GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE Geodiversidade do Estado do Maranhão é um produto concebido para oferecer aos diversos segmentos da sociedade maranhense uma tradução do atual conhecimento geocientífico da região, com vistas ao planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do território. Destina-se a um público-alvo variado, desde SEDE empresas de mineração, passando pela comunidade SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andarBrasília – DF • 70830-030 acadêmica, gestores públicos estaduais e municipais, Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305 Fax: 61 3225-3985 sociedade civil e ONGs. Escritório Rio de Janeiro – ERJ Av. Pasteur, 404 – Urca Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-255 Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382 usuários, o mapa compartimenta o território Fax: 21 2542-3647 maranhense em unidades geológico-ambientais, Presidência destacando suas limitações e potencialidades frente Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838 Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985 a agricultura, obras civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras, potencial mineral e Diretoria de Hidrologia e Gestão TerritorialFone: 61 3223-1059 • 21 2295-8248 geoturístico. Fax: 61 3323-6600 • 21 2295-5804 Departamento de Gestão Territorial Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094 para a região, são destacadas Áreas de Relevante Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento Interesse Mineral (ARIM), Potenciais Hidrogeológico Fone: 21 2295-5837 • 61 3223-1166/1059 e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600 Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Residência de Teresina Rua Goiás, 312 - Sul representando rico acervo de dados e informações Teresina - PI - Brasil • 64001-570 atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Fone: 86 3222-4153 • Fax: 86 3222-6651 tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Assessoria de Comunicação Fone: 61 3321-2949 • 61 3321-2949 do território nacional. asscomdf@cprm.gov.br Divisão de Marketing e Divulgação Fone: 31 3878-0372 • Fax: 31 3878-0382 marketing@cprm.gov.br Ouvidoria Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495 diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais ouvidoria@cprm.gov.br e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897 superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo seus@cprm.gov.br como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação www.cprm.gov.br responsável e ao desenvolvimento sustentável. 2013 2013 2013 capa_letter_lombada_MARANHAO.indd 1 14/02/2013 14:38:32 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Ministra-Chefe Gleisi Helena Hoffmann MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINISTRO DE ESTADO Edison Lobão SECRETáRIO ExECuTIVO Márcio Pereira Zimmermann SECRETáRIO DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL Carlos Nogueira da Costa Junior CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Presidente Carlos Nogueira da Costa Junior Vice-Presidente Manoel Barretto da Rocha Neto Conselheiros Jarbas Raimundo de Aldano Matos Ladice Pontes Peixoto Luiz Gonzaga Baião Osvaldo Castanheira DIRETORIA ExECuTIVA Diretor-Presidente Manoel Barretto da Rocha Neto Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Thales de Queiroz Sampaio Diretor de Geologia e Recursos Minerais Roberto Ventura Santos Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Antônio Carlos Bacelar Nunes Diretor de Administração e Finanças Eduardo Santa Helena da Silva SuPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE Superintendente José Wilson de Castro Temóteo RESIDÊNCIA DE TERESINA Chefe de Residência Francisco Lages Correia Filho Assistente de Hidrologia e Gestão Territorial Carlos Antônio Luz MInIStÉRIO DE MInAS E EnERGIA SECREtARIA DE GEOLOGIA, MInERAÇÃO E tRAnSFORMAÇÃO MInERAL CPRM – SERvIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL LEvAntAMEntO DA GEODIvERSIDADE ORGANIZAÇÃO Iris Celeste Nascimento Bandeira Teresina, Brasil 2013 CRÉDITOS TÉCNICOS Leonardo Brandão Araújo Andréia Amado Continentino Elias Bernard da Silva do Espírito Santo Agmar Alves Lopes LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE Gabriela Figueiredo de Castro Simão (supervisão de editoração) DO ESTADO DO MARANHÃO Colaboração Andréia Amado Continentino Elem Cristina dos Santos Lopes (editoração) COORDENAÇÃO NACIONAL Manoel C. Costa Neto Pedro da Silva Cristiane Silva Souza Departamento de Gestão Territorial (edição de imagem)Evandro Luiz Klein Cassio Roberto da Silva Juliana ColussiSheila Gatinho Teixeira Leila Maria Rosa de Alcantara José Sidney Barros COORDENAÇÃO TEMÁTICA Nathalia Valladares Leal (estagiário)Edlene Pereira da Silva Thaynara Pinheiro Rodrigues de Paiva Maria Angélica Barreto Ramos Geodiversidade (estagiário)Sandra Fernandes da Silva Antonio Theodorovicz Yuri Correa de Souza (estagiário)Pedro Pfaltzgraff Valter José Marques Geomorfologia Superintendência Regional de Mônica Cordulina da Silva Manaus (MANAUS-MA) Marcelo Eduardo Dantas Gerência de Relações Institucionais Revisão Técnica Solos e Desenvolvimento (GERIDE) Valter José Marques Edgar Shinzato (projeto de multimídia e editoração) Revisão Linguística Maria Tereza da Costa Dias Cenários Sueli Cardoso de Araújo Aldenir Justino de Oliveira Valter José Marques Agradecimentos Projeto Gráfico/Editoração/Multimídia Coordenação de Geoprocessamento Núcleo Geoambiental da Universidade e da Base de Dados de Geodiversidade Departamento de Relações Institucionais Estadual do Maranhão (UEMA) Maria Angélica Barreto Ramos (DERID) Defesa Civil do Estado do Maranhão Secretaria de Minas e Energia do Estado Maria Adelaide Mansini Maia Divisão de Marketing e Divulação (DIMARK) (padrão capa/embalagem) do Maranhão Execução Técnica Ernesto von Sperling Secretaria de Turismo do Estado do Iris Celeste Nascimento Bandeira José Marcio Henriques Soares Maranhão Marcelo Eduardo Dantas Traço Leal Comunicação Secretaria de Planejamento do Estado do Antonio Theodorovicz Maranhão Edgar Shinzato Departamento de Apoio Técnico (DEPAT) Secretaria de Agricultura do Estado do Divisão de Editoração Geral (DIEDIG) Maranhão Elaboração e Organização do Relatório (projeto de editoração/diagramação) Secretaria de Meio Ambiente do Estado Técnico da Geodiversidade do Estado do Valter Alvarenga Barradas do Maranhão Maranhão Iris Celeste Nascimento Bandeira Sistema de Informação Geográfica e Leiaute do Mapa Iris Celeste Nascimento Bandeira Maria Tereza Barradas Maria Adelaide Mansini Maia Apoio Banco de Dados, SIG e FOTOS DA CAPA: Desenvolvimento da Base 1. Aspecto hidrológico: pesca nas lagoas intermitentes da planície fluviomarinha da Baixada Maranhense. Geodiversidade Área periurbana da cidade de Anajatuba (MA). Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP) 2. Atrativo geoturístico: dunas móveis e lagoas com águas verde-azuladas, com alto potencial turístico. João Henrique Gonçalves Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, município de Barreirinhas (MA). Reginaldo Leão Neto 3. Aspecto geomorfológico: topos de planaltos, cobertos por plantações de sorgo e vegetação de gramíneas. Rodovia MA-006, município de Tasso Fragoso (MA). 4. Aspecto geotécnico: feição erosiva (ravina) formada em saprólito sedimentar areno-síltico-argiloso e relevo de colinas dissecadas e morros baixos. Rodovia BR-222, município de Santa Luzia (MA). Bandeira, Iris Celeste Nascimento. Geodiversidade do estado do Maranhão / Organização Iris Celeste Nascimento. – Teresina : CPRM, 2013. 294 p. ; 30 cm + 1 DVD-ROM Programa Geologia do Brasil. Levantamento da Geodiversidade. 1. Geodiversidade – Brasil – Maranhão. 2. Meio ambiente – Brasil – Maranhão. 3. Planejamento territorial – Brasil – Maranhão. 4. Geologia ambiental – Brasil – Maranhão. I. Título. CDD 551.098121 Este produto pode ser encontrado em www.cprm.gov.br e seus@cprm.gov.br Sustentabilidade é um conceito hodiernamente consagrado, intrinsecamente ligado ao desenvolvimento e à sobrevivência das sociedades. Compreender a sua complexidade e a dinâmica do meio ambiente, rompendo com o processo de desenvolvimento a qualquer custo e adotando o desenvolvimento sustentável, é tarefa do cidadão, do Estado e do setor produtivo. Para o alcance dessa meta, inevitavelmente, necessita-se dispor de estudos sobre o papel dos recursos naturais e a forma economicamente racional de usá-los, renováveis ou não. Nesse sentido, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – o Serviço Geológico do Brasil –, em estreita parceria com a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, vem conduzindo o levantamento sobre a geodiversidade dos estados brasileiros, com informações sobre o meio físico, concebidas de forma integrada, para as mais diversificadas aplicações no campo da mineração, agricultura, turismo, recursos hídricos, engenharia, planejamento e gestão territorial. Representa uma contribuição do conhecimento geológico para além de sua conhecida dimensão econômica, estendendo o seu campo de aplicação às áreas social e ambiental. É na continuidade desse esforço que se insere o Levantamento da Geodiversidade do Estado do Maranhão, em uma clara demonstração de que a CPRM/SGB exerce papel relevante na construção de respostas capazes de criar um quadro de ação que visa a diminuir as pressões sobre o ambiente e os recursos naturais, sem penalizar o desenvolvimento econômico. Thales de Queiroz Sampaio Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial CPRM – Serviço Geológico do Brasil APRESENTAÇÃO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................... 09 Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff, Iris Celeste Nascimento Bandeira 2. CONTEXTO GEOLÓGICO .................................................................... 15 Elem Cristina dos Santos Lopes, Sheila Gatinho Teixeira 3. COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA ...................................... 31 Marcelo Eduardo Dantas, Edgar Shinzato, Iris Celeste Nascimento Bandeira, Lívia Vargas de Souza, Jennifer Fortes Cavalcante Renk 4. RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS .................................................. 63 Cláudio Damasceno de Sousa, Djalena Marques de Melo, Jean Ricardo do Nascimento 5. RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS .............................................. 77 Adson Brito Monteiro, Francisco Lages Correia Filho João Alberto de Oliveira Diniz, Rafael Rolim de Souza 6. CARTOGRAFIA DA VULNERABILIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS................................................................. 91 Paulo Pontes Araújo, Cesar Lisboa Chaves Helder Ribeiro da Silva 7. RECURSOS MINERAIS ........................................................................ 95 Evandro L. Klein 8. RECURSOS ENERGÉTICOS FÓSSEIS .................................................. 107 Juliana Ribeiro Vieira, Eliane Petersohn, Marina Abelha 9. ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO ......................................................... 113 Iris Celeste Nascimento Bandeira, Marcelo Eduardo Dantas 10. ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO: UM INSTRUMENTO APLICADO AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE ......................... 133 Marcelo Eduardo Dantas 11. METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃODA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA .................................... 141 Maria Angélica Barreto Ramos, Marcelo Eduardo Dantas, Antonio Theodorovicz, Valter José Marques,Vitório Orlandi Filho, Maria Adelaide Mansini Maia, Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff 12. GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO ................................. 157 Iris Celeste Nascimento Bandeira 13. CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO ....................... 231 Valter José Marques (valter.marques@cprm.gov.br) Suely Serfaty Marques (suely.marques@cprm.gov.br) APÊNDICES I – DESCRIÇÃO DOS DOMÍNIOS DE GEODIVERSIDADE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO Marcelo Eduardo Dantas NOTA SOBRE OS AUTORES SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (pedro.augusto@cprm.gov.br) Iris Celeste Nascimento Bandeira (iris.bandeira@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Geodiversidade .....................................................................................................11 Aplicações .............................................................................................................12 Referências ............................................................................................................14 INTRODUÇÃO GEODIVERSIDADE vivos. É, para muitos, a parte mais visível da natureza, mas não é, seguramente, a mais importante. Outra parte, O planeta Terra se comporta como um sistema vivo, com idêntica importância, é a geodiversidade, sendo esta por meio de um conjunto de grandes engrenagens que se entendida como o conjunto das rochas, dos minerais e das movimenta, modifica, acolhe e sustenta uma imensidade suas expressões no subsolo e nas paisagens. No meu tempo de seres vivos em sua superfície. A sua “vida” se expressa de escola ainda se aprendia que a natureza abarcava três pelo movimento do planeta no entorno do Sol e de seu reinos: o reino animal, o reino vegetal e o reino mineral. eixo de rotação e no movimento interno por meio das A biodiversidade abrange os dois primeiros e a geodiver- correntes de convecção que se desenvolvem abaixo da sidade, o terceiro. crosta terrestre. Em decorrência, tem-se, em superfície, Geodiversidade, para Brilha et al. (2008), é a variedade a deriva dos continentes, vulcões e terremotos, além do de ambientes geológicos, fenômenos e processos activos movimento dos ventos e diversos agentes climáticos que que dão origem a paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos atuam na modelagem das paisagens. e outros depósitos superficiais que são o suporte para a Embora seja o sustentáculo para o desenvolvimento da vida na Terra. vida na superfície terrestre, o substrato tem recebido menos No Brasil, os conceitos de geodiversidade se desenvol- atenção e estudo que os seres que se assentam sobre ele. veram praticamente de forma simultânea ao pensamento Partindo dessa afirmação, são mais antigos e conhecidos internacional, entretanto, com foco direcionado para o o termo e o conceito de biodiversidade que os referentes planejamento territorial, embora os estudos voltados para a geodiversidade. geoconservação não sejam desconsiderados (SILVA et al., O termo “geodiversidade” foi empregado pela primei- 2008a). ra vez em 1993, na Conferência de Malvern (Reino Unido) Na opinião de Veiga (2006), a geodiversidade ex- sobre “Conservação Geológica e Paisagística”. Inicialmente, pressa as particularidades do meio físico, abrangendo o vocábulo foi aplicado para gestão de áreas de proteção rochas, relevo, clima, solos e águas, subterrâneas e ambiental, como contraponto a “biodiversidade”, já que superficiais. havia necessidade de um termo que englobasse os elemen- A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ tos não bióticos do meio natural (SERRANO e RUIZ FLAÑO, Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) define geodiver- 2007). Todavia, essa expressão havia sido empregada, na sidade como: década de 1940, pelo geógrafo argentino Federico Alberto O estudo da natureza abiótica (meio físico) constituída Daus, para diferenciar áreas da superfície terrestre, com co- por uma variedade de ambientes, composição, fenômenos notação de Geografia Cultural (ROJAS citado por SERRANO e processos geológicos que dão origem a paisagens, rochas, e RUIZ FLAÑO, 2007, p. 81). minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos Em 1997, Eberhard (citado por SILVA et al., 2008a, p. superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na 12) definiu geodiversidade como a diversidade natural entre Terra, tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, aspectos geológicos, do relevo e dos solos. o econômico, o científico, o educativo e o turístico (CPRM, O primeiro livro dedicado exclusivamente à temática 2006). da geodiversidade foi lançado em 2004. Trata-se da obra Já autores como Xavier da Silva e Carvalho Filho (cita- de Murray Gray (professor do Departamento de Geografia dos por SILVA et al., 2008a, p. 12) apresentam definições da Universidade de Londres) intitulada “Geodiversity: Va- diferentes da maioria dos autores nacionais e internacio- luying and Conserving Abiotic Nature”. Sua definição de nais, definindo geodiversidade a partir da variabilidade geodiversidade é bastante similar à de Eberhard. das características ambientais de uma determinada área Owen et al. (2005), em seu livro “Gloucestershire geográfica. Cotswolds: Geodiversity Audit & Local Geodiversity Action Embora os conceitos de geodiversidade sejam menos Plan”, consideram que: conhecidos do grande público que os de biodiversidade, Geodiversidade é a variação natural (diversidade) da esta é dependente daquela, conforme afirmam Silva et al. geologia (rochas minerais, fósseis, estruturas), geomor- (2008a, p. 12): fologia (formas e processos) e solos. Essa variedade de A biodiversidade está assentada sobre a geodiversida- ambientes geológicos, fenômenos e processos faz com que de e, por conseguinte, é dependente direta desta, pois as essas rochas, minerais, fósseis e solos sejam o substrato rochas, quando intemperizadas, juntamente com o relevo para a vida na Terra. Isso inclui suas relações, propriedades, e o clima, contribuem para a formação dos solos, disponi- interpretações e sistemas que se inter-relacionam com a bilizando, assim, nutrientes e micronutrientes, os quais são paisagem, as pessoas e culturas. absorvidos pelas plantas, sustentando e desenvolvendo a Em 2007, Galopim de Carvalho, em seu artigo “Na- vida no planeta Terra. Em síntese, pode-se considerar que tureza: Biodiversidade e Geodiversidade”, assume esta o conceito de geodiversidade abrange a porção abiótica do definição: geossistema (o qual é constituído pelo tripé que envolve a Biodiversidade é uma forma de dizer, numa só pala- análise integrada de fatores abióticos, bióticos e antrópicos) vra, diversidade biológica, ou seja, o conjunto dos seres (Figura 1.1). 11 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Exemplos práticos da importância do conhecimento da geodiversidade de uma região para subsidiar o apro- veitamento e a gestão do meio físico podem ser vistos no estado do Maranhão, o qual é composto, em sua maior parte, por rochas sedimentares de textura arenoargilosa, sobre as quais, em relevo plano a suave ondulado e em clima tropical e equatorial (porção oriental do estado), formam-se solos profundos (Figura 1.3), com baixa fertilidade natural, excessivamente ácidos e com baixa capacidade para reter nutrientes. No entanto, a forma de relevo plana possibilita que os processos pedogené- ticos sobreponham-se aos morfogenéticos, formando, assim, solos espessos, com média a alta porosidade, alta permeabilidade, baixo potencial de erosão hídrica, propícios a uma agricultura sem impedimento ao uso de maquinários motorizados. Ressalta-se, no entanto, que essa atividade deverá ser bem planejada, para que fertilizantes químicos não contaminem as águas subter- Figura 1.1 - Relação de interdependência entre os meios físico, râneas subjacentes. biótico e a sociedade. O conhecimento e a consideração das características dos materiais geológicos formadores do substrato, assim como a dinâmica ambiental dos recursos hídricos de uma região, auxiliam na indicação de aptidões e restrições de uso APLICAÇÕES desses materiais, como também apontam alguma forma de prevenção. Por exemplo, as planícies fluviolagunares (Figura O conhecimento da geodiversidade nos leva a identi- 1.4), sazonalmente alagadas, da Baixada Maranhense, com ficar, de maneira mais segura, as aptidões e restrições de declividade e amplitude baixas, são constituídas de material uso do meio físico de uma área, bem como os impactos argiloso inconsolidado, mole, com baixa capacidade de advindos de seu uso inadequado. Além disso, ampliam-se suporte, que se compacta e deforma bastante quando as possibilidades de melhor conhecer os recursos minerais, submetido a cargas elevadas. Portanto, com restrições à os riscos geológicos e as paisagens naturais inerentes a ocupação urbana e implantação de edificações, as quais determinada região composta por tipos específicos de podem apresentar problemas de trincamentos e abatimen- rochas, relevo, solos e clima. Dessa forma, obtém-se tos frequentes. um diagnóstico do meio físico e de sua capacidade de Grandes projetos nacionais na área de infraestrutura suporte para subsidiar atividades produtivas sustentáveis já se utilizam do conhecimento sobre a geodiversidade (Figura 1.2). da área proposta para sua implantação. Como exemplo, Figura 1.2 - Principais aplicações da geodiversidade Fonte: Silva et al. (2008b, p. 182). 12 INTRODUÇÃO Figura 1.3 - Latossolo Amarelo desenvolvido em relevo plano e clima tropical, com potencial para agricultura mecanizada. Rodovia BR-316, município de Caxias (MA). Figura 1.4 - Planície fluviolagunar, parcialmente coberta por água pluvial, vegetação de pasto e palmeiras de babaçu ao fundo. Rodovia BR-222, município Arari (MA). 13 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO o levantamento ao longo do percurso planejado para as OWEN, D.; PRICE, W.; REID, C. Gloucestershire ferrovias Transnordestina, Este-Oeste e Norte-Sul, onde cotswolds: geodiversity audit & local geodiversity o conhecimento das características da geodiversidade da action plan. Gloucester: Gloucestershire Geoconservation região se faz importante para escolha não só dos métodos Trust, 2005. construtivos do empreendimento como também para o aproveitamento econômico das regiões no entorno desses SERRANO CAÑADAS, E.; RUIZ FLAÑO, P. Geodiversidad: projetos. concepto, evaluación y aplicación territorial: el caso de Convém ressaltar que o conhecimento da geodiver- Tiermes-Caracena (Soria). Boletín de la Asociación de sidade implica o conhecimento do meio físico no tocante Geógrafos Españoles, La Rioja, n. 45, p. 79-98, 2007. às suas limitações e potencialidades, possibilitando a pla- nejadores e administradores uma melhor visão do tipo de SILVA, C.R.; RAMOS, M.A.B.; PEDREIRA, A.J.; DANTAS, aproveitamento e do uso mais adequado para determinada M.E. Começo de tudo. In: SILVA, C.R. da (Ed.). área ou região. Geodiversidade do Brasil: conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: REFERênCIAS CPRM, 2008a. 264 p. il. p. 11-20. BRILHA, J.; PEREIRA, D.; PEREIRA, P. Geodiversidade: SILVA, C.R.; MARQUES, V.J.; DANTAS, M.E.; SHINZATO, E. valores e usos. Braga: Universidade do Minho, 2008. Aplicações múltiplas do conhecimento da geodiversidade. In: SILVA, C.R. da (Ed.). Geodiversidade do Brasil: CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil. Brasília, DF: conhecer o passado, para entender o presente e prever o CPRM, 2006. Escala 1:2.500.000. Legenda expandida. 1 futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008b. 264 p. il. p. 181-202. CD-ROM. XAVIER DA SILVA, J.; CARVALHO FILHO, L.M. Índice GALOPIM DE CARVALHO, A.M. natureza: de geodiversidade da restinga da Marambaia (RJ): um biodiversidade e geodiversidade. [S.l.: s.n.], 2007. exemplo do geoprocessamento aplicado à geografia Disponível em: . 57-64, 2001. Acesso em: 25 jan. 2010. VEIGA, T. A geodiversidade do cerrado. Pequi, Brasília, GRAY, M. Geodiversity: valuying and conserving abiotic DF, 2006. Disponível em: . Acesso em: 25 jan. 2010. 14 2 CONTEXTO GEOLÓGICO Elem Cristina dos Santos Lopes (elem.lopes@cprm.gov.br) Sheila Gatinho Teixeira (sheila.teixeira@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ............................................................................................................17 Rochas Pré-Cambrianas ........................................................................................19 Fragmento Cratônico São Luís ...........................................................................19 Cinturão Gurupi ................................................................................................ 22 Rochas e Sedimentos Fanerozoicos ...................................................................... 23 Bacia Sedimentar do Parnaíba .......................................................................... 23 Rochas da era paleozoica ................................................................................24 Rochas da era mesozoica ................................................................................25 Bacia Sedimentar Sanfranciscana ......................................................................25 Rochas da era cenozoica .................................................................................26 Referências ............................................................................................................27 CONTEXTO GEOLÓGICO INTRODUÇÃO passado geológico (Quadro 2.1). Os primeiros blocos de crosta continental se formaram há 3,96 bilhões de anos e O estado do Maranhão é dominantemente composto foram crescendo com o desenvolvimento de nova crosta por rochas sedimentares e sedimentos, sendo que, na por- continental, até atingirem as dimensões atuais (SCHOBBE- ção noroeste, possui rochas de origem ígnea e metamór- NHAUS; BRITO NEVES, 2003; TASSINARI, 2000). fica. Rochas sedimentares e sedimentos são formados por Há dois bilhões de anos, as massas continentais esta- fragmentos e grãos de rochas preexistentes (como as rochas vam reunidas em três microcontinentes: Ártica, Atlântica e ígneas e metamórficas e as próprias rochas sedimentares). Ur (Figura 2.3). Entre 2 e 1 bilhão de anos, esses microcon- Tais fragmentos se acumulam em depressões da superfície tinentes se fragmentaram e colidiram entre si, para gerar terrestre denominadas bacias sedimentares. novas configurações continentais maiores, denominado As rochas ígneas são formadas a partir de material fun- supercontinente Colúmbia (Figura 2.4) (SCHOBBENHAUS; dido existente a grandes profundidades, que, em situações BRITO NEVES, 2003). Entre 1,3 e 1 bilhão de anos atrás, os especiais, extravasa na superfície do planeta, como, por principais blocos de crosta continental se juntaram, origi- exemplo, os vulcões. Já as rochas metamórficas sofreram nando o primeiro supercontinente, chamado Rodínia (Fi- alterações físico-químicas no estado sólido (transformações gura 2.5), rodeado pelo oceano Miróvia (SCHOBBENHAUS; minerais, de textura, estrutura etc.) e deram origem a uma BRITO NEVES, 2003; TASSINARI, 2000). nova rocha, com características distintas das apresentadas Entre 1.000 e 800 milhões de anos (Ma), o Rodínia se antes de sofrerem metamorfismo. fragmentou. Entre 800 e 500 Ma, os fragmentos colidiram Essa variedade de rochas é produto de vários entre si, formando o supercontinente Gondwana e dois ambientes existentes na superfície terrestre, os quais outros menores: Laurência-Báltica e Sibéria. Há 550 Ma, estão intimamente relacionados à teoria da tectônica de esses três continentes estiveram juntos por curto período placas, proposta por Alfred Wegener em 1915, segundo de tempo, formando o supercontinente Panótia. Há cerca a qual todos os continentes estiveram unidos no passado, de 500 Ma, Panótia se fragmentou, permanecendo o Gon- separando-se posteriormente (deriva continental). dwana inteiro unido à América do Sul e à África e outra Somente nas décadas de 1950 e 1960, com o aper- grande massa continental constituída por Laurência-Báltica, feiçoamento das técnicas de geocronologia e estudos Sibéria, América do Norte, Europa e Ásia. magnéticos, surgiram subsídios e provas das forças que Aproximadamente há 340 Ma, todas as massas con- movimentam as massas continentais. Os continentes es- tinentais existentes começaram a se juntar novamente, tão localizados nas placas tectônicas – conjunto de blocos culminando, há cerca de 230 Ma, na formação do super- gigantescos que compõem a superfície sólida da Terra continente Pangeia, circundado por um único oceano, (litosfera) (Figura 2.1) –, que se movimentam de forma denominado Pantalassa. Desde cerca de 200 Ma, o Pangeia divergente, convergente ou lateralmente entre si (Figura veio se fragmentando. A América do Sul e África começaram 2.2), em decorrência das forças de arrasto das correntes a se separar em 180 Ma, a uma velocidade em torno de de convecção do manto (astenosfera). alguns centímetros por ano, até chegar à configuração atual. A aglutinação e a fragmentação de massas continen- As rochas ígneas, metamórficas e sedimentares se tais (ou placas tectônicas) ocorreram diversas vezes no formam em diversos ambientes ao longo da crosta terres- Figura 2.2 - Distribuição geográfica das placas tectônicas e dos continentes na superfície terrestre. Figura 2.1 - Estrutura interna da Terra. Fonte: Modificado de Tassinari (2000). Fonte: Modificado de Tassinari (2000). Nota: As setas azuis indicam o sentido de movimento atual das placas. 17 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Quadro 2.1 – Escala do tempo geológico e os principais eventos da evolução da Terra. Idade Subdivisão do Tempo Geológico (em milhões de Eventos anos) 4.560-4.000 Formação da Terra, com estruturação do núcleo, manto e crosta. 4.200-4.100 Mais antigos materiais terrestres. 4.030-3.960 Mais antigas rochas preservadas na Terra (no Canadá). ÉON ARQUEANO 4.000-2.500 A tectônica de placas é uma dança frenética de pequenas placas. 3.800 Mais antigas evidências de vida? 3.500 Mais antigos vestígios de vida (fósseis). 2.500 Consolidação final dos primeiros grandes continentes. 2.500 Fósseis, granitos e rochas carbonáticas tornam-se mais comuns. 2.100 Primeira evidência de clima glacial em grande escala. Era Paleoproterozoica A tectônica global avança, passando de um regime de pequena para grandes 2.500 a 2.100 placas. Isso vai se estender até o fim do “Ano-Terra”. Em função da expansão de micróbios fotossintentizadores nos mares, a atmosfera se torna oxidante após longo período de transição. Depositaram-se os maiores 2.500 depósitos de ferro conhecidos, como Quadrilátero Ferrífero (MG) e Serra dos Era Mesoproterozoica Carajás (PA). Surgem os primeiros organismos eucarióticos em um mundo domi- nado por procariontes. 1.000 Os organismos eucarióticos começam a se diversificar (advento da sexualidade). Era Neoproterozoica Mais antigas evidências de animais invertebrados, de “corpo mole”, desprovidos 545 de conchas ou carapaças. Cambriano 545-448 Explosão adaptativa de invertebrados com conchas e carapaças. Plantas não vasculares aparecem nos continentes. Os peixes despontam no meio aquático. Ordoviciano 448-443 Os grandes paleocontinentes do Paleozoico (Gondwana, Laurência, Báltica e outros) tomam forma. Siluriano 443-416 Plantas vasculares iniciam a conquista dos continentes. Os continentes paleozoicos colidem, agregando-se no supercontinente Pangeia. Formam-se grandes cadeias montanhosas, como Apalaches, Urais, pré-Cordilheira Andina. Devoniano 416-359 Os primeiros vertebrados saem da água (anfíbios). Aparecem as primeiras florestas de plantas vasculares primitivas e as primeiras plantas com sementes (gimnospermas). Primeiros répteis. Florestas pantanosas de licófitas, astenófitas e samambaias Carbonífero 359-299 fornecem material para grandes depósitos de carvão. Permiano 299-251 Ocorre uma grande extinção. O supercontinente Pangeia começa a se desagregar, dando origem aos conti- Triássico 251-199 nentes modernos. Os répteis diversificam-se. Surgem os dinossauros e os mamíferos. No processo do desmantelamento do Pangeia, a América do Sul separa-se da Jurássico 199-145 África e migra para sua posição atual, juntamente com os outros continentes. Surgem as plantas com flores (angiospermas), que rapidamente dominam a flora Cretáceo 145-65 continental. Extinção dos dinossauros e muitos organismos. Paleoceno 65-55 Domínio dos mamíferos, angiospermas e insetos. Eoceno 55-33 Forte intemperismo das rochas pré-cambrianas e fanerozoicas, originando os grandes depósitos lateríticos bauxíticos e fosfáticos. Oligoceno 33-23 Mioceno 23-5.3 Grande transgressão e regressão marinha na costa brasileira. Ocorreu nova transgressão marinha. Plioceno 5.3-2.5 2.5 milhões de anos Há 2 milhões de anos, os primeiros membros de nosso gênero (Homo) aparecem Pleistonceno até 10 mil anos na África. 10 mil anos até Holoceno hoje Fonte: Modificado de Teixeira et al. (2000). 18 ÉON FANEROZOICO ÉON PROTEROZOICO Era Cenozoica Era Mesozoica Era Paleozoica Período Período Período Quaternário Neógeno Paleógeno CONTEXTO GEOLÓGICO tre e das placas tectônicas (Figura 2.6). Simplificadamente, as rochas ígneas se originam devido à fusão de material rochoso ou de material diretamente expelido do manto. Já as rochas metamórficas se originam no contato entre duas placas – a compressão gerada pelo choque entre elas defor- ma e recristaliza minerais, podendo, inclusive, fundir rochas preexistentes. As rochas sedimentares são acumuladas em depressões na crosta continental ou oceânica e são constitu- ídas por minerais e fragmentos de rochas que são carreados por meio de agentes exógenos, como rios, mares, vento etc. Para diferenciar os diversos tipos de rochas e sedimen- tos, na elaboração de mapas geológicos são designadas Figura 2.3 - Configuração dos microcontinentes Ártica, Atlântica cores distintas às unidades (formação rochosa, depósitos e Ur, com a posição aproximada do estado do Maranhão. ou coberturas) que possuem características, origens e Fonte: Modificado de Schobbenhaus e Brito Neves (2003). idades diferenciadas, como se observa no mapa geológico simplificado do estado do Maranhão (Figura 2.7). Com relação à nomenclatura, os nomes atribuídos a essas uni- dades são devidos ao lugar em que foram descritas, como Formação Codó (nome do município maranhense em que se registra a ocorrência dessa formação). Se um conjunto de formações possuir ambientes de geração relacionados, recebe a denominação de grupo, a exemplo do Grupo Balsas, composto pelas formações Piauí, Pedra de Fogo, Motuca e Sambaíba. Para facilitar o entendimento sobre a diversidade de rochas que compõem o estado do Maranhão, o texto foi dividido em dois grandes grupos: Rochas Pré-Cambrianas e Rochas e Sedimentos Fanerozoicos. ROChAS PRÉ-CAMbRIANAS As rochas mais antigas aflorantes no estado do Ma- ranhão situam-se, principalmente, na porção noroeste. Entretanto, na porção norte, mais especificamente nas cercanias da cidade de Rosário, aflora um pequeno corpo granítico. Esse conjunto rochoso apresenta uma história geológica condicionada a duas unidades geotectônicas – Figura 2.4 - Configuração do supercontinente Colúmbia. Cráton São Luís e Cinturão Gurupi –, que englobam rochas Fonte: Modificado de Schobbenhaus e Brito Neves (2003). com idades entre 2,25-2,10 bilhões de anos (era paleopro- terozoica), 2,17 bilhões de anos até 545 milhões de anos (era mesoneoproterozica) (Figura 2.8). Fragmento Cratônico São Luís Cráton é uma região geologicamente estável, sobre a qual se assentam outras estruturas geológicas, possuindo raízes profundas no manto da Terra. Nesse contexto se en- contram as rochas paleoproterozoicas do Cráton São Luís. Essa unidade geológica é composta por rochas ígneas e metamórficas, diferenciadas em Grupo Aurizona, Granófiro Piaba, Suíte Intrusiva Tromaí, Suíte Intrusiva Rosário, Uni- dade Vulcânica Serra do Jacaré, Formação Rio Diamante, Granito Negra Velha e Unidade Vulcânica Rosilha. Figura 2.5 - Configuração do supercontinente Rodínia. O Grupo Aurizona é formado por rochas vulcânicas Fonte: Modificado de Scotese, C.R. Paleomap project metamorfizadas (Figura 2.9), originadas em arco de ilhas (disponível em: ). (KLEIN, 2004), tal como hoje são Japão e Filipinas, com ida- 19 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 2.6 - Ambientes existentes na crosta terrestre e que possibilitam a criação e sedimentação de vários tipos de rochas. Fonte: Modificado de Tassinari (2000). Figura 2.7 - Mapa geológico do estado do Maranhão (simplificado). Fonte: Klein e Sousa (2012). 20 CONTEXTO GEOLÓGICO O Granófiro Piaba ocorre na área do depósito aurífero de Piaba e corres- ponde a granitoides finos com textura granofírica e composição granodiorí- tica a tonalítica, que se intrudem no Grupo Aurizona e apresentam idade de 2214 ± 3 Ma (KLEIN et al., 2008a; MINERAÇÃO AURIZONA S/A, 1995). A Suíte Intrusiva Tromaí é um grande corpo ígneo, com variada com- posição mineralógica (Figura 2.10), de- corrente de duas fontes distintas: uma parte seria do manto terrestre e outra, de uma placa oceânica preexistente fundida (KLEIN, 2004). Tais eventos ocorreram entre 2.168 a 2.147 Ma (KLEIN, 2004; KLEIN; MOURA, 2001). A Suíte Rosário (GORAYEB; ABREU, 1996; RODRIGUES et al., 1994) é um conjunto de granitoides (tonalitos e Figura 2.8 - Limites do cráton São Luís e cinturão Gurupi. granodioritos) que sofreram metamor- fismo. Possuem idade variando de 2.079 de de 2.240 Ma (KLEIN; MOURA, 2001). Klein et al. (2008a) a 2.130 Ma (GORAYEB et al., 1999). propuseram a subdivisão do grupo em três formações: A Unidade Vulcânica Serra do Jacaré é composta por Matará, Pirocaua e Ramos. rochas vulcânicas e, subordinadamente, rochas vulcanoclás- A Formação Matará (KLEIN et al., 2008a) engloba ticas de composição ácida a dominantemente intermediária as rochas metavulcânicas básicas e ultrabásicas do Grupo (raramente básica), não metamorfizadas, que afloram prin- Aurizona e inclui anfibolito, xistos máficos, tremolita-xisto cipalmente na porção sudoeste da área de ocorrência do e talco-tremolita-xisto. Estruturalmente, são caracterizadas Grupo Aurizona. Possuem idade variando de 2,37 a 2,38 pela presença de xistosidade. Ma (KLEIN et al., 2009). A Formação Pirocaua (KLEIN et al., 2008a) engloba A Formação Rio Diamante é constituída por rochas o conjunto de rochas piroclásticas e vulcânicas ácidas me- vulcânicas ácidas não metamorfizadas (Figura 2.11), que for- tamorfizadas que incluem metatufo félsico/riolítico, tufo mam, predominantemente, derrames e, secundariamente, cinerítico, aglomerado vulcânico, riolito, dacito e felsitos. depósitos vulcanoclásticos. Essas rochas foram formadas Em geral, são rochas com foliação bem desenvolvida. em margem continental, a partir do retrabalhamento de A Formação Ramos (KLEIN et al., 2008a) engloba rochas de arco de ilhas não muito mais antigas. Possuem as rochas metassedimentares do Grupo Aurizona, como idade de 2160 ± 8 Ma (KLEIN et al., 2008a; KLEIN et al., quartzito (puro, ferruginoso ou manganesífero), quartzo ± 2009). muscovita ± clorita-xistos, filito, filito grafitoso, metassiltito O Granito Negra Velha (KLEIN et al., 2008a) engloba manganesífero, metachert puro ou ferruginoso ou grafitoso, dois corpos de granitoides expostos às margens do igarapé metarenito e grauvaca lítica. Negra Velha. O tipo petrográfico predominante é o monzo- Figura 2.9 - Tufo dacítico Figura 2.10 - Rocha granítica Figura 2.11 - Vulcânicas ácidas do grupo Aurizona. da suíte intrusiva Tromaí. da formação rio Diamante. Fonte: Klein et al. (2008a). Fonte: Klein e Lopes (2011). Fonte: Klein et al. (2008a). 21 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO granito, ocorrendo também sienogranito e quartzomonzo- a processos tectônicos, foram juntamente deformadas, nito. Dados geocronológicos em zircão (KLEIN et al., 2008b), originando metarenitos (Figura 2.13) (KLEIN; LOPES, embora pouco precisos, indicam claramente que a intrusão 2012). do Granito Negra Velha ocorreu entre 2056-2076 Ma. O Granito Maria Suprema, formado por pequenos A Unidade Vulcânica Rosilha é uma denominação corpos de muscovita-granito intrusivos no Complexo Ita- informal proposta por Klein et al. (2008a) para as rochas peva, possui idade de 2.100 Ma (KLEIN; MOURA, 2001). vulcânicas e vulcanoclásticas que ocorrem na área do Granito Moça são rochas ígneas (sienogranito e mon- igarapé e garimpo Rosilha. Petrograficamente, as rochas zogranito) intrusivas no Complexo Itapeva, com idade de são riolitos, dacitos e tufos líticos de cristal. Uma tentativa 2.099 Ma (KLEIN; LOPES, 2012). preliminar de datação de amostra dessa unidade (KLEIN et A Formação Jaritequara (Grupo Gurupi) é composta al., 2009) mostrou idades entre 1920 ± 9 Ma e 2068 ± 7 por sedimentos finos (Figura 2.14) de uma bacia marinha Ma por evaporação de Pb, não sendo possível a definição marginal (COSTA et al., 1996), que foram metamorfi- de uma idade mais precisa até o momento. zados, gerando xistos micáceos e quartzosos (COSTA; RICCI, 2000). Cinturão Gurupi A Formação Marajupema é constituída por arenitos depositados em margem continental, que, metamorfiza- A designação “cinturão” é dada a uma faixa estreita dos, geraram um quartzito feldspático (KLEIN, 2004), de e alongada localizada na borda sul-sudeste do Cráton São idade variando de 2.635 a 1.100 Ma (KLEIN et al., 2005). Luís, caracterizada por um conjunto de rochas metamór- Outra porção indivisa do Grupo Gurupi (composta ficas e ígneas formadas a partir da colisão de duas placas por xistos alterados, sem identificação de seu protólito, tectônicas pretéritas. O cinturão apresenta fragmentos ígneo ou sedimentar) foi cartografada por Klein e Lopes retrabalhados do Cráton São Luís e de porções do embasa- (2012). mento sobre o qual as rochas do cinturão se desenvolveram. O Anfibolito Cocal corresponde a rochas ígneas bá- O Cinturão Gurupi é composto por: Complexo Itapeva, sicas metamorfizadas (Figura 2.15), com idade de 1 Ga Formação Chega Tudo, Formação Igarapé de Areia, Granito (KLEIN; LOPES, 2012). Maria Suprema, Granito Moça, Grupo Gurupi (Formação A Formação Piriá é composta por arenitos arcoseanos Jaritequara), Formação Marajupema, Anfibolito Cocal e (Figura 2.16), pelitos e, subordinadamente, conglomera- Formação Piriá. dos, grauvacas e subarcóseos. Truckenbrodt et al. (2005) O Complexo Itapeva é composto por rochas ígneas atribuíram-lhe ambiente de deposição em águas rasas (tonalitos e granodioritos) metamorfizadas gerando gnais- (lacustres? marinhas?), sobre plataforma relativamente ses (Figura 2.12). Às vezes, são identificados xistos grossos estável, a partir de áreas-fonte dominantemente constitu- derivados de rochas sedimentares denominados Itapeva ídas por rochas metamórficas próximas aos depocentros. Xisto (KLEIN; LOPES, 2012). Essas rochas apresentam idade A idade de sedimentação da Formação Piriá ainda carece de 2.167 Ma (KLEIN et al., 2005). de definição mais precisa. Cristais detríticos de zircão, A Formação Chega Tudo é constituída por alternân- oriundos de um conglomerado aflorante no vizinho es- cias de variadas rochas vulcânicas (ígneas), como dacitos, tado do Pará e atribuído à Formação Piriá, indicam idade andesitos, tufos com rochas sedimentares que foram me- máxima para a deposição do conglomerado em torno de tamorfizadas e datadas com idade entre 2.148 e 2.160 Ma 1.500 Ma (LUCAS, 2009). No entanto, Klein e Lopes (2012), (KLEIN; MOURA, 2001). a partir de revisão dos estudos de Pinheiro et al. (2003), A Formação Igarapé de Areia compõe-se de arenitos consideram que a idade limite para a sedimentação dessa depositados sobre a Formação Chega Tudo, que, devido unidade seria 550 Ma. Figura 2.12 - Rocha gnáissica dobrada Figura 2.13 - Metarenito da formação Figura 2.14 - Xistos siltosos intercalados do complexo Itapeva. Igarapé de Areia, preservando estratificação. com filito do grupo Gurupi. Fonte: Klein e Lopes (2012). Fonte: Klein e Lopes (2012). Fonte: Klein e Lopes (2012). 22 CONTEXTO GEOLÓGICO ciscana e São Luís) e as Coberturas Superficiais Cenozoicas (Figura 2.17). bacia Sedimentar do Parnaíba A Bacia do Parnaíba possui certa peculiaridade na sedimenta- ção de seus litótipos. Uma parte foi depositada na era paleozoica (grupos Serra Grande, Canindé e Balsas), durante a junção/formação Figura 2.15 - Rocha ígnea básica Figura 2.16 - Arenito arcoseano laminado do grande continente Pangeia. Após metamorfizada em fácies da formação Piriá. Fonte: Klein e Lopes (2012). a fragmentação dessa grande massa anfibolito da unidade Anfibolito Cocal. Fonte: Klein e Lopes (2011). continental, na era mesozoica, evo- luindo para formar o atual oceano ROChAS E SEDIMENTOS FANEROZOICOS Atlântico, depositaram-se as rochas das formações Mos- quito, Pastos Bons, Corda, Grajaú, Codó, Itapecuru, Ipixuna As rochas sedimentares ocupam aproximadamente e Sedimentos Cenozoicos até os dias atuais, inclusive a 98% do estado do Maranhão, englobando os domínios formação das bacias costeiras brasileiras, de onde se extrai tectônicos das bacias sedimentares (Parnaíba, Sanfran- petróleo e gás natural. Figura 2.17 - Domínios tectônicos do estado do Maranhão. Fonte: Klein e Sousa (2012). 23 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Rochas da era paleozoica (1962), essas rochas possuem idade variando de 318 a 299 Ma (Época Pensilvaniana, Período Carbonífero). Grupo Serra Grande A Formação Pedra de Fogo é composta por uma Esse grupo é composto por rochas das formações Ipu, variedade de rochas, como siltitos, folhelhos (Figura 2.19), Tianguá e Jaicós, com idade entre 443 a 416 Ma (Período calcários e silexitos, depositados em ambiente marinho raso Siluriano). Somente uma área pequena (0,025%) desse a litorâneo, com planícies do tipo sabkha, sob ocasional grupo aflora no noroeste do estado do Maranhão. influência de tempestades (GÓES; FEIJÓ, 1994). Essa for- A Formação Ipu é composta por arenitos, conglome- mação possui idade de 299 a 253 Ma (Período Permiano), rados, arenitos conglomeráticos e diamictitos, depositados segundo Dino et al. (2002). em ambientes de leques deltaicos e frente de leque deltaico, A Formação Motuca engloba siltitos, arenitos e, subor- no interior da Bacia do Parnaíba, e marinho raso nas partes dinadamente, folhelhos, depositados em sistema desértico, distais (CAPUTO; LIMA, 1984). com lagos associados (GÓES; FEIJÓ, 1994). A unidade A Formação Tianguá é composta por folhelho preto possui idade variando de 253 a 251 Ma, correspondente a cinza-escuro; arenito, com intercalações de folhelho; ao final do Permiano. folhelho e siltito intercalados, depositados em ambiente A Formação Sambaíba é uma sequência de arenitos marinho raso (CAPUTO; LIMA, 1984). avermelhados e esbranquiçados, depositados em ambiente A Formação Jaicós é constituída por arenitos médios a desértico com contribuição fluvial (LIMA; LEITE, 1978). conglomeráticos, depositados em leques aluviais e fandel- Possui idade variando de 251 a 199 Ma (Período Triássico), tas (CAPUTO; LIMA, 1984), e eventuais pelitos, depositados de acordo com Klein e Sousa (2012). por sistemas de rios entrelaçados no final do Siluriano (GÓES; FEIJÓ, 1994). Grupo Canindé As rochas que compõem esse grupo são as formações Itaim, Pimenteiras, Cabeças, Longá e Poti. Porém, somente as formações Longá e Poti afloram em pequenas áreas do nordeste e oeste do estado do Maranhão. A Formação Longá é constituída por folhelhos cinza- -escuro, pretos a roxos; siltitos argilosos; arenitos e siltitos cinza-claro a esbranquiçados (LIMA; LEITE, 1978), deposita- dos em ambiente costeiro-deltaico dominado por ondas e tempestades (LOBATO; BORGHI, 2007). Essas rochas possuem idade de 374 Ma (Estágio Fameniano, Período Devoniano) a 345 Ma (Estágio Tournaisiano, Período Carbonífero) (LIMA; LEITE, 1978, LOBOZIAK et al., 2000; MELO et al., 1998). A Formação Poti é composta por arenitos cinza- Figura 2.18 - Arenitos estratificados da formação Piauí. -esbranquiçado, com intercalações esparsas de siltito Fonte: Elem Lopes (2011). cinza-claro, e arenitos finos a médios, cinza, com camadas de siltito e folhelhos carbonosos (LIMA; LEITE, 1978). Essas rochas foram depositadas em ambiente de origem marinha, de águas rasas, ambiente fluvial e ambiente fluviodeltaico, com influência marinha (LIMA; LEITE, 1978). De acordo com Melo e Loboziak (2000), essa formação tem idade variando de 345 a 326 Ma (Estágio Viseano, Período Carbonífero). Grupo Balsas É composto por rochas das formações Piauí, Pedra de Fogo, Motuca e Sambaíba. Essas formações afloram na porção central e em todo o sul do estado do Maranhão. A Formação Piauí é composta por arenitos (Figura 2.18), com intercalações de siltitos e argilitos, e folhelhos contendo intercalações lenticulares de calcário de origem marinha (LIMA; LEITE, 1978). O ambiente deposicional dessa formação é fluvial, com contribuição eólica, clima Figura 2.19 - Siltitos e folhelhos silicificados semiárido a desértico, com breves incursões marinhas da formação Pedra de Fogo. (LIMA; LEITE, 1978). De acordo com os trabalhos de Müller Fonte: Elem Lopes (2011). 24 CONTEXTO GEOLÓGICO Rochas da era mesozoica Com a fragmentação do supercontinente Pangeia, surgiu um grande evento tectonomagmático, que resultou na separação da África e América do Sul, sendo também res- ponsável pela configuração atual dos continentes. Tal evento provocou magmatismo e deposição de outra sequência de rochas na Bacia Sedimentar do Parnaíba, descrita a seguir. A Formação Mosquito é composta por derrames de basaltos (rocha vulcânica), de idade que varia de 220 a 150 Ma (Período Triássico Superior ao Jurássico), de acordo com Góes et al. (1993). A Formação Pastos Bons é constituída por arenitos, siltitos e, dominantemente, por folhelhos depositados em ambiente de lagos interduna e fluvial (CAPUTO, 1984; RE- ZENDE, 2002). Essas rochas possuem idade variando de 161 a 145 Ma (Período Jurássico Superior) (VAZ et al., 2007). Figura 2.20 - Arenito eólico com pelitos vermelhos A Formação Corda é constituída, dominantemente, da formação Grajaú. Fonte: Elem Lopes (2011). por arenitos depositados em sistema desértico, com contribuição lacustre interdunas e fluvial (CAPUTO, 1984; REZENDE, 2002; VAZ et al., 2007). Esses arenitos possuem idade variando de 161 a 125 Ma (COSTA NETO et al., 2012). A Formação Grajaú é constituída, dominantemente, por arenitos (Figura 2.20) e conglomerados (LIMA; LEITE, 1978) depositados em ambiente fluvial, deltaico e eólico (MESNER; WOOLDRIDGE, 1964; LIMA; LEITE, 1978). Essas rochas possuem idade variando de 130 a 112 Ma (COSTA NETO et al., 2012). A Formação Codó é constituída, dominantemente, por folhelhos negros, argilitos calcíferos, pelitos, calcário e arenito com gipso (Figura 2.21) de ambiente lagunar (PAZ; ROSSETTI, 2001; ROSSETTI et al., 2001). Possui idade variando de 125 a 99 Ma (Período Cretáceo Inferior). O Grupo Itapecuru é um conjunto de formações composto por variados tipos de rochas, como arenitos (Figura 2.22), argilitos, siltitos, folhelhos intercalados com Figura 2.21 - Gipsita (camada branca e cinza) com calcário arenitos depositados em vários ambientes (fluvial, deltaico (camada amarelada) da formação Codó. e lagunar) (ANAISSE JÚNIOR, 1999; GONÇALVES; CARVA- Fonte: Iris Bandeira (2011) LHO, 1996; LIMA; LEITE, 1978). Possui idade variando de 90 a 93 Ma (Cretáceo Superior) (ROSSETTI et al., 2001). Essa variedade de rochas não pôde ser individualizada no mapa geológico. A Formação Ipixuna é constituída por conglomera- dos, arenitos e pelitos depositados em sistema de rios meandrantes (VILLAS BOAS; ARAÚJO, 1999). Possui idade variando de 70 a 23 Ma (Cretáceo Superior e Paleógeno) (JUPIASSÚ, 1970). A Formação Sardinha é composta por corpos de diabásio (rocha vulcânica) de idade que varia de 150 a 110 Ma (Cretáceo Superior) (GÓES et al., 1993). bacia Sedimentar Sanfranciscana No extremo sul do estado do Maranhão afloram ro- chas do Grupo Urucuia, pertencente à Bacia Sedimentar Figura 2.22 - Arenitos estratificados do grupo Itapecuru. Sanfranciscana, presente, também, em grandes áreas dos Fonte: Elem Lopes (2011). 25 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO estados de Minas Gerais e Bahia e pequenas partes de Goiás, Tocantins e Piauí. De acordo com Campos e Dardenne (1997), o Grupo Urucuia é composto pelas formações Posse e Serra das Ara- ras, com idade cenomaniano-campaniana (Neocretáceo), entre 83,5 e 70,6 Ma. A Formação Posse é constituída por arenitos de dunas eólicas e de rios entrelaçados. Já a Formação Serra das Araras é composta de arenitos, argilitos e conglomerados de planície aluvionar (CAMPOS; DARDENNE, 1997). Rochas da era cenozoica Essas rochas fazem parte do domínio da Bacia São Luís e das Coberturas Superficiais que foram depositadas durante a expansão do oceano Atlântico, em período apa- Figura 2.24 - Caulim, produto de alteração intempérica de rochas rentemente de calmaria, sem grandes eventos geológicos. preexistentes. Unidade geológica das coberturas lateríticas maturas. Porém, evidenciam fase de aplainamento das superfícies Fonte: Elem Lopes (2011). antigas, marcam eventos climáticos importantes e grandes flutuações do nível do mar. sedimentos formadores das rochas do Grupo Barreiras Uma das unidades associadas a esses eventos cli- (Figura 2.25), constituído por arenitos com inúmeras máticos é a Cobertura Laterítica Matura, formada por intercalações de folhelhos de origem fluvial, estuarina e volta de 26-24 Ma (COSTA et al., 2005), pela alteração marinha (ARAI, 2006). química de rochas preexistentes (Figura 2.23). Nela se Durante o Mioceno Superior ao Plioceno (11 a 1.8Ma), acumularam depósitos de alumínio, fosfato, caulim etc. o clima era tropical úmido na região do estado do Ma- (Figura 2.24). ranhão. Em escala global, ocorreram rebaixamento do Entre 23 e 11 Ma (Mioceno Inferior), houve grande nível do mar e glaciação, que possibilitaram a instalação elevação do nível do mar, que propiciou a deposição de de processos de alteração química das rochas do Grupo Barreiras e a formação das Coberturas Lateríticas Imaturas (COSTA, 1991; OLIVEIRA; SILVA, 2011). Desde o Neógeno até o Quaternário (23 Ma até hoje), há um processo de alteração pela água das chuvas nas rochas dos platôs da região central do Maranhão e, às vezes, há desagregação e transporte desse material para as encostas desses platôs, que formam os chamados Depósitos Colúvio-Eluviais. Entre 1.8 Ma e 10 mil anos atrás (Pleistoceno), houve elevação e rebaixamento do nível do mar (OLIVEIRA; SILVA, 2011), que possibilitou a deposição dos Sedimentos Pós- -Barreiras, que são constituídos por areias inconsolidadas, com pouca argila e seixos, de ambientes eólico, mangue, fluvial etc. (ROSSETTI et al., 2001). Desde o Pleistoceno Médio, há cerca de 120 mil anos (máximo da última transgressão marinha) até os dias de hoje, houve a formação dos Depósitos Eólicos Continentais Antigos, na região nordeste do estado do Maranhão, os quais são caracterizados por campos de dunas fixas cons- tituídos por areias esbranquiçadas, de granulometria fina a média, bem selecionadas e maturas (SANTOS; SILVA, 2009; VEIGA JÚNIOR, 2000). Entre 12-11 mil anos (Pleistoceno Superior), houve a formação dos Depósitos de Terraços, que são antigos depósitos que foram abandonados por rios de grande porte, como o Tocantins, e ficaram registrados fora do Figura 2.23 - Perfil geológico de lateritos maturos bauxíticos autóctones na Amazônia. canal atual do rio, compostos por areias e seixos (COSTA Fonte: Costa (1991). NETO et al., 2012). 26 CONTEXTO GEOLÓGICO Durante essa mesma época, deu-se iní- cio à formação dos Depósitos Fluviolagunares (Figura 2.26), que, a partir de um evento transgressivo, provocou o afogamento dos baixos cursos dos rios Pindaré, Mearim, Itape- curu e Munim, ocasionando a deposição de argilas adensadas com areia fina disseminada (RODRIGUES et al., 1994). Os Depósitos Aluvionares são consti- tuídos por areias e argilas que estão sendo transportadas e depositadas pelos rios e igarapés desde os últimos 10 mil anos. No litoral oriental do estado do Ma- ranhão, nos últimos 10 mil anos ocorreu a deposição dos campos de dunas livres ativas (Lençóis Maranhenses), que compõem os Depósitos Eólicos Litorâneos (Figura 2.27), constituídos por areias esbranquiçadas, de granulometria fina a média, bem selecionadas e grãos arredondados (VEIGA JÚNIOR, 2000). Nessa mesma época, ocorreu a for- mação dos Depósitos Litorâneos, que com- Figura 2.25 - Evolução tectonossedimentar do grupo Barreiras preendem os depósitos de dunas costeiras Fonte: Arai (2006). (constituídos por areias quartzosas de granulometria muito fina), praias (areias quartzosas de granulometria muito fina a fina), planície arenosa (areias quartzosas de granulometria fina a média) e cordões litorâneos antigos (areias quartzosas de granulometria muito fina a fina), que apresentam maior expressão na região costeira a oeste da ilha de São Luís (KLEIN et al., 2009; VEIGA JÚNIOR, 2000). Também durante a época holocênica ocorreu a sedimentação dos Depósitos de Pântanos e Mangues, principalmente na costa ocidental maranhense, que é caracterizada pela presença de inúmeros estuários, com uma série de ilhas, baías e canais. São constituídos, pre- dominantemente, por sedimentos lamosos (argila e silte), de coloração cinza, não adensados, maciços e bioturbados (RODRIGUES et al., 1994). Figura 2.27 - Depósitos eólicos litorâneos (Lençóis Maranhenses). REFERÊNCIAS ANAISSE JÚNIOR, J. Fácies costeiras dos depósitos Itapecuru (Cretáceo), região de Açailândia, bacia do Grajaú. 1999. 86 f. Dissertação (Mestrado em Geologia) – Universidade Federal do Pará, Belém, 1999. ARAI, M.A. Grande elevação eustática do Mioceno e sua influência na origem do grupo Barreiras. Geol. USP, Sér. cient., São Paulo, v. 6, n. 2, p. 1-6, out. 2006. 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Bacia do Parnaíba. boletim de Brasil. 1 CD-ROM. 30 3 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br) Edgar Shinzato (edgar.shinzato@cprm.gov.br) Iris Celeste Nascimento Bandeira (iris.bandeira@cprm.gov.br) Lívia Vargas de Souza (livia.souza@cprm.gov.br) Jennifer Fortes Cavalcante Renk (jennifer.renk@cprm.gov.br CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 33 Domínios Geomorfológicos ................................................................................. 36 Planície Costeira do Maranhão ......................................................................... 36 Litoral das Reentrâncias Maranhenses ........................................................... 36 Golfão e Baixada Maranhense ........................................................................37 Lençóis Maranhenses ..................................................................................... 39 Delta do Parnaíba ...........................................................................................41 Tabuleiros Costeiros .......................................................................................... 42 Tabuleiros de Chapadinha .............................................................................. 42 Tabuleiros de São Luís e Alcântara-Guimarães ............................................... 42 Superfícies Aplainadas do Noroeste do Maranhão ........................................... 43 Superfície Sublitorânea de Bacabal ................................................................... 44 Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio Parnaíba ............................................. 45 Superfícies Tabulares das Bacias dos Rios Itapecuru e Munim .......................... 46 Superfícies Tabulares da Bacia do Rio Parnaíba ................................................ 48 Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú .................................................................... 49 Baixos Platôs de Barra do Corda ........................................................................51 Chapadas do Alto Rio Itapecuru ........................................................................52 Depressão do Médio Vale do Rio Tocantins ...................................................... 54 Chapadas e Mesetas de Estreito-Carolina ......................................................... 56 Depressão Interplanáltica de Balsas .................................................................. 58 Chapadas do Alto Rio Parnaíba ..........................................................................59 Chapada das Mangabeiras ................................................................................ 60 Referências .......................................................................................................... 60 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA INTRODUÇÃO O soerguimento continental dessa bacia sedimentar, ao longo do Cenozoico, originou um cenário geomorfológico A geografia física do estado do Maranhão se caracte- representado por um conjunto de extensas chapadas riza por um relevo representado por baixas superfícies de dispostas de forma descontínua, preferencialmente no aplainamento em meio a extensas planícies fluviomarinhas, centro e sul do estado do Maranhão, alçadas em cotas baixos platôs e chapadas. Esse conjunto de formas é sus- topográficas que variam entre 200 e 800 m de altitude, tentado por rochas ígneas e metamórficas pré-cambrianas sendo progressivamente mais elevadas em direção ao sul do Cráton São Luís e Cinturão Gurupi (perfazendo escas- do estado (FEITOSA, 2006). sos 1,6% da área total do estado); rochas paleozoicas e A despeito das distintas cotas altimétricas, o conjunto mesozoicas da Bacia Sedimentar do Parnaíba constituída de chapadas, frentes de cuestas e planaltos alçados do pelas formações Serra Grande, Longá, Poti, Piauí, Pedra estado do Maranhão, tais como as chapadas das Manga- de Fogo, Motuca, Sambaíba, Pastos Bons, Corda, Grajaú, beiras, Penitente, Alpercatas e Tiracambu, dentre as mais Codó, Itapecuru e derrames basálticos das formações Mos- importantes, pode ser relacionado a uma antiga superfície quito e Sardinha (com aproximadamente 73,4% da área de aplainamento de idade paleógena, correlacionável à Su- total); depósitos cretácicos da Formação Urucuia (Bacia perfície Sul-Americana segundo King (1956), desnivelada, Sanfranciscana) (perfazendo apenas 1% da área total); e posteriormente, por processos de aplainamentos parciais Coberturas Superficiais mais recentes (cenozoicas), como e soerguimento diferencial ou basculamento de blocos depósitos detrito-lateríticos, Grupo Barreiras, Sedimentos da Bacia do Parnaíba ao longo do Cenozoico (BARBOSA Pós-Barreiras, planícies aluvionares, depósitos fluviolaguna- et al., 1973; BARBOSA; NOVAES PINTO, 1973). O registro res, terraços fluviais e depósitos eólicos, perfazendo 24% generalizado de coberturas detríticas ou detrito-lateríticas, da área total (ALMEIDA et al., 1977; GÓES; FEIJÓ, 1994; de idades paleógena e neógena, atesta a intensidade dos KLEIN; SOUSA, 2012; VILAS-BOAS; ARAÚJO, 1999). processos de intemperismo químico e a antiguidade da Esse conjunto geológico, associado a prolongados superfície dos topos dessas chapadas, assim como de todo eventos tectônicos decorrentes da abertura do oceano o conjunto de superfícies tabulares reinantes no Maranhão Atlântico Equatorial (CORDANI et al., 2000), propiciou a (Figuras 3.1 e 3.2). Por outro lado, a erosão diferencial das formação de três superfícies regionais de aplainamento: superfícies planálticas delineou o desenvolvimento de am- - Superfícies aplainadas, elaboradas durante o Neógeno, plos vales abertos e superfícies interplanálticas, embutidas ajustadas ao atual nível de base regional e modeladas dezenas a poucas centenas de metros abaixo dos topos das em diversas rochas sedimentares da Bacia Sedimentar chapadas, gerando uma superfície de aplainamento mais do Parnaíba ou esculpidas sobre o embasamento ígneo- moderna, de idade neógena, correlacionável à Superfície -metamórfico do Cráton São Luís e Cinturão Gurupi. Velhas, conforme King (1956). - Coberturas detrito-lateríticas resistentes ao intemperis- Essas superfícies tabulares podem ser estruturais (con- mo e à erosão, em sua maioria, elaboradas durante o troladas pelo acamadamento dos estratos sedimentares) Paleógeno. Essas coberturas, constituídas por crostas ou, por vezes, erosivas, truncadas por distintas fases de ferruginosas (ou petroplintita), sustentam relevos tabu- lares em distintas cotas altimétricas representadas por baixos platôs e chapadas. - Chapada do Espigão Mestre, superfície de aplainamen- to mais elevada, de idade cretácica e sustentada pelo arenito Urucuia, restrita ao extremo sul do estado do Maranhão. Trata-se de uma superfície cimeira em escala subcontinental, projetando-se sobre extensa parte do Brasil Central, nos estados do Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins. O relevo do estado do Maranhão é caracterizado por um conjunto de superfícies tabulares desdobradas, de forma complexa, em diferentes cotas altimétricas, alçadas por processo diferencial de soerguimento tectônico pós- cretácico da Bacia Sedimentar do Parnaíba e delineadas por ação de diferentes eventos de aplainamento regional (BARBOSA et al., 1973; ROSS, 1985). Tais processos denudacionais promoveram a dissecação diferencial desses Figura 3.1 - Baixo platô francamente dissecado em colinas terrenos modelados em rochas sedimentares dos mais tabulares de topos aplainados ou alongados. Vales entalhados em variados ambientes deposicionais da Bacia do Parnaíba vertentes declivosas. Pacotes de siltitos e arenitos da formação Itapecuru com desenvolvimento de laterita no topo. Profundo (marinhos, litorâneos, fluviais, carbonáticos e eólicos, manto de intemperismo em clima subequatorial úmido. Rodovia apresentando, também, eventos de derrames vulcânicos). BR-222, entre as localidades de Chapadinha e Vargem Grande. 33 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO denominada Meio-Norte ou Zona das Matas de Cocais, está posicionada entre o Domínio Morfoclimático das Terras Baixas Equatoriais da Amazônia, a oeste; o Domí- nio das Depressões Semiáridas Tropicais da Caatinga, a leste; e Domínio dos Chapadões Semiúmidos Tropicais do Cerrado, a sul. Assim, no oeste e noroeste do estado do Maranhão nota-se o domínio original da Floresta Amazônica sob clima equatorial úmido regido pelo deslocamento sazonal da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e pela massa Equatorial Continental (mEc), ambas com marcante atuação no verão e outono. Desse modo, registra-se curto período seco de inverno e parte da primavera que varia entre dois a três meses. Em contraposição, no sul e sudeste do estado prevalece a vegetação original de cerrado sob clima tropical semiúmido, apresentando marcada estiagem de cinco a seis Figura 3.2 - Desenvolvimento de nível ferruginoso endurecido (ironstone) sobre camadas de arenitos e argilitos com grande meses entre o inverno e a primavera, devido à influência variação de permeabilidade da formação Itapecuru. Rodovia BR- menos expressiva dos sistemas atmosféricos supracitados, 316, entre as localidades de Caxias e Peritoró. associada a uma atuação mais expressiva da massa Tropical Atlântica (mTa), o que confere maior estabilidade climática aplainamento. Em diversas situações foi verificado que os (NIMER, 1989). Observa-se, também, expressivo decrés- topos de chapadas estão mantidos por níveis de quartzo- cimo dos totais pluviométricos observados de noroeste arenitos silicificados ou, mais frequentemente, por resis- (2.000 a 2.500 mm/ano) para sul e sudeste (1.000 a 1.200 tentes couraças detrito-lateríticas, fato comum em todo o mm/ano) (FEITOSA; TROVÃO, 2006). Brasil Central e na Amazônia. Entretanto, na maior parte do estado, especialmente Nos baixos platôs do oeste do Maranhão, assim como em sua porção central, desenvolve-se uma vegetação em extensas áreas da Amazônia Oriental, são identifica- florestal de porte baixo, rica em palmeiras (em especial o dos, em larga escala, dois eventos de laterização (COSTA, babaçu), conferindo certa originalidade à paisagem natural 1991): um, mais antigo, caracterizado por crostas lateríticas do Golfão e Baixada Maranhense e de sua hinterlândia. En- maturas, com desenvolvimento de horizonte aluminoso tretanto, essa vegetação caracteriza-se por ser transicional (bauxítico), de horizonte ferruginoso e concrecionário, e, entre a caatinga, o cerrado e a floresta. no topo, por Latossolo Amarelo argiloso de cobertura, Deve-se mencionar, também, o complexo processo de resultante do intemperismo moderno; outro, mais recente, ocupação do território maranhense, calcado em diversas caracterizado por crostas lateríticas imaturas, com desen- frentes de povoamento desde os idos coloniais (FEITOSA; volvimento similar às maturas, porém incompleto, sem TROVÃO, 2006; TROVÃO, 2008) e desconectadas entre si, elaboração de horizonte aluminoso. destacando-se as frentes litorânea e interiorana. A primeira, Durante grande parte do Paleógeno, caracterizado por implementada após a expulsão dos franceses, no início do um período de notável estabilidade morfodinâmica e pouca século XVII, visou à colonização da extensa linha de costa, atividade tectônica, ocorreu o desenvolvimento de espessos do Golfão Maranhense e dos baixos vales dos rios principais mantos de alteração de espessura decamétrica. O contí- que convergem para o Golfão. Os rios Itapecuru, Mearim nuo processo de intemperismo e remobilização de óxidos e Pindaré consistiram nos principais eixos de penetração e hidróxidos de ferro, manganês e alumínio originou, em do povoamento da frente litorânea, calcado no cultivo de vastas extensões, perfis lateríticos, bauxítico-ferruginosos, culturas de exportação, em especial, a cana-de-açúcar maturos, de expressiva importância mineral, correlaciona- e o algodão. Nesse sentido, entre os séculos XVII e XIX, dos Aaoceno-Oligoceno. (COSTA, 1991; KOTSCHOUBEY et foram fundadas as povoações de Cajari, Pindaré-Mirim al., 2005; KOTSCHOUBEY; TRUCKENBRODT, 1981). Esses e Santa Inês, no vale do rio Pindaré; Vitória do Mearim, perfis lateríticos, muito antigos e desenvolvidos, registrados Bacabal e Barra do Corda, no vale do rio Mearim; Rosário, sobre os diversos topos aplainados e posicionados em cotas Coroatá, Codó e Caxias, no vale do rio Itapecuru (SILVA; que variam entre 270 e 420 m, correspondem à serra de CONCEIÇÃO, 2011; TROVÃO, 2008). A frente interiorana, Tiracambu e aos vastos interflúvios entre os rios Gurupi, calcada na pecuária extensiva, promoveu o povoamento Pindaré, Buriticupu, Zutiua e Grajaú. do sul do estado a partir do Piauí, fundando, a partir do A geodiversidade do Maranhão mostra-se mais di- século XVIII, as povoações de Pastos Bons, Balsas, Carolina versificada pelo fato de esse estado, juntamente com o e Imperatriz, dentre as principais. Apenas no século XIX as Piauí, estar inserido em uma das mais esplêndidas faixas duas frentes colonizadoras se conectaram, conferindo certa de transição fitoclimática do território brasileiro (AB’SABER, identidade territorial ao Maranhão. Ao longo do século 1969, 1977). Essa região geográfica, tradicionalmente XX, novas levas de migrantes nordestinos (principalmente, 34 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA retirantes da seca) consolidaram o povoamento do estado Para melhor entendimento de sua geodiversidade, (TROVÃO, 2008). o território maranhense foi compartimentado em 19 A partir das décadas de 1960-70, duas frentes moder- domínios geomorfológicos: Planície Costeira do Ma- nas de povoamento alcançam, respectivamente, o oeste e ranhão (subdividida em Reentrâncias Maranhenses, o sul do estado, promovendo significativas transformações Golfão e Baixada Maranhense, Lençóis Maranhenses e no espaço geográfico maranhense. O oeste amazônico Delta do Parnaíba); Tabuleiros Costeiros (subdivididos registra forte incremento populacional, associado ao em Tabuleiros de Chapadinha e Tabuleiros de São Luís e desmatamento generalizado da floresta nativa, devido à Alcântara-Guimarães); Superfícies Aplainadas do Noro- abertura da Rodovia Belém-Brasília e da Estrada de Ferro este do Maranhão; Superfície Sublitorânea de Bacabal Carajás-São Luís, alicerçada na instalação de guserias no (Mesopotâmia Maranhense); Superfícies Aplainadas da entorno de Açailândia e Imperatriz e, posteriormente, na Bacia do Rio Parnaíba; Superfícies Tabulares das Bacias dos silvicultura de eucalipto. Os baixos platôs e chapadas do sul Rios Itapecuru e Munim; Superfícies Tabulares da Bacia do estado, por sua vez, foram incorporados pelo avanço do Rio Parnaíba; Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú; Baixos da fronteira agrícola e franca migração de agricultores Platôs de Barra do Corda; Chapadas do Alto Rio Itapecuru; gaúchos, que implementaram uma policultura tecnificada Depressão do Médio Vale do Rio Tocantins; Chapadas e de soja, milho, algodão e sorgo sobre os vastos topos Mesetas de Estreito-Carolina; Depressão Interplanáltica planos, outrora revestidos de cerrados, de Balsas, Pastos de Balsas; Chapadas do Alto Rio Parnaíba e Chapada das Bons, Tasso Fragoso e Alto Parnaíba. Mangabeiras (Figura 3.3). Figura 3.3 - Domínios geomorfológicos propostos para o estado do Maranhão. 35 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Os diversos padrões de relevo do estado (Quadro Planície Costeira do Maranhão 3.1), inseridos nos 19 domínios geomorfológicos supra- mencionados, encontram-se representados no Mapa de A Planície Costeira do Maranhão espraia-se por ampla Padrões de Relevo do Estado do Maranhão, que serviu franja litorânea com aproximadamente 640 km de extensão de subsídio para a elaboração do Mapa Geodiversidade e representa um domínio geomorfológico que pode ser do Estado do Maranhão. A individualização dos diversos subdividido em quatro setores marcadamente diferenciados, compartimentos de relevo (Apêndice II – Biblioteca de conforme Feitosa (2006): a úmida costa oeste-noroeste das Padrões de Relevo do Território Brasileiro) foi obtida com Reentrâncias Maranhenses, dominada por vastas planícies base em análises e interpretação de imagens SRTM (Shuttle de marés (mangues); sua mais pronunciada reentrância, Radar Topography Mission), com pixel de 90 x 90 m, e de constituída pelo Golfão Maranhense; a costa leste, de clima imagens GeoCover, sendo as unidades de relevo agrupadas semiúmido, dominada por extensos campos de dunas móveis de acordo com a caracterização da textura e rugosidade ou fixas; e a planície deltaica do rio Parnaíba. das imagens. A escala de trabalho variou de 1:100.000 a 1:500.000, considerando que o trabalho foi desenvolvido Litoral das Reentrâncias Maranhenses em modo digital, permitindo a utilização da ferramenta de zoom para distinção das unidades. A escala de publicação A porção noroeste do litoral maranhense foi caracteri- foi de 1:1.000.000. zada por Souza Filho (2005) como “a Costa de Manguezais de Macromaré da Amazônia”, abrangendo, também, a DOMÍNIOS GEOMORFOLÓGICOS costa nordeste do estado do Pará. Segundo esse autor, tal domínio de mangues, que se estende da Baía de Marajó A partir de uma breve avaliação sobre a origem e evolução à Baía de São José, consiste na mais extensa planície de das paisagens do estado do Maranhão, é possível promover maré contínua no mundo, atingindo 650 km de extensão uma caracterização dos compartimentos geomorfológicos e 7.500 km2 de área, o que corresponde a mais da metade existentes. Com base na análise dos produtos de sensoriamento de toda a extensão de manguezais no Brasil. remoto disponíveis, perfis de campo e estudos geomorfológi- Esse litoral, dominado por clima equatorial com cos regionais anteriores (IBGE, 1995; ROSS, 1985, 1997, dentre precipitação média entre 1.800 e 2.500 mm anuais, outros), os terrenos maranhenses foram compartimentados, notabiliza-se por seu contorno extremamente recortado neste estudo, em 19 domínios geomorfológicos. em rias e estuários (BARBOSA; NOVAES PINTO, 1973), al- Quadro 3.1 - Declividade e amplitude topográfica das formas de relevo identificadas no estado do Maranhão. Padrões de Relevo Declividade (graus) Amplitude Topográfica (m) Planícies Fluviais ou Fluviolacustres (R1a) 0 a 3 Zero Planícies Fluviomarinhas (R1d) 0 Zero Planícies Costeiras (R1e) 0 a 5 2 a 20 Campos de Dunas (R1f) 3 a 30 5 a 40 Tabuleiros (R2a1) 0 a 3 20 a 50 Tabuleiros Dissecados (R2a2) 2 a 5 0 a 20 Baixos Platôs (R2b1) 0 a 5 20 a 50 Baixos Platôs Dissecados (R2b2) 0 a 5 20 a 50 Planaltos (R2b3) 0 a 5 20 a 50 Chapadas e Platôs (R2c) 0 a 5 0 a 20 Superfícies Aplainadas Conservadas (R3a1) 0 a 5 0 a 10 Superfícies Aplainadas Degradadas (R3a2) 0 a 5 10 a 30 Inselbergs (R3b) 25 a 60 50 a 500 Colinas Amplas e Suaves (R4a1) 3 a 10 20 a 50 Colinas Dissecadas e Morros Baixos (R4a2) 5 a 20 30 a 80 Morros e Serras Baixas (R4b) 15 a 35 80 a 200 Escarpas Serranas (R4d) 25 a 60 300 a 2.000 Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos (R4e) 10 a 45 50 a 200 Vales Encaixados (R4f) 10 a 45 100 a 300 36 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA ternando prolongados espigões de manguezais e planícies padas por vastos manguezais. As planícies fluviomarinhas salinas, frequentemente ancoradas por cordões de areia intermarés, constituídas por sedimentos inconsolidados (cheniers) que geram, a sua retaguarda, um ambiente de idade holocênica, consistem de terrenos argilosos ou de baixa energia, propício à sedimentação das planícies argiloarenosos ricos em matéria orgânica, caracterizados fluviomarinhas, com extensos canais de maré que aden- como Solos de Mangue, Gleissolos Sálicos e Gleissolos tram até cerca de 20 km o continente, sendo dominados Tiomórficos (IBGE, 2011a). por macromarés de até 7 m de amplitude diurna. Dentre A despeito da grande fragilidade ambiental desses essas zonas estuarinas, com paleofalésias modeladas pela terrenos, dominados por extensos manguezais, o proces- Transgressão Flandriana de idade holocênica, destacam-se so de ocupação humana empreendido por comunidades as “baías” de Gurupi, Turiaçu e do Cumã, corresponden- tradicionais com uma população rarefeita, calcada na do, também, à desembocadura em forma de ria dos rios pesca tradicional e no extrativismo, não tem promovido homônimos (Figura 3.4). Essas extensas zonas estuarinas, significativos impactos ambientais na região (SOUZA; FEI- em litoral recortado, estão diretamente associadas ao TOSA, 2009). São, em sua maioria, áreas protegidas por entalhe dos baixos platôs em condições de linha de costa lei, destinadas à preservação da flora e da fauna segundo regressiva nos períodos glaciais que ocorreram ao longo a Resolução CONAMA nº 303 (BRASIL, 2002a). do Quaternário. Os principais canais que deságuam nos estuários do Li- Segundo Borges et al. (1995) e Ferreira Jr. et al. toral das Reentrâncias Maranhenses são os rios Gurupi (per- (1996a), a gênese dessas rias está relacionada à ocorrência fazendo a divisa com o estado do Pará), Maraçumé, Turiaçu, de movimentos neotectônicos, assim como sua orientação Uru e Pericumã. As cidades principais que se assentam na está associada à atuação de falhas transcorrentes de direção linha de costa ou no fundo das rias são: Carutapera, Luís SW-NE durante o Mioceno-Plioceno. Domingues, Godofredo Viana, Cândido Mendes, Turiaçu, Essa unidade está inserida entre a linha de costa e a Apicum-Açu, Curupuru, Porto Rico do Maranhão, Cedral, vasta superfície do noroeste do Maranhão (R3a2), drenada Guimarães e Alcântara (essa última situada na entrada da pelos rios Gurupi e Turiaçu, dentre os principais, assim como borda ocidental da Baía de São Marcos). pelos tabuleiros costeiros embasados por rochas sedimen- tares pouco litificadas do Grupo Barreiras ou da Formação Golfão e Baixada Maranhense Itapecuru (R2a1 e R2a2). Esses tabuleiros estão, por vezes, delimitados por proeminentes falésias ativas na península O Golfão Maranhense consiste na grande reentrância de Alcântara e na costa oeste da Baía de São Marcos. A central do litoral do estado do Maranhão constituída pelas unidade, gerada em ambiente deposicional de macromarés, baías do Cumã, São José, São Marcos e Tubarão (FEITOSA, apresenta um conjunto de feições deposicionais de origens 2006), gerando, em sua retroárea, vasta planície fluvioma- fluvial e marinha. Esse domínio abrange extensas planícies rinha de topografia extremamente plana e praticamente fluviomarinhas (R1d), ressaltando-se a ocorrência de exí- ajustada ao nível de base geral, denominada Baixada guas planícies costeiras (R1e) e aluviais (R1a). Destaca-se, Maranhense. Essa extensa planície interior é constituída nesse contexto, vasto domínio de terras baixas e inundáveis, por uma superfície sazonalmente inundada de pântanos com recobrimento espraiado de formações pioneiras de de água doce (ou campos hidrófilos de várzea), lagos interface entre os ambientes continental e marinho, ocu- intermitentes, campos halófilos de várzea (Figura 3.5), pântanos salinos (ou apicuns), manguezais, planícies de maré lamosa (ou coroas de lama) (Figura 3.6) e canais estuarinos (TEIXEIRA; SOUZA FILHO, 2009), para onde convergem os principais rios genuinamente maranhenses: Itapecuru, Munim, Mearim, Grajaú e Pindaré. Trata-se de um “Pantanal Maranhense”. Extensos manguezais são observados ao longo da orla das baías e dos estuários e na ilha do Caranguejo. Ab’Saber (1960) destaca a gênese dessa vasta planície inundável interiorana, elaborada à retaguarda da ilha de São Luís, pontilhada de morrotes residuais e extensos lagos, denominada Baixada de Perizes. A oeste da Baía de São José e ao longo da Baía do Cumã, o Golfão Maranhense está bruscamente delimitado por falésias e colinas tabulares dos Tabuleiros Costeiros de Alcântara-Guimarães. A leste das baías de São José e de Tubarão, o Golfão Maranhense delimita-se com os Lençóis Maranhenses. Por fim, o recôncavo da Baixada Maranhen- Figura 3.4 - Baía de Turiaçu, orlada com vegetação de mangue. Fundo de estuário do rio Turiaçu em costa extremamente se é amplamente circundado por terrenos aplainados da recortada das reentrâncias maranhenses. Sítio urbano de Turiaçu. Superfície Sublitorânea de Bacabal. 37 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Dentre os vastos terrenos baixos e alagadiços que caracterizam a extensa zona deposicional da Baixada Mara- nhense, ressalta-se a ilha de São Luís. Esta, posicionada no meio do Golfão Maranhense, representa um alto topográ- fico em meio ao litoral afogado, caracterizado por baixos platôs dissecados, por vezes desfeitos em relevo colinoso (NOVAES et al., 2007), estando sustentados por arenitos cretácicos da Formação Itapecuru e sedimentos pouco liti- ficados de idade neógena do Grupo Barreiras, em condição similar à dos Tabuleiros Costeiros de Alcântara-Guimarães. A ilha de São Luís consiste, portanto, de uma feição re- manescente da erosão diferencial pela ação fluvial dos rios que convergem para o Golfão, podendo ser considerada uma ilha-península. Seu caráter insular é devido à existência de um estreito canal (canal dos Mosquitos) que a separa da Baixada de Perizes e interliga as baías de São José e São Mar- Figura 3.5 - Extensa planície fluviomarinha com campos halófilos de várzea (campo de Perizes). Rodovia BR-135, entre as cidades de cos. Assim, durante as fases glaciais pleistocênicas de nível São Luís e Bacabeira. marinho mais baixo (nível de base geral em torno de 100 m abaixo do nível atual), a superfície tabular cretácico-terciária foi esculpida em baixos platôs dissecados ou desfeita em relevo de colinas, tendo sido entalhados profundos vales no eixo central do Golfão Maranhense. Destacam-se, nesse contexto, os vales escavados dos rios Itapecuru-Munim e Mearim-Grajaú-Pindaré (AB’SABER, 1960). A partir da transgressão flandriana, registrada no atual período interglacial holocênico, processou-se expressivo entulhamento sedimentar da vasta depressão topográfica representada pelo Golfão Maranhense. Esses vales esca- vados foram submersos, gerando, respectivamente, as atuais baías de São José e de São Marcos, individualizadas, justamente, pela ilha de São Luís (AB’SABER, 1960). Deve-se ressaltar, portanto, que as baías de São José e de São Marcos configuram-se, respectivamente, nos notáveis estuários dos rios Itapecuru e Mearim, que se prolongam por dezenas de quilômetros continente Figura 3.6 - Planície de maré (manguezais e coroas de lama), adentro, assim como toda a rede de drenagem que aflui situada na orla oeste da baía de São Marcos. Imediações do porto para essas imensas rias consiste de canais meândricos de Cojupe. divagantes, de moderada a alta sinuosidade, submetidos, periodicamente, a condições de refluxos de macromarés do Golfão (Figura 3.7) (AB’SABER, 1960; BARBOSA; NO- Essa unidade parece estar associada a extensa zona VAES PINTO, 1973). de subsidência tectônica, controlada por falhas normais e Destacam-se, ainda, na porção mais interiorana do transcorrentes de direções NNE-SSW e ENE-WSW (IBGE, Golfão Maranhense, grandes formações lacustres situadas 2011b), que orientam a direção principal do Golfão, o con- no interior da planície fluviomarinha, mas já a montante torno da ilha de São Luís e os baixos cursos dos rios princi- do estuário do Mearim, tais como os lagos Açu, de Viana, pais convergentes (COSTA et al., 1996; FERREIRA JR. et al., Cajari, Penalva e de Pindaré-Mirim, dentre os maiores. 1996a). Em superfície, registra-se diversificado conjunto de Esses corpos d’água foram gerados por sedimentação ambientes deposicionais de origens fluvial, fluviomarinha, fluvial dos baixos cursos dos rios Pindaré e Mearim, que lacustre ou mista. Em toda a região destaca-se grande do- bloquearam pequenos vales tributários escavados, origi- mínio das planícies fluviomarinhas (R1d), com predomínio nando tais lagos em meio à baixada (AB’SABER, 1960). de mangues na orla das baías e estuários e de vegetação de Teixeira e Souza Filho (2009) ressaltam que os referidos brejo na baixada interior. Na porção norte-nordeste da ilha lagos são bastante rasos e intermitentes, secando durante de São Luís e em trechos restritos de esporões da Baía de o período de estiagem. Ferreira Jr. et al. (1996a) sugerem Tubarão, verificam-se exíguos cordões arenosos litorâneos origem neotectônica para alguns desses lagos, resultantes (R1e), sendo que alguns deles apresentam retrabalhamento de bloqueio dos rios Turiaçu e Pericumã, devido a rotação eólico gerando restritos campos de dunas. de blocos basculados. 38 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA Registra-se, na costa ocidental da ilha de São Luís, que ocupam a borda das baías de São Marcos e de São banhada pela baía de São Marcos, a implantação do Por- José são muito vulneráveis aos impactos ambientais pro- to de Itaqui – complexo portuário-industrial destinado à movidos pela expansão urbana desordenada de São Luís exportação de minérios (especialmente, minério de ferro e das atividades do Porto de Itaqui (NOVAES et al., 2007; e bauxita) da Província Mineral de Carajás pela Companhia SOUZA; FEITOSA, 2009). Vale do Rio Doce. Na costa setentrional, ressaltam-se exí- O rio Itapecuru exerce função primordial no abaste- guas planícies costeiras e acumulações de dunas em bairros cimento de água da capital maranhense, sendo, portanto, de São Luís, muito valorizados pelo capital imobiliário e estratégico o monitoramento de sua bacia hidrográfica, com grande potencial turístico (Figura 3.8). tendo em vista a conservação desse manancial hídrico. Capital do estado e polo econômico regional, São Nesse sentido, especial atenção deve ser conferida à ocor- Luís apresenta grande potencial para turismo histórico e rência generalizada de processos erosivos ao longo da geoturismo. Entretanto, há desafios a serem solucionados bacia, que conduzem ao assoreamento da calha do rio, na conservação do patrimônio histórico, além de proble- e ao lançamento indiscriminado de efluentes domésticos mas ambientais urbanos, culminados com o lançamento pelo conjunto de cidades ribeirinhas que também utilizam de efluentes domésticos nas belas praias da orla urbana, as águas do rio Itapecuru (SILVA; CONCEIÇÃO, 2011). onde se situam os melhores equipamentos turísticos e Nos terrenos embrejados do recôncavo do Golfão hoteleiros do Maranhão. Do mesmo modo, os manguezais Maranhense, o processo de ocupação humana baseia-se na pesca tradicional e na pecuária de subsistência (bovinos e bubalinos), sem promover significativos impactos am- bientais nas vastas áreas planas e maldrenadas da Baixada Maranhense (SOUZA; FEITOSA, 2009). Essa unidade consiste, portanto, de vastas planícies fluviolacustres e fluviomarinhas constituídas por sedi- mentos inconsolidados de idade holocênica. São terrenos argilosos e ricos em matéria orgânica, com predomínio de Gleissolos Háplicos, Gleissolos Sálicos, Gleissolos Tiomór- ficos e Solos de Mangue (IBGE, 2011a). As cidades principais do Golfão Maranhense se si- tuam no entorno das baías: Cedral e Guimarães (na Baía de Cumã), Alcântara e a capital São Luís (na Baía de São Marcos), São José do Ribamar, Icatu e Axixá (na Baía de São Luís). Na planície fluviolacustre da Baixada Maranhense destacam-se: Anajatuba, Cajapió, Viana, Cajari, Arari e Figura 3.7 - Gleissolos com campos hidrófilos de várzea Vitória do Mearim. sazonalmente inundados, junto à zona estuarina do rio Mearim. “Pantanal Maranhense”, cercanias de Anajatuba. Lençóis Maranhenses Os Lençóis Maranhenses abrangem a porção centro- leste da Planície Costeira Maranhense, posicionada entre as baías de São Luís e do Tubarão, a oeste; e o Delta do Parnaíba, a leste. Essa unidade situa-se entre a linha de costa e a planície fluvial do rio Munim e os Tabuleiros Costeiros da região de Chapadinha, sendo que estes são, em grande parte, sustentados por rochas sedimentares pouco litificadas do Grupo Barreiras. Esse domínio abrange diversificado conjunto de padrões de relevo deposicionais de origem eólica (R1f) e representa a mais extensa área de sedimentação eóli- ca de idade quaternária no Brasil, apresentando grande diversidade de dunas, tais como barcanas e parabólicas, dentre as principais (GONÇALVES et al., 2003). Predominam solos essencialmente quartzosos, muito profundos, com pequena adesão e coesão entre suas partículas, com baixa Figura 3.8 - Estreita planície costeira da praia do Calhau, na capacidade de retenção de umidade e de nutrientes, cor- zona urbana de São Luís, delimitada por campos de dunas e paleofalésias do grupo Barreiras. Linha de costa com intenso uso respondendo a Neossolos Quartzarênicos. Quando ocorre turístico. acúmulo de matéria orgânica em profundidade, devido à 39 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO translocação, formam-se Espodossolos Ferri-Humilúvicos. genéticos que soergueram a Faixa Costeira do Maranhão Importantes áreas de manguezais também se desenvolvem durante o Pliopleistoceno. A configuração resultante é a ao longo dos baixos cursos dos rios Piriá, Preguiças e Novo. de uma superfície ondulada de tabuleiros pouco disse- Os Lençóis Maranhenses podem ser subdivididos de cados, embasada por arenitos pouco litificados de idade duas maneiras. Primeiramente, destaca-se o contraste entre neógena do Grupo Barreiras e revestidos por dunas fixas. as dunas móveis e as fixas (Figura 3.9). As dunas móveis, Tais tabuleiros, por sua vez, estão alçados em cotas entre predominantemente do tipo barcanas (GASTÃO; MAIA, 60 e 120 m. Gastão e Maia (2010) ressaltam a ocorrência 2010), de grande beleza cênica e com acumulações que de um padrão de drenagem paralelo a retangular sobre atingem 30 a 40 m de altura, ocupam áreas mais restritas esses terrenos soerguidos dos Lençóis Maranhenses, o que junto à linha de costa, próximo às localidades de Santo reforça o controle estrutural sobre a porção leste-sudeste Amaro do Maranhão, Barreirinhas, Paulino Neves e Tutoia. dessa unidade geomorfológica. Em sua retaguarda, desenvolvem-se vastos campos de Datações por termoluminiscência realizadas por San- dunas fixas sobre planícies quaternárias ou galgando os ta- tos (2008) e Santos e Silva (2009) registram esparsas idades buleiros costeiros, revestidas com vegetação pioneira ou de pleistocênicas para os campos de dunas mais interioranos campo-cerrado. Esses campos de dunas, que se espraiam (até 23.800 anos AP). Entretanto, a maioria dos registros em meio aos tabuleiros do Grupo Barreiras, estendem-se acusa idades holocênicas, entre 7.200 e 3.000 anos AP. de 50 a 120 km interior adentro, atingindo as localidades Segundo os autores citados, a maior atividade eólica de Urbano Santos e Santana do Maranhão. associada à geração dos campos de dunas nos Lençóis Entretanto, a compartimentação geotectônica da Maranhenses está diretamente associada à ocorrência de costa leste do estado do Maranhão permite também paleoclimas mais áridos durante o Holoceno. proceder a uma divisão distinta dos Lençóis Maranhenses, Dunas intercaladas com lagoas rasas interdunares sendo delimitada por nítido lineamento SW-NE entre as sazonais (Figura 3.10), cujo piso é formado pelo Grupo localidades de Presidente Vargas, Belágua e Barreirinhas, Barreiras, representam as feições dominantes nos Lençóis condicionado pelo arco tectônico Ferrer-Urbano Santos, Maranhenses. Tais lagoas são geradas durante o período originado durante a abertura do oceano Atlântico (BAR- úmido, quando o nível freático regional está mais elevado, BOSA; NOVAES PINTO, 1973; GASTÃO; MAIA, 2010; GÓES; formando um cenário geomorfológico de espetacular bele- ROSSETTI, 2001). za e grande potencial geoturístico para todo o litoral leste Registra-se, a noroeste de Urbano Santos, sobre ter- maranhense, com aproveitamento turístico na cidade de renos abatidos da Bacia Sedimentar Barreirinhas, extensa Barreirinhas, com expressiva geração de emprego e renda superfície plana recoberta por dunas fixas, posicionadas para a população local. em cotas entre 20 e 80 m, progressivamente crescentes em Essa unidade consiste, portanto, de vastos campos de direção ao interior. A sudeste de Urbano Santos ressaltam- dunas móveis e fixas constituídas por sedimentos eólicos -se terrenos sobrelevados do alto estrutural homônimo, inconsolidados de idade holocênica. São terrenos arenosos sendo este possivelmente reativado por neotectônica. e bem selecionados, que, quando revestidos de vegetação, Ab’Saber (1960) advoga a ocorrência de processos epiro- geram Neossolos Quartzarênicos órticos e, subordinada- Figura 3.10 - Vastos campos de dunas móveis, compreendendo Figura 3.9 - Relevo ondulado dos campos de dunas fixas, lagoas rasas interdunares geradas durante o período úmido apresentando amplitude de relevo entre 20 e 30 m. Baixo vale do quando o nível freático regional está mais elevado. Limite oriental rio Munim, no limite ocidental dos Lençóis Maranhenses. Cercanias do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Cercanias da da localidade de Axixá. localidade de Barreirinhas. 40 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA mente, Latossolos Amarelos distróficos, principalmente em e marinhos, apresenta diversificado conjunto de feições direção ao interior, onde se verifica maior participação dos deposicionais de origens fluvial, fluviomarinha, eólica e sedimentos do Grupo Barreiras (IBGE, 2011a). As áreas de marinha, com marcante domínio das planícies fluviomari- dunas são protegidas por lei e destinadas à preservação da nhas e mangues (R1d). Destaca-se, todavia, a ocorrência de fauna e da flora. Se submetidas ao uso, este deve ser de canais distributários paralelos à linha de costa, bloqueados maneira sustentável, com a elaboração de planos de mane- por cordões arenosos (R1e), por vezes retrabalhados em jo, conforme Resolução CONAMA nº 303 (BRASIL, 2002a). campos de dunas (R1f) gerados junto ao litoral (Figura 3.11). As cidades principais dos Lençóis Maranhenses e Nesse ambiente de baixa energia do interior da planície de seu entorno são: junto à Baía de Tubarão: Humberto deltaica desenvolvem-se extensas áreas de manguezais. A Campos e Primeira Cruz; próximo ao litoral: Santo Amaro vegetação de mangue tem grande importância para a bio- do Maranhão, Barreirinhas, Paulino Neves e Tutoia; na estabilização da planície fluviomarinha e na deposição de porção mais interiorana: Morros, Urbano Santos, Belágua sedimentos fluviais em suas margens. Na planície deltaica e Santana do Maranhão. do rio Parnaíba, os manguezais funcionam como área de amortecimento dos impactos provocados por inundações Delta do Parnaíba fluviais e avanços do mar (FERREIRA; DANTAS, 2010). Acrescente-se sua importância ecológica, por se tratar de Na extremidade leste da Planície Costeira Maranhense, berçário para reprodução de várias espécies de crustáceos desenvolve-se o Delta do Parnaíba, a mais bem deline- e peixes. Apenas a montante da localidade de Araioses ada feição deltaica em leque fluvial do litoral brasileiro observa-se uma sedimentação tipicamente aluvial, gerando (AB’SABER, 1960), localizado entre os estados do Piauí e as amplas planícies de inundação (R1a) do baixo curso do Maranhão. A porção ocidental do Delta do Parnaíba está rio Parnaíba. situada no estado do Maranhão e é delimitada, a sul e a Essa planície fluviodeltaica, constituída por sedimen- oeste, pelos Lençóis Maranhenses. tos inconsolidados de idade holocênica, consistem de Essa unidade, caracterizada por um ambiente del- terrenos argilosos ou argiloarenosos ricos em matéria or- taico de interface entre os sistemas sedimentares fluviais gânica, caracterizados como Solos de Mangue e Gleissolos Figura 3.11 - Imagem de satélite Geocover da planície deltaica do rio Parnaíba, com franco predomínio de mangues (cor verde-escuro) em meio à extensa rede de canais distributários. Junto à linha de costa, destacam-se cordões arenosos retrabalhados por ação eólica, originando estreitas faixas de dunas, acompanhando o litoral. A oeste, ressaltam-se campos de dunas fixas (cores verde-claro ou rósea) e campos de dunas móveis (cor branca) dos Lençóis Maranhenses. 41 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Sálicos. Na porção interna do delta, dominada pela planície unidade, destacam-se: Chapadinha (posicionada no limi- aluvionar, predominam solos profundos, estratificados, de te ocidental dos tabuleiros), Anapurus, Mata Roma. No boa fertilidade natural, compreendendo Neossolos Flúvicos rebordo oriental, voltado para o vale do rio Parnaíba, os eutróficos (IBGE, 2011a). Os estudos efetuados no âmbito lugarejos de Brejo e Buriti. do ZEE Baixo Parnaíba (BRASIL, 2002b) enfatizam a riqueza natural da região e seu potencial geoturístico, além de sua Tabuleiros de São Luís e Alcântara-Guimarães expressiva fragilidade ambiental As cidades principais do Delta do Parnaíba são: Tutoia, Água Doce do Maranhão Os tabuleiros de São Luís e Alcântara-Guimarães, e Araioses. denominados Tabuleiros Costeiros Maranhenses por IBGE (2011c), abrangem parte do Golfão Maranhense e o litoral Tabuleiros Costeiros noroeste do estado do Maranhão, entre as baías de São Luís, São Marcos e Turiaçu, incluindo a ilha de São Luís. Os Tabuleiros Costeiros, no estado do Maranhão, Esses tabuleiros são sustentados por sedimentos do Grupo representam o domínio geomorfológico que ocorre em Barreiras ou, subordinadamente, por espessos regolitos duas áreas principais: Tabuleiros de Chapadinha, a sul dos de arenitos muito intemperizados, de idade cretácica, da vastos campos de dunas fixas dos Lençóis Maranhenses, Formação Itapecuru. e Tabuleiros de São Luís e Alcântara-Guimarães, entre o Essa unidade é seccionada por profundas reentrâncias Golfão Maranhense e o noroeste do estado. Esses tabu- formadas pelas baías ou estuários de Turiaçu, do Cumã e leiros são sustentados, em geral, por rochas sedimentares São Marcos e está delimitada, a sul e sudoeste, pela Su- pouco litificadas, de idade neógena, do Grupo Barreiras, perfície do Noroeste do Maranhão e Baixada Maranhense. sobrepostas a rochas sedimentares da Formação Itapecuru. A norte, os tabuleiros se encerram, por vezes, de forma Consistem de formas de relevo tabulares, apresentando abrupta, por meio de falésias e paleofalésias, com extensas extensos topos planos, com predomínio de processos de planícies fluviomarinhas e mangues (R1d) do litoral noro- pedogênese e formação de solos espessos e bem drenados, este do Maranhão. É representada por extensos tabuleiros com baixa suscetibilidade à erosão. de baixa amplitude de relevo (invariavelmente inferiores a 30 m) (R2a1). Entretanto, na porção interior da península Tabuleiros de Chapadinha de Alcântara e da ilha-península de São Luís, os tabuleiros encontram-se mais intensamente esculpidos em relevo de Os Tabuleiros de Chapadinha, denominados Tabuleiros baixos platôs dissecados (R2a2) e colinas tabulares (R4a1 e Sublitorâneos por IBGE (2011c), ocupam extensa superfície R4a2), francamente entalhados por uma rede de canais de tabular não dissecada a sul dos vastos campos de dunas moderada densidade de drenagem (Figura 3.12). Essa vasta fixas dos Lençóis Maranhenses. Esses tabuleiros são sus- superfície tabular, mais ou menos dissecada, apresenta co- tentados por sedimentos do Grupo Barreiras, sendo, fre- tas baixas que variam entre 30 e 70 m. Em situação diversa quentemente, capeados por coberturas detrito-lateríticas à observada no conjunto dos tabuleiros, esses tabuleiros bem elaboradas (IBGE, 2011b). dissecados apresentam suscetibilidade à erosão moderada A unidade é delimitada, a norte, pelos Lençóis Ma- a alta, devido à franca exposição dos espessos pacotes de ranhenses; a leste, pelo baixo vale do rio Parnaíba; a sul e arenitos arcoseanos friáveis. oeste, pelas Superfícies Tabulares da Bacia dos Rios Munim Sobre esses terrenos, utilizados, em grande parte, para e Itapecuru. É representada por extensa superfície planálti- atividades agropecuárias, desenvolvem-se solos muito pro- ca conservada e demarcada por curtos rebordos erosivos, fundos, bem drenados, muito friáveis e de baixa fertilidade com caimento muito suave de sul para norte, apresentan- natural, espessos e lixiviados, predominando Latossolos do baixíssima densidade de drenagem (R2b1), todavia, Amarelos e Vermelho-Amarelos distróficos. Subordina- ligeiramente mais elevada que as superfícies dissecadas damente, são registrados solos com gradiente textural, circunjacentes (R2b2). Essa vasta superfície tabular regis- profundos, mais suscetíveis à erosão que os Latossolos, tra, portanto, cotas baixas, que variam entre 80 e 120 m. que correspondem a Argissolos Vermelho-Amarelos dis- Sobre esses baixos platôs não dissecados desenvol- tróficos, e solos com problemas de drenagem atual, como vem-se solos muito profundos (>2.0 m), bem drenados e de Plintossolos Háplicos. Ressaltam-se, ainda, Plintossolos baixa fertilidade natural, predominando, nas planuras dos Pétricos concrecionários, que representam solos que tive- topos dos baixos platôs, Latossolos Amarelos distróficos, e, ram limitações de drenagem no passado e desenvolveram nas áreas levemente dissecadas, Plintossolos Pétricos con- concreções ferruginosas irreversíveis no perfil (IBGE, 2011a). crecionários argissólicos e Argissolos Vermelho-Amarelos Dentre as cidades que se localizam nessa unidade distróficos petroplínticos (IBGE, 2011a). A ocorrência de destacam-se, na orla das rias dominadas por falésias: Alcân- solos concrecionários sugere que houve alternância de pe- tara, Guimarães, Cedral e Curupupu. Sobre os tabuleiros, ríodos de encharcamento e secagem no passado, estando destacam-se: Mirinzal, Central do Maranhão, Serrano do hoje esse processo superado, sendo os solos permeáveis. Maranhão e Bacuri, além de grande parte do sítio urbano Dentre as principais localidades que se situam nessa da capital (São Luís). 42 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA a moderada. Esse conjunto de superfícies aplainadas registra, portanto, cotas baixas que variam entre 20 e 130 m, com elevações resi- duais que não ultrapassam 250 m de altitude. Consiste, portanto, em relevo modelado em diversificado substrato geológico, profun- damente arrasado por prolongados processos de denudação e aplainamento e submetido à forte atuação do intemperismo químico, gerando espessos regolitos. A resultante geo- morfológica é um cenário de vastas e monóto- nas superfícies de aplainamento (R3a2) (Figura 3.13), por vezes, desfeitas em relevo colinoso de baixa amplitude de relevo (R4a1). Tal relevo torna-se mais expressivo sobre o embasamen- to ígneo-metamórfico de idade pré-cambriana do Cráton São Luís. Ressaltam-se, de forma esparsa, pequenas cristas isoladas (R4a2) e inselbergs (R3b), mantidas por rochas muito resistentes ao intemperismo e à erosão, ou baixos platôs dissecados (R2b2), sustentados por crostas lateríticas. Todas essas formas es- tão ligeiramente mais elevadas frente ao piso da paisagem regional. Figura 3.12 - Imagem em relevo sombreado dos tabuleiros e tabuleiros Destacam-se, ainda, nesse domínio, vas- dissecados (cores terrosas) esculpidos em rochas sedimentares dos grupos Barreiras e Itapecuru, formando a ilha de São Luís e a península de Alcântara. tas zonas abaciadas ocupadas por extensas Litoral recortado do Golfão Maranhense, com destaque para as baías do Cumã planícies de inundação e formações lacustres e de São Marcos e espraiada sedimentação fluviomarinha em retaguarda (cor (R1a), especialmente ao longo dos baixos cinza) da Baixada Maranhense. cursos dos rios Turiaçu e Pericumã. Apresenta padrão de drenagem variável, de dendrítico a subdendrítico, a paralelo e retangular, com ocorrência de Superfícies Aplainadas do Noroeste cotovelos de drenagem, o que denota expressivo controle do Maranhão estrutural na configuração da rede de drenagem e na gênese dos lagos, devido à reativação neotectônica de O domínio geomorfológico Superfícies Aplainadas estruturas originadas no Mesozoico durante a abertura do do Noroeste do Maranhão, anteriormente denominado oceano Atlântico Equatorial (COSTA et al., 1996; FERREIRA Superfície do Rio Gurupi (IBGE, 1995; DANTAS; TEIXEIRA, JR. et al., 1996a, 1996b; MARTINS et al., 2007). 2011), ocupa extensa área rebaixada entre o Golfão Ma- Esse conjunto de formas de relevo resulta do arrasa- ranhense e a divisa do estado do Pará, sendo sustentado mento generalizado de um complexo substrato geológico tanto pelo embasamento ígneo-metamórfico do Cráton São Luís quanto por coberturas sedimentares de idade cretácica da Formação Itapecuru. Essa nova proposta de denominação é justificada pelo fato de que esses terrenos transcendem à área drenada pelo rio Gurupi e abrangem, também, extensas porções das bacias hidrográficas dos rios Maracaçumé, Turiaçu e Pericumã, dentre as principais. Esse domínio é delimitado, a norte, pelas planícies fluviomarinhas das Reentrâncias Maranhenses; a leste, pelo Golfão e Baixada Maranhense; e a sul, pelo front entalhado do Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú. Por fim, esse domínio estende-se, a oeste, adentrando pelo território do Pará. É representado por extensa superfície arrasada por proces- sos de erosão generalizados do relevo, mantendo-se uma superfície de erosão conservada ou levemente reafeiçoada Figura 3.13 - Extensa superfície aplainada com relevo levemente durante o Quaternário, com caimento muito suave de sul ondulado. Rodovia BR-316, entre as localidades de Zé Doca e para norte, apresentando densidade de drenagem baixa Araguanã.. 43 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO que compreende arenitos arcoseanos, siltitos e argilitos da Esse domínio circunscreve um amplo arco voltado para Formação Itapecuru, que ocupam a maior parte da área, e norte que abarca a Baixada e o Golfão Maranhense e que rochas do Cráton São Luís. Esse cráton, estabilizado desde o adentra em direção a sul, pelo território do Maranhão, por Paleoproterozoico, é constituído, predominantemente, por dezenas de quilômetros até atingir localidades como Co- rochas ígneas da Suíte Intrusiva Tromaí (tonalitos, dioritos, roatá, Peritoró, Pedreiras, Paulo Ramos e Santa Luzia. Está granodioritos e monzogranitos). Em menor proporção, delimitado, a leste, pelos Lençóis Maranhenses; a sudeste, afloram rochas metavulcânicas, anfibolitos, quartzitos e pelas Superfícies Tabulares das Bacias dos Rios Itapecuru e xistos das formações Aurizona, Pirocaua, Matará e Chega- Munim; a sul e sudoeste, pelo front entalhado Planalto Dis- -Tudo. Ao redor do escudo cratônico, aflora uma faixa secado Gurupi-Grajaú; a oeste, pelas Superfícies Aplainadas de dobramentos, de idade neoproterozoica, constituída, do Noroeste do Maranhão. Consiste em extensa superfície predominantemente, por xistos e quartzitos das formações de erosão conservada ou levemente remodelada em colinas Gurupi e Jaritequara. muito amplas. Esse conjunto de superfícies aplainadas está Sobre esses terrenos desenvolve-se, originalmente, ajustado no nível de base do Golfão Maranhense e registra Floresta Ombrófila Densa de terras baixas (IBGE, 2011d), cotas muito baixas, que variam entre 10 e 70 m de altitude, assentada em solos drenados e de baixa fertilidade na- sem ocorrência expressiva de relevos residuais. tural, predominando Plintossolos Argilúvicos distróficos Sobre esses terrenos desenvolve-se, originalmente, e Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos e plínticos. vegetação transicional de mata de cocais (babaçu) e Flo- Ocorrem, subordinadamente, Latossolos Amarelos distró- resta Ombrófila Aberta (IBGE, 2011d). São solos modera- ficos, Plintossolos Pétricos e Argissolos Vermelhos distró- damente a bem drenados e de fertilidade natural que varia ficos. Nas amplas várzeas ao redor dos lagos de Pinheiro e conforme a fácies deposicional da Formação Itapecuru. Turilândia, assim como nos baixos cursos dos rios Gurupi Verifica-se predomínio de Plintossolos Argilúvicos distró- e Maracaçumé, desenvolvem-se solos hidromórficos, por ficos, Plintossolos Pétricos concrecionários argissólicos e vezes, com influência fluviomarinha, tais como Gleissolos Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos e plínticos e, Háplicos eutróficos, Gleissolos solódicos e vérticos e Gleis- subordinadamente, Plintossolos Háplicos distróficos. Nas solos Tiomórficos e Salinos (IBGE, 2011a). áreas abaciadas e inundáveis que ocorrem nas depressões Os terrenos representados pelas Superfícies Aplai- embutidas na superfície regional ou nos fundos de vales nadas do Noroeste do Maranhão apresentam-se, em dos rios principais, predominam solos hidromórficos, tais larga escala, desmatados e convertidos em pastagens como Gleissolos Háplicos eutróficos, Gleissolos solódicos para pecuária extensiva. As principais cidades que se e vérticos e Gleissolos Tiomórficos e Salinos (IBGE, 2011a). situam nesse domínio são: Araguanã, Nova Olinda do Curiosamente, extenso polígono centrado na cidade Maranhão, Santa Luzia do Paruá, Presidente Médici, de Bacabal, cujos vértices estão compreendidos entre as Governador Nunes Freire, Maracaçumé, Turilândia, Santa localidades de Pio XI, Lago Verde, Alto Alegre do Maranhão, Helena e Pinheiro. Lima Campos, Lago da Pedra e Brejo de Areia, apresenta solos de boa fertilidade natural e alto potencial agrícola, Superfície Sublitorânea de Bacabal com predomínio de Luvissolos Crômicos pálidos (Figura 3.16) e Luvissolos Háplicos órticos, bem como ocorrência de A Superfície Sublitorânea de Bacabal, seguindo de- Argissolos Vermelho-Amarelos eutróficos e Chernossolos nominação proposta por Barbosa e Novaes Pinto (1973), Argilúvicos órticos (IBGE, 2011a). representa um relevo monótono caracterizado por vastas O desenvolvimento desses solos em clima subúmido a superfícies de aplainamento (R3a2), com topografia plana úmido, tal como verificado nessa área, deve estar associado a levemente ondulada e, subordinadamente, por colinas à ocorrência de rochas que disponibilizem grandes quan- baixas e suaves (R4a1), modeladas em vales amplos com tidades de bases (K, Ca, Mg, Na) para gerar solos de alta baixa a moderada densidade de drenagem e padrão fertilidade natural (rochas carbonáticas, fosfáticas ou rochas dendrítico (Figura 3.14). Esse domínio circunda a Baixada pelíticas de ambiente redutor, ricas em argilominerais ex- Maranhense e representa uma verdadeira região mesopo- pansivos existentes no diversificado pacote sedimentar da tâmica, entrecruzada pelos rios Pindaré, Grajaú, Mearim e Formação Itapecuru). De qualquer forma, trata-se de área Itapecuru, todos convergentes ao Golfão Maranhense. A ideal para implementar projetos agrícolas com uso intensivo Mesopotâmia Maranhense constitui-se de terrenos planos, de mão de obra e baixo dispêndio de capital e tecnologia adjacentes às baixadas alagadas e às formações lacustres, (agricultura familiar) em detrimento do atual cenário de apresentando, inclusive, zonas abaciadas inundáveis em grandes pastagens para pecuária extensiva. seu interior (Figura 3.15). Tais superfícies aplainadas estão Dentre as principais localidades que se situam nesse embasadas integralmente por arenitos imaturos, calcários, domínio. destacam-se: Bacabeira, Rosário, Santa Rita, siltitos e argilitos de idade cretácica da Formação Itapecu- Itapecuru-Mirim, Miranda do Norte, São Mateus do Ma- ru. Frequentemente, esses terrenos estão revestidos com ranhão, Bacabal, Alto Alegre do Maranhão, Coroatá, Peri- perfis detrito-lateríticos imaturos no nível das superfícies toró, Lima Campos, Pedreiras, Trizidela do Vale, Lago dos de aplainamento. Rodrigues, Lago do Junco, Lago da Pedra, Paulo Ramos, 44 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA Vitorino Freire, Pio XII, Bela Vista do Maranhão, Santa Inês, Santa Luzia, Zé Doca, Pindaré-Mirim, Penalva e São Bento. Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio Parnaíba As Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio Parnaíba, seguindo denominação proposta por Ferreira e Dantas (2010) para o estado do Piauí, consistem em um conjunto de superfícies aplainadas em diferentes níveis altimétricos (R3a2), invariavelmente em cotas baixas, entre 30 e 200 m. No estado do Maranhão, esse domínio ocupa estreita e comprida faixa situada a oeste do rio Parnaíba, em seu Figura 3.14 - Superfície aplainada bem elaborada, apresentando baixo-médio curso, estando imediatamente delimitada por relevo quase plano e esparsos testemunhos, onde percorre a curtas escarpas e rebordos erosivos (R4e) dos Tabuleiros Estrada de Ferro Carajás-São Luís. Rodovia MA-333, entre as de Chapadinha e das Superfícies Tabulares das Bacias dos localidades de Anajatuba e Colombo.. Rios Itapecuru e Munim, além das Superfícies Tabulares do Rio Parnaíba, mais ao sul. Apenas no baixo curso do rio Parnaíba, a jusante da localidade de Milagres do Maranhão, esse domínio se encontra recoberto por expressiva sedi- mentação aluvial, gerando amplas planícies fluviais (R1a), que se interdigitam, ainda mais a jusante, com as planícies fluviomarinhas do Delta do Parnaíba. Essa área está embasada, fundamentalmente, por formações da sequência permocarbonífera da Bacia do Parnaíba (arenitos, folhelhos, siltitos e calcários, de idade carbonífera, das formações Poti e Piauí, e de idade permia- na, das formações Pedra de Fogo e Motuca). Entretanto, é notável a ausência de expressiva sedimentação ao longo do rio Parnaíba, podendo ser identificadas, esporadicamente, algumas planícies fluviais. Figura 3.15 - Vasta superfície aplainada com relevo suavemente Sobre essas superfícies aplainadas e ajustadas ao nível ondulado e ocorrência de esparsas elevações residuais e zonas de base do rio Parnaíba desenvolvem-se diversos tipos de abaciadas, alagáveis, similares à Baixada Maranhense. Argissolos solos, profundos a muito profundos, com concreções, bem Vermelhos e Vermelho-Amarelos nas suaves elevações (tesos) e drenados e com baixa fertilidade natural, como Plintossolos Gleissolos nos baixios e planícies fluviais. Rodovia BR-316, entre as localidades de Alto Alegre do Maranhão e Bacabal. Pétricos concrecionários argissólicos, Argissolos Vermelho- Amarelos distróficos e, até mesmo, Latossolos Amarelos distróficos (IBGE, 2011a). Os terrenos fortemente dissecados com morros-testemunhos e depósitos de tálus de sopé de encosta, por sua vez, apresentam solos jovens e rasos de boa fertilidade natural (Neossolos Litólicos e Cambissolos) (IBGE, 2011a). Nos fundos de vales, nas superfícies mais rebaixadas, entulhadas por deposição fluvial, e nas rampas de colúvio, embutidas em cotas mais baixas e com maior disponibilidade de água, com predomínio de Neossolos Flúvicos eutróficos e Planossolos Háplicos distróficos, observa-se a expansão do cultivo de cana-de-açúcar e de bambu, em detrimento de culturas de subsistência tradicionais e do babaçu, notadamente nos municípios de Duque Bacelar e Coelho Neto (ESPÍNDOLA, 1992), situados no médio vale do rio Parnaíba (Figura 3.17). Dentre as principais localidades que se situam nesse domínio, sempre às margens do rio Parnaíba, destacam- Figura 3.16 - Superfícies aplainadas com relevo levemente se: Santa Quitéria do Maranhão, Milagres do Maranhão, ondulado e desenvolvimento de solos de boa fertilidade natural. Brejo, Duque Bacelar, Coelho Neto, Timon, Parnarama, São Rodovia MA-245, entre as localidades de Bacabal e Lago da Pedra. Francisco do Maranhão e Barão do Grajaú. 45 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 3.18 - Superfície plana do topo dos baixos platôs capeada por espraiada cobertura neógena (NQc), convertida para Figura 3.17 - Amplo fundo de vale entulhado em meio a relevo de agricultura. Rodovia MA-034, entre as localidades de Caxias e colinas dissecadas, resultante do desmonte da superfície tabular Coelho Neto. pretérita, modelada em arenitos de idade permiana da formação Pedra de Fogo. Plantio de cana-de-açúcar em larga escala nas planícies quaternárias. Rodovia MA-034, próximo à localidade de Coelho Neto. Superfícies Tabulares das Bacias dos Rios Itapecuru e Munim As Superfícies Tabulares das Bacias dos Rios Itape- curu e Munim, denominação adaptada da proposta por IBGE (2011c), estão sustentadas, predominantemente, por arenitos cretácicos das formações Corda e Itapecuru, fre- quentemente capeadas por coberturas detrito-lateríticas. Secundariamente, afloram, em alguns fundos de vales, siltitos e arenitos finos, de idade permiana, da Formação Motuca, e folhelhos escuros ou esverdeados, calcários e siltitos de idade cretácica, da Formação Codó. Figura 3.19 - Baixos platôs incipientemente dissecados; Esse domínio está representado por extenso planalto desenvolvimento de Plintossolos Pétricos sobre arenitos finos alçado em altitudes modestas e submetido a processo da formação Corda. Rodovia BR-226, entre as localidades de Presidente Dutra e Baú. diferencial de entalhamento e denudação, promovendo progressiva destruição da superfície tabular original. Tal processo de dissecação do relevo ocorre, progressiva- mente, de sudeste para noroeste, em direção à Baixada Maranhense. Registram-se formas de relevo variadas que gradam, conforme a intensificação do processo denudacional, de baixos platôs (R2b1), caracterizados por superfícies tabu- lares conservadas (Figura 3.18), para baixos platôs disse- cados (R2b2), à medida que aumenta o grau de incisão vertical da rede de drenagem (Figura 3.19); em seguida, para colinas dissecadas (R4a2), a partir do estágio em que os divisores planos dos baixos platôs são erodidos (Figura 3.20); e em superfícies aplainadas degradadas (R3a2), onde se observa a consolidação de uma nova superfície de aplainamento rebaixada e ajustada ao nível de base do Golfão Maranhense, pontilhada por relevos residuais, Figura 3.20 - Colinas tabulares e morros-testemunhos testemunhos da superfície tabular pretérita. Essa superfície sustentados por crostas lateríticas (Plintossolos Pétricos) apresentam-se como relevos residuais em meio à ampla superfície é gerada a partir do espraiamento dos atuais fundos de de aplainamento. Rodovia BR-135, entre as localidades de Peritoró vales dos rios Munim, Iguara, Itapecuru, Codozinho e das e Capinzal do Norte. 46 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA Flores (esse último já afluente do rio Mearim) e coalesce por crostas pisolíticas, com ocorrência disseminada de com a Superfície Sublitorânea de Bacabal. morros-testemunhos modelados em rochas sedimentares O modelo de evolução de relevo descrito para esse que se ressaltam topograficamente na paisagem local. Essa domínio é calcado em progressivo desmantelamento de fase de laterização, que atua indistintamente sobre rochas um baixo planalto sustentado por crostas detrito-lateríticas da Formação Itapecuru e do Grupo Barreiras, atesta uma sobrepostas a arenitos friáveis fortemente intemperizados fase de pediplanação de idade neógena (Pliopleistoceno), e pode ser perfeitamente explicado por processos de correspondente à gênese dos lateritos imaturos registrados etchplanação em regiões tropicais úmidas e semiúmidas, no Pará (COSTA, 1991). conforme preconizado por Büdel (1982). As crostas laterí- Destaca-se, assim, intenso processo de desmantela- ticas retardam, sobremaneira, a erosão e denudação dos mento da superfície original dos baixos platôs, em reajuste baixos platôs, mas, a partir do estágio em que essa capa ao nível de base atual, condicionado pela drenagem protetora é removida, todo o regolito subjacente é erodido principal que deságua no Golfão Maranhense. Essa em um cenário de erosão acelerada e rápido reajuste ao superfície de baixos planaltos é, portanto, destruída por nível de base regional (Figura 3.21). densa rede de canais tributários dos rios Itapecuru e Ab’Saber (1960) já havia assinalado que entre Munim, gerando uma superfície aplainada interplanáltica Miranda do Norte e Peritoró o relevo estava sustentado ajustada ao nível de base regional, marcada pela ocorrência esparsa ou frequente de colinas isoladas de topos tabulares e morros-testemunhos que se impõem na paisagem como remanescentes da superfície tabular original. Essas superfícies tabulares, mesmo po- sicionadas em cotas bastante modestas (130 a 250 m), seriam correlacionáveis à Superfície Sul-Americana, de idade paleógena (BARBOSA et al., 1973). Os processos erosivos são signifi- cativos, em escala regional, devido à ocorrência de chuvas intensas e concentradas entre os meses de janeiro e abril. Esse domínio está delimitado, a leste e sudeste, pelas Superfícies Tabulares do Rio Parnaíba e Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio Parnaíba, em posição de cavaleiro; a sul, pelas Chapadas do Alto Rio Itapecuru; a sudo- este, pelos Baixos Platôs de Barra do Corda; a oeste, pelo Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú; a oeste e noroeste, pela Superfície Sublitorânea de Bacabal. Sobre esses terrenos desenvolvem-se, originalmente, cerrados e florestas estacionais decíduas a semidecíduas, ou formações tran- sicionais (IBGE, 2011d). Verifica-se, nos topos planos desses baixos platôs não dissecados, predomínio de solos muito profundos, bem drenados, bastante friáveis, de baixa fertilida- de natural (Latossolos Amarelos distróficos e, subordinadamente, Neossolos Quartzarênicos) (Figura 3.22). Estão associados a solos profun- Figura 3.21a/b - Modelo evolutivo do relevo do centro-leste do estado do dos, com presença de nódulos e concreções Maranhão, entre as cidades de Caxias e Bacabal, apresentando evolução por segregação de ferro (Plintossolos Pétricos geomorfológica similar ao modelo geral formulado por Büdel (1982): a leste, concrecionários). Constata-se, pontualmente, predominam as superfícies tabulares não dissecadas, sustentadas por crostas lateríticas resistentes ao intemperismo e à erosão (R2b1); à medida que se expansão das práticas agrícolas associadas à encaminham para o centro e o norte, esses baixos platôs são progressivamente supressão da vegetação original. Nos baixos entalhados para um relevo de baixos platôs dissecados (R2b2); a intensificação platôs dissecados e colinas tabulares, dominam do grau de dissecação promove o completo desmantelamento dos baixos platôs solos pouco profundos, em um cenário de para um relevo de colinas tabulares (R4a2) e morros-testemunhos (R3b); o arrasamento total da antiga superfície tabular gera, por fim, uma vasta superfície intensa morfogênese, tais como Plintossolos de aplainamento (R3a2) ajustada à Baixada Maranhense (R1d). Pétricos concrecionários argissólicos e Argisso- 47 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO los Vermelho-Amarelos plínticos, distróficos e eutróficos. Superfícies Tabulares Por fim, nas jovens superfícies aplainadas, desenvolvidas a da Bacia do Rio Parnaíba partir dos atuais fundos de vales, predominam Plintossolos Háplicos distróficos e eutróficos, Neossolos Quartzarênicos As Superfícies Tabulares da Bacia do Rio Parnaíba órticos e Planossolos Nátricos distróficos (IBGE, 2011a). Esse (denominação adaptada da proposta por IBGE, 2011c) último apresenta, além do gradiente textural abrúptico, estão representadas por uma superfície planáltica inten- concentrações mais elevadas de sódio que dispersam a samente dissecada, tanto por tributários do rio Parnaíba argila, formando um horizonte subsuperfical com estrutura quanto por tributários do rio Balseiro, afluente do rio prismática colunar de drenagem imperfeita. Itapecuru. Os remanescentes do planalto original (R2b3) A ocorrência de solos de boa fertilidade natural – Lu- e seus rebordos escarpados (R4e) estão soerguidos em vissolos Crômicos associados a Chernossolos Argilúvicos, cotas ligeiramente mais baixas (entre 400 e 450 m) que as Argissolos Vermelhos eutróficos e Vertissolos Háplicos – da Chapada do Azeitão, localizada a oeste desse domínio nas imediações das localidades de Presidente Dutra, São (Figura 3.23). Entretanto, o vigoroso processo de entalha- José dos Basílios e Tuntun, parece estar correlacionada ao mento e denudação promoveu a destruição da superfície afloramento de folhelhos e calcários da Formação Codó. tabular original em um relevo de baixos platôs com maior Dentre as principais localidades que se situam nesse ou menor intensidade de entalhamento fluvial (R2b2 e domínio, destacam-se: Codó, Afonso Cunha, Timbiras, R2b1). Nos eixos de drenagem, observa-se nítido processo Aldeias Altas, Caxias, Capinzal do Norte, Presidente Dutra, de pedimentação calcado em recuo de vertentes e aber- Tuntun, São Domingos do Maranhão e Buriti Bravo. tura de amplos vales (Figura 3.24), repetindo, em menor proporção, a dinâmica do relevo registrada nas Chapadas do Alto Rio Itapecuru. Tal processo de dissecação do relevo está diretamente relacionado ao rebaixamento do nível de base regional imposto pelo aprofundamento da calha do rio Parnaíba, embutido em cotas entre 150 e 200 m. No segmento mais encaixado do médio curso desse rio foi construída a Usina Hidrelétrica Boa Esperança, junto à localidade de Nova Iorque. Esse domínio está sustentado por um conjunto diversificado de litologias, compreendendo formações da sequência permocarbonífera da Bacia Sedimentar do Parnaíba (arenitos, folhelhos, siltitos e calcários, de idade carbonífera, das formações Poti e Piauí; de idade permiana, das formações Pedra de Fogo e Motuca; e de idade jurássi- ca, da Formação Pastos Bons). No topo dos planaltos mais elevados, afloram arenitos cretácicos da Formação Corda, frequentemente capeados por coberturas detrito-lateríticas. Essas superfícies tabulares consistem, portanto, em um prolongamento oriental das Chapadas do Alto Rio Itapecuru, todavia, pouco menos soerguidas e muito mais dissecadas. Ao norte, esse domínio está delimitado pelas Superfícies Tabulares do Rio Itapecuru; a leste e sudeste, pelas Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio Parnaíba, na divisa com o Piauí. Sobre esses terrenos desenvolvem-se, originalmente, cerrados e campos-cerrados, intercalados com manchas de floresta estacional decídua (IBGE, 2011d). Essas pastagens naturais representaram um histórico vetor de povoamento empreendido pela frente pecuária vinda de Pernambuco e Piauí em tempos coloniais, principalmente no século XVIII (FEITOSA, 1983; TROVÃO, 2008). Verifica-se, nos topos planos das superfícies planálticas, mais ou menos dissecadas, predomínio de solos espessos, bem drenados e com baixa fertilidade natural (Latossolos Amarelos distróficos), Figura 3.22 - Solos profundos, lixiviados e bem drenados (Latossolos Amarelos), desenvolvidos em relevo de baixos platôs frequentemente pouco profundos e cascalhentos, devido à sustentados por coberturas detríticas de idade neógena. Rodovia presença de nódulos ferruginosos, denominados petroplintita BR-316, entre as localidades de Timon e Caxias. (Plintossolos Pétricos concrecionários). Subordinadamente, 48 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA por epirogênese e bruscamente delimitadas em rebordos erosivos, por onde se encaixam vales incisos e aprofun- dados apresentando desnivelamentos locais, por vezes, superiores a 100 m (Figura 3.25). Esses planaltos (R2b1 e R2b3) estão alçados, irregularmente, em cotas altimétricas diferenciadas, sendo crescentes de leste a oeste, variando entre 200 e 450 m. O planalto dissecado se destaca topo- graficamente dos relevos planos ou aplainados da Baixada Maranhense, da Superfície Sublitorânea de Bacabal e da Superfície Aplainada do Noroeste do Maranhão, situados a norte e nordeste, por um front movimentado de colinas dissecadas e morros (R4a2 e R4b) (Figura 3.26). Os interflúvios localizados na porção leste desse do- mínio, que abrangem os vales dos rios das Flores, Mearim, Grajaú e Zutiua, modelados em cotas mais modestas, Figura 3.23 - Rebordo erosivo da chapada do Azeitão voltado apresentam predomínio de baixos platôs (R2b1) e baixos para o vale do rio Parnaíba, junto à represa de Boa Esperança. Espesso pacote de calcarenitos finos, calcilutitos e folhelhos da platôs dissecados (R2b2), francamente entalhados por uma formação Pastos Bons. Rodovia MA-369, entre as localidades de Pastos Bons e Nova Iorque. Figura 3.25 - Vale encaixado do rio Buriticupu, tributário do rio Pindaré, em meio à superfície planáltica, registrando amplitude Figura 3.24 - Relevo bimodal de platôs e superfícies aplainadas local de relevo em torno de 80 m. Rodovia BR-222, desfeitas em relevo plano ou suave colinoso. Rodovia BR-230, entre junto à localidade de Buriticupu. as localidades de Pastos Bons e São João dos Patos. ocorrem solos com gradiente textural, bem drenados e profundos (Argissolos Amarelos e Vermelho-Amarelos distróficos). No domínio das vertentes e nos fundos de vales esvaziados, predominam solos rasos e pouco profundos, com concreções ferruginosas, em um cenário de intensa morfogênese: Neossolos Litólicos distróficos e Plintossolos Pétricos concrecionários (IBGE, 2011a). Nesse domínio, sobressaem-se as localidades de Nova Iorque, Orozimbo, Paraibano, São João dos Patos e Sucupira do Riachão. Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú O Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú (seguindo denominação proposta por IBGE, 2011c) ocupa o setor Figura 3.26 - Relevo profundamente dissecado em morros tabulares no front dos baixos platôs dissecados no interflúvio entre centro-ocidental do estado do Maranhão e está represen- os rios Mearim e Grajaú; erosão laminar frequente. tado por um conjunto de superfícies tabulares elevadas Rodovia MA-245, próximo à localidade de Lago da Pedra. 49 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO rede de drenagem de média a alta densidade e padrão superfícies correspondem à superfície cimeira regional e à subdendrítico a treliça, o que evidencia algum controle mais antiga superfície de aplainamento, que remontam ao estrutural nos processos de dissecação desses baixos pla- Paleógeno, evocando o pediplano Pd3, segundo Bigarella naltos. Apenas os fundos de vales dos rios Mearim e Grajaú et al. (1965). O desenvolvimento de espessos perfis laterí- apresentam amplas planícies fluviais. ticos aluminoferruginosos, que se estendem para os baixos Os interflúvios localizados na porção oeste desse planaltos bauxíticos de Paragominas, no Pará, atestam a domínio, por sua vez, abrangem os vales dos rios Zutiua, antiguidade dessas superfícies. Buriticupu, Pindaré, Açailândia e Gurupi e são modelados Essas superfícies são sustentadas, indistintamente, por em cotas mais elevadas, apresentando predomínio de espessos perfis lateríticos maturos, aluminoferruginosos, planaltos mais elevados (R2b3), profundamente sulcados similares aos descritos no nordeste do Pará (KOTSCHOU- em íngremes vales encaixados (R4f), entalhados também BEY et al., 2005; KOTSCHOUBEY; TRUCKENBRODT, 1981). por densa rede de drenagem padrão subdendrítico a tre- Essas couraças ferruginosas formam duras cornijas que liça. Desse modo, revela-se um cenário de uma superfície retardam o processo de desmantelamento e destruição soerguida recentemente durante o Neógeno, tendo em dos planaltos pela ação erosiva. Sotopostos aos espessos vista a deposição de coberturas terciárias revestindo o topo perfis lateríticos, jazem os arenitos cretácicos das formações desses planaltos (Figura 3.27). Atualmente, essas superfí- Itapecuru e Ipixuna. cies são fortemente dissecadas, denunciando um processo Analisando esse domínio de forma mais detalhada, enérgico de erosão fluvial em escala regional por meio da ressalta-se um relevo movimentado, caracterizado por fran- incisão vertical dos canais-tronco e reajuste do sistema de ca dissecação de extensas superfícies planálticas alçadas em drenagem ao nível de base local rebaixado. Nesse caso, cotas relativamente modestas. Nesse cenário, destacam-se apenas os fundos de vales dos rios Pindaré e Buriticupu quatro padrões morfológicos: (i) topos planos dos baixos apresentam amplas planícies fluviais. platôs, recobertos por solos espessos e bem drenados, Esse domínio representa o prolongamento, a leste, como Latossolos, sendo os mais elevados posicionados em dos baixos platôs de Paragominas, no estado do Pará, e é cotas entre 250 e 400 m de altitude, tais como a serra de delimitado, a norte e nordeste, pelas Superfícies Aplainadas Tiracambu e o planalto onde estão assentadas as localidades do Noroeste do Maranhão e Superfície Sublitorânea de de Buriticupu e Bom Jesus das Selvas; (ii) patamares estru- Bacabal; a leste, pelas Superfícies Tabulares da Bacia do turais, posicionados em cotas intermediárias, resultantes da Rio Itapecuru; a sul, pelos Baixos Platôs de Barra do Corda dissecação diferencial do planalto sedimentar; (iii) vertentes e pela Depressão do Médio Vale do Rio Tocantins. O topo circunjacentes fortemente entalhadas, que, devido ao recuo desses planaltos representa um conjunto de extensas áreas progressivo dos declivosos rebordos erosivos, vêm destruin- planas com cotas escalonadas, devido ao processo diferen- do as baixas superfícies planálticas; esse relevo, localmente cial de soerguimento epirogenético, e estão correlacionadas acidentado, caracteriza-se por colinas e morros dissecados a uma superfície de idade paleógena (BARBOSA et al., com vertentes declivosas, esculpidas por vales incisos com 1973). Marçal e Guerra (2003) também sugerem que essas alta densidade de drenagem e padrão subdendrítico a treli- ça, o que denota expressivo controle estrutural no processo de esculturação do relevo regional; (iv) superfícies ondula- das, aplainadas ou reafeiçoadas em formas colinosas, que se espraiam pelos fundos de vales (Figura 3.28). Segundo Marçal e Guerra (2003), o relevo de colinas amplas ou aplainado, embutido entre os baixos platôs, con- siste na zona mais desmatada e suscetível à ocorrência de processos erosivos em escala regional. Castro et al. (2006) destacam a ocorrência de processos de erosão induzida pela Rodovia BR-222 em Açailândia (Figura 3.29). A recente obra de alargamento dessa rodovia, que interliga São Luís e Açailândia, expõe diversos trechos suscetíveis a processos de erosão laminar, ravinamentos e deslizamentos rasos ao longo dos taludes recém-implantados (Figura 3.30). Esse fato demonstra a fragilidade geotécnica dos mantos de intemperismo dos arenitos das formações Itapecuru e Ipixuna, quando esses regolitos estão situados em relevo Figura 3.27 - Perfil de alteração do arenito Itapecuru, sotoposto acidentado de colinas e morros dissecados. à cobertura terciária amarela argiloarenosa (em torno de 4 m de Sobre esses terrenos desenvolve-se, originalmente, espessura). No meio, espessa crosta detrito-laterítica (1 a 1,5 m de espessura); relevo plano em vastas extensões dos topos de platôs. Floresta Ombrófila Densa submontana, gradando para Rodovia BR-222, entre as localidades de Buriticupu e Bom Jesus das Floresta Estacional Semidecídua, em direção a leste (IBGE, Selvas. 2011d). São solos bem drenados e de baixa fertilidade 50 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA natural, argilosos, espessos e lixiviados, em clima equatorial Os terrenos representados pelo Planalto Dissecado úmido a subúmido. Sobre os topos planos das superfícies Gurupi-Grajaú estão, em sua porção oeste, inseridos em planálticas predominam Latossolos Amarelos distróficos. terrenos florestados da Amazônia Oriental, onde subsistem Ocorrem, subordinadamente, Argissolos Vermelho- alguns dos principais fragmentos florestais do estado do Amarelos distróficos e Latossolos Amarelos petroplínticos. Maranhão. Dentre as principais cidades que se localizam Nos baixos platôs dissecados e nas encostas dos vales nesse domínio, destacam-se: Itinga do Maranhão, Bom escavados, os solos são menos profundos e lixiviados, Jesus das Selvas, Buriticupu, Arame, Itaipava do Grajaú, destacando-se Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos e Jenipapo dos Vieiras, Lagoa Grande do Maranhão e Es- eutróficos e Argissolos Vermelhos eutróficos. Nos fundos de perantinópolis. vales dos médios cursos dos rios Pindaré, Grajaú e Mearim, por sua vez, predominam Neossolos Flúvicos eutróficos e Baixos Platôs de Barra do Corda Gleissolos Háplicos distróficos (IBGE, 2011a). Os Baixos Platôs de Barra do Corda (denominação adaptada da proposta por IBGE, 2011c) consistem em um conjunto de extensas superfícies planálticas pouco dissecadas (R2b1) e posicionadas, invariavelmente, em cotas baixas, entre 150 e 250 m. Esses baixos platôs são entalhados por uma rede de drenagem dendrítica a sub- dendrítica, de baixa a moderada densidade. Em restritas porções com alta densidade de drenagem, os baixos platôs estão francamente dissecados (R2b2), em relevo de colinas tabulares. Ab’Saber (1960) descreveu a ocorrência de “pe- quenos canyons” ladeados por encostas muito íngremes próximo à Barra do Corda. De fato, os canais principais que atravessam esse domínio, em especial, os rios Mearim, Figura 3.28 - Modelo esquemático da configuração geoecológica Corda e das Flores, escavam canais incisos e encaixados, do planalto dissecado Gurupi-Grajaú, embasado por arenitos o que denuncia um processo enérgico de erosão fluvial arcoseanos de idade cretácica da formação Itapecuru (Kit): em escala regional, devido a processos de epirogênese topos de platôs sustentados por crostas lateríticas (ENd) e desenvolvimento de solos profundos e bem drenados (Latossolos durante o Neógeno e o consequente reajuste do sistema Amarelos distróficos – LAd); intensa dissecação em vales de drenagem ao nível de base local rebaixado (Figura 3.31), entalhados, exibindo vertentes declivosas e processos de erosão em situação muito similar à do vizinho Planalto Dissecado em área de solos menos espessos (Argissolos Vermelhos eutróficos Gurupi-Grajaú. Junto à cidade de Barra do Corda, os tal- –PVe); fundos de vale apresentam expressiva sedimentação aluvionar e solos de boa fertilidade natural, com predomínio de vegues dos rios Corda e Mearim estão entalhados a mais Neossolos Flúvicos eutróficos e vérticos (RYve). de 50 m da superfície do baixo platô, em um vale inciso e Figura 3.29 - Voçorocamento generalizado ao longo Figura 3.30 - Taludes íngremes e aterros de estrada sobre mantos da rodovia BR-222; erosão linear e laminar acentuada de alteração com alta suscetibilidade à erosão dos arenitos em áreas de colinas e morros muito dissecados; solos estratificados da formação Itapecuru em relevo de morros e mantos de intemperismo do arenito Itapecuru dissecados francamente entalhado por rede de canais de alta apresentando alta vulnerabilidade à erosão. Rodovia BR- densidade de drenagem. Rodovia BR-222, entre as localidades de 222, entre as localidades de Santa Luzia e Buriticupu. Santa Luzia e Buriticupu. 51 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO sedimentação aluvial ausente. Entretanto, cabe salientar rem Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos e Neossolos que esse domínio apresenta relevos menos vigorosos e Quartzarênicos órticos. Esse domínio, originalmente reco- cotas mais modestas em relação ao planalto supracitado. berto por florestas estacionais decíduas e cerrados (IBGE, No estado do Maranhão, esse domínio ocupa uma 2011d), representa áreas de recente expansão da fronteira pequena área central, estando delimitado, a norte, pelo agrícola, no qual o cerrado nativo está sendo convertido Planalto Dissecado Gurupi-Grajaú; a leste, pelas Superfí- em plantações de soja e milho (Figura 3.32). Nos terrenos cies Tabulares das Bacias dos Rios Itapecuru e Munim; a mais movimentados dos baixos platôs dissecados, predo- sul, pelas Chapadas do Alto Rio Itapecuru; a oeste, pela minam Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos. Secun- Depressão do Médio Vale do Rio Tocantins. dariamente, ocorrem solos de boa fertilidade natural, tais Essa área está embasada, fundamentalmente, por como Argissolos Vermelho-Amarelos eutróficos e Luvissolos rochas sedimentares cretácicas da Bacia Sedimentar do Crômicos Háplicos (IBGE, 2011a). Parnaíba, abrangendo arenitos fluvioeólicos ortoquartzíti- Dentre as localidades que se situam nesse domínio cos da Formação Corda, arenitos finos da Formação Grajaú destacam-se: Barra do Corda, Grajaú e Fernando Falcão. e arenitos e argilitos da Formação Itapecuru. Destaca-se, todavia, amplo predomínio dos arenitos da Formação Chapadas do Alto Rio Itapecuru Grajaú. Frequentemente, os topos planos dos baixos platôs encontram-se sustentados por perfis lateríticos e recobertos As Chapadas do Alto Rio Itapecuru (seguindo deno- por coberturas sedimentares de idade neógena. minação proposta por IBGE, 2011c) representam um relevo Sobre as superfícies planas dos baixos platôs desen- caracterizado por um conjunto de superfícies planálticas volvem-se, predominantemente, Latossolos Amarelos e de extensos topos planos e não dissecados (R2b3) – cha- Vermelho-Amarelos distróficos. Subordinadamente, ocor- padões – que se destacam, topograficamente, por meio de escarpas rochosas (R4e), cerca de 150 a 250 m acima do nível de base regional demarcado pelas superfícies aplainadas (R3a2), desenvolvidas a partir da abertura dos principais vales na região e do recuo regressivo das escar- pas de borda de chapada. Destacam-se, nesse contexto, as chapadas das Alpercatas, Itapecuru, das Crueiras, serra Negra, do Agreste e do Azeitão (ALCÂNTARA, 2004; SILVA; CONCEIÇÃO, 2011), onde se ressalta o desenvolvimento de crostas ferruginosas no topo (Figura 3.33). Esse conjunto de chapadas é individualizado por vales abertos e aprofundados dos rios Itapecuru, Alpercatas, Neves, das Balsas, do Balseiro, alto curso dos rios Mea- rim e Parnaíba, revestidos por depósitos pedimentares e aluviões (BARBOSA et al., 1973) (Figura 3.34). Apenas os vales dos rios Itapecuru e Mearim, em direção aos seus Figura 3.31 - Vale encaixado do rio Grajaú, ladeado por vertentes médios cursos, apresentam reafeiçoamento nítido, onde a declivosas, próximo ao sítio urbano da cidade homônima. Figura 3.33 - Rebordo erosivo de topo de chapada sustentada por crostas lateríticas ou arenitos duros da formação Sambaíba; encostas declivosas que mergulham para as superfícies aplainadas, Figura 3.32 - Topo dos baixos platôs incipientemente dissecados modeladas em relevo de topografia suave ondulada. com plantio de soja. Rodovia BR-226, entre as localidades de Rodovia BR-230, entre as localidades de São Raimundo Grajaú e Lajeado Novo. das Mangabeiras e São Domingos do Azeitão. 52 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA frequentemente capeados por coberturas detrito-lateríticas, onde se desenvolvem solos muito profundos, bem drenados, muito friáveis (Latossolos Amarelos e Vermelho-Amarelos distróficos). Nos amplos fundos de vales que circundam esse conjunto de chapadas, afloram os arenitos eólicos ortoquartzíticos de ida- de triássica da Formação Sambaíba e os derrames vulcânicos e intrusões de idade jurocretácica (basaltos e gabros) das formações Mosquito e Sardinha (Figuras 3.35 e 3.36). Devido a tais características geoló- gicas e pedológicas, esses terrenos apre- sentam grande potencial hidrogeológico Figura 3.34 - Imagem em relevo sombreado das chapadas das Alpercatas, Crueiras, (ALCÂNTARA, 2004). Os topos das escar- Itapecuru e Azeitão (cor marrom), abruptamente delimitadas por curtas escarpas e pas formam cornijas resistentes mantidas rebordos erosivos; desenvolvimento de amplos fundos de vales aplainados (cor lilás) por arenitos silicificados intertrapp ou por dos rios Itapecuru, Alpercatas e Neves, ajustados ao nível de base regional. crostas lateríticas que sustentam o topo das chapadas. superfície aplainada é desfeita em relevo colinoso (R4a2), Essas superfícies tabulares, alçadas em cotas altimé- como registrado no fundo de vale do rio Itapecuru, junto tricas elevadas (450 a 650 m), comparadas ao conjunto às cidades de Mirador e Colinas. No vale do rio Balseiro, hipsométrico do estado do Maranhão, podem ser con- situado na porção leste desse domínio, predomina relevo sideradas fragmentos de antiga e vasta superfície de de baixos platôs (R2b1), articulado com as Superfícies aplainamento gerada durante o Paleógeno, correlacio- Tabulares do Rio Itapecuru. nável à Superfície Sul-Americana (BARBOSA et al. 1973). Esse domínio está situado na porção sudeste do estado Registra-se ligeiro gradiente de oeste para leste, onde os do Maranhão e delimita-se, a oeste, com a Depressão do topos planos das chapadas da Serra Negra e das Crueiras Médio Vale do Rio Tocantins; a norte, com os Baixos Platôs de (650-600 m) são claramente mais elevados em relação aos Barra do Corda; a nordeste, com as Superfícies Tabulares da topos das chapadas do Agreste e do Azeitão (500-450 m). Bacia do Rio Itapecuru; a sul, com a Depressão Interplanáltica Tal fato reflete um soerguimento epirogenético diferencial de Balsas; a sudeste e leste, com as Superfícies Tabulares do da antiga “planície paleógena”, com basculamento mais Rio Parnaíba, na divisa com o Piauí. acentuado em seu bordo ocidental. O piso dos vastos Esse relevo de imponentes chapadões encontra-se fundos de vales aplainados, por sua vez, está embutido embasado por arenitos cretácicos da Formação Corda, em cotas que variam entre 350 e 200 m de altitude, com Figura 3.35 - Relevo das chapadas do alto rio Itapecuru Figura 3.36 - Manto de intemperismo derivado da decomposição caracterizado por extensas superfícies planas sustentadas por química de sills de diabásio da formação Sardinha que intrudiram cornijas lateríticas ou de arenitos silicificados e demarcadas por arenitos e pelitos da formação Pastos Bons; desenvolvimento de abruptas escarpas; observam-se, claramente, processos de abertura solos profundos, com cerosidade abundante, de boa fertilidade e alargamento de vales, recuo lateral das vertentes, geração de natural. Rodovia MA-270, entre as localidades de Mirador e pedimentos e formação de inselbergs (modelo King). regional. Colinas. 53 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO cotas progressivamente decrescentes, à medida que os Depressão do Médio Vale do Rio Tocantins fundos de vales convergem a jusante nos canais-tronco. Verifica-se, nos topos planos dos chapadões, A Depressão do Médio Vale do Rio Tocantins, outrora predomínio de solos muito profundos, bem drenados e de denominada Depressão Ortoclinal do Tocantins por Bar- baixa fertilidade natural (Latossolos Vermelho-Amarelos bosa et al. (1973), é representada por vasta superfície de distróficos e, subordinadamente, Latossolos Amarelos aplainamento pontilhada por relevos residuais sob forma de distróficos e Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos). mesetas e morros-testemunhos (Figura 3.38), apresentan- Nas vertentes escarpadas dos rebordos dos chapadões do caimento geral de leste para oeste em direção à calha prevalecem solos rasos, como Neossolos Litólicos do rio Tocantins, sendo drenados pelos vales dos rios dos distróficos e, subordinadamente, Argissolos Vermelho- Martírios, Cacau, Campo Alegre, Arraias, Lajeado, Itauei- Amarelos distróficos, Plintossolos Pétricos e Afloramentos ras, Sereno e Manuel Alves Grande (todos afluentes do rio de Rocha. Nas superfícies aplainadas, geradas a partir Tocantins), além dos altos cursos dos rios Pindaré e Grajaú. dos atuais fundos de vales, predominam Latossolos Esse domínio se estende por uma comprida faixa de Vermelho-Amarelos, Latossolos Amarelos e Latossolos direção norte-sul, que abrange o sudoeste do estado do Vermelhos distróficos e Neossolos Quartzarênicos Maranhão. Neste mapeamento, abrange a Depressão de órticos (IBGE, 2011a). Esses últimos estão diretamente Imperatriz, o Patamar de Porto Franco e a Superfície de associados ao intemperismo do arenito eólico Sambaíba. Carolina, individualizados por IBGE (2011c). Esse domínio Subordinadamente, ocorrem solos de boa fertilidade delimita-se, a norte, com o Planalto Dissecado Gurupi- natural, tais como Nitossolos Vermelhos eutróficos, Grajaú; a leste, com os Baixos Platôs de Barra do Corda e também atrelados ao afloramento de rochas vulcânicas as Chapadas do Alto Rio Itapecuru. Em seu interior, estão das formações Mosquito e Sardinha. inseridas as Chapadas e Mesetas de Estreito-Carolina. A Esses terrenos inserem-se no domínio dos cerrados, sul e a oeste, o domínio se estende, em larga escala, pelo com predomínio de cerrados e cerradões nos topos das estado do Tocantins. chapadas e de campos-cerrados nos fundos de vales Seu relevo é constituído por extensas superfícies de abertos (IBGE, 2011d). Tradicionalmente, essa região foi aplainamento (R3a2), por vezes, ligeiramente retocadas por desbravada e ocupada pela pecuária extensiva. Todavia, uma rede de drenagem de baixa densidade, todavia, sem verifica-se recente expansão do agronegócio. Embora de perder seu caráter aplainado (Figura 3.39). De forma espar- forma incipiente, os cultivos consorciados de soja, milho e sa, ocorrem baixos platôs (R2b1), ligeiramente ressaltados sorgo começam a transformar o espaço geográfico regio- topograficamente. Nos divisores rebaixados entre a bacia nal ainda caracterizado pelas belas paisagens naturais dos do rio Tocantins e as bacias dos rios Açailândia e Pindaré, chapadões revestidos por cerrados (Figura 3.37). predominam terrenos modelados em colinas com grau Dentre as localidades que se situam nesse domínio, variável de dissecação (R4a1 e R4a2), ocorrendo, também, destacam-se: Formosa da Serra Negra, Fortaleza dos No- esparsas serras alinhadas e pequenas cristas (R4b), que se gueiras, São Domingos do Azeitão, Pastos Bons, Sucupira destacam em cotas mais elevadas na paisagem regional. do Norte, Mirador, Colinas, Passagem Franca e Lagoa do Destaca-se, ainda, a planície aluvial do rio Tocantins (R1a), Mato. que ocorre de forma descontínua ao longo de seu fundo de vale. Em um dos estrangulamentos rochosos, inclusive, foi construída a Usina Hidrelétrica Estreito, sobre rochas vulcânicas da Formação Mosquito. Entretanto, essa planície torna-se bem mais larga em seu baixo curso, próximo à con- fluência do rio Araguaia, a jusante da cidade de Imperatriz. Esse conjunto de formas de relevo resulta do arra- samento generalizado do substrato geológico de uma sequência vulcanossedimentar permocretácica da Bacia Sedimentar do Parnaíba que inclui: siltitos, folhelhos, are- nitos e silexitos das formações Motuca e Pedra de Fogo; arenitos e argilitos das formações Corda e Itapecuru; derra- mes basálticos, em parte zeolíticos, da Formação Mosquito. As zeólitas, encontradas tanto nos basaltos (Figura 3.40) quanto nos arenitos sobrejacentes da Formação Corda, representam jazidas promissoras para incorporação de nutrientes minerais aos solos (insumos agrícolas), utilizando técnicas de rochagem. Figura 3.37 - Topo de chapada com relevo plano, convertido Sobre esse conjunto de litologias desenvolveu-se em plantação de soja em Latossolos. Rodovia MA-006, entre as um aplainamento generalizado do relevo e um evento localidades de Fortaleza dos Nogueiras e Balsas. de laterização durante o Neógeno, que geraram perfis 54 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA lateríticos imaturos. Tais perfis ocorrem de forma esparsa ressaltados na paisagem regional sob a forma de baixos nesse domínio (principalmente, nos altos cursos dos rios platôs não dissecados, poucas dezenas de metros acima Lajeado e Itaueiras e no vale do rio Manuel Alves, na do piso da superfície de aplainamento regional (Figuras divisa com o estado do Tocantins) e estão, atualmente, 3.41 e 3.42). Figura 3.38 - Morro- testemunho de notável beleza cênica, sustentado por arenitos eólicos da formação Sambaíba, em meio às superfícies aplainadas. Rodovia BR- 230, entre as localidades de Carolina e Riachão. Figura 3.39 - Vasta superfície aplainada, com relevo levemente Figura 3.40 - Zeólitas em área de afloramento de basalto ondulado, modelado em arenitos finos interestratificados com da formação Mosquito intertrapeado com quartzoarenito de argilitos da formação Motuca, de idade permiana. Rodovia BR-230, ambiente fluvioeólico da formação Corda. Estrada vicinal nas entre as localidades de Carolina e Riachão. imediações da Rodovia BR-010, entre as localidades de Governador Edson Lobão e Ribamar Fiquene. Figuras 3.41 e 3.42 - Superfície aplainada degradada em relevo suave ondulado, com desenvolvimento de Plintossolos Háplicos com horizontes superficiais erodidos; desenvolvimento de perfil laterítico com geração de horizonte mosqueado (plintita) a partir de processos intempéricos de dessilicificação e alitização do regolito. Rodovia BR- 010, nas cercanias da cidade de Imperatriz. 55 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Esses terrenos aplainados apresentam cotas baixas, distróficos. Ocorrem, subordinadamente, Neossolos Quart- que variam entre 150 e 350 m, sendo que tais cotas são zarênicos órticos, Plintossolos Pétricos concrecionários, progressivamente mais elevadas de norte para sul, se- Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos e Neossolos guindo, em linhas gerais, o curso do vale do rio Tocantins. Litólicos distróficos (IBGE, 2011a). As planícies aluviais do baixo rio Tocantins encontram-se A partir da segunda metade do século XX, a região de embutidas em cotas ainda mais baixas, entre 100 e 150 m. Imperatriz e Açailândia tem experimentado uma aceleração Os baixos platôs e as serras ou chapadas esparsas, por sua do povoamento a partir da construção da Rodovia Belém- vez, atingem cotas mais expressivas, entre 350 e 600 m, Brasília (BR-010) e da Estrada de Ferro Carajás-São Luís, destacando-se, portanto, na paisagem regional. promovendo o desmatamento irrefreável da franja oriental Na porção norte do domínio, acima da latitude de Im- da Floresta Amazônica no sudeste do Pará e no oeste do peratriz, desenvolve-se, originalmente, Floresta Ombrófila Maranhão. Tal processo de desmatamento, iniciado na Aberta em clima subequatorial úmido. Ao sul de Imperatriz década de 1960 e incrementado nas décadas de 1980 e prevalecem Floresta Estacional Semidecídua e as formações 1990, está associado ao avanço do extrativismo (atuação de transicionais, e, em seguida, predomina o cerrado, já sob madeireiras) e da fronteira agropecuária e, posteriormente, domínio climático tropical semiúmido (IBGE, 2011d). à instalação de guserias movidas a carvão vegetal (MARÇAL Tal variabilidade geológica e climatobotânica explica et al., 2001). Recentemente, a silvicultura de eucalipto vem a grande profusão de solos desenvolvidos na região. De ocupando extensas áreas dos baixos platôs do oeste do forma geral, podemos subdividir a Depressão do Médio Maranhão, com o objetivo precípuo de fornecer carvão Vale do Rio Tocantins maranhense em três domínios mor- vegetal às guserias e minimizar a pressão econômica sobre fopedológicos: os remanescentes florestais na região. Acima da latitude de Ribamar Fiquene e o vale do As principais cidades que se localizam na Depressão rio Arraias, incluindo a cidade-polo de Imperatriz, predo- do Médio Vale do Rio Tocantins são: São Pedro da Água minam solos profundos, friáveis e muito lixiviados, sob Branca, Vila Nova dos Martírios, Cidelândia, Imperatriz, forte atuação de intemperismo químico em ambiente de Davinópolis, João Lisboa, Senador La Roque, Buritirana, florestas úmidas. Destacam-se, nesse contexto, Argissolos Amarante do Maranhão, Governador Edson Lobão, Montes Vermelho-Amarelos e Amarelos distróficos e Latossolos Altos, Sítio Novo, Ribamar Fiquene, Campestre do Mara- Amarelos e Vermelho-Amarelos distróficos. Ocorrem, nhão, Lajeado Novo, Porto Franco, Estreito, São João do também, Plintossolos Háplicos distróficos, Neossolos Quart- Paraíso, Feira Nova do Maranhão, São Pedro dos Crentes, zarênicos órticos e manchas de solos de boa fertilidade Carolina e Riachão. natural, Luvissolos Háplicos e Chernossolos Argilúvicos (particularmente, entre as localidades de Imperatriz e Chapadas e Mesetas de Estreito-Carolina Cidelândia, embasadas por folhelhos da Formação Codó (IBGE, 2011b)). Na planície aluvionar do baixo rio Tocantins, As Chapadas e Mesetas de Estreito-Carolina, predominam solos estratificados, profundos e com boa denominadas Chapadas e Planos do Rio Farinha por fertilidade natural (Neossolos Flúvicos eutróficos) e solos IBGE (2011c), consistem em antiga superfície planáltica, maldrenados, sujeitos a inundações frequentes (Gleissolos intensamente entalhada e fragmentada, submetida a Háplicos distróficos) (IBGE, 2011a). processos de pediplanação, resultando em uma sucessão Entre as localidades de Ribamar Fiquene e Estreito, de morros-testemunhos, mesas, mesetas e platôs isolados predominam solos muito profundos, todavia, menos (R2b3), em meio a vastas superfícies de aplainamento lixiviados, sob moderada atuação de intemperismo químico (R3a2) desenvolvidas por intermédio do recuo lateral em ambiente de florestas estacionais e cerradões. Destacam- das escarpas de borda de chapada (Figuras 3.43 e 3.44). se, nesse contexto, Argissolos Vermelhos distróficos e Salienta-se, ainda, a frequente ocorrência de níveis de base Nitossolos Vermelhos distróficos e eutróficos, sendo esses locais (cachoeiras), associados à erosão diferencial nos últimos derivados da decomposição dos basaltos da Formação perfis longitudinais dos canais por diversos condicionantes Mosquito. Também são relevantes Vertissolos Ebânicos, litoestruturais. Tais feições residuais apresentam topos em áreas abaciadas, e Neossolos Litólicos distróficos, em planos a convexos, frequentemente sustentados por terrenos íngremes. Ocorrem, subordinadamente, Argissolos cornijas e paredões rochosos subverticais, apresentando Vermelho-Amarelos distróficos, Latossolos Vermelho- notável beleza cênica e grande potencial geoturístico. Nesse Amarelos distróficos, Neossolos Quartzarênicos órticos e domínio, está inserido o Parque Nacional da Chapada das Plintossolos Háplicos distróficos (IBGE, 2011a). Mesas. No extremo sudoeste do estado, entre as cidades de As superfícies aplainadas estão posicionadas, invaria- Carolina e Riachão e a calha do rio Manuel Alves Grande, velmente, em cotas baixas, entre 200 e 350 m. Entretanto, predominam solos pouco profundos e fortemente lateriza- os topos das mesas e dos curtos platôs estão alçados dos em clima estacional seco-úmido, típico dos cerrados. em cotas mais imponentes, que atingem 450 a 600 m, Destacam-se, nesse contexto, Plintossolos Háplicos distrófi- e abruptos desnivelamentos locais, em torno de 150 a cos e, em menor proporção, Latossolos Vermelho-Amarelos 200 m. As cornijas que encimam e sustentam o topo das 56 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA mesas podem ser constituídas tanto por quartzoarenitos Sobre essas superfícies planálticas constituídas por endurecidos, por vezes, silicificados, quanto por derrames chapadas e mesas desenvolvem-se, predominantemente, basálticos. Neossolos Litólicos distróficos. Subordinadamente, ocorrem Esse domínio é drenado pela bacia hidrográfica do rio Plintossolos Pétricos concrecionários e Afloramentos de Farinha e ocupa pequena área no setor sudoeste do estado Rocha. Nas superfícies pediplanadas que se espraiam do Maranhão, situada entre as cidades de Estreito – a norte a partir dos sopés das mesas e, em grande parte, – e Carolina – a sul –, estando totalmente englobada pela sustentadas por arenitos eólicos da Formação Sambaíba, Depressão do Médio Vale do Rio Tocantins. predominam solos muito profundos, excessivamente Esse peculiar modelado em platôs, mesas e superfícies drenados, com baixa capacidade de retenção de umidade pediplanadas resulta de intrincado processo de escultura- e de nutrientes, revestidos por vegetação rarefeita de ção do relevo, condicionado por linhas de diáclases ou fa- campos-cerrados: Neossolos Quartzarênicos órticos (Figura lhas impressas sobre uma sequência vulcanossedimentar da 3.46). Subordinadamente, ocorrem Latossolos Amarelos e bacia do Parnaíba composta por arenitos ortoquartzíticos, Vermelho-Amarelos distróficos (IBGE, 2011a). de origem eólica e idade triássica da Formação Sambaíba Nesse domínio, não há qualquer aglomerado urbano, (Figura 3.45), e por derrames basálticos de idade jurocre- sendo atravessado pela Rodovia BR-010 (Belém-Brasília) tácica da Formação Mosquito. entre as localidades de Carolina e Estreito. Figuras 3.43 e 3.44 - Parque Nacional Serra das Mesas. Essas feições residuais apresentam topos planos a convexos, frequentemente sustentados por cornijas e paredões rochosos subverticais. Rodovia BR-010, entre as localidades de Estreito e Carolina. Figura 3.46 - Afloramento de grandes dimensões em paredão Figura 3.45 - Desenvolvimento de Neossolos Quartzarênicos rochoso exibindo, de forma didática, estratificação cruzada sobre arenitos da formação Sambaíba; representam solos muito cuneiforme de grande porte do quartzoarenito eólico, de idade pobres, friáveis e excessivamente drenados. Rodovia BR-010, entre triássica, da formação Sambaíba. Rodovia BR-010, entre as as localidades de Estreito e Carolina. localidades de Estreito e Carolina 57 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Depressão Interplanáltica de Balsas mentar do Parnaíba, constituída por folhelhos, arenitos, silexitos e calcários da Formação Pedra de Fogo (Figura A Depressão Interplanáltica de Balsas, denominação 3.48); siltitos, arenitos e folhelhos da Formação Motuca; adaptada da proposta por IBGE (2011c), consiste em um arenitos eólicos ortoquartzíticos da Formação Sambaíba. conjunto de superfícies aplainadas coalescentes (R3a2), Os topos planos dos baixos platôs encontram-se sus- por vezes, levemente dissecadas em colinas amplas e tentados por coberturas detríticas continentais de idade ajustadas ao nível de base do rio das Balsas e de alguns neógena. de seus tributários: rios Neves, Cocal e Maravilha. Esses Os solos desenvolvidos sobre as superfícies aplaina- terrenos estão posicionados, invariavelmente, em cotas das da Depressão Interplanáltica de Balsas, francamente baixas, entre 200 e 330 m, e são incipientemente sulcados revestidas por cerrados e campos-cerrados, são, em ge- por rede de drenagem dendrítica de baixa a moderada ral, pobres, profundos e bem drenados, destacando-se densidade. Tais superfícies aplainadas encontram-se Latossolos Amarelos e Vermelho-Amarelos distróficos, intercaladas com baixas superfícies planálticas de relevo e, em menor proporção, Argissolos Vermelho-Amarelos plano e são muito pouco dissecadas (R2b1), exceto no distróficos. Subordinadamente, ocorrem Plintossolos baixo vale do rio das Balsas, onde tais superfícies estão Háplicos distróficos e Neossolos Quartzarênicos órticos. francamente dissecadas em relevo de baixos platôs disse- Localizadamente, entre as cidades de Sambaíba e São cados (R2b2). Os baixos platôs estão alçados entre 300 Félix das Balsas, ocorrem solos de boa fertilidade natu- e 350 m de altitude e cerca de 50 a 80 m acima do piso ral, provavelmente, derivados de fácies carbonáticas das dos pediplanos (Figura 3.47). Esparsamente, ocorrem formações Motuca e Pedra de Fogo: Luvissolos Crômicos imponentes morros-testemunhos, que se salientam na órticos e, secundariamente, Chernossolos Argilúvicos. paisagem regional como remanescentes de uma outrora Sobre os terrenos planos dos topos dos baixos platôs vasta superfície planáltica, que dominava todo o sul e predominam Latossolos Vermelho-Amarelos distróficos sudeste do Maranhão, como os registrados entre as lo- (IBGE, 2011a). calidades de Sambaíba e Loreto. Dentre as localidades que se situam nesse domínio, Esse domínio ocupa o setor sudeste do estado do destacam-se: Balsas, São Raimundo das Mangabeiras, Maranhão, abarcando o médio-baixo vale da bacia hi- Sambaíba, Loreto e São Félix das Balsas. drográfica do rio das Balsas. Caracteriza-se como uma A Depressão Interplanáltica de Balsas configura-se depressão interplanáltica, pois consiste em uma superfície como uma das áreas mais representativas do firme avanço rebaixada e confinada, a norte, pelas Chapadas do Alto Rio da fronteira agrícola no sul do estado do Maranhão nos Itapecuru (mais especificamente, as chapadas das Crueiras e últimos 20 anos, condicionado pelo vetor de colonização do Azeitão), e, a sul, pelas Chapadas do Alto Rio Parnaíba. agrícola representado pelo eixo rodoviário leste-oeste da A oeste, esse domínio se comunica com a Depressão do Rodovia BR-230. Tal avanço se processa, especialmente, Médio Vale do Rio Tocantins. sobre os topos planos dos baixos platôs constituídos por Essa área está sustentada, basicamente, por rochas solos mecanizáveis, muito profundos, bem drenados, sedimentares da sequência permotriássica da Bacia Sedi- que, apesar de pobres, respondem bem à aplicação de corretivos e fertilizan- tes (Latossolos), e sobre Figura 3.47 - Superfície plana ligeiramente mais elevada, sob a as manchas de solos com forma de baixos platôs, sustentada boa fertilidade natural que por coberturas terciárias. Plantio ocorrem sobre as superfí- de sorgo, milho e soja em larga cies aplainadas (Luvissolos escala. Rodovia BR-230, entre as localidades de Riachão e Balsas. Crômicos). As monótonas paisagens naturais dos cer- rados estão sendo rapida- mente transformadas por uma policultura comercial (soja, milho, sorgo, algo- dão), com intenso emprego de capital e tecnologia. Figura 3.48 - Mina de calcário Nesse sentido, a cidade de calcítico da formação Pedra de Fogo Balsas exibe uma economia (Permiano da bacia sedimentar do dinâmica e pujante, calcada Parnaíba) em zona de consolidação no agronegócio, e está sen- do novo polo agrícola do sul do Maranhão, com grande demanda por do elevada a um patamar de insumos minerais para agricultura. importante polo regional no Imediações da cidade de Balsas. sul do estado do Maranhão. 58 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA Chapadas do Alto Rio Parnaíba resultantes da dissecação diferencial do planalto sedimen- tar (R2b1), e formas de colinas dissecadas (R4a2) em meio As Chapadas do Alto Rio Parnaíba, denominação ao vale aplainado do rio das Balsas. adaptada da proposta por IBGE (2011c), localizam-se no As Chapadas do Alto Rio Parnaíba, dominadas pelo sul do estado do Maranhão e consistem de vastas superfí- bioma do cerrado em suas diversas fitofisionomias, desde cies planálticas de extensos topos planos e não dissecados campos-cerrados até cerradões (IBGE, 2011d), encontram- (R2b3), alçadas em cotas que variam entre 350 e 600 m de -se posicionadas entre os estados do Tocantins, a oeste, e altitude e levemente adernadas para norte. Esse conjunto do Piauí, a leste. Delimitam-se, a norte, com a Depressão de chapadas foi genericamente denominado serra do Pe- Interplanáltica de Balsas, e, a sul, com a Chapada das nitente. A outrora vasta e uniforme superfície planáltica foi Mangabeiras. profundamente entalhada por uma rede de vales encaixa- No topo do planalto, desenvolvem-se perfis detrito- dos. Tais vales podem ser incisos (R4f), como observado no lateríticos maturos e imaturos de idade terciária (IBGE, alto curso do rio Parnaíba e em seus tributários diretos, ou 2011b). Já nos vales encaixados e superfícies interplanálticas, aprofundados e alargados por erosão lateral das vertentes aflora uma sequência permocarbonífera da Bacia (R4e e R3a2), tal como o rio das Balsas. Sedimentar do Parnaíba, constituída por siltitos, folhelhos, O vale encaixado do rio Parnaíba, governado por pro- arenitos, calcários e silexitos das formações Piauí e Pedra cessos de incisão vertical da rede de canais, está entalhado de Fogo. Apenas nas cabeceiras do rio Parnaíba e no em cotas muito baixas (entre 200 e 350 m) e apresenta vale aplainado do rio Parnaibinha aflora uma sequência morfologia acidentada, constituída por vertentes predo- vulcanossedimentar mesozoica, composta por arenitos minantemente retilíneas a côncavas, fortemente sulcadas, eólicos da Formação Sambaíba, derrames basálticos da declivosas, com sedimentação de colúvios e depósitos de Formação Mosquito e arenitos da Formação Urucuia, sendo tálus no sopé. A amplitude de relevo varia de 150 a 250 m, estes posicionados no limite norte da Bacia Sanfranciscana. com declividades altas (acima de 30o), ou mesmo paredões Nos topos planos dos chapadões, recobertos por solos rochosos areníticos subverticais (Figura 3.49). Trata-se de muito profundos, bem drenados e de baixa fertilidade área de alta vulnerabilidade a processos erosivos e a movi- natural, predominam Latossolos Amarelos distróficos mentos de massa. Tais formas de relevo indicam, portanto, e, subordinadamente, Latossolos Vermelho-Amarelos uma retomada erosiva recente em processo de reajuste ao distróficos e Plintossolos Pétricos concrecionários. Nas nível de base regional demarcado pela calha do rio Parnaíba. vertentes escarpadas dos rebordos dos chapadões e Com relação ao extenso vale aplainado do alto curso nos vales encaixados prevalecem solos jovens e rasos: do rio das Balsas, embutido cerca de 100 a 150 m abaixo Neossolos Litólicos distróficos e, subordinadamente, da superfície das chapadas, em cotas que variam entre Cambissolos Háplicos distróficos, Argissolos Vermelho- 250 e 450 m de altitude, apresenta situação geomorfo- Amarelos distróficos e Afloramentos de Rocha. Nas lógica similar à observada no vale do Gurgueia, no Piauí (FERREIRA; DANTAS, Figura 3.49 - Fundo de vale encaixado do rio Parnaíba, com mais de 200 m de 2010). Esse amplo vale se desnivelamento total, apresentando padrão encontra abruptamente de dissecação em relevos ruiniformes e delimitado por curtas es- morros-testemunhos; o amplo vale é, carpas rochosas (R4e) e em seu conjunto, ladeado por vertentes escarpadas com paredões subverticais de delineia as superfícies re- arenitos. Imediações da cidade de Tasso baixadas e arrasadas pela Fragoso. erosão (R3a2), estando circundadas por terrenos planos e elevados dos cha- padões (R2b3) que domi- nam a paisagem regional (Figura 3.50), seguindo um modelo de evolução do relevo similar ao descrito Figura 3.50 - Superfície plana das para as Chapadas do Alto chapadas; contato entre duas superfícies Rio Itapecuru. demarcado por rebordos erosivos com Registra-se, ainda, aspecto de curtas escarpas rochosas de forma localizada, a e verticais; o topo da superfície mais alta corresponde à chapada da serra do ocorrência de patamares Penitente; plantio de sorgo e milho em estruturais, posicionados larga escala. Rodovia MA-006, entre as em cotas intermediárias, localidades de Balsas e Tasso Fragoso. 59 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO superfícies interplanálticas do vale dos rios das Balsas e Parnaibinha, predominam solos muito profundos, excessivamente drenados e com baixa capacidade de retenção de umidade e nutrientes (Neossolos Quar tzarênicos órticos), e, subordinadamente, Latossolos Amarelos distróficos. Sobre os afloramentos dos derrames basálticos, desenvolvem-se solos jovens, de boa fertilidade natural: Cambissolos Háplicos eutróficos e Neossolos Litólicos eutróficos (IBGE, 2011a). O avanço da fronteira agrícola tem se pro- cessado de forma acelerada sobre os topos dos chapadões, convertendo grandes manchas de campos naturais e cerrados em vastas e monó- tonas áreas de cultivo de grãos. Esse incremento de agricultura tecnificada ocorre, especialmente, no eixo compreendido pelas cidades de Balsas- -Tasso Fragoso-Alto Parnaíba. Dentre as localidades que se situam nesse domínio, destacam-se: Tasso Fragoso, Alto Parnaíba e Curupá. Figura 3.51 - Imagem em relevo sombreado da chapada das Mangabeiras Chapada das Mangabeiras (cor marrom-escuro), localizada no extremo sul do estado do Maranhão; superfície cimeira regional representada pelo prolongamento setentrional do A Chapada das Mangabeiras representa Espigão Mestre e ponto culminante do Maranhão. extensa superfície cimeira regional denominada Espigão Mestre, que abrange os estados da Bahia, Tocan- nhão, Piauí, Tocantins e Bahia, que, até o momento, não foi tins, Maranhão e Piauí, correspondente ao topo da Bacia alcançada pela fúria da marcha da fronteira agrícola sobre Sanfranciscana. Esse vasto planalto ocupa exígua área no os chapadões revestidos por cerrado. extremo sul do estado do Maranhão, que corresponde à extremidade setentrional desse domínio geomorfológico. REFERÊNCIAS Consiste de um vasto platô (R2c) alçado em cotas que va- riam entre 700 e 800 m de altitude, sendo abruptamente AB’SABER, A.N. Contribuição à geomorfologia do estado delimitado por escarpas erosivas (R4d) e degraus reafeiço- do Maranhão. Notícia Geomorfológica, Campinas, v. ados (R4e). Tal superfície está sobrelevada cerca de 150 a 3, n. 5, p. 35-45, 1960. 300 m acima do piso da bacia do rio Parnaibinha e consiste na chapada culminante do Maranhão (Figura 3.51). Suas AB’SABER, A.N. Domínios morfoclimáticos e províncias escarpas estão invariavelmente voltadas para norte, em fitogeográficas do Brasil. Orientação, São Paulo, n. 3, p. 45-48, 1969. direção às Chapadas do Alto Rio Parnaíba. Essa restrita porção do platô do Espigão Mestre, assim AB’SABER, A.N. Os domínios morfoclimáticos na como as escarpas erosivas, está sustentada por arenitos e América do Sul: primeira aproximação. Geomorfologia, conglomerados cretácicos do Grupo Urucuia, pertencente São Paulo, v. 52, p. 1-21, 1977. ao fecho deposicional da Bacia Sanfranciscana. Sobre o topo da Chapada das Mangabeiras desenvol- AB’SABER, A.N. Os domínios de natureza no Brasil: vem-se solos muito profundos, muito friáveis, porosos, de potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, baixa fertilidade natural (Latossolos Amarelos distróficos). 2003. 160 p. Subordinadamente, ocorrem solos com concreções ferru- ginosas (petroplintita) e pobres em nutrientes (Plintossolos ALCÂNTARA, E.H. Caracterização da bacia hidrográfica Pétricos concrecionários) e Afloramentos de Rocha. Nas es- do rio Itapecuru, Maranhão, Brasil. Caminhos de carpas de borda de chapada, por sua vez, ocorrem solos bem Geografia, Uberlândia, v. 7, n. 11, p. 97-113, fev. 2004. Disponível em: . Acesso Litólicos distróficos) e Afloramentos de Rocha (IBGE, 2011a). em: 23 jun. 2012. Nesse domínio, não existe qualquer aglomerado urbano, sendo uma das áreas de cerrado nativo ainda ALMEIDA, F.F.M.; HASUI, Y.; NEVES, B.B.B.; FUCK, conservado na divisa quádrupla entre os estados do Mara- R.A. Províncias estruturais brasileiras. In: SIMPÓSIO DE 60 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA GEOLOGIA DO NORDESTE, 8., 1977, Campina Grande. amazônica: aspectos tectônicos, geomorfológicos e Atas... Campina Grande: SBG, 1977. p. 363-391. deposicionais. Geonomos, Belo Horizonte, v. 4, n. 2, p. 23-44, 1996. BARBOSA, G.V.; BOAVENTURA, R.S.; NOVAES PINTO, M. Geomorfologia. In: BRASIL. Departamento Nacional COSTA, M.L. Aspectos geológicos dos lateritos da da Produção Mineral. Projeto RADAM. Folha SB.23 Amazônia. Revista Brasileira de Geociências, São Teresina e parte da folha SB.24 Jaguaribe; geologia, Paulo, v. 21, n. 2, p.146-160, 1991. geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro: DNPM, 1973. v. 2. p. 1-39 DANTAS, M.E.; TEIXEIRA, S.G. 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Programa Levantamentos hidrográficas do nordeste do Pará ao noroeste do Maranhão Geológicos Básicos do Brasil. 1 CD-ROM. 62 4 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS Cláudio Damasceno de Sousa (claudio.sousa@cprm.gov.br) Djalena Marques de Melo (djalena.melo@cprm.gov.br) Jean Ricardo do Nascimento (jean.nascimento@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 65 Bacias Hidrográficas ............................................................................................. 65 Rede de Monitoramento Hidrometeorológica ..................................................... 66 Dados Hidrometeorológicos em Tempo Real (Telemetria) ................................ 68 Atlas Pluviométrico ........................................................................................... 68 Fluviometria ...................................................................................................... 69 Medição Líquida ............................................................................................... 69 Medição de Sedimentos ....................................................................................73 Levantamento de Seção Transversal ..................................................................73 Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais das Sub-Bacias 33 e 34 .........................................................................................73 Referências ............................................................................................................76 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS INTRODUÇÃO BACIAS HIDROGRÁFICAS O Maranhão é um dos estados brasileiros mais ricos O território brasileiro está dividido em 12 regiões hidro- em bacias hidrográficas de grandes dimensões. Seus rios gráficas, de acordo com a Resolução nº 32, de 25 de junho se distinguem por serem permanentes e manterem ex- de 2003, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) pressivo volume de água durante todo o ano (FEITOSA; (BRASIL, 2011). No contexto dessa resolução, o estado do ALMEIDA, 2002). Maranhão insere-se em três dessas regiões: Região Hidro- Estudos indicam que 74% das sedes municipais são gráfica Atlântico Nordeste Ocidental, Região Hidrográfica abastecidas exclusivamente por mananciais subterrâneos do Parnaíba e Região Hidrográfica do Tocantins/Araguaia. (poços). As águas superficiais abastecem 21% dos mu- Essas regiões se subdividem em 13 bacias e dois siste- nicípios e os 5% restantes são abastecidos tantos por mas hidrográficos, sendo que esses dois sistemas, mais nove mananciais superficiais como subterrâneos (ANA, 2010). bacias, são de domínio exclusivo do Maranhão, enquanto Entretanto, essa grande malha hídrica, por si só, não quatro bacias são de domínio federal (Quadro 4.1). é suficiente para garantir o fornecimento de água com A região hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental qualidade para as diversas necessidades dos maranhenses. contempla, parcialmente, os estados do Maranhão (91%) e Face às constantes agressões ao meio ambiente, a maioria do Pará (9%). Na área do estado do Maranhão, essa região de seus municípios não apresenta condições satisfatórias divide-se em três bacias hidrográficas de nível 2 (bacias 31, de abastecimento humano e saneamento básico. Portanto, 32 e 33), que, por sua vez, subdividem-se em 11 bacias do importa ao poder público e à sociedade construírem estru- nível 3 (bacias dos rios Gurupi, Maracaçumé,Turiaçu, Pin- turas de gestão e de controle do uso dos recursos naturais, daré, Grajaú, Mearim, Itapecuru, Periá, Preguiças, Munim em especial para os recursos hídricos (MARANHÃO, 2009). e Ararandeua) e em dois sistemas hidrográficos: Litoral Objetivando subsidiar os esforços para aumentar o co- Ocidental e das Ilhas Maranhenses. nhecimento da hidrografia do Maranhão, são apresentadas O rio Gurupi é formado pela união dos rios Açailândia as principais bacias hidrográficas que compõem o estado, e Itinga. O primeiro, provindo da região norte de Alfredo bem como a sistemática de procedimentos adotados no Lisboa, na serra do Gurupi, tem como principal afluente o rio monitoramento hidrometeorológico, tais como: níveis de Pequiá (BRASIL, 2006b). A serra do Tiracambu constitui-se no água dos rios, precipitação pluviométrica, medições de principal divisor de águas da bacia do rio Gurupi, estabelecen- qualidade de água, medições de sedimentos, medição de do o limite com as bacias de Maracaçumé, Pindaré e Turiaçu, vazão líquida e perfis transversais. sendo responsável pelos maiores afluentes maranhenses, Quadro 4.1 - Bacias hidrográficas do estado do Maranhão. Região Hidrográfica Bacia Hidrográfica Área (km²) % de Área Estadual Domínio Estadual Subtotal-1 215.640,71 65,73 Sistema Hidrográfico do Litoral Ocidental 10.155,54 3,10 Sistema Hidrográfico das Ilhas Maranhenses 3.372,87 1,03 Bacia Hidrográfica do Rio Maracaçumé 7.699,12 2,35 Bacia Hidrográfica do Rio Turiaçu 14.131,60 4,31 Bacia Hidrográfica do Rio Pindaré 37.707,93 11,49 Atlântico Nordeste Ocidental Bacia Hidrográfica do Rio Grajaú 20.669,50 6,30 Bacia Hidrográfica do Rio Mearim 40.681,92 12,40 Bacia Hidrográfica do Rio Itapecuru 53.217,26 16,22 Bacia Hidrográfica do Rio Periá 5.396,06 1,64 Bacia Hidrográfica do Rio Preguiças 6.691,85 2,04 Bacia Hidrográfica do Rio Munim 15.917,06 4,85 Domínio Federal Subtotal-2 112.412,80 34,27 Bacia Hidrográfica do Rio Gurupi 1.764,35 4,81 Atlântico Nordeste Ocidental Bacia Hidrográfica do Rio Ararandeua 1.566,48 0,48 Parnaíba Bacia Hidrográfica do Rio Parnaíba 66.106,97 20,15 Tocantins/Araguaia Bacia Hidrográfica do Rio Tocantins 28.975,03 8,83 Fonte: Modificado de PNRH/MMA-ANA (Brasil, 2006a). 65 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO destacando-se os rios Surubim, Tucamandiua, Cajuapara, do estado do Maranhão. Tem como principais afluentes os Panemã, Apará e Jararaca. Após cumprir um percurso de mais rios Iguarana, Piranji, Buriti, riacho Mocambo, do Areal, de 400 km – desde a confluência com o rio Itinga constitui do Riachão, Iguara, Alto Alegre, do Preto, Bom Sossego, a linha limítrofe entre os estados do Pará e do Maranhão –, Feio, do Foje, da Raiz, do Boi, Jatobá e São Gonçalo. deságua no oceano Atlântico, na Baía de Gurupi. Deságua na Baía de São José, entre Axixá e Icatu, após As bacias hidrográficas do Turiaçu, Maracaçumé e o um percurso de mais de 280 km. Bastante assoreado, sistema hidrográfico Litoral Ocidental reúnem, além desses sofre as consequências dos desmatamentos e do uso cursos principais, rios de curtos trajetos, como Coqueiro, Ma- indiscriminado do solo, que tornam suas águas escassas caxeira, Peixe, Pacoral, Paraná, Laranja, Igarapé da Rosa, das e turvas, só adquirindo maior volume no baixo curso, já Almas, Caxias, Urubuçu, Liconde, Uru, Itapetininga, Pericumã, próximo à costa. Grande, Aurá, Cabelo da Velha e Jamari, que apresentam As bacias do rio Periá e Preguiças, além dos rios que características amazônicas e deságuam em uma costa de lhes são homônimos, têm outros de pequeno trajeto, a inúmeras rias. Esses rios sofrem influência das marés – que maior parte perene. Dentre eles, destacam-se: da Fome, influenciam, consequentemente, o ritmo de vida da popu- Carrapato, Cocal, Negro, Juçaral, Mirinzal, Alegre, Maraca- lação. Apresentam, próximo à foz, grandes larguras e são mo, Ribeira, Mapari, Queixada e Bacaba. Existem, também, orlados por exuberante vegetação de mangue (IBGE, 1997). drenagens ainda menores, que, pela alta permeabilidade A bacia do rio Pindaré coleta as contribuições de do terreno (areais), têm dificuldades de escoar até o mar afluentes provindos das serras do Gurupi e Tiracambu. – muitas vezes, associam-se a áreas arenoargilosas, que Nasce a leste de Montes Altos, tendo como principais possibilitam a formação de lagos. afluentes os rios Buriticupu, Novo, Verde Zutiua, Juriti, A região hidrográfica do Parnaíba, composta no Arapapa, Timbira, Santa Rita, Arame, Cipoeiro ou Gentil, estado maranhense pela bacia 34, configura-se como uma Zutuia e Jeju. Deságua no estuário do rio Mearim. das mais importantes da Região Nordeste do Brasil, sendo O rio Grajaú, que dá nome à bacia, nasce entre as serras ocupada pelo estado do Piauí (75,3%) e parte dos estados da Canela e Negra, no extremo sudoeste do estado e se des- do Maranhão (19,8%) e Ceará (4,1%). loca em sentido sudoeste-nordeste, tendo como principais O rio Parnaíba tem extensão aproximada de 1.400 afluentes os rios Santana, Gameleiras, Água Fria, Piombeira, km e é perene na maioria de seus trechos. Nasce nos riacho Água Boa, Barriguda, Baixão do Timbiras, Camaça, contrafortes da Chapada das Mangabeiras, confluência Jacaré entre outros. Deságua na área dos grandes lagos da de três outros rios: Água Quente, na divisa dos estados do Baixada Maranhense, na influência do estuário do rio Mearim. Maranhão e Piauí; Curriola e Lontra, ambos em território O rio Mearim provém da serra da Menina, próximo piauiense, desaguando no oceano Atlântico e servindo, a Fortaleza dos Nogueiras, a 650 m de altitude. Assume, ao longo de todo o seu curso, de divisa entre Maranhão e durante longo trajeto, direção sudoeste-nordeste, até proxi- Piauí. Seus principais afluentes são alimentados por águas midades de Esperantinópolis, onde, após receber o afluente superficiais e subterrâneas, destacando-se os rios Balsas, Flores, direciona-se para norte, persistindo mais ou menos Gurgueia, Piauí, Canindé, Poti e Longá (BRASIL, 2006c). nesse rumo. A partir do município de Lago Verde, na Bai- A região hidrográfica do Tocantins/Araguaia xada Maranhense, suas margens tornam-se alagadiças. Na (bacia 23) abrange os estados de Goiás (26,8%), Tocantins cidade de Arari, é possível visualizar, devido ao fenômeno da (34,2%), Pará (20,8%), Maranhão (3,8%), Mato Grosso pororoca, o encontro desse rio com as águas oceânicas que (14,3%) e o Distrito Federal (0,1%). Grande parte situa-se na adentram o continente por mais de 120 km, misturando-se Região Centro-Oeste, desde as nascentes dos rios Araguaia com as águas do rio e formando o estuário do rio Mearim. e Tocantins, até a sua confluência. Daí para jusante adentra O rio que forma a Bacia do Itapecuru nasce no sul a Região Norte até a sua foz (BRASIL, 2006d). do estado, no sistema formado pelas serras de Crueiras, O rio Tocantins nasce no Planalto de Goiás, a cerca de Itapecuru e Alpercatas, a cerca de 560 m de altitude. Corre, 1.000 m de altitude, sendo formado pelos rios das Almas inicialmente, na direção oeste-leste até Várzea do Cerco, e Maranhão. Tem extensão total aproximada de 1.960 km onde toma rumo norte até a barra do rio Alpercatas. Desse até a sua foz, no oceano Atlântico. ponto em diante, muda de direção para nordeste, persistin- do até encontrar o rio Correntes, onde, subitamente, inflete REDE DE MONITORAMENTO para noroeste. Nas proximidades de Caxias, assume direção HIDROMETEOROLÓGICA geral norte-noroeste. Deságua na Baía do Arraial, a sudeste da ilha de São Luís (IBGE, 1997). Os principais afluentes são: A rede de monitoramento hidrometeorológica da rios Pirapemas, Tapuio, Peritoró, Seco, Gameleira, Codozinho, Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Limpeza, Alpercatas, Itapecuruzinho, do Ouro, Cachimbo, Geológico do Brasil (CPRM/SGB) no estado do Maranhão Guariba, Pucumã, dos Porcos e São João e riachos São Felinho, abrange sete bacias hidrográficas, sendo cinco de domí- da Prata e dos Cocos; brejo da Cachoeira e igarapé Grande. nio estadual (bacias dos rios Mearim, Itapecuru, Munim, O rio Munim nasce nos tabuleiros da Formação Bar- Grajaú, Pindaré) e duas de domínio federal (bacias dos rios reiras, no município de Aldeias Altas, na porção nordeste Parnaíba e Tocantins-Araguaia) (Figura 4.1). 66 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS Legenda: P – Pluviométrica; PT – Pluviométrica e Telemétrica; FDQ – Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida e Qualidade de Água; FDSQ – Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida, Sedimentométrica e Qualidade de Água; FDSQT – Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida, Sedimentométrica, Qualidade de Água e Telemétrica; FDTQ – Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida, Telemétrica e Qualidade de Água; PFDQT – Pluviométrica e Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida, Qualidade de Água e Telemétrica; PFDSQT – Pluviométrica e Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida, Sedimentométrica, Qualidade de Água e Telemétrica; PFrDQT – Pluviométrica e Fluviográfica com Medição de Descarga Líquida, Sedimentométrica, Qualidade de Água e Telemétrica; PFrDSQT – Pluviométrica e Fluviográfica com Medição de Descarga Líquida, Sedimentométrica, Qualidade de Água e Telemétrica; PrFDQ – Pluviográfica e Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida e Qualidade de Água; PrFDSQ – Pluviográfica e Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida, Sedimentométrica e Qualidade de Água; PrFDSQT – Pluviográfica e Fluviométrica com Medição de Descarga Líquida, Sedimentométrica, Qualidade de Água e Telemétrica Figura 4.1 - Mapa da distribuição das bacias hidrográficas no estado do Maranhão. 67 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Os trabalhos de operação e manutenção dessa rede Os dados hidrometeorológicos coletados pelas PCDs são realizados pela CPRM/Residência de Teresina (RETE), por são transmitidos via telefonia celular por GPRS ou por meio de termo de cooperação entre a Agência Nacional de satélites meteorológicos e recebidos pelas estações-base Águas (ANA) e a CPRM/SGB. do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que, Os dados de pluviometria (chuvas) e fluviometria por sua vez, repassa-os para a ANA. Cabe a essa agência (nível dos rios) são coletados in loco, junto a observadores o acompanhamento, a organização, a divulgação e o ar- hidrológicos contratados e com auxílio de aparelhos tele- mazenamento dos dados. métricos (por satélite). Os dados de medição de descarga Como a ANA é uma agência fiscalizadora e regu- líquida (vazão), sólida (sedimentos) e qualidade da água ladora, ela delega a seus parceiros, públicos ou priva- são obtidos in loco por técnicos em Geociências da CPRM/ dos, a parte de instalação e manutenção por meio de RETE, em campanhas trimestrais realizadas nas estações convênios. A CPRM/RETE é responsável pela operação hidrometeorológicas, seguindo os critérios definidos pela e manutenção de 15 estações telemétricas no estado Organização Meteorológica Mundial (OMM). do Maranhão. A rede hidrometeorológica da CPRM/SGB é composta A importância desse monitoramento em tempo real se por 108 estações, operadas pela CPRM/RETE quatro vezes justifica quando o poder público necessita de informações ao ano (Quadro 4.2). que venham a aperfeiçoar as ações que visam a minimizar Quadro 4.2 - Dados de monitoramento hidrometeorológico no estado do Maranhão. Total de Estações Estações Estações Medição de Medição de Medição de Estações Pluviométricas Fluviométricas Telemétricas Descarga Descarga Qualidade de Líquida/Ano Sólida/Ano Água 108 83 60 18 60 12 60 Dados Hidrometeorológicos em Tempo Real as calamidades provocadas por secas, enchentes, conflitos (Telemetria) pelo uso das águas, dentre outros. Com o monitoramento em tempo real, evitam-se pos- Os dados hidrometeorológicos em tempo real são síveis catástrofes causadas pela elevação rápida e violenta obtidos por um conjunto composto por um sensor de dos níveis de uma represa, pois o controle de abertura ou pressão – responsável pela obtenção dos dados do nível fechamento das comportas torna-se mais preciso e seguro. do rio (centímetros de coluna de água), um pluviômetro Da mesma forma, o monitoramento dos níveis de rios, que, automático, para determinação da quantidade de chuva em determinados momentos, provocam enchentes, permi- (milímetros), termômetros, para medir a temperatura da te a evacuação de forma rápida e planejada da população água e do ar (°C), sensores de medição de umidade do que vive nessas áreas, causando menos transtornos para ar e uma plataforma de coleta e armazenamento desses as comunidades ribeirinhas. dados, denominada Plataforma de Coleta de Dados (PCDs) No estado do Maranhão, há 16 estações automa- ou, simplesmente, estação automática com transmissão tizadas (Quadro 4.3) inseridas nas sub-bacias 33 e 34 e remota de dados (Figuras 4.2a, b, c). distribuídas de forma regular nos principais rios do estado, em seus cursos altos, médios e baixos. Há previsão, por parte da ANA, de melhorias na cobertura por estações automatizadas, de modo a se prover respostas em menor espaço de tempo a eventos de enchentes cada vez mais recorrentes. A ANA disponibiliza, em seu portal na Internet (http://200.140.135.139/Usuario/mapa.aspx), as informa- ções transmitidas pelas PCDs (Figura 4.3). a b Atlas Pluviométrico Com base nos dados pluviométricos obtidos da rede hidrometeorológica nacional, foi possível elaborar o Atlas Pluviométrico do Brasil, que faz parte do Sistema sobre Dis- Figura 4.2 - a) PCD GPRS; b) PCD Goes; ponibilidades Hídricas do Brasil desenvolvido pela CPRM/SGB. c) Datalogger. Esse produto proporcionou a montagem de um c Foto: Jean Nascimento. banco de dados pluviométricos diários contendo séries 68 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS Quadro 4.3 - Estações automatizadas nas sub-bacias 33 e 34. regime de chuvas, na média, proporciona boa recarga dos rios do estado, algumas vezes provocando enchentes e, não Estação Tipo Município raro, inundações que causam danos à população local nas planícies de inundações. Dessa forma, o monitoramento e Barão do Grajaú Satélite Barão de Grajaú um sistema de alerta de rios são de extrema importância, Barra do Corda Satélite Barra do Corda uma vez que podem ajudar no planejamento da ocupação, Balsas GPRS Balsas bem como evitar perdas materiais e de vidas humanas. Boa Vista Datalogger Alto Parnaíba Babilônia Datalogger Tasso Fragoso Fluviometria Barra da Onça Datalogger Barra da Onça A fluviometria é a parte da hidrografia que estuda São Félix de Balsas GPRS São Félix de Balsas a medição das descargas ou vazões dos rios ou outros Sambaíba Satélite Sambaíba cursos d’água, necessárias à determinação do potencial Pindaré-Mirim Satélite Santa Inês hidráulico disponível. Lages Datalogger Barão de Grajaú Denomina-se estação fluviométrica o local onde são Grajaú II Satélite Grajaú medidos o nível e a vazão de um curso d’água. O nível, ou Mirador Satélite Mirador cota linimétrica, é medido diariamente, às 7 h e às 17 h, por um observador (um morador das proximidades que recebe Morro Vermelho Datalogger Riachão pequena gratificação pela execução das leituras), em réguas Alto Parnaíba GPRS Alto Parnaíba graduadas implantadas na margem do rio. A medição de Aratoí Grande Satélite Bela Vista vazão, que depende de técnica e equipamentos mais com- Codó Satélite Codó plexos, é efetuada por técnicos em Geociências nas visitas trimestrais às estações. Por meio dessas medições, é esta- consolidadas, com pelo menos 20 anos de observações, no belecida a “curva-chave”, que é a relação cota x descarga, a caso específico do Nordeste, devido à pouca quantidade partir da qual as cotas linimétricas serão transformadas em de dados de chuva, e conhecimento do comportamento vazão, constituindo as séries hidrológicas fundamentais aos pluviométrico no território nacional, referente ao período projetos de aproveitamentos hídricos e à gestão da oferta 1977-2006, das precipitações anuais e trimestrais. das águas nas bacias hidrográficas (Quadro 4.4). Essas informações se mostram importantes quando as- Dentre os estudos desenvolvidos pela CPRM/SGB, com sociadas a estudos que visam a quantificar o volume de água dados da medição de vazões, encontra-se o Projeto de Regio- que determinado reservatório receberá ou mesmo o grau nalização de Vazões, que objetiva informar a potencialidade devastador de uma enchente em dada região de interesse. superficial dos recursos hídricos no território brasileiro, de No caso do Maranhão, observa-se que as maiores modo a serem utilizados de forma sustentada, de acordo precipitações ocorrem nas porções noroeste, centro-norte com o interesse social e a utilidade pública, e o Projeto de e oeste e, as menores, no centro-sul do estado, sendo que Alerta de Cheias, que visa a minimizar os prejuízos causados os valores predominantes encontram-se entre 1.100 a 2.000 por cheias nas bacias hidrográficas. Tais informações básicas mm (Figura 4.4). Tais precipitações permitem concluir que o são essenciais para melhor aproveitamento de projetos de recursos hídricos, como, por exemplo, quan- tificação da vazão disponível para projetos de irrigação, cálculo do volume de reservatórios, dimensionamento de sistemas de abastecimento de água, autodepuração de esgotos, calado para navegação, sistemas de drenagem, segurança de barragens cálculo de vertedores etc. Medição Líquida A medição de descarga líquida – volume de água que passa através de uma seção trans- versal na unidade de tempo – é realizada com molinete ou medidor acústico. O molinete é um equipamento que contém uma hélice que gira quando é colocada no sentido do fluxo da água. A relação entre o número de voltas por tempo Figura 4.3 - Apresentação dos dados da PCD localizada no município de nos fornece a velocidade nos pontos escolhidos Mirador (MA). no perfil transversal do rio (Figura 4.5). 69 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO 70 Quadro 4.4 - Estações fluviométricas localizadas no estado do Maranhão. Coordenadas Código Estações Rio Tipo Vazões Vazões Médias das Latitude Longitude máximas Minimas Vazões Período 33450000 CAMPO LARGO Alpercatas PrFDQ -6,066944444 -44,708333333 54,2 27,0 33,4 12/1971 a 08/2005 33430000 FERNANDO FALCÃO Alpercatas PFDQ -6,170000000 -44,868888889 44,9 23,1 27,1 01/2000 a 04/2007 33460000 PORTO DOS LOPES Alpercatas PFDQ -6,007222222 -44,340000000 56,1 27,4 34,2 05/1970 a 11/2005 34988000 SÃO BERNARDO Bacuri FDQ -3,360000000 -42,419722222 26,4 1,6 7,12 11/1999 a 12/2005 34142000 BALSINHAS BR-324 Balsinhas PFDQ -7,518888889 -45,802500000 185 2,03 18,4 12/2002 a 12/2005 33050000 PONTE BR-222 (PCD-SIVAM) Buriticupu PFDQT -4,297222222 -46,487500000 18,0 0,699 4,4 01/1979 a 12/2005 33620000 FAZENDA SOBRAL Codozinho PrFDQ -4,440300000 -43,901400000 250 1,39 36,6 03/1972 a 11/2005 33215000 RIO CORDA II Corda/Capim PFDQ -5,736111111 -45,323611111 36,9 18,2 23,4 10/1981 a 11/2005 33520000 MENDES Correntes FDQ -5,706111111 -43,586111111 63,4 0,763 5,89 05/1970 a 10/2005 34170000 SÃO FÉLIX DE BALSAS Das Balsas PFrDSQT -7,067500000 -44,812500000 740 89,9 191 07/1963 a 12/2005 34130000 BALSAS Das Balsas FDQ -7,534444444 -46,035833333 285 61,2 101 12/1965 a 10/2005 34160000 SAMBAÍBA Das Balsas PFDSQT -7,148888889 -45,348888889 766 88,6 173 08/2004 a 12/2007 33270000 FLORES Flores PFDQ -5,419444444 -44,927777778 13,6 0,652 2,19 01/1972 a 12/2005 33273000 JOSELÂNDIA Flores FDQ -4,925833333 -44,618055556 58,4 1,69 17,1 01/2000 a 12/2005 33380000 ARATOÍ GRANDE (PCD-SIVAM) Grajaú PrFDSQT -3,769722222 -45,217777778 530 9,2 110 02/1970 a 11/2005 33321000 GRAJAÚ II (PCD-SIVAM) Grajaú FDQT -5,818055556 -46,144444444 336 3,73 24,7 02/1981 a 12/2005 33333000 ITAIPAVA Grajaú FDSQ -5,144444444 -45,794722222 137 2,62 23,6 10/2003 a 12/2007 33365000 FAZENDA SABESA Grajaú PFDQ -4,537777778 -45,326111111 240 3,26 39,4 12/1999 a 12/2005 33770000 IGUARÁ Iguará PrFDQ -3,553611111 -43,873611111 146 0,021 20,2 12/1971 a 12/2005 33680000 CANTANHEDE Itapecuru PrFDSQ -3,627777778 -44,379166667 1344 47,8 238 06/1968 a 12/2005 33590000 CODÓ (PCD-SIVAM) Itapecuru PFDQT -4,458333333 -43,875000000 604 42,6 116 06/1968 a 12/2005 33630000 COROATÁ Itapecuru FDQ -4,127777778 -44,127777778 921 46,9 162 01/1975 a 12/2005 33410000 SÃO FELINHO Itapecuru FDQ -6,700000000 -44,716666667 48,1 12,1 19,7 10/1999 a 12/2005 33480000 COLINAS Itapecuru PrFDSQ -6,019166667 -44,242777778 110 39,6 55,2 06/1968 a 12/2005 33420000 MIRADOR (PCD-SIVAM) Itapecuru PFrDQT -6,369166667 -44,356111111 52,2 11,7 18,8 06/1968 a 12/2005 33490000 NAZARÉ Itapecuru FDQ -6,000000000 -43,900000000 38,12 0,0 2,52 10/1999 a 10/2005 33550000 CAXIAS Itapecuru PFDSQ -4,865277778 -43,358333333 302 39,3 76,2 04/1963 a 12/2005 33530000 MONTEVIDÉU Itapecuru PFDQ -5,337222222 -43,884444444 188 40,6 64,4 01/1975 a 12/2005 23650000 LAJEADO NOVO Lajeado PFDQ -6,197777778 -47,042777778 308 2,25 21,5 01/2000 a 12/2004 34140000 MARAVILHA BR-230 Maravilha FDQ -7,466666667 -46,000000000 139 2,58 17,1 11/1999 a 10/2005 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS 71 (continuação) Quadro 4.4 - Estações fluviométricas localizadas no estado do Maranhão. Coordenadas Código Estações Rio Tipo Vazões Vazões Médias das Período Latitude Longitude máximas Minimas Vazões 33290000 BACABAL (PCD-SIVAM) Mearim FDTQ -4,219444444 -44,765277778 343 46,7 110 09/1975 a 01/2006 33205000 FAZENDA REMANSO Mearim FDQ -5,766666667 -45,983333333 126 14,4 26,4 01/1979 a 12/2005 33250000 BARRA DO CORDA (PCD-SIVAM) Mearim FDSQT -5,500000000 -45,243055556 181 40,6 61,7 06/1963 a 12/2005 33281000 PEDREIRAS II Mearim FDSQ -4,566666667 -44,600000000 341 46,5 95,2 01/1984 a 12/2005 33260000 SANTA VITÓRIA Mearim PrFDQ -7,148888889 -45,348888889 169 42,3 66,8 01/1972 a 09/2005 33286000 SÃO LUIZ GONZAGA Mearim FDQ -4,383333333 -44,666666667 351 48,1 102 08/1989 a 12/2005 34030000 MEDONHO Medonho FDQ -9,008333333 -46,005833333 235 14,8 28,5 12/1999 a 03/2005 33790000 URBANO SANTOS Mocambo FDQ -3,209166667 -43,406388889 23,2 1,59 5,5 11/2004 a 12/2007 33720000 FAZENDA CAPUEIRA Munim FDQ -4,166944444 -43,223888889 20,6 0,012 2,82 12/2002 a 12/2007 33730000 MUNIM Munim PFDQ -3,580555556 -43,697222222 213 1,36 31,7 12/1971 a 12/2005 33780000 NINA RODRIGUES Munim PrFDSQ -3,459444444 -43,898888889 546 12,9 115 08/1963 a 12/2005 34145000 NEVES BR-230 Neves FDQ -7,037222222 -45,500833333 76,2 11,1 18 12/1999 a 12/2005 33222000 FAZENDA OURIVES Ourives FDQ -5,779444444 -45,173611111 12,4 3,16 4,49 10/2004 a 12/2005 33212000 PAPAGAIO Papagaio PFDQ -5,983333333 -42,400277778 2,66 1,49 1,72 09/2004 a 12/2007 BARÃO DE GRAJAÚ (PCD SI- 34311000 Parnaíba PFDSQT -6,761900000 -43,026400000 1514 287 504 06/1983 a 12/2005 VAM) 34820000 COELHO NETO Parnaíba FDQ -4,288055556 -42,985555556 2830 218 656 10/1999 a 12/2005 34020000 ALTO PARNAÍBA Parnaíba PFDQT -9,113055556 -45,926111111 498 70,9 116 12/1965 a 12/2005 33214000 SÃO CARLOS Pau Grosso PFDQ -5,891944444 -45,301944444 6,35 4,7 4,30 10/2003 a 08/2005 33080000 ALTO ALEGRE Pindaré PFDQ -3,664722222 -45,841666667 442 26,1 133 12/1999 a 12/2007 33070000 FAZENDA VARIG Pindaré PFDQ -6,170000000 -44,868888889 62,4 11,8 27,7 11/2004 a 12/2007 33190000 PINDARÉ-MIRIM Pindaré FDSQT -3,661111111 -45,458333333 923 25,4 219 01/1972 a 12/2005 33025000 VALE DO PINDARÉ Pindaré PFDQ -4,695833333 -46,933333333 69,2 3,38 16,8 01/1981 a 12/2005 33638000 PEDRAS Pirapemas PFDQ -3,933333333 -44,022222222 120 0,0 8,5 01/1984 a 12/2005 33661000 PIRITORÓ II Piritoró PFDQ -3,706388889 -44,287222222 290 0,0 38,4 02/1989 a 12/2005 33700000 MORRO ALTO Preguiças PFDQ -2,753333333 -42,827777778 33,9 9,81 17,5 11/1999 a 12/2005 33750000 BONSUCESSO Preto FDQ -2,968888889 -43,946666667 38,3 1,3 8,24 11/1999 a 12/2005 33760000 SÃO BENEDITO Preto PFDQ -3,334722222 -43,525000000 96,6 6,27 27,4 01/1975 a 12/2005 33330000 FORTALEZA Santana PFDQ -5,594444444 -46,240277778 168 1,24 12,4 10/1979 a 12/2005 33631000 SÃO MATEUS DO MARANHÃO Tapuio FDQ -4,018055556 -44,441666667 75,0 0,0 8,1 06/2005 a 12/2007 33170000 ESPERANTINA Zutiua FDQ -4,032222222 -45,776666667 198 2,375 20,6 05/1972 a 12/2007 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 4.4 - Distribuição de isoietas (chuvas) anuais médias no período 1977-2006, para o estado do Maranhão. Fonte: Weschenfelder et al. (2011). A CPRM/SGB utiliza o método simplificado, também conhecido como método de dois pontos, para determina- ção da velocidade média em cada vertical. Esse método consiste na determinação da velocidade a um ponto (60% da profundidade total), quando a profundidade for inferior a 0,60 m, e dois pontos (20% e 80 % da profundidade total), quando a profundidade for maior que 0,60 m. O método acústico baseia-se na medição e integração de áreas e velocidades, como na medição com molinete. Essas informações são obtidas pela análise do eco de pulsos de ultrassom (ondas acústicas de alta frequência) refletidos pelas partículas sólidas em suspensão na massa líquida e pela superfície sólida do fundo (Figura 4.6). Simultanea- mente, durante a travessia do canal com uma embarcação na qual o instrumento é afixado, é calculada a batimetria, o levantamento da trajetória da travessia e dos perfis e Figura 4.5 - Medição de vazão com molinete no rio Mearim direções de velocidades, informações que, integradas, for- (município de São Luiz Gonzaga, MA). necem a vazão que atravessa a seção (SANTOS et al., 2001). 72 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS Figura 4.6 - Medição de vazão por efeito Doppler no rio Parnaíba, em seção de medição localizada no município de Teresina, em agosto de 2011. No estado do Maranhão são monitoradas 61 estações estão instaladas as réguas de medição. Compõe-se de fluviométricas, que fornecem uma média de 200 medições duas etapas: levantamento batimétrico (seção molhada) e de descarga líquida por ano. levantamento da parte seca (margens). O levantamento da seção transversal deverá ser executado anualmente, visando Medição de Sedimentos a detectar alteração na geometria da seção, auxiliar na extra- polação da curva de descarga e permitir o uso de modelos A medição da descarga sólida de um rio nos informa hidráulicos de propagação de vazões e níveis. Ele deverá ser sobre o comportamento do processo de transporte dos realizado nas duas margens, partindo-se do nível de água sedimentos em suspensão. Embora a CPRM/SGB não tenha atual lido na régua, e deverá atingir uma cota superior ao trabalhos com esses dados, eles são importantes, pois maior nível de água observado no histórico da estação. nos permitem saber o quão acelerada está a remoção das No levantamento da parte seca da seção transversal, camadas férteis; o estágio em que se encontra o processo as distâncias são, em geral, determinadas com trena, de eutrofização em reservatórios e lagos pela absorção tendo-se o cuidado de efetuar as medidas na horizontal. de nutrientes por sedimentos finos depositados; a con- O levantamento da parte molhada depende das condições taminação da água de reservatórios e lagos por metais locais e pode ser realizado a vau, com guincho hidrométrico pesados, fertilizantes e pesticidas químicos transportados e com ecobatímetro. juntamente com sedimentos finos afluentes ao manancial; O processo a vau é aplicável a rios pequenos e, princi- áreas sujeitas a inundação, permitindo ações de controle palmente, com profundidades inferiores a 1 m e velocidade a enchentes; a vida útil dos reservatórios; a suscetibilidade inferior a 1 m/s. Já o levantamento com guincho hidromé- de áreas sujeitas a desertificação etc. trico deve ser realizado embarcado, com o guincho sendo No estado do Maranhão existem 12 estações de coleta posicionado com cabo de aço graduado ou ancorado, de sedimentos, sendo realizadas, anualmente, 48 medições com utilização de sextante ou distanciômetro. Seu uso é sedimentométricas. As amostras coletadas são enviadas recomendável a uma profundidade máxima de 10 m. Em para o Laboratório de Sedimentometria e Qualidade das relação à velocidade, recomenda-se usar lastro de sonda- Águas (LSQA) da Superintendência Regional da CPRM em gem de 25 kg para velocidades até 2 m/s e de 50 kg para Belo Horizonte (Figura 4.7). velocidades até 3 m/s. O ecobatímetro tem a vantagem Levantamento de Seção Transversal de ser utilizado em praticamente todas as situações de velocidade; dependendo do equipamento, pode efetuar Com o levantamento de seção transversal calcula-se a leitura de profundidades que variam de 0,5 m a 100 m. o perfil transversal do rio no local ou imediações onde No estado do Maranhão, são realizados levantamentos de seção nas 61 estações fluviométricas. Esses dados são importantes, para se verificar a variação da seção trans- versal com o tempo (Figura 4.8). MONITORAMENTO DA QUALIDADE DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS DAS SUB-BACIAS 33 E 34 O monitoramento das águas superficiais e subter- râneas é de fundamental importância para otimização da gestão das águas, porque fornece informações qua- Figura 4.7 - Amostrador de sedimentos. litativas básicas e formas de uso das águas ao longo de 73 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 4.8 - Perfil transversal de 2008 a 2011 da estação de Pindaré-Mirim no rio Pindaré. determinada bacia. Tal monitoramento subsidia a tomada ciente para suportar uma população variada de peixes. de decisões por parte de governantes, visando à imple- Em águas subterrâneas, a quantidade de oxigênio dis- mentação de melhorias, bem como no gerenciamento das solvido é muito baixa, pelo fato de estar fora do alcance águas superficiais. da atmosfera. Normalmente, a quantidade de oxigênio Nas sub-bacias 33 e 34 são monitorados os parâme- dissolvido na água é dada como porcentagem da quan- tros pH, Oxigênio Dissolvido, Temperatura, Condutividade tidade máxima de oxigênio possível de ser dissolvido. Elétrica, Turbidez e Sedimentos (Quadro 4.5). Tal quantidade máxima, denominada nível de saturação, • pH: Potencial de hidrogênio iônico. É um parâmetro que varia com a temperatura da água e pode ser medida em mostra a acidez, a neutralidade ou a alcalinidade de um laboratório, sendo de 11,5 mg/L a 10°C; 9 mg/L a 20°C; meio qualquer. A escala do pH pode variar de 0 a 14, 7,5 mg/L a 33°C. sendo que quanto menor o índice do pH de uma amos- • Temperatura: Medida da intensidade de calor. É tra, mais ácida essa amostra será. Nos rios monitorados um parâmetro importante, pois influi em algumas pela ANA-CPRM/SGB, os valores médios estão bastante propriedades da água (densidade, viscosidade, oxigê- próximos de 6,9, ou seja, podemos considerá-los como nio dissolvido), com reflexos sobre a vida aquática. A rios de águas neutras. temperatura pode variar em função de fontes naturais • Oxigênio Dissolvido: É a quantidade, em mg/L, de (energia solar) e antropogênicas (despejos industriais oxigênio dissolvido na água. O índice OD é um dos mais e águas de resfriamento de máquinas). importantes para se avaliar a capacidade de um corpo • Condutividade elétrica: Capacidade que a água pos- hídrico em suportar atividade biológica de organismos sui de conduzir corrente elétrica. Esse parâmetro está aquáticos. Nas águas naturais de superfície, o índice OD relacionado à presença de íons (partículas carregadas varia de 0 a 19 mg/L, mas um teor de 5 a 6 mg/L é sufi- eletricamente) dissolvidos na água. Quanto maior a Quadro 4.5 - Dados com médias históricas de pH, condutividade elétrica, turbidez e OD dos rios do estado do Maranhão. Médias Estações Código Bacia pH Condutividade Turbidez OD Fazenda Capoeira 33720000 6,13 82,77 40,58 4,29 Munim 33730000 6,44 67,54 48,05 4,50 Nina Rodrigues 33780000 6,15 51,65 13,43 5,18 Iguará 33770000 6,65 129,06 120,77 4,51 MUNIM São Benedito 33760000 6,07 51,17 13,63 4,83 Urbano Santos 33790000 5,88 39,83 3,37 5,66 Bonsucesso 33750000 6,21 43,20 18,53 4,54 Morro Alto 33700000 6,03 47,71 3,73 4,72 74 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS (Continuação) Quadro 4.5 - Dados com médias históricas de pH, condutividade elétrica, turbidez e OD dos rios do estado do Maranhão. Médias Estações Código Bacia pH Condutividade Turbidez OD Fernando Falcão 33430000 5,78 25,17 3,41 4,12 Campo Largo 33450000 5,94 24,11 4,48 3,94 Porto dos Lopes 33460000 6,03 37,15 8,70 4,24 São Felinho 33410000 6,82 72,86 5,70 4,62 Mirador 33420000 6,06 32,40 27,11 4,03 Colinas 33480000 6,02 48,70 7,74 5,48 Mendes 33520000 7,27 229,96 19,24 3,49 Nazaré 33490000 7,30 186,71 26,38 4,55 Montevidéu 33530000 6,40 33,33 19,02 3,95 ITAPECURU Caxias 33550000 6,01 108,25 20,85 5,94 Codó 33590000 6,90 49,86 36,82 4,46 Coroatá 33630000 14,28 56,45 20,80 4,75 Fazenda Sobral 33620000 6,72 128,37 13,30 4,34 Pedras 33638000 6,81 192,421 49,62 2,654 São Mateus 33631000 6,78 116,17 63,05 3,74 Cantanhede 33680000 7,50 149,37 7,66 5,49 Piritoró II 33661000 6,95 244,76 38,30 3,76 Vale do Pindaré 33025000 6,75 222,63 23,91 4,02 Fazenda Varig 33070000 6,74 254,93 21,33 6,25 Ponte BR-222 33050000 6,81 220,15 11,47 3,14 PINDARÉ Alto Alegre 33080000 7,18 228,31 36,93 5,01 Pindaré-Mirim 33190000 6,46 253,03 8,38 5,88 Esperantina 33170000 6,99 290,14 38,73 4,28 Fazenda Remanso 33205000 7,16 54,20 13,54 4,95 Fazenda Ourives 33222000 5,76 24,95 2,02 5,38 São Carlos 33214000 5,54 19,69 2,29 3,35 Papagaio 33212000 5,54 19,83 4,38 4,03 Rio Corda II 33215000 6,04 21,82 3,36 4,53 Barra do Corda 33250000 6,13 84,42 3,64 6,33 MEARIM Santa Vitória 33260000 6,84 41,16 14,89 4,06 Pedreiras II 33281000 6,18 156,53 22,76 5,88 Joselândia 33273000 6,89 169,59 31,59 3,49 Flores 33270000 6,58 89,10 8,34 2,57 São Luiz Gonzaga 33286000 7,03 96,66 40,93 4,12 Bacabal 33290000 7,22 88,06 30,00 4,57 Grajaú II 33321000 7,65 141,35 18,05 4,69 Itaipava 33333000 7,61 142,35 32,28 6,27 Fortaleza 33330000 7,17 78,31 40,17 5,03 GRAJAÚ Fazenda Sabesa 33365000 7,56 201,25 33,90 4,44 Aratoí Grande 33380000 6,82 280,86 14,54 5,82 75 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO quantidade de íons dissolvidos, maior a condutividade BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho elétrica na água. Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 357, de • Turbidez: Presença de matéria em suspensão na água, 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação como argila, silte, substâncias orgânicas finamente di- dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu vididas, organismos microscópicos e outras partículas. enquadramento, bem como estabelece as condições O padrão de potabilidade é: turbidez inferior a uma e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras unidade. providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. • Sedimento: Detrito rochoso resultante de erosão, 53, p. 58-63, 18 mar. 2005. Disponível em: . Acesso em: 08 fev. 2013. depositado na superfície da terra, em camadas de partículas soltas, quando diminui a energia do fluido BRASIL. Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos que o transporta: água, gelo ou vento. Naturais Renováveis. Plano Nacional de Recursos O Capítulo II da Resolução nº 274/2000, referente à Hídricos. Síntese Executiva. Brasília, DF: Ministério do classificação dos corpos de água, Seção I, Águas Doces, Meio Ambiente, Secretaria de Recursos Hídricos, 2006a. Artigo III, Classe 2, define os seguintes itens como neces- 135 p.; 27 cm. + 1 CD-ROM. sários para atender a tal classe: a) ao abastecimento para consumo humano, após BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de tratamento convencional; Recursos Hídricos. Caderno da região hidrográfica b) à proteção das comunidades aquáticas; Atlântico Nordeste Ocidental. Brasília, DF: MMA, c) à recreação de contato primário, tais como natação, 2006b. esqui aquático e mergulho; d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais Recursos Hídricos. Caderno da região hidrográfica o público possa vir a ter contato direto; e do Parnaíba. Brasília, DF: MMA, 2006c. e) à aquicultura e à atividade de pesca. Na Resolução CONAMA n. 357/2005 (BRASIL, 2005), BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Capítulo III, referente às condições e padrões das águas, Recursos Hídricos. Caderno da região hidrográfica Seção I, Águas Doces, Artigo III, Classe 2, definem-se os do Tocantins-Araguaia. Brasília, DF: MMA, 2006d. seguintes itens como necessários para atender a tal classe: 1 - pH entre 6 e 9; BRASIL. Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente 2 - OD não inferior a 5 mg/L O2; Urbano. Conjunto de normas legais: recursos 3 - turbidez até 40 unidades nefelométricas de tur- hídricos. 7. ed. Brasília, DF: MMA, 2011. bidez (UNT). Pela quantidade de parâmetros, não temos como FEITOSA, A.C.; ALMEIDA, E.P. A degradação ambiental do precisar um enquadramento, mas podemos ter um in- rio Itapecuru na sede do município de Codó-MA. Cadernos dicativo da classe em que ele poderá estar enquadrado. de Pesquisas, São Luís, v. 13, n. 1, p. 31-45, 2002. Pelos poucos parâmetros, poderíamos arriscar incluí-lo na Classe 2, ou seja, um rio cujas águas sofram um simples IBGE. Zoneamento geoambiental do estado do tratamento poderá ser distribuído para consumo humano Maranhão: diretrizes gerais para a ordenação territorial. e dessedentação animal, além de outros tipos de usos sem Salvador: IBGE, 1997. grande restrições. Mas, para tal afirmação, seriam neces- sárias análises envolvendo outros parâmetros, tais como MARANHÃO. Governo do Estado. Mapa de bacias coliformes fecais e totais, clorofila A, DBO5, nitrogênio hidrográficas. São Luís: UEMA/NUGEO, 2009. amoniacal, dentre outros. SANTOS, I.; FILL, H.D.; SUGAI, M.R.B.; BUDA, H.; KISHI, REFERÊNCIAS R.; MARONE, E.; LAUTERT, F.L. Hidrometria aplicada. Curitiba: Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento, ANA. Ministério do Meio Ambiente. Atlas Brasil: 2001. 372 p. abastecimento urbano de água: resultados por estado. Brasília, DF: ANA: ENGECORPS/COBRAPE, 2010. v. 2. WESCHENFELDER, A.B. et al. Projeto atlas pluviométrico do Brasil: isoietas anuais médias – ANA. Ministério do Meio Ambiente. Bases de período 1977 a 2006. Rio de Janeiro: CPRM, 2011. dados georreferenciadas: bacias. 2006. Disponível Disponível em: . solicitacaoBaseDados.asp>. Acesso em: 20 abr. 2012. Acesso em: 20 ago. 2012. 76 5 RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS Adson Brito Monteiro (adson.monteiro@cprm.gov.br) Francisco Lages Correia Filho (francisco.lages@cprm.gov.br) João Alberto de Oliveira Diniz (joao.diniz@cprm.gov.br) Rafael Rolim de Souza (rafael.rolim@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ............................................................................................................79 Definição das Classes de Produtividades dos Aquíferos ........................................79 Estimativa da Produtividade das Unidades Hidrogeológicas ..............................79 Unidades hidrogeológicas ..............................................................................79 Projeto Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea no Estado do Maranhão ...................................................................................... 86 Metodologia ..................................................................................................... 87 Diagnóstico dos Poços Cadastrados.................................................................. 88 Referências ........................................................................................................... 89 RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO DAS CLASSES DE PRODUTIVIDADES DOS AQUÍFEROS As águas subterrâneas têm sido utilizadas para as mais diversas atividades humanas desde tempos imemoriais. Struckmeier e Margat lançaram, em 1995, uma meto- Apesar disso, sua natureza e forma de ocorrência sempre se dologia, segundo a qual as unidades granulares e fraturadas revestiram de certo mistério, uma vez que sua localização, são classificadas quanto à produtividade, levando-se em abaixo do solo, torna-a invisível e de difícil acesso, fato que conta: vazão específica, transmissividade, condutividade somente foi atenuado, parcialmente, com o nascimento da hidráulica e vazão explotada. ciência geológica moderna, durante o século XIX (NARA- A CPRM/SGB, a partir de dezembro de 2011, vem SIMHAN, 2009). implementando nova metodologia na confecção de ma- Apesar de ser um componente fundamental do ciclo pas hidrogeológicos, adaptando a referida classificação à hidrológico, representando, aproximadamente, 97% de toda realidade brasileira (Quadro 5.1) e utilizando uma forma de a água doce disponível na Terra, e vital para a subsistência representação em mapa na qual a unidade hidrogeológica humana, sua renovabilidade anual por precipitações é limi- aflorante aparece sobre o aquífero subjacente mais produ- tada e sua qualidade química vulnerável à degradação pela tivo e em profundidade economicamente viável. ação humana. Em muitas partes do mundo, a explotação de águas subterrâneas excede em muito a sua renovabilidade, Estimativa da Produtividade provocando preocupações relativas à sua gestão racional, das Unidades Hidrogeológicas visando a beneficiar as gerações presentes e futuras. No Maranhão, assim como em todo o Brasil, a de- De modo geral, podem-se dividir as unidades hidro- manda por água tem crescido bastante nos últimos anos, geológicas do estado do Maranhão em classes, segundo reflexo da melhoria na qualidade de vida e do crescimento a sua produtividade para captação de água subterrânea, econômico. Apesar de complementar, a participação das de acordo com a classificação de Struckmeier e Margat águas subterrâneas nesse estado no atendimento à deman- (1995) (Quadro 5.2): Muito Alta a Alta; Alta a Moderada; da instalada é grande, estimando-se que 76,6% das cidades Moderada a Geralmente Baixa, porém Localmente Mode- são abastecidas, ao menos parcialmente, com fornecimento rada; Geralmente Baixa, porém Localmente Moderada a hídrico da ordem de 85.106 m3/ano (COSTA, 2000). Geralmente Muito Baixa, Localmente Baixa; Geralmente Do ponto de vista hidrogeológico, o estado está Muito Baixa, Localmente Baixa e Não Aquífera. localizado, quase integralmente, em terrenos da Bacia O enquadramento das unidades quanto à produtivi- Sedimentar do Parnaíba, uma das mais importantes pro- dade e relações de contato foi embasado em observações víncias hidrogeológicas do país. Seu pacote de sedimentos de campo, nos poços do Sistema de Informações de Águas alcança uma espessura da ordem de 3.000 m, com pos- Subterrâneas (SIAGAS) da CPRM/SGB e na literatura. sibilidades promissoras de armazenamento e explotação A descrição litológica e hidrogeológica das unidades de águas subterrâneas. Apresenta dois grandes e impor- hidrogeológicas foi baseada nos trabalhos de diversos au- tantes aquíferos em sua porção inferior: Serra Grande e tores e nos relatórios das folhas Açailândia (VILLAS BOAS; Cabeças, confinados, respectivamente, pelas unidades ARAÚJO, 1999), Bacabal (RODRIGUES et al., 1994), Barra do Pimenteiras e Longá. Esses aquíferos, em função de suas Corda (LOVATO et al., 1994), Caxias (RIBEIRO et al., 1998), grandes profundidades, superiores a 1.000 m, não são Imperatriz (SOUZA et al., 1990), Itapecuru-Mirim (LOVATO explotados no Maranhão. Acima desse conjunto ocorrem et al., 1995), Presidente Dutra (LEITES et al., 1994), São Luís outros aquíferos produtivos, explotados no estado, como: (RODRIGUES et al., 1994) e Vitorino Freire (COLARES et al., Poti-Piauí, Sambaíba, Corda, Grajaú e Itapecuru, separados 1990), do Programa Levantamentos Geológicos Básicos entre si por outros menos produtivos, constituídos pelas (PLGB/CPRM) e no Projeto Mapa Hidrogeológico do Brasil formações Pedra de Fogo, Pastos Bons, Motuca e Codó, e ao Milionésimo, em ambiente SIG (MONTEIRO, 2012a, b; unidades não aquíferas, como os derrames basálticos. Dois SOUSA, 2012). outros importantes sistemas aquíferos ocorrem também no As possíveis relações de contato, em subsuperfície, das estado, embora não façam parte da Bacia Sedimentar do unidades mesozoicas e paleozoicas, no âmbito da Folha SB.23 Parnaíba: Barreiras, de vital importância na ilha de São Luís, – Teresina, escala 1:1.000.000, são apresentadas na Figura 5.1. e Urucuia, ocorrente no extremo sul do estado e integrante da Bacia Sanfranciscana. Unidades hidrogeológicas Os Depósitos Aluvionares e as Formações Cenozoicas Indiferenciadas têm importância restrita no atendimento Produtividade muito alta a alta às populações difusas. Os corpos ígneos e metamórficos que constituem • Aquífero Urucuia o meio fraturado são inexpressivos, descontínuos e sem Características Litológicas: É o principal aquífero da representatividade com relação à captação de água sub- Bacia Sanfranciscana, contínuo, com extensão regional, terrânea. 79 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Quadro 5.1 - Definição das classes de produtividade dos aquíferos. Q/s(m3/h/m)* T(m2/s) K(m/s) Vazão (m3/h) Produtividade** Classe Muito Alta: Fornecimentos de água de impor- tância regional (abastecimento de cidades e >4,0 >10-02 >10-04 >100 (1) grandes irrigações). Aquíferos que se destaquem em âmbito nacional. Alta: Características semelhantes à classe anterior, 2,0. STRUCKMEIER, W.F.; MARGAT, J. Hydrogeological maps: a guide and a standard legend. International RIBEIRO, J.A.P.; MEMO, F.; VERISSIMO, L.S. (Orgs.). Association of Hydrogeologists, Hannover, v. 17, p. Caxias, folha SB.23-X-B: estados do Piauí e Maranhão. 1-77, 1995. Brasília, DF: CPRM, 1998. 130 p. il. + 2 mapas. Escala 1:250.000. Programa Levantamentos Geológicos Básicos VILLAS BOAS, J.M.; ARAÚJO, C.C. de. Açailândia, folha do Brasil. Projeto Especial Mapas de Recursos Minerais, SB.23-V-A: estados do Pará e Maranhão. Brasília, DF: de Solos e de Vegetação para a Área do Programa CPRM, 1999. 1 CD-ROM. Escala 1:250.000. Programa Grande Carajás. Subprojeto Recursos Minerais. Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil. Projeto Especial Mapas de Recursos Minerais, de Solos e de RODRIGUES, T.L. das N. (Org.) et al. São Luís, folha Vegetação para a Área do Programa Grande Carajás. SA.23-Z-A; Cururupu, folha SA.23-X-C: estado do Subprojeto de Recursos Minerais. Maranhão. Brasília, DF: CPRM, 1994. 185 p. il. Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil. Programa ZOBY, J.L.G.; MATOS, B. Águas subterrâneas no Brasil e Grande Carajás. sua inserção na política nacional de recursos hídricos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS, RODRIGUES, T.L. das N. et al. Bacabal, folha SB.23- 12., Florianópolis, 2002. Anais... Florianópolis: ABAS, X-A, estado do Maranhão. Brasília, DF: CPRM, 2002. 90 6 CARTOGRAFIA DA VULNERABILIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Paulo Pontes Araújo (paulo.araujo@cprm.gov.br) Cesar Lisboa Chaves (cesar.chaves@cprm.gov.br) Helder Ribeiro da Silva (helder.silva@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 93 Material e método ............................................................................................... 93 Índice de vulnerabilidade à poluição dos lençóis aquíferos ................................. 93 Referências ........................................................................................................... 94 CARTOGRAFIA DA VULNERABILIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS INTRODUÇÃO ÍNDICE DE VULNERABILIDADE À POLUIÇÃO DOS LENÇÓIS AQUÍFEROS A vulnerabilidade é analisada em função das características dos materiais que recobrem a zona saturada, A classificação da vulnerabilidade mostra que, no os quais conferem algum grau de proteção às águas subter- estado do Maranhão, são evidentes seis diferentes índices râneas contra uma carga contaminante antrópica imposta de vulnerabilidade à poluição: extremo (12,30%); muito alto (FOSTER; HIRATA, 1988). (11,30%); alto (01,4%); moderado (38,6%); baixo (05,5%); A cartografia da vulnerabilidade à poluição de águas muito baixo (30,90%) (Figura 6.1). subterrâneas vem sendo desenvolvida, principalmente, O índice de vulnerabilidade extremo corresponde aos sobre rochas sedimentares de elevada permeabilidade aquíferos compostos por sedimento aluvionar, detrito-laterí- primária, em função da ocupação antrópica desordenada. tico, areia, argila e cascalho. A classe com índice muito alto Nesses ambientes geológicos, os estudos do comportamen- refere-se a aquíferos constituídos por arenito, arenito conglo- to dos contaminantes, da definição da taxa de infiltração merático, argilito arenoso, argilito e conglomerado, classificada e do processo de lixiviação na zona não saturada têm sido como uma formação porosa não consolidada. O índice de importantes para a validação dos índices de vulnerabilidade. vulnerabilidade alto está associado a aquíferos fissurais des- Além disso, tais estudos complementares proporcionam contínuos e de pouca importância regional, que ocorrem nas dados que possibilitam o entendimento do comportamento rochas ígneas e metamórficas. A classe de vulnerabilidade com hidrodinâmico dos recursos hídricos subterrâneos, como índice moderado está associada aos aquíferos mais produtivos também dos processos de contaminação e definição de no estado, os quais estão relacionados às formações Codó, áreas de proteção das águas subterrâneas. A proteção das Grajaú, Urucuia, Itapecuru e aquitardo Sardinha, improdutivo. águas subterrâneas se faz pelo conhecimento da suscetibi- A classificação com índice baixo relaciona-se aos aquíferos lidade dos aquíferos à contaminação e do comportamento Sambaíba e Serra Grande. Por último, as áreas classificadas dos contaminantes em subsuperfície. como de baixo índice de vulnerabilidade estão representadas Dados importantes são gerados na elaboração por aquíferos menos produtivos, associados às formações Pas- da cartografia da vulnerabilidade à poluição de águas tos Bons, Pedra de Fogo, e aqueles mais produtivos: Poti-Piauí, subterrâneas, segundo características específicas dos recur- Motuca e Corda. Também estão inclusos nessa classificação sos hídricos subterrâneos. Tais informações possibilitam ao terrenos não aquíferos onde ocorrem derrames basálticos e gestor dos recursos hídricos tanto uma visão holística sobre o aquitardo Mosquito, improdutivo. a suscetibilidade dos aquíferos à contaminação quanto Em áreas onde a classificação da vulnerabilidade é emitir decisões que estejam de acordo com preceitos esta- moderada, as águas dos aquíferos podem, em longo prazo belecidos para desenvolvimento sustentável, associados ao (100 a 1.000 anos), sofrer modificações por contaminantes desenvolvimento econômico e à observação das limitações moderadamente móveis, mais persistentes, como hidrocar- do meio ambiente hídrico subterrâneo. bonetos halogenados ou não halogenados e alguns metais A utilização do Sistema de Informação Geográfica (SIG) pesados. Sais menos solúveis são também incluídos nesse como ferramenta de processamento e de apresentação grupo. Nas áreas onde a classificação da vulnerabilidade dos resultados gera subsídios que permitem desenvolver é alta, as águas dos aquíferos são suscetíveis a muitos trabalhos de pesquisa mais apurados nos temas abordados. contaminantes, exceto aqueles que são muito absorvíveis e/ou facilmente transformáveis. Nas áreas onde a classifi- MATERIAL E MÉTODO cação da vulnerabilidade é extrema, as águas dos aquíferos podem ser atingidas de forma relativamente rápida por A região de estudo restringe-se aos limites do estado contaminantes degradáveis, como bactérias e vírus, sendo do Maranhão, nordeste do Brasil, com área de 329.555,8 vulneráveis à maioria dos contaminantes (COSTA, 1997). km², limitando-se ao norte com o oceano Atlântico, a A classificação da vulnerabilidade das águas subter- leste com o Piauí, ao sul e sudoeste com o Tocantins e a râneas indica que, para a região analisada, 36,40% apre- noroeste com o Pará. sentam máxima aptidão, o que significa que poderia ser O trabalho de cartografia da vulnerabilidade, na escala indicada como apta à instalação de empreendimentos para 1:2.000.000, foi desenvolvido com o método “Poluição dos o desenvolvimento socioeconômico, enquanto 38,60% Lençóis Aquíferos”, proposto por Taltasse (1972), o qual apresentam aptidão com severas restrições à implantação utiliza a geologia (litologia e estrutural) para classificação de atividades antrópicas, conforme a metodologia adotada. dos índices de vulnerabilidade, sem considerar as atividades Ressalte-se que 23,60% da área do estado do Maranhão antrópicas e o comportamento dos contaminantes em sub- apresentam restrições absolutas à instalação de empreen- superfície. Esse método deve ser claramente diferenciado dimentos potencialmente poluidores. daqueles baseados em trabalhos de campo. Os resultados servem de base para uma discussão a O mapa de vulnerabilidade das águas subterrâneas respeito da definição de políticas de desenvolvimento mais apresenta uma releitura hidrogeológica do mapa geológico apropriadas ao que, talvez, esteja se tornando um novo para- elaborado por Bizzi et al. (2003). digma para a sociedade: a manutenção da qualidade ambiental 93 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO das águas subterrâneas. Além disso, subsidia a elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), com base nos mapas preliminares que refletem a vulnerabilidade dos aquíferos. REFERÊNCIAS ARAÚJO, P.P. Variações sazonais dos componentes nitrogenados, em aquífero livre na zona urbana de Santa Isabel do Pará, nordeste do estado do Pará. 113 p. 2001. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2001. ARAÚJO, P.P. Águas subterrâneas: vulnerabilidade dos aquíferos à poluição como ferramenta para a instalação de empreendimentos industriais. ZEE da área de consolidação e expansão da rodovia BR-163, vale do rio Jamanxim. Belém: CPRM, 2006. ARAÚJO, P.P. Avaliação dos compostos nitrogenados no aquífero livre em agroecossistemas de citros no alto rio Capitão Pocinho, Amazônia Oriental. 175 p. 2011. Tese (Doutorado em Ciências Agrárias/Agroecossistemas da Amazônia) – Universidade Federal Rural da Amazônia e Embrapa Amazônia Oriental, Belém, 2011. ARAÚJO, P.P.; CHAVES, C.L.; SILVA, H.R. da. Avaliação preliminar da vulnerabilidade das águas subterrâneas na bacia do Marajó e bacias adjacentes, escala 1:2.500.000. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 45., 2010, Belém, PA. Anais... Belém: SBG, 2010. ARAÚJO, P.P.; CHAVES, C.L.; SILVA, H.R. da. Vulnerabilidade das águas subterrâneas no estado do Maranhão, em SIG, escala 1:2.000.000. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 46., Santos, SP. Anais... Santos, SP: SBG, 2012. BIZZI, L.A.; SCHOBBENHAUS, C.; VIDOTTI, R.M.; GONÇALVES, J.H. (Ed.). Geologia, tectônica e recursos minerais do Brasil. Brasília: CPRM, 2003. 692 p. [Texto, mapas & SIG]. DVD-ROM. COSTA, W.D. Contaminação e programas de monitoramento de águas subterrâneas. In: SIMPÓSIO IMPACTOS AMBIENTAIS E ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO BRASIL, Rio de Janeiro, RJ, 1997. Anais… Rio de Janeiro, RJ: ABAS, 1997. FOSTER, S.S.D.; HIRATA, R.C.A. Groundwater pollution risk evaluation: the methodology using available data. Lima: CEPIS/PAHO/WHO, 1988. 78 p. TALTASSE, P. Mapas da vulnerabilidade à poluição dos lençóis aquíferos do município de Campinas Figura 6.1 - Mapa de vulnerabilidade das águas subterrâneas, no estado do Maranhão (escala 1:2.000.000. (SP). São Paulo: USP/Instituto de Geociências, 1972. Fonte: Araújo et al. (2012). (Publicação Avulsa, n. 1). 94 7 RECURSOS MINERAIS Evandro L. Klein (evandro.klein@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ........................................................................................................... 97 Minerais Metálicos ............................................................................................... 98 Ouro ................................................................................................................. 98 Zinco, Chumbo e Cobre .................................................................................... 98 Alumínio ........................................................................................................... 98 Insumos Para a Agricultura .................................................................................. 99 Fosfato .............................................................................................................. 99 Calcário Dolomítico e Dolomito Calcítico .......................................................... 99 Outros Fertilizantes Potenciais .......................................................................... 99 Rochas e Minerais Industriais ............................................................................... 99 Rocha Ornamental ............................................................................................ 99 Caulim .............................................................................................................. 99 Titânio. .............................................................................................................. 99 Barita ...............................................................................................................100 Zeólita ..............................................................................................................100 Areias Especiais ................................................................................................100 Argilas Especiais ...............................................................................................100 Gipsita .............................................................................................................100 Calcário ............................................................................................................100 Agregados para Construção Civil ........................................................................101 Pedras Britadas e para Construção .................................................................101 Argila para Cerâmica Vermelha .......................................................................101 Cascalho, Seixo, Areia e Saibro ........................................................................101 Gemas ..............................................................................................................102 Diamante .........................................................................................................102 Ametista e Cristal de Rocha .............................................................................102 Recursos Energéticos ..........................................................................................102 Urânio ..............................................................................................................102 Carvão e Linhito ...............................................................................................102 Folhelho Betuminoso .......................................................................................102 Turfa ................................................................................................................102 Recursos Minerais da Plataforma Continental .....................................................103 Referências ..........................................................................................................103 RECURSOS MINERAIS INTRODUÇÃO rochas pertencentes às classes de minerais industriais, de uso na construção civil e cerâmica, insumos para agricul- Mais de 85% do território do estado do Maranhão tura, gemas, recursos energéticos e água mineral/potável estão inseridos nas bacias sedimentares e coberturas de mesa. Nos terrenos pré-cambrianos, o ouro é o recurso superficiais fanerozoicas, enquanto uma pequena parcela mineral largamente predominante. Na plataforma conti- corresponde aos terrenos pré-cambrianos, representados nental rasa, além de óleo e gás, são conhecidos depósitos pelo Fragmento Cratônico São Luís e Cinturão Gurupi, de calcário agrícola e há potencial para fosfato, ouro, titânio que compõem o embasamento aflorante dessas bacias no e minerais pesados. extremo noroeste do estado. Associadas a esses terrenos O Projeto Mapa Geológico do Estado do Maranhão, encontram-se algumas áreas com indicação, ocorrência e executado pela CPRM/SGB (KLEIN; SOUSA, 2012), compilou reservas minerais (Figura 7.1). mais de 1.200 registros de jazimentos minerais e mais de Por suas características geológicas, as bacias e co- 2.300 processos minerários constam no sistema de geren- berturas sedimentares fanerozoicas hospedam minerais e ciamento de direitos minerários do Departamento Nacional Figura 7.1 - Geologia e recursos minerais existentes no estado do Maranhão. Fonte: Klein e Sousa (2012). 97 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO de Produção Mineral (DNPM, 2012). As reservas minerais Intrusiva Tromaí e em arenitos da Formação Igarapé de oficiais, publicadas no Anuário Mineral Brasileiro (DNPM, Areia. Estratigraficamente, a maioria dos depósitos está 2010) encontram-se resumidas no Quadro 7.1. encaixada em dacitos, basaltos e xistos grafitosos com a Formação Chega Tudo (Chega Tudo, Serrinha, Montes MINERAIS METÁLICOS Áureos), além de riolitos, andesitos, rochas vulcanoclásticas e xistos pelíticos. Ouro Tanto os depósitos do Fragmento Cratônico São Luís como os do Cinturão Gurupi apresentam dois estilos de Os depósitos e ocorrências de ouro concentram-se mineralização: veios ou conjuntos de veios de quartzo de no Fragmento Cratônico São Luís e no Cinturão Gurupi, espessura e comprimento variáveis e conjuntos de vênulas no noroeste do estado do Maranhão, próximo à costa de quartzo-carbonato-sulfeto e disseminações nas rochas atlântica, principalmente nos municípios de Godofredo hospedeiras circundantes alteradas hidrotermalmente Viana, Cândido Mendes, Luís Domingues, Centro Novo (KLEIN et al., 2008b; KLEIN; SOUSA, 2012 e suas referên- do Maranhão e Centro do Guilherme. A descoberta de cias). ouro nessa região ocorreu por volta de 1612 e religiosos jesuítas estabeleceram garimpos na região a partir de Zinco, Chumbo e Cobre 1678. Ao longo do século XX, além da garimpagem, diversas companhias mineradoras executaram trabalhos Ocorrências de esfalerita e galena, com ou sem pirita exploratórios que culminaram na descoberta de vários e barita, e associações geoquímicas anômalas de Zn-Pb- depósitos de ouro primário. A primeira mina industrial do Cu-Ba em sedimentos de corrente, foram identificadas Maranhão, Piaba (na localidade de Aurizona, município em rochas da Formação Codó (ALMEIDA; CALDERARO, de Godofredo Viana), entrou em operação em 2010. 1983; BRUNI et al., 1983; HUFF, 1988), na região de Codó. Quase 60 t de ouro em minério primário e oxidado e Os sulfetos ocorrem, às vezes, com quartzo e barita, três t em minério aluvionar são conhecidas na região como cimento em brechas carbonáticas, ou substituindo (LOPES, 2000). intraclastos, ou de forma disseminada em porções porosas No Fragmento Cratônico São Luís, além de Piaba, de arenitos argilosos. Tatajuba é também depósito com pequena reserva dimen- Indícios de mineralização de cobre foram reportados sionada, sendo conhecidos, historicamente, os garimpos para as regiões de Grajaú e de Carolina (LIMA; LEITE, 1978), Caxias, Pedra de Fogo, Areal e Cavala, entre outros, todos sob a forma de cobre nativo em disseminações pontuais em com atividade intermitente ao longo de décadas. Tais nível amigdaloidal e/ou preenchendo cavidades de basaltos depósitos e garimpos estão predominantemente asso- da Formação Mosquito. ciados à sequência metavulcanossedimentar do Grupo Aurizona, composta por rochas metavulcânicas ácidas e Alumínio básicas, xistos de naturezas diversas, filitos, metachert e quartzitos e, secundariamente, por granitoides da Suíte Da classe dos metais não ferrosos, o alumínio se Intrusiva Tromaí. O principal controle da localização dos concentra em depósitos do noroeste do Maranhão, nos depósitos, entretanto, são as estruturas tectônicas, pois municípios de Bom Jardim e Itinga do Maranhão. Os os corpos de minério estão controlados por falhas e zo- depósitos possuem reservas estimadas em 182,2 Mt de nas de cisalhamento de amplitude pequena a moderada bauxita metalúrgica e 4,0 Mt de bauxita refratária (DNPM, (KLEIN et al., 2008a). 2010). Indícios e ocorrências não explotadas existem ao No Cinturão Gurupi, os depósitos de Chega Tudo e longo da Rodovia BR-010, entre Itinga do Maranhão e Cipoeiro, descobertos em 1995-1996, são os mais adianta- Açailândia (VILLAS BOAS; ARAÚJO, 1999), e na Rodovia dos em termos de desenvolvimento pela indústria mineral. MA-006, próximo à Vila Faísa, em Santa Luzia (KLEIN; A abertura da mina em Cipoeiro está programada para SOUSA 2012). ocorrer a partir de 2013. Segundo Clark e Stone (2009), A gênese das bauxitas da província está ligada ao os recursos são de 65,3 t e 32,5 t de ouro para Cipoeiro e intemperismo laterítico de sequências siliciclásticas da Chega Tudo, respectivamente. Outras ocorrências impor- Formação Ipixuna e do Grupo Itapecuru durante o Paleó- tantes são Serrinha, Montes Áureos e Sequeiro. Os depó- geno (KOTSCHOUBEY et al., 2005). Os perfis são maturos sitos apresentam controles estrutural e litoestratigráfico e autóctones (COSTA, 1991). O perfil laterítico mostra es- bastante claros. Estão distribuídos ao longo da Zona de trutura acamadada, definida pela alternância de horizontes Cisalhamento Tentugal, de orientação NW-SE, que ocorre ricos em Al ou Fe, e zoneamento regional de sul para norte na zona limítrofe entre o cinturão e a área cratônica e estão (KOTSCHOUBEY et al., 2005). Os depósitos mais a sul são encaixados, principalmente, em estruturas que seccionam mais ferruginosos e, nos do norte, os níveis bauxíticos são a sequência metavulcanossedimentar da Formação Chega predominantes, sendo a zona que abriga os principais Tudo. Secundariamente, há ocorrências e depósitos en- depósitos econômicos do distrito. Segundo esses autores, caixados em estruturas que cortam granitoides da Suíte a evolução do perfil intempérico e o zoneamento regional, 98 RECURSOS MINERAIS incluindo a redistribuição e o enriquecimento absoluto de das formações Mosquito e Sardinha para essa finalidade, Fe e Al nos diferentes horizontes e domínios, foram contro- mas há necessidade de estudos que definam tal potencia- lados por variações climáticas e fatores geomorfológicos, lidade. Também as zeólitas, além de suas propriedades que geotectônicos e sedimentológicos. permitem a melhoria da eficiência no uso de nutrientes agrícolas (MONTE et al., 2009), possuem grande potencial INSUMOS PARA A AGRICULTURA na rochagem. Fosfato ROCHAS E MINERAIS INDUSTRIAIS Jazimentos de fosfato na região costeira e em ilhas do Rocha Ornamental noroeste do Maranhão são conhecidos pelo menos desde o início do século XX, em localidades dos municípios de O único polo produtor de rocha ornamental no Ma- Godofredo Viana e Cândido Mendes. Reservas não oficiais ranhão, no momento, é o do município de Rosário, que são estimadas em 29 Mt, com teores de P2O5 variando entre concentra reservas de 21,9 Mt (DNPM, 2010) de granitos 0,8 e 29% (OLIVEIRA; COSTA, 1984). Os depósitos de fosfa- relacionados à Suíte Intrusiva Rosário. Contudo, ocorrên- to são supergênicos (secundários, formados por alteração cias de rochas com potencial ornamental e associadas à e enriquecimento de concentrações primárias) e estão Suíte Intrusiva Tromaí foram reportadas por Klein e Lopes associados a coberturas lateríticas maturas e autóctones (2011), nas proximidades de Centro Novo do Maranhão. Os formadas no Eoceno-Oligoceno. Essas coberturas ocorrem tonalitos apresentam tonalidade esverdeada e os ensaios em pequenos platôs isolados com 20-90 m de altura (COS- físicos efetuados por Mello et al. (2011) foram positivos TA, 1991). As concentrações de fosfatos formaram-se pelo para uso ornamental, mas desaconselham seu uso em intemperismo de rochas metamórficas do Grupo Aurizona pisos de alto tráfego. Nas proximidades de Godofredo originalmente portadoras de fósforo (COSTA, 1991; OLIVEI- Viana, um afloramento apresenta matacões de grani- RA; COSTA, 1984; KLEIN et al. 2008a). O topo dos platôs é toide, também da Suíte Intrusiva Tromaí, com coloração coberto por blocos de crosta ferruginosa marrom-escuro, esverdeada a azulada. Foi sugerido para futura avaliação, que também pode conter fosfato. visando à sua utilização como rocha ornamental (KLEIN Esses fosfatos aluminosos podem ser utilizados como et al., 2008a). fertilizantes após tratamento que aumente a solubilidade do fósforo e, em consequência, a sua eficiência agronômica Caulim (SILVEROL et al., 2006). Estudos realizados nos fosfatos aluminosos dos depósitos de Pirocaua e Trauíra indicam que As reservas de caulim do Maranhão totalizam 2,5 eles possuem eficiência agronômica moderada (KLIEMANN; Mt (DNPM, 2010) e se distribuem em dois depósitos lo- LIMA, 2001; OLIVEIRA; COSTA, 1984). calizados nos municípios de Caxias e Codó. Ocorrências Indícios geoquímicos de mineralização de fósforo e indícios associados ao Grupo Itapecuru são registrados foram também apresentados por Lima e Leite (1978) em na porção centro-norte do estado, entre a várzea do rio amostras com valores relativamente altos de P2O5 (1,07 a Mearim e o rio Munim; ao longo da Rodovia MA-006, nas 23,2%), nas regiões de Brejo (Formação Longá) e Barão do proximidades de Arame e Buriticupu, e na Rodovia MA- Grajaú (Formação Poti). 245, em Encruzilhada; e Tuntum-Barra do Corda (COLARES et al., 1990; KLEIN; SOUSA, 2012; LOVATO et al., 1995). Calcário Dolomítico e Dolomito Calcítico Outras ocorrências, localizadas ao longo da Rodovia BR- 222, nas imediações do rio Pindaré, entre Açailândia e Os jazimentos de calcário agrícola se concentram, Verona, associam-se à Formação Ipixuna (VILLAS BOAS; principalmente, no município de Riachão e distribuem-se ARAUJO, 1999). também por Balsas e São José dos Patos (DNPM, 2012), em domínios das formações Pedra de Fogo e Motuca, do Titânio Grupo Balsas. Análises químicas efetuadas em calcários da Formação Codó, nas localidades de Livramento e Jejum, Indícios de mineralização de titânio são dados pela mostraram teores de MgO de 11,7 a 16,1% e razão MgO/ presença de ilmenita em concentrados de minerais pesa- CaO entre 0,25 e 0,56, dentro do intervalo recomendado dos obtidos em área de domínio de sedimentos costeiros para uso como corretivo de solo (RODRIGUES et al., 1994a). (COSTA et al., 1977). Esses concentrados foram amostra- dos em sedimentos aluvionares nas drenagens da zona Outros Fertilizantes Potenciais costeira e em várias drenagens que cortam as rochas pré-cambrianas do Fragmento Cratônico São Luís. Consi- Na busca de fontes alternativas para fertilizantes, a derando a expressiva ocorrência de sedimentos litorâneos rochagem tem se mostrado um processo promissor. Com nessa região e a existência de anomalias geoquímicas base nisso, é citada a potencialidade das rochas básicas na plataforma continental, exatamente na continuidade 99 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO dos indícios aqui apresentados (CPRM, 2008), deve-se Argilas Especiais ficar atento para esse potencial mineral, empregado na produção de pigmentos. Argilas para cerâmica branca, argilas esmectíticas (bentonitas) e argilas refratárias, com uso industrial dife- Barita renciado, quando comparado ao das argilas para cerâmica vermelha, podem ser consideradas argilas especiais. Três pequenas ocorrências de barita foram reportadas Há várias ocorrências na região de Bacabal e mu- por Lima e Leite (1978), ocorrendo como lâminas delgadas nicípios limítrofes (RODRIGUES et al., 1994a), onde as a placas tabulares de até 1 m de espessura, preenchendo argilas estão associadas ao horizonte mosqueado do fraturas em argilito siltoso da Formação Motuca, ou em perfil laterítico imaturo que recobre ou se desenvolveu níveis finos, de até 1 cm de espessura, em folhelhos da sobre rochas do Grupo Itapecuru (KLEIN; SOUSA, 2012). Formação Itapecuru. O Sistema de Informações Geográficas da Mineração (SIGMINE) (DNPM, 2012) registra duas minas de argilas Zeólita em Timom, em área de ocorrência da Formação Piauí, e um depósito de argila refratária em Codó, em área da O estado do Maranhão apresenta uma área relati- formação homônima. vamente vasta na Bacia do Parnaíba, com jazimentos de Argila esmectítica ocorre a sudeste de Centro Novo zeólita associados à Formação Corda que se distribuem nos do Maranhão, associada ao Grupo Serra Grande, mas não municípios de Governador Edison Lobão, Ribamar Fiquene, há informações sobre dimensões e real potencial da ocor- Montes Altos e Lajeado Novo. rência (KLEIN; LOPES, 2011). Várias ocorrências e indícios De acordo com Rezende e Angélica (1997) e Rezende de argila esmectítica são também conhecidos na porção (2002), a zona zeolítica da Formação Corda, que se es- ocidental do Maranhão, nos municípios de Governador tende por cerca de 400 km2, com espessura superior a 8 Edison Lobão, Davinópolis, Porto Franco, Campestre do m, compreende um pacote de arenitos eólicos e fluviais, Maranhão, Ribamar Fiquene e Montes Altos, associados depositados em amplo sistema desértico sobre derrames às formações Corda, Mosquito e Grajaú (COSTA NETO et basálticos da Formação Mosquito. Não se conhecem, ainda, al., 2012; REZENDE, 1997). Segundo Rezende (1997), a as dimensões reais desses jazimentos nem teores, porém, composição química das esmectitas da Formação Corda sabe-se que a zeólita não ocorre concentrada, mas dispersa indica que elas possuem elevada capacidade de troca cati- em um nível zeolítico, como cimento do arenito hospedeiro ônica, compatível com o observado em argilas bentoníticas (COSTA NETO et al. 2012; REZENDE, 2002). nacionais e estrangeiras. A zeólita é um mineral com largo emprego nas áreas Rezende (1997) cita a presença de esmectitas magne- industrial, ambiental e agronômica. Ensaios tecnológicos sianas na Formação Codó, na região de Codó, indicando seu indicam o uso industrial do mineral após enriquecimento uso como corretivo/condicionador de solos ácidos. O mes- por processos gravimétricos (LUZ et al., 2010). A adição mo autor cita atapulgita preenchendo fraturas em pelitos de zeólita pode aumentar a eficiência agronômica dos da Formação Motuca, na região entre Riachão e Carolina. fertilizantes e, se modificada quimicamente, possui uso potencial como fertilizante de liberação lenta, com taxas Gipsita de liberação de P e N comparáveis às obtidas com produtos comerciais similares (CORREIA; PAIVA, 2003; LUZ et al., A gipsita, com uso na construção civil, agricultura e 2010; MONTE et al., 2009). Na área ambiental, a eficiência pecuária, possui ocorrências e depósitos nos municípios de na remoção de metais pesados em efluentes industriais é Codó e Grajaú. As reservas oficiais estão estimadas em 40,6 aumentada sobremaneira após modificação química da Mt (DNPM, 2010). A gipsita de Codó se associa a uma fácies zeólita, usando a propriedade de troca catiônica (DUARTE evaporítica, onde forma lentes, juntamente com calcário, et al., 2002; SHINZATO, 2007). intercaladas em folhelhos pretos betuminosos na base da Formação Codó (BAQUIL, 1997a; KLEIN; SOUSA, 2012). Areias Especiais Na região de Grajaú, a gipsita forma lentes com grande continuidade lateral e espessura média entre 1 e 14 m Moura (1988) identificou areias oriundas da desagre- (BAQUIL, 1997b). Em Balsas, na jazida da Mineração Vale gação de arenitos da Formação Sambaíba, na região sul do Araguaia, gesso agrícola é fabricado como subproduto do Maranhão, com potencial para uso no fraturamento da extração de calcário. hidráulico de poços de petróleo. Essas areias especiais são compostas, predominantemente, por quartzo, com Calcário alto grau de arredondamento e esfericidade, ausência de feldspatos e outros minerais e biodetritos, com baixo teor As reservas oficiais de calcário (indiferenciado) no es- de finos e boa resistência ao esmagamento a presença de tado do Maranhão totalizam 316,1 Mt (DNPM, 2010). Mais areias especiais. de 95% dessas reservas estão concentrados nos municípios 100 RECURSOS MINERAIS de Balsas e Codó e se associam à Formação Codó. Há, tam- estado, os basaltos da Formação Mosquito possuem larga bém, ocorrências nos municípios de Riachão, Imperatriz, utilização. Não há reservas conhecidas. Barra do Corda, Grajaú, Tuntum, Presidente Dutra, Timom A extração de pedra para construção e calçamento e Caxias (DNPM, 2012; KLEIN; SOUSA, 2012). é efetuada, geralmente, de forma artesanal em várias Os depósitos de Codó não apresentam grande unidades geológicas. São exemplos: (i) arenito silicificado continuidade lateral, ocorrendo como lentes e bolsões da Formação Grajaú, em Tuntum (LEITES et al., 1994), do localmente recobertos por sedimentos das formações Grupo Itapecuru, em Vitorino Freire (COLARES et al., 1990) Corda e Itapecuru. Com base no aspecto físico e nas e Grajaú-Barra do Corda (LOVATO et al., 1994), e da For- condições de beneficiamento, esse calcário foi classifica- mação Corda em Presidente Dutra (KLEIN; SOUSA, 2012); do em três tipos (BAQUIL, 1997a): Tipo A: de cor bege, (ii) siltitos maciços a estratificados da Formação Pedra ocorre intercalado com folhelhos pulverulentos, às vezes de Fogo (KLEIN; SOUSA, 2012); (iii) arenitos ferruginosos com aspecto brechoide, contendo drusas e concreções; que ocorrem em horizontes concrecionários dos perfis é beneficiável. Tipo B: bege ou cinza-claro, compacto, lateríticos imaturos de larga distribuição no estado (KLEIN; maciço e ligeiramente estratificado; usado in natura. SOUSA, 2012; RODRIGUES et al., 1994a). Tipo C: cinza, betuminoso e silicoso; não é utilizado na industrialização do cimento. Argila para Cerâmica Vermelha Há relatos passados da existência de lavras rudimen- tares e de ocorrências não explotadas que necessitam de Os jazimentos de argila para cerâmica vermelha estão confirmação sobre a continuação ou não de sua atividade. distribuídos por todo o Maranhão, mas há uma concentra- Foram descritas lavras nas proximidades do rio Mearim, ção na porção centro-norte do estado que é coincidente em Barra do Corda, com teor de MgO inferior a 4%, com as planícies de inundação dos grandes rios, como sendo utilizado para fabrico de cal. Mas há, também, Munim, Mearim e Itapecuru, que constituem a principal ocorrências com potencial para corretivo de solo (LOVATO fonte de argilas. Também há concentração de jazimentos et al., 1994). Em Vila Cocal, no rio Tocantins, há calcário ao longo das rodovias BR-222, BR-226 e BR-230, que ligam com teores de CaO e MgO satisfatórios para utilização as maiores cidades do estado (KLEIN; SOUSA, 2012). Há, como corretivo de solos (ALMEIDA et al., 1995). Em Buriti também, jazimentos associados a pequenas lentes e ca- Bravo, há ocorrência de lentes de calcário silicificado, com madas de argilito ou pelitos com laminação plano-paralela espessura média de 3 m, intercaladas em arenitos finos intercalados em arenitos do Grupo Itapecuru em Zé Doca e pelitos da Formação Pastos Bons (LEITES et al., 1994). (COLARES; ARAÚJO, 1990), Vitória do Mearim, Miranda do Próximo à divisa com o estado do Piauí, a extração de Norte e Vargem Grande (LOVATO et al., 1995). calcário calcítico (MgO/CaO = 0,005) e dolomito calcítico Outras possibilidades são argilas relacionadas aos (MgO/CaO = 0,71) ocorre em jazimentos pertencentes sedimentos da Formação Cujupe na ilha de São Luís e às formações Motuca e Piauí (RIBEIRO et al., 1998). Mirinzal (RODRIGUES et al., 1994b), argila (mais areia e Segundo esses autores, os primeiros são indicados para cascalho) da Formação Ipixuna e/ou Grupo Itapecuru em uso na construção civil, fabrico de cimento, metalurgia e Açailândia e Verona (VILLAS BOAS; ARAUJO, 1999), em indústria química, enquanto os segundos foram indicados Grajaú e norte de Barra do Corda (LOVATO et al., 1994). para uso como corretivo de solo, nas indústrias de tinta e Ainda, lavras de argila, oriundas de alteração das rochas construção civil e aditivo de asfalto. da Suíte Intrusiva Rosário, são relativamente abundantes Costa et al. (1977) observaram registros pontuais de em Bacabeira, município de Rosário, ao sul de São Luís calcário compacto, de granulação fina, com menos de 1,2 (RODRIGUES et al., 1994b). m de espessura, em meio à sedimentação quaternária lito- rânea entre Carutapera e Turiaçu e associaram essa rocha Cascalho, Seixo, Areia e Saibro à Formação Alcântara do Grupo Itapecuru. Os calcários são magnesianos a dolomíticos, com teores de CaO entre As coberturas lateríticas maturas e imaturas, bastan- 15,8 e >46,0% e de MgO entre 1,1 e 19,6%. te distribuídas no Maranhão, são fontes de concreções ferruginosas, areia, cascalho, saibro e argila. Também o AGREGADOS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL Grupo Barreiras e os Sedimentos Pós-Barreiras são fontes desses insumos. Em Centro Novo do Maranhão, ao longo Pedras Britadas e para Construção da Rodovia MA-306, há minas e ocorrências de seixo e areia; na porção sudoeste da ilha de São Luís, areia grossa São duas as principais unidades geológicas usadas na é explorada mecanicamente em áreas onde afloram os produção de pedras britadas no Maranhão. O polo Rosário- sedimentos desse grupo e da Formação Cujupe; as exten- Bacabeira, ao sul de São Luís, possui várias pedreiras ativas sas coberturas arenosas da Formação Grajaú fornecem que explotam os granitoides da Suíte Intrusiva Rosário. areia em abundância, assim como leitos e paleoterraços Reservas em 1985 eram estimadas em 7 milhões de m3 dos rios Itapecuru, Mearim, Grajaú e Pindaré e a região (RODRIGUES et al., 1994b). Na porção centro-ocidental do dos lagos. 101 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO GEMAS O Anuário Mineral Brasileiro (DNPM, 2010) reporta uma reserva de carvão mineral, ou turfa, segundo o SIGMINE Diamante (DNPM, 2012), de 2,8 Mt no município de Balsas. Esse car- vão está associado à Formação Poti, do Grupo Balsas. Além Há referências, com localização imprecisa, à presen- disso, próximo a Santa Helena, há registro da presença de ça de diamante nas porções sul e sudoeste do Maranhão diversos níveis carbonosos na Formação Codó, descritos (CODEMINAS, 1975). Os indícios estariam relacionados a como linhito, entre 220 e 1.060 m de profundidade no poço aluviões do rio Parnaíba, no limite com o estado do Piauí, MO-1-MA (Mocambo) perfurado pela Petrobras (LEITE et ao sul de Alto Parnaíba; a aluviões do rio das Balsas, em al., 1975). CODEMINAS (1975) faz referência a pequenas seu médio curso; e a aluviões do rio Sereno, próximo a sua ocorrências de carvão, sob a forma de delgadas lâminas foz no rio Manoel Alves Grande, que limita os estados de ou camadas com 2-10 cm de espessura, intercaladas com Tocantins e Maranhão. níveis de arenitos, siltitos e folhelhos das formações Poti, Minerais satélites do diamante (ilmenita e granada) Piauí e Pedra de Fogo. foram identificados por Klein e Lopes (2011) em sedimentos ativos de drenagem e em solos ao norte de Centro Novo Folhelho Betuminoso do Maranhão, em área de afloramento da Formação Iga- rapé de Areia e dos Sedimentos Pós-Barreiras, que ocorre Ocorrências de folhelho betuminoso são descritas sobre um dipolo magnético com eixo orientado segundo para as regiões de Codó, Barra do Corda e Tuntum. a direção N60°E, que indica a presença de intrusão em Nesses locais, o folhelho ocorre em camadas de até 2 subsuperfície. Apesar da existência de mineralogia kimber- m de espessura, interestratificadas com calcários, cal- lítica, a presença de intrusão kimberlítica associada a essa carenitos, arenitos calcíferos, siltitos e gipsita, todo o anomalia e, mesmo, da ocorrência de diamante, necessita conjunto sendo atribuído à Formação Codó. Em Barra de confirmação futura. do Corda, os folhelhos possuem teor de óleo de 10 a A ocorrência de um kimberlito (Flores-01) foi apontada 12%, podendo atingir 17% (CODEMINAS, 1975 e suas em CPRM (2004), no município de Lajeado Novo. referências). Segundo Lenz e Ramos (1985), os folhelhos pirobetuminosos estão contidos na porção estratigrafi- Ametista e Cristal de Rocha camente inferior da Formação Codó, que atinge 15-30 m de espessura, e possuem teores de óleo entre 2 e 7%, Oliveira (1998) apontou ocorrências de cristal de podendo atingir 20%. rocha na região de Balsas-Riachão e de ametista entre Timões e São Francisco, ambas em áreas de afloramen- Turfa to da Formação Pedra de Fogo. O mesmo autor cita a ocorrência de opala na região de Porto Franco-Estreito, Turfeiras são comuns nas planícies de inundação de próximo à divisa com Tocantins, associada ao vulcanismo rios e lagos maranhenses e, secundariamente, na porção básico da Formação Mosquito. Também cita uma ocor- nordeste do estado. Araújo e Veríssimo (1984) definiram rência de ametista em Matões, em área de afloramento cinco áreas principais: (i) rio Pericumã, (ii) lagos interiores, da Formação Codó. Supõe-se que também se associe ao (iii) rio Preguiças, (iv) rios Carrapato e Fome e (v) rio Magu. vulcanismo básico. Os depósitos avaliados nessas áreas (Quadro 7.2) totalizam reservas inferidas de 17,6 Mt, em base seca, equivalentes RECURSOS ENERGÉTICOS a 7,6 Mt em óleo combustível BPF (baixo ponto de fluidez – óleo pesado, resíduo da destilação do petróleo). Urânio As turfas do rio Pericumã têm potencial energético. Apresentam cor marrom, são fibrosas a fibrolenhosas, Anomalias radiométricas de urânio, com valor em tor- com médio grau de decomposição e espessuras variando no de 300 cps, foram identificadas por Lima e Leite (1978) entre 0,5 a 3,40 m, com capeamento máximo de 0,5 m. na região de Coelho Neto, em algumas ocorrências de are- As turfeiras da região dos lagos interiores ocorrem como nitos micáceos e argilosos, finos, intercalados com siltitos lentes argilosas, de pequena espessura e capeamento laminados, atribuídos à Formação Pedra de Fogo. Outra expressivo. Possuem grau de humificação muito baixo, anomalia identificada pelos mesmos autores localiza-se baixo poder calorífico e não são adequadas para fins mais ao sul, no município de Barão do Grajaú, próximo ao energéticos. No rio Preguiças (região de Barreirinhas), as rio Parnaíba, e associa-se a indício geoquímico de fósforo. turfeiras possuem dimensões reduzidas e são controladas pelo paleorrelevo. As turfas possuem médio a elevado Carvão e Linhito grau de decomposição, baixo teor de cinzas e de enxofre e grau de humificação elevado. Na área dos rios Carrapato Segundo Lenz e Ramos (1985), é baixa a favorabilidade e Fome (municípios de Barreirinhas e Tutoia), as turfeiras à existência econômica de carvão na Bacia do Parnaíba. apresentam médio a elevado grau de humificação e são 102 RECURSOS MINERAIS Quadro 7.2 - Reservas inferidas de turfa no estado do Maranhão.. Espessura Volume Densidade Média Reserva Teor Médio PCS* Médio Equivalente Área Área Setor Média in natura (Base Seca) (Base Seca) de Cinzas (Base Seca) em Óleo (ha) (m) (m3 x 106) (g/cm3) (Mt) (%) (cal/g) BDP* (Mt) Pinheiro 1,31 2506 32,94 0,125 3,77 24,8 4212 1,53 Pericumã Ilha Grande 1,96 2920 64,70 0,135 9,01 22,0 4437 3,76 Barreirinhas 2,46 458 12,91 0,116 1,52 14,4 5441 0,72 Preguiças Sobradinho 1,79 270 5,67 0,122 0,68 24,0 4667 0,32 Carrapato Carrapato 1,53 1414 21,64 0,121 2,62 19,7 5224 1,30 Total 7569 137,87 17,60 7,63 Fonte: Modificado de Araújo e Veríssimo (1984) *PCS: poder calorífico superior; BDP: barris por dia. adequadas ao uso energético. As turfeiras do rio Magu de 656,6 Mt e os sedimentos bioclásticos apresentam (costa nordeste, próximo à divisa com o Piauí) são argi- teores de Ca++ e Mg++ entre 34,45 e 37,73% e 1,09 e losas, fibrosas e com teores de cinzas moderados a altos 3,32%, respectivamente (CAVALCANTI, 2011). e não são adequadas para uso energético nem agrícola Com relação a minerais metálicos, entre os rios Gu- (ARAÚJO; VERÍSSIMO, 1984). rupi e Turiaçu, que drenam as unidades pré-cambrianas do Fragmento Cratônico São Luís e Cinturão Gurupi, são RECURSOS MINERAIS reconhecidos pláceres litorâneos auríferos. Esses depósitos DA PLATAFORMA CONTINENTAL contêm ouro com teores em torno de 3,0 g/m3 (CAVAL- CANTI, 2011). Há poucas informações disponíveis sobre os re- Convém ressaltar que o sal marinho apresenta cursos minerais não fósseis da plataforma continental potencial de ocorrência ao longo de toda a costa ma- no estado do Maranhão. O Projeto Geologia da Plata- ranhense. forma Continental Jurídica Brasileira e Áreas Oceânicas Adjacentes (CPRM, 2008) apontou três áreas potenciais REFERÊNCIAS para calcário, uma para ouro e minerais pesados e uma para minerais ilmenita, monazita, zircão e rutilo. Nessas ALMEIDA, H.D.F. de; CALDERARO, R.C.B. Projeto mesmas áreas potenciais há anomalias geoquímicas de sulfetos bacia do Parnaíba: formação Codó, área do Mo, Sr, Ti e Zr. Butica. Relatório de etapa. Belém: PETROMISA, 1983. 1 v. Segundo o SIGMINE (DNPM, 2012), depósitos de (PETROMISA. Relatório Técnico). calcário com fins agrícolas já contam com concessões de lavra ou são objeto de requerimento de lavra. Vários ALMEIDA, H.G.G.; MARINHO, P.A.C.; MARTINS, R.C. requerimentos e autorizações para pesquisa de fosfato Marabá, folha SB.22-X-D: estados do Pará, Maranhão são também registrados. De acordo com Cavalcanti e Tocantins. Brasília, DF: CPRM, 1995. 113 p. il. + 2 (2011), existem pelo menos quatro áreas com con- mapas. Escala 1:250.000. Programa Levantamentos centrações significativas de sedimentos carbonáticos Geológicos Básicos do Brasil (PLGB). bioclásticos marinhos: (i) bancos de Tutoia, formados quase que exclusivamente de fragmentos de algas ARAÚJO, C.C.; VERÍSSIMO, L.S. Prospecção de turfa coralíneas do gênero Lithothaminium; (ii) banco de e linhito no nordeste setentrional: relatório final das São Luís, a norte da cidade de São Luís, composto por etapas I e II. Fortaleza: CPRM, 1984. sedimentos bioclásticos formados por fragmentos de algas calcárias, predominantemente Lithothaminium BAQUIL, C.C. Depósitos de calcário e gipsita de Codó, e, subordinadamente, Halimeda; (iii) banco do Tarol, a Maranhão. In: SCHOBBENHAUS, C.; QUEIROZ, E.T.; norte de Cururupu, formado quase que exclusivamente COELHO, C.E.S. (Coord.). Principais depósitos por fragmentos das algas Lithothaminium; (iv) autofundo minerais do Brasil: rochas e minerais industriais. de Parnaíba, a 380 km da costa norte do Maranhão, Brasília, DF: DNPM; CPRM, 1997a. p. 465-468. v. 4. formado por depósitos de sedimentos biodetríticos, Parte C. também predominantemente formados de algas coralí- neas, com predominância do gênero Lithothaminium. As BAQUIL, C.C. Depósitos de gipsita de Grajaú, Maranhão. reservas oficiais de granulados bioclásticos marinhos são In: SCHOBBENHAUS, C.; QUEIROZ, E.T.; COELHO, C.E.S. 103 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO (Coord.). Principais depósitos minerais do Brasil: CPRM. Carta geológica do Brasil ao milionésimo: rochas e minerais industriais. Brasília, DF: DNPM; CPRM, sistema de informações geográficas (SIG): folha SB.23 1997b. p. 169-175. v. 4. Parte C. Teresina. Brasília, DF: CPRM, 2004. Escala 1:1.000.000. 1 CD-ROM. Programa Geologia do Brasil (PGB). BRUNI, D.C.; BECKEL, J.; SOBREIRA, G.V. Projeto sulfetos bacia do Parnaíba: formação Codó, CPRM. Geologia da plataforma continental jurídica prospecção geoquímica por sedimento de corrente, brasileira e áreas oceânicas adjacentes. Brasília, DF: região do igarapé do Inferno. Belém: PETROMISA, CPRM, 2008. 1 CD-ROM; mapas. Programa Geologia do 1983. Brasil (PGB). Sistema de Informação Geográfica (SIG). CAVALCANTI, V.M.M. Plataforma continental: a DNPM. Anuário mineral brasileiro 2010. Brasília, DF: última fronteira da mineração brasileira. Brasília, DF: DNPM, 2010. Disponível em: . Acesso em: 29 mar. 2012. CLARK, J.L.; STONE, B.G. Technical review of mineral resources of the Gurupi Gold Project, Maranhão DNPM. SIGMINE. 2012. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2012. Allen Holt. Project n. 100511. 2009. Disponível em: . Acesso em: 23 jan. adsorvente de metais pesados presentes em efluentes 2010. industriais. ENCONTRO NACIONAL DE TRATAMENTO DE MINÉRIOS E METALURGIA EXTRATIVA, 19., Recife, 2002. CODEMINAS. 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Brasília, DF: CPRM, 1994b. 185 p. il. agronômica dos compostos organofosfatados obtidos pelo Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil processo Humifert. In: Congresso Brasileiro de Geologia, (PLGB). Programa Grande Carajás. 43., 2006, Aracaju. Anais... Aracaju: SBG, 2006. p. 146. SHINZATO, M.C. Remoção de metais pesados em VILLAS BOAS, J.M.; ARAUJO, C.C. (Coord.). Acailândia, solução por zeólitas naturais: revisão crítica. Revista do folha SB.23-V-A: estados do Pará e Maranhão. Escala Instituto Geológico, São Paulo, v. 27-28, n. 1/2, 1:250.000. Brasília, DF: CPRM, 1999. Programa Levantamentos p: 65-78, 2007. Geológicos Básicos do Brasil (PLGB). 1 CD-ROM. 106 8 RECURSOS ENERGÉTICOS FÓSSEIS Juliana Ribeiro Vieira (jrvieira@anp.gov.br) Eliane Petersohn (epetershon@anp.gov.br) Marina Abelha (maaferreira@anp.gov.br) ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis SUMÁRIO Introdução ..........................................................................................................109 Petróleo ..............................................................................................................109 Bacia do Parnaíba ...............................................................................................109 Bacia de São Luís ................................................................................................. 111 Bacia do Pará-Maranhão ..................................................................................... 111 Bacia de Barreirinhas ........................................................................................... 111 RECURSOS ENERGÉTICOS FÓSSEIS INTRODUÇÃO O estado do Maranhão possui po- tencial petrolífero altamente promissor, caracterizado pela presença das bacias sedimentares do Parnaíba, de São Luís, Barreirinhas e Pará-Maranhão (Figura 8.1). Essas últimas são classificadas como bacias de fronteira exploratória, pois constituem áreas ainda pouco exploradas e pouco conhecidas. PETRÓLEO Atualmente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) monitora 26 concessões explora- tórias (Figura 8.2), além de dois campos de petróleo (classificados como marginais) localizados na porção terrestre da Bacia de Barreirinhas. Ao longo da história da exploração petrolífera das bacias sedimentares inseridas no estado do Maranhão, foi sendo adquirido um conjunto signifi- Figura 8.1 - Mapa de localização do estado do Maranhão, com indicação das bacias cativo de dados geológicos e geofísicos sedimentares terrestres e marítimas. (levantamentos de métodos potenciais, geoquímicos, sísmicos e poços) (Figuras 8.3 e 8.4). No entanto, esse quantitativo é ainda insuficiente para comprovar o potencial dessas bacias. A ANP, por meio de seu Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica (PPA), vem investindo sistema- ticamente na aquisição de novos dados nas bacias de fronteira exploratória, especialmente nas bacias terrestres. Na Bacia do Parnaíba, por exemplo, os investimentos totais superam R$ 200 milhões. Desde 2007, foram concluídos três projetos, incluindo aerolevanta- mento geofísico, levantamento sísmico 2D e levantamento geoquímico. Em 2011, foi contratado novo levantamento sísmico 2D (Figura 8.5). BACIA DO PARNAÍBA A Bacia Sedimentar do Parnaíba localiza-se na porção nordeste do Brasil e abrange área aproximada de 680.000 km2, distribuída pelos estados do Mara- nhão, Piauí, Tocantins e pequena parte pelos estados do Pará, Ceará e Bahia. Figura 8.2 - Mapa de localização do estado do Maranhão, com indicação dos blocos É preenchida por rochas sedimen- exploratórios em concessão nas bacias sedimentares do Parnaíba, Pará-Maranhão e tares siliciclásticas associadas a vulcanis- Barreirinhas. 109 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO mo e intrusões básicas, constituindo unidades depositadas do Siluriano ao Cretáceo. Abriga em seu depocentro um pacote sedimentar-magmático da ordem de 3.500 m de espessura, incluindo horizontes com característi- cas de rochas geradoras e outros com atributos de reservatório. Possui sistemas petrolíferos com- provados e potenciais para a geração de gás natural de origem termogênica comprovada. A atividade exploratória na ba- cia é subdividida em quatro fases. A primeira iniciou na década de 1950, com mapeamentos geológicos de su- perfície, levantamentos gravimétricos e magnetométricos, levantamentos sísmicos e perfuração de dois poços exploratórios. A segunda fase se desenvolveu com a criação da Petro- bras (1956 a 1966), quando foram realizados novos mapeamentos de superfície, levantamentos gravimé- Figura 8.3 - Mapa de localização do estado do Maranhão, com indicação tricos e sísmicos e perfuração de 29 dos levantamentos sísmicos 2D e 3D realizados nas bacias sedimentares do Parnaíba, poços exploratórios. A terceira fase é São Luís, Pará-Maranhão e Barreirinhas. caracterizada pelos contratos de risco (1975 a 1988), com novos trabalhos sísmicos, levantamentos aerogeofísi- cos e perfuração de sete poços explo- ratórios. A quarta fase exploratória da bacia iniciou em 1998, após a criação da ANP, com os trabalhos de fomento da Agência e com as rodadas de lici- tação. Atualmente, a bacia contempla um total de 48 poços exploratórios. A Bacia do Parnaíba é classifica- da como bacia de fronteira explora- tória, ainda pouco conhecida, porém promissora, em função de vários indícios de petróleo e gás natural constatados nos poços perfurados; anomalias de geoquímica de super- fície; presença de exsudações de gás natural; recentes descobertas de gás identificadas na bacia. Em 2010, perfurações na seção devoniana do bloco exploratório PN-T-68, arrematado na Rodada 9 (2008), levaram à descoberta co- mercial de gás natural na Bacia do Parnaíba. Foi declarada a comercia- lidade dos campos de gás de Gavião Figura 8.4 - Mapa de localização do estado do Maranhão, com indicação Azul, que se encontra na etapa de dos poços perfurados nas bacias sedimentares do Parnaíba, São Luís, Pará-Maranhão desenvolvimento, e Gavião Real (já e Barreirinhas. está em produção). 110 RECURSOS ENERGÉTICOS FÓSSEIS de conhecimento geológico ainda incipiente, sendo classificada como bacia de fronteira exploratória. Con- tudo, apresenta potencial petrolífero altamente promissor, com numerosos indícios de petróleo registrados nos poços já perfurados. A exploração teve início na década de 1970, com levantamentos geofísicos (gravimétricos e magnetométricos) em grande parte da bacia e aquisição de dados sísmicos. O primeiro poço (1MAS 0005 MA), perfurado em 1978, foi clas- sificado como produtor subcomercial de óleo. Até o momento, 33 poços já foram perfurados na bacia, resultando em cinco poços produtores subcomer- ciais de petróleo; um produtor subco- mercial de gás natural e condensado; um produtor subcomercial de gás e um descobridor de campo (1PAS 0011 PA), que finalizou produção em 1984. Os óleos identificados são leves de excelente qualidade (de até 44° API), corroborando o potencial dessa bacia. Figura 8.5 - Mapa de localização da bacia do Parnaíba, com indicação Além dos indícios identificados, o dos levantamentos geológicos e geofísicos realizados (e em andamento) pela ANP potencial da Bacia do Pará-Maranhão (destaque para o estado do Maranhão). é corroborado pelo sucesso explora- tório da Margem Equatorial Africana e a recente descoberta de Zayedus na BACIA DE SÃO LUÍS Guiana Francesa, correlatos às bacias da Margem Equatorial Brasileira. A Bacia de São Luís, exclusivamente terrestre, localiza- Atualmente a Bacia do Pará-Maranhão possui 12 blo- se no nordeste brasileiro, compreendendo parte do cos exploratórios em concessão, um bloco da 3ª Rodada noroeste do estado do Maranhão e nordeste do estado do (2001); dois blocos da 6ª Rodada (2004) e nove blocos da Pará. Possui área aproximada de 19.000 km2. 9ª Rodada (2007), totalizando 4.102 km2 de área concedida. Abriga, em seu depocentros, pacote sedimentar da Nesses blocos, as concessionárias vêm investindo ordem de 4.000 m de espessura. É preenchida por sedi- na aquisição de novos dados e na perfuração de poços mentos mesocenozoicos predominantemente clásticos. exploratórios. A Bacia de São Luís também é classificada como bacia de fronteira exploratória, porém, com potencial petrolífero BACIA DE BARREIRINHAS promissor. Possui 18 poços perfurados. A bacia possui potencial para geração de óleo e gás natural. A Bacia de Barreirinhas situa-se na Margem Equatorial Brasileira, no litoral do estado do Maranhão. Possui área de BACIA DO PARÁ-MARANHÃO 54.710 km2, dos quais 8.880 km2 em terra e 45.830 km2 em mar (até a cota batimétrica de 3.000 m). Limita-se, a A Bacia do Pará-Maranhão está localizada na Mar- noroeste, com a Bacia do Pará-Maranhão; a oeste, com a gem Equatorial Brasileira, no litoral dos estados do Pará Bacia de São Luís; a sul com a Bacia do Parnaíba pelo Arco e Maranhão, totalizando área de 92.890 km² (até a cota Ferrer-Urbano Santos; a leste, com a Bacia do Ceará. batimétrica de 3.000 m). A evolução geológica é caracterizada por três se- Apresenta três estágios evolutivos (rifte, transicional quências evolutivas: intracratônica, rifte e drifte, sendo e drifte), sendo preenchida por sedimentos siliciclásticos preenchida por sedimentos siliciclásticos e carbonáticos, e carbonáticos, com vulcanismo associado, constituindo com vulcanismo associado, constituindo unidades depo- unidades depositadas do Neoaptiano ao Recente. sitadas do Devoniano ao Recente. Possui sistemas petrolíferos comprovados e potenciais A atividade exploratória é marcada por três ciclos para geração de óleo leve. No entanto, está em estágio exploratórios. O primeiro e principal ciclo exploratório 111 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO da bacia teve início em 1959, quando foi perfurado o gás natural e estão localizadas na porção terrestre da bacia. primeiro poço (2 HCST 0001 MA). As atividades de per- Essas áreas estão no período de avaliação e os concessioná- furação e levantamentos geofísicos seguiram até 1975, rios estão cumprindo o Programa de Trabalho Inicial (PTI). sobretudo na parte emersa da bacia, com a perfuração Atualmente, quatro blocos exploratórios estão em da maior parte dos poços hoje existentes. O segundo ciclo concessão, sendo um bloco da 3ª Rodada (2001), um da exploratório (1980 e 1988) é caracterizado por novos le- 4ª Rodada (2002), um da 5ª Rodada (2003) e um bloco vantamentos de métodos potenciais e de sísmica terrestre da 6ª Rodada (2004), totalizando área em concessão de e marinha, além da perfuração de 34 poços (terrestres e 2.307 km2. marítimos). Após a criação da ANP, iniciou-se o terceiro A Bacia de Barreirinhas ainda não possui descobertas ciclo exploratório da bacia, com as atividades das con- comerciais. Contudo, para a porção marítima da bacia, as cessionárias dos blocos exploratórios. Foram realizadas expectativas são muito promissoras, onde se espera o mes- novas prospecções sísmicas e perfuração de dois poços mo sucesso exploratório das margens correlatas na África em águas profundas. e na América do Sul. O potencial da bacia é corroborado A Bacia de Barreirinhas possui duas acumulações de pelos resultados dos poços perfurados (atualmente, dos óleo (Espigão e Oeste Canoas), arrematadas na Segunda 94 poços existentes na bacia, 34 apresentam indícios de Rodada de Campos Marginais. Essas acumulações são de hidrocarbonetos). 112 9 ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Iris Celeste Nascimento Bandeira (iris.bandeira@cprm.gov.br) Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução .......................................................................................................... 115 Principais Atrativos Geoturísticos ........................................................................ 115 Sítio Geológico ................................................................................................ 116 Geoparques .....................................................................................................116 Patrimônio Paleontológico ............................................................................... 117 Patrimônio Espeleológico ................................................................................118 Patrimônio Geomorfológico ............................................................................122 Patrimônio Geomineiro ....................................................................................122 Polos Turísticos e Atrativos Geoturísticos ............................................................122 Polo Amazônia Maranhense ............................................................................122 Polo Floresta dos Guarás..................................................................................123 Polo São Luís ....................................................................................................124 Polo Lagos e Campos Floridos .........................................................................125 Polo Munim .....................................................................................................125 Polo Parque dos Lençóis .................................................................................126 Polo Delta das Américas ..................................................................................127 Polo Cocais ......................................................................................................129 Polo Serras Guajajara, Timbira e Kanela ...........................................................129 Polo Chapada das Mesas .................................................................................129 Unidades de Conservação ...................................................................................130 Referências ..........................................................................................................130 ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO INTRODUÇÃO para o desenvolvimento das atividades de preservação, conservação e sustentabilidade, aliadas ao lazer e à edu- As paisagens atuais, que admiramos e utilizamos como cação, por meio da exposição dos estudos geocientíficos atrativos turísticos, são resultados de processos geológicos de maneira compreensível ao público leigo (SILVA, 2008). atuantes ao longo do tempo. As rochas e o relevo, além O conceito de geoturismo está intimamente atrela- de sua importância científica, formam o substrato sobre o do ao conceito de geodiversidade, este consagrado por qual se desenvolve toda a vida no planeta (NASCIMENTO Gray (2004) como “a diversidade natural entre aspectos et al., 2008). Com base nessa perspectiva, originou-se um geológicos, do relevo e dos solos”, abrangendo o sistema novo conceito de turismo que tem o patrimônio geológico- abiótico em sua integridade. Cada cenário da diversida- geomorfológico como seu principal atrativo e busca sua de natural (ou paisagem natural) estaria em constante proteção por meio da conservação de seus recursos e da dinâmica por meio da atuação de processos de natureza sensibilização do turista, com informações sobre a origem geológica, biológica, hidrológica e atmosférica. Um ex- desse patrimônio (RUCHKYS, 2007). pressivo número de autores (BRILHA, 2005; KOZLOWSKI, Esse novo conceito de turismo natural tem como atra- 2004; PETRISOR; SARBU, 2010; SERRANO; RUIZ-FLAÑO, tivos parques geológicos; afloramentos rochosos ígneos, 2007; SHARPLES, 2002), com diferentes olhares, estende metamórficos e sedimentares; depósitos sedimentares sua aplicação aos estudos de planejamento territorial, recentes; cachoeiras; cavidades naturais; sítios fossilíferos; ainda que com ênfase em geoconservação e geoturismo, paisagens geomorfológicas; fontes termais; minas inativas além de abranger, em certa medida, sua componente e outros sítios geológicos, que, associados a características biótica, ou seja, a biodiversidade. ecológicas, arqueológicas ou histórico-culturais aumentam o potencial turístico de determinada área. PRINCIPAIS ATRATIVOS GEOTURÍSTICOS Em função de seu valor científico e econômico, o levantamento do patrimônio geoturístico de uma região O estado do Maranhão apresenta alto potencial ge- é de grande importância para a sociedade, pois contribui oturístico (Figura 9.1), pois abrange grande parte da Bacia Figura 9.1 - Localização dos polos turísticos e principais atrativos geoturísticos do estado do Maranhão. Fonte: Modificado de Bandeira et al. (2013). 115 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Sedimentar do Parnaíba, unidade geotectônica constituída No Maranhão há dois sítios aprovados, conforme por sítios fossilíferos, formas de relevo de grande beleza Inventário de Geossítios do Brasil (SIGEP, 2012): (i) Lençóis paisagística, cachoeiras, corredeiras, piscinas naturais e Maranhenses e Delta do Parnaíba, PI e MA; (ii) Vertebrados afloramentos rochosos que descrevem a história geológica Permianos de Pastos Bons, MA (Formação Geológica Pedra dessa bacia do Paleozoico ao Mesozoico. O estado possui, de Fogo; unidade geológico-ambiental DSVMPasac), no ainda, rochas pré-cambrianas com potencial para geotu- município de Pastos Bons, onde foi encontrado um dos rismo mineiro e feições e depósitos sedimentares recentes, maiores exemplares de anfíbio fóssil do Permiano (PRICE, do Quaternário, que proporcionam belas paisagens, como 1948). Há, ainda, sugestão preliminar para o sítio Astro- praias, campos de dunas, planícies fluviais com potencial blema de Riachão, MA, com diâmetro de 4,5 km e núcleo para balneários, depósitos fluviolagunares recobertos central soerguido de 1 km de diâmetro. por extensos lagos da Baixada Maranhense e mangues, Entretanto, como o estado apresenta contexto paleon- constituindo-se em áreas favoráveis ao turismo ecológico. tológico, geomorfológico e sedimentológico diversificado, é provável que existam outros sítios com potencial de estu- Sítio Geológico do para serem classificados e inseridos no cadastro nacional de geossítios, como o grande acervo de fósseis bivalves, Sítio geológico ou geossítio é a exposição natural icnofósseis, palinomorfos, algas, gastrópodes, ostracoides, ou artificial de um ou mais elementos da geodiversidade, gimnospermas, angiospermas (madeira petrificada), inse- bem delimitado geograficamente, que apresenta valor tos, peixes, répteis, anfíbios, aves, dentre outros fósseis singular do ponto de vista científico, pedagógico, cultural indicativos dos mais diversos ambientes. Destacam-se, ou turístico, seja por seus aspectos geomorfológicos, pa- ainda, as cachoeiras e corredeiras da Chapada das Mesas leontológicos, paleoambientais, sedimentológicos, ígneos, e formações rochosas exibindo estratificações cruzadas metamórficos, estratigráficos, minerários, espeleológicos, de grande porte, formadas em ambiente desértico com seja pela história geológica do lugar. O conjunto de geos- mais de 200 milhões de anos, assim como outras unidades sítios inventariados e caracterizados constitui o patrimônio geológicas que mostram estruturas e texturas geológicas. geológico de uma região (BRILHA, 2005). Para que determinado monumento natural se torne Geoparques um geossítio, é necessário um estudo técnico-científico de- talhado, que comprove a sua singularidade, importância na De acordo com CPRM/SGB (http://www.cprm.gov.br/), caracterização de processos geológicos, expressão cênica, “a geologia e a paisagem influenciaram profundamente a bom estado de conservação, acesso viável e existência de sociedade, a civilização e a diversidade cultural de nosso mecanismos ou possibilidade de criação que lhe assegure planeta, mas, até poucos anos atrás, não havia o reconheci- condições de preservação, conservação e manutenção. mento internacional do patrimônio geológico de importân- Esse estudo será avaliado pela Comissão Brasileira de Sítios cia nacional ou regional e não havia especificamente uma Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP) e, se bem fundamen- convenção internacional sobre o patrimônio geológico. A tado, será aprovado e cadastrado por essa comissão, que é iniciativa da UNESCO [United Nations Educational, Scientific representada pelas seguintes instituições: Academia Brasi- and Cultural Organization/Organização das Nações Unidas leira de Ciências (ABC), Associação Brasileira para Estudos para a Educação, a Ciência e a Cultura] de apoiar a criação do Quaternário (ABEQUA), Departamento Nacional de de geoparques responde à forte demanda expressa por Produção Mineral (DNPM), Instituto Brasileiro de Geografia muitos países através de uma rede global [Rede Global de e Estatística (IBGE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente Geoparques] no sentido de aumentar o valor do patrimô- e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto do nio da Terra, suas paisagens e formações geológicas, que Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Petró- também são testemunhas-chave da história da vida”. leo Brasileiro S.A. (PETROBRAS), Companhia de Pesquisa Segundo definição da UNESCO, geoparque é uma de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/ região com limites bem definidos, envolvendo um número SGB), Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), Socieda- de sítios do patrimônio geológico-paleontológico de im- de Brasileira de Geologia (SBG) e Sociedade Brasileira de portância científica, raridade ou beleza, não apenas por Paleontologia (SBP). razões geológicas, como também em virtude de seu valor Os geossítios aprovados são amplamente divulgados arqueológico, ecológico, histórico e/ou cultural. Deve re- na Internet e em diversas publicações técnico-científicas, presentar um território suficientemente grande para gerar com o objetivo de fomentar ações preservacionistas e atividade econômica, notadamente por meio do turismo. conservacionistas imediatas, principalmente os sítios que A proposta de geoparque pode ser elaborada em estão em risco ou em processo de depredação, ou mesmo parceria com instituições federais, estaduais ou municipais em extinção, encaminhando-se exemplares das referidas ou com o apoio de universidades e instituições privadas e publicações a representantes de governos municipais e submetida à avaliação de especialistas da UNESCO. estaduais e órgãos executivos encarregados da conservação O Projeto Geoparques (disponível em: ), criado pela CPRM/SGB, tem o objetivo de 116 ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO identificar, classificar, descrever, catalogar, georreferenciar e a compreensão de catástrofes ecológicas, transformações divulgar os parques geológicos do Brasil, bem como definir ambientais, evolução dos seres vivos e do próprio signifi- diretrizes para seu desenvolvimento no âmbito da sustentabi- cado da vida em nosso planeta (CARVALHO; ROSA, 2008). lidade. Nesse projeto constam 28 propostas de geoparques fi- O turismo paleontológico pode ser realizado por nalizadas pela CPRM/SGB que aguardam resposta da UNESCO. museus, parques, rotas turísticas e escavações guiadas, A partir de 2012, a CPRM/SGB iniciou estudos de novas possibilitando a conexão entre a preservação e o desen- áreas para geoparques, dentre elas o Delta do Parnaíba. Essa volvimento econômico regional (CARVALHO; ROSA, 2008). região, caracterizada por um ambiente deltaico de interface Devido a grande parte de seu território estar inserida entre os sistemas sedimentares fluviais e marinhos, apresenta na Bacia Sedimentar do Parnaíba, o Maranhão apresenta diversificado conjunto de feições deposicionais de origens alto potencial paleontológico, pois abrange diversos tipos fluvial, fluviomarinha, eólica e marinha, com marcante domí- de fósseis (Figuras 9.2 a 9.6), com diferentes idades e em nio das planícies fluviomarinhas e mangues. Caracteriza-se vários locais do estado (Quadros 9.1 a 9.5). como área de crescente aproveitamento turístico, onde es- tratégias de desenvolvimento sustentável podem e precisam ser inseridas e fomentadas (BARROS, 2012). Patrimônio Paleontológico Paleontologia é a ciência que estuda os restos de animais e vegetais ou de evidências das atividades desses organismos que ficaram preservados em rochas sedimen- tares, denominados “fósseis” (TEIXEIRA et al., 2000). Esse patrimônio fossilífero é importante por representar monu- mentos únicos da história geológica da Terra, possibilitando Figura 9.3 - Anfíbios gigantes, que jazem em rochas sedimentares da formação Pedra de Fogo, de idade permiana, encontrados 6 km ao sul da cidade de Pastos Bons (MA). a Fonte: Price, 1948 apud Santos e Carvalho (2009). b Figura 9.2 - Perfil longitudinal (a) e corte transversal (b) de tronco silicificado (Psaronius brasiliensis), com cerca de 270 Figura 9.4 - Fóssil de peixe do período Cretáceo, localizado na milhões de anos, encontrado no município de Balsas (MA). pedreira Umburanas, município de Brejo (MA). Fonte: Fabriciana Vieira Guimarães. Fonte: Santos, 1994 apud Santos e Carvalho (2009). 117 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 9.5 - Pegada de dinossauro do período Cretáceo, na Figura 9.6 - Vértebra caudal de dinossauro. Lage do Coringa, ilha localidade Ponta da Guia, município de São Luís (MA) do Cajual (MA). Fonte: Oliveira Junior (2009). Fonte: Santos, 1994 apud Santos e Carvalho (2009). Patrimônio Espeleológico como caverna, gruta, lapa, toca, abismo, furna e buraco, incluindo seu ambiente, seu conteúdo mineral e hídrico, as Conforme Resolução CONAMA n° 347 (BRASIL, 2004), comunidades bióticas ali encontradas e o corpo rochoso patrimônio espeleológico é “o conjunto de elementos bi- onde elas se inserem, desde que a sua formação tenha óticos e abióticos, socioeconômicos e histórico-culturais, sido por processos naturais, independentemente de suas subterrâneos ou superficiais, representados pelas cavidades dimensões ou do tipo de rocha encaixante”. naturais subterrâneas ou a estas associadas”, definindo, por De acordo com o Centro Nacional de Estudo, Proteção sua vez, cavidade natural subterrânea como “todo e qual- e Manejo de Cavernas (CECAV), o estado do Maranhão quer espaço subterrâneo penetrável pelo ser humano, com contém oito ocorrências espeleológicas distribuídas em ou sem abertura identificada, popularmente conhecido cinco municípios (Quadro 9.6) (Figura 9.7). Quadro 9.1 - Principais ocorrências em afloramentos de fósseis do Carbonífero (Pensilvaniano) no estado do Maranhão. Fósseis Formação Período Geológica Geológico Localização Coordenadas Cachoeira do rio Itapecuru, cerca de 45 km Restos de vegetais da cidade de Carolina. Conchostráceos e restos Barranco do rio Tocantins. 07°20’S-47°28’W de peixes Margem direita do rio Tocantins, próximo Restos vegetais à localidade de Patos. Vegetais Km 23 da rodovia Barão do Grajaú, BR-230. Margem direita do rio Manuel Alves Grande, Palinomorfos, vegetais e peixes 07°36’S-47°21’W próximo à barra do rio Sereno. Rio Tocantins, 50 km a montante da cidade Vegetais 07°41’S-47°41’W de Carolina. Peixes Estrada São João dos Patos-Limpeza. Fonte: Modificado de Santos e Carvalho (2009). 118 Poti Piauí Carbonífero (Pensilvaniano) ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Quadro 9.2 - Principais ocorrências em afloramentos de fósseis no Permiano no estado do Maranhão. Fósseis Formação Período Geológica Geológico Localização Coordenadas Estrada São Domingos-Benedito Leite, Peixes 16 km ao sul de São Domingos. Vegetais Riacho Salobro, em Benedito Leite. 07°10’S-44°20’W Madeira fóssil, ostracoides, Fazenda Testa Branca, 15 km a leste 07°23’S-46°31’W peixes e anfíbios de Balsas. Morro do Corró, 3 km a sul de Carolina, Vegetais (tronco fóssil) 7°19.800’S-47°27.600’W rodovia Carolina-Riachão. Peixes Oeste de Laje Grande, em Carolina 7°20.000’S-47°28.000’W Fragmentos de tronco Pedro Afonso, sul de Carolina. 08°57’S-48°10’W petrificado Madeiras de coníferas Fazenda União, em Codó. Madeira de dicotiledôneas 15 km ao norte de Coelho Neto. Madeira de dicotiledôneas Fazenda do Coelho, norte de Grajaú. Madeiras Fazenda Monte Alegre, em Grajaú. Peixes Estrada Pastos Bons-Nova Iorque. 06°49’S-44°03’W Localidade Malhada Areia, Fazenda Bom Madeira fóssil 06°46’S-43°23’W Sucesso, em São João dos Patos. Madeira petrificada Carnaúba de Pedra, em Timom. 05°02’S-42°55’W Rio Tocantins, em frente à barra do rio Tronco fossilizado 7°23.500’S-47°33.000’W Manoel Alves Grande. Fazenda do Torto, 9 km de Grajaú; Ponta Tronco e plantas fósseis Vermelha, São Venâncio e Porteira; 5°48.600’S-46°7.800’W arredores de Grajaú. Fonte: Modificado de Santos e Carvalho (2009). Quadro 9.3 - Principais ocorrências em afloramentos de fósseis do Cretáceo (Barremiano) no estado do Maranhão. Fósseis Formação Período Geológica Geológico Localização Coordenadas Palinomorfos, conchostráceos, 1,8 km ao sul e 4,2 km a oeste Cretáceo 05°50’S-47°03’W ostracoides de Montes Altos. Corda 2 km a nordeste de Porto Franco, Palinomorfos, ostracoides Cretáceo 06°08’S-46°45’W estrada para Grajaú. 9 km do rio Pedra de Fogo, Palinomorfos e ostracoides 06°38’S-43°56’W estrada de Nova Iorque-Orozimbo. Arraial Nazaré, 6 km a oeste de Lajes Peixes Cretáceo e a 33 km de Passagem Franca.Pastos Bons (Barremiano) 25,8 km ao norte de Pastos Bons, Palinomorfos e ostracoides 06°35’S-44°15’W estrada para Feira da Várzea. Cerca de 20 km de Limpeza, Peixes em São João dos Patos. Fonte: Modificado de Santos e Carvalho (2009). 119 Pedra de Fogo Permiano GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Quadro 9.3 - Principais ocorrências em afloramentos de fósseis do Cretáceo (Barremiano) no estado do Maranhão. Fósseis Formação Período Geológica Geológico Localização Coordenadas Palinomorfos, conchostráceos, 1,8 km ao sul e 4,2 km a oeste Cretáceo 05°50’S-47°03’W ostracoides de Montes Altos. Corda 2 km a nordeste de Porto Franco, Palinomorfos, ostracoides Cretáceo 06°08’S-46°45’W estrada para Grajaú. 9 km do rio Pedra de Fogo, Palinomorfos e ostracoides 06°38’S-43°56’W estrada de Nova Iorque-Orozimbo. Arraial Nazaré, 6 km a oeste de Lajes Peixes Cretáceo e a 33 km de Passagem Franca.Pastos Bons (Barremiano) 25,8 km ao norte de Pastos Bons, Palinomorfos e ostracoides 06°35’S-44°15’W estrada para Feira da Várzea. Cerca de 20 km de Limpeza, Peixes em São João dos Patos. Fonte: Modificado de Santos e Carvalho (2009). Quadro 9.4 - Principais ocorrências em afloramentos de fósseis do Cretáceo (Aptiano/Albiano) no estado do Maranhão. Fósseis Formação Período Geológica Geológico Localização Coordenadas Vegetais, conchostráceos e 15 km ao norte de Sítio Novo, estrada 05°45’S-46°39’W ostracoides para a cidade de Amarante do Maranhão. Fazenda Santa Alice, localidade de Caiera, Peixes 3°46.800’S-42°45.767’W município de Brejo. Sondagem da Fábrica de Cimento Itapecuru, Palinomorfos distando 22 km a oeste da cidade de Codó. 1,5 km ao sul de Sítio Novo, Ostracoides e conchostráceos 05°54’S-46°43’W estrada carroçável. 16 km ao longo da margem direita do rio Insetos, peixes 05°30’S-45°15’W Mearim, nordeste da cidade Barra do Corda. Peixes Pedrinhas e arredores de Barra do Corda. 45°15’W-5°30’S Pedreira de Umburanas, margem esquerda Vegetais 3°37.800’S-42°38.400’W do rio Paranaíba, 13 km a sudoeste de Brejo. Palinomorfos, bivalves, gastrópodes, ostracoides e Lagoa, próximo à cidade de Chapadinha. 3°46.483’S-43°24.200’W equinoides Vegetais, conchostráceos e Livramento/igarapé ou riacho do Inferno. 04°37’S-44°03’W peixes Margem direita do rio Itapecuru, Peixes entre Fazenda City e Fazenda Cascavel, entre as cidades de Codó e Timbiras. Santo Antônio, Porto Novo, margens Vegetais, conchostráceos e do riacho Gameleira, Fábrica de Cimento 04°30’S-43°50’W peixes Nassau e arredores de Codó. Madeira petrificada, 18 km de Imperatriz, caminho ostracoides, conchostráceos para Montes Altos. Palinomorfos, gastrópodes, Km 17, estrada para D. Pedro, próximo bivalves, ostracoides à entrada de Santo Antônio dos Lopes. Fonte: Modificado de Santos e Carvalho (2009). 120 Codó Cretáceo (Aptiano/Albiano) ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Quadro 9.5 - Principais ocorrências em afloramentos de fósseis do Cretáceo (Albiano) no estado do Maranhão. Fósseis Formação Período Geológica Geológico Localização Coordenadas Margens direita e esquerda do rio Itapecuru, Palinomorfos e icnofósseis norte de Itapecuru-Mirim. Algas, icnofósseis, bivalves, Estrada Pirapema-Cantanhede. ostracoides, peixes, crocodilos BR-316, a 13,5 km a noroeste do cruzamento Foraminíferos, ostracoides e com o rio Pindaré, divisa dos municípios 03°35’S-45°35’W peixes de Bom Jardim e Monção. Bivalves, peixes, crocodilos e Margem direita do rio Itapecuru, próximo dinossauros à ponte da rodovia BR-222. Palinomorfos, bivalves, Margem esquerda do rio Itapecuru, conchostráceos, peixes, norte de Cantanhede. crocodilos e dinossauros Icnofósseis, bivalves, Margem esquerda do rio Itapecuru, gastrópodes, conchostráceos, distante 3 km de Igarapé da Mata. peixes, restos de dinossauros Vegetais, peixes, pegadas de Praia Baronesa/ilha do Livramento, dinossauros litoral de Alcântara. Vegetais, gastrópodes, peixes, Ilha do Cajual/ilha de Itaúna. 2°28.717’S-44°28.167’W restos de dinossauros Ilha do Medo/Ponta da Guia/ Icnofósseis, peixes, répteis Baía de São Marcos. Palinomorfos, peixes, vegetais, pegadas de dinossauros, Ponta Grossa/Farol de São Marcos. icnofósseis Bivalves, gastrópodes, peixes, Porto de Itaqui/Ponta da Madeira. répteis Fonte: Modificado de Santos e Carvalho (2009). Quadro 9.6 - Ocorrências espeleológicas no estado do Maranhão. Nome Litologia Formação Geológica Unidade Geológico-Ambiental Município Gruta da Passagem Funda Calcário Pedra de Fogo DSVMPasac Carolina Gruta do Amor Calcário Pedra de Fogo DSVMPasac Carolina Gruta da Pedra Caída Arenito Sambaíba DSVMPae Carolina Toca do Inferno Arenito Poti DSVMPaef Barão do Grajaú Arenito Casa de Pedra do Zoador Corda DSVMPaef Pastos Bons/Colinas ferruginoso São Domingos Toca do Morcego Arenito Grajaú DSVMPaef do Maranhão São Domingos Caverna Casa de Pedra Arenito Grajaú DSVMPaef do Maranhão São Domingos Caverna Pedra Escrevida Arenito Grajaú DSVMPaef do Maranhão São Domingos Casa Traqueira Arenito Grajaú DSVMPaef do Maranhão Fonte: CECAV. Disponível em: . Acesso em: 24 abr. 2011. 121 Alcântara Itapecuru Cretáceo (Albiano) GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO superfícies planálticas de extensos topos planos e não dissecados – chapadões –, que se destacam topografi- camente, por meio de escarpas rochosas, cerca de 200 m acima do nível de base regional demarcado pelas su- perfícies aplainadas desenvolvidas a partir da abertura dos principais vales na região e do recuo regressivo das escarpas de borda de chapada. - Região do sudoeste do Maranhão, entre Carolina e Estreito, no médio vale rio Tocantins, vem despertando interesse geoturístico, devido à beleza cênica confe- rida por extensas superfícies planálticas e inúmeros platôs, mesetas e morros-testemunhos formados por Figura 9.7 - Entrada da gruta Pedra Caída, localizada na área da Chapada das Mesas, município de Carolina (MA). processos erosivos e intempéricos. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 12 jul. 2012. cerrado e sua perene rede de drenagem formam escarpas com paredões rochosos subverticais e belas cachoeiras Patrimônio Geomorfológico com alto potencial para turismo ecológico e de aventura, permitindo atividades como rapel, canoagem e escalada. Com base no estudo do meio físico do estado do Observa-se, ainda, uma área no noroeste do estado, Maranhão, são descritos e analisados diversos cenários que com grande potencial geoturístico, associada ao leito do constituem valioso patrimônio geomorfológico, de imenso rio Gurupi, que corre sobre as rochas pré-cambrianas do potencial geoturístico. A região mais bem aproveitada turis- Cinturão Gurupi e o Cráton São Luís, formando várias ticamente é a Planície Costeira do Maranhão, com múltiplas corredeiras e cachoeiras, como: Lavadeira, Madalena, Jacu- paisagens associadas a formas de relevo atuais ou subatuais recoaga, Canindé-Açu, Maria Suprema, Itapera, Mamuíra, de idade quaternária. Nessa região, destacam-se os Lençóis Maguari, Omelar e Algibeira (BRASIL, 1997). Maranhenses, caracterizados por diversificado conjunto de padrões de relevo deposicionais de origens eólica, repre- Patrimônio Geomineiro sentando a mais extensa área de sedimentação eólica de idade quaternária no Brasil e gerando complexo mosaico O Maranhão apresenta alto potencial mineral, com de feições e depósitos que mesclam campos de dunas fixas, muitas áreas a serem exploradas e outras que já tiveram campos de dunas móveis e lagoas interdunares. Merece seu auge na mineração (ouro, gipsita e calcário), mas destaque, também, o litoral das Reentrâncias Maranhenses, que se encontram inativas. Algumas das minas/garimpos no noroeste do Maranhão, cujo contorno, recortado em rias inativa(o)s possuem uma história de ocupação, exploração/ e estuários, alterna prolongados espigões ancorados por explotação e geológica muito interessante cientificamente, cordões de areia que geram, à retaguarda, um ambiente de podendo se constituir em atrativos geoturísticos. baixa energia, propício à instalação de vastos manguezais. Do mesmo modo, as planícies fluviomarinhas do Golfão POLOS TURÍSTICOS E ATRATIVOS Maranhense e a planície do Delta do Parnaíba apresentam GEOTURÍSTICOS áreas de grande relevância para o patrimônio geomorfoló- gico e histórico-cultural do litoral maranhense. A criação de polos turísticos no Maranhão constitui-se O interior do estado, com formas de relevo modeladas em estratégia do governo estadual no sentido de otimizar o em rochas sedimentares gonduânicas da Bacia do Parnaíba, investimento e a concentração de produtos turísticos, visando apresenta algumas regiões de grande beleza cênica e po- a transformar o estado em “celeiro” de diferentes atrações, tencial geoturístico, devendo ser integradas ao patrimônio a exemplo de ecoturismo, lazer histórico, cultural, musical e geomorfológico do Maranhão. Merecem destaque três folclórico (FERREIRA, 2007). Nesse sentido, foram individuali- domínios geomorfológicos: zados 10 polos turísticos: Amazônia Maranhense, Floresta dos - Relevo de baixos conservados ou dissecados, que Guarás, São Luís, Lagos e Campos Floridos, Munim, Parque abrange toda a porção central do estado do Mara- dos Lençóis, Delta das Américas, Cocais, Serras Guajajara, nhão. Caracterizam-se por extensos terrenos planos Timbira e Kanela, Chapada das Mesas (MARANHÃO, 2011). das superfícies tabulares, alternados com superfícies profundamente sulcadas em vales encaixados por rede Polo Amazônia Maranhense de alta densidade de drenagem. - Conjunto de superfícies tabulares dispostas, de forma O Polo Amazônia Maranhense localiza-se no noroeste escalonada, em todo o centro-sul do estado do Mara- do Maranhão, litoral ocidental, abrangendo os municípios nhão, constituídas pelas chapadas das Mangabeiras, de Turiaçu, Cândido Mendes, Luís Domingues, Godofredo do Alto Rio Parnaíba e Alto Rio Itapecuru. Representam Viana e Carutapera. 122 ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Seus principais atrativos baseiam-se na biodiversidade da mata amazônica, florestas de manguezais e na geodi- versidade de mangues, rios (Figura 9.8), praias selvagens e corredeiras, assim como na cultura das comunidades quilombolas (Quadro 9.7). Conhecida como a “Pérola do Litoral”, Turiaçu é famosa por seu abacaxi adocicado. Os municípios de Cândido Mendes, Luís Domingues, Godofredo Viana e Carutapera, em conjunto, possuem lindas praias semide- sertas, ilhas belíssimas e uma fauna costeira exuberante. A região participa de uma identidade inusitada formada do entrelaçamento de tradições e manifestações culturais do Maranhão com o Pará, que vai desde a culinária a danças Figura 9.8 - Orla da cidade de Carutapera, bordejada pelo rio e festejos típicos até as expressões populares e gostos interestadual Gurupi. Litoral das Reentrâncias Maranhenses, musicais (MARANHÃO, 2011). constituídas por sedimentos argilosos de mangue. Quadro 9.7 - Patrimônio geológico do polo Amazônia Maranhense. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Unidade de Conservação Praias, Praias semidesertas, igarapés, corredeiras, áreas Amazônia Atrativos Igarapés, Porção oeste da APA das de mangue que possibilitam o turismo ecológico Maranhense geoturísticos olhos d’água, Reentrâncias Maranhenses e de lazer. Manguezais Polo Floresta dos Guarás O Polo Floresta dos Guarás também está localizado no litoral ocidental do estado, abrangendo os municípios de Cedral, Guimarães, Mirinzal, Serrano do Maranhão, Cururupu, Bacuri, Apicum-Açu e Porto Rico do Maranhão. Caracteriza-se por uma área de ecoturismo em que se destacam alguns atrativos geoturísticos, como baías, igarapés (Figura 9.9), estuários e rios que deságuam em meio a manguezais, praias e ilhas desertas (Quadro 9.8). Entre os maiores atrativos, citam-se as ilhas Porto Alegre, do Peru e dos Lençóis, em Cururupu, com cenários deslum- brantes, formadas pelas praias de Caçacueira, São Lucas e Mangunça, e um banco de corais ao alcance apenas de Figura 9.9 - Igarapé de águas cristalinas em meio a remanescentes da floresta amazônica, com belo cenário mergulhadores profissionais. paisagístico e potencial para turismo recreativo e de lazer. O litoral do Polo Amazônia Maranhense e do Polo Porto Rico do Maranhão (MA). Fonte: Marques (2011). Floresta dos Guarás forma uma das maiores áreas deten- toras de mangue do Brasil (SOUZA FILHO, 2005). Nesse crustáceos, moluscos, aves costeiras (guará, garça-branca, ecossistema se alimentam e se reproduzem diversas espé- jaçanã) e outros animais (mamíferos, teleósteos pelágicos e cies de peixes (bonito-listrado, badejo, anchova, corvina, elasmobrânquios), de grande importância para a biodiver- piau e cações), boto-cinza, peixe-boi-marinho, quelônios, sidade e subsistência das populações das zonas costeiras. Quadro 9.8 - Patrimônio geológico do polo Floresta dos Guarás. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Unidade de Conservação •Ecoturismo vinculado a praias semidesertas e Praias, Floresta Atrativos bancos de corais. Banco de corais, Reserva Extrativista de Cururupu dos Guarás geoturísticos Manguezais, •Ambiente geoturístico que abriga diversificada biodiversidade florestal e faunística. 123 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Com base nessas características, tais regiões foram inseridas construída por portugueses, é considerada a capital na Área de Preservação Ambiental das Reentrâncias Ma- mais antiga do estado (FEITOSA; TROVÃO, 2006). Tom- ranhenses em 1991 e na unidade de conservação federal bada em 1997 como Patrimônio da Humanidade pela Reserva Extrativista do Cururupu em 2004. UNESCO, devido ao seu conjunto arquitetônico (Figura 9.10), com cerca de cinco mil imóveis datados entre os Polo São Luís séculos XVII e XIX, caracteriza-se como atrativo turístico de grande importância cultural. Seu litoral representa Esse polo está localizado no extremo norte do estado e belo atrativo geoturístico, como as praias da Ponta da abrange a capital, São Luís, a cidade-monumento Alcântara Areia, São Marcos, Calhau, Olho d’Água, do Meio e – tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Araçagi (Figura 9.11). Nacional (IPHAN) desde 1948 – e os municípios de São José Alcântara, assim como São Luís, destaca-se por seu de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, na ilha de São Luís. harmonioso conjunto arquitetônico (Figura 9.12), ladeiras, São Luís, fundada em 1612 por franceses, inva- lendas e praias encantadoras (Figura 9.13), além do patri- dida posteriormente por holandeses, mas totalmente mônio paleontológico (Quadro 9.9). Figura 9.10 - Casarões históricos da cidade de São Luís (MA). Figura 9.12 - Ruínas da igreja de São Matias, em Alcântara (MA). Fonte: Valter Marques. Fonte: Joaquim das Virgens. Figura 9.11 - Praia de Araçagi, litoral de São Luís (MA). Figura 9.13 - Cenário nostálgico da praia de Alcântara (MA). Fonte: . Fonte: Joaquim das Virgens. Quadro 9.9 - Patrimônio geológico e paleontológico do polo São Luís. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Unidade de Conservação Atrativos Praias, mangues, Belas paisagens relacionadas ao turismo de geoturísticos dunas lazer. Porção oeste da APA Upaon-Açu/ São Luís Fósseis de répteis na ilha de Cajual, pegadas de Miritiba/Alto Preguiças e porção dinossauros na praia da Baronesa (Alcântara) sudeste da APA das Reentrâncias Paleontológico Fósseis e pegadas de dinossauros na Ponta da Guia Maranhenses. (São Luís). 124 ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Em São José de Ribamar, ressaltam-se a tranquilidade bucólica, a religiosidade e a bela enseada que garante místicas paisagens. Em Raposa, há atrativos turísticos, como praias, mangues (Figura 9.14) e dunas, assim como atrativos culturais (artesanato, rendas de bilro) e gastronômicos (culinária baseada em peixes e ostras). Em Vivendas de Paço do Lumiar encontra-se um turismo cultural, com carroças de tração animal que nos remetem a uma viagem no tempo. Figura 9.15 - Árvore em estágio final, porém majestosa, cercada por vegetação de macrófitas. APA da Baixada Maranhense – Lago Capivari, município de Penalva (MA). Fonte: Mendonça (2011). Figura 9.14 - Ambiente de mangue (Raposa, MA). Fonte: Rafysa dos Santos Costa. Polo Lagos e Campos Floridos Figura 9.16 - Encontro das águas do rio Mearim e águas Localizado no centro-norte do Maranhão, esse polo oceânicas, promovendo uma onda de sentido inverso ao da é composto pelos municípios de Cajari, Santa Inês, Arari, corrente fluvial (pororoca). Município de Arari (MA). Pedro do Rosário, São Bento, Viana, Conceição do Lago Fonte: . Açu,Matinha, São Vicente Ferrer, Lago Verde, Monção, Penalva, Vitória do Mearim, Pindaré-Mirim e Pinheiro. esportes radicais, em especial por praticantes de surfe, o É considerado um dos mais belos polos turísticos do que configura peculiar atrativo geoturístico nessa região estado, caracterizado por extensa planície fluviolagunar, pobre da Baixada Maranhense. rios, estuários, mangues e campos alagados da Baixada Maranhense, denominados “Pantanal Maranhense”, tendo Polo Munim como destaque as ilhas flutuantes dos lagos Formoso, da Lontra, Cajari e Capivari, no município de Penalva (Figura O Polo Munim destaca-se pela diversidade de atrativos 9.15) (Quadro 9.10). naturais e culturais contidos em seis municípios: Axixá, Ressalta-se o fenômeno natural da pororoca (Figura Icatu, Rosário, Presidente Juscelino, Cachoeira Grande e 9.16), no município de Arari, situado no baixo curso do Morros. Na região são encontrados rios, igarapés, lagos e rio Mearim, cujas águas, episodicamente, são barradas praias que constituem um cenário natural de beleza ímpar pela força das águas do oceano, que, devido às grandes (Figuras 9.17 e 9.18). Somam-se a essa riqueza o acervo amplitudes de maré de sizígia, avançam sobre a zona es- arquitetônico, as manifestações culturais, como bumba- tuarina da Baía de São Marcos, no Golfão Maranhense, e meu-boi e tambor de crioula, além de toda a singularidade invadem a desembocadura do rio Mearim. Atualmente, há e importância das comunidades quilombolas da região grande interesse nesse fenômeno por parte de adeptos de (Quadro 9.11) (MARANHÃO, 2011). Quadro 9.10 - Patrimônio geológico e geomorfológico do polo Lagos Campos Floridos. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Unidade de Conservação Lagos e Campos Atrativos Ambiente fluviomarinho, que abriga história geológica Campos alagados e APA Baixada Maranhense geoturísticos recente, com alto potencial para o turismo ecológico. Floridos estuários 125 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 9.17 - Área com alto potencial geoturístico relacionado a balneários, às margens do rio Munim. Figura 9.18 - Cachoeira do Boqueirão, município de Icatu (MA). Fonte: Quadro 9.11 - Patrimônio geológico do polo Munim. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Unidade de Conservação Porção oeste da APA Atrativos Praias, corredeiras, Polo recortado por vários rios, com planícies aluviais Munim Upaon-Açu/Miritiba/Alto geoturísticos lagos e cachoeiras favoráveis ao turismo de lazer em balneários. Preguiças Polo Parque dos Lençóis Situado no litoral oriental do Maranhão, abrange os municípios de Humberto de Campos, Primeira Cruz, Santo Amaro e Barreirinhas. Seus atrativos geoturísticos são rios (Figura 9.19), mangues, dunas móveis e lagoas interdunas (Figura 9.20), constituindo áreas de paisagens magníficas, com condições favoráveis para turismo de lazer. Essa unidade geoambiental abriga uma biodiversida- de que condiciona um ecossistema de grande fragilidade ambiental. Por esse motivo, em junho de 1981 foi criado o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (Figura 9.21), com área de 155.000 ha, por meio do Decreto nº 86.060, de 02 de junho de 1981 (Quadro 9.12). Figura 9.20 - Lagoa interduna. Município de Barreirinhas (MA). a b c Figura 9.19 - Rio Preguiças, coberto por vegetação de vitórias-régias (a), margeado por vegetação de babaçus (b) e de mangue (c). 126 ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Figura 9.21 - Área de localização do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Quadro 9.12 - Patrimônio geológico do polo Parque dos Lençóis. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Unidade Geoturísticos Descrição de Conservação Praias de grande beleza cênica, formadas ao longo do tempo Parque Nacional dos Praias geológico por processos sedimentares, eólicos e marinhos. Lençóis Maranhenses Parque Atrativos dos Lagoas rasas interdunares, formadas por águas pluviais quando e porção leste da APA geoturísticos Lagoas Lençóis o nível freático regional está mais elevado. Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças e oeste da APA Rios e mangues Rios margeados por diversos tipos de vegetação. Foz do Rio Preguiças Polo Delta das Américas costeiras, fluviomarinhas, restingas, mangues e dunas, foi criada, em agosto de 1996, a Área de Proteção Ambiental Localizado no nordeste do estado, na divisa com o (APA) Delta do Parnaíba (Figura 9.22), que envolve tanto o Piauí, esse polo abrange os municípios de Tutoia, Paulino Maranhão quanto os estados do Piauí e Ceará, totalizando Neves, Água Doce do Maranhão e Araioses. Envolve a 313.809 ha que correspondem ao perímetro de 460.812 região sob influência do Delta do Parnaíba, que tem 70% m de extensão, incluindo a área marítima. de sua área no Maranhão, sendo a única feição deltaica Esse ambiente deltaico apresenta diferentes feições das Américas localizada em mar aberto e o terceiro maior com alto potencial geoturístico, como: praias, lagoas, delta oceânico do mundo (MARANHÃO, 2011). Devido mangues, rios, dunas fixas associadas à vegetação de à sua importância ecológica, relacionada à presença de restinga e caatinga litorâneas e dunas móveis (Figura 9.23) várias espécies vegetais e animais que habitam as planícies (Quadro 9.13). Figura 9.22 - Área de localização do polo Delta das Américas (no estado do Maranhão) e a APA Delta do Parnaíba. 127 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Quadro 9.13 - Patrimônio geológico do polo Delta das Américas. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Unidade de Conservação Praias Extensa e complexa feição geomor- Delta das Atrativos APA Foz do Rio Preguiças e APA Delta Lagoas fológica, composta por sedimentos Américas geoturísticos do Parnaíba Mangues e ilhas quaternários. Polo Cocais O Polo Cocais localiza-se na porção leste do estado, abrangendo os municípios de Aldeias Altas, Caxias, Codó, Coelho Neto, Pedreiras e Timom e se insere na porção sul da APA dos Morros Garapenses (Figura 9.24). Sua denominação é em homenagem às palmáceas da região, especialmente o babaçu (Figuras 9.25 e 9.26). Dentre os atrativos geoturísticos destacam-se os iga- rapés, com alto potencial para balneários, e os fósseis da Formação Codó (Quadro 9.14). Ressalta-se, ainda, o misti- cismo religioso da região, com destaque para os terreiros de cultura afro-indígena brasileira, o terecô, assim como os casarões seculares. Figura 9.23 - Dunas móveis, dunas fixadas pela vegetação e lagoas interdunares. Delta do Parnaíba, município de Tutoia (MA). Fonte: . Figura 9.25 - Vegetação de babaçu sobre planície aluvionar do rio Munim. Município de Chapadinha (MA). Figura 9.24 - Localização do polo Cocais e da APA Figura 9.26 - Baixos platôs dissecados sob vegetação dos Morros Garapenses. exuberante de babaçus. Rodovia BR-222. 128 ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Quadro 9.14 - Patrimônio geológico e paleontológico do polo Cocais. Polo Patrimônio Atrativos Turístico Geoturísticos Descrição Unidade de Conservação Atrativos geoturísticos Igarapés Turismo de lazer associado a balneários. Cocais APA dos Morros Garapenses Paleontológico Fósseis Presença de fósseis na Formação Codó. Polo Serras Guajajara, Timbira e Kanela Polo Chapada das Mesas No centro-sul maranhense encontra-se o Polo Serras Localizado nas porções sul e sudoeste do estado, esse Guajajara, Timbira e Kanela, situado entre os municípios polo abrange os municípios de Imperatriz, Tasso Fragoso, de Barra do Corda, Grajaú, Fernando Falcão, Jenipapo dos Estreito, Carolina, Balsas, Riachão, São João do Paraíso Vieiras, Formosa da Serra Negra, Itaipava do Grajaú, Arame e Porto Franco. Na área do polo registram-se paredões e Sítio Novo. rochosos, formados há mais de 200 bilhões de anos, sob Região com atrativos geoturísticos de interesse paleon- ambientes marinho, desértico, fluvial e extravasamento tológico e geomorfológico, constituída por baixos platôs, de lavas vulcânicas, que, por processos sedimentares, tec- colinas dissecadas e planaltos de significativa beleza (Figura tônicos e erosivos foram litificados esculpidos, formando 9.27) (Quadro 9.15), exibe notória relevância cultural, por relevos sob a forma de planaltos, platôs e morros residuais. ser o berço da cultura milenar das etnias Guajajara, Timbira Tais formações rochosas, quando associadas a vegetação e Kanela. de cerrado, inscrições rupestres e rios perenes, formam um cenário geoturístico de grande beleza geológica e geomorfológica (Figura 9.28) (Quadro 9.16). Figura 9.27 - Platôs dissecados sustentados por material Figura 9.28 - Relevo de morros-testemunhos e platôs sustentados caulinítico da formação Itapecuru (unidade geoambiental por unidades rochosas formadas em antigo ambiente desértico DSVMPasaf). Rodovia BR-226, município Barra do Corda (MA). associado a derrames vulcânicos. Município de Carolina (MA). Quadro 9.15 - Patrimônio geomorfológico e paleontológico do polo Serras Guajajara, Timbira e Kanela. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Geoturísticos Descrição Unidades geológicas do Permiano, Serras Guajajara, Geomorfológico Formas de relevo e cachoeiras Cretáceo e Paleógeno, sustentando relevos Timbira e Kanela tabulares e colinosos. Paleontológico Fósseis Fósseis das formações Codó e Grajaú. Quadro 9.16 - Patrimônio geológico, geomorfológico, paleontológico e espeleológico do polo Chapada das Mesas. Polo Turístico Patrimônio Atrativos Descrição Unidade Geoturísticos de Conservação Atrativos Paredões rochosos Estruturas geológicas com potencial geoturísticos para turismo científico e paisagístico. Paleontológico Fósseis Fósseis da Formação Pedra de Fogo. Chapada das Mesas Formas de relevo e Associação de planaltos, platôs, vales Parque Nacional Geomorfológico da Chapada das Mesascachoeiras encaixados e superfícies aplainadas com cachoeiras de grande beleza. Espeleológico Grutas Grutas Passagem Funda, do Amor e Pedra Caída. 129 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Todavia, as cachoei- Nacionais (PARNA), Estações Ecológicas (ESEC) e Reservas ras de São Romão, Cocal, Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). Já as Unidades Santa Barbara (Figura de Uso Sustentável estão divididas nas seguintes categorias: 9.29), do Capelão, do Reservas Extrativistas (RESEX), Florestas Estaduais (FLORSU), Dodô, Itapecuruzinho, Florestas Nacionais (FLONA), Áreas de Proteção Ambiental Pedra Caída, da Prata, (APA). da Caverna e Ilia, assim As Reservas Biológicas (REBIO) representam as como as piscinas naturais unidades mais restritivas, possuindo um nível máximo de água cristalina (Poço de proteção. As Unidades de Uso Sustentável, embora Azul), em meio aos imen- tenham restrições para algumas categorias, como Parques sos paredões rochosos, Nacionais e Estaduais, estabelecidas no Plano de Manejo, são as grandes respon- permitem visitações, pesquisas científicas, atividades de sáveis pelo encanto que educação e recreação em contato com a natureza e tu- envolve esse polo. rismo ecológico. Já as categorias como Áreas de Proteção Ambiental (APA), UNIDADES DE Reservas Extrativistas (RESEX) e Estações Ecológicas (EE) são CONSERVAÇÃO menos restritivas, permitindo a visitação e, em certos casos, até propriedade privada. Entretanto, assim como as unidades O estado do Mara- de conservação de visitação mais restrita, essas unidades têm Figura 9.29 - Cachoeira Santa Bárbara, região de Chapada das nhão é composto por 26 papel estratégico para a conservação ecossistêmica. Mesas (MA). unidades de conservação Fonte: Hugo Leonardo Fernando (Figura 9.30), sendo 14 REFERÊNCIAS Lope sob jurisdição estadual (Quadro 9.17) e 12 sob BANDEIRA, I.C.N.; DANTAS, M.E.; THEODOROVICZ, A.; jurisdição federal (Quadro 9.18), divididas em dois grupos SHINZATO, E. Mapa geodiversidade do estado do (Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000): Unidades de Proteção Maranhão. Teresina: CPRM, 2013. Integral e Unidades de Uso Sustentável. São consideradas Unidades de Proteção Integral: Re- BARROS, J.S. Proposta de geoparque: delta do servas Biológicas (REBIO), Parques Estaduais (PES), Parques Parnaíba e das Américas. Teresina, 2012. 7 p. Inédito. Figura 9.30 - Mapa de localização das unidades de conservação no estado do Maranhão (elaborado com base nos dados obtidos em: ). 130 ATRATIVOS GEOTURISTICOS, POLOS TURÍSTICOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Quadro 9.17 - Unidades de conservação estadual no Maranhão. Denominação Categoria Uso Instrumento de Criação Municípios Abrangidos APA das Nascentes do Rio das Balsas Decreto nº 14.968, de 20.03.1996. Balsas. APA do Maracanã Decreto nº 12.103, de 01.10.1991. Ilha de São Luís. APA Baixada Maranhense Anajatuba, Arari, Bequimão, Bacurituba, Cajapió, Subárea Baixo Mearim Central do Maranhão, Conceição do Lago-Açu, APA Baixada Maranhense Lago Verde, Matinha, Mirinzal, Monção, Olho Subárea Baixo Pindaré Decreto nº 11.900, de 11.06.1991, d’Água das Cunhãs, Olinda Nova do Maranhão, reeditado em 05.10.1991. Palmeirândia, Pedro do Rosário, Penalva, Peri-Mirim, Pinheiro, Pindaré-Mirim, Pio XII, APA Baixada Maranhense Presidente Sarney, Santa Helena, São Bento, São Subárea do Estuário João Batista, São Mateus, São Vicente Ferrer, Viana, Vitória do Mearim e Ilha dos Caranguejos. Área de Cedral, Guimarães, Mirinzal, Bequimão, Cândido APA Reentrâncias Proteção Decreto nº 11.901, de 11.06.1991, Mendes, Porto Rico do Maranhão, Apicum-Açu, Maranhenses Ambiental reeditado em 09.10.1991. Serrano do Maranhão, Turiaçu, Luís Domingues, Godofredo Viana, Cururupu, Bacuri, Carutapera e Alcântara. APA Foz do Rio Preguiças Decreto nº 11.899, de 11.06.1991, Barreirinhas, Paulino Neves, Tutoia, reeditado em 05.10.1991. Água Doce do Maranhão e Araioses. Axixá, Barreirinhas, Humberto de Campos, Icatu, Morros, São Luís, Paço do Lumiar, Presidente APA Upaon-Açu/Miritiba/ Alto Preguiças Decreto nº 12.428, de 05.06.1992. Juscelino, Primeira Cruz, Rosário, Santa Quitéria do Maranhão, Santa Rita, São Benedito do Rio Preto, São Bernardo, São José de Ribamar, Tutóia, Belágua, Cachoeira Grande e Urbano Santos. APA do Itapiracó Decreto nº 15.618, de 23.06.1997. Ilha de São Luís e São José de Ribamar. APA_Morros Garapenses Decreto nº 25.087, de 31.12.2008.. Duque Bacelar, Buriti, Coelho Neto e Afonso Cunha. PE Marinho do Parcel de Manuel Luís Decreto nº 11.902, de 11.06.1991. Ao largo do município de Cururupu. Parque Decreto nº 7.641,de 04.06.1980, PE do Mirador Estadual alterado pela Lei nº 8.958, Mirador. de 08.05.2009. PE do Bacanga Decreto nº 7.545, de 02.03.1980. Ilha de São Luís. Estação Ecológica do Sítio Decreto nº 21.797, de 15.12.2005, Estação do Rangedor Ecológica alterado pelo Decreto nº 23.303, de Ilha de São Luís. 07.08.2007. Quadro 9.18 - Unidades de conservação federal no estado do Maranhão. Fonte: Elaborado com base nos dados obtidos em: . Nome Categoria Uso Instrumento de Criação Municípios Abrangidos Decreto nº 95.614, de 12.01.1988. REBIO do Gurupi Reserva Biológica Bom Jardim, Centro Novo e São João do Caru. PARNA das Nascentes do Decreto s/nº, de 16.07.2002. Alto Parnaíba (MA), Mateiros e São Félix (TO), For- Rio Parnaíba mosa do Rio Preto (BA), Gilbués, Barreiras do Piauí, São Gonçalo do Gurgueia e Corrente (PI). PARNA da Chapada das Parque Nacional Decreto s/nº, de 12.12.2005. Mesas Carolina, Riachão e Estreito. PARNA dos Lençóis Mara- Decreto nº 86.060, de 02.06.1981. nhenses Primeira Cruz, Santo Amaro e Barreirinhas. APA Delta do Parnaíba Área de Decreto s/n°, de 28.08.1996. Luís Corrêa, Morro da Mariana e Parnaíba (PI); Proteção Araioses e Tutoia (MA); Chaval e Barroquinha (CE). APA Serra da Tabatinga Ambiental Decreto nº 99.278, de 06.06.1990. Alto Parnaíba (MA), Ponta Alta do Norte (TO). RESEX da Mata Grande Decreto n° 532, de 20.05.1992. João Lisboa, Davinópolis, Senador La Rocque. RESEX do Ciriaco Decreto n° 534, de 20.05.1992. Cidelândia RESEX Chapada Limpa Decreto s/n°, de 26.09.2007. Chapadinha Reserva RESEX Marinha do Delta Extrativista Decreto s/n°, de 16.11.2000. do Parnaíba Água Doce, Araioses (MA) e Ilha Grande (PI). RESEX Quilombo Flexal Decreto n° 536, de 20.05.1992. Mirinzal. RESEX Cururupu Decreto s/n°, de 02.06.2004. Cururupu e Serrano do Maranhão. 131 Sustentável Proteção Integral Proteção Integral Sustentável GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e OLIVEIRA JUNIOR, F.P. de. Levantamento e Gestão. Zoneamento geoambiental do estado do catalogação do registro fóssil na ilha do Cajual, Maranhão: diretrizes gerais para a ordenação territorial. Alcântara, MA. 2009. 26 f. Trabalho de Conclusão de Salvador: IBGE, 1997. Curso (Graduação em Biologia) – Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, 2009. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 347, de 10 PETRISOR, A.I.; SARBU, C.N. Dynamics of geodiversity and de setembro de 2004. Dispõe sobre a proteção do eco-diversity in territorial systems. Journal of Urban and patrimônio espeleológico. Diário Oficial da União, Regional Analysis, v. 2, n. 1, p. 61-70, 2010. Brasília, DF, n. 176, p. 54-55, 13 set. 2004. Disponível em: . Acesso em: 19 abr. 2012. Pedra de Fogo, estado do Maranhão. Rio de Janeiro: DNPM/DGM, 1948. 32 f. (Bol. DGM, 124). BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Áreas especiais. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 19 abr. 2012. do Mearim. Arari, 2011. Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2012. Braga: Palimage, 2005. 190 p. RUCHKYS, U.A. Patrimônio geológico e CARVALHO, I.S.; ROSA, A.A.S. da. Patrimônio geoconservação no Quadrilátero Ferrífero, Minas paleontológico no Brasil: relevância para o Gerais: potencial para a criação de um geoparque da desenvolvimento socioeconômico. Memórias e UNESCO. 2007. 211 f. 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Conhecer para conservar: um olhar sobre as unidades de conservação estaduais do Maranhão. São Luís: SETUR, SILVA, C.R. da (Ed.). Geodiversidade do Brasil: 2011. Exposição de fotografias. conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008. 264 p. MENDONÇA, F.S. Irmã morte, irmã vida nos lagos da baixada. In: MARANHÃO. Secretaria de Estado de Meio SOUZA FILHO, P.W.M. Costa de manguezais de Ambiente. Conhecer para conservar: um olhar sobre macromaré da Amazônia: cenários morfológicos, as unidades de conservação estaduais do Maranhão. São mapeamento e quantificação de áreas usando imagens Luís: SETUR, 2011. Exposição de fotografias. de sensores remotos. Revista Brasileira de Geofísica, Rio de Janeiro, v. 23, n. 4, p. 427-435, 2005. NASCIMENTO, M.A.L. do; RUCHKYS, U.A; MANTESSO- NETO, V. Geodiversidade, geoconservação e TEIXEIRA, W.; TOLEDO, M.C.M. de; FAIRCHILD, T.R.; geoturismo: trinômio importante para a proteção do TAIOLI, F. (Orgs.) Decifrando a Terra. São Paulo: patrimônio geológico. São Paulo: SBG, 2008. 82 p. Oficina de Textos, 2000. 568 p. 132 10 ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO: UM INSTRUMENTO APLICADO AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Introdução ..........................................................................................................135 Pressupostos e Arcabouço Teórico-Conceitual ....................................................135 Procedimentos Operacionais ...............................................................................137 Biblioteca de Padrões de Relevo ..........................................................................138 Considerações Finais ...........................................................................................139 Referências ..........................................................................................................139 ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO: UM INSTRUMENTO APLICADO AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE INTRODUÇÃO 1982); ou da reconstituição de superfícies regionais de aplainamento (LATRUBESSE et al., 1998). Premissa já ressaltada por vasta literatura, a geomor- O mapeamento de padrões de relevo consiste na aná- fologia representa um campo de conhecimento de notável lise morfológica do relevo com base em fotointerpretação capacidade de integração com as outras variáveis do meio da textura e rugosidade dos terrenos, a partir de diversos geobiofísico. Frequentemente, unidades de paisagem de- sensores remotos. Nesse sentido, é de fundamental impor- limitadas em estudos geoecológicos ou de geodiversidade tância esclarecer que não se pretendeu produzir uma nova são calcadas a partir de regiões com características morfo- metodologia de mapeamento geomorfológico, mas gerar lógicas semelhantes e que estão, muitas vezes, diretamente uma cartografia dos padrões de relevo de fácil e reprodu- associadas à ocorrência de determinados tipos de rochas, tível operacionalidade, em consonância com os objetivos solos e vegetação. e as necessidades de um mapeamento e diagnóstico da O conceito de padrão de relevo baseia-se na identifi- geodiversidade, aplicável a todo o território nacional, sen- cação e representação espacial de determinado conjunto do contempladas as suas especificidades ambientais e sua de formas de relevo que apresenta expressiva semelhança dimensão continental. morfológica. Tal conceito foi descrito por Ross (1990), que Sob essa ótica, Ab’Saber (1969) já propunha uma o define como o terceiro táxon de sua metodologia de análise dinâmica da geomorfologia aplicada aos estudos mapeamento geomorfológico, e é similar aos conceitos de ambientais, com base na pesquisa de três fatores interli- sistemas de relevo (PONÇANO et al., 1979) ou de unidades gados: identificação da compartimentação morfológica homólogas (SOARES; FIORI, 1976). dos terrenos; levantamento da estrutura superficial das Entretanto, um mapeamento de padrões de relevo paisagens; estudo da fisiologia da paisagem (Figura 10.1). deve estar firmemente atrelado à avaliação do contexto A compartimentação morfológica dos terrenos é ob- geomorfológico regional, com base na análise da evo- tida a partir da avaliação empírica dos diversos conjuntos lução geológica dos terrenos e de seus condicionantes de formas e padrões de relevo posicionados em diferentes litoestruturais e na formação das superfícies regionais de níveis topográficos, por meio de observações de campo e aplainamento, assim como no entendimento das provín- análise de sensores remotos (fotografias aéreas, imagens cias geológicas (ou unidades morfoestruturais) e de seus de satélite e Modelo Digital de Terreno (MDT)). Tal com- correspondentes domínios geomorfológicos (ou unidades partimentação é justaposta aos modelos de ordenamento morfoesculturais). do uso do solo e planejamento territorial, constituindo-se em importantíssima e fundamental contribuição da geo- PRESSUPOSTOS E ARCABOUÇO morfologia. TEÓRICO-CONCEITUAL A estrutura superficial das paisagens consiste no estudo dos mantos de alteração in situ (formações superficiais au- O mapeamento e a descrição analítica de padrões de tóctones) e coberturas inconsolidadas (formações superficiais relevo foram elaborados objetivando atender às demandas alóctones) que jazem sob a superfície dos terrenos. Essa abor- geradas pela compartimentação geológico-geomorfológi- dagem, de grande relevância para compreensão da gênese ca proposta pela metodologia de mapeamento da geodi- e evolução das formas de relevo, aliada à compartimenta- versidade do território brasileiro (CPRM, 2006; SILVA, 2008) ção morfológica dos terrenos, constitui-se em importante em escalas de análise sintéticas ou pequenas (1:500.000 a elemento para avaliação dos distintos graus de fragilidade 1:2.500.000) (RAMOS et al., 2006, 2010). natural dos terrenos frente a processos erosivo-deposicionais. A proposta visa a agregar informação geomorfológica A fisiologia da paisagem, por sua vez, consiste na que complemente e enriqueça o mapeamento da geodiver- análise integrada das diversas variáveis ambientais em sidade, destacando-se os grandes conjuntos morfológicos sua interface com a geomorfologia. Ou seja, expressa a compatíveis com o nível dos trabalhos, sem necessidade influência de condicionantes litológico-estruturais, padrões de utilização de códigos e parâmetros complexos, caracte- climáticos e tipos de solos na configuração física das pai- rísticos dos mapeamentos geomorfológicos tradicionais. O sagens. Com essa terceira avaliação objetiva-se, também, principal objetivo é prover rapidez e eficiente aplicabilidade compreender a ação dos processos erosivo-deposicionais a estudos integrados, com vistas ao planejamento territorial. atuais, inclusive os impactos decorrentes da ação antropo- A proposta em tela difere das metodologias clássicas gênica sobre a paisagem natural. Dessa forma, embute-se de mapeamento geomorfológico presentes na literatura, na análise geomorfológica o estudo da morfodinâmica, tais como: as abordagens descritivas em base morfológico- enfatizando-se a análise de processos. morfométrica, como as elaboradas por Barbosa et al. (1977) Nesse sentido, a análise de padrões de relevo ateve-se para o Projeto RADAMBRASIL; Ponçano et al. (1979) e Ross à avaliação do primeiro dos pressupostos elencados por e Moroz (1996), para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas Ab’Saber: a compartimentação morfológica dos terrenos. do Estado de São Paulo (IPT); das abordagens sistêmicas, Portanto, a compartimentação de relevo efetuada nos ma- com base na compartimentação topográfica em bacias peamentos de geodiversidade elaborados pela Companhia de drenagem (COELHO NETTO et al., 2007; MEIS et al., de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do 135 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 10.1 - Demonstração dos níveis de abordagem geomorfológica, seguindo metodologia de análise de Ab’Saber (1969). 136 ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO: UM INSTRUMENTO APLICADO AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE Brasil (CPRM/SGB) não representa um mape- Tabela 10.1 - Atributos e biblioteca de padrões de relevo do território brasileiro. amento geomorfológico completo, clássico, haja vista não terem sido privilegiados os as- Símbolo Tipo de Relevo Declividade Amplitude (graus) Topográfica (m) pectos de gênese, evolução e morfodinâmica. Desse modo, ao apresentar uma Bibliote- Planícies Fluviais R1a 0 a 3 zero ca de Padrões de Relevo do Território Brasileiro ou Fluviolacustres que representa, em traços gerais, a complexa R1b1 Terraços Fluviais 0 a 3 2 a 20 diversidade morfológica do relevo brasileiro, a R1b2 Terraços Marinhos 0 a 3 2 a 20 CPRM/SGB tem como objetivo inserir a temá- R1b3 Terraços Lagunares 0 a 3 2 a 20 tica do relevo-paisagem-geomorfologia em Vertentes Recobertas uma análise integrada do meio físico aplicada R1c1 5 a 45 Variávelpor Depósitos de Encosta ao planejamento territorial, empreendida por R1c2 Leques Aluviais 0 a 3 2 a 20 meio do mapeamento de geodiversidade em R1d Planícies Fluviomarinhas 0 (plano) zero suas diferentes escalas. O mapeamento de padrões de relevo está calcado, metodolo- R1e Planícies Costeiras 0 a 5 2 a 20 gicamente, na aplicação do terceiro táxon R1f1 Campos de Dunas 3 a 30 2 a 40 hierárquico da metodologia de mapeamento R1f2 Campos de Löess 0 a 5 2 a 20 geomorfológico proposta por Ross (1990). R1g Recifes 0 zero Em todos os sistemas de informação R2a1 Tabuleiros 0 a 3 20 a 50 geográfica (SIGs) de geodiversidade desenvol- R2a2 Tabuleiros Dissecados 0 a 3 20 a 50 vidos pela CPRM/SGB, o mapa de padrões de relevo correspondente pode ser visualizado, R2b1 Baixos Platôs 0 a 5 0 a 20 acessando-se, no arquivo shapefile, o campo R2b2 Baixos Platôs Dissecados 0 a 5 20 a 50 de atributos “COD_REL”. R2b3 Planaltos 0 a 5 20 a 50 R2c Chapadas e Platôs 0 a 5 0 a 20 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS Superfícies Aplainadas R3a1 0 a 5 0 a 10 Conservadas Para executar a ambiciosa tarefa de en- Superfícies Aplainadas gendrar uma “biblioteca de padrões de relevo” R3a2 0 a 5 10 a 30 Degradadas que expressasse, de forma coerente e represen- R3b Inselbergs 25 a 60 50 a 500 tativa, toda a geodiversidade morfológica do Domínio de Colinas Amplas território brasileiro, foram executados, entre os R4a1 3 a 10 20 a 50 e Suaves anos de 2006 e 2007, mapeamentos prelimina- Domínio de Colinas res das Folhas ao Milionésimo em todas as re- R4a2 5 a 20 30 a 80 Dissecadas e Morros Baixos giões geográficas do Brasil, abrangendo, desse Domos em Estrutura modo, todos os domínios morfoclimáticos pre- R4a3 3 a 10 50 a 200 Elevada conizados por Ab’Saber (1977, 2003). Em adi- Domínio de Morros ção, foi somada a esse esforço a produção de R4b 15 a 35 80 a 200 e de Serras Baixas mapas geomorfológicos gerados pela CPRM/ R4c Domínio Montanhoso 25 a 60 300 a 2000 SGB por todo o país, em diferentes escalas de análise. Com esse enfoque, foram selecionados R4d Escarpas Serranas 25 a 60 300 a 2000 28 padrões de relevo para os terrenos existentes Degraus Estruturais R4e 10 a 45 50 a 200 no território brasileiro (Tabela 10.1), levando-se, e Rebordos Erosivos essencialmente, em consideração: R4f Vales Encaixados 10 a 45 100 a 300 - Parâmetros morfológicos e morfométri- cos que pudessem ser avaliados pelo instrumental O mapeamento dos padrões de relevo do território foi tecnológico disponível nos kits digitais (imagens efetivamente consolidado entre os anos de 2008 e 2012, LandSat GeoCover e Modelo Digital de Terreno e com a elaboração dos mapas de geodiversidade estaduais. Relevo Sombreado (SRTM – resolução espacial de 90 Para análise conjunta dos padrões de relevo, elabo- m); mapa de classes de hipsometria). rou-se uma legenda explicativa. Trata-se do “Apêndice - Reinterpretação das informações existentes nos mapas II – Biblioteca de Relevo do Território Brasileiro”, parte geomorfológicos produzidos por diversas instituições, integrante de todos os livros de geodiversidade estaduais em especial os mapas desenvolvidos no âmbito do da CPRM/SGB, que agrupa características morfológicas e Projeto RADAMBRASIL, em escala 1:1.000.000. morfométricas gerais, assim como informações generaliza- - Execução de uma série de perfis de campo, com o das quanto à gênese e vulnerabilidade frente a processos objetivo de aferir a classificação executada. geomorfológicos (intempéricos, erosivos e deposicionais). 137 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Até o momento, encontra-se disponível para o público Destacam-se, nesse contexto, os tabuleiros elaborados em geral (http://www.cprm.gov.br) o levantamento da por rochas sedimentares dos grupos Barreiras e Solimões, geodiversidade dos seguintes estados: Rondônia (ADAMY, dentre as principais. 2010), Bahia (CARVALHO; RAMOS, 2010), Minas Gerais (MACHADO; SILVA, 2010), Amazonas (MAIA; MARMOS, III – Domínio das Unidades Denudacionais em Rochas 2010), Mato Grosso (MORAES, 2010), São Paulo (PEIXO- Sedimentares Litificadas TO, 2010), Rio Grande do Norte (PFALTZGRAFF; TORRES, Compreende terrenos pouco a muito elevados e 2010), Piauí (PFALTZGRAFF et al., 2010), Mato Grosso do topos aplainados, elaborados, geralmente, sobre as bacias Sul (THEODOROVICZ; THEODOROVICZ, 2010) e Rio Grande sedimentares intracratônicas de idades paleozoica a do Sul (VIERO; SILVA, 2010). mesozoica, submetidas a diferentes graus de epirogênese Com relação aos demais estados, os levantamentos pós-cretácica. Destacam-se, nesse contexto, planaltos, da geodiversidade estão em fase final de elaboração, tais platôs e chapadas elaborados nas bacias sedimentares do como: Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Parnaíba, Amazonas e Sanfranciscana, dentre as Maranhão, Pará, Pernambuco, Roraima, Santa Catarina e principais, assim como nas coberturas plataformais que Sergipe. jazem sobre os escudos cratônicos (por exemplo, Chapada Dentre os mais relevantes parâmetros e atributos anali- Diamantina, serra do Cachimbo, monte Roraima etc.). sados para cada padrão de relevo, destacam-se: amplitude de relevo; declividade média das vertentes; geometria de IV – Domínio das Unidades de Aplainamento topos e de vertentes; ocorrência de processos de aluviona- Compreende extensas superfícies de erosão com relevo mento em fundos de vales; grau de dissecação dos terrenos. praticamente plano que ocupam o piso das atuais depressões Naturalmente, considerando-se a vastidão e a enorme interplanálticas, ajustadas ao nível de base regional. Tais geodiversidade do território brasileiro, assim como seu rico superfícies foram, preferencialmente, elaboradas sobre e diversificado conjunto de paisagens pedobioclimáticas e as bacias sedimentares intracratônicas ou sobre o dorso condicionantes geológico-geomorfológicos singulares, as dos escudos cratônicos, submetidos a longas fases de informações de amplitude de relevo e declividade, dentre aquiescência tectônica durante o Cenozoico. Destacam-se, outras, devem ser reconhecidas como valores-padrão, não nesse contexto, as superfícies aplainadas do norte e do aplicáveis indiscriminadamente a todas as regiões. Não se des- sul da Depressão Amazônica (esculpidas sobre os escudos carta a hipótese de futuros ajustes e aprimoramento da Tabela cratônicos das Guianas e do Xingu, respectivamente); a 10.1, apresentada neste capítulo, bem como do Apêndice II Depressão Sertaneja (esculpida sobre terrenos de faixas constante nas publicações retromencionadas. À medida que móveis da Província Borborema); a Depressão do Médio os estudos de geodiversidade forem ampliados em escalas Vale do Rio São Francisco, esculpida sobre o Cráton São de análise de maior detalhe, forçosamente, a Biblioteca de Francisco, dentre outras. Padrões de Relevo terá de incorporar novas unidades. V – Domínio das Unidades Denudacionais em Rochas BIBLIOTECA DE PADRÕES DE RELEVO Cristalinas ou Sedimentares Compreende diversificado conjunto de formas e pa- A representação dos padrões de relevo em mapas de drões de relevo esculpidos, indistintamente, sobre qualquer geodiversidade foi realizada por meio de abordagem hie- litologia, abrangendo todos os tipos de terrenos dissecados, rarquizada da informação geomorfológica em dois níveis: desde colinas amplas de suave morfologia até terrenos domínios morfológicos e padrões de relevo. acidentados de maciços montanhosos e escarpas serranas. Nesse sentido, a Biblioteca de Padrões de Relevo foi, Os padrões de relevo identificados por fotoanálise fo- inicialmente, compartimentada em cinco domínios morfo- ram, portanto, agrupados nos cinco domínios morfológicos lógicos, assim caracterizados em linhas gerais: supracitados, fundamentando a Biblioteca de Padrões de Relevo, conforme listado a seguir: I – Domínio das Unidades Agradacionais Compreende amplo conjunto de ambientes deposi- I – Domínio das Unidades Agradacionais cionais de diversas origens: fluvial, marinha, gravitacional, R1a – Planícies Fluviais ou Fluviolacustres (planícies de eólica, dentre as principais. Tais ambientes geram as diver- inundação, baixadas inundáveis e abaciamentos). sas planícies de idade quaternária, espraiadas por todo o R1b1 – Terraços Fluviais (paleoplanícies de inundação território brasileiro. em fundos de vales). R1b2 – Terraços Marinhos (paleoplanícies marinhas à II – Domínio das Unidades Denudacionais em Rochas retaguarda dos atuais cordões arenosos). Sedimentares pouco Litificadas R1b3 – Terraços Lagunares (paleoplanícies de inun- Compreende vastas superfícies tabulares pouco ele- dação no rebordo de lagunas costeiras). vadas e modeladas por rochas pouco consolidadas, geral- R1c1 – Vertentes Recobertas por Depósitos de Encosta mente, situadas em bacias sedimentares de idade neógena. (rampas de colúvio e de tálus) 138 ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO: UM INSTRUMENTO APLICADO AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE R1c2 – Leques Aluviais fundamentais para aprofundamento do conhecimento do R1d – Planícies Fluviomarinhas (mangues e brejos) meio geobiofísico de determinada região. Nesse ínterim, R1e – Planícies Costeiras (terraços marinhos e cordões a delimitação geoespacial propiciada pela fotoanálise de arenosos) padrões de relevo pode ser uma das bases mais úteis para R1f1 – Campos de Dunas (dunas fixas; dunas móveis) estudos integrados de gestão ambiental e planejamento R1f2 – Campos de Löess territorial. R1g – Recifes REFERÊNCIAS II – Domínio das Unidades Denudacionais em Rochas Sedimentares pouco Litificadas AB’SABER, A.N. Um conceito de geomorfologia a serviço R2a1 – Tabuleiros das pesquisas sobre o quaternário. Geomorfologia, R2a2 – Tabuleiros Dissecados São Paulo, n. 18, p. 1-23, 1969. III – Domínio das Unidades Denudacionais em Rochas AB’SABER, A.N. Os domínios morfoclimáticos na Sedimentares Litificadas América do Sul: primeira aproximação. Geomorfologia, R2b1 – Baixos Platôs São Paulo, v. 52, p. 1-21, 1977. R2b2 – Baixos Platôs Dissecados R2b3 – Planaltos AB’SABER, A.N. Os domínios de natureza no Brasil: R2c – Chapadas e Platôs potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, IV – Domínio das Unidades de Aplainamento 2003. 160 p. R3a1 – Superfícies Aplainadas Conservadas R3a2 – Superfícies Aplainadas Retocadas ou Degra- ADAMY, A. (Org.). Geodiversidade do estado de dadas Rondônia. Porto Velho: CPRM, 2010. 337 p.; 30 cm + 1 R3b – Inselbergs e outros relevos residuais (cristas DVD-ROM. isoladas, morros residuais, pontões) BARBOSA, G.V.; FRANCO, E.M.S.; MOREIRA, M.M.A. V – Domínio das Unidades Denudacionais em Rochas Mapas geomorfológicos elaborados a partir do sensor Cristalinas ou Sedimentares radar. Notícia Geomorfológica, Campinas, v. 17, n. 33, R4a1 – Domínio de Colinas Amplas e Suaves p. 137-152, jun. 1977. R4a2 – Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos CARVALHO, L.M.; RAMOS, M.A.B. (Orgs.). R4a3 – Domos em Estrutura Elevada Geodiversidade do estado da Bahia. Salvador: R4b – Domínio de Morros e de Serras Baixas CPRM, 2010. 186 p.; 30 cm + 1 DVD-ROM. R4c – Domínio Montanhoso (alinhamentos serranos e maciços montanhosos) COELHO NETTO, A.L.; AVELAR, A.S.; FERNANDES, R4d – Escarpas Serranas M.C.; LACERDA, W.A. Landslide susceptibility in a R4e – Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos mountainous geoecosystem, Tijuca massif, Rio de R4f – Vales Encaixados Janeiro: the role of morphometric subdivision of the Informações pormenorizadas sobre essa biblioteca são terrain. Geomorphology, n. 87, p. 120-131, 2007. apresentadas no Apêndice II retromencionado. CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil. Brasília, DF: CONSIDERAÇÕES FINAIS CPRM, 2006. Legenda expandida. Escala 1:2.500.000. 68 p.; 30 cm + 1 CD-ROM. A metodologia de mapeamento de padrões revelou- se de inegável eficácia para estudos de geodiversidade, LATRUBESSE, E.M.; RODRIGUES, S.; MAMEDE, L. Sistema ao propiciar uma informação geomorfológica clara e de de classificação e mapeamento geomorfológico: uma rápida aplicação aos estudos integrados do meio físico. nova proposta. GEOSUL, Florianópolis, v. 14, n. 27, p. Assim, essa metodologia apresenta excelente potencial 682-687, 1998. para utilização nos mais diversos estudos de planejamento territorial. MACHADO, M.F.; SILVA, S.F. da (Orgs). Geodiversidade Contudo, é importante ressaltar que tal produto não do estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: CPRM, consiste em um mapeamento geomorfológico completo, 2010. 131 p.; 30 cm + 1 DVD-ROM. pois enfatiza apenas a análise morfológica dos terrenos. Análises subsequentes sobre gênese e evolução dos terre- MAIA, M.A.M.; MARMOS, J.L. (Orgs.). Geodiversidade nos, processos geomorfológicos e a interação geoecoló- do estado do Amazonas. Manaus: CPRM, 2010. 275 gica entre geologia, relevo, solos, clima e vegetação são p.; 30 cm + 1 DVD-ROM. 139 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO MEIS, M.R.M.; MIRANDA, L.H.G.; FERNANDES, N.F. de dados para o projeto SIG geologia ambiental do Desnivelamento de altitude como parâmetros para Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 43., a compartimentação do relevo: bacia do médio- 2006, Aracaju. Anais... Aracaju: SBG, 2006. 1 CD- baixo Paraíba do Sul. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ROM. GEOLOGIA, 32., 1982, Salvador. Anais... Salvador: SGB, 1982, v. 4, p. 1459-1503. RAMOS, M.A.B.; DANTAS, M.E.; THEODOROVICZ, A.; MARQUES, V.J.; ORLANDI FILHO, V.; MAIA, M.A.M.; MORAES, J.M. Geodiversidade do estado do Mato PFALTZGRAFF, P.A.S. Metodologia e estruturação da Grosso. Goiânia: CPRM, 2010. 111 p.; 30 cm + 1 DVD- base de dados em sistema de informação geográfica. In: ROM. MAIA, M.A.M.; MARMOS, J.L. (Orgs.). Geodiversidade do estado do Amazonas. Manaus: CPRM, 2010. cap. PEIXOTO, C.A.B. Geodiversidade do estado de São 12. p. 149-162. Paulo. São Paulo: CPRM, 2010. 176 p.; 30 cm + 1 DVD- ROM. ROSS, J.L.S. Geomorfologia, ambiente e planejamento. São Paulo: Contexto, 1990. 85 p. PFALTZGRAFF, P.A.S.; TORRES, F.S.M. (Orgs.). Geodiversidade do estado do Rio Grande do ROSS, J.L.S.; MOROZ, I.C. Mapa geomorfológico do Norte. Recife: CPRM, 2010. 227 p.; 30 cm + 1 DVD- estado de São Paulo. Revista do Departamento de ROM. Geografia, São Paulo, v. 10, p. 41-59, 1996. PFALTZGRAFF, P.A.S.; TORRES, F.S.M.; BRANDÃO, R.L. SILVA, C.R. da (Ed.). Geodiversidade do Brasil: (Orgs.). Geodiversidade do estado do Piauí. Recife: conhecer o passado, para entender o presente e prever o CPRM, 2010. 260 p.; 30 cm + 1 DVD-ROM. futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008. 264 p. PONÇANO, W.L.; CARNEIRO, C.D.R.; ALMEIDA M.A.; SOARES, P.C.; FIORI, A.P. Lógica e sistemática na análise e PIRES NETO, A.G.; ALMEIDA, F.F.M. O conceito interpretação de fotografias aéreas em geologia. Notícia de sistemas de relevo aplicado ao mapeamento Geomorfológica, Campinas, v. 16, n. 32, p. 71-104, geomorfológico do estado de São Paulo. In: SIMPÓSIO 1976. REGIONAL DE GEOLOGIA, 2., 1979, Rio Claro. Atas... Rio Claro: SBG/NS, 1979, v. 2, p. 253-262. THEODOROVICZ, A.M.G.; THEODOROVICZ, A.(Orgs.). Geodiversidade do estado de Mato Grosso do Sul. RAMOS, M.A.B.; ESPÍRITO SANTO, E.B.; PFALTZGRAFF, São Paulo: CPRM, 2010. 179 p.; 30 cm + 1 DVD-ROM. P.A.S.; DANTAS, M.E.; MAIA, M.A.M.; GONÇALVES, J.H.; JESUS, J.D.A.; SIMÃO, G.C.F.; JACQUES, P.D.; VIERO, A.C.; SILVA, D.R.A. (Orgs.). Geodiversidade do THEODOROVICZ, A.; ORLANDI FILHO, V.; MARQUES, estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: CPRM, V.J.; SILVA, C.R. Procedimentos no tratamento digital 2010. 250 p.; 30 cm + 1 DVD-ROM. 140 11 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA Maria Angélica Barreto Ramos (angelica.barreto@cprm.gov.br)¹ Marcelo Eduardo Dantas (marcelo.dantas@cprm.gov.br)¹ Antonio Theodorovicz (antonio.theodorovicz@cprm.gov.br)¹ Valter José Marques (valter.marques@cprm.gov.br)¹ Vitório Orlandi Filho (vitorioorlandi@gmail.com)² Maria Adelaide Mansini Maia (adelaide.maia@cprm.gov.br)¹ Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff (pedro.augusto@cprm.gov.br)¹ 1CPRM – Serviço Geológico do Brasil ²Consultor SUMÁRIO Introdução ..........................................................................................................143 Procedimentos Metodológicos ...........................................................................143 Definição dos Domínios e Unidades Geológico-Ambientais ...............................143 Atributos da Geologia ......................................................................................144 Deformação ..................................................................................................144 Tectônica: dobramentos ...............................................................................144 Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/cisalhamento ...............................144 Tipo de deformação ......................................................................................144 Aspecto ........................................................................................................144 Comportamento Reológico..............................................................................144 Resistência ao Intemperismo Físico ..................................................................144 Resistência ao Intemperismo Químico .............................................................145 Grau de Coerência ...........................................................................................145 Características do Manto de Alteração Potencial (Solo Residual) .....................145 Porosidade Primária .........................................................................................146 Característica da Unidade Lito-Hidrogeológica................................................146 Atributos do Relevo ............................................................................................146 Modelo Digital de Terreno – Shutlle Radar Topography Mission (Srtm) ..............148 Mosaico Geocover 2000 .....................................................................................149 Análise da Drenagem ..........................................................................................149 Kit de Dados Digitais ...........................................................................................149 Trabalhando com o Kit de Dados Digitais ........................................................150 Estruturação da Base de Dados: GeoBank ..........................................................152 Atributos dos Campos do Arquivo das Unidades Geológico-Ambientais: Dicionário de Dados ............................................................................................153 Referências ..........................................................................................................154 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO DOS DOMÍNIOS E UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS Neste capítulo são apresentadas as diversas etapas que envolveram o tratamento digital dos dados no desen- O estabelecimento de domínios geológico-ambientais volvimento do SIG Mapa Geodiversidade do Estado do e suas subdivisões para o estado do Maranhão se insere nos Maranhão, do Programa Geologia do Brasil (PGB) da CPRM/ critérios adotados para a definição dos domínios e unida- SGB, integrante do Programa de Aceleração do Crescimento des geológico-ambientais do Brasil, com o objetivo de se (PAC 2009), que tem como objetivo a geração de produtos agrupar conjuntos estratigráficos de comportamento seme- voltados para o ordenamento territorial e o planejamento lhante frente ao uso e à ocupação dos terrenos. Da mesma dos setores mineral, transportes, agricultura, turismo e forma, o resultado obtido não foi um mapa geológico ou meio ambiente. tectônico, mas sim um novo produto, denominado Mapa As informações produzidas estão alojadas no GeoBank Geodiversidade do Estado do Maranhão, no qual foram (sistema de bancos de dados geológicos corporativo da inseridas informações de cunho ambiental, muito embora CPRM/SGB), a partir das informações geológicas multies- a matéria-prima para análises e agrupamentos tenha sido calares contidas em suas bases Litoestratigrafia e Recursos proveniente das informações contidas nas bases de dados Minerais, além da utilização de sensores como o Modelo de Litoestratigrafia e Recursos Minerais do GeoBank, bem Digital de Terreno SRTM (Shuttle Radar Topography Mis- como na larga experiência em mapeamento e em projetos sion), do Mosaico GeoCover 2000 e das informações de de ordenamento e gestão do território dos profissionais estruturas e drenagem (CPRM, 2004; RAMOS et al., 2005; da CPRM/SGB. THEODOROVICZ et al., 1994, 2001, 2002, 2005; TRAININI A base geológico-ambiental foi obtida a partir de re- e ORLANDI, 2003; TRAININI et al., 1998, 2001). classificação e generalização do tema geologia, contido no Do mesmo modo que na elaboração do Mapa Geo- SIG Geologia e Recursos Minerais do Estado do Maranhão, diversidade do Brasil (escala 1:2.500.000), também foram Escala: 1.750.000 (KLEIN; SOUSA, 2012). utilizadas, para o Mapa Geodiversidade do Estado do Ma- Em alguns casos foram agrupadas, em um mesmo ranhão, informações temáticas de infraestrutura, recursos domínio, unidades estratigráficas com idades diferentes, minerais, unidades de conservação, terras indígenas e áreas desde que a elas se aplicasse um conjunto de critérios de proteção integral e de desenvolvimento sustentável classificatórios, como: posicionamento tectônico, nível estaduais e federais, dados da rede hidrológica e de água crustal, classe da rocha (ígnea, sedimentar ou metamór- subterrânea, áreas impactadas (erosão, desertificação), fica), grau de coesão, textura, composição, tipos e graus áreas oneradas pela mineração, informações da Zona de deformação, expressividade do corpo rochoso, tipos Econômica Exclusiva da Plataforma Continental (ZEE), ga- de metamorfismo, expressão geomorfológica ou litotipos sodutos e oleodutos, dados paleontológicos, geoturísticos especiais. Se, por um lado, agruparam-se, por exemplo, e paleontológicos. quartzitos friáveis e arenitos friáveis, por outro foram se- paradas formações sedimentares muito semelhantes em PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS sua composição, estrutura e textura, quando a geometria do corpo rochoso apontava no sentido da importância Assim como para o Mapa Geodiversidade do Brasil em distinguir uma situação de extensa cobertura de uma e do SIG Geodiversidade ao Milionésimo, os levantamen- situação de pacote restrito, limitado em riftes. tos estaduais foram elaborados seguindo as orientações O principal objetivo para tal compartimentação é contidas em roteiro metodológico preparado para essa atender a uma ampla gama de usos e usuários interessados fase, apoiados em kits digitais personalizados para cada em conhecer as implicações ambientais decorrentes do estado, que contêm todo o material digital (imagens, embasamento geológico. Para a elaboração do Mapa arquivos vetoriais etc.) necessário ao bom desempenho Geodiversidade do Brasil (escala 1:2.500.000), analisaram- da tarefa. se somente as implicações ambientais provenientes de A sistemática de trabalho adotada permitiu a conti- características físico-químicas, geométricas e genéticas nuação da organização dos dados na Base Geodiversidade dos corpos rochosos. Na escala 1:1.000.000, do recorte ao inserida no GeoBank (CPRM/SGB), desde a fase do recorte milionésimo e dos estados, foram selecionados atributos ao milionésimo até os estaduais e, sucessivamente, em aplicáveis ao planejamento e dos compartimentos de escalas de maior detalhe (em trabalhos futuros), de forma relevo, reservando-se para as escalas de maior detalhe a possibilitar a conexão dos dados vetoriais aos dados o cruzamento com informações sobre clima, solo e alfanuméricos. Em uma primeira fase, com auxílio dos vegetação. elementos-chave descritos nas tabelas dos dados vetoriais, Como a Base Geodiversidade é fruto da reclassifi- é possível vincular facilmente mapas digitais ao GeoBank, cação das unidades litoestratigráficas contidas na base como na montagem de SIGs, em que as tabelas das shapefi- multiescalar Litoestratigrafia, compondo conjuntos estra- les (arquivos vetoriais) são produtos da consulta sistemática tigráficos de comportamento semelhante frente ao uso e à ao banco de dados. ocupação, atualmente essa base possui a estruturação em 143 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO domínios e unidades geológico-ambientais apresentada no - Intensamente fraturada (distribuição regular). Apêndice I (Unidades Geológico-Ambientais do Território - Intensamente fraturada (distribuição irregular). Brasileiro). Tal estruturação é dinâmica e, na medida do - detalhamento das escalas, novos domínios e unidades Tipo de Deformação podem ser inseridos. - Não se aplica ATRIBUTOS DA GEOLOGIA - Deformação rúptil - Deformação dúctil/rúptil Desde a etapa do recorte ao milionésimo, para me- - Deformação rúptil/dúctil lhor caracterizar as unidades geológico-ambientais, foram - Deformação dúctil selecionados atributos da geologia que permitem uma série de interpretações na análise ambiental, os quais são Aspecto descritos a seguir. - Sem estruturas Deformação - Estratificada/Biogênica - Maciça/Vesicular Relacionada à dinâmica interna do planeta. Procede-se - Maciça/Acamadada à interpretação a partir da ambiência tectônica, litológica - Maciça/Laminada e análise de estruturas refletidas nos sistemas de relevo e - Maciça drenagem. - Acamadada - Acamadada/Filitosa Tectônica: dobramentos - Acamadada/Xistosa - Xistosa/Maciça - Ausente: sedimentos inconsolidados (aluviões, dunas, - Filitosa/Xistosa terraços etc.). - Acamadamento Magmático - Não dobrada: sequências sedimentares, vulcanos- - Gnáissica sedimentares e rochas ígneas não dobradas e não - Bandada metamorfizadas. - Concrecional - Pouco a moderadamente dobrada: sequências sedi- - Concrecional/Nodular mentares ou vulcanossedimentares do tipo Bambuí, - Biogênica por exemplo. - Estruturas de Dissolução - Pouco a moderadamente dobrada: a exemplo das - Estruturas de Colapso sequências sedimentares ou vulcanossedimentares. - Intensamente dobrada: a exemplo das sequências Comportamento Reológico sedimentares ou vulcanossedimentares complexa e intensamente dobradas (por exemplo, grupos Açungui De acordo com Oliveira e Brito (1998), as rochas e Minas, dentre outros) e das rochas granito-gnaisse- podem apresentar as seguintes características reológicas migmatíticas. (comportamento frente a esforços mecânicos): - Moderada a intensamente dobrada. - Comportamento isotrópico: aplica-se quando as pro- - Pouco a intensamente dobrada. priedades das rochas são constantes, independente- mente da direção observada. Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/ - Comportamento anisotrópico: quando as propriedades cisalhamento variam de acordo com a direção considerada. As bibliotecas para esse atributo são: - Não fraturada: caso das coberturas sedimentares - Isotrópico: caso dos granitos com granulação e textura inconsolidadas. homogênea. - Pouco a moderadamente fraturada (distribuição re- - Anisotrópico: caso das unidades formadas por diversas gular). litologias e/ou deformações heterogêneas. - Pouco a moderadamente fraturada (distribuição irre- gular). Resistência ao Intemperismo Físico - Moderada a intensamente fraturada (distribuição regular). Procede-se à dedução a partir da análise da com- - Moderada a intensamente fraturada (distribuição posição mineral da rocha ou das rochas que sustentam a irregular). unidade geológico-ambiental. - Pouco a intensamente fraturada (distribuição regular). Se for apenas um tipo de litologia que sustenta a - Pouco a intensamente fraturada (distribuição irregular). unidade geológico-ambiental ou se forem complexos 144 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA plutônicos de várias litologias, são definidas as seguintes postas de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas classificações para esse atributo: e outras que se caracterizam por apresentar grande he- Baixa: rochas ricas em minerais ferromagnesianos, terogeneidade composicional, textural e deformacional arenitos, siltitos, metassedimentos argilosos, rochas ígneas lateral e vertical. ricas em micas, calcários, lateritas, rochas ígneas básico- ultrabásico-alcalinas efusivas. Grau de Coerência Moderada a alta: ortoquartzitos, arenitos silicifica- dos, leucogranitos e outras rochas pobres em micas e em Refere-se à resistência ao corte e à penetração. Mes- minerais ferromagnesianos, formações ferríferas, quartzitos mo em se tratando de uma única litologia, deve-se prever e arenitos impuros. a combinação dos vários tipos de graus de coerência, a Não se aplica: sedimentos inconsolidados. exemplo dos arenitos e siltitos (Figura 11.1). Para o caso de Se forem várias litologias que sustentam a unidade, complexos plutônicos com várias litologias, todas podem a classificação será: estar enquadradas em um único grau de coerência. Baixa a moderada na vertical: caso de coberturas As classificações utilizadas nesse atributo são: pouco a moderadamente consolidadas. - Muito brandas Baixa a alta na vertical: unidades em que o substrato - Brandas rochoso é formado por empilhamento de camadas horizonta- - Médias lizadas, não dobradas, de litologias de composição mineral e - Duras com grau de consolidação muito diferentes, como as interca- - Muito brandas a duras lações irregulares de calcários, arenitos, siltitos, argilitos etc. Entretanto, se forem várias litologias, esta será a Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequências classificação: sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e compostas - Variável na horizontal de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas e outras - Variável na vertical que se caracterizam por apresentar grande heterogeneidade - Variável na horizontal e vertical composicional, textural e deformacional lateral e vertical. - Não se aplica Resistência ao Intemperismo Químico Características do Manto de Alteração Potencial (Solo Residual) Procede-se à dedução a partir da análise da com- posição mineral da rocha ou das rochas que sustentam a Procede-se à dedução a partir da análise da composi- unidade geológico-ambiental. ção mineral das rochas. Por exemplo, independentemente Se for só um tipo de litologia que sustenta a unidade de outras variáveis que influenciam as características do geológico-ambiental ou se forem complexos plutônicos de solo, como clima, relevo e evolução do solo, o manto de várias litologias, são definidas as seguintes classificações alteração de um basalto será argiloso e, o de um granito, para esse atributo: argilo-síltico-arenoso. Baixa: calcários, rochas básicas, ultrabásicas, alcalinas - Predominantemente arenoso: substrato rochoso etc. sustentado por espessos e amplos pacotes de rochas Moderada a alta: ortoquartzitos, leucogranitos e predominantemente arenoquartzosas. outras rochas pobres em micas e em minerais ferromag- - Predominantemente argiloso: predominância de rochas nesianos, quartzitos e arenitos impuros, granitos ricos em que se alteram para argilominerais, a exemplo de derra- minerais ferromagnesianos e micáceos etc. mes basálticos, complexos básico-ultrabásico-alcalinos, Não se aplica: aluviões. terrenos em que predominam rochas calcárias etc. Entretanto, se forem várias litologias que sustentam a - Predominantemente argilossiltoso: siltitos, folhelhos, unidade geológico-ambiental, a classificação será: filitos e xistos. Baixa a moderada na vertical: unidades em que - Predominantemente argilo-síltico-arenoso: rochas o substrato rochoso é formado por empilhamento de granitoides e gnáissico-migmatíticas ortoderivadas. camadas horizontalizadas, não dobradas, de composição - Variável de arenoso a argilossiltoso: sequências mineral e grau de consolidação semelhantes a ligeiramente sedimentares e vulcanossedimentares compostas diferentes e mesma composição mineralógica. por alternâncias irregulares de camadas pouco Baixa a alta na vertical: unidades em que o substrato espessas, interdigitadas e de composição mineral rochoso é formado por empilhamento de camadas horizon- muito contrastante, a exemplo das sequências em talizadas, não dobradas, de litologias de composição mineral que se alternam, irregularmente, entre si, camadas e grau de consolidação muito diferentes, como as intercala- de arenitos quartzosos com pelitos, calcários ou ções irregulares de calcários, arenitos, siltitos, argilitos etc. rochas vulcânicas. Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequências - Predominantemente siltoso: siltitos e folhelhos. sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e com- - Não se aplica 145 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 11.1 - Resistência à compressão uniaxial e classes de alteração para diferentes tipos de rochas. Fonte: Modificado de Vaz (1996). Porosidade Primária ATRIBUTOS DO RELEVO Relacionada ao volume de vazios em relação ao vo- Com o objetivo de conferir uma informação geomor- lume total da rocha. O preenchimento deverá seguir os fológica clara e aplicada ao mapeamento da geodiversidade procedimentos descritos na Tabela 11.1. do território brasileiro e dos estados federativos em escalas Caso seja apenas um tipo de litologia que sustenta de análise muito reduzidas (1:500.000 a 1:1.000.000), a unidade geológico-ambiental, observar o campo “Des- procurou-se identificar os grandes conjuntos morfológicos crição” da Tabela 11.1. Entretanto, se forem complexos passíveis de serem delimitados em tal tipo de escala, sem plutônicos de várias litologias, a porosidade é baixa. muitas preocupações quanto à gênese e evolução morfodi- - Baixa: 0 a 15% nâmica das unidades em análise, assim como aos processos - Moderada: de 15 a 30% geomorfológicos atuantes. Tais avaliações e controvérsias, - Alta: >30% de âmbito exclusivamente geomorfológico, seriam de pou- Para os casos em que várias litologias sustentam a ca valia para atender aos propósitos deste estudo. Portanto, unidade geológico-ambiental, observar o campo “Tipo” termos como: depressão, crista, patamar, platô, cuesta, da Tabela 11.1. hog-back, pediplano, peneplanos, etchplano, escarpa, serra Variável (0 a >30%): a exemplo das unidades em e maciço, dentre tantos outros, foram englobados em um que o substrato rochoso é formado por um empilhamen- reduzido número de conjuntos morfológicos. to irregular de camadas horizontalizadas porosas e não Portanto, esta proposta difere, substancialmente, das porosas. metodologias de mapeamento geomorfológico presentes na literatura, tais como: a análise integrada entre a com- Característica da Unidade partimentação morfológica dos terrenos, a estrutura sub- Lito-Hidrogeológica superficial dos terrenos e a fisiologia da paisagem proposta por Ab’Saber (1969); as abordagens descritivas em base São utilizadas as seguintes classificações: morfométrica, como as elaboradas por Barbosa et al. (1977), - Granular: dunas, depósitos sedimentares inconsolida- para o Projeto RadamBrasil, e Ponçano et al. (1979) e Ross dos, planícies aluviais, coberturas sedimentares etc. e Moroz (1996), para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas - Fissural do Estado de São Paulo (IPT); as abordagens sistêmicas, - Granular/fissural com base na compartimentação topográfica em bacias de - Cárstico drenagem (MEIS et al., 1982); ou a reconstituição de super- - Não se aplica fícies regionais de aplainamento (LATRUBESSE et al., 1998). 146 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA Tabela 11.1 - Tabela de porosidade total dos diversos materiais rochosos. Material Porosidade Total Porosidade Eficaz % m % me Normal Extraordinária Obs. Tipo Descrição Média Média Máx. Mín. Máx. Mín. Máx. Mín. Granito 0,3 4 0,2 9 0,05 <0,2 0,5 0,0 A Rochas maciças Calcário maciço 8 15 0,5 20 <0,5 1 0,0 B Dolomito 5 10 2 <0,5 1 0,0 B Rochas 0,5 5 0,2 <0,5 2 0,0 A metamórficas Piroclasto e tufas 30 50 10 60 5 <5 20 0,0 C, E Escórias 25 80 10 20 50 1 C, E Rochas vulcânicas Pedra-pome 85 90 50 <5 20 0,0 D Basaltos densos, fonólitos 2 5 0,1 <1 2 0,1 A Basaltos vesiculares 12 30 5 5 10 1 C Pizarras sedimentares 5 15 2 30 0,5 <2 5 0,0 E Rochas sedimentares Arenitos 15 25 3 30 0,5 10 20 0,0 F consolidadas(ver Creta blanda 20 50 10 1 5 0,2 B rochas maciças) Calcário detrítico 10 30 1,5 3 20 0,5 Aluviões 25 40 20 45 15 15 35 5 E Dunas 35 40 30 20 30 10 Cascalho 30 40 25 40 20 25 35 15 Rochas Löess 45 55 40 <5 10 0,1 E sedimentares Areias 35 45 20 25 35 10 inconsolidadas Depósitos glaciais 25 35 15 15 30 5 Silte 40 50 25 10 20 2 E Argilas não compactadas 45 60 40 85 30 2 10 0,0 E Solos superiores 50 60 30 10 20 1 E Fonte: Modificado de Custodio e Llamas (1983). Nota: Alguns dados, em especial os referentes à porosidade eficaz (me), devem ser tomados com precauções, segundo as circunstâncias locais. A = Aumenta me e me por meteorização; B = Aumenta m e me por fenômenos de dissolução; C = Diminui m e me com o tempo; D = Diminui m e pode aumentar me com o tempo; E = me muito variável, segundo as circunstâncias do tempo; F = Varia segundo o grau de cimentação e solubilidade O mapeamento de padrões de relevo é, essencial- do (SRTM); mapa de classes de hipsometria; mapa de mente, uma análise morfológica do relevo com base em classes de declividade). fotointerpretação da textura e rugosidade dos terrenos a - Reinterpretação das informações existentes nos mapas partir de diversos sensores remotos. geomorfológicos produzidos por instituições diversas, Nesse sentido, é de fundamental importância escla- em especial os mapas desenvolvidos no âmbito do recer que não se pretendeu produzir um mapa geomor- Projeto RadamBrasil, em escala 1:1.000.000. fológico, mas um mapeamento dos padrões de relevo em - Execução de uma série de perfis de campo, com o consonância com os objetivos e as necessidades de um objetivo de aferir a classificação executada. mapeamento da geodiversidade do território nacional em Para cada um dos atributos de relevo, com suas res- escala continental. pectivas bibliotecas, há uma legenda explicativa (Apêndice Com esse enfoque, foram selecionados 28 padrões II – Biblioteca de Relevo do Território Brasileiro), que agrupa de relevo para os terrenos existentes no território brasileiro características morfológicas e morfométricas gerais, assim (Tabela 11.2), levando-se, essencialmente, em consideração: como informações muito elementares e generalizadas - Parâmetros morfológicos e morfométricos que pu- quanto à sua gênese e vulnerabilidade frente aos processos dessem ser avaliados pelo instrumental tecnológico geomorfológicos (intempéricos, erosivos e deposicionais). disponível nos kits digitais (imagens LandSat GeoCover Evidentemente, considerando-se a vastidão e a enorme e Modelo Digital de Terreno (MDT) e Relevo Sombrea- geodiversidade do território brasileiro, assim como seu con- 147 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO junto diversificado de paisagens bioclimáticas e condicionan- sentado por uma malha digital de matriz cartográfica tes geológico-geomorfológicas singulares, as informações de encadeada, ou raster, onde cada célula da malha retém um amplitude de relevo e declividade, dentre outras, devem ser valor de elevação (altitude) do terreno. Assim, a utilização reconhecidas como valores-padrão, não aplicáveis indiscrimi- do MDT em estudos geoambientais se torna imprescindível, nadamente a todas as regiões. Não se descartam sugestões uma vez que esse modelo tem a vantagem de fornecer uma de ajuste e aprimoramento da Tabela 11.2 e do Apêndice visão tridimensional do terreno e suas inter-relações com as II apresentados nesse modelo, as quais serão bem-vindas. formas de relevo e da drenagem e seus padrões de forma direta. Isso permite a determinação do grau de dissecação MODELO DIGITAL DE TERRENO – SHUTLLE do relevo, informando também o grau de declividade e RADAR TOPOGRAPHY MISSION (SRTM) altimetria, o que auxilia grandemente na análise ambiental, como, por exemplo, na determinação de áreas de proteção A utilização do Modelo Digital de Terreno ou Modelo permanente, projetos de estradas e barragens, trabalhos Digital de Elevação ou Modelo Numérico de Terreno, no de mapeamento de vegetação etc. contexto do Mapa Geodiversidade do Estado do Maranhão, A escolha do Shuttle Radar Topography Mission justifica-se por sua grande utilidade em estudos de análise (SRTM) [missão espacial liderada pela NASA, em parceria ambiental. com as agências espaciais da Alemanha (DLR) e Itália (ASI), Um Modelo Digital de Terreno (MDT) é um modelo realizada durante 11 dias do mês de fevereiro de 2000, contínuo da superfície terrestre, ao nível do solo, repre- visando à geração de um modelo digital de elevação quase Tabela 11.2 - Atributos e biblioteca de padrões de relevo do território brasileiro. Símbolo Tipo de Relevo Declividade Amplitude (graus) Topográfica (m) R1a Planícies Fluviais ou Fluviolacustres 0 a 3 zero R1b1 Terraços Fluviais 0 a 3 2 a 20 R1b2 Terraços Marinhos 0 a 3 2 a 20 R1b3 Terraços Lagunares 0 a 3 2 a 20 R1c1 Vertentes Recobertas por Depósitos de Encosta 5 a 45 Variável R1c2 Leques Aluviais 0 a 3 2 a 20 R1d Planícies Fluviomarinhas 0 (plano) zero R1e Planícies Costeiras 0 a 5 2 a 20 R1f1 Campos de Dunas 3 a 30 2 a 40 R1f2 Campos de Löess 0 a 5 2 a 20 R1g Recifes 0 zero R2a1 Tabuleiros 0 a 3 20 a 50 R2a2 Tabuleiros Dissecados 0 a 3 20 a 50 R2b1 Baixos Platôs 0 a 5 0 a 20 R2b2 Baixos Platôs Dissecados 0 a 5 20 a 50 R2b3 Planaltos 0 a 5 20 a 50 R2c Chapadas e Platôs 0 a 5 0 a 20 R3a1 Superfícies Aplainadas Conservadas 0 a 5 0 a 10 R3a2 Superfícies Aplainadas Degradadas 0 a 5 10 a 30 R3b Inselbergs 25 a 60 50 a 500 R4a1 Domínio de Colinas Amplas e Suaves 3 a 10 20 a 50 R4a2 Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos 5 a 20 30 a 80 R4a3 Domos em Estrutura Elevada 3 a 10 50 a 200 R4b Domínio de Morros e de Serras Baixas 15 a 35 80 a 200 R4c Domínio Montanhoso 25 a 60 300 a 2000 R4d Escarpas Serranas 25 a 60 300 a 2000 R4e Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos 10 a 45 50 a 200 R4f Vales Encaixados 10 a 45 100 a 300 148 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA global] foi devida ao fato de os MDTs disponibilizados por é indispensável na análise geológico-ambiental, uma vez esse sensor já se encontrarem disponíveis para toda a Amé- que são respostas/resultados das características ligadas a rica do Sul, com resolução espacial de aproximadamente 90 aspectos geológicos, estruturais e processos geomorfo- x 90 m, apresentando alta acurácia e confiabilidade, além lógicos, os quais atuam como agentes modeladores da da gratuidade (CCRS, 2004 citado por BARROS et al., 2004). paisagem e das formas de relevo. Durante a realização dos trabalhos de levantamento Dessa forma, a integração de atributos ligados às da geodiversidade do território brasileiro, apesar de todos redes de drenagem – como tipos de canais de escoamen- os pontos positivos apresentados, os dados SRTM, em to, hierarquia da rede fluvial e configuração dos padrões algumas regiões, acusaram problemas, tais como: valores de drenagem – a outros temas trouxe respostas a várias espúrios (positivos e negativos) nas proximidades do mar questões relacionadas ao comportamento dos diferentes e áreas onde não são encontrados valores. Tais problemas ambientes geológicos e climáticos locais, processos fluviais são descritos em diversos trabalhos do SRTM (BARROS et dominantes e disposição de camadas geológicas, dentre al., 2004), sendo que essas áreas recebem o valor -32768, outros. indicando que não há dado disponível. A literatura do tema apresenta diversas possibilidades KIT DE DADOS DIGITAIS de correção desses problemas, desde substituição de tais áreas por dados oriundos de outros produtos – o GTOPO30 Na fase de execução dos mapas de geodiversidade aparece como proposta para substituição em diversos estaduais, o kit de dados digitais constou, de acordo com textos – ao uso de programas que objetivam diminuir tais o disponível para cada estado, dos seguintes temas: incorreções por meio de edição de dados (BARROS et al., - Geodiversidade: arquivo dos domínios e unidades 2004). Neste estudo, foi utilizado o software ENVI 4.1 para geológico-ambientais solucionar o citado problema. - Geologia e estruturas: arquivo das estruturas geoló- gicas MOSAICO GEOCOVER 2000 - Assentamento: arquivo das áreas de assentamento agrícola A justificativa para utilização do Mosaico GeoCover - Áreas alagadas 2000 é o fato de este se constituir em um mosaico ortorre- - Aptidão agrícola das terras tificado de imagens ETM+ do sensor LandSat 7, resultante - Áreas protegidas e especiais: unidades de conservação, do sharpening das bandas 7, 4, 2 e 8. Esse processamento terras indígenas e quilombolas: áreas de quilombolas realiza a transformação RGB-IHS (canais de cores RGB-IHS - Bacias hidrográficas: recorte das bacias e sub-bacias / vermelho, verde e azul – Matiz, Saturação e Intensidade), de drenagem utilizando as bandas 7, 4 e 2 com resolução espacial de 30 - Cobertura vegetal m e, posteriormente, a transformação IHS-RGB utilizando - Dados do mar a banda 8 na Intensidade (I) para aproveitar a resolução - Hidrografia: drenagens bifilar e unifilar espacial de 15 m. Tal procedimento alia as características - Limites administrativos e territórios de cidadania espaciais da imagem com resolução de 15 m às caracte- - Planimetria: cidades, vilas, povoados, rodovias etc. rísticas espectrais das imagens com resolução de 30 m, re- - Poços: dados de poços cadastrados pelo Sistema de sultando em uma imagem mais “aguçada”. As imagens do Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS) criado Mosaico GeoCover LandSat 7 foram coletadas no período pela CPRM/SGB de 1999/2000 e apresentam resolução espacial de 14,25 m. - Pontos geoturísticos: sítios geológicos, paleontológi- Além da exatidão cartográfica, o Mosaico GeoCover cos, ocorrências fósseis, cavernas etc. possui outras vantagens, como: facilidade de aquisição dos - Recursos minerais: dados de recursos minerais dados sem ônus, âncora de posicionamento, boa acurácia - Solos e abrangência mundial, o que, juntamente com o MDT, - ZEE (Zona Econômica Exclusiva da Plataforma Conti- torna-o imprescindível aos estudos de análise ambiental nental): recursos minerais e feições da ZEE (ALBUQUERQUE et al., 2005; CREPANI; MEDEIROS, 2005). - MDT_SRTM: arquivo grid pelo recorte do estado - GeoCover: arquivo grid pelo recorte do estado ANÁLISE DA DRENAGEM - Hipsometria: arquivo grid - Simbologias ESRI: fontes e arquivos *style (arquivo de Segundo Guerra e Cunha (2001), o reconhecimento, a cores e simbologias utilizadas pelo programa ArcGis) localização e a quantificação das drenagens de determinada para implementação das simbologias para leiaute – região são de fundamental importância ao entendimento instruções de uso por meio do arquivo leia-me.doc, dos processos geomorfológicos que governam as transfor- que se encontra dentro da pasta. mações do relevo sob as mais diversas condições climáticas As figuras 11.2 a 11.4 ilustram parte dos dados do e geológicas. Nesse sentido, a utilização das informações kit digital para o Mapa Geodiversidade do Estado do espaciais extraídas do traçado e da forma das drenagens Maranhão. 149 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 11.2 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Figura 11.4 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Maranhão: unidades geológico-ambientais versus rodovias e Maranhão: modelo digital de elevação (SRTM) versus drenagem recursos minerais. bifilar e batimetria. Os procedimentos de tratamento digital e processa- mento das imagens geotiff e MrSid (SRTM e GeoCover, respectivamente), dos grids (declividade e hipsométrico), bem como dos recortes e reclass dos arquivos vetoriais (litologia, planimetria, curvas de nível, recursos minerais etc.) contidos no kit digital foram realizados em ambiente SIG, utilizando os softwares ArcGis 10 e ENVI 8.4. Trabalhando com o Kit de Dados Digitais Na metodologia adotada, a unidade geológico-am- biental, fruto da reclassificação das unidades geológicas (reclass), é a unidade fundamental de análise, na qual foram agregadas todas as informações da geologia possíveis de serem obtidas a partir dos produtos gerados por atualiza- ção da cartografia geológica dos estados, SRTM, mosaico GeoCover 2000 e drenagem. Com a utilização dos dados digitais contidos em cada DVD-ROM foi estruturado, para cada folha ou mapa estadual, um Projeto.mxd (conjunto de shapes e leiaute) organizado no software ArcGis 10. No diretório de trabalho havia um arquivo shapefile, denominado geodiversidade_estado.shp, que corres- pondia ao arquivo da geologia onde deveria ser aplicada Figura 11.3 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do a reclassificação da geodiversidade. Maranhão: bacias hidrográficas versus batimetria, rodovias e Após a implantação dos domínios e unidades geoló- drenagem unifilar e bifilar. gico-ambientais, procedia-se ao preenchimento dos parâ- 150 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA metros da geologia e, posteriormente, ao preenchimento - Elaboração da legenda para compor os leiautes dos dos campos com os atributos do relevo. mapas de geodiversidade estaduais. As informações do relevo serviram para melhor ca- - Criação de um aplicativo de entrada de dados local racterizar a unidade geológico-ambiental e também para desenvolvido em Visual Basic 6.0 Aplicativo GEODIV. subdividi-la. Porém, essa subdivisão, em sua maior parte, - Implementação do modelo de dados no GeoBank alcançou o nível de polígonos individuais. (Oracle) e migração dos dados do Aplicativo GEODIV Quando houve necessidade de subdivisão do polígo- para a Base Geodiversidade. no, ou seja, quando as variações fisiográficas eram muito - Entrada de dados de acordo com a escala e fase (mapas contrastantes, evidenciando comportamentos hidrológicos estaduais). e erosivos muito distintos, esse procedimento foi realizado. - Montagem de SIGs. Nessa etapa, considerou-se o relevo como um atributo - Disponibilização dos mapas na Internet, por meio para subdividir a unidade, propiciando novas deduções do módulo Web Map do GeoBank (http://geobank. na análise ambiental. sa.cprm.gov.br), onde o usuário tem acesso a informa- Assim, a nova unidade geológico-ambiental resultou ções relacionadas às unidades geológico-ambientais da interação da unidade geológico-ambiental definida na (Base Geodiversidade) e suas respectivas unidades primeira etapa com o relevo. litológicas (Base Litoestratigrafia). Finalizado o trabalho de implementação dos parâ- A necessidade de prover o SIG Geodiversidade com metros da geologia e do relevo pela equipe responsável, tabelas de atributos referentes às unidades geológico- o material foi enviado para a Coordenação de Geoproces- ambientais, dotadas de informações para o planejamento, samento, que procedeu à auditagem do arquivo digital implicou a modelagem de uma Base Geodiversidade, da geodiversidade para retirada de polígonos espúrios, intrinsecamente relacionada à Base Litoestratigrafia, uma superposição e vazios gerados durante o processo de edi- vez que as unidades geológico-ambientais são produto de ção. Paralelamente, iniciou-se a carga dos dados na Base reclassificação das unidades litoestratigráficas. Geodiversidade – APLICATIVO GEODIV (VISUAL BASIC), com Esse modelo de dados foi implantado em um aplicativo posterior migração dos dados para o GeoBank (CPRM/SGB). de entrada de dados local desenvolvido em Visual Basic 6.0, denominado GEODIV. O modelo do aplicativo apresenta seis ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS: telas de entrada de dados armazenados em três tabelas de GEOBANK dados e 16 tabelas de bibliotecas. A primeira tela recupera, por escala e fase, todas as unidades geológico-ambientais cadas- A implantação dos projetos de levantamento da geodi- tradas, filtrando, para cada uma delas, as letras-símbolos das versidade do Brasil teve como objetivo principal oferecer aos unidades litoestratigráficas (Base Litoestratigrafia) (Figura 11.5). diversos segmentos da sociedade brasileira uma tradução Posteriormente, de acordo com a escala adotada, o do conhecimento geológico-científico, com vistas a sua usuário cadastra todos os atributos da geologia de interesse aplicação ao uso adequado para o ordenamento territorial e para o planejamento (Figura 11.6). planejamento dos setores mineral, transportes, agricultura, Na última tela, o usuário cadastra os compartimentos turismo e meio ambiente, tendo como base as informações de relevo (Figura 11.7). geológicas presentes no SIG da Carta Geológica do Brasil Todos os dados foram preenchidos pela equipe da Coor- ao Milionésimo (CPRM, 2004). denação de Geoprocessamento e inseridos no aplicativo que Com essa premissa, a Coordenação de Geoproces- possibilita o armazenamento das informações no GeoBank samento da Geodiversidade, após uma série de reuniões (Oracle), formando, assim, a Base Geodiversidade (Figura 11.8). com as Coordenações Temáticas e com as equipes locais da CPRM/SGB, estabeleceu normas e procedimentos básicos a serem utilizados nas diversas atividades dos levantamentos estaduais, com destaque para: - Definição dos domínios e unidades geológico- ambientais com base em parâmetros geológicos de interesse na análise ambiental, em escalas 1:2.500.000, 1:1.000.00 e mapas estaduais. - A partir da escala 1:1.000.000, criação de atributos geológicos aplicáveis ao planejamento e informações dos compartimentos do relevo. - Acuidade cartográfica compatível com as escalas adotadas. - Estruturação de um modelo conceitual de base para o planejamento, com dados padronizados por meio Figura 11.5 - Tela de cadastro das unidades geológico-ambientais de bibliotecas. para os mapas estaduais de geodiversidade (aplicativo GEODIV). 151 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 11.6 - Tela de cadastro dos atributos da geologia Figura 11.7 - Tela de cadastro dos atributos do relevo (aplicativo GEODIV). (aplicativo GEODIV). Figura 11.8 - Fluxograma simplificado da base Geodiversidade (GeoBank). 152 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA O módulo da Base Geodiversidade, suportado por ATRIBUTOS DOS CAMPOS DO ARQUIVO bibliotecas, recupera, também por escala e por fase DAS UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS: (quadrícula ao milionésimo, mapas estaduais), todas as DICIONÁRIO DE DADOS informações das unidades geológico-ambientais, permi- tindo a organização dos dados no GeoBank, de forma a São descritos, a seguir, os atributos dos campos possibilitar a conexão dos dados vetoriais com os dados que constam no arquivo shapefile da unidade geológico- alfanuméricos. Na primeira fase, com auxílio dos elementos- ambiental. -chave descritos nas tabelas, é possível vincular, facilmente, COD_DOM (CÓDIGO DO DOMÍNIO GEOLÓGICO- mapas digitais ao GeoBank, como na montagem de SIGs, AMBIENTAL ) – S ig la dos domínios geo lógico - em que as tabelas são produtos da consulta sistemática ambientais. ao banco de dados. DOM_GEO (DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO GEOLÓGICO- Outra importante ferramenta de visualização dos AMBIENTAL) – Reclassificação da geologia pelos grandes mapas geoambientais é o módulo Web Map do GeoBank, domínios geológicos. onde o usuário tem acesso a informações relacionadas COD_UNIGEO (CÓDIGO DA UNIDADE GEOLÓGICO- às unidades geológico-ambientais (Base Geodiversidade) AMBIENTAL) – Sigla da unidade geológico-ambiental. e suas respectivas unidades litológicas (Base Litoestrati- UNIGEO (DESCRIÇÃO DA UNIDADE GEOLÓGICO- grafia), podendo recuperar as informações dos atributos AMBIENTAL) – As unidades geológico-ambientais foram relacionados à geologia e ao relevo diretamente no mapa agrupadas com características semelhantes do ponto de (Figura 11.9). vista da resposta ambiental a partir da subdivisão dos Figura 11.9 - Módulo Web Map de visualização dos arquivos vetoriais/base de dados (GeoBank). 153 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO domínios geológico-ambientais e por critérios-chaves ALBUQUERQUE, P.C.G.; SANTOS, C.C.; MEDEIROS, descritos anteriormente. J.S. Avaliação de mosaicos com imagens DEF_TEC (DEFORMAÇÃO TECTÔNICA/DOBRAMEN- LandSat TM para utilização em documentos TOS) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas que cartográficos em escalas menores que 1/50.000. compõe a unidade geológico-ambiental. São José dos Campos: INPE, 2005. Disponível CIS_FRAT (TECTÔNICA FRATURAMENTO/CISALHA- em: . compõe a unidade geológico-ambiental. Acesso em: 21 dez. 2009. TIPO_DEF (TIPO DE DEFORMAÇÃO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas que compõe a unidade BARBOSA, G.V.; FRANCO, E.M.S.; MOREIRA, M.M.A. geológico-ambiental. Mapas geomorfológicos elaborados a partir do sensor COM_REOL (COMPORTAMENTO REOLÓGICO) – Re- radar. Notícia Geomorfológica, Campinas, v. 17, n. 33, lacionado à rocha ou ao grupo de rochas que compõe a p. 137-152, jun. 1977. unidade geológico-ambiental. ASPECTO (ASPECTOS TEXTURAIS E ESTRUTURAIS) BARROS, R.S.; CRUZ, M.B.C.; REIS, B.R.; ROCHA, – Relacionado às rochas ígneas e/ou metamórficas que F.M.E.; BARBOSA, G.L. Avaliação do modelo digital de compõem a unidade geológico-ambiental. elevação da SRTM na ortorretificação de imagens Spot INTEMP_F (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO FÍSI- 4. Estudo de caso: Angra dos Reis – RJ. In: SIMPÓSIO CO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs que EM CIÊNCIAS GEODÉSICAS E TECNOLOGIA DA compõe a unidade geológico-ambiental. GEOINFORMAÇÃO, 1., 2004, Recife. Anais… Recife: INTEMP_Q (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO QUÍMI- UFPE, 2004. 1 CD-ROM. CO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs que compõe a unidade geológico-ambiental. BERGER, A. Geoindicators: what are they and how are GR_COER (GRAU DE COERÊNCIA DA(S) ROCHA(S) they being used? In: INTERNATIONAL GEOLOGICAL FRESCA(S)) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas CONGRESS, 32., 2004, Florence. Abstracts. Florence, que compõe a unidade geológico-ambiental. Italy: IUGS, 2004. v. 2, abs. 209-1, p. 972. TEXTURA (TEXTURA DO MANTO DE ALTERAÇÃO) – Relacionado ao padrão textural de alteração da rocha BIZZI, L.A.; SCHOBBENHAUS, C.; VIDOTTI, R.M.; ou ao grupo de rochas que compõe a unidade geológico- GONÇALVES, J.H. Geologia, tectônica e recursos ambiental. minerais do Brasil: texto, mapas e SIG. Brasília, DF: PORO_PRI (POROSIDADE PRIMÁRIA) – Relacionado à CPRM, 2003. 674 p. il. 1 DVD-ROM. porosidade primária da rocha ou do grupo de rochas que compõe a unidade geológico-ambiental. CCRS. Natural resources Canada, 2004. Disponível AQUÍFERO (TIPO DE AQUÍFERO) – Relacionado ao tipo em: . de aquífero que compõe a unidade geológico-ambiental. Acesso em: 21 dez. 2009. COD_REL (CÓDIGO DOS COMPARTIMENTOS DO RELEVO) – Siglas para a divisão dos macrocompartimentos CPRM. Mapa geoambiental & mapa de domínios de relevo. geoambientais/zonas homólogas [da] bacia do RELEVO (MACROCOMPARTIMENTOS DO RELEVO) – rio Gravataí. Porto Alegre, 1998. 2 mapas. Escala Descrição dos macrocompartimentos de relevo. 1:100.000. Programa Pró-Guaíba. GEO_REL (CÓDIGO DA UNIDADE GEOLÓGICO-AM- BIENTAL + CÓDIGO DO RELEVO) – Sigla da nova unidade CPRM. Carta geológica do Brasil ao milionésimo: geológico-ambiental, fruto da composição da unidade sistema de informações geográficas (SIG). Brasília, DF: geológica com o relevo. Na escala 1:1.000.000, é o campo CPRM, 2004. 41 CD-ROM. Escala 1:1.000.000. Programa indexador, que liga a tabela aos polígonos do mapa e ao Geologia do Brasil (PGB). banco de dados (é formada pelo campo COD_UNIGEO + COD_REL). CPRM. Instruções e procedimentos de OBS (CAMPO DE OBSERVAÇÕES) – Campo-texto onde padronização no tratamento digital de dados são descritas todas as observações consideradas relevantes para projetos de mapeamento da CPRM: manual na análise da unidade geológico-ambiental. de padronização. Rio de Janeiro: CPRM, 2005. v. 2. REFERÊNCIAS CPRM. Geologia e recursos minerais do estado do Amazonas: sistema de informações AB’SABER, A.N. Um conceito de geomorfologia a serviço geográficas (SIG). Rio de Janeiro: CPRM, 2006. Escala das pesquisas sobre o quaternário. Geomorfologia, 1:1:000.000. Programa Geologia do Brasil (PGB). 1 São Paulo, n. 18, p. 1-23, 1969. CD-ROM. 154 METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA CREPANI, E.; MEDEIROS, J.S. Imagens fotográficas PONÇANO, W.L.; CARNEIRO, C.D.R.; ALMEIDA M.A.; derivadas de MNT do projeto SRTM para PIRES NETO, A.G.; ALMEIDA, F.F.M. O conceito fotointerpretação na geologia, geomorfologia de sistemas de relevo aplicado ao mapeamento e pedologia. São José dos Campos: INPE, 2004. geomorfológico do estado de São Paulo. In: SIMPÓSIO REGIONAL DE GEOLOGIA, 2., 1979, Rio Claro. Atas... Rio CREPANI, E.; MEDEIROS, J.S. Imagens CBERS + imagens Claro: SBG/NS, 1979. v. 2. p. 253-262. SRTM + mosaicos GeoCover LandSat. Ambiente Spring e TerraView: sensoriamento remoto e geoprocessamento RAMOS, M.A.B.; ESPÍRITO SANTO, E.B.; PFALTZGRAFF, gratuitos aplicados ao desenvolvimento sustentável. In: P.A.S.; DANTAS, M.E.; MAIA, M.A.M.; GONÇALVES, SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, J.H.; JESUS, J.D.A.; SIMÃO, G.C.F.; JACQUES, P.D.; 12., 2005, Goiânia. Anais… São José dos Campos: INPE, THEODOROVICZ, A.; ORLANDI FILHO, V.; MARQUES, 2005. 1 CD-ROM. V.J.; SILVA, C.R. Procedimentos no tratamento digital de dados para o projeto SIG geologia ambiental do Brasil. CRÓSTA, A.P. Processamento digital de imagens de In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 43., 2006, sensoriamento remoto. Campinas: UNICAMP, 1992. Aracaju. Anais... Aracaju: SBG, 2006. 1 CD-ROM. 170 p. RAMOS, M.A.B. et al. Proposta para determinação CUSTODIO, E.; LLAMAS, M.R. Hidrologia subterrânea. de atributos do meio físico relacionados às unidades 2. ed. corrigida. Barcelona: Omega, 1983. 2 v. Tomo I. geológicas, aplicado à análise geoambiental. 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Guaçu e Pardo, SP: subsídios para o planejamento territorial e gestão ambiental. São Paulo: CPRM, 2000. il. MEIS, M.R.M.; MIRANDA, L.H.G; FERNANDES, N.F. Desnivelamento de altitude como parâmetros para THEODOROVICZ, A. et al. Projeto médio Pardo. São a compartimentação do relevo: bacia do médio- Paulo: CPRM, 2001. baixo Paraíba do Sul. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 32., 1982, Salvador. Anais... Salvador: SGB, THEODOROVICZ, A.; THEODOROVICZ, A.M. de G.; 1982. v. 4. p. 1459-1503. CANTARINO, S. de C. Estudos geoambientais e geoquímicos das bacias hidrográficas dos rios OLIVEIRA, A.M.S.; BRITO, S.N.A. (Ed.). Geologia de Mogi-Guaçu e Pardo. São Paulo: CPRM, 2002. 1 CD- engenharia. São Paulo: ABGE, 1998. 587 p. ROM. 155 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO THEODOROVICZ, A. et al. Projeto paisagens TRAININI, D.R.; ORLANDI FILHO, V. Mapa geoquímicas e geoambientais do vale do Ribeira. geoambiental de Brasília e entorno: ZEE-RIDE. Porto São Paulo: CPRM/UNICAMP/FAPESP, 2005. 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...........................................................169 Potencial mineral ..........................................................................................171 Potencial geoturístico ...................................................................................171 Domínio dos Sedimentos Cenozoicos Eólicos (DCE) ............................................172 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ....................172 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....172 Obras de engenharia ....................................................................................172 Agricultura ....................................................................................................173 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................173 Potencial mineral ..........................................................................................174 Potencial geoturístico ...................................................................................174 Domínio dos Sedimentos Indiferenciados Cenozoicos Relacionados a Retrabalhamento de Outras Rochas, Geralmente Associados a Superfícies de Aplainamento (DCSR) ................................................................175 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ....................175 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....175 Obras de engenharia ....................................................................................175 Agricultura ....................................................................................................176 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................177 Potencial mineral ..........................................................................................177 Potencial geoturístico ...................................................................................177 Domínio dos Sedimentos Cenozoicos, Pouco a Moderadamente Consolidados, Associados a Tabuleiros (DCT) ............................................................................177 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ....................177 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....178 Obras de engenharia ....................................................................................178 Agricultura ....................................................................................................178 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................178 Potencial mineral ..........................................................................................178 Domínio das Coberturas Cenozoicas Detrito-LateríticaS (DCDL) ......................179 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ....................179 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....180 Obras de engenharia ....................................................................................180 Agricultura ....................................................................................................180 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................180 Potencial mineral ..........................................................................................181 Potencial geoturístico ...................................................................................181 Domínio das Coberturas Sedimentares e Vulcanossedimentares Mesozoicas e Paleozoicas, Pouco a Moderadamente Consolidadas, Associadas a Grandes e Profundas Bacias Sedimentares do Tipo Sinéclise (Ambientes Deposicionais Continental, Marinho, Desértico, Glacial e Vulcânico) (DSVMP) .......................181 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ....................181 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....183 Terrenos com Predomínio de Espessos Pacotes Formados por Sedimentos à Base de Quartzoarenitos ...............................................................................184 Obras de engenharia ....................................................................................184 Agricultura ....................................................................................................185 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................189 Potencial mineral ..........................................................................................189 Potencial geoturístico ...................................................................................190 Terrenos com Predomínio de Intercalações Irregulares de Camadas de Sedimentos Arenosos e Síltico-Argilosos .........................................................191 Obras de engenharia ....................................................................................193 Agricultura ....................................................................................................193 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................194 Potencial mineral ..........................................................................................194 Potencial geoturístico ...................................................................................194 Terrenos com Predomínio de Intercalações de Sedimentos Arenosos, Síltico- Argilosos e Calcários ........................................................................................195 Obras de engenharia ....................................................................................195 Agricultura ....................................................................................................196 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................196 Potencial mineral ..........................................................................................197 Potencial geoturístico ...................................................................................197 Terrenos com Predomínio de Pelitos ................................................................198 Obras de engenharia ....................................................................................198 Agricultura ................................................................................................... 200 Recursos hídricos e fontes poluidoras .......................................................... 200 Potencial mineral ......................................................................................... 200 Potencial geoturístico ...................................................................................201 Domínio do Vulcanismo Fissural do Tipo Platô (DVM) ........................................201 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ....................201 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....201 Obras de engenharia ....................................................................................201 Agricultura ....................................................................................................203 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................203 Potencial mineral ......................................................................................... 204 Potencial geoturístico .................................................................................. 204 Domínio das Coberturas Sedimentares Proterozoicas, Não ou Muito Pouco Dobradas e Metamorfizadas, Caracterizadas Por um Empilhamento de Camadas Horizontalizadas e Sub-Horizontalizadas de Várias Espessuras de Sedimentos Clastoquímicos de Várias Composições e Associados aos Mais Diferentes Ambientes Tectonodeposicionais (DSP1) ............................ 204 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ................... 204 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....205 Obras de engenharia ....................................................................................205 Agricultura ....................................................................................................205 Recursos hídricos e fontes poluidoras .......................................................... 206 Potencial mineral ......................................................................................... 206 Potencial geoturístico .................................................................................. 206 Domínio das Sequências Vulcânicas ou Vulcanossedimentares Proterozoicas, não ou Pouco Dobradas e Metamorfizadas (DSVP1) .......................................... 206 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ................... 206 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....205 Obras de engenharia ....................................................................................207 Agricultura ....................................................................................................207 Recursos hídricos e fontes poluidoras .......................................................... 208 Potencial mineral ......................................................................................... 209 Potencial geoturístico .................................................................................. 209 Domínio das Sequências Sedimentares Proterozoicas Dobradas, Metamorfizadas de Baixo a Alto Grau (DSP2) .................................................... 209 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ................... 209 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....210 Obras de engenharia ....................................................................................210 Agricultura ....................................................................................................212 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................212 Potencial mineral ..........................................................................................212 Potencial geoturístico ...................................................................................212 Domínio das Sequências Vulcanossedimentares Proterozoicas Dobradas, Metamorfizadas em Baixo AaAlto Grau (DSVP2) ................................................213 Área de Ocotrrência, Elementos de Definição e Relevo Associado...................213 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....214 Obras de engenharia ....................................................................................214 Agricultura ....................................................................................................217 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................217 Potencial mineral ..........................................................................................217 Potencial geoturístico ...................................................................................218 Domínio dos Complexos Granitoides não Deformados (DCGR1)/Domínio dos Complexos Granitoides Deformados (DCGR2) ....................................................218 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ....................218 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....221 Obras de engenharia ....................................................................................221 Agricultura ....................................................................................................222 Recursos hídricos e fontes poluidoras .......................................................... 223 Potencial mineral ......................................................................................... 223 Potencial geoturístico .................................................................................. 223 Domínio dos Complexos Gnáissico-Migmatíticos e Granulíticos (DCGMGL) ...... 223 Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado ................... 223 Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ....224 Obras de engenharia ....................................................................................224 Agricultura ....................................................................................................225 Recursos hídricos e fontes poluidoras ...........................................................226 Potencial mineral ..........................................................................................227 Potencial geoturístico ...................................................................................227 Referências ..........................................................................................................228 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO INTRODUÇÃO Apresenta-se, neste capítulo, a descrição das adequabilidades/potencialidades e limitações frente ao uso e à ocupação dos terrenos existentes no estado do Maranhão, com base nas informações do aspecto físico: geologia, relevo, solo e recursos hídricos. As informações apresentadas estão fundamenta- das na premissa de que aos diferentes grupamentos litológico-estruturais/formas de relevo está associada uma série de características, as quais, quando anali- sadas em conjunto, indicam, com segurança, as ade- quabilidades e as limitações dos terrenos, caso sejam destinados a determinada forma de uso, ou quando se analisam seus potenciais minerais, hidrológicos e geoturísticos. Segundo Theodorovics e Theodorovics (2010, p. 43): [...] muitas dessas informações são factuais e independem de outras variáveis. Pode-se assumir, por exemplo, dentre outras características e implicações positivas e negativas, que um sedimento arenoso vai gerar um solo arenoso, por consequência, espera-se que seja um solo bastante permeável, ácido, de baixa capacidade de reter elementos, de alta erodibilidade natural; se associado a um relevo suavizado, com bai- xos declives e amplitudes, será mais espesso, sujeito à arenização pela água das chuvas. Outras informações podem ser previstas ou propos- tas por meio de levantamento de campo, que, no caso Figura 12.1 - Domínios geológico-ambientais individualizados no deste trabalho, limitou-se ao âmbito de reconhecimento, estado do Maranhão. muito aquém da escala de levantamento 1:750.000. Para esse tipo de análise, a área de estudo foi indivi- relevos associados e exibição das áreas de ocorrência dualizada em 14 grandes domínios geológico-ambientais, em mapa em escala reduzida; os quais, em função das particularidades geológicas, fo- • abordagem das características do substrato rochoso, ram subdivididos em 34 unidades geológico-ambientais relevo, solo e sistema de drenagem que influenciam as (Quadro 12.1). A essas unidades foram agregados critérios adequabilidades/potencialidades e limitações dos terre- geomorfológicos, que implicaram novas divisões, resultando nos frente a obras de engenharia, agricultura, recursos em 138 unidades geológico-ambientais e formas de relevo hídricos e fontes poluidoras, assim como descrição de associadas, conforme metodologia descrita no capítulo 11 potenciais minerais e geoturísticos, quando houver. (Metodologia e Estruturação da Base de Dados em Sistema de Tal forma de apresentação – individualizada por do- Informação Geográfica, item Definição dos Domínios e Uni- mínio geológico-ambiental – tem por objetivo direcionar dades Geológico-Ambientais), constituindo, assim, o Mapa a pesquisa, evitando-se a leitura de todo o relatório na de Geodiversidade do Estado do Maranhão (Figura 12.1). busca de informações sobre determinado tipo de terreno. Os domínios, suas unidades geológico-ambientais e respectivas formas de relevo associadas são descritos indi- DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS vidualmente, na ordem cronológica de origem das rochas INCONSOLIDADOS OU POUCO que os sustentam. Por isso, estão hierarquizados segundo CONSOLIDADOS, DEPOSITADOS EM MEIO o empilhamento, do mais novo para o mais antigo, ou seja, AQUOSO (DC) dos sedimentos recentes inconsolidados ou pouco con- solidados para o Complexo Granito-Gnaisse Migmatítico Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Granulitos do Proterozoico (2,5 milhões de anos atrás). e Relevo Associado A individualização de cada domínio obedeceu aos seguintes critérios: Esse domínio abrange uma área aproximada de • descrição dos aspectos geológicos que serviram de 21.167,86 km2, ocupando grande parte da porção norte parâmetros para sua definição, comentário sobre os do estado do Maranhão, com distribuição irregular nas 161 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Quadro 12.1 - Domínios, unidades geológico-ambientais e unidades geológicas associadas do território maranhense. Código do Código da Unidade Domínio Geológico- Unidades Geológico-Ambientais Unidades Geológicas AssociadasAmbiental Dca Ambiente de planícies aluvionares recentes Depósitos aluvionares Ambiente fluviolacustre Depósitos eólicos litorâneos, sedimen- DCfl tos pós-Barreiras DC DCm Ambiente misto (marinho/continental) Depósitos de pântanos e mangues DCta Ambiente de terraços aluvionares Depósitos de terraços DCmc Ambiente marinho costeiro Depósitos litorâneos DCEm Dunas móveis Depósitos eólicos litorâneos DCE DCEf Dunas fixas Depósitos eólicos continentais antigos DCSR DCSR Sedimentos retrabalhados de outras rochas Depósitos colúvio-eluviais Alternância irregular entre camadas de sedimentos de com- Grupo Barreiras DCT DCT posição diversa (arenito, siltito, argilito e cascalho). Depósitos detrito-lateríticos, provenientes de processos de Coberturas lateríticas imaturas DCDL laterização em rochas de composições diversas, sem a pre- DCDL sença de crosta Horizonte laterítico in situ, proveniente de processos de late- Coberturas lateríticas maturas DCDLi rização em rochas de composições diversas, formando crosta Predomínio de sedimentos arenosos, de deposição continen- Formação Urucuia DCM DCMa tal, lacustre, fluvial ou eólica – arenitos Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição Formações Grajaú, Corda e Poti DSVMPaef mista (eólica e fluvial) Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição Formação Sambaíba DSVMPae eólica DSVMPacg Predomínio de arenitos e conglomerados Grupo Serra Grande Intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e Grupo Itapecuru e Formação Ipixuna DSVMPasaf folhelhos DSVMP Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, síltico- Formações Pedra de Fogo e Piauí DSVMPasac argilosos e calcários Predomínio de sedimentos síltico-argilosos intercalados de Formação Codó DSVMPsabc folhelhos betuminosos e calcários Predomínio de sedimentos síltico-argilosos e calcários com Formação Motuca DSVMPsaca intercalações arenosas subordinadas Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com intercalações Formações Pastos Bons e Longá DSVMPsaa arenosas DVMgd Predomínio de rochas básicas intrusivas Formação Sardinha DVM DVMba Predomínio de basalto com intertraps subordinados de arenito Formação Mosquito Predomínio de sedimentos arenosos e conglomeráticos, com Formação Piriá DSP1 DSP1acgsa intercalações subordinadas de sedimentos síltico-argilosos Predomínio de vulcanismo ácido a intermediário Formação Rio Diamante, unidades vul- DSVP1 DSVP1va cânicas Rosilha e Serra do Jacaré DSP2mqmtc Metarenitos, quartzitos e metaconglomerados Formação Igarapé de Areia DSP2 Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, represen- Grupo Gurupi Indiviso, formações DSP2x tados por xistos Itapeva Xisto e Jaritequara Predomínio de metarenitos e quartzitos com intercalações Formação Ramos DSVP2mqsafmg irregulares de metassedimentos síltico-argilosos e formações ferríferas ou manganesíferas DSVP2 Predomínio de metapelitos, com intercalações de rochas Grupo Aurizona, formações Matará, DSVP2pbu metabásicas e/ou metaultramáficas Pirocaua e Chega Tudo Vulcânica Metarenitos feldspáticos, metarenitos, tufos e metavulcânicas Formação Chega Tudo DSVP2gratv básicas a intermediárias Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e Granitos Moça, Negra Velha, granófiro DCGR1 DCGR1salc alto-K) e toleíticas Piaba e suíte Tromaí Granito Maria Suprema, suíte Rosário e DCGR2 DCGR2salc microtonalito Garimpo Caxias DCGMGmgi Migmatitos indiferenciados Complexo Itapeva Predomínio de gnaisses paraderivados. Podem conter porções Formação Marajupema DCGMGL DCGMGLgnp migmatíticas DCGMGLaf Anfibolitos Anfibolito Cocal 162 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.2 - Área de ocorrência das unidades geológico- Figura 12.3 - Formas de relevo associadas à unidade geológico- ambientais do domínio dos sedimentos cenozoicos inconsolidados ambiental DCa. ou pouco consolidados depositados em meio aquoso (DC). tituídos por material inconsolidado, de espessura variável, porções central e centro-oeste (Figura 12.2). São terrenos formados por intercalações de camadas e lentes de diversas sustentados por sedimentos depositados entre 1.8 milhões granulometrias, que podem variar de sedimentos arenosos e 10 mil anos atrás, com espessuras e litologias variadas e/ou lamosos a eventualmente depósitos de cascalho, de- (argila, silte, areia e cascalho), pouco consolidados ou pendendo da fonte do material transportado e da energia inconsolidados, empilhados irregularmente em camadas da corrente do rio. horizontalizadas, depositados em ambiente de baixa e/ou Ambiente Fluviolacustre (DCfl): Ambiente cons- alta energia e em áreas com amplitude e altitudes mais tituído por areias e lamas com restos orgânicos vegetais, baixas. Nesse domínio foram diferenciadas cinco unidades de origem lagunar, interdigitados com cascalhos e areias geológico-ambientais. grossas a finas, relacionados à sedimentação fluvial. Ge- Ambiente de Planícies Aluvionares Recentes ologicamente, associa-se aos depósitos fluviolagunares (DCa): Unidade geoambiental cartografada em uma área recentes e antigos denominados pós-Barreiras (Figura 12.5). de 6.266,15 km2. No entanto, essa extensão não representa a totalidade dos depósitos de planície aluvial existentes no estado, mas, sim, aqueles com dimensão suficiente para representação na escala do mapa de geodiversidade (1:750.000), como os depósitos aluvionares gerados pelos rios das Almas, Caxias, Turiaçu, Pericumã, Itapecuru, Mu- nim, Preto, Magu, Preguiças, da Ribeira, Parnaíba, Mearim, Pindaré, Buritucupu e Tocantins (Figura 12.3). A unidade DCa associa-se ao relevo de planícies fluviais ou fluviolacustres caracterizado por superfícies sub-horizontalizadas, pouco elevadas, acima do nível mé- dio dos rios, riachos/igarapés e córregos, periodicamente inundadas em épocas de cheias (GUERRA; GUERRA, 2006) (Figura 12.4). Correspondem, geologicamente, às zonas de Figura 12.4 - Planície aluvionar do rio Pindaré, vista a partir da acumulação atuais, como os depósitos aluvionares, cons- rodovia BR-316. Município Bom Jardim (MA). 163 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Os depósitos fluviolagunares antigos (pós-Barreiras), Já os depósitos fluviolagunares recentes associam-se apesar de terem sido formados em relevos de planície ao relevo das planícies fluviomarinhas, caracterizadas por fluviomarinha, atualmente se encontram sob a forma de amplitudes, declividades e cotas topográficas muito baixas superfícies aplainadas e colinas amplas, com cotas de até (0 a 10 m), onde estão instalados grandes lagos (Figura 55 m (Figura 12.5), devido ao recuo do mar e a processos 12.6), com influência fluvial e pluvial, que podem se es- neotectônicos e intempéricos. tender muito além das margens dos rios. Esse ambiente, Figura 12.5 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade-geológico-ambiental DCfl. a b Figura 12.6 - Lago formado por águas pluviais e fluviais que se instalaram sobre um solo hidromórfico argiloarenoso e relevo plano, coberto por vegetação aquática (a) e sem vegetação (b). Rodovia BR-222, município Arari (MA). 164 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO assim como parte das planícies aluvionares e mangues, está inserido na área da Baixada Maranhense (Figura 12.7), que é uma feição geomorfológica formada por extensos lagos interligados por um sistema de drenagem com canais divagantes, associados aos baixos cursos dos rios Aurá, Mearim, Pindaré, Munim e Itapecuru, que deságuam nas bacias de São Marcos e São José. Ambiente Misto (Marinho/Continental) (DCm): Unidade geológico-ambiental representada por man- gues (Figura 12.8), localizada nas porções noroeste, centro-norte e nordeste da costa maranhense, com área aproximada de 5.489,63 km2, constituindo um dos maiores sistemas contínuos de manguezais do mundo (SOUZA-FILHO, 2005). São áreas de transição entre os ambientes terrestre e marinho, sujeitas a regimes das marés e instaladas em zona úmida, característica de regiões tropicais e subtropicais. Desenvolvem-se a partir de sedimentos marinhos e fluviais, formando terrenos constituídos por intercalações irregula- Figura 12.8 - Canal fluvial rico em particulado fino e planície res de sedimentos arenosos e argilosos, que, no geral, são lamosa, sustentando vegetação de mangue. Vista da ponte que ricos em matéria orgânica em zonas de intermarés, os quais corta o rio afluente do rio Iriri-Açu. Município Carutapera (MA). Figura 12.7 - Mapa de localização da baixada maranhense. 165 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO sustentam uma vegetação com predomínio de espécies Rhizophora e Avicenia (LEBIGRE, 1994). Ocorrem em regiões de topografia pla- na, classificadas como Planícies Fluviomarinhas (Figura 12.9), que, no estado do Maranhão, apresentam cota topográfica predominante- mente entre 2 a 10 m, registrando-se, todavia, cotas de até 35 m. Ambiente de Terraços Aluvionares (DCta): Terrenos de difícil delimitação em escalas de menor detalhe, porém, na escala 1:750.000, foi possível mapear uma área de 4,47 km2 distribuída na porção sudoeste do estado, representada por cotas mais elevadas que as das planícies aluviais – mais altas que o nível das enchentes de rios e várzeas atuais. Constituem-se de material aluvionar mais an- tigo, ou seja, depósitos sedimentares fluviais semiconsolidados, formados por areia, silte, argila e cascalho. Estão associados a relevos de superfícies aplainadas (Figura 12.10), carac- terizadas por superfícies horizontalizadas ou Figura 12.9 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade levemente inclinadas, eventualmente atingidas geológico-ambiental DCm. por águas fluviais. Ambiente Marinho Costeiro (DCmc): Caracteriza-se por depósitos sedimentares arenosos, gerados por ação do mar e ventos, formando zonas de praia e algumas dunas fixas e móveis (Figura 12.11). Essa unidade geológi- co-ambiental, com 465,98 km2, presente em toda a região costeira do estado, associa-se a relevos de planícies costeiras (Figura 12.12), caracterizadas por superfícies sub-horizontais, com microrrelevo ondulado e amplitude de até 20 m, inclinação das vertentes variando entre 0 a 5° e cotas topográficas que atingem até 20 m de altitude. Figura 12.11 - Ambiente de praia e dunas fixadas Figura 12.10 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade pela vegetação. Praia do Calhau, município São Luís geológico-ambiental DCta. (MA). 166 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO estarão sujeitas a entupimentos frequentes, com necessidade de bombeamento para me- lhorar o fluxo, assim como há possibilidade de ocorrer reversão de fluxo e entupimento em dutos enterrados. A umidade alta favorece a proliferação de fungos e bactérias, tornando o ambiente insalubre para moradias. Ruas e aces- sos estarão sujeitos a alagamentos constantes. Nesse domínio predominam áreas onde o lençol freático se apresenta muito próximo à superfície. Esse fato, aliado ao alto índice pluviometrico da região e a solos e sedimentos pouco consolidados e saturados em água, desfavorece obras subterrâneas ou obras com fundações, pois estas poderão sofrer enchar- camentos ou se deformar quando submetidas a cargas elevadas, favorecendo a ocorrência de adensamentos, recalques, trincamentos e rupturas de fundações (Figura 12.13). Nos terrenos das unidades DCfl e DCm é comum a ocorrência de sedimentos e solos ricos em matéria orgânica, que se mantêm encharcados na maior parte do ano (Figura Figura 12.12 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade 12.14). Essa situação propicia a formação geológico-ambiental DCmc. de ácidos corrosivos, que, aliados à baixa profundidade do lençol freático, podem oca- Características, Adequabilidades e sionar corrosão de tubulações e de estruturas Limitações Frente ao Uso e à Ocupação enterradas e, consequentemente, vazamentos em dutos, além de deterioração de blocos de ancoragem e estacas. Embora tenha sido dividido em cinco unidades geoló- Por essa razão, deve-se tomar cuidado com a qualidade gico-ambientais, esse domínio é constituído por terrenos dos materiais empregados, principalmente quando tais que, do ponto de vista de relevo e constituição litológica, áreas forem destinadas a armazenamento ou circulação de apresentam características, adequabilidades e limitações substâncias poluentes. Caso ocorra vazamento, o impacto comuns a todas as unidades. Por essa razão, as referidas negativo será de grandes proporções, longa duração e unidades geoambientais serão tratadas em conjunto, com difíceis e onerosas soluções recuperativas. destaque para as individualizações quando necessário. As áreas com camadas de argilas mostram-se muito rijas e duras, quando secas, e bastante plásticas e aderen- Obras de engenharia As unidades desse domínio são constituídas por um empilhamento de camadas horizontalizadas de materiais com granulometrias bastante variadas, que apresentam propriedades geotécnicas distintas na vertical. Tais ca- racterísticas provocam descontinuidades geomecânicas e hidraúlicas que facilitam a desestabilização e os processos erosivos durante as escavações. Por outro lado, são terrenos com boa homogeneidade geomecânica e hidraúlica na lateral e baixa resistência ao corte e à penetração, sendo facilmente removíveis por maquinário. Se, por um lado, são áreas de relevos planos ou quase planos, com declividades entre 0 e 3%, de baixo potencial de erosão hídrica e movimentos naturais de massa, por outro lado apresentam escoamentos superficial e subsuperficial muito precários, com lenta circulação das águas e alto po- Figura 12.13 - Modelo esquemático de construções com trincamentos, fixadas em terrenos com sedimentos inconsolidados tencial para formação de poças d’água e alagamentos de e frequentemente alagáveis. longo tempo de duração. Nessas condições, redes de esgoto Fonte: Lazaretti et al. (2010). 167 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO tes, quando saturadas em água (Figura 12.15). Caso sejam ocupação das terras altas circundantes. Constata-se, ainda, descompressionadas durante as escavações, podem de- que o manejo inadequado dessas terras está acelerando sencadear o fenômeno conhecido como “corrida de lama”, os processos erosivos e, em consequência, aumentando o gerando condições propícias a que ocorram colapsos nas aporte de detrito nos leitos dos rios que correm na Baixada áreas próximas às escavações, situação problemática se Maranhense. houver obra nas proximidades, além de causar emplasta- As unidades DCa e DCfl apresentam áreas periodica- mento excessivo em equipamentos e ferramentas. mente inundáveis, com grandes cheias que se prolongam de Os cursos d’água que drenam esse domínio são de janeiro a maio. Mesmo com essa informação, observam-se baixa energia, portanto, depositam mais do que escavam; residências instaladas ao longo das planícies aluvionares consequentemente, encontram-se em franco e acelerado dos igarapés e principais rios do estado, como Pindaré, processo de assoreamento. Os rios formadores da bacia Mearim, Grajaú, Parnaíba e Tocantins (Figura 12.16). hidrográfica do rio Mearim nascem nas terras altas circun- Essa ocupação inadequada e desordenada, associada à vizinhas. Dessa forma, estão sujeitos aos efeitos de fortes variação do nível dos rios e ao alto índice pluviométrico enxurradas provenientes daquelas áreas, que carregam alta da região, condiciona um alto risco de desastres naturais carga de detritos, que vão atulhando suas calhas. Assim, relacionados a inundações, que podem provocar perdas os rios que cortam essa planície tornam-se reféns do uso e de vidas e materiais, como já ocorreu e ainda ocorre em muitas cidades do estado, como, por exemplo, Trizidela do Vale (Figura 12.17), Pedreiras, Vitória do Mearim, Bacabal, Barra do Corda, Igarapé Grande e São Luís Gonzaga do Maranhão, que estão vulneráveis às condições naturais do rio Mearim. Além dessas cidades, há outras que, por estarem em ambientes naturalmente instáveis, também apresentam risco de inundações. Portanto, tais áreas devem ser objeto de zoneamento que contemple um conjunto de regras para a sua ocupação, visando à minimização de perdas materiais e humanas resultantes de grandes cheias (TUCCI, 2007). Tal regulamentação deve ser apoiada em mapas com demarcação de áreas com diferentes riscos de inundação e em critérios de ocupação referentes ao uso e aos aspectos construtivos. Além do extravazamento dos rios causado pelo alto índice pluviométrico, as áreas da unidade geoambiental DCm estão sujeitas a inundações diárias em decorrência da Figura 12.14 - Área plana inundável, com vegetação de junco. Ao dinâmica das marés. Essa unidade mostra-se fracamente fundo, relevo de colinas com vegetação de palmeiras. Rodovia MA- 106, município São Bento (MA). consolidada, com baixa capacidade de suporte e se com- pacta e deforma quando submetida a cargas elevadas, tornando-se limitada para qualquer tipo de ocupação urbana ou viária. Figura 12.15 - Cava a ser preenchida por água pluvial, com o objetivo de se construir lagos artificiais para psicultura. Área composta, geotecnicamente, por material muito plástico e Figura 12.16 - Residências instaladas sobre planície aluvionar, pegajoso. Rodovia MA-014, município Viana (MA), próximo aos com alto risco de sofrerem inundações, devido ao aumento do grandes lagos da baixada maranhense. nível do rio Mearim. Município Barra do Corda (MA). 168 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO valas, o que resulta em impactos negativos na dinâmica das águas superficiais e subterrâneas e na regularidade da umidade do ar do microclima da região. Observam-se, ainda, algumas áreas da unidade com solos argilosos com comportamento expansivo, escorre- gadio e pegajoso, com argilas do tipo 2:1. Nessas áreas é frequente a presença de espaços com altos teores de sais, os quais podem ser identificados pela ocorrência, em alta densidade, de algodão-bravo (MOURA, 2006). Diferentemente das outras unidades desse domínio, os Ambientes de Terraços Aluvionares (DCta), por terem áreas mais sobrelevadas que o nível das enchentes dos rios, podem ser mais bem aproveitados, desde que o uso agrícola seja bem planejado e se leve em conta o nível freático, que está Figura 12.17 - Vista parcial de inundação causada por sujeito às oscilações das enchentes que ocorrem nas áreas aumento do nível do rio Mearim, em 2009. Município Trizidela do Vale (MA). Fonte: . nhense, deve-se prever que são áreas sujeitas a alagamentos, porém, menos frequentes e de menor período de duração, Já as áreas da unidade Ambiente de Terraços Aluvio- com boa fertilidade natural e boa aptidão para agricultura. nares (DCta), por serem terrenos mais elevados que o nível Na unidade Ambiente de Planícies Aluvionares Re- dos rios e apresentarem depósitos mais consolidados, são centes (DCa), depositam-se sedimentos e matéria orgânica favoráveis à ocupação, uma vez que os alagamentos são transportados pelas enxurradas e enchentes dos rios das menos frequentes e com menor tempo de duração. áreas altas circunvizinhas. Nessas áreas, há maior possibi- A unidade DCmc compreende camadas arenosas, lidade de ocorrerem manchas de solos ricos em matéria inconsolidadas, com características geomecânicas e hi- orgânica, de boa fertilidade natural, periodicamente re- dráulicas mais homogêneas que nas demais unidades, novados pelas enchentes dos rios. nas quais podem ocorrer depósitos de areia muito friável, De modo geral, os solos da unidade Ambiente Fluviola- sujeitos ao fenômeno da liquefação, que se desestabilizam custre (DCfl) apresentam muitas limitações à lavoura, pois, com facilidade em escavações. Essa mesma unidade, que geralmente, estão alagados. No entanto, nos períodos de abrange terrenos situados na faixa litorânea, apresenta alta seca apresentam aptidão para plantações de arroz irriga- suscetibilidade à erosão costeira e eólica. do ou para silvicultura e/ou pastagem natural. Na porção sul dessa unidade, observam-se solos maldrenados, com Agricultura acumulações pontuais de ferro mosqueado (plintito) e ferro endurecido (petroplintito), com diferentes níveis de Os solos (Gleissolos, Organossolos, Aluviais) e sedi- resistência ao corte e à penetração. mentos do domínio DC estão associados a relevo plano Os solos que ocorrem nos mangues (DCm) apresentam ou quase plano, que lhes confere baixa suscetibilidade à boa textura para retenção de nutrientes, por serem argilos- erosão hídrica, assim como favorece o uso de maquinário siltosos. No entanto, possuem excesso de matéria orgânica, motorizado, principalmente na época mais seca, quando são pobres em oxigênio, muito ácidos, maldrenados e, por são minimizados os riscos de inundação, característicos de estarem sob influência da maré, retêm alta quantidade de grande parte desses terrenos. Apresentam boa potenciali- sódio (solos salinos), o que os limita para a agricultura. dade para culturas de ciclo curto ou para aquelas adaptadas Na unidade Ambiente Marinho Costeiro (DCmc), ao encharcamento. formam-se solos arenosos, bem drenados, com pouca ma- No entanto, esses solos apresentam drenabilidade téria orgânica, quimicamente ácidos, com baixa capacidade superficial e subsuperficial imperfeita, com lençol freático de retenção de umidade e de nutrientes. Embora ocorram muito próximo à superfície, sujeitos a alagamentos por em áreas com baixo potencial erosivo, devido à topografia longo período durante o ano, tornando-se inadequados muito suave, estão sujeitos a retrabalhamento por ação para o plantio de espécies com raízes profundas. Como a eólica e à erosão costeira na faixa litorânea, apresentando- umidade nos solos se mantém alta na maior parte do ano, -se com baixo potencial para agricultura. esses ambientes são favoráveis à proliferação de vários tipos de doenças e pragas agrícolas (fungos, bactérias e Recursos hídricos e fontes poluidoras insetos), que, se forem combatidas com agrotóxicos, podem contaminar o lençol freático. Esse domínio engloba unidades geoambientais com O plantio de culturas perenes ou espécies de raízes aspectos hídricos que condicionam, a esses ambientes, profundas só é possível, em alguns casos, mediante a média a alta vulnerabilidade à contaminação. Sob esse drenagem do solo. Para tanto, é necessária a abertura de enfoque, destacam-se as principais características do meio 169 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO físico relevantes para instalação ou não de fontes poten- A unidade DCm (Ambiente Misto (Marinho/Conti- cialmente poluidoras. nental)) forma-se em regiões de topografia plana na faixa Domínio caracterizado por relevo plano a suavemente costeira sob a influência constante do mar, gerando extensas ondulado, com baixas declividades e amplitudes, com vários coroas de lama que atuam como verdadeiros contensores lagos e rios com escoamento superficial muito lento, pouco da erosão provocada pela ação das ondas, protegendo turbulento e de baixo potencial para oxigenar, com carac- determinados setores da linha de costa. Por estarem em terísticas mais concentradoras que dispersoras, em que ambientes de baixa energia, depositam sedimentos com poluentes demoram muito para se dispersar e se depurar. predomínio de frações mais finas (argila e silte), elevadas Assim, o derramamento de poluentes nessas áreas poderá quantidades de matéria orgânica e de sais solúveis em de- causar impactos ambientais gravíssimos e exigir complexas corrência do contato com o mar, formando solos argilosos e onerosas soluções. (Gleissolos), orgânicos (Organossolos) e argiloarenosos Além do recurso hídrico superficial, esse domínio apre- (Aluviais), que auxiliam a mitigar os efeitos da poluição, re- senta médio a alto potencial hídrico subterrâneo, uma vez tendo, retardando e transformando substâncias poluidoras, que é composto em subsuperfície por camadas horizontali- como pesticidas, metais tóxicos e matéria orgânica, evitando zadas, não muito espessas, de material com granulometria que contaminem os mananciais hídricos superficiais. Esse diferenciada (areia, cascalho), que apresentam alta porosi- ambiente não apresenta potencial aquífero, por ser cons- dade, permeabilidade, boa capacidade de armazenamento tituído, principalmente, por argilas. Assim, não apresenta e transmissividade d’água, constituindo-se em aquíferos vulnerabilidade ambiental para águas subterrâneas. porosos situados muito próximos à superfície, funcionando A unidade DCmc compreende aquíferos superficiais como excelentes fontes de água doce de fácil explotação, com alto potencial para água subterrânea, com condições a custos baixos. Por outro lado, apresentam alta vulnera- de atender a demandas significativas por meio de poços bilidade à contaminação, pois o lençol freático expõe-se tubulares de grande diâmetro. Também apresentam po- ou se situa a baixas profundidades e o fluxo d’água se dá tencial para explotação de baixo custo, por meio de po- na horizontal, em todas as direções, entre sedimentos de ços escavados, cacimbas e ponteiras para atendimento a baixa capacidade de reter e depurar poluentes. Em caso demandas familiares. O teor salino das águas é, em geral, de acidente com substâncias poluentes, estas podem se baixo, embora estas possam ser, eventualmente, cloretadas. deslocar rapidamente em todas as direções e atingir o Existe o risco de intrusão da cunha salina, caso os poços lençol freático. Dessa forma, estudos hidrogeológicos mais sejam superexplotados. Apresentam alta vulnerabilidade detalhados devem ser realizados, para que fontes poten- ambiental, por serem constituídos, predominantemente, cialmente poluidoras, como parques industriais, lixões, por areias friáveis, sem camada argilosa que possa reter aterros sanitários, cemitérios, tanques de armazenamento possíveis contaminantes. de combustíveis e utilização intensa de agrotóxicos não sejam instaladas em áreas em que a vulnerabilidade natural Potencial mineral das águas subterrâneas se apresente alta. As unidades DCa (Ambiente de Planícies Aluvionares Na unidade DCa ocorrem depósitos de areia e cascalho Recentes) e DCfl (Ambiente Fluviolacustre) apresentam em com potencial para uso na construção civil (Figura 12.18) e subsuperfície camadas arenosas com potencial aquífero. industrial, além de argila para cerâmica. Também podem No entanto, tais camadas encontram-se descontínuas, com ocorrer depósitos do tipo plácer de metais nobres, como poucos metros de espessura, intercaladas com material ouro, na porção noroeste do Maranhão, especificamente mais fino de baixa transmissividade (siltes e argilas), assim na cabeceira do rio Maracaçume, rios Gurupi (nos limites como existência de sedimentos e solos ricos em matéria do município de Centro Novo do Maranhão) e Tromaí. Tais orgânica, que podem provocar odores desagradáveis na depósitos devem ser explorados de forma bem planejada água subterrânea. Tais características diminuem o poten- e controlada, para mitigar os impactos ambientais rela- cial aquífero, mas não impedem que as porções arenosas, cionados a retirada de mata ciliar, poluição de recursos com boa recarga de água, possam ser utilizadas para hídricos superficiais e subterrâneos, erosão das margens explotação, por meio de poços escavados, com baixo e assoreamento de rios e lagoas, cavas abandonadas e custo para pequenas demandas. Apesar de essas unidades degradação paisagística. geoambientais comportarem aquíferos descontínuos, estes Assim como a unidade DCa, a unidade DCfl também podem ser facilmente contaminados, pois o nível freático compreende ambiente geológico favorável à ocorrência de se encontra muito próximo à superfície, apresentando alta argila para cerâmica branca e vermelha, com espessura de vulnerabilidade natural a contaminantes. depósitos bem maiores e depósitos de turfa. As áreas da unidade DCta (Ambiente de Terraços Alu- Na unidade Ambiente de Terraços Aluvionares (DCta), vionares), por serem terrenos mais elevados que a cota dos ocorrem crostas lateríticas, que podem ser ótimas fontes de rios, com lençol freático pouco mais profundo, apresentam material para construção civil e pavimentação de estradas. vulnerabilidade variando de moderada a alta, dependendo A unidade DCm (Ambiente misto (marinho/conti- da variação do nível freático. nental)) apresenta potencial para extração de argila, no 170 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO área de preservação permanente (APP), estando proibida qualquer atividade que degrade esse meio. A unidade DCmc (Ambiente marinho costeiro) é cons- tituída por areia, que, entretanto, não pode ser utilizada como agregado para construção civil, devido ao alto índice de sal que causa rachaduras nas obras, nem ser explorada, pois pode causar danos ambientais, como por exemplo, aumento da erosão, que já ocorre naturalmente pelas ondas do mar. Potencial geoturístico Esse domínio possui alto potencial turístico, relacio- nado à zona costeira e à influência fluvial. Insere-se nos 10 polos turísticos (Amazônia Maranhense, Floresta dos Guarás, São Luís, Lagos e Campos Floridos, Munim, Parque Figura 12.16 - Residências instaladas sobre planície aluvionar, com dos Lençóis, Delta das Américas, Cocais, Serras Guajajara, alto risco de sofrerem inundações, devido ao aumento do nível do rio Mearim. Município Barra do Corda (MA). Timbira e Kanela e Chapada das Mesas) individualizados no estado maranhense (Figura 12.19). entanto, atividades minerárias nesses ambientes com- Dentre os polos turísticos mais importantes desse prometeram a estrutura do fundo dos canais, afetando, domínio, destaca-se o Delta das Américas, mais conhecido também, a fauna e flora associadas a esse sedimento. Por como Delta do Parnaíba, localizado na zona costeira dos ser um ambiente ecologicamente frágil, foi instituído como estados do Maranhão e Piauí, englobando as unidades Figura 12.19 - Polos turísticos do estado do Maranhão, associados à área de corrência do domínio dos sedimentos cenozoicos inconsolidados ou pouco consolidados depositados em meio aquoso (DC). Fonte: Modificado de Bandeira et al. (2013). 171 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO geoambientais Dca, Dcm e DCmc, compondo, assim, um Atravessando todos os polos turísticos do estado, complexo sistema hídrico que envolve o deságue do rio encontra-se a unidade geológico-ambiental Ambiente Parnaíba e suas ramificações (rios Tutoia, Carrapato ou de Planícies Aluvionares Recentes (DCa), que, associada Melancias, Caju, Canárias e Igaraçu) no oceano Atlântico, aos rios maranhenses, forma áreas com belas paisagens formando ilhas, lagos, praias, mangues e dunas, que são e alto potencial para o turismo de lazer, relacionadas aos feições com grande beleza cênica e turística. balneários (Figura 12.21). Além dos mangues existentes no Polo Delta das Amé- ricas (nordeste maranhense), há uma extensa área no litoral noroeste do Maranhão composta por esse geoambiente (DCm), que apresenta alto potencial para ecoturismo, ca- racterizado por vegetação exuberante, solo lamoso, úmido, salgado, pouco oxigenado, mas rico em nutrientes e com grande quantidade de matéria orgânica em decomposição. Devido à sua exuberância ecológica e paisagística, esse ambiente foi incluído na delimitação turística dos polos Floresta dos Guarás e Amazônia Maranhense. Associadas aos mangues e às dunas encontram-se as praias (unidade geológico-ambiental DCmc), que são am- bientes detentores de belas paisagens e com alto potencial Figura 12.21 - Balneário às margens do rio Grajaú. Município Paulo Ramos (MA). Fonte: turístico (Figura 12.20). Ocorrem de forma descontínua . em toda a costa maranhense, estando inseridas nos polos turísticos Amazônia Maranhense, Floresta dos Guarás, São DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS Luís, Munim, Delta das Américas e Parque dos Lençóis (esse EÓLICOS (DCE) último conhecido também como Lençóis Maranhenses). Observa-se, ainda, no Polo Campos Floridos, uma área Área de Ocorrência, Elementos de Definição com potencial geoturístico relacionado a grandes áreas e Relevo Associado rebaixadas, periodicamente inundadas, formando extensos lagos geralmente cobertos por vegetação de macrófitas Domínio localizado na porção nordeste do estado aquáticas, de grande beleza geomorfológica. do Maranhão, com aproximadamente 18.315,39 km2, Além dos ambientes da zona costeira, existem os distribuído nos municípios de Urbano Santos, Tutoia, São ambientes fluviolagunares (DCfl) da Baixada Maranhense, Bernardo, Santo Amaro do Maranhão, Santa Quitéria do inclusa no polo turístico Lagos e Campos Floridos. Nesse Maranhão, Primeira Cruz, Paulinho Neves, Morros, Icatu, geoambiente se encontram lagos e terrenos sazonalmente Cachoeira Grande, Belágua, Barreirinhas e Araioses. Forma- alagados por influência fluvial ou das chuvas que se com- do predominantemente por sedimentos arenosos inconso- param às áreas inundáveis do Pantanal Mato-Grossense, lidados de origem eólica, é associado a ambiente costeiro devido a grande beleza paisagística e diversidade da fauna e diferenciado em duas unidades geológico-ambientais: e flora. Por apresentar grande fragilidade ambiental, foi Dunas Móveis (DCEm) e Dunas Fixas (DCEf) (Figura 12.22). inserida na Área de Preservação Permanente (APA) da As dunas fixas, por estarem sobrepostas por vege- Baixada Maranhense em 1991. tação rasteira, conseguem se fixar, diferentemente das dunas móveis, desprovidas de vegetação e mais suscetíveis a serem tranportadas pelo vento. Apesar da distinção, ambas sustentam relevo de cam- po de dunas caracterizado por declividades que variam de 0 a 30°, amplitudes que podem atingir 40 m e cotas que variam de 10 a 125 m de altitude (Figura 12.23). Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia Domínio constituído por coberturas arenosas incon- solidadas, com baixa capacidade de suporte, bastante erosivas, que desmoronam com facilidade em talude de corte e aterros (Figura 12.24). Em locais com predomínio Figura 12.20 - Praia do Caburé. Município Barreirinhas (MA). de areias quartzosas finas a médias, bem arredondadas 172 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO e selecionadas, pode ocorrer o fenômeno da liquefação (tipo areia movediça), causando a perda de resistência do terreno e o risco de co- lapsos das fundações nele implantadas. Dessa forma, construções de estradas, loteamentos, atividades de mineração de areia resultam na desestabilização e até mesmo no desmonte desses depósitos, alterando significativamente a dinâmica eólica dessas áreas, além de degra- dar um patrimônio paisagístico com elevado potencial para atividades de turismo e lazer. Além dessas características, a unidade geoambiental Dunas Móveis (DCEm), em perí- odo de estiagem, sofre contínua mobilização pela ação dos ventos, exposta a intenso retraba- lhamento eólico. Residências e ruas tornam-se sujeitas a soterramento pela movimentação de areia (Figura 12.25), o que limita tanto a expansão urbana como o sistema viário. Ressalta-se que a retirada de vegetação das áreas da unidade geoambiental Dunas Fixas (DCEf) pode provocar erosões e a transforma- ção de dunas fixas em móveis. Além do potencial turístico, esse domínio, em determinados setores da linha de costa, exerce importante função no aporte de sedi- mentos para as faixas das praias, evitando a erosão costeira e mantendo o equilíbrio Figura 12.22 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio das praias, assim como protegem as regi- dos sedimentos cenozoicos eólicos (DCE). ões mais interiores da abrasão marinha e diminuem a ação dos ventos. Agricultura Terrenos formados por solos de baixa fertilidade natural, pequena capacidade de retenção de umidade e nutrientes, baixa coesão e adesão entre as partículas, sendo erosivos e de difícil manejo, devido à cons- tituição arenosa e ao relevo, caracterizando uma área inapropriada para agricultura. Apesar de os solos desse domínio apresentarem baixa aptidão para agri- cultura, observou-se, em algumas áreas, o extrativismo de frutos silvestres, sobre material arenoargiloso, associado a anti- gas regiões interdunas, importantes para sobrevivência das famílias locais. Recursos hídricos e fontes poluidoras Domínio caracterizado por material com excelentes características hidrodi- Figura 12.23 - Hipsometria e formas de relevo associadas às unidades geológico- nâmicas, com alta permeabilidade, alto ambientais DCEm e DCEf. potencial armazenador e circulador de 173 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Potencial mineral Domínio com alto potencial para extração de areia para construção civil (utilizada em aterros) e industrial (principalmente para vidros). No entanto, observa-se que essa atividade pode gerar grandes impactos, independen- temente da tecnologia utilizada, uma vez que a extração de areia é sempre uma atividade danosa ao meio ambiente. Os principais danos relacionados a essa atividade são: retirada da cobertura vegetal, erosão, assoreamento, alteração da paisagem, covas abandonadas, poluição visual e sonora, assim como aumento da vulnerabilidade ambiental dos aquíferos, pois estes ficarão ainda mais próximos da su- perfície. Entretanto, como a mineração é indispensável às ativi- Figura 12.24 - Dunas fixadas pela vegetação, com talude instável, dades humanas, como construção, habitação, saneamento às margens do rio Preguiças. Município Barreirinhas (MA). e transporte, inclusive no que se refere às mais sofisticadas tecnologias de ponta das áreas de comunicação e medi- cina (DIAS, 2003), é necessário que tais recursos sejam explorados de forma consciente, de modo a minimizar os impactos e recuperar as áreas exploradas. Potencial geoturístico Um dos principais atrativos geoturísticos desse domí- nio relaciona-se aos Lençóis Maranhenses (Dunas Móveis – DCEm), que é um sistema geológico e geomorfológico composto por um conjunto de dunas (com até 40 m de altura) formadas por areias oriundas da Bacia Sedimentar do Parnaíba ou da plataforma continental, transportadas pelos rios Parnaíba e Preguiças e retrabalhadas pela ação do vento. Essas dunas, que se estendem por mais de 50 km de costa, aliadas ao índice pluviométrico da região, formam Figura 12.25 - Ruas e residências do centro da cidade de lagos interdunas que proporcionam belas paisagens e lazer Barreirinhas (MA) parcialmente sobrepostas por dunas móveis, aquático (Figura 12.26). devido à dinâmica dos ventos. água e boa homogeneidade hidrodinâmica lateral e ver- tical, compondo, assim, aquíferos superficiais livres, de elevado potencial para captação de água subterrânea de boa qualidade. Além de bons aquíferos, esse domínio funciona como área de recarga para a unidade geológica subjacente (Se- dimentos do Grupo Barreiras) e, portanto, não deve ser permeabilizado e compactado. Ressalta-se que as áreas mais próximas ao litoral devem ser monitoradas, para que não haja bombeamento excessivo de poços, a fim de evitar o avanço da cunha salina. Por apresentarem elevada porosidade, permeabilida- de e lençol freático muito próximo à superfície, as dunas móveis e fixas constituem áreas com alta vulnerabilidade ambiental a fontes potencialmente poluidoras. Além do potencial hidrogeológico, esse domínio é recortado por vários rios e igarapés com qualidades Figura 12.26 - Dunas, lagoa interdunas e rio Preguiças ao fundo, compondo bela paisagem natural da área do Parque Nacional químico-físicas favoráveis ao abastecimento humano e dos Lençóis Maranhenses. Comunidade Vaçouras, município animal para pequenas propriedades. Barreirinhas (MA). 174 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS INDIFERENCIADOS CENOZOICOS RELACIONADOS A RETRABALHAMENTO DE OUTRAS ROCHAS, GERALMENTE ASSOCIADOS A SUPERFÍCIES DE APLAINAMENTO (DCSR) Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado Domínio com área aproximada de 3.477,46 km2, que recobre parte do sudoeste do estado (Figura 12.27), especificamente norte de Balsas, noroeste de Estreito e Sambaíba, nordeste de Pastos Bons e Riachão, oeste de São João dos Pastos, sul de Sítio Novo e São Raimundo das Mangabeiras, sudeste de Benedito Leite, com distribuição irregular em São Pedro dos Crentes e Feira Nova do Maranhão. Compõe-se por sedimentos retrabalhados de outras rochas, como coberturas arenoconglomeráticas e/ ou silticoargilosas, correspondentes, geologicamente, aos Depósitos Colúvio- Figura 12.27 - Área de ocorrência da unidade geológico-ambiental do domínio dos Eluviais. sedimentos indiferenciados cenozoicos relacionados a retrabalhamento de outras As rochas desse domínio sustentam rochas, geralmente associados a superfícies de aplainamento (DCSR) relevos aplainados, como baixos platôs, planaltos e superfícies aplainadas, com baixíssima densidade de canais de dre- nagem e amplitudes que variam de 10 a 60 m e cotas que variam de 260 a 450 m (Figura 12.28). Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia Por esses terrenos serem constituídos por um empilhamento de camadas hori- zontalizadas de diferentes sedimentos, que mudam de uma camada para outra, as características geotécnicas e hidráulicas variam bastante na vertical. Portanto, no caso de execução de obras que envolvam escavações, devem-se prever mudanças abruptas entre essas camadas e que tais mudanças se constituem em desconti- nuidades geomecânicas e hidráulicas que potencializam a desestabilização e os processos erosivos nas paredes escavadas Figura 12.28 - Hipsometria e formas de relevo associadas (Figura 12.29). à unidade geológico-ambiental DCSR. 175 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.30 - Topo dos baixos platôs, utilizado para implantação Figura 12.29 - Saprólito sedimentar muito erodível. de rodovia e plantações de sorgo. Rodovia BR-230, Rodovia BR-230, município São Raimundo das Mangabeiras (MA). município Riachão (MA). Nesse domínio predominam sedimentos com baixo São terrenos de baixo potencial natural para erosão grau de consolidação. Se, por um lado, isso favorece a hídrica, devido às características do relevo, porém, são escavação, que pode ser facilmente executada com ma- desprovidos de cursos e nascentes de água. Portanto, apre- quinários e ferramentas de corte, por outro, pode apre- sentam deficiência de água superficial para irrigação, o que sentar problemas de falta de capacidade de suporte, além os torna inadequados ao cultivo de plantas que necessitam de serem terrenos com deficiência de rochas duras para de irrigação constante. No entanto, esse tipo de relevo utilização como agregados. favorece a pedogênese, predominando solos profundos, Relevo plano ou quase plano, declividades baixas e bem evoluídos, de fácil escavabilidade, desprovidos de baixa densidade de canais de drenagem são características pedregosidade superficial e subsuperficial. Logo, tanto o adequadas desses terrenos para execução de obras viárias solo como o relevo não apresentam problema para utili- e infraestrutura, pois não haverá necessidade de cortes zação de arados ou de implementos agrícolas motorizados para minimizar declives (Figura 12.30). Caso seja necessário (Figura 12.31). executar obras de aterro e de transposição de drenagem, estas serão de pequeno porte. Recursos hídricos e fontes poluidoras A condição morfológica de relevo plano ou quase plano e sobrelevado em relação aos terrenos circunvizi- Registram-se camadas horizontalizadas de areia nhos faz com que esse domínio sofra a ação dos ventos e cascalho pouco consolidado, sedimentos altamente que sopram forte em boa parte do ano, o que lhe confere permeáveis e de alta capacidade de armazenamento e de configuração favorável à implantação de geradores eólicos. transmissividade de água, aflorantes ou situadas próximas No entanto, essa mesma condição morfológica favorece à superfície, constituindo-se, portanto, em aquíferos o processo de arenização do solo pela ação dos ventos, porosos, de boa homogeneidade hidrodinâmica lateral e que carrega as partículas mais finas, como silte e argilas. grande expressividade areal. Nesses tipos de aquíferos, os A permeabilidade elevada dos solos também favorece esse poços são de fácil explotação, a custos baixos. Se um poço processo, pela ação das águas das chuvas, que carreiam as partículas mais finas para a subsuperfície. Agricultura Domínio onde predominam litologias que se alteram para solos arenoargilosos, em geral, profundos, bem drenados, com estrutura granular, ácidos e com alta per- meabilidade, representados por Latossolos. Esses solos são muito intemperizados, com pequena reserva de nutrientes para as plantas, representados, nor- malmente, por sua baixa a média capacidade de troca de cátions. Contudo, com aplicações adequadas de corretivos e fertilizantes, aliadas à época propícia de plantio de culti- 12.31 - Plantação de arroz sobre Latossolo Amarelo e relevo vares adaptados, obtêm-se boas produções. plano. Rodovia MA-270, município Pastos Bons (MA). 176 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO der boa vazão, é grande a possibilidade de que outros, nas São Luís Gonzaga do Maranhão, Bacabal, Capinzal do mesmas profundidades, apresentem vazões semelhantes. Norte, Poção de Pedra, Joselândia, Dom Pedro, Gonçalves A condição morfolitoestrutural desses terrenos de Dias, São João do Soter, Graça Aranha, Tuntum, Barra do superfícies sobrelevadas, aplainadas e delimitadas por escar- Corda, São Roberto, Poção de Pedras, Governador Archer pas e recobertas por solos bastante permeáveis, é desfavo- e Santo Antônio do Norte (Figura 12.33). rável a que o lençol freático aflore, por isso, são desprovidos de cursos d’água. Por um lado, tal condição é bastante propícia a que as águas subterrâneas sejam recarregadas; por outro, também é favorável à percolação de poluentes, o que exige cuidados especiais com fontes potencialmente poluidoras. Além disso, trata-se de uma morfoestrutura favorável a que as águas subterrâneas migrem para as zonas escarpadas e nelas aflorem como nascentes. Potencial mineral Algumas áreas podem ser utilizadas com fonte de material para saibro (Figura 12.32) e areia. Potencial geoturístico Figura 12.32 - Antiga área de extração de saibro para utilização na construção de estradas. Rodovia BR-230, Unidade onde predominam relevos planos, com vege- município São Raimundo das Mangabeiras (MA). tação secundária, ou utilizados para agricultura, com baixo potencial turístico. Porém, quando associados a relevos de serras, formam belas paisagens, relacionadas à frente erosiva das escarpas. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS, POUCO A MODERADAMENTE CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A TABULEIROS (DCT) Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado Domínio com 15.146,42 km2, localizado na porção norte, parte do noroeste e nordeste do estado, inserido em vários municípios, como: Carutapera, Boa Vista do Gurupi, Junco do Maranhão, Maracaçume, Centro do Guilherme, Turiaçu, Turilândia, Apicum-Açu, Bacuri, Serrano do Maranhão, Cururupu, Santa Helena, Mirinzal, Pinheiro, Central do Maranhão, Porto Rico do Maranhão, Cedral, Guimarães, Bequimão, Presidente Sarney, Peri- Mirim, Alcântara, Palmerândia, São Luís, São José do Ribamar, Rosário, Axixá, Bacabeira, Presidente Juscelino, Santa Rita, Itapecuru- Mirim, Cantanhede, Pirapemas, Vargem Grande, Coroatá, Nina Rodrigues, Timbiras, Chapadinha, Mata Roma, Anapurus, Araioses, Magalhães de Almeida, São Bernardo, Santa Quitéria do Maranhão, Milagres do Maranhão, Buriti, Duque Bacelar, Coelho Neto, Codó, Figura 12.33 - Área de localização do domínio dos sedimentos cenozoicos, Caxias, Aldeias Altas, Afonso Cunha, Peritoró, pouco a moderadamente consolidados, associados a tabuleiros (DCT). 177 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Caracteriza-se por depósitos arenoargilosos e argiloa- Características, Adequabilidades renosos, ocasionalmente conglomeráticos, muito intempe- e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação rizados, com alguns locais muito ferruginizados/laterizados (Figura 12.34). Correspondem, geologicamente, aos sedi- Obras de engenharia mentos siliciclásticos do Grupo Barreiras. Associam-se a re- levos de tabuleiros, tabuleiros dissecados, platôs, superfícies Domínio geológico-ambiental formado por material aplainadas, relevos residuais, colinas, morros e serras baixas arenoargiloso e argiloarenoso, que sustenta, em sua maior (Figura 12.35), com cotas que variam de 30 a 220 m. parte, relevos (tabuleiros, platôs, superfícies aplainadas, colinas amplas) com declividades e amplitudes baixas, bem estabilizados, baixo potencial de erosão hídrica e de movimentos de massa e escoamento superficial lento. Favorável para urbanização e obras viárias, devido moderada a alta capacidade de suporte, ser facilmente escavável e por não precisar de cortes profundos para minimizar declives. Apresenta variações litológicas das camadas na vertical, as quais podem provocar desestabilização em talude de corte, ocasionada pela diferença geotécnica dos materiais. Agricultura Domínio formado por solos de fertilidade natural variável. Em função da heterogeneidade granulométrica – sedimentos arenosos, argilosos, siltosos e conglomeráti- Figura 12.34 - Solo imperfeitamente drenado, rico em material cos –, há predomínio de solos arenoargilosos (Latossolos ferruginizado (Plintossolo Pétrico), oriundo de saprólito sedimentar Amarelos) profundos, permeáveis, com baixa fertilidade formado pela alternância de material síltico-arenoso e lâminas de natural e ácidos, que podem ser mecanizáveis e corrigidos argila. Rodovia Ma-006, município Central do Maranhão (MA). com aplicação de corretivos e fertilizantes, aumentando o potencial agrícola da região. Recursos hídricos e fontes poluidoras Domínio constituído por camadas litológicas que possuem porosidade e per- meabilidade variáveis na vertical e horizon- tal, que condicionam diferentes potenciais para acúmulo e transmissividade de água subterrânea. Mesmo com essa variação existem espessas camadas arenosas e arenossiltosas capazes de armazenar e transmitir água com boa qualidade físico-química, algumas vezes com elevados teores de ferro (SOUZA, 2000). Esses aquíferos apresentam vulnerabili- dade ambiental que varia de baixa a muito alta, dependendo do nível da água subterrâ- nea e da composição litológica da zona de aeração. Potencial mineral Áreas com potencial para exploração de Figura 12.35 - Hipsometria e formas de relevo associadas areia, argila e concreções lateríticas (Figura à unidade geológico-ambiental DCT. 12.36) para construção civil e rodovias. 178 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO grande probabilidade de ocorrência de depósitos minerais, bem como presença quase frequente de crosta laterítica. Esses terrenos possibilitam a sustentação de relevos com topos planos, como platôs, planaltos, morros, superfícies aplainadas, mas, devido a processos erosivos, formaram também colinas, vales encaixados, degraus estruturais e rebordos erosivos (Figura 12.39). A unidade geológico-ambiental DCDL corresponde, geologicamente, às coberturas lateríticas imaturas, que, assim como na unidade DCDLi, também foram formadas em clima Figura 12.36 - Talude de corte em material com perfil laterítico profundo, com predomínio de crosta laterítica, com alto potencial para extração de saibro para uso na construção civil. Rodovia MA- 402, município Morros (MA). DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS DETRITO-LATERÍTICAS (DCDL) Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado Domínio composto por depósitos superficiais e subsuperficiais oriundos de rochas mais antigas, como as formações Itapecuru e Ipixuna (unidade geoambiental DSVMPasaf), que, por diferenças de tempo e diferenciação no processo intempérico, formaram duas unidades geológico- ambientais – depósitos detrito-lateríticos, provenientes de processos de laterização em rochas de composições diversas, sem a presença de crosta (DCDL); horizonte laterítico in situ, proveniente de processos de laterização em rochas de Figura 12.37 - Área de ocorrência das unidades geológico- composições diversas, formando crosta (DCDLi) –, distribuídas ambientais DCDL e DCDLi. na porção centro-oeste do estado, nos municípios de Zé Doca, Centro Novo do Maranhão, Coroatá, São Luís Gonzaga do Maranhão, Bacabal, Codó, Timbiras, Alto Alegre do Maranhão, Peritoró, Bom Jardim, Itinga do Maranhão, Açailândia, Vila Nova dos Martírios, Cidelândia, São Francisco do Brejão, Imperatriz, Senador La Rocque, Buritirana, João Lisboa, Bom Jesus das Selas, Amarante do Maranhão, Buriticupu, Santa Luzia, Paulo Ramos, Marajá da Sena, Arame, Grajaú, Sítio Novo, Lagoa Grande do Maranhão, Lago da Pedra, Barra do Corda, Itaipava do Grajaú, Esperantinópolis, São Roberto e Jenipapo dos Vieiras, perfazendo uma área de 20.663, 69 km2 (Figura 12.37). A unidade geológico-ambiental DCDLi corresponde, geologicamente, às coberturas lateríticas maturas, definidas como depósitos sedimentares formados sob clima tropical a temperado úmido, que condicionou processos de intensa lixiviação dos elementos mais solúveis (sódio, potássio, cálcio e magnésio), concentração dos mais resistentes (ferro e alu- Figura 12.38 - Perfil laterítico composto por argila caulinizada mínio) e a produção de minerais secundários do grupo das sobreposta por material arenoargiloso muito alterado e argilas em um perfil laterítico profundo (Figura 12.38), com ferruginizado. Rodovia MA-006, município Santa Luzia (MA). 179 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO essas crostas, para evitar a instalação de processos erosivos (sulcos, ravinas e voçorocas). Agricultura São terrenos com altas concentrações de ferro e alu- mínio, o que implica alta acidez e baixa fertilidade natural dos solos (Latossolos), assim como apresentam drenagem imperfeita (Plintossolos) e ocorrência de concreções laterí- ticas (Plintossolo Pétrico). No entanto, em áreas de relevo plano a suavemente ondulado (topo de platôs, planaltos, chapadas), formam-se solos profundos, arenoargilosos, com potencial para agricultura mecanizada, quando sub- metidos à aplicação de corretivos e fertilizantes. Recursos hídricos e fontes poluidoras Unidade geológico-ambiental composta por camadas sedimentares argiloarenosas e arenoargilosas endurecidas, apresentando potencial hidrogeológico irregular, normal- mente baixo. Dependendo das condições climáticas locais, registram aquíferos superficiais livres, com águas enrique- cidas em ferro (Fe) e alumínio (Al), que, quando tratadas, podem ser utilizadas para abastecimento doméstico. Figura 12.39 - Relevos associados à unidade geológico-ambiental DCDLi. úmido, porém em período geológico mais recente; portanto, apresentam perfil laterítico menos profundo, sem depósitos minerários como caulim e alumínio ou crosta laterítica. Mesmo sem a presença dessa crosta, essa unidade mostra- se muito estável, sustentando relevos como superfícies aplainadas, platôs, colinas e relevos residuais (Figura 12.40). Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia As coberturas lateríticas apresentam características geomecânicas, espessura, grau de consolidação e dureza bastante variáveis. Podem ser bastante compactas e coesas, com alta resistência ao corte, à penetração e a escavações, como as crostas lateríticas, ou de fácil a moderada desagre- gação, como o horizonte concrecionário e as linhas de pedras. As espessas seções compostas por perfis lateríticos e crosta laterítica conferem moderada a alta capacidade de suporte de carga aos terrenos, baixa erosividade natural e boa estabilidade em taludes de corte. Em relevos mais planos, são áreas favoráveis à ocupação urbana e à implan- Figura 12.40 - Relevos associados tação de sistemas viários, desde que sejam preservadas à unidade geológico-ambiental DCDL. 180 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO No entanto, existem áreas com depósitos que podem ser bastante porosos e permeáveis, devido à presença de cavidades (vesículas), formando bons aquíferos. Quando esses aquíferos apresentarem nível freático muito próximo à superfície, estarão mais vulneráveis a contaminantes. Em locais com coberturas mais consolidadas, menos perme- áveis, a vulnerabilidade é baixa, devido à dificuldade de infiltração de poluentes. Potencial mineral As coberturas detrito-lateríticas, linhas de pedra ou paleopavimentos com lateritas alóctones podem ser utili- zadas como material de empréstimo e brita na construção civil e pavimentação de estradas, enquanto os horizontes Figura 12.41 - Rio Itapecuru; ao fundo, planaltos sustentados argilosos (mosqueados) podem ser utilizados na confecção pelas coberturas detrito-lateríticas. Rodovia BR-222, de tijolos e telhas. município Açailândia (MA). A unidade geológico-ambiental DCDLi, associada à unidade geoambiental DSVMPasaf, registra alto potencial DSVMP foi dividido em oito unidades geológico-ambientais para mineralizações bauxíticas e cauliníticas (KOTSCHOU- (Figura 12.42): BEY et al., 2005). - Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição mista (eólica e fluvial) (DSVMPaef), Potencial geoturístico correspondentes, geologicamente, às formações Grajaú, Corda e Poti. Quando presentes, as coberturas lateríticas preservam - Predomínio de espessos pacotes de arenitos de e sustentam relevos, que, associados às coberturas flores- deposição eólica (DSVMPae), correspondentes, tais de cerrado, formam belas paisagens geomorfológicas geologicamente, aos terrenos sustentados pela de platôs (Figura 12.41) e planaltos que se sobressaem na Formação Sambaíba. região oeste do estado do Maranhão. - Predomínio de arenitos e conglomerados (DSVM- Pacg), correspondentes, geologicamente, ao Grupo DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES Serra Grande. E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS E - Intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argi- PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE losos e folhelhos (DSVMPasaf), correspondentes, CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES geologicamente, aos terrenos do Grupo Itapecuru E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES e Formação Ipixuna. DO TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES - Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, DEPOSICIONAIS CONTINENTAL, MARINHO, síltico-argilosos e calcários (DSVMPasac), correspon- DESÉRTICO, GLACIAL E VULCÂNICO) dentes, geologicamente, aos terrenos das formações (DSVMP) Pedra de Fogo e Piauí. - Predomínio de sedimentos síltico-argilosos inter- Área de Ocorrência, Elementos de Definição calados de folhelhos betuminosos e calcários (DS- e Relevo Associado VMPsabc), correspondentes, geologicamente, aos terrenos da Formação Codó. Esse domínio, que ocupa a maior expressão areal do es- - Predomínio de sedimentos síltico-argilosos e cal- tado do Maranhão, com aproximadamente 228.700,65 km2, cários com intercalações arenosas subordinadas é constituído por camadas espessas, extensas e horizontali- (DSVMPsaca), correspondentes, geologicamente, zadas ou sub-horizontalizadas de sedimentos predominan- aos terrenos da Formação Motuca. temente siliciclásticos, com subordinados calcários, anidrita - Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com in- e sílex, que foram depositados e formados ao longo de 430 tercalações arenosas (DSVMPsaa), correspondentes, milhões de anos, por diferentes ambientes deposicionais: geologicamente, aos terrenos sustentados pelas glacial, fluvial, leque aluvial, desértico, lagunar, marinho, formações Pastos Bons e Longá. deltaico e vulcânico. Constitui uma das mais importantes Ressalva-se que, no extremo sul do estado, encon- unidades geotectônicas do continente sul-americano, de- tram-se arenitos do Grupo Urucuia, pertencentes à Bacia finida como Província Sedimentar do Parnaíba. Sedimentar do São Francisco, que foram descritos jun- Por ser composto por associações litológicas com dife- tamente com esse domínio, em razão de apresentarem renças texturais, mineralógicas e deposicionais, o domínio semelhanças litológicas e cronológicas com outras forma- 181 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO ções da Província Sedimentar do Parnaíba. No entanto, Essa diferença de material, associada ao clima e a esse grupo, definido no contexto da geodiversidade como processos neotectônicos, proporcionou uma variação nas Domínio dos Sedimentos Cenozoicos e/ou Mesozoicos, formas de relevo (Figura 12.43), desde as mais acidentadas, Pouco a Moderadamente Consolidados, Associados a Pro- como escarpas, degraus estruturais, vales encaixados, mor- fundas e Extensas Bacias Continentais (DCM), devido a suas ros e serras baixas, a fortemente onduladas a onduladas, mudanças texturais e deposicioanais, foi individualizado, classificadas como colinas dissecadas e morros baixos, e neste trabalho, como unidade geológico-ambiental DCMa: os tipos suave ondulados a aplainados, classificados como - Predomínio de sedimentos arenosos, de deposição colinas amplas e suaves, superfícies aplainadas retocadas continental, lacustre, fluvial ou eólica – arenitos ou degradadas, planaltos, tabuleiros, chapadas, platôs e (Figura 12.42). morros-testemunhos. Figura 12.42 - Área de localização das unidades geológico-ambientais do domínio das coberturas sedimentares e vulcanossedimentares mesozoicas e paleozoicas, pouco a moderadamente consolidadas, associadas a grandes e profundas bacias sedimentares do tipo sinéclise (ambientes deposicionais continental, marinho, desértico, glacial e vulcânico) (DSVMP) e do domínio dos sedimentos cenozoicos e/ou mesozoicos, pouco a moderadamente consolidados, associados a profundas e extensas bacias continentais (DCM). 182 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 11.43 - Formas de relevo associadas às unidade geológico-ambientais DCMa, DSVMPaef, DSVMPae, DSVMPacg, DSVMPasaf, DSVMPasac, DSVMPsabc, DSVMPsaca e DSVMPsaa. Características, Adequabilidades e mais aplainado ou suave ondulado – colinas amplas e su- Limitações Frente ao Uso e à Ocupação aves, planaltos, tabuleiros, chapadas e platôs e superfícies aplainadas (Figura 12.45) –, essas características não são Domínio caracterizado por rochas sedimentares com tão visíveis, pois os terrenos apresentam extensa e boa camadas de diversas espessuras, diferentes granulometria, homogeneidade geomecânica na lateral, pelo fato de as mineralogia, grau de consolidação e fraturamento. Tais di- camadas serem horizontalizadas a sub-horizontalizadas. ferenças, visíveis em relevos mais declivosos (Figura 12.44), Apesar da distinção desse domínio em nove unidades condicionam uma variação nas características geotécnicas, geológico-ambientais, estas foram agrupadas em quatro hidráulicas e hidrogeológicas dos terrenos, onde escavações tipos de terrenos, diferenciados, principalmente, por suas e sondagens razoavelmente profundas podem alcançar características geotécnicas, hidrogeológicas e mineraló- litologias das mais variadas texturas. Já nas áreas de relevo gicas. 183 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Obras de engenharia São terrenos com predomínio de materiais quart- zoarenosos, com extensas camadas horizontalizadas, boa homogeneidade geomecânica lateral, média a alta porosidade, coerentes, moderadamente alterados, que apresentam resistência à escavação e à perfuração de sonda rotativa (desgaste rápido das brocas), devido à dureza e abrasividade do mineral de quartzo. Estão caracterizados por baixa resistência ao cisalhamento, quebrando-se com facilidade quando submetidos a tensão (Figura 12.48). Em alguns locais, essas rochas encontram-se moderadamente muito fraturadas e bastantes percolativas. As rochas alteram-se para solos arenosos e arenoar- gilosos, friáveis, permeáveis e erosivos, que desmoronam com facilidade em talude de corte (Figura 12.49), formando feições de erosão (sulcos, ravinas e voçorocas) quando Figura 12.44 - Depósitos sedimentares formados por desprovidos da vegetação natural (Figura 12.50) e quando intercalações de camadas arenoargilosas com síltico-argilosas, com alto potencial erosivo (voçorocas), principalmente quando submetidos a concentrações de água pluvial. Os sedimentos associados a relevos declivosos, nesse caso, morros e colinas arenosos, provenientes de áreas erodidas, podem provocar dissecadas. Rodovia BR-222, município Santa Luzia (MA). assoreamento de rios localizados próximos às encostas. As áreas com relevos declivosos apresentam limitações à implantação de qualquer tipo de obra e estão sujeitas a deslizamentos (Figura 12.51). Nesses locais, o escoamento superficial é rápido, propenso a formar enxurradas de alto potencial erosivo e destruidor de obras. Os declives acen- tuados condicionam obras de transposição de drenagens e cortes profundos em taludes na implantação de obras viárias e de infraestrutura. Quando esses terrenos ocorrem em áreas de relevo suave ondulado a aplainado, a pedogênese é bastante avançada e os solos costumam ser intensamente lixiviados. Em muitos locais, há registros de processos de arenização, formando, por vezes, espessos areões inconsolidados e altamente erosivos (Figura 12.52). Em termos de adequabilidade, esse tipo de relevo, com baixas declividades, possui baixo potencial natural de movimento de massa, caracterizando bons lugares para Figura 12.45 - Relevos de colinas amplas, sem presença implantação de obras de infraestrutura viária, com pouca de instabilizações geotécnicas. Rodovia MA-306, município Maracaçume (MA). necessidade de obras de transposição de drenagem e de poucos cortes profundos em taludes. Além disso, outros tipos de obra não encontrarão resistência para escavação Terrenos com Predomínio de Espessos e perfuração, pois o solo é profundo e predominam se- Pacotes Formados por Sedimentos à Base dimentos com grau de alteração avançado, podendo ser de Quartzoarenitos facilmente desmontáveis e escavados com ferramentas de corte. Terrenos formados, principalmente, por espessos Em qualquer tipo de obra a ser instalada nas áreas pacotes de material com textura arenosa e subordinado onde afloram sedimentos e solos arenosos, devem-se material conglomerático e síltico-argiloso, moderadamente adotar procedimentos que evitem a deflagração de pro- fraturado, que, juntos, recobrem uma área de 64.525,04 cessos erosivos. Por exemplo, obras de terraplenagem ou km2 (Figura 12.46) do estado do Maranhão. Estão repre- exposição dos solos por longos períodos nas épocas de sentados pelas unidades geoambientais DCMa, DSVMPae, chuvas. Nas áreas mais declivosas, não se deve planejar DSVMPaef e DSVMPacg e associados a relevos de platôs, arruamentos concordantes com os declives dos terrenos planaltos, chapada, superfícies aplainadas, colinas, morros, nem deixá-los sem pavimentação, pois nesses arruamentos relevos residuais, escarpas, degraus estruturais e rebordos concentra-se a energia das águas das chuvas, o que induz erosivos com altimetrias que podem chegar a 740 m (Fi- ao aparecimento de focos erosivos. Deve-se considerar, gura 12.47). também, que obras viárias não pavimentadas sobre esses 184 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.46 - Área de localização dos terrenos com predomínio de espessos pacotes formados por sedimentos à base de quartzoarenitos. terrenos são de difícil trafegabilidade, pois os carros podem A unidade geológico-ambiental DSVMPPaef (Pre- “atolar” nesses areões (Figura 12.53). domínio de espessos pacotes de arenitos de deposição As rochas desse domínio, quando intercaladas com mista (eólica e fluvial)) possui lentes e camadas de mate- rochas vulcânicas do Domínio Vulcanismo Fissural do Tipo rial siltoso e argiloso, em um pacote horizontalizado com Platô (DVM), podem se mostrar bastante endurecidas (Fi- predominância de areias, possibilitando descontinuidades gura 12.54), devido à recristalização do quartzo pelo calor geomecânicas, que facilitam desestabilizações em talude das lavas, e oferecer resistência a escavações e perfurações, de corte (Figura 12.55). assim como as áreas onde há rochas magmáticas intrudidas em arenitos. Agricultura Na unidade geológico-ambiental DSVMPacg (Pre- domínio de arenitos e conglomerados), existem conglo- Em termos de uso agrícola, deve-se considerar que as merados à base de seixos, abrasivos, com baixo grau de unidades geológico-ambientais onde predominam arenitos seleção granulométrica e comportamento geomecânico de deposição eólica (DSVMPae) e arenitos e conglomera- heterogêneo, difíceis de serem perfurados com sondas dos (DSVMPacg) são extensas áreas formadas quase que rotativas e para cravar estacas. exclusivamente por arenitos médios à base de quartzo, 185 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.47 - Relevos associados aos terrenos com predomínio de espessos pacotes formados por sedimentos à base de quartzoarenitos. Figura 12.48 - Arenito da unidade geoambiental DSVMPaef, Figura 12.49 - Latossolo Amarelo, oriundo de saprólito geotecnicamente coeso, com fraturas de alívio e de tensão. sedimentar arenoso da unidade geológico-ambiental DSVMPaef. Rodovia BR-230, município Barão de Grajaú (MA). Rodovia BR-226, município Caxias (MA). 186 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.50 - Erosão ravinar na base do talude de corte, Figura 12.53 - Estrada instalada sobre espessos areões, de difícil associada a material síltico-arenoso da unidade geoambiental trafegabilidade, da unidade geoambiental DSVMPae. Rodovia MA- DSVMPaef. Estrada de terra, município Fernando Falcão (MA). 132, município Fernando Falcão (MA). Figura 12.51 - Encosta declivosa dos baixos platôs, recoberta por Figura 12.54 - Contato discordante do arenito da unidade vegetação rasteira e alguns pontos sem cobertura vegetal, com geoambiental DSVMPaef com basalto intemperizado do domínio evidências de deslizamentos (cicatrizes), da unidade geoambiental DVM. Rodovia MA-006, município Formosa da Serra Negra DSVMPaef. Rodovia MA-132, município Formosa da Serra Negra (MA). (MA). Figura 12.52 - Processo de arenização sobre a unidade Figura 12.55 - Talude de corte em saprólito arenossiltoso geoambiental DSVMPaef, nesse caso, correspondente à formação muito intemperizado, com feições erosivas (sulcos), da unidade Grajaú, associada a colinas amplas e suaves. Rodovia MA-006, geológico-ambiental DSVMPPaef. Rodovia MA-132, município município Grajaú (MA). Mirador (MA). 187 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO que, por ação intempérica, originam solos quartzoareno- Nas áreas de relevo mais acentuado (Figura 12.58), sos (Neossolos Quartzarênicos), excessivamente drenados, predominam solos pouco profundos, que impedem ou permeáveis, com baixa a média fertilidade natural, baixa dificultam o uso de implementos agrícolas motorizados, capacidade hídrica, baixa capacidade de reter e fixar nu- principalmente, nas áreas de relevo de morros e serras bai- trientes e assimilar matéria orgânica, assim como possuem xas, colinas dissecadas e morros baixos, onde os processos alto potencial erosivo. Além dessas restrições, a unidade pedogenéticos evoluem de forma bastante diferenciada. DSVMPacg forma solos com pedregosidade, o que dificulta Portanto, as características físico-químicas e a espessura do a mecanização. solo residual podem variar de local para local. No caso de áreas de definição da unidade DSVMPaef A presença de argilitos e folhelhos intercalados com (Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição arenitos, sob clima úmido e longo tempo de lixiviação, mista (eólica e fluvial)), pelo fato de os arenitos serem de propicia a ocorrência de concreções ferruginosas (plintita granulometria fina a muito fina e neles se intercalarem e petroplintita) entre as camadas de diferentes texturas, irregularmente e de modo subordinado camadas de se- devido ao processo de oxirredução cíclico entre elas, dimentos argilosos, em relação ao contexto anterior, os tornando o solo com baixa qualidade química para a agri- solos apresentam textura mais argilosa e são mais espessos cultura (Figura 12.59). (Latossolos). Em outras áreas, além de conterem maior Apesar da imperfeita drenabilidade desses materiais, porcentagem de argila, exibem gradiente textural (Argis- o processo de alteração a que são submetidos forma solos solos), ou seja, maior teor de argila no horizonte B que no horizonte A. Além de menos permeáveis e erosivos, apre- sentam melhor capacidade hídrica e melhor capacidade para reter e fixar nutrientes, com aptidão boa, regular ou restrita para pastagem plantada e regular para lavouras de ciclo curto e/ou longo em pelo menos um dos níveis de manejo (primitivo, pouco desenvolvido ou desenvolvido) (VALLADARES et al., 2007). Os locais com relevo aplainado a suave ondulado, com predomínio de solos arenosos e arenoargilosos, de permeabilidade elevada e com deficiência de água superficial, são favoráveis a processos de arenização dos solos pela ação das águas das chuvas, que carreiam as partículas de argila para os horizontes inferiores, deixando na parte superficial a fração arenoquartzosa muito friável (Figura 12.56). Nas áreas alçadas topograficamente, clas- sificadas como planaltos, tabuleiros, chapadas e platôs, a Figura 12.56 - Latossolo Vermelho oriundo da unidade arenização do solo se dá, também, pela ação dos ventos. geoambiental DSVMPaef; em campo, observa-se que esse Esse processo potencializa a baixa fertilidade dos solos solo está sob processo de arenitização induzido pelo vento e, principalmente, por pisoteamento do gado. Rodovia BR-010, e os deixa mais vulneráveis à erosão laminar. Portanto, município Governador Edison Lobão (MA). recomenda-se evitar o desmatamento de grandes e contínuas superfícies e, principalmente, das cabeceiras de drenagens e margens dos rios, devendo-se adotar a técnica de rodízio de pastagens, assim como alternar pas- tagens com agricultura. Recomenda-se, ainda, recompor as matas ciliares com espécies de mata nativa da região, em especial, do cerrado, e plantar espécies arbóreas nos pastos, o que propiciaria sombra ao gado (THEODORO- VICS; THEODOROVICS, 2010). Em relevo aplainado a suave ondulado, essas feições são desfavoráveis à existência de nascentes e desprovidas de cursos d’água, o que se constitui em problema, caso sejam usadas para plantio de espécies que necessitam de irrigação. Por outro lado, como são de baixas declividades, amplitudes e densidade de drenagem, não há impedimen- to ao uso de maquinários agrícolas motorizados (Figura 12.57), além de apresentarem baixo potencial de erosão Figura 12.57 - Topo de planalto e Latossolo Amarelo hídrica, ou seja, o relevo favorece que a água da chuva se utilizados para agricultura. Rodovia MA-270, infiltre no solo e não escorra na superfície. município Sucupira do Norte (MA). 188 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO As áreas de relevos aplainados a suave ondulados são desfavoráveis a que o lençol freático aflore. Nelas há poucas nascentes e os poucos cursos d’água existentes apresentam águas lentas, pouco oxigenadas e de baixo potencial dispersor e depurador de poluentes. Tais áreas são recobertas por espessos solos arenosos de permea- bilidade muito alta. Se, por um lado, são terrenos onde solos e relevos são favoráveis a que as águas subterrâneas sejam abundantemente recarregadas, por outro, são de alta vulnerabilidade à contaminação dessas águas, pois o solo à base de quartzo apresenta muito baixa capacidade de reter, fixar e eliminar poluentes, os quais podem alcançar rapidamente as águas subterrâneas sem serem depurados. Nesses terrenos, cuidados especiais devem ser tomados com todas as fontes potencialmente poluidoras. Figura 12.58 - Escarpa de platô sustentado por material síltico- argiloso pouco consolidado, erosivo e sujeito a deslizamentos. As áreas de relevo mais movimentado e declivoso, Estrada de terra, município Fernando Falcão (MA). como escarpas e rebordos erosivos, são favoráveis a que o lençol freático aflore em vários locais, formando inúmeras nascentes, altamente vulneráveis à contaminação. Nessas áreas predominam solos pouco profundos (Neossolos Litólicos e Cambissolos), com alto potencial para erosão hídrica laminar e concentrada. Potencial mineral Os terrenos sustentados por unidades essencialmente arenoquartzosas e altamente silicificadas são adequados para utilização como pedra de talhe para uso em calça- mento (Figura 12.60) e refratários. Já as áreas com areni- tos menos consolidados apresentam alto potencial para exploração de areia (Figura 12.61) para construção civil. O material conglomerático da unidade DSVMPacg pode ser utilizado como saibro. Figura 12.59 - Crosta laterítica formada sobre rocha sedimentar A porção oeste desse domínio, mais especifica- com intercalações de camadas de argilito e siltito. Rodovia BR-230, mente próximo à cidade de Governador Edison Lobão, município Pastos Bons (MA). apresenta rochas (Figura 12.62) com presença de zeóli- tas (REZENDE, 2002), que poderiam ser utilizadas para pouco erosivos, com boa capacidade de reter e fixar nu- corretivo de solo. trientes, favoráveis para a agricultura. No entanto, se a área tiver muitas concreções, torna-se inviável a mecanização. Recursos hídricos e fontes poluidoras São terrenos com alto potencial hidrogeológico, de- vido a espessas camadas arenosas, porosas e permeáveis, geralmente fraturados, que conferem aquíferos dos tipos granular e fissural, de alto potencial armazenador e circula- dor de água subterrânea, de grande expressividade areal e boa homogeneidade hidrodinâmica lateral e vertical. Nesse tipo de aquífero, se um poço der boa vazão, a possibilidade de que outro também dê é grande, mesmo situado a longas distâncias. No entanto, esse domínio apresenta áreas com rochas que sofreram alto grau de silicificação e/ou diagê- nese, diminuindo, assim, os espaços vazios entre os grãos e, consequentemente, a permeabilidade, a porosidade e o Figura 12.60 - Blocos de arenito silicificado utilizados para pedra potencial de recarga dos aquíferos. de revestimento. Rodovia MA-006, município Grajaú (MA). 189 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO que se sobressaem em campos amplos e aplainados cober- tos por vegetação de cerrado. Além de cachoeiras, como a da Pedra Caída (Figura 12.65), e pequenas quedas d’água dispostas em série, como a cachoeira Cocal (Figura 12.66), observam-se rios com corredeiras e piscinas naturais (Figura 12.67). Essas paisagens fazem parte dos polos turísticos Serras Guajajara, Timbira e Kanela e Chapada das Mesas. Figura 12.61 - Área de extração de areia para uso na construção civil. Rodovia BR-135, município Presidente Dutra (MA). Figura 12.64 - Formações rochosas areníticas, sob a forma de morros, constituem belo cenário geológico-geomorfológico. Município Carolina (MA). Figura 12.62 - Arenitos intercalados com siltitos da unidade geoambiental DSVMPaef. Estrada de terra, município Ribamar Fiquene (MA). Potencial geoturístico Domínio constituído por empilhamento de camadas horizontalizadas de sedimentos arenosos e arenoargilosos, fraturados, com grau diferenciado de resistência ao intem- perismo, que foram erodidos, formando belos cenários Figura 12.65 - Cachoeira da Pedra Caída. Município Carolina paisagísticos, revelados em planaltos (Figura 12.63) e vales (MA). Disponível em: . Figura 12.63 - Planalto popularmente denominado serra das Alpercatas. Rodovia MA-132, município Formosa da Serra Negra (MA). 190 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.66 - Cachoeira Cocal. Município Riachão (MA). Figura 12.68 - Área de localização dos terrenos com predomínio de intercalações irregulares de camadas de sedimentos arenosos e síltico-argilosos. Figura 12.67 - Poço Azul. Município Riachão (MA). Disponível em: . Terrenos com Predomínio de Intercalações Irregulares de Camadas de Sedimentos Arenosos e Síltico-Argilosos Terrenos com a maior expressão areal do estado, com aproximadamente 103.525,28 km2 (Figura 12.68), represen- tados pela unidade geoambiental DSVMPasaf, composta por rochas semiconsolidadas, pouco a moderadamente fraturadas, com grande diversificação litológica na hori- zontal e na vertical: arenitos, siltitos, argilitos e calcários. Figura 12.69 - Erosão em forma de sulco, associada a sedimentos Ou seja, as áreas mais ao norte contêm maior proporção de argilosos e solos residuais pouco evoluídos da unidade geoambiental material síltico-argiloso (Figura 12.69); próximo ao litoral, DSVMPasaf. Rodovia MA-106, município Alcântara (MA). registra-se a presença de calcário; enquanto as áreas da porção centro-sul caracterizam-se por serem mais areno- Terrenos associados a relevos com topos planos a sas (Figuras 12.70 e 12.71), mas ainda com presença de suave ondulados, como superfícies aplainadas, tabuleiros, material argiloso e caulinítico. Na porção oeste do estado, platôs, planaltos e colinas amplas, assim como relevos mais essa unidade se encontra muito alterada, formando um movimentados, como colinas dissecadas, degraus estrutu- espesso perfil laterítico. rais, morros e vales encaixados (Figura 12.72). 191 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.70 - Corte de estrada em rocha arenoargilosa, com Figura 12.71 - Intercalações entre camadas arenosas e lâminas potencial erosivo e instável em talude de corte, devido à textura de argila muito instáveis em talude de corte, pouco coesas e do material e à falta de cobertura vegetal. Rodovia BR-222, predominantemente erodíveis. Rodovia MA-106, município Santa Luzia (MA). município Pinheiro (MA). Figura 12.72 - Relevos associados aos terrenos com predomínio de intercalações irregulares de camadas de sedimentos arenosos e síltico-argilosos. 192 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Obras de engenharia Registram-se camadas horizontalizadas não de- formadas de sedimentos, com moderado a baixo grau de diagênese, de diversas espessuras de sedimentos de características diferentes, que mudam abruptamente de uma camada para outra, constituindo descontinuidades que facilitam o aparecimento de surgências d’água e desestabilizações em talude de corte (Figura 12.73). Dessa forma, escavações e perfurações de poucos me- tros de profundidade podem alcançar litologias das mais variadas e contrastantes características geotécnicas. As rochas dessa unidade se encontram intensa- mente alteradas por processos de laterização, com desenvolvimento de espessos perfis de solos contendo horizontes compostos por concreções ferruginosas, Figura 12.74 - Talude de corte em material sedimentar síltico- assim como presença de argilas como a caulinita (Figura argiloso, muito intemperizado, com presença de caulinita e 12.74), que demarca o último estágio de alteração dos petroplintita, que favorecem a estabilidade no talude. Rodovia feldspatos. Esses processos são condicionados, princi- BR-230, município São Raimundo das Mangabeiras (MA). palmente, pelo clima, especificamente a temperatura, e pelo alto índice pluviométrico da região. Devido ao espesso perfil laterítico, esses terrenos exibem baixa a moderada erosividade natural, baixa resistência ao corte e à penetração, boa estabilidade em taludes de corte e moderada capacidade de su- porte, adequados ao uso em bases de obras viárias. No entanto, as áreas com predomínio de arenitos e siltitos alterados mostram alto potencial erosivo (Figura 12.75); portanto, qualquer obra a ser instalada nesses locais necessitará de um bom sistema de drenagem superficial, estabilização nas escavações e tratamento nas fundações. Figura 12.75 - Voçoroca entalhada em rocha arenossiltosa alterada e em relevo de colinas dissecadas. Rodovia BR-222, município Santa Luzia (MA). Agricultura Diferenças litológicas do pacote sedimentar, variação no grau de intemperismo e condições de alta temperatura e umidade possibilitaram a formação de solos com carac- terística física e potencial agrícola variáveis. Entretanto, no geral, mostram características de intenso intemperismo químico com presença frequente de material laterizado. Nessa unidade destacam-se solos profundos, ar- giloarenosos e arenoargilosos (Latossolos), com boa drenabilidade e aptidão regular para pastagem planta- da, principalmente nas áreas planas, como superfícies Figura 12.73 - Perfil de rocha alterada composta por intercalação aplainadas, colinas amplas e topos de platôs e chapadas. de camadas arenosas com lâminas de argilitos caulinizados, com alto potencial erosivo induzido e alto potencial para Solos rasos e pedregosos (Neossolos Litólicos) e solos desestabilizações geotécnicas. Rodovia BR-316, maldrenados, com presença de plintitas e petroplintitas município Santa Luzia do Paruá (MA). (Plintossolos), com baixa a moderada capacidade de reter 193 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO nutrientes e drenagem interna dificultada pela variação exibindo perfil laterítico indicativo de depósitos bauxí- litológica das camadas subjacentes. Além de Argissolos, ticos com gênese associada ao intemperismo químico com boa capacidade de reter nutrientes e armazenar água, (KOTSCHOUBEY et al., 2005), assim como potencial para com aptidão boa a regular para lavouras de ciclo curto e/ou exploração de caulim (Figura 12.76). longo. No entanto, como o índice pluviométrico da região Além de depósitos de minério laterítico, essa unidade é de mais de 2.000 mm anualmente, os solos ficam satu- apresenta alto potencial para extração de areia e argila rados, o que diminui a qualidade em termos de aeração, (Figura 12.77). nutrientes e compacidade (MOURA, 2006). Tal deficiência poderia ser contornada com a aplicação adequada de Potencial geoturístico fertilizantes naturais, assim como o aumento na capaci- dade de aeração poderia se dar por meio de atividade da Unidade com atrativos geoturísticos relacionados a macrofauna protegida (ALBUQUERQUE, 1999). No entanto, fósseis de peixes, répteis e dinossauros (CARVALHO et al., segundo Moura (2006), o contexto socioeconômico não 2003), principalmente pegadas de dinossauros, encon- permite avançar em modelos de uso do solo sofisticados tradas no município de Alcântara e na cidade de São Luís ou onerosos. Portanto, alternativas mais sustentáveis e (CARVALHO; GONÇALVES, 1994). econômicas deverão ser introduzidas, como a substituição Registram-se, também, atrativos geoturísticos associa- da agricultura itinerante por sistemas de produção de ali- dos às formas de relevos com grande beleza paisagística, mentos com maior diversidade de espécies que atuem no como os planaltos e platôs sobrepostos por vegetação de aumento da fertilidade desses solos mais pobres (FERRAZ babaçu (Figura 12.78), que se destacam nas porções central JUNIOR, 2006). e centro-oeste do estado. As porções setentrionais dessa unidade apresentam intercalações de camadas arenoargilosas com calcários que aumentam a fertilidade dos solos. Recursos hídricos e fontes poluidoras Unidade com heterogeneidade geomecânica e hi- dráulica, tanto na vertical quanto na horizontal, variação na porosidade, permeabilidade e coerência dos materiais. Tais características condicionam um potencial hidrogeoló- gico variável, devido à presença descontínua de camadas arenosas. Entretanto, possuem bom potencial de recarga de água subterrânea nas áreas de relevo plano e onde afloram sedimentos arenosos. O grau de vulnerabilidade à contaminação dos aquí- feros porosos é muito variável, devido à alternância entre camadas arenosas e síltico-argilosas. Quando sedimentos Figura 12.76 - Talude de corte em perfil laterítico, rico em arenosos funcionam como zona de aeração, a zona satu- material caulinítico, coerente, pouco permeável e moderadamente rada em água (aquífero) apresenta alto grau de vulnera- fraturado, sobreposto por Latossolo e vegetação arbórea. bilidade. No entanto, quando aquíferos são sobrepostos Rodovia BR-226, município Barra do Corda (MA). por material mais fino (argilas), esse grau é relativamente baixo, caracterizando aquíferos confinantes. Hidrologicamente, essa unidade é recorta- da por vários rios que nascem no sudoeste do estado e desembocam no Golfão Maranhense (norte do estado), caracterizando um recurso com grande expressão areal e com boas qua- lidades físico-químicas para abastecimento humano. Potencial mineral A porção oeste dessa unidade, onde predominam relevos de platôs, chapadas e Figura 12.77 - Antiga área de extração de argila para cerâmica. planaltos, contém taludes de corte e natural Rodovia MA-014, município Viana (MA). 194 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO em muitas áreas, muito mais intemperizada e menos coesa que a unidade DSVMPasac. Obras de engenharia Sequência sedimentar que apresenta variações litológicas como arenitos, siltitos, argilitos, folhelhos, calcários e arenitos com ní- veis de silexitos (Figura 12.81). Tal diversificação proporciona comportamentos geomecânicos contrastantes, como porosidade e permeabi- lidade diferenciadas, baixa a média resistência ao corte, à exceção das camadas onde se encontram os silexitos, que apresentam alta resistência a perfurações. A alteração dessas rochas forma solos de espessura, mineralogia e textura variáveis, dependendo do tipo de material-fonte, grau de diagênese e alteração das rochas. Portanto, Figura 12.78 - Arenito e siltitos caulinizados sob vegetação de babaçus. podem ser encontrados vários tipos de solos, Rodovia BR-316, município Codó (MA). com a mais diversificada condição geotécnica. Terrenos com Predomínio de Intercalações de Sedimentos Arenosos, Síltico-Argilosos e Calcários Ocupam uma faixa de 42.778,88 km2 (Figura 12.79), que se estende do sul ao leste do estado do Maranhão. Associam-se a relevos de superfícies aplainadas, colinas, platôs, planaltos, rebordos erosivos e vales encaixados (Figura 12.80). Estão representados pela unidade geoambiental DSVMPasac (Inter- calações irregulares de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e calcários), caracterizada por rochas consolidadas, semiconsolidadas, pouco a moderadamente alteradas e fraturadas, com grande diversificação litológica na horizontal e na vertical. Registra-se a presença de material muito alterado, formando solos de textura e profundidade variáveis. Essa unidade apresenta características similares às da unidade geoambiental DSVMPasaf (Intercalações de sedimentos arenosos, síltico- argilosos e folhelhos). No entanto, diferencia- se pela quantidade de calcário e presença de sílex, uma vez que a unidade DSVMPasac é composta por camadas de calcário, calcarenitos e sílex, que variam de centímetros a metros de espessura, enquanto os terrenos da unidade DSVMPasaf não possuem sílex, exibindo calcários em porções restritas, como no oeste do litoral maranhense. Ressalta-se que a unidade Figura 12.79 - Área de localização dos terrenos com predomínio de geológico-ambiental DSVMPasaf se apresenta, intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e calcários. 195 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Em geral, prevê-se baixa a moderada capacidade de topo dos platôs sustentados por material arenoargiloso e suporte de carga do solo e resistência ao corte e à pene- argiloso mostram boa estabilidade geotécnica. Já as áreas tração (solos e perfis de alteração espessos). Entretanto, as com predomínio de siltitos e arenitos de granulometria fina, áreas com relevo de superfície aplainada, colinas amplas e quando alterados, mostram baixa resistência ao cisalhamen- to e alto potencial de erosão, desagregando com facilidade em talude de corte. Rochas calcárias localizadas em subsuper- fície podem sofrer dissolução ocasionada por infiltração de água, gerando cavidades (grutas e cavernas) sujeitas a abatimentos e desmoro- namentos subterrâneos. O excessivo bombe- amento de água subterrânea, nessas áreas, pode causar rebaixamento do lençol freático e, consequentemente, acelerar os processos de colapso dos terrenos. Dessa forma, as grandes obras de engenharia devem ser precedidas de investigações geológicas e geotécnicas, a fim de identificar a existência de tais feições. Agricultura Terrenos formados por solos muito in- temperizados, oriundos de rochas com grande diversidade litológica. Predominância de solos arenoargilosos e argilosos, além da presença de solos arenosos. Os solos arenoargilosos, mais espessos (Latossolos), formados em relevo suavemente ondulado, plano e colinas amplas, apresentam aptidão boa para lavouras de ciclo curto e/ou longo, desde que condicionados à aplicação de corretivos e fertilizantes, assim como ap- tidão regular para lavouras de ciclo curto e/ Figura 12.80 – Relevos associados aos terrenos com predomínio de intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e calcários. ou longo. Os solos com perfis mais argilosos carac- terizam-se com aptidão boa ou regular para pastagem plantada. As áreas onde afloram os solos oriundos de rocha calcária apresentam bom potencial agrícola, devido à boa fertilidade natural e alta capacidade de fixar nutrientes. Diferentemente dos Neossolos Quartzarênicos, oriundos de áreas com predomínio de pacotes espessos de arenitos, que apresentam baixa fertilidade natural e pequena capacidade de retenção de umidade e nutrientes. Nas áreas com baixa altimetria e moderado a alto índice pluviométrico, formam-se Gleisso- los maldrenados e de baixa fertilidade natural. Recursos hídricos e fontes poluidoras A favorabilidade hidrogeológica é va- riável, podendo haver aquíferos cársticos e Figura 12.81 - Platôs sustentados por intercalações de camadas síltico-argilosas porosos com baixo a moderado potencial e lâminas de silexito. Rodovia BR-230, município São João dos Patos (MA). hidrogeológico. 196 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Os aquíferos cársticos estão relacionados à dissolução química dos minerais das camadas ricas em calcário e à presença de fraturas e outras superfícies de descontinuida- de, que, quando alargadas por dissolução, proporcionam ao reservatório porosidade e permeabilidade secundária, permitindo a circulação de água em volumes consideráveis. Em geral, os reservatórios aquíferos são descontínuos e as águas são do tipo carbonatada, com dureza elevada, devendo ser utilizados de forma adequada, pois o ex- cessivo bombeamento de água subterrânea pode causar rebaixamento no lençol freático e acelerar processos de abatimentos do terreno. Além dos aquíferos cársticos, existem os porosos, oriundos de camadas arenosas, com porosidade e per- meabilidade moderadas, propícios à captação de água subterrânea. Figura 12.82 - Mina de calcário calcítico, minério utilizado Em geral, essa unidade apresenta baixa a moderada na correção de solo. Empresa de Mineração Vale do Araguaia, vulnerabilidade natural à contaminação dos aquíferos, devi- município Balsas (MA). do à presença de espessas coberturas síltico-argilosas, que possuem baixa permeabilidade e boa capacidade de reter, fixar e eliminar poluentes. No entanto, as porções formadas por coberturas arenoargilosas e arenosas mostram-se boas condutoras de possíveis contaminantes. Aliadas a essas coberturas arenosas encontram-se as áreas com rochas calcárias, que também estão suscetíveis à contaminação, devido à existência de ligação direta entre o fluxo de água superficial e subterrânea (dolinas e sumidouros de drenagem). Nesses locais, os poluentes chegam rapidamente às águas subterrâneas sem sofrerem depuração. Potencial mineral Favorabilidade para prospecção de calcário dolomítico e calcítico (Figura 12.82) e dolomito calcítico para corretivo Figura 12.83 - Cachoeira Itapecuru em área de grande potencial geoturístico; paredão vertical entre 10 a 15 m de desnivelamento; de solo, cimento e cal. nível de base local (knickpoint) supostamente controlado por Potencial para exploração de arenito para pedra de camada de arenito fino muito endurecido (silexito) da formação revestimento, além de areia para construção civil e argila Pedra de Fogo. Próximo à rodovia BR-230, município Carolina (MA). para cerâmica. Registra-se, ainda, a presença de urânio (LIMA; LEITE, 1978). Potencial geoturístico Potencial geoturístico relacionado aos rios entalha- dos por falhas e cachoeiras que se formaram a partir da diferença de resistência à erosão dos arenitos silicificados no curso do rio Itapecuru (Figura 12.83), além de belezas paisagísticas como planaltos e baixos platôs recobertos por vegetação de cerrado (Figura 12.84). Registram-se, ainda, minas de calcário que podem se tornar ponto de interesse geoturístico. Também há potencial geoturístico associado a sítios paleontológicos, como madeira silicificada, estromatólitos, Figura 12.84 - Pacote sedimentar de arenitos finos intercalados fósseis de peixes, anfíbios e trilobitas (SANTOS; CARVALHO, com siltitos moderadamente alterados, sustentando relevo de 2009). platôs. Rodovia MA-006, município Tasso Fragoso (MA). 197 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Terrenos com Predomínio de Pelitos argilitos e siltitos) (Figura 12.87), com subordinados areni- tos. Quando pouco alteradas, essas rochas apresentam-se Formam faixas alongadas que se estendem da porção coerentes, com porosidade variável (média a alta), baixa sudoeste à porção sudeste, assim como estão distribuídos permeabilidade, alta resistência ao cisalhamento e boa irregularmente nas porções leste, nordeste e centro-oeste estabilidade geotécnica em relevos mais planos e com do estado do Maranhão, ocupando uma área de 17.871,43 baixa declividade. km2 (Figura 12.85). Associam-se a relevos residuais, superfí- Formam solos argilosos e argiloarenosos com boa cies aplainadas, colinas, platôs, planaltos, rebordos erosivos capacidade de compactação, consistência plástica, baixa e vales encaixados (Figura 12.86). Estão representados erosividade e baixa resistência ao corte e à penetração. No pelas unidades geoambientais DSVMPsabc (Predomínio entanto, algumas áreas podem conter argilas expansivas, de sedimentos síltico-argilosos intercalados de folhelhos que, quando secas, tornam-se muito duras e úmidas, betuminosos e calcários), DSVMPsaca (Predomínio de mostram-se rijas e plásticas, com cerosidade elevada, sedimentos síltico-argilosos e calcários com intercalações oferecendo dificuldades à escavação e/ou perfuração com arenosas subordinadas) e DSVMPsaa (Predomínio de sedi- sondas rotativas. Também podem se compactar e imper- mentos síltico-argilosos com intercalações arenosas). meabilizar quando submetidas a mecanização excessiva e intenso pisoteio pelo gado, favorecendo a erosão hídrica Obras de engenharia laminar ou em sulcos ou ravinas (Figura 12.88). Algumas áreas apresentam variação litológica na ver- Terrenos formados por empilhamento de rochas tical, o que pode ocasionar descontinuidades geotécnicas, horizontalizadas predominantemente pelíticas (folhelhos, favorecendo a instabilidade em talude de corte. Figura 12.85 - Área de localização dos terrenos com predomínio de pelitos. 198 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.86 - Relevos associados aos terrenos com predomínio de pelitos. Figura 12.87 - Pacote sedimentar com estratificações paralelas de siltitos e Figura 12.88 - Erosão (ravinas) em saprólito sedimentar predominantemente folhelhos. Rodovia BR-230, argilossiltoso da unidade geoambiental DSVMPsaca. Rodovia BR-316, município Riachão (MA). município Timom (MA). 199 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Relevos mais declivosos, como colinas dissecadas, aptidão boa, regular ou restrita para pastagem plantada, morros, rebordos erosivos, sustentados por rochas argi- principalmente as mais planas, que podem ser mecani- lossiltosas, favorecem processos pedogenéticos muito zadas. diferenciados de local para local, com predomínio de solos Na unidade DSVMPsabc afloram rochas calcárias, que pouco evoluídos, com horizontes bem diferenciados, por formam solos de média a alta fertilidade (Chernossolos) isso, erosivos e instáveis, com maior possibilidade de se (Figura 12.90), com razoáveis teores de fósforo e bons níveis encontrar rochas duras aflorantes ou situadas a baixas pro- de cálcio e magnésio, com bom potencial para agricultura, fundidades, como também material coluvionar e depósitos principalmente a agricultura familiar (MOURA, 2006). de tálus e materiais naturalmente instáveis de muito alto potencial erosivo laminar e concentrado. Recursos hídricos e fontes poluidoras A unidade DSVMPsabc, por conter camadas de calcário e gipsita, pode sofrer dissolução por ação das Terrenos formados em subsuperfície por camadas águas, levando à formação de cavidades (grutas e caver- constituídas de material com textura muito fina, imperme- nas) sujeitas a desmoronamentos subterrâneos, causando áveis a semipermeáveis, com alto potencial para retenção abatimentos e colapsos da superfície (dolinas e sumidouros) de água; no entanto, baixo potencial para transmissão, (Figura 12.89). Dessa forma, tornam-se necessários estu- condicionando, assim, baixo potencial hidrogeológico. dos geotécnicos envolvendo métodos geofísicos antes da Porém, esses terrenos funcionam como barreira para os instalação de obras. aquíferos mais profundos, devido às espessas camadas de sedimentos argilosos de baixa permeabilidade e alta capacidade de reter poluentes, caracterizando áreas com baixa vulnerabilidade à poluição. Observa-se, porém, que, nesses terrenos, ocorrem camadas arenosas subordinadas, as quais, aliadas às fa- lhas e fraturas interconectadas, podem formar condições favoráveis a aquíferos confinados. As cavidades existentes nas rochas calcárias da uni- dade DSVMPsabc podem conter volumes consideráveis de água subterrânea, caracterizando áreas com potencial para aquíferos cársticos, mas com alto grau de vulnerabilidade natural à contaminação, pois podem possuir conexões hidráulicas que transportem poluentes a longas distâncias. Potencial mineral Argilitos e folhelhos alterados com alto potencial para Figura 12.89 - Exploração de gesso na unidade geoambiental uso na indústria cerâmica. Rochas mais coerentes e litifica- DSVMPsabc. Indústria Itapecuru, município Codó (MA). das podem ser exploradas como pedra para revestimento. Os calcários aflorantes da unidade DSVMPsabc podem formar solos argilosos, pouco permeáveis, que se compac- tam e se impermeabilizam, tornando-se erosivos. Algumas áreas da unidade DSVMPsaca apresentam variação litológica (pelitos, arenitos calcíferos, níveis de sílex e gipsita) na vertical e horizontal, que condiciona descontinuidades geotécnicas em taludes de corte. Agricultura Predomínio de litologias que se alteram para solos argilosos (Argissolos), com gradiente textural poroso, com boa capacidade de reter e fixar nutrientes. Em áreas de baixa declividade e solos profundos, apresentam bom potencial para lavouras de ciclo curto e/ou longo, condi- cionado à aplicação de corretivos e fertilizantes. Figura 12.90 - Solo argiloso com contribuição carbonática, bom As áreas com predomínio de solos com textura are- potencial para gricultura; unidade geoambiental DSVMPsabc. noargilosa (Latossolos) e espessos caracaterizam-se com Rodovia BR-226, município Tuntum (MA). 200 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Rochas calcárias da unidade DSVMPsabc podem ser utilizadas como corretivos de solos (RODRIGUES et al., 1994), cal, fabricação de cimento e rocha ornamental. Nessa unidade encontram-se depósitos de gipsita utilizada, principalmente, na fabricação de cimento, bem como na fabricação de ácido sulfúrico, cerveja, moldes para fundição, giz, vidros, es- maltes, gesso, corretivo de solo e na indústria metalúrgica. Registra-se potencial para sulfetos (esfa- lerita e galena). Potencial geoturístico Esses terrenos apresentam potencial para turismo geológico relacionado, principalmente, às minas de calcário nos municípios de Grajaú, Codó, Tuntum, Barra do Corda e Santa Filo- mena do Maranhão, e a minas de gipsita nos municípios de Grajaú e Codó. Também apresenta potencial geoturísti- co associado a sítios paleontológicos, como fósseis lacustres e peixes da unidade DSVMP- sabc, assim como registro de fósseis de peixe e conchostráceos das unidades DSVMPsaca e DSVMPsaa (SANTOS; CARVALHO, 2009). DOMÍNIO DO VULCANISMO FISSURAL DO TIPO PLATÔ (DVM) Área de Ocorrência, Elementos de Figura 12.91 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais do domínio do vulcanismo fissural do tipo platô (DVM). Definição e Relevo Associado Domínio com ampla distribuição nas regiões sudoeste, eólica) e DSVMpaef (Predomínio de espessos pacotes de sudeste e sul do estado do Maranhão (Figura 12.91), aflo- arenitos de deposição mista (eólica e fluvial)). Essas rochas rando em área aproximada de 13.517,06 km2, constituído vulcânicas sustentam nove formas de relevo (Figura 12.92), por extensos pacotes de rochas provenientes de sucessivos sendo que as formas de topos aplainados, como platôs e derrames de lavas, principalmente, básicas, recristalizadas superfícies aplainadas, dominam nesses terrenos. em basaltos e, mais restritamente, em rochas de composi- Predomínio de rochas básicas intrusivas (DVMgd): ção ácida e intermediária, como riolitos, dacitos e andesitos, Unidade associada, geologicamente, à Formação Mosquito, relacionadas ao vulcanismo fissural que ocorreu na Bacia e caracterizada por litótipos de origem extrusiva, como Sedimentar do Parnaíba durante à fase pré-rifte da abertura basaltos, assim como rochas básicas intrusivas: diabásio e do oceano Atlântico (GÓES, 1995). Devido às diferenças gabros. Esse conjunto geológico associa-se a cinco formas composicionais das rochas, o domínio foi individualizado de relevo: baixos platôs, baixos platôs dissecados, planaltos, em duas unidades geoambientais: Predomínio de basalto superfícies degradadas e degraus estruturais (Figura 12.93). com intertraps subordinados de arenito (DVMba) e Predo- mínio de rochas básicas intrusivas (DVMgd). Características, Adequabilidades e Predomínio de basalto com inter traps Limitações Frente ao Uso e à Ocupação subordinados de arenito (DVMba): Unidade geológico- ambiental relacionada, geologicamente, à Formação Obras de engenharia Mosquito, constituída, predominantemente, por basaltos (LIMA; LEITE, 1978) e, subordinadamente, por andesitos, Terrenos com predomínio de rochas básicas, que, com espessuras centimétricas a métricas, muitas vezes quando não alteradas, apresentam alto grau de coerência intercalados com arenitos das unidades DSVMpae e dureza elevada, havendo necessidade do uso de explo- (Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposição sivos para seu desmonte, mas com boa homogeneidade 201 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO minada decomposição esferoidal (Figura 12.95a). Esse tipo de alteração vai deixando blocos arredondados de rochas duras em meio ao solo (Figura 12.95b), bem como blocos e matacões de rochas frescas isolados e irregularmente Figura 12.92 - Formas de relevos associadas à unidade geológico- ambiental DVMba. mineral e textural, de elevada resistência à compressão e alta capacidade de suporte (Figura 12.94). Algumas áreas desse domínio estão intercaladas com a unidade DSVMPae ou DSVMpaef, que podem apresentar Figura 12.93 - Formas de relevo associadas à unidade geológico- camadas de arenitos altamente endurecidos (Figura 12.54), ambiental DVMgd. relacionados à recristalização do quartzo, ocasionada pelo calor das lavas vulcânicas. Portanto, são locais com rochas de características muito diferentes, principalmente composicionais; por isso, de comportamentos geotécni- cos e hidráulicos distintos. Dependendo da espessura das camadas de arenito, haverá dificuldade para execução de escavações e perfurações. No geral, alteram-se para solos argilosos, que, quando bem evoluídos, apresentam baixa suscetibilidade à erosão e boa estabilidade em talude de corte. No entanto, esses solos, quando pouco evoluídos, fendilham-se e sofrem o processo de empastilhamento, deixando os taludes de corte suscetíveis à erosão e colapsíveis se submetidos à alternância de estados úmido e seco. Figura 12.94 - Basalto fraturado às margens do rio Tocantins, Além disso, essas rochas se alteram de modo bastante utilizado como suporte para fundação da hidrelétrica de Estreito diferenciado, principalmente em forma concêntrica, deno- (fundo da figura). Rodovia BR-010, município Estreito (MA). 202 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO distribuídos ou até mesmo concentrados, que podem pro- vocar desestabilização em taludes de corte e em obras, se as fundações estiverem parcialmente apoiadas sobre esses blocos. Quando associados a relevos de altas declividades, são suscetíveis a queda de blocos e a deslizamentos. Observam-se, ainda, rochas vulcânicas intermediárias e ácidas em contato discordante com rochas sedimentares muito intemperizadas, que condicionam comportamento geotécnico diferenciado, aumentando a ocorrência de desestabilizações (Figura 12.96). Agricultura Apresentam baixa resistência à decomposição físico- a química, sendo que, no início do processo de alteração, transformam-se em solos argilosos, com alta reatividade, boa capacidade de retenção de água e nutrientes e alta fertilidade (Nitossolos e Luvissolos). Tais características condicionam boa aptidão para todos os tipos de lavouras, principalmente para o pequeno agricultor, que não terá gastos expressivos com corretivos e fertilizantes (Figura 12.97). Em áreas com predomínio de rochas vulcânicas ácidas ou com presença de intercalações de rochas vulcânicas com arenitos, formam-se Latossolos Vermelhos, que apre- sentam aptidão regular para lavouras de ciclo curto e/ou longo, e Argissolos e Latossolos Amarelos, que apresentam maior acidez, sendo pouco férteis e com aptidão regular ou restrita para pastagem plantada. Ocorrem, também, solos com aptidão restrita, devido à sua pequena profun- b didade efetiva, como Cambissolos e Neossolos Litólicos Figura 12.95 - (a) basalto com estruturas esferoidais e fraturas (Figura 12.98). conjugadas; (b) blocos de basalto em meio a solo argiloarenoso, Essa unidade sustenta grande variedade de relevos. As sustentando relevo de platô e sob vegetação de cerrado. Rodovia áreas com menor declividade e mais planas, como platôs, MA-006, município Formosa da Serra Negra (MA). chapadas, superfícies aplainadas e colinas amplas, são mais favoráveis à agricultura mecanizada. Recursos hídricos e fontes poluidoras Domínio com presença de falhas e fraturas abertas e interconectadas que apresentam porosidade secundária, favoráveis ao armazenamento de águas subterrâneas. Observa-se, no entanto, que tais descontinuidades se encontram concentradas apenas em alguns locais desse domínio, condicionando uma variação no potencial hi- drogeológico, ou seja, os locais com maior concentração e maior conectividade de descontinuidades terão maior probabilidade de ter água com poços de boas vazões que os poços perfurados em áreas com fraturas fechadas e pouco conectadas. Além do baixo potencial hidrogeológico, esse domínio apresenta manto de alteração pouco permeável, desfavo- rável à recarga de aquíferos fissurais, como também baixa vulnerabilidade à contaminação, devido à baixa permea- Figura 12.96 - Contato entre saprólito e blocos inalterados de rocha ígnea (base do talude) com rocha sedimentar argilossiltosa, bilidade, baixa taxa de infiltração e presença de solos argi- de cor avermelhada (topo do talude), da unidade DSVMPaef. losos espessos que funcionam como mantos depuradores, Rodovia BR-135, município Paraibano (MA). protegendo os possíveis aquíferos. 203 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Potencial geoturístico Nas áreas planas, com cotas topográficas mais baixas, encontram-se lagoas temporárias e permanentes (Figura 12.99), muitas em meio a grandes áreas de pastagens, relacionadas ao lençol freático temporário próximo à superfície. Figura 12.97 - Solo argiloarenoso, estruturado e com alta fertilidade (Nitossolo), oriundo de rocha vulcânica básica. Rodovia BR-010, município Estreito (MA). Figura 12.99 - Colinas amplas e lagos intermitentes sustentados por rochas básicas e solo argiloso da unidade DVMba. Rodovia MA-006, munícipio Formosa da Serra Negra (MA). DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES PROTEROZOICAS, NÃO OU MUITO POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS, CARACTERIZADAS POR UM EMPILHAMENTO DE CAMADAS HORIZONTALIZADAS E SUB-HORIZONTALIZADAS DE VÁRIAS ESPESSURAS DE SEDIMENTOS CLASTOQUÍMICOS DE VÁRIAS Figura 12.98 - Solo raso e rocha vulcânica (basalto) intercalada COMPOSIÇÕES E ASSOCIADOS com arenito. Rodovia MA-132, munícipio Fortaleza dos Nogueiras AOS MAIS DIFERENTES AMBIENTES (MA). TECTONODEPOSICIONAIS (DSP1) Potencial mineral Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado Ambiência geológica favorável a ocorrências de rocha ornamental, ametista e opala, bem como à presença de ro- Domínio com extensão aproximada de 134,68 km2, cha sã, para ser usada como brita; quando muito alterada, abrangendo a porção noroeste do estado do Maranhão, pode ser utilizada para áreas de empréstimo. mais especificamente o oeste do município Junco do Em algumas áreas do estado, mais especificamente no Maranhão e sul de Boa Vista do Gurupi (Figura 12.100). município Formosa de Serra Negra, encontram-se basaltos Está representado pela unidade geológico-ambiental intemperizados com potencial para bentonitas (PAZ, 2010), DSP1acgsa (Predomínio de sedimentos arenosos e definidas como argilominerais esmectíticos, com índice conglomeráticos, com intercalações subordinadas de de inchamento e capacidade de troca de cátions elevada, sedimentos síltico-argilosos), que se caracteriza por conter o que lhes confere grande aplicabilidade, principalmente sedimentos arenosos e conglomeráticos com intercalações como aditivos em fluidos de perfuração (COELHO et al., subordinadas de sedimentos síltico-argilosos, constituindo 2007). Dessa forma, com base no estudo de Silva (2011), um empilhamento de camadas horizontalizadas e sub- pode-se afirmar que as áreas (sul e sudoeste do estado) horizontalizadas de diferentes espessuras de sedimentos com tais características (regolito de basalto) são passíveis depositados em ambiente de águas rasas (LOPES; KLEIN, de conter bentonita. 2008), que, por efeitos tectonodeformacionais, há mais de 204 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO 600 milhões de anos (Neoproterozoico) foram suavemente Características, Adequabilidades e dobrados e metamorfizados em baixo grau, formando Limitações Frente ao Uso e à Ocupação metarenitos e metassiltitos com alguns xistos intercalados, denominados geologicamente como Formação Piriá Obras de engenharia (TRUCKENBRODT; CORRÊA, 1985). Tais rochas sustentam relevos de baixas declividades Domínio composto por intercalações irregulares (0 a 5°), baixas amplitudes (10 a 30 m), cotas topográficas de camadas de espessuras variadas de arenitos finos, entre 15 a 30 m e formas suavemente onduladas, como médios, arenitos arcoseanos, conglomerados e pelitos as superfícies aplainadas retocadas ou degradadas (Figura subordinados que estão pouco a moderadamente de- 12.101). formados e moderadamente fraturados. Esse conjunto rochoso apresenta porosidade e permeabilidade variáveis, grau de coerência moderada, baixa suscetibilidade à erosão, moderada resistência ao corte e à penetração e boa capacidade de suporte de carga. As áreas com rochas arenosas e conglo- meráticas contendo seixos, blocos e matacões geralmente duros apresentam comportamento geomecânico diferenciado, em geral compostos de seixos de quartzo, por isso, bastante abrasivos, difíceis para cravar estacas e de serem perfurados com maquinário. Nos locais onde esse domínio se encontra muito intemperizado, a escavabilidade do solo pode ser dificultada por sua espessura variável e ocorrência frequente de afloramentos rochosos. Presença de rochas anisotrópicas como xistos, que possuem planos de descontinuidades favorá- veis à percolação de fluidos e à instabilidades em talude de corte. Agricultura Rochas que se alteram para solos areno- quartzosos, com baixa fertilidade natural, baixa capacidade para reter e fixar elementos e as- similar matéria orgânica, geralmente bastante permeáveis, por isso, difíceis de serem corrigidos, pois, quando adubados, não fixam os nutrientes. Também apresentam baixa capacidade hídrica, ou seja, quando chove ou são irrigados, quase não retêm água, o que os torna inadequados para culturas de ciclo curto e para plantas de raízes curtas. Devido à unidade geológico-ambiental DSP1acgsa estar associada a conglomerados, algumas regiões podem apresentar solos com problemas de pedregosidade e drenabilidade. No entanto, observa-se que essa unidade, por estar sob relevo de baixa declividade, como as superfícies aplainadas, e clima úmido, constitui área favorável a processos de pedogênese, onde pode haver solos mais profundos, de fácil escava- bilidade, drenados e permeáveis como Latossolos, Figura 12.100 - Área de ocorrência da unidade geológico-ambiental com potencial para uso de implementos agrícolas DSP1acgsa, pertencente ao domínio DSP1. motorizados. 205 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.101 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade-geológico-ambiental DSP1acgsa. Por outro lado, tais características de relevo são Potencial mineral favoráveis aos processos de arenização rápida dos solos arenosos pela lixiviação das águas das chuvas. Por isso, na Áreas com manto de alteração espesso e solos are- ocupação agrícola desses terrenos, deve-se evitar deixar os nosos e saibrosos, favoráveis à extração de areia e saibro. solos descobertos por períodos prolongados, sendo mais recomendável a agricultura de ciclo longo. Potencial geoturístico Recursos hídricos e fontes poluidoras Domínio sem paisagens exuberantes ou exposições geológicas com atrativos geoturisticos. Domínio sustentado por sedimentos arenosos e conglomeráticos em forma de camadas sub-horizon- DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS VULCÂNICAS OU talizadas pouco deformadas e metamorfizadas, com VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS, porosidade e permeabilidade primárias relativamente NÃO OU POUCO DOBRADAS E preservadas, com comportamento semelhante a aquí- METAMORFIZADAS (DSVP1) feros porosos e fraturados, com boa homogeneidade hidrodinâmica na lateral, favoráveis à existência de água Área de Ocorrência, Elementos de Definição subterrânea. e Relevo Associado Em algumas áreas ocorrem sedimentos endurecidos, coesos, com baixa porosidade e permeabilidade primária, Domínio representado por apenas uma unidade sem presença de aquíferos porosos. geológico-ambiental – Predomínio de vulcanismo ácido 206 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO das retocadas ou degradadas e colinas amplas e suaves (Figura 12.103), caracterizados por baixa declividade (0 a 10°) e baixa amplitude (10 a 30 m), com cotas topográficas que atingem até 30 m. No entanto, em escala de maior detalhe, é possível encontrar formas mais declivosas, como as colinas dissecadas, que podem atingir cotas de até 130 m e amplitude de 80 m, não mapeadas na escala de 1:750.000. Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia Domínio constituído por intercalações de rochas vulcânicas, sedimentares e vulcano- clásticas com características mineralógicas e texturais diferenciadas. Portanto, escavações mais profundas podem alcançar litologias dos mais variados e contrastantes comportamen- tos geomecânicos e hidráulicos. Além disso, as mudanças abruptas entre rochas de carac- terísticas diferentes constituem-se em descon- tinuidades que facilitam a desestabilização e a surgência de água em taludes de corte. Predomínio de rochas de dureza elevada, em geral bem preservadas da alteração, portan- to, de alta resistência ao corte e à penetração – necessitam do uso de explosivos para des- monte –, características que podem encarecer e dificultar a execução de obras. Por outro lado, essa dureza elevada favorece uma alta capacida- de de suporte e boa resistência à compressão. Presença de rochas densamente fendilha- das em várias direções, onde blocos e placas de Figura 12.102 - Área de ocorrência da unidade geológico-ambiental DSVP1va, rocha podem se desprender com facilidade pertencente ao domínio das sequências vulcânicas ou vulcanossedimentares em talude de corte. proterozoicas,não ou pouco dobradas e metamorfizadas (DSVP1). As rochas mais ricas em quartzo (riolitos e riodacitos) se alteram para solos arenosos; a intermediário (DSVP1va) –, que abrange uma pequena quando apresentam espesso manto de alteração, podem área de 37,58 km2, localizada na porção noroeste do conter feições erosivas. Já as rochas andesíticas e tufos, no estado do Maranhão (Figura 12.102), especificamente princípio da pedogênese formam solos com textura mais na porção nordeste dos municípios de Luís Domingues argilosa, em alguns casos, com presença de argilominerais e Cândido Mendes. Corresponde, geologicamente, aos expansivos suscetíveis à erosão e instáveis. No entanto, em terrenos antigos da Unidade Vulcânica Serra do Jacaré, estágios mais avançados do intemperismo físico-químico, Formação Rio Diamante e Unidade Vulcânica Rosilha, esses solos mostram-se mais espessos e mais estáveis em formados entre 2.160 e 2.060 milhões de anos, durante o talude de corte. Proterozoico, e marcados por intensa atividade vulcânica de composição alcalina e calcialcalina, representada por Agricultura riolitos e dacitos, assim como vulcanismo intermediário representado por andesitos, além de tufos e brechas Terrenos constituídos por rochas que se alteram vulcânicas (KLEIN et al., 2008). para solos síltico-arenosos (Plintossolos) e solos argilosos A unidade geoambiental DSVP1va sustenta relevos com com gradiente textural (Argissolos) com moderada a formas suavemente onduladas, como as superfícies aplaina- baixa fertilidade natural, com baixa capacidade hídrica e 207 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.103 - Hipsometria e formas de relevos associadas à unidade geológico-ambiental DSVP1va. baixa a moderada capacidade de reter e fixar elementos. e com fraturas dispostas em várias direções, apresentam Quando muito lixiviados, esses solos tornam-se menos alta porosidade e permeabilidade secundária. Consti- férteis e superficialmente ficam bastante enriquecidos tuem-se em aquíferos do tipo fissural, cujo potencial em quartzo na fração fina, apresentando erosividade de explotação é bastante irregular: depende de o poço variando de moderada a alta. cruzar fraturas, de estas serem abertas para a água Entretanto, como sustentam relevo suavizado, de poder se armazenar e circular, da densidade que elas baixas declividades e amplitudes, podem ser mecaniza- ocorrem e se estão interligadas. Por isso, é muito comum dos e respondem bem à adubação. que nesse tipo de aquífero um poço dê excelente vazão, Tal situação topográfica, aliada a rochas bastante enquanto outro, nas imediações, seja seco. fraturadas, torna essas áreas bastante vulneráveis à con- Nas áreas onde o relevo é de superfícies aplaina- taminação do lençol freático, por isso, restritivas a cul- das, a topografia é favorável a que o lençol freático turas que necessitam da aplicação de muito agrotóxico. esteja situado próximo à superfície, com maior risco de contaminação por poluentes. Além disso, são áre- Recursos hídricos e fontes poluidoras as de escoamento superficial baixo. Se, por um lado, isso favorece a infiltração das águas no subsolo, por Rochas de porosidade e permeabilidade primárias outro, também favorece a infiltração de substâncias muito baixas, no entanto, por serem bastante fraturadas poluidoras. 208 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Potencial mineral Domínio com ambiência geológica favorável a mi- neralizações associadas a rochas vulcânicas e presença de veios de quartzo portadores de ouro e sulfetos, assim como potencial para brita. Potencial geoturístico Potencial geoturístico evidenciado pelo contato entre rochas muitas antigas da unidade DSVP1va (predomínio de vulcanismo ácido a intermediário) e do domínio DCGR1 (complexos granitoides não deformados) com sedimen- tos recentes da unidade DCm (ambiente misto (marinho/ continental)). DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES PROTEROZOICAS DOBRADAS, METAMORFIZADAS DE BAIXO A ALTO GRAU (DSP2) Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado Esse domínio abrange uma área aproximada de 1,049 km2 de rochas sedimentares, formadas em ambientes continental e marinho, que, por processos tectônicos, foram dobradas e metamorfizadas, originando rochas metamórficas como metarenitos e xistos, pertencentes ao Cinturão Metamórfico Gurupi e dispostos sob direção preferencial NW-SE. Devido a essa diferenciação litoló- gica, esse domínio foi individualizado em duas unidades geológico-ambientais – Metarenitos, quartzitos e meta- conglomerados (DSP2mqmtc) e Predomínio de metassedi- Figura 12.104 - Área de ocorrência das unidades geológico- mentos síltico-argilosos, representados por xistos (DSP2x) ambientais do domínio das sequências sedimentares proterozoicas –, localizadas na porção noroeste do estado do Maranhão dobradas, metamorfizadas de baixo a alto grau (DSP2). (Figura 11.104), mais especificamente na porção oeste dos municípios Junco do Maranhão e Centro do Guilherme e norte de Centro Novo do Maranhão. Metarenitos, quartzitos e metaconglomerados (DSP2mqmtc): Unidade correspondente, geologicamente, à Formação Igarapé de Areia, depositada em ambiente continental, tipo leques aluviais, rios entrelaçados e lagos, sob clima quente, durante o Proterozoico Médio/Superior, mas que, por processos colisionais de placas tectônicas, foi dobrada, formando metarenitos arcoseanos, metacon- glomerados e metapelitos subordinados (Figura 12.105) moderadamente fraturados e dobrados, orientados na direção N10°W e com feições planares secundárias, como foliações plano-axial (PASTANA, 1995). Apresentam dois tipos de relevo (Figura 12.106): colinas amplas, com declividades variando entre 3° a 10°, amplitudes entre 10 a 25 m e cotas topográficas que chegam até 70 m e superfícies aplainadas (Figura 12.107), Figura 12.105 - Metarenitos intemperizados, com feições de com declividade entre 0° a 5° e amplitudes variando entre desplacamento e bloco soltos. Rodovia MA-306, 5 a 15 m. município Centro Novo do Maranhão (MA). 209 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.106 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geoambiental DSP2mqmtc. Predomínio de metassedimentos síltico-argi- losos, representados por xistos (DSP2x): Unidade geológico-ambiental formada por quatro tipos de relevos: baixos platôs dissecados, colinas dissecadas, colinas amplas e suaves e superfícies aplainadas degradadas, que variam quanto à declividade e amplitude, podendo atingir cotas de até 160 m (Figura 12.108). Associam-se a três unidades geológicas: Grupo Gurupi Indiviso e formações Itapeva Xisto e Jaritequara, que, mesmo contendo algumas rochas composicionalmente diferentes, apresentam feições estruturais marcantes, representadas por alinhamento de minerais micáceos (xistosidade). O Grupo Gurupi Indiviso compreende um conjunto de rochas originalmente ígneas e sedimentares que passaram por processos deformativos, originando rochas xistosas, englobando, fundamentalmente, xistos quartzosos à Figura 12.107 - Relevo de colinas amplas e superfícies aplainadas muscovita e/ou biotita e/ou clorita, xistos carbonosos e/ degradadas sustentadas por solo residual e rochas metamórficas. ou manganesíferos (subordinados), filitos (Figura 12.109), Rodovia MA-306, município Centro Novo do Maranhão (MA). metadacitos, metacherts e, subordinadamente, metaul- 210 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.108 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geológico-ambiental DSP2x. tramafitos, além de formação ferrífera. Exibem textura granolepidoblástica, com forte anisotropia estrutural, representada por xistosidades e veios de quartzo, com dimensões variadas, geralmente com direções discordantes aos planos das foliações (PASTANA, 1995). A Formação Jaritequara forma uma sequência metassedimentar de baixo grau metamórfico, composta de biotita-muscovita-xistos, granada-cloritoide-muscovita- biotita-xistos (ALMEIDA, 2000). A Formação Itapeva Xisto é uma sequência metasse- dimentar, formada, predominantemente, por xistos (KLEIN; LOPES, 2012). Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia Dentre as variações litológicas, é comum a existência Figura 12.109 - Rocha metapelÍtica (filito) com textura foliada, muito intemperizada, com feições de desplacamento. Rodovia MA- de conglomerados na unidade DSP2mqmtc, rochas de 307, município Centro do Guilherme (MA). comportamento geomecânico heterogêneo, geralmente 211 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO compostas de seixos de rochas à base de quartzo, por isso, endurecidas de material ferruginoso. Quando esse material bastante abrasivas, de alto grau de dureza e alta resistência mais endurecido se encontra a pouca profundidade ou em ao corte, à penetração e à escavação (necessário o uso de superfície, torna-se um limitador para utilização agrícola explosivos). Já a unidade DSP2x, composta, principalmente, do solo, pois há diminuição da permeabilidade, restrição por xistos, apresenta moderada a baixa resistência ao corte ao enraizamento das plantas e entrave ao uso de equipa- e à penetração, por conter litologias à base de minerais mentos agrícolas. micáceos isorientados, que formam muitas superfícies Apesar de a baixa fertilidade natural e a elevada planares, constituindo planos de alta fissibilidade, que de- acidez desses solos, essa unidade ambiental, quando sagregam com facilidade e permitem que fluidos percolem. não contém crosta laterítica, apresenta bom potencial Isso também favorece a que placas se soltem quando se para agricultura mecanizada, associada à aplicação de efetuam cortes desfavoráveis ao mergulho desses planos fertilizantes no solo. ou se a água da chuva escorre paralelamente a eles. Na unidade geoambiental DSP2x, assim como na Taludes de corte em relevo de colinas dissecadas e com unidade DSP2mqmtc, encontram-se solos arenossiltosos, rochas de textura foliada pouco a moderadamente alterada e imperfeitamente drenados (Plintossolos), associados às su- solos rasos (Neossolos Litólicos) apresentam alta erosividade perfícies aplainadas degradadas, além de solos argilosos, induzida e problemas geotécnicos relacionados à desestabili- com gradiente textural (Argissolos), associados a relevos zação de talude e possíveis movimentos de massa, vinculados colinosos e às superfícies aplainadas. às descontinuidades dos planos de xistosidade. Dessa forma, Os Argissolos, quando associados a relevos declivo- recomenda-se evitar traçados de estradas cujos cortes sejam sos, são muito suscetíveis à erosão, não recomendáveis concordantes ao mergulho da foliação das rochas. para agricultura, prestando-se para pastagem e reflores- Os solos residuais da unidade DSP2mqmtc são areno- tamento ou preservação da flora e fauna. Quando locali- sos e apresentam baixa coesão e instabilidade em taludes zados em áreas de relevo plano e suavemente ondulado, de corte. esses solos podem ser usados para diversas culturas, As rochas da unidade DSP2x alteram-se para solos desde que sejam feitas correções da acidez e adubação. argilosos, que, no início do processo, transformam-se em argilominerais expansivos – se submetidos à variação de grau Recursos hídricos e fontes poluidoras de umidade, sofrem o fenômeno da alternância dos estados de expansão e contração, tornando-se instáveis em talude Favorabilidade hidrogeológica bastante afetada por de corte. Formam solos aderentes e escorregadios quando processo de metamorfismo, uma vez que este provoca molhados e, quando secos, liberam partículas em suspensão. transformações químicas e físicas. Dentre essas mudanças, Assim, é desaconselhável a execução de obras de grande registra-se a diminuição de porosidade nas rochas, devido porte nos períodos chuvosos, pois haverá problemas com a terem sido submetidas ao calor e à pressão do interior da emplastamento e aderência de ferramentas e maquinários, Terra. No entanto, tais rochas apresentam falhas e fraturas além de as vias não pavimentadas se mostrarem escorrega- que constituem descontinuidades favoráveis para que as dias, enquanto se tornam, nos períodos secos, muito poei- águas circulem e se armazenem, formando aquíferos do rentas. Por outro lado, os solos, quando bem evoluídos, são tipo fissural. Por outro lado, tais descontinuidades permitem, de baixa erosividade natural e apresentam boa capacidade também, que possíveis poluentes percolem e se armazenem. de compactação e boa estabilidade em talude de corte. Além de aquíferos fissurais, esse domínio apresenta Na unidade DSP2x as rochas alteradas encontram-se espesso manto intempérico, poroso e permeável, com densamente penetradas por veios de quartzo de várias es- potencial para aquíferos livres. pessuras. A desagregação desses veios forma, em diversos locais, alta concentração de fragmentos de quartzo, carac- Potencial mineral terizado como material abrasivo e problemático para esca- vação, assim como para perfuração com sondas rotativas. Rochas pouco alteradas da unidade DSP2mqmtc e veios de quartzo apresentam potencial para brita. Agricultura Os solos pouco evoluídos de rochas filíticas e xistosas são muito micáceos e costumam ser portadores de argi- No domínio DSP2 ocorrem, predominantemente, dois lominerais expansivos. Nesse caso, erodem bastante se tipos de solos: Argissolo Vermelho Amarelo e Plintossolos expostos à concentração de águas pluviais, tornando-se (EMBRAPA, 1986). inadequados para utilização como material de emprésti- A unidade geoambiental DSP2mqmtc sustenta um mo. Mas, quando muito alterados, os solos da unidade relevo de baixas declividades e amplitudes e altera-se para DSP2x podem ser utilizados como saibro. solo imperfeitamente drenado, com manchas ou mos- queados avermelhados, ricos em ferro, ou, ainda, nódulos Potencial geoturístico ou concreções ferruginosas, extremamente duros, que formam, algumas vezes, espessas camadas contínuas e Domínio sem atrativos turísticos. 212 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS e/ou metaultramáficas (DSVP2pbu); Predomínio de me- VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS tarenitos e quartzitos com intercalações irregulares de DOBRADAS, METAMORFIZADAS DE BAIXO A metassedimentos síltico-argilosos e formações ferríferas ALTO GRAU (DSVP2) ou manganesíferas (DSVP2mqsafmg). Metarenitos feldspáticos, metarenitos, tufos e Área de Ocorrência, Elementos de metavulcânicas básicas a intermediárias (DSVP2gra- Definição e Relevo Associado tv): Sequência vulcanossedimentar com idade entre 2.148 e 2.160 Ma, depositada em ambiente de arco de ilhas, que, Domínio formado por uma variação de rochas das ao longo do tempo geológico, foi intensamente deforma- mais diversas texturas, composições e grau de deformação, da e metamorfizada, formando rochas metavulcânicas, aflorando em área aproximada de 409,50 km2 e ocupando metavulcanoclásticas e metassedimentares da Formação a porção central do município Centro Novo do Maranhão, Chega Tudo (KLEIN; MOURA, 2003), dispostas em uma centro-sul de Centro do Guilherme, sul de Maranhãozinho, faixa longitudinal de direção NW-SE e com forte presença norte de Goldofredo Viana e Luís Domingues (Figura 12.110). de xistosidade (Figura 12.111). Está representado por três unidades geológico-ambientais: Essas rochas foram intensamente erodidas e se en- Metarenitos feldspáticos, metarenitos, tufos e metavulcâ- contram morfologicamente associadas a superfícies aplai- nicas básicas a intermediárias (DSVP2gratv); Predomínio nadas, colinas amplas e suaves (Figura 12.112), com cotas de metapelitos, com intercalações de rochas metabásicas topográficas que variam de 20 a 120 m (Figura 12.113). Figura 12.111 - Rocha metamórfica muito intemperizada, com planos de xistosidade subverticais, com feições de desplacamento.Rodovia MA-307, município Centro do Guilherme (MA). Figura 12.110 - Área de ocorrência das unidades geológico-ambientais Figura 12.112 - Relevo colinoso coberto por do domínio das sequências vulcanossedimentares proterozoicas dobradas, vegetação secundária rasteira. Rodovia MA-307, metamorfizadas de baixo a alto grau (DSVP2). município Centro do Guilherme (MA). 213 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.113 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geológico-ambiental DSVP2gratv. Predomínio de metapelitos com intercalações a partir de quartzitos, xistos, filitos, metacherts e metare- de rochas metabásicas e/ou metaultramáficas (DS- nitos da Formação Ramos (Grupo Aurizona) (KLEIN et al., VP2pbu): Unidade associada a depósitos sedimentares 2008) e associada a colinas amplas e suaves com cotas de e vulcanossedimentares, com aproximadamente 2.240 até 70 m de altitude (Figura 12.115). milhões de anos, que passaram por intenso processo de deformação, originando rochas metavulcânicas ácidas Características, Adequabilidades e da Formação Pirocaua, rochas metavulcânicas básicas e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação ultrabásicas da Formação Matará e rochas metavulcânicas ácidas e básicas e rochas metassedimentares pertencentes Obras de engenharia ao Grupo Aurizona Indiviso (KLEIN et al., 2008). Terrenos constituídos por relevos com baixas declivi- Conjunto de rochas moderada a intensamente defor- dades e amplitudes e com cotas topográficas que variam madas, dobradas e tectonizadas, como xistos quartzosos entre 10 a 80 m (Figura 12.114). e carbonosos, metacherts, quartzitos, metamáficas e Predomínio de metarenitos e quartzitos com in- ultramáficas, geralmente recortadas por veios de quartzo tercalações irregulares de metassedimentos síltico- de dimensões variadas. Essas diferenças condicionam -argilosos e formações ferríferas ou manganesíferas características geotécnicas e hidráulicas, que, na maior (DSVP2mqsafmg): Unidade geológico-ambiental definida parte das vezes, mudam bruscamente de uma litologia 214 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.114 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geológico-ambiental DSVP2pbu. para outra, formando importantes descontinuidades distribuídos, blocos e matacões de rochas frescas, os quais que facilitam processos erosivos e desestabilizações em podem dificultar a execução de escavações e perfurações, taludes de corte. Tais variações favorecem a surgência de além de se movimentarem quando expostos em taludes água (nascentes) em taludes de corte, exigindo estudos de corte ou desestabilizarem obras cujas fundações se mais aprofundados sobre comportamento hidrodinâmico apoiarem parcialmente sobre eles. e tratamento de fundações, como também cuidados para Essa associação de rochas, quando não alteradas e locação de fontes potencialmente poluidoras nessas áreas sem xistosidade, apresentam algumas similaridades; den- com alta vulnerabilidade para aquíferos superficiais. tre elas, alta resistência ao corte e à penetração e baixa As rochas da unidade DSVP2mqsafmg, por serem resistência ao cisalhamento, quebrando-se com facilidade constituídas, predominantemente, por mineral de quartzo, quando submetidas a tensão, o que faz com que essas ro- são muito abrasivas e exibem moderada a alta resistência chas, geralmente, encontrem-se densamente fraturadas em ao intemperismo. Diferentemente das rochas das unidades várias direções. Em consequência, são bastante percolativas DSVP2pbu e DSVP2gratv, que possuem baixa resistência e se desestabilizam com facilidade quando escavadas e ao intemperismo químico e se alteram de forma bastante expostas em talude de corte (soltam blocos condicionados diferenciada; são terrenos onde a profundidade do subs- pelos planos de fraturas). trato rochoso é bastante irregular e, mesmo onde os solos Esse domínio, assim como a unidade DSP2x (Predo- são profundos e bem evoluídos, pode haver, aleatoriamente mínio de metassedimentos síltico-argilosos, representados 215 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.115 - Hipsometria e forma de relevo associada à unidade geológico-ambiental DSVP2mqsafmg. por xistos), do domínio das sequências sedimentares pro- quartzosa, apresentam baixa resistência para escavações terozoicas dobradas, metamorfizadas de baixo a alto grau e baixo potencial de movimentos naturais de massa e (DSP2), também apresenta rochas com xistosidade, ou seja, erosão hídrica. Além de morfologias suavemente ondula- litótipos com presença de planos potenciais de instabilidade das, algumas áreas dessa unidade apresentam relevo com mesmo quando a rocha não está alterada. Tais superfícies declividade relativamente acentuada (colinas dissecadas), podem se tornar caminhos preferenciais de percolação da com potencial para escoamento superficial rápido, de água, gerando grande perda de resistência. moderado potencial de erosão hídrica e de movimentos Esse domínio sustenta relevos de baixas declividades e naturais de massa. amplitudes (superfície aplainada degradada, colinas amplas Algumas particularidades são observadas quanto à e suaves), que favorecem o processo de pedogênese sobre alteração das rochas metabásicas e metaultramáficas das a morfogênese, gerando um manto de alteração profundo unidades DSVP2pbu e DSVP2gratv, as quais se alteram e solos lixiviados, empobrecidos em nutrientes naturais, para solos argilosos, que, no início do processo de intem- tais como solos profundos arenoargilosos (Latossolos) ou perismo, transformam-se em argilominerais expansivos, cascalhentos ou pedregosos (Plintossolos Pétricos) e/ ou que, se submetidos à variação de grau de umidade, sofrem com gradientes texturais entre os horizontes superficial o fenômeno da alternância dos estados de expansão e e subsuperficial (Argissolos), com boa capacidade de contração, com alto potencial erosivo. Formam solos al- compactação e suporte; desde que não exista cobertura tamente plásticos, escorregadios quando molhados e de 216 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO baixa resistência à compressão. Por outro lado, os solos, Em caso de haver aquíferos fissurais, estes são passí- quando bem evoluídos, são de baixa erosividade natural e veis de contaminação, pois apresentaram fraturas e falhas apresentam boa capacidade de compactação e boa esta- conectadas e abertas, que possibilitam a percolação de bilidade em talude de corte. poluentes. Já os quartzitos da unidade DSVP2mqsafmg formam solos residuais arenosos e arenossiltosos, com baixa coesão Potencial mineral e instabilidade em taludes de corte. As unidades geoambientais DSVP2mqsafmg e DS- Agricultura VP2pbu possuem potencial para brita, quando não estão alteradas, e exploração de cascalho, quando alteradas. As rochas da unidade DSVP2mqsafmg alteram para so- A unidade DSVP2pbu, por apresentar sequência de los arenoquartzosos, liberando poucos nutrientes; por isso, rochas metavulcânicas félsicas, intermediárias e máficas, os solos residuais são de baixa fertilidade natural, ácidos associadas a rochas tufáceas, intercaladas com rochas e friáveis. Já as rochas metamáficas e metaultramáficas da metassedimentares (Figura 12.116) e cortadas por veios unidade DSVP2pbu, intercaladas verticalmente com rochas de quartzo, constitui-se em importante hospedeira de metapelíticas e metareníticas, por apresentarem baixa resis- mineralizações auríferas (KLEIN; LOPES, 2011; KLEIN; tência ao intemperismo físico-químico e possuírem textura SOUSA, 2012), assim como as rochas vulcanossedimen- fina, formam solos argilosos e síltico-argilosos pouco per- tares ricas em sulfetos e muitos alteradas hidrotermal- meáveis, com boa capacidade de reter nutrientes e assimilar mente também têm potencial pra mineralizações de matéria orgânica. Tais características favorecem a que o solo ouro (Figura 12.117). responda bem à adubação e possua capacidade hídrica Ocorrência de fosfato supergênico (KLEIN et al., 2008), favorável à agricultura. Por outro lado, quando molhados, com bom potencial para insumos agrícolas na porção norte os solos de rochas metabásicas são bastante aderentes e da unidade geológico-ambiental DSVP2pbu, no município pegajosos; por isso, podem se tornar problemáticos para Goldofredo Viana. mecanização em períodos chuvosos, devido à aderência nos maquinários e equipamentos; quando secos, entram facilmente em suspensão, levantando muita poeira durante o processo de aragem. As áreas com declividades baixas e amplitudes su- avizadas, com baixo potencial de erosão hídrica, sem pedregosidade e sem cobertura laterítica endurecida, não oferecem impedimentos ao uso de implementos agrícolas motorizados; portanto, os solos corretamente adubados apresentam aptidão agrícola regular para lavouras de ciclo curto e/ou longo e aptidão boa a restrita para pastagem plantada. Recursos hídricos e fontes poluidoras Domínio formado por rochas pouco permeáveis, que armazenam água, mas quase não a disponibilizam para circulação, ou seja, são terrenos de baixo potencial armazenador e circulador de água subterrânea, de baixo potencial para aquíferos porosos. Entretanto, têm poten- cial para aquíferos fissurais, relacionados a armadilhas e barreiras hidrogeológicas, associadas à mudança abrupta entre litologias de características hidrodinâmicas distintas e às descontinuidades estruturais (falhas e fraturas), que apresentam potencial de explotação bastante irregular, ou seja, uma área pode estar fraturada, mas não conter conectividade entre elas, enquanto poços locados podem apresentar baixas vazões ou estarem secos. Já áreas pouco fraturadas podem conter descontinuidades conectadas e abertas, com alto potencial para poços com ótimas vazões. Além de aquíferos fissurais, pode haver aquíferos poro- Figura 12.116 - Garimpo de ouro em rocha metarenítica e sos relacionados ao profundo manto de alteração das rochas. matatufo. Município Centro do Guilherme (MA). 217 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Carutapera, centro e sudoeste de Goldofredo Viana, sul de Luís Domingues e nordeste de Turiaçu (Figura 12.118). Geologicamente, essa unidade está associada às rochas isótropas, que não apresentam grandes feições deformacionais; mas, por vezes, podem conter orientação mineral de fluxo magmático, como a Suíte Tromaí, granitos Moça e Negra Velha e o Granófiro Piaba. A Suíte Tromaí é constituída por tonalitos, trondhje- mitos, granodioritos (TTG), granitos, quartzoandesitos, riolitos e dacito relacionados a arcos vulcânicos e zonas de subducção e/ou ambientes pós-colisionais de orogêneses fanerozoicas (KLEIN; MOURA, 2003). O Granófiro Piaba é um granitoide fino, com composição granodiorítica a to- nalítica, que intrude e assimila, parcialmente, a sequência metavulcanossedimentar encaixante (Grupo Aurizona) (KLEIN et al., 2008). O Granito Negra Velha apresenta Figura 12.117 - Mina a céu aberto de ouro. Mina Luna Gold textura porfirítica de granulação média a grossa, com Mineração. Município Godolfredo Viana (MA). fenocristais de feldspato alcalino, onde predomina monzo- granito, ocorrendo também sienogranito e quartzomon- zonito (KLEIN et al., 2008). O Granito Moça é composto Potencial geoturístico por sienogranito e monzogranito (KLEIN; LOPES, 2012). Esse complexo de rochas e solos residuais sustenta dois Potencial geoturístico relacionado às minas abertas de principais tipos de relevo (Figura 12.119): colinas amplas e ouro, que exibem rochas máficas e ultramáficas intensamente superfícies aplainadas degradadas (Figura 12.120). Mas, em deformadas e altamente intemperizadas, cortadas por espes- escala de maior detalhe, será possível identificar relevos sos veios de quartzo, como também às corredeiras formadas com declividades e amplitudes um pouco mais acentuadas, pela passagem do rio Gurupi sobre as rochas desse domínio. como colinas dissecadas. DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES NÃO DEFORMADOS (DCGR1)/DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES DEFORMADOS (DCGR2) Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado Domínios compostos por rochas ígneas intrusivas de diferentes composições químicas e mineralógicas, formadas por meio de resfriamento e solidificação lenta de material derretido (magma). Esse processo ocorreu a grandes profundidades, há cerca de dois bilhões de anos (Éon Proterozoico). Devido a processos tectônicos, tais rochas foram alçadas até a superfície terrestre, sendo diferenciadas em duas unidades geológico-ambientais: Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas (DCGR1salc) (não deformadas); Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas (DCGR2salc) (deformadas). Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas (não deformadas) (DCGR1salc): Unidade geológico-ambiental com extensão geográfica de 2.998,16 km2, distribuída no noroeste do mu- nicípio Centro Novo do Maranhão, sudoeste de Maranhão- zinho, porção central do município Centro do Guilherme, norte de Boa Vista do Gurupi, oeste de Amapá do Maranhão, Figura 12.118 - Área de ocorrência da unidade geoambiental do centro e norte de Cândido Mendes, 85% do município de domínio dos complexos granitoides não deformados (DCGR1). 218 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.119 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geológico-ambiental DCGR1salc. Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas (DCGR2salc) (deformadas): Unidade geológico-ambiental com área aproximada de 171,14 km2, encontrada na porção oeste do município Centro Novo do Maranhão, porção leste de Luís Domingues, norte de Axixá e leste de Bacabeira e Rosário (Figura 12.121). Correspondem, geologicamente, a três tipos de rochas plutônicas: Suíte Rosário, Microtonalito Garimpo Caxias e Granito Maria Suprema. A Suíte Rosário contém rochas com textura original granular parcialmente preservada, formada predominante- mente por tonalitos e granodioritos (Figura 12.122) e, em proporções menores, quartzodioritos, monzogranitos e Foto 12.120 - Superfície aplainada degradada, coberta por leucotonalitos, que estão recortados por veios de pegma- vegetação de babaçu, sustentada por solo arenoargiloso. Nesse terreno foi instalada a rodovia MA-301, bem como depósito titos e aplitos. Na maior parte dessas rochas observam-se irregular de lixo. Município Godofredo Viana (MA). foliações e bandamentos (Figura 12.123) causados por 219 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO deformações, que imprimiram metamorfïsmo em condi- feldspatos, biotita e muscovita, além de zircão, apatita e ções de fácies xisto-verde (metamorfïsmo hidrotermal de ocasional andaluzita. Encontra-se milonitizada, com aspec- cisalhamento) (GORAYEB et al., 1999). to xistoso a gnaissico, gerado por fusão parcial de rochas A unidade geológica Garimpo Caxias caracteriza-se mais antigas (PASTANA, 1995). por um microtonalito equigranular, maciço e composto Ainda que essa unidade apresente rochas defor- por plagioclásio, quartzo, raro feldspato potássico e biotita. madas, estas se encontram sob as mesmas condições Rocha com feições de orientação dos minerais localizada, climáticas e intempéricas que as da unidade DCGR1; principalmente, nas zonas de cisalhamento (KLEIN et al., portanto, intemperizam-se e erodem de forma bastante 2002). similar, formando relevos em formas suavemente on- A unidade geológica Maria Suprema corresponde a duladas, como colinas amplas e superfícies aplainadas um corpo alongado de leucogranito composto por quartzo, (Figura 12.124). Figura 12.121 - Área de ocorrência da unidade geológico-ambiental do domínio dos complexos granitoides deformados (DCGR2). Figura 12.123 - Granodiorito deformado. Pedreira São Luís. Figura 12.122 - Granodiorito. Rodovia MA-110, município Axixá (MA). Município Rosário (MA). 220 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.124 - Formas de relevo associadas à unidade-geológico-ambiental DCGR2salc. Características, Adequabilidades e com baixa resistência química e vesículas preenchidas por Limitações Frente ao Uso e à Ocupação minerais plásticos ou expansíveis. Tais condicionantes são ainda maiores nas rochas Obras de engenharia granitoides deformadas (DCGR2salc), pois, além das des- continuidades estruturais (falhas e fraturas), apresentam Granitos, granodioritos e tonalitos pouco a mode- descontinuidades geomecânicas e hidráulicas relaciona- radamente fraturados, com baixa porosidade primária, das aos planos de foliação das rochas e veios de quartzo moderada porosidade secundária (fraturas), baixa permea- que as cortam (Figura 12.126); quando associadas a solos bilidade, alto grau de coesão e coerência, alta estabilidade residuais rasos, podem condicionar acidentes geotécnicos geotécnica e alta resistência ao intemperismo, ao corte e nos taludes de corte. à penetração, boa capacidade de suporte e adequados Litótipos que formam solos residuais, com textura para uso em fundações e como agregados para concreto. argilo-síltico-arenosa. Quando pouco evoluídos, são de alta No entanto, essa alta resistência ao corte condiciona que erosividade e se desestabilizam com facilidade em taludes explosivos sejam utilizados no caso de desmonte. de corte (Figura 12.127). Por isso, no caso de obras que en- Esse conjunto de rochas, quando possuem muitas des- volvam escavações, é importante evitar deixá-los expostos continuidades estruturais (falhas e fraturas com ângulos e à erosão. Já os solos bem evoluídos, por terem textura à mergulhos diferenciados), tem facilitados o desprendimento base de argila, tornam-se moderadamente permeáveis e e a desestabilização de blocos em taludes de corte. Tal fato, plásticos, apresentam boa capacidade de compactação e somado à alteração diferenciada dessas rochas, possibilita são mais estáveis em talude de corte (Figura 12.128). que blocos rochosos sejam encontrados espaçadamente em Áreas com predomínio de rochas graníticas quartzo- meio ao solo (Figura 12.125), dificultando a execução de es- feldspáticas, que, sob altas precipitações e temperatura e cavações e perfurações, que, dependendo da profundidade, relevos suavemente ondulados se apresentam muito alte- podem atingir a rocha. Tal instabilidade pode gerar problemas radas, formando saprólitos arenoargilosos, pouco coesos geotécnicos, pois fundações parcialmente apoiadas sobre (Figura 12.129) em talude de cortes mais declivosos e sem esses blocos são passíveis de sofrer desestabilização. Dessa vegetação, podem apresentar feições erosivas. forma, torna-se necessária a realização de estudos geotéc- As áreas com rochas muito alteradas e em relevo de nicos antes da realização de grandes obras de engenharia. declividade moderada (colinas dissecadas) propiciam es- Obras sobre rochas não deformadas, isotrópicas, com coamento superficial rápido, potencializando movimentos textura porfirítica, devem ser locadas com certos cuidados, naturais de massa e erosão. Portanto, é necessário preservar pois tais rochas podem conter porfiroblastos de minerais as áreas mais declivosas. 221 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.128 - Saprólito de rocha granítica e solo muito oxidado, imperfeitamente drenado (Plintossolo), sustentando relevo de Figura 12.125 - Blocos e lajedos de rocha granítica. colinas. Rodovia MA-206, município Carutapera (MA). Rodovia MA-206, município Carutapera (MA). Figura 12.126 - Saprólito de rocha ígnea (granito), composto por fraturas preenchidas de quartzo. Rodovia MA-206, município Amapá do Maranhão (MA). Figura 12.129 - Saprólito de rocha granítica.Rodovia MA-206, município Carutapera (MA). Agricultura Domínio em que prevalecem formas de relevo com baixas declividade e amplitude (superfícies aplainadas e colinas amplas e suaves), nos quais predominam processos de pedogênese sobre morfogênese, formando manto de alteração profundo, solos lixiviados, empobrecidos em nutrientes naturais, de drenagem imperfeita (Plintossolos) Figura 12.127 - Granodiorito alterado e solo residual. e bem drenados (Latossolos e Argissolos). Esses solos, Rodovia MA-110, município Axixá (MA). condicionados à aplicação de corretivos e fertilizantes, 222 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO mostram aptidão agrícola regular para lavouras de ciclo curto e/ou longo e aptidão boa a restrita para pastagem plantada, assim como aptidão boa, regular ou restrita para silvicultura e/ou pastagem natural. Além desses solos, ocor- rem, localizadamente, solos pedregosos e rasos (Neossolos Litólicos), inaptos para a agricultura. Recursos hídricos e fontes poluidoras Favorabilidade hidrogeológica variável, relacionada a reservatórios do tipo fissural, que apresentam potencial bastante irregular, pois dependem da densidade e da inter- conexão de falhas e fraturas abertas para que a água per- cole e se acumule, ou seja, em determinado local, um poço pode ter boa vazão, mas, nas imediações, outro poço, de mesma profundidade, pode se apresentar seco. Portanto, Figura 12.131 - Solo arenoargiloso utilizado como material direto são necessários estudos de detalhe (geofísicos e estruturais) na construção civil. Rodovia MA-301,município Goldofredo Viana para seleção de locais para perfuração de poços. (MA). A água subterrânea existente ao longo dessas fraturas apresenta vulnerabilidade variável. Quando estão cobertas Algumas porções da Suíte Intrusiva Tromaí estão cor- por solo poroso e permeável (Latossolos), a vulnerabilidade tadas por veios de quartzo, com presença de ouro (KLEIN à contaminação é moderada, mas, quando recobertas por et al., 2008). solos argilosos e espessos, apresentam baixa vulnerabili- Potencial para mineralização de titânio representa- dade, pois tais solos funcionam como manto depurador do por ilmenita encontrada em sedimentos aluvionares dos aquíferos. depositados pelas drenagens que cortam as rochas dessa Há, também, potencial para aquíferos porosos su- unidade (COSTA et al., 1977). perficiais, relacionados ao manto de intemperismo dessas Domínio com potencial para mineralizações de ouro, rochas, uma vez que elas se encontram sob padrões de sendo o Granófiro Piaba o principal hospedeiro desse bem relevo favoráveis à retenção de água. mineral. Potencial mineral Potencial geoturístico Rochas com características mineralógicas, texturais, Na porção noroeste do estado, as rochas dessa tonalidades e formas de afloramento adequadas para serem unidade são cortadas pelo rio Gurupi, formando belas explotadas como brita (Figura 12.130) e rocha ornamental, corredeiras na região. assim como saprólitos e solos residuais, que podem ser utilizados como saibro (Figura 12.131). DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GNÁISSICO- MIGMATÍTICOS E GRANULÍTICOS (DCGMGL) Área de Ocorrência, Elementos de Definição e Relevo Associado Terreno formado por rochas metamórficas muito an- tigas (proterozoicas), oriundas da transformação de rochas preexistentes (ígneas, sedimentares ou metamórficas), que, sob condições de alta temperatura, pressão, ação de fluidos circulantes e grandes profundidades, foram deformadas, alterando sua textura e constituição mineralógica (NEL- SON, 2003; USGS, 2004). Em algumas áreas, observam-se rochas migmatíticas, que, além de sofrerem alterações nas condições físico-químicas e parte do material ter sofrido fusão, ao longo da história geológica passaram por vários eventos tectônicos deformativos de caráter compressivo. Devido à variedade litológica e textural desse domínio, Figura 12.130 - Vista parcial da pedreira São Luís. ele foi diferenciado em três unidades geológico-ambientais: Município Rosário (MA). Predomínio de gnaisses paraderivados. Podem conter por- 223 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO formando rochas metamórficas na fácies anfibolito, como gnaisses kinzigíticos e xistos feldspáticos (PASTANA, 1995). São rochas marcadas por foliação milonítica gnáissica, onde a orientação mineralógica e estrutural é controlada por planos de cisalhamento. Apresentam relevo de baixa declividade (0% a 5%) e formas muito suavizadas, como superfícies aplainadas, sob cotas de 35 a 65 m, e amplitudes de 10 a 30 m. A unidade geológico-ambiental Anf ibolitos (DCGMGLaf) está representada por duas pequenas áreas alinhadas na direção NW-SE, que, juntas, perfazem cerca de 1,55 km2, localizadas na porção norte do município Centro Novo do Maranhão. Associam-se à unidade geológica Anfibolito Cocal, caracterizado por rochas ígneas básicas (basalto ou gabro), que sofreram metamorfismo e se transformaram em anfibolito (KLEIN; LOPES, 2012). Esses pequenos corpos rochosos, assim como a unidade DCGMGLgnp, relacionam-se a relevos suavizados, como as superfícies aplainadas, sob cotas que variam de 45 a 70 m. Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação Obras de engenharia Figura 12.132 - Área de ocorrência das unidades geológico- Domínio composto por grande variedade de litó- ambientais do domínio dos complexos gnáissico-migmatíticos tipos. Quando pouco alterados e pouco fraturados, e granulíticos (DCGMGL). apresentam-se coesos, com elevada dureza e alta resistência ao corte, necessitando de explosivos para o seu desmonte, ções migmatíticas (DCGMGLgnp); Migmatitos indiferencia- principalmente as rochas quartzíticas da unidade DCGMGLg- dos (DCGMGLmgi); Anfibolitos (DCGMGLaf), localizados no np, que possuem baixa resistência ao cisalhamento e são extremo noroeste do estado (Figura 12.132). muito abrasivas, oferecendo dificuldades a escavações e per- A unidade geológico-ambiental Migmatitos indiferen- furações, inclusive com desgaste das brocas dos maquinários. ciados (DCGMGLmgi) distribui-se em uma área de 282,84 No entanto, essas rochas, por sustentarem relevo de baixas km2, em forma alongada na direção NW-SE, abrangendo amplitudes e declividades, favorecem a que processos de parte do nordeste do estado do Pará. No estado do Ma- alteração físico-química atuem na rocha, formando manto ranhão, encontra-se na porção norte do município Centro de intemperismo profundo, com moderada a baixa resis- Novo do Maranhão e sudoeste do município Centro do Gui- tência ao corte e à penetração, facilitando a escavabilidade. lherme. Geologicamente, associa-se ao Complexo Itapeva, Rochas portadoras de muitas superfícies planares, caracterizado por gnaisses tonalíticos de fácies anfibolito, como foliações e acamadamentos, assim como presença foliados e bandados, com localizada migmatização (KLEIN, de descontinuidades em várias direções e com ângulos 2004). Esse complexo de rochas alteradas e solos residu- de mergulho diversos, que favorecem quedas de blocos e ais sustenta relevos em formas suavemente onduladas, instabilização em taludes de corte, principalmente quando como superfícies aplainadas e colinas amplas, dispostas, as rochas se encontram alteradas. predominantemente, sob a cota 60 a 65 m. No entanto, Rochas com muitas anisotropias e características tex- encontram-se superfícies aplainadas sob cotas mais baixas, turais e mineralógicas contrastantes, fator que reflete na na fronteira com o estado do Pará, e colinas que atingem variação de seu comportamento geomecânico e hidráulico, cotas acima de 100 m no noroeste dessa unidade. que pode variar tanto em profundidade como lateralmen- A unidade geológico-ambiental Predomínio de gnais- te, em função das estruturas presentes e da composição ses paraderivados. Podem conter porções migmatíticas mineralógica das zonas dobradas nos gnaisses. (DCGMGLgnp) apresenta área de 2,42 km2 e, assim como Complexa associação de corpos rochosos que se a unidade DCGMGLmgi, localiza-se entre o estado do Pará intemperizam de modo bastante heterogêneo e dife- e o extremo noroeste do estado do Maranhão. renciado. Por isso, a profundidade do substrato rochoso Associa-se à formação geológica Marajupema, repre- costuma ser bastante irregular. Em muitos locais, pode sentada por uma sequência de rochas originalmente sedi- haver, lado a lado, materiais com os mais variados graus mentares que sofreram intenso processo de deformação, de alteração e resistência ao corte e à penetração. Mesmo 224 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.133 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geológico-ambiental DCGMGLmgi. nos terrenos onde os solos são profundos e bem evoluí- A unidade geológico-ambiental DCGMGLaf, por ser dos, como é de se esperar nas áreas de relevo de colinas formada por rochas ígneas básicas, que sofreram metamor- amplas e suaves e de superfícies aplainadas, é grande a fismo e se transformaram em anfibolito, alteram-se para possibilidade de haver, mergulhados no solo, blocos e solos argilossiltosos, bastante aderentes e pegajosos quando matacões isolados ou concentrados de rochas frescas, o molhados; quando secos, mantêm partículas em suspensão. que pode dificultar e/ou encarecer a execução de esca- Por isso, não se recomenda iniciar grandes obras nos perío- vações e perfurações, bem como causar problemas de dos chuvosos, devido a problemas com emplastamento de desestabilização de obras se as fundações se apoiarem maquinários e ferramentas, assim como as vias não pavimen- parcialmente sobre eles. tadas tornam-se muito escorregadias. Já nos períodos secos, Em razão do intemperismo diferenciado, os solos, se o problema maior é com a formação de poeira. pedogeneticamente pouco evoluídos, são bastante erosi- vos, desestabilizam-se com facilidade em taludes de corte Agricultura e se tornam bastante erosivos se expostos à concentração de águas pluviais. A ação das águas sobre esse material As unidades DCGMGLmgi e DCGMGLgnp alteram- pode produzir focos erosivos tão grandes quanto os que se de modo bastante diferenciado, onde a espessura, as se desenvolvem em áreas arenosas. características físico-químicas e a qualidade agrícola dos 225 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 12.134 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geológico-ambiental DCGMGLgnp. solos residuais podem variar e contrastar bastante de região Recursos hídricos e fontes poluidoras para região. Portanto, pode-se encontrar pedregosidade e rochosidade associadas a solos rasos (Neossolos Domínio formado por rochas com baixíssima porosida- Litólicos), assim como solos espessos e arenoargilosos de primária e permeabilidade, com inexistência de aquíferos (Latossolos), além de solos argilosos com gradientes porosos, mas com favorabilidade hidrogeológica para aquí- texturais (Argissolos), que, quando adubados, aumentam feros fissurais relacionados à presença de falhas, fraturas e seu potencial para a agricultura, e solos imperfeitamente outras descontinuidades estruturais. Nesse tipo de aquífero, drenados (Plintossolos). Esses solos apresentam restrita o potencial para explotação de águas subterrâneas é local e aptidão para lavouras de ciclo curto e/ou longo, mas são bastante irregular, pois a captação de água dependerá de favoráveis para mecanização agrícola. se o poço cruzar uma área com fraturas interconectadas e A unidade geológico-ambiental DCGMGLaf altera- abertas que possam armazenar e circular a água. Por isso, se para solos argilosos, de baixa permeabilidade e com é muito comum que, nesse tipo de aquífero, mesmo em boa capacidade de reter elementos. Isso significa que, regiões chuvosas, um poço dê excelente vazão, enquanto quando adubados, retêm e fixam bem os nutrientes, outro, nas imediações, seja seco. apresentam boa capacidade de armazenar água, ou seja, O material de alteração das rochas desse domínio possui mantêm boa disponibilidade de água para as plantas potencial armazenador e circulador de água subterrânea. por longo tempo. Portanto, onde o manto de alteração é espesso e pouco 226 GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E À OCUPAÇÃO Figura 12.135 - Hipsometria e formas de relevo associadas à unidade geológico-ambiental DCGMGLaf. argiloso, pode haver um bom aquífero superficial, de fácil Pará e Maranhão). Essa deficiência hidrológica pode estar explotação e baixo custo. Mas, se o manto de alteração for relacionada ao relevo pouco declivoso e à moderada a alta argiloso, essa potencialidade diminui, pois essa textura desfa- porosidade dos solos residuais, que permitem que a água vorece a permeabilidade e a recarga das águas subterrâneas. pluvial se infiltre nesses terrenos. As áreas com potencial aquífero fissural apresentam vulnerabilidade ambiental variável, pois, se não estiverem Potencial mineral cobertas por manto de intemperismo, estarão livres para que qualquer fluido contaminador se infiltre, caracterizando-se Presença de blocos rochosos com características fa- como área de alta vulnerabilidade. Mas, caso haja uma espessa voráveis para brita. Já as porções de rocha alterada podem camada de solo argiloso ou argilossiltoso, essa vulnerabilidade ser utilizadas como saibro. será baixa, pois esse material, naturalmente pouco permeável, Na porção oeste da unidade DCGMGLmgi, há ocor- funcionará como manto depurador e dificultará que possíveis rência de ouro aluvionar (PASTANA, 1995). contaminantes se infiltrem e afetem esses aquíferos. Ainda que esse domínio se localize em área com preci- Potencial geoturístico pitações médias anuais entre 1.800 e 2.200 (CPRM, 2011), ele possui baixa rede de drenagem, sendo cortado apenas Esse domínio pode conter potencial geoturístico rela- pelo rio Gurupi (rio interestadual, que separa os estados do cionado às corredeiras no rio Gurupi. 227 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO REFERÊNCIAS Agroambientes de transição: entre o trópico úmido e semiárido maranhense. São Luís: UEMA, 2006. (Série ALBUQUERQUE, J.M. Níveis de preparo e de Agroecologia, v. 1). p. 61-88. cobertura entre aleias de gandu com milho, com alternativas de melhoramento da qualidade física GÓES, A.M. A formação Poti (Carbonífero inferior) e do uso intensivo de um argissol da formação da bacia do Parnaíba. 1995. 171 f. Tese (Doutorado) – Itapecuru-MA. 1999. 66 f. Dissertação (Mestrado em Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995. Agroecologia) – Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, 1999. 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Acesso em: 15 fev. 2012. 230 13 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO Valter José Marques (valter.marques@cprm.gov.br) Suely Serfaty Marques (suely.marques@cprm.gov.br) CPRM – Serviço Geológico do Brasil SUMÁRIO Contextualização ................................................................................................233 Revisão da Literatura ...........................................................................................233 Cenários ..........................................................................................................233 Visão sistêmica .............................................................................................233 Tipologia: tipos de cenários ..........................................................................233 Objetivos e aplicação dos cenários .............................................................. 234 Escopo e métodos ....................................................................................... 234 Dinâmica do Meio Ambiente ..............................................................................235 Introdução .......................................................................................................235 Objetivos ..........................................................................................................235 Material e Métodos ..........................................................................................235 Usos do Território ............................................................................................235 Agronegócio .................................................................................................235 Pecuária e piscicultura ................................................................................. 236 Turismo .........................................................................................................237 Geoecoturismo .............................................................................................237 Madeira ........................................................................................................237 Minerometalurgia ........................................................................................ 238 Mineração e recursos minerais .................................................................... 238 Usos dos Recursos Naturais ............................................................................ 239 Água subterrânea: exploração e proteção ................................................... 239 Gestão das águas superficiais .......................................................................241 Suscetibilidade a riscos geológicos ...............................................................241 Restrições e Limitações Ambientais: Zoneamento Ecológico-Econômico ........242 Mudanças Climáticas .......................................................................................243 Resultados e Discussões ...................................................................................243 Vetores econômicos ......................................................................................243 Vetores ambientais ...................................................................................... 244 Zoneografia dos impactos previsíveis (cenário tendencial) .......................... 244 Cenários da Geodiversidade ............................................................................... 246 Variáveis (Elementos) Determinantes .............................................................. 246 Infraestrutura................................................................................................247 Distritos industriais existentes ......................................................................247 Distritos industriais projetados .....................................................................247 Estudos Anteriores ........................................................................................247 Condicionantes ................................................................................................247 Zoneamento ecológico-econômico ..............................................................247 Elementos Constantes: Perspectivas de Sociedade .......................................249 Fatores Emergentes .........................................................................................249 Elementos factuais ........................................................................................250 Mudanças Incertas ...........................................................................................253 Hipóteses (Futuros Alternativos) ..................................................................... 254 Incertezas críticas ........................................................................................ 254 Planejamento Estratégico: Elementos de Análise ............................................ 254 Referências ..........................................................................................................255 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO CONTEXTUALIZAÇÃO Neste trabalho, adotou-se a visão de Godet (1985), de que “cenários são configurações de imagens do futuro, de- Os fenômenos geológicos ocorridos especialmente no senhadas com base em jogos coerentes de hipóteses sobre o Quaternário e sua influência sobre as sociedades humanas, desempenho de variáveis centrais que determinam o objeto”. quanto ao seu desenvolvimento, é assunto essencial na adoção de políticas e práticas voltadas para a sustentabi- Visão sistêmica lidade econômica, social e ambiental. No século XVIII, devido ao Renascimento, à Revolução Como premissa, as análises territoriais deverão abordar Industrial e ao surgimento da ciência econômica, idealizou- as interações e resultantes dos múltiplos e complexos siste- se que o futuro das sociedades poderia ser construído mas. Cada sistema ou subsistema constitui-se de variáveis por meio de modelos políticos e econômicos. Assim, por que se dividem em fatores estruturantes e processos. São mais de dois séculos imaginou-se ser possível determinar fatores estruturantes, dentre outros, os recursos naturais, o futuro por meio de formas de governo e gerenciamento como o clima e as habilidades ou deficiências sociais. Os que direcionassem a um cenário desejável, caracterizado processos, por sua vez, referem-se a mudanças climáticas, por crescimento econômico, diminuição da pobreza e sociais ou tecnológicas, de forma a condicionar o futuro conforto coletivo. Contudo, após as duas grandes guerras do território entendido como espaço geográfico construí- do século XX, constatou-se que não bastaria planejar o do. Para fins analíticos, devem-se considerar as mudanças futuro, pois dele dependeria o equilíbrio dos interesses quanto ao seu grau de incerteza, intensidade e pertinência. distintos e conflitantes, já que havia diversos atores sociais e Assim, condicionantes invariantes representam pequenas econômicos em níveis que se estendiam do local ao mundial. incertezas; quando a incerteza é grande, os condicionan- As sociedades e suas civilizações dependem do meio tes são denominados “fatos portadores de futuro”, cujo físico-biótico do território, porém, seu desenvolvimento desdobramento é desconhecido, apesar de relevante. causa impactos ao meio ambiente. Desse modo, a avaliação Classificam-se as variáveis que configuram um sistema dos recursos naturais e a capacidade de suporte ambiental territorial segundo o seu caráter endógeno ou exógeno, não são suficientes para que se façam estudos sobre sus- dependendo da origem do poder decisório. Entrementes, tentabilidade. Há de se aliar vontade e necessidades hu- embora haja situações ambíguas, a análise trará melhor manas, materiais, mentais e espirituais, assunto abordado entendimento da dinâmica dos fatos que poderão ocorrer. pela Neuroeconomia – campo interdisciplinar que busca explicar as decisões humanas, isto é, a habilidade de fazer Tipologia: tipos de cenários escolhas em processos com múltiplas alternativas, o que aporta novas luzes com respeito ao necessário e ao possível Admitem-se duas grandes classes de cenários: norma- no que tange ao desenvolvimento sustentável. tivos e exploratórios, sendo que a segunda classe compre- Graças ao surgimento de novas abordagens interdis- ende subdivisões (Figura 13.1). ciplinares nos campos da Biologia, Neurologia e Economia, Os cenários normativos configuram futuros desejados, foi possível a criação de ferramentas capazes de representar exprimindo sempre a vontade ou o compromisso de um seus planos de rebatimento – destacando-se o que se con- ator ou de uma coalizão específica de atores em relação a vencionou denominar Cenários ou Cenários Prospectivos certos objetivos ou projetos. Sua lógica de construção se Futuros – assunto objeto deste capítulo. baseia na determinação do futuro desejado e na posterior definição de como alcançá-lo a partir de uma situação atual. REVISÃO DA LITERATURA Os cenários exploratórios trabalham com probabilida- des de futuros possíveis. Do ponto de vista de sua utilização, Cenários permitem configurar os cenários mais prováveis, sendo Cenários anteveem fatos alternativos que poderão ocorrer em um dado sistema e que transformarão a cena atual (diagnosticada) em um novo estado de coisas. São alicerçados por informações científicas e aplicação de técnicas bem conhecidas e descritas, conjugadas por meio de processo testado e bem definido. Quanto à abordagem (processo), os cenários dividem-se em normativos e exploratórios ou prospectivos. Os cenários prospectivos (múlti- plos) são os mais recomendados, haja vista a compreensão mundial adquirida (“aldeia glo- bal”), sobremaneira com a invenção da Internet. Figura 13.1 - Tipologia dos cenários. 233 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO imprescindíveis ao planejamento regional, já que norteiam metodologia e recomendações adotadas para cenarização as ações sub-regionais e locais. dos territórios visualizados pelo Zoneamento Ecológico- Ao final da elaboração dos “cenários exploratórios”, Econômico do Brasil – ZEE Brasil. O Consórcio ZEE Brasil, o melhor cenário possível acaba sendo adotado como um coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), por cenário normativo a ser perseguido. intermédio da CPRM/SGB, desempenhou papel de liderança Devem-se, ainda, distinguir três níveis de abrangência: na agregação de técnicas de planejamento estratégico, via (a) macro: cenários mundiais, nacionais ou regionais; (b) in- cenários, para a metodologia do ZEE. No período de 2006 a termediário ou setorial: cenários de segmentos ou ambiente 2009, os autores deste capítulo, por meio de convênio entre de negócios específicos; (c) micro: cenários focalizados em o estado do Maranhão e o Ministério do Meio Ambiente, decisões ou decisões estratégicas corporativas. desenvolveram trabalhos objetivando inserir a cenarização no Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do referido Objetivos e aplicação dos cenários estado. Para tanto, realizaram-se oficinas e treinamento on-the-job, a partir dos quais se estabeleceram estreitas Dentre os principais objetivos dos estudos de cenari- e profícuas relações profissionais com pesquisadores e zação, destacam-se: técnicos da comunidade estadual, especialmente com - Estabelecimento de limites de exploração susten- pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão tável. (UEMA) e técnicos de diversas secretarias de Estado. - Custos e benefícios da exploração econômica. A abordagem enfocada na geodiversidade refere-se - Cruzamento dos impactos. a recursos “não vivos”, analisando sua relação com os - Precondicionantes de políticas públicas. demais componentes ambientais. Os debates ocorridos - Sugestão de medidas preventivas, corretivas e durante as oficinas encontram-se subjacentes em algumas mitigatórias. das construções ora apresentadas. - Atuação como instrumento democrático para for- Um sumário metodológico dos possíveis cenários mulação de pactos sociais entre diversos agentes atinentes aos recursos da geodiversidade do estado do públicos e atores sociais. Maranhão é apresentado na Figura 13.2. A gestão territorial encontra-se no impasse carac- Tendo como estratégia estreitar o foco das investiga- terizado por visões conservacionistas versus desenvolvi- ções de cenarização, agruparam-se as informações temá- mentistas, e as formas disseminadas de planejamento não ticas em banco de dados, geoprocessando-as, de modo a conseguem gerenciar esse conflito. Por suas características se identificar situações tipificadas por variáveis essenciais e resultados, os cenários ajudam significativamente na ao planejamento territorial, tais como: (i) localização das construção de um futuro melhor, que conjugue desenvol- potencialidades; (ii) fragilidades dos diferentes recursos vimento socioeconômico e conservação ambiental. ambientais; (iii) usos potenciais do território; (iv) áreas de conservação do Sistema Nacional de Unidades de Conser- Escopo e métodos vação da Natureza (SNUC); (v) áreas de uso restrito pelo Código Florestal; (vi) áreas de proteção permanente; (vii) Os procedimentos adotados para cenarizar os recursos zonas de conflitos potenciais ou existentes; (viii) áreas de da geodiversidade do estado do Maranhão baseiam-se em uso econômico; (ix) áreas destinadas a “reservas de futuro”. Figura 13.2 - Metodologia e técnicas de construção de cenários Fonte: Modificado de Buarque (2003). 234 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO DINÂMICA DO MEIO AMBIENTE georreferenciadas, processaram-se tais informações em am- biente computacional (ArcGIS), visando ao aporte de modelos Introdução capazes de estabelecer conexões entre os diversos assuntos temáticos. Igualmente, devem-se relevar as discussões verbais Para melhor diagnóstico e prognóstico quanto ao e o acesso a trabalhos referenciais das equipes técnicas da futuro dos componentes ambientais (econômicos, sociais CPRM/SGB e de instituições atuantes no Maranhão. e naturais), faz-se necessária uma perspectiva integrada dos diversos elementos, sob uma concepção sistêmica. Usos do Território Objetivos Os cenários econômicos alternativos elaborados por ELETRONORTE (2006, 2008) e FIEMA (2009) expressam as Objetiva-se selecionar interseções lógicas – variáveis intenções de uso e ocupação para o território maranhense essenciais, sob a perspectiva sistêmica –, que propiciem a nas próximas duas décadas. Esses estudos negligenciaram formulação de políticas e ações estratégicas, com vistas a o papel da mineração, o que se justifica ante o fato de que um futuro o mais sustentável possível. Para tanto, identi- somente nos últimos cinco anos essa atividade veio a se ficaram-se os elementos de interligação e conexão entre sobressair. Quanto ao valor econômico do meio ambien- os diversos componentes – bióticos, abióticos e sociais –, te, dos serviços ambientais e oportunidades econômicas possibilitando uma análise sintética da questão ambiental. envolvidas, também há uma desconsideração histórica. Material e Métodos Agronegócio Reuniram-se as informações ambientais disponíveis Além de sediar importantes corredores de exportação no GeoBank (sistema de banco de dados geológicos cor- de commodities agrícolas, o Maranhão deverá abrigar polos porativo da CPRM/SGB), complementando-as com aquelas agroindustriais nas regiões centrais e sul, onde se concen- provenientes de pesquisas bibliográficas, interações com tram – e deverão se expandir – as atividades agrícolas (soja parceiros institucionais e comunidade científica. Quando e grãos), incluindo a pecuária (Figura 13.3). Nesse cenário, Figura 13.3 - Polos de desenvolvimento de agricultura e agroindústria no Maranhão. Fonte: Maranhão (2006). 235 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO é previsível o aumento da demanda por agrominerais e O atual cenário tendencial aponta para a degradação recursos hídricos em quantitativos que precisam ser esti- progressiva dos solos. mados para que se formulem estratégias e planos setoriais. Às vantagens comparativas representadas pelos posi- Pecuária e piscicultura cionamentos geográficos e à rede logística de transporte sobrepõem-se variadas condições de aptidão agrícola, que Com respeito à criação de gado e à piscicultura (Figura incluem vastos territórios com excelentes condições para 13.5), deve-se considerar que, na porção centro-ocidental, práticas dos mais diversos tipos de agronegócio, inclusive a estratégia é a da verticalização da pecuária, visando à produção extensiva de grãos no sul-sudeste do estado agregação de valor. Tal enfoque implica a implantação de (Figura 13.4). Cabe ressaltar que as práticas agrícolas frigoríficos, laticínios e curtumes, atividades demandadoras possíveis nos solos das classes 2 e 3, os mais abundan- de recursos hídricos e com histórico (tradição) de poluidoras tes, requerem a aplicação de agrominerais que deve ser de mananciais superficiais e subterrâneos. praticada utilizando-se processos que aumentem a sus- Na orla marinha, a pesca, a maricultura e a piscicultura tentabilidade econômica mas que também atendam aos disputarão espaço físico e recursos hídricos com outras aspectos da sustentabilidade ambiental. Tais pré-requisitos atividades projetadas para a região, como turismo, infra- de sustentabilidade somente poderão ser cumpridos por estrutura e urbanização. A demanda por recursos minerais meio de políticas específicas envolvendo múltiplos setores para a construção civil deverá pressionar a sustentabilidade da sociedade, que vão da pesquisa geológica e mineração ambiental, cenário que aponta para a necessidade de pla- à pesquisa científica e à formação de recursos humanos. nejamento calcado nos recursos da geodiversidade, pre- Figura 13.4 - Mapa de aptidão agrícola do estado do Maranhão. 236 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO cisando, naturalmente, de uma boa avaliação dos riscos geológicos. Turismo O crescimento e a sustentabilidade dessa atividade dependerão dos recursos ambientais e da oferta de excelentes condições de vida, impli- cando, dentre outras, a conservação de manan- ciais superficiais e subterrâneos, implantação de esgotamento sanitário, excelência da rede viária e hidroviária. A atividade turística previs- ta demandará recursos hídricos de qualidade, bem como grande quantidade de materiais de construção. Tendo em vista que nesse território haverá expansão de outros vetores econômicos, como piscicultura, pesca, maricultura, carcini- cultura e suas indústrias, torna-se iminente a elaboração de um planejamento integrado. O conhecimento científico e os modelos a serem adotados, naturalmente, deverão apoiar-se nos resultados adquiridos com informações em escala de detalhe (Figura 13.6). Geoecoturismo Figura 13.5 - Polos de desenvolvimento da pecuária Os atrativos geoturísticos representam uma e piscicultura no estado do Maranhão. nova abordagem, importante, sobretudo, em Fonte: Maranhão (2006). regiões economicamente deprimidas, como é o caso do nordeste do estado. Na região litorânea, vem se somar a outros vetores do desenvol- vimento econômico. O seu desenvolvimento depende, em grande parte, da melhoria do atual nível do conhecimento geocientífico, de forma a motivar a visitação, assim como sua susten- tabilidade depende da proteção ao patrimônio natural. O desenvolvimento desse potencial, até agora dormente, dependerá de formulação e implementação de políticas específicas, cuja maturação demandará cerca de uma década. Dentre os impactos positivos previsíveis, está a geração de empregos locais a baixo custo, distribuição de renda, melhoria da au- toestima das populações envolvidas. Quanto aos impactos ambientais, estes podem ser controlados com relativa facilidade e deverão ser compensados pelos benefícios diretos e indiretos desse tipo de atividade. Madeira Prevê-se a implantação de polos madeirei- ros e indústrias de papel e celulose na porção central do estado, onde, também, projetam-se polos para verticalização de produtos agrícolas Figura 13.6 - Oportunidades para a indústria de turismo no estado do Maranhão. e pecuários. A resultante consistirá no aumento Fonte: Maranhão (2006). 237 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO da demanda por recursos hídricos e materiais para a construção civil. A diversificação eco- nômica e o consequente conflito de interesses exigirão planos integrados e avaliação dos recur- sos hídricos e minerais. A necessária ampliação da rede de estradas e espaços para moradia e instalação de outras infraestruturas deverão levar em conta as limitações e potencialidades geotécnicas do solo e subsolo. Esse assunto é uma grande preocupação da administração pública e a CPRM/SGB vem sendo convocada a participar no mapeamento das vulnerabilidades e riscos geológicos. Nesses termos, é consenso que planejar e programar projetos, com base nas características dos terrenos, é providência essencial tanto do ponto de vista econômico como social, com rebatimentos na conservação dos serviços ambientais (Figura 13.7). Minerometalurgia O desenvolvimento previsto para essa atividade se baseia em insumos minerais pro- venientes do estado do Pará e deverá se con- centrar na faixa compreendida entre Açailândia e a região noroeste e seu litoral, aproveitando a infraestrutura logística existente. A constru- Figura 13.7 - Áreas favoráveis ao plantio de florestas no estado do Maranhão. ção de plantas siderúrgicas e a verticalização Fonte: Maranhão (2006). de minérios de alumínio contribuirão para aumento da demanda por recursos hídricos, minerais industriais e materiais de construção civil, reforçando a necessidade de bons planos quanto ao uso e à ocupação desse território. Há de se destacar o surgimento de novos vetores de crescimento econômico e social, representados pelo distrito aurífero no extremo noroeste do estado e pelo firme crescimento da exploração de gesso em Grajaú e Codó. Novas oportunidades econômicas para o setor mineral dependerão de estudos geológicos em escalas de médio detalhe, já que os conhecimentos atuais somente permitem a compreensão dos macrocomponentes geológicos (Figura 13.8). Mineração e recursos minerais A indústria extrativa mineral no Mara- nhão está representada pela exploração de ouro no baixo rio Gurupi, porção noroeste do estado, gipsita (Grajaú e Codó) e calcário para cimento ou corretivo de solos, além de mate- riais de construção (distribuídos nas porções setentrional e ocidental de parte do territó- rio). Reportam-se, ainda, reservas de bauxita metalúrgica em Bom Jardim, Carutapera e Figura 13.8 - Polos minerometalúrgicos no estado do Maranhão. Açailândia (Figura 13.9). Fonte: Maranhão (2006). 238 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO Figura 13.9 - Potencialidade mineral do estado do Maranhão. Fonte: Bandeira et al. (2013). No que tange aos levantamentos geológicos, notícias Usos dos Recursos Naturais referentes ao potencial mineral vêm revelando potenciali- dades para petróleo e gás na plataforma continental e na Água subterrânea: exploração e proteção Bacia Sedimentar do Parnaíba. Quanto ao uso de pó de rocha como corretivo ou A água pode ser considerada o bem mineral mais remineralizador de solos, há excelente potencial, represen- precioso do planeta e, nesse aspecto, o Maranhão tado por extensos derrames de rochas básicas e formações apresenta-se como um território privilegiado por seus sedimentares com ocorrência de zeólitas, carbonatos e recursos hídricos superficiais e subterrâneos, caracteriza- fosfato na porção centro-sul do estado. Estudos tecno- dos por uma reserva estratégica de água nobre, podendo lógicos voltados para o uso desse tipo de matéria-prima, ser aproveitada para o abastecimento humano e as mais realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária diversas atividades econômicas. É importante que se tenha (EMBRAPA) e apoiados pela CPRM/SGB, apontam melhorias em vista que as águas subterrâneas, quando adequadas no que concerne à sustentabilidade ambiental, com utili- ao consumo humano, dispensam a implantação de es- zação de matérias-primas locais, como também redução tações de tratamento, implicando economia de recursos da dependência de commodities estratégicas. públicos. Em outros casos, as águas contidas em aquíferos Existem, no Maranhão, áreas com concentração de profundos, aquecidas segundo o grau geotérmico, podem ocorrências de gemas e minerais industriais e minerais ser utilizadas em processos industriais com expressiva energéticos, como a turfa, cuja potencialidade precisa economia de energia. ser mais bem desvendada. Conquanto não se espere (?) Uma rápida visualização quanto à natureza e a descoberta de depósitos de classe internacional, há po- distribuição geográfica dos aquíferos subterrâneos é tencial de oportunidades para a inclusão social de vastos apresentada na Figura 13.10, cabendo observar que os segmentos populacionais de baixa renda. aquíferos contidos nas formações cenozoicas são os que 239 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 13.10 - Favorabilidade hidrogeológica do estado do Maranhão. Fonte: Bandeira et al. (2013). demandam maiores cuidados no que respeita ao seu uso - o aumento da participação das águas subterrâ- e conservação. neas no planejamento de uso do solo, reduzindo Considerando-se que as águas subterrâneas são, quase os impactos das atividades antrópicas no solo e sempre, um recurso não renovável (em tempos históricos), aquíferos; a sua correta utilização exigirá conhecimentos científicos - o planejamento do uso da água, considerando o e planos de manejo adequados. Especial cuidado deve manejo do armazenamento de aquíferos e não se ser dedicado aos aquíferos porosos das áreas costeiras, restringindo à contabilidade de entradas e saídas; em face de sua importância para o consumo humano, já - o entendimento melhorado dos efeitos da mudança que sua exposição às atividades econômicas representa climática nas águas subterrâneas; extrema fragilidade à contaminação, seja por efluentes ou - a avaliação das opções de manejo de aquíferos irreversível salinização pelo mar. transfronteiriços; Segundo artigo publicado pela Academia Brasileira - o aumento da capacidade de formação e preparação de Ciências (DESAFIOS..., 2012), as estratégias para uso das de pessoal técnico em vários níveis e, particular- águas subterrâneas pelos países deveriam incluir, pelo menos: mente, na gestão das águas subterrâneas, através “ - a necessidade de um programa de obtenção de de programas. informações geológicas e hidrogeológicas, com mape- As águas subterrâneas devem ser apresentadas amentos sistemáticos, com banco de dados (incluindo como uma solução para os problemas da socie- cadastro de poços e mananciais) para o acesso aberto dade, e não apenas mais um problema adicional de informações; de difícil solução.” 240 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO Gestão das águas superficiais Políticas estaduais para os recursos hídricos e implementa- ção de comitês de bacias fazem parte do conjunto de fer- Quanto aos recursos hídricos superficiais, estes se ramentas a serem formuladas e aplicadas. O atual cenário distribuem em 11 bacias. As maiores nascem nos extensos tendencial predominante é o de progressiva degradação chapadões do sul do estado, chamando a atenção o con- dos recursos hídricos superficiais (Figura 13.11). trole exercido pelos arcos do embasamento na localização de suas nascentes. Nelas se verifica a prática da agricultura Suscetibilidade a riscos geológicos intensiva para produção de grãos. Os rios correm no sentido norte-sul e deságuam diretamente no mar. No curso médio Com o crescimento populacional e a concentração ur- dessas bacias, representa-se o uso da terra pela pecuária bana, que datam dos últimos 40 anos, surgiu um novo vetor e polos de agroindustrialização. Desse condicionamento de desastres nacionais, oriundo de inundações graduais e geográfico-econômico conclui-se que as dinâmicas fluviais deslizamentos de encostas, decorrentes da alocação de po- e a qualidade das águas redundam na acumulação de im- pulações em áreas geologicamente instáveis. A partir dessa pactos ambientais, que, ao final, interagem com a dinâmica configuração, desenvolveram-se modelos de suscetibilidade marinha e costeira. Dessa forma, a capacidade de suporte a riscos (Figura 13.12) que indicam o grau de vulnerabilidade ambiental nos baixos cursos é afetada por usos praticados a a tais fenômenos. Esse tipo de informação deve ser agrega- centenas de quilômetros. O futuro da qualidade das águas do aos planos diretores municipais, bem como ser utilizado superficiais está na dependência direta da capacidade de na alocação de infraestruturas, de modo a se evitar grande se realizar o gerenciamento global das respectivas bacias. número de perdas materiais e de vidas humanas. Figura 13.11 - Bacias hidrográficas do estado do Maranhão. Fonte: Modificado de ANA (2006). 241 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Figura 13.12 - Áreas com suscetibilidade a eventos geológicos no estado do Maranhão. Fonte: Bandeira et al. (2013). Conquanto em nível regional, as informações apre- Restrições e Limitações Ambientais: sentadas nesse mapa elaborado pela CPRM/SGB e dispo- Zoneamento Ecológico-Econômico nível no GeoBank agregam diversos componentes capazes de realçar os riscos ao uso e à ocupação, tais como: Segundo as recomendações metodológicas do características geotécnicas dos solos, tipo de erosão, Ministério do Meio Ambiente (MMA), o zoneamento sismicidade e inundações/enxurradas. Tais informações ecológico-econômico do estado do Maranhão é compatível são de grande valor para o planejamento da infraestru- com a escala ao milionésimo (Figura 13.13). Dele se destacam: tura logística e ocupação do território maranhense. No (i) a região costeira é reconhecida como área de risco que respeita ao futuro, a questão a ser colocada é em notável e, por isso, nela foram implantadas muitas áreas de que medida essas recomendações serão consideradas conservação, cujos planos diretores demandam informações nos planejamentos regionais e locais. Embora o Governo especializadas; (ii) nas áreas “a recuperar ou reordenar”, Federal tenha implantado, recentemente, sistemas de foram reconhecidas condições ambientais instáveis perante mapeamento e monitoramento de desastres naturais, os atuais processos de ocupação, devendo ser envidados recomenda-se que esses sistemas sejam replicados em esforços no sentido de se estabelecerem planos de manejo nível estadual e mesmo local, no intuito de se evitarem sustentáveis; (iii) as “áreas frágeis” apontam territórios que perdas econômicas e de vidas, estas insubstituíveis. Ape- requerem cuidados com intervenções humanas. sar de as cenas passadas terem sido repletas de perdas Até o momento, o desenvolvimento econômico lastimáveis, o futuro apresenta-se promissor no sentido de do Maranhão se deu sem que se dispusesse dessa que foram desenvolvidas tecnologias capazes de aparelhar importante ferramenta, que permite o rebatimento das o enfrentamento dos desastres naturais. Cabe, pois, aos considerações econômicas e ambientais em um único atores sociais e aos agentes públicos tomarem decisões plano. As consequências desse tipo de carência são coerentes com o atual status de consciência com relação bem conhecidas de todos e cabe, agora, tomar uma a essa problemática. decisão importante e difícil, qual seja a de adequar a 242 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO Figura 13.13 - Mapa do zoneamento ecológico-econômico do estado do Maranhão. Fonte: Disponível em: . Acesso em: abr. 2011. conservação dos serviços ambientais e da biodiversidade assunto. Não cabe, portanto, debater-se quanto à validade ao necessário desenvolvimento econômico, buscando-se ou não dos modelos até agora publicados. Em vez disso, corrigir ou minimizar os impactos já existentes, aproveitar recomenda-se a adoção de medidas preventivas, sobre- as oportunidades e prevenir novos impactos negativos. O tudo com respeito aos recursos hídricos, especialmente grau de eficiência e eficácia na gestão desses propósitos no que tange aos aquíferos subterrâneos, porquanto, influenciará grandemente as cenas futuras. O grau de na falta ou diminuição dos recursos hídricos superficiais, incerteza quanto a esse aspecto é bem alto, proporcional por conta de possíveis mudanças climáticas globais, eles às dificuldades de se romperem antigos paradigmas. Por constituir-se-ão na única fonte de água doce barata para tudo o que foi explanado neste capítulo, pode-se inferir a região. Por conseguinte, utilizar racionalmente a água que o “mapa de zoneamento ecológico-econômico”, dos poços, bem como conservar e proteger os recursos isoladamente, não conduzirá a um estágio de grande hídricos subterrâneos e suas áreas de recarga, é medida de eficiência no trato do desenvolvimento sustentável, por ele alto valor estratégico e deve situar-se no cerne das políticas precisar estar acompanhado de outros instrumentos, como voltadas a garantir um futuro blindado quanto às mais aqueles requeridos para a gestão dos recursos hídricos e sombrias previsões das mudanças climáticas. minerais, solos e ocupação do território. Resultados e Discussões Mudanças Climáticas Vetores econômicos Um tema de grande repercussão nos meios científicos é a questão das mudanças climáticas e seus impactos sobre Com respeito ao possível e provável desenvolvimento a sustentabilidade territorial. Embora entre os geocien- econômico do território maranhense, projeta-se para os tistas predomine a opinião de que é prematuro afirmar próximos 20 anos um crescente estresse de seus componen- que haja tendência ao aquecimento global, não se pode tes ambientais, interligado ao crescimento econômico, que, deixar de recomendar atitudes prudentes com respeito ao por seu turno, dependerá da economia nacional e mundial. 243 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Conscientes de que as cenas mundiais, nesse período, Por outro lado, a falta de um bom planejamento em serão dominadas pelo atendimento às necessidades básicas diversos níveis administrativos e a baixa governabilidade de grandes contingentes populacionais, sobretudo os mais conduzirão a perdas financeiras da ordem de bilhões de pobres, e que isso venha a representar o cerne da estabi- reais e a perdas irreparáveis correspondentes a vidas hu- lidade social, presume-se que o Brasil – e o Maranhão a manas, por deterioração das condições de vida ou devidas reboque – terá papel crescente na produção de alimentos a “acidentes naturais”. para o planeta, bem como de matérias-primas necessárias à melhoria da qualidade de vida. Zoneografia dos impactos previsíveis (cenário Além dos eixos de desenvolvimento econômicos já tendencial) apontados por estudos setoriais, há outras oportunidades relativas ao setor mineral, a exemplo de ouro, gesso e ma- A proposta de técnicas de cenarização consiste em teriais de construção, que já são uma realidade pulsante. preparar as sociedades para os acontecimentos alternati- O contexto geológico é favorável a descobertas de gemas, vos, possíveis e prováveis, capazes de definir a cena final minerais industriais e agrominerais (P, K, Ca, Mg) e pó de do período analisado. O cenário mais provável é elevado à rocha. Políticas públicas voltadas para surgimento e forta- categoria de cenário normativo, cabendo a ele propostas lecimento de cooperativismo e arranjos produtivos locais de ações que conduzam à melhoria da cena final, mino- podem se revelar eficientes no intuito de modificar a cena rando fraquezas e ameaças e fortalecendo as vantagens atual de desorganização, no que diz respeito à exploração e potencialidades. dos minerais utilizados na construção civil, como: areias, No que diz respeito ao escopo da geodiversidade, é cascalho, brita, rochas ornamentais e gemas. Ações con- possível, para melhor compreensão, dividir-se o estado do juntas de órgãos do MME, como DNPM e CPRM/SGB, mais Maranhão em seis geossistemas, que se constituem em seis bem aparelhados e adequadamente orientados, deverão regiões estratégicas (Figura 13.14). repercutir na forma de grandes melhorias, capazes de A melhor compreensão das relações entre temas como modificar o atual cenário futuro tendencial resultante da geologia, clima, solo, relevo e biota somente é possível por exploração desses recursos. meio da abordagem proposta pela teoria que advoga que o Também, há consenso de que o aprofundamento do geossistema é uma dimensão do espaço terrestre, onde os conhecimento dos vários ambientes geológicos evidenciará diversos componentes naturais se encontram em conexões novas oportunidades econômicas. sistêmicas uns com os outros, interagindo com a esfera Mesmo se tendo em conta as restrições orçamentárias cósmica e com a sociedade humana. As unidades assim da administração pública, a importância dos investimentos identificadas vão ao encontro das visões de “unidades de em conhecimento geológico, aliados à concepção e im- paisagem” e espaço geográfico ou território usado propos- plantação de políticas públicas voltadas ao setor mineral, tas por Milton Santos (1977), em que o “espaço geográfico deve situar-se no núcleo das prioridades com vistas ao (sinônimo de ‘território utilizado’) seja compreendido como desenvolvimento sustentável do Maranhão. uma mediação entre o mundo e a sociedade nacional e local, e assumido como um conceito indispensável para Vetores ambientais a compreensão do funcionamento do mundo presente”. Desse modo evidencia-se uma excelente divisão espacial Os cenários de crescimento econômico e o decorrente com vistas ao planejamento territorial, na medida em que aumento do uso e ocupação do solo e subsolo alertam difunde a compreensão das relações entre os diversos para o risco de perda da sustentabilidade ambiental. Eles elementos constituintes do meio ambiente (físico, biótico), apontam para a oportunidade de se implantarem projetos social e econômico. econômicos de qualidade, com respeito à conservação Assim, os autores do presente capítulo, por esposa- ambiental e à inclusão social, ou, ao contrário, embutem rem essas visões, decidiram apresentar uma proposta de os riscos da degradação ambiental dos meios físico-biótico divisão territorial do estado do Maranhão segundo seus e social. geossistemas, conforme ilustrado na Figura 13.14. Os projetos econômicos dependem, em grande parte, de capitais econômicos exógenos. Contudo, tal Faixa litorânea em três situações assertiva não é verdadeira com respeito aos levantamentos científicos e ao bom planejamento estratégico e tático, • Região dos Lençóis Maranhenses cujos recursos situam-se na casa de dezenas de milhões Caracterizada por um gigantesco campo de dunas de reais. Ademais, esses investimentos criarão milhares (barcanas) eó licas de rara beleza cênica. Dentre as de empregos para os jovens egressos de universidades e características ambientais mais marcantes, destacam-se a cursos técnicos, além de incorporarem diversos segmen- movimentação de grandes volumes de areia e a presença tos de trabalhadores menos especializados; no conjunto, de aquíferos subsuperficiais aflorantes na forma de lagos. distribuem renda e acrescentam movimento à roda da A melhor vocação desse território é o turismo, mas deve- economia. se considerar que a região dos mangues e salgados, 244 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO Figura 13.14 - Geossistemas e zonas de impactos diferenciados no estado do Maranhão. à beira-mar, é objeto de grande interesse econômico, Referente à sustentabilidade, os principais desafios são tanto por parte de populações tradicionais quanto por a conservação e o uso sustentável dos recursos hídricos, empreendimentos de carcinicultura e piscicultura. A cuja demanda tende a aumentar exponencialmente. Por ou- dinâmica do litoral, caracterizada pela movimentação de tro lado, projeta-se maior demanda por materiais de cons- blocos crustais quilométricos, conjugada às mudanças trução para as obras de infraestrutura e habitação. Nesse das correntes marinhas e ventos, é elemento de grande cenário, no que tange à exploração de ambos os recursos, risco para instalações portuárias, viárias e assentamentos a falta de planejamento redundará em elevados custos humanos. Estudos de zoneamento ambiental da região para sua obtenção, bem como se mostrará prejudicial à do delta do rio Parnaíba concluíram sobre a necessidade conservação das condições propícias ao desenvolvimento de estudos detalhados, em escala 1:25.000/1:50.000, no da indústria de turismo e lazer dos habitantes da região. sentido de se adquirirem informações suficientes para Atente-se para o fato de que as marés na costa ma- formulação de bons planos diretores. ranhense, com amplitudes superiores a 7 m, conduzem ao aparecimento de grandes áreas submetidas a cheias • Região de São Luís e Golfão Maranhense sazonais. Essa situação deverá ser crítica se o uso da terra Marcada por intensa taxa de ocupação e expansão hu- for feito de forma inadequada. Além disso, não se deve mana, caracteriza-se pelo grande número de obras de infra- desconsiderar que a dinâmica costeira, no estuário do estrutura logística voltadas para o trânsito de commodities, Golfão Maranhense, é profundamente afetada pela carga sobretudo minérios de ferro, para mercados internacionais. de sedimentos provenientes dos rios Grajaú, Itapecuru, As cenas futuras apontam para progressivo incremento e Mearim e Pindaré. diversificação das atividades industriais, tanto em conse- quência de políticas de verticalização das cadeias de bens • Região Noroeste ou das Reentrâncias Maranhenses primários quanto pela implantação de uma grande refinaria Possui singulares características geológicas, geomor- de petróleo, que deverá processar até 600.000 barris/dia. fológicas e climáticas, além da presença de populações 245 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO tradicionais (quilombolas). A região costeira é caracterizada cabeceiras dos rios Mearim, Grajaú, Pindaré e Alpercatas, por paisagens deslumbrantes e de grande potencial turís- que correm para norte, Balsas e uma série de afluentes do tico, como na foz do rio Preguiças. Igualmente, existe po- Tocantins, com direção NE-SW. Predomina a regular apti- tencial para exploração de recursos pesqueiros e prática da dão agrícola dos solos, mas existem grandes manchas com aquicultura. O clima úmido, para o interior do continente, boa aptidão, inclusive terras-roxas. Contudo, as práticas característico de condições amazônicas, favorece o manejo agrícolas não são extensivas, em decorrência do modelado florestal e plantio de florestas artificiais. A ocorrência de geomorfológico dos terrenos. As maiores vulnerabilidades terrenos geologicamente antigos preconiza a descoberta ambientais provêm das características geotécnicas dos so- de novos depósitos de ouro. los arenosos ou derivados de litótipos de grande variação físico-química, os quais são propícios ao desenvolvimento Faixa Central do Maranhão de erosão laminar. Esse amplo território, imprensado pelos territórios litorâneos, ao norte e sul maranhense, caracteriza-se por Porção Meridional do Maranhão: ocupar a porção alto-mediana das principais bacias hidro- Plantio Extensivo de Grãos gráficas, cujos talvegues correm diretamente para o mar. A paisagem é dominada por chapadões, chapadas e É uma região marcada pela heterogeneidade morfológica, cuestas abrigados por climas amenos, com estações bem pedológica e geológica. Apresenta temperatura e pluvio- definidas, onde se pratica a agricultura de grãos, sobretu- sidade intermediárias; de leste para oeste, a cobertura do a soja. A presença de recursos minerais aplicáveis em vegetal transiciona de caatinga (muito restrita) e cerrado correção e fertilização dos solos constitui-se em elemento (subordinado) para florestas de babaçu e, finalmente, de vantagem comparativa, ao que se somam os recursos para floresta equatorial amazônica, já próximo ao limite hídricos superficiais e subterrâneos. Os riscos dizem res- com o estado do Pará. Sob a ótica da gestão territorial, peito à suscetibilidade à erosão dos solos e consequente distinguem-se: assoreamento das drenagens, com graves impactos sobre as águas superficiais. A potencialidade das águas • Região Oriental subterrâneas é expressiva, mas não há dados disponíveis A aptidão agrícola dos solos vai de regular a localmen- que permitam sua captação e utilização segura. Há de te boa (ao longo dos canais de drenagem). A ela se associa se considerar que as águas subterrâneas constituem um um clima mais seco, com baixos excedentes hídricos (0 a recurso não renovável (em tempos históricos) − no vale do 400 mm). A cobertura vegetal predominante é a de flores- Gurgueia (PI), por exemplo, há cerca de quatro décadas, o tas de babaçu, com áreas de cerrado subordinadas, além uso indiscriminado dos poços subterrâneos tem rebaixado de pequenas manchas de caatinga, próximas à fronteira o nível dinâmico a taxas de 1 m/ano − e que, sendo uma com o vizinho estado do Piauí. área de recarga de aquíferos, a prática da agricultura O principal eixo de desenvolvimento econômico é requer o manejo adequado de defensivos agrícolas e constituído por pecuária extensiva e agricultura de pe- corretivos. Nos vales entalhados, o uso econômico mais queno a médio porte. O déficit hídrico é compensado pela provável é o desenvolvimento de sistemas agropecuários existência de grande número de poços para captação de e florestais. Nesse cenário, junto à expansão dos centros água subterrânea. Caracteristicamente, existem inúmeros urbanos, a projetada industrialização, por meio de polos projetos de assentamento rural. de agroindústria, requererá um planejamento em nível de As características geoambientais influenciarão nas detalhe, associado a tecnologias industriais, habitacionais políticas de apoio ao desenvolvimento econômico, sobre- e de tratamento de rejeitos que impeça a contaminação maneira quanto à disponibilidade dos recursos hídricos e à dos rios. vulnerabilidade à erosão e a outros tipos de degradação do Trilhando-se uma rota de desenvolvimento sustentá- solo. Sobre os recursos minerais, há comprovado potencial vel, a exemplo de outras regiões do país, deverão surgir para exploração de gipsita, calcário e rochas apropriadas à oportunidades para o turismo temático, científico e de lazer. produção de pó de rocha, estratégico para remineralização dos solos, mas com restrições para a prática da agricultura. CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE • Região Ocidental Variáveis (Elementos) Determinantes A principal característica desse território é a transição, de leste para oeste, de uma cobertura vegetal de florestas A economia do Maranhão estrutura-se em dois gran- de babaçu para floresta amazônica, acompanhada pela des eixos de dinamismo e modernização (MARANHÃO, respectiva mudança climática e pedológica. Há elevado 2006): (i) agronegócio, com destaque para a moderna contingente de áreas indígenas, como também de áreas produção da região sul (Balsas, Riachão, Tasso Fragoso, pertencentes ao Sistema Nacional de Unidades de Con- Alto Parnaíba, Fortaleza dos Nogueiras, Loreto, Simbaíba servação (SNUC). Sobre um divisor de águas, que reflete e São Raimundo das Mangabeiras), onde se expande a a existência de alto estrutural geológico, localizam-se as soja e a pecuária; (ii) complexo minerometalúrgico, con- 246 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO centrado no oeste (Açailândia, Imperatriz e Santa Inês) e João Lisboa: Agroindústrias. no norte do estado, sobretudo no entorno de São Luís, Grajaú: Indústrias de pequeno e médio porte. com base em produção e beneficiamento de minérios Porto Franco: Agroindústrias. de alumínio e ferro. O agronegócio beneficia-se da qua- lidade da logística para exportação (orientada para o Distritos industriais projetados mercado externo e interno), das condições climáticas e dos solos do cerrado; já o complexo minerometalúrgico, Açailândia: Minerometalúrgico e agroindustrial. voltado para o mercado externo, baseia-se na vantagem Bacabal: Agroindústrias. locacional e na qualidade da infraestrutura ferroviária e Bacabeira: Indústria de grande porte (fundições, gu- energética. Merece menção, ainda, o potencial turístico, seiras, metalurgia, siderurgia etc.). representado pela região litorânea do estado e pelos polos Estreito: Agroindústrias. interioranos, com suas belezas naturais e grande riqueza Timom: Agroindústrias. cultural; igualmente, os recursos minerais e seus potenciais despontam como opções isoladas ou integradas a outros Estudos Anteriores projetos industriais. Em complemento, destaca-se a implantação de uma Durante a última década, realizaram-se diversos es- refinaria de petróleo premium, em Bacabal, prevendo- tudos abordando a temática dos cenários para o estado se 300.000 barris/dia para o início de sua operação, em do Maranhão, mencionando-se, por sua abrangência e 2016/2017, e 600.000 barris/dia, quando do aumento relevância, os trabalhos patrocinados por ELETRONORTE de sua capacidade. Um oleoduto complementará essa (2008) e FIEMA (2009). Desses estudos, pinçaram-se como refinaria, interligando-a ao Complexo Portuário de São Luís, variáveis e elementos estruturadores: onde a PETROBRAS deverá construir novos atracadouros. Finalmente, as pesquisas de petróleo e gás, na plataforma • Grandes incertezas: marinha e nas bacias sedimentares interioranas, abrirão - Educação importantes perspectivas econômicas. - Indústria de transformação - Bioenergia (etanol, biocombustível) Infraestrutura - Infraestrutura (Porto do Itaqui, ferrovias) - Questão fundiária A infraestrutura encontra-se conectada a um conjunto - Atuação institucional e política dos atores multimodal de transportes que corresponde a: (i) Corredor - Meio ambiente (gestão ambiental) Centro-Norte do Brasil Central; (ii) Corredor Norte/Nor- deste, por meio da Hidrovia Araguaia-Tocantins e Ferrovia • Incertezas pequenas ou de baixo impacto: Norte-Sul; (iii) Corredor da Estrada de Ferro Carajás, integra- - Saúde do ao sistema rodoviário tradicional e ao sistema ferroviário - Agricultura familiar e pesca de subsistência da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN). O Maranhão - Turismo articula-se, desse modo privilegiado, com extensas regiões - Comércio e serviços do país, abrangendo, no todo ou em parte, os estados do Na Figura 13.15 é reproduzida a matriz morfológica Piauí, Pará, Tocantins, Mato Grosso e Bahia. Articula-se, elaborada a partir das incertezas críticas versus as hipóteses ainda, com o exterior e o restante do país, via cabotagem, de evolução plausíveis, a partir da cena de partida (2007) por meio do Complexo Portuário do Itaqui, constituído até a cena final, em 2027, segundo os estudos patrocinados pelos portos comerciais de Itaqui e Ponta da Madeira e pelo por ELETRONORTE (2006, 2008). Esse quadro geral fornece terminal privativo da empresa Alumínio do Maranhão S/A uma referência quanto à evolução dos diversos elementos (ALUMAR), que somam, em conjunto, aproximadamente econômicos estruturadores do território maranhense no 50% da movimentação das cargas portuárias das regiões decorrer do tempo. Norte e Nordeste do Brasil. Condicionantes Distritos industriais existentes Zoneamento ecológico-econômico São Luís – DISAL: Oferece vários atrativos, como as excelentes condições portuárias, além da vizinhança das No que tange ao zoneamento ecológico-econômico, operações de embarque do minério oriundo de Carajás e a questão ambiental apresenta importante papel na do Complexo Alumar. configuração de antigos e novos territórios estaduais, Rosário: Indústrias de pequeno e médio porte. destacando-se, dessa forma, os aspectos a seguir. Imperatriz: Indústrias de pequeno e médio porte. - O ZEE não se deve restringir à conjugação de poten- Balsas: Agroindústrias. cialidades e fragilidades econômicas e ambientais, Caxias: Agroindústrias. e, sim, atender a um projeto conceitual de socie- 247 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO 248 Incertezas Críticas Hipóteses Plausíveis Projeto eficiente e eficaz com Projeto apenas eficiente, em ritmo prioridade para formação técnica Projeto intenso, porém não alcança Projeto insuficiente para acelerar o Educação lento de inserção do sistema e empreendedora e qualificação o ritmo do sistema econômico. resgate dessa dívida social. produtivo. profissional. Acelera o processo de agregação O processo de agregação de valor O processo de agregação de valor O processo de agregação de valor Indústria de transformação de valor. avança em ritmo lento. avança no seu ritmo histórico. não avança. O estado não amplia a sua base Bioenergia (etanol, Ampliação rápida da base produtiva, Ampliação lenta da base produtiva, Mantém a atual base produtiva biocombustível) produtiva para atender ao mercado com ZEE definindo novos espaços. com dificuldades no ZEE. atendendo ao mercado interno. internacional. Ampliação intensa do Complexo Ampliação moderada do Complexo Ampliação morosa do Complexo Infraestrutura (Complexo Manutenção do Complexo Portuário Portuário do Itaqui, ferrovias) Portuário do Itaqui e das ferrovias e Portuário do Itaqui, das ferrovias e Portuário do Itaqui; ampliação lenta do Itaqui e das ferrovias. rodovias do estado. rodovias do estado. das ferrovias e rodovias do estado. Questão fundiária Solução total dos conflitos. Solução parcial dos conflitos. Sem solução dos conflitos. Ampliação dos conflitos. Pouco sinérgica, dificultando e Dispersão de forças, dificultando a Atuação conflitiva dos atores, sem Sinérgica e eficaz com a implanta- Atuação institucional dos atores postergando a implantação de um construção de um projeto para o elaboração de um projeto para o ção de um projeto para o estado. projeto para o estado. estado. estado. O ZEE é realizado em um ritmo O ZEE é restritivo na ampliação Os conflitos de interesse entre os Meio ambiente e zoneamento O estado implanta o ZEE com que dificulta o aproveitamento das econômico-ecológico dos espaços para as atividades atores emperram o processo de característica expansiva. oportunidades econômicas atuais econômicas. realização do ZEE. (biodiesel e etanol). Turismo Expansão acelerada da atividade. Expansão acelerada da atividade. Expansão moderada da atividade. Expansão lenta da atividade. Maranhão sustentável Maranhão com crescimento Maranhão com crescimento Ideia-Força concentrado moderado Maranhão estagnado Figura 13.15 - Matriz morfológica dos cenários econômicos do estado do Maranhão. Fonte: Eletronorte (2008). CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO dade. Por conseguinte, deverá incorporar estudos antes dos “mortais comuns”. Essa vantagem comparativa de cenarização, visando a se constituir em peça é, disparadamente, inigualável a quaisquer outras que se que traduza um acordo ou pacto de intenções dos conheça, porquanto permite a adoção de ações preventivas diversos grupos sociais. e proativas que se conectam diretamente com o futuro de - Os estudos de ZEE estadual permitem uma visão maior probabilidade. em escala regional, apropriada à concepção de Aplicação ao tema: Com respeito a um desenvolvi- planos e políticas macro, mas insuficientes para mento econômico, social e ambiental da região maranhense o planejamento regional e, menos ainda, para os favorável, ao grande agronegócio interessam, especifica- projetos executivos. mente, os recentes avanços na área de remineralização dos - Destarte, são requeridos detalhamentos (escala solos por meio da aplicação de pó de rocha, conhecida maior), que subsidiem os estudos de impacto como rochagem. Nos últimos cinco anos, têm sido con- ambiental, no que concerne à conservação dos duzidos diversos experimentos em escala comercial, para serviços ambientais, estabelecimento de alternati- diversos cultivares, como soja, milho, pastagem, abacaxi vas locacionais, escolha de tecnologias, planos de etc., em diversas regiões do país, com resultados extrema- monitoramento e ações preventivas, mitigatórias e mente importantes quanto à: corretivas. À medida que as escalas de detalhamento - substituição (econômica) de matérias-primas impor- dos ZEEs evoluam, a metodologia aplicada deverá se tadas, como adubos químicos (NPK), tão onerosos revestir de outros vieses, como o da avaliação am- para a balança de pagamentos do país, afora a biental estratégica e estudos de impacto ambiental, questão da segurança nacional; sem perder de vista, naturalmente, os interesses da - melhoria das propriedades físicas dos solos; sociedade. - aumento da resistência às pragas das lavouras; - Estudos capazes de apoiar projetos executivos - processo ambientalmente desejável, na medida devem compor a infraestrutura do estado; eles re- em que a resiliência dos elementos químicos adi- querem investimentos voltados ao fortalecimento de cionados aos solos é maior e não é lixiviada para recursos humanos e às estruturas capazes de coletar, as drenagens; armazenar e processar informações econômicas e - dentre as mudanças físicas observadas, destacam-se ambientais; no conjunto, contribuem para a melho- a melhoria da permeabilidade do solo e o aprofun- ria das condições de governabilidade. damento da camada viva (orgânica) pelo grande aumento da porção radicular dos cultivares, o que, Elementos Constantes: por decorrência, leva ao aumento da capacidade Perspectivas de Sociedade de manutenção da umidade, que, por outro lado, aumenta a resiliência a períodos de estiagem; Por seu turno, a Federação das Indústrias do Estado - afora essas considerações, a rochagem, utilizando do Maranhão, em seu PDI 2020 (FIEMA, 2009, p. 39), muito comumente matéria-prima que é um resíduo conclui que o futuro mais provável do Maranhão deverá do processo de produção da brita, por exemplo, acompanhar o movimento do contexto mundial e nacional, além de adicionar elemento de valoração à indústria uma vez que as variáveis externas tendem a influenciar o mineral, agrega o benefício ambiental da melhor, desempenho dos processos econômicos internos. De ou- embora custosa, eliminação de rejeitos, que se tra feita, admitindo-se que o estado, por suas vantagens transformam em matéria-prima de primeira gran- comparativas, desenvolva-se acima da média nacional, deza na agricultura; concluiu-se ser o mais provável que se evolua para uma - ganha também o elemento social, na medida em lenta e controlada melhoria geral da economia mundial que se criam novas atividades econômicas e novos e nacional, com reflexos na economia local, a partir de empregos que demandam mão de obra compatível um período não muito longo (2009-2012) de contenção com as possibilidades de inserção dos segmentos dos investimentos e demanda mundial de commodities, sociais que habitam o campo; combinado com as restrições nacionais. - tudo isso reforça a indicação de que se utilize a rochagem como elemento de cura ou mitigação Fatores Emergentes no enfrentamento de situações representadas por solos frágeis a processos erosivos, como erosão Conceituação: Na análise de futuros prováveis, laminar e arenização, situações tipificadas em di- denominam-se fatores emergentes aqueles condicionantes versos locais no sul do Maranhão e que encontram portadores de conteúdos capazes de ocasionar profundas expressão máxima no município de Gilbués, já no mudanças nas tendências futuras; comumente implicam sul do Piauí. a ruptura de paradigmas que orientam o comportamento - por todos esses considerandos, a CPRM/SGB criou dos elementos sociais; grande é a vantagem das mentes um grupo de trabalho, que, no último ano, vem se prospectivas, quando identificam a “ponta” desses icebergs dedicando a estudar esse assunto como também re- 249 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO alizando investigações da geodiversidade nacional, - ocorrência de extensas formações vulcânicas (basal- com vistas a apoiar o uso do pó de rocha. to, diabásio) e formações sedimentares aflorantes Mudança de paradigma: Até há pouco tempo, quan- pertencentes à Bacia Sedimentar do Parnaíba, cuja do se pensava em agrominerais, buscava-se a descoberta potencialidade geológica carece de investigações de concentrações de Ca e Mg, por exemplo, na forma de específicas. Ainda, geologicamente, não se pode calcários ou dolomitos, ou ainda de P, na forma de altas descartar a hipótese de descoberta de condutos concentrações de fosfatos, ou ainda de sulfato, na forma alcalinos especializados, como os constituídos por de depósitos de gipsita. Isso está mudando. Os recentes rochas ultrapotássicas (camafugitos), comuns nesse resultados obtidos por experimentos nacionais estão a de- tipo de terreno. monstrar que o uso de pó de rochas básicas, ultrabásicas, alcalinas e mesmo tipo ácidos, como alguns granitos e até Elementos provenientes de investigações e xistos, pode remineralizar os solos, tanto com respeito aos reconhecimentos recentes seus elementos maiores, como Ca, Fe, Mg, K, quanto a Os diferentes levantamentos geológicos até então importantes elementos, como P, Mn, B etc. Nesse contex- realizados na Bacia Sedimentar do Parnaíba foram unâ- to, as pedreiras utilizadas para produção de brita surgem nimes em salientar o potencial geológico das formações como primeira prioridade para investigação; mas, também, sedimentares, com respeito a agrominerais, dolomitos, conforme observações corroboradas por análises químicas calcários, gipsita e fosfato, principalmente. Entretanto, ao realizadas no presente projeto, começa-se a cogitar de lado desses ambientes geológicos devem ser considerados explorações econômicas de rochas sedimentares pouco os extensos derrames de basaltos representados pelas consolidadas, cuja ambiência geológica lhes propiciou a formações Mosquito e Sardinha, essa última, sobretudo, acumulação desses elementos em porcentagens até agora ocorrente no vizinho estado do Piauí. consideradas “não econômicas”. Com respeito a esses ambientes geologicamente No caso da região meridional do Maranhão, carac- favoráveis, nos trabalhos de campo do presente projeto, terizada por grandes atividades agrícolas e pecuárias além das observações de campo, foram coletadas algumas em grande escala, coincidentemente, existem grandes amostras para análise, conforme ilustrado no Quadro 13.1, unidades geológicas da Bacia Sedimentar do Parnaíba, onde se observam os distintos quimismos e as condições de idades paleozoica e mesozoica, cujas características de afloramento da Formação Pastos Bons e do Basalto geológicas as colocam como potencialmente produtoras Mosquito. de insumos para a rochagem, como prática capaz de No que tange aos sedimentos da Formação Pastos impulsionar as atividades agropecuárias, não somente no Bons, ressalta-se que o registro sedimentar é ainda pouco que respeita ao desenvolvimento biológico das plantas, conhecido e que a extensão e localização de suas potencia- como também à sustentabilidade ambiental, assunto lidades carecem de estudos complementares. As amostras de tanto debate e controvérsias entre ambientalistas e coletadas nessa formação apresentaram composição quí- economistas. mica bastante promissora com vistas à rochagem, inclusive com a presença de carbonato e algum fósforo. A extensão Elementos factuais geográfica, a variabilidade faciológica e o fato de que esses sedimentos, sendo pouco consolidados, constituem Elementos geológicos superfícies planas e elevadas, conferem-lhe característica A geodiversidade da porção meridional do Maranhão favorável à exploração por meio de bancadas a céu aberto. combina diversos elementos, que lhe conferem especial Com respeito aos basaltos, deve-se considerar que se singularidade, no que respeita ao uso integrado dos re- conhece a existência de dois grandes pulsos magmáticos: cursos naturais: um com idade entre 160-190 Ma (Formação Mosquito), - regime de chuvas com duas estações bem definidas; que ocupa uma posição mais ocidental dentro da Bacia - pluviosidade, que, conquanto não seja abundante, do Maranhão, e outro pulso magmático com 115-122 Ma permite suprir a maior parte das necessidades dos (Formação Sardinha), na margem oriental dessa bacia. Essas plantios – aspecto passível de melhoria, conforme duas províncias apresentam características geoquímicas mudem as características físicas do solos, por meio distintas, o que permite prognosticar que a sua utilização de rochagem; como remineralizadores de solos venha a revelar resultados - presença de rios perenes, conquanto não muito distintos. A salientar, dentre as diferenças, que a província caudalosos; oriental apresenta maiores conteúdos em Fe, Ti, Mn, Na, - modelado dos terrenos, onde se destacam chapa- K e P e menores conteúdos em Mg (Tabela 13.1). dões arenosos, propícios à prática de agricultura Destacam-se, ainda, as caraterísticas composicionais intensiva; das zeólitas que cimentam os arenitos da Formação Cor- - ocorrência de lentes carbonáticas nos níveis estrati- da, intercalados com os basaltos da Formação Mosquito, gráficos inferiores da Bacia Sedimentar do Parnaíba, apresentados por Rezende (2002) em sua dissertação de aflorantes nas bordas das chapadas; mestrado e reproduzidos nas tabelas 13.2 e 13.3. 250 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO 251 Quadro 13.1 - Resultados analíticos de amostras coletadas nos trabalhos de campo do projeto levantamento da geodiversidade do estado do Maranhão. Identificação das Amostras Amostra TAF980 TAF981 TAF982 TAF983 Ambiência Siltito esverdeado da formação Calcarenito fino da formação Sequência de pelitos na formação Basalto amigdaloidal com zeólitas Pastos Bons Pastos Bons Pastos Bons e seladonita (baixo Ti) Si02 60,18 68,07 65,37 49,79 Ti02 0,87 1,86 0,17 1,73 Al203 16,39 15,63 5,72 13,83 Fe203 8,19 6,49 1,54 12,69 Mn0 0,03 0,08 0,06 0,2 Mg0 4,36 2,15 1,78 5,61 Ca0 0,63 0,33 10,42 9,5 Na20 0,21 0,14 0,27 1,75 K20 5,91 3,89 1,89 1,88 P205 0,02 0,28 0,05 0,15 p.f. 5,75 4,8 8,48 5,31 Soma 102,57 103,73 95,77 102,4 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO Conquanto a ocorrência de zeólitas, ou melhor, a por extensa ocorrência em superfície (Figura 13.16), cuja zeolitização de arenitos, por meio de processos supergenéticos extensão em subsuperfície foi confirmada por prospecções em ambientes em que estejam associadas rochas vulcânicas minerais apoiadas por sondagem vertical. Ocorre que a e sedimentares, seja conhecida há bastante tempo, deve- economicidade que se buscou alcançar nessas pesquisas se ressaltar a excelência das condições geológicas que foi direcionada ao uso das zeólitas conquanto espécies caracterizam o sul do estado do Maranhão, explicitadas minerais puras, o que é dificultado pelo fato de, por um lado, Tabela 13.1 - Comparação entre o quimismo dos basaltos das formações Mosquito e Sardinha, com a localidade amostrada neste trabalho. Província Ocidental – Baixo Ti Província Oriental – Alto Ti Elementos Formação Mosquito Formação Sardinha Amostra TAF983 Idade: 160-190 Ma Idade: 115-122 Ma Formação Mosquito Si02 51,5-53,5% 49,20-53,00% 49,79% Ti02 1,03-1,8% 2,5-4,14% 1,73% Al203 14-15% 12,8-14,5% 14,83 Fe203 9,5-10,3% 12-13,8% 12,69% Mn0 0,14-0,18% 0,17-0,20% 0,2% Mg0 6,0-8,0% 4,2-5,3% 5,61% Ca0 9,3-11,6% 5,4-9,10% 9,5% Na20 1,80-2,50% 2,5-4,0% 1,75% K20 0,60-1,50% 1,5-2,5% 1,88% P205 0,14-0,19% 0,5%-1,0% 0,15% Fonte: Fodor et al. (1990). Tabela 13.2 - Composição química (% peso) e fórmulas de estilbitas à base de 72 átomos de oxigênio. Amostra NR-A-11 Amostra NR-A-16 Amostra NR-A-13 Valores de Referência Elemento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 SiO2 60,47 60,78 59,24 61,95 61,68 61,42 59,10 58,74 59,90 51,97 53,77 58,34 56,85 Al2O3 15,73 16,14 16,38 16,14 16,21 16,16 15,53 15,21 15,18 18,34 16,77 15,32 15,58 Fe2O3 - - - - 0,04 - - - 0,06 0,03 0,08 0,18 0,08 MgO 0,12 0,11 0,12 0,11 0,15 0,16 0,12 0,14 0,14 0,03 0,03 0,16 0,06 CaO 8,11 8,29 8,05 8,46 8,56 8,50 8,15 7,77 8.11 7,88 7,75 3,31 7,89 Na2O 0,07 0,07 0,17 0,17 0,25 0,24 0,18 0,17 0,16 2,73 1,81 4,78 1,00 K2O 0,98 1,02 1,29 0,66 0,34 0,53 0,52 0,54 0,59 022 0,07 0,88 0,03 H2O 14,52 13,59 14,75 12,51 12,77 12,99 16,40 17,43 15,86 18,85 19,75 17,00 18,55 Total 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,05 100,03 99,97 100,04 Si 27,48 27,38 27,13 27,49 27,43 27,41 27,44 27,56 27,62 25,34 26,26 27,47 27,14 Al 8,47 8,57 8,84 8,44 8,50 8,50 8,50 8,41 8,25 10,54 9,66 8,50 8,77 Fe - - - - 0,01 - - - 0,02 0,01 0,03 0,06 0,03 Mg 0,08 0,07 0,08 0,07 0,10 0,10 0,08 0,10 0,10 0,02 0,02 0,11 0,04 Ca 3,97 4,00 3,95 4,02 4,08 4,06 4,05 3,91 4,01 4,12 4,06 1,67 4,04 Na 0,01 0,06 0,14 0,14 0,22 0,20 0,16 0,15 0,14 2,58 1,71 4,34 0,93 K 0,57 0,58 0,75 0,37 0,19 0,30 0,31 0,32 0,34 0,14 0,04 0,53 0,02 H2O 22,11 20,41 22,52 18,51 18,93 19,33 25,39 27,17 24,39 30,65 32,17 26,69 29,53 Erro (%) -2,4 -2,4 -2,2 -2,9 -3,0 -3,6 -2,6 -0,7 -4,8 -4,0 -2,3 +1,3 -3,4 Fonte: Rsende (2002) 252 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO Tabela 13.3 - Composição química (% peso) e fórmulas de laumontita à base de 72 átomos de oxigênio. NR-A-11 NR-A-13 Valores de Referência Elemento 1 2 3 4 5 6 7 8 SiO2 51,11 50,88 49,54 52,84 51,41 52,04 50,63 51,86 Al2O3 20,36 20,29 20,36 20,73 22,20 21,46 22,07 22,44 Fe2O3 - - - - 0,05 0,12 0,73 0,07 MgO - - - - - - 0,40 0,04 CaO 11,33 10,97 11,66 11,57 12,01 11,41 10,72 10,47 Na2O 0,02 - - 0,02 0,07 0,20 1,08 0,74 K2O 0,57 0,77 0,12 0,75 0,12 0,66 0,45 0,97 H2O 16,40 17,09 18,32 14,09 14,24 13,80 14,10 13,26 Total 100,00 100,00 100,00 100,00 100,11 99,69 100,23 100,06 Si 16,27 16,31 16,11 16,34 15,91 16,12 15,73 15,93 Al 7,64 7,65 7,80 7,55 8,10 7,48 8,08 8,13 Fe - - - - 0,01 0,03 0,17 0,05 Mg 0,02 - - 0,01 - - 0,19 0,02 Ca 3,86 3,72 4,06 3,83 3,98 3,79 3,57 3,45 Na 0,23 0,31 0,05 0,29 0,04 0,12 0,65 0,44 K 0,57 0,77 0,12 0,75 0,05 0,26 0,18 0,38 H2O 14,58 18,27 18,53 14,53 14,70 14,26 14,61 13,59 Erro (%) -4,1 -1,3 -4,5 -5,1 +0,7 -1,1 -1,0 +5,5 Fonte: Rezende (2002). estar-se lidando com um universo de mais de 200 espécies minerais e, de outro, que os nossos climas tropicais acabam gerando uma paragênese supergenética diversa, com respeito às zeólitas de outras regiões do mundo, onde se desenvolveram as pesquisas para o aproveitamento desses minerais. Ademais, no caso da rochagem, fatores referentes ao tipo de grade cristalina decorrentes de pequenas variações nos conteúdos químicos não deverão ter a mesma importância relativa (restrições), comparados aos usos que requerem pureza de espécie mineral. Mudanças Incertas Ainda que o desenvolvimento econômico mais provável venha a se pautar, fortemente, sob a ótica do Figura 13.16 - Vista parcial de afloramento de arenitos da formação Corda zeolitizados. atendimento às demandas externas 253 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO por commodities (nos próximos 20 ou 25 anos), convém A referida matriz corresponde a incertezas x hipóteses, que se façam os seguintes questionamentos: buscando expressar o quanto as componentes de conheci- a) Os cenários pesquisados abrangem todas as facetas mento e planejamento ambiental deverão ser detalhadas de um projeto de desenvolvimento sustentável? e agregadas aos cenários do desenvolvimento econômico, b) Como se dará a conservação dos serviços ambientais? evitando-se trilhar caminhos insustentáveis. c) Quais as estratégias para melhoria dos processos É preciso reconhecer que, até o momento, apesar econômicos, com vistas à sustentabilidade ambiental (eco- de inúmeras tentativas e ingentes esforços, no sentido de nômica, social e meio natural)? se reunirem os vieses econômico, social e ambiental, não Quanto aos questionamentos “a” e “b”, restam gran- se logrou atingir um estágio de alta eficiência. Contudo, des incertezas no que tange à sustentabilidade ambiental longe de servir de desânimo, isso deve ser encarado como (meio físico-biótico e socioeconômico). Há de se refletir um marco diferencial a ser perseguido. Os territórios sobre a alocação de recursos e esforços (políticas públicas), que melhor enfrentarem esse desafio construirão uma que consistem em investimento em: vantagem comparativa que os destacará no decorrer do - estudos de ZEE em mesoescala (1:250.000) e mi- presente século. croescala (1:100.000/50.000); Em outra vertente das considerações, o desafio pro- - recursos humanos e reforço às instituições, que se posto, conquanto implique dispêndio financeiro, situa-se deverão envolver em estudos socioeconômicos e no campo das decisões “endógenas” e, consequentemente, ambientais, licenciamento ambiental e assessoria ao os avanços a serem obtidos estarão na dependência da planejamento estratégico do estado e municípios; prioridade que lhes for atribuída. No caso de haver grande - melhoria do conhecimento geocientífico. demanda mundial por alimentos, moradia e serviços bási- Sobre o questionamento “c”, sua resposta dependerá cos, o Maranhão, por suas vantagens comparativas, estará de se saber como: apto a atender a boa parte dessas necessidades. - aumentar a produtividade na agricultura e pecuária; Cabe ressaltar que não existe um futuro pronto e - proteger e expandir a indústria do turismo; imutável e que compete ao homem garantir a sustentabi- - garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos e lidade dos territórios, potencializando e protegendo seus outros da geodiversidade necessários ao atendimen- recursos ambientais. to presente e futuro; Na impossibilidade de se adotarem todas as medidas - melhorar o perfil ecológico da energia requerida; recomendadas, com vistas ao desenvolvimento sustentável, - em que medida o conhecimento da geodiversidade que se dê a maior prioridade possível à preservação dos poderá contribuir para um projeto de sociedade. recursos hídricos – deles depende a possibilidade de haver um futuro viável. Hipóteses (Futuros Alternativos) Planejamento Estratégico: Incertezas críticas Elementos de Análise Listam-se as seguintes “incertezas” críticas a serem Conjugando todos os elementos de conhecimento confrontadas na matriz morfológica (Figura 13.18): da geodiversidade anteriormente tratados, destacam-se 1 – Formulação e adoção de um plano estratégico es- alguns fundamentos de uma estratégia geral que norteie tadual harmônico com o zoneamento ecológico-econômico o desenvolvimento sustentável do Maranhão. e os cenários setoriais. O primeiro ponto a considerar e que deverá imprimir 2 – Elaboração de zoneamentos ambientais em níveis definição ao cenário mais provável para 20-25 anos, é o de maior detalhamento e sua adoção nas políticas públicas aumento de 100% na demanda mundial por alimentos, e projetos produtivos. segundo a Food and Agriculture Organization of the United 3 – Adoção de medidas que promovam o desenvol- Nations/Organização das Nações Unidas para Alimentação vimento e a aplicação de modelos de sustentabilidade no e Agricultura (FAO). Tal previsão levou em conta o cresci- uso e ocupação do território. mento econômico das economias emergentes do planeta 4 – Adoção de medidas que induzam ao uso de novas e a ascensão social dos imensos segmentos sociais mais tecnologias, quanto à exploração e ao uso de recursos da pobres. Segundo essas previsões, o Brasil, por suas condi- geodiversidade, tais como os recursos hídricos superficiais cionantes locais, como o estoque de terras agricultáveis, e subterrâneos. clima e nível tecnológico, deverá contribuir com 40% dessa 5 – Adoção de medidas que propiciem a incorporação demanda. de novas tecnologias, considerando-se as potencialidades Do ponto de vista estratégico, em nível nacional, o e limitações da geodiversidade. principal gargalo, hoje, é a logística de transporte até os Os “cenários alternativos da geodiversidade”, no for- portos de escoamento, que, regionalmente, encontra no mato de matriz morfológica (Figura 13.17), sintetizam as Maranhão uma situação relativamente boa, se comparada considerações apresentadas. a outras regiões do país. 254 CENÁRIOS DA GEODIVERSIDADE DO MARANHÃO Matriz Morfológica das Incertezas e Hipótesses quanto ao Futuro da Geodiversidade Incertezas Críticas Hipóteses Plausíveis Uso e ocupação do ZEE estadual conjugado com Atendido Atendido parcialmente. Não ou pouco atendido. território com base “cenários”. completamente. unicamente em planejamentos setoriais. Indisponível como ZEE: avaliação de impactos Elaborado para todos os Elaborados Pouco ou não em níveis locais. ferramenta do polos econômicos. efetivamente. elaborados. planejamento territorial. Uso e ocupação com base em Parcialmente modelos de sustentabilidade. Fortemente embasados Pouco embasados. Modelos indisponíveis.embasados. Desenvolvimento e adoção de novas tecnologias para exploração dos recursos Amplo. Parcial. Negligível. Indisponíveis hídricos e solos. Apropriação dos recursos ambientais e construção Políticas de uso e territorial baseada nas potencialidaes e limitações Amplo. Parcial. Eventual. ocupação baseadas no da geodiversidade e da que vier a acontecer biodiversidade. Cenario A Cenário B Cenário C Cenário D Desenvolvimento Desenvolvimento Desenvolvimento Desenvolvimento Cenários Alternativos econômico pouco econômico forte sustentável e geração medianamente sustentável, relevantes mas absolutamente de novos eixos de sustentável com impactos sociais e insustentável no médio desenvolvimento. impactos setorizados. ambientais negativos. prazo. Figura 13.17 - Matriz morfológica das incertezas e hipóteses quanto ao futuro da geodiversidade no estado do Maranhão. Também, deve-se ter em mente que o agronegócio Por último, permeando todas as linhas de desenvolvi- moderno, tecnificado, baseia-se essencialmente em clima + mento, cabe mencionar o papel estratégico da educação água + corretivos dos solos e, nesse contexto, a disponibili- e da pesquisa tecnológica afinadas com o plano estraté- zação de agrominerais clássicos e as descobertas de outros gico geral. Se esse aspecto for descuidado, a cena final tipos, que começam a ser evidenciados pelas pesquisas em se caracterizará pelo baixo desenvolvimento social local, agrogeologia, configuram-se como elementos fundamen- criando-se os melhores empregos e destinando-se os re- tais para a sustentabilidade desse eixo econômico. sultados econômicos mais expressivos para outras regiões, A conservação dos recursos hídricos, conforme re- restando às populações locais os passivos ambientais e a ferenciada em diversos pontos deste capítulo, deve ser baixa autonomia de decisão sobre seu futuro. colocada no topo das prioridades estratégicas. O papel da mineração para a formação de capital e REFERÊNCIAS produto interno bruto (PIB) é bastante conhecido há muito tempo e o estado do Maranhão apresenta potencial ainda ANA. Ministério do Meio Ambiente. Bases de não revelado por falta de conhecimento geológico adequa- dados georreferenciadas: bacias. 2006. Disponível do. A exploração dos materiais de construção, agrominerais em: . Acesso em: 20 abr. 2012. associativismo e a formação de arranjos produtivos locais, buscando-se atender à demanda política por um desen- ARAÚJO, P.P.; CHAVES, C.L.; SILVA, H.R. volvimento econômico includente. Vulnerabilidade das águas subterrâneas no estado As políticas para o setor mineral devem incentivar a do Maranhão, em SIG. Escala 1:2.000.000. In: verticalização das cadeias produtivas, de forma a agregar CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 46., 2012, valor ao recurso geológico, além de promoverem a criação Santos, SP. Anais... Santos, SP. SBG Núcleo São Paulo, de emprego e distribuição da renda. 2012. 1 CD-ROM. 255 GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO MARANHÃO BANDEIRA, I.C.N.; DANTAS, M.E.; THEODOROVICZ, A.; oportunidades_negocio_no_maranhao.pdf>. Acesso SHINZATO, E. Mapa geodiversidade do estado do em: 29 jun. 2012. Maranhão. Teresina: CPRM, 2013. MARCIAL, E.C.; GRUMBACH, R.J.S. Cenários BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Detalhamento prospectivos: como construir um futuro melhor. 3. ed. da metodologia para execução do zoneamento Rio de Janeiro: FGV, 2003. ecológico-econômico pelos estados da Amazônia Legal. Brasília, DF: MMA, SE/PR, 1997. 43 p. MARQUES, V.J.; SERFATY-MARQUES, S. Geosciences and sustainable land development in Amazônia. In: BUARQUE, S.C. Metodologia e técnicas de INTERNATIONAL GEOLOGICAL CONGRESS, 31., 2000, construção de cenários globais e regionais. Brasília, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: International DF: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2003. Union of Geological Sciences, 2000. (Texto para Discussão, 939). MARQUES, V.J.; SERFATY-MARQUES, S. Uma visão DESAFIOS para o gerenciamento sustentável das águas geocientífica para o zoneamento ecológico-econômico. subterrâneas. Notícias da ABC, Rio de Janeiro, 9 ago. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 7., 2001, 2012. Disponível em: . Acesso em: 16 ago. 2012. Norte, 2001a. ELETRONORTE. 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