Programa Geologia do Brasil – carta geológica na escala GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Programa Geologia do Brasil 1:100.000 – cujo objetivo é o de gerar e difundir DA FOLHA PAU DOS FERROS* informações geológicas para subsidiar o planejamento SB.24-Z-A-II Levantamentos Geológicos Básicos territorial e o uso do solo e do subsolo, além de induzir Escala: 1:100.000 o aumento dos investimentos em prospecção e pesquisa mineral, com vistas ao desenvolvimento da ESTADOS DO RIO GRANDE DO NORTE E indústria de mineração no país. CEARÁ GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS A FOLHA PAU DOS FERROS foi executada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, DA FOLHA PAU DOS FERROS* através de inovadora parceria com o Serviço Geológico do Brasil – CPRM, que permite incorporar à atividade de mapeamento sistemático do território nacional parte do SB.24-Z-A-II acervo dos trabalhos das universidades, trazendo a público conhecimentos até então restritos ao ambiente acadêmico. Com metodologia revista e atualizada, utilizando tecnologia de Sistema de Informação Geográfica – SIG, o mapa ora disponibilizado não retrata apenas leitura estática da geologia regional. É um produto dinâmico, através do qual a manipulação e atualização contínua permitem inúmeras possibilidades de cruzamento de dados e novas interpretações, de acordo com as necessidades e requisitos do usuário. Este produto também está disponível para consultas e download de arquivos vetoriais no GEOBANK – banco de dados geológicos da CPRM na Internet. * PARCERIA COM A UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Escala: 1:100.000 www.cprm.gov.br 2017 SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA * PARCERIA COM A UNIVERSIDADE FEDERAL DO Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495 E-mail: seus@cprm.gov.br E-mail: ouvidoria@cprm.gov.br RIO GRANDE DO NORTE – UFRN SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO MINISTÉRIO DE E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINAS E ENERGIA 1:100.000 GEOLOGIA E RECURSOS MINERAISDA FOLHA PAU DOS FERROS* SB.24-Z-A-II MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE Programa Geologia do Brasil GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA PAU DOS FERROS* SB.24-Z-A-II Escala 1:100.000 ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE Laércio Cunha de Souza Wendell Gomes Magalhães Jaziel Martins Sá Williame Medeiros Cocentino Jean Michel Legrand Cristiane Paulino de Menezes Heitor Neves Maia Rafael Fillippi Tadeu Ferreira de Melo * Parceria com Contrato Nº 059/PR/2008 Recife 2017 Programa Geologia do Brasil – PGB Integração, atualização e difusão de dados da geologia do brasil CPRM - SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE AV. SUL, 2291 – BAIRRO AFOGADOS RECIFE – PE – 50.770-011 FAX: (81) 3216-1400 TEL: (81) 3316-1403 HTTP://WWW.CPRM.GOV.BR BIBLIOTECARE@CPRM.GOV.BR So uza, Laé c i o C u n ha de (Org.) Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros SB.24-Z-A-II Escala 1:100.000. Estados do Rio Grande do Norte. / Laécio Cunha de Souza [et al.]. - Recife: CPRM - Serviço Geológico do Brasil / Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2014. N.P il. + mapas ISBN 978-85-7499-315-7 Programa Geologia do Brasil - PGB. Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil. 1.Geologia Regional 2. Mapeamento Geológico. 3. SIG 4. Brasil 5. Rio Grande do Norte I. Sá, Jaziel Martins. II. Legrand, Jean Michel. III. Maia, Heitor Neves . IV. Melo, Tadeu Ferreira de V. Magalhães, Wendell Gomes. VI. Cocentino, Williame Medeiros. VII. Menezes, Cristiane Paulino de VIII. Fillippi, Rafael IX. Título CDD 558.132 Ficha catalográfica elaborada na CPRM-RE por Bibl. Dalvanise da Rocha S. Bezeril Direitos desta edição: Serviço Geológico do Brasil - CPRM É permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE Programa Geologia do Brasil GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA PAU DOS FERROS MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA Fernando Coelho Filho Ministro de Estado SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL Vicente Lôbo Secretário SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Eduardo Jorge Ledsham Diretor-Presidente José Carlos Garcia Ferreira Diretor de Geologia e Recursos Minerais Stênio Petrovich Pereira Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Esteves Pedro Colnago Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento José Carlos Garcia Ferreira (interino) Diretor de Administração e Finanças Reginaldo Alves dos Santos Chefe do Departamento de Geologia Edilton José dos Santos Chefe da Divisão de Geologia Básica Patricia Duringer Jacques Chefe da Divisão de Geoprocessamento Marília Santos Salinas do Rosário Chefe da Divisão de Cartografia José Márcio Henriques Soares (interino) Chefe do Departamento de Relações Institucionais e Divulgação José Márcio Henriques Soares Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE Sérgio Maurício Coutinho Corrêa de Oliveira Superintendente Regional Ana Cláudia de Aguiar Accioly Gerente de Geologia e Recursos Minerais Douglas Silva Luna Gerente de Relações Institucionais e Desenvolvimento UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE Angela Maria Paiva Cruz Reitora Heitor Neves Maia Chefe do Departamento de Geologia MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA PAU DOS FERROS CRÉDITOS DE AUTORIA DO RELATÓRIO Capítulo 1 - INTRODUÇÃO Capítulo 4 – GEOLOGIA ESTRUTURAL E Jaziel Martins Sá Laécio Cunha de Souza METAMORFISMO Jean Michel Legrand Jaziel Martins Sá Laécio Cunha de Souza Heitor Neves Maia Jean Michel Legrand Jaziel Martins Sá REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Heitor Neves Maia Jean Michel Legrand Capítulo 2 – CONTEXTO GEOLÓGICO Heitor Neves Maia Laécio Cunha de Souza REGIONAL Capítulo 5 – GEOCRONOLOGIA Jaziel Martins Sá Laécio Cunha de Souza Jaziel Martins Sá Jean Michel Legrand Heitor Neves Maia Laécio Cunha de Souza Heitor Neves Maia Jaziel Martins Sá Jean Michel Legrand Tadeu Ferreira de Melo Jean Michel Legrand Heitor Neves Maia Wendell Gomes Magalhães Capítulo 3 – LITOESTRATIGRAFIA Capítulo 6 - RECURSOS MINERAIS Williame Medeiros Cocentino Laécio Cunha de Souza, Jaziel Martins Sá Laécio Cunha de Souza Cristiane Paulino de Menezes Jean Michel Legrand Heitor Neves Maia Rafael Fillippi Heitor Neves Maia Jaziel Martins Sá Tadeu Ferreira de Melo Jean Michel Legrand SÚMULA DOS DADOS FÍSICOS Wendell Gomes Magalhães Tadeu Ferreira de Melo Laécio Cunha de Souza Williame Medeiros Cocentino Capítulo 7 – CONCLUSÕES E Heitor Neves Maia Cristiane Paulino de Menezes RECOMENDAÇÕES Jaziel Martins Sá Rafael Fillippi Laécio Cunha de Souza Jean Michel Legrand APOIO TÉCNICO DA CPRM Adeilson Alves Wanderley Superintendência Regional de Recife Edilton José dos Santos Sérgio Maurício Coutinho Corrêa de Oliveira José Wilson de Castro Temoteo Gerencia de Geologia e Recursos Minerais Patricia Duringer Jacques Ana Cláudia Aguiar Accioly Reginaldo Alves dos Santos Coordenação de Revisão Bibliográfica Vladimir Cruz de Medeiros Roberta Pereira da Silva de Paula Responsável pelo Contrato Organização e Controle da Editoração Final Luiz Carlos da Silva Alan Düssel Schiros Washington José Ferreira Santos EQUIPE TÉCNICA DA UFRN - DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA Responsável Técnico Curso de Graduação em Geologia - UFRN Laécio Cunha de Souza Cristiane Paulino de Menezes Jaziel Martins Sá Tadeu Ferreira de Melo Jean Michel Legrand Wendell Gomes Magalhães Heitor Neves Maia Williame Medeiros Cocentino Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica - UFRN Rafael Rabelo Fillippi Jaziel Martins Sá Editoração para publicação UNIKA Editora EDIÇÃO DO PRODUTO DIGITAL Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento Departamento de Relações Institucionais e Divulgação – DERID - José Márcio Henriques Soares (interino) Divisão de Marketing e Divulgação – DIMARK - José Márcio Henriques Soares Divisão de Geoprocessamento – DIGEOP/SA - Reginaldo Leão Neto – SIG/GEOBANK Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros APRESENTAÇÃO O Programa Geologia do Brasil (PGB), desenvolvido pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil é responsável pela retomada em larga escala dos levantamentos geológicos básicos do país. Este programa tem por objetivo a ampliação acelerada do conhecimento geológico do território brasileiro, fornecendo subsídios para mais investimentos em pesquisa mineral e para a criação de novos empreendimentos mineiros, com a consequente geração de oportunidades de emprego e renda. Além disso, os dados obtidos no âmbito desse programa também são aplicados em programas de águas subterrâneas, gestão territorial e em outras atividades de interesse social. Destaca- se, entre as ações mais importantes e inovadoras desse programa, a estratégia de implementação de parcerias com grupos de pesquisa de universidades públicas brasileiras, em trabalhos de cartografia geológica básica na escala 1:100.000. Trata-se de uma experiência que, embora de rotina em outros países, foi de caráter pioneiro no Brasil, representando uma importante quebra de paradigmas para as instituições envolvidas. Essa parceria representa assim, uma nova modalidade de interação com outros setores de geração de conhecimento geológico, à medida que abre espaço para a atuação de professores, em geral líderes de grupos de pesquisa, os quais respondem diretamente pela qualidade do trabalho e possibilitam a inserção de outros membros do universo acadêmico. Esses grupos incluem também diversos pesquisadores associados, bolsistas de doutorado e mestrado, recém-doutores, bolsistas de graduação, estudantes em programas de iniciação científica, dentre outros. A sinergia resultante da interação entre essa considerável parcela do conhecimento acadêmico nacional com a excelência em cartografia geológica praticada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) resulta em um enriquecedor processo de produção de conhecimento geológico que beneficia não apenas a academia e o SGB, mas à toda a comunidade geocientífica e à indústria mineral. Os resultados obtidos mostram um importante avanço, tanto na cartografia geológica quanto no estudo da potencialidade mineral e do conhecimento territorial em amplas áreas do território nacional. O refinamento da cartografia, na escala adotada, fornece aos potenciais usuários, uma ferramenta básica, indispensável aos futuros trabalhos de exploração mineral ou aqueles relacionados à gestão ambiental e à avaliação de potencialidades hídricas, dentre outros. Além disso, o projeto foi totalmente desenvolvido em ambiente SIG e vinculado ao Banco de Dados Geológicos da CPRM (GEOBANK), incorporando o que existe de mais atualizado em técnicas de geoprocessamento aplicado à cartografia geológica e que encontra-se também disponível no Portal da CPRM - www.cprm.gov.br. Esse volume contém a Nota Explicativa da Folha Pau dos Ferros (SB-24-Z-A-II), juntamente com o Mapa Geológico na escala 1:100.000 em ambiente SIG, executado pela UFRN, através do Contrato CPRM-UFRN No 059/PR/08. EDUARDO JORGE LEDSHAM JOSÉ CARLOS GARCIA FERREIRA Diretor - Presidente Diretor de Geologia e Recursos Minerais Serviço Geológico do Brasil - CPRM Serviço Geológico do Brasil - CPRM V Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros RESUMO A Folha Pau dos Ferros está situada entre as latitudes 06º00’ e 06º30’ S e as longitudes 38º00’ e 38º30’ W, no extremo oeste Rio Grande do Norte englobando parte dos estados do Ceará e da Paraíba. A cartografia geológica associada aos dados geocronológicos (U/Pb, Pb/ Pb, Sm/Nd) têm evidenciado dois domínios gnáissico-migmatíticos, riacianos, denominados de complexos Jaguaretama e Caicó, essencialmente ortoderivados e separados pela Zona de Cisalhamento Portalegre. O Complexo Jaguaretama é intrudido pelos ortognaisses estaterianos da suíte Serra do Deserto, sobre a qual repousa os restritos metassedimentos paleoproterozoicos do Grupo São José. No Complexo Caicó se destacam as intrusões dos ortognaisses augen, riacianos superiores a orosirianos, da Suíte Poço da Cruz. Esses dois domínios são fortemente afetados pela tectônica brasiliana, sob metamorfismo de fácies xisto verde a anfibolito superior, com volumoso aporte magmático diorítico a granítico, além de freqüentes alojamentos de corpos pegmatíticos durante o Neoproterozoico. As estruturas dúcteis brasilianas foram reativadas no Mesozoico, tendo estas reativações sido responsáveis pela formação de sistemas de grabens gerando as estreitas e rasas bacias sedimentares de Rafael Fernandes, Coronel João Pessoa e Rio do Peixe, assoreadas principalmente por conglomerados e arenitos, com intercalações síltico-argilosas. Os recursos minerais se destacam pelas mineralizações de berilo e feldspatos associados aos pegmatitos e esmeraldas encaixadas em rochas miloníticas associadas à venulações pegmatíticas, especialmente na porção sudeste da Folha, nos municípios de Paraná, Alexandria (RN) e adjacências. Outrossim, também é destaque as ocorrências de ouro associadas às rochas metamórficas e miloníticas (quartzitos tectono-hidrotermais) afetando os ortognaisses da Suíte Serra do Deserto, na porção oeste da Folha, ao longo da Serra do Encanto. Enfim, a Folha Pau dos Ferros encerra representantes litológicos de quase todos os períodos geológicos, fato pouco comum nas demais folhas geológicas 1:100.000 no nosso país. VII Programa Geologia do Brasil VIII Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros ABSTRACT The Pau dos Ferros geological map is located between latitudes 06º00' and 06º30'S and longitudes 38º00'and 38º30'W, in the western of Rio Grande do Norte encompassing part of the Ceará and Paraíba states. The geological mapping associated with geochronological U-Pb and Sm-Nd data have evidenced two rhyacian geological terranes separated by the Portalegre Shear Zone, the so called Jaguaretama and Caicó Basement Complexes, being also represented by banded gneisses, orthogneisses and migmatites. The Jaguaretama Complex, in the western part of Portalegre Shear Zone, is intruded by Statherian orthogneisses of the Serra do Deserto Suite, on which rest Paleoproterozoic metasediments of the São José Group. In the Caicó Complex, in the eastern part, stand out the intrusions of Superior Rhyacian to Orosirian augen orthogneisses of the Poço da Cruz Suite. These two Domains are strongly affected by brasiliano tectonic events, on greenschist to superior amphibolite facies, with important contribution of dioritic and granitic magmatism, besides emplacement of pegmatite bodies during later Neoproterozoic times. The ductile Brasiliano structures were reactivated in the Mesozoic period, which were responsible by the formation of grabens generating the narrow Rafael Fernandes, Coronel João Pessoa and Rio do Peixe sedimentary basins. These basins are mainly represented by conglomerates and sandstones, including silt and clay intercalations. Mineral resources are highlighted by beryl and feldspar mineralizations associated to pegmatites, besides emeralds in mylonitic rocks associated with pegmatitic veins, which occur mainly close to Paraná and Alexandria towns in the southeastern portion of the geological map. Gold occurrences are also featured associated with mylonitic rocks on orthogneisses from Serra do Deserto Suite, producing tectono-hydrothermal quartzites along the Serra do Encanto ridge. IX Programa Geologia do Brasil X Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros SUMÁRIO 1 — INTRODUÇÃO ................................................................................... 15 1.1 - APRESENTAÇÃO .......................................................................................15 1.2 - ASPECTOS FISIOGRÁFICOS ...........................................................................15 1.3 - ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS ....................................................................16 2 — CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL ......................................................... 19 2.1 - EMBASAMENTO E SUPRACRUSTAIS..................................................................19 2.2 - MAGMATISMO NEOPROTEROZOICO .................................................................22 2.2.1 - Suíte intrusiva São João do Sabugi .....................................................................22 2.2.2 - Suíte intrusiva Itaporanga ................................................................................22 2.2.3 - Suíte intrusiva Dona Inês .................................................................................23 2.2.4 - Suíte intrusiva Catingueira ...............................................................................23 2.2.5 - Suíte intrusiva Umarizal ..................................................................................23 2.3 - QUARTZITOS TECTÔNICOS ..........................................................................23 2.4 - BACIAS SEDIMENTARES CRETÁCEAS ................................................................23 2.4.1 - Bacia Potiguar .............................................................................................24 2.4.2 - Bacia Rio do Peixe .........................................................................................26 2.5 - MAGMATISMO FANEROZOICO .......................................................................26 3 — LITOESTRATIGRAFIA ........................................................................... 27 3.1 - INTRODUÇÃO..........................................................................................27 3.2 - UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS ..................................................................27 3.2.1 - Complexo Jaguaretama (PP2j) ..........................................................................29 3.2.2 - Complexo Caicó ...........................................................................................34 3.2.3 - Suíte Poço da Cruz (PP3γpc e PP3δpc) .................................................................40 3.2.4 - Biotita gnaisse xistoso e anfibolitos do Grupo Serra de São José ..................................40 3.2.5 - Suíte Serra do Deserto ....................................................................................44 3.2.6 - Granitoides neoproterozoicos ...........................................................................45 3.2.7 - Rochas miloníticas ........................................................................................55 3.2.8 - Pegmatitos .................................................................................................60 3.2.9 - Magmatismo Rio Ceará-Mirim ...........................................................................60 3.2.10 - Sedimentos mesozoicos ................................................................................62 3.2.11 - Sedimentos cenozoicos .................................................................................62 4 — GEOLOGIA ESTRUTURAL E METAMORFISMO ............................................... 65 4.1 - INTRODUÇÃO..........................................................................................65 4.2 - EVENTO DEFORMACIONAL/METAMÓRFICO (D1/M1) ..............................................65 4.3 - EVENTO DEFORMACIONAL/METAMÓRFICO (D2/M2) ..............................................66 4.4 - EVENTO DEFORMACIONAL/METAMÓRFICO (D3/M3) ..............................................68 4.5 - EVENTO DEFORMACIONAL RÚPTIL (D4) ............................................................78 5 — GEOCRONOLOGIA .............................................................................. 81 5.1 - ANÁLISES U-Pb ........................................................................................81 5.2 - ANÁLISES SM-Nd ......................................................................................81 XI Programa Geologia do Brasil 6 — RECURSOS MINERAIS ...........................................................................87 6.1 - INTRODUÇÃO..........................................................................................87 6.2 - CLASSIFICAÇÃO METALOGENÉTICA .................................................................87 6.3 - OCORRÊNCIAS MINERAIS .............................................................................87 6.3.1 - Água Marinha ...............................................................................................88 6.3.2 - Esmeralda ..................................................................................................89 6.3.3 - Ametista ....................................................................................................90 6.3.4 - Ouro .........................................................................................................90 6.3.5 - Rocha ornamental .........................................................................................91 6.3.6 - Feldspato e caulim ........................................................................................92 6.3.7 - Agregados para construção civil ........................................................................92 6.3.8 - Argila para cerâmica vermelha ..........................................................................92 7 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ..........................................................97 7.1 - CONCLUSÕES ..........................................................................................97 7.2 - RECOMENDAÇÕES ....................................................................................99 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 101 SÚMULA DOS DADOS FÍSICOS .................................................................... 107 XII GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA PAU DOS FERROS SB.24-Z-A-II ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 1 — INTRODUÇÃO 1.1 - APRESENTAÇÃO da UFRN cobrem parte desta Folha (Souza, 1981; Lira, 1981; Rego, 1981; Medeiros Neto, 1981a, b; O texto explicativo é concernente à fase final do Sena de Sá, 1981; Oliveira, 1982; Souza, 1982 e Programa Geologia do Brasil, referente ao convênio Carvalho, 1982), foram sumarizados por Jardim de firmado entre o Ministério das Minas e Energia/ Sá et al. (1981), os quais envolveram cartografia Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais e geológica, relações estratigráficas e evolução a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tectônica e metamórfica (Figura 1.2). Os resultados intermediada pela Fundação Norteriograndense destas atividades tiveram papel fundamental, de Pesquisa e Cultura do Rio Grande do Norte embora não possuindo dados digitais de localização (FUNPEC), contrato 059/PR/2008. O objeto de estudo de afloramentos, servindo de base para os novos corresponde ao mapeamento geológico na escala levantamentos geológicos da região, tais como 1:100.000 da Folha Pau dos Ferros (SB24-Z-A-II). cartografia geológica do estado do Rio Grande do A Folha Pau dos Ferros está situada no Norte e geocronologia (Angelim et al., 2006). extremo oeste do Rio Grande do Norte, abrangendo Em seguida, esboça-se uma sucinta revisão dos parte dos estados do Ceará e da Paraíba, entre conhecimentos prévios relativos à Folha em questão, as latitudes 06º00’ e 06º30’ S e as longitudes envolvendo o arcabouço geológico regional, unidades 38º00’ e 38º30’ W (Figura 1.1), onde já existe uma litoestratigráficas, feições estruturais, metamórficas base de conhecimento geológico destacando- e geocronológicas, além de comentários sobre os se o mapeamento geológico na escala 1:250.000 recursos minerais. efetuado por Cavalcante (1999) e Angelim et al. (2006). Ressaltam-se também as várias atividades 1.2 - ASPECTOS FISIOGRÁFICOS de graduação e pesquisa realizadas pelo quadro de pesquisadores do Departamento de Geologia da A região estudada apresenta clima tropical UFRN. Nestas atividades estão incluídas estudos semi-árido, sendo localmente sub-úmido na região específicos de tectônica frágil em algumas áreas, de Luís Gomes, São Miguel e Doutor Severiano (RN). delimitação de pequenas bacias interiores e estudos A vegetação dominante é a caatinga hiperxerofítica de traços de fissão, entre outros. Neste contexto, os caracterizada por cactáceas e plantas de porte trabalhos desenvolvidos no início da década de 80 mais baixo e espalhada, com trechos de floresta realizados pelo Departamento/Curso de Geologia caducifólia distinguida como uma vegetação com Figura 1.1 – Mapa com a localização e vias de acesso da Folha Pau dos Ferros (área delimitada pelo quadrado em preto). 15 Programa Geologia do Brasil Figura 1.2 – Mapa de localização das áreas previamente cartografadas na Folha Pau dos Ferros. espécies e folhas caducas que caem no período mais pelo horizonte B abaixo do fraco a moderado seco (Beltrão et al, 2005a, b, c, d, e) (Figura 1.3a, b). horizonte A ou horizonte E. As argilas podem mostrar A geomorfologia da região é caracterizada por fendas neste tipo de solo (Monteiro Filho, 2009). duas feições: (1) a depressão sertaneja e (2) o planalto Os podizólicos apresentam fertilidade alta, bem da Borborema. A depressão sertaneja é distinguida drenados e relevo suave a ondulados principalmente por uma superfície de pediplanação monótona, no município de Pau dos Ferros e arredores (Beltrão predominando um relevo suave a ondulado, cortada et al, 2005e). por vales estreitos com vertentes dissecadas (Figura Os rios da região estudada pertencem as 1.3c). Neste contexto os complexos de embasamento bacias hidrográficas Apodi-Mossoró e Rio-Piranhas. Caicó e Jaguaretama são o substrato geológico. O A rede de drenagem é representada principalmente planalto da Borborema tem como características pelos riachos Encanto e Santana afluentes do rio principais elevações residuais, cristas alongadas, Apodi, este sendo o principal tributário da bacia serras e picos mais altos, formados por litologias Apodi-Mossoró. Os açudes importantes da região são mais resistentes a erosão (Figura 1.3d). Este planalto os açudes Jesus, Maria e José; público de Angicos; forma as principais serras da região, como as serra público de Bananeira e Marcelino Vieira, açude de São José, das Almas, do Castelo e do Cantinho Flexas em José da Penha, açude Santana a leste de entre Poço Dantas/PB - Venha Ver/RN – Encanto/RN Água Nova, açude de Pau dos Ferros (público 25 e Ererê/CE; as serras do Desterro, dos Cachimbos, de Março) e os açudes Encanto e público de Bonito do Croata e do Camelo na região de Luís Gomes e as em São Miguel (Beltrão et al, 2005a e Beltrão et al, serras Negra e do Panati entre José da Penha/RN e 2005c). Tenente Ananias/RN (Beltrão et al, 2005b e Beltrão et al, 2005d). Neste contexto se destacam os corpos 1.3 - ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS granitoides e os quartzitos miloníticos. Os solos da região são predominantemente As atividades econômicas no contexto da Folha argilossolos, luvissolos e podzólicos vermelhos, Pau dos Ferros envolvem a agricultura, pecuária, amarelos. O argilossolo é caracterizado por um as restritas atividades mineiras, além do comércio aumento de argila do horizonte A para o horizonte B, movido principalmente pela economia oriunda do de coloração acinzentada e avermelhada. O luvissolo funcionalismo público lotado nas prefeituras e os apresenta profundidades medianas e é distinguido recursos decorrentes de aposentadorias e do bolsa 16 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D Figura 1.3 – Exemplos de alguns aspectos fisiográficos da Folha: (a) caatinga hiperxerofítica na encosta da serra de Poço Dantas; (b) floresta caducifólia na serra do croata; (c) depressão sertaneja monótona encontrando-se com planalto da Borborema na serra do Camelo e (d) planalto da Borborema na Serra de São José com cristas alongadas e elevações residuais. família. Neste contexto, Pau dos Ferros se destaca A agricultura é principalmente de subsistência como o principal pólo comercial da Folha homônima. ou agricultura familiar envolvendo principalmente As atividades mineiras envolvem especialmente a produção de feijão, milho e mais raramente o no domínio da cerâmica vermelha com a produção algodão arbóreo. de telhas e tijolos, além da produção de brita e A pecuária é representada principalmente paralelepípedos. No domínio das gemas (p. ex. berilo, pelos rebanhos de bovinos, suínos, caprinos e ovinos, esmeralda e ametista) e ouro é um setor próximo do e em menores proporções de muares. Os principais abandono e merecem incentivos. Os dados analíticos produtos de origem animal são as carnes bovina, deste último apresentados por Paiva et al. (1988) não caprina, e em menor expressão as suínas e ovinas. A são animadores. produção de leite é predominantemente de origem bovina. 17 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 2 — CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL 2.1 - EMBASAMENTO E SUPRACRUSTAIS um conjunto de metaplutônicas, metavulcânicas e metassedimentos com idade U/Pb em torno de A Província Borborema (PB) abrange grande 1,8 Ga (Macedo et al., 1988; Sá, 1991; Cavalcante, parte do Nordeste do Brasil (Almeida et al., 1977), 1999), constituindo o Grupo Orós (Braga & sendo limitada geologicamente a sul pelo Cráton Mendonça, 1984). A faixa Jaguaribe, com episódios São Francisco, a oeste pelos sedimentos paleozoicos policíclicos, é dominantemente representada por da Bacia do Parnaíba, e a norte e a leste por rochas gnaisses e migmatitos do embasamento – Complexo sedimentares meso-cenozoicas. A PB registra intensa Jaguaretama com idade paleoproterozoica (Gomes atividade orogênica no fim do Neoproterozoico & Vasconcelos, 2000; Ferreira & Santos, 1998) (orogênese brasiliana), causada pela colisão entre os e subordinamente por faixas monocíclicas de crátons do Oeste Africano/São Luís e São Francisco/ metassedimentos e metavulcânicas (Mendonça Congo-Kasai (Jardim de Sá, 1994; Brito Neves et & Braga, 1987) constituindo o Grupo Jaguaribe al., 2000). Assim, a Província Borborema envolveu (Cavalcante, 1999). A idade U/Pb em torno de 1,75 a colagem de diversos blocos crustais arqueanos Ga em metavulcânicas indicam que esta sequência a paleoproterozoicos (Brito Neves et al., 2000) metavulcanossedimentar é correlata ao Grupo Orós constituindo o embasamento representado por (Figueiredo Filho, 1994). granulitos, migmatitos e ortognaisses (Dantas, 1997; Supracrustais do Grupo Serra de São José, Souza et al., 2007; Hollanda et al., 2011). Sobre este ocupando a porção leste da Faixa Jaguaribe, são embasamento encontram-se cinturões de rochas representadas por quartzitos, metaconglomerados, metasupracrustais de fácies xisto verde a granulito e paragnaisses, micaxistos e metavulcânicas (Jardim de idades paleoproterozoica a neoproterozoica. Esses de Sá et al., 1981; Magini, 2001), sendo consideradas blocos crustais estão bordejados por espessas zonas monocíclicas. Idades Pb-Pb de ca. 1,77 Ga nestas de cisalhamento transcorrentes ou transcorrente- metavucânicas (Cavalcante, 1999) e U-Pb em zircão transpressivas e contracionais geradas ao longo de ca. 1,67 Ga (Sá, 1991) obtida em ortognaisses do ciclo brasiliano. Associado aos cisalhamentos augen da suite Serra do Deserto (Cavalcante, aparece um volumoso plutonismo neoproterozoico 1999), considerados anorogênicos, apontam para a predominantemente granítico, com dioritos e gabros deposição cronocorrelata das supracrustais daquele subordinados. grupo. A Província Borborema foi dividida em três O Domínio Rio Piranhas – Seridó corresponde domínios tectônicos principais: (a) Domínio Norte, aos terrenos Rio Piranhas e Faixa Seridó ocupando a norte da zona de cisalhamento Patos, (b) Domínio a faixa entre as zonas de cisalhamento Picuí- João Central entre as zonas de cisalhamento Patos a Câmara e Portalegre (Brito Neves et al., 2000) e norte e a zona de cisalhamento Pernambuco a sul, limitando-se a oeste e a leste respectivamente pelos e (c) Domínio Sul entre a zona de cisalhamento domínios Jaguaribeano e São José de Campestre. Pernambuco e o Cráton do São Francisco, conforme Este domínio (Rio Piranhas – Seridó) compreende dados de U-Pb e Sm-Nd (Van Schmus et al., 1995; Van um embasamento Rio Piranhas e uma cobertura de Schmus et al., 1997). Para Brito Neves et al. (2000), rochas supracrustais constituindo a Faixa Seridó. a Subprovíncia Setentrional pode ser dividida ainda Este embasamento, situado predominantemente nos domínios Médio Coreau, Ceará Central e Rio a oeste da Faixa Seridó, é representado por um Grande do Norte. Este último também foi subdividido conjunto gnáissico-migmatítico do Complexo Caicó nos terrenos São José do Campestre, Faixa Seridó, (Figura 2.3). Rio Piranhas e Jaguaribe-Oeste Potiguar, sendo neste último terreno onde a área do presente estudo está Este complexo é dominantemente composto localizada. Subsequentemente, àqueles domínios de ortognaisses migmatizados graníticos a dioríticos (Norte, Central e Sul) foram renomeados por Delgado cálcio-alcalinos com alto-K, além de anfibolitos et al. (2003) para as respectivas subprovíncias subordinados (Hackspacher et al., 1990; Souza Setentrional, Zona Transversal e Meridional (Figura et al., 1993, 2008). Estas rochas incluem gnaisses 2.1). Neste contexto, a Subprovíncia Setentrional augen porfiríticos/porfiroblásticos (suíte G1), sendo contempla as entidades tectonoestruturais como intrusivas em supracrustais mais antigas, geralmente seguem: (1) Domínio Jaguaribeano, (2) Domínio mal preservadas (Jardim de Sá et al., 1988; Souza et Rio Piranhas – Seridó e (3) Domínio São José de al., 2008). Intercalações de rochas supracrustais em Campestre (Figura 2.2). ortognaisses na porção SW da Faixa Seridó, região de Santa Luzia/PB (Figura 2.4), estão descritas por O primeiro inclui as faixas Orós e Jaguaribe (Sá Hollanda et al. (2011). et al., 1988; Sá et al., 1994; Jardim de Sá, 1994). A faixa Orós, tipo rifte e monocíclica, é composta por Nesta região os gnaisses bandados alternam bandas máficas (escuras) e félsicas (claras), com 19 Programa Geologia do Brasil Figura 2.1 – Domínios tectônicos e principais estruturas da Província Borborema. Zonas de cisalhamento: Sobral-Pedro II (SO), Senador Pompeu (SP), Óros-Aiuaba (OR), Portalegre (PO), São Vicente (SV), Picuí-João Câmara (JC), Malta (MA), Serra do Caboclo (SC), Congo-Cruzeiro do Nordeste (CC), Serra de Jabitaca (SJ), Jatobá-Itaíba (JI), Macururé-Riacho Seco (MR), Belo Monte-Jeremoabo (BJ), São Miguel do Aleixo (SA) e Itaporanga (IA); Lineamentos: Patos (PA) e Pernambuco (PE). Nappes da Faixa Riacho de Pontal (RP). Compilado de Delgado et al. (2003). 20 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Cruz) e subordinadamente anfibolitos. Idade paleoproterozoica U/Pb em zircão de ca. 2.4 Ga foi determinada para a banda félsica - granodiorítica a partir de um ortognaisse bandado na região de Santa Luzia (Hollanda et al., 2011). Adicionalmente, os metaleucogabros intrusivos nestes ortognaisses bandados tiveram idade U/Pb SHRIMP em zircão de ca. 2.2 Ga (Hollanda et al., 2011). Considerando a importância do magmatismo da suíte G2 - Poço da Cruz, estes autores usando U/Pb SHRIMP em zircão para um conjunto de sheets e plutons, determinaram idades de ca. 2,23, 2,24, 2,27 e 2,17 Ga respectivamente para os corpos de São Rafael, São José do Seridó, Santana do Matos e Antônio Martins. Este magmatismo paleoproterozoico se completa com o plutonismo de Serra Negra representando uma manifestação magmática mais jovens em ca. 1,74 Ga. Assim, estas idades demonstram uma história magmática paleoproterozoica, durante o Riaciano, do complexo de embasamento nos Domínios Rio Piranhas-Seridó e Jaguaribeano e não havendo evidência para episódios tectonometamórficos transamazônicos, por volta de 2,0 Ga, como Figura 2.2 – Mapa geológico simplificado dos domínios defendido contrariamente por Macedo et al. (1984), Jaguaribeano, Rio Piranhas - Seridó, São José do Bertrand & Jardim de Sá (1990) e Jardim de Sá et al. Campestre e Zona Transversal, porção NE da província (1995). Portanto, a atividade magmática no complexo Borborema. Compilado de Medeiros et al. (2011). do embasamento Seridó – Jaguaribe se estendeu até composições correspondendo respectivamente o Paleoproterozoico superior - Estateriano (corpo de de gabróica a diorítica e granodiorítica a tonalítica, Serra Negra, 1,74 Ga em U/Pb), onde uma possível possuindo localmente lentes de mármores, acreção crustal seu deu em ca. 2,2 Ga envolvendo quartzitos, kinzigitos e cálciossilicáticas. Estas retrabalhamento de uma crosta antiga, havendo unidades são cortadas por sheets de ortognaisses no Estetariano fragmentação e rifteamento crustal augen anorogênicos (suíte G2 – Poço da (Hollanda et al., 2011). Figura 2.3 – Carta geológica simplificada do Domínio Jaguaribe – Seridó evidenciando plutons de augen gnaisses como segue: SJS – São José do Seridó; SR – São Rafael; SM – Santana do Matos; AM – Antônio Martins; SN – Serra Negra; JP – Jardim de Piranhas; SP – Serra das Pinturas; CR – Cerro Corá (Modificado de Hollanda et al., 2011). 21 Programa Geologia do Brasil Figura 2.4 – Mapa geológico da região de Santa Luzia/PB e perfil esquemático NW – SE (Modificado de Hollanda et al., 2011). 2.2 - MAGMATISMO NEOPROTEROZOICO Totoró e Cardoso, além do pluton Japi da suíte Catingueira. É representada por gabros, noritos, O Neoproterozoico na Província Borborema dioritos, quartzo-dioritos, monzodioritos, monzonito, é marcado pelo expressivo plutonismo brasiliano, quartzo-monzonito, contendo biotita e/ou anfibólio em sua maioria com idades U/Pb, variando entre e por vezes augita, diopsídio e hiperstênio. Estas 630-530 Ma (Sá, 1991; Leterrier, et al. 1994; Dantas, rochas são cinza a preta com granulação fina a 1997; Nascimento et al., 2008; Hollanda et al., média, sendo grossa nos termos gabróides, em geral 2010; Brito Neves et al., 2003). Estas manifestações com estrutura isotrópica com orientação nas bordas magmáticas foram classificadas por Almeida et deformadas (Brito Neves et al., 2003; Angelim et al. (1967) na subprovíncia da zona transversal, al., 2006; Nascimento, 2008). Leterrier et al. (1994) sendo posteriormente estendida para outras suítes obtiveram uma idade U-Pb em zircões de 579±7 Ma em diversos domínios das outras subprovíncias para dioritos desta suíte intrusiva. (Setentrional e Meridional). As suítes intrusivas brasilianas foram agrupadas nas Suítes São João 2.2.2 - Suíte intrusiva Itaporanga do Sabugi, Itaporanga, Dona Inês e Catingueira, consideradas supersuítes sin- a tardiorogênicas, Esta suíte constitui um volumoso episódio sendo a Umarizal pós-orogênica (Galindo et al., 1993; magmático na Província Borborema, sendo Angelim et al., 2006; Nascimento et al., 2008; Brito representado por rochas monzograníticas, graníticas Neves et al., 2003). Em geral, os granitoides estão a granodioríticas com abundantes fenocristais de alojados em zonas de cisalhamento transcorrente/ feldspato potássico, sin-orogênicas brasilianas, com transpressional associados a zonas de cisalhamento máficas e intermediárias subordinadas e afinidade transcorrentes exibindo penetrativa foliação com cálcio-alcalina de alto potássio (Ferreira & Santos, forte mergulho (Brito Neves et al., 2003; Angelim et 1998; Brito Neves et al., 2003; Angelim et al., 2006; al., 2006; Nascimento et al., 2008; Hollanda et al., Nascimento, 2008), possuindo ampla distribuição 2010) ou ocupando tramas tangenciais (Jardim de na Província Borborema. A denominação de Suíte Sá, 1994). Na área estudada encontram-se exemplos intrusiva Itaporanga foi utilizada por Kosin et al. de rochas das suítes sin- a tardiorogênicas São João (2004) e Angelim et al. (2006). As rochas exibem do Sabugi, Itaporanga, Dona Inês e Catingueira. textura porfirítica, grossa a muito grossa constituída por megacristais de K-feldspato atingindo até 10 2.2.1 - Suíte intrusiva São João do Sabugi cm, além de anfibólios ou biotita (Almeida et al., 1967). Leterrier et al. (1994) e Galindo et al. (2005) Esta suíte distribui-se amplamente no Domínio obtiveram idades U-Pb em zircões de 544±3 Ma Rio Piranhas – Seridó, sendo mais rara em outros e 573±7 Ma para granitos porfiríticos desta suíte domínios e associando-se aos granitoides porfíriticos intrusiva. da suíte Itaporanga, tais como os corpos de Acarí, 22 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 2.2.3 - Suíte intrusiva Dona Inês RN com idades U/Pb zircão entre 580 ± 4 Ma e 576 ± 24 Ma (Trindade et al., 1999). A geocronologia da Suíte Termo usado por Angelim et al. (2006) para Umarizal ainda apresenta idades bastante discrepantes designar as rochas plutônicas correspondentes entre 545 ± 7 Ma - Rb/Sr rocha total (Galindo, 1993) e aquelas da suíte de leucogranitos de Jardim de 593 ± 5 Ma – U/Pb em zircão (McReath et al., 2002), esta Sá (1994) e da suíte cálcio-alcalina potássica última incompatível com as relações de campo. Neste equigranular de Nascimento et al. (2000). Esta contexto, a suíte ainda necessita melhor acuracidade suíte ocorre preferencialmente na forma de corpos dos métodos analíticos, portanto permanecendo isolados, como Dona Inês (PB), Picuí (PB/RN), geocronologicamente em aberto. Angicos (RN) e Taipu (RN). Trata-se de uma suíte tardi-tectônica cujo alojamento foi controlado por 2.3 - QUARTZITOS TECTÔNICOS zonas de cisalhamento transcorrentes e localmente extensionais. É representada por monzo- a Os quartzitos tectônicos foram descritos na PB sienogranitos equigranulares, com granulações fina nos arredores da cidade de São Fernando/RN e são a média, com variações microporfíríticas, tendo informalmente denominados Quartzito São Fernando. a biotita como o mineral máfico predominante. Estes quartzitos foram primeiramente discutidos Medeiros et al. (2005) obtiveram uma idade U-Pb em por Legrand & Magini (1992) e posteriormente por zircões de 541±4 Ma para granitos desta suíte. Souza et al. (1995), sendo denominados por este último como sendo blastomilonitos compostos 2.2.4 - Suíte intrusiva Catingueira essencialmente por níveis de quartzo policristalino e porfiroblastos de muscovita, além de microclina, Almeida et al. (1967) utilizou o termo granito porfiroclastos de plagioclásio e porfiroblastos Catingueira para o conjunto de granitoides alcalinos de magnetita. McCaig (1984) e Crevola (1987) já associados ao Lineamento Patos em sua margem sul. haviam discutido a formação de blastomilonitos Sua natureza química peralcalina foi determinada ricos em quartzo e muscovita, denominando-os de por Sial (1986). No Domínio São José de Campestre a ortoquartzitos e ortomicaxistos. Segundo Souza et al. Suíte Catingueira é representada por álcali-feldspato (1995) estes quartzitos são produto da transformação granitos leucocráticos, finos, equigranulares, além de ortognaisses do Complexo Caicó e dos ortognaisses da ocorrência com menor expressão de quartzo - augen da suíte G2 – Poço da Cruz nas zonas de alcali-feldspato sienitos (Nascimento et al., 2000 e cisalhamento, com auxílio do intenso aporte de fluidos 2008). Aegerina-augita e diopsídio-hedenbergita hidrotermais. Estes quartzitos foram posteriormente são os minerais máficos predominantes, além de detalhado por Silva (2000) e (Legrand et al. 2009). rara granada. No stock de Japi a Suíte Catingueira Este autor pesquisou em seu trabalho a composição está associada a um conjunto básico a intermediário e mobilidade dos fluidos destas rochas transformadas e granitos porfiríticos, revelando processos de em relação às rochas originais. Os resultados destes mistura de magmas (Hollanda et al. 1998). A suite trabalhos comprovaram um aumento significativo exibe feição sintectônica relativa à transcorrência de Si e K nas rochas transformadas e na lixiviação D3 (Jardim de Sá et al., 1997), associando-se a zonas dos elementos Ca e Na pelos fluidos hidrotermais, de cisalhamento dextrais, sinistrais ou extensionais, dando ênfase a intensa neoformação de muscovita, além de estrutura em flor negativa (Jardim de Sá et magnetita e quartzo. al., 1997; Hollanda et al., 1998). Nascimento et al. (2000) obtiveram uma idade Rb-Sr de 536±4 Ma para 2.4 - BACIAS SEDIMENTARES CRETÁCEAS granitos desta suíte. As bacias sedimentares mesozóicas, tais 2.2.5 - Suíte intrusiva Umarizal como Potiguar, Gangorra, Pau dos Ferros (Rafael Fernandes), Rio Nazaré (Cel. João Pessoa), Rio do É representada por um conjunto de rochas Peixe, Iguatu, Malhada Vermelha, Lima Campos e granitoides, situado no município homônimo, Icó foram instaladas durante o Cretáceo Inferior constituindo o batólito de Umarizal, com importante (Neocomiano), em consequência ao rifteamento variação de fácies (Ação e Lagoa) e assinatura cronocorrelato à fragmentação crustal e separação geoquímica subalcalina e alcalina, do tipo A, intraplaca das litosferas sul-americana e africana. Este conjunto e pós-orogênico (Galindo, 1993). Este autor definiu a de bacias faz parte do sistema de riftes do Nordeste fácies Umarizal, a mais importante, sendo constituída Brasileiro. Estas bacias ocupam a porção leste do por quartzo monzonitos a quartzo sienitos, rosa a verde Rio Grande do Norte e leste e norte do Ceará (Bacia escura, textura grossa, contendo fayalita ou hyperstênio, Potiguar) e interior destes estados e da Paraíba (Bacias hedenbergita, ferroedenita e biotita. A fácies Ação é de Gangorra/RN, Pau dos Ferros/RN, Rio Nazaré/ composta por sienogranitos, por vezes com fenocristais RN, Rio do Peixe/PB, Iguatu/CE, Lima Campos/CE, de feldspato-K e textura Rapakivi, possuindo ferroedenita Malhada Vermelha/CE e Icó/CE), sendo implantadas e biotita. Finalmente a fácies Lagoa é compreendida durante reativação cretácea, em regime frágil, de por monzogranitos com hornblenda. A suíte é intrusiva zonas de cisalhamento transcorrentes brasilianas (Sá no batólito Tourão (Suíte Itaporanga) em Caraúbas/ et al., 2001), de direção NE-SW (Figura 2.5), tais como 23 Programa Geologia do Brasil às bacias Potiguar (RN), Rio do Peixe (PB) e Iguatu da Bacia Potiguar pode ser dividido em três grandes (CE). São bacias intracratônicas do tipo strike-slip unidades litoestratigráficas: os grupos Areia Branca, segundo a classificação de Nielsen & Sylvester (1995), Apodi e Agulha, a seguir detalhados. as quais foram desenvolvidas pelas reativações meso- cenozoicas das zonas de cisalhamento tal como a de Grupo Areia Branca Portalegre, esta desenvolvida no evento brasiliano. Na Com os registros iniciais datados no área de estudo ocorrem sedimentos da porção norte Neocomiano (140 Ma), o Grupo Areia Branca da Bacia Rio do Peixe, onde tem sua litoestratigrafia marca o início da deposição dos sedimentos na regional descrita abaixo. Bacia Potiguar, sendo composto pelas formações Pendência, Pescada e Alagamar (Araripe & Feijó, 2.4.1 - Bacia Potiguar 1994). As discussões para definição de um modelo A Formação Pendência (Neocomiano- estratigráfico para a Bacia Potiguar tiveram início na Barremiano, 130 Ma) compreende folhelhos metade do século passado, a partir do trabalho de lacustres, arenitos fluvio-deltáicos, depósitos Oliveira & Leonardos (1943), conforme ressaltado fandeltáicos, de planície aluvial e de planície de por Pessoa Neto (1999). Ainda segundo esse autor, inundação, sendo depositado durante os estágios o trabalho de Souza (1982), representou o principal Rifte I e II. Pessoa Neto et al. (2007) propuseram a marco no desenvolvimento do conhecimento inserção do Membro Lagoa do Queimado nessa estratigráfico da Bacia Potiguar, já que foi nesse estudo unidade, abrangendo conglomerados polimíticos, que se revisou inteiramente a coluna estratigráfica arenitos grossos a conglomeráticos imaturos, da bacia e divulgou-se no meio geológico. A partir feldspáticos e líticos. de então, realizou-se novas revisões, destacando-se A Formação Pescada (Aptiano Inferior – os trabalhos de Araripe & Feijó (1994) e Pessoa Neto 125 Ma) depositou-se no estágio Rifte II, sendo et al. (2007). Assim, o preenchimento sedimentar constituída por litotipos como folhelhos, argilitos, Figura 2.5 – Caracteriza a zona de cisalhamento Portalegre e suas secundárias e as bacias sedimentares interiores correlatas: Gangorra, Pau dos Ferros e Rio Nazaré (RN), Rio do Peixe (PB) e Icozinho (CE). No bloco a oeste da falha Portalegre ocorreram subsidência e sedimentação. Modificado de Nóbrega et al. (2005). 24 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros arenitos e conglomerados, depositados em sistemas de arenitos, siltitos e folhelhos; e Porto do Mangue, continentais de leques aluviais coalescentes, representado por folhelhos e arenitos subordinados. sistemas fluviais de alta energia, com bancos Pessoa Neto et al. (2007), redefiniram o membro carbonáticos restritos e sistemas flúvio-deltáicos Porto do Mangue, interpretando-o como todo o com pelitos lacustres incluindo turbiditos (Araripe pacote de rocha relacionado aos depósitos distais das & Feijó, 1994; Pessoa Neto et al., 2007). Na última unidades marinhas transgressivas (formações Açu, revisão da estratigrafia da Bacia Potiguar, Pessoa Ponta do Mel e Jandaíra). Sobreposta a Formação Neto et al. (2007), propuseram a inserção do Açu, repousa a seção carbonática designada como Membro Cristóvão, representado por depósitos Formação Jandaíra (Turoniano-Mesocampaniano, carbonáticos lacustres, intercalados com arenitos 80 a 85 Ma), composta por calcarenitos bioclásticos, finos bioturbados contendo fragmentos de bivalves calcilutitos “birdeyes”, depositados em ambientes e folhelhos pretos laminados, intercalados com de planícies de maré, plataforma rasa e mar aberto, margas e calcilutitos. em contexto de bacia faminta. Os sedimentos Na Formação Alagamar (Aptiano-Albiano repousam concordantemente sobre as formações Inferior, 115 Ma), depositada no estágio Pós-Rifte, Açu e Quebradas e apresentam contato superior encontram-se intercalações de arenitos, folhelhos marcado por uma discordância com o Grupo Agulha e calcilutitos, indicando um sistema deposicional e interdigitações laterais com a parte inferior da transicional flúvio-lacustre. Pessoa Neto et al. (2007) Formação Ubarana (Araripe & Feijó, 1994). incorporaram o Membro Canto do Amaro como base da Formação Alagamar, representando depósitos Grupo Agulha fandeltáicos e fluviais onde ocorrem conglomerados Representa uma unidade regressiva ou polimíticos/oligomíticos e arenitos muito grossos a progradacional, marcada por sistemas deposicionais médios, com intercalações de arenito médio a muito costeiros-plataforma-talude-bacia ainda atuantes fino, capeados por siltito ou folhelho castanho- (Soares et al., 2003), datados entre o Neocampaniano avermelhado a cinza claro/escuro. Na sequência, (80 Ma) e o Holoceno. São representados pelas ocorrem os arenitos finos e grossos, cinzentos e formações Ubarana, Guamaré, Tibau e Barreiras e folhelhos cinza-esverdeados do Membro Upanema, compostos por arenitos fluviais grossos a médios, seguidos dos calcarenitos e calcilutitos ostracoidais sobrepostos por folhelhos transicionais a marinhos e e folhelhos escuros do Membro Camada Ponta do carbonatos de plataforma rasa. Tubarão (CPT). Por fim, ocorre o Membro Galinhos, A Formação Ubarana (Albiano-Holoceno, 75 compreendendo rochas pelíticas, folhelhos cinza- Ma), caracteriza-se pela espessa seção de folhelhos escuros e calcilutitos bege-claros (Araripe & Feijó, de talude e bacia oceânica, intercalados com arenitos 1994). turbidíticos, constituindo as fáceis distais de todas as sequências marinhas existentes na Bacia Potiguar Grupo Apodi (Pessoa Neto, 1999). Segundo Araripe & Feijó (1994), os primeiros A Formação Guamaré (Campaniano Superior- registros do Grupo Apodi datam do Eoalbiano Holoceno, 70 Ma) representa o terceiro e último (110 Ma), sendo composto pelas formações Açu, sistema de plataformas carbonáticas implantadas Ponta do Mel, Quebradas e Jandaíra. Caracteriza- nesta bacia, estando sobreposta às formações se pelas primeiras deposições no estágio de deriva Jandaíra e Ubarana e com interdigitações com a continental, fase de transgressão marinha. Formação Tibau. Litologicamente compõe-se de A Formação Açu (Albiano-Cenomoniano, calcarenitos bioclásticos, com intercalações de 110 Ma), compreende arenitos finos a grossos, calcilutitos, folhelhos e arenitos (Pessoa Neto, 1999). intercalados com folhelhos e siltitos que afloram A Formação Tibau (Campaniano Superior, 70 nas bordas da bacia (Araripe & Feijó, 1994). Possui Ma - Holoceno) compreende os clásticos grossos contato inferior discordante com a Formação interdigitados e sobrepostos aos carbonatos das Alagamar, interdigitações laterais com as formações formações Guamaré e Barreiras, desenvolvidos em Ponta do Mel e Quebradas e contato concordante no ambientes de fan-deltas (Araripe & Feijó, 1994). topo com a Formação Jandaíra. A Formação Barreiras (Mioceno Superior, Na Formação Ponta do Mel (Albiano Superior, 5 a 10 Ma) compreende conglomerados e arenitos 105 Ma), predominam calcarenitos oolíticos, ferruginosos friáveis, de cor avermelhada e calcilutitos e folhelhos, associados a ambientes esbranquiçada, com matriz caulinítica e abundantes de planície de maré, plataforma rasa e plataforma concreções lateríticas (Dantas, 2004; Lima, 2008). externa. Possui contato superior discordante com a São interpretados como depósitos ligados aos Formação Quebradas e interdigitações laterais com sistemas aluviais, fluviais e costeiros. as formações Açu e Jandaíra. Além das unidades estratigráficas supracitadas, A Formação Quebradas (Cenomaniano, 95 a Bacia Potiguar possui ainda sedimentos neógenos Ma) corresponde a folhelhos cinza e arenitos finos, sub-recentes e recentes (Farias, 1997). Os sendo dividida por Araripe & Feijó (1994) em dois sedimentos sub-recentes são representados por membros: Redonda, composto por intercalações beach rocks, dunas fixas, colúvios e cascalheiras 25 Programa Geologia do Brasil e também pela Formação Potengi (arenitos). Os Lima Filho & Melo (2002) e Srivastava & Carvalho sedimentos recentes são representados por dunas (2002), relacionam a Formação Antenor Navarro a móveis, aluviões, sedimentos praiais e sedimentos um sistema fluvial entrelaçado, associado a leques de planície de maré. aluviais proximais. 2.4.2 - Bacia Rio do Peixe Formação Sousa Esta unidade possui maior distribuição Esta bacia ocupa parte do extremo oeste geográfica na Bacia do Rio do Peixe, ocupando do estado da Paraíba e sudeste do Ceará, sendo cerca de 70% da área das sub-bacias Sousa e composta pelas sub-bacias de Souza, Uiraúna - Pombal e 50% da Sub-bacia Brejo das Freiras, sendo Brejo das Freiras (ou Triunfo) e Pombal. Faz parte caracterizada pela predominância de siltitos e de um conjunto de bacias interiores, mesozoicas do folhelhos avermelhados, amarronzados, intercalados Nordeste brasileiro, originando-se pela reativação com arenitos calcíferos, finos a médios, além de da plataforma brasileira a partir do cretáceo inferior. margas e calcários. Esta formação compreende duas Seu substrato é composto por rochas magmáticas unidades - superior e inferior. A superior predomina (granitoides e gabro-dioritos) e metamórficas uma seqüência arenosa com pelitos subordinados, (gnaisses e migmatitos) pré-cambrianas, sendo enquanto que a inferior é marcada pela dominância alinhadas estruturalmente nas direções NE-SW ou de siltitos e folhelhos. E-W (Silva, 2009). Em geral as bordas destas sub-bacias Formação Rio Piranhas acompanham megaestruturas brasilianas, como as Possui distribuição limitada, ocupando zonas de cisalhamento de Portalegre e de Malta, as a porção sul da Sub-bacia Sousa, sendo quais foram reativadas sob regime tectônico frágil composta principalmente por arenitos grossos durante o Fanerozoico, favorecendo a instalação a conglomeráticos, feldspáticos e líticos, mal desta bacia. O Grupo Rio do Peixe é a unidade selecionados e coloração cinza clara a marrom representativa desta bacia (Cavalcante, 1999; avermelhada. Exibe intercalações de arenitos médios Nóbrega, 2004). a finos e siltitos, além de estratificações cruzadas acanaladas de médio porte e esporádicas marcas de Grupo Rio do Peixe onda. Esta formação está associada a uma fase de Esta unidade (Cretáceo Inferior) é reativação de falhas, sinalizando a volta do sistema representada pelas Formações Antenor Navarro de leques aluviais e fluvial entrelaçado como resposta (basal), Sousa (intermediária) e Rio Piranhas (topo) ao soerguimento relativo do embasamento e a (Costa, 1964), sendo compostas predominantemente deposição de sedimentos sintectônicos semelhantes por sedimentos terrígenos continentais de origem aos da Formação Antenor Navarro (Srivastava & flúvio-lacustres. Esse pacote terrígeno pode alcançar Carvalho, 2002). espessuras da ordem de 2000 metros na Sub-bacia Brejo das Freiras e mais de 1500 metros na Sub-bacia 2.5 - MAGMATISMO FANEROZOICO Sousa (Françolin, 1992). No Fanerozoico entre o Mesozoico e o Formação Antenor Navarro Cenozoico houve um intenso magmatismo básico É constituída essencialmente por arenitos intraplaca durante e após a instalação da Bacia grossos a conglomeráticos, de coloração variando de Potiguar, onde pelo menos três manifestações creme a avermelhados, contendo esporadicamente magmáticas são caracterizadas geocronologicamente níveis de arenitos médios a finos, siltitos e folhelhos segundo Araújo et al. (2001) como segue: (1) em direção ao topo da seqüência. São comuns magmatismo Rio Ceará-Mirim (143 ± 4 a 113 ± 3 Ma) estratificações cruzadas acanaladas de médio porte representados por enxames de diques de diabásio, e tabulares. Na Sub-bacia Brejo das Freiras esta geralmente de direção E-W; (2) magmatismo Serra Formação geralmente é constituída por arenitos do Cuó (ca. 99 ± 2 Ma) constituídos de derrames conglomeráticos avermelhados, com estratificação de olivina basaltos ocorrendo na interface entre o cruzada acanalada. Na Sub-bacia Sousa esta embasamento cristalino e arenitos da Formação Açu, formação se caracteriza pela freqüência com que os na Bacia Potiguar e (3) o magmatismo Macau (29 ± arenitos supracitados ocorrem associados a bancos 0.6 a 26 ± 2 Ma), o mais expressivo, representado e níveis de conglomerados polimíticos, contendo por olivina-basaltos de filiação alcalina, possuindo blocos e seixos subangulosos a subarredondados. xenólitos de peridotitos (Silveira, 2006). 26 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 3 — LITOESTRATIGRAFIA 3.1 - INTRODUÇÃO de minerais em seção delgada. Nas figuras das seções delgadas as abreviações dos minerais utilizadas Neste capítulo apresentaremos as foram adaptadas da lista de minerais apresentada em unidades litoestratigráficas mapeadas em campo, Siivola & Schmid (2007), além do apoio petrográfico descrevendo suas relações tectônicas, estratigráficas, dos relatórios de graduação de Cocentino (2010), caracterizando assim as feições em escala regional, Magalhães (2010), Menezes (2010) e Melo (2011). interpretadas a partir da pesquisa bibliográfica Na base da coluna estratigráfica estão as prévia discutida no capítulo anterior, fotogeologia rochas do embasamento cristalino dos complexos e produtos de sensoriamento remoto. Também Jaguaretama e Caicó, sendo os mesmos separados discutiremos as feições petrográficas, enfatizadas pela zona de cisalhamento Portalegre (ZCPA). nas descrições de campo, amostras de mão e lâminas delgadas. As unidades litoestrátigráfica mapeadas, O Complexo Jaguaretama ocupa grande parte algumas delas visualizadas com exagero de escala, da porção central da Folha exibindo trend estrutural estão representadas no mapa geológico na escala NE, tendo seu limite E a ZCPA. É constituído de 1:100.000 em anexo. ortognaisses graníticos e granodioríticos a tonalíticos, apresentando feições migmatíticas, por vezes 3.2 - UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS protomiloníticas a miloníticas e situando-se a W da ZCPA. Associando a este complexo foram mapeadas O conjunto litológico está agrupado e suas algumas lentes de mármore, de ordem métrica, a relações crono-estratigráficas estão representadas SW de Riacho de Santana. Este mármore também na Figura 3.1. Para classificação das rochas aflora ao sul de Poço Dantas, fora e próximo do mapeadas utilizou-se Schmid et al. (2007) para limite da Folha seguindo o mesmo trend estrutural rochas metamórficas, Wernick (2004) e Le Maitre NNE. Também ressaltamos um megaxenólito de um (1989) para rochas ígneas, Suguio (2003) para rochas mármore dolomítico muito provavelmente crono- sedimentares e Deer et al (1992) para identificação correlato, no corpo diorítico de Poço Dantas, extremo SW da Folha. Figura 3.1a – Mapa geológico simplificado da folha Pau dos Ferros, caracterizando suas principais unidades litológicas. 27 Programa Geologia do Brasil pegmatoides boudinados. A rocha apresenta-se bastante deformada com uma boa crenulação, dobras intrafoliais e foliação de baixo ângulo. Como ela está em contato com um augen gnaisse, sua foliação principal acaba verticalizando-se. O afloramento mais representativo dessa litologia encontra-se na comunidade de Bonito no sangradouro do Açude Público de Bonito (RN). Os anfibolitos deste Grupo são representados por corpos lenticulares de ordem métrica e estrutura xistosa e trend NE, sendo encaixados como megaxenólitos nos ortognaisses Serra do Deserto e situados a NE de Coronel João Pessoa. Localmente a SE de Venha Ver um corpo de anfibolito milonítico aflora dentro de uma faixa de rochas miloníticas derivadas da suíte Serra do Deserto. Esses anfibolitos são correlacionados a metaígneas subvulcânicas máficas intrusivas principalmente nos ortognaisses da Suíte Serra do Deserto. Poderíamos também interpretar estes anfibolitos como sendo autólitos máficos nesta Suíte. A Suíte Serra do Deserto é composta por ortognaisses sienograníticos, ocupando invariavelmente por duas faixas estreitas no W da área, sendo bordejadas pelo embasamento do Complexo Jaguaretama e os corpos graníticos tipo Catingueira e Itaporanga, desde as proximidades de Poço Dantas ao sul até as adjacências de Encanto (RN) ao norte. Corpos menos expressivos afloram no Figura 3.1b – Coluna estratigráfica proposta para a Folha extremo N e NW da Folha e no centro sul próximo a Pau dos Ferros. ZCPA. Granitos, granodioritos, dioritos e corpos O Complexo Caicó se distribui a E da ZCPA e de pegmatito são intrusivos em todas as unidades numa limitada faixa, com trend NE, na porção SW da supracitadas e compõem as suítes de rochas Folha, apresentando petrografia semelhante àquelas granitoides neoproterozoicas. São corpos plutônicos do Complexo Jaguaretama. Uma estreita faixa de formato ovalado e alongado junto às zonas de deste complexo, no extremo SE da Folha, bordeja o cisalhamento, com trends invariavelmente NE. Os corpo granítico de Catolé do Rocha. É representado corpos neoproterozoicos mais representativos são por ortognaisses graníticos e granodioríticos a representantes das suítes intrusivas Itaporanga (suíte tonalíticos com enclave de finos corpos estirados cálcio-alcalina de alto potássio e porfirítica), Dona Inês de anfibolito (Complexo Caicó anfibolítico). (suíte cálcio-alcalina de alto potássio equigranular), Também foram observados com menor freqüência Catingueira (suíte alcalina) e São João do Sabugi (Suíte ortognaisses bandados com feições migmatíticas Shoshonítica) (Nascimento et al., 2008). e protomiloníticas a miloníticas (Complexo Caicó A Suíte Intrusiva Itaporanga, aflora nos dois bandado), ocorrendo de modo intercalado no domínios, Jaguaribeano e Rio Piranhas-Seridó, Complexo Caicó e possuindo freqüentes corpos destacando-se o maciço de Pereiro a NW da Folha lenticulares e estirados de anfibolitos, por vezes e vários corpos de dimensões menores lenticulares representados com exagero de escala. até batolítica, em boa parte E da Folha e sendo Sobre as rochas do embasamento cristalino representado pelos corpos Panati, Serra Negra e repousam as suítes paleoproterozoicas Poço da Cruz Catolé do Rocha, este último de proporção batolítica, e Serra do Deserto, além dos biotita gnaisses xistosos além de corpos menores do centro a E da área, e anfibolitos do Grupo São José. envolvendo o triângulo Alexandria – Tenente Ananias A Suíte Poço da Cruz se distribui na porção E da – Marcelino e a E de Pau dos Ferros (RN). área em contato tanto a W como E com as rochas do A Suíte intrusiva Dona Inês é representada Complexo Caicó, sendo composta por ortognaisses pelo corpo de Luís Gomes de proporções batolíticas, sienograníticos a granodioríticos, localmente com alongando-se no quadrante SW da Folha e no extremo pequenos corpos de ortognaisses dioríticos. E da mesma no município de Pilões (RN), também O biotita gnaisse xistoso do Grupo São sendo intrusivos nos Complexo Jaguaretama (corpo de José exibe estrutura xistosa, cinza biotítico, com Luiz Gomes) e Rio Piranhas – Seridó (corpo de Pilões). textura lepidonematoblástica e em alguns casos A Suíte intrusiva Catingueira é caracterizada lepidogranoblástica, sendo intrudida por venulações por corpos de pequenas a médias dimensões, 28 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros frequentemente alongados segundo a foliação 3.2.1 - Complexo Jaguaretama (PP2j) regional S3. Eles são representados por metagranitos com clinopiroxênio, distribuindo-se nas porções SE no Se distribui predominantemente ao longo trecho entre Tenente Ananias e Alexandria (RN), no da faixa central da Folha, em regiões de relevo centro da Folha em um corpo estirado entre Riacho relativamente plano e monótono, sendo constituído de Santana e Rafael Fernandes (RN) bordejando o por rochas ortoderivadas plutônicas, variando de limite NW da bacia de Rafael Fernandes e W da folha rochas graníticas (Figura 3.2A), granodioríticas a bordejando o limite E e S da bacia de Coronel João tonalíticas (Figura 3.2B) e biotita gnaisses (Figura 3.2C) Pessoa. indivisas nesta escala de trabalho, mas classificadas A Suíte intrusiva São João do Sabugi ocupa para sugerir uma possível divisão quando for invariavelmente o extremo W da Folha, ocorrendo mapeada numa escala de maior detalhe. Muitas vezes como corpos (stocks) dioríticos, ovalados a desenvolvem bandamento gnáissico proeminente alongados, localmente afetados pelo cisalhamento (Figura 3.2C) e migmatização (Figuras 3.2 D e F), cronocorrelato ao ZCPA, isolados na sede e entorno adquirindo estrutura milonítica quando afetadas de Poço Dantas (PB), SE de Coronel João Pessoa e pela ZCPA e suas subsidiárias cronocorrelatas. Dobras como vários mega – autólitos no batólito granítico/ isoclinais a fechada (Figura 3.2 D e E), transpostas e Suíte Itaporanga no triângulo São Miguel – Doutor padrão de mini-dobras são estruturas características Severiano – Pereiro. deste complexo. Diques pegmatoides e granitoides, além de exudados de quartzo, por vezes com dobras As rochas de falha são representadas por fechadas a abertas, decimétricos a centimétricos são muscovita quartzitos e metaconglomerados comumente observados. tectônicos e em menor proporção epídoto quartzitos e xistos tectônicos, além de biotititos tectônicos Megaxenólitos de mármores no corpo com feições miloníticas a ultramiloníticas, derivados diorítico Poço Dantas, delimitado com um exagero de ortognaisses e mais raramente de dioritos e em mapa, podem ser interpretados como correlatos anfibolitos. Estas rochas estão associadas à ZCPA e aos mármores (PP2jm) encaixados nos ortognaisses principalmente naquelas cronocorrelatas instaladas deste complexo. Esta interpretação é plausível a W da Folha numa ampla faixa entre Poço Dantas em decorrência de afloramentos encaixados ao sul e Encanto (RN) ao norte, a qual poderia ser em ortognaisses do complexo Jaguaretama nas denominada de zona de cisalhamento São José localidades de Tabuleiro Padre no município de Riacho (ZCSJ), mas não representada na Folha. Na ZCPA, sul de Santana (RN), no leito da estrada carroçável, e a da folha e próxima a cidade de Paraná (RN), aflora SW de Poço Dantas (PB) fora e próximo ao limite W uma estreita faixa de muscovita quartzito xistoso e da Folha. milonítico, decorrente da alteração de ortognaisse do Complexo Caicó. Ortognaisses sienograníticos a monzograníticos Sobre as rochas do Complexo Jaguaretama, na Os ortognaisses sienograníticos a porção centro-S da área, a SW de Paraná, houve a monzograníticos ocorrem com granulometria deposição de arenitos e siltitos da Formação Antenor fina a média, mesócraticos, granolepidoblásticos, Navarro, porção norte da bacia do Rio do Peixe. No nematolepidogranoblástico e granoblásticos. centro – norte da folha instalou-se a bacia de Rafael Apresentam coloração rosada a acinzentada, quartzo- Fernandes, alongada na direção da ZCPA, sendo feldspáticos, com negras lamelas de biotita como preenchida por conglomerados, arenitos, arenitos máfico principal, tendo por vezes um tom esverdeado conglomeráticos e em menor proporção os siltitos, da ferrohastingsita. Em alguns afloramentos nota- além de raros níveis de argilitos. A W da Folha se se uma textura porfiroblástica com fenocristais de situa a bacia Rio Nazaré, município de Coronel João microclina. Pessoa (RN), sendo representada por sequência de Estes ortognaisses exibem microporfiroblastos arenitos finos a grossos e conglomerados, além de de microclina e uma foliação gnáissica proeminente calcários travertinos de origem de pequenos lagos indicada pelas lamelas de biotita e pelos exudados e calcimicritos silicificados em zona de falha. Todos de quartzo. Por vezes são protomiloníticos com os sedimentos destas bacias da Folha Pau dos ferros estrutura S-C e sendo compostos essencialmente por foram depositados, face à reativação frágil durante o microclina (23-50%), quartzo (18-30%) e plagioclásio Cretáceo da ZCPA formando estruturas de grabens e (13-26%), biotita (5-25%) e ferrohastingsita (0-6%). semi-grabens. Os acessórios são minerais opacos (<5%), epídoto O quadro estratigráfico se completa com os (<2%), titanita (<1%) e muscovita (<2%), além de sedimentos arenosos da Formação Serra do Martins apatita (<1%), allanita (<1%), zircão (<1%), hidróxidos do Paleógeno, aflorando no extremo NE da Folha, de ferro (<1%), clorita (<1%), sericita (<1%) e seguido de crosta ferruginosa resultado de alteração saussurita (<1%). exógena sobre o maciço granítico de Pereiro a N de A microclina é xenomórfica, comumente São Miguel (RN), além dos sedimentos arenosos com geminação albita-periclina e tamanhos não aluvionares em planícies e margens de rios e colúvios ultrapassando 3,0 mm. Exibe por vezes textura com seixos, blocos e matacões em encostas. pertítica. Está comumente associada em contatos 29 Programa Geologia do Brasil A B C D F E Figura 3.2 – Feições macroscópicas dos ortognaisses e biotita gnaisses do Complexo Jaguaretama. (A) Mostra ortognaisse granítico leucocrático com coloração rosada da matriz quartzo-feldspática (fotografia em planta do afloramento LU-0178). (B) Evidencia ortognaisse granodiorítico com coloração cinza-esverdeada dos cristais de anfibólio e pintas leitosas de feldspatos (fotografia em planta do afloramento LU-0031). (C) Mostra biotita gnaisse com bandamento gnáissico fino (fotografia em planta do afloramento LU-0012). (D) Caracteriza ortognaisse granítico estromático exibindo dobras fechadas (fotografia em planta do afloramento LU- 0012). (E) Mostra gnaisse bandado com bandas claras félsicas e bandas escuras máficas, notando-se ainda dobras isoclinais apertadas (fotografia em perfil do afloramento LU-0021). (F) Evidencia biotita ortognaisse com forte migmatização e feição nebulítica (fotografia em planta do afloramento LU-0045). 30 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros sinuosos ao quartzo e plagioclásio, este último O plagioclásio (oligoclásio/andesina com comumente apresentando microclinização e por 29-36% de An) geralmente é xenomórfico a vezes com textura microporfiroblástica (Figura hipidiomórfico com geminação albita e extinção 3.3A, B). A extinção ondulante é fraca a moderada ondulante moderada a forte (Figura 3.4B, C). e raramente sofre sericitização. O quartzo ocorre Também exibe textura mirmequítica, sofrendo comumente em exudados (Figura 3.3 A, B), com forte frequente saussuritização. Possui inclusões de extinção ondulante (Figura 3.3D), por vezes na forma biotita e quartzo, e seus tamanhos atingem no de subgrãos e em microvenulações. Seus tamanhos máximo 2,7 mm. O quartzo encontra-se comumente alcançam até 1,3 mm. O plagioclásio (oligoclásio com em exudados e agregados xenomórficos (Figura 3.4B, 25-28% de An) é xenomórfico a hipidiomórfico com C), com forte extinção ondulante, por vezes na forma geminação albita, por vezes periclina, forte extinção de subgrãos e com tamanhos não ultrapassando ondulante e geminação mecânica (Figura 3.3C, D). 5,0 mm. A microclina é xenomórfica, comumente Possui às vezes textura mirmequítica, sofrendo com geminação albita-periclina e pertítica. Seus microclinização e saussuritização. Observa-se ainda tamanhos alcançam até 2,0 mm. inclusões de biotita e quartzo. Seus tamanhos são A ferrohastingsita é xenomórfica a hipidiomórfica inferiores a 2,0 mm. (Figura 3.4D), comumente orientada, alterada para A biotita é hipidiomórfica, comumente hidróxidos de ferro e por vezes esquelética (Figura orientada, com duas orientações S1//S2 e S3, além de 3.4E). Mostra com inclusões de titanita e em algumas estrutura S-C´ em algumas seções protomiloníticas. seções com a foliação S3 truncando a foliação S1//S2. Está comumente inclusa na ferrohastingsita e Seus tamanhos não ultrapassam 4,0 mm. A biotita associada com titanita, epídoto e minerais opacos apresenta-se em agregados lamelares hipidiomórficos indicando transformação para ferrohastingsita (Figura orientados, por vezes formando mica-fish e lamelas 3.3E). Sofre alteração para muscovita e localmente formando a foliação S3. Encontra-se também inclusa para clorita. Seus tamanhos não ultrapassam 1,2 na ferrohastingsita e associa-se a titanita e minerais mm. A ferrohastingsita é hipidiomórfica, comumente opacos. Seus tamanhos atingem no máximo 2,0 mm. orientada, por vezes esquelética (Figura 3.3E) e Os minerais opacos são granulares e cristalizando- raramente geminada. Está associada à apatita na se em duas fases: (1) xenomórficos por vezes orientados forma de inclusões e alterada para hidróxidos de e (2) idiomórficos sem orientação. A titanita cresce em ferro. Os tamanhos não ultrapassam 1,3 mm. Os finos cristais isolados e em agregados xenomórficos, minerais opacos são granulares e ocorrem em comumente seguindo a orientação principal. É por duas fases: (1) xenomórficos por vezes orientada vezes geminada. A allanita encontra-se bordejada por e hipidiomórficos a idiomórficos sem orientação cristais hipidiomórficos de epídoto (Figura 3.4F), e as (Figura 3.3 E, F), por vezes esquelético. A titanita apatitas e zircões em cristais idiomórficos. é xenomórfica e comumente segue a orientação principal. O epídoto é hipidiomórfico ocorrendo Ortognaisses bandados e migmatíticos mais comumente em rochas protomiloníticas. A Ortognaisses com bandamento gnáissico muscovita é hipidiomórfica orientada com inclusões centimétrico a decimétrico evoluem para ortognaisses de biotita. A allanita apresenta metamictização, migmatíticos estromáticos a nebulíticos. São rochas sendo bordejada por epídoto (Figura 3.3F). A freqüentes neste complexo e representam um intenso apatita e o zircão geralmente são metamictizados e processo de migmatização. Esses ortognaisses são idiomórficos. compostos por neossomas/bandas de composição granítica, leucocrática, de coloração esbranquiçada Ortognaisses granodioríticos a tonalíticos a rosada com paleossoma/bandas mesocráticas Os ortognaisses de composições acinzentadas, mesocráticas, de composição granodioríticas a tonalíticas exibem texturas granodiorítica a tonalítica, localmente diorítica, com granolepidoblástica a nematogranoblástica, também granulometria fina a média. Foi descrito uma seção nematoporfiroblástica, com granulometria média delgada do afloramento LU-0045 representando um a grossa, e mesocráticos a leucocráticos. Apresenta neossoma com processo de granitização avançada coloração cinza esbranquiçada a rosada, às vezes em um ortognaisse nebulítico (Figura 3.5A). Esta esverdeados em decorrência dos máficos presentes. rocha se apresenta, em amostra de mão, leucocrática, Exibe forte foliação gnáissica formada granolepidoblástica com granulometria fina a média e pela orientação dos minerais máficos e níveis coloração rosada quartzo-feldspática com alguns cristais quartzo-feldspáticos (Figura 3.4A). São compostos de biotitas. Observou-se ainda uma fraca foliação essencialmente por plagioclásio (30-46%), quartzo de biotita e do quartzo, além da recristalização da (20-29%), microclina (3-15%), ferrohastingsita (9- microclina, plagioclásio e quartzo, extinção concêntrica 23%) e biotita (0-19%). Minerais opacos (<3%), dos plagioclásios, alguns com borda albítica. A rocha titanita (<3%), epídoto (<1%) são os acessórios mais é composta por microclina (50%), plagioclásio (25%) e representativos, além de apatita (<1%), allanita (<1%) quartzo (21%); tendo como minerais acessórios biotita e zircão (<1%). Hidróxidos de ferro (<1%), clorita (3%), minerais opacos (1%), titanita (1%) e epídoto (<1%) e saussurita (<1%) ocorrem como produto de (<1%), saussurita (<1%) e clorita (<1%). alteração. 31 Programa Geologia do Brasil A B C D E F Figura 3.3 – Fotomicrografias em ortognaisses graníticos do Complexo Jaguaretama. (A) Evidencia porfiroclastos de microclina (Mc) deformado e recristalização do quartzo (Qtz) preenchendo a fratura, além de textura uma mirmequita (Mir) em plagioclásio. Seção LU-0011. (B) Mostra blastos de microclina (Mc) e quartzo (Qtz), além do alinhamento de ferrohastingsita (Hs) definindo a foliação. Seção LU-0043. (C) Porfiroclastos de plagioclásio (Pl), além de quartzo (Qtz), microclina (Mc) e ferrohastingsita intersticiais (Hs). Seção LU-0019. (D) Mostra plagioclásio (Pl) com microfissuras e quartzo (Qtz) intersticial com forte extinção ondulante. Seção LU-0019. (E) Ferrohastingsita (Hs) esquelética com inclusões de lamelas de biotita (Bt), ambos definido a foliação, além de mineral opaco (Op) hipidiomórfico. Seção LU-0057. (F) Caracteriza minerais opacos (Op) sobrecrescendo nas biotitas (Bt). Observe também allanitas (Aln) com metamictização bordejada por epidoto (Ep). Seção LU-0146. 32 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D E F Figura 3.4 – Fotomicrografias dos ortognaisses granodioríticos a tonalíticos do Complexo Jaguaretama. (A) Caracteriza agregados em trama de forma de Plagioclásio (Pl), ferrohastingsita (Hs) e quartzo (Qtz) definindo a foliação. Seção LU-0026. (B) Mostra plagioclásio (Pl) em tramam de forma, alguns fraca saussuritização e quartzo (Qzt) alinhado na foliação como exudado. Seção LU-0026. (C) Mostra fenoclasto de plagioclásio (Pl) com recristalização de quartzo (Qzt) em sombra de pressão e ferrohastingsita alinhada na fraca foliação (Qtz). Seção LU-0026. (D) Caracteriza porfiroblastos de ferrohastingsita (Hs) poiquiloblástica com inclusões relíquias de biotita (Bt) e titanitas (Ttn) alinhadas na foliação. Seção LU-0026. (E) Evidencia ferrohastingsita (Hs) esquelética com inclusões de biotita (Bt), feldspatos e quartzo. Seção LU-0030. (F) Mostra allanita (Aln) bordejada por epídoto (Ep), além de ferrohastingsita (Hs) e minerais opacos (Op) acompanhando a foliação. Seção LU-0029. 33 Programa Geologia do Brasil A microclina é xenomórfica com geminação Desenvolvem dobras intrafoliais, isoclinais albita-periclina, extinção ondulante, por vezes e apertadas (Figura 3.6 D, E), além de ptigmáticas, inclusa nos plagioclásios e com tamanhos atingindo sendo estas estruturas mais freqüentes no Complexo 1,2 mm (Figura 3.5B). O plagioclásio (oligoclásio Caicó Bandado. São observados neste complexo com 27% de An) apresenta-se xenomórfico com diques de pegmatito e granito, por vezes dobrados. geminação albita e extinção ondulante moderada Níveis de epidotização, resultado da alteração a forte, exibindo textura mirmequítica, localmente hidrotermal, foram observados associados aos níveis com extinção concêntrica (Figura 3.5C) e com alguns de plagioclásio em corpos de anfibolitos. cristais sofrendo saussuritização. Seus tamanhos A biotita é o máfico predominante no Complexo não ultrapassam 2,7 mm. O quartzo é xenomórfico Caicó, destacando-se também a ferrohastingsita. A orientado, com forte extinção ondulante e com magnetita é o mineral opaco mais comum, formando tamanhos inferiores a 1,5 mm. às vezes porfiroblastos e glomeroporfiroblastos Nos acessórios destaca-se a biotita em lamelas (Figura 3.6F). hipidiomórficas, com fraca orientação, comumente esqueléticas (Figura 3.5D) e cloritizadas. Seus tamanhos Unidade indivisa não ultrapasssam 1,1 mm. Observa-se ainda minerais Este complexo é composto essencialmente opacos hipidiomórficos, titanita xenomórficas e mais por ortognaisses leucocráticos a mesocráticos, raramente epídoto hipidiormórfico. com granulometria fina a média e por vezes porfiroclástico. Apresenta coloração rosada a cinza Dolomita mármore claro quartzo-feldspática, com pintas negras das O megaxenólito de mármore foi descrito como lamelas de biotitas e por vezes tons esverdeados da dolomítico, devido à baixa solubilidade ao HCl frio ferrohastingsita. e pela presença da macla de geminação segundo Alguns afloramentos desta unidade a seção (0221). Desenvolve textura granoblástica, apresentam-se bandado e com forte migmatização. com granulometria fina a média, coloração cinza- Quando próximos da ZCPA esses ortognaisses esbranquiçada. Em afloramento apresenta forte encontram-se protomiloníticos a miloníticos, com deformação com mesodobras apertadas. Nota-se granulometria média a grossa, mesocráticos a também com um conjunto de fraturas e venulações melanocráticos, comumente nematoporfiroclásticos. preenchidas pela assembléia minerais opacos e serpentina. A rocha é constituída por carbonato Foram descritos várias seções delgadas da fácies (92%) e minerais opacos (5%), tendo como acessórios granítica deste complexo. As seções apresentam textura serpentina (2%) e forsterita (1%), além de idingsita granonematoblástica a granonematolepidoblástica (<1%). com granulometria média a grossa, por vezes média a fina, exibindo foliação gnáissica, indicada O carbonato é predominantemente dolomita pela forte orientação das lamelas de biotita e da e hipidiomórfico com textura mosaico (Figura 3.5E). ferrohastingsita paralelos aos níveis félsicos. Foram Apresenta inclusões de forsterita, serpentina e descritas também seções com feição protomilonítica, minerais opacos e seus tamanhos chegam a 1,8 mm. granolepidoblástica a nematolepidogranoblástica e Os minerais opacos são xenomórficos e exibem-se porfiroblástica (Figura 3.7A). A biotita e exudados comumente incluso nos agregados globulares de de quartzo exibem uma trama fortemente estirada, serpentina. Seus tamanhos não ultrapassam 1,0 mm. juntamente com os porfiroclastos de feldspatos com A serpentina é fribosa, ocorrendo em agregados, sombras de pressão. Textura mortar dos feldspatos e em venulações e preenchendo fraturas juntamente subgrãos também foram observados. Os ortognaisses com os minerais opacos. Observa-se também são compostos essencialmente por microclina (25- associado aos cristais de olivina intenso processo 40%), plagioclásio (20-36%) e quartzo (15-30%), de idingsitização. A forsterita é xenomórfica (Figura ferrohastingsita (14-20%), biotita (5-15%) e muscovita 3.5F), associando-se aos minerais opacos e alterando- (0-8%) representando a assembléia principal. Granada se para serpentina e idingsita. (<1%) ocorre apenas em uma seção protomilonítica. Minerais opacos (<5%), epídoto (<2%) e titanita (<1%) 3.2.2 - Complexo Caicó são os acessórios mais representativos, além de apatita Este complexo foi mapeado em três unidades: (<1%), allanita (<1%) e zircão (<1%) hidróxidos de ferro (1) Complexo Caicó Indiviso (PP2cai) composto (<1%), clorita (<1%), sericita (<1%) e saussurita (<1%). basicamente por ortognaisses graníticos (Figura A microclina se apresenta como porfiroblastos/ 3.6A), por vezes granodioríticos a monzograníticos porfiroclastos, xenomórficos com geminação albita- e biotita gnaisses; (2) Complexo Caicó Bandado periclina, pertíticos, em agregados (Figura 3.7B), por (PP2caib) caracterizado por ortognaisses bandados e vezes poiquiloblásticos e sofrendo fraca sericitização. migmatíticos (Figura 3.6B) com bandas variando de Quando protomilonítica, mostra sombra de pressão, composição granítica a tonalítica, por vezes quartzo- subgrãos e caudas de recristalização observadas. diorítica; e (3) Complexo Caicó Anfibolítico (PP2caia) Possui inclusões de biotitas, magnetita, quartzo e caracterizado por pequenos corpos anfibolíticos plagioclásio e seus tamanhos atingem no máximo (Figura 3.6C) encaixados nas duas primeiras unidades. 6,0 mm. O plagioclásio (oligoclásio/andesina com 34 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D E F Figura 3.5 – Fotomicrografias em ortognaisses migmatíticos e mármore do Complexo Jaguaretama. (A) Mostrando textura inequigranular com agregados de plagioclásio (Pl), microclina (Mc) e quartzo (Quartzo). Seção LU-0045. (B) Evidencia microclina (Mc) e plagioclásio (Pl) com trama de forma acompanhando a foliação e agregados quartzo (Qtz) intergranulares. Seção LU-0045. (C) Porfiroclasto de plagioclásio (Pl) com microclinização (Mc) das bordas e textura mirmequita, além de agregados de quartzo (Qtz). Seção LU-0045. (D) Mostra biotita (Bt) esquelética associada com minerais opacos (Op). Esta assembléia representa a porção do neossoma do migmatito. Seção LU-0045. (E) e (F) Mostra textura granolástica com dolomita (Dol) e forsterita (Fo), esta se alterando para serpentina (Srp) e idingsita (Id). 35 Programa Geologia do Brasil A B D C E F Figura 3.6 – Feições macroscópicas petro-estruturais do Complexo Caicó. (A) Ortognaisse granítico “augen” porfiroblástico mostrando forte estiramento - afloramento LU-0106. (B) Mostra biotita ortognaisse granítico com bandamento gnássico proeminente, destacando venulações pegmatíticas - afloramento LU-0114. (C) Mostra corpo anfibolítico nematoblástico afetado por venulações aplíticas - afloramento LU-0171. (D) Caracteriza biotita gnaisse com dobras isoclinais apertadas com flancos rompidos em exudados de quartzo - afloramento LU-0088. (E) Evidencia biotita gnaisse com boudinage e dobras apertadas em veios de pegmatito - afloramento LU-0088. (F) Exibe ortognaisse granítico com forte lineação de estiramento e fino bandamento, além de porfiroblastos tardi- a pós-cinemáticos de magnetita - afloramento LU-0211. 36 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 22-30% de An) é xenomórfico a hipidiomórfico com albita-periclina, pertítica (Figura 3.8C) e raramente geminação albita, por vezes deformada, com extinção fraturada. Sofre alteração para sericita. Observa-se ondulante e saussuritizado. Apresenta textura ainda sombra de pressão, caudas de recristalização mirmequítica e seus tamanhos não ultrapassam e raramente com textura em mosaico (Figura 3.8D). 4,0 mm. O quartzo muitas vezes constitui exudados Exibe inclusões de quartzo e biotita. Seus tamanhos (Figura 3.7C), orientado, com extinção ondulante não ultrapassam a 6,0 mm. O quartzo é xenomórfico forte a moderada. Muitas vezes encontra-se incluso e apresenta-se em níveis orientados e com extinção na ferrohastingsita. Seus tamanhos alcançam 1,3 mm. ondulante intensa. Seus tamanhos alcançam até A ferrohastingsita é xenomórfica a hipidiomórfica 2,0 mm. O plagioclásio (oligoclásio com 24-28% (Figura 3.7D), orientada e por vezes esquelética. de An) é xenomórfico, com geminação albita e Inclusões de quartzo, biotita, titanita e zircão são muitas vezes fraturado, podendo exibir textura observados. Nota-se ainda com uma fraca alteração mirmequítica. Sofre freqüente saussuritização e seus para hidróxidos de ferro. Seus tamanhos variam tamanhos atingem no máximo 1,2 mm. A biotita é de 1,5 a 2,0 mm. A biotita é fortemente orientada hipidiomórfica, fortemente orientada (Figura 3.8E), (Figura 3.7E), associando-se a titanita e magnetita, frequentemente associada à titanita, minerais opacos encontrando-se como inclusões na microclina. e mais raramente a allanita. Altera-se para anfibólio, Altera-se para ferrohastingsita, magnetita e microclina, clorita e muscovita. Seus tamanhos subsequentemente para hidróxidos de ferro e às vezes não ultrapassam 1,5 mm. A ferrohastingsita é clorita. Seus tamanhos variam em geral entre 1,0 e 2,0 xenomórfica a hipidomórfica, orientada e comumente mm. A muscovita é ripiforme substituindo as lamelas sobrecrescendo nas lamelas de biotita (Figura 3.8F). de biotita. Seus tamanhos não ultrapassam 2,0 mm. Apresenta inclusões de quartzo, titanita e relíquias A granada é xenomórfica, comumente associada de biotita. Seus tamanhos atingem no máximo à biotita (Figura 3.7F) e microclina, crescendo por 2,0 mm. O epídoto é idiomórfico a hipidiomórfico, coalescência muito provavelmente decorrente comumente substituindo a biotita. Observa-se ainda da alteração da biotita. Seus tamanhos atingem allanita hipidiomórfica metamictizada, além apatita 0,3 mm. Os minerais opacos são xenomórficos a e zircão idiomórficos, onde o zircão está comumente hipidiomórficos, podendo se orientar, apresentando incluso nas biotitas. às vezes inclusões de titanita, biotita e epídoto. Seus tamanhos são inferiores a 1,5 mm. A titanita é Unidade anfibolítica xenomórfica, orientada, comumente bordejada por Esta unidade é composta por corpos minerais opacos. A allanita ocorre metamictizada de anfibolitos, encaixados concordantes a (Figura 3.7F), comumente bordejada por epídoto subconcordantes nos ortognaisses e gnaisses hipidiomórfico. O zircão e apatita geralmente são bandados do Complexo Caicó. São melanocráticos e idiomórficos, muitas vezes intergranulares. verdes escuros com granulometria fina a média. A textura geralmente é nematogranoblástica Unidade bandada exibindo estrutura gnáissica, por vezes milonítica Esta é composta por ortognaisses bandados, e xistosa, orientando fortemente a hornblenda. com feições migmatíticas estromáticas, nebulíticas Quando milonítica desenvolve estrutura S-C. Os até ptigmáticas. Estes ortognaisses são compostos anfibolitos são compostos por hornblenda (62%), por neossomas de composição granítica, plagioclásio (25%), quartzo (5%) e minerais opacos leucocrática, coloração rosada a esbranquiçada, (5%) como assembléia principal, além de titanita por vezes porfiroblástica. O mesossoma varia de (3%), epídoto (<1%) e apatita (<1%) como acessórios. composição granodiorítica a tonalítica, por vezes Quando milonítico localmente apresentam composto quartzo-diorítica, mesocrático a melanocrático, cinza por ferroactinolita (80%), escapolita (10%) e minerais claro a escuro. opacos (5%) como assembléia principal e como Exibe uma foliação gnáissica mostrada pela acessórios epídoto (3%) e plagioclásio (2%). orientação das biotitas, porfiroblastos de feldspato A hornblenda é xenomórfica a hipidiomórfica e exudados de quartzo. Observa-se ainda textura (Figura 3.9A), esquelética, orientada em duas granolepidoblástica com granulometria média. As foliações. Inclusões de quartzo, plagioclásio, biotita seções delgadas apresentam microclina (35-42%), e minerais opacos são comumente observadas e quartzo (25-35%), plagioclásio (6-20%), biotita (10- seus tamanhos chegam a 2,2 mm. A ferroactinolita é 20%) e ferrohastingsita (0-6%) representando a hipidomórfica (Figura 3.9B, C), fortemente orientada assembléia principal. Os acessórios são epídoto desenvolvendo estrutura S-C, às vezes formando (2%), minerais opacos (<1%), titanita (<1%), apatita dobras apertadas. Está associado comumente a (<1%), allanita (<1%) e zircão (<1%), hidróxidos de escapolita e seus tamanhos não ultrapassam 0,3 ferro (<1%), clorita (<1%), sericita (<1%), muscovita mm. Os minerais opacos são do tipo magnetita (<1%) e saussurita (<1%). cristalizando-se em duas fases: (1) xenomórfica, A microclina é xenomórfica, ocorrendo orientada e associando-se a titanita e (2) idiomórfica em porfiroblastos e mais raramente com textura a hipidiomórfica cristalizando-se ao acaso (Figura glomeroporfiroblástica (Figuras 3.8 A, B), geminação 3.9A) e com inclusões de feldspato, anfibólio e 37 Programa Geologia do Brasil A B C D E F Figura 3.7 – Fotomicrografias em gnaisses do Complexo Caicó/Unidade Indivisa. (A) Exibe parcialmente porfiroblastos/ porfiroclasto de microclina (Mc) poiquilítica/poiquiloblástica com bordas e inclusões de plagioclásio (Pl), quartzo (Qtz) - seção LU-0121. (B) Mostra recristalização e estiramento de microclina (Mc) e matriz quartzo-feldspática com feição protomilonítica e recristalização dinâmica em de subgrãos de quartzo (Qtz) e diminuição da granulometria de plagioclásio (Pl) e microclina (Mc). Seção LU-0081. (C) Agregado de microclina alinhada da foliação e quartzo em exudado acompanhando a foliação - seção LU-0114. (D) Caracteriza lamelas de biotita alinhadas na foliação sendo consumidas por ferrohastingsita (Hs) e titanita (Ttn), além da subsequente geração de epídoto (Ep) a partir do anfibólio em ortognaisses graníticos - seção LU-0114. (E) Foliação anastomosada caracteriza pela orientação de biotita (Bt) e sua substituição pelos minerais opacos (Op) e titanita (TTN) com feição tardi- a pós-foliação. Nota-se ainda a blastese de epidoto (Ep) - seção LU-0081. (F) À esquerda, evidencia a blastese de almandina (Alm) consumindo a biotita (Bt) - seção LU-0080; À direita a blastese epidoto (Ep) em coroa reacional em allanita (Aln), além da foliação com orientação de biotita (Bt) - LU-0081. 38 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D E F Figura 3.8 – Fotomicrografias de rochas do Complexo Caicó bandado. (A) Mostra porfiroclasto de microclina (Mc) pertítica com inclusões de plagioclásio (Pl), biotita (Biotita) ripiforme e quartzo (Qzt) acompanhando a foliação - Afloramento LU-0091. (B) Caracteriza porfiroclasto de microclina (Mc) contornado por quartzo (Qtz) e biotita (Bt) definindo a foliação - Afloramento LU-0091. (C) Microclina (Mc) pertítica com plagioclásio sendo substituído por epídoto (Ep), além biotita (Bt) orientada - Afloramento LU-0091. (D) Exibe microclina (Mc) e biotita (Bt) alinhadas definindo a gnaissificação - afloramento LU-0106. (E) Caracteriza agregado fluxoso de biotita (Bt) definindo proeminente foliação em faixas preferenciais alternando com assembléia quartzo-feldspática - afloramento LU-0106. (F) Agregado de ferrohastingsita (Hs) e biotita (Bt) caracterizando a estrutura gnáissica penetrativa. Há blastese de epidoto (Ep) consumindo ambos - afloramento LU-0091. 39 Programa Geologia do Brasil titanita. Seus tamanhos atingem no máximo 1,4 mm. (5-25%) e biotita (5-20%), tendo como acessórios O plagioclásio (labradorita com aproximadamente epídoto (<2%), muscovita (<1%), titanita (<1%), 58% de An) cresce com geminação albita, textura em apatita (<1%), zircão (<1%), allanita (<1%), sericita mosaico (Figura 3.9D, E), por vezes com borda albítica (<1%), saussurita (<1%) e hidróxidos de ferro (<1%). e com alguns cristais saussuritizados. Localmente A microclina é xenomórfica a hipidomórfica, exibe textura mirmequítica e seus tamanhos com geminação albita-periclina, por vezes pertítica, máximos variam entre 0,8 e 1,5 mm. A escapolita extinção ondulante e sericitização incipiente. forma agregados e sem orientação preferencial Ocasionalmente ocorre como porfiroclastos a (Figura 3.9F), sendo provavelmente decorrente glomeroporfiroclastos (Figura 3.10C, D). Possui da alteração dos plagioclásios, sob condições de comumente inclusões de biotita. Seus tamanhos fácies anfibolito. Seus tamanhos são inferiores a 0,8 alcançam até 1,7 mm. O quartzo é intergranular em mm, com raros porfiroblastos atingindo 4,0 mm. O cristais isolados e como exudados, orientados e com epídoto ocorre essencialmente em zonas miloníticas, forte extinção ondulante, por vezes com textura em substituindo plagioclásio e anfibólio. O quartzo é mosaico (Figura 3.10F). Também está associado ao xenomórfico, com extinção ondulante moderada plagioclásio na textura em mosaico. Seus tamanhos a forte, com inclusões de plagioclásio e localmente não ultrapassam 1,0 mm. O plagioclásio (oligoclásio com textura em mosaico associado ao plagioclásio. com 26-28% de An) é xenomórfico a hipidiomórficos Seus tamanhos são inferiores a 2,0 mm. A titanita com geminação albita e muitas vezes com textura em é xenomórfica, às vezes vermicular e raramente mosaico e textura mirmequítica. A saussuritização é orientada. Seus cristais não ultrapassam 0,4 mm. A incipiente. Seus tamanhos atingem no máximo 0,6 apatita ocorre em cristais idiomórficos e aciculares. mm. A biotita é lamelar a dactilítica, orientando-se na foliação na rocha (Figura 3.10A), com inclusões 3.2.3 - Suíte Poço da Cruz (PP3γpc e PP3δpc) de apatita, zircão e plagioclásio. Apresenta-se Esta suíte é composta por ferrohastingsita também sem orientação nos interstícios dos cristais ortognaisses sienograníticos a granodioríticos de quartzo e plagioclásio (Figura 3.10E). Altera- leucocráticos a mesocráticos (Figura 3.10A), se para muscovita, hidróxidos de ferro e menos granulometria média, coloração rosada a freqüentemente para epídoto. Seus cristais não esbranquiçada, com tons esverdeados da ultrapassam 2,0 mm. A muscovita cristaliza-se ferrohastingsita. Biotita ortognaisse granítico, coloração nos interstícios quartzo-feldspáticos e também cinza claro, granulometria média a grossa também sobrecrescendo como produto de alteração nas ocorrem subordinadamente. Em alguns afloramentos biotitas. As titanitas são xenomórficas, associadas foi descrita com textura nematoporfiroblástica, à biotita. O epídoto apresenta-se xenomórfico, por destacando o K-feldspato como fenoblastos. vezes bordejando as allanitas metamictizadas. Nota-se ainda nos acessórios a apatita idiomórfica. As litologias desta suíte apresentam-se fortemente estiradas, formando tectonitos “L” a 3.2.4 - Biotita gnaisse xistoso e anfibolitos do “L-S”. Nota-se ainda alguns poucos afloramentos Grupo Serra de São José diques de granito porfirítico métrico e granito fino centimétrico cortando as rochas desta suite. A Biotita gnaisse xistoso essa rocha exibe biotita e a ferrohastingsita são os ferromagnesianos estrutura xistosa, cinza biotítica, com textura dominantes, embora este último possa estar ausente. lepidonematoblástica e em alguns casos Corpos de metadioritos (PP3δpc) encontram- lepidogranoblástica, sendo intrudida por venulações se como megaencraves no corpo principal, se pegmatoides boudinados (Figuras 3.11 A, B). A caracterizando por ferrohastingsita ortognaisses rocha apresenta-se bastante deformada com dobras dioríticos, de coloração esverdeada e cinza escuro, apertadas a intrafoliais e penetrativa xistosidade granulometria média a fina. (Figuras 3.12). Como ela está em contato com um Algumas seções delgadas da suite principal augen gnaisse, sua foliação principal pode se tornar granítica foram descritas, as quais exibem verticalizada. estrutura gnáissica, indicada pela forte orientação Microscopicamente apresenta textura dos ferromagnesianos e da matriz quartzo- lepidoblástica a lepidogranoblástica, com feldspática. As texturas são granolepidoblástica e granulometria fina a média, sendo essencialmente granonematoblástica, por vezes porfiroblástica/ composta por biotita (30- 25%) microclina (25-29%), porfiroclástica com granulometria média a fina. quartzo (22-25%), plagioclásio (18-20%) e muscovita Em regiões de maior deformação a estrutura (5-1%), além dos acessórios zircão (<1%) e minerais protomilonítica é indicada principalmente pela opacos (<1%). forte orientação dos cristais de quartzo e lamelas de A biotita é hipidiomórfica, cristalizando-se biotita (Figura 3.10B), textura de subgrãos e sombra como agregados fluxosos, podendo alterar-se para de pressão dos porfiroclastos. Os ortognaisses muscovita e apresentar inclusões de zircão. Seus graníticos são compostos essencialmente por tamanhos são menores que 2,4 mm. A microclina microclina (33-49%), quartzo (20-40%), plagioclásio é xenomórfica, com boa geminação albita-periclina 40 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D E F Figura 3.9 – Fotomicrografias em anfibolitos do Complexo Caicó. (A) Mostra hornblenda (Hb) nematoblástica incipiente e sua substituição por titanita (Ttn) e por porfiroblastos pós-cinemáticos de minerais opacos (Op) - afloramento LU- 0108. (B) Mostra microdobras apertada em agregados de ferroactinolita (Act) - afloramento LU-0083. (C) Caracteriza microcrenulação em ferroactinolita (Act) - afloramento LU-0083. (D) Evidencia agregado de plagioclásio (Pl) e quartzo (Qtz) com textura em mosaico e em trama de forma incipiente acompanhando a orientação de hornblenda (Hb) - afloramento LU-0108. (E) Mostra hornblenda (Hb) fortemente orientada, truncando hornblendas pretéritas. Observe plagioclásio (Pl) e quartzo (Qtz) com textura em mosaico - afloramento LU-0108. (F) Matriz máfica formada por ripas aciculares de ferroactinolita (Act) com microporfiroblastos de escapolita (Esc) sobrecrescendo nesta matriz - afloramento LU-0083. 41 Programa Geologia do Brasil A B C D E F Figura 3.10 – Feições macroscópicas e fotomicrografias de ortognaisse da Suíte Poço da Cruz. (A) Ortognaisse granodiorítico fortemente estirado - afloramento LU-0101. (B) Feixes fluxoso de biotita (Bt) numa matriz quartzo- feldspática e lamelas de muscovita (Ms) sobrecrescendo sem orientação nas biotitas - afloramento LU-0130. (C) agregado de biotita orientadas e muscovitizadas (Ms) , quartzo (Qzt) em trama de forma contornando agregado “augen” de microclina (Mc) - afloramento LU-0132. (D) Caracteriza o forte estiramento de microclina, quartzo e muscovitização da biotita - afloramento LU-0132. (E) Textura em mosaico com plagioclásio (Pl) e quartzo (Qtz) e lepidoblástica evidenciada pelos agregados de biotita - afloramento LU-0105. (F) Mesma imagem de “E” com nicóis paralelos. 42 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros em padrão xadrez. Pode alterar-se para a muscovita, formar agregados, apresentar fraca extinção ondulante e tamanhos menores que 4,0 mm. O plagioclásio é do tipo oligoclásio (22-27% An), xeno- a hipidiomórfico, alinhado na foliação principal, com fraca extinção ondulante e comumente com boa geminação albita. Podem aparecer com uma ligeira alteração superficial, inclusões de zircão e agregados de ordem centimétrica, mas com grãos individuais que geralmente não ultrapassam 2,5 mm. O quartzo é xenomórfico, estirado segundo a foliação principal, com moderada a forte extinção ondulante e às vezes feições venulares acompanhando aquela foliação. Seus tamanhos são inferiores a 2,5 mm. Pode crescer nas sombras de pressão dos porfiroclastos de feldspato (Figura 3.13). A muscovita é hipidiomórfica, formada a partir da alteração de biotita e microclina. Os minerais opacos são xenomórficos e sempre Figura 3.12 – Biotita gnaisse xistoso deformado e em associados às biotitas. O zircão ocorre como inclusões detalhe com forte crenulação, foliação de baixo ângulo. nas biotitas formando halos de metamictização. LU-0396. Os anfibolitos do Grupo São José são encontrados ao longo das Serras de São José na forma de lentes alongadas (Figura 3.14) na direção NE-SW. São comumente alterados pelo Intemperismo, sendo melanocráticos e verdes escuros. A mineralogia principal é representada por hornblenda, epídoto e plagioclásio. A Figura 3.13 – Fotomicrografia de biotita gnaisse mostrando porfiroblasto de plagioclásio (Pl) desviando a foliação biotítica (Bt) e formando sombra de pressão com recristalização do quartzo (Qz). Notar contatos irregulares sugerindo consumo da biotita pelo plagioclásio (setas brancas) e halopleocroísmo do zircão (Zr) incluso na biotita (setas pretas). Afloramento LU-0396. B Figura 3.11 (A) Biotita gnaisse xistoso evidenciando veios pegmatoides boudinados. Veios pegmatoides indicados Figura 3.14 – Lentes de anfibolito do Grupo Serra pela seta vermelha e dobras intrafoliais indicados pela de São José. Afloramento LU-0564, UTM ZONA 24: seta branca. (B) Caracteriza estrutura gnáissica xistosa 572768/9315312. Município de Água Nova – RN. O cabo em baixo ângulo. Afloramento LU-0396. do martelo indica o Norte. 43 Programa Geologia do Brasil Apresenta textura nematoblástica sendo são leucocráticos, por vezes mesocráticos, com constituído por anfibólio (60-75%), plagioclásio (10- granulometria média a grossa e frequentemente 15%), epídoto (10-15%) como minerais principais porfiroblástica/porfiroclástica com feição augen bem e titanita (0-4%), opacos (0-1%) como minerais desenvolvida pelos feldspatos estirados. São rochas acessórios. com coloração rosada, quartzo-feldspática e com A hornblenda é hipidiomórfica a xenomórfica, pintas negras e esverdeadas dos minerais máficos. orientada (Figuras 3.15 A, B) e apresentando bordas Apresentam forte foliação gnáissica denotada pela corroídas por minerais opacos, contatos irregulares orientação dos minerais máficos e os agregados com plagioclásio, inclusões de plagioclásio. Altera- quartzo-feldspáticos. Nas zonas de maior intensidade se muitas vezes para epídoto. Seus tamanhos não de deformação, adquirem feição protomilonítica ultrapassam 2,0 mm. a milonítica (Figura 3.16 A, B) e cataclástica com O plagioclásio é oligoclásio (22% a 25% An) intenso fraturamento (Figura 3.17 A, B), além de ocorrendo com maclas polissintéticas em poucos estruturas S-C e quartzo ribbon. A milonitização cristais. Apresenta-se em duas gerações: (1) proporciona a formação de microbandas miloníticas inclusões idiomórficas em hornblenda, apresentando evoluindo para quartzitos miloníticos, ultramilonitos tamanhos por volta de 0,1 a 0,2 mm; (2) dispersos na e milonitos xistosos (filonitos). matriz como cristais xenomórficos alongados, com A textura augen é evidenciada pelos clastos tamanhos não ultrapassando 1,8mm. de microclina e plagioclásio, favorecendo a geração A titanita é hipidiomórfica a xenomórfica, de sombra de pressão e cauda de recristalização em por vezes ameboide. Apresenta-se nas bordas de decorrência da forte deformação. minerais opacos, às vezes com inclusões destes. É composta essencialmente por microclina Os tamanhos atingem no máximo de 0,55 mm. Os (28-40%), plagioclásio (22-30%), quartzo (20-30%) minerais opacos são em sua maioria xenomórfico e com máficos representados por biotitas (1-5%), e inclusos na titanita. Também encontram-se nas ferrohastingsita (0-4%), epídoto (2-3%), muscovita/ bordas das hornblendas, consumindo-as e os sericita (0-3%), minerais opacos (1-3%), titanita (1%), tamanhos variam de 0,01 a 0,03mm. clorita (0-1%), hidróxido de ferro (1%), allanita (0- 1%), saussurita (<1%) e zircão (<1%). 3.2.5 - Suíte Serra do Deserto A microclina é xenomórfica, com geminação albita-periclina, com extinção ondulante e com No domínio Jaguaribeano destaca-se a fraca sericitização de alguns cristais (Figura 3.17C, suíte intrusiva Serra do Deserto representada por D). Apresenta-se em microporfiroclastos pertíticos leucognaisses e augen ortognaisses graníticos a com feição augen, desenvolvendo sombra de sienograníticos, paleoproterozoicos e anorogênicos pressão e cauda de recristalização. Seus tamanhos (Sá, 1991; Silva e Sá, 1997; Cavalcante, 1999). Distribui- não ultrapassam 1,5 mm. O quartzo apresenta-se se essencialmente em faixas com direção NNE-SSW em exudados, com feição ribbon (Figura 3.17C, D), entre o Complexo Jaguaretama, o Grupo São José fortemente orientados e com extinção ondulante. Por e o granito Pereiro. Exibe contínuos lineamentos, vezes encontra-se como inclusão e em microfissuras da relevo moderado a elevado, formando a encosta E da microclina. Seus tamanhos são inferiores a 2,0 mm. O Serra de São José, se destacando topograficamente plagioclásio (oligoclásio com aproximadamente 25% com relação às rochas do Complexo Jaguaretama. de anortita) com boa geminação albita, exibe forte Os ortognaisses sienograníticos frequentemente extinção ondulante e geminação deformada (Figura A B Figura 3.15 – (A) Fotomicrografia de hornblenda anfibolito mostrando a textura nematoblástica marcada pelos agregados fluxosos de hornblenda (Hb) e plagioclásio (Pl). (B) Notar inclusões de minerais opacos (Op) e apatita (Ap) nos referidos minerais. Afloramento LU-0610. 44 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B Figura 3.16 – (A) Ortognaisse granítico leucocrático da suíte Serra do Deserto apresentando foliação milonítica em alto ângulo com trend NE-SW (o cabo do martelo indica o Norte), afloramento LU-0611. (B) Ortognaisse granítico evidenciando intenso estiramento, afloramento LU-0612, a NE da cidade de Cel. João Pessoa - RN. 3.17E). Ocasionalmente os microporfiroblastos dimensões pertencentes à suíte Dr. Severiano (Suíte desenvolvem cauda de recristalização. Nota-se São João do Sabugi), além de corpos pegmatíticos também textura mirmequítica e às vezes forte de menor expressão. saussuritização. Seus tamanhos atingem no máximo As rochas são inequigranulares, comumente 1,0 mm. A biotita altera-se para hidróxidos de ferro porfiríticas (Figura 3.18), com granulometria e clorita (Figura 3.17F). Apresenta-se comumente média a grossa, geralmente com boa foliação associado ao epídoto e minerais opacos. Seus cristais no centro do corpo, até milonítica nas porções não ultrapassam 0,5 mm. O epídoto cristaliza-se marginais e frequentemente com agregados invariavelmente a partir da biotita, plagioclásio e máficos centimétricos a decimétricos (Figura 3.19), anfibólio. Os minerais opacos são xenomóficos a geralmente estirados. É comum a presença de diques hipidiomórficos e possuem inclusões de biotita e subparalelos e sheets encaixados nos leucognaisses epídoto, alterando-se para hidróxidos de ferro (Figura da suíte Serra do Deserto e do embasamento, 3.17F), por vezes possuindo titanita nas bordas. A esse último também encaixando corpos satélites muscovita é orientada, sendo produto de alteração no extremo NW da Folha (Perfil Ererê – Pereiro). da biotita e microclina. Seus tamanhos são inferiores É bastante comum a presença de fraturamento e a 0,2 mm. O hidróxido de ferro é xenomórfico, falhas com estrias. aparecendo como produto de alteração do anfibólio, biotita e minerais opacos, preenchendo fraturas e As rochas são leucocráticas, faneríticas, interstícios minerais. inequigranulares média a grossa, frequentemente porfiríticas (Figura 3.20) e variando entre um 3.2.6 - Granitoides neoproterozoicos alinhamento discreto dos cristais (foliação magmática?) a uma boa foliação. É composto São representados por vários corpos principalmente por microclina (28-40%), plagioclásio neoproterozoicos a cambrianos intrusivos, (25-35%), quartzo (15-25%), ferrohastingsita (7- classificados aqui de acordo com a química descrita no 16%), titanita (1-3%), minerais opacos (1-2%) capítulo de Geologia Regional, sendo representadas e clinopiroxênio (hedenbergita) (1%), além dos pelos sienogranitos a monzogranitos porfiríticos da minerais acessórios zircão (<1%), apatita (<1%), Suíte intrusiva Itaporanga, dioritos da Suíte intrusiva allanita (<1%), carbonato (<1%) e epídoto (<1-3%). São João do Sabugi, monzogranitos a sienogranitos A microclina apresenta-se com boa geminação finos da Suíte intrusiva Dona Inês e aegirina-augita albita-periclina e como freqüentes fenocristais (até sienogranitos da Suíte intrusiva Catingueira. 1,0 cm de eixo maior) hipidiomórficos, zonados, micropertíticos, porém usualmente xenomórficos Suite intrusiva Itaporanga a hipidiomórficos. Apresenta ainda inclusões de Ocupando boa parte do extremo NW da plagioclásio, anfibólio, clinopiroxênio e zircão. O Folha, o granitoide Pereiro é constituído por um plagioclásio é xenomórfico a hipidiomórfico, do tipo batólito com mais de 2000 km² de extensão e oligoclásio (22-25% An), comumente apresentando-se tem sua melhor exposição na cidade homônima, como fenocristais zonados com centro saussuritizado localizada na porção noroeste da Folha. Caracteriza- (em algumas amostras aparece intensamente se por uma região de topografia mais elevada, saussuritizado). Possui contatos irregulares a retos, com grades serras de topo plano e serve como com formação de mirmequitas e boa geminação encaixante para corpos dioríticos de diversas polissintética, por vezes ligeiramente deformado. 45 Programa Geologia do Brasil A B C D E F Figura 3.17 – Feições macroscópicas e fotomicrografias de ortognaisses da Suíte intrusiva Serra do Deserto. (A) e (B) evidenciam ortognaisse granítico leucocrático com coloração rosada da matriz quartzo-feldspática com um intenso fraturamento - A e estiramento - B (Afloramento LU-0191). (C) Evidencia microclina (Mc) com forte extinção ondulante e quartzo (Qtz) alguns com textura ribbon - Afloramento LU-0070. (D) Caracteriza exudado de quartzo (Qtz) com textura ribbon numa matriz quartzo-feldspática - Afloramento LU-0070. (E) Mostra plagioclásio (Pl) com forte extinção ondulante e fissuramento e quartzo fortemente estirado - Afloramento LU-0070. (F) Mostra minerais opacos (Op) e epídotos (Ep) consumindo as biotitas (Bt).A Allanita (Aln) é bordejada por epídoto e os hidróxidos de ferro (Hfe) se alteram a partir dos minerais opacos - Afloramento LU-0070. 46 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Figura 3.19 – Mostra textura fanerítica grossa do Figura 3.18 – Textura porfirítica do granitoide Pereiro, granitoide Pereiro, com destaque para encrave máfico com destaque para pórfiro centimétrico de K-feldspato. bastante comum ao longo de todo o corpo. Afloramento Afloramento LU-0443. LU-0532, Pereiro (CE), estátua do Cristo. Aparece com inclusão de anfibólio, clinopiroxênio, zircão série diopsídio-hedenbergita sendo mais próximo ao e allanita. Seus tamanhos podem atingir 5,0 mm. O componente rico em ferro (hedenbergita). Aparece quartzo é xenomórfico, com moderada a forte extinção bastante fraturado e associado à titanita, opacos e ondulante, por vezes fraturado e frequentemente anfibólio, sendo notadamente consumido por este intercrescido com plagioclásio. Seus contatos são último, podendo aparecer como inclusão relíquia ou irregulares e apresenta inclusões de zircão, apatita totalmente bordejado pelo anfibólio (Figura 3.20). e allanita, além de formar agregados com feições Seus tamanhos são inferiores a 2,2 mm. A titanita é venulares. Seus tamanhos são inferiores a 3,5 mm. hipidiomórfica a idiomórfica, por vezes xenomórfica, O anfibólio, do tipo ferrohastingsita, é xenomórfico, podendo formar agregados e frequentemente raramente hipidiomórfico e dimensões de até 3,0 mm. associada à ferrohastingsita (Figura 3.21), como inclusão Sua orientação marca uma boa foliação e comumente total ou parcial, além de inclusão de minerais opacos. forma agregados máficos junto com titanita, minerais Os mineras opacos são xenomórficos e aparecem como opacos e clinopiroxênio. Aparece com contatos inclusão nos anfibólios ou com borda de titanita. O irregulares a interdigitados com o clinopiroxênio zircão, a apatita e a allanita aparecem como diminutos sugerindo sua formação a partir desse mineral (Figura cristais, geralmente idiomórficos e inclusos na maioria 3.20). Altera-se ainda para epídoto, minerais opacos das fases minerais. A formação de carbonato e epídoto e localmente carbonato. O clinopiroxênio pertence à estão relacionadas à alteração de minerais como anfibólio, plagioclásio e titanita. O epídoto também está associado à microfissuras. Figura 3.20 – Fotomicrografia mostrando cristal de anfibólio (Anf) bordejando clinopiroxênio (Cpx), denotando consumo desse último. Notar também Figura 3.21– Fotomicrografia de anfibólio granito fenocristais de K-feldspato (Kf), quartzo (Qz) e (Pereiro) mostrando titanita (Tit) euédrica e anfibólio plagioclásio (Pl) com mirmequitas (Mi) - Afloramento (Anf) do tipo ferrohastingsita alinhados, além da fase LU-0421, município de São Miguel (RN), baixio dos félsica formada por quartzo (Qz), plagioclásio (Pl) e Marangóias. K-feldspato (Kf). Afloramento LU-0522. 47 Programa Geologia do Brasil Uma amostra, próxima a Dr. Severiano Foi descrita uma seção delgada no corpo (RN), apresenta microzonas de cisalhamento com de Catolé do Rocha a SE da Folha. Esta rocha diminuição na granulometria dos cristais e formação exibe coloração esbranquiçada da matriz quartzo- da biotita (sem presença de anfibólio). Uma fácies feldspática, com textura porfirítica e granulometria localizada na comunidade de Riacho Fundo, a leste de grossa a muito grossa. Este granito é constituído por São Miguel (RN), de coloração cinza clara, biotítica, microclina (45%), quartzo (25%), plagioclásio (15%), bastante foliada e próxima ao contato com diorito, biotita (9%) e anfibólio (4%), tendo como acessórios possui composição modal semelhante, porém sem minerais opacos (1%), titanita (1%), epídoto (<1%), ferrohastingsita e com 15% de biotita (Figura 3.22). apatita (<1%), zircão (<1%), allanita (<1%), sericita (<1%) e saussurita (<1%). A microclina cristaliza-se como pórfiros xenomórficos a hipidiomórficos, com geminação albita-periclina e pertíticos, exibindo fraca alteração para sericita e com extinção ondulante (Figura 3.23C). Possui inclusões de biotita, quartzo e plagioclásio. Seus tamanhos não ultrapassam 11,0 mm. O plagioclásio (oligoclásio com ca. 25% de anortita) é xenomórfico a hipidiomórfico, com geminação albita, comumente saussuritizados e com extinção ondulante fraca a moderada (Figura 3.23D). Observa-se também intercrescimento mirmequíticos e por vezes com borda albítica. Seus tamanhos não ultrapassam 5,0 mm. O quartzo é xenomórfico, com forte extinção ondulante e com tamanhos inferiores a 9,0 mm. A biotita é Figura 3.22 – Fotomicrografia de biotita granito ripiforme, com extinção ondulante moderada, mostrando biotita (Bt) orientada, minerais opacos (Op) sofrendo alteração incipiente para hidróxidos e por e plagioclásio levemente alterado, além de quartzo (Qz), vezes deformada (Figura 3.23E). Apresenta íntima K-feldspato (Kf) e titanita (Tit) em trama de forma - relação de crescimento com titanitas, minerais Afloramento LU-0392. opacos e epídoto. Mostra frequentes inclusões de zircão e apatita. Seus tamanhos não ultrapassam Na faixa E e SE da Folha esta suíte é representada 2,3 mm. A ferrohastingsita é hipidiomórfica (Figura por ferrohastingsita - biotita sienogranitos a 3.23E) possuindo inclusões de biotita, quartzo e monzogranitos porfiríticos (Figura 3.23A), por vezes minerais opacos. Seus tamanhos não ultrapassam equigranulares, com granulometria média a grossa, 2,0 mm. A titanita muitas vezes bordeja os minerais mesocráticos a leucocráticos, com coloração rosada opacos e substitui a biotita (Figura 3.23F). O zircão a esbranquiçada e comumente isotrópicos. Os cristais é idiomórfico com auréola de metamictização, de microclina são bem desenvolvidos, com tamanho quando incluso na biotita. A apatita cristaliza-se em chegando a 10 cm. Nota-se ainda comumente em alongados e finos cristais idiomórficos. A allanita é segregações de biotita orientadas. Ocorre também hipidiomórfica, estando comumente metamictizada como hornblenda - biotita metasienogranito a (Figura 3.23F) e zonada. metamonzogranito, com granulometria média a fina, mesocrático, por vezes leucocrático, coloração rosada Suite intrusiva São João do Sabugi e textura microporfirítica a porfirítica com cristais de Os principais corpos pertencentes a essa suíte microclina atingindo 2 cm. A biotita e ferrohastingsita são encontrados nas regiões de Dr. Severiano (RN) são os máficos predominantes, e magnetita é o até a comunidade de Guardado (porção central da mineral opaco mais importante. Estrutura de fluxo área), entre as comunidades Riacho Fundo e Bonito pode ser observada em alguns afloramentos denotada (porção Sudoeste) e na região de Açude Novo (porção principalmente pela orientação das lamelas de biotita e Oeste), além do corpo na região de Poço Dantas pórfiros de microclina (Figura 3.23B). Encraves máficos (PB). Tais corpos ocorrem, via de regra, em regiões de composição diorítica de proporções métricas de topografia mais arrasada, enquanto que corpos são observados ocasionalmente. Estes encraves são menores encontram-se bastante intemperizados. compostos por biotita - hornblenda metadioritos, de Na região de Doutor Severiano as relações coloração cinza escuro a esverdeada, melanocrática de campo (xenólitos) (Figura 3.24) sugerem uma e granulometria fina. Sheets graníticos correlatos, formação posterior dessa suíte em relação ao leucocráticos, rosados, de granulometria média a granitoide Pereiro. É comum encontrar pedaços do grossa são observados encaixados no Complexo Caicó, granito bastante estirados nos dioritos, sobretudo próximo ao corpo de Catolé do Rocha, extremo SE da nos afloramentos do corpo de Dr. Severiano. folha. Diques de pegmatito comumente cortam estas rochas. Nas bordas dos corpos em geral encontram-se Pelo menos duas fácies podem ser fortemente deformados com estrutura milonítica. evidenciadas, sendo ambas equigranulares, porém 48 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D E F Figura 3.23 – Feições macroscópicas e fotomicrografias de rochas da Suíte Itaporanga na porção SE da Folha (corpo de Catolé do Rocha). (A) Granito porfirítico com destaque para fenocristais de microclina mostrando uma forte lineação - Afloramento LU-0103. (B) Granito porfirítico com destaque para forte estrutura de provável fluxo dos fenocristais de microclina - Afloramento LU-0166. (C) Pórfiro de microclina (Mc) pertítica com inclusões de plagioclásio (Pl) com texturas mirmequíticas. Nota-se ainda lamelas de biotita (Bt) bordejando o pórfiro de microclina - Afloramento LU- 0103. (D) Cristais de plagioclásio (Pl) com textura mirmequítica e ainda alguns cristais de quartzo (Qtz) e microclina (Mc) - Afloramento LU-0103. (E) Lamelas de biotita (Bt) associada à ferrohastingsita (Hs), e titanita (Ttn) bordejando os minerais opacos (Op) e substituindo anfibólio e biotita - Afloramento LU-0103. (F) Cristal de titanita (Ttn) intercrescendo com minerais opacos (Op), ambos consumindo a biotita, além de cristal de allanita (Aln) com halo de metamictização. Observe a blastese de epídoto (Ep) - Afloramento LU-0103. 49 Programa Geologia do Brasil uma de granulometria fina e outra mais grossa. Os escura a preta, granulometria fina a grossa, por vezes trabalhos de Magini & Hackspacher (2005 e 2008) porfirítica, com xenólitos (autólitos?) de granitoide e consideram ainda um terceiro tipo para o corpo feições autolíticas de mistura de magmas (mixing e diorítico de Dr. Severiano, chamado de cumulado, mingling) (Figura 3.26), podendo também encaixar sendo formado quase que totalmente (90% da rocha) diques pegmatíticos. Microscopicamente, o diorito de biotita e anfibólio. Tal tipo somente foi encontrado grosso apresenta-se como uma rocha escura, textura preenchendo fraturas, geralmente na fácies mais fina. fanerítica inequigranular, com granulometria média No corpo do Açude Novo (RN) encontra-se variedade a grossa, ocorrendo dentro do corpo granítico ácida, granitoide, com granulometria grossa a muito Pereiro. É composta principalmente por plagioclásio grossa (Figura 3.25), sendo possivelmente um (50-35%), anfibólio (20-40%) e biotita (15-20%), megaxenólito ou rocha diferenciada a partir de um além dos acessórios titanita (3-8%), quartzo (0-2%), magma máfico. Estreitos diques quartzo-feldspáticos clinopiroxênio (0-5%), opacos (1-2%), apatita (<1%), são comuns, seja acompanhando a foliação ou zircão (<1%) clorita (<1%) e carbonato (<1%). dobrado. Figura 3.24 – Encraves do granito em rocha diorítica. Figura 3.26 – Evidencia duas rochas (diorítica versus Afloramento LU-0392. tonalítica/granitoide) com feições de autólitos entre dois tipos de magmas - Afloramento LU-0510 e escala aponta o Norte. O plagioclásio é subeuédrico a anédrico, com geminação polissintética e simples, comumente deformadas e tamanhos inferiores a 5,0 mm. É do tipo oligoclásio (25-27% An), com contatos retos a irregulares junto à biotita e anfibólio e frequentemente com moderada a forte alteração, além de zonação concêntrica. O anfibólio (hornblenda) é subeuédrico a anédrico, raramente euédrico, podendo ser interdigitado com a biotita. Possui inclusões de titanita, minerais opacos, apatita e biotita, além de aparecer bordejando cristais de clinopiroxênio ou com inclusões relíquias deste (Figura 3.27). Localmente pode sofrer cloritização e seus tamanhos podem atingir 2,75 mm. A biotita é Figura 3.25 – Rocha granítica equigranular associada à subeuédrica a anédrica, geralmente como agregados suíte São João do Sabugi, nos arredores do Açude Novo fluxosos, interdigitando-se com o anfibólio. A relação (RN) no extremo NW da Folha. Afloramento LU-0412. de inclusão com o anfibólio é variada (Figura 3.28), podendo aparecer com inclusão ou incluindo este De maneira geral, as litologias dessa suíte último, indicando uma contemporaneidade na apresentam boa foliação, sobretudo na fácies cristalização. Seus tamanhos são menores que mais fina, que intensifica nas regiões de zonas 2,5 mm de eixo maior. A titanita é subeuédrica a de cisalhamento. Podem formar agregados anédrica, raramente euédrica, sempre associada à centimétricos de minerais opacos, apresentando biotita e anfibólio, podendo aparecer nos contatos ou feições de mistura de magma. como inclusão nesses, além bordejar alguns cristais Essa suíte é formada por rochas de natureza de minerais opacos. O quartzo é anédrico, com diorítica a mais raramente tonalítica, coloração cinza contatos poligonais a irregulares, extinção ondulante moderada e tamanhos inferiores a 2,5 mm. 50 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Figura 3.27 – Fotomicrografia em diorito mostrando Figura 3.28 – Fotomicrografia de biotita - hornblenda cristais de clinopiroxênio (Cpx) sendo consumidos por diorito mostrando as relações de inclusão entre biotita anfibólio (Anf) e biotita (Bt). Cristais de plagioclásio (Bt) e anfibólio (Anf) e fenocristais de plagioclásio (Pl) (Pl) e titanita (Tit) também se destacam na matriz - com geminação deformada e levemente alterado, além Afloramento LU-0503. de cristais euédricos de titanita - Afloramento LU-0514. O clinopiroxênio (provavelmente a 0,5 mm. O quartzo é subeuédrico, com forte hedenbergítico) é xenomórfico, por vezes possuindo extinção ondulante e intersticiais. Os minerais opacos bordas de anfibólio. Seus tamanhos são inferiores a são geralmente anédricos e sempre associados 2,0 mm. Os minerais opacos são, em geral, anédricos aos máficos. Os epídotos são frequentemente e associados à biotita e anfibólio, por vezes com euédricos, alguns com núcleo de allanita e por vezes borda de titanita. Seus tamanhos médios são de 0,5 consumindo a biotita e o anfibólio. A apatita ocorre mm, mas alguns podem atingir até 5,0 mm. A apatita como cristais prismáticos, euédricos, aciculares a ocorre como cristais euédricos, até aciculares e na hexagonais, geralmente inclusos em biotita, anfibólio maioria das vezes inclusos nos anfibólios e biotitas. e plagioclásio. O zircão ocorre cristais euédricos a Algumas manchas de carbonato podem ser vistas subeuédricos, geralmente incluso em biotita. associadas ao clinopiroxênio e anfibólio, bem como Em regiões com deformação mais intensa, a rocha algumas cloritas decorrentes da alteração ao longo enriquece em quartzo, provavelmente remobilizado/ das clivagens de biotita e anfibólio. recristalizado durante o cisalhamento, diminuindo O diorito fino é semelhante ao anterior. ainda mais a granulometria, além de deformar a Trata-se de uma rocha de coloração cinza escura a maioria dos cristais de plagioclásio, provocando forte preta, fanerítica, por vezes maciça, inequigranular e extinção ondulante e deformação das maclas. granulometria fina a média. É a fácies mais comum Na região de Poço Dantas (PB) foi descrito dessa unidade, aparecendo com boa foliação e apenas um corpo diorítico intrusivo no Complexo sendo composta essencialmente por plagioclásio (58-60%), biotita (20-25%) e anfibólio (10-15%), e como acessórios titanita (3%), quartzo (1-2%), minerais opacos (<1%), epídoto (<1%), zircão (<1%) e apatita (<1%). O plagioclásio é subeuédrico a anédrico, geralmente orientado e com boa geminação polissintética. É comumente zonado (Figura 3.29), com ligeira alteração e classificado como oligoclásio (24-26% An). Seus tamanhos são inferiores a 1,2 mm. A biotita é ripiforme, geralmente formando agregados orientados (Figura 3.29), por vezes interdigitando-se com anfibólio, podendo aparecer inclusa neste último. Seus tamanhos não ultrapassam 1,5 mm. O anfibólio é hornblenda, às vezes orientado e possuindo inclusões de biotita, titanita e apatita. É localmente maclado e os tamanhos menores que 1,8 mm de eixo maior. A titanita é subeuédrica a anédrica, Figura 3.29 – Fotomicrografia em hornblenda - biotita por vezes amebóide, raramente euédrica, sempre diorito fino mostrando uma orientação das biotitas (Bt), associada à biotita e/ou anfibólio e com inclusões de anfibólio (Anf) e titanita (Tit), além da trama de forma minerais opacos e apatita, com tamanhos inferiores dos plagioclásios (Pl), por vezes zonados - Afloramento LU-0462. 51 Programa Geologia do Brasil Jaguaretama e Suíte Serra do Deserto, denominado representados por monzogranitos a sienogranitos, Diorito Poço Dantas. É melanocrático, com feição “sal leucocráticos rosados a esbranquiçados, raramente e pimenta” (Figura 3.30A), coloração esverdeada a mesocráticos, equigranulares (Figura 3.31 A, B), cinza escura, fanerítico com granulometria média a a microporfiríticos, granulometria fina a grossa e grossa, por vezes fina. A biotita e hornblenda formam quartzo-feldspática com pintas negras das lamelas de a assembléia máfica, sendo a biotita predominante. biotita. São comumente isotrópicos, mostrando por Cristais de epídoto também são observados. Quando vezes uma fraca estrutura de fluxo. Quando próximos submetido à deformação, apresenta uma fraca a borda ocorrem deformados, desenvolvendo boa orientação da biotita e hornblenda. Venulações foliação e quando afetadas por zona de cisalhamento centimétricas de composição granodiorítica, adquirem feição milonítica, como é o caso de parte diques aplíticos e pegmatíticos decimétricos são da borda E do batólito de Luís Gomes. observados. Em zonas de cisalhamento adquire A biotita é o máfico predominante e em alguns feição milonítica formando epídoto - hornblenda afloramentos a magnetita é o mineral acessório. ortognaisses miloníticos e evoluindo para epídoto Segregações centimétricas de máficos e enclaves quartzito milonítico. granodioríticos são esporadicamente observados. Em seção delgada os dioritos apresentam Diques centimétricos a decimétricos de pegmatitos e textura fanerítica e granulometria média a fina. aplitos são freqüentes em alguns afloramentos. Veios Uma foliação incipiente é denotada pela orientação de quartzo mais tardios relativamente aos diques de das lamelas de biotita e agregados de quartzo, pegmatito também se destacam. indicando estrutura de fluxo e/ou deformação na Apresenta textura fanerítica, mesocrática, borda do corpo. Textura de subgrão é visualizada inequigranular, por vezes porfirítica e com em seção delgada (LU-0051) mais próxima a zona granulometria média a grossa, com destaque para de cisalhamento, adquirindo feição protomilonítica. os fenocristais rosados de microclina. Nota-se ainda É constituída por plagioclásio (50-45%), biotita uma boa foliação das biotitas, agregados de quartzo (30-20%), hornblenda (9-16%), K-feldspato (6%) e feldspatos. Em seção delgada próxima a zona de e quartzo (2-7%), tendo como acessórios epídoto cisalhamento, correlatas à ZC de Portalegre, observa- (<3%), titanita (<2%), apatita (<1%), zircão (<1%), se com uma foliação protomilonítica denotada pela minerais opacos (<1%), clorita (<1%), carbonato orientação dos cristais de biotita e pela estiramento e (<1%), sericita (<1%) e saussurita (<1%). formação de subgrãos de quartzo. A rocha é constituída O plagioclásio (andesina com 34 a 40% de An) por microclina (20-40%), plagioclásio (20-40%), quartzo desenvolve geminação albita, com zonação (Figura (24-30%), biotita (5-10%) e anfibólio (6%); tendo como 3.30B) e mirmequitas. Apresenta também fraca acessórios epídoto (1%), minerais opacos (<1%), titanita saussuritização, extinção ondulante e geminação (<1%), muscovita (<1%), apatita (<1%), zircão (<1%), deformada (Figura 3.30C). Inclusões de hornblenda allanita (<1%), saussurita (<1%), sericita (<1%), clorita e biotita são ainda comumente observadas. Seus (<1%) e hidróxidos de ferro (<1%). tamanhos não ultrapassam 3,3 mm. A biotita é A microclina é xenomórfica a hipidiomórfica, hipidiomórfica, com extinção ondulante, por vezes por vezes como fenocristais e pertítica (Figura 3.31C). orientada e sofrendo alteração incipiente para Exibem cristais fraturados, com geminação albita- hidróxidos de ferro, carbonato e clorita e hornblenda periclina, além de uma fraca alteração para sericita. e a titanita (Figura 3.30D). Observa-se também titanita Inclusões de biotita, plagioclásio e quartzo são inclusa nas clivagens e possui inclusões de zircão e observadas. Seus tamanhos atingem no máximo 6,0 apatita. Seus tamanhos atingem no máximo 3,0 mm. mm. O plagioclásio (oligoclásio com 22 a 25% de An) A hornblenda é por vezes esquelética (Figura 3.30D) é xenomórfico a hipidiomórfico, por vezes fraturado, e localmente geminada, apresentando frequentes com geminação albita e extinção ondulante. Nota- inclusões de biotita e titanita, além de simplectitas se ainda textura mirmequítica (Figura 3.31D) e por com o quartzo. Alguns cristais são orientados e seus vezes saussuritizado, possuindo inclusões de quartzo tamanhos não ultrapassam 3,3 mm. O K-feldspato é e biotita. Seus tamanhos são inferiores a 3,0 mm. provavelmente ortoclásio, ocorrendo não geminado O quartzo forma agregados, sendo xenomórfico e (Figura 3.30C), por vezes pertíticos. Apresenta com extinção ondulante moderada a forte. Seus inclusões de biotita, plagioclásio e anfibólio. Seus tamanhos inferiores não ultrapassam 3,0 mm. A tamanhos ao ultrapassam 3,5 mm. O quartzo forma biotita é hipidiomórfica, orientada (Figura 3.31E) em agregados (Figura 3.30C), com extinção ondulante, e sofre alteração incipiente para muscovita e orientação incipiente e por vezes intercrescendo com clorita. Se associa à titanita e aos minerais opacos, hornblenda. Seus tamanhos são inferiores a 1,0 mm. possuindo inclusões de allanita, zircão e apatita. Está frequentemente consumida pela ferrohastingsita. Suíte intrusiva Dona Inês Seus tamanhos alcançam no máximo 2,5 mm. O As rochas desta suíte estão representadas pelo anfibólio é ferrohastingsita, apresentando inclusões batólito Luís Gomes, alongado no quadrante SW da titanita, biotita e alterando-se de forma incipiente Folha e um corpo também alongado, no extremo E da para epídoto (Figura 3.31F), face à atividade Folha na região envolvendo o município de Pilões. São hidrotermal. Seus tamanhos são inferiores a 2,5 mm. 52 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D Figura 3.30 – Feições texturais do diorito – suíte São João do Sabugi. (A) Mostra diorito com textura equigranular e aspecto sal e pimenta (fotografia em planta do afloramento TFL-008 – estrada carroçável Venha Ver (RN) – Poço Dantas (PB) , a 1 Km de Poço Dantas (PB), fora da Folha). (B) Mostra diorito destacando fenocristal de plagioclásio (Pl) zonado, além do arranjo orientado das biotitas (Bt) e hornblendas (Hb), corpo de Poço Dantas, LU-0006. (C) Caracteriza diorito , com forte extinção ondulante nos plagioclásios (Pl), prováveis feldspato-K (Kf) e agregados intersticiais de quartzo (Qz). Note a epidotização (Ep) do plagioclásio e biotita, corpo de Poço Dantas, LU-0006. (D) Evidencia diorito com agregados de biotita (Bt) sendo corroídas pela hornblenda (Hb) e microcristais de titanita (Tit), corpo de Poço Dantas, LU-0006. Os minerais opacos são xenomórficos Em seção delgada mostra fraca foliação orientados e hipidiomórficos tardi- a pós-foliação. A indicada pela orientação dos agregados de granada e titanita xenomórfica bordeja os cristais de minerais clinopiroxênio, textura fanerítica, com granulometria opacos. A allanita é metamictizada por vezes média a grossa. É constituída por microclina (45%), bordejada por cristais de epídoto. A muscovita plagioclásio (29%), quartzo (10%), granada (8%) e geralmente cresce por mimetismo a partir da biotita. aegirina-augita (6%), tendo como acessórios minerais opacos (1%), titanita (<1%), apatita (<1%), allanita Suíte intrusiva Catingueira (<1%), sericita (<1%) e hidróxido de ferro (<1%). Encontramos corpos decamétricos a centenas A microclina exibe boa geminação albita- de metros de composição monzonítica a sienítica periclina (Figura 3.32A), raramente pertítica, intrudindo no Complexo Caicó e na Suíte Poço da alterando-se para sericita. Seus tamanhos não Cruz. As rochas são leucocráticas a mesocráticas, ultrapassam 2,5 mm. O plagioclásio (oligoclásio com coloração rosada da matriz quartzo-feldspática, com ca. 27% de An) mostra boa geminação albita, granulometria fina a média, inequigranular e às com fraca a moderada extinção ondulante (Figura vezes porfirítica. O clinopiroxênio do tipo aegerina- 3.32A). Apresenta textura mirmequítica, às vezes augita é o máfico predominante, por vezes granada com borda albítica e sofrendo microclinização. e biotita, além de minerais opacos (magnetita). Seus tamanhos são menores que 1,2 mm. O Uma deformação incipiente formada pela fraca quartzo é intergranular, também ocorrendo nos orientação dos minerais máficos é observada nestes intercrescimento mirmequíticos e com extinção corpos. ondulante, associando aos feldspatos. Seus 53 Programa Geologia do Brasil A B C D E F Figura 3.31 – Macroscopia e fotomicrografias de rochas graníticas da Suíte intrusiva Dona Inês, mostrando (A) Granito fino equigranular, homogêneo e leucocrático com um sistema de fraturas E-W - afloramento LU-0039; (B) Granito fino com dique de pegmatito e encrave granodiorítico (Gd) - afloramento LU-0177; (C) Fenocristal de microclina (Mc) com geminação albita-periclina e inclusões de quartzo (Qtz), além de “golfos” de plagioclásio (Pl) - afloramento LU-0016; (D) Microclina (Mc) bordejada por plagioclásio (Pl) com textura mirmequítica, além de agregado de quartzo (Qtz) intergranular - afloramento LU-0028; (E) Feixe fluxoso de biotita (Bt) mostrando duas gerações de biotitas. Nota-se ainda minerais opacos (Op) substituindo as biotitas (Bt) - afloramento LU-0145; (F) Cristais de ferrohastingsita (Hs) com sobrecrescimento local de epidoto (Ep) e inclusões relíquias de biotita (Bt). Observe a substituição da biotita por titanita (Tit) e anfibólio - afloramento LU-0038. 54 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B Figura 3.32 – Fotomicrografias em monzonito a sienito mostrando (A) cristais xeno- a hipidiomórficos de microclina (Mc) plagioclásio (Pl) e quartzo (Qtz); e (B) cristais de clinopiroxênio augítico (Agt) substituídos por granada (Grt) e cristais aciculares de minerais opacos (Op) - Afloramento LU-0117. tamanhos são inferiores a 1,0 mm. A granada é microclina fortemente deformados. Ocorrem provavelmente da série grossulária-andradita e esporadicamente em regiões próximas às zonas de exibindo-se em agregados com fraca orientação cisalhamento. (Figura 3.32B). Possui inclusões de titanita e Biotititos (Figura 3.33E) e tremolititos anfibólio. Seus cristais não ultrapassam 0,5 mm. ocorrem junto a zona de cisalhamento Portalegre A aegirina-augita apresenta-se xenomórfica a (ZCPA) como produto de alteração de ortognaisses hipidiomórfica, fracamente orientada e sofrendo do Complexo Caicó exibem estruturas S-C. Estas alteração incipiente para hidróxidos de ferro. rochas monominerálicas são representadas por Apresenta-se comumente transformada para corpos métricos a centenas de metros, favorecendo granada e minerais opacos e seus tamanhos não a ocorrências de esmeralda. Estas rochas têm ultrapassam 1,3 mm (Figura 3.32B). Nos acessórios coloração negra a esverdeada dos minerais observamos titanita xenomórfica orientada, epídoto máficos presentes, com granulometria grossa. A substituindo plagioclásio e piroxênio, apatita mineralização de esmeralda muito provavelmente idiomórfica e allanita com halos de metamictização. está associada à atividade hidrotermal ao longo de zona de cisalhamento afetando os ortognaisses, com 3.2.7 - Rochas miloníticas venulações pegmatoides, daquele Complexo. Esta unidade é composta principalmente Estes milonitos têm como protólitos os por milonitos a ultramilonitos, ao longo de ortognaisses dos complexos Jaguaretama e Caicó, zonas de cisalhamento, afetando ortognaisses, anfibolitos do Grupo São José, ortognaisses da Suíte gnaisses, granitoides e dioritos (Figura 3.33A), Serra do Deserto, granitos da Suíte Dona Inês e produzindo principalmente quartzitos e xistos e dioritos da Suíte São João do Sabugi. Nos dioritos, metaconglomerados tectônicos (Figura 3.33B), além nas proximidades de Poço Dantas (PB), podemos de biotita ortognaisses graníticos protomiloníticos encontrar hornblenda quartzo-diorítico gnáissico a miloníticos e hornblenda ortognaisses quartzo- gradando para epídoto quartzitos miloníticos dioríticos protomiloníticos a miloníticos. Muscovititos (Figura 3.33F). A geração de rochas miloníticas são com turmalina são esporadicamente encontrados na mais evidentes na Suíte Serra do Deserto, com a região de Minhuins, W da área. caracterização de protomilonitos a milonitos. Ao Os milonitos, ultramilonitos, quartzitos e xistos longo das zonas de cisalhamento as rochas originais miloníticos apresentam comumente esbranquiçados evoluem para milonitos, ultramilonitos, quartzitos a acinzentados e granulometria fina a média. e xistos tectônicos, como observado em perfil Nestes milonitos se observa o desenvolvimento de realizado na região de Minhuins (Figuras 3.34 e 3.35). estruturas S-C´ marcada pela muscovita e quartzo O mesmo, embora com menor intensidade, também ribbon, xistosidade com intensa crenulação e por acontece na ZCPA próxima à cidade de Paraná. vezes com porfiroclastos e glomeroporfiroclastos Milonitos, quartzitos e xistos miloníticos de quartzo e feldspato produzindo um aspecto pseudoconglomerático (Figura 3.33C). Em seção delgada as rochas são xistosas e miloníticas, geralmente com granulometria média a Os ortognaisses protomiloníticos a miloníticos, fina, sendo a forte foliação milonítica evidenciada pela do Complexo Jaguaretama, são microporfiroclásticos orientação dos quartzo-ribbons (Figuras 3.34A, B, E e e glomeroporfiroclásticos, apresentando coloração F) nas rochas quartzítica e pela orientação das lamelas branca a acinzentada (Figura 3.33D) e granulometria e mica-fish de muscovita (Figuras 3.34E, F), nas rochas fina a média, por vezes grossa com cristais de xistosas, formando por vezes expressiva estrutura 55 Programa Geologia do Brasil A B C D E F Figura 3.33 – Feições petro-estruturais da rochas miloníticas caracterizando (A) Ortognaisse do Complexo Caicó, milonítico e fino com níveis de quartzo centimétrico - afloramento LU-0046, NE de Paraná (RN); (B) Quartzito tectônico/ milonítico com intenso fraturamento subvertical, no domínio dos ortognaisses Serra do Deserto - afloramento LU-0142, NE de Poço Dantas (PB); (C) Bloco rolado do quartzito tectônico com clastos de quartzo e feição de metaconglomerado milonítico, ocorrendo no domínio dos ortognaisses Serra do Deserto - afloramento LU-0193, E de Minhuins; (D) Ortognaisse milonítico, do Complexo Jaguaretama, com porfiroclastos de microclina com caudas de recristalização - afloramento LU-0049, NW de Paraná; (E) Biotititos encaixados em ortognaisse do Complexo Caicó e cortados por venulações de pegmatito - afloramento LU-0215, E de Major Sales (RN), sítio Albuquerque; (F) Ortognaisses dioríticos transformados em quartzitos tectônicos - afloramento LU-0007, NE de Poço Dantas (RN). 56 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros S-C, onde comumente a foliação S está praticamente Ortognaisses protomiloníticos a miloníticos paralela a C (Figuras 3.34F, 3.35A, B, C, D e E). Por Os ortognaisses têm textura granolepidoclástica vezes a textura microporfiroclástica dos feldspatos e a granonematoclástica, granulometria média a grossa quartzo é observada (Figura 3.34E, 3.35 C, D). Nota- e exibindo foliação proto- a milonítica, indicada pelos se a orientação dos cristais de minerais opacos, agregados em mica-fishs de biotita e das caudas microporfiroclastos de feldspato com sombra de de recristalização dos porfiroclastos de microclina, pressão, caudas de recristalização, além de exudados por vezes formando estrutura S-C. Nota-se níveis e subgrãos de quartzo (Figuras 3.34C, D). Alguns de recristalização de quartzo reforçando o episódio milonitos (quartzitos a xistos tectônicos) nas zonas milonítico. Esses ortognaisses são constituídos por de cisalhamento, cronocorrelatas à ZCPA, entre Poço microclina (34-42%), quartzo (20-30%), plagioclásio (14- Dantas e Encanto – W da folha são representados 25%), biotita (1-28%); tendo como acessórios muscovita essencialmente por quartzo (35-88%), muscovita (6- (2-3%), minerais opacos (1-2%), titanita (<1%), apatita 65%), microclina (5-20%), minerais opacos (≤15%), (<1%), zircão (<1%), allanita (<1%), epídoto (<1%), plagioclásio (5-10%) e biotita (≤10%); tendo como clorita (<1%) e hidróxidos de ferro (<1%). A microclina acessórios epídoto (≤1%), apatita (<1%), titanita (<1%), é xenomórfica, porfiroclástica e glomeroporfiroclástica, allanita (<1%) e zircão (<1%), saussurita (<1%), sericita com geminação albita-periclina, extinção ondulante (<1%), clorita (<1%) e hidróxidos de ferro (<1%). e pouco sericitizada (Figura 3.36A). Está comumente Na ZCPA eles são compostos por quartzo (30-22%), representada pelos microporfiroclastos pertíticos com microclina (30-18%), muscovita (25-15%), plagioclásio feição augen, com sombra de pressão e caudas de (20-12%), biotita (20-1%), minerais opacos (12-5%); recristalização. Seus tamanhos não ultrapassam 5,5 tendo como acessórios epídoto (≤1%), titanita (<1%), mm. O quartzo apresenta-se por vezes em exudados allanita (<1%), apatita (<1%) e zircão (<1%), sericita com textura ribbons, fortemente orientado, com (<1%), saussurita (<1%) e hidróxido de ferro (<1%). forte extinção ondulante. Recristaliza-se em exudados O quartzo pode constituir exudados em níveis perpendiculares a foliação e em sombras de pressão milimétricos, muitas vezes com textura ribbons e juntamente com a muscovita e como subgrãos forte extinção ondulante e em alguns exudados com (Figura 3.36A). Seus tamanhos atingem no máximo feição augen na estrutura S-C. Observa-se também 1,3 mm. O plagioclásio mostra geminação albita, com inclusões de finas lamelas de muscovita, por vezes forte extinção ondulante, geminação deformada biotita, além de minerais opacos e raramente epídoto. e com rara saussuritização. Nota-se também em Seus tamanhos atingem no máximo 2,0 mm. A microporfiroclastos com cauda de recristalização e muscovita apresenta-se em lamelas e em mica-fishs textura mirmequítica. Seus tamanhos são inferiores hipidiomórficas fortemente orientadas, formando a 2,0 mm. A biotita é fortemente orientada (Figura uma forte foliação S-C e com forte extinção ondulante 3.36B), podendo formando estrutura S-C´ e por vezes (Figura 3.35E, F). Possui inclusões de minerais opacos, inclusa na microclina. Muitas vezes é transformada quartzo e feldspato. Observa-se pontualmente com para muscovita, clorita, minerais opacos (Figura 3.36B) feixes lamelares englobando partes de ortognaisses e hidróxidos de ferro. Seus cristais não ultrapassam 1,5 protomiloníticos. Nota-se também como produto mm. A muscovita é fortemente orientada, consumindo de transformação dos feldspatos e biotitas. Seus as biotitas e microclinas. Seus tamanhos são menores tamanhos atingem no máximo 2,7 mm. A microclina é que 0,2 mm. Os minerais opacos ocorrem em duas microporfiroclástica, com geminação albita-periclina, fases: (1) xenomórficos orientados e (2) porfiroblastos por vezes pertítico, com extinção ondulante forte, idiomórficos com textura esquelética (Figura 3.36B). com sombra de pressão, cauda de recristalização Nos acessórios ainda se destacam os minerais primários e sofrendo sericitização. Seus tamanhos máximos idiomórficos de apatita, zircão e allanita xenomórfica. são menores que 1,0 mm. O plagioclásio apresenta- se em clastos xenomórficos a hipidiomórficos com Epídoto quartzitos e ortognaisses dioríticos geminação albita, às vezes saussuritizados, com miloníticos extinção ondulante, sombra de pressão e caudas Estas litologias evoluíram a partir do diorito de recristalização. Seus tamanhos não ultrapassam da região de Poço Dantas quando afetadas pelo 1,4 mm. Os minerais opacos ocorrem em agregados cisalhamento. Na seção delgada LU-0010 foi granoblásticos, orientados, por vezes como augen, constatado o ortognaisse diorítico milonítico cauda de recristalização e sombra de pressão. Está evoluindo para o epídoto quartzito. comumente associado com biotita, muscovita, por O fácies ortognaisse diorítico e milonítico exibe vezes com titanita nas bordas. Pode mostrar inclusões textura nematoblástica com granulometria fina e foliação de epídoto, quartzo e feldspatos. Seus tamanhos não penetrativa evidenciada pela orientação de hornblenda ultrapassam 2,5 mm. A biotita é comumente relíquia, e epídoto, além dos finos níveis dos agregados de fortemente orientada, formando ocasionalmente com quartzo. A rotação de hornblenda com sombras de a muscovita a estrutura S-C. Está comumente associada pressão e fragmentação reforçam o episódio milonítico. aos minerais opacos e a muscovita. Seus cristais não É constituído por plagioclásio (37%), hornblenda (31%), ultrapassam 0,2 mm. O epídoto apresenta-se de epídoto (18%) e quartzo (10%); tendo como acessórios duas maneiras: (1) como agregados xenomórficos biotita (1%), titanita (1%), minerais opacos (1%), apatita orientados e (2) hipidiomórficos ao acaso. 57 Programa Geologia do Brasil A B C D E F Figura 3.34 – Fotomicrografias de quartzitos e xistos ou quartzitos xistosos tectônicos/miloníticos caracterizando (A) muscovita quartzito xistoso milonítico com agregado fluxoso de muscovita (Ms) com textura em mica-fishs associado com quartzo (Qtz) e minerais opacos (Op) xenomórficos fortemente orientados, encaixado no complexo Caicó - afloramento LU-0048, N de Paraná (RN); (B) muscovita quartzito xistoso milonítico com agregado fluxoso de muscovita (Ms) com textura de mica-fishs e exudado quartzítico (Qtz), além da blastese de minerais opacos (Op) fortemente orientados - afloramento LU-0048, N de Paraná (RN); (C) muscovita quartzito tectônico com lamelas fluxosas de muscovita (Ms) e agregado de quartzo (Qtz) com recristalização dinâmica em subgrãos, além de relíquias de feldspato (Fsp) - afloramento LU-0142, NE de Poço Dantas (PB), domínio dos ortognaisses Serra do Deserto; (D) muscovita quartzito tectônico com ripas fluxosas de muscovita (Ms) e agregado de quartzo (Qtz) com incipiente recristalização dinâmica em subgrãos, além do crescimento de minerais opacos - afloramento LU-0009, NE de Poço Dantas, domínio dos ortognaisses Serra do Deserto; (E) muscovita quartzito tectônico/milonítico com quartzo (Qtz) ribbons e destacando porfiroclasto de quartzo (relíquias?) rotacionado, além de minerais opacos (Op) bastante estirados e ainda relíquias de biotita (Bt) - afloramento LU-0068, Minhuins, SW de Venha Ver (RN); (F) Muscovita quartzito xistoso tectônico/filonítico mostrando intenso estiramento de quartzo (Qtz) com textura ribbons e de muscovita (Ms) - afloramento LU-0066, Minhuins, SE de Venha Ver, domínio dos ortognaisses Serra do Deserto. Modificado de Melo (2011). 58 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D E F Figura 3.35 – Fotomicrografias de quartzitos, xistos ou quartzitos xistosos tectônicos/miloníticos evidenciando (A) muscovita quartzito filonítico com forte estiramento de quartzo (Qzt) e muscovita (Ms) - afloramento LU-0139, domínio dos ortognaisses Serra do Deserto, SE de Venha Ver (RN); (B) detalhe da imagem “A” - muscovita quartzito filonítico com forte estiramento de quartzo (Qzt) e muscovita (Ms) evidenciando a individualização de subgrãos- afloramento LU-0139, domínio dos ortognaisses Serra do Deserto, SE de Venha Ver; (C) muscovita quartzito xistoso e milonítico mostrando nível quartzo-feldspático parcialmente preservado do protólito - ortognaisse, composto por quartzo (Qtz) e feldspato (Fsp) intercalado na xistosidade com muscovita (Ms) e minerais opacos (Op) - afloramento LU-0137, SE de Poço Dantas, Domínio do Complexo Jaguaretama; (D) muscovita quartzito xistoso e milonítico destacando porfiroclastos de feldspato (Fsp) do protólito, quartzo (Qtz) e muscovita fortemente estirados contornando os fenoclastos de feldspato - afloramento LU-0135, SE de Venha Ver, domínio dos ortognaisses Serra do Deserto; (E) muscovita quartzito xistoso e milonítico destacando muscovita (Ms) com textura de mica-fishs agregados de quartzo (Qtz) ribbon com proeminente estrutura S-C - afloramento LU-0135, SE de Venha Ver, domínio dos ortognaisses Serra do Deserto; (F) muscovita quartzito xistoso e milonítico com agregados fluxosos de muscovita (Ms) com textura de mica-fishs e agregados nematoblásticos de quartzo (Qtz) com textura ribbons formando uma proeminente S-C - afloramento LU-0135, SE de Venha Ver, domínio dos ortognaisses Serra do Deserto. Modificado de Melo (2011). 59 Programa Geologia do Brasil (<1%) e hidróxidos de ferro (<1%). O plagioclásio pode e forma de dique com direção E-W. Foi encontrada mostrar geminação albita e forte extinção ondulante. encaixada no granitoide Pereiro, próximo a localidade Possui textura mirmequítica e intensa saussuritização. Trapiá (município de Dr. Severiano-RN). Possui Seus tamanhos alcançam até 0,3 mm. O quartzo é granulometria fina e afanítica, exibindo xenólitos estirado e com forte extinção ondulante. Seus tamanhos de sua encaixante granítica (Figura 3.37), sendo atingem no máximo a 0,3 mm. A hornblenda é correlato ao enxame de diques ou magmatismo Rio xenomórfica e por vezes esquelética e orientada (Figura Ceará-Mirim de idade cretácea inferior. 3.36C), sendo substituída por epídoto e titanita, além de inclusões de quartzo e plagioclásio. Seus tamanhos não ultrapassam 0,6 mm. O epídoto geralmente forma agregados orientado seguindo a foliação (Figura 3.36D) crescendo a partir dos anfibólios e plagioclásios. Seus tamanhos são inferiores a 0,7 mm. A fácies quartzítica ocorre com textura nematogranoblástica, granulometria média a grossa e uma foliação milonítica evidenciada pela orientação do quartzo, biotita e hornblenda. Agregados feldspáticos orientados também acompanham a foliação milonítica. É composto por quartzo (70%), epídoto (20%), plagioclásio (10%) e hornblenda (7%); tendo como acessórios biotita (3%), titanita (<1%), minerais opacos (<1%) e allanita (<1%), além de saussurita (<1%) e hidróxidos de ferro (<1%) como produto de alteração. O quartzo destaca-se como exudados e com Figura 3.37 – Dique de diabásio bastante fraturado com extinção ondulante forte, recristalizando-se tardi- a xenólito granítico. O cabo do martelo indica o Norte. pós – cisalhamento com textura em mosaico (Figura Afloramento LU-0467, SW de Doutor Severiano (RN), sítio 3.36E). Seus tamanhos alcançam até 0,8 mm. O Trapiá. epídoto é orientados e com inclusões de titanita. Está comumente associado a hornblenda e seus tamanhos O diabásio exibe textura inequigranular e são inferiores 0,6 mm. O plagioclásio forma agregados granulometria fina a média. Observa-se presença xenomórficos, com geminação albita, fortemente de amígdalas preenchidas por calcedônia (Figura alterado para epidoto e com extinção ondulante 3.38) e por vezes com material carbonático. Além (Figura 3.36E). Seus tamanhos atingem no máximo 0,8 disso, identificou-se a presença de um mineral mm. A hornblenda é xenomórficos orientada, por vezes hexagonal, completamente oxidado, possivelmente esquelética (Figura 3.36E e F). Apresenta inclusões de olivina. É constituído principalmente por 40 % de quartzo e biotita, e está comumente transformado matriz microcristalina, 55 % de fenocristais (55 % para epídoto. Seus tamanhos não ultrapassam 1,0 de plagioclásio e 45% de clinopiroxênio) e 5 % de mm. A biotita é fortemente orientada, podendo se minerais opacos. alterar para hidróxidos de ferro. Está associado ao epídoto e a hornblenda, podendo ser consumida A matriz é microcristalina (Figura 3.38), de pela hornblenda (Figura 3.36F). Seus tamanhos são granulometria fina, composta essencialmente por menores que 0,3 mm. ripas de plagioclásio, clinopiroxênio sob a forma de grânulos e cristais tabulares, assim como minerais 3.2.8 - Pegmatitos opacos e material vítreo. O plagioclásio é oligoclásio (22% An), Os pegmatitos são corpos métricos a decamétricos hipidiomórfico, sob a forma de ripas compondo a e mais raramente decimétricos e centimétricos de corpos matriz da rocha, mas também como fenocristais com granitoides com composição sienogranítica a álcalis geminação albita e zonação concêntrica. É observado feldspato granito, com textura pegmatítica, coloração por vezes entre os cristais de augita, denotando textura rosada da matriz quartzo-feldspática, leucocráticos e sub-ofítica. Seus tamanhos são inferiores a 1,7 mm. granulometria grossa a gigante. Estão sempre encaixados O clinopiroxênio é tipo augita em grande parte na forma de diques orientados, cortando todas as como fenocristais hipidiomórficos a idiomórficos, unidades supracitadas. Estes pegmatitos podem abrigar por vezes hexagonais e formando agregados. ocorrências de água marinha, ametista, berilo e feldspato Observa-se ainda fortemente fraturados e corroídos e suas ocorrências mais expressivas se destacam na no centro, por vezes com geminação simples e porção SE da Folha, encaixadas no Complexo Caicó. zonação concêntrica. Ocorre englobando ripas 3.2.9 - Magmatismo Rio Ceará-Mirim de plagioclásio, também indicando textura sub-ofítica. Seus tamanhos não ultrapassam 1,0 mm. Os Esta unidade ocorre como corpos de largura minerais opacos são xenomórficos a hipidiomórficos, métrica, com um comprimento de poucos metros encontrados dispersos na matriz, por vezes em contato com augita, com tamanho de até 0,5 mm. 60 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C D E F Figura 3.36 – Fotomicrografias dos ortognaisses protomiloníticos e quartzitos miloníticos com epídoto evidenciando (A) porfiroclastos de microclina (Mc) e quartzo (Qtz) contornados pela foliação protomilonítica contendo biotita orientadas e quartzo estirado e em subgrãos - afloramento LU-0078, NE de Paraná (RN), domínio do Complexo Caicó; (B) textura lepidonematoblástica com forte orientação de biotita e blastese pós-cisalhamento de minerais opacos (Op) sobre as biotitas - afloramento LU-0049, NW de Paraná (RN), domínio do Complexo Jaguaretama; (C) ortognaisse diorítico protomiloníticos com boa orientação de hornblenda (Hb), biotita (Bt) e estiramento de quartzo, além fragmentação de feldspato, além da incipiente epidotização (Ep) da hornblenda - afloramento LU-0007, N de Poço Dantas (PB); (D) a intensa blastese de epidotos (Ep) nematoblásticos resultantes da alteração de hornblenda (Hb) durante a milonitização - afloramento LU-0007, N de Poço Dantas (RN); (E) quartzitos tectônicos com relíquias de hornblenda (Hb), plagioclásio (Pl) e biotita (Bt), decorrente da atividade tectono-hidrotermal afetando os dioritos da suite São João do Sabugi - afloramento LU-0007, N de Poço Dantas (PB); (F) estrutura foliada com forte orientação de biotita (Bt) e hornblenda (Hb) e matriz nematoblástica com predominância de quartzo (Qzt), além da blastese de epidoto (Ep) e substituição da biotita pela hornblenda - afloramento LU-0007, N de Poço Dantas (RN). 61 Programa Geologia do Brasil et al. (2006) como correlatos da Formação Pendências (Grupo Areia Branca) da Bacia Potiguar - fase rifte desta bacia. Estas bacias são rasas e de pequeno porte com aproximadamente 8 km de comprimento por 1,5 km de largura (bacia Rafael Fernandes) e 8 km de comprimento por 2 km de largura (bacia Coronel João Pessoa) e acompanham o trend NE traçado pela zona de cisalhamento Portalegre e seus falhamentos secundários correlatos. Bacia Rio do Peixe - Formação Antenor Navarro (K1an) Esta unidade é composta por uma associação de arenitos, arenitos conglomeráticos e siltitos da Formação Antenor Navarro (Grupo Rio do Peixe) evidenciados em afloramentos na porção extremo N Figura 3.38 – Fotomicrografia do diabásio mostrando da bacia Rio do Peixe e S da Folha. Os arenitos e arenitos textura microglomeroporfirítica, cristais de augita (Cpx), conglomeráticos arcosianos são constituídos por ripas de plagioclásio (Pl) com textura serial e amígdalas matriz arenosa de composição quartzosa e feldspática (Amg) preenchida por calcedônia imerso em uma matriz com granulometria média a fina e grãos do arcabouço (Mt) microcristalina.(Foto compilada de Cocentino 2010). composto por cristais de feldspato potássico rosados, com granulometria média a grossa (Figura 3.40A, C). Os siltitos ocorrem com coloração roxa, matriz 3.2.10 - Sedimentos mesozoicos composta por argila e silte, sendo frequentemente afetados por deformação frágil com fraturas verticais A instalação de grabens, representados pelas (Figura 3.40B). Em afloramento é possível identificar bacias Rafael Fernandes, Coronel João Pessoa e seção vertical caracterizando camadas de arenitos Rio do Peixe, evoluíram sob efeitos extensionais conglomeráticos evoluindo gradativamente para - rifteamento, durante o Cretáceo Inferior – arenitos médios a finos intercalados abruptamente Neocomiano, decorrentes da fragmentação e deriva por camadas centimétricas de siltitos e argilitos. crustais ocasionadas pela separação dos continentes Esta associação de rochas forma uma seção vertical Sul-Americano e Africano, constituindo parte do granodecrescente em forma de sino indicadora de um sistema de riftes do nordeste brasileiro. canal fluvial do tipo entrelaçado. Bacias de Rafael Fernandes e Coronel João Pessoa 3.2.11 - Sedimentos cenozoicos – Formação Pendências (K1pn) Estas bacias estão assoreadas principalmente O quadro litoestratigráfico da Folha se por conglomerados e arenitos (Figura 3.39 A, B) e completa com a sedimentação fluvial das rochas raras intercalações sílticas e argilosas das bacias Rafael da Formação Serra do Martins e coberturas Fernandes (inicialmente descrita por Srivastava et al., de sedimentos inconsolidados coluvionares e 1989) e Coronel João Pessoa (originalmente descrita aluvionares em encostas de elevações, margens e por Medeiros Neto, 1981), considerados por Angelim leitos de riachos e rios. A B Figura 3.39 – Caracteriza (A) arenito conglomerático da bacia de Coronel João Pessoa, afloramento LU-0614, borda W da bacia e cabo do martelo indica o N; (B) calcimicrito silicificado associada à zona de falha, afloramento LU-0613, borda N da bacia e a ponta da caneta indica o Norte. 62 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B C Figura 3.40 – Feições macroscópicas dos arenitos da Formação Antenor Navarro (Grupo Rio do Peixe) mostrando (A) traços subhorizontais de So (acamamento) em arenitos médios a arenito conglomeráticos com finos níveis de siltitos - afloramento LU-0073, WSW de Paraná (RN); (B) arenitos a arenitos sílticos submetido a deformação frágil com dois sistemas de fraturas, possivelmente cenozoicas - afloramento LU-0073, WSW de Paraná (RN); (C) arenito conglomerático mal selecionado com fragmentos de quartzo e feldspatos e acamamento subhorizontal, afloramento LU-0608, corte de estrada, sítio Escondido, SW de Paraná (RN). Formação Serra do Martins (ENsm) conglomeráticos e mais raramente siltico-argilosos Esta formação ocupa chapadas de relevo com predomínio de fragmentos de quartzo. Os plano, platôs escarpados e formas residuais de maiores depósitos estão situados na porção NE da pretérita cobertura contínua repousando sobre os Folha. Colúvios de natureza polimítica com seixos granitoides neoproterozoicos, correlatos ao Pereiro, e blocos de quartzo e fragmentos de rochas são no extremo NE da Folha. Esta Formação, proposta encontrados nas encostas das elevações da Serra do inicialmente por Mabesoone (1966), é constituída Cantinho - faixa de ocorrência das rochas do Grupo por arenitos finos a grossos, às vezes feldspáticos São José. Estes colúvios têm sido amostrado para com raras intercalações síltico-argilosas, possuindo ouro. Os sedimentos aluvionares são arenosos, mais na maioria dos casos capeamento silicificado com raramente síltico-argilosos encontrando-se restritos crosta laterítica, além da frequente caulinização. aos leitos das principais drenagens, especialmente Sedimentos coluvionares e aluvionares (N34a) nos riachos Cajazeiras e Santana e no vale do Rio Apodi. Os terraços aluvionares arenosos se destacam Os depósitos coluvionares são representados a sudeste de Francisco Dantas (PB), a nordeste da por sedimentos esbranquiçados arenosos, Folha. 63 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 4 — GEOLOGIA ESTRUTURAL E METAMORFISMO 4.1 - INTRODUÇÃO A Suíte Serra do Deserto (1,7 Ga) é um exemplo do magmatismo subseqüente à D2, precedente à No capítulo presente serão discutidos os D3, de caráter anorogênico. As feições em mega- aspectos metamórficos e estruturais das rochas escala e as atuais configurações da área mapeada no sentido do melhor entendimento da evolução são funções do último evento deformacional, geológico-estrutural da folha. Desta forma, denominado de D3, que se impôs sobre os eventos descrevemos as estruturas geológicas acompanhadas anteriores culminando com importantes zonas de de suas condições metamórficas desenvolvidas que cisalhamento, por exemplo, Portalegre e correlatas afetaram os litotipos da área mapeada, buscando a leste de Ererê (CE) e entre Encanto (RN), Venha enquadrá-las no contexto geológico da Faixa Ver (RN) e Poço Dantas (PB) W e NW da folha, sob Jaguaribeana e Rio Piranhas - Seridó. Neste contexto condições de fácies xisto verde superior a anfibolito. serão utilizadas determinadas simbologias descritas A este evento deformacional, estão correlacionadas como seguem. A letra “D” indica deformação, a as intrusões de granitoides brasilianos, além de letra “S” a foliação, “M” o evento metamórfico, encurtamento crustal nas áreas de embasamento “Lx” lineação de estiramento mineral e “Lb” gerando megadobras antiformes e sinformes. corresponde a lineação de eixo de dobra. Os índices Diversas fraturas e falhas foram observadas, nestes numéricos servem para indicar ordem cronológica corpos intrusivos, caracterizando uma deformação sob da deformação e metamorfismo. regime rúptil mais jovem do que as anteriores, podendo Os dados obtidos na etapa de campo deste ser correlata a um episódio posterior, inclusive meso- trabalho permitiram a individualização de três cenozóico com formação de falhamentos normais, eventos metamórficos e tectônicos deformacionais gerando grabens representados pelas bacias do Rio do em estágio dúctil das rochas, designados neste Peixe, Rafael Fernandes e Coronel João Pessoa. trabalho de evento D1, D2 e D3, M1, M2 e M3 onde cada fase é responsável pela geração de um determinado 4.2 - EVENTO DEFORMACIONAL/METAMÓRFICO grupo de estruturas (D) e de assembléias minerais (D1/M1) (M). Um episódio D4 é creditado às estruturas sob regime rúptil. O evento deformacional D1 foi o O primeiro evento tectônico é limitado primeiro evento tectônico-metamórfico afetando às rochas gnáissico-migmatíticas dos complexos ainda os complexos do embasamento, Jaguaretama Jaguaretama e Caicó, sendo marcado pela formação e o Caicó, sendo representado por um bandamento de um bandamento/foliação de alto grau (S1). Esta metamórfico em fácies anfibolito superior. O evento foliação S1 foi posteriormente dobrada pelo evento posterior, denominado de D , corresponde ao D2, gerando uma foliação de plano axial S2 2, paralela segundo a afetar os complexos Jaguaretama e Caicó, ao bandamento S1. Este bandamento mostra originando dobras isoclinais recumbentes, intra- orientações muito variadas e sendo marcado pela foliais nas rochas desses embasamentos, em alto alternância entre faixas escuras ricas em máficos grau metamórfico, na fácies anfibolito superior. (biotita e anfibólio, este geralmente ferrohastingsita) e faixas claras quartzo-feldspáticas (Figuras 4.1 e 4.2). A B Figura 4.1– Bandamento gnáissico S1 dobrado, marcando a foliação de plano axial S2, afloramento LU-0615, sítio Vaca Morta, município de Rafael Fernandes – RN. O cabo do martelo indica o N. 65 Programa Geologia do Brasil A formação do bandamento (evento M1), bem é composta por hornblenda + plagioclásio (andesina como a migmatização dessas rochas (Figura 4.3), predominante), além de apatita como mineral garantem as condições de metamorfismo regional primário possivelmente decorrente de um protólito de médio a alto grau, alcançando a fácies anfibolito gabróico. superior culminando com a anatexia, favorecida pela disponibilidade de água no sistema. A blastese de 4.3 - EVENTO DEFORMACIONAL/METAMÓRFICO K-feldspato, seguindo o bandamento, é a principal (D2/M2) evidência. Esse evento é correlato à fase F1 definida por Cavalcante (1999) no embasamento das faixas O evento D2/M2 também é restrito as rochas Orós e Jaguaribe, correlata ao metamorfismo do embasamento (complexos Caicó e Jaguaretama), regional M . sendo caracterizado por dobras isoclinais a apertadas, 1 As associações, em conjunto com texturas recumbentes com transposição dos flancos, preservadas como fenocristais de microclina e formando uma foliação penetrativa S2 (Figuras 4.4 e inclusões de minerais primários na assembléia 4.5). Esta estrutura afetou o bandamento gnáissico predominante, indicam quase sempre um protólito S1, além das venulações graníticas e pegmatíticas ígneo de composição granítica a tonalítica com relativas ao episódio D1. Estas venulações por vezes biotita (±) hornblenda/ferrohastingsita + quartzo ocorreram formando dobras D2 fechadas a abertas, + microclina + plagioclásio (oligoclásio/andesina), por vezes ptigmáticas. Em seções delgadas observa- além de zircão + apatita + allanita como minerais se a foliação dobrada S2//S1 comumente marcada primários do protólito. Em anfibolitos a assembleia pelas lamelas de biotita e em algumas seções por hornblenda. Na faixa sul da Folha as medidas da foliação B S2 ocorrem variando de 10° a 51° azimutes, com caimento para NW e SE. Essa foliação tem trend geral NE-SW variando para NNE-SSW e lineações com sentidos para NE e SW (Figura 4.6). Na faixa norte da Folha, nas áreas de embasamento, também se observa importante variabilidade de orientação das estruturas S1//S2 (Figura 4.7). O evento metamórfico M2 correlacionado a este evento deformacional D2 ocorre com a mesma assembléia do evento metamórfico M1. A neoblastese e a recristalização da microclina indicam metamorfismo de fácies anfibolito inferior a superior. A foliação S2 é marcada pela orientação da biotita, anfibólio, quartzo e feldspatos. Além da blastese de feldspato e hornblenda, nota-se ainda, Figura 4.2 – Mostra bandamento metamórfico marcado de forma incipiente, a formação de titanita durante o pela alternância de faixas máficas e faixas quartzo- evento metamórfico M em algumas seções delgadas feldspáticas finas formado durante o evento D1. Cabo do 2 de ortognaisses graníticos dos embasamentos martelo indica o N. Afloramento LU-0552, Ererê/CE, sítio Jaguaretama e Caicó, conforme reação que segue: Cantinho. Figura 4.3 – Biotita gnaisse do Complexo Jaguaretama a E de Poço Dantas/PB com desenho esquemático do bandamento gnáissico em alto grau metamórfico definindo a foliação S1. Afloramento LU-0012, estrada carroçável entre Poço Dantas (PB) e Luiz Gomes (RN). 66 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Figura 4.4 – Evidencia gnaisse bandado do Complexo Jaguaretama a NW de Luís Gomes/RN com desenho esquemático das dobras isoclinais e apertadas e foliação S2. Afloramento LU-0021, estrada carroçável entre Luiz Gomes (RN) e Riacho de Santana (RN). Figura 4. 5 – Mostra dobras isoclinais (D2) em rochas do Complexo Jaguaretama. Afloramento LU-0616. O Cabo do martelo indica o N. Figura 4.6 – Estereograma de Schmidt (hemisfério inferior) para os pólos S2 (círculos) e Lx2 (estrelas) na faixa sul da Folha (Compilado de Melo, 2011). Figura 4.7 – Estereograma de Schmidt mostrando os pólos da foliação S1//S2 na faixa norte da Folha (Compilado de Cocentino, 2010). 67 Programa Geologia do Brasil Biotita + Plagioclásio + SiO2 ↔ Microclina + Hornblenda + Titanita + H2O. As lineações de estiramento Lx2, correspondentes a deformação D2, são de difícil separação devido ao evento D3 que paraleliza as lineações Lx3 e Lx2. Nota-se que a foliação S2 apresenta mergulhos predominantemente baixos a moderados (30-50°) e direção NE-SW, raramente NW-SE, obedecendo ao trend geral (Figura 4.8). O evento metamórfico M2, assemelha-se ao evento M1, pois também afeta apenas nas rochas dos embasamentos, tendo seu grau metamórfico, indicado pela paralelização das foliações e recristalização dos feldspatos, atingiu fácies anfibolito superior. Em alguns afloramentos pode-se notar a presença de grande quantidade de minerais Figura 4.8 – Exibe dobras apertadas (seta branca) e opacos, indicando um excesso de ferro muito foliação S em ortognaisse tonalítico. Ponta da lapiseira provavelmente ocorrido durante a desestabilização 2indica o N. Afloramento LU-0418, sitio Serrote das de biotita para formar K-felspato conforme a reação Carnaubinhas, município São Miguel (RN). que segue: Biotita + quartzo ↔ K-feldspato + minerais opacos + titanita +H O. das zonas de cisalhamento ou de alta deformação 2 ocorreram expressivas modificações petrográficas, 4.4 - EVENTO DEFORMACIONAL/METAMÓRFICO onde as rochas ortoderivadas, leucognaisses da suíte (D /M ) Serra do Deserto, se transformaram em muscovita 3 3 gnaisses miloníticos e muscovita quartzitos por vezes O evento deformacional D se impôs sobre com fibrolita. Ainda nos leucognaisses/ortognaisses 3 os eventos anteriores e foi responsável pelo forte Serra do Deserto, estruturas de cisalhamento do encurtamento crustal envolvendo estruturas de tipo S-C podem ser formadas nas regiões com forte sinformes e antiformes regionais, principalmente no milonitização (Figuras 4.9, 4.10, 4.11, 4.12). Dobras Complexo Jaguaretama, a leste de Pau dos Ferros, abertas a ligeiramente apertadas com foliação Major Sales, Ererê e oeste de Encanto (ver mapa de plano axial de mergulho forte são também geológico em anexo). Este encurtamento crustal desenvolvidas em metadioritos da Suíte São João do evolui para frequentes zonas de cisalhamento sendo Sabugi (Figura 4.13). marcadas por transcorrências dextrais regionais afetando todas as rochas mapeadas na área, exceto as rochas sedimentares da bacia Rio do Peixe. Há um importante plutonismo anorogênico pós-D2, caracterizado por rochas graníticas que sofreram apenas deformação brasiliana D3, resultando nos ortognaisses augen graníticos da suíte Serra do Deserto, de 1,7 Ga (capítulo subseqüente), e posteriormente alterando-se para quartzitos tectônicos. Este evento gerou uma superfície S3 de mergulho forte afetando as superfícies S1 e S2 e muitas vezes evoluindo para superfícies miloníticas ao longo de zonas de cisalhamento. Durante esse evento (D3/M3), como já mencionado, ocorreu à formação da superfície S3, definida como plano axial de megadobras (sinformes e antiformes) presentes no embasamento. No grupo São José esse evento se manifesta como a foliação penetrativa nos biotita gnaisses xistosos, estando à foliação S3 na direção NE-SW e mergulhos geralmente fortes para NW e SE. Sincronicamente, foi gerada uma foliação milonítica S3m de mergulho forte e orientação predominante NE-SW e lineações Figura 4.9 – Ortognaisse Serra do Deserto exibindo mineral e de estiramento bastante penetrativas bandas miloníticas a ultramiloníticas (S3) e quartzíticas no embasamento, além da verticalização das miloníticas. Afloramento LU-0617, margem do riacho do superfícies S1 e S2 deste embasamento. Ao longo Castelo, oeste de Encanto (RN). 68 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Figura 4.10 – Fotomicrografias em ortognaisse Serra do Deserto transformado em muscovita gnaisse milonítico a muscovita quartzito milonítico, exibindo estrutura S-C em lamelas de muscovita. Afloramento LU-0618, serra do Cantinho, NW de Encanto (RN), a esquerda N//, a direita NX. A B Figura 4.11– Fotomicrografia caracterizando (A) muscovita – sillimanita/fibrolita quartzito milonítico e (B) sillimanita/ fibrolita quartzito milonítico decorrentes da atividade tectono-hidrotermal afetando os ortognaisses Serra do Deserto. Afloramento LU-0619. Figura 4.12 – Fotomicrografia em muscovita xisto tectônico ou muscovita quartzito xistoso tectônico derivado dos ortognaisses Serra do Deserto, nas imediações da comunidade Minhuins, a N de Poço Dantas/PB, com respectivo desenho esquemático das foliações S e C´ e destacando lamelas de muscovita fish (LU-0135), 40X, NX. 69 Programa Geologia do Brasil Figura 4.13 Dobras geradas em D3, com foliação de plano axial (S3) verticalizada (representado pela linha vermelha) em veios pegmatóides sin-D3 encaixados em metadioritos da suíte intrusiva São João do Sabugi. Ponta da bússola indica o Norte. Afloramento LU-0476, sítio Guardado, município de Doutor Severiano (RN). Nos ortognaisses das suítes Poço da Cruz e Durante o evento brasiliano as suítes plutônicas Serra do Deserto este evento é distinguido por um representadas pelos corpos de Poço Dantas, forte estiramento mineral, formando estruturas Doutor Severiano/Pereiro, Luís Gomes, Marcelino com alta razão x/y de strain. Concomitante a esta Vieira e Pilões muito provavelmente tiveram seus deformação ocorre um magmatismo de corpos alojamentos favorecidos pelas extensas zonas de graníticos (suítes Itaporanga, Catingueira e Dona Inês) cisalhamento correlatas àquela de Portalegre (ZCP). e dioríticos (suíte São João do Sabugi) sin- a tardi- Estes granitoides brasilianos sin-D3, podem exibir tectônico. Estes corpos apresentam contatos curvos uma foliação de forte mergulho, principalmente em com as unidades encaixantes, mas alojados de forma suas bordas associadas às zonas transcorrentes/ alongada segundo o trend geral da deformação, transpressionais ou transtracionais. Intrusões onde notamos em mapa alguns corpos com formato tardias a pós-cisalhamento, centiméticas a métricas sigmóide dextral. Estes corpos apresentam-se são caracterizadas por venulações pegmatíticas e também deformados, principalmente nas bordas dos aplíticas (Figura 4.16). maiores corpos como o corpo de Luís Gomes (suíte As atitudes de foliação e lineação medidas Dona Inês) e parte do corpo Catolé do Rocha (suíte em campo foram agrupadas e projetadas em redes Itaporanga na região de Alexandria - RN). estereográficas, uma referente às foliações e outra No Complexo Jaguaretama a deformação D3 às lineações. As foliações e lineações do Complexo é evidenciada pelos planos axiais (S3) verticalizados Jaguaretama, Suíte Serra do Deserto e granitoides de megadobras (ver mapa geológico). As estruturas estão dispostas uniformemente, indicando S1//S2 subhorizontais deste complexo podem evoluir possivelmente estruturas de mesma geração. As para uma foliação de mergulho forte e até milonítica medidas das atitudes dos planos definidos pelas (S3m - milonítica) (Figura 4.14). foliações S1//S2, S3 e S3m foram plotados numa rede As lineações de estiramento aparecem estereográfica de igual-área, podendo-se verificar paralelizadas aquelas de eixo de dobras, apresentando íntima relação entre elas (Figura 4.17). Os planos um suave caimento para NE e NNE. São marcadas S1//S2 e S3 + S3m possuem similaridades no tocante pelo alinhamento de biotitas, nos gnaisses do Grupo às direções e sentido de caimento. Porém em São José, e feldspatos e quartzo em metaígneas relação à intensidade de mergulho as foliações S1// (Figura 4.15), sobretudo nos quartzitos tectônicos. S2 apresentam mergulho suave a moderado (0°~60°), 70 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Figura 4. 14– Gnaisse bandado do Complexo Jaguaretama mostrado foliação de alto ângulo S3m como zona de milonitização paralela ao plano axial S3 e a foliação S1//S2 flexionando para W e, por vezes, horizontalizando-se. LU- 0620, leste de Riacho de Santana-RN. O cabo do martelo indica o Norte. Figura 4. 15 – Lineação de estiramento de baixo rake em Figura 4.16 – Intrusão aplítica em ortognaisse augen metadiorito marcada pelo estiramento de plagioclásios. (metagranito de Marcelino Vieira – tipo Itaporanga) Afloramento LU-0476, ), sítio Guardado, município de truncando a foliação milonítica. Afloramento LU-0621, Doutor Severiano (RN). município de Marcelino Vieira-RN. O cabo do martelo indica o Norte. preferencialmente NW-SE, denotando o paralelismo destas duas tramas tectônicas. O plano S3 contrasta fortes há verticais com direção dos planos NE- com os demais em relação ao caimento mais forte SW. Na figura 4.17B as 79 medidas de foliações (60°~90°) e poucas medidas fogem ao trend NW-SE. são representadas por intervalos de sentido de A figura 4.17A mostra as atitudes caimento que varia de 0° a 360°, e quantidade de representadas pelos pólos das foliações S , S e S // medidas neste intervalo (intensidade), variando do 1 2 3 S plotadas numa projeção em rede estereográfica centro da rede estereográfica (0%) ao limite desta 3m – igual área, hemisfério inferior no software livre (100%). Portanto a maior concentração das medidas SteroNet 2.46 ano 2000, totalizando 79 atitudes. de caimento da foliação estão no sentido NW e S1 possui 36 medidas, sendo representadas por SE. Ainda se destacam medidas na direção ENE- triângulos pretos e apresentam atitudes com WSW, havendo medidas, esporádicas na direção tendência de mergulhos suaves a moderados para SE NNE-SSW. Na figura 4.17C estão representadas as e NW. S possui 30 medidas sendo representadas por concentrações dos pólos das medidas, onde uma 2 círculos vermelhos e, assim como S , os mergulhos escala arbitrária de tons de cinza marca as maiores 1 têm tendências SE e NW, suaves a moderadas. A concentrações (escuras e tendendo ao preto) e foliação S é representada juntamente com S a menores concentrações (claras e tendendo ao 3 3m (foliação milonítica) devido à contemporaneidade branco) e ausência de medidas (branco). As classes de ambas. Estas possuem a soma de 13 medidas que de freqüência variam de 1,00 – 2,00; 2,00 – 3,00; são representadas por losangos azuis distribuídos 3,00 – 4,00;... ; 10,00 –11,00 e as concentrações das na direção SE-NW, porém com ligeira dispersão para medidas seguem proporcionalmente ao módulo ESE-WNW. Estas foliações apresentam mergulhos das classes, assim, quanto maior a classe maior será 71 Programa Geologia do Brasil a concentração de medidas nesta. Então no gráfico O metamorfismo M3 é reconhecido nas as maiores classes, ou maiores concentrações, se escalas macroscópicas a microscópicas. Em escala localizam em “1” e “2”, marcando aglomerados dos macroscópica é observado pela forte orientação pólos das medidas de S2, S3 e S3//S3m. mineral, com destaque para os ortognaisses Na faixa sul da Folha as direções das estruturas nematoporfiroblásticos do embasamento com estão dispostas em um trend regional NE-SW variando fenocristais de microclina fortemente orientados/ para NNE-SSW. A foliação S possui mergulhos estirados com caudas de recristalização nos 3 predominantemente no intervalo de 60º a 90º. As feldspatos. Em seção delgada esta orientação mineral lineações de estiramento L também se evidencia pela biotita, ferrohastingsita/x3 apresentam caimentos suaves variando de 0° a 25°, mas podem mostrar hornblenda e quartzo com textura nematoblástica caimento mais forte esporadicamente (Figura 4.18). e definindo a foliação S3, por vezes truncando a Uma lineação Lx3m milonítica também foi medida foliação S1/S2. nas zonas de cisalhamento, com caimento variando O plagioclásio do tipo andesina-oligoclásio entre 13° a 32° e sentido em torno de 30º Az. Na em presença da ferrohastingsita/hornblenda nos faixa norte da Folha as tendências das orientações ortognaisses graníticos a tonalíticos dos complexos das estruturas lineares e foliadas guardam variações Caicó e Jaguaretama e o do tipo andesina/labradorita similares, com predominância de verticalização de S3 em anfibolitos destes complexos indicam as condições e sentido das lineações para NE e SW (Figura 4.19). de fácies anfibolito (Winkler, 1977; Spear, 1993). As A este episódio deformacional, associa-se caudas de recristalização da microclina, o processo de o metamorfismo regional M3 afetando de modo microclinização do plagioclásio e a desestabilização expressivo grande parte das litologias da Folha. de biotitas para microclina (Figura 4.20), apontam Este metamorfismo regional é representado pela as condições de fácies anfibolito superior (± 600 ºC), assembléias quartzo + plagioclásio + microclina ± tanto nas rochas do embasamento cristalino, como ferrohastingsita ± granada para os complexos Caicó e nos ortognaisses das suítes Poço da Cruz e Serra do Jaguaretama, e as suítes Serra do Deserto e Poço da Deserto, conforme a reação que abaixo. Cruz, caracterizando a fácies anfibolito e atingindo a Biotita + Ca-Plagioclásio + Quartzo ↔ isógrada da anatexia, com retromorfose para fácies Microclina + Na-plagioclásio + Minerais Opacos + xisto verde. Titanita + H2O. Figura 4. 17 – Estereogramas de planos de igual-área para a faixa central da Folha. (A) Rede estereográfica apresentando os pólos das atitudes das foliações S1//S2 e S3//S3m. (B) Diagrama de rosetas apresentando os sentidos de caimento preferenciais divididos em dez classes. (C) Diagrama de densidade apresentando as concentrações dos pólos (1 e 2, na figura) das medidas de S1//S2 e S3. (Figura compilada de Magalhães 2010). 72 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Outro importante marcador deste metamorfismo regional é a transformação de biotita para ferrohastingsita/hornblenda nas rochas dos complexos do embasamento além da cristalização tardi-cinemática de titanita e tardi a pós-cinemática de minerais opacos - frequentemente magnetita, conforme a transformação abaixo. Nota-se ainda em ferrohastingsita ortognaisses no Complexo Jaguaretama e ferrohastingsita anfibolitos do Complexo Caicó, uma ferrohastingsita S2 sendo truncada por outra em S3. Biotita + Plagioclásio + SiO2 ↔ Microclina + Ferrohastingsita + Minerais Opacos + Titanita + H2O. Localmente observamos a blastese de granadas em ortognaisses do Complexo Caicó a partir da seguinte reação que segue, sob condições de fácies Figura 4.18 – Estereograma de Schmidt (hemisfério anfibolito superior. Estas granadas são intersticiais inferior) para os pólos S3 (círculos) e Lx3 (estrelas) tardi a pós-cinemáticas, crescendo nas bordas de (Compilado de Melo, 2011). microclina e consumindo biotita (Figura 4.21). Figura 4.19 – Estereogramas igual área (hemisfério inferior), onde os dois primeiros círculos superiores caracterizam a esquerda os pólos das foliações S1//S2 e a direita os pólos de S3. Os dois círculos inferiores evidenciam as orientações das lineações Lb3 e Lx3 (Compilado de Menezes, 2010). 73 Programa Geologia do Brasil atravessam a área, principalmente em sua metade oeste (ver mapa geológico), gerando rochas protomiloníticas, miloníticas até ultramiloníticas. Na zona de cisalhamento Portalegre (ZCPA) as rochas sofrem intensa deformação dúctil, afetando as rochas dos complexos Jaguaretama e Caicó, onde os ortognaisses são transformados em protomilonitos a milonitos xistosos. Neste contexto, há porfiroclastos de feldspatos com sombras de pressão e caudas de recristalização, textura de subgrãos e recristalização dinâmica em níveis quartzosos e estruturas S-C´. Essas rochas evoluem para ultramilonitos xistosos até filonitos. Os milonitos a ultramilonitos apresentam-se com granulometria fina a muito fina, indicando alto grau de cuminuição da rocha original, além de texturas como quartzo-ribbons e Figura 4.20 – Fotomicrografia de ortognaisse granítico mica-fishs esporádicas de muscovita, sob condições do Complexo Caicó bandado mostrando microclina (Mc) metamórficas de fácies xisto verde superior a consumindo biotitas (Bt) e produzindo minerais opacos anfibolito. (Op). Afloramento LU-0106 sitio Pau Jucá, município de Tenente Ananias, NX, 100X. Nas zonas de cisalhamento entre Poço Dantas (PB), Encanto (RN), Doutor Severiano (RN) e Ererê Biotita + Quartzo ↔ Microclina + Almandina + (CE), correlatas à ZCPA, são intensos os processos Titanita + Minerais Opacos + H O. No clinopiroxênio tectôno-hidrotermais transformando ortognaisses 2 metagranito a granada cresce por coalescência em e granitoides em protomilonitos, milonitos e agregados granulares sin- a tardi-S , associando-se quartzitos tectônicos. Particularmente nos arredores 3 aos minerais opacos, sobrecrescendo nos cristais de Venha-Ver e comunidade de Minhuins/RN de clinopiroxênio augítico (Figura 4.22). Esta destaca-se a variação gradual na composição transformação pode ser representada pela reação a mineralógica e textural, sendo caracterizada de E seguir: para W pela sequência gradativa de ortognaisse granítico protomilonítico, biotita ortognaisse Aegerina-augita + Ca-Plagioclásio ↔ Granada milonítico, muscovita milonito porfiroclástico (Grossulária ± Andradita) + Minerais Opacos. com biotita, muscovita ultramilonito, muscovita A presença da granada nestas rochas pode ser quartzito tectônico, muscovita xisto tectônico e interpretada como a formação de granitos tipo-S na localmente por muscovitito. Os quartzitos e xistos faixa onde ocorre o Complexo Caicó bandado com tectônicos, juntamente com o muscovitito, fazem intensa migmatização, a qual pode ser a possível parte da associação de rochas resultantes da ação do fonte da cristalização destes granitos. metamorfismo dinâmico e hidrotermal. O metamorfismo regional grada para o A desestabilização das rochas originais foi expressivo metamorfismo dinâmico o qual está provocada por uma forte cuminuição mineral associado às zonas de cisalhamento dextrais que associada a uma importante atividade tectono- A B Figura 4.21 – Fotomicrografias de ortognaisse granítico do Complexo Caicó mostrando granada (Grt) consumindo biotita (Bt) na borda de microclina (Mc) pertítica. Afloramento LU-0080, sítio Juazeiro, município de Marcelino Vieira. (a) N//, 100X e (b) Mesma imagem de “a” com NX. 74 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros temperatura e pressão entorno de 575 ºC e 3,5 Kb respectivamente. Estes dados previam a presença de sillimanita e/ou cianita. Legrand & Magini (1992) calcularam a temperatura por volta de 400 ºC para quando não havia a presença de um bom geotermômetro como a sillimanita. Localmente Medeiros (1981a e 1981b) descreveu a cianita nos quartzitos tectônicos, próximo a Coronel João Pessoa (RN). O par muscovita - quartzo pode resistir a temperaturas de metamorfismo de fácies anfibolito. Em um perfil a E da cidade de Poço Dantas/PB foi encontrada mudanças petrográficas de muscovita quartzitos tectônicos para hornblenda - epidoto quartzitos tectônicos. Estes quartzitos tem com protólitos respectivamente as rochas do Complexo Figura 4.22 – Fotomicrografia de metagranito da Suíte Jaguaretama a E e os dioritos da Suíte São João do intrusiva Catingueira mostrando aegerina-augita (Agt) Sabugi variando para ortognaisses dioríticos a W. desestabilizando para granada (Grt) e minerais opacos Quando o protólito são os ortognaisses do Complexo (Op). Afloramento LU-0117, comunidade Poço do Açude, Caicó a transformação é similar a exemplificada município Tenente Ananias, N//, 100X. pela reação acima citada. Os hornblenda – epidoto quartzitos tectônicos intercalados aos epídoto hidrotermal. Ocasionando a desestabilização intensa - hornblenda ortognaisses miloníticos dioríticos dos feldspatos e biotitas, lixiviando alguns álcalis tais são derivadas do diorito Poço Dantas (Suíte São como Na+ e Ca++, concentrando o K e Al nas muscovitas, João do Sabugi). Em uma mesma seção delgada é o Al e Si na sillimanita, SiO2 como quartzo (Figura possível definir essas duas litologias, com estrutura 4.23) e Fe nas magnetitas. Estas alterações atuaram milonítica e forte orientação dos cristais de em sistema aberto com uma importante participação quartzo, por vezes ribbon, cristalização intensa de do componente hidrotermal, semelhantes àquelas já epidoto e desestabilização parcial da hornblenda e descritas na faixa Seridó (Silva, 1995; Souza, 1996), feldspato. Neste contexto a transformação pode ser sendo representadas pelas reações que seguem. representada como segue. Biotita + Plagioclásio + Microclina + H+ ↔ Biotita + Plagioclásio + Hornblenda + H+ ↔ Muscovita + Quartzo + Magnetita + Na+ + Ca++ Epidoto + Titanita + Minerais Opacos + Quartzo + Mg++ + H O; + Na+2 + Mg ++ + K+ + H2O. Biotita + Plagioclásio + H+ ↔ Sillimanita (ou A blastese do epidoto em presença da Cianita) + Quartzo + Na+ + Ca++ + K+ (ou muscovita) + hornblenda indica as condições de fácies anfibolito minerais opacos/óxido de ferro + H2O. inferior ou fácies xisto verde superior. Dantas et al. (2002) e Trindade et al. (2008) Ainda nos arredores da comunidade de Minhuins/ mostram que regionalmente, zonas de cisalhamento RN encontramos um corpo anfibolítico pertencente ao submeteram essas rochas transformadas a Grupo São José encravado nas metaplutônicas da Suíte A B Figura 4.23 – Fotomicrografia no muscovita xisto tectônico mostrando de porfiroclasto de feldspato (Fsp) com subgrãos de quartzo (Qtz) e relíquias de biotita (Bt) nas bordas. Envolvendo este porfiroclasto observamos muscovita (Ms) e quartzo (Qtz) componde a estrutura milonítica. Afloramento LU-0135, comunidade Minhuins, sul de Venha Ver (RN), (a) NX, 40X e (b) NX, 100X. 75 Programa Geologia do Brasil Serra do Deserto transformadas em rochas miloníticas. a temperatura responsável pela blastese de olivina Esse corpo anfibolítico é também fortemente afetado seria da ordem dos 650oC (fácies anfibolito superior), pelo cisalhamento, gerando carbonato - epidoto – supondo valores XCO2 intermediário a altos e pressões actinolita milonito, exibindo intenso estiramento mineral, não superiores a 4 kbar (Bucher & Frey, 1994). blastese carbonática e forte epidotização, além da textura Tremolita + 11 Dolomita ↔ 8 Forsterita + 13 nematoblástica fluxosa dos agregados de actinolita Calcita + 9 CO + H O. (Figura 4.24). Notamos a frequente desestabilização de 2 2 ferroactinolita, plagioclásio, com importante infiltração Esse episódio M3 mostra tendência regressiva com de CO2 e H2O, permitindo a blastese dos agregados de a retromorfose no sentido da fácies xisto verde (Figura epidoto e calcita, conforme a transformação que segue. 4.25), o qual guarda íntima relação com as estruturas (gnaissificação, xistosidade e/ou foliação milonítica) de Ferroactinolita + Plagioclásio + H2O + CO2 ↔ mergulho forte. As assembléias minerais envolvendo Calcita + Epidoto + Minerais Opacos + Na+. a recristalização de feldspatos nos complexos de Yardley (2005) e Spear (1993) descreveram embasamento paleoproterozoicos (riacianos) e rochas a substituição da hornblenda para ferroactinolita + metagranitoides (estaterianos e neoproterozoicos), epidoto sob condições de fácies xisto verde superior, blastese de sillimanita, localmente de cianita, de escapolita com temperatura da ordem de 500 ºC. nos milonitos ao longo das zonas de cisalhamento, além Um ferroactinolita anfibolito do Complexo de olivina em mármores (metamorfismo térmico), Caicó foi observado na ZCPA, a leste de Major Sales indicam o pico metamórfico em fácies anfibolito (RN), exibindo forte xistosidade milonítica, sendo superior. Este pico metamórfico pode estar associado ao a ferroactinolita proveniente da transformação alojamento do volumoso magmatismo diorito-granítico da hornblenda. O plagioclásio foi substituído por neoproterozoico representado pelos vários batólitos sin- escapolita com a participação do fluido possivelmente cinemáticos, os quais ocupam grande parte da Folha. portador de Cl- e/ou CO2. A associação de escapolita O M3 evolui regressivamente para a fácies + hornblenda aponta para o metamorfismo fácies anfibolito inferior a xisto verde, sendo caracterizado anfibolito superior, onde Aitken (1983) apud Teertstra pela blastese de epídoto, ferroactinolita, sericitização e & Sherriff (1997) definiram temperaturas da ordem de saussuritização dos feldspatos, formação de serpentina 625 ºC sob pressão de 5 Kbar para o aparecimento da e idingsita substituindo as olivinas, simultânea escapolita. A blastese de ferroactinolita consumindo cloritização e muscovitização de biotitas. A contínua a hornblenda indica a retromorfose para a fácies xisto retromorfose e tardiamente ao M3 podemos associar verde superior/anfibolito inferior. Assim, a ZCPA se o contínuo soerguimento crustal acompanhado de instalou sob regime metamórfico de fácies anfibolito provável mecanismo de transtração, nas zonas de superior a anfibolito inferior. cisalhamento, permitindo injeções pegmatíticas e Nos arredores de Poço Dantas (PB) o mármore fluidos hidrotermais favorecendo as mineralizações de dolomítico do Complexo Jaguaretama encontra-se esmeralda e água marinha em ortognaisses miloníticos como megaxenólito no corpo diorítico (Suíte São dos Complexo Caicó (Figura 4.26) e Jaguaretama, a João do Sabugi). Este metacarbonato sofreu intensa leste e nordeste de Major Sales (RN), ametista e água deformação e metamorfismo térmico permitindo marinha a NW de Luís Gomes (RN). Neste contexto a blastese de olivina/forsterita conforme reação podemos associar as ocorrências de Ouro ao longo das abaixo. Considerando a temperatura de cristalização zonas miloníticas afetando os ortognaisses Serra do do diorito da ordem de 700 a 750 C, estimamos que Deserto, p. ex. a mina do Cabelo a NW de Encanto (RN).o A B Figura 4.24 – Fotomicrografia de epidoto – actinolita milonito mostrando a intensa blastese de epidoto (Ep) com caudas e filetes de minerais opacos (Op) acompanhando a foliação milonítica, além de cristais aciculares de ferroactinolita (Act) com textura nematoblástica fluxosa. Afloramento LU-0136, comunidade Minhuins, sul de Venha Ver (RN), (a) N//, 100X e (b) Mesma imagem de “a” com NX. 76 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Figura 4.25 – Gráfico PT para o metamorfismo ocorrido nos três eventos tectônicos dúcteis. A área rosada mostra as condições PT para os eventos D1/M1 e D2/M2. O evento D3/M3 é mostrado no gráfico de forma contínua inicialmente na fácies anfibolito superior evoluindo para a fácies xisto verde, indicando assim seu caráter regressivo. 1 - zeólita; 2 – pumpelyíta/prehnita; 3 - xisto verde; 4 - anfibolito; 4 - granulito; 6 - epidoto hornfels; 7 - hornblenda hornfels; 8 - piroxênio hornfels; 9 - sanidinito; 10 - xisto azul. Curvas adaptadas de Winkler (1977). A curva tracejada em vermelho marca o início da fusão granítica em presença de água, as curvas tracejadas em preto marca a temperatura mínima de estabilidade da biotita (Bt), granada (Grt) e anfibólio da família das hornblendas na presença de plagioclásio com teor de An>17% e a reação da muscovita + quartzo (Ms + Qtz) se transformando para microclina + polimorfo de Al2SiO5 (Mc + AS). Ponto triplo do Al2SiO5 (Andaluzita – And, Cianita – Cia, Sillimanita – Sil) de Holdaway (1971). Diagrama adaptado de Yardley, 2005. Figura 4.26 – Evidencia ortognaisse milonítico do Complexo Caicó, em garimpo inativo, com alojamento de pegmatito mineralizado em esmeralda acompanhando a foliação S3. Situada próximo a ZCPA, a leste de Major Sales (RN), margem do açude Pitombeira/garimpo Pitombeira. 77 Programa Geologia do Brasil O conjunto das assembléias minerais, seus O intenso fraturamento por vezes produz respectivos episódios metamórficos e tectônicos, cataclasitos, afetando ortognaisses miloníticos Serra além dos graus metamórficos envolvendo os do Deserto (Figura 4.28 C). Alguns fraturamentos complexos de embasamento, suítes dos granitoides e planos de falhas podem ser interpretados tanto (Poço da Cruz, São João do Sabugi, Itaporanga, como estruturas formadas no alívio de pressão dos Dona Inês e Catingueira) e o Grupo São José está granitoides brasilianos com preenchimento por representado na Figura 4.27. pegmatitos e exudados de quartzo (Figura 4.28 D). 4.5 - EVENTO DEFORMACIONAL RÚPTIL (D ) A formação de grabens de idade cenozoica 4 é mais comum próximo ao litoral do Nordeste Este episódio se caracteriza pela deformação brasileiro (Nogueira, 2008), entretanto no extremo frágil, com trends variáveis N-S, WNW-ESSE e NW- NW da Folha, encontrou-se indícios de um graben SE, sendo representada pelos planos de falhas, interiorano, doravante denominado de graben fendas por vezes preenchidas por pegmatitos, do Merejo, caracterizado por falhas com escarpas aplitos, exudados de quartzo e fraturas conjugadas retilíneas e topo plano (Figura 4.28 E), além de (Figura 4.28 A, B). As estruturas frágeis comumente diferença de cota altimétrica considerável e com afetam os corpos graníticos, sendo estas estruturas formação de brechas de falha (Cocentino, 2010). notadamente visíveis desde a escala megascópica A sua formação está relacionada às reativações de (fotos aéreas) até a escala microscópica (seções zonas de cisalhamento desenvolvidas durante o delgadas). Através de análises de imagens aéreas os evento D3, comuns nos contatos entre o granitoide vales retilíneos são exemplos dessas estruturas. Pereiro e os dioritos do corpo de Dr. Severiano (RN). A reativação destas falhas produziu geralmente Figura 4.27 - Caracteriza as assembleias minerais, seus respectivos episódios metamórficos e tectônicos, além dos graus metamórficos considerando os complexos de embasamento, suítes dos granitoides (Poço da Cruz, São João do Sabugi, Itaporanga, Dona Inês e Catingueira) e o Grupo São José. 78 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros brechas tectônicas, que marcam as zonas de entre 300 e 600 m (Figura 4.28E). As estruturas falha. Sua forma é muito bem marcada em mapas geradas pela reativação das principais estruturas topográficos e imagens de radar (SRTM) e acompanha dúcteis formadas no evento brasiliano, tal como a a direção NE-SW do corpo de Dr. Severiano O graben reativação da ZCPA durante o mesozoico, evidenciada Merejo é preenchido por sedimentos cenozóicos, pela instalação das bacias, tipo graben, do Rio do siliciclásticos, predominantemente arenosos com Peixe, Coronel João Pessoa e Rafael Fernandes (ver intercalações de argila. Depósitos de planície de mapa geológico). Uma segunda reativação da ZCPA inundação ricos em argilas ocorrem ao longo do Rio é evidenciada pela geração de frequentes fraturas Merejo. Grande quantidade de colúvio, formados verticais afetando os arenitos da bacia Rafael por blocos e matacões também são encontrados Fernandes, na margem esquerda da BR-405, sentido nas encostas das serras. Nessa região, a topografia é Pau dos Ferros – Rafael Fernandes, na entrada desta marcada por grandes escarpas íngremes e retilíneas última (Figura 4.28F). de direção NE-SW e diferença altimétrica variando A B C D Figura 4.28 – Mostra estruturas frágeis em (A e B) ortognaisses Serra do Deserto com fraturas conjugadas, afloramento LU-0407, sítio Pescaria, Município São Miguel (RN). (C) intenso fraturamento e cataclase em ortognaisse milonítico Serra do Deserto, afloramento LU-0502, margem da RN-177, sítio Barreira, oeste de Encanto (RN); (D) Fendas em granito preenchidas por pegmatito cortados por veios de quartzo, afloramento LU-0039, zona urbana de Luiz Gomes (RN); 79 Programa Geologia do Brasil E F Figura 4.28 – (E) Evidencia escarpas retilíneas com direção NE-SW, no graben Merejo (Cocentino, 2010), NW de Doutor Severiano (RN), extremo NW da Folha; (F) Reativação cenozoica da ZCPA afetando os arenitos da Bacia Rafael Fernandes, margem esquerda da BR-405, sentido Pau dos Ferros – Rafael Fernandes (RN) zona urbana desta última. 80 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 5 — GEOCRONOLOGIA 5.1 - ANÁLISES U-Pb de São Miguel (RN). Numa análise mais detalhada através do microscópio eletrônico, não conseguimos Foram realizadas análises isotópicas U-Pb em caracterizar morfologicamente quais seriam os zircões e Sm-Nd em rocha total. As amostras foram zircões herdados e de cristalização primária neste trituradas e moídas no Departamento de Geologia granito, ambos apresentando os tipos supracitados, da UFRN e as análises executadas no Laboratório de com leve predominância dos zircões mais compridos Geologia Isotópica da Universidade de Brasília, seguindo representarem os zircões mais antigos, de herança. os procedimentos descritos em Buhn et al. (2009) e Gioia Igualmente, analisando bordas e centro, oferecem & Pimentel (2000), tendo sido usados para o cálculo das os mesmos resultados, sem caracterização de borda idades o Programa ISOPLOT versão 3.0 (Ludwig, 2003). metamórfica e núcleo herdado, à exceção de apenas As frações de zircões límpidos e selecionados um zircão (Z26 na Tabela 5.2). de um ortognaisse foliado mapeado como do Fato interessante é que análises recentes em Complexo Jaguaretama a leste da cidade de Poço zircões do Granito Quixaba, situado na Folha Apodi Dantas (PB) apresentam seus cristais em geral bem (Neves et al., 2012) e certamente de magmas não formados, euédricos prismáticos alongados e bi- parentais com o Granito Pereiro, obtiveram resultados piramidais, alguns com zonação de crescimento bem muito parecidos, com duas concentrações de zircões, preservadas e outros mostrando algumas bordas uma em torno de 1,8 Ga e outra em torno de 0,6 Ga, corroídas. Estas observações foram realizadas sugerindo que os granitos estaterianos já descritos por diretamente na lupa bem como no microscópio Sá (1991) e Sá et al. (1995), dentro outros, nesta Faixa eletrônico de varredura (MEV) da UFRN. Os pontos Jaguaribeana, estão bem presentes nesta região de Pau de análise em geral foram posicionados no centro do dos Ferros (RN) e podem ter contribuído como fonte cristal, porém quando analisados centro e borda, não para geração destes granitoides, não se encontrando apresentam diferenças significativas. Os resultados até o momento, similitudes para os granitoides estão mostrados na Tabela 5.1 os quais forneceram neoproterozoicos da Faixa Seridó-Domínio Rio Grande pontos muito próximos ou sobre a curva concórdia, do Norte. Ainda na contígua Folha Apodi (Neves et fornecendo uma idade de 2193 ± 16 Ma (Figura 5.1), al., 2012), foram datados augen gnaisses na região de sendo considerado como um resultado de muito boa Itaú, que forneceram idades de 1,78 Ga, comprovando qualidade e representativo da idade do Complexo a presença também nesta parte extremo-leste da Jaguaretama nesta região de Pau dos Ferros (RN), Faixa Jaguaribeana, destes ortognaisses estaterianos. marcando o Período Riaciano na região. Recentemente foi reportado a presença de augen Foram também selecionados zircões da gnaisses com idades de 1,78 Ga na região de Serra Negra unidade denominada Granito Pereiro, exatamente na (RN), situado em domínios do Terreno Rio Grande do localidade-tipo, na cidade Pereiro (CE). Os zircões são Norte (Hollanda et al,. 2011). em geral alongados, prismáticos com faces um pouco corroídas, e vários cristais também com zonação 5.2 - ANÁLISES SM-Nd de crescimento, havendo também vários cristais que embora prismáticos, são curtos. Os resultados Cinco amostras foram moídas e preparadas analíticos estão representados na Tabela 5.2, os quais para análises Sm-Nd, em rocha total, sendo uma do produziram duas concentrações bem distintas no Complexo Jaguaretama, duas de dioritos e duas de diagrama concórdia (Figura 5.2), fornecendo idades granitos de diferentes localidades. Os dados estão em torno de 1770 Ma e outra em torno de 570 Ma. apresentados na Tabela 5.3 e na Figura 5.4 pode ser Baseado nos dados de campo e no conhecimento visualizada suas evoluções ao longo do tempo. regional em que o Granito Pereiro pertence aos As rochas do Complexo Jaguaretama granitos neoproterozoicos Tipo Itaporanga, estas apresentaram idades modelo (TDM) de 2,53 Ga duas populações estão sendo interpretadas como e, considerando sua formação em torno de 2,19 representativos de zircões herdados (1,77 Ga) Ga determinada neste trabalho pelo método e os outros representariam os zircões formados U-Pb, fornece um εNd(t) nesta época de -1,6, que durante a cristalização deste granito. A Figura 5.3 é fortemente sugestiva de uma fonte para estas exibe um diagrama calculado sem a influência dos rochas de composição próxima ao CHUR. Neves et al. zircões herdados pela rocha, fornecendo idade de (2012) analisando rochas da contígua Folha Apodi, cristalização da rocha em 574 ± 34 Ma, observando-se obtiveram também idades TDM arqueanas para ambos que todos os pontos estão sobre ou muito próximos os embasamentos Jaguaretama e Caicó, e valores da curva concórdia, refletindo uma idade de muito de εNd(t) também muito baixos, principalmente boa qualidade. Magini (2001) obteve resultados muito para o Complexo Caicó, também indicando fontes/ similares analisando zircões deste corpo na região protólitos com composições próximas ao CHUR. 81 Programa Geologia do Brasil Por sua vez, a amostra de diorito coletada na As duas análises realizadas no Granito Pereiro, região de Dr. Severiano fornece uma idade modelo uma na localidade-tipo, exatamente na cidade TDM em torno de 2,1 Ga, e um εNd(t) calculado a 0,6 Ga, de Pereiro (CE) e outra na região do município de da ordem de -17,2, o que significa uma fonte crustal São Miguel (RN), ambas apresentaram TDM muito ou com alta contaminação crustal. próximos e de idade arqueana, com um εNd (t = 0,6 Foram realizadas ainda análises Sm-Nd Ga) também fortemente negativo, evidenciando forte para uma rocha básica-ultrabásica homogênea e influência crustal para estes granitos. Interessante isotrópica, sem orientação dos minerais, em forma de notar que, tal como os dados U-Pb, estes resultados um “dique” com centenas de metros de comprimento são similares aos apresentados por Magini (2001) e e localizado a Norte do Município de São Miguel Magini et al. (2008), corroborando idades-modelo (RN). Esta forneceu resultados (Tabela 5.2, CPM- arqueana para estes granitos e paleoproterozoica 121) com valores anomalamente elevados da razão para os dioritos além de suas fontes assinaturas 143Nd/144Nd, a qual solicitamos a repetição da análise crustais. pelas implicações possíveis destes resultados. 82 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 83 Tabela 5.1– Análises isotópicas U-Pb em zircões do augen gnaisse do Complexo Jaguaretama -TFM-13(Aflora:LU-0010) Idade aparente Zircão f(206)% Th/U 6/4 ratio 7/6 ratio 1s(%) 7/5 ratio 1s(%) 6/8 ratio 1s(%) Rho 7/6 age 1s(%) 7/5 age 1s(%) 6/8 age 1s(%) Conc (%) 016 Z08 0,03 0,15 70466 0,13565 0,4 6,5927 1,4 0,35250 1,4 0,96 2172,3 6,8 2058,4 12,7 1946,5 23,3 89,60 024 Z14 0,08 0,34 19005 0,13817 0,7 6,8504 1,2 0,35960 1,0 0,90 2204,3 12,9 2092,3 10,8 1980,3 16,5 89,83 030 Z18 0,67 0,33 2259 0,13737 1,2 6,9056 2,0 0,36459 1,6 0,92 2194,3 21,3 2099,4 17,5 2003,9 26,9 91,32 027 Z15 0,08 0,20 19399 0,14134 0,4 6,9643 1,2 0,35736 1,1 0,95 2243,7 6,3 2106,9 10,3 1969,6 18,8 87,78 011 Z05 0,10 0,18 15856 0,13947 0,3 6,9692 1,1 0,36240 1,1 0,96 2220,7 5,2 2107,5 9,9 1993,6 18,5 89,77 028 Z16 0,59 0,20 1934 0,13598 0,4 6,9748 1,0 0,37201 0,9 0,91 2176,6 6,8 2108,2 8,8 2038,9 16,0 93,67 048 Z28 0,02 0,21 83740 0,13725 0,5 6,9963 1,4 0,36970 1,2 0,96 2192,8 9,1 2111,0 11,9 2028,0 21,7 92,48 047 Z27 0,12 0,37 12320 0,13895 0,6 7,0680 1,4 0,36891 1,2 0,90 2214,2 9,9 2120,0 12,0 2024,3 21,4 91,42 040 Z22 0,14 0,33 21275 0,13478 0,6 7,1311 1,3 0,38373 1,1 0,88 2161,2 10,2 2127,9 11,4 2093,7 20,5 96,88 042 Z24 0,03 0,34 49407 0,13543 0,8 7,2304 1,1 0,38721 0,7 0,81 2169,6 13,5 2140,3 9,5 2109,9 13,1 97,25 017 Z09 0,08 0,14 18530 0,13779 0,7 7,2649 1,5 0,38238 1,4 0,89 2199,7 11,5 2144,5 13,4 2087,4 24,2 94,90 022 Z12 0,02 0,19 55590 0,13524 0,5 7,3490 1,7 0,39412 1,6 0,95 2167,1 9,0 2154,8 14,9 2141,9 29,1 98,84 029 Z17 0,03 0,41 44273 0,13810 0,3 7,3803 1,4 0,38759 1,4 0,97 2203,5 5,8 2158,6 12,5 2111,6 24,5 95,83 023 Z13 0,02 0,36 66667 0,13641 0,4 7,5791 1,1 0,40296 1,0 0,91 2182,2 7,4 2182,4 9,5 2182,6 18,1 100,02 018 Z10 0,03 0,40 57682 0,13678 0,7 7,7296 1,3 0,40986 1,0 0,88 2186,8 13,0 2200,0 11,5 2214,3 19,3 101,26 015 Z07 0,02 0,30 66596 0,13882 0,4 7,9324 1,5 0,41444 1,4 0,95 2212,5 7,7 2223,4 13,4 2235,2 26,8 101,02 045 Z25 0,01 0,40 106545 0,13805 0,4 7,9571 1,0 0,41803 0,9 0,90 2202,9 7,2 2226,2 8,9 2251,5 17,0 102,2 Programa Geologia do Brasil Figura 5.1 – Diagrama discórdia U-Pb para rochas do Figura 5.2 – Diagrama discórdia U-Pb exibindo zircões augen gnaisse do Complexo Jaguaretama na Folha Pau herdados e neoformados para rochas do Granito Pereiro dos Ferros. Afloramento TFM-13 (Aflora: LU-0010). na Folha Pau dos Ferros. (Aflora: LU-0532). Figura 5.4 – Diagrama εNd versus Tempo para rochas da Folha Pau dos Ferros. Figura 5.3 – Diagrama discórdia U-Pb exibindo zircões neoformados do Granito Pereiro na Folha Pau dos Ferros. (Aflora: LU-0532). 84 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 85 Tabela 5.2 – Análises isotópicas U-Pb em zircões do Granito Pereiro - WS-31 (Afora: LU-0532) Idade aparente Amostra f(206)% Th/U 6/4 ratio 7/6 ratio 1s(%) 7/5 ratio 1s(%) 6/8 ratio 1s(%) Rho 7/6 age 1s(%) 7/5 age 1s(%) 6/8 age 1s(%) Conc (%) Neoproterozoicos 029-Z39 0,04 0,25 45695 0,05668 1,7 0,6318 3,7 0,08084 3,3 0,89 479,1 36,8 497,2 14,4 501,1 15,7 104,60 0 Z24 0,05 0,15 35575 0,05488 1,4 0,6383 2,8 0,08435 2,4 0,87 407,4 31,5 501,2 11,1 522,0 12,2 128,13 033 Z19 0,03 0,16 70707 0,05522 2,5 0,6646 3,7 0,08729 2,8 0,75 421,2 54,8 517,4 15,2 539,5 14,6 128,09 015-Z08 0,07 0,24 25699 0,05840 1,1 0,7185 1,8 0,08923 1,4 0,77 544,9 24,1 549,8 7,5 551,0 7,3 101,12 012-Z07 0,04 0,26 47073 0,05955 1,9 0,7358 2,2 0,08961 1,2 0,75 587,4 40,6 559,9 9,5 553,2 6,2 94,18 011 Z07 0,05 0,17 36120 0,05768 1,1 0,7718 1,7 0,09705 1,2 0,72 517,6 25,1 580,8 7,4 597,1 7,0 115,36 039 Z23 0,05 0,17 39125 0,06048 0,7 0,7770 1,1 0,09317 0,8 0,76 620,8 14,3 583,7 4,8 574,3 4,6 92,50 017-Z31 0,03 0,37 70991 0,05876 0,7 0,7839 1,2 0,09676 0,9 0,76 558,2 15,8 587,7 5,1 595,4 5,1 106,67 042 Z26 0,06 0,06 28976 0,06064 1,5 0,7991 1,6 0,09557 0,8 0,67 626,5 31,6 596,3 7,4 588,4 4,3 93,91 006-Z23 0,03 0,39 56909 0,06043 1,9 0,8013 2,1 0,09617 0,9 0,67 619,0 39,9 597,5 9,4 591,9 5,2 95,62 041 Z25 0,01 0,23 132204 0,05982 0,4 0,8176 0,7 0,09913 0,6 0,77 596,9 8,1 606,7 3,1 609,3 3,2 102,08 Paleoproterozoicos (herança) 018-Z32 0,04 40444 0,10938 2,0 4,6726 2,4 0,30983 1,3 0,77 1789,1 36,3 1762,3 19,9 1739,8 19,7 97,25 022-Z34 0,01 0,48 144157 0,10817 0,4 4,7141 1,2 0,31609 1,1 0,94 1768,8 7,4 1769,8 9,9 1770,6 17,2 100,10 016-Z30 0,01 0,41 240840 0,11019 0,5 4,8733 0,9 0,32076 0,8 0,86 1802,6 8,2 1797,7 7,8 1793,4 12,8 99,49 024-Z36 0,01 0,46 148980 0,10978 0,6 5,1739 1,1 0,34183 1,0 0,92 1795,7 10,8 1848,3 9,8 1895,5 16,2 105,56 009-Z19 0,03 0,64 58949 0,09791 0,9 2,8449 2,8 0,21074 2,6 0,94 1584,6 17,5 1367,5 20,5 1232,8 29,0 77,80 003-Z26 0,02 0,36 79376 0,10760 0,7 3,6017 2,3 0,24276 2,1 0,95 1759,2 13,2 1549,9 17,8 1401,0 26,9 79,64 011-Z14 0,16 0,48 10169 0,10197 2,2 3,8118 3,8 0,27111 3,0 0,81 1660,3 40,0 1595,2 29,8 1546,4 41,9 93,14 047 Z29 0,03 0,460,39 67159 0,09621 0,6 2,4780 1,3 0,18680 1,1 0,85 1551,8 12,0 1265,6 9,1 1104,0 11,1 71,14 004 Z02 0,02 0,36 97733 0,09728 0,8 2,8047 2,3 0,20910 2,1 0,93 1572,7 15,8 1356,8 17,2 1224,0 23,8 77,83 006 Z04 0,09 0,38 18116 0,09531 1,9 2,9211 2,7 0,22227 1,9 0,77 1534,3 36,2 1387,4 20,3 1293,9 21,9 84,33 034 Z20 0,38 0,22 3733 0,10525 1,4 3,4653 3,2 0,23878 2,8 0,90 1718,7 25,6 1519,3 25,0 1380,4 35,4 80,31 022 Z13 0,04 0,34 41116 0,10237 0,7 3,7695 1,6 0,26706 1,4 0,89 1667,6 13,7 1586,3 13,0 1525,8 19,6 91,50 009 Z05 0,19 0,34 8367 0,10412 0,7 3,7820 1,4 0,26344 1,2 0,85 1698,9 13,3 1588,9 11,3 1507,4 16,3 88,73 029 Z18 0,04 0,44 41989 0,10761 0,7 4,0538 2,0 0,27321 1,9 0,94 1759,4 12,0 1645,1 16,2 1557,1 26,0 88,50 024 Z14 0,04 0,32 38897 0,10747 0,4 4,7233 1,3 0,31876 1,2 0,95 1756,9 6,9 1771,4 10,8 1783,7 19,1 101,53 016 Z09 0,03 0,27 76576 0,10894 0,4 4,7307 1,1 0,31495 1,1 0,93 1781,7 7,4 1772,7 9,5 1765,0 16,3 99,06 017 Z10 0,03 0,43 51300 0,10885 0,5 5,0150 1,0 0,33414 0,9 0,87 1780,3 8,9 1821,9 8,7 1858,4 14,7 104,38 010 Z06 0,07 0,41 27584 0,10680 0,9 5,0701 1,5 0,34429 1,2 0,79 1745,6 16,3 1831,1 12,5 1907,3 19,5 109,26 Programa Geologia do Brasil 86 Tabela 5.3 – Análises isotópicas Sm-Nd (RT) do embasamento Jaguaretama e dos granitos e dioritos neoproterozoicos Unidades Número 143 144 147 144 Nd/ Nd TDM Campo Sm(ppm) Nd(ppm) Sm/ Nd (± 2S) eNd (0) eNd (t) (Ga) Idade U-Pb (Ga) Coordenadas Complexo Jaguaretama CPM 67(LU-0286) 5,546 32,397 0,1035 0,511211±2 -27,84 -1,62 2,53 (2,19) 9223300N 585236E Granito Pereiro (Pereiro) WS 31(LU-0532) 9,478 49,647 0,1154 0,511411±5 -23,94 -17,19 2,52 0,6 9331060N 560482E Granito Pereiro WC 83 9322666N (São Miguel) (LU-0479) 4,029 22,118 0,1101 0,511256±19 -26,95 -20,57 2,62 0,6 565543E Diorito CPM 128-2 9328386N (Dr. Severiano) (LU-0347) 7,806 51,031 0,0925 0,511362±2 -24,89 -17,19 2,10 0,6 568651E Básica-UB CPM 121 13,274 69,308 0,1158 0,513718±7 21,08 +27,10 - - 9322105N(São Miguel) (LU-0340) 555649E Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 6 — RECURSOS MINERAIS 6.1 - INTRODUÇÃO associados às injeções pegmatíticas ao longo da ZCPA, e não aos diques de mataultramáficas supracitados. Este capítulo foi elaborado com os dados Os corpos ou faixas mineralizadas ocupam com obtidos em visitas a algumas ocorrências minerais mais frequência na região entre a comunidade na Folha Pau dos Ferros. A extrapolação da Panati e a sede municipal de Paraná/RN, onde os representação dessas ocorrências para toda a principais corpos apresentam espessura entre 2 a 5 Folha se deve pela associação destas ocorrências m e comprimento entre 10 a 80 m. Foi observada a com as litologias da área mapeada. O potencial ocorrência de dravita nestes corpos esmeraldíferos. mineral, aqui abordado, foi elaborado a partir das A banda metalogenética esmeraldífera de ocorrências cadastradas pela CPRM, pelos dados de Cacimbinha - Melancias ocorre a ENE da sede requerimento de divulgados pelo DNPM e também municipal de Riacho de Santana (RN), se estendendo pelas informações das ocorrências visitadas. com trend NE, até a comunidade Tabuleiro Grande. 6.2 - CLASSIFICAÇÃO METALOGENÉTICA Nesta banda a mineralização também ocorre nos biotititos, flogopititos e tremolititos cisalhados por Segundo França & Rocha (2005), a Folha uma provável zona de cisalhamento cronocorrelata Pau dos Ferros ocorre no Distrito metalogenético à ZCPA. Não foram visitados recursos minerais de Nordeste Setentrional e no Setor metalogenético esmeralda nesta banda, mas apenas ocorrências Encanto - São Miguel. Tal Distrito Metalogenético de pegmatitos mineralizados em água marinha ocorre em três subunidades, a área metalogenética com esmeralda subordinada, além de ocorrências de água marinha de Tenente Ananias e as bandas de ametista e caulim, mostrando que esta banda metalogenética esmeraldíferas de Paraná- metalogenética pode também representar uma Marcelino Vieira-Francisco Dantas e Cacimbinha região pegmatítica importante para os recursos - Melancias (Figura 6.1). Entende-se aqui por minerais da região, podendo ser prolongada no bandas e áreas metalogenéticas níveis e horizontes sentido SW de Riacho de Santana, onde há ocorrência dentro de uma faixa metalogenética com o mesmo de ametista e berilo/água marinha. quimismo e mesmo estilo estrutural, sendo uma O setor metalogenético de Encanto - São faixa metalogenética definida informalmente Miguel é interpretado como um setor propenso a para delimitar uma região onde o seu controle é mineralização de ouro devido à ocorrência na mina litológico e sua distribuição obedece às sinuosidades do Cabelo (desativada), na região de Encanto/RN, estruturais dos horizontes litológicos controladores associada aos quartzitos tectônicos. Estes quartzitos da mineralização. se estendem por faixas continuas com trend geral A área metalogenética de água marinha de NE-SW, associando-se às zonas de cisalhamento e Tenente Ananias ocupa uma faixa de 2 km por 12 através das quais os processos tectono-hidrotermais km, com um trend NE-SW a N da sede municipal de favoreceram as mineralizações de ouro, seguindo um Tenente Ananias/RN. As ocorrências de água marinha modelo semelhante aos depósitos de São Fernando estão associadas aos corpos pegmatíticos tabulares e São Francisco na Faixa Seridó. encaixados em gnaisses do Complexo Caicó bandado 6.3 - OCORRÊNCIAS MINERAIS muitas vezes milonitizados. Estes pegmatitos são constituídos por quartzo, feldspato, amazonita, Atualmente existem também 42 processos muscovita, biotita, berilo e granada, podendo ser de minérios na Folha Pau dos Ferros em fases de utilizados como subprodutos. requerimento de pesquisa (7 processos), autorização A banda metalogenética esmeraldífera de de pesquisa (29 processos), requerimento de Paraná - Marcelino Vieira – Francisco Dantas se licenciamento (1 processo), licenciamento (3 distribui a E de Major Sales e José de Penha, com processos) e requerimento de lavra (2 processos) um trend NNE-SSW. Segundo França & Rocha (2005) ocupando uma área de 54.279,51 ha, totalizando esta banda é definida por uma camada de prováveis quase 20% da área total da Folha Pau dos Ferros. diques de metaultramáfica, milonitizada pela ZCPA. Estes processos estão requeridos para as substâncias Estes diques ocorrem encaixados nos gnaisses do de ouro, ferro, berilo, cascalho, minério de tântalo, Complexo Caicó. Estas metaultramáficas são pouco argila para cerâmica vermelha, granito para brita, prováveis, não sendo encontradas pelos autores granito para revestimento, manganês, cassiterita e deste relatório. A mineralização de esmeralda ocorre scheelita (Figura 6.2; Tabela 6.1). Nessa Folha são nos biotititos, flogopititos e tremolititos, sendo mais conhecidas 46 (quarenta e seis) ocorrências minerais provável ser produto final do processo tectono- cadastradas pela CPRM e 20 (vinte) novas sendo ora hidrotermal afetando os gnaisses e anfibolitos apresentadas no final deste capítulo (Tabela 6.2). 87 Programa Geologia do Brasil Figura 6.1 – Mapa com áreas metalogenética na Folha Pau dos Ferros, mostrando as ocorrências minerais cadastradas pela CPRM e as áreas visitadas e requeridas no DNPM (julho/2013). Bandas metalogenéticas compilada de França & Rocha (2005). As ocorrências visitadas e cadastradas pelos garimpos da Mangabeira II, do Jorge, Recanto destacam vários setores minerais na Folha Pau dos da Ema, sítio Jerimum e Imbé, onde as três últimas Ferros. As gemas é o setor com maior potencial encontram-se fora da área metalogenética de água mineral na região. Na área estudada encontram-se marinha de Tenente Ananias. Eram todos garimpos três unidades metalogenéticas de gemas preciosas inativos quando visitados (Figura 6.3 a, b). bem definidas, já descritas acima, duas com O garimpo da Mangabeira II é um pegmatito ocorrência de esmeralda e a outra com ocorrência com 20 a 40 m de espessura e direção 30ºAz (Figura de água marinha. Todas as três com vários 6.3a), encaixado em ortognaisse granítico a tonalítico subprodutos associados. Foram descritos também do Complexo Caicó, com algumas porções exibindo ocorrências de ametista e água marinha fora da estrutura milonítica. Além da mineralização de água sua área metalogenética. O setor de metais merece marinha, foi observado a presença de amazonita, destaque pela ocorrência de quartzitos e em feldspato, muscovita, biotita e berilo, que podem ser menor proporção os xistos tectônicos propensos utilizados como subprodutos. a mineralização de ouro, definindo o setor metalogenético Encanto - São Miguel. O setor de O garimpo do Jorge é um pegmatito com 30 rocha ornamental, também pode se destacar, pelos m de largura e 50 m de comprimento, encaixado em corpos pegmatíticos, rochas gnáissicas e batólitos biotita ortognaisses com textura augen. Neste corpo graníticos, além dos quartzitos para revestimento. há a presença de amazonita e zonas com muscovitas Outro setor importante para os recursos minerais da aproveitáveis como subproduto. Folha é o dos minerais industriais com ocorrências O garimpo do Recanto da Ema é um pegmatito de feldspato, sendo o caulim em menor proporção que ocorre a E da ZCPA, com espessura aproximada de nos corpos de pegmatitos, além de paralelepípedos 14 m, direção E-W, encaixados em biotita ortognaisse para pavimentação, brita, areia para construção granítico do Complexo Jaguaretama. Neste garimpo civil e argila para cerâmica vermelha. a mineralização se resume basicamente a ocorrência da água marinha. 6.3.1 - Água Marinha O garimpo do sítio Jerimum é um pegmatito com entorno de 3 m de espessura, encaixado em Foram visitados algumas ocorrências minerais ortognaisse granítico do Complexo Jaguaretama, de água marinha na região, sendo representadas onde a mineralização de água marinha ocorre 88 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros Figura 6.2 – Mapa de distribuição das áreas dos recursos minerais registradas no DNPM até julho de 2013. associado a granada e berilo. Este pegmatito também de feldspatos com textura augen, sombra de pressão e se localiza a E da ZCPA. cauda de recristalização que denotam um metamorfismo O garimpo do Imbé está localizado próximo a dinâmico atuante nas transformações destas rochas. comunidade com nome homônimo, a NW da sede Nota-se ainda um aumento da concentração de veios municipal de Luís Gomes/RN. Este garimpo ocorre de quartzo e diques/soleiras pegmatíticos, centimétricos num corpo de pegmatito, com cerca de 10 m de próximo as zonas mineralizadas, definindo uma faixa de espessura, encaixado num ortognaisse milonítico intensa atividade tectono-hidrotermal crono-correlata a da suíte Serra do Deserto (Figura 6.3b). Neste ZCPA. Além da mineralização de esmeralda, foi observada pegmatito ocorre a mineralização de água marinha a presença de dravita. com esmeralda subordinada. O garimpo Aroeira se localiza no sítio homônimo, correspondendo a uma antiga exploração 6.3.2 - Esmeralda de esmeralda encaixada em biotita gnaisse com faixas biotíticas decorrente da atividade tectono- Foram visitados 4 (quatro) ocorrências de hidrotermal, através das quais se distribuem as esmeralda na Folha Pau dos Ferros. Uma destas mineralizações de esmeralda. ocorrências possui esmeralda subordinada no garimpo de Imbé, acima descrito. As outras 3 (três) O garimpo Panati ocorre a E da comunidade são os garimpos Pitombeira, Aroeira e Panati, homônima, a N da sede municipal de Paraná. É dispostas na banda metalogenética esmeraldífera de representado por cavas com cerca de 3 x 3 m, com Paraná - Marcelino Vieira - Francisco Dantas. Eram algumas atingindo 8 m de profundidade (LU-0205). todos garimpos inativos quando visitados. São escavados em estreitas faixas de biotititos mineralizados com esmeralda (Figura 6.4b). Estes O garimpo Pitombeira se localiza a E do açude biotititos apresentam granulometria grossa e estão homônimo e é composto por corpos métricos de encaixados em ortognaisses graníticos miloníticos biotititos variando para biotita xistos miloníticos (tectono- com foliação anastamosada. Nota-se ainda estruturas hidrotermais) encaixados nos ortognaisses graníticos do S-C e microdobramentos tanto nos biotititos como Complexo Caicó (indiviso), verticalizados e com direção nas encaixantes cronocorrelatos à ZCPA. Associado 20º Az (Figura 6.4a). Observa-se nesses biotititos e biotita aos biotititos encontram-se corpos de pegmatitos xistos miloníticos mineralizados com esmeralda, cristais ambos submetidos ao metamorfismo dinâmico. 89 Programa Geologia do Brasil Tabela 6.1 – Relação dos processos registrados no DNPM até julho de 2013. PROCESSO ÁREA (ha) FASE do PROCESSO NOME DO INTERESSADO SUBSTÂNCIA 848617/2007 1761,7 Autorização de Pesquisa Mineração Gama Ltda Minério de Ouro 848468/2007 1997,96 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848536/2008 1996,18 Autorização de Pesquisa Vtech Empreendimentos Minerais Ltda Minério de Ferro 848419/2008 1000 Autorização de Pesquisa Mineração Limeira Comércio, Exportação e Importação Ltda Minério de Tântalo 848199/2008 939,98 Autorização de Pesquisa Roberto Gonçalves Millah Minério de Tântalo 848420/2008 1000 Autorização de Pesquisa Mineração Limeira Comércio, Exportação e Importação Ltda Minério de Tântalo 848537/2008 1995,49 Autorização de Pesquisa Vtech Empreendimentos Minerais Ltda Minério de Ferro 848541/2008 1649,63 Autorização de Pesquisa Vtech Empreendimentos Minerais Ltda Minério de Ferro 848543/2008 1646,54 Autorização de Pesquisa Vtech Empreendimentos Minerais Ltda Minério de Ferro 848532/2008 1800,01 Autorização de Pesquisa Cerro América Pesquisa e Mineração Ltda Minério de Ouro 848542/2008 1995,43 Autorização de Pesquisa Vtech Empreendimentos Minerais Ltda Minério de Ferro 848077/2010 1943,85 Autorização de Pesquisa Arão Silva de Paiva Minério de Berílio 848535/2008 1997,97 Autorização de Pesquisa Vtech Empreendimentos Minerais Ltda Minério de Ferro 848106/2010 143,8 Autorização de Pesquisa Arão Silva de Paiva Minério de Berílio 848470/2010 933,58 Autorização de Pesquisa Arão Silva de Paiva Minério de Berílio 848588/2007 322,19 Autorização de Pesquisa Roberto Gonçalves Millah Minério de Tântalo 848240/2004 380,37 Autorização de Pesquisa Maria Auxiliadora Pinto Lopes Berilo 848567/2010 1999,83 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848765/2010 322,18 Autorização de Pesquisa Vilenice Oliveira Campos da Silva Minério de Manganês 848564/2010 1997,54 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848569/2010 1997,53 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848565/2010 1957,46 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848568/2010 1998,57 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848563/2010 1748,95 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848566/2010 1994,79 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848562/2010 1322,07 Autorização de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848476/2010 1973,13 Autorização de Pesquisa Blue Hill Empreendimentos Minerais Ltda Minério de Ferro 800144/2011 875,52 Autorização de Pesquisa Cerro América Pesquisa e Mineração Ltda Minério de Ouro 848180/2012 39,68 Autorização de Pesquisa Freitas e Chaves Ltda Cascalho 848040/2009 24,98 Licenciamento M. M. dos Santos Cerâmica Vierense Argila 848106/2009 48,49 Licenciamento EIT - Empresa Industrial Técnica S.A. Granito 848449/2010 35,02 Licenciamento Freitas e Chaves Ltda Granito 848082/1998 963,84 Requerimento de Lavra MPV-Mineração Pedra Viva Ltda Cassiterita 846306/2005 799,99 Requerimento de Lavra Granistone S A Granito 848398/2012 48,65 Requerimento de Licenciamento Raimundo Filho Conrado Fontes Areia 848271/2010 1935,9 Requerimento de Pesquisa Mineradora Minerva Ltda. Minério de Ouro 848587/2011 1657,96 Requerimento de Pesquisa Mineração Limeira Comércio, Exportação e Importação Ltda Minério de Ouro 848110/2013 1974,28 Requerimento de Pesquisa Mineração Limeira Comércio, Exportação e Importação Ltda Scheelita 848008/2013 227 Requerimento de Pesquisa Mineração Limeira Comércio, Exportação e Importação Ltda Berílio 848058/2013 1846,54 Requerimento de Pesquisa Mineração Limeira Comércio, Exportação e Importação Ltda Scheelita 846457/2012 994,03 Requerimento de Pesquisa Vulcano Export Calcários Ltda. Me Granito 848168/2012 1990,9 Requerimento de Pesquisa Xisto Andrade de Oliveira Júnior Minério de Ferro Área total 54.279,51ha 6.3.3 - Ametista localidade Serra das Almas. Este projeto indica que essa associação de rochas miloníticas encontradas a W da Foi visitada uma pequena ocorrência de Folha Pau dos Ferros mostra um bom potencial aurífero. ametista a N da sede municipal de Luís Gomes/RN. A mina do Cabelo está localizada na serra do Cantinho, Esta ocorrência localiza-se no sítio Catingueira (Figura a NNW da sede municipal de Encanto/RN. Esta mina 6.5), município de Luís Gomes/RN. A mineralização abandonada consiste em cavas de ca. 3 x 3 m (Figura de ametista ocorre em pegmatitos cataclasados com 6.6a), onde a mineralização de ouro é secundária, direção 10º Az, associada a veios de quartzo. ocorrendo na encosta da serra em depósitos coluviais em blocos e matacões de muscovita quartzitos 6.3.4 - Ouro miloníticos, muscovita ortognaisses miloníticos Serra do Deserto, além de pequenos fragmentos de anfibolito Foi visitada uma ocorrência de ouro a NE da encontrados por garimpeiros (Angelim, 1983). O Projeto sede municipal de Encanto/RN, a mina do Cabelo. Esta Encanto, segundo este autor, analisou estas rochas e ocorrência foi o principal objetivo de estudo do Projeto sugeriu que este depósito de ouro é provavelmente Encanto (Paiva et al, 1988). Pesquisou-se ainda, neste uma alteração supergênica de corpos anfibolíticos, projeto, prováveis mineralizações auríferas associadas devido a anomalias de Au e As encontradas neste tipo as rochas miloníticas, onde esse estudo identificou de rocha. O ouro ocorre em forma de minúsculos grãos a presença de ouro nas rochas miloníticas da região, dispersos no solo coluvial de coloração avermelhada mais especificamente nos quartzitos miloníticos na com matriz areno-siltosa (Figura 6.6b). 90 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B Figura 6.3 – Garimpos de água marinha em pegmatitos de (a) Mangabeira II (GEOBANK - 49222, Tabela 6.2) e (b) do Imbé (afloramento LU-0606). A B Figura 6.4 – Garimpos de esmeralda associados a (a) biotita ortognaisse milonítico do garimpo Pitombeira II (GEOBANK - 49300, Tabela 6.2) e a (b) biotititos com injeções de pegmatitos no garimpo Panati (afloramento LU-205). 6.3.5 - Rocha ornamental As duas possíveis ocorrências foram selecionadas tanto pela sua beleza estética, como pelo seu caráter exótico. Destacamos também a intensa ocorrência de pegmatitos mineralizados e não mineralizados na área estudada que, dependendo das estruturas e homogeneidade da rocha, possam se destacar como um bom produto ornamental. A primeira ocorrência localiza-se a N da sede municipal de Luís Gomes (RN), sendo representada por um lajedo de ortognaisse do Complexo Caicó encaixado como um megaxenólito no batólito de Luís Gomes (Figura 6.7a). Este ortognaisse ocorre numa área de 200 x 30 m, de forma homogênea. A segunda ocorrência localiza-se a S da sede municipal de Alexandria (RN), sendo representado por um corpo Figura 6.5 – Drusa de ametista em pegmatito do garimpo granítico porfirítico da suíte intrusiva Itaporanga no sítio Catingueira, município de Luiz Gomes (RN), (Figura 6.7b). Este corpo em destaque pode ser afloramento no. 61, Nova (Tabela 6.2). interessante para o setor de rocha ornamental, devido à estrutura de fluxo formada tanto pelos fenocristais de microclina como pela matriz máfica 91 Programa Geologia do Brasil negro-esverdeada composta por anfibólio e biotita. como paralelepípedos e brita. A areia é outro agregado Ocorrem em lajedos com 50 X 20 m de extensão. para construção civil explorado e utilizado na própria Neste contexto, certamente o conjunto dos corpos região. Esta substância é facilmente encontrada em graníticos brasilianos, além dos ortognaisses augen depósitos aluviais antigos e recentes. Foram visitadas da suíte Poço da Cruz constitui excelente alvo no algumas ocorrências destes agregados. Uma pequena domínio das rochas ornamentais. ocorrência de exploração de paralelepípedos foi visitada a E da sede municipal de Poço Dantas/ 6.3.6 - Feldspato e caulim PB, em ortognaisses granítico cinza do Complexo Jaguaretama (LU-0057), numa cava simples da ordem Nas ocorrências de água marinha, o feldspato de 3 x 5 m (Figura 6.8a). A exploração é realizada de pode ser utilizado como subproduto. A exploração forma simples, manual e esporádica, dependendo da deste subproduto é importante para sustentar as necessidade local em obter aquele agregado. mineralizações de gemas, pois estas costumam intercalar períodos de boa e má produção. A No sítio São José, a NE de Marcelino Vieira/RN, exploração de feldspatos associado a outros foi visitado uma frente de lavra, onde se explora brita subprodutos como berilo e mica (muscovita e/ou de um ortognaisse porfiroblástico augen do Complexo biotita) destes corpos teriam o objetivo de manter a Jaguaretama. Esta frente de lavra apresenta 40 m de exploração destes corpos, principalmente durante os largura por 20 m de altura (Figura 6.8b). períodos de baixa produção de gemas. A NE da sede municipal de Rafael Fernandes Alguns pegmatitos apresentam alteração ocorre uma exploração de areia para construção hidrotermal dos feldspatos produzindo caulinita, civil. Esta exploração ocupa uma área de 300 x 200 comercialmente denominado de caulim. m, com cerca de 3 m de espessura. A areia é mal selecionada, com granulometria variando de fina a No Sítio Pau, localizado a SW da sede municipal de grossa, coloração cinza clara, composta basicamente Riacho de Santana (RN), aflora um corpo de pegmatito por quartzo e feldspatos angulosos. com 5 m de espessura e 30 m de comprimento, intemperizado, fortemente fraturado e com direção 6.3.8 - Argila para cerâmica vermelha 25º Az. Este pegmatito está encaixado nos ortognaisses graníticos da suíte Serra do Deserto, intensamente Na Folha Pau dos Ferros ocorrem algumas milonitizados, associado a milonitos e ultramilonitos cerâmicas que produzem tijolos vermelhos. Estas quartzíticos, por vezes com feição bandada. Este cerâmicas exploram argila de lagoas nos períodos pegmatito instalou-se numa zona de fraqueza, o qual de estiagem e em depósitos aluviais antigos, quando foi submetido à cataclase. Esses eventos favoreceram argilosos. Foram visitadas apenas duas cerâmicas, a percolação de água contribuindo para a alteração dos sendo a cerâmica Vieirense a primeira visitada, feldspatos, produzindo caulim. localizando-se em Marcelino Vieira/RN. O local de exploração ocorre a NE de Marcelino Vieira (RN) 6.3.7 - Agregados para construção civil numa área de 100 x 100 m, com entorno de 2,0m de espessura (Figura 6.9). A segunda cerâmica visitada é As rochas metaígneas dos complexos a cerâmica Picos, situando-se na Vila Mata, município Jaguaretama e Caicó e os corpos graníticos das suítes de Tenente Ananias (RN). O local de exploração se brasilianas são alvos propícios para exploração de encontra na Fazenda João Batista Vieira, em um agregados destinados a construção civil da região, tais açude a 9 km de Tenente Ananias. A B Figura 6.6 – Mina do Cabelo caracterizando (a) cava em colúvio avermelhado e (b) material coluvial retirado e explorado pelo garimpo na encosta da serra do Cantinho, NNW de Encanto, Afloramento GEOBANK no. 51020 (Tabela 6.2). 92 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros A B Figura 6.7 – Mostra rochas propícias para exploração de rocha ornamental representada por (a) leucognaisse do Complexo Jaguaretama, a norte de Luiz Gomes (RN), e por (b) metagranito porfirítico da suíte Itaporanga com forte estrutura de fluxo, a sul de Alexandria (RN). A B Figura 6.8 – Exploração de agregados para construção civil. (a) Pequena cava onde se explora pedras de calçamento no afloramento LU-0057, comunidade Assentamento, município de Poço Dantas (PB). (b) Frente de lavra em ortognaisse de exploração brita no sítio São José, próximo a Marcelino Vieira (RN), Afloramento no. 55, Nova (Tabela 6.2). Figura 6.9 – Área de exploração de argila para a cerâmica Vieirense, localizada na Fazenda João Batista Vieira, próximo a Marcelino Vieira (RN). Afloramento no. 56, Nova (Tabela 6.2). 93 Programa Geologia do Brasil 94 Tabela 6.2 – Recursos minerais da Folha Pau dos Ferros. NÚM. GEOBANK TOPONIMIA MUNICIPIO UF LATITUDE LONGITUDE SUBSTÂNCIA SIGLA STATUS ECON. SITUAÇÃO CLASSE de UTILID. 1 49200 Sitio Baixio Luiz Gomes RN -6,43833333 -38,36138889 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 2 49182 Garimpo do Doutor Major Sales RN -6,41277778 -38,33944444 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 3 21095 Sítio Pau Riacho de Santana RN -6,26666667 -38,36666667 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 4 49181 Sítio Mata da Onâa Riacho de Santana RN -6,28250000 -38,36583333 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 5 21094 Garimpo Talhado Tenente Ananias RN -6,42861111 -38,17250000 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 6 49201 Garimpo Lagoa Tenente Ananias RN -6,35972222 -38,11277778 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 7 49202 Garimpo do Jorge Tenente Ananias RN -6,38638889 -38,12750000 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 8 49203 Garimpo Zezinho Tenente Ananias RN -6,38638889 -38,12777778 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 9 49204 Garimpo dos Sete Tenente Herdeiros Ananias RN -6,39166667 -38,13833333 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 10 49205 Garimpo Ananias Tenente Ananias RN -6,39666667 -38,13194444 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 11 49220 Garimpo Antônio Tenente Joaquim Ananias RN -6,39916667 -38,13611110 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 12 49221 garimpo Jerimum Tenente Ananias RN -6,41833333 -38,13555556 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 13 49222 Garimpo Tenente Mangabeira II Ananias RN -6,41805556 -38,15638889 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 14 49240 Garimpo Tenente Mangabeira I Ananias RN -6,42222222 -38,15888889 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 15 49241 Garimpo dos Tenente Galdinos Ananias RN -6,40972222 -38,15277778 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 16 49242 Garimpo da Divisa Tenente Ananias RN -6,42472222 -38,16166667 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 17 49243 Garimpo Mina Tenente Velha Ananias RN -6,42722222 -38,16611111 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 18 49244 Garimpo Cedro Sul Tenente Ananias RN -6,43333333 -38,17722222 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 19 49245 Garimpo Nova Tenente Descoberta Ananias RN -6,42972222 -38,16722222 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 20 49260 Garimpo do Talhado Tenente Ananias RN -6,42972222 -38,17277778 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 21 49261 Garimpo Rabo Tenente Gordo Ananias RN -6,43305556 -38,16611111 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 22 49262 Garimpo Mina do Tenente Meio Ananias RN -6,42888889 -38,16611111 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 23 49263 Cedro do Norte Tenente Ananias RN -6,42861111 -38,17722222 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 95 Tabela 6.2 – Recursos minerais da Folha Pau dos Ferros. (continuação) NÚM. GEOBANK TOPONIMIA MUNICIPIO UF LATITUDE LONGITUDE SUBSTÂNCIA SIGLA STATUS ECON. SITUAÇÃO CLASSE de UTILID. 24 49264 Garimpo Farias Tenente Ananias RN -6,45166667 -38,16166667 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 25 49403 Sítio Baliza PILÕES RN -6,29250000 -38,02138889 Ametista amt Garimpo Inativo Gemas 26 49405 Sítio Carnaubinha Tenente Ananias RN -6,45472222 -38,11972222 Ametista amt Garimpo Inativo Gemas 27 49406 Sítio Bezerros Tenente Ananias RN -6,46861111 -38,11277778 Ametista amt Garimpo Inativo Gemas 28 51020 Mina do Cabelo ENCANTO RN -6,08140000 -38,32580000 Au Au Garimpo Inativo Metais nobres 29 50379 Catolezeiro AGUA NOVA RN -6,20388889 -38,33888889 Ba Ba Não explotado 30 50674 Sítio São José Marcelino Vieira RN -6,26722222 -38,18055556 Brita bt Mina Inativo Const. civil 31 21628 Sítio Pau Riacho de Santana RN -6,26666667 -38,33333333 Calcário cc Não explotado 32 49303 Cidade Marcelino Marcelino Vieira Vieira RN -6,29694444 -38,16694444 Esmeralda esm Não explotado Gemas NÚM. GEOBANK TOPONIMIA MUNICIPIO UF LATITUDE LONGITUDE SUBSTÂNCIA SIGLA STATUS SITUAÇÃO CLASSE de ECONOM. UTILID. 34 21226 Sítio Pitombeira IV Paraná RN -6,41666667 -38,26666667 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 35 49280 Sítio Pitombeira I Paraná RN -6,42555556 -38,26194444 Esmeralda esm Não explotado Inativo Gemas 36 49281 Garimpo Pitombeira III Paraná RN -6,42805556 -38,26611111 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 37 49300 Sítio Pitombeira II Paraná RN -6,43194444 -38,26888889 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 38 49307 Garimpo Sítio Aroeira Paraná RN -6,41583333 -38,25888889 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 39 51188 Carnaubinha Paraná RN -6,44386944 -38,26645000 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 40 49302 Sítio Cacimbas Rafael Fernandes RN -6,18000000 -38,17166667 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas Fazenda 41 49305 Albuquerque de Tenente Ananias RN -6,38916667 -38,21861111 Esmeralda esm Não Fora explotado Gemas 41 49306 Sítio Barro Seco Tenente Ananias RN -6,40111111 -38,23583333 Esmeralda esm Não explotado Gemas 43 50984 Aroeira Paraná RN -6,40694444 -38,27194444 Feldspato fd Garimpo Inativo Rochas min. Indust. 44 50981 Lagoa I e II Tenente Ananias RN -6,35694444 -38,10888888 Feldspato fd Garimpo Inativo Rochas min. Indust. 45 50982 Alto dos Galdinos Tenente Ananias RN -6,40916667 -38,15194444 Feldspato fd Garimpo Inativo Rochas min. Indust. 46 50983 Alto do Ananias Tenente RN -6,39083333 -38,13194444 Feldspato fd Garimpo Inativo Rochas min. Ananias Indust. Programa Geologia do Brasil 96 Tabela 6.2 – Recursos minerais da Folha Pau dos Ferros. (continuação) NÚM. GEOBANK TOPONIMIA MUNICIPIO UF LATITUDE LONGITUDE SUBSTÂNCIA SIGLA STATUS ECON. SITUAÇÃO CLASSE de UTILID. 47 Nova Comunid. Assentamento Poço Dantas PB -6,43595216 -38,49176051 Paralelepípedo Garimpo Ativo Rochas min. Indust. 48 Nova Sítio Cacimba de Cima Alexandria RN -6,45110054 -38,03306383 Gnaisse gn Garimpo Inativo Rochas min. Indust. 49 Nova Sítio Barros Luiz Gomes RN -6,34036198 -38,35866835 Gnaisse gn Garimpo Inativo Rochas min. Indust. 50 Nova Comunidade Panati Tenente Ananias RN -6,38853444 -38,21795374 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 51 Nova Recanto da Ema José da Penha RN -6,37882095 -38,26806788 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 52 Nova Garimpo Imbé Luiz Gomes RN -6,36349052 -38,45195817 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 53 Nova Sítio Pau Riacho de Santana -6,27909987 -38,34738032 Caulim cau ocorrência Inativo Rochas min. Indust. 54 Nova Sítio Jerimum Marcelino Vieira -6,38332839 -38,24493284 Água-marinha ama Garimpo Inativo Gemas 55 Nova São José Marcelino Rochas min. Vieira -6,28061734 -38,16733980 Argila Arg Mina Ativo Indust. 56 Nova Fazenda João Marcelino Batista Vieira Vieira -6,29871941 -38,10858743 Argila Arg Mina Ativo Rochas min. Indust. 57 Nova Pau Juca Tenente Ananias RN -6,38765 -38,13000088 Água Marinha ama Garimpo Inativo Gemas 58 Nova Boa Vista Paraná RN -6,432514 -38,2688986 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 59 Nova Barro Preto Marcelino Vieira RN -6,383707 -38,24527873 Água Marinha ama Garimpo Inativo Gemas 60 Nova Monte Alegre Luís Gomes RN -6,363869 -38,4523051 Água Marinha ama Garimpo Inativo Gemas 61 Nova Catingueira Luís Gomes RN -6,322484 -38,39385026 Ametista amt Garimpo Inativo Gemas NÚM. GEOBANK TOPONIMIA MUNICIPIO UF LATITUDE LONGITUDE SUBSTÂNCIA SIGLA STATUS SITUAÇÃO CLASSE de ECONOM. UTILID. 62 Nova Boa Vista Paraná RN -6,432144 -38,25673683 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 63 Nova Boa Vista Paraná RN -6,433537 -38,26941257 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 64 Nova Caiçara Paraná RN -6,459914 -38,26360531 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 65 Nova Caiçara Paraná RN -6,453354 -38,26804585 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas 66 Nova Caiçara Paraná RN -6,454926 -38,26671427 Esmeralda esm Garimpo Inativo Gemas Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 7 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 7.1 - CONCLUSÕES O episódio D4 restringe-se a deformação rúptil, sendo representada pelas frequentes fraturas e O estudo realizado na Folha permitiu concluir fendas, por vezes preenchidas por pegmatitos e que as rochas podem ser agrupadas em 7 (sete) aplitos, as quais juntamente com a ZCPA e suas grandes grupos litológicos representados pelo cronocorrelatas, foram reativadas no Mesozoico (1) embasamento riaciano gnáissico-migmatítico (Cretáceo Inferior) gerando rifteamento e formação constituindo os complexos Caicó e Jaguaretama, das Bacias de Rafael Fernandes, Coronel João Pessoa este último com raras lentes de mármore; pelas (2) e Rio do Peixe (Nóbrega et al. 2005). O episódio D5 suítes paleoproterozoicas - graníticas/ortognaisses é marcado excepcionalmente nos sedimentos destas Poço da Cruz (orosiriana a riaciana superior) e Serra bacias, durante o Cenozoico, sendo caracterizado do Deserto (estateriana), além de estreita faixa por fraturamento geralmente subverticais. metassedimentar do Grupo São José (estateriano); Particularmente a ZCPA assume, no contexto pelas (3) suítes neoproterozoicas: diorítica São João geodinâmico, como um importante marcador na do Sabugi, granítica porfirítica Itaporanga, granítica divisão de Terrenos Geológicos, delimitando os equigranular Dona Inês e granítica Catingueira, alem terrenos Rio Piranhas-Seridó a leste, e Jaguaribeano das rochas de falha representada por milonitos a a oeste. Este marcador é registrado tanto nas idades ultramilonitos, quartzitos, metaconglomerados de alguns terrenos que a circundam bem como por e xistos tectônicos expostos principalmente em anomalias geofísicas, justapondo Terrenos Geológicos zonas de cisalhamento entre Poço Dantas (PB) e com diferentes assinaturas geofísicas (Cavalcante et Encanto (RN); pelas (4) sequências de diques de al. 1998, Cavalcante 1999, Campelo 1999). Os dados pegmatitos mineralizados ou não, cambrianos; pelos e estudos aqui apresentados referem-se exatamente (5) sedimentos predominantemente siliciclásticos às regiões a leste e oeste desta zona de cisalhamento. mesozoicos das bacias de Rafael Fernandes, Coronel Os Complexos Jaguaretama e Caicó são gnáissicos e João Pessoa (Formação Pendências) e Rio do Peixe petrograficamente semelhantes, porém no primeiro (Formação Antenor Navarro); e finalmente pelos (6) se destacam algumas lentes de mármores nas arenitos cenozoicos da Formação Serra do Martins regiões de Riacho de Santana (RN) e Poço Dantas e os sedimentos de cobertura, inconsolidados, (PB), enquanto no segundo há frequentes lentes de aluvionares e coluvionares. anfibolitos, com ausência daqueles mármores. Isto Cinco episódios de deformação (D) puderam é mais um argumento para considerar os terrenos ser constatados, dentre os quais três dúcteis e dois Jaguaribeano e Rio Piranhas-Seridó geologicamente rúpteis. Aqueles dúcteis foram acompanhados de diferentes. Adicionalmente, em um afloramento seus respectivos episódios metamórficos (M). Os de ortognaisse sienogranítico com ferrohastingsita dois primeiros D1/M1 e D2/M2 afetaram apenas e biotita do Complexo Jaguaretama situado entre os complexos Caicó e Jaguaretama, em alto grau Poço Dantas e Luis Gomes-RN foi obtido uma metamórfico atingindo a anatexia, sendo assim idade riaciana de U-Pb em zircão de 2193±16 Ma, episódios riacianos. O episódio D3/M3 é fortemente corroborando a não diferença expressiva de idades expressivo sendo responsável pela instalação da ZCPA entre as duas unidades. Análises Sm-Nd forneceram e suas cronocorrelatas, sob regime transpressivo e idades modelos TDM de 2,53 a 2,98 Ga e ɛNd(2,19) de -1,6 encurtamento crustal, as quais promoveram intensas a -7,39, para o Complexo Jaguaretama. Por outro transformações petroquímicas, produzindo proto- a lado, as análises Sm-Nd realizadas neste trabalho ultramilonitos, sendo representados, por exemplo, em ortognaisses do Complexo Caicó exibem idades pelos quartzitos tectônicos gerados principalmente modelo TDM sempre inferiores a 2,5 Ga e ɛNd(2,19) a partir dos ortognaisses Serra do Deserto, sob sempre muito pequeno e negativos, próximos ao condições de fácieis xisto verde a anfibolito CHUR. Estes dados acima são sugestivos de que os durante o Neoproterozoico (orogênese brasiliana). complexos Jaguaretama e Caicó, embora de idades Associado a este episódio é registrado o volumoso similares, sejam terrenos geológicos distintos. magmatismo diorito-granítico representado pelas No que concerne a geocronologia há suítes São João do Sabugi, Itaporanga, Dona Inês um conjunto de dados prévios que caracteriza e Catingueira. Entre os episódios D2/M2 e D3/M os complexos Jaguaretama e Caicó como houve a restrita sedimentação dos biotita gnaisses paleoproterozoicos, onde muitas datações U-Pb e provável vulcanismo máfico – anfibolitos do marcam o Riaciano (2,05-2,25 Ga) como o mais Grupo Serra do Deserto e o expressivo magmatismo importante período na formação destas unidades anorogênico representado pelas intrusões dos (Hackspacher et al., 1990; Fetter et al., 2000; ortognaisses das suítes Poço da Cruz e Serra do Legrand et al., 1991; Van Schmus et al. 1995; Deserto com idades respectiva de ≈2.1 Ga e ≈1.7 Ga. Medeiros et al., 2012), além de Hollanda et al. 97 Programa Geologia do Brasil (2011) que obtiveram uma idade U-Pb sideriana Ambas encontram-se sobre ou muito próximas da de 2,4 Ga em ortognaisses bandados do Complexo curva concórdia, sendo uma concentração com Caicó na região de Santa Luzia/PB, a SE da Folha. idade ca. 1770 Ma, coincidindo com a idade dos Macedo et al. (1984) foram os primeiros a efetuarem ortognaisses augen Serra do Deserto da região datações isotópicas Rb-Sr em rocha total nestas e outra, de 570 Ma, compatível com as idades do rochas no Domínio Rio Piranhas-Seridó e obtiveram magmatismo Ediacarano da região. Esta mesma idades ca. 2,0 Ga, interpretando-as como intrusões distribuição já foi apresentada por Magini (2001) em sintectônicas. Hollanda et al. (2011) dataram augen zircões de outra localidade situada a quilômetros gnaisses G2 obtendo idades U-Pb em zircões em de distância, porém deste mesmo batólito (granito torno de 2,2 Ga em várias localidades, com um único de Pereiro), o qual considerou os pontos a 1,77 Ga corpo fornecendo a idade de 1,74 Ga na região de como idades artefato. Outras datações realizadas Serra Negra/RN. Baseados nestes resultados estes a leste zona de cisalhamento Portalegre, como no autores interpretam que estes augen gnaisses granito ediacarano Quixaba, também mostraram devem pertencer ao magmatismo inerente ao concentrações de zircões a 1,77 Ga, evidenciando Complexo Caicó, magmatismo este que se estendeu forte contribuição do magmatismo estateriano desde o período Riaciano (2,24 Ga) até o período (núcleos herdados) nestas rochas. Não se questiona Estateriano (1,75 Ga), estendendo estas conclusões aqui a idade ediacarana destes granitos, atestada ao Terreno Jaguaribeano, mesmo que todas estas inclusive por outras datações realizadas próximas a análises tenham sido realizadas exclusivamente Folha, tais como os granitos de Umarizal e Tourão, no Terreno Rio Piranhas-Seridó. Neste trabalho caracterizando este intenso magmatismo de 620 os ortognaisses augen, riacianos intrusivos no a 570 Ma, sendo o granito Pereiro um dos mais Complexo Caicó pertencem à suíte Poço da Cruz. jovens da região, seja a leste ou oeste da zona de Um ortognaisse augen próximo e a oeste da cisalhamento Portalegre. Os resultados Sm-Nd em zona de cisalhamento Portalegre a nordeste e fora rocha total desta (granito de Pereiro) mostram do domínio desta Folha, na região de Itaú/RN e no sempre idades-modelo TDM paleoproterozoicas, domínio do Terreno Jaguaribeano (Folha Apodi), dominantemente do Paleoproterozoico inferior, foram realizadas novas datações U-Pb com idade evidenciando fontes possivelmente dos complexos de 1,77 Ga. Na porção W da Folha há uma extensa Jaguaretama e Caicó. Alguns corpos, exatamente faixa de ortognaisses augen, intrusivos no Complexo os que forneceram zircões herdados estaterianos, Jaguaretama, texturalmente similar àquele da região exibiram idades-modelo a 1,8 Ga reforçando de Itaú, porém mais novos que os supracitados (Poço a indicação deste magmatismo na região, que da Cruz) e foram denominados de ortognaisses também serviu como fonte para os granitos augen Serra do Deserto (Cavalcante 1999). Estes ediacaranos. O potencial mineral da Folha Pau dados corroboram as idades já obtidas por Sá (1991), dos Ferros mostra-se promissor nos setores de Sá et al. (1995) e Cavalcante (1999), ressaltando um gemas, ouro, rochas ornamentais e agregados expressivo magmatismo durante o Estateriano no para construção civil, onde somente este último Domínio Jaguaribeano, sendo ainda pontualmente encontra-se em plena atividade envolvendo a evidenciado no Domínio Rio Piranhas-Seridó. Isto produção de telhas, tijolos, brita e paralelepípedos. mostra que há indicações de evolução geológica Assim, a região tem pouca dependência externa de diferenciada temporalmente nestes dois terrenos, materiais para construção civil, pois a maioria dos ora justapostos pela importante ZCPA, sendo por mesmos podem ser encontradas na folha como isto considerada como um importante divisor de paralelepípedos, brita, areia e argila para cerâmica terrenos geológicos em períodos pré-brasilianos. A vermelha. Relativamente ao ouro, a sua exploração leste e oeste da zona de cisalhamento Portalegre, se deu na “Mina do Cabelo”, ora abandonada, a NW importante plutonismo neoproterozoico está bem de Encanto (RN), através de colúvios nas encostas. evidenciado. Os batólitos, predominantemente As informações de garimpeiros locais afirmavam graníticos (p. exs: Pereiro, Luiz Gomes, Marcelino que, além do baixo teor, havia a escassez de água Vieira) apresentam em geral uma tênue foliação, envolvida no beneficiamento/concentração desse porém sendo penetrativa nas proximidades dos metal. cisalhamentos brasilianos representados pela zona A nova interpretação petrogenética para as de cisalhamento Portalegre e suas cronocorrelatas. rochas miloníticas nas zonas de cisalhamentos entre Todavia, texturas e estruturas primárias tais como Poço Dantas e Encanto sugere que a fonte primária zoneamento magmático de feldspatos, estrutura de ouro pode estar associada aos ortognaisses Serra de fluxo e textura de entelhamento de cristais do Deserto afetados pelo metamorfismo dinâmico podem ser preservadas. Merece especial atenção e transformados em quartzitos, quartzitos xistosos a distribuição no diagrama concórdia dos zircões e raros metaconglomerados tectônicos (milonitos). dos 29 zircões analisados no Granito Pereiro, Subsequentemente o ouro seria remobilizado para os quais mesmo representando uma população os colúvios nas encostas dos cordões montanhosos homogênea, com formas prismáticas alongadas e entre Poço Dantas – Encanto – Ererê. Neste contexto texturalmente similares, estão distribuídos em duas as áreas consideradas como Grupo São José têm sido concentrações de pontos com idades bem distintas. consideravelmente diminuídas. 98 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros 7.2 - RECOMENDAÇÕES Doutor Severiano (RN), algumas com posicionamento estratigráfico não muito claro com relação aos tipos Concluído o trabalho reconhece-se que mais evoluídos (granitos tipo Itaporanga), indicando algumas questões devem ser melhor elucidadas sob recorrência deste magmatismo básico, ora sugerindo escala de maior detalhe conforme segue: serem mais antigos, ora mais recentes. Neste O exato limite entre os complexos Caicó contexto se faz necessário um estudo geocronológico e Jaguaretama não é tão evidente ao longo da mais detalhado destes diversos corpos, através dos zona de cisalhamento Portalegre (ZCPA), pois não métodos U-Pb em zircões e/ou Sm-Nd em rocha total, existem diferenças estruturais e petrográficas entre visando estabelecer o posicionamento estratigráfico os complexos e a ZCPA apresenta bifurcações. As de cada unidade ou tipo, bem como as suas fontes análises Sm-Nd têm mostrado idades modelo TDM e/ou afinidades entre si. Os corpos máficos com como ferramenta útil para este fim. Adicionalmente, cristais centimétricos de biotita além de piroxênios, estudos geofísicos ao longo da ZCPA também merecem um estudo especial na sua caracterização, favorecem na caracterização mais precisa do limite seja no seu posicionamento espacial e geotectônico entre os domínios geotectônicos Jaguaribeano como na sua afinidade geoquímica. versus Rio Piranhas - Seridó; O incentivo e apoio técnico-financeiro ao Uma interpretação mais apurada das rochas cooperativismo são indispensáveis para a retomada miloníticas nas zonas de cisalhamento entre Poço das atividades garimpeiras principalmente nas Dantas e Encanto/Ererê requer uma cartografia mineralizações associadas aos pegmatitos; as faixas geológica em escala de maior de detalhe, construindo metalogenéticas envolvendo as mineralizações de perfis transversais nesta região, do protólito até a ouro, berilo (água marinha, esmeralda) merecem rocha transformada - miloníticas, enfatizando as maior atenção, no que concerne aos processos transformações petroquímicas para avaliação de suas genéticos relativamente às rochas hospedeiras potencialidades na concentração do ouro; Foram (pegmatitos e rochas miloníticas), suas encaixantes identificados vários tipos de rochas básicas (suíte São e fluxo hidrotermais associados com as zonas de João do Sabugi) na Folha, particularmente a leste de cisalhamento. 99 Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AITKEN, B.G. 1983. 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Sci. Paris, 316:201-208. 105 Programa Geologia do Brasil WERNICK, E 2004. Rochas Magmáticas: Conceitos WINKLER, H.G.F. 1977. Petrogênese das rochas Fundamentais e Classificação Modal, Química, metamórficas. Ed.Edgard Blucher, 257p. Termodinâmica e Tectônica. São Paulo-SP, Ed. Unesp.655 p. YARDLEY, B.W.D. 2005. Introdução à Petrologia Metamórfica. Ed. Unb. 340p. 106 ANEXO Súmula dos Dados Físicos Geologia e Recursos Minerais da Folha Pau dos Ferros As atividades de mapeamento foram geraram um conjunto de dados físicos envolvendo acompanhadas de uma exaustiva coleta de dados centenas de afloramentos descritos e amostras documentais envolvendo pesquisa bibliográfica coletadas, dezenas de seções delgadas descritas, e cartografias geológicas prévias, sendo estas algumas análises geocronológicas e distâncias complementadas com a execução de vários perfis percorridas no mapeamento, além da quantificação geológicos, dentre os quais três acompanham o mapa das ocorrências minerais (Tabela 8.1). geológico final. Os trabalhos de campo e laboratório Tabela 8.1 – Dados físicos de produção da Folha Pau dos Ferros Área mapeada Afloramentos Caminhamento Número de Lâminas Análises Ocorrências minerais (Km2) descritos geológico rochas coletadas descritas geocronológicas cadastradas 2500 621 1254 km 220 70 8 (2 U/Pb e 6 Sm/Nd) 66 109 Programa Geologia do Brasil – carta geológica na escala GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Programa Geologia do Brasil 1:100.000 – cujo objetivo é o de gerar e difundir DA FOLHA PAU DOS FERROS* informações geológicas para subsidiar o planejamento SB.24-Z-A-II Levantamentos Geológicos Básicos territorial e o uso do solo e do subsolo, além de induzir Escala: 1:100.000 o aumento dos investimentos em prospecção e pesquisa mineral, com vistas ao desenvolvimento da ESTADOS DO RIO GRANDE DO NORTE E indústria de mineração no país. CEARÁ GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS A FOLHA PAU DOS FERROS foi executada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, DA FOLHA PAU DOS FERROS* através de inovadora parceria com o Serviço Geológico do Brasil – CPRM, que permite incorporar à atividade de mapeamento sistemático do território nacional parte do SB.24-Z-A-II acervo dos trabalhos das universidades, trazendo a público conhecimentos até então restritos ao ambiente acadêmico. Com metodologia revista e atualizada, utilizando tecnologia de Sistema de Informação Geográfica – SIG, o mapa ora disponibilizado não retrata apenas leitura estática da geologia regional. É um produto dinâmico, através do qual a manipulação e atualização contínua permitem inúmeras possibilidades de cruzamento de dados e novas interpretações, de acordo com as necessidades e requisitos do usuário. Este produto também está disponível para consultas e download de arquivos vetoriais no GEOBANK – banco de dados geológicos da CPRM na Internet. * PARCERIA COM A UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Escala: 1:100.000 www.cprm.gov.br 2017 SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA * PARCERIA COM A UNIVERSIDADE FEDERAL DO Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495 E-mail: seus@cprm.gov.br E-mail: ouvidoria@cprm.gov.br RIO GRANDE DO NORTE – UFRN SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO MINISTÉRIO DE E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINAS E ENERGIA 1:100.000 GEOLOGIA E RECURSOS MINERAISDA FOLHA PAU DOS FERROS* SB.24-Z-A-II