MAPAS DA ESPACIALIZAÇÃO TRIMESTRAL DE CHUVA E HIETROGRAMA TRIMESTRAL DA REGIÃO METROPOLITANA DE TERESINA/PI 1 Francisco F. N. Marcuzzo 1 Pesquisador em Geociências, CPRM / SGB - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais / Serviço Geológico do Brasil – R. Banco da Província, 105 - Santa Teresa - Porto Alegre/RS - CEP 90.840-030. francisco.marcuzzo@cprm.gov.br RESUMO por meio de emprego de índices climáticos. Em um estudo temporal e de espacialização mensal e anual das chuvas na Mapas da distribuição espacial de chuva trimestral bacia do rio Paraguai, [2] concluíram o período úmido vai subsidiam o gerenciamento e planejamento dos recursos de setembro a maio, e os meses referentes ao período seco hídricos. O objetivo deste trabalho é apresentar o são junho, julho e agosto. Outras pesquisas, cujo mapeamento da distribuição espacial trimestral e anual da conhecimento da distribuição espacial e temporal da chuva, precipitação pluviométrica dos municípios da região é importante para um melhor conhecimento e entendimento metropolitana de Teresina/PI. Na espacialização dos dados da região que está sendo estudada, apurando a discussão dos pontuais de chuva (1977 a 2006), utilizou-se a função Topo resultados, como os estudos ampliados por [3], [4], [5] e [6]. to Raster como interpolador dos dados das estações O objetivo deste trabalho é apresentar o mapeamento da pluviométricas. Os trimestres mais úmidos, em ordem distribuição espacial trimestral e anual da chuva dos decrescente, são: 1° trimestre (janeiro a março), com municípios região metropolitana de Teresina/PI. 747mm, 2° trimestre (abril a junho), com 372mm, 4° trimestre (outubro a dezembro), com 160mm 3° trimestre 2. MATERIAL E MÉTODOS (julho a setembro), com 24mm. O somatório da precipitação -1 média nos quatro trimestres, ou seja, foi de 1.303mm.ano . A área de estudo (Figura 1) que trata este artigo é constituída pelos municípios cujos territórios fazem parte da Palavras-chave — Piauí, rio Parnaíba, rio Poti, região metropolitana de Teresina/PI, criada pela lei Caatinga, Nordeste, Atlas Pluviométrico do Brasil. complementar 112 de 19 de setembro de 2001 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp112.htm). ABSTRACT Quarterly rainfall spatial distribution maps subsidize water resource management and planning. The objective of this work is to present the mapping of the quarterly and annual spatial distribution of pluviometric precipitation of the municipalities of the metropolitan region of Teresina / PI. In the spatialization of the rainfall data (1977 to 2006), the Topo to Raster function was used as the interpolator of the rainfall data. The wettest quarters, in descending order, are: 1st quarter (January to March), with 747mm, 2nd quarter (April to June), with 372mm, 4th quarter (October to December), with 160mm 3rd quarter July to September), with 24mm. The sum of the average precipitation in the four -1 quarters, that is, was 1.303 mm.year . Key words — Piauí, Parnaíba River, Poti River, Figura 1. Localização dos municípios da região Caatinga, Northeast, Pluviometric Atlas of Brazil. metropolitana de Teresina/PI, com o divisor de águas entre as sub-bacia 34 (Rio Parnaíba) e 33 (Rio Pindaré). 1. INTRODUÇÃO Os municípios são (Figura 1): Altos, Beneditinos, Coivaras, Estudar a espacialização do volume mensal e anual da Curralinho, Demerval Lobão, José de Freitas, Lagoa Alegre, precipitação pluviométrica média, além de hietogramas, Lagoa do Piauí, Miguel Leão, Monsenhor Gil, Teresina e pode auxiliar o planejamento urbano/rural municipal. União, no Estado do Piauí, e o município de Timon no O trabalho publicado por [1] mostra que com base em Maranhão. Nazária, que não constava inicialmente no um estudo sobre a chuva irregular do Nordeste do Brasil, projeto de lei 112/2001, foi oficialmente instalado como observou-se a necessidade do monitoramento pluviométrico município após as eleições municipais que foram realizadas 515 em 5 de outubro de 2008. Em primeiro de janeiro de 2009 o volume de chuva, enquanto do final do inverno ao final da município de Nazária foi instalado com sua administração primavera (setembro a dezembro) a região Oeste/Sudoeste local composta por prefeito e vereadores eleitos em 2008, possuem o maior volume de chuva. Considerando o mapa de começando a fazer parte, portanto, da região metropolitana espacialização anual de chuva, nota-se que a parte Norte da de Teresina, pois foi emancipado do território municipal região metropolitana de Teresina concentra o maior volume de Teresina. Existe um projeto de lei complementar, 108/20 de chuva, enquanto a porção Sul e principalmente Sudeste, 15 (http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetram ficam com os menores volumes de chuva anual. itacao?idProposicao=1306959), cujo intuito é integrar à região metropolitana de Teresina os municípios Hietograma Médio Trimestral (1977 a 2006 ) das Estações Pluviométricas no Território da Região Metropolitana de Teresina (Lei 112/2001) Utilizadas no Projeto do Atlas maranhenses de Caxias, Matões e Parnarama. Os municípios 770 Pluviométrico do Brasil 746,6 aqui estudados (Figuras 1 e 2) estão localizados na divisa 700 630 entre as sub-bacias 35 e 34 [7]. 560 Utilizaram-se dados das séries históricas publicados por [8]. Média dos Trimestres no Ano 490 Vários outros estudos de espacialização de chuvas 420 utilizaram os dados do Atlas Pluviométrico do Brasil, 350 325,7 372,0 publicado pelo Serviço Geológico do Brasil, como os 280 apresentados por [9], [10], [11], [12], [13], [14], [15], [16] e 210 [17]. No mapeamento da distribuição da chuva, a 140 160,2 espacialização dos dados seguiu-se o método de 70 23,8 interpolação melhor observado no estudo de [18]. 0 Janeiro a Março Abril a Junho Julho a Setembro Outubro a Dezembro Dados das estações pluviométricas da região de Teresin Figura 3. Hietograma médio trimestral (1977 a 2006). a, extraídos da Tabela de Atributos do Atlas Pluviométrico d o Brasil, bem como os gráficos produzidos neste estudo, pod em ser baixados do endereço de: https://drive.google.com/fil e/d/10oQyjwiwhcabpOlQ2D29VfLGONh- NAqt/view?usp=sharing. Os mapas Deste estudo podem ser baixados de: https://drive.google.com/drive/folders/1l- 6Y7yNFCmQGOARMd2ZB5GOnLNf8W03e?usp=sharing. Figura 2. Altimetria da região metropolitana de Teresina/PI. 3. RESULTADOS A Figura 3 mostra o hietograma (1977 a 2006) e as Figuras 4 e 6 mostram a espacialização da chuva mensal e anual no território dos municípios região metropolitana de Teresina/PI. Considerando as estações do ano para o Figura 4. Espacialização pluviométrica na área dos hemisfério Sul do Planeta, nota-se que do verão até o meio municípios região metropolitana de Teresina/PI de do inverno (janeiro a agosto) as partes Norte/Noroeste da janeiro (verão) a junho (outono). região metropolitana de Teresina concentram o maior 516 Precipitação Pluviométrica (mm) influencia sobre as condições ambientais. Os trabalhos publicados por [9], [10] e [11] ressaltam que a informação dos períodos mais e menos úmidos é importante para o planejamento dos recursos hídricos nas áreas urbanas e rurais, visando à determinação do ano hidrológico local, que, segundo os dados utilizados neste estudo, na região metropolitana de Teresina, o ano hidrológico vai de dezembro a novembro. Um detalhamento da precipitação pluviométrica no Brasil, com outros mapas de distribuição de chuva, pode ser verificado em [8] e em [16], além de outros estudos em [12], [13], [14], [15], [16] e [17]. [5] mostra que a altura anual de chuva no município de Teresina foi de 1.356,3mm, para o período de 1987 a 2016, valor muito próximo ao obtido de 1.386,1mm deste estudo. 5. CONCLUSÃO Com este trabalho de distribuição espacial mensal do volume da precipitação pluviométrica no território dos municípios da região metropolitana de Teresina/PI, verificou-se que o inicio do ano hidrológico é o mês de dezembro, com média (1977 a 2006) de 95,5mm, sendo que os meses com precipitação média superior a média dos 12 meses do ano (108,6mm) foram (decrescente): março (306,0mm), abril (249,7mm), fevereiro (235,2mm) e janeiro (205,3mm). Notou-se nos mapas, que de janeiro a agosto, o maior volume de precipitação pluviométrica se deu na parte Norte da região metropolitana de Teresina, e de Setembro a Dezembro foi a parte Sudoeste mais chuvosa. Considerando o volume anual de chuva na região metropolitana de Figura 5. Espacialização pluviométrica na área dos Teresina, nota-se que a área territorial dos municípios de municípios região metropolitana de Teresina/PI de julho União e Lagoa Alegre, alcança valores acima de 1.500mm, (inverno) a dezembro (primavera). enquanto Beneditinos, Coivaras e Lagoa do Piauí, ficam com valores médios abaixo de 1.200mm. 6. REFERÊNCIAS [1] Da Silva, D. F. Análise de aspectos climatológicos, agro econômicos, ambientais e de seus efeitos sobre a bacia hidrográfica do rio Mundaú (AL e PE). Tese (Doutorado em Recursos naturais) – UFCG, Campina Grande. 2009. [2] Cardoso, M. R. D.; Marcuzzo, F. F. N. Estudo Temporal e Espacialização Mensal e Anual das Chuvas na Parte Brasileira da Bacia do Rio Paraguai. In: IV Simpósio de Geotecnologias no Pantanal, 2012, Bonito. Anais.... Brasília/DF: INPE e Embrapa Informática, 2012. v. 1. p. 1076 a 1085. Disponível em: . Acesso: 23 out. 2017. [3] Araújo, J. P. M.; Leão, J. de C.; Fernandes, R. J. A. R.; Figura 6. Distribuição da precipitação pluviométrica De Souza, C. D.; Rocha, B. da Silva. Rede neural artificial média anual (1977 a 2006). para previsão de enchentes do rio Parnaíba na cidade de Teresina/PI. In: XXII SBRH, 2017, Florianópolis. Anais... 4. DISCUSSÃO Porto Alegre: ABRH, 2017. v. 1. p. 1 a 8. Disponível em: < http://evolvedoc.com.br/xxiisbrh/detalhes-708_rede-neural- Com a publicação da [19], verifica-se que a precipitação é artificial-para-previsao-de-enchentes-do-rio-parnaiba-na- um dos elementos meteorológicos que exerce maior cidade-de-teresinapi>. Acesso em: 26 Jan. 2018. 517 [4] Do Nascimento, J. R. da S.; Farias, J. A. M.; Pinto, E. J. [10] Cardoso, M. R. D.; Marcuzzo, F. F. N. Mapeamento de de A. Definição de equação IDF para o município de Três Decênios da Precipitação Pluviométrica Total e Teresina obtida à partir de uma série pluviográfica. In: XXII Sazonal no Bioma Pantanal. In: III Simpósio de SBRH, 2017, Florianópolis. Anais... Porto Alegre: ABRH, Geotecnologias no Pantanal, 2010, Cáceres/MT. Anais... Co 2017. v. 1. p. 1 a 8. Disponível em: . municipio-de-teresina-obtida-a-partir-de-uma-serie- [12] Cardoso, M. R. D.; Marcuzzo, F. F. N.; Barros, J. R. pluviografica>. Acesso em: 26/01/2018. Classificação climática de Köppen-Geiger para o estado de [5] Dos Santos, F. de A. Análise da normal climatológica Goiás e o Distrito Federal. Acta Geográfica (UFRR), v. 8, p. (mensal e anual) do município de Teresina (Piauí). In: XXII 40a55, 2014. Disponível em: . Acesso: 25 set. 2017. Florianópolis. Anais... Porto Alegre: ABRH, 2017. v. 1. p. 1 [13] Costa, H. C.; Marcuzzo, F. F. N.; Ferreira, O. M.; a 8. Disponível em: . 26/01/2018. Federal. Revista Brasileira de Geografia Física. Recife, v. 5, [6] Gonçalves, I. S.; Fernandes, R. J. A. R., Leão, J. de C. n. 1, p. 87a100, 2012. Disponível em: . Acesso em: 14 ago. 2017. Parnaíba na zona urbana de Teresina-PI com o uso de [14] KICH, E. de M.; MELATI, M. D.; Marcuzzo, F. F. N. imagens de satélite. In: XXII Simpósio Brasileiro de Estudo do regime hídrico pluvial e fluvial na sub-bacia 86 Recursos Hídricos, 2017, Florianópolis. Anais... Porto visando a determinação do seu ano hidrológico. In: XXI Alegre: ABRH, 2017. v. 1. p. 1 a 8. Disponível em: Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2015, Brasília. . zona-urbana-de-teresina-pi-com-o-uso-de-imagens-de- Acesso em: 17 jan. 2018. satelite>. Acesso em: 26 Jan. 2017. [15] Marcuzzo, F. F. N.; Goularte, E. R. P. Caracterização [7] Marcuzzo, F. F. N. Bacias hidrográficas e regiões do Ano Hidrológico e Mapeamento Espacial das Chuvas nos hidrográficas do Brasil: cálculo de áreas, diferenças e Períodos Úmido e Seco do Estado do Tocantins. Revista considerações. In: Simpósio Brasileiro de Recursos Brasileira de Geografia Física, v. 6, p. 91 a 99, 2013. Hídricos, 22., 2017, Florianópolis. Anais... Florianópolis: Disponível em: . Acesso: 23 out. 20147. i/handle/doc/18492>. Acesso em: 01 Out. 2018. [16] Melati, M. D.; Marcuzzo, F. F. N. Efeito da altitude na [8] Pinto, E. J. de A.; Azambuja, A. M. S. de; Farias, J. A. chuva média anual nas sub-bacias pertencentes à Bacia do M.; Salgueiro, J. P.de B.; Pickbrenner, K. (Coords.). Atlas Atlântico – trecho sudeste. In: Simpósio de Recursos pluviométrico do Brasil: isoietas mensais, isoietas Hídricos do Nordeste, 13., 2016, Aracaju. Anais... Aracaju: trimestrais, isoietas anuais, meses mais secos, meses mais ABRH, 2016. Disponível em: . Acesso em: 13 jan. 2018. Brasília: CPRM, 2011. 1 DVD. Escala 1.5:000.000. Equipe [17] Melati, M. D.; Marcuzzo, F. F. N. Espacialização da Executora: Da Costa, Margarida Regueira; Dantas, Carlos recomendação de novas estações pluviométricas na sub- Eduardo de Oliveira; Melo, De Azambuja, Andressa bacia 87 segundo os critérios de densidade da Organização Macêdo Silva; De Rezende, Denise C.; Do Nascimento, Mundial de Meteorologia. In: SBSR, 17. 2015, Foz do Jean Ricardo da Silva; Dos Santos, André Luis M. Real; Iguaçu, PR. Anais... São José dos Campos: INPE, 2015. 1 Farias, José Alexandre Moreira; Machado, Érica C.; DVD. Disponível em: . Acesso em: 03 mai. 2017. Vanesca Sartorelli; Rodrigues, Paulo de Tarso R.; [18] Marcuzzo, F. F. N.; Andrade, L. R.; Melo, D. C. R. Weschenfelder, Adriana Burin; SIG - versão 2.0 - atualizada Métodos de Interpolação Matemática no Mapeamento de em 11/2011; Levantamento da Geodiversidade. Disponível Chuvas do Estado do Mato Grosso. Revista Brasileira de Ge em: . . 20/08/18. [9] Cardoso, M. R. D.; Faria, T. G.; Marcuzzo, F. F. N. [19] EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Distribuição temporal e tendência de precipitação no bioma Agropecuária. (2002). Centro de Pesquisa Agropecuária do da Mata Atlântica do estado de Goiás. In: Simpósio Pantanal, Corumbá, Mato Grosso do Sul, Boletim de Brasileiro de Geografia Física Aplicada, 14., 2011, Pesquisa e Desenvolvimento. Análise da Distribuição da Dourados, MS. Anais... Dourados, MS: ABGFA, 2011. Frequência Mensal de Precipitação para a Sub-região da Disponível em: . Acesso em: 13 jan. 2018. Disponível: . Acesso em: 19 ago. de 2017. Powered by TCPDF (www.tcpdf.org) 518