GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE Geodiversidade do Estado de Santa Catarina é um produto concebido para oferecer aos diversos segmentos da sociedade catarinense uma tradução do atual conhecimento geocientífico da região, com vistas ao planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE incluindo desde as empresas de mineração, passando Setor Bancário Norte - SBN - Quadra 02, Asa Norte Bloco H Edifício Central – Brasília - Brasília – DF • 70040-904 pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 2108-8400 • Fax: 61 3225-3985 estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs. Escritório Rio de Janeiro – ERJ Av. Pasteur, 404 – Urca Rio de Janeiro – RJ • 22290-255 Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382 Fax: 21 2542-3647 usuários, o mapa compartimenta o território catarinense em unidades geológico-ambientais, destacando suas PresidênciaFone: 21 2295-5337 • 61 2108-8446 limitações e potencialidades frente à agricultura, obras Fax: 21 2542-3647 • 61 2108-8459 civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras, Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial potencial mineral e geoturístico. Fone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804 Departamento de Gestão Territorial Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094 Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Diretoria de Relações Institucionais para a região, são destacadas Áreas de Relevante e Desenvolvimento Interesse Mineral – ARIM, Potenciais Hidrogeológico Fone: 21 2295-5837 • 61 2108-8457 Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600 e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Superintendência Regional de Porto Alegre Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Rua Banco da Província, 105 – Santa Teresa representando rico acervo de dados e informações Porto Alegre – RS • 90840-030 Fone: 51 3406-7300 • Fax: 51 3233-7772 atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Assessoria de Comunicação tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Fone: 61 2018-8400 do território nacional. asscomdf@cprm.gov.br Divisão de Marketing e Divulgação Fone: 31 3878-0372 marketing@cprm.gov.br Ouvidoria Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495 ouvidoria@cprm.gov.br Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897 seus@cprm.gov.br rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br 2016 o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação responsável e ao desenvolvimento sustentável. 2016 2016 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Ministro-Chefe Eliseu Padilha MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINISTRO DE ESTADO Fernando Coelho Filho SECRETáRIO ExECuTIVO Paulo Pedrosa SECRETáRIO DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL Vicente Humberto Lôbo Cruz CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Presidente Carlos Nogueira da Costa Júnior Vice-Presidente Eduardo Jorge Ledsham Conselheiros Eduardo Carvalho Nepomuceno Alencar Ladice Pontes Peixoto Telton Elber Correa Janaina Gomes Pires da Silva DIRETORIA ExECuTIVA Diretor-Presidente Eduardo Jorge Ledsham Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Stênio Petrovich Pereira Diretor de Geologia e Recursos Minerais Roberto Ventura Santos Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Antônio Carlos Bacelar Nunes Diretor de Administração e Finanças Nelson Le Cocq D´Oliveira SuPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE PORTO ALEGRE Superintendente José Leonardo Silva Andriotti Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial Marcos Alexandre de Freitas MInIStÉRIO DE MInAS E EnERGIA SECREtARIA DE GEOLOGIA, MInERAÇÃO E tRAnSFORMAÇÃO MInERAL CPRM - SERvIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE ORGANIZAÇÃO Ana Claudia Viero Diogo Rodrigues Andrade da Silva Porto Alegre, Brasil 2016 CRÉDItOS tÉCnICOS Oscar Luis Bertoldo Scherer Valter de Alvarenga Barradas Patrícia Duringer Jacques Andréia Amado Continentino Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff Agmar Alves Lopes LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE Pedro César de Freitas (editoração) Raquel Barros Binotto DO EStADO DE SAntA CAtARInA José Luiz CoelhoRegina Célia Gimenez Armesto Pedro da Silva Ricardo da Cunha Lopes Roberto Kirchheim (supervisão de editoração) COORDEnAÇÃO nACIOnAL Sandra Fernandes da Silva Andréia Amado Continentino Suely Serfaty Marques Departamento de Gestão territorial Valter José Marques Superintendência Regional de Manaus Jorge Pimentel Wilson Wildner (SuREG-MA) Xafi da Silva Jorge João Gerência de Relações Institucionais Divisão de Gestão territorial e Desenvolvimento (GERIDE) Edgar Shinzato Revisão técnica (projeto de multimídia) Edgar Shinzato Maria Tereza da Costa Dias COORDEnAÇÃO tEMátICA Marcelo Eduardo Dantas (adequação da montagem no ArcExibe Revisão Linguística Coordenação Geral para multimídia)Sueli Cardoso de Araújo Maria Angélica Barreto Ramos Aldenir Justino de OliveiraProjeto Gráfico/Editoração/Multimídia- Maria Adelaide Mansini Maia Departamento de Relações Institucionais Agradecimentos Geodiversidade (DERID) Embrapa Solos Antonio Theodorovicz Divisão de Marketing e Divulgação Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do (DIMARK) Estado de Santa Catarina Geomorfologia Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (padrão capa/embalagem) Marcelo Eduardo Dantas (INCRA) – Superintendência Regional de Santa Ernesto Costa Von Sperling de Lima Catarina Solos José Marcio Henriques Soares Secretaria do Planejamento (SEPLAN) – Prefeitura Washington José Ferreira Santos Edgar Shinzato Municipal de Blumenau (SC)Chá Com Nozes Geólogo Antônio Sílvio Jornada Krebs Cenários Departamento de Apoio técnico (DEPAt) Geólogo Juarês José Aumomd Valter José Marques Divisão de Editoração Geral (DIEDIG) Coordenação de Geoprocessamento (projeto de editoração/diagramação) e da Base de Dados de Geodiversidade Maria Angélica Barreto Ramos Maria Adelaide Mansini Maia Execução técnica Ana Cláudia Viero FOTOS DA CAPA: Diogo Rodrigues Andrade da Silva Carlos Augusto Brasil Peixoto 1. Implicações geotécnicas: movimentos de massa nas encostas da localidade de Braço Marlon Colombo Hoelzel do Baú, Ilhota (Autor da foto: Juarês José Aumond). Organização do Relatório Geodiversidade 2. Atrativo geoturístico: Museu arqueológico ao ar livre Costão do Santinho. do Estado de Santa Catarina 3. Atrativo geoturístico: Serra do Rio do Rasto, Lauro Müller (Fonte: http://www. Ana Claudia Viero pt.wikipedia.org). Diogo Rodrigues Andrade da Silva 4. Recursos minerais: mineração e beneficiamento de carvão, Lauro Müller (Fonte: Sistema de Informação Geográfica Divulgação SIECESC). e Leiaute do Mapa Diogo Rodrigues da Silva Nota: Trabalhos de campo realizados entre 2010 e 2011. Textos elaborados entre 2011 e 2015. Ana Claudia Viero Carlos Augusto Brasil Peixoto Apoio Banco de Dados e Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Desenvolvimento da Base Geodiversidade CPRM – Serviço Geológico do Brasil Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP) DIDOTE – Processamento Técnico João Henrique Gonçalves Antônio Rabello Sampaio Leonardo Brandão Araújo Viero, Ana Claudia. Elias Bernard da Silva do Espírito Santo Gabriela Figueiredo de Castro Simão Geodiversidade do estado de Santa Catarina / Organização Ana Claudia Viero. Colaboração [e] Diogo Rodrigues Andrade da Silva – Porto Alegre: CPRM, 2016. Antônio Rabello Sampaio Angela Maria de Godoy Theodorovicz 155 p. ; il., color.; 30 cm + 1 DVD-ROM Antonio Theodorovicz Carlos Moacyr de Fontoura Iglessias Programa Geologia do Brasil. Levantamento da Geodiversidade. Elias Bernard do Espírito Santo ISBN 978-85-7499-142-9 Gabriela Figueiredo de Castro Simão Gerson Manoel Muniz de Matos Giovani Nunes Parisi 1. Geodiversidade – Brasil – Santa Catarina. 2. Meio Ambiente – Brasil – Santa Isao Shintaku Catarina. 3. Planejamento Territorial – Brasil – Santa Catarina. 4. Geologia Ambiental – João Angelo Toniolo Brasil – Santa Catarina. I.Silva, Diogo Rodrigues Andrade da (Org.). II. Título. Jorge Pimentel Léo Teixeira Marcus Begossi de Souza CDD 551.098164 Michel Marques Godoy Mônica Mazzini Perrotta Mylène Berbert Born Nelize Lima dos Santos (estagiária) Este produto pode ser encontrado em www.cprm.gov.br e seus@cprm.gov.br O Programa Geodiversidade do Brasil, em desenvolvimento desde 2006, consiste em uma ferramenta consagrada que o Serviço Geológico do Brasil - CPRM, em parceria com a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, coloca à disposição daqueles que buscam ganhar tempo e certeza nas decisões voltadas à gestão e ordenamento territorial. Este estudo do substrato terrestre, com modelagem espacial de cobertura nacional, considera uma reunião de informações contemplando a dimensão física, dentro do âmbito dos objetivos institucionais deste Serviço Geológico (p.e. as drenagens, o relevo, os tipos de solos etc.) em combinação com temas geológicos, ambientais, sociais e econômicos. Aborda o levantamento sobre a geodiversidade dos estados brasileiros, com informações sobre o meio físico, elaborada em ambiente de Sistema de Informações Geográficas. Representa uma tradução dos geossistemas formadores do território brasileiro voltados para as mais diversas aplicações, como: obras de engenharia, agricultura, recursos hídricos, fontes poluidoras, mineração, geoturismo e planejamento e gestão territorial. Agrega informações contemplando a dimensão física, dentro do âmbito dos objetivos institucionais deste Serviço Geológico do Brasil, cuja missão é a de gerar e difundir o conhecimento geológico e hidrológico básico necessário para o desenvolvimento sustentável do Brasil. As representações simplificadas e agregadas dos muitos temas são tratadas através de convenções cartográficas e geológicas, sempre classificatórias, e os produtos oferecidos permitem a todos os usuários entender sua forma narrativa dos resultados, além de permitir, gerar e testar cenários sem comprometer os métodos e a representação espacial das variáveis utilizadas. Nestes aspectos, o Programa é pioneiro e, a um só tempo, aperfeiçoado. Trata-se de um poderoso instrumento de planejamento territorial calcado na avaliação das aptidões e restrições intrínsecas do meio físico elaborada a partir da análise integrada dessas informações. Aos planejadores, sugerimos que a partir das informações de Geodiversidade sejam gerados projetos especiais, políticas públicas, além da tomada de decisões. Considerando a escala do produto apresentado verifica-se o enorme potencial para continuar o desenvolvimento de novas fases. Esperamos ainda neste produto: (i) aumentar os ganhos de eficiência e redução dos riscos de insucesso na interpretação; (ii) aperfeiçoar a inter-relação da multidisciplinariedade e da transdisciplinariedade; também acreditamos que estamos contribuindo com a redução de impactos ambientais dado o resumo do conhecimento geoambiental disponibilizado, e numa melhor adequação da infraestrutura, do licenciamento de atividades produtivas, na mitigação e avaliação de impactos ambientais, e na identificação dos riscos geológicos e da paisagem, dentre outras. As informações técnicas produzidas pelo levantamento da Geodiversidade Estadual – na forma de mapa, SIG e texto explicativo – encontram-se disponíveis no portal da CPRM/SGB () para pesquisa e download, por meio do GEOBANK, o sistema de bancos de dados geológicos corporativo da Empresa. STÊNIO PETROVICH PEREIRA Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial CPRM – Serviço Geológico do Brasil APRESENTAÇÃO 1. IntRODuÇÃO ........................................................................................ Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff, Ana Claudia Viero, Diogo Rodrigues da Silva 2. EvOLuÇÃO GEOLÓGICA ........................................................................ Wilson Wildner 3. MEtODOLOGIA, EStRutuRAÇÃO DA BASE DE DADOS E ORGAnIZAÇÃO EM SIStEMA DE InFORMAÇÃO GEOGRáFICA .................. Maria Angélica Barreto Ramos, Marcelo Eduardo Dantas, Antonio Theodorovicz, Valter José Marques, Vitório Orlandi Filho, Maria Adelaide Mansini Maia, Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff 4. GEODIvERSIDADE: ADEQuABILIDADES/POtEnCIALIDADES E LIMItAÇÕES FREntE AO uSO E À OCuPAÇÃO .......................................... Ana Claudia Viero, Carlos Augusto Brasil Peixoto APÊnDICES I. unIDADES GEOLÓGICO-AMBIEntAIS DO tERRItÓRIO BRASILEIRO II. BIBLIOtECA DE RELEvO DO tERRItÓRIO BRASILEIRO nOtA SOBRE OS AutORES SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (pedro.augusto@cprm.gov.br) Ana Claudia Viero (ana.viero@cprm.gov.br) Diogo Rodrigues da Silva (diogo.rodrigues@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Geodiversidade ....................................................................................................11 Aplicações ............................................................................................................12 Referências ...........................................................................................................14 INTRODUÇÃO GEODIVERSIDADE importância da geodiversidade, em seu artigo “Natureza: Biodiversidade e Geodiversidade” afirma: A Terra se comporta como um sistema vivo, cujos me- Biodiversidade é uma forma de dizer, numa só palavra, canismos lhe permitem acolher e sustentar uma imensidade diversidade biológica, ou seja, o conjunto dos seres vivos. de seres vivos em sua superfície. Essa “vida” se expressa É, para muitos, a parte mais visível da natureza, mas não tanto pelo movimento do planeta no entorno do Sol e de é, seguramente, a mais importante. Outra parte, com seu eixo de rotação como no movimento das correntes idêntica importância, é a geodiversidade, sendo esta de convecção abaixo da crosta terrestre. Em decorrência, entendida como o conjunto das rochas, dos minerais registram-se inúmeros processos, tais como a deriva dos e das suas expressões no subsolo e nas paisagens. No continentes, os vulcanismos e terremotos, ventos e diversos meu tempo de escola ainda se aprendia que a natureza outros agentes climáticos que atuam na modelagem das abarcava três reinos: o reino animal, o reino vegetal e o paisagens. reino mineral. A biodiversidade abrange os dois primeiros Embora seja o sustentáculo para o desenvolvimento e a geodiversidade, o terceiro. da vida na superfície terrestre, o substrato tem recebido Geodiversidade, para Brilha, Pereira e Pereira (2008) menos atenção e estudo do que os seres que se assentam É a variedade de ambientes geológicos, fenômenos e sobre ele. A corroborar tal afirmação, há o fato de que processos activos que dão origem a paisagens, rochas, são mais antigos e conhecidos o termo e o conceito de minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que biodiversidade do que os referentes a geodiversidade. são o suporte para a vida na Terra. Sobre essa questão, Brilha (2005, p. 17) declara que: No Brasil, os conceitos de geodiversidade se desenvol- Ao contrário de termo biodiversidade, o conceito aná- veram praticamente de forma simultânea ao pensamento logo relativo à diversidade geológica não tem conquistado internacional, entretanto, com foco direcionado para o o mesmo grau de reconhecimento junto à sociedade. A planejamento territorial, embora os estudos voltados para utilização do termo geodiversidade é relativamente recente; geoconservação não sejam desconsiderados (SILVA et al., de acordo com Gray (2004), o termo surgiu por ocasião 2008a). da Conferência de Malvern sobre Conservação Geológica Na opinião de Veiga (2002), “a geodiversidade expres- e Paisagística realizada em 1993 no Reino Unido. sa as particularidades do meio físico, abrangendo rochas, Inicialmente, o termo ‘geodiversidade’ era aplicado na relevo, clima, solos e águas, subterrâneas e superficiais”. gestão de áreas de proteção ambiental em contraponto a A CPRM (2006) define geodiversidade como: “biodiversidade”, devido à necessidade de um vocábulo O estudo da natureza abiótica (meio físico) constituída que englobasse os elementos não bióticos do meio natural por uma variedade de ambientes, composição, fenômenos e (SERRANO CAÑADAS; RUIZ FLAÑO, 2007). Entretanto, tal processos geológicos que dão origem às paisagens, rochas, expressão havia sido empregada, na década de 1940, pelo minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos geógrafo argentino Federico Alberto Daus, para diferenciar superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na áreas da superfície terrestre, com conotação de Geografia Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, Cultural (ROJAS apud SERRANO CAÑADAS; RUIZ FLAÑO, o econômico, o científico, o educativo e o turístico. 2007). Já autores como Xavier da Silva e Carvalho Filho (apud Em 1997, Eberhard (apud SILVA et al., 2008a, p. 12) SILVA et al., 2008a, p. 12) apresentam conceituações definiu geodiversidade como “a diversidade natural entre diferentes da maioria dos autores nacionais e internacio- aspectos geológicos, do relevo e dos solos”. nais, definindo geodiversidade a partir da “variabilidade O primeiro livro dedicado exclusivamente à temática das características ambientais de uma determinada área da geodiversidade foi lançado em 2004. Trata-se da obra geográfica”. de Murray Gray (professor do Departamento de Geografia Embora os conceitos de geodiversidade sejam menos da Universidade de Londres) intitulada “Geodiversity: Va- conhecidos do grande público do que os de biodiversidade, luying and Conserving Abiotic Nature”. Sua definição de esta é dependente daquela, conforme afirmam Silva et al. geodiversidade é bastante similar à de Eberhard. (2008a, p. 12) (Figura 1.1): Objetivando uma conceituação para o termo, Owen, A biodiversidade está assentada sobre a geodiversidade Price e Reid (2005) afirmam: e, por conseguinte, é dependente direta desta, pois Geodiversidade é a variação natural (diversidade) da as rochas, quando intemperizadas, juntamente com o geologia (rochas minerais, fósseis, estruturas), geomor- relevo e o clima, contribuem para a formação dos solos, fologia (formas e processos) e solos. Essa variedade de disponibilizando, assim, nutrientes e micronutrientes, ambientes geológicos, fenômenos e processos faz com que os quais são absorvidos pelas plantas, sustentando e essas rochas, minerais, fósseis e solos sejam o substrato desenvolvendo a vida no planeta Terra. Em síntese, pode- para a vida na Terra. Isso inclui suas relações, propriedades, se considerar que o conceito de geodiversidade abrange a interpretações e sistemas que se inter-relacionam com a porção abiótica do geossistema (o qual é constituído pelo paisagem, as pessoas e culturas. tripé que envolve a análise integrada de fatores abióticos, Galopim de Carvalho (2007), discorrendo sobre a bióticos e antrópicos). 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 1.2 - Principais aplicações da geodiversidade. Fonte: SILVA et al. (2008b, p. 182). Figura 1.1 - Relação de interdependência entre os meios físico, biótico e a sociedade. Fonte: Elaborado por Pedro Augusto dos Exemplos práticos da importância do conhecimento Santos Pfaltzgraff, 2010. da geodiversidade de uma região para subsidiar o aprovei- tamento e a gestão do meio físico são ilustrados a seguir. Em determinada região (Figura 1.3), formada por APLICAÇÕES rochas cristalinas, relevo ondulado, solos com espessura variável, clima subtropical, com alguns cursos de água pe- O conhecimento da geodiversidade nos leva a iden- renes, mas de grande relevância ambiental pela existência tificar, de maneira segura, as aptidões e restrições ao uso de um mangue nas proximidades, como seria possível e à ocupação do meio físico de uma área, bem como os promover o seu aproveitamento econômico? impactos advindos de seu uso inadequado. Ampliam-se, O conhecimento da geodiversidade dessa região também, as possibilidades de melhor conhecer os recursos implicaria saber a constituição de suas rochas. Nesse caso minerais, os riscos geológicos e as paisagens naturais ine- específico, trata-se de um sienogranito, com emprego rentes a determinada região composta por tipos específicos na construção civil como acabamento de superfícies de de rochas, relevo, solos e clima. Dessa forma, obtém-se paredes e pisos, pedra de talhe, brita ou saibro. O relevo um diagnóstico do meio físico e de sua capacidade de ondulado e a espessura do solo, variável em função da suporte para subsidiar atividades produtivas sustentáveis topografia, seriam outros fatores para auxiliar no desen- (Figura 1.2). volvimento dessa atividade. A disponibilidade limitada de Figura 1.3 - Morros em terreno de rochas cristalinas que contornam o mangue de Itacurubi, fortemente pressionado pela ocupação urbana (Florianópolis, SC). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 12 INTRODUÇÃO água, resultante das pequenas vazões dos cursos d’água tes da associação de movimentos de massa, inundações e e das características de aquífero fissural com ausência de enxurradas, que provocaram 135 mortes, deixaram 78.656 fraturas interconectadas, tornaria a área pouco propícia desabrigados e desalojados e afetaram 1,5 milhões de pes- ou com restrições à instalação de atividades agrícolas ou soas em todo o estado, das quais 103 mil em Blumenau assentamentos urbanos. Cuidados específicos, no entanto, (FRANK; SEVEGNANI, 2009). devem ser adotados na atividade de mineração para não Um grave problema ambiental que se instala na faixa comprometer o ecossistema de mangue já em parte mo- litorânea de Santa Catarina é a alta suscetibilidade à erosão dificado pela ocupação urbana. costeira, normalmente associada a episódios de ressaca Em outro exemplo, tem-se uma área plana (planície de registrados no litoral sul do Brasil, principalmente em de- inundação de um rio) cujo terreno é constituído por areias corrência de ciclones extratropicais, comuns nos meses de e argilas, com possível presença de turfas e argilas moles. Nessa situação, os espessos pacotes de areia viabilizam a explotação desse material para construção civil; as argilas moles e turfas, além da suscetibilidade a inundações peri- ódicas, tornam a área inadequada para ocupação urbana ou industrial; a presença de solos mais férteis torna a área propícia à agricultura de ciclo curto. Entretanto, observa- -se que, justamente em várzeas e planícies de inundação, instalou-se a maior parte das cidades no Brasil cuja popu- lação sofre periodicamente os danos das cheias dos rios. Este é o caso de Blumenau e de muitas cidades situadas ao longo do rio Itajaí, que, após sofrerem recor- rentemente com as inundações, levaram as autoridades públicas a buscar um sistema de proteção contra inunda- ções (Figura 1.4). Os movimentos de massa passaram a receber mais atenção das autoridades públicas no estado após os even- tos que ocorreram em novembro de 2008 na bacia do rio Figura 1.5 - Cenário de destruição resultante de diversas corridas de detritos e de lama nas encostas do complexo do Baú, Ilhota. Itajaí, atingindo principalmente os municípios de Ilhota, Fotografia: Juarês José Aumond, 2008. Blumenau, Gaspar e Itajaí (Figura 1.5), relacionados a uma chuva excepcional, cujos registros em Blumenau são de outono e inverno (RODRIGUES; VANZ, 2010). A ocupação cerca de 500 mm em um período de dois dias. Em uma urbana próxima às praias, em áreas sujeitas à dinâmica região habituada com os efeitos resultantes de grandes das ondas, onde a movimentação marítima e as correntes inundações, foram surpreendentes os impactos resultan- de maré realizam o processo de remoção e reposição de areia, expõe a população e a infraestrutura urbana a riscos decorrentes da erosão costeira (Figura 1.6). Importantes projetos nacionais na área de infraestrutura já se utilizam do conhecimento sobre a geodiversidade da área proposta para sua implantação. Como exemplo, o levanta- mento ao longo do trajeto planejado para as ferrovias Transnordestina, Este-Oeste e Norte-Sul, em que as informações sobre a geodiversidade local se mostram importantes para escolha não só dos métodos construti- vos do empreendimento como também para aproveitamento econômico das regiões em seu entorno. Convém ressaltar que o conhecimento da geodiversidade implica ter consciência do meio físico no tocante às suas limitações e poten- cialidades, o que proporciona a planejadores Figura 1.4 - Cheia do rio Itajaí-Açu, em setembro de 2011 (Blumenau, SC). e administradores uma melhor visão do tipo Disponível em: . para determinada área ou região. 13 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 1.6 - Proteção de área urbanizada junto à orla com enrocamento de pedras, em decorrência de diversos episódios de erosão costeira que aproximam o mar das construções (praia da Armação, Florianópolis). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. REFERênCIAS em: . Acesso em: 11 jan. 2011. BRILHA, j.; Pereira, D.; Pereira, P. Geodiversidade: valores e usos. Braga: Universidade do Minho, 2008. SERRANO CAÑADAS, E.; RUIZ FLAÑO, P. Geodiversidad: concepto, evaluación y aplicación territorial: el caso de BRILHA, J.B.R. Patrimônio geológico e Tiermes-Caracena (Soria). Boletín de la Asociación geoconservação: a conservação da natureza na sua de Geógrafos Españoles, La Rioja, n. 45, p. 79-98, vertente geológica. São Paulo: Palimage, 2005. 2007. CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil. Brasília, DF: SILVA, C.R. da; MARQUES, V.J.; DANTAS, M.E.; CPRM, 2006. Legenda expandida. Escala 1:2.500.000. SHINZATO, E. Aplicações múltiplas do conhecimento da geodiversidade. In: SILVA, C.R. da (Ed.). Geodiversidade FRANK, B.; SEVEGNANI, L. (Org.). Desastre de 2008 do Brasil: conhecer o passado, para entender o no vale do Itajaí: água, gente e política. Blumenau: presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008. Agência de Água do Vale do Itajaí, 2009. 264 p. il. p. 181-202. GALOPIM DE CARVALHO, A.M. natureza: SILVA, C.R.; RAMOS, M.A.B.; PEDREIRA, A.J.; biodiversidade e geodiversidade. 11 maio 2007. DANTAS, M.E. Começo de tudo. In: SILVA, C.R. (Ed.). Disponível em: . Acesso em: entender o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: 25 jan. 2010. CPRM, 2008. p. 11-20 GRAY, M. Geodiversity: valuying and conserving abiotic VEIGA, T. A geodiversidade do cerrado. Brasília, nature. New York: John Wiley & Sons, 2004. DF: Pequi – Pesquisa e Conservação do Cerrado, 2002. Disponível em: . Acesso em: 25 jan. 2010. cotswolds: geodiversity audit & local geodiversity action plan. Gloucester: Gloucestershire Geoconservation XAVIER DA SILVA, J.; CARVALHO FILHO, L.M. Índice Trust, 2005. de geodiversidade da restinga da Marambaia (RJ): um exemplo do geoprocessamento aplicado à geografia RODRIGUES, L.; VANZ, A. As ressacas no litoral física. Revista de Geografia, Recife, v. 1, p. 57-64, catarinense. Florianópolis: EPAGRI, 2010. Disponível 2001. 14 2 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA Wilson Wildner (wilson.wildner@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ............................................................................................................17 Escudo Catarinense ..............................................................................................19 Cráton Luís Alves............................................................................................... 23 Cráton Itapema-Camboriú ................................................................................ 23 Complexo Metamórfico Brusque .......................................................................24 Cinturão Dom Feliciano......................................................................................24 Bacias Vulcanossedimentares de Foreland .........................................................25 Bacia do Paraná ....................................................................................................26 Sedimentação Gondwânica ...............................................................................26 Magmatismo Serra Geral .................................................................................. 28 Basaltos e basalto-andesitos Serra Geral .......................................................... 28 Riólitos e riodacitos Serra Geral ........................................................................ 28 Intrusivas Alcalinas Subsaturadas......................................................................... 28 Distrito Alcalino de Lages ..................................................................................29 Complexo Alcalino de Anitápolis .......................................................................29 Coberturas Cenozoicas ........................................................................................29 Referências .......................................................................................................... 30 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA INTRODUÇÃO geologicamente, rochas gradativamente mais jovens (Ne- oproterozoico), com idades entre 650 a 545 milhões de A investigação sobre os registros geológicos contidos anos, distribuídas por toda a região central-sul do que se nas rochas que constituem o estado de Santa Catarina conhece como Província Mantiqueira (SILVA et al., 2005). mostra uma complexa história evolutiva que se confunde As atividades de construção dessa fração continen- com a história de formação dos continentes, ao longo da tal encerram-se durante o Cambriano, quando passam a qual ocorreram colisões entre distintas frações de crosta, predominar rochas de idades entre 545 e 488 milhões de soerguimentos de fragmentos de assoalho oceânico, de- anos, relacionadas a grandes episódios vulcânicos asso- senvolvimento de arcos de ilhas vulcânicas, recobrimento ciados a extensas bacias vulcanossedimentares (bacias de de frações continentais por extensos sistemas vulcânicos e foreland), destacando-se as que ocorrem nas regiões de estabelecimento de grandes zonas de deposição de rochas Campo Alegre, Itajaí e Joinville. sedimentares. No Mapa Geológico do Estado de Santa Após a implantação do supercontinente Pangeia (Fi- Catarina (WILDNER et al., 2014), mostra-se a distribuição gura 2.1), ocorrida no início do Paleozoico (~545 Ma), que superficial dessas rochas, que se distinguem de acordo com incluía a maior parte das zonas de terra emersas que hoje a idade, estrutura e composição litológica. constituem os continentes do hemisfério sul (América do Os registros geológicos mais antigos de Santa Catarina Sul, África, Antártida, Madagáscar, Índia, Austrália, dentre remontam ao período entre o Arqueano e o Proterozoico outros fragmentos continentais), segue-se um período de (2.5 a 0,54 bilhões de anos), quando foram formadas as intensa calmaria, durante o qual se desenvolvem grandes primeiras rochas que compõem o arcabouço geológico áreas de sedimentação, devido ao desgaste das rochas do estado (Quadro 2.1). Tais litologias desenvolveram as graníticas e vulcânicas formadas até então, que começam primeiras frações de terras emersas – ou primeiras porções a ser erodidas intensamente. dos continentes –, que serviram como anteparo, ou borda Durante parte do Paleozoico e Mesozoico, forma-se cratônica continental, ao longo das quais estão arranjadas, a Bacia do Paraná, cujo registro sedimentar compreende Quadro 2.1 - Escala do tempo geológico e os principais eventos da evolução da Terra. Subdivisão do Tempo Geológico Idade(em milhões de anos) Eventos ÉON HADEANO 4.560-4.000 Formação da Terra, com estruturação do núcleo, manto e crosta. 4.200-4.100 Mais antigos materiais terrestres. 4.030-3.960 Mais antigas rochas preservadas na Terra (no Canadá). 4.000-2.500 A tectônica de placas é uma dança frenética de pequenas placas. ÉON ARQUEANO 3.800 Mais antigas evidências de vida? 3.500 Mais antigos vestígios de vida (fósseis). 2.500 Consolidação final dos primeiros grandes continentes. 2.500-2.300 Fósseis, granitos e rochas carbonáticas tornam-se mais comuns. Era A tectônica global avança, passando de um regime de pequenas para 2.300 a 2.100 Paleoproterozoica grandes placas. Isso vai se estender até o fim do “Ano-Terra”. 2.100 Primeira evidência de clima glacial em grande escala. Em função da expansão de micróbios fotossintetizadores nos mares, a atmosfera se torna oxidante após longo período de transição. Formação Era 2.000 dos maiores depósitos de ferro conhecidos, como Quadrilátero Ferrífero Mesoproterozoica (MG) e Serra dos Carajás (PA). Surgem os primeiros organismos eucari- óticos em um mundo dominado por procariontes. Os organismos eucarióticos começam a se diversificar (advento da 1.000 sexualidade). Era Neoproterozoica Mais antigas evidências de animais invertebrados, de “corpo mole”, 545 desprovidos de conchas ou carapaças. 17 ÉON PROTEROZOICO GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Quadro 2.1 - Escala do tempo geológico e os principais eventos da evolução da Terra. (Continuação) Subdivisão do Tempo Geológico Idade(em milhões de anos) Eventos Cambriano 545-448 Explosão adaptativa de invertebrados com conchas e carapaças. Plantas não vasculares aparecem nos continentes. Os peixes despontam no meio aquático. Ordoviciano 448-443 Os grandes paleocontinentes do Paleozoico (Gondwana, Laurência, Báltica e outros) tomam forma. Siluriano 443-416 Plantas vasculares iniciam a conquista dos continentes. Os continentes paleozoicos colidem, agregando-se no supercontinente Pangeia. Formam-se grandes cadeias montanhosas, como Apalaches, Urais, pré-Cordilheira Andina. Devoniano 416-359 Os primeiros vertebrados saem da água (anfíbios). Aparecem as primeiras florestas de plantas vasculares primitivas e as primeiras plantas com sementes (gimnospermas). Primeiros répteis. Florestas pantanosas de licófitas, astenófitas e samam- Carbonífero 359-299 baias fornecem material para grandes depósitos de carvão. Permiano 299-251 Ocorre uma grande extinção. O supercontinente Pangeia começa a se desagregar, dando origem aos Triássico 251-199 continentes modernos. Os répteis diversificam-se. Surgem os dinossauros e os mamíferos. No processo de desmantelamento do Pangeia, a América do Sul separa- Jurássico 199-145 -se da África e migra para sua posição atual, juntamente com os outros continentes. Surgem as plantas com flores (angiospermas), que, rapidamente, do- Cretáceo 145-65 minam a flora continental. Extinção dos dinossauros e muitos organismos. Paleoceno 65-55 Domínio de mamíferos, angiospermas e insetos. Eoceno 55-33 Forte intemperismo das rochas pré-cambrianas e fanerozoicas, originan- do os grandes depósitos lateríticos bauxíticos e fosfáticos. Oligoceno 33-23 Mioceno 23-5.3 Grande transgressão e regressão marinha na costa brasileira. Plioceno 5.3-2.5 Ocorre nova transgressão marinha. 2.5 milhões de anos até Há 2 milhões de anos, os primeiros membros de nosso gênero (Homo) Pleistoceno 10 mil anos aparecem na África. Holoceno 10 mil anos até hoje Fonte: Modificado de Teixeira et al. (2000). rochas formadas do Cambriano ao Cretáceo, abrangendo continentes graníticos até então formados, que reuniam o um intervalo de tempo entre 545 e 65 milhões de anos que atualmente se conhece como América do Sul e Áfri- atrás. A seção de maior espessura, superior a 7.000 m, ca. Segue-se a implantação da Depressão Afro-Brasileira, está localizada em sua porção central e é constituída por quando grandes esforços distensivos levaram à quebra e rochas sedimentares e ígneas. divisão desse supercontinente, com a consequente abertura Ao longo dos episódios de implantação do Pangeia, de uma calha tectônica, que acaba evoluindo para o oceano que perduraram até o Cretáceo inferior (~145-65 Ma), Atlântico, e o recobrimento de toda a porção sul do Brasil as bacias sedimentares recobriram grandes porções dos e de parte da África por extensos derrames de basaltos. 18 ÉON FANEROZOICO Era Cenozoica Era Mesozoica Era Paleozoica Período Período Período Quaternário Neógeno Paleógeno EVOLUÇÃO GEOLÓGICA Figura 2.1 - Representação do continente designado como Pangeia. Disponível em: . Assim, do Arqueano ao final do Mesozoico (2.5-0,65 Na Figura 2.2, a Província Mantiqueira corresponde a bilhões de anos), o continente sul-americano e especial- toda a costa sul-sudeste do Brasil, estendendo-se do mente a Província Mantiqueira que compõe o estado de sul da Bahia até o Uruguai. Santa Catarina, passou por diversos e extensos episódios No Escudo Catarinense as rochas que compõem o de evolução, gerando formas e ambientes diversos, como embasamento se inserem na porção centro-sul desta Pro- os terrenos graníticos que compõem a Costa Atlântica, ou víncia Mantiqueira (ALMEIDA et al., 1977), expondo-se ao os contrafortes da serra Geral. longo de uma área com cerca de 20.000 km2 situada entre o oceano Atlântico, a leste, e as coberturas sedimentares ESCUDO CATARINENSE fanerozoicas da Sinéclise do Paraná a oeste (Figura 2.3). Essa porção da Província tem seu arcabouço geológico A evolução geológica de Santa Catarina se inicia estruturado por diversas unidades, que variam entre ter- com o desenvolvimento do que se conhece como Escudo renos arqueanos, rochas do Proterozoico Inferior a Médio Catarinense ou embasamento granítico. As litologias que e associações vulcanossedimentares e granitoides que se compõem esse embasamento afloram ao longo da região estendem do Proterozoico Superior ao Eopaleozoico. Essa costeira de todo o estado, iniciando na região do Porto de construção geológica foi revista por Silva et al. (2005), que São Francisco do Sul e estruturando os morros graníticos propuseram a divisão do arcabouço neoproterozoico em das enseadas de Penha, Camboriú e Porto Belo, ou nas quatro unidades fundamentais: Cráton Luís Alves, Cráton praias do sul do estado, como Garopaba, a Ilha de Floria- Itapema-Camboriú, Cinturão Móvel Joinville e Cinturão nópolis, ou ao longo das praias entre o Pontal das Quatro Dom Feliciano (Figura 2.4). Ilhas e o Costão de Itapema. A evolução geológica de Santa Catarina se encerra Essas rochas do Escudo Catarinense caracterizam com o desenvolvimento de extensos depósitos aluviona- o arcabouço geológico granítico, que se inicia na res, distribuídos ao longo dos principais rios e na base fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina das encostas, recobrindo as regiões próximas às terras e se prolonga para o Paraná, formando um conjunto altas representadas pelas serras do Mar e Geral, onde se de rochas que variam desde granitos, ortognáisses de posicionam os principais sistemas de leques, proximais e várias composições, rochas metamórficas e associações distais, ligados à erosão hídrica. de metassedimentos e metavulcânicas. Essa região do A sequência estratigráfica dos eventos retratados no escudo faz parte da Província Mantiqueira Sul (ALMEIDA estado de Santa Catarina, desde as porções cratônicas pale- et al., 1977) e está limitada, a leste, por sedimentos da oproterozoicas até a sedimentação costeira, está sumariada Planície Costeira, correspondentes à porção aflorante pelas unidades estratigráficas contidas no Quadro 2.2, as da Costa Atlântica, e, a oeste, por espessos depósitos quais estão expressas no Mapa Geológico do Estado de sedimentares e derrames basálticos da Bacia do Paraná. Santa Catarina (WILDNER et al., 2014). 19 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 2.2 - Mapa contendo os principais domínios geotectônicos do Brasil, destacando-se as províncias do Amazonas, Parnaíba, Tocantins, São Francisco Borborema e Mantiqueira (em cor azul, estendendo-se ao longo da costa brasileira desde o sul da Bahia até o limite com o Uruguai), além de bacias como Paraná e Amazonas ( em cor verde) e da sedimentação costeira (em cor amarelo claro) presente no sul do Brasil. Fonte: BIZZI et al. (2001). Figura 2.3 - Províncias estruturais brasileiras. Fonte: ALMEIDA et al., 1977. 20 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA Figura 2.4 - Mapa geotectônico contendo as principais unidades estratigráficas que compõem a porção sul da Província Mantiqueira. Fonte: Compilado de Silva et al., 2005. 21 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Quadro 2.2 - Principais unidades geológicas no estado de Santa Catarina. Unidade Unidade Estratigráfica Geotectônica (idades em Ga) Litologia Estrutura Metamorfismo Sistema continental Areias e conglomerados Cobertura Cenozoica Sistema lagunal Areias, siltes e argilas Complexo Alcalino de Complexos Alcalinos Fonólitos, alcalinas Lages; Complexo de Chaminés vulcânicas Subsaturados básicas, carbonatitos Anitápolis Derrames de lavas Magmatismo Serra Geral Platô vulcânico básicas e ácidas Bacia do Paraná Sedimentação Rochas sedimentares, gondwânica marinhas e continentais Xistosidade sub- Conglomerados, horizontal na base, Bacias de foreland Grupo Itajaí (0.60-0.57) arenitos, pelitos, granitos acamamento horizontal Fácies xisto-verde inferior peralcalinos dominante; intrusões graníticas Gnaisses dioríticos Magmatismo Gnaisses Navegantes, a granodioríticos, contínuo durante o Gnaisses na fácies Cinturão Complexo São Francisco recortados por desenvolvimento do anfibolito superior Granítico-Costeiro e granitoides alcalinos sienogranitos e Cinturão Brasiliano dominante (2.1 a 0.62) monzogranitos (0.63-0.59) Transcorrências em nível crustal Magmatismo alcalino Basaltos, dioritos, Zonas de shear Alteração pós-magmática pós-colisional (0.59) granitos e riolitos relacionadas ao Cinturão Brasiliano Magmatismo Cinturão Dom Feliciano Magmatismo contínuo durante o shoshonítico pós- Dioritos e granodioritos desenvolvimento do Alteração pós-magmática colisional (0.60) Cinturão Brasiliano (0.63-0.59) Dioritos com Magmatismo pós- megacristais, colisional HCKA Alteração pós-magmática granodioritos e (0.63-0.60) monzogranitos Bacia do tipo rifte; Zona da clorita à zona da predomínio de S1 e S2 sub-horizontal, Complexo Metamórfico silimanita, clorita, biotita, metapelitos, alguns S3 subvertical, Brusque (< 2.1) estaurolita, granada- mármores, vulcânicas orientação NE xistos dominantes máficas e quartzitos Margens de Cráton Fábrica magmática Monzogranitos Microcráton Camboriú- dominante sub- dominantes, abundantes Fácies anfibolito superior Porto Belo horizontal; bandamento xenólitos de gnaisses e dominante (2.26-2.17 a 0.63) metamórfico migmatitos (0,1 a 1.0) polideformado Granitos alcalinos a Suíte Serra do Mar (0.59) Plútons maciços Não metamórficos peralcalinos Complexos Piên e Ultramáficas e máficas Fácies granulito Unidade Barra Velha Foliação NE a NW Cráton Luís Alves subvertical; zonas de Silimanita, granada, Gnaisses paraderivados shear subverticais cordierita-gnaisses Complexo Granulítico N-NE-EW Santa Catarina (2.7-2.2) Foliação NE a NW Fácies granulito Gnaisses intermediários, subvertical; zonas de dominante e anfibolito máficos e ultramáficos shear subverticais subordinada N-NE-EW Fonte: Modificado de Silva et al. (2005). 22 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA Cráton Luís Alves a silimanita, cordierita, granada, quartzo, ortoclásio e plagioclásio. Associam-se a esses termos lentes de fucsita, O Cráton Luís Alves constitui o arcabouço geológico quartzitos e rochas a coríndon, finamente granulados e mais antigo dessa região, correspondendo a um núcleo de textura granoblástica. Em alguns casos, esses quartzitos crosta arqueana remobilizada composta por associações são gradacionais para formações ferríferas (BIF) compostas metamórficas de médio a alto grau, incluindo associações por quartzo, magnetita, hematita e raro piroxênio. Essas de rochas granulíticas orto- e paraderivadas; núcleos mig- litologias representam associações de rochas pelíticas matíticos policíclicos, injetados por sucessivos eventos de finamente bandadas, relacionadas a sedimentação plata- geração de rochas graníticas; faixas granítico-gnáissicas formal e precipitação química, provavelmente associadas regionalmente desenvolvidas. No intervalo mesoprote- a episódios vulcânicos presentes nesse complexo. rozoico-neoproterozoico, esse bloco cratônico sofreu Harara (2001) obteve idades de 631±17 Ma U-Pb retrabalhamento devido à intrusão de stocks e batólitos (SHRIMP) em zircões de gabros, sugerindo que as lentes graníticos de caráter anorogênico, principalmente em sua de rochas ultramáficas, metamorfizadas em fácies granu- borda norte, aos quais se associam bacias vulcanossedi- lito e encaixadas estruturalmente de forma concordante mentares neoproterozoicas não deformadas. com os gnaisses granulíticos do Complexo Granulítico de Esse cráton se estende por uma área de cerca de Santa Catarina, pertencem à Unidade Máfico-Ultramáfica 8.500 km2, no segmento nordeste de Santa Catarina e Barra Velha e não estão correlacionadas às ultramáficas do próximo à costa, tendo sido datado por Hartmann et al. Complexo Máfico-Ultramáfico Piên. (2000), que definiram protólitos ígneos gerados a 2.716±17 No Cráton Luís Alves ocorrem o Complexo Máfico- Ma, enquanto o metamorfismo da fácies granulítico teria Ultramáfico Piên e a Unidade Máfico-Ultramáfica Barra ocorrido a 2.675±12 Ma. Essa região é considerada parte Velha. O Complexo Máfico-Ultramáfico Piên está constituído integrante de um fragmento cratônico relacionado ao Ciclo por dois corpos principais, alojados na borda norte do Jequié, situado entre dois cinturões proterozoicos dobrados Cráton Luis Alves, nas proximidades da divisa de Santa designados como Apiaí e Tijucas. Catarina com o estado do Paraná. Seus contatos são O cráton Luís Alves ou Microplaca Luís Alves, está tectônicos, envolvendo falhas de cavalgamento em nível constituído, principalmente, por gnaisses granulíticos de crosta inferior; provavelmente, representam fragmentos e granitoides deformados do Complexo Granulítico de de assoalho oceânico compondo uma sequência ofiolítica Santa Catarina, onde se encontra uma vasta gama de incompleta, onde somente a porção ultramáfica foi mantida. gnaisses enderbíticos e kinzigíticos (Complexo Luís Alves), Essa unidade litoestratigráfica está representada por charnockitos, quartzitos, formações ferríferas bandadas, peridotitos (dunitos, harsburgitos) com níveis estreitos de gnaisses calcissilicatados, metapiroxenitos, metaultrama- olivina-ortopiroxenitos, ortopiroxenitos, olivina-websteritos, fitos (Unidade Máfico-Ultramáfica Barra Velha), gnaisses websteritos e raros enclaves de talco-serpentina-xistos, quartzofeldspáticos, dioríticos a granodioríticos e grani- piroxenitos e raros gabros. Xistos magnesianos (serpentinitos, toides deformados. talco-xisto, magnetita-xisto, tremolita-xisto, carbonato e Iglesias et al. (2012) descrevem que, entre os termos clorita-xistos) ocorrem nas bordas. Essas rochas ultramáficas ortoderivados, predominam as litologias básicas, variando apresentam colorações variadas, desde cinza-escuro, cinza- entre noritos a enderbitos, apresentando textura gnáissica claro até verde e granulação fina a média. bandada, de trama granoblástica média a grossa, tendo A Unidade Máfico-Ultramáfica Barra Velha é repre- como constituintes principais termos a plagioclásio, hipers- sentada por rochas máficas e ultramáficas isótropas a tênio, diopsídio e biotita, com teores variáveis de quartzo foliadas, que ocorrem como lentes e enclaves nos gnaisses e ortoclásio, enquanto nos charnoenderbitos ocorre trama granulíticos e também na forma de corpos máficos repre- bandada marcante, com textura granoblástica constituída sentados por blocos e matacões nas encostas de morros, por quartzo, ortoclásio, biotita, hiperstênio, diopsídio e sem continuidade superficial entre os afloramentos. As anfibólio. De ocorrência subordinada, mas de importância rochas máfico-ultramáficas são constituídas por metapiro- geológico-metalogenética, estão os termos classificados xenitos, metanoritos, metagabronoritos e metagabros e se como ultramáficos, que ocorrem na forma de bouldings distribuem principalmente na região de Barra Velha, São de vários tamanhos, normalmente inclusos em noritos e João do Itaperiú, Massaranduba, Luis Alves e Blumenau. enderbitos e que correspondem, em geral, a piroxenitos, formados essencialmente por hiperstênio e diopsídio, e Cráton Itapema-Camboriú rochas a olivina, ocorrendo termos duníticos (serpentinitos) e websteritos como litologia dominante. Essa região cratônica corresponde a rochas granítico- Entre os termos paraderivados, ocorrem gnaisses gnáissicas e migmatitos do Escudo Catarinense que fazem bandados kinzigíticos, quartzitos, mármores e rochas calcis- parte do Domínio Interno do Cinturão Dom Feliciano silicáticas, normalmente na forma de lentes associadas aos ou Cráton Itapema, a que Basei (1985) denomina noritos e enderbitos, apresentando textura granoblástica “granitoides foliados”. A designação Cráton Itapema bandada, estando constituídos por variações entre termos ou Complexo Granítico-Gnáissico refere-se a todas as 23 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA rochas granítico-gnáissicas e migmatíticas polifásicas Basei et al. (2008, 2011) registram, a sul de Gaspar, envolvidas em processos de deformação regional de alta granitoides alcalinos pré-tectônicos do tipo A, milonitiza- temperatura e submetidas a cisalhamento dúctil-frágil dos, que ocorrem intercalados na forma de lascas junto às e injeções de magmas graníticos tardios, relacionados a bordas de contato dos xistos do Complexo Metamórfico uma granitogênese dominantemente sintranscorrente Brusque. Esses granitos são interpretados como relaciona- mais jovem, dominantemente neoproterozoica. Parte dos à fase sin-rifte, relacionada aos esforços tectônicos e desse conjunto litológico, aflorante na porção noroeste falhamentos que deram origem a esse sítio deposicional da região, tem sido referida por Silva et al. (2005) como que precede os processos de sedimentação da paleobacia Complexo Camboriú, que aflora em duas pequenas áreas Brusque. Datações U-Pb (ID-TIMS) forneceram idades U-Pb de aproximadamente 40 km2, constituídas por gnaisses e SHRIMP em zircão de 834,7±8,7 Ma, cuja caracterização migmatitos tonalíticos e granodioríticos polideformados, como pré-tectônicos permite inferir que este tenha sido o aos quais se associam, de forma subordinada, anfibolitos, período da fase rift da bacia que gerou o Complexo Brus- silimanita-gnaisses e gnaisses calcissilicáticos, com que e, consequentemente, a idade mais velha conhecida estruturas típicas de metamorfismo de alto grau e forte para o início do Cinturão Dom Feliciano em Santa Catarina. deformação (CHEMALE; HARTMANN; SILVA, 1995; FLORISBAL et al., 2012; PHILIPP et al., 2001). Cinturão Dom Feliciano Segundo Hartmann et al. (2003), o Complexo Cam- boriú e remanescentes da bacia Brusque correspondem a O Cinturão Dom Feliciano está constituído, dominan- frações de embasamento paleoproterozoico pertencentes temente, por rochas graníticas mais jovens do que as das ao Cráton Luís Alves que permaneceram estáveis no inte- zonas onde predominam frações de crosta antiga, como as rior do continente após 2000 Ma, apesar de terem sido descritas para os crátons Luis Alves e Itapema-Camboriú e extensivamente afetados por processos tectonotermais para as rochas metamórficas do Complexo Brusque. Com ocorridos durante o Ciclo Brasiliano, há 630-590 Ma. As idades entre 650 e 545 Ma e uma contribuição significativa condições contrastantes de metamorfismo entre os comple- de crosta antiga em sua estruturação, o que implica um xos Camboriú e Brusque indicam forte transporte tectônico ambiente ensiálico para a orogênese formadora desse ba- e fragmentação por intensos processos de falhamentos tólito (HARTMANN et al., 2003), esse magmatismo granítico ao longo de thrusts de direção NE-SW. Manifestações do constitui um cinturão de rochas graníticas que se estende ao Ciclo Brasiliano estão presentes nas bacias de foreland, longo de uma faixa com cerca de 250 km de comprimento como Itajaí (600-570 Ma), e intrusões graníticas, como as por 30 a 50 km de largura, estando constituído por um con- suítes Valssungana-Guabiruba do Cinturão Dom Feliciano. junto de corpos graníticos de dimensões variadas, confor- mando desde stocks até massas batolíticas, cujas principais Complexo Metamórfico Brusque características estão relacionadas a contatos nítidos, relevo proeminente, metamorfismo térmico de contato impresso O Complexo Metamórfico Brusque corresponde a nas encaixantes e ausência de deformação penetrativa. Al- uma faixa de rochas metamórficas de baixo a médio grau, guns desses stocks graníticos associam-se, no tempo e no disposta em uma zona de direção geral NE-SW, com cerca espaço, às sequências vulcanossedimentares presentes no de 40 km de largura, que se estende por mais de 75 km, Escudo Catarinense (KAUL; CORDANI, 2000), especialmente iniciando junto à Costa Atlântica até ser recoberta por as das bacias de Campo Alegre, Itajaí e Guaratubinha. sedimentos da Bacia do Paraná posicionados para oeste. A evolução do Cinturão Dom Feliciano esta relacionada Litologicamente, esse complexo está constituído por uma a um grande batólito multi-intrusivo polifásico, composto sequência de rochas sedimentares transformadas por meta- por uma série de plútons estruturalmente alongados na morfismo, depositadas em ambiente plataformal, às quais direção NE, faciologicamente distintos entre si, mostrando se associam vulcânicas básicas, depósitos de precipitação evidências intrusivas de uma fácies em outra, onde química na forma de formações ferríferas bandadas (BIF), predominam termos entre monzogranitos e sienogranitos, depósitos carbonáticos e mármores, (PHILIPP et al., 2004). tendo quartzodioritos, granodioritos e feldspato-alcalino- Tanto a sequência sedimentar, dominantemente pelíti- granitos como termos subordinados. Essas distintas injeções ca, com restritos níveis psamíticos e carbonáticos, quanto as magmáticas se processaram em diferentes níveis crustais rochas plutonovulcânicas, de afinidade máfico-ultramáfica, e em diferentes estágios da deformação regional tardi a e os gnaisses de composição granítica, apresentam-se pós-tectônica. A sua consanguinidade deve ser considerada metamorfizados na fácies xisto-verde, atingindo o limite em face da homogeneidade petrográfica, características de da fácies anfibolito na região do rio Oliveira e nas zonas de campo e dos dados isotópicos existentes entre os múltiplos contato com os granitoides intrusivos do tipo Valssungana plútons desse domínio, identificando-se desde termos (CAMPOS, 2011; PHILIPP, et al., 2004), onde se desenvolvem regionais, possivelmente alojados em condições meso- a rochas cornubianíticas, atingindo a fácies anfibolito supe- catazonais, até termos diferenciados epizonais, formando rior a localmente granulito (piroxênio-hornfels), conforme stocks localizados, que representam os eventos finais dessa Caldasso et al. (1995). magmatogênese. 24 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA Schulz e Albuquerque (1969) e Silva (1987) foram os primeiros a nomear alguns dos principais corpos graníticos mais jovens correlacionados às rochas vulcânicas e aos sedimentos das bacias Itajaí e Campo Ale- gre, que cortam os gnaisses e os granulitos do Complexo Luís Alves, reunidos na Suíte Intrusiva Subida. Eles foram designados como Dona Francisca, Piraí, Morro Redondo, Corupá, Serra Alta e Subida; os três primeiros relacionados à Bacia de Campo Alegre e, os três últimos, à sequência vulcanossedimentar do Grupo Itajaí. O Cinturão Dom Feliciano estende-se ao longo de toda a costa de Santa Catarina, iniciando de forma pouco significativa na porção nordeste do estado, onde se encontra intrusivo no Cráton Luís Alves e é designado como Suíte Serra do Mar; na porção centro -leste do estado, ocorre como corpos iso- lados ou na forma de batólitos como a Suíte Granítica Guabiruba-Valssungana e Figura 2.5 - Bacias neoproterozoicas e magmatismo alcalino intrusivos no Cráton Itapema-Camboriú. A da suíte Serra do Mar. Fonte: Modificado de IGLESIAS et al., 2012. maior expressão desse cinturão encontra- -se na região de Florianópolis, contexto da Folha Criciúma (escala 1:250.000), centro-sul do estado, A sequência sedimentar dessas bacias de foreland onde as rochas graníticas compõem o Batólito de Flo- está composta, predominantemente, por uma sequência rianópolis, que é compartimentado em três domínios de siltitos e arenitos na base, com aumento de arenitos litológicos: Complexo Granítico-Gnáissico Águas Mornas, conglomeráticos e conglomerados em direção ao topo, Suíte Granítica Pedras Grandes e Suíte Cambirela (SILVA; representando a evolução de ambientes marinhos rasos LEITES, 2000). para continentais, onde dominam ambientes fluviolacustres e desérticos. O vulcanismo neoproterozoico-ordoviciano Bacias Vulcanossedimentares de Foreland desempenha papel importante na evolução dessas bacias, com o magmatismo mostrando uma evolução que se inicia Essas bacias vulcanossedimentares caracterizam-se com magmas toleíticos, passando a calcialcalinos e para por uma alternância de intervalos deposicionais, durante shoshoníticos, finalizando com termos alcalinos sódicos, os quais se acumularam espessos pacotes sedimentares e representando uma contribuição crustal crescente que che- horizontes de rochas vulcânicas, intercalados com episó- ga a formar porções de granitoides peraluminosos tardios. dios erosionais. Nas fases de preenchimento, dominaram Kaul e Cordani (2000) apresentam uma interpretação os períodos em que o vulcanismo foi um dos processos da possível evolução tectônica dessa área no final do Ne- fundamentais na geração dessas bacias, seguidos pela de- oproterozoico, que teria levado à formação das bacias e posição de sedimentos predominantemente siliciclásticos. ascensão do magma alcalino a peralcalino da Suíte Serra do Esse contexto dinâmico, envolvendo eventos ígneos vulcâ- Mar. As bacias de Campo Alegre e Corupá, em Santa Catari- nicos e sedimentares concomitantes, gerou um complexo na, e Guaratubinha e Castro, no Paraná, são consideradas as padrão de preenchimento, representado por uma série de mais importantes bacias neoproterozoicas nesses estados unidades estratigráficas. e apresentam características litogeoquímicas semelhantes, As sequências vulcanossedimentares que formam as com importante contribuição vulcânica, seja na forma de bacias de foreland são importantes no desenvolvimento do lavas e rochas hipabissais, seja como rochas piroclásticas Cráton Luís Alves e cobrem uma área de aproximadamente e vulcanoclásticas. 200 km2. Tais unidades estão concentradas nas bacias de Outras pequenas bacias, ou fragmentos de bacias, Campo Alegre, Itajaí e Guaratubinha, assim como nas sub- vulcanossedimentares foram identificadas nessa região, bacias de Corupá e Joinville (Figura 2.5). Rochas plutônicas todas associadas às bacias de Campo Alegre e/ou Corupá, de epizona ocorrem de forma localizada, como na porção indicando a possibilidade de a Bacia de Campo Alegre norte do maciço do Morro Redondo, assim como diques ter recoberto uma área bem maior do que a atual, pos- ácidos, que recortam o terreno cratônico e o Cinturão teriormente desmembrada pela erosão na evolução da Ribeira. topografia do terreno. 25 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA A Bacia de Campo Alegre, uma das maiores e mais em seu depocentro, mais de sete mil metros de espessura. bem conhecidas, recobre uma área de aproximadamente Esse pacote foi pioneiramente estudado por Israel C. 50 km2, estando posicionada no extremo norte de Santa White, na primeira década do século XX, motivado pela Catarina, limite entre o Cráton Luís Alves e os sedimentos necessidade de conhecimento científico sistemático sobre paleozoicos da Bacia do Paraná. Corresponde ao arcabouço as ocorrências de carvão no sul do estado, cujos estudos geológico do extremo oeste da bacia de captação do rio foram fundamentais nos primórdios do conhecimento e Cubatão e à fração sedimentar presente junto ao corpo estabelecimento de correlações mundiais dessa sequência granítico de Piraí. sedimentar gondwânica (WHITE, 1908). A estratigrafia da Bacia de Campo Alegre está cons- A formação inicial dessa bacia estrutural (sinéclise) tituída por importante contribuição de rochas vulcânicas foi concomitante ao desenvolvimento de ativos cinturões félsicas e intermediárias (Formação Campo Alegre dividi- colisionais adjacentes que definem uma extensa faixa po- da em cinco litofácies), às quais se associam sedimentos sicionada junto à margem sudoeste do paleocontinente epiclásticos e depósitos piroclásticos (Formação Bateia e gondwânico, ao longo do qual, durante todo o Fanero- suas duas litofácies). Citroni et al. (2001) descrevem três zoico, teve lugar uma relação de convergência entre a ambientes sedimentares contrastantes para essa bacia: placa gondwânica e a litosfera oceânica do Panthalassa. - sedimentos relacionados a leques fluviais compondo A geodinâmica da borda ativa daquele continente influiu depósitos rudíticos; decisivamente na história evolutiva paleozoico-mesozoica - derrames basálticos e traquíticos associados a depó- da Bacia do Paraná; cuja análise integrada da subsidência, sitos sedimentares epiclásticos finamente laminados confrontada às grandes orogêneses acontecidas na borda e camadas piroclásticas subordinadas; ocidental (MILANI, 1997; MILANI et al., 2007), revelou clara - sedimentos terrígenos e vulcanogênicos deposita- relação entre os ciclos de criação de espaços deposicionais dos em ambiente lacustre, com depósitos subordi- na área intracratônica e os referidos episódios orogênicos. nados de lavas riolíticas em ambientes subaéreos. O enrugamento litosférico por sobrecarga tectônica pro- A espessura da sequência vulcanossedimentar é es- pagada continente adentro, a partir da calha de antepaís timada em ~1.000 m, onde ~400 m correspondem aos desenvolvida na porção oeste do Gondwana, foi interpre- ruditos da base, ~440 m à porção vulcânica e ~150 m aos tado como importante mecanismo de subsidência durante depósitos lacustres de topo. a evolução dessa bacia. BACIA DO PARANÁ Sedimentação Gondwânica A Bacia do Paraná é uma ampla bacia sedimentar situa- Em Santa Catarina, a Bacia do Paraná ocupa cerca de da na porção centro-leste da América do Sul, com principal dois terços do estado, estendendo-se de maneira contínua área de abrangência no centro-sul do Brasil, estendendo-se desde a borda oeste do embasamento cristalino, junto à desde o estado do Mato Grosso até o estado do Rio Grande Costa Atlântica, até a fronteira do Brasil com a Argentina do Sul, onde perfaz cerca de 75% de sua distribuição areal. (Figura 2.6). A implantação dessa bacia deu-se na forma de Além do Brasil, recobre parte do nordeste da Argentina, uma depressão alongada na direção NE-SW, segundo a tra- leste do Paraguai e norte do Uruguai. Compreende uma ma do substrato pré-cambriano (MILANI, 1997). As zonas de depressão ovalada, com o eixo maior no sentido norte-sul, fraqueza do embasamento brasiliano foram reativadas sob recobrindo uma área de cerca de 1,5 milhão de km2, corres- o campo compressional implantado na borda do continente pondendo a uma típica bacia flexural de interior cratônico, pela Orogenia Oclóyica (RAMOS et al., 1986), ocorrida no tendo funcionado como golfo aberto para sudoeste para o Neo-Ordoviciano, dando origem ao espaço para acomo- então oceano Panthalassa, antes da separação continental dação das primeiras unidade da bacia, a Supersequência durante o Paleozoico. Rio Ivaí, a qual não aflora em Santa Catarina. O topo desse A gênese da bacia está ligada à relação de convergên- pacote é assinalado por uma discordância pré-devoniana, cia entre a margem sudoeste do antigo supercontinente marcada por exposição subaérea das unidades até então Pangeia, formado pelos atuais continentes América do Sul, acumuladas, significativas de uma etapa de remoção erosiva África, Antártica e Austrália, além da Índia, e a litosfera e estabelecimento de um vasto e regular peneplano. oceânica do Panthalassa, classificando a bacia, pelo me- Retomada a subsidência, acumula-se durante o De- nos no Paleozoico, como do tipo antepaís das orogenias voniano a Supersequência Paraná, pacote caracterizado gondwânicas. por notável uniformidade faciológica em toda a área de No estado de Santa Catarina, a Bacia do Paraná ocorrência. Em Santa Catarina, essa unidade só é iden- recobre a maior parte da porção centro-oeste do estado, tificada em subsuperfície. Sua espessura é variável, uma posicionando-se sobre o embasamento continental vez que a porção superior foi severamente esculpida pela gerado desde o Arqueano-Paleoproterozoico até o discordância pré-pensilvaniana, o que define um notável início do Paleozoico e das bacias de foreland. O pacote marco na geologia do Gondwana na Bacia do Paraná. sedimentar-magmático que preenche essa bacia atinge, A discordância pré-pensilvaniana demarca importante 26 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA Figura 2.6 - Distribuição da bacia do Paraná no interior do continente sul-americano. Fonte: Modificado de MILANI, 1997. interrupção na história tectonossedimentar da bacia, nela transgressivo-regressivo completo, fruto da invasão e pos- estando implícito um hiato de cerca de 55 Ma (DAEMON; terior saída do Panthalassa para o interior do Gondwana. CASALETTI; CIGUEL, 1991), creditado a fatores tectônicos Sua porção mais inferior corresponde à sedimentação ligados à Orogenia Herciniana (LÓPEZ-GAMUNDI; CESARI; ainda diretamente ligada ao degelo da calota polar, sendo LIMARINO, 1993; ZALÁN et al., 1991). caracterizada por depósitos em que foram importantes A paleoposição da placa gondwânica durante o Eo- os mecanismos relacionados a fluxos de massa e ressedi- carbonífero em elevadas latitudes (CAPUTO; CROWELL, mentação. A acumulação da Supersequência Gondwana 1985, citado por MILANI et al., 2007) e o consequente I foi acompanhada de progressivo fechamento da Bacia desenvolvimento de calotas de gelo e o grande rebaixa- do Paraná às incursões marinhas provenientes de oeste. O mento do nível do mar, que deve ter acompanhado o ápice caráter de bacia intracratônica vai então paulatinamente da glaciação, constituíram fatores decisivos à inexistência sendo assumido e a bacia acaba sendo aprisionada no de um registro mississipiano na bacia. árido interior continental do Gondwana. Estão incluídos A implantação da sedimentação carbonífera suce- na Supersequência Gondwana I o Supergrupo Tubarão, deu um tempo de profundas alterações, tanto tectônicas constituído pelos grupos Itararé, Guatá e Passa Dois, e suas quanto climáticas. O pacote que sucede à discordância formações litoestratigráficas. pós-devoniana, denominado Supersequência Gondwana A chegada do Triássico assistiu a uma distensão ge- I (MILANI, 1997; MILANI et al., 2007), materializa um ciclo neralizada na porção sul do paleocontinente Gondwana. 27 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA A Supersequência Gondwana II da Bacia do Paraná, de 15 a 35 m, contendo frequentes texturas de fluxo, zonas ocorrência restrita às porções gaúcha e uruguaia da bacia, vesiculares bem desenvolvidas no topo e incipientes na insere-se nesse contexto regional e parece representar base. preenchidas, especialmente, por zeólitas, carbonatos uma sedimentação acumulada em bacias do tipo gráben. e diversas formas de sílica (calcedônia, quartzo hialino e O conteúdo fossilífero desses estratos, na forma de impor- ametista), e uma porção central formada por rocha granular tante associação de vertebrados, possui grande identidade homogênea, com disjunção colunar bem desenvolvida, com a paleofauna presente em seções sedimentares da textura microfanerítica, compacta e de coloração cinza- Argentina e África do Sul. escuro a cinza-esverdeado. A implantação do deserto Botucatu, ciclo sedimentar final do preenchimento da Bacia do Paraná-Etendeka, Riólitos e riodacitos Serra Geral iniciou-se por uma vasta superfície de deflação eólica que marcou o clímax da aridez desértica no interior do conti- Recobrindo parcialmente o magmatismo básico e nente, caracterizando prolongado episódio de interrupção destacando-se, especialmente, na zona de cânions e con- da sedimentação que vinha se desenvolvendo associado a trafortes da Serra Geral, regiões mais altas do estado e co- fenômenos de rearranjo de sua morfologia. A implantação nhecidas como Aparados da Serra, predominam derrames das condições de abrasão eólica se insere temporalmente de lavas riolíticas e riodacíticas Serra Geral. Essas litologias nos momentos iniciais do grande ciclo geotectônico que apresentam características distintivas marcantes, compon- levaria à desagregação e à fragmentação do Gondwana do os derrames mais espessos de todo o conjunto vulcânico nas cinco massas continentais ainda hoje individualizadas Serra Geral, podendo alcançar espessuras de até 80 m por – América do Sul, África, Austrália Antártica e Índia – e à derrame. Apresentam contato basal com disjunção tabular abertura do oceano Atlântico (MILANI et al., 1998; SCHE- incipiente e irregular, uma porção central bem desenvolvida RER, 2000). e maciça com disjunção colunar difusa e uma porção de Em diversas regiões, pode-se observar a morfologia topo espessa e com disjunção tabular extremamente bem das dunas bem preservadas, tendo sido recobertas pro- desenvolvida. As zonas vesiculares são pouco expressivas, gressivamente por numerosas corridas de lava, assim como normalmente contendo geodos centimétricos com formas a presença de corpos eólicos lenticulares intercalados nos elípticas, preenchidos por quartzo leitoso e/ou ágata zona- derrames inferiores da seção Serra Geral, materializando da. Os derrames são de composição dominantemente ácida com essa interdigitação de basalto/arenito a coexistência (riodacitos), compondo rochas mesocráticas cinza-claro do evento sedimentar eólico com aquele de vulcanismo a esbranquiçadas, microfaneríticas, com dominância de fissural. matriz vítrea. Processos de devitrificação geram arranjos esferulíticos, que emprestam um aspecto mosqueado às Magmatismo Serra Geral rochas, conhecido como textura sal-e-pimenta. O Magmatismo Serra Geral aparece no topo da se- INTRUSIVAS ALCALINAS SUBSATURADAS quência estratigráfica dessa bacia e demarca o término do episódio magmático jurocretácico, encerrando o preenchi- Estudos sobre as rochas alcalinas e carbonatíticas do mento da sinéclise em Santa Catarina. Esse magmatismo sudeste do Brasil consideram o magmatismo de Lages como corresponde a um dos maiores eventos vulcânicos do relacionado a um estágio mais avançado do processo de planeta e marcou a ruptura do Gondwana e a consequente rifteamento continental, enquanto o de Anitápolis, situado abertura do Atlântico Sul. Está representado por um con- mais a leste, é considerado contemporâneo ao estágio junto de derrames de basaltos e basalto-andesitos, com inicial desse processo. Nesse contexto, o magmatismo de espessura máxima em torno de 1.300 m, que representam Lages é relacionado à cadeia Rio Grande-Walvis. Riccomi- as primeiras manifestações vulcânicas sobre os sedimentos ni, Velázquez e Gomes (2005), ao agruparem as rochas arenosos do então deserto Botucatu. alcalinas brasileiras, incluem as rochas de Lages no setor sul da Província Serra do Mar. Esses autores ressaltam o Basaltos e basalto-andesitos Serra Geral forte controle exercido por descontinuidades existentes no embasamento, marcadas principalmente por zonas de Esses primeiros eventos eruptivos, que, por estarem falhas extensionais e transcorrentes presentes nas bordas confinados a paleovales e a espaços interdúnicos possuem atuais das bacias sedimentares. Relacionam o magmatis- pequena expressão lateral; após o encerramento do aporte mo, principalmente, às mudanças nos campos de esforços de areias do Botucatu levaram a um período francamente e à reativação de estruturas regionais ocorridas durante vulcânico até o total preenchimento da bacia, onde o os diversos pulsos magmáticos desencadeados entre o relevo passa a ser condicionado ao arranjo formado pela Permotriássico e o Paleógeno. Para os autores, o magma coalescência entre derrames. alcalino teria ascendido na crosta através de diferentes As rochas que compõem essa unidade caracterizam-se zonas de fraqueza, chegando à superfície ou se alojando como derrames de basaltos maciços, com espessuras entre em profundidade em rochas mais antigas. 28 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA Complexo Alcalino de Lages além de carbonatitos, kimberlitos e brechas de chaminé, que compõem o Complexo Alcalino de Lages. Definido como um domo vulcânico, com formato Dados radiométricos obtidos pelo método K /Ar circular, onde as camadas do Supergrupo Tubarão sofreram forneceram idades entre 63-78 Ma, enquanto as determi- elevação da ordem de 1.100 a 1.200 m (LOCZY, 1968). O nações Rb/Sr forneceram uma idade isocrônica de 81±8 magmatismo alcalino foi considerado como posterior à de- Ma, situando o magmatismo no Neocretáceo, e, portanto, posição do Membro Morro Pelado (Formação Rio do Rasto) posterior ao magmatismo associado à Formação Serra Geral e anterior à deposição da Formação Botucatu. Localiza-se da Bacia do Paraná (SCHEIBE, 1986; SCHEIBE; KAWASHITA; a norte da cidade homônima, porção centro-sul do estado GOMES, 1985). de Santa Catarina, intrudindo a borda leste da Bacia do Várias ocorrências de rochas alcalinas, descritas ini- Paraná. Corresponde a uma janela estratigráfica, onde cialmente como intrusivas na forma de stocks, correspon- unidades mais antigas da bacia afloram em cotas similares dem, na realidade, a corpos concordantes, com geometria às das unidades mais novas. Em planta, corresponde a uma tabular (sills), intrusivos nos Grupos Guatá e Passa Dois, estrutura concêntrica alongada, com eixo maior NW-SE, preferencialmente na parte superior das unidades. Esses que expõe, na parte central, rochas do Subgrupo Itararé corpos, com espessura, em geral, da ordem de dezenas de e, em direção às bordas, unidades sucessivamente mais metros (<100 m), encontram-se associados a depósitos de jovens do que aquelas que afloram no centro (Figura 2.7). bauxita, denotando atuação significativa dos processos de As rochas alcalinas distribuem-se, praticamente, em natureza exógena ligados à bauxitização, que foram insta- toda a região do domo, havendo, porém, maior incidência lados após o período de exumação do domo e exposição de corpos na porção sul da estrutura, onde acompanham os dos corpos alcalinos à superfície. contatos dos grupos Passa Dois e Guatá. Corpos alcalinos são encontrados também no Subgrupo Itararé. Complexo Alcalino de Anitápolis Scheibe (1986) separou as rochas alcalinas do domo nos seguintes grupos: alcalinas leucocráticas (fonólitos, analcima- O Complexo Alcalino de Anitápolis foi estudado em de- traquitos e nefelina-sienitos), alcalinas ultrabásicas (olivina- talhe nos últimos anos em função de sua caracterização como melilitos e lamprófiros, geralmente na forma de diques), jazida de fosfato. O complexo apresenta forma subcircular, com área da ordem de 6,0 km2, corresponden- te a uma depressão morfológica circundada por rochas granitoides do embasamento cris- talino. Na porção periférica são encontrados sienitos e quartzofeldspatos alcalinos, onde se observa a presença de piroxênios sob forma acicular ocupando cavidades, que, por efeitos de alteração, lembram estruturas do tipo box work. Na parte interna, a intrusão está composta por rochas máfico-ultramáficas, variando de urtitos a piroxenitos. Na zona dos piroxenitos desenvolve-se intensa biotitização, resultante de transformações metassomáticas, originando glimeritos. Veios e lentes de car- bonatos de variadas espessuras atravessam todos os tipos litológicos, provocando nas rochas ultramáficas várias transformações na forma de carbonatitização, zeolitização e sericitização (FURTADO, 1989). COBERTURAS CENOZOICAS A margem continental em Santa Catari- na abrange as bacias marginais mesocenozoi- cas de Pelotas, ao sul, e de Santos, ao norte, separadas por um alto litológico estrutural, de natureza basáltico-alcalina, denominado Plataforma de Florianópolis. A extensão des- Figura 2.7 - Mapa geológico do Complexo Alcalino de Lages, onde são sas bacias na área emersa continental corres- assinalados os lineamentos NW, NE e NNE. Fonte: ROLDAN et al., 2010. ponde fisiograficamente à Planície Costeira, 29 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA uma sedimentação cenozoica intensamente influenciada depósitos de Planície de Maré representam aqueles pelas oscilações glácio-eustáticas do nível do mar ocorridas de mesmo ambiente, mas dispostos em altitudes durante o Quaternário. A presença do alto litológico estru- acima do nível do mar atual. tural explicaria a ausência, no estado de Santa Catarina, da - Depósitos fluviolagunares e fluviodeltaicos mari- deposição das sequências da base do Quaternário referentes nhos, relacionados à dinâmica fluvial: ocorrem junto às glaciações mais antigas (HORN FILHO et al., 2012). à foz dos rios em ambiente lagunar ou marinho. Segundo Caruso Jr. (1995) e Horn Filho et al. (2012), São representados por areias, cascalhos, lamas e a Planície Costeira corresponde a uma extensa área de biodetritos malselecionados e interdigitados aos terras baixas e planas, situada ao longo do litoral, com sedimentos dos ambientes mistos de deposição. 620 km de comprimento, podendo atingir até cerca de O Sistema Deposicional Continental é o mais diversi- 100 km de largura próximo a Joinville, onde dois sistemas ficado e também o mais complexo para individualização deposicionais são responsáveis pela formação do pacote entre as deposições quaternárias: sedimentar costeiro: - Depósitos coluvionares e de sistemas de leques - Sistema Deposicional Transicional ou Litorâ- aluvionares: recobrem boa parte da região oeste da neo: ocupa as partes central e leste da planície, planície, próximo às terras altas. São formados por incluindo a atual linha de costa, sendo constituído sedimentos malselecionados depositados na forma por um conjunto sedimentar inconsolidado que de leques proximais e distais ligados à erosão hídrica representa os ciclos transgressivo-regressivos ocor- sob condições de clima semiárido, Os depósitos co- ridos durante o Quaternário. luvionares são formados pela ação direta da gravida- - Sistema Deposicional Continental: cobre boa de sobre solos e rochas propícios ao deslocamento parte da região oeste da Planície Costeira, próximo gravitacional, ocorrendo na base das encostas das às terras altas, sendo formado por leques proximais unidades pré-cambrianas, sedimentares e vulcânicas e distais ligados à erosão hídrica, sob condições da Bacia do Paraná. de clima semiárido, das unidades pré-cambrianas, - Depósitos aluvionares: representam as acumulações, sedimentares e vulcânicas da Bacia do Paraná; os dominantemente arenosas, e com cascalhos, siltes depósitos fluviais têm relação direta com o trabalho e argilas subordinadas. São relacionados à ação dos rios e acompanham as terras baixas que ladeiam direta da dinâmica dos rios e depositados nas calhas as redes fluviais do estado. fluviais e planícies de inundação. Os depósitos relacionados ao Sistema Deposicional Horn Filho e Ferreti (2010) propõem um terceiro sis- Transicional ou Litorâneo mostram frequentemente gênese tema deposicional referente às alterações antropogênicas ligada ao sistema laguna-barreira e compreendem: recentes e incluem nessa subdivisão os sedimentos de - Depósitos praiais atuais e subatuais, homogêneos origens natural e artificial construídos pela ação humana, e inconsolidados, relacionados à ação e deposição destacando-se os depósitos do tipo sambaqui e os tec- direta das ondas ao longo dos cordões litorâneos; nogênicos. são constituídos por areias finas a médias, sem estratificação ou alinhamentos. Nesses depósitos REFERÊNCIAS ocorrem frequentes fragmentos de conchas. - Depósitos eólicos, construídos pela remobilização ALMEIDA, F.F.M. de; HASUI, Y.; BRITO NEVES, B.B.; FUCK, dos ventos sobre a deposição praial, constituídos por R.A. Províncias estruturais brasileiras. In: SIMPÓSIO DE areias quartzosas finas a médias, arredondadas e bem GEOLOGIA DO NORDESTE, 8., 1977, Campina Grande, selecionadas, com rara laminação plano-paralela Atas... Campina Grande: SBG, 1977. p. 363-391. e comum estratificação cruzada e coloração clara. Constroem morfologias de cordões de dunas arran- BASEI, M.A.S. O cinturão Dom Feliciano em Santa jados paralelamente às praias, onde são frequentes Catarina. 1985. 186 f. Tese (Doutorado em Geologia) – as dunas transversais, barcanas e parabólicas; Universidade de São Paulo, São Paulo, 1985. - Depósitos lagunares constituídos por areias, siltes e argilas na borda e fundo dos corpos de águas BASEI, M.A.S.; CAMPOS NETO, M.C.; CASTRO, N.A.; salobras. Os depósitos apresentam-se malsele- NUTMAN, A.P.; WEMMER, K.; YAMAMOTO, M.T.; cionados, estratificação plano-paralela incipiente HUECK, M.; OSAKO, L.; SIGA, O.; PASSARELLI, C.R. e podem conter concreções carbonáticas e ferro- Tectonic evolution of the Brusque group, Dom Feliciano manganesíferas. belt, Santa Catarina, Southern Brazil. Journal of South - Depósitos de pântanos e manguezais construídos American Earth Sciences, n. 32, p. 324-350, 2011. pela deposição dominante de argilas e areias su- bordinadas, malselecionados, cores escuras, ricos BASEI, M.A.S.; GRASSO, C.B.; VLACH, S.R.F.; NUTMAN, em matéria orgânica, gerados em ambiente sob A.P.; SIGA Jr., O.; OSAKO, L.S. A type rift-related granite influência direta de marés e de baixa energia. Os and the lower cryogenian age for the beginning of 30 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA the Brusque belt basin, Dom Feliciano belt, southern FURTADO, S.M.A. Petrologia do maciço alcalino Brazil. 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Rio de Janeiro: Petrobras, 1991. p. 135-168. 32 3 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica Maria Angélica Barreto Ramos (angelica.barreto@cprm.gov.br)1 Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br)1 Antonio Theodorovicz (antonio.theodorovicz@cprm.gov.br)1 Valter José Marques (valter.marques@cprm.gov.br)1 Vitório Orlandi Filho (vitorio.orlandi@gmail.com)2 Maria Adelaide Mansini Maia (adelaide.maia@cprm.gov.br)1 Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (pedro.augusto@cprm.gov.br)1 1CPRM – Serviço Geológico do Brasil 2Consultor SUMÁRIO Introdução ............................................................................................................35 Procedimentos Metodológicos .............................................................................35 Definição dos Domínios e Unidades Geológico-Ambientais .................................35 Atributos da Geologia .......................................................................................... 36 Deformação ...................................................................................................... 36 Tectônica: dobramentos ................................................................................ 36 Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/cisalhamento ................................ 36 Tipo de deformação ....................................................................................... 36 Aspecto ............................................................................................................ 36 Comportamento Reológico............................................................................... 36 Resistência ao Intemperismo Físico ................................................................... 36 Resistência ao Intemperismo Químico ...............................................................37 Grau de Coerência .............................................................................................37 Características do Manto de Alteração Potencial (Solo Residual) ...................... 38 Porosidade Primária .......................................................................................... 38 Característica da Unidade Lito-Hidrogeológica................................................. 39 Atributos de Relevo .............................................................................................. 39 Modelo Digital de Terreno – Shutlle Radar Topography Mission (SRTM) .............. 40 Mosaico Geocover 2000 .......................................................................................41 Análise da Drenagem ............................................................................................41 Kit de Dados Digitais .............................................................................................41 Trabalhando com o Kit de Dados Digitais ......................................................... 43 Estruturação da Base de Dados: Geobank ........................................................... 43 Atributos dos Campos do Arquivo das Unidades Geológico-Ambientais: Dicionário de Dados ..............................................................................................47 Referências ............................................................................................................47 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO DE DOMÍNIOS E UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS Neste capítulo são apresentadas as diversas etapas que envolveram o tratamento digital dos dados no desenvol- O estabelecimento de domínios geológico-ambientais vimento do SIG Mapa Geodiversidade do Estado de Santa e suas subdivisões para o estado de Santa Catarina se insere Catarina, do Programa Geologia do Brasil (PGB) da CPRM/ nos critérios adotados para a definição dos domínios e uni- SGB, integrante do Programa de Aceleração do Crescimento dades geológico-ambientais do Brasil, com o objetivo de se (PAC 2014), que tem como objetivo a geração de produtos agrupar conjuntos estratigráficos de comportamento seme- voltados para ordenamento territorial e planejamento de lhante frente ao uso e à ocupação dos terrenos. Da mesma setores tais como: mineral, transporte, agricultura, turismo forma, o resultado obtido não foi um mapa geológico ou e meio ambiente. tectônico, mas sim um novo produto, denominado Mapa As informações disponibilizadas estão armazenadas Geodiversidade do Estado de Santa Catarina, no qual foram no GEOBANK (sistema de bancos de dados geológicos inseridas informações de cunho ambiental, muito embora corporativo da CPRM/SGB), a partir de dados geológicos a matéria-prima para nálises e agrupamentos tenha sido multiescalares contidos em suas bases Litoestratigrafia e proveniente das informações contidas nas bases de dados Recursos Minerais, além da utilização de sensores como o de Litoestratigrafia e Recursos Minerais do GEOBANK, bem Modelo Digital de Terreno SRTM (Shuttle Radar Topography como na larga experiência em mapeamento e em projetos Mission), do Mosaico GeoCover 2000 e das informações de ordenamento e gestão do território dos profissionais de estruturas e drenagem (RAMOS et al., 2005; SCHOB- da CPRM/SGB. BENHAUS; GONÇALVES; SANTOS, 2004; THEODOROVICZ; Em alguns casos, foram agrupadas, em um mesmo THEODOROVICZ; CANTARINO, 1994, 2002; THEODOROVI- domínio, unidades estratigráficas com idades diferentes, CZ et al., 2001, 2005; TRAININI; ORLANDI, 2003; TRAININI desde que a elas se aplicasse um conjunto de critérios et al., 1998, 2001). classificatórios, como: posicionamento tectônico, nível De forma similar à elaboração do Mapa Geodiversi- crustal, classe da rocha (ígnea, sedimentar ou metamór- dade do Brasil (escala 1:2.500.000), foram utilizadas para fica), grau de coesão, textura, composição, tipos e graus o Mapa Geodiversidade do Estado de Santa Catarina in- de deformação, expressividade do corpo rochoso, tipos formações temáticas de infraestrutura, recursos minerais, de metamorfismo, expressão geomorfológica ou litotipos unidades de conservação, terras indígenas, áreas de prote- especiais. Se, por um lado, agruparam-se, por exemplo, ção integral e de desenvolvimento sustentável estaduais e quartzitos friáveis e arenitos friáveis, por outro foram se- federais, dados da rede hidrológica e de água subterrânea, paradas formações sedimentares muito semelhantes em áreas impactadas (erosão, desertificação), áreas oneradas sua composição, estrutura e textura, quando a geometria pela mineração, informações da Zona Econômica Exclusiva do corpo rochoso apontava no sentido da importância da Plataforma Continental (ZEE), gasodutos e oleodutos, em distinguir uma situação de extensa cobertura de uma dados paleontológicos e geoturísticos. situação de pacote restrito, limitado em riftes. O principal objetivo para tal compartimentação é PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS atender a uma ampla gama de usos e usuários interessados em conhecer as implicações ambientais decorrentes do Assim como para o Mapa Geodiversidade do Brasil e embasamento geológico. Na elaboração do Mapa Geodiver- do SIG Geodiversidade ao Milionésimo, os levantamentos sidade do Brasil (escala 1:2.500.000) analisaram-se somente estaduais foram elaborados seguindo as orientações con- as implicações ambientais provenientes de características tidas em roteiro metodológico preparado para essa fase, físico-químicas, geométricas e genéticas dos corpos rocho- apoiados em kits digitais personalizados para cada estado, sos. Na escala 1:1.000.000, do recorte ao milionésimo e dos que contêm todo o material digital (imagens, arquivos estados, também foram selecionados atributos aplicáveis ao vetoriais etc.) necessário ao bom desempenho da tarefa. planejamento e informações dos compartimentos do relevo, A sistemática de trabalho adotada permitiu a conti- reservando-se para as escalas de maior detalhe o cruzamento nuação da organização dos dados na Base Geodiversidade com informações sobre clima, solo e vegetação. inserida no GEOBANK, desde a fase do recorte ao milio- Como a Base Geodiversidade é fruto da reclassifi- nésimo até os estaduais e, sucessivamente, em escalas de cação das unidades litoestratigráficas contidas na Base maior detalhe (em trabalhos futuros), de forma a possibilitar Multiescalar Litoestratigrafia, compondo conjuntos estra- a conexão dos dados vetoriais aos dados alfanuméricos. tigráficos de comportamento semelhante frente ao uso e à Em uma primeira fase, com auxílio dos elementos-chave ocupação, atualmente essa base possui a estruturação em descritos nas tabelas dos dados vetoriais, é possível vincular domínios e unidades geológico-ambientais apresentada no facilmente mapas digitais ao GEOBANK, como na monta- Apêndice I (Unidades Geológico-Ambientais do Território gem de SIGs, em que as tabelas das shapefiles (arquivos Brasileiro). Tal estruturação é dinâmica e, na medida do vetoriais) são produtos da consulta sistemática ao banco detalhamento das escalas, novos domínios e unidades de dados. podem ser inseridos. 35 geodiVersidade do estado de santa catarina ATRIBUTOS DA GEOLOGIA Aspecto Desde a etapa do recorte ao milionésimo, para me- - Sem estruturas lhor caracterizar as unidades geológico-ambientais, foram - Estratificada/Biogênica selecionados atributos da geologia que permitem uma - Maciça/Vesicular série de interpretações na análise ambiental, os quais são - Maciça/Acamadada descritos a seguir. - Maciça/Laminada - Maciça Deformação - Acamadada - Acamadada/Filitosa Relacionada à dinâmica interna do planeta. Procede-se à - Acamadada/Xistosa interpretação a partir da ambiência tectônica, litológica e aná- - Xistosa/Maciça lise de estruturas refletidas nos sistemas de relevo e drenagem. - Filitosa/Xistosa - Acamadamento Magmático Tectônica: dobramentos - Gnáissica - Bandada - Ausente: sedimentos inconsolidados (aluviões, du- - Concrecional nas, terraços etc.). - Concrecional/Nodular - Não dobrada: sequências sedimentares, vulcanos- - Biogênica sedimentares e rochas ígneas não dobradas e não - Estruturas de Dissolução metamorfizadas. - Estruturas de Colapso - Pouco a moderadamente dobrada: sequências sedi- mentares ou vulcanossedimentares do tipo Bambuí, Comportamento Reológico por exemplo. - Intensamente dobrada: sequências sedimentares De acordo com Oliveira e Brito (1998), as rochas ou vulcanossedimentares complexa e intensamente podem apresentar as seguintes características reológicas dobradas (grupos Açungui, Minas, dentre outros) e (comportamento frente a esforços mecânicos): rochas granítico-gnáissicas migmatíticas. - Comportamento isotrópico: quando as proprieda- - Moderada a intensamente dobrada. des das rochas são constantes, independentemente - Pouco a intensamente dobrada. da direção observada. - Comportamento anisotrópico: quando as pro- Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/ priedades variam de acordo com a direção con- cisalhamento siderada. As bibliotecas podem ser: - Não fraturada: por exemplo, coberturas sedimen- - Isotrópico: caso dos granitos com granulação e tares inconsolidadas. textura homogêneas. - Pouco a moderadamente fraturada (distribuição - Anisótropico: caso das unidades formadas por regular). diversas litologias e/ou deformações heterogêneas. - Pouco a moderadamente fraturada (distribuição irregular). Resistência ao Intemperismo Físico - Moderada a intensamente fraturada (distribuição regular). Procede-se à dedução a partir da análise da com- - Moderada a intensamente fraturada (distribuição posição mineral da(s) rocha(s) que sustenta(m) a unidade irregular). geológico-ambiental. - Pouco a intensamente fraturada (distribuição regular). Se apenas um tipo de litologia sustentar a unidade - Pouco a intensamente fraturada (distribuição irregular). ou se forem complexos plutônicos de várias litologias, - Intensamente fraturada (distribuição regular). são definidas as seguintes classificações para esse - Intensamente fraturada (distribuição irregular). atributo: Baixa: rochas ricas em minerais ferromagnesianos, Tipo de deformação arenitos, siltitos, metassedimentos argilosos, rochas ígneas ricas em micas, calcários, lateritas, rochas ígneas básico- - Não se aplica ultrabásico-alcalinas efusivas. - Deformação rúptil Moderada a alta: ortoquartzitos, arenitos silicifica- - Deformação dúctil/rúptil dos, leucogranitos e outras rochas pobres em micas e em - Deformação rúptil/dúctil minerais ferromagnesianos, formações ferríferas, quartzitos - Deformação dúctil e arenitos impuros. 36 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica Não se aplica: sedimentos inconsolidados. Baixa a moderada na vertical: unidades em que Se várias litologias sustentarem a unidade, a classifi- o substrato rochoso é formado por empilhamento de cação será: camadas horizontalizadas, não dobradas, de composição Baixa a moderada na vertical: caso de coberturas mineral e grau de consolidação semelhantes a ligeiramente pouco a moderadamente consolidadas. diferentes e mesma composição mineralógica. Baixa a alta na vertical: unidades em que o subs- Baixa a alta na vertical: unidades em que o subs- trato rochoso é formado por empilhamento de camadas trato rochoso é formado por empilhamento de camadas horizontalizadas, não dobradas, de composição mineral e horizontalizadas, não dobradas, de composição mineral e grau de consolidação muito diferentes, como as intercalações grau de consolidação muito diferentes, como as intercala- irregulares de calcários, arenitos, siltitos, argilitos etc. ções irregulares de calcários, arenitos, siltitos, argilitos etc. Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequências Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequências sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e compostas sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e com- de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas e outras postas de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas que se caracterizam por apresentarem grande heterogeneida- e outras que se caracterizam por apresentarem grande de composicional, textural e deformacional lateral e vertical. heterogeneidade composicional, textural e deformacional lateral e vertical. Resistência ao Intemperismo Químico Grau de Coerência Procede-se à dedução a partir da análise da com- posição mineral da(s) rocha(s) que sustenta(m) a unidade Refere-se à resistência ao corte e à penetração. Mes- geológico-ambiental. mo em se tratando de uma única litologia, deve-se prever Se apenas um tipo de litologia sustentar a unidade a combinação dos vários tipos de grau de coerência, a geológico-ambiental, ou se forem complexos plutônicos exemplo dos arenitos e siltitos (Figura 3.1). Para o caso de de várias litologias, são definidas as seguintes classificações complexos plutônicos com várias litologias, todas podem para esse atributo: estar enquadradas em um único grau de coerência. Baixa: calcários, rochas básicas, ultrabásicas, alcalinas As classificações utilizadas nesse atributo são: etc. - Muito brandas Moderada a alta: ortoquartzitos, leucogranitos e - Brandas outras rochas pobres em micas e em minerais ferromag- - Médias nesianos, quartzitos e arenitos impuros. - Duras Não se aplica: aluviões. - Muito brandas a duras Entretanto, se várias litologias sustentarem a unidade, Entretanto, se forem várias litologias, esta será a a classificação será: classificação: Figura 3.1 - Resistência à compressão uniaxial e classes de alteração para diferentes tipos de rochas. Fonte: Modificado de Vaz (1996). 37 geodiVersidade do estado de santa catarina - Variável na horizontal. - Predominantemente argilossiltoso: siltitos, folhe- - Variável na vertical. lhos, filitos e xistos. - Variável na horizontal e vertical. - Predominantemente argilo-síltico-arenoso: rochas - Não se aplica. granitoides e gnáissico-migmatíticas ortoderiva- das. Características do Manto de Alteração - Variável de arenoso a argilossiltoso: sequências Potencial (Solo Residual) sedimentares e vulcanossedimentares compostas por alternâncias irregulares de camadas pouco Procede-se à dedução a partir da análise da composição espessas, interdigitadas e de composição mineral mineral das rochas. Por exemplo, independentemente de muito contrastante, a exemplo das sequências em outras variáveis que influenciam as características do solo, que se alternam, irregularmente, entre si, camadas como clima e relevo, o manto de alteração de um basalto de arenitos quartzosos com pelitos, calcários ou será argiloso e, o de um granito, argilo-síltico-arenoso. rochas vulcânicas. - Predominantemente arenoso: substrato rochoso - Predominantemente siltoso: siltitos e folhelhos. sustentado por espessos e amplos pacotes de rochas - Não se aplica. predominantemente arenoquartzosas. - Predominantemente argiloso: predominância Porosidade Primária de rochas que se alteram para argilominerais, a exemplo de derrames basálticos, complexos básico- Relacionada ao volume de vazios em relação ao vo- ultrabásico-alcalinos, terrenos em que predominam lume total da rocha. O preenchimento deverá seguir os rochas calcárias etc. procedimentos descritos na Tabela 3.1. Tabela 3.1 - Tabela de porosidade total dos diversos materiais rochosos. Material Porosidade Total % m Porosidade Eficaz % me Normal Extraordinária Obs. Tipo Descrição Média Média Máx. Mín. Máx. Mín. Máx. Mín. Granito 0,3 4 0,2 9 0,05 0,5 0,0 A Rochas maciças Calcário maciço 8 15 0,5 20 1 0,0 B Dolomito 5 10 2 1 0,0 B Rochas metamórficas 0,5 5 0,2 2 0,0 A Piroclasto e turfas 30 50 10 60 5 20 0,0 C, E Escórias 25 80 10 50 1 C, E Rochas vulcânicas Pedra-pome 85 90 50 20 0,0 D Basaltos densos, 2 5 0,1 fonólitos 2 0,1 A Basaltos vesiculares 12 30 5 10 1 C Pizarras sedimentares 5 15 2 30 0,5 5 0,0 E Rochas sedimentares Arenitos 15 25 3 30 0,5 20 0,0 F consolidadas (ver rochas maciças) Creta blanda 20 50 10 5 0,2 B Calcário detrítico 10 30 1,5 20 0,5 Aluviões 25 40 20 45 15 35 5 E Dunas 35 40 30 30 10 Cascalho 30 40 25 40 20 35 15 Loess 45 55 40 10 0,1 E Rochas sedimentares Areias 35 45 20 35 10 inconsolidadas Depósitos glaciais 25 35 15 30 5 Silte 40 50 25 20 2 E Argilas não- 45 60 40 85 30 10 0,0 E compactadas Solos superiores 50 60 30 20 1 E Fonte: Modificado de Custodio e Llamas (1983). Nota: Alguns dados, em especial os referentes à porosidade eficaz (me), devem ser tomados com precauções, segundo as circunstâncias locais. A = Aumenta m e me por meteorização; B = Aumenta m e me por fenômenos de dissolução; C = Diminui m e me com o tempo; D = Diminui m e pode aumentar me com o tempo; E = me muito variável segundo as circunstâncias do tempo; F = Varia segundo o grau de cimentação e solubilidade. 38 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica Caso seja apenas um tipo de litologia a sustentar a uni- e aos processos geomorfológicos atuantes. Tais avaliações dade geológico-ambiental, observar o campo “Descrição” e controvérsias, de âmbito exclusivamente geomorfológico, da Tabela 3.1. Entretanto, se forem complexos plutônicos seriam de pouca valia para atender aos propósitos deste de várias litologias, a porosidade é baixa. estudo. Portanto, termos como depressão, crista, patamar, - Baixa: 0 a 15%. platô, cuesta, hog-back, pediplano, peneplano, etchplano, - Moderada: de 15 a 30%. escarpa, serra e maciço, dentre tantos outros, foram englo- - Alta: >30%. bados em um reduzido número de conjuntos morfológicos. Para os casos em que várias litologias sustentam a Portanto, esta proposta difere substancialmente das unidade geológico-ambiental, observar o campo “Tipo” metodologias de mapeamento geomorfológico presentes da Tabela 3.1. na literatura, tais como: a análise integrada entre a com- - Variável (0 a >30%): a exemplo das unidades em que partimentação morfológica dos terrenos, a estrutura sub- o substrato rochoso é formado por um empilhamento irre- superficial dos terrenos e a fisiologia da paisagem proposta gular de camadas horizontalizadas porosas e não porosas. por Ab’Saber (1969); as abordagens descritivas em base morfométrica, como as elaboradas por Barbosa, Franco e Característica da Unidade Lito-Hidrogeológica Moreira (1977), para o Projeto RadamBrasil, e de Ponçano et al. (1979) e Ross e Moroz (1996) para o Instituto de Pesquisas São utilizadas as seguintes classificações: Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT); as abordagens - Granular: dunas, depósitos sedimentares inconsolida- sistêmicas, com base na compartimentação topográfica em dos, planícies aluviais, coberturas sedimentares etc. bacias de drenagem (MEIS; MIRANDA; FERNANDES, 1982) - Fissural. ou a reconstituição de superfícies regionais de aplainamento - Granular/fissural. (LATRUBESSE; RODRIGUES; MAMEDE, 1998). - Cárstico. O mapeamento de padrões de relevo é, essencial- - Não se aplica. mente, uma análise morfológica do relevo com base em fotointerpretação da textura e rugosidade dos terrenos a ATRIBUTOS DO RELEVO partir de diversos sensores remotos. Nesse sentido, é de fundamental importância esclarecer Com o objetivo de conferir uma informação geomor- que não se pretendeu produzir um mapa geomorfológico, fológica clara e aplicada ao mapeamento da geodiversida- mas um mapeamento dos padrões de relevo em consonância de do território brasileiro em escalas de análise reduzidas com os objetivos e as necessidades de um mapeamento da (1:500.000 a 1:1.000.000), procurou-se identificar os geodiversidade do território nacional em escala continental. grandes conjuntos morfológicos passíveis de serem de- Com esse enfoque, foram selecionados 28 padrões limitados em tal tipo de escala sem muita preocupação de relevo para os terrenos existentes no território brasileiro quanto à gênese e evolução morfodinâmica das unidades (Tabela 3.2), levando-se, essencialmente, em consideração: Tabela 3.2 - Atributos e biblioteca de padrões de relevo do território brasileiro. Símbolo Tipo de Relevo Declividade (graus) Amplitude Topográfica (m) R1a Planícies Fluviais ou Fluviolacustres 0 a 3 Zero R1b1 Terraços Fluviais 0 a 3 2 a 20 R1b2 Terraços Marinhos 0 a 3 2 a 20 R1b3 Terraços Lagunares 0 a 3 2 a 20 R1c1 Vertentes recobertas por depósitos de encosta 5 a 45 Variável R1c2 Leques Aluviais 0 a 3 2 a 20 R1d Planícies Fluviomarinhas 0o (plano) Zero R1e Planícies Costeiras 0 a 5 2 a 20 R1f1 Campos de Dunas 3 a 30 2 a 40 R1f2 Campos de Loess 0 a 5 2 a 20 R1g Recifes 0 Zero R2a1 Tabuleiros 0 a 3 20 a 50 R2a2 Tabuleiros Dissecados 0 a 3 20 a 50 R2b1 Baixos Platôs 0 a 5 0 a 20 R2b2 Baixos Platôs Dissecados 0 a 5 20 a 50 39 geodiVersidade do estado de santa catarina Tabela 3.2 - Atributos e biblioteca de padrões de relevo do território brasileiro. (continuação) Símbolo Tipo de Relevo Declividade (graus) Amplitude Topográfica (m) R2b3 Planaltos 0 a 5 20 a 50 R2c Chapadas e Platôs 0 a 5 0 a 20 R3a1 Superfícies Aplainadas Conservadas 0 a 5 0 a 10 R3a2 Superfícies Aplainadas Degradadas 0 a 5 10 a 30 R3b Inselbergs 25 a 60 50 a 500 R4a1 Domínio de Colinas Amplas e Suaves 3 a 10 20 a 50 R4a2 Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos 5 a 20 30 a 80 R4a3 Domos em Estrutura Elevada 3 a 10 50 a 200 R4b Domínio de Morros e de Serras Baixas 15 a 35 80 a 200 R4c Domínio Montanhoso 25 a 60 300 a 2000 R4d Escarpas Serranas 25 a 60 300 a 2000 R4e Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos 10 a 45 50 a 200 R4f Vales Encaixados 10 a 45 100 a 300 Fonte: elaborada por Marcelo E. Dantas, 2010. - Parâmetros morfológicos e morfométricos que pu- reno, no contexto do Mapa Geodiversidade do Estado de dessem ser avaliados pelo instrumental tecnológico Santa Catarina, justifica-se por sua grande utilidade em disponível nos kits digitais (imagens LandSat GeoCo- estudos de análise ambiental. ver e Modelo Digital de Terreno e Relevo Sombreado Um Modelo Digital de Terreno é um modelo contínuo (SRTM); mapa de classes de hipsometria; mapa de da superfície terrestre, no nível do solo, representado por classes de declividade). uma malha digital de matriz cartográfica encadeada, ou - Reinterpretação das informações existentes nos raster, onde cada célula da malha retém um valor de ele- mapas geomorfológicos produzidos por institui- vação (altitude) do terreno. Assim, a utilização do MDT em ções diversas, em especial os mapas desenvolvidos estudos geoambientais se torna imprescindível, uma vez no âmbito do Projeto RadamBrasil, em escala que esse modelo tem a vantagem de fornecer uma visão 1:1.000.000. tridimensional do terreno e suas inter-relações com as - Execução de uma série de perfis de campo, com o formas de relevo e da drenagem e seus padrões de forma objetivo de aferir a classificação executada. direta. Isso permite a determinação do grau de dissecação Para cada um dos atributos de relevo, com suas res- do relevo, informando também o grau de declividade e pectivas bibliotecas, há uma legenda explicativa (Apêndice altimetria, o que auxilia grandemente na análise ambiental, II – Biblioteca de Relevo do Território Brasileiro), que agrupa como, por exemplo, na determinação de áreas de proteção características morfológicas e morfométricas gerais, assim permanente, projetos de estradas e barragens, trabalhos como informações elementares e generalizadas quanto à de mapeamento de vegetação etc. gênese e vulnerabilidade frente aos processos geomorfo- A escolha do Shuttle Radar Topography Mission lógicos (intempéricos, erosivos e deposicionais). (SRTM) [missão espacial liderada pela NASA, realizada Evidentemente, considerando a vastidão e a enorme ge- durante 11 dias do mês de fevereiro de 2000, visando odiversidade do território brasileiro, assim como seu conjunto à geração de um modelo digital de elevação quase diversificado de paisagens bioclimáticas e condicionantes global] foi devida ao fato de os MDTs disponibilizados geológico-geomorfológicas singulares, as informações de por esse sensor já se encontrarem disponíveis para toda amplitude de relevo e declividade, dentre outras, devem ser a América do Sul, com resolução espacial de aproxi- reconhecidas como valores-padrão, não aplicáveis indiscrimi- madamente 90 x 90 m, apresentando alta acurácia e nadamente a todas as regiões. Não se descartam sugestões confiabilidade, além da gratuidade (CCRS, 2004 apud de ajuste e aprimoramento da Tabela 3.2 e do Apêndice II BARROS et al., 2004). apresentados nesse modelo, as quais serão benvindas. Durante os trabalhos de levantamento da geodiversi- dade do território brasileiro, apesar de todos os pontos po- MODELO DIGITAL DE TERRENO – SHUTLLE sitivos apresentados, os dados SRTM, em algumas regiões, RADAR TOPOGRAPHY MISSION (SRTM) acusaram problemas, tais como: valores espúrios (positivos e negativos) nas proximidades do mar e áreas onde não A utilização do Modelo Digital de Terreno (MDT) ou são encontrados valores. Tais situações são descritas em Modelo Digital de Elevação ou Modelo Numérico de Ter- diversos trabalhos do SRTM (BARROS et al., 2004), sendo 40 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica que essas áreas recebem o valor -32768, indicando que questões relacionadas ao comportamento dos diferentes não há dado disponível. ambientes geológicos e climáticos locais, processos fluviais A literatura do tema apresenta diversas possibilidades dominantes e disposição de camadas geológicas, dentre de correção, desde substituição de tais áreas por dados outros. oriundos de outros produtos – o GTOPO30 aparece como proposta para substituição em diversos textos – ao uso KIT DE DADOS DIGITAIS de programas que objetivam diminuir tais incorreções por meio de edição de dados (BARROS et al., 2004). Neste Na fase de execução dos mapas de geodiversidade estudo, foi utilizado o software ENVI 4.1 para solucionar estaduais, o kit de dados digitais constou, de acordo com o citado problema. o disponível para cada estado, dos seguintes temas: - Geodiversidade: arquivo de domínios e unidades MOSAICO GEOCOVER 2000 geológico-ambientais. - Estruturas: arquivo das estruturas geológicas. A justificativa para utilização do Mosaico GeoCover - Planimetria: cidades, vilas, povoados, rodovias etc. 2000 é o fato de este se constituir em um mosaico ortorre- - Áreas restritivas: áreas de parques estaduais e tificado de imagens ETM+ do sensor LandSat 7, resultante federais, terras indígenas, estações ecológicas etc. do sharpening das bandas 7, 4, 2 e 8. Esse processamento - Hidrografia: drenagens bifilar e unifilar. realiza a transformação RGB-IHS (canais de cores RGB-IHS - Bacias hidrográficas: recorte de bacias e sub-bacias / vermelho, verde e azul – Matiz, Saturação e Intensidade), de drenagem. utilizando as bandas 7, 4 e 2 com resolução espacial de 30 - Altimetria: curvas de nível espaçadas de 100 m. m e, posteriormente, a transformação IHS-RGB utilizando - Campos de óleo: campos de óleo e gás. a banda 8 na Intensidade (I) para aproveitar a resolução - Gasodutos e oleodutos: arquivos de gasodutos, espacial de 15 m. Tal procedimento alia as características refinarias etc. espaciais da imagem com resolução de 15 m às caracte- - Pontos geoturísticos: sítios geológicos, paleonto- rísticas espectrais das imagens com resolução de 30 m, lógicos etc. resultando em uma imagem mais “aguçada”. As imagens - Quilombolas: áreas de quilombolas. do Mosaico GeoCover LandSat 7 foram coletadas no - Recursos minerais: dados de recursos minerais. período de 1999/2000 e apresentam resolução espacial - Assentamento: arquivo das áreas de assentamento de 14,25 m. agrícola. Além da exatidão cartográfica, o Mosaico GeoCover - Áreas de desertificação: arquivo das áreas de de- possui outras vantagens, como: facilidade de aquisição dos sertificação. dados sem ônus, âncora de posicionamento, boa acurácia - Paleontologia: dados de paleontologia. e abrangência mundial, o que, juntamente com o MDT, - Poços: dados de poços cadastrados pelo Sistema torna-o imprescindível aos estudos de análise ambiental de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS) (ALBUQUERQUE; SANTOS; MEDEIROS, 2005; CREPANI; criado pela CPRM/SGB. MEDEIROS, 2005). - Zona Econômica Exclusiva da Plataforma Continen- tal: recursos minerais e feições da ZEE. ANÁLISE DA DRENAGEM - MDT_SRTM: arquivo grid pelo recorte do estado. - Declividade: arquivo grid pelo recorte do estado. Segundo Guerra e Cunha (2001), o reconhecimento, a - GeoCover: arquivo grid pelo recorte do estado. localização e a quantificação das drenagens de determinada - Simbologias ESRI: fontes e arquivos *style (arquivo região são de fundamental importância para o entendi- de cores e simbologias utilizadas pelo programa mento dos processos geomorfológicos que governam as ArcGis) para implementação das simbologias para transformações do relevo sob as mais diversas condições leiaute – instruções de uso por meio do arquivo climáticas e geológicas. Nesse sentido, a utilização das leia-me.doc, que se encontra dentro da pasta. informações espaciais extraídas do traçado e da forma das As figuras 3.2, 3.3 e 3.4 ilustram parte dos dados drenagens é indispensável na análise geológico-ambiental, do kit digital para o Mapa Geodiversidade do Estado de uma vez que são respostas/resultados de características Santa Catarina. ligadas a aspectos geológico-estruturais e a processos ge- Os procedimentos de tratamento digital e processa- omorfológicos, os quais atuam como agentes modeladores mento das imagens geotiff e MrSid (SRTM e GeoCover, da paisagem e das formas de relevo. respectivamente), dos grids (declividade e hipsométrico), Dessa forma, a integração de atributos ligados às bem como dos recortes e reclass dos arquivos vetoriais redes de drenagem – tipos de canais de escoamento, (litologia, planimetria, curvas de nível, recursos minerais hierarquia da rede fluvial, configuração dos padrões de etc.) contidos no kit digital, foram realizados em ambiente drenagem etc. – a outros temas trouxe respostas a várias SIG, utilizando os softwares ArcGis9 e ENVI 4.4. 41 geodiVersidade do estado de santa catarina Figura 3.2 - Exemplo de dados do kit digital para o estado de Santa Catarina: unidades geológico-ambientais versus infraestrutura. Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. Figura 3.3 - Exemplo de dados do kit digital para o estado de Santa Catarina: unidades geológico-ambientais versus relevo sombreado (MDT_SRTM). Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. 42 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica Figura 3.4 - Exemplo de dados do kit digital para o estado de Santa Catarina: modelo digital de elevação (SRTM) versus drenagem bifilar. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011. Trabalhando com o Kit de Dados Digitais Assim, a nova unidade geológico-ambiental resultou da interação da unidade geológico-ambiental com o Na metodologia adotada, a unidade geológico-am- relevo. biental, fruto da reclassificação das unidades geológicas Finalizado o trabalho de implementação dos (reclass), é a unidade fundamental de análise, na qual foram parâmetros da geologia e do relevo pela equipe agregadas todas as informações da geologia possíveis de responsável, o material foi enviado para a Coordenação serem obtidas a partir dos produtos gerados pela atuali- de Geoprocessamento, que procedeu à auditagem zação da cartografia geológica dos estados pelo SRTM, do arquivo digital da geodiversidade para retirada de mosaico GeoCover 2000 e drenagem. polígonos espúrios, superposição e vazios, gerados durante Com a utilização dos dados digitais contidos em o processo de edição. Paralelamente, iniciou-se a carga cada DVD-ROM, foi estruturado, para cada folha ou mapa dos dados na Base Geodiversidade – APLICATIVO GEODIV estadual, um Projeto.mxd (conjunto de shapes e leiaute) (VISUAL BASIC), com posterior migração dos dados para organizado no software ArcGis9. o GEOBANK. No diretório de trabalho havia um arquivo shapefile, denominado geodiversidade_estado.shp, que correspondia ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS: GEOBANK ao arquivo da geologia onde deveria ser aplicada a reclas- sificação da geodiversidade. A implantação dos projetos de levantamento da geodi- Após a implantação dos domínios e unidades geoló- versidade do Brasil teve como objetivo principal oferecer aos gico-ambientais, procedia-se ao preenchimento dos parâ- diversos segmentos da sociedade brasileira uma tradução metros da geologia e, posteriormente, ao preenchimento do conhecimento geológico-científíco, com vistas a sua dos campos com os atributos do relevo. aplicação ao uso adequado para o ordenamento territorial e As informações do relevo serviram para melhor ca- planejamento dos setores mineral, transportes, agricultura, racterizar a unidade geológico-ambiental e também para turismo e meio ambiente, tendo como base as informações subdividi-la. Porém, essa subdivisão, em sua maior parte, geológicas presentes no SIG da Carta Geológica do Brasil alcançou o nível de polígonos individuais. ao Milionésimo (SCHOBBENHAUS; GONÇALVES; SANTOS, Quando houve necessidade de subdivisão do polígo- 2004). no, ou seja, quando as variações fisiográficas eram muito Com essa premissa, a Coordenação de Geoproces- contrastantes, evidenciando comportamentos hidrológicos samento da Geodiversidade, após uma série de reuniões e erosivos muito distintos, esse procedimento foi realizado. com as Coordenações Temáticas e com as equipes locais da Nessa etapa, considerou-se o relevo como um atributo CPRM/SGB, estabeleceu normas e procedimentos básicos a para subdividir a unidade, propiciando novas deduções serem utilizados nas diversas atividades dos levantamentos na análise ambiental. estaduais, com destaque para: 43 geodiVersidade do estado de santa catarina - Definição dos domínios e unidades geológico- ambientais com base em parâmetros geológicos de interesse na análise ambiental, em escalas 1:2.500.000, 1:1.000.00 e mapas estaduais. - A partir da escala 1:1.000.000, criação de atributos geológicos aplicáveis ao planejamento e informa- ções dos compartimentos do relevo. - Acuidade cartográfica compatível com as escalas adotadas. - Estruturação de um modelo conceitual de base para o planejamento, com dados padronizados por meio de bibliotecas. - Elaboração da legenda para compor os leiautes dos mapas de geodiversidade estaduais. - Criação de um aplicativo de entrada de dados local desenvolvido em Visual Basic 6.0 Aplicativo GEODIV. Figura 3.5 - Tela de cadastro das unidades geológico-ambientais - Implementação do modelo de dados no GEOBANK para os mapas estaduais de geodiversidade (aplicativo GEODIV). (Oracle) e migração dos dados do Aplicativo GEODIV para a Base Geodiversidade. - Entrada de dados de acordo com a escala e fase (mapas estaduais). - Montagem de SIGs. - Disponibilização dos mapas na Internet, por meio do módulo Web Map do GEOBANK (http://geobank. sa.cprm.gov.br), onde o usuário tem acesso a informações relacionadas às unidades geológico- ambientais (Base Geodiversidade) e respectivas unidades litológicas (Base Litoestratigrafia). A necessidade de prover o SIG Geodiversidade com tabelas de atributos referentes às unidades geológico-ambientais, dotadas de informações para o planejamento, implicou a modelagem de uma Base Geodiversidade, intrinsecamente relacionada à Base Litoestratigrafia, uma vez que as unidades geológico- ambientais são produto de reclassificação das unidades Figura 3.6 - Tela de cadastro dos atributos da geologia litoestratigráficas. (aplicativo GEODIV). Esse modelo de dados foi implantado em um aplicativo de entrada de dados local, desenvolvido em Visual Basic 6.0, denominado GEODIV. O modelo do aplicativo apresenta seis telas de entrada de dados armazenados em três tabelas de dados e 16 tabelas de bibliotecas. A primeira tela recupera, por escala e fase, todas as unidades geológico-ambientais cadastradas, filtrando, para cada uma delas, as letras-símbolos das unidades litoestra- tigráficas (Base Litoestratigrafia) (Figura 3.5). Posteriormente, de acordo com a escala adotada, o usuário cadastra todos os atributos da geologia de interesse para o planejamento (Figura.3.6) Na úlltima tela, o usuário cadastra os compartimentos de relevo (Figura 3.7) Todos os dados foram preenchidos pela equipe da Coordenação de Geoprocessamento e inseridos no apli- cativo que possibilita o armazenamento das informações no GEOBANK (Oracle), formando, assim, a Base Geodiver- Figura 3.7 - Tela de cadastro dos atributos do relevo sidade (Figura 3.8). (aplicativo GEODIV). 44 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica O módulo da Base Geodiversidade, suportado por em que as tabelas são produtos da consulta sistemática bibliotecas, recupera, também por escala e por fase ao banco de dados. (quadrícula ao milionésimo, mapas estaduais), todas as Outra importante ferramenta de visualização dos informações das unidades geológico-ambientais, possibi- mapas geoambientais é o módulo Web Map do GEOBANK, litando, assim, a organização dos dados no GEOBANK e a onde o usuário tem acesso a informações relacionadas às conexão dos dados vetoriais com os dados alfanuméricos. unidades geológico-ambientais (Base Geodiversidade) e Em uma primeira fase, com auxílio dos elementos-chave respectivas unidades litológicas (Base Litoestratigrafia), po- descritos nas tabelas, é possível vincular, facilmente, ma- dendo recuperar as informações dos atributos relacionados pas digitais ao GEOBANK, como na montagem de SIGs, à geologia e ao relevo diretamente no mapa (Figura 3.9). Figura 3.8 - Fluxograma simplificado da base Geodiversidade (GeoBank). 45 geodiVersidade do estado de santa catarina Figura 3.9 - Módulo Web Map de visualização dos arquivos vetoriais/base de dados (GEOBANK). ATRIBUTOS DOS CAMPOS DO ARQUIVO agrupadas com características semelhantes do ponto de DAS UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS: vista da resposta ambiental a partir da subdivisão dos DICIONÁRIO DE DADOS domínios geológico-ambientais e por critérios-chave descritos anteriormente. São descritos, a seguir, os atributos dos campos que DEF_TEC (DEFORMAÇÃO TECTÔNICA/DOBRA- constam no arquivo shapefile da unidade geológico-ambiental. MENTOS) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas COD_DOM (CÓDIGO DO DOMÍNIO GEOLÓGICO- que compõe a unidade geológico-ambiental. AMBIENTAL) – Sigla dos domínios geológico-ambientais. CIS_FRAT (TECTÔNICA FRATURAMENTO/CISA- D O M _GEO (D ESC R IÇ ÃO D O D O M Í N I O LHAMENTO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas GEOLÓGICO-AMBIENTAL) – Reclassificação da geologia que compõe a unidade geológico-ambiental. pelos grandes domínios geológicos. TIPO_DEF (TIPO DE DEFORMAÇÃO) – Relacionado C O D_ U N I G EO (C Ó D I G O DA U N I DA D E à rocha ou ao grupo de rochas que compõe a unidade GEOLÓGICO-AMBIENTAL) – Sigla da unidade geológico- geológico-ambiental. ambiental. COM_REOL (COMPORTAMENTO REOLÓGICO) – UNIGEO (DESCRIÇÃO DA UNIDADE GEOLÓGICO- Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas que compõe AMBIENTAL) – As unidades geológico-ambientais foram a unidade geológico-ambiental. 46 metodologia, estruturação da base de dados e organização em sistema de informação geográfica ASPECTO (ASPECTOS TEXTURAIS E ESTRUTU- BARROS, R.S.; CRUZ, M.B.C.; REIS, B.R.; ROCHA, F.M.E.; RAIS) – Relacionado às rochas ígneas e/ou metamórficas BARBOSA, G.L. Avaliação do modelo digital de elevação que compõem a unidade geológico-ambiental. da SRTM na ortorretificação de imagens Spot 4. Estudo INTEMP_F (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO de caso: Angra dos Reis – RJ. In: SIMPÓSIO EM CIÊNCIAS FÍSICO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs GEODÉSICAS E TECNOLOGIA DA GEOINFORMAÇÃO, 1., que compõe a unidade geológico-ambiental. 2004, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2004. INTEMP_Q (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO QUÍMICO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas CREPANI, E.; MEDEIROS, J.S. Imagens CBERS + imagens sãs que compõe a unidade geológico-ambiental. SRTM + mosaicos GeoCover Landsat. Ambiente Spring e GR_COER (GRAU DE COERÊNCIA DA(S) ROCHA(S) TerraView: sensoriamento remoto e geoprocessamento FRESCA(S)) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas gratuitos aplicados ao desenvolvimento sustentável. In: que compõe a unidade geológico-ambiental. SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, TEXTURA (TEXTURA DO MANTO DE ALTERAÇÃO) 12., 2005, Goiânia. Anais… São José dos Campos: INPE, – Relacionado ao padrão textural de alteração da rocha 2005. ou do grupo de rochas que compõe a unidade geológico- -ambiental. CUSTODIO, E.; LLAMAS, M.R. Hidrologia subterrânea. PORO_PRI (POROSIDADE PRIMÁRIA) – Relacionado 2. ed. corrigida. Barceleno: Omega, 1983. Tomo I. à porosidade primária da rocha ou do grupo de rochas que compõe a unidade geológico-ambiental. DANTAS, M.E. Biblioteca de relevo do território brasileiro. AQUÍFERO (TIPO DE AQUÍFERO) – Relacionado In: BANDEIRA, I.C.N. (Org.). Geodiversidade do estado ao tipo de aquífero que compõe a unidade geológico- do Maranhão. Teresina: CPRM, 2013. p. 133-140. ambiental. COD_REL (CÓDIGO DOS COMPARTIMENTOS DO GUERRA, A.J.T.; CUNHA, S.B. (Org.). Geomorfologia: RELEVO) – Siglas para a divisão dos macrocompartimentos uma atualização de bases e conceitos. 4. ed. Rio de de relevo. Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. RELEVO (MACROCOMPARTIMENTOS DO RELEVO) – Descrição dos macrocompartimentos de relevo. LATRUBESSE, E.; RODRIGUES, S.; MAMEDE, L. Sistema de GEO_REL (CÓDIGO DA UNIDADE GEOLÓGICO- classificação e mapeamento geomorfológico: uma nova AMBIENTAL + CÓDIGO DO RELEVO) – Sigla da nova proposta. GEOSUL, Florianópolis, v. 14, n. 27, p. 682- unidade geológico-ambiental, fruto da composição da 687, 1998. unidade geológica com o relevo. Na escala 1:1.000.000, é o campo indexador, que liga a tabela aos polígonos do mapa MEIS, M.R.M.; MIRANDA, L.H.G.; FERNANDES, N.F. e ao banco de dados (é formada pelo campo COD_UNIGEO Desnivelamento de altitude como parâmetros para + COD_REL). a compartimentação do relevo: bacia do médio- OBS (CAMPO DE OBSERVAÇÕES) – Campo-texto baixo Paraíba do Sul. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE onde são descritas todas as observações consideradas GEOLOGIA, 32., 1982, Salvador. Anais... Salvador: SGB, relevantes na análise da unidade geológico-ambiental. 1982, v. 4, p. 1459-1503. REFERÊNCIAS OLIVEIRA, A.M.S.; BRITO, S.N.A. (Ed.). Geologia de engenharia. São Paulo: ABGE, 1998. 587 p. AB’SABER, A.N. 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Mapa geoquímicas e geoambientais do vale do Ribeira. geoambiental de Brasília e entorno: ZEE-RIDE. Porto São Paulo: CPRM/UNICAMP/FAPESP, 2005. Alegre: CPRM/EMBRAPA/Consórcio ZEE Brasil/Ministério THEODOROVICZ, A.; THEODOROVICZ, A.M. de G.; da Integração, 2003. CANTARINO, S. de C. Estudos geoambientais e geoquímicos das bacias hidrográficas dos rios TRAININI, D.R.; GIOVANNINI, C.A.; RAMGRAB, Mogi-Guaçu e Pardo. São Paulo: CPRM, 2002. G.E.; VIERO, A.C. Carta geoambiental da região hidrográfica do Guaíba. Porto Alegre: CPRM/FEPAM/ THEODOROVICZ, A. et al. Projeto médio Pardo. São PRÓ-GUAÍBA, 2001. Mapas escala 1:250.000. Paulo: CPRM, 2001. VAZ, L.F. Classificação genética dos solos e dos horizontes THEODOROVICZ, A.; THEODOROVICZ, A.M. de G.; de alteração de rocha em regiões tropicais. Solos e CANTARINO, S. da C. Projeto Curitiba – Informações Rochas, São Paulo, v. 19, n. 2, p. 117-136, 1996. 48 4 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/ POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Ana Claudia Viero (ana.viero@cprm.gov.br) Carlos Augusto Brasil Peixoto (carlos.peixoto@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ............................................................................................................51 Domínio dos Sedimentos Cenozoicos Inconsolidados ou Pouco Consolidados, Depositados em Meio Aquoso (DC) ..................................................................... 53 Domínio dos Sedimentos Cenozoicos Inconsolidados do Tipo Coluvião e Tálus (DCICT) ..................................................................................................................61 Domínio dos Sedimentos Cenozoicos Eólicos (DCE) ............................................. 63 Domínio das Coberturas Sedimentares e Vulcanossedimentares Mesozoicas e Paleozoicas, Pouco a Moderadamente Consolidadas, Associadas a Grandes e Profundas Bacias Sedimentares do Tipo Sinéclise (Ambientes Deposicionais: Continental, Marinho, Desértico, Glacial e Vulcânico) (DSVMP) ........................... 66 Domínio do Vulcanismo Fissural do Tipo Platô (DVM) ..........................................76 Domínio dos Complexos Alcalinos Intrusivos e Extrusivos, Diferenciados, do Paleógeno, Mesozoico e Proterozoico (DCA) .................................................. 83 Domínio das Sequências Vulcânicas ou Vulcanossedimentares Proterozoicas, Não ou Pouco Dobradas e Metamorfizadas (DsSVP1) .......................................... 85 Domínio das Sequências Vulcanossedimentares Proterozoicas Dobradas, Metamorfizadas de Baixo a Alto Grau (DSVP2) .....................................................91 Domínio dos Corpos Máfico-Ultramáficos (Suítes Komatiíticas, Suítes Toleíticas, Complexos Bandados) (DCMU) ................................................. 95 Domínio dos Complexos Granitoides Não Deformados (DCGR1) ......................... 97 Domínio dos Granitoides Deformados (DCGR2) ..................................................102 Domínio dos Granitoides Intensamente Deformados: Ortognaisses (DCGR3) .....105 Domínio dos Complexos Gnáissico-Migmatíticos e Granulíticos (DCGMGL) .......108 Referências .........................................................................................................116 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO INTRODUÇÃO A elaboração do Mapa Geodiver- sidade do Estado de Santa Catarina está fundamentada na divisão do território em geossistemas ou domínios geológico-ambientais, que, por sua vez, estão subdivididos em unidades geológico-ambientais, com o objetivo de se reunir unidades litológicas de características semelhantes frente ao uso e à ocupação dos terrenos (Apêndice I). De acordo com essa proposta, o território catarinense está constituído por 13 domínios e 38 unidades geológico-ambientais (Figura 4.1), compartimentadas, por sua vez, em Figura 4.1 - Mapa geodiversidade do estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. função do padrão de relevo (Apêndice II). Em cada domínio são descritas as respectivas unidades geológico-ambientais, segundo suas Catarina, por cores características e um rótulo resultante características, adequabilidades/potencialidades e limita- da combinação de um número arábico, que distingue a ções frente ao uso e à ocupação no que se refere a obras unidade geológico-ambiental, e de uma letra minúscula, de engenharia, agricultura, recursos hídricos subterrâneos que identifica o seu padrão de relevo. Como exemplo, e fontes poluidoras, recursos minerais, aspectos ambientais são apresentadas as unidades geológico-ambientais que e potencial turístico (Quadro 4.1). compõem o Domínio dos Sedimentos Cenozoicos Incon- As unidades geológico-ambientais são represen- solidados ou pouco Consolidados, Depositados em Meio tadas, no Mapa Geodiversidade do Estado de Santa Aquoso (Quadro 4.2). Quadro 4.1 - Domínios e unidades geológico-ambientais no território catarinense. Descrição do Domínio Geológico-Ambiental Código do Código da Unidade Área (km2) Território Domínio Geológico-Ambiental Estadual (%) DCa 3.318,05 3,50 DCfl 967,06 1,02 Domínio dos sedimentos cenozoicos inconsolidados ou DC DCl 1.064,75 1,12 pouco consolidados, depositados em meio aquoso. DCm 167,63 0,18 DCmc 1.094,12 1,15 Domínio dos sedimentos cenozoicos inconsolidados do DCICT DCICT 1.217,22 1,28 tipo coluvião e tálus. DCEm 487,10 0,51 Domínio dos sedimentos cenozoicos eólicos. DCE DCEf 12,82 0,01 DSVMPae 1.653,28 1,74 DSVMPasaf 6.634,61 6,99 Domínio das coberturas sedimentares e vulcanossedimen- DSVMPsaa 2.835,03 2,99 tares mesozoicas e paleozoicas, pouco a moderadamente consolidadas, associadas a grandes e profundas bacias DSVMP DSVMPsaacv 6.042,56 6,37 sedimentares do tipo sinéclise (ambientes deposicionais: continental, marinho, desértico, glacial e vulcânico). DSVMPcgf 4.903,80 5,17 DSVMPsaca 2.476,71 2,61 DSVMPsabc 598,43 0,63 DVMb 40.509,68 42,69 Domínio do vulcanismo fissural do tipo platô. DVM DVMrrd 6.413,13 6,76 51 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Quadro 4.1 - Domínios e unidades geológico-ambientais no território catarinense. (Continuação) Descrição do Domínio Geológico-Ambiental Código do Código da Unidade Domínio Geológico-Ambiental Área (km 2) Território Estadual (%) Domínio dos complexos alcalinos intrusivos e extrusivos, DCA DCAalc 66,85 0,07 diferenciados, do Paleógeno, Mesozoico e Proterozoico. DSVP1va 419,04 0,44 Domínio das sequências vulcânicas ou vulcanossedi- mentares proterozoicas, não ou pouco dobradas e DSVP1 DSVP1vs 70,52 0,07 metamorfizadas. DSVP1sacg 1.084,28 1,14 DSVP2in 50,28 0,05 DSVP2q 154,43 0,16 Domínio das sequências vulcanossedimentares protero- DSVP2 DSVP2x 1.177,84 1,24 zoicas dobradas, metamorfizadas de baixo a alto grau. DSVP2csa 45,30 0,05 DSVP2bu 36,95 0,04 Domínio dos corpos máfico-ultramáficos (suítes komatií- DCMU DCMUbu 69,05 0,07 ticas, suítes toleíticas, complexos bandados). DCGR1alc 3.746,19 3,95 Domínio dos complexos granitoides não deformados. DCGR1 DCGR1salc 1.678,65 1,77 DCGR2alc 9,12 0,01 Domínio dos complexos granitoides deformados. DCGR2 DCGR2pal 99,83 0,11 DCGR2salc 1.564,98 1,65 Domínio dos complexos granitoides intensamente defor- DCGR3ch 14,80 0,02 DCGR3 mados: ortognaisses. DCGR3salc 622,51 0,66 DCGMGLmo 164,05 0,17 Domínio dos complexos gnáissico-migmatíticos e gra- DCGMGLgnp 15,23 0,02 DCGMGL nulíticos. DCGMGLglo 2.337,73 2,46 DCGMGLgno 1.076,00 1,13 Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. Quadro 4.2 - Exemplificação da representação das unidades geológico-ambientais no mapa geodiversidade do estado de Santa Catarina. Domínio Rótulo da Unidade Geológico- Unidade Geológico- Geológico- Rótulo do Padrão Padrões de Relevo de Relevo no Rótulo Final no Ambiental Ambiental Ambiental no MapaMapa Mapa Ambiente de Planícies Planícies Fluviais ou 1 a 1a Aluvionares Recentes Fluviolacustres Domínio dos Planícies Fluvioma-Ambiente Fluviolacustre 2 a 2a sedimentos rinhas cenozoicos inconsolidados Planícies Fluvioma- ou pouco Ambiente Lagunar 3 a 3arinhas consolidados, depositados em Ambiente Marinho meio aquoso. 4 Planícies Costeiras a 4aCosteiro Ambiente Misto (Mari- Planícies Fluvioma- 5 a 5a nho/Continental) rinhas Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. 52 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS drenados nas planícies de inundação, sendo periodicamente INCONSOLIDADOS OU POUCO inundáveis, e bem a moderadamente drenados nos terraços, CONSOLIDADOS, DEPOSITADOS EM MEIO onde se desenvolvem solos mais profundos e estratificados. AQUOSO (DC) As áreas cartografadas no mapa, onde são identifica- das pela simbologia “1a”, não representam a totalidade dos O domínio DC compreende terrenos geologicamente depósitos de planície aluvial existentes no estado, mas, sim, mais novos, em processo de construção e retrabalhamento. aqueles que ocupam superfícies com tamanho suficiente Corresponde às áreas baixas em que estão se acumulando para representação na escala do mapa. sedimentos erodidos em terrenos mais altos, que foram As formas de relevo associadas a essa unidade são transportados por rios e depositados ao longo de seus Planícies Fluviais ou Fluviolacustres (a) (Figura 4.3). cursos e na faixa costeira, onde são retrabalhados pela ação de rios, lagoas e mar. Ambiente Fluviolacustre (DCfl) São enquadradas nessa situação as unidades geológi- co-ambientais: Ambiente de Planícies Aluvionares Recentes A unidade geológico-ambiental Ambiente Fluviolacus- (1), Ambiente Fluviolacustre (2), Ambiente Lagunar (3), tre (DCfl) compreende as áreas em que os rios cortam os Ambiente Marinho Costeiro (4) e Ambiente Misto (Marinho/ terrenos ocupados por antigas lagoas e lagunas costeiras, Continental) (5) (Quadro 4.2; Figura 4.2). as quais se apresentam hoje total ou parcialmente col- matadas, resultando em depósitos de areias e lamas com Ambiente de Planícies Aluvionares Recentes restos orgânicos vegetais de origem lagunar, interdigitados (DCa) com cascalhos e areias grossas a finas, relacionados à se- dimentação fluvial. Constituem áreas planas, que podem A unidade geológico-ambiental Ambiente de Planícies ocupar extensas superfícies e se estender para muito além Aluvionares Recentes (DCa) compreende as áreas planas das margens dos rios, muitas vezes abaciadas, com elevada situadas ao longo dos rios, que são inundadas periodica- dificuldade de drenagem. As áreas situadas ao longo dos mente em épocas de cheias. Esses terrenos consistem em rios são inundadas em épocas de cheias. pacotes de material inconsolidado, de espessura variável, Essa unidade ocorre nas regiões de Tijucas, São José, formados por sedimentos arenosos e lamosos e, eventu- Palhoça, Paulo Lopes, a oeste e noroeste de Imbituba, em almente, com depósitos de cascalho. terrenos a oeste do complexo lagunar Mirim-Imaruí-Santo São superfícies sub-horizontais, com gradientes ex- Antônio, ao longo do rio Tubarão das Conchas e entre tremamente suaves, de 0 a 3º, constituídas por depósitos Jaguaruna e Araranguá. sedimentares que se encontram em permanente acumulação A forma de relevo associada a essa unidade denomina- pela ação fluvial. Os terrenos são imperfeitamente a mal se Planícies Fluviomarinhas (a) (Figura 4.4). Figura 4.2 - Distribuição espacial das unidades geológico-ambientais definidas no domínio DC no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. 53 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Estes terrenos são registrados em Itapema, Porto Belo, na ilha de Santa Catarina, na porção continental de Florianópolis e em São José e Palhoça e, principalmente, no litoral sul catarinense. As formas de relevo associa- das a essa unidade são as Planícies Fluviomarinhas (a) (Figura 4.6). Figura 4.3 - Planície aluvial do rio Braço do Norte com terraço em nível topográfico mais elevado, vista a partir da rodovia SC-108, entre São Ludgero e Braço Norte. Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.5 - Extensa área plana e com deficiência de drenagem associada a depósito de turfa (Balneário Arroio do Silva). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2011. Figura 4.4 - Cultivo de arroz em planície da unidade geológico- ambiental DCfl (vista a partir da rodovia BR-101, entre Jaguaruna e Tubarão). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Ambiente Lagunar (DCl) Figura 4.6 - Pastagem em planície da unidade geológico- ambiental DCl (vista a partir da rodovia SC-406, entre Armação e A unidade geológico-ambiental Ambiente Lagunar Pântano do Sul). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. (DCl) compreende depósitos arenosos associados a margens de corpos aquosos intercalados com depósitos argilosos de Ambiente Marinho Costeiro (DCmc) fundo lagunar e/ou fluvial. São áreas onde ocorrem solos mal drenados e que estão sujeitas a inundações periódicas. A unidade geológico-ambiental Ambiente Marinho A unidade também engloba depósitos paleolagunares cons- Costeiro (DCmc) está presente na faixa litorânea, em espe- tituídos por turfas ou depósitos lamosos ricos em matéria cial, no litoral norte e no extremo sul do Estado. Consiste orgânica, cuja origem está associada ao processo natural em depósitos sedimentares gerados em ambiente de praia, de colmatação de corpos aquosos costeiros, que vão sendo englobando terraços marinhos e cordões arenosos, nos progressivamente vegetados à medida que suas lâminas quais sedimentos arenosos foram depositados pela ação d’água diminuem. São áreas muito mal drenadas, em que do mar e, em alguns casos, retrabalhados pela ação dos o escoamento de água é praticamente inexistente, onde ventos. Os solos são bastante arenosos, pobres quimica- ocorrem solos com material orgânico em diversos estágios mente e muito profundos. de decomposição (Figura 4.5). A unidade pode ainda conter As formas de relevo associadas a essa unidade são as acumulações significativas de conchas calcárias. Planícies Costeiras (a) (Figura 4.7). 54 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia Os terrenos do domínio DC são constituídos por um empilhamento de camadas horizontalizadas de materiais inconsolidados, de granulometria bastante variada, com características hidráulicas e geomecânicas distintas. As unidades DCa e DCfl apresentam intercalações de camadas constituídas por areia, argila e cascalho, resulta- do das variações da dinâmica fluvial ao longo do tempo geológico (Figura 4.9). Dependendo do nível do depósito Figura 4.7 - Depósitos arenosos em relevo plano característico sedimentar, as características hidráulicas e geomecâni- de planície costeira (vista a partir da rodovia BR-101, próximo ao cas podem ser muito diferentes. Nos níveis compostos acesso para Turvo). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. por cascalho e areia, por exemplo, a permeabilidade é maior do que naqueles mais argilosos. A execução de Ambiente Misto (Marinho/Continental) (DCm) escavações, perfurações e sondagens é mais difícil nos depósitos formados, predominantemente, por cascalho, A unidade geológico-ambiental Ambiente Misto onde a resistência à penetração é bastante variável, (Marinho/Continental) (DCm) abrange os mangues. Estes demandando períodos mais longos para realização das ocorrem em ambiente de transição entre os ambientes obras e equipamentos mais caros, os quais estão sujeitos terrestre e marinho, sujeitos ao regime das marés e carac- a maior desgaste. terizados por biodiversidade típica. Os terrenos, em geral, ricos em matéria orgânica, são constituídos por intercalações irregulares de sedimentos arenosos e argilosos. Os solos são pouco evoluídos morfologicamente, apresentando-se como uma massa pastosa de coloração cinzenta, com materiais sulfídricos formados em ambiente redutor, associados a áreas de marés, onde a água salobra é biologicamente reduzida a sulfetos. Normalmente, esses solos estão associados à elevada salinidade. A unidade ocorre na região nordeste do estado, no contexto da baía da Babitonga. Áreas de ocorrência de mangues de menor extensão não foram cartografadas devido à escala do mapa. Os mangues configuram formas de relevo classificadas como Planícies Fluviomarinhas (a) (Figura 4.8). Figura 4.9 - Depósito de cascalho no leito do rio Tijucas (ponte na rodovia SC-408, entre Major Gercino e São João Batista). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Nessas unidades, os terrenos apresentam, em geral, boa capacidade de suporte para obras de até médio porte. No entanto, essas unidades também englobam as planícies de inundação dos rios que não são passíveis de serem cartografadas na escala deste trabalho. Nessas planícies e em outras áreas mais baixas das unidades DCfl e DCl, existe a possibilidade de ocorrência de solos moles (ou argilas moles), que são constituídos por partículas de tamanho argila ou Figura 4.8 - Ambiente de mangues na baía da Babitonga silte e apresentam, como características principais: alta (Joinville). otografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2010. compressibilidade, baixa resistência, baixa permeabilidade 55 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA e baixa consistência. Como são solos com baixa capacidade As unidades DCa, DCfl e DCl abrangem áreas su- de suporte, são suscetíveis a adensamentos e as estruturas jeitas a inundações periódicas. É comum a existência neles construídas tornam-se sujeitas a recalques e mesmo de drenos, com o objetivo de minimizar os efeitos das rupturas, como no caso de fundações. cheias, para elevar a eficiência de uso desses ambien- A ocorrência de argilas moles é mais comum em ter- tes. Essas áreas devem ser objeto de zoneamento que renos das unidades DCl e DCm. Nesses terrenos, em adição contemple um conjunto de regras para sua ocupação, aos problemas resultantes da baixa capacidade de suporte, visando à minimização de perdas materiais e humanas a presença de material orgânico torna os solos bastante resultantes de grandes cheias (TUCCI, 2007). Tal regu- agressivos, podendo ocasionar corrosão de tubulações e lamentação deve ser apoiada em mapas com demar- de estruturas enterradas de aço ou concreto e, consequen- cação de áreas com diferentes riscos de inundação e temente, vazamentos em dutos, além da deterioração de em critérios de ocupação referentes a uso e aspectos blocos de ancoragem e estacas. construtivos. A unidade DCmc compreende camadas arenosas, Superfícies topograficamente mais elevadas, na forma inconsolidadas, com características geomecânicas e hi- de terraços, que não são passíveis de serem identificadas dráulicas mais homogêneas do que nas demais unidades. na escala deste trabalho, apresentam menor suscetibilidade Podem ocorrer depósitos de areia muito friável, sujeitos a inundações resultantes de cheias sazonais. ao fenômeno da liquefação, que se desestabilizam com Já a unidade DCm compreende terrenos sujeitos a facilidade em escavações. inundações diárias, em decorrência da dinâmica das marés A conjugação de elevada permeabilidade em superfí- (Figura 4.10). cie, baixíssima capacidade adsortiva e a presença de lençol A unidade DCmc abrange terrenos situados na faixa freático exclui esses solos para qualquer disposição de litorânea, os quais apresentam alta suscetibilidade à erosão efluente ou resíduos sólidos. costeira e eólica. Nessa unidade, em áreas de ocorrência de Espodos- A erosão costeira está normalmente associada a episó- solos, a condutividade hidráulica diminui drasticamente no dios de ressaca, que são registrados no litoral sul do Brasil, horizonte subsuperficial mais escuro e endurecido, sendo principalmente em decorrência de ciclones extratropicais, importante detectar a profundidade em que ocorre. comuns nos meses de outono e inverno (RODRIGUES; Os terrenos do domínio DC apresentam relevo plano VANZ, 2010). ou quase plano, com declividades praticamente nulas ou A ocupação urbana próxima às praias, em áreas muito baixas. O lençol freático situa-se próximo à superfície, sujeitas à dinâmica das ondas, em que a movimentação e os solos, frequentemente, apresentam más condições de marítima e as correntes de maré realizam o processo de drenagem, exceto nos terrenos arenosos da unidade DCmc. remoção e reposição de areia, acaba por aproximar o mar Tais características conferem a esses terrenos, especialmen- das construções, expondo a população e a infraestrutura te aos das unidades DCa, DCfl e DCl, elevada suscetibilidade urbana a riscos decorrentes da erosão costeira, o que a alagamentos e elevado risco de desestabilização das exige a adoção de medidas estruturais para reduzi-los paredes de escavação de obras civis. (Figura 4.11). Figura 4.10 - Ambiente de mangues sujeito a variações Figura 4.11 - Proteção da área urbanizada junto à orla, com a de marés na baía da Babitonga (Joinville). construção de um enrocamento (praia da Armação, Florianópolis). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 56 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Agricultura por conseguinte, menores são a capacidade de reter água e a taxa de subsidência do solo. Os terrenos que integram o domínio DC apresentam Os solos que ocorrem no domínio DC, à exceção da relevo plano ou quase plano, com declividades muito baixas, maior parte dos terrenos da unidade DCmc, são imperfeita- características que favorecem a mecanização agrícola, prin- mente a mal drenados, frequentemente com lençol freático cipalmente na época mais seca, quando são minimizados os próximo à superfície. Têm boa potencialidade para culturas riscos de inundação e alagamento. Esse tipo de relevo também de ciclo curto ou adaptadas ao encharcamento (Figura 4.13). confere a esses terrenos baixa suscetibilidade à erosão hídrica. Como a umidade nos solos se mantém alta na maior parte do No entanto, nas unidades DCa, DCfl, DCl e DCm, a mecani- ano, são ambientes favoráveis à proliferação de vários tipos zação pode ser limitada pela ocorrência de solos com grande de doenças e pragas agrícolas (fungos, bactérias e insetos). quantidade de material orgânico de alta compressibilidade. O plantio de culturas perenes ou de espécies de raízes Os solos que ocorrem nos terrenos da unidade DCmc são profundas é possível, em alguns casos, mediante drenagem predominantemente do tipo Neossolos Quartzarênicos órti- do solo. Para tanto, é necessária a abertura de valas, o cos, Neossolos Quartzarênicos hidromórficos e Espodossolos que resulta em impactos negativos na dinâmica das águas Ferrocárbicos (EMBRAPA, 1998). Embora ocorram em áreas superficiais e subterrâneas e na regularidade da umidade com baixo potencial erosivo, estão sujeitos a retrabalhamento do ar do microclima da região. por ação eólica e à erosão costeira na faixa litorânea. São solos arenosos, ácidos, com baixa reserva de nutrientes e baixa capacidade de retenção de umidade e de nutrientes. Os Espodosssolos apresentam horizonte escuro em profundidade, por vezes, são muito duros e escuros, devido à concentração de ferro e matéria orgânica, sendo denominados “orstein”. A presença desse horizonte resulta em drástica redução da con- dutividade hidráulica. Mais restritamente, ocorrem Gleissolos e Organossolos (Figura 4.12), relacionados a paleolagunas colma- tadas existentes na porção posterior dos depósitos marinhos e não individualizadas na escala deste trabalho. Nas unidades DCa e DCfl, predominam Gleissolos Háplicos distróficos, seguidos de Neossolos Flúvicos, Or- ganossolos e Gleissolos Melânicos (EMBRAPA, 1998). Os Gleissolos são propícios ao plantio de arroz irrigado. Na unidade DCl ocorrem Gleissolos Háplicos, Neosso- los Quartzarênicos, Espodossolos Cárbicos e Ferrocárbicos, além de Organossolos, os quais apresentam material orgâ- Figura 4.13 - Cultivo de arroz na planície do ribeirão do Baú, em nico em diversos estágios de decomposição. Quanto mais terrenos da unidade DCa (Baú Central, Ilhota). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. avançado o estágio de decomposição, maior a densidade e, Na unidade DCm ocorrem predominantemente Solos Indiscriminados de Mangue. São solos minerais, predomi- nantemente halomórficos, de profundidade limitada pela altura do lençol freático, geralmente sem diferenciação de horizontes. São solos lamacentos, escuros, formados em ambientes de mangues a partir de sedimentos flúvio- -marinhos recentes misturados com detritos orgânicos, de natureza e granulometria variada. São ambientes de fun- damental importância para o equilíbrio ecológico, sendo recomendados para preservação da flora e da fauna. As principais limitações agrícolas destes solos estão relacio- nadas ao alto conteúdo de sais, às condições de excesso de umidade e ao caráter tiomórfico. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras Figura 4.12 - Perfil de Organossolo mostrando grande quantidade de matéria orgânica em processo de oxidação (via secundária entre Os terrenos do domínio DC apresentam caracterís- Itapoá e Guaratuba). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. ticas de aquíferos porosos, nos quais a água subterrânea 57 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA é armazenada nos espaços entre os grãos que compõem Os terrenos do domínio DC apresentam características os pacotes sedimentares. Quanto maior a capacidade de geológicas e de relevo que lhes conferem condições tanto armazenar água e de transmiti-la, maior é a potencialida- de recarga como de descarga de aquíferos porosos. Tais de do aquífero em fornecer água subterrânea. Assim, os características, aliadas ao regime de drenagem superficial, terrenos constituídos por sedimentos arenosos, ou onde são mais favoráveis à concentração do que à dispersão de estes são predominantes, apresentam maior potencialida- poluentes. de do que aqueles compostos por sedimentos argilosos A grande quantidade de corpos de água superficiais ou siltosos. e o lençol freático aflorante ou próximo da superfície são A unidade DCa compreende depósitos sedimentares determinantes para que esses terrenos apresentem eleva- que se comportam como aquíferos muitas vezes descon- da vulnerabilidade à contaminação da água subterrânea. tínuos e com poucos metros de espessura, uma vez que Aliados a isso, a drenabilidade deficiente dos depósitos são compostos por intercalações de sedimentos de dife- e o regime de drenagem superficial de águas calmas nas rentes granulometrias, entre os quais, camadas argilosas. unidades DCl e DCm, com baixo potencial de oxigenação, Esses aquíferos apresentam potencial para atendimento propiciam lenta dispersão e depuração dos poluentes. A a pequenas demandas, com baixo custo de explotação, presença de material orgânico, principalmente nessas uni- por meio de poços escavados, cacimbas e ponteiras. Em dades, pode provocar a corrosão de estruturas enterradas muitos locais, devido à existência de sedimentos e solos destinadas ao armazenamento e à distribuição de produtos ricos em matéria orgânica, a água subterrânea pode apre- químicos, resultando em vazamentos. sentar odores desagradáveis em função de compostos orgânicos e enxofre. Recursos minerais Os terrenos da unidade DCfl apresentam caracte- rísticas semelhantes às dos terrenos da unidade DCa, Nos terrenos da unidade DCa ocorrem depósitos de diferenciando-se desta pela maior ocorrência de sedi- areia e cascalho com potencial para uso como agregados mentos argilosos de origem lacustre. Conforme SILVA e para construção civil, e argila para uso cerâmico. Também LEITES (2000), em terrenos dessa unidade, no município podem ocorrer depósitos do tipo plácer de metais nobres, de Tubarão, a água pode apresentar valores alcalinos como os de ouro na região de Gaspar, e de gemas, como de pH e totais de sais dissolvidos superiores a 200 mg/l. coríndon, na região de Barra Velha (IGLESIAS et al., 2012), Teores de Fe e Mn podem se constituir em obstáculo à além de ocorrências de ouro em aluviões nas bacias hidro- sua utilização. gráficas dos rios Itajaí-Açu, Itajaí-Mirim, Tijucas e Ribeirão Na unidade DCl, a alternância de níveis arenosos e do Ouro (SANTA CATARINA, 1986). argilosos pode configurar aquíferos confinados com boa As unidades DCl e DCfl compreendem ambientes geo- potencialidade para água subterrânea. É comum a presença lógicos favoráveis à ocorrência de areia para uso industrial de ferro na água. Silva e Leites (2000) citam que podem e construção civil (Figura 4.14), argila para cerâmica branca ocorrer vazões superiores a 40 m³/h e níveis estáticos entre e vermelha, bem como depósitos de turfa, onde ocorre 0,2 e 2 m em poços com captações na fácies arenosa de grande número de atividades de lavra mineral. praia lagunar. Nesses terrenos, registram-se inúmeros depósitos de A unidade DCmc compreende aquíferos superficiais conchas calcárias, com utilização, principalmente, nos seto- com elevado potencial para água subterrânea, com con- res agrícola, cerâmico, de celulose, de rações balanceadas dições de atender a demandas significativas, por meio de poços tubulares de grande diâmetro. Também apresentam potencial para explotação de baixo custo, por meio de poços escavados, cacimbas e ponteiras para atendimento a demandas unifamiliares. O teor salino das águas é, em geral, baixo, embora possam ser eventualmente cloretadas. Existe o risco de intrusão da cunha salina, caso os poços sejam superexplotados. Os terrenos dessa unidade, muitas vezes, encontram- -se associados a terrenos da unidade DCE, compondo sistemas aquíferos de grande potencial, como na região nordeste da ilha de Santa Catarina, onde são utilizados para abastecimento público. A unidade DCm não apresenta potencial para água subterrânea por compreender depósitos pouco permeáveis, constituídos, principalmente, por argilas e material orgâni- co. Adicionalmente, nesses ambientes geológicos há sérias Figura 4.14 - Lavra de areia em terrenos da unidade DCfl restrições quanto à qualidade da água. (área rural de Treze de Maio). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010 58 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO e farmacêuticas (SILVA; LEITES, 2000; ZANINI et al., 1997). Aspectos ambientais e potencial turístico No complexo lagunar Mirim-Imaruí-Santo Antônio, os ja- zimentos ocorrem em pontais lagunares da margem leste O domínio DC engloba a região litorânea do estado de (CARUSO JR., 1995). Depósitos de diatomita, com aplicação Santa Catarina, uma das mais belas do Brasil, que apresenta industrial, também são registrados na unidade DCl. enorme potencial turístico ainda a ser explorado. São cerca Os depósitos de turfa que ocorrem na unidade DCl de 500 km de praias, com ilhas, lagunas e lagoas, dunas, apresentam potencial para aproveitamento energético, rios, costões rochosos e vegetação exuberante (Figuras além de diversos usos na agricultura e na indústria. A turfa 4.16 e 4.17). energética é utilizada na combustão e queima direta em grelhas, fornos e caldeiras para geração de calor, vapor e eletricidade. Na agricultura, pode ser empregada como condicionador de solo, veículo fertilizante e inoculante com utilização em reflorestamentos, controle de erosão, horticultura, jardinagem, floricultura, etc (Figura 4.15). Também encontra emprego em cultura de antibióticos para produção de medicamentos, filtragens industriais e de poluentes e no tratamento de efluentes. Caruso Jr. (1995) indica as regiões de Paulo Lopes, Garopaba e Jaguaruna como potenciais para ocorrência de depósitos de turfa. A unidade DCmc compreende ambiente geológico favorável para ocorrência de jazimentos minerais detríticos, como ilmenita, magnetita, zircão e monazita em depósitos de pláceres. Zanini et al. (1997) citam concentrações de minerais Figura 4.16 - Enseada de águas calmas, Bombinhas é uma das pesados conhecidos como “areias negras” nas localidades praias mais procuradas pelos turistas no verão (Porto Belo). de Ponta das Arminhas (Palhoça), Praia do Siriú (Garopaba) Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. e em Pântano do Sul, na extremidade sul da ilha de Santa Catarina. Segundo Caruso Jr. (1995), as características geológico-geomorfológicas da planície costeira do sudeste catarinense são favoráveis à prospecção de minerais pe- sados em pláceres litorâneos, apesar da falta de pesquisa sistemática na região. Os terrenos dessa unidade também constituem ambiente geológico favorável para depósitos de conchas calcárias e apresentam potencial para explotação de areia para uso industrial e construção civil. Figura 4.17 - Balneário de Palmas; ao fundo, vista do norte da ilha de Santa Catarina (Governador Celso Ramos). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. A Planície Costeira pode ser dividida em dois segmen- tos com conformações distintas (SANTA CATARINA, 1986). Um segmento, mais ao norte, desde a baía da Babitonga até o cabo de Santa Marta, representa a maior parte dessa planície e exibe muitas baías e enseadas entrecortadas por cabos e promontórios. No outro segmento, que se esten- Figura 4.15 - Fábrica de produtos à base de turfa, como de desde o cabo de Santa Marta até a divisa com o Rio substratos para plantas (Balneário Arroio do Silva). Grande do Sul, a Planície Costeira é mais larga e o litoral é Fotografia: Ana Claudia Viero, 2011. mais retificado, desenvolvendo extensas praias, campos de 59 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA dunas e formações lagunares, como o complexo formado Os terrenos da unidade DCa englobam, em muitos ca- pelas lagunas de Imaruí, Mirim e Santo Antônio. sos, faixas de proteção ao longo dos cursos d’água perenes Na porção norte da Planície Costeira, a baía da Babi- e intermitentes que constituem Áreas de Preservação Per- tonga (Figura 4.18) compreende um importante complexo manente (APP), conforme a Lei nº 12.651, de 25.05.2012, de águas marinhas interiores com características estuarinas que instituiu o novo Código Florestal brasileiro. De acordo que abriga a mais expressiva formação de manguezais do com essa lei, a largura dessas faixas é dependente da lar- estado (KNIE, 2003). gura dos cursos d’água e varia desde o mínimo de 30 m, Essa baía, circunscrita entre a linha de costa interior para os cursos d’água de menos de 10 m de largura, até e a península de Itapoá e a ilha de São Francisco, recebe a o máximo de 500 m, para os cursos d’água com largura contribuição de diversas bacias hidrográficas, compondo superior a 600 m. Uma APP é definida pela referida lei como um complexo hídrico que recebe os efluentes da cidade “área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, de Joinville, o maior aglomerado urbano da região, onde com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, está situado o Porto de São Francisco do Sul. Esse com- a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, plexo apresenta grande diversidade ambiental, abrigando facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e importantes resquícios de Mata Atlântica, Restingas e assegurar o bem-estar das populações humanas”. Florestas de Terras Baixas. Os manguezais também constituem Áreas de Preserva- A baía da Babitonga é uma área frágil ambientalmente, ção Permanente (APP), conforme a Lei nº 12.651/2012, que que vem sendo ameaçada pela ocupação antrópica. Esta define manguezal como “ecossistema litorâneo que ocorre resulta, frequentemente, em remoção da vegetação de em terrenos baixos, sujeitos à ação das marés, formado por manguezais, comprometimento da qualidade das águas, vasas lodosas recentes ou arenosas, às quais se associa, devido ao lançamento de efluentes domésticos, industriais, predominantemente, a vegetação natural conhecida como agroquímicos e contaminantes provenientes de aterros de mangue, com influência fluviomarinha, típica de solos limo- resíduos sólidos. Em adição, o manejo inadequado do solo sos de regiões estuarinas e com dispersão descontínua ao rural provoca o assoreamento dos corpos d’água como longo da costa brasileira, entre os estados do Amapá e de resultado da erosão em áreas mais elevadas. Santa Catarina”. Apesar da proteção legal, esses terrenos No domínio DC, foram definidas diversas unidades sofrem a pressão do avanço da ocupação urbana e têm suas de conservação de proteção integral, tanto em âmbito áreas progressivamente reduzidas (Figura 4.19). estadual quanto municipal (SISCOM, 2010). Também ocorrem na Planície Costeira diversos regis- Em nível estadual, destacam-se os parques estaduais tros de antigas comunidades indígenas conhecidos como Acaraí, situado na ilha de São Francisco do Sul; Serra do “sambaquis”. São depósitos constituídos por conchas, Tabuleiro, que se constitui na maior unidade de conservação utensílios de cozinha e esqueletos, localizados na costa, em no estado, com 84.130 ha (uma pequena parte de sua área lagoas ou rios do litoral, que guardam informações sobre ocupa terrenos do domínio DC); Rio Vermelho (costa leste o modo de vida de povos pré-históricos e da história geo- da ilha de Santa Catarina), em cuja porção norte situa-se lógica da região, uma vez que podem indicar as variações a Estação Ecológica de Carijós (SANTA CATARINA, 20--). no nível do mar e as condições ambientais que ali existiam. Em Florianópolis, têm-se como unidades de conserva- Os sambaquis são monumentos arqueológicos ou ção os parques municipais Lagoa do Peri, Dunas da Lagoa da pré-históricos, conforme a Lei nº 3.924, de 26.07.1961. Conceição, Galheta, Lagoinha do Leste e Maciço da Costeira. Essa lei, em seu artigo 6°, prevê o eventual aproveitamento Figura 4.18 - Baía da Babitonga, com a ilha de São Francisco do Figura 4.19 - Ocupação urbana exercendo pressão sobre Sul ao fundo, vista a partir do mirante do Boa Vista (Joinville). área de mangue do Itacorubi (Florianópolis). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 60 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO desses depósitos em conformidade com o Código de Minas, exemplos raros de dunas quaternárias de diferentes gera- os quais têm sido utilizados como fonte de material para ções, empoleiradas sobre obstáculos rochosos. pavimentação de estradas ou fabricação de cal. Quanto ao aspecto arqueológico, a região destaca-se Com o objetivo de reconhecer e promover a conserva- pela concentração e dimensões extraordinárias de samba- ção do patrimônio natural brasileiro foi instituída, em 1997, quis, metade praticamente intacta. a Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológi- No âmbito histórico, o complexo lagunar representa a cos (SIGEP), que reúne diversas instituições que possuem memória e o cenário de acontecimentos que marcaram o atuação na preservação do patrimônio. A SIGEP tem como auge da Revolução dos Farrapos e a criação da República uma de suas principais atribuições “o gerenciamento de Juliana. um banco de dados nacional de geossítios, e sua disponi- Esse patrimônio entrou em rápida deterioração na bilização em site da Internet na forma de artigos científicos segunda metade do século XX. A região mais preservada, bilíngues – inglês e português –, elaborados por especia- correspondente aos sistemas barra-barreira, lagunar e listas que trabalharam nas áreas dos sítios cadastrados”. eólico, a sul de Laguna, deve o seu estado de conservação Para integrar esse banco de dados, os sítios devem à dificuldade de acesso. prestar-se ao fomento da pesquisa científica básica e apli- cada, à difusão do conhecimento nas áreas das Ciências da DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS Terra, ao fortalecimento da consciência conservacionista, INCONSOLIDADOS DO TIPO COLUVIÃO E ao estímulo de atividades educacionais, recreativas ou TÁLUS (DCICT) turísticas, sempre em prol da participação e do desenvol- vimento socioeconômico das comunidades locais. O domínio DCICT compreende os depósitos de sedi- No âmbito do domínio DC, a SIGEP tem cadastrado mentos resultantes da erosão de terrenos mais elevados como sítio sedimentológico o Complexo Lagunar Centro- que sofreram transporte, principalmente por ação da -Sul Catarinense, face ao seu valioso patrimônio sedimen- gravidade e de fluxos de água, até as áreas mais baixas, tológico, arqueológico e histórico (GIANNINI, 2002). na base das encostas. No aspecto sedimentológico, trata-se de um dos mais Esse domínio está representado pela unidade complexos e singulares exemplos de interação entre fácies geológico-ambiental Colúvio e Tálus (6) (Figura 4.20), costeiras quaternárias no Brasil, que se apresentam orga- que é cartografada em toda a região leste, embora seja nizadas segundo quatro tipos de sistemas deposicionais: mais expressiva, em superfície, no sul do estado. As áreas lagunar, barra-barreira, planície costeira e eólica. O sistema cartografadas não representam a totalidade dos depósitos lagunar inclui a desembocadura do rio Tubarão, maior delta de colúvio e tálus existentes no estado, mas sim aqueles intralagunar do país, enquanto o sistema eólico abrange passíveis de serem representados na escala do mapa. Figura 4.20 - Área de ocorrência da unidade geológico-ambiental do domínio DCICT no estado de Santa Catarina Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. 61 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Colúvio e Tálus (DCICT) Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Frente ao Uso Essa unidade compreende materiais inconsolidados, e à Ocupação de granulometria e composição diversas, provenientes do transporte predominantemente gravitacional. Trata-se Obras de engenharia de depósitos heterogêneos, compostos, principalmente, por cascalho, areia, silte e argila, mas que podem conter Os materiais que compõem a unidade geológico- material mais grosseiro, como blocos e matacões de rocha ambiental DCICT apresentam grande diversidade textural (Figura 4.21). Engloba o material detrítico acumulado em e composicional, o que determina a variabilidade dos leques aluviais, rampas de colúvio e depósitos de tálus comportamentos geomecânico e hidráulico. Em geral, os (Figura 4.22). solos gerados a partir desses materiais apresentam baixa As formas de relevo em que ocorrem esses terrenos resistência ao cisalhamento. são classificadas como Vertentes Recobertas por Depósitos A presença de fragmentos de rochas duras e abrasivas de Encosta e compreendem tanto os cones de tálus como dificulta a execução de escavações, perfurações e sondagens, as rampas de colúvio. Os cones de tálus ocorrem nos causando maior desgaste aos equipamentos (Figura 4.23). sopés das vertentes íngremes de terrenos montanhosos e As encostas recobertas por depósitos de colúvio e tálus são constituídos por matriz arenoargilosa a argiloarenosa, são naturalmente instáveis e sujeitas a movimentos de massa, com muitos blocos e sedimentos mal selecionados. Já as desde aqueles com baixas velocidades de deslocamento, como rampas de colúvio ocorrem em declividades mais baixas rastejos, até os mais rápidos, como escorregamentos e corridas e apresentam interdigitação com depósitos praticamente de lama e de detritos. Como recobrem as porções inferiores das planos das planícies aluviais. encostas, esses depósitos, frequentemente, encontram-se sa- turados, o que reduz a estabilidade dos maciços (Figura 4.24). Figura 4.21 - Talude de corte em depósito de rampa de colúvio Figura 4.23 - Obra de recuperação das fundações de ponte sobre constituído por material arenoargiloso com blocos de rocha rio Amola Faca, mostrando a composição do material predominante: gerado a partir de rochas basálticas (Cascata do Avencal, Urubici, cascalho e fragmentos de rocha (trecho da rodovia SC-285, entre próximo à rodovia SC-345). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Turvo e Timbé do Sul). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.22 - Sopé de escarpa da serra Geral recoberto por Figura 4.24 - Escorregamento em antiga área de retirada de depósitos de leques aluviais (Timbé do Sul). material de empréstimo para construção da rodovia BR-101 Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. (Garuva). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 62 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Agricultura Nas demais áreas de ocorrência da unidade, os depósi- tos de colúvios e tálus constituem aquíferos superficiais de Nas porções proximais dos depósitos, os solos são pequena espessura e baixa transmissividade, com potencial predominantemente Cambissolos Háplicos, ao passo que, para atendimento a pequenas demandas, por fornecerem nas porções mais distais e mais planas, identificam-se apenas baixas vazões. Gleissolos Háplicos, Cambissolos e Argissolos Vermelho- Estruturas enterradas destinadas ao armazenamento e -Amarelo, esse último situado sobre as colinas isoladas à distribuição de substâncias com potencial poluidor pos- (EMBRAPA, 1998). suem elevado risco de rompimento devido à instabilidade Os solos que predominam nos depósitos de colúvio natural dos terrenos. e de tálus são pouco evoluídos, pouco permeáveis e de A variabilidade composicional desses terrenos, em textura argilosa. Possuem boa fertilidade natural, devido função da natureza do material que os originou, resulta à proximidade da rocha-fonte, especialmente nas porções em comportamentos distintos em relação a eventuais po- proximais dos depósitos. É comum apresentarem pedre- luentes. Assim, os terrenos com maior conteúdo de argila gosidade (Figura 4.25), o que, aliado a declividades ele- apresentam maior capacidade de reter e fixar poluentes vadas, pode limitar a mecanização agrícola. Nas porções do que aqueles com textura arenosa. mais distais dos depósitos de colúvio e de tálus, onde o relevo se torna mais plano e a pedregosidade é menor, Recursos minerais não há restrições à mecanização. São solos sujeitos à compactação e à erosão. Os terrenos recobertos por colúvios e tálus apre- sentam potencial mineral limitado, devido às espessuras variáveis dos depósitos e à hetero- geneidade dos sedimentos. Principalmente na região sul do estado, onde são mais expressivos, são utilizados para explotação de areia, cascalho e argila para fabricação de cerâmica vermelha. Como fonte de material de empréstimo, os colúvios podem ser utilizados para aterros compactados. Registram-se, também, ocorrências de ouro em depósitos de encosta não cartogra- fáveis na escala deste trabalho, no sopé de morros constituídos por rochas agrupadas no domínio DSVP2 (SANTA CATARINA, 1986). Aspectos ambientais e potencial turístico Compreendem ambientes de transição Figura 4.25 - Solo preparado para plantio de fumo, mostrando sua entre terrenos mais elevados, escarpados, e as pedregosidade (área rural de Timbé do Sul). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. planícies. Podem apresentar vegetação nativa, embora estejam, em sua maioria, modificados por atividades agropastoris. São áreas de grande beleza cênica, em especial os terrenos com declividades Recursos hídricos subterrâneos mais elevadas. e fontes poluidoras DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS A potencialidade hidrogeológica dos terrenos da EÓLICOS (DCE) unidade geológico-ambiental DCICT foi avaliada por Krebs (2004) na bacia hidrográfica do rio Araranguá, Esse domínio compreende os depósitos arenosos onde ocupam uma superfície de cerca de 1.000 km2 e gerados a partir do retrabalhamento de sedimentos atingem espessura de até 40 m. Esse autor identificou preexistentes, principalmente marinhos, pela ação do a existência de um nível inferior, formado quase que vento na faixa litorânea, que ocorrem na ilha de Santa exclusivamente por grânulos, seixos, cascalhos e blocos, Catarina e a sul desta até o limite com o Rio Grande recoberto por um nível de constituição arenoargilosa. do Sul. O nível inferior apresenta boas perspectivas para explo- No domínio DCE são individualizadas duas unidades tação de água por meio de poços escavados, ponteiras geológico-ambientais: Dunas Móveis (7) e Dunas Fixas (8) ou poços tubulares. (Figura 4.26). 63 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 4.26 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio DCE no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. Dunas Móveis (DCEm) Dunas móveis são aquelas modificadas pela contínua ação do vento e que foram geradas a partir da transição Pleistoceno-Holoceno, há 11,5 mil anos, embora também compreendam dunas mais antigas, geradas no Pleistoceno Superior, há 120 mil anos, e que estão sendo atualmente retrabalhadas, como as que ocorrem na região de Imbi- tuba. Conforme Silva e Leites (2000), na região entre Ga- ropaba e Araranguá, as dunas holocênicas recobrem os depósitos sedimentares praiais marinhos e são constituídas por areias quartzosas esbranquiçadas, finas a médias, bem selecionadas, que se apresentam na forma de depósitos eólicos mantiformes quando ocorrentes muito próximas à Figura 4.27 - Depósitos eólicos, com estratificação cruzada linha de costa (Figura 4.27), ou na forma de dunas trans- acanalada, recobrindo sedimentos marinhos praiais (Costão do gressivas, com direção preferencial de NE para SW, quando Santinho, Florianópolis). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. mais interiorizadas. Os principais tipos de dunas observados são: barcanas, cadeias barcanoides e transversais. como compostas por areias quartzosas bimodais, de co- loração amarelo-acastanhadas até avermelhado, muitas Dunas Fixas (DCEf) vezes enriquecidas em matriz secundária constituída por argilas e óxidos de ferro. As dunas fixas apresentam o material arenoso fixado Os terrenos de ambas as unidades geológico-am- pela vegetação; logo, o retrabalhamento pelo vento é bientais se apresentam em formas de relevo denominadas mínimo e a atuação de processos pedogenéticos resulta Campos de Dunas (a). na formação de solos. Correspondem, principalmente, às Os solos são muito profundos, essencialmente quart- dunas geradas no Pleistoceno Superior, descritas por Silva zosos, com baixíssima capacidade de retenção de umidade e Leites (2000), na região entre Garopaba e Araranguá, e de nutrientes. 64 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Características, Adequabilidades/ Nas dunas fixas, a estabilidade em taludes de corte Potencialidades e Limitações Frente ao Uso é relativamente maior, devido à presença de argilas e de e à Ocupação óxidos de ferro na matriz dos depósitos e a solos com acúmulo de argilas em subsuperfície. Obras de engenharia Agricultura As dunas consistem em depósitos inconsolidados de areias. Estas são pouco coesivas, constituídas por materiais Na unidade DCEf ocorrem, predominantemente, facilmente escaváveis e apresentam baixa resistência ao Neossolos Quartzarênicos órticos, Espodossolos e, mais corte e à penetração. restritamente, Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos, Os terrenos são muito permeáveis e, nas porções de textura arenosa/média leve (EMBRAPA, 1998). mais distais e planas das dunas, o nível freático próximo à Os terrenos da unidade DCEm são constituídos por superfície do terreno pode provocar o alagamento de es- material arenoso, inconsolidado. Nesses locais, frequente- cavações, especialmente em épocas de maior pluviosidade. mente, não há formação de solos e, sim, tipos de terrenos, As dunas móveis são coberturas arenosas friáveis, pois não existe o horizonte superficial. São materiais com sujeitas a contínua mobilização eólica e desmoronamentos pequena capacidade de retenção de água e nutrientes e e erosão em taludes de corte e aterros. Assim, obras exe- baixa fertilidade natural, incluindo deficiência de micronu- cutadas nesses terrenos ou próximo a eles estão sujeitas a trientes. Onde há desenvolvimento de solos, estes são de soterramentos (Figuras 4.28 e 4.29). difícil manejo, devido à baixa coesão entre as partículas. Constituem ambientes muito frágeis, altamente susce- tíveis à erosão hídrica e eólica. São classificados, em mapas pedológicos, como Campo de Dunas. Podem ocorrer, local- mente, Neossolos Quartzarênicos órticos e Espodossolos Ferrocárbicos órticos ou hiperespessos (EMBRAPA, 1998). Nesses últimos, devido à baixa capacidade de a areia reter outros elementos, a matéria orgânica e o ferro penetram e acumulam-se em profundidade. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras Os terrenos ocupados pela unidade DCEf, na região entre Garopaba e Araranguá, segundo Silva e Leites (2000), caracterizam-se como aquíferos intergranulares Figura 4.28 - Casa construída próxima a dunas móveis, com risco extensos livres, com água de boa qualidade, cujo aprovei- de soterramento (rodovia SC-442, entre Jaguaruna e o litoral). tamento se dá por meio de poços tubulares de até 50 m Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. de profundidade. Este é o principal aquífero explorado na região e a sua potencialidade é variável: desde pequena até alta. As Dunas Móveis (DCEm) caracterizam, nessa região, aquíferos intergranulares extensos semiconfinados, devido à presença, próximo ao topo da sequência, de níveis mais argilosos, com restos vegetais, e, na porção mediana, de um nível de pelo menos 10 m com conchas (SILVA; LEITES, 2000). Os aquíferos de potencialidade mediana são capta- dos por meio de poços tubulares de até 30 m ou ponteiras (Figura 4.30) e participam do abastecimento público, por exemplo, de Laguna. A água, geralmente, necessita de tratamento para diminuição dos teores de ferro. No norte da ilha de Santa Catarina, os depósitos sedimentares eólicos e praiais marinhos caracterizam um sistema aquífero que se estende pelos distritos de Ingle- ses do Rio Vermelho e São João do Rio Vermelho. Esse Figura 4.29 - Campo de dunas móveis entre a praia sistema apresenta grande potencial e é responsável pelo da Joaquina e a lagoa da Conceição (Florianópolis). abastecimento público da região, por meio de captação Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. por bateria de ponteiras. 65 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA fixas, especialmente aquelas situadas próximo à costa, podem sofrer remobilização pelos ventos, caso seja su- primida sua cobertura vegetal. São áreas de preservação permanente quando fixadas por restingas, conforme a Lei nº 12.651/2012, isto é, diferentes comunidades que recebem influência marinha, com cobertura vegetal em mosaico, encontrada em praias, cordões arenosos, dunas e depressões, apresentando, de acordo com o estágio sucessional, estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo, esse último mais interiorizado. Adicionalmente, esses terrenos são de grande im- portância porque constituem mananciais subterrâneos com papel fundamental no abastecimento de diversas comunidades. Figura 4.30 - Bateria de ponteiras para abastecimento público Dentre os diversos sambaquis identificados na Planície instalada em terrenos da unidade DCEm (Farol de Santa Marta, Costeira, muitos ocorrem em terrenos do domínio DCE, Laguna). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. como o localizado no Farol de Santa Marta, em Laguna (Figura 4.31). Os sistemas aquíferos costeiros estão sujeitos à intru- são salina, isto é, à penetração de água do oceano caso seja rompido o equilíbrio hidrodinâmico entre as massas de água doce e salina no aquífero, o que pode ser provocado pelo bombeamento excessivo das captações próximas à linha de costa. Por esse motivo, a explotação racional desses mananciais deve ser cuidadosamente planejada e executada, visando à mínima interferência nesse equilíbrio. Quanto ao comportamento frente às fontes poluido- ras, as dunas móveis possuem muito baixa capacidade de reter poluentes, por serem constituídas por pacotes incon- solidados de areia muito permeáveis. Logo, os aquíferos que são recarregados, principalmente, por infiltração direta da precipitação, apresentam muito alta vulnerabilidade à contaminação dos recursos hídricos superficiais e subterrâ- neos. São locais inadequados para disposição de resíduos Figura 4.31 - Acúmulo de conchas de origem antropogênica de qualquer natureza. (sambaqui) (Farol de Santa Marta, Laguna). As dunas fixas, apesar de apresentarem pequeno con- Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. teúdo de argilas e, consequentemente, maior capacidade relativa de reter e fixar poluentes, também apresentam alta vulnerabilidade à contaminação. DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS E Recursos minerais PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES Esses terrenos apresentam potencial para ocorrência E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO de areias industriais de uso especial (óptico) e para cons- TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES DEPOSICIONAIS: trução civil. Todavia, são áreas de preservação permanente CONTINENTAL, MARINHO, DESÉRTICO, (APP). A presença de sais nas areias pode restringir a sua GLACIAL E VULCÂNICO) (DSVMP) utilização sem prévia lavagem, motivo pelo qual se faz ne- cessária a determinação dos teores de sais e de carbonato Compreende as rochas sedimentares depositadas em de cálcio das jazidas. ambientes glacial, continental, marinho e desértico desde o Carbonífero, há cerca de 360 milhões de anos, até o Aspectos ambientais e potencial turístico Jurássico, cerca de 145 milhões de anos, em uma grande bacia sedimentar denominada Bacia do Paraná. O domínio DCE engloba terrenos muito frágeis am- Em função de características texturais e ambientes bientalmente. As dunas móveis são fundamentais para o deposicionais das rochas, esse domínio foi subdividido desenvolvimento da morfologia costeira e constituem a em sete unidades geológico-ambientais: Predomínio de principal defesa da praia durante as ressacas. As dunas Espessos Pacotes de Arenitos de Deposição Eólica (9); 66 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Intercalações de Sedimentos Arenosos, Síltico-Argilosos e Folhelhos (10); Predomínio de Sedimentos Síltico-Argilosos com Intercalações Arenosas (11); Predomínio de Sedimen- tos Síltico-Argilosos e Arenosos, Contendo Camadas de Carvão (12); Intercalações de Paraconglomerados (Tilitos) e Folhelhos (13); Predomínio de Sedimentos Síltico-Argilosos e Calcários com Intercalações Arenosas Subordinadas (14); Predomínio de Sedimentos Síltico-Argilosos Intercalados de Folhelhos Betuminosos e Calcários (15). Essas unidades ocupam grande superfície, que se prolonga como uma faixa com direção aproximada norte- -sul, atingindo sua largura máxima no norte do estado e estreitando-se para sul a partir da região de Rio Rufino e Anitápolis (Figura 4.32). Predomínio de Espessos Pacotes de Arenitos de Deposição Eólica (DSVMPae) Essa unidade geológico-ambiental corresponde à For- mação Botucatu, sendo constituída por arenitos médios a finos, localmente grossos, de coloração avermelhada, com grãos bem arredondados e alta esfericidade, gerados em ambiente continental desértico. Correspondem a depósitos de dunas eólicas. As formas de relevo nas quais ocorrem são: Chapadas e Platôs (a); Inselbergs e outros relevos residuais (b); Colinas Amplas e Suaves (c); Colinas Dissecadas e Morros Baixos (d); Morros e Serras Baixas (e); Domínio Montanhoso (f); Figura 4.33 - Paredões verticalizados de rocha, em relevo do tipo Escarpas Serranas (g); Degraus Estruturais e Rebordos Escarpas Serranas (serra do Corvo Branco, Grão Pará). Erosivos (h); Vales Encaixados (i) (Figura 4.33). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.32 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio DSVMP no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. 67 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Intercalações de Sedimentos Arenosos, Síltico-Argilosos e Folhelhos (DSVMPasaf) Essa unidade geológico-ambiental corresponde às formações Rio do Rasto e Taciba. A Formação Rio do Rasto é constituída por pelitos e arenitos, siltitos verdes ou avermelhados e arenitos finos, arroxeados, róseos a esbranquiçados, gerados em ambiente transicional deltaico, lacustre, eólico e, raramente, fluvial. Predominam sedimentos de textura fina, principalmente siltitos, seguidos por argilitos sílticos. A Formação Taciba, segundo Wildner et. al. (2014) é constituída por folhelhos e siltitos cinza-escuros a pretos, diamictitos e conglomerados com acamadamento grada- cional, ritmitos, varvitos com seixos pingados e arenitos muito finos a médios. Estas rochas sedimentares foram geradas em ambiente deposicional na interface continente- Figura 4.35 - Cidade de Alfredo Wagner, em vale encaixado do rio -plataforma marinha com influência glacial. Adaga (rodovia BR-282). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Os terrenos ocupados por essas rochas ocorrem em for- mas de relevo definidas como: Planaltos (a); Chapadas e Platôs Os terrenos correspondentes a essa unidade geológi- (b); Colinas Amplas e Suaves (c); Colinas Dissecadas e Morros co-ambiental apresentam-se em formas de relevo do tipo Baixos (d); Morros e Serras Baixas (e); Domínio Montanhoso Planaltos (a), Colinas Amplas e Suaves (b), Colinas Disseca- (f); Escarpas Serranas (g); Degraus Estruturais e Rebordos das e Morros Baixos (c), Morros e Serras Baixas (d), Escarpas Erosivos (h); Vales Encaixados (i) (Figuras 4.34 e 4.35). Serranas (e), Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos (f) e Vales Encaixados (g). Predomínio de Sedimentos Síltico-Argilosos com Intercalações Arenosas (DSVMPsaa) Predomínio de Sedimentos Síltico-Argilosos e Arenosos, Contendo Camadas de Carvão Essa unidade geológico-ambiental compreende as (DSVMPsaacv) formações Palermo e Serra Alta. A Formação Palermo compreende siltitos e siltitos Essa unidade geológico-ambiental corresponde à arenosos intensamente bioturbados, depositados em Formação Rio Bonito e a uma subdivisão desta, o Mem- ampla plataforma marinha muito rasa, em condições bro Triunfo. A unidade é composta por arenitos róseos a transgressivas. cinza, predominantemente, siltitos cinza a cinza-escuro e A Formação Serra Alta é constituída por folhelhos, carbonosos, quartzoarenitos brancos, folhelhos carbono- argilitos e siltitos marinhos, depositados no máximo de sos cinza-escuro a pretos, carvão, diamictitos com matriz inundação ou máxima expansão da bacia como resultado carbonosa e margas, além de rochas geradas em ambientes da transgressão que ocorreu no Permiano. fluviodeltaico, marinho plataformal e litorâneo. As formas de relevo associadas a essa unidade são: Planaltos (a), Colinas Amplas e Suaves (b), Colinas Disseca- das e Morros Baixos (c), Morros e Serras Baixas (d), Domínio montanhoso (e), Escarpas Serranas (f), Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos (g) e Vales Encaixados (h). Intercalações de Paraconglomerados (Tilitos) e Folhelhos (DSVMPcgf) Essa unidade geológico-ambiental corresponde à Formação Campo Mourão. De acordo com Wildner et. al. (2014), compreende conglomerados polimíticos com matriz arenosa, diamictitos, arenitos finos a grossos com estratificação cruzada, plano-paralela e maciça, localmente conglomeráticos. Apresenta ainda alternância de folhelhos Figura 4.34 - Front escarpado entalhado em rochas sedimentares e siltitos com grânulos, seixos e matacões pingados. Rochas das unidades DSVMPasaf, DSVMPae e DVMb, da base para o topo (serra do Corvo Branco, Grão Pará). geradas em ambiente deposicional na interface continente- Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. plataforma marinha com influência glacial. 68 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Ocorrem em formas de relevo do tipo Planaltos (a), Colinas Amplas e Suaves (b), Colinas Dissecadas e Morros Baixos (c) e Morros e Serras Baixas (d). Predomínio de Sedimentos Síltico-Argilosos e Calcários com Intercalações Arenosas Subordinadas (DSVMPsaca) A unidade geológico-ambiental DSVMPsaca corres- ponde à Formação Teresina, topo do Subgrupo Estrada Nova, que representa a progressiva continentalização a que foi submetida a Bacia do Paraná depois de concluída a transgressão marinha que ocorreu no Permiano. É cons- tituída por argilitos e siltitos cinza-claro, depositados em ambiente marinho raso sob a ação de ondas e marés, e por calcários oolíticos e bancos de coquinas. Figura 4.36 - Afloramento de rocha arenítica mostrando amplas estratificações cruzadas indicativas de deposição em ambiente Essas rochas ocorrem em formas de relevo do tipo Pla- eólico (rodovia BR-470, na altura de Pouso Redondo). naltos (a), Colinas Amplas e Suaves (b), Colinas Dissecadas Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. e Morros Baixos (c), Morros e Serras Baixas (d), Escarpas Serranas (e), Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos (f) e De forma geral, no domínio DSVMP, em relevos mais Vales Encaixados (g). acidentados, como nas formas de relevo Domínio Monta- nhoso, Escarpas Serranas, Degraus Estruturais e Rebordos Predomínio de Sedimentos Síltico-Argilosos Erosivos, e Vales Encaixados, é elevada a suscetibilidade à Intercalados de Folhelhos Betuminosos e Calcários (DSVMPsabc) erosão e a movimentos de massa. São áreas desaconse-lháveis para ocupação. Estruturas planares, como planos de acamadamento das rochas, fraturas e falhas, atuam Essa unidade geológico-ambiental correlaciona-se como descontinuidades que potencializam rupturas nos à Formação Irati. São folhelhos, siltitos e argilitos cinza- taludes das encostas, especialmente, quando apresentam escuro, calcários, silexitos, margas e folhelhos betuminosos portadores de fósseis de répteis mesossaurídeos, inclinação coincidente com a do terreno. depositados em ambiente marinho. Quedas de blocos de rocha são mais comuns onde Ocorrem em relevo do tipo Planaltos (a), Colinas Am- ocorrem arenitos em condições de maior dureza, como nas plas e Suaves (b), Colinas Dissecadas e Morros Baixos (c), unidades DSVMPae, DSVMPasaf e DSVMPsaacv (Figuras Morros e Serras Baixas (d), Escarpas Serranas (e), Degraus 4.37 e 4.38). Os movimentos de massa também podem Estruturais e Rebordos Erosivos (f) e Vales Encaixados (g). ocorrer em relevos suaves, induzidos por intervenções an- trópicas, como em taludes de corte de rodovias. Características, Adequabilidades/ Em relevo mais plano, como Chapadas e Platôs, Colinas Potencialidades e Limitações Amplas e Suaves e Colinas Dissecadas e Morros Baixos, os Frente ao Uso e à Ocupação terrenos do domínio DSVMP são mais adequados à ocu- pação urbana do que aqueles situados em relevos mais Obras de engenharia acidentados, tais como Morros e Serras Baixas, as encostas de Morros-Testemunhos e Domínio Montanhoso, Escarpas Os terrenos da unidade DSVMPae compreendem Serranas e Degraus Estruturais. Nesses locais, as declivida- arenitos médios a finos, de coerência variável desde muito des podem ser superiores a 30%, limite estabelecido pela dura até branda, que formam espessos e extensos pacotes Lei nº 6.766, de 19.12.1979, para que o parcelamento do com estratificação cruzada de grande porte (Figura 4.36). solo somente ocorra mediante projetos especiais. As rochas apresentam relativa homogeneidade ge- As demais unidades do domínio DSVMP (DSVMPa- omecânica e hidráulica, alta resistência ao intemperismo saf, DSVMPsaa, DSVMPsaacv, DSVMPcgf, DSVMPsaca e físico-químico e alta resistência à compressão. Podem ser DSVMPsabc) são constituídas por intercalações de sedi- muito duras, em geral, quando próximas ao contato com as mentos arenosos e síltico-argilosos, ocorrendo, às vezes, rochas vulcânicas. Nesses casos, o material bastante abra- predomínio de certo tipo de sedimento em relação a outro sivo provoca desgaste nos equipamentos de sondagem. (Figura 4.39). Formam um empilhamento de camadas O manto de intemperismo é constituído por material horizontalizadas com características geomecânicas e hi- arenoso, friável, bastante erosivo, que se desestabiliza com dráulicas bastante diferentes. A exposição desses materiais facilidade em taludes de corte. Os solos e a rocha alterada em taludes de corte e em escavações resulta, frequente- podem ser escavados na modalidade a frio. São materiais mente, em surgências de água e em desprendimento de com permeabilidade média a alta. blocos de rochas. 69 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 4.39 - Folhelhos cor violácea intercalados com camadas tabulares e sigmoidais de arenito (unidade DSVMPsaca); na base do corte, contenção com sacos com areia (rodovia SC-438, entre Lauro Müller e Bom Jardim da Serra). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Os sedimentos de menor granulometria, síltico- argilosos, são finamente laminados ou maciços, rijos, de alta cerosidade. Quanto à escavabilidade, as rochas são classificadas como brandas a médias. As rochas brandas, Figura 4.37 - Queda de bloco de rocha, a partir de talude de segundo Redaelli e Cerello (1998), são razoavelmente duras, corte onde afloram camadas de arenito intercaladas com níveis fáceis de serem britadas e os fragmentos se separam ao pelíticos da unidade DSVMPsaacv (rodovia BR-282, na altura de Alfredo Wagner). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. longo de diversas fissuras. A rocha alterada desagrega-se em pastilhas, que são muito instáveis em taludes de corte e bastante suscetíveis à erosão (Figuras 4.40 e 4.41). É necessário tratamento para fundações de grandes obras, envolvendo impermeabilização e aumento da resistência do maciço. Os solos residuais são argilosos e se comportam como materiais brandos; são constituídos por partículas coesivas facilmente penetráveis por ferramentas e sem resistência à separação. Apresentam baixa consistência e baixa capaci- dade de suporte em posições topográficas que favorecem a concentração de umidade. Apresentam permeabilidade baixa a muito baixa. As unidades DSVMPasaf e DSVMPcgf contêm conglo- merados e diamictitos, isto é, rochas em que fragmentos como seixos se encontram dispersos em matriz de granu- lometria mais fina, em maior ou menor quantidade (Figura 4.42). Os fragmentos de rochas mais duras dificultam a perfuração desses materiais com sondas rotativas e pro- vocam maior desgaste das brocas. Agricultura Os solos gerados a partir dos arenitos eólicos da unida- de DSVMPae possuem baixa fertilidade natural, são ácidos e de baixa capacidade hídrica. Apresentam, em geral, baixa capacidade de reter e fixar nutrientes e de assimilar ma- Figura 4.38 - Desprendimento e queda de blocos de rocha arenítica sobre a rodovia SC-439, em relevo do tipo Escarpas Serranas, téria orgânica, devido à constituição predominantemente unidade DSVMPae (serra do Corvo Branco, divisa dos municípios arenosa. Os solos são rasos a pouco profundos e podem Urubici e Grão Pará). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. apresentar pedregosidade, rochosidade e afloramentos 70 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 4.40 - (a) Aspecto de folhelho (unidade DSVMPasaf), muito fraturado e físsil; (b) desagrega-se em pastilhas quando alterado (rodovia SC-341, próximo a Vidal Ramos). Fotografias: Ana Claudia Viero, 2010. rochosos, especialmente nos relevos mais acidentados, o que dificulta a mecanização agrícola. As classes de solos que predominam nesses terrenos são Cambissolos Háplicos distróficos e Neossolos Litólicos distróficos (EMBRAPA, 1998). Os Cambissolos apresentam uma variação muito grande de atributos, visto as diferentes alterações da rocha-matriz, tornando quase impossível estabelecer um padrão geral de comportamento, tendo um horizonte subsuperficial pouco desenvolvido e ainda com grande influência da rocha que os originaram. Tal tipo de influência é ainda maior nos Neossolos Litólicos, que são menos profundos que os Cambissolos, tornando-os mais limitantes ao desenvolvimento radicular das plantas e também mais suscetíveis a processos erosivos. Figura 4.41 - Contenção em talude de corte em manto de intemperismo de rocha pelítica (unidade DSVMPasaf) Nas demais unidades do domínio DSVMP (DSVM- (rodovia BR-282, próximo a Alfredo Wagner). Pasaf, DSVMPsaa, DSVMPsaacv, DSVMPcgf, DSVMPsaca Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010 e DSVMPsabc), que são constituídas por intercalações de sedimentos arenosos e síltico-argilosos, os solos são bastante argilosos e, portanto, aderentes e escorregadios quando molhados. Por esse motivo, o preparo do solo é dificultado nos períodos úmidos. Predominam nesses terrenos Cambissolos (EMBRAPA, 1998). São solos argilosos a muito argilosos, álicos e com argilas predominantemente de atividade baixa (Figuras 4.43 e 4.44). Os Neossolos Litólicos ocorrem, secundariamente, em relevos escarpados. No norte do estado, no Planalto de Canoinhas, ocorre Latossolo Bruno intermediário para Latossolo Vermelho-Escuro. Nas regiões centro-leste e sul do estado, em terrenos das unidades com sedimentos síltico- argilosos, ocorre Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico. Os Latossolos Brunos são solos profundos, friáveis, porosos e bem estruturados; porém, com baixa fertilidade Figura 4.42 - Diamictito com matriz síltico-argilosa, maciça, natural, sendo necessário o uso de corretivos e fertilizantes com clastos que variam de tamanho desde grânulos até seixo (unidade DSVMPcgf) (rodovia BR-280, entre Rio Negrinho e Mafra). para seu melhor aproveitamento. É interessante notar que, Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. nos perfis desses solos, o processo repetitivo de umedeci- 71 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA rânea que se estende pelos territórios do Brasil, Paraguai, Uruguai e Uruguai. No estado de Santa Catarina, o SAG ocupa uma área aproximada de 49.200 km², que representa cerca de 6% de sua área total. Sua maior ocorrência está confinada pelas rochas vulcânicas agrupadas no domínio DVM. O SAG é formado, basicamente, por arenitos eólicos da Formação Botucatu (DSVMPae) e rochas do topo da Formação Rio do Rasto (DSVMPasaf), mais arenosas. No oeste do estado, foram perfurados diversos poços que atingem o SAG, destinados à pesquisa de hidrocar- bonetos e à captação de água para fins de abastecimento ou lazer, como em Piratuba (FREITAS; CAYE; MACHADO, Figura 4.43 - O cultivo de cebolas é a principal atividade 2002). A profundidade dos poços varia entre 110 e 4.111 agropecuária na região, em Cambissolos desenvolvidos em relevo m. A espessura do Aquífero Guarani variou entre 24 e 286 de planaltos (rodovia SC-341, entre Ituporanga e Vidal Ramos). m e a espessura de basalto sobre o Guarani variou de 82 Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. a 1.200 m. As vazões de teste nos poços variaram de 80 a 350 m³/h, podendo apresentar valores superiores em produção. Com a elevada pressão artesiana e as boas ca- racterísticas de permeabilidade do reservatório de água, o rebaixamento de nível durante o bombeamento, em geral, é inferior a 100 m. Segundo Freitas, Caye e Machado (2002), embora sejam quase completamente desconhecidos valores de porosidade, transmissividade e armazenamento, a cons- tituição litológica do SAG e a vazão específica dos poços sugerem que as características hidráulicas do aquífero em Santa Catarina sejam semelhantes às determinadas em outros estados. As condições de confinamento e profundidade do SAG proporcionaram fenômenos de termalismo. De acordo com Freitas, Caye e Machado (2002), os poços apresentam águas com temperaturas entre 28°C, em Itá, e 54ºC, em Figura 4.44 - Em relevo de planaltos e vegetação Abelardo Luz, com média de 39,8ºC. Os poços que não predominantemente de pastagens, ocorrem Cambissolos (rodovia tiveram instalados filtros e revestimento em toda a sua BR-282, entre Bocaina do Sul e Bom Retiro). extensão mostram esfriamento das águas, pela mistura Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. com águas do Aquífero Serra Geral. Na região leste do estado, a área de afloramento do mento e secagem provoca o denominado ‘caráter retrátil’, SAG ocorre, predominantemente, em relevos fortemente isto é, aparecem rachaduras superficiais que desaparecem ondulados e, muitas vezes, escarpados, configurando ao serem raspadas. situação topo estrutural desfavorável ao armazenamento Os Argissolos compreendem solos com gradiente de água subterrânea (SILVA & LEITES, 2000). No entanto, textural, sendo o horizonte superficial mais arenoso que nascentes de água ocorrem no contato com as rochas o subjacente, determinando uma infiltração diferencial vulcânicas da unidade DVM, constituindo-se em alternativa nesses horizontes, o que torna o solo suscetível a processos para abastecimento. erosivos, tanto mais intensos quanto maior for o seu decli- As unidades geológico-ambientais com grande quan- ve. Além da exigência de técnicas complexas de controle tidade de sedimentos síltico-argilosos (DSVMPasaf, SVMP- de erosão, os Argissolos são também de baixa fertilidade saa, DSVMPsaacv, DSVMPcgf, DSVMPsaca e DSVMPsabc) natural, necessitando de corretivos e fertilizantes para o compreendem terrenos com pequeno potencial hidro- seu melhor aproveitamento agrícola. geológico, devido aos baixos valores de permeabilidade, aliado ao fato de, frequentemente, ocorrerem em relevo Recursos hídricos subterrâneos mais acidentado. Em relevos mais declivosos de escarpas e fontes poluidoras e morros-testemunhos, há possibilidade de captação de fontes. No domínio DSVMP está inserido o Sistema Aquífero Em relevos mais suaves, as unidades DSVMPsaacv e Guarani (SAG), um importante reservatório de água subter- DSVMPasaf são as que apresentam melhor comportamento 72 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO como aquífero. De acordo com Silva e Leites (2000), na calcário, que possui elevada capacidade de troca catiô- região sul do estado as referidas unidades consistem em nica. No entanto, a grande quantidade de fraturas nas extensos aquíferos intergranulares/fraturados. rochas facilita a percolação de poluentes até os aquíferos O aquífero relacionado às litologias síltico-arenosas da subjacentes. unidade DSVMPsaacv apresenta melhores características A presença de sulfetos nos sedimentos que compõem de vazão e capacidade específica na região de Içara, onde a unidade DSVMPsaacv pode tornar o ambiente corrosivo suas vazões de explotação variam de 4 m³/h até mais de e danificar tubulações enterradas, bem como provocar o 80 m³/h, com capacidades específicas de 0,046 a 5,75 vazamento de eventuais contaminantes. m³/h/m. A heterogeneidade das camadas aquíferas pro- duz, não raras vezes, grandes rebaixamentos nos poços. Recursos minerais Na área de Criciúma, Silva e Leites (2000) constataram a mesma heterogeneidade nas camadas aquíferas, porém, as A unidade DSVMPae apresenta potencial para apro- vazões situaram-se no intervalo entre 6 m³/h e pouco mais veitamento da rocha como pedra de revestimento, pedra de 17 m³/h. A maior capacidade específica nesses poços de talhe para alicerces, tijoletas, lajes, lajotas e guias de foi de 1,72 m³/h/m, sendo observados, às vezes, grandes meio-fio, produtos com emprego na construção de mo- rebaixamentos. radias, muros e revestimento de calçadas. Já a rocha mais Já as camadas aquíferas correspondentes à unidade friável e respectivo manto de alteração podem ser utilizados DSVMPasaf resultam em poços que podem produzir entre na construção civil como areia, enquanto o solo residual 4,5 a 45 m³/h, com nível estático que varia de surgente até encontra aplicação como material de empréstimo. Nos cerca de 13 m de profundidade. Dada à composição lito- locais em que a rocha é mais silicificada, há potencial para lógica predominante de folhelhos e argilitos, Silva e Leites produção de brita. (2000) consideram a produção dos poços surpreendente, Na região sul do estado, está situado o Pólo Cerâmico levando a supor que o fluxo da água tenha um componente de Criciúma, o maior do país em termos de produção e fatu- importante através de fraturamento tectônico. ramento. Como a argila é a matéria-prima com participação As águas captadas do sistema aquífero constituído elevada na composição da massa cerâmica, deduz-se a pelas unidades DSVMPsaacv e DSVMPasaf podem apresen- importância desse insumo mineral para a região. As indús- tar algumas restrições devido à sua qualidade. Na unidade trias utilizam, para formulação da massa cerâmica, argilas DSVMPsaacv, os teores de ferro variam desde 0,05 até 15,8 claras que ocorrem nas unidades geológico-ambientais mg/l, tornando necessário tratamento para adequação aos DSVMPasaf, DSVMPsaacv e DSVMPsaa (formações Taci- índices recomendados. Em Siderópolis, área mais atingida ba, Rio Bonito e Palermo), conforme Silva e Leites (2000), pelos efeitos da mineração e lavagem de carvão, segundo cujos jazimentos estão associados às rochas sedimentares Machado et al. (1984 apud SILVA; LEITES, 2000), os po- inalteradas (tipo sedimentar), parcialmente alteradas até ços afetados pela lixiviação dos rejeitos da mineração de intensamente alteradas (tipo residual). carvão podem apresentar água com péssima qualidade As unidades com intercalações de rochas argilosas química. O pH, nesse caso, pode baixar a 3,1, tornando apresentam, de forma geral, potencial para explotação de a água extremamente ácida, permitindo a solubilização argila para cerâmica vermelha e material de empréstimo de diversos elementos nocivos à saúde. O teor total de (Figura 4.45). sais dissolvidos pode chegar a valores próximos a 6.000 mg/l. A presença de teores de ferro de até 700 mg/l e a concentração de metais pesados não permitem a utilização dessas águas para qualquer fim. Já as águas que percolam as rochas da unidade DSVMPasaf podem apresentar teores de ferro entre 0,15 e 6 mg/l, em geral acima de 0,5 mg/l, o que exige tratamento para certos usos. Em alguns poços, a água possui pronunciado cheiro de gás sulfídrico (H2S) derivado da redução dos sulfatos. Os terrenos da unidade DSVMPae possuem baixa capacidade de reter e fixar poluentes, devido à constitui- ção predominantemente arenosa de solos e rochas, o que lhes confere elevada permeabilidade e vulnerabilidade à contaminação da água subterrânea. As unidades geológico-ambientais constituídas por sedimentos síltico-argilosos compreendem terrenos Figura 4.45 - Retirada de material de empréstimo (unidade com alta capacidade de reter e fixar poluentes, devido DSVMPsaa) para pavimentação de estrada (rodovia SC-382, ao elevado percentual de argilas. Os solos da unidade entre Lauro Müller e Bom Jardim da Serra). DSVMPsabc também apresentam grande conteúdo de Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 73 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA As maiores jazidas de carvão mineral do país estão A unidade apresenta, ainda, potencial para ocorrência de localizadas nos estados do Rio Grande do Sul e Santa depósitos de areia de uso na construção civil associados à Catarina. As reservas brasileiras totalizam 32 bilhões de alteração da rocha arenítica. toneladas de carvão in situ, das quais 10,41% situam-se Na unidade DSVMPasaf, o potencial mineral está em Santa Catarina (ORLANDI FILHO; KREBS; GIFFONI, relacionado à argila de utilização na indústria cerâmica e 2002). Dentre os diferentes tipos de carvão que ocorrem como material refratário e a jazimentos de caulim. no país, o catarinense é do tipo betuminoso alto volátil As rochas finamente laminadas das unidades DSVM- A, considerado de melhor qualidade. O carvão é o mais Pasaf e DSVMPsaca podem ser utilizadas como laje de importante bem mineral de Santa Catarina e está concen- revestimento e na produção de peças decorativas, como trado no sul do estado, na chamada Bacia Carbonífera de ocorre na região de Rio do Sul. Santa Catarina. A unidade DSVMPsabc, além dos depósitos de argila A unidade DSVMPsaacv hospeda estes extensos e para uso na indústria cerâmica, contém calcários com po- importantes jazimentos de carvão mineral metalúrgico e tencial para utilização como corretivos de solo. O ambiente energético, que são minerados a céu aberto e em minas geológico no qual se formou essa unidade é favorável à subterrâneas (Figura 4.46). ocorrência de jazimentos de betume. Camadas de siltitos e de caulim com aplicação na indústria cerâmica, inclusive como material refratário, Aspectos ambientais e potencial turístico ocorrem intercaladas às camadas de carvão (Figura 4.47). As unidades geológico-ambientais do domínio DSVMP apresentam potencial turístico do ponto de vista geológico, relacionado, principalmente, à beleza cênica das paisagens e ao conteúdo fossilífero das rochas. Os terrenos desse domínio, principalmente no sopé de morros-testemunhos ou nas porções mais declivosas, próximo às escarpas, apresentam belas paisagens que abrigam formas de relevo ruiniforme, cavernas, cachoeiras e rios com corredeiras (Figuras 4.48 e 4.49). Diversas unidades geológico-ambientais apresentam conteúdo fossilífero e abrigam sítios paleontológicos que constituem patrimônio geológico que precisa ser preser- vado. A Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleo- biológicos (SIGEP), a partir de propostas de geocientistas, aprovou e incluiu, em seu banco de dados, três sítios no contexto do domínio DSVMP: Afloramento Bainha, Figura 4.46 - Vista da entrada da mina subterrânea de carvão Afloramento de Canoinhas e Coluna White, Serra do Rio Lauro Müller da Carbonífera Belluno (Lauro Müller). do Rastro. Os dois primeiros foram propostos devido à Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. importância paleontológica e, o terceiro, à importância estratigráfica. Figura 4.47 - Aproveitamento de siltito carbonoso (quadratura), que ocorre entre as camadas de carvão, para produção de Figura 4.48 - Caverna escavada em rocha arenítica, como tijolos refratários (rodovia SC-445, entre Criciúma e Siderópolis). resultado de erosão marinha (Gruta da Furna, Sombrio). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 74 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO ambiental se concentra nas bacias hidrográficas dos rios Araranguá, Urussanga e Tubarão, onde os recursos hídricos superficiais e subterrâneos se encontram, em grande parte, contaminados e com sua dinâmica alterada (Figura 4.51). De acordo com Orlandi, Krebs e Giffoni (2002), so- mente nas últimas décadas, com a crescente pressão da sociedade organizada, órgãos de fiscalização ambiental, promotorias públicas, empresas, governos estaduais e fe- deral começaram a se preocupar com a recuperação desse passivo ambiental. Com isso, em ambos os estados, algu- mas áreas já foram recuperadas, enquanto outras estão em fase de recuperação. Em Santa Catarina, encontra-se em desenvolvimento uma Ação Civil Pública para a recuperação ambiental de 5.084,64 hectares de áreas degradadas na Bacia Carbonífera Sul Catarinense, dos quais 645,87 hecta- Figura 4.49 - Morro do Campestre (Urubici). res já foram recuperados e 1.534,01 hectares se encontram Fotografia: José Luiz Flores Machado, 2010. em processo de recuperação (SANTA CATARINA, 2010). O Afloramento Bainha contém o registro da denominada “Tafoflora Irapuá”, composta por diversos megafósseis relacionados à “Flora Glossopteris”. A referida tafoflora destaca-se por ser a mais típica e diversificada associação pós-glacial da “Flora Glossopteris” encontrada em sequências do Gondwana Inferior da Bacia do Paraná (IANNUZZI, 2002). O Afloramento de Canoinhas é a única localidade de ocorrência da conífera permiana Krauselcladus da Bacia do Paraná (FANTON et.al., 2009). Ocorrem, ainda, no afloramento fossilífero dentes e escamas de peixes concen- trados em bone beds e moluscos bivalves em carbonatos ou coquinas, excepcionalmente Figura 4.50 - Serra do Rio do Rastro (Lauro Müller). misturados com abundantes micrófilos permi- Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. neralizados e raros caules de licófitas. A Coluna White constitui uma seção geológica clássica do continente Gondwana no Brasil e um dos melhores registros dessa sequência no mundo, embasando litoestrati- graficamente a teoria da deriva continental – importante mecanismo da evolução do planeta Terra – por meio de comparação com unidades cronocorrelatas do sul do continente africano (ORLANDI FILHO; KREBS; GIFFONI, 2009). A seção ocorre na serra do rio do Rastro e pode ser observada ao longo da Rodovia SC-438, tendo na base o embasamento cristalino, a cerca de 200 m de altitude, e, no topo, os derrames basálticos, a 1.467 m de altitude (Figura 4.50). Desde o início da mineração de carvão, as atividades de lavra e de beneficiamento resultaram em extensas áreas degradadas, que Figura 4.51 - Antiga área de disposição de rejeitos da mineração de carvão; ao tiveram seus recursos naturais comprometidos fundo, pilhas com material de cobertura do minério; em primeiro plano, efluente tanto em Santa Catarina como no Rio Gran- ácido alimentado por águas superficiais e subterrâneas que percolam a área de do Sul. Em Santa Catarina, a degradação (estrada entre Siderópolis e Nova Veneza). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 75 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Também são verificados na região os impactos resultantes Predomínio de Rochas Básicas Extrusivas da exploração de materiais de uso na indústria da construção (Basaltos) (DVMb) civil, como areia, e argila para cerâmica vermelha e branca, cuja mineração é realizada em áreas a céu aberto. Dentre eles, Essa unidade geológico-ambiental compreende basaltos, destacam-se: desmatamento, remoção do solo e modificações predominantemente, e andesitos, que representam o mag- do perfil topográfico com a escavação das frentes de lavra. matismo básico do Grupo Serra Geral, sendo individualizados nas Formações Campos Novos, Cordilheira Alta, Campo Erê, DOMÍNIO DO VULCANISMO FISSURAL DO Gramado e Paranapenema. de acordo com as características TIPO PLATÔ (DVM) químicas e reológicas das rochas (WILDNER et.al., 2014). Os terrenos ocupados por basaltos e andesitos apre- Esse domínio compreende as rochas resultantes do sentam grande variedade de formas de relevo, resultantes Magmatismo Serra Geral, que corresponde às fases finais de sua evolução geomorfológica: Planaltos (a); Chapadas e de preenchimento da Bacia do Paraná, um dos maiores Platôs (b); Domínio de Colinas Amplas e Suaves (c); Domí- eventos vulcânicos ocorridos no planeta há 135-120 nio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (d); Domínio de milhões de anos, o qual se encerra com a abertura do Morros e de Serras Baixas (e); Escarpas Serranas (f); Degraus Atlântico Sul e a ruptura do supercontinente Gondwana Estruturais e Rebordos Erosivos (g); Vales Encaixados (h) (WILDNER; ORLANDI FILHO; GIFFONI, 2004). (Figura 4.53). O sistema de derrames em platô é alimentado por intensa atividade intrusiva, normalmente representada Predomínio de Rochas Ácidas (Riolitos e/ou por diques e sills que acompanham, grosseiramente, as Riodacitos) (DVMrrd) principais descontinuidades estruturais da bacia. Em função das variações composicionais das rochas, o Essa unidade geológico-ambiental compreende rió- domínio foi subdividido em unidades geológico-ambientais, litos e riodacitos, rochas representantes do magmatismo das quais duas ocorrem em Santa Catarina: Predomínio de ácido que integram as Formações Chapecó e Palmas, do Rochas Básicas Extrusivas (Basaltos) (16) e Predomínio de Grupo Serra Geral (WILDNER et.al., 2014). Rochas Ácidas (Riolitos e/ou Riodacitos) (17). Esse domínio As formas de relevo associadas a esses terrenos são: se estende por praticamente metade do território catari- Planaltos (a); Chapadas e Platôs (b); Domínio de Colinas nense, englobando as microrregiões Extremo Oeste, Oeste, Amplas e Suaves (c); Domínio de Colinas Dissecadas e Alto Irani, Alto Uruguai Catarinense, Meio Oeste, Alto Rio Morros Baixos (d); Domínio de Morros e de Serras Baixas do Peixe e Serrana. Em sua ampla maioria, esse domínio é (e); Escarpas Serranas (f); Vales Encaixados (g) (Figura representado por rochas básicas (Figura 4.52). 4.54). Figura 4.52 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio DVM no estado de Santa Catarina. Elaborado pelos autores, 2015. 76 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO ao passo que níveis amigdaloides ou brechados, arenitos intertrápicos ou mesmo sedimentos vulcanogênicos, que são materiais menos coesivos e mais permeáveis, têm menor resistência (Figura 5.57). Figura 4.53 - Relevo de vales encaixados (unidade DVMb) (rodovia BR-480, entre Chapecó e a divisa com o estado do Rio Grande do Sul). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.55 - Basalto com textura microfanerítica (rodovia BR-158, ao norte da divisa com o estado do Rio Grande do Sul). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.54 - Campos de pastagem em relevo de chapadas e platôs (vista a partir da SC-451, a leste de Água Doce) Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia As rochas do domínio DVM possuem alto grau de coesão e textura microcristalina (Figura 4.55). Apresen- tam comportamentos geomecânico e hidráulico bastante variáveis na horizontal e na vertical, como resultado da estruturação interna dos derrames e das intercalações com sedimentos interderrames (Figura 4.56). Os basaltos (DVMb) apresentam estruturação colu- Figura 4.56 - Contato entre dois derrames evidenciado pela nar, em geral, bem desenvolvida na porção central dos deposição de sedimento sobre o topo do derrame mais antigo, derrames, ao passo que nas rochas ácidas (DVMrrd) é mais que é amigdaloide e de estruturação tabular; a base do derrame marcante a estruturação horizontal, na forma de placas. superior apresenta aspecto maciço e é sobreposta pela porção mediana com disjunção colunar (rodovia BR-163, Quanto à resistência ao intemperismo físico-químico, próximo ao entroncamento com a SC-473). as rochas ácidas da unidade DVMrrd são mais resistentes, Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 77 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 5.57 - Na base do afloramento, autobrecha composta Figura 5.58 - Desprendimento de fragmentos de rocha, em por fragmentos de basalto envoltos em matriz com minerais decorrência de diaclasamento vertical muito desenvolvido; na base secundários (rodovia BR-282, a leste de São Miguel do Oeste). do corte, foi construída contenção por taipa (rodovia SC-438, a Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. oeste de Painel). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. As rochas desse domínio, quando sãs, apresentam alta resistência ao corte e à penetração e boa capacida- de de suporte. Seu desmonte só é possível com uso de explosivos. Os solos residuais do domínio DVM, quando bem desenvolvidos, apresentam boa escavabilidade. Nos relevos mais planos, os solos, em geral, apresentam pelo menos 1,5 m de espessura. Tal característica, aliada às baixas declividades, torna essas áreas adequadas à ocupação. No entanto, não é indicada a utilização de sumidouros nesses terrenos, em função da baixa permeabilidade dos solos, que dificulta a infiltração de efluentes, e da grande quantidade de juntas e fraturas nas rochas, por meio das quais pode haver percolação de poluentes até os manan- ciais subterrâneos. Figura 5.59 - Queda de blocos em talude de corte de rodovia; As rochas apresentam muitas descontinuidades, seja padrão irregular de diaclasamento e presença de vesículas no topo pelo diaclasamento vertical e horizontal, seja pela presença do maciço (rodovia SC-455, a leste de Tangará). Fotografia: Ana de fraturas, que podem comprometer a estabilidade de Claudia Viero, 2010. taludes de corte (Figuras 4.58 e 4.59). Esse tipo de rocha, ao sofrer intemperismo, apre- senta um padrão de alteração denominado esfoliação esferoidal (Figura 4.60), o que resulta na presença de blocos em meio ao manto de intemperismo, dificultando a sua escavabilidade. Em se tratando de rocha coesa, com ausência de fraturamentos, os taludes tendem a ser estáveis. Em relevos dos tipos Domínio de Morros e Serras Baixas, Escarpas Serranas, Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos e Vales Encaixados, pode haver problemas com a escavabilidade, devido à existência de depósitos de encosta de composição bastante heterogênea, incluindo fragmen- tos de rocha, e de solos rasos, pouco desenvolvidos. Nessas áreas, onde as declividades podem ser muito elevadas, é alta a suscetibilidade à ocorrência de movimentos de Figura 4.60 - Alteração de bloco de rocha de fora para dentro, massa, como escorregamentos, quedas de blocos e corridas em padrão denominado esfoliação esferoidal (rodovia SC-302, a (Figura 4.61). oeste de Lebon Régis). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 78 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO as de ocorrência da unidade no estado, em relevos mais planos, como Chapadas e Platôs, Planaltos e Domínio de Colinas Amplas e Suaves, também são frequentes solos das classes Latossolo Bruno, Cambissolos e Nitossolos, antes classificados como Terra Bruna Estruturada e intermediário dessa classe para Terra Roxa Estruturada (EMBRAPA, 1998). Já os Neossolos Litólicos e Cambissolos Háplicos, bastante frequentes no domínio, ocorrem em relevos dos tipos Domínio de Morros e de Serras Baixas, Escarpas Serranas, Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos e Vales Encaixados. Na unidade DVMrrd, em relevos suaves dos tipos Planaltos, Chapadas e Platôs, Domínio de Colinas Amplas e Suaves, os solos são principalmente Cambissolos, La- tossolos Brunos e Latossolos Brunos intermediários para Nitossolos Vermelhos e Latossolos Vermelhos distroférricos (EMBRAPA, 1998). Nos relevos mais dissecados predomi- Figura 4.61 - Escorregamento do manto de intemperismo em nam os Cambissolos e os Neossolos Litólicos. talude de corte de estrada (rodovia SC-455, entre Pinheiro Preto e Videeira). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Agricultura De forma geral, no domínio DVM predominam solos da classe Cambissolos (Figura 4.62), embora também sejam frequentes Latossolos, Nitossolos Vermelhos e Neossolos Litólicos (EMBRAPA, 1998). Em relevos suaves e em grandes altitudes, nas mi- crorregiões Campos de Lages, Colonial do Rio do Peixe e Campos de Curitibanos, registra-se Cambissolo Bruno Húmico álico (Figura 4.63). Já os da classe Cambissolo com horizonte A chernozênico ocorrem, principalmente, no oeste do estado, em relevos dos tipos Vales Encaixados e Domínio de Morros e de Serras Baixas. Na unidade DVMb, na região noroeste do estado e na região de Xanxerê, em relevo de Chapadas e Platôs, Figura 4.63 - Cultivo de maçãs em área de ocorrência de ocorrem Latossolos Brunos (Figura 4.64). Nas demais áre- Cambissolos (rodovia SC-438, ao norte de São Joaquim). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.62 - Cambissolo húmico (rodovia SC-438, entre Figura 4.64 - Perfil de Latossolo desenvolvido a partir Bom Jardim da Serra e a serra do rio do Rastro). de basaltos (BR-280, a leste de Dionísio Cerqueira). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 79 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Os basaltos são rochas ricas em minerais ferro- a um custo reduzido, em geral, suprindo satisfatoriamente magnesianos que produzem argilas como resultado do comunidades rurais, indústrias e até sedes de pequenos mu- intemperismo. Logo, os solos oriundos de basaltos são nicípios. As condições de ocorrência da água subterrânea argilosos, bastante porosos, de boa capacidade hídrica e no Aquífero Serra Geral são de aquíferos livres, podendo, moderadamente permeáveis. Em geral, apresentam boa em casos particulares, desenvolver condições de aquífero capacidade de reter e fixar nutrientes e assimilar matéria confinado. Há vários casos de poços jorrantes, alguns orgânica, respondendo bem à adubação. Devido à sua com vazões livres consideráveis, como o poço do Clube de constituição argilosa, são suscetíveis à compactação, Campo Bela Vista, em São Lourenço d’Oeste. Os autores caso sejam submetidos a cargas elevadas continuamente, compartimentam a região oeste em sete zonas aquíferas como ocorre quando são excessivamente mecanizados que possuem características distintas quanto ao potencial com equipamentos pesados ou pisoteados pelo gado. A hidrogeológico, seja pela variabilidade das vazões produzi- compactação e a consequente redução da capacidade de das, seja pela qualidade da água, subdivididas em função infiltração facilitam a atuação da erosão hídrica. Os solos das características das rochas e das condições geomorfo- resultantes de rochas vulcânicas ácidas são relativamente lógicas dos terrenos em que ocorrem. De acordo com essa menos argilosos, apresentam maior quantidade de silte e divisão, os terrenos da unidade DVMb com relevo suave são menos férteis. apresentam, predominantemente, características regulares Os solos, quando pouco evoluídos, apresentam boa como aquífero. As vazões esperadas situam-se entre 2 e 15 fertilidade natural, devido à presença de muitos minerais m³/h. As águas apresentam baixo teor de sais dissolvidos. primários que liberam nutrientes ao serem intemperiza- Nessas condições de relevo, mas com características muito dos. Por outro lado, podem apresentar argilominerais boas, inserem-se a região de Chapecó e aquela situada expansivos, o que os torna bastante erosivos. Já solos entre Xaxim e Bom Jesus. bem evoluídos apresentam baixa fertilidade e são bastante No âmbito da unidade DVMrrd, a maior parte dos enriquecidos em ferro e alumínio, podendo apresentar terrenos apresenta características muito boas como zona acidez elevada. aquífera. As vazões esperadas na região oeste estão en- Os solos mais ricos tendem a uma estruturação em tre 5 e 60 m³/h. As águas apresentam baixo teor de sais forma de blocos e prismas, tendo a unidade estrutural com dissolvidos. Já os terrenos situados na região ao norte de maior estabilidade em função da relação adesão/coesão São Domingos e Abelardo Luz apresentam características entre as partículas do solo, quando comparados àquela regulares, esperando-se vazões entre 2 e 15 m³/h. As águas desenvolvida em solos mais pobres, dominantemente gra- apresentam baixo teor de sais dissolvidos. nular. Na estrutura granular, a superfície de contato entre De forma geral, onde os solos são muito profundos, é as partículas se dá entre pontos, enquanto na estrutura possível a utilização de poços escavados para atendimento em blocos o contato se dá por planos. Tal característica a pequenas demandas. Com a mesma finalidade, pode-se interfere diretamente no processo de infiltração, uma vez realizar a captação de fontes nos relevos mais declivosos. que o número de poros em solos de estrutura granular É alta a vulnerabilidade à contaminação da água sub- (Latossolos) é bem superior ao número de poros em solos terrânea nesse domínio em função da grande quantidade com estruturas em blocos (Nitossolos). Assim, os Nitossolos de descontinuidades nas rochas através das quais ocorre tendem a conservar a umidade por mais tempo que os solos rápida percolação de poluentes. A vulnerabilidade é me- mais bem drenados, no caso, Latossolos. nor onde os solos são espessos e argilosos devido à alta capacidade de retenção e fixação de poluentes. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras Recursos minerais As rochas desse domínio comportam-se como aquí- As rochas desse domínio (DVM) representam exce- fero fraturado, isto é, caracterizam-se pela capacidade lente fonte de material para a indústria da construção de armazenamento e de circulação da água em juntas e civil, adequando-se à produção de brita e pedra de talhe fraturas, dependendo da interligação de ambas. Grandes irregular, com emprego especialmente na pavimentação volumes de água subterrânea podem ser armazenados asfáltica, calçamento de ruas, meio-fio e fundações (Fi- quando zonas vesiculares e amigdaloidais de topo de der- guras 4.65 e 4.66), além de placas para uso como rocha rame e zonas de disjunção horizontal são interceptadas e ornamental e revestimento de pisos e calçadas nos locais interconectadas por fraturamentos. Na base dos derrames em que predomina o diaclasamento horizontal. podem ocorrer níveis sedimentares que podem ampliar as No domínio DVM há áreas com potencial para propriedades aquíferas da sequência. jazimentos de gemas em geodos em níveis vesiculares O Aquífero Serra Geral, conforme Freitas, Caye e de derrames, especialmente ametista, mais limitado na Machado (2002), representa o principal recurso de água unidade DVMrrd, inclusive com registro de mineração em subterrânea na região oeste do estado, por apresentar ca- pequena escala. Conforme Branco e Gil (2000), a ametista racterísticas que permitem a captação de água subterrânea é encontrada em muitos locais das porções central e oeste 80 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Aspectos ambientais e potencial turístico O principal atrativo turístico do domínio DVM com- preende as belezas cênicas das formas de relevo esculpidas nas rochas, os rios em leitos rochosos com corredeiras e as cachoeiras. Destaque deve ser dado aos paredões verticalizados de rocha com até 900 m de altura, que ocorrem em uma extensão de quase 250 km na região conhecida como Aparados da Serra, situada no extremo sul do estado, na divisa com o Rio Grande do Sul. Essa região, dada sua im- portância tanto do ponto de vista técnico-científico como turístico, é objeto de um trabalho executado pela CPRM/ SGB intitulado “Excursão Virtual aos Aparados da Serra – RS/SC” (WILDNER; ORLANDI FILHO; GIFFONI, 2004), que Figura 4.65 - Extração manual de pedra de talhe em rocha com descreve os locais de interesse turístico e seus aspectos diaclasamento vertical bem desenvolvido (rodovia BR-158, entre geológicos. Nessa região, a Escarpa da Serra Geral consis- a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul e a SC-283). te em imponente relevo de transição entre o Planalto dos Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Campos Gerais, alçado em cotas entre 900 e 1.300 m, e a Planície Costeira, cuja elevação se encontra próxima à do nível do mar. A região abriga os parques nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geraļ criados em 1959 e 1992, respectivamente, com o objetivo de preservação da flora e fauna, pai- sagens e demais recursos bióticos e abióticos associados. O Parque Nacional de Aparados da Serra abriga o Cânion do Itaimbezinho, que mede cerca de 5,8 km de extensão e ostenta paredões extremamente verticalizados, com até 720 m de profundidade, através dos quais se lança o arroio Perdizes em uma cascata de Figura 4.66 - Pedreira de basalto para produção de agregados para cerca de 200 m (WILDNER; ORLANDI FILHO; construção civil (rodovia SC-430, entre Urubici e São Joaquim). GIFFONI, 2004). Já o Parque Nacional da Serra Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Geral abriga o Cânion Fortaleza, que atinge uma altitude máxima de 1.157 m, mede cerca do estado, com concentração mais importante na região de 7,5 km de extensão, com paredões com desnível de até entre Palmitos e Ipuaçu. A ágata, encontrada normalmente 800 m. Nessa região são conhecidos, ainda, os cânions do associada à ametista, é explotada nos garimpos de ame- Malacara e Churriado, e outros menores, como Faxinalzi- tista de Entre Rios e Quilombo e em Itapiranga, entre os nho, Josafaz, Índios Coroados, Molha Coco, Leão, Pés de rios Peperi-Guaçu e Macaco Branco. Lavras abandonadas Galinha, das Bonecas e Macuco, que se encaixam nessa existem em Quilombo (lajeado Mandasaia) e em São João paisagem constituída por 63 gigantescas escarpas. d’Oeste. Branco e Gil (2000) relatam ocorrência de obsidia- Face à beleza da área e ao fato de configurar impor- na em Campos Novos, na BR-470, e um indício em Xaxim. tante rota turística, as comunidades locais, organizadas Teste de lapidação mostrou que o material tem resistência no território catarinense na Associação dos Municípios do física suficiente para ser lapidado, mas não adquire bom Extremo Sul Catarinense (AMESC), vêm, há alguns anos, brilho por ser muito poroso. Duas ocorrências de ônix, realizando ações de fortalecimento do turismo e se orga- calcedônia de cor preta, são registradas em Anita Garibaldi. nizando para propor a inclusão da região na Rede Global O ambiente geológico do domínio DVM também é de Geoparques Nacionais (Global Network of National favorável a jazimentos de cobre, do qual já são conhecidas Geoparks), da Organização das Nações Unidas para a ocorrências, e de zeólitas de uso potencial na agricultura, Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Com o obje- indústria do cimento e do papel. tivo de subsidiar a proposta a ser apresentada, intitulada O produto de alteração das rochas do domínio DVM “Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul”, a CPRM/SGB pode ser utilizado como saibro. Os solos residuais, argilo- (GODOY; BINOTTO; WILDNER, 2011) realizou levantamento sos, apresentam potencialidade para cerâmica vermelha e do patrimônio geológico da região que se estende até o para uso como material de empréstimo. litoral. Aliadas à exuberante beleza cênica dos cânions, que 81 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA registram um dos maiores eventos vulcânicos ocorridos no outros municípios que compõem a Rota das Termas, na planeta, merecem destaque a biodiversidade da região, região de Águas de Chapecó, Ilha Redonda, em Palmitos, representada pelo Bioma Mata Atlântica, e a zona litorânea, Águas de Prata, em São Carlos, Quilombo e Caibi. Essas que compõe a rota de visitação dos cânions (Figura 4.67). águas ocorrem localmente e possuem características No contexto da Microrregião Serrana, insere-se o minerais e temperaturas diferenciadas. Os balneários de Parque Nacional de São Joaquim, outra região de belas Piratuba e da Estância das Águas Quentes extraem água paisagens. O parque, criado em 06.07.1961, pelo Decre- do Aquífero Guarani com temperaturas próximas a 40°C, to nº 50.922, tem área total de 49.300 ha e abrange os enquanto os demais têm águas que atingem, em média, municípios de Urubici, Bom Jardim da Serra, Orleans e 38°C, e estão relacionadas a fraturas profundas (FREITAS; Grão Pará. Na região nordeste do parque encontram-se CAYE; MACHADO, 2002). as maiores altitudes, sendo o ponto máximo o Morro da Na Microrregião Homogênea Colonial do Rio do Pei- Igreja, com 1.822 m, de onde se pode observar a curiosa xe insere-se o Parque Nacional das Araucárias, criado em formação rochosa chamada Pedra Furada (Figura 4.68). 19.10.2005. Localizado nos municípios de Passos Maia e Na região oeste do estado também são conhecidos Ponte Serrada, o parque é constituído por uma área de vários locais de grande beleza cênica e que constituem 12.841 ha e tem como objetivo básico a preservação dos atrativo turístico. Por exemplo, na cidade de Quilombo, o ambientes naturais ali existentes, com destaque para os complexo Salto Saudades reúne cerca de 30 quedas d’água. remanescentes de Floresta com Araucárias, formação Fontes de águas minerais termais também apresentam vegetal da Mata Atlântica extremamente ameaçada pela grande potencial para geoturismo, como em Piratuba e ação antrópica. Além das unidades de conservação federais, inserem-se no domínio DVM: Esta- ção Ecológica da Mata Preta (Abelardo Luz); Parque Estadual da Serra Furada (Grão Pará e Orleans); Parque Estadual das Araucárias (São Domingos); Parque Estadual Fritz Plaumann (Concórdia); Parque Estadual Rio Canoas (Campos Novos); Reserva Biológica Estadual do Aguaí (Morro Grande, Siderópolis, Treviso e Nova Veneza). A Comissão Brasileira de Sítios Geológi- cos e Paleobiológicos (SIGEP) reconhece, em terrenos do domínio DVM, o sítio denominado Astroblema Domo do Vargeão, um dos raros exemplos de astroblemas em território bra- sileiro (Figura 4.69). Conforme Crósta et.al. (2009), o sítio compreende uma depressão circular com aproximadamente 12 km de di- Figura 4.67 - A área proposta para o geoparque engloba a Pedra do Segredo e o âmetro e exibe desníveis abruptos de até 150 cânion Fortaleza (Parque Nacional da Serra Geral Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. m entre suas bordas e as porções internas. A Figura 4.68 - Pedra Furada, à esquerda, vista a partir do morro da Igreja (Parque Nacional de São Joaquim, Urubici). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 82 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO materiais de uso na indústria da construção civil, cuja mineração é realizada em áreas a céu aberto. Dentre eles, destacam-se: desmatamento, remoção do solo e modifi- cações do perfil topográfico, disposição de rejeitos, muitas vezes em meia-encosta, sobre a vegetação e atingindo os cursos d’água, que têm seu traçado localmente modificado. DOMÍNIO DOS COMPLEXOS ALCALINOS INTRUSIVOS E EXTRUSIVOS, DIFERENCIADOS, DO PALEÓGENO, MESOZOICO E PROTEROZOICO (DCA) Esse domínio está representado, no estado de Santa Catarina, pela unidade geológico-ambiental Série Alcalina Saturada e Alcalina Subsaturada (18) (Figura 4.70). Série Alcalina Saturada Figura 4.69 - Astroblema Domo do Vargeão, situado ao norte e Alcalina Subsaturada da cidade de Vargeão (visto em imagem ASTER GDEM). Nota: ASTER GDEM é um produto do Ministério de Economia, Comércio Os terrenos da unidade geológico-ambiental Série e Indústria (METI) do Japão e da Administração Nacional da Alcalina Saturada e Alcalina Subsaturada (DCAalc) corres- Aeronáutica e do Espaço (NASA) dos Estados Unidos da América. pondem à unidade geológica Intrusivas Alcalinas (IGLESIAS et al., 2012) e às rochas que compõem os Complexos feição circular hoje existente representa o remanescente Alcalinos de Lages e de Anitápolis (WILDNER et.al., 2014). erosivo de uma cratera de impacto formada sobre rochas A unidade geológica Intrusivas Alcalinas, de idade vulcânicas pela colisão de um corpo extraterrestre de cretácica, ocorre no nordeste do estado, no município de grandes dimensões. Campo Alegre, e corresponde a intrusões de rochas alca- Quanto aos aspectos ambientais, cabe destacar no linas subsaturadas na forma de diques de aegirina-sienito, domínio DVM os impactos resultantes da exploração de nefelina-sienito e fonólitos (IGLESIAS et. al., 2012). Figura 4.70 - Área de ocorrência da unidade geológico-ambiental do domínio DCA no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011. 83 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA O Complexo Alcalino de Lages situa-se ao norte da e colúvios constituídos por fragmentos de rocha imersos em cidade de Lages e englobam diversos corpos sob a forma de matriz argilo-siltosa. São terrenos suscetíveis a movimentos intrusões rasas, brechas de chaminé e diques concêntricos, de massa. que totalizam cerca de 50 km2, associados a uma estrutura Dependendo do grau de estruturação da rocha, os dômica, o Domo de Lages. Compreende rochas alcalinas taludes de corte podem sofrer instabilidades devido à leucocráticas, ultrabásicas alcalinas, carbonatitos e brechas queda de blocos. A adoção de medidas estruturais para vulcânicas intrusivas nas camadas sedimentares da Bacia estabilização pode encarecer os projetos de engenharia do Paraná, geradas no Neocretáceo (SCHEIBE, 1986). (Figura 4.72). As rochas alcalinas leucocráticas constituem os corpos maiores e compreendem analcita-traquitos, fonólitos e nefelina-sienitos porfiríticos, na porção sudeste, e fenólitos porfiríticos, mais a noroeste do distrito. As rochas ultrabásicas são olivina-melilititos e olivina-nefelinitos, geralmente ricos em flogopita, que ocorrem como diques ou formando a matriz de brechas vulcânicas. Estas estão distribuídas por todo o distrito e pelo menos quatro apresentam mineralogia indicativa de caráter kimberlítico. Os carbonatitos da Fazenda Varela são intrusivos em brechas feldspáticas resultantes da fenitização de rochas sedimentares. O Complexo Alcalino de Anitápolis ocorre na região leste do estado, a nordeste da cidade homônima. Representa um stock do Cretáceo Inferior (cerca de 132 milhões de anos atrás), intrusivo em rochas granítico- gnáissicas neoproterozoicas, mais antigas, formadas entre 630-570 milhões de anos atrás, sendo constituído Figura 4.71 - Rocha gerada a partir do resfriamento de magma alcalino em chaminé vulcânica (rodovia BR-282, a leste de Lages). por piroxenitos cumuláticos, quantidades menores de Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. nefelina-sienitos e ijolitos, além de escassos diques de composição nefelinítica (COMIN-CHIARAMONTI et.al., 2002). Carbonatitos formam um pequeno corpo e abundantes diques e veios dispersos. As rochas da unidade geológico-ambiental DCAalc ocorrem em grande variedade de relevos. Na região nordeste do estado, registra-se um relevo suave, do tipo Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a). Na região de Lages, as rochas al- calinas se destacam do relevo do entorno, assumindo formas dos tipos Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b) e Domínio de Morros e de Serras Baixas (c). Já na região de Anitápolis, as rochas alcalinas ocorrem em uma depressão circular de cerca de 6 km2 de diâmetro, que se insere no relevo da região, enquadrada no Domínio Montanhoso (d). Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Figura 4.72 - Talude de corte em rocha suscetível à queda de blocos (BR-282, a leste de Lages). Fotografia: Marlon Hoelzel, 2010. Obras de engenharia As rochas dessa unidade apresentam alta resistência Agricultura ao corte e à penetração, sendo necessária a utilização de explosivos para o seu desmonte (Figura 4.71). A capacidade Os terrenos do domínio DCA sustentam solos pouco de suporte do solo é média e, da rocha, alta. desenvolvidos, de baixa disponibilidade hídrica. Na região Localmente, a escavabilidade é limitada, devido à de Lages, a vegetação original encontra-se pouco pre- pequena espessura dos solos e à presença de fragmentos servada; o uso predominante do solo é a agricultura em de rocha. Na região de Lages, onde ocorrem os depósitos pequenas propriedades e a silvicultura. de bauxita, estes se mostram endurecidos e coesos. Nos Os solos que ocorrem nessas áreas são, predominante- relevos mais acidentados, são comuns os depósitos de tálus mente, Cambissolos e Neossolos Litólicos (EMBRAPA, 1998). 84 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Em se tratando de solos com pouca profundidade, o contato com a rocha limita tanto o desenvolvimento radicular das plantas quanto dificulta sua boa fixação. Em Neossolos Litólicos, cuja profundidade é inferior a 50 cm, essa limitação é maior do que em Cambissolos. Os solos são argilosos, com argilas de atividade baixa e alta saturação em alumínio. O menor volume de solos também faz com que a disponibilidade de água e nutrientes seja menor. São solos bastante aderentes e escorregadios quando molhados. Os Cambissolos apresentam estruturas com desen- volvimento incipiente, refletindo diretamente em sua baixa capacidade de infiltração, consequentemente, em seu rápido molhamento superficial. Quando submetidos a cargas elevadas, podem se compactar. São áreas suscetíveis à erosão, devido à relação infiltra- ção/escoamento superficial ser baixa e à elevada declividade Figura 4.73 - Atividade de lavra de fonólito para utilização como em que ocorrem. Em relevo mais dissecado, os solos são fundente na siderurgia e indústria de vidro (noroeste de Palmeira). pouco desenvolvidos, com boa fertilidade natural e boa Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. capacidade de reter e fixar nutrientes. O relevo acidentado e a pedregosidade podem dificultar a mecanização agrícola. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras A pequena expressão areal das rochas, associada à sua natureza cristalina e às fraturas desconectadas, confere a esses terrenos baixo potencial para aproveitamento de água subterrânea. Os solos, predominantemente argilosos, são pouco permeáveis, reduzindo o risco de contaminação da água subterrânea. Por outro lado, a presença de fraturas nas rochas facilita a percolação de poluentes. Recursos minerais Nos terrenos situados na região de Lages desenvolve- Figura 4.74 - Frente de lavra de espesso perfil de bauxita (noroeste de Palmeira, região de Lages). se a mineração de bauxita refratária, gerada a partir do Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. intemperismo de rochas alcalinas, e da própria rocha (fonólito e nefelina-sienito), que é utilizada como fundente na indústria cerâmica e de vidros (Figuras 4.73 e 4.74). desmatamento, a remoção do solo e as modificações do Na região de Anitápolis, são conhecidos jazimentos perfil topográfico, a disposição de rejeitos, muitas vezes de fosfato com emprego na produção de fertilizantes. em meia-encosta, sobre a vegetação e atingindo os cursos Existe, ainda, a possibilidade de utilização de pó da rocha d’água, que têm seu traçado localmente modificado. na fertilização de solos. Para sua comprovação, entretanto, Na região de Anitápolis, encontra-se em debate a é necessária a realização de experimentos científicos. instalação de mina de fosfato e planta de beneficiamento O ambiente geológico é favorável ainda à ocorrência para produção de fertilizantes o que, para os críticos, é de depósitos de argilas cerâmicas e material de emprés- uma ameaça ao Bioma Mata Atlântica. timo. As rochas podem ser utilizadas como agregados para construção civil, sendo necessária a avaliação de suas DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCÂNICAS OU características tecnológicas. VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS, NÃO OU POUCO DOBRADAS E Aspectos ambientais e potencial turístico METAMORFIZADAS (DSVP1) Merece destaque os impactos resultantes da mine- O domínio DSVP1 compreende em Santa Catarina ração realizada em áreas a céu aberto, dentre os quais o as coberturas vulcanossedimentares do tipo foreland que 85 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA foram geradas durante o Neoproterozóico. Está represen- quartzo-traquitos com intercalações de pelitos laminados tado por três unidades geológico-ambientais: Predomínio no topo (WILDNER et. al., 2014). São rochas geradas por de Vulcanismo Ácido a Intermediário (19), Sequência derrames vulcânicos e intrusões de composição básica, Vulcanossedimentar (20) e Predomínio de Sedimentos Are- intermediária e ácida. nosos e Conglomerados, com Intercalações de Sedimentos A Litofácies Ignimbrito da Formação Campo Alegre Síltico-Argilosos (21) (Figura 4.75). As áreas de ocorrência consiste de ignimbritos que ocorrem em camadas de fluxos localizam-se na região nordeste do estado, entre Corupá ignimbríticos passando a turbiditos piroclásticos (IGLESIAS e Joinville, e no Vale do Itajaí. et.al. 2012). A Litofácies Brecha Vulcanoclástica da Formação Predomínio de Vulcanismo Ácido a Campo Alegre compreende brechas piroclásticas formadas Intermediário (DSVP1va) por fragmentos e blocos angulosos de obsidiana imersos em matriz fina, vítrea, esverdeada, marcando um evento Essa unidade ocorre em ampla superfície entre Corupá vulcânico ácido explosivo (IGLESIAS et.al, 2012). e Campo Alegre e, mais restritamente, na região de Apiúna. Por fim, a Litofácies Traquito e Quartzo-Traquito da Corresponde à unidade geológica Formação Apiúna, do Formação Campo Alegre corresponde a derrames tra- Grupo Itajaí, à Litofácies Basalto, à Litofácies Ignimbrito, à quíticos a quartzítico-traquíticos com membros riolíticos Litofácies Brecha Vulcanoclástica e à Litofácies Traquito e e traquiandesíticos subordinados e camadas de fluxos Quartzo-Traquito, todas integrantes da Formação Campo piroclásticos (WILDNER et. al., 2014). São as rochas que Alegre (WILDNER et. al., 2014). apresentam mais ampla distribuição em área na unidade A Formação Apiúna compreende rochas vulcânicas geológico-ambiental DSVP1va. ácidas denominadas riolitos. São rochas de cor rosa aver- As rochas ácidas a intermediárias da unidade DS- melhado, leucocráticas, microporfiríticas a porfiríticas VP1va ocorrem em formas de relevo muito variadas, com fenocristais de feldspato potássico e quartzo, secun- definidas como: Planaltos (a); Domínio de Colinas Amplas dariamente, em matriz afanítica (IGLESIAS et.al., 2012). e Suaves (b); Domínio de Morros e de Serras Baixas (c), A Litofácies Basalto da Formação Campo Alegre com- Domínio Montanhoso (d); Escarpas Serranas (e) (Figura preende basaltos e andesitos intercalados com traquitos e 4.76). Figura 4.75 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio DSVP1 no estado de Santa Catarina. Elaborado pelos autores, 2011. 86 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO 2014). A Litofácies Arenito e Siltito engloba arenitos ar- coseanos de granulação grossa a fina, com estratificação cruzada tabular de pequeno porte. Apresenta lentes de conglomerados finos na base e arenitos médios a finos, arcoseanos, intercalados com siltitos arenosos e argilosos no topo, depositados em ambiente fluvial e subaquoso. A Litofácies Conglomerado é constituída por conglomerados com seixos, blocos e pequenos matacões, angulosos a subarredondados, em matriz arenosa feldspática a arco- seana, rica em máficos. O conteúdo de argila é variável e a cimentação ferruginosa. A Formação Campo Alegre é representada pela Litofá- cies de Ritmito que engloba intercalações rítmicas de níveis decimétricos de arenitos maciços, granodecrescentes com estratificação plano-paralela e níveis de siltitos e argilitos com laminação plano-paralela e mais raramente ondulada, Figura 4.76 - Relevo de colinas amplas e suaves em primeiro representando turbiditos (WILDNER et.al, 2014). plano; ao fundo, relevo mais elevado, sob a forma de planalto, A Bacia do Itajaí é uma bacia sedimentar com espesso onde ocorre a unidade DSVP1va (rodovia SC-301 a leste de Campo pacote de rochas sedimentares com contribuição vulcânica Alegre). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. subordinada, composta por uma unidade continental basal (Formação Gaspar) sobreposta por uma unidade marinha Sequência Vulcanossedimentar (DSVP1vs) (Formação Garcia) (IGLESIAS et. al., 2012). A Formação Gaspar é formada por arenitos e conglo- Dentre as unidades que compõem o domínio DSVP1, merados com tufos vulcânicos finos associados e siltitos esta é a que ocupa menor superfície e ocorre na região subordinados. Os arenitos são de cor bordô, finos a médios, de Campo Alegre, no nordeste do estado. Corresponde arcoseanos, com muscovita detrítica. São mal selecionados às unidades geológicas Litofácies Riolito e Ignimbrito e e apresentam estratificação cruzada acanalada de baixo Litofácies Pelito, Tufo e Ignimbrito, da Formação Rio Turvo ângulo e pequeno porte. Intercalam níveis importantes (WILDNER et. al., 2014). de conglomerados polimíticos com matriz arcoseana. A Litofácies Riolito e Ignimbrito, Formação Rio Turvo, Ocorrem nas bordas da Bacia do Itajaí com clastos de abrange rochas sedimentares finas, siltitos turbidíticos com gnaisses, quartzitos, milonitos, mica-xistos e fragmentos níveis subordinados de vulcanoclásticas finas (tufos finos), dos demais tipos de rochas depositados na própria bacia ignimbritos e lavas félsicas, depositados dentro do ambiente (IGLESIAS et. al., 2012). de uma caldeira vulcânica (WILDNER et. al., 2014). A Formação Garcia engloba a Litofácies Siltito e A Litofácies Pelito, Tufo e Ignimbrito, da Formação Argilito, a Litofácies Arenito e Conglomerado, a Lito- Rio Turvo, compreende lavas riolíticas, ignimbritos e tufos fácies Siltito e a Litofácies Conglomerado (WILDNER ácidos e turbidíticos subordinados, depositados fora do et.al.,2014). ambiente da caldeira vulcânica (WILDNER et. al., 2014). A Litofácies Siltito e Argilito compreende camadas As rochas da unidade DSVP1vs ocorrem em formas de espessas de siltitos intercaladas com argilitos avermelhados, relevo definidas como Planaltos (a), predominantemente, maciços ou com laminação plano-paralela, estruturas wavy e Domínio Montanhoso (b). e linsen, ocasionalmente sobrepostas em contato erosivo por conglomerados. Predomínio de Sedimentos Arenosos e A Litofácies Arenito e Conglomerado compreende Conglomerados, com Intercalações de arenitos de cor vermelho-tijolo a violáceo, estratificados, Sedimentos Síltico-Argilosos (DSVP1sacg) mal selecionados, com intercalações conglomeráticas finas e lâminas de siltitos maciços. Essa unidade geológico-ambiental é a que ocupa maior A Litofácies Siltito compreende Intercalações de superfície no domínio. Ocorre em uma faixa com direção lamitos, siltitos e arenitos finos a médios, eventualmente nordeste, no vale do rio Itajaí-Açu, e, mais restritamente, grossos, com estratificação plano-paralela a maciça, em entre Corupá, Campo Alegre e São Bento do Sul. Abrange camadas tabulares com granodecrescência ascendente as formações Bateia e Campo Alegre, que integram as ba- A Litofácies Conglomerado consiste de conglomera- cias vulcanossedimentares de Campo Alegre e Corupá; a dos polimíticos com matriz mal selecionada, feldspática, Formação Gaspar e as diversas litofácies da Formação Garcia clasto-sustentados ou matriz-sustentados, estrutura maciça (ambas as formações são integrantes do Grupo Itajaí). a caótica, sendo os clastos centimétricos a decimétricos, A Formação Bateia compreende a Litofácies Arenito angulosos a subangulosos, de quartzo leitoso, fragmentos e Siltito e a Litofácies Conglomerado (WILDNER et.al. de arenitos, siltitos e felsitos. 87 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA As formas de relevo nas quais ocorrem as rochas Os taludes em rocha tendem a ser mais estáveis na da unidade DSVP1sacg são descritas no Apêndice II unidade DSVP1va do que nas demais. como: Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a); Domínio Nas unidades DSVP1sacg (Figura 4.78) e DSVP1vs, os de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b); Domínio de taludes podem ser instáveis quando o acamadamento da Morros e de Serras Baixas (c); Domínio Montanhoso (d); rocha apresenta mergulho em direção ao corte. As rochas Escarpas Serranas (e); Degraus Estruturais e Rebordos são bastante fraturadas, resultando em terrenos suscetíveis Erosivos (f). à queda de blocos em taludes e a movimentos de massa nas encostas. Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia O domínio DSVP1 é constituído por um empilhamento de rochas com características hidráulicas e geomecânicas muito distintas. Essas rochas, em geral, apresentam estru- turação em forma de camadas. É comum a ocorrência de surgências de água em taludes de corte. Os relevos predominantes são suaves, com pequenos desníveis topográficos e declividades baixas nas áreas que ocorrem mais ao norte, entre Corupá e Joinville. Já no Vale do Itajaí, predominam relevos mais dissecados, com declivi- dades frequentemente superiores a 15º, do tipo Domínio de Figura 4.78 - Arenito muito endurecido como resultado de Morros e de Serras Baixas, Domínio Montanhoso e Escarpas metamorfismo de baixo grau, com estruturação tabular; rocha Serranas (Apêndice II). muito fraturada, provocando o desprendimento de blocos (unidade DSVP1sacg) (vista a partir da estrada que liga as localidades Baú As rochas, em geral, apresentam alta resistência ao in- Central e Alto Baú). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. temperismo físico-químico e ao corte e à penetração, sendo que as rochas da unidade DSVP1va são mais resistentes do Ao avaliarem o risco de escorregamento e outros mo- que as rochas das demais unidades, tornando necessário o vimentos de massa em Blumenau, em área de ocorrência da uso de explosivos para o seu desmonte. unidade DSVP1sacg, Xavier e Berkenbrock (2005) constata- A escavabilidade do manto de intemperismo é limitada ram que o comportamento de encostas e taludes é coman- pela pequena espessura e pedregosidade dos solos. dado pelo acamadamento e fraturamento da rocha, sendo A execução de perfurações e sondagens nos terrenos o acamadamento a estrutura mais proeminente. Segundo em que ocorrem conglomerados (DSVP1sacg) é dificultada esses autores, os cruzamentos dessas estruturas representam pela presença de blocos e fragmentos de outras rochas, que pontos de ruptura da rocha, servindo de agentes predispo- provocam maior desgaste dos equipamentos (Figura 4.77). nentes à ocorrência de escorregamentos, cuja geometria de ruptura mais provável é em cunha, enquanto que, quando ao longo do plano de acamadamento, a ruptura é do tipo planar (Figura 4.79). Os autores observam que as geometrias das rupturas existentes na área são dos tipos circular, planar, em cunha e tombamento de bloco. Movimentos do tipo rolamento de blocos e rastejo também são comuns. As áreas de ocorrência do domínio no Vale do Itajaí são constituídas predominantemente pela unidade DSVP- 1sacg e são caracterizadas por relevo mais dissecado, com declividades frequentemente superiores a 15º. São terrenos muito suscetíveis à erosão e a movimentos de massa – des- de lentos, como rastejos, a escorregamentos, corridas e quedas de blocos. Nesse contexto se insere a localidade co- nhecida como Complexo do Baú, em cujos terrenos ocorreu grande parte dos movimentos de massa que devastaram diversas regiões de Santa Catarina em novembro de 2008, Figura 4.77 - Conglomerado com grande quantidade de fragmentos de rochas de diferentes naturezas (vista a partir da configurando um dos desastres naturais mais trágicos no estrada que liga as localidades Baú Central e Alto Baú). Fotografia: estado e no país, resultando em perda de dezenas de vidas Ana Claudia Viero, 2010. e prejuízos econômicos (Figuras 4.80 e 4.81). 88 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Na ocasião, inundações e movimentos de massa atingiram, principalmente, a região do Vale do Itajaí, em decorrência de um evento de precipitação intensa, entre os dias 22 e 23 de novembro, quando o total pluviométrico foi de cerca de 500 mm, precedido de um período prolongado de chuvas iniciado em outubro. As precipitações anômalas para os meses de outubro e novembro, segundo Severo (2009), estiveram associadas a um anticiclone que permaneceu estacionário sobre o oceano Atlântico a leste da região sul do Brasil, favore- cendo o transporte de umidade atmosférica do oceano para o continente e a manutenção do desenvolvimento de nuvens que culminaram na precipitação contínua e intensa observada. Dentre os movimentos de massa que ocorre- Figura 4.79 - Escorregamento planar em rochas da unidade DSVP1sacg (rua ram na região, as corridas de massa foram as Pedro Krauser, Blumenau). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2009. que causaram maiores prejuízos econômicos e maior número de perdas de vidas humanas, afetando a região do Baú, em Ilhota, do Arraial, em Gaspar, Blumenau e outros municípios, enquanto os escorregamentos circulares ou rotacionais foram os mais comuns (AUMOND; SEVEGNANI, 2009). Agricultura Na unidade DSVP1sacg ocorrem, pre- dominantemente, solos da classe Neossolos Litólicos e, secundariamente, Cambissolos Háplicos (EMBRAPA, 1998). Já na unidade DSVP1va, predominam Cambissolos, enquanto Neossolos ocorrem com menor frequência. Localmente, em relevo do tipo Planaltos, na unidade DSVP1va, ocorrem solos da classe Figura 4.80 - Casa reconstruída após destruição provocada por escorregamento Nitossolos Brunos. a montante (Alto Baú). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Na unidade DSVP1sacg, os solos são predominantemente argilosos, ácidos e com baixa fertilidade. São solos jovens, rasos e pouco profundos, moderadamente drenados, com alta saturação em alumínio e argilas de atividade baixa. A pequena profundidade dos solos dificulta o desenvolvimento radicular, além de torná-los bastante suscetíveis aos processos erosivos. É normal a ocorrência de pedregosidade e rochosidade na superfície, bem como em subsuperfície. Esses terrenos devem ser destinados à preservação da flora e da fauna. Na unidade DSVP1va, predominam solos pouco desenvolvidos e, secundariamente, solos desenvolvidos. São argilosos, pouco profundos Figura 4.81 - Cicatriz de escorregamento ocorrido em novembro de 2008 (vista a profundos, moderadamente a bem drenados, a partir da estrada que liga as localidades Baú Central e Alto Baú). com alta saturação de alumínio e argilas de Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. atividade baixa. Podem apresentar pedregosi- 89 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA dade associada. Nos terrenos com relevo mais declivoso, Também ocorrem metais-base (chumbo, zinco e cobre) é indicada a atividade de silvicultura. em veios e filonetes de quartzo em terrenos da unidade Na unidade DSVP1vs, ocorrem solos das classes Ni- DSVP1sacg. tossolos Brunos e Cambissolos Húmicos (EMBRAPA, 1998). Os siltitos que ocorrem nessa unidade, como ao sul São solos com textura argilosa, bem a moderadamente de Blumenau e Indaial (região de Rio Encano e Alto Garcia), drenados, profundos, com horizonte superficial húmico, quando se apresentam endurecidos e com alta fissilidade elevada saturação em alumínio e argilas de atividade baixa. e resistência, são extraídos em pedreiras artesanais, para Apesar de os solos serem pouco férteis em profundidade, o uso como rocha ornamental e de revestimento em paredes, horizonte superficial húmico é normalmente espesso e rico, calçamentos e pias (IGLESIAS et. al., 2012). apresentando elevado nível de matéria orgânica. O relevo Em geral, as rochas desse domínio, quando maciças, predominantemente suave facilita a mecanização agrícola. apresentam potencial para produção de brita, pedra de calçamento e de alicerce. Os solos residuais têm emprego Recursos hídricos subterrâneos como material de empréstimo. e fontes poluidoras Aspectos ambientais e potencial turístico A unidade DSVP1va abrange terrenos que se caracte- rizam como aquíferos com maior potencial dentre os aquí- O domínio DSVP1 apresenta potencial para geoturis- feros fraturados do estado (MACHADO, 2013). Entretanto, mo associado às belezas cênicas das paisagens serranas tais aquíferos apresentam moderada a alta vulnerabilidade com relevo dissecado, rios com corredeiras e cachoeiras, à contaminação das águas subterrâneas em função das como as existentes na Reserva Particular do Patrimônio características dos solos que, embora argilosos, apresentam Natural Emílio Fiorentino Battistella, na Rota das Cachoeiras, baixa capacidade de reter poluentes. região de Corupá (Figura 4.82). A maior parte dos terrenos da unidade DSVP1vs se Grande parte dos terrenos desse domínio que ocor- comporta como aquíferos com pequena potencialidade. A rem no Vale do Itajaí se destina à preservação permanente, vulnerabilidade à contaminação da água subterrânea nessa unidade é moderada a alta, considerando que os solos são, em geral, muito profundos e argilosos. Os terrenos onde ocorrem conglomerados e arenitos da unidade DSVP1sacg, na região norte do estado, apresen- tam boas características como aquífero. Os terrenos mais íngremes, na região do Morro do Baú, são praticamente improdutivos para água subterrânea. Nas demais áreas, os terrenos se comportam como aquíferos com menor potencialidade ou são improdutivos para água subterrânea. Recursos minerais Nas unidades DSVP1va e DSVP1vs, na região de Campo Alegre, ocorrem depósitos de caulim, resultantes da alteração das rochas, que abastecem fábricas de ce- râmica de mesa, de revestimentos e refratários (IGLESIAS et. al., 2012). Abaixo dos níveis de caulim, são registrados teores anômalos de ouro associados à pirita disseminada na rocha. Albuquerque et. al. (1971, citados por IGLESIAS et. al., 2012) relatam ocorrências de fluorita disseminada em rochas da unidade DSVP1va. Ocorrências de ouro são conhecidas na região de Gaspar, associadas a depósitos alúvio-coluvionares e a filões e veios hidrotermais cortando rochas sedimentares da Bacia do Itajaí agrupadas na unidade DSVP1sacg, e gnaisses granulíticos do Complexo Granulítico de Santa Catarina enquadrados no domínio DCGMGL (IGLESIAS et. al., 2012). O ouro tem sido extraído por garimpeiros em Figura 4.82 - Salto Grande, uma das quedas d’água que sedimentos aluvionares no ribeirão do Arraial, na região integram a Rota das Cachoeiras (Corupá). do Arraial do Ouro. Fotografia: Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias, 2008. 90 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO por fazerem parte do Parque Nacional da Serra do Itajaí. O Estes terrenos são classificados na unidade DSVP2in uma parque, criado por decreto federal em 04.06.2004, possui vez que não se enquadram em nenhuma outra unidade uma superfície total aproximada de 57.374 ha, que se geológico-ambiental dentre as definidas no contexto do estende pelos municípios de Ascurra, Apiúna, Blumenau, domínio DSVP2 (Apêndice I). Botuverá, Gaspar, Guabiruba, Indaial, Presidente Nereu e A Litofácies Exalativa da Formação Rio do Oliveira Vidal Ramos. compreende turmalinitos bandados, metamargas e calcis- silicáticas bandadas (WILDNER et.al., 2014). DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS A Litofácies Cornubianítica da Formação Botuverá VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS compreende rochas cornubianíticas relacionadas ao meta- DOBRADAS, METAMORFIZADAS DE BAIXO A morfismo de contato entre litologias do Complexo Meta- ALTO GRAU (DSVP2) mórfico Brusque e o batólito norte do Granito Valsungana, o Granito Guabiruba e os Granitoides da Suíte Faxinal. O Esse domínio compreende sequências de rochas sedi- metamorfismo varia de clorita e anfibólios cornubianitos mentares e vulcânicas associadas geradas no Proterozoico, (WILDNER et.al., 2014). que foram metamorfizadas e dobradas desde baixo até, Na unidade DSVP2in ocorrem as formas de relevo Do- eventualmente, alto grau. Está representado, em Santa mínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (a); Domínio Catarina, por cinco unidades geológico-ambientais: Indi- de Morros e de Serras Baixas (b); Domínio Montanhoso (c). ferenciado (22), Predomínio de Quartzitos (23), Predomínio de Metassedimentos Síltico-Argilosos, Representados por Predomínio de Quartzitos (DSVP2q) Xistos (24), Predomínio de Rochas Metacalcárias, com Intercalações de Finas Camadas de Metassedimentos Essa unidade corresponde à Litofácies Quartzítica da Síltico-Argilosos (25) e Predomínio de Rochas Metabásicas Formação Botuverá, à Litofácies Quartzítica da Formação e Metaultramáficas (26) (Figura 4.83). Rio da Areia, à Litofácies Quartzítica da Formação Rio do Oliveira, todas integrantes do Complexo Metamórfico Indiferenciado (DSVP2in) Brusque (BASEI et al., 2011; WILDNER et.al., 2014). A Litofácies Quartzítica da Formação Botuverá é Compreende as unidades geológicas Litofácies constituída por ortoquartzitos maciços a foliados, textura Exalativa, da Formação Rio do Oliveira e Litofácies Cornu- granolepidoblástica variando a termos sacaróides, esbran- bianítica, da Formação Botuverá, ambas integrantes do quiçados e quartzitos micáceos e feldspáticos intercalados Complexo Metamórfico Brusque (WILDNER et.al., 2014). (BASEI et al., 2011; WILDNER et.al., 2014). Figura 4.83 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio DSVP2 no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011. 91 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA A Litofácies Quartzítica da Formação Rio da Areia carbonosos, de coloração cinza-escuro (WILDNER et.al., compreende ortoquartzitos (WILDNER et.al., 2014). 2014). A Litofácies Quartzítica da Formação Rio do Oliveira Os terrenos da unidade DSVP2x apresentam as formas compreende sericita-quartzitos de granulação fina, maci- de relevo Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a); Domínio ços, intercalando bandas finas, subcentimétricas ricas em de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b); Domínio de sericíta. Ocorrem, em geral, sustentando as cristas topo- Morros e de Serras Baixas (c); Domínio Montanhoso (d) gráficas (BASEI et al., 2011). (Figura 4.84). Os terrenos dessa unidade apresentam as formas de relevo Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (a); Domínio de Morros e de Serras Baixas (b); Domínio Montanhoso (c). Predomínio de Metassedimentos Síltico-Argilosos, Representados por Xistos (DSVP2x) Essa unidade corresponde às Litofácies Pelítica, Psamí- tica Rítmica e Rítmica da Formação Botuverá; à Litofácies Psamopelítica da Formação Rio do Oliveira, todas inte- grantes do Complexo Metamórfico Brusque; à Formação Rio das Cobras e à Formação Queçaba (BASEI et. al., 2011; IGLESIAS et. al., 2012; WILDNER et.al. 2014). A Litofácies Pelítica da Formação Botuverá é consti- tuída por clorita-biotita-muscovita xistos, clorita-sericita- Figura 4.84 - Vista parcial do vale do rio Itajaí-Mirim (estrada -quartzo xistos, granada-mica-quartzo xistos, bandas de secundária entre Vidal Ramos e Presidente Nereu). quartzitos micáceo, localmente grafita xistos, com cores Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. cinza prateado e textura lepidoblástica e granulação fina (WILDNER et.al., 2014) Predomínio de Rochas Metacalcárias, A Litofácies Psamítica Rítmica da Formação Botuverá com Intercalações de Finas Camadas compreende xistos rítmicos areno-pelíticos com alternância de Metassedimentos Síltico-Argilosos de camadas de quartzito micáceo e sericita-biotita xisto (DSVP2csa) intercalados a níveis de quartzitos, com cores cinza e textura lepidoblástica (WILDNER et.al., 2014). Essa unidade, de superfície bastante restrita em Já a Litofácies Rítmica da Formação Botuverá é formada relação às unidades anteriores, ocorre a sudoeste de Bo- pela alternância centimétrica de bandas de sericita-xistos, tuverá onde corresponde às Litofácies Pelítocarbonática e granada-biotita-xistos e quartzitos micáceos, ora com predo- Calcissilicática da Formação Rio da Areia, e como muito minância de um, ora de outro litótipo (WILDNER et.al., 2014). restritas exposições na bacia hidrográfica do rio Camboriú, A Litofácies Psamopelítica da Formação Rio do Oliveira relacionada à unidade geológica Litofácies Calcissilicática compreende granada-biotita-muscovita-quartzo xistos, clo- da Formação Botuverá (WILDNER et.al, 2014). ritóide-biotita-muscovita-quartzo xistos, quartzitos, ritmitos A Litofácies Pelítocarbonática da Formação Rio da Areia areno-pelíticos, turmalinitos e calcissilicáticas, com texturas é composta por metamargas laminadas e com fina micro- granolepidoblásticas e metamorfismo na fácies xisto verde gradação para termos pelíticos, intercaladas com metasse- a anfibolito (WILDNER et.al., 2014). dimentos e eventualmente metabásicas, metamorfizados na A Formação Rio das Cobras compreende biotita- fácies xisto verde a anfibolito (WILDNER et.al, 2014). quartzo-xistos, muscovita-quartzo-xistos, biotititos, A Litofácies Calcissilicática da Formação Rio da Areia clorita-xistos, clorita-quartzo-xistos, calcoxistos, xistos compreende metamargas, mármores calcíticos e dolomí- granatíferos e quartzitos, com granulação média a grossa, ticos, laminados e com fina microgradação, intercalados dobrados e crenulados, com intercalações estreitas mais a metassedimentos e metabásicas (WILDNER et.al, 2014). cinza, provavelmente grafitosas, e também níveis estreitos A Litofácies Calcissilicática da Formação Botuverá cor- de quartzitos (IGLESIAS et al., 2012). Essas rochas afloram responde a hornblenda xistos carbonáticos, quartzo-musco- no extremo nordeste do estado, entre a Rodovia BR-101, na vita xistos, xistos carbonáticos e mármores, com quartzitos e divisa do estado de Santa Catarina com o Paraná, a norte ortoquartzitos subordinados (WILDNER et.al, 2014). (região da Mina Velha), e na praia de Itapoá. Os terrenos dessa unidade ocorrem em relevo disse- A Formação Queçaba compreende uma alternância de cado do tipo Domínio Colinas Dissecadas e Morros Baixos quartzitos (metarenitos) de coloração bege, com quartzo- (a), Domínio de Morros e de Serras Baixas (b) e Domínio -xistos, micaxistos e filitos (metapelitos), eventualmente Montanhoso (c) (Figura 4.85). 92 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO e à penetração do que as demais rochas do domínio. Por tais características, causam maior desgaste em equi- pamentos de sondagem. Os xistos possuem moderada capacidade de suporte e moderada resistência ao corte e à penetração. Os metacalcários (DSVP2csa) e as rochas metabásicas e metaultramáficas (DSVP2bu) apresentam mais baixa resistência ao intemperismo químico. Há possibilidade de dissolução das rochas calcárias em sub- superfície, podendo resultar em recalque de estruturas e colapso de terreno. É necessário o uso de explosivos para desmonte das rochas, quando estas se apresentarem inalteradas. A es- cavabilidade pode ser dificultada pela espessura variável dos solos e presença de fragmentos de rocha no manto de intemperismo. Os solos residuais de quartzitos são arenosos, com Figura 4.85 - Relevo montanhoso ao fundo; no canto esquerdo baixa coesão e instabilidade em taludes de corte. Já cortes inferior, vista parcial do rio Itajaí-Mirim (rodovia SC-486, entre Ourinhos e Botuverá). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. em solos residuais de xistos são de fácil execução, com boa estabilidade, caso os planos de xistosidade sejam de baixo ângulo. Predomínio de Rochas Metabásicas e As rochas são anisotrópicas e bastante fraturadas. Metaultramáficas (DVSP2bu) Podem apresentar estruturas primárias, no caso dos metas- sedimentos, como estratificação tabular, e outras oriundas Essa unidade, de superfície restrita em relação às duas da deformação, como xistosidade e foliação. Essas estrutu- primeiras, ocorre a sudoeste de Botuverá, a leste de Itape- ras, assim como as fraturas, atuam como planos com baixa ma e a noroeste de Tijucas, nas cabeceiras do rio Oliveira. resistência no maciço, que potencializam a ocorrência de Corresponde às unidades geológicas Litofácies Básica da instabilidades nos taludes (Figura 4.86). Formação Rio do Oliveira e Litofácies Básica da Formação Rio da Areia (WILDNER et.al., 2014). A Litofácies Básica da Formação Rio do Oliveira com- preende anfibolitos, metabasaltos vesículares intercalados com calcissilicáticas, anfibólio-biotita xistos, quartzitos e biotita-muscovita xisto (WILDNER et.al., 2014). A Litofácies Básica da Formação Rio da Areia com- preende rochas básicas e ultrabásicas microcristalinas a porfiríticas, variando entre metagabros, metabasaltos e metabasaltos variolíticos (pillow lavas), metatufos básicos e metaperidotitos, de cores verde acinzentado, maciços a bandados intercalados com metassedimentos metamorfiza- dos na fácies xisto verde a anfibolito (WILDNER et.al., 2014). As formas de relevo que constituem essa unidade são: Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (a), Domínio de Morros e de Serras Baixas (b) e Domínio Montanhoso (c). Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Figura 4.86 - Rocha metassedimentar com níveis de geometria Frente ao Uso e à Ocupação tabular com mergulho no sentido do caimento do talude da rodovia, predispondo o escorregamento do manto de intemperismo (rodovia SC-431, altura de São Bonifácio). Obras de engenharia Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Esse domínio apresenta terrenos constituídos por As rochas, principalmente das unidades DSVP2x e intercalações de rochas com características geomecânicas DSVP2q, desprendem-se em placas e podem provocar e hidráulicas muito distintas. instabilidades em taludes de corte e em paredes de es- As rochas apresentam resistência ao intemperismo cavações, especialmente se o sentido do mergulho dos físico-químico bastante variável. Os quartzitos são mais planos de fraqueza for coincidente com a inclinação dos resistentes e abrasivos e têm mais alta resistência ao corte cortes (Figura 4.87). 93 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Os relevos mais declivosos são predominantes nesse erosão. Em ambos os casos, são moderadamente drenados, domínio, onde são comuns depósitos de tálus. É elevada a com alta saturação em alumínio e argilas de atividade bai- suscetibilidade à erosão e a movimentos de massa, desde xa. Nesses solos, é comum a presença tanto de cascalhos lentos, como rastejos, a escorregamentos e corridas, além como de pedregosidade e até matacões. Em relevos mais de quedas de blocos. Em relevos suaves também podem declivosos, dos tipos Domínio Montanhoso e Domínio de ocorrer movimentos de massa, induzidos por intervenções Morros e Serras Baixas, há restrições à mecanização agrícola. antrópicas (Figura 4.88). Os solos são mais férteis nos terrenos em que predo- minam os metacalcários e as rochas metabásicas (DSVP2csa e DSVP2bu), devido à disponibilidade de bases, como cálcio e magnésio, e de microelementos presentes nessas rochas. No entanto, o relevo bastante declivoso é um limitador, uma vez que impede a mecanização agrícola. Os terrenos do domínio DSVP2 apresentam boa aptidão para agricultura familiar e aptidão regular para pequenas pastagens nas áreas mais planas. Já nos relevos mais declivosos, são indicados a silvicultura e o adensa- mento da vegetação natural, com ênfase para o palmito. O município de Garuva, região em que se registra grande exposição da unidade DSVP2x, é atualmente o maior produtor de banana do estado de Santa Catarina. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras Figura 4.87 - Xisto intemperizado, mostrando os planos de xistosidade que atuam como planos de fraqueza A maior parte dos terrenos se comporta como aquí- (rodovia SC-411, entre Nova Trento e São João Batista). feros praticamente improdutivos. Localmente, apresentam Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. pequeno potencial para água subterrânea. O atendimento a pequenas demandas pode ocorrer por meio de captação de fontes. Em terrenos onde o manto de intemperismo é espesso, podem ser utilizados poços do tipo ponteira. Os terrenos apresentam moderada a alta vulnerabili- dade à contaminação das águas subterrâneas em função das características dos solos e das rochas. Os solos, embora argilosos e pouco permeáveis, possuem baixa capacidade de reter poluentes. A grande quantidade de fraturas nas rochas permite a infiltração e a percolação de poluentes. Rios com alta energia são comuns nesse domínio. Pela oxigenação que proporcionam, possuem elevado potencial de depuração de poluentes. Importantes jazimentos de calcário ocorrem na uni- dade DSVP2csa. Na região de Botuverá, diversas pedreiras Figura 4.88 - Obra de recuperação e contenção do talude após exploram o minério, que se destina à indústria de cimento, escorregamento sobre a pista (rodovia SC-431, altura de São agricultura e revestimentos (Figura 4.89). Bonifácio). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Os quartzitos e os xistos, mediante avaliação de suas características tecnológicas, podem ser utilizados na cons- Agricultura trução civil como revestimento. Na unidade DSVP2x, foram registradas diversas ocor- De forma geral, no domínio predominam Neossolos rências de ouro em veios de quartzo e identificada anomalia Litólicos e, secundariamente, Cambissolos Háplicos. Ambas de molibdênio nos xistos situados no extremo nordeste do as classes estão, normalmente, associadas a Afloramentos estado (IGLESIAS et al., 2012). de Rocha (EMBRAPA, 1998). Em terrenos da unidade DVSP2bu, na região de Botu- Os solos são, predominantemente, argilosos e argilo- verá, a Base de Dados de Recursos Minerais do GEOBANK siltosos, com elevada acidez e baixa fertilidade natural. São, (CPRM/SGB) registra ocorrências de asbesto. em geral, pouco desenvolvidos, jovens, rasos e pouco pro- De forma geral, os solos residuais das rochas do do- fundos, com estrutura incipiente e elevada suscetibilidade à mínio DSVP2 têm emprego como material de empréstimo. 94 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Significativa porção desses terrenos se destina à preservação permanente, por fazerem parte do Parque Nacional da Serra do Itajaí. Devido às características do relevo, constituído, pre- dominantemente, por morros e montanhas, e às extensas áreas de Mata Atlântica, associado ao uso do solo essencial- mente rural, verifica-se grande potencial para exploração do turismo rural e ecoturismo. DOMÍNIO DOS CORPOS MÁFICO- ULTRAMÁFICOS (SUÍTES KOMATIÍTICAS, SUÍTES TOLEÍTICAS, COMPLEXOS BANDADOS) (DCMU) O DCMU domínio dos corpos máfico-ultramáficos (suítes komatiíticas, suítes toleíticas, complexos bandados) Figura 4.89 - Lavra de metacalcário para produção de cimento (entre Ourinhos e Botuverá). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. é representado, no estado de Santa Catarina, por uma unidade geológico-ambiental: Série Básica e Ultrabásica (27) (Figura 4.91). Aspectos ambientais e potencial turístico Série Básica e Ultrabásica (DCMUbu) O domínio DSVP2 é constituído por relevo monta- nhoso de notável beleza cênica, onde ocorrem cachoeiras Essa unidade, que engloba a Unidade Máfico- e rios com corredeiras. Ultramáfica Barra Velha, ocorre no nordeste do estado, Nesse contexto, insere-se a Gruta de Botuverá, no principalmente na região dos municípios de Araquari, Barra Parque Municipal das Grutas de Botuverá, um atrativo Velha, Blumenau, Campo Alegre, Gaspar, Indaial, Joinville, geoturístico de grande importância na região, sendo consi- Luís Alves, Massanranduba, Piçarras e São Bento do Sul. derada, por sua beleza e porte, a maior e mais ornamentada A Unidade Máfico-Ultramáfica Barra Velha compreende gruta do sul do Brasil (Figura 4.90). rochas com estrutura variando de isótropa a foliada, que Situada na localidade de Ourinho, no município de ocorrem como lentes e enclaves em gnaisses granulíticos Botuverá, a gruta consiste em uma caverna entalhada em da unidade DCGMGLglo e na forma de blocos e matacões terrenos calcários da unidade DSVP2csa. Mede, aproxima- em encostas de morros. Essas rochas máfico-ultramáficas damente, 1.200 m de extensão e é composta por grande são representadas por metapiroxenitos, metanoritos, variedade de espeleotemas, tais como travertinos, cortinas, metagabronoritos e metagabros (IGLESIAS et al., 2012). couves-flores, chão-de-estrelas, fendas, vielas, estalactites, Os terrenos da unidade DCMUbu apresentam as seguin- estalagmites e passagens distribuídas em labirintos e salões tes formas de relevo: Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a); (BOTUVERÁ, 2007). Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b); Domínio O parque possui ampla infraestrutura de lazer e recebe de Morros e de Serras Baixas (c); Domínio Montanhoso (d). grande número de visitantes, constituídos por turistas de diversas regiões do país e, especialmente, estudantes, que Características, Adequabilidades/ recebem informações sobre a segurança e preservação Potencialidades e Limitações desse frágil ambiente natural. Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia As rochas são isótropas a foliadas, podendo também ser bandadas. Exibem alta capacidade de suporte e alta resistência ao corte e à pene- tração, sendo necessário o uso de explosivos para o des- monte. Devido à moderada a baixa resistência ao intem- Figura 4.90 - Gruta de Botuverá em terrenos da unidade DSVP2csa (Botuverá). perismo químico, ocorrem Fotografia: BOTUVERÁ, 2007. blocos e matacões aflorando 95 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 4.91 - Áreas de ocorrência da unidade geológico-ambiental do domínio DCMU no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011. ou depositados no solo, que apresenta alta capacidade de Nas áreas com declividades moderadas a altas (28c compactação (Figura 4.92), o que dificulta a escavabilidade e 28d, no mapa), é elevada a suscetíbilidade à erosão e a do manto de alteração. movimentos de massa, entre os quais, quedas de blocos. Os taludes de corte em rocha e em solos residuais apre- Em relevos suaves também podem ocorrer movimentos de sentam, em geral, boa estabilidade. Entretanto, os planos massa induzidos por intervenções antrópicas. de foliação e de fraturamento têm efeito na estabilidade dos taludes. Uma vez que as rochas estejam intemperizadas, Agricultura tais estruturas atuam como descontinuidades, onde podem ocorrer rupturas do maciço na forma de escorregamentos Os solos predominantes na unidade DCMUbu são e quedas de blocos. Luvissolos Crômicos Pálicos saprolíticos associados a Aflo- ramentos de Rocha (EMBRAPA, 1998). Os solos residuais são ricos em ferro, potássio, cálcio e magnésio, com boa fertilidade natural. Apresentam alta saturação por bases e argila de atividade alta. Podem ocorrer fragmentos de rocha em superfície, o que, asso- ciado ao relevo, que pode ser muito declivoso, é limitante à mecanização agrícola. São solos argilosos, muito plásticos e pegajosos, o que dificulta a utilização de maquinários quando molhados ou úmidos. Apresenta elevada suscetibilidade à erosão, face ao relevo em que ocorrem à pequena profundidade efetiva e a variação de gradientes textural e estrutural, representa- dos por estruturas granulares do horizonte A (superficial) em contraposição às estruturas em blocos do horizonte B (subsuperficial), causando um diferencial de infiltração. Apresentam aptidão regular para culturas anuais, em Figura 4.92 - Blocos e matacões de rochas máfico-ultramáficas (unidade DCMUbu) aflorando na superfície do terreno função de limitações quanto ao armazenamento de água (proximidades da praia do Costão, Barra Velha). para as plantas e ao uso de implementos agrícolas. No en- Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. tanto, é necessária a utilização de práticas conservacionistas 96 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO intensivas, como o terraceamento em desnível e cobertura vegetal permanente. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras No domínio DCMU predominam rochas que se com- portam como aquíferos com baixa potencialidade para água subterrânea em fraturas. Os solos possuem elevada capacidade de reter e fixar poluentes; porém, por serem rasos, essa capacidade se reduz em função de o volume de solo existente sobre a rocha-matriz ser baixo. Recursos minerais O ambiente geológico é favorável a mineralizações de Figuras 4.94 - Vista geral, sentido norte, do afloramento de rochas (unidade DCMUbu) na orla da praia do Costão dos Náufragos (Barra cromo, manganês, talco e asbesto (IGLESIAS et al., 2012). Velha). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. Os solos residuais, quando mais desenvolvidos, têm potencial para argilas para cerâmica vermelha. Também há possibilidade de utilização do solo como material de DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES empréstimo. NÃO DEFORMADOS (DCGR1) Aspectos ambientais e potencial turístico O domínio dos complexos granitoides não ou muito pouco deformados, tardi- a pós-tectônicos, é constituído Nos terrenos em que ocorre a unidade DCMUbu por rochas graníticas de diversas composições químicas predominam relevos variando de Domínio de Morros e de e mineralógicas. O critério da subdivisão em unidades Serras Baixas a Domínio Montanhoso, drenados por rios geológico-ambientais foi baseado na classificação em séries encachoeirados, como o Luís Alves, e com vegetação de magmáticas das associações de rochas ígneas segundo sua Mata Atlântica bem preservada nos topos. Nessa região, composição química. vislumbram-se belas paisagens, que, associadas ao padrão No estado de Santa Catarina, esse domínio está repre- de ocupação com pequenas propriedades rurais, como nos sentado por duas unidades geológico-ambientais: Séries municípios de Massaranduba e Luís Alves, indicam potencial Graníticas Alcalinas (28) e Séries Graníticas Subalcalinas para turismo rural. (29) (Figura 4.95). Em Barra Velha, têm-se costões rochosos nas praias do Costão dos Náufragos (Figura 4.93), das Pedras Brancas e das Séries Graníticas Alcalinas (DCGR1alc) Pedras Negras, e na orla das praias Central e do Grant (Figuras 4.93 e 4.94). Essas rochas formam também pequenas ilhas. Essa unidade geológico-ambiental é formada por ro- chas não deformadas que integram a série alcalina, sódica ou potássica. As rochas graníticas alcalinas, no território catari- nense, ocupam uma grande área formada pelo complexo granitoide que margeia a planície costeira sul, com início no município de Bombinhas e Porto Belo e estendendo-se, sentido sul, até o município de Içara. Esses granitos não deformados formam o substrato rochoso da ilha de Santa Catarina. A porção que limita o contato dessa unidade, a oeste, é formada por um conjunto de serras denominado, geomorfologicamente, Unidade Serra do Tabuleiro-Itajaí (SANTA CATARINA, 1986). No limite mais a noroeste do estado, entre Ibirama e Lontras, ocorre uma área formada por granitoides de tamanho médio e quase circular. De forma mais esparsa, registram-se, entre os municípios de Campo Alegre, Garuva e são Bento do Sul no limite com o Figuras 4.93 - Afloramento de rochas (unidade DCMUbu) nas areias da praia do Costão dos Náufragos (Barra Velha). estado do Paraná, pequenas áreas de exposições graníticas Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. e com formas circulares. 97 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Figura 4.95 - Áreas de ocorrência das unidades geológico-ambientais formadoras do domínio DCGR1 no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2015. A unidade DCGR1alc corresponde às unidades geoló- unidade ocorre em pequenas áreas, quase circulares, na gicas granitos Angelina, Bruaca, Cambirela, Corupá, Dona região sul do estado, dentro dos territórios municipais de Francisca, Ilha, Imaruí-Capivari, Itacorumbi, Jaguaruna, Laguna e Treze de Maio. Morro Redondo, Piraí, Português, Quatro Ilhas, Rio Chi- As unidades geológicas correspondentes são: gra- cão, Saltinho, São Bonifácio, Serra do Tabuleiro, Subida, nitos Barra da Laguna, Corre-Mar, Estrela, Guabiruba, (IGLESIAS et al., 2012; ZANINI et al., 1997). Os granitos Rio Rio das Antas, São Pedro de Alcântara, Treze de Maio, Chicão e Subida, por apresentarem composição alcalina Valsungana; Granodiorito Alto da Varginha; Monzogranito a peralcalina, também foram agrupados nessa unidade. Indaiá; Tonalito Forquilha; suítes intrusivas Faxinal, Morro Os terrenos que constituem essa unidade apresentam do Inglês, Nova Trento e São João Batista (IGLESIAS et al., as formas de relevo: Chapadas e Platôs (a); Domínio de Co- 2012; ZANINI et al., 1997). linas Amplas e Suaves (b); Domínio de Colinas Dissecadas Os terrenos dessa unidade apresentam as seguintes e Morros Baixos (c); Domínio de Morros e de Serras Baixas formas de relevo: Chapadas e Platôs (a); Domínio de Coli- (d); Domínio Montanhoso (e); Escarpas Serranas (f). nas Amplas e Suaves (b); Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (c). Domínio de Morros e de Serras Baixas Séries Graníticas Subalcalinas (DCGR1salc) (d); Domínio Montanhoso (e). A unidade compreende as rochas não deformadas Características, Adequabilidades/ classificadas nas séries magmáticas subalcalinas, en- Potencialidades e Limitações globando as calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e as Frente ao Uso e à Ocupação toleíticas. Essas rochas graníticas ocorrem em três porções Obras de engenharia distintas do estado de Santa Catarina. A primeira porção está relacionada a pequenas exposições posicionadas na O domínio DCGR1 é formado por rochas cristalinas, região nordeste, próximo à divisa com o Paraná, dentro dos texturalmente homogêneas, com granulação variando de limites dos municípios de Araquari, Itapoá, Garuva e São média a grossa e alta resistência ao intemperismo físico- Francisco do Sul. A segunda porção, onde a unidade é mais -químico. Os terrenos de ocorrência dessas rochas graní- expressiva, corresponde a diversas exposições com maior ticas apresentam alta capacidade de suporte e resistência superfície situadas dentro das bacias vertente Atlântica dos ao corte e à penetração. rios: Camboriú, Tijucas, Biguaçu, Cubatão (sul) e parte no A execução de escavações e perfurações no manto quadrante leste da bacia do rio Itajaí. A terceira porção da de intemperismo é dificultada pela ocorrência de blocos e 98 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO matacões à profundidade bastante irregular do substrato Agricultura rochoso, sendo necessário o uso de explosivos. Esses fragmentos de rochas de tamanho arredondado, Nos terrenos do domínio DCGR1 predominam Ne- ao longo do perfil do solo, obrigam a cuidados maiores, ossolos Litólicos associados a Cambissolos Háplicos e pois podem ser interpretados de forma inadequada em Afloramentos de Rocha (EMBRAPA, 1998) (Figura 4.98). uma campanha de sondagens geotécnicas, levando a uma Nas áreas em que ocorrem relevos suaves, o perfil de proposta de fundação não compatível com o comporta- solo se apresenta mais evoluído, profundo, com gradiente mento do solo. O terreno pode se tornar instável, devido textural, com textura variando de média/argilosa a argilosa. à infiltração da água no solo, por escavações sem critérios A mecanização agrícola é facilitada pelas declividades técnicos ou pela fundação de estacas sobre os matacões. baixas. Os solos desestabilizam-se com facilidade em taludes Em relevos mais acidentados, predominam solos pou- de corte, sendo muito suscetíveis à erosão. Em relevos com co evoluídos, rasos a pouco profundos, com textura média vertentes mais íngremes, como dos tipos Domínio de Mor- a argilosa e moderadamente drenados. Podem apresentar ros e Domínio de Serras Baixas, estão sujeitos a movimentos associação com pedregosidade e rochosidade. A ocorrência de massa e a queda e rolamento de blocos, o que limita a de silte nesses solos os torna mais suscetíveis à erosão, de- ocupação urbana (Figuras 4.96 e 4.97). vido à dificuldade de esse material formar estruturas, uma vez que se comporta como partículas de areia muito fina, com baixa coesão e adesão entre si. Apresentam restrições à mecanização agrícola. Em relevos montanhosos, são comuns extensas áreas de afloramentos de rocha. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras A maior parte das rochas do domínio DCGR1 compor- ta-se como aquífero livre a semiconfinado de extensão re- gional, porosidade por fraturamento ampliada localmente por aquíferos com porosidade intergranular, descontínuos, heterogêneos e anisotrópicos (MACHADO, 2013). Os poços apresentam água com qualidade química boa para todos os fins: abastecimento doméstico, público, agrícola e industrial. O valor de TSD (Total de Sais Dissol- Figura 4.96 - Região montanhosa, com afloramento de blocos e vidos) geralmente é inferior a 300 mg/L. Os poços que matacões (unidade DGR1alc) (Governador Celso Ramos). captam água dos granitos podem apresentar altos teores Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. de flúor. Também ocorrem águas termais, radioativas. Esse domínio apresenta moderada a alta vulnerabili- dade à contaminação das águas subterrâneas. Apesar de Figura 4.97 - A cicatriz de escorregamento mostra a fragilidade dos terrenos formados por granitóides da unidade DCGR1salc, principalmente em períodos de alta pluviosidade (rodovia SC-431 entre Águas Mornas e São Bonifácio). Figura 4.98 - Perfil de Neossolo: estrutura de rocha-fonte na Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. unidade DGR1alc (Ibirama). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 99 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA os solos serem argilosos e apresentarem certa capacidade de reter poluentes, as rochas são muito fraturadas. Ocorrem fontes de águas minerais termais, que são explotadas em granitos alcalinos, principalmente nos mu- nicípios de Caldas da Imperatriz, Gravatal e Tubarão, por suas propriedades terapêuticas e para engarrafamento como água de mesa. Recursos minerais As rochas do domínio DCGR1 têm potencial para pro- dução de brita, pedra de talhe, uso em fundações e como agregados para concreto e outras aplicações (ornamental e revestimento) (Figuras 4.99 e 4.100). Os solos residuais podem ser utilizados como saibro. Associados à alteração dessas rochas, ocorrem depósitos de argila para cerâmica vermelha (Figura 4.101). Depósitos de caulim ocorrem relacionados à alteração intempérica Figura 4.101 - Extração de saibro em perfil de alteração de rocha granítica (unidade DGR1alc) (rodovia SC-310, Governador Celso de granitos alcalinos. Ramos). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. Figura 4.99 - (a) Lavra de granito para produção de (b) pedra de talhe em terrenos da unidade DCGR1alc (Sangão). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.100 - (a) Pedreira de granito em terrenos da unidade DCGR1salc; (b) a textura mostra potencial para rocha ornamental (Gaspar). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 100 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Registra-se a presença de quartzo preenchendo falhas e em pegmatitos, juntamente com feldspato, que são ex- plotados como insumos para a indústria cerâmica. O Distrito de Fluorita de Santa Catarina, no sul do estado, encontra-se inserido na unidade das séries alca- linas (DCGR1alc). As mineralizações de fluorita ocorrem em filões que se encaixam em zonas de falhas. Em outras regiões do estado, ocorre fluorita disseminada na rocha e em geodos. Mineralizações de barita podem ocorrer em veios ou associadas à fluorita. Aspectos ambientais e potencial turístico O domínio DGCR1 apresenta potencial turístico do ponto de vista geológico relacionado, principalmente, à beleza cênica das paisagens formadas por relevos escar- Figura 4.103 - Vista do mar no Costão do Santinho, uma área de pados e montanhosos, que, associadas aos ambientes preservação ambiental, devido aos registros de inscrições rupestres insular e costeiro, formam imponentes costões, rochedos e nos paredões rochosos da unidade DCGR1alc (Florianópolis). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. enseadas, como nas regiões de Balneário Camboriú, Porto Belo e Florianópolis (Figuras 4.102, 4.103 e 4.104). O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro ocupa cerca de um por cento do território catarinense e abrange áreas dos municípios de Florianópolis, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, São Bonifácio, São Martinho, Imaruí e Paulo Lopes. As ilhas do Siriú, dos Cardos, do Largo, do Andrade e do Coral e os arquipélagos das Três Irmãs e Moleques do Sul também estão dentro dos limites do parque (SANTA CATARINA, 20--). O parque, atualmente, é a maior unidade de conser- vação de proteção integral do estado, criada com o ob- jetivo de proteger a variada biodiversidade da região e os mananciais hídricos que abastecem as cidades da Grande Florianópolis e do sul do estado. Na região noroeste do Parque da Serra do Tabuleiro, dentro dos limites do município de Águas Mornas, as dre- Figura 4.104 - Costões rochosos (unidade DCGR1salc) nagens da sub-bacia do rio do Engano (rio do Cedro_1) parcialmente cobertos por vegetação (praia da Ilhota, Itapema). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. formam belas cachoeiras e corredeiras (Figura 4.105). Figura 4.102 - Vista do Morro da Cruz, com visada para o centro de Florianópolis e para a ponte Hercílio Luz, em uma porção da Figura 4.105 - Cachoeira do Mirante, localizada em um vale de região ilha com predominância de relevo montanhoso sustentado por predominantemente montanhosa, com vegetação bem preservada rochas graníticas da unidade DCGR1alc (Florianópolis). nos topos dos morros formados por rochas graníticas da unidade Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. DCGR1salc (Águas Mornas). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 101 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA DOMÍNIO DOS GRANITOIDES DEFORMADOS feldspato e quartzo estirados e frequentes intercalações (DCGR2) de sericita-xisto, grafita-xisto e quartzito fino (IGLESIAS et al., 2012). O domínio engloba rochas granitoides que apresen- A forma de relevo identificada nessa unidade foi clas- tam evidências de deformação e que foram subdivididas sificada como Domínio de Morros e de Serras Baixas (a). em três unidades geológico-ambientais com base em sua composição química e nas séries magmáticas em que se Séries Graníticas Subalcalinas (DCGR2salc) enquadram: Séries Graníticas Alcalinas (30), Séries Graní- ticas Subalcalinas (31) e Granitoides Peraluminosos (32) Essa unidade compreende rochas graníticas classifi- (Figura 4.106). cadas nas séries magmáticas subalcalinas englobando as calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e as toleíticas. São Séries Graníticas Alcalinas (DCGR2alc) granitoides foliados, porfiríticos, que têm, em sua compo- sição mineralógica, plagioclásio, quartzo, feldspato alcalino A unidade geológico-ambiental DCGR2alc é formada e biotita; como minerais acessórios, apatita e zircão. por rochas graníticas que integram a série alcalina sódica ou As unidades geológicas correspondentes a essa potássica. Corresponde à unidade geológica Granito Morro unidade geológico-ambiental são: Diorito Silveira, Granito do Parapente, que ocorre ao sul da cidade de Gaspar, no Morro da Neve; granitóides Garopaba, Paulo Lopes, Santo topo do Morro Pelado (IGLESIAS et al., 2012). Esse corpo Antônio e Santa Rosa de Lima; suítes Fernandes, Rolador granítico aflora em uma lente estreita (1,0 km) e alongada e Rio da Luz; Complexo Granítico Estaleiro; Metagranito- (15,0 km), de direção NE-SW, entre os granitoides alterados Granodiorito Rodeio; Suíte Intrusiva Zimbros (WILDNER et do Complexo Gnáissico-Migmatítico São Miguel, a norte, e al., 2012). os xistos da Formação Botuverá, do Complexo Metamórfico Os terrenos que constituem a unidade DCGR2salc Brusque, a sul. É descrito como um granitoide alcalino, apresentam as formas de relevo Chapada e Platôs (a); tipo A, pré-tectônico, milonitizado (leucossienogranito Domínio de Colinas Amplas e Suaves (b); Domínio de Co- milonitizado) descrito por Basei et al. (citado por IGLESIAS linas Dissecadas e Morros Baixos (c); Domínio de Morros et al., 2012). São rochas ricas em feldspato potássico, de e de Serras Baixas (d); Domínio Montanhoso (e); Escarpas cor vermelha, milonitizadas a cataclasadas, foliadas, com Serranas (f). Figura 4.106 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio DCGR2 no estado de Santa Catarina. Elaborado pelos autores, 2011. 102 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Granitoides Peraluminosos (DCGR2pal) A unidade é constituída por rochas derivadas de magmas ricos em alumínio, resultantes de refusão crustal. Correspondem a duas faixas com espessuras aproxima- das entre 0,5 a 2,5 km, associadas à unidade geológicas Milonitos e Protomilonitos Major Gercino, onde predomi- nam milonitos a protomilonitos de cor cinza-claro, leuco a hololeucocráticos, geralmente a biotita e muscovita e granulação fina (WILDNER et al., 2014). Os terrenos que constituem a unidade DCGR2pal apresentam as formas de relevo Domínio de Morros e de Serras Baixas (a) e Domínio Montanhoso (b). Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia No domínio DCGR2, as rochas granitoides apresentam alta resistência ao corte e à penetração por equipamentos utilizados em obras de terraplenagem, mas são terrenos com boa capacidade de suporte para construção de obras de grande porte. Em áreas onde existem rochas pouco alteradas, faz-se necessária a utilização de explosivos para execução de escavações. São litologias com comportamento geomecânico aniso- trópico. É o caso da foliação milonítica, estrutura resultante de deformação dúctil, que atua como planos de descontinui- dade geomecânica e hidráulica, facilitando a instalação de processos de desestabilização em taludes de corte, principal- mente quando as rochas se encontram parcialmente alteradas (Figura 4.107). As rochas desse domínio são suscetíveis ao desprendimento no formato de placas ou lascas. Esse domínio mostra alguns terrenos suscetíveis a escorregamentos em taludes de corte e naturais, princi- palmente quando as rochas se encontram muito alteradas (Figura 4.108). O manto de intemperismo é espesso, com profundidades atingindo valores superiores a 3,0 m. Nas regiões de Porto Belo, Jaraguá e Benedito Novo as encostas dos morros estão sujeitas à erosão e a movimentos de massa, dentre os quais, quedas de blocos, principalmen- te em setores com declividades acentuadas, constituindo-se em áreas restritas para ocupação urbana. Também podem ocorrer escorregamentos em relevos suaves, induzidos Figura 4.107 - (a) Frente de extração mineral que apresenta locais por intervenções antrópicas, como execução de taludes em que ocorreu queda de blocos e lascas de rocha; (b) aspectos estruturais do granitoide, com destaque para a direção da foliação de cortes para construção de rodovias e abertura de lotes existente na rocha (unidade DCGR2pal) (Porto Belo). Fotografia: para construção de residências. Ana Claudia Viero, 2010. Agricultura são essencialmente aluminosos e, como o alumínio é tóxico para as plantas, torna-se necessária a sua correção, para se As rochas graníticas do domínio DCGR2 dão origem alcançar uma boa resposta na produtividade das culturas. a solos com perfis predominantemente pouco evoluídos, Apresentam fragmentos de rocha que caracterizam certo pouco profundos a rasos, com textura argilosa a média, grau de pedregosidade, o que limita o uso para agricultura moderadamente drenada (Figura 4.109). Os solos graníticos mecanizada. 103 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA O alto teor de silte e a pouca profundidade fazem com que esses solos tenham permeabilidade muito baixa, o que pode ocasionar, em períodos de fortes chuvas, a deflagração de processos erosivos, com a formação de sulcos, mesmo em áreas utilizadas apenas para pastagens. Também ocorrem solos que apresentam boa fertili- dade, devido à proximidade da rocha-fonte geradora. Os minerais ferromagnesianos, ao sofrerem alteração química, liberam elementos essenciais, tais como ferro, potássio, cálcio e magnésio, para o desenvolvimento de vários tipos de culturas agrícolas. Os terrenos da unidade DGR2salc situam-se em parte da região dos municípios de São Martinho e Armazém, onde exibem relevo montanhoso. Tal característica Figura 4.108 - Taludes em bancadas com problemas de erosão, geomorfológica é fator limitante à mecanização agrícola exigindo a construção de escadas d’água para controle das águas (Figura 4.110). pluviais (Porto Belo). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.110 - Relevo montanhoso, com vegetação nativa nas encostas e áreas ocupadas com reflorestamento (São Martinho). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras Nesse domínio há maior possibilidade de existência de fraturas regionais com potencial armazenador e circulador de água, especialmente nas bordas dos maciços, constituin- do-se em terrenos com média importância hidrogeológica. As águas subterrâneas ocorrem em aquíferos fissurais descontínuos, com potencial hidrogeológico heterogêneo, podendo apresentar altos teores de flúor. Figura 4.109 - Perfil de solo Cambissolo Háplico, originado de Em área em que os solos residuais são pouco evoluídos rochas granitoides da unidade DCGR2salc (rodovia SC-108, Major ou rasos, o risco de contaminação das águas subterrâneas é Gercino). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. alto, exigindo cuidados especiais com fontes potencialmen- te poluidoras. Os solos argilo-síltico-arenosos apresentam Os Cambissolos são pouco profundos, muitas vezes capacidade de fixar e eliminar poluentes bastante restrita. cascalhentos, e pouco desenvolvidos, com horizonte B Quanto mais espessas essas coberturas, maior a eficiência incipiente. São classificados como solos “jovens”, devido à em reduzir a contaminação dos aquíferos profundos. presença, em sua matriz, de minerais primários e de altos Os solos residuais de granitos, quando espessos, teores de silte, até mesmo nos horizontes superficiais. podem representar potenciais aquíferos superficiais. No 104 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO entanto, quando situados em áreas muito urbanizadas, são O potencial turístico, do ponto de vista geológico, suscetíveis à contaminação por águas servidas ou podem está associado à beleza cênica das paisagens, conforme já estar contaminados. se observa na região litorânea de Bombinhas, Garopaba, Imbituba e Porto Belo, com o delineamento de extensos Recursos minerais costões rochosos e belas enseadas. Nas regiões continentais que englobam relevos escar- O Distrito de Fluorita de Santa Catarina abrange pados, montanhosos e com rochas aflorantes, os rios que terrenos da unidade DCGR2salc. Registra-se potencial escoam pelas drenagens formam inúmeras corredeiras e mineral relacionado a jazimentos de fluorita filoniana nos cachoeiras, como as registradas na região de São Martinho municípios de Armazém, Anitápolis, Braço do Norte, Rio e Angelina (Figuras 4.112 e 4.113). Fortuna, Santa Rosa de Lima e Tubarão (SANTA CATARINA, 1986; SILVA; LEITES, 2000). Os depósitos de quartzo que ocorrem na forma de veios ou massas preenchendo falhas em pegmatitos, jun- tamente com feldspato, são explotados como insumos para as indústrias de cerâmica e de vidros situadas na região dos municípios de Grão Pará, Santa Rosa de Lima, São João Batista e Tubarão (SILVA; LEITES, 2000). Esse domínio mostra potencial para aproveitamento da rocha granítica para produção de brita e rocha ornamen- tal. Entretanto, torna-se necessária a realização de estudos de maior detalhe para avaliar a viabilidade econômica para exploração mineral dos granitos. Registram-se, nesse domínio, inúmeras jazidas de pequeno porte para extração de saibro, para utilização na manutenção de estradas secundárias e vicinais (Figura 4.111). Figura 4.112 - Pequena queda d’água no rio Capivaras, formada pelo desnível estrutural existente nas rochas graníticas da unidade DCGR2salc; área utilizada para lazer pela comunidade local (São Martinho). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. Figura 4.111 - Frente de lavra de pequeno porte para extração Figura 4.113 - Fortes corredeiras no leito do rio Capivaras, de saibro em rocha granítica da unidade DCGR2pal (Porto Belo). devido ao afloramento de lageados, matacões e blocos de rochas Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. graníticas da unidade DCGR2salc (São Martinho). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. Aspectos ambientais e potencial turístico DOMÍNIO DOS GRANITOIDES INTENSAMENTE Os terrenos desse domínio são caracterizados por DEFORMADOS: ORTOGNAISSES (DCGR3) belas paisagens, como resultado da resistência da rocha ao intemperismo e do controle estrutural. São frágeis do Esse domínio é formado por rochas granitoides ponto de vista ambiental, devido à elevada suscetibilidade resultantes da fusão parcial da fração crustal primitiva, à erosão nos terrenos declivosos. que foram intensamente deformadas e metamorfizadas, 105 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA gerando uma associação de ortognaisses. Registram-se toleíticas, nas quais os minerais diagnósticos são hornblen- exposições dessas litologias entre os municípios de Santo da, biotita, titanita e epídoto. Amaro da Imperatriz, Angelina, Porto Belo e Camboriú. De As rochas dessa unidade integram o Complexo Águas forma isolada, ocorrem em pequena área a nordeste de Mornas, que foram descritas por ZANINI et al. (1997) como Campo Alegre, próximo à divisa com o estado do Paraná. uma associação de ortognaisses polifásicos e o Complexo No estado de Santa Catarina, esse domínio está repre- Porto Belo que são ortognaisses graníticos a granodioríticos sentado por duas unidades geológico-ambientais: Associações com ocorrência subordinada de metatonalitos e biotita Charnockíticas (33) e Séries Graníticas Subalcalinas: Calcialca- gnaisses finamente laminados (WILDNER et al., 2014). linas (Baixo, Médio e Alto-K), e Toleíticas (34) (Figura 4.114). Os terrenos que constituem a unidade DCGR3salc apresentam as formas de relevo Chapadas e Platôs (a); Do- Associações Charnockíticas (DCGR3ch) mínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b); Domínio de Morros e de Serras Baixas (c); Domínio Montanhoso (d). Essa unidade geológico-ambiental corresponde à uni- dade geológica Charnockito Postema (IGLESIAS et al., 2012). Características, Adequabilidades/ Trata-se de um metagranito protomilonítico a milonítico Potencialidades e Limitações Frente ao Uso foliado a bandado com fenocristais de feldspato alcalino, e à Ocupação plagioclásio e quartzo arredondado, matriz granoblástica poligonal com quartzo, piroxênios, horblendas e biotita. Obras de engenharia A unidade DCGR3ch ocorre em relevo do tipo Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a), em uma pequena área se- O domínio é formado por rochas que, mesmo muito micircular entre os municípios de Campo Alegre e Garuva. deformadas, apresentam alta resistência ao intemperismo físico e químico e alta resistência ao corte e à penetração. Séries Graníticas Subalcalinas (DCGR3salc) A estruturação na rocha, sob a forma de foliação, e o bandamento composicional, que resulta em um material A unidade compreende rochas intensamente deforma- com diferentes resistências ao intemperismo, atuam como das, que são classificadas nas séries graníticas subalcalinas, descontinuidades geomecânica e hidráulica. A foliação englobando as calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e as milonítica mostra alinhamento e deformação mineral, Figura 4.114 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio DCGR3 no estado de Santa Catarina. Elaborado pelos autores, 2011. 106 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO originando um plano principal subparalelo à zona de cisa- lhamento. Essas estruturas planares facilitam a ocorrência de instabilidade mecânica em taludes de corte em rocha. Os terrenos com relevos acidentados e declivosos (Figura 4.115) são impróprios para ocupação urbana, por serem muito suscetíveis à erosão e a movimentos de mas- sa. Também podem ocorrer escorregamentos em relevos suaves, induzidos por intervenções antrópicas, como a execução de taludes de cortes para construção de rodovias (Figuras 4.116 e 4.117). Figura 4.117 - Obras de reconformação de talude, plantio de vegetação e colocação de contenção na base do muro de gabião; escorregamento na unidade DCGR3salc (Águas Mornas). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. São solos com baixa permeabilidade, mas com boa capacidade de reter e fixar elementos e de assimilar matéria orgânica, respondendo bem à adubação. Como há predomínio de rochas em que a composição mineralógica contém grandes concentrações de minerais Figura 4.115 - Em primeiro plano, típico relevo de morros, que ferromagnesianos, os solos residuais podem apresentar varia para montanhoso (unidade DCGR3salc) (Águas Mornas). mais alta fertilidade natural, contribuindo para boa disponi- Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. bilidade de micronutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas. Na região de Antônio Carlos e São Pedro de Alcântara, ocorrem solos mais evoluídos, profundos, argilosos, com características físicas superiores, sendo utilizados para plantio de hortaliças e cana-de-açúcar. O predomínio de relevo montanhoso é um aspecto limitante à mecanização agrícola. Nessas áreas, pode aflo- rar, em muitos setores, a rocha alterada ou o horizonte C do solo, que é suscetível à erosão, restringindo, também, a mecanização e, consequentemente, o potencial agrícola. Registram-se, ainda, pequenos e isolados setores com relevo pouco mais suavizado. São locais recobertos por so- los com melhor potencial agrícola. Para serem aproveitados, necessitam ser manejados com práticas conservacionistas, sendo recomendadas culturas de ciclo longo. Figura 4.116 - Obra de contenção às margens da rodovia BR-101 Recursos hídricos subterrâneos (unidade DCGR3salc) (Balneário Camboriú). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. e fontes poluidoras Agricultura Nesse domínio, os aquíferos são praticamente im- produtivos na maior parte dos terrenos e com pequena Nesse domínio, ocorrem Cambissolos Háplicos e Ne- possibilidade para água subterrânea nas porções topo- ossolos Litólicos (EMBRAPA, 1998). graficamente mais baixas. As águas captadas nos poços Trata-se de solos ácidos, com baixa fertilidade na- existentes podem apresentar enriquecimento em flúor. tural, predominando perfis pedogenéticos pouco desen- Há bom potencial mineral relacionado a fontes de volvidos, pouco profundos, com predomínio de textura águas minerais termais na região de Águas Mornas. Em argilosa. O excesso de alumínio prejudica o desenvolvi- função de suas propriedades terapêuticas, apresentam mento das plantas. qualidades para uso como água de mesa. 107 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA As rochas granitoides muito deformadas comportam- DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GNÁISSICO- se como aquíferos com baixa possibilidade para água MIGMATÍTICOS E GRANULÍTICOS (DCGMGL) subterrânea em fraturas. Os poços apresentam capacidades específicas inferiores a 0,5 m³/h/m, mas também ocorrem Esse domínio é formado por complexa associação de poços secos. rochas derivadas de outras mais antigas, que, ao longo da Os solos argilosos apresentam boa capacidade para história geológica, foram submetidas à superposição de reter e fixar poluentes, embora apresentem pequena eventos tectonometamórficos de caráter compressivo, em espessura. condições de elevadas temperaturas e pressão. Ao longo de seu processo evolutivo, ocorreram even- Recursos minerais tos de fusão, refusão e assimilação de magma mais novo e, depois, tectonismo de transporte com metamorfismo As rochas gnáissicas apresentam potencial para uso de alto grau, que originaram tipos variados de litologias na construção civil, sendo necessário, para tanto, a avalia- graníticas, gnáissicas, migmatíticas e granulíticas. ção de suas características tecnológicas. Dependendo do No estado de Santa Catarina, esse domínio se encontra grau de alteração, as rochas apresentam potencial para representado por quatro unidades geológico-ambientais: utilização como material de empréstimo do tipo saibro. Predomínio de Migmatitos Ortoderivados (35); Predomí- nio de Gnaisses Paraderivados. (36); Gnaisses Granulíticos Aspectos ambientais e potencial turístico Ortoderivados (37); Predomínio de Gnaisses Ortoderivados (38) (Figura 4.119). Os terrenos do domínio DCGR3 são bastante frágeis, tendo em vista as características de relevo montanhoso, Predomínio de Migmatitos Ortoderivados predominante, e das rochas com muitas descontinuidades. (DCGMGLmo) Apresentam elevada suscetibilidade à erosão e a movi- mentos de massa. Adicionalmente, podem existir setores Essa unidade geológico-ambiental compreende, predo- com disponibilidade hídrica limitada, devido à porosidade minantemente, migmatitos – rochas metamórficas, heterogê- primária nula e secundária baixa. neas, que apresentam porções claras e escuras, sendo que as Nesse domínio, onde a ocupação do solo se dá por porções claras apresentam aspecto ígneo e as porções escuras meio de pequenas propriedades rurais, é possível poten- exibem feições metamórficas, como bandamento, alinhamen- cializar o desenvolvimento do ecoturismo ou turismo rural, to mineral, foliação e dobras (ZIMBRES, 2010). Corresponde às aliado às paisagens de destacada beleza cênica da região. unidades geológicas: Complexo Camboriú, Complexo Ribeirão Registra-se, também, potencial geoturístico associado da Prata, Migmatitos Morro do Boi, Granito Ponta do Cabeço às fontes de águas termais e às belezas naturais constituídas e Metatonalito Presidente Nereu (WILDNER et al., 2014). por relevos acidentados, cascatas e cachoeiras no sopé da O Complexo Camboriú segundo Wildner et al. (2014) serra do Tabuleiro. é uma associação litológica entre rochas bandadas a fina- A ocorrência de morros junto às praias, formando mente lamindas, compreendendo ortognaisses tonalítico belos cenários naturais, é atrativo turístico nos municípios a granodioríticos, anfibolitos e paragnaisses migmatíticos, de Balneário Camboriú e Bombinhas (Figura 4.118). sucessivas fases de injeções graníticas e leucograníticas de espessura milimétrica a decamétrica, concordantes ou não com a estrutura principal; bandamentos de fluxo ígneo ou metamórfico da fácies anfibolito médio a superior, origi- nalmente suborizontal; termos ígneos bandados contêm abundantes xenólitos de gnaisses quartzo-feldspáticos, anfibolíticos, calcissilicáticos e pelíticos. Segundo Wildner et al. (2014) o Complexo Ribeirão da Prata é formado por migmatitos estromáticos com biotita gnaisses e anfibólio gnaisses máficos como constituintes principais do mesossoma. Leucossoma composto por bandas centimétricas de leucogranitos róseos foliados. São comuns corpos de gnaisses máficos, anfibolitos e me- tagabros, bem como de granitoides róseos deformados. A unidade Migmatitos Morro do Boi é descrita por Basei et al. (2010 citado por IGLESIAS et al., 2012) como migmatitos com predomínio de estrutura estromática. Va- Figura 4.118 - Morros (unidade DGR3salc) junto ao mar compõem riam desde homogêneos, de aspecto maciço a finamente belas paisagens do tipo costões (porção sul da praia de Zimbros, bandados, a alternâncias entre níveis milimétricos máficos Bombinhas). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. e bandas quartzofeldspáticas félsicas. Diversas gerações 108 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 4.119 - Áreas de ocorrência das unidades geológico-ambientais formadoras do domínio DCGMGL no estado de Santa Catarina. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011, de leucossomas quartzofeldspáticos cinza-esbranquiçado, do metamorfismo de rochas sedimentares preexistentes. foliados, com ou sem desenvolvimento de melanossomas Corresponde à unidade geológica Paragnaisses Granulíti- biotíticos, são freqüentes. cos Luís Alves, que integra o Cráton Luís Alves - Complexo O Granito Ponta do Cabeço segundo Wildner et al. Granulítico Santa Catarina (IGLESIAS et al., 2012). (2014) é formado por granitoides migmatíticos com estru- Consistem de rochas metassedimentares representa- tura, de composição tonalítica a granodiorítica e textura das por lentes de quartzitos a fuchsita, gnaisses kinzigíticos, equi a inequigranlar grossa. Presença marcante de enclaves/ gnaisses calcissilicatados subordinados e formações do xenólitos de tamanhos e formas diversas de anfibolitos tipo ferríferas. maciços a bandados, piroxenitos. Xenólitos de gnaisses Os terrenos da unidade DCGMGLgnp apresentam as tonalíticos e migmatitos estromáticos são comuns formas de relevo Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a); Por fim, o Metatonalito Presidente Nereu formado Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b); Domí- por migmatitos com estrutura estromática, mesossoma nio de Morros e de Serras Baixas (c); Escarpas Serranas (d). tonalito-granodiorítico (anfibólio e biotita), leucossoma quartzo-feldspático foliado e melanossoma máfico a base Gnaisses Granulíticos Ortoderivados de distintas proporções de plagioclásio. Bandamento ígneo (DCGMGLglo) primário preservado e zonas miloníticas pouco desenvolvi- das (WILDNER et al., 2014). Essa unidade é a que apresenta maior extensão dentre Nos terrenos da unidade DCGMGLmo ocorrem as as quatro constituintes do domínio DCGMGL, as exposições formas de relevos Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a); destes gnaisses granulíticos ortoderivados estão posicio- Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b); Domínio nadas a norte entre os municípios de São Bento do Sul e de Morros e de Serras Baixas (c); Domínio Montanhoso (d) Garuva, ao sul entre os municípios de Indaial, Blumenau, (esse último é o relevo predominante). Gaspar e Ilhota, a oeste por Jaraguá do Sul e a leste pelos municípios de Barra Velha, Piçarras e Penha. Predomínio de Gnaisses Paraderivados Corresponde à unidade geológica Ortognaisses (DCGMGLgnp) Granulíticos Luís Alves que engloba os seguintes litotipos: gnaisses enderbíticos, charnoenderbiticos e trondhjemitos A unidade geológico-ambiental DCGMGLgnp é cons- com enclaves máficos de gabronoritos, piroxenitos e hor- tituída por um grupo variado de rochas geradas a partir blenditos (IGLESIAS et al., 2012). 109 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Os terrenos que constituem essa unidade apresentam as formas de relevo Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a); Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos (b); Domínio de Morros e de Serras Baixas (c); Domínio Montanhoso (d); Escarpas Serranas (e). Predomínio de Gnaisses Ortoderivados (DCGMGLgno) O DCGMGLgno compreende os terrenos constituídos por gnaisses que podem conter porções migmatíticas, gerados a partir do metamorfismo de rochas ígneas. As rochas encontram-se comumente milonitizadas e dobradas. Correponde às unidades geológicas Ortognaisses Po- Figura 4.120 - Blocos rochosos superficialmente expostos e merode, Complexo São Francisco do Sul e Augen Gnaisse parcialmente enterrados no perfil do solo (unidade Navegantes (IGLESIAS et al., 2012). DCGMGLglo) (rodovia SC-418, Jaraguá do Sul). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Os Ortognaisses Pomerode consistem, predominan- temente, de gnaisses tonalíticos a granodioríticos foliados Os gnaisses apresentam camadas ou bandas com a bandados, localmente porfiríticos e com enclaves de composições mineralógicas muito distintas que se alternam metagabros e hornblenditos. e que possuem diferentes resistências ao intemperismo O Complexo São Francisco do Sul é formado por químico. As camadas mais claras são constituídas por gnaisses dioríticos, quartzo monzodiorito, granodioritos, quartzo e feldspatos e são mais resistentes ao intemperis- trondhjemitos e monzograníticos, localmente com feições mo do que as camadas escuras, compostas por minerais de migmatização. ferromagnesianos (Figura 4.121). E por fim a unidade Augen Gnaisse Navegantes é formada por augen gnaisses blastomiloníticos a protomi- loníticos, contendo porfiroclastos de plagioclásio envoltos por faixas recristalizadas de quartzo e anfibólios e biotita. Os terrenos que constituem a unidade DCGMGLgno apresentam as formas de relevo Domínio de Colinas Amplas e Suaves (a); Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Bai- xos (b); Domínio de Morros e de Serras Baixas (c); Domínio Montanhoso (d); Escarpas Serranas (e). Características, Adequabilidades/ Potencialidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de Engenharia Figura 4.121 - Rocha com bandamento de camadas escuras e Os terrenos que compõem o domínio DCGMGL se mais claras, que caracteriza composições mineralógicas diferentes caracterizam por complexa associação de rochas meta- e distintos padrões de resistência ao intemperismo (unidade DCGMGLglo) (serra Dona Francisca, rodovia SC-301, Joinville). mórficas com diferentes composições e comportamentos Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. geomecânico e hidráulico. Predominam nesse domínio rochas gnáissicas, que Os terrenos com relevo mais dissecado e mais de- apresentam alta resistência ao corte e à penetração e que clivoso, predominante, são mais suscetíveis à erosão e a requerem o uso de explosivos em frentes de escavação. movimentos de massa, dentre os quais, quedas de blocos, As rochas formadoras desse domínio são muito fratu- embora possam ocorrer escorregamentos em relevos su- radas, portadoras de estruturas planares tais como foliações aves induzidos por intervenções antrópicas, como taludes e bandamentos, que atuam como descontinuidades geome- de cortes em estradas (Figuras 4.122 e 4.123). cânicas e hidráulicas. Tais estruturas podem causar instabili- Os terrenos das unidades DCGMGLglo e DCGMGLgno dades em taludes de corte, principalmente quando as rochas são muito suscetíveis à erosão e a movimentos de massa, se encontram alteradas, originando matacões. Esses blocos devido a fatores tais como acentuado grau de alteração, rochosos podem dificultar a execução de obras subterrâneas estruturação das rochas e acentuadas declividades que e provocar instabilidades em edificações (Figura 4.120). podem apresentar. Grande parte dos terrenos da região 110 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO do Morro do Baú, no Vale do Itajaí, onde ocorreram, em Agricultura novembro de 2008, diversos escorregamentos e corridas de detritos com dimensões até então nunca registradas, Nos terrenos do domínio DCGMGL predominam so- com destruição de casas com vítimas fatais, integra essas los do tipo Cambissolos, Neossolos Litólicos e Argissolos unidades (Figura 4.124). Vermelho-Amarelo (EMBRAPA, 2004). Nos relevos mais acidentados, onde predominam Neossolos Litólicos seguidos de Cambissolos, os so- los residuais com pequena espessura frequentemente apresentam fragmentos de rocha, o que, associado às declividades acentuadas, limita o desenvolvimento de agricultura mecanizada. Esses solos são indicados para manutenção da vegetação natural, com consequente preservação da flora e da fauna. A região de Luís Alves, onde os terrenos da unidade DCGMGLglo apresentam relevo dissecado sob a forma de morros e serras baixas até montanhoso, tem na cultura da banana sua principal atividade econômica, sendo o nível tecnológico adotado o mais avançado desse tipo de produção (Figura 4.125). Figura 4.122 - Talude com problemas de instabilidade geotécnica Os solos originados da decomposição dos gnaisses (unidade DCGMGLglo) (rodovia BR-101, Joinville). paraderivados apresentam baixa fertilidade natural por se- Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. rem muito aluminosos e com elevada acidez. Representam as áreas mais utilizadas para pastagens. Recursos hídricos subterrâneos e fontes poluidoras O potencial hidrogeológico dessas rochas é variável e depende da existência, distribuição, tamanho, densidade Figura 4.123 - Talude com grande área de ruptura junto ao acostamento da rodovia SC-301, próximo ao Km 108 (unidade DCGMGLglo) (Joinville). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.124 - Escorregamento na localidade Alto Baú (unidade Figura 4.125 - Relevo dissecado sob a forma de morros (unidade DCGMGLglo) (Morro do Baú, Ilhota). DCGMGLglo) utilizado para plantio de banana ((Luís Alves). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2008. Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 111 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA e interconectividade das fraturas, somado às condições As rochas desse domínio, por serem bastante tecto- climáticas locais. Assim, mesmo em áreas onde os índices nizadas – processo geológico gerador de falhas e fraturas, pluviométricos são mais elevados, podem ocorrer poços por onde águas superficiais podem infiltrar-se e alcançar ra- com excelentes vazões, enquanto em áreas próximas, pidamente os lençóis subterrâneos – facilitam a percolação os poços poderão apresentar baixas vazões ou mesmo de poluentes tais como produtos químicos acidentalmente estarem secos. derramados ao longo da rodovia. O domínio engloba rochas fortemente tectoniza- Ao sofrerem intemperismo, essas rochas geram solos das, que apresentam ambiência favorável a armadilhas argilo-síltico-arenosos, pouco permeáveis, com alta capa- hidrogeológicas relacionadas a falhas, fraturas e outras cidade de reter, fixar e eliminar poluentes. Nas áreas em descontinuidades estruturais, classificando-se como aquí- que a pedogênese é avançada, há risco reduzido de con- fero fissural; geralmente, apresentam bom potencial para taminação do lençol freático e dos aquíferos subterrâneos. exploração de águas subterrâneas. Em áreas onde as rochas afloram e os solos são pou- Nas rochas gnáissicas e ortognáissicas, as águas co evoluídos ou rasos, é considerado alto o potencial de subterrâneas circulam e são armazenadas em falhas e contaminação das águas subterrâneas. Portanto, cuidados fraturas, sendo, por isso, denominadas aquíferos fissurais especiais devem ser tomados com todas as fontes poten- descontínuos (Figura 4.126ab). cialmente poluidoras instaladas nessas áreas. Nessa região, em áreas com menor declividade e formação de solos residuais argilosos, a permeabilidade Recursos minerais poderá variar de baixa a moderada, sendo locais desfavo- ráveis à recarga de lençóis de água subterrânea. Nessa região afloram gnaisses granulíticos paraderiva- dos aluminosos, rocha-fonte do “Coríndon de Barra Velha”. Esse mineral ocorre de forma dispersa em grande área na região de Descalvado, próximo ao limite dos municípios de São João do Itaperiú e Barra Velha. Os jazimentos de coríndon com coloração avermelhada mostram condições de aproveitamento como gema, tendo sido pesquisados em áreas onde ocorrem depósitos de cascalho e camadas argilosas de origem aluvionar e em colúvios e solos atuais (IGLESIAS et al., 2012). Nas unidades DCGMGLgnp e DCGMGLglo são conhe- cidas ocorrências de ouro em filões e veios hidrotermais de quartzo e carbonato cortando gnaisses granulíticos do Complexo Granulítico de Santa Catarina. A mina de ouro Schramm, situada na cidade de Gaspar, é importante exemplo de mineralização aurífera na região. Em terrenos da unidade DCGMGLgno, a sudoeste de Corupá, Iglesias et al. (2012) registraram a existência de fonte de água mineral equipada para extração e comer- cialização do produto. A unidade DCGMGLgnp engloba quartzitos com potencial para utilização como revestimento e até mesmo como gema, saibro e areia para uso industrial e na cons- trução civil. Nos terrenos da unidade DCGMGLgno são registradas atividades de produção de brita (Figura 4.127). Os solos residuais que ocorrem nas unidades DCG- MGLglo e DCGMGLgno podem ser utilizados como mate- rial de empréstimo, sendo extraídos em meia-encosta de colinas e morros baixos (Figuras 4.128 e 4.129). Aspectos ambientais e potencial turístico Figura 4.126 - (a) afloramento de rochas gnáissicas (unidade O potencial geoturístico nesse domínio está associado DCGMGLglo); (b) surgências de água subsuperficial entre os planos de fraturas escoando no sentido das canaletas pluviais existentes às belezas cênicas da paisagem que ocorrem nos relevos junto ao acostamento (rodovia SC-301, subida da serra Dona mais movimentados, como, por exemplo, na região em Francisca, Joinville). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. que está situada a serra Dona Francisca. Por suas encostas 112 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO escoam rios, riachos e córregos, que, devido às quebras de relevo e aos afloramentos de rocha em seus leitos, favorecem a formação de corredeiras e quedas d’água do tipo cachoeiras e cascatas. Na região de Luís Alves, o rio de mesmo nome mostra a ocorrência de corredeiras e pe- quenas quedas d’água. Na região de Corupá são conhecidas inúmeras cachoeiras e quedas d´água, havendo, inclusive, um roteiro turístico denominado Rota das Cachoeiras, que abrange também terrenos do domínio DSVP1. A predominância de relevos montanhosos e escar- pados em terrenos do domínio DCGMGL favorece a exis- tência de nascentes e de rios com alta energia, onde há grandes áreas preservadas de Mata Atlântica, formando Figura 4.127 - Área de extração de saibro e rocha (unidade DCGMGLgno) para uso na construção civil; (no canto inferior ambiente e paisagens com grande valor natural e potencial direito, fragmento de rocha gnáissica extraída no local) para uso turístico e criação de unidades de conservação (Navegantes). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. (Figuras 4.130 e 4.131). Figura 4.128 - Área de empréstimo em atividade (unidade Figura 4.130 - Lajeados com formação de corredeiras e pequenas DCGMGLgno) (rodovia BR-470, Indaial). quedas d’água ao longo do leito do rio Luís Alves (unidade Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. DCGMGLglo) (Luís Alves). Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. Figura 4.129 - Área de extração de solo com textura argilosa Figura 4.131 - Vista do morro do Mirante: os topos alinhados (unidade DCGMGLglo) para uso como material de empréstimo dos morros formados pelas unidades DCGMGLgnp e DGMGLglo na manutenção de estradas em leito natural dos tipos vicinal, destacam-se em meio à densa ocupação urbana e se apresentam secundária e agrícola (rodovia SC-108, Guaramirim). cobertos por vegetação bem preservada (Joinville). Fotografia: Carlos Augusto B. Peixoto, 2011. Fotografia: Ana Claudia Viero, 2010. 113 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Nos locais em que o relevo se apresenta mais movimen- HUECK, M.; OSAKO, L.; SIGA., O.; PASSARELLI, C.R. tado podem ocorrer áreas com alto grau de suscetibilidade Tectonic evolution of the Brusque group, Dom Feliciano a eventos geológico-geotécnicos do tipo escorregamentos belt, Santa Catarina, southern Brazil, Journal of South e quedas de blocos (Figuras 4.132 e 4.133). American Earth Sciences, v. 32, n. 4, p. 324-350, 2011. BOTUVERÁ (SC). Prefeitura. Parque das grutas. 2007. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2010. BRANCO, P. de M.; GIL, C.A. Mapa gemológico do estado de Santa Catarina. Porto Alegre: CPRM, 2000. Escala 1:1.000.000. (Informe de Recursos Minerais. Série Pedras Preciosas, n. 06). CARUSO JR., F. Geologia e recursos minerais da região costeira do sudeste de Santa Catarina: com ênfase no Cenozoico. 1995. 180 f. Tese (Doutorado em Geociências) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1995. Figura 4.132 - Área (unidade DGMGLgnp) em processo de recuperação, com obras de contenção de taludes e reordenamento do escoamento pluvial (rodovia BR-101, Joinville). COMIN-CHIARAMONTI, P.; GOMES, C.B.; CASTORINA, Fotografia: Ana Claudia Viero, 2011. F.; DI CENSI, P.; ANTONINI, P.; FURTADO, S.; RUBERTI, E.; SCHEIBE, L.F. Geochemistry and geodynamic implications of the Anitápolis and Lages alkaline- carbonatite complexes, Santa Catarina state, Brazil. Revista Brasileira de Geociências, v. 32, n. 1, p. 43-58, 2002. CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil: influência da geologia dos grandes geossistemas no uso e ocupação dos terrenos. Brasília, DF: CPRM, 2006. 68 p. CRÓSTA, A.P.; KAZZUO-VIEIRA, C.; CHOUDHURI, A.; SCHRANK, A. Astroblema Domo de Vargeão, SC: registro de impacto meteorítico sobre rochas vulcânicas da bacia do Paraná. 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Página modificada pela última vez às Excursão virtual aos Aparados da Serra – RS/ 15h09min de 6 de agosto de 2010. 116 APÊNDICE I UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Ambiente de planícies aluvionares recentes – Material inconsolidado e de espessura variável. DCa Da base para o topo, é formado por cascalho, areia e argila. Ambiente de terraços aluvionares – Material inconsolidado a semiconsolidado, de espessura DCta variável. Da base para o topo, é formado por cascalho, areia e argila. Ambiente fluviolacustre – Predomínio de sedimentos arenosos, intercalados com camadas DCfl argilosas, ocasionalmente com presença de turfa. Ex.: Fm. Içá. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS INCONSOLIDADOS OU POUCO CONSOLIDADOS, DC Ambiente lagunar – Predomínio de sedimentos DCl DEPOSITADOS EM MEIO AQUOSO. argilosos. Ambiente paludal – Predomínio de argilas DCp orgânicas e camadas de turfa. Ambiente marinho costeiro – Predomínio DCmc de sedimentos arenosos. Ambiente misto (Marinho/Continental) – Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, DCm argilosos, em geral ricos em matéria orgânica (mangues). Colúvio e tálus – Materiais inconsolidados, DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCICT de granulometria e composição diversa DCICT INCONSOLIDADOS DO TIPO COLUVIÃO E TÁLUS. proveniente do transporte gravitacional. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS INDIFERENCIADOS CENOZOICOS RELACIONADOS A RETRABALHAMENTO DE OUTRAS ROCHAS, GERALMENTE ASSOCIADOS A SUPERFÍCIES Relacionado a sedimentos retrabalhados DE APLAINAMENTO. DCSR de outras rochas – Coberturas DCSR arenoconglomeráticas e/ou síltico-argilosas Obs.: Engloba as coberturas que existem na associadas a superfícies de aplainamento. zona continental e representam uma fase de retrabalhamento de outras rochas que sofreram pequeno transporte em meio não aquoso ou pouco aquoso. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS PROVENIENTES DA ALTERAÇÃO DE ROCHA IN SITU COM GRAU DE ALTERAÇÃO VARIANDO DCEL Sedimentos eluviais. DCEL DE SAPRÓLITO A SOLO RESIDUAL, EXCETO AS LATERITAS. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCB Plataforma continental – recifes. DCBr BIOCLÁSTICOS. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCE Dunas móveis – Material arenoso inconsolidado. DCEm EÓLICOS. 3 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCE Dunas fixas – Material arenoso fixado DCEf EÓLICOS. pela vegetação. Depósitos fluviais antigos – Intercalações DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCF de níveis arenosos, argilosos, siltosos DCFa SEMICONSOLIDADOS FLUVIAIS. e cascalhos semiconsolidados. Ex.: Formação Pariquera-Açu. Depósitos detrito-lateríticos – Provenientes de processos de lateritização em rochas DCDL de composições diversas sem a presença de DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS crosta.DCDL DETRITO-LATERÍTICAS. Horizonte laterítico in situ – Proveniente de processos de lateritização em rochas DCDLi de composições diversas formando crosta. Ex.: Crostas ferruginosas. Depósitos detrito-carbonáticos – Provenientes DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS DCDC de processos de lateritização em rochas DCDC DETRITO-CARBONÁTICAS. carbonáticas. Ex.: Formação Caatinga. Predomínio de sedimentos arenosos. Ex.: Sedimentos associados a pequenas bacias continentais do tipo rift, como as bacias de DCMRa Curitiba, São Paulo, Taubaté, Resende, dentre outras. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E/OU MESOZOICOS POUCO A MODERADAMENTE DCMR CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PEQUENAS Predomínio dos sedimentos síltico-argilosos. DCMRsa BACIAS CONTINENTAIS DO TIPO RIFT. Calcários com intercalações síltico-argilosas. DCMRcsa Ex.: Formação Tremembé. Alternância irregular entre camadas de DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS DCT sedimentos de composição diversa (arenito, POUCO A MODERADAMENTE CONSOLIDADOS, DCT siltito, argilito e cascalho). ASSOCIADOS A TABULEIROS. Ex.: Formação Barreiras. Predomínio de sedimentos arenoargilosos e/ou síltico-argilosos de deposição continental lacustrina deltaica, ocasionalmente com presença DCMld DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS de linhito. E/OU MESOZOICOS POUCO A MODERADAMENTE DCM Ex.: Formação Solimões. CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PROFUNDAS E EXTENSAS BACIAS CONTINENTAIS. Predomínio de sedimentos arenosos de deposição continental, lacustre, fluvial ou eólica – arenitos. DCMa Ex.: Formação Urucuia. Predomínio de calcário e sedimentos DSMc síltico-argilosos. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES Predomínio de sedimentos quartzoarenosos e MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS DSM conglomeráticos, com intercalações DSMqcg CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS de sedimentos síltico-argilosos e/ou calcíferos. CONTINENTAIS (RIFT). Predomínio de sedimentos síltico-argilosos, com alternância de sedimentos arenosos DSMsa e conglomeráticos. 4 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Intercalações de sedimentos síltico-argilosos DSMsaq DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES e quartzoarenosos. MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS DSM CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS CONTINENTAIS (RIFT). Intercalação de sedimentos síltico-argilosos DSMscv e camadas de carvão. Predomínio de sedimentos quartzoarenosos finos, com cimentação carbonática e intercalações DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES subordinadas síltico-argilosas (ambientes MESOZOICAS (CRETÁCEAS), POUCO DSMCefdeposicionais: eólico e/ou eólico/fluvial). A MODERADAMENTE CONSOLIDADAS Ex.: Formações Goio-Erê, Araçatuba, Presidente DSMC Prudente. Ex.: Grupo Bauru (formações Vale do Rio do Peixe, Marília, Rio Paraná, São José do Rio Preto) e Grupo Predomínio de sedimentos quartzoarenosos finos Caiuá (formações Santo Anastácio e Goio-Erê). (ambiente deposicional eólico). DSMCe Ex.: Formações Vale do Rio do Peixe, Rio Paraná e São José do Rio Preto. Predomínio de sedimentos arenosos DSVMPa malselecionados. Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição eólica. DSVMPae Ex.: Arenito Botucatu. Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição mista (eólica e fluvial). DSVMPaef Ex.: Fm. Rio do Peixe, Fm. Caiuá. Predomínio de arenitos e conglomerados. DSVMPacg DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS Predomínio de arenitos a arenitos cauliníticos. DSVMPac E PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE Ex.: Fm. Alter do Chão. CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES DSVMP E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES DEPOSICIONAIS: Intercalações de sedimentos arenosos, CONTINENTAL, MARINHO, DESÉRTICO, GLACIAL síltico-argilosos e folhelhos. DSVMPasaf E VULCÂNICO). Ex: Formação Itararé. Predomínio de sedimentos síltico-argilosos DSVMPsaa com intercalações arenosas. Predomínio de arenitos vulcanoclásticos DSVMPav (tufos cineríticos). Predomínio de sedimentos síltico-argilosos DSVMPsaacv e arenosos, contendo camadas de carvão. Intercalações de paraconglomerados (tilitos) DSVMPcgf e folhelhos. 5 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Predomínio de sedimentos síltico-argilosos e calcários com intercalações arenosas DSVMPsaca subordinadas. Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, DSVMPasac síltico-argilosos e calcários. Intercalações irregulares de sedimentos arenosos e síltico-argilosos com finas camadas DSVMPasaec de evaporitos e calcários. DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS Predomínio de rochas calcárias intercaladas DSVMPcsa E PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE com finas camadas síltico-argilosas. CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES DSVMP E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES DEPOSICIONAIS: Arenitos, conglomerados, tilitos e folhelhos. CONTINENTAL, MARINHO, DESÉRTICO, GLACIAL DSVMPactfEx.: Grupo Curuá. E VULCÂNICO). Arenitos, conglomerados, siltitos, folhelhos e calcário. DSVMPacsfc Ex.: Grupo Alto Tapajós. Predomínio de sedimentos síltico-argilosos intercalados de folhelhos betuminosos e calcários. DSVMPsabc Ex.: Formação Irati. Predomínio de arenitos e intercalações de pelitos. DSVMPap Ex.: Formação Utiariti. Predomínio de rochas básicas intrusivas. DVMgd Predomínio de rochas básicas extrusivas (basaltos). DVMb DOMÍNIO DO VULCANISMO FISSURAL DO TIPO PLATÔ DVM Predomínio de basalto com intertraps Ex.: Basaltos das bacias do Paraná e Maranhão, DVMba subordinados de arenito. Diques Básicos; Basalto Penetecaua, Kumdku do Mesozoico; Formação Seringa, de idade mesoproterozoica. Predomínio de rochas ácidas (riolitos DVMrrd e/ou riodacitos). Predomínio de rochas intermediárias (dacitos, DVMdaba andesitos e/ou basaltos andesíticos). DOMÍNIO DOS COMPLEXOS ALCALINOS INTRUSIVOS E EXTRUSIVOS, DIFERENCIADOS DO PALEÓGENO, MESOZOICO E PROTEROZOICO. DCA Indeterminado. DCAin Ex.: Alcalinas do Lineamento de Cabo Frio, Lajes. 6 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD.DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Tufo, brecha e demais materiais piroclásticos. DCAtbr Série subalcalina (monzonitos, DCAsbalc quartzomonzonitos, mangeritos etc.). DOMÍNIO DOS COMPLEXOS ALCALINOS INTRUSIVOS E EXTRUSIVOS, DIFERENCIADOS Série alcalina saturada e alcalina subsaturada DO PALEÓGENO, MESOZOICO E PROTEROZOICO. DCA (sienito, quartzossienitos, traquitos, nefelina DCAalc sienito, sodalita sienito etc.). Ex.: Alcalinas do Lineamento de Cabo Frio, Lajes. Gabro, anortosito, carbonatito, dique DCAganc de lamprófiro. Série alcalina saturada e/ou subsaturada, DCAalcubu com rochas básicas e/ou ultrabásicas associadas. Predomínio de rochas sedimentares. DSVEs DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES E VULCANOSSEDIMENTARES DO EOPALEOZOICO, ASSOCIADAS A RIFTS, NÃO OU POUCO DSVE Sequência vulcanossedimentar. DSVEvs DEFORMADAS E METAMORFIZADAS. Ex.: Grupo Camaquã, Fm. Campo Alegre Predomínio de vulcânicas. DSVEv DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES PROTEROZOICAS DO TIPO MOLASSA, NÃO Predomínio de metaconglomerados intercalados OU POUCO DEFORMADAS E METAMORFIZADAS DSPM de metarenitos arcoseanos, metarcóseos DSPMcgas e metassiltitos. Ex.: Formação Camarinha Indiferenciado DSP1in DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES Predomínio de sedimentos arenosos PROTEROZOICAS, NÃO OU MUITO e conglomeráticos, com intercalações DSP1acgsa POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS. subordinadas de sedimentos síltico-argilosos. CARACTERIZADAS POR UM EMPILHAMENTO DE CAMADAS HORIZONTALIZADAS E SUB-HORIZONTALIZADAS DE VÁRIAS ESPESSURAS, Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, DE SEDIMENTOS CLASTOQUÍMICOS DE VÁRIAS DSP1 síltico-argilosos e formações ferríferas DSP1asafmg COMPOSIÇÕES E ASSOCIADOS AOS MAIS e manganesíferas. DIFERENTES AMBIENTES TECTONODEPOSICIONAIS. Ex.: Fms. Palmeiral, Aguapeí, Dardanelos, Predomínio de sedimentos síltico-argilosos, com Prosperança, Ricardo Franco, Roraima, Beneficente, intercalações subordinadas de arenitos DSP1saagr Jacadigo e Cuiabá. e metarenito feldspático. Rochas calcárias com intercalações subordinadas DSP1csaa de sedimentos síltico-argilosos e arenosos. 7 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES Diamictitos, metarenitos feldspáticos, sedimentos PROTEROZOICAS, NÃO OU MUITO DSP1dgrsaarenosos e síltico-argilosos. POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS. CARACTERIZADAS POR UM EMPILHAMENTO DE CAMADAS HORIZONTALIZADAS E SUB-HORIZONTALIZADAS DE VÁRIAS ESPESSURAS, Predomínio de sedimentos síltico-argilosos DE SEDIMENTOS CLASTOQUÍMICOS DE VÁRIAS DSP1 com intercalações subordinadas de rochas DSP1sac COMPOSIÇÕES E ASSOCIADOS AOS MAIS calcárias. DIFERENTES AMBIENTES TECTONODEPOSICIONAIS. Ex.: Fms. Palmeiral, Aguapeí, Dardanelos, Predomínio de sedimentos síltico-argilosos, Prosperança, Ricardo Franco, Roraima, Beneficente, com intercalações de arenitos. DSP1saa Jacadigo e Cuiabá. Ex.: Formação Suapi e Supergrupo Roraima. Predomínio de vulcanismo ácido a intermediário. DSVP1va Predomínio de vulcanismo básico. DSVP1vb Sequência vulcanossedimentar. DSVP1vs DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCÂNICAS OU VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS, NÃO OU POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS DSVP1 Vulcanismo ácido a intermediário e intercalações Ex.: Formações Uatumã, Uailã, Iriri, Surumu, de sedimentos arenosos e síltico-argilosos, DSVP1vaa Iricomé e Cachoeira da Ilha. podendo conter formações ferríferas e/ou manganesíferas. Predomínio de ortoconglomerados. DSVP1ocg Predomínio de sedimentos arenosos e conglomerados, com intercalações de sedimentos síltico-argilosos. DSVP1sacg Ex.: Bacias de Campo Alegre e de Itajaí; Orógeno Pelotas. Metarenitos, quartzitos e metaconglomerados. DSP2mqmtc Predomínio de metarenitos e quartzitos, com intercalações irregulares de metassedimentos DSP2mqsafmg síltico-argilosos e formações ferríferas ou manganesíferas. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES PROTEROZOICAS DOBRADAS, METAMORFIZADAS DSP2 Intercalações irregulares de metassedimentos DSP2msa DE BAIXO A ALTO GRAU arenosos e síltico-argilosos. Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, DSP2sag com intercalações de metarenitos feldspáticos. Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, representados por xistos, com intercalações DSP2mxaccal de metassedimentos arenosos, metacalcários e calssilicáticas. 8 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD.DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, representados por xistos, com níveis de quartzitos DSP2xq (milinotizados ou não). Intercalações irregulares de metassedimentos arenosos, metacalcários, calcossilicáticas e xistos DSP2mcx calcíferos. Predomínio de metacalcários, com intercalações subordinadas de metassedimentos síltico-argilosos DSP2mcsaa e arenosos. Predomínio de sedimentos síltico-argilosos DSP2saa com intercalações subordinadas de arenitos. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES PROTEROZOICAS DOBRADAS, METAMORFIZADAS DSP2 Predomínio de quartzitos. DSP2q DE BAIXO A ALTO GRAU Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, DSP2x representados por xistos. Metagrauvacas e metaconglomerados DSP2mgccg predominantes. Metavulcânicas ácidas a intermediárias xistificadas, intercaladas com sedimentos DSP2mvx psamíticos e pelíticos. Predomínio de metadiamictitos e filitos, DSP2mdmf localmente com lentes de quartzitos. Indiferenciado. DSVP2in Predomínio de quartzitos. DSVP2q DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS DSVP2 Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, DSVP2x DOBRADAS METAMORFIZADAS DE BAIXO representados por xistos. A ALTO GRAU. Predomínio de rochas metacalcárias, com intercalações de finas camadas DSVP2csa de metassedimentos síltico-argilosos. Metacherts, metavulcânicas, formações ferríferas e/ou formações manganesíferas, metacalcários, DSVP2vfc metassedimentos arenosos e síltico-argilosos. 9 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Metarenitos feldspáticos, metarenitos, tufos DSVP2gratv e metavulcânicas básicas a intermediárias. Metassedimentos síltico-argilosos e vulcânicas DSVP2mva ácidas. Predomínio de rochas metabásicas DSVP2bu e metaultramáficas. Metacherts, metarenitos, metapelitos, vulcânicas básicas, formações ferríferas e formações DSVP2af manganesíferas. Metarenitos, metachert, metavulcânicas ácidas a intermediárias, formações ferríferas DSVP2avf e/ou manganesíferas. Predomínio de vulcânicas ácidas. DSVP2va DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS DSVP2 Predomínio de metapelitos, com intercalações DSVP2pbu DOBRADAS METAMORFIZADAS DE BAIXO de rochas metabásicas e/ou metaultramáficas. A ALTO GRAU. Metacherts, metarenitos e/ou metapelitos. DSVP2cap Predomínio de metaconglomerados milonitizados, DSVP2mcv intercalados com metavulcânicas. Metassedimentos pelíticos intercalados DSVP2msmv com metavulcânicas. Metapelitos, metacarbonatos e quartzitos DSVP2pcqv intercalados com metavulcânicas. Metavulcânicas, metacalcários, metacherts, metassedimentos arenosos, calcissilicáticas, xistos DSVP2vscu e ultramafitos. Predomínio de metarenitos e quartzitos com intercalações irregulares de metassedimentos DSVP2mqsafmg síltico-argilosos e formações ferríferas ou manganesíferas. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCANOSSEDIMENTARES TIPO GREENSTONE Sequência vulcânica komatiitica associada a talco- BELT, ARQUEANO ATÉ O MESOPROTEROZOICO. DGB xistos, anfibolitos, cherts, formações ferríferas e DGBko metaultrabasitos. Ex.: Crixás, Araci, Rio das Velhas, Natividade e Rio Maria. 10 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Predomínio de sequência sedimentar. DGBss DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCANOSSEDIMENTARES TIPO GREENSTONE Sequência vulcanossedimentar, com alta BELT, ARQUEANO ATÉ O MESOPROTEROZOICO. DGB participação de metavulcânicas ácidas DGBvai e intermediárias. Ex.: Crixás, Araci, Rio das Velhas, Natividade e Rio Maria. Sequência vulcanossedimentar. DGBvs Série máfico-ultramáfica (dunito, peridotito etc.). DCMUmu DOMÍNIO DOS CORPOS MÁFICO-ULTRAMÁFICOS (SUÍTES KOMATIITICAS, SUÍTES TOLEÍTICAS, Série básica e ultrabásica (gabro, anortosito etc.). DCMUbu COMPLEXOS BANDADOS). DCMU Ex.: Cana Brava, Barro Alto e Niquelândia. Básicas e Ultrabásicas Alcalinas e Vulcanismo Vulcânicas básicas. DCMUvb Associado. Metamáficas, anfibolitos e gnaisses DCMUmg calcissilicáticos. DOMÍNIO DOS CORPOS BÁSICOS SOB A FORMA DCBSD Corpos básicos na forma de diques e sills.DE SOLEIRAS E DIQUES DE IDADES VARIADAS, DCBSDds Ex.: Corpo de Diabásio Avanavero e Taiano. NÃO METAMORFIZADOS Associações charnockíticas. Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR1ch Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio. Séries graníticas peralcalinas. DCGR1palc DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES Ex.: Granitos alcalinos a riebckita e arfvedsonita.DCGR1 NÃO DEFORMADOS. Séries graníticas alcalinas. Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos, DCGR1alc quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos, alcalissienitos etc. Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita. Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos, DCGR1salc tonalitos, dioritos, quartzomonzonitos, monzonitos etc. DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES DCGR1 Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, NÃO DEFORMADOS. titanita, epidoto. Granitoides peraluminosos. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos etc. DCGR1pal Minerais diagnósticos: muscovita, granada, cordierita, silimanita, monazita, xenotima. 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Série shoshonítica. Ex.: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc. DCGR1sho Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES hiperstênio, anfibólio e plagioclásio.DCGR1 NÃO DEFORMADOS. Indeterminado. DCGR1in Associações charnoquíticas. Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR2ch Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio. Séries graníticas peralcalinas. DCGR2palc Ex.: Granitos alcalinos a riebequita e arfvedsonita. Séries graníticas alcalinas. Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos, DCGR2alc quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos, alcalissienitos etc. Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita. Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES e toleíticas.DCGR2 DEFORMADOS. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos, DCGR2salc tonalitos, quartzomonzodioritos, dioritos quartzomonzonitos, monzonitos etc. Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, titanita, epidoto. Granitoides peraluminosos. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos etc. DCGR2pal Minerais diagnósticos: muscovita, granada, cordierita, silimanita, monazita, xenotima. Série shoshonítica. Ex.: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc. DCGR2sho Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou hiperstênio, anfibólio e plagioclásio. Indeterminado. DCGR2in Associações charnoquíticas. Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR3ch Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio. Séries graníticas peralcalinas. DCGR3palc DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES Ex.: Granitos alcalinos a riebequita e arfvedsonita.DCGR3 INTENSAMENTE DEFORMADOS: ORTOGNAISSES Séries graníticas alcalinas. Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos, DCGR3alc quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos, alcalissienitos etc. Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita. 12 APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD.DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos, tonalitos, dioritos, quartzomonzonitos, DCGR3salc monzonitos etc. Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, titanita, epidoto. Granitoides peraluminosos. Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos etc. DCGR3pal DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES DCGR3 Minerais diagnósticos: muscovita, granada, INTENSAMENTE DEFORMADOS: ORTOGNAISSES cordierita, silimanita, monazita, xenotima. Série Shoshonítica. Ex: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc. DCGR3sho Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou hiperstênio, anfibólio e plagioclásio. Indeterminado. DCGR3in Predominam migmatitos ortoderivados. DCGMGLmo Predominam migmatitos paraderivados. DCGMGLmp Predomínio de gnaisses paraderivados. Podem DCGMGLgnp conter porções migmatíticas. Migmatitos indiferenciados. DCGMGLmgi DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GNÁISSICO- DCGMGL MIGMATÍTICOS E GRANULÍTICOS. Gnaisse-granulito paraderivado. Podem conter DCGMGLglp porções migmatíticas. Predomínio de paragnaisses com elevada DCGMGLdl incidência de cobertura detrito-laterítica. Gnaisses granulíticos ortoderivados. Podem conter DCGMGLglo porções migmatíticas. Granulitos indiferenciados. DCGMGLgli 13 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CÓD. CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD. GEOLÓGICO-AMBIENTAL DOMÍNIOUNIGEO GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO Predomínio de gnaisses ortoderivados. Podem DCGMGLgno conter porções migmatíticas. Gnaisses indiferenciados. DCGMGLgni Metacarbonatos. DCGMGLcar DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GNÁISSICO- DCGMGL Anfibolitos. DCGMGLaf MIGMATÍTICOS E GRANULÍTICOS. Gnaisses, migmatitos e/ou granulitos, com alta incidência de corpos de metamáficas e/ou DCGMGLmu metaultramáficas. Gnaisses, migmatitos e/ou granulitos, associados a rochas metamáficas e/ou metaultramáficas, DCGMGLmufb incluindo formações ferríferas bandadas. Predomínio de quartzito. DCGMGLqt 14 APÊNDICE II BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO A ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO constituindo-se em uma primeira e fundamental contri- COMO UM INSTRUMENTO APLICADO buição da Geomorfologia. AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE A estrutura superficial das paisagens consiste no es- tudo dos mantos de alteração in situ (formações superficiais Ab’Saber, em seu artigo “Um conceito de geomorfolo- autóctones) e coberturas inconsolidadas (formações superfi- gia a serviço das pesquisas sobre o quaternário” [Geomor- ciais alóctones) que jazem sob a superfície dos terrenos. É de fologia, São Paulo, n. 18, 1969], já propunha uma análise grande relevância para a compreensão da gênese e evolução dinâmica da Geomorfologia aplicada aos estudos ambien- das formas de relevo e, em aliança com a compartimenta- tais, com base na pesquisa de três fatores interligados: ção morfológica dos terrenos, constitui-se em importante identificação de uma compartimentação morfológica ferramenta para se avaliar o grau de fragilidade natural dos dos terrenos; levantamento da estrutura superficial das terrenos frente aos processos erosivodeposicionais. paisagens e estudo da fisiologia da paisagem (Figura II.1). A fisiologia da paisagem, por sua vez, consiste na A compartimentação morfológica dos terrenos análise integrada das diversas variáveis ambientais em sua é obtida a partir da avaliação empírica dos diversos con- interface com a Geomorfologia. Ou seja, a influência de juntos de formas e padrões de relevo posicionados em condicionantes litológico-estruturais, padrões climáticos e diferentes níveis topográficos, por meio de observações de tipos de solos na configuração física das paisagens. Com campo e análise de sensores remotos (fotografias aéreas, essa terceira avaliação objetiva-se, também, compreender imagens de satélite e Modelo Digital de Terreno (MDT)). a ação dos processos erosivodeposicionais atuais, incluindo Essa avaliação é diretamente aplicada aos estudos de todos os impactos decorrentes da ação antropogênica sobre ordenamento do uso do solo e planejamento territorial, a paisagem natural. Dessa forma, embute-se na análise ge- omorfológica o estudo da morfodinâmica, privilegiando-se a análise de processos. Demonstração dos níveis de abordagem geomorfológica, A Biblioteca de Padrões de Relevo seguindo a metodologia de análise de Ab’Saber (1969). do Território Brasileiro foi elaborada para atender à compartimentação geológico- -geomorfológica proposta pela metodo- logia de mapeamento da geodiversidade do território brasileiro em escalas de aná- lise reduzidas (1:500.000 a 1:2.500.000). Nesse sentido, sua abordagem restringe- -se a avaliar o primeiro dos pressupostos elencados por Ab’Saber: a compartimen- tação morfológica dos terrenos. Portanto, a compartimentação de relevo efetuada nos mapeamentos de geodiversidade elaborados pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) não representa um mapeamento geomorfológico, tendo em vista que não são considerados os aspec- tos de gênese, evolução e morfodinâmica. Com a Biblioteca de Padrões de Relevo do Território Brasileiro, a CPRM/SGB tem como objetivo precípuo inserir informa- ções de relevo-paisagem-geomorfologia, em uma análise integrada do meio físico aplicada ao planejamento territorial, empreendida nos mapeamentos de geo- diversidade. O mapeamento de padrões de relevo representa, em linhas gerais, o 3º táxon hierárquico da metodologia de mapeamento geomorfológico proposta por Ross (1990). Em todos os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) de Geodi- versidade desenvolvidos pela CPRM/SGB, o mapa de padrões de relevo correspon- 3 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA dente pode ser visualizado, bastando acessar, na shape, baixos interflúvios, denominados Áreas de Acumulação o campo de atributos “COD_REL”. Inundáveis (Aai), frequentes na Amazônia, estão inseridos nessa unidade. REfERêNCIAS: AB’SABER, A.N. (1969). Um conceito de geomorfologia a Amplitude de relevo: zero. serviço das pesquisas sobre o Quaternário. (Geomorfologia, 18). FFCHL, USP São Paulo, 23p. Inclinação das vertentes: 0º-3º. ROSS, J. L. S. (1990). Geomorfologia ambiente e planeja- mento. Ed. Contexto. São Paulo. 85p. I – DOMÍNIO DAS UNIDADES AGRADACIONAIS R1a – Planícies Fluviais ou Fluviolacustres R4d (planícies de inundação, baixadas inundáveis e abaciamentos) R4a1 Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. R1a Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos arenoargilosos a argiloarenosos, apresentando gradientes extremamente suaves e convergentes em direção aos cursos d’água principais. Terrenos imperfeitamente drenados nas planícies de inundação, sendo periodicamente inundáveis; R1a – Planície fluvial do alto curso do rio São João (Rio de Janeiro). bem drenados nos terraços. Os abaciamentos (ou suaves Zona de Baixada Litorânea. depressões em solos arenosos) em áreas planas ou em R4b R1a R1a R1a – Planície fluvial da bacia do rio Paquequer (Rio de Janeiro). Zona montanhosa. R1a R1b1 – Terraços Fluviais (paleoplanícies de inundação em fundos de vales) Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual. Superfícies bem drenadas, de relevo plano a levemente ondulado, constituído de depósitos arenosos a argilosos de origem fluvial. Consistem de paleoplanícies de inundação R1a – Médio vale do rio Juruá (sudeste do estado que se encontram em nível mais elevado que o das vár- do Amazonas). zeas atuais e acima do nível das cheias sazonais. Devido à reduzida escala de mapeamento, essa unidade só pôde 4 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO ser mapeada em vales de grandes dimensões, em especial, R1b2 – Terraços Lagunares (paleoplanícies nos rios amazônicos. de inundação no rebordo de lagunas costeiras) Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual. Amplitude de relevo: 2 a 20 m. Superfícies bem drenadas, de relevo plano a levemente Inclinação das vertentes: 0º-3o (localmente, ondulado constituído de depósitos arenosos a argilosos de ressaltam-se rebordos abruptos no contato com origem lagunar. Consistem de paleoplanícies de inundação a planície fluvial). que se encontram em nível mais elevado que o das planícies lagunares ou fluviolagunares atuais e acima do nível das cheias sazonais. Essa unidade encontra-se restrita ao esta- do do Rio Grande do Sul, mais especificamente na borda continental da Laguna dos Patos. Amplitude de relevo: 2 a 20 m. R1b1 Inclinação das vertentes: 0º-3 o (localmente, ressaltam-se rebordos abruptos no contato com a planície lagunar). R1b3 – Terraços Marinhos (paleoplanícies marinhas à retaguarda dos atuais cordões arenosos) Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual. Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos arenosos, apresentando microrrelevo ondulado, geradas por R1b1 processos de sedimentação marinha e/ou eólica. Terrenos bem drenados e não inundáveis. Amplitude de relevo: até 20 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R1b1 – Médio vale do rio Juruá (sudeste do estado do Amazonas). R1c – Vertentes recobertas por depósitos de encosta (leques aluviais, rampas de colúvio e de tálus) Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. R4a2 Os cones de tálus consistem de superfícies deposicionais R1b1 fortemente inclinadas, constituídas por depósitos de encosta, R1a de matriz arenoargilosa a argiloarenosa, rica em blocos, muito malselecionados. Ocorrem, de forma disseminada, nos sopés das vertentes íngremes de terrenos montanhosos. Apresentam baixa capacidade de suporte. As rampas de colúvio consistem de superfícies depo- sicionais inclinadas, constituídas por depósitos de encosta arenoargilosos a argiloarenosos, malselecionados, em interdigitação com depósitos praticamente planos das pla- R1b1 – Planície e terraço fluviais do médio curso do rio Barreiro de nícies aluviais. Ocorrem, de forma disseminada, nas baixas Baixo (médio vale do rio Paraíba do Sul – SP/RJ). encostas de ambientes colinosos ou de morros. 5 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Amplitude de relevo: variável, dependendo da extensão R1c2 – Leques Aluviais do depósito na encosta. Relevo de agradação. Zona de acumulação atual ou subatual. Inclinação das vertentes: 5º-20o (associados às rampas de colúvio). Os leques aluviais consistem de superfícies deposi- cionais inclinadas, constituídas por depósitos aluvionares Inclinação das vertentes: 20º-45o (associados aos de enxurrada, espraiados em forma de leque em uma cones de tálus). morfologia ligeiramente convexa em planta. São depósitos malselecionados, variando entre areia fina e seixos suban- gulosos a subarredondados, gerados no sopé de escarpas montanhosas ou cordilheiras. Em sua porção proximal, os leques aluviais caracterizam-se por superfícies fortemente inclinadas e dissecadas por canais efêmeros que drenam a cordilheira. Em sua porção distal, os leques aluviais caracte- rizam-se por superfícies muito suavemente inclinadas, com R1c1 deposição de sedimentos finos, em processo de coalescência com as planícies aluviais ou fluviolacustres, reproduzindo um ambiente playa-bajada de clima árido. Amplitude de relevo: 2 a 10 m. Inclinação das vertentes: 0º-3o (exceto nas por- ções proximais dos leques). R1d – Planícies Fluviomarinhas (mangues R1c1 e brejos) Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. Superfícies planas, de interface com os sistemas depo- sicionais continentais e marinhos, constituídas de depósitos argiloarenosos a argilosos. Terrenos muito maldrenados, R1c – Planície borda norte da Chapada do Araripe (Ceará). prolongadamente inundáveis, com padrão de canais bas- tante meandrantes e divagantes, sob influência de refluxo R1c1 R1c – Rampas de colúvio que se espraiam a partir da borda oeste do platô sinclinal (Moeda – Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais). 6 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R1d R1d R1d – Delta do rio Jequitinhonha (Bahia). de marés; ou resultantes da colmatação de paleolagunas. Baixa capacidade de suporte dos terrenos. Amplitude de relevo: zero. Inclinação das vertentes: plano (0o). R1d R1e – Planícies Costeiras (terraços marinhos e cordões arenosos) Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos R1d – Ampla superfície embrejada de uma planície lagunar costeira arenosos, apresentando microrrelevo ondulado, geradas por (litoral norte do estado da Bahia, município de Conde). processos de sedimentação marinha e/ou eólica. Terrenos bem drenados e não inundáveis. Amplitude de relevo: até 20 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R1f1 – Campos de Dunas (dunas fixas; dunas móveis) R1d Relevo de agradação. Zona de acumulação atual ou subatual. Superfícies de relevo ondulado constituído de depó- sitos arenoquartzosos, bem selecionados, depositados por ação eólica longitudinalmente à linha de costa. Por vezes, R1d – Planície fluviomarinha do baixo curso do rio Cunhaú, encontram-se desprovidos de vegetação e apresentam originalmente ocupado por mangues e atualmente desfigurado expressiva mobilidade (dunas móveis); ora encontram-se para implantação de tanques de carcinucultura (litoral sul-oriental recobertos por vegetação pioneira (dunas fixas). do estado do Rio Grande do Norte). 7 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA R1e R1e R1e – Planície do delta do rio Jequitinhonha (Bahia). R1f1 R1e R4a1 R1e – Sucessão de feixes de cordões arenosos em linha de costa progradante (Parque Nacional de Jurubatiba – Macaé, Rio de Janeiro). R1f1 R1e R1f1 – Litoral oriental do estado do Rio Grande do Norte. R1e – Planície costeira com empilhamento de cordões arenosos e depósitos fluviolagunares (litoral norte do estado da Bahia). 8 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO cionados, constituídos de sedimentos finos em suspensão depositados por ação eólica em zonas peridesérticas ou submetidos a paleoclimas áridos ao longo de períodos glaciais pleistocênicos. Apresentam solos com alta susce- tibilidade à erosão. R1f1 Amplitude de relevo: 0 a 20 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R1g – Recifes Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. Os recifes situam-se na plataforma continental interna em posição de linha de arrebentação ou off-shore, podendo ser distinguidos dois tipos principais: RECIFES DE ARENITO R1f1 – Campos de dunas junto à linha de costa, sobrepondo falésias DE PRAIA, que consistem de antigos cordões arenosos do grupo Barreiras (município de Baía Formosa, litoral sul (beach-rocks), sob forma de ilhas-barreiras paralelas à do estado do Rio Grande do Norte). linha de costa, que foram consolidados por cimentação ferruginosa e/ou carbonática; RECIFES DE BANCOS DE CORAIS, que consistem de bancos de recifes ou forma- ções peculiares denominadas “chapeirões”, submersos ou R1f1 R1g R1f1 – Campo de dunas transversais na restinga de Massambaba (Arraial do Cabo, Rio de Janeiro). Amplitude de relevo: até 40 m. Inclinação das vertentes: 3º-30o. R1g R1f2 – Campos de Loess Relevo de agradação. Zona de acumulação atual ou subatual. Superfícies de relevo plano a suave ondulado consti- R1g – Santa Cruz Cabrália (sul do estado da Bahia). tuído de depósitos sílticos ou síltico-argilosos, bem sele- 9 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA parcialmente emersos durante os períodos de maré baixa. Estes são produzidos por acumulação carbonática, devido à atividade biogênica (corais). Amplitude de relevo: zero. Inclinação das vertentes: plano (0o). II – DOMÍNIO DAS UNIDADES R2a1 DENUDACIONAIS EM ROCHAS SEDIMENTARES POUCO LITIfICADAS R2a1 – Tabuleiros R2a1 – Tabuleiros pouco dissecados da bacia de Macacu (Venda das Pedras, Itaboraí, Rio de Janeiro). Relevo de degradação em rochas sedimentares. Formas de relevo suavemente dissecadas, com exten- sas superfícies de gradientes extremamente suaves, com topos planos e alongados e vertentes retilíneas nos vales encaixados em forma de “U”, resultantes de dissecação fluvial recente. Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo- R2a1 R2a1 – Plantação de eucaliptos em terrenos planos de tabuleiros R2a1 não dissecados do grupo Barreiras (município de Esplanada, norte do estado da Bahia). derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (sulcos e ravinas). Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: topo plano: 0º-3o (lo- calmente, ressaltam-se vertentes acentuadas: 10º-25o). R2a1 R2a2 – Tabuleiros Dissecados Relevo de degradação em rochas sedimentares. Formas de relevo tabulares, dissecadas por uma rede de canais com alta densidade de drenagem, apresentando relevo movimentado de colinas com topos tabulares ou alongados e vertentes retilíneas e declivosas nos vales en- caixados, resultantes da dissecação fluvial recente. R2a1 – Porto Seguro (sul do estado da Bahia). Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a 10 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO moderada suscetibilidade à erosão). Ocorrência de proces- sos de erosão laminar ou linear acelerada (sulcos e ravinas). Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: topos planos restritos: R2a2 0º-3o (localmente, ressaltam-se vertentes acen- tuadas: 10º-25o). R2a2 R2a2 – Tabuleiros dissecados em amplos vales em forma de “U”, em típica morfologia derivada do grupo Barreiras (bacia do rio Guaxindiba, São Francisco do Itabapoana, Rio de Janeiro). III – DOMÍNIO DAS UNIDADES DENUDACIONAIS EM ROCHAS SEDIMENTARES LITIfICADAS R2b1 – Baixos Platôs Relevo de degradação em rochas sedimentares. R2a2 Superfícies ligeiramente mais elevadas que os terrenos adjacentes, pouco dissecadas em formas tabulares. Sistema de drenagem principal com fraco entalhamento. Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de processos de laterização. Caracterizam-se por superfícies R2a2 – Porto Seguro (sul do estado da Bahia). planas de modestas altitudes em antigas bacias sedimen- tares, como os patamares mais baixos da Bacia do Parnaíba (Piauí) ou a Chapada do Apodi, na Bacia Potiguar (Rio Grande do Norte). Amplitude de relevo: 0 a 20 m. Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen- R2a2 te ondulado: 2º-5 o. R2b2 – Baixos Platôs Dissecados Relevo de degradação em rochas sedimentares. Superfícies ligeiramente mais elevadas que os ter- renos adjacentes, francamente dissecadas em forma de R2a2 – Tabuleiros dissecados, intensamente erodidos por processos colinas tabulares. Sistema de drenagem constituído por de voçorocamento junto à rodovia Linha Verde (litoral norte uma rede de canais com alta densidade de drenagem, do estado da Bahia). que gera um relevo dissecado em vertentes retilíneas e 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA voçorocas). Situação típica encontrada nos baixos platôs em- basados pela Formação Alter do Chão, ao norte de Manaus. Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen- te ondulado: 2º-5o, excetuando-se os eixos dos R2b1 vales fluviais, onde se registram vertentes com declividades mais acentuadas (10º-25o). R2b2 R2b1 R2b1 – Centro-sul do estado do Piauí. R2b2 R2b2 – Interflúvio entre os rios Uatumã e Nhamundá (nordeste do estado do Amazonas). R2b1 R2b2 R2b1 – Baixos platôs não dissecados da bacia do Parnaíba (estrada Floriano-Picos, próximo a Oeiras, Piauí). declivosas nos vales encaixados, resultantes da dissecação fluvial recente. Deposição de planícies aluviais restritas em vales fechados. Equilíbrio entre processos de pedogênese e morfogê- nese (formação de solos espessos e bem drenados, com moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de R2b2 – Baixos platôs dissecados em forma de colinas tabulares processos de laterização. Ocorrências esporádicas, restritas sobre arenitos imaturos da formação Alter do Chão (Presidente a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e Figueiredo, Amazonas). 12 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R2b3 – Planaltos R2b3 Relevo de degradação predominantemente em rochas sedimentares, mas também sobre rochas cristalinas. R4d Superfícies mais elevadas que os terrenos adjacentes, pouco dissecadas em formas tabulares ou colinas muito amplas. Sistema de drenagem principal com fraco enta- lhamento e deposição de planícies aluviais restritas ou em vales fechados. R3a2 Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de processos de laterização. Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). R2b3 – Escarpa erosiva do planalto de Uruçuí (bacia do Parnaíba, Amplitude de relevo: 20 a 50 m. sudoeste do estado do Piauí). Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen- te ondulado: 2º-5o, excetuando-se os eixos dos vales fluviais. R2b3 R2b3 R2b3 – Topo do planalto da serra dos Martins, sustentado por cornijas de arenitos ferruginosos da formação homônima (sudoeste do estado do Rio Grande do Norte). R2c – Chapadas e Platôs Relevo de degradação em rochas sedimentares. Superfícies tabulares alçadas, ou relevos soerguidos, planos ou aplainados, não ou incipientemente pouco dissecados. Os rebordos dessas superfícies, posiciona- dos em cotas elevadas, são delimitados, em geral, por vertentes íngremes a escarpadas. Representam algumas R2b3 das principais ocorrências das superfícies cimeiras do território brasileiro. Franco predomínio de processos de pedogênese (for- mação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão). Processos de morfogênese significativos nos rebordos R2b3 – Planalto de Uruçuí (sul do estado do Piauí). das escarpas erosivas, via recuo lateral das vertentes. Fre- quente atuação de processos de laterização. Ocorrências 13 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). Amplitude de relevo: 0 a 20 m. R2c Inclinação das vertentes: topo plano, excetuando- -se os eixos dos vales fluviais. R3a2 R2c – “Tepuy” isolado da “serra” do Tepequém, uma forma em R2c chapada sustentada por arenitos conglomeráticos do supergrupo Roraima. IV – DOMÍNIO DOS RELEVOS DE APLAINAMENTO R3a1 – Superfícies Aplainadas Conservadas Relevo de aplainamento. Superfícies planas a levemente onduladas, promovidas pelo arrasamento geral dos terrenos, representando, em R2c linhas gerais, grandes extensões das depressões interpla- nálticas do território brasileiro. Amplitude de relevo: 0 a 10 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R2c – Borda Leste da Chapada dos Pacaás Novos (região No bioma da floresta amazônica: franco predomínio central do estado de Rondônia). de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de processos de laterização. Nos biomas de cerrado e caatinga: equilíbrio entre processos de pedogênese e morfogênese (a despeito das baixas declividades, prevalece o desenvolvimento de solos R2c rasos e pedregosos e os processos de erosão laminar são significativos). R4d R3a2 – Superfícies Aplainadas Retocadas ou Degradadas Relevo de aplainamento. Superfícies suavemente onduladas, promovidas pelo arrasamento geral dos terrenos e posterior retomada erosiva proporcionada pela incisão suave de uma rede de drenagem R2c – Topo da Chapada dos Guimarães e relevo ruiniforme junto a incipiente. Inserem-se, também, no contexto das grandes seu escarpamento. depressões interplanálticas do território brasileiro. 14 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R3a1 R3a1 R3a1 – Médio vale do rio São Francisco (estado da Bahia). Amplitude de relevo: 10 a 30 m. Inclinação das vertentes: 0º-5o. R4b R3a2 R3a1 – Extensa superfície aplainada, delimitada por esparsas cristas de quartzitos (Canudos, norte do estado da Bahia). Caracteriza-se por extenso e monótono relevo suave ondulado sem, contudo, caracterizar ambiente colinoso, devido a suas amplitudes de relevo muito baixas e longas rampas de muito baixa declividade. R3a2 R4c R3a2 R3a2 – Médio vale do rio Xingu (estado do Pará). R3a2 – Extensa superfície aplainada da depressão sertaneja (sudoeste do estado do Rio Grande do Norte). 15 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA R3b – Inselbergs e outros relevos residuais (cristas isoladas, morros residuais, pontões, monolitos) R3b Relevo de aplainamento. Relevos residuais isolados destacados na paisagem aplainada, remanescentes do arrasamento geral dos terrenos. Amplitude de relevo: 50 a 500 m. Inclinação das vertentes: 25o-45o, com ocorrência R3b – Neck vulcânico do pico do Cabugi (estado do Rio Grande de paredões rochosos subverticais (60o-90o). do Norte). V – DOMÍNIO DAS UNIDADES DENUDACIONAIS EM ROCHAS CRISTALINAS OU SEDIMENTARES R4a1 – Domínio de Colinas Amplas e Suaves Relevo de degradação em qualquer litologia, predominando rochas sedimentares. R3b Relevo de colinas pouco dissecadas, com vertentes con- vexas e topos amplos, de morfologia tabular ou alongada. Sistema de drenagem principal com deposição de planícies aluviais relativamente amplas. R4a1 R3b R3b – Sul do estado do Rio Grande do Norte. R3b R4a1 R3b – Agrupamentos de inselbergs alinhados em cristas de rochas quartzíticas delineadas em zona de cisalhamento (estrada R4a1 – Depressão periférica (estado de São Paulo). Senhor do Bonfim-Juazeiro, estado da Bahia). 16 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R4a2 R4a1 R4a1 – Colinas amplas e suaves modeladas sobre granulitos (cercanias de Anápolis, Goiás). R4a2 R4a1 R4a2 – Leste do estado da Bahia. R4a1 – Relevo suave colinoso (município de Araruama, R4a2 região dos Lagos, Rio de Janeiro). Predomínio de processos de pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo- derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). Geração de rampas de colúvios nas baixas vertentes. R4a2 – Típico relevo de mar-de-morros no médio vale do rio Paraíba do Sul (topo da serra da Concórdia, Valença, Rio de Janeiro). Amplitude de relevo: 20 a 50 m. Inclinação das vertentes: 3º-10o. R4a2 – Domínio de Colinas Dissecadas R4a2 e de Morros Baixos Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo de colinas dissecadas, com vertentes convexo- -côncavas e topos arredondados ou aguçados. Sistema de drenagem principal com deposição de planícies aluviais R4a2 – Colinas e morros intensamente dissecados sobre restritas ou em vales fechados. metassiltitos (município de Padre Bernardo, Goiás). 17 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Equilíbrio entre processos de pedogênese e morfo- gênese (formação de solos espessos e bem drenados, em geral, com moderada suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar e ocorrência esporádica de processos de erosão linear acelerada (sulcos, ravinas e voçorocas). Geração de rampas de colúvios nas baixas vertentes. R4a3 Amplitude de relevo: 30 a 80 m. Inclinação das vertentes: 5º-20o. R4a3 – Domos em estrutura elevada Relevo de degradação em qualquer litologia. R4a3 – Domo de Guamaré, arqueando as rochas sedimentares da bacia Potiguar (estado do Rio Grande do Norte). Relevo de amplas e suaves elevações em forma de meia esfera, com modelado de extensas vertentes convexas e centrífugo. Sistema de drenagem principal em processo e topos planos a levemente arredondados. Em geral, essa inicial de entalhamento, sem deposição de planícies aluviais. morfologia deriva de rochas intrusivas que arqueiam a su- Predomínio de processos de pedogênese (formação de perfície do terreno, podendo gerar estruturas dobradas do solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo- tipo braquianticlinais. Apresenta padrão de drenagem radial derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e voçorocas). R4a3 Amplitude de relevo: 50 a 200 m. Inclinação das vertentes: 3º-10o. R4b – Domínio de Morros e de Serras Baixas Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo de morros convexo-côncavos dissecados e topos arredondados ou aguçados. Também se insere nessa uni- dade o relevo de morros de topo tabular, característico das chapadas intensamente dissecadas e desfeitas em conjunto de morros de topo plano. Sistema de drenagem principal com restritas planícies aluviais. Predomínio de processos de morfogênese (formação de solos pouco espessos em terrenos declivosos, em geral, com R4a3 moderada a alta suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar e linear acelerada (sulcos e ravinas) e ocorrência esporádica de processos de movimen- tos de massa. Geração de colúvios e, subordinadamente, depósitos de tálus nas baixas vertentes. Amplitude de relevo: 80 a 200 m, podendo apre- sentar desnivelamentos de até 300 m. R4a3 – Domo de Guamaré (estado do Rio Grande do Norte). Inclinação das vertentes: 15º-35o. 18 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R4c – Domínio Montanhoso (alinhamentos serranos, maciços montanhosos, front de cuestas e hogback) Relevo de degradação em qualquer litologia. R4b Relevo montanhoso, muito acidentado. Vertentes predominantemente retilíneas a côncavas, escarpadas e topos de cristas alinhadas, aguçados ou levemente arre- dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo de entalhamento. Franco predomínio de processos de morfogênese (formação de solos rasos em terrenos muito acidentados, em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação fre- quente de processos de erosão laminar e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus e de colúvios nas baixas vertentes. R4b Amplitude de relevo: acima de 300 m, podendo apresentar, localmente, desnivelamentos inferio- res a 200 m. Inclinação das vertentes: 25o-45o, com ocorrência R4b – Serra do Tumucumaque (norte do estado do Pará). de paredões rochosos subverticais (60 o-90o). R4b R4c R4b – Relevo de morros elevados no planalto da região serrana do estado do Rio de Janeiro. R4c R4b R4b – Relevo fortemente dissecado em morros sulcados e alinhados R4c – Sul do estado de Minas Gerais. a norte do planalto do Distrito Federal. 19 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA R4c R4d R4c – Relevo montanhoso do maciço do Caraça, modelado em quartzitos (Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais). R4c R4d R4d – Escarpa da serra Geral (nordeste do estado do Rio Grande do Sul). R4c – Vale estrutural do rio Araras; reverso da serra do Mar (Petrópolis, Rio de Janeiro). R4d – Escarpas Serranas R4d Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo montanhoso, muito acidentado. Vertentes predominantemente retilíneas a côncavas, escarpadas e topos de cristas alinhadas, aguçados ou levemente arre- dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo R4d – Aspecto imponente da serra Geral, francamente entalhada por uma densa rede de drenagem, gerando uma escarpa festonada de entalhamento. Representam um relevo de transição com mais de 1.000 m de desnivelamento. entre duas superfícies distintas alçadas a diferentes cotas altimétricas. Franco predomínio de processos de morfogênese R2c (formação de solos rasos em terrenos muito acidentados, em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação fre- quente de processos de erosão laminar e de movimentos R4d de massa. Geração de depósitos de tálus e de colúvios nas baixas vertentes. Amplitude de relevo: acima de 300 m. Inclinação das vertentes: 25º-45o, com ocorrência R4d – Escarpa da serra de Miguel Inácio, cuja dissecação está de paredões rochosos subverticais (60o-90o). controlada por rochas metassedimentares do grupo Paranoá (cercanias do Distrito Federal). 20 APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO R4e – Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos R4f – Vales Encaixados Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo de degradação predominantemente em rochas sedimentares, mas também sobre rochas cristalinas. Relevo acidentado, constituído por vertentes predo- minantemente retilíneas a côncavas, declivosas e topos Relevo acidentado, constituído por vertentes predo- levemente arredondados, com sedimentação de colúvios minantemente retilíneas a côncavas, fortemente sulcadas, e depósitos de tálus. Sistema de drenagem principal em declivosas, com sedimentação de colúvios e depósitos de franco processo de entalhamento. Representam relevo de tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo de transição entre duas superfícies distintas alçadas a diferentes entalhamento. Consistem em feições de relevo fortemente cotas altimétricas. entalhadas pela incisão vertical da drenagem, formando vales Franco predomínio de processos de morfogênese (for- encaixados e incisos sobre planaltos e chapadas, estes, em ge- mação de solos rasos, em geral, com alta suscetibilidade à ral, pouco dissecados. Assim como as escarpas e os rebordos erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar erosivos, os vales encaixados apresentam quebras de relevo e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus abruptas em contraste com o relevo plano adjacente. Em e de colúvios nas baixas vertentes. geral, essas formas de relevo indicam uma retomada erosiva recente em processo de reajuste ao nível de base regional. Franco predomínio de processos de morfogênese (for- Amplitude de relevo: 50 a 200 m. mação de solos rasos, em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar Inclinação das vertentes: 10º-25o, com ocorrência e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus de vertentes muito declivosas (acima de 45o). e de colúvios nas baixas vertentes. R4e R4e R4e – Degrau escarpado da serra do Roncador (leste do estado de Mato Grosso). R4e R4e R4e – Degrau estrutural do flanco oeste do planalto de morro do R4e – Degrau estrutural no contato da bacia do Parnaíba com o Chapéu (Chapada Diamantina, Bahia). embasamento cristalino no sul do Piauí. 21 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA Amplitude de relevo: 100 a 300 m. Inclinação das vertentes: 10º-25º, com ocorrência de vertentes muito declivosas (acima de 45º). R4f R2b3 R2b3 R4f R4f R4f – Planalto de Uruçuí e vale do Gurgueia R4f – Vale amplo e encaixado de tributário do rio Gurgueia no (sul do estado do Piauí). planalto de Uruçuí (sudoeste do estado do Piauí). 22 NOTA SOBRE OS AUTORES GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA ANA CLAUDIA VIERO – Geóloga (1993) formada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), mestre (2004) em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e com aperfeiçoamento profissional (1997) em Proteção Ambiental Urbano-Industrial pela Universidade Técnica de Berlim. Ingressou na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB-SUREG-PA) em 1994, com atuação em diversos projetos nas áreas de Gestão Territorial e Recursos Hídricos. ANTONIO THEODOROVICZ – Geólogo formado (1977) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialização (1990) em Geologia Ambiental. Ingressou na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) – Superintendência Regional de Porto Velho (SUREG-PV) em 1978. Desde 1982 atua na Superintendência Regional de São Paulo (SUREG-SP). Executou e chefiou vários projetos de mapeamento geológico, prospecção mineral e metalogenia em diversas escalas nas regiões Amazônica, Sul e Sudeste. De 1990 até 2012 atuou como supervisor/executor de vários estudos geoambientais, para os quais concebeu uma metodologia própria, adaptada e aplicada também na geração dos mapas Geodiversidade do Brasil e estaduais. Ministra, ainda, treinamento de campo para caracterização do meio físico para fins de planejamento e gestão ambiental para equipes da CPRM/SGB e de países da América do Sul. Atualmente é coordenador regional do Projeto Geoparques da CPRM/SGB, conselheiro da Comissão de Monumentos Geológicos do Estado de São Paulo e executor do Projeto Geodiversidade do Quadrilátero Ferrífero. CARLOS AUGUSTO BRASIL PEIXOTO – Graduado (1994) em Geologia pela UFRGS, especialização (1996) em Ciências da Terra e Meio Ambiente pela UNISINOS e MBA (2007) em Gestão Ambiental Empresarial realizado na Fundação Getúlio Vargas, e mestre (2015) em Análise Ambiental pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atua como Pesquisador em Geociências desde agosto de 2007 na CPRM/SGB, no Programa Gestão Ambiental e Territorial (GATE/SUREG-PA). Desenvolveu os projetos Geodiversidade do Estado de São Paulo (2010) e Mapeamento Geológico-Geotécnico e Delimitação das Áreas de Riscos ao Longo do Traçado da Via do Trem de Alta Velocidade Trecho RJ-SP (2009). Atualmente, participa dos projetos de cooperação técnica internacional entre Brasil-Cuba (CPRM-ONRM) “Apoyo a la Declaración del Patrimonio Geológico y Minero de la República de Cuba” e Áreas de Riscos do Programa de Redução de Riscos de Desastres Naturais do Governo Federal. DIOGO RODRIGUES ANDRADE DA SILVA – Graduado (2004) em Geologia, mestre (2006) em Estratigrafia e doutor (2011) em Geociências pela UFRGS. Durante o mestrado, foi bolsista Petrobras e, em parte do doutorado, bolsista CNPq. Desde 2007 trabalha como Pesquisador em Geociências na CPRM/SGB (SUREG-PA), desenvolvendo suas atividades profissionais no setor de Gestão Ambiental/Territorial e Recursos Hídricos. EDGAR SHINZATO – graduado (1990) em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e mestre (1998) em Agronomia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF. Área de concentração: Pedologia, Meio Ambiente e Geoprocessamento. Atualmente é coordenador executivo do Departamento de Gestão Territorial (DEGET) da CPRM/SGB. Desenvolveu atividades profissionais em projetos do Programa GATE/CPRM, como estudos e mapeamentos de solos, capacidade de uso das terras, aptidão agrícola e uso e cobertura vegetal. Foi coordenador de Geoprocessamento dos Estudos do TAV (Trem de Alta Velocidade) e do Projeto Setorização de Riscos Remanescentes de Nova Friburgo-RJ. Coordenador técnico de solos para o Projeto Geodiversidade do Brasil e Projeto de Cartas de Suscetibilidade a Movimentos de Massa e Inundações. É membro do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, núcleo regional de estudo, Rio de Janeiro. É membro do Comitê Assessor Externo da Embrapa Solos. MARCELO EDUARDO DANTAS – Graduado (1992) em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com os títulos de licenciado em Geografia e geógrafo. Mestre (1995) em Geomorfologia e Geoecologia pela UFRJ. Nesse período integrou a equipe de pesquisadores do Laboratório de Geo-Hidroecologia (GEOHECO/UFRJ), tendo atuado na investigação de temas como: Controles Litoestruturais na Evolução do Relevo; Sedimentação Fluvial; Impacto das Atividades Humanas sobre as Paisagens Naturais no Médio Vale do Rio Paraíba do Sul. Em 1997 ingressou na CPRM/SGB, atuando como geomorfólogo até o presente. Desenvolveu atividades profissionais em projetos na área de Geomorfologia, Diagnósticos Geoambientais e Mapeamentos da Geodiversidade, em atuação integrada com a equipe de geólogos do Programa GATE/CPRM. Dentre os trabalhos mais relevantes, destacam-se: Mapa Geomorfológico e Diagnóstico Geoambiental do Estado do Rio de Janeiro; Mapa Geomorfológico do ZEE RIDE Brasília; Estudo Geomorfológico Aplicado à Recomposição Ambiental da Bacia Carbonífera de Criciúma; e Análise da Morfodinâmica Fluvial Aplicada ao Estudo de Implantação das UHEs de Santo Antônio e Jirau (Rio Madeira - Rondônia). Atualmente é coordenador nacional de Geomorfologia do Projeto Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB). Atua na elaboração e supervisão dos mapas de padrões de relevo para o Projeto Cartas de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundações. Membro associado da União da Geomorfologia Brasileira (UGB) desde 2007. MARIA ADELAIDE MANSINI MAIA – Graduada (1996) em Geologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e mestra (2013) em Ciências (Geologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ingressou na CPRM/SGB em 1997, onde exerce o cargo de pesquisadora em geociências na área de Gestão Territorial (DEGET). Atuou de 1997 a 2009, na Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), nos projetos de Gestão Territorial, destacando-se o Mapa da Geodiversidade do Estado do Amazonas e os Zoneamentos Ecológico-Econômicos (ZEEs) do Vale do Rio Madeira, da porção central do estado de Roraima e do Distrito Agropecuário da Zona Franca de Manaus. Participou do Mapeamento Geológico-Geotécnico do Traçado do Trem de Alta Velocidade (TAV) e do Mapeamento de Área de Risco Geológico no Município de Nova Friburgo-RJ . Atualmente lotada no Escritório Rio de Janeiro, desenvolve atividades ligadas à coordenação executiva do DEGET, notadamente no Programa Geologia do Brasil – Levantamento da Geodiversidade e Cartas de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundações. É coautora nos livros “Geodiversidade do Brasil” e “Levantamento da Geodiversidade dos Estados do Amazonas e de Roraima” e autora de diversos trabalhos científicos. MARIA ANGÉLICA BARRETO RAMOS – Graduada (1989) em geologia pela Universidade de Brasília (UnB) e mestra (1993) em Geociências pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ingressou na CPRM/SGB em 1994, onde atuou em mapeamento geológico no Projeto Aracaju ao Milionésimo. Em 1999, no Departamento de Gestão Territorial (DEGET), participou dos projetos Acajutiba-Aporá-Rio Real e Porto Seguro- Santa Cruz Cabrália. Em 2001, na Divisão de Avaliação de Recursos Minerais, integrou a equipe de coordenação do Projeto GIS do Brasil e do Banco de Dados da CPRM/SGB. A partir de 2008 atua como coordenadora executiva do Departamento de Gestão Territorial (DEGET) da CPRM/ SGB onde atuou na coordenação de geoprocessamento do Projeto Geodiversidade do Brasil nas escalas 1:2.500.000, 1:1.000.000 e Mapas de Geodiversidade Estaduais. A partir de 2012 integra a equipe de coordenação técnica do Projeto Mapas de Suscetibilidade de Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundações e suporte ao Projeto Riscos Geológicos. Também atua em linhas de pesquisa na área de remineralizações 2 NOTA SOBRE OS AUTORES de solo e zoneamento agrogeológico em parceria CPRM/UnB/CCPq. Especialista em Modelagem Espacial de Dados em Geociências, ministra cursos e treinamentos em ferramentas de SIG aplicados a projetos da CPRM/SGB. É autora de 35 trabalhos individuais e coautora nos livros “Geologia, Tectônica e Recursos Minerais do Brasil”, “Geodiversidade do Brasil” e “Geodiversidade do Estado da Bahia”. Foi presidenta da Associação Baiana de Geólogos no período de 2005-2007 e vice-presidenta de 2008 a 2009. PEDRO AUGUSTO DOS SANTOS PFALTZGRAFF – Graduado (1984) em geologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mestre (1994) na área de Geologia de Engenharia e Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor (2007) em Geologia Ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco. Trabalhou, entre 1984 e 1988, em obras de barragens e projetos de sondagem geotécnica na empresa Enge Rio – Engenharia e Consultoria S.A. Entre os anos de 1985-1994 trabalhou como geólogo autônomo. Ingressou na CPRM/SGB em 1994, no cargo de pesquisador em geociências, no Escritório do Rio de Janeiro (DEGET), tendo sido coordenador regional de Geodiversidade do Nordeste no período 2006-2010. Atua em diversos projetos de Geologia de Engenharia, Geologia Ambiental e Geotecnia, e Levantamento e Mapeamento de Riscos Geológicos. VALTER JOSÉ MARQUES – graduado (1966) em Geologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialização em Petrologia (1979), pela Universidade de São Paulo (USP), e Engenharia do Meio Ambiente (1991), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nos primeiros 25 anos de carreira dedicou-se ao ensino universitário, na Universidade de Brasília (UnB), e ao mapeamento geológico na CPRM/SGB, entremeando um período em empresas privadas (Mineração Morro Agudo e Camargo Correa), onde atuou em prospecção mineral em todo o território nacional. Desde 1979, quando retornou à CPRM/SGB, exerceu diversas funções e ocupou diversos cargos, dentre os quais o de Chefe do Departamento de Geologia da CPRM/SGB e o de Superintendente de Recursos Minerais. Nos últimos 24 anos vem se dedicando à gestão territorial, com destaque para o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), sobretudo na Amazônia e nas faixas de fronteira com os países vizinhos, atuando como coordenador técnico de diversos projetos binacionais. Nos últimos 10 anos vem desenvolvendo estudos quanto à avaliação da Geodiversidade para o desenvolvimento regional utilizando técnicas de cenários prospectivos. VITÓRIO ORLANDI FILHO – Geólogo (1967) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialização em Sensoriamento Remoto e Fotointerpretação no Panamá e Estados Unidos. De 1970 a 2007 exerceu suas atividades junto à CPRM/SGB, onde desenvolveu projetos ligados a Mapeamento Geológico Regional, Prospecção Mineral e Gestão Territorial. Em 2006 participou da elaboração do Mapa Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB). WILSON WILDNER – Geólogo (1977) formado pela UNISINOS, mestre (1991) e doutor (1999) em Geociências pela UFRGS e pós-doutorado (2006) no Institut für Mineralogie und Kristallchemie (Stuttgart, Germany). É professor nas áreas de Petrologia e Geoquímica no Departamento de Geologia da UNISINOS. Ingressou na CPRM/SGB (SUREG-PA) em 1978. Trabalha com ênfase em Petrologia, Geoquímica e Metalogenia de Sequências Vulcanossedimentares e Prospecção de Depósitos de Cu-Ni (EGP). Atua, fundamentalmente, nos temas: Magmatismo, Estratigrafia e Petrologia da Serra Geral; Vulcanoplutonismo Neoproterozoico Relacionado à Bacia do Camaquã; identificação de texturas e estruturas relacionadas a terrenos vulcanossedimentares e metavulcanossedimentares. 3 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE Geodiversidade do Estado de Santa Catarina é um produto concebido para oferecer aos diversos segmentos da sociedade catarinense uma tradução do atual conhecimento geocientífico da região, com vistas ao planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE incluindo desde as empresas de mineração, passando Setor Bancário Norte - SBN - Quadra 02, Asa Norte Bloco H Edifício Central – Brasília - Brasília – DF • 70040-904 pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 2108-8400 • Fax: 61 3225-3985 estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs. Escritório Rio de Janeiro – ERJ Av. Pasteur, 404 – Urca Rio de Janeiro – RJ • 22290-255 Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382 Fax: 21 2542-3647 usuários, o mapa compartimenta o território catarinense em unidades geológico-ambientais, destacando suas PresidênciaFone: 21 2295-5337 • 61 2108-8446 limitações e potencialidades frente à agricultura, obras Fax: 21 2542-3647 • 61 2108-8459 civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras, Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial potencial mineral e geoturístico. Fone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804 Departamento de Gestão Territorial Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094 Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Diretoria de Relações Institucionais para a região, são destacadas Áreas de Relevante e Desenvolvimento Interesse Mineral – ARIM, Potenciais Hidrogeológico Fone: 21 2295-5837 • 61 2108-8457 Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600 e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Superintendência Regional de Porto Alegre Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Rua Banco da Província, 105 – Santa Teresa representando rico acervo de dados e informações Porto Alegre – RS • 90840-030 Fone: 51 3406-7300 • Fax: 51 3233-7772 atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Assessoria de Comunicação tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Fone: 61 2018-8400 do território nacional. asscomdf@cprm.gov.br Divisão de Marketing e Divulgação Fone: 31 3878-0372 marketing@cprm.gov.br Ouvidoria Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495 ouvidoria@cprm.gov.br Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897 seus@cprm.gov.br rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br 2016 o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação responsável e ao desenvolvimento sustentável. 2016 2016 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA