RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS LEVANTAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS 2012 SISTEMA AQUÍFERO BAURU-CAIUÁ NO ESTADO DE MINAS GERAIS SISTEMA AQUÍFERO BAURU-CAIUÁ NO ESTADO DE MINAS GERAIS REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Relatório Diagnóstico BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ Volume 13 MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM PROJETO REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS RELATÓRIO DIAGNÓSTICO SISTEMA AQUÍFERO BAURU - CAIUÁ NO ESTADO DE MINAS GERAIS BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ VOLUME 13 RECURSOS HÍDRICOS ÁREA: RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS SUBÁREA: LEVANTAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS 2012 Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas: relatório diagnóstico Sistema Aquífero Bauru–Caiuá no Estado de Minas Gerais. Bacia Sedimentar do Paraná. / José do Espírito Santo Lima, Cláudia Sílvia Cerveira de Almeida, Maria Antonieta Alcântara Mourão, Coord. Belo Horizonte: CPRM – Serviço Geológico do Brasil, 2012. 35 p, il. v.13 . Inclui mapas de aquíferos (Serie: Área de Recursos Hídricos Subterrâneos, Subárea, Levantamento de Recursos Hídricos Subterrâneos). Versão digital e impresso em papel. Conteúdo: Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas – Inclui listagem da coleção com 16 volumes de Relatórios dos Aquíferos Sedimentares no Brasil, descritos na página 7. 1-Hidrogeologia. 2-Aquífero Bauru–Caiuá. 3- Bacia do Paraná. I – Título. II – Lima, J.do E.S. III – Almeida, C.S.C. de IV - Mourão, M.A.A., Coord. V – Série MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL DEPARTAMENTO DE HIDROLOGIA DIVISÃO DE HIDROGEOLOGIA E EXPLORAÇÃO PAC – Programa de Aceleração do Crescimento PROJETO REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Executado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM/Serviço Geológico do Brasil. Superintendência Regional de Belo Horizonte. CPRM – Superintendência Regional de Belo Horizonte Av. Brasil, 1731 – Bairro Funcionários Belo Horizonte – MG – 30140-002 Fax: (31) 3878-0388 Tel: (31) 3878-0307 http://www.cprm.gov.br/bibliotecavirtual/estantevirtual seus@cprm.gov.br Ficha Catalográfica CDU 556.3(81) Direitos desta edição: CPRM – Serviço Geológico do Brasil É permitida a reprodução desta publicação, desde que mencionada a fonte. Ficha Catalográfica por Bibl. M. Madalena Costa Ferreira – CRB/MG-1393 MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM PROJETO REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS RELATÓRIO DIAGNÓSTICO SISTEMA AQUÍFERO BAURU - CAIUÁ NO ESTADO DE MINAS GERAIS BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ VOLUME 13 RECURSOS HÍDRICOS ÁREA: RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS SUBÁREA: LEVANTAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS JOSÉ DO ESPÍRITO SANTO LIMA CLÁUDIA SÍLVIA CERVEIRA DE ALMEIDA 2012 Área Recursos Hídricos Subterrâneos MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL DEPARTAMENTO DE HIDROLOGIA DIVISÃO DE HIDROGEOLOGIA E EXPLORAÇÃO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA Edison Lobão MINISTRO SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL Carlos Nogueira SECRETÁRIO SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL - CPRM Manoel Barretto da Rocha Neto DIRETOR-PRESIDENTE Roberto Ventura Santos DIRETOR DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Thales de Queiroz Sampaio DIRETOR DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Antônio Carlos Bacelar Nunes DIRETOR DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS E DESENVOLVIMENTO Eduardo Santa Helena da Silva DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS Frederico Cláudio Peixinho CHEFE DO DEPARTAMENTO DE HIDROLOGIA José Carlos da Silva CHEFE DA DIVISÃO DE HIDROGEOLOGIA E EXPLORAÇÃO Ernesto Von Sperling CHEFE DO DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS E DIVULGAÇÃO José Marcio Henrique Soares CHEFE DA DIVISÃO DE MARKETING E DIVULGAÇÃO Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL DEPARTAMENTO DE HIDROLOGIA DIVISÃO DE HIDROGEOLOGIA E EXPLORAÇÃO ÁREA: RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS SUBÁREA: LEVANTAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS PROJETO REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS CRÉDITOS DE AUTORIA Maria Antonieta Alcântara Mourão COORDENAÇÃO EXECUTIVA Daniele Tokunaga Genaro Marcio Junger Ribeiro Elvis Martins Oliveira Thiaggo de Castro Tayer (estagiário) APOIO TÉCNICO E EXECUTIVO Manfredo Ximenes Ponte SUREG-BE João Batista Marcelo de Lima GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Ariolino Neres Souza SUPERVISOR TÉCNICO Manoel Imbiriba Junior Homero Reis de Melo Junior (de 2009 a 2011) COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Rosilene do Socorro Sarmento de Souza Celina Monteiro (Estagiária) APOIO TÉCNICO Marco Antônio de Oliveira SUREG-MA Daniel de Oliveira GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Carlos José Bezerra de Aguiar COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Silvia Cristina Benites Goncales Hugo Galúcio Pereira EQUIPE EXECUTORA Francisco Sandoval Brito Pereira Cláudia Vieira Teixeira APOIO TÉCNICO Maria Abadia Camargo SUREG-GO Cíntia de Lima Vilas Boas GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Tomaz Edson de Vasconcelos COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO - SUPERVISOR TÉCNICO Dario Dias Peixoto (de 2009 a 2012) APOIO EXECUTIVO Claudionor Francisco de Souza APOIO TÉCNICO Marco Antônio Fonseca SUREG-BH Márcio de Oliveira Cândido GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Haroldo Santos Viana SUPERVISOR TÉCNICO Raphael Elias Pereira COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Claudia Silvia Cerveira de Almeida José do Espírito Santo Lima Reynaldo Murilo Drumond Alves de Brito APOIO EXECUTIVO José Carlos Garcia Ferreira SUREG-SP Ângela Maria de Godoy Theodorovicz GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Andrea Segura Franzini SUPERVISORA TÉCNICA Guilherme Nogueira Santos COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO David Edson Lourenço APOIO TÉCNICO Área Recursos Hídricos Subterrâneos MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL DEPARTAMENTO DE HIDROLOGIA DIVISÃO DE HIDROGEOLOGIA E EXPLORAÇÃO Teobaldo Rodrigues de Oliveira Junior SUREG-SA Gustavo Carneiro da Silva GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Amilton de Castro Cardoso SUPERVISOR TÉCNICO Paulo Cesar Carvalho Machado Villar COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Cristovaldo Bispo dos Santos Cristiane Neres Silva (SIAGAS) EQUIPE EXECUTORA Juliana Mascarenhas Costa Rafael Daltro (Estagiário) Bruno Shindler Sampaio Rocha (Estagiário) APOIO TÉCNICO José Leonardo Silva Andriotti SUREG-PA Marcos Alexandre de Freitas GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Marcelo Goffermann COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO - SUPERVISOR TÉCNICO Guilherme Troian Mario Wrege (2009-2010) EQUIPE EXECUTORA Pedro Freitas Bruno Francisco B. Schiehl Luiz Alberto Costa Silva APOIO TÉCNICO José Wilson de C. Temóteo SUREG-RE Adriano da Silva Santos GERENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Melissa Franzen SUPERVISORA TÉCNICO Joao Alberto Oliveira Diniz COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Carlos Eugenio da Silveira Arraes Guilherme Troian (de 2009 a 2012) EQUIPE EXECUTORA Manoel Júlio da Trindade Gomes Galvão APOIO EXECUTIVO Paulo Magalhães APOIO TÉCNICO Darlan F. Maciel CHEFE DA RESIDÊNCIA DE FORTALEZA Jaime Quintas dos S. Colares ASSISTENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Liano Silva Verissimo José Alberto Ribeiro (de 2009 a mar/2012) COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Helena da Costa Bezerra CHEFE DA RESIDÊNCIA DE PORTO VELHO Francisco de Assis dos Reis Barbosa ASSISTENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Claudio Cesar Aguiar Cajazeiras COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Elvis Martins Oliveira Luiz Antonio da Costa Pereira Marcos Nóbrega II APOIO EXECUTIVO Wladimir Ribeiro Gomes APOIO TÉCNICO Francisco das Chagas Lages Correia Filho CHEFE DA RESIDÊNCIA DE TERESINA Carlos Antônio da Luz ASSISTENTE DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL Mickaelon Belchior Vasconcelos COORDENADOR REGIONAL DO PROJETO Ney Gonzaga de Souza Cipriano Gomes de Oliveira APOIO TÉCNICO Alceu Percy Mendel Junior Fabio Silva da Costa Rubens Estevs Kenup LEVANTAMENTO ALTIMÉTRICO Maria Antonieta Alcântara Mourão REVISÃO DO TEXTO Homero Coelho Benevides REVISÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL Alessandra Morandi Pidello Patrícia Silva Araújo Dias DIAGRAMAÇÃO Elizabeth de Almeida Cadete Costa ARTE GRÁFICA DA CAPA Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL DEPARTAMENTO DE HIDROLOGIA DIVISÃO DE HIDROGEOLOGIA E EXPLORAÇÃO PROJETO REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS COLEÇÃO DE RELATÓRIOS-DIAGNÓSTICO DOS AQUÍFEROS SEDIMENTARES DO BRASIL VOLUME 1. Aquífero Missão Velha. Bacia Sedimentar do Araripe. Robério Bôto de Aguiar José Alberto Ribeiro Liano Silva Veríssimo Jaime Quintas dos Santos Colares VOLUME 2. Aquífero Açu. Bacia Sedimentar Potiguar. João Alberto Oliveira Diniz Francklin de Morais Alexandre Luiz Souza Borba Guilherme Casaroto Troian VOLUME 3. Aquífero Tacaratu. Bacia Sedimentar Jatobá. João Alberto Oliveira Diniz Francklin de Morais Alexandre Luiz Souza Borba Guilherme Casaroto Troian VOLUME 4. Aquífero Serra Grande. Bacia Sedimentar do Parnaíba. Mickaelon B. Vasconcelos Carlos Antônio Da Luz VOLUME 5. Aquífero Itapecuru no Estado do Pará. Bacia Sedimentar do Parnaíba. Homero Reis de Melo Junior VOLUME 6. Aquífero Alter do Chão no Estado do Amazonas. Bacia Sedimentar do Amazonas. Carlos José Bezerra de Aguiar VOLUME 7. Aquífero Alter do Chão no Estado do Pará. Bacia Sedimentar do Amazonas. Homero Reis de Melo Junior VOLUME 8. Sistema Aquífero Parecis no Estado de Rondônia. Bacia Sedimentar dos Parecis. Cláudio Cesar de Aguiar Cajazeiras VOLUME 9. Aquíferos Ronuro, Salto das Nuvens e Utiariti no Estado do Mato Grosso. Bacia Sedimentar dos Parecis. Dario Dias Peixoto Tomaz Edson Vasconcelos Jamilo José Thomé Filho VOLUME 10. Sistema Aquífero Urucuia. Bacia Sedimentar Sanfranciscana. Paulo Cesar Carvalho M. Villar VOLUME 11. Aquíferos Furnas e Vale do Rio do Peixe nos Estados de Mato Grosso e Goiás. Bacia Sedimentar do Paraná. Dario Dias Peixoto Tomaz Edson Vasconcelos Jamilo José Thomé Filho VOLUME 12. Aquífero Furnas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Bacia Sedimentar do Paraná. Maria Cecília de Medeiros Silveira VOLUME 13. Sistema Aquífero Bauru–Caiuá no Estado de Minas Gerais. Bacia Sedimentar do Paraná. José do Espírito Santo Lima Cláudia Sílvia Cerveira de Almeida VOLUME 14. Sistema Aquífero Bauru-Caiuá nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Bacia Sedimentar do Paraná. Andréa Segura Franzini VOLUME 15. Sistema Aquífero Guarani nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Bacia Sedimentar do Paraná. Armando Teruo Takahashi VOLUME 16. Sistema Aquífero Guarani no Estado do Rio Grande do Sul. Bacia Sedimentar do Paraná. Mario Wrege Área Recursos Hídricos Subterrâneos VIII Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas SUMÁRIO 1- INTRODUÇÃO................................................................................................19 2. O AQUIFERO BAURU-CAIUÁ – BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ ....................................21 2.1. Características Gerais ...................................................................................21 2.2. Contexto Geológico ......................................................................................22 2.3. Aspectos Hidrodinâmicos ...............................................................................24 2.4. Características Químicas ................................................................................24 2.5. Análises isotópicas .......................................................................................24 2.6. Análise da Vulnerabilidade e dos Riscos de Contaminação ......................................25 2.7. O uso da água subterrânea .............................................................................25 2.8. Potenciometria ...........................................................................................27 2.9. Reservas.....................................................................................................27 3. CARACTERÍSTICAS CLIMÁTICAS .........................................................................29 3.1. Aspectos Climáticos ......................................................................................29 3.2. Síntese do balanço hídrico no Triângulo Mineiro ..................................................30 4. A REDE DE MONITORAMENTO PROJETADA PARA O AQUÍFERO BAURU-CAIUÁ EM MINAS GERAIS ........................................................................31 4.1. Poços de monitoramento implantados ...............................................................31 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................33 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................35 IX Área Recursos Hídricos Subterrâneos X Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas LISTA DE FIGURAS Figura 1. Área de ocorrência do aquífero Bauru-Caiuá ..........................................................21 Figura 2. Mapa geológico esquemático para o Triângulo Mineiro ........................................................................................................22 Figura 3. Mapa de isópacas do Grupo Bauru no Triângulo Mineiro e áreas adjacentes ...............................................................................23 Figura 4. Mapa de compartimentação estrutural do Triângulo Mineiro .......................................23 Figura 5. Mapa potenciométrico do Aquífero Bauru em Araguari ..............................................28 Figura 6. Mapa da Precipitação Média Anual para o Triângulo Mineiro .......................................29 XI Área Recursos Hídricos Subterrâneos XII Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas XIII LISTA DE TABELAS Tabela 1. Valores médios para parâmetros físicos e hidrodinâmicos de poços do aquífero Bauru-Caiuá .......................................................................24 Tabela 2. Reservas do Aquífero Bauru no município de Araguari ..............................................27 Tabela 3. Cálculo do Balanço Hídrico do Solo. Valores médios do excedente e déficit hídricos no Triângulo Mineiro ................................................30 Tabela 4. Principais características dos poços construídos para o monitoramento no Aquífero Bauru- Caiuá ..........................................................31 Área Recursos Hídricos Subterrâneos XIV Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas XV LISTA DE QUADROS Quadro 1. Municípios do Triângulo Mineiro, população e principal fonte de abastecimento ......................................................................26 Área Recursos Hídricos Subterrâneos XVI Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas RELATÓRIO DIAGNÓSTICO SISTEMA AQUÍFERO BAURU - CAIUÁ NO ESTADO DE MINAS GERAIS BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ RECURSOS HÍDRICOS ÁREA: RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS SUBÁREA: LEVANTAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS XVII Área Recursos Hídricos Subterrâneos XVIII 19 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas 1- INTRODUÇÃO As águas subterrâneas representam um manancial hídrico de grande importância no suprimento hídrico de diversas populações do Brasil. No Estado de Minas Gerais, em especial, essa condição de importância das águas subterrâneas destaca-se, visto que o estado possui grandes reservas hidrogeológicas. O Serviço Geológico do Brasil-CPRM, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, em consonância com suas atribuições, propôs e definiu as bases para a implantação de rede de monitoramento integrado das águas subterrâneas abrangendo os principais aquíferos do país. A rede de monitoramento, de natureza fundamentalmente quantitativa, foi concebida tendo como principal objetivo o conhecimento mais detalhado a respeito dos aquíferos de modo a propiciar a médio e longo prazos: i) a identificação de impactos às águas subterrâneas em decorrência da explotação ou das formas de uso e ocupação dos terrenos, ii) a estimativa da disponibilidade do recurso hídrico subterrâneo, iii) a avaliação da recarga e o estabelecimento do balanço hídrico; iv) informações do nível d’água, v) determinação de tendências de longo termo tanto como resultado de mudanças nas condições naturais quanto derivadas de atividades antropogênicas etc. Um dos principais aspectos do programa refere-se à proposição de um monitoramento integrado (águas subterrâneas e superficiais) em que o ambiente aquático é considerado de forma inteiramente inter-relacionável e não fracionada nos diversos componentes. Um aspecto que favorece esta integração é o fato da CPRM ser responsável pela implantação e operação de redes hidrometeorológicas, telemétricas, de qualidade de água e sedimentométricas, bem como monitoramento de níveis em açudes. A estruturação do programa de monitoramento para cada aquífero ou local selecionado exige que seja feita uma caracterização hidrogeológica a partir da integração, análise e interpretação de dados existentes. Além disso, considerando a integração com o monitoramento hidrometeorológico, são incluídos também, dados relativos às estações existentes no domínio dos aquíferos enfocados além de estudos hidrológicos e climatológicos realizados na região enfocada. A reunião e interpretação dessas informações visa subsidiar a seleção dos locais para monitoramento bem como a avaliação da viabilidade de emprego dos dados das estações fluviométricas e pluviométricas para interpretação dos resultados do monitoramento quanto à representatividade do aquífero nas bacias hidrográficas monitoradas. O presente relatório apresenta a integração das informações do Sistema Aquífero Bauru-Caiuá e constitui o estágio atual do conhecimento de suas características naturais, pressões percebidas e impactos identificados. Como resultados da análise dessas informações são apresentadas as principais demandas ao monitoramento e promovida a configuração da rede de monitoramento para o aquífero. 20 Área Recursos Hídricos Subterrâneos 21 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas 2. O AQUIFERO BAURU-CAIUÁ – BACIA SEDIMENTAR DO PARANÁ 2.1. Características Gerais O aquífero Bauru-Caiuá, pertencente à Bacia Sedimentar do Paraná, abrange além da região oeste de Minas Gerais, parte dos Estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com área aflorante total de 353.420 km2. É constituído por rochas sedimentares dos Grupos Bauru e Caiuá, que ocorrem de forma extensiva e contínua, configurando relevos elevados e aplainados. No estado de Minas Gerais aflora entre os meridianos 47º 00’ a 51º 00’ e paralelos 18º 00’ a 20º 00’, cobrindo toda a região conhecida como Triângulo Mineiro, divisa com os estados de Goiás e São Paulo (Figura 1). A partir de Belo Horizonte, o acesso ao Triângulo Mineiro é feito pela BR-262. O principal polo econômico da região é a cidade de Uberlândia, distante 549 km da capital. Figura 1. Área de ocorrência do aquífero Bauru-Caiuá Fonte: ANA (2005) e FERNANDES e COIMBRA (1996) 22 Área Recursos Hídricos Subterrâneos 2.2. Contexto Geológico O Grupo Bauru compreende as Formações Marília, Uberaba e Vale do rio do Peixe e o Grupo Caiuá é representado pela Formação Santo Anastácio que ocorre em pequenas áreas nos municípios de Carneirinho (divisa de São Paulo e Goiás) e Iturama (divisa com São Paulo) no vértice oeste do Triângulo Mineiro. A Formação Marília é representada por arenitos com intercalações de laminitos arenosos. A Formação Uberaba é formada por arenitos, rochas vulcanoclásticas, conglomerados e pelito. A maior extensão superficial é ocupada pela Formação Vale do Rio do Peixe, constituída de arenitos eólicos (Figura 2). No Grupo Caiuá, a Formação Santo Anastácio é igualmente representada por arenitos de origem eólica. Este pacote sedimentar que define o Grupo Bauru em Minas Gerais apresenta uma espessura média   Legenda Ortognaisses do Oeste de Goiás Grupo Araxá Formação Botucatu Grupo Canastra Coberturas eluvio-aluviais Granito Jurubatuba Formação Marília Formação Santo Anastácio Formação Serra Geral Formação Uberaba Formação Vale do Rio do Peixe $+ Estação Pluviométrica Figura 2. Mapa geológico esquemático para o Triângulo Mineiro Fonte: CPRM (2004a e 2004b) de 75 m, podendo atingir até 300 m. Posiciona-se, estratigraficamente, sobre os basaltos da Formação Serra Geral. De acordo com o estudo realizado por Batezelli et al. (2005), as maiores espessuras preservadas do Grupo Bauru situam-se no eixo formado pelas cidades de Gurinhatã (MG) e General Salgado (SP), de direção norte-sul (Figura 3), que coincide com a área de maior espessura dos basaltos da Formação Serra Geral e com a diminuição das cotas topográficas do topo dessa mesma unidade. Este mesmo autor constatou que na região balizada pelas cidades de Ponte Alta (MG), Conceição das Alagoas (MG) e Patrimônio do Rio do Peixe (MG), os depósitos do Grupo Bauru exibem espessura preservada de 160 m e encontram-se alinhados segundo uma feição estrutural de direção SE-NW, denominada Sutura de Itumbiara (HASUI et al.,1989; apud BATEZELLI et al, 2005) (Figura 4). 23 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas       Figura 3. Mapa de isópacas do Grupo Bauru no Triângulo Mineiro e áreas adjacentes Fonte: Batezelli et al. (2005) Figura 4. Mapa de compartimentação estrutural do Triângulo Mineiro Fonte: Batezelli et al. (2005) 24 Área Recursos Hídricos Subterrâneos 2.3. Aspectos Hidrodinâmicos O aquífero Bauru-Caiuá é do tipo poroso e pode se apresentar na condição de livre a semiconfinado. De um total de 88 poços perfurados no aquífero Bauru-Caiuá no Estado de Minas Gerais, 62 são públicos e 26 pertencem a particulares (SIAGAS, 2010). Na tabela 1 são apresentados os valores médios para parâmetros físicos e hidrodinâmicos dos poços que captam água desse sistema aquífero, considerando o número de poços cadastrados em cada uma das formações e grupo citados.   PROFUNDIDADE  (m)  NÍVEL  ESTÁTICO  (m)  NÍVEL  DINÂMICO  (m)  VAZÃO  (m³/h)  VAZÃO  ESPECIFICA  (m³/h/m)  Formação  Vale  do  Rio do Peixe  122,22  14,98  56,06  19,16  0,46  Formação Uberaba  72,33 4,27 33,65 18,17 0,62  Formação Marília  80,66 11,44 37,73 22,46 0,85  Grupo Bauru  96,82 8,65 38,49 14,79 0,49  Tabela 1. Valores médios para parâmetros físicos e hidrodinâmicos de poços do aquífero Bauru-Caiuá Fonte: SIAGAS (2010). Os poços perfurados na região do Triângulo que explotam o aquífero Bauru-Caiuá apresentam profundidades que variam de 12 a 598 metros, com vazões entre 0,46 a 112 m³/h e média de 20 m³/h. Para o aquífero Bauru no município de Araguari foi estimada transmissividade média de 68,34 m²/d. Localmente, em poço da bateria que abastece o bairro Providência na sede do município, foi encontrado valor mais reduzido (42 m²/d). A média da condutividade hidráulica e do coeficiente de armazenamento é, respectivamente, de 2,13x10-3m/s e 0,12 (FIUMARI, 2004). Foi ressaltado por BATEZELLI et al.(2003, apud BATEZELLI et al., 2005) que as fácies arenosas do Grupo Bauru apresentam-se, frequentemente, cimentadas por carbonato de cálcio o que promove a diminuição das condições de permo-porosidade. 2.4. Características Químicas As águas subterrâneas, para o aquífero Bauru-Caiuá em toda sua extensão no Triângulo Mineiro, exibem pH básico com valores entre 7 e 10. São, de modo geral, águas de boa qualidade para consumo humano, industrial e agrícola. O manganês, como constituinte secundário, está presente em alguns poços, porém sempre dentro do limite tolerado para consumo humano. Especificamente, para o caso do município de Araguari, predominam as águas bicarbonatadas sódicas com pH médio em torno de 5,07. Estas características químicas associam-se à presença de níveis silto-argilosos intercalados aos sedimentos arenosos do Grupo Bauru- Caiuá (FIUMARI, 2004). Em apenas dois poços, um no município de Carneirinho e outro em Fátima do Pontal, foi detectado teor de fluoreto elevado, de 3,2 mg/L, acima do limite estabelecido pelo portaria MS Nº 2914 de 12/12/2011, que é de 1,5 mg/L. Concentrações altas em fluoreto podem ocasionar manchas nos dentes (fluorose dental) e deformação nos ossos, além de representar toxicidade em relação aos vegetais (FEITOSA, 2008). Um aspecto que deve ser ressaltado é o registro, ao longo da Sutura de Itumbiara, da ocorrência de águas termais nos municípios de Conceição das Alagoas e Cachoeira Dourada, com temperaturas entre 40 e 45ºC, que futuramente poderão despertar interesse para investimentos nos setores industrial e de lazer (BATEZELLI et al., 2005). 2.5. Análises isotópicas Para este tema utilizou-se exclusivamente o trabalho de Velasquez et al. (2006), estudo este desenvolvido no Município de Araguari durante os anos de 2004, 2005 e 2006. A análise dos isótopos estáveis oxigênio-18 (18O) e deutério (2H) e do isótopo radioativo trítio (3H) para 51 amostras coletadas em poços, nascentes, represas e barragens no município de Araguari, permitiu uma caracterização isotópica preliminar das águas procedentes das unidades aqüíferas Bauru e Serra Geral. Segundo os autores, o excesso de deutério encontrado para os pontos amostrados indica que as águas podem ter sofrido alguma evaporação antes de sua infiltração no subsolo. No referido trabalho foram adotados como intervalos característicos dos isótopos estáveis para o aquífero Bauru: 6,9‰ e –7,5‰ para δ18O e -44,7‰ e –50,6‰ para δ2H. Ainda com relação a estes isótopos foi determinada a ocorrência do efeito de altitude entre um conjunto de poços situado na Formação Bauru. Para a determinação do tempo de renovação da água subterrânea, foi adotado o modelo exponencial. Os dados de entrada desse modelo, ou seja, a concentração de trítio nas precipitações de Araguari, nos últimos 50 anos, foram obtidos por correlações entre estações da rede GNIP (Global Network for Isotope Precipitacion ) da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e a série histórica de precipitações em Araguari a partir de 1975. Como resultado, os autores concluíram que as águas de Araguari são relativamente jovens, apresentando um valor máximo da ordem de 50 anos para a região objeto do estudo, compreendida entre o rio Jordão e Piracaíba e que abrange a mancha urbana. Um único poço fora da área de interesse apresentou um tempo de renovação de 90 anos. Todas as nascentes amostradas, incluindo a do afluente do rio Jordão, e sete poços do aquífero Bauru, revelaram águas dos últimos 2 ou 3 anos. 25 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas A barragem no rio Araras e o trecho do rio amostrado mostraram tempos de renovação da ordem de 30 e 20 anos, respectivamente, indicando que esses mananciais recebem uma contribuição importante de águas subterrâneas. Os autores confrontaram as linhas equipotenciais com as isolinhas de desvios isotópicos de 18O e 2H e as isolinhas de concentração de trítio ambiental, obtidas com a distribuição espacial de valores desses parâmetros para amostras de água do aqüífero Bauru, onde concluíram que: a) As informações sobre as áreas de recarga fornecidas pelos isótopos concordam com as equipotenciais nas regiões das cabeceiras do ribeirão Araras, na região a sudeste da área urbana de Araguari e na região do Alto São João. Esses locais apresentam uma concentração de águas recentes mais enriquecidas com isótopos pesados; b) A região do Amanhece e a região imediatamente ao norte de Araguari, com prolongamento gradativo sobre a área urbana, apresentam águas mais antigas e são isotopicamente mais leves, o que pode ser atribuído à intensa explotação do aqüífero Bauru. Velasquez et al. (2006), em suas considerações finais, ressaltam que o estudo isotópico apresentado constitui- se em uma abordagem preliminar e que a continuidade seria necessária para uma melhor compreensão do funcionamento hídrico subterrâneo, em termos de trajetória, tempo de renovação e definição de áreas superexplotadas. 2.6. Análise da Vulnerabilidade e dos Riscos de Contaminação O Bauru-Caiuá, por ser um aqüífero livre, apresenta maior vulnerabilidade à contaminação por atividades poluidoras, especialmente aquelas decorrentes do desenvolvimento agrícola e industrial. Na rede de monitoramento do Estado de São Paulo, foi constatada a presença de elevadas concentrações de nitrato e de cromo nos poços de monitoramento (CETESB, 2004). A contaminação por nitrato foi associada a fontes difusas, tais como: aplicação de fertilizantes e insumos nitrogenados, utilização de fossas negras, vazamentos das redes coletoras de esgoto e influência de rios contaminados na zona de captação de poços. As altas concentrações de cromo total, acima do padrão de potabilidade (0,05 mg/L), foram relacionadas por Almodovar (1999; apud ANA, 2005) como sendo a origem natural derivada dos sedimentos da Formação Adamantina, uma das unidades que compõe o Grupo Bauru. Entretanto, sabe-se que justamente na região onde estas anomalias foram detectadas existiu a disposição no solo, por várias décadas, dos resíduos da indústria de curtume contendo cromo (CETESB, 2004). O Triângulo Mineiro é uma região vulnerável à contaminação, dadas as características do aquífero Bauru e em virtude da intensa atividade agropecuária e existência de aglomerados urbanos expressivos, em franco crescimento fomentado principalmente pela ampliação dos cultivos de cana, soja e café, e, consequentemente, pela instalação das indústrias de beneficiamento. Nos núcleos urbanos, os problemas de contaminação relacionam-se ao esgotamento sanitário, à disposição de resíduos sólidos, aos vazamentos em postos de combustível etc. É ainda difícil a determinação de áreas mais vulneráveis à contaminação nas regiões dominadas pelas atividades agrícolas, em que o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes é feito de forma intensiva, tendo em visto o grau de conhecimento a respeito do aquífero Bauru. É necessário, portanto, a realização de estudos mais detalhados que permitam a elaboração do mapa de vulnerabilidade e à análise de risco de contaminação. 2.7. O uso da água subterrânea Cerca de 80% do abastecimento público da região de abrangência do aqüífero Bauru-Caiuá é feito através de água subterrânea. Em algumas regiões, o aqüífero é intensamente explotado, como por exemplo, na cidade de São José do Rio Preto (SP), em que 70% da população é abastecida por água subterrânea. Os principais usos para as águas no sistema aquífero Bauru-Caiuá no Triângulo Mineiro são para abastecimento público e a agropecuária, principalmente nos cultivos irrigados como o café e a soja, que demandam grandes volumes de água. No município de Araguari, o aquífero Bauru é intensamente explotado, sendo que o suprimento de água para o abastecimento público, irrigação e uso industrial é feito quase exclusivamente por suas águas, gerando conflitos entre os usuários, principalmente do setor agrícola. 26 Área Recursos Hídricos Subterrâneos Quadro 1. Municípios do Triângulo Mineiro, população e principal fonte de abastecimento Fonte: Beato, 2009. (*) IBGE censo 2010 O Quadro 1 apresenta as informações sobre os municípios que compõem o Triângulo Mineiro, suas concessionárias de abastecimento público, população e principal fonte de abastecimento. MUNICÍPIO  POPULAÇÃO  (*)  CONCESSIONÁRIA DE  ABASTEC. PÚBLICO  FONTE DE  ABASTECIMENTO OBSERVAÇÃO  Água Comprida  2.025  COPASA  ?  Araguari  109.801  SAE  subterrâneo  Pólo industrial e agrícola  Araporã  6.144  SAAE  superficial  Cachoeira Dourada  2.505  SAAE  superficial  Campina Verde  19.324  COPASA  superficial  Campo Florido  6.870  COPASA  misto  Canápolis  11.365  COPASA  superficial  Capinópolis  15.290  COPASA  superficial  Pólo agrícola  Carneirinho  9.471  COPASA  subterrâneo  Cascalho Rico  2.857  COPASA  ?  Centralina  10.266  COPASA  superficial  Comendador Gomes  2.972  COPASA  ?  Conceição das Alagoas  23.043  SAAE  ?  Pólo agrícola  Conquista  6.526  COPASA  ?  Delta  8.089  SAAE  superficial  Pólo industrial e agrícola  Fronteira  14.041  COPASA  ?  Frutal  53.468  COPASA  ?  Pólo industrial e agrícola  Gurinhatã  6.137  COPASA  subterrâneo  Indianápolis  6.190  COPASA  subterrâneo  Pólo agrícola  Ipiaçu  4.107  SAAE  ?  Itapagipe  13.656  COPASA  ?  Ituiutaba  97.171  SAE  superficial  Pólo industrial e agrícola  Iturama  34.456  COPASA  superficial  Pólo agrícola e pecuário  Limeira do Oeste  6.890  COPASA  subterrâneo  Pólo agrícola e pecuário  Monte Alegre de  Minas  19.619  SAAE  subterrâneo  Pólo agrícola  Pirajuba  4.656  COPASA  ?  Planura  10.384  COPASA  ?  Prata  25.802  COPASA  superficial  Pólo agrícola  Santa Vitória  18.138  COPASA  subterrâneo  São Francisco de Sales  5.776  COPASA  ?  Tupaciguara  24.188  DAAE  superficial  Pólo agrícola  Uberaba  295.988  CODAU  misto  Pólo industrial e  agropecuário  Uberlândia  604.013  DMAE  superficial  Pólo industrial e agrícola  União de Minas  4.418  COPASA  subterrâneo  Pólo agrícola e pecuário  Veríssimo  3.483    COPASA  subterrâneo      27 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas O abastecimento público é concedido à COPASA- Companhia de Saneamento de Minas Gerais em 24 dos 35 municípios, os outros 11 são abastecidos por serviços municipais. Dentre os municípios que são exclusivamente abastecidos por água subterrânea, Araguari se destaca por apresentar população relativamente alta. Os municípios com as maiores populações tendem a utilizar água superficial como fonte principal e subterrânea como fonte alternativa para uso industrial, em condomínios e, também, uso doméstico. 2.8. Potenciometria Os mapas potenciométricos são obtidos a partir das medidas de níveis estáticos em certo número de poços os quais são referenciados a um datum representando a superfície topográfica. As curvas assim obtidas representam as equipotenciais da superfície piezométrica. As medidas devem ser feitas em condições de equilíbrio dessa superfície, durante um período determinado e mais curto possível, de forma que não haja variação sensível nos níveis locais ou regionais. As medidas em campo são feitas considerando-se a cota do terreno e o nível da água no aqüífero. Velasquez et al. (2008) elaboraram, a partir dos dados de 85 poços profundos e de 130 nascentes a superfície potenciométrica para o Aqüífero Bauru, (Figura 5). A configuração dessa superfície mostra um divisor hidrogeológico, de direção noroeste, ao longo de toda a chapada. Esta região constitui a zona de recarga direta, com fluxos para NE e SW. 2.9. Reservas Segundo Feitosa e Manoel Filho, 1997 (apud FIUMARI, 2004) são definidas quatro tipos de reservas para a água subterrânea: Reserva Renovável- Corresponde ao volume de água subterrânea acumulado anualmente acima do nível freático mínimo variável, portanto com o regime pluviométrico. 1) Reserva Permanente - Em um aqüífero livre, corresponde ao volume de água acumulado abaixo do nível de base das drenagens, independentemente do regime pluviométrico anual, e representa à espessura saturada mínima do aqüífero. 2) Reserva Total - Compreende ao conjunto das Reservas Permanente e Renovável. 3) Reserva Explotável- Corresponde ao volume de água possível de ser explotado com sustentabilidade, ou seja, sem que haja comprometimento futuro na quantidade e qualidade da água. Velasquez et al.(2006) estabeleceu a estimativa das reservas subterrâneas para o município de Araguari, considerando a área total do aqüífero Bauru (1023 km2) neste município. Os resultados são apresentados na Tabela 2. Tabela 2. Reservas do Aqüífero Bauru no município de Araguari. Fonte: Velasquez et al. (2006). CLASSE DE RESERVAS  VOLUME (m³)  Renovável (Re)  0,618  x 109x m3 /a  Permanente (Rp)  4,665  x 109 m3  Explotável (25% Re)  0,155  x 109 m3 /a  Total (Re + Rp)  5,283  x 109 m3    28 Área Recursos Hídricos Subterrâneos Fi gu ra 5 . M ap a po te nc io m ét ric o do A qu ífe ro B au ru e m A ra gu ar i Fo nt e: V el as qu ez e t a l. (2 00 8)    29 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas 3. CARACTERÍSTICAS CLIMÁTICAS 3.1. Aspectos climáticos As regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba apresentam os valores mais elevados de precipitação anual com totais superiores a 1.500 mm. Estas duas regiões apresentam também os maiores valores de chuvas intensas, com duração de 30 minutos. O Triângulo e o Alto Paranaíba possuem características predominantes do clima Aw, megatérmico com inverno seco. A temperatura média do mês mais frio é superior a 18 °C, e a precipitação do mês mais seco, inferior a 60 mm (MOTTA, 1993). Na parte nordeste do Triângulo Mineiro, na chapada entre as cidades de Uberlândia-MG e Uberaba-MG, o clima é do tipo Cwa, temperado suave, mesotérmico, chuvoso e com inverno seco. A temperatura média do mês mais frio varia entre 3 e 18°C e a do mês mais quente é superior a 22 °C (MOTTA, 1993). Na serra de Araguari, o clima é do tipo Cwb, semelhante ao Cwa, diferindo apenas por ser a temperatura média do mês mais quente inferior a 22°C. A maior parte do Triângulo Mineiro apresenta-se com temperaturas médias mensais nunca inferiores a 17°C, não acumulando horas de frio; e, mesmo que se observem temperaturas mínimas inferiores a 7,5°C, o efeito vernalizante (disponibilidade de frio) é anulado pela ocorrência de altas temperaturas durante o dia, a não ser pelas áreas isoladas, ao sudeste de Araxá-MG e Patrocínio-MG (MOTTA, op. cit.). É importante mencionar fenômenos de circulação atmosférica, como as zonas de convergência do Atlântico Sul, que atuam no Sudeste do Brasil no verão, normalmente combinadas com sistemas atmosféricos ciclônicos. A precipitação anual varia entre 1300 e 1700 mm, com os valores mais altos nas regiões de maior altitude, concentrada nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro (Figura 6). O período seco estende-se de maio a agosto.   Figura 6. Mapa da Precipitação Média Anual para o Triângulo Mineiro Fonte: Silva (2010) 30 Área Recursos Hídricos Subterrâneos 3.2. Síntese do balanço hídrico no Triângulo Mineiro O balanço hídrico para a região do Triângulo Mineiro foi realizado por Silva (2010) utilizando o método de Thorntwaite & Mather (1955, apud SILVA, 2010). Os excedentes hídricos apresentam uma média regional de 502 mm. Os maiores valores foram verificados nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, todos com médias acumuladas superiores a 100 mm, intervalo que coincide com o maior período de chuvas. Em janeiro o excedente atingiu valores de aproximadamente 160 mm. De maio a setembro registraram-se os menores índices. A média do excedente hídrico nesse período variou entre 0,2 e 1,8 mm, enquanto as médias dos déficits hídricos anuais apresentaram uma média regional de 255 mm. A partir do mês de abril até meados de outubro a retirada de água do solo é maior que a reposição. No mês de maio nota-se a ocorrência de déficit hídrico que aumenta gradativamente até atingir seu pico no mês de agosto, superando 50 mm. Com a ocorrência de precipitações a partir de setembro evidencia-se a redução dos índices do déficit hídrico. Os resultados do balanço hídrico encontram-se apresentados na tabela 3. Fonte: Silva (2010) Tabela 3. Cálculo do Balanço Hídrico do Solo. Valores médios do excedente e déficit hídricos no Triângulo Mineiro.   31 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas 4. A REDE DE MONITORAMENTO PROJETADA PARA O AQUÍFERO BAURU-CAIUÁ EM MINAS GERAIS Para o “Projeto de Rede Básica Nacional de Monitoramento Integrado das Águas Subterrâneas” (RIMAS), estão previstas perfurações de poços visando o monitoramento do aqüífero Bauru-Caiuá. Os pontos (locações), previamente selecionados segundo critérios adotados para a rede de monitoramento, foram visitados pela equipe executora do projeto e analisadas suas condições de segurança, posicionamento geológico e aspectos hidrogeológicos, para que se pudesse proceder às perfurações dos poços de monitoramento. Dentre os dezesseis poços de monitoramento implantados até o momento (agosto/2012), seis não possuem estações pluviométrica em suas imediações. Desta forma, para a interpretação dos dados do monitoramento deverão ser instaladas mini-estações pluviométricas junto ou próximo aos poços. De posse das futuras informações obtidas através da RIMAS, espera-se, dentre outros benefícios, contribuir para a avaliação quantitativa da explotação de água subterrânea no sistema aquífero, para estimativa das reservas e de parâmetros hidráulicos, bem como para avaliação da qualidade da água. Ressalta-se que todo o planejamento da rede foi feito após discussões técnicas com representantes do órgão gestor de recursos hídricos, IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas para assimilação das demandas e efetivação de cooperação técnica. Como resultado, foi realizada a integração da rede de monitoramento qualitativa operada pelo IGAM com os poços da RIMAS. Desta forma, as visitas periódicas aos poços da RIMAS são acompanhados de técnicos do IGAM que auxiliam na coleta de amostras e se responsabilizam pelo armazenamento e transporte das amostras ao laboratório credenciado para o Programa Águas de Minas. Os boletins analíticos são enviados à CPRM e constam da determinação de parâmetros similares àqueles definidos para a RIMAS, na instalação do poço e a cada cinco anos. 4.1. Poços de monitoramento implantados Foram perfurados e encontram-se em operação 16 (dezesseis) poços no aquífero Bauru-Caiuá, cujas principais características estão apresentadas na tabela 4. Tabela 4. Principais características dos poços construídos para o monitoramento no Aquífero Bauru- Caiuá   MUNICÍPIO  LOCALIDADE  LATITUDE LONGITUDE ESTADO  NE (m)  PROF.  (m)  Q  (m3/h)  Ituiutaba  Aeroporto  ‐19.00 ‐49.49 MG  10.57  60  1.10  Araguari  Av. Minas Gerais ‐ SEDE  ‐18.66 ‐48.19 MG  22.5  60  3.272  Limeira do oeste  Av. Saudade 200  ‐19.55 ‐50.57 MG  8.46  53  1.65  Monte Alegre de Minas  Bairro Toribaté  ‐18.88 ‐48.89 MG  12.1  54  4.58  Guarinhatã  Campo de Futebol  ‐19.21 ‐49.79 MG  23,06  60  1.80  Campina Verde  Distrito de Honoropolis  ‐19.56 ‐50.02 MG  14.1  70  0.47  Araguari  Distrito de Amanhece  ‐18.54 ‐48.20 MG  7.52  42  2.93  Tupaciguara  Distrito Industrial  ‐18.61 ‐48.62 MG  27.67  52  1.41  Campina Verde  Escola Agrícola  ‐19.54 ‐49.52 MG  11,97  60  5.55  Tupaciguara  ETA (Estação de Tratamento de Agua)  ‐18.62 ‐48.69 MG  24.18  58  5.20  Monte Alegre de Minas  Monumento Retirantes da Laguna  ‐18.87 ‐48.92 MG  6.37  64  6.79  Guarinhatã  Pista de Voo  ‐19.21 ‐49.79 MG  7.42  66  4.80  Uberlândia  Praça da República  ‐18.89 ‐48.30 MG  42.36  82  1.80  Campo Florido  Rua Iturama 54  ‐19.77 ‐48.58 MG  7.88  54  5.48  Prata  Rua Santa Catarina 949  ‐19.30 ‐48.92 MG  18.36  48  0.72  Canapolis  Vilarejo de Avatinguara  ‐18.77 ‐49.07 MG  16.91  50  1.18  32 Área Recursos Hídricos Subterrâneos 33 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os princípios básicos para um estudo hidrogeológico no tocante ao planejamento e a gestão da água, são o correto dimensionamento de oferta e a demanda dos recursos hídricos. Porém, na hidrogeologia nem sempre é fácil definir o dimensionamento da oferta, ou seja, o cálculo de reservas e disponibilidades, pois estes envolvem aspectos geológicos e o uso e ocupação do solo, que quase sempre resulta em interferência antrópica sobre a quantidade (e também qualidade) das águas armazenadas em sub-superfície. O monitoramento dos corpos hídricos superficiais e subterrâneos é fundamental para definir qualquer situação no planejamento e gestão das águas. Para a implantação de monitoramento de águas subterrâneas é necessário que haja uma estrutura de caracterização hidrogeológica a partir da integração, análise e interpretação dos dados existentes e ampla pesquisa bibliográfica. 34 Área Recursos Hídricos Subterrâneos 35 Projeto Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANA. Panorama da Qualidade das Águas Subterrâneas no Brasil. Agência Nacional de Águas. 2005. Cadernos de Recursos Hídricos. Disponível em: . SIAGAS – Sistema de Informações de águas Subterrâneas. Banco de Dados Hidrogeológicos. CPRM – Serviço Geológico do Brasil, 2004. Disponível em: http://siagasweb.cprm.gov.br/layout/. Acesso em: 01 jul.2010. BATEZELLI, A.; SAAD, A. R.; FULFARO, V. I.; CORSI, A. C.; LANDIM, P. M. B.; PERINOTTO, J. A. de J. Análise de Bacia aplicada às Unidades Mesozóicas do Triângulo Mineiro (Sudeste do Brasil): uma Estratégia na Prospecção de Recursos Hídricos Subterrâneos. Revista Águas Subterrâneas. São Paulo: ABAS, v. 19, n. 1, p. 61-73, 2005. BEATO, D. A. C. Locação de poços para o monitoramento de águas subterrâneas no Aqüífero Bauru – Triângulo Mineiro – MG. Belo Horizonte: CPRM. Relatório interno. Novembro, 2009. CETESB. Qualidade das Águas Subterrâneas no Estado de São Paulo 2001 – 2003. São Paulo: CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. 2004. 106p. Disponível em: http://www.cetesb.sp.gov. br/Solo/publicacoes.asp. CPRM. Folha SE.23, Belo Horizonte. Carta geológica do Brasil ao Milionésimo. Rio de Janeiro: CPRM - Serviço Geológico do Brasil, 2004a. 1 CD-ROM (no sistema GIS). CPRM. Folha SE.22, Goiânia. Carta geológica do Brasil ao Milionésimo Rio de Janeiro: CPRM - Serviço Geológico do Brasil, 2004b. 1 CD-ROM (no sistema GIS). FEITOSA, F. A. C. Hidrogeologia – Conceitos e Aplicações. Rio de Janeiro: CPRM, LABHID, 2008. 812p. FERNANDES, L.A; COIMBRA, A.M.A. A Bacia Bauru (Cretáceo Superior, Brasil). Anais da Academia Brasileira de Ciências. v.68, n.2, p.195:205, 1996. FIUMARI, S. L. Caracterização do Sistema Hidrogeológico Bauru no Município de Araguari – MG. 2004. 122f. Dissertação (Mestrado em Geologia) – Departamento de Geologia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004. IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2010. Disponível em: Acesso em: 1 jun. 2012. MOTTA, P. E. F. Os Solos do Triângulo Mineiro e sua aptidão agrícola. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 9. 1993. SILVA, N. R. CARACTERIZAÇÃO DO REGIME CLIMÁTICO REGIONAL: uma análise dos parâmetros de temperatura, precipitação e balanço hídrico do Triângulo Mineiro – MG. 2010. 51f. Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito para obtenção de grau de Bacharel em Geografia. Instituto de Geografia, Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia. 2010. VELASQUEZ, L. N. M.; BRANCO ,O. E. A.; CARVALHO- FILHO C. A., MINARDI, P.S.P.; COTA, S. D. S.; BOMTEMPO, V. L.; CAMARGOS, C. C.; RODRIGUES, P. C. H.; FIUMARI, S. L. Caracterização Hidrogeológica dos Aqüíferos Bauru e Serra Geral e Avaliação das Reservas do Aqüífero Bauru no Município de Araguari, Minas Gerais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS, 15, 2008, Natal, Anais.. Natal: Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, 2008. 1 CD ROM. VELASQUEZ, L. N. M.; CARVALHO FILHO, C. A.; CAMARGO, C. C.; BRANCO, O. E. A.; RODRIGUES, P. C. H.; MINARDI, P. S. P.; BONTEMPO, V. L.; COTA, S. D. S., MIGLIORINI, R. B. 2006. Projeto Avaliação dos recursos hídricos do Sistema Aquífero Guarani no município de Araguari, Minas Gerais, Brasil. 219 p. Disponível em www. sg-guarani.org. www.cprm.gov.br