MEIO FÍSICO VOLUME I CPRM Serviço Geológico do Brasil MEIO FÍSICO Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal Gustavo Krause Gonçalves Sobrinho Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Eduardo Martins Diretor de Ecossistemas Ricardo José Soavinski Chefe do Departamento de Vida Silvestre Maria Iolita Bampi Ministro de Minas e Energia Raimundo Mendes de Brito Secretário de Minas e Metalurgia Otto Bittencourt Netto Diretor-Presidente da CPRM – Serviço Geológico do Brasil Carlos Oití Berbert Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Gil Pereira de Azevedo Chefe do Departamento de Gestão Terrotorial Cássio Roberto da Silva Edição IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Diretoria de Incentivo à Pesquisa e Divulgação Departamento de Divulgação Técnico-Científica e Educação Ambiental Divisão de Divulgação Técnico-Científica SAIN – Av. L4 Norte, s.n., Edifício Sede. CEP 70800-200, Brasília, DF. Telefones: (061) 316-1191 e 316-1222 FAX: (061) 226-5588 CPRM – Serviço Geológico do Brasil DRI – Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento Av. Pasteur, 404. CEP 22290-24-, Urca – Rio de Janeiro, RJ. PABX: (021) 295-0032 – FAX: (021) 295-6647 GERIDE – Gerência de Relações Institucionais e Desenvolvimento Av. Brasil, 1731. CEP 30140-002, Funcionários – Belo Horizonte, MG. Telefone: (031) 261-0352 – FAX: (031) 261-5585 Belo Horizonte 1998-04-02 Impresso no Brasil Printed in Brazil IBAMA Moacir Bueno Arruda Coordenador de Conservação de Ecossistemas Eliana Maria Corbucci Chefe da Divisão de Áreas Protegidas Ricardo José Calembo Marra Chefe do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas – CECAV Jader Pinto de Campos Figueiredo Superintendente do IBAMA em Minas Gerais Ivson Rodrigues Chefe da APA Carste de Lagoa Santa CPRM Osvaldo Castanheira Superintendente Regional de Belo Horizonte Fernando Antônio de Oliveira Gerente de Hidrologia e Meio Ambiente Jayme Álvaro de Lima Cabral Supervisor da Área de GATE Helio Antonio de Sousa Coordenador Edição e Revisão Valdiva de Oliveira Ruth Léa Nagem Capa Wagner Matias de Andrade Diagramação Washington Polignano Foto da Capa: Lapa Vermelha I, Pedro Leopoldo – MG. Ézio Rubbioli CRÉDITOS DE AUTORIA RELATÓRIOS TEMÁTICOS Síntese da Geologia, Recursos Minerais e Geomorfologia Responsáveis Técnicos Geologia Geólogo Haroldo Santos Viana/CPRM Geólogo Volmir Pinho Tavares/CPRM Geomorfologia Professor Heinz Charles Kohler/Museu de História Natural da UFMG Elaboração do Mapa Geomorfológico Heinz Charles Kohler Maria Giovana Parizzi Jorge Batista de Souza Virgínia Helena Carvalho de Castro Zoneamento Geotécnico e Aptidão dos Terrenos Responsável Técnico Engº Civil e Geólogo Jaime Álvaro de Lima Cabral Levantamento Hidrogeológico Responsáveis Técnicos Geólogo Paulo Fernando Pereira Pessoa Hidrogeóloga Maria Antonieta A. Mourão Estudos Hidrológicos e Qualidade das Águas de Superfície Responsável Técnico Engenheira Civil Maria Letícia Rabelo Alves Patrus Caracterização Pedológica Responsáveis Técnicos Eng. Agrônomo Edgar Shinzato Eng. Agrônomo José Francisco Lumbreras Equipe de Apoio Elizabeth de Almeida Cadête Costa – Desenho Cartográfico Maria Alice Rolla Pecho – Editoração Maria Madalena Costa Ferreira – Normalização bibliográfica Rosângela Gonçalves Bastos Souza – Geógrafa Rosemary Corrêa – Desenho Cartográfico Terezinha Inácia de Carvalho Pereira – Digitalização Valdiva de Oliveira – Editoração Digitalização DEINF/DIGEOP/CPRM ANDINA Serviços de Informática GERIDE - Gerência de Relações Institucionais e Desenvolvimento APRESENTAÇÃO O Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis – IBAMA, no cumprimento de sua missão institucional de executar a Política Nacional do Meio Ambiente tem, entre seus principais objetivos, o de criar, implantar e realizar a gestão de áreas protegidas, identificadas como amostras representativas dos ecossistemas brasileiros. Sob a responsabilidade da Diretoria de Ecossistemas desse Instituto, encarregada da gestão do Sistema Nacional de Unidades de Conservação foi criada a APA Carste de Lagoa Santa, com o objetivo de “garantir a conservação do conjunto paisagístico e da cultura regional, proteger e preservar as cavernas e demais formações cársticas, sítios arqueo-paleontológicos, a cobertura vegetal e a fauna silvestre, cuja preservação é de fundamental importância para o ecossistema da região.” Dentro da estratégia do IBAMA de estabelecer parcerias, em todos os níveis, foi celebrado um convênio entre o IBAMA e o Serviço Geológico do Brasil – CPRM, objetivando a execução do Zoneamento Ambiental da APA Carste de Lagoa Santa. Esse trabalho foi conduzido por equipe multidisciplinar composta por técnicos da CPRM, da Fundação BIODIVERSITAS, do Museu de História Natural da UFMG e por consultores nas áreas jurídica, socioeconômica e ambiental. A definição do quadro ambiental da APA, e a formulação e delimitação de suas unidades ambientais, exigiram a realização de levantamentos detalhados, análises complexas e a integração de diversos temas. Nesse contexto, o meio físico, considerado como elemento estruturador do zoneamento, foi caracterizado pelos temas constantes do volume I: geologia/geomorfologia, pedologia, hidrologia, hidrogeologia e geotecnia. Como elementos reguladores do Zoneamento Ambiental, os levantamentos espeleológico, arqueológico e paleontológico da APA, compõem o volume II, enquanto os estudos da flora e fauna (biota) são apresentados no volume III. O estudo das tendências sócio-econômicas e os aspectos jurídicos e institucionais que atuaram como elemento balizador do zoneamento, compõem o volume IV. O conjunto de informações contidas nos quatro volumes referentes aos relatórios temáticos do Zoneamento da APA Carste de Lagoa Santa, representa um valioso e detalhado acervo de conhecimento sobre a região, constituindo o insumo fundamental para o delineamento do Zoneamento Ambiental, apresentado em volume especial. SÍNTESE DA GEOLOGIA, RECURSOS MINERAIS E GEOMORFOLOGIA Haroldo Santos Viana Heinz Charles Kohler Volmir Pinho Tavares INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - IBAMA Síntese da geologia, recursos minerais e geomorfologia; organizado por Haroldo S. Viana, Volmir P. Tavares, Prof. Heinz Charles Kohler. – Belo Horizonte: IBAMA/CPRM, 1998. 21p.: mapas e anexos, (Série APA Carste de Lagoa Santa - MG). Conteúdo: V.1. Meio físico – V.2. Meio biótico - V.3. Patrimônio espeleológico, histórico e cultural – V.4. Sócio-economia. 1. APA de Lagoa Santa - MG - 2. Geologia. 3 - Geomorfologia. 4 - Meio ambiente. I - Título. II - Viana, Haroldo S. III - Tavares, Volmir P. IV - Kohler, H.C., Prof. Mylène L.C. CDU 577-4 Direitos desta edição: CPRM/IBAMA É permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. Ficha Catalográfica 41 1 O Projeto Apa Carste de Lagoa Santa resultou de convênio celebrado entre o Serviço Geoló- gico do Brasil - CPRM e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente - IBAMA, visando ao zoneamento multidisciplinar da Área de Preservação Ambiental - APA, criada pelo Decreto 98 881, abrangendo parte dos municípios de Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Confins, Matozinhos e Funilândia, no Estado de Minas Gerais, num total de 35 municípios. A região em estudo abrange parte das áreas urbanas de Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Matozinhos e Confins e as sedes dos distritos de Mocambeiro, Fidalgo e Lapinha, totalizando 35 600 hectares. A cartografia geológica foi realizada por Tuller et al (1991), o levantamento dos recursos minerais esteve a cargo de Neto,C. e Tava- res,W. (1995), atividades realizadas para o Projeto Vida, da CPRM. A cartografia geo- morfológica foi realizada por H. C. Kohler. Como resultado dessas investigações, foi gerado o mapa lito-estrutural e os mapas de compar- timentação e geomorfológico, na escala 1:50.000, utilizados nas demais atividades do Projeto. 1 - INTRODUÇÃO CPRM – Serviço Geológico do BrasilSíntese da Geologia, Recursos Minerais e Geomorfologia 41 2 2 - MAPEAMENTO GEOLÓGICO 2.1 - Metodologia A metodologia constou das seguintes etapas: • Levantamento e aquisição de documen- tação básica e pesquisa bibliográfica Nos trabalhos iniciais de integração, foram utilizados os seguintes levantamentos geo- lógicos: IGA - escala 1:50 000, 1982; CPRM/ DNPM - Projeto Três Marias, escala 1:250 000, 1977 e Projeto RADAMBRASIL, folha Belo Horizonte, escala 1:500 000, 1978. Como base de trabalho, foram utilizadas fotografias aéreas 1:30 000, CEMIG, 1989, ortofotos 1:10 000 preparadas a partir dessas fotos aéreas e bases planimétricas digitalizadas e atualizadas das folhas plano-altimétricas do IBGE, 1976. O mapeamento geológico englobou um con- junto de operações que se iniciou pela prepa- ração de um mapa preliminar, obtido a partir da interpretação de fotografias aéreas e integração dos mapas e informações disponíveis. Os trabalhos de campo envolveram descrição detalhada dos afloramentos, coleta de amos- tras, cadastramento mineral, descrições petrográficas, análise, interpretação e integração de dados para a confecção do mapa geológico. 2.2 - Descrição das principais unidades estratigráficas De acordo com o mapeamento geológico executado pelo Projeto Vida, Tuller et al (1 991), foram identificadas as seguintes unidades lito- estratigráficas. Complexo Gnáissico-Migmatítico Indi- ferenciado - Agn- Compreende um conjunto ou associação de rochas gnáissicas diversas que se misturam a porções granitóides e a zonas migmatizadas, com característica polimetamórfica. Seus domínios litológicos e posicionamento estra- tigráfico exigem estudos mais detalhados para que se possa situá-los corretamente. Ocorre a sudoeste da folha, em uma faixa bem restrita, margeando o ribeirão da Mata. As rochas gnáissicas, granitóides e migma- títicas do Complexo metamórfico indiferenciado constituem o substrato mais antigo que serviu de base para a deposição das supracrustais e, consequentemente, para a formação da bacia do grupo Bambuí. Ocupam a porção mais inferior da coluna estratigráfica, encontrando-se em contato brusco e discordante (discordância angular) com as rochas supracrustais. As rochas do Complexo gnáissico-migmatítico são litologicamente bem diversificadas, mas são descritas em conjunto, sem a preocupação de individualização, por ocuparem uma área mapeável restrita e muito intemperizada. No entanto, foram identificadas algumas exposições em pedreiras paralisadas ou abandonadas. Os afloramentos exibem litótipos de composição granito-gnáissica e migmatítica, com padrões texturais e estruturais variando de rochas bandadas, fortemente foliadas a incipientes, e isotrópicas. São rochas comumente leuco- cráticas a cinza claro, com muito quartzo e feldspatos, pouca biotita ou quase nenhuma; granulação variando de fina a grosseira, com faixas do tipo “augen-gnaisse”. Os contatos entre os vários litótipos desse Complexo são geralmente transicionais, principalmente entre gnaisses, migmatitos e/ou granitóides. É muito comum apresentarem-se intemperizados ou semi-alterados, mas quase sempre conservam a estruturação original da rocha. São também comuns evidências de minerais estirados, a presença de pequenas “shear-bands”, pe- quenas camadas e/ou veios lenticularizados concordantes e muitas vezes boudinados. A foliação, apesar de marcante, é preferen- cialmente de baixo ângulo. Há locais onde ocorrem dobras ptigmáticas e porções quartzo- feldspáticas, com desenvolvimento de k- feldspatos, de granulação grosseira, indicando processos de blastese local. As rochas granitóides geralmente são de cor cinza-clara a esbranquiçada, granulação grossa a média, às vezes com esparsos porfiroblastos de feldspatos tabulares, foliação incipiente a mais acentuada, com xenólitos de outras rochas ou restitos resultantes de processos de anatexia. É comum encontrar-se “schliëren” de biotita nas partes granitóides e/ou migmatí- ticas. Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa A migmatização corresponde a um processo metamórfico que atingiu grande parte da área, onde as rochas afetadas exibem estruturas dos tipos estromática, dictonítica (em rede), “schliëren”, surreítica (de dilatação), dobrada, estictolítica (manchas) e nebulítica. Em deter- minados locais ocorrem cristais de pirita oxidada e magnetita disseminados nas rochas. Nas porções migmatizadas, a rocha ora é bandada, ora é caótica, com muitas dobras desarmônicas, porções anastomosadas, dobras ptigmáticas, muitos veios quartzo- feldspáticos e pegmatóides, abundantes fraturas, geral-mente preenchidas por calcita e epidoto, além de zonas menores afetadas pelo cisalhamento rúptil-dúctil. Petrograficamente essas rochas variam quanto à composição em gnaisses à hornblenda, biotita gnaisses, diopsídio-anfibólio gnaisses, cujos protólitos seriam granitos e tonalitos trans- formados, submetidos a metamorfismo da facies anfibolito, com alteração hidrotermal em que ocorrem substituições do plagioclásio, saussuritização e cloritização. Geocronologia A idade atribuída ao complexo gnáissico- migmatítico é muito discutida e foi preocupação, durante muitos anos, de vários pesquisadores que apresentaram trabalhos localizados e em áreas restritas. Apesar das incertezas, muitos autores atribuem idade arqueana às rochas gnáissicas. As determinações de idades para as rochas desse Complexo indicam de 2000 a 500 M.a,. segundo Hasui e Almeida (1970), Cordani e Hasui (1975) e Hasui et alii (1980). Outros autores como Danni e Fuck (1979), Teixeira e Danni (1979), Marini et alii (1979), Berbert (1980) e Danni et alii (1982) admitem uma idade arqueana para a maior parte da região recoberta por essas rochas. Besang et alii (1977) registraram uma isócrona de 2.400 M.a. a oeste de Belo Horizonte. Resultados obtidos mais recentemente por Tassinari e Montalvão (1980), Hasui et alii (1980), e J. M. dos Reis Neto (inf. Pessoal) indicam idades mais antigas usando os métodos de datação corres- pondentes a Rb/Sr, U/Pb e Sm/Nd. Os dados radiométricos obtidos pelo método K/ Ar indicam rejuvenescimento isotópico das rochas arqueanas, durante eventos tecto- notermais mais jovens, do Proterozóico, e refletem nitidamente o evento Brasiliano (600 a 800 M.a.). Grupo Bambuí A primeira referência sobre o termo Bambuí deve-se a Rimann (1917), escrevendo sobre a região da Mata da Corda (MG): “A maior parte do distrito é formada pelos schistos crystalinos da Série Minas e pelos schistos argilosos e argila schistosa da Série Bambuy”. Nesse mesmo artigo, o autor correlacionou a Série Bambuí “aos Calcários que Derby (1881) tinha designado como “Calcáreos do São Francisco”. Apesar de não ter sido formalmente descrita segundo os ditames do Código de Nomenclatura Estratigráfica, a terminologia Bambuí passou a ter ampla aceitação entre os geológos que, posteriormente, viriam a estudar essas seqüências. Branner (1919), no resumo da Geologia da Bahia para acompanhar o Mapa Geológico do Brasil, faz o seguinte comentário a respeito da ampla distribuição regional do Bambuí: “A evidência agora reunida induz à conclusão de que os calcários chamados Salitre sejam simplesmente a extensão para norte dos calcários do permiano inferior do Rio das Velhas, Rio Verde e do Alto São Francisco”. Freyberg (1932), trabalhando em Minas Gerais, dividiu o Bambuí em Camadas Indaiá, na base, e Camadas Gerais, no topo. As primeiras seriam fortemente dobradas, enquanto as últimas seriam praticamente horizontalizadas. Andrade Ramos (1956), iniciando o mapea- mento do Distrito Federal, dividiu informalmente a “Série Bambuí” em Quartzitos Paranoá, Ardósias Torto e Calcários Palmeiras. Mais tarde, essas unidades foram reunidas na Série Brasília por Parada (apud Bruni et al. 1976 b.). Costa & Branco (1961) propuseram, a partir de trabalhos desenvolvidos na rodovia Belo Horizonte-Brasília (BR-040), a primeira divisão litoestratigráfica para o Grupo Bambuí. Barbosa (1965) apresentou uma nova divisão para a “Série Bambuí”, promovendo a forma- ções as unidades que tinham sido consideradas como membros por Branco & Costa, passando o Santa Helena a ser designado por Formação Serra Gineta. CPRM – Serviço Geológico do BrasilSíntese da Geologia, Recursos Minerais e Geomorfologia 41 3 4 Oliveira (1967) manteve as denominações dadas por Costa & Branco (1961), atribuindo a elas o grau hierárquico de formações, enquanto o Serra da Saudade é considerado como membro duvidoso da Formação Três Marias. Braun (1968), trabalhando na parte ocidental da bacia do Bambuí e premido pela necessidade de apresentar uma coluna suficientemente abrangente para a extensa área regional, dividiu o Grupo Bambuí em três formações: Paranoá, Paraopeba e Três Marias. Moutinho da Costa et al. (1970) propugnaram pela aplicação do conceito de tectonogrupo, visando resolver o problema surgido pelas variações faciológicas de diversas unidades, até então individualizadas, nos trabalhos de Costa & Branco (1961). O Grupo Bambuí, diante de tal conceito, é dividido em três tectonogrupos: Sete Lagoas, João Pinheiro e Formosa. Nesses tectonogrupos estariam englobadas todas as divisões estratigráficas do Grupo Bambuí, excetuando-se a Formação Três Marias. Dardene (1978) apresentou uma síntese sobre a estratigrafia do Grupo Bambuí no Brasil Central, considerando válida para os Estados de Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso a subdivisão em seis formações: Jequitaí, Sete Lagoas, Serra de Santa Helena, Lagoa do Jacaré, Serra da Saudade e Três Marias. Esse fato corresponde a um retorno às definições originais de Costa & Branco (1961), em que as unidades que haviam sido consideradas como membros, por esses autores, passaram a receber o grau de formações. Neste trabalho, adotou-se a nomenclatura de Dardene (1978), com as modificações introdu- zidas por School (1976) e Grossi e Quade (1985). Pela escala do trabalho e pela área de atuação, foi possível fazer algumas alterações na coluna estratigráfica adotada, já que a Formação Sete Lagoas foi dividida em dois membros: um inferior, denominado Membro Pedro Leopoldo (descrito por School, 1972, como Facies Pedro Leopoldo), aqui dividido na Facies A (Pedreira Canaã), Facies B (Pedreira Ilcon), Facies C (Riacho do Campo) e Facies D (Lagoa das Pedras) e um membro superior, denominado Membro Lagoa Santa (descrito por School, op. cit. como Facies Lagoa Santa), aqui dividido na Facies A (Pedreira Redimix), Facies B (Posto da Polícia Rodoviária Federal) e Facies C (Pedreira Pedregulho). Utilizou-se, para definir espessuras de camadas e lâminas de rochas sedimentares, a nomenclatura modificada de Ingram (1953. In Pettigohn 1957) e Campbell (1967), (tabela 01). As classificações das rochas foram baseadas em Dunham (1962), textural; em Folk (1959), composicional e em Grabau (1913, tab. 2, p. 269-298 In Pettijohn 1957), granulométria (tabela 02). De uma maneira geral, tais membros corres- pondem a um calcissiltito e/ou microespatitos/ espatitos, micritas, subordinadamente calcare- nitos muito finos e margas (Membro Pedro Leopoldo) e calcarenito, espatitos e calcilutitos subordinados (Membro Lagoa Santa). Quando tais litofacies estão moderamente a intensa- mente deformadas, utilizou-se o termo tecto- facies, o que levou a dividir a área do projeto em três domínios estruturais. Procurou-se também estabelecer um modelo para a sedimentação da área, compreendendo sequências trans- gressivas e regressivas, onde a seqüência estratigráfica é representada por três mega- ciclos, denominados respectivamente: I, II e III, sendo um inferior (transgressivo) corres- pondendo ao Membro Pedro Leopoldo (ciclo I), um intermediário (regressivo) que corresponde ao Membro Lagoa Santa (ciclo II) e um superior (transgressivo), correspondendo a Formação Serra de Santa Helena (ciclo III). Formação Sete Lagoas - Psbs Membro Pedro Leopoldo - PSbspl Essa unidade acha-se exposta em quase toda a área do Projeto. Ocorre, principalmente, na margem esquerda do rio das Velhas, nos vales do ribeirão da Mata, Bebedouro e próximo a Tavares, ao norte e ao sul da Quinta do Sumidouro bordejando a Lagoa Santa e a jusante do ribeirão da Gordura. O membro Pedro Leopoldo situa-se na base da Formação Sete Lagoas, sobrepondo o complexo gnáissico-migmatítico indiferenciado - Agn-gr, geralmente por falha de descolamento, mos- trando contato brusco e discordante, definido quando observado em exposições favoráveis, como na folha Lagoa Santa, rodovia MG-424, SW de Vespasiano (próximo a Bela Vista). Em locais onde não há tais evidências, são tidos como aproximados e/ou prováveis, mas sempre tectônicos. É sotoposto por rochas do Membro Lagoa Santa. Constituem essa unidade os seguintes litótipos: calcissiltitos e/ou microespatitos/ espatitos, micritas, subordinadamente calcarenitos muito Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa finos, margas, e milonitos protoderivados. Foi dividida nas seguintes litofacies: Facies A (Pedreira Canaã), Facies B (Pedreira Ilcon), Facies C (Riacho do Campo) e Facies D (Lagoa das Pedras), todas definidas fora da área do projeto. Membro Lagoa Santa - PSbsls Acha-se exposto em aproximadamente, 60% da área do projeto, ocorrendo uma faixa de NW- SE, partindo do vale do ribeirão da Mata, passando por Confins, Mocambeiro, Fidalgo, Matozinhos, Quinta da Fazendinha, lagoa da Banana, adentrando a folha de Sete Lagoas. Ocorre em corpos isolados ao norte da lagoa dos Porcos e ao sul, próximo a Tavares. Sobrepõe o Membro Pedro Leopoldo, geral- mente em contato brusco, através de falha de descolamento (“decollement”) e nas suas proximidades observa-se maior intensidade de veios de calcita/quartzo, concordantes/discor- dantes. Sotopondo esta unidade, ocorrem os siltitos e argilitos da Formação Serra de Santa Helena, geralmente em contato tectônico (falha de descolamento). O Membro Lagoa Santa é constituído por calca- renito, calcissiltito e/ou espatito/ microespatito, brecha, estromatólitos e milonitos protoderi- vados. Ambiente de sedimentação Pelas características regionais da Formação Sete Lagoas, sugere-se a existência de um mar epicontinental à época de sua deposição, cobrindo extensas áreas continentais, extre- mamente rasas e com declives pequenos, restringindo a circulação da água e provocando sua hipersalinização. Essa estabilidade de condições permitiu igualmente a ampla distribui- ção de unidades como a Formação supracitada (Dardene, 1979). Inicialmente, a deposição da Formação Sete Lagoas se deu pela invasão de áreas conti- nentais pelo mar, inundando as partes mais baixas, representadas pelos carbonatos mais finos e claros do membro Pedro Leopoldo (ci- clo I). Posteriormente, uma regressão marinha possibilitou a depositação dos calcários mais grosseiros e escuros, pertencentes ao Membro Lagoa Santa (ciclo II) e, novamente, uma transgressão marinha, representada pelos clásticos finos da Formação Serra de Santa Helena (ciclo III). Essas variações do nível do mar, obedecendo a tais ciclicidades foram verificadas apenas no âmbito da área do Projeto VIDA. Tibana & Alkimin (1986/1987, in Magalhães, 1988), argumentaram a favor de um modelo no qual a sedimentação da Formação Sete Lagoas se deve a um sistema progradante, dentro de um ambiente plataformal, com representantes de zonas de infra a supramaré. Os carbonatos mais claros, representados pelo Membro Pedro Leopoldo (ciclo I), transgressivo, representariam a sedimentação, na zona de plataforma externa, de um ciclo progradante que culmina com biolititos de subintermaré. Os laminitos algais (Pedreira Sambra) depositavam em condições de águas rasas, possivelmente em zonas de inframaré, com exposições periódicas, caracte- rísticas de fácies de borda de plataforma. Os mais puros rítmicos que ocorrem no morro do Cabeludo, representariam a sedimentação de supramaré, com influência evaporítica. Após a sedimentação dos calcários claros (ci- clo I), verificou-se uma regressão do nível do mar que possibilitou a deposição de um calcário mais escuro (ciclo II), e os mais finos (pre- dominantes) foram depositados em ambientes de águas rasas e alta energia, com alguma influência de sedimentação terrígena. Os grosseiros (mais raros), pela sua boa seleção, granulometria grossa e a existência de ooides, indicam deposição em águas rasas e agitadas, de tal maneira a manter o grão sempre em suspensão e em áreas bem protegidas, sugerindo um ambiente de submaré rasa a supramaré. Posteriormente, com uma transgressão do nível do mar (ciclo III), toda a plataforma seria coberta por siliciclásticos finos (metassiltitos e metar- gilitos) que são os representantes da Formação Serra de Santa Helena. Geogronologia As primeiras estimativas feitas sobre a idade do Grupo Bambuí foram baseadas no seu conteúdo fossilífero e nas comparações efetuadas com outras ocorrências semelhantes, de outras partes do mundo. Assim, os primeiros autores estimaram uma idade Paleozóica, baseada na semelhança desses sedimentos com os do vale do Mississipi nos Estados Unidos (Dardene, 1979). Posteriormente, devido à ausência de outros tipos de fósseis, as determinações da idade do Grupo Bambuí basearam-se, fundamen- CPRM – Serviço Geológico do BrasilSíntese da Geologia, Recursos Minerais e Geomorfologia 41 5 41 6 talmente, no estudo de estromatólitos e nas datações radiométricas. Amaral & Kawashita (1967), utilizando folhelhos da Formação Sete Lagoas, obtiveram uma idade através do método Rb/Sr de 590 MA (R.I - 0,83). Essa idade foi reforçada pela determinação de Almeida & Hasui (1969), utilizando o método K/ Ar em xistos sericíticos da Formação Paracatu (fora do âmbito deste trabalho), obtendo a idade de 580-650 MA. Os únicos dados Rb/Sr disponíveis para o Grupo Bambuí na Folha SD.23 Brasília, referem-se a análises isotópicas de ardósias nos arredores de Barreiras, efetuados por K. Sato para a Secretaria de Minas e Energia, do Estado da Bahia. Esses dados, preliminarmente plotados em um diagrama isocrônico, acusaram uma idade de 760 M.A. para uma relação inicial de 0,704. Tal razão é extremamente baixa, considerando-se os metassedimentos dessa época. Próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Federal - Sete Lagoas (BR-040), os biolititos da Formação Sete Lagoas (Membro Lagoa Santa), segundo Marchese, 1974 (op. cit.), correspon- dem a estromatólitos do gênero gymnsolidae, o que indica uma idade aproximada de 950 a 600 M.A para a deposição do Bambuí. Nesse mesmo grupo são descritos vários outros pontos com estromatólitos (Cassedane, 1964, 1968; Cloud & Dardene, 1973). Cloud & Dardene, 1973, concluem, pela ocorrência de “Conophyton metula”, uma idade de deposição do Bambuí no intervalo de 950 a 1350 M.A., o que é bastante razoável. Formação Serra de Santa Helena - Psbsh A formação Serra de Santa Helena corresponde a um conjunto litológico do grupo Bambuí e foi, primeiramente, estudada por Costa e Branco (1961), que a denominaram de membro Santa Helena, como parte integrante da formação rio Paraopeba. Posteriormente, Barbosa (1965) promoveu o membro Santa Helena à categoria de formação, sob a denominação de serra Gineta, compreendendo ardósias com interca- lações siltosas. Oliveira (1967), em sua divisão da “Série Bambuí”, considerou as ardósias como perten- centes à formação Serra de Santa Helena, conservando a mesma denominação dada por Costa e Branco(1961), mas com grau hie- rárquico mais elevado. Braun (1968) propôs, para o grupo Bambuí, uma divisão em três formações, designando-as de Paranoá, Paraopeba e Três Marias e incluiu, na formação Paraopeba, as fácies denominadas Sete Lagoas, lagoa do Jacaré, serra de Santa Helena e Samburá, sendo compostas de rochas carbonáticas e pelíticas. Scholl (1976) dividiu a formação serra de Santa Helena em três subunidades, com a porção basal englobando filitos, ardósias intercaladas com margas e calcários; a porção mediana, com filitos e siltitos subordinados e o topo, com siltitos e quartzitos finos intercalados com filitos. Dardenne (1978), na abordagem da estratigrafia do grupo Bambuí, distinguiu seis formações: Jequitibá, Sete Lagoas, serra de Santa Helena, lagoa do Jacaré, serra da Saudade e Três Marias. Essa divisão é o resultado de uma síntese da estratigrafia do grupo Bambuí no Brasil Central. Neste trabalho adotou-se a classificação proposta por Dardenne (1977), amplamente utilizada em outros trabalhos geológicos regionais. A formação serra de Santa Helena ocorre tipicamente na serra homônima, em Sete Lagoas. Constitui uma grande mancha em planta e recobre continuamente a formação subseqüente, apresentando com freqüência pequenos corpos de formas diversas, que representam resquícios de uma erosão dife- renciada e muito intensa, na região. Sua distribuição se dá entre Lapinha e Lagoa Santa ao sul, e ao norte, entre Fidalgo e São Bento, a oeste, nas proximidades de Quinta da Fazen- dinha e a leste, próximo a Quinta do Sumidouro. O posicionamento estratigráfico dessa for- mação a coloca imediatamente acima da formação Sete Lagoas, normalmente com passagem brusca através de contato tectônico. Às vezes, torna-se difícil precisar o contato das rochas sotopostas da formação Sete Lagoas, no caso dos calcissiltitos com intercalações argilosas com os siltitos e argilitos da formação serra de Santa Helena, quando ocorrem intemperizados ou decompostas. Essa formação abrange uma litologia monótona, em que predominam litótipos de origem siliciclástica e, mais raramente, sedimentos carbonáticos. Os siliclásticos dominantemente muito finos, correspondem a siltitos e argilitos. Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa Os sedimentos carbonáticos são lentes de diferentes dimensões, distribuídas espar- samente e correspondentes às margas e calcarenitos muito finos. Os metasiltitos e meta-argilitos metamórficos apresentam-se em grande parte decompostos a semi-alterados, mas são encontrados frescos em pedreiras, ainda ativas ou paralisadas, fora da área do projeto. Quando alterados a semi- alterados, exibem coloração muito variada, do amarelo ao vermelho, do creme ao cinza claro. Quando a rocha está fresca, com clivagem ardosiana (ardósia), apresenta-se de coloração verde escuro. São encontrados em finos estratos, caracte- rizando lâminas delgadas ou em camadas espessas, podendo ou não apresentar clivagem ardosiana. Geralmente encontram-se muito fraturados e exibem, com frequência, manchas de redução em formas variadas de circulares a ovais. Apresentam-se em camadas e/ou lâminas com estratificação plano-paralela, com marcas de ondas (ripples marks) assimétricas, de diferentes direções de paleocorrentes e, menos freqüentemente, exibindo estratificações cruzadas de pequeno porte. É difícil precisar- se o predomínio de um tipo sobre outro, pois ambos estão amplamente associados em toda a área trabalhada. Os arenitos metamorfizados são bastante escassos e apresentam-se em finas lâminas e/ou camadas intercaladas na seqüência pelítica e, geralmente, possuem granulometria, variando de muito fina a fina e são friáveis. Há locais onde os pelitos formam camadas homogêneas de aspecto maciço. Os sedimentos carbonáticos ocorrem em forma de lentes e correspondem a calcarenitos muito finos, de cor cinza-escura a preta, exalando forte odor de enxofre quando quebradas e, geral- mente, apresentam feixes de vênulas e/ou finos veios de calcita branca e preta, cortando as lentes. Constituem corpos pouco espessos intercalados nas encaixantes que geralmente são siltitos, folhelhos e argilitos. Toda essa seqüência encontra-se cortada por abundância de veios de quartzo ou quartzo- feldspatos, dobrados, quase sempre preen- chendo fraturas ou zonas de alívio, provenientes de processos distensionais, exibindo freqüen- temente drusas e abundantes cristais hialinos e euédricos de quartzo. Outra forma de ocorrência desses veios quartzosos é de acordo com a laminação ou acamamento das rochas, numa atitude concordante e de forma tabular delgada. São veios geralmente estriados, em consequência de deslocamentos horizontais a sub-horizontais. O mergulho das rochas nessa seqüência varia desde sub-horizontal a bastante inclinado. Verificam-se intensos dobramentos com cavalgamentos, situação muito freqüente na área. A espessura de toda a formação serra de Santa Helena oferece valores bastante variáveis em locais onde as camadas medem centímetros e em outros em que atingem valor de até 200 metros de espessura. Além dos calcarenitos, é comum ocorrerem lentes de calcissiltitos com intercalações de argilitos e siltitos (margas) que, normalmente, apresentam-se com clivagem forte e ondu- lações assimétricas. Tratam-se de interca- lações milimétricas a centimétricas que podem atingir até a granulometria de areia fina. Essas rochas são laminadas e possuem estratificação plano-paralela, com ondulações e estruturas de carga (“load casts”). Na base da formação serra de Santa Helena, ocorrem intercalações manganesíferas consti- tuindo finas camadas concordantes com as rochas dominantes, siltitos e argilitos meta- mórficos. Em lâmina delgada, as rochas siltosas e argilosas apresentam textura geralmente laminada, em alguns casos uma foliação ardosiana e granulometria variando de muito fina a silte grosseiro, chegando em certos casos a areia muito fina. Seus grãos, em grande parte, são bem selecionados e têm como constituintes principais quartzo, feldspato, sericita, micas, argilominerais, biotita e, menos comumente, a pirita. São observadas transformações diage- néticas e tectônicas através de fraturas cimentadas por quartzo autigênico, de desidra- tação de argilominerais, concentração de impurezas em níveis orientados, segundo direções preferenciais de oxidação. Essas rochas correspondem a níveis silici- clásticos, classificados como pelitos e arenitos finos, intercalados ritmicamente e que estão fortemente compactados. O metamorfismo que atuou sobre as rochas dessa formação apresenta características de baixo grau. CPRM – Serviço Geológico do BrasilSíntese da Geologia, Recursos Minerais e Geomorfologia 41 7 41 8 Ambiente de sedimentação A formação serra de Santa Helena caracteriza- se por sedimentos epicontinentais depositados em ambiente marinho sublitorâneo, relati- vamente profundo, onde as correntes eram fracas, de modo a possibilitar a sedimentação de estratos dominantemente plano-paralelos e raras estratificações cruzadas de pequeno porte e marcas de ondas. O ambiente possui características redutoras de águas profundas e de baixa energia. Define um ciclo transgressivo sobre as rochas da Formação Sete Lagoas. Coberturas cenozóicas Coberturas Detrito-lateríticas - Tdl Essas coberturas foram melhor observadas em exposições expressivas e descontínuas, fora da área do projeto, enquanto que no local ocorrem crostas lateríticas não mapeáveis, na escala exigida. Os sedimentos preservados, correspondentes às coberturas detrito-lateríticas e que se dispõem em uma pequena faixa, ao sul da quinta da Fazendinha, são pouco consolidados sotopondo direta e discordantemente (não- conformidade), a contatos aproximados devido ao alto grau de intemperismo na área. As faixas mapeáveis e mais expressivas da área localizam-se ao longo da rodovia MG-424, no trecho entre COMINCI e USIMINAS EMICAL (município de Matozinhos); na rodovia Capim Branco-Arco Verde e na estrada de ferro RFFSA-Central do Brasil, entre Arco Verde e Prudente de Morais. São faixas alongadas, de contornos irregulares e espessuras variáveis (> 2 metros) e situam-se em cotas acima de 800 metros. Os sedimentos desses depósitos superficiais são muito diversificados quanto à sua compo- sição e distribuição, sendo formados por cascalho fino, areia, material síltico-argiloso e porções limonitizadas, sob forma de finas camadas, ou em porções limonitizadas em finas camadas ou em concreções e blocos. Próximo à Capim Branco, esses sedimentos exibem fragmentos de siltitos amarelados, grande quantidade de grãos e fragmentos esparsos arredondados a sub-arredondados e angulosos de quartzo. Ambiente de sedimentação Poder-se-ia atribuir a essas coberturas uma origem residual, resultante de provável ação de ciclo erosivo que seria responsável pela alteração, lateritização e desagregação das rochas mais antigas. Geocronologia Considerando-se os estudos formulados por Leste C. King (1977), sobre a área do Projeto, verificou-se a existência de testemunhos da ação de três ciclos de desnudação que aí atuaram, com predominância do ciclo Velhas e partes dos ciclos Sul Americano e Post- Gondwana. Os dois primeiros atuaram no período Terciário, enquanto o último, no Cretáceo. A pouca cobertura encontrada e que pode ser mapeada parece estar relacionada à ação erosiva que atuou durante o período Terciário. Depósitos Aluvionares Os depósitos aluvionares, muito comuns na área, foram divididos em dois tipos principais, sendo que o mais atual corresponde a aluviões recentes dos rios ainda em curso que, às vezes, inundam extensas planícies. O outro tipo, encontrado também com freqüência, diz respeito aos terraços aluvionares que se dispõem em dois níveis bem distintos e se sobrepõem aos mais recentes, com fácil identificação no campo. Os depósitos recentes, encontrados nas margens ou dentro dos atuais cursos d’água na região, ocorrem em cordões alongados e contornos irregulares, envolvendo os canais desses cursos. Acham-se distribuídos ao longo do ribeirão da Mata, córrego Jaguara e riacho da Gordura e são pouco expressivas ao longo do rio das Velhas. Os terraços antigos podem ser mais bem apreciados nas margens e arredores do rio das Velhas, onde estão sendo trabalhados pelo homem. Os terraços recobrem todos os tipos de rochas que ocorrem na área e são superficiais ou pouco profundos nos casos em que geralmente apresentam um capeamento de solo. Corres- pondem aos sedimentos mais novos existentes Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa e são encontrados dentro de canais de rios, nas margens e/ou em planícies fluviais. Os terraços mais antigos se situam abaixo dos depósitos aluviais recentes, assentando-se sobre os vários tipos litológicos, dando contatos bruscos e sem definições. Esses sedimentos pertencem à era Cenozóica e ao período Quaternário, do Pleistoceno ao Holoceno, no caso dos antigos terraços aluviais. Os depósitos aluvionares recentes são forma- dos por sedimentos continentais terrígenos, inconsolidados e mal selecionados onde predominam materiais como cascalhos, areias, siltes e argilas. Os cascalhos constituem a fração mais pesada e se tornam mais grosseiros para o montante dos cursos d’água e são, predominantemente, constituídos de grãos arredondados, sub-arredondados a sub- angulosos de quartzo e fragmentos de rochas. Blocos de matacões, freqüentemente, são encontrados associados a esses depósitos. Comumente são organizados, estratificados e com imbricamento de seixos que indicam a paleocorrente dos antigos cursos aí instalados. As areias, siltes e argilas ocorrem em abun- dância e apresentam estruturas sedimentares dos tipos estratificações cruzadas tabulares, acanaladas e plano-paralelas. Nas grandes planícies aluviais, onde geralmente os cursos d’água são meandrantes, de baixa competência e sujeitas a inundações periódicas, o material encontrado possui granulometria mais fina. Os terraços aluvionares, anteriores aos cordões sedimentares recentes, ocupam geralmente partes mais elevadas que os depósitos recentes e são constituídos por estratos contínuos, de espessuras irregulares, que variam de centí- metros a aproximadamente, 3 metros. São constituídos de cascalhos com seixos, até matacões, areias, siltes e argilas. É possível a identificação de duas gerações de terraços, sendo um tipo posicionado na parte mais inferior (Qpa2), onde ocorre em camadas com predo- minância de cascalhos formados em grande parte por cristais retrabalhos de quartzo leitoso, atualmente sob a forma de seixos e matacões. São responsáveis pela formação de grandes cascalheiras, onde se constata o bom retra- balhamento do material depositado, com seixos predominantemente elipsoidais e cujos grãos estão soldados por cimento limonítico. Trata-se de um sedimento consolidado a pouco con- solidado. Em fotografia aérea, esses terraços refletem uma textura rugosa com manchas esbranquiçadas. O outro tipo de terraço, sobreposto ao anterior, compõe-se, predominantemente, de sedi- mentos areno-argilosos com grânulos de quartzo, correspondendo, na coluna estrati- gráfica, ao tipo Qpa1. Trata-se de um solo argilo- arenoso marrom-claro, com grânulos de quartzo milimétricos a submilimétricos pouco retrabalhados, angulosos a subarredondados, mal selecionados como indicativo de pouco transporte e pequena energia de condução. Suas áreas são muito utilizadas na agricultura e pastagem, possuindo boa topografia e grande fertilidade. Em fotografias aéreas, se mani- festam através de zonas relativamente planas e bem lisas texturalmente. Os dois tipos descritos são relativos a depósitos de paleo- canais. Todos os depósitos aluvionares identificados durante a execução do projeto foram classi- ficados como pertencentes à era Fanezozóica, formados no período Cenozóico e atribuídos aos períodos Quaternário e Terciário. Os depósitos mais recentes, principalmente aqueles de cursos d’água ainda ativos, pertencem ao período Quaternário, enquanto os terraços aluviais, antigos cursos abandonados e inativos, enquadram-se no Terciário e, geralmente, estão recobertos por solos diversos e/ou coberturas detríticas. CPRM – Serviço Geológico do BrasilSíntese da Geologia, Recursos Minerais e Geomorfologia 41 9 4 11 0 Quadro 1 - Resumo das principais unidades lito-estratigráficas da APA Carste de Lagoa Santa. Z o n eam en to A m b ien tal d a A p a C arste d e L ag o a S an ta 41 11 Teores em óxido(%) Cia. de cimento Itau Cia de cimento Cauê SA CaO 52,63 41,94 MgO 0,40 0,09 Si02 3,70 1,08 Al203 0,23 0,40 Fe203 0,17 0,28 Titulação 94,78 97,62 O cadastramento de bens minerais, realizado pelo Projeto Vida, na faixa Sete Lagoas-Lagoa Santa, destacou os calcários como principal re- curso mineral da região. Em escala secundária são extraídos cascalho residual, cascalho de seixos de quartzo, areia e calcissiltitos (cal- ciofilitos), conhecidos como “pedra de Lagoa Santa”. Os principais pontos de lavra e extração desses bens minerais encontram-se assinalados no mapa geológico, anexo ao presente trabalho. Calcários Os calcários de granulometria grosseira ou calcarenitos são as rochas carbonáticas, predominantes do membro Lagoa Santa, 3 - RECURSOS MINERAIS Formação Sete Lagoas. São rochas maciças e compactas, coloração cinza-escura a negra, com teores em carbonato de cálcio que podem atingir a 99%. Suas principais impurezas são o quartzo, micas, cloritas, piritas e matéria orgânica. A matéria orgânica, que confere a cor negra a esses calcários, pode atingir teores de 0,5% da rocha total, ocorrendo em lâminas micrométri- cas e milimétricas, nos espaços intergranulares ou no interior dos cristais de calcita. Os calcários utilizados para fabricação de cimento apresentam teores em óxidos, con- forme dados fornecidos pela Cia. de cimento Portland Itaú e pela Cia de cimento Cauê SA: Os calcários silicosos desse membro apre- sentam teores em SiO2 que podem variar de 10% a 2O% e titulam em torno de 40% de carbonato de cálcio. O segmento mais nobre da utilização dos calcários de membro Lagoa Santa é o da produção do cimento tipo Portland, contando a região com as seguintes fábricas: Fábrica de cimento Portland Mauá, Fábrica de cimento Cauê SA e SOEICOM, próximas aos limites da APA, nos municípios de Matozinhos, Pedro Leopoldo e Vespasiano. Esses calcários são também utilizados na indústria de calcinação, para obtenção da cal virgem e hidratada. Na construção civil são usados sob a forma de brita, pedriscos, pedra de mão, pó e agregados para asfalto. O consumo de brita de calcário tem aumentado, em função do seu baixo custo de extração, possibilitando o transporte a maiores distâncias. O uso siderúrgico do calcário é muito difundido na região, devido a grande produção de ferro gusa, no município de Sete Lagoas. Sua função na siderurgia é a de formação de escória para eliminação de impurezas, na produção de gusa e de aço, além de aumentar o coeficiente calorífico do forno. Na agricultura, o calcário é utilizado após moagem em mistura com pó dolomítico, com a finalidade de correção do PH do solo agrícola. De acordo com dados obtidos no Departamento Nacional da Produção Mineral- DNPM, o calcário é o único bem mineral da região, sob controle daquele órgão. CPRM – Serviço Geológico do BrasilSíntese da Geologia, Recursos Minerais e Geomorfologia No âmbito do território da APA, estão outorgados 18 decretos de lavra e 13 alvarás de pesquisa . De acordo com os dados coletados no DNPM (1993), a área dispõe de uma reserva total de 2 811 157 415 toneladas de calcário para cimento. O municipio de Pedro Leopoldo detém 57,18% dessas reservas, Matozinhos, 41,945% e Lagoa Santa, 0,88%. O quadro 2 detalha as reservas e a produção das diversas mineradoras que operaram nesses municípios, no período 1990/1993. Pedra da Lagoa Santa Os calcissiltitos laminados, conhecidos regio- nalmente como “Pedra de Lagoa Santa”, são calcários impuros de coloração cinza a média, com intercalações escuras de metapelitos em leitos delgados, às vezes rítmicos, pertencentes ao membro Pedro Leopoldo da formação Sete Lagoas. Apresentam teores em carbonato de cálcio, geralmente inferiores a 50%, e teores em sílica, alumina, magnésio e ferro, geralmente altos. Devido à facilidade de se destacarem facilmente em lâminas, essas rochas são utilizadas após beneficiamento rudimentar, como pedras de revestimento de piso. As principais pedreiras, de onde se extrai pedra de Lagoa Santa, situam-se na bacia do córrego Jenipapo. A extração é feita de modo predatório e rudimentar, sem nenhum planejamento de lavra. O seu beneficiamento consiste, unicamente, na separação manual das placas de rocha e no corte, através de serra diamantada, com perdas que atingem valores superiores a 50%. Esse fato dá origem a grande volume de rejeitos de beneficiamento, gerando problemas ambien- tais para a região de Fidalgo e a de Sumidouro. Cascalho e areia Sob o efeito de intenso intemperismo, os mepaleitos ricos em veios e buchos de quartzo da Formação Santa Helena dão origem a cascalheiras residuais, utilizadas pelas Prefei- turas para revestimento de estradas municipais e rurais. Essa retirada de cascalho deixa as áreas afetadas sem proteção aos agentes intempéricos, facilitando os processos de erosão acelerada e modificando a paisagem regional. Cascalhos oriundos dos terraços aluvionares do rio das Velhas, extraídos no passado para retirada de ouro, constituem, atualmente, fonte de seixos de quartzo, explorados para atender às indústrias siderúrgicas de Sete Lagoas, onde são utilizados como fundente. A principal fonte de areia para construção da região são as aluviões e terraços do Ribeirão da Mata, onde opera quase uma dezena de dragas, na extração desse bem mineral. Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa 41 12 4 11 3 Quadro 2 - Concessões de lavra para calcário - Reservas e produção no período 1990/93. Mineradora Reservas (t) Produção Bruta (t) Medida Indicada Inferida 1990 1991 1992 1993 L A G O A S A N T A ICAL-Ind. Calcinação Ltda 805.407 2.234.437 --- --- --- --- --- Cia. Cimento Portland Itaú 21.680.000 --- --- --- --- --- --- Sub-total 22.485.407 2.234.491 --- --- --- --- P E D R O L E O P O L D O Mineração Fazenda dos Borges Ltda. 2.814.217 --- --- 9.018 13.472 34.495 80.473 Cimento Cauê SA 2.890.820 --- --- 134.283 186.178 111.273 ?? CIMINAS 80.506.143 199.94300 249.966.860 1.527.105 1.721.1.428.374 1.428.374 1.203.550 Minerações Brasileiras Reunidas SA 356.405.508 --- --- 23.069 7.375 988 785 Mineração Lapa Vermelha Ltda. 271.341.410 --- --- 1.936.509 2.922.541 2.886.622 2.326.842 Mineração Fazenda dos Borges Ltda. 1.350.155 --- --- 9.018 15.347 42.533 65.266 Cimento Cauê SA 9.881.317 100.000.000 --- 78.415 24.964 6.230 ??? Raul Santana de Abreu 21.474.679 4.295.894 10.739.736 2.531 1.960 1.177 2.885 Miner. Calcinação Sinacal Ltda. 1.759.446 --- --- 16.445 9.966 6.777 21.078 Cimento Cauê SA 86.643.647 38.876.786 168.449.380 405.889 158.248 55.800 24.069 Sub-total 835.067.342 343.116.080 429.155.976 5.142.282 5.061.539 3.724.948 M A T O Z I N H O S Mineração Cauaia Ltda. 28.395.107 14.823.000 21.627.000 43.061 24.975 32.362 6.600 Cimento Cauê SA 24.891.722 21.832.000 22.565.000 161.132 374.747 168.655 ?? Mineração Cauaia Ltda. 86.343.624 60.115.800 110.638.800 25.632 10.704 15.414 2.890 Mineração Resende :Ltda. 691.604.850 --- --- --- --- --- --- Célio Edson Diniz Nogueira 2.086.187 --- --- --- 6.613 2.032 10.400 Cimento Mauá SA 94.451.083 --- --- 103.731 117.183 74.180 68.524 Sub-total 927.770.800 154.554.800 333.556 534.222 292.643 88.414 TOTAL 1.785.325.322 442.121.317 583.710.776 5.475.838 5.595.761 4.866.912 3.813.362 C P R M – S erviço G eo ló g ico d o B rasil S ín tese d a G eo lo g ia, R ecu rso s M in erais e G eo m o rfo lo g ia 41 14 Os levantamentos geomorfológicos, preliminar- mente baseados em investigações anteriores (Kohler, 1988), foram atualizados e aprimorados para atender os objetivos de Zoneamento Ambiental. 4 - GEOMORFOLOGIA Foram gerados os seguintes mapas, em escala 1:50.000, com legendas autoexplicativas: • Mapa Geomorfológico • Mapa de Compartimentação Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa 41 15 5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, F.F.M. 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Ficha Catalográfica 41 1 Um plano de manejo adequado de uma Área de Proteção Ambiental (APA) não pode, nos dias de hoje, ser realizado sem o conhecimento dos solos e de suas propriedades. Os solos são considerados corpos naturais que cobrem a superfície terrestre, constituindo um dos principais substratos para a vida vegetal, possuindo propriedades advindas dos efeitos integrados do clima e dos organismos que agem sobre o material de origem, condicionado ainda pelo relevo. Tanto o uso urbano quanto o agrícola promovem modificações na paisagem natural, espe- cialmente nas propriedades do solo, tornando o ambiente mais susceptível a perdas e degra- dações (Marcus, 1985). A região da APA, por se tratar de área cárstica próxima a grande centro urbano como Belo Horizonte, torna-se alvo tanto das indústrias de exploração mineral, como do avanço populacional em busca de outros espaços. Os trabalhos de prospecção de solos, nos últimos anos, têm-se caracterizado por fornecer informações fun damentais utilizadas no planejamento de ocupação das áreas rurais. Hoje, devido à grande alteração da dinâmica das regiões na interface urbano-rural, os estudos de solos têm dado importantes contribuições para o combate à erosão, e a recuperação de áreas degradadas e contribuindo para o planejamento adequado da ocupação dessas áreas. 1 - INTRODUÇÃO Sob esse enfoque, o presente estudo compreende o Levantamento Semidetalhado de Solos das Terras da Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa – MG, com superfície aproximada de 35.600 hectares, realizado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM, e com o principal objetivo de fornecer informações sobre o meio físico que, quando integradas a outros temas, possam subsidiar os trabalhos de planejamento de uso e ocupação da APA. Os trabalhos foram desenvolvidos de acordo com as normas em uso pelo Centro Nacional de Pesquisa de Solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – CNPS/EMBRAPA. Envolveram tarefas de escritório, de campo e de laboratório, que foram divididas em quatro grupos de atividades básicas: reconhecimento preliminar, serviços de campo, serviços de laboratório e serviços finais de escritório. Os solos foram classificados em nível mais baixo que subgrupo, próximos de famílias ou séries, util izando-se como unidade de mapeamento as próprias unidades taxonômicas ou suas associações. O somatório dos dados de campo, de laboratório e as suas interpretações serviram de base ao mapeamento final dos solos, reproduzido na escala 1:50.000 de publicação. CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica 41 2 Os trabalhos foram executados em quatro fases distintas, descritas a seguir. 2.1 - Reconhecimento Preliminar Essa etapa constitui uma introdução ao conhecimento das propriedades edáficas da área. Em sua maior parte é desenvolvida em escritório. No entanto, as jornadas de campo contribuíram de maneira fundamental para a complementação das informações das interpretações realizadas em escritório. Primeiramente, foram coletados os principais antecedentes referentes à região, levando em consideração todo material-base para a execução dos serviços, tais como base cartográfica, fotografias aéreas e imagens de satélites. Procedeu-se, então, a uma análise minuciosa dos estudos, especialmente aqueles relacionados a geologia, clima, geomorfologia, vegetação, uso da terra e, evidentemente, solos. Concomitantemente a esses serviços, iniciaram-se os trabalhos de fotointerpretação preliminar para identificação dos padrões fisiográficos da região. Esse trabalho teve o apoio de visitas de reconhecimento de campo para confirmação dos padrões observados, originando um mapa preliminar de solos. Como previsto, esse mapa constituiu o elemento básico para a programação dos trabalhos de campo e nele foram estabelecidos os possíveis locais destinados à abertura de trincheiras pedológicas para descrição e coleta de amostras de solos. 2.2 - Serviços de Campo Os serviços de campo constituem a principal etapa do trabalho, pois somente com a análise de perfis e tradagens é possível classificar os solos e estabelecer as unidades de mapeamento com suas respectivas distribuições geográficas, a serem confirmadas nos serviços finais de escritório. As tradagens tiveram por finalidade a verificação dos limites de mapeamento traçados a partir de padrões aerofotográficos definidos nos serviços preliminares, tendo como complemento as 2 - METODOLOGIA informações contidas nas imagens LANDSAT. As descrições morfológicas, tanto dos perfis quanto das tradagens, foram determinantes na elucidação dos padrões toposseqüenciais predominantes na região, que consistiram na base do mapeamento e na definição das associações de solos. A abertura e a descrição dos perfis no campo foram feitas segundo as normas do CNPS/ EMBRAPA, preconizadas no Manual de Descrição e Coleta de Solo no Campo, (Lemos & Santos, 1982). Com o intuito de incrementar essas informações, optou-se pela realização de sondagens a trado no interior da trincheira até uma profundidade de 5.0 metros ou, em alguns casos, até a rocha branda. Foram descritos 18 perfis sendo 12 com coleta completa, totalizando-se 40 amostras. Os perfis descritos e coletados pelo Projeto RADAMBRASIL no Levantamento Exploratório de Solos do Estado de Minas Gerais e pelo Levantamento de Reconhecimento de Alta Intensidade realizado pelo CETEC, também foram verificados e aproveitados na composição dos dados deste estudo, totalizando-se 10 perfis. Em complementação, foram descritas 40 tradagens que auxiliaram substancialmente não só na classificação destes solos como na melhor definição das unidades de mapeamento. Utilizaram-se os aparelhos de Sistema de Posicionamento Global (GPS) para georreferenciamento tanto dos perfis quanto das tradagens, permitindo com isso, a transferência dos seus dados para o Sistema de Informações Geográficas o SPANS-SGI. No decorrer dessa etapa, também foram feitas reproduções fotográficas, enfocando, principalmente, os perfis descritos, o relevo e a paisagem cárstica, as quais se encontram destacadas no Anexo II. 2.3 - Serviços de Laboratório Concomitantemente ao trabalho de campo, iniciaram-se os serviços de laboratório, que se estenderam até a fase final de escritório. As análises completas compreenderam: • frações calhaus, cascalhos e Terra Fina Seca ao Ar (TFSA); Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa • composição granulométrica e classificação textural; • argila natural; • densidade aparente e real; • porosidade total; • grau de floculação; • umidade 1/10 e 15 atm; • pH em água e KCl; • condutividade elétrica; • complexo sortivo (cálcio, magnésio, sódio, potássio, hidrogênio e alumínio); • carbono orgânico e matéria orgânica; • fósforo assimilável. A metodologia adotada para as análises está sucintamente descrita no Manual de Métodos de Análises de Solos (EMBRAPA,1979). Algumas análises adicionais foram realizadas com o objetivo de eliminar dúvidas a respeito da classificação dos solos e verificar as possíveis hipóteses sobre a sua mineralogia. Tais análises foram realizadas no Laboratório de Análise Mineral – LAMIN (CPRM). 2.4 - Serviços Finais de Escritório A interpretação dos dados de laboratório e de campo, juntamente com as informações contidas em fotografias aéreas nas escalas 1:30.000 e 1:60.000, e restituições da área em escala 1:50.000, constituíram a base para o mapeamento definitivo, gerando um mapa de solos na escala 1:50.000. Por fim, elaborou-se a legenda definitiva das unidades de mapeamento, formadas pelas próprias unidades taxonômicas definidas ou suas associações, totalizando 13 unidades de mapeamento distintas. O mapa final foi digitalizado através do sistema MAXICAD, sendo posteriormente convertido para um SIG utilizando-se o SPANS-GIS. Com isso, pode-se calcular a área de cada unidade taxonômica e sua distribuição geográfica. 2.5 - Critérios Utilizados na Definição das Unidades de Mapeamento Na definição das classes de solos, os níveis categóricos mais elevados foram diferenciados segundo seus horizontes diagnósticos. Foram identificados 4 tipos de horizontes subsu- perficiais na área , com base nas normas e critérios para distinção das classes de solos. Horizonte B textural Definido pelo CNPS/EMBRAPA, derivado do argilic horizon (Soil Txonomy, 1975). É um horizonte mineral subsuperficial, onde houve incremento de argila (fração < 0.002 mm), orientado ou não, desde que não exclusi- vamente por descontinuidade, resultante de acumulação ou concentração absoluta ou relativa de argila decorrente de processos de iluviação e/ou formação in situ, podendo, ainda, herdar essa característica a partir do material de origem. Pode, também, ser formado pela contribuição de argila do horizonte A ou perda nesse horizonte por erosão diferencial. Horizonte B Latossólico O horizonte B latossólico é similar à definição do oxic horizon (Soil Taxonomy, 1975). Segundo a definição do CNPS/EMBRAPA, é um horizonte subsuperficial, cujos constituintes evidenciam um avançado estágio de intemperização, explícito pela alteração completa ou quase completa dos minerais primários menos resistentes ao intemperismo. Existe uma tendência ao acúmulo residual de sesquióxidos, argilas do tipo 1:1 e minerais primários mais resistentes ao intemperismo. Apresenta espessura mínima de 50 cm, textura franco arenosa ou mais fina e baixos teores de silte, de maneira a possuir baixos valores para a relação silte/argila. Pode apresentar teores de argila maiores do que o horizonte sobrejacente, porém, o incremento de argila com aumento da profundidade (gradiente textural) é pequeno, não sendo o suficiente para caracterizá-lo como B textural. Em geral, esse horizonte apresenta-se com diferenciações entre suborizontes pouco nítidos e as transições são em geral graduais ou 3 CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica 41 4 difusas. A estrutura pode ser fortemente desenvolvida, quando a unidade estrutural for predominantemente granular, de tamanho muito pequeno a pequeno, ou fracamente desenvolvido e mais raramente de moderado desenvolvimento, quando este apresentar estrutura em blocos subangulares. A consistência do material varia de macio a duro quando seco, e de friável a muito friável quando úmido. Freqüentemente, as argilas apresentam- se com alto grau de floculação, o que evidencia a sua pouca mobilidade e a alta resistência à dispersão. Horizonte B Câmbico Corresponde em parte a cambic horizon (Soil Taxonomy, 1975). Trata-se de um horizonte subsuperficial subjacente ao A, Ap ou AB, que sofreu alteração física e química em grau não muito avançado, porém, suficiente para o desenvolvimento de cor ou de estrutura. Nesse horizonte, mais da metade do volume de todos os suborizontes não deve apresentar estrutura semelhante ao material de origem. Constitui um horizonte de natureza variável que não apresenta suficiência de requisitos estabelecidos para caracterizar um horizonte B textural ou latossólico. O horizonte B incipiente pode se assemelhar morfologicamente a um horizonte B latossólico, diferindo deste por apresentar qualquer uma das seguintes características: capacidade de troca de cátions, após correção de carbono maior que 13 meq/100 g de argila; 4% ou mais de minerais primários menos resistentes ao intemperismo; relação molecular SiO2/Al2O3 (Ki) maior que 2.2; relação silte/argila igual ou maior que 0.7, quando a textura for média, sendo igual ou maior a 0.6, quando for argilosa; ou apresentar espessura menor que 50 cm. Horizonte Glei Deriva-se do horizonte G, (Soil Survey Manual, 1962); parcialmente de hydromorphic properties, (FAO, 1974); parcialmente de cambic horizon, (Soil Taxonomy, 1975). Refere-se a um horizonte mineral subsuperficial ou eventualmente superficial. Apresenta espessura de 15cm ou mais, caracterizado pela redução de ferro e prevalência do estado reduzido, no todo ou em parte, devido, principalmente à água estagnada. Podem ocorrer mosqueados, cuja quantidade seja menor que 15cm quando consistir em plintita. O horizonte glei pode ser um horizonte C, B, E, ou A, geralmente fraco e turfoso. A textura é franco arenosa ou mais fina. Quando existe estrutura, as faces dos elementos estruturais apresentam cor esmaecida acinzentada ou azulada ou esverdeada ou neutra. Quando o material não é agregado, o matiz do horizonte (fundo) tipicamente apresenta croma 1 ou menor, com ou sem mosqueados, os quais, quando são de plintita, não perfazem 15% da superfície do horizonte. Para subdivisão das classes de solos ainda foram adotadas algumas características diferenciais relacionadas a seguir: Tipos de Horizonte A Na região, foram encontrados somente três tipos de horizonte A: Horizonte A fraco – Corresponde ao ochric epipedon (Soil Taxonomy, 1975), diferenciando- se do A moderado por apresentar teores de carbono orgânico inferiores a 0.58%, cores muito claras, com valores superiores a 4 quando úmido, e sem desenvolvimento de estrutura ou com estrutura fracamente desenvolvida. Horizonte A moderado – Sua definição é semelhante à do ochric epipedon, (Soil Taxonomy, 1975). Apresenta teores de carbono orgânico superiores a 0.58%. Nos solos de textura argilosa e muito argilosa, média e siltosa, admitem-se teores de carbono orgânico inferiores a 0.58%, desde que não satisfaçam a qualquer uma das exigências de cor, espessura, saturação de bases e teor de P2O5 que caracterizem um A chernozêmico, proeminente ou antrópico. Horizonte A chernozêmico – Similar ao molic epipedon, (Soil Toxonomy, 1975). É um horizonte mineral superficial, relativamente espesso, sendo superior a 25 cm se o sol tiver mais de 75 cm. Possui coloração escura, de croma inferior a 3.5, valores mais escuros que 3.5 quando úmido e 5.5 quando seco. A saturação de bases é sempre superior a 50%, Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa onde predomina o íon cálcio. Apresenta pelo menos 0.6% de carbono orgânico em todo o perfil. Eutróficos e Distróficos Expressa o estado de saturação ou dessaturação do material constitutivo do solo, caracterizado pela proporção de cátions básicos trocáveis em relação à capacidade de troca de cátions (valor T). O caráter eutrófico designa V>50% e o caráter distrófico indica saturação baixa, com valores inferiores a 50%. Para distinção de solos mediante esse critério, é considerada a saturação de bases no horizonte B, ou no horizonte C quando não existe o B, devendo-se levar em conta a seção de controle correspondente a 1 m de profundidade, contando a partir dos 25 cm superficiais, ou menos profundo quando o contato lítico ocorrer antes dos 125 cm. Álico Denominação empregada para especificar a distinção de “saturação de alumínio” igual ou superior a 50%, concomitantemente ao teor de alumínio extraível igual ou superior a 0.3 meq no horizonte B ou C. Caráter Latossólico Para identificar solos sem horizonte B Latossólico com características intermediárias para Latossolos. Caráter Plíntico Qualificação referente à unidade de solo, cujas características são intermediárias com plintossolos. Atividade da Argila Refere-se à capacidade de troca de cátions (valor T) da fração mineral, deduzida a contribuição da matéria orgânica. Neste trabalho, a atividade da argila foi separada da seguinte forma: • Argila de atividade alta (Ta) – valor T maior que 24 meq/100 g de argila • Argila de atividade baixa (Tb) – valor T inferior a 13 meq/100 g de argila Textura Para efeito de subdivisão de classes de solos de acordo com a textura, serão considerados os seguintes grupamentos: • Textura arenosa – compreende as classes texturais areia e areia franca. • Textura média – compreende composições granulométricas com menos de 35% de argila e mais de 15% de areia. • Textura argilosa – compreende composições granulométricas com 35a 60% de argila. • Textura muito argilosa – composição granulométrica com mais de 60% de argila. Quanto à presença de cascalhos (frações grosseiras, com 2 a 20 mm de diâmetro), são utilizadas as classes: com cascalho, quando ocorre menos de 15% de cascalho, e cascalhenta, quando o solo apresenta entre 15 a 50% de cascalhos. Profundidade Em algumas classes de solos, as profundidades entre a superfície até o contato lítico são consideradas como critério para separação de unidades: • Raso – profundidade do solo igual ou inferior a 50cm. • Pouco profundo – profundidade do solo superior a 50cm e inferior a 100cm. • Profundo – profundidade do solo superior a 100cm e igual ou inferior a 200cm. • Muito profundo – profundidade do solo superior a 200 cm. Drenagem Refere-se à quantidade e à velocidade com que a água recebida pelo solo se escoa por infiltração ou superficialmente. As classes de drenagem são: • Bem drenado – A água é removida do solo com facilidade, porém não rapidamente; os solos comumente apresentam textura argilosa ou média, não ocorrendo, normalmente, mosqueado de redução. 41 5 CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica 41 6 • Moderadamente drenado – A água é removida do solo um tanto lentamente, de modo que o perfil permaneça molhado durante um curto espaço de tempo. Comumente apresentam uma camada de permeabilidade mais baixa no solo ou imediatamente abaixo dele. • Imperfeitamente drenado – A água é removida do solo lentamente, de tal modo que este permaneça molhado por um período significativo, mas não durante maior parte do ano. Comumente apresentam uma camada de permeabilidade baixa (lenta) no solo, lençol freático alto, adição de água através de translocação lateral interna ou alguma combinação dessas condições. Normalmente, apresentam algum mosqueado de redução, notando-se, na parte baixa, indícios de gleização. • Maldrenado – A água é removida do solo tão lentamente que este permanece molhado por uma grande parte do ano. O lençol freático comumente está em superfície ou próximo a ela, durante uma considerável parte do ano. As condições de má drenagem são devidas ao lençol freático elevado, camada lenta- mente permeável no perfil, adição de água através de translocação lateral interna ou alguma combinação dessa condições. É freqüente a ocorrência de mosqueado no perfil caracterizando a gleização. Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa 41 7 3.1 - Classes de Solos Latossolo Vermelho-Escuro Compreende solos minerais não-hidromórficos, com horizonte B latossólico vermelho-escuro, vermelho ou bruno-avermelhado-escuro de matiz 4YR ou mais vermelho, valores de 3 a 5 e croma 4 a 6. Apresenta teores de Fe2O3 provenientes do ataque sulfúrico na TFSA inferiores a 18% quando argiloso ou muito argiloso, com atração magnética fraca ou inexistente. São solos muito profundos de seqüência A-Bw- C, muito argilosos, com teores de argila em torno de 80% e com pouca diferenciação entre os horizontes. Apresenta horizonte A moderado com cores no matiz 2,5YR e 10R, estrutura fraca, pequena e média, granular e blocos subangulares. É ligeiramente duro quando seco, friável quando úmido, muito plástico e muito pegajoso quando molhado. O horizonte B possui estrutura moderada, pequena e muito pequena granular. Apresenta- se macio quando seco, muito friável quando úmido e muito plástico e muito pegajoso quando molhado. A textura dominantemente muito argilosa e a estrutura granular ao longo do perfil conferem boas características de infiltração e retenção de umidade, face à baixa capacidade de troca de cátions da fração argila. Esses solos apresentam elevada deficiência de fertilidade com a saturação de base variando de 35 a 40% e 3 a 10% do complexo sortivo de A e B, respectivamente. Essas características implicam, quando do uso agrícola, custos elevados de produção com corretivos e fertilizantes. Podzólico Vermelho-Escuro Essa classe abrange solos não-hidromórficos com horizonte B textural de cores avermelhadas com tendência à tonalidade escura, usualmente de matiz mais vermelho que 5YR e com valor inferior a 5, croma menor que 7, conjugados com teor de ferro menor ou igual a 15% e de TiO2 menor ou igual a 1.7. 3 - SOLOS São solos muito profundos, com seqüência de horizontes A-Bt-C, e muito argilosos, com teores de argila variando de 56 a 82% nos horizontes A e Bt, respectivamente. Apresentam horizonte A moderado, textura argilosa, estrutura forte, pequena e média granular e blocos subangulares. É duro quando seco, friável quando úmido, plástico e pegajoso quando molhado. O horizonte Bt apresenta, além do incremento de argila, estrutura forte, pequena e média, blocos angulares e subangulares. A consistência do solo é muito dura quando seco, firme quando úmido, muito plástico e muito pegajoso quando molhado. São solos de fertilidade natural elevada, com boas características de retenção de bases. Os níveis de cálcio superficialmente estão na ordem de 10 a 7 meq/100g de solo e o alumínio é praticamente nulo. O nível de fósforo é, em média, em torno de 10 ppm. Os teores de magnésio são relativamente baixos, variando de 2.3 a 0.60 meq/100 g de solo. A saturação de bases é de 72 a 78%, enquanto a atividade da argila varia de 12 a 7.0 meq/100 g de argila. Apesar de estes solos terem características químicas elevadas, eles ocorrem nessas áreas com relevo forte ondulado, o que limita bastante a agricultura mais tecnificada. Cambissolo Essa classe é constituída por solos com horizonte B incipiente ou câmbico (Bi), não- plíntico, bem drenados, de profundidade variada, possuindo seqüência de horizontes A-Bi-R ou A-Bi-C-R, com modesta diferenciação dos horizontes, situados em áreas de relevo plano a forte ondulado. O horizonte A é moderadamente desenvolvido, de textura muito argilosa e com consistência ligeiramente duro a duro quando seco, firme quando úmido e muito plástico e muito pegajoso quando molhado. Os Cambissolos dessa região são originários de rochas pelíticas da formação Santa Helena e das rochas calcárias da formação Sete Lagoas. Os caracteres gleico e eutrófico somente ocorrem nos Cambissolos encontrados nas áreas de dolinas, uvalas ou CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica bordas de lagoas, que se encontram sob a influência direta do fluxo hídrico do carste. Nessas mesmas áreas, o relevo é plano e suave ondulado. As prospecções profundas indicaram a ocorrência de mosqueados com expressiva influência da oscilação do lençol freático alternando os processos de oxidação e redução desse ambiente. Nas áreas da formação Santa Helena, encontra-se Cambissolos cascalhentos ou até mesmo pedregosos, tanto em superfície quanto em subsuperfície. Contudo, eles se distribuem nas áreas onde o relevo é mais movimentado, chegando a forte ondulado. A variação da profundidade nesses Cambissolos é uma característica importante a ser considerada quando do planejamento de uso da terra. Alguns Cambissolos, além de serem muito profundos, podem apresentar vestígios do material de origem em todo o perfil do solo. Estruturas mais desenvolvidas também podem ser detectadas, como os blocos subangulares, causando um contra-senso quanto à sua classificação, isto é, são bastante semelhantes aos Latossolos, porém, diferem destes por apresentarem expressiva quantidade de material originário ao longo do perfil. Assim como os Latossolos, os Cambissolos são de baixa fertilidade natural, álicos, profundos e, muitas vezes, apresentam estruturas moderadas a fortes, muito pequenas e pequenas, granulares. Glei Pouco Húmico Essa classe compreende solos minerais hidromórficos, imperfeitamente a maldrenados, formados em terrenos baixos sujeitos a alagamentos periódicos. Possuem carac- terísticas resultantes sobretudo do excesso de umidade permanente ou temporário, decorrente do nível elevado do lençol freático durante longo período do ano. Caracterizam-se por apresentar horizonte subsuperficial glei, de coloração acinzentada ou cinzenta, com matiz 2,5Y ou cores neutras, sendo comum a presença de mosqueados de cores amareladas e avermelhadas. São solos argilosos, de seqüência A-Cg, derivados de sedimentos argilo-siltosos do Quaternário. O horizonte A fraco ou moderado atinge 12 a 15cm de espessura e possui 4,7% de matéria orgânica. São eutróficos e apresentam teor elevado de cálcio, na ordem de 11.10 meq/100 g de solo, fazendo com que a saturação de bases fique em torno de 80%. 3.2 - Unidades de Mapeamento As porcentagens apresentadas na tabela anterior, foram calculadas automaticamente através das ferramentas do SPANS-SGI, tendo como base, o valor total aproximado da área da APA, englobando, também, as referentes à malha urbana e às lagoas. LEa1 e LEa2 Compreende a própria unidade taxonômica representada pelo Latossolo Vermelho-Escuro álico A moderado, textura muito argilosa. Essas unidades ocupam porções elevadas do terreno, sendo que a unidade LEa1 ocorre em relevo plano e suave ondulado e a unidade LEa2 tem como relevo dominante o suave ondulado e ondulado. A unidade LEa1 ocorre em grandes manchas distribuídas em todos os distritos da APA, ocupando principalmente, as áreas próximas ao limite leste, onde corre o rio das Velhas. Abrange a quase totalidade da área do distrito de Mocambeiro e distribui-se esparsamente a oeste do distrito de Matozinhos. A unidade LEa2 encontra-se assentada principalmente no município de Confins, fazendo limite com a unidade anterior, subindo no sentido do distrito de Lapinha. Verificam-se, também, pequenas manchas distribuídas esparsamente nos distritos de Mocambeiro e Matozinhos. O somatório das áreas dessas duas unidades representa mais de 30% do total da área da APA, sendo que a unidade LEa1 supera em quase duas vezes a unidade LEa2. 3.2.1 - PEe1 e PEe2 A unidade PEe1 compreende os solos Podzólicos Vermelho-Escuros eutrófico tb A moderado, textura muito argilosa situada nos relevos planos e suave ondulados. A associação entre o Podzólico Vermelho-Escuro e o Cambissolo Latossólico álico A moderado, textura muito argilosa, de relevo ondulado e forte 41 8 Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa 9 ondulado com o microrrelevo forte, cárstico, constitui a unidade PEe2. A primeira unidade ocorre em pequenas manchas alongadas, distribuídas esparsamente nos distritos de Lagoa Santa, Matozinhos e ao norte de Fidalgo. Verifica-se, também, sua ocorrência na área-limite entre os distritos de Lapinha, Confins e Pedro Leopoldo. A unidade PEe2 encontra-se concentrada nas áreas limítrofes entre os distritos de Matozinhos e Mocambeiro, subindo no sentido de Funilândia. Algumas manchas também foram detectadas nos distritos de Pedro Leopoldo, Lapinha e Confins. A unidade PEe2 é mais representativa que a unidade PEe1, com aproximadamente 25 km2 o que corresponde a 6% do total da APA, enquanto que a unidade PEe1 possui somente 8 km2 ou 1.9%. 3.2.2 - CAa1, CAa2 e CAa3 Constitui a classe dos solos com horizonte diagnóstico B incipiente (Bi), com saturação de alumínio superior a 50%. O horizonte A possui desenvolvimento moderado e textura muito argilosa. Os solos da unidade CAa1 ocorrem no relevo suave ondulado com microrrelevo moderado cárstico, enquanto os da unidade CAa2 encontram-se no relevo suave ondulado e ondulado. A unidade CAa3 compreende os Cambissolos cascalhentos e não cascalhentos, assentados no relevo mais movimentado, como o ondulado e forte ondulado. Às vezes, esses solos podem apresentar pedregosidade tanto superficial- mente quanto em subsuperfície. A unidade CAa1 pode ser observada em grandes manchas abrangendo os distritos de Pedro Leopoldo e Fidalgo, estendendo-se em uma pequena mancha alongada na parte central do distrito de Lapinha. Próximo ao limite com Funilândia, verifica-se, também, a ocorrência desses solos no distrito de Matozinhos. A noroeste das áreas pertencentes ao aeroporto de Confins, verifica-se a ocorrência dos solos da unidade CAa2. Outras pequenas manchas UNIDADES DE MAPEAMENTO CLASSES DE SOLOS DISTRIB. (km2) PORCENTAGEM (%) LEa1 Latossolo Vermelho-Escuro álico A moderado, textura muito argilosa, relevo plano e suave ondulado. 84.90 21.12 LEa2 Fase da unidade LEa1, relevo suave ondulado e ondulado. 45.27 11.26 PEe1 Podzólico Vermelho-Escuro eutrófico Tb A moderado, textura muito argilosa, relevo plano e suave ondulado. 7.63 1.90 PEe2 Podzólico Vermelho-Escuro eutrófico Tb A moderado + Cambissolo Latossólico álico A moderado, ambos de textura muito argilosa, relevo ondulado e forte ondulado com microrrelevo forte (cárstico). 24.48 6.09 CAa1 Cambissolo álico Tb A moderado + Cambissolo Latossólico álico A moderado, textura muito argilosa, relevo suave ondulado com microrrelevo moderado (cárstico). 32.68 8.13 CAa2 Cambissolo álico Tb A moderado, textura muito argilosa cascalhenta e não cascalhenta + Cambissolo Latossólico álico A moderado textura muito argilosa, pedregoso e não-pedregoso, relevo suave ondulado e ondulado. 16.24 4.04 CAa3 Cambissolo Álico Tb A moderado, textura muito argilosa cascalhenta e não-cascalhenta, pedregoso e não-pedregoso, relevo ondulado e forte ondulado. 40.44 10.06 CAe Cambissolo Gleico eutrófico Tb A moderado, textura muito argilosa, relevo plano e suave ondulado (dolinas). 11.95 2.97 CLa1 Cambissolo Latossólico álico A moderado + Cambissolo álico Tb A moderado, ambos de textura muito argilosa, relevo plano e suave ondulado. 16.12 4.01 CLa2 Fase da unidade CLa1, relevo suave ondulado e ondulado. 11.64 2.90 HGPe Glei Pouco Húmico eutrófico Tb A moderado, textura muito argilosa, relevo plano. 19.44 4.84 AR Afloramentos de Rocha. 18.66 4.64 X Áreas de mineração. 8.19 2.04 CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica estão localizadas esparsamente ao longo do limite leste da APA e na porção centro-oeste do distrito de Matozinhos. A unidade CAa3 possui uma distribuição dispersa em quase todo o limite leste da APA. No distrito de Confins, as manchas estão localizadas nas regiões norte e sudoeste do distrito. Em Lagoa Santa, essas manchas parecem no limite sul da área. Uma mancha expressiva pode ser observada na porção centro-oeste do distrito de Matozinhos. A unidade CAa1 distribui-se geograficamente numa área aproximada de 33 km2 correspondendo a 8% do total da área da APA. A unidade CAa2 ocupa uma área equivalente à metade do CAa1, estando na casa dos 4% do total da área em estudo. Já a unidade CAa3 compreende aproximadamente 10% do total da APA, o que equivale a 40 km2. 3.2.3 - Cae Essa unidade compreende os Cambissolos que ocorrem nas áreas de dolinas, uvalas e áreas de bordas de lagoas. Esses solos, por estarem sob influência direta do fluxo de água dura que é rico em cálcio, são eutróficos. Ocorrem em pequenas manchas muitas vezes em forma de “ilhas” sobre outras unidades, destacando-se os Cambissolos álicos e Podzólicos eutróficos. Alguns indivíduos dessa unidade, por apresentarem dimensão inferiores à área mínima mapeável, não foram mapeadas nessa escala. Essa unidade distribui-se em grande número, principalmente nos distritos de Pedro Leopoldo, Matozinhos, Mocambeiro e Fidalgo. Apesar de apresentar-se sempre em pequenas dimensões, ela ocupa uma área correspondente a 12km2, o que corresponde a aproximadamente 3% da área total da APA. 3.2.4 - CLa1 e CLa2 Compreende os Cambissolos com moderado desenvolvimento do horizonte B com estrutura granular e em blocos subangulares. A textura é muito argilosa em todo o perfil, com transição gradual nos horizontes subsuperficiais. São solos álicos, isto é, com saturação de alumínio superior a 50%. Na unidade Cla1 em relevo plano e suave ondulado. Na unidade Cla2, o relevo é suave ondulado e ondulado. A unidade CLa1 encontra-se distribuída em grandes manchas na região de Funilândia e ao norte de Matozinhos. Pequenas manchas esparsas também são detectadas na região nordeste de Fidalgo e Mocambeiro. A unidade CLa2 ocorre na região ao sul de Pedro Leopoldo em manchas esparsas. Em Fidalgo, observa-se apenas a ocorrência de uma mancha dessa classe na porção nordeste. Nas outras regiões, como Mocambeiro e Matozinhos, também observam-se manchas dessa unidade nas porções nordeste e centro-oeste, respectivamente. As unidades CLa1 e CLa2 representam aproximadamente 7% do total da área da APA, o que corresponde a 27km2. A unidade CLa1 ocorre em maior proporção que a unidade CLa2, ocupando uma área correspondente a 16km2, ou 4% do total da APA. 3.2.5 - HGPe Compreende solos Glei Pouco Húmicos de seqüência A-Cg, derivados de sedimentos argilo-siltosos do Quaternário e de textura muito argilosa. Em virtude de o horizonte A apresentar moderado desenvolvimento, atingindo 18 cm de espessura, esses solos são classificados como Glei Pouco Húmico. Apesar de esses solos serem eutróficos, possuem restrição ao uso agrícola devido à sua condição redutora e à baixa pressão de oxigênio provocada pela oscilação do lençol freático. Apresentam, ainda, sérias restrições à ocupação urbana, face às suas condições predominantemente anaeróbicas, que dificultam intensamente o funcionamento das fossas sanitárias. Assim, os efluentes podem permanecer por períodos prolongados, permitindo a ressurgência desse material à superfície, além de facilmente contaminarem o lençol freático que, em geral, é superficial. O perfil 02 é o representativo dessa unidade. Tais solos encontram-se distribuídos em toda a área da APA, constituindo manchas alongadas mais expressivas no limite sudoeste e a oeste ao longo do rio das Velhas. São observados também no distrito de Mocambeiro e ao norte de Matozinhos. Essa unidade, representada por baixadas e por várzeas, ocupa uma área aproximada de 20km2, abrangendo aproximadamente 5% do total da APA. 41 10 Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa 41 11 3.2.6 - AR Em se tratando de uma região cárstica, os afloramentos são constituídos principalmente de rochas calcárias. Constituem grandes aflora- mentos distribuídos pelos distritos de Pedro Leopoldo e Fidalgo. Verifica-se, também, sua ocorrência na porção central do distrito de Lapinha e em Matozinhos, próximo ao limite com Funilândia. Distribuem-se geograficamente por uma área correspondente a 5% do total da da APA, equivalendo a 19 km2. 3.2.7 - X Compreende as áreas de mineração ou de empréstimo, como é o caso das áreas próximas ao aeroporto de Confins. São áreas onde ocorreu ou ainda ocorre exploração mineral de cimento e de brita para construção civil. Praticamente têm sua distribuição concentrada em todos os limites nordeste, sul e centro-oeste da APA. Representam 2% do total da APA, o que corresponde a aproximadamente 8km2. CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica 41 12 Vários aspectos relacionados ao meio ambiente e as principais características dos solos dominantes das unidades de mapeamento merecem destaque. A área em estudo apresenta duas feições fisiográficas distintas: a superfície rebaixada de Lagoa Santa – Sete Lagoas e os planaltos. Esta última pode ser dividida em cinco com- partimentos geomorfológicos com ênfase aos planaltos cársticos e aos dissecados de Santa Helena e do rio das Velhas. As várzeas são formadas por deposições aluvionares do Quaternário, ocorrendo em relevo plano com vegetação primária predominante de floresta tropical higrófila de várzea, que, por ocasião das chuvas intensas, ficam sujeitas a inundações. São ocupadas, em sua maior parte, pelos Gleissolos e Solos Aluviais, mal drenados a imperfeitamente drenados. Apesar de serem consideradas como áreas de alta fragilidade natural, possuem baixo risco de erosão por ocorrerem em relevo plano. A influência direta da água dura provinda do carste caracteriza esses solos como de elevada fertilidade natural, sendo, portanto, eutróficos. Com relação aos planaltos, ocorrem várias classes de solos onde predominam os Latossolos Vermelho-Escuros seguidos dos Cambissolos e, por último, dos Podzólicos Vermelho-Escuros, todos de textura muito argilosa. São bem drenados, geralmente profundos, muito porosos e permeáveis. O relevo dominante é o suave ondulado passando 4 - CONCLUSÕES a ondulado. Ocorrem também os relevos típicos, como o forte ondulado e ondulado característicos de áreas cárticas com dolinas e uvalas. Apesar de essa área de estudo apresentar um padrão predominantemente cárstico, os estudos de solos revelaram a grande influência dos metapelitos compostos por siltitos, argilitos e arenitos subordinados, referentes à formação Santa Helena, que recobrem grande parte da formação Sete Lagoas, tanto o membro Pedro Leopoldo quanto o membro Lagoa Santa. As dolinas distribuem-se esparsamente e, principalmente, nos planaltos cársticos que ocorrem na parte central da APA. Possuem pequena extensão onde dominam os Cambissolos Gleicos eutróficos de textura muito argilosa. Encontram-se geralmente ocupadas com culturas, destacando-se as capineiras destinadas à pecuária leiteira. A ocorrência de pontos de surgência e ressurgência caracteriza essas áreas como de alta fragilidade ambiental, por se tratar de áreas de recarga de aqüífero. Apesar do favorecimento do relevo, as áreas dos Latossolos possuem baixa fertilidade natural e são ocupadas pelas pastagens plantadas com pequena produtividade. A elevada acidez do solo também é um dos principais fatores limitantes, uma vez que é necessária a utilização maciça de corretivos e fertil izantes fundamentais ao desenvolvimento das culturas. Uma das vantagens apresentadas é o relevo, que propicia a mecanização, favorecendo uma agricultura de melhor nível tecnológico. Zoneamento Ambiental da Apa Carste de Lagoa Santa 41 13 CAMARGO, M. N., KLAMT, E., KAUFFMAN, J. H. Classificação de solos usada em levantamentos pesológicos no Brasil. Boletim informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v.12, n 1, p 11 - 13, 1987. _________. Manual de métodos de análises de solos. Rio de Janeiro: SNLCS, 1979. CURI, N. et al. Vocabulário de ciência do solo. Campinas, SBCS, 1993. 90p. ________. Definição e notação de horizontes e camadas de solos. 2ª ed. Rio de Janeiro: SNLCS, 1988. 54p. EMBRAPA. Critérios para distinção de classes de solos e de fases de unidades de mapeamento: normas em uso pelo SNLCS. Rio de Janeiro: SNLCS, 1988. 67p. [Documento, 11]. MARCUS, A. L. ; Enviromental Planning: a geomorphic disaster. Geo Journal, s.n.t. v.10, n.4, p.353-61, s.d. OLIVEIRA, J. B. de, JACOMINE, P. K. T., CAMARGO, M. N. Classes gerais de solos do Brasil: guia auxiliar para seu reconhecimento. Jaboticabal: FUNEP, 1992. 201p. GUERRA, A.T. Dicionário geológico - geomorfológico. 8ª ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1993. 466p. EMBRAPA. Súmula: reunião técnica de levantamento de solos nº 10. Rio de Janeiro: SNLCS, 1979. 82p. [Série miscelânia, 1]. DEPARTAMENT of agriculture - Estados Unidos. Soil taxonomy: a bacia sustem of soil classification for making and interpreting soil surveys. Washington: s.e., 1975. 754p. [Agriculture handbook, 436]. 5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica ANEXO I Documentação Fotográfica II Foto 1 - Perfil 12 - LEa1. Foto 2 - Relevo ondulado referente a unidade LEa2. Foto 3 - Perfil 18 - Podzólico Vermelho- Escuro. Foto 4 - Perfil 13 - Cambissolo álico. Foto 5 - Relevo referente a unidade dos Cambissolos álicos. CPRM – Serviço Geológico do BrasilCaracterização Pedológica III Foto 7 - Relevo referente ao perfil 14. Foto 8 - Peril 5 - Cambissolo Gleico eutrófico. Foto 9 - Dolina - Áre