguns dados, em especial os referentes à porosidade eficaz (me), devem ser tomados com precauções, segundo as circunstâncias locais. A = Aumenta m e me por meteorização; B = Aumenta m e me por fenômenos de dissolução; C = Diminui m e me com o tempo; D = Diminui m e pode aumentar me com o tempo; E = me muito variável segundo as circunstâncias do tempo; F = Varia segundo o grau de cimentação e solubilidade. 154 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - Granular: dunas, depósitos sedimentares incon- - Reinterpretação das informações existentes nos ma- solidados, planícies aluviais, coberturas sedimentares etc. pas geomorfológicos produzidos por instituições diversas, - Fissural em especial os mapas desenvolvidos no âmbito do Projeto - Granular/fissural RadamBrasil, em escala 1:1.000.000. - Cárstico - Execução de uma série de perfis de campo, com o - Não se aplica objetivo de aferir a classificação executada. Para cada um dos atributos de relevo, com suas res- ATRIBUTOS DO RELEVO pectivas bibliotecas, há uma legenda explicativa (Apêndice II – Biblioteca de Relevo do Território Brasileiro) que agrupa Com o objetivo de conferir uma informação geomor- características morfológicas e morfométricas gerais, assim fológica clara e aplicada ao mapeamento da geodiversidade como informações muito elementares e generalizadas do território brasileiro e dos estados federativos em escalas quanto à sua gênese e vulnerabilidade frente aos processos de análise muito reduzidas (1:500.000 a 1:1.000.000), geomorfológicos (intempéricos, erosivos e deposicionais). procurou-se identificar os grandes conjuntos morfológi- Evidentemente, considerando a vastidão e a enor- cos passíveis de serem delimitados em tal tipo de escala, me geodiversidade do território brasileiro, assim como sem muitas preocupações quanto à gênese e evolução seu conjunto diversificado de paisagens bioclimáticas e morfodinâmica das unidades em análise, assim como aos condicionantes geológico-geomorfológicas singulares, as processos geomorfológicos atuantes. Tais avaliações e informações de amplitude de relevo e declividade, dentre controvérsias, de âmbito exclusivamente geomorfológico, outras, devem ser reconhecidas como valores-padrão, não seriam de pouca valia para atender aos propósitos deste aplicáveis indiscriminadamente a todas as regiões. Não se estudo. Portanto, termos como: depressões, cristas, pata- descartam sugestões de ajuste e aprimoramento da Tabela mares, platôs, cuestas, hog-backs, pediplanos, peneplanos, 12.2 e do Apêndice II apresentados nesse modelo, as quais etchplanos, escarpas, serras e maciços, dentre tantos outros, serão benvindas. foram englobados em um reduzido número de conjuntos morfológicos. MODELO DIGITAL DE TERRENO – SHUTLLE Portanto, esta proposta difere substancialmente das RADAR TOPOGRAPHY MISSION (SRTM) metodologias de mapeamento geomorfológico presentes na literatura, tais como: a análise integrada entre a com- A utilização do Modelo Digital de Terreno ou Modelo partimentação morfológica dos terrenos, a estrutura subsu- Digital de Elevação ou Modelo Numérico de Terreno, no perficial dos terrenos e a fisiologia da paisagem, proposta contexto do Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas, por Ab’Saber (1969); as abordagens descritivas em base justifica-se por sua grande utilidade em estudos de análise morfométrica, como as elaboradas por Barbosa et al. (1977), ambiental. para o Projeto RadamBrasil, e Ponçano et al. (1979) e Ross Um Modelo Digital de Terreno (MDT) é um modelo e Moroz (1996) para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas contínuo da superfície terrestre, ao nível do solo, representa- do Estado de São Paulo (IPT); as abordagens sistêmicas, com do por uma malha digital de matriz cartográfica encadeada, base na compartimentação topográfica em bacias de drena- ou raster, onde cada célula da malha retém um valor de gem (MEIS et al., 1982); ou a reconstituição de superfícies elevação (altitude) do terreno. Assim, a utilização do MDT regionais de aplainamento (LATRUBESSE et al., 1998). em estudos geoambientais se torna imprescindível, uma O mapeamento de padrões de relevo é, essencial- vez que esse modelo tem a vantagem de fornecer uma mente, uma análise morfológica do relevo com base em visão tridimensional do terreno e suas inter-relações com as fotointerpretação da textura e rugosidade dos terrenos a formas de relevo e da drenagem e seus padrões de forma partir de diversos sensores remotos. direta. Isso permite a determinação do grau de dissecação Nesse sentido, é de fundamental importância escla- do relevo, informando também o grau de declividade e recer que não se pretendeu produzir um mapa geomor- altimetria, o que auxilia grandemente na análise ambiental, fológico, mas um mapeamento dos padrões de relevo em como, por exemplo, na determinação de áreas de proteção consonância com os objetivos e as necessidades de um permanente, projetos de estradas e barragens, trabalhos de mapeamento da geodiversidade do território nacional em mapeamento de vegetação etc. escala continental. A escolha do Shuttle Radar Topography Mission (SRTM) Com esse enfoque, foram selecionados 27 padrões [missão espacial liderada pela NASA, realizada durante 11 de relevo para os terrenos existentes no território brasileiro dias do mês de fevereiro de 2000, visando à geração de um (Tabela 12.2), levando-se, essencialmente, em consideração: modelo digital de elevação quase global] foi devida ao fato - Parâmetros morfológicos e morfométricos que pudes- de os MDTs disponibilizados por esse sensor já se encontra- sem ser avaliados pelo instrumental tecnológico disponível rem disponíveis para toda a América do Sul, com resolução nos kits digitais (imagens LandSat GeoCover e Modelo espacial de aproximadamente 90 x 90 m, apresentando alta Digital de Terreno e Relevo Sombreado (SRTM); mapa de acurácia e confiabilidade, além da gratuidade (CCRS, 2004 classes de hipsometria; mapa de classes de declividade). apud BARROS et al., 2004). 155 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Tabela 12.2 - Atributos e biblioteca de padrões de relevo do território brasileiro. Símbolo Tipo de Relevo Declividade (graus) Amplitude Topográfica (m) R1a Planícies Fluviais ou Fluviolacustres 0 a 3 zero R1b1 Terraços Fluviais 0 a 3 2 a 20 R1b2 Terraços Marinhos 0 a 3 2 a 20 R1b3 Terraços Lagunares 0 a 3 2 a 20 R1c1 Vertentes recobertas por depósitos de encosta 5 a 45 Variável R1c2 Leques Aluviais 0 a 3 2 a 20 R1d Planícies Fluviomarinhas 0 (plano) zero R1e Planícies Costeiras 0 a 5 2 a 20 R1f1 Campos de Dunas 3 a 30 2 a 40 R1f2 Campos de Loess 0 a 5 2 a 20 R1g Recifes 0 zero R2a1 Tabuleiros 0 a 3 20 a 50 R2a2 Tabuleiros Dissecados 0 a 3 20 a 50 R2b1 Baixos Platôs 0 a 5 0 a 20 R2b2 Baixos Platôs Dissecados 0 a 5 20 a 50 R2b3 Planaltos 0 a 5 20 a 50 R2c Chapadas e Platôs 0 a 5 0 a 20 R3a1 Superfícies Aplainadas Conservadas 0 a 5 0 a 10 R3a2 Superfícies Aplainadas Degradadas 0 a 5 10 a 30 R3b Inselbergs 25 a 60 50 a 500 R4a1 Domínio de Colinas Amplas e Suaves 3 a 10 20 a 50 R4a2 Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos 5 a 20 30 a 80 R4a3 Domos em Estrutura Elevada 3 a 10 50 a 200 R4b Domínio de Morros e de Serras Baixas 15 a 35 80 a 200 R4c Domínio Montanhoso 25 a 60 300 a 2000 R4d Escarpas Serranas 25 a 60 300 a 2000 R4e Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos 10 a 45 50 a 200 R4f Vales Encaixados 10 a 45 100 a 300 Durante a realização dos trabalhos de levantamento MOSAICO GEOCOVER 2000 da geodiversidade do território brasileiro, apesar de todos os pontos positivos apresentados, os dados SRTM, em A justificativa para a utilização do Mosaico GeoCover algumas regiões, acusaram problemas, tais como: valores 2000 é o fato de este se constituir em um mosaico ortorre- espúrios (positivos e negativos) nas proximidades do mar tificado de imagens ETM+ do sensor LandSat 7, resultante e áreas onde não são encontrados valores. Tais problemas do sharpening das bandas 7, 4, 2 e 8. Esse processamento são descritos em diversos trabalhos do SRTM (BARROS et realiza a transformação RGB-IHS (canais de cores RGB-IHS al., 2004), sendo que essas áreas recebem o valor -32768, / vermelho, verde e azul – Matiz, Saturação e Intensidade), indicando que não há dado disponível. utilizando as bandas 7, 4 e 2 com resolução espacial de 30 A literatura do tema apresenta diversas possibilidades m e, posteriormente, a transformação IHS-RGB utilizando de correção desses problemas, desde substituição de tais a banda 8 na Intensidade (I) para aproveitar a resolução áreas por dados oriundos de outros produtos – o GTOPO30 espacial de 15 m. Tal procedimento junta as características aparece como proposta para substituição em diversos espaciais da imagem com resolução de 15 m às caracte- textos – ao uso de programas que objetivam diminuir tais rísticas espectrais das imagens com resolução de 30 m, re- incorreções por meio de edição de dados (BARROS et al., sultando em uma imagem mais “aguçada”. As imagens do 2004). Neste estudo, foi utilizado o software ENVI 4.1 para Mosaico GeoCover LandSat 7 foram coletadas no período solucionar o citado problema. de 1999/2000 e apresentam resolução espacial de 14,25 m. 156 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA Além da exatidão cartográfica, o Mosaico GeoCover - Assentamento: arquivo das áreas de assentamento possui outras vantagens, como: facilidade de aquisição dos agrícola dados sem ônus, âncora de posicionamento, boa acurácia - Áreas de Desertificação: arquivo das áreas de e abrangência mundial, o que, juntamente com o MDT, desertificação torna-o imprescindível aos estudos de análise ambiental - Paleontologia: dados de paleontologia (ALBUQUERQUE et al., 2005; CREPANI e MEDEIROS, 2005). - Poços: dados de poços cadastrados pelo Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS) criado ANÁLISE DA DRENAGEM pela CPRM/SGB - MDT_SRTM: arquivo Grid pelo recorte do estado Segundo Guerra e Cunha (2001), o reconhecimento, - Declividade: arquivo Grid pelo recorte do estado a localização e a quantificação das drenagens de uma de- - GeoCover: arquivo Grid pelo recorte do estado terminada região são de fundamental importância ao en- - Simbologias ESRI: fontes e arquivos *style (arquivo tendimento dos processos geomorfológicos que governam de cores e simbologias utilizadas pelo programa ArcGis). as transformações do relevo sob as mais diversas condições As figuras 12.2 a 12.4 ilustram parte dos dados do climáticas e geológicas. Nesse sentido, a utilização das kit digital para o Mapa Geodiversidade do Estado do informações espaciais extraídas do traçado e da forma das Amazonas. drenagens é indispensável na análise geológico-ambiental, Os procedimentos de tratamento digital e processa- uma vez que são respostas/resultados das características mento das imagens geotiff e MrSid (SRTM e GeoCover, ligadas a aspectos geológicos, estruturais e a processos ge- respectivamente), dos Grids (declividade e hipsométrico), omorfológicos, os quais atuam como agentes modeladores bem como dos recortes e reclass dos arquivos vetoriais da paisagem e das formas de relevo. (litologia, planimetria, curvas de nível, recursos minerais Dessa forma, a integração de atributos ligados às etc.) contidos no kit digital foram realizados em ambiente redes de drenagem, como tipos de canais de escoamento, SIG, utilizando os softwares ArcGis9 e ENVI 4.4. hierarquia da rede fluvial e configuração dos padrões de drenagem, a outros temas trouxe respostas a várias questões Trabalhando com o Kit de Dados Digitais relacionadas ao comportamento dos diferentes ambientes geológicos e climáticos locais, processos fluviais dominantes Na metodologia adotada, a unidade geológico-am- e disposição de camadas geológicas, dentre outros. biental, fruto da reclassificação das unidades geológicas (reclass) presentes no Mapa Geologia e Recursos Minerais KIT DE DADOS DIGITAIS do Estado do Amazonas ao Milionésimo (CPRM, 2006), é a unidade fundamental de análise, na qual foram agrega- Na fase de execução dos mapas de geodiversidade das todas as informações da geologia possíveis de serem estaduais, o kit de dados digitais constou, de acordo com obtidas a partir dos produtos gerados pela atualização da o disponível para cada estado, dos seguintes temas: cartografia geológica dos estados, pelo SRTM, mosaico - Geodiversidade: arquivo dos domínios e unidades GeoCover 2000 e drenagem. geológico-ambientais - Estruturas: arquivo das estruturas geológicas - Planimetria: cidades, vilas, povoados, rodovias etc. - Áreas Restritivas: áreas de parques estaduais e federais, terras indígenas, estações ecológicas etc. - Hidrografia: drenagens bifilar e unifilar - Bacias Hidrográficas: recorte das ba- cias e sub-bacias de drenagem - Altimetria: curvas de nível espaçadas de 100 m - Campos de óleo: campos de óleo e gás - Gasodutos e Oleodutos: arquivos de gasodutos, refinarias etc. - Pontos Geoturísticos: sítios geológi- cos, paleontológicos etc. - Quilombolas: áreas de quilombolas Figura 12.2 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Amazonas: - Recursos Minerais: dados de recursos unidades geológico-ambientais versus infraestrutura, recursos minerais e áreas minerais de proteção ambiental. 157 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Quando houve necessidade de subdivisão do polígono, ou seja, quando as variações fisiográficas eram muito contrastantes, evi- denciando comportamentos hidrológicos e erosivos muito distintos, esse procedimento foi realizado. Nessa etapa, considerou-se o relevo como um atributo para subdividir a uni- dade, propiciando novas deduções na análise ambiental. Assim, a nova unidade geológico-ambien- tal resultou da interação da unidade geológico- -ambiental com o relevo. Finalizado o trabalho de implementação dos parâmetros da geologia e do relevo pela equipe responsável, o material foi enviado para a Coordenação de Geoprocessamento, que procedeu à auditagem do arquivo digital da Figura 12.3 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Amazonas: geodiversidade para retirada de polígonos es- unidades geológico-ambientais versus relevo sombreado (MDT_SRTM). púrios, superposição e vazios, gerados durante o processo de edição. Paralelamente, iniciou- -se a carga dos dados na Base Geodiversidade – APLICATIVO GEODIV (VISUAL BASIC) com posterior migração dos dados para o GeoBank. ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS: GEOBANK A implantação dos projetos de levanta- mento da geodiversidade do Brasil teve como objetivo principal oferecer aos diversos segmen- tos da sociedade brasileira uma tradução do conhecimento geológico-científíco, com vistas a sua aplicação ao uso adequado para o orde- namento territorial e planejamento dos setores mineral, transportes, agricultura, turismo e meio ambiente, tendo como base as informações ge- ológicas presentes no SIG da Carta Geológica do Figura 12.4 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Amazonas: Brasil ao Milionésimo (CPRM, 2004). modelo digital de elevação (SRTM) versus drenagem bifilar. Com essa premissa, a Coordenação de Geoprocessamento da Geodiversidade, após Com a utilização dos dados digitais contidos em cada uma série de reuniões com as Coordenações Temáticas e DVD-ROM foram estruturados, para cada folha ou mapa com as equipes locais da CPRM/SGB, estabeleceu normas estadual, um Projeto.mxd (conjunto de shapes e leiaute) e procedimentos básicos a serem utilizados nas diversas organizado no software ArcGis9. atividades dos levantamentos estaduais, com destaque para: No diretório de trabalho havia um arquivo shapefile, - Definição dos domínios e unidades geológico-am- denominado geodiversidade_estado.shp, que correspondia bientais com base em parâmetros geológicos de interesse ao arquivo da geologia onde deveria ser aplicada a reclas- na análise ambiental, em escalas 1:2.500.000, 1:1.000.00 sificação da geodiversidade. e mapas estaduais. Após a implantação dos domínios e unidades geoló- - A partir da escala 1:1.000.000, criação de atributos gico-ambientais, procedia-se ao preenchimento dos parâ- geológicos aplicáveis ao planejamento e informações dos metros da geologia e, posteriormente, ao preenchimento compartimentos do relevo. dos campos com os atributos do relevo. - Acuidade cartográfica compatível com as escalas As informações do relevo serviram para melhor ca- adotadas. racterizar a unidade geológico-ambiental e também para - Estruturação de um modelo conceitual de base para subdividi-la. Porém, essa subdivisão, em sua maior parte, o planejamento, com dados padronizados por meio de alcançou o nível de polígonos individuais. bibliotecas. 158 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - Elaboração da legenda para compor os leiautes dos GeoBank (Oracle), formando, assim, a Base Geodiversidade mapas de geodiversidade estaduais. (Figura 12.8). - Criação de um aplicativo de entrada de dados local O módulo da Base Geodiversidade, suportado por bi- desenvolvido em Visual Basic 6.0 Aplicativo GEODIV. bliotecas, recupera, também por escala e por fase (quadrícula - Implementação do modelo de dados no GeoBank ao milionésimo, mapas estaduais), todas as informações das (Oracle) e migração dos dados do Aplicativo GEODIV para unidades geológico-ambientais, permitindo a organização a Base Geodiversidade. dos dados no GeoBank de forma a possibilitar a conexão - Entrada de dados de acordo com a escala e fase dos dados vetoriais com os dados alfanuméricos. Em uma (mapas estaduais). primeira fase, com auxílio dos elementos-chave descritos - Montagem de SIGs. nas tabelas, é possível vincular, facilmente, mapas digitais ao - Disponibilização dos mapas na Internet, por meio do GeoBank, como na montagem de SIGs, em que as tabelas módulo Web Map do GeoBank (), onde o usuário tem acesso a informações relaciona- Outra importante ferramenta de visualização dos das às unidades geológico-ambientais (Base Geodiversidade) mapas geoambientais é o módulo Web Map do GeoBank, e suas respectivas unidades litológicas (Base Litoestratigrafia). onde o usuário tem acesso a informações relacionadas às A necessidade de prover o SIG Geodiversidade com unidades geológico-ambientais (Base Geodiversidade) e suas tabelas de atributos referentes às unidades geológico- respectivas unidades litológicas (Base Litoestratigrafia), po- -ambientais, dotadas de informações para o planejamen- dendo recuperar as informações dos atributos relacionados to, implicou a modelagem de uma Base Geodiversidade, à geologia e ao relevo diretamente no mapa (Figura 12.9). intrinsecamente relacionada à Base Litoestratigrafia, uma vez que as unidades geológico-ambientais são produto de reclassificação das unidades litoestratigráficas. Esse modelo de dados foi implantado em um aplicativo de entrada de dados local desenvolvido em Visual Basic 6.0, denominado GEODIV. O modelo do aplicativo apresenta seis telas de entrada de dados armazenados em três tabe- las de dados e 16 tabelas de bibliotecas. A primeira tela recupera, por escala e fase, todas as unidades geológico- -ambientais cadastradas, filtrando, para cada uma delas, as letras-símbolos das unidades litoestratigráficas (Base Litoestratigrafia) (Figura 12.5). Posteriormente, de acordo com a escala adotada, o usuário cadastra todos os atributos da geologia de interesse para o planejamento (Figura 12.6). Na última tela, o usuário cadastra os compartimentos de relevo (Figura 12.7). Todos os dados foram preenchidos pela equipe da Figura 12.6 - Tela de cadastro dos atributos da geologia (aplicativo Coordenação de Geoprocessamento e inseridos no aplica- GEODIV). tivo que possibilita o armazenamento das informações no Figura 12.5 - Tela de cadastro das unidades geológico-ambientais Figura 12.7 - Tela de cadastro dos atributos do relevo (aplicativo para os mapas estaduais de geodiversidade (aplicativo GEODIV). GEODIV). 159 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 12.8 - Fluxograma simplificado da base Geodiversidade (GeoBank). Figura 12.9 - Módulo Web Map de visualização dos arquivos vetoriais/base de dados (GeoBank). 160 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA ATRIBUTOS DOS CAMPOS DO ARQUIVO liga a tabela aos polígonos do mapa e ao banco de dados (é DAS UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS: formada pelo campo COD_UNIGEO + COD_REL). DICIONÁRIO DE DADOS OBS (CAMPO DE OBSERVAÇÕES) – Campo-texto onde são descritas todas as observações consideradas relevantes São descritos, a seguir, os atributos dos campos na análise da unidade geológico-ambiental. que constam no arquivo shapefile da unidade geológico- -ambiental. REFERÊNCIAS COD_DOM (CÓDIGO DO DOMÍNIO GEOLÓGICO- -AMBIENTAL) – Sigla dos domínios geológico-ambientais. AB’SABER, A. N. Um conceito de geomorfologia a serviço DOM_GEO (DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO GEOLÓGICO- das pesquisas sobre o quaternário. Geomorfologia, São -AMBIENTAL) – Reclassificação da geologia pelos grandes Paulo, n. 18, p. 1-23, 1969. domínios geológicos. COD_UNIGEO (CÓDIGO DA UNIDADE GEOLÓGICO- ALBUQUERQUE, P. C. G.; SANTOS, C. C.; MEDEIROS, J. S. Avaliação de mosaicos com imagens LandSat TM -AMBIENTAL) – Sigla da unidade geológico-ambiental. para utilização em documentos cartográficos em UNIGEO (DESCRIÇÃO DA UNIDADE GEOLÓGICO- escalas menores que 1/50.000. São José dos Campos: -AMBIENTAL) – As unidades geológico-ambientais foram INPE, 2005. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2009. mínios geológico-ambientais e por critérios-chaves descritos anteriormente. BARBOSA, G. V.; FRANCO, E. M. S.; MOREIRA, M. M. A. DEF_TEC (DEFORMAÇÃO TECTÔNICA/DOBRAMEN- Mapas geomorfológicos elaborados a partir do sensor TOS) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas que radar. Notícia Geomorfológica, Campinas, v. 17, n. 33, compõe a unidade geológico-ambiental. p. 137-152, jun. 1977. CIS_FRAT (TECTÔNICA FRATURAMENTO/CISALHA- MENTO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas que BARROS, R. S. et al. Avaliação do modelo digital de elevação da SRTM na ortorretificação de imagens Spot compõe a unidade geológico-ambiental. 4. Estudo de caso: Angra dos Reis – RJ. In: SIMPÓSIO EM ASPECTO (ASPECTOS TEXTURAIS E ESTRUTURAIS) CIÊNCIAS GEODÉSICAS E TECNOLOGIA DA GEOINFOR- – Relacionado às rochas ígneas e/ou metamórficas que MAÇÃO, 1., 2004, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2004. compõem a unidade geológico-ambiental. CD-ROM. INTEMP_F (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO FÍSICO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs que compõe BERGER, A. Geoindicators: what are they and how are a unidade geológico-ambiental. they being used? In: INTERNATIONAL GEOLOGICAL CON- INTEMP_Q (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO QUÍMI- GRESS, 32., 2004, Florence. Abstracts… Florence, Italy: CO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs que IUGS, 2004. v. 2, abs. 209-1, p. 972. compõe a unidade geológico-ambiental. GR_COER (GRAU DE COERÊNCIA DA(S) ROCHA(S) BIZZI, L. A. et al. Geologia, tectônica e recursos FRESCA(S)) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas minerais do Brasil: texto, mapas e SIG. Brasília: CPRM, 2003. 674 p. il. 1 DVD anexo. que compõe a unidade geológico-ambiental. TEXTURA (TEXTURA DO MANTO DE ALTERAÇÃO) – Re- CCRS. Natural resources Canada, 2004. Disponível em: lacionado ao padrão textural de alteração da rocha ou ao gru- . Acesso em: po de rochas que compõe a unidade geológico-ambiental. 21 dez. 2009. PORO_PRI (POROSIDADE PRIMÁRIA) – Relacionado à porosidade primária da rocha ou do grupo de rochas que CPRM. Geologia e recursos minerais do Estado do compõe a unidade geológico-ambiental. Amazonas: Sistema de Informações Geográficas (SIG). AQUÍFERO (TIPO DE AQUÍFERO) – Relacionado Escala 1: 1:000.000. Rio de Janeiro: CPRM, 2006. CD- ao tipo de aquífero que compõe a unidade geológico- -ROM. Programa Geologia do Brasil: integração, atuali- -ambiental. zação e difusão de dados da geologia do Brasil. Mapas COD_REL (CÓDIGO DOS COMPARTIMENTOS DO geológicos estaduais. RELEVO) – Siglas para a divisão dos macrocompartimentos de relevo. CPRM. Instruções e procedimentos de padronização no tratamento digital de dados para projetos de RELEVO (MACROCOMPARTIMENTOS DO RELEVO) – mapeamento da CPRM: manual de padronização. Rio Descrição dos macrocompartimentos de relevo. de Janeiro: CPRM, 2005. v. 2. GEO_REL (CÓDIGO DA UNIDADE GEOLÓGICO-AMBIEN- TAL + CÓDIGO DO RELEVO) – Sigla da nova unidade geológi- CPRM. Carta geológica do Brasil ao milionésimo: co-ambiental, fruto da composição da unidade geológica com sistema de informações geográficas (SIG). Brasília: CPRM, o relevo. Na escala 1:1.000.000, é o campo indexador, que 2004. 41 CD-ROMs. Programa Geologia do Brasil. 161 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS CPRM. Mapa geoambiental & mapa de domínios RAMOS, M. A. B. et al. Procedimentos no tratamento geoambientais/zonas homólogas [da] bacia do rio digital de dados para o projeto SIG geologia ambiental Gravataí: escala 1:100.000. Porto Alegre: CPRM, 1998. do Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 2 mapas. Programa PRÓ-GUAÍBA. 43., 2006, Aracaju. Anais... Aracaju: SBG, 2006. 1 CD- -ROM. CREPANI, E.; MEDEIROS, J. S. Imagens CBERS + imagens SRTM + mosaicos GeoCover Landsat. Ambiente Spring RAMOS, M. A. B. et al. Proposta para determinação e TerraView: sensoriamento remoto e geoprocessamento de atributos do meio físico relacionados àss unidades gratuitos aplicados ao desenvolvimento sustentável. In: geológicas, aplicado à análise geoambiental. In: OFICI- SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, NA INTERNACIONAL DE ORDENAMENTO TERRITORIAL E 12., 2005, Goiânia. Anais… São José dos Campos: INPE, MINEIRO: subsídios ao mapeamento geoambiental, no 2005. 1 CD-ROM. contexto do LGB e do patrimônio geomineiro, 2005, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: CPRM, 2005. CREPANI, E.; MEDEIROS, J. S. Imagens fotográficas derivadas de MNT do projeto SRTM para fotointer- RODRIGUES, C.; COLTRINARI, L. Geoindicators of urbani- pretação na geologia, geomorfologia e pedologia. zation effects in humid tropicalenvironment: São Paulo São José dos Campos: INPE, 2004. (Brazil) metropolitan area. In: INTERNATIONAL GEOLO- GICAL CONGRESS, 32nd, 2004, Florence. Abstracts… CROSTA, A. P. Processamento digital de imagens de Florence, Italy: IUGS, 2004, v. 2, abs. 209-27, p. 976. sensoriamento remoto. Campinas: UNICAMP, 1992. 170p. ROSS, J. L. S.; MOROZ, I. C. Mapa geomorfológico do estado de São Paulo. Revista do Departamento de CUSTODIO, E.; LLAMAS, M. R. Hidrologia subterrânea. 2 Geografia da FFLCH/USP, São Paulo, v. 10, p. 41-59, ed. Corrigida. Barceleno: Omega, 1983. Tomo I. 1157 p. il. 1996. DINIZ, N. C.; DANTAS, A.; SCLIAR, C. Contribuição à THEODOROVICZ, A. et al. Projeto paisagens geo- política pública de mapeamento geoambiental no âmbito químicas e geoambientais do vale do Ribeira. São do levantamento geológico. In: OFICINA INTERNACIONAL Paulo: CPRM/UNICAMP/FAPESP, 2005. DE ORDENAMENTO TERRITORIAL E MINEIRO: subsídios ao mapeamento geoambiental, no contexto do LGB e do THEODOROVICZ, A.; THEODOROVICZ, A. M. de G.; CAN- patrimônio geomineiro, 2005, Rio de Janeiro. Anais… TARINO, S. de C. Estudos geoambientais e geoquími- Rio de Janeiro: CPRM, 2005. cos das bacias hidrográficas dos rios Mogi-Guaçu e Pardo. São Paulo: CPRM, 2002. 1 CD-ROM. GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. (Org.). Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. 4. ed. Rio de Janei- THEODOROVICZ, A.; THEODOROVICZ, M. G.; CANTARI- ro: Bertrand Brasil, 2001. NO, S. C. Projeto Mogi-Guaçu/Pardo: atlas geoam- biental das bacias hidrográficas dos rios Mogi-Guaçu e LATRUBESSE, E.; RODRIGUES, S.; MAMEDE, L. Sistema de Pardo - SP: subsídios para o planejamento territorial e classificação e mapeamento geomorfológico: uma nova gestão ambiental. São Paulo: CPRM, 2000. il. color. proposta. GEOSUL, Florianópolis, v. 14, n. 27, p. 682- 687, 1998. THEODOROVICZ, A. et al. Projeto médio Pardo. São Paulo: CPRM, 2001. LIMA, M. I. C. Análise de drenagem e seu significado geológico-geomorfológico. Belém: [s.n.], 2006. CD- THEODOROVICZ, A.; THEODOROVICZ, A. M. de G.; CAN- -ROM. TARINO, S. da C. Projeto Curitiba: informações básicas sobre o meio físico – subsídios para o planejamento MEIS, M. R. M.; MIRANDA, L. H. G; FERNANDES, N. F. territorial. Curitiba: CPRM, 1994. 109 p. 1 mapa, escala Desnivelamento de altitude como parâmetros para a com- 1:100.000, color. partimentação do relevo: bacia do médio-baixo Paraíba do Sul. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 32., TRAININI D. R. et al. Carta geoambiental da região 1982. Anais... Salvador: SGB, 1982, v. 4, p. 1459-1503. hidrográfica do Guaíba. Porto Alegre: CPRM/FEPAM/ PRÓ-GUAÍBA, 2001. OLIVEIRA, A. M. S.; BRITO, S. N. A. (Ed). Geologia de engenharia. São Paulo: ABGE, 1998. 587 p. TRAININI, D.R.; ORLANDI FILHO, V. Mapa geoambiental de Brasília e entorno: ZEE-RIDE. Porto Alegre: CPRM/ PONÇANO, W. L.; CARNEIRO, C. D. R.; ALMEIDA M. A.; EMBRAPA/Consórcio ZEE Brasil/Ministério da Integração, PIRES NETO, A. G.; ALMEIDA, F. F. M. O conceito de 2003. sistemas de relevo aplicado ao mapeamento geomorfoló- gico do estado de São Paulo. In: SIMPÓSIO REGIONAL DE VAZ, L. F. Classificação genética dos solos e dos horizon- GEOLOGIA, 2., 1979, Rio Claro. Atas... Rio Claro: SBG/ tes de alteração de rocha em regiões tropicais. Revista NS, 1979, v. 2, p. 253-262. Solos e Rochas, v. 19, n. 2, p. 117-136, 1996. 162 13 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/ POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO Maria Adelaide Mansini Maia (adelaide.maia@cprm.gov.br) Sheila Gatinho Teixeira (sheila.teixeira@cprm.gov.br) José Luiz Marmos (jose.marmos@cprm.gov.br) Carlos José Bezerra de Aguiar (carlos.aguiar@cprm.gov.br) Edgar Shinzato (edgar.shinzato@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ......................................................................................................... 165 Leitura do mapa das unidades geológico-ambientais ......................................... 165 Adequabilidades e limitações das unidades geológico-ambientais ao uso e à ocupação ...................................................................................................... 165 Domínio dos sedimentos cenozóicos inconsolidados ou pouco consolidados depositados em meio aquoso (DC) ............................................... 165 Domínio dos sedimentos indiferenciados cenozoicos relacionados a retrabalhamento de outras rochas, geralmente associados a superfícies de aplainamento (DCSR) .................................................................................... 173 Domínio dos sedimentos cenozoicos eólicos (DCE) ........................................... 174 Domínio das coberturas cenozoicas detrito-lateríticas (DCDL) ............................ 175 Domínio dos sedimentos cenozoicos e mesozoicos pouco a moderadamente consolidados, associados a profundas e extensas bacias continentais (DCM) ................................................................................... 178 Domínio das coberturas sedimentares e vulcanossedimentares mesozoicas e paleozoicas, pouco a moderadamente consolidadas, associadas a grandes e profundas bacias sedimentares do tipo sinéclise (DSVMP) .............. 180 Domínio dos complexos alcalinos intrusivos e extrusivos, diferenciados do terciário, mesozoico ou proterozoico (DCA) .................................................. 192 Domínio das coberturas sedimentares proterozoicas, não ou muito pouco dobradas e metamorfizadas (DSP1) .................................. 194 Domínio das sequências vulcanossedimentares proterozoicas, não ou pouco dobradas e metamorfizadas (DSVP1) .......................................... 195 Domínio das sequências sedimentares proterozoicas dobradas, metamorfizadas em baixo a médio grau (DSP2) ........................................................................... 197 Domínio das sequências vulcanossedimentares proterozoicas dobradas, metamorfizadas em baixo a alto grau (DSVP2) .................................................. 199 Domínio dos corpos máfico-ultramáficos (DCMU) ............................................ 200 Domínio dos complexos granitoides não deformados (DCGR1) ........................ 201 Domínio dos complexos granitoides deformados (DCGR2) ............................... 205 Domínio dos complexos granitoides intensamente deformados: ortognaisses (DCGR3) ......................................................................................... 207 Domínio dos complexos granito-gnaisse-migmatíticos e granulitos (DCGMGL) .... 208 Referências ......................................................................................................... 210 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO INTRODUÇÃO O conceito de geodiversidade é rela- tivamente recente. A CPRM (2006a) define geodiversidade como: O estudo da natureza abiótica (meio físico) constituída por uma variedade de am- bientes, composição, fenômenos e processos geológicos que dão origem às paisagens, rochas, minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o eco- nômico, o científico, o educativo e o turístico. Pela proposta da CPRM (2006a), a base de informação para o entendimento da ge- odiversidade está fundamentada na divisão do território em geossistemas ou domínios geológico-ambientais. Esses domínios são sub- divididos em unidades geológico-ambientais, as quais buscam reunir unidades litológicas que apresentem características semelhantes frente ao uso e ocupação dos terrenos. Para o estado do Amazonas, é proposta uma divisão do território em 16 domínios e 31 unidades geológico-ambientais, subdivididas, por sua vez, em função do padrão de relevo, em um total de 100 unidades, que são descritas com base em suas adequabilidades e limitações frente a atividades agrícolas, obras de enge- nharia, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras, potencial mineral e geoturístico. Com o objetivo de contribuir para a ela- boração das macrodiretrizes do planejamento estadual, apresenta-se, a seguir, a origem dos geossistemas formadores do território ama- zonense (domínios geológico-ambientais) ao longo do tempo geológico (Figura 13.1) e seus aspectos relevantes sobre as potencialidades e li- Figura 13.1- Quadro esquemático do tempo geológico. Fonte: Tabela do tempo mitações de cada unidade geológico-ambiental. geológico (modificado de Long, 1995). LEITURA DA LEGENDA DO MAPA DA frente ao uso e ocupação em relação às obras de enge- GEODIVERSIDADE nharia, agricultura, recursos hídricos, fontes poluidoras, potencial mineral e geoturístico. No Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas, cada unidade geológico-ambiental é representada por uma ADEQUABILIDADES E LIMITAÇÕES DAS determinada composição de cor. Buscou-se utilizar variações UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS AO de tonalidade para representar unidades que pertençam a um USO E À OCUPAÇÃO mesmo domínio geológico-ambiental. Por exemplo, variações na tonalidade de amarelo representam unidades pertencen- DOMíNIO DOS SEDIMENTOS tes ao Domínio dos Sedimentos Cenozoicos Inconsolidados CENOzOICOS INCONSOLIDADOS ou Pouco Consolidados Depositados em Meio Aquoso (DC). OU POUCO CONSOLIDADOS Cada unidade geológico-ambiental foi dividida con- DEPOSITADOS EM MEIO AQUOSO (DC) forme seu padrão de relevo e está representada no mapa por numeração sequencial. Cada uma dessas unidades foi Corresponde aos terrenos geologicamente mais novos descrita em função de suas limitações e adequabilidades do estado do Amazonas, representados por sedimentos 165 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS depositados pelos rios atuais, formando as várzeas, e em trechos com problemas de risco geológico, como a queda bacias de deposição fluviolacustre ao longo de todo o dos barrancos dos rios (“terras caídas”) e alagamentos, período quaternário. que afetam grande número dos municípios amazonenses; Esse domínio está representado por três unidades geo- além de inúmeras áreas de grande beleza cênica, com a lógico-ambientais: planícies aluvionares (DCa), terraços formação de praias fluviais e arquipélagos. Guardam ainda aluvionares (DCta) e depósitos fluviolacustres (DCfl), importantes registros arqueológicos e áreas consideradas as quais ocupam a maior parte do estado (Figura 13.2). como de relevante interesse mineral. As planícies e terraços aluvionares são terrenos com grande extensão areal que se encontram em processo de Planícies aluvionares recentes (Dca) construção, uma vez que correspondem às áreas baixas nas quais estão sendo depositados os detritos erodidos e • Características geológicas transportados pelos rios. Seus depósitos chegam a atingir Depósitos de sedimentos inconsolidados, de espessura dezenas de quilômetros de largura e extensão, principal- variável, periodicamente inundáveis, que, da base para o mente ao longo dos rios que integram as bacias do Solimões topo, são formados por cascalho, areia e argila, ocorrendo e do Amazonas. Especialmente nos terraços é possível ob- eventualmente níveis de matéria orgânica. Correspondem servar os diferentes ciclos de erosão e deposição ocorridos à unidade geológica Depósitos Aluvionares. ao longo do tempo geológico. Os sedimentos dessa unidade podem constituir de- pósitos retilíneos, nas margens dos rios ou ao longo de canais meandrantes, formar ilhas, lagos colmatados de conformação variada, barras de areia ou apresentar a forma de depósitos abandonados resultantes da migração lateral do canal (Figura 13.3). • Formas de relevo associadas Planícies fluviais ou fluviolacustres, identificadas no Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas pela nu- meração (1). • Obras de engenharia Terreno plano, constituído por materiais de baixa resistência ao corte e à penetração, de fácil remoção pelo maquinário. As camadas argilosas e orgânicas apresentam baixa capacidade de suporte de carga do solo, estando Figura 13.2 - Localização das unidades geológico-ambientais sujeitas ao adensamento, recalque e rupturas de fundações presentes no domínio DC. e pavimentos viários. Cuidados especiais devem ser toma- dos nas obras enterradas nas porções permanentemente Os depósitos fluviolacustres, representa- dos pela Formação Içá, são mais antigos que as planícies e terraços aluvionares e ocorrem de forma expressiva na porção central do estado, correspondendo a sucessões sedimentares com espessura de dezenas de metros, de ori- gem continental, depositados sob condições fluviais e lacustres de elevada energia em clima árido pretérito (CPRM, 2006b). Em relação às adequabilidades e limita- ções de seu uso, são terrenos com dinâmicas peculiares, sobretudo nas unidades relacio- nadas a várzeas e terraços dos rios, onde há a transição de ecossistemas e a presença de boa parte das sedes municipais. Nesse domínio destacam-se as várzeas, com áreas bastante férteis para a agricultura, porém periodicamen- te inundáveis; bens minerais, com destaque para os insumos da construção civil (argila Figura 13.3 - Planície de inundação típica desenvolvida no rio Amazonas, próximo à e areia); potencial hidrogeológico; inúmeros cidade de Parintins (AM). Fonte: Carlos Aguiar. 166 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO encharcadas, devido à eventual presença de sedimentos orgânicos que podem liberar áci- dos corrosivos. É comum o assoreamento dos canais de drenagem, em decorrência de processos ero- sivos naturais em encostas associados à obra de engenharia maldimensionada. Em função da sazonalidade do nível das águas fluviais, entre os meses de fevereiro e julho essas áreas são geralmente alagadas. Em ocasiões de cheias excepcionais, as cotas dos rios ultrapassam a média dos anos anteriores, afetando várias moradias, conforme ocorreu em junho de 2009, na cidade de Manaus, onde foi registrada a elevação máxima do nível do rio Negro, que atingiu a marca histórica de 29,77 m (Figuras 13.4a, 13.4b, 13.4c). Figura 13.4c - Inundação do centro comercial da cidade de Manaus provocada pela elevação do nível do rio Negro, que atingiu a marca histórica de 29,77 m em 2009. • Agricultura Os solos desenvolvidos sobre essa unidade são periodicamente inundáveis e imperfeita- mente a maldrenados (Gleissolos e Neossolos Flúvicos), inadequados ao plantio de culturas perenes ou espécies de raízes profundas. Fora do período de inundação, as terras apresentam boa potencialidade para culturas de ciclo curto ou adaptadas ao encharcamento, pelo fato de receberem nutrientes trazidos na época das cheias. Figura 13.4a - Risco geológico: área inundável no rio Solimões, próximo à cidade de Manacapuru (AM). • Recursos hídricos Os aquíferos formados nessa unidade são superficiais, com capacidade hidrogeológica variável, constituindo reservatórios de impor- tância para a região, por serem de fácil e barata explotação, com a população se valendo de cacimbas e poços escavados. Em geral, tais aquíferos apresentam pouca espessura, infe- riores a 40 m, e vazões em torno de 10 a 15 m3/h, sendo capazes de atender a pequenas demandas. Algumas cidades amazonenses os utilizam como principal fonte de abasteci- mento hídrico; porém, é comum suas águas se apresentarem salobras, com alto conteúdo de matéria orgânica e alta concentração de sólidos totais dissolvidos, o que confere alteração no odor e sabor da água, tornando-a muitas vezes impróprias ao consumo humano. • Fontes poluidoras Figura 13.4b - Risco geológico: rio Negro durante a cheia de 2009, quando o rio Por ser constituído por pacotes de sedi- atingiu sua cota histórica de 29,77 m. (Ponta Negra, Manaus, AM). mentos arenosos a arenossiltosos, com lençol 167 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS freático subaflorante, o terreno torna-se muito suscetível à contaminação microbiológica dos mananciais hídricos superficiais e à infiltração de poluentes no lençol freático (Figura 13.5). As porções argilosas, presentes sob a forma de lentes e camadas, funcionam como excelente barreira à propagação dos contaminantes, impedindo, muitas vezes, a dispersão desses contaminantes no subsolo, protegendo o lençol freático da região. • Potencial mineral Forma ambiente favorável à acumulação de areia, seixo e argila, insumos amplamente utilizados na construção civil. A extração desses bens minerais ocorre nas planícies dos cursos d’água situados nos arredores das sedes municipais ou ao longo de rios como Japurá, Negro e Solimões. Figura 13.6 - Potencial mineral: paleoplácer portador de cassiterita na mina do Cita-se a existência de turfeiras de baixo Pitinga (Presidente Figueiredo, AM). poder calorífico e teor de cinza inviável para aproveitamento energético, porém de uso recomendado As argilas presentes nessa unidade são muito plásticas, para agricultura. A principal ocorrência de turfa está loca- sendo amplamente empregadas na indústria da cerâmica lizada na ilha Tupinambarana (município de Parintins), com vermelha para a confecção de telhas e tijolos, além de cons- exposições pouco expressivas ao longo de alguns igarapés tituir matéria-prima para o artesanato local. Nos municípios da região. de Manacapuru e Iranduba, está instalado o principal polo Ocorrem inúmeros indícios e ocorrências de acumula- de cerâmica vermelha do Amazonas, caracterizado como ções de ouro, cassiterita, outros minerais pesados e algumas uma das áreas de relevante interesse mineral para o estado gemas (ametista, turmalina, água-marinha, diamante e to- (Figura 13.7). pázio), cuja origem está associada a aluviões e paleopláceres (depósitos fluviais antigos), como os depósitos de ouro ao • Potencial geoturístico longo do rio Madeira e os de cassiterita da mina do Pitinga Unidade com belas paisagens fluviais, caracterizadas (Figura 13.6). Os depósitos de ouro do rio Madeira foram pelos ambientes dos arquipélagos, lagos, paranás, igarapés, selecionados como uma das áreas de relevante interesse furos e rios. Habitat de vários animais e aves e de transição mineral do Amazonas. entre ecossistemas aquáticos e terrestres. Figura 13.7 - Potencial mineral: tijolos produzidos pela empresa Litiara, maior cerâmica da região do médio Amazonas, que utiliza a Figura 13.5 - Fontes poluidoras: disposição de lixo em área de argila das planícies aluvionares como matéria-prima Fonte: Projeto baixada com lençol freático subaflorante (lixeira do município de Rio Materiais de Construção no Domínio Médio Amazonas (D’ANTONA Preto da Eva, AM). et al., 2007). 168 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Na época de vazante, formam-se praias ao longo dos rios, como as localizadas nos municípios de Manaus, Maués, Nhamundá, São Gabriel da Cachoeira, Rio Preto da Eva, Parintins e, principalmente, na foz do rio Negro (Figuras 13.8a e 13.8b). Além das praias, destacam-se grandes arquipélagos, como o de Anavilhanas, com cerca de 400 ilhas, inseridas na Estação Ecológica de Anavilhanas, e o de Mariuá, no médio rio Negro, com cerca de 700 ilhas. Ressaltam-se, ainda, as áreas de confluência de grandes rios com águas de características físico-químicas distintas, como o encontro dos rios Negro e Solimões em Manaus, que for- ma uma extensa faixa onde os dois rios correm lado a lado sem que suas águas se misturem (Figuras 13.8c e 13.8d). Figura 13.8c - Atrativo geoturístico: Arquipélago de Anavilhanas (Novo Airão, AM). Figura 13.8a - Atrativo geoturístico: aproveitamento da planície aluvionar para lazer às margens do rio Preto da Eva, próximo à cidade homônima. Figura 13.8d - Atrativo geoturístico: encontro das águas do rio Negro e Solimões formando o rio Amazonas. Fonte: Amazonastur. cascalho. Correspondem à unidade geológica Depósitos de Terraços Fluviais. Formam superfícies sub-horizontais, eventualmente atingidas pelas águas fluviais, que apresentam gradientes extremamente suaves e convergentes em direção aos cur- sos d’água principais. Localmente, ressaltam-se rebordos abruptos no contato com a planície fluvial (Figura 13.9). De maneira geral, são de difícil delimitação em escalas de trabalho menores, porém ocorrem de forma expressiva em diversas áreas das bacias hidrográficas dos rios Solimões, Japurá, Juruá, Purus e Madeira. Figura 13.8b - Atrativo geoturístico: aproveitamento da planície aluvionar, em época de vazante, para lazer às margens do rio Negro • Formas de relevo associadas (Praia da Ponta Negra, Manaus, AM). Fonte: Amazonastur. Terraços fluviais, identificados no Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas pela numeração (2). Terraços aluvionares (Dcta) • Obras de engenharia • Características geológicas Terreno plano, em nível topográfico mais elevado que Amplos e espessos depósitos sedimentares fluviais as planícies aluvionares e com o lençol freático mais rebai- semiconsolidados, constituídos por areia, silte, argila e xado. Comporta sedimentos semelhantes aos das planícies 169 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS aluvionares, porém os terrenos são mais elevados que o nível médio das enchentes anuais, estando menos sujeitos a sofrer alagamentos (Figura 13.10). É comum a ocorrência de erosão e movimentos de massa com solapamento das margens dos rios, fenômeno conhecido como “terras caídas”, que atingem os municípios situados às margens dos grandes rios, como Parintins, Jutaí e São Paulo de Olivença. Esses eventos erosivos estão ligados à própria dinâmica do rio e, possivelmente, à neotectônica atuante na região. Abrangem tanto a superfície dos terraços fluviais mais elevados quanto as rochas sedimentares adja- centes, sendo observados principalmente ao longo dos rios que cortam as formações Alter do Chão e Içá (Figura 13.11). Figura 13.11 - Risco geológico: solapamento de margem no rio Amazonas, envolvendo o terraço fluvial e rochas da formação Alter do Chão, próximo à cidade de Manaus (AM). • Agricultura Em relação às planícies aluvionares, os solos desenvolvidos sobre os terraços (Gleisso- los, Neossolos Flúvicos e Argissolos) são mais bem drenados e mais profundos. Constituem terrenos mecanizáveis e aptos ao plantio de culturas adaptadas às condições de solos com textura arenosa. Registra-se a ocorrência de manchas de Terra Preta de Índio (TPI) em terraços fluviais ou em terrenos próximo aos cursos d’água. Essas manchas de solos muito férteis pos- Figura 13.9 - Terraços fluviais na margem esquerda do lago Anamã, a montante suem uma classificação específica no Sistema da vila Arixi, município de Anamã. Notar os vários patamares formados. Fonte: Brasileiro de Classificação de Solos, sendo Sheila G. Teixeira. caracterizadas como Latossolos, Argissolos e Espodossolos com horizonte A antrópico. A gênese do horizonte antrópico está associada ao descarte e acúmulo de resíduos orgânicos nos antigos assentamentos indígenas. As TPIs são observadas principalmente ao longo do rio Urubu (município de Rio Preto da Eva) e no lago do Limão (município de Iranduba) (TEIXEIRA et al., 2005). • Recursos hídricos Os terraços fluviais formam aquíferos porosos, em geral com alta favorabilidade hidrogeológica, com águas de pH algo ácido e com reduzido conteúdo de sais dissolvidos. Essas águas são de boa qualidade química, desde que não captadas nos níveis ricos em matéria orgânica ou ferro. • Fontes poluidoras Figura 13.10 - Detalhe da intercalação de argila e silte, de coloração variegada, Por estar em nível topográfico mais presente nos terraços fluviais (Anamã, AM).Fonte: Sheila G. Teixeira. elevado, com lençol freático mais rebaixado, 170 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO apresenta um risco menor que as planícies aluvionares em Depósitos fluviolacustres (DCfl) relação à contaminação dos aquíferos. • Características geológicas • Potencial mineral Camadas horizontalizadas de rochas sedimentares Apresenta potencial mineral semelhante ao relatado estratificadas, com até 120 m de espessura, compostas para as planícies aluvionares, associado principalmente aos por arenitos amarelo-avermelhados, semiconsolidados, depósitos mais antigos. de granulação fina a conglomeráticos, extremamente friáveis, com níveis de siltitos e argilitos subordinados • Potencial geoturístico (Figuras 13.13a e 13.13b). Ocasionalmente, observam- Juntamente com as planícies aluvionares, formam -se camadas e lentes de turfa. Corresponde à unidade belas paisagens. Nas margens de alguns rios e lagos, são geológica Formação Içá. observados sítios arqueológicos com objetos cerâmicos e São raras as exposições de rocha sã, já que esta nor- Terra Preta de Índio, como no lago do Limão e no rio Urubu malmente se encontra recoberta por espessos perfis de (Figura 13.12). alteração laterítica, não mapeáveis na escala do trabalho. • Obras de engenharia Superfícies com alta capacidade de supor- te de carga do solo, com materiais de baixa a moderada resistência ao corte e à penetração (solos espessos com fragmentos de crosta laterítica e piçarras), necessitando de uso de maquinário para a remoção. Cuidados devem ser tomados na presença de camadas de argilas plásticas, pois estas apresentam baixa resistência à compressão, podendo ocasionar problemas nas fundações das obras. Quando expostos, os sedimentos tornam- -se vulneráveis à instalação de sulcos e ravinas, com taludes de cortes instáveis e suscetíveis à erosão e a movimentos de massa, tais como solapamentos das margens dos rios (“terras caídas”), conforme pode ser observado nos municípios de Barcelos e Jutaí (Figuras 13.14a, 13.14b e 13.14c). • Formas de relevo associadas Tabuleiros (3), tabuleiros dissecados (4) e colinas amplas e suaves (5). • Agricultura Os solos sobre essa unidade apresentam baixa fertilidade natural (Latossolos), com par- celas com drenagem imperfeita (Plintossolos), e sujeitos a inundações periódicas nas áreas de baixadas (Gleissolos e Neossolos Flúvicos). Apresentam baixa capacidade de retenção de umidade e nutrientes nas porções mais arenosas (Espodossolos e Neossolos Quart- zarênicos). As terras são mecanizáveis nas áreas planas a suave onduladas, desde que não arenosas, consideradas aptas ao uso agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertili- Figura 13.12 - Patrimônio arqueológico: aspecto de uma ocorrência de terra zantes. Destinam-se, principalmente, a culturas preta de índio, com a presença de artefatos cerâmicos (rio Urubu, Rio Preto da de ciclo curto ou adaptadas ao encharcamento, Eva, AM). Fonte: Embrapa. em terrenos previamente drenados. 171 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 13.13a - Aspecto de afloramento do substrato rochoso com Figura 13.14a - Risco geológico: solapamento de margem do rio alternância entre níveis arenosos e argilosos (formação Içá). Negro em terreno sobre a formação Içá (Barcelos, AM). Figura 13.13b - Afloramento da formação Içá, representado por arenitos avermelhados, com lentes de argila cinzenta, em barranco Figura 13.14b - Risco geológico: solapamento de margem do rio do rio Solimões, próximo à cidade de Fonte Boa (AM). Negro, destruindo infraestrutura urbana (Barcelos, AM). Figura 13.14c - Risco geológico: Vista frontal de talude subvertical do rio Solimões, na orla da cidade de Jutaí, que sofreu recuo e ruptura planar (“terras caídas”). 172 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO • Recursos hídricos • Potencial geoturístico Corresponde ao Aquífero Içá, um dos principais do estado, que serve de fonte de abastecimento público para Unidade que tipifica a diversidade do ecossistema ama- a maioria das cidades das calhas dos rios Solimões, Madeira zônico, como vegetação do tipo floresta ombrófila aberta e Purus. Apresenta alta favorabilidade hidrogeológica, com e densa, campinarana, formações pioneiras e savana, além poços tubulares que dificilmente ultrapassam os 100 m de da fauna típica da região. profundidade. Tais poços normalmente possuem boas va- zões, por vezes superando 80 m3/h. Suas águas apresentam DOMíNIO DOS SEDIMENTOS pH em torno de 4,5 a 5,8, quantidade mínima de sólidos INDIFERENCIADOS CENOzOICOS dissolvidos e são do tipo sódicas, variando de sulfatadas/clo- RELACIONADOS A RETRABALhAMENTO DE retadas a bicarbonatadas. Essas águas são de boa qualidade, OUTRAS ROChAS, GERALMENTE ASSOCIADOS desde que captadas em níveis mais profundos e com ausência A SUPERFíCIES DE APLAINAMENTO (DCSR) de matéria orgânica ou ferro, contaminantes naturais que podem conferir alteração no odor e sabor da água. Representa depósitos ou campos de areia residual, relativamente recentes, provenientes de fase de retraba- • Fontes poluidoras lhamento erosivo de outras rochas durante o Quaternário, Por ser tratar de um aquífero poroso e subaflorante, que sofreram pequeno transporte fluvial. torna-se extremamente vulnerável à contaminação. Assim Corresponde a uma única unidade geológico-ambien- como nas planícies e terraços, há presença de camadas tal, denominada Sedimentos retrabalhados de outras argilosas e espessa cobertura de solo que funcionam como rochas (DCSR), que reúne os depósitos arenosos em barreiras à contaminação. Como exemplo, cita-se a cidade áreas de embasamento, cuja principal ocorrência situa-se de Barcelos, onde, não obstante a carência de sistemas de nas proximidades da região conhecida como “Cabeça do esgotamento sanitário, não foi registrada contaminação das Cachorro”, no extremo noroeste do estado, fronteira com águas subterrâneas em locais com presença de camadas a Colômbia (Figura 13.16). argilosas sobrepostas aos arenitos. As potencialidades e limitações desse domínio ainda Nos terrenos ondulados (4 e 5), a taxa de infiltração são pouco conhecidas, em virtude de ele estar situado em tende a ser menos elevada, diminuindo a vulnerabilidade áreas ínvias, de difícil acesso. Destaca-se a exibição de uma à contaminação em relação ao relevo plano. paisagem bastante contrastante em termos de Amazônia: o relevo de formas residuais, em meio a superfícies planas • Potencial mineral recobertas por vegetação de savana, lembra o cerrado do Existência de camadas e lentes de argila utilizadas na centro-oeste do Brasil. confecção de tijolos e com potencial para produção de cerâmica branca devido à reduzida quantidade de areia, Sedimentos retrabalhados de outras rochas conforme observado no município de Barcelos. É comum (DCSR) o desenvolvimento de crosta laterítica sobre os sedimentos da Formação Içá, utilizada como material de empréstimo • Características geológicas (“piçarra”) para recuperação de estradas nos arredores das Representa depósitos arenosos, pouco espessos, de- sedes municipais (Figura 13.15). senvolvidos diretamente sobre o substrato rochoso, com Figura 13.15 - Potencial mineral: piçarreira abandonada, no município de Barcelos, proveniente da alteração laterítica sobre Figura 13.16 - Localização da única unidade geológico-ambiental os sedimentos da formação Içá. presente no domínio DCSR. 173 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS eventuais níveis de silte, argila e cascalho incon- solidado. Correspondem à unidade geológica Depósitos Arenosos em Áreas de Embasamento. • Formas de relevo associadas Superfícies aplainadas conservadas (6). • Obras de engenharia Cobertura arenosa inconsolidada em superfícies planas a levemente onduladas, pouco espessa, que desmorona e erode com facilidade em taludes de corte e aterros. Apresenta baixa capacidade de suporte de carga do solo e baixa resistência ao corte e à penetração. Devido à pequena espessura, o topo rochoso é frequentemente encontrado próximo à superfície. • Agricultura Unidade sobre a qual se encontram Figura 13.17 - Imagem GeoCover da área de ocorrência da unidade “Sedimentos terras inaptas para o uso agrícola devido à retrabalhados de outras rochas”. Notar áreas de campina (rósea), com formas dominância da textura arenosa e à pequena rochosas destacadas em meio a superfícies aplainadas (região da “Cabeça do espessura do solo, que impossibilitam o uso Cachorro”, São Gabriel da Cachoeira, AM). de maquinário. Os solos possuem baixa capa- cidade de retenção de umidade e nutrientes nas áreas mais DOMíNIO DOS SEDIMENTOS CENOzOICOS arenosas (Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos). Em EÓLICOS (DCE) geral, apresentam baixa fertilidade natural, com drenagem imperfeita (Plintossolos) e locais sujeitos às inundações pe- Corresponde a acumulações arenosas recentes, produzi- riódicas nas áreas baixas (Gleissolos e Neossolos Flúvicos). das pela ação eólica durante o Quaternário, em um contexto Ocasionalmente, podem ocorrer parcelas de solo de clima seco, diferente do atual, ao qual foi submetida a com textura mais argilosa; nesse caso, as terras podem ser Amazônia por volta de 40 mil anos atrás. Nessa época, a tornar aptas para agricultura, condicionado à aplicação de região era desprovida de sua exuberante floresta, sendo a corretivos e fertilizantes. paisagem marcada por vegetação rala, semelhante à encon- trada nas savanas, o que permitiu a mobilização do vento e a • Recursos hídricos eventual acumulação das partículas que formaram os campos Apresenta baixo a médio potencial hidrogeológico, de dunas. Atualmente, esses campos de dunas encontram-se com o aquífero podendo ser utilizado em localidades onde recobertos por vegetação (dunas fixas). Em alguns locais, não existem alternativas de abastecimento. Formam reser- porém, os campos estão desprovidos de vegetação, o que vatórios do tipo poroso, com o lençol freático aflorante ou permite às dunas apresentar expressiva mobilidade. próximo da superfície. No Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas, essa unidade geológico-ambiental foi denominada Dunas • Fontes poluidoras fixas (DCEf), estando localizada no município de Barce- São aquíferos extremamente vulneráveis à contami- los, ao longo do médio curso do rio Aracá (Figura 13.18). nação, que necessitam de proteção por representarem As dunas formadas nessa região são conhecidas como importante área de armazenamento e recarga dos aquíferos “Campo de Dunas do Aracá”. Outros campos de dunas subjacentes. são encontrados ao longo do rio Negro, entre as cidades de Barcelos e Santa Isabel, porém não são mapeáveis na • Potencial mineral escala deste trabalho. Podem ser encontrados extensos areais, com São terrenos que possuem grande vulnerabilidade utilização como fonte alternativa de areia para uso na ambiental, sendo importantes como áreas de recargas de construção civil. aquíferos. Estão sujeitos, em caso de retirada da vegetação, à mobilização da areia pelo vento e consequente movimen- • Potencial geoturístico tação das dunas já fixadas. A ocupação e a exploração in- Essa unidade gera belas superfícies aplainadas recober- discriminada das dunas devem ser evitadas, impedindo sua tas por vegetação de campina, onde se destacam morros- degradação. Formam áreas de grande interesse geoturístico, -testemunhos rochosos isolados (Figura 13.17). com o sítio geológico conhecido como “Dunas do Aracá”. 174 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO • Fontes poluidoras Configura-se como um importante local de armazena- mento e recarga dos aquíferos subjacentes, sendo extrema- mente vulneráveis à erosão e à contaminação. • Potencial mineral As areias que ocorrem nessa unidade apresentam como peculiaridade a boa seleção e o bom arredondamento dos grãos, características importantes para utilização na indústria óptica. • Potencial geoturístico Os campos de dunas de Barcelos formam belas paisa- gens, estando cadastrados no SIGEP (Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleontológicos) como um sítio paleo- Figura 13.18 - Localização da unidade geológico-ambiental dunas fixas (DCEf). ambiental, por constituir um importante registro geológico dos últimos 40 mil anos, em um contexto climático diferente do atual (Figura 13.19). Dunas Fixas (DCEf) DOMíNIO DAS COBERTURAS CENOzOICAS • Características geológicas DETRITO-LATERíTICAS (DCDL) Os campos de dunas encontram-se normalmente recobertos por vegetação de campina. As dunas, cujas São coberturas formadas em tempos geológicos não areias foram retrabalhadas pela intensa migração fluvial, muito distantes (<60 Ma), como resultado do acentuado são dominantemente do tipo parabólicas. Correspondem à intemperismo químico ao qual toda a Região Amazônica unidade litológica Depósitos Arenosos de Campos e Dunas. foi submetida durante o Paleógeno e, menos intensamente, no Neógeno, quando houve grandes variações entre pe- • Formas de relevo associadas ríodos de clima úmido e seco. Os processos intempéricos Campos de dunas (7). atuaram indiscriminadamente sobre rochas de gênese e idades distintas. • Obras de engenharia O resultado desses processos produziu nas rochas da Formam superfícies planas a onduladas, com acu- região espessa cobertura detrito-laterítica, caracterizada mulações de material arenoso, inconsolidado, facilmente pela intensa lixiviação dos elementos mais solúveis (só- erodível e transportável, principalmente com a retirada da dio, potássio, cálcio e magnésio), concentração dos mais cobertura vegetal. São terrenos com baixa ca- pacidade de suporte de carga do solo e baixa resistência ao corte e à penetração. • Agricultura As terras são inaptas para o uso agrícola devido à dominância da textura arenosa. Apresentam baixa capacidade de retenção de umidade e nutrientes nos terrenos mais areno- sos (Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos) e baixa fertilidade natural, estando sujeitas a inundações periódicas nas áreas mais baixas (Gleissolos e Neossolos Flúvicos). • Recursos hídricos Apresenta alto potencial hidrogeológico, formando bons reservatórios do tipo poroso, com baixa capacidade de reter, fixar e eliminar poluentes. O lençol freático é aflorante ou muito próximo da superfície. Em geral, suas Figura 13.19 - Imagem GeoCover mostrando as dunas do Aracá (em coloração águas são de boa qualidade para o consumo. rósea) (Barcelos, AM). 175 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS resistentes (ferro e alumínio) e produção de minerais secundários do grupo das argilas. Importantes jazidas de bauxita (alumínio), ferro, ouro, manganês, níquel e nióbio estão associadas mundialmente a esse tipo de co- bertura laterítica. As coberturas detrito-lateríticas ocorrem generalizadamente por todo o estado do Ama- zonas. Devido à grande extensão e variedade na forma de ocorrência, só os perfis lateríticos que não sofreram truncamento erosivo foram individualizados no mapa, sendo agrupados na unidade geológico-ambiental horizonte laterítico in situ (DCDLi) (Figura 13.20). As exposições mais expressivas estão na porção nordeste do Amazonas, nos arredores da Usina Hidrelétrica de Balbina, onde os platôs apresentam cotas variando entre 100 e 160 m. São terrenos importantes em relação Figura 13.21a - Aspecto do horizonte saprolítico de uma rocha gnáissica, onde ao uso e à ocupação, onde se localizam as ainda é possível observar algumas estruturas originais preservadas (foliação da principais áreas agricultáveis do estado, e por rocha) (São Gabriel da Cachoeira, AM). conterem uma série de materiais rochosos amplamente empregados na construção civil. Na Amazônia, é comum a presença de depósitos de bauxita associada a determinados tipos de crostas lateríticas que sustentam os platôs. Figura 13.21b - Aspecto do horizonte mosqueado desenvolvido sobre saprólito dos arenitos da formação Alter do Chão (Itacoatiara, AM). Figura 13.20 - Localização da unidade geológico-ambiental Horizonte Laterítico in situ, presente no domínio DCDL. horizonte Laterítico in situ (DCDLi) • Características geológicas Camadas pouco a moderadamente fraturadas, com materiais rochosos de variada forma, composição mine- ralógica, espessura, grau de consolidação e dureza, repre- sentadas, da base para o topo, pelos seguintes horizontes: saprolítico (rocha alterada), mosqueado, concrecionário e crosta laterítica ferruginosa (Figuras 13.21a, 13.21b, Figura 13.21c - Aspecto de horizonte concrecionário, com formação 13.21c, 13.21d). Corresponde à unidade litológica Cober- de pequenos nódulos de concreções ferruginosas (piçarras), em perfil tura Detrito-Laterítica. laterítico da formação Alter do Chão (Rio Preto da Eva, AM). 176 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 13.21d - Aspecto de crosta laterítica maciça que ocorre no topo de perfil de alteração desenvolvido sobre a formação Alter do Chão (Itacoatiara, AM). Por sobre esses horizontes é extrema- mente comum o desenvolvimento de espes- Figura 13.21e - Aspecto das linhas de pedras provenientes da desagregação de sa cobertura de solo e níveis centimétricos material ferruginoso presente no perfil de alteração exposto por corte na rodovia marcados por linhas de pedras, as quais são BR-174 (Manaus, AM). provenientes da desagregação de crosta ferru- ginosa subjacente devido a processos erosivos (Figura 13.21e). Por efeito da neotectônica, muitos dos perfis lateríticos encontram-se movimentados, conforme pode ser observado, em cortes de estrada, pela inclinação das linhas de pedras e pelo contato lateral entre porções de rocha alterada e de solo. Tais linhas de pedras são consideradas marcos de uma paleosuperfície (Figura 13.21f). • Formas de relevo associadas Chapadas e platôs (8), colinas amplas e suaves (9) e colinas dissecadas e de morros baixos (10). • Obras de engenharia As coberturas detrito-lateríticas podem apresentar características geomecânicas, es- pessura, grau de consolidação e dureza variá- Figura 13.21f - Contato lateral entre solo e perfil laterítico, evidenciando veis. Podem ser bastante compactas, espessas inclinação de “blocos rochosos” por efeitos da neotectônica (corte e coesas, com alta resistência ao corte e à pe- de estrada na rodovia BR-174, Manaus, AM). netração, como no caso das crostas lateríticas, ou de fácil a moderada desagregação, como o horizonte de estradas, o desenvolvimento esporádico (formas de concrecionário e as linhas de pedras. As espessas seções relevo 8 e 9) a frequente (forma de relevo 10) de sulcos, compostas pelos perfis lateríticos e solos conferem mode- ravinas e voçorocas. rada a alta capacidade de suporte de carga dos terrenos. A forma de exposição é bastante irregular (lajeados, • Agricultura blocos, matacões e camadas em subsuperfície irregular- Em geral, as coberturas dessa unidade desenvolvem mente distribuídas), o que se torna problemático para solos de baixa fertilidade natural (Latossolos), com drena- escavações e sondagem rotativas. gem imperfeita (Plintossolos), presença de solum (horizonte A presença de crostas lateríticas preservadas tem se A+B) pouco espesso e ocorrência de concreções lateríticas revelado um importante fator de proteção à instalação de (Plintossolo pétrico). Nas parcelas planas a suave ondula- processos erosivos, sendo observado, em taludes de cortes das, de solo espesso e mecanizável, o uso de corretivos e 177 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS fertilizantes torna o solo apto à agricultura (formas 8 e 9), sendo utilizado na região por pequenos produtores no cultivo de cana- -de-açúcar, laranja e outras culturas, e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) para a plantação de dendê, na região do Distrito Agropecuário da Superinten- dência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), entre os municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo (Figura 13.22). • Recursos hídricos Apresenta baixo potencial hidrogeológi- co, só utilizado em locais onde não há alterna- tivas de abastecimento. As águas subterrâneas não são boas para consumo humano, estando geralmente enriquecidas em ferro e alumínio, o que lhes confere alterações no sabor e oferece riscos à saúde. Figura 13.23 - Antiga área de exploração de piçarra desenvolvida em rochas gnáissicas (São Gabriel da Cachoeira, AM). • Fontes poluidoras Moderada vulnerabilidade à contaminação. Nas por- • Potencial geoturístico ções mais consolidadas, menos permeáveis, a vulnerabili- Quando presentes, as coberturas lateríticas preservam dade é menor, porém há maior dificuldade na dispersão e sustentam o relevo, que é recoberto por floresta ombrófila dos eventuais poluentes (forma de relevo 8). densa ou aberta. Formam belos platôs que se sobressaem no relevo, como na região de Seis Lagos, município de São • Potencial mineral Gabriel da Cachoeira. As concreções ferruginosas são amplamente utilizadas na construção civil e pavimentação de estradas (piçarreiras), DOMíNIO DOS SEDIMENTOS CENOzOICOS A enquanto os horizontes argilosos (mosqueados) podem ser MESOzOICOS, POUCO A MODERADAMENTE utilizados na confecção de tijolos, no preparo de argamassa CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PROFUNDAS e na produção de cimento do tipo portland (Figura 13.23). E ExTENSAS BACIAS CONTINENTAIS (DCM) Apresenta vocação geológica para a formação de mineralizações de ferro, ouro, alumínio, manganês, níquel Durante o Fanerozoico, que compreende as eras ge- e nióbio, necessitando de maiores estudos na região. ológicas Paleozoico, Mesozoico e Cenozoico, boa parte do substrato rochoso do Brasil foi submetida a pro- cessos de ruptura e abaciamento (formação de grandes depressões). Essas depressões, aliadas aos movimentos intrínsecos da crosta terrestre (distensão, ruptura, isostasia, alteração do es- tado térmico da litosfera e tectônica de placas), configuraram, ao longo de vários períodos geológicos, extensas bacias sedimentares, que serviram de depositários de grande quantida- de de sedimentos gerados nos mais diversos ambientes (rios, lagos, geleiras, oceanos etc.). Com o aumento da pressão e temperatura promovido pelo peso dos sedimentos, ocorreu gradativamente o processo de litificação, que transformou os sedimentos em rochas. No Amazonas, durante o Paleozoico foram geradas as bacias sedimentares do Alto Tapajós, do Amazonas, do Solimões e do Acre. As rochas sedimentares presentes nessas bacias Figura 13.22 - Área plana de topo de platô, sobre perfil laterítico, utilizada para foram depositadas em ambientes continentais, agricultura. Canavial Jayoro, ramal da rodovia BR-174 (Presidente Figueiredo, AM). marinhos e de transição (deltaico). 178 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Nesse contexto geológico, as rochas as- sociadas ao Cenozoico no estado, mais espe- cificamente ao período Neógeno, apresentam ampla distribuição nas bacias sedimentares do Solimões e do Acre, estando representadas pela Formação Solimões, cujos sedimentos foram depositados em ambiente fluvial e lacustre. Esse domínio é representado por uma úni- ca unidade geológico-ambiental, denominada Predomínio de sedimentos arenoargilo- sos e/ou síltico-argilosos de deposição continental lacustrina deltaica, ocasional- mente com presença de linhito (DCMld). Constituem terrenos com comporta- mento relativamente homogêneo no que diz respeito a suas adequabilidades e limitações ao uso e ocupação. Destaca-se a possibilidade de Figura 13.25 - Linhito da formação Solimões, aflorante no porto da cidade de utilização de parte de seus recursos minerais Tabatinga (AM). como material energético, o que depende de uma melhor avaliação (Figura 13.24). • Obras de engenharia Quando aflorante, observam-se espessas camadas horizontalizadas com baixo grau de consolidação, que se desestabilizam e erodem com facilidade em taludes de corte (Figura 13.26). Em geral, encontram-se recobertas por solo espesso. A superfície possui moderada a alta capacidade de suporte de carga do solo e baixa resistência ao corte e à penetração (solos e perfis lateríticos). Maior suscetibilidade à erosão quando ocorrem su- perfícies fortemente onduladas e desprovidas de vegetação (forma de relevo 12). Na presença de camadas de linhito, a resistência à escavação e à compressão torna-se menor, dificultando a instalação das fundações das construções. • Agricultura De modo geral, apresenta solos com baixa fertilidade natural, com relevo acidentado nas encostas (Latossolos e Figura 13.24 - Localização da única unidade geológico-ambiental Argissolos), e solos com drenagem imperfeita (Plintossolos), presente no domínio DCML. Predomínio de sedimentos arenoargilosos e/ ou síltico-argilosos de deposição continental lacustrina deltaica, ocasionalmente com presença de linhito (DCMld) • Características geológicas Espesso pacote de rocha semiconsolidada, com fra- turas por efeitos de neotectônica, composta por camadas horizontalizadas de argilitos e siltitos estratificados, com intercalações de arenitos de granulação fina a grossa e níveis de linhito (Figura 13.25). Corresponde à unidade litológica Formação Solimões. • Formas de relevo associadas Figura 13.26 - Camadas de argilitos e siltitos da formação Tabuleiros (11) e colinas dissecadas e de morros baixos Solimões, de fácil desagregação, aflorantes em talude do rio (12). Solimões (São Paulo de Olivença, AM). 179 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS sujeitos a inundações periódicas nas áreas baixas (Gleissolos marinhas sobre o território que hoje constitui o estado do e Neossolos Flúvicos). Nas parcelas arenosas, possui baixa Amazonas. capacidade de retenção de umidade e nutrientes (Espodos- Em decorrência da história geológica, essas bacias são solos e Neossolos Quartzarênicos). Solos mais suscetíveis sustentadas por um empilhamento sub-horizontalizado de aos processos erosivos devido ao elevado gradiente textural, camadas de rochas não dobradas, pouco a moderadamente principalmente nas encostas (Argissolos). fraturadas, das mais variadas composições. Localmente, Nas áreas mais planas, as terras são mecanizáveis devido a eventos tectônicos e intrusão de corpos graníticos, (forma de relevo 11), em geral com solos mais profundos, há o arqueamento das camadas e inclinação dos estratos. com exceção das áreas arenosas, e aptas para o uso agrícola É comum a presença de arenitos, siltitos, argilitos, matéria condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. orgânica e, mais restritamente, de lavas vulcânicas e pre- cipitados químicos, depositados nas extensas e profundas • Recursos hídricos bacias sedimentares fanerozoicas. Muito baixa a média favorabilidade hidrogeológica. No Mapa Geodiversidade do Estado do Amazonas, Corresponde ao “Aquífero Solimões”, situado no extremo esse domínio é representado pelas seguintes unidades oeste do estado do Amazonas, caracterizado por pequenas geológico-ambientais (Figura 13.27): vazões, devido à sua constituição síltico-argilosa. De modo - Predomínio de arenitos e arenitos cauliníticos (DS- geral, suas águas possuem baixa qualidade, devido a fatores VMPac) naturais, como elevados teores de matéria orgânica, sódio e - Intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilo- enxofre. Utilizado em locais onde ocorrem lentes arenosas sos e folhelhos (DSVMPasaf) e onde existem poucas alternativas de abastecimento. - Intercalações irregulares de sedimentos arenosos e síltico-argilosos, com finas camadas de evaporitos e calcários • Fontes poluidoras (DSVMPasaec) e Predomínio de rochas calcárias intercaladas Baixa vulnerabilidade à contaminação: aquíferos pro- com finas camadas síltico-argilosas (DSVMPcsa). tegidos por espessas camadas de sedimentos argilosos de - Arenitos, conglomerados, tilitos e folhelhos (DSVM- baixa permeabilidade e alta capacidade de reter poluentes. Pactf) Já as camadas arenosas pouco consolidadas são permeá- - Arenitos, conglomerados, siltitos, folhelhos e calcário veis e com moderada capacidade de reter, fixar e eliminar (DSVMPacsfc) poluentes. O domínio contempla unidades importantes sob o ponto de vista do uso e da ocupação, incluindo o principal • Potencial mineral polo de turismo da região, com inúmeros atrativos geotu- Presença de delgadas lentes de linhito de baixo poder rísticos, com possibilidade de implantação de geoparques e calorífico, baixo teor de carbono fixo e elevado teor de estabelecimento de patrimônios geomineiros. Ressalta-se a cinzas. Principal ocorrência localizada na região do Alto elevada favorabilidade hidrogeológica de algumas de suas Solimões. Sua utilização como fonte energética carece de unidades, que constituem importantes aquíferos, além do maiores estudos de viabilidade técnico-econômica. potencial para minerais empregados como insumos na construção civil, na agricultura e nas indústrias de minerais • Potencial geoturístico Área recoberta predominantemente por floresta om- brófila aberta, com algumas porções de floresta ombrófila densa. DOMíNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES E VULCANOSSEDIMENTARES MESOzOICAS E PALEOzOICAS, POUCO A MODERADAMENTE CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO TIPO SINéCLISE (DSVMP) Essas coberturas constituem quase que totalmente a porção extremo-ocidental do estado do Amazonas. Sua origem está associada a vários tipos de detritos gerados nos mais diversos ambientes geológicos, como rios, desertos, geleiras, mares e vulcões, cujo processo de acumulação e transformação em rocha perdurou por mais de 400 milhões de anos. Tais rochas contam o processo evolutivo da Bacia Figura 13.27 - Localização das unidades geológico-ambientais Sedimentar do Amazonas, marcada por várias incursões presentes no domínio DSVMP. 180 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO não-metálicos. Ainda com relação ao poten- cial mineral, em subsuperfície encontram-se importantes unidades geológico-ambientais, representadas por arenitos portadores de óleo e gás, e sais de potássio, que, junto com os depósitos de caulim da BR-174 e do calcário do rio Jatapu, representam uma das áreas de relevante interesse mineral do estado. Processos erosivos, como ravinas e voçorocas, são bastan- te comuns em cortes de estrada, provocando com frequência danos à infraestrutura viária. Predomínio de arenitos e arenitos cauliníticos (DSVMPac) • Características geológicas Espessos pacotes de rochas sedimentares pouco a moderadamente fraturadas, geradas em ambientes fluviais, compostas por quart- zoarenitos maciços, arenitos arcoseanos e Figura 13.28b - Detalhe das bolas de argila que se formam nos arenitos cauliníticos da formação Alter do Chão. arenitos cauliníticos brancos a avermelhados, estratificados, de granulação fina a grossa, com subordina- da fração conglomerática (Figuras 13.28a, 13.28b, 13.28c). Compreendem as unidades litológicas das formações Alter do Chão e Prosperança. Figura 13.28c - Arenitos cauliníticos avermelhados estratificados da formação Prosperança, em afloramento no município de Presidente Figueiredo (AM). • Formas de relevo associadas Tabuleiros (13), tabuleiros dissecados (14), baixos pla- tôs dissecados (15), superfícies aplainadas conservadas (16), colinas amplas e suaves (17), colinas dissecadas e de morros baixos (18) e degraus estruturais e rebordos erosivos (19). • Obras de engenharia Em geral, as rochas dessa unidade se encontram in- tensamente alteradas por processos de lateritização, com desenvolvimento de espessos perfis de solos contendo ho- rizontes compostos por crostas e concreções ferruginosas. Quando aflorantes, as rochas são extremamente vulneráveis Figura 13.28a - Afloramento de arenitos cauliníticos estratificados à erosão, com exceção das porções endurecidas, conheci- da formação Alter do Chão. Notar a espessa camada de solo que se das na região como “Arenito Manaus” (Figuras 13.29a e forma sobre a rocha (rodovia BR-174, Manaus, AM). 13.29b). 181 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Os espessos perfis de solo e a alteração laterítica con- Ravinas, voçorocas e escorregamentos são abundantes ferem à unidade uma alta capacidade de suporte de carga e às margens das rodovias, como resultado de processos natu- baixa a moderada resistência ao corte e à penetração (solos rais, potencializados por obras de engenharia de drenagem e perfis de alteração espessos). Há porções extremamente superficial inexistente, maldimensionada ou inacabada e, endurecidas que necessitam do uso de maquinário e ex- nas áreas de empréstimo, abandonadas, configurando um plosivos para remoção. sério problema geotécnico da região. As principais ocor- rências erosivas são observadas nos trechos mais declivosos das principais rodovias do estado, como a federal BR-174 e as estaduais AM-240, AM-010 e AM-363. Desaconselha-se a ocupação em terrenos com verten- tes íngremes e desmatadas, onde há maior favorabilidade à instalação de feições erosivas e movimentos de massa. A presença de crostas lateríticas tem se revelado um impor- tante fator de proteção à instalação dos processos erosivos (Figuras 13.30a, 13.30b, 13.30c). Figura 13.29a - Arenito caulinítico extremamente friável da formação Alter do Chão (Manaus, AM). Figura 13.30a - Risco geológico: processos de voçorocamentos e ravinamentos em corte da rodovia BR-174 (Presidente Figueiredo, AM). Figura 13.29b - Arenitos avermelhados extremamente endurecidos da formação Alter do Chão, conhecidos como “arenito Manaus”, formando corredeiras e cachoeiras no rio Urubu (Rio Preto Figura 13.30b - Risco geológico: processo de voçorocamento da Eva, AM). ameaçando o pavimento da rodovia BR-174 (Manaus, AM). 182 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO 5,5, e são pouco salinizadas, com sólidos totais dissolvidos de no máximo 30 mg/l. Pode ocorrer a presença de níveis enriquecidos em ferro que alteram, raramente, a qualidade de suas águas. • Fontes poluidoras Em geral, apresenta baixa a moderada vulnerabilidade à contaminação, devido à presença de espesso manto de- purador formado pelo solo e camadas contendo porções de rocha compacta e porções cauliníticas de baixa permea- bilidade e alta capacidade de reter e/ou eliminar poluentes. Nas porções mais arenosas, entretanto, a vulnerabilidade do aquífero é alta. Nas superfícies planas (formas de relevo 13 e 16), a taxa de infiltração é maior e o lençol freático, na maioria dos casos, encontra-se mais afastado da superfície. Nos terrenos mais fortemente ondulados (formas 13 a 18), o lençol freático, normalmente, é mais raso, e o poder de neutralização natural dos poluentes é menor. A presença de falhas/fraturas pode conduzir mais ra- pidamente o poluente à água subterrânea. Nos topos das formas alçadas, a tendência é haver alta taxa de infiltração e em suas bordas, maior escoamento. Nas partes mais baixas das colinas, o lençol freático, normalmente, é mais raso, com menor poder de neutralização natural dos poluentes. As áreas de cabeceira de drenagem, com inúmeras Figura 13.30c - Risco geológico: estabilização de processos de nascentes, e as áreas arenosas são altamente vulneráveis à ravinamento e movimentos de massa em corte de estrada em poluição. Devem ser protegidas, monitoradas e fiscalizadas, arenito da formação Alter do Chão (Silves, AM). para impedir ou minimizar as infiltrações de substâncias poluentes nos aquíferos e cursos d’água superficiais (forma • Agricultura de relevo 19). Em geral, ocorrem solos com baixa fertilidade natural (Latossolos e Argissolos) nas encostas acidentadas (formas • Potencial mineral de relevo 14, 18 e 19) e solos com drenagem imperfeita Os processos de lateritização produziram, sobretudo (Plintossolos), sujeitos a inundação periódica nas áreas na Formação Alter do Chão, uma série de bens minerais baixas (Gleissolos e Neossolos Flúvicos). Nas porções mais amplamente utilizados na construção civil. No horizonte arenosas, o solo apresenta baixa capacidade de retenção de mosqueado do perfil de alteração há formação de argilas umidade e nutrientes (Espodossolos e Neossolos Quartzarê- pouco plásticas utilizadas pelo Polo Cerâmico Manacapuru- nicos). Podem vir a se tornar aptos ao uso agrícola, desde -Iranduba na produção de tijolos (Figura 13.31). Nódulos, que condicionados à aplicação de corretivos e fertilizantes piçarras e concreções lateríticas são amplamente utilizados e à possibilidade de mecanização, sobretudo em áreas mais na construção civil (aterros, argamassa e cimento portland). planas, como os topos de platôs (formas de relevo 13, 14, As porções de rocha mais endurecida, conhecidas 15, 16 e 17), onde os solos tendem a ser mais profundos. como “Arenito Manaus”, têm sido empregadas como brita e material de revestimento. • Recursos hídricos Ocorrem ainda inúmeros depósitos arenosos, decor- Compreende o principal reservatório da região, o rentes do processo de alteração atuante sobre as rochas are- “Aquífero Alter do Chão”, caracterizado por alta favorabi- nosas e friáveis da Formação Alter do Chão (Espodossolos), lidade hidrogeológica, devido à textura arenosa de seus de onde se extrai areia para construção civil (Figura 13.32). sedimentos e a sua grande extensão areal e volume. Arma- Esses areais possuem vegetação peculiar (campina), que, zena um volume de água aproximado de 12 km3 apenas em muitos locais, constituem áreas de proteção ambiental. sob a cidade de Manaus, onde são observadas, em poços Compreende uma das áreas de relevante interesse tubulares, vazões superiores a 100 m3/h. A presença de mineral do estado, relacionada a expressivas camadas e argilas e litofácies mais endurecidas podem vir a diminuir lentes de caulim de alta qualidade, com aplicação na in- a sua permeabilidade. dústria de papel (coating) e cerâmica branca. As reservas As águas normalmente apresentam boa qualidade situadas entre os municípios de Manaus e Rio Preto da Eva química, são ligeiramente ácidas, com pH variando de 4,3 a foram estimadas em cerca de 3,4 bilhões de toneladas, 183 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 13.33a - Área de relevante interesse mineral: exposição de caulim da formação Alter do Chão no km 45 da rodovia BR-174, próximo a Manaus (AM). Figura 13.31 - Potencial mineral: argila avermelhada do horizonte mosqueado utilizada na fabricação de tijolos na cidade de Nova Olinda do Norte (AM). Figura 13.33b - Área de relevante interesse mineral: vista geral da ocorrência de camadas de caulim relacionadas à formação Alter do Figura 13.32 - Potencial mineral: depósitos de areia provenientes Chão, ao longo da rodovia AM-363 (Silves, AM). da alteração intempérica em arenitos cauliníticos da formação Alter do Chão (Manaus, AM). distribuídas por cerca de 30 mil hectares. Ocorrências de caulim são registradas ainda nos municípios de Presidente Figueiredo, Silves, Itacoatiara, Novo Airão e Manacapuru (Figuras 13.33a e 13.33b). A unidade também possui potencial para água potável de mesa e/ou mineral. O Aquífero Alter do Chão é explorado por empresas de bebidas e água mineral no município de Manaus. • Potencial geoturístico Unidade com extensas áreas recobertas por floresta om- brófila densa e campinarana, onde os platôs sobressaem na paisagem. Nas rochas mais endurecidas (“Arenito Manaus”), Figura 13.34 - Atrativo geoturístico: cachoeira da Pedreira, esculpida há formação de inúmeras corredeiras e cachoeiras, como as em arenitos endurecidos (“arenito Manaus”) da formação Alter do do alto rio Preto da Eva e as do rio Urubu (Figura 13.34). Chão (Rio Preto da Eva, AM). Fonte: Prefeitura de Rio Preto da Eva. 184 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e folhelhos (DSVMPasaf) • Características geológicas Espessos pacotes sub-horizontalizados, pouco a moderadamente fraturados, repre- sentados por grande variedade de arenitos de granulação fina a grossa, estratificados a maciços, siltitos e folhelhos laminados, poden- do, eventualmente, ocorrer níveis de folhelhos carbonosos e piritosos, silexitos e lentes de diamictitos maciços gerados em ambiente ma- rinho (Figuras 13.35a e 13.35b). Compreende as unidades litológicas das formações Curiri, Jatapu, Barreirinhas, Ererê, Monte Alegre, Lontra e do Grupo Trombetas. • Formas de relevo associadas Planaltos (20), superfícies aplainadas re- Figura 13.35b - Aspecto dos folhelhos da formação Manacapuru formando a tocadas ou degradadas (21), colinas dissecadas cachoeira da Asframa, no grupo Trombetas (Presidente Figueiredo, AM). e de morros baixos (22) e degraus estruturais e rebordos erosivos (23). tos arenoquartzosos de baixa resistência ao cisalhamento, geralmente bastante fraturados e percolativos. • Obras de engenharia Localmente, apresentam extrema erodibilidade, desa- Camadas horizontalizadas em que, com a remoção gregando-se com facilidade e promovendo o assoreamento do solo e da vegetação, há uma maior possibilidade de dos igarapés (Rodovia AM-310). Nas porções com grau de expor em taludes de corte materiais que, em profundidade, cimentação maior, ocorrem blocos e camadas com alta re- apresentam comportamentos geomecânico e hidráulico sistência ao corte e à penetração (Figuras 13.36a e 13.36b). contrastantes e vulneráveis à erosão. Existência de sedimen- Os litotipos síltico-argilosos são finamente laminados ou Figura 13.35a - Aspecto dos arenitos estratificados Figura 13.36a - Afloramento do arenito do grupo Trombetas em sua porção da formação Nhamundá, grupo Trombetas extremamente coesa (Presidente Figueiredo, AM). (Presidente Figueiredo, AM). 185 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS • Fontes poluidoras Os aquíferos apresentam baixa a modera- da vulnerabilidade à contaminação, devido às porções com arenitos compactos e folhelhos que funcionam como barreira à infiltração de poluentes, em função de sua baixa permeabi- lidade e taxa de infiltração. Em geral, o solo é espesso, comportando- -se como um excelente manto depurador, com boa capacidade de reter e/ou eliminar poluen- tes (por exemplo, águas subterrâneas isentas de contaminação no Aquífero Trombetas na cidade de Presidente Figueiredo). Destaca-se a existência de litotipos de composição varia- da, que interferem na taxa de infiltração. A presença de falhas e fraturas pode conduzir rapidamente os poluentes ao aquífero. Nas superfícies onduladas a íngremes (formas 22 Figura 13.36b - Desenvolvimento de processos erosivos em arenito friável do e 23), o lençol freático, normalmente, é mais grupo Trombetas, na rodovia AM-240 (Presidente Figueiredo, AM). raso, com menor poder de neutralização na- tural dos poluentes. maciços, por vezes difíceis de ser perfurados com sondas rotativas. Esses litotipos fendilham-se e soltam placas com • Potencial mineral facilidade em taludes de corte. Unidade potencial para água potável de mesa e/ou Voçorocas e escorregamentos são abundantes, ob- mineral. O Aquífero Trombetas é explorado por empresas servados nos cortes de estrada da Rodovia AM-240. Tais de água mineral na região de Presidente Figueiredo (Figura feições são inerentes às características da rocha, porém 13.37). são potencializadas por obras de engenharia de drenagem superficial inexistente, maldimensionada ou inacabada e em cortes próximo às cabeceiras de drenagem. Nos relevos forte ondulados a íngremes (formas de relevo 22 e 23), há maior favorabilidade à instalação de feições erosivas e movimentos de massa. • Agricultura Solos com baixa fertilidade natural, com rele- vo acidentado nas encostas (Latossolos e Argissolos), e solos com drenagem imperfeita (Plintossolos), sujeitos a inundação periódica nas áreas baixas. Apresentam baixa capacidade de retenção de umidade e nutrientes nas áreas mais arenosas (Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos); porém, podem se tornar aptos para o uso agrícola, desde que condicionados à aplicação de corretivos e fertilizantes. As terras mecanizáveis estão nas superfícies planas a suave Figura 13.37 - Surgência de água, de grande vazão, em fonte onduladas (formas de relevo 20, 21 e 22) e não arenosas. natural situada nos arenitos do grupo Trombetas (Presidente Figueiredo, AM). • Recursos hídricos A favorabilidade hidrogeológica é variável, devido à • Potencial geoturístico presença de níveis arenosos com porosidade e permeabi- Ambiente de grande beleza cênica, com estudo sendo lidade variáveis e camadas com elevada razão areia/argila. desenvolvido pela CPRM/SGB com o objetivo de transformá- Nas formações arenosas relacionadas ao Grupo Trombetas, -lo em geoparque, marcado por corredeiras, cachoeiras, o potencial é elevado, constituindo o chamado “Aquífero grutas e cavernas esculpidas em arenitos. Registra-se, Trombetas”. Fraturas e outras superfícies de descontinui- também, a ocorrência de material fossilífero nos folhelhos dade propiciam ao sistema porosidade e permeabilidade da Formação Manacapuru e icnofósseis em arenitos da secundária, permitindo acumulação de água em volumes Formação Nhamundá, ambas pertencentes ao Grupo consideráveis. Trombetas (Figura 13.38). 186 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 13.38 - Patrimônio paleontológico: bioturbação (Arthrophycus) em rocha sedimentar da formação Nhamundá, grupo Trombetas (Presidente Figueiredo, AM). Figura 13.39a - Atrativo geoturístico: caverna do Maroaga, escavada em arenitos do grupo Trombetas Na região de Presidente Figueiredo, são conhecidas (Presidente Figueiredo, AM). mais de 30 cachoeiras e corredeiras, entre elas a corredeira do Urubuí e as cachoeiras de Iracema, Araras, Porteira, Onça Santuário, Orquídea, Sussuarana e Pedra Furada. Nessa mes- ma região também se observam inúmeras grutas e cavernas, como a caverna do Maroaga e as grutas da Judeia, Raio, Iracema e Batismo, na qual ocorrem inscrições rupestres (Figuras 13.39a, 13.39b, 13.39c). Unidades intercalações irregulares de sedimentos arenosos e síltico-argilosos, com finas camadas de evaporitos e calcários (DSVMPasaec), e Predomínio de rochas calcárias intercaladas com finas camadas síltico-argilosas (DSVMPcsa) • Características geológicas Figura 13.39b - Atrativo geoturístico: cachoeira do Sussuarana, Espessa sucessão de sedimentos clastoquímicos (cal- esculpida em arenitos do grupo Trombetas (Presidente Figueiredo, AM). cários, folhelhos, arenitos e siltitos) e evaporíticos (anidritas e halitas) de origem marinha, dispostos em camadas sub- -horizontalizadas e lentes. As halitas e anidritas ocorrem em subsuperfície, sob a forma de camadas com até 100 m de espessura, enquanto o calcário ocorre de forma lenticular. Os folhelhos e siltitos são comumente laminados e os arenitos apresentam granulação muito fina a média, seleção regular, são argilosos, laminados e mostram estratificação cruzada. Corresponde às unidades litológicas Formação Nova Olinda, onde há predomínio de evaporitos e calcários (DSVMPasaec), e Formação Itaituba (DSVMPcsa), com calcário, dolomito, arenito, siltito e folhelho. Essas duas unidades geológico-ambientais foram aqui agrupadas devido à sua restrita área de ocorrência e os ter- renos sustentados por elas apresentarem comportamentos Figura 13.39c - Patrimônio arqueológico: inscrição rupestre na semelhantes frente ao uso e ocupação. gruta do Batismo (Presidente Figueiredo, AM). 187 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS • Formas de relevo associadas siltitos, que possuem baixa permeabilidade. As porções Colinas dissecadas e de morros baixos (24 – DSVMPa- formadas por rochas calcárias são altamente suscetíveis à saec e 25 – DSVMPcsa). existência de ligação direta entre os fluxos d’água superficial e subterrâneo (dolinas e sumidouros de drenagem). Nesses • Obras de engenharia locais, os poluentes podem chegar rapidamente às águas Empilhamento de camadas horizontalizadas de sedi- subterrâneas sem sofrer depuração. Entretanto, a cobertura mentos com características geomecânicas e hidráulicas que espessa de solos pode apresentar boa capacidade de reter, variam em profundidade e mudam bruscamente de uma fixar e eliminar poluentes, funcionando como um excelente camada para outra. As mudanças bruscas de litologias se manto depurador. constituem em descontinuidades geomecânicas que facili- tam as desestabilizações em taludes de corte. • Potencial mineral Em geral, prevê-se baixa a moderada capacidade de Compreende uma das áreas de relevante interesse suporte de carga do solo e resistência ao corte e à penetra- mineral para o estado, com jazimento de calcário e gipsita ção (solos e perfis de alteração espessos). Onde as camadas associado às camadas das formações Itaituba e Nova Olinda calcárias são mais espessas, pode haver maior suscetibili- (Grupo Tapajós). As reservas identificadas até o momento dade ao desenvolvimento de processos de dissolução, com alcançam o patamar de 437.644.518 t (calcário) e 26.600 a formação de dolinas e sumidouros de drenagem, o que t (gipsita) (CPRM, 2006b). As principais ocorrências desses pode gerar colapsos e subsidências do terreno. Nesse tipo bens minerais estão nos municípios de Nhamundá, Urucará de terreno é importante que, antes do início de qualquer e Maués. A única mina ativa está localizada no município obra civil, sejam executados estudos geotécnicos envolven- de Urucará, no rio Jatapu (Figura 13.40). do métodos geofísicos que possam constatar a presença Na Formação Nova Olinda, destacam-se expressivos de cavidades subterrâneas. depósitos de silvinita (cloreto de potássio), situados em A alteração das rochas dessas duas unidades gera solos profundidade que varia de 980 a 1.130 m, nos municípios argilosos pouco permeáveis e plásticos, bastante aderentes de Nova Olinda do Norte e Itacoatiara, também indicados e escorregadios quando molhados, que se compactam e como área de relevante interesse mineral (Depósito de Sais impermeabilizam excessivamente se forem continuamente de Potássio de Nova Olinda do Norte e Itacoatiara). A reserva mecanizados com equipamentos pesados e/ou intensamen- total está estimada na ordem de 1,5 bilhões de toneladas. A te pisoteados pelo gado, favorecendo a erosão laminar. principal aplicação da silvinita, pelo seu conteúdo de potássio, está na agricultura. A exploração dessa jazida eliminaria a • Agricultura necessidade de importação de potássio, um dos principais Solos normalmente com baixa fertilidade natural entraves do desenvolvimento do setor agrícola no Amazonas. (Latossolos e Argissolos), sobretudo nas encostas, e susce- tíveis à compactação nas parcelas mais argilosas. Podem se • Potencial geoturístico tornar aptos para o uso agrícola, desde que condicionados Região recoberta por floresta ombrófila densa e cujo à aplicação de corretivos e fertilizantes. As terras podem potencial precisa ser mais bem estudado. As minas de ser mecanizáveis nas áreas mais planas das superfícies colinosas. Boa fertilidade nos solos derivados de rochas calcárias. • Recursos hídricos A favorabilidade hidrogeológica é variá- vel, sendo comum, nos calcários e evaporitos, a dissolução química dos minerais, formando cavernas, sumidouros e dolinas. As fraturas e outras superfícies de descontinuidade, alar- gadas por dissolução, podem proporcionar ao reservatório porosidade e permeabilidade secundária, permitindo a circulação de água em volumes consideráveis. Em geral, os reser- vatórios aquíferos são descontínuos e as águas são do tipo carbonatada, com dureza elevada. • Fontes poluidoras Em geral, as duas unidades apresentam Figura 13.40 - Área de relevante interesse mineral e patrimônio geomineiro: mina baixa a moderada vulnerabilidade à contami- de calcário no rio Jatapu, contida na formação Itaituba do grupo Tapajós. Fonte: nação dos aquíferos, devido à presença de Silvio Riker. 188 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO calcário e gipsita do rio Jatapu, norte do estado, podem • Potencial mineral vir a se tornar um ponto de interesse geoturístico, com a Possibilidade da ocorrência de arenitos silicificados, delimitação de áreas para visitação, por serem as únicas que podem ser usados como pedra de revestimento, e de minas de exploração de calcário da região, constituindo, folhelhos carbonosos. assim, uma área potencial para a formação do patrimônio geomineiro do estado (Figura 13.40). • Potencial geoturístico Local de difícil acesso, recoberto por floresta ombrófila Arenitos, conglomerados, tilitos e folhelhos densa, cujo potencial ainda não foi estudado. (DSVMPactf) Arenitos, conglomerados, siltitos, folhelhos • Características geológicas e calcário (DSVMPacsfc) Espessos pacotes sub-horizontalizados, pouco a mode- radamente fraturados, compostos por camadas de folhelhos • Características geológicas e arenitos, com ocorrências subordinadas de diamictitos e Espessas camadas horizontalizadas, pouco a mode- siltitos. Os folhelhos são cinza-escuros, laminados, micáce- radamente fraturadas, localmente inclinadas por efeitos os, por vezes carbonosos e piritosos, enquanto os arenitos de intrusões de corpos ígneos, compostas por grande são maciços e apresentam, em geral, granulação fina. variedade de arenitos, intercalados ou não com siltitos e Correspondem à unidade litológica Grupo Curuá. folhelhos, e calcários subordinados. Corresponde às unidades litológicas do Grupo Alto • Formas de relevo associadas Tapajós, ou seja, os arenitos líticos com fragmentos de Colinas dissecadas e de morros baixos (26). tufo, quartzoarenitos, arenitos conglomeráticos e restri- tos conglomerados e cherts da Formação Beneficente; os • Obras de engenharia siltitos e arenitos finos intercalados da Formação Juma; os Rochas de composição variada, com características quartzoarenitos sílticos da Formação Prainha e os calcários geomecânicas e hidráulicas contrastantes em profundidade, estromatolíticos, arenitos e siltitos finos intercalados da que apresentam moderada a alta capacidade de suporte de Formação Terra Preta (Figuras 13.41a, 13.41b, 13.41c). carga do solo e baixa resistência ao corte e à penetração Estruturas sedimentares preservadas, tais como es- (solos e perfis de alteração espessos). Nas vertentes íngre- tratificações e marcas de ondas, são comuns nas rochas mes há maior possibilidade de expor, em taludes de corte, dessa unidade. Os arenitos apresentam granulação variável mudanças bruscas de litologias que facilitam as desestabi- e podem ser friáveis ou extremamente compactos. lizações das encostas. Localmente, devido a eventos tectônicos ou intrusão de corpos ígneos, há o arqueamento das camadas e inclinação • Agricultura dos estratos, o que potencializa o risco do surgimento de A unidade apresenta solos com baixa fertilidade natural e relevo acidentado nas encostas (Latossolos). Os solos das porções menos íngremes dos terrenos podem ser considerados aptos para o uso agrícola, desde que condicionados à aplicação de corretivos e fertilizantes. Necessária preservação das áreas mais íngremes. • Recursos hídricos Baixa a média favorabilidade hidrogeoló- gica: nos locais com predomínio de camadas arenosas e/ou zonas fraturadas o potencial hidrogeológico será bem mais significativo. • Fontes poluidoras Baixa a moderada vulnerabilidade à conta- minação dos aquíferos, devido ao predomínio de folhelhos, que possuem baixa permeabili- dade e que se alteram para solos profundos, com boa capacidade de reter, fixar e eliminar Figura 13.41a - Megaestratificação cruzada acanalada em arenito da formação poluentes. Possibilidade da existência de águas Prainha, no rio Manicoré. Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico da Folha sulfurosas, com restrições ao consumo humano. Sumaúma (AM), em execução pela CPRM/SGB. 189 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 13.41b - Arenitos da formação Prainha, em afloramento no rio Aripuanã. Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico da Folha Figura 13.41d - Reprodução de imagem SRTM da região do Sumaúma (AM), em execução pela CPRM/SGB. domo do Sucunduri, no alto curso do rio homônimo. Notar o arqueamento das camadas, provavelmente produzido por uma intrusão ígnea não-aflorante. com rochas de características geomecânicas e hidráulicas contrastantes em profundidade. Ocorrem desde rochas extremamente compac- tas, laminadas, a extremamente friáveis. Local- mente, há espessa cobertura de solo com perfil laterítico, conferindo ao terreno moderada a alta capacidade de suporte de carga do solo e baixa a moderada resistência ao corte e à penetração. Nas camadas de siltitos e folhelhos fina- mente laminados e de sedimentos com argilo- minerais, há maior suscetibilidade à desestabi- lização em taludes de corte e aos fenômenos de colapsividade, por expansão e contração dos argilominerais. Nas superfícies de topografia acentuada (formas de relevo 33 a 36), a ocupação é desa- Figura 13.41c - Chert da formação Beneficente aflorante no rio Jatuarana. Fonte: conselhada, já que são terrenos que necessitam Projeto de Mapeamento Geológico da Folha Sumaúma (AM), em execução pela de grande intervenção para a estabilização dos CPRM/SGB. taludes de cortes. problemas geotécnicos (por exemplo, região do Domo • Agricultura do Sucunduri e rio Aripuanã, nas imediações da Rodovia Boa fertilidade nos solos derivados de rochas calcárias. Transamazônica) (Figura 13.41d). Em geral, porém, os solos dessa unidade apresentam baixa fertilidade natural, com relevo acidentado nas encostas • Formas de relevo associadas (Latossolos e Argissolos); comuns, também, solos com Planaltos (27), chapadas e platôs (28), superfícies drenagem imperfeita (Plintossolos) e sujeitos a inundações aplainadas retocadas ou degradadas (29), inselbergs e periódicas nas áreas rebaixadas. Baixa capacidade de re- outros relevos residuais (30), colinas amplas e suaves (31), tenção de umidade e nutrientes nas áreas mais arenosas colinas dissecadas e de morros baixos (32), morros e ser- (Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos). Presença de ras baixas (33), montanhas (34), escarpas serranas (35) e solos mais suscetíveis aos processos erosivos devido ao degraus estruturais e rebordos erosivos (36). elevado gradiente textural, principalmente nas encostas (Argissolos). Podem vir a se tornar aptos para o uso agrí- • Obras de engenharia cola, desde que condicionados à aplicação de corretivos e Empilhamento de espessas camadas horizontalizadas, fertilizantes. Preservação das áreas mais declivosas e das localmente inclinadas, pouco a moderadamente fraturadas, áreas planas arenosas são recomendáveis. 190 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Terras mecanizáveis nas áreas mais planas e com solos • Potencial geoturístico mais profundos, à exceção das porções arenosas (formas Área recoberta predominantemente por floresta om- de relevo 27, 28, 29, 31 e 32). brófila densa, resguardada por unidades de conservação nacionais, como o Parque Nacional Juruena e a Floresta • Recursos hídricos Nacional Jatuarana, e estaduais, como o Parque Estadual Favorabilidade hidrogeológica variável, com reserva- do Sucunduri. tórios ainda pouco conhecidos. Nas porções arenosas, o Região com fortes atrativos geoturísticos e grande potencial hidrogeológico deverá ser elevado. Fraturas e beleza cênica, com corredeiras, cachoeiras e serras. No rio outras superfícies de descontinuidade propiciam ao sistema Juma, no trecho que atravessa as proximidades da cidade porosidade e permeabilidade secundária, que permitem de Apuí, ocorrem diversas cachoeiras, como Paredão, Apuí acumulação de água em volumes consideráveis. e Morena. No rio Sucunduri observa-se, dentre outras, a cachoeira de Monte Cristo. No rio Camaiú, registram-se as • Fontes poluidoras cachoeiras do Fumação e do Tucunaré. No rio Aripuanã, Por haver rochas com comportamentos contrastantes há as cachoeiras do Periquito e Prainha (Figuras 13.42a e em relação a porosidade, permeabilidade e capacidade de 13.42b). reter poluentes, a vulnerabilidade à contaminação é extre- mamente variável na unidade. A migração dos poluentes dependerá essencialmente da natureza do aquífero, do gradiente hidráulico do lençol freático e da intensidade da contaminação, sendo comum a presença de falhas e fraturas profundas que podem conduzir contaminantes aos aquíferos. Nos relevos residuais e íngremes (formas de relevo 33 a 36), a tendência é haver baixa taxa de infiltração e alta taxa de escoamento superficial. Nesses tipos de relevo, em caso de contaminação, as substâncias nocivas se infiltram pouco, porém são conduzidas rapidamente aos igarapés. As áreas de cabeceira de drenagem, com inúmeras nascentes, altamente vulneráveis à poluição, devem ser protegidas e monitoradas. Nos relevos planos a ondulados (formas 27, 28, 29, 31 e 32), o lençol freático, normalmente, é mais profundo e há maior poder de neutralização natural dos Figura 13.42a - Potencial geoturístico: cachoeira do Apuí, esculpida em rochas areníticas do grupo Alto Tapajós, no rio contaminantes. Juma, próximo à sede municipal de Apuí (AM). Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico da Folha Sumaúma (AM), em execução • Potencial mineral pela CPRM/SGB. Compreende uma área de relevante in- teresse mineral para o estado, com expressiva camada de calcário dolomítico na região do alto curso do rio Sucunduri, no município de Apuí. Estudos revelaram excelente qualificação desse calcário para uso na agricultura, devido aos elevados teores de CaCO3, MgO e PRNT, porém com reservas ainda não qualificadas. Nessa mesma região, conhecida como Terra Preta, há ainda ocorrências de veios e vênulas de magnesita (carbonato de manganês) e barita (sulfato de bário), fosfato e sulfetos. Depósitos de manganês, sob a forma de psilomelana e/ou pirolusita, associados a con- creções e a lentes descontínuas em arenitos, nos municípios de Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí. Destacam-se as minas Beneficente e do Cotovelo, exploradas nas décadas de 1950 e 1960. Figura 13.42b - Potencial geoturístico: cachoeira do Paredão, no rio Juma, em Unidade potencial para a exploração de rochas areníticas do grupo Alto Tapajós. Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico água potável de mesa e/ou mineral. da Folha Sumaúma (AM), em execução pela CPRM/SGB. 191 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS DOMíNIO DOS COMPLExOS ALCALINOS • Formas de relevo associadas INTRUSIVOS E ExTRUSIVOS, DIFERENCIADOS Inselbergs e outros relevos residuais (37). DO TERCIÁRIO, MESOzOICO OU PROTEROzOICO (DCA) • Obras de engenharia Predomínio de rochas maciças e crostas lateríticas Em épocas geológicas passadas, o território brasileiro de moderada a alta resistência ao corte e à penetração. foi palco de intensa atividade magmática de composição Terreno com alta capacidade de suporte de carga do solo, alcalina. Esse magmatismo ocorreu em vários períodos geo- sendo comum a presença de faces rochosas e lajeiros que lógicos e as rochas alcalinas pertencentes a esses eventos são necessitam do uso de explosivo para seu desmonte. resultantes do resfriamento do magma do interior da Terra. O intemperismo das rochas dessa unidade ocorre de for- Registos de eventos magmáticos alcalinos datam ma homogênea, deixando como resíduos blocos arredondados desde o Proterozoico, sendo os mais recentes associados à e matacões em meio ao solo. Mesmo os solos profundos, por era mesozoica, ou seja, há cerca de 250 milhões de anos. vezes, contêm blocos e matacões de rochas duras, que podem No Amazonas, as rochas de associação alcalina estão se desestabilizar em taludes de corte e afetar as obras caso as representadas por dezenas de corpos, a maioria deles fundações fiquem parcialmente apoiadas sobre eles. constituída por pequenos diques e plútons. Os corpos mais Nas áreas com vertentes íngremes, é desaconselhada a expressivos estão localizados nas proximidades da serra ocupação, já que estas necessitam de grandes intervenções dos Seis Lagos, município de São Gabriel da Cachoeira, e para estabilização dos taludes de cortes. constituem a fase final do plutonismo na região. A fase mais antiga é representada por corpos essencialmente alcalinos, • Agricultura seguida pela fase carbonatítica, com idade aproximada de Em geral, os solos são rasos e pouco profundos, de 135 milhões de anos. baixa fertilidade natural (Neossolos Litólicos), associados Duas unidades geológico-ambientais compõem esse a relevo íngreme com alta pedregosidade e rochosidade. domínio: Série alcalina saturada e alcalina subsatura- Recomenda-se para preservação da flora e da fauna. da (DCAalc) e Gabro, anortosito, carbonatito e dique de lamprófiro (DCAganc) (Figura 13.43). • Recursos hídricos Apresenta favorabilidade hidrogeológica variável, formando reservatórios do tipo fissural. Na presença de falhas e fraturas interconectadas podem vir a se tornar bons aquíferos, porém irregulares. Em função de o acúmulo de água estar relacionado à existência de estruturas geológicas favoráveis, é comum a formação de reservatórios bastante irregulares: em um deter- minado local, um poço pode ter boa vazão e, na vizinhança, um outro poço, de mesma profundidade, pode ser seco. • Fontes poluidoras Baixa vulnerabilidade à contaminação, devido à exis- tência de rochas coesas, pouco permeáveis. Predomínio de rochas que se alteram para solos argilossiltosos, permeáveis e de alta capacidade de reter, fixar e eliminar poluentes. Nas bordas dos corpos rochosos, é comum a presença de falhas Figura 13.43 - Localização das unidades geológico-ambientais e fraturas que facilitam a infiltração dos contaminantes até pertencentes ao domínio DCA. às águas subterrâneas. Série alcalina saturada e alcalina • Potencial mineral subsaturada (DCAalc) Possibilidade de utilização das rochas como brita. Entretanto, essa utilização está condicionada a diversos • Características geológicas fatores: grau de fraturamento dos maciços, grau de in- São corpos de rochas ígneas maciças de composição temperismo, cor, textura, forma de ocorrência, espessura alcalina, pouco a moderadamente fraturadas, representadas de solo e infraestrutura local. por grande variação mineralógica de rochas sieníticas (ricas em sódio e potássio). Sobre as superfícies, normalmente, • Potencial geoturístico há o desenvolvimento de cobertura laterítica na forma de Áreas serranas se sobressaem em meio às superfícies espessa crosta. Compreende as unidades litológicas Alcali- mais planas recobertas por floresta ombrófila densa. Porém, nas Canamã, Guariba e Alcalinas Indiferenciadas. o potencial geoturístico precisa ser mais bem estudado. 192 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Gabro, anortosito, carbonatito e dique de lamprófiro (DCAganc) • Características geológicas São corpos maciços de rochas ígneas alcalinas, pouco a moderadamente fraturadas, com termos ultramáfico-carbonatíticos, reco- bertos por espessa cobertura laterítica forma- dora de canga nióbio-ferrífera. Correspondem à unidade litológica Alcalinas Seis Lagos. • Formas de relevo associadas Inselbergs e outros relevos residuais (38) (Figura 13.44). • Obras de engenharia Existência de material com alta resis- tência ao corte e à penetração, englobando desde rocha fresca até material ferruginoso proveniente de crosta laterítica (é provável a Figura 13.45 - Aspecto da crosta laterítica desenvolvida sobre as rochas alcalinas necessidade de uso de explosivo para remoção presentes no morro dos Seis Lagos (São Gabriel da Cachoeira, AM). Fonte: não desses materiais). É comum a presença de identificada. campos de blocos e lajeiros expostos (Figura 13.45). As vertentes são íngremes e suscetíveis a problemas irregulares. Possíveis carbonatos dissolvidos, que elevam a geotécnicos, como queda de blocos. dureza das águas subterrâneas. Há relatos da existência de águas termais no morro dos Seis Lagos. • Agricultura Em geral, os solos são rasos e pouco profundos, de • Fontes poluidoras baixa fertilidade natural (Neossolos Litólicos), associados Baixa a moderada vulnerabilidade à contaminação, a relevo íngreme com alta pedregosidade e rochosidade. com rochas coesas de baixa permeabilidade. Quando pre- Recomenda-se para preservação da flora e da fauna. sente, o solo costuma ser argiloso e profundo, com boa capacidade de reter, fixar e eliminar poluentes. Localmente, • Recursos hídricos a presença de falhas e fraturas pode conduzir rapidamente Favorabilidade hidrogeológica variável, com reserva- o contaminante ao aquífero. tórios do tipo fissural. Quando houver falhas e fraturas interconectadas, podem se tornar bons aquíferos, porém • Potencial mineral Compreende uma área de relevante interesse mineral (Jazida de Nióbio de Seis Lagos), com ocorrência de jazidas de nióbio associadas às crostas lateríticas desenvolvidas so- bre os carbonatitos do morro dos Seis Lagos, município de São Gabriel da Cachoeira. As crostas também se mostram enriquecidas em ferro e manganês. Representa o maior jazimento de nióbio do mundo, com reserva medida de 38.376.000 t de minério, com teor médio de 2,85% de Nb2O5. No entanto, a explotação dessa enorme riqueza mineral será complexa: além das dificuldades de acesso, a área esta inserida em duas unidades de conservação de proteção integral – a Reserva Biológica Estadual do Morro dos Seis Lagos e o Parque Nacional do Pico da Neblina, criados após a descoberta das jazidas. • Potencial geoturístico Área de grande beleza cênica, com três estruturas Figura 13.44 - Vista do morro dos Seis Lagos, representando forma rochosas circulares elevadas, capeadas por espessa cober- de relevo residual (inselberg) destacado em meio à superfície plana tura laterítica ferruginosa, responsável pela preservação de adjacente (São Gabriel da Cachoeira, AM). relevo pseudocárstico. No topo da maior dessas estruturas, 193 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS conhecida como morro dos Seis Lagos, inserido no Parque as camadas sedimentares se apresentam suavemente do- Nacional do Pico da Neblina, observam-se lagos com fontes bradas e metamorfizadas em baixo grau. termais (Figuras 13.46a e 13.46b). Nesse domínio, ocorre uma única unidade geológico- -ambiental, denominada Predomínio de sedimentos DOMíNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES arenosos e conglomeráticos, com intercalações PROTEROzOICAS, NÃO OU MUITO POUCO subordinadas de sedimentos síltico-argilosos (DS- DOBRADAS E METAMORFIzADAS (DSP1) P1acgsa), registrada, sob a forma de raras exposições, nas porções nordeste e sul do Amazonas (Figura 13.47). Esse domínio é representado por rochas muito antigas, Essa unidade apresenta sérias restrições ao uso e ocupação, formadas entre 2.500 e 540 milhões de anos, em bacias em virtude da elevada declividade de suas vertentes. Suas sedimentares proterozoicas. Reúne camadas de rochas ho- adequabilidades e limitações devem ser mais bem avaliadas, rizontalizadas e sub-horizontalizadas de várias espessuras, sobretudo em relação ao potencial mineral. constituídas por sedimentos clastoquímicos depositados em diversos ambientes de sedimentação. No estado do Ama- zonas, prevalecem as unidades depositadas em ambiente costeiro e de mar raso. Localmente, por efeitos tectônicos, Figura 13.47 - Localização da única unidade geológico-ambiental presente no domínio DSP1. Predomínio de sedimentos arenosos e conglomeráticos, com intercalações subordinadas de sedimentos síltico- Figura 13.46a - Atrativo geoturístico: lagos formados no topo do argilosos (DSP1acgsa) morro dos Seis Lagos. Fonte: não identificada. • Características geológicas Camadas não dobradas, pouco a modera- damente fraturadas, constituídas por quartzoa- renitos, arenitos arcoseanos e conglomerados, subordinadamente com a presença de tufos, argilitos e folhelhos, depositados em ambiente litorâneo de águas relativamente movimentadas. Os conglomerados são maciços ou possuem estratificação incipiente, enquanto os arenitos apresentam granulação fina a média e diversos tipos de estratificação. Compreende as unidades litológicas das formações Palmeiral e Urupi. • Formas de relevo associadas Chapadas e platôs (39), superfícies aplai- nadas conservadas (40), superfícies aplainadas retocadas ou degradadas (41), inselbergs e ou- tros relevos residuais (42), domínio de colinas dissecadas e de morros baixos (43), morros Figura 13.46b - Atrativo geoturístico: vista de um dos lagos que se formam no e serras baixas (44) e degraus estruturais e topo do morro dos Seis Lagos. Fonte: não identificada. rebordos erosivos (45). 194 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO • Obras de engenharia DOMíNIO DAS SEQUêNCIAS Espessas camadas horizontalizadas com variação VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROzOICAS, no comportamento geomecânico em profundidade. As NÃO OU POUCO DOBRADAS E camadas síltico-argilosas são suscetíveis à desestabilização METAMORFIzADAS (DSVP1) em taludes de corte. Os litotipos arenosos costumam ser friáveis, suscetíveis à erosão em taludes de corte. Esse domínio corresponde a terrenos geologicamente Moderada a alta capacidade de suporte de carga do antigos, formados entre 2.500 e 544 milhões de anos, du- solo e baixa a moderada resistência ao corte e à penetração rante o Proterozoico. Reúne rochas formadas em ambientes (solos e perfis de alteração espessos). sedimentares marcados por intensa atividade vulcânica. Áreas íngremes com solo pouco espesso ou inexisten- Ocorrem sob a forma de diques e outros corpos in- te, com exposição da face rochosa. Maior suscetibilidade trusivos nos substratos rochosos preexistentes, estando ao surgimento de voçorocas e desplacamentos de rochas associados a fragmentos de rochas e materiais expelidos por (forma de relevo 42, 43, 44 e 45). vulcões ativos na época, que foram depositados junto aos sedimentos que preenchiam as bacias sedimentares. Todo • Agricultura esse conjunto foi litificado e atualmente está disposto sob a Baixa fertilidade natural e relevo acidentado nas en- forma de camadas horizontalizadas a sub-horizontalizadas de costas (Latossolos e Argissolos). Presença de solum (hori- espessuras diversas, constituídas por rochas de composição zonte A+B) pouco espesso. Ocorrência de pedregosidade variada, sendo que no Amazonas prevalecem as unidades e rochosidade associados a solos rasos (Neossolo Litólico). geradas em ambientes sedimentares costeiros e de mar raso. Ocorrência de concreções lateríticas. Baixa capacidade de Localmente, por efeitos tectônicos, as rochas podem estar retenção de umidade e nutrientes nas áreas mais arenosas suavemente dobradas e metamorfizadas em baixo grau. (Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos). Esse domínio é representado por duas unidades Terras mecanizáveis nas áreas mais planas e solos mais geológico-ambientais: Predomínio de vulcanismo ácido profundos (formas 39, 40 e 41). Aptas para o uso agrícola a intermediário (DSVP1va) e Sequência vulcanossedi- condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. Pre- mentar (DSVP1vs), as quais ocorrem nas porções nordeste servação das áreas mais declivosas e das áreas arenosas. e sudeste do estado do Amazonas (Figura 13.48). Impedimentos à mecanização nas áreas com lateritas. Do ponto de vista do uso e ocupação, as duas uni- dades apresentam sérias restrições decorrentes da elevada • Recursos hídricos declividade das vertentes. Suas adequabilidades e limitações Favorabilidade hidrogeológica variável, com reserva- precisam ser mais bem investigadas, sobretudo no que diz tórios do tipo poroso/fissural em rochas que, em geral, respeito ao potencial mineral e geoturístico. apresentam boa a moderada porosidade e permeabilidade. Localmente, o processo diagenético e a silicificação podem Predomínio de vulcanismo ácido tornar a permeabilidade e a porosidade primária reduzida. a intermediário (DSVP1va) Podem se tornar bons aquíferos quando houver falhas e fraturas interconectadas. • Características geológicas Corpos ígneos vulcânicos ácidos, maciços, isotrópi- • Fontes poluidoras cos, pouco a intensamente fraturados, representados por Baixa a moderada vulnerabilidade à contaminação, com rochas coesas de baixa permeabilidade. Localmente, a presença de falhas e fraturas pode conduzir rapidamente o contaminante aos aquíferos. Quando presente, o solo costuma ser argiloso e profundo, com boa capacidade de reter, fixar e eliminar poluentes. • Potencial mineral Possibilidade de utilização dos seixos dos conglomera- dos como material de empréstimo. Presença de finos níveis mineralizados em manganês intercalados aos arenitos da Formação Palmeiral. • Potencial geoturístico Áreas serranas, com possibilidades de formação de corredeiras e cachoeiras, recobertas por floresta ombrófila densa e savana, cujo potencial geoturístico precisa ser Figura 13.48 - Localização das duas unidades geológico- mais bem avaliado. ambientais presentes no domínio DSVP1. 195 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS grande diversidade de rochas, com predomínio de riolitos, dacitos, andesitos e traquiandesi- tos. Subordinadamente, ocorrem termos de composição intermediária e rochas piroclás- ticas, como tufos vulcânicos, basaltos, brecha vulcânicas, ignimbritos e conglomerados vul- cânicos. Compreende as unidades litológicas dos grupos Iricoumé e Colíder e das formações Bom Jardim, Aruri e Salustiano (Figura 13.49). • Formas de relevo associadas Superfícies aplainadas conservadas (46), superfícies aplainadas retocadas ou degrada- das (47), inselbergs e outros relevos residuais (48), colinas amplas e suaves (49), colinas dissecadas e de morros baixos (50), morros e serras baixas (51) e domínio montanhoso (52). Figura 13.50 - Aspecto maciço das rochas vulcânicas presentes nessa unidade. • Obras de engenharia Afloramento de diabásio no igarapé Repartimento (Apuí, AM). Fonte: Projeto de Alta capacidade de suporte de carga do Mapeamento Geológico da Folha Sumaúma (AM), em execução pela CPRM/SGB. solo e moderada resistência ao corte e à pene- tração (solos e perfis de alteração espessos). Já as exposi- imperfeita (Plintossolos) e sujeitos a inundações periódicas ções rochosas têm alta resistência ao corte e à penetração, nas áreas mais baixas (Gleissolos e Neossolos Flúvicos). sendo necessário o uso de explosivos e maquinários para Baixa capacidade de retenção de umidade e nutrientes sua remoção (Figura 13.50). nas áreas mais arenosas (Espodossolos e Neossolos Quart- As superfícies íngremes são muito suscetíveis à queda zarênicos). Solos mais suscetíveis aos processos erosivos de blocos e movimentos de massas, sendo desaconselhada devido ao elevado gradiente textural, principalmente nas a ocupação desses terrenos, já que necessitam de grandes encostas (Argissolos). intervenções para a estabilização dos taludes de cortes Terras mecanizáveis nas áreas mais planas e de solos (formas de relevo 47, 50, 51 e 52). mais profundos (formas 46, 47 e 49), à exceção das áreas arenosas. Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação • Agricultura de corretivos e fertilizantes. Baixa fertilidade natural, relevo acidentado nas encostas (Latossolos e Argissolos), solos com drenagem • Recursos hídricos Favorabilidade hidrogeológica variável, com reservatórios do tipo fissural. Quando houver falhas e fraturas interconectadas, podem se tornar bons aquíferos. Possíveis carbonatos dissolvidos, que podem elevar a dureza das águas subterrâneas. • Fontes poluidoras Baixa vulnerabilidade à contaminação: intercalação de rochas com contrastantes comportamentos à infiltração, que, de maneira geral, exibem boa compactação e baixa taxa de infiltração. Nas bordas dos corpos vulcânicos, é comum a presença de falhas e fraturas que facilitam a infiltração dos contaminantes até as águas subterrâneas (formas 51 e 52). • Potencial mineral Ocorrência de ouro associado às rochas Figura 13.49 - Riolito do grupo Colíder, extremamente fraturado, aflorante no vulcânicas e presença de veios de quartzo igarapé Jutuarana (Apuí, AM). Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico da Folha portadores de ouro e sulfetos. Área poten- Sumaúma (AM), em execução pela CPRM/SGB. cial para brita e pedra de cantaria. Algumas 196 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO rochas apresentam padrões texturais com indicação para lares de rochas ígneas e sedimentares, com características rochas ornamentais (Figura 13.51). geomecânicas e hidráulicas bastante diferentes. Existência de rochas de baixa a alta resistência ao corte • Potencial geoturístico e à penetração. Boa probabilidade de ocorrência de blocos Área de grande beleza cênica, representada por com- e matacões em meio ao solo, sendo necessário o uso de plexos de serras, cachoeiras e corredeiras, recoberta por maquinário e explosivos para remoção. floresta ombrófila densa e aberta. Relevo forte ondulado a íngreme sobre solo pouco espesso a inexistente, sujeito a movimentos de massa. Áreas Sequência vulcanossedimentar (DSVP1vs) desaconselhadas à ocupação antrópica, pois necessitam de grandes intervenções para estabilização de taludes de cortes • Características geológicas (formas de relevo 57 e 58). Espessos pacotes de rochas pouco a moderadamente fraturadas e dobradas, compostas por sucessões sedimen- • Agricultura tares intercaladas com rochas vulcânicas metamorfizadas Terras mecanizáveis nas áreas mais planas e com solos em grau incipiente a médio, representadas por metaquart- mais profundos (formas 53, 54 e 56), à exceção das áreas zoarenitos, conglomerados, argilitos, metassiltitos, filitos, arenosas. Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação arenitos arcoseanos, metacherts, tufos e brechas vulcânicas, de corretivos e fertilizantes. Preservação das áreas mais quartzitos e ardósias. Localmente, ocorrem zonas de intensa declivosas e das áreas planas arenosas. deformação, onde as estruturas de cisalhamento promove- Baixa fertilidade natural, relevo acidentado nas encos- ram a verticalização dos estratos. Compreende as unidades tas (Latossolos e Argissolos), solos com drenagem imperfeita litológicas das formações Buiuçu, Aruri e Mutum-Paraná. (Plintossolos) e sujeitos a inundações periódicas nas áreas baixas (Gleissolos e Neossolos Flúvicos). Baixa capacidade • Formas de relevo associadas de retenção de umidade e nutrientes nas áreas mais are- Superfícies aplainadas conservadas (53), superfícies nosas (Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos). Solos aplainadas retocadas ou degradadas (54), inselbergs e mais suscetíveis aos processos erosivos devido ao elevado outros relevos residuais (55), colinas amplas e suaves (56), gradiente textural, principalmente nas encostas (Argissolos). morros e serras baixas (57) e degraus estruturais e rebordos erosivos (58). • Recursos hídricos Favorabilidade hidrogeológica variável, com reservató- • Obras de engenharia rios do tipo fissural. Rochas nas quais as águas subterrâneas Moderada a alta capacidade de suporte de carga do se armazenam e circulam por fendas abertas, relacionadas solo, baixa a moderada resistência ao corte e à penetração a falhas, fraturas e outras descontinuidades estruturais. e boa estabilidade (solos e perfis de alteração espessos). Espessos pacotes sub-horizontalizados, localmente • Fontes poluidoras dobrados e falhados, formados por intercalações irregu- Baixa vulnerabilidade à contaminação: rochas coesas, com baixa permeabilidade. Localmente, a ocorrência de falhas e fraturas pode conduzir rapidamente o contaminante ao aquífero. • Potencial mineral Ambiência geológica favorável à existên- cia de mineralizações de ouro, cobre, chumbo e zinco. • Potencial geoturístico Área com beleza cênica, com existência de serras, cachoeiras e corredeiras. DOMíNIO DAS SEQUêNCIAS SEDIMENTARES PROTEROzOICAS DOBRADAS, METAMORFIzADAS EM BAIxO A MéDIO GRAU (DSP2) Figura 13.51 - Potencial mineral: aspecto textural de rocha vulcânica do grupo Corresponde a terrenos muito antigos, Iricoumé (Presidente Figueiredo, AM). formados durante o Proterozoico, cujas rochas 197 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS sofreram deformação e metamorfismo de baixo a médio a inexistente, apresentando alta resistência ao corte e à grau. escavação (necessário o uso de explosivos). Existência de Reúne rochas originalmente sedimentares, provenien- metaconglomerados contendo seixos, blocos e matacões de tes de deposição em ambiente fluvial, que mantêm relações rochas duras e abrasivas, de características geomecânicas e de contato com rochas ígneas plutônicas e vulcânicas. As hidráulicas bastante heterogêneas. camadas encontram-se suave a moderadamente dobradas, Em relevo tabular (forma de relevo 59), as rochas conforme observado na serra da Neblina. apresentam alta capacidade de suporte de carga. Já as Esse domínio é representado por uma única unidade áreas íngremes são naturalmente desaconselhadas à geológico-ambiental, denominada Metarenitos, quart- ocupação, pois necessitam de grandes intervenções para zitos e metaconglomerados (DSP2mqmtc), com raras a estabilização dos taludes de cortes, estando sob risco exposições na porção norte do estado do Amazonas (Figura de ocorrer desplacamentos e quedas de blocos (formas 13.52). Do ponto de vista do uso e ocupação, os terrenos 60, 61 e 62). assentados sobre essa unidade apresentam sérias restrições decorrentes da elevada declividade das vertentes. • Agricultura Terras mecanizáveis nas áreas mais planas e solos mais profundos. Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. As áreas mais decli- vosas e arenosas devem ser preservadas. Impedimentos à mecanização nas áreas com lateritas e solos rasos. Baixa fertilidade natural e relevo acidentado nas encos- tas (Latossolos e Argissolos). Presença de solum (horizonte A+B) pouco espesso (Neossolo Litólico). Ocorrência de pedregosidade e rochosidade associada a solos rasos e afloramentos de rocha. Ocorrência de concreções lateríticas (Plintossolo Pétrico). Baixa capacidade de retenção de umi- dade e nutrientes nas áreas mais arenosas (Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos). • Recursos hídricos Favorabilidade hidrogeológica variável, formando re- servatórios bastante irregulares; entretanto, quando houver Figura 13.52 - Localização da unidade geológico-ambiental presente no domínio DSP2. falhas e fraturas interconectadas, podem se tornar bons aquíferos. Em geral, as rochas apresentam cimentação e compactação acentuadas, que conferem uma porosidade pri- Metarenitos, quartzitos e mária baixa, desfavorável ao acúmulo de águas subterrâneas. metaconglomerados (DSP2mqmtc) • Fontes poluidoras • Características geológicas Baixa vulnerabilidade à contaminação, devido ao fato Espessas camadas pouco a moderadamente fratu- de haver predomínio de metassedimentos arenosos coesos. radas e dobradas, localmente verticalizadas, compostas Os solos gerados possuem moderada a baixa capacidade de por rochas metamorfizadaws em grau incipiente a médio, reter e fixar poluentes. Onde há afloramentos rochosos, sem representadas principalmente por metaquartzoarenitos, cobertura de solo e sem fraturas, o risco de contaminação quartzitos, quartzitos ferruginosos, sericita-quartzitos das águas subterrâneas é muito baixo. e metaconglomerados, com subordinados metapelitos, filitos e itabiritos. Compreende as unidades litológicas das • Potencial mineral formações Aracá, Daraá, Serra da Neblina e do Grupo Tunuí. Ocorrências de mineralizações de ouro, cromita, pirita e columbita-tantalita associados às aluviões do Grupo Tunuí. • Formas de relevo associadas Chapadas e platôs (59), inselbergs e outros relevos • Potencial geoturístico residuais (60), morros e serras baixas (61) e escarpas ser- O relevo diversificado, com predomínio de áreas serra- ranas (62). nas, forma paisagens de grande beleza cênica e de interes- segeoturístico, como os picos da Neblina, 31 de Março e do • Obras de engenharia Padre, situados no Parque Nacional Pico da Neblina (Figura Espessas camadas de rochas arenosas e conglomeráti- 13.53). Outro exemplo é a serra do Aracá, na qual há cacho- cas, extremamente endurecidas, pouco a moderadamente eira com queda d’água de 400 m de altura e o maior abismo fraturadas, em relevos íngremes e com solo pouco espesso sul-americano, o Guy Collet, com 670 m de profundidade. 198 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO optou-se por descrevê-las de forma única em relação ao uso e à ocupação. Predomínio de quartzitos (DSVP2q) e Predomínio de metassedimentos síltico- argilosos representados por xistos (DSVP2x) • Características geológicas Camadas intensamente fraturadas e dobradas, localmen- te verticalizadas, compostas por rochas metamorfizadas em grau médio, representadas por xistos, micaxistos, quartzoxistos e subordinados xistos máficos, filitos, metagrauvacas, quartzi- tos, metacherts e rochas metassedimentares químicas ou vulca- Figura 13.53 - Atrativo geoturístico: Pico da Neblina (Santa noquímicas, finamente estratificadas, com camadas de óxidos, Isabel do Rio Negro, AM). Disponível em: . carbonatos ou silicatos de ferro (BIF). Essas unidades ocorrem de forma muito discreta no estado do Amazonas, não sendo possível observar em campo todas as rochas mencionadas. DOMíNIO DAS SEQUêNCIAS As ocorrências mais representativas estão no estado do Pará, VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROzOICAS onde integram a Província Aurífera do Tapajós. Correspondem DOBRADAS, METAMORFIzADAS EM BAIxO A às unidades litológicas do Grupo Jacareacanga. ALTO GRAU (DSVP2) • Formas de relevo associadas Esse domínio possui gênese semelhante à dos terrenos Colinas dissecadas e morros baixos (63 – DSVP2q e vulcanossedimentares anteriormente descritos, sendo, no 64 – DSVP2x). entanto, mais antigo que aqueles, com idades superiores a 1.800 milhões de anos. Compreende uma associação de • Obras de engenharia rochas metassedimentares e metavulcânicas de baixo a alto Exposições rochosas em relevo forte ondulado com grau metamórfico e com estilos deformacionais diversos, solo pouco espesso. Apresenta moderada a alta capacidade com evidências de superposição de vários eventos. de suporte de carga. Em geral, as camadas são dobradas e É representado por duas unidades geológico-ambien- compactas, com possibilidade de existência de material de tais, denominadas Predomínio de quartzitos (DSVP2q) alta resistência ao corte e à penetração: necessário o uso de e Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos explosivos e maquinários para a remoção. Riscos de queda representados por xistos (DSVP2x). Ambas ocorrem de de blocos e desplacamento em cortes. forma bastante restrita na porção leste do estado do Ama- Ocorrem rochas metassedimentares sob a forma de zonas, na divisa com o estado do Pará, e correspondem a camadas dobradas, com pronunciada xistosidade, as quais segmento da província aurífera do Tapajós (Figura 13.54). podem soltar placas e se desestabilizar com facilidade em Devido à pequena expressão areal das duas unidades, taludes de corte (forma de relevo 64). • Agricultura Terras mecanizáveis nas áreas mais planas dos terre- nos ondulados, exceto nas porções muito arenosas. Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. Preservação das áreas mais declivosas. Baixa fertilidade natural e relevo acidentado nas encostas (Latos- solos e Argissolos). • Recursos hídricos Favorabilidade hidrogeológica variável, com reserva- tórios do tipo fissural. Quando houver falhas e fraturas interconectadas, podem se tornar bons aquíferos. Presença de rochas com porosidade primária extremamente baixa, desfavorável ao acúmulo de águas subterrâneas. • Fontes poluidoras Figura 13.54 - Localização das unidades geológico-ambientais Baixa vulnerabilidade à contaminação: rochas coesas, presentes no domínio DSVP2. com baixa permeabilidade e baixa taxa de infiltração. Presen- 199 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS ça de solos argilosos espessos que funcionam como mantos granodioritos e diabásios, podendo apresentar termos depuradores, protegendo o aquífero (forma de relevo 64). metamorfizados. Ocorrem sob a forma de corpos intrusivos Localmente, falhas, fraturas e planos de xistosidade podem circulares, diques e soleiras. Compreendem as unidades conduzir rapidamente o contaminante ao aquífero (forma 64). litológicas da Suíte Intrusiva Tapuruquara (DCMUmu), das suítes intrusivas Ingarana e Siriquiqui, da Formação • Potencial mineral Quarenta Ilhas e corpos máficos intrusivos indiferenciados Área de relevante interesse mineral (Segmento da (DCMUbu) e derrames da Formação Seringa (DCMUvb) Província Aurífera do Tapajós). Presença de lentes e veios de (Figura 13.56). quartzo com ambiência propícia a acumulações de ouro, as quais também são comuns em aluviões. • Potencial geoturístico Densa cobertura de floresta ombrófila densa; o poten- cial geoturístico precisa ser mais bem estudado. DOMíNIO DOS CORPOS MÁFICO- ULTRAMÁFICOS (DCMU) Correspondem a terrenos sustentados por rochas ígneas intrusivas proterozoicas de composição máfico- -ultramáfica, associadas a processo de múltiplas intrusões magmáticas. O domínio é representado, no estado do Amazonas, por três unidades geológico-ambientais: Série máfico- -ultramáfica (DCMUmu), Série básica e ultrabásica (DCMUbu) e Vulcânicas básicas (DCMUvb). Devido à Figura 13.56 - Lajeiro de rocha máfica indiferenciada no rio reduzida expressão areal dessas três unidades, optou-se por Paxiúba (Apuí, AM). Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico da descrevê-las de forma única em relação ao uso e à ocupação Folha Sumaúma (AM), em execução pela CPRM/SGB. de seus solos (Figura 13.55). • Formas de relevo associadas Série máfico-ultramáfica (DCMUmu), Série Unidade DCMUmu: inselbergs e outros relevos resi- básica e ultrabásica (DCMUbu) e Vulcânicas duais (65) e domínio montanhoso (66). básicas (DCMUvb) Unidade DCMUbu: superfícies aplainadas retocadas ou degradadas (67), inselbergs e outros relevos residuais • Características geológicas (68) e morros e serras baixas (69). Corpos maciços intrusivos de rochas máficas ricas Unidade DCMUvb: chapadas e platôs (70), colinas dis- em minerais ferromagnesianos, pouco a moderadamente secadas e morros baixos (71) e morros e serras baixas (72). fraturadas, que abrangem grande diversidade de gabros, • Obras de engenharia Moderada a alta capacidade de suporte de carga do solo, baixa a moderada resistência ao corte e à penetração e boa estabilidade em taludes de corte (solos e perfis de al- teração espessos). Ocorrem rochas frescas a pouco alteradas com moderada a alta resistência ao corte e à penetração, que se alteram de forma heterogênea, deixando blocos e matacões em meio aos solos, havendo necessidade de uso de explosivos e maquinários para a remoção. Exposições rochosas em relevo forte ondulado a íngreme (formas de relevo 65, 66, 68, 69, 71 e 72), com solo de espessura variável. Nas formas de relevo 66, 68, 69, 71 e 72, a susceti- bilidade à erosão é moderada a alta, com atuação frequente de processos de movimentos de massa. • Agricultura Figura 13.55 - Localização das unidades geológico-ambientais Solos normalmente com média a alta fertilidade presentes no domínio DCMU. natural. Terras mecanizáveis nas áreas mais planas dos 200 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO terrenos íngremes. Preservação das áreas mais declivosas. Relevo acidentado nas encostas (Latossolos e Argissolos). Presença de solum (horizonte A+B) pouco espesso. Ocor- rência de pedregosidade e rochosidade associadas a solos rasos (Neossolo Litólico). Ocorrência de concreções laterí- ticas (Plintossolo Pétrico). • Recursos hídricos Favorabilidade hidrogeológica variável, com rochas ho- mogêneas, com porosidade primária por vezes relacionada a estruturas vesiculares. A existência de falhas e fraturas gera porosidade secundária, onde as águas subterrâneas podem ser armazenadas de forma significativa. São aquíferos fissu- rais de potencial bastante irregular: em determinado local, um poço pode ter excelente vazão e, nas imediações, outro poço, de mesma profundidade, pode apresentar-se seco. Figura 13.57 - Localização das unidades geológico-ambientais • Fontes poluidoras presentes no domínio DCGR1. Baixa vulnerabilidade à contaminação, com rochas coesas, com baixa permeabilidade e baixa taxa de infiltração. interesse mineral. O domínio contempla locais de exploração Presença comum de solos argilosos espessos que funcio- mineral que podem vir a ser caracterizados como patrimô- nam como mantos depuradores, protegendo o aquífero. nios geomineiros. As restrições se fazem principalmente em As falhas, fraturas e demais descontinuidades estruturais, função da declividade dos terrenos. quando profundas, podem conduzir rapidamente os con- taminantes aos aquíferos. Séries graníticas alcalinas (DCGR1alc) • Potencial mineral • Características geológicas Ocorrências de cromo, níquel, cobre, cobalto e Corpos de rochas ígneas plutônicas félsicas, maciças, platinoides (formas 65 e 66) que necessitam de estudos isotrópicas, pouco a moderadamente fraturadas, represen- mais detalhados para estabelecimento de seu potencial. tadas por grande diversidade de litotipos, com predomínio Ambiência geológica favorável a mineralizações de ouro, de granitos, sienogranitos, monzograntitos, dioritos e cobre, chumbo e zinco (formas de relevo 67, 68 e 69) e granodioritos; subordinadamente ocorrem granitos com a mineralizações de cobre, platina e ametistas (formas de textura rapakivi e charnoquitos. Compreende as unidades relevo 70, 71 e 72). Os corpos rochosos normalmente são litológicas das suítes intrusivas Igarapé Escondidinho, pouco fraturados, com padrões texturais e propriedades Igarapé Reilau, Inhamoim, Madeira, Maloquinha, Ma- físicas que os habilitam, potencialmente, a serem utilizados puera, Marauiá, Marié-Mirim, Rio Uaupés, Rondônia, São como brita e pedra de cantaria. Lourenço-Caripunas, Serra Curicuriari, Teotônio e Tiquié (Figura 13.58). • Potencial geoturístico Densa cobertura de floresta ombrófila densa. O poten- • Formas de relevo associadas cial geoturístico precisa ser mais bem investigado. Vertentes recobertas por depósitos de encosta (73), superfícies aplainadas conservadas (74), inselbergs e outros DOMíNIO DOS COMPLExOS GRANITOIDES relevos residuais (75), colinas amplas e suaves (76), colinas NÃO DEFORMADOS (DCGR1) dissecadas e morros baixos (77), morros e serras baixas (78) e domínio montanhoso (79). Esse domínio compreende corpos ígneos intrusivos proterozoicos, não ou pouco deformados, constituídos • Obras de engenharia por rochas graníticas de diferentes composições químicas Rochas coesas, recobertas por solos e perfis lateríticos e mineralógicas. com espessura variada, aflorando sob a forma de lajeiros, É representado, no estado do Amazonas, por duas campos de blocos ou faces rochosas em vertentes íngremes. unidades geológico-ambientais: Séries graníticas al- Em geral, apresentam alta capacidade de suporte de carga calinas (DCGR1alc) e Séries graníticas subalcalinas do solo, baixa (solo e rocha alterada) a alta (crosta laterítica (DCGR1salc) (Figura 13.57). e rocha sã) resistência ao corte e à penetração e boa es- Do ponto de vista do uso e ocupação, representa uma tabilidade em taludes de corte. Nas áreas de rocha fresca, importante área do estado, sobretudo em relação ao po- pode haver necessidade de explosivos para remoção. Os tencial mineral, por conter importantes áreas de relevante terrenos íngremes são mais suscetíveis ao desenvolvimento 201 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 13.58 - Afloramento do monzogranito da suíte Figura 13.59b - Aspecto da alteração do monzogranito da suíte rio Uaupés, na margem esquerda do rio Negro (São Gabriel rio Uaupés, nas proximidades da cidade de São Gabriel da Cachoeira, AM). da Cachoeira (AM). de sulcos, ravinas, voçorocas e queda de blocos (formas de relevo 75, 77, 78 e 79). A alteração dessas rochas costuma isolar blocos em meio ao solo, o que pode causar proble- mas com relação às fundações das obras (Figuras 13.59a, 13.59b e 13.59c). • Agricultura Terras mecanizáveis nas áreas mais planas e solos mais profundos (formas de relevo 74 e 76). Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. Preservação das áreas mais declivosas. Baixa fertilidade natural em relevo acidentado (formas 73, 75, 76 e 79) nas encostas (Latossolos e Argissolos); solos com drenagem imperfeita (Plintossolos) e sujeitos a inundações periódicas nas áreas mais baixas (Gleissolos, Neossolos Figura 13.59c - Risco geológico: blocos rochosos em meio ao solo residual (sede municipal de São Gabriel da Cachoeira, AM). Flúvicos e Espodossolos). Presença de solum (horizonte A+B) pouco espesso. Ocorrência de pedregosidade e rochosidade associada a solos rasos (Neossolos Litólicos). • Recursos hídricos Favorabilidade hidrogeológica variável: reservatórios do tipo fissural, com potencial bastante irregular, condicionado à presença de falhas, fraturas e outras descontinuidades. Necessária a utilização de estudos de geofísica (eletrorresistividade) para seleção de locais para perfuração de poços (Figura 13.60). Em geral, águas subterrâneas minera- lizadas, sendo necessário, em alguns casos, Figura 13.59a - Lajeiros e faces rochosas de monzogranito da suíte rio Uaupés o emprego de dessalinizadores para que se (São Gabriel da Cachoeira, AM). prestem ao consumo humano. 202 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 13.61 - Rocha granítica portadora de mineralização de estanho. Detalhe do monzogranito da suíte intrusiva Madeira na mina do Pitinga (Presidente Figueiredo, AM). Figura 13.60 - Perfuração de poço tubular em terreno de rochas ígneas (São Gabriel da Cachoeira, AM). • Fontes poluidoras Baixa vulnerabilidade à contaminação: rochas coesas, pouco fraturadas, com baixa permeabilidade e baixa taxa de infiltração. Presença de solos argilosos espessos que funcionam como mantos depuradores, protegendo o aquífero. Os planos de descontinuidades (foliação, falhas e fraturas), quando presentes, propiciam a percolação de fluidos, podendo conduzir os contaminantes ao lençol freático (formas de relevo 73, 75, 76 e 79). • Potencial mineral Área de relevante interesse mineral (Província Estanífera do Pitinga e segmento da Província Estanífera de Rondônia), Figura 13.62 - Área de relevante interesse mineral: frente de lavra com inúmeras mineralizações: estanho e columbita-tantalita de estanho primário na mina do Pitinga (Presidente Figueiredo, AM). associados aos corpos graníticos Rondônia (Younger Grani- tes) e Marié-Mirim; estanho, nióbio e wolfrâmio nos corpos apresentam belos padrões texturais, indicativos de possível graníticos da Suíte Marauiá; cassiterita-topázio-mica-quart- uso como rocha ornamental (Figura 13.63). zo-greisen e rochas portadoras de estanho, zircão, nióbio, tântalo, ítrio, elementos terra-rara e criolita associados à • Potencial geoturístico Suíte Intrusiva Maloquinha (Figura 13.61). Relevo com alta diversidade de paisagens, com predo- A mina do Pitinga, localizada entre os municípios de mínio de áreas serranas. Áreas com grande beleza cênica, Presidente Figueiredo e Urucará, representa a principal pro- como as corredeiras e cachoeiras do alto rio Negro, as serras víncia estanífera do país, relacionada aos granitos Água Boa do Caburi e da Bela Adormecida e o morro Boa Esperança e Madeira e pláceres das bacias dos rios Pitinga e Uatumã. (Figuras 13.64a, 13.64b e 13.64c). A mina do Pitinga pode O estanho é a substância principal, ocorrendo associado a ser apontada como patrimônio geomineiro. columbita-tantalita, zirconita, criolita, terras-raras e bauxita (Figura 13.62). Séries graníticas subalcalinas (DCGR1salc) Corpos pegmatíticos portadores de berilo, quartzo leitoso e columbita-tantalita na Suíte Intrusiva Serra Curi- • Características geológicas curiari. As exposições rochosas não alteradas podem vir a Corpos de rochas ígneas plutônicas félsicas, maciças, ser utilizadas como brita e pedra de cantaria. Alguns corpos isotrópicas, de composição subalcalina, pouco a moderada- 203 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 13.63 - Potencial mineral: detalhe do padrão textural do Figura 13.64c - Potencial geoturístico: praia fluvial na cidade de monzogranito rio Uaupés, com potencial para ser explorado como São Gabriel da Cachoeira, no rio Negro, com a serra Curicuriari (Bela rocha ornamental (sede municipal São Gabriel da Cachoeira). Adormecida) ao fundo. Fonte: Marcelo Almeida. mente fraturadas, representadas por grande diversidade de litotipos, com predomínio de diorito, granodiorito, tonalito, sienogranito e monzogranito. Compreendem as unidades litológicas das suítes intrusivas Água Branca, Jauari, Parauari e Teles Pires. • Formas de relevo associadas Superfícies aplainadas retocadas ou degradadas (80), inselbergs e outros relevos residuais (81), colinas amplas e suaves (82), colinas dissecadas e morros baixos (83) e domínio montanhoso (84). • Obras de engenharia Alta capacidade de suporte de carga do solo, baixa a moderada resistência ao corte e à penetração e boa Figura 13.64a - Potencial geoturístico: vista do morro da Boa estabilidade em talude de cortes (solos e perfis de altera- Esperança (São Gabriel da Cachoeira, AM). Fonte: Marcelo Almeida. ção espessos). Rochas coesas, não deformadas, pouco a moderadamente fraturadas, em relevo forte ondulado a íngreme, com solos pouco espes- sos ou inexistentes, sendo necessário uso de explosivos para remoção. Quando se alteram, normalmente deixam campos de blocos na superfície ou em meio ao solo (Figuras 13.65a e 13.65b). Os terrenos íngremes são mais sus- cetíveis ao desenvolvimento de sulcos, ravinas, voçorocas e quedas de blocos (formas de relevo 81 e 84). • Agricultura Terras mecanizáveis nas áreas mais planas e com solos mais profundos (formas de relevo 80 e 82). Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. Preser- vação das áreas mais declivosas. Baixa fertilidade natural em relevo aciden- Figura 13.64b - Potencial geoturístico: serra da Bela Adormecida vista do rio tado nas encostas (Latossolos e Argissolos); Negro (São Gabriel da Cachoeira, AM). Fonte: Marcelo Almeida. solos com drenagem imperfeita (Plintossolos) 204 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO baixa permeabilidade e baixa taxa de infiltração. Quando houver solos argilosos espessos, estes funcionam como mantos depuradores, protegendo o aquífero. Os planos de descontinuidades (foliação, falhas e fraturas), quando presentes, propiciam a percolação de fluidos, o que facilita o fluxo dos contaminantes ao lençol freático. • Potencial mineral Essa unidade está contida em área de relevante interes- se mineral, representada por segmento da Província Aurífera do Tapajós. Presença de ouro em aluviões e veios de quartzo associados às rochas graníticas da Suíte Intrusiva Parauari. Possibilidade de corpos graníticos pouco fraturados, com interessantes padrões texturais, virem a ser utilizados como rocha ornamental (Figura 13.66). Figura 13.65a - Campo de blocos graníticos da suíte intrusiva Água Branca (Presidente Figueiredo, AM). Figura 13. 66 - Potencial mineral: detalhe do padrão textural de Figura 13.65b - Blocos rolados de rochas graníticas da suíte granito da suíte intrusiva Água Branca, com potencial para ser intrusiva Água Branca (Presidente Figueiredo, AM). explorado como rocha ornamental (Presidente Figueiredo, AM). e sujeitos a inundações periódicas nas áreas mais baixas • Potencial geoturístico (Gleissolos, Neossolos Flúvicos e Espodossolos). Presença Relevo com diversidade de paisagens. Áreas com de solum (horizonte A+B) pouco espesso. Ocorrência de beleza cênica, com existência de corredeiras, cachoeiras pedregosidade e rochosidade associada a solos rasos (Ne- e serras. ossolos Litólicos). DOMíNIO DOS COMPLExOS GRANITOIDES • Recursos hídricos DEFORMADOS (DCGR2) Favorabilidade hidrogeológica variável, com reservató- rios do tipo fissural. Quando houver falhas e fraturas inter- Esse domínio compreende corpos ígneos intrusivos conectadas, podem se tornar bons aquíferos. Necessária a de composição granítica, que foram submetidos a eventos utilização de estudos de geofísica (eletrorresistividade) para tectônicos durante o Proterozoico, os quais produziram a seleção de locais para perfuração de poços. Em geral, uma série de estruturas deformacionais, como foliações, águas subterrâneas mineralizadas, sendo necessário, em falhas e zonas de cisalhamento. alguns casos, o emprego de dessalinizadores para que se É representado, no estado do Amazonas, por duas prestem ao consumo humano. unidades geológico-ambientais: Granitoides peralumi- nosos (DCGR2pal) e Séries graníticas subalcalinas • Fontes poluidoras (DCGR2salc), as quais, devido à reduzida expressão areal, Baixa vulnerabilidade à contaminação, em função serão descritas de forma única em relação ao uso e à ocu- do predomínio de rochas coesas, pouco fraturadas, com pação (Figura 13.67). 205 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Figura 13.67 - Localização das unidades geológico-ambientais presentes no domínio DCGR2. Figura 13.68 - Afloramento rochoso da suíte intrusiva serra da Providência, no igarapé Vermelho (Apuí, AM). Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico da Folha Sumaúma (AM), em execução Granitoides peraluminosos (DCGR2pal) e pela CPRM/SGB. Séries graníticas subalcalinas (DCGR2salc) tes. Preservação das áreas mais declivosas. Baixa fertilidade • Características geológicas natural e relevo acidentado nas encostas (Latossolos). Onde Corpos de rochas ígneas plutônicas félsicas, que en- a textura é mais argilosa (Argissolos), os solos são sujeitos globam uma grande variedade de granitos deformados por à compactação. eventos tectônicos, sendo frequente a presença de zonas de cisalhamento, porções migmatíticas e foliação gnáissica. • Recursos hídricos Compreende as unidades litológicas das suítes intrusivas Favorabilidade hidrogeológica variável, com reservató- Rio Içana (DCGR2) e Serra da Providência (DCGR2salc). rios do tipo fissural. Quando houver falhas e fraturas interco- nectadas, podem se tornar bons aquíferos. São reservatórios • Formas de relevo associadas de potencial bastante irregular: em determinado local, um Unidade DCGR2pal: superfícies aplainadas conserva- poço pode ter uma boa vazão e, nas imediações, outro poço, das (85), superfícies aplainadas retocadas ou degradadas de mesma profundidade, pode se apresentar seco. Necessária (86) e inselbergs e outros relevos residuais (87). a utilização de estudos de geofísica (eletrorresistividade) para Unidade DCGR2salc: superfícies aplainadas retocadas a seleção de locais para perfuração de poços. ou degradadas (88) e colinas amplas e suaves (89). • Fontes poluidoras • Obras de engenharia Baixa vulnerabilidade à contaminação, com rochas co- Alta capacidade de suporte de carga; baixa a moderada esas, de baixa permeabilidade e taxa de infiltração. Quando resistência ao corte e à penetração e boa estabilidade em houver solos argilosos espessos, estes funcionam como talude de cortes. Ocorrência de rochas coesas, intensamente mantos depuradores, protegendo o aquífero. As falhas, fraturadas e foliadas, sob a forma de elevações rochosas, fraturas e outras descontinuidades (foliação) podem con- campo de blocos e lajeiros (formas de relevo 86, 87 e 88), duzir os contaminantes rapidamente às águas subterrâneas. com alta resistência ao corte e à penetração, sendo neces- sário uso de explosivos para remoção (Figura 13.68). As • Potencial mineral áreas íngremes são desaconselhadas à ocupação, já que Ocorrências de mineralizações de estanho em rochas necessitam de grandes intervenções para a estabilização graníticas da serra da Providência, no município de Mani- dos taludes de cortes: são bastante percolativos e soltam coré. Ocorrências de ouro e columbita-tantalita associadas blocos com facilidade (forma de relevo 87). Possibilidade a aluviões e paleopláceres da Suíte Intrusiva Rio Içana, no de desenvolvimento de ravinas e voçorocas em taludes de município de São Gabriel da Cachoeira. Veios pegmatíticos cortes (formas de relevo 86 e 88). e bolsões mineralizados em turmalina (afrisita) e cordierita ocorrem cortando todo o conjunto rochoso. Ambiência • Agricultura geológica favorável à ocorrência de depósitos de estanho, Terras mecanizáveis nas áreas planas a levemente vanádio, nióbio e tântalo. Ocorrência de rochas com boas onduladas (formas de relevo 85, 86 e 88). Aptas para uso características texturais e mineralógicas que podem vir a ser agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertilizan- utilizadas como brita. 206 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO • Potencial geoturístico Séries graníticas subalcalinas (DCGR3salc) Relevo bastante diversificado, com predomínio de áreas serranas. Áreas com beleza cênica, com corredeiras • Características geológicas e serras (Figura 13.69). Conjunto de rochas originalmente ígneas plutônicas, félsicas, que afloram sob a forma de batólitos intensa- DOMíNIO DOS COMPLExOS GRANITOIDES mente deformados, constituídos dominantemente por INTENSAMENTE DEFORMADOS: monzogranitos finos, microgranitos e subordinados gra- ORTOGNAISSES (DCGR3) nodioritos e granitos submetidos a processos metamór- ficos. Apresenta diferentes estilos deformacionais e grau Os terrenos desse domínio são sustentados por intrusões de metamorfismo médio a alto, com frequente foliação ígneas muito antigas, de idade proterozoica, cujas rochas gnáissica e milonítica. Corresponde à unidade litológica foram submetidas a intensas fases de deformação tectônica, Suíte Intrusiva São Romão. que produziram acentuada foliação e zonas de cisalhamento. O domínio é representado, no estado do Amazonas, por • Formas de relevo associadas uma única unidade geológico-ambiental, denominada Séries Superfícies aplainadas retocadas ou degradadas (90) graníticas subalcalinas (DCGR3salc) (Figura 13.70). e colinas amplas e suaves (91). Essa unidade não apresenta grandes restrições quanto ao uso e à ocupação dos terrenos, sendo indicada para me- • Obras de engenharia lhor levantamento de seu potencial mineral e geoturístico. Alta capacidade de suporte de carga e baixa a mode- rada resistência ao corte e à penetração (solos e perfis de alteração espessos). Possibilidade de ocorrência de rochas muito coesas, anisotrópicas, intensamente fraturadas, sob a forma de campos de blocos e lajeiros, de alta resistência ao corte e à penetração, sendo necessário uso de explosivos para remoção (Figura 13.71). Baixa a moderada suscetibili- dade à erosão, com ocorrências esporádicas de processos de erosão linear acelerada (ravinas e voçorocas). • Agricultura Terras mecanizáveis nas áreas planas a levemente on- duladas. Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. Preservação das áreas mais declivosas. Baixa fertilidade natural (Latossolos) e solos sujeitos à compactação onde a textura é mais argilosa (Argissolos). Figura 13.69 - Atrativo geoturístico: corredeira no rio Negro, em granito da suíte rio Içana (São Gabriel da Cachoeira).Fonte: Marcelo Almeida. Figura 13.71 - Afloramento de rochas da suíte São Romão em afluente da margem esquerda do rio Camaiú (Novo Aripuanã, AM). Figura 13.70 - Localização da unidade geológico-ambiental Fonte: Projeto de Mapeamento Geológico da Folha Sumaúma (AM), presente no domínio DCGR3. em execução pela CPRM/SGB. 207 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS • Recursos hídricos Favorabilidade hidrogeológica variável, com reservató- rios do tipo fissural e potencial bastante irregular, associado à presença de falhas, fraturas e outras descontinuidades estruturais. Em geral, águas subterrâneas mineralizadas, sendo necessário, em alguns casos, o emprego de dessali- nizadores para que se prestem ao consumo humano. • Fontes poluidoras Baixa vulnerabilidade à contaminação, com rochas coesas, de baixa permeabilidade e baixa taxa de infiltração. Quando houver solos argilosos espessos, estes funcionam como mantos depuradores, protegendo o aquífero. As falhas, fraturas e outras descontinuidades (foliação) po- dem conduzir os contaminantes rapidamente às águas subterrâneas. Figura 13.72 - Localização das unidades geológico-ambientais presentes no domínio DCGMGL. • Potencial mineral Ocorrência de depósitos auríferos em aluviões e em veios de quartzo nos municípios de Humaitá, Novo Aripuanã Predomínio de gnaisses ortoderivados, que e Apuí. Presença de concreções ferruginosas, no perfil de podem ou não conter porções migmatíticas alteração, que podem ser empregadas como material de (DCGMGLgno) e Predomínio de gnaisses empréstimo (piçarra). paraderivados, que podem ou não conter porções migmatíticas (DCGMGLgnp) • Potencial geoturístico Área recoberta por floresta ombrófila densa, com • Características geológicas existência de corredeiras. Corpos de rochas originalmente ígneas (DCGMGLg- no) e sedimentares (DCGMGLgnp), polideformadas e DOMíNIO DOS COMPLExOS GRANITO- metamorfizadas em grau médio a alto, representados por GNAISSE-MIGMATíTICOS E GRANULITOS grande variedade de gnaisses e anfibolitos com graus distin- (DCGMGL) tos de migmatização. Correspondem às unidades litológicas dos complexos e suítes metamórficas Cauaburi, Cuiú-Cuiú, São os terrenos geológicos mais antigos do estado Cumati, Jamari, Jauaperi, Santa Izabel do Rio Negro e Tarsira do Amazonas, sustentados por rochas proterozoicas que (DCGMGLgno) e à litofácies Taiaçu-Cauera do Grupu Tunuí sofreram os efeitos da superposição de vários episódios tec- (DCGMGLgnp). São rochas marcadas por notável foliação tônicos sob condições de elevadas temperaturas e pressões. gnáissica e intensa deformação, com a ocorrência de do- Ao longo de sua história evolutiva, as rochas bras complexas, falhas e zonas de cisalhamentos (Figuras existentes nesse domínio fundiram-se, refundiram-se, 13.73a e 13.73b). foram penetradas por material magmático mais novo e sofreram vários eventos deformativos, formadores de • Formas de relevo associadas dobras e porções migmatíticas. Dessa forma, represen- Unidade DCGMGLgno: vertentes recobertas por de- tam atualmente o produto da fusão total ou parcial de pósitos de encosta (92), superfícies aplainadas conservadas rochas preexistentes. (93), superfícies aplainadas retocadas ou degradadas (94), O domínio contempla duas unidades geológico- inselbergs e outros relevos residuais (95), colinas amplas e -ambientais: Predomínio de gnaisses ortoderivados, suaves (96), morros e serras baixas (97), domínio monta- que podem ou não conter porções migmatíticas nhoso (98) e escarpas serranas (99). (DCGMGLgno) e Predomínio de gnaisses paraderiva- Unidade DCGMGLgnp: superfícies aplainadas con- dos, que podem ou não conter porções migmatíticas servadas (100). (DCGMGLgnp), que ocorrem ao norte e ao sul do estado do Amazonas. Na porção sul, na divisa com o estado de • Obras de engenharia Rondônia, ocorre somente a unidade DCGMGLgno, que Alta capacidade de suporte de carga do solo. Resis- representa segmento da Província Estanífera de Rondônia tência ao corte e à penetração variável devido à existência (Figura 13.72). Apesar de origens e composições distintas, de solo, rocha alterada, rocha fresca e perfis de alteração as duas unidades são descritas juntas por apresentarem laterítica em proporções e espessuras variadas, podendo comportamento semelhante frente ao uso e à ocupação ser necessário o uso de explosivos e maquinários para o de seus terrenos. desmonte. 208 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 13.74 - Afloramento de gnaisse alterado da litofácies Tarsira em corte da rodovia BR-307 (São Gabriel da Cachoeira, AM). As exposições rochosas são raras, representadas por afloramentos coesos, anisotrópicos (alternância de bandas ricas em minerais quatzofeldspáticos e micáceos), intensa- mente dobrados e fraturados, geralmente associados às formas de relevo mais íngremes, com solos pouco espessos ou inexistentes. Nesses locais são comuns blocos e lascas de rocha que podem vir a se desestabilizar e descer a encosta. São áreas naturalmente suscetíveis à erosão, com frequentes ocorrências de movimentos de massas: quedas de blocos, Figura 13.73a - Afloramento de biotita-gnaisse deformado, com escorregamentos e corridas de lama (formas de relevo 92, pegmatitos subparalelos, do complexo Cauaburi (São Gabriel da Cachoeira, AM).Fonte: Marcelo Almeida. 95, 97, 98 e 99). Nos sopés das áreas de relevo mais íngreme, é comum a presença de depósitos de encostas, denominados tálus e colúvios, ricos em blocos de rocha muito malselecionados (forma de relevo 92). Já nas áreas mais planas (formas de relevo 93, 94 e 95), a espessura do solo é variável, poden- do ocorrer campos de blocos e lajeiros com exposição da rocha sã. Possibilidade da existência de blocos rochosos (matacões) em meio aos solos, feição problemática para as obras de engenharia. • Agricultura Terras mecanizáveis nas áreas levemente onduladas a onduladas e com solos mais profundos (formas de relevo 93, 94, 96 e 100). Aptas para uso agrícola condicionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. Preservação das áreas mais declivosas. Em geral, os solos possuem baixa Figura 13.73b - Vista de dobras ptigmáticas em ortognaisses fertilidade natural, com relevo acidentado (formas de relevo do complexo Cauaburi (São Gabriel da Cachoeira, AM). 92, 95, 97, 98 e 99) nas encostas (Latossolos); solos com Fonte: Marcelo Almeida. drenagem imperfeita (Plintossolos) e sujeitos a inundações periódicas nas áreas mais baixas (Neossolos Flúvicos, Gleis- Complexa associação de corpos rochosos de grande solos e Espodossolos). Presença de solum (horizonte A+B) anisotropia, com contrastantes características texturais e pouco espesso. Ocorrência de pedregosidade e rochosidade mineralógicas, fator que reflete na variação de seu com- associadas a solos rasos (Neossolos Litólicos). portamento geomecânico e hidráulico, que pode variar tanto em profundidade como lateralmente em função das • Recursos hídricos estruturas presentes e da composição mineralógica das Favorabilidade hidrogeológica variável, com reserva- zonas dobradas nos gnaisses e migmatitos (Figura 13.74). tórios do tipo fissural, com potencial bastante irregular, 209 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS condicionado à existência de falhas, fraturas e outras • Potencial geoturístico descontinuidades estruturais, como foliações. Necessária a Relevo com paisagens diversificadas, de grande be- utilização de estudos de geofísica (eletrorresistividade) para leza cênica, representada por áreas serranas, cachoeiras e a seleção de locais para perfuração de poços. Em geral, corredeiras, como as do rio Curicuriari, afluente do alto rio águas subterrâneas mineralizadas, sendo necessário, em Negro (Figura 13.76). alguns casos, o emprego de dessalinizadores para que se prestem ao consumo humano. • Fontes poluidoras Baixa vulnerabilidade à contaminação: rochas coesas, com baixa permeabilidade e baixa taxa de infiltração. Pre- sença de solos argilosos espessos que funcionam como mantos depuradores, protegendo o aquífero (formas de relevo 93, 94, 96 e 100). Nas áreas com rochas mais deformadas e de relevo mais íngreme, os planos de descontinuidades estruturais presentes (falhas, fraturas e foliações) propiciam a per- colação de fluidos, o que pode conduzir rapidamente os contaminantes ao lençol freático (formas de relevo 92, 95, 97, 98 e 99). • Potencial mineral Ambiência geológica favorável a mineralizações de ouro e polimetálicos associados aos corpos de origem granítica e a aluviões. Parte da unidade DCGMGLgno está Figura 13.76 - Atrativo geoturístico: cachoeira do Caju, no rio inserida em área de relevante interesse mineral, denomi- Curicuriari (São Gabriel da Cachoeira, AM). Fonte: Marcelo Almeida. nada Segmento da Província Estanífera de Rondônia, no município de Lábrea. REFERêNCIAS Apesar de raros, é possível observar lajeiros, campo de blocos e exposições rochosas com características texturais CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil: influência da e mineralógicas que habilitam seu emprego como brita ou geologia dos grandes geossistemas no uso e ocupação pedras de cantaria. Já as porções de rocha alterada podem dos terrenos. Brasília: CPRM, 2006a. 68 p. 1 CD ROM. vir a ser utilizadas como saibro. Ocorrência de expressivas piçarreiras (crostas lateríticas CPRM. Geologia e recursos minerais do estado do desmanteladas), principalmente sobre as rochas gnáissicas, Amazonas: sistema de informações geográficas (SIG). as quais são utilizadas na pavimentação de estradas (Figura Escala 1:1:000.000. Rio de Janeiro: CPRM, 2006b. 1 CD- 13.75). -ROM. Programa Geologia do Brasil: integração, atualiza- ção e difusão de dados da geologia do Brasil. Mapas geológicos estaduais. D’ANTONA R. J. G. et al. Projeto materiais de construção da área Manacapuru- -Iranduba-Careiro (domínio baixo So- limões). Manaus: CPRM, 2007. 161 p. 1 CD-ROM. LONG, J. A. The rise of fishes: 500 million years of evolution. Baltimore: The John Ho- pkins University Press, 1995. 223 p. TEIXEIRA, W. G.; MARTINS, G. C. Caracteri- zação de Terras Pretas de Índio no médio rio Urubu, munícipio de Rio Preto da Eva – AM. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, SUSTENTABILIDADE E QUALIDA- Figura 13.75 - Crosta laterítica desenvolvida sobre gnaisses da litofácies Tarsira. DE AMBIENTAL, 30., 2005, Recife. Anais... Área de antiga piçarreira na rodovia BR-307 (São Gabriel da Cachoeira, AM). Recife: SBCS, 2005. 210 14 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Valter José Marques (valter.marques@cprm.gov.br) Consultoria Técnica, Coordenação dos Grupos, Sinopse e Interpretação dos Resultados Suely Serfaty Marques (suely.serfaty@cprm.gov.br) Assistente de Coordenação e Potencialização das Informações Hugo Galúcio Pereira (hugo.pereira@cprm.gov.br) Coordenação Interinstitucional CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ......................................................................................................... 213 Análise dimensional e cenários da geodiversidade ............................................. 213 Recursos energéticos: demanda e atendimento .............................................. 213 Recursos hídricos superficiais e subterrâneos .................................................. 213 Recursos minerais. ........................................................................................... 214 Uso e ocupação do meio físico ........................................................................ 216 Análise multidimensional integrada ................................................................... 216 Recomendações ................................................................................................. 217 Referências ......................................................................................................... 218 COlabORaDORES InStItUCIOnaIS QUE PaRtICIPaRaM DaS DISCUSSõES SObRE OS CEnÁRIOS DO aMazOnaS: Grupo da Demanda e Desenvolvimento dos Recursos Grupo da Demanda e Reservas dos Recursos Minerais Minerais Energéticos Alexandre Alves de Oliveira – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Auxiliadora Freitas de Goes – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Desenvolvimento Sustentável (SDS) Cláudia Vieira Teixeira – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Cíntia Itakazu Coutinho – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Biocombustíveis (ANP) Estevão Barreto – Confederação das Organizações Indígenas do Danilo Mitre Filho – Defesa do Brasil – Força Aérea Brasileira Amazonas (COIAM) Edmar Lopes Magalhães – Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento João Frederico Cruz – Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) Econômico do Amazonas (SEPLAN) José Maurício Silva Rodrigues – Secretaria de Estado de Ciência e Eliene Guedes Macedo – Centro Universitário Nilton Lins (UNINILTON Tecnologia (SECT) LINS) Lenda Vanessa de Lima Pinheiro – Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) Heleno Andrew José Oliveira da Rocha Quarto – Centro Universitário Luiz Gilberto Dell’Igna – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Nilton Lins (UNINILTON LINS) Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Porto Velho) Hermes da Costa Carvalho – Amazonas Distribuidora de Energia (AmE) Marcelo Pinto – MAPEX Jacó da Silva – Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) Marco Antônio Horbe – Associação Profissional dos Geólogos do Jorge Glauco Costa Nascimento – Sistema de Proteção da Amazônia Amazonas (APROGAM) (SIPAM) Miguel Martins de Souza – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Luis Roberto Pereira da Silva Júnior – Centro Universitário Nilton Lins Desenvolvimento Sustentável (SDS) (UNINILTON LINS) Thennylle Andrade Navarro – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Marcelo Agra de Souza – Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS) Desenvolvimento Sustentável (SDS) Mônia Fernandes – Instituto Chico Mendes de Conservação da Xafi da Silva Jorge João – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Biodiversidade (ICMBio) Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Belém) Nilson Júnior – Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS) Carla Ariany Bruce da Costa – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Renato Mendes Freitas – Superintendência da Zona Franca de Manaus Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) (SUFRAMA) Desaix Paulo Baleiro Silva – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Risalda Januária de Oliveira – Amazonas Distribuidora de Energia (AmE) Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Grupo da Demanda e Qualidade dos Recursos Hídricos José Luiz Marmos – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Superficiais e Subterrâneos Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Alice Maria Costa do Nascimento Amorim – Companhia de Pesquisa de Grupo do Uso e Ocupação do Meio Físico Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional Edith da Silva Barroso – Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) de Manaus) Jane Crespo – Unidade de Gerenciamento do Programa Social e André da Rocha Lima – Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) Ambiental dos Igarapés de Manaus (UGPI) André Luis M. R. dos Santos – Companhia de Pesquisa de Recursos Carmelita Siqueira – Secretaria de Estado de Infraestrutura (SEINF) Minerais/Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Jairo Cleber de Oliveira Pessoa – Companhia de Pesquisa de Recursos Manaus) Minerais/Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Andréa Cristina Souza – Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Manoel Rodrigues Teiceiro Neto – Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS) Daniel Borges Nava – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Maria do Carmo Santos – Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas Desenvolvimento Sustentável (SDS) (IPAAM) Daniele Batista Lopes – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Tazianne Barros Barreto – Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) Desenvolvimento Sustentável (SDS) Silvia Cristina Benites Gonçales – Conselho Regional de Engenharia Emilio Alberto Amaral – Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Arquitetura e Agronomia (CREA/AM) Fábio Figueira Pimentel – Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) Paulo César Teixeira – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Françoise Moura de Jesus – Centro Universitário do Norte (UNINORTE) (EMBRAPA) Hertz Rebelo de Souza – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Milton Bianchini – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Desenvolvimento Sustentável (SDS) Manoel Roberto Pessoa – Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) Sheila Gatinho Teixeira – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Maria do Rosário Rodrigues – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) (EMBRAPA) Evandro Silva Caldeira – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Marlon da Silva Ferreira – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Sustentabilidade (SEMMAS) Ketlen Lissandra Gomes Viana – Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Nailde Martins Andrade – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Renata da Silva Veras – Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Tania Cristina Ribeiro de Oliveira – Companhia de Pesquisa de Recursos Telma Barros Montenegro – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Minerais/Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Serviço Geológico do Brasil (Superintendência Regional de Manaus) Manaus) CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS IntRODUÇÃO meio de suas secretarias estaduais de governo e outros ór- gãos públicos. O resultado prático subsidiou a elaboração A aplicação de técnicas de construção de cenários do presente capítulo. vem se consolidando como ferramenta indispensável ao Os procedimentos metodológicos adotados para a planejamento estratégico. No Brasil, laboratórios de pes- construção dos cenários alternativos apoiaram-se em abun- quisa, governos estaduais e grandes empresas investem dante bibliografia nacional e internacional, destacando-se em estudos dessa natureza, dentre os quais se destaca as abordagens recomendadas por Godet (1985 e 1997), a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Venturieri et al. (2008), Schwartz (1996) e Porto e Buarque Geológico do Brasil (CPRM/SGB), cujas investigações visam (1991; 1997). ao planejamento territorial e aproveitamento dos recursos naturais da geodiversidade. anÁlISE DIMEnSIOnal E CEnÁRIOS Da Assim, no âmbito de sua Diretoria de Hidrologia e GEODIVERSIDaDE Gestão Territorial (DHT), o Serviço Geológico do Brasil, em parceria com outras instituições, vem elaborando estudos Visando à melhor operacionalidade nas discussões de cenários futuros alternativos (prospectivos), com base relativas aos cenários para a geodiversidade do Amazonas, no zoneamento ecológico-econômico e na avaliação estra- representaram-se os componentes ambientais abióticos tégica de recursos minerais. Tal busca advém da certeza de pelos seguintes temas ou dimensões: Energia, Recursos que o futuro é uma construção do presente e, como tal, Hídricos, Recursos Minerais e Uso e Ocupação do Meio será delineado pelas atitudes ou escolhas, a partir das di- Físico. versificadas possibilidades a serem exploradas pelos agentes sociais, públicos e privados. Recursos Energéticos: Demanda Concernente ao estudo exposto a seguir, trata-se de e atendimento diagnose e prognose da Geodiversidade do Estado do Amazonas, no âmbito do Projeto Mapas de Geodiversidade No que concerne à dimensão “Energia”, foram ana- Estaduais, de responsabilidade da CPRM/SGB. Para tanto, lisados os recursos energéticos do estado do Amazonas elaborou-se um curso on the job, com 40 horas de duração, quanto à demanda e atendimento às necessidades de no qual se divulgaram técnicas construtivas de cenários, hidrocarbonetos, mais especificamente no que diz respeito com notável participação da sociedade amazonense, por ao gás natural (Figura 14.1). CENÁRIOS DE DEMANDA E DESENVOLVIMENTO: HIDROCARBONETOS Figura 14.1 - Cenários de demanda e desenvolvimento de hidrocarbonetos (HC) para o estado do Amazonas. 213 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Na matriz morfológica apresentada na Figura 14.1, Mudanças Predeterminadas referente aos cenários de demanda e desenvolvimento para - Aumento da escassez, tanto mundial quanto nacional os hidrocarbonetos no Amazonas, observa-se que: - Aumento da demanda, tanto mundial quanto na- - para os próximos 15 anos, o atendimento dos previ- cional síveis aumentos de energia deverá basear-se, sobretudo, na - Evolução da ciência, tecnologia e informação produção de gás e óleo provenientes da Bacia Sedimentar - Crescimento da economia nacional do Solimões; - Crescimento da economia estadual - um primeiro elemento crítico diz respeito à incorpora- Mudanças Incertas ção dessa visão às políticas públicas e aos planos e projetos - Mudança da cultura do desperdício estruturadores da economia estadual; - Ampliação da governança - nesse sentido, alerta-se para o enfoque estratégico que - Adequação da legislação aplicada aos recursos hí- vier a ser dado à conservação ambiental das grandes exten- dricos da Amazônia sões de floresta ombrófila densa, permitindo-se a exploração Analisadas as probabilidades de combinações mais controlada de seu vasto potencial para hidrocarbonetos; prováveis, alcançou-se o esquema que representa a matriz - como corolário dessa escolha, alerta-se para a im- morfológica dos cenários para os recursos hídricos no es- portância da continuidade das atividades exploratórias, tado do Amazonas (Figura 14.2). que transformem o potencial petrolífero em reservas efeti- Assim, para a dimensão “Recursos Hídricos” no esta- vamente conhecidas. do do Amazonas, como aspectos críticos, salientam-se os Dessa forma, deve-se entender que o bem-estar da seguintes aspectos: sociedade requer adequada distribuição das oportunida- - a legislação nacional não se adequa às condições des e riquezas geradas pelo desenvolvimento econômico. amazônicas, já que estas, em muito, diferem do restante Portanto, devem-se incorporar aos megaprojetos os vastos do território nacional; contingentes populacionais da região, de forma socialmente - a “governança” carece de urgente melhoria, em todos digna e ambientalmente sustentável. os níveis da administração regional; - há necessidade de superação quanto ao desper- Recursos Hídricos Superficiais e Subterrâneos dício de recursos hídricos, fruto de uma época passada caracterizada por baixo povoamento e perfil de consumo Sobre as demandas e atendimentos à água superficial não-industrial. e subterrânea, para obtenção de diagnóstico e prognós- tico mais precisos, sob uma visão ambiental estratégica, Recursos Minerais elaborou-se um exercício de amplo espectro, tomando-se como premissas lógicas as variáveis que se seguem: A análise estratégica do papel dos recursos minerais, Condicionantes de Futuro quanto ao desenvolvimento econômico, social e ambiental - Demanda mundial de água do estado do Amazonas, em uma perspectiva de 15 anos, - Demanda nacional de água revelou como variáveis de controle dos mais prováveis - Características do bioma acontecimentos as seguintes: - Ciência, tecnologia e informação - Crescimento da economia nacional - Crescimento da economia estadual - Cultura do desperdício - Escassez mundial de água - Expansão do agronegócio - Governança - Legislação aplicada à região - Urbanização e industrialização atores - Populações urbanas - Populações rurais - Agropecuaristas - Indústrias de transformação - Cooperativas de extrativistas - Garimpeiros - Madeireiros - Transportadores Elementos Constantes Figura 14.2 - Matriz morfológica dos cenários para os recursos hídricos no estado - Características dos geossistemas do Amazonas. 214 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Condicionantes - Criação de novas áreas de conservação sobre depó- - Contexto econômico (demanda por commodities) sitos minerais nacional e internacional - Mudanças na nova legislação mineral, ora em dis- - Vinculação estratégica (papel) dos recursos minerais cussão para o desenvolvimento sustentável da Amazônia - Implantação de infraestrutura energética forte, - Implantação de uma logística com adequada infra- apoiada na exploração do gás natural estrutura - Melhoria do conhecimento geológico, como pré- atores -condição para o aumento dos investimentos em exploração - Indústria extrativista mineral mineral e consequente surgimento de novas descobertas - Indústria de transformação mineral - Implementação do Zoneamento Ecológico-Econômi- - Garimpeiro = extrativista mineral co (ZEE) do estado do Amazonas - Organizações Não-Governamentais (ONGs) Associando-se a hierarquia dos atores sociais, e suas - Sociedade organizada: sindicatos e outras formas possíveis alianças, aos elementos condicionantes da realida- de associação de atual e àqueles que deverão surgir e influir no território, - Comunidades indígenas no período analisado (próximos 15 anos), cotejados com as Elementos Estruturantes mais prováveis ocorrências de incertezas críticas, chegou- - Existência de importantes reservas minerais de classe -se à elaboração do diagrama ou matriz morfológica dos mundial cenários para os recursos minerais do estado do Amazonas - Potencialidade geológica para novas descobertas (Quadro 14.1). Elementos Constantes A análise exposta valoriza, primeiramente, o papel da - Aumento das pressões ambientais por melhores governança como elemento capaz de ordenar adequada- padrões de sustentabilidade mente a ocupação do território, legislar sobre os processos - Declínio das atividades extrativistas minerais (garim- produtivos e distribuir os benefícios do crescimento econô- pagem) mico. Em seguida, há de se enfatizar as políticas públicas - Carência de capital humano, implicando crescentes que visem à implantação de uma adequada infraestrutura orçamentos para treinamento e capacitação de transporte, educação e tecnologias, bem como de dispo- Mudanças Predeterminadas nibilidade energética, capazes de permitir a verticalização e - Aumento da demanda por commodities minerais, o adensamento das cadeias produtivas de origem mineral. em nível regional, nacional e internacional A adoção de tecnologias ambientalmente adequa- - Implementação de políticas com foco na agregação das, tanto na exploração como na transformação mineral, de valor aos bens primários, sobretudo pela verticalização aparece como o terceiro elemento da estruturação da de cadeias produtivas sustentabilidade do setor. - Implantação de políticas públicas voltadas para a Políticas públicas voltadas para a desconcentração desconcentração urbana, sobretudo na capital (Manaus), populacional, hoje concentrada em Manaus, poderão ter por meio da fixação das populações no interior do estado nas atividades minerais um adequado suporte econômico, - Aproveitamento dos coprodutos do principal bem mi- capaz de viabilizá-las economicamente. neral explorado, afetando diretamente a formação de outras Destaca-se a observância da educação ambiental como cadeias produtivas e diminuindo os impactos ambientais complemento indispensável à sustentabilidade das ativida- - Novas tecnologias críticas para redução dos custos e des minerais, uma vez que ela representa parte importante aumento da produtividade do capital humano, fundamental em atividades impactan- - Mudança de valores na indústria, com maior abertura tes sobre o meio ambiente. Finalmente, alerta-se para a ao diálogo e maior comprometimento ambiental e social importância que o setor mineral deve atribuir à proteção - Aumento da influência das ONGs, embora com perda dos mananciais hídricos, cuja contaminação representa os de credibilidade potenciais elementos de impacto negativo decorrentes de - Reestruturação das empresas, com melhoria das suas atividades. práticas exploratórias - Mudanças de postura dos poderes públicos, valori- Uso e Ocupação do Meio Físico zando-se as atividades minerais - Aumento progressivo do valor da geodiversidade Com respeito aos impactos ambientais e à qualidade Mudanças Incertas do meio físico, o diagnóstico e os prognósticos exigem um - Flutuação dos preços das commodities minerais amplo espectro de considerações, na maioria das vezes - Novas descobertas mundiais capazes de afetar os específicas de cada região (estado) sob análise. preços das mercadorias As variáveis concernentes a essa dimensão, para ava- - Inovações tecnológicas liação dos cenários, assim foram agrupadas: - Desbloqueio da mineração em áreas indígenas e atores outras com restrições - População urbana 215 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Quadro 14.1 - Matriz morfológica dos cenários para os recursos minerais do estado do Amazonas. Incertezas Críticas Hipóteses Elevação do preço por incremento de deman- Depressão do preço pelo aumento de oferta Flutuação no preço das commodities minerais da ou exaustão de reservas. ou emprego de substitutivos. Direcionamento de inversões financeiras Conhecimento geológico para novas desco- Estagnação do conhecimento com perda de para aumentar os níveis de oferta com bertas de jazidas minerais atratividade para o minebusiness. competitividade. Estabelecimento de um retrocesso em pes- As novas tecnologias e o aumento de pro- quisa, desenvolvimento e investimento. Inovações tecnológicas dutividade serão críticos para redução de Redução do ritmo ótimo de lavra com custos com crescente automação. consequências econômicas e sociais. Legislação moderna com atratividade para Legislação moderna sem atratividade para o Nova legislação mineral e desbloqueio da o minerador e vantagens para os superfi- minerador e prejuízo para os superficiários. mineração em terras indígenas e unidades ciários, via royalties. Pressão contrária por Tendência ambiental e indigenista para de conservação parte dos atores ambientais e indigenistas. alargar e criar áreas restritivas. Moderado interesse decorrente do simples Forte pressão para oferta energética Implantação de infraestrutura energética extrativismo para exportações de commodi- abundante e barata (gás) para provocar a forte apoiada no gás natural ties in natura. verticalização mineral no estado. Implementação do ZEE do estado do Independe das incertezas e das variáveis Independe das incertezas e das variáveis Amazonas determinantes. determinantes. Surfando na Onda O estado internalizará: Patinando no Gelo 1. Cultura mineral O estado cristalizará: 2. Maior dinâmica econômica 1. Economia dependente da Zona Franca Cenários 3. Geração de emprego e renda de Manaus (ZFM) 4. Maior Índice de Desenvolvimento 2. Renda e emprego na capital Humano (IDH) nos municípios mineradores 3. A atual linha de pobreza nas áreas rurais 5. Tendência ao equilíbrio da balança 4. O déficit da sua atual balança comercial comercial - Populações rurais - Arcabouço jurídico-institucional frágil - Ribeirinhos Elementos Constantes - Indígenas - Abundância de recursos hídricos para abastecimento - Agropecuaristas e dispersão de poluentes - Indústrias de transformação - Concentração urbana - Cooperativas de extrativistas - Elevados custos do tratamento das águas fluviais - Garimpeiros (águas negras) - Madeireiros - Incapacidade de o estado atender às carências sociais, - Lideranças religiosas segundo os modelos clássicos vigentes - Militares Mudanças Predeterminadas Elementos Estruturantes - Crescimento vegetativo da população - Insuficiência de capital humano (educação, cultura - Aumento das demandas por melhores condições e domínio de tecnologias) de vida - Cadeias produtivas não abrangem grandes contin- Mudanças Incertas (Incertezas Críticas) gentes populacionais, que habitam nas periferias excluídas - Melhoria da governança dos benefícios do crescimento econômico - Melhoria da infraestrutura - Insuficiência de infraestrutura urbana, destacando-se - Taxas de imigração e emigração o abastecimento hídrico e o saneamento básico - Incorporação de novas tecnologias, ambientalmente - Processo de intensa urbanização de populações, favoráveis: economia de carbono e contaminação minimizada sem a adequada educação com respeito ao novo tipo de - Implementação de programas de educação ambiental ambiente - Políticas de conservação dos recursos hídricos - No interior, populações rurais rarefeitas dispersam-se As discussões realizadas, conjugando-se os diversos sobre um grande território elementos supramencionados, permitiram a elaboração da - Mobilidade populacional, com entrada e saída de matriz morfológica dos cenários para o uso e ocupação do pessoas de outras regiões do país e do exterior meio físico do estado do Amazonas (Quadro 14.2). 216 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Quadro 14.2 - Matriz morfológica dos cenários para uso e ocupação do meio físico do estado do Amazonas. Hipóteses Incertezas Críticas Melhorias Possíveis Melhorias Modestas Sem Melhorias Governança Elevada Modesta Estagnada Infraestrutura Estruturada Melhorias modestas Estagnada Inovação tecnológica Grande Mediana Pequena Migração para Manaus Limitada Moderada Crescente Educação ambiental Priorizada Modesta Fraca Conservação Políticas públicas Políticas públicas fortes Sem políticas públicas dos recursos hídricos somente regulares a: b: C: Decolando para um futuro Perda de oportunidade: trans- Insustentabilidade: Perdas das Cenários Possíveis desejável por meio de sensíveis formações insuficientes ainda existentes vantagens mudanças (cena) atuais comparativas. anÁlISE MUltIDIMEnSIOnal IntEGRaDa Quarta Incerteza Crítica (Mudanças Climáticas): Até que ponto as políticas ambientais em prol da redução A análise de todas as dimensões expostas valoriza, do aquecimento global, em nível internacional e nacional, sobremaneira, o papel da governança como elemento ca- evoluirão no futuro próximo, afetando o modelo de desen- paz de ordenar adequadamente a ocupação do território, volvimento da Amazônia? organizar os processos produtivos, proteger os ecossiste- Quinta Incerteza Crítica: Como será a demanda de mas, especialmente as águas, e distribuir os benefícios do recursos latu sensu da geodiversidade (recursos minerais, crescimento econômico. águas, espaço etc.) nos possíveis cenários alternativos? Por outro lado, a análise permitiu que se visualizassem À exceção da primeira, as demais incertezas críticas as principais incertezas sobre os acontecimentos futuros, provêm de ordem externa e, portanto, situam-se fora da ou seja, as incertezas críticas que poderão afetar a evolução governabilidade local. Além disso, deve-se levar em con- dos sucessivos cenários, segundo uma ordenação lógica. sideração, em nível local, o comportamento de diversas Desse modo, propõem-se políticas públicas centradas variáveis mencionadas no âmbito da presente cenarização não somente na visão dos futuros desejados e mais prová- (20-25 anos), tais como: veis, como também que atendam aos possíveis percalços e - Melhorias tecnológicas (possíveis) oportunidades que, embora ainda não revelados, poderão - Melhoria no grau de educação ambiental configurar obstáculos ou oportunidades que não podem - Mudanças na legislação ambiental, tornando-a mais ser negligenciadas. coerente com a realidade regional Estabeleceram-se, por conseguinte, as incertezas e - Verticalização das cadeias produtivas as prioridades/opções de alvo para as políticas públicas, Deve-se ter em mente que, embora essas variáveis se segundo uma ordem lógica, visando a um futuro desejável situem no âmbito da governabilidade, existe uma limitação ou “utopia possível”. do seu alcance, haja vista o horizonte de tempo analisado. Primeira Incerteza Crítica: Haverá melhoria na O que parece ser tendencial, até o momento, é o seguinte: governabilidade? Em que grau? Conceitua-se governa- - Algumas melhorias, não profundas, na governabili- bilidade, no caso, como a capacidade de sociedade que dade até o final do período analisado. ocupa o território analisado prever, planejar e implantar - Aumento constante da pressão sobre os recursos da políticas públicas. geodiversidade, em função da demanda mundial e nacional Segunda Incerteza Crítica: Os modelos econômicos, e de sua disponibilidade na região, o que vai de encontro em nível mundial, nacional e local, sofrerão mudanças? Em à sustentabilidade ambiental, mas que será provavelmente que grau? Entende-se como modelo econômico o perfil contrabalançado pelas melhorias no campo da educação qualitativo das demandas por bens primários e transfor- e cultura, legislação e adoção de melhores tecnologias. mados e seus quantitativos. - Melhoria moderada nos campos da educação ambien- terceira Incerteza Crítica: Como se comportará o tal e na cultura empresarial até o final do período cenarizado. atual movimento migratório (crescimento populacional) - Melhoria sensível da atual legislação ambiental no para a Região Norte e o estado do Amazonas, em particular? prazo de 5-10 anos. De que forma se comportará a atual tendência do aumento - Progressiva melhoria das tecnologias empregadas da urbanização? nos processos econômicos. 217 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS - Progressiva verticalização das cadeias produtivas de grande valor econômico para o abastecimento humano, durante o período analisado. demandando urgentes providências para sua conservação. - O aumento da população, associado às tendências Há de se considerar, ainda, a importância que a pre- de aquecimento global, deverá acarretar um incremento servação dos ecossistemas amazônicos representa para a nos desastres naturais (enchentes, sobretudo), o que so- manutenção da estabilidade climática do restante do país, mente poderá se contrabalançado por um programa de sobretudo para as regiões Centro-Oeste e Sudeste. planejamento do uso do território com base em estudos Quanto ao uso do território, em concordância com da geodiversidade de detalhe em áreas críticas (expansão uma análise global feita pela International Union of Geo- e consolidação). logical Sciences (IUGS), há de se ressaltar: É pouco provável que o país venha a prescindir da - Uma porção substancial da população reside em apropriação dos importantes recursos da geodiversidade áreas com significativo risco de ocorrência de desastres revelados nas últimas décadas e, portanto, faz-se mister naturais (destacando-se, no caso do Amazonas, as cheias). um grande esforço de planejamento e adoção de políticas - A cultura mundial e nacional dominante empreen- públicas em prol da sustentabilidade. de um foco muito maior às consequências dos desastres É necessário que a sociedade local amplie seu poder naturais ao invés de atacar suas causas, com prevenções e de responder, dentre outros, aos desafios aqui analisados, mitigações, o que repercute na multiplicação dos custos. A aperfeiçoando sua capacidade de planejar, bem decidir e propósito, a CPRM/SGB desenvolveu no estado do Amazonas implantar projetos voltados ao desenvolvimento sustentá- um programa de monitoramento de cheias; mas, com o vel. Nesse sentido, as técnicas aqui utilizadas poderão se progressivo aumento da população do estado e a ampliação constituir em ferramenta poderosa. das atividades econômicas, esse programa necessitará de ampliação e aprimoramento. RECOMEnDaÇõES - A pouca educação e conhecimento das questões ambientais do ponto de vista dos desastres naturais impe- Do ponto de vista dos recursos minerais, o estado do dem a sua prevenção, exacerbando suas perdas humanas Amazonas apresenta um elevado potencial, o que permite e econômicas quando eles inevitavelmente ocorrem. prever que o seu desenvolvimento social e econômico Para redução das incertezas sobre a ocorrência de desas- passe pelo aproveitamento desses recursos, não obstante tres naturais, sobremaneira para sua prevenção e mitigação, o estado esteja na dependência da adoção de uma série recomenda-se que se implementem projetos envolvendo profissionais com amplo conhecimento dos processos ge- de providências que permitam que tal aproveitamento dê ológicos que dão origem a desastres nas regiões de risco. origem a novos eixos de desenvolvimento econômico-social. Por sua dimensão e características estratégicas, des- REFERÊnCIaS tacam-se os depósitos de alumínio e caulim, cuja correta exploração poderá diversificar o polo industrial de Manaus GODET, M. Manuel de prospective stratégique: une e viabilizar novos polos econômicos e de alocação popu- indiscipline intelectuel. Paris: Dunod, 1997. v. 1. lacional do estado, hoje perigosamente concentrada em torno da capital. GODET, M. Prospective et planification stratégique. A diversidade de recursos minerais, sobremaneira Paris: CPE, 1985. quanto às mineralizações de nióbio, tântalo e elementos terras-raras, associadas a complexos de rochas alcalinas, PORTO, C.; BUARQUE, S. C. (Org.). Macrocenários poderá representar uma vantagem comparativa em face mundiais, nacionais e do Mercosul: horizonte 2020. do surgimento de novas tecnologias que visam a romper Rio de Janeiro: Macroplan, 1997. com os paradigmas de consumo de combustíveis fósseis. Por seu turno, a ambiência geológica favorável para PORTO, C.; BUARQUE, S. C. Construção de cenários e petróleo e gás, no eixo dos rios Solimões e Amazonas, prospecção de futuros. Recife: Litteris, 1991. revela-se de grande importância estratégica para a matriz energética do estado, com realce para a comprovada SCHARTZ, P. the art of long view: planning for the futu- potencialidade geológica para jazimentos de gás e à alta re in an uncertain world. USA: Currency Doubleday, 1996. qualidade do petróleo que o acompanha. Do ponto de vista ambiental, as águas superficiais re- VENTURIERI, Adriano; MARQUES, Valter José; DEL presentam outro extraordinário recurso natural a ser susten- PRETTE, Marcos Estevan (Ed.). Cenários 2020 para a tavelmente explorado, com enfoque no transporte de baixo área de influência da bR-163. Projeto Zoneamento custo e impacto e nos serviços ambientais e ecológicos. Ecológico-Econômico da BR-163. Ministério da Integra- Para atender à Região Metropolitana de Manaus, as águas ção/Agência de Desenvolvimento da Amazônia. Belém: subterrâneas contidas nas bacias sedimentares se revestem Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2008. 67 p. 218 APÊNDICE I UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Ambiente de planícies aluvionares recentes – Material inconsolidado e de espessura variável. DCa Da base para o topo, é formado por cascalho, areia e argila. Ambiente de terraços aluvionares – Material inconsolidado a semiconsolidado, de espessura DCta variável. Da base para o topo, é formado por cascalho, areia e argila. Ambiente fluviolacustre – Predomínio de sedimentos arenosos, intercalados com camadas DCfl argilosas, ocasionalmente com presença de turfa. Ex.: Fm. Içá. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS INCONSOLIDADOS OU POUCO CONSOLIDADOS, DC Ambiente lagunar – Predomínio de sedimentos DCl DEPOSITADOS EM MEIO AQUOSO. argilosos. Ambiente paludal – Predomínio de argilas DCp orgânicas e camadas de turfa. Ambiente marinho costeiro – Predomínio DCmc de sedimentos arenosos. Ambiente misto (Marinho/Continental) – Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, DCm argilosos, em geral ricos em matéria orgânica (mangues). Colúvio e tálus – Materiais inconsolidados, de DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCICT granulometria e composição diversa proveniente DCICT INCONSOLIDADOS DO TIPO COLUVIÃO E TÁLUS. do transporte gravitacional. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS INDIFERENCIADOS CENOZOICOS RELACIONADOS A RETRABALHAMENTO DE OUTRAS ROCHAS, GERALMENTE ASSOCIADOS A SUPERFÍCIES Relacionado a sedimentos retrabalhados de outras DE APLAINAMENTO. DCSR rochas – Coberturas arenoconglomeráticas e/ DCSR ou síltico-argilosas associadas a superfícies de Obs.: Engloba as coberturas que existem na aplainamento. zona continental e representam uma fase de retrabalhamento de outras rochas que sofreram pequeno transporte em meio não aquoso ou pouco aquoso. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS PROVENIENTES DA ALTERAÇÃO DE ROCHA IN SITU COM GRAU DE ALTERAÇÃO VARIANDO DCEL Sedimentos eluviais. DCEL DE SAPRÓLITO A SOLO RESIDUAL, EXCETO AS LATERITAS. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCB Plataforma continental – recifes. DCBr BIOCLÁSTICOS. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCE Dunas móveis – Material arenoso inconsolidado. DCEm EÓLICOS. 3 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAzONAS DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCE Dunas fixas – Material arenoso fixado DCEf EÓLICOS. pela vegetação. Depósitos fluviais antigos – Intercalações DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCF de níveis arenosos, argilosos, siltosos DCFa SEMICONSOLIDADOS FLUVIAIS. e cascalhos semiconsolidados. Ex.: Formação Pariquera-Açu. Depósitos detrito-lateríticos – Provenientes de processos de lateritização em rochas de DCDL composições diversas sem a presença de crosta. DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS DCDL DETRITO-LATERÍTICAS. Horizonte laterítico in situ – Proveniente de processos de lateritização em rochas de DCDLi composições diversas formando crosta. Ex.: Crostas ferruginosas. Depósitos detrito-carbonáticos – Provenientes de DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS DCDC processos de lateritização em rochas carbonáticas. DCDC DETRITO-CARBONÁTICAS. Ex.: Formação Caatinga. Predomínio de sedimentos arenosos. Ex.: Sedimentos associados a pequenas bacias continentais do tipo rift, como as bacias de DCMRa Curitiba, São Paulo, Taubaté, Resende, dentre outras. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E MESOZOICOS POUCO A MODERADAMENTE DCMR CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PEQUENAS Predomínio dos sedimentos síltico-argilosos. DCMRsa BACIAS CONTINENTAIS DO TIPO RIFT. Calcários com intercalações síltico-argilosas. DCMRcsa Ex.: Formação Tremembé. Alternância irregular entre camadas de sedimentos DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCT de composição diversa (arenito, siltito, argilito e POUCO A MODERADAMENTE CONSOLIDADOS, DCT cascalho). ASSOCIADOS A TABULEIROS. Ex.: Formação Barreiras. Predomínio de sedimentos arenoargilosos e/ou síltico-argilosos de deposição continental lacustrina DCMld DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E deltaica, ocasionalmente com presença de linhito. MESOZOICOS POUCO A MODERADAMENTE Ex.: Formação Solimões.DCM CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PROFUNDAS E EXTENSAS BACIAS CONTINENTAIS. Predomínio de sedimentos arenosos de deposição continental, lacustre, fluvial ou eólica – arenitos. DCMa Ex.: Formação Urucuia. Predomínio de calcário e sedimentos síltico- DSMc argilosos. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES Predomínio de sedimentos quartzoarenosos e MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS DSM conglomeráticos, com intercalações de sedimentos DSMqcg CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS síltico-argilosos e/ou calcíferos. CONTINENTAIS (RIFT). Predomínio de sedimentos síltico-argilosos, com alternância de sedimentos arenosos e DSMsa conglomeráticos. 4 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Intercalações de sedimentos síltico-argilosos e DSMsaq DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES quartzoarenosos. MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS DSM CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS CONTINENTAIS (RIFT). Intercalação de sedimentos síltico-argilosos e DSMscv camadas de carvão. Predomínio de sedimentos arenosos DSVMPa malselecionados. Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição eólica. DSVMPae Ex.: Arenito Botucatu. Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição mista (eólica e fluvial). DSVMPaef Ex.: Fm. Rio do Peixe, Fm. Caiuá. Predomínio de arenitos e conglomerados. DSVMPacg Predomínio de arenitos a arenitos cauliníticos. DSVMPac Ex.: Fm. Alter do Chão. DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES Intercalações de sedimentos arenosos, síltico- E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS E DSVMPasafargilosos e folhelhos. PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES DSVMP E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES DEPOSICIONAIS: Predomínio de sedimentos síltico-argilosos CONTINENTAL, MARINHO, DESÉRTICO, GLACIAL E DSVMPsaacom intercalações arenosas. VULCÂNICO). Predomínio de arenitos vulcanoclásticos (tufos DSVMPav cineríticos). Predomínio de sedimentos síltico-argilosos e DSVMPsaacv arenosos, contendo camadas de carvão. Intercalações de paraconglomerados (tilitos) e DSVMPcgf folhelhos. Predomínio de sedimentos síltico-argilosos e DSVMPsaca calcários com intercalações arenosas subordinadas. Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, DSVMPasac síltico-argilosos e calcários. 5 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAzONAS DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Intercalações irregulares de sedimentos arenosos e síltico-argilosos com finas camadas de evaporitos DSVMPasaec e calcários. Predomínio de rochas calcárias intercaladas com DSVMPcsa finas camadas síltico-argilosas. DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS E Arenitos, conglomerados, tilitos e folhelhos. DSVMPactf PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE Ex.: Grupo Curuá. CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES DSVMP E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES DEPOSICIONAIS: Arenitos, conglomerados, siltitos, folhelhos e CONTINENTAL, MARINHO, DESÉRTICO, GLACIAL E calcário. DSVMPacsfc VULCÂNICO). Ex.: Grupo Alto Tapajós. Predomínio de sedimentos síltico-argilosos intercalados de folhelhos betuminosos e calcários. DSVMPsabc Ex.: Formação Irati. Predomínio de arenitos e intercalações de pelitos. DSVMPap Ex.: Formação Utiariti. Predomínio de intrusivas na forma de gabros e DVMgd diabásio. DOMÍNIO DO VULCANISMO FISSURAL MESOZOICO Predomínio de basaltos. DVMb DO TIPO PLATÔ. DVM Ex.: Basaltos da Bacia do Paraná e do Maranhão e Diques Básicos; Basalto Penetecaua, Kumdku. Predomínio de basalto com intertraps subordinadas DVMba de arenito. Predomínio de riolitos e riodacitos. DVMrrd Indeterminado. DCAin Tufo, brecha e demais materiais piroclásticos. DCAtbr DOMÍNIO DOS COMPLEXOS ALCALINOS INTRUSIVOS E EXTRUSIVOS, DIFERENCIADOS DO TERCIÁRIO, MESOZOICO E PROTEROZOICO. DCA Série subalcalina (monzonitos, quartzomonzonitos, Ex.: Alcalinas do Lineamento de Cabo Frio, Lajes. DCAsbalcmangeritos etc.). Série alcalina saturada e alcalina subsaturada (sienito, quartzossienitos, traquitos, nefelina DCAalc sienito, sodalita sienito etc.). 6 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO DOMÍNIO DOS COMPLEXOS ALCALINOS INTRUSIVOS E EXTRUSIVOS, DIFERENCIADOS DO Gabro, anortosito, carbonatito, dique de TERCIÁRIO, MESOZOICO E PROTEROZOICO. DCA DCAganc lamprófiro. Ex.: Alcalinas do Lineamento de Cabo Frio, Lajes. Predomínio de rochas sedimentares. DSVEs DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES E VULCANOSSEDIMENTARES DO EOPALEOZOICO, ASSOCIADAS A RIFTS, NÃO OU POUCO DSVE Sequência vulcanossedimentar. DSVEvs DEFORMADAS E METAMORFIZADAS. Ex.: Grupo Camaquã, Fm. Campo Alegre Predomínio de vulcânicas. DSVEv Predomínio de sedimentos arenosos e conglomeráticos, com intercalações subordinadas DSP1acgsa de sedimentos síltico-argilosos. Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e formações ferríferas e DSP1asafmg DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES manganesíferas. PROTEROZOICAS, NÃO OU MUITO POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS. CARACTERIZADAS POR UM EMPILHAMENTO Predomínio de sedimentos síltico-argilosos, DE CAMADAS HORIZONTALIZADAS E SUB- com intercalações subordinadas de arenitos e DSP1saagr HORIZONTALIZADAS DE VÁRIAS ESPESSURAS, metarenito feldspático. DE SEDIMENTOS CLASTOQUÍMICOS DE VÁRIAS DSP1 COMPOSIÇÕES E ASSOCIADOS AOS MAIS DIFERENTES AMBIENTES TECTONODEPOSICIONAIS. Rochas calcárias com intercalações subordinadas DSP1csaa de sedimentos síltico-argilosos e arenosos. Ex.: Fms. Palmeiral, Aguapeí, Dardanelos, Prosperança, Ricardo Franco, Roraima, Beneficente, Jacadigo e Cuiabá. Diamictitos, metarenitos feldspáticos, sedimentos DSP1dgrsa arenosos e síltico-argilosos. Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com DSP1sac intercalações subordinadas de rochas calcárias. Predomínio de vulcanismo ácido a intermediário. DSVP1va DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS Predomínio de vulcanismo básico. DSVP1vb VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS, NÃO OU POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS. DSVP1 Ex.: Fms. Uatumã, Uailã e Iriri. Sequência vulcanossedimentar. DSVP1vs Vulcanismo ácido a intermediário e intercalações de metassedimentos arenosos e síltico-argilosos e DSVP1vaa formações ferríferas e/ou manganesíferas. 7 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAzONAS DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD.DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Metarenitos, quartzitos e metaconglomerados. DSP2mqmtc Predomínio de metarenitos e quartzitos, com intercalações irregulares de metassedimentos DSP2mqsafmg síltico-argilosos e formações ferríferas ou manganesíferas. Intercalações irregulares de metassedimentos DSP2msa arenosos e síltico-argilosos. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES PROTEROZOICAS DOBRADAS, METAMORFIZADAS DSP2 Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, DSP2sag EM BAIXO A MÉDIO GRAU. com intercalações de metarenitos feldspáticos. Intercalações irregulares de metassedimentos arenosos, metacalcários, calcossilicáticas e xistos DSP2mcx calcíferos. Predomínio de metacalcários, com intercalações subordinadas de metassedimentos síltico-argilosos DSP2mcsaa e arenosos. Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com DSP2saa intercalações subordinadas de arenitos. Indiferenciado. DSVP2in Predomínio de quartzitos. DSVP2q Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, DSVP2x representados por xistos. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS Predomínio de rochas metacalcárias, VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS DSVP2 com intercalações de finas camadas de DSVP2csa DOBRADAS METAMORFIZADAS DE BAIXO A ALTO metassedimentos síltico-argilosos. GRAU. Metacherts, metavulcânicas, formações ferríferas e/ou formações manganesíferas, metacalcários, DSVP2vfc metassedimentos arenosos e síltico-argilosos. Metarenitos feldspáticos, metarenitos, tufos e DSVP2gratv metavulcânicas básicas a intermediárias. Predomínio de rochas metabásicas e DSVP2bu metaultramáficas. 8 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Metacherts, metarenitos, metapelitos, vulcânicas básicas, formações ferríferas e formações DSVP2af manganesíferas. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS Metarenitos, metachert, metavulcânicas ácidas DSVP2 DOBRADAS METAMORFIZADAS DE BAIXO A ALTO a intermediárias, formações ferríferas e/ou DSVP2avf GRAU. manganesíferas. Predomínio de vulcânicas ácidas. DSVP2va Sequência vulcânica komatiitica associada a talco- xistos, anfibolitos, cherts, formações ferríferas e DGBko metaultrabasitos. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS Predomínio de sequência sedimentar. DGBss VULCANOSSEDIMENTARES TIPO GREENSTONE BELT, ARQUEANO ATÉ O MESOPROTEROZOICO. DGB Ex.: Crixás, Araci, Rio das Velhas, Natividade e Rio Sequência vulcanossedimentar, com alta Maria. participação de metavulcânicas ácidas e DGBvai intermediárias. Sequência vulcanossedimentar. DGBvs Série máfico-ultramáfica (dunito, peridotito etc.). DCMUmu DOMÍNIO DOS CORPOS MÁFICO-ULTRAMÁFICOS (SUÍTES KOMATIITICAS, SUÍTES TOLEÍTICAS, Série básica e ultrabásica (gabro, anortosito etc.). DCMUbu COMPLEXOS BANDADOS). DCMU Ex.: Cana Brava, Barro Alto e Niquelândia. Básicas e Ultrabásicas Alcalinas e Vulcanismo Vulcânicas básicas. DCMUvb Associado. Metamáficas, anfibolitos e gnaisses calcissilicáticos. DCMUmg Associações charnockíticas. Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR1ch Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio. Séries graníticas peralcalinas. DCGR1palc DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES NÃO Ex.: Granitos alcalinos a riebckita e arfvedsonita.DCGR1 DEFORMADOS. Séries graníticas alcalinas. Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos, DCGR1alc quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos, alcalissienitos etc. Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita. 9 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAzONAS DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos, DCGR1salc tonalitos, dioritos, quartzomonzonitos, monzonitos etc. Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, titanita, epidoto. Granitoides peraluminosos. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES NÃO etc. DCGR1palDCGR1 DEFORMADOS. Minerais diagnósticos: muscovita, granada, cordierita, silimanita, monazita, xenotima. Série shoshonítica. Ex.: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc. DCGR1sho Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou hiperstênio, anfibólio e plagioclásio. Indeterminado. DCGR1in Associações charnockíticas. Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR2ch Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio. Séries graníticas peralcalinas. DCGR2palc Ex.: Granitos alcalinos a riebckita e arfvedsonita. Séries graníticas alcalinas. Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos, DCGR2alc quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos, alcalissienitos etc. Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita. Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES e toleíticas.DCGR2 DEFORMADOS. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos, DCGR2salc tonalitos, quartzomonzodioritos, dioritos quartzomonzonitos, monzonitos etc. Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, titanita, epidoto. Granitoides peraluminosos. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos etc. DCGR2pal Minerais diagnósticos: muscovita, granada, cordierita, silimanita, monazita, xenotima. Série shoshonítica. Ex.: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc. DCGR2sho Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou hiperstênio, anfibólio e plagioclásio. Indeterminado. DCGR2in 10 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Associações charnockíticas. Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR3ch Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio. Séries graníticas peralcalinas. DCGR3palc Ex.: Granitos alcalinos a riebckita e arfvedsonita. Séries graníticas alcalinas. Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos, DCGR3alc quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos, alcalissienitos etc. Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita. Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas. DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos, DCGR3 INTENSAMENTE DEFORMADOS: ORTOGNAISSES. tonalitos, dioritos, quartzomonzonitos, monzonitos DCGR3salc etc. Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, titanita, epidoto. Granitoides peraluminosos. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos etc. DCGR3pal Minerais diagnósticos: muscovita, granada, cordierita, silimanita, monazita, xenotima. Série Shoshonítica. Ex: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc. DCGR3sho Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou hiperstênio, anfibólio e plagioclásio. Indeterminado. DCGR3in Predominam migmatitos ortoderivados. DCGMGLmo Predominam migmatitos paraderivados. DCGMGLmp DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITO-GNAISSE- DCGMGL Predomínio de gnaisses paraderivados. Podem DCGMGLgnp MIGMATÍTICOS E GRANULITOS. conter porções migmatíticas. Migmatitos indiferenciados. DCGMGLmgi Gnaisse-granulito paraderivado. Podem conter DCGMGLglp porções migmatíticas. 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAzONAS DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Gnaisses granulíticos ortoderivados. Podem conter DCGMGLglo porções migmatíticas. Granulitos indiferenciados. DCGMGLgli Predomínio de gnaisses ortoderivados. Podem DCGMGLgno conter porções migmatíticas. DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITO-GNAISSE- DCGMGL MIGMATÍTICOS E GRANULITOS. Gnaisses indiferenciados. DCGMGLgni Metacarbonatos. DCGMGLcar Anfibolitos. DCGMGLaf 12 APÊNDICE II BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO A ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO constituindo-se em uma primeira e fundamental contri- COMO UM INSTRUMENTO APLICADO buição da Geomorfologia. AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE A estrutura superficial das paisagens consiste no es- tudo dos mantos de alteração in situ (formações superficiais Ab’Saber, em seu artigo “Um conceito de geomorfolo- autóctones) e coberturas inconsolidadas (formações superfi- gia a serviço das pesquisas sobre o quaternário” [Geomor- ciais alóctones) que jazem sob a superfície dos terrenos. É de fologia, São Paulo, n. 18, 1969], já propunha uma análise grande relevância para a compreensão da gênese e evolução dinâmica da Geomorfologia aplicada aos estudos ambien- das formas de relevo e, em aliança com a compartimenta- tais, com base na pesquisa de três fatores interligados: ção morfológica dos terrenos, constitui-se em importante identificação de uma compartimentação morfológica ferramenta para se avaliar o grau de fragilidade natural dos dos terrenos; levantamento da estrutura superficial das terrenos frente aos processos erosivodeposicionais. paisagens e estudo da fisiologia da paisagem (Figura II.1). A fisiologia da paisagem, por sua vez, consiste na A compartimentação morfológica dos terrenos análise integrada das diversas variáveis ambientais em sua é obtida a partir da avaliação empírica dos diversos con- interface com a Geomorfologia. Ou seja, a influência de juntos de formas e padrões de relevo posicionados em condicionantes litológico-estruturais, padrões climáticos e diferentes níveis topográficos, por meio de observações de tipos de solos na configuração física das paisagens. Com campo e análise de sensores remotos (fotografias aéreas, essa terceira avaliação objetiva-se, também, compreender imagens de satélite e Modelo Digital de Terreno (MDT)). a ação dos processos erosivodeposicionais atuais, incluindo Essa avaliação é diretamente aplicada aos estudos de todos os impactos decorrentes da ação antropogênica sobre ordenamento do uso do solo e planejamento territorial, a paisagem natural. Dessa forma, embute-se na análise ge- omorfológica o estudo da morfodinâmica, privilegiando-se a análise de processos. Demonstração dos níveis de abordagem geomorfológica, A Biblioteca de Padrões de Relevo seguindo a metodologia de análise de Ab’Saber (1969). do Território Brasileiro foi elaborada para atender à compartimentação geológico- -geomorfológica proposta pela metodo- logia de mapeamento da geodiversidade do território brasileiro em escalas de aná- lise reduzidas (1:500.000 a 1:2.500.000). Nesse sentido, sua abordagem restringe- -se a avaliar o primeiro dos pressupostos elencados por Ab’Saber: a compartimen- tação morfológica dos terrenos. Portanto, a compartimentação de relevo efetuada nos mapeamentos de geodiversidade elaborados pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) não representa um mapeamento geomorfológico, tendo em vista que não são considerados os aspec- tos de gênese, evolução e morfodinâmica. Com a Biblioteca de Padrões de Relevo do Território Brasileiro, a CPRM/SGB tem como objetivo precípuo inserir informa- ções de relevo-paisagem-geomorfologia, em uma análise integrada do meio físico aplicada ao planejamento territorial, empreendida nos mapeamentos de geo- diversidade. O mapeamento de padrões de relevo representa, em linhas gerais, o 3º táxon hierárquico da metodologia de mapeamento geomorfológico proposta por Ross (1990). Em todos os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) de Geodi- versidade desenvolvidos pela CPRM/SGB, o mapa de padrões de relevo correspon- 3 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS dente pode ser visualizado, bastando acessar, na shape, baixos interflúvios, denominados Áreas de Acumulação o campo de atributos “COD_REL”. Inundáveis (Aai), frequentes na Amazônia, estão inseridos nessa unidade. REfERêNCIAS: AB’SABER, A.N. (1969). Um conceito de geomorfologia a Amplitude de relevo: zero. serviço das pesquisas sobre o Quaternário. (Geomorfologia, 18). FFCHL, USP São Paulo, 23p. Inclinação das vertentes: 0º-3º. ROSS, J. L. S. (1990). Geomorfologia ambiente e planeja- mento. Ed. Contexto. São Paulo. 85p. I – DOMÍNIO DAS UNIDADES AGRADACIONAIS R1a – Planícies Fluviais ou Fluviolacustres R4d (planícies de inundação, baixadas inundáveis e abaciamentos) R4a1 Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. R1a Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos arenoargilosos a argiloarenosos, apresentando gradientes extremamente suaves e convergentes em direção aos cursos d’água principais. Terrenos imperfeitamente drenados nas planícies de inundação, sendo periodicamente inundáveis; R1a – Planície fluvial do alto curso do rio São João (Rio de Janeiro). bem drenados nos terraços. Os abaciamentos (ou suaves Zona de Baixada Litorânea. depressões em solos arenosos) em áreas planas ou em R4b R1a R1a R1a – Planície fluvial da bacia do rio Paquequer (Rio de Janeiro). Zona montanhosa. R1a R1b1 – Terraços Fluviais (paleoplanícies de inundação em fundos de vales) Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual. Superfícies bem drenadas, de relevo plano a levemente ondulado, constituído de depósitos arenosos a argilosos de origem fluvial. Consistem de paleoplanícies de inundação R1a – Médio vale do rio Juruá (sudeste do estado que se encontram em nível mais elevado que o das vár- do Amazonas). zeas atuais e acima do nível das cheias sazonais. Devido à reduzida escala de mapeamento, essa unidade só pôde 4 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO ser mapeada em vales de grandes dimensões, em especial, R1b2 – Terraços Lagunares (paleoplanícies nos rios amazônicos. de inundação no rebordo de lagunas costeiras) Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual. Amplitude de relevo: 2 a 20 m. Superfícies bem drenadas, de relevo plano a levemente Inclinação das vertentes: 0º-3o (localmente, ondulado constituído de depósitos arenosos a argilosos de ressaltam-se rebordos abruptos no contato com origem lagunar. Consistem de paleoplanícies de inundação a planície fluvial). que se encontram em nível mais elevado que o das planícies lagunares ou fluviolagunares atuais e acima do nível das cheias sazonais. Essa unidade encontra-se restrita ao esta- do do Rio Grande do Sul, mais especificamente na borda continental da Laguna dos Patos. Amplitude de relevo: 2 a 20 m. R1b1 Inclinação das vertentes: 0º-3 o (localmente, ressaltam-se rebordos abruptos no contato com a planície lagunar). R1b3 – Terraços Marinhos (paleoplanícies marinhas à retaguarda dos atuais cordões arenosos) Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual. Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos arenosos, apresentando microrrelevo ondulado, geradas por R1b1 processos de sedimentação marinha e/ou eólica. Terrenos bem drenados e não inundáveis. Amplitude de relevo: até 20 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R1b1 – Médio vale do rio Juruá (sudeste do estado do Amazonas). R1c – Vertentes recobertas por depósitos de encosta (leques aluviais, rampas de colúvio e de tálus) Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. R4a2 Os cones de tálus consistem de superfícies deposicionais R1b1 fortemente inclinadas, constituídas por depósitos de encosta, R1a de matriz arenoargilosa a argiloarenosa, rica em blocos, muito malselecionados. Ocorrem, de forma disseminada, nos sopés das vertentes íngremes de terrenos montanhosos. Apresentam baixa capacidade de suporte. As rampas de colúvio consistem de superfícies depo- sicionais inclinadas, constituídas por depósitos de encosta arenoargilosos a argiloarenosos, malselecionados, em interdigitação com depósitos praticamente planos das pla- R1b1 – Planície e terraço fluviais do médio curso do rio Barreiro de nícies aluviais. Ocorrem, de forma disseminada, nas baixas Baixo (médio vale do rio Paraíba do Sul – SP/RJ). encostas de ambientes colinosos ou de morros. 5 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Amplitude de relevo: variável, dependendo da extensão R1c2 – Leques Aluviais do depósito na encosta. Relevo de agradação. Zona de acumulação atual ou subatual. Inclinação das vertentes: 5º-20o (associados às rampas de colúvio). Os leques aluviais consistem de superfícies deposi- cionais inclinadas, constituídas por depósitos aluvionares Inclinação das vertentes: 20º-45o (associados aos de enxurrada, espraiados em forma de leque em uma cones de tálus). morfologia ligeiramente convexa em planta. São depósitos malselecionados, variando entre areia fina e seixos suban- gulosos a subarredondados, gerados no sopé de escarpas montanhosas ou cordilheiras. Em sua porção proximal, os leques aluviais caracterizam-se por superfícies fortemente inclinadas e dissecadas por canais efêmeros que drenam a cordilheira. Em sua porção distal, os leques aluviais caracte- rizam-se por superfícies muito suavemente inclinadas, com R1c1 deposição de sedimentos finos, em processo de coalescência com as planícies aluviais ou fluviolacustres, reproduzindo um ambiente playa-bajada de clima árido. Amplitude de relevo: 2 a 10 m. Inclinação das vertentes: 0º-3o (exceto nas por- ções proximais dos leques). R1d – Planícies Fluviomarinhas (mangues R1c1 e brejos) Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. Superfícies planas, de interface com os sistemas depo- sicionais continentais e marinhos, constituídas de depósitos argiloarenosos a argilosos. Terrenos muito maldrenados, R1c – Planície borda norte da Chapada do Araripe (Ceará). prolongadamente inundáveis, com padrão de canais bas- tante meandrantes e divagantes, sob influência de refluxo R1c1 R1c – Rampas de colúvio que se espraiam a partir da borda oeste do platô sinclinal (Moeda – Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais). 6 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R1d R1d R1d – Delta do rio Jequitinhonha (Bahia). de marés; ou resultantes da colmatação de paleolagunas. Baixa capacidade de suporte dos terrenos. Amplitude de relevo: zero. Inclinação das vertentes: plano (0o). R1d R1e – Planícies Costeiras (terraços marinhos e cordões arenosos) Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos R1d – Ampla superfície embrejada de uma planície lagunar costeira arenosos, apresentando microrrelevo ondulado, geradas por (litoral norte do estado da Bahia, município de Conde). processos de sedimentação marinha e/ou eólica. Terrenos bem drenados e não inundáveis. Amplitude de relevo: até 20 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R1f1 – Campos de Dunas (dunas fixas; dunas móveis) R1d Relevo de agradação. Zona de acumulação atual ou subatual. Superfícies de relevo ondulado constituído de depó- sitos arenoquartzosos, bem selecionados, depositados por ação eólica longitudinalmente à linha de costa. Por vezes, R1d – Planície fluviomarinha do baixo curso do rio Cunhaú, encontram-se desprovidos de vegetação e apresentam originalmente ocupado por mangues e atualmente desfigurado expressiva mobilidade (dunas móveis); ora encontram-se para implantação de tanques de carcinucultura (litoral sul-oriental recobertos por vegetação pioneira (dunas fixas). do estado do Rio Grande do Norte). 7 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS R1e R1e R1e – Planície do delta do rio Jequitinhonha (Bahia). R1f1 R1e R4a1 R1e – Sucessão de feixes de cordões arenosos em linha de costa progradante (Parque Nacional de Jurubatiba – Macaé, Rio de Janeiro). R1f1 R1e R1f1 – Litoral oriental do estado do Rio Grande do Norte. R1e – Planície costeira com empilhamento de cordões arenosos e depósitos fluviolagunares (litoral norte do estado da Bahia). 8 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO cionados, constituídos de sedimentos finos em suspensão depositados por ação eólica em zonas peridesérticas ou submetidos a paleoclimas áridos ao longo de períodos glaciais pleistocênicos. Apresentam solos com alta susce- tibilidade à erosão. R1f1 Amplitude de relevo: 0 a 20 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R1g – Recifes Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. Os recifes situam-se na plataforma continental interna em posição de linha de arrebentação ou off-shore, podendo ser distinguidos dois tipos principais: RECIFES DE ARENITO R1f1 – Campos de dunas junto à linha de costa, sobrepondo falésias DE PRAIA, que consistem de antigos cordões arenosos do grupo Barreiras (município de Baía Formosa, litoral sul (beach-rocks), sob forma de ilhas-barreiras paralelas à do estado do Rio Grande do Norte). linha de costa, que foram consolidados por cimentação ferruginosa e/ou carbonática; RECIFES DE BANCOS DE CORAIS, que consistem de bancos de recifes ou forma- ções peculiares denominadas “chapeirões”, submersos ou R1f1 R1g R1f1 – Campo de dunas transversais na restinga de Massambaba (Arraial do Cabo, Rio de Janeiro). Amplitude de relevo: até 40 m. Inclinação das vertentes: 3º-30o. R1g R1f2 – Campos de Loess Relevo de agradação. Zona de acumulação atual ou subatual. Superfícies de relevo plano a suave ondulado consti- R1g – Santa Cruz Cabrália (sul do estado da Bahia). tuído de depósitos sílticos ou síltico-argilosos, bem sele- 9 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS parcialmente emersos durante os períodos de maré baixa. Estes são produzidos por acumulação carbonática, devido à atividade biogênica (corais). Amplitude de relevo: zero. Inclinação das vertentes: plano (0o). II – DOMÍNIO DAS UNIDADES R2a1 DENUDACIONAIS EM ROCHAS SEDIMENTARES POUCO LITIfICADAS R2a1 – Tabuleiros R2a1 – Tabuleiros pouco dissecados da bacia de Macacu (Venda das Pedras, Itaboraí, Rio de Janeiro). Relevo de degradação em rochas sedimentares. Formas de relevo suavemente dissecadas, com exten- sas superfícies de gradientes extremamente suaves, com topos planos e alongados e vertentes retilíneas nos vales encaixados em forma de “U”, resultantes de dissecação fluvial recente. Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo- R2a1 R2a1 – Plantação de eucaliptos em terrenos planos de tabuleiros R2a1 não dissecados do grupo Barreiras (município de Esplanada, norte do estado da Bahia). derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (sulcos e ravinas). Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: topo plano: 0º-3o (lo- calmente, ressaltam-se vertentes acentuadas: 10º-25o). R2a1 R2a2 – Tabuleiros Dissecados Relevo de degradação em rochas sedimentares. Formas de relevo tabulares, dissecadas por uma rede de canais com alta densidade de drenagem, apresentando relevo movimentado de colinas com topos tabulares ou alongados e vertentes retilíneas e declivosas nos vales en- caixados, resultantes da dissecação fluvial recente. R2a1 – Porto Seguro (sul do estado da Bahia). Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a 10 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO moderada suscetibilidade à erosão). Ocorrência de proces- sos de erosão laminar ou linear acelerada (sulcos e ravinas). Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: topos planos restritos: R2a2 0º-3o (localmente, ressaltam-se vertentes acen- tuadas: 10º-25o). R2a2 R2a2 – Tabuleiros dissecados em amplos vales em forma de “U”, em típica morfologia derivada do grupo Barreiras (bacia do rio Guaxindiba, São Francisco do Itabapoana, Rio de Janeiro). III – DOMÍNIO DAS UNIDADES DENUDACIONAIS EM ROCHAS SEDIMENTARES LITIfICADAS R2b1 – Baixos Platôs Relevo de degradação em rochas sedimentares. R2a2 Superfícies ligeiramente mais elevadas que os terrenos adjacentes, pouco dissecadas em formas tabulares. Sistema de drenagem principal com fraco entalhamento. Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de processos de laterização. Caracterizam-se por superfícies R2a2 – Porto Seguro (sul do estado da Bahia). planas de modestas altitudes em antigas bacias sedimen- tares, como os patamares mais baixos da Bacia do Parnaíba (Piauí) ou a Chapada do Apodi, na Bacia Potiguar (Rio Grande do Norte). Amplitude de relevo: 0 a 20 m. Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen- R2a2 te ondulado: 2º-5 o. R2b2 – Baixos Platôs Dissecados Relevo de degradação em rochas sedimentares. Superfícies ligeiramente mais elevadas que os ter- renos adjacentes, francamente dissecadas em forma de R2a2 – Tabuleiros dissecados, intensamente erodidos por processos colinas tabulares. Sistema de drenagem constituído por de voçorocamento junto à rodovia Linha Verde (litoral norte uma rede de canais com alta densidade de drenagem, do estado da Bahia). que gera um relevo dissecado em vertentes retilíneas e 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS voçorocas). Situação típica encontrada nos baixos platôs em- basados pela Formação Alter do Chão, ao norte de Manaus. Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen- te ondulado: 2º-5o, excetuando-se os eixos dos R2b1 vales fluviais, onde se registram vertentes com declividades mais acentuadas (10º-25o). R2b2 R2b1 R2b1 – Centro-sul do estado do Piauí. R2b2 R2b2 – Interflúvio entre os rios Uatumã e Nhamundá (nordeste do estado do Amazonas). R2b1 R2b2 R2b1 – Baixos platôs não dissecados da bacia do Parnaíba (estrada Floriano-Picos, próximo a Oeiras, Piauí). declivosas nos vales encaixados, resultantes da dissecação fluvial recente. Deposição de planícies aluviais restritas em vales fechados. Equilíbrio entre processos de pedogênese e morfogê- nese (formação de solos espessos e bem drenados, com moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de R2b2 – Baixos platôs dissecados em forma de colinas tabulares processos de laterização. Ocorrências esporádicas, restritas sobre arenitos imaturos da formação Alter do Chão (Presidente a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e Figueiredo, Amazonas). 12 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R2b3 – Planaltos R2b3 Relevo de degradação predominantemente em rochas sedimentares, mas também sobre rochas cristalinas. R4d Superfícies mais elevadas que os terrenos adjacentes, pouco dissecadas em formas tabulares ou colinas muito amplas. Sistema de drenagem principal com fraco enta- lhamento e deposição de planícies aluviais restritas ou em vales fechados. R3a2 Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de processos de laterização. Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). R2b3 – Escarpa erosiva do planalto de Uruçuí (bacia do Parnaíba, Amplitude de relevo: 20 a 50 m. sudoeste do estado do Piauí). Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen- te ondulado: 2º-5o, excetuando-se os eixos dos vales fluviais. R2b3 R2b3 R2b3 – Topo do planalto da serra dos Martins, sustentado por cornijas de arenitos ferruginosos da formação homônima (sudoeste do estado do Rio Grande do Norte). R2c – Chapadas e Platôs Relevo de degradação em rochas sedimentares. Superfícies tabulares alçadas, ou relevos soerguidos, planos ou aplainados, não ou incipientemente pouco dissecados. Os rebordos dessas superfícies, posiciona- dos em cotas elevadas, são delimitados, em geral, por vertentes íngremes a escarpadas. Representam algumas R2b3 das principais ocorrências das superfícies cimeiras do território brasileiro. Franco predomínio de processos de pedogênese (for- mação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão). Processos de morfogênese significativos nos rebordos R2b3 – Planalto de Uruçuí (sul do estado do Piauí). das escarpas erosivas, via recuo lateral das vertentes. Fre- quente atuação de processos de laterização. Ocorrências 13 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). Amplitude de relevo: 0 a 20 m. R2c Inclinação das vertentes: topo plano, excetuando- -se os eixos dos vales fluviais. R3a2 R2c – “Tepuy” isolado da “serra” do Tepequém, uma forma em R2c chapada sustentada por arenitos conglomeráticos do supergrupo Roraima. IV – DOMÍNIO DOS RELEVOS DE APLAINAMENTO R3a1 – Superfícies Aplainadas Conservadas Relevo de aplainamento. Superfícies planas a levemente onduladas, promovidas pelo arrasamento geral dos terrenos, representando, em R2c linhas gerais, grandes extensões das depressões interpla- nálticas do território brasileiro. Amplitude de relevo: 0 a 10 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R2c – Borda Leste da Chapada dos Pacaás Novos (região No bioma da floresta amazônica: franco predomínio central do estado de Rondônia). de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de processos de laterização. Nos biomas de cerrado e caatinga: equilíbrio entre processos de pedogênese e morfogênese (a despeito das baixas declividades, prevalece o desenvolvimento de solos R2c rasos e pedregosos e os processos de erosão laminar são significativos). R4d R3a2 – Superfícies Aplainadas Retocadas ou Degradadas Relevo de aplainamento. Superfícies suavemente onduladas, promovidas pelo arrasamento geral dos terrenos e posterior retomada erosiva proporcionada pela incisão suave de uma rede de drenagem R2c – Topo da Chapada dos Guimarães e relevo ruiniforme junto a incipiente. Inserem-se, também, no contexto das grandes seu escarpamento. depressões interplanálticas do território brasileiro. 14 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R3a1 R3a1 R3a1 – Médio vale do rio São Francisco (estado da Bahia). Amplitude de relevo: 10 a 30 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R4b R3a2 R3a1 – Extensa superfície aplainada, delimitada por esparsas cristas de quartzitos (Canudos, norte do estado da Bahia). Caracteriza-se por extenso e monótono relevo suave ondulado sem, contudo, caracterizar ambiente colinoso, devido a suas amplitudes de relevo muito baixas e longas rampas de muito baixa declividade. R3a2 R4c R3a2 R3a2 – Médio vale do rio Xingu (estado do Pará). R3a2 – Extensa superfície aplainada da depressão sertaneja (sudoeste do estado do Rio Grande do Norte). 15 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS R3b – Inselbergs e outros relevos residuais (cristas isoladas, morros residuais, pontões, monolitos) R3b Relevo de aplainamento. Relevos residuais isolados destacados na paisagem aplainada, remanescentes do arrasamento geral dos terrenos. Amplitude de relevo: 50 a 500 m. Inclinação das vertentes: 25o-45o, com ocorrência R3b – Neck vulcânico do pico do Cabugi (estado do Rio Grande de paredões rochosos subverticais (60o-90o). do Norte). V – DOMÍNIO DAS UNIDADES DENUDACIONAIS EM ROCHAS CRISTALINAS OU SEDIMENTARES R4a1 – Domínio de Colinas Amplas e Suaves Relevo de degradação em qualquer litologia, predominando rochas sedimentares. R3b Relevo de colinas pouco dissecadas, com vertentes con- vexas e topos amplos, de morfologia tabular ou alongada. Sistema de drenagem principal com deposição de planícies aluviais relativamente amplas. R4a1 R3b R3b – Sul do estado do Rio Grande do Norte. R3b R4a1 R3b – Agrupamentos de inselbergs alinhados em cristas de rochas quartzíticas delineadas em zona de cisalhamento (estrada R4a1 – Depressão periférica (estado de São Paulo). Senhor do Bonfim-Juazeiro, estado da Bahia). 16 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R4a2 R4a1 R4a1 – Colinas amplas e suaves modeladas sobre granulitos (cercanias de Anápolis, Goiás). R4a2 R4a1 R4a2 – Leste do estado da Bahia. R4a1 – Relevo suave colinoso (município de Araruama, R4a2 região dos Lagos, Rio de Janeiro). Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo- derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). Geração de rampas de colúvios nas baixas vertentes. R4a2 – Típico relevo de mar-de-morros no médio vale do rio Paraíba do Sul (topo da serra da Concórdia, Valença, Rio de Janeiro). Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: 3º-10o. R4a2 – Domínio de Colinas Dissecadas R4a2 e de Morros Baixos Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo de colinas dissecadas, com vertentes convexo- -côncavas e topos arredondados ou aguçados. Sistema de drenagem principal com deposição de planícies aluviais R4a2 – Colinas e morros intensamente dissecados sobre restritas ou em vales fechados. metassiltitos (município de Padre Bernardo, Goiás). 17 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Equilíbrio entre processos de pedogênese e morfo- gênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com moderada suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar e ocorrência esporádica de processos de erosão linear acelerada (sulcos, ravinas e voçorocas). Geração de rampas de colúvios nas baixas vertentes. R4a3 Amplitude de relevo: 30 a 80 m. Inclinação das vertentes: 5º-20o. R4a3 – Domos em estrutura elevada Relevo de degradação em qualquer litologia. R4a3 – Domo de Guamaré, arqueando as rochas sedimentares da bacia Potiguar (estado do Rio Grande do Norte). Relevo de amplas e suaves elevações em forma de meia esfera, com modelado de extensas vertentes convexas e centrífugo. Sistema de drenagem principal em processo e topos planos a levemente arredondados. Em geral, essa inicial de entalhamento, sem deposição de planícies aluviais. morfologia deriva de rochas intrusivas que arqueiam a su- Predomínio de processos de pedogênese (formação de perfície do terreno, podendo gerar estruturas dobradas do solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo- tipo braquianticlinais. Apresenta padrão de drenagem radial derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). R4a3 Amplitude de relevo: 50 a 200 m. Inclinação das vertentes: 3º-10o. R4b – Domínio de Morros e de Serras Baixas Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo de morros convexo-côncavos dissecados e topos arredondados ou aguçados. Também se insere nessa uni- dade o relevo de morros de topo tabular, característico das chapadas intensamente dissecadas e desfeitas em conjunto de morros de topo plano. Sistema de drenagem principal com restritas planícies aluviais. Predomínio de processos de morfogênese (formação de solos pouco espessos em terrenos declivosos, em geral, com R4a3 moderada a alta suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar e linear acelerada (sulcos e ravinas) e ocorrência esporádica de processos de movimen- tos de massa. Geração de colúvios e, subordinadamente, depósitos de tálus nas baixas vertentes. Amplitude de relevo: 80 a 200 m, podendo apre- sentar desnivelamentos de até 300 m. R4a3 – Domo de Guamaré (estado do Rio Grande do Norte). Inclinação das vertentes: 15º-35o. 18 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R4c – Domínio Montanhoso (alinhamentos serranos, maciços montanhosos, front de cuestas e hogback) Relevo de degradação em qualquer litologia. R4b Relevo montanhoso, muito acidentado. Vertentes predominantemente retilíneas a côncavas, escarpadas e topos de cristas alinhadas, aguçados ou levemente arre- dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo de entalhamento. Franco predomínio de processos de morfogênese (formação de solos rasos em terrenos muito acidentados, em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação fre- quente de processos de erosão laminar e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus e de colúvios nas baixas vertentes. R4b Amplitude de relevo: acima de 300 m, podendo apresentar, localmente, desnivelamentos inferio- res a 200 m. Inclinação das vertentes: 25o-45o, com ocorrência R4b – Serra do Tumucumaque (norte do estado do Pará). de paredões rochosos subverticais (60 o-90o). R4b R4c R4b – Relevo de morros elevados no planalto da região serrana do estado do Rio de Janeiro. R4c R4b R4b – Relevo fortemente dissecado em morros sulcados e alinhados R4c – Sul do estado de Minas Gerais. a norte do planalto do Distrito Federal. 19 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS R4c R4d R4c – Relevo montanhoso do maciço do Caraça, modelado em quartzitos (Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais). R4c R4d R4d – Escarpa da serra Geral (nordeste do estado do Rio Grande do Sul). R4c – Vale estrutural do rio Araras; reverso da serra do Mar (Petrópolis, Rio de Janeiro). R4d – Escarpas Serranas R4d Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo montanhoso, muito acidentado. Vertentes predominantemente retilíneas a côncavas, escarpadas e topos de cristas alinhadas, aguçados ou levemente arre- dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo R4d – Aspecto imponente da serra Geral, francamente entalhada por uma densa rede de drenagem, gerando uma escarpa festonada de entalhamento. Representam um relevo de transição com mais de 1.000 m de desnivelamento. entre duas superfícies distintas alçadas a diferentes cotas altimétricas. Franco predomínio de processos de morfogênese R2c (formação de solos rasos em terrenos muito acidentados, em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação fre- quente de processos de erosão laminar e de movimentos R4d de massa. Geração de depósitos de tálus e de colúvios nas baixas vertentes. Amplitude de relevo: acima de 300 m. Inclinação das vertentes: 25º-45o, com ocorrência R4d – Escarpa da serra de Miguel Inácio, cuja dissecação está de paredões rochosos subverticais (60o-90o). controlada por rochas metassedimentares do grupo Paranoá (cercanias do Distrito Federal). 20 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R4e – Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos R4f – Vales Encaixados Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo de degradação predominantemente em rochas sedimentares, mas também sobre rochas cristalinas. Relevo acidentado, constituído por vertentes predo- minantemente retilíneas a côncavas, declivosas e topos Relevo acidentado, constituído por vertentes predo- levemente arredondados, com sedimentação de colúvios minantemente retilíneas a côncavas, fortemente sulcadas, e depósitos de tálus. Sistema de drenagem principal em declivosas, com sedimentação de colúvios e depósitos de franco processo de entalhamento. Representam relevo de tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo de transição entre duas superfícies distintas alçadas a diferentes entalhamento. Consistem em feições de relevo fortemente cotas altimétricas. entalhadas pela incisão vertical da drenagem, formando vales Franco predomínio de processos de morfogênese (for- encaixados e incisos sobre planaltos e chapadas, estes, em ge- mação de solos rasos, em geral, com alta suscetibilidade à ral, pouco dissecados. Assim como as escarpas e os rebordos erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar erosivos, os vales encaixados apresentam quebras de relevo e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus abruptas em contraste com o relevo plano adjacente. Em e de colúvios nas baixas vertentes. geral, essas formas de relevo indicam uma retomada erosiva recente em processo de reajuste ao nível de base regional. Franco predomínio de processos de morfogênese (for- Amplitude de relevo: 50 a 200 m. mação de solos rasos, em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar Inclinação das vertentes: 10º-25o, com ocorrência e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus de vertentes muito declivosas (acima de 45o). e de colúvios nas baixas vertentes. R4e R4e R4e – Degrau escarpado da serra do Roncador (leste do estado de Mato Grosso). R4e R4e R4e – Degrau estrutural do flanco oeste do planalto de morro do R4e – Degrau estrutural no contato da bacia do Parnaíba com o Chapéu (Chapada Diamantina, Bahia). embasamento cristalino no sul do Piauí. 21 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS Amplitude de relevo: 100 a 300 m. Inclinação das vertentes: 10º-25º, com ocorrência de vertentes muito declivosas (acima de 45º). R4f R2b3 R2b3 R4f R4f R4f – Planalto de Uruçuí e vale do Gurgueia R4f – Vale amplo e encaixado de tributário do rio Gurgueia no (sul do estado do Piauí). planalto de Uruçuí (sudoeste do estado do Piauí). 22 APÊNDICE III DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De ArGissolo AmArelo Distrófico tíPico clAssificAção ANterior Podzólico Amarelo Distrófico típico uNiDADe De mAPeAmeNto PAd locAliZAção, muNicíPio, Assentamento Canoas, ramal principal, município de Presidente Figueiredo, estado estADo e coorDeNADAs do Amazonas – 1º 48’48,9” S e 60º 11’44,8” WGr situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil Topo de encosta AltituDe 84 m litoloGiA Gnaisse, Escudo Guianas/Gnaisse formAção GeolóGicA Grupo Trombetas croNoloGiA Terciário mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe Não-pedregoso rocHosiDADe Não-rochoso releVo locAl Ondulado releVo reGioNAl Ondulado a forte ondulado erosão Laminar ligeira DreNAGem Bem drenado VeGetAção PrimÁriA Floresta equatorial subperenifólia uso AtuAl Capoeira climA Af, da classificação de Köppen Wenceslau Geraldes Teixeira, Gilvan Coimbra Martins, Rodrigo Santana Macedo e Descrito e coletADo Por Jeferson Vasconcelos Macedo TEIXEIRA, W. G.; MACEDO, J. V. Relatório sobre a caracterização dos solos do foNte projeto Assentamento Canoas (município de Presidente Figueiredo, AM). Manaus: Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas, 2004. [no prelo] Descrição morfolóGicA A 0-10 cm, vermelho-amarelado (5YR 5/8, úmido); argilosa; fraca, pequena e média; blocos angulares; friável, ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa; transição difusa e ondulada. AB 10-40 cm, vermelho (2,5YR 5/8, úmido); argilosa; fraca, pequena e média; blocos angulares; friável, ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa; transição difusa e ondulada. BA 40-82 cm, vermelho (2,5YR 4/8, úmido); argilosa; fraca; grandes blocos angulares; cerosidade comum e forte; friável, plástica e pegajosa; transição difusa e ondulada. Bt1 82-200 cm+, vermelho (10R 4/8, úmido); argilosa; fraca; grandes blocos angulares; comum e forte; friável, plástica e pegajosa; transição difusa e ondulada. raízes Comuns, médias e finas no A1; raras, médias e finas no AB; poucas, médias e finas no BA; poucas e finas no Bt1. obs.: Poros abundantes e pequenos no A. 3 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: Pc4 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05 – <0,002 (%) (cm) >20mm 20 – 2mm <2mm 2 – 0,2 0,2 – Natural 0,002mm mm mm 0,05mm A 0-10 213 37 330 420 338 20 0,79 AB 10-40 118 21 293 568 87 85 0,52 BA 40-82 90 12 323 576 4 99 0,56 Bt1 82-200+ 53 13 495 440 0 100 1,13 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 A 3,93 3,96 14,1 24,21 AB 4,26 4,14 7,0 12,04 BA 4,88 4,31 3,9 6,64 Bt1 5,11 4,40 3,7 6,37 Saturação Saturação Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmol kg-1) por porc Soma de (cmolc kg -1) Valor T por bases EquivalenteAlumínio Sódio Bases (S) (cmolc (V%) CaCO(m%) (Na%) 3 (cmolc kg 1) kg-1) 100.S (g kg-1) 100.Al+3 100.Na T Hori- Al +3+ S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. A 0,17 0,29 57 3 2,75 6,86 9 AB 0,05 0,07 38 2 2,82 5,18 4 BA 0,05 0,06 15 1 2,06 4,12 4 Bt1 0,05 0,05 23 1 2,18 3,23 5 Ataque por H2SO4 (g kg -1) Relações Moleculares P Ferro Livre -1 AssimilávelHori- Al O Fe O (g kg ) SiO2 Al2O3 Fe2O3 TiO2 P2O5 MnO Ki Kr 2 3 2 3 (mg kg-1) zonte. Fe2O3 A 1 AB 1 BA 1 Bt1 0 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmolc kg -1) Hori- Extrato H2O B Zn Fe Mn Cu Co Mozonte. (mS cm-1) Ca +2 Mg+2 K+ Na+ CO -23 HCO -1 3 Cl -1 SO -24 A AB BA Bt1 4 DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De lAtossolo AmArelo Distrófico tíPico clAssificAção ANterior Latossolo Amarelo Distrófico uNiDADe De mAPeAmeNto LAd locAliZAção, muNicíPio, Km 10,5 da Rodovia AM-010 – Cacau Pirêra-Manacapuru, lado direito, a 100 m da estADo e coorDeNADAs margem – dados de coordenada GPS não-disponíveis situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil Perfil de trincheira descrito sob mata natural AltituDe 25 m litoloGiA Sedimentos cauliníticos formAção GeolóGicA Formação Alter do Chão (classificado originalmente como Formação Barreiras) croNoloGiA Terciário mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe Não-pedregoso rocHosiDADe Não-rochoso releVo locAl Ondulado releVo reGioNAl Suavemente ondulado e plano erosão Não-aparente DreNAGem Bem drenado VeGetAção PrimÁriA Floresta equatorial úmida uso AtuAl Cobertura vegetal natural SILVA, B. N.; ARAUJO, J. V.; RODRIGUES, T. E.; FLESI, I. C.; REIS, R. S. foNte Solos da área do Cacau Pirêra-Manacapuru. Belém: IPEAN. , 2:1-198, 1970 Descrição morfolóGicA 0-4 cm, bruno-amarelado (10YR 5/4, úmido); argiloarenosa; moderada, pequena e média; blocos subangulares; fraca, pequena, A1 granular; friável, plástica e ligeiramente pegajosa; transição plana e difusa. 4-19 cm, bruno-amarelado (10Y 5/6, úmido); argilosa; moderada, pequena e média; blocos subangulares; fraca, pequena, A3 granular; friável, plástica e ligeiramente pegajosa; transição plana e difusa. 19-87 cm, amarelo-brunado (10Y 6/6, úmido); muito argilosa; fraca, pequena e média; blocos subangulares; friável; muito B21 plástica e pegajosa; transição plana e difusa. 87-130 cm, amarelo-brunado (10YR 6/8, úmido); muito argilosa; fraca, pequena e média; blocos subangulares; cerosidade B22 pouca e fraca; friável; muito plástica e muito pegajosa; transição plana e difusa. 130-180 cm, bruno-forte (7,5YR 5/8, úmido); muito argilosa; fraca, pequena e média; blocos subangulares; cerosidade comum B23 e fraca; friável; muito plástica e muito pegajosa. raízes Abundantes finas e poucas grossas no A1; abundantes finas e comuns, médias no A3, B21 e B22 e comuns finas no B23. 5 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: 01 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05- <0,002 (%) (cm) >20mm 20-2mm <2mm 2-0,2 0,2- Natural 0,002mm mm mm 0,05mm A1 0-4 41 12 13 34 23 32 0,38 A3 4-19 25 12 11 52 39 25 0,21 B21 19-87 20 10 10 62 0 100 0,16 B22 87-130 11 11 11 68 0 100 0,16 B23 130-180 4 4 4 81 0 100 0,05 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 A1 3,5 3,5 1,65 0,14 2,84 12 A3 4,1 3,9 1,02 0,11 1,76 9 B21 4,9 4,1 0,68 0,07 1,16 9 B22 5,4 4,4 0,5 0,05 0,61 7 B23 5,5 4,7 0,24 0,04 0,40 6 Saturação Saturação Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmol kg-1c ) por por Soma de (cmol kg-1) Valor T por bases EquivalenteAlumínio Sódio Bases (S) c (cmolc (V%) CaCO 1 (m%) (Na%) 3(cmolc kg ) kg -1) 100.S +3 (g kg -1) 100.Al 100.Na T +3 Hori- Al + S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. A1 0,32 0,08 0,06 0,03 0,49 6,44 1,96 8,89 6 A3 0,24 0,08 0,06 0,04 0,42 4,14 1,14 5,70 7 B21 0,16 0,08 0,03 0,03 0,30 3,21 0,72 4,23 7 B22 0,20 0,04 0,03 0,02 0,29 1,91 0,31 2,51 12 B23 0,24 0,08 0,03 0,03 0,38 1,86 0,21 2,45 16 Ataque por H2SO4 (g kg -1) Relações Moleculares P Ferro Livre -1 AssimilávelHori- Al O Fe2O3 (g kg )SiO Al O Fe O TiO P O MnO Ki Kr 2 3 (mg kg-1) zonte. 2 2 3 2 3 2 2 5 Fe2O3 A1 3,89 10,76 7,24 2,27 1,59 1,09 A3 15,72 16,38 9,11 1,68 1,24 0,56 B21 16,38 19,24 10,51 1,49 1,11 0,37 B22 22,30 23,48 12,34 1,67 1,25 0,33 B23 20,59 25,09 13,56 1,44 1,08 0,37 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmol -1c kg )Hori- Extrato H O B Zn Fe Mn Cu Co Mo zonte. (mS 2 cm-1) Ca +2 Mg+2 K+ Na+ CO -2 HCO -1 Cl-13 3 SO -2 4 A1 A3 B21 B22 B23 6 DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De cAmBissolo HÁPlico tA eutrófico clAssificAção ANterior Cambissolo Ta Eutrófico uNiDADe De mAPeAmeNto CXve locAliZAção, muNicíPio, Margem direita do rio Paraná do Curari Grande, a 500 m deste, localidade estADo e coorDeNADAs São Pedro, município do Careiro, estado do Amazonas – 3º 16’S e 59º 54’WGr situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil Perfil de trincheira, com declive menor que 3% litoloGiA Areias, siltes e argilas/sedimentos silto-argilosos formAção GeolóGicA Planície / Terraços fluviais croNoloGiA Quaternário-Holoceno mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe Não-pedregoso rocHosiDADe Não-rochoso releVo locAl Plano releVo reGioNAl Plano erosão Não-aparente DreNAGem Imperfeitamente drenado VeGetAção PrimÁriA Floresta equatorial higrófila de várzea uso AtuAl Não constatado climA Am w’, da classificação de Köppen CETEC. Levantamento semidetalhado de solos e aptidão agrícola em áreas abrangidas foNte pelo PDRI, AM, município do Careiro. Belo Horizonte: CETEC, 1986. 125 p Descrição morfolóGicA A1 0-13 cm, bruno-escuro (10YR 3/3, úmido); franco-argilossiltosa; fraca pequena e média; blocos subangulares e angulares; plástica e ligeiramente pegajosa; transição plana e difusa. A3 13-31 cm, bruno (10YR 4/3, úmido); franco-argilossiltosa; moderada, média e grande; blocos subangulares; firme; transição plana e gradual. B 31-72 cm, bruno (10YR 5/3, úmido); franco-argilossiltosa; moderada, pequena e média; blocos angulares e subangulares; transição plana e difusa. c1 72-107 cm, bruno (10YR 5/3, úmido); mosqueado bruno-amarelo-escuro (10YR 4/6); franco-argilossiltosa. c2 107-175 cm+, amarelo-brunado (10YR 5/2, úmido); franco-argilossiltosa. raízes Finas e médias comuns e grossas raras no A1 e A3; poucas, finas e médias comuns e raras grossas no B; poucas e raras grossas no C1 e raras grossas no C2. obs.: Poros abundantes, muito pequenos e pequenos em todos os horizontes. 7 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: 41 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05- <0,002 (%) (cm) >20mm 20-2mm <2mm 2-0,2 0,2- Natural 0,002mm mm mm 0,05mm A1 0-13 0 0 100 1 6 62 31 26 16 2,00 A3 13-31 0 0 100 1 3 67 29 27 7 2,31 B 31-72 0 0 100 1 1 67 31 27 13 2,16 C1 72-107 0 0 100 1 1 69 29 25 14 2,38 C2 107-175+ 0 0 100 1 4 70 25 21 16 2,80 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 A1 4,6 3,7 2,06 0,17 13 A3 5,8 3,8 0,41 0,06 7 B 6,3 4,3 0,34 0,05 7 C1 6,6 4,4 0,23 0,04 6 C2 6,9 4,8 0,20 0,04 5 Saturação Saturação Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmol kg-1) por porc Soma de (cmol kg-1) Valor T por bases EquivalenteAlumínio Sódio Bases (S) c (cmolc (V%) CaCO3 (cmol kg1) kg-1 (m%) (Na%) -1 c ) 100.S (g kg )100.Al+3 100.Na T +3 Hori- Al + S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. A1 12,5 3,1 0,30 0,12 16,0 6,5 1,1 23,6 68 6 1 A3 13,2 3,9 0,14 0,27 17,5 2,7 0,6 20,8 84 3 1 B 14,1 4,8 0,19 0,37 19,5 2,4 0,1 22,0 89 1 2 C1 12,4 5,4 0,18 0,41 18,4 2,2 0,1 20,7 89 1 2 C2 11,0 5,2 0,15 0,56 16,9 1,4 0,0 18,3 92 0 3 Ataque por H2SO4 (g kg -1) Relações Moleculares P Ferro Livre -1 AssimilávelHori- Al O Fe O (g kg ) SiO Al O Fe O TiO P O MnO Ki Kr 2 3 2 3 (mg kg-1) zonte. 2 2 3 2 3 2 2 5 Fe2O3 A1 17,2 9,5 4,5 0,90 3,08 2,37 3,31 1 A3 18,4 10,9 5,5 0,57 2,87 2,17 3,11 B 18,7 10,9 5,9 0,55 2,92 2,17 2,90 C1 18,6 11,7 6,1 0,55 2,70 2,03 3,01 C2 16,5 9,7 5,7 0,56 2,89 2,10 2,67 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmol kg-1) Hori- Extrato c H2O B Zn Fe Mn Cu Co Mozonte. (mS Ca+2 Mg+2 K+ +cm-1) Na CO -2 3 HCO -1 3 Cl -1 SO -24 A1 A3 B21 B22 B23 8 DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De PliNtossolo PÉtrico coNcrecioNÁrio tíPico clAssificAção ANterior Concrecionário Laterítico típico uNiDADe De mAPeAmeNto FFc Km 19 da Rodovia AM-070 – Cacau Pirêra-Manacapuru, a 100 m da margem locAliZAção, muNicíPio, estADo e coorDeNADAs direita, município de Manacapuru, Estado do Amazonas – dados de coordenada GPS não-disponíveis situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil Perfil de trincheira em encosta próximo ao topo, sob mata natural litoloGiA Sedimentos cauliníticos formAção GeolóGicA Formação Alter do Chão (originalmente classificada como Formação Barreiras) croNoloGiA Terciário mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe Não-pedregoso rocHosiDADe Não-rochoso releVo locAl Plano releVo reGioNAl Suave ondulado a ondulado erosão Não-aparente DreNAGem Bem drenado VeGetAção PrimÁriA Floresta equatorial úmida uso AtuAl Mata natural SILVA, B. N.; ARAUJO, J. V.; RODRIGUES, T. E.; FLESI, I. C.; REIS, R. S. Solos da área foNte do Cacau Pirêra-Manacapuru. Belém: IPEAN. 2:1-198, 1970 Descrição morfolóGicA A1cn 0-8 cm, bruno (7,5YR 4/4, úmido); franco-arenosa; fraca, pequena e média; blocos subangulares; fraca, pequena, granular; muito friável, não plástica e não pegajosa; transição plana e difusa. A3cn 8-43 cm, bruno-amarelado-escuro (10YR 4/4, úmido); argiloarenosa; fraca, pequena e média; blocos subangulares; fraca, pequena, granular; friável, plástica e ligeiramente pegajosa; transição plana e difusa. B21cn 43-84 cm, amarelo-brunado (10YR 6/6, úmido); argilosa; fraca, pequena, granular; friável, plástica e pegajosa; transição plana e difusa. B22cn 84-123 cm, amarelo-avermelhado (5YR 6/8); argilosa; moderada, pequena; blocos subangulares e granular; friável, plástica e pegajosa; transição plana e difusa. B23cn 123-160 cm, amarelo-avermelhado (5YR 6/8); argilosa; fraca, pequena e média; blocos subangulares; fraca, pequena, granular; friável, plástica e pegajosa. raízes Abundantes finas e médias no A1cn; abundantes finas no A3cn e B21cn e raras finas no B22cn e B23cn. obs.: Poros abundantes nos horizontes A1cn, A3cn e B21cn e comuns nos demais horizontes. 9 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: 116 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05- <0,002 (%) (cm) >20mm 20-2mm <2mm 2-0,2 0,2- Natural 0,002mm mm mm 0,05mm A1cn 0-8 64 14 6 16 4 75 0,38 A3cn 8-43 40 16 10 34 21 38 0,29 B21cn 43-84 33 16 5 46 13 72 0,11 B22cn 84-123 26 12 4 58 0 100 0,07 B23cn 123-160 30 10 6 54 0 100 0,11 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 A1cn 3,4 3,4 1,56 0,13 3,02 12 A3cn 4,5 4,2 1,44 0,11 2,48 13 B21cn 4,8 4,2 0,57 0,05 0,98 11 B22cn 5,1 4,3 0,31 0,04 0,54 8 B23cn 5,2 4,3 0,24 0,02 0,42 12 Saturação Saturação Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmol kg-1) por porc Soma de (cmol kg-1) Valor T por bases Equivalentec Alumínio Sódio Bases (S) (cmolc (V%) CaCO(m%) (Na%) 3 (cmolc kg 1) kg-1) 100.S (g kg-1) 100.Al+3 100.Na T +3 Hori- Al + S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. A1cn 0,41 0,16 0,05 0,03 0,65 6,83 2,24 9,72 7 A3cn 0,17 0,08 0,04 0,03 0,32 6,64 1,24 8,20 4 B21cn 0,04 0,12 0,03 0,02 0,21 2,83 0,62 3,66 6 B22cn 0,08 0,25 0,03 0,02 0,38 1,86 0,62 2,86 13 B23cn 0,08 0,08 0,03 0,02 0,21 1,02 0,41 1,64 13 Ataque por H2SO4 (g kg -1) Relações Moleculares P Ferro Livre Assimilável Hori- Al O Fe2O3 (g kg -1) SiO2 Al2O3 Fe2O3 TiO2 P2O5 MnO Ki Kr 2 3 (mg kg-1) zonte. Fe2O3 A1cn 7,94 5,20 3,38 1,16 2,63 1,87 A3cn 18,18 11,11 6,89 0,64 2,87 1,09 B21cn 15,62 15,76 7,45 - 1,73 1,33 B22cn 18,08 22,36 8,67 0,29 1,41 1,13 B23cn 16,70 21,57 6,45 1,35 1,13 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmol kg-1c )Hori- Extrato H2O B Zn Fe Mn Cu Co Mozonte. (mS cm-1) Ca +2 Mg+2 K+ Na+ CO -2 -1 -1 -23 HCO3 Cl SO4 A1cn A3cn B21cn B22cn B23cn 10 DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De esPoDossolo HumilÚVico HiDromórfico tíPico clAssificAção ANterior Podzol Hidromórfico uNiDADe De mAPeAmeNto EKg locAliZAção, muNicíPio, estADo e coorDeNADAs Município de Humaitá, estado do Amazonas – 8º 14’S e 62º 16’ WGr situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil Local plano com declive inferior a 1%, sob savana litoloGiA Sedimentos arenosos formAção GeolóGicA Não-identificada croNoloGiA Quaternário mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe Não-pedregoso rocHosiDADe Não-rochoso releVo locAl Plano erosão Não-aparente DreNAGem Imperfeitamente drenado BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Projeto RADAM. Folha SC. 20 foNte Porto Velho. Geologia, geomorfologia, solos, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro: DNPM, 1976. 184 p Descrição morfolóGicA A1 0-25 cm, cinzento muito escuro (10YR 3/1, úmido); areia; grãos simples; solta, não plástica e não pegajosa; transição abrupta. A2 25-120 cm, bruno muito claro-acinzentado (10YR 8/2, úmido); areia; grãos simples; solta, não plástica e não pegajosa; transição abrupta. Bhir 120-170 cm, bruno muito escuro (10YR 2/2, úmido); areia; maciça, muito friável, não plástica e não pegajosa. 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: 20 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05- <0,002 (%) (cm) >20mm 20-2mm <2mm 2-0,2 0,2- Natural 0,002mm mm mm 0,05mm A1 0-25 0 57 18 4 1 0 100 4,00 A2 25-120 0 76 39 5 0 0 100 5,00 Bhir 120-170+ 0 57 32 5 6 0 100 0,83 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 A1 5,1 4,5 0,20 0,02 035 10 A2 5,9 4,4 0,06 0,01 0,11 6 Bhir 5,4 4,4 1,38 0,01 1,96 1 Saturação Saturação Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmolc kg -1) por porSoma de (cmol kg-1) Valor T por bases EquivalenteAlumínio Sódio Bases (S) c (cmolc (V%) CaCO(m%) (Na%) 3 (cmolc kg 1) kg-1) 100.S +3 (g kg -1) 100.Al 100.Na T +3 Hori- Al + S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. A1 0,03 0,01 0,04 0,05 0,13 0,59 0,40 1,12 12 75 A2 0,03 0,01 0,02 0,02 0,08 0,00 0,00 0,08 100 0 Bhir 0,01 0,05 0,03 0,03 0,12 3,85 0,60 4,75 3 83 Ataque por H2SO4 (g kg -1) Relações Moleculares P Ferro Livre Assimilável Hori- Al O Fe2O3 (g kg -1) SiO Al O Fe O TiO 2 3 (mg kg-1) zonte. 2 2 3 2 3 2 P2O5 MnO Ki Kr Fe2O3 A1 0,66 0,51 3,00 0,11 2,20 0,46 0,27 A2 0,66 0,77 1,20 0,11 1,45 0,73 1,01 Bhir 0,66 2,72 15,17 1,96 0,44 0,09 0,26 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmolc kg -1) Hori- Extrato H2O B Zn Fe Mn Cu Co Mozonte. (mS Ca+2 Mg+2 K+cm-1) Na + CO -23 HCO -1 3 Cl -1 SO -24 A1 A2 Bhir 12 DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De Gleissolo HÁPlico tA eutrófico clAssificAção ANterior Gleissolo Ta Eutrófico uNiDADe De mAPeAmeNto GXve locAliZAção, muNicíPio, Área de várzea do Lago Castanho, município de Urucuará, estado do Amazonas – estADo e coorDeNADAs 2º 30’ 60” S e 57º 41’60” WGr situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil – AltituDe 25 m litoloGiA Sedimentos aluviais formAção GeolóGicA Planícies aluvionares croNoloGiA Quaternário mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe Não pedregoso rocHosiDADe Não rochoso releVo locAl Plano releVo reGioNAl Plano erosão Não-aparente DreNAGem Maldrenado VeGetAção PrimÁriA Floresta equatorial higrófila de várzea uso AtuAl Vegetação secundária GAMA, J.R.N.F.; SOARES, A. F.; SILVA, J. M. L.; DURIEZ, M. A. M.; MELO, M. E. C. C. M.; JOHAS, R. A. L.; ARAUJO, W. S.; BLOISE, R. M.; MOREIRA, G. N. C.; PAULA, J. L.; foNte SOUZA, J. L. R. Levantamento de reconhecimento dos solos e avaliação da aptidão agrícola das terras de uma área de colonização do município de Urucará, estado do Amazonas. Rio de Janeiro: SNLCS, 1984. 97 p Descrição morfolóGicA Ag 0-12 cm, cinzento-oliváceo (5Y 5/1, úmido); mosqueado bruno-forte (7,5YR 5/6, úmido); franco-argilossiltosa; maciça coerente; firme; plástica e ligeiramente pegajosa. 12-78 cm, cinzento-oliváceo-claro (5Y 6/2, úmido); mosqueado amarelo-brunado (10YR 6/6) e bruno (7,5YR c1g 5/4); franco-siltosa; fraca a moderada, pequena e média; blocos angulares; firme; plástica e ligeiramente pegajosa. 78-127 cm, cinzento-oliváceo-claro (5Y 6/2, úmido); mosqueado amarelo-brunado (10YR 6/6) e bruno- c2g amarelado (10YR 5/6); franco-siltosa; fraca a moderada, média; grande blocos angulares; firme; plástica e ligeiramente pegajosa. c3g 127-160 cm+, cinzento (5BG 6/1, úmido); mosqueado amarelo-brunado (10YR 6/6) e bruno (7,5YR 5/4); franco-siltosa; maciça coerente; friável a firme; plástica e ligeiramente pegajosa. raízes Comuns no Ag; poucas no C1g e raras nos C2g e C3g. 13 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: 26 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05- <0,002 (%) (cm) >20mm 20-2mm <2mm 2-0,2 0,2- Natural 0,002mm mm mm 0,05mm Ag 0-12 0 5 66 29 2,3 C1g 12-78 0 7 70 23 3,0 C2g 78-127 0 27 60 13 4,6 C3g 127-170+ 0 34 55 11 5,0 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 Ag 15,4 34,2 1,21 2,45 51 4,5 3,4 1,94 C1g 14,0 31,4 1,20 2,76 57 5,0 3,3 0,33 C2g 9,9 28,1 1,34 2,67 50 5,4 3,4 0,14 C3g 9,8 26,0 1,35 2,36 43 6,5 4,1 0,06 Saturação Saturação Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmol kg-1) por porc Soma de (cmolc kg -1) Valor T por bases EquivalenteAlumínio Sódio Bases (S) (cmolc (V%) CaCO 1 -1 (m%) (Na%) 3(cmolc kg ) kg ) 100.S (g kg -1) 100.Al+3 100.Na T Al+3Hori- + S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. Ag 3,85 2,01 0,16 0,05 6,07 7,13 4,27 17,47 35 C1g 2,75 3,28 0,10 0,08 6,21 3,86 5,92 15,99 39 C2g 5,16 4,26 0,24 0,40 10,06 2,89 1,47 14,42 70 C3g 5,89 4,71 0,2 0,50 11,42 1,81 0,20 13,43 85 Ataque por H SO (g kg-12 4 ) Relações Moleculares P Ferro Livre Assimilável Hori- Al O Fe O (g kg-1) SiO2 Al2O3 Fe2O3 TiO2 P 2 3 2 3 (mg kg-1) zonte. 2 O5 MnO Ki Kr Fe2O3 Ag 4,7 C1g 2,0 C2g 7,6 C3g 15,5 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmol kg-1) Hori- Extrato c H2O B Zn Fe Mn Cu Co Mozonte. (mS Ca+2 Mg+2 K+cm-1) Na + CO -23 HCO -1 3 Cl -1 SO -24 Ag C1g C2g C3g B23cn 14 DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De Neossolo flÚVico tA eutrófico tíPico clAssificAção ANterior Solo Aluvial Eutrófico uNiDADe De mAPeAmeNto RYve locAliZAção, muNicíPio, Margem esquerda do rio Paraná-Mirim, município de Coari, estado do Amazonas – estADo e coorDeNADAs 3º 50’S e 63º 11’ WGr situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil Local plano com declive inferior a 1%, sob floresta aberta aluvial litoloGiA Sedimentos recentes do Quaternário formAção GeolóGicA Planícies aluvionares croNoloGiA Quaternário mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe – Não-PeDreGoso. rocHosiDADe Não-rochoso releVo locAl Plano erosão Laminar ligeira DreNAGem Imperfeitamente drenado BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Projeto RADAM. Folha SA. 20 foNte Manaus. Geologia, geomorfologia, solos, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro: DNPM, 1978. 628 p Descrição morfolóGicA 0-10 cm, bruno-escuro (10YR 3/3, úmido); franco-siltosa; fraca, pequena e granular; friável, ligeiramente A plástica e ligeiramente pegajosa; transição clara. 10-150 cm, bruno-amarelado-escuro (10YR 4/4, úmido); mosqueado bruno-amarelado (10YR 5/8) e bruno (N iic1 8/); franco-siltosa; maciça; firme, plástica e ligeiramente pegajosa; transição clara. 150-160 cm, cinzento (10YR 6/1, úmido); mosqueado bruno-amarelado (10YR 5/6); franco-siltosa; maciço; iic2g firme, plástica e pegajosa. 15 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: 116 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05- <0,002 (%) (cm) >20mm 20-2mm <2mm 2-0,2 0,2- Natural 0,002mm mm mm 0,05mm A 0-10 61,0 8,8 65 6,9 IIC1 10-150 63,8 25,1 52 2,5 IIC2g 150-160 68,8 26,4 58 2,6 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 A 4,6 4,1 IIC1 4,0 0,7 IIC2g 4,1 0,3 Saturação Saturação -1 Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmol kg ) por porc Soma de (cmol kg-1) Valor T por bases EquivalenteAlumínio Sódio Bases (S) c (cmolc (V%) CaCO 1 -1 (m%) (Na%) 3(cmolc kg ) kg ) 100.S (g kg -1) 100.Al+3 100.Na T +3 Hori- Al + S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. A 1,74 0,23 0,26 0,28 0,06 13,90 65 1 IIC1 5,96 9,16 ,42 0,47 0,32 18,63 82 2 IIC2g 7,64 0,15 0,48 0,28 0,15 20,93 87 1 Ataque por H2SO4 (g kg -1) Relações Moleculares P Ferro Livre -1 AssimilávelHori- Al O Fe O (g kg ) SiO Al O Fe O TiO P O MnO Ki Kr 2 3 2 3 (mg kg-1) zonte. 2 2 3 2 3 2 2 5 Fe2O3 A 0,09 0,32 6,87 IIC1 1,6 0,05 8,81 IIC2g 2,0 0,03 9,98 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmolc kg -1) Hori- Extrato H2O B Zn Fe Mn Cu Co Mozonte. (mS cm-1) Ca +2 Mg+2 K+ Na+ CO -2 HCO -1 Cl-1 -23 3 SO4 A IIC1 IIC2g 16 DESCRIÇÃO DOS PERFIS DE SOLO Descrição De um Perfil De Neossolo QuArtZArÊNico HiDromórfico tíPico clAssificAção ANterior Areia Quartzoza Hidromórfica álica uNiDADe De mAPeAmeNto RQg locAliZAção, muNicíPio, Município de Humaitá, estado do Amazonas – 8º 35’S e estADo e coorDeNADAs 31º 11’WGr situAção, DecliVe e coBerturA VeGetAl soBre o Perfil Local plano, com declive menor que 2% e sob cobertura de savana litoloGiA Sedimentos arenosos formAção GeolóGicA Não-identificada croNoloGiA Quaternário mAteriAl oriGiNÁrio Produto de alteração do material supracitado PeDreGosiDADe Não-pedregoso rocHosiDADe Não-rochoso releVo locAl Plano releVo reGioNAl Plano e suave ondulado erosão Não-aparente DreNAGem Moderadamente a imperfeitamente drenado BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Projeto RADAM. Folha SC. 20 foNte Porto Velho. Geologia, geomorfologia, solos, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro: DNPM, 1976. 184 p Descrição morfolóGicA A1 0-20 cm, bruno-amarelado (10YR 4/1, úmido); areia; grãos simples; solta, não plástica e não pegajosa; transição plana e gradual. c1 20-40 cm, vermelho muito escuro-acinzentado (10YR 7/4, úmido); areia; grãos simples; solta, não plástica e não pegajosa; transição plana e gradual. c2 40-65 cm, amarelo (10YR 8/6, úmido); areia; grãos simples; solta, não plástica e não pegajosa; transição plana e gradual. c3 65-75 cm, vermelho (2,5YR 5/8, úmido); mosqueado amarelo-claro-acinzentado (2,5Y 7/4) e cinzento-claro (2,5Y 7/2, úmido); areia-franca; grãos simples; friável, não plástica e não pegajosa; transição plana e gradual. c4 75-85 cm, amarelo-brunado (10YR 6/6, úmido); mosqueado amarelo-avermelhado (7,5YR 6/6, úmido); areia- franca; grãos simples; solto, não plástica e não pegajosa. 17 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AmAzONAS resultADos ANAlíticos Perfil ou AmostrA eXtrA Nº: 41 Horizontes Frações da Amostra Total (g kg-1) Granulometria da Terra Fina (g kg-1) Grau de Areia Areia Silte/ Silte Argila Floculação Profundidade Ca-lhaus Cascalhos T F S A Grossa Fina Argila Argila Símb. 0,05- <0,002 (%) (cm) >20mm 20-2mm <2mm 2-0,2 0,2- Natural 0,002mm mm mm 0,05mm A1 0-20 13 60 31 6 3 1 67 2,00 C1 20-40 33 64 29 4 3 2 33 1,33 C2 40-65 34 68 19 7 6 5 17 1,16 C3 65-75 1 67 16 10 7 5 29 1,42 C4 75-85 0 70 14 10 6 5 17 1,66 Umidade (g kg-1) Densidade (kg dm-3) pH (1: 2,5) Porosidade C N MO Relação Hori- 0,01 0,033 1,5 cm3/100cm3 (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1) C/N Solo Partícula H O KCl zonte Mpa Mpa Mpa 2 A1 4,7 4,0 0,31 0,04 0,53 8 C1 4,5 4,1 0,08 0,01 0,14 8 C2 4,5 4,1 0,08 0,02 0,14 4 C3 4,6 4,2 0,09 0,01 0,15 9 C4 4,7 4,5 0,07 0,01 0,12 7 Saturação Saturação Acidez Extraível Saturação Bases Trocáveis (cmol kg-1) por porc Soma de (cmol kg-1) Valor T por bases Equivalentec Alumínio Sódio Bases (S) (cmolc (V%) CaCO(m%) (Na%) 3 (cmolc kg 1) kg-1) 100.S (g kg-1) 100.Al+3 100.Na T +3 Hori- Al + S T Ca+2 Mg+2 K+ Na+ H+ Al+3 zonte. A1 0,07 0,02 0,03 0,01 0,13 1,27 1,20 2,60 5 100 C1 0,06 0,01 0,02 0,01 0,10 0,26 0,40 0,76 13 90 C2 0,02 0,02 0,03 0,01 0,08 0,19 0,80 1,07 7 80 C3 0,02 0,01 0,03 0,02 0,08 0,19 0,80 1,07 7 91 C4 0,02 0,01 0,03 0,02 0,08 0,32 1,00 1,40 6 91 Ataque por H2SO4 (g kg -1) Relações Moleculares P Ferro Livre -1 AssimilávelHori- Al O Fe2O3 (g kg )SiO Al O Fe O TiO P O MnO Ki Kr 2 3 (mg kg-1) zonte. 2 2 3 2 3 2 2 5 Fe2O3 A1 1,87 3,57 0,79 <0,11 0,89 0,78 7,08 C1 2,35 3,83 0,79 <0,11 1,04 0,92 7,59 C2 4,04 7,65 0,19 <0,11 0,90 0,82 10,07 C3 5,73 9,18 2,38 <0,11 1,06 0,91 6,04 C4 6,70 6,69 1,99 <0,11 1,09 0,96 5,27 Pasta Saturada Micronutrientes (mg kg-1) C.E do Íons do Extrato de Saturação (cmol kg-1) Hori- Extrato c H O B Zn Fe Mn Cu Co Mo zonte. (mS 2 Ca+2 Mg+2 K+cm-1) Na + CO -23 HCO -1 Cl-1 SO -23 4 A1 C1 C2 C3 C4 18 NOTA SOBRE OS AUTORES GEODIVERSIDADE DO AMAZONAS ANTENOR FARIA DE MURICY FILHO – Graduado (1964) em Geologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ingressou na Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) em 1965, onde permaneceu até 1983. Nessa empresa se aperfeiçoou por meio de inúmeros cursos, principalmente na área de interpretação de perfis e análise de bacias. Exerceu os cargos de chefe de seção, de setor, de divisão e superintendência interina, além do exercício da Gerência de Exploração das Sucursais da Petrobras Internacional (Braspetro) do Egito e da Líbia (1976-1979). Em 1985 reingressou, como contratado, na Braspetro, onde exerceu a Gerência de Exploração das Sucursais do Yemen do Sul e da Colômbia (1985- 1992). Ingressou na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em dezembro de 2005, onde exerceu a função de Assessor de Superintendência (2007-2008) e a Superintendência Adjunta de Definição de Blocos (em 2009). Atualmente, é superintendente interino desse órgão. ANTÔNIO THEODOROVICZ – Geólogo formado (1977) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialização (1990) em Geologia Ambiental. Ingressou na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) – Superintendência Regional de Porto Velho (SUREG/PV) em 1978. Desde 1982 atua na Superintendência Regional de São Paulo (SUREG/SP). Executou e chefiou vários projetos de mapeamento geológico, prospecção mineral e metalogenia em diversas escalas nas regiões Amazônica, Sul e Sudeste. Desde 1990 atua como supervisor/executor de vários estudos geoambientais, para os quais concebeu uma metodologia, também adaptada e aplicada na geração dos mapas Geodiversidade do Brasil e estaduais. Atualmente, também é coordenador regional do Projeto Geoparques da CPRM/SGB, ministrando treinamentos de campo para caracterização do meio físico para fins de planejamento e gestão ambiental, para equipes da CPRM/ SGB e de países da América do Sul. BERNARDO FARIA ALMEIDA – Graduado (2003) em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre (2005) em Engenharia de Produção (Logística) pela COPPE/UFRJ. Atua na ANP, como Analista Administrativo, na Superintendência de Definição de Blocos desde 2005, nos estudos de Geologia e Geofísica para as Rodadas de Licitações de Blocos Exploratórios realizadas pela ANP, e no acompanhamento dos contratos realizados por essa superintendência de acordo com o Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica. CARLOS JOSÉ BEZERRA DE AGUIAR – Geólogo (1974) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre (1995) em Hidrogeologia por essa instituição. Trabalhou nas empresas Tungstênio do Brasil e Fábrica de Cimento Nassau, ambas no estado do Rio Grande do Norte. Trabalhou na CPRM/SGB (Superintendência Regional de Recife) no período 1977-1979. Entre 1985-1998, trabalhou com rochas ornamentais para o governo do estado de Pernambuco. No ano de 1998, retornou à CPRM (SUREG-MA), onde se encontra trabalhando com água subterrânea. Dentre outros projetos, participou do Cadastramento de Poços Tubulares do Nordeste e do Mapa de Domínios Hidrogeológicos do Brasil. Atualmente, é responsável por: Projeto SIAGAS, Rede de Monitoramento de Águas Subterrâneas e Mapa Hidrogeológico do Brasil (Amazonas e Roraima). CINTIA ITOKAZU COUTINHO – Engenheira civil formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Servidora da ANP desde 2004. DANIEL BORGES NAVA – Geólogo formado (1990) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre (1999) em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade da Amazônia pelo Centro de Ciências do Ambiente (CCA) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Ocupou o cargo de Superintendente Regional de Manaus da CPRM/SGB no período de 2003 a 2007. Professor fundador da Faculdade La Salle Manaus desde 2005. Atual Secretário Executivo de Geodiversidade e Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas. DANIEL DE OLIVEIRA – Engenheiro civil formado (1995) pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP-PE), com especialização em Gestão Ambiental pelo Instituto de Tecnologia da Amazônia/UTAM (1999) e em Planejamento e Gerenciamento de Águas pela Universidade Federal do Amazonas (2003). Atua desde 1997 na CPRM/SGB, na Superintendência Regional de Manaus. Atualmente, trabalha diretamente nos projetos da Operação da Rede Hidrometeorológica, Monitoramento de Eventos Extremos e Dinâmica Fluvial do Sistema Negro-Solimões- Amazonas. EDGAR SHINZATO – Graduado (1990) em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e mestre (1998) em Produção Vegetal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Área de concentração: Pedologia, Meio Ambiente e Geoprocessamento. Atualmente, é coordenador executivo do Departamento de Gestão Territorial da CPRM/SGB. GILVAN COMBRA MARTINS – Graduado (1984) em Agronomia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), especialização (1993) em Estatística e Métodos Quantitativos pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre (2001) em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Atualmente, é Pesquisador II da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), coordenador de projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e pesquisador do Banco da Amazônia (BASA). Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Ciência do Solo. Atua principalmente nos seguintes temas: Amazônia, Campo Cerrado, Humaitá, Plintossolo, Plantio Convencional e Atributo Físico-Químico. HEDINALDO NARCISO LIMA – Graduado (1989) em Agronomia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mestre (1994) em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutor (2001) em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atualmente, é professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Ciência do Solo, atuando principalmente nos seguintes temas: Solos e Ambientes da Amazônia, Adubação e Nutrição de Espécies Florestais da Amazônia. HUGO GALÚCIO PEREIRA – Geólogo formado (2006) pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Trabalhou com projetos de pesquisa nas áreas de Análise de Passivos Ambientais, Investigação e Remediação de Áreas Contaminadas (Petrobras), pesquisa em Geoquímica e Hidroquímica na Coordenação de Pesquisas em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Avaliação da Viabilidade Técnica e Ambiental de Projetos de Exploração Mineral com fins de licenciamento no Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM). No período de 2006 a 2007, em Sondershausen (Alemanha), desenvolveu projetos de pesquisa nas áreas de Geofísica, Geomecânica e Mineração, e de Geoecologia no Instituto de Pesquisas em Potássio e Tecnologias Ambientais (Kali-Umwelttechnik GmbH). Trabalhou em 2008 e 2009 na Secretaria Executiva de Geodiversidade e Recursos Hídricos vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS/SEGEORH), coordenando os convênios celebrados entre o Governo do Estado, a Superintendência da Zona 2 NOTA SOBRE OS AUTORES Franca de Manaus e o Ministério de Minas e Energia. Ingressou na CPRM/SGB em junho de 2009. Atua como Pesquisador em Geociências na Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial até o presente. JOSÉ LUIZ MARMOS – Geólogo (1982) pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre (2007) em Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Entre os anos de 1983 e 1991, trabalhou nas empresas do Grupo Best Metais e Soldas, com atuação em projetos de prospecção e pesquisa de estanho e ouro nos estados de Goiás, Tocantins e Rondônia. De 1991 a 1992, esteve na Mineração Mateus Leme, em atividades de pesquisa de minerais industriais nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás. Trabalha desde 1996 na CPRM/SGB (Superintendência Regional de Manaus), na área de Geologia Ambiental, em projetos de zoneamento ecológico-econômico, gestão territorial e geoquímica ambiental nos estados de Amazonas e Roraima, notadamente em atividades de avaliação da qualidade de recursos hídricos superficiais e subterrâneos. KÁTIA DA SILVA DUARTE – Geóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB). Mestre e doutora em Geotecnia pelo Departamento de Tecnologia da UnB. Servidora da ANP desde 2002. MARCELO EDUARDO DANTAS – Graduado (1992) em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com os títulos de licenciado em Geografia e Geógrafo. Mestre (1995) em Geomorfologia e Geoecologia pela UFRJ. Nesse período, integrou a equipe de pesquisadores do Laboratório de Geo-Hidroecologia (GEOHECO/UFRJ), tendo atuado na investigação de temas como: Controles Litoestruturais na Evolução do Relevo; Sedimentação Fluvial; Impacto das Atividades Humanas sobre as Paisagens Naturais no Médio Vale do Rio Paraíba do Sul. Em 1997, ingressou na CPRM/SGB, atuando como geomorfólogo até o presente. Desenvolveu atividades profissionais em projetos na área de Geomorfologia, Diagnósticos Geoambientais e Mapeamentos da Geodiversidade, em atuação integrada com a equipe de geólogos do Programa GATE/CPRM. Dentre os trabalhos mais relevantes, destacam-se: Mapa Geomorfológico e Diagnóstico Geoambiental do Estado do Rio de Janeiro; Mapa Geomorfológico do ZEE RIDE Brasília; Estudo Geomorfológico Aplicado à Recomposição Ambiental da Bacia Carbonífera de Criciúma; Análise da Morfodinâmica Fluvial Aplicada ao Estudo de Implantação das UHEs de Santo Antônio e Jirau (Rio Madeira-Rondônia). Atua, desde 2002, como professor-assistente do curso de Geografia/UNISUAM. Atualmente, é coordenador nacional de Geomorfologia do Projeto Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB). Membro efetivo da União da Geomorfologia Brasileira (UGB) desde 2007. MARCELO ESTEVES ALMEIDA – Graduado (1991) em geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), mestre (1996) em Petrologia de Granitos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor (2006) em Geologia e Geoquímica Isotópica pela Universidade Federal do Pará (UFPA), esse último com estágio no exterior (Université Paul Sabatier-LMTG-CNRS, Toulouse III). É geólogo da CPRM/SGB (Superintendência Regional de Manaus), onde exerce a função de Gerente de Geologia e Recursos Minerais desde 2008. Atualmente, desenvolve trabalhos nas linhas de pesquisas ligadas a Geologia Regional, Petrologia e Evolução Crustal, com foco nas regiões noroeste e sul do Amazonas e sudeste de Roraima. Participa de projetos financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de atuar como membro de bancas examinadoras de monografias, dissertações e teses. MARIA ADELAIDE MANSINI MAIA – Geóloga formada (1996) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em Geoprocessamento pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atuou de 1997 a 2009 na Superintendência Regional de Manaus da CPRM/SGB, nos projetos de Gestão Territorial e Geoprocessamento, destacando-se o Mapa da Geodiversidade do Estado do Amazonas e os Zoneamentos Ecológico-Econômicos (ZEEs) do Vale do Rio Madeira, do estado de Roraima, do Distrito Agropecuário da Zona Franca de Manaus. Atualmente, está lotada no Escritório Rio de Janeiro da CPRM/SGB, desenvolvendo atividades ligadas aos projetos de Gestão Territorial dessa instituição, notadamente o Programa de Levantamento da Geodiversidade. MARIA ANGÉLICA BARRETO RAMOS – Graduada (1989) em geologia pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre (1993) em Geociências pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ingressou na CPRM/SGB em 1994, onde atuou em mapeamento geológico no Projeto Aracaju ao Milionésimo. Em 1999, no Departamento de Gestão Territorial (DEGET), participou dos projetos Acajutiba-Aporá-Rio Real e Porto Seguro-Santa Cruz Cabrália. Em 2001, na Divisão de Avaliação de Recursos Minerais integrou a equipe de coordenação do Projeto GIS do Brasil e de Banco de Dados da CPRM/SGB. A partir de 2006, passou a atuar na coordenação de geoprocessamento do Projeto Geodiversidade do Brasil no DEGET. Ministra cursos e treinamentos em ferramentas de SIG aplicados a projetos da CPRM/SGB. É autora de 32 trabalhos individuais e coautora nos livros “Geologia, Tectônica e Recursos Minerais do Brasil” e “Geodiversidade do Brasil”, dentre outros (12). Foi presidenta da Associação Baiana de Geólogos no período de 2005-2007 e vice-presidenta de 2008 a 2009. NAILDE MARTINS ANDRADE – Graduada em Geologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e especialista em Planejamento e Gerenciamento de Águas. Desde 1997 é Técnica em Geociências da CPRM/SGB (Superintendência Regional de Manaus). Atualmente, trabalha nos projetos da Operação da Rede Hidrometeorológica Nacional e no SIG Hidrológico. NELSON JOAQUIM REIS – Graduado (1977) em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Atua na CPRM/SGB há 31 anos, tendo participado de importantes projetos de mapeamento geológico e de pesquisa mineral nos estados de Roraima e Amazonas. Sua maior contribuição científica (dos mais de 50 trabalhos publicados como autor) está na estratigrafia do Supergrupo Roraima. Foi coordenador da Folha NA.20-Boa Vista para a Carta Geológica do Brasil ao Milionésimo (CPRM, 2004). Participou dos programas de Zoneamento Ecológico- Econômico Brasil-Venezuela (1999) e Roraima Central (2002). Foi coordenador dos livros “Contribuição à Geologia da Amazônia” (2003) e “Geologia e Recursos Minerais” para o SIG-AM (CPRM, 2006). Ocupou a Gerência de Geologia e Recursos Minerais da CPRM-Manaus no período de 2002 a 2008. PEDRO AUGUSTO DOS SANTOS PFALTZGRAFF – Geólogo formado (1984) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre (1994) na área de Geologia de Engenharia e Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor (2007) em Geologia Ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Trabalhou, entre 1984 e 1988, em obras de barragens e projetos de sondagem geotécnica na empresa Enge Rio – Engenharia e Consultoria S.A. e como geólogo autônomo entre os anos de 1985-1994. Trabalha na CPRM/ SGB desde 1994, onde atua em diversos projetos de Geologia Ambiental. RODRIGO SANTANA MACEDO – Graduado (2005) em Ciências Naturais e mestre (2009) em Agronomia Tropical pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atualmente, é doutorando no Programa de Solos e Nutrição de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz 3 GEODIVERSIDADE DO AMAZONAS (ESALq/USP). Tem experiência na área de Ciência do Solo, com ênfase em Gênese e Classificação, atuando principalmente nos seguintes temas: Levantamento de Solos e Caracterização Física, Química e Pedológica de Solos com Horizonte Antrópico e Solos de Várzea e Estudos sobre Indicadores Físico-Químicos de Recuperação de Áreas Degradadas. SHEILA GATINHO TEIXEIRA – Geóloga formada (2004) pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado (2006) em Sensoriamento Remoto por essa instituição. Atua desde 2008 na CPRM/SGB (Superintendência Regional de Manaus), nos projetos Geodiversidade do Amazonas e Dinâmica Fluvial do Sistema Negro-Solimões-Amazonas. SÍLVIA CRISTINA BENITES GONÇALES – Geóloga bacharelada pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP/SP) e licenciada (2004) pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP/SP). Professora de Ensino Médio entre 1996 e 2000 nos municípios de São Paulo, Valinhos e Campinas do estado de São Paulo. Estagiária de licenciatura entre 2001 e 2003, nos municípios: Iguape, Campinas e São Paulo do estado de São Paulo. Participou do Curso de Formação de Professores e lecionou Ciências Naturais no Programa do Governo Federal para Inclusão de Jovens na Educação, na Qualificação para o Trabalho e na Ação Comunitária (ProJovem) entre 2006 e 2007, no município de Embu/SP. Ingressou na CPRM/SGB em novembro de 2007, atuando na Gerência de Relações Institucionais e de Desenvolvimento na Superintendência Regional de Manaus. Coordenadora da Câmara Especializada de Geologia e Engenharia de Minas do CREA-AM e coordenadora- adjunta nacional da Coordenadoria das Câmaras de Geologia e Engenharia de Minas do CONFEA. Presidenta da Associação dos Empregados da CPRM/SGB de Manaus e membro do Comitê Regional de Pró-Equidade de Gênero da CPRM/SGB. Participou dos cursos: Dinâmica Fluvial, Introdução ao Geoprocessamento, Técnicas de Cenários (CPRM/SBG); Geologia da Amazônia (UFAM); Workshop Geoparque (USP); estágio de sobrevivência na selva pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva do Exército Brasileiro em Manaus. Participou dos projetos Geodiversidade do Estado do Amazonas e Alto Solimões. Responsável pelo Projeto Geoparque Cachoeiras do Amazonas, no município de Presidente Figueiredo/AM. SILVIO ROBERTO LOPES RIKER – Graduado (1971) em Geologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com especialização (1972) em Geologia Econômica pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e mestrado (2005) em Geociências pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Contratado pela CPRM/SGB em final de 1972, permaneceu à disposição do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM – 5º Distrito) até 1974. Executou fiscalização de trabalhos de pesquisa (bauxita e caulim) na região do Trombetas e Rio Capim, respectivamente, e mapeamento geológico e pesquisa aluvionar de ouro na Província Aurífera do Tapajós (DNPM/FAG). Na Petrobras/RENOR (1975-1976), acompanhou perfurações nas bacias do médio Amazonas e Campos e na Plataforma Continental do Amapá. No Grupo João Santos (CAIMA), executou pesquisa de calcário para cimento nos municípios de Itaituba, Uruará, Monte Alegre, Alenquer e Nhamundá (PA/AM) e Pio IX (PI). No Grupo Rogelio Fernandez (PA), executou pesquisa de argila, caulim, filito e de nefelina-sienito, para aplicação em pisos cerâmicos. Há 27 anos na CPRM/SGB, foi Superintendente Regional da SUREG-BE (1985-1989) e desenvolveu trabalhos na SUREG-MA em vários projetos, tais como: Prospecção de Fosfato, Turfa e Cassiterita; acompanhamento da lavra de cassiterita no Pitinga, além dos projetos Garimpos (Rio Padauarí), Catrimani-Uraricoera, Roraima Central, Zoneamento Ecológico-Econômico do Vale do Rio Madeira, PIMA AM/RR, Materiais de Construção no Domínio Médio Amazonas; Elaboração do Prospecto de Fosfato Roraima (Projeto Fosfato Brasil). Elaboração do Projeto Geologia e Recursos Minerais da Região Metropolitana de Manaus. Foi Supervisor de Área da GEREMI. Atualmente, atua no Projeto Dinâmica Fluvial do Sistema Solimões-Amazonas. É, ainda, Conselheiro do CEGEO-AM e tem inúmeros trabalhos publicados. SUELY SERFATY-MARQUES – Graduada (1975) em geologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Especialização em Petrologia e Engenharia do Meio Ambiente. Atualmente, trabalha como geóloga da CPRM/SGB, onde exerce a função de assistente da chefia da Divisão de Gestão Territorial da Amazônia. Nos primeiros 15 anos de carreira, dedicou-se à análise petrográfica e a estudos de petrologia e mineralogia, tendo atuado nos estados do Pará e Goiás, em diversas instituições públicas e órgãos geocientíficos, como: RADAMBRASIL, SUDAM, IDESP (POLAMAZÔNIA), UFPA/ FADESP, NUCLEBRÁS, DNPM e CPRM. A partir de 1991, voltou seu enfoque para a área ambiental, sendo que, de 1992 a 1997, empreendeu trabalhos sobre abastecimento hídrico e gestão municipal. Desde 1997 vem se envolvendo com o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) da Amazônia (Organização dos Estados Americanos – OEA), especialmente nas faixas de fronteira com os países da Pan-Amazônia, onde atuou como assistente da coordenação brasileira nos projetos de cooperação com a Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. Ao longo de toda sua carreira, esteve à frente na revisão de textos técnicos multitemáticos e potencialização das informações geocientíficas. Cursa, atualmente, a Faculdade de Letras: licenciatura plena em Português-Inglês e suas Literaturas. TARCÍSIO EWERTON RODRIGUES (in memorian) – Era graduado (1967) em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), mestre (1977) em Ciência do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor (1984) em Solos e Nutrição de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP). Foi pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e professor visitante da Universidade Federal Rural da Amazônia. Dedicou grande parte de sua vida aos estudos de gênese e mapeamento dos solos da Amazônia. Faleceu em dezembro de 2008, deixando uma grande lacuna na pedologia da Amazônia, da qual era um de seus maiores conhecedores. VALTER JOSÉ MARQUES – Graduado (1966) em Geologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialização em Petrologia (1979), pela Universidade de São Paulo (USP), e Engenharia do Meio Ambiente (1991), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nos primeiros 25 anos de carreira, dedicou-se ao ensino universitário, na Universidade de Brasília (UnB), e ao mapeamento geológico na CPRM/SGB, entremeando um período em empresas privadas (Mineração Morro Agudo e Camargo Correa), onde atuou em prospecção mineral em todo o território nacional. Desde 1979, quando retornou à CPRM/SGB, exerceu diversas funções e ocupou diversos cargos, dentre os quais o de Chefe do Departamento de Geologia da CPRM/SGB e o de Superintendente de Recursos Minerais. Nos últimos 18 anos, vem se dedicando à gestão territorial, com destaque para o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), sobretudo na Amazônia e nas faixas de fronteira com os países vizinhos, atuando como coordenador técnico de diversos projetos binacionais. Nos últimos 10 anos, vem desenvolvendo estudos quanto à avaliação da Geodiversidade para o desenvolvimento regional utilizando técnicas de cenários prospectivos. VITÓRIO ORLANDI FILHO – Geólogo (1967) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialização em Sensoriamento Remoto e Fotointerpretação no Panamá e Estados Unidos. De 1970 a 2007, exerceu suas atividades junto à CPRM/SGB, onde desenvolveu projetos ligados a Mapeamento Geológico Regional, Prospecção Mineral e Gestão Territorial. Em 2006, participou da elaboração do Mapa Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB). WARLEY DA COSTA ARRUDA – Graduado (2000) em Engenharia Ambiental pela Fundação Universidade do Tocantins (UNITINS) e mestre (2005) em Ciências Florestais e Ambientais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atualmente, é bolsista na Universidade Estadual 4 NOTA SOBRE OS AUTORES do Amazonas, lotado em Manaus. Tem experiência na área de Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Métodos e Técnicas do Planejamento Urbano e Regional. Atua principalmente nos seguintes temas: Estimativa de Erosão, Erosão Hídrica do Solo, com destaque na Região Amazônica (Urucu-AM). WENCESLAU GERALDES TEIXEIRA – Graduado (1989) em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre (1992) em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutor (2001) em Geoecologia pela Universidade de Bayreuth (Alemanha). Desde 1995 é pesquisador da Embrapa. Participa como professor associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) no curso de pós-graduação em Agronomia Tropical e do curso de pós-graduação em Agricultura do Trópico Úmido no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Trabalha na área de Agronomia, com ênfase em Física, Manejo e Conservação do Solo e da Água, atuando principalmente nos seguintes temas: Indicadores da Qualidade Física e Métodos de Avaliação das Características Físico-Hídricas de Solos Tropicais; Modelagem de Fluxos de Água e Solutos no Solo; Gênese das Terras Pretas de Índio. 5 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL Geodiversidade do Estado do Amazonas é um produto LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE concebido para oferecer aos diversos segmentos da sociedade amazonense uma tradução do atual conhecimento geocientífico da região, com vistas ao planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE incluindo desde as empresas de mineração, passando SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andarBrasília – DF • 70830-030 pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305 Fax: 61 3225-3985 estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs. Escritório Rio de Janeiro – ERJ Av. Pasteur, 404 – Urca Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-040 Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382 usuários, o mapa compartimenta o território Fax: 21 2542-3647 amazonense em unidades geológico-ambientais, Presidência destacando suas limitações e potencialidades frente à Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838 Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985 agricultura, obras civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras, potencial mineral e geoturístico. Diretoria de Hidrologia e Gestão TerritorialFone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804 Departamento de Gestão Territorial Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094 para a região, são destacadas Áreas de Relevante Diretoria de Relações Institucionais Interesse Mineral – ARIM, Potenciais Hidrogeológico e Desenvolvimento Fone: 21 2295-5837 • 61 3223-1166/1059 e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600 Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Superintendência Regional de Manaus representando rico acervo de dados e informações Av. Andre Araujo, 2160 – Aleixo Manaus – AM • 69060-001 atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Fone: 92 2126-0300/0306 • Fax: 92 2126-0319 tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Assessoria de Comunicação do território nacional. Fone: 21 2546-0215 • Fax: 21 2542-3647 Divisão de Marketing e Divulgação Fone: 31 3878-0372 • Fax: 31 3878-0382 marketing@bh.cprm.gov.br Ouvidoria Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495 ouvidoria@rj.cprm.gov.br Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897 seus@rj.cprm.gov.br rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br 2010 o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação responsável e ao desenvolvimento sustentável. Apoio Institucional 2010 2010 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS