UFRJ Rio de Janeiro Fevereiro de 2008 ANÁLISE DAS PEGADAS DE TETRÁPODES DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL (TRIÁSSICO, BACIA DO PARANÁ) Rafael Costa da Silva Tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como requisito necessário à obtenção do grau de Doutor em Ciências (Geologia). Orientadores: Prof. Dr. Ismar de Souza Carvalho Prof. Dr. Antonio Carlos Sequeira Fernandes Rio de Janeiro Fevereiro de 2008 ii ANÁLISE DAS PEGADAS DE TETRÁPODES DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL (TRIÁSSICO, BACIA DO PARANÁ) Rafael Costa da Silva Orientadores: Prof. Dr. Ismar de Souza Carvalho, Prof. Dr. Antonio Carlos Sequeira Fernandes Tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Doutor em Ciências (Geologia). Aprovada por: _____________________________________ Presidente: Prof. Dr. Claudio Limeira Mello Universidade Federal do Rio de Janeiro _____________________________________ Prof. Dr. Leonardo Fonseca Borghi de Almeida Universidade Federal do Rio de Janeiro _____________________________________ Prof. Dr. Renato Rodriguez Cabral Ramos Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro _____________________________________ Prof. Dr. Marcelo Adorna Fernandes Universidade Federal de São Carlos _____________________________________ Prof. Drª Cibele Schwanke Universidade do Estado do Rio de Janeiro iv Silva, Rafael Costa da. Análise das pegadas de tetrápodes do Grupo Rosário do Sul (Triássico, Bacia do Paraná) / Rafael Costa da Silva. - Rio de Janeiro: UFRJ / IGEO, 2008. x, 228f.: il.; 31 cm. Orientadores: Ismar de Souza Carvalho / Antonio Carlos Sequeira Fernandes Tese (doutorado) – UFRJ/ IGEO/ Programa de Pós- graduação em Geociências (Paleontologia), 2008. Referências Bibliográficas: f. 90-94. 1. Icnologia. 2. Tetrápodes. 2. Triássico. 2. Bacia do Paraná. I. Carvalho, Ismar de Souza. Fernandes, Antonio Carlos Sequeira. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Geologia, Instituto de Geociências, Programa de Pós-graduação em Geociências (Paleontologia). III. Título. iii Aos meus pais, irmãos e à Manoela... iv AGRADECIMENTOS À Dra Ana Maria Ribeiro e Dr. Jorge Ferigolo (Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul) pelo acesso à coleção e coleta do material; ao Dr. Henrique Zerfass e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) pelas críticas, elaboração da seção estratigráfica do afloramento Predebon e apoio nos trabalhos de campo juntamente com o mapeamento geológico da área pela instituição mencionada; ao Dr. Giuseppe Leonardi pelas críticas e ajuda na elaboração do nome do novo táxon Rhynchosauroides retroversipes; aos colegas MSc. Aline Gonçalves de Freitas, MSc. Cleber Fernandes da Silva, MSc. Fernando A. Sedor, MSc. Felipe Mesquita de Vasconcellos, MSc. Karina Lucia Garcia, MSc. Sandro Marcelo Scheffler, Dra Sonia Agostinho, MSc. Thiago da Silva Marinho e Dra Vera Maria Medina da Fonseca pelas críticas, informações e idéias que auxiliaram o desenvolvimento desta tese; ao Dr. André de Meijner pela transcrição de textos para a língua inglesa; à Renata Cunha pelas reconstruções artísticas nas figuras 7 (Artigo 4), 8 (Artigo 5), 46 e 47; à Ariel Milani Martine pelas reconstruções artísticas nas figuras 4 (Artigo 1) e 5 (Artigo 2); ao Sr. Albino João Predebon, proprietário da área onde se situa o afloramento homônimo; aos professores Dr. Ismar de Souza Carvalho e Dr. Antonio Carlos Sequeira Fernandes pela orientação e apoio ao longo dos últimos anos; ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro ao desenvolvimento deste estudo. v RESUMO ANÁLISE DAS PEGADAS DE TETRÁPODES DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL (TRIÁSSICO, BACIA DO PARANÁ) Rafael Costa da Silva Orientadores: Dr. Ismar de Souza Carvalho, Dr. Antonio Carlos Sequeira Fernandes Resumo da Tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Doutor em Ciências (Geologia). O Grupo Rosário do Sul (Triássico, Bacia do Paraná) apresenta um abundante registro osteológico, mas pegadas de vertebrados foram encontradas apenas recentemente. Duas pegadas procedentes da Formação Sanga do Cabral (Triássico Inferior) foram atribuídas a Dicynodontia e Archosauria (Proterosuchia ou Ornithosuchia), reforçando a idade eoscytiana. Diversas estruturas côncavas encontradas na localidade de Novo Treviso foram interpretadas como disrupturas da homogeneidade do substrato produzidas pela bioturbação de tetrápodes, algumas com diagênese diferencial em relação à matriz circundante. Os icnofósseis foram atribuídos a dinossauros de grande porte. Pegadas encontradas na Formação Santa Maria (Triássico Médio-Superior) foram agrupadas em três conjuntos de acordo com a afinidade icnológica: pegadas lacertóides, teromorfóides e dinossauróides. O primeiro inclui pegadas de um animal possivelmente escalador, correspondendo a uma icnoespécie nova (Rhynchosauroides retroversipes isp. nov.), e outras produzidas em semi-natação, sendo atribuídas a esfenodontídeos. O segundo conjunto inclui uma icnoespécie nova (Dicynodontipus protherioides isp. nov.), tendo sido produzido possivelmente por cinodontes. As pegadas dinossauróides foram atribuídas a dinossauros basais. Esta icnocenose apresenta uma composição paleofaunística diferente daquela conhecida para o Membro Alemoa, mas similar àquela encontrada na Formação Caturrita. Estas pegadas foram também classificadas em relação ao conteúdo d’água no momento em que foram produzidas e à posterior exposição subaérea. O estudo dos icnofósseis destas três formações permitiu uma complementação do conhecimento proporcionado pelos esqueletos fossilizados. Palavras-chave: Icnofósseis, Tetrápodes, Triássico, Grupo Rosário do Sul, Bacia do Paraná. vi ABSTRACT ANALYSIS OF THE TETRAPOD FOOTPRINTS FROM ROSÁRIO DO SUL GROUP (TRIASSIC, PARANÁ BASIN) Rafael Costa da Silva Supervisors: Dr. Ismar de Souza Carvalho, Dr. Antonio Carlos Sequeira Fernandes Abstract da Tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Doutor em Ciências (Geologia). The Rosário do Sul Group (Triassic, Paraná Basin) shows a rich osteological record, but vertebrate footprints were found only recently. Two footprints from Sanga do Cabral Formation (Early Triassic) were attributed to Dicynodontia and Archosauria (Proterosuchia or Ornithosuchia), corroborating the eoscytian age. Diverse structures found in Novo Treviso locality were interpreted as disruption of the substrate homogeneity caused by bioturbation, some with differential diagenesis in relation to the surrounding substrate. The ichnofossils was attributed to large dinosaurs. Footprints found in Santa Maria Formation (Middle-Late Triassic) were grouped in three kinds according to the ichnological affinity: lacertoid, theromorphoid and dinosauroid footprints. The first one includes footprints of a possibly climber animal, corresponding to a new ichnospecies (Rhynchosauroides retroversipes isp. nov.), and others produced in half-swimming, being attributed to sphenodontids. The second kind includes a new ichnospecies (Dicynodontipus protherioides isp. nov.), having been produced possibly by cynodonts. The dinosauroid footprints were attributed to basal dinosaurs. This ichnocoenosis presents a distinct paleofaunistic composition for the Alemoa Member but similar to that from Caturrita Formation. These footprints were classified yet according to their water content during their production and to posterior subaerial exposition. The study of the ichnofossils from these three formations allowed a complementation of the knowledge proportionate by the fossilized skeletons. Keywords: Ichnofossils, Tetrapods, Triassic, Rosário do Sul Group, Paraná Basin. vii SUMÁRIO AGRADECIMENTOS iv RESUMO v ABSTRACT vi LISTA DE FIGURAS viii LISTA DE TABELAS x 1 INTRODUÇÃO 01 1.1 OBJETIVOS 03 2 MATERIAL E MÉTODOS 04 2.1 MATERIAL 04 2.2 MÉTODOS 06 3 CONTEXTO GEOLÓGICO 09 3.1 BACIA DO PARANÁ 09 3.1.1 Evolução da Bacia do Paraná 10 3.2 GRUPO ROSÁRIO DO SUL 14 3.2.1 Formação Sanga do Cabral 14 3.2.2 Formação Santa Maria 14 3.2.3 Formação Caturrita 16 3.2.4 Idade do Grupo Rosário do Sul 16 3.3 DESCRIÇÃO DOS AFLORAMENTOS 17 4 DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 23 5 MENSURAÇÃO DAS AMOSTRAS 73 6 ARTIGOS PUBLICADOS OU SUBMETIDOS 83 7 CONCLUSÕES 88 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 90 APÊNDICES 95 viii LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Mapa de localização dos afloramentos com ocorrências de pegadas fósseis das formações Sanga do Cabral (RPJA-01 e RPJA-02), Santa Maria (Predebon) e Caturrita (Novo Treviso). 05 Figura 2 – Etapas da confecção de moldes e réplicas. 07 Figura 3 – Mapa de localização da Bacia do Paraná (modificado de SCHNEIDER et al., 1974). 09 Figura 4 – Diagrama estratigráfico da Bacia do Paraná (modificada de MILANI et al., 1994). 11 Figura 5 – Eventos tectônicos e sedimentares da Bacia do Paraná (baseado em RAJA GABAGLIA e FIGUEIREDO, 1990). 12 Figura 6 – Área de ocorrência e contexto estratigráfico das formações triássicas no Estado do Rio Grande do Sul (modificado de SCHERER et al., 2000). 15 Figura 7 – Afloramentos da região de Rio Pardo, Formação Sanga do Cabral (fotografias de Ismar de Souza Carvalho). A) Afloramento RPJA-01. B) Afloramento RPJA-02. 18 Figura 8 – Seção composta do Grupo Rosário do Sul (modificado de SCHERER et al., 2000) e seção em detalhes dos afloramentos Predebon e RPJA-01. 19 Figura 9 – Afloramento Predebon, Formação Santa Maria. A) Vista geral. B) Detalhes do afloramento, mostrando a disposição das fácies argilosas e arenosas. C) Detalhe mostrando uma camada lenticular de arenito em meio ao siltito (fotografia de Jorge Ferigolo). 20 Figura 10 – Afloramento Novo Treviso, Formação Caturrita (fotografias de Ismar de Souza Carvalho). A) Vista geral, antes da limpeza da superfície. B) Superfície exposta após a limpeza. C) Vista em detalhe evidenciando as pegadas fósseis. 22 Figura 11 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra RPJA-01, Formação Sanga do Cabral. 24 Figura 12 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície superior da amostra MCN-PIC.001, Formação Santa Maria. 25 Figura 13 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície inferior da amostra MCN-PIC.001, Formação Santa Maria. 26 Figura 14 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície superior da amostra MCN-PIC.002, Formação Santa Maria. 28 Figura 15 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície inferior da amostra MCN-PIC.002, Formação Santa Maria. 29 Figura 16 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície superior da amostra MCN-PIC.003, Formação Santa Maria. 31 Figura 17 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície inferior da amostra MCN-PIC.003, Formação Santa Maria. 32 Figura 18 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície superior da amostra MCN-PIC.004, Formação Santa Maria. 33 ix Figura 19 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície inferior da amostra MCN-PIC.004, Formação Santa Maria. 34 Figura 20 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.005, Formação Santa Maria. 36 Figura 21 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.006, Formação Santa Maria. 37 Figura 22 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.007, Formação Santa Maria. 39 Figura 23 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.008, Formação Santa Maria. 41 Figura 24 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.009, Formação Santa Maria. 42 Figura 25 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.010, Formação Santa Maria. 44 Figura 26 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.011, Formação Santa Maria. 45 Figura 27 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.012, Formação Santa Maria. 46 Figura 28 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.013, Formação Santa Maria. 48 Figura 29 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.014, Formação Santa Maria. 49 Figura 30 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.015, Formação Santa Maria. 50 Figura 31 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.016, Formação Santa Maria. 52 Figura 32 – Fotografia da amostra MCN-PIC.017, Formação Santa Maria. 53 Figura 33 – Desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.017, Formação Santa Maria. 54 Figura 34 – Fotografia da amostra MCN-PIC.018 a, Formação Santa Maria. 58 Figura 35 – Desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.018 a, Formação Santa Maria. 59 Figura 36 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.019, Formação Santa Maria. 60 Figura 37 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.020, Formação Santa Maria. 62 Figura 38 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.021, Formação Santa Maria. 63 Figura 39 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.022, Formação Santa Maria. 64 Figura 40 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.023, Formação Santa Maria. 66 Figura 41 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.024, Formação Santa Maria. 67 Figura 42 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.025, Formação Santa Maria. 68 Figura 43 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.026, Formação Santa Maria. 70 Figura 44 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.027, Formação Santa Maria. 71 Figura 45 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.028, Formação Santa Maria. 72 Figura 46 - Reconstrução do animal produtor de Rhynchosauroides retroversipes isp. nov. em seu provável ambiente de vida (desenho por Renata Cunha). 86 Figura 47 - Reconstituição dos animais produtores das pegadas de São João do Polêsine (desenho por Renata Cunha). 87 x LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Parâmetros morfométricos das pegadas, mensurados em amostras procedentes da Formação Santa Maria. Medidas lineares em cm (C, L, CP, LP, CD), medidas angulares em graus (D, DT). 74 Tabela 2 – Parâmetros morfométricos das pegadas, mensurados em amostras procedentes da Formação Santa Maria (continuação da tabela 1). Medidas lineares em cm (C, L, CP, LP, CD), medidas angulares em graus (D). 75 Tabela 3 – Parâmetros morfométricos das pegadas, mensurados em amostras procedentes da Formação Santa Maria (continuação da tabela 2). Medidas lineares em cm (C, L, CD), medidas angulares em graus (D, DT). 76 Tabela 4 – Parâmetro morfométrico das pistas, Distância Mão-Pé (DMP), mensurado em amostras procedentes da Formação Santa Maria. Medidas em cm. 77 Tabela 5 – Parâmetros morfométricos das pistas relativos às mãos, Distância Intermanus (DIM) e Ângulo do Passo (AP), mensurados em amostras procedentes da Formação Santa Maria. Medidas lineares em cm (DIM) e medidas angulares em graus (AP). 78 Tabela 6 – Parâmetros morfométricos das pistas relativos aos pés, Distância Interpedes (DIP) e Ângulo do Passo (AP), mensurados em amostras procedentes da Formação Santa Maria. Medidas lineares em cm (DIP) e medidas angulares em graus (AP). 79 Tabela 7 – Parâmetros morfométricos das pistas relativos às mãos, Passo Oblíquo (PO) e Meio Passo (MP), mensurados em amostras procedentes da Formação Santa Maria. Medidas lineares em cm (MP) e medidas angulares em graus (PO). 80 Tabela 8 – Parâmetros morfométricos das pistas relativos aos pés, Passo Oblíquo (PO) e Meio Passo (MP), mensurados em amostras procedentes da Formação Santa Maria. Medidas lineares em cm (MP) e medidas angulares em graus (PO). 81 Tabela 9 – Parâmetro morfométrico das pistas relativos às mãos e pés, Passo Duplo (PD), mensurado em amostras procedentes da Formação Santa Maria. Medidas em cm. 82 1 INTRODUÇÃO O registro fossilífero de vertebrados é composto por dois tipos de evidências. O primeiro deles constitui-se de partes do corpo fossilizadas tais como ossos, dentes e eventualmente fragmentos de pele, músculos e outros tecidos moles. O segundo tipo inclui os icnofósseis, que consistem em registros da atividade dos organismos como pegadas, pistas, coprólitos, cascas de ovos, escavações, estruturas de nidificação e marcas de mordidas em ossos (e.g. THULBORN, 1990; LOCKLEY, 1991; HUNT et al., 1994; HIRSCH, 1994). Ambos apresentam diferenças em relação à informação que pode ser obtida. Partes duras, tais como ossos e dentes, têm um potencial de preservação maior, pois resistem mais tempo às condições ambientais antes do soterramento definitivo. Porém, cada animal possui apenas um esqueleto passível de preservação (e.g. SHIPMAN, 1981). Os registros de atividade, por outro lado, podem ser produzidos em grande quantidade, pois um único animal pode gerar milhares de pegadas durante sua vida. Entretanto, esse tipo de registro tem um baixo potencial de preservação, sendo facilmente destruído por fatores ambientais, e assim apenas uma pequena parcela é preservada (e.g. THULBORN, 1990; LOCKLEY, 1991). Além disso, restos corpóreos dos organismos podem trazer informações sobre as circunstâncias que causaram sua morte ou os fatores sedimentológicos que atuaram na necrólise, desarticulação, transporte e soterramento, além das características morfológicas (e.g. SHIPMAN, 1981; HOLZ e SIMÕES, 2002). Já os icnofósseis, tendo sido produzidos por animais em vida, revelam informações sobre a forma de locomoção, tipos de comportamentos, ambiente de vida e alimentação, além da morfologia do autopódio do organismo produtor e das características físicas do sedimento em que foram produzidos (e.g. SARJEANT, 1975, 1988; DONOVAN, 1994). Um bom exemplo onde os dois tipos de registros de vertebrados são encontrados é o Grupo Rosário do Sul, Triássico da Bacia do Paraná. Esta unidade geológica é amplamente conhecida por sua rica fauna representada por um abundante registro osteológico, composta principalmente por “anfíbios” temnospôndilos, arcossauromorfos como rincossauros, “tecodontes” e dinossauros, terapsídeos como cinodontes e dicinodontes e pequenos tetrápodes como procolofonídeos e esfenodontídeos (e.g. BARBERENA e DORNELLES, 2000; BONAPARTE et al., 1999; DIAS e DIAS-DA-SILVA, 2000; KISCHLAT, 2000; LANGER et al., 1999; LANGER e LAVINA, 2000; LANGER e SCHULTZ, 2000; PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – INTRODUÇÃO 2 SCHWANKE e ARAÚJO-BARBERENA, 2000). Em sua maior parte, esta fauna constitui-se de animais de médio a grande porte. O Grupo Rosário do Sul é dividido nas formações Sanga do Cabral (Triássico Inferior), Santa Maria e Caturrita (Triássico Médio a Superior) (ANDREIS et al., 1980). Esses estratos foram acumulados por sistemas deposicionais continentais flúvio-eólicos associados a lagos rasos e localizados (MILANI et al., 1994). Pegadas fósseis de vertebrados do Triássico são relativamente abundantes em todo o mundo, mas poucas foram registradas no Brasil. Até o início do presente estudo, havia apenas registros preliminares nas formações Sanga do Cabral (COSTA et al., 2003b) e Caturrita (CARGNIN et al., 2001; COSTA et al., 2003a), além do registro de pegadas sobre um coprólito (e.g. SOUTO, 2001). Na Formação Santa Maria, apesar de registros osteológicos serem estudados há mais de um século (e.g. HOLZ e DE ROS, 2000), apenas recentemente foram encontradas pegadas e pistas fossilizadas de vertebrados, nenhuma delas descrita formalmente até o início deste estudo. A textura fina da rocha permitiu a preservação de detalhes morfológicos dos icnofósseis, o que os torna valiosos para a identificação dos organismos produtores e para uma melhor compreensão sobre a gênese das camadas. Além disso, a maior parte dos tetrápodes registrados nessa unidade litoestratigráfica consiste em animais de médio a grande porte (e.g. HOLZ e DE ROS, 2000), mas a maior parte dos icnitos foi produzida por animais de pequeno porte e assim o estudo destes icnofósseis é importante também para o conhecimento desses animais, além de trazer informações sobre morfologia funcional e hábitos de vida dos organismos produtores das pegadas. O desenvolvimento do presente estudo permitiu a elaboração da seguinte hipótese: a icnofauna corresponde à fauna conhecida através de esqueletos fossilizados? No decorrer do estudo, as informações obtidas foram divulgadas a princípio em comunicações preliminares (COSTA et al., 2003a, 2003b; SILVA et al., 2005a, 2005b, 2006a, 2007a) e posteriormente em artigos técnicos (SILVA et al., 2006b, 2007b, 2007c), publicados em periódicos ou livros especializados. Por este motivo, a tese foi organizada em formato de artigos, no qual a apresentação e discussão dos resultados são substituídas pelos textos publicados. Alguns dados não publicados foram ainda incluídos, tais como a descrição e ilustração de todas as amostras coletadas, as tabelas com os dados brutos resultantes da mensuração das mesmas e uma listagem de todos os morfotipos encontrados. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – INTRODUÇÃO 3 1.1 OBJETIVOS Esta tese tem como objetivo: • Taxonomia e interpretação morfofuncional das pegadas fósseis de vertebrados do Grupo Rosário do Sul, Triássico da Bacia do Paraná, Estado do Rio Grande do Sul; Para atingir esse objetivo foram empregados os seguintes meios: • Analisar as condições que ocasionaram a preservação dos icnitos a partir das identificações e descrições, em conjunto com o estudo das características litológicas; • Inferir, com base nesses dados, as características morfológicas, biomecânicas e comportamentais dos organismos que produziram os icnofósseis; • Analisar as características do paleoambiente onde as pegadas foram produzidas com base no conjunto dessas informações associado ao estudo do afloramento. 2 MATERIAL E MÉTODOS 2.1 MATERIAL O material de estudo procede de três localidades de ocorrência das formações geológicas do Grupo Rosário do Sul: Sanga do Cabral, Santa Maria e Caturrita, no Estado do Rio Grande do Sul. O material da Formação Sanga do Cabral consiste de duas pegadas nomeadas como RPJA-01 e RPJA-02 (Rio Pardo – Rio Jacuí), preservadas como epirrelevo côncavo. O registro de campo foi efetuado pelo Prof. Dr. Ismar de Souza Carvalho (IGEO- UFRJ) em dezembro de 1998. O espécime RPJA-01 procede da Formação Sanga do Cabral, localidade de Rio Jacuí (coordenadas 30° 01’ S; 52° 22’ W), rodovia BR 471, cerca de 2 km ao sul do Município de Rio Pardo (figura 1); encontra-se depositado na coleção paleontológica do Museu de Ciências Naturais (MCN), Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, situada no Município de Porto Alegre. O espécime RPJA-02 foi encontrado em um afloramento situado no km 159 da rodovia BR 471 entre os municípios de Pantano Grande e Rio Pardo (coordenadas 30° 02’ S; 52° 22’ W; figura 1), mas o mesmo não foi coletado. O material da Formação Santa Maria consiste em 28 amostras contendo icnofósseis de vertebrados preservados em epirrelevo côncavo e hiporrelevo convexo, coletadas entre 2002 e 2005 e depositadas na coleção paleontológica do Museu de Ciências Naturais (MCN), Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Este material procede do afloramento Predebon (coordenadas 29º 38’ 29,14” S; 53º 26’ 52,14” W), situado no Município de São João do Polêsine (figura 1). O restante do material estudado consiste em mais de uma centena de estruturas de deformação arredondadas, em forma de prato, interpretadas como pegadas fósseis, procedentes de um afloramento da Formação Caturrita na localidade de Novo Treviso (coordenadas 29° 31’ 43,17” S; 53° 24’ 9,00” W), Município de Faxinal do Soturno (figura 1). Estas pegadas, preservadas em epirrelevo côncavo, foram estudadas in loco em dezembro de 1998 pelo Prof. Dr. Ismar de Souza Carvalho e não foram coletadas amostras. As pegadas encontram-se distribuídas em uma superfície com aproximadamente 192 m², próximo à igreja local. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – MATERIAL E MÉTODOS 5 Figura 1 – Mapa de localização dos afloramentos com ocorrências de pegadas fósseis das formações Sanga do Cabral (RPJA-01 e RPJA-02), Santa Maria (Predebon) e Caturrita (Novo Treviso). PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – MATERIAL E MÉTODOS 6 2.2 MÉTODOS Dentre as amostras procedentes da Formação Sanga do Cabral, apenas o espécime RPJA-01 foi coletado, sendo fotografado com iluminação natural em diferentes ângulos de luz. A amostra RPJA-02 não foi coletada e o registro fotográfico foi feito no local com iluminação natural, sendo que a pegada foi realçada com água para facilitar a visualização de seus limites. Os desenhos de ambos os exemplares foram elaborados a partir do exame das fotografias, moldes, réplicas e dos originais. Foi realizado um mapeamento da superfície do afloramento de Novo Treviso a fim de registrar-se a disposição e orientação das estruturas. Para auxiliar a confecção do mapa dividiu-se o terreno em quadrículas de 1 m2 desenhadas diretamente sobre a rocha com giz. Posteriormente estas quadrículas foram fotografadas e usadas como base para o desenho do mapa. As fotografias foram feitas com luz natural em diversos ângulos de incidência. Análises posteriores foram realizadas com o uso do mapa do sítio e das fotografias obtidas na ocasião. Algumas das estruturas foram preparadas mecanicamente, ainda no campo, com o uso de talhadeiras, ponteiras e lâminas, tendo sido removido o sedimento que as preenchiam. Expedições foram realizadas em parceria com o MCN (Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul) e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM, em 2005) a diversos afloramentos das formações Santa Maria e Caturrita na região próxima ao Município de São João do Polêsine, objetivando o levantamento de dados geológicos, prospecção e coleta nas formações Santa Maria e Caturrita. Várias consultas à coleção do Museu de Ciências Naturais foram efetuadas entre 2003 e 2006 com o objetivo de preparar, fotografar e analisar as amostras procedentes da Formação Santa Maria. Essas foram preparadas para estudo através de processos mecânicos, sob microscópio estereoscópico, com a utilização de alfinetes de aço, ponteiras e talhadeiras de tamanhos variados, martelos e pincéis, segundo técnicas descritas em Camp e Hanna (1937), Rigby e Clark (1965) e Raup e Stanley (1971). Posteriormente as amostras foram impregnadas com uma solução de Paraloid em acetona, que após a secagem confere endurecimento e impermeabilização à rocha, aumentando sua resistência e permitindo a confecção de moldes. Este material encontra-se referenciado através da sigla do Museu de Ciências Naturais (MCN), coleção de Paleontologia-Icnologia (PIC), número da amostra e número da pegada. No caso das pegadas da Formação Sanga do Cabral foram mantidos os códigos de registro de campo. Moldes flexíveis de várias amostras foram confeccionados em borracha de silicone PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – MATERIAL E MÉTODOS 7 branca importada segundo técnicas baseadas em Raup e Stanley (1971): a superfície de cada amostra contendo icnofósseis a ser modelada foi cercada com uma parede de cerca de três centímetros de altura feita com massa de modelar, sendo então impregnada com detergente diluído em água, que depois de seco age como desmoldante; o silicone foi previamente misturado com o catalisador e com Aerosil, um espessante que aumenta a viscosidade da borracha, sendo posteriormente espalhado sobre as superfícies das amostras, cobrindo-as com uma camada de cerca de cinco milímetros de espessura; depois de a curagem estar completa, a massa de modelar e os moldes flexíveis foram cuidadosamente retirados das amostras (figura 2). A partir dos moldes foram confeccionadas réplicas destas amostras em resina Epóxi pigmentada e gesso seguindo uma técnica similar: desta vez os moldes foram cercados com massa de modelar, impregnados com detergente diluído em água e cobertos com resina Epóxi ou gesso pedra; no caso da resina, esta era misturada com pó de mármore, que confere uma textura rochosa à réplica, e colorida com pigmentos minerais próprios para resinas, reproduzindo a cor original da rocha, sendo então misturada com o catalisador e espalhada sobre o molde; no caso do gesso pedra, este era misturado a pigmentos negros afim de se obter uma coloração acinzentada, que propicia um bom contraste para fotografias e/ou observação; depois de endurecidas, a massa de modelar e as réplicas foram retiradas dos moldes (figura 2). A resina Epóxi apresenta uma resistência maior que o gesso e mostrou-se mais apropriada para o estudo. Foram confeccionados moldes e réplicas das amostras RPJA-01, MCN.PIC.001, MCN.PIC.002, MCN.PIC.003, MCN.PIC.004, MCN.PIC.005, MCN.PIC.006, MCN.PIC.007, Figura 2 – Etapas da confecção de moldes e réplicas. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – MATERIAL E MÉTODOS 8 MCN.PIC.008, MCN.PIC.009, MCN.PIC.010, MCN.PIC.011, MCN.PIC.012, MCN.PIC.013, MCN.PIC.014, MCN.PIC.015, MCN.PIC.016, MCN.PIC.017 e do espécime MCN.PIC.018a & b com o objetivo de facilitar a identificação, descrição e ilustração dos icnofósseis. As réplicas encontram-se depositadas na coleção paleontológica do Departamento de Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio de Janeiro. As amostras estudadas foram fotografadas no laboratório de preparação da coleção paleontológica do Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Foram utilizadas uma câmera fotográfica Canon EOS 3000n com objetiva EF 35-80 mm, filtro 80 A para baixas temperaturas de cor e filme Fuji Superia ISO 100 para luz do dia, câmera digital Canon A400 com resolução de 3.2 megapixels e câmera digital Sony H2 com resolução de 6.0 megapixels. A iluminação foi feita utilizando uma mesa com suporte para a câmera e luz artificial (lâmpadas photoflood de 250 W), em baixos ângulos de incidência luminosa segundo técnicas de Sarjeant (1975). As fotografias de campo foram realizadas com o mesmo equipamento fotográfico e com iluminação natural. Posteriormente os negativos foram digitalizados com o digitalizador Kodak Professional RFS 3600 Film Scanner e as imagens foram processadas com o uso dos programas de computação gráfica Corel Photo- Paint 12, Corel Draw 12 e Adobe Photoshop 7.0. Desenhos interpretativos foram confeccionados diretamente no microcomputador com o uso do programa Corel Draw 12, a partir de fotografias e exame dos espécimes originais, moldes em silicone e réplicas. Os mapas de localização dos afloramentos (figura 1) foram baseados em imagens do programa Google Earth. Os parâmetros morfométricos das pegadas e pistas foram mensurados com o auxílio do programa Image J (ABRAMOFF et al., 2004). Foram utilizados os seguintes parâmetros (baseados em LEONARDI, 1987): comprimento da pegada (C), largura da pegada (L), comprimento da planta (CP), largura da planta (LP), comprimento dos dígitos (CDI, CDII, CDIII, CDIV, CDV), divergência interdigital (DI-II, DII-III, DIII-IV, DIV-V), divergência total (DT), distância intermanus ou interpedes (DI), ângulo do passo (AP), passo oblíquo (PO), meio passo (MP), passo duplo (PD) e distância mão-pé (DMP). Foram mensuradas as pegadas e pistas das amostras MCN-PIC.001, MCN-PIC.002, MCN-PIC.003, MCN-PIC.004, MCN-PIC.005, MCN-PIC.015, MCN-PIC.016, MCN.PIC.017 e MCN.PIC.018, pois os demais icnitos são irregulares demais para uma mensuração adequada. Esses dados permitiram a realização de uma análise estatística simples, com o objetivo de caracterizar morfometricamente o material estudado. Figura 3 – Mapa de localização da Bacia do Chaco-Paraná (modificado de SCHNEIDER et al., 1974). 3 CONTEXTO GEOLÓGICO 3.1 BACIA DO PARANÁ A Bacia do Paraná apresenta grande extensão horizontal e vertical, sendo constituída por rochas sedimentares e ígneas formadas entre o Ordoviciano Superior e o Cretáceo Inferior, com a ocorrência local de rochas cenozóicas (MILANI et al., 1994; SCHNEIDER et al., 1974). Distribui-se da região Centro-Oeste do Brasil até a Argentina, Uruguai e Paraguai, cobrindo cerca de 1 600 000 km2, e assenta-se sobre o embasamento cristalino, consistindo em uma das maiores bacias intracratônicas do mundo (figura 3). PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 10 Esta bacia foi descrita por Almeida (1980) como uma sinéclise complexa desenvolvida do Paleozóico ao Jurássico e como uma anfíclise desde o vulcanismo do Jurássico Superior – Cretáceo Inferior. Raja Gabaglia e Figueiredo (1990) classificaram-na como uma bacia multicíclica iniciada por uma fase de fratura interior seguida por várias fases de sinéclise interior. Segundo Almeida (1980) e Zalán et al. (1988), o conjunto de rochas que constituem a Bacia do Paraná representa a superposição de três bacias diferentes correspondentes às seqüências depositadas entre os períodos Ordoviciano – Devoniano, Carbonífero – Triássico e Jurássico – Cretáceo (figura 4). Segundo a classificação de Klemme (1971), a Bacia do Paraná pode ser interpretada como uma bacia do Tipo I (Interior Cratônico) (SZATMARI e PORTO, 1982). A classificação de Kingston et al., (1983) foi adaptada por Raja Gabaglia e Figueiredo (1990), resultando no seguinte código: IF(?)FB3B*/IS13/IS12M/Lc/IS12M3/Lc/IS13Lc. A explicação do código encontra-se na figura 5. 3.1.1 Evolução da Bacia do Paraná As rochas do embasamento da Bacia do Paraná foram originadas como resultado de um evento tectônico conhecido como Ciclo Brasiliano, cuja fase deformacional teve início durante o Proterozóico Superior. Esse ciclo está relacionado à colisão de várias placas tectônicas, o que causou um aquecimento regional da crosta. Estas rochas constituem-se em diversos núcleos cratônicos limitados por cinturões móveis orogênicos formados por rochas metassedimentares, granitos, gnaisses e migmatitos (ZALÁN et al., 1988). Depósitos molássicos derivados desses cinturões seriam remanescentes de uma fase rift precursora (CORDANI et al., 1984). Posteriormente, o esfriamento dessas rochas deu origem à sinéclise interior que proporcionou o acúmulo de sedimentos durante o Fanerozóico (ALMEIDA, 1980; RAJA GABAGLIA e FIGUEIREDO, 1990). No intervalo entre o Ordoviciano Superior e o Siluriano Inferior desenvolveram-se na bacia sistemas continentais fluviais que foram gradativamente inundados e transformados em marinhos devido a uma transgressão. A bacia encontrava-se então conectada com o Proto- Pacífico, visto que sua porção oeste atuava como uma margem passiva. Com a presença do continente no pólo, todo esse processo foi regido pelo clima glacial. O Grupo Rio Ivaí corresponde ao registro desses eventos (ASSINE et al., 1994). Um hiato deposicional foi PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 11 causado por eventos tectônicos compressionais (Orogenia Caledoniana), tornando a margem oeste ativa (ALMEIDA, 1980; MILANI et al., 1994). A ativação da margem oeste limitou a conexão com o Proto-Pacífico e ocasionou a formação de ambientes fluviais durante o Devoniano Inferior (ALMEIDA, 1980; MILANI et al., 1994). Uma nova transgressão causou a substituição desses por ambientes marinhos rasos com ação de marés no decorrer do período, culminando em um extenso mar epicontinental Figura 4 – Diagrama estratigráfico da Bacia do Paraná (redesenhado de MILANI et al., 1994). PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 12 Figura 5 – Eventos tectônicos e sedimentares da Bacia do Paraná (baseado em RAJA GABAGLIA e FIGUEIREDO, 1990). colonizado por uma rica fauna. Essa seqüência é representada pelo Grupo Paraná (ASSINE et al., 1994). Durante parte do Carbonífero a bacia passou por um estágio de erosão relacionado à Orogenia Eoherciniana, originando um hiato entre as seqüências devonianas e permo- carboníferas (MILANI et al., 1994). A sedimentação foi retomada ao final do Carbonífero, apresentando um caráter transgressivo que perdurou por quase todo o Permiano. Inicialmente formaram-se sistemas fluviais e lacustres, mas esses deram lugar a sistemas marinhos gradativamente mais PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 13 profundos, exceto na porção noroeste da bacia, onde os sistemas continentais continuaram a dominar (MILANI et al., 1994). Nesse estágio a bacia esteve sob forte influência glacial, com o Gondwana ocupando uma posição próxima ao pólo, e muitas de suas rochas foram depositadas pela ação de geleiras e em lagos glaciais. Esses eventos estão registrados nas rochas do Grupo Itararé (SCHNEIDER et al., 1974). Ao longo do Permiano Inferior o continente começou a migrar para o norte, o que provocou alterações climáticas e possibilitou o surgimento de novas condições ambientais na Bacia do Paraná. Houve predomínio de sistemas marinhos transgressivos, com desenvolvimento local de deltas, estuários e ambientes litorâneos. Em algumas regiões da bacia houve a produção de carvão através da invasão de pântanos costeiros pelo mar. Essa seqüência corresponde ao Grupo Guatá (MILANI et al., 1994; SCHNEIDER et al., 1974). Um grande corpo d’água continuou a cobrir a Bacia do Paraná durante o restante do Permiano, havendo o desenvolvimento de sistemas marinhos com sedimentação carbonática. Próximo ao limite permo-triássico, a sedimentação passou a apresentar um caráter regressivo, havendo uma forte tendência à continentalização durante esse intervalo. O extenso corpo d’água gradativamente reduziu em tamanho, sofrendo sempre o domínio de marés (GAMA Jr., 1979; MILANI et al., 1994). Ao final desse período houve a instalação de sistemas deposicionais lacustres, fluviais e, no início do Triássico, de sistemas flúvio-eólicos em porções restritas da bacia. O Grupo Passa Dois representa o registro desses eventos (GAMA Jr., 1979; LAVINA, 1991; MILANI et al., 1994). O início do Triássico foi marcado por um evento tectônico (Orogenia La Ventana) ocorrido na porção sul do Gondwana, o que ocasionou movimentações positivas em vários setores da bacia, gerando um hiato deposicional. Durante o Triássico formaram-se na porção sul sistemas flúvio-eólicos associados a lagos rasos e localizados, deixando como registro o Grupo Rosário do Sul (ANDREIS et al., 1980; SCHERER et al., 2000). Uma importante biocenose instalou-se na região, tendo sido preservados principalmente registros de vertebrados e coníferas (e.g. HOLZ e DE ROS, 2000). Posteriormente, os primeiros movimentos relacionados à fragmentação do Gondwana causaram a elevação de partes da bacia, levando a um estágio erosivo que continuou até a metade do Jurássico (MILANI et al., 1994). A Bacia do Paraná esteve sob a ação de sistemas eólicos e climas áridos entre o final do Jurássico e início do Cretáceo, ocasionando a formação de extensos campos de dunas (MILANI et al., 1994). No limite Jurássico – Cretáceo, a ruptura do Gondwana e conseqüente PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 14 abertura do Atlântico Sul causaram movimentos tectônicos que resultaram em um volumoso derrame magmático, cobrindo grande parte da bacia com rochas basálticas interdigitadas com os arenitos eólicos. Essa seqüência corresponde ao Grupo São Bento (SCHNEIDER et al., 1974). A subsidência provocada pelo grande acúmulo de rochas basálticas proporcionou a instalação da Bacia Bauru durante o Cretáceo Superior (FERNANDES e COIMBRA, 1996). 3.2 GRUPO ROSÁRIO DO SUL Depositado durante o Triássico por sistemas continentais fluviais, lacustres e eólicos, o Grupo Rosário do Sul é dividido nas formações Sanga do Cabral, Santa Maria e Caturrita (sensu ANDREIS et al., 1980), sendo as três últimas restritas ao Estado do Rio Grande do Sul (figura 6). 3.2.1 Formação Sanga do Cabral A Formação Sanga do Cabral é constituída por argilitos, siltitos argilosos, arenitos e conglomerados com colorações avermelhadas. Os estratos apresentam geometria tabular ou lenticular, estratificações cruzadas e laminação plano-paralela. Os depósitos dessa formação são interpretados como resultantes de sedimentação fluvial em um contexto climático quente com marcada sazonalidade. De acordo com Scherer et al. (2000), esta unidade possui uma ampla diversidade de litofácies, indicando uma sucessão de diferentes modelos deposicionais no transcorrer do tempo: a base da seqüência representa um sistema fluvial entrelaçado, que foi sucedido por depósitos lacustres rasos; o topo representa novamente um contexto de sistema fluvial entrelaçado, efêmero e pouco canalizado, com parcial retrabalhamento eólico. 3.2.3 Formação Santa Maria A Formação Santa Maria foi depositada por um sistema continental flúvio-lacustre (FACCINI, 1989; ZERFASS et al., 2003; DA-ROSA, 2005) e é dividida nos membros Passo das Tropas e Alemoa (ANDREIS et al., 1980). O mais basal deles (Membro Passo das Tropas) é formado por conglomerados e arenitos grossos, correspondendo a um sistema PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 15 fluvial entrelaçado, efêmero e de alta energia (FACCINI, 1989; ZERFASS et al., 2003). O Membro Alemoa, superior, é caracterizado por pelitos avermelhados, maciços ou finamente laminados, intercalados com siltitos e arenitos finos, níveis de calcretes e paleosolos (FACCINI, 1989; ZERFASS et al., 2003; DA-ROSA, 2005). No topo da unidade, os pelitos são intercalados com arenitos tabulares a lenticulares, finos a médios, esbranquiçados, com estratificações cruzadas de pequeno a médio porte com intraclastos. Figura 6 – Área de ocorrência e contexto estratigráfico das formações triássicas no Estado do Rio Grande do Sul (modificado de SCHERER et al., 2000). Seqüência Ladiniana-Eonoriana PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 16 3.2.4 Formação Caturrita A Formação Caturrita é composta por arenitos conglomeráticos a finos, com estratificações cruzadas acanaladas ou planares e laminação plano-paralela, associados a siltitos e siltitos arenosos maciços ou com laminação plano-paralela (ANDREIS et al., 1980). Essas rochas são interpretadas como depósitos de rios meandrantes em uma planície aluvial, com níveis de paleosolos associados lateralmente a fácies arenosas multiepisódicas de canal fluvial. O clima teria sido quente e úmido (ANDREIS e MONTARDO, 1980). 3.2.5 Idade do Grupo Rosário do Sul A sedimentação triássica na Bacia do Paraná ocorreu essencialmente no intervalo temporal entre o Triássico Inferior e Triássico Superior definido por Milani (2000) como dentro do contexto das superseqüências Gondwana I e Gondwana II. Os depósitos do Triássico englobados nestas duas superseqüências são sedimentos flúvio-lacustres e eólicos que envolvem as formações Sanga do Cabral, Santa Maria e Caturrita. As pegadas analisadas neste estudo são oriundas da seqüência mais antiga (Eoscytiano), a Formação Sanga do Cabral, que faz parte da Superseqüência Gondwana I (MILANI, 2000). As idades atribuídas às formações Santa Maria e Caturrita são geralmente baseadas na bioestratigrafia de vertebrados e são controversas, visto que os afloramentos são intermitentes devido à acentuada cobertura vegetal do Rio Grande do Sul, onde poucas exposições apresentam mais que vários metros. De acordo com Scherer et al. (2000) e Rubert e Schultz (2004), as formações Santa Maria e Caturrita correspondem à Seqüência Ladiniana- Eonoriana. Segundo Milani (2000), estes depósitos estão inclusos na Superseqüência Gondwana II, que se distribui temporalmente entre o Triássico Médio e Superior. Entretanto, Lucas (1998, 2001) e Lucas e Heckert (2002) dataram a porção superior do Membro Alemoa e a Formação Caturrita como Carniano. Segundo Langer (2005), a porção superior do Membro Alemoa e a base da Formação Caturrita podem ser tentativamente correlacionadas à Formação Ischigualasto (Carniano) na Argentina, mas algumas associações faunísticas da Formação Caturrita parecem corresponder ao pós-Ischigualastiano (Noriano?). De qualquer forma, a idade carniana é admitida para a porção superior do Membro Alemoa. As rochas triássicas do Rio Grande do Sul foram ainda estudadas por Zerfass et al. (2003) no contexto da Estratigrafia de Seqüências e divididas em duas seqüências PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 17 deposicionais de segunda ordem: superseqüência Sanga do Cabral (equivalente à Formação Sanga do Cabral) e superseqüência Santa Maria (equivalente às formações Santa Maria, Caturrita e ao Arenito Mata de FACCINI, 1989). A primeira teria sido formada por sistemas fluviais efêmeros e de baixa sinuosidade, possivelmente durante o Neoinduano. A superseqüência Santa Maria incluiria rios de baixa sinuosidade, lagos e deltas e pode ser dividida em três seqüências de terceira ordem: Santa Maria 1 (Ladiniano), Santa Maria 2 (Carniano a Eonoriano) e Santa Maria 3 (possivelmente Retiano a Jurássico Inferior) (ZERFASS et al., 2003). 3.3 DESCRIÇÃO DOS AFLORAMENTOS Os afloramentos da região de Rio Pardo (figura 7), de onde procedem os espécimes RPJA-01 e RPJA-02 (Formação Sanga do Cabral), apresentam cerca de cinco metros de altura e consistem essencialmente em sucessões de siltitos argilosos maciços ou sem estruturas sedimentares observadas e arenitos avermelhados finos a médios com estratificação cruzada tabular (figura 8). O espécime RPJA-01 procede de uma camada de arenito quartzoso avermelhado de granulometria média e espessura centimétrica, situada no topo do afloramento. O espécime RPJA-02 foi encontrado em uma camada de arenito quartzoso avermelhado, de granulometria média, em uma superfície suavemente ondulada (ripple- marks). Trata-se de um nível com três centímetros de espessura, situado no topo do afloramento, sobreposto a uma camada de siltito argiloso avermelhado. O afloramento Predebon apresenta cerca de 100 metros de extensão e seis metros de altura (figura 9A). A seção estudada corresponde à porção superior do Membro Alemoa da Formação Santa Maria, estando próximo ao contato com a Formação Caturrita (figura 8). Pode ser dividido em quatro fácies distintas (figura 8; figura 9B): siltito argiloso avermelhado maciço contendo nódulos calcíferos e fósseis de Rhynchosauria (Facies 1); arenito fino avermelhado ou esbranquiçado de estrutura tabular com estratificação cruzada acanalada de pequeno porte, nódulos calcíferos no topo da camada e icnofósseis de invertebrados, principalmente Skolithos isp. (Facies 2); arenito fino maciço avermelhado tabular, apresentando laminação plano-paralela no topo da camada e grande densidade de bioturbações, principalmente Skolithos isp. (Facies 3); arenitos finos avermelhados a alaranjados com laminação horizontal de espessura milimétrica a centimétrica, formando PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 18 lentes de poucos metros de extensão, com icnofósseis de invertebrados (Skolithos isp. e Arenicolites isp.) e pegadas fósseis de vertebrados. Esta fácies apresenta ainda gretas de ressecamento e estruturas de deformação por fluidização (Facies 4; figura 9C). As fácies 2 e 3 ocorrem intercaladas à fácies 1 na porção inferior do afloramento ao passo que a fácies 4 ocorre intercalada à fácies 1 na porção superior. As interpretações faciológicas para as rochas da porção superior da Formação Santa Maria tem sido controversas e algumas interpretações diferentes podem ser encontradas na literatura especializada. Por exemplo, os pelitos são tradicionalmente interpretados como corpos d’água Figura 7 – Afloramentos da região de Rio Pardo, Formação Sanga do Cabral (fotografias de Ismar de Souza Carvalho). A) Afloramento RPJA-01. B) Afloramento RPJA-02. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 19 lacustres (e.g. FACCINI, 1989), enquanto as camadas lenticulares representadas pela fácies 4 poderiam corresponder a pequenos canais resultantes de eventos de exposição subaérea. Uma explicação mais recente sugere que esta seqüência poderia ser formada por um sistema fluvial Figura 8 – Seção composta do Grupo Rosário do Sul (modificado de SCHERER et al., 2000) e seção em detalhes dos afloramentos Predebon e RPJA-01. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 20 Figura 9 – Afloramento Predebon, Formação Santa Maria. A) Vista geral. B) Detalhes do afloramento, mostrando a disposição das fácies argilosas e arenosas. C) Detalhe mostrando uma camada lenticular de arenito em meio ao siltito (fotografia de Jorge Ferigolo). PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 21 com canais sinuosos a estáveis, onde os pelitos correspondem a depósitos de planície de inundação; níveis contendo paleosolos também podem ocorrer; os arenitos tabulares correspondem aos canais principais enquanto as pequenas lentes de arenito são interpretadas como depósitos de crevasse (e.g. FONSECA e SCHERER, 1998; SCHULTZ et al., 2000). O afloramento de Novo Treviso (figura 10) constitui-se de um pavimento de arenito fino amarelado, quartzoso e maciço, ocupando uma área de aproximadamente 192 m2 ao lado da sede paroquial da cidade, onde as estruturas estudadas estão distribuídas. As pegadas encontram-se preenchidas por sedimento areno-argiloso acinzentado a avermelhado, às vezes com grandes concentrações de óxido de ferro. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – CONTEXTO GEOLÓGICO 22 Figura 10 – Afloramento Novo Treviso (fotografias de Ismar de Souza Carvalho). A) Vista geral, antes da limpeza da superfície. B) Superfície exposta após a limpeza. C) Vista em detalhe evidenciando as pegadas fósseis. 4 DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS Neste capítulo foram enumeradas, descritas e ilustradas todas as amostras coletadas e depositadas em coleções científicas, a fim de facilitar futuras consultas ou revisões. A amostra RPJA-01 procede da Formação Sanga do Cabral, ao passo que as demais procedem da Formação Santa Maria. O material não coletado não pôde ser descrito de forma individual, sendo que sua caracterização pode ser encontrada nos artigos publicados na seção Apêndices. RPJA-01 (figura 11) Descrição: amostra medindo aproximadamente 35,0 x 25,0 cm com uma pegada isolada, mesaxônica ou ectaxônica, semiplantígrada, na qual foram preservados os dígitos III e IV e pelo menos parte da planta; o dígito III apresenta a impressão de uma garra curta e almofadas falangeais, possivelmente quatro, e o dígito IV uma garra curta e possíveis almofadas falangeais; o hípex é agudo; a porção central da planta é mais profunda, e a porção proximal da planta possui um formato arredondado. Associadas à pegada ocorrem pequenas impressões alongadas entre os dígitos III e IV, anteriormente e internamente ao dígito III. A pegada tem 17,2 cm de comprimento total e 9,5 cm de largura plantar. Os dígitos III e IV apresentam, respectivamente, 12,2 cm e 10,7 cm de comprimento do dedo livre, e a divergência interdigital entre estes dígitos é de 32º. A pegada encontra-se preservada como epirrelevo côncavo em uma camada ondulada de arenito quartzoso vermelho-escuro. MCN-PIC.001 (figuras 12 e 13) Descrição: amostra medindo aproximadamente 10,0 x 9,5 cm com onze pegadas preservadas em epirrelevo côncavo (superfície superior) e cinco em hiporrelevo convexo (superfície inferior). Não ocorrem gretas de ressecamento. As pegadas presentes na superfície superior são lacertóides e formam uma pista de padrão alternado associada a uma marca sinuosa de arraste de cauda, que se encontra deslocada para a esquerda em relação ao eixo da pista. As pegadas MCN-PIC.001/1, MCN-PIC.001/4, MCN-PIC.001/5, MCN-PIC.001/8, MCN- PIC.001/9 e MCN-PIC.001/11 são pentadáctilas, ectaxônicas, semiplantígradas, com escalonamento dos dígitos I ao IV, dígito V menor e separado dos demais por um ângulo interdigital maior; os dígitos são estreitos e longos, com hypexes agudos, terminados em uma PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 24 Fi gu ra 1 1 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da a m os tra R PJ A- 01 , F or m aç ão S an ga d o Ca br al . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 25 Figura 12 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície superior da amostra MCN-PIC.001, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 26 Figura 13 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície inferior da amostra MCN-PIC.001, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 27 garra curva; essas pegadas apresentam um bordo anterior elevado e o eixo da pegada voltado latero-posteriormente, encontrando-se lateralmente às partes internas (vales) das curvas da marca de arraste de cauda, e correspondem a impressões dos pés. As pegadas MCN- PIC.001/2, MCN-PIC.001/3, MCN-PIC.001/6, MCN-PIC.001/7 e MCN-PIC.001/10 correspondem a impressões das mãos e apresentam três dígitos preservados, são semiplantígradas a digitígradas, aproximadamente simétricas, com dígitos longos e estreitos terminados em garras; encontram-se lateralmente às partes externas (cristas) das curvas da marca de arraste de cauda. O eixo dessas pegadas é aproximadamente paralelo ao eixo da pista. As pegadas da superfície inferior da amostra são teromorfóides, plantígradas e aproximadamente simétricas, formando uma pista incompleta (MCN-PIC.001/12-16); apenas a pegada MCN-PIC.001/15 apresenta dígitos preservados no número de quatro, sendo mesaxônica a ectaxônica com extremidades digitais levemente agudas e hypexes arredondados. As demais ocorrem na forma de elevações com contorno arredondado. MCN-PIC.002 (figuras 14 e 15) Descrição: amostra medindo aproximadamente 9,0 x 7,9 cm com dez pegadas preservadas em epirrelevo côncavo (superfície superior) e quatro em hiporrelevo convexo (superfície inferior). As pegadas da superfície superior formam uma pista lacertóide com marca de arraste de cauda e ocorrem associadas a gretas de ressecamento, sendo que as pegadas não são cortadas por elas. As pegadas MCN-PIC.002/1, MCN-PIC.002/2, MCN-PIC.002/5, MCN- PIC.002/6 e MCN-PIC.002/9 correspondem a impressões das mãos e são as que melhor representam suas características morfológicas: são pentadáctilas, digitígradas a semiplantígradas com leve escalonamento dos dígitos I ao IV; o dígito V é longo e pode estar direcionado lateralmente ou latero-posteriormente; todos são alongados e estreitos, terminados em garras; apresentam hypexes agudos. As pegadas MCN-PIC.002/3, MCN- PIC.002/4, MCN-PIC.002/7, MCN-PIC.002/8 e MCN-PIC.002/10 correspondem a impressões dos pés e são pentadáctilas, ectaxônicas, semiplantígradas, com escalonamento dos dígitos I ao IV; o dígito V é menor e separado dos demais por um ângulo interdigital maior; os dígitos são estreitos e longos, terminados em uma garra curva; os hypexes são agudos; o eixo da pegada é voltado latero-posteriormente, encontrando-se lateralmente às partes internas (vales) das curvas da marca de arraste de cauda. A marca de arraste de cauda é sinuosa e pouco evidente e pode ser confundida com uma greta ao seu lado esquerdo. A PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 28 Figura 14 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície superior da amostra MCN-PIC.002, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 29 Figura 15 – Fotografia e desenho interpretativo da superfície inferior da amostra MCN-PIC.002, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 30 superfície inferior da amostra apresenta uma pista (MCN-PIC.002/11-14) composta por quatro pegadas teromorfóides, aproximadamente simétricas, plantígradas, mesaxônicas a ectaxônicas, sendo que apenas a pegada MCN-PIC.002/14 apresenta cinco dígitos bem preservados com extremidades digitais agudas e hypexes arredondados, com leve escalonamento; as demais pegadas ocorrem na forma de impressões arredondadas. A pista apresenta padrão alternado e bitola muito estreita. MCN-PIC.003 (figuras 16 e 17) Descrição: amostra medindo aproximadamente 17,5 x 15,0 cm com quinze pegadas preservadas em epirrelevo côncavo (superfície superior) e quatro em hiporrelevo convexo (superfície inferior). As pegadas da superfície superior são lacertóides e constituem uma pista de padrão alternado, estando associadas a uma marca sinuosa de arraste de cauda. As pegadas MCN-PIC.003/1, MCN-PIC.003/2, MCN-PIC.003/5 e MCN-PIC.003/6 correspondem a impressões dos pés e são pentadáctilas, ectaxônicas, semiplantígradas, com escalonamento dos dígitos I ao IV e dígito V menor e separado por um maior ângulo interdigital; os dígitos são estreitos e longos, terminados em uma garra curva; os hypexes são agudos; o eixo da pegada é voltado latero-posteriormente, encontrando-se lateralmente às partes internas (vales) das curvas da marca de arraste de cauda. As pegadas MCN-PIC.003/3, MCN-PIC.003/4, MCN-PIC.003/7, MCN-PIC.003/8, MCN-PIC.003/11 e MCN-PIC.003/15 correspondem a impressões das mãos com apenas três dígitos preservados e são digitígradas a semiplantígradas com leve escalonamento dos dígitos II ao IV, que são alongados e estreitos, terminando em garras; apresentam hypexes agudos. As demais são pouco nítidas e não permitem uma identificação segura. Na superfície inferior ocorrem quatro pegadas formando uma pequena pista alternada (MCN-PIC.003/16-19). As pegadas são digitígradas a semiplantígradas e apresentam tamanho e forma semelhantes, com largura maior que o comprimento; possuem quatro a cinco dígitos retos aproximadamente do mesmo tamanho e hypexes arredondados. A planta é visível em apenas na pegada MCN-PIC.003/19. MCN-PIC.004 (figuras 18 e 19) Descrição: amostra medindo aproximadamente 13,5 x 9,0 com catorze pegadas preservadas em epirrelevo côncavo (superfície superior) e duas pegadas preservadas em hiporrelevo convexo (superfície inferior). As pegadas em epirrelevo formam uma pista lacertóide com PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 31 Fi gu ra 1 6 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da su pe rfí ci e su pe rio r d a am os tra M CN -P IC .0 03 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 32 Fi gu ra 1 7 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da su pe rfí ci e in fe ri or d a am os tra M CN -P IC .0 03 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 33 Fi gu ra 1 8 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da su pe rfí ci e su pe rio r d a am os tra M CN -P IC .0 04 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 34 Fi gu ra 1 9 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da su pe rfí ci e in fe ri or d a am os tra M CN -P IC .0 04 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 35 marca de arraste de cauda. As pegadas MCN-PIC.004/1, MCN-PIC.004/4, MCN-PIC.004/5, MCN-PIC.004/8, MCN-PIC.004/12 e MCN-PIC.004/13 correspondem a impressões das mãos e apresentam até quatro dígitos preservados, todos alongados e estreitos, terminados em garras, com hypexes agudos. As pegadas MCN-PIC.004/2, MCN-PIC.004/3, MCN-PIC.004/6 e MCN-PIC.004/10 correspondem impressões parciais do arraste dos dígitos dos pés. As pegadas MCN-PIC.004/7, MCN-PIC.004/9, MCN-PIC.004/12 e MCN-PIC.004/14 correspondem a impressões dos pés e são pentadáctilas, ectaxônicas, semiplantígradas, com escalonamento dos dígitos I ao IV; o dígito V é menor e separado dos demais por um ângulo interdigital maior; os dígitos são estreitos e longos, terminados em uma garra curva, com hypexes são agudos. O eixo das pegadas é voltado latero-posteriormente. A superfície inferior da amostra apresenta duas pegadas teromorfóides (MCN-PIC.004/15-16) com apenas as porções digitais parcialmente preservadas, com extremidades digitais e hypexes arredondados. MCN-PIC.005 (figura 20) Descrição: amostra medindo aproximadamente 21,5 x 15,0 cm com cinco pegadas preservadas em epirrelevo côncavo; a superfície apresenta gretas de ressecamento, mas as pegadas não são cortadas pelas gretas. As pegadas são lacertóides e formam uma pista incompleta e preservada precariamente, estando associadas a uma marca sinuosa de arraste de cauda. As pegadas MCN-PIC.005/1, MCN-PIC.005/2, MCN-PIC.005/3, MCN-PIC.005/4 e MCN-PIC.005/5 são pentadáctilas, ectaxônicas, semiplantígradas, com escalonamento dos dígitos I ao IV; o dígito V não é claramente visível; os hypexes são agudos. Os dígitos são estreitos e longos, mas não ocorrem marcas de garras. Essas pegadas encontram-se lateralmente às partes internas (vales) das curvas da marca de arraste de cauda e apresentam um bordo anterior elevado e o eixo da pegada voltado latero-posteriormente. Todas as pegadas correspondem a impressões dos pés. MCN-PIC.006 (figura 21) Descrição: amostra medindo aproximadamente 15,5 x 14,0 cm com trinta e cinco pegadas formando pistas incompletas e parcialmente sobrepostas, associadas a marcas de arraste de cauda e preservadas em epirrelevo côncavo, com gretas de ressecamento. As pegadas MCN- PIC.006/1-16 e MCN-PIC.006/18-35 formam pistas parcialmente preservadas onde é possível distinguir pegadas de mãos (MCN-PIC.006/2, MCN-PIC.006/4, MCN-PIC.006/6, MCN- PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 36 Figura 20 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.005, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 37 Figura 21 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.006, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 38 PIC.006/8, MCN-PIC.006/11, MCN-PIC.006/14, MCN-PIC.006/15, MCN-PIC.006/17, MCN-PIC.006/18, MCN-PIC.006/20, MCN-PIC.006/24, MCN-PIC.006/27, MCN- PIC.006/28, MCN-PIC.006/29, MCN-PIC.006/32, MCN-PIC.006/34 e MCN-PIC.006/35) e pés (MCN-PIC.006/1, MCN-PIC.006/3, MCN-PIC.006/5, MCN-PIC.006/7, MCN-PIC.006/9, MCN-PIC.006/10, MCN-PIC.006/12, MCN-PIC.006/13, MCN-PIC.006/16, MCN- PIC.006/19, MCN-PIC.006/21, MCN-PIC.006/22, MCN-PIC.006/23, MCN-PIC.006/25, MCN-PIC.006/26, MCN-PIC.006/30, MCN-PIC.006/31 e MCN-PIC.006/33). Algumas das pegadas da amostra parecem isoladas (MCN-PIC.006/17 e MCN-PIC.006/27). As pegadas das mãos apresentam três a cinco dígitos preservados e são digitígradas a semiplantígradas com leve escalonamento dos dígitos I ao IV; o dígito V é longo e separado dos demais; todos são alongados e estreitos, terminados em garras, com hypexes agudos. As pegadas dos pés e são pentadáctilas, ectaxônicas, semiplantígradas, com escalonamento dos dígitos I ao IV; o dígito V é menor e separado dos demais por um ângulo interdigital maior; os dígitos são estreitos e longos, terminados em uma garra curva, e os hypexes são agudos. O eixo da pegada é voltado latero-posteriormente. MCN-PIC.007 (figura 22) Descrição: amostra medindo aproximadamente 16,5 x 14,0 cm com gretas de ressecamento. Vinte e três pegadas ocorrem em duas camadas diferentes, preservadas em epirrelevo côncavo. As gretas ocorrem preferencialmente ao redor das pegadas, embora cortem algumas delas (pegadas MCN-PIC.007/5, MCN-PIC.007/8, MCN-PIC.007/10, MCN-PIC.007/12 e MCN-PIC.007/13). No nível inferior ocorrem dezesseis pegadas aparentemente lacertóides distribuídas de forma caótica (embora pareça haver uma direção preferencial). As pegadas MCN-PIC.007/1-16 são lacertóides e apresentam quatro a cinco dígitos curvos com garras e são semiplantígradas a digitígradas, ectaxônicas, com escalonamento dos dígitos I a IV, sendo o dígito V levemente menor que o IV e separado dos demais; os hypexes são agudos. Ocorrem associadas a uma pequena marca de arraste de cauda. As pegadas MCN-PIC.007/5, 14, 15 e 16 apresentam porções elevadas da planta em epirrelevo convexo, o mesmo acontecendo com a planta e parte interna dos dígitos na pegada MCN-PIC.007/4. No nível superior ocorre uma pequena pista de provável afinidade teromorfóide composta por sete pegadas e uma marca de arraste de cauda. A preservação é bastante precária. As pegadas MCN-PIC.007/18, MCN- PIC.007/20, MCN-PIC.007/21, MCN-PIC.007/22 e MCN-PIC.007/23 são pentadáctilas, PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 39 Figura 22 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.007, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 40 plantígradas a semiplantígradas e ectaxônicas, com hypexes agudos. Os dígitos apresentam extremidades arredondadas e escalonamento pouco distinto. As pegadas MCN-PIC.007/17 e MCN-PIC.007/19 correspondem a marcas pouco distintas. MCN-PIC.008 (figura 23) Descrição: amostra medindo aproximadamente 13,0 x 11,0 cm com sete pegadas, correspondendo a conjuntos de marcas de arraste de dedos, preservadas em epirrelevo côncavo. Não ocorrem gretas de ressecamento. Em seção transversal, as marcas apresentam- se como uma fenda em forma de V. A marca mais acentuada (pegada MCN-PIC.008/1) apresenta dois traços alongados ligeiramente curvos com extremidades agudas, sendo a marca lateral mais longa. A pegada MCN-PIC.008/2 apresenta dois traços alongados e curvos, descrevendo uma curva semelhante a um arco, sendo o traço medial menor e mais fortemente marcado que o lateral. As pegadas MCN-PIC.008/3, MCN-PIC.008/4, MCN-PIC.008/5 e MCN-PIC.008/6 são bastante tênues e curtas, duplas ou triplas. MCN-PIC.009 (figura 24) Descrição: amostra medindo aproximadamente 10,0 x 7,5 cm com cinco pegadas preservadas em hiporrelevo côncavo associadas a marcas de arraste. Embora a amostra apresente rachaduras, não ocorrem gretas de ressecamento. As pegadas MCN-PIC.009/1, MCN- PIC.009/2 e MCN-PIC.009/4 são ectaxônicas, com quatro dígitos preservados e hypexes agudos. A pegada MCN-PIC.009/1 é digitígrada e apresenta escalonamento dos dígitos I ao IV, com extremidades agudas, estando sobreposta a outras marcas indistintas. A pegada MCN-PIC.009/2 é digitígradas com leve escalonamento, os dígitos são estreitos, longos e curvados. As pegadas MCN-PIC.009/3 e MCN-PIC.009/5 correspondem a marcas curvas e pouco alongadas, com extremidades agudas, de arraste de dígitos. A pegada MCN-PIC.009/4 apresenta cinco dígitos preservados, é semiplantígrada, com leve escalonamento dos dígitos II a IV, sendo o dígito V menor e separado dos demais; os dígitos são largos e com extremidades e hypexes agudos. Não há uma associação evidente entre as pegadas e as marcas de arraste. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 41 Figura 23 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.008, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 42 Figura 24 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.009, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 43 MCN-PIC.010 (figura 25) Descrição: amostra medindo aproximadamente 11,5 x 9,0 cm sem gretas de contração e com superfície bastante irregular. Ocorrem quatro traços e uma pegada isolada preservados em epirrelevo côncavo. Três dos traços são alongados, retilíneos e paralelos, havendo uma bifurcação em forma de Y em dois deles e também no quarto traço, menor que os outros. A pegada é lacertóide, pentadáctila, ectaxônica, semiplantígrada, com escalonamento dos dígitos I ao IV; o dígito V não pode ser identificado; os dígitos são estreitos e longos, com hypexes agudos, terminados em garras; essas pegadas apresentam um bordo anterior elevado. Essa amostra é mais densa que as outras, provavelmente com mais cimentação. Há outros traços pequenos e isolados na amostra que não parecem ter relação com os descritos acima. MCN-PIC.011 (figura 26) Descrição: amostra medindo aproximadamente 7,0 x 4,5 cm com três traços de arraste de dedos, formando uma pegada, e outros traços menores e isolados preservados em epirrelevo côncavo. Não ocorrem gretas de ressecamento, embora a amostra apresente várias rachaduras. Dois dos traços são alongados, curvos e aproximadamente paralelos. O terceiro traço é mais curto mas também paralelo aos outros. O traço central apresenta uma pequena marca arredondada com bordo elevado na porção posterior. Os três traços apresentam uma borda posterior mais elevada, havendo aprofundamento do traço da porção anterior para a posterior. MCN-PIC.012 (figura 27) Descrição: amostra medindo aproximadamente 15,0 x 6,5 cm com sete pegadas preservadas em epirrelevo côncavo. Não ocorrem gretas de ressecamento. As pegadas são lacertóides, pentadáctilas, semiplantígradas, com leve escalonamento progressivo dos dígitos I a IV (curvados com a parte interna da curva voltada para o eixo da pista) e com hypexes agudos. Todas apresentam dígitos estreitos e levemente alongados terminados em garras. A impressão das plantas encontra-se em epirrelevo convexo e apresenta a forma de meia-lua com a concavidade voltada posteriormente. As pegadas MCN-PIC.012/2, MCN-PIC.012/3, MCN- PIC.012/4 e MCN-PIC.012/6 apresentam tubérculos e estrias direcionadas antero- posteriormente. Estas pegadas desta amostra provavelmente constituem duas pistas misturadas com padrão desordenado e ocorrem associadas a uma marca de arraste de cauda muito tênue e levemente sinuosa. Não é possível determinar o padrão de andadura com PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 44 Figura 25 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.010, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 45 Figura 26 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.011, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 46 Fi gu ra 2 7 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da a m os tra M CN -P IC .0 12 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 47 segurança. A superfície inferior apresenta várias pegadas e traços alongados pouco distintos, possivelmente marcas de arraste, assim como traços alongados bilobados, retilíneos e sem estrias. MCN-PIC.013 (figura 28) Descrição: amostra medindo aproximadamente 6,5 x 6,0 cm com seis pegadas preservadas em epirrelevo côncavo. Ao redor das pegadas ocorrem gretas de ressecamento. A preservação é precária e poucas características podem ser observadas. As pegadas são digitígradas, lacertóides, ectaxônicas e apresentam três a cinco dígitos preservados, terminados em garras e com hypexes agudos. As pegadas MCN-PIC.013/1, MCN-PIC.013/2 e MCN-PIC.013/3 apresentam uma pequena elevação posterior. As pegadas MCN-PIC.013/1, MCN-PIC.013/3 e MCN-PIC.013/5 apresentam um leve escalonamento dos dígitos I ou II ao IV, com o V separado dos demais. Nas outras pegadas da amostra, os dígitos apresentam comprimento semelhante, sem escalonamento evidente. Não é possível distinguir um padrão relativo à pista. MCN-PIC.014 (figura 29) Descrição: amostra medindo aproximadamente 9,0 x 7,5 cm com uma pegada isolada preservada em relevo convexo. A pegada é levemente assimétrica e ectaxônica, apresentando cinco dígitos preservados com leve escalonamento do I ao IV, mas o dígito V não é separado dos demais. Os dígitos II a V apresentam uma ranhura central antero-posterior. Os hypexes são agudos. Os dígitos I a III apresentam extremidades agudas e os demais tem extremidades arredondadas. MCN-PIC.015 (figura 30) Descrição: amostra medindo aproximadamente 12,0 x 9,0 cm com nove pegadas preservadas em epirrelevo côncavo; a superfície apresenta gretas de ressecamento ao redor das pegadas, ou seja, essas não são cortadas pelas gretas. As pegadas são lacertóides, assimétricas, digitígradas, com dois a cinco dígitos preservados ectaxônicas com escalonamento progressivo dos dígitos II a IV, ligeiramente curvos medialmente, formando uma pista com andar alternado. O eixo das pegadas é paralelo ao eixo da pista. Os dígitos são ligeiramente curvos medialmente, com extremidades agudas. Há prevalência anatômica e funcional do PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 48 Figura 28 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.013, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 49 Figura 29 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.014, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 50 Figura 30 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.015, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 51 dígito IV. O dígito V, preservado apenas na pegada MCN-PIC.015/4, é menor e separado dos demais por um maior ângulo interdigital e é curvo lateralmente. O dígito I foi preservado apenas na pegada MCN-PIC.015/4. As pegadas MCN-PIC.015/1, MCN-PIC.015/2 e MCN- PIC.015/6 e MCN-PIC.015/8 apresentam apenas três dígitos alongados e estreitos, sem planta preservada e com leve curvatura. Duas das pegadas (MCN-PIC.015/5 e MCN-PIC.015/7) apresentam uma pequena elevação posterior em forma de meia-lua, com a concavidade voltada anteriormente. As pegadas MCN-PIC.015/2, MCN-PIC.015/5, MCN-PIC.015/7 e MCN-PIC.015/8 são claramente divergentes (apresentam ângulo interdigital). A pegada MCN-PIC.015/9 constitui-se de dois traços paralelos. Não é possível observar impressões de almofadas falangeais, plantares ou palmares. Não há distinção morfológica clara entre mãos e pés, apenas nas dimensões, sendo os pés maiores que as mãos. No conjunto mão–pé, a mão é situada anteriormente ao pé, sendo os eixos longitudinais das duas impressões praticamente alinhados. Ocorre leve sobreposição e preservação preferencial dos pés. MCN-PIC.016 (figura 31) Descrição: amostra medindo aproximadamente 13,0 x 12,5 cm com vinte e uma pegadas com relevo bastante suave preservadas em hiporrelevo convexo, juntamente com marcas de arraste de cauda, mas sem o padrão característico de uma pista. A superfície apresenta gretas de ressecamento pequenas e pouco profundas. As pegadas MCN-PIC.016/1-5 são teromorfóides, pentadáctilas, mesaxônicas a ectaxônicas, plantígradas a semi-plantígradas com tubérculos digitais terminais, sendo que as pegadas MCN-PIC.016/1 e MCN-PIC.016/3 apresentam relevo pouco evidente. A pegada MCN-PIC.016/5 encontra-se sobreposta pela MCN- PIC.016/4. Na pegada MCN.PIC.016/2, os dígitos II a IV apresentam comprimento semelhante são separados dos dígitos I e V por um ângulo interdigital ligeiramente maior que entre os dígitos II, III e IV; os tubérculos terminais podem ser melhor visualizados nessa pegada. As pegadas MCN.PIC.016/1 e MCN.PIC.016/5 apresentam uma pequena projeção posterior da palma/planta. As demais pegadas são pouco nítidas e ocorrem sob a forma de impressões arredondadas, às vezes com marcas digitiformes. Ocorrem também icnofósseis de invertebrados tais como galerias horizontais e verticais. MCN-PIC.017 (figuras 32 e 33) Descrição: amostra medindo aproximadamente 26,5 x 15,5 cm com trinta e cinco pegadas PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 52 Figura 31 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.016, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 53 Fi gu ra 3 2 – Fo to gr af ia d a am os tra M CN -P IC .0 17 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 54 Fi gu ra 3 3 – D es en ho in te rp re ta tiv o da a m os tra M CN -P IC .0 17 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 55 preservadas em hiporrelevo convexo, associadas a tênues gretas de ressecamento. As pegadas MCN.PIC.017/1-18 formam uma pista teromorfóide de padrão alternado com marca de arraste de cauda. A pegada MCN.PIC.017/2 é a que melhor representa as características da mão, sendo assimétrica, pentadáctila, ectaxônica, plantígrada, com leve escalonamento dos dígitos I a IV e dígito V menor que o IV e com inserção mais posterior, mas não separado dos demais; a palma apresenta um formato aproximadamente retangular com cantos arredondados e um entalhe no bordo posterior; os dígitos I a IV inserem-se ao longo do bordo anterior e o dígito V no bordo lateral; os hypexes e as extremidades dos dígitos são arredondados; é possível distinguir duas almofadas falangeais no dígito II, três do dígito III e duas no dígito IV, além de almofadas palmares arredondadas nas bases dos dígitos I, III e IV. A pegada MCN.PIC.017/5 representa melhor as características do pé, sendo assimétrica, ectaxônica, plantígrada, com quatro dígitos preservados, sendo os dígitos II e III mais alongados; a planta apresenta um formato retangular com cantos arredondados e um entalhe arredondado no bordo posterior, sendo que os dígitos I a IV inserem-se ao longo do bordo anterior; os hypexes e as extremidades dos dígitos são arredondados; não é possível distinguir almofadas falangeais ou plantares, mas as pegadas MCN.PIC.017/6, MCN.PIC.017/8, MCN.PIC.017/9 e MCN.PIC.017/15 apresentam impressões de almofadas palmares/plantares, e a pegada MCN.PIC.017/10 apresenta duas ou três impressões de almofadas falangeais no dígito I. Não há diferença nas dimensões entre as pegadas das mãos e dos pés. A preservação dos dígitos é bastante variável dentre as amostras observadas, podendo apresentar apenas dois ou três dígitos ou ocorrer sob a forma de uma impressão com contorno arredondado. As pegadas MCN.PIC.017/6-10, MCN.PIC.017/13, MCN.PIC.017/15 e MCN.PIC.017/17 apresentam um contorno aproximadamente triangular com três impressões digitiformes preservadas de forma pouco nítida, sendo a central mais alongada e a lateral mais curta; a impressão central pode apresentar duas ou mais estrias longitudinais; a porção correspondente à palma ou planta apresenta um entalhe arredondado no bordo posterior; os hypexes e extremidades dos dígitos são arredondados e a divergência interdigital é pequena. As pegadas MCN.PIC.017/1 e MCN.PIC.017/7 apresentam uma pequena projeção voltada posteriormente no entalhe da planta. Todas as pegadas da pista MCN.PIC.017/1-18, exceto a MCN.PIC.017/18, apresentam um bordo de deformação de sedimento elevado (relevo positivo na superfície original) anteriormente a elas. As pegadas MCN.PIC.017/20-30 formam outra pista que cruza e sobrepõe a pista MCN.PIC.017/1-18. A pista MCN.PIC.017/20-30 é bastante irregular e sem padrão definido, ocorrendo associada a uma marca de arraste de cauda aproximadamente retilínea e descontínua. Não é possível definir seguramente quais pegadas correspondem a pés PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 56 ou a mãos. As pegadas MCN.PIC.017/20, MCN.PIC.017/24 e MCN.PIC.017/25 consistem em formas irregulares contendo três impressões digitiformes, sendo que a central é mais longa e a lateral mais curta e separada das demais por um maior ângulo; os hypexes e extremidades dos dígitos são arredondados e a divergência interdigital pequena; a impressão central na pegada MCN.PIC.017/24 é bastante larga e ocorrem estrias longitudinais. Na pegada MCN.PIC.017/25 é possível observar um pequeno entalhe posterior; essa pegada ocorre associada a uma impressão arredondada e estriada que não pode ser associada com certeza à pista. A pegada MCN.PIC.017/21 consiste em uma impressão alongada e levemente sinuosa, sem maiores detalhes morfológicos. A pegada MCN.PIC.017/22 sobrepõe a marca de arraste de cauda da pista MCN.PIC.017/1-18 e consiste em uma impressão aproximadamente retangular com uma larga projeção posterior; ao longo da pegada ocorrem estrias longitudinais. A pegada MCN.PIC.017/23 constitui uma impressão irregular com quatro dígitos e uma palma/planta aproximadamente quadrada; o dígito mais lateral insere-se no bordo lateral da palma/planta, enquanto os demais dígitos inserem-se em seu bordo anterior; os dígitos apresentam extremidades e hypexes arredondados. As pegadas MCN.PIC.017/26-30 apresentam detalhes morfológicos mais claros. A pegada MCN.PIC.017/26 apresenta três dígitos de comprimento semelhante associados a uma planta/palma mais larga que longa, que apresenta uma projeção posterior; os dois dígitos mais mediais apresentam extremidades agudas, mas todos os hypexes são arredondados. A pegada MCN.PIC.017/27 é mesaxônica a ectaxônica, semiplantígrada e apresenta os dígitos II a V preservados; os dígitos II a IV apresentam comprimento semelhante e encontram-se voltados anteriormente; o dígito V é menor e separados dos demais por um maior ângulo interdigital, inserindo-se lateralmente à pegada; ocorrem três almofadas falangeais no dígito II, três no dígito III, quatro no dígito IV e duas no dígito II; todos terminam em garras e apresentam hypexes arredondados. A pegada MCN.PIC.017/28 é semelhante à anterior, mas apresenta maior divergência interdigital e total. A pegada MCN.PIC.017/29 apresenta uma palma/planta mais larga que longa e cinco dígitos preservados com leve escalonamento do dígito I ao III; o dígito I é curto e apresenta extremidade arredondada, os demais dígitos são terminados em garras; os hypexes são levemente arredondados; o dígito V insere-se lateral e posteriormente à palma/planta; ocorrem duas a três almofadas falangeais em cada dígito e duas almofadas palmares/plantares posteriores à cada dígito, exceto o dígito V. A pegada MCN.PIC.017/30 apresenta forma semelhante à ultima, mas com quatro dígitos preservados. As pegadas da pista MCN.PIC.017/31-35, embora estejam preservadas de forma mais superficial, mostram características morfológicas semelhantes à pegada MCN.PIC.017/27, sendo tridáctilas, PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 57 mesaxônicas, com dígitos aproximadamente do mesmo comprimento e terminados em garras; os hypexes são arredondados e ocorrem duas a três almofadas falangeais em cada dígito. O padrão de andadura não é reconhecível. MCN-PIC.018 a & b (figuras 34 e 35) Descrição: conjunto composto por duas amostras (parte e contraparte) medindo aproximadamente 23,0 x 19,0 cm contendo dezesseis pegadas com relevo muito tênue preservadas em epirrelevo côncavo e hiporrelevo convexo; a superfície não apresenta gretas de ressecamento. A pegada MCN.PIC.018/1 ocorre isoladamente e é pentadáctila, plantígrada e aproximadamente simétrica, com dígitos de tamanho semelhante. Os hypexes e extremidades digitais são arredondados. A palma/planta é alongada no sentido antero- posterior. As pegadas MCN.PIC.018/2-16 constituem uma pista teromorfóide, com padrão caminhado e alternado associada a uma marca de arraste de cauda; as pegadas são mesaxônicas a ectaxônicas, originalmente pentadáctilas, aproximadamente simétricas e encontram-se pobremente preservadas, havendo preservação preferencial dos dígitos mais laterais e mediais e do contorno posterior da palma/planta. A preservação dos dígitos é variável entre as pegadas observadas, podendo apresentar dois a quatro dígitos preservados. Os hypexes e as extremidades dos dígitos são arredondados. Não é possível distinguir almofadas falangeais ou plantares. A pegada MCN.PIC.018/16 apresenta leve escalonamento dos dígitos I a IV e dígito V menor que o IV e com inserção mais posterior, mas não separado dos demais; a palma ou planta apresenta cantos arredondados e um entalhe no bordo posterior. As pegadas MCN.PIC.018/2, MCN.PIC.018/3 e MCN.PIC.018/14 apresentam um contorno aproximadamente arredondado com impressões digitiformes preservadas de forma pouco nítida. A impressão central pode apresentar estrias longitudinais. As pegadas MCN.PIC.018/4-11, MCN.PIC.018/13 e MCN.PIC.018/15 apresentam apenas a porção plantar/palmar e os dígitos mais internos e externos preservados. MCN-PIC.019 (figura 36) Descrição: amostra medindo aproximadamente 16,0 x 12,0 cm com onze pegadas preservadas em hiporrelevo convexo. As pegadas ocorrem voltadas no mesmo sentido mas não formam uma pista com padrão de andadura reconhecível. São teromorfóides, aproximadamente simétricas, pentadáctilas, mesaxônicas a ectaxônicas. Os dígitos são largos PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 58 Fi gu ra 3 4 – Fo to gr af ia d a am os tra M CN -P IC .0 18 a , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 59 Fi gu ra 3 5 – D es en ho in te rp re ta tiv o da a m os tra M CN -P IC .0 18 a , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 60 Fi gu ra 3 6 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da a m os tra M CN -P IC .0 19 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 61 e curtos em relação à planta ou palma, com extremidades arredondadas. A palma ou planta é tão longa quanto larga e pode apresentar um entalhe posterior. Os hypexes são agudos. As pegadas MCN.PIC.019/2, MCN.PIC.019/6, MCN.PIC.019/7 e MCN.PIC.019/9 apresentam leve escalonamento. As pegadas MCN.PIC.019/7-9 apresentam almofadas falangeais e palmares ou plantares, mas sem um padrão característico. As pegadas MCN.PIC.019/4, MCN.PIC.019/5 e MCN.PIC.019/10 estão preservadas como impressões arredondadas associadas a projeções digitais. MCN-PIC.020 (figura 37) Descrição: amostra medindo aproximadamente 10,0 x 5,5 cm com uma pegada isolada preservada em epirrelevo côncavo, associada a uma possível marca de arraste de cauda. A pegada apresenta apenas a porção digital preservada, com três dígitos curvos e extremidades agudas. Ocorrem duas almofadas falangeais no dígito central. MCN-PIC.021 (figura 38) Descrição: amostra medindo aproximadamente 16,5 x 11,0 cm com uma pegada isolada preservada em epirrelevo côncavo em uma superfície com gretas de ressecamento. As camadas mais superficiais encontram-se rompidas enquanto as mais profundas estão deformadas pelo peso do animal produtor. A pegada é tridáctila, mesaxônica, digitígrada, com garras e hypexes agudos. Sua porção posterior encontra-se quebrada e ausente. Os dígitos são levemente curvados para o lado direito. O dígito central é mais longo que os demais e apresenta três almofadas falangeais preservadas. Os dígitos laterais apresentam duas almofadas falangeais preservadas. O dígito do lado direito é levemente mais curto. A pegada é mais profunda na porção média do dígito central. MCN-PIC.022 (figura 39) Descrição: amostra medindo aproximadamente 21,0 x 20,0 cm com uma pegada isolada preservada em epirrelevo côncavo em uma superfície com gretas de ressecamento. As camadas mais superficiais encontram-se rompidas enquanto as mais profundas estão deformadas pelo peso do animal produtor. Não é possível reconhecer se foi produzida por um autopódio direito ou esquerdo. A margem posterior das pegadas é levemente angulosa. Não PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 62 Figura 37 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.020, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 63 Fi gu ra 3 8 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da a m os tra M CN -P IC .0 21 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 64 Figura 39 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.022, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 65 ocorrem almofadas falangeais ou plantares. A pegada é tridáctila e digitígrada com garras e hypexes agudos e apresenta-se parcialmente coberta por rocha em sua porção central. O dígito central apresenta uma constrição em sua porção proximal. O comprimento da pegada, medido ao longo do eixo do dígito central, é de 8,5 cm. Os dígitos direito e central são levemente curvados para o lado direito e apresentam um ângulo de divergência de 57º. O ângulo entre os dígitos central e esquerdo corresponde a 32º. O ângulo de divergência total corresponde a 89º. A porção distal dos dígitos é mais profundamente impressa que o restante das pegadas. MCN-PIC.023 (figura 40) Descrição: amostra medindo aproximadamente 22,0 x 17,0 cm com uma pegada isolada preservada em epirrelevo côncavo em uma superfície com gretas de ressecamento. A pegada apresenta dois dígitos preservados e encontra-se quebrada, faltando sua porção direita. Os dígitos apresentam garras e hypexes agudos. O dígito esquerdo apresenta uma pequena constrição em sua porção proximal. A margem posterior das pegadas é angulosa. Não ocorrem almofadas falangeais ou plantares. MCN-PIC.024 (figura 41) Descrição: amostra medindo aproximadamente 15,0 x 15,0 cm com seis pegadas preservadas em epirrelevo côncavo. As pegadas apresentam garras e hypexes agudos, constituindo uma provável pista quadrúpede. As pegadas MCN-PIC.024/2 e MCN-PIC.024/6 apresentam os dígitos II a V preservados, com leve escalonamento do II ao IV sendo o V separado dos demais por um maior ângulo interdigital. As pegadas MCN-PIC.024/4 e MCN-PIC.024/5 apresentam quatro dígitos preservados, dispostos de forma simétrica e sem escalonamento evidente. As pegadas MCN-PIC.024/1 e MCN-PIC.024/3 constituem-se apenas de impressões das porções digitais preservadas. MCN-PIC.025 (figura 42) Descrição: amostra medindo aproximadamente 7,0 x 5,0 cm com sete pegadas preservadas em epirrelevo côncavo associadas a uma marca curva de arraste de cauda. As pegadas MCN- PIC.025/1, MCN-PIC.025/5 e MCN-PIC.025/6 representam pegadas dos pés e são pentadáctilas, semiplantígradas, ectaxônicas, com escalonamento progressivo dos dígitos I ao PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 66 Figura 40 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.023, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 67 Figura 41 – Fotografia e desenho interpretativo da amostra MCN-PIC.024, Formação Santa Maria. PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 68 Fi gu ra 4 2 – Fo to gr af ia e d es en ho in te rp re ta tiv o da a m os tra M CN -P IC .0 25 , F or m aç ão S an ta M ar ia . PEGADAS DO GRUPO ROSÁRIO DO SUL – DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS 69 IV e dígito V menor e separado dos demais. O eixo dessas pegadas é voltado latero- posteriormente. As pegadas MCN-PIC.025/3 e MCN-PIC.025/7constituem impressões completas das mãos e são mesaxônicas, simétricas, semiplantígradas a digitígradas, com dígitos de comprimento semelhante. Os hypexes e extremidades digitais são agudos. As pegadas MCN-PIC.025/2 e MCN-PIC.025/4 estão incompletas. MCN-PIC.026 (figura 43) Descrição: amostra medindo aproximadamente 6,0 x 5,0 cm com duas pegadas preservadas em hiporrelevo convexo. As pegadas são lacertóides e ectaxônicas. A pegada MCN- PIC.026/1 é digitígrada e apresenta três dígitos curvados medialmente, mais largos na porção proximal, com escalonamento e extremidades agudas. A pegada MCN-PIC.026/2 é pentadáctila, semiplantígrada, ectaxônica, com escalonamento progressivo dos dígitos I ao IV e dígito V menor e separado dos demais. Os dígitos centrais são mais fortemente impressos. MCN-PIC.027 (figura 44) Descrição: amostra medindo apro