ISBN 978-85-7499-382-9 A elaboração do mapa geológico e recursos minerais da GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Programa Geologia do Brasil Folha Aceguá, na escala 1:100.000, resulta de uma ação DA FOLHA ACEGUÁ – SH.21-Z-D-VI do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, empresa Levantamentos Geológicos Básicos pública vinculada à Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério de Minas e Escala: 1:100.000 Energia. ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA O projeto foi executado pela Superintendência de Porto Alegre do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, dentro FOLHA ACEGUÁ – SH.21-Z-D-VI das diretrizes do Programa Geologia do Brasil. A Carta Geológica na escala 1:100.000 tem como objetivo gerar e difundir informações geológicas e de recursos minerais, para subsidiar o planejamento territorial e o uso do solo e subsolo, além de induzir o aumento dos investimentos em prospecção e pesquisa mineral, com vistas ao desenvolvimento da indústria de mineração no país. Esse produto deverá auxiliar o governo do estado do Rio Grande do Sul e órgãos de planejamento, no estabelecimento de políticas públicas de desenvolvimento regional, na medida em que servirão de base para estudos de prospecção e exploração mineral e na adoção de ações estratégicas que visem o desenvolvimento econômico-social. Nesse contexto, o conhecimento geológico sistematizado pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM também passa a ser considerado como fonte primordial de informação do meio físico e requisitado para os estudos de zoneamento ecológico-econômico e de gestão ambiental. Escala: 1:100.000 www.cprm.gov.br 2018 SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495 E-mail: seus@cprm.gov.br E-mail: ouvidoria@cprm.gov.br SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO MINISTÉRIO DE E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINAS E ENERGIA 1:100.000 GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ACEGUÁ – SH.21-Z-D-VI MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Diretoria De GeoloGia e recursos Minerais DepartaMento De GeoloGia superintenDÊncia reGional De porto aleGre Programa Geologia do Brasil GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ACEGUÁ – SH.21-Z-D-VI ESCALA 1:100.000 ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Carla Klein Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias Eduardo Camozzato porto aleGre 2018 CPRM - SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE PORTO ALEGRE RUA BANCO DA PROvíNCIA 105 – SANTA TEREzA RIO GRANDE DO SUL – RS – 90840-030 FAX: (51) 3233-7773 TEL: (51) 3476-7300 hTTP://www.CPRM.GOv.BR K 6 4 Klein, carla Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá – Sh.21-z-D-vI, Estado do Rio Grande do Sul, escala 1:100.000 / Carla Klein, Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias; Eduardo Camozzato. --Porto Alegre: CPRM , 2018. 63 p.: il. color. Programa Geologia do Brasil. ISBN: 978-85-7499-382-9 1. Geologia Regional; 2. Mapeamento Geológico; 3. Prospecção Mineral; 4. Rio Grande do Sul. I. Título II. KLEIN, Carla, III. IGLESIAS, Carlos Moacyr da Fontoura Iv. CAMOzzATO, Eduardo. CDD 558.165 CDU 55(816.5) Ficha Catalográfica elaborada pela Bibliotecária Ana Lúcia B. F. Coelho (CRB 10/840) Direitos desta edição: CPRM – Serviço Geológico do Brasil É permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Diretoria De GeoloGia e recursos Minerais DepartaMento De GeoloGia Programa Geologia do Brasil GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ACEGUÁ MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA wellington Moreira Franco Ministro de Estado SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL vicente humberto Lôbo Cruz Secretário SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL - CPRM Esteves Pedro Colnago Diretor-Presidente José Leonardo Silva Andriotti (interino) Diretor de Geologia e Recursos Minerais Antônio Carlos Bacelar Nunes Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Fernando Carvalho (interino) Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Juliano de Souza Oliveira (Interino) Diretor de Administração e Finanças Lúcia Travassos da Rosa Costa Chefe do Departamento de Geologia Marcelo Esteves Almeida Chefe do Departamento de Recursos Minerais Edilton José dos Santos Chefe da Divisão de Geologia Básica hiran Silva Dias Chefe da Divisão de Geoprocessamento Fábio Silva da Costa Chefe da Divisão de Cartografia Denise Pimentel de Assis Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE PORTO ALEGRE Ana Cláudia viero (interina) Superintendente Lucy Takehara Chemale Gerência de Geologia e Recursos Minerais Ana Cláudia viero Gerência de Relações Institucionais e Desenvolvimento Diogo Rodrigues Andrade da Silva Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial Leandro Borowski dos Santos (interino) Gerência de Administração e Finanças MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Diretoria De GeoloGia e recursos Minerais DepartaMento De GeoloGia superintenDÊncia reGional De porto aleGre CRÉDITOS AUTORAIS carla Klein Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias Eduardo Camozzato CRÉDITOS DE AUTORIA DA NOTA EXPLICATIVA 1. INTRODUÇÃO 8. REFERÊNCIAS Eduardo Camozzato Ana Lúcia Borges Fortes Coelho carla Klein (Organização e Formatação) Carlos M. da F. Iglesias CRÉDITOS DE AUTORIA DO MAPA GEOLÓGICO 2. CONTEXTO GEOLÓGICO, TECTÔNICO E carla Klein GEOFÍSICO REGIONAL Carlos M. da F. Iglesias Eduardo Camozzato Eduardo Camozzato Carlos M. da F. Iglesias COORDENAÇÃO TÉCNICA REGIONAL 3. ESTRATIGRAFIA João Angelo Toniolo carla Klein Carlos Moacyr da F. Iglesias Edio-Ernst Kischlat Carlos M. da F. Iglesias COLABORAÇÃO TÉCNICA Eduardo Camozzato Jorge henrique Laux Andréa Beltrão Finamor andrea sander REVISÃO FINAL Edilton José dos Santos – DIGEOB 4. ASPECTOS ESTRUTURAIS Eduardo Camozzato PROJETO GRÁFICO (DIAGRAMAÇÃO) – GERIDE-PA Carlos M. da F. Iglesias alessandra luiza rahel Raquel Barros Binotto (supervisão) 5. RECURSOS MINERAIS Eduardo Camozzato PROJETO GRÁFICO (PADRÃO CAPA/EMBALAGEM – Carlos M. da F. Iglesias DERID/DIMARK) washington José Ferreira Santos 6. GEOQUÍMICA PROSPECTIVA José Leonardo Silva Andriotti João henrique wustrow Castro Carlos M. da F. Iglesias 7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Eduardo Camozzato Carlos M. da F. Iglesias carla Klein APRESENTAÇÃO O Programa Geologia do Brasil (PGB), desenvolvido pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil é responsável pela retomada em larga escala dos levantamentos geológicos básicos do país. Este programa tem por objetivo fornecer subsídios para novos investimentos em pesquisa mine- ral e para a criação de novos empreendimentos mineiros. Além disso, os dados obtidos no âmbito desse programa podem ser utilizados em ações de gestão territorial e de recursos hídricos, dentre outras aplicações de interesse social. O mapeamento geológico da Folha Aceguá (Sh.21-z-D-vI) na es- cala 1:100.000 teve como finalidade obter subsídios que contribuíssem para o entendimento da geologia e estratigrafia da porção sul da Bacia do Paraná. As informações contidas neste levantamento atualizam dados so- bre os depósitos sedimentares da Bacia do Paraná, na região mais extre- ma do Rio Grande do Sul, com citação de novos locais paleontológicos. A presente Nota Explicativa acompanha o mapa geológico da Folha aceguá (Sh.21-z-D-vI), que foi disponibilizado em 2014, em am- biente SIG. O projeto foi executado pela Superintendência Regional de Porto Alegre, e pode ser acessado a partir do banco de dados GEOSGB da cprM (geosgb.cprm.gov.br). ESTEvES PEDRO COLNAGO Diretor-Presidente JOSÉ LEONARDO SILvA ANDRIOTTI (INTERINO) Diretor de Geologia e Recursos Minerais v RESUMO Este documento, integrante do Programa Geologia do Brasil - PGB e executado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM para o Ministério de Minas e Energia do Brasil, apresenta os resultados dos levantamentos geológicos e geoquímicos da Folha Aceguá (Sh.21-z-D-vI), situada no extremo sul do Estado do Rio Grande do Sul, na fronteira com a República Oriental do Uruguai, e delimitada pelos paralelos 31°30’ e 32°00’S e meridianos de 54°00’ e 54°30’ wGr. O mapeamento geológico e os levantamentos geoquímicos (concentrados de bateia e sedimentos ativos de corrente) resultaram na produção do Mapa Geológico da área com densidade de informações compatível com a escala 1:100.000. Na área estudada foram reconhecidos os seguintes domínios geológicos: 1) Intrusivas ácidas do Neoproterozoico (Granito Aceguá e Riolito Arroio da Mina). 2) Coberturas sedimentares paleozoicas/mesozoicas da Bacia do Paraná. 3) Diques básicos cretácicos relacionados com o Grupo Serra Geral. 4) Coberturas sedimentares do Cenozoico. A prospecção geoquímica regional, através da amostragem de sedimentos ativos de corrente e concentrados de bateia, revelou a presença muito limitada de zonas anôma- las ou destaques mineralógicos significativos para recursos minerais metálicos. vi ABSTRACT This report is part of the Brazilian Geology Program (PGB) that Geological Survey of Brazil (Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais - CPRM) is carrying out for the Ministry of Mines and Energy of Brazil and it presents the geological and geo- chemical survey of the Aceguá sheet (Sh.21-z-D-vI), in the southernmost portion of the Rio Grande do Sul State, southernmost Brazil, on the border with the Republic of Uruguay, and delimited by the 31°30’ and 32°00’S parallels and 54°00’ and 54°30’ wGr meridians. The geological and geochemical (pan concentrates and stream sediments) surveys produced operational thematic maps that were integrated to compound the final Geologic Map, in the 1:100.000 scale. Four geological domains have been identified: 1) Neoproterozoic acid intrusive units: Aceguá Granite and Arroio da Mina Rhyolite. 2) Paleozoic/mezosoic sedimentary covers of the Paraná Basin. 3) Cretaceous dykes of the Serra Geral Group. 4) Cenozoic sedimentary covers. The regional geochemical exploration by stream sediments and pan-concentrates showed a very limited presence of anomalous zones or significant mineralogical highlights for metallic minerals. vii SUMÁRIO 1 — INTRODUÇÃO .................................................................................. 11 1.1. ApresentAção ..........................................................................11 1.2. LocALizAção e Acesso ................................................................11 1.3. Aspectos socioeconômicos .........................................................12 1.4. Aspectos FisiográFicos ..............................................................13 1.4.1. introdução ........................................................................13 1.4.2. clima ..............................................................................13 1.4.3. Hidrografia .......................................................................14 1.4.4. geomorfologia ...................................................................14 1.4.5. solos ...............................................................................14 1.4.6. Vegetação ........................................................................14 1.4.7. meio Ambiente ...................................................................15 1.5. equipe executorA e métodos .......................................................15 2 — CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL ....................................................... 16 2.1. ArcAbouço geoLógico e tectônico ..............................................16 2.2. ArcAbouço geoFísico ................................................................18 3 — ESTRATIGRAFIA ............................................................................... 21 3.1. domínios geoLógicos, tectônicos e LitoestrAtigrAFiA .....................21 3.2. intrusiVAs ácidAs ......................................................................22 3.2.1. granito Aceguá (np3γac) .......................................................22 3.2.2. Riolito Arroio da Mina (NP3αam) ..............................................25 3.3. bAciA do pArAná ........................................................................25 3.3.1. introdução ........................................................................25 3.3.2. grupo guatá .....................................................................25 3.3.2.1. Formação rio bonito – p1rb ...........................................26 3.3.2.2. Formação palermo – p1p ...............................................28 3.3.3. grupo passa dois ................................................................28 3.3.3.1. Formação irati – p2i ....................................................29 3.3.3.2. Formação serra Alta – p23sa ..........................................29 3.3.3.3. Formação teresina – p3t ...............................................30 3.3.3.4. Formação rio do rasto – p3t1rr ......................................30 3.3.4. Aspectos paleontológicos .......................................................31 3.3.4.1. introdução ................................................................31 3.3.4.2. registros Fósseis na Folha Aceguá ....................................32 3.3.4.3. riacho dos mesossauros ................................................33 3.3.4.3.1. Identificação do Material .................................33 3.3.4.3.2. sistemática paleontológica ...............................35 3.4. depósitos ALuVionAres ...............................................................35 4 — ASPECTOS ESTRUTURAIS .................................................................... 36 viii 5 — RECURSOS MINERAIS ......................................................................... 37 5.1. pAnorAmA minerAL dA áreA ..........................................................37 5.2. minerAis não-metáLicos .............................................................37 5.2.1. bentonita .........................................................................37 5.2.2. materiais de uso na construção ...............................................38 5.3. minerAis energéticos (cArVão minerAL) .........................................38 6 — GEOQUÍMICA PROSPECTIVA ................................................................. 40 6.1. geoquímicA de sedimentos de corrente ........................................40 6.1.1. introdução ........................................................................40 6.1.2. metodologia ......................................................................41 6.1.2.1. metodologia de campo .................................................41 6.1.2.2. metodologia Analítica e tratamento estatístico dos dados .......42 6.1.3. descrição do comportamento individual dos elementos químicos ......42 6.1.4. tratamento dos dados e resultados obtidos ................................51 6.1.4.1. correlações Lineares ...................................................51 6.1.4.2. estatística multivariada ................................................51 6.1.4.3. Análise de componentes principais ..................................51 6.1.4.4. Análise de Agrupamentos ..............................................52 6.2. concentrAdos de bAteiA .............................................................54 6.2.1. introdução ........................................................................54 6.2.2. metodologia de coleta de Amostras no campo .............................54 6.2.3. preparação das Amostras no Laboratório ....................................55 6.2.4. Análise dos concentrados ......................................................55 6.2.5. interpretação da mineralogia dos concentrados de bateia ...............55 6.2.5.1. Minerais e Elementos Identificados ..................................55 6.2.5.2. domínios Litológicos e minerais pesados Associados ...............58 7 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ........................................................ 59 8 — REFERÊNCIAS ................................................................................. 60 ix PROJETO GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ACEGUÁ ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL x Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 1 — INTRODUÇÃO 1.1. APRESENTAÇÃO 1.2. LOCALIzAÇÃO E ACESSO A presente nota explicativa, integrante do A Folha Aceguá (Sh.21-z-D-vI) localiza-se na Programa Geologia do Brasil – PGB do Serviço porção meridional do Estado do Rio Grande do Sul, Geológico do Brasil – CPRM, constitui parcela dos na fronteira com a República Oriental do Uruguai, resultados do mapeamento geológico e prospecção entre as coordenadas 31°30’ e 32°00’ de latitude Sul geoquímica de um conjunto de quatro folhas, na e 54°00’ e 54°30’ de longitude Oeste de Greenwich escala 1:100.000, na porção centro-sul do estado (Figura 1). Com uma área de 1.538 km2 (~58% de uma do Rio Grande do Sul, em área de fronteira com a folha 1:100.000), compreende as seguintes folhas da República Oriental do Uruguai. escala 1:50.000 do Corte Geográfico Internacional: A seleção das folhas Aceguá (Sh.21-z-D-vI; vila da Lata (Sh.21-z-D-vI-1), Colônia Nova (Sh.21-z- esta Nota Explicativa), Bagé (Sh.21-z-D-III), Passo D-vI-2), Arroio São Miguel (Sh.21-z-D-vI-3) e Aceguá São Diogo (também Passo do Diogo ou Pedras Altas, (Sh.21-z-D-vI-4). Na área, a maior parte da linha de Sh.22-Y-C-Iv) e Curral de Pedras (SI.22-v-A-I) foi fun- fronteira com o Uruguai constitui uma fronteira seca, damentada no reduzido conhecimento geológico, sem obstáculos naturais. em boa parte limitado a levantamentos regionais, e A área é servida pela rodovia BR-153, que se nos recursos minerais reais e potenciais da região: a) estende na direção N-S pelo centro-leste da folha metais-base e preciosos e ETR em granitoides tardi e liga a localidade de aceguá com as cercanias de e pós-colisionais; b) mármores nas unidades meta- Bagé, numa distância de cerca de 60 km. Essa cidade mórficas ou como megaxenólitos nos granitoides; e representa o principal polo econômico e educacional c) carvões betuminosos, folhelhos oleígenos, dolo- desta porção sul do Estado, de convergência da par- mitos e argilas cerâmicas de alto valor agregado, em cela mais significativa do fluxo comercial da região. rochas sedimentares da Bacia do Paraná. A pavimentação asfáltica está também disponível Incluindo litologias de todos os domínios tec- em 12 km da RS-647, via que liga a comunidade da tônicos reconhecidos no Escudo Sul-Rio-Grandense, Colônia Nova com a BR-153 (Figura 2 A). as quatro folhas do bloco de mapeamento abrangem A configuração da malha rodoviária no restante rochas metamórficas paleo e neoproterozoicas; da Folha é característica da zona rural, com estradas granitoides e vulcanossedimentares neoproterozoi- municipais e secundárias de trânsito em geral per- cas; rochas sedimentares paleozoicas e mesozoicas; manente; e vias particulares, para acesso ou interli- rochas intrusivas básicas mesozoicas; e coberturas gação de propriedades, de tráfego em geral restrito recentes. ao período mais seco. As atividades são dificultadas Figura 1 - Localização da Folha Aceguá (SH.21-Z-D-VI): (A) no estado do Rio Grande do Sul, (C) no espaço microrregional e (B) na divisão municipal. As demais folhas do bloco de mapeamento também estão indicadas. 11 CPRM - Programa Geologia do Brasil pela existência de algumas grandes propriedades períodos de chuvas na região do Banhado da Lata, no com restrições de acesso, em especial na porção oes- extremo oeste do corredor internacional que limita o te da folha. A circulação pode ser interrompida nos Brasil e o Uruguai. Figura 2 - Rede viária e hidrológica principal (A) e regiões e bacias hidrográficas (B) da porção centro-sul do estado do Rio Grande do Sul. Indicadas a Folha Aceguá e as demais folhas do bloco de mapeamento. 1.3. ASPECTOS SOCIOECONôMICOS A Colônia Nova, distante cerca de 30 km via rodoviária de Aceguá, resulta de um movimento mi- A Folha Aceguá, posicionada na mesorregião gratório de colonizadores alemães mennonitas, em geográfica do Sudoeste Rio-Grandense, microrregião 1949, originalmente instalados no estado de Santa da Campanha Meridional, abrange a quase totalida- Catarina. de do município de Aceguá e, na porção noroeste, Com uma população total de cerca de 4.400 pequena parcela do município de Bagé (Figura 1 C). hab (24% na área urbana e 76% na rural), o municí- Os únicos centros populacionais significativos são pio de Aceguá tem uma economia baseada na inte- as localidades de Aceguá, sede municipal, e Colônia gração lavoura-pecuária, com rotatividade da orizi- Nova. No distrito Rio Negro deve ser referida a pe- cultura e semeaduras de pastagens para a pecuária quena comunidade quilombola vila da Lata, instalada bovina de corte e para a produção leiteira, além da 17 km para noroeste da sede municipal, às margens ovinocultura de carne e lã. A produtividade leiteira do corredor internacional, e que se caracteriza pela do município (11,9 litros/cabeça) é maior do que a rusticidade das construções, em torrões de barro e média estadual. Devem ser ainda referidas as produ- telhados de palha (Figura 3A e C). ções de milho, sorgo granífero, laranja e uva. A sede do município se divide da cidade gêmea uruguaia Aceguá, pertencente ao Departamento de Destaca o município a criação de cavalos Cerro Largo daquele país, pela Avenida Internacional. das raças Crioula e Puro Sangue Inglês e de gado A economia na localidade uruguaia é caracterizada holandês e Jersey. O setor de serviços movimenta pela zona de livre comércio (zona franca) instalada 42% da economia, enquanto a indústria representa em 2008, orientada para a atração de populações apenas cerca de 7% do produto do município, com para a compra de produtos importados industrializa- destaque para os engenhos de arroz e as usinas de dos (“supérfluos”). beneficiamento de leite e laticínios. 12 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá Figura 3 - (A) Cidades gêmeas de Aceguá (Brasil) e Acegua (Uruguai), em vista para leste tomada no Corredor de Fronteira (limite seco entre o Brasil e o Uruguai; Brasil à esquerda); (B) Marco da fronteira seca (veículo no lado uruguaio); (C) Comunidade quilombola da Vila da Lata; e D) Paisagem em coxilhas, típica da região, em rochas sedimentares da Bacia do Paraná. No horizonte à esquerda, em vista para sul, granitoides do alto de Aceguá. 1.4. ASPECTOS FISIOGRÁFICOS 1.4.2. Clima 1.4.1. Introdução A área focalizada, conforme Moreno (1961) e Kuinchtner e Buriol (2001), se enquadra no tipo climático Cfa da classificação de Köppen, temperado A área de mapeamento está inserida no Bioma subtropical úmido com verão quente (>22ºC). Os Pampa, também conhecido como Campos do Sul, valores de umidade relativa média são de 73% no Campos Sulinos ou Campanha Gaúcha, que na maior verão e 83% no inverno, as normais anuais de chuvas parte se caracteriza pelo relevo de planícies. No Brasil são superiores a 1350 mm e inferiores a 1650 mm este bioma está presente apenas no estado do Rio e ocorre um predomínio das chuvas nos meses de Grande do Sul, onde ocupa 63% do território, mas maio, junho e agosto. é compartilhado com parte da Argentina e com o Dados para a localidade de Bagé mostram a Uruguai, onde ocupa praticamente todo o território. seguinte distribuição do balanço hídrico: a) defici- O bioma constitui uma das áreas de campos ência hídrica de (novembro) dezembro-março, que temperados mais importantes do planeta, formado foi superior a 74 mm no mês de janeiro de 2011 e por um mosaico de áreas campestres; matas aluviais, 2012 (associado ao fenômeno climático La Niña); de galeria e capões de mata nativa; areais; banha- b) reposição em abril e maio; c) excedente de 294 dos (áreas alagadiças); cerros-testemunhos, serras e mm distribuídos de junho a outubro; e d) uma reti- áreas rochosas; áreas de recarga ou de descarga de rada em novembro. No verão de 2013 ocorreu um aquíferos subterrâneos; entre outras particularida- excedente hídrico devido à presença do fenômeno des resultantes da combinação do substrato geológi- El Niño; nestes casos os volumes excedentes são ele- co e do clima regional. vados e favorecem os sistemas agrícolas. Os défices 13 CPRM - Programa Geologia do Brasil e excessos obtidos mostraram-se semelhantes em MAChADO; FRANCO, 1986), a área estudada en- toda a Região da Campanha. quadra-se na Região Geomorfológica da Depressão A temperatura média anual gira em torno de Central Gaúcha, na Unidade Geomorfológica 15°C, com médias mínimas e máximas de 12,5°C e Depressão Rio Ibicuí - Rio Negro, com áreas restritas 22°C, respectivamente. Os dados registrados nas da Unidade Planície Alúvio-Coluvionar. diversas estações meteorológicas da região indicam O relevo do município de Aceguá varia de variações bastante grandes de temperatura entre o plano a suave ondulado, o que é característico da verão e o inverno; nos meses quentes (janeiro e feve- região da Campanha. As altitudes no município va- reiro) a temperatura pode alcançar 40°C, enquanto riam entre cerca de 50 m e 300 m, com declividades nos meses mais frios (junho e julho) desce a -5°C. A pouco acentuadas. A maior parte do município tem insolação anual é de 2.444 horas. A formação de ge- altitudes entre 100 m e 200 m (~97% do território) adas ocorre de abril a outubro, com maior incidência e declividades inferiores a 10% (~97% do território), nos meses de junho a agosto. Os ventos predominam com as áreas mais elevadas situadas na porção sul de SE, de setembro a abril, e de NE, de maio a agosto. do município, próximo à sede. Esta área elevada, de- nominada Isla Cristalina de Acegua (ou Ilha Cristalina 1.4.3. Hidrografia de Aceguá), constitui um alto do embasamento pré- -cambriano (na maioria granitoides) circundado por Os cursos de água que drenam a porção oeste sedimentos gonduânicos da Bacia do Paraná na fron- da Folha Aceguá pertencem à bacia do Rio Negro, da teira com o Uruguai. região hidrográfica do Uruguai; enquanto a porção a unidade Depressão Rio Ibicuí − Rio Negro leste é drenada por águas da bacia do Rio Jaguarão, constitui, conforme Justus, Machado e Franco da região hidrográfica do Atlântico (Figura 2 B). (1986), uma área baixa de caráter monótono onde O Rio Negro, com fluxo de NE para Sw e nas- os processos erosivos esculpiram, nas rochas sedi- centes no município de Bagé, nas serras da Santa mentares gonduânicas, colinas alongadas conheci- Tecla e hulha Negra, se estende até a fronteira e das como coxilhas. As várzeas representam zonas de adentra o Uruguai, onde se estabelece como o prin- aporte de sedimentação recente onde amplas áreas cipal curso d’água e divide aquele país em duas par- de inundação, por seu relevo plano, são aproveitadas tes aproximadamente iguais. Constituindo uma bacia para a agricultura intensiva (Figura 3 D). transfronteiriça e um dos maiores alimentadores do Rio Uruguai, tem na folha Aceguá como principais 1.4.5. Solos afluentes pela margem direita os arroios do Luis (divisor natural de fronteira), Piraí e Bocarra; e pela Conforme Medaglia (1973), os solos da esquerda as sangas Cinco Salsos e do vime. Campanha são, em sua maioria, de pouca espessura, Inúmeras áreas alagadiças se relacionam com entre 40 e 50 cm, raramente atingindo 80 cm; em o sistema fluvial do Rio Negro, entre as quais os áreas baixas ocorrem solos mais profundos, com um banhados dos Martins, dos Gabriéis e da Lata, este metro ou mais de espessura. Na maior parte dos último nascente do Arroyo Carpinteria, que se esten- campos limpos, próprios para a criação, os subsolos de para o território uruguaio até alcançar a margem impermeáveis acham-se próximos a superfície, a me- esquerda do Rio Negro, já naquele país. O Arroio nos de 30 cm. São Miguel (Arroyo Lechiguana no Uruguai) é outro Predominam na porção norte da área os solos representante das drenagens transfronteiriças que podzólicos vermelho-amarelos e vermelho-escuros, marcam a fronteira seca entre o Brasil e o Uruguai distróficos e eutróficos; enquanto a porção sul, do- em parte da região. mínio das rochas sedimentares da Bacia do Paraná, O arroio Jaguarão-Chico, com fluxo de norte é caracterizada por planossolos vérticos (KER et al., para sul, convergindo para sudeste na fronteira com 1986). Localmente, ocorrem planossolos eutróficos, o Uruguai, constitui a principal drenagem do siste- característicos das áreas baixas do modelado fluvial. ma Jaguarão na área. Seus principais afluentes pela Conforme Kämpf (2001), os solos do município margem direita são os arroios da Mina (ou da Divisa; de Aceguá apresentam forte tendência à erosão e, divisor natural de fronteira) e Minuano e as san- portanto, uma aptidão agrícola de regular a restri- gas da Areia, Banhado dos Salsinhos e do verdum. ta, sendo adequados para a pecuária com manejo Pela margem esquerda o sistema Jaguarão-Chico é moderado. caracterizado por canais de drenagem de pequena extensão. 1.4.6. Vegetação 1.4.4. Geomorfologia De acordo com o sistema de classificação fitogeográfica adotado pelo Projeto Radambrasil Conforme os critérios de mapeamento (TEIXEIRA et al., 1986), a área enquadra-se na to- geomorfológico do Projeto Radambrasil (JUSTUS; talidade, por suas características fitofisionômico - 14 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá ecológicas, na região da Estepe (Campanha Gaúcha) (Departamento de Geologia - DEGEO) e de Edilton gramíneo-lenhosa, localmente com florestas de dos Santos (Divisão de Geologia Básica - DIGEOB), galeria, caracterizada por um tapete herbáreo com ambas vinculadas a Diretoria de Geologia e Recursos predomínio de gramíneas, com arbustos e árvores Minerais – DGM. isoladas ou em pequenos capões e podendo conter Os levantamentos geológicos em campo florestas de galeria ao longo dos cursos de água. contaram com a participação de Carla Klein, Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias e Eduardo Camozzato, 1.4.7. Meio Ambiente com a colaboração de Jorge henrique Laux. Os es- tudos paleontológicos estiveram a cargo de Edio A ação antrópica se faz sentir especialmente Ernst Kischlat. O apoio geofísico foi de Luis Gustavo pelo excesso de pastejo utilizado em muitas pro- Rodrigues Pinto e william Ribeiro Lopes. priedades, com a alta carga animal provocando uma A amostragem por concentrados de bateia e redução gradativa da cobertura vegetal e da diversi- sedimentos ativos de corrente foi executada pelos dade da vegetação. A redução ou eliminação de es- técnicos Eraldo Guidugli Machado, Edgar dos Santos pécies de bom valor nutritivo acarreta a substituição Dias e José Darvil zanetti Filho, com apoio parcial de por outras de menor valor ou invasoras, bem como Luis Alberto Costa e Silva. A identificação mineraló- a degradação do solo, a redução da capacidade de gica dos concentrados de bateia foi executada por infiltração da água e o aumento do escorrimento João henrique wustrow Castro. As análises químicas superficial, com consequente erosão. O cultivo da dos sedimentos ativos de corrente foram realizadas soja, ainda que considerado inadequado para a re- nos laboratórios da ACME (Bureau Veritas Minerals gião e cuja introdução é mais recente, vem alterando Laboratories - BvML); as de amostras de rochas nos a paisagem de modo significativo, em especial pela da ACME e da SGS GEOSOL. supressão dos campos nativos. As descrições petrográficas, em diferentes proporções nas folhas mapeadas, estiveram a cargo 1.5. EQUIPE EXECUTORA E MéTODOS de Andrea Sander, Andrea Beltrão Finamor, Carla Klein, Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias, Eduardo A presente Nota Explicativa foi organizada por Camozzato e Margarete wagner Simas, com a cola- Carla Klein, Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias e boração de Ruy Paulo Philipp (IG/UFRGS). As lâminas Eduardo Camozzato; as autorias da redação das par- delgadas foram elaboradas por Adriano Xavier Baz tes do texto constam em folha de créditos específica. Pereira e Rodrigo Peixoto Malikovski, nos labora-tórios de preparação de amostras da CPRM/Porto A autoria do Mapa Geológico é de Carla Alegre. Klein, Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias e Eduardo Os acadêmicos de geologia Matheus S. Camozzato, da CPRM/Porto Alegre. A cartografia Simões, Guilherme B. Tambara e João Pacífico S. L. digital / SIG e a editoração gráfica do mapa foram Machado (Curso de Geologia, IG/UFRGS); André Luis executadas por Carlos Moacyr da Fontoura Iglesias e de Andrade Rodrigues e Marlise Colling (Curso de Eduardo Camozzato. Geologia, UNISINOS); e Gabriel Flores zamora (Curso A coordenação regional foi exercida pelo ge- de Geografia, IG/UFRGS); colaboraram como esta- ólogo João Angelo Toniolo, da Gerência de Recursos giários em diferentes fases e atividades do projeto. Minerais - GEREMI/PA da Superintendência Regional Os dois primeiros participaram também dos levan- de Porto Alegre – SUREG/PA da CPRM, sob a su- tamentos em campo das áreas do embasamento pervisão nacional de Reginaldo Alves dos Santos cristalino. 15 CPRM - Programa Geologia do Brasil 2 — CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL 2.1. ARCABOUÇO GEOLÓGICO E TECTôNICO Nw-SE, cuja colagem orogênica foi concluída ao final do Ciclo Brasiliano, na passagem do Neoproterozoico A Folha Aceguá, localizada na porção cen- para o Eopaleozoico. trosul do Estado do Rio Grande do Sul, na fronteira Com base nos dados aerogeofísicos, a maior com a República Oriental do Uruguai, insere-se na parte da Folha Aceguá está inserida no Terreno Província Paraná de Almeida et al. (1977) (Figura 4), Taquarembó, ainda que somente pequena parcela com as rochas da Bacia do Paraná ocupando a maior das litologias deste domínio tectono-geológico este- parte da folha. As litologias relacionadas à Província ja exposto, entre as rochas sedimentares da Bacia do Mantiqueira de Almeida et al. (1977, 1981) estão Paraná (Figura 5). expostas em três regiões, das quais apenas uma O Terreno Taquarembó, localizado na porção com área significativa (31km2), na região morfologi- sudoeste do Escudo Sul-Rio-Grandense, é limitado ao camente elevada do Alto de Aceguá, sustentada por norte pelo Lineamento Ibaré (ou Sistema de Falhas litologias graníticas neoproterozoicas. As outras duas Ibaré – Tigre, de Camozzato, Lopes e Philipp, 2015) e áreas não ultrapassam 2km2. ao leste pela Anomalia Magnética de Caçapava (tam- As unidades neoproterozoicas do Cinturão bém Sutura de Caçapava, de Costa et al., 1995 ou de Dom Feliciano (FRAGOSO-CESAR, 1980) no Rio Fernandes et al., 1995a,b; neste texto, Sistema de Grande do Sul, segmento meridional da Província Falhas Irapuá - Passo dos Enforcados, de Camozzato, Mantiqueira (ALMEIDA et al., 1981), e os fragmen- Lopes e Philipp, 2015); ao oeste e ao sul é recoberto tos paleocontinentais associados neoarqueanos pelas rochas da Bacia do Paraná. O principal subdo- e paleoproterozoicos com diferentes graus de re- mínio deste terreno é o Complexo Granulítico Santa trabalhamento no Brasiliano, constituem o Escudo Maria Chico de Nardi e hartmann (1979), composto Sul-Rio-Grandense. por rochas infracrustais, com predomínio de granu- O Escudo Sul-Rio-Grandense, que compreen- litos félsicos (gnaisses trondhjemíticos) e máficos de rochas metamórficas, ígneas e sedimentares, com (gt-cpx-plag gnaisses), além de metapiroxenitos, me- idades, origem e evolução diversas, caracteriza-se taultramafitos e metassedimentares (gt-bt-silimanita por uma compartimentação em blocos limitados por gnaisses, mármores, quartzitos e gnaisses calcissili- grandes falhamentos regionais de direção NE-Sw e cáticos). As suítes Santo Afonso, Aceguá, Cerro Preto e Saibro e o Granito Dom Pedrito ocupam áreas sig- nificativas do Terreno Taquarembó. Idades ShRIMP em zircões definem a idade dos protólitos do com- plexo granulítico como paleoproterozoica (2.366±8 Ma e 2.489±6 Ma; U–Pb ShRIMP, (hARTMANN et al., 2008), com metamorfismo entre 2,2–2,0 Ga (hARTMANN, 1998; hARTMANN et al., 1999, 2000). Conforme Oyhantçabal, Siegesmund e wemmer (2011), o embasamento granulítico do Terreno Taquarembó pode ser considerado uma ex- tensão do Complexo Granulítico valentines–Rivera, do Terreno Nico Pérez (Uruguai). Estes autores apre- sentam uma redefinição dos limites do Cráton Rio de La Plata, o qual seria constituído pelo Terreno Piedras Altas (oeste do território uruguaio), caracterizado por um evento de acresção crustal com idades modelo Sm-Nd (TDM) entre 2,8 e 2,3 Ga, e o Cinturão Tandilia (Argentina). A margem leste-nordeste da área cratô- nica seria caracterizada pela zona de Cisalhamento Sarandí del Yí. Rapela et al. (2011) também modifica os limites da área cratônica, excluindo os terrenos Taquarembó (Brasil) anteriormente incluídos (e.g., Figura 4 - Províncias tectônicas do Brasil, conforme RAPELA et al. 2007), bem como a região de Sierra de Almeida et al. (1977); foram enfatizadas as províncias de La ventana, tida como pertencente ao Cráton Rio de interesse para a região. Indicadas as folhas do bloco de La Plata por Oyhantçabal, Siegesmund e wemmer mapeamento. (2011). 16 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá Figura 5 - Contexto tectono-geológico regional com indicação da localização das folhas Bagé, Aceguá, Passo São Diogo e Curral de Pedras. 17 CPRM - Programa Geologia do Brasil Cabe referir que a localização do limite depósitos fluviais, lacustres e eólicos e possui abun- leste-nordeste do Cráton Rio de La Plata na Falha dante fauna de répteis e mamíferos (MILANI, 1997). Sarandi Del Yi; bem como a exclusão dos terrenos Taquarembó (Brasil) e Nico Perez (Uruguai) da área 2.2. ARCABOUÇO GEOFÍSICO cratônica Rio de La Plata, já havia sido sustentada por hallinan et al. (1993) com base em dados gravimétri- cos e magnetométricos. Os modelos de estruturação do Escudo Sul- Laux et al. (2010) apresentam uma idade U-Pb Rio-Grandense com base na geofísica remontam estateriana (1.764 ± 33 Ma) para o Complexo Cerro aos anos 1980 - 1990 (MANTOvANI et al., 1989; Batovi, unidade metavulcanossedimentar localizada PORChER et al., 1995; ORLANDI Fº et al., 1995; COSTA na porção sul do extremo noroeste do Lineamento et al., 1995; FERNANDES et al., 1995a, b; COSTA, Ibaré e detalhada por Schmitt (1996) e Laux et al. 1997; RAMGRAB; wILDNER; CAMOzzATO; 1997; (2012). Esse complexo era anteriormente vinculado RAMGRAB; wILDNER, 1999), com a confecção manu- à crosta juvenil do Terreno São Gabriel, ainda que os al, por técnicos da CPRM, de mapas aerorradiomé- dados geofísicos já indicassem (ORLANDI Fº et al., tricos (contagem total) a partir de perfis rebatidos, e 1995; COSTA et al., 1995; COSTA, 1997) estas litolo- de sua interpretação em conjunto com mapas aero- gias como parte do Terreno Taquarembó. Dados pré- magnetométricos (campo total) de dados do Projeto vios (de proveniência) do mesmo intervalo de idade Aerogeofísico Camaquã (JACKSON et al., 1973). Estas foram obtidos por hartmann, Santos e McNaughton, atividades foram acompanhadas pela aquisição de (2008) em zircões detríticos de rochas sedimentares dados terrestres, com o levantamento de perfis gra- da Formação Guaritas, situadas na porção superior vimétricos que permitiram a elaboração de Mapa da Bacia Camaquã. Bouguer Provisório do Escudo Sul-Rio-Grandense, além de magnetométricos e de eletrorresistividade A Bacia do Paraná, que constitui uma bacia (sondagens elétricas verticais). do tipo Depressão Marginal, passando a Depressão Interior devido à obstrução da margem aberta (tipo A interpretação do Mapa Bouguer evidenciou MSIS, de Kingston, Dishroom e williams, 1983), é um quadro de blocos tectônicos onde se destacavam composta por quatro ciclos de subsidência, cor- duas grandes faixas de anomalias negativas de dire- respondentes às supersequências Rio Ivaí, Paraná, ção aproximada NNE, situadas respectivamente nas Gondwana I e Gondwana II de Milani (1997), das porções oriental e ocidental do escudo (Figura 6). A quais a Gondwana I está exposta nas áreas de levan- primeira (leste), balizada pelas cidades de herval, tamentos. A fase rifte corresponde à Supersequência Pinheiro Machado, Piratini, entre Encruzilhada do Rio Ivaí (TEIXEIRA, 2001) e a fase sinéclise às demais Sul e Dom Feliciano e entre Porto Alegre e Taquari supersequências. (denominada Sutura de Porto Alegre); e a outra (oes-te) pelas localidades de Três Cerros, Torquato Severo, A Supersequência Gondwana I (Carbonífero– Coronel Linhares e São Gabriel (denominada Sutura Eotriássico) compreende as diversas unidades com- de São Gabriel). As duas faixas alcançam largura de ponentes dos Grupos Itararé, Guatá e Passa Dois. 50 km e amplitude gravimétrica máxima de 35mGal; De acordo com a interpretação de Milani (1997), atravessando todo o Escudo Sul-Rio-Grandense e se a supersequência compreende uma parte basal estendendo para o norte, sob a cobertura da Bacia transgressiva, correspondente aos grupos Itararé e do Paraná, e para o sul, através do território da Guatá. O primeiro, composto pelas formações Lagoa República Oriental do Uruguai. A espessura da cros- Azul, Campo Mourão, Taciba (aflorante no RS) e ta sob o Escudo, através da fórmula de Grushinsky Aquidauana, é constituído por depósitos sedimen- (1967), foi estimada em 32 km (ORLANDI Fº et al., tares de origem glácio-marinha. O Grupo Guatá é 1995). formado por rochas de ambiente deltaico, marinho e litorâneo da Formação Rio Bonito; e marinhos da Esta interpretação qualitativa, apoiada em Formação Palermo, com a superfície de inundação modelamentos efetuados segundo dois perfis trans- máxima na sua parte intermediária. A parte superior, versais, permitiu a delimitação de três distintos regressiva, está registrada nas rochas marinhas e domínios (gravimétricos) crustais no Escudo Sul-Rio- transicionais do Grupo Passa Dois (formações Irati, Grandense: 1) Oriental (E), 2) Central e 3) Ocidental Serra Alta, Teresina, Corumbataí e Rio do Rasto), re- (w). Para todas as alternativas de modelamento gistrando, ao seu final, o início da instalação de clima elaboradas nos dois perfis gravimétricos, a sutura do desértico na bacia. lado oeste apresentava-se nitidamente bem marca- A Supersequência Gondwana II (Triássico da, ao passo que a do setor leste não foi considerada Médio a Superior), que encerra a sedimentação da tão característica. A anomalia gravimétrica oeste Bacia do Paraná, ocorre apenas no estado do Rio (Sutura de São Gabriel) foi interpretada como limite Grande do Sul e no norte da República Oriental do do Cráton Rio de La Plata (e.g., FERNANDES et al., Uruguai. Composta pelas rochas sedimentares do 1995b). Grupo Rosário do Sul, inclui as formações Sanga do Por sua vez, a análise dos dados aeromag- Cabral, Santa Maria, Caturrita e Guará. Caracteriza- netométricos disponíveis para a porção do Escudo se por arenitos e pelitos avermelhados, oriundos de Sul-Rio-Grandense a leste do meridiano 54° também 18 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá Figura 6 - Domínios geofísicos e tectônicos do Escudo Sul-Rio-Grandense. No mapa de domínios magnéticos, W, C e E identificam os domínios ocidental, central e oriental definidos por Costa et al. 1995; os dados acerca das estruturas regionais foram adaptados e modificados de Jackson et al. (1973), Orlandi F° et al.(1995), Costa et al. (1995), Costa (1997) e Fernandes et al. (1995 a,b). As folhas Bagé, Aceguá, Passo São Diogo e Curral de Pedras estão indicadas em ambos os mapas. permitiu a identificação de três grandes domínios outros, de orientação N45°E. O limite deste domí- (magnetométricos) alongados segundo a direção NE- nio com o Central constitui um sistema de zonas de Sw. A Sutura de Caçapava, que não coincide com tra- cisalhamento transcorrente (Dorsal de Canguçu) de ços-limite da gravimetria embora coincida com estes natureza intracontinental e tardi-orogênica (vide em direção, corta o Domínio (gravimétrico) Central Fernandes; Koester; Soliani Júnior, 1995) que, con- com orientação N35°E e foi interpretada como o limi- forme Orlandi F° et al. (1995) e Costa et al. (1995), te leste tanto da crosta juvenil brasiliana (neste tex- mostra direção N40°-45°E em sua porção sul e inflete to, Terreno São Gabriel; também Associação de Arco para N60°-70°E na sua porção norte. Ainda que a di- Magmático II, de Fernandes et al. 1995a), quanto do reção N40°-45°E tenha continuidade através do Bloco Terreno Taquarembó. O denominado Bloco Geofísico Central (neste texto, Terreno Tijucas), onde é reco- Central de Fernandes et al. (1995b) é, portanto, nhecida como zona de Falha (ou sistema) Passo do composto pelos domínios aeromagnetométricos Marinheiro, não ocorre ajuste desta estrutura com as central-leste e central-oeste, divididos por uma ano- anomalias magnéticas ou gravimétricas. Em termos malia magnética que, em superfície, coincide com o de compartimentação, o Domínio Oriental corres- aqui denominado Sistema de Falhas Irapuá – Passo ponde ao Batólito Pelotas (sensu Fragoso-Cesar et dos Enforcados. al., 1986; Philipp, Nardi e Bitencourt, 2000; Philipp o Domínio Oriental (E) (magnetométrico), e Machado, 2005), Complexo Canguçu de Santos et conforme Costa et al. (1995), é caracterizado por al. (1989), Bloco Dom Feliciano de Ramgrab, wildner um relevo magnético bastante acentuado, eviden- e Camozzato (1997) e, excluídas as rochas da região ciado principalmente pela alta densidade de eixos de Encruzilhada do Sul (que fazem parte do Domínio de anomalias com direções predominantes N70°E e Central geofísico), a Associação de Arco Magmático I E-w; na maior parte do domínio interceptados por de Fernandes et al. (1995a). 19 CPRM - Programa Geologia do Brasil o Domínio Central (magnetométrico) de Aeromagnetométrico Central-Oeste de Fernandes Costa et al. (1995); Domínio Aeromagnetométrico et al. (1995b) e (gravimétrico) Oeste de Orlandi F° et Central-Leste de Fernandes et al., (1995b) é repre- al. (1995), com relevo magnético mais elevado que sentado por um relevo magnético pouco acentuado, o Domínio Central e com o qual se limita por um li- transparente, que aparentemente reflete exclusi- neamento N30°E (Sutura de Caçapava, de Fernandes vamente o padrão magnético das unidades mais et al., 1995); Anomalia Magnética de Caçapava, de antigas, não sendo influenciado pelas unidades Costa et al., 1995), pode ser dividido em dois sub- sedimentares e vulcânicas da Bacia Camaquã que domínios: 1) norte, coincidente com o Terreno São constituem parcela significativa do domínio. A única Gabriel; e 2) sul, do Terreno Taquarembó, para sul anomalia magnética registrada nesse setor corres- do Lineamento Ibaré (ou Sistema de Falhas Ibaré – ponde ao Sienito Piquiri, sugerindo que essa unidade Tigre, ou zona de Cisalhamento Ibaré), onde ocorre seja diferenciada de um corpo básico situado em aumento na densidade de lineamentos magnéticos profundidade. Além das rochas da Bacia Camaquã, e a exposição significativa de granitoides e, em es- inclui os complexos Encantadas, vigia e Porongos; pecial, das litologias do Complexo Granulítico Santa roof-pendants e xenólitos de metapelitos e mármo- Maria Chico. res da Suíte Metamórfica várzea do Capivarita; o Anortosito Capivarita; o Complexo Gnáissico Arroio Com os dados do Projeto Aerogeofísico dos Ratos; e os granitoides do Batólito Pelotas da Escudo do Rio Grande do Sul (CPRM, 2010) foi ela- região de Encruzilhada do Sul (Bloco Encruzilhada do borada a Figura 7, onde ficam mais bem explicitados Sul). As tramas orientadas E-w foram retrabalhadas os diferentes domínios tectônicos do Escudo Sul-Rio- pelas zonas de cisalhamento transcorrente NE-Sw. Grandense tendo por fundo o mapa de pseudo-ilumi- o Domínio Ocidental (W) (magnetométri- nação da 1ª derivada vertical do Campo Magnético co) de Costa et al. (1995), que soma os domínios Total (reduzido do IGRF). Figura 7 - Domínios tectônicos do Escudo Sul-Rio-Grandense tendo por fundo o mapa de pseudo-iluminação da 1ª derivada vertical do Campo Magnético Total (reduzido do IGRF). 20 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 3 — ESTRATIGRAFIA 3.1. DOMÍNIOS GEOLÓGICOS, TECTôNICOS E 1) Granitoides do Neoproterozoico (Granito LITOESTRATIGRAFIA Aceguá). 2) Intrusivas riolíticas neoproterozoicas (Riolito A quase totalidade da área enfocada neste Arroio da Mina). trabalho abrange litologias sedimentares da Bacia do Paraná, com uma fração muito reduzida de granitoi- 3) Coberturas sedimentares paleozoicas/me- des neoproterozoicos interpretados como intrusivos sozoicas da Bacia do Paraná. em litologias do Terreno Taquarembó com base em 4) Coberturas do Cenozoico (depósitos dados da aerogeofísica. O mapeamento geológico aluviais). da Folha Aceguá, cujos dados históricos remetiam exclusivamente a levantamentos regionais (e.g., O embasamento está exposto em três locais, Tessari; Giffoni, 1970; Ramgrab; wildner, 1999), per- como paleorrelevos positivos em meio às rochas se- mitiu em especial o detalhamento dos limites das dimentares da Bacia do Paraná. Na principal área de unidades litoestratigráficas da Bacia do Paraná, bem exposição, no Alto de Aceguá, com cerca de 31 km² como o reconhecimento de importantes registros no lado brasileiro, e em outros dois com até 2km2. No fósseis nesta bacia. quadro de relações tectono-estratigráficas da Figura Na Folha Aceguá foram reconhecidas as se- 8 são apresentadas as unidades e as relações estrati- guintes entidades geológicas: gráficas na Folha Aceguá. Figura 8 - Relações Tectono-Estratigráficas na Folha Aceguá (SH.21-Z-D-VI). 21 CPRM - Programa Geologia do Brasil 3.2. INTRUSIVAS ÁCIDAS encurvamento dos cristais, fraturamento e extinção ondulante. Por vezes os cristais de plagioclásio tem macla polissintética quase indiscriminada decorren- Sob esta denominação são descritas as litolo- te da deformação da rocha. Diminutos cristais de gias neoproterozoicas do Granito Aceguá e do Riolito epidoto estão inclusos nos plagioclásios. O ortoclásio Arroio da Mina, denominações introduzidas neste é do tipo pertítico, com granulação média, às vezes texto explicativo e cuja distribuição na folha é apre- grossa, em cristais subédricos a anédricos com con- sentada na Figura 9. tornos irregulares, fraturados e por vezes poiquilíti- cos, com inclusões de plagioclásio. O fraturamento é comum, com as fraturas preenchidas por epidoto, óxidos e hidróxidos de ferro e, muitas vezes, também por material micáceo microcristalino com textura cataclástica associada ao processo de epidotização e sericitização. Uma fábrica magmática discreta é caracteri- zada pela orientação dimensional dos fenocristais de K-feldspato ou dos agregados de minerais máfi- cos (biotita) e quartzo. Litologias microgranulares máficas ocorrem como níveis de espessura centi a decimétrica, com formas tabulares descontínuas, com menos de 2m de comprimento (diques sin-plu- tônicos desmembrados?), coloração cinza-escura, granulação fina a média, compostas por plagioclásio, ortoclásio, microclínio, hornblenda, quartzo, clorita, titanita, epidoto e opacos. Estas litologias dioríticas e quartzo-dioríticas, da mesma forma que as encaixan- tes graníticas, são usualmente protomiloníticas, com eventos superpostos de redução mecânica de grãos. Quando deformados, os granitoides apre- sentam uma fábrica protomilonítica sobre a qual se superpõe a deformação cataclástica. Nestes casos, Figura 9 - Localização do Granito Aceguá e do Riolito o quartzo pode ocorrer: 1) como porfiroclastos de Arroio da Mina na Folha Aceguá. (1 e 2) “ilhas graníticas” granulação média a grossa com extinção ondulan- Carpintaria Nova e Estância do Cêrro, respectivamente; e te; 2) recristalizado como agregados policristalinos (3) Alto de Aceguá. formados por subgrãos com textura granoblástica poligonal, com contatos suturados por migração 3.2.1. Granito Aceguá (NP3γac) dos limites de grão; e 3) na matriz fina como cristais cominuídos/fraturados. Os plagioclásios ocorrem como porfiroclastos O Granito Aceguá, denominação introduzida ou na matriz cataclástica. Na matriz verifica-se fratu- nesta pesquisa, é composto dominantemente por ramento e cominuição dos grãos, e nos porfiroclas- monzogranitos e granodioritos com granulação mé- tos verificam-se fraturamento, extinção ondulante, dia a grossa, cores cinzentas a alaranjadas, muitas dobramento dos cristais, formação de kink-bands vezes porfiríticos, com pórfiros (<7cm) de K-feldspato e deformação da macla polissintética. O ortoclásio com faces retas em matriz média a grossa e tendo a ocorre pertítico, na forma de porfiroclastos com biotita como máfico. Como acessórios ocorrem opa- granulação grossa ou como cristais fragmentados e cos, granada, zircão, titanita e apatita; mica branca e cominuídos na matriz, com granulação média a mui- clorita como minerais secundários. to fina. Os porfiroclastos apresentam extinção on- As áreas de exposição, que constituem usu- dulante e estão bastante fraturados e falhados, com almente altos em meio às rochas sedimentares da fraturas preenchidas por subgrãos recristalizados de Bacia do Paraná, se caracterizam pelos lajeados de ortoclásio e epidoto. extensões métricas a decamétricas e litologias muito O epidoto ocorre tanto na matriz como em intemperizadas (Figura 10). vênulas. Localmente, como no afloramento CI-1, são Os plagioclásios, euédricos a subédricos, com abundantes as venulações (<30cm) tabulares, com pequena proporção de cristais anédricos, têm gra- atitudes irregulares, de leucogranitos finos a médios. nulação fina a média e contatos retos a irregulares. As alterações hidrotermais podem ser signifi- Neste caso verifica-se deformação na forma de mi- cativas na pedreira municipal de Aceguá, às margens gração dos limites de grão e deformação na forma de da BR-153, com porções decamétricas com carbona- maclas polissintéticas, com kink-bands, dobramento/ tação (Figura 11). 22 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá Duas amostras de granitoides foram data- 598±7,3 Ma e 599±4,1 Ma (Figura 12), semelhantes das pelo método U-Pb, sendo obtidas as idades de às dos granitoides da Suíte Cerro Preto, na Folha Bagé. Figura 10 - Granito Aceguá (A, B, C, D) na “ilha granítica” Estância do Cêrro. (afloramento CI-1), com aspecto geral e detalhe (A e B) da intensa cataclase sobre o granito, com cominuição significativa dos grãos. Em (C) dique básico cretácico alterado e em (D) injeção de leucogranito; e (E, F, G) na Pedreira Municipal de Aceguá (afloramento CI-3), no Alto de Aceguá, com detalhes dos megacristais de Kf e da cataclase sobre o granito. 23 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 11 - Feições de alteração hidrotermal no Granito Aceguá na Pedreira Municipal de Aceguá (afloramento CI-3); notar em (A) cataclase intensa de direção WNW-ESSE (a coloração esbranquiçada se deve a carbonatação). Figura 12 - Resultados de datações U-Pb no Granito Aceguá: (A) amostra CI-1, coletada na “Ilha granítica” Estância do Cêrro; e (B, C) amostra CI-3, coletada na Pedreira Municipal de Aceguá, no alto de Aceguá. 24 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 3.2.2. Riolito Arroio da Mina (NP3αam) de comprimento, largura média de 900 km e espes- suras máximas em torno de 6.000 m. Ocupando a porção meridional do Brasil (Figura 14 A), cobre uma Sob a denominação Riolito Arroio da Mina área de cerca de 1.100.000 km² deste país (MILANI; foram agrupados os diques ácidos riolíticos que se zALÁN, 1998; zALÁN et al. 1987). destacam nos mapas aerogeofísicos e cortam com alinhamento geral wNw-ESE o Granito Aceguá, A coluna estratigráfica utilizada para a Bacia constituindo na paisagem cristas com comprimentos do Paraná neste trabalho baseou-se na coluna de quilométricos e larguras usualmente decamétricas Milani, França e Schneider; (1994), utilizada pela (Figura 13). Petrobras (Figura 14 B). Muitos foram os trabalhos realizados nesta bacia com o objetivo de obter maio- Os riolitos são róseo-avermelhados a amar- res conhecimentos e entendimentos, sejam estes de ronados, porfiríticos, com granulação normalmente cunho geral ou específicos. fina a média, com fenocristais (<5mm) de quartzo e sanidina em matriz fina a microcristalina, frequente- white (1908) foi o pioneiro no estudo desta mente glomeroporfirítica, composta por feldspatos, bacia, apresentando uma sistematização da sua es- quartzo, anfibólio (riebeckita; indicando uma afinida- tratigrafia com estruturação litoestratigráfica que, na de alcalina a peralcalina), zircão, opacos e óxidos e sua essência, mantém a estrutura geral nos dias atu- hidróxidos de ferro. ais. Foram produzidas algumas dezenas de colunas São frequentes as feições de embainhamento formais, cujos autores Gordon Jr., 1947; Northfleet, (corrosão) nos fenocristais, com preenchimento pe- Medeiros e Muhlmann, 1969; Daemon e Quadros, los minerais da matriz. A sanidina por vezes ocorre 1970; Schneider et al., 1974; Fúlfaro, Gama Jr. e maclada segundo Carlsbad e Baveno, esta última Soares, 1980; Gama Jr., Bandeira Jr. e França, 1982; com menor frequência. Ocorrem feições de exsolu- zalán et al.,1986; entre outros, contribuíram para o ção nos feldspatos alcalinos. entendimento da sucessão estratigráfica, seguindo uma evolução desde os preceitos litoestratigráficos até a estratigrafia de sequências. A evolução da Bacia do Paraná iniciou ao final do Ciclo Brasiliano, em condições tardia pós-orogênicas, sobre a considerada recém-estabilizada Plataforma Sul-Americana. O registro sedimentar-magmático na Bacia do Paraná apresenta quebras marcantes, atribuídas por zalán et al. (1986, 1990) ao reflexo intracratônico de eventos orogênicos paleozoicos e da tafrogenia mesozoica do Atlântico Sul (MILANI; FRANÇA; SChNEIDER, 1994). Conforme esses últimos autores, este regis- tro constitui-se de seis Supersequências que estão limitadas por expressivas discordâncias regionais que são identificadas da base para o topo: Rio Ivai (Ordoviciano-Siluriano), Paraná (Devoniano), Figura 13 - Vista panorâmica para nordeste a partir do Gondwana I (Carbonífera-Eotriássica), Gondwana II afloramento CI-12, sobre granitoides do alto de Aceguá. (Neotriássica), Gondwana III (Jurássica-Eocretácea) e Os relevos positivos são resultantes de diques riolíticos e Bauru (Neocretácea) (MILANI; FRANÇA; SChNEIDER, conformam cristas alinhadas com direção geral WNW- 1994; MILANI, 1997; MILANI et al., 2007). ESE. A área rebaixada no horizonte é ocupada pelas As unidades mapeadas na Folha Aceguá per- rochas sedimentares da Bacia do Paraná. tencem à Sequência Gondwana I, sendo compostas por duas unidades na categoria de Grupo e que con- 3.3. BACIA DO PARANÁ têm as seguintes formações: Rio Bonito e Palermo (do Grupo Guatá) e Irati, Serra Alta, Teresina e Rio do Rasto (do Grupo Passa Dois). A distribuição destas unidades na área é apresentada na Figura 15. 3.3.1. Introdução 3.3.2. Grupo Guatá A Bacia do Paraná é considerada uma vasta bacia intracratônica que se desenvolveu sobre crosta O termo Grupo Guatá (parte da Supersequência continental proterozoica e é preenchida por rochas Gondwana I) foi introduzido por Oliveira (1916), sen- sedimentares e vulcânicas com idades que se esten- do constituído pelas formações Rio Bonito e Palermo. dem do Ordoviciano até o Cretáceo. Com formato O nome Rio Bonito foi utilizado primeira- alongado na direção geral N-S, a bacia tem 1.750 km mente por white (1908) para designar os “Schistos 25 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 14 - (A) Localização da Bacia do Paraná na América do Sul; e (B) Litoestratigrafia da Bacia do Paraná (modificado de Milani et al., 2007), com o retângulo vermelho indicando o intervalo estratigráfico aqui estudado. e grés do Rio Bonito com estractos carboníferos e a flora Glossopteris”. Em algumas regiões da bacia a Formação Rio Bonito é dividida em três interva- los, reconhecidos e denominados como Membro Triunfo (inferior), essencialmente arenoso; Membro Paraguaçu (intermediário), formado por siltitos, folhelhos e arenitos interdigitados; e Membro Siderópolis (superior), composto por arenitos finos a muito finos, intercalados com folhelhos carbonosos e leitos de carvão (SChNEIDER et al., 1974). A Formação Palermo é constituída, essencial- mente, por sedimentos de granulação fina, siltitos e arenitos finos e muito finos, de cores acinzentadas a amareladas em afloramento. 3.3.2.1. Formação Rio Bonito – P1rb A unidade, que aflora em duas ocorrências relativamente pequenas, uma no oeste e outra no extremo sul da folha, nas proximidades das rochas cristalinas do Granito Aceguá, apresenta contato por falha com as litologias do Grupo Passa Dois (forma- ções Irati e Teresina). Figura 15 - Distribuição das unidades da Bacia do Paraná Em cortes de estrada e lajeados a unidade aflorantes na Folha Aceguá. apresenta espessuras em torno de 5 metros. No furo de sondagem para carvão AG-03 mostra 163,30 m, a maior espessura para a Formação Rio Bonito obtida na Folha Aceguá. Nos demais furos executados na 26 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá região as espessuras foram menores: 138,80m (Furo selecionamento. Ocorrem camadas intercaladas de AG-02), 50,64m (Furo vL-02) e 11,80 m (Furo vL-01). arenitos quartzosos finos a médios, com grãos subar- A formação é constituída por espessas cama- redondados de esfericidade média a alta e modera- das de quartzoarenitos, arenitos quartzo-feldspáti- damente selecionados (Figura 16). cos (subarcoseanos) esbranquiçados, amarelados e Como estruturas primárias, ocorrem lamina- rosados (ferruginosos), siltitos de cor amarelo-palha ções plano-paralelas, marcas de ondas, estratificação e subordinadamente, níveis de conglomerados e are- cruzada acanalada, planar, tangencial, estratificação nitos com grânulos e intraclastos pelíticos. cruzada hummocky e geometria lenticular, que de- Petrograficamente é composta por subarcó- notam ambientes deltaico e fluvial com sigmoides e seos de granulação média a grossa, algumas vezes barras conglomeráticas, marinho raso dominado por conglomeráticos, com grãos subangulares a subar- ondas (foreshore a shoreface inferior), até porções redondados, com média a baixa esfericidade e mal mais profundas. Figura 16 - (A) Camadas amalgamadas de arenito com grânulos de quartzo e feldspato subangulares a subarredondados e arenitos médios com estratificação cruzada acanalada; e (B) Camadas amalgamadas com migração de dunas (sand waves) e plano-paralelas. Formação Rio Bonito (afloramento CK-7). O contato da unidade com os granitoides do cando condições de fluxo oscilatório em regime de embasamento é por inconformidade, comumente fluxo inferior, o que caracteriza a ação de ondas, sen- por conglomerados sustentados por seixos arredon- do algumas de interferência (Figura 17). dados com estratificação cruzada, normalmente com Com o aumento da lâmina d’água geram-se granodecrescência ascendente, amalgamados ou as- formas de leito de migração de dunas, denominadas sociados a arenitos conglomeráticos. Estes arenitos sand waves. Com maior aumento da profundidade, são grossos a muito grossos, com estratificação cru- a plataforma dominada por tempestades apresenta zada tangencial, constituindo predominantemente camadas amalgamadas com estratificação cruzada camadas lenticulares. hummocky, produto da ação das ondas que se carac- A Formação Rio Bonito apresenta camadas terizam pelo efeito erosivo irregular e preenchimen- arenosas com ripples de ondas (wave ripples), indi- to sob a ação da oscilação do fluxo. O padrão deposi- Figura 17 - (A) Marcas de onda sinuosas e (B) assimétricas em calhas. Formação Rio Bonito (afloramento CK-7). 27 CPRM - Programa Geologia do Brasil cional dessa unidade, no geral, é granodecrescente, Essa unidade aflora no quadrante noroeste da indicando nitidamente a mudança nos ambientes Folha Aceguá, no limite fronteiriço com o Uruguai, deposicionais desde fluvial até o marinho profundo, na região das estâncias da Colméia (vila da Lata) e caracterizando um evento de transgressão. Na Folha Carpintaria Nova. Em corte de estrada apresenta Aceguá não foram observados horizontes carbono- afloramentos com espessura em torno de 1,8 m. O sos em superfície. contato, quando observado, é gradacional com a A Formação Rio Bonito é posicionada no Formação Rio Bonito e tectônico com a Formação Eopermiano (intervalo Sakmariano e Kunguriano) Rio do Rasto. A rocha é um heterolito constituído devido a conteúdo palinológico. Recentes datações por arenitos muito finos, limonitizados, com lâminas radiométricas obtidas pelo método U-Pb acrescen- de argilito cinza-escuro e siltito cinza (Figura 18). No tam novas informações sobre a idade dessa unidade. geral, apresenta colorações cinzentas a amareladas, Os trabalhos geocronológicos realizados por Guerra- características de superfícies alteradas, e espessuras Sommer et al. (2005 e 2008) na camada Candiota em torno de 10 metros. resultaram idades entre 299,1±2,6 e 296±4,2 Ma. Em um nível bentonítico datado por Cagliari et Em subsuperfície foram encontradas espessu- al. (2014; região da jazida de Capané), pertencente à ras de aproximadamente 60 m no furo vL-01; 40,25 porção média-superior da Formação Rio Bonito, fo- m no vL-02 e 14 m no AG-02. A estratificação, quan- ram obtidas idades entre 290,6±2,8 e 281,7±3,2 Ma do preservada, apresenta laminação plano-paralela, (intervalo Sakmariano e Kunguriano). É adequado estratificação cruzada de baixo ângulo, estratificação destacar que os níveis datados encontram-se na par- cruzada hummocky e laminação ondulada. As ca- te média-superior da unidade, sendo necessário con- madas apresentam geometria lenticular. A paleo- siderar a espessura dos níveis de sedimentos inferio- ambiência interpretada para a unidade é de uma res à camada Candiota para inferir, com essas idades, deposição abaixo do nível da ação das ondas de bom o posicionamento da Formação Rio Bonito no limite tempo com influência de ondas de tempestade, em Permo-Carbonífero (intervalo Gzeliano – Asseliano). um ambiente marinho plataformal raso (shoreface Portanto, são necessários mais dados para corrobo- inferior). rar e sugerir a mudança nas idades das formações Rio Bonito (Grupo Guatá) e Taciba (Grupo Itararé) sugeri- 3.3.3. Grupo Passa Dois das na nota explicativa da Folha Igrejinha (Convênio UNISINOS/CPRM, 2014). white (1908) introduziu o termo como a série intermediária do então denominado Sistema Santa 3.3.2.2. Formação Palermo – P1p Catarina, com a seguinte sequência: rocha calcárea da Rocinha; schistos da Estrada Nova, pardos e ma- As rochas sedimentares dessa unidade tizados, com concreções quartzosas e camadas are- foram inicialmente referidas por white (1908), nosas; e schistos negros de Iraty, com “Mesosaurus” em Santa Catarina, como “schistos de Palermo”. e “Stereosternum”. Mendes (1967) utiliza o termo na Posteriormente, Oliveira (1916) tratou desse inter- categoria de Grupo, o qual é composto no Rio Grande valo como “Folhelho Palermo”, enquanto Gordon do Sul pelas formações Irati, Serra Alta, Teresina e Jr. (1947) empregou a categoria de Formação para Rio do Rasto, permanecendo a mesma concepção essas rochas. em Schneider et al. (1974). Figura 18 - (A) Heterolito, constituído por arenito muito fino, limonitizado, com lâminas de argilito cinza-escuro e siltito cinza (afloramento CK-25); e (B) Na superfície alterada apresenta coloração cinza a amarelada (afloramento CK-149). Formação Palermo. 28 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 3.3.3.1. Formação Irati – P2i onduladas simétricas e assimétricas. A presença de calcarenitos e calcilutitos com intraclastos de calci- Sua área tipo está situada no Município de lutitos subarredondados, numa matriz de calcare- Irati, Estado do Paraná. A citação original: “na base nito com dentes, ossos de répteis mesossaurídeos da Série do Passa Dois ha um schisto preto espes- (provável Stereosternum tumidum) desarticulados e so e largamente persistente que se estende de São intensamente retrabalhados (Figura 19 B), sugerem Paulo pelo Paraná e Santa Catarina ate o Rio Grande uma possível exposição subaérea e posterior retra- do Sul... a esta formação foi dado o nome de Iraty, balhamento pela ação de ondas e aumento do nível no Estado do Paraná, onde afflora em um corte da d’água com a cobertura de camadas de folhelhos estrada de ferro a três kilometros ao sul da estação betuminosos oxidados. de Iraty e contém... (pag. 180)” (whITE 1908). Os sedimentos finos indicam deposição por Consiste de folhelhos e argilitos cinza-escuros, decantação em ambiente de águas calmas, abaixo folhelhos betuminosos e calcários associados, porta- do nível de ação das ondas (SChNEIDER et al., 1974). dores de répteis mesossaurídeos (SChNEIDER et al. As condições anóxicas sugerem o aumento da lâmi- 1974). A essa unidade associam-se ocorrências de na d’água com o estabelecimento de uma coluna folhelhos pirobetuminosos, relacionados por zalán de água espessa, inibindo a chegada de oxigênio, et al. (1990) como geradores de óleo e gás. Essas marcando uma ritmicidade no folhelho. Os folhelhos rochas são explotadas no Paraná para a extração de betuminosos sugerem a existência de períodos de óleo e gás, com as cinzas geradas no processo de estratificação da coluna de água. extração sendo utilizadas na produção de cerâmi- Através de datações U-Pb de zircões, Santos et cas. Camadas de calcário e dolomitos são utilizadas al. (2006) apresentam uma idade de 278,4±2,2 Ma, na indústria cimenteira e como corretivo de solos. obtida em amostra de argila bentonítica, o que po- Ocorrências de cobre são encontradas junto a diques siciona a Formação Irati no Artinskiano (284,4±0,7 a e sills de diabásio do Grupo Serra Geral que afetam a 275,6±0,7 Ma). Formação Irati. Na Folha Aceguá, a Formação Irati ocorre na 3.3.3.2. Formação Serra Alta – P23sa região da Colônia Nova (centro leste da Folha), nas proximidades do Granito Aceguá (sul) e na região da Estância Maria Castelhana, com espessuras variando A Formação Serra Alta é formada por argilitos, entre 40 a 60 m. Em subsuperfície foi registrada a folhelhos e siltitos cinza-escuros, com fratura con- espessura de 33,75 m no furo de sondagem vL-02. choidal, lentes e concreções calcíferas, que ocorrem Na porção basal é constituída por argilitos entre as atuais formações Irati e Teresina. Partes dos e siltitos cinza-escuros, maciços ou com lamina- sedimentos desta formação foram denominadas ção plano-paralela (correspondente ao Membro por white (1908) como “Folhelhos Irati”. Muitos Taquaral), conformando camadas tabulares. Na por- autores utilizaram para esta unidade as denomina- ção superior (Membro Assistência), ocorre associa- ções Estrada Nova s.s., Estrada Nova Inferior, Grupo ção de folhelhos, folhelhos betuminosos e calcários Estrada Nova ou Andar Estrada Nova (MÜhLMANN et (Figura 19 A). Nessas camadas de calcário ocorrem al.,1974). Gordon Jr. (1947) designou como Membro estratificações cruzadas hummocky, que sugere Serra Alta da Formação Estrada Nova. No entanto, a influência de tempestades durante a deposição a unidade foi elevada a categoria de Formação por dessa unidade (LAvINA, 1991), assim como marcas Sanford; Lange (1960). Figura 19 - (A) Camada inferior de folhelho betuminoso e camadas superiores de calcarenito e calcilutito.; e (B) Intraclastos de calcilutito subarredondados em matriz calcarenitica com fósseis desarticulados de mesossaurídeos. Formação Irati (afloramento CK-362). Para detalhes paleontológicos ver Figura 24 e Figura 25. 29 CPRM - Programa Geologia do Brasil A Formação Serra Alta apresenta afloramentos muito semelhantes. A presença de veios de quartzo em corte de estrada, principalmente na BR-153, com na Formação Serra Alta é marcante e característica espessuras de aproximadamente 4 m. É constituída significativa dessa unidade. essencialmente por siltitos e argilitos cinza-escuros, não betuminosos, em camadas tabulares maciças 3.3.3.3. Formação Teresina – P3t ou com laminação plano-paralela pouco desenvolvi- da, com veios de quartzo cortando caoticamente as camadas (Figura 20). Quando expostos ao intempe- Em 1908, white já denominava de Camadas rismo, os siltitos e argilitos apresentam cores cinza- Estrada Nova para a sequência composta por folhe- -claro a ocre e avermelhadas, muito fragmentados. lhos cinza e variegados e arenitos, os quais estão É frequente a presença de concreções carbonáticas. incluídos nos sedimentos da Formação Teresina. A deposição dos sedimentos corresponde à Esta, atualmente reconhecida, fez parte do Grupo decantação de finos em profundidades abaixo do Estrada Nova de Oliveira (1916), no Grupo Estrada nível base de ação das ondas. O contato superior Nova Inferior por Du Toit (1927) e correspondia dessa formação com a unidade sobreposta se dá à parte da Formação Estrada Nova de Northfleet; com a presença de finas lâminas de arenito muito Medeiros; Mühlmann (1969). Entretanto, foi Moraes fino. Às vezes é difícil separar as duas unidades, por Rego (1930) quem empregou pela primeira vez o ter- apresentarem características texturais e colorações mo Teresina para designar como grupo a sequência Figura 20 - Formação Serra Alta em corte da BR-153: (A) Folhelhos cinza com cor de alteração ocre e veio de quartzo cortando caoticamente as camadas. Concreção carbonática na porção superior esquerda (afloramento CK-295); e (B) veio de quartzo cortando as camadas (CK-217). exposta próxima a localidade de Teresa Cristina, no tempestade. Boa parte dos afloramentos são aver- Estado do Paraná (MÜhLMANN et al., 1974). melhados devido à oxidação. A Formação Teresina é composta por argilitos, Essa formação apresenta, em outras partes da siltitos e arenitos muito finos a finos com cores va- Bacia do Paraná, fósseis de pelecípodes e peixes. riando de cinza-escuro, esverdeado, amarelado até Na Folha Aceguá não há evidências desses avermelhado. As camadas são tabulares ou lenticula- achados. O contato dessa unidade com a unidade su- res e a sedimentação apresenta ciclos granocrescen- perior se dá gradualmente (contato gradacional), po- tes, iniciando com argilitos maciços e siltitos com lâ- rém de difícil distinção por ambos estarem oxidados minas de arenito muito fino com acamamentos wavy e linsen. Apresentam níveis com bioturbação mode- rada. Ocorrem concreções carbonáticas no interior 3.3.3.4. Formação Rio do Rasto – P3T1rr de pacotes de siltitos laminados. Intercalações de argilitos e siltitos com camadas finas de arenitos mui- A denominação Rio do Rasto foi utilizada to finos avermelhados com marcas de ondas (Figura primeiramente por white (1908) para a sequência 21). Arenitos com estratificação cruzada hummocky, sedimentar exposta nas cabeceiras do rio do Rasto, marcas onduladas simétricas e assimétricas. As es- na estrada Lauro Muller – São Joaquim (SC), a qual truturas sedimentares associadas são indicativas de compreende na sua parte inferior siltitos e arenitos ação de ondas, onde a deposição ocorre desde em finos esverdeados e arroxeados, e na porção supe- ambiente calmo abaixo (offshore) e acima (shoreface rior, argilitos e siltitos avermelhados com interca- inferior) do nível de base das ondas. Pacotes de are- lações lenticulares de arenitos finos (MÜhLMANN nitos com estratificação cruzada hummocky indicam et al.,1974). Gordon Jr. (1947) propôs uma subdi- deposição em ambiente influenciado por ondas de visão da formação, correspondendo aos membros 30 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá Figura 21 - (A, B, C) Heterolitos da Formação Teresina compostos por argilitos, siltitos e arenitos muito finos com marcas de ondas e laminações plano-paralelas. Marcas de ondas de interferência na camada de arenito fino (afloramentos CK-29 e CK-30). (D) é ampliação de parte de (C). Serrinha, inferior, e Morro Pelado, superior. Na Folha gram aos sedimentos lacustres e deltaicos. Ocorrem Aceguá a unidade aflora com espessuras estimadas fragmentos de troncos fósseis e um afloramento sig- em até 35 m. nificativo com tronco no pavimento de uma estrada, Apresenta pelitos e arenitos variegados, na com aproximadamente 4 metros de comprimento e base, com cores avermelhadas, rosada a cinza-claro, 0,47 m de diâmetro (Figura 22 C e Figura 23). com dominância de camadas tabulares e lenticulares (Membro Serrinha), as quais se associam com acama- 3.3.4. Aspectos Paleontológicos damentos wavy e linsen e arenitos com estratificação cruzada hummocky. Na porção média e superior, passam progressivamente a dominar as geometrias lenticulares (Membro Morro Pelado) (Figura 22 A e 3.3.4.1. Introdução B). Os siltitos tendem a ser avermelhados e tabula- res, maciços ou laminados. Das diversas atividades desenvolvidas nas Os arenitos são quase sempre finos, podendo quatro folhas do bloco de mapeamento resultou ser tabulares ou lenticulares e apresentam lamina- também a análise de 13 localidades fossilíferas, das ção plano-paralela, laminação cruzada cavalgante e quais oito na Folha Aceguá (três ocorrências históri- estratificações cruzadas acanaladas de pequeno a cas e cinco inéditas), duas na Folha Bagé (inéditas) e muito grande porte. três na Folha Passo São Diogo (uma histórica e duas Na porção basal da Formação Rio do Rasto se inéditas). Não foram determinados afloramentos estabelece a continuidade das condições paleoam- fossilíferos na Folha Curral de Pedras. bientais da Formação Teresina, com a total ausência As quatro exposições históricas constituem de organismos marinhos. Em direção ao topo a uni- áreas onde material fóssil de vertebrados foi coleta- dade evolui para ambientes lacustre e deltaico. Na do no passado; destas, três ocorrem na Folha Aceguá parte superior os campos de dunas eólicas se inte- e foram visitadas pela equipe da CPRM, enquanto 31 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 22 - Formação Rio do Rasto: (A) Pelitos avermelhados a róseos intercalados com camadas tabulares de arenito cinza-claro a branco (afloramento CK-367); (B) Camada de arenito maciço e geometria tabular (afloramento CK-22); e (C) Tronco fóssil no pavimento de estrada secundária (afloramento CK-324; ver a Figura 23). uma, na Folha Passo São Diogo, é descrita com base Proganosauria). O detalhamento desta nova ocor- em informações bibliográficas. rência consta no item 3.3.4.3, adiante. Os nove registros fósseis inéditos resultaram 2) Localidade inédita: Ravina Junguitu (aflora- do atual programa de levantamentos, com a desco- mento EK-6; UTM 768.715E, 6.473.046N). Unidade berta de restos de: 1) mesossauros em uma locali- encaixante: Formação Rio do Rasto. Material: abun- dade, na Folha Aceguá; e 2) troncos fósseis em oito dantes fragmentos e seções transversais de troncos; localidades, duas delas na Folha Bagé, duas na Folha aparentemente existem dois táxons distintos. Passo São Diogo e quatro na Folha Aceguá. Entre as últimas está incluída uma ocorrência comunica- 3) Localidade inédita: Arroio Minuano da à equipe da CPRM pelo Prof. Dr. Ernesto Lavina II (leste) (afloramento EK-33A; UTM 769.206E, (Geologia/UNISINOS). 6.478.437N). Unidade encaixante: Formação Rio do Rasto. Material: abundantes fragmentos de troncos 3.3.4.2. Registros Fósseis na Folha Aceguá rolados. 4) Localidade inédita: Tronco na Estrada (aflo- ramento CK-324, também EK-36; UTM 776.752E, Os primeiros cinco registros (1 a 5) abaixo 6.481.496N). Unidade encaixante: Formação Rio do caracterizam novas ocorrências fossilíferas, enquan- Rasto. Material: um tronco parcialmente exposto, to os três seguintes (6 a 8) constituem ocorrências com cerca de 4 m de comprimento, transversal ao históricas visitadas, cuja descrição inclui informações leito de estrada vicinal. O tronco tem continuidade obtidas nas fontes bibliográficas originais. sob o leito da estrada por pelo menos 1,5 m (Figura 1) Localidade inédita: Riacho dos Mesossauros 23 A, B). (afloramento CK-362, também EK-37; UTM 770.495E, 5) Localidade inédita: Tronco do Lavina (aflora- 6.493.663N). Unidade encaixante: Formação mento EK-38; UTM 770.248E, 6.495.996N). Unidade Irati. Material: vértebras e costelas dissociadas encaixante: Formação Rio do Rasto. Material: tronco, de Stereosternum tumidum (Reptilia, Parareptilia, antes com cerca de 6 m, que foi parcialmente destru- 32 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá ído para a abertura de uma estrada vicinal; as extre- 2001) (Temnospondyli, Archegosauridae). Citação midades do tronco continuam no local (oberservação original: “km176 of the BR153 road, between the do Prof. Dr. Ernesto Lavina, em 19/12/2014). cities of Bagé and Aceguá, Rio Grande do Sul State, 6) Localidade histórica: Bageherpeton (aflora- Brazil” (DIAS; BARBERENA, 2001, p. 136). mento EK-2; UTM 771.414E, 6.501.537N). Unidade 7) Localidade histórica: Provelosaurus I (aflo- encaixante: Formação Rio do Rasto. Material: ros- ramento EK-3; UTM 768.600E, 6.473.789N). Unidade tro mandibular (holótipo: UFRGS Pv-0317-P) de encaixante: Formação Rio do Rasto. Material: crâ- Bageherpeton longignathus (DIAS; BARBERENA, nio e pélvis de Provelosaurus americanus (ARAÚJO, Figura 23 - Madeira fossilizada na Formação Rio do Rasto: (A) Vista geral do afloramento CK-324 com a indicação (seta amarela) da área escavada para determinação da continuidade de tronco fóssil; e (B) Detalhe do material (notar nó). 1985) (Reptilia, Parareptilia, Pareiasauria) (holótipo: nito desestruturado (brecha sedimentar) com cerca UFRGS Pv-0232P). Citação original: “BR-153, num de 40 cm, coloração cinza-clara, contém litoclastos corte de estrada, situado no km 204, no lado direito centimétricos esparsos de calcilutito, com bom ar- da rodovia, no sentido Bagé-Aceguá” (ARAÚJO, 1985, redondamento (Figura 24 A), e bioclastos, com frag- p. 63-64). mentação variada, caracterizados como os restos de 8) Localidade histórica: Provelosaurus II mesossauros (Figura 24 B). Este pacote é sobreposto (afloramento EK-4a; UTM 768.496E, 6.473.233N). por um nível decimétrico com marcas onduladas e Unidade encaixante: Formação Rio do Rasto. estratificações cruzadas hummocky. A história ta- Material: esqueleto pós-craniano incompleto de fonômica complexa dos restos fósseis certamente Provelosaurus americanus (ARAÚJO, 1985) (Reptilia, deriva do ambiente de alta energia (tempestitos) Parareptilia, Pareiasauria); hipodigma (UFRGS Pv- caracterizado para o pacote. 0233-P). Citação original: “A seiscentos metros [do O detalhamento descritivo do material amos- afloramento EK-3], do lado esquerdo da rodovia, em trado (Figura 25 A a F), mostra que as costelas trun- direção à Aceguá” (ARAÚJO, 1985, p. 63-64). cais (Figura 25 A) possuem notável espessamento ósseo (paquiostose) que fornece um aspecto musi- 3.3.4.3. Riacho dos Mesossauros forme (em forma de banana). As vértebras truncais possuem o arco neural volumoso em comparação Localidade denominada no presente trabalho com seu corpo (condição cotilossauriana), e presen- como Riacho dos Mesossauros, pela presença de ça constante do forâmen notocordal (fnt). Na Figura expressiva quantidade de restos de mesossauros na 25 B pode-se observar a ista cranial de uma vértebra saída de drenagem de uma barragem para plantação truncal com ambas prezigapófises (prz) quebradas de arroz. e a presença do zigósfeno (zsf), que é uma projeção óssea que se articula no zigantro da vértebra prece- dente, prevenindo a torção da coluna vertebral. 3.3.4.3.1. Identificação do Material Uma vértebra truncal em vista caudal (Figura 25 C) mostra ambas poszigapófises (psz), ambos O material fóssil desarticulado encontrado na zigantros (zan) e o processo supraneural (psn), que localidade “Riacho dos Mesossauros” (afloramento constitui (conforme Modesto, 1999, p. 13) uma ex- CK-362) é composto por restos de costelas e vérte- pansão laminar dorsal ao canal medular (cnmd). bras, geralmente fragmentadas, dispersas na matriz Uma outra vértebra truncal em vista caudal (Figura sedimentar. A rocha hospedeira, um nível de calcare- 25 D) mostra a poszigapófise (psz) direita (a esquerda 33 CPRM - Programa Geologia do Brasil Figura 24 - (A) Vista geral do afloramento da localidade Riacho dos Mesossauros (CK-362), com a indicação (seta amarela) do intervalo litológico (tempestitos) de ocorrência dos restos de mesossauro; e (B) Detalhe (vista em planta) do calcarenito contendo intraclastos de calcilutito e do material fóssil desarticulado, alguns destes indicados por setas. Ver também a Figura 19. Figura 25 - Material desarticulado (costelas e vértebras) de Stereosternum tumidum (Proganosauria, Mesosauridae). Localidade: “Riacho dos Mesossauros” (CK-362). (A) Costela truncal com espessamento no corpo (paquiostose) e aspecto musiforme diagnóstico; (B) Vértebra truncal indeterminada em vista cranial; (C/D) Vértebras truncais indeterminadas em vista caudal; (E) Vértebra caudal intermediária em vista lateral direita; e (F) Vértebra caudal basal em vista terminal. Abreviaturas: cnmd (canal medular), fnt (forâmen notocordal), prz (prezigapófises), psn (processo supraneural), psz (poszigapófise), vrt (vértice), zan (zigantros), zsf (zigósfeno). Barra de escala = 2 mm. 34 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá está quebrada). vértebras caudais isoladas são tam- 3.4. DEPÓSITOS ALUVIONARES bém encontradas. A Figura 25 E mostra a vista lateral direita de As aluviões acompanham os rios principais uma vértebra caudal intermediária, que é alongada como Rio Negro, Arroio Piraí, Arroio Jaguarão Chico, e não possui diapófises desenvolvidas. Uma vértebra Arroio Minuano, Sanga do Peixe, Sanga dos Cinco caudal com diapófises bem desenvolvidas, diagnós- Salsos, Sanga da Areia e Arroio da Mina. São sedi- tico de uma posição mais basal na cauda, pode ser mentos clásticos, mal selecionados, inconsolidados, vista na Figura 25 F. onde predominam depósitos arenosos de granula- A identificação deste material toma por base ção grossa a muito fina e subordinadamente argila. a paquiostose musiforme das costelas, que é en- São encontrados principalmente ao longo dos cursos contrado tanto em Mesosaurus brasiliensis quan- d’água que drenam os terrenos sedimentares da to em Stereosternum tumidum (e que descarta o Bacia do Paraná (Figura 26). Brazilosaurus sampauloensis). A diferença comu- mente utilizada para se diferenciar restos desarti- culados de Steneosaurus daqueles de Mesosaurus encontram-se na morfologia das costelas cervicais e hemapófises (conforme ROSSMANN, 2000, p. 26; e PRETTO, 2009, p. 29). Contudo, tais ossos não estão preservados de forma inequívoca no presente mate- rial. Por outro lado, Pretto (2009, p. 61-62) observa a possibilidade da morfologia das arestas laterais do arco neural de ambos os gêneros nominativos serem distintos. Assim, pela disposição do vértice (vrt) des- tas arestas laterais não ultrapassando lateralmente a poszigapófise (Figura 25 C), o material é identificado como pertencente ao Stereosternum tumidum. 3.3.4.3.2. Sistemática Paleontológica Parareptilia Olson, 1947; Proganosauria Baur, 1887; Mesosauridae Baur, 1889; Stereosternum Cope, 1886; Stereosternum tumidum Cope, 1886. Stereosternum tumidum e as suas formas próximas (Mesosaurus brasiliensis e Brazilosaurus sampauloensis) formam um grupo holofilético bem homogêneo na morfologia geral, diferenciando-se pelo comprimento do pescoço, quantidade de den- tes e distribuição distinta do espessamento ósseo Figura 26 - Depósitos aluvionares nas bacias de (paquiostose). drenagem da Folha Aceguá. Tinham o corpo alongado, mas pouco flexí- vel, e possuíam adaptações para a vida aquática. Conforme relatado para Stereosternum tumidum (RÖSLER, 1974; RÖSLER; TATIzANA, 1985) a cauda era comprimida transversalmente e existiam mem- branas interdigitais, mas a propulsão aquática era feita primariamente pelos membros, e não pela cau- da (que não mostra uma musculatura robusta); por outro lado, os membros são particularmente desen- volvidos e ossificados. Um possível ovo amniótico com um embrião foi descrito em camadas correlatas do Uruguai (Formação Mangrullo, Piñeiro et al., 2012) e uma locomoção terrestre era plenamente possível, já que os membros eram bem desenvolvidos e ossificados (em especial o carpo e o tarso). Os restos desarticulados mostram retraba- lhamento post mortem, com desarticulação e trans- porte, não sendo seu ambiente de morte e, muito menos, de vida (Figura 24 A e B). 35 CPRM - Programa Geologia do Brasil 4 — ASPECTOS ESTRUTURAIS A geologia da Folha Aceguá é composta quase Cambriano, fenômeno de ocorrência relativamente exclusivamente por coberturas sedimentares paleo- comum em bacias intracratônicas. Os elementos tec- zoicas e cenozoicas, com o afloramento de litologias tônicos lineares Nw-SE são relacionados com o Arco pré-cambrianas limitado a três paleorrelevos po- de Rio Grande; os de direções N-S até NE-Sw aos sis- sitivos, dos quais o principal referido como Alto de temas de falhas regionais NNE, tais como o Sistema Aceguá, na fronteira com o Uruguai. de Falhas Irapuá - Passo dos Enforcados e a zona de Nas áreas de granitoides a estrutura princi- Cisalhamento Dorsal de Canguçu. Estas estruturas pal é uma foliação magmática usualmente discreta exerceram intenso controle sobre a sedimentação e nos granitos porfiríticos, marcada pela orientação preservação da Bacia do Paraná na região; as orien- dimensional dos megacristais de feldspatos e, mais tações E-w, segundo zalán et al. (1987), representam raramente, pelos minerais máficos, refletindo o cam- o máximo momento de deformação associado à rup- po de tensões vigente durante o posicionamento do tura do Gondwana. magma. As porções mais deformadas exibem faixas Como resultado final do fraturamento regio- métricas com alteração hidrotermal, caracterizada nal, a sequência estratigráfica acha-se intensamen- especialmente por carbonatação e silicificação. Essas te seccionada constituindo um mosaico de blocos estruturas parecem ter orientado a intrusão dos limitados por falhas extensionais, com ângulos de diques de rochas alcalinas (Riolito Arroio da Mina), mergulho usualmente maiores do que 75°. Nas condicionados com a disposição geral ESE-wNw, e proximidades do arroio da Mina, na fronteira com o mesmo parte dos planos de movimentos normais da Uruguai, os arenitos da Formação Rio Bonito (aflo- Bacia do Paraná (Figura 27). ramento CK-7) apresentam bandas de deformação com direção nordeste, centi- a decimétricas, e com- Na Bacia do Paraná, as orientações Nw-SE e ponentes cisalhantes dextrógiros. A cominuição de NE-Sw representam direções tectônicas por reativa- grãos e cimentação por sílica resulta em ressaltos no ção de estruturas herdadas do embasamento Pré- afloramento (Figura 28). Figura 27 - Granito Aceguá (Pedreira Municipal de Aceguá): (A) Brecha hidrotermal sobre granitoides; e (B) Falha normal de direção geral E-W, com mergulho do plano para N (vista para oeste). Figura 28 - (A, B) Bandas de deformação sobre arenitos da Formação Rio Bonito (afloramento CK-7). Vista em planta para (B). 36 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 5 — RECURSOS MINERAIS 5.1. PANORAMA MINERAL DA ÁREA tica na Formação Rio do Rasto, nas proximidades de Aceguá; e de uma ocorrência de carvão em profun- didade, caracterizada em furo de sondagem (Figura A atividade extrativa mineral na Folha Aceguá 29). é exercida de forma intermitente e restringe-se ba- Os indícios minerais (pontos anômalas com sicamente a extração de saibro, para uso nas vias Au), resultantes de amostragem por concentrados públicas vicinais e nos acessos às propriedades par- de minerais pesados são também apresentados na ticulares. É reconhecida na área, além dos recursos Figura 29, porém descritos no capítulo 6 (Geoquímica acima referidos, uma ocorrência de argila bentoní- Prospectiva). Figura 29 - Distribuição das ocorrências minerais na Folha Aceguá, incluindo indícios minerais para Au em concentrados de bateia e carvão em furos de sondagem. 5.2. MINERAIS NÃO-METÁLICOS lada entre folhelhos cinza-avermelhados, em exposi- ção que contêm ainda arenitos finos esbranquiçados e siltitos avermelhados. Ainda que a ocorrência brasileira não tenha 5.2.1. Bentonita interesse econômico, ocorre no mesmo nível estrati- gráfico da Jazida Bañado de Medina (próximo à cida- Lentes centimétricas de bentonita foram de de Melo, Uruguai), onde estas argilas de origem identificadas por Pintaúde e Formoso (1972) em um vulcânica alcançam até 6,5m de espessura e tem afloramento da Formação Rio do Rasto (Membro viabilidade econômica demonstrada por pesquisas Serrinha) na margem leste da rodovia BR-153, nas detalhadas. proximidades da localidade de Aceguá (Figura 30A). Conforme Dani et al. (2011), as caolinitas (tons- A bentonita tem coloração rosada e ocorre interca- teins) e as Ca-montmorilonitas (bentonitas) inseridas 37 CPRM - Programa Geologia do Brasil em rochas sedimentares da Bacia do Paraná, particu- cogitar a existência de duas “gigantescas” erupções larmente nas formações Rio Bonito e Rio do Rasto, vulcânicas no sudoeste do Gondwana durante o resultam da deposição de tefras durante o Permiano. Permiano Superior e a afinidade entre rochas atu- Conforme estes autores, a integração dos dados quí- almente separadas por mais de mil quilômetros.” micos de rochas e de idades de zircões das regiões O evento “Agua de Los Burros” (~265Ma) constituiu de Candiota e Aceguá comparadas com resultados o possível material fonte da bentonita, enquanto o obtidos de amostras do cinturão vulcânico Choiyoi evento “Choiyoi Inferior” (~281Ma), a provável fonte (Paleozoico Superior, w-Nw da Argentina), permite primária dos tonsteins. Figura 30 - (A) Ocorrência de bentonita na Formação Rio do Rasto, na margem leste da BR-153, proximidades da localidade de Aceguá (cidade ao fundo); e (B, C) pedreiras de material de empréstimo no alto de Aceguá.’ 5.2.2. Materiais de Uso na Construção Cabe destacar a técnica de construção das denominadas casas de torrão de leiva na localidade As principais saibreiras se localizam nas proxi- de vila da Lata, município de Aceguá, na fronteira midades da sede municipal de Aceguá, com a extra- Brasil-Uruguai. Esta técnica se caracteriza pela uti- ção do material resultante da alteração do Granito lização do solo superficial e orgânico, com raízes e Aceguá (Figura 30 B, C). Entre estas cabe destacar folhas de vegetação nativa e rasteira (gramíneas), a pedreira administrada pela Prefeitura Municipal, cortado com pá de corte preferencialmente na forma na margem leste da BR-153, já na periferia do pe- de paralelepípedo (tijolo). Os torrões assim cortados rímetro urbano daquela localidade. A maioria das são sobrepostos uns aos outros com juntas desen- saibreiras é de pequeno porte, produzindo material contradas, gerando paredes estruturais com 60 a 80 de empréstimo para capeamento e recuperação de cm de espessura. estradas vicinais e de propriedades rurais. O uso de areia e argilas para cerâmica verme- 5.3. MINERAIS ENERGéTICOS (CARVÃO lha não tem significado econômico, sendo extraídas MINERAL) em quantidades artesanais para uso doméstico. As camadas de argilas da Formação Rio do Rasto No ano de 1983, através do programa de pes- permitem, todavia, caracterizar para a unidade um quisas próprias desenvolvidas pela CPRM (Projeto significativo potencial mineral para a indústria de Grande Candiota), foram realizadas quatro sonda- cerâmicas vermelhas. gens para carvão no âmbito da Folha Aceguá, duas 38 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá no centro-oeste da folha (furos com sigla vL; Bloco espessura; logo abaixo, também um leito de carvão vila da Lata) e duas no quadrante sudeste (sigla AG; com 0,19m de espessura. Bloco Aceguá), as quais estão localizadas na Figura 29 Estes resultados, irrelevantes do ponto de vis- ta econômico, mostram a necessidade de pesquisas Destes, apenas o furo AG-02 resultou positivo adicionais para carvão na região, em especial pela para carvão, com a caracterização a 77,53m de pro- possibilidade de extensão da Camada Candiota para fundidade de uma camada de carvão com 0,42m de o quadrante nordeste da Folha Aceguá. 39 CPRM - Programa Geologia do Brasil 6 — GEOQUÍMICA PROSPECTIVA 6.1. GEOQUÍMICA DE SEDIMENTOS DE tados nos carbonatitos, como Co, Ni, Sc, Ti, v e zr, por CORRENTE exemplo, podem refletir litologias como as rochas vulcânicas básicas e ácidas ocorrentes na área.” A área denominada NE Bagé ocorre no leste da 6.1.1. Introdução Folha Bagé, e sobre esta área o relatório do Projeto Geoquímica do Escudo Sul-Riograndense afirma: “A região situada a nordeste da cidade de Bagé mostra O tratamento geoquímico dos dados das folhas valores elevados para Ba e v. A associação Ba–v é Igrejinha, Bagé, Aceguá, Passo São Diogo e Curral de comum no ambiente sedimentar, em óxidos de man- Pedras foi executado de modo a identificar possíveis ganês. O vanádio também é elemento frequente em alvos prospectivos detectados nas amostragens de associações com rochas básicas, e também em asso- sedimentos ativos de corrente e de concentrados de ciações comuns em carbonatitos, o mesmo ocorre minerais pesados em bateia (Figura 31). com Bário. O Bário também é formador de ganga co- Na interpretação de concentrados de minerais mum em depósitos de veios e de sulfetos maciços.” pesados, por se tratar de resultados semiquantitati- “Cabe destacar que o Ba também ocorre na barita vos, não se aplicou nenhuma metodologia estatística em veios nas principais ocorrências de minerais base para esta interpretação, como ocorreu com os sedi- e preciosos do Escudo. As porções do norte e do sul mentos de corrente. com altos valores do parâmetro F desta área indicam uma continuidade na prospecção nestes alvos.” O primeiro ponto a destacar é que trabalho recentemente executado na SUREG-PA (Geoquímica A área Pedras Altas se situa no leste da Folha do Escudo Sul-Riograndense, 2015) identificou zonas Passo São Diogo, sobre ela o relatório do Projeto de maior concentração de alguns elementos quími- Geoquímica do Escudo Sul-Riograndense afirma: cos e associações deles que geraram o que o referido “A região de Pedras Altas apresenta concentrações projeto denominou de zonas anômalas. Uma dessas mais destacáveis de Ce/Cu/Fe/Li/Mg/P/Sc/Ti/v/zr. áreas, Dom Pedrito, ocorre no extremo norte da Enriquecimento de Fe/Ti/v/Mg/Cu são observados Folha Igrejinha. O relatório do Projeto Geoquímica em depósitos destes bens minerais.” “Nesta área, do Escudo Sul-Riograndense afirma, sobre esta área, os elementos enriquecidos Cu, Fe, Mg, P, Sc, Ti e v o que segue: “A região próxima a Dom Pedrito mostra não refletem as litologias dominantes na cartografia valores mais elevados, distinguindo-se associações disponível. As zonas transcorrentes, os corpos mag- importantes para As/Ba/Be/Co/Fe/Ga/Li/ Mg/Mo/ néticos e os valores elevados do parâmetro F disse- Ni/P/Sc/Ti/v/zr e Cd/hf/Pd. A primeira associação é minados na área recomendam o adensamento da comum em oxidados de manganês, bem como em amostragem de sedimentos de corrente.” rochas ultramáficas, podendo, por incluir muitos A área denominada herval se situa fora, mas elementos, de forma total ou parcial, associar-se a junto ao leste da Folha Curral de Pedras. Sobre ela alguns depósitos minerais. Um destes tipos de de- discorre o relatório do Projeto Geoquímica do Escudo pósitos é o diamantífero. Na área de Dom Pedrito, Sul-Riograndense: “Nesta área podem ser observa- vale repetir, ocorre concentração na segunda faixa dos valores elevados, na categoria dos maiores valo- de valores para diversas variáveis. Esta é uma área res na área trabalhada, para os elementos Bi (poucos do Escudo na qual são observados anomalias e valo- valores), Fe e K (também em poucas amostras), um res elevados para muitos dos elementos analisados, único valor significativo de P, Rb em poucas amos- com ocorrência de rochas vulcânicas ácidas, bási- tras, Tb (que também ocorre a norte de herval), Tl cas e granitoides, com predominância em área das e U nas faixas logo abaixo da maior faixa de valores. primeiras. Alguns dos elementos que fazem parte Também se observa um valor elevado de v e alguns desta associação ampla também ocorrem em rochas valores altos para zr.” pegmatoides.” “...destacam-se, para esta área, os A Folha Igrejinha, na área mapeada, ocupa elementos P e Ba, os quais, juntamente com os li- cerca de 2.600 km², sendo limitada em superfície neamentos E-w, as diversas anomalias magnéticas, a pela fronteira com o Uruguai. A Folha Bagé é a única posição geotectônica de borda da Bacia do Paraná e com área total (~2.643 km²) no território nacional. a ocorrência de necks de pequeno porte (<4km) com As demais folhas levantadas pela CPRM também quartzo-monzonito a quartzo-monzodiorito com au- apresentam diferentes coberturas no Brasil (Passo gita e augita subcálcica no centro, contornados por São Diogo: 2.629 km²; Aceguá: 1.538 km²; e Curral sienito a quartzo-sienito com aegirina-augita, levam de Pedras: 957 km²), sendo o restante das áreas a indicar a área como favorável para prospecção de ocupado pela República Oriental do Uruguai. Foram rochas alcalinas e associadas (carbonatitos e kimber- coletadas e enviadas para análise 694 amostras de litos).” “Outros elementos com valores altos e deple- sedimentos de corrente, sendo 201 na folha Passo 40 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá São Diogo, 179 na Bagé, 151 na Igrejinha, 81 na média foi de aproximadamente uma amostra a cada Aceguá e 82 na Curral de Pedras. 15km2, variando como segue: 1/19 km² na Folha As densidades de amostragem variaram, tam- Aceguá, 1/15 km² na Bagé, 1/13 km² na Passo São bém em função, dentre outros fatores, da presença Diogo, 1/12 km² na Curral de Pedras e 1/17 km² na de sedimentos mais recentes. A densidade global Igrejinha. Figura 31 - Mapa com a distribuição da amostragem de sedimentos de corrente e concentrados de bateia nas folhas Igrejinha, Bagé, Aceguá, Passo São Diogo e Curral de Pedras (escala 1:100.000). 6.1.2. Metodologia laboratórios da CPRM na Superintendência Regional de Porto Alegre. Uma fração contendo entre 30 a 50 g de material de cada amostra foi encaminhada 6.1.2.1. Metodologia de Campo ao laboratório para análise, e seu complemento armazenado. As amostras coletadas (fração <80#) A fração granulométrica das amostras de sedi- foram analisadas nos laboratórios da ACMELabs mento de corrente foi estabelecida em <80# (0,175 (vancouver, Canadá) por ICP-MS no pacote “Group mm), com uma quantidade mínima de material de 3 1F-MS” para 53 elementos, com abertura através de Kg, sendo a preparação das amostras executada nos água régia. 41 CPRM - Programa Geologia do Brasil 6.1.2.2. Metodologia Analítica e Tratamento valores, 68% do total), Re (431 dados, 62% do total), estatístico dos Dados Pt (405 dados, 58% do total), In (394 dados, 57% do total), Te (361 dados, 52% do total), S (341 dados, A metodologia de análise dos dados seguiu a 49% do total) e Se (318 dados, 46% do total), além mesma adotada no projeto Geoquímica do Escudo de outros elementos com boa quantidade de valores Sul-Riograndense, iniciando com uma análise indivi- abaixo do limite inferior de detecção do método mas dual, por elemento químico analisado, definindo-se ainda passíveis de tratamento estatístico sem pro- os limites de classes de valores pela metodologia EDA blemas na mesma dimensão dos acima citados, são (Exploratory Data Analysis, descrita em ANDRIOTTI, os casos de ouro, com 129 valores qualificados (de- 2010), aplicando-se os limites definidos nas box nominação dada a este tipo de resultado), ou seja, plots individuais para estabelecimento de classes de cerca de 18% do total dos dados obtidos, hg (105 da- valores. dos, 15% do total), Sb com 92 resultados qualificados Definindo-se IQR como sendo o intervalo in- (13% do total) e hf (86 resultados, num total de 12% terquartis (diferença numérica entre o terceiro quar- sobre o total enviado para análise). til e o primeiro quartil), e levando-se em considera- Outra etapa da análise é o estudo das corre- ção os demais parâmetros como sendo a mediana e lações lineares presentes, em que se busca ressaltar os próprios quartis supra citados, e denominando o aquelas relações que, por sua magnitude, merecem primeiro quartil como Q I e o terceiro quartil como Q algum destaque, elas são divididas em faixas tam- III, as classes definidas foram: bém (superiores a 0,70, superiores a 0,80 e supe- • desde o mínimo valor presente até (Q I - 1,5 riores a 0,90 em magnitude, tanto positivas quanto IQR), correspondendo aos valores mais baixos negativas). da distribuição Uma etapa também trabalhada foi a da • deste valor até a mediana Estatística Multivariada, incluindo Análise de Agrupamentos e Análise de Componentes Principais, • desde a mediana até Q III em que se busca identificar agrupamentos e associa- • de Q III até (Q III + 1,5 IQR) ções de variáveis porventura existentes nos dados analisados. • deste valor até o maior valor presente nos da- Tendo em vista que as cinco folhas são contí- dos, o valor (Q III + 1,5 IQR) pode ser tratado guas, e que a geologia das mesmas é caracterizada como o threshold dos dados disponíveis, por pelas mesmas unidades litoestratigráficas e pelos representar a classe de valores mais elevados mesmos padrões estruturais, foi feita uma análise in- no conjunto dos dados disponíveis. As classes tegrada, que permite a verificação do conhecimento são todas definidas apenas em função de va- do comportamento geoquímico (paisagem geoquí- lores da própria distribuição, não levando em mica) na região como um todo. conta nenhum parâmetro de distribuição esta- tística subjacente aos dados. 6.1.3. Descrição do comportamento Com base nessas faixas de valores foram ge- rados mapas por elemento químico, assinalando individual dos elementos químicos cada classe de valores com simbologia apropriada definida na legenda, idêntica para todos os elemen- O ouro ocorre de forma muito distribuída em tos tratados. É importante ressaltar que nem todas toda a região, e suas concentrações mais elevadas essas classes estão presentes em todas as variáveis ocorrem no nordeste de Bagé, com muitos pontos estudadas, em função da distribuição dos valores isolados e em pequenas concentrações (em quanti- de cada uma delas. Estes mapas e seus resultados dade de amostras) em toda a área da folha Aceguá. são comentados neste relatório. Esta etapa está aqui Bi é notado no noroeste de Passo São Diogo, designada como Estatística Univariada e trata cada em continuidade da faixa de valores mais altos para elemento químico analisado individualmente, sem o nordeste de Aceguá, o que também ocorre com Sb. considerar suas interações com os demais. Cd e Cr repetem Bi de forma aproximada no Alguns elementos químicos analisados apre- que diz respeito à distribuição de seus valores mais sentaram uma quantidade de amostras muito ele- elevados, com destaque para o noroeste de Passo vada com resultados referidos como menores que o São Diogo continuando até Aceguá. Co e Ce repetem, seu limite inferior de detecção. Assim, comentários de forma aproximada, este comportamento, mas em sobre sua distribuição nas áreas trabalhadas repre- Aceguá os valores da classe superior se estendem sentam, em vários destes casos, apenas o registro de mais para o oeste da folha. sua ocorrência em valores superiores a este limite inferior de detecção. Merecem registro os casos de Cobre também se faz presente em valores B e Ta, com 494 dos 695 resultados abaixo deste limi- maiores no Passo São Diogo e se estende para oeste te, ou seja, cerca de 71% dos dados nesta situação, até a Folha Aceguá. w (485 dados, ou 70%, abaixo do valor inferior de hg aparece no noroeste de Passo São Diogo detecção do método), Pd (490 valores, 70%), Ge (474 indo até Aceguá. 42 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá Mn aparece espalhado em muitos locais em No presente relatório são apresentados os todas as cinco folhas, repetindo-se em Pedras Altas, histogramas obtidos para algumas variáveis pelo no noroeste de Bagé, no centro de Igrejinha e no ex- tratamento estatístico dos dados disponíveis, en- tremo sul de Curral de Pedras, ou seja, naquelas áre- globando as cinco folhas trabalhadas. Em termos de as com maior repetição de concentração de valores zonas de maior concentração conjunta de valores elevados de diversos elementos ele também ocorre elevados para diversos elementos, quando do estu- na sua faixa de valores mais elevada. Mg ocorre em do univariado, cabe ressaltar a zona situada no leste poucos pontos isolados. da Folha Passo São Diogo e indo até a Folha Aceguá, Molibdênio é importante no noroeste de Passo área mapeada como Formação Rio Bonito, Formação São Diogo, indo até a Folha Aceguá. Sódio ocorre no Teresina e Formação Rio do Rasto, esta zona está a Passo São Diogo até a Folha Aceguá. oeste da mina de carvão de Candiota, nessa zona Chumbo ocorre no noroeste de Passo São também ocorrem valores significativos de alguns ele- Diogo até Aceguá. mentos. Na porção mais próxima à mina de carvão de Candiota a ação antrópica pode ter contribuído Platina ocorre em pontos isolados, apenas em com algumas alterações de valores. dois locais merece registro mais importante, no oes- te de Passo São Diogo e no oeste de Aceguá. De modo geral, comparativamente com os resultados obtidos no Escudo Sul-Riograndense, os O elemento enxofre pode ser resultado de fa- valores dos resultados analíticos de sedimentos de tores inclusive não naturais na área. corrente destas áreas objeto do presente estudo Alguns dos elementos analisados têm concen- foram bem mais elevados para Nb, Sn, e Th, e bem trações na faixa superior mais restrita, poucos pon- mais baixos para Ba, Ca e Sr no que no Escudo Sul- tos e em locais isolados, sem maiores associações Riograndense como um todo. registradas. É o caso de Tl (no oeste de Passo São São apresentados, no presente relatório, his- Diogo e até a Folha Aceguá). togramas dos principais elementos tratados esta- Sr ocorre desde o noroeste do Passo São Diogo tisticamente e tabela (Tabela 1) com os parâmetros até a Folha Aceguá. estatísticos principais destas variáveis. histogramas dos principais elementos analisados continua 43 CPRM - Programa Geologia do Brasil continua 44 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá continua 45 CPRM - Programa Geologia do Brasil continua 46 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá continua 47 CPRM - Programa Geologia do Brasil continua 48 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 49 CPRM - Programa Geologia do Brasil Tabela 1 - Tabela com os parâmetros principais das variáveis geoestatística 50 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 6.1.4. Tratamento dos Dados e Resultados dos de estatística multivariada são referidos em uma Obtidos base com 38 variáveis, ressalvando-se novamente a não significância da exclusão das variáveis excluídas por serem os resultados obtidos com elas similares 6.1.4.1. Correlações Lineares aos obtidos com sua exclusão. 6.1.4.3. Análise de Componentes Principais A simples tabulação dos valores de correlação linear classifica estas associações por ordem de gran- deza como segue: Oito componentes principais foram retidas Coeficientes de correlação maiores que 0,90: para estudo, executando-se Análise Fatorial com elas Ag/Sn, Al/Ga, Al/Sc e hf/zr e introduzindo-se Rotação varimax, o que aumentou a adesão das variáveis aos eixos de explicação per- Coeficientes de correlação maiores que 0,80: centual dos mesmos. Na retenção foi adotado o cri- Sc/Ga, Li/Ga, Co/Mn e Li/Mg tério de escolher apenas as componentes principais Coeficientes de correlação maiores que 0,70: que tivessem autovalores maiores ou iguais a um. ocorrem em muito maior quantidade, são Ga/Mg, Mesmo nestes retidos há componentes principais As/Cd, Cs/Rb, Bi/Tl, Sc/zn, Al/Mg, Fe/v, As/Pb, As/ com pouco percentual de explicação sobre a variabi- Co, Al/Li, Fe/zn, Al/zn, Cs/Li, Co/Ni, Rb/Tl, Fe/Sc, Cd/ lidade total dos dados. Se considerarmos que foram Pb, Co/Pb, As/Mn, Li/zn, Be/Sc, Al/Rb, As/Sb, Be/Y e retidas 38 variáveis, cada variável representaria em Be/zn. torno de 2,6% da variabilidade total dos dados (dado Estes valores dos coeficientes de correlação li- médio teórico, uma vez que variáveis com maior va- near são estatisticamente significativos porque resul- riabilidade podem explicar um percentual maior). Se tam de uma grande quantidade de valores utilizados. considerarmos que foram retidas 38 variáveis, cada Deve ser salientado, entretanto, que as correlações variável representaria em torno de 2,6% da varia- lineares foram determinadas incluindo-se as influên- bilidade total dos dados (dado médio teórico, uma cias de todos os grupos litológicos que contribuíram vez que variáveis com maior variabilidade podem até os pontos de coleta das amostras enviadas para explicar um percentual maior). As duas primeiras no- análise, com mistura de rochas máficas e diques bá- vas variáveis geradas explicam, assim, em torno de sicos com áreas de rochas graníticas e sedimentares. 48,1% da variabilidade total dos dados trabalhados Nesta diversidade litológica, correlações como Co na Estatística Multivariada, o que permite se avaliar x Ni, apenas como exemplo, mostram significativa que a aplicação conseguiu um dos seus objetivos diversidade. Apenas estudos de correlações linea- principais, que é a simplificação do problema com a res em mais detalhe, separando contribuições das diminuição de variáveis a serem tratadas. Na com- bacias de captação para cada amostra, poderiam posição simplificada a seguir explicitada se reteve as representar com mais acuracidade as correlações variáveis cuja correlação com a componente retida internamente às unidades mapeadas. superasse o valor de 0,70. Os escores fatoriais das cinco primeiras componentes foram estudados es- 6.1.4.2. Estatística Multivariada tatisticamente sob a ótica univariada, para cada um deles foi feita a mesma divisão em classes de valores que para as variáveis individuais (os elementos quí- Neste tipo de análise, por haver interação en- micos analisados). Os resultados estão comentados tre todas as variáveis, a retirada de variáveis com ele- junto com cada uma das componentes interpretadas. vado índice de valores qualificados permite que se A primeira componente principal é composta verifique com maior representatividade em área as pela associação Al/Fe/Mg/Ni/Cr/Ga/Sc/ v/zn. Esta interrelações presentes entre as variáveis tratadas. associação, que mostra a relação estreita entre Ni, Cr, Onze destas variáveis foram retiradas pelo seu alto v e Fe, dentre outros elementos, pode indicar que os percentual de valores qualificados (B, Ta, w, Pd, Ge, óxidos e os hidróxidos de Fe podem exercer controle Re, Pt, In, Te, S e Se), mais Au, hg, Sb e hf para au- na distribuição de Ni e Cr e que Cr e v juntos pode ser mentar significativamente a quantidade de amostras representativo de controle de minerais ferromagne- incluídas, com o fito de obter representatividade em sianos e/ou minerais argilosos. Esta associação pode grande parte da área de trabalho. representar o efeito dos minerais ferromagnesianos Mantendo-se Au e hg, por exemplo, se obtém das rochas originárias das amostras, e também, re- escores em 430 amostras, e com a retirada desses presentar a importância das frações mais finas nas elementos do tratamento multivariado, o número de mesmas. A associação Cr/Ni/Mg é significativa em amostras incluídas sobe para 614, ou seja, cerca de áreas de rochas ultramáficas. vanádio também se 88% das amostras são representadas no tratamento, associa com zinco em alguns depósitos sulfetados. contra os cerca de 62% da situação anterior. Por não A associação representada pela primeira com- apresentarem diferenças significativas optou-se por ponente principal pode refletir variações controladas privilegiar uma maior quantidade de amostras incluí- pela quantidade de óxidos de ferro e de minerais ar- das, com maior cobertura em área. Assim, os resulta- gilosos nos sedimentos de corrente, também pode 51 CPRM - Programa Geologia do Brasil refletir o background da área. Uma observação é a de valores e de extensão superficial ocorrem, por- de que a associação Fe/Ni/Mg também é comum tanto, sobre rochas félsicas. Esta zona se repete na em muitos depósitos de sulfetos, podendo indicar quarta componente principal, descrita a seguir, que sua adição por sistemas hidrotermais ao longo de tem, também, afinidade, em sua composição, com zonas de falhas, por exemplo. Os valores mais ele- rochas graníticas. vados para esta associação se concentram em algu- A quarta variável gerada é formada por Cs/ mas zonas específicas, uma delas no norte de Bagé Rb/K. Os elementos Rb e Cs têm ocorrência comum se estendendo até Igrejinha, em áreas drenadas de em áreas de rochas greisenizadas a Sn e também nas litologias variadas, como suítes Santo Afonso e Cerro proximidades de escarnitos a Sn. Esta associação é Preto (ambas em Bagé) e formações Serra Alta e Irati comum em rochas félsicas. Esta componente ocorre, em Igrejinha. Outra zona com concentração de va- além da zona descrita na componente anterior, tam- lores mais altos para esta associação ocorre no sul bém com poucos pontos na Folha Igrejinha, sobre de Passo São Diogo e norte de Curral de Pedras, em rochas sedimentares. áreas drenadas com diques riolíticos, Suítes Dom Feliciano e herval, Formação Cerro Chato; uma outra A quinta variável reflete o comportamento da concentração de pontos ocorre em Aceguá, em áreas associação dos elementos Ag e Sn. A presença de Sn drenadas das formações Rio do Rasto e Teresina. em sedimentos de corrente tem a propriedade de A segunda componente principal retida para representar bem a distinção entre granitos estaní- interpretação é composta por As/Ba/Cd/ Co/Mn/Pb. feros e não estaníferos, e a presença de Ag em se- A associação de As com Pb é utilizada como indica- dimentos de corrente em valores elevados pode ser dora da presença de chumbo em quantidades impor- indicativa da proximidade de depósitos sulfetados tantes em certos locais, As é elemento relativamente (a prata se associa, além do ouro, ao As e ao Sb em móvel em ambientes oxidantes e pouco móvel em muitos depósitos minerais, também com Pb e zn em ambientes redutores, e pode indicar a presença de depósitos sulfetados destes elementos). Esta quinta sulfetos na bacia de captação das amostras. A asso- componente principal ocorre com grande extensão ciação Mn/Co indica atividade de coprecipitação de superficial e em valores mais elevados em toda a óxidos de Manganês. Ba e Co, dentre outros, podem porção lesta das folhas Passo São Diogo e Curral de representar a ocorrência de óxidos de manganês nas Pedras, delimitando perfeitamente a Suíte herval e o rochas originais, também é associação comum de Granito Dionísio, nesta zona existem muitos valores alguns desses elementos em metassedimentos. Esta altos para esta associação, esta componente funcio- componente apresenta valores importantes em 3 na praticamente como um marcador destas unida- zonas principais, a maior delas em superfície, situ- des. A outra zona onde esta associação ocorre é no ada no oeste de Bagé e quase todo o norte e centro Complexo Granulítico Santa Maria Chico. Afora essas de Igrejinha, na área do Complexo Granulítico Santa duas concentrações, ocorrem mais alguns poucos Maria Chico principalmente, a outra zona importante pontos isolados e dispersos, sem marcar fortemente ocorre desde Candiota e dali para oeste, até a Folha a presença de qualquer litologia ou unidade, como Aceguá, sobre rochas sedimentares, e a terceira zona ocorre no Passo São Diogo e Curral de Pedras. importante ocorre no norte de Curral de Pedras, em A sexta variável gerada reflete apenas o com- rochas sedimentares também, mesmas unidades da portamento do sódio, a sétima não mostra correla- zona anteriormente descrita. ção forte com nenhuma das variáveis originais utili- A terceira variável hipotética gerada é com- zadas na análise, e a oitava variável gerada reflete o posta pela associação Th/U/zr, é uma associação que comportamento da associação Ce/La. pode representar a contribuição das rochas graníti- cas na composição da amostra coletada, devendo 6.1.4.4. Análise de Agrupamentos ser lembrado que estes elementos também são comuns em zonas de ocorrência de rochas carbona- títicas, inclusive nas zonas mineralizadas. Também Foram testados agrupamentos pelos métodos têm ocorrência comum nas proximidades de rochas Complete Linkage, Single linkage e Ward, conforme greisenisadas a Sn, e em pegmatitos. Esta associa- diagramas abaixo, observando-se, como marca mais ção é indicativa da presença de rochas radioativas. importante, que Mn sempre se posiciona isolada- Esta componente é importante no norte de Bagé, no mente, sem associações com as demais variáveis e Complexo Granulítico Santa Maria Chico, outra zona Ba da mesma forma, embora em um dos métodos ocorre desde o sul de Passo São Diogo até Curral de utilizados o Ba se associe com Ag. As demais variá- Pedras, sobre rochas da Suíte herval e do Granito veis não mostraram a formação de agrupamentos Dionísio. As duas ocorrências principais em termos notáveis. 52 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá Complete Linkage Single Linkage 53 CPRM - Programa Geologia do Brasil ward’s Method 6.2. CONCENTRADOS DE BATEIA curando distribuir a amostragem de forma homogê- nea por toda folha mapeada. Definido os pontos de amostragem é feito uma lista das coordenadas para 6.2.1. Introdução facilitar o acesso da equipe no campo. Os prospectores seguem para o campo e se dirigem aos alvos previamente definidos, munidos A pesquisa geoquímica dos concentrados de GPS, carta topográfica 1: 50.000, bateia, peneira de bateia tem como objetivo coletar os minerais de malha 4 mm, balde 10 de litros, pá e sacos para resistatos e pesados das drenagens. Os trabalhos embalar as amostras. As coletas são executadas nos de amostragem para geoquímica de sedimento de aluviões, dentro do leito ativo da drenagem, em corrente e bateia da CPRM – Serviço Geológico do locais onde os minerais pesados preferencialmente Brasil envolvem o planejamento, coleta, preparação se acumulam chamados de armadilhas (trap). Isto e processamento nos laboratórios Sureg-PA, análise ocorre normalmente em zonas internas de curvas de mineralógica das amostras e o tratamento dos dados rios ou na confluência destes, também os minerais obtidos para a confecção do relatório final. Na folha pesados se acumulam em depressões, marmitas, Aceguá foram planejadas e coletadas 81 amostras poços e remansos imediatamente após corredeiras numa área total de 1.538 Km2 com uma densidade ou cachoeiras, além de locais nas imediações de obs- de 18,99 km²/am, na folha. táculos como veios, diques e matacões no leito da drenagem. 6.2.2. Metodologia de Coleta de Amostras no Os concentrados de bateia são obtidos a partir Campo de um volume inicial de 20 litros, da fração grossa do sedimento aluvionar ativo, horizonte mais favorável ao acúmulo dos minerais pesados. Após o peneira- O planejamento prévio da prospecção alu- mento com descarte do material de granulometria vionar dos concentrados de bateia realizados pela mais grossa do que 4 mm, o passante, menor que 4 empresa é definida em cartas plani-altimétricas na mm é bateado para remoção dos minerais leves, nor- escala 1: 50.000 do DSG/IBGE. A drenagem traçada malmente quartzo, feldspatos e micas. O volume e favorece a escolha dos locais de coleta das amostras. peso final de cada concentrado dependem da geolo- No mapa, os pontos são plotados numa densidade gia local da área amostrada. Os dados de campo com de amostragem de uma amostra para cada bacia coordenadas e altitude são anotados em caderneta hidrográfica com área aproximada de 10 km2 pro- padrão da empresa. 54 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 6.2.3. Preparação das Amostras no pleocroísmo ou ângulo de extinção. Alguns minerais Laboratório ainda exigem o uso de ensaios microquímicos espe- cíficos, como para carbonatos, apatita, cassiterita. Os Os concentrados de bateia são processados minerais não identificados por métodos tradicionais e analisados no Laboratório de Sedimentologia da ou que sejam de relevante importância podem ser, SUREG-PA. Inicialmente as amostras são organizadas em casos especiais, submetidos ao EDS no microscó- e conferidas com a lista de encaminhamento de cam- pio eletrônico de varredura (MEv). po para identificar possíveis danos e/ou perdas após Uma vez identificados os minerais, suas per- a coleta ou no transporte. Inicia-se o estudo mineral centagens são avaliadas de forma semi-quantitativa de cada amostra em uma microbateia de laboratório com o uso do diagrama de teores de percentagem. onde todo o concentrado é aprimorado, com remo- Os valores de percentagem obtidos dos minerais pe- ção de minerais leves comuns ainda presentes. A fina- sados são convertidos em códigos de teores segundo lidade dessa etapa é verificar e quantificar a presença Tabela 2 abaixo: de metais como ouro, cobre, prata, platina, chumbo Os resultados obtidos são anotados em plani- e de minerais com alta densidade, porém raros como lhas para posterior tratamento, geração dos laudos e o cinábrio, por exemplo. O resultado é uma análise relatórios finais. semi-quantitativa da amostra, informando o número e o tamanho de grãos encontrados, segundo padrão da empresa. No caso do ouro, os grãos são denomi- nados de pintas e avaliados como pintas pequenas Tabela 2 - Tabela semi-quantitativa as < 0,5 mm, médias 0,5 - 1mm e grandes >1mm. Após esse procedimento, os concentrados são secos em estufa e posteriormente pesados integralmente. Os concentrados seguem então para separa- ção dos grãos com densidade maior que 2,89, em bromofórmio (líquido viscoso com densidade 2,89), no qual os minerais leves flutuam e os pesados afun- dam, sendo a alíquota dos pesados a que mais inte- ressa para definir o panorama mineral da região em estudo. Novamente é feita uma pesagem agora dos minerais pesados separados. É importante nessa fase, submeter o concen- trado à luz ultravioleta, utilizando o mineral light, visando determinação de minerais que emanam lu- 6.2.5. Interpretação da Mineralogia dos minescência como propriedade física. Um mineral de Concentrados de Bateia interesse econômico facilmente identificado por este método é a scheelita. A sistemática de interpretação dos minerais A seguir os concentrados sofrem um fracio- pesados dos concentrados de bateia considera todas namento magnético com o auxílio de imã de mão, as amostras com minerais de valor econômico e ou separando os minerais naturalmente magnéticos geológico, mesmo no caso deles ocorrerem apenas como magnetita e pirrotita. O restante do concen- com um único grão, como no caso do ouro ou da trado, menos magnético é processado no Separador scheelita, por exemplo. Isodinâmico Frantz. Por convenção se obtém alíquo- Para os minerais muito frequentes, comuns e tas das amostras nas frações 0,3A, 0,5A e 0,75A, abundantes nos concentrados de bateia, são conside- considerando-se a porção não atraída, como fração radas as amostras com maior teor em percentagem e não magnética. peso, como a ilmenita e magnetita por exemplo. 6.2.4. Análise dos Concentrados 6.2.5.1. Minerais e Elementos Identificados O concentrado pronto para ser analisado ficou dividido em várias frações devido os procedimen- Ouro – Au tos acima descritos. A análise semi-quantitativa é O ouro, elemento nativo, metálico, apesar da executada em lupa binocular com identificação das dureza baixa é muito estável quimicamente, proprie- seguintes propriedades físicas: clivagem, fratura, dade que o preserva nos sedimentos de drenagens e forma, dureza, tenacidade, densidade, diafaneidade, nos concentrados de bateia. O ouro é acurado quan- brilho, cor, inclusões, magnetismo, traço e hábito. titativamente pelo número de pintas e suas dimen- Para os minerais transparentes às vezes é necessário sões. São consideradas três faixas granulométricas: < o auxílio de microscópio petrográfico para verificar 0,5 mm (pequena), entre 0,5 e 1 mm (média) e acima propriedades ópticas como isotropia, anisotropia, de 1 mm (grande). 55 CPRM - Programa Geologia do Brasil Na Folha Aceguá, a análise quantitativa (nú- Pirita - FeS2 mero e tamanho das pintas) identificou nove pintas A pirita é o mais comum, abundante e distribu- pequenas no ponto EM-B-340, situado no oeste da ído dos sulfetos, ocorre em quase todos os tipos de folha, no Arroio Piraí, afluente do Rio Negro, como o rochas. A presença da pirita é importante pois pode de maior número para a folha (Figura 32). As amos- ocorrer associada a outros sulfetos menos comuns tras EM-B-266, EM-B-294, EM-B-296, EM-B-297, EM- e de maior interesse. Como a maioria dos sulfetos B-298, EM-B-299 e EM-B-285 com uma pinta cada, se intemperizam facilmente, não se conservam por ocorrem dispersas nas drenagens da porção leste da muito tempo em ambientes superficiais oxidantes, folha, nas formações sedimentares do Rio do Rasto, então a sua presença é indicativo da área fonte estar Teresina e Serra Alta, da Bacia do Paraná (Figura 33). nas proximidades. Na Folha Aceguá, sua ocorrência Figura 32 - Amostra EM-B-340, pintas de ouro no microscópio Leica, 30x (esquerda).MEV - análise de EDS no ouro da amostra EM-B_340 (direita). Figura 33 - Distribuição de pontos com Au (círculos amarelos) nos concentrados de bateia na Folha Aceguá. 56 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá se dá na faixa de valores < 1 %, na amostra EM-B-298 75% do mineral, em drenagens cujas nascentes es- no Arroio Jaguarão Chico, na Formação Teresina. tão no Granito Aceguá. Na bacia do Rio Negro, duas Marcassita – FeS amostras EM-B-318 EM-B-340 também possuem va-2 A marcassita é um sulfeto que ocorre em mar- lores elevados. Amostras com teores entre 5 e 25% gas, calcários, argilas e carvões, em ambientes se- estão largamente distribuídas por todas unidade da dimentares de baixa temperatura. Na Folha Aceguá folha. apresenta valores < 1% na amostra EM-B-312, em Limonita - FeO(OH)H2O drenagem na formação Teresina, da Bacia do Paraná, É uma mistura de óxidos e hidróxidos de fer- por estar associado a calcário e carvão poder se usa- ro, formando agregados amorfos de cor vermelha a da na busca dessas ocorrências. amarelada. É um mineral secundário (supergênico) Pirita limonitizada - FeO(OH)H O originado da alteração de minerais que contém ferro 2 A pirita limonitizada é uma pirita alterada para nas rochas. As lateritas formadas por esse material óxido e hidróxido de ferro, perdendo o enxofre da podem indicar zonas oxidadas (gossans) de depósi- sua composição original em consequência do intem- tos sulfetados, entre outros. Nesta folha as amostras perismo, mas mantendo a forma. Está pouco pre- possuem teores e baixos e distribuídos. sente na área em estudo ocorrendo nas localidades Rutilo – TiO2 EM-B-287 e EM-B-284 no sul da folha, nas proximi- Este mineral ocorre com muita frequência dades do Granito Aceguá e em outras duas amostras, como acessório em muitas rochas. Devido sua esta- EM-B-298 EM-B-297, no Arroio Jaguarão Chico, nas bilidade física e química ocorre com relativa frequên- formações Rio do Rasto e Teresina respectivamente, cia nos níveis de minerais pesados (placers) nos alu- todas com valores < 1%. viões e nos concentrados de bateia. Na Folha Aceguá Magnetita - FeO ocorrem sem respeitar limites litológicos, com baixos 4 teores, nunca ultrapassando 5% do mineral na amos- A magnetita é um mineral de ferro muito co- tra, igualmente espalhados pela região. mum e estável em ambientes superficiais oxidantes e é amplamente distribuída nos concentrados de ba- Monazita – (CeLaNdYTh)PO4 teia. É um mineral acessório em quase todos os tipos Mineral relativamente frequente nos concen- de rocha, ígneas plutônicas e vulcânicas, em especial trados de bateia ocorre como acessório em rochas nas rochas básicas, ultrabásicas, alcalinas e metamór- ígneas e metamórficas. Associado com apatita e xe- ficas ou em ambientes hidrotermais. Concentrações notímio este mineral vem ganhando destaque pelo mais elevadas de magnetita nesta folha ocorrem nos interesse nos elementos terras raras neles contidos. pontos EM-B-287 com teores variando de 25 a 50% Na Folha Aceguá, em 16 amostras este mineral ocor- e EM-B-330, EM-B-329, EM-B-283 e EM-B-282 com re com teores baixos, <1%, predominantemente lo- teores variando de 5 a 25%, todas localizadas nas calizadas no Granito Aceguá ou nas vizinhanças, na drenagens do Granito Aceguá. As demais amostras Formação Rio do Rasto. onde o mineral se faz presente são pontos dispersos Apatita - Ca3(PO4)3(FOHCl) por toda folha nas rochas sedimentares das forma- É um mineral amplamente disseminado como ções da Bacia do Paraná. acessório na maioria das rochas e presente em quase Hematita – Fe2O3 toda a área da folha, sem muitas limitações ao tipo A hematita é um mineral amplamente distri- de litologias. Foi identificado em 40 amostras com buído em rochas ígneas e também em ambientes teores sempre inferiores a 1%. hidrotermais e rochas metamórficas e sedimentares. Scheelita - CaWO4 Das amostras coletadas as três com teores mais ele- A scheelita está associada com rochas cal- vados apresentam valores entre 25 e 50% e outras ciossilicatadas em geral em zonas de metamorfismo três com valores na faixa de 5 a 25% todas localizadas de contato de rochas graníticas e carbonáticas, em nas vizinhanças do Granito Aceguá, amostras com va- greisens, pegmatitos e em veios hidrotermais de alta lores menores estão bem distribuídos por toda folha. temperatura. Associada com cassiterita, topázio, Ilmenita - FeTiO wolframita, fluorita, quartzo e molibdenita. Mineral 3 raro e de alta importância econômica e estratégica Mineral bastante comum ocorre como acessó- para obtenção de tungstênio. Na Folha Aceguá, em rio em rochas magmáticas como gabros, anortositos, apenas duas amostras o mineral foi identificado, pegmatitos e metamórficas, (gnaisses e anfibolitos). EM-B-300 e EM-B-294, com teores inferiores a 1% Está entre os mais comuns dos minerais pesados em em amostras coletadas nas rochas sedimentares da níveis sedimentares de placers nos aluviões e nos formação Rio do Rasto. concentrados de bateia, por ser física e quimica- mente muito estável. Aparece bem representada na Barita - BaSO4 Folha Aceguá com três amostras, no sul, EM-B-274, Na Folha Aceguá este mineral aparece em 25 EM-B-273 e EM-B-272 com teores na faixa de 50 a amostras com valores entre 1 e 5%,17 delas estão na 57 CPRM - Programa Geologia do Brasil Formação Rio do Rasto e outras 8 ocorrem nas ime- Anfibólios diações, em outras unidades sedimentares. hornblenda ocorre com valores entre 5 a 25 Zircão – ZrSiO4 % em 3 amostras e de 1 a 5% na região sudeste da Ocorre como mineral acessório em muitos ti- folha, na Formação Rio do Rasto imediatamente a pos de rochas e é típico de granitoides. É frequente norte do Granito Aceguá. nos concentrados de bateia por ser muito resistente tanto física como químicamente. O zircão com háfnio 6.2.5.2. Domínios Litológicos e Minerais Pe- pode estar associado a pegmatitos lítio-tantalíferos. sados Associados Das 81 amostras coletadas na Folha Aceguá, 80 apre- sentam o mineral, sem configurar anomalia em qual- quer litologia específica. Na Formação Rio do Rasto da Bacia do Paraná, imediatamente a norte do Granito Aceguá, ocorrem Granada concentrações relativas de ouro, pirita, pirita limoni- Mineral comum em rochas metamórficas tizada e outros minerais com teores mais altos como ocorre também em granitos e pegmatitos. A grana- magnetita, hematita e epidoto que podem indicar al- da possui muitas variedades de cores em função da teração hidrotermal localizada. Outros minerais que variação na composição química e do ambiente geo- ocorrem com valores anômalos nessa mesma região lógico. Na Folha Aceguá, a granada aparece de forma são granada, titanita e anfibólio, indicando possivel- mais evidente no sudeste da folha com 17 amostras mente a influência do antigo embasamento cristali- com os valores mais elevados. A amostras EM-B-299 no erodido sobre as rocha sedimentares da Bacia do apresenta teores na faixa de 50 a 75%, três amostras Paraná. Em outra localidade, os pontos EM-B-340 e EM-B-281, EM-B-289 e EM-B-298 têm teores na faixa EM-B-341 também apresentam ouro, pirita e epido- de 25 a 50% e 13 amostras estão na faixa de 5 a 25%, to associados. E numa terceira localidade no sudeste concentradas na formação Rio do Rasto, imediata- da folha, nos pontos EM-B-296, EM-B-297, EM-B-298 mente a norte do Granito Aceguá. Outras amostras e EM-B-299 ocorrem associados ouro, pirita, pirita com valores menores que 5% estão dispersas nas limonitizada, magnetita e barita tornando estas três rochas sedimentares da Bacia do Paraná por toda regiões possíveis alvos de interesse prospectivo. região. Importante também é a presença de silcrete Turmalina - BO3AlSiO4(OH) (Figura 34) em 21 amostras nas formações Rio do É um mineral típico de rochas ígneas graní- Rasto e Teresina, com valores mais altos nas amos- ticas, pegmatitos e metamórficas como gnaisses e tras EM-B-298, EM-B-300 e EM-B-317 na faixa de 1 xistos. A schoorlita é a única variedade encontrada a 5%. Este mineral não possui valor econômico, mas na Folha Aceguá, ocorrendo na maioria das amostras sim geológico, informando as condições climáticas de concentrados de bateia. durante o desenvolvimento da formação Santa Tecla. Estaurolita - (FeMg)2Al9SiO4(OH) Ocorre em rochas metapelíticas (aluminosas) do metamorfismo regional de grau médio, como xis- tos e gnaisses. Na Folha Aceguá os concentrados em que o mineral ocorre estão em rochas sedimentares da Bacia do Paraná, neste caso significando que fo- ram transportadas para longe da rocha original, não apresentando um padrão definido. Epidoto – Ca2(AlFe)3(SiO4)3(OH) Mineral com ocorrência abundante nas amos- tras do sudeste da folha, com 12 amostras significa- tivas. Destas amostras, 4 com teores na faixa de 25 a 50% e 8 amostras na faixa de 5 a 25%, predominante- mente concentradas na formação Rio do Rasto ime- diatamente a norte do Granito Aceguá. As amostras com teores nas faixas menores que 5%, ocorrem, indiscriminadamente em todas outras unidades lito- lógicas distribuídas pela folha. Titanita – CaTiSiO5 Pouco presente na área, aparece em 4 amos- tras com valores inferiores a 5%, na região da forma- ção Rio do Rasto imediatamente a norte do Granito Figura 34 - Amostra EM-B-317, silcrete no microscópio Aceguá. Leica, 20x. 58 Geologia e Recursos Minerais da Folha Aceguá 7 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A reunião e análise dos dados obtidos nos le- A Bacia do Paraná compreende unidades do vantamentos geológicos, geoquímicos e de recursos Permiano ao Cretáceo Inferior, representadas pelos minerais, associados à análise dos dados aerogeofí- grupos Guatá (formações Rio Bonito e Palermo), sicos disponíveis para a Folha Aceguá, permitiram a Passa Dois (formações Irati, Serra Alta, Teresina e Rio confecção do Mapa Geológico e do presente Texto do Rasto) e Serra Geral (diques básicos). Explicativo para a referida folha. A área abrange unidades geológicas perten- A prospecção geoquímica regional, através centes ao Escudo Sul-Rio-Grandense e à Bacia do da amostragem de sedimentos ativos de corrente e Paraná, além de depósitos cenozoicos relacionados concentrados de bateia, revelou a presença de des- com sistemas fluviais atuais e subatuais. taques mineralógicos no âmbito da Bacia do Paraná, com concentrações de Au, pirita, pirita limonitizada As unidades mais antigas são representadas e valores anômalos para granada, titanita e anfibólio. pelas intrusivas ácidas pertencentes ao Granito Estes resultados, todavia, não parecem se relacionar Aceguá e ao Riolito Arroio da Mina, que afloram em com as áreas de granitoides da Folha, reduzindo sig- áreas muito limitadas entre as rochas sedimentares nificativamente o potencial para metais nestas áreas da Bacia do Paraná. da região investigada. 59 CPRM - Programa Geologia do Brasil 8 — REFERÊNCIAS ALMEIDA F.F.M. de et al. 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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA O projeto foi executado pela Superintendência de Porto Alegre do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, dentro FOLHA ACEGUÁ – SH.21-Z-D-VI das diretrizes do Programa Geologia do Brasil. A Carta Geológica na escala 1:100.000 tem como objetivo gerar e difundir informações geológicas e de recursos minerais, para subsidiar o planejamento territorial e o uso do solo e subsolo, além de induzir o aumento dos investimentos em prospecção e pesquisa mineral, com vistas ao desenvolvimento da indústria de mineração no país. Esse produto deverá auxiliar o governo do estado do Rio Grande do Sul e órgãos de planejamento, no estabelecimento de políticas públicas de desenvolvimento regional, na medida em que servirão de base para estudos de prospecção e exploração mineral e na adoção de ações estratégicas que visem o desenvolvimento econômico-social. Nesse contexto, o conhecimento geológico sistematizado pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM também passa a ser considerado como fonte primordial de informação do meio físico e requisitado para os estudos de zoneamento ecológico-econômico e de gestão ambiental. Escala: 1:100.000 www.cprm.gov.br 2018 SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495 E-mail: seus@cprm.gov.br E-mail: ouvidoria@cprm.gov.br SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO MINISTÉRIO DE E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINAS E ENERGIA 1:100.000 GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA ACEGUÁ – SH.21-Z-D-VI