Programa Geologia do Brasil ISBN 978-85-7499-502-1 Programa Geologia do Brasil Levantamentos Geológicos Básicos Levantamentos Geológicos Básicos GEOLOGIA ESTADO DO TOCANTINS E RECURSOS MINERAIS NOTA EXPLICATIVA FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C GEOLOGIA A elaboração do Projeto Sudeste de Tocantins, Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis SC.23-Y-C; resulta de uma ação da E RECURSOS MINERAIS Serviço Geológico do Brasil – CPRM, empresa pública vinculada à Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C Ministério de Minas e Energia. O produto foi executado pela Superintendência Regional de Goiânia, no âmbito do Programa Geologia do Brasil, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. Este relatório apresenta o estado da arte do conhecimento em geologia e recursos minerais, na escala 1:250.000, na Folha Dianópolis SC.23-Y-C, que abrange uma área de aproximadamente 18.000 km2, localizada Escala: 1:250.000 na porção oriental do estado do Tocantins. As informações geradas por este projeto deverão auxiliar os órgãos de planejamento das esferas de governo federal, estadual e municipal, CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL em especial ao governo do estado do Tocantins Diretoria de Geologia e Recursos Minerais e seus respectivos municípios, no Tel: 21 2546-0212 - 61 3223-1166 estabelecimento de políticas públicas de Departamento de Geologia desenvolvimento regional, assim como a Tel: 91 31821326 iniciativa privada, na medida em que serve de Departamento de Recursos Minerais base para estudos mais detalhados de Tel: 21 2295-4992 prospecção e exploração mineral, além de Superintendência de Goiânia subsidiar estudos de zoneamento ecológico- Tel: 62 3240-1400 econômico e de gestão ambiental do território. Escala: 1:250.000 www.cprm.gov.br Goiânia/2019 SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495 E-mail: seus@cprm.gov.br E-mail: ouvidoria@cprm.gov.br PROJETO SUDESTE DO TOCANTINS GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA Ministro de Estado Bento Albuquerque Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Alexandre Vidigal de Oliveira SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Esteves Pedro Colnago Diretor de Geologia e Recursos Minerais José Leonardo Silva Andriotti Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Antônio Carlos Bacelar Nunes Diretor de Infraestrutura Geocientífica Fernando Pereira de Carvalho Diretor de Administração e Finanças Juliano de Souza Oliveira COORDENAÇÃO TÉCNICA Chefe do Departamento de Geologia Lúcia Travassos da Rosa Costa Chefe da Divisão de Geologia Básica Vladimir Cruz de Medeiros Chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica Luiz Gustavo Rodrigues Pinto Chefe do Departamento de Recursos Minerais Marcelo Esteves Almeida Chefe da Divisão de Geologia Econômica Felipe Mattos Tavares Chefe da Divisão de Geoquímica Cassiano Costa e Castro Chefe do Departamento de Informações Institucionais Edgar Shinzato Chefe da Divisão de Geoprocessamento Hiran Silva Dias Chefe da Divisão de Cartografia Fábio Silva da Costa Chefe do Departamento de Relações Institucionais e Divulgação Valter Alvarenga Barradas Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação Washington José Ferreira Santos Chefe do Departamento de Apoio Técnico Maria Alice Ibañez Duarte Chefe da Divisão de Editoração Geral Ricardo Luiz Barreiros Motta SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE GOIÂNIA Superintendente Gilmar José Rizzotto Gerente de Geologia e Recursos Minerais Marcelo Ferreira da Silva Supervisores de Projetos Felipe Rodrigues Martins e Cléber Alves Ladeira MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C ESCALA 1:250.000 ESTADO DO TOCANTINS ORGANIZADORES André Menezes Sabóia Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini Goiânia 2019 REALIZAÇÃO COLABORAÇÃO TÉCNICA Superintendência Regional de Goiânia LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS ORGANIZAÇÃO André Menezes Sabóia Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini André Menezes Sabóia Gabriel de Freitas Gonçalves Joffre Valmório de Lacerda Filho CRÉDITOS DE AUTORIA DO TEXTO EXPLICATIVO LEVANTAMENTOS GEOQUÍMICOS 1. Introdução Daliane Bandeira Eberhardt Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini Pedro Ricardo Soares Bispo André Menezes Sabóia João Rocha de Assis 2. Contexto Geológico Regional ANÁLISES PETROGRÁFICAS André Menezes Sabóia Maria Abadia Camargo Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini André Menezes Sabóia 3. Estratigrafia CARTOGRAFIA DIGITAL E GEOPROCESSAMENTO André Menezes Sabóia Luiz Carlos de Melo Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini Valdivino Patrocínio da Silva 4. Geologia Estrutural e Evolução Tectônica PROJETO GRÁFICO/EDITORAÇÃO André Menezes Sabóia Jaime Estevão Scandolara Capa (DIMARK) Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini Washington José Ferreira Santos 5. Recursos Minerais e Geoquímica Prospectiva Miolo (DIEDIG) André Menezes Sabóia Andréia Amado Continentino Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini Agmar Alves Lopes Daliane Bandeira Eberhardt Diagramação (GERINF-GO) 6. Conclusões e Recomendações Cristiane de Lima Pereira André Menezes Sabóia Kátia Siqueira Batista Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini REVISÃO FINAL 7.Referências Bibliográficas Vladimir Cruz de Medeiros (DIGEOB) Paulo Fernando Villas-Bôas Meneghini André Menezes Sabóia Maria Gasparina de Lima Serviço Geológico do Brasil – CPRM www.cprm.gov.br seus@cprm.gov.br Sabóia, André Menezes S117g Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis - SC.23-Y-C: Escala 1:250.000, Projeto Sudeste do Tocantins, estado do Tocantins / André Menezes Sabóia e Paulo Fernando Villas-Boas Meneghini. – Goiânia: CPRM, 2019 . 193 p.: il.; 30 cm. Programa Geologia do Brasil (PGB) ISBN: 978-85-7499-502-1 1. Geologia Regional – Brasil – Tocantins. 2. Recursos Minerais – Brasil – Tocantins. 3. Geotectônica. I. Título. CDD: 553.098117 Direitos desta edição: Serviço Geológico do Brasil – CPRM Permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. CPRM - Programa Geologia do Brasil APRESENTAÇÃO O PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL – PGB, desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil-CPRM, empresa vinculada à Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério de Minas e Energia, é responsável pela retomada dos levantamentos geológicos básicos em todo país. O PGB tem por objetivo a ampliação do conhecimento geológico do território brasileiro, fornecendo subsídios técnicos para atrair novos investimentos em pesquisa mineral, visando a descoberta de novos depósitos. Adicionalmente, dada importância do conhecimento geológico como fonte primordial de conhecimento do meio físico, os levantamentos geológicos são ferramentas importantes para gestores públicos, federais, estaduais e municipais, no desenvolvimento de projetos de ordenamento e gestão territorial. É com esta premissa que o Serviço Geológico do Brasil – CPRM tem a grata satisfação de disponibilizar à comunidade técnico- científica, aos empresários do setor mineral e à sociedade em geral os resultados alcançados pelo PROJETO SUDESTE DO TOCANTINS – FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C, executado pela Superintendência Regional de Goiânia, e financiado com recursos do PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO - PAC. Este produto apresenta o estado da arte do conhecimento geológico e de recursos minerais na escala 1:250.000 de uma área de 18.000 km2, localizada no sudeste do estado do Tocantins, que abrange parcialmente os municípios Pindorama do Tocantins, Natividade, Chapada da Natividade, Almas, Porto Alegre do Tocantins, Dianópolis, Novo Jardim e Rio da Conceição. O Projeto Sudeste do Tocantins – Folha Dianópolis visou principalmente a cartografia geológica compatível com a escala 1:250.000, fundamentada pela integração geológico-geofísica, subsidiada por trabalhos de campo, análises laboratoriais, além do levantamento e consistência de informações geológicas pré-existentes. Os dados levantados foram integrados neste relatório, em um mapa geológico e em bases de dados, disponíveis para download no banco de dados corporativo do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, o GeoSGB (http:// geosgb.cprm.gov.br). Esteves Pedro Colnago Diretor-Presidente José Leonardo Silva Andriotti Diretor de Geologia e Recursos Minerais 4 RESUMO Apresentamos os resultados da cartografia geológica e levantamento de recursos minerais 1:250.000 Folha Dianópolis (SC.23-Y-C), embasados em dados de campo, petrográficos, estruturais, aerogeofísicos e geocronológicos. O presente trabalho foi desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM, desenvolvido pela Superintendência de Goiânia no âmbito do Programa Geologia do Brasil – PGB e integra o Projeto Sudeste do Tocantins, subprograma Informações Integradas para Proteção da Amazônia. Foram implementados aproximadamente 12000 km de perfis geológicos, totalizando 322 afloramentos descritos, 66 lâminas petrográficas, 15 determinações geocronológicas, sendo 7 (U-Pb) e 8 (Sm-Nd RT), 559 amostras de sedimento de corrente e 540 amostras de concentrado de bateia. A área mapeada esta inserida quase que totalmente na porção norte da Faixa de Dobramentos Brasília (Província Tocantins), e também engloba a borda sul da Bacia do Parnaíba e a borda oeste da Bacia São Franciscana. Foram cartografadas 47 unidades litoestratigráficas com elaboração de um modelo geotectônico que envolve: rochas de arcos magmáticos, bacias metavulcanossedimentares e corpos máfico-ultramáficos paleoproterozoicos, uma bacia plataformal paleo-mesoproterozoica, rochas de arco magmático e sequência metavulcanossedimentar de ambiente extencional neoproterozoicas, bacia metassedimentar neoproterozoica, bacias intracratônicas fanerozoicas, diques mesozoicos e coberturas inconsolidadas cenozoicas. A evolução deformacional da região envolve duas orogêneses, uma do paleoproterozoico (Ciclo Transamazônico) e outra do neoproterozoico (Ciclo Brasiliano-Pan Africano). A orogênese neoproterozoica superpôs à deformação mais antiga e é responsável pela estruturação do arcabouço da folha. Destaca-se o conjunto de zonas de cisalhamento de direção N20°-40°E na porção leste da área que compõem o Lineamento Transbrasiliano. Adicionalmente foram cadastrados 170 jazimentos minerais (129 provenientes de compilação bibliográfica e 41 levantados neste projeto), com destaque para mineralizações auríferas mesotermais tipo Orogenic Lode Gold, restritas aos pólos de Natividade e Serrinha/Conceição do TO (Príncipe), além da Mina do Paiol em Almas. Foram visitadas três minas de metadolomitos e calcários calcíticos na região de Natividade e levantados garimpos e ocorrências de cianita, Mn e ocorrências isoladas de grafita, amianto, galena, brita e rocha ornamental, que completam o quadro de jazimentos da área. Evidencia-se o potencial da área para exploração de ouro e rochas carbonáticas. CPRM - Programa Geologia do Brasil ABSTRACT This report presents the results of geological mapping and surveying of mineral resources 1:250.000 Dianópolis sheet (SC.23-Y-C), grounded in field data, petrographic, lithochemical, structural, geophysical and geochronological. This study is part of the Southeastern Tocantins Project, developed by Geological Survey of Brazil – CPRM, Regional Superintendence of Goiânia in the Geology Program of Brazil - PGB and integrates the Southeast Tocantins Project, subprogram integrated information for Amazon Protection. In this study 12000 km of geological and tracks were described, 322 outcrops, 66 petrographic sections and 15 isotopic/ geochronological determinations, 8 Sm-Nd and 7 U-Pb, with a regional geochemical survey of 559 samples of stream sediment and 540 of pan-concentrate. The mapped area is inserted almost entirely in the northern portion of Brasilia Fold Belt (Tocantins Province), and also covers the southern edge of the Parnaíba Basin and the western edge of the São Franciscana Basin. They were mapped 47 lithostratigraphic units with the preparation of a tectonic model involving: magmatic arc rocks, metavolcano-sedimentary basins and mafic-ultramafic bodies of paleoproterozoic age. Plataformal basin of paleo-mesoproterozoic age. Magmatic arc rocks and metavolcano-sedimentary sequence in extensional environment of neoproterozoic age. Metasedimentary basin of neoproterozoic age. Intracratonic phanerozoic basins. Mesozoic dikes. Unconsolidated cenozoic covers. The deformational evolution of the region involves two orogenic cycles, a Paleoproterozoic (Transamazonian cycle) and one of the neoproterozoic (Brasiliano- Pan African Cycle). The neoproterozoic orogeny superimposed the oldest deformation and is responsible for structuring the framework of the area. Noteworthy is the set of shear zones that strike N20°-40° E in the eastern portion of the area that make up the Lineamento Transbrasiliano. Additionally, there were 170 registered mineral deposits (129 from bibliographic compilation and 41 raised in this project), especially gold mineralization mesothermal orogenic type Lode Gold, restricted to the poles of the Natividade and Serrinha/Conceição-TO (Príncipe), and the Paiol Mine. We visited three mines of metadolomites and calcite limestones in the region of Natividade and raised mines and occurrences of kyanite, manganese and isolated occurrences of graphite, asbesto, galena, crushed stone and ornamental stone, completing the deposits frame the area. The potential is evident in the area for exploration of gold and carbonate rocks. 6 SUMÁRIO 1 — INTRODUÇÃO ....................................................................................13 1.1 - LOCALIZAÇÃO E ACESSO ........................................................................... 13 1.2 - METODOLOGIA UTILIZADA ......................................................................... 13 1.3 - ENFOQUE SÓCIO-ECONÔMICO ..................................................................... 15 1.4 - ASPECTOS CLIMÁTICOS, FISIOGRÁFICOS E GEOMORFOLÓGICOS ............................. 16 2 — CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL .........................................................23 2.1 - FAIXA BRASÍLIA-SETOR SETENTRIONAL ........................................................... 23 2.1.2 - Unidades do Paleo-Mesoproterozoico .................................................... 24 2.1.2.1 - Terrenos Granito-Greenstone (Sideriano-Rhyaciano) ........................ 24 2.1.2.2 - Grupo Água Suja (Rhyaciano-Orosiriano) ...................................... 25 2.1.2.3 - Suíte Aurumina (Rhyaciano-Orosiriano) ........................................ 25 2.1.2.4 - Intrusivas Máfico-Ultramáficas Tipo Gameleira (Rhyaciano-Orosiriano) .. 25 2.1.2.5 - Grupo Natividade (Statheriano-Calymmiano) ................................. 25 2.1.3 - Unidades do Neoproterozoico ............................................................. 25 2.1.3.1 - Suíte Manoel Alves (Arco Magmático de Mara Rosa) - (Toniano-Criogeniano) .......................................................................25 2.1.3.2 - Suíte Intrusiva São José Pequeno (Suíte Intrusiva Lajeado) - (Criogeniano-Neoproterozoico III) .........................................................26 2.1.3.3 - Suíte Mata Azul (Criogeniano-Neoproterozoico III) .......................... 26 2.1.3.4 - Formação Monte do Carmo (Criogeniano-Neoproterozoico III) ............. 26 2.1.3.5 - Grupo Bambuí (Criogeniano) .................................................... 26 2.1.4 - Bacias Fanerozoicas ......................................................................... 26 2.1.4.1 - Bacia do Parnaíba ................................................................. 26 2.1.4.2 - Bacia São-Franciscana ............................................................ 26 2.1.5 - Diques Juro-Cretáceos ...................................................................... 26 2.1.6 - Coberturas Cenozioicas .................................................................... 26 3 — ESTRATIGRAFIA .................................................................................27 3.1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................ 27 3.2 - GRUPO RIACHÃO DO OURO - APP2 ............................................................... 29 3.2.1 - Comentários Gerais ......................................................................... 29 3.2.2 - Formação Córrego Paiol - APP2pi ......................................................... 29 3.2.2.1 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ................................................................29 3.2.2.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ........................ 29 3.2.3 - Formação Morro do Carneiro – APP2mc .................................................. 30 3.2.3.1 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ................................................................30 3.2.3.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ........................ 30 3.2.3.3 - Dados Geocronológicos e Correlações ......................................... 31 3.3 - GRUPO ÁGUA SUJA – PP2as ........................................................................ 31 3.3.1 - Comentários Gerais ......................................................................... 31 3.3.2 - Formação Serrinha - PP2ass ............................................................... 32 3.3.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato .............................. 32 3.3.2.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ....................... 32 3.3.3 - Formação Ticunzal - PP13tz ............................................................... 33 3.3.3.1 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ................................................................33 3.3.4 - Formação Córrego Salobro - PP2ascs ..................................................... 34 3.3.4.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato .............................. 34 3.3.4.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ........................ 34 3.3.4.2.1 - Litofácies Metapelito-psamítica - PP2ascspl ............................... 34 3.3.4.2.2 - Litofácies Metapsamo-pelítica - P2ascsqt .................................. 35 3.4 - COMPLEXO ALMAS-CAVALCANTE - PP12gac ...................................................... 36 3.4.1 - Comentários Gerais ......................................................................... 36 3.3.4.2.3 - Litofácies Metassedimentar-química - PP2ascssq.......................... 36 3.4.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ....... 38 3.4.3 - Litótipos de Rochas, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ..................... 41 3.4.3.1 - Fácies Anfibolítica a Quartzo-diorítica - PP2g2acqd ......................... 41 3.4.3.2 - Unidades Ortognáissica-Granítica - PP2g2acgr e Gnáissico-Migmatítica - PP2g2acgm .....................................................41 3.4.3.3 - Suíte Serra do Boqueirão – PP2g2acsb ......................................... 49 3.4.3.4 - Suíte Peraluminosa - PP2g2acgrd ............................................... 49 3.4.3.5 – Fácies Metagranodiorítica a Metamonzogranítica - PP2gacm .............. 51 3.4.4 - Geocronologia ............................................................................... 53 3.5 - INTRUSIVAS MÁFICO-ULTRAMÁFICAS TIPO GAMELEIRA - P1mugg ............................. 54 3.5.1 - Comentários Gerais ......................................................................... 54 3.5.2 - Distribuição e Relações de Contato ...................................................... 55 3.5.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação .................................. 55 3.6 - SUÍTE AURUMINA - PP2g2au ....................................................................... 57 3.6.1 - Comentários Gerais ......................................................................... 57 3.6.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ....... 57 3.6.3 - Tipos de Rochas, Petrografia, Metamorfismo e Deformação .......................... 60 3.6.3.1 - Fácies Granodiorítica a Tonalítica - PP2g2au3 ................................ 60 3.6.3.2 - Fácies Granodiorítica a Monzogranítica - PP2g2au2 ......................... 61 3.6.3.3 – Fácies Granodiorítica a Sienogranítica - PP2g2au4 .......................... 62 3.6.4 - Geocronologia ............................................................................... 65 3.7 - GRUPO NATIVIDADE – PP4na ....................................................................... 65 3.7.1 - Comentários Gerais ......................................................................... 65 3.7.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ....... 66 3.7.3 - Tipos de Rochas, Petrografia, Metamorfismo e Deformação .......................... 66 Porção Leste .................................................................................. 66 Porção Oeste .................................................................................. 66 3.7.4 – Ambiente Deposicional ..................................................................... 69 3.8 - ARCO MAGMÁTICO DE GOIÁS ...................................................................... 69 3.8.1 - Suíte Manoel Alves - NP3gma .............................................................. 69 3.8.1.1 - Comentários Gerais ............................................................... 69 3.8.1.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ................................................................70 3.8.1.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ........................ 70 3.8.1.3.1 - Fácies Tonalítica a Granodiorítica - NP3gmatn ............................. 70 3.8.1.3.2 - Fácies Monzogranítica a Granodiorítica - NP3gmagr ...................... 71 3.8.2 - Formação Monte do Carmo - NP3mca .................................................... 71 3.8.2.1 - Comentários Gerais ............................................................... 71 3.8.2.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ................................................................72 3.8.2.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ........................ 72 3.8.2.3.1 - Metavulcânicas máficas a intermediárias - NP2bmca ..................... 72 3.8.2.3.2 - Metassedimentos - NP2bmcaqz ............................................... 72 3.9 - GRUPO BAMBUÍ - NP ................................................................................ 73 3.9.1 - Comentários Gerais ......................................................................... 73 3.9.2 - Distribuição e Relações de Contato ...................................................... 74 3.9.3 - Formação Serra de Santa Helena - NP2shp .............................................. 75 3.9.4 - Formação Lagoa do Jacaré - NP3lj ....................................................... 76 3.9.5 - Dados geocronológicos ..................................................................... 77 3.10 - MAGMATISMO PÓS-COLISIONAL .................................................................. 77 3.10.1 - Suíte Mata Azul - NP3ga2 ................................................................. 77 3.10.2 - Suíte Intrusiva Lageado - NP3g2l ........................................................ 78 3.10.2.1 - Comentários Gerais ............................................................. 78 3.10.2.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas ................................................................79 3.10.2.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Deformação ....................... 79 3.11 - BACIA DO PARNAÍBA ............................................................................... 80 3.11.1 - Introdução .................................................................................. 80 3.11.2 - Grupo Serra Grande ...................................................................... 81 3.11.2.1 - Comentários Gerais ............................................................. 81 3.11.2.2 - Formação Jaicós - Ssgj .......................................................... 81 3.11.2.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato .......................... 81 3.11.2.2.2 - Litótipos e Ambiente Deposicional ......................................... 82 3.11.2.2.3 - Dados Geocronológicos e Correlações ..................................... 84 3.11.2.3 - Grupo Canindé ................................................................... 85 3.11.2.3.1 - Comentários Gerais ........................................................... 85 3.11.2.3.2 - Formação Itaim (D1i) ......................................................... 85 3.11.2.3.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato ........................ 85 3.11.2.3.2.2 - Litotipos e Ambiente Deposicional ...................................... 85 3.11.2.3.2.3 - Dados Geocronológicos e Correlações ................................... 85 3.11.2.3.3 - Formação Pimenteiras - D2p ................................................ 86 3.11.2.3.3.1 - Comentários Gerais ......................................................... 86 3.11.2.3.3.2 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato ........................ 86 3.11.2.3.3.3 - Litotipos e Ambiente de Deposição ..................................... 90 3.11.2.3.3.4 - Dados Geocronológicos e Correlações ................................... 94 3.11.2.3.4 - Formação Poti - C1po ......................................................... 94 3.11.2.3.4.1 - Comentários Gerais ......................................................... 94 3.11.2.3.4.2 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato ........................ 95 3.11.2.3.4.3 - Litotipos e Ambiente de Deposição ...................................... 95 3.11.2.3.4.4 - Dados Geocronológicos e Correlações ................................... 96 3.11.2.3.5 - Grupo Balsas ................................................................... 99 3.11.2.3.5.1 - Comentários Gerais ......................................................... 99 3.11.2.3.5.2 - Formação Piauí - C2pi ...................................................... 99 3.11.2.3.5.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato ..................... 99 3.11.2.3.5.2.2 - Litotipos e Ambiente de Deposição .................................... 99 3.11.2.3.5.2.3 - Dados Geocronológicos e Correlações ................................. 99 3.11.2.3.6 - Formação Pedra de Fogo – P12pf .........................................102 3.11.2.3.6.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato ......................102 3.11.2.3.6.2 - Litotipos e Ambiente de Deposição .....................................102 3.11.2.3.6.3 - Dados Geocronológicos e Correlações ..................................102 3.12 - GRUPO URUCUIA - K2u ..........................................................................104 3.12.1 - Comentários Gerais .......................................................................104 3.12.2 - Distribuição e Relações de Contato ....................................................104 3.12.2.1 - Formação Posse - K2up .......................................................104 3.12.2.2 - Formação Serra das Araras - K2usa .........................................104 3.12.2.3 - Dados Geocronológicos ........................................................107 3.13 - Intrusivas Máficas - JKb .............................................................107 3.14 - COBERTURAS CENOZOICAS ......................................................................108 3.14.1 - Comentários Gerais .......................................................................108 3.14.2 - Paleógeno-Neógeno ......................................................................108 3.15 - COBERTURAS DETRITO-LATERÍTICAS - N1dl ...................................................108 3.16 - FORMAÇÃO CHAPADÃO - Q2c ...................................................................109 3.17 - NEÓGENO-QUATERNÁRIO ........................................................................110 3.17.1 - Terraços Aluvionares - Q1a ..............................................................110 3.18 - DEPÓSITOS ALUVIONARES - Q2a ................................................................110 4 — GEOLOGIA ESTRUTURAL E EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA ............................... 112 4.1 - INTRODUÇÃO .......................................................................................112 4.2 - DOMÍNIOS ESTRUTURAIS E EVENTOS DEFORMACIONAIS ......................................112 4.2.1 - Domínio I (Supracrustal Transpressional Oblíquo) .....................................114 4.2.2 - Domínio II (Infracrustal Transpressional Oblíquo) .....................................116 4.2.3 - Domínio III (Infracrustal Transpressional Transcorrente) .............................118 4.2.4 - Domínio IV (Transpressional Compressional e Transcorrente) .......................118 4.2.5 - Domínio V (Domínio Transpressional Transcorrente) ..................................118 4.2.6 - Domínio VI (Domínio Rúptil-Dúctil Compressional) ...................................126 4.2.7 - Domínio VII (Domínio Rúptil extensional) ..............................................126 4.3 - MODELO ESTRUTURAL .............................................................................129 4.4 - EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA ......................................................................130 5 — RECURSOS MINERAIS E GEOQUÍMICA PROSPECTIVA .................................... 132 5.1 - INTRODUÇÃO .......................................................................................132 5.2 - GEOQUÍMICA PROSPECTIVA .......................................................................132 5.2.1 - Método de Trabalho ........................................................................137 5.2.1.1 - Trabalho de Campo ..............................................................137 5.2.1.2 - Analises Químicas ...............................................................138 5.2.1.3 - Análises Mineralométricas ......................................................138 5.3 - RESULTADOS OBTIDOS .............................................................................138 5.3.1 - Concentrado de Bateia ....................................................................138 5.4 - TRATAMENTO GEOESTATÍSTICO...................................................................140 5.4.1 - Grandes Compartimentos .................................................................140 5.4.2 - Mineralizações ..............................................................................142 5.4.3 - Interpretações dos dados segundo a estatística univariada e multivariada .......142 5.4.3.1 - Análise multivariada ....................................................................142 5.3 - RECURSOS MINERAIS ...............................................................................146 5.3.1 - Introdução ...................................................................................146 5.3.2 - Ouro ..........................................................................................146 5.3.2.1 - Distrito de Almas-Dianópolis ...................................................147 Mina do Paiol (NR 1 – UTM 265157/8705875) ............................................147 Garimpo Vira Saia (NR 2 - UTM 264892/8709408) ......................................147 5.3.2.2 - Distrito de Natividade ...........................................................150 Garimpos do Príncipe (NR 21 – 215642/8679920; NR 22 – 215761/8679816) .......150 Jazimento da Serra de Natividade ........................................................153 Geominas Mineração (NR 8 – 208769/8711501) .........................................153 Garimpo de Chapada de Natividade (NR 24 – 200018/8714045) .....................156 Garimpo Terra Vermelha (NR 25 – 202635/8717711) ...................................156 Garimpo Fazenda Santana (NR 4 – 220395/8775666) ..................................157 5.3.3 - Materiais industriais ......................................................................157 5.3.3.1 - Introdução .........................................................................157 5.3.3.2 - Pedras Ornamentais e Revestimento ..........................................159 5.3.3.3 - Agregados para construção civil ...............................................162 5.3.3.3.1 - Areias, Cascalhos e Argilas ...................................................162 5.3.3.3.2 - Brita ............................................................................162 5.3.4 - Calcários ....................................................................................162 5.3.5 - Caulim .......................................................................................167 5.3.6 - Manganês ...................................................................................167 5.3.7 - Mineralizações de ferro ..................................................................170 5.3.8 - Gemas ........................................................................................171 5.3.8.1 - Turmalina .........................................................................171 5.3.8.2 - Granada ...........................................................................172 5.3.9 - Associação Urânio e Tório (U-Th) ........................................................174 5.3.10 - Associação Estanho e Tântalo (Sn-Ta) .................................................175 5.3.11 - Titânio ......................................................................................175 5.3.12 - Elementos Terras Raras (ETR) ..........................................................175 5.3.13 - Anomalias de Monazita em concentrados de minerais pesados ...................176 5.3.14 - Mineralizações de Ni-Cu e EGP ........................................................177 5.3.15 - Amianto ....................................................................................177 5.3.16 - Grafita e Cianita ..........................................................................178 5.3.17 - Geoturismo ................................................................................178 5.3.18 - Recursos Hídricos Subterrâneos ........................................................178 Aquífero Serra Grande ......................................................................179 Sistema aquífero Poti/Piauí ................................................................179 Aquífero Urucuia ............................................................................179 6 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ........................................................ 180 6.1- CONCLUSÕES ........................................................................................180 6.2 - RECOMENDAÇÕES ..................................................................................182 7 — REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 183 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 1 — INTRODUÇÃO 1.1 - LOCALIZAÇÃO E ACESSO A área localiza-se no SSE do Estado do Tocantins e W da Bahia e abrange a sede dos A Folha Dianópolis (SC.23-Y-C) é parte municípios de Pindorama do TO, Natividade, integrante do Projeto Sudeste do Tocantins, e Chapada da Natividade, Almas, Porto Alegre do TO, encontra-se delimitada pelas coordenadas 11o00’S Dianópolis, Novo Jardim e Rio da Conceição, figura a 12o00´S e 46o30’W a 48o00’W Gr. Foi elaborada 1.2. O principal acesso a partir de Brasília se faz pelo Serviço Geológico do Brasil - CPRM, vinculado à pela BR-020 até o entroncamento da GO-118, que Secretária de Geologia, Mineração e Transformação segue em direção ao norte, passando por São João Mineral, Ministério de Minas e Energia. Integra o d´Aliança, Alto Paraíso, Teresina de Goiás, Campos Programa Geologia do Brasil (PGB), subprograma Belos, Arraias e Conceição do TO. O acesso aéreo é Informações Integradas para Proteção da realizado por empresas que operam voos fretados Amazônia e foi desenvolvida pelo corpo técnico da em aeronaves de pequeno e médio portes a partir Superintendência Regional da CPRM de Goiânia/ de Palmas, Gurupi, Brasília e Porto Nacional para os Sede, abrangendo quatro folhas do corte cartográfico municípios de Dianópolis e Natividade. internacional na escala 1:250.000 (Gurupi, Alvorada, Arraias e Dianópolis). A partir de 2010, passou a 1.2 - METODOLOGIA UTILIZADA integrar o PAC II. Na figura 1.1 é apresentada em destaque a Folha Dianópolis e principais vias de A Folha Dianópolis teve seu início em junho acesso que interligam seus municípios à porção de 2012, com a participação de dois geólogos norte do Estado do Tocantins. que desenvolveram levantamento bibliográfico Figura 1.1 – Mapa de localização da Folha Dianópolis (SC.23-Y-C). 13 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 1.2 – Mapa geopolítico da Folha Dianópolis (SC.23-Y-C). e aquisição preliminar dos dados de campo em geocronológicos, estudos das áreas mineralizadas e uma etapa de reconhecimento geológico (figura reinterpretação dos dados aerogeofísicos. 1.3). A partir do segundo semestre de 2012, a As atividades de campo foram centradas metodologia adotada, adicionalmente, envolveu na descrição-padrão de afloramentos, coleta de fotointerpretação preliminar de alguns dos principais amostras de rocha para petrografia, litoquímica e sensores aerogeofísicos (RGB, Contagem Total, geocronologia, levantamento sistemático de medidas magnetometria, 1a.DV, Sinal Analítico), imagens estruturais, dados cintilométricos e de recursos disponibilizadas pela base de dados da CPRM, minerais. Foram confeccionadas e descritas pela (Geocover, Landsat, Aster, Relevo Sombreado, SUREG/GO, 66 lâminas delgadas. Adicionalmente, Hipsometria), escala 1:250.000, integração e foi executado levantamento geoquímico com reinterpretação de dados contidos na bibliografia maior adensamento onde o contexto geológico levantada, incluindo trabalhos de detalhe/semi- fosse mais favorável às mineralizações, excluindo- detalhe em áreas específicas. Com a elaboração de se as coberturas. Amostras de sedimento de uma base planimétrica georreferenciada, alicerçada corrente analisadas por ICP-MS e mineralométricas com as informações atualizadas da infraestrutura de concentrados de bateia estiveram a cargo do regional, foi elaborado mapa fotogeológico laboratório SGS/GEOSOL. Análises geocronológicas preliminar 1:250.000, utilizado nos trabalhos de U-Pb, Sm-Nd (RT), foram analisadas pelo laboratório campo. Com base neste mapa, foram selecionados da UnB em Brasília-DF e paleontológicas, estiveram perfis terrestres dispostos transversalmente à a cargo da DIPALE/CPRM. Além da visita a três minas estruturação regional NW-SE. Posteriormente, produtoras de calcários em Natividade, foi enfatizado os novos dados coletados em campo foram o condicionamento metalogenético dos principais compatibilizados com as informações anteriores, jazimentos, adicionalmente ao levantamento de incluindo estudos petrográficos, litoquímicos, novas ocorrências. Posteriormente à montagem 14 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis do SIG Geológico, com a consolidação, integração 1.3 - ENFOQUE SÓCIO-ECONÔMICO e cadastro de dados de afloramento na base da CPRM (AFLO), litoquímicos, geocronológicos e Os maiores contingentes populacionais na área metalogenéticos, as informações foram condensadas estão centrados na sede dos municípios de Dianópolis em uma nota explicativa. As interpretações das e Natividade, que somados perfazem cerca de 28.000 análises litoquímicas das amostras coletadas habitantes (IBGE, 2010), e apresentam estrutura neste projeto não integram esta nota explicativa. mínima capaz de atender de modo satisfatório suas Os resultados destas análises estão disponíveis populações em setores básicos como escolas e integralmente no banco de dados institucional do hospitais. Além do ensino básico comum na maioria Serviço Geólógico do Brasil (GeoSBG). Os dados dos municípios, Dianópolis conta com o FADES e o físicos da Folha Dianópolis estão sumarizados na IFT - Instituto Federal do Tocantins, que oferecem tabela 1.1. cursos direcionados às atividades agropecuárias. PRINCIPAIS FONTES DE INFORMAÇÕES FOLHA DIANÓPOLIS Figura 1.3 – Bibliografia utilizada na Folha Dianópolis (SC.23-Y-C). 15 CPRM - Programa Geologia do Brasil Tabela 1.1 – Síntese dos dados de produção da Folha Dianópolis. Atividades desenvolvidas Folha Dianópolis Área total (km2) 18000km2 Caminhamento geológico(Km) 12000 km2 Deslocamento total (km) 2630 km Afloramentos descritos 322 Amostras de rochas coletadas 236 Análises petrográficas descritas 66 Análises petrográficas revisadas 50 Análises litoquímicas de rochas 92 Análises geocronológicas U-Pb 9 Análises geocronológicas Sm-Nd RT 20 Análises paleontológicas 2 Análises de isótopos estáves 20 Amostras de geoquímica coletadas (S) 559 Amostras de geoquímica coletadas (B) 540 Recursos minerais cadastrados 19 O abastecimento de água e saneamento básico e que permitiu a transformação de antigos núcleos abrangem 95% da população, com rede coletora de populacionais como Porto Nacional, Conceição-TO, esgotos que atende 19% das residências. A energia Dianópolis, Arraias e Natividade em destacados elétrica atende a totalidade das áreas urbanas no polos minerais. Com a descoberta de grandes minas, Tocantins, com mais de 500 mil domicílios, sendo que a região tornou-se uma das mais promissoras do 60 mil no meio rural são servidos pelo Programa de minério no pais, porém com a queda na produção, Eletrificação Rural do Tocantins e Programa “Luz para atualmente a extração restringe-se à reavaliação de Todos” do governo federal (ANEEL, 2012). A atividade reservas como a antiga Mina do Paiol (ex-CVRD), em econômica regional fundamenta-se no binômio Almas, implementada a partir de 2012 pela empresa pecuária/agricultura, extrativismo vegetal, mineral, Rio Novo Mineração Ltda. (atualmente paralisada) e piscicultura, turismo e geração de energia elétrica. secundariamente, por garimpeiros em aluviões que A pecuária assenta-se na criação de gado bovino e drenam antigas áreas mineralizadas. Em Natividade, bufalino, com contabilização de expressiva produção as atividades de mineração se reportam à exploração leiteira em áreas marcadas por faixas de quartzitos de calcário calcítico/dolomítico utilizado como (Grupo Natividade). Nestas áreas destacam-se solos insumo básico na indústria de cimento e corretivo rasos e pobres para subsistência e uma zona plana de solo, com destaque para a Nativa Mineração com solos relativamente pobres, associada aos Ltda., além das subsidiárias do Grupo JDemito Ltda. terrenos paleoproterozoicos do embasamento, onde (Caltins e Natical), geradoras de renda e emprego domina pecuária extensiva, produção de mel e ovos. para a região. Outras atividades incipientemente Na agricultura, destaque para produção permanente desenvolvidas, estão calcadas no ecoturismo (Rio de banana, côco e abacaxi e temporária de feijão, da Conceição, região do Jalapão) e em projetos de milho, soja, mandioca e cana-de-açúcar, além da irrigação implementados pela Secretaria de Recursos extração madeireira, utilizada para produção de lenha Hídricos do Estado do Tocantins nos municípios de em carvoarias e toras. A criação de peixes em tanque- Porto Alegre-TO e Dianópolis, com a utilização da rede alavanca expectativa de maior incremento barragem do Rio Manuel Alves. setorial, pois o Tocantins produz 550 ton/mês (16%), em relação ao mercado nacional (AGROTINS, 2010), 1.4 - ASPECTOS CLIMÁTICOS, FISIOGRÁFICOS E com realce para o município de Almas, com produção GEOMORFOLÓGICOS anual de 10 mil ton. de pescado. Outras atividades econômicas estão vinculadas ao extrativismo A região exibe uma transição entre o clima mineral, com destaque para o ouro nas regiões de amazônico e do centro-oeste, tipo AW (classificação Dianópolis e Arraias, explorado desde o século XVIII de Köepen), tropical quente semi-úmido, com duas 16 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis estações contrastantes: chuvosa (outubro a março/ com dados obtidos pela Secretaria de Planejamento e abril), coincidente com verão e pico entre dezembro a Meio Ambiente do Estado do Tocantins, que registrou fevereiro e seca acentuada, coincidente com o inverno, valores pluviométricos entre 1300 e 1700mm. entre abril a setembro. As temperaturas apresentam Na porção oeste da Folha Dianópolis a médias anuais de 27°C e baixa amplitude térmica. vegetação caracteriza-se por savanas compostas por Menores temperaturas ocorrem no início da estação mata-galerias com desenvolvimento de pequenos seca, quando são registradas médias anuais de 21°C, arbustos retorcidos, solo concrecionário e utilizadas com variações entre 16°C e 38°C (INPE, 2013). como pastagens. Juntamente com gramíneas, estão Dados levantados em estações pluviométricas confinadas aos vales e brejos e são representadas de sub-bacias que englobam as bacias dos rios por buritizais, distribuídas nas porções NW e E da Tocantins, Balsas, Sono, Manuel Alves da Natividade, folha, onde dominam culturas cíclicas como o cultivo São Valério, Palma e São Francisco, coletados por da soja nos chapadões associados ao Grupo Urucuia. leituras periódicas entre os anos 2009 e 2013 (SABOIA Outro tipo expressivo nas porções central, sul e et al., 2014), tabela 1.2 e figura 1.4, mostraram norte da área é a savana sem mata-galeria. Encontra- precipitação média anual de 7441,05mm para os se marcada pela alternância de espécies de grande municípios vinculados a Folha Dianópolis, coerente porte e cerradões, tipificadas por bambú e babaçu e Tabela 1.2 – Totais pluviométricos consistidos (abr/2014) das estações com respectivos municípios da Folha Dianópolis. (SABOIA et al., 2014). Totais Anuais (mm) Localização 11°08’25’’/ 11°41’49’’/ 11°34’43’’/ 11°36’42’’/ 11°37’31’’/47°34’36’’ 47°43’42’’ 47°10’26’’ 47°02’41’’ 46°48’37’’ Município Pindorama-TO Natividade-TO Almas Porto Alegre-TO Dianópolis 2009 2189,4 1735,6 1812,3 1790 2365,6 2010 1565,1 1298,08 1314,3 1404,5 1570,8 2011 2005,1 1637,6 1783 1805,1 1532,6 2012 1491 1052,6 1369,3 1426,7 1716,8 2013 934,7 807,6 818,5 878,4 900,6 Média 1637,06 1306,29 1419,48 1460,94 1617,28 Figura 1.4 – Gráfico de precipitação pluviométrica da Folha Dianópolis (2009-2013). 17 CPRM - Programa Geologia do Brasil peculiares como pequi, carvoeiro, jatobá, sucupira, Estacional Decidual Submontana, caracterizada pelo bananeira-do-campo, lixeira, murici e canela-de-ema. desaparecimento gradual da vegetação, devido ao Ocorrem nas planícies aluvionares de rios como o gradual desmatamento e degradação do solo. Tipos Manuel Alves, Peixe, Soninho e Gameleira, junto aos associados à Floresta Estacional Semidecidual são terrenos graníticos paleoproterozoicos com relevos restritos à faixa dolomítica no sul de Novo Jardim, dissecados e colinosos, constituindo áreas dissecadas Dianópolis e Natividade, com solos espessos e férteis, em cristas de serrotas associadas a veredas e vegetação de grande porte (barriguda e aroeira), que localmente, junto aos metassedimentos das Serras deram lugar às pastagens de gado de corte (figura de Santa Clara, Grilo, Areias, entre os municípios de 1.5). Em áreas cartografas pelo Projeto Radambrasil Natividade e Porto Alegre-TO. Localmente no SW da na década de 80, a ação antrópica é representada área ocorre o contato entre as savanas e Floresta por pastagens e reflorestamento, em função do Figura 1.5 – Tipos de vegetação dominantes na Folha Dianópolis, compilado do PROJETO RADAMBRASIL (2003 apud IBGE, 2007). 18 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis processo migratório iniciado na década de 70, por Soninho; Latossolo vermelho-amarelo, constitui 10% populações oriundas do nordeste e sul/sudeste do da área, distribuído nas porções oeste e centro-sul. país, que buscaram áreas para manejo da atividade Marcado por profundos perfis de alteração, solos in agropecuária de subsistência. situ associados ao embasamento paleoproterozoico; Com base no mapa de solos do Brasil, Neossolo Quartzarênico Órtico, representa um solo publicado pela Embrapa Solos/2003 e Sistema pobre, profundo, coloração amarelada a branca, Brasileiro de Classificação de Solos, a área engloba teores de argila em torno de 15%, engloba 20% nove classes de solos de acordo com o IBGE (2007), da folha, extremo ENE. Constituem importantes figura 1.6. Argissolo vermelho-amarelo, engloba áreas de recarga de aquíferos desenvolvidos 30% da folha, porções sul e central. Constitui solo sobre os arenitos do Grupo Urucuia; Nitossolo arenoso vermelho concrecionário detrito-laterítico. vermelho, distribuído em menos de 2% da folha, Encontra-se associado a granitóides e corpos máfico/ são solos derivados do intemperismo de rochas ultramáficos; Neossolo litólico e Cambissolo Háplico, básico-ultrabásicas ferromagnesianas vinculados solos jovens, boa aptidão ao cultivo devido à pequena às intrusões máfico-ultramáficas tipo Gameleira; espessura, relevo movimentado e baixa porosidade Planossolo Háplico, perfaz menos de 2% da folha, em épocas de estiagem. Perfazem 20% da área e sul de Príncipe. Vocação agrícola em função de sua são associados aos metassedimentos do Grupo drenagem deficiente devido ao alto teor em argila Natividade, coberturas paleozoicas Pimenteiras, e elevadas concentrações de sódio. Associados aos granitoides do embasamento e metamáficas Riachão monzogranitos da Suíte Aurumina e Plintossolo do Ouro; Gleissolo Háplico, solos pobres, perfazem Pétrico, baixa fertilidade, alta acidez e toxicidade por 1% da folha e estão associados aos terraços e planícies alumínio. Representa 15% da folha e distribui-se nas aluvionares dos rios Balsas, Peixinho, Manuel Alves e porções oeste, central e sudeste, domínios do Arco Figura 1.6 – Solos encontrados na Folha Dianópolis (SC.23-Y-C). 19 CPRM - Programa Geologia do Brasil Magmático de Goiás e granitoides do embasamento aos granitoides CAC e Aurumina, indicando menor paleoproterozoico. grau de infiltração. Associados a intrusões dômicas, A Folha Dianópolis encontra-se inserida na ocorrem na porção sul da folha, padrões radiais de Região Hidrográfica do Tocantins. Representada drenagem, em função da provável erosão diferencial pelas bacias dos rios Tocantins, Balsas, Sono, sobre essas rochas que exibem composição diferente Manuel Alves da Natividade, São Valério, Palma e daquela do embasamento. São Francisco, são subdivididas em dez sub-bacias Dados coletados pelo IBGE (2007), amparados drenadas pelos rios Balsas, Bagagem, Formiga, em critérios morfoestruturais adotados pelo Palmeiras, Peixe, Ponte Alta, Novo, Gameleira, Projeto Radambrasil em BRASIL (2003) permitiram além de ribeirões perenes como Itaboca e Inferno compartimentar a área de trabalho em três domínios: e pequenos córregos como Água Suja, Moleque, (a) Depósitos Sedimentares Inconsolidados, (b) Areias e Pedras. Todos controlados tectonicamente Bacias Sedimentares e Coberturas Inconsolidadas pelo padrão regional da estruturação NE e e (c) Embasamento. Esses domínios foram influenciados pela topografia e natureza reológica individualizados em seis unidades geomorfológicas: das rochas, figura 1.7. Planície fluvial, Planalto Dissecado do Tocantins, Nas porções ENE e localmente W, SW e SE da Patamares das Mangabeiras, Patamares do área, dominam padrões de drenagem mais espaçados Chapadão Ocidental Baiano, Serra da Natividade e sub-dendríticos, que refletem o elevado grau de e Depressão do Alto Tocantins, (figura 1.8), que infiltração e permeabilidade/porosidade dos litótipos refletem diferenças em termos de propriedades associados às coberturas paleo/neoproterozoicas e composicionais, texturais/estruturais e resistência paleozoicas. O restante da folha é marcado por maior mecânica e química em relação ao intemperismo homogeneidade e densidade da rede de drenagem sobre as unidades cartografadas, que conjugadas a e padrões dominantemente dendríticos associados fatores climáticos e a dinâmica de agentes exógenos, Figura 1.7 – Distribuição da rede de drenagem na Folha Dianópolis em bacias. 20 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 1.8 – Esboço esquemático dos tipos de relevos na Folha Dianópolis, compilado do IBGE (2007 apud Projeto RADAMBRASIL, 1981). constituem os elementos determinantes da atual (d) Patamares do Chapadão Ocidental Baiano, configuração do relevo da área. marcado por expressiva superfície de aplainamento (a) Planície e terraços fluviais, caracterizado NS com distribuição nas porções ENE e SE da folha, pela acumulação fluvial periódica/ permanente, (Grupo Urucuia e Balsas), recoberto por material comportando meandros abandonados dos rios de alteração e subordinadamente, envolvendo Traíras, Soninho, Balsas, Manuel Alves e Palmeiras. uma cobertura cárstica marcada por escarpas Distribuição a ENE da área, domínios dos grupos carbonáticas descontínuas e mascarada por argilas Urucuia e Balsas, regiões de Rio da Conceição e (Grupo Bambuí, Formação Serra de Santa Helena); (e) Novo Jardim; (b) Planalto Dissecado do Tocantins, Chapadão Ocidental Baiano, representa superfície constitui superfície parcialmente dissecada de dissecação plana, marcada pela Serra Geral de separada por escarpas ou ressaltos e distribuída na Goiás, extrapolando o limite E da área e adentrando porção NW da folha, região de Pindorama do TO. ao Estado da Bahia; (f) Serra da Natividade, Engloba parcialmente terrenos pluto-vulcânicos abrange metassedimentos dobrados e falhados neoproterozoicos associados ao Arco Magmático de na porção centro-norte da área e parcialmente, o Goiás, coberturas paleozoicas (Grupo Serra Grande) embasamento paleoproterozoico e (g) Depressão e granitoides associados ao embasamento; (c) do Alto Tocantins, unidade mais representativa Patamares das Mangabeiras, constitui expressiva da folha, relevo positivo e morfologias aplainadas superfície dissecada normalmente recoberta por (embasamento paleoproterozoico, metavulcânicas, cobertura detrítica ou de alteração (latossolos). formações superficiais, concreções detrito- Localizada no extremo NE da folha, associada lateríticas). Distribui-se nas porções W, SW e centro- aos sedimentos da Formação Serra das Araras; sul da área, figura 1.9. 21 CPRM - Programa Geologia do Brasil A B C D E Figura 1.9 – Feições geomorfológicas na Folha Dianópolis (A) Patamares do Chapadão Ocidental Baiano, (B) Chapadão Ocidental Baiano, (C) Serra de Natividade, (D) Planalto Dissecado do Tocantins e (E) Patamares das Mangabeiras. 22 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 2 — CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL A área abrange rochas da porção norte da Pro- região envolve três compartimentos geotectônicos víncia Tocantins (PT), borda sul da Bacia do Parnaíba maiores, conforme Delgado et al. (2003): (i) Domínio e borda oeste da Bacia São Franciscana (Figura 2.1). A Dianópolis; (ii) Bacia Araí-Serra da Mesa-Natividade; Província Tocantins representa o orógeno desenvolvido (iii) Arco Magmático de Mara Rosa, (Figura 2.2). no Ciclo Brasiliano em função da colisão de três crátons: A compartimentação dos terrenos geotectô- Amazônico a noroeste, São Francisco a leste e Parana- nicos da porção norte da FDB vem sendo delineada panema, encoberto pela bacia do Paraná a sudoeste através da caracterização e individualização de unida- (DARDENNE, 2000; DELGADO et al., 2003). A PT é cons- des litoestratigráficas em diversos trabalhos, desde a tituída por três faixas dobradas: Faixa Brasília (FDB), W década de 80. do Cráton São Francisco, Faixa Araguaia, E do Cráton A primeira concepção de blocos crustais distin- Amazônico e Faixa Paraguai, S do Cráton Amazônico. tos compondo os terrenos paleoproterozoicos do norte da FDB deve-se a Hasui, Costa e Abreu (1984) e Hasui, 2.1 - FAIXA BRASÍLIA-SETOR SETENTRIONAL Costa e Haralyi (1994). Hasui e Haralyi (1984) identifica- ram expressiva estrutura gravimétrica de direção NW No contexto da FDB a área mapeada está locali- nas proximidades do Rio Paranã, caracterizada como zada na sua porção setentrional e zona externa (DAR- zona de subducção-obducção. Marques (2009) com DENNE, 1978; FUCK, 1994; FUCK et al., 2005). Esta base nas diferenças entre as associações litológicas do Figura 2.1 – Contexto geotectônico da Folha Dianópolis (retângulo vermelho). Modificado de Dardenne (2000). 23 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 2.2 – Arcabouço geotectônico da Província Tocantins segundo Delgado et al. (2003). A Folha Dianópolis encontra-se representada pelo retângulo cinza. embasamento dos Grupos Serra da Mesa-Araí-Nativi- A seguir serão descritas suscintamente as uni- dade, propuseram a existência de dois blocos crustais dades geotectônicas reconhecidas neste trabalho. cujos limites se aproximam da estrutura assinalada por Hasui, Haralyi e Costa (1984): Bloco norte (formado por 2.1.2 - Unidades do Paleo-Mesoproterozoico terrenos TTG e Greenstone Belts) e Bloco sul (formado pela Suíte Aurumina e Formação Ticunzal). Estão representadas pelo Grupo Riachão do Abdallah e Meneghini (2013), através de ma- Ouro, Complexo Almas-Cavalcante, Grupo Água Suja peamento geológico da Folha Arraias (SD-23-V-A), em associação com a Formação Ticunzal, Suíte Auru- cartografaram os contatos litológicos entre o Com- mina, Intrusivas Máfico-Ultramáficas Tipo Gameleira plexo Almas-Cavalcante e a Suíte Aurumina. Fuck et e Grupo Natividade. al. (2014) apresentaram um robusto acervo de dados geocronológicos e propuseram uma nova subdivisão 2.1.2.1 - Terrenos Granito-Greenstone (Sideriano- regional entre os terrenos do Bloco Natividade-Ca- Rhyaciano) valcante, Maciço de Goiás e o Arco Magmático de Goiás, balizados pelas Falhas Rio Maranhão e Rio dos O Grupo Riachão do Ouro constitui uma sequ- Bois, respectivamente. Ainda neste trabalho, o Bloco ência greenstone belt paleoproterozoica com geome- Natividade-Cavalcante foi subdividido nos Domínios tria em Y que contorna os complexos granito-gnáissi- Almas-Conceição do Tocantins e Cavalcante-Arraias. cos do Complexo Almas-Cavalcante (CORREIA FIILHO; Oliveira et al. (2014) sugeriram uma estreita corre- SÁ, 1980; COSTA, 1985). Esta sequência é subdividida lação entre o Arco Paleoproterozoico Campinorte, nas formações Córrego do Paiol na base (meta-vul- situado no Maciço de Goiás, e as rochas da Suíte Au- cânicas máficas e ultramáficas) e Morro do Carneiro rumina e Formação Ticunzal. no topo (metassedimentos e metavulcânicas félsicas), 24 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis (ABDALLAH; MENEGHINI, 2013; BORGES, 1993; CRUZ, (2014), Corrêa, Oliveira e Vidotti (2015) e Grazziotin e 1993; CRUZ; KUYUMJIAN; BOAVENTURA, 2003; KUYU- Koutschoubey (2000). MJIAN et al., 2012). O Complexo Almas-Cavalcante (domos granito- 2.1.2.4 - Intrusivas Máfico-Ultramáficas Tipo -gnáissicos e demais unidades associadas) foi caracte- Gameleira (Rhyaciano-Orosiriano) rizado nos trabalhos de Borges (1993), Correia Filho e Sá (1980), Costa (1985), Costa et al. (1976) e Gorayeb, Barros, Filho e Lima (1973), agruparam sob a de- Costa e Lemos (1998). Cruz (1993), Cruz, Kuyumjian e nominação de Suíte Máfico-Ultramáfica Caraíbas, os Boaventura (2003) e Kuyumjian et al. (2012) definiram maciços de Barra do Gameleira, Marta-Tamboril e Cer- duas suítes de granitóides TTG calcialcalinos: a Suíte queira Santaninha, individualizados por Correia Filho e 1, rica em anfibólio (metaluminosa e mais antiga) e a Sá (1980), em unidade Gabro-Peridotítica Marginal e Suíte 2, rica em biotita (peraluminosa e mais nova). Gabro-Granulítica Central. A denominação Intrusivas Abdallah e Meneghini (2013) caracterizaram e carto- Máfico-Ultramáficas Tipo Gameleira deve-se a Danni grafaram novas unidades associadas a este complexo e Teixeira (1981), que descreveram no Maciço Barra na Folha Arraias. do Gameleira, cercanias de Dianópolis, uma intrusão Destacam-se várias ocorrências e depósitos aurí- acamadada semicircular, constituída por máficas e feros relacionados ao contexto metamórfico-deforma- ultramáficas encaixadas em granitoides diatexíticos e cional do Complexo Almas-Cavalcante e Grupo Riachão metatexíticos, associados ao Complexo Almas-Caval- do Ouro (CRUZ et al., 2006; KUYUMJIAN et al., 2012). cante. Abdallah e Meneghini (2013) descreveram na Folha Arraias, três stocks de metagabros e anfibolitos. 2.1.2.2 - Grupo Água Suja (Rhyaciano-Orosiriano) 2.1.2.5 - Grupo Natividade (Statheriano-Calymmiano) Nas localidades de Chapada e Natividade aflora uma sequência metavulcanossedimetar com cerca de 10 km de largura e direção geral NE/SW, denominada O Grupo Natividade é considerado como a ex- Sequência Água Suja (GORAYEB et al., 1984; OLIVEIRA tensão norte da bacia rifte do Grupo Araí. Aflora ao sul et al., 2012; QUEIROZ, 2001; QUEIROZ; KOTSCHOU- da Folha Dianópolis e insere-se nos processos de rifte- BEY; LAFON, 2001; SILVA, 1987), composta por xistos amento da Tafrogênese Estateriana entre 1,8 a 1,6 Ga. feldspáticos, muscovitas xistos, anfibólio xistos, anfi- (DARDENE, 2000; DELGADO et al., 2003; PIMENTEL et bolitos, metavulcânicas ácidas, formações ferríferas al., 1991). O detalhamento da sucessão litoestratigrá- e gonditos. Também ocorrem expressivas minerali- fica desta unidade deve-se aos trabalhos de Correa Fi- zações auríferas, a exemplo do depósito de Chapada lho e Sá (1980), Dardenne e Saboia (2007), Gorayeb et (OLIVEIRA et al., 2012; QUEIROZ, 2001;). al. (1984), Gorayeb, Costa e Lemos (1988), Hasui et al. A Formação Ticunzal é formada por xistos e (1990) e Oliveira et al. (2012). paragnaisses frequentemente grafitosos, além de quartzitos micáceos subordinados e metamorfizados 2.1.3 - Unidades do Neoproterozoico na fácies anfibolito médio (FUCK et al., 2007; MARQUES, 2009; PRAXEDES, 2015). Estão representadas pela Suíte Manoel Alves (prolongamento do Arco Magmático de Mara Rosa), 2.1.2.3 - Suíte Aurumina (Rhyaciano-Orosiriano) Suíte Intrusiva São José Pequeno (Suíte Intrusiva Lajeado), Suíte Mata Azul, Formação Monte do Carmo A Suíte Aurumina é caracterizada por magmas e Grupo Bambuí. graníticos peraluminosos intrusivos na Formação Ticunzal. Está subdividida em seis fácies, incluindo 2.1.3.1 - Suíte Manoel Alves (Arco Magmático de rochas graníticas sin, tardi e pós-tectônicas (BOTELHO; Mara Rosa) - (Toniano-Criogeniano) MOURA, 1998; FUCK et al., 2007). Frasca et al. (2011) e Abdallah e Meneghini (2013) caracterizaram e Esta suíte foi proposta por Frasca, Lima e Mora- cartografaram esta suíte nas folhas Alvorada (SD-22- es (2010), em mapeamento geológico da Folha Gurupi X-B) e Arraias (SD-23-V-A), respectivamente. (SC-22-Z-D), em concordância com a denominação do O corpo granítico e pegmatítico da Suíte Xobó Complexo Manoel Alves (COSTA, 1985). O conjunto foi reconhecido e descrito nos trabalhos de Cordeiro destas rochas ortoderivadas com estruturação foliada, de Sousa (2015), Costa (1985), Gorayeb et al. (1984), bandada e milonítica, tem sido correlacionado com o Oliveira et al. (2012) e Queiroz, Kotschoubey e Lafon prolongamento do Arco Magmático de Goiás (AMG) (2001). O batólito granítico do Príncipe e suas mine- no Estado do Tocantins (DELGADO et al., 2003; FRAS- ralizações auríferas foram estudados por Abdallah e CA; LACERDA FILHO; RIBEIRO, 2010; FUCK et al. 2001 Meneghini (2013), Cordeiro de Sousa (2015), Corrêa e PRAXEDES, 2015). 25 CPRM - Programa Geologia do Brasil 2.1.3.2 - Suíte Intrusiva São José Pequeno (Suíte 2.1.4.1 - Bacia do Parnaíba Intrusiva Lajeado) - (Criogeniano-Neoproterozoico III) Outra ampla sedimentação foi cartografada Gorayeb, Moura e Chaves (2001) restringiram na porção norte da área teve sua origem associada a denominação Suíte Lajeado para os corpos à abertura de riftes e precursores ao longo de reati- graníticos de idade neoproterozoica da região de vações de linhas de fraqueza do embasamento pa- Porto Nacional e adjacências. Frasca, Lima e Moraes leoproterozoico. Correspondem às coberturas intra- (2010) utilizaram a denominação de Granito São José cratônicas do Parnaíba, associadas aos grupos Serra Pequeno para os corpos da Suíte Lajeado na Folha Grande, Canindé e Balsas. Processos erosivos aplaina- Gurupi. Esta suíte possui assinatura litoquímica de ram o substrato da bacia com posterior resfriamento granitos do tipo A (FRASCA; LIMA; MORAES (2010); e subsidência no Ordoviciano. Segundo Góes (1995), GORAYEB et al., 2013). com a estabilização da Plataforma Sul-Americana, ocorreu no Eopaleozoico, deposição dos sedimentos 2.1.3.3 - Suíte Mata Azul (Criogeniano- da Bacia do Parnaíba, enquanto no Permiano domina- Neoproterozoico III) va a agregação do continente Pangea e o consequen- te soerguimento da bacia. A implantação e evolução Esta unidade foi proposta por Lacerda Filho tectono-sedimentar desta bacia é atribuída a pulsos Rezende e Silva (1999) e Frasca, Lima e Moraes termais no final do Brasiliano e geração de grábens em (2010) para caracterizar corpos graníticos com decorrência da lenta subsidência ao longo do Linea- pegmatitos associados, responsáveis pela geração de mento Transbrasiliano-LT. granadas, turmalinas e coríndon com propriedades gemológicas. 2.1.4.2 - Bacia São-Franciscana 2.1.3.4 - Formação Monte do Carmo (Criogeniano- Na porção E/NE da área, sedimentos do CSF (For- Neoproterozoico III) mação Urucuia), foram depositados em sistemas de hemi-grábens controlados pela reativação de sistema É representada por uma sequência de falhas NE/SW e associados a estruturas que defor- metavulcanossedimentar bimodal provavelmente maram inclusive o Grupo Bambuí. Campos e Dardenne vinculada a bacias desenvolvidas ao longo das falhas (1997) sintetizaram o processo neotectônico evolutivo transpressionais do Lineamento Transbrasiliano desta sedimentação meso a neocretácea a partir da in- (CUNHA et al., 1981; FRASCA; LIMA; MORAES, 2010; versão da Bacia São-Franciscana. Segundo os autores, FUCK et al., 2013; PALERMO, 1988; QUARESMA; a evolução desta bacia corresponderia à passagem de KOTSCHOUBEY, 2001; SABOIA; DARDENNE; uma fase rift (extensional) para pós-rift (compressio- JUNQUEIRA-BROD, 2010; SCHOBBENHAUS; CAMPOS, nal), acompanhada de aumento de subsidência flexural 1984). no centro e soerguimento nas bordas da bacia, sendo responsável pela formação da depressão onde foram 2.1.3.5 - Grupo Bambuí (Criogeniano) depositados os sedimentos do Grupo Urucuia. Na porção SE da área foram registradas co- 2.1.5 - Diques Juro-Cretáceos berturas epicontinentais marinhas neoproterozoi- cas da Serra de Santa Helena e Lagoa do Jacaré, Correa Filho e Sá (1980) descrevem diques e associadas ao Grupo Bambuí (DARDENNE, 1978). corpos de diabásios e gabros, não metamorfizados Essa sedimentação cratônica exibe contatos através e correlacionados com zonas de falhas de idade de falhas de empurrão com os granitóides do Com- supostamente cretácea. plexo Almas-Cavalcante e vergência para leste em decorrência da Orogênese Brasiliana. 2.1.6 - Coberturas Cenozioicas 2.1.4 - Bacias Fanerozoicas Estão representadas pelos sedimentos inconsolidados das Coberturas Detrito-Lateríticas, São representadas pelas bacias do Parnaíba Formação Chapadão, Terraços Aluvionares e Depósitos (Paleozoico) e São Franciscana (Mesozoico). Aluvionares Atuais. 26 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 3 — ESTRATIGRAFIA 3.1 - INTRODUÇÃO litodêmicas correspondentes em sua grande maio- ria, às unidades clássicas elencadas pelo Projeto GIS- O arranjo estratigráfico apresentado neste -Brasil (BIZZI et al., 2003): Sequências Vulcanossedi- relatório representa o produto da integração mentares Tipo Greenstone (grupos Riachão do Ouro dos dados geológicos de trabalhos anteriores de e Água Suja), Complexo Almas-Cavalcante (litofácies semidetalhe/detalhe, compilação de teses de anfibolítica a quartzo-diorítica, unidade gnáissico- graduação, mestrado e doutorado, prospecção -migmatítica, ortognaissica-granítica, suítes Serra do geoquímica e pesquisa mineral, desenvolvidos em Boqueirão, peraluminosa e litofácies granodiorítica áreas específicas como a Chapada de Natividade, a monzogranítica), Intrusivas Máfico-Ultramáficas região do Príncipe, faixas metassedimentares Tipo Gameleira, Suíte Aurumina (fácies monzogra- associadas às sequências Riachão do Ouro e Água nítica, sienogranítca e granodiorítica a tonalítica), Suja e metadolomitos do Grupo Bambuí. O produto Grupo Natividade, Formação Monte do Carmo, Suíte final condensado constitui um refinamento e Manoel Alves, Grupo Bambuí (Formações Serra de detalhamento da cartografia já existente, suportada Santa Helena e Lagoa do Jacaré), magmatismo pós- com integração de novos dados obtidos a partir do -colisional associado às suítes São José Pequeno e mapeamento geológico escala 1/250.000, análises Mata Azul, bacia paleozoica Parnaíba (Grupos Serra petrográficas, análise multitemática dos sensores Grande, Canindé e Balsas), bacia mesozoica Urucuia, aerogeofísicos, além de datações geocronológicas Intrusivas Máficas Cretáceas e coberturas cenozoicas nos domínios da área e levantadas nos domínios das detrito-lateríticas inconsolidadas, Formação Chapa- folhas Gurupi, Alvorada e Arraias, figura 1.1. dão e Terraços e Depósitos Aluvionares. Nas figuras Foram cartografadas vinte unidades litoestra- 3.1 e 3.2 são apresentados o mapa geológico e a sín- tigráficas distribuídas em cinquenta e nove unidades tese da estratigrafia regional, abordada a seguir. Figura 3.1 – Mapa geológico da Folha Dianópolis, Projeto Sudeste do Tocantins, escala 1:250.000. 27 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.2 – Coluna litoestratigráfica proposta para a Folha Dianópolis (SC.23-Y-C). 28 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 3.2 - GRUPO RIACHÃO DO OURO - APP2 de Almas. Rochas metassedimentares próximas à cidade de Conceição do Tocantins revelaram idade 3.2.1 - Comentários Gerais modelo Sm/Nd entre 3.0 e 2.7 Ga (FUCK et al., 2014). Os primeiros registros de rochas máfico-ul- 3.2.2 - Formação Córrego Paiol - APP2pi tramáficas na porção sul do Tocantins devem-se a Barbosa et al. (1971). Costa et al. (1976) e Correia 3.2.2.1 - Distribuição Geográfica, Relações de Filho e Sá (1980) reconheceram e cartografaram esta Contato e Características Geofísicas unidade como sequências supracrustais metavulca- nossedimentares. O Grupo Riachão do Ouro foi indi- Constituem faixas concordantes com a estru- vidualizado por Costa (1985), nas formações Córrego turação regional e estabelecem contatos tectônicos Paiol, (basal, metavulcânicas máficas e ultramáficas) por cisalhamento com os granitoides Almas-Caval- e Morro do Carneiro, (topo, BIF’s, quartzitos, meta- cante (PP12gr). cherts, metaconglomerados e metavulcânicas fél- Esta unidade é ressaltada pela aeromagne- sicas). Cruz (1993), Cruz e Kuyumjian (1998), Kuyu- tometria (1ª DV), marcando conjunto de anomalias mjian e Araujo Filho (2005) e Kuyumjian et al. (2012) dipolares com moderados a altos valores no produ- associaram esse conjunto descrito nas regiões de to ASA. Nos canais K, U, Th e CT exibem anomalias Almas e Dianópolis como faixas ramificadas em “Y” pouco significativos com valores inferiores a 100cps. e inseridas no Terreno Granito-Greenstone do Tocan- tins, com metamorfismo xisto-verde a anfibolito. 3.2.2.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Datações geocronológicas obtidas na região Deformação de Almas (CRUZ;KUYUMJIAN, 2006) apresentaram idade Sm/Nd de 2,58 Ga para dique de metadacito Correspondem a anfibolitos (orto e para de- da mina Córrego Paiol. Idades U-Pb/SHRIMP (zircão rivados) e de forma subordinada metagabros. Os e titanita) sugerem intrusão dos complexos granito- anfibolitos (AS-243, AS-246, AS-345 e AS-374) são -gnaissicos entre 2.45 e 2.2 Ga (CRUZ, 2001), conside- rochas mesocráticas a melanocráticas, de cor cin- rada idade mínima de geração das metavulcânicas da za escura a cinza esverdeada, geralmente de gra- Formação Córrego Paiol. Dardenne e Schobbenhaus nulação fina a média, com textura nematoblástica (2001) obtiveram idade U/Pb em zircão (SHRIMP) de a granolepidoblástica, por vezes são magnéticos e 2.2 Ga de rocha vulcânica félsica próximo à cidade bandados (Figura 3.3). Figura 3.3 – (a) Anfibolito bandado, mina do Paiol; (b) Clorita xisto foliado; (c) Anfibolito fino e (d) Tremolita xisto foliado. 29 CPRM - Programa Geologia do Brasil São representados por hornblenda-tremolita- 3.2.3.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e clorita xistos com plagioclásio, epidoto, zoizita, Deformação clinozoisita, quartzo, titanita, carbonato e biotita em proporções variadas (minerais varietais). A Formação Morro do Carneiro foi subdividida nas fácies detrítica (APP2mc_qz) e fácies clasto- 3.2.3 - Formação Morro do Carneiro – APP2mc química a química (APP2mc_sq). Os psefitos estão representados por conglome- 3.2.3.1 - Distribuição Geográfica, Relações de rados/arenitos conglomeráticos (AS-376, AS-376A e Contato e Características Geofísicas AS-175). Exibem matriz arenosa arcoseana com seixos subarredondados/angulosos de quartzo, exibindo dis- Também constituem faixas concordantes com a cretas porções pelíticas cinza-esverdeadas muito folia- estruturação regional com moderados a altos valores das, razoável maturidade textural e elevada maturidade no produto ASA, com destaque para anomalia de alta composicional, com uma média de 120 cps (Figura 3.4). resposta magnetométrica do Morro do Bola. Ocorrem Psamitos correspondem a metaquartzitos, valores em torno de 40 a 60cps, atingindo 110cps. metapelitos, metagrauvacas e rochas micáceas Figura 3.4 – a) Metaparaconglomerado oligomítico exibindo níveis subangulosos de clastos paralelos à Sn; (b) metaquartzito silicificado; (c) metassiltitos dobrados e foliados; (d) metaquartzo grauvaca; (e) mesma rocha do ponto anterior, exibindo fragmentos de quartzo orientados segundo a foliação, LP e (f) muscovita-calcita gnaisse protomilonítico mostrando agregados de muscovita e carbonato, entre grãos recristalizados de quartzo. 30 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis quartzo-feldspáticas. Quartzitos (AS-339, AS-372A) 3.3 - GRUPO ÁGUA SUJA – PP2as exibem composição à base de quartzo, k-feldspato e sericita, cor cinza, silicificados, foliados, com uma 3.3.1 - Comentários Gerais média de 100cps. Os metapelitos (AS-02, AS-25, AS-358) são foliados, placosos, cor cinza a rosa- Esta unidade foi reconhecida por Gorayeb avermelhada, brilho sedoso, crenulados, 90cps. et al. (1984) e associada ao Complexo Goiano de Grauvacas exibem textura granular clástica, matriz idade arqueana. Neste trabalho foi caracterizada fina granoblástica cinza-esverdeada, na qual estão pelos autores por uma associação de supracrustais dispersos seixos de feldspatos de granulação média, indiferenciadas e distribuídas em faixas NE entre mineralogia à base de quartzo (80%), sericita (14%) Natividade e Chapada da Natividade, sendo sua área- e muscovita (5%) e discreta foliação protomilonítica. tipo às margens do ribeirão homônimo. A unidade clasto-química constitui-se de A Sequência Metavulcanossedimentar Água metacherts, BIF’s, metarritmitos e xistos carbonosos Suja (SILVA, 1987) forma uma faixa de cerca de 10 e eventualmente intercalações desses tipos (Figura km de largura com direção geral NE/SW que ocorre 3.5). Os metacherts ferríferos exibem cor cinza nas proximidades da cidade de Natividade e Cha- escura, são magnéticos, maciços e cor amarelada pada, sendo composta por xistos variados, anfibo- quando alterados, 88cps. Na base do Morro do Bola litos, formações ferríferas e gonditos. Oliveira et al. foram registrados BIF’s estratificados e magnéticos (2012) dividiu este grupo nas Unidades Metavulca- em contato com metapelitos arroxeados e foliados. no-Metassedimentar Química, Metassedimentar Psamo-Pelítica e Metassedimentar Psamo-Pelítica 3.2.3.3 - Dados Geocronológicos e Correlações Carbonosa. Queiroz , Kotschoubey e Lafon (2001) obteve idade Pb-Pb de 2172±5 Ma por evaporação Uma amostra de anfibolito da Formação em zircão na localidade de Chapada-TO. Córrego do Paiol foi analisada pelo método isotópico Neste relatório estas supracrustais foram Sm-Nd no Laboratório de Geocronologia da subdivididas nas seguintes formações: (a) Serrinha Universidade de Brasília (GIOIA; PIMENTEL, 2000). A (PP2ass, metavulcânicas máficas), (b) Ticunzal e razão 147Sm/144Nd é de 0.1188 e a idade modelo TDM (c) Córrego Salobro, individualizada nas fácies (bi) obtida é de 2,51 Ga, sugerindo participação de fonte PP2ascs, metapelito-psamítica, (bii) PP2ascsqt, me- neoarqueana na geração deste magmatismo máfico, tapsamo-pelítica e (biii) PP2ascssq, metassedimen- (Tabela 3.1). tar química. Figuras 3.5 – (A) BIF’s estratificados e magnéticos do Morro do Bola (prospecto de ferro) e (B) intercalações de manganês em metapelitos. Tabela 3.1 – Dados analíticos Sm-Nd do Grupo Riachão do Ouro. 143 144 Amostra Sm(ppm) Nd(ppm) 147Sm/144Nd Nd/ Nd e TNd (0) DM ROCHA UNIDADE ± 2SE (Ga) AS-29A 4.302 21.884 0.1188 0.511475+/-19 -22.69 2.51 Anfibolito Formação Córrego do Paiol 31 CPRM - Programa Geologia do Brasil 3.3.2 - Formação Serrinha - PP2ass nal. Nesta escala de trabalho foi possível cartografar apenas alguns corpos. As rochas agrupadas sob esta 3.3.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações de denominação foram classificadas como anfibolitos, Contato granada-biotita-anfibólio gnaisses, granada-anfibó- lio-gnaisse quartzo-diorítico e metagabros. As rochas Distribui-se dominantemente na porção SW da são melanocráticas e exibem estruturação foliada, folha com prolongamento para a região de Serranópo- bandada e milonítica, de posicionamento crustal lis, onde foi agrupada no contexto do Grupo Riachão meso a catazonal (Figura 3.6). Os gnaisses mostram do Ouro, Faixa Serrinha (ABDALLAH; MENEGHINI, alternância centimétrica a decimétrica de bandas 2011). Essas rochas são marcadas por faixas descontí- melanocráticas de biotita e anfibólio e bandas leu- nuas de máficas intrudidas por apófises pegmatíticas, cocráticas de feldspatos (Figura 3.7). Alguns aflora- cujos contatos através de zonas de cisalhamento são mentos se mostraram pouco magnéticos. Os mine- concordantes com a estruturação regional NE. Local- rais essenciais são plagioclásio, hornblenda, biotita e mente, entretanto, se encontram intercaladas com quartzo; os minerais acessórios são opacos, granada, metassedimentos químicos e detríticos. titanita, apatita e zircão. Os minerais secundários, Representam o conjunto de rochas predomi- produtos da deformação e alterações hidrotermais, nantemente máficas metamorfizadas em condições são principalmente zoisita, clorita e quartzo. de fácies anfibolito com processos de gnaissificação, de ocorrência restrita e muitas vezes não cartogra- 3.3.2.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e fáveis nesta escala de trabalho, observadas dentro Deformação da Fácies Granodiorítica a Tonalítica (PP2g2au3). Mantém relações de contato do tipo difusa e abrup- As melhores exposições correspondem a ta com as rochas hospedeiras da Suíte Aurumina e metabasitos ou anfibolitos (AS-130A, AS-138A, AS- apresentam-se deformadas segundo a foliação regio- 145, AS-191A e AS-194A). Os litótipos associados aos Figura 3.6 e 3.7 – (A) Granada-anfibólio-gnaisse quartzo-diorítico; notar os cristais centimétricos de granada. (B) Anfibólio-gnaisse milonítico com porfiroclastos. (C) Metagabro foliado. (D) Granada-biotita-anfibólio gnaisse. 32 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis pontos AS-130A, AS-138A e AS-145 ocorrem como xistos e paragnaisses frequentemente grafitosos, intercalações em uma faixa cartografada na porção além de quartzitos micáceos e conglomerados NW da área e associada à Formação Córrego Salobro subordinados. O grau metamórfico atingiu, no (PP2ascssq). Os litótipos são meso a melanocráticos mínimo, a fácies anfibolito médio (FUCK et al., cor cinza a verde-escura, equigranulares granulação 2007). A litoquímica dos paragnaisses mostra que os fina a muito fina e localmente, média a grossa, prováveis protólitos sedimentares seriam grauvacas texturas afanítica e nematoblástica. Constituem (BOTELHO; PORTELA, 2005). rochas xistosas, exibindo alternância de bandas claras Marques (2009) obteve idades modelo Sm- (plagioclásio) e escuras (hornblenda), não magnéticos, Nd com TDM entre 2,63 e 3,03 Ga. para a formação. cintilometria na faixa de 45-60cps e mineralogia à base Fuck et al. (2002) forneceram idades com TDM entre de anfibólio (70 a 80%), quartzo+plagioclásio (20%), 2,6 e 2,8 Ga. Praxedes (2015) apresentou idades de granada (3,2%) e titanita (2%) e são não magnéticas. zircões detríticos entre 2,08 e 2,69 Ga., com maior Localmente no AS-191a ocorrem enclaves dessas concentração de idade ao redor de 2,13 - 2,14 Ga. máficas em granitoide da Suíte Aurumina (PP2g2au3). Este autor também obteve idades com TDM entre Intercalações de anfibolitos, metachert ferruginosos, 2,17 e 3,05 Ga. Lima (2014) apresentou idade U-Pb xistos com turmalina e blocos de manganês (AS-138), em titanita (LA-ICPMS) de 2153 ± 25 Ma a partir de podem estar associados à gonditos (AS-130B e AS- paragnaisse, idade interpretada como representativa 144), cintilometria na faixa de 140-150cps, figura 3.8. do pico de metamorfismo (fácies anfibolito). 3.3.3 - Formação Ticunzal - PP13tz 3.3.3.1 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas A Formação Ticunzal tem a sua área-tipo na região das serras do Ticunzal e Tombador, município A área de ocorrência destas rochas é bastan- de Cavalcante. É formada predominantemente por te restrita e registradas nos afloramentos AS-89, AS- Figuras 3.8 – (A) Textura nematoblástica em anfibolito, AS-130; (B, C) xistos com turmalina e blocos de Mn, AS-130 e AS-138A e (D) Granada anfibolito, AS-191A, Fm. Serrinha. 33 CPRM - Programa Geologia do Brasil -147C, AS-170 e AS-192. Devido a sua importância Outros corpos NNE de grande expressão, geotectônica os corpos foram cartografados com alongados e segmentados com até 50 km de exagero em relação ao seu tamanho real. Foram comprimento, foram cartografados na região reconhecidas nesta unidade rochas metassedimen- de Natividade e exibem prolongamento para tares como granada-biotita-xistos, granada-cianita- Conceição-TO. -biotita-xistos e grafita-granada-biotita-paragnais- No canal de contagem total (CT), essas ses (Figura 3.9). A ocorrência local de cianititos e faixas são caracterizadas por domínios amarelo- biotititos foi interpretada como alteração hidroter- esbranquiçados e marcam os metassedimentos mal em sedimentos aluminosos da unidade, próxi- da Formação Córrego Salobro. Outros produtos mo às zonas de cisalhamento de primeira ordem. aeromagnetométricos como o canal “ASA” destacam Os afloramentos se encontram milonitizados altos valores magnéticos e de intensa deformação e concordantes com a estruturação regional e entre as Falhas Rio Maranhão e Rio dos Bois, representam faixas e megaenclaves da sequência caracterizados por um conjunto de anomalias Água Suja dentro da Suíte Aurumina. O grau circulares que exibem altos magnéticos, originadas a metamórfico é anfibolito médio, indicado pela partir da magnetita nestas rochas, figura 3.10. petrotrama gnáissica e paragênese a base de granada-cianita-grafita. Devido ao elevado grau 3.3.4.2 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e de intemperismo dos afloramentos e elevada taxa Deformação deformacional dos paragnaisses, ocorre certa dificuldade na diferenciação destas rochas em A Formação Córrego Salobro foi subdividida relação aos gnaisses da litofácies PP2g2au3gm. em três litofácies: metapelito-psamítica (PP2ascs); metapsamo-pelítica (PP2ascs_qt) e metassedimentar 3.3.4 - Formação Córrego Salobro - PP2ascs química (PP2ascs_sq). No contexto destas três subunidades ocorre uma grande variedade de 3.3.4.1 - Distribuição Geográfica e Relações de litotipos intercalados com termos subordinados, Contato pontuais e não individualizados na cartografia da folha, em função da escala de trabalho. Essa unidade é marcada por duas faixas metassedimentares N30E (CORDANI et al., 2000) 3.3.4.2.1 - Litofácies Metapelito-psamítica - localizadas na porção WSW da área. A faixa de PP2ascspl maior expressão exibe 60 km de extensão e adentra aos domínios da Folha Gurupi. Estabelece contatos Os corpos associados a esta subunidade tectônicos com metavulcânicas máficas Monte do englobam uma ampla diversidade de litótipos de Carmo e granitoides Manoel Alves, ambos associados ocorrência subordinada, os quais estão intercala- ao Arco Magmático de Goiás e encontra-se recoberta dos a termos dominantemente metapelíticos (xis- discordantemente pelos arenitos Pimenteiras e tos e filitos) e eventualmente carbonosos. Os mais restos dos sedimentos do Grupo Serra Grande representativos afloramentos cadastrados corres- (Formação Jaicós). pondem aos pontos AS-66, AS-131 e AS-185. Seri- Figura 3.9 – (A) Cianita-granada-biotita-xisto milonítico alterado, com porfiroblastos de granada centimétricos. (B) Grafita-granada-sericita-biotita-paragnaisse milonítico, notar porfiroblastos de granada milimétricos. 34 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.10 – Mapa de Amplitude do Sinal Analítico (ASA), da Folha Dianópolis, destacando metacherts ferríferos associados à Sequencia Água Suja (Córrego Salobro, polígonos em branco) e faixas de metassedimentos do Grupo Riachão do Ouro (Morro do Carneiro, polígonos em preto). cita-muscovita-quartzo xistos, (AS-207, AS-41A, AS- por filitos cinza cortados por milimétricos veios -74A, AS-75A, AS-98A, AS-99A, AS-101A), exibem silicificados de quartzo, marcando localmente, um cor de alteração vermelho-amarelada, são foliados, predomínio de porções quartzosas recristalizadas média de 145cps e mineralogia à base de muscovi- com alguma muscovita secundária e óxido de ferro ta, quartzo e clorita (AS-42A e AS-43A). Muscovita- e caracterizando expressivo contato gradacional de -sericita xisto foi documentado no AS-108A, cerca- fácies metapelítica para fácies metapsamítica. nias do Morro do Catarro, 235cps. Biotita-quartzo xistos (Terra Vermelha, AS-94A) exibem coloração 3.3.4.2.2 - Litofácies Metapsamo-pelítica - P2ascsqt avermelhada, 215cps e manchas de magnetita no solo. Localmente, documentado na base do Morro Encontra-se registrado em três corpos com da Oficina (AS-196), essas rochas constituem metar- 26, 27 e 15 km de comprimento, orientados segun- ritmitos (AS-185) e são marcadas por filitos/xistos do NE, em contato por zonas de cisalhamento com carbonosos cinza-escuros intercaladas com quart- granitoides da Suíte Aurumina e Grupo Natividade. zitos silicificados (metarenitos), finos a médios e Constituem rochas dominantemente siliciclásticas, esbranquiçados. Sericita-magnetita-clorita xistos representadas por muscovita quartzitos, quartzitos foram registrados no afloramento AS-198. São tipos arcoseanos, quartzo xistos, metarritmitos documen- melanocráticos, cinza-esverdeados, equigranulares tada nos pontos AS-182, AS-183, AS-189, AS-196A, granulação muito fina, fracamente a não magnéti- AS-197, AS-255, AS-255A. No ponto AS-184 essas cos e composição à base de plagioclásio, olivina e rochas são cortadas por apófises do Granito Xobó. piroxênio, 45cps, figuras 3.11. Xistos e filitos eventualmente carbonosos estão in- Nos perfis ao longo dos pontos AS-196, AS- tercalados com quartzitos puros subverticalizados 255 e AS-255A (Morro do Catarro), foi registrada (pontos AS-131 e AS-182). Muscovita quartzitos (AS- uma interdigitação ou gradação de fácies mais 66) exibem coloração cinza-clara, finos a médios, si- finas marcadas por metapelitos, quartzo-filitos licificados, restritamente portando textura sacaroi- crenulados e dobrados e xistos carbonosos, para dal, não magnéticos, média de 80cps. Normalmente fácies mais grossas e quartzosas representadas (AS-71), estão associados a zonas de cisalhamento 35 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 3.11 – (A) Sericita-muscovita-quartzo xisto foliado, AS-207; (B) Muscovita-sericita xisto, AS-108A; (C) Metarritmitos intercalados com quartzitos, AS-185 e (D) Sericita-magnetita-clorita xisto, AS-198. e exibem tipos xistificados miloníticos a ultramilo- milimétricas a centimétricas de quartzo (1-5 cm) níticos, muito finos e composição síltico-argilosa. e óxido de ferro. Alguns litótipos são magnéticos, Muscovita-sericita metarenitos mostram coloração 110cps de cintilometria, exibindo solos planos, de marrom, são foliados, não magnéticos e apresentam cor avermelhada. Na região de Natividade, registros composição à base de quartzo, sericita e intercala- de gonditos foram descritos por Silva (1987) e Oli- ções de óxidos-hidróxidos de ferro. Em alguns locais veira et al. (2012), nas cercanias das fazendas Ale- podem ocorrer metarenitos intercalados com me- gria e Gaiteiro e ao longo da rodovia TO-050 (trecho tassiltitos arroxeados e placóides, compondo metar- Natividade-Bonfim), figuras 3.13. ritmitos (AS-182 e AS-104A), figuras 3.12. 3.4 - COMPLEXO ALMAS-CAVALCANTE - PP12gac 3.3.4.2.3 - Litofácies Metassedimentar-química - PP2ascssq 3.4.1 - Comentários Gerais Engloba dominantemente metacherts ferru- Os trabalhos pioneiros regionais de ginosos, AS-176 e eventualmente, manganesíferos, caracterização litoestratigráfica das rochas desta (AS-138, AS-144, AS-130 e AS-130A), em contato unidade no estado de Tocantins devem-se a intrusivo com metassedimentos clásticos e grani- Barbosa et al. (1966), onde descrevem paragnaisses toides Aurumina. Os metacherts ferríferos são fo- com intercalações de migmatitos, metabásicas e liados, acamadamento plano-paralelo preservado e granitoides milonitizados. Estes autores reuniram 150cps. Localmente (AS-130A), ocorrem como blo- as rochas granito-gnáissicas sob a denominação cos soltos intercalados com metassedimentos detrí- de Pré-Cambriano Indiferenciado, enquanto Costa ticos e metavulcânicas (AS-130), coloração cinza-es- et al. (1976), no Projeto Letos (Folha Dianópolis), cura, exibindo em alguns locais, expressiva foliação atribuíram-lhe o termo Pré-Cambriano Grupo IV- cataclástica, mullions e uma alternância de bandas Complexo Metamórfico-Migmatítico. 36 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figuras 3.12 – (A) Muscovita quartzito laminado, AS-66; (B) Quartzito arcoseano com óxidos e hidróxidos de ferro, AS-197; (C) Metarritmito, AS-182 e (D) Metachert muito silicificado, Rio Formiga, AS-134. Figuras 3.13 – (A) Metachert ferrífero bandado AS-176 e (B) intercalação de metachert com Mn, AS-144. Correia Filho e Sá (1980) adotaram o nome de Costa (1985) agrupou as rochas gnáissicas no Complexo Basal (ALMEIDA, 1967), dividindo os terrenos Complexo Goiano e os granitoides na Suíte Serra do granito-gnáissicos na região de Almas-Dianópolis em Boqueirão. Borges (1993) denominou os granito- duas associações: a) Conjunto Granito-Migmatítico; gnaisses da região de Almas-Dianópolis de Complexo b) Conjunto Migmatítico-Anfibolítico. Estes autores Alto Paranã (ortognaisses e rochas migmatizadas que também cartografaram conjuntos de granitóides sob constituem o embasamento regional) e Suíte Serra do a denominação de Rochas Ácidas a Intermediárias. Boqueirão (tonalitos, trondhjemitos e granodioritos, 37 CPRM - Programa Geologia do Brasil quartzo-dioritos e álcali-feldspato granitos), intrusivos evento magmático mais jovem ocorre próximo a no Grupo Riachão do Ouro. 2.18 Ga. Dados radiométricos Rb- Sr e K-Ar indicam Nas regiões de Almas-Dianópolis e Conceição a abertura destes sistemas isotópicos (isotopic do Tocantins (Terreno granito-greenstone do Tocan- resetting) durante o Neoproterozoico diante a tins), três conjuntos de granitóides TTG calcialcali- atuação do Ciclo Brasiliano-Pan Africano (HASUI et nos baixo K foram reconhecidos (CRUZ, 1993; CRUZ; al., 1980; TASSINARI; SIGA JR.; DARDENNE, 1981). KUYMJIAN, 1998; (HASUI et al., 1980), 1996 BOAVEN- TURA, CRUZ; KUYUMJIAN, 1996, 2003; KUYUMJIAN 3.4.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato et al., 2012) sendo que as rochas mais antigas são e Características Geofísicas do Complexo Ribeirão das Areias (2.45 Ga). A Suíte 1 (2.2 Ga) é rica em anfibólio e baixo alumínio (meta- Essa unidade apresenta ampla distribuição, luminosa) e intrude as rochas supracrustais do Grupo ocorrendo principalmente nas porções central e Riachão do Ouro. A suíte 2 (2.2 Ga) rica em biotita e leste da área mapeada. É constituída por conjuntos alto alumínio (peraluminosa), abrange vários plútons metaplutônicos sigmoidais contornados por intrusivos tanto nos granitóides da Suíte 1 como nas sequências metavulcano-sedimentares do Grupo supracrustais. Riachão do Ouro, os quais conferem à área uma A denominação em epígrafe foi proposta por estrutura de domos, muito característica destes tipos Delgado et al. (2003 apud BIZZI et al., 2003) para agru- de terrenos, (Figura 3.14). par os terrenos granito-gnaissicos paleoproterozoicos Morfologicamente, apresenta um relevo descritos por Correia Filho e Sá (1980); Costa et al. predominantemente arrasado com baixa resposta (1984); Cruz (1993), Cruz e Kuyumjian, (1998), Almas- gamaespectométrica, com alguns morros e serras -Conceição do Tocantins, Arraias-Natividade (FUCK et alinhados segundo a estruturação regional NNW-NS- al., 2001), Cavalcante-Teresina de Goiás-Nova Roma NNE (Figura 3.15). Nas porções centro-norte e leste de Botelho (1992), Botelho et al. (1993), São Domin- da área, exibem topografia positiva com altos valores gos de Teixeira et al. (1982) e Faria et al. (1986), as- radiométricos no canal K (Figura 3.16). No geral, sociados a orogênese Transamazônica no âmbito do respondem por baixos valores magnéticos (canal Orógeno Oeste Sanfranciscano. ASA), dos tipos litológicos (Figura 3.17). Abdallah e Meneghini (2013), em A maior parte dos contatos com as faixas do mapeamento da Folha Arraias (SD-23-V-A), situada a Grupo Riachão do Ouro são estabelecidos através de sul da Folha Dianópolis, cartografaram o Complexo falhas e zonas de cisalhamento. Subordinadamente Almas- Cavalcante (CAC), caracterizando as seguintes ocorrem contatos encobertos e abruptos, muitas unidades: Peraluminosa, Monzogranítica, Tonalítica, vezes inferidos. Em alguns locais, rochas quatzo- Granodiorítica a Tonalítica e Quartzodiorítica a feldspáticas pegmatóides intrudem estas faixas. A Quartzomonzodiorítica. Suíte Aurumina faz contato intrusivo e por zonas de O conjunto de dados geocronológicos, cisalhamento com esta unidade. Os Grupos Natividade sumarizados na Tabela 3.2, mostra que o principal e Bambuí estabelecem contatos por falhas e zonas evento magmático de formação crustal concentra- de cisalhamento e recobrem discordantemente esta se em torno de 2.2 Ga, sendo o magmatismo mais unidade. As Bacias do Parnaíba e São Franciscana o antigo inserido no intervalo de 2.4 a 2.3 Ga, e o recobrem em discordância erosiva. Tabela 3.2 – Síntese dos dados geocronológicos do Complexo Almas-Cavalcante. Unidade Litoestratigráfica Idade de cristalização (Ma) Método TDM (Ga) rt eNd(t) 2.2 ± 5 2, 2.204 ± 5, 2.455 ± 14 2A U-Pb zr 2 2.53 1, 2.5 +0.58 2, -0.15 2.180 ± 10 3, 2.265 ± 9.6 U-Pb tit 2A 2.52 -1.37, -0.88 Complexo Almas- 2.4 4-2.3, 2.2-2.144 ± 21 U-Pb zr 3 2.45 2- 2.54 -4.95 Cavalcante (PP12gac) 2.342 ± 26 5 U-Pb zr 4 2.53-2.76 +2 4, 0 2.268 ± 9.6 6, 2.231 ± 14 U-Pb tit 5 3.11 4- 2.24 -3.2 6 a +2.04 2.185 ± 6.5 U-Pb zr 6 2.26 6-3.12 Abreviaturas: zr, zircão; tit, titanita; rt, rocha total. Referências: 1 - Cruz e Kuyumijiam (1999); 2 – Cruz (2001); 3 – Abdallah e Meneghini (2013), Abdallah (2014); 4 - Fuck et al. (2014); 5 – Lima (2014); 6 – Cordeiro de Sousa (2015). 38 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.14 – Estruturação na forma de domos do Complexo Almas-Cavalcante, observada em imagem do Google Earth. Figura 3.15 – Imagem aerogamaespectométrica ternária RGB, mostrando as baixas respostas do Complexo Almas-Cavalcante. 39 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.16 – Imagem aerogamaespectométrica do canal K, evidenciando o predomínio de regiões com baixos valores do Complexo Almas-Cavalcante. Figura 3.17 – Imagem aeromagnetométrica da Amplitude do Sinal Analítico (ASA) evidenciando o predomínio de regiões com baixo gradiente magnético dos terrenos do Complexo Almas-Cavalcante. As altas respostas são relacionadas às faixas do Grupo Riachão do Ouro e aos corpos intrusivos máficos-ultramáficos da Suíte Gameleira. 40 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 3.4.3 - Litótipos de Rochas, Petrografia, Metamorfismo separados por faixas de rochas supracrustais dos e Deformação grupos Riachão do Ouro e Natividade e por zonas de cisalhamento. As unidades que compõem o Complexo Os tipos litológicos foram agrupados nas Almas-Cavalcante são: i) Fácies anfibolítica a unidades com predomínio de metagranitóides quartzo-diorítica (PP12gacqd); (ii) Unidade gnáissico- (PP12gr) e ortognaisses e migmatitos rochas migmatítica (PP12gm); (iii) Unidade ortognáissica- migmatizadas (PP12gm), sendo que os granítica (PP12gr); (iv) Suíte Serra do Boqueirão metagranitóides possuem maior extensão areal que (PP2gsb); (v) Suíte Peraluminosa (PP2gacgrd) e os ortognaisses. As duas unidades serão abordadas (vi) Fácies Metatagranodiorítica a Monzogranítica conjuntamente, visto que fazem parte da evolução (PP12gacm). de um mesmo conjunto que grada de um para outro. As fácies foram individualizadas com auxílio 3.4.3.1 - Fácies Anfibolítica a Quartzo-diorítica - de imagens de satélite (Landsat e Geocover), de PP2g2acqd forma que os gnaisses caracterizam regiões mais intemperizadas e laterizadas, refletindo variações Correspondem aos termos máficos/ de textura e cor. Na imagem RGB, metagranitóides intermediários do CAC e foram correlacionados a exibem respostas avermelhadas, indicando uma unidade quartzodiorítica a quartzomonzodiorítica maior concentração de K em relação aos outros cartografada a sul na Folha Arraias por Abdallah radioelementos, enquanto que os gnaisses e Meneghini (2013). Esta unidade distribui-se em mostram respostas escuras verde-azuladas com regiões de topografia arrasada e cujos afloramentos enriquecimento de Th e U, sugerindo regiões de se encontram muito intemperizados, com predomínio maior grau de laterização. Os corpos geralmente de solos argilosos castanho-avermelhados, por vezes são deformados, exibindo estruturação subfoliada com magnetita detrítica. Os corpos cartografados a a foliada que gradam para milonitos nas zonas de norte da cidade de Almas e a leste da Serra de Santa cisalhamento de larguras variáveis. As diferenças no Clara possuem valores magnéticos anômalos nas conteúdo litológico, nível crustal e idades, permitiram imagens aeromagnetométricas (Figura 3.17). a individualização de sete complexos, denominados É representada por metagabros, de leste para oeste: Dianópolis, Porto Alegre, Córrego metaquartzodioritos e anfibolitos e suas melhores São Ludovico, Almas, Ribeirão Gameleira, Rio do exposições localizam-se nos pontos AS-205, AS- Peixe e Córrego Canoa (Figura 3.15). 227A, AS-235, na ponte do Riacho do Mato (AS- O Complexo Rio do Peixe ocorre na porção 341) e nos afloramentos AS-341A e AS-341B. Os sudoeste da folha, exibe topografia arrasada, metagabros são mesocráticos, foliados a bandados, caracterizada pelas planícies dos vales dos rios Manuel com textura granular média a grossa e são poucos Alves e do Peixe. Possui baixos valores magnéticos magnéticos (Figura 3.18). Os metaquartzodioritos e responde por baixos valores radiométricos no são mesocráticos, isotrópicos a foliados, com textura canal K (Figura 3.16). Neste complexo não foram inequigranular seriada e magnéticos. Os anfibolitos observadas fácies ortognáissicas, sendo composto, possuem cor cinza-esverdeada, são foliados a predominantemente, por biotita metagranodioritos e gnáissicos, com textura inequigranular fina a grossa metatonalitos com metamonzogranitos subordinados. e são magnéticos. Plagioclásio, anfibólio, quartzo, Estas rochas mostram cores cinza-esbranquiçadas, granada e magnetita constituem os minerais textura granular média a grossa com pórfiros de essenciais, sendo clorita e epidoto os minerais plagioclásio e feldspato potássico de até 3 cm de secundários. As feições gnáissicas observadas são comprimento (Figura 3.19). Plagioclásio, quartzo, compatíveis com metamorfismo de grau médio, feldspato potássico e biotita são os minerais essenciais fácies anfibolito. e os minerais acessórios são opacos, titanita, zircão, apatita e allanita. Os minerais secundários, produtos 3.4.3.2 - Unidades Ortognáissica-Granítica - de alteração hidrotermal, são sericita, muscovita, PP2g2acgr e Gnáissico-Migmatítica - PP2g2acgm carbonato, clorita, epidoto-zoizita/clinozoisita e argilominerais. Próximo às zonas de cisalhamento Os metagranitóides desta unidade constituem ocorre a formação de mica-quartzo milonitos. corpos intrusivos coalescentes que compõem No complexo dômico de Dianópolis, localizado extensos batólitos com geometria de domos, na porção leste da área (Figura 3.14), as unidades variavelmente afetados por eventos tectono- Ortognáissica-Granítica e Gnáissico-Migmatítica termais que atingiram fácies anfibolito médio a alto. possuem relevo predominantemente arrasado por Estão organizados em complexos granito-gnáissicos onde escoam o rio Gameleira e os ribeirões Santa e de posicionamento crustal meso a catazonal, Itaboca. Algumas regiões exibem valores anômalos 41 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.18 – (A) Aspecto textural de metagabro; (B) Aspecto textural de metaquartzodiorito epidotizado, magnético; (C) Metagabro alterado com bandas decimétricas quartzo-feldspáticas; (D) Anfibolito gnaisse alterado com expressivo bandamento; notar cristais de granadas centimétricas nas bandas quartzo-feldspáticas; (E) Aspecto de anfibolito gnaisse intemperizado; (F) Anfibolito foliado intemperizado de cor cinza-esverdeada magnético. de Th na aerogamaespectometria e coloração tonalítica a granodiorítica (Figura 3.20a). O conjunto esverdeada na imagem RGB (Figura 3.15). Foram geralmente encontra-se deformado, foliado a observadas expressivas feições de migmatização milonítico. Os minerais essenciais são plagioclásio, nos afloramentos da unidade Gnáissico-migmatítica. quartzo, feldspato potássico e biotita; os minerais Ocorrem metagranitóides, gnaisses e migmatitos acessórios são opacos, titanita, zircão e apatita. O de injeção, metamorfizados em condições de fácies retrometamorfismo é representado pela neoformação xisto-verde a anfibolito médio a alto. de epidoto/zoizita, clorita, sericita e carbonato. Os principais tipos descritos são biotita Os migmatitos exibem estruturas estromáticas, metatonalitos e biotita gnaisses de composição agmatíticas e enclaves máficos (Figuras 3.20b). 42 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.19 – (A) Clorita-sericita metagranodiorito hidrotermalizado com textura granular média a grossa subfoliado; (B) Biotita metatonalito porfirítico foliado; (C) Biotita metagranodiorito protomilonítico; (D) Biotita metagranodiorito grosso pouco foliado; (E) Biotita metamonzogranito subfoliado e (F) Carbonato-epidoto-biotita metagranodiorito hidrotermalizado foliado. O Complexo Porto Alegre possui geometria metamorfizados nas fácies xisto-verde (metagra- dômica alongada e orientada segundo a rede de nitóides) e anfibolito (ortognaisses). O conjunto zonas de cisalhamento de direção NNW-NS-NNE geralmente encontra-se deformado, exibindo es- (Figura 3.14). Apresenta relevo arrasado com baixa truturação foliada a milonítica próximo às zonas resposta aerogamaespectométrica RGB (Figura 3.15), de cisalhamento (Figura 3.21). Os minerais essen- sendo drenado pelos rios Manuel Alves, Gameleira e ciais são plagioclásio, quartzo, feldspato potássico pelo Ribeirão Itaboca. e biotita; os minerais acessórios são opacos, zircão Predominam biotita-tonalitos e de forma e titanita. Os produtos de alteração hidrotermal são subordinada granodioritos, leuco a mesocráticos, sericita, clorita, epidoto/zoisita e carbonato. 43 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.20a – (A) Biotita metatonalito milonítico com porfiroclastos de feldspatos, Unidade Ortognáissica-Granítica; (B) Biotita gnaisse tonalítico da Unidade Gnáissico-Migmatítica. Figura 3.20b – (A) Migmatito com leucossoma estromático; (B) Migmatito com estrutura agmatítica e alta proporção de leucossoma; (C) Migmatito exibindo porções de leucossoma, afloramento sob a ponte do Rio Gameleira; (D) Enclave anfibolítico em rocha gnáissico-migmatítica. O Complexo Córrego São Ludovico ocupa a de potássio na aerogamaespectometria em sua parte porção centro-norte da folha (Figura 3.14). Exibe norte (Figura 3.16). relevo mais proeminente em sua parte norte e É composto predominantemente por biotita- aplainado na parte sul, sendo drenado pelo Rio do -metatonalitos e biotita-metagranodioritos e de Peixe e pelos córregos São Ludovico, Grande, Barriga forma subordinada por metaquartzo-dioritos. Os Furada e Maximiliano. Apresenta valores anômalos metagranitóides são mesocráticos de cor cinza-es- 44 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.21 – (A) Biotita metatonalito milonítico, balneário de Porto Alegre do Norte no Rio Manuel Alves; (B) Biotita metatonalito protomilonítico, com porfiroclastos estirados segundo a foliação; (C) Biotita metatonalito foliado de granulação média a grossa; (D) Biotita metagranodiorito foliado; (E) Biotita metatonalito foliado, com cloritização e epidotização e (F) Fácies gnáissica com bandas e remobilizados quartzo-feldspáticos. branquiçada, com texturas equigranulares e inequi- branca, zoisita e clorita são os minerais secundários. granulares fina a grossa e exibem estruturação subfo- Alguns afloramentos apresentam enclaves de rocha liada a milonítica, (Figura 3.22). As feições gnáissicas máfica de granulação fina (Figura 3.23). são localizadas e não possuem expressões cartogra- O Complexo de Almas ocupa a porção centro- fáveis nesta escala de mapeamento (Figura 3.22D). sul da folha, exibindo topografia arrasada, baixa Plagioclásio, quartzo, feldspato potássico, biotita e resposta aerogamaespectométrica ternária RGB anfibólio são os minerais essenciais e os minerais (Figura 3.15), caracterizada pelas planícies do Rio acessórios são opacos, zircão e apatita. Sericita, mica Manuel Alves, Ribeirão das Areias e Riacho do Mato. 45 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.22 – (A) Anfibólio-biotita metatonalito com textura inequigranular seriada média a grossa e pouco deformado; (B) Biotita metagranodiorito equigranular; (C) Biotita metatonalito inequigranular pouco deformado e (D) Fácies biotita-gnaisse tonalítico. Esta unidade é constituída por metagranitói- des leuco a mesocráticos, com predomínio de tonali- tos e trondhjemitos sobre granodioritos. Os núcleos dos batólitos apresentam suas texturas ígneas mais preservadas e suas bordas, foliadas a miloníticas. Os tipos mesocráticos são de cor cinza, possuem gra- nulação média a grossa com texturas variando de equigranular a inequigranular seriada (Figura 3.24). Os tipos leucocráticos tem granulação média a gros- sa, menor quantidade modal de biotita e algumas fácies são porfiríticas. Os minerais essenciais são plagioclásio, quartzo, feldspato potássico, e biotita. Os minerais acessórios são opacos, zircão, tremolita, allanita, titanita e granada (Figura 3.25). Os minerais Figura 3.23 – Afloramento AS-244. Enclave de rocha secundários são sericita, muscovita, carbonato, clo- máfica fina intrudida por fenocristais de plagioclásio rita, epidoto-zoisita. Em alguns locais as rochas efer- da rocha hospedeira. vescem com HCl, o que evidencia importantes altera- ções hidrotermais de carbonatação. Corresponde a um conjunto de corpos plutônicos O Complexo Ribeirão Gameleira ocupa a amalgamados que compõem três grandes batólitos porção centro-norte da folha (Figura 3.14). Apresenta de formato sigmoidal, seccionados e orientados feições topográficas mais proeminentes em sua segundo a rede de megazonas de cisalhamento de parte norte e relevos arrasados drenados pelo Rio direção NNW-NS-NNE. do Peixe, Ribeirão Gameleira e Córrego Recantilado. 46 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.24 – (A) Biotita metatonalito mesocrático foliado com cloritização e carbonatação; (B) Tremolita-biotita metatonalito pouco foliado mesocrático; (C) Biotita metatonalito leucocrático foliado e epidotizado; (D) Biotita metagranodiorito mesocrático pouco foliado e cloritizado; (E) Biotita metatonalito porfirítico leucocrático foliado e (F) Fácies biotita-gnaisse tonalítico. Responde por altos valores radiométricos no canal K de maior deformação e temperatura. Plagioclásio, em quase toda sua extensão (Figura 3.16). quartzo, feldspato potássico e biotita são os minerais As rochas deste complexo são mesocráticas essenciais e os minerais acessórios são opacos, zircão cor cinza-esbranquiçada, de composição tonalítica e apatita. Sericita, epidoto/zoisita e clorita são os e subordinadamente, granodiorítica. As texturas minerais secundários. documentadas são inequigranular seriada fina a grossa O Complexo Córrego Canoa está distribuído e porfirítica (Figura 3.26). O conjunto geralmente em uma faixa de direção NNE/SSW, na porção encontra-se muito deformado, marcado por quartzo- sudoeste da folha, acompanhando a estruturação clorita-muscovita milonitos e ultramilonitos nas zonas regional. Constitui uma região de relevo plano e 47 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.25 – (A) Aspecto de leucotonalito (trondhjemito) foliado e (B) Fotomicrografia exibindo cristal de granada, nicois paralelos. Figura 3.26 – (A) Biotita metagranodiorito inequigranular foliado e epidotizado; (B) Aspecto de milonito granítico. Notar a neoformação metamórfica de micas e cominuição da granulação da rocha; (C) Biotita metatonalito protomilonítico sericitizado; (D) Injeção de material quartzo-feldspático pegmatítico sin-deformacional em quartzo-mica ultramilonito; (E) Quartzo-mica-ultramilonito intemperizado e (F) Biotita metatonalito milonítico com porfiroclastos. 48 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis arrasado drenada pelo Rio Manuel Alves e pelos inequigranular média a grossa, exibindo estruturação Córregos Salobro e Canoa. Possui baixas respostas isotrópica a foliada (Figura 3.28). Os minerais essenciais aerogamaespectométrica e aeromagnetométrica são plagioclásio, quartzo e hornblenda; opacos e (Figuras 3.15, 3.16 e 3.17). zircão são os minerais acessórios observados. Zoisita, Por apresentarem relevo extremamente sericita e clorita são os minerais secundários. arrasado, os afloramentos possuem elevado grau de alteração intempérica, sendo que, os pontos 3.4.3.4 - Suíte Peraluminosa - PP2g2acgrd de campo AS-208 e AS-209, localizados próximos a Serra de Santa Clara, constituem as melhores Compreende conjunto de corpos metaplutô- exposições (Figura 3.27). Os tipos correspondem nicos deformados segundo a megaestruturação re- a biotita-metatonalitos mesocráticos que gradam gional NNW-NS-NNE. Essa unidade foi reconhecida para gnaisses de composição semelhante no com ampla distribuição areal no domo de Dianópolis mesmo afloramento, indicando que a unidade onde forma relevos positivos e exibe resposta média atingiu a fácies anfibolito. As texturas ígneas são a alta de potássio e tório de cor vermelho-amarelada predominantemente porfiríticas e sua estruturação na imagem aerogamaespectométrica RGB (Figuras engloba rochas foliadas, miloníticas e bandadas, 3.15 e 3.16). Esta suíte foi correlacionada com a Uni- constituídas dominantemente de plagioclásio, dade Peraluminosa de Abdallah e Meneghini (2011). quartzo e biotita. Os minerais secundários, de Esta unidade possui duas fácies reconhecíveis, alteração hidrotermal de baixo grau, são sericita, uma mesocrática e outra leucocrática. É comum a epidoto/zoizita e clorita. ocorrência conjunta de ambas as fácies no mesmo afloramento. A fácies mesocrática possui composição 3.4.3.3 - Suíte Serra do Boqueirão – PP2g2acsb tonalítica a granodiorítica de cor cinza escura a cinza-esbranquiçada. A textura predominante é a Esta unidade constitui um corpo localizado inequigranular de granulação média a grossa e os na porção leste da área, nas proximidades da cidade tipos porfiríticos são subordinados (Figura 3.29). de Dianópolis. É representada por hornblenda Sua estruturação engloba rochas subfoliadas a metatonalitos mesocráticos de cor cinza com textura protomiloníticas. Figura 3.27 – (A) Biotita metatonalito milonítico com porfiroclastos e sericitizado; (B) Biotita metatonalito porfirítico pouco foliado; (C) Fácies biotita metatonalito bandada e (D) Fácies biotita-gnaisse metatonalítico com alternância de bandas de diferente granulação. 49 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.28 – (A) Hornblenda metatonalito inequigranular grosso isotrópico. O corpo é cortado por dique leucocrático da Suíte Peraluminosa e (B) Detalhe da textura de hornblenda metatonalito mesocrático. Figura 3.29 – (A) Biotita metagranodiorito mesocrático pouco deformado; (B) Mica branca-biotita metatonalito mesocrático inequigranular; (C) Biotita metatonalito mesocrático foliado; (D) Biotita metatonalito mesocrático com poucos pórfiros de plagioclásio; (E) Sericita metaleucotonalito hidrotermalizado e (F) Mica branca-biotita metagranodiorito leucocrático milonítico. 50 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis A fácies leucocrática exibe textura os quais auxiliaram na delimitação cartográfica em inequigranular fina a grossa, que grada para produtos relação às unidades adjacentes (Figura 3.16). finais quartzo-feldspáticos grossos, os quais intrudem O corpo Pau Ramalhudo ocorre no domo de as demais unidades do Complexo Almas-Cavalcante, Almas, em contato com o corpo máfico-ultramáfico acompanhando ou cortando a foliação regional. Em Barra do Gameleira e possui resposta esbranquiçada alguns locais, preferencialmente perto dos contatos na imagem aerogamaespectométrica RGB. entre as unidades, são observados enclaves métricos Os tipos litológicos representam os produtos de anfibolitos e metagranitóides intensamente finais e mais diferenciados dos complexos granito- epidotizados dentro dos pegmatitos (Figura 3.30). -gnáissicos, sendo o contato entre estas unidades A paragênese mineral essencial é constituída por do tipo gradacional e intrusivo. Constituem rochas plagioclásio, quartzo, feldspato potássico e biotita. leucocráticas de cor esbranquiçada a rosada, com Os minerais acessórios são muscovita, granada, texturas inequigranulares média a grossa e porfirí- opacos, sillimanita, zircão e apatita. Sericita, mica ticas, exibindo estruturação cataclástica a foliada branca, clorita, zoisita, epidoto e carbonato são (Figuras 3.31 e 3.32). É composta predominante- minerais secundários de alteração hidrotermal. mente por biotita-metagranodioritos e biotita- -metamonzogranitos. O corpo monzogranítico Pau 3.4.3.5 – Fácies Metagranodiorítica a Ramalhudo exibe cor rosada e granulação grossa, Metamonzogranítica - PP2gacm com cristais de feldspato potássico orientados se- gundo a foliação (Figura 3.33). Os minerais essen- Engloba um conjunto de metagranitóides ciais são plagioclásio, quartzo, feldspato potássico geralmente com topografia positiva e formato elíptico e biotita e os minerais acessórios observados são a circular, localizados na porção central da folha. Esta titanita e zircão. Outra característica desta unida- fácies foi correlacionada a Unidade Monzogranítica de são as expressivas alterações hidrotermais, re- de Abdallah e Meneghini (2013). presentadas por veios e bolsões associados a pro- Nas imagens aerogamaespectométricas, cessos de silicificação, cloritização, epidotização e esses corpos exibem valores anômalos de potássio, carbonatação. Figura 3.30 – (A) Muscovita metagranodiorito leucocrático foliado; (B) Granada-biotita metatonalito porfirítico pouco deformado. Afloramento na margem do Rio Manuel Alves; (C) e (D) Enclaves métricos de anfibolito em rocha pegmatítica esbranquiçada alterada. 51 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 3.31 – (A) Biotita metagraniodiorito de granulação grossa e pouco deformado, afloramento na Serra de Almas e (B) Biotita metamonzogranito inequigranular médio a grosso epidotizado. Afloramento no Morro da Bocaina. Figuras 3.32 – (A) Biotita metamonzogranito foliado cloritizado e (B) Biotita metamonzogranito porfirítico foliado hidrotermalizado. O afloramento possui até 400 cps medidos por cintilômetro. Figura 3.33 – (A) Biotita metamonzogranito grosso foliado. Afloramento do Corpo Pau Ramalhudo e (B) Cristais de feldspato potássico orientados segundo a foliação. Notar fácies de veios aplíticos tardios. 52 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 3.4.4 - Geocronologia de 2.5 Ga. Uma análise geocronológica da Unidade Gnáissico-Migmatítica (PP12gm) do complexo dô- Cinco amostras do Complexo Almas-Caval- mico de Dianópolis (amostra AS-319) revelou idade cante foram analisadas pelo método U-Pb em zircão de 2.299,5 ± 3,3 Ma (Figura 3.35; Tabela 3.3). Esta por LA-MC-ICP-MS no Laboratório de Geocronologia amostra possui heranças com idades próximas a 2.5 da Universidade de Brasília (BUHN et al., 2009) e e 2.6 Ga. por SHRIMP II no Laboratório de Geocronologia da Idade de 2.214 ± 14,0 Ma foi obtida a partir de Universidade de São Paulo (SATO et al., 2014). Duas análise geocronológica da Suíte Serra do Boqueirão análises geocronológicas da Unidade Ortognáissica- (amostra AS-302) (Figura 3.36a; Tabela 3.3). Análise -Granítica (PP12gr) dos complexos Rio do Peixe geocronológica da Suíte Peraluminosa (amostra AS- (amostras AS-001) e Ribeirão Gameleira (amostra 34) forneceu idade de 2.184 ± 5,1 Ma (Figura 3.36b; AS-217) forneceram idades de 2.473 ± 6 Ma e 2.208 Tabela 3.3). Nesta última amostra, observam-se zir- ± 21 Ma, respectivamente (Figura 3.34; Tabela 3.3). A cões herdados com idades próximas de 2.5 Ga. Os amostra AS-217 apresentou cristais de zircão herda- cinco resultados obtidos são interpretados como ida- dos (ou contaminação crustal), com idades próximas de de cristalização e colocação dos protólitos ígneos. Figura 3.34 – Diagramas de concórdia U-Pb para cristais de zircão do Complexo Almas-Cavalcante da Unidade Ortognáissica-Granítica. (A) Amostra AS-1 (biotita metagranodiorito) do Complexo Rio do Peixe. Análise por Shrimp II e (B) Amostra 217 (biotita metagranodiorito milonítico) do Complexo Ribeirão Gameleira. Análise por LA-MC-ICP-MS. Figura 3.35 – (A) Diagrama de concórdia U-Pb para cristais de zircão do Complexo Almas-Cavalcante da Unidade Gnáissico-Migmatítica, amostra AS-319 (biotita gnaisse granodiorítico) e (B) Detalhe da concórdia no intervalo próximo a idade. Análise por LA-MC-ICP-MS. 53 CPRM - Programa Geologia do Brasil Cinco amostras do Complexo Almas-Caval- 3.5 - INTRUSIVAS MÁFICO-ULTRAMÁFICAS TIPO cante foram analisadas pelo método isotópico Sm- GAMELEIRA - P1mugg -Nd no Laboratório de Geocronologia da Universi- dade de Brasília (GIOIA;PIMENTEL, 2000). As razões 3.5.1 - Comentários Gerais 147Sm/144Nd variam de 0.0916 a 0,1212. As idades modelo TDM obtidas variam de 2,44 a 2,71 Ga, mos- Os primeiros registros de rochas máficas-ul- trando importante participação de fontes dos perí- tramáficas paleoproterozoicas descritas nas regiões odos Sideriano e Neoarqueano (tabela 3.3). Para as de Dianópolis/Conceição-TO, Província Tocantins, de- amostras sem análise U-Pb, foi utilizada a idade eNd vem-se a Correia Filho e Sá (1980), Costa et al. (1976) (t), com (*t=2,2 Ga.), considerada a principal época e Barros Filho e Lima (1973). Estes autores agruparam de formação crustal do complexo. Os Valores ne- sob a nominação Suíte Máfica-Ultramáfica Caraíbas, gativos entre -3,02 e -2,15 indicam contribuição de os maciços de Barra do Gameleira, Marta-Tamboril material crustal neste evento magmático, a partir da e Cerqueira Santaninha, individualizados por Correia reciclagem de material mais antigo. Os Valores pró- Filho e Sá (1980), em unidade Gabro-Peridotítica Mar- ximos de zero (entre 0,04 e 0,06) podem representar ginal e Gabro-Granulítica Central. Em função dos ob- magma de origem mantélica, com pouca influência jetivos deste trabalho e do nível de detalhamento car- de crosta primitiva. tográfico, essa divisão litológica não foi aqui adotada. Figura 3.36 – Diagramas de concórdia U-Pb para cristais de zircão do Complexo Almas-Cavalcante. (A) Amostra AS-302 (Anfibólio metatonalito) da Suíte Serra do Bouqueirão. Análise por LA-MC-ICP-MS e (B) Amostra AS-34 (Biotita metagranodiorito) da Suíte Peraluminosa. Análise por Shrimp II. Tabela 3.3 – Dados analíticos Sm-Nd das Unidades do Complexo Almas-Cavalcante. Amostras com (*t=idade U-Pb), e (**t=2,2 Ga). Amostra Rocha/ Unidade Sm Nd 147Sm/144Nd 143Nd/144Nd εNd TDM εNd (ppm) (ppm) ± 2SE (0) (Ga) (t) AS205** Metaquartzo-diorito/ Fácies Anfibolítica a Quartzo-Diorítica 9.405 50.050 0,114 0,511436+/-15 -23.44 2.44 0.04 Biotita-metagranodiorito/ AS217* Unidade Ortognáissica-Granítica 5.321 27.410 0.1173 0.511329+/-10 -25.54 2.71 -3,02 – Complexo Ribeirão Gameleira Sillimanita-biotita-metatonalito/ AS249** Unidade Ortognáissica-Granítica 3.295 21.745 0,092 0,510999+/-20 -31.97 2.54 -2,27 – Complexo de Almas AS302* Anfibólio-metatonalito/ Suíte Serra do Bouqueirão 5.344 26.658 0.1212 0.51154+/-13 -21.41 2.47 0,06 AS303** Sericita-metaleucotonalito/ Suíte Peraluminosa 1.842 10.959 0,102 0,51115+/-15 -29.03 2.57 -2,15 54 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Abdallah e Meneghini (2011) descreveram na Folha acamadados. Foram cartografadas intrusões com Arraias, três stocks de metagabros e anfibolitos com formas ovaladas, algumas com estruturação regional assinaturas de metabasaltos toleíticos/komatiíticos NNE, além do principal corpo com dimensões alto Fe, similares àqueles obtidos pelas metavulcâni- batolíticas, todos distribuídos na porção centro-sul cas Riachão do Ouro (Córrego Paiol). da área, em contato intrusivo e através de zonas A denominação Intrusivas Máfico-Ultramáficas de cisalhamento com granitoides e gnaisses do Tipo Gameleira deve-se a Danni e Teixeira (1981), que Complexo Almas-Cavalcante (PP12gm e PP12gr) e descreveram no Maciço Barra do Gameleira, cercanias localmente, com supracrustais Morro do Carneiro de Dianópolis, uma intrusão acamadada semicircular, (Grupo Riachão do Ouro e Granito Pau Ramalhudo). constituída por rochas máficas e ultramáficas encaixa- das em granitoides diatexíticos e metatexíticos, asso- 3.5.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e ciados ao Complexo Almas-Cavalcante (PP12gr). Cor- Deformação reia Filho e Sá (1980), descreveram acamadamentos ígneos em gabros, gabro-noritos e noritos isótropos. Os mais representativos afloramentos descri- tos na área correspondem a noritos, gabro noritos e 3.5.2 - Distribuição e Relações de Contato olivina gabro noritos e são representados pelos pon- tos AS-320, AS-360A, AS-360B e AS-360C. Noritos A delimitação cartográfica desta unidade contou exibem granulação média a grossa, são discretamen- com o emprego de imagens aeromagnetométricas, te magnéticos, melanocráticos de cor cinza-escura, trabalhos regionais/semi-detalhe e prospectivos de texturas intergranular a subofítica e mineralogia à detalhe, (CPRM, 2000), além de dados de campo base de plagioclásio (39%), ortopiroxênio (34%), cli- e petrográficos, os quais permitiram caracterizar nopiroxênio (9,8%), hornblenda (9,6%), clorita (5,2%) elevados valores anômalos associados a estes corpos e traços de serpentina (bastita), figura 3.37. Figura 3.37 – AS-320 (a) Cristais de opx e plagioclásio (labradorita) em norito com clinopiroxênio e hornblenda, correlacionado à intrusão Barra do Gameleira; (b) textura da rocha da fotomicrografia A; (c) em detalhe, alteração do opx (enstatita) para bastita e (d) preenchimento de fraturas por clorita esverdeada; Abreviaturas minerais - Pl (plagioclásio), Opx (ortopiroxênio), Ens (enstatita), Bst(bastita), Cl (clorita). 55 CPRM - Programa Geologia do Brasil Os gabro noritos exibem granulação média, com raros pórfiros de plagioclásio dispersos em uma matriz à base de plagioclásio (68%), clinopiroxênio (10%), anfibólio (8,8%), ortopiroxênio (4,8%), bastita (3,2%) e zoizita (1%). São isótropos, melanocráticos cor cinza-escura e mostram textura granular hipidiomórfica com feldspatos subédricos a euédricos distribuídos entre os minerais máficos. Constituem tipos discretamente magnéticos, 25cps de cintilometria. Alguns minerais secundários como bastita (alteração de opx), muscovita, zoizita e epídoto, ocorrem inclusos em anfibólio e sugerem retrometamorfismo tardio e incipiente, figura 3.38. No afloramento AS-360A ocorre uma rocha meso/melanocrática média a grossa e acamadada. Figura 3.39 – Típico acamadamento Esta feição é centimétrica (0,5-3cm) e está marcada em rocha máfica, AS-360A. por uma alternância de níveis de granulação fina e grossa, figura 3.39. cinza-clara e textura equigranular hipautomórfica Olivina gabro noritos exibem granulação com pontuações esverdeadas. Localmente, como no média a grossa com pórfiros dispersos em uma AS360C, parecem exibir textura cumulática, marcada matriz constituída por plagioclásio (48%), olivina por concentrações de piroxênio. Estas rochas não (25,6%), cpx (10,6%), opx (7,6%), serpentina (5,2%) são magnéticas e exibem 25cps de cintilometria, e iddingsita (2%). São isótropos, melanocráticos cor figura 3.40. Figura 3.38 – AS-360 (A) Cristais de opx inclusos em cpx. As setas mostram alteração nas bordas; (B) mesmo ponto mostrando saussuritização em plagioclásio (zoizita e epidoto); (C) textura apresentada pelos gabro noritos Gameleira e (D) franja de reação em opx com muscovita; Abreviatura minerais - Pl (plagioclásio), Opx (ortopiroxênio), Cpx (clinopiroxênio), Bst (bastita), Anf (anfibólio), Zo (zoizita), Ep (epidoto). 56 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.40 – AS-360C (A) Olivina gabro norito exibindo olivina parcialmente serpentinizada, clinopiroxênio e plagioclásio e (B) mesma rocha do ponto anterior exibindo um fácies mais grosso. De modo geral, os gabro noritos e olivina com Botelho, Menezes e Alvarenga (1999) e Botelho et gabro noritos exibem texturas notadamente ígneas, al. (2006), a suíte é intrusiva nos metassedimentos da sem evidências de deformação e serpentinização, Formação Ticunzal. A Suíte Aurumina é caracterizada ainda que parcial, de olivinas e restrita ocorrência por rochas peraluminas e foi subdividida em seis de iddingsita em cristais de olivina e clinopiroxênio, fácies incluindo rochas graníticas sin, tardi e pós- figura 3.41. tectônicas: Muscovita Granito (PP2g2au1), Biotita– Na Folha Dianópolis as três amostras de Muscovita Granito (PP2g2au2), Tonalito (PP2g2au3), gabro norito e olivina gabro norito se encontram Biotita Granito (PP2g3au4), Migmatitos e Turmalina hidrotermalizadas e marcadas por típicas feições – Muscovita granito (FUCK et al., 2007). ígneas, não apresentando, porém, quaisquer A cartografia e caracterização das litofácies evidências de metamorfismo. da Suíte Aurumina (e rochas da Formação Ticunzal associadas), para norte da cidade de Arraias no estado de Tocantins, se relacionam principalmente aos trabalhos de Abdallah e Villas-Bôas (2013), Fuck et al. (2014), Frasca e Lima (2011), Marques (2009), Oliveira et al. (2012) e Praxedes (2015). O conjunto de dados geocronológicos, suma- rizados na tabela 3.4, mostra que o magmatismo da Suíte Aurumina concentra-se no intervalo de 2.12 a 2.2 Ga, com predomínio de valores de eNd (t) negativos, indicando forte participação de material crustal na fonte do magma. 3.6.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato e Características Geofísicas Ocupa a porção oeste da área sob a forma Figura 3.41 – Gabro norito com olivina (AS-360d). de extensa faixa contínua de direção NNE/SSW com Clinopiroxênio ao lado de olivina com bordas de alteração aproximadamente 30 km de largura juntamente com o Corpo do Príncipe acompanha a estruturação 3.6 - SUÍTE AURUMINA - PP2g2au regional, alongado segundo NS. Compreende um conjunto de corpos intrusivos coalescentes de 3.6.1 - Comentários Gerais metagranitóides que formam grandes batólitos, sendo as relações de contato entre as fácies graníticas Esta suíte foi definida por Botelho, Menezes do tipo intrusiva e gradacional. e Alvarenga (1999) e Botelho e Moura (1998) no Apresenta feições topográficas proeminentes povoado de Aurumina (GO), considerada sua área- em suas porções norte e sul, constituindo morros tipo e nas regiões de Cavalcante, Nova Roma, Monte e cristas estruturados, com altos valores no canal Alegre de Goiás, Campos Belos e Arraias. De acordo K, (figura 3.43). Em sua porção central geralmente 57 CPRM - Programa Geologia do Brasil possui relevo plano e arrasado com baixa resposta no associadas à deformação cisalhante, (figura 3.42). canal K e valores anômalos de urânio de cor azulada No geral, responde por regiões de baixos valores na imagem ternária RGB, (figura 3.42). A imagem magnéticos nas imagens aeromagnetométricas, o ternária RGB delimita faixas e lentes com contraste que reflete o baixo conteúdo de minerais magnéticos no conteúdo dos radioelementos, que podem ser destas rochas (figura 3.44). Os locais de maior interpretadas como zonas de alteração hidrotermal gradiente marcam as estruturas deformacionais. Tabela 3.4 – Síntese dos dados geocronológicos da Suíte Aurumina. Unidade Litoestratigráfica Idade de cristalização (Ma) Método TDM (Ga) rt εNd(t) 2.129 ± 26 1 K-Ar ms 1 2,4 2 - 2,7; -3 2 e -6; 2.12-2.17 4 U-Pb zr 4 2.27 3 - 2.63; -0.78 3 e -3.07; 2.13-2.18 5, 2.042± 12 U-Pb zr 5 2.4 4-2.6; -1 4 e -3; 2.172 ± 16 6 U-Pb zr 6 2.21 5-2.92; -1.8 6, +0.65; Suíte Aurumina 2.284 ± 120 7, 2.169 ± 42 U-Pb zr 7 2.33 6- 2.66; -2.17 7, +0.26; (PP2g2au) 2.161 ± 14 8, 2.201 ± 7; 2.144 ± 37 U-Pb zr 8 2.28 7- 2.58; -5.13 8, -0.26; 2.152 ± 18, 2.177 ± 13 U-Pb zr 9 2.34 8- 2.81; +0.06 9 2.062 ± 21 9, 2.013 ± 15; 2.027 ± 36 2.35 9 2142±1110 U-Pb zr 10 2.54 10 -2,1910 2138±1010 U-Pb zr 10 Abreviaturas: zr, zircão; ms, muscovita; rt, rocha total Referências: 1 - Sparrenberger e Tassinari (1999); 2 - Fuck et al. (2002); 3 - Marques (2009); 4 - Botelho et al. (2006); 5 - Fuck et al. (2014); 6 - Praxedes (2015); 7 – Corrêa (2014); 8 - Cordeiro de Sousa (2015); 9 - Abdallah e Meneghini (2013), Abdallah (2014); 10 - Frasca (2015). Figura 3.42 – Imagem aerogamaespectométrica ternária RGB, mostrando as assinaturas geofísicas das litofácies da Suíte Aurumina. 58 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.43 – Imagem aerogamaespectométrica do canal K, evidenciando os valores anômalos de potássio das litofácies da Suíte Aurumina. Figura 3.44 – Imagem aeromagnetométrica da Amplitude do Sinal Analítico – ASA, evidenciando o predomínio de regiões com baixo gradiente magnético da Suíte Aurumina. 59 CPRM - Programa Geologia do Brasil Esta unidade é intrusiva no Grupo Água Suja. 3.6.3.1 - Fácies Granodiorítica a Tonalítica - Os contatos com o Complexo Almas-Cavalcante PP2g2au3 são tectônicos e intrusivos, definidos pela Zona de Cisalhamento de Natividade e pelo corpo do Esta fácies constitui conjunto plutônico situado Príncipe, respectivamente. Fácies pegmatíticas principalmente na porção noroeste da folha, que (PP2g2au4) intrudem metapelitos do Grupo Água ocorre sob a forma de extenso batólito orientado e Suja e outros contatos entre estas duas unidades são balizado por zonas de cisalhamento de direções NS estabelecidos por falhas e zonas de cisalhamento a NNE. Apresenta assinatura de alto K nas regiões de (com lentes tectonicamente intercaladas) e do tipo relevo positivo na aerogamaespectometria (Figura discordante. Os contatos com o Grupo Natividade 3.43). A fácies de metagranitóides é composta são de natureza tectônica, estabelecidos através predominantemente por biotita metatonalitos, de falhas e zonas de cisalhamento e do tipo granada-biotita metatonalitos e subordinadamente, discordante. A Bacia do Parnaíba a recobre por por biotita metagranodioritos. Os metatonalitos são discordância erosiva. mesocráticos de cor cinza e os metagranodioritos possuem cor cinza-esbranquiçada. As texturas 3.6.3 - Tipos de Rochas, Petrografia, Metamorfismo observadas são inequigranulares porfiríticas e e Deformação seriada de granulação média a grossa, (figura 3.45). Em domínios mais restritos são identificadas Na Folha Dianópolis foram cartografadas três rochas gnaissificadas individualizadas na Fácies litofácies da Suíte Aurumina: Fácies Granodiorítica PP2g2au3gm, evidenciando condições de maior a Tonalítica (PP2g2au3); Fácies Granodiorítica a grau metamórfico (figura 3.45). Essas rochas Monzogranítica (PP2g2au2) e Fácies Granodiorítica a invariavelmente estão associadas com as zonas de Sienogranítica (PP2g2au4). alto strain. Figura 3.45 – (A) Biotita metatonalito de cor cinza com textura inequigranular seriada, de granulação média a grossa, pouco deformado; (B) Granada-biotita metatonalito inequigranular médio a grosso foliado; (C) Biotita metatonalito milonítico porfiroclástico e (D) Biotita metagranodiorito de cor cinza-esbranquiçada pouco deformado. 60 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis As rochas mostram variações estruturais polissintéticas posicionadas numa mesma direção, em função da proximidade ou afastamento das o que sugere fluxo magmático sin-deformacional zonas de alto strain, gradando desde intensamente ou sin-tectônico. A assembléia mineral é composta deformadas com geração de proto a ultramilonitos essencialmente por plagioclásio, quartzo, feldspato até praticamente isotrópicas com as texturas ígneas potássico e biotita. Granada, apatita, opacos e zir- preservadas, (figura 3.46). Nas zonas de maior cão são os minerais acessórios. Muscovita, sericita, deformação a trama protomilonítica é representada titanita, epidoto, zoizita/clinozoizita e clorita são os pela geração de porfiroclastos, augen-gnaisses principais produtos de alteração hidrotermal. En- e tectonitos L e LS e no estágio deformacional globam, localmente, enclaves de rocha de compo- mais avançado, as rochas estão extremamente sição máfica. cominuídas e recristalizadas, gerando muscovita- quartzo-feldspato ultramilonitos, (figura 3.47). Em 3.6.3.2 - Fácies Granodiorítica a Monzogranítica - alguns afloramentos são observadas injeções de PP2g2au2 pegmatitos quartzo-feldspáticos com muscovitas decimétricas nos ultramilonitos. Estes tectonitos/ Ocupa principalmente a porção sudoeste ultramilonitos são amplamente distribuídos nesta da folha em uma faixa de direção NNE/SSW com fácies e na maior parte das vezes, os afloramentos aproximadamente 20 km de largura. Também é estão muito intemperizados, com cor de alteração representada pelo corpo batolítico do Príncipe, avermelhada típica. intrusivo no Complexo Almas-Cavalcante, próximo Na análise petrográfica, alguns metagranitói- a Zona de Cisalhamento Cruz das Almas. Em sua des apresentam biotita e plagioclásios com maclas área mais expressiva exibe relevos arrasados e Figura 3.46 – (A) Biotita gnaisse de composição tonalítica exibindo segregação metamórfica marcada por bandas leucocráticas quartzo-feldspáticas. (B) Biotita gnaisse tonalítico milonítico, augen-gnaisse. Figura 3.47 – (A) Muscovita-quartzo-feldspato protomilonito, cor cinza esverdeado com típica cor de alteração avermelhada e (B) Muscovita-quartzo ultramilonito de cor cinza esverdeada pouco alterado. 61 CPRM - Programa Geologia do Brasil drenados pelos rios Manoel Alves, Bagagem e assembleia mineral é composta essencialmente de Rocinha. Nestas regiões apresenta baixa resposta quartzo, plagioclásio, feldspato potássico, biotita e aerogamaespectométrica no produto ternário RGB. muscovita. Granada, opacos, zircão e apatita são os O Corpo do Príncipe exibe a mais expressiva anomalia minerais acessórios. Sericita, epidoto/zoisita, clori- aerogamaespectométrica da área (contagem total ta, muscovita e titanitas são os principais produtos e canais de K e Th), cor esbranquiçada no produto de alteração hidrotermal. ternário RGB, confirmado nos afloramentos visitados, nos quais a radiação situa-se entre 220 a 360 cps, 3.6.3.3 – Fácies Granodiorítica a Sienogranítica - (figura 3.42). PP2g2au4 Esta fácies é composta por rochas leucocrá- ticas com textura inequigranular média a grossa, Constitui um conjunto de corpos e stocks exibindo pórfiros de plagioclásio e feldspato potás- metaplutônicos de formato subarredondado e sico de até 5 cm de comprimento. Os tipos litológios geometria alongada segundo a estruturação regional, são granada-muscovita-biotita metagranodioritos, distribuídos na porção oeste da folha. O corpo muscovita-biotita metamonzogranitos e biotita me- situado nos arredores da localidade de Chapada de tasienogranitos, (figuras 3.48 e 3.49). A unidade se Natividade (Granito Xobó), responde por valores encontra afetada pela foliação dúctil-rúptil regional anômalos de potássio, mostrando cor avermelhada e nos locais preservados das zonas de maior strain as na imagem ternária RGB. Outros corpos possuem rochas estão pouco deformadas. O corpo granítico elevadas concentrações dos três radioelementos do Príncipe exibe áreas com expressivas alterações (K, Th e U), com resposta de cor esbranquiçada hidrotermais (biotitização, sericitização e epidotiza- na imagem ternária RGB. Alguns afloramentos ção), associadas com mineralizações auríferas, prin- são restritos e não cartografáveis nesta escala de cipalmente, em sua porção norte, (figura 3.50). A mapeamento. Figura 3.48 – (A) Muscovita-biotita metasienogranito inequigranular grosso, pouco deformado; (B) Biotita metagranodiorito milonítico porfiroclástico; (C) Granada-muscovita-biotita metagranodiorito foliado. Notar pórfiros de granada centimétricos e (D) Muscovita-biotita metamonzogranito pouco deformado. 62 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.49 – Aspectos das rochas do Corpo do Príncipe. (A) Biotita-muscovita metamonzogranito inequigranular pouco deformado; (B) Muscovita-biotita metamonzogranito foliado; (C) e (D) Granada-biotita metasienogranito protomilonítico, afloramento sob a ponte do Ribeirão Moleque. Figura 3.50 – Aspectos das rochas hidrotermais do Corpo do Príncipe. (A) Rocha com matriz sericitizada e epidotizada e aglomerados de biotita e (B) Rocha intensamente hidrotermalizada à base de biotita, sericita, epidoto e quartzo, garimpo do Príncipe. É composta por muscovita-biotita granitos, com equigranulares a inequigranulares seriada média a rochas de composição granodiorítica subordinada. grossa, com alguns tipos porfiríticos, (figura 3.51). Predominam tipos leucocráticos de cor cinza-claro É a litofácies menos deformada da Suíte Aurumina a esbranquiçados, sendo os termos mesocráticos e as rochas são normalmente isotrópicas a pouco de cor cinza-rosada, restritos. Apresentam texturas foliadas; tipos miloníticos são subordinados. Ocorrem 63 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.51 – (A) Relação de intrusão de turmalina-pegmatitos em muscovita-biotita metagranodiorito; (B) Muscovita- biotita metamonzogranito com textura inequigranular seriada pouco deformado; (C) Biotita metamonzogranito de cor cinza rosada foliado; (D) Muscovita-biotita-álcali feldspato granito pouco deformado. O afloramento apresenta até 530 cps; (E) Relações entre fácies de mucovita-pegmatitos e granada-muscovita-biotita metamonzogranito, Granito Xobó e (F) Muscovita-biotita metasienogranito porfirítico foliado, Granito Xobó. expressivas fases pegmatíticas relacionadas com esta deformacionais desta fácies. Os minerais essenciais litofácies, constituídas principalmente de muscovita- são quartzo, feldspato potássico, plagioclásio, turmalina-quartzo-feldspato, que intrudem o Grupo muscovita e biotita. Os minerais acessórios são Água Suja nas proximidades da cidade de Natividade. granada, apatita, opacos e zircão. Os minerais Porções quartzo-sericítica-biotitícas, pegmatíticas secundários de alteração hidrotermal são sericita, e algumas ocorrências auríferas estão relacionadas muscovita, biotita, clorita, titanita, epidoto e zoizita/ a importantes alterações hidrotermais e processos clinozoizita. 64 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 3.6.4 - Geocronologia de formação da suíte. Os valores negativos de eNd (t), entre -2,05 e -2,4, indicam magmas derivados a partir Uma amostra (AS-78) de muscovita-biotita da fusão de material crustal mais antigo. metagranodiorito da Suíte Aurumina foi analisada pelo método U-Pb em zircão SHRIMP II no Laboratório 3.7 - GRUPO NATIVIDADE – PP4na de Geocronologia da Universidade de São Paulo (SATO et al., 2014). A análise geocronológica da 3.7.1 - Comentários Gerais Fácies Granodiorítica a Sienogranítica (PP2g2au4) forneceu idade de 2.136±28 Ma, (figura 3.52; Os metassedimentos da região de Natividade tabela 3.5). A amostra apresentou cristais de zircão foram reconhecidos sob a denominação de Série herdados (ou contaminação crustal) com idades Natividade por Moore (1963 HASSUI; HARALYI; entre 2.3 e 2.5 Ga. A idade obtida é interpretada SCHOBBENHAUS, 1984). Posteriormente a unidade como idade de cristalização e colocação do corpo foi hierarquizada como Grupo Natividade por Portela granítico. et al. (1976). O conhecimento do conteúdo litológico Duas amostras da Suíte Aurumina foram e extensão areal desta sequência metassedimentar analisadas pelo método isotópico Sm-Nd no devem-se aos trabalhos de mapeamento regional Laboratório de Geocronologia da Universidade referentes aos projetos Leste do Tocantins/Oeste do de Brasília (GIOIA; PIMENTEL, 2000). As razões Rio São Francisco (PORTELA et al., 1976), Natividade 147Sm/144Nd da Suíte Aurumina variam de 0.0850 (CORREA FILHO; SÁ, 1980) e Natividade-Almas a 0.1049. As idades modelo TDM obtidas variam de (GORAYEB et al., 1984). Os principais trabalhos sobre 2,45 a 2,49 Ga, mostrando participação de fontes do o Grupo Natividade são de Portela et al. (1985), período Sideriano (Tabela 3.5). Foi utilizada a idade Saboia, Dardenne e Junqueira-Brod (2007), Gorayeb, e , com (*t=2,1 Ga.), considerada a principal época Costa e Lemos (1988), Hasui et al. (1990), Oliveira Nd (t) et al. (2012) e Praxedes (2015). Na concepção atual, o Grupo Natividade aflora somente na Folha Dianópolis, sendo que os metassedimentos situados na Folha Porto Nacional (SC-22-Z-B), como na Serra Manuel do Carmo, fazem parte da Formação Monte do Carmo (RIBEIRO;ALVES, 2014). Silva, Kotschoubey e Gallarza (2005) apresentaram datações de zircões detríticos pelo método Pb-Pb e definiram uma idade mínima de 1779 ± 6 Ma para a deposição dos sedimentos do Grupo Natividade. Um único corpo ígneo intrusivo nas rochas metassedimentares do Grupo Natividade, foi assinalado por Silva et al. (2003), tendo sido classificado como corpo subvulcânico de composição andesítica a andesito basáltica, datado pelo método Pb-Pb em 616 ± 6 Ma e assim relacionado ao final do Ciclo Brasiliano. Figura 3.52 – Diagrama de concórdia U-Pb para cristais O Grupo Natividade é considerado como a ex- de zircão da Suíte Aurumina, Fácies Granodiorítica tensão norte do Grupo Araí (PORTELA et al., 1976; a Sienogranítica (PP2g2au4), amostra AS-78 DARDENNE, 2000; MARINI et al., 1984) sendo este de muscovita-biotita metagranodiorito. último, dividido nas fases rift e pós-rift, denominadas Tabela 3.5 – Dados analíticos Sm-Nd das unidades da Suíte Aurumina. Amostras com (*t=2,1 Ga.). Amostra Rocha/ Unidade Sm Nd 147Sm/144Nd 143Nd/144Nd e TDM (ppm) (ppm) ± 2SE Nd (0) (Ga) eNd (t) Biotita-gnaisse tonalítico/ AS-124* Fácies Gnaisses e Migmatitos 10.166 58.559 0,105 0,511264+/-6 -26.80 2.49 -2,05 (PP2g2au3gm) Biotita-metagranodiorito/ AS-293* Fácies Granodiorítica a 3.937 27.988 0,085 0,510971+/-11 -32.52 2.45 -2,4 Sienogranítica (PP2g2au4) 65 CPRM - Programa Geologia do Brasil formações Arraias e Trairas respectivamente, (ALVA- imagens aeromagnetométricas destacam-se os altos RENGA et al., 2002; FUCK et al., 2007; DARDENNE gradientes magnéticos da Serra de Natividade que et al., 1999). A correlação com o Grupo Araí e con- se relacionam com as zonas de cisalhamento que sequentemente com o Grupo Serra da Mesa e Su- a limitam. A anomalia magnética linear na porção pergrupo Espinhaço, insere o Grupo Natividade nos norte da sequência provavelmente corresponde ao processos de rifteamento da Tafrogênese Estateriana eixo da sinclinal regional que envolve as Serras da entre 1,8 a 1,6 Ga. (BRITO NEVES, 2002; DELGADO et Pedra e do Belo Horizonte. al., 2003; MARQUES, 2009; PIMENTEL et al., 1991). Saboia, Dardenne e Junqueira-Brod (2007) 3.7.3 - Tipos de Rochas, Petrografia, Metamorfismo propõem que o Grupo Natividade, na região de e Deformação Natividade-Pindorama, seja correlacionável com a porção superior marinha pós-rift (Formação Traíras) Além da extensão areal e espessura do pacote do Grupo Araí. Recentemente, Tanizaki, Campos sedimentar, as porções leste e oeste mostram e Dardenne (2015) subdividiram o Grupo Araí em diferenças com relação às fácies sedimentares. Por quatro unidades: Água Morna, Arraias, Caldas e esses motivos as unidades litoestratigráficas serão Traíras. Na folha Dianópolis é correlacionável o Grupo descritas separadamente para cada setor. O grau Natividade a Tectonossequência Traíras (Membros metamórfico da sequência atingiu a fácies xisto Boqueirão, Rio Preto e Rosário). verde com formação de xistos e quartzitos. 3.7.2 - Distribuição Geográfica, Relações de Contato Porção Leste e Características Geofísicas PP4na2 – É formada essencialmente por As rochas do Grupo Natividade estão em metapelitos com fácies de contribuição psamíticas discordância sobre o embasamento de rochas subordinadas. A Fácies (PP4na2cc) é composta granito-gnáissicas (Complexo Almas-Cavalcante por carbonatos impuros micáceos (calcixistos) e e Suíte Aurumina) e metavulcano-sedimentares metacalcários de cor cinza que afloram na base das (Grupos Riachão do Ouro e Água Suja) e são Serras do Prata e do Barril, (figura 3.53). A Fácies recobertas em discordância erosiva pelas Bacias do (PP4na2qt) é constituída por metarenitos e quartzitos Parnaíba e São Franciscana. silicificados estratificados em bancos decimétricos Esta unidade distribui-se em duas porções a métricos, além de metaconglomerados na área. A porção leste de menor porte, situada subordinados. Edificam as serras de estruturação principalmente a norte da cidade de Almas, possui dobrada supracitadas e as Serras da Ladainha, do estruturação NS com inflexão para NNW. Em imagens Gritador e da Boa Nova. de sensores remotos apresenta dobramentos PP4na3 – Esta fácies é caracterizada pelo nitidamente transpostos pelas extensas zonas predomínio de metapelitos com intercalações de cisalhamento transcorrentes. As melhores de metapsamitos compondo metarritimitos respostas nos produtos aerogamaespectométricos micáceos de cor cinza-esverdeada, (figura 3.53). correspondem às unidades psamíticas, geralmente As intercalações de metarenitos restritos com com baixos valores no canal de contagem total. formas lenticulares que gradam para metapelitos As regiões com alto gradiente magnético estão caracterizam os acamamentos wavy e linsen. As relacionadas com a forte estruturação da sequência. porções essencialmente quartzíticas expressivas Faz contato tectônico por zona de cisalhamento a compõem a fácies (PP4na2qt) como na Serra do leste com o Grupo Bambuí. Maximiliano. Em alguns locais observam-se rochas A porção oeste mais expressiva, situada na com manchas de cor marrom-amarelada que podem região de Natividade-Pindorama, constitui faixa representar fácies carbonáticas intemperizadas. de direção NNE com inflexão para NE conforme a estruturação regional e com largura média de Porção Oeste 22 km. Apresenta relevo dobrado e falhado com sinclinais e anticlinais regionais balizados pelas zonas PP4na1 – É representada por fácies de de cisalhamento transcorrentes. Unidades com quartzitos e metarenitos com intercalações de predomínio de rochas metapelíticas apresentam metaconglomerados suportados por matriz, além valores anômalos nos canais de K e contagem total de metadolomitos restritos. Sustentam as serras e são responsáveis pela topografia mais suave da de Natividade, Santa Clara, Cruz das Almas, Piauí, sequência. As unidades metapsamíticas possuem Dourada e os Morros do Cachimbo e Saco dos baixos valores nos canais de K e contagem total e Bois. Os quartzitos geralmente são recristalizados e constituem a topografia mais proeminente. Nas silicificados e os metarenitos possuem granulometria 66 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.53 – (A), (B) e (C) são rochas da unidade PP4na2. (D), (E) e (F) são rochas da unidade PP4na3. (A) Calcixistos (mármores impuros micáceos) com acamadamento (S0) paralelo á foliação; (B) Metacalcários de cor cinza recristalizados; (C) Quartzitos estratificados silicificados; (D) Metapelitos com estruturas wavy e linsen; (E) Metarritimitos com predomínio de porções metapelíticas de cor cinza-esverdeada e intercalações de níveis quartzíticos e (F) Rocha com manchas de cor marrom-amarelada que podem representar fácies carbonáticas da Unidade 3. média a grossa com níveis muito grossos. Os tipos de quartzo e quartzito sustentados pela matriz observados podem ser micáceos, sendo constituídos arenosa e de natureza intraformacional. Os predominantemente por quartzo laminados e/ metaconglomerados polimíticos são restritos, ou maciços, com estratos tabulares. As estruturas (figura 3.54). Os seixos e clastos possuem tamanhos sedimentares frequentemente observadas são variando de alguns centímetros até 40 centímetros estratificações plano-paralelas e cruzadas. e estão alongados e deformados segundo a foliação. Os metaconglomerados intercalados na Os metadolomitos da fácies (PP4na1do) constituem sequência psamítica são oligomíticos com clastos morros isolados sobre o embasamento, onde se 67 CPRM - Programa Geologia do Brasil encontra a pedreira da empresa NATICAL e o Morro PP4na2 – É composta por metapelitos com da Onça. fácies metapsamíticas e carbonáticas, (metacalcá- A fácies cianita-quartzitos (PP4na1ci) ocorre rios e metadolomitos) subordinadas, (figura 3.54). nas proximidades do Morro do Moleque e são Os metapelitos (metassiltitos e metargilitos), dis- interpretados como hidrotermalitos associados à tribuem-se nas regiões de relevo plano, enquanto Zona de Cisalhamento Cruz das Almas. os quartzitos (PP4na2qt) constituem o Morro das Figura 3.54 – (A) e (B) são rochas da unidade PP4na1. (C) e (D) são rochas da unidade PP4na2. (A) Metaparaconglomerado oligomítico com seixos e clastos orientados segundo a foliação. Afloramento na Serra de Natividade; (B) Metaparaconglomerado polimítico com seixos e clastos de quartzo, quartzito e formação ferrífera. Afloramento próximo a Serra Cruz das Almas; (C) Metassiltitos laminados; (D) Morro de metacalcário isolado próximo ao Morro da Oficina; (E) Quartzitos com estratos tabulares da Unidade 5 e (F) Metarritimitos verticalizados da Unidade 8. 68 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Araras e as Serras Preta e do Tombador. As fácies 3.7.4 – Ambiente Deposicional carbonáticas são descontínuas dentro da sequên- cia metapelítica. Os metadolomitos (PPAna2do) As características desta sequência permitem formam conjunto de morros e serras próximos a propor um ambiente de plataforma marinha mista Serra de Santa Clara, onde se encontra a pedreira sílico-carbonática. Parte da unidade 1 (PP4na1) da empresa NACAL. Afloram sobre o embasamen- pode representar uma sedimentação de leques to como no Morro do Mutum. No ponto AS-263 aluviais subaquosos (fan-delta) associados a falhas e (UTM – 224547/8706715) ocorrem estromatólitos calhas do embasamento, sendo os mecanismos de colunares em lente de metadolomitos. Os meta- sedimentação relacionados a fluxos gravitacionais. calcários são observados nos morros da Oficina e O avanço da transgressão é representado pelo do Carneiro e podem se sobrepor diretamente ao desenvolvimento de espessos pacotes argilo-silto- embasamento. arenosos com horizontes carbonáticos, depositados PP4na3 – As fácies que integram esta unidade em ambiente de plataforma ampla e aberta. Os são predominantemente metapsamíticas (quartzitos, locais livres de fluxos de sedimentos detríticos metarenitos e mica-metarenitos), com metapelitos proporcionaram a deposição dos carbonatos. Os e metadolomitos subordinados. Os metapelitos metassiltitos com wavy e linsen são interpretados constituem níveis mais foliados intercalados nos como depositados em ambiente raso de planície metapsamitos, como observado na usina hidrelétrica de maré (metarritmitos de maré). A sedimentação perto da Cachoeira da Bagagem. Os metadolomitos marinha do Grupo Natividade evidencia uma (PPAna3do) afloram como camadas lenticulares e transgressão de grande amplitude, que permite uma também podem ser observados na Agropecuária correlação com a fase de subsidência da bacia que Porto Brasil. sucede ao rifteamento inicial (fase pós-rift). PP4na4 – A unidade 3 gradaciona lateralmente para esta unidade, essencialmente metapsamítica, 3.8 - ARCO MAGMÁTICO DE GOIÁS que sustenta as Serras da Pedra Branca e da Vaca Brava, com resposta mais baixa no canal de contagem 3.8.1 - Suíte Manoel Alves - NP3gma total. PP4na5 – Constitui os flancos externos da estrutura sinclinal regional localizada a sudeste da 3.8.1.1 - Comentários Gerais cidade de Pindorama do Tocantins, envolvendo as serras do Belo Horizonte e da Pedra. Também Costa (1985) definiu o Complexo Manoel Alves edifica as Serras do Grilo e do Baeta. É composta como um conjunto de gnaisses tonalíticos e grano- por metapsamitos (quartzitos e metarenitos) dioríticos aflorantes no rio homônimo, cartografados com estratos tabulares centimétricos a métricos, nas folhas Gurupi (FRASCA;LIMA;MORAES, 2010) e com níveis de metassiltitos esverdeados, (figura Dianópolis. Na Folha Gurupi os autores hierarquiza- 3.54). Neste conjunto as dobras mesoscópicas são ram parte deste conjunto de rochas como Suíte Ma- evidentes, e próximo aos flancos as rochas estão noel Alves e individualizaram essa unidade em duas verticalizadas com a formação de tectonitos L em fácies: (a) Tonalitos e Granodioritos Gnaisses e (b) função das zonas de cisalhamento transcorrentes. Corpos Máficos Indiferenciados. Relacionaram esta PP4na6 – Formada por metapelitos com suíte como um prolongamento das rochas do Arco lentes de metadolomitos que formam relevos com Magmático de Goiás, com base nas propostas de topografia mais suave entre as serras quartzíticas. Delgado et al. (2003) e Fuck et al. (2001). Os metadolomitos (PP4na6do) constituem morros Fuck et al. (2001) apresentaram idades-modelo isolados e podem ser observados na Lagoa do TDM em torno de 1.2 e 1.3 Ga para rochas desta unida- Japonês. de Frasca, Lacerda Filho e Ribeiro (2010) forneceram PP4na7 – Corresponde a um pacote de uma idade U-Pb de 554+6 Ma para a suíte. Fuck et al. metarritmitos com predomínio de metapsamitos, (2014) apresentaram idades U-Pb de cerca de 850 Ma caracterizados pela alternância de metarenitos de com TDM em torno de 1.3 Ga e valores positivos de eNd cor esbranquiçada e metassiltitos de cor esverdeada. (t) dados estes que caracterizam arcos de ilhas juvenis PP4na8 – Ocupa o núcleo da sinforme semelhantes ao Arco Magmático de Mara Rosa. Pra- regional supracitado, sendo representada por xedes (2015) obteve idades U-Pb de 654.4 ±4.2 Ma e metarritmitos com predomínio de intercalações de idades-modelo TDM entre 1,09 e 0,88 Ga com eNd (t) po- metassiltitos esverdeados, (figura 3.54). No geral sitivos. Este autor correlacionou os litótipos datados possui alta resposta no canal de contagem total na com unidades mais antigas (Sequência Mara Rosa) e aerogamaespectometria e cor esbranquiçada no mais jovens (Sequência Santa Terezinha de Goiás), co- produto ternário RGB. nhecidas no Arco de Mara Rosa (FUCK et al., 2007). 69 CPRM - Programa Geologia do Brasil 3.8.1.2 - Distribuição Geográfica, Relações de 3.8.1.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e Contato e Características Geofísicas Deformação Esta unidade aflora no extremo nordeste da Esta unidade foi individualizada nas fácies: (i) área na forma de dois corpos geometricamente Fácies Tonalítica a Granodiorítica: correspondem as alongados e justapostos, orientados de acordo com rochas mais primitivas da suíte, a base de hornblenda- o Lineamento Transbrasiliano N20°-40°E. Compõe biotita e de composição intermediária a félsica; (ii) um bloco neoproterozoico, considerado como Fácies Monzogranítica a Granodiorítica: representam o prolongamento norte do Arco Magmático de os termos mais evoluídos deste terreno, a base de Goiás. Estabelece contatos tectônicos por zonas de biotita e de composição félsica. cisalhamento com as unidades adjacentes. A Bacia do Parnaíba recobre esta unidade por discordância 3.8.1.3.1 - Fácies Tonalítica a Granodiorítica - erosiva. NP3gmatn Parte do seu relevo é positivo e marcado por morros e serras estruturadas, as quais É composta por biotita-hornblenda metadiori- apresentam valores médios a elevados de potássio tos, metaquartzo dioritos e metatonalitos, melano- na aerogamaespectometria. Em sua porção cráticos a mesocráticos, pouco magnéticos, (figura sudoeste exibe relevo arrasado e caracterizado 3.55 a, b, c). Predomina a textura inequigranular mé- por expressivas coberturas cenozoicas. Responde dia a grossa com estruturação foliada, sendo obser- por valores magnéticos anômalos nas imagens vados milonitos nas zonas de cisalhamento. Ocorrem aeromagnetométricas, o que reflete a forte domínios de rochas gnáissicas indicando que o meta- estruturação do arcabouço. morfismo atingiu a fácies xisto verde alto a anfiboli- Figura 3.55 – (A) Hornblenda metatonalito inequigranular grosso foliado, com epidotização e cloritização; (B) Biotita-hornblenda gnaisse diorítico deformado, pouco magnético; (C) Biotita metatonalito inequigranular médio a grosso foliado e (D) Dique aplítico de leucogranito cortando metatonalito grosso. 70 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis to. Processos hidrotermais de epidotização e cloriti- mente apresentam cominuição dos grãos e formação zação foram constatados em diversos afloramentos. de níveis sericíticos envolvendo os porfiroclastos. Diques aplíticos de leucogranitos e pegmati- Os minerais essenciais são quartzo, plagio- tos, geralmente concordantes com a estruturação clásio, feldspato potássico e biotita e os minerais regional, cortam esta unidade e provavelmente acessórios observados são opacos, titanita e zircão. estão relacionados com a Fácies Monzogranítica a Os minerais secundários, produtos da deformação Granodiorítica (figura 3.55 d). Plagioclásio, quartzo, e alterações hidrotermais, são representados prin- hornblenda e biotita são os minerais essenciais. Os cipalmente por sericita, epidoto e clorita. minerais acessórios são titanita, opacos, apatita, zircão e rutilo. Os minerais secundários são serici- 3.8.2 - Formação Monte do Carmo - NP3mca ta, clorita, epidoto, zoizita/clinozoizita, actinolita e carbonato. 3.8.2.1 - Comentários Gerais 3.8.1.3.2 - Fácies Monzogranítica a Granodiorítica - A Formação Monte do Carmo foi reconhecida NP3gmagr nos trabalhos de Costa et al. (1976) e Cunha et al. (1981). É representada por uma sequência vulcano- Esta fácies exibe os mais altos valores de po- sedimentar epimetamórfica estruturada em blocos tássio da unidade, com áreas exibindo resposta es- abatidos e adernados por falhas (HASUI; HARALYI; branquiçada na imagem ternária RGB. É composta COSTA, 1984). Esta unidade foi considerada uma por biotita metagranodioritos e biotita metamonzo- molassa Brasiliana por Schobbenhaus e Campos granitos. Predomina a textura granular porfirítica e (1984), que admitiram sua correlação com o Grupo estruturação milonítica (figura 3.56). As rochas geral- Jaibaras no Estado do Ceará. Figura 3.56 – (A) Biotita metamonzogranito porfirítico milonítico. Rocha com cominuição dos cristais e cloritizada; (B) Biotita metagranodiorito inequigranular médio milonítico; (C) Biotita metamonzogranito porfirítico milonítico. Rocha cominuída com sericitização e cloritização e (D) Biotita metagranodiorito milonítico. Notar níveis miloníticos de sericita. 71 CPRM - Programa Geologia do Brasil A maior discussão nos diversos trabalhos sobre o bloco paleoproterozoico (Cavalcante-Natividade) esta unidade recai na área de ocorrência da sequência é tectônico do tipo transcorrente e definido pela a norte da cidade de Monte do Carmo. Nesta região Zona de Cisalhamento Rio dos Bois. Os demais con- as rochas vulcânicas paleoproterozoicas relacionadas tatos com as unidades neoproterozoicas são esta- à Suíte Ipueiras e as rochas neoproterozoicas da belecidos por zonas de cisalhamento transcorren- Formação Monte do Carmo estão em contato tes. A Bacia do Parnaíba recobre esta unidade por (BRAGA, 2008; BROD, 2009; COSTA, 1984; GORAYEB discordância erosiva. et al., 1992; QUEIROZ; KOTSCHOUBEY; LAFON, 1999; PALERMO, 1988; PAULINO et al., 2008; QUARESMA; 3.8.2.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e KOTSCHOUBEY, 2001, 2002; PALERMO, 2005; Deformação SABOIA; DARDENNE; JUNQUEIRA-BROD, 2010. Na definição atual de Ribeiro et al. (2014), a partir do Na Folha Dianópolis a formação é mapeamento geológico da Folha Porto Nacional representada por um conjunto de rochas (SC-22-Z-B), as rochas vulcânicas associadas à Suíte metavulcânicas e metaplutônicas subordinadas com Ipueiras são restritas a borda norte do Granito do uma faixa restrita de metarenitos. Nas Folhas Porto Carmo, enquanto que a Formação Monte do Carmo Nacional (SC-22-Z-B) e Gurupi (SC-22-Z-D) a porção aflora amplamente no restante desta localidade. metassedimentar da sequência é muito mais Uma isócrona Rb/Sr indicou idade de cerca de expressiva. 1.100 Ma para rochas vulcânicas (CUNHA et al., 1981). Idades modelo TDM em torno de 0,8 Ma em rochas 3.8.2.3.1 - Metavulcânicas máficas a intermediárias máficas desta unidade, foram obtidas por Saboia, - NP2bmca Dardenne e Junqueira e Brod (2009) e Saboia (2010). Estes autores caracterizaram a Formação Monte do Nesta unidade ocorre o predomínio Carmo como uma sequência vulcanossedimentar de rochas metavulcânicas e subvulcânicas/ bimodal relacionada à implantação de um gráben no metaplutônicas máficas a intermediárias, com tipos final do ciclo Brasiliano. Junqueira-Brod et al. (2010) félsicos subordinados. A transição entre as fácies apresentaram idades U-Pb em zircão em torno de é gradacional e representada pelo aumento da 600 Ma, a partir de rochas piroclásticas félsicas da granulação dos cristais e diminuição modal da matriz formação. fina, (figuras 3.58). Esta relação indica um nível de Frasca, Lima e Moraes (2010) ampliaram a erosão crustal raso, no qual os derrames ainda se área de ocorrência da formação para sul, desde a encontram preservados. cidade de Monte do Carmo até as proximidades O conjunto se encontra afetado pelas zo- da cidade de Gurupi (Serras de Santo Antônio e nas de cisalhamento de direção NE/SW com ge- João Damião). Os autores subdividiram a unidade ração de rochas miloníticas e processos de me- em: (a) fácies metassedimentar (metapelitos, tamorfismo fácies xisto-verde. Rochas máficas a quartzitos e metaconglomerados), metavulcânicas intermediárias são compostas por metabasaltos básicas e metavulcânicas ácidas a intermediárias. e metandesitos porfiríticos de granulação fina a Uma idade modelo de 1.18 Ga em rocha máfica média (Figura 3.57). Os tipos félsicos são repre- foi apresentada neste trabalho. O ambiente sentados por metaquartzo-dioritos, metadacitos interpretado é de uma possível sequência rift com e subordinadamente, metatonalitos, geralmente evolução para uma bacia marginal de arco. Ribeiro de granulação fina a média (Figuras 3.57). Os mi- e Alves (2014) obtiveram idades U-Pb em zircão nerais essenciais são plagioclásio, quartzo, biotita, de 588±8 e 600Ma para as unidades basáltica e anfibólio e feldspato potássico. Os minerais aces- piroclástica, respectivamente. sórios são titanita, opacos e apatita. Os minerais secundários, produtos da deformação e alterações 3.8.2.2 - Distribuição Geográfica, Relações de hidrotermais, são sericita (mica branca), clorita, Contato e Características Geofísicas zoizita/epidoto e carbonato. Aflora no extremo NW da área, na forma de 3.8.2.3.2 - Metassedimentos - NP2bmcaqz duas faixas subparalelas orientadas concordante- mente com a estruturação do Lineamento Trans- Em um único afloramento foi reconhecido brasiliano N20°-40°E. No geral possui relevo plano rochas metassedimentares, que formam pequenos com baixa resposta gamaespectométrica e médios morros estruturados na direção NE. Trata-se de a elevados valores de susceptibilidade magnética um muscovita-metaquartzo-arenito foliado de nas imagens aeromagnetométricas. O contato com granulação média e cor branca (Figura 3.58). 72 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.57 – (A) Titanita-quartzo-biotita metandesito foliado. A granulação é fina a média, com pórfiros de quartzo e plagioclásio em matriz de biotita, sericita e clorita; (B) Detalhe do acamadamento ígneo (S0); (C) Biotita metadacito milonítico. Notar porfiroclastos de feldspato potássico em matriz de biotita, sericita e quartzo; (D) Anfibólio-biotita- metaquartzo diorito milonítico de granulação média a fina. A rocha é magnética; (E) Biotita metatonalito milonítico de granulação média e pouco magnético e (F) Metamáfica milonítica hidrotermalizada, pouco magnética. Paragênese a base de sericita-clorita-quartzo, Assentamento Terra Vermelha. 3.9 - GRUPO BAMBUÍ - NP cobertura pelito-carbonatada neoproterozoica aflorante nos estados da Bahia, Minas Gerais e 3.9.1 - Comentários Gerais Goiás. Atribui-se a Moraes e Guimarães (1930) as primeiras referências a respeito dessas rochas, A denominação Série Bambuí foi empregada individualizadas e elevadas à categoria de grupo por formalmente por Derby (1880) e Riman (1917 Branco, Mendes e Costa (1961). Foram subdivididas apud DARDENNE, 1981) para representar extensa pelos autores nas formações Carrancas (unidade 73 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.58 – (A) Exemplo do contato gradacional entre as vulcânicas e os tipos subvulcânicos e plutônicos no mesmo afloramento e (B) Muscovita-metaquartzo-arenito foliado de granulação média da fácies metassedimentar. basal), Sete Lagoas (unidade intermediária) e unidade superior (Rio Paraopeba). Dardenne (1981) associou esse conjunto, às formações Jequitaí, Sete Lagoas, Serra de Santa Helena, Lagoa do Jacaré, Serra da Saudade e Três Marias, estratigrafia adotada para esta área. 3.9.2 - Distribuição e Relações de Contato Esta unidade perfaz cerca de 5% da folha, tendo sido individualizadas feições cársticas associadas a uma topografia plana de solos argilosos vermelhos, figura 3.59. A distribuição destas coberturas restringiu-se à porção SE, com prolongamento para a Folha Arraias. Figura 3.59 – Vista panorâmica da frente de lavra Os litótipos constituem camadas sub-horizon- da Sarp Mineração (AS311). Relevo cárstico exibindo tais, (figura 3.60), exibindo dobramentos suaves a lo- calcário dolomítico cinza-escuro. Fraturas subverticas calmente fechados. Foram registradas evidências de N60E/60NW e fraturas de alívio sub-horizontais//S0. falhas de empurrão NW/SE, do embasamento paleo- proterozoico (Complexo Almas-Cavalcante, PP12gr), sobre essas coberturas. A distribuição cartográfica desta unidade foi apoiada na integração e análise multitemática de sensores aerogeofísicos (canais K, Th e CT), imagens Google Earth e hipsométricas, bibliografias anterio- res, além de dados de campo, lito e aloestratigráfi- cos. Esses critérios permitiram a individualização da Formação Serra de Santa Helena, representada por uma sedimentação pelito-carbonática de ambiente mais profundo e Formação Lagoa do Jacaré, associa- da a carbonatos de ambientes rasos, clásticos e de mais alta energia. Os litotipos associados à Formação Serra de Santa Helena exibem altos valores radiométricos Figura 3.60 – Metarenito em zona de empurrão. (canais K/Th e CT), contrariamente, aos padrões A rocha é cortada por veios miloníticos em resposta exibidos pela Formação Lagoa do Jacaré, cujas ao empurrão dos granitoides do embasamento assinaturas gamaespectrométricos mostram baixos sobre a bacia 74 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis valores. Adicionalmente, ambas as unidades exibem raso, com a interdigitação dos dolomitos e calcários padrões diferenciados em imagens ternárias RGB. O nas unidades de topo. Os litotipos desta unidade Grupo Bambuí assenta-se discordantemente sobre correspondem aos pontos AS35, AS310, AS309a rochas paleoproterozoicas associadas ao Complexo e AS311 e estão representados por metarenitos, Almas-Cavalcante (PP12gr e PP12gm) e encontra- sericita-metarenitos, metassiltitos, metargilitos, se sotoposto às coberturas cretáceas da Formação sericita filitos/ardósias, xistos laminados e margas, Posse, (Grupo Urucuia), figura 3.61. além de intercalações de calcários calcíticos cinza- escuros com contribuição pelítica. 3.9.3 - Formação Serra de Santa Helena - NP2shp Os metarenitos exibem granulação média a fina, cor rosa-avermelhada, silicificados, sub- A Formação Serra de Santa Helena é marcada horizontalizados, laminações centimétricas a por uma cunha alongada NNW/SSE, que se estende milimétricas, e mantém contato com os granitoides por cerca de 80 km a partir do limite SE da área, do Complexo Almas-Cavalcante (AS36 e PC266), até cercanias das cabeceiras do Rio Manuel Alves, figura 3,60. Os sericita metarenitos exibem cor bordejando as coberturas do Grupo Urucuia, marrom avermelhada, são foliados e estratificados, terrenos graníticos do Complexo Almas-Cavalcante e figura 3.62. faixas metavulcanossedimentares do Grupo Riachão Os metapelitos são friáveis, ondulados ou do Ouro. Contatos com rochas da Formação Lagoa dobrados e mostram laminação plano-paralela do Jacaré são concordantes e gradacionais e marcam sub-horizontal, espessuras em torno de 10 cm, a transição de expressivo evento transgressivo, composição síltico-argilosa, coloração cinza/rosada com aporte de material fino para condições de mar e localmente, uma proeminente clivagem ardosiana. Figura 3.61 – Perfil litoestratigráfico sintético do Grupo Bambuí para a Folha Dianópolis, (Formação Serra de Santa Helena, 3-8) e (Formação Lagoa do Jacaré, 9-10). 75 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 3.62 – (A) Intercalação de metarenitos/metapelitos e calcários da Formação Serra de Santa Helena (SSH), PC280; (B) contato normal entre os metarenitos SSH (topo, PC266) e granitoide saprolitizado (base), PP12gr (Complexo Almas-Cavalcante), vista em corte; (C) mesmo afloramento (PC266), exibindo S0 dobrado nos metarenitos SSH, vista em corte; (D) seção exibindo aspecto placoso dos sericita metarenitos/metassiltitos estratificados, PC273, S0//Sn. Afloramentos mais representativos de margas intercalações com material margoso. Os dolomitos foram registrados nas estações PC267 e PC268. Estas são predominantes e distribuem-se em estratos rochas são laminadas e exibem micas neoformadas. subhorizontalizados, com suaves mergulhos para No ponto PC268 (Fujita Mineração Ltda.), níveis ENE. Localmente (PC276), foi registrado calcário cinza- dolomíticos rosados predominam sobre porções escuro exibindo S0 dobrado (bancos decimétricos pelíticas micáceas, caracterizando uma provável mostrando dobras em chevron), com superfície gradação dos metapelitos da Formação Serra de Santa axial NS/80E. Contrariamente à Formação Serra Helena para Formação Lagoa do Jacaré. Sericita- de Santa Helena, esta unidade é dominantemente filitos/ardósias estão associados aos metarenitos carbonática, com subordinada contribuição pelítica e metapelitos, exibem dobras suaves e lâminas e está composta por calcários pretos a cinza escuros, centimétricas onduladas. Esse conjunto encontra-se criptocristalinos, fraturados, com intercalações de intercalado aos calcários calcíticos, figura 3.63. siltitos laminados, brechas intraclásticas, esteiras e estromatólitos colunares. No ponto AS37 (Pedreira 3.9.4 - Formação Lagoa do Jacaré - NP3lj da Diacal Ltda.), a forte recristalização e a presença de nódulos de chert, constituem algumas das A Formação Lagoa do Jacaré (BRANCO; características mesoscópicas observadas nestes MENDES; COSTA, 1961) está representada por calcários, figura 3.64. A fração pelítica indica uma afloramentos descontínuos marcados por relevos deposição em águas calmas e profundas, afastada cársticos e se apresenta sobreposta, concordante da ação de correntes marinhas, contrariamente, e gradacionalmente em relação à Formação Serra aos calcários, que sugerem sedimentação em águas de Santa Helena. Fácies calcíticas restringem-se a rasas, com retrabalhamento pela ação de ondas e 76 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figuras 3.63 – (A) Metapelitos ondulados/dobrados mostrando clivagem ardosiana, povoado Boa Vista de Belém, AS310; (B) pacote de metassiltitos foliados formando cristas, S0//Sn, Cachoeira do Cavalo Queimado, PC269; (C) corte vertical exibindo pacote laminado de margas,(PC267) e (D) intercalação de filitos e metarenitos laminados e ondulados, PC278. correntes. Os melhores afloramentos correspondem 3.10 - MAGMATISMO PÓS-COLISIONAL aos pontos AS37, AS305, AS309, PC274, PC276, PC277, PC287, PC288 e PC289. 3.10.1 - Suíte Mata Azul - NP3ga2 3.9.5 - Dados geocronológicos Barbosa et al. (1966) associou essas rochas ao Pré-Cambriano Indiferenciado. Marini et al. (1974) Não foram datados litótipos desta unidade, caracterizaram na região entre a Serra de Trombas porém Babinski (1993), obtiveram isócrona Pb/Pb, e Mata Azul um conjunto de stocks amebóides com idade de 686±69 Ma, considerada a idade míni- intrusivos no Grupo Serra da Mesa e no granito Serra ma de deposição desses carbonatos. Babinski e Kau- Dourada, nominados por Marini et al. (op. cit,) de fman (2003) dataram os carbonatos da Formação “Granitos Pegmatóides”, junto aos quais, vincularam Sete Lagoas (Pb/Pb) e obtiveram isócrona de 740±22 ocorrências de berilo, granadas, turmalina e tantalita. Ma. Nobre Lopes (2002) ao utilizar razões Sr87/Sr86 Lacerda Filho et al. (1999), descreveram um em calcários aflorantes na região de Januária-MG, grupo de corpos porfiríticos intrusivos nos grupos obteve idade em torno de 600 Ma para deposição Serra Dourada/Serra da Mesa, similares àqueles de carbonatos basais da Formação Sete Lagoas. Ro- descritos por Marini et al. (1977), denominados, drigues (2008) apresentou idades máximas de depo- formalmente, de Granitos “tipo Mata Azul”. sição em torno de 610 Ma. (Ediacarana), para níveis Neste projeto a Suíte Mata Azul foi cartografada arenosos intercalados nas formações Sete Lagoas e no limite oeste da Folha Dianópolis, com auxilio Serra de Santa Helena (U/Pb em zircão detrítico). de critérios geofísicos e continuidade de corpos Os diversos dados geocronológicos convergem para descritos na folha adjacente, Gurupi, sem quaisquer idades no intervalo entre 740 a 600 Ma. informações adicionais. Constituem intrusões em 77 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 3.64 – (A) Brecha calcária exibindo fragmentos de calcário dolomítico e estromatólitos colunares, AS037; (B) calcários impuros (margas calcíferas), AS309; (C) vista frontal de dobras em chevron, Lb 25/S20W e (D) seção exibindo nódulos centimétricos de sílica em calcário dolomítico, pedreira da Diacal, AS37. metassedimentos da Formação Córrego Salobro e 3.10.2 - Suíte Intrusiva Lageado - NP3g2l metagranitoides da Suíte Aurumina. Na Folha Gurupi, Frasca et al. (2010) descreve- 3.10.2.1 - Comentários Gerais ram a Suíte Mata Azul, como um conjunto de corpos e stocks de dimensões métricas a quilométricas, alon- O termo Lajeado foi introduzido por Barbosa gados e geralmente encaixados concordantemente et al. (1966) para denominar um corpo granítico com a estruturação regional, NE-SW. Sua composição localizado próximo a cidade homônima. Gorayeb, é granítica, exibindo porções pegmatíticas e apresenta Moura e Chaves (2001), restringiram a denominação granulometria média a grossa, tendo sido diferencia- Suíte Lajeado para os corpos graníticos de idade da em três fácies distintas: (a) granodioritos e tonali- neoproterozoica da região de Porto Nacional e tos; (b) granitos e sienogranitos e (c) monzogranitos. adjacências. Estes autores obtiveram idades de A terceira fácies corresponde à monzogranitos cristalização Pb-Pb em zircão de 546±6, 548 ±5 porfiroblásticos e produtos hidrotermais. Também e 552±4 Ma para os granitos Lajeado, Palmas e estão relacionados à ocorrência de minerais com Matança respectivamente. Chaves, Gorayeb e Moura propriedades gemológicas da região, como granada (2008), descrevem outros trabalhos com idades em almandina, turmalinas bicolores, afrisitas e berilo. torno de 0.55Ga. para a suíte. A unidade não possui ponto descrito na Folha Frasca et al. (2010) utilizaram a denominação Dianópolis. Frasca et al. (2010) obtiveram uma de Granito São José Pequeno para os corpos da isócrona (Sm-Nd) mineral de granada almandina com Suíte Lageado na Folha Gurupi, apresentando idade de 551,9±4.1 Ma e Nd(t) -7.8Ma. idade U-Pb em zircão de 509,4±1.6 Ma e idade- Frasca et al. (2018), no âmbito da Folha Alvo- modelo ao redor de 1009 Ma. Os autores indicaram rada, concluiu através de dados litoquímicos tratar- o caráter pós-colisional a anorogênico da suíte. -se de rochas alcalinas alto K, peraluminosas, na tran- Gorayeb, Moura e Chaves (2018) forneceram sição de ambiente pós-orogênicos a anorogênicos. idades de três corpos graníticos, pelo método Pb- 78 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Pb por evaporação de zircão, no intervalo de 552 3.10.2.3 - Litótipos, Petrografia, Metamorfismo e e 545 Ma, com idades modelo TDM entre 2.1 e 1.7 Deformação Ga e valores negativos de eNd(t) (-10 e -13). Estes autores apontaram características litoquímicas Dos afloramentos observados poucos ainda semelhantes aos de granitos tipo A. Ribeiro e Alves preservam o protólito de biotita metasienogranito. (2014) obtiveram idades U-Pb em zircão de 554±5 Predominam rochas com estágios deformacionais e 551±4 Ma para os corpos Matança e Palmas, e hidrotermais avançados, rochas extremamente respectivamente. cominuídas e recristalizadas gerando ultramilonitos bandados, (figura 3.65). As bandas 3.10.2.2 - Distribuição Geográfica, Relações de escuras são à base de biotita, sericita e muscovita, Contato e Características Geofísicas com cristais estirados de granulação fina. Os níveis claros foram definidos como agregados de quartzo Ocupa o canto noroeste da área na forma recristalizados dinamicamente introduzidos de um corpo orientado segundo as zonas de como vênulas em processos hidrotermais e cisalhamento transcorrentes de direção NE-SW. deformacionais. Parte da sua topografia é constituída por morros A assembleia mineral primária é constituída estruturados exibindo altos valores radiométricos de quartzo, microclina, plagioclásio e biotita, com no canal K. O contato é estabelecido por zonas de granada, apatita, opacos, titanita e zircão, como cisalhamento com a Suíte Manoel Alves. A Bacia minerais acessórios. Quartzo, sericita, muscovita, do Parnaíba recobre esta unidade por discordância clorita e epidoto são os principais produtos de erosiva. alteração hidrotermal. Figura 3.65 – (A) Granada-biotita metasienogranito milonítico; (B) Metagranitoide em processo avançado de ultramilonitização. Notar porfiroclastos de feldspatos alcalinos fortemente estirados (fitados); (C) Aspecto dos ultramilonitos com injeções quartzosas em meio a matriz micácea com cristais de granulação fina e (D) Detalhe do ultramilonito com níveis escuros de biotita, sericita, quartzo, epidoto e titanita e níveis claros quartzosos. A matriz escura também envolve porfiroclastos de plagioclásios. 79 CPRM - Programa Geologia do Brasil 3.11 - BACIA DO PARNAÍBA Magmático de Goiás, a sul com granitóides paleoproterozoicos Almas-Cavalcante/Aurumina e 3.11.1 - Introdução coberturas Natividade e a leste com as coberturas Urucuia. Dados aloestratigráficos e imagens RGB Esta unidade totaliza cerca de 600 mil km2 auxiliaram na individualização dessas coberturas e reúne registros associados a eventos tectônicos paleozoicas em relação às unidades adjacentes, silurianos a cretáceos, Góes e Feijó (1994); Vaz em função dos teores relativos de Th/U/K, que et al. (2007), estruturados sobre embasamento permitiram ressaltar os contrastes diferenciados paleoproterozoico retrabalhado no Brasiliano. Foi dessas coberturas. Foram discriminados na área os implantada a partir de rifts pós-Brasilianos gerados grupos Serra Grande (Formação Jaicós), Canindé ao longo de zonas de fraqueza do embasamento (formações Itaim, Pimenteiras e Poti) e Balsas (CAPUTO et al., 2006). (formações Piauí e Pedra de Fogo). Na figura 3.66 Esta unidade perfaz em torno de 15% da (a, b) é apresentada a coluna litoestratigráfica Folha Dianópolis, distribuindo-se em sua porção (VAZ et al., 2007), com destaque das coberturas norte e prolongando-se para a Folha Ponte Alta cartografadas na Folha Dianópolis e respectivos do Norte. Mantém contatos a oeste com o Arco ambientes sedimentares. Figura 3.66a – Coluna litoestratigráfica da Bacia do Parnaíba, com destaque (em cinza) às formações individualizadas na área, adaptado de Vaz et al. (2007). 80 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.66b – Distribuição da Bacia Parnaíba na Folha Dianópolis (SC.23-Y-C). 3.11.2 - Grupo Serra Grande 3.11.2.2 - Formação Jaicós - Ssgj 3.11.2.1 - Comentários Gerais 3.11.2.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato A nominação Serra Grande (Small 1914 apud BRASIL, 1981) foi utilizada para caracterizar arenitos Esta unidade foi formalmente definida por intercalados com conglomerados e calcários. Esta Plummer (1948). Exibe baixos valores radiométricos unidade foi definida por Carozzi et al. (1975) como (canais U/Th) e expressivos valores no canal K. Em grupo e reuniu as formações Ipu, Tianguá e Jaicós relação ao canal ternário (RGB), mostra destacado (CAPUTO;LIMA, 1984) e Góes, Travassos e Nunes realce nos padrões, com predominância do tom (1992). Neste trabalho, tem-se apenas os registros verde (canal Th), provavelmente, em função da da Formação Jaicós. absorção deste elemento por argilominerais e 81 CPRM - Programa Geologia do Brasil precipitação como óxidos de ferro nos solos que com os granitoides da Suíte Aurumina foram descritos capeiam essas coberturas. Apresenta distribuição a apenas localmente (AS115) e são representados leste do Rio Formiga e oeste do Ribeirão Gameleira por arenitos vermelhos saprolitizados, mostrando e se encontra marcada por escarpas com cerca de fragmentos preservados destes milonitos, figura 60-70m de espessura. Sobrepõe-se aos granitoides 3.67. Os melhores afloramentos estão descritos nos Aurumina através de discordância litológica e/ pontos AS75 e AS269. ou erosiva, transicionando, discretamente para Os arenitos arcoseanos exibem granulação os arenitos e siltitos da Formação Itaim, Grupo média a grossa, cor esbranquiçada a acinzentada, Canindé. friáveis e mineralogia à base de quartzo e óxido Fe. Ocorrem intercalados com siltitos cinzas, solo plano- 3.11.2.2.2 - Litótipos e Ambiente Deposicional ondulado areno-argiloso vermelho, com seixos e detritos. Na Folha Dianópolis é representada por Os arenitos conglomeráticos são homogêneos, uma intercalação de arenitos, arenitos arcoseanos, matriz do tipo “clast supported” portando seixos arenitos conglomeráticos e conglomerados e restritos e grânulos e cruzadas de pequeno porte e baixo níveis cm a mm de siltitos/argilitos, associados à ângulo. Localmente, ocorrem intercalações de Formação Itaim. arenitos médios e siltitos. Os afloramentos mais Os arenitos exibem coloração branca a representativos correspondem aos pontos AS75 e avermelhada, granulação média a fina, laminados AS299, figura 3.68. a maciços e estratificados. Normalmente, são Os conglomerados são normalmente intercalados a níveis de arenitos conglomeráticos/ polimíticos, mal selecionados, com seixos e clastos conglomerados, exibem uma matriz clast supported ovalados a subarredondados de quartzo, granitoide, e localmente, são observadas pelotas de argila com arenitos e argilitos. Níveis mais finos são oligomíticos, até 0,3cm (AS269) e níveis pelíticos mm. Contatos portando seixos arredondados a subangulosos de Figura 3.67 – (A) Vista em perfil de paraconglomerado com seixos de até 50cm; (B) seixos e fragmento de arenito conglomerático, matriz clast supported; (C) arenitos conglomeráticos intercalados com raros níveis pelíticos cinzas, channel-lag deposits e (D) contato entre arenitos saprolitizados e biotita granitoide xistificado da Suíte Aurumina. 82 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis quartzo com 5 cm a 50 cm. Localmente exibem Os pontos PC215 e o perfil próximo ao muni- cruzadas de pequeno porte. No ponto AS90 foi cípio de Pindorama-TO, saída para Ponte Alta do TO registrado contato de conglomerados com biotita (PC207, AS299 e PC258) constituem os mais repre- xisto saprolitizado. Estes níveis conglomeráticos sentativos contatos, aparentemente transicionais e ocorrem constituindo camadas sigmoidais e localmente bruscos, entre os arenitos da Formação mostram gradação normal (G+), figura 3.69. Jaicós e os metapelitos da Formação Itaim. Figura 3.68 – (A) e (B) Arenitos conglomeráticos com matriz “clast supported”. Figura 3.69 – (A) Contato entre biotita xisto saprolitizado (parte inferior) associado à Suíte Aurumina e conglomerado (Formação Jaicós); (B) vista frontal em detalhe de camada sigmoidal de conglomerado intercalado em pacote de arenitos laminados; (C) arenitos com cruzadas hummocky, (vista frontal) e (D) arenito conglomerático exibindo gradação normal. 83 CPRM - Programa Geologia do Brasil Na base do afloramento (PC207, sopé da onduladas truncantes, que podem caracterizar encosta, cota altimétrica de 502m), acima dos ambiente liorâneo, maré dominada por ondas, granitoides miloníticos da Suíte Aurumina, aflora figura 3.71. uma camada de arenitos conglomeráticos (60%) a conglomerados oligomíticos (40%), cor bege, gradação normal, (G+), associados à Fm. Jaicós. A rocha é mal selecionada, matriz arenosa grossa seixos com até 0,50 m de diâmetro de arenitos arredondados/subarredondados, que truncam acanaladas de baixo ângulo e pequeno porte e blocos arredondados de quartzo. O litotipo exibe acanaladas de grande porte e está sobreposto a arenito conglomerático com fragmentos de até 0,2 m de quartzo. Acima deste pacote conglomerático, sucede nível de arenito médio esbranquiçado com raros seixos e grânulos. A espessura total do pacote é de 45 a 50m. Para o topo, o arenito torna-se mais homogêneo e com granulação média a grossa. Entre a cota 525m e 545m ocorre faixa de solo desprovido de afloramento. Na porção intermediária (AS299) Figura 3.71 – Arenitos conglomeráticos e conglomerados e topo (PC258), foi descrita gradação de sets da Fm. Jaicós, exibindo seixos subarredondados de conglomeráticos (regime de fluxo inferior, formas quartzo, vista em corte. de leito cruzadas), para arenitos vermelhos siltosos laminados (regime de fluxo superior, formas de leito 3.11.2.2.3 - Dados Geocronológicos e Correlações planas), que serão descritos no capítulo referente à Formação Itaim, figura 3.70. Amostras associadas à Formação Jaicós não As estruturas registradas neste perfil sugerem foram submetidas a exames paleontológicos, porém ambiente deposicional fluvial anastomosado Góes e Feijó (1994) sugerem idade neossiluriana. (braided) com alta energia, para a Formação Jaicós. Santos e Carvalho (2004) atribuiram idades silurianas A partir do contato entre a Fm. Jaicós/Itaim para o à Formação Jaicós, ao descreverem quitinozoários, topo dominam siltitos/argilitos com acanaladas de acritarcas, esporos e graptólitos associados a estes pequeno porte, baixo ângulo, além de superífices sedimentos. A Formação Jaicós correlaciona-se Figura 3.70 – Perfil litoestratigráfico simplificado, Formação Jaicós, 2-6 e Formação Itaim, 7-10. 84 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis com o Grupo Trombetas da Bacia do Amazonas uma intercalação de níveis estratificados de arenitos e Formação Furnas da Bacia do Paraná (CAPUTO; finos, siltitos e argilitos, cores cinza a esbranquiçadas, LIMA, 1984). provável transição para Formação Itaim, figura 3.72. No perfil próximo à Pindorama-TO, saída para 3.11.2.3 - Grupo Canindé Ponte Alta do Norte (AS299), foi documentado o contato dos granitoides Aurumina com arenitos 3.11.2.3.1 - Comentários Gerais conglomeráticos/conglomerados da Formação Jaicós. Acima desses psefitos, na porção intermediária O termo foi formalmente utilizado por Carozzi do perfil (cota 545m), no primeiro patamar (4m (1975) e Rodrigues (1967) para agrupar as formações de espessura), ocorre um pacote de arenito siltoso Pimenteiras, Cabeças e Longá. Posteriormente, vermelho, semi-friável, muito fino, laminado e Caputo e Lima (1984) incluíram a Formação Itaim fraturado, exibindo mica detrítica e intercalações de nesta unidade. Foram reconhecidas e descritas na argilitos, marcando provável contato da Formação Folha Dianópolis tão somente formações Itaim, Jaicós com pelitos da Formação Itaim. Sobre esses Pimenteiras e Poti. pelitos, ocorre outro pacote com 1,5 m de espessura, constituído por arenito grosso portando acanaladas 3.11.2.3.2 - Formação Itaim (D1i) de pequeno porte e níveis conglomeráticos (topo). Acima deste arenito grosso/conglomerático, domina 3.11.2.3.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações de um nível de siltito laminado (semelhante ao da Contato base), com 1,5 m de espessura e intercalações de argilitos com discreto nível ondulado de arenito Essa nominação foi utilizada, originalmente, fino (Fm. Itaim). A partir deste nível mais fino no por Kegel (1953) para caracterizar o membro inferior topo (564m), sucede 15 a 20m de arenito médio/ da Formação Pimenteiras, elevado à categoria de grosso, mal selecionado, coloração vermelha a formação por Carozzi et al. (1975) e inserido junto cinza, portando níveis de arenito conglomerático e ao topo do Grupo Serra Grande. Agrega arenitos conglomerados finos, constituídos por grânulos e finos a médios, bem selecionados e intercalados seixos de tamanhos homogêneos (até 1cm de eixo por folhelhos bioturbados. Caputo e Lima (1984) maior). Da porção intermediária para o topo deste associaram essas rochas à porção basal do Grupo arenito, dominam acanaladas de baixo ângulo, Canindé, tendo sido sugerida deposição em com sets de pequeno porte, além de superfícies ambientes deltaicos e plataformais e exibe uma onduladas truncantes (hummocky), marcando espessura média de 260m (GÓES; FEIJÓ, 1994). provável ambiente transicional, com influência de Na Folha Dianópolis sua ocorrência é bastante ondas ou marés, figuras 3.73. restrita. Os siltitos e argilitos associados a esta No afloramento PC215, foram registradas unidade mostram pouca espessura e localmente, novamente relações de contato. Neste ponto, ocorrem intercalados junto aos conglomerados capeando a Formação Jaicós, ocorre um pacote de fluviais da Formação Jaicós e arenitos/siltitos arenitos finos a siltitos brancos e maciços, exibindo marinhos da Formação Pimenteiras, marcando localizado nível de arenito conglomerático com uma transição entre ambas as unidades. Em função superfícies onduladas. Este conjunto (Formação da escala de trabalho e sua ocorrência na área, os Itaim) é sucedido por arenito fino síltico-argiloso, sensores aerogeofísicos não auxiliaram na cartografia figuras 3.74 e 3.75. geológica. Assim, as informações apresentadas neste relatório, referem-se integralmente aos dados 3.11.2.3.2.3 - Dados Geocronológicos e Correlações aloestratigráficos levantados em campo. Na Folha Dianópolis, nenhuma amostra 3.11.2.3.2.2 - Litotipos e Ambiente Deposicional relacionada a esta unidade foi submetida a análises paleontológicas. Mesner e Wooldridge (1964) Os mais representativos afloramentos foram associaram essa deposição ao Eodevoniano, tendo registrados nos pontos AS283, AS299. No AS283 sido classificada por Góes e Feijó (1994) como ocorre um pacote de arenitos finos/muito finos, Eifeliana (base do Devoniano médio). Caputo e Reis rosados, exibindo laminações planas e cruzadas (2006) atribuíram para a transição Jaicós-Itaim, acanaladas de médio porte e baixo ângulo. Nesses o período de regressão Lochkoviano-Emsiano, arenitos foi documentado um nível com até 10 correspondente ao Devoniano inferior. De acordo cm de espessura, constituído por seixos muito com Santos e Carvalho (2004), a Formação Itaim é desorganizados de conglomerados associados à correlacionada com o Membro Lontra da Formação Formação Jaicós. Para o topo da sequência, ocorre Maecuru. 85 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.72 – (A) Arenito fino, rosado e laminado sotoposto a siltitos/argilitos acinzentados; (B) arenitos finos laminados; (C) nível conglomerático (Formação Jaicós), intercalado nos arenitos rosados; (D) fragmento errático de quartzito com 12 cm de comprimento; (E, F) geral e em detalhe, cruzadas acanaladas (base) e planares (topo). Vista em seção vertical. 3.11.2.3.3 - Formação Pimenteiras - D2p (2007) a ambiente nerítico plataformal dominado por tempestades. 3.11.2.3.3.1 - Comentários Gerais 3.11.2.3.3.2 - Distribuição Geográfica e Relações de Esta denominação foi, formalmente, Contato empregada por Small (1914 apud SILVA et al., 1974) e está constituída por folhelhos cinza negros com Na Folha Dianópolis distribui-se intercalações de siltitos e arenitos (VAZ et al. 2007). extensivamente em sua porção NW constituindo Foi associada por Della Fávera (1990) e Vaz et al. dominantemente, chapadões abaulados e mesetas, 86 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.73 – Porção intermediária, (A, B) arenitos finos/siltosos vermelhos laminados (vista geral e detalhe); (C, D) arenito grossso conglomerático; (E) siltito laminado com níveis ondulados de arenito fino – Topo, (F) escarpa constituída por arenitos finos/siltitos Fm. Itaim; (G) arenito grosso com cruzadas acanaladas; (G) arenito vermelho médio a grosso com níveis conglomeráticos e (H) vista panorâmica do topo da sequência, Fm. Itaim, ao fundo Pindorama-TO. 87 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.74 – (A) Arenito fino/siltito laminado; (B) em detalhe, nível conglomerático (Fm. Jaicós), delimitado por superfície ondulada, inserido no pacote pelítico, Fm. Itaim; (C) arenito fino com níveis de siltitos e argilitos laminados, Fm. Itaim e (D) metargilito xistificado Figura 3.75 – Perfil esquemático mostrando o contato entre as formações Jaicós/Itaim, afloramento de controle PC215 88 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis além de feições com relevo ondulado e topo tectônicos através de zonas de cisalhamento/falhas lateritizado. Essa sedimentação apresenta elevados com as vulcânicas/granitoides Monte do Carmo, valores radiométricos, (canais U/Th) e médios a granitoides saprolitizados Aurumina e recobre altos valores no canal K. O padrão ternário (RGB) discordantemente os granodioritos Manoel Alves. mostra realce na tonalidade branca, indicando Contatos com os metapelitos da Formação Itaim e altas contagens radiométricas para os três metassedimentos Água Suja são transicionais, figura radioelementos. Esta unidade mantém contatos 3.76. Figura 3.76 – (A, B) Morfologia apresentada pelos pelitos Pimenteiras; (C) vista panorâmica mostrando contato entre siltitos/argilitos Pimenteiras (topo) e leucogranitos Monte do Carmo (base); (D) contato por falha entre os granitoides Aurumina (au3, base) e argilitos/siltitos Pimenteiras, rodovia TO-264, (E) em detalhe, provável contato entre granitoide milonitizado com muscovita, Monte do Carmo (porção clara) e pelitos vermelho-arroxeados Pimenteiras e (F) contato por zona de cisalhamento entre granitoides Monte do Carmo (blocos coluvionares, porção inferior) e arenitos arcoseanos associados à Formação Pimenteiras, (porção superior). 89 CPRM - Programa Geologia do Brasil 3.11.2.3.3.3 - Litotipos e Ambiente de Deposição pacote de pelitos cinza laminados portando lentes ou níveis de areias médias/conglomeráticas. Os tipos mais representativos foram Sobre esse pacote, ocorrem arenitos médios com descritos nos pontos AS69, AS70, AS284 e AS285 e acanaladas de pequeno porte/baixo ângulo e correspondem a arenitos cinza-escuros a vermelhos, hummocky e no topo, nova recorrência dos pelitos homogêneos, bem selecionados, médios a da base, figura 3.79. grossos, friáveis, exibindo acanaladas de baixo Outros tipos mais restritos englobam arenitos ângulo e pequeno porte, localmente estratificação arcoseanos cinzentos, friáveis, subhorizontalizados e hummocky e fácies conglomeráticas (AS65), figuras estratificados e folhelhos roxos a brancos, com seixos 3.77 e 3.78. de quartzo e níveis conglomeráticos oxidados. Os Essas rochas normalmente ocorrem arenitos arcoseanos foram registrados localmente intercaladas com siltitos e argilitos. Os siltitos em contato com granitoide saprolitizado Aurumina. exibem cor cinza e contém lentes ou níveis de areias Exibem cor cinza, são friáveis, subhorizontalizados e médias e conglomerados. Os argilitos são laminados, estratificados, figura 3.80. brancos e arroxeados, friáveis, concrecionários, Os folhelhos foram registrados no ponto brilho sedoso e exibem mica detrítica. Ocorrência AS284 (rodovia TO-264), em provável zona de falha. de mica detrítica, pode indicar ambiente restrito Na análise dos pontos, foi registrado um pacote e profundo, de baixa energia, marcando provável dobrado (sinforme), constituído por folhelhos e gradação da Formação Itaim (ambiente marinho argilitos laminados (base, AS284), sotopostos a plataformal, raso, gradação normal G+, com aporte outro pacote, com geometria lenticular/tabular, de material arenoso, sob a ação de ondas), para representado pela intercalação de arenitos grossos Pimenteiras (mar profundo, pelitos). Na base, com níveis centimétricos de conglomerados Figura 3.77 – Fazenda Maravilha, rodovia TO-264 (A) Aspecto geral da Formação Pimenteiras; (B) vista geral (1-arenito silto-argiloso, 2- arenito fino/médio com estratificação planar, 3-arenito com estratificação planar e níveis conglomeráticos; (C) camadas 2 e 3 em detalhe, arenito fino/médio com estratificação planar (base), exibindo níveis de lateritização (topo), (D) 4b1- arenito fino/médio vermelho, 4c-argilito roxo, 4d-arenito fino/médio cinza, 4e-argilito roxo, 5-nível areno-silto-argiloso pouco estratificado (sinforme). 90 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis oxidados, seixos de quartzo e fragmentos dos afloramentos provavelmente podem caracterizar mesmos folhelhos (AS284), encontrados na porção uma transição Itaim (arenitos conglomeráticos, basal da dobra. Acima destes arenitos grossos/ fragmentos de grossos e folhelhos, típico de alta conglomeráticos, volta a aflorar outro nível marcado energia, tempestitos), para Pimenteiras (pelitos), pelos mesmos pelitos brancos da base. Esses em condições energéticas mais calmas, figura 3.81. Figura 3.78 – Desenho esquemático de afloramento completo, (vista em seção) da Formação Pimenteiras, AS70, Fazenda Maravilha. 91 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.78 – Continuação. 92 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.79 – (A) Intercalação de siltitos/argilitos Pimenteiras; (B) em detalhe, nível ou lente de argilito/siltito roxo laminado com mica detrítica; (C) aspecto geral dos siltitos/argilitos laminados (Pimenteiras), intercalados com arenitos estratificados; (D, E) base do pacote, vista geral e detalhe de pelitos laminados com intercalações de areias grossas/ conglomeráticas (seção); (F, G) porção intermediária do pacote, vista geral e detalhe de arenitos médios com superfícies truncantes (hummocky) e (H) topo do pacote, retorno dos pelitos basais laminados. 93 CPRM - Programa Geologia do Brasil basais e arenitos da borda leste desta bacia, tipificadas por trilobitas, ostracodes, braquiópodos, gastrópodos, conulariídeos, tentaculídeos, hiolitídeos, escolecodontes e peixes. Na Folha Dianópolis não foram disponibilizadas amostras desta unidade para análise paleontológica, porém na Folha Miracema do Norte, amostra de pelito submetida à palinologia, forneceu indicação bioestratigráfica relacionada ao Meso/Neo Devoniano. 3.11.2.3.4 - Formação Poti - C1po 3.11.2.3.4.1 - Comentários Gerais Figura 3.80 – Arenitos arcoseanos subhorizontalizados, Este termo foi referendado por Lisboa (1914) Fazenda Baguá. em função dos folhelhos carbonosos do Rio Poti. Porém, essa unidade foi caracterizada formalmente 3.11.2.3.3.4 - Dados Geocronológicos e Correlações por Paiva e Miranda (1937); Góes e Feijó (1994) e Góes (1995) ampliaram esse conjunto litodêmico, ao Góes e Feijó (1994) atribuíram a essa unidade, englobarem arenitos, folhelhos e siltitos, associados idades associadas ao Givetiano-Frasniano. Santos e a depósitos fluviais, litorâneos e marinhos rasos. Carvalho (2009), associaram à Formação Pimenteiras, Vaz et al. (2007) subdividiram essa unidade em um diversificadas assembleias fossilíferas em folhelhos conjunto formado por arenitos intercalados com Figura 3.81 – (A) Vista geral do contato de folhelhos roxos/cinzas (base, Fm. Pimenteiras), com arenitos médios vermelhos (topo, Fm. Itaim); (B) contato entre as duas unidades (detalhe); (C) folhelhos cinza/arroxeados, seção vertical e (D) contato brusco entre folhelhos cinza esbranquiçados com seixos de quartzo e níveis de conglomerados (Fm. Pimenteiras) e arenitos vermelhos (Fm. Itaim). 94 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis siltitos (nível inferior) e nível superior, constituído acanaladas/tabulares de pequeno a médio portes e por arenitos, siltitos, folhelhos e subordinados baixo ângulo e lobos sigmoidais, marcando um fácies níveis carbonosos, Lima e Leite (1978). flúvio-deltaico de elevada energia e (ii) topo, siltitos, argilitos laminados e folhelhos brancos, marcando 3.11.2.3.4.2 - Distribuição Geográfica e Relações de ambiente marinho litorâneo/plataformal raso. Um Contato exemplo aproximado deste contato foi registrado no ponto AS225, descrito da base para o topo, pelas Na Folha Dianópolis esta sedimentação figura 3.83. Na base da sequência, domina um pacote corresponde a cerca de 5% e distribui-se em de arenitos médio/grossos a conglomeráticos, sua porção norte, constituindo serras tabulares friáveis, cor creme a marron-claro, moderadamente (mesetas) e morrarias com chapéus abaulados, selecionados, grãos subarredondados, sem capeados por lateritas no topo. Apesar das relações estruturas preservadas. Sobre estes arenitos, de contato não serem claras com a Formação sucede 1,5 m de arenito argiloso/siltito vermelho Piauí (Grupo Balsas), os contatos são erosivos e estratificado, exibindo níveis micáceos. Acima discordantes. Esta unidade caracteriza-se por altos destes arenitos argilosos, ocorre pacote de argilitos a moderados valores radiométricos (U/Th). No laminados/estratificados com níveis arenosos. Para padrão RGB, exibe uma distribuição heterogênea, o topo, predomínio de material síltico-argiloso com com predomínio de uma tonalidade branco-azulada, níveis arenosos, arenitos (40%), siltitos/argilitos localmente esverdeada/avermelhada, contrastantes (60%), figura 3.83. com a cobertura Piauí sobreposta, granitoides do Os arenitos exibem granulação fina/ Complexo Almas-Cavalcante (PP12gr/PP12gm) e média, coloração creme a rosada e avermelhada, coberturas Natividade e Urucuia. Com a Formação relativamente bem selecionados, friáveis, maciços Pedra de Fogo foram registrados contatos bruscos ou exibindo cruzadas acanaladas/tabulares de e concordantes entre arenitos avermelhados com pequeno/médio portes, baixo ângulo e localmente, níveis conglomeráticos associado à Formação Poti lobos sigmoidais, descrito no ponto AS96. Neste e argilitos vermelhos laminados com fragmentos afloramento ocorrem arenitos médios/grossos lateritizados (Formação Pedra de Fogo). No AS297 a conglomeráticos com seixos e clastos bem (Cachoeira da Fumaça, Rio Balsas), foram registrados selecionados, cor rosa claro, lobos sigmoidais lajeiros de arenitos grossos, mal selecionado, com de espessuras cm a métrica. Estas estruturas acanaladas de pequeno porte, que foram associados representam os sets de cruzadas acanaladas de com ressalvas, à Formação Poti. Porém, afastando- baixo ângulo, gerados em ambiente transicional se das drenagens em direção ao topo plano, ocorre (frente deltaica), com baixa energia ou declividade. expressiva faixa arenosa, associada aos domínios do Entre os sets foram registrados seixos de quartzo Grupo Urucuia (Formação Posse), não tendo sido e arenitos angulosos; para o topo, os arenitos são observado, porém, quaisquer relações de contato. mais finos e menos conglomeráticos. Normalmente, Contatos com o Grupo Urucuia são erosivos e seixos e fragmentos de até 0,5-1m de espessura, discordantes e com granitoides do Complexo Almas- apresentam-se intercalados em arenitos e pelitos, Cavalcante e Grupo Natividade, são tectônicos e constituindo linhas de seixos. Exemplo disso foi estabelecidos através de zonas de cisalhamento, registrado nos pontos AS237 e PC255, onde ocorre figura 3.82. arenito conglomerático vermelho com seixos de xistos e fragmentos de até 30-40 cm de bt-granito 3.11.2.3.4.3 - Litotipos e Ambiente de Deposição cloritizado, areia grossa e arcoseana, figura 3.84. Restritamente, no contato entre as Fm. Poti/ Os mais representativos afloramentos Piauí, foram observadas marcas de ondas (AS291), associados à Formação Poti estão representados por associadas a ambiente subaéreo transicional, figura arenitos intercalados com níveis conglomeráticos, 3.85. conglomerados, pelitos e folhelhos subordinados Conglomerados ocorrem de forma muito e correspondem às estações AS96, AS225, restrita, matriz do tipo clast supported, composta AS291, AS295 e AS296. Devem ser ressaltadas por seixos angulosos a arredondados de xistos peculiaridades deposicionais comuns, apresentadas e fragmentos com até 30-40 cm de granitoides pelas formações Poti e Piauí, o que configura uma associados ao CAC, areia grossa e arcoseana. transição sutil e de difícil separação no campo entre Argilitos e siltitos são laminados, coloração cinza ambas as unidades e cujas características, permitiu a rosa esbranquiçada ou avermelhada. Localmente, agrupar a Formação Poti em dois conjuntos: (i) basal, são intercalados com arenitos médio/grossos e arenitos finos/médios, vermelhos, com intercalação folhelhos e podem conter níveis centimétricos de níveis conglomeráticos, mostrando cruzadas de arenitos finos a médios. Restritamente, esses 95 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.82 – (A, B) Vista panorâmica e em detalhe das morrarias abauladas da Formação Poti; (C) relevo sob forma de meseta, Fm. Poti; (D) pacote de arenitos conglomeráticos na base (Fm. Poti?), sotopostos por argilitos com fragmentos lateritizados e (E, F) seção exibindo arenito saprolitizado (base), sotoposto a pavimento de argilito ferruginoso (em placas), gerando superfície abaulada. pelitos podem exibir pavimentos ferruginosos inferior e superior, flúvio-estuarino e planície de marcados por gretas de contração e bioturbação maré, sob condições de clima árido, marcados por (AS295). Folhelhos exibem coloração vermelho- tepees e concreções do tipo “rosa do deserto”. esbranquiçada, são laminados e contém fragmentos lateritizados, figura 3.86. 3.11.2.3.4.4 - Dados Geocronológicos e Correlações O Grupo Canindé é terminalizado pela Formação Poti, a qual foi associada por Góes, Coimbra Nenhuma amostra desta unidade foi enviada e Nogueira (1997) à ambientes de shoreface/submaré para análise paleontológica. Daemon (1974) e Lima 96 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.83 – (A) arenitos médios/grossos a conglomeráticos; (B) arenitos argilosos estratificados com mica detrítica; (C) argilitos estratificados com níveis areníticos lateritizados; (D) arenitos maciços; (E e F) material silto-argiloso com manchas/nódulos/níveis difusos de arenito. Seção vertical, Fazenda Prata e Flores. e Leite (1978) associaram essa sedimentação ao sedimentação ao Mississipiano. A litofaciologia e a período Tournaisiano e Viseano (Carbonífero inferior). macroflora terrestre sugerem ambiente continental Estudos em poços da Petrobrás (LOBOZIAC et al., a flúvio-deltaico para a Formação Poti, porém 1992; QUADROS, 1982; SURDAM; BOESE; CROSSEY, Della Fávera (1990) relatou ingressões marinhas 1981) determinaram idades restritas ao Tournaisiano. (tempestitos) na base e topo e registrou bivalvos Outras idades foram definidas com base no trabalho marinhos do gênero Edmondia. Esta unidade pode ser de Melo e Loboziak (2003), que vincularam essa correlacionada com a Formação Sambaíba. 97 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.84 – (A) Arenito conglomerático com fragmentos mal-selecionados, vista em planta, (Fazenda Alternativa); (B) linhas de seixos em arenito conglomerático; (C) lobos sigmoidais; (D) detalhe de fragmentos de quartzo em sets de cruzadas acanaladas; (E) lobos deltaicos; (F) cruzadas acanaladas de médio porte e (G, H) cruzadas tangenciais e tabulares em arenito grosso (microconglomerado). 98 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.85 – (A e B) Geral e detalhe de ripple marks em arenito bem selecionado, provavelmente associado a ambiente marinho raso a transicional, paleocorrente N50E, (vista em planta). 3.11.2.3.5 - Grupo Balsas provavelmente, são erosivos e discordantes. Com os granitóides Almas-Cavalcante, os contatos 3.11.2.3.5.1 - Comentários Gerais tectônicos são estabelecidos através de zonas de cisalhamento, figura 3.87. Essa unidade agrupa o conjunto de rochas clasto-evaporíticas sobrepostas em discordância 3.11.2.3.5.2.2 - Litotipos e Ambiente de Deposição litológica aos grupos Canindé, Urucuia e Mearim, (GÓES; SOUZA; TEIXEIRA, 1990). É constituído pelas Os tipos relacionados a esta unidade englobam formações Piauí, Pedra de Fogo, Motuca e Sambaíba, arenitos, arenitos conglomeráticos/conglomerados no intervalo compreendido entre o Neocarbonífero e argilitos/siltitos e foram registrados nas estações e Paleotriássico. Na área, foram definidas apenas as AS215, AS286, AS289, AS292 e AS297. formações Piauí e Pedra de Fogo. Os arenitos exibem granulação média/ grossa, bem selecionados, homogêneos, coloração 3.11.2.3.5.2 - Formação Piauí - C2pi creme com vênulas siltosas amarelas e localmente, tonalidades cinzentas. Normalmente, constituem 3.11.2.3.5.2.1 - Distribuição Geográfica e Relações camadas ou bancos com até 1m de espessura e de Contato estratificação cruzada acanalada/tabular de médio/ grande portes. Exibem com frequência, níveis A Formação Piauí foi definida formalmente ou camadas de orto/paraconglomerados com por Small (1914), que englobou integralmente a espessuras variáveis de 0,4-0,8 m, constituídas de sequência paleozoica Parnaíba. Posteriormente, grânulos, seixos subangulosos a subarredondados Oliveira e Leonardos (1943 apud SANTOS et al., com até 0,5 m, fragmentos de quartzo e 1984) aglutinaram nesta unidade apenas as camadas subordinadamente, arenitos. carboníferas do Pensilvaniano. Os argilitos/siltitos constituem finos níveis Na Folha Dianópolis esta unidade compreende localizados no topo destas sequências, em contatos cerca de 5% da área, distribuindo-se na porção norte, bruscos com os arenitos grossos/conglomerados marcada por morros testemunhos, serras tabulares sotopostos. São laminados na base, friáveis, formam e encostas suaves a moderadas com topo plano, plaquetas, são estratificados e exibem uma coloração estabelecendo contatos erosivos e discordantes vermelha ocre/esbranquiçada. com a Formação Poti e contatos bruscos com a Os litotipos acima descritos estão associados Formação Pedra de Fogo (Cachoeira da Fumaça), a ambiente continental, (fluvial com contribuição descritos no capítulo referente à Formação Poti. Esta eólica) e incursões marinhas em clima semi-árido a sedimentação exibe baixos valores radiométricos desértico, figura 3.88. (U/Th) e destacada tonalidade verde escura a marrom no canal ternário, diferenciadas das 3.11.2.3.5.2.3 - Dados Geocronológicos e Correlações assinaturas geofísicas características da Formação Poti, granitoides do Complexo Almas-Cavalcante Na Folha Dianópolis amostras desta unidade e Grupo Natividade. Contatos com a Formação não foram submetidas a análises paleontológicas, Posse (Grupo Urucuia), não foram observados e porém Campanha e Rocha Campos (1979), com base 99 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.86 – (A) Camadas tabulares exibindo intercalação de arenitos finos/siltitos com arenitos lateritizados; (B) níveis de arenitos finos em siltito rosa, vista em corte; (C) seção exibindo lente de material síltico-argiloso intercalado em arenitos vermelhos; (D) argilitos/folhelhos laminados (abaixo, à esquerda), em contato por falha normal com arenito fino, maciço e vermelho, capeado por arenito (topo, acima e à direita) fino e laminado, gerando superfície ondulada. Neste ponto (AS290, Fazenda Prata e Flores), ocorre um predomínio de pelitos (60%) sobre os arenitos (40%), caracterizando provável transição para a Formação Pedra de Fogo; (E, F) vista em planta (geral e detalhe), gretas de contração e bioturbação representada por fósseis invertebrados de Palaeophycus tubulares em pelitos, Formação Poti. em dados obtidos em conodontes, observados nos pelecípodas, admite idades neopaleozoicas calcários de topo da Formação Piauí, associaram (Pensilvaniano). Esta unidade correlaciona-se com esta unidade ao intervalo Pensilvaniano Inferior/ a Formação Monte Alegre, (Bacia do Amazonas) e Médio (Neocarbonífero). Anelli (1993), estudando Grupo Aquidauana da Bacia do Paraná. 100 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.87 – (A) Modo de ocorrência de arenitos estratificados Piauí; (B) em detalhe, níveis microconglomeráticos em arenito estratificado; (C) arenitos vermelhos (base, porção inferior) em contato com siltitos/argilitos laminados, vista em corte; (D) arenito vermelho com níveis de ortoconglomerados; (E) corte vertical exibindo arenito mal selecionado; (F) seção vertical exibindo na base (A), arenitos grossos/conglomeráticos (60%), compondo megaset de cruzada tabular e sotoposto por (B), paraconglomerado (10%), exibindo matriz grossa com fragmentos de quartzo e arenito. Acima do paraconglomerado, (topo, C) ocorre argilito laminado (30%); (G, H) geral e detalhe, camada B. 101 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 3.88 – Morfologia da Formação Piauí, (A) inselbergs e (B) serras tabulares. 3.11.2.3.6 - Formação Pedra de Fogo – P12pf com planícies de sabkha e influência eventual de tempestades, figura 3.90. 3.11.2.3.6.1 - Distribuição Geográfica e Relações de Contato 3.11.2.3.6.3 - Dados Geocronológicos e Correlações A denominação Pedra de Fogo foi definida Estudos palinológicos confirmam idade por Plummer, Prince e Gomes (1948) que reuniram eopermiana (CRUZ et al., 1973; MÜLER, 1962; arenitos ricos em sílex e madeira silicificada. MESNER; WOLDRIDGE, 1964). Posteriormente, Posteriormente, Oliveira e Leonardos (1934 apud SANTOS et al., 1984), aglutinaram nesta unidade, apenas as camadas carboníferas do Pensilvaniano. Na Folha Dianópolis essa sedimentação compreende menos de 0,1% da área, restringindo-se às encostas moderadas de morrotes e topo abaulado de morros tabulares. Contatos com a Formação Poti são erosivos e discordantes e com a Formação Piauí, bruscos, (Cachoeira da Fumaça) e descritos no capítulo referente à Formação Poti, figura 3.89. 3.11.2.3.6.2 - Litotipos e Ambiente de Deposição Essa unidade foi individualizada nos membros Sílex Basal, Médio e Trisidela, (FARIA JR.; TRUCKENBRODT, 1980a, 1980b). Englobam arenitos, pelitos com estromatólitos, oncólitos e concreções silicosas. Na Folha Dianópolis esta unidade se encontra representada exclusivamente por arenitos ferruginosos e pelitos associados aos pontos AS287, AS287a, AS290 e AS295. Os arenitos são ferruginosos, grossos e eventualmente silicificados, capeando os argilitos/ siltitos saprolitizados e marcam pavimentos endurecidos ricos em hematita e mica detrítica. Localmente, exibem feições similares a gretas de contração e bioturbação e como no AS287 (Fazenda Boa Esperança), são observadas conchas de moluscos ostracóides. Diversos autores associam Figura 3.89 – Morfologia (geral e detalhe), esta sedimentação à fácies marinho rasa a litorânea apresentada pela Formação Pedra de Fogo. 102 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.90 – (A) Ostracóide em arenito ferruginoso com mica detrítica; (B) pavimento de arenito grosso/ conglomerático ferruginoso; (C) seção exibindo arenito fino/médio na base, gradando para grosso/conglomerático estratificado, sotoposto a argilito laminado (Fm. Piauí). Próximo ao argilito ocorre nível endurecido ferruginoso, Fm. Pedra de Fogo; (D) corte vertical exibindo pavimento de argilito ferruginoso capeando a arenito saprolitizado (Fm. Poti); (E) seção exibindo arenitos conglomeráticos da Fm. Poti sotopostos a fragmentos lateritizados da Formação Pedra de Fogo (topo) e (F) nível de arenito grosso ferruginoso, Formação Pedra de Fogo. Lima e Leite (1978), ao pesquisarem esporomorfos, Na Folha Dianópolis foram submetidas duas concomitantemente com estudos bioestatigráficos amostras a análises macro, micro e palinológicas, desenvolvidos por Góes e Feijó (1994), ampliaram referentes aos pontos AS287a (Fazenda Boa as idades no intervalo Meso ao Neopermiano. Esta Esperança) e AS290 (Fazenda Prata e Flores). unidade correlaciona-se apenas temporalmente, A amostra AS287a mostra raros fragmentos com a Formação Fazenda da Casa Branca da Bacia carbonizados, porém, em virtude da ausência de dos Parecis. elementos palinológicos, não foi possível determinar 103 CPRM - Programa Geologia do Brasil o ambiente deposicional; porém, o fóssil analisado rochas a um sistema eólico-fluvial. Estas coberturas exibe evidências morfológicas compatíveis com neocretáceas, distribuem-se na porção leste do moluscos bivalves Pectinidae (Aviculopecten), Cráton São Francisco-CSF, abrangendo no âmbito comum em calcários da Formação Piauí e sugere do Projeto Sudeste do Tocantins, as folhas Arraias, idade neocarbonífera (moscoviano/kasimoviano). Dianópolis e Ponte Alta. Os pectinídeos são exclusivamente marinhos. Na amostra AS290, não foi observado qualquer 3.12.2 - Distribuição e Relações de Contato conteúdo palinológico ou vestígios de macrofósseis, não sendo possível, determinar ambiente e idade. Na Folha Dianópolis essa unidade foi Em função dos resultados paleontológicos individualizada nas formações Posse e Serra das obtidos, estamos relacionando a amostra AS287a, Araras, (CAMPOS; DARDENNE, 1997a), distribuindo- à provável fácies marinho rasa à litorânea, transição se na porção leste e constituindo uma faixa contínua entre as formações Piauí e Pedra de Fogo, enquanto em contato discordante com metagranitóides a amostra AS290, está sendo relacionada à Formação paleoproterozoicos (Aurumina, Serra do Boqueirão), Pedra de Fogo. sedimentos Parnaíba (Poti/Piauí), metadolomitos Bambuí e localmente, as coberturas Natividade. Os 3.12 - GRUPO URUCUIA - K2u mais representativos afloramentos foram descritos nos pontos AS298, AS307, AS312, AS315, AS313 e 3.12.1 - Comentários Gerais AS314. Oliveira e Leonardos (1943) utilizaram 3.12.2.1 - Formação Posse - K2up esta nominação, agrupada por Barbosa (1965) e discriminada na área do Projeto Leste do Tocantins- Esta unidade exibe cerca de 120 m de LETOS, (PORTELA et al., 1971) e Folha Brasília espessura aflorante e encontra-se sotoposta à (FERNANDES; HIDRED, 1981), como Formação Urucuia Formação Lagoa do Jacaré. Na base desta unidade (COSTA et al., 1976). Karner, Steckler e Thorne (1983), domina um conjunto de arenitos/quartzo-arenitos abordaram essa deposição sedimentar, enfatizando finos a médios, puros, homogêneos, coloração bege aspectos tectônicos, enquanto Lima e Leite (1978) e a rósea, bem selecionados, maciços a localmente Ghignone (1979), enfatizaram aspectos ambientais laminados, com 50cps. Acima dessa fácies ocorre e conteúdo fossilífero. Na área foi adotado o termo pacote de arcósios finos, rosa/avermelhados, 50cps. Grupo Urucuia, (KATTAT, 1994; CAMPOS; DARDENNE, Exibem cruzadas acanaladas de médio à grande 1997a), subdividido nas formações Posse (basal, porte, apresentando intercalações de lentes ou arenitos eólicos/campo de dunas/fluvial braided) e níveis descontínuos de grânulos e seixos com 0,5 a Serra das Araras (topo, fluvial), figura 3.91. Campos e 2 cm de espessura. Em alguns locais, esse conjunto Dardenne (1997b), centrados em critérios estruturais, apresenta-se friável, formando uma superfície litológicos e granulométricos, associaram estas aplainada recoberta por crosta laterítica. Acima e/ou intercalado nesse pacote de arenitos, foi registrada uma fácies marcada por crosta silicificada e brechada, pouco densa, alta porosidade, exibindo matriz muito fina de composição siltosa, onde predominam fragmentos angulosos avermelhados de sílex (chert) e ágata de cor branca. Esse material define níveis com até 20-30 cm de espessura, que representam provável alteração posterior (silcrete), comum em depósitos eólicos. Para o topo da sequência e sotoposto aos arenitos da Formação Serra das Araras, dominam arenitos médios estratificados, vermelhos, homogêneos, bem selecionados, exibindo níveis centimétricos escuros de arenito grosso, figura 3.92. 3.12.2.2 - Formação Serra das Araras - K2usa Figura 3.91 – Vista panorâmica de cuesta da Serra Geral de Goiás mostrando o contato entre as formações Posse (arenitos rosa/vermelhos) e Serra das Araras Muito embora a Formação Serra das Araras (arenitos brancos). não apresente diferenças significativas em termos 104 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.92 – (A) aspecto textural de quartzo arenitos da Formação Posse, Rio da Conceição, (base/porção intermediária da Formação Posse); (B) arenito arcoseano com cruzadas acanaladas de médio a grande porte, vista frontal; (C) resto de material friável recoberto por crosta laterítica; (D) bloco de quartzo arenito com fragmentos de sílex e ágata; (E) laminação plano-paralela de pequeno porte em arenito; (F) pacote de arenitos vermelhos exibindo em detalhe, níveis escuros, (topo da Formação Posse). de litoambiência, quebras significativas de relevo de espessura, constituídos de camadas tabulares permitiram uma individualização desta unidade com 0,5 a 2 m de espessura de arenitos brancos. em duas litofácies (K2usa1 e K2usa2). A litofácies Exibem granulação fina à média, ótima seleção K2usa1 apresenta uma espessura aproximada de e homogeneidade, estratificação tangencial e 70 m. Capeia concordantemente o horizonte de acanalada de grande porte, 49-57 cps e localmente, arenitos vermelhos do topo da Formação Posse. intercalações de material fino siltoso e golfos ou Nesta litofácies dominam paredões com 50 a 70 m porções de sílica amorfa cinzenta. 105 CPRM - Programa Geologia do Brasil A litofácies K2usa2 constitui a unidade de topo conglomerados, ocorre arenitos com matriz arenosa da Formação Serra das Araras e exibe espessura média a grossa, muito bem selecionados, cor estimada de 50 m. Na base desta unidade, foi registrado amarelo-esbranquiçada pintalgados de vermelho, localmente, nível com até 2m de comprimento de 70-80 cps e marcados por estratificação planar de paraconglomerados desorganizados, marcados por médio porte e morros-testemunho. Na figura 3.94 é seixos e blocos angulosos a subangulosos de arenitos apresentado perfil estratigráfico integrado para esta com dimensões entre 0,5 a 5 cm. Sobreposto aos unidade, apoiado nos pontos visitados, figura 3.93. Figura 3.93 – (A) Paredão exibindo estratificação cruzada acanalada de grande porte (K2usa1); (B) típico arenito branco com fragmentos de sílica, (blocos coluvionares; (C) pacote de arenitos cor bege-amarelado, K2usa1; (D) paraconglomerados com fragmentos de quartzitos, K2usa2; (E) morros-testemunhos, K2usa2 e (F) arenitos estratificados (topo da Formação Serra das Araras 2), K2usa2. 106 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.94 – Seção estratigráfica simplificada para o Grupo Urucuia, Formação Posse, 2-5 e Formação Serra das Araras, 6-8. 3.12.2.3 - Dados Geocronológicos No Projeto SudesteE do Tocantins, não foram datadas rochas desta unidade, porém, com base em micro e macrofósseis, Costa et al. (1976) e Ghignone (1979) posicionaram a unidade no Cretáceo Inferior. 3.13 - INTRUSIVAS MÁFICAS - JKb Estruturas regionais representadas por falhas, diques básicos e contatos geológicos podem ser identificadas através de assinaturas magnéticas. Na Folha Dianópolis a interpretação das imagens aeromagnetométricas de sinal analítico (ASA) e primeira derivada (1a.DV), permitiram a caracterização de três conjuntos de estruturas lineares interpretadas como diques e localmente, confirmadas em campo: (a) principal direção relacionada com N30E (diques subparalelos ao Lineamento Transbrasiliano-LT); (b) lineamentos secundários N45W, que deslocam os lineamentos N30E, ambos distribuídos nas porções oeste e central da área e (c) lineamentos terciários EW, porção sul da folha e associados à falhas que encaixam o Rio Manuel Alves. Na figura 3.95 são apresentados os sensores aeromagnetométricos marcados por estes Figura 3.95 – (a) Imagem aeromagnetométrica de sinal lineamentos. analítico (ASA) e (b) 1a. DV exibindo enxames de diques Litotipos associados aos diques ocorrem de cretáceos. Os diques ocorrem encaixados no Complexo modo restrito nos afloramentos, exibindo espessuras Almas-Cavalcante; demais feições NE constituem centimétricas, gerando solos amarronados a lineamentos ou falhas transcorrentes associadas vermelhos, argilosos a argilo-arenosos e são marcados ao Sistema Transbrasiliano (LT). 107 CPRM - Programa Geologia do Brasil por expressivas concentrações de magnetita. O único nente Sul-Americano, no qual, um longo ciclo erosi- afloramento cartogrado e associado a essa unidade vo gerou no Eoceno, extenso pediplano denominado corresponde ao ponto AS206a (Fazenda Santa Superfície Sul-Americana de King (1956). Nesse perí- Clara). Este dique exibe orientação N30-35W, 20 cm odo ocorreu a formação de coberturas detrito-late- de largura e secciona um granitoide associado ao ríticas relacionadas com esta superfície, que na área Complexo Almas-Cavalcante (PP12gr). Corresponde estudada, correspondem às cotas mais elevadas, em a uma rocha equigranular granulação média, cor torno de 600 a 900 metros. Outro soerguimento do cinza, 90cps e muito magnética, figura 3.96. Não continente no Plio-Pleistoceno proporcionou novo foram descritas lâminas delgadas dessas rochas no ciclo erosivo gerando nova superfície de aplainamen- âmbito do projeto. to, denominada Superfície Velhas de King (1956). Rochas associadas a esta unidade não foram Formou-se então nova cobertura detrito-laterítica datadas, porém o conjunto de diques NW cortam relacionada a esta superfície, que na área de estu- a estruturação N30E do Arco Magmático de Goiás, do, corresponde às cotas aplainadas e rebaixadas, sendo posteriores ao Neoproterozoico. Os diques em torno de 300 a 600 metros. As coberturas rela- N30E estão associados à evolução do Arco Magmático cionadas ao segundo processo de laterização pro- de Goiás e os diques EW, podem estar associados a vavelmente mascararam parte daquelas geradas no um evento mais antigo. primeiro ciclo. 3.14 - COBERTURAS CENOZOICAS 3.15 - COBERTURAS DETRITO-LATERÍTICAS - N1dl 3.14.1 - Comentários Gerais Correspondem a coberturas de rochas laterizadas contendo variados tipos de materiais ou As unidades formadas durante o Cenozoico solos intemperizados. Sua resposta aerogeofísica se na área estudada são: Coberturas detrito-lateríticas caracteriza por corpos com baixo conteúdo de K e (N1dl), Formação Chapadão (Q2c), Terraços aluvio- U e valores mais altos para Th na imagem ternária nares (Q1a) e Depósitos aluvionares (Q2a). Estão RGB. Em imagens de Relevo Sombreado constituem presentes em toda a área e foram diferenciadas geralmente patamares aplainados. com auxílio de produtos aerogeofísicos como Ga- Possuem, no geral, coloração avermelhada e maespectometria – Imagem Ternária RGB (Figura são compostas por matriz areno-argilosa com detri- 3.97) e outras imagens de sensores remotos, além tos de sedimentos clástico-terrígenos de origem lo- de obserações de campo. cal ou transportada. Entre os materiais encontrados têm-se cascalhos, concreções ferruginosas ou man- 3.14.2 - Paleógeno-Neógeno ganesíferas, blocos e crostas lateríticas (Figura 3.98). As coberturas detrito-lateríticas encontradas A evolução geomorfológica do Brasil começou na Folha Dianópolis estão concentradas principal- no final do Cretáceo, com o soerguimento do conti- mente na porção central da área, capeando as fai- Figura 3.96 – (A) Aspecto mesoscópico de dique e (B) a rocha em detalhe 108 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.97 – Imagem Ternária RGB da Folha Dianópolis, com destaque para as unidades Cenozoicas. Figura 3.98 – (A) Crosta laterítica com espessura mínima de 1,5 m, no extremo noroeste da área; (B) Solo laterítico, avermelhado, na região central da área, recobrindo o Complexo Almas-Cavalcante. xas de greenstone belts do Grupo Riachão do Ouro 3.16 - FORMAÇÃO CHAPADÃO - Q2c e embasamento representado pelos metagranitoi- des do Complexo Almas-Cavalcante. De forma mais Esta unidade engloba coberturas Cenozoicas restrita, são encontradas recobrindo as unidades do dominantemente arenosas da Bacia do São Francisco Grupo Natividade e em extensas regiões planas a (CAMPOS; DARDENNE, 1977a, 1977b). Estes autores NW da folha, sobre a Suíte Manoel Alves e rochas incluiram todas as coberturas inconsolidadas da bacia: da Formação Monte do Carmo. aluvionares, coluvionares e eluvionares. No presente 109 CPRM - Programa Geologia do Brasil relatório a denominação em epígrafe é direcionada 3.18 - DEPÓSITOS ALUVIONARES - Q2a apenas para coberturas inconsolidadas posicionadas sobre a Formação Serra das Araras (Grupo Urucuia), Constituem coberturas de espessura variada no extremo NE da folha. Na gamaespectomeria e inconsolidadas, associados à rede de drenagem aérea, a unidade é destacada por exibir uma resposta atual, sendo formadas, essencialmente, por de cor verde intensa, representada por altos valores intercalações de argilas, silte, areias finas e grossas de Th devido à acumulação deste radioelemento e e cascalhos transportados por rios e depositados lixiviação dos demais radioelementos. É provável nos leitos das principais drenagens atuais da área que outras regiões com esta assinatura geofísica (Figura 1.7). A resposta na imagem ternária RGB da na área estudada estejam associadas a este tipo de gamaespectometria exibe cor vermelha-alaranjada cobertura. ao longo dos cursos dos rios, indicando teor mais Estas coberturas distribuem-se em extensos alto de K devido a maior mobilidade deste elemento planaltos acima da cota de 800 m e são representadas e sua associação com argilo-minerais transportados por depósitos de areia in situ ou pouco retrabalhadas pelas drenagens. Esta unidade também fica bem e desenvolvidas a partir, principalmente, de marcada em imagens de satélites Landsat e processos erosionais sobre os arenitos do Grupo Geocover. Urucuia. Devido ao relevo extremamente aplainado, Os depósitos aluvionares são encontrados característico dessas coberturas, é comum seu uso ao longo do maior rio da região, Manuel Alves, para agricultura (figura 3.99A). desde a cidade de Porto Alegre do Tocantins até o limite oeste da folha e nas calhas e leitos dos 3.17 - NEÓGENO-QUATERNÁRIO rios Gameleira e do Peixe a sudoeste da cidade de Dianópolis e oeste da cidade de Almas, 3.17.1 - Terraços Aluvionares - Q1a respectivamente, figura 3.100. No limite oeste da folha os depósitos também estão representados ao Os terraços aluvionares são definidos como longo do leito e planícies de inundação de outros aglomerados de seixos e blocos, predominantemente rios, como Cabeça de Boi, Formiga, Rio das Pedras, de quartzo, angulosos a subangulosos, com matriz Rocinha e seus tributários. Já ao norte da folha, arenosa, depositados nas calhas e terraços antigos dos próximo ao município de Pindorama do Tocantins, principais rios. Devido a seu alto conteúdo quartzo- os depósitos ocorrem em menores extensões, arenoso, a resposta gamaespectométrica possui recobrindo a Bacia do Parnaíba, nas margens do coloração preta, com baixos teores de Th, U e K. Rio Balsas. São encontrados com maior expressão ao sul da Na Bacia Sanfranciscana, nordeste da área, os área, nas proximidades dos rios Palmeiras e Ribeirão depósitos aluvionares recobrem o Grupo Urucuia, Mombó, recobrindo os calcários da Formação Serra Formação Posse, ao longo dos principais rios que de Santa Helena, do Grupo Bambuí. Também se correm no sentido da bacia para o embasamento observa esses terraços nas proximidades da porção Pré-Cambriano, de nordeste para sudoeste. São eles sul do Rio Manuel Alves, por cima das unidades do o Rio das Balsas, Rio do Peixinho, Rio Manuel Alves, Complexo Almas-Cavalcante (Figura 3.99 B). Rio Mambo e Rio Palmeiras. Figuras 3.99 – (A) Relevo aplainado da Formação Chapadão; solo é comumente usado para lavouras; (B) Terraço aluvionar formado por seixos, blocos e matacões próximo à ponte no Rio Manuel Alves. 110 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 3.100 – (A) Cobertura de aproximadamente 0,5 m de espessura de material síltico-arenoso no leito seco de um afluente do rio Manuel Alves; (B) Material arenoso inconsolidado, com cerca de 2 m de espessura, encontrado no leito do Ribeirão São Pedro, norte da cidade de Almas. 111 CPRM - Programa Geologia do Brasil 4 — GEOLOGIA ESTRUTURAL E EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA 4.1 - INTRODUÇÃO características preferencialmente rúpteis em veios contidos em zonas de cisalhamento de D2. Os primeiros dados estruturais da Folha Frasca et al. (2010) caracterizam a deforma- Dianópolis foram levantados por Correia Filho e Sá ção da Folha Gurupi (SC-22-Z-D) sob um regime de (1980), que descreveram principalmente as feições cisalhamento dúctil, de direção N20°- 40°E relacio- de dobramento das rochas vulcanossedimentares nado a zonas principais de transcorrências dextrais, em termos de xistosidade dobrada (S1) e clivagem e suas componentes no sistema Riedel relacionadas de crenulação (S2). Costa (1985) caracterizou o ao Sistema Transbrasiliano. Faixas contracionais de bandamento gnáissico subvertical inicial e estruturas baixo ângulo, rampas frontais com dobras recum- sinclinais isoclinais empinadas de direção N10°E, bentes e isoclinais aliam-se ao sistema transcorren- transpostas por uma foliação de baixo ângulo te e desenvolvem um sistema foldthrust belt. suavemente inclinada para sudeste com formação Fuck et al. (2013) tece importantes caracterís- de milonitos. ticas geotectônicas sobre o Lineamento Transbrasi- Os trabalhos sobre o contexto tectônico da liano no território brasileiro, indicando que parte do área estudada foram desenvolvidos principalmente limite leste desta estrutura continental é formada por Hasui, Haralyi e Costa (1984) e Hasui, Costa pela Zona de Cisalhamento de Natividade. Demais e Haralyi (1994). Estes autores baseados em descrições sobre as zonas de cisalhamento na Folha dados gravimétricos, magnéticos e geológicos Dianópolis são encontradas nos trabalhos de Praxe- individualizaram blocos crustais antigos limitados des (2015) e Corrêa (2014). por cinturões de alto grau metamórfico, sendo a região de Almas-Dianópolis inserida no Bloco Brasília. 4.2 - DOMÍNIOS ESTRUTURAIS E EVENTOS Nestes trabalhos também são abordados diversos DEFORMACIONAIS aspectos do Lineamento Transbrasiliano definido por Schobbenhaus (1975). Com base nos dados de campo (aspectos ge- Borges (1993) e Borges , Costa e Hasui (1999) ométricos/cinemáticos e natureza das estruturas), sugeriram ao analisar o conjunto de estruturas e interpretação de imagens de sensores remotos registradas na região de Almas-Dianópolis, que as (Aerogeofísica, Radar SRTM, Geocover e Google mesmas corresponderiam a zonas de cisalhamento Earth), foram reconhecidos na área sete domínios indicativas de movimentação de cavalgamento estruturais neste trabalho (figura 4.1): (I) Domínio oblíquo e transcorrente, geradas pela atuação de Supracrustal Transpressional Oblíquo; (II) Domínio um binário dextral orientado na direção N20°E. Infracrustal Transpressional Oblíquo, (III) Domínio In- As zonas de cisalhamento em torno de N10°- fracrustal Transpressional Transcorrente; (IV) Domí- 20°E, N45°E, N25°W e N55°W foram interpretadas nio Transpressional Compressional e Transcorrente; como feições do tipo Y, R, P e R´, respectivamente, (V) Domínio Transpressional Transcorrente; (VI) Do- e são caracterizadas pela presença de duplexes mínio Rúptil-Dúctil Compressional; (VII) Domínio Rú- transpressivos simétricos e assimétricos e alternados ptil Extensional. As estruturas da área cartografada com segmentos caracterizados por estruturas de são mostradas na figura 4.2. movimentação dominantemente direcional. Na Folha Dianópolis foram definidos três Cruz e Kuyumjian (1999) e Kuyumjian e eventos deformacionais dúcteis a dúctil-rúpteis Araújo Filho (2005) caracterizaram a deformação acompanhados de metamorfismo, além de um no Complexo Almas-Cavalcante pela presença de evento rúptil. O evento deformacional mais antigo tectônica dúctil a dúctil-rúptil fundamentada em (D1) compressional atingiu condições de fácies três sistemas principais de zonas de cisalhamento anfibolito médio a alto (metamorfismo-M1) e (padrão em Y), nas seguintes fases: (D1) pré- gerou bandamento gnáissico (S1) acompanhado de brasiliana, onde formaram-se as zonas de migmatização. Desenvolveu dobras recumbentes cisalhamento aproximadamente NS (mais longa) e (F1) com (S2) plano-axial, e dobramento do outras duas N60°E (sinistrais) e N60°W (dextrais); bandamento da sua fase inicial (F1). Este evento (D2) brasiliana, pico metamórfico, formaram-se provavelmente gerou estruturas transpressionais as zonas de cisalhamento N35°-50°W (sinistrais) e que foram reativadas ou transpostas pelos eventos N40°-70°E (dextrais); (D3), estruturas reativadas de deformacionais mais jovens. 112 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 4.1 – Domínios estruturais da Folha Dianópolis com as principais estruturas deformacionais. Figura 4.2 – Imagem GEOCOVER da Folha Dianópolis exibindo as principais macrofeições e lineamentos estruturais. 113 CPRM - Programa Geologia do Brasil (D2) e (D3) representam eventos progressivos de neoproterozoico até o mesozoico, com recorrência no caráter não-coaxial que ocorreram em condições de fá- cenozoico (neotectônica), e afetou todos os domínios cies xisto verde inferior a superior (metamorfismo-M2). estruturais da Folha Dianópolis. Estes eventos foram responsáveis pela formação de foliações regionalmente penetrativas nas rochas Pré- 4.2.1 - Domínio I (Supracrustal Transpressional -Cambrianas da área. A Fase 1 compressional de (D2) Oblíquo) desenvolve superfícies de empurrão (thrusts) com de- senvolvimento de foliação milonítica (S3). A Fase 2 de É composto por rochas supracrustais dos (D2) também de natureza compressional gerou foliação Grupos Riachão do Ouro e Água Suja. O primeiro plano axial (S4) e de crenulação relacionada a dobras evento deformacional (D1) compressivo neste (F2). Em (D3) ocorre à instalação das zonas de cisalha- domínio, gerou bandamento gnáissico e processos mento transcorrentes regionais anastomosadas sub- de migmatização, além do dobramento destas verticais que desenvolvem a foliação milonítica (S5), a foliações metamórficas (S1). Estas estruturas partir da evolução do episódio (D2). ocupam domínios restritos e as dobras (F1) O evento (D4) extensional é relacionado à observadas possuem diferentes orientações, (figuras formação de falhas e sistemas de juntas/fraturas, com 4.3). Essas variações estruturais mostram os efeitos reativação de estruturas pré-existentes, em regime deformacionais de eventos posteriores. Dobras (F1) essencialmente rúptil. Este evento atuou desde o mesoscópicas, recumbentes, apertadas a isoclinais Figuras 4.3 – (A) Dobras (F1) em gnaisse-migmatito do Grupo Água Suja com foliação plano axial (S2) de atitude E-W/ subverical, o eixo tem caimento 50°/240°SW. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das dobras e foliações. (C) Afloramento de gnaisse-migmatito do Grupo Água Suja mostrando dobras mesoscópicas recumbentes (F1) e foliação plano axial (S2) de atitude N60°W/20°SW. No afloramento também ocorrem falhas de empurrão da fase 1 de (D2) com atitude de 290°/30°NW. (D) Desenho esquemático mostrando as relações das dobras e foliações. 114 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis também são desenvolvidas neste evento. Essas A progressão de (D2), a partir da Fase 2 com- dobras são desenhadas pela foliação (S1) ou pelo pressional, formou uma foliação de crenulação (S4) acamamento sedimentar (S0) e exibem a foliação que é plano-axial de dobras mesoscópicas a regio- (S2) na posição plano-axial. nais (F2), geralmente normais com caimento suave a A Fase 1 do evento (D2) compressional, gerou moderado, e abertas a fechadas. Essas dobras geram falhas e zonas de cisalhamento de empurrão com padrão de redobramento do tipo “laço” ou tipo 3 de formação de duplex e estruturas do tipo flor positiva. Ramsay nas dobras (F1), sendo definidas pelos planos A foliação milonítica (S3) quando desenvolvida é de de (S0) e (S1). Foi desenvolvida uma lineação de cre- médio a alto ângulo, e possui orientações principais nulação de baixo caimento no geral para norte. As do- NS, NNE e NE. As lineações de estiramento e bras dos dois eventos (F1 e F2) possuem eixos subpa- estrias observadas são de alto ângulo são paralelas ralelos (Lb1//Lb2), com direções predominantemente a sub-paralelas ao mergulho do plano da falha. NS a NNE, e de forma subordinada NNW, (figuras 4.6). Possuem caimento no geral para W e WNW e A foliação (S4) também possui orientação preferencial subordinadamente para ESE. A interpretação é de que NS a NNE. Veios extensionais centimétricos são desen- representariam empurrões frontais a poucos oblíquos, volvidos nos planos de (S2). (figuras 4.4 e 4.5). As vergências das estruturas são O evento (D3) é caracterizado por zonas preferencialmente para E e ESE, localmente são para de cisalhamento anastomosadas transcorrentes WNW. em regime direcional identificado pela foliação Figuras 4.4 – (A) e (B) Metassedimentos do Grupo Riachão do Ouro evidenciando rampas frontais com planos de movimentação de alto ângulo. (A) Lineação de estiramento em níveis de quartzo (rods) de alto rake com caimento de 68°/270° em plano de atitude N05°W/70°SW. (B) Estria com caimento de 70°/120°SE em plano de atitude N15°E/80°SE. Figuras 4.5 – (A) e (B) Afloramento de metassedimentos do Grupo Água Suja mostrando superfície de empurrão sigmoidal com foliação (S3) na porção leste da Serra de Natividade. (S3) possui direção NNE e mergulha para NW; a lineação de estiramento possui caimento de 30°/330°NW. 115 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 4.6 – (A) Metapelito do Grupo Riachão do Ouro com crenulado. (S2) paralelo a (S0) tem atitude N85°W/20°NE, (S4) tem atitude N05°E/vertical, a lineação de crenulação tem caimento 15°/005°NE. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das foliações. (C) Metarritimito do Grupo Água Suja com foliação plano axial (S4) de dobras (F2) abertas que crenulam a foliação (S2), com (S0) paralelo a (S2). (S2) tem atitude N20°E/subvertical, e o eixo de (F2) tem caimento 25°/20°NE. (D) Desenho esquemático mostrando as relações das dobras e foliações. (S5) milonítica com mergulhos de alto ângulo. O conjunto destas estruturas transpressionais Provavelmente essas zonas de cisalhamento representam os principais contatos litológicos, (os limi- reativaram estruturas de (D1) e grande parte das tes dos domínios geotectônicos) e acomodam a maior estruturas de cavalgamento da fase 1 de (D2), parte da deformação constituindo zonas de alto strain. visto que frequentemente aproveitam os planos de (S3). São estruturas dúcteis a rúpteis-dúcteis 4.2.2 - Domínio II (Infracrustal Transpressional predominantemente dextrais que transpõem as Oblíquo) dobras (F2) e possuem lineação de estiramento de baixo rake sub-horizontais. Em seu estágio avançado É um dos domínios mais amplos da Folha paralelizam e obliteram as estruturas dos eventos Dianópolis, sendo caracterizado por apresentar zonas anteriores. Também desenvolvem outras superfícies transcorrentes com componentes de rejeito direcional de fluxo como bandas de cisalhamento que compõem (cisalhamento simples) e oblíquo (cisalhamento puro e estruturas S-C-C´ (figuras 4.7). simples). É formado por metagranitóides do Complexo As zonas transcorrentes desenvolvidas Almas Cavalcante. O evento (D1) neste domínio gerou nas rochas supracrustais deste domínio estão bandamento gnáissico e processos de migmatização. relacionadas aos subsistemas regionais NNW-NS- A Fase 1 do evento (D2) compressional NNE, NE-SW, NW-SE e ENE-WNW. Essas zonas de desenvolveu superfícies de empurrão com geração rejeito direcional provavelmente são desenvolvidas de foliação milonítica (S3) de baixo a médio ângulos. pelo escape lateral da crosta após o episódio de Associadas a estes cavalgamentos ocorrem lineações encurtamento D2, que evolui de caráter coaxial para de estiramento subparalelas ao mergulho de (S3), não-coaxial em regime transpressional. (figuras 4.8 e 4.9). Essas zonas de cisalhamento são 116 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figuras 4.7 – (A) Sericita-quartzito do Grupo Riachão do Ouro com foliação (S5) S-C milonítica de atitude N15°E/60°NW. A foliação (S5) S-C é cortada e arqueada por uma superfície espassada de atitude N65°E/70°SE, que pode corresponder uma estrutura C´, a movimentação é dextral. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das superfícies e cinemática. Figuras 4.8 – (A) Dobras decimétricas suaves e abertas com eixo de caimento suave para NW em metagranitóide ultramilonítico com foliação (S3). (B) Foliação milonítica de baixo ângulo (S3) de atitude N60°E/15°NW e lineação de estiramento associada com caimento de 13°/320°NW. Afloramento sob a ponte do Rio do Peixe. Figura 4.9 – (A) Foliação milonítica de baixo ângulo (S3) de atitude E-W/35°N e lineação de estiramento associada com caimento de 30°/000°. Afloramento sob a ponte do Rio do Peixe. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das estruturas. 117 CPRM - Programa Geologia do Brasil rampas frontais e oblíquas que ocorrem nas porções metagranitóides da Suíte Aurumina (Figura 4.15). centrais dos domos/batólitos dos metagranitóides e A Fase 2 de (D2) desenvolveu dobras mesoscópicas que gradam para zonas transcorrentes essencialmente suaves a abertas nos metagranitóides da Suíte de rejeito direcional nos limites dos corpos. Aurumina (figuras 4.15). Apresentam direções preferenciais N-S a NNE e ENE a O evento (D3) forma as zonas de cisalhamento EW, e mostram transporte de massa de W para E e de transcorrentes anastomosadas NNE-SSW e NE-SW NW para SE respectivamente. A Fase 2 do evento (D2) regionais, características deste domínio. Constituem é representada pela formação de dobras mesoscópicas muitas vezes zonas de alto strain com estruturas suaves a abertas, (figuras 4.8). Os eixos das dobras são fortemente linearizadas e paralelas. Apresentam subparalelos a lineação de estiramento de (S3). lineações de estiramento horizontalizadas e de baixo O evento (D3) corresponde à formação das rake contidas nos planos da foliação milonítica (S5) zonas transcorrentes de rejeito direcional dos verticalizada (Figuras 4.16). Desenvolvem zonas subsistemas regionais NE-SW, N-S e NW-SE, que miloníticas com porfiroclastos de quartzo e feldspato desenvolvem a foliação (S5). Este evento reativa e superfícies S-C-C´ (Figuras 4.17), e indicadores estruturas formadas na fase (F1) do evento (D2). cinemáticos com movimentação predominantemente A deformação observada é heterogênea e pode dextral. Sistemas de falhas rúpteis de orientação NE- ser classificada em zonas de alto e baixo strain. SW, NW-SE, N-S e WNW-ENE a EW ocorrem de forma Geralmente as zonas de alto strain ocorrem no subordinada (Figuras 4.18). contato e nas bordas dos metagranitóides, com geração de rochas miloníticas a ultramiloníticas. 4.2.4 - Domínio IV (Transpressional Compressional e As zonas de baixo strain estão relacionadas às Transcorrente) porções internas dos corpos, e as rochas geralmente apresentam deformação dúctil-rúptil. Está representado pelas faixas NNE a NE Nas zonas de alto strain a deformação favo- subparalelas aos Lineamentos Transbrasilianos rece a formação de novas estruturas como bandas e engloba as rochas supracrustais do Grupo de cisalhamento S-C e C-C´, gerando milonitos S-C, Natividade. A principal característica deste domínio (figuras 4.10 e 4.11). Nestas zonas também são ob- são os dobramentos regionais a mesoscópicos servadas estruturações fortemente paralelizadas e (F2), geralmente normais com caimento, abertos estiradas constituindo tectonitos S e L, (figura 4.12). a fechados, simétricos com vergência para leste. A A deformação dúctil-rúptil de (D3) muitas Fase 2 de (D2) compressiva gerou foliação plano-axial vezes ocorre na forma de veios de cisalhamento (S4) de dobras (F2) desenhadas pelo acamadamento sigmoidais relacionados ao anastomosamento da sedimentar (S0). A foliação (S4) tem orientação foliação, (figuras 4.13). Veios extensionais (fraturas preferencial NNE a N30°E de médio a alto ângulo, T), também definem as zonas de cisalhamento e os eixos das dobras geralmente possuem baixo dúcteis-rúpteis e o seu sentido de movimento. As ângulo de caimento para NE e SW, (figuras 4.19). mudanças na orientação de alguns veios extensionais O evento (D3) é marcado por zonas transcor- observados, indicam rotação do vetor compressional rentes de rejeito direcional que transpõem as dobras por deformação não coaxial, (figura 4.14). Esses veios (F2), e desenvolvem a foliação milonítica com mer- são importantes para as mineralizações auríferas. gulhos de alto ângulo (S5). O plano da foliação, por vezes, apresenta ressaltos (steps) que indicam movi- 4.2.3 - Domínio III (Infracrustal Transpressional mentação dextral da mesma, (figuras 4.20). A trans- Transcorrente) posição nos flancos das dobras é marcada tanto em escala de afloramento, (figuras 4.21), como em ima- Este domínio é caracterizado pelo predomínio gens de sensores remotos. As zonas de cisalhamen- de zonas de cisalhamento transcorrentes de alto to desenvolvem superfícies S-C com movimentação ângulo essencialmente de rejeito direcional, predominantemente dextral, (figuras 4.22 e 4.23). orientadas predominantemente nas direções N10°-30°E. Este conjunto compõe o Sistema de 4.2.5 - Domínio V (Domínio Transpressional Lineamentos Transbrasiliano (FUCK et al., 2013; Transcorrente) SCHOBBENHAUS et al., 1975). O domínio é composto por rochas da Suíte Aurumina. Este domínio ocupa o extremo NW da Folha A Fase 1 de (D2) desenvolveu superfícies de Dianópolis. É caracterizado pela orientação N20°- empurrões frontais e laterais (oblíquas) de baixo 40°E e forte estruturação do arcabouço, que marca a médio ângulos com direções preferenciais NNE domínio de alto gradiente magnético nas imagens e ENE, e vergências aproximadamente para E e SE. aeromagnetométricas. É composto por rochas da Estas superfícies desenvolveram foliação (S3) nos Suíte Manoel Alves e Formação Monte do Carmo, 118 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis inseridas no prolongamento do Arco Magmático de A Fase 2 de (D2) compressiva gerou dobras (F2) Goiás de idade neoproterozoica. É limitado a leste mesoscópicas suaves a abertas, desenhadas pelo pela Zona de Cisalhamento transcorrente Rio dos acamadamento vulcânico (S0), sem desenvolvimento Bois com continuidade para oeste na Folha Gurupi. de expressiva foliação plano-axial (figuras 4.24). Figuras 4.10 – (A) Afloramento de metagranitóide milonítico exibindo foliação (S5) com superfícies S-C e C-C´, com movimentação dextral. A superfície C tem atitude N20°E/vertical, a superfície S tem atitude N05°W/vertical, e a Superfície C´ tem atitude N45°E/vertical. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das superfícies deformacionais. (C) Afloramento de metagranitóide milonítico exibindo foliação (S5) com superfícies S-C. A superfície S milonítica penetrativa tem atitude N10°E/ 82°SE, a superfície C espaçada tem atitude N10°W/70°NE, movimentação sinistral. (D) Desenho esquemático mostrando as relações das superfícies deformacionais. 119 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 4.11 – (A) Afloramento de metagranitóide milonítico exibindo foliação (S5) com superfícies S-C, movimentação dextral. A superfície S milonítica tem atitude N10°E/vertical, e a superfície C, tem atitude N40°E/ vertical. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das superfícies deformacionais. Figuras 4.12 – (A) Metagranitóide exibindo foliação milonítica (S5) com forte paralelização das estruturas, constituindo tectonito S. A foliação (S5) tem atitude N15°W/vertical. Afloramento no balneário do Rio Manuel Alves na cidade de Porto Alegre-TO. (B) Afloramento de metagranitóide (tectonito L) com estruturação de mullions e rods que correspondem a lineação de estiramento atitude 05°/000°N, subparalelos a foliação transcorrente (S5) de atitude N10°W/75°SW. 120 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figuras 4.13 – (A) Veio de cisalhamento sigmoidal associado a foliação anastomosada em metagranitóide, com movimentação sinistral. A foliação (S5) possui atitude de N15°W/78°NE. (B) Veio de cisalhamento em metagranitóide milonítico, com sentido de cisalhamento dextral. A foliação (S5) possui atitude de N10°W/80°SW. Figuras 4.14 – Exemplo de veios associados a zonas de cisalhamento dúcteis-rúpteis em metagranitóides. (A) Veios escalonados (tenshion gashes) em zona de cisalhamento de direção N20°E. As fraturas T apresentam orientação variando de N10°W a N80°W (B) Desenho esquemático mostrando as relações e cinemática dos veios. (C) Veios escalonados em gnaisse definindo zona de cisalhamento de direção N55°E, as fraturas T exibem direção N10°E. (D) Desenho esquemático mostrando as relações e cinemática dos veios e superfícies. 121 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 4.15 – (A) Foliação de baixo ângulo (S3) de atitude N75°E/45°NW. Afloramento de metagranitóides da Suíte Aurumina sob a ponte do Rio Manuel Alves. (B) Dobras mesoscópicas suaves (linha vermelha) com eixos de caimento de 25°/195°SW. Figuras 4.16 – (A) Metagranitóide ultramilonítico (tectonito L-S) com foliação milonítica (S5) de atitude N40°E/ subvertical e expressiva lineação de estiramento de caimento 03°/40°NE. (B) Mica-quartzo-xisto milonítico com foliação (S5) de atitude N45°E/subvertical, com desenvolvimento de estruturas de lápis que marca a lineação de estiramento de caimento 10°/30°NE. Figuras 4.17 – (A) Afloramento de metagranitóide da Suíte Aurumina com foliação milonítica de alto ângulo (S5) que corresponde à superfície C de atitude N40°E/80°SE. A superfície S possui atitude de N10°E/subvertical, e a superfície C´ apresenta atitude N75°E/subvertical. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das superfícies S-C e C-C´, e movimentação dextral. 122 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figuras 4.18 – Zona de falha rúptil de direção N85°W, com desenvolvimento de veios (fraturas T) na direção N50°W. Movimentação dextral inferida. Figuras 4.19 – (A) e (B) Metarritimitos do Grupo Natividade na Serra da Pedra, estrada em direção a Fazenda Sucuriú. (A) Dobras decimétricas abertas e simétricas, com foliação plano axial (S4) de atitude N30°E/subvertical, e o eixo de (F2) tem caimento de 20°/215°SW. (B) Dobra métrica inclinada assimétrica com flanco longo e curto e vergência para leste. A foliação plano axial (S4) tem atitude de N20°E/50°NW e o eixo tem caimento de 15°/20°NE. (C) Dobras simétricas (camada mais espessa) e parasíticas assimétricas (camadas mais delgadas) em metadolomito. A foliação (S4) tem atitude de N15°E/70°NW, e o eixo tem caimento de 06°/175°SE. (D) Dobras centimétricas em metacalcário, a foliação plano axial tem atitude N10°E/76°NW, e o eixo tem caimento 10°/25°NE. A linha preta destaca o contorno das dobras em todas figuras. 123 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 4.20 – (A) Afloramento de sericita-quartzitos com plano de foliação (S5) mostrando steps indicadores de movimentação dextral. A foliação tem atitude N10°-15°E/60°NW Porção norte da Serra de Natividade, ponto AS-247. (B) Figura esquemática da análise cinemática. Figuras 4.21 – (A) Metassedimentos do Grupo Natividade com dobras apertadas transpostas pela foliação (S5) transcorrente vista em planta. Os eixos das dobras possuem caimento de 10°/355° e a foliação (S5) possui atitude N05°W/80°SW. (B) Mica-quartzito do Grupo Natividade com foliação (S5) de atitude N10°W/70°SW e expressiva lineação de estiramento de caimento 10°/350°. As zonas de cisalhamento transcorrentes 4.25). O evento (D3) também esta relacionado desenvolvidas no evento (D3) geraram a foliação com a formação de rochas gnáissicas, pelo fato milonítica (S5) penetrativa, associada a processos deste domínio estar inserido no corredor de de cominuição e paralelização das estruturas, nas alta temperatura e deformação do Lineamento rochas deste terreno neoproterozoico, (figuras Transbrasiliano. 124 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figuras 4.22 – (A) Afloramento de quartzito silicificado com foliação (S5) de atitude N10°E/subvertical (superfície S); a superfície C desenvolvida possui atitude N40°E/subvertical e movimentação dextral vista em planta. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das superfícies desenvolvidas. Figuras 4.23 – (A) Afloramento na Serra Cruz das Almas. Metaconglomerado com foliação (S5) anastomosada de atitude N10°E/subvertical. Seixo de quartzo decimétrico sigmoidal indicando movimentação dextral. (B) Desenho esquemático mostrando o aspecto e movimentação da zona de cisalhamento. Figuras 4.24 – (A) Afloramento de metavulcânicas da Fm. Monte do Carmo mostrando dobras mesoscópicas abertas (F2) com eixo de caimento 20°/220°SW, definida pelo acamadamento vulcânico (S0). (B) Desenho esquemático mostrando o estilo de dobramento 125 CPRM - Programa Geologia do Brasil 4.2.6 - Domínio VI (Domínio Rúptil-Dúctil (F1) de (D2) dentro do Grupo Bambuí são de natureza Compressional) epidérmica (rúpteis e rasas). A fase (F2) de (D2) gerou dobramentos suaves a Este domínio engloba a sequência abertos, métricos, desenhados pelo acamadamento metassedimentar de baixo grau do Grupo Bambuí sedimentar (S0) ondulado, com desenvolvimento de (Formações Serra de Santa Helena e Lagoa do uma clivagem ardosiana (S4) plano-axial espaçada Jacaré), distribuída na porção SE da área com (Figura 4.27). Em alguns locais observados as prolongamento para a Folha Arraias. clivagens são assimétricas e podem representar kinks Não foram observados registros de dobramentos bands. Nas rochas carbonáticas que ocorrem como holomórficos regionais, contudo as rochas foram camadas descontínuas, as dobras são mais apertadas afetadas pelas fases (F1) e (F2) de (D2), gerando falhas e evidentes (figuras 4.27). contracionais de empurrão e uma clivagem ardosiana plano-axial (S4), respectivamente. No ponto AS-42 foi 4.2.7 - Domínio VII (Domínio Rúptil extensional) observado o contato da sequência com o Complexo Almas Cavalcante através de uma zona de cisalhamento Este domínio é formado por rochas de empurrão, que coloca os metagranitóides sedimentares paleozoicas da Bacia do Parnaíba e miloníticos sobre os metassedimentos, (figuras 4.26). cretáceas do Grupo Urucuia, distribuídas nas porções As demais falhas contracionais desenvolvidas na fase leste e norte da área. Este domínio caracteriza o Figuras 4.25 – (A) Metagranitóide milonítico com foliação (S5) de atitude N40°E/subvertical. Afloramento sob a ponte do Córrego Tenda de Coco. (B) Metagranitóide milonítico com foliação (S5) de atitude N30°E/70°NW. Figuras 4.26 – (A) Zona de cisalhamento de empurrão envolvendo metagranitóide milonítico, com desenvolvimento de veios e pods de quartzo. A foliação milonítica (S3) forma superfícies SC e C-C´, com foliação C de atitude N30°E/20°NW. (B) Desenho esquemático mostrando as superfícies miloníticas e a movimentação up-dip topo para E da zona de cisalhamento. 126 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis evento (D4) rúptil, que também afetou todas as de recuo (erosiva) dos relevos de planaltos e rochas cartografadas na Folha Dianópolis. chapadões. Destacam-se os sistemas de falhas As estruturas do evento (D4) reativaram e fraturas/juntas N70°E-N70°W-EW e N05°W- importantes descontinuidades relacionadas a N45°W, (figuras 4.30). Foram observados estratos estruturas dúcteis pré-existentes. Constatou- ondulados e até formando dobras abertas nas se superfície de falha transtensional de direção rochas da Bacia do Parnaíba, provavelmente em N30°E com steps e estrias (slickensides) na Serra de função da ação das falhas de gravidade (figuras Natividade, (figuras 4.28). Estes sistemas de falhas 4.31). e fraturas de direção NE-SW (N10-40°E) podem As principais direções da rede de drenagens corresponder a zonas sismogênicas relacionadas à e padrões geomorfológicos da área são controladas tectônica recorrente (HASUI; MIOTTO, 1998). Falhas por estruturas reativadas e formadas pelo normais de direção NS também foram observadas, evento (D4), além dos movimentos recentes da (figuras 4.29). As estruturas N-S também controlam neotectônica (COSTA et al., 1996; BORGES, 1993). a colocação de diques máficos do cretáceo. Nas imagens aeromagnetométricas são reconhecidos Nas bordas das bacias ocorrem sistemas de megalineamentos magnéticos de direção geral EW grábens e horsts relacionados com as escarpas na porção sudeste da folha. Figuras 4.27 – (A) Afloramento próximo ao Povoado de Boa Vista de Belém. Metapelitos laminados (S0) ondulados, a linha preta destaca o contorno das dobras. Assimetria das clivagens, destacadas pelas linhas amarelas, com atitudes variando entre N20°-60°E. (B) Metadolomitos exibindo dobras mesoscópicas simétricas e assimétricas, apertadas definidas por (S0), com eixo de caimento 20°/200°SW. A clivagem plano-axial possui atitude de N10°E/80°SE. Figuras 4.28 – (A) Plano de falha transtensional de direção N30°E em sericita-quartzitos na porção norte da Serra de Natividade, ponto AS-247. A superfície apresenta steps e slickensides (60°/50°NE). (B) Figura esquemática da análise cinemática. 127 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figuras 4.29 – (A) Superfície de falha, destacada pelas linhas amarelas, de direção NS subvertical em metapelitos do Grupo Natividade. Ocorre brechação no plano da falha. (B) Desenho esquemático mostrando o aspecto e a movimentação da falha. Figuras 4.30 – (A) Falha extensional reversa afetando a borda da Bacia do Parnaíba, na Formação Serra Grande. O plano de falha possui atitude de N70°E/70°NW. (B) Falha extensional indiscriminada em rochas sedimentares da Bacia do Parnaíba. O plano de falha possui atitude de N40°E/65°NE. As linhas amarelas destacam a superfície da falha, e as linhas vermelhas destacam as camadas de rocha. Figuras 4.31 – (A) Camadas basculadas formando flanco de dobras abertas na Formação Serra Grande. (B) Camadas mostrando suaves ondulações. As linhas pretas destacam as camadas de rochas. 128 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 4.3 - MODELO ESTRUTURAL destas estruturas pretéritas. Infere-se que neste evento também ocorreu à estruturação de domos A partir dos dados estruturais apresentados e quilhas evidente na porção centro-leste da folha, sugere-se que a área estudada foi afetada por a exemplo dos domos de metagranitóides de eventos deformacionais no Paleoproterozoico (D1), Dianópolis-Porto Alegre-Almas associados às quilhas no Neoproterozoico (D2, D3 e D4) e até o Holoceno de faixas do Grupo Riachão do Ouro. Propõe-se uma (D4). A tabela 4.1 sintetiza as características destes componente transpressiva com tensor principal na eventos. direção E-W. O evento (D1) constitui deformação O evento (D2) corresponde à compressão do inicialmente dominada por encurtamento Evento Brasiliano-Pan Africano, entre os Crátons (cisalhamento puro) com desenvolvimento de Amazônico e São Francisco. Desenvolve inicialmente gnaissificação, dobramento do bandamento empurrões (Fase 1) de direções NS-NNE ENE-NE e gnáissico, migmatização e dobramentos recumbentes com vergência geral para E e SE em direção ao Cráton (rochas supracrustais). Este evento provavelmente do São Francisco. Esta fase envolve encurtamento gerou estruturas contracionais (cisalhamento puro) segundo vetor aproximado de E-W e NNW a NW. Outro e de rejeito direcional (cisalhamento simples) em episódio compressivo gera expressivo dobramento regime transpressional. No entanto, devido à atuação marcado nas rochas supracrustais (Fase 2), devido ao dos eventos subsequentes, é difícil a individualização vetor de encurtamento essencialmente E-W. Tabela 4.1 – Síntese das características dos eventos e fases de deformação na Folha Dianópolis. EVENTOS Evento D1 Evento D2 (Paleoproterozoico) (Neoproterozoico) Evento D3 Evento D4 FASES Compressional Fase F1 Fase F2(Empurrões) (Dobramentos) Transcorrências Extensional DOMÍNIOS I, II e III I, II, III, IV, V e VI I, II, III, IV, V e VI I, II, III, IV, V e VI I, II, III, IV, V, VI e VII METAMORFISMO M1 (fácies anfibolito médio a alto) M2 (fácies xisto verde inferior a superior) Diagênese Falhas e zonas de cisalhamento Redobramento Falhas e zonas Bandamento Reativação gnáissico (S1) de empurrões do tipo de cisalhamento frontais a poucos “laço”nas dobras transcorrentes de estruturas pretéricas oblíquos (F1) dextrais Dobras (F2) Bandamento Foliação milonítica com foliação Falhas e gnáissico dobrado e (S3) plano axial e de Foliação (S5) fraturas rúpteis crenulação (S4) extensionais dobras recumbentes Formação Foliação ESTRUTURAS (F1) com foliação de duplex e milonítica (S5) Falhas normais PLANARES plano axial (S2) estruturas do tipo com superfícies e reversasflor positiva S-C-C´ Falhas e zonas de cisalhamento Basculamento transpressionais Mullions e rods das bacias reativadas Fanerozoicas Formação de Falhas rúpteis- estruturas de domos dúcteis com e quilhas superfícies de Riedel 129 CPRM - Programa Geologia do Brasil O evento (D3) é produto do regime direcional nica indicada pelas texturas primárias (acamamento, responsável pelos sistemas transcorrentes NE estratificação cruzada e cumulus) observadas (COR- (dextral) dominante (Lineamento Transbrasiliano) REIA FILHO; SÁ, 1980). A evolução tectônica deste e NW (sinistral) através de um binário cisalhante orógeno, representado pelas rochas do Complexo com tensor principal orientado próximo de Almas-Cavalcante e Grupo Riachão do Ouro e con- E-W. Falhas transcorrentes dextrais de direção sequente aumento da fusão de material crustal, pro- aproximadamente E-W também são geradas neste porcionaram geração das rochas da Suíte peralumi- evento. (D2) e (D3) representam uma deformação nosa e fácies metatagranodiorítica a monzogranítica transpressiva com desenvolvimento de empurrões em torno de 2.18 Ga. (thrusts) frontais e oblíquos que evoluem para A continuação da margem convergente em zonas de cisalhamento transcorrentes dextrais. direção ao protocráton do São Francisco, ocasionou O evento (D4) corresponde a falhas a formação do Grupo Água Suja (idade máxima ~ extensionais de direções NS, NE e WNW-EW-ENE no 2.2 Ga) provavelmente em ambiente de subducção neoproterozoico, com reativações de estruturas mais (fore arc e back arc). Nesta margem ativa ocorre o antigas neste período e durante o fanerozoico até o magmatismo de arco continental da Suíte Aurumina recente. de acordo com os dados de litoquímica de Abdallah (2014), no intervalo de ~2.17 a 2.14 Ga (fácies gra- 4.4 - EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA nodiorítica a tonalítica e fácies granodiorítica a monzogranítica). A evolução deste cinturão orogê- A história evolutiva da área estudada inicia-se nico, rochas de arco (Complexo Almas-Cavalcante com a deposição do Grupo Riachão do Ouro na Era e Suíte Aurumina) e suas bacias marginais (Grupos Neoarqueana. Esta sequência vulcanossedimentar Riachão do Ouro e Água Suja), estariam relaciona- estaria relacionada com ambiente de subducção das com o pico de deformação e metamorfismo da de arco oceânico com bacia de retroarco (back- Orogênese do Riaciano. O período de transição sin- arc) de acordo com os dados de litoquímica de -tardi e pós-tectônico desta orogênese (2.13 a~2.0 Kuyumjian et al. (2012) e demais referências Ga) estaria representado pela fácies granodiorítica contidas neste artigo). Os autores identificaram a sienogranítica da Suíte Aurumina. metabasaltos com composições geoquímicas de: No período estateriano (~1.7 Ga) ocorre (i) metabasaltos toleíticos originados em zona à sedimentação da fase rift do Grupo Araí, bem de subducção e metabasaltos provavelmente representada a sul da área estudada (Folha Arraias komatiíticos extrudidos em ambientes de rift ou e região de Cavalcante). Na folha Dianópolis a bacia de retroarco continentais; (ii) basaltos de arco sedimentação desta bacia é representada pelo de ilhas e basaltos de rift continental. Grupo Natividade que corresponde à fase pós- Posteriormente, entre 2.49 e 2.2 Ga, ocorreram rift de plataforma marinha. A deposição da bacia intrusões das unidades do Complexo Almas- do Grupo Natividade pode ter prosseguido até o Cavalcante (Unidade gnáissico-migmatítica, Unidade início do mesoproterozoico e sua subsidência inicial ortognáissica-granítica, Fácies anfibolítica a quartzo- provavelmente está relacionada com a reativação de diorítica e Suíte Serra do Boqueirão) em ambiente estruturas pretéritas de direção NS a NNE. de subducção de arcos de ilhas e/ou continental No neoproterozoico (1.0 Ga e 542 Ma) ocor- de acordo com os dados de litoquímica de Cruz e re a gênese, deformação e metamorfismo da Suíte Kuyumijiam (1998), Cruz (2001) e Cruz, Kuyumjiam Manoel Alves (prolongamento do Arco Magmático e Boaventura (2003). Estes autores identificaram de Goiás), Grupo Bambuí e Formação Monte do Car- três conjuntos de granitóides TTG calcialcalinos de mo durante o ciclo colisional Brasiliano-Pan Africano. baixo K na área mapeada: (i) O Complexo Ribeirão A Suíte Manoel Alves mostra uma evolução em am- das Areias (2.45 Ga) e a Suíte 2 (2.2 Ga) foram biente de arco magmático, e estruturalmente ocorre gerados pela fusão parcial de metabasaltos da crosta justaposta aos terrenos paleoproterozoicos. O Grupo oceânica subductada com formação de um restito de Bambuí corresponde uma sedimentação plataformal granada-anfibolito ou eclogito; (ii) Suíte 1 (2.2 Ga) foi sobre o Cráton São Francisco. A Formação Monte do derivada de fusão parcial de uma fonte ultramáfica Carmo representaria uma bacia vulcanossedimentar com formação de um restito com piroxênio e olivina extensional do final do ciclo Brasiliano. num ambiente de cunha mantélica (mantle wedge) O final da Orogênese Brasiliana resultou na sobre a zona de subducção. consolidação da proto-Plataforma Sul-Americana Ainda no intervalo entre 2.49 e 2.2 Ga, ocor- que serviu de substrato para as bacias intracratô- rem intrusões máficas-ultramáficas do tipo Gamelei- nicas fanerozoicas do Parnaíba e São Franciscana. ra, provavelmente em ambiente de quietude tectô- Esta proto-plataforma sofreu processo de rift no 130 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis mesozoico que culminou com a configuração atual ram processos de intemperismo (desenvolvimento da plataforma brasileira e na área estudada mar- de coberturas lateríticas), formação de depósitos cada pelos diques máficos juro-cretáceos que re- aluvionares (através das redes de drenagens) e de- presentam esta fase. Durante o cenozoico ocorre- mais cobertura-detrito-lateríticas. 131 CPRM - Programa Geologia do Brasil 5 — RECURSOS MINERAIS E GEOQUÍMICA PROSPECTIVA 5.1 - INTRODUÇÃO e de Recursos Minerais (SÁ, 1982); Programa Nacional de Prospecção de Ouro-PNPO (CPRM, O extrativismo mineral no Estado do Tocantins 1998) e Programa Nacional de Prospecção de constitui um segmento em franca ascensão, porém Metais do grupo da Platina, Complexo Barra do ainda representa o setor menos significativo da Gameleira (LIMA et al., 2000), além de alguns indústria, tendo sido um dos responsáveis pela jazimentos auríferos e de calcário visitados na área. elevação do PIB industrial do Estado. Todavia, este Adicionalmente ao cadastramento de dados, foi setor ainda se encontra economicamente incipiente, executado um levantamento geoquímico com maior contabilizando 89 indústrias em atividade, de um adensamento onde o contexto geológico fosse mais total de 515 empresas distribuídas na região norte do favorável às mineralizações, tendo sido analisadas Brasil (DNPM, 2011), em contrapartida, por exemplo, amostras de sedimento de corrente por ICP-MS e à indústria da construção civil, que detém mais de mineralométricas de concentrados de bateia pelo 400 indústrias no Estado. laboratório SGS/GEOSOL. Dados fornecidos pelo IBRAM (2012) revelaram Neste capítulo, os autores pretenderam que investimentos das indústrias extrativistas do refinar a contextualização geológica de alguns Estado do Tocantins durante o período 2012-2016, dos principais jazimentos inativos e em atividade, contabilizaram US$ 96.960,06 em fosfatos e ouro. porém deve ser ressaltado que as informações Também projetaram uma crescente evolução a aqui apresentadas e relacionadas a esses recursos médio e longo prazos neste setor, respaldados por minerais, foram coletadas no decorrer dos trabalhos uma gama diversificada de ambientes geológicos de mapeamento geológico. Com exceção das minas favoráveis a mineralizações, revelando tratar-se de ouro do Paiol, Geominas e pedreiras de calcário de um segmento dotado de grande potencialidade visitadas durante o mapeamento, ressalta-se que mineral. Dessa forma, o futuro modelo exploratório não foi encetada uma atividade de campo destinada para o Estado do Tocantins necessita ser alicerçado especificamente ao estudo mais detalhado dos através de ações coletivas entre governo estadual e recursos minerais. Tampouco, foi realizado trabalho empresas mineradoras fomentando políticas que não direcionado ao potencial dos metalotectos aos quais somente forneçam condições para investimentos, estão vinculadas as mineralizações, objetivando mas também, que os recursos gerados sejam estabelecer uma contextualização geotectônica mais apropriados de forma eficaz pela população local, precisa. gerando melhoria das condições de trabalho, renda Nas tabelas 5.1 e 5.2 foram catalogados 162 e uso e ocupação racional do solo urbano. jazimentos minerais, sendo 129 bens minerais le- A cadeia produtiva de mineração no Tocantins vantados na compilação bibliográfica e 33 jazimen- resume-se atualmente na explotação de argilas para tos, cadastrados durante a execução deste trabalho produção de cerâmica e tijolos; calcário dolomítico (mineralizações auríferas, carbonatos, manganês, ro- para corretivo de solo; calcítico para brita siderúrgica; chas ornamentais, materiais de construção diversos, fosfatos para fertilizantes; gipsita para produção de além de outros). gesso; zirconita para pigmentos e refratários; areias, seixos, basaltos e granitoides para produção de brita; 5.2 - GEOQUÍMICA PROSPECTIVA diamante, granada, turmalina, cianita e quartzo para produção de gemas; granitos, mármores, filitos e Os trabalhos de prospecção geoquímica xistos, utilizados como rochas ornamentais e em desenvolvidos na folha Dianópolis constaram do revestimento, água mineral e garimpos de ouro. levantamento de amostras de sedimento ativo Este capítulo tem por principal objetivo a de corrente e concentrado de bateia e tiveram difusão de informações geológico-metalogenéticas como objetivo gerar informações sobre o potencial levantadas em trabalhos regionais, detalhe e mineral da área. No presente levantamento foram semi-detalhe na área de trabalho, com destaque amostradas e tratadas 537 amostras de sedimento a diversas teses de mestrado e doutorado e aos ativo de corrente e 535 amostras de concentrados projetos executados pela CPRM: Projeto Natividade de bateia, cuja distribuição pode ser observada na (CORREIA FILHO; SÁ, 1980); Mapas Metalogenéticos figura 5.1. 132 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 133 Tabela 5.1 – Jazimentos minerais compilados na Folha Dianópolis. CPRM - Programa Geologia do Brasil 134 Tabela 5.1 – Continuação. Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 135 Tabela 5.1 – Continuação CPRM - Programa Geologia do Brasil Tabela 5.2 – Jazimentos minerais cadastrados na Folha Dianópolis. NR UTM_E UTM_N MUNICÍPIO TOPONÍMIA STATUS SUBSTÂNCIA 1 265157 8705875 Almas Mina do Paiol AS23 Mina ouro 2 264892 8709408 Almas Garimpo Vira Saia AS24 Garimpo ouro 3 301910 8714125 Dianópolis Antiga Mina PC3 Mina ouro 4 220395 8775666 Pindorama do Tocantins AS294, Fazenda Santana Garimpo ouro 5 191085 8751174 Santa Rosa do Tocantins AS138 Ocorrência manganês 6 202245 8745719 Chapada de Natividade AS171, Fazenda Três Poderes Ocorrência ouro 7 246398 8737688 Almas AS219A Garimpo manganês 8 208769 8711501 Natividade AS247, Geominas Mineração Mina ouro 9 223920 8701248 Natividade AS248, Mina da Nacal Mina calcário dolomítico 10 256951 8719126 Almas AS249 Mina rocha ornamental,brita 11 221359 8693969 Natividade PC165 Ocorrência manganês 12 221840 8746608 Natividade PC188, Fazenda Sucunduri Ocorrência manganês 13 231149 8709010 Natividade AS281 Mineração Natical Mina calcário dolomítico 14 217079 8769703 Pindorama do Tocantins AS282 Garimpo granada rodolita 15 298368 8733136 Dianópolis AS305, Fujita Mineração Mina calcário dolomítico 16 296380 8735539 Rio da Conceição AS306 Mina calcário dolomítico 17 308743 8704123 Dianópolis AS39, Pedreira Britacal Mina calcário dolomítico 18 321399 8696626 Novo Jardim AS311, Jazida da Sarp Mina calcário calcitico 19 284409 8721514 Dianópolis AS325A Mina rocha ornamental, brita 20 283185 8720947 Porto Alegre do AS-326, 10Km a NE de Porto Tocantins Alegre-TO Garimpo manganês 21 215642 8679920 Natividade AS19, Garimpo do Príncipe Garimpo ouro 22 215761 8679816 Natividade AS20, Garimpo do Príncipe Garimpo ouro 23 206354 8713943 Natividade AS202, Morro do Mutum, Mineração Nativa Mina calcário dolomítico 24 200018 8714045 Chapada de Natividade AS43, Garimpo Chapada Garimpo ouro 25 202635 8717711 Chapada de AS44, Garimpo Terra Natividade Vermelha Garimpo ouro 26 219142 8754331 Pindorama do AS84, cercanias Rbeirão Tocantins Aldeia Ocorrência caulim 27 199037 8758012 Pindorama do Tocantins AS128, E do Rio Formiga Ocorrência turmalina preta 28 209250 8753078 Pindorama do PC69A, 16km a S de Tocantins Pindorama-TO Ocorrência cianita, granada 29 194866 8759472 Pindorama do AS130B, cercanias Córrego Tocantins Taboca Ocorrência manganês 30 194491 8758523 Pindorama do Tocantins PC53B Ocorrência manganês 31 276897 8721511 Pindorama do Tocantins PC153A Ocorrência manganês 32 210050 8677920 Natividade PC99B Ocorrência cianita 33 201512 8744304 Natividade AS170 Garimpo cianita 136 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.1 – Mapa de distribuição das estações de amostragem geoquímica da Folha Dianópolis-TO. O planejamento da amostragem nas diversas coleta da amostra de sedimento de corrente nos microbacias baseou-se na sua distribuição regional, trechos da drenagem favoráveis e concentradores tendo sido englobada a diversidade de tipos naturais (curvas, corredeiras, cachoeiras, marmitas). litológicos. De modo geral, predominaram estações O material foi concentrado e classificado no campo. de amostragem cuja área de influência ocupa uma Para tanto, foi utilizado um conjunto de peneiras dimensão inferior a 100 km2. Algumas estações de formado pelas malhas #4, #8, #16, #28 mesh e amostragem ficaram mais restritas, abrangendo uma bateia (Figura 5.4). Todas as informações sobre área de cobertura em torno de 10 km2. as estações de amostragem foram registradas em fichas de campo para posterior arquivamento, 5.2.1 - Método de Trabalho juntamente com os resultados analíticos, na base de dados geoquímicos da CPRM no GEOBANK. Os dados 5.2.1.1 - Trabalho de Campo analíticos produzidos poderão ser disponibilizados no formato original, de forma que possam ser Este levantamento consistiu em coleta retomados e reinterpretados. sistemática de sedimentos ativos de corrente e concentrado de bateia. A amostragem seguiu os procedimentos padrão, iniciando com o planejamento da amostragem, adotando densidade média de amostragem de 1 amostra/15 km2, com adensamento de até 5 km2 . As amostras de sedimento de corrente foram coletadas em trechos retilíneos ao longo do leito ativo das drenagens, de forma composta, em 5 a 10 porções dentro de um raio máximo de cerca de 50 metros. Após a coleta, as amostras foram acondicionadas em embalagens adequadas (sacos de pano e plásticos), para minimizar os riscos de contaminação (Figuras 5.2 e 5.3). As amostras de concentrados de bateia foram coletadas de forma pontual, a partir de 20 litros de material aluvionar obtidos logo abaixo do ponto de Figura 5.2 – Amostra de sedimento de corrente. 137 CPRM - Programa Geologia do Brasil misturada a 3 ml de água régia, caracterizada por partes de ácido clorídrico (HCl), ácido nítrico (H2NO3) e água na proporção de 2-2-2. A mistura da polpa da amostra com a água régia é feita sob o aquecimento em chapa aquecedora a 95°C durante 1 hora. Após a digestão com os ácidos, o extrato originado é diluído a 10 ml de água. Os extratos são, então, submetidos à análise em ICP-OES e ICP-MS (emissão óptica com plasma indutivamente acoplado e espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado, respectivamente) para 50 elementos químicos. Tais elementos e seus respectivos limites de detecção são apresentados na Tabela 5.3. O pacote utilizado Figura 5.3 – Detalhe da preservação da amostra para análise foi ICM14B. As amostras coletadas no embasamento foram reanalisadas pelo método Fire- assey. 5.2.1.3 - Análises Mineralométricas As 535 amostras de concentrado de bateia foram enviadas inteiras também para o laboratório SGS GEOSOL®, peneiradas, separadas em líquido denso (bromofórmio) e analisadas para mineralometria. As frações obtidas seguiram para o estudo analítico através de lupa binocular e microscópio (análise semi-quantitativa) na fração média (entre 0.4 e 0.7 mm), com média de peso de 30 gramas/amostra. Os minerais foram, então, separados e quantificados em porcentagem no total Figura 5.4 – Detalhes do kit de pesquisa utilizado na da amostra analisada. amostragem de concentrado de bateia. 5.3 - RESULTADOS OBTIDOS 5.2.1.2 - Analises Químicas 5.3.1 - Concentrado de Bateia As amostras de sedimento de corrente foram tratadas integralmente pelo laboratório Os minerais de interesse econômico SGS GEOSOL®, ou seja, além da análise química, encontrados na área foram ouro, rutilo, scheelita, o tratamento físico das amostras, tal como o cromita, barita e cassiterita, minerais ferrosos (pirita, peneiramento, foi realizado também pelo mesmo calcopirita, pirita limonitizada, magnetita, hematita, laboratório. Este procedimento evita a possibilidade ilmenita e limonita) minerais de titânio (anatásio e de contaminação das amostras por manuseio e leucoxênio) e minerais fosfáticos (apatita, xenotímio, exposições das mesmas por terceiros. Assim, estas florencita, goyazita e monazita). amostras foram secadas a 60°C em estufas, seguidas O ouro foi identificado em 3 frações distintas: de quarteamento e, posteriormente, peneiradas <0,5mm, entre 0,5 e 1mm e >1mm. Na primeira fração em malhas com abertura < 80 mesh (< 0,175 mm). foram coletadas mais de 50 pintas nas amostras Ressalte-se que após a secagem, quando da presença GIS 692, GIS 710 e GIS 708, GIU 770 e GIU 769; na de torrões (aglomerados de tamanho acima de segunda fração foram coletados até 7 pintas nas 8 mm), estes eram desagregados (destorroados) amostras GIU 995 e até 4 pintas na terceira fração, para evitar o “efeito pepita” verificado em alguns na amostra GIU 784. A distribuição da localização elementos analisados. do número de pintas coletados na folha pode ser Após o tratamento físico, as polpas peneiradas visualizado na figura 5.5. (< 80 mesh) de cada amostra, foram submetidas Os locais com maior número de pintas à pulverização e digestão com água régia. Para correspondem predominantemente às faixas este procedimento, foi utilizado 0,5 gr de amostra metavulcano-sedimentares. As ocorrências próximas 138 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Tabela 5.3 – Elementos analisados e seus respectivos limites inferiores e superiores de detecção pelo método ICM14B. Elemento Unidade Limite inferior de detecção Limite superior de detecção Ag PPM 0,01 10 Al % 0,01 1 As PPM 1 1% Au PPM 0,1 100 B PPM 10 1% Ba PPM 5 1% Be PPM 0,1 1% Bi PPM 0,02 1% Ca % 0,01 15 Cd PPM 0,01 1% Ce PPM 0,05 0,10% Co PPM 0,1 1% Cr PPM 1 1% Cs PPM 0,05 0.1% Cu PPM 0,5 1% Fe % 0,01 15% Ga PPM 0,1 1% Ge PPM 0,1 1% Hf PPM 0,05 0,05% Hg PPM 0,01 1% In PPM 0,02 0,05% K % 0,01 15 La PPM 0,1 1% Li PPM 1 5% Mg % 0,01 15 Mn PPM 5 1% Mo PPM 0,05 1% Na % 0,01 15 Nb PPM 0,05 0,10% Ni PPM 0,5 1% P % 50 1% Pb PPM 0,2 1% Rb PPM 0,2 1% Re PPM 0,1 1% S % 0,01 5 Sb PPM 0,05 1% Sc PPM 0,1 1% Se PPM 1 0,10% Sn PPM 0,3 0,10% Sr PPM 0,5 1% Ta PPM 0,05 1% Te PPM 0,05 0,10% Th PPM 0,1 1% Ti % 0,01 15 U PPM 0,05 1% V PPM 1 1% W PPM 0,1 1% Y PPM 0,05 1% Zn PPM 1 1% Zr PPM 0,5 1% 139 CPRM - Programa Geologia do Brasil à cidade de Almas correspondem ao Riachão do amostradas com conteúdo de até 25% do total dos Ouro, que drena rochas da Formação Córrego pesados. Xenotímio, florentina e goyazita estão Paiol (Gr. Riachão do Ouro). Esta região é favorável presentes em 3%, 1% e 1% das drenagens da folha às mineralizações, pois coincidem com a zona respectivamente, em proporção menor que 1%, de cisalhamento de Almas e rochas anfibolíticas. de forma que estes minerais podem fazer parte As ocorrências próximas à Natividade-TO estão da assembleia de minerais acessórios nas rochas localizadas no Ribeirão Água Suja e seus afluentes ígneas ácidas que ocorrem na região. Os minerais de que drenam a Formação Córrego Salobro (Gr. Água titânio, como anatásio e leucoxênio estão presentes Suja). Esta região é propícia para mineralizações em 38% e 24% das drenagens da folha, e ocorrem por sofrer influência da zona de cisalhamento de com conteúdo de até 25% do total dos pesados. Os Natividade e ser constituída por metapelitos (xistos) e minerais ferrosos como hematita ocorrem em 13% metassedimentos químicos. Outras duas ocorrências das drenagens com conteúdo de até 5% do total dos em destaque ocorrem no Rio das Pedras, que drena pesados. Ilmenita, magnetita e limonita ocorrem a Formação Córrego Salobro e metagranitoides em 90% das drenagens amostradas, com conteúdo da Suíte Aurumina. A figura 5.5 destaca as bacias entre 50-75% do total dos pesados. Pirita, calcopirita hidrográficas relacionadas, com locais anômalos em e pirita limonitizada estão presentes em 5%, 2% e pintas de Au. 38% das estações com conteúdos até 25% do total A área de maior potencialidade com dos pesados. Dos minerais metamórficos, silimanita, anomalias de primeira (46-90 pintas Au) e segunda cianita e estaurolita ocorrem em 1%, 60% e 80% das ordens (23-45 pintas Au), corresponde à faixa Fm. drenagens amostradas com conteúdo em média de Córrego Paiol, de direção NNE, situada à E e SW de 25% do total dos pesados. Almas. A Mina do Paiol está inserida nesta faixa. O rutilo está presente em 100% das 5.4 - TRATAMENTO GEOESTATÍSTICO estações com conteúdos de até 25% do total dos pesados. Scheelita e cromita ocorrem em 2 e 7% 5.4.1 - Grandes Compartimentos da área em proporção menor que 1% do total dos pesados. Cassiterita e barita ocorrem em 1 e 9% Foram selecionados para o tratamento da área em proporção menor que 1% do total dos estatístico convencional (estatística univariada), pesados. Dos minerais fosfáticos, a monazita e 31 elementos. Os estimadores estatísticos são a apatita ocorrem em 51% e 14% das drenagens apresentados nas tabelas 5.4 e 5.5. Figura 5.5 – Mapa de localização das bacias anômalas para pintas de ouro em concentrado de bateia da folha Dianópolis-TO. 140 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Tabela 5.4 – Sumário estatístico dos dados não selecionados para análise multivariada. Tabela 5.5 – Sumário estatístico dos dados selecionados para análise multivariada. 141 CPRM - Programa Geologia do Brasil Os elementos que mostraram baixo grau que valores iguais ou maiores que 0,70 entre duas de detecção, ou seja, apresentaram mais de 50% variáveis, no caso, entre dois elementos, possuem das amostras abaixo do limite detecção não serão correlação elevada; valores entre 0,69 e 0,50 considerados nos tratamentos estatísticos que possuem correlação mediana e valores menores exijam correlações de valores, tampouco em análises que 0,50 possuem correlação não significativa. estatísticas multivariadas; são eles: Ti, Yb, Bi, Li, Be, Entretanto, devido ao grande número de variáveis, Tl, Cd, As, Ag, Na, Hf, W, Hg, Te, Ge, In e S. torna-se difícil a visualização e determinação de tais grupos, principalmente com relação à interpretação 5.4.2 - Mineralizações das associações geoquímicas, pois estas possuem diferentes formas de ocorrência. Para tanto, foi Foram separadas 412 alíquotas localizadas utilizada a estatística multivariada, com a análise no embasamento para reanálise pelo método fire- de fatores que melhor expressa variância de um assey. O tratamento para este conjunto de amostras sistema. Além disso, esta análise é utilizada para visou contribuir no entendimento das ocorrências reduzir o número de variáveis em pequenos números principalmente de ouro na região. de índices, preservando as relações presentes nos dados originais. 5.4.3 - Interpretações dos dados segundo a estatística univariada e multivariada 5.4.3.1 - Análise multivariada Para a interpretação dos dados geoquímicos, A tabela 5.6 mostra a segregação dos elemen- foram utilizadas as análises estatísticas de correlação tos em função da análise dos fatores responsáveis (bivariada) e de fatores (multivariado). A análise pela variância das amostras de sedimento de cor- de correlação pode informar o grau de afinidade rente nos grandes compartimentos geoquímicos. A de um elemento com os demais, podendo- tabela 5.7 apresenta a segregação dos elementos nas se determinar agrupamentos com afinidades mineralizações. Os valores das amostras de ambas as geoquímicas semelhantes. Para tanto, considerou-se matrizes foram padronizados em escala logarítmica. Tabela 5.6 – Segregação de fatores para amostras de sedimento de corrente. Os valores em vermelho mostram as melhores correlações. Fator1 Fator2 Fator3 Fator4 Fator5 Bi 0,16 0,13 0,75 0,21 0,1 Ce 0,32 0,92 -0,03 0,08 0,05 Co 0,91 0,18 0,19 0,05 0,02 Cr 0,81 0,21 0,06 0,24 0,23 Cu 0,72 0,13 0,23 0,10 0,20 Mg 0,80 0,3 0,1 0,14 -0,09 Mn 0,77 0,23 -0,18 0,08 0,32 Mo 0,30 0,05 0,17 -0,03 0,85 Na 0,34 -0,15 -0,02 -0,09 0,17 Ni 0,91 0,14 0,22 0,08 0,11 Pb 0,73 0,40 0,21 -0,08 -0,11 Fe 0,80 0,16 0,08 0,06 0,44 Zn 0,27 0,18 0,01 0,88 -0,01 Th 0,25 0,91 0,04 0,10 0,02 Cd 0,63 0,02 -0,24 -0,16 -0,24 Sb 0,30 -0,19 0,76 -0,20 0,08 La 0,30 0,92 -0,05 0,08 0,05 Expl.Var 6,38 3,13 1,5 1,04 1,41 Prp.Totl 30% 15% 7% 5% 7% 142 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Tabela 5.7 – Segregação de fatores para amostras de de correlação para Co-Cr-Cu-Fe-Mn-Pb-Mg-Ni. sedimento de corrente das mineralizações. Estes elementos constituem uma associação geoquímica notadamente presente em rochas máfico-ultramáficas associadas ao Grupo Riachão do Ouro, Sequência Água Suja e Complexo Máfico- Ultramáfico Gameleira, além de vulcânicas máficas vinculadas à Formação Monte do Carmo. O fator 2 possui 15% da variância do sistema e exibe Ce-La- Th com valores significativos de correlação. Mostra uma associação geoquímica típica de granitóides ou de tipos (meta/diatexitos) provenientes de granitoides relacionados ao Complexo Almas- Cavalcante, Suíte Aurumina e Granito Serra do Boqueirão. Os demais fatores não serão abordados por representarem menos do que 10% da variância dos dados. A seguir serão apresentados os mapas de distribuição dos elementos selecionados pela No primeiro caso, 5 fatores são responsáveis estatística multivariada para amostras de sedimento por 64% da variância do sistema. Foi considerado de corrente (bacias anômalas), a qual agregou as valor significante de correlação dos elementos com principais associações geoquímicas da área, figuras o fator a partir de 0.70. A análise foi calibrada com 5.6 e 5.7. a rotação Varimax normalizada, a qual apresenta Para o conjunto de amostras analisados as melhores correlações das variáveis (no caso, os por Fire-assey o fator 1 explica 20% da variância elementos) em relação aos fatores. do sistema e se encontra marcado por melhores No primeiro caso, em amostras de sedimento correlações para La-Th~Ge-Au, o fator 2 explica 18% de corrente, o fator 1 explica 30% da variância do com os elementos Hg-Te~Sb, fator 3 explica 14% sistema e se encontra marcada por altos valores contendo As~Au e o fator 4 explica 11% para o S. Figura 5.6 – Mapa da área de estudo mostrando as bacias anômalas para associação de elementos do Fator 1 (Co-Cr-Cu-Mg-Mn-Ni-Pb-Fe). Cada bacia é caraterizada por uma ou mais amostras anômalas, interpretadas em primeira, segunda e terceira ordens de relevância. 143 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.7 – Mapa contendo as bacias anômalas para associação de elementos do Fator 2 (Ce-La-Th). Cada bacia é caraterizada por uma ou mais amostras anômalas interpretadas em primeira, segunda e terceira ordem de relevância. As bacias anômalas com forte correlação no fator 1 (em vermelho a SE) estão sob influência dos granitóides diatexíticos e metatexíticos do Complexo Almas Cavalcante, máficas da Suíte Serra do Boqueirão e faixas supracrustais metavulcanossedimentares Grupo Riachão do Ouro. O conjunto de bacias anômalas a SW estão relacionadas aos granodioritos peraluminosos da Suíte Aurumina e fácies do Grupo Natividade. O conjunto de bacias anômalas a NW estão associadas aos granitóides peraluminosos da Suíte Aurumina, vulcânicas máficas da Formação Monte do Carmos, granitóides da Suíte Manuel Alves e metassedimentos da Sequência Água Suja (Fm. Córrego Salobro). As bacias anômalas no centro e SE da área compreendem metassedimentos do Grupo Natividade, granitóides peraluminosos da Suíte Aurumina, granitóides meta a diatexíticos do Complexo Almas-Cavalcante, granitóides Serra do Boqueirão, Grupo Bambuí (Fm. Serra de Santa Helena) e Grupo Urucuia (Fm. Posse). A figura 5.8 mostra a os elementos químicos associados ao ouro em depósitos orogênicos de acordo com a profundidade de formação, e que Figura 5.8 – Representação esquemática dos ambientes podem explicar as correlações para os Fatores 2 e 3. crustais de depósitos de ouro hidrotermais, em termos de As figuras 5.9, 5.10, 5.11 mostra as áreas com forte profundidade de formação e estruturas deformacionais em correlação para os fatores 1, 2 e 3. ambiente convergente de placas (GROVES et al., 1998). 144 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.9 – Áreas com forte correlação do Fator 1. Esta correlação de elementos deve ser associada com sistemas mineralizantes magmáticos (Intrusion Related). Figura 5.10 – Áreas com forte correlação do Fator 1. Esta correlação de elementos deve ser associada com depósitos orogênicos epizonais e mesozonais. 145 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.11 – Áreas com forte correlação do Fator 1. Esta correlação de elementos deve ser associada com depósitos orogênicos hipozonais. 5.3 - RECURSOS MINERAIS Campanhas de exploração mineral por parte de companhias mineradoras - DOCEGEO (PADILHA, 5.3.1 - Introdução 1984) e METAGO de 1977 a 1989, culminaram com a delimitação da jazida aurífera Córrego Paiol. Os recursos minerais visitados na área foram Na década de 90 e décadas subsequentes, levantados a partir da integração dos dados de campo e estudos acadêmicos refinaram o entendimento da geoquímicos. Foram descritos jazimentos relacionados evolução tectono-estrutural, de alteração hidro- ao grupo de minerais metálicos (manganês), metais termal e de controle estrutural das mineralizações preciosos (ouro), minerais não-metálicos (minerais nos complexos TTG e nas faixas de greenstone-belts industriais – calcários, pedra britada, areias, argilas, da região de Almas-Dianópolis, principalmente do caulim e gemas), além de indícios geoquímicos para depósito Córrego Paiol (ALVAREZ, 2006; ARAUJO ouro, rutilo, cassiterita, minerais ferrosos (pirita, FILHO; KUYUMJIAN, 1996; BORGES, 1993; CÔRREA calcopirita, pirita limonitizada, magnetita, hematita, OLIVEIRA; VIDOTTI, 2015; CRUZ, 1993, 2001; CRUZ; ilmenita e limonita), minerais de titânio (anatásio e KUYUMJIAN, 1999, 2006; FERRARI; CHOUDHURI, leucoxênio) e minerais fosfáticos (apatita, xenotímio, 2000, 2004; GUIMARÃES, 2003; KUYUMJIAN; ARAU- florencita, goyazita e monazita). JO FILHO, 2005; KUYUMJIAN et al., 2012; LACERDA, 1990; OLIVEIRA et al., 2012; QUEIROZ, 2001; SILVA, 5.3.2 - Ouro 1987; SILVA; SOUZA; FERREIRA, 1990). A região da Folha Dianópolis (SC.23-Y-C) é classificada como A ocupação primitiva desta região remonta uma das principais províncias/depósitos auríferos da atividade extrativa de ouro no século XVIII pelos pré-cambrianos do Brasil (DARDENNE; SCHOBBE- bandeirantes. Os primeiros trabalhos de mapeamento NHAUS, 2001; SCHOBBENHAUS; COELHO, 1988;). geológico regional nas décadas de 70 e 80 noticiaram A base de dados de projetos da CPRM apresenta a diversidade litológica da região, além da presença cerca de 110 jazimentos de ouro cadastrados, sen- de faixas vulcano-sedimentares do tipo greenstone- do 54 ocorrências minerais, 49 garimpos, e 7 minas belts e terrenos granito-gnaíssico-migmatíticos (CORREIA FILHO; SÁ, 1980; CPRM, 1998; LEITE; ME- hospedeiros de mineralizações auríferas (CORREIA TELO, 1997; RADAELLI, 2000; SÁ, 1982). Este qua- FILHO; SÁ, 1980; COSTA et al., 1976; COSTA, 1985; dro evidencia o elevado potencial mínero-industrial GORAYEB et al., 1984; NILSON; VALLE, 1973). para ouro da Folha Dianópolis. 146 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis A produção nacional de ouro em 2017 gravitou Na época de visitação do depósito (julho, 2012, em torno de 83 ton., correspondentes a 3,7% das re- figura 5.12), a empresa Rio Novo Mineração estava servas e 2,1% da produção mundiais. A produção bra- prospectando e viabilizando o projeto. O pit da mina sileira é registrada em jazidas e aluviões e atende ao se encontrava alagado, de forma que apenas tivemos mercado externo e interno, Fonte: DNPM-GO/2018. acesso aos testemunhos de sondagem. Segundo os As ocorrências auríferas primárias da Folha geólogos a mineralização esta relacionada a veios de Dianópolis distribuem-se em veios de quartzo en- quartzo encaixados em rocha metavulcânica máfica contrados em zonas de cisalhamento em associação hidrotermalizada e milonitizada, representada por com processos de alteração hidrotermal (Grupos Ria- clorita quartzo xisto piritoso dobrado, com foliação chão do Ouro e Água Suja, além de metagranitóides principal de atitude N05W°/50°SW. do Complexo Almas Cavalcante e Suíte Aurumina). As porções de maior teor são caracterizadas por Desta forma, as estruturas representadas por zonas rochas de cores mais claras que correspondem às zonas de cisalhamento anastomosadas e falhas transcor- hidrotermais proximais (zona sericitica piritosa) com se- rentes, constituem o controle das mineralizações em ricitização, silicificação, sulfetação, albitização e carbo- escala regional, sendo os tipos de rochas encaixantes natação (ankerita). As zonas intermedárias e distais são o controle local da deposição de ouro. O ouro secun- caracterizadas por intensos processos de sericitização dário ocorre em aluviões, eluviões, depósitos laterí- e cloritização, respectivamente. No Intervalo de 120 a ticos e detrito-lateríticos. 125 m foi constatado teor de até 7,8 g Au/ton. Os trabalhos de Alvarez (2006), Côrrea, Oliveira Num contexto maior, o depósito está localizado e Vidotti (2015), Cruz e Kuyumjian (1999), Kwitko et no interior de uma faixa de aproximadamente 2,1 km al. (1995), Queiroz , Kotschoubey e Lafon (2001) mos- de largura (Zona de Cisalhamento de Almas), que está tram modelo de depósitos orogênicos do tipo lode limitada por zonas de cisalhamento transpressionais para as ocorrências auríferas que ocorrem na área de direção aproximada NS a NNE, caracterizadas por estudada. Segundo Groves et al. (1998) os Orogenic combinações de rejeito direcional e encurtamento. Gold Deposits são gerados por processos deformacio- Os testemunhos exibem veios de quartzo de nais compressionais a transpressionais em ambien- espessuras variáveis (milimétricos a decimétricos) tes de margem de placas convergentes em orógenos que cortam ou são subparalelos ao bandamento acrescionais ou colisionais. metamórfico e a foliação principal. A morfologia A seguir serão feitas descrições das principais sigmoidal dos veios evidencia zonas de cisalhamento características observadas nos jazimentos auríferos dúcteis-rúpteis (Figura 5.12). A interpretação é de visitados, nos distritos de Almas-Dianópolis e Nativi- que os veios estejam relacionados com zonas de dade. A tabela 5.8 sintetiza os tipos de ocorrência de dilatação associadas à foliação principal, e que estas ouro encontrados na bibliografia. estruturas foram geradas por falhas transpressionais durante a Fase 1 do evento (D2). 5.3.2.1 - Distrito de Almas-Dianópolis Garimpo Vira Saia (NR 2 - UTM 264892/8709408) Foi visitada uma antiga cava abandona- da dentro da cidade de Dianópolis (NR 3 – UTM A visitação deste jazimento também foi acom- 301910/8714125). A equipe do projeto não teve panhada pelos geólogos da empresa Rio Novo Mi- acesso à área, que estava cercada. neração e de garimpeiros que atuavam no local. A mineralização encontra-se disseminada em boudins Mina do Paiol (NR 1 – UTM 265157/8705875) de quartzo leitoso, hialino, fumê e às vezes sacaroi- dais, encaixados em filonitos de quartzo sericita xisto Existe considerável número de publicações (ultramilonitos). O protólito da rocha hospedeira são sobre diversos aspectos da mineralização da Mina metagranitóides miloníticos da unidade ortognáissi- do Paiol (ALVAREZ, 2006; CRUZ, 1993; CRUZ; KUYU- ca-granítica (PP12gr) do Complexo Almas Cavalcante, MJIAN, 1999; CRUZ, 2001; CRUZ; KUYUMJIAN, 2006; que mostram processos de sericitização e silicifica- FERRARI; CHOUDHURI, 2004; KWITKO et al., 1995). ção principalmente (Figura 5.13). As estruturas em Kuyumjian et al. (2012) resume que o anfibolito rico boudins estão inseridas nos planos da foliação, e o em ferro da Formação Córrego do Paiol foi submetido ouro associa-se com pirita e calcopirita com varia- à carbonatação, sericitização, silicificação, sulfetação ções no teor conforme o tipo de quartzo. No quartzo e, subordinadamente, albitização, cloritização, tur- leitoso o teor é em torno de 5 g Au/ton., no quartzo malinização e epidotização, em zona de cisalhamento hialino é de 4 a 6 g Au/ton., no quartzo fumê é de 7 dextral N20E°/70°NW, na intersecção com zona de ci- a 10 g Au/ton., e no quartzo sacaroidal é de até 20 salhamento NS e na intersecção da foliação milonítica g Au/ton., segundo informações do garimpeiro em penetrativa (Sn+1) com falhas extensionais (Sn+2). atividade na área, figura 5.13. 147 CPRM - Programa Geologia do Brasil 148 Tabela 5.8 – Tipologia das ocorrências de ouro na Folha Dianópolis. Garimpo/ Rocha Alteração Mineral/minério/ Região Hospedeira Estrutura Hidrotermal Tipo de Mineralização Paragênese Olavo2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. Arroz2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., Au- Veios de quartzo leitoso e N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. enfumaçado Refresco2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. Juí2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. Tapuias2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., Au-veios de quartzo marrom-róseo e turmalina, py e mica N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. material marrom-escuro pulverulento branca Quincas2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. Vieira2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. Getúlio2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. Buzina2 Anfibolito (Grupo Riachão do Ouro) Zonas de Cisalhamento Carb., Seri., Sili., Sulf. Alb., N10-30°E e N20-40°W Clori. Turm. e Epid. Gerseu2 BIF (Grupo Riachão do Ouro) Interseção de faixas de carbonatização e brechação Au-veios de quartzo de 30 a 80 cm de greenstone NE e NW espessura Cajazeira2 BIF (Grupo Riachão do Ouro) Au-veios de qtz+turmalina Vira-Saia II TTG Zonas de cisalhamento Au-veios de quartzo leitoso e (ou do Baiano)2 N50-70°E enfumaçado ou quartzo-carbonato no centro Pedro d’Ávila1 TTG Zonas de Cisalhamento Caolinização e Sericitização Au-Veios de quartzo ou quartzo-N50°-70°W carbonato Vira Saia I1 TTG Zonas de Cisalhamento Caolinização e Sericitização Au-Veios de quartzo ou quartzo-N30°W carbonato Lagartixa1 TTG Zonas de Cisalhamento N40°-70°E Caolinização e Sericitização Au-Veios de quartzo ou quartzo- carbonato Misericórdia1 TTG Zonas de Cisalhamento Caolinização e Sericitização1 Au-Veios de quartzo ou quartzo- N40°-70°E carbonato Santo Elias1 TTG Zonas de Cisalhamento Caolinização e Sericitização1 Au-Veios de quartzo ou quartzo-N40°-70°E carbonato Lavrinha1 TTG Zonas de Cisalhamento Caolinização e Sericitização1 Au-Veios de quartzo ou quartzo-N10°E carbonato Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 149 Tabela 5.8 – Continuação. Garimpo/ Rocha Alteração Mineral/minério/ Região Hospedeira Estrutura Hidrotermal Tipo de Mineralização Paragênese Terra Vermelha1 TTG Zonas de Cisalhamento N30°E Caolinização e Sericitização 1 Au-Veios de quartzo ou quartzo- carbonato Garrafas1 TTG Zonas de Cisalhamento Caolinização e Sericitização1 Au-Veios de quartzo ou quartzo-NS carbonato Fazenda Metatufo andesítico (Grupo Foliação milonítica N40°E/55°NW e Au – quartzo-clorita xisto Elegante1 Riachão do Ouro) N10°E/70°NW feldspático Sericita-quartzo-carbonato-clorita xisto (metatufo andesítico?), Veios de até 10 metros de Garimpo do clorita-sericita quartzo xisto Urubú (Serra da (metavulcânica ácida?) e Zona de quartzo leitoso sacaroidal espessura e até 80 metros de comprimento. Localmente Porteira) 1 e 2 magnetita-sericita quartzito na forma de charuto NE boudinados e/ou bifurcados em (formação ferrífera?) Grupo Y Riachão do Ouro Morro do Carneiro2 Turmalina quartzito Morro do Urubú2 metarenito argilo-ferruginoso Príncipe3 Granito Príncipe (Suíte Aurumina- Zonas de cisalhamento rúpteis- dúcteis de orientação Hidrólise,Seri,Clori,Saus, Sili, Au - de veios de quartzo, qtz-carbonato-py- Fácies Au2) Biot, Clor, Carb, Sulf. carbonato, sulfetos e ouro. cpy-galena-pirrotita-N10W°/N20°E esfalerita-ouro Chapada de Metassedimentos Grupo Água Suja Zonas de cisalhamento Muscovitizaçã, Epid., Finamente disseminados nos Pirrotita-py- Natividade4 N30°E Silicificação veios de quartzo e nas rochas cpy-esfalerita-miloníticas arsenopirita Lineamento Zonas de dilatação de empurrões Evolução da alteração Mica branca, grafita, de Chapada de Biotita-xistos do Grupo Água Suja de baixo ângulo NNE-SSW, e hidrotermal são o aumento de Veios de quartzo laminados e Natividade5 dobras em bainha (eixo com SiO2 e K2O, acompanhados zonas venuladas py, pirrotita, cpy e mergulhos suaves para SW ou NE pela diminuição de Na2O e CaO arsenopirita Legenda: Carb= Carbonatação; Seri.= Sericitização;Sili.= Silicificação; Sulf.= Sulfetação; Alb.= Albitização; Clori.= Cloritização; Turm.= Turmalinização; Epid.= Epidotização; Saus= Saussutirização/qzt= quartzo; py= pirita; cpy= calcopirita. Fonte: Kuyumjian e Araujo Filho (2005)1; Kuyumjian et al. (2012)2; Côrrea (2014)3; Queiroz, Kotschoubey e Lafon (2001)4; Guimarães (2003)5. CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.12 – (A) Vista panorâmica do lago sobre a mina do Paiol. (B) Amostra de testemunho de sondagem da Mina do Paiol da Rio Novo Mineração, furo FPD-004. Metavulcânica máfica hidrotermalizada encaixante da mineralização. Veios de quartzo compõem níveis sigmoidais descontínuos. (C) Detalhe de sulfetos (principalmente pirita) em veio de quartzo. (D) Variações nas espessuras dos veios de quartzo nas metavulcânicas máficas. Os boudins de quartzo foram desenvolvidos mos ao povoado do Príncipe. Estão localizados em em zonas de aberturas relacionadas a geração da zona ou halo de alteração hidrotermal, bem delimi- foliação milonítica de uma zona de cisalhamento com tada na imagem aerogamaespectométrica ternária componente oblíqua de direção N40°W e mergulho RGB, na extremidade norte do corpo batolítico do para SW. Informações sobre geologia e prospecção Príncipe da Fácies Granodiorítica a Monzogranítica deste jazimento podem ser reportadas em Ferreira (PP2g2au2) da Suíte Aurumina. O garimpo do ponto (2015). AS-20 (NR 21) apresentavam dois shafts com pro- fundidades em torno de 50 e 60 metros alinhados 5.3.2.2 - Distrito de Natividade na direção NS. A rocha hospedeira é um metagrani- tóide hidrotermalizado com processos proximais de Garimpos do Príncipe (NR 21 – 215642/8679920; NR biotitização, sericitização, silicificação e sulfetação 22 – 215761/8679816) (pirita, calcopirita e pirrotita). Os veios observados em blocos soltos são brancos a esfumaçados, por Foram visitados dois garimpos (julho 2012), vezes sigmoidais e mostram processos de sulfeta- um ativo (NR 21) e outro paralisado (NR 22), próxi- ção de borda. 150 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.13 – (A) Shaft no garimpo Vira Saia. (B) Frente do garimpo Vira Saia mostrando o metagranitóide milonítico silicificado encaixante da mineralização. (C) Detalhe do veio boudinado mineralizado. A foliação tem atitude 230°/75°NE, e a lineação tem caimento de 70°/290°NW. (D) Desenho esquemático mostrando as relações dos veios com a estruturação da rocha. O método de extração é rudimentar (Figura obstáculo para o hidrotermalismo e deformação, ori- 5.14), e segundo os garimpeiros os veios de maior ginando sombras de pressão regionais em suas extre- porte apresentam entre 10 e 30 cm de espessura e midades (ao norte e a sul do batólito), que atuaram estrutura subvertical. A extração normalmente varia como traps estruturais para o minério. Informações de 15 a 20g de Au por dia e a mineralização é descon- sobre geologia e inclusões fluidas deste jazimento tínua ao longo dos veios. podem ser vistas em Côrrea, Oliveira e Souza (2014) A interpretação é que os fluidos hidrotermais e Grazziotin e Koutschoubey (2000). No ponto AS-17 se alojaram em sistemas de veios associados às zonas (Figura 5.16) ocorrem veios multidirecionais em meta- de cisalhamento dúcteis-rúpteis de direções N10°W- granitóide do Complexo Almas-Cavalcante que cortam -NS-N20°E (Figuras 5.15 a, b). Côrrea (2014), Côrrea a foliação de direção N30° - 40°E. A rocha exibe pro- e Oliveira (2014) e Côrrea, Oliveira e VBidotti (2015) cessos hidrotermais de epidotização e sericitização e identificaram que o Granito Príncipe atuou como um alguns veios apresentam sulfetos alterados. 151 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.14 – (A) Shaft e pilha de material estéril no garimpo do Príncipe. (B) Britador e esteira utilizados na separação do ouro pelos garimpeiros. (C) Amostra exibindo os veios de quartzo e a rocha hidrotermalizada a base de biotita e sericita com sulfetos. Medições com gamaespectômetro em blocos soltos revelaram média de 215 cps. (D) Detalhe de sulfetos disseminados no metagranitóide hidrotermal. Figura 5.15 – (A) Disposição e orientação dos shafts e veios do garimpo do Príncipe ao longo de zonas de cisalhamento NS-N20°E. (B) Modelo de sistemas de veios desenvolvidos ao longo das zonas de cisalhamento dúcteis-rúpteis. 152 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.16 – (A) Aspecto e estruturação do sistema de veios complexos multidirecionais associados à mineralização nas zonas de cisalhamento. Notar as alterações de cor amarelo-alaranjadas nos veios relacionadas a processos de sericitização, epidotização e sulfetação. As linhas avermelhadas destacam a foliação de atitude N30°/E subvertical. (B) Desenho esquemático mostrando as relações das estruturas no afloramento. Jazimento da Serra de Natividade tes e garimpeiros da região, embora o resultado da pesquisa preliminar tenha revelado valores menores Trata-se de uma área de pesquisa da Mineração em torno de 0.5 a 1.6g/ton. Em geoquímica de solo Santo Expedito, situado na Serra de Natividade apresentou valores de 400 ppm de Au. A descrição (Fazenda Santo Antônio), sendo a visita conduzida e tipologia deste jazimento pode ser vista em Rodri- pelo geólogo da empresa Luis Rodrigues Neto. Os gues Neto e Oliveira (2012). testemunhos de sondagem observados (total de 100m de profundidade) mostraram principalmente uma Geominas Mineração (NR 8 – 208769/8711501) sequência de magnetita-hematita-carbonato-sericita- clorita xistos hidrotermais miloníticos com teores A mina de ouro da empresa Geominas está de 10 ppm de Au, interpretados como turbiditos localizada próxima a TO-280 no município de Nati- (OLIVEIRA et al., 2012) da Fácies Metapelito-Psamítica vidade, a 12,2 km da cidade homônima. Esta inseri- do Grupo Água Suja (Figura 5.17). da no prolongamento norte da Serra de Natividade, Na Serra de Natividade também afloram cara- onde afloram metassedimentos das porções basal do paças lateríticas com teores estimados em torno de Grupo Natividade, principalmente quartzitos com in- 10 g Au/ton. que foram explorados pelos bandeiran- tercalações de conglomerados, em contato com me- tapelitos do Grupo Água Suja. A recepção na mina foi conduzida pelo gerente Sr. Wilson. Nas frentes de lavra visitadas são observados sericita-quartzitos médios e níveis de conglomera- dos oligomíticos com foliação concordante à da Serra de Natividade (direção N10°-20°E/50°-60°NW). Todo conjunto é muito afetado por sistema de veios de quartzo, centimétricos a métricos, relacionadas a zo- nas de cisalhamento rúpteis a rúpteis-dúcteis de dire- ção N80°-85°W (Figuras 5.18, 5.19 e 5.20). Essas falhas constituem o envelope (superfícies P de Riedel) das fraturas T (tenshion gashes) escalonadas de direção N30°-40°NW. A movimentação das falhas é dextral. Foram observadas estruturas do tipo boxwork com pseudomorfos de sulfetos alterados (Figura 5.21). Figura 5.17 – Aspecto do magnetita-hematita-carbonato- Em uma das frentes de lavra os quartzitos es- sericita-clorita xisto hidrotermal milonítico do testemunho tão extremamente afetados por conjunto de veios e de sondagem da Mineração Santo Expedito. bolsões decamétricos de quartzo com intensa silici- 153 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.18 – (A) Vista geral do afloramento com sistemas de veios associados a falhas N80°E (superfícies P) com desenvolvimento de veios escalonados N40°W (fraturas T). O sistema de veios corta a foliação N15°E. (B) Figura esquemática evidenciando o arranjo do sistema de veios e mostrando a cinemática dextral das falhas. Figura 5.19 – (A) Sistema de veios, centimétricos a métricos, de fraturas T e do envelope das falhas. (B) Figura esquemática mostrando as relações dos veios e a movimentação dextral das falhas. Figura 5.20 – (A) Mais relações entre veios de envelopes de falhas e fraturas T. (B) Figura esquemática ressaltando a geometria e movimentação da falha e veios escalonados. 154 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis ficação, (figuras 5.22). Em alguns locais se observa relacionado a falhas transcorrentes rúpteis a rúpteis- alteração hidrotermal de cor amarela esverdeada e dúcteis dextrais de direção N85W. Tais falhas são de cor escura, que podem representar processos de posteriores ao desenvolvimento da foliação geral sericitização e percolação de fluidos de óxidos-hidró- N10°-20°E, já que cortam tais estruturas. As variações xidos de ferro, (figura 5.23). angulares das superfícies Y e T (modelo de Riedel) Os dados coletados deste jazimento permitem observadas podem estar associadas à rotação do tensor concluir que o sistema de veios mineralizados está compressional σ1. A mineralização apresenta processos Figura 5.21 – Estruturas do tipo boxwork com pseudomorfos cúbicos de sulfeto alterado. Figuras 5.22 – (A) e (C) Vista geral dos veios decamétricos afetando os quartzitos. (B) e (D) Detalhe do contorno dos veios e bolsões de quartzo. 155 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.23 – (A) Sistemas de veios escalonados. Notar a coloração amarelo esverdeada e de cor escura das alterações hidrotermais. (B) Detalhe da geometria curvilínea dos veios. de alteração hidrotermal por sericitização, sulfetação e centimétricas, de 30 a 50cm, bandados, alojados em percolação de soluções de óxido-hidróxidos de ferro. rochas metavulcânicas ácidas hidrotermalizadas do Grupo Água Suja e no granito porfirítico Xobó. Garimpo de Chapada de Natividade (NR 24 – A paragênese mineral é representada por 200018/8714045) quartzo, biotita, clorita, sericita, pirita e arsenopirita. Os teores variam entre 1,3 a 3 g/m3 de Au nos veios No garimpo de Chapada, as mineralizações de quartzo e nos xistos biotitíticos de 1 a 1,5 g/m3 de auríferas estão associadas a uma serie de veios de Au, segundo dados obtidos junto à Associação dos quarto subparalelos de direção geral N10°-30°E, re- Garimpeiros de Natividade. lacionados ao desenvolvimento do sistema de zo- nas de cisalhamento transcorrentes de Natividade, Garimpo Terra Vermelha (NR 25 – 202635/8717711) (figuras 5.24). Segundo Queiroz, Kotschoubey e Lafon (2001) O garimpo estava paralisado na época de vi- estas mineralizações ocorrem associadas a quartzo- sitação (julho 2012). Situado 4,5 Km a nordeste do -biotita xistos e metadacitos da Sequência Água Suja, Garimpo de Chapada e no mesmo alinhamento do cortados por veios e bolsões de granito pegmatóide sistema de lineamentos de direção geral N10°-30°E, a a aplítico, leucocrático, associado à Suíte Xobó. mineralização aurífera também está associada a veios Essas rochas foram afetadas por intensos de quartzo paralelos a foliação milonítica de direção movimentos transcorrentes de direção geral N30E. As rochas hospedeiras hidrotermais são biotita- N30E que resultaram numa zona de cisalhamento -sericita-clorita-quartzo xistos miloníticos do Grupo hospedeira de um sistema complexo e anastomosado Água Suja, além de veios e injeções pegmatíticas rela- de veios de quartzo. O ouro da área se encaixa na cionadas ao Granito Xobó da Suíte Aurumina. categoria de depósitos de tipo Lode Orogênicos. O conjunto apresenta-se dobrado (eixo de As mineralizações auríferas encontram-se asso- dobra com caimento de 15°/10°NE), sendo que os ciadas às zonas de alteração hidrotermais representa- veios são paralelos a subparalelos a foliação miloní- das por biotititos, sericita-xistos relacionados a pro- tica (com lineação de estiramento com caimento de cessos de silicificação e sulfetação, com presença de 05°/20°NE) e preenchem flancos e charneiras das pirita, arsenopirita e veios pegmatíticos associados ao dobras, (figuras 5.25 e 5.26). Algumas dobras obser- Granito Xobó (fácies Au4) da Suíte Aurumina (Figura vadas possuem geometrias semelhantes às desen- 5.13b), encaixado em xistos do Grupo Água Suja. volvidas por processos de transcorrência e até de Os veios auríferos são geralmente de quartzo embainhamento. Os teores variam de 20 a 100g/m3 leitoso a esfumaçado, com espessuras decimétricas a segundo dados dos garimpeiros. 156 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.24 – (A) Shaft no garimpo de Chapada de Natividade. (B) Rocha hidrotermal hospedeira da mineralização, biotita-sericita-quartzo-xisto com injeção de nível pegmatítico e veio de quartzo. Medições com gamaespectômetro em blocos soltos mostraram média de 250 cps. Notar que o pegmatito está deformado. (C) Amostra com veio de quartzo decimétrico leitoso. (D) Detalhe de pinta de ouro, localizada próxima a ponta da lapiseira, em veio de quartzo esfumaçado. Guimarães (2003) propõe que a mineralização encontrava pilhas de material descartado, onde foi aurífera do lineamento de Chapada da Natividade possível observar a rocha hidrotermal hospedeira da relaciona-se à deformação e alteração hidrotermal mineralização. Trata-se de um biotita-sericita-quart- de biotita xistos da unidade metavulcanossedimentar zo-xisto venulado com presença de veios/injeções Água Suja. Evoluiu no ambiente de uma zona de pegmatíticas de metagranitóide (Fácies Au4) da Suíte cisalhamento de baixo ângulo, onde a principal Aurumina, (figura 5.27). estrutura é representada por dobras em bainha de Esta ocorrência esta inserida em um domínio eixo sub-horizontal, com mergulhos suaves para SW com alta resposta aeromagnetométrica, e provavel- ou NE. A alteração hidrotermal resulta da percolação mente também está relacionada com o desenvol- de fluidos mineralizadores em zonas de dilatação vimento de alteração hidrotermal (principalmente associadas às estruturas do evento deformacional D1 potassificação e silicificação) e veios de quartzo em (empurrões), promovendo progressivas modificações zonas de cisalhamento transcorrentes. mineralógicas e geoquímicas nas rochas encaixantes, gerando zonas com diferentes intensidades de 5.3.3 - Materiais industriais alteração e deformação, denominadas de incipiente, intermediária e avançada. 5.3.3.1 - Introdução Garimpo Fazenda Santana (NR 4 – 220395/8775666) No presente momento, o setor nacional de agregados vive uma fase de ascensão, sustentado Este garimpo localiza-se a proximadamente 8 por investimentos em infraestrutura básica e km ao norte da cidade de Pindorama-TO, e estava pa- habitação, em função da melhoria do nível de ralisado na época de visitação (julho de 2013). Foram renda populacional, calcada na redução dos observados 2 shafts orientados aproximadamente índices de desemprego, queda nas taxas de juros e na direção N20°-30°E. Ao lado da cava principal se disponibilidade de crédito. No período 2012-2013 157 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.25 – (A) Vista panorâmica de parte da cava paralisada. (B) Rocha hidrotermal hospedeira da mineralização, biotita-sericita-clorita-quartzo xisto milonítico. Os afloramentos mostraram média de 190 cps. (C) Dobra métrica normal com caimento suave para NE, as atitudes dos eixos e dos flancos estão representados na figura 5.22. (D) Veios dobrados com geometria similar a de dobras afetadas por transcorrência, ou dobras em bainha, em bloco solto. Figura 5.26 – (A) Desenho esquemático da dobra da Figura C, evidenciando as estruturas de estiramento (mullions), relacionadas ao eixo da dobra. O eixo da dobra tem caimento de 15°/10°NE, o flanco 1 da dobra tem atitude de 120°/45°SE, e o flanco 2 tem atitude de 310°/60°NW. (B) Síntese da estruturação do garimpo, onde a foliação milonítica (N30°E/85°NW) da zona de cisalhamento transcorrente é paralela à subparalela à foliação plano axial das dobras, e os eixos das dobras também são subparalelos a lineação de estiramento. o maior preço médio para rocha britada ocorreu na No Estado do Tocantins o consumo de agrega- região norte e em particular no Tocantins, alcançando dos em 2011 gravitou em torno de 4.192.000t. Ape- R$76,24/m3, enquanto que para areia média, fechou sar das atividades minerárias no Tocantins se resu- em R$56,67/m3. mirem à extração e britamento de minerais de uso 158 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.27 – (A) Vista da cava principal do garimpo alagada. (B) Shaft na cava principal. (C) Amostra da rocha hospedeira hidrotermal coletada na pilha de material descartado, biotita-sericita-quartzo-xisto venulado. (D) Nível de pegmatito a base de quartzo fumê e feldspato potássico de cor avermelhada. imediato agregado na construção civil e beneficia- Embora o arcabouço geológico da Folha Dia- mento (areia, argilas, brita, cascalho e pedras orna- nópolis seja constituído por uma gama variada de mentais e revestimento), água mineral, calcários cal- padrões estéticos vinculados aos gnaisses e mig- cíticos e/ou dolomíticos, fosfatos e gemas, de acordo matitos associados ao Complexo Almas-Cavalcante, com dados levantados pela FIETO - Federação das In- granitóides Aurumina e Serra do Boqueirão, faixas dústrias do Estado do Tocantins, 50% das atividades paleoproterozoicas vinculadas aos metaquartzitos envolvem indústrias de minerais não metálicos. do Grupo Natividade, o Catálogo de Rochas Orna- mentais do Estado do Tocantins (2008) cita apenas 5.3.3.2 - Pedras Ornamentais e Revestimento de forma restrita na região de Paranã, ardósias asso- ciadas ao Grupo Araí, ainda assim, não apresentando De acordo com o Sumário Mineral Brasileiro, nenhum enfoque referente às reservas ou produção. DNPM (2016), a China continua sendo o maior Levantamentos bibliográficos citam ocorrências produtor de rochas ornamentais, com 32,1% da de quartzito e gnaisses para uso ornamental em produção mundial, seguida pela Índia e Turquia. O Almas, na região do povoado Barra Nova, cercanias Anuário Estatístico do Setor de Transformação de do Rio do Peixe e arredores do Morro do Carneiro. Não Metálicos (2018) revela que as 1500 pedreiras Adicionalmente, em Dianópolis existem referências ativas no Brasil forneceram uma produção nacional a respeito de granitos utilizados na indústria da da ordem de 9,24 milhões/ton, posicionando o país construção civil extraídos pela CMT Engenharia, no quinto lugar mundial, com destaque para os polos nas cercanias da Fazenda Manto Verde, que foram de lavra do Espírito Santo e Minas Gerais, que juntos, utilizadas em obras da barragem do Rio Manuel Alves. contabilizam mais de 5.300.000 ton. Na cartografia da Folha Dianópolis foram Dados fornecidos pelo DNPM-GO/2018 cadastradas duas minas desativadas e uma ocorrência revelaram uma produção em 2017 de 39.688 ton., de rochas ornamentais. mostrando um significativo decréscimo de 30,7% em No afloramento AS249 (Natividade), cercanias relação ao ano anterior.” do povoado Jacuba, rodovia Almas-Natividade, foi 159 CPRM - Programa Geologia do Brasil registrada mina abandonada de biotita tonalito bandado, com encraves máficos e injeções quartzo- gnaisse hidrotermalizado. A rocha é equigranular feldspáticas preenchendo fraturas. A rocha exibe granulação média a grossa, mesocrática cor cinza, mineralogia à base de quartzo, feldspatos, sericita, isótropa a discretamente foliada, homogênea. biotita e muscovita. Em ambos os jazimentos não O litotipo se encontra cortado por discretas há informações a respeito de produção ou reservas, microfraturas preenchidas por veios e vênulas de figura 5.28. óxido de ferro, quartzo e feldspatos. Localmente foi No Córrego Cabeça de Boi (Silvanópolis) foi re- observada uma superfície de alteração com sulfetos. gistrado no PC18, pacote de filitos laminados verticali- No afloramento AS325A, localizado em zados associados à Suíte Manuel Alves. O material pode pedreira abandonada no trecho Porto Alegre-TO- ser utilizado para argamassa de revestimento na indús- Dianópolis, ocorre um ortognaisse protomilonítico tria da construção civil. Na área foram documentadas hidrotermalizado, mesocrático coloração cinza, quatro ocorrências para rochas ornamentais relaciona- inequigranular granulação grossa, porfiroclástico, das aos pontos AS66, PC18, PC138B e AS57. Figura 5.28 – (A) Vista panorâmica de pedreira de gnaisse protomilonítico, AS249; (B) aspecto geral do granitoide protomilonítico; (C) textura protomilonítica do granitoide (AS249),exibindo pórfiros de titanita, cristais de sillimanita e palhetas de biotita, LN; (D) vista panorâmica de pedreira de ortognaisse, AS325A; (E) seção lateral do AS325A exibindo ortognaisse protomilonítico hidrotermalizado e (F) porfiroclastos de quartzo e feldspatos saussuritizados, AS325A. 160 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Foi registrado no ponto AS66, rodovia TO-262 No AS57 (Silvanópolis) foi documentado metatonali- (Silvanópolis), um pacote de muscovita quartzito to protomilonítico hidrotermalizado, inequigranular fino a médio, foliação penetrativa, associado aos granulação grossa, mesocrático, isotrópico a foliado metassedimentos da Sequência Água Suja. A rocha e hidrotermalizado (epidotização e potassificação). exibe boa fissilidade, é leucocrática e composta de A rocha exibe mineralogia à base de plagioclásio, K- quartzo e muscovita. No município de Rio da Concei- -feldspato, biotita, hornblenda e epidoto. Nas cerca- ção foi cadastrado no AS138B, calcixistos associados nias ocorrem injeções aplíticas de leucogranito equi- ao Grupo Natividade (PP4na3). A rocha apresenta-se granular muito fino, mineralogia à base de quartzo, bandada, gnaissificada, coloração arroxeada e esver- clorita, epidoto e granada e intrudido como veios e deada e foliação fornecida por mica verde-escura. bolsões no metatonalito, figura 5.29. Figura 5.29 – (A) Muscovita quartzitos verticalizados (AS66); (B) em detalhe, muscovita quartzito; (C) filitos verticalizados, córrego Cabeça de Boi, PC18; (D) provável calcossilicática (Gr. Natividade, PC138B); (E, F) Metatonalito grosso e leucogranito (AS57), Suíte Manuel Alves. 161 CPRM - Programa Geologia do Brasil 5.3.3.3 - Agregados para construção civil tijolos e telhas para consumo local. Em Chapada de Natividade a argila é extraída do Ribeirão Água Suja e Dados fornecidos pelo Sumário Mineral Brasilei- abastece uma cerâmica local produtora de tijolos. Em ro indicam uma produção nacional de 254mt de brita Dianópolis, areia e argilas são extraídas em áreas próxi- e 286 mt de areia. O setor ainda continua causando mas ao Ribeirão da Areia e Córrego Batalha. A argila é significativos impactos socioambientais em virtude do utilizada por uma cerâmica produtora de tijolos e telhas funcionamento irregular e clandestino, afetando APPs para consumo local. No município de Novo Jardim áre- e a biogeodiversidade; porém, em decorrência de po- as de extração esporádica de areia e argilas próximas ao líticas do Governo Federal (PACs), há expectativa de perímetro urbano são responsáveis pelo abastecimen- minimização destes efeitos em função da melhoria das to de duas olarias que produzem tijolos durante o pe- condições de infraestrutura. No Tocantins os agregados ríodo de estiagem. Outros municípios produtores são (brita e cascalho) constituíam até 2008 o segundo pro- Conceição-TO, Porto Alegre-TO, Rio da Conceição e San- duto mais explorado englobando 14% da produção. ta Rosa-TO. No município de Rio da Conceição na região Na Folha Dianópolis, em relação aos materiais de Cavalo Queimado e em terras da Fazenda Rancho ligados ao setor da construção civil, tem relevância, Novo, são descritas áreas de extração eventual de areia, a extração de areias naturais, cascalhos e argilas a argila e cascalho. Em Porto Alegre-TO a bibliografia cita partir de aluviões de grandes rios como Manuel Alves, extração de argilas e cascalho em áreas das fazendas Bagagem, Balsas, Pedras e Córrego Gameleira, além de Martha Rocha e Bajé. produção de brita (AS57), uma potencial ocorrência de caulim cadastrada junto aos granitóides saprolitizados 5.3.3.3.2 - Brita da Suíte Aurumina e uma ocorrência de cianita. Na área os principais produtos utilizados para 5.3.3.3.1 - Areias, Cascalhos e Argilas fabricação de brita são granitos, gnaisses, basaltos e calcários cujos principais municípios produtores são A produção de areia e cascalho no pais envolvem Dianópolis, Natividade, Novo Jardim e Pindorama-TO. cerca de 600 empresas produtoras de brita e 2500 na Em Natividade, a Natical (Grupo J. Demito Ltda), é res- extração de areia, com produção global de cerca de ponsável pela produção de brita siderúrgica e brita para 741.000 ton/ano em 2014, estável em relação a 2013 e construção civil a partir do calcário, a qual é destina- posicionando a areia e pedra britada, respectivamente da à utilização em obras, pavimentação, calçamento e em 1º e 2º lugares, excetuando os minerais energéticos. concretagem. Ainda em Natividade, dados bibliográfi- Entre 2016 e 2018 ocorreu um recuo de 5% no setor em cos citam que a Nativa Mineração Ltda. concorre com a relação a 2015, decrescendo a produção para 493.000 produção de calcário dolomítico, calcítico e brita. ton., porém, mantendo-se a mesma produção que em Na Folha Dianópolis, foram visitados os pontos 2017 e um aumento de 3% em 2018, fonte: ANEPAC, AS57 (Suíte Manuel Alves, NP3gmatn), AS325A e AS249 Associação Nacional das Entidades Produtoras de (pedreira desativada), ambos associados ao Complexo Agregados para Construção Civil (2014).” Almas-Cavalcante (PP12gr), produtores de brita e ante- No Estado do Tocantins essas substâncias estão riormente já descritos. associadas às Coberturas Detrito-Lateríticas e Depósitos O afloramento AS325A está relacionado a uma Aluvionares e são extraídas em rios e ribeirões através mina em atividade de biotita metatonalito de cor cinza, de dragas que funcionam informalmente, sendo mesocrático, foliado, bandado e grosso. O granitoide em seguida lavadas, secas e utilizadas conforme exibe enclaves máficos junto a injeções milimétricas sua granulação. Esses materiais representam uma quartzo-feldspáticas (KF rosados) cm a dm. concentração em agregados na ordem de 74% da produção mineral do Estado. 5.3.4 - Calcários Exceção ao Rio Gameleira (Dianópolis), onde foi registrada extração irregular de areias e cascalhos De acordo com o Anuário Estatístico do Setor (AS327) junto aos terraços aluvionares, dados adicio- de Transformação de Não Metálicos (2017), em nais abordados sobre estas substâncias, foram levanta- 2016, o PIB nacional da indústria de não metálicos dos a partir de pesquisas bibliográficas. recuou 1,7% em relação ao ano anterior. Neste ano, Existem referências sobre áreas de extração de a produção mundial de cimento totalizou 4,2 bilhões argilas no Ribeirão Gameleira, próxima ao período ur- de ton. (fonte USGS), e o Brasil caiu da 6ª posição bano da cidade de Pindorama-TO; em Almas, cercanias para a 9ª, com participação de apenas 1,4% no do Riacho do Mato e Ribeirão São Pedro, argilas são mercado internacional. utilizadas para produção de tijolos em olarias nos se- Dados da FIETO (2008), indicavam que o Estado tores Monjolo e Mato Seco e abastecimento de duas do Tocantins em 2007 se constituiu no maior produtor cerâmicas localizadas em Silvanópolis, produtoras de de calcário da região norte do pais, com 997mt de mi- 162 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis nério, em grande parte direcionada para a indústria da A Mineração Nativa (Natividade, vicinal a TO- construção civil e secundariamente, correção agrícola. 280), detém alvarás de exploração de dois jazimentos Porém com a crise econômica instalada a partir de calcários no Morro do Mutum (Fazenda 2 Irmãos), de 2008, ocorreu uma redução drástica da produção, ambos utilizados como insumos para agricultura. Da- mesmo assim, tendo atingindo 19 mt/ano. A produ- dos fornecidos pela empresa indicaram uma produção ção de cimento na região norte do Brasil em 2013 em 2012 de calcário dolomítico para pó de brita (zero foi de 3,6 mt para uma demanda estimada acima e um) de 226.652,98 toneladas, brita zero, 5.580,35 de 4,5 mt. Em 2014 essa demanda excedeu os 6 mt ton e brita um, de 12.592 toneladas. Os teores médios devido ao grande avanço da construção civil aliado obtidos para calcário calcítico são os seguintes: CaO aos programas de crescimento do Governo Federal. 53,31%, MgO 0%, com PN 97,2 e para os dolomitos, Dados alavancados pela FIETO (2013) posicionaram a teores de CaO 32,93% e MgO 18,86%, PN 106. extração e o beneficiamento de calcário e dolomito Na frente de lavra da mina (AS202), ocorre as- associado, como o terceiro maior ramo de atividade sociado ao Grupo Natividade (PP4na2do), uma rocha no Estado do Tocantins, totalizando 10,5%. estratificada, seccionada por milimétricos veios de cal- A demanda em relação ao calcário agrícola no cita, exibindo um nível de filito carbonoso (ardósia ou Estado tende a crescer nos próximos anos em função metargilito). Foram individualizados três patamares: da necessidade de melhoria das pastagens e rebanho a) base até 50m de espessura ocorre um ní- bovino para exportação. A tendência é transformar o vel de protominério, constituído por dolomitos pre- Estado em promissor polo no agronegócio e desenvol- tos cortados por níveis ou vênulas de calcita espá- vimento industrial, uma vez que atualmente, tem cres- tica com 55-60cps de cintilometria, interdigitados cido as reservas na agricultura e como corretivo de solo, ou intercalados com níveis de filitos carbonosos ne- tanto do calcário calcítico quanto do dolomítico. gros, (218 cps), com um nível de minério e outro de São rochas constituídas por calcita e/ou dolo- protominério. A rocha é foliada e marcada por um mita, mas podem também conter impurezas como S0=N55E/10NW. Localmente o calcário é laminado, silicatos, fosfatos, matéria orgânica e sulfatos. A exibindo alteração superficial avermelhada (man- substância é utilizada como matéria-prima na indús- chas) com intensa silicificação; b) de 50 a 400m de tria de cimento, fundente e corretivo de solo e sua espessura dominam dolomitos com 20-30 cps e com aplicação depende da composição química e/ou ca- pirita cúbica, figura 5.30. racterísticas físicas. Foram registrados na frente de lavra da Na Folha Dianópolis todos os municípios detém Nacal (pontos AS9 e AS248), às margens da rodovia ambientes potencialmente favoráveis a essa substân- TO280 em Natividade, dolomitos acamadados, forte cia, com destaque para Natividade e Dianópolis. Os mergulho para W, 55-60cps, marcados por bandas jazimentos estão associados aos metassedimentos arenosas finas de cor branco-esverdeada, fraturados paleoproterozoicos do Grupo Natividade e metapeli- e intercalados com metassiltitos pretos, associados tos e calcários pretos do Grupo Bambuí (Fm. Serra de ao Grupo Natividade (PP4na2do), figura 5.31. Santa Helena e Lagoa do Jacaré). Ambas as unidades Em áreas da Fujita Mineração Ltda. (Rio da são representadas por uma topografia com espessu- Conceição) foi registrado em frente de lavra de ras que ultrapassam 50m. Mais considerações sobre pedreira desativada (AS305) um dolomito de cor cinza os recursos minerais das rochas carbonáticas da re- rosada, marcado por clivagem de fratura penetrativa, gião, podem ser vistas no trabalho de Ribeiro (2004). 53cps de cintilometria, associado à Formação Lagoa No levantamento bibliográfico foram do Jacaré (Gr. Bambuí). No AS306 foi documentado cadastradas três minas de pequeno porte de na principal frente de lavra em atividade desta mina, calcário dolomítico em atividade em Almas (Fazenda pacote com 15-20m de dolomitos cinza, 32 cps, com Alvorada), Rio da Conceição (Fazenda Catingueiro, vênulas de níveis pelíticos na base (Fm. Sete Lagoas). insumos para agricultura e construção civil) e No topo dos dolomitos, predominam camadas de Novo Jardim (Fazenda Morro Chato, insumos para margas e pelitos laminados de cor marrom escuro, agricultura). Na porção leste de Novo Jardim (rodovia 195 cps, exibindo micas neoformadas (Formação TO-080), calcário dolomítico é extraído em terras das Serra de Santa Helena). Segundo o proprietário, o fazendas São Sebastião e Poço Verde. minério é exclusivamente utilizado para produção de Na Folha Dianópolis (Natividade), foram visita- corretivo agrícola, figura 5.32. das frentes de lavra de quatro minas de calcário do- No AS39 em área lavrada pela Britacal, nas lomítico e calcítico de grande porte e em atividade cercanias do Rio Palmeiras (Dianópolis), ocorre ex- (Mineração Nativa Ltda, Mineração Nacal Ltda, Fujita tração de calcário calcítico, cor cinza, criptocristali- Mineração Ltda e Britacal Ltda), além de outras duas no, (Formação Lagoa do Jacaré) em contato por falha subsidiárias do Grupo J. Demito (Mineração Natical N23E com biotita granodioritos do Complexo Almas- Ltda e Sarp Mineração Ltda). -Cavalcante (PP12gr). 163 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.30 – AS202 (A) Vista panorâmica da frente de lavra principal da Mineração Nativa, Morro do Mutum; (B) Vista em detalhe do primeiro patamar da lavra mostrando na base, nível de protominério e no topo, o minério dolomítico; (C) Seção vertical exibindo em detalhe os calcários pretos de (b); (D) Vênulas de calcita (E) em calcário negro (1º patamar) intercalado com níveis de filitos carbonosos (D); (E) Vista panorâmica em corte dos dolomitos do 2º patamar e (F) Seção vertical mostrando os dolomitos do 2º patamar, cortados por veios de calcita. No município de Novo Jardim foi registrada No AS-281, margens da TO-280, a Natical – uma pedreira de calcário dolomítico abandonada Natividade Calcário Ltda. (Grupo J. Demito), explora (AS37) de propriedade da empresa Diacal Ltda. uma mina de calcário dolomítico utilizado para brita Ocorre um brecha calcária contendo fragmentos em Natividade. Na frente principal de lavra em de calcário, nódulos decimétricos a centimétricos atividade, foi registrado afloramento constituído por de sílica e esteiras e colunas de estromatólito (Fm. um patamar de 8-10 metros de espessura. O litotipo Serra de Santa Helena, Gr. Bambuí). O calcário exibe exibe coloração cinza-esbranquiçada, acamadado acamadamento sub-horizontal com mergulho suave e marcado por níveis laminados mais ou menos para leste e é utilizado na construção da barragem da espessos, 50 cps de cintilometria e associado ao PCH Areia, figura 5.33. Grupo Natividade (PP4na1do), figura 5.34. 164 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.31 – AS248 (A) Vista panorâmica da frente de lavra da Nacal; (B) Detalhe dos dolomitos acamadados do AS248; (C, D) Vista geral e detalhe dos dolomitos com incercalações de metassiltitos pretos. Figuras 5.32 – AS305 (A, B) Vista panorâmica e detalhe da frente de lavra desativada da pedreira da Fujita Mineração; (C, D) AS306, frente de lavra ativa da Fujita Mineração exibindo pacote de dolomitos com intercalações de pelitos na base; para o topo, margas escuras. 165 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 5.33 – AS37 (A, B) Seção vertical exibindo pacote de dolomitos brechados sub-horizontais comportando nódulos de sílica; (C, D) Seção vertical mostrando esteiras e estromatólitos colunares. Figuras 5.34 – AS281 (A) Vista panorâmica da principal frente de lavra da Natical, exibindo dolomitos acamadados. A Sarp Mineração Ltda. extrai calcário calcítico Na folha ainda foram registradas minas em Novo Jardim (rodovia TO-040, em áreas da em atividade ou paralisadas nos municípios de Fazenda Morro Chato), com teores de 96-98% CaO Dianópolis, Novo Jardim e Rio da Conceição (Diacal - e 0,4-0,5% MgO. Na frente de lavra, ocorre um Calcário Dianópolis Ltda e Britacal Ltda). pacote de calcário calcítico com 15m de espessura, A Diacal - Calcário Dianópolis Ltda. (Grupo J. constituído por uma rocha cinza-escura, fraturada, Demito), produz em Dianópolis (margens da rodovia cortada por vênulas milimétricas a centimétricas de TO-080, próximo ao Morro dos Perdidos), calcário material recristalizado (AS311), figura 5.35. para produção de cal, cimento e corretivo, com 166 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis reservas estimadas em torno de 140 milhões de Na Folha Dianópolis, apenas uma ocorrência toneladas. Tanto a SARP Mineração Ltda. como a primária de caulim de natureza hidrotermal foi DIACAL - Calcário Dianópolis Ltda. extraem calcário registrada e corresponde ao afloramento AS84, para produção de corretivo agrícola que abastece o cercanias do Ribeirão Aldeia em Pindorama-TO. sudoeste do Tocantins e oeste da Bahia. Encontra-se associada a um muscovita-quartzo- feldspato pegmatítico (PP2g2au3), hidrotermalizado 5.3.5 - Caulim com fragmentos de até 10cm de comprimento de k-feldspato e muscovitização acentuada, figura 5.36. O Brasil é o quinto maior produtor de caulim com cerca de 2,0 mt em 2011 (6,2% da 5.3.6 - Manganês produção mundial) e reservas da ordem de 5,0 bt (28% das reservas mundiais), concentradas em Segundo USGS, (2017) os maiores produtores sua totalidade (97%) nos depósitos sedimentares mundiais de Mn são a África do Sul, a China e a dos três maiores distritos cauliníferos do país: Rio Austrália. O Brasil possui apenas 1% das reservas Capim, no Pará; Vitória do Jari, no Amapá e Manaus mundiais, porém é o segundo maior produtor do e Rio Preto da Eva, no Amazonas, segundo o Plano minério, com uma produção nacional bruta em 2017 Duodecenal (2010-2030) de Geologia, Mineração de 2.400.000 ton., com destaque ao Pará que detém e Transformação Mineral - l, Ministério de Minas e 35,63% do mercado produtivo interno do minério, Energia MME, através de sua Secretaria de Geologia, Amapá, Minas Gerais e Bahia (IBRAM, 2018). Dados Mineração e Transformação Mineral, com o apoio do IBRAM (2012) projetam estimativas otimistas de do Banco Internacional para a Reconstrução e novos investimentos na ordem de US$ 75 bilhões em Desenvolvimento - BIRD (Banco Mundial). Em 2012 relação ao investimento no setor manganesífero no a produção brasileira refletiu um aumento de 2,2 mt. período entre 2012 a 2016. O Estado do Tocantins Figuras 5.35 – AS311 (A) Vista panorâmica da frente de lavra da Sarp Mineração e (B) Vênulas em calcário calcítico. Figuras 5.36 – (A) Granitóide saprolitizado AS84, Ribeirão Aldeia e (B) idem, exibindo porções pegmatíticas quartzo-feldspáticas. 167 CPRM - Programa Geologia do Brasil apresenta concentração em agregados para a básicas, sucedidas por turmalina-granada-muscovita construção civil, correspondente a 74% da produção xistos hidrotermalizados e sedimentos químicos mineral do estado, com diversas ocorrências de (metacherts ferruginosos), com intercalações manganês distribuídas notadamente em Paranã e de turmalina preta (shorlita) e blocos maciços e São Valério da Natividade. pretos de manganês (gonditos), com140-150cps. O Segundo Roy (1997), depósitos de Mn gondito é formado por um agregado de óxidos de sedimentar evoluem a partir de uma ou várias manganês e ferro que agrega cristais com até 0,3mm fontes, com transporte e concentração em uma de granada e anfibólio. Potassificação, silicificação bacia restrita, auxiliado por processos diagenéticos. e turmalização constituem os mais destacados Áreas continentais ao serem inundadas por evento produtos de alteração hidrotermal. transgressivo constituiriam a principal fonte Ainda associado a esta faixa, foi documentado de detritos orgânicos, de modo que o material nas cercanias do Córrego Taboca (afloramento ao ser degradado produziria folhelhos negros AS130B, Pindorama-TO), uma intercalação de biotita geneticamente relacionados a depósitos de tonalitos foliados, associados à Suíte Aurumina carbonato de Mn. A provável fonte para o minério (PP2g2au3) em contato com metachert e anfibolitos em depósitos sedimentares, de acordo com o autor, bandados. Os metacherts ocorrem como blocos soltos residiria em processos hidrotermais, intemperismo com até 20 cm de comprimento, discretamente a terrestre e concentração supergênica durante o não magnéticos, exibindo milimétricos níveis escuros Proterozoico e Arqueano. de óxido Fe e/ou Mn. O anfibolito é melanocrático, Ocorrências de metassedimentos associadas cor cinza, discretamente magnético, equigranular aos micaxistos e anfibolitos da Sequência Água granulação fina, textura nematoblástica, 110 cps e o Suja (Formação Salobro), contendo mineralizações solo é plano, argiloso e vermelho, figura 5.37. de Mn, foram documentadas por Silva (1987), No PC53A foram registrados blocos soltos de proximidades de Natividade (fazendas Alegria e metachert ferrífero com intercalações de níveis de Gaiteiro). manganês de cor azulada. Ainda associada à fácies Neste trabalho foram visitadas seis química (BIF’s) do Grupo Riachão do Ouro (Formação ocorrências de manganês correspondentes aos Morro do Carneiro) foi descrito no PC153A (cercanias afloramentos AS138, AS130B, PC53A, PC153A, do Córrego Maximiliano), uma ocorrência de PC165 e PC188 e dois garimpos (AS219A e 10 manganês de cor preto-azulada, figura 5.38. km a NE de Porto Alegre-TO). Adicionalmente, No contato por falha entre quartzitos e foram levantadas duas ocorrências em Dianópolis dolomitos do Grupo Natividade, no ponto PC165 (Córregos Buriti e Facão) e dois garimpos (fazenda (município de Natividade) foram registradas Nova Luz e Córrego Lajeiro). cavas exibindo rocha laterítica, impregnadas de O minério ocorre como blocos dispersos fragmentos de manganês (pirolusita?) associados ou constituindo crostas, intercaladas em xistos e com óxido Fe. Ainda relacionado aos quartzitos do metacherts ferruginosos localmente crenulados Grupo Natividade (PP4na6), foi documentado uma associados ao contexto dos metassedimentos ocorrência deste elemento na Fazenda Sucuriú, no químico-exalativos paleoproterozoicos Água Suja (PC188), marcada por blocos com até 0,3 a 2,5 m (Córrego Salobro) e Riachão do Ouro (Formação de diâmetro de Mn exibindo hábito botrioidal, cor Morro do Carneiro) e quartzitos de topo do Grupo escura, fraturados, 60 cps. Os quartzitos são muito Natividade. Normalmente afloram como blocos finos, impuros, recristalizados, mineralogia à base soltos métricos a centimétricos, exibindo solo de quartzo e óxido de ferro. Tanto no PC165 como avermelhado e preto, laterítico e plano, produto no PC188, o minério é supergênico, distribuído do enriquecimento supergênico. A rocha está em blocos e fragmentos esparsos e exibe hábito representada localmente por um gondito exibindo botrioidal, figura 5.39. óxidos de ferro/manganês e granadas. Não foram A Lavra do Batista (AS219) constitui o único observadas relações de contato entre essas fácies garimpo em atividade visitado. Está localizado oxidadas (Fe/Mn) e granitóides milonitizados da nas cercanias da rodovia TO-040 e a mineralização Suíte Aurumina. encontra-se associada aos quartzo-sericita xistos Na área foi cartografada uma faixa NE miloníticos crenulados do Grupo Natividade associada à fácies sedimentar química da Sequência (PP4na4). A rocha micácea exibe uma coloração Água Suja (Formação Córrego Salobro, PP2ascssq). cinza prateada e localmente, níveis centimétricos Vinculada a esta faixa, em encosta de elevação, quartzosos paralelos à foliação. O minério de foi registrado no afloramento AS138 (cabeceiras manganês mostra texturas brechosa e botrioidal e do Rio Formiga, Santa Rosa-TO), um pacote de localmente, estruturas tipo boxwork. Encontra-se metapelitos exibindo na base, metavulcânicas associado à hematita, constituindo crostas lateríticas 168 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figuras 5.37 – (A, B) Blocos de manganês maciço (gondito, AS138) e cristais de turmalina preta, anfibólio e granada associados aos metassedimentos da Sequência Água Suja; (C) vista em planta de metapelitos (hb-px-granada anfibolito foliado) e (D) em detalhe, cristais com até 1cm de comprimento de granada. Figuras 5.38 – (A) Crosta manganesífera exibindo milimétricas intercalações de óxidos de ferro e manganês e (B) metchert ferrífero (PC53A). 169 CPRM - Programa Geologia do Brasil do Carmo, no extremo NW da folha, corroborando com os dados litoquímicos em rocha, relacionados aos pontos AS64, AS375, AS332, AS348 e AS360D, tabela 5.9. 5.3.7 - Mineralizações de ferro Nos domínios da Folha Arraias, particularmente na região de Conceição-TO, as formações ferríferas bandadas são mais abundantes que na região de Almas-Dianópolis (THONSEN, 1994) e limitadas a níveis estreitos e pacotes espessos que sustentam elevações topográficas. Na Folha Dianópolis essas rochas foram Figura 5.39 – Crosta manganesífera intercalada em individualizadas como itabiritos na região de Almas- metapelitos do Grupo Natividade, PC188, Fazenda Dianópolis no Projeto Natividade (CORREIA FILHO; Sucuriú. SÁ, 1980). Neste trabalho as mineralizações ferríferas foram registradas na região de Almas-Dianópolis, ou ocorrendo como camadas interestratificadas. associadas a formações ferríferas bandadas (Gr. O solo registrado nas cercanias é cinza-claro, Riachão do Ouro, Fm. Morro do Carneiro) e como cascalhoso, laterítico a detrito-laterítico e localmente produtos de lixiviação, marcando solos lateríticos e preto, devido às impregnações por óxidos/hidróxidos detrito-lateríticos avermelhados com até 75 cps de de ferro e manganês, exibindo 170 a 200 cps de cintilometria. cintilometria, figura 5.40. Ocorrências de hematita e magnetita foram Indícios de Mn são pouco expressivos na área descritos como metacherts ferríferos (AS339), cinza- e estão marcados por elevados valores de correlação escuros, magnéticos, maciços, 88 cps e sob forma para o fator 1 (Co-Cr-Cu-Fe-Mn-Pb-Mg-Ni). de blocos soltos de BIF’s como no Morro do Bola, Distribuem-se na porção E da área e estão (PC351). Na base do Morro do Bola, essas rochas se associados a rochas máfico-ultramáficas do apresentam estratificadas, magnéticas e sotopostas Grupo Riachão do Ouro na região de Dianópolis e a metapelitos argilosos arroxeados, foliados e vulcânicas máficas, vinculadas à Formação Monte placosos, figura 5.41. Figura 5.40 – (A) Aspecto botrioidal de minério de Mn, AS219 e (B) processo de ensacamento do minério de Mn; ao fundo, a Serra do Batista (Gr. Natividade). Tabela 5.9 – Teores litoquímicos de Mn na Folha Dianópolis. AMOSTRA AS114 AS125 AS332 AS151-1 AS190 AS378 AS348 AS360D AS375 Mn ppm 517 598 522 547 660 433 472 474 578 170 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis mais frias teriam desencadeado a precipitação dos elementos menos solúveis como silicatos coloidais e hidróxidos. 5.3.8 - Gemas No Estado do Tocantins tem destaque os polos minerais de quartzo em Dueré-Cristalândia, São Valério da Natividade-Mata Azul e Jaú-Palmeirópolis. Na Folha Dianópolis os principais jazimentos de pedras coradas correspondem a turmalinas e granadas. 5.3.8.1 - Turmalina O Projeto Mapas Metalogenéticos e de Previ- são de Recursos Minerais (SÁ, 1982) cadastrou oito jazimentos de turmalina associados a pegmatitos. Na Folha Dianópolis foram registradas ocorrências nos municípios de Pindorama-TO e São Valério da Natividade (cercanias de Dianópolis). No povoado Cangas (Santa Rosa-TO), dados bibliográficos re- Figura 5.41 – Metachert ferrífero, AS339. ferendam ocorrências ferruginosas, turmalinas e muscovita. Dados geoquímicos em minerais pesados As mais importantes ocorrências e garimpo de mostram que os minerais ferrosos como hematita turmalinas visitadas neste projeto foram registradas ocorrem em 13% das drenagens da folha, com nos afloramentos AS128, AS129 e AS132 e estão conteúdo de até 5% do total, enquanto ilmenita, associadas a faixas metassedimentares Água Suja, magnetita e limonita ocorrem em 90% das drenagens Fm. Córrego Salobro (PP2ascssq). amostradas, com conteúdo entre 50-75% do total No AS128 ocorrem apófises pegmatítitcas dos pesados. Pirita, calcopirita e pirita limonitizada exibindo cristais quartzo-feldspáticos sigmoidais estão presentes em 5%, 2% e 38% das estações com e quebradiços, intrusivas em lentes de bt tonalito, conteúdos até 25% do total dos pesados. cuja foliação é fornecida por cristais centimétricos Dados litoquímicos executados em amostras a decimétricos de muscovita. Ambos os litótipos se de rocha neste trabalho, porém, não revelaram encontram associados à Suíte Aurumina (PP2g2au3) teores significativos de Fe2O3, que são característicos e junto à fração pegmatóide, cristais de turmalina de minério primário e típicos de formações preta são orientados segundo a foliação milonítica. ferríferas. Exceção, porém, é marcado pelo No AS129 a rocha é similar ao AS128, porém ponto AS274 (metatrondhjemito protomilonítico mais silicificada e intrudida por veios pegmatóides hidrotermalizado), associado ao Complexo Almas- exibindo palhetas de muscovita e turmalina preta. Cavalcante (PP12gr), com 50,4% de Fe2O3. No ponto AS132 (garimpo abandonado) domina Restritamente, indícios de ferro na Folha uma massa xistificada pulverulenta arroxeada e hi- Dianópolis, estão associados a vulcânicas máficas drotermalizada, com caulinita e muscovita, com até da Formação Monte do Carmo e calcissilicáticas do 760 cps, exibindo porções pegmatóides, hospedei- Grupo Água Suja (Fm. Córrego Salobro), gerados ras de rutilo, turmalina e quartzo. O protólito das en- em bacias restritas, profundas e de baixa energia, caixantes destas mineralizações são representados contemplando alternância de cherts, BIF’s e óxidos/ por metagranitóides xistificados associados à Suíte hidróxidos de ferro. Aurumina, (PP2g2au3). Nas cercanias deste ponto Abdallah e Meneghini (2011) advogam uma foi documentado no interior de uma trincheira com origem marinha profunda com lixiviação de ferro 10m de comprimento, 0,70m de largura e 0,90m de e sílica a partir de rochas máficas/ultramáficas profundidade, rutilo, turmalina preta e quartzo rosa originadas de plumas mantélicas ou cadeia meso- e arroxeado, associados à percolação de um fluido oceânicas as quais foram liberadas para níveis mineralizado vinculado aos metassedimentos Água oceânicos inferiores de hots springs (black smokers). Suja (PP2ascsqt). O rutilo ocorre como fragmentos Estas águas quentes em contato com águas marinhas com brilho vítreo, silicosos e cor marrom; a turma- 171 CPRM - Programa Geologia do Brasil lina preta (shorlita) normalmente exibe forma arre- porém análises químicas por microssonda eletrônica dondada, sem hábito definido e localmente, ocorre revelaram tratar-se de almandina (WEGNER et al., como cristais alongados, figura 5.42. 1998; MOURA et al., 1999). Na Folha Dianópolis ocorrências de granada 5.3.8.2 - Granada gemológica foram registradas 15km a SW de Pindorama-TO nos domínios da Fazenda Landi. Na área ocorrências de granada são registradas Constituem ocorrência de pequeno porte explorada nos municípios de Almas, Natividade-TO e em um garimpo abandonado localizado em tributário Pindorama-TO e estão associadas a faixas ou bolsões do Rio Gameleirinha. Essa gema apresentou teores hidrotermalizados à base de muscovita, sericita, de 0,19% de uvarovita, 60,78% de almandina, quartzo, plagioclásio, biotita (PP2g2au3 e Suíte Xobó). 3,26% de grossulária, 18,67% de piropo e 1,09% de São representados por leucotonalitos miloníticos espessartita. sindeformacionais foliados e não magnéticos. Neste trabalho foi visitado apenas um ga- Adicionalmente, foi visitado um garimpo em rimpo em atividade de rodolita (Felício, AS282), atividade de granada rodolita e cadastradas quatro localizado a norte de Pindorama-TO. A rocha en- ocorrências de turmalina em granitos pegmatóides caixante encontra-se alterada, xistosa, cor cinza- da Suíte Aurumina, além de garimpos inativos de -clara, granulação fina e não magnética. O litotipo diamante em Porto Alegre-TO e Pindorama-TO. exibe 180-200cps de cintilometria e níveis amen- As granadas do sul do Tocantins exibem doados remobilizados e decimétricos preservados, excelente qualidade gemológica, tendo sido contendo pórfiros de muscovita, biotita, granada exploradas em escavações a céu aberto desde o vermelho-rosada, cristais ocelares de plagioclásio início da década de 70 e em aluviões e coluviões. e quartzo fumê, subparalelos à foliação milonítica Foram denominadas originalmente de rodolita, N30-40E/75NW. Figura 5.42 – (A) Vista em planta de bt tonalito sindeformacional cortado por fração pegmatóide; no detalhe, cristais estirados de turmalina preta, AS128; (B) em detalhe, bolsão pegmatóide com muscovita e turmalina, AS129; (C) vista em planta de granitoide xistificado contendo turmalina e (D) metagranitoide hidrotermalizado (Suíte Aurumina); em detalhe cristais de muscovita. 172 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis O garimpo consiste em uma cava com potassificação, marcadas por níveis de biotititos de 300m de extensão, 50-70m de largura e 15m cor de alteração dourada e cristais de feldspatos de profundidade encaixado em saprólito de rosados. Granadas distribuem-se em porções ou metagranodiorito leucocrático associado à Suíte níveis biotitíticos e qz-feldspáticos pegmatíticos Aurumina (PP2g2au4). As principais alterações remobilizados e deformados, associados à alteração hidrotermais registradas são a biotitização e hidrotermal, figura 5.43. Figura 5.43 – (A) Vista parcial da frente de lavra do garimpo do Felício; (B) cava do garimpo do Felício exibindo encaixante metagranitóide saprolitizada, AS282; (C) vista em planta de porções quartzo-feldspáticas e biotitíticas sin-deformacionais preservadas; (D) movimentação dextral em pórfiros de quartzo rotacionados sindeformacionais (seção vertical); (E) porções ou níveis quartzo-feldspáticos exibindo granadas rotacionadas e (F) em detalhe, cristais de granada. 173 CPRM - Programa Geologia do Brasil 5.3.9 - Associação Urânio e Tório (U-Th) mineralização de U seriam as zonas cataclásticas hidrotermalizadas, onde o minério preenche O Brasil detém grande parte das reservas e cavidades e fraturas, figura 5.44 e tabela 5.10. produção mundial de fosfato, sendo que os principais CNEM e NUCLEBRAS detalharam anomalias produtores são Minas Gerais (97,0%) e Goiás (3,0%). caracterizadas como corpos mineralizados albitizados O Projeto Rio Preto (NUCLEBRÁS, 1976-1982) e associados a zonas de cisalhamento, em terras da objetivou avaliar a potencialidade U-Th na porção Fazenda Alecrim em Arraias. Na porção norte da Folha NE de Goiás, com a execução de levantamento Arraias, Abdallah e Meneghini (2011), registraram radiométrico (K40, U e Th). Resultados deste trabalho em monzogranitos peraluminosos da Suíte Aurumina associaram indícios de potenciais mineralizações (fazenda Caiado), valores anômalos de Th e U. destes elementos (teores médios na ordem de 9,6 Na Folha Dianópolis foram individualizadas ppm de U e 12 ppm de Th), à Fm. Ticunzal, (quartzo três anomalias de U e Th, cujos dados litoquímicos muscovita biotita xisto grafitosos, localmente forneceram valores anômalos de até 43,3 ppm de Th granatíferos), e a ortognaisses do embasamento em monzogranitos e álcali-feldspato granitos, com- granítico. Duarte e Bonotto (2000) propuseram parativamente a teores mais baixos em metatonali- que os xistos da formação Ticunzal seriam a tos e granodioritos. Os elevados teores obtidos nos fonte do urânio, principalmente autunita, o qual granitóides peraluminosos, caracterizam padrões teria sido remobilizado e concentrado em zonas aerogamaespectrométricos diferenciados nos canais estruturalmente favoráveis. Os autores observaram U e Th, representando potenciais prospectos para fu- que o principal metalotecto responsável pela turas pesquisas de detalhe, figura 5.45. Figura 5.44 – Distribuição dos teores de Th em granodioritos do Projeto Rio Preto, com um máximo de 17ppm, comparativamente aos valores obtidos em monzogranitos, os quais alcançam 40 cps; Tabela 5.10 – Dados litoquímicos em monzogranitos e álcali-feldspato granitos exibindo expressivo enriquecimento em Th e U (teores anômalos de Th entre 21 e 43 ppm). AMOSTRA AS22 AS276 AS317A AS98 AS148B AS156 AS5151-1 AS166A AS110 Thppm 43,3 19,1 25,3 41,8 20,8 28,9 20,8 35,4 21,8 Uppm 4,66 1,0 2,33 4,94 1,53 8,61 1,19 3,74 6,72 174 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.45 – (A) Anomalias Th-U em canal ternário RGB e (B) canal de U com valores anômalos em granitóides peraluminosos da Suíte Aurumina. Dados geoquímicos de sedimento de corrente 5.3.11 - Titânio desses elementos são pouco expressivos, revelando indícios de até 140ppb de Th e no máximo 7ppb Constituiu elemento de elevada resistência de U; apenas traços de minerais radioativos foram e baixo peso (45% mais leve do que o aço), sendo observados no concentrado de fundo de bateia. utilizado nas indústrias química, naval, aeronáutica, nuclear, bélica e metalúrgica. O Brasil possui 6% das 5.3.10 - Associação Estanho e Tântalo (Sn-Ta) reservas mundiais de titânio, sendo que os principais estados produtores são Pernambuco, Goiás e Rio de O Brasil possui cerca de 11% das reservas mun- Janeiro, fonte: DNPM-GO/2018. diais e é o sexto maior produtor mundial, cujos maio- Na área, concentrações de titânio estão asso- res produtores internos são a região Amazônica e ciadas às mineralizações de rutilo e leucoxeno obti- Rondônia. Botelho, Menezes e Alvarenga (1999), des- das em concentrados de minerais pesados, marcadas creveram em Monte Alegre de Goiás mineralizações por elevadas anomalias gamaespectrométricas de K, de estanho e tantalita em greisens e pegmatitos com vinculadas ao contexto dos granitóides do Complexo turmalina, afetadas por processos tardi-magmáticos. Almas-Cavalcante (PP12gr e PP12gm) e localmente, Adicionalmente, indícios de cassiterita, to- granitóides peraluminosos da Suíte Aurumina. pázio e esfalerita na Folha Arraias, foram descritos Os mais significativos teores de TiO2 em por Abdallah e Meneghini (2011) a W de Conceição- litoquímica de rocha na área alcançaram valores -TO. Em concentrados de minerais pesados foram máximos de 1,54% (ponto AS155-4). observados indícios de cassiterita em alvo localizado O rutilo está presente em 100% das estações a oeste de Conceição-TO, principalmente associado a amostradas, com conteúdos de 25-40% do total altas concentrações de topázio. Presença de sulfeto dos pesados. Minerais de titânio como anatásio de mercúrio (cinábrio) e traços de esfalerita podem e leucoxeno estão presentes em 38% e 24% das indicar ambientes associados à greisenização em drenagens da folha e ocorrem com um conteúdo até corpos graníticos. 15% do total dos pesados. Na Folha Dianópolis foram selecionadas dez amostras de rocha associadas a pegmatitos tonalíti- 5.3.12 - Elementos Terras Raras (ETR) cos e monzogranitos recristalizados e hidrotermali- zados, vinculados à Suíte Aurumina com indícios de No Estado do Tocantins ocorrências desses Sn-Ta. Os indícios refletem padrões anômalos marca- elementos são pouco conhecidas e não constam no dos por altos radiométricos no canal K. Em destaque Anuário Mineral Brasileiro (BRASIL, 2013). Abdallah o afloramento AS104 (monzogranito hidrotermaliza- e Meneghini (2011) destacaram nas cabeceiras do do, Rio Rocinha), que exibe 23,3 ppm de Sn e 1,91 Ribeirão Pintado (Taipas), um granitoide milonitiza- ppm de Ta, tabela 5.11 e figura 5.46. Cassiterita ocor- do hidrotermalizado (PP12gr). Na tabela 5.12 foram re em 1% da área, em proporção menor que 1% do apresentados os mais expressivos resultados lito- total dos pesados. químicos (ETR) de nove amostras de rocha da Folha 175 CPRM - Programa Geologia do Brasil Tabela 5.11 – Teores de Sn-Ta (ppm) em amostras de granitóides hidrotermalizados na Folha Dianópolis AMOSTRAS AS264 AS114 AS116 AS121 AS148B AS64 AS104 AS110 AS81 AS83 Sn 4,8 4,6 4,0 4,0 6,5 4,7 23,3 7,7 5,0 5,2 Ta 0,24 1,15 0,74 0,24 2,18 5,7 1,91 2,64 0,46 3,0 Figura 5.46 – Área anômala (canal K) exibindo elevados valores radiométricos de Sn-Ta Tabela 5.12 – Distribuição dos ETR em amostras de granitóides hidrotermalizados na Folha Dianópolis AMOSTRAS Ce Dy Er Eu Gd Ho La Lu Nd Pr Sm Tb Tm Yb AS98 106,1 1,16 0,68 0,35 1,97 0,24 19,8 0,07 16,5 5,02 2,9 0,28 0,08 0,5 AS101B 109,0 1,56 0,96 0,76 2,70 0,31 59,6 0,11 38,9 11,28 4,6 0,37 0,12 0,6 AS104 99,0 9,87 6,55 1,76 8,56 2,11 51,0 1,08 42,0 11,17 8,7 1,55 1,07 6,7 AS108 111,8 4,19 1,80 1,64 5,94 0,75 53,5 0,25 48,0 12,52 7,3 0,71 0,31 1,6 AS109 100,2 2,29 1,34 1,02 4,18 0,49 49,2 0,24 34,4 9,84 5,3 0,43 0,20 1,2 AS17 128,3 2,9 1,52 1,75 5,05 0,64 65,9 0,2 49,1 14,54 7,4 0,69 0,31 1,4 AS22 130,9 1,8 0,93 0,6 4,2 0,33 61,1 0,13 47,0 13,67 7,2 0,44 0,19 0,8 AS344 133,75 2,31 1,15 1,62 4,48 0,46 68,7 0,22 49,2 14,36 6,9 0,53 0,20 1,0 AS318 98,78 1,33 0,61 1,53 3,24 0,29 67,9 0,16 48,6 12,31 6,1 0,44 0,17 0,5 Dianópolis associados à Suíte Aurumina (PP2g2au2 monazita (concentrado de bateia), associadas a altos e PP2g2au4) e Complexo Almas-Cavalcante (PP12gr), gamaespectrométricos nos canais de K e Th. Amostras representadas por monzogranitos, metagranodiori- com teores na faixa de 1% ocorrem indiscriminada- tos, monzodioritos e metatonalitos hidrotermaliza- mente ao longo da folha; teores entre 15-40% estão dos exibindo elevados padrões (canais K/Th). associados dominantemente a tonalitos hidroter- malizados da Suíte Aurumina na porção W da folha, 5.3.13 - Anomalias de Monazita em concentrados de subparalelizadas a falhas/zonas de cisalhamento N30E minerais pesados e N50E, configurando áreas potenciais para detalha- mento. Estes valores também incluem granitóides Dos minerais fosfáticos a monazita e a apatita metaluminosos PP12gr/PP12gm (fácies ortogranítica ocorrem em 51% e 14% das drenagens amostradas e gnáissico-migmatítica do Complexo Almas-Cavalcan- na Folha Dianópolis, com conteúdo até 25% do total te) e PP2gsb (Serra do Boqueirão), distribuídos na por- dos pesados. Foram delimitadas áreas anômalas para ção centro-leste da área, figura 5.47. 176 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis Figura 5.47 – Anomalias de ETR (monazita), teores de 15-40% em concentrado de minerais pesados, alto K, Folha Dianópolis. 5.3.14 - Mineralizações de Ni-Cu e EGP de corrente coletada na borda do Maciço Barra do Gameleira. Neste trabalho não foram analisadas Depósitos potenciais para Ni-Cu podem ocor- amostras para platinóides, porém, Lima et al. (2000) rer como sulfetos disseminados e associados a intru- em prospecção de detalhe (EGP) no corpo principal sões acamadadas como os complexos estratiformes do Complexo Barra do Gameleira, identificaram em maciços clássicos do tipo Sudbury e Stillwater. Outro concentrado de bateia, valores que alcançaram 74 ambiente favorável a depósitos Ni-Cu sulfetado cor- ppb de Pt, 658 ppb de Pd e 34 ppm de Au. responde a tipos komatiíticos em greenstone belts (Kambalda na Austrália e Fortaleza de Minas e Crixás 5.3.15 - Amianto no Brasil). Abdallah e Meneghini (2011) cartografa- ram na região de Conceição-TO, derrames de meta- Segundo o Mineral Commodity Summaries basaltos de filiação komatiítica associados à base do (2013), a reserva mundial estimada de crisotila Grupo Riachão do Ouro (Fm. Córrego Paiol). Dados em 2012 totalizou cerca de 200 mt, com uma de sedimento de corrente de Cu-Ni permitiram defi- produção estimada de 10% desse montante. Dados nir duas áreas anômalas (Serrinha e Conceição-TO), fornecidos pelo Sumário Mineral Brasileiro (BRASIIL, associadas a corpos máfico-ultramáficos (Gr. Riachão 2013) indicaram uma reserva mineral lavrável de do Ouro). Adicionalmente, os autores definiram um 10.516.000t de crisotila no Brasil em 2012, com certa corpo de norito cumulático (Complexo Barra do Ga- estabilidade no setor de beneficiamento das fibras meleira), além de dois corpos com alta potencialida- em relação aos anos anteriores e que totalizaram 304 de para platinóides. mt de minério. O Brasil é o terceiro maior produtor Além do reconhecimento do Maciço Barra mundial de crisotila e no mercado interno nacional do Gameleira (DANNI; TEIXEIRA, 1981), foram o minério é dominantemente utilizado na indústria cartografados na Folha Dianópolis, diversos stocks de artefatos de fibrocimento (98%). Porém, apenas constituídos por norito/gabro norito hidrotermalizado a mina de Cana Brava em Minaçu-GO operada pela e olivina gabro norito, associados ao Complexo SAMA, se encontra em processo de lavra, com Máfico-Ultramáfico Barra do Gameleira. Os dados produção estimada no período 2013-2015 na ordem litoquímicos em rocha mostraram expressivos teores de 305 mt/ano. Ni-Cu associados aos metadioritos da Fm. Monte No levantamento geológico da Folha Dia- do Carmo, metamáficas do Gr. Riachão do Ouro e nópolis não foram registrados indícios de amian- calcossilicáticas e anfibolitos da Sequência Água to. As informações aqui descritas são centradas Suja, marcados por altos valores radiométricos no no levantamento prospectivo de detalhe sobre o canal K, tabela 5.13. corpo Gameleira pelo PNPP (LIMA et al., 2000), Foram obtidos teores de 16,8 ppm de Cu e adicionalmente, a um antigo garimpo de crisotila 11ppm de Ni (JA-S-2089), em amostra de sedimento paralisado em terras da Fazenda Caraíbas, cujas 177 CPRM - Programa Geologia do Brasil hospedeiras estão representadas por gabros, leu- do Cipó Grosso e Soninho I e II e Rio Balsa), além cogabros e dioritos. Restrita ocorrência de minério de paisagens cársticas distribuídas na porção leste foi descrito pela bibliografia no Rio Formiga Gran- da folha, próximas à divisa dos estados do Tocan- de (Silvanópolis). tins e Bahia (Chapadões da Serra das Gerais, pon- tos PC293 e PC295), onde ocorrem associadas ao 5.3.16 - Grafita e Cianita contexto das escarpas de arenitos cretáceos do Grupo Urucuia, constituindo chapadões (Formação Estas ocorrências estão relacionadas com os Chapadão) e carbonatos do Grupo Bambuí, deten- metassedimentos da Formação Ticunzal. No ponto tores de atributos de grande atratividade turística. AS-192 aflora um grafita-granada-sericita-biotita- Outro exemplo de atividade voltada ao ecoturismo paragnaisse milonítico. A grafita constitui lamelas de é representado pelo notável potencial espeleológi- granulação fina associadas à biotita. co vinculado ao contexto dos carbonatos do Grupo No ponto AS-170 foi registrado um garimpo Bambuí (Formação Lagoa do Jacaré) e que apresen- desativado de cianita (figura 5.48). Neste local ta grande concentração de cavernas. Na porção NE ocorrem bolsões de cianititos e biotititos, da Folha Dianópolis (municípios de Ponte Alta-TO e interpretados como de origem hidrotermal a partir Mateiros), tem destaque o polo ecoturístico do Ja- de sedimentos aluminosos próximos às zonas de lapão, dotado de razoável infraestrutura de apoio. cisalhamento de primeira ordem. 5.3.18 - Recursos Hídricos Subterrâneos 5.3.17 - Geoturismo Da área total da folha, cerca de 30% está O Estado do Tocantins e em particular a Folha compreendido geologicamente por rochas Dianópolis é rica em recursos naturais, com notável sedimentares. Estas rochas apresentam maior favorabilidade ao ecoturismo, o qual se encontra favorabilidade para armazenamento e circulação centrado nos municípios de Dianópolis, Rio da Con- de águas subterrâneas, como indica os Aquíferos ceição e Natividade. Na área tem destaque diversas Serra Grande, Poti-Piauí e Urucuia. Apesar da cachoeiras (AS297, Cachoeira da Fumaça, PC269, região não apresentar qualquer exploração de água Cachoeira do Cavalo Queimado e PC271, Cachoeira mineral e possuir raros registros de poços tubulares Tabela 5.13 – Distribuição de Ni-Cu em metavulcânicas na Folha Dianópolis AMOSTRAS ppm AS254 AS124A AS130 AS138B AS86 AS50B AS61 AS76 Cu 129 102 92 153 20,8 86,1 112,5 159,9 Ni 58,1 1,6 75,8 91,4 63,0 46,8 9,7 12,5 AMOSTRAS ppm AS332 AS348 AS360D AS375 AS320 AS362 AS378 AS274 Cu 5 6 84 87 44 109 73 435 Ni 55 139 939 107 205 425 62 15 Figura 5.48 – (A) Bolsão de cianinito em garimpo desativado. (B) Cristais de cianita. 178 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis cadastrados, estudos hidrogeológicos desenvolvidos Poti/Piauí. Ambas unidades são essencialmente do em áreas de folhas vizinhas, no geral, apontam para tipo intergranular com características litológicas bons resultados de comportamentos hidrodinâmicos muito próximas. e águas com qualidade química de baixos valores de O aquífero Piauí é composto por arenitos sólidos totais dissolvidos. finos a médios, terrígenos, com intercalações de Comparativamente, os reservatórios destes folhelhos, apresentando médio grau de cimentação e aquíferos têm parâmetros de caracterização hidráu- compactação, e alto grau de fraturamento. O aquífero lica (vazão, capacidade específica, transmissidade e Poti é constituído por arenitos finos a médios, condutividade hidráulica) comparáveis aos grandes com médio grau de cimentação, compactação e aquíferos de âmbito nacional. Isto é, têm importância fraturamento, e intercalações de siltitos argilosos, regional e podem ser considerados como uma fonte folhelhos, além de conglomerado na base. alternativa de abastecimento de água para consumo Na área da folha, o sistema aquífero Poti/ humano em cidades e projetos de irrigações, mesmo Piauí tem extensão regional, ocorrendo de forma onde existe rede pública ou disponibilidade de fonte contínua, livre, com espessura da ordem de centenas superficial. de metros, porosidade primária alta e potencialidade para produção de água em poços tubulares de Aquífero Serra Grande moderada a elevada. Na condição de aquífero livre apresenta produtividade moderada sofrendo forte Ocorre na porção norte-noroeste da folha, incremento, em áreas de folhas vizinhas, quando correspondendo à parte da porção sul-sudoeste ocorre como um aquífero confinado, passando a da Bacia Sedimentar do Parnaíba. O aquífero é apresentar uma produtividade elevada. As vazões classificado como do tipo intergranular, contínuo, esperadas em testes de bombeamento de poços de extensão regional, porém, descontínuo e restrito tubulares são entre 25 e 50 m3/h, quando livre, e na área da folha, podendo ocorrer de forma livre acima de 50 m3/h, confinado. e localmente confinado, quando subjacente ao aquífero Pimenteiras. Aquífero Urucuia Este aquífero é constituído por arenitos de granulometria fina a grosseira, por vezes conglome- Está distribuído ao longo da área nordeste a ráticos, caulínicos, acamadados, contendo também sudeste da folha, correspondendo a uma porção a raros níveis de siltito ou argilito na base. Localmente norte-noroeste da Bacia Sedimentar Sanfrancisca- pode apresentar um comportamento de dupla poro- na. O aquífero é do tipo intergranular, com extensão sidade, com fluxo e armazenamento através de es- regional, contínuo, de elevada porosidade primária, paços intergranulares e planares, em função da ocor- livre, com condições locais de confinamento/semi- rência de fraturamentos em sedimentos com maior confinamento determinada geralmente por níveis grau de compactação e/ou cimentação. silicificados. No geral ocorre na forma de espessos Quando livre, assume importância hidroge- tabuleiros, apresentando grandes espessuras e adel- ológica relacionada à zona de recarga e apresenta gaçamentos em direção às bordas, nos locais onde se fluxo subterrâneo preferencial em direção ao centro encontra sobre o Grupo Bambuí ou o embasamento. da Bacia Sedimentar do Parnaíba. Desta forma, fun- O aquífero é constituído predominantemente ciona como um aquífero de baixa potencialidade em por arenitos quartzosos finos a médios, com con- decorrência de menores espessuras e/ou morfologia tribuições subordinadas de níveis conglomeráticos, escarpada. O aquífero Serra Grande assume maior silticos, silticos-argilosos e horizontes silicificados. É relevância, quanto à produtividade, quando confi- considerado o principal aquífero da Bacia Sanfrancis- nado, em profundidades e espessuras da ordem de cana. Na área da folha, tem grande importância para centenas de metros. Sendo assim, as vazões espe- regularização das vazões dos afluentes da margem radas em poços tubulares são da faixa entre 1 a 10 leste do rio Tocantins. m3/h, quando livre, e podem ultrapassar valores de As produtividades esperadas em poços 50 m3/h quando em condição de confinamento. tubulares podem variar desde muita alta, com vazões de estabilizações de testes de bombeamento acima Sistema aquífero Poti/Piauí de 100 m3/h, a muito baixa, com vazões entre 1 e 10 m3/h, a depender da espessura do pacote sedimentar Sua poligonal está distribuída na porção e proximidade com a borda da bacia sedimentar. norte da folha, correspondendo à parte da porção Gaspar e Campos (2007) descrevem quatro sul-sudoeste da bacia sedimentar do Parnaíba. Os subtipos de aquíferos no Sistema Urucuia: aquífero aquíferos Poti e Piauí se comportam hidraulicamente livre regional, aquífero suspenso local, aquífero con- de forma semelhante, formando o Sistema aquífero finado ou semiconfinado e aquífero livre profundo. 179 CPRM - Programa Geologia do Brasil 6 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 6.1- CONCLUSÕES Foram cartografas duas sequências metavulca- nossedimentares na folha: a) Grupo Água Suja, cor- Este trabalho se restringiu à caracterização respondendo a supracrustais clásticas e plataformais, litofaciológica dos terrenos vinculados ao bloco associadas ao contexto da Suíte Aurumina e b) Grupo Natividade-Cavalcante, sobretudo àqueles Riachão do Ouro, sedimentação química, águas pro- associados ao embasamento paleoproterozoico fundas, relacionado ao Complexo Almas-Cavalcante. Almas-Dianópolis (TAD), distribuídos nos limites da Alguns critérios como ocorrência de metassedimen- porção norte da zona externa da Faixa Brasília (FDB) e tos vulcanoquímicos tipo BIF’s (Morro do Bola) e me- Cráton São Francisco (CSF), no contexto da Província tacherts associados à sequências epigenéticas me- Estrutural Tocantins (PET). sotermais tipo “Orogenic Lode Gold”, além de uma A ordenação lito-estratigráfica adotada para associação desses terrenos com zonas de cisalhamen- este trabalho, confirmou unidades já definidas to transpressionais NS, podem sugerir uma provável em trabalhos anteriores regionais, detalhe/semi- associação à unidades metavulcanossedimentares. detalhe, não tendo sido criadas novas unidades, Neste trabalho, os autores adotaram a exceção ao Grupo Água Suja que foi subdivido em denominação Serrinha (ABDALLAH; MENEGHINI, duas formações, tendo sido incluída nessa unidade a 2011), subdividindo o Grupo Água Suja em Formação Formação Ticunzal. Serrinha (rochas metavulcânicas máficas) e Formação Foram cartografadas duas gerações Córrego Salobro (metapelitos, metapsamitos e diferenciadas de granitóides sin-colisionais metassedimentos químicos). Critérios litológicos e metaluminosos e peraluminosos com assinatura geofísicos permitiram aos autores englobarem os de arco magmático (Complexo Almas- metassedimentos associados à Formação Ticunzal, Cavalcante e Suíte Aurumina), duas sequências no Grupo Água Suja. metavulcanossedimentares tipo granito greenstone Além do batólito principal, foram (grupos Riachão do Ouro e Água Suja), duas cartografados na área outros oito corpos associados coberturas paleo/neoproterozoicas (grupos às máficas Gameleira, intrusivas no Complexo Almas- Natividade e Bambuí), unidades metavulcânicas e Cavalcante, supracrustais Riachão do Ouro e Granito metaplutônicas neoproterozoicas vinculadas ao Arco Pau Ramalhudo, representadas por noritos, gabro Magmático de Goiás, sendo todo esse conjunto, noritos e olivina gabro noritos, sem evidências retrabalhado durante o Brasiliano. O evento de de metamorfismo, porém com evidências de maior expressão na evolução geológica da área retrometamorfismo incipiente. consistiu na implantação de uma megazona de Manifestações do magmatismo Mata Azul cisalhamento N30E, cujo desenvolvimento abrangeu extensivo à folhas Alvorada e Gurupi, não foram transcorrência e cavalgamentos ESSE para WNW. reconhecidos nos limites da área, tendo sua Adicionalmente, nas porções leste e norte da folha, cartografia sido restrita ao prolongamento de um foram cartografadas coberturas mesozoicas e stock representado na Folha Gurupi. cenozoicas (Grupo Urucuia e unidades da bacia do Sensores aerogeofísicos e dados de campo Parnaíba). permitiram caracterizar e individualizar no âmbito Dados geocronológicos U/Pb em da Bacia do Parnaíba, formações Jaicós, Itaim, metagranitóides dos TAD forneceram idades de Pimenteiras, Poti, Piauí e Pedra de Fogo. Amostra cristalização de 2.47±6 Ma e 2.20±21 Ma (CAC) e de fóssil forneceu idade neocarbonífera, permitindo 2.13±28 Ma (Suíte Aurumina), indicando fontes associar o molusco Pectinídeo a provável fácies siderianas a neoarqueanas. Foram obtidos valores marinho raso, transição entre as formações Piauí e de e entre -3,02 e -2,15 para o Complexo Almas- Pedra de Fogo. Outra amostra, porém sem registro Nd (t) Cavalcante e -2,05 e -2,4 para Suíte Aurumina, fossilífero, foi associada à Formação Pedra de Fogo. indicativos de contribuição crustal, enquanto que Unidades fotointerpretadas como prováveis para as máficas (CAC e Suíte Aurumina), valores de diques, foram marcadas na folha, por extensos e entre 0,04 e 0,06, são característicos de magmas lineamentos EW, N30E e N45W. Em função do Nd (t) primitivos com pouca ou nenhuma contribuição espesso capeamento de solo, estas estruturas não mantélica. foram reconhecidas em campo. 180 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis A compilação dos dados aloestratigráficos Foram cadastradas seis ocorrências de Mn, e de sensores remotos permitiu neste trabalho o sendo três, associadas à Fm. Córrego Salobro em reconhecimento de sete domínios estruturais que faixa hidrotermalizada (Rio Formiga, Córrego Taboca contemplaram quatro eventos deformacionais: e PC53a), uma ocorrência de metachert ferrífero com (D1), dúctil-rúptil compressional, com empurrões intercalações de Mn (Fm. Morro do Carneiro), e duas de baixo ângulo NNE/SSW (fácies anfibolito médio a ocorrências no contato por falha entre quartzitos e alto), gerando bandamento gnáissico acompanhado dolomitos do Grupo Natividade (PC165 e Fazenda de migmatização e dobras recumbentes; (D2 e Sucuriú, PC188). A Lavra do Batista constitui o único D3), dúctil-rúptil compressionais, gerando foliação garimpo de manganês em atividade visitado na área. milonítica penetrativa, foliação plano-axial e de O minério encontra-se associado a xistos miloníticos crenulação, associadas a dobras com vergência para do Grupo Natividade. Indícios geoquímicos de Mn na SE e NW (fácies xisto verde), acompanhada de shear folha são pouco expressivos. zones transcorrentes regionais anastomosadas e As mineralizações ferríferas mais significativas (D4), rúptil extensional, gerando falhas e fraturas. foram registradas na região de Almas-Dianópolis, Dados levantados em projetos, teses de associadas às formações ferríferas (Fm. Morro mestrado, jazimentos auríferos e minas visitadas do Carneiro) com destaque ao Morro do Bola na área, permitiram levantar um total de 170 (PC351) e em tributário do Rio do Peixe (AS274, jazimentos minerais, contemplando ouro, calcários, metatrondhjemito hidrotermalizado) associado ao pedras ornamentais e revestimento, associações Ni- Complexo Almas-Cavalcante (PP12gr), com 50,4% de Cu, U-Th, Sn-Ta, Ti, monazita e EGP, Mn, Fe, amianto, Fe2O3. gemas, agregados para construção civil, areias, Duas ocorrências e um garimpo abandonado cascalhos e argilas, brita, caulim e geoturismo. de turmalina (shorlita), além de um garimpo em Foram relacionadas duas minas desatividadas atividade de granada (rodolita), rutilo e quartzo rosa de pedras ornamentais (AS249 e AS325A), ao longo e arroxeado, constituem os principais jazimentos das rodovias Almas-Natividade (povoado Jacuba) e de pedras coradas visitados na folha. Ocorrências Porto Alegre-Dianópolis, que utilizavam ortognaisse de turmalinas ocorrem em bolsões pegmatóides milonítico hidrotemalizado, associado ao Complexo associados a apófises pegmatíticas, intrusivas Almas-Cavalcante. As mais importantes ocorrências em biotita tonalitos (Suíte Aurumina) e nos desta substância foram registradas no município metassedimentos da Formação Córrego Salobro de Silvanópolis e correspondem a filitos laminados, (PP2ascsqt). Na área foi registrada uma ocorrência que podem ser potencialmente utilizáveis como de granada na Fazenda Landi, nas proximidades de argamassa de revestimento, além dos quartzitos antigo garimpo abandonado (Rio Gameleirinha). vinculados ao Grupo Água Suja. Na área foram O único garimpo de granada (rodolita) visitado em descritas uma pedreira desativada produtora de brita atividade corresponde à lavra do Felício, (Pindorama- e uma mina em atividade de biotita metatonalito, TO), associado à metagranodiorito da Suíte Aurumina associadas ao Complexo Almas-Cavalcante (PP12gr). em zona hidrotermal. Nos domínios da folha Dianópolis não foi Prospectos potenciais para pesquisas de U-Th observada extração de areia saibrosa, arenoso ou na área, foram individualizadas em três anomalias, argilas, nas cercanias de importantes afluentes cujos dados litoquímicos forneceram até 43,3 ppm de como os rios Bagagem, Balsas, Formiguinha, Pedras, Th em granitóides peraluminosos (Suíte Aurumina). Córrego Sucuriú, Gameleira e Areias. O único indício importante de Sn-Ta foi registrado Foram visitadas quatro minas de calcário em monzogranito hidrotermalizado do Rio Rocinha dolomítico e calcítico em atividade para produção (AS104), com 23,3 ppm de Sn e 1,91 ppm de Ta. Os de insumos para agricultura (Mineração Nativa Ltda. mais significativos teores de TiO2 em litoquímica de (Morro do Mutum), Mineração Nacal Ltda., Fujita rocha na área, alcançaram valores máximos de 1,54% Mineração Ltda e Britacal Ltda), além de outras duas (AS155) e estão relacionados às mineralizações de subsidiárias do Grupo J. Demito (Mineração Natical rutilo e leucoxeno, marcadas por altas anomalias de Ltda e Sarp Mineração Ltda). Exceção à mina da Fujita K no contexto do CAC e granitóides peraluminosos Mineração Ltda., Britacal Ltda., Diacal Ltda. e Sarp da Suíte Aurumina. Mineração Ltda., onde os calcários estão associados Fortes anomalias (K/Th) para monazita estão ao Grupo Bambuí, nos demais jazimentos, o calcário associadas aos tonalitos hidrotermalizados da Suíte está relacionado ao Grupo Natividade. Aurumina (porção W da folha), associadas às zonas Apenas uma ocorrência primária de caulim de cisalhamento N30E e N50E, fácies ortogranítica, foi registrada nas proximidades do Ribeirão gnáissico-migmatítica e Serra do Boqueirão (CAC), Aldeia em Pindorama-TO, associada a pegmatitos com teores entre 15-40% e constituindo alvos hidrotermalizados da Suíte Aurumina. potenciais para detalhamento. Mineralizações de 181 CPRM - Programa Geologia do Brasil Ni-Cu e EGP são potencialmente reconhecidos no particularmente em relação aos depósitos auríferos. Complexo Barra do Gameleira. Expressivos teores -Implementação de follow-up em áreas onde de Ni-Cu estão vinculados aos metadioritos da Fm. não existem trabalho de garimpagem, com prioridade Monte do Carmo, metamáficas do Gr. Riachão do para os indícios geoquímicos de ouro em concentrado Ouro e calcossilicáticas e anfibolitos da Sequência de bateia, (46-90 pintas Au), associados às sequências Água Suja, marcados por altos valores radiométricos metavulcanossedimentares, notadamente para a no canal K. Foram obtidos teores de 16,8 ppm de Cu e faixa localizada a ESW de Almas, coincidente com 11ppm de Ni (JA-S-2089), em amostra de sedimento a Mina do Paiol, (Gr. Riachão do Ouro, Fm. Córrego de corrente coletada na borda do Maciço Barra do Paiol) e região de Natividade (Ribeirão Água Suja, Gameleira. Fm. Córrego Salobro). Destaque também para duas Anomalias aerogeofísicas combinadas com ocorrências de Au na porção W da folha, Rio das estudos mineralométricos em concentrados de Pedras (Gr. Água Suja, Fm. Córrego Salobro) e uma minerais pesados permitiram caracterizar duas ocorrência associada aos metagranitóides da Suíte associações: a) Co-Cr-Cu-Fe-Mn-Pb-Mg-Ni, rochas Aurumina. máfico-ultramáficas (grupos Riachão do Ouro, Água -Destaque para os indícios geoquímicos com Suja e Complexo Gameleira) e (b) Ce-La-Th (CAC, 23-45 pintas de Au em concentrado de bateia na Suíte Aurumina e Granito Serra do Boqueirão. região SSW e W de Almas (Paiol), Riachão do Mato (sul da área), Rio Gameleira, Ribeirão das Areias e 6.2 - RECOMENDAÇÕES Riacho Riachão, todos associados à Fm. Morro do Carneiro (GRO) e Rio das Pedras (metagranitóides da As recomendações sugeridas para a Folha SuÍte Aurumina). Dianópolis foram calcadas nas observações de -Mineralizações fosfáticos podem representar campo: uma futura possibilidade em termos prospectivos, -Os dados e informações relativos ao capítulo com vistas à corpos alcalinos, destaque para de Recursos Minerais foram levantados a partir dos monazita, que exibe boa distribuição na área, e que, trabalhos de mapeamento, não ocorrendo para tanto, juntamente com a apatita, perfazem 25% do total de uma etapa específica para tratar das mineralizações, pesados em concentrado de bateia. 182 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis 7 — REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDALLAH, Said; MENEGHINI, Paulo Fernando Villas (Mestrado em Geologia) - Universidade de Brasília, Boas. Aspectos geológicos e metalogenéticos do Brasília, 2006. Grupo Riachão do Ouro na região de Conceição, TO, uma sequência greenstone na Folha Arraias (SD.23- ARAÚJO FILHO, José Oswaldo de; KUYUMJIAN, V-A). In: SIMPOSIO DE GEOLOGIA DO CENTRO- Raul Minas. Regional Distribution and Estructural OESTE, 12., 16-19 out. 2011, Pirenópolis. Resumos Control of the Gold Occurrences / Deposits in the Expandidos [...]. Brasília: SBG-Núcleo Brasília, 2011. Goiás Massif and Brasília Belt. Revista Brasileira de Geociências, São Paulo, v. 26, n. 2, p.109-112, 1996. ABDALLAH, Said; MENEGHINI, Paulo Fernando Villas Boas. Mapa Geológico da folha Arraias - BABINSKI, Marly. Idades isocrônicas Pb/Pb e SD.23-V-A-VI. Goiânia: CPRM, 2013. Programa geoquímica isotópica de Pb das rochas carbonáticas Geologia do Brasil. Escala 1:250.000. Disponível em: do Grupo Bambuí, na porção sul da Bacia do São http://geobank.cprm.gov.br/pls/publico/geobank. Francisco. 1993. 133 f. Tese (Doutorado) - Inst. Pesq. documents.download?id_sessao=201508111742 Energéticas e Nucleares - IPEN, São Paulo, 1993. 53&usuario=1&file=arraias.zip. Acesso em: 18 set. 2014. BABINSKI, Marly; KAUFMAN, Alan Jay. First direct dating of a Neoproterozoic post-glacial cap ABDALLAH, Said. Caracterização litogeoquímica dos carbonate. In: SOUTH AMERICAN SYMPOSIUM granitóides da folha Arraias (TO) Brasil: um modelo ON ISOTOPE GEOLOGY, 4., 2003. Short papers […]. de arco magmático paleoproterozóico no bordo Salvador: [s.e.], 2003. v. 1, p. 321-323. ocidental do Craton São Francisco. Comunicações Geológicas, n.101, Especial I, p.21-26. 2014. BARBOSA, Octavio; RAMOS, J. R. de Andrade; GOMES, Franklin de Andrade; HELMOBOLD, Reinhard. AGROTINS. Secretaria da Agricultura, Pecuária e Geologia Estratigráfica, Estrutural e Econômica da Abastecimento do Estado de Tocantins. Balanço Área do Projeto Araguaia. Rio de Janeiro: DNPM, AGROTINS. 2010. Manejo e uso sustentável da água 1966. 95 p. e do solo na agropecuária. Disponível em: http:// central3.to.gov.br/arquivo/55402/ Acesso em: 14 BARBOSA, Octávio; BRAUN, Oscar Paulo Gross; jun. 2014. BAPTISTA, Milton Brand; CARTNER-DYER, Robert; COTTA, José Cunha. Geologia e inventário dos ALVARENGA, Carlos José Souza de; BOTELHO, recursos minerais da região Central do Estado de Nilson Francisquini; DARDENNE, Marcel Auguste; Goiás: Projeto Brasília. Brasília: DNPM, 1971. 148 p. MENESES, Paulo Roberto; MOURA, Marcia Abrahão; il. + mapas. (Série Geologia n. 18, Seção - Geologia MARTINS, F. de A. L. Eventos Rifte e Pós-Rifte do Final Básica, n. 13). do Paleoproterozóico no Embasamento da Faixa Brasília. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, BIZZI, Luiz Augusto; SCHOBBENHAUS, Carlos; 41., 2002, João Pessoa. Anais [...]. João Pessoa: SBG, GONÇALVES, João Henrique; BAARS, Franciscus 2002. p. 289-290. Jacobus; DELGADO, Inácio de Medeiros; ABRAM, Maísa Bastos; LEÃO NETO, Reginaldo; MATOS, ALVARENGA, Carlos José Souza (Coord.); BOTELHO, Gerson Manoel Muniz de; SANTOS, João Orestes Nilson Francisquini; DARDENNE, Marcel Auguste; Schneider. Geologia, Tectônica e Recursos Minerais LIMA, Otávio Nunes Borges de; MACHADO, Magno do Brasil: texto, mapas e SIG. [Geology, Tectonics Augusto. Geologia da folha Monte Alegre de Goiás and Mineral Resources of Brazil: text, maps and GIS]. SD.23-V-C-III: Sistema de Informações Geográficas Brasília: CPRM, 2003. 673 p. il. ISBN 8523007903. - SIG. Goiânia: CPRM, UnB, 2007. 1 CD-ROM. (Acompanha 1 DVD). (Programa Geologia do Brasil). BORGES, Maurício da Silva. Evolução tectono- ALVAREZ, Maria Cecília Ártica. Mineralizações de estrutural da região de Dianópolis-Almas, SE do ouro no terreno Almas –Dianópolis - TO: guias estado de Tocantins. 1993. 365 f. Tese (Doutorado de exploração mineral. 2006. 67 f. Dissertação em Geologia e Geoquímica) - Centro de Geociências, 183 CPRM - Programa Geologia do Brasil Universidade Federal do Pará, Belém, 1993. BRAGA, Leila Maria Vieira. Geologia da Região da Disponível em: http://repositorio.ufpa.br:8080/ Pedra Furada, Monte do Carmo, TO. In: SIMPÓSIO jspui/handle/2011/7663. Acesso em: 18 dez. 2018. SOBRE VULCANISMO E AMBIENTES ASSOCIADOS, 4., 2008, Foz do Iguaçu, PR. Anais [...]. Foz do Iguaçu, BORGES, Mauricio da Silva; COSTA, João Batista PR: SBG, 2008. 1 CD-ROM. Sena; HASUI, Yociteru. A estruturação da sequência metavulcano-sedimentar de Almas-Dianópolis, BRANCO, José Jaime Rodrigues; MENDES, Maria José sudeste de Tocantins. Anais da Academia Brasileira de C.; COSTA, Manoel Teixeira da. Descrição sumária de Ciências, Rio de Janeiro, v. 71, n. 4, p. 697-716, das lâminas de rochas estudadas. In: BRANCO, J. J. 1999. R. (Ed.). CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 14., 1961, Belo Horizonte. Roteiro para a Excursão BOTELHO, Nilson Francisquini. Les ensembles Belo Horizonte-Brasília [...]. Belo Horizonte: Instituto granitiques subalcalins a peralumineux mineralisés de Pesquisas Radioativas; UFMG, 1961. p. 27-33. en Sn et In de Ia sous-province Paranã, état de Goiás, (Publicação,15). Brèsil. 1992. 344 f. Tese (Doutorado) - Université de Paris VI, Paris, 1992. BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Sumário Mineral. Brasília: DNPM, 2013. BOTELHO, Nilson Francisquini et al. Precambrian 137 p., il.; 29 cm. ISSN 01012053. A-type tin-bearing granites in Workshop Magmatismo Granítico the Goiás tin province, central Brazil: BRITO NEVES, Benjamim Bley. Main stages of the a review e mineralizações associadas. Anais da development of the sedimentary basins of South Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, p. America and their relationship with the tectonics of 5-8, 1993. supercontinents. Gondwana Research, v. 5, n. 1, p. 175-196, 2002. BOTELHO, Nilson Francisquini; MOURA, Marcia Abrahão. Granite-ore deposit relationship in Central CAMPOS, José Eloi Guimarães; DARDENNE, Marcel Brazil. Journal of South American Earth Sciences, v. Auguste. Estratigrafia e sedimentação da bacia São 11, p. 427-438, 1998. Franciscana: uma revisão. Revista Brasileira de Geociências, São Paulo, n. 27, p. 269-282, 1997a. BOTELHO, Nilson Francisquini; MENEZES, Paulo Roberto; ALVARENGA, Carlos José Souza de; SILVA, CAMPOS, José Eloi Guimarães; DARDENNE, Marcel Luiz José Homem D´el-Rey. Suíte Aurumina: uma Auguste. Origem e evolução tectônica da bacia São suíte de granitos paleoproterozóicos, peraluminosos Franciscana. Revista Brasileira de Geociências, São e sin-tectônicos na Faixa Brasília. In: SIMPÓSIO DE Paulo, n. 27, p. 283-294, 1997b. GEOLOGIA DO CENTRO OESTE, 7., 1999, Brasília. Anais [...]. Brasília: SGB-Núcleo Centro-Oeste e CAPUTO, Mario Viana; LIMA, Eglamar Conde. Brasília, 1999. p. 17. Estratigrafia, idade e correlação do Grupo Serra Grande – Bacia do Parnaíba. In: CONGRESSO BOTELHO, Nilson Francisquini; PORTELA, Jefferson BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 33., out. 1984, Rio de Farrapo. Caracterização petrográfica e geoquímica Janeiro. Anais […]. Rio de Janeiro: SBG. Núcleo Rio das rochas metassedimentares da Formação de Janeiro, 1984. v. 2. p. 740-759. Ticunzal, no contexto da Suíte Granítica Aurumina, Goiás. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO CENTRO CAROZZI, Albert Victor; FALKENHEIN, Frank Ulrich OESTE, 9., 2005, Goiânia. Atas [...]. Goiânia: SGB- Helmut; CARNEIRO, Rosamaria Giatti; ESTEVES, F. Núcleo Centro-Oeste e Brasília, 2005. p. 36-38. R.; CONTREIRAS, Carlos J. A. Análise ambiental e evolução tectônica sinsedimentar da seção siluro- BOTELHO, Nilson Francisquini; FUCK, Reinhardt eocarbonífera da Bacia do Maranhão. Rio de Adolfo; DANTAS, Elton Luiz; LAUX, Jorge H.; JUNGUES, Janeiro: Petrobrás, 1975. 48 p. il. (Seção: Exploração Sérgio Luiz. The Paleoproterozoic peraluminous de Petróleo, 7). Aurumina granite suite, Goiás and Tocantins, Brazil: geological, whole rock geochemistry and U-Pb and CHAVES, César Lisboa; GORAYEB, Paulo Sérgio Sm-Nd isotopic constraints. In: ALKMIN, F. F.; NOCE, de Souza; MOURA, Candido Augusto Veloso. C. M.(Org.) The Paleoproterozoic record of the São Geologia, geocronologia e litoquímica dos granitos Francisco Craton. Ouro Preto:IGCP, 2006. (509 Field paleoproterozóicos tipo A do setor setentrional da workshop, Bahia and Minas Gerais, Field Guide and Província Tocantins. Revista Brasileira Geociência, Abstracts, p. 92) São Paulo, v. 38, p. 366-378, 2008. 184 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis CORDANI, Umberto Giuseppe; MILANI, Edison José; SILVA, Wagner Geraldo da; BARBOSA, Octavio. Projeto THOMAZ FILHO, Antonio; CAMPOS, Diogenes de Leste do Tocantins / Oeste do Rio São Francisco – Almeida. Tectonic evolution of South America. Rio LETOS. Relatório Final. Rio de Janeiro: Prospec S/A, de Janeiro: 31º International Geological Congress, 1976. Convênio DNPM/CPRM, v.1a 2000. 854 p. il. ISBN 8590148211. COSTA, João Batista Sena; LEMOS, Ronaldo Lima; CORDEIRO, Pedro Felipe de Oliveira; OLIVEIRA, MARTINS, José Pedro de Azevedo; BELTRÃO, JACIRA Claudinei Gouveia de; DELLA GIUSTINA, Maria Emilia Felipe; GÓES, Ana Maria; HASUI, Yociteru. Geologia Schutesky; DANTAS, Elton Luiz; SANTOS, Roberto da região de Porto Nacional. Revista Brasileira de Ventura dos. The Paleoproterozoic Campinorte arc: Geociências, São Paulo, v. 14, n. 1, p. 3-11, 1984. tectonic evolution of a Central Brazil pre-Columbia orogeny. Precambrian Research, n. 251, p. 49-61, COSTA, João Batista Sena. Aspectos lito-estruturais 2014. e evolução crustal da região centro-oeste de Goiás. 1985. 210 f. Tese (Doutorado em Geologia) - Curso de CORRÊA, Roberto de Siqueira. Deformação, alteração Pós-Graduação em Ciências Geofísicas e Geológicas, hidrotermal e mineralização aurífera associados ao Universidade Federal do Pará, Belém, 1985. Granito Príncipe, Distrito Aurífero de Natividade. 2014. 101 f. Dissertação (Mestrado) - Instituto de COSTA, João Batista Sena; BEMERGUY, Ruth Léa; Geociências, Universidade de Brasília, Brasília, 2014. HASUI, Yociteru; BORGES, Maurício da Silva; FERREIRA JÚNIOR, Carlos Roberto Paranhos; BEZERRA, Pedro CORRÊA, Roberto de Siqueira; OLIVEIRA, Claudinei Édson Leal; COSTA, Marcondes Lima da; FERNANDES, Gouveia de; SOUZA, V. S. Estudos de inclusões Jane Maria Garrafielo. Neotectônica da região fluidas no depósito aurífero orogênico de Príncipe, amazônica: aspectos tectônicos, geomorfológicos e Faixa Brasília setentrional, Brasil. In: CONGRESSO deposicionais. Geonomos, Belo Horizonte, v. 4, n. 2, NACIONAL DE GEOLOGIA, 9., 2014, Porto. CONGRESSO p. 23-44, 1996. DE GEOLOGIA DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA, 2., 2014, Porto. (2º CoGePLiP) Disponível em: http:// CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Área TO- www.lneg.pt/iedt/unidades/16/paginas/26/30/185. 01, Almas – Natividade / Tocantins. Goiânia: CPRM, Acesso em: 18 set. 2014. 1998. 4 mapas. (Informe de Recursos Minerais. Série Mapas Temáticos do Ouro, 41). Programa Nacional CORRÊA, Roberto de Siqueira; OLIVEIRA, Claudinei de Prospecção de Ouro-PNPO. Gouveia de. O Depósito Aurífero Orogênico de Príncipe, Faixa Brasília Setentrional. In: CONGRESSO CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Geologia e BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 47., 21-26 set. 2014, Resultados Prospectivos da Área Barra da Gameleira, Salvador. Anais [...]. Salvador: SBG-Núcleo Bahia, Tocantins. Escala 1:50.000. Goiânia: CPRM, 2000. Il., 2014. 1 CD-ROM. mapas. (Informe de Recursos Minerais. Série Metais do Grupo da Platina e Associados, 14). Programa CORRÊA, Roberto de Siqueira; OLIVEIRA, Claudinei Nacional de Prospecção de Metais do Grupo da Gouveia de; VIDOTTI, Roberta Mary; SOUZA, Valmir Platina - PNPP. da Silva. Regional-scale pressure shadow-controlled mineralization in the Príncipe Orogenic Gold Deposit, CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Boletim Central Brazil. Ore Geology Reviews, Amsterdam, v. Interno, totais pluviométricos consistidos das 71, p. 273-304, 2015. estações com municípios 2009-2013. Goiânia: CPRM, abr. 2014. (Dados internos fornecidos pela CORREIA FILHO, Francisco das Chagas Lopes; SÁ, GEHITE – CPRM, SGB). Alberto Martins de. Projeto Natividade: Relatório Final. Goiânia: CPRM, 1980. CRUZ, Waldemir Barbosa da Cruz; LIMA, Enjôlras de Albuquerque Medeiros; LEITE, Jairo Fonseca; COSTA, Luiz Alfredo Moutinho da; COSTA, Luiz Alfredo QUINHO, Juvenal de Souza; ANGELIM, Luís Alberto Moutinho da; BATISTA, Milton Brand; SILVA, Wagner de Aquino; VALE, Pedro de Alcântara Brito Ribeiro Geraldo da; PORTELLA, Antonio Carlos Ponsi; NILSON, do. Projeto Carvão da Bacia do Parnaíba: relatório Ariplínio Antonio; VALE, Carlos Roberto Oliveira; final da 1ª etapa. Recife: CPRM, 1973. 3 v. MARCHETTO, Celina Maria Leite; SANTOS, Edu Lucas dos; MENEGUESSO, Gilberto; INDA, Hermes CRUZ, Emílio Lenine Carvalho Catunda da. Geologia Augusto Verner; MARCETTO, Mauro; FRATIN, Oneili; e mineralizações auríferas do Terreno Granitóide- MOSSMANN, Ronaldo; OLIVEIRA, Tolentino Flávio de; Greenstone de Almas-Dianópolis, Tocantins. 185 CPRM - Programa Geologia do Brasil 1993. 152 f. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Pedro Edson Leal; PITTHAN, Jaime Heitor Lisboa; Geociências, Universidade de Brasília, Brasília, 1993. MONTALVÃO, Raimundo Montenegro Garcia de; SOUSA, Ana Maria Soares de; HILDRED, Peter CRUZ, Emílio Lenine Carvalho Catunda da; Relf; TASSINARI, Colombo Celso Gaeta. Projeto KUYUMJIAN, Raul Minas. Chemical characterization RADAMBRASIL, Folha SC.22 Tocantins: Geologia, of metabasalts and granitoids from the Almas- geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial Dianópolis granite-greenstone terrane, central da terra. Rio de Janeiro: DNPM, 1981. 524 p. Brazil. In: SYMPOSIUM ARCHAEAN TERRANES SOUTH (Levantamento de Recursos Naturais, 22). AMERICAN PLATFORM, 1., Brasília, 1996. Resumos expandidos […]. Brasilia: SBG, 1996. p. 53-54. DAEMON, Roberto Ferreira. Palinomorfos-guias do Devoniano Superior e Carbonífero Inferior das CRUZ, Emílio Lenine Carvalho Catunda da; bacias do Amazonas e Parnaíba. Anais da Academia KUYUMJIAM, Raul Minas. The geology and tectonic Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v. 46, p. 549- evolution of the Tocantins granite-greenstone 587, 1974. terrane: Almas - Dianópolis region, Tocantins State, Central Brasil. Revista Brasileira de Geociências, São DANNI, José Caruso Moresco; TEIXEIRA, Noevaldo Paulo, v. 28, n. 2, p. 173-182, 1998. Araújo. Características e sistematização das associações de rochas máficas e ultramáficas pré- CRUZ, Emílio Lenine Carvalho Catunda da; cambrianas do estado de Goiás. In: SIMPOSIO DE KUYUMJIAM, Raul Minas. Mineralizações auríferas GEOLOGIA DO CENTRO-OESTE, 1., 25-31 out. 1981, filoneanas do terreno granito-greenstone do Goiânia. Ata […]. Goiânia: SBG Núcleos Centro-Oeste Tocantins. Revista Brasileira de Geociências, São e Brasília, 1981. p. 376-403. Paulo, v. 29, n. 3, p. 291-298, 1999. DARDENNE, Marcel Auguste. Zonação Tectônica CRUZ, Emílio Lenine Carvalho Catunda da. A gênese na borda ocidental do Cráton do São Francisco. In: e o contexto tectônico da mina Córrego Paiol: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 30., 1978, um depósito de ouro hospedado em anfibolito Recife. Anais [...]. Recife: SBG, 1978. p. 299-308. do embasamento da Faixa de Dobramentos Brasília. 2001. 183 f. Tese (Doutorado) - Instituto de DARDENNE, Marcel Auguste. Os Grupos Paranoá Geociências, Universidade Brasília, Brasília, 2001. e Bambuí na faixa dobrada Brasília. In: SIMPOSIO SOBRE O CRATON SAO FRANCISCO E SUAS FAIXAS CRUZ, Emílio Lenine Carvalho Catunda da; MARGINAIS, nov. 1979, Parte I, Salvador. Anais […]. KUYUMJIAN, Raul Minas; BOAVENTURA, Geraldo Salvador: Sociedade Brasileira de Geologia-Nucleo Resende. Low-k calc-alkaline granitic series of Bahia, 1981. p. 140-157. southeastern Tocantins state: chemical evidence for two sources for the granitegneissic complexes in DARDENNE, Marcel Auguste; CAMPOS, José Eloi the paleoproterozoic ALMAS-DIANÓPOLIS. Revista Guimarães; ALVARENGA, Carlos José Souza de; Brasileira de Geociência, São Paulo, v. 33, n. 2, p. MARTINS, Francisco de Assis; BOTELHO, Nilson 125-136, 2003. Francisquini. A Sequência Sedimentar do Grupo Araí na Região da Chapada dos Veadeiros, Goiás. CRUZ, Emílio Lenine Carvalho Catunda da; In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO CENTRO-OESTE, 7., KUYUMJIAN, Raul Minas. Geochronology, isotopic 1999, Brasília Atas [...]. p. 100. signature and metallogenetic model for the Córrego Paiol gold deposit, Tocantins state, central Brazil. DARDENNE, Marcel Auguste. The Brasília fold belt. Revista Brasileira Geociências, São Paulo, v. 36, p. In: CORDANI, Umberto Giuseppe et al. Tectonic 152-156, 2006. Evolution of South America. Rio de Janeiro: 31st International Geological Congress, 2000. 854 p. ISBN CRUZ, F. W.; BURNS, S. J.; KARMANN, I.; SHARP, W. D.; 8590148211. p. 231-236. VUILLE, M. Reconstruction of regional atmospheric circulation features during the Late Pleistocene in DARDENNE, Marcel Auguste; SCHOBBENHAUS, subtropical Brazil from oxygen isotope composition Carlos. Metalogênese do Brasil. Brasília: UnB, 2001. of speleothems. Earth Planetary Science Letters, n. 392 p. (CPRM/UnB). ISBN 8523006478. 248, p. 494-506, 2006. DARDENNE, Marcel Auguste; SABOIA, André CUNHA, Bernardo Cristóvão Colombo da; POTIGUAR, Menezes. Litoestratigrafia do grupo natividade na Luiz Aurélio Torres; IANHEZ, Afonso Celso; BEZERRA, região de Natividade-Pindorama, sudeste do estado 186 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis do Tocantins. In: ROSA-COSTA, Lúcia Travassos; Brasileira de Geociências, São Paulo, v. 30, n. 3, p. KLEIN, Evandro Luiz; VIGLIO, Eduardo Paim (Org.). 297-301, 2000. Contribuições à geologia da Amazônia. Belém: SBGeo-NO, 2007. p. 29-38. ISBN 9788588692046. FERRARI, Márcio Anselmo Duarte; CHOUDHURY, Asit. Structural controls on gold mineralisation and DE LA ROCHE, H.; LETERRIER, J.; GRANDCLAUDE, the nature of related fluids of the Paiol gold deposit, P.; MARCHAL, M. A classification of volcanic and Almas greenstone belt, Brazil. Ore Geology Review, plutonic rocks using R1R2-diagram and major n. 24, p. 173-197, 2004. element analyses-ITS relationships with current nomenclature. Chemical Geology, Amsterdam ( FIETO. Federação das Indústrias do Estado do Elsevier), v. 29, p. 183-210. 1980. Tocantins. Boletim informativo, [s.n.], 2008. DELGADO, Inácio de Medeiros; SOUZA, João Dalton FIETO. Federação das Indústrias do Estado do de; SILVA, Luiz Carlos da; SILVEIRA FILHO, Nelson Tocantins. Boletim informativo, [s.n.], 2013. Custódio da; SANTOS, Reginaldo Alves dos; PEDREIRA, Augusto José; ANGELIN, Luiz Alberto de Aquino; FRASCA, Antônio Augusto Soares; LACERDA FILHO, VASCONCELOS, Antonio Maurílio; GOMES, Iaponira Joffre Valmório de; RIBEIRO, Pedro Sérgio Estevam. Paiva; LACERDA FILHO, Joffre Valmório de; VALENTE, Evolução Geológica da Área da Folha Gurupi, SD-22- Cidney Rodrigues; PERROTTA, Mônica Mazzini; Z-D. Projeto Sudeste do Tocantins. In: CONGRESSO HEINECK, Carlos Alberto. Província Tocantins. In: BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 45., 26 set. 01 a out. BIZZI, L. A.; SCHOBBENHAUS, C.; VIDOTTI, R. M.; 2010, Belém. Anais [...] Belém: SBG. Núcleo Norte, GONÇALVES, J. H. Geologia, Tectônica e Recursos 2010. 1 CD-ROM. Minerais do Brasil: texto, mapas e SIG. [Geology, Tectonics and Mineral Resources of Brazil: text, FRASCA, Antônio Augusto Soares; LIMA, Humberto maps and GIS]. Brasília: CPRM, 2003. p. 281-292. il. Alcântara; MORAES, Letícia Lemos de; RIBEIRO, (Acompanha 1 DVD). ISBN 8523007903. Pedro Sérgio Estevam (Orgs.). Geologia e recursos minerais da folha Gurupi: folha SC.22-Z-D: estado DELLA FÁVERA, Jorge Carlos. Tempestitos da Bacia de Tocantins. Goiânia: CPRM, 2010. Programa do Parnaíba. 1990. 590 f. Tese (Doutorado em de Geologia do Brasil - PGB; Projeto Sudeste do Geociências) - Universidade Federal do Rio Grande Tocantins. do Sul, Porto Alegre, 1990. FRASCA, Antônio Augusto Soares. Amálgamas do DERBY, Orville Adelbert. Geology and mineralogy: W-Gondwana na província Tocantins. Orientador: geology of the rio São Francisco. American Journal of Elton Luiz Dantas. Brasília, 2015. Tese (Doutorado em Science, New Haven, v. 19, n. 111, p. 236, mar. 1880. Geociências) - Instituto de Geociências, Universidade de Brasília-UnB, Brasília, 2015. DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral. RAL - Relatório Anual de Lavra. [s.l.]: DNPM, FRASCA, Antônio Augusto Soares; RIBEIRO, Pedro 2011. Sérgio Estevam; LACERDA FILHO, Joffre Valmório de; MENEGHINI, Paulo Fernando Villas Boas; MORAES, DNPM. Departamento Nacional da Produção Letícia Lemos de; LIMA, Humberto Alcântara Ferreira. Mineral. Informe Mineral: Desenvolvimento e Geologia e Recursos Minerais da Folha Alvorada Economia Mineral. Brasilia: Departamento Nacional (SD.22-X-B). Estado de Tocantins, 2018. Mapa Escala da Produção Mineral- DNPM, n.2, 2014, Disponível 1:250.000. Goiânia: Serviço Geológico do Brasil, em: http://www.dnpm.gov.br/dnpm/informes/ 2018. Programa de Geologia do Brasil – PGB. Projeto informe_mineral_2014-02.pdf. Acesso em: 15 set. Sudeste do Tocantins. 2014. FUCK, Reinhardt Adolfo. A Faixa Brasília e a DUARTE, Cynthia Romariz; BONOTTO, Daniel Compartimentação Tectônica da Província Tocantins. Marcos. Calibração em energia e concentração In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO CENTRO-OESTE, 4., de espectrômetro gama para análise de U, Th e K. Brasília. Anais [...]. Brasília: SBG, 1994. p.184-187. Geociências, n. 19, p. 313-319, 2000. FUCK, Reinhardt Adolfo; PIMENTEL, Marcio; FERRARI, Márcio Anselmo Duarte; CHOUDHURY, DANTAS, Elton Luiz; JUNGES, Sergio Luiz. Nd Asit. Chemical and structural constraints on the Paiol isotopes, U-Pb single grain and SHIRIMP zircon Gold deposit, Almas greenstone belt, Brazil. Revista ages from basement rocks of the Tocantins 187 CPRM - Programa Geologia do Brasil Province. In: SOUTH AMERICAN SYMPOSIUM ON GASPAR, Márcia Tereza Pantoja; CAMPOS, José Eloi ISOTOPE GEOLOGY, 3., 2001, Pucón, Chile. Resumos Guimarães. O Sistema Aquífero Urucuia. Brazilian expandidos [...]. Chile: Serviço Nacional de Geologia Journal of Geology, v. 37, n. 4, p. 216, 2007. y Mineria / Universidad de Chile, 2001. p. 141-144. 1 CD Rom. GHIGNONE, J. I. Geologia dos sedimentos fanerozóicos do Estado da Bahia. Salvador: FUCK, Reinhardt Adolfo; DANTAS, Elton Luiz; Secretaria de Minas e Energia/COM, 1979. p. 24-117. PIMENTEL, Marcio; BOTELHO, Nilson Francisquini; Textos Básicos, v.1. JUNGES, Sergio Luiz; HOLLANDA, Maria Helena B. M.; MORAES, Renato; ARMSTRONG, Richard. Crosta GIOIA, Simone Maria Costa Lima; PIMENTEL, continental paleoproterozóica no embasamento da Márcio Martins. The Sm-Nd isotopic method in the porção norte da Faixa Brasília: novos dados Sm-Nd geochronology 906 laboratory of the University of e U-Pb. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, Brasília. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 41., 2002, João Pessoa. Anais [...]. João Pessoa: SBG- Rio de Janeiro, v. 72, n. 2, p. 219-245, 2000. ISSN NE, 2002. p. 308. 0001-3765. http://dx.doi.org/10.1590/S0001- 37652000000200009. FUCK, Reinhardt Adolfo; PIMENTEL, Márcio Martins; SOARES, José Eduardo P.; DANTAS, Elton Luiz. GÓES, Adilson Marinho de Oliveira; SOUZA, João Compartimentação da Faixa Brasília. In: SIMPÓSIO Maria Pinheiro de; TEIXEIRA, Lino Brito. Estágio DE GEOLOGIA DO CENTRO-OESTE, 9., Goiânia. Anais exploratório e perspectivas petrolíferas da Bacia do [...]. Goiânia: SBG, 2005. p. 26 - 27. Parnaíba. Boletim de Geociências da Petrobras, Rio de Janeiro, v. 4, n. 1, p. 55-64. 1990. FUCK, Reinhardt Adolfo et al. Goiás Magmatic Arc, Tocantins Province, central Brazil: new U-Pb and GÓES, Adilson Marinho de Oliveira; TRAVASSOS, Sm-Nd isotopic data indicate multiple accretionary Walter Antônio Silva; NUNES, K. C. Projeto Parnaíba events. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON – Reavaliação da bacia e perspectivas exploratórias. GONDWANA TO ASIA, 4.; IAGR Annual Convention, Belém: PETROBRÁS, 1992. (relatório interno). Fukuoka. Abstracts [...]. Fukuoka: Kyushu University. 2007. p. 67. GÓES, Adilson Marinho de Oliveira; FEIJÓ, Flavio J. Bacia do Parnaíba. Boletim de Geociências da FUCK, Reinhardt Adolfo; DANTAS, Elton Luiz; SORDI, PETROBRAS, Rio de Janeiro: PETROBRAS, v. 8, n. 1, p. Diogo Alves de; CHIARINI, Marcus Flávio Nogueira; 57-67, jan./mar, 1994. OLIVEIRA, Claudinei Gouveia de; ALVARENGA, Carlos José Souza de (Coord.). Geologia da Folha Santa GÓES, Ana Maria. A Formação Poti (Carbonífero Terezinha de Goiás SD.22-Z-A-III. Escala 1:100.000: Inferior) da Bacia do Parnaíba. São Paulo, 1995. 171 relatório final. Goiânia: CPRM/UnB, 2007. 1 CD-ROM. p. il. color. Tese (Doutorado em Geologia Sedimentar) Programa Geologia do Brasil (PGB). Levantamentos - Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, Geológicos Básicos. São Paulo, 1995. FUCK, Reinhardt Adolfo et al. Deformação GÓES, Ana Maria; COIMBRA, Armando Márcio; intracontinental em sistemas transcorrentes: o caso NOGUEIRA, Afonso Cesar Rodrigues. Depósitos do lineamento transbrasiliano: geometria, idade e costeiros influenciados por tempestades e marés significado. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ESTUDOS da Formação Poti (Carbonífero Inferior) da Bacia do TECTÔNICOS, 14., 2013, Chapada dos Guimarães, Parnaíba. In: COSTA, M. L., ANGÉLICA, R. S. (coord.). MT. Resumos [...]. Chapada dos Guimarães, MT: SBG, Contribuições à Geologia da Amazônia. Belém, 2013. 1 CD-ROM. FINEP/SBG-NO, 1997. v. 1, p. 285-306. FUCK, Reinhardt Adolfo; DANTAS, Elton Luiz; GORAYEB, Paulo Sérgio de Sousa; COSTA, João Batista PIMENTEL, Marcio; BOTELHO, Nilson Francisquini; Sena; LEMOS, Ronaldo Lima; BEMERGUY, Ruth Léa; ARMSTRONG, Richard; LAUX, Jorge Henrique; GAMA JUNIOR, Theodoromiro; KOTSCHOUBEY, JUNGES, Sergio Luiz; SOARES, José Eduardo; Basile. Projeto Natividade-Almas. Belém: UFPA; PRAXEDES, Igor Fernandes. Paleoproterozoic crust CVRD, 1984. 123 p. -formation and reworking events in the Tocantins Province, Central Brazil: a contribution for Atlantica GORAYEB, Paulo Sérgio de Sousa; COSTA, João supercontinent reconstruction. Precambrian Batista Sena; LEMOS, Ronaldo Lima; GAMA JUNIOR, Research, v. 244, p. 53-74. 2014. Theodoromiro; HASUI, Yociteru. O Pré-Cambriano 188 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis da Região de Natividade, GO. Revista Brasileira de no centro-norte do Brasil e seu significado geológico- Geociências, São Paulo, v.18, p. 391-397, 1988. -geotectônico. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GE- OLOGIA, 31., Balneário de Camboriú, SC. Anais [...]. GORAYEB, Paulo Sérgio de Sousa; PALERMO, Nely; Balneário de Camboriú, SC: SBG, 1980. p. 669-676. KOTSCHOUBEY, Basile; LEITE, Albano A. S. As vulcânicas de Monte do Carmo – TO: caracterização geológica HASUI, Yociteru; COSTA, João Batista Sena; ABREU, – petrográfica e relacionamento estratigráfico com Francisco de Assis Matos. Província Tocantins - Setor o Grupo Natividade, Granito do Carmo e Formação setentrional. In: ALMEIDA, F. F. M. de; HASUI, Y. Monte do Carmo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE (Org.). O Pré-Cambriano do Brasil. São Paulo: Editora GEOLOGIA, 37., 1992, São Paulo. Boletim Resumos Edgard Blucher, 1984. p. 187-204. Expandidos [...]. São Paulo: SBG, 1992. p. 313-314. HASUI, Yociteru; HARALYI, Nicolau Landislau Ervin; GORAYEB, Paulo Sérgio de Sousa; MOURA, COSTA, João Batista Sena. Megaestruturação pré - Candido; CHAVES, César Lisboa. A granitogenese cambriana do território brasileiro baseada em dados neoproterozóica no setor setentrional da Província geofísicos e geológicos. Geociências, São Paulo, v. Tocantins: implicações para redefinição da Suite 12, n. 1, p. 7- 32, 1984. Lajeado. In: SBG, SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 7., Belém, PA. Boletim Resumos HASUI, Yociteru; COSTA, João Batista Sena; SAAD, Expandidos [...]. Belém, PA: SBG, 2001. 1 CD ROM. Antônio Roberto; CAMPANHA, Vilma Alves. O Grupo Natividade e sua correlação com o Grupo Bambuí. GORAYEB, Paulo Sérgio de Sousa; MOURA, Candido; Geociências, São Paulo, p. 299-316, 1990. (Edição CHAVES, César Lisboa; LOBO, Luciano Ricardo especial). da Silva. Neoproterozoic granites of the Lajeado intrusive suite, north-center Brazil: A late Ediacaran HASUI, Yociteru; COSTA, João Batista Sena; HARALYI, remelting of a Paleoproterozoic crust. Journal of Nicolau Landislau Ervin. Estrutura em quilha Brasil South American Earth Sciences, v. 45, p. 278-292, Central, uma feição fundamental na Geologia de 2013. Goiás e Tocantins. Geociências, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 463-497, 1994. GRAZZIOTIN, Heitor Flávio; KOTSCHOUBEY, Basile. Geologia das mineralizações de ouro da área do IBGE. Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Príncipe. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, Ambientais. Manual técnico de pedologia. 2. ed. Rio 7., 2001, Belém, PA. Boletim Resumos Expandidos de Janeiro: IBGE, 2007. 320 p. il. (Manuais Técnicos [...]. Belém: SBG/NO, 2001. p. 33-36. 1 CD-ROM. em Geociências, 4). Acompanha 1 CD-ROM. ISBN 9788524037229. GROVES, D. I.; GOLDFARB, R. J.; GEBRE-MARIAM, M.; HAGEMANN, G. A.; ROBERT, F. Orogenic gold IBGE. Indicadores de desenvolvimento sustentável, deposits: a proposed classification in the context of Brasil 2010. (Estudos & Pesquisas – Informação their crustal distribution and relationship to other Geográfica. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/ gold deposit types. Ore Geology Reviews, v. 13, n. 1, home/geociencias/recursosnaturais/ids/ids2010. p. 7-27, 1998. pdf. Acesso em: 24 mai. 2014. GUIMARAES, Djalma; MORAES, Luciano Jacques de. IBRAM. Instituto Brasileiro de Mineração. Câmara Geologia da região diamantífera do norte de Minas Minera de Brasil. Relatório Anual IBRAM, jul. 2012. Geraes. Annaes Academia Brasileira de Sciencias, 55p. 2013. Rio de Janeiro, v. 2, n. 23, p. 153-86, 1930. JUNQUEIRA-BROD, Tereza Cristina; DARDENNE, GUIMARÃES, Paulo José. Mineralização aurífera no Marcel Auguste; SABOIA, André Menezes; BRAGA, lineamento de Chapada da Natividade, Tocantins, Leila Maria Vieira. Sequência Vulcânica da Pedra com ênfase nos aspectos da alteração hidrotermal Furada, Monte do Carmo, TO. In: CONGRESSO e geoquímica. 2003. 205 f. Dissertação (Mestrado BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 45., 2010, Belém, PA. em Geologia) - Instituto de Geociência, Universidade Anais [...]. Belém, PA: SBG, 2010. Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 2003. KARNER, Garry D.; STECKLER, Michael S.; THORNE, HASUI, Yociteru; TASSINARI, Colombo C. G.; SIGA JU- Julian A. Long-term-thermo-mechanical properties NIOR, Oswaldo; TEIXEIRA, Wilson; ALMEIDA, Fernan- of the continental lithosphere. Nature, n. 304, p. do F. M. de; KAWASHITA, Koji. Datações Rb-Sr e K-Ar 250-253, 1983. 189 CPRM - Programa Geologia do Brasil KEGEL, Wilhelm. Contribuição para o estudo do LIMA, Enjôlras de Albuquerque Medeiros. devoniano da bacia do Parnaiba. Rio de Janeiro: Petrografia, química mineral e geocronologia U-Pb DNPM-DGM, 1953. 46 p. il. Inclui perfil geológico, La-Icpms de minerais acessórios da localidade de diagramas e fotografias. Príncipe, Bloco Natividade-Cavalcante, Tocantins. 2014. Dissertação (Mestrado em Geologia) - Instituto KING, Lester C. A. Geomorfologia do Brasil Oriental. de Geociências, Universidade de Brasília-UnB, 2014. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 18, p. 147-254. 1956. LISBOA, Miguel Arrojado Ribeiro. The Permian geology of Northern Brazil. American Journal of KUYUMJIAN, Raul Minas; ARAÚJO FILHO, J. D. Sciences, n. 177, p. 425-442, 1914. Depósitos e ocorrências de ouro no terreno arqueanopaleoproterozóico de Almas-Dianópolis MARINI, Onildo João; BARBOSA, Getúlio Vargas; (TO): evidências da importância metalogenética do DARDENNE, Marcel Auguste; FARIA, Álvaro; FUCK, evento Brasiliano. Revista Brasileira Geociência, São Reinhardt Adolfo. Projeto Serra Dourada: relatório Paulo, v. 35, n. 4, p. 611-614, 2005. final. Brasília: UnB/DNPM, 1974. v. 2. mapas. KUYUMJIAN, Raul Minas; CRUZ, Emílio Lenine MARINI, Onildo João; FUCK, Reinhardt Adolfo; Carvalho Catunda da; ARAÚJO FILHO, José Oswaldo DARDENNE, Marcel Auguste; FARIA, Álvaro de. de; MOURA, Marcia Abrahão; GUIMARÃES, Edi Contribuição a Geologia do Pré-Cambriano da Porção Mendes; PEREIRA, Karla Munique da Silva. Geologia e Central de Goiás. Revista Brasileira de Geociências, ocorrências de ouro do Terreno Granito-Greenstone São Paulo, v. 7, n. 4, p. 304-324, 1977. do Tocantins, TO: síntese do conhecimento e parâmetros para exploração mineral. Revista MARINI, Onildo João; FUCK, Reinhadt Adolfo; Brasileira de Geociências, São Paulo, v. 42, n. 1, p. DARDENNE, Marcel Auguste; DANNI, José Caruso 213-228, 2012. Moresco. Província Tocantins, Setores Central e Sudeste. In: ALMEIDA, F. F. M.; HASUI, Y. (coords.). O KWITKO, R.; MASOTTI, F; DAARS, F. J.; ABREU, F. Pré-Cambriano do Brasil. São Paulo: Edgar Blücher, R.; BELLA, V. C. M.; FERRARI, A. J. D.; FUCK, R. F.; 1984. p. 205-264. GOMES, R. P.; RIBEIRO , E.; TALLARICO, F.; VIAL, D. S.; VIANA, F. H. Petrografia, alteração hidrotermal MARQUES, Gustavo Campos. Geologia dos Grupos e mineralização aurífera da jazida do Córrego Araí e Serra da Mesa e seu embasamento no sul do Paiol - Almas (TO). CONGRESSO BRASILEIRO DE Tocantins. 2009. 122 f. Dissertação (Mestrado em GEOQUÍMICA, 5.; CONGRESSO DE GEOQUÍMICA Geologia) - Instituto de Geociências, Universidade de DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA, 3., Niterói/ Brasília, Brasília, 2009. RJ, 1995. Boletim Resumos Expandidos [...]. Niteroi: SBGq, 1995. CD-ROM. MELO, José Henrique G.; LOBOZIAK, Stanislas. Devonian-Early Carboniferous biostratigraphy LACERDA FILHO, Joffre Valmório de; REZENDE, of the Amazon basin, northern Brazil. Review of Abelson; SILVA, Aurelene de. Geologia e Recursos Palaeobotany and Palynology, n. 124, 2003, p. 131- Minerais do Estado de Goiás e Distrito Federal: Texto 202. Explicativo do Mapa Geologico do Estado de Goiás e Distrito Federal, Escala 1:500.000. Rio de Janeiro: MESNER, John C; WOOLDRIDGE, L. C. Paul. Maranhão CPRM, 1999. (Programa Levantamentos Geológicos paleozoic basin and cretaceous coastal basins North Básicos) Brazil. Bulletin of the American Association of Petroleum Geologists, Belém, [s.n.], v. 48, n. 9, p. LEITE, Gabriel Correa; METELO, Mário José. Estudo 1475-1512, 1964. de viabilização de programas e projetos. Mapa Preliminar de Integração Geológica. Folha Dianópolis MOORE, Benjamin. Geological reconnaissance of the SC.23-Y-C. Escala 1:250.000: Nota explicativa. Rio de South West Corner margin of the Maranhão basin. Janeiro: CPRM, 1997. 13 f. Rio de Janeiro: PETROBRÁS, 1963. 41 p. (PETROBRÁS. Relatório Único, 210). LIMA, Enjôlras de Albuquerque Medeiros; LEITE, Jairo Fonseca. Projeto-estudo global dos recursos MORAES, Luciano Jaques de; GUIMARÃES, Djalma. minerais da Bacia do Parnaíba: integração geológico- Geologia da região diamantífera do norte de Minas metalogenética. Relatório Final. Recife: DNPM/ Gerais. Academia Brasileira de Ciências, Rio de CPRM, 1978. 437 p. Janeiro, v. 2, n. 3, p.153-186, 1930. 190 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis NOBRE-LOPES, Jane. Diagenesis of the dolomites PRAXEDES, Igor Fernandes. Lineamento hosting Zn/Ag mineral deposits in the Bambuí Transbrasiliano, contribuição aerogeofísica, Group at Januária Region-MG. Campinas, 2002. 183 tectônica e geocronológica no setor nordeste da p. Tese (Doutorado em Metalogênese) - Instituto de Faixa Brasília. 2015. 104 f. Dissertação (Mestrado) Geociências, Universidade Estadual de Campinas, - Instituto de Geociência, Universidade de Brasília, Campinas, 2002. Brasília, 2015. OLIVEIRA, Cordeiro G. et al. Mapeamento Geológico PROJETO RADAMBRASIL. Folha SC.22 Tocantins. 1:50.000 da região de Natividade, Tocantins. 2012. Rio de Janeiro: IBGE, 2003. v. 22. 1 CD-ROM. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em (Levantamento de Recursos Naturais, 22). Edição fac- Geologia), Universidade de Brasília. símilar. OLIVEIRA, Avelino Ignácio de; LEONARDOS, Othon QUEIROZ, Joedy Patrícia Cruz; KOTSCHOUBEY, Basile; Henry. Geologia do Brasil. 2 ed ref. e atual.. Rio de LAFON, Jean Michel. Magmatismo e evolução Janeiro: Serviço de Informação Agrícola, 1943. 813 p. geotectônica na região de Monte do Carmo, centro- il + 2 mapas; color. (Série Didática, 2). sul do Estado do Tocantins. In: SIMPÓSIO DA GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 6., Manaus, 1999. Anais PADILHA, Jorge Luiz. Prospecção de ouro na região [...]. Manaus:SBG, 1999. p. 574-576. nordeste de Goiás - Projeto Pindorama-DOCEGEO. In: ENCONTRO REGIONAL DO OURO DE GOIÁS, 1., QUEIROZ, Joedy Patrícia Cruz. Geologia e 1984, Goiânia, GO. Resumos [...]. Goiás: SBG, 1984. mineralização aurífera da área de Chapada, p. 78-95. Tocantins. 2001. 114 p. Dissertação (Mestrado em Geologia) - Instituto de Geociências, Universidade PAIVA, Glycon de; MIRANDA, José. Carvão mineral Federal do Pará-UFPA, Belém, 2001. do Piauhy. Boletim da DGM, Rio de Janeiro, n. 20, p. 1-16, 1937. QUEIROZ, Joedy Patrícia Cruz; KOTSCHOUBEY, Basile; LAFON, Jean Michel. Geologia e Mineralizações PALERMO, Nely. Geologia e Mineralizações auríferas Auríferas da Área de Chapada-Tocantins. In: da região de Monte do Carmo, Goiás. 1988. 139 p. SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 7., Belém., Dissertação (Mestrado em Geologia) - Instituto de 2001. Resumos [...]. Belém:SBG, 2001. CD-ROM. Geociência, Universidade Rio de Janeiro-UFRJ, Rio de Janeiro, 1988. RIBEIRO, Pedro Sérgio Estevam. Mineralizações Associadas à Plataforma Bambuí no Sudeste do PALERMO, Nely. Vulcânicas ácidas de Monte do Estado do Tocantins. Goiânia: CPRM, 2004. Relatório Carmo: estágio do conhecimento. In: SIMPÓSIO DE interno. VULCANISMO E AMBIENTES ASSOCIADOS, 3., 2005, Cabo Frio, RJ. Anais [...]. Cabo Frio, RJ: SBG, 2005. p. RODRIGUES NETO, L. R.; OLIVEIRA, C. G. Projeto 411-414. Natividade. [s.l.]: Mineração Santo Expedito, 2012. Relatório Técnico. Inédito. PAULINO, F.; DARDENNE, M. A.; JUNQUEIRA-BROD, T. C.; SABOIA, A. M.; BRAGA, L. M. V.; SILVEIRA, D. RODRIGUES, Joseneusa Brilhante. Proveniência de A.; GOMIDE, C. S.; PEREIRA, G. S. P.; OLIVEIRA, A. sedimentos dos grupos Canastra, Ibiá, Vazante e A. Geologia da Região do Córrego Saleiro, Suíte Bambuí: um estudo de zircões detríticos e Idades Vulcânica Santa Rosa, Monte do Carmo, TO. In: Modelo Sm-Nd. 2008. Tese (Doutorado em Geologia) SIMPÓSIO SOBRE VULCANISMO E AMBIENTES - Instituto de Geociências, Universidade de Brasília, ASSOCIADOS, 4., Foz do Iguaçu, PR. Anais […]. Foz do Brasília, DF, 2008. 1 CD-ROM Iguaçu: SBG, 2008. 1 CD-ROM. RODRIGUES, R. Estudo sedimentológico e PLUMMER, Frederick. B.; PRINCE, L. I.; GOMES, F. estratigráfico dos depósitos silurianos e devonianos A. Estados do Maranhão e Piauí. Rio de Janeiro: da bacia do Parnaiba: Geologia do sudoeste de Relatório do Conselho Nacional do Petróleo, 1948. p. Carolina. Belém: Petrobrás, 1967. 61 p. il. (Relatório 87-134 Técnico, n. 273). PORTELA, Antônio Carlos Ponsi et al. Projeto Leste ROY, S. Genetic diversity of manganese deposition in do Tocantins - Oeste do Rio São Francisco (LETOS): the terrestrial geological record. In: NICHOLSON, K. Relatório final. Fase V. Rio de Janeiro, 1976. 12 v. et al. (Ed.). Manganese mineralization: geochemistry 191 CPRM - Programa Geologia do Brasil and mineralogy of terrestrial and marine deposit. Paleontologia das bacias do Parnaíba, São Luís e London: Geological Society, 1997. p. 5-27. (Geological Grajaú. Reconstituições paleobiológicas. Rio de Society Special Publication, 119). Janeiro: CPRM-Serviço Geológico do Brasil, DGM/ DILAPE, 2009. v. 1. 212 p. SÁ, Alberto Martins. Projeto mapas metalogenéticos e de previsão de recursos minerais: Folha SC.23-Y-C, SATO, Krei; COLOMBO, Celso Gaeta Tassinari; BASEI, Natividade. Escala 1:250.000. Goiânia: CPRM, 1982. Miguel Angelo Stipp; SIGA JUNIOR, Oswaldo; ONOE, Convênio DNPM/CPRM. Artur Takashi; Souza, Maurício Dias de. Sensitive High Resolution Ion Microprobe (SHRIMP IIe/MC) SABOIA, André Menezes, DARDENNE, Marcel of the Institute of Geosciences of the University of Auguste, JUNQUEIRA-BROD, Tereza Cristina. São Paulo, Brazil: analytical method and first results. Aspectos geológicos e geocronológicos do Granito Geologia USP, Série Científica, v. 14, n. 3, p. 3-18, Monte do Carmo, da Suíte Santa Rosa e da Formação 2014. Monte do Carmo, Região de Monte do Carmo (TO). In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 10., SCHOBBENHAUS, Carlos; CAMPOS, Diógenes de Porto Velho-RO, 2007. Resumos [...]. Porto Velho: Almeida. A Evolução da plataforma sul-americana SBG, 2007. CD-ROM. no Brasil e suas principais concentrações minerais. In: SCHOBBENHAUS, C. et al. (Coord.). Geologia do SABOIA, André Menezes. O vulcanismo em Monte Brasil. Brasília: DNPM, 1984. p. 9-49. do Carmo e litoestratigrafia do Grupo Natividade, estado de Tocantins. 2009. 96 f. Dissertação SCHOBBENHAUS FILHO, Carlos (Coord.). Carta (Mestrado em Geologia) - Instituto de Geociências, geológica do Brasil ao milionésimo: folha Goiás (SD- Universidade de Brasília-UnB, Brasília, 2009. 22). Brasília: DNPM, 1975. p. 9-53. SABOIA, André Menezes; DARDENNE, Marcel SHAND, Samuel James. Eruptive Rocks. Their Genesis Auguste; JUNQUEIRA-BROD, Tereza Cristina. Dados Composition. Classification, and Their Relation to Isotópicos e Geocronológicos da região de Monte Ore-Deposits with a Chapter on Meteorite. New do Carmo – TO. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA York: John Wiley & Sons, 1943. AMAZÔNIA, 11., Manaus, 2009. Resumos [...]. Manaus: SBG, 2009. CD-ROM. SILVA, Evaldo Raimundo Pinto da. Estudos das ocorrências Aurífera da área de Natividade-GO. SABOIA, André Menezes; DARDENNE, Marcel 1987. 125 f. Dissertação (Mestrado em Geologia e Auguste; JUNQUEIRA-BROD, Tereza Cristina. Dados Geoquímica) - Centro de Geociências, Universidade Isotópicos e Geocronológicos da região de Monte do Federal do Pará-UFPa, Belém, 1987. Carmo – TO. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO CENTRO- OESTE, 11.; WORKSHOP SOBRE O SW DO CRATON SILVA, Aurelene da; SOUZA, Leonardo Henrique; AMAZONICO, 3., 26-29 jul. 2009, Cuiabá. Programa FERREIRA, Maria Celene B. Alteração hidrotermal e Resumos [...]. Cuiabá: SBG-Núcleo Centro-Oeste, da sequência de rochas do alvo Córrego do Paiol e 2009. 84 p. mineralização aurífera associada. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 36., 1990, Natal. Boletim SABOIA, André Menezes; DARDENNE, Marcel de Resumos [...]. Natal: SBG, 1990. p. 1129-1143. Auguste; JUNQUEIRA-BROD, Tereza Cristina. O Vulcanismo na Região de Monte do Carmo - SILVA, Wanilson Luiz; KOTSCHOUBEY, Basile; LAFON, Tocantins, Geologia, Geocronologia, Geoquímica. In: Jean Michel; GALARZA, Marco Antonio. Corpo CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 45., 2010, Andesítico neoproterozóico intrusivo no Grupo Belém. Anais [...]. Belém: SBG, 2010. CD-ROM. Natividade: indício de magmatismo brasiliano no extremo norte da zona externa da Faixa Brasília – SANTOS, Maria Eugenia de Carvalho Maechesini; região de Natividade, sudeste do estado do Tocantins. CARVALHO, Marise Sandenberg Salgado de. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOQUIMICA, 9., Paleontologia das Bacias do Parnaíba, Grajaú e nov. 2003, Belém. Resumos Expandidos [...] Belém: São Luís: reconstituições paleobiológicas. 2 ed. SBGq, 2003. p. 779-783. il. Rio de Janeiro: CPRM, 2004. 1 CD-ROM. Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil-PLGB SILVA, Wanilson Luiz; KOTSCHOUBEY, Basile; GALLARZA, Marco Antonio. Grupo Natividade SANTOS, Maria Eugenia de Carvalho Maechesini; e Grupo Araí: correlatos, mas diacrônicos. In: CARVALHO, Marise Sandenberg Salgado de. CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOQUÍMICA, 10.; 192 Geologia e Recursos Minerais da Folha Dianópolis SIMPÓSIO DE GEOQUÍMICA DOS PAÍSES DO SPARRENBERGER, Irena; TASSINARI, Colombo MERCOSUL, 2., 30 out - 04 nov. 2005, Porto de Celso Gaeta. Subprovíncia do Rio Paranã (GO): um Galinhas, PE. Anais [...]. Porto Galinhas: SBGq: SBG, exemplo de aplicação dos métodos de datação 2005. 1 CD-ROM. U-Pb e Pb-Pb em cassiterita. Revista Brasileira de Geociências, São Paulo, v. 29, p. 405-414, 1999. SMALL, Horatio L. Geologia e supprimento d’agua subterranea no Piauhy e parte do Ceará, Geologia SURDAM, Ronald C.; BOESE, Steven W.; CROSSEY, e supprimento d’agua subterranea no Piauhy e Laura Jones. The chemistry of secondary porosity. parte do Ceará. Rio de Janeiro: Inspectoria de obras In: McDONALD, D. A.; SURDAM, R. C. (eds.) Clastic contra as seccas, 1914. 146 p. (Serie I.D. Geologia, diagenesis. Tulsa: American Association of Petroleum Publ. 32) Geologists, 1984. p. 127-150. (American Association of Petroleum Geologists Memoir, 37). SOUSA, Isabela Moreno Cordeiro de. Geologia, Geocronologia e Geoquímica do Embasamento VAZ, Pekim Tenório; REZENDE, Nélio das Graças de Granítico Paleoproterozóico em Natividade, Faixa Andrade da Mata; WANDERLEY FILHO, Joaquim Brasília Norte. 2015. 128 f. Dissertação (Mestrado em Ribeiro; TRAVASSOS, Walter Antônio Silva. Bacia do Geociências) - Instituto de Geociências, Universidade Parnaíba. Boletim de Geociências da Petrobrás, Rio de Brasília, Brasília, 2015. de Janeiro: Petrobrás, v. 15, n. 2, p. 253-263, 2007. 193 Programa Geologia do Brasil ISBN 978-85-7499-502-1 Programa Geologia do Brasil Levantamentos Geológicos Básicos Levantamentos Geológicos Básicos GEOLOGIA ESTADO DO TOCANTINS E RECURSOS MINERAIS NOTA EXPLICATIVA FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C GEOLOGIA A realização do Projeto Sudeste do Tocantins, que inclui a Folha Dianópolis SC.23-Y-C, resulta de uma ação do Serviço Geológico do Brasil E RECURSOS MINERAIS – CPRM, empresa pública vinculada à Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C O projeto foi executado pela Superintendência Regional de Goiânia, no âmbito do Programa Geologia do Brasil, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. Este relatório apresenta o estado da arte do conhecimento em geologia e recursos minerais, na escala 1:250.000, na Folha Dianópolis SC.23-Y-C, que abrange uma área de aproximadamente 18.000 km2, localizada na porção oriental do estado do Tocantins. Escala: 1:250.000 As informações geradas por este projeto deverão auxiliar os órgãos de planejamento das esferas de governo federal, estadual e municipal, em especial ao governo do estado do Tocantins SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM e seus respectivos municípios, no Diretoria de Geologia e Recursos Minerais estabelecimento de políticas públicas de Tel: 21 2546-0212 - 61 3223-1166 desenvolvimento regional, assim como a Departamento de Geologia iniciativa privada, na medida em que serve de Tel: 91 31821326 base para estudos mais detalhados de Departamento de Recursos Minerais prospecção e exploração mineral, além de Tel: 21 2295-4992 subsidiar estudos de zoneamento ecológico- Superintendência de Goiânia econômico e de gestão ambiental do território. Tel: 62 3240-1400 Escala: 1:250.000 www.cprm.gov.br Goiânia/2019 SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495 E-mail: seus@cprm.gov.br E-mail: ouvidoria@cprm.gov.br PROJETO SUDESTE DO TOCANTINS GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA DIANÓPOLIS SC.23-Y-C