MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Diretoria De Geologia E Recursos Minerais Departamento De Geologia Superintendência Regional de Belo Horizonte Programa Geologia do Brasil GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA NOVA VENÉCIA* SE-24-Y-B-IV Escala 1:100.000 ESTADO DO ESPÍRITO SANTO *Parceria com Contrato Nº 106/PR/2006 belo horizonte 2012 PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL - PGB INTEGRAÇÃO, ATUALIZAÇÃO E DIFUSÃO DE DADOS DA GEOLOGIA DO BRASIL CPRM - SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE BELO HORIZONTE AV. BRASIL 1731 – BAIRRO FUNCIONÁRIOS BELO HORIZONTE – MG – 30140-002 Fax: (31) 3878-0383 Tel: (31) 3878-0307 HTTP://WWW.CPRM.GOV.BR BIBLIOTECABH@CPRM.GOV.BR Queiroga, Gláucia Nascimento... [et al.] Geologia e recursos minerais da folha Nova Venécia SE.24-Y-B-IV, estado do Espírito Santo, escala 1:100.000 / Gláucia Nascimento Queiroga... [et al.]; organizador Luiz Carlos da Silva. – Belo Horizonte : CPRM, 2012. 76 p. ; Mapa Geológico, escala 1:100.000 (série Geologia do Brasil), versão digital em CD-ROM, textos e mapas. Programa Geologia do Brasil. Contrato CPRM-UFMG 106/PR/06. Trabalho desenvolvido em Sistema de Informação Geofráfica – SIG utilizando o GEOBANK – banco de dados geoespacial da CPRM na Internet. ISBN 978-85-7499-114-6 1.Geologia regional – Brasil - Espírito Santo. 2. Recursos minerais - Brasil - Espírito Santo. I. Queiroga, Gláucia Nascimento... [et al.]. II. Silva, Luiz Carlos da (Org.). III. Título. CDD 558.151 Direitos desta edição: Serviço Geológico do Brasil - CPRM É permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Diretoria De Geologia E Recursos Minerais Departamento De Geologia Superintendência Regional de Belo Horizonte Programa Geologia do Brasil GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA NOVA VENÉCIA ESTADO DO ESPÍRITO SANTO Gláucia Nascimento Queiroga - UFMG Antônio Carlos Pedrosa-Soares - UFMG Jorge Geraldo Roncato Júnior - UFMG Paulo Henrique Amorim Dias - UFMG Henrique Alvim Guimarães - UFMG Mariana Oliveira Gondin Coutinho - UFMG Natália Cota de Freitas - UFMG Camila Tavares Gradim - UFMG Flávia Cristina Silveira Braga - UFMG Tiago Amâncio Novo - UFMG belo horizonte 2012 MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Diretoria De Geologia E Recursos Minerais Departamento De Geologia Superintendência Regional de Belo Horizonte Programa Geologia do Brasil GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA NOVA VENÉCIA MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA Edison Lobão Ministro de Estado SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL Claudio Scliar Secretário SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Manoel Barretto da Rocha Neto Diretor-Presidente Roberto Ventura Santos Diretor de Geologia e Recursos Minerais Thales de Queiroz Sampaio Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Antônio Carlos Bacelar Nunes Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Eduardo Santa Helena Diretor de Administração e Finanças Reginaldo Alves dos Santos Chefe do Departamento de Geologia Edilton José dos Santos Chefe de Divisão de Geologia Básica João Henrique Gonçalves Chefe de Divisão de Geoprocessamento Paulo Roberto Macedo Bastos Chefe da Divisão de Cartografia Ernesto von Sperling Chefe do Departamento de Relações Institucionais e Divulgação José Márcio Henriques Soares Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE BELO HORIZONTE Marco Antônio Fonseca Superintendente Regional Márcio Antônio da Silva Gerente de Geologia e Recursos Minerais Márcio de Oliveira Cândido Gerente de Hidrologia e Gestão Territorial Marcelo de Araújo Vieira Gerente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Lindinalva Felippe Gerente de Administração e Finanças UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Célio Campolina Diniz Reitor Tânia Mara Dussin Diretora do Instituto de Geociências MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM Diretoria De Geologia E Recursos Minerais Departamento De Geologia Superintendência Regional de Belo Horizonte CRÉDITOS DE AUTORIA DO RELATÓRIO Gláucia Nascimento Queiroga - UFMG Antônio Carlos Pedrosa-Soares - UFMG Jorge Geraldo Roncato Júnior - UFMG Paulo Henrique Amorim Dias - UFMG Henrique Alvim Guimarães - UFMG Mariana Oliveira Gondin Coutinho - UFMG Natália Cota de Freitas - UFMG Camila Tavares Gradim - UFMG Flávia Cristina Silveira Braga - UFMG Tiago Amâncio Novo - UFMG APOIO TÉCNICO DA CPRM Departamento de Geologia-DEGEO Gerência de Geologia e Recursos Minerais – Reginaldo Alves dos Santos GEREMI-BH Inácio Medeiros Delgado Márcio Antônio da Silva Divisão de Geologia Básica-DIGEOB Revisão preliminar do Texto Edilton José dos Santos Valter Salino Vieira Divisão de Geoprocessamento-DIGEOP Organização e editoração dos originais João Henrique Gonçalves Luiz Carlos da Silva Responsável pelo Contrato 106/PR/2006 Preparo e controle da editoração final Luiz Carlos da Silva Fernanda Merljak Pinto Superintendência Regional de Belo Horizonte - Colaboração dos estagiários SUREG- BH Guilherme Cotta Gonçalves Marco Antônio Fonseca Caroline Cibele Vieira Soares Editoração para publicação UNIKA Editora EDIÇÃO DO PRODUTO DIGITAL Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento Departamento de Relações Institucionais e Divulgação – DERID - Ernesto von Sperling Divisão de Marketing e Divulgação – DIMARK - José Márcio Henriques Soares Divisão de Geoprocessamento – DIGEOP – João Henrique Gonçalves – SIG/GEOBANK Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia APRESENTAÇÃO O Programa Geologia do Brasil (PGB), desenvolvido pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil é responsável pela retomada em larga escala dos levantamentos geológicos básicos do país. Este programa tem por objetivo a ampliação acelerada do conhecimento geológico do território brasileiro, fornecendo subsídios para mais investimentos em pesquisa mineral e para a criação de novos empreendimentos mineiros, com a consequente geração de oportunidades de emprego e renda. Além disso, os dados obtidos no âmbito desse programa também são aplicados em programas de águas subterrâneas subterrânea gestão territorial e em outras atividades de interesse social. Destaca-se, entre as ações mais importantes e inovadoras desse programa, a estratégia de implementação de parcerias com grupos de pesquisa de universidades públicas brasileiras, em trabalhos de cartografia geológica básica na escala 1:100.000. Trata-se de uma experiência que, embora de rotina em outros países, foi de caráter pioneiro no Brasil, representando uma importante quebra de paradigmas para as instituições envolvidas. Essa parceria representa assim, uma nova modalidade de interação com outros setores de geração de conhecimento geológico, à medida que abre espaço para a atuação de professores, em geral líderes de grupos de pesquisa, os quais respondem diretamente pela qualidade do trabalho e possibilitam a inserção de outros membros do universo acadêmico. Esses grupos incluem também diversos pesquisadores associados, bolsistas de doutorado e mestrado, recém-doutores, bolsistas de graduação, estudantes em programas de iniciação científica, dentre outros. A sinergia resultante da interação entre essa considerável parcela do conhecimento acadêmico nacional com a excelência em cartografia geológica praticada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) resulta em um enriquecedor processo de produção de conhecimento geológico que beneficia não apenas a academia e o SGB, mas à toda a comunidade geocientífica e à industria mineral. Os resultados obtidos mostram um importante avanço, tanto na cartografia geológica quanto no estudo da potencialidade mineral e do conhecimento territorial em amplas áreas do território nacional. O refinamento da cartografia, na escala adotada, fornece aos potenciais usuários, uma ferramenta básica, indispensável aos futuros trabalhos de exploração mineral ou aqueles relacionados à gestão ambiental e à avaliação de potencialidades hídricas, dentre outros. Além disso, o projeto foi totalmente desenvolvido em ambiente SIG e vinculado ao Banco de Dados Geológicos da CPRM (GEOBANK), incorporando o que existe de mais atualizado em técnicas de geoprocessamento aplicado à cartografia geológica e que encontra-se também disponível no Portal da CPRM www.cprm.gov.br. Esse volume contém a Nota Explicativa da Folha Nova Venecia(SE-24-Y-B-IV), juntamente com o Mapa Geológico na escala 1:100.000 em ambiente SIG, executado pela UFMG, através do Contrato CPRM-UFMG No.059/PR/05. MANOEL BARRETTO ROBERTO VENTURA SANTOS Diretor Presidente Diretor de Geologia e Recursos Minerais VII VIII Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia RESUMO A área coberta pela Folha Nova Venécia, situada na região norte do Estado do Espírito Santo, contém um complexo paragnáissico de alto grau metamórfico, rochas graníticas (tipos S e I), além de rochas sedimentares e aluviões. O complexo paragnáissico, denominado Complexo Nova Venécia, consiste essencialmente de sillimanita-granada-cordierita-biotita paragnaisse (também chamado de gnaisse kinzigítico) e cordierita granulito, com intercalações de rocha calcissilicática, migmatizados em intensidades diversas. Este complexo representa o embasamento neoproterozóico da região abordada. As características petrográficas, litoquímicas e geocronológicas de amostras do paragnaisse e cordierita granulito sugerem que a bacia Nova Venécia recebeu significativa contribuição de sedimentos provenientes de fontes situadas no arco magmático do Orógeno Araçuaí. As rochas graníticas do tipo-S pertencem às suítes Ataléia e Carlos Chagas, originadas no estágio sincolisional do orógeno. Por isto, estas suítes geralmente registram a foliação dúctil regional e texturas miloníticas, impressas pelo processo de deformação progressiva. Entretanto, no interior de batólitos ocorrem fácies com feições ígneas bem preservadas. A Suíte Ataléia se relaciona intimamente com o Complexo Nova Venécia por meio de contatos transicionais, caracterizados pelo aumento de fusão granítica no paragnaisse até o desaparecimento das feições gnáissicas, delineando um sistema de fusão parcial autóctone no qual o magma é representado pelo granitóide Ataléia e o resíduo é o cordierita granulito. Os granitóides Ataléia gerados neste sistema são ricos em enclaves de paragnaisse e rocha calcissilicática, bem como apresentam plagioclásio herdado de tal forma que variam em composição desde tonalito a granito, sempre granatíferos. A Suítes Carlos Chagas compõe um grande batólito que ocupa a porção noroeste estudada. Esta Suíte é majoritariamente constituída de granito de granulação grossa a muito grossa, rico em grandes cristais de feldspato potássico, destacando-se o granada- biotita leucogranito foliado a milonitizado. As características de campo, petrográficas e litoquímicas sugerem que o batólito Carlos Chagas seja uma grande zona de acumulação de magma granítico alóctone, originado, majoritariamente, a partir da fusão parcial do paragnaisse Nova Venécia. A suíte G3 é representada por leucogranito a granada e/ou cordierita, livre da foliação regional, que ocorre em veios e bolsões em granitos G2. O leucogranito G3, que contém freqüentes restitos de granito G2 e com ele mostra contato gradacional, representa fusão parcial autóctone dos litotipos da supersuíte G2. A Suíte G5 representa o plutonismo tipo I pós-colisional do Orógeno Araçuaí. As intrusões G5 têm composição predominantemente granítica ou charnockítica, com termos enderbíticos e noríticos subordinados, que apresentam diversas evidências de misturas (mingling e mixing) de magmas e fluxo ígneo geralmente bem marcado. O Grupo Barreiras representa a cobertura sedimentar sub-horizontal, de idade cenozóica, que ocorre em grande parte da Folha Nova Venécia (perfaz aproximadamente 55% da área mapeada). Os aluviões ocorrem na porção sudeste da folha mapeada, na Reserva Biológica Sooretama, e ao longo dos principais leitos de drenagem. São compostos de material inconsolidado predominantemente arenoso. Palavras-chave: Orógeno Araçuaí, Nova Venécia, complexo paragnáissico, granitos, sedimentos IX X Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia ABSTRACT The Nova Venécia area, located on the north portion of Espírito Santo state, contains a high-grade metamorphic paragneiss complex, granites (S and I types) and sedimentary rocks. The paragneiss complex, named Nova Venécia Complex, consists of migmatitic, sillimanite-garnet-cordierite-biotite paragneisses and cordierite granulite, with minor calcsilicate intercalations. This complex represents the neoproterozoic basement on the focused area. The petrographic, geochemical and geochronological signatures of paragneiss and granulite samples suggest that this complex can be interpreted as a passive margin sequence, including arc-related deposits. The S-type granites (Ataléia and Carlos Chagas suites) are correlated to the syncollisional stage of the Araçuaí Orogen, because they persistently record Sn (foliation), usually associated to striking mylonitic features. However, some large batholiths dominated by mylonitic garnet-biotite granites can show parts with well-preserved magmatic features. The Ataléia Suite is nearly related to the Nova Venécia Complex through gradational contacts, characterized by the increasing of granitic melting in the paragneiss until the disappearance of gneiss features, evidencing a system of autochthonous partial melting in which the magma is represented by the Ataléia granitoid and the residue is the cordierite granulite. The Ataléia granitoids show enclaves of paragneiss and calcsilicate rocks and present inherited plagioclase crystals; they range in composition from tonalite to granite, always garnet-rich. The Carlos Chagas Suite occurs as a great batholith and occupies the northwest portion of the mapped area. This Suite mainly consists of granites, coarse to very coarse-grained and potassic feldspar-rich, standing out the garnet-biotite leucogranite, foliated to mylonitic. The petrographic and geochemical features suggest that the Carlos Chagas batholith is a great area of allochthonous granitic melt accumulation related, mainly, to anatexis of the Nova Venécia Complex. The S-type G3 Suite is late to post-collisional. It consists of garnet- and/or cordierite-rich leucogranite, Sn-free, which generally occur as veins and small intrusions cutting G2 granites. Most G3 bodies are enveloped by and contain restites of foliated G2 granites, representing autochthonous to parautochthonous partial melts from the Carlos Chagas and Ataléia suites. The G5 Suite is correlated to the post-collisional stage of the Araçuaí Orogen. It consists of I-type granitic and charnockitic intrusions, which may include enderbitic and noritic portions. Magma mingling and mixing features, as well as igneous flow, are very common. The Barreiras Group represents the cenozoic sub-horizontal sedimentary cover and occurs in the most part of the Nova Venécia geological map (approximately 55% of the mapped area). Alluvium occurs in the southeast part of the mapped area, at Sooretama Biological Reserve, and along the main drainage beds. It is composed mainly by sandy material. Keywords: Araçuaí Orogen, Nova Venécia, paragneiss complex, granites, sediments XI Programa Geologia do Brasil XII Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia SUMÁRIO 1 — INTRODUÇÃO ....................................................................................17 1.1 - LocaLIzação e acessos ...........................................................................17 1.2 - DaDos De ProDução ...............................................................................18 1.3 - agraDecImentos ....................................................................................18 2 — ASPECTOS FISIOGRÁFICOS ....................................................................19 3 — TRABALHOS ANTERIORES .....................................................................21 4 — CONTEXTO GEOTECTÔNICO E GEOLOGIA REGIONAL ....................................25 5 — UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS ...........................................................29 5.1 - DescrIção Das unIDaDes, geoLogIa estruturaL e metamorfIsmo ....................31 5.1.1 - complexo nova Venécia (nP3nv) ........................................................................31 5.1.2 - suíte ataléia (nP3g2at) ...................................................................................35 5.1.3 - suíte carlos chagas (nP3g2cc) ..........................................................................37 5.1.4 - Leucogranitos Porfirítico do Tipo S (e2g3) ............................................................40 5.1.5 - suíte aimorés (e2g5am) ..................................................................................41 5.1.6 - grupo Barreiras (enb) ....................................................................................44 5.1.7 - aluviões (n4a) ..............................................................................................46 6 — GEOQUÍMICA ....................................................................................51 7 — RECURSOS MINERAIS ...........................................................................67 8 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ..........................................................71 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................73 XIII XIV Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA NOVA VENÉCIA ESTADO DO ESPÍRITO SANTO XV Programa Geologia do Brasil 16 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 1 — INTRODUÇÃO O Relatório Final aqui apresentado das áreas cobertas pelas folhas Bocaiúva, Carangola, acompanha o mapa geológico escala 1:100.000 da Contagem, Curvelo, Manhumirim, Montanha, Nova área coberta pela Folha Nova Venécia (SE-24-Y-B-IV), Venécia e Taiobeiras (Figura 1.1). Os produtos fi nais um produto do Contrato CPRM 106/PR/06 fi rmado deste contrato foram elaborados em plataforma de com a UFMG. Este contrato de prestação de serviços Sistema Geográfi co de Informações (mapa geológico, técnicos especializados objeti vou o mapeamento bancos de dados) e outros aplicati vos informati zados geológico e cadastramento de recursos minerais (relatório e banco Afl ora do GEOBANK). Figura 1.1- Mapa de arti culação das folhas mapeadas pelas equipes dos contratos CPRM 106/PR/06–UFMG (em rosa) e CPRM 059/PR/05–UFMG (em azul). 1, Monte Azul; 2, Taiobeiras; 3, Jequitaí; 4, Bocaiúva; 5, Ecoporanga; 6, Montanha; 7, Curvelo; 8, Mantena; 9, Nova Venécia; 10, Pará de Minas; 11, Contagem; 12, Manhuaçu; 13, Manhumirim; 14, Carangola; 15, Espera Feliz 1.1 - LOCALIZAÇÃO E ACESSOS A área coberta por esta folha está totalmente conti da na região setentrional do Estado do Espírito Santo, abrangendo parte dos municípios de Boa Esperança, A Folha Nova Venécia é delimitada pelas Linhares, Nova Venécia, São Mateus e São Gabriel da coordenadas 18o30’S – 19º00’S e 40º00’W – 40º30’W. Palha (Figura 1.2). Figura 1.2- Mapa de localização da Folha Nova Venécia (retângu- lo azul), integran- te do Contrato CPRM 106/PR/06 17 Programa Geologia do Brasil As principais cidades da área mapeada são Do total de estações de campo, 40 são pedreiras Boa Esperança, Santo Antônio e Nova Lima, a norte, de minerações e garimpos de rochas ornamentais Nova Venécia e Nestor Gomes (antigo Quarenta e (a maioria), brita e pedra de talhe, ativas e inativas. Um) na porção central, e Valério e Jaguaré, a sul. Muitos afloramentos de rochas graníticas mostram Os povoados são Patrimônio do Bis, Guarabu, São detonações com explosivos (fogaço ou fogo de Jorge da Barra Seca, Fartura, Jurana, Fátima, Santa martelo) para prospecção de rocha ornamental. Leocádia dentre outros. Em função da marcante homogeneidade das A partir de Belo Horizonte, a rota asfaltada mais unidades e da granulação grossa da maioria das curta para a região se faz via Governador Valadares, rochas, foram selecionadas e descritas 47 lâminas Divino das Laranjeiras, Central de Minas, Mantena e delgadas. Barra de São Francisco. As principais vias asfaltadas Análises geoquímicas foram realizadas sobre na área da Folha Nova Venécia são as rodovias 27 amostras de unidades diversas da área da Folha ES-130, ES-137, ES-315, ES-344, ES-356, ES-358 e Nova Venécia. Para fins de comparação, o tratamento ES-430 que, juntamente com as demais estradas dos dados litoquímicos foi realizado em conjunto e trilhas, atendem ao mapeamento em escala com as amostras das folhas Montanha, Mantena e 1:100.000. Como a região é de alta pluviosidade e as Ecoporanga, totalizando 56 análises. precipitações podem ocorrer durante a maior parte do ano, a viabilidade dos acessos é marcantemente controlada pela densidade de chuvas. 1.3 - AGRADECIMENTOS 1.2 - DADOS DE PRODUÇÃO As equipes que mapearam a região coberta pelas folhas Nova Venécia e Montanha agradecem: As particularidades litoestruturais, • Aos dirigentes e ex-dirigentes da CPRM-Servi- geomorfológicas e pedológicas da região são ço Geológico do Brasil e da Secretaria de Geo- extremamente adversas para se aplicar os métodos logia, Mineração e Transformação Mineral do convencionais de interpretação fotogeológica, Ministério das Minas e Energia, pela convicção seja sobre aerofotos ou imagens de satélite, com e determinação que resultaram nesta profícua o objetivo de delimitar unidades litológicas. Por parceria com a Universidade Brasileira para isto é notável a marcante diferença entre o mapa mapeamento geológico em âmbito nacio- preliminar (essencialmente fotogeológico) e o mapa nal, em particular a Manoel Barretto, Cláudio aqui apresentado (elaborado quase exclusivamente Scliar, Giles Carriconde, Roberto Ventura San- com dados de campo e descrições microscópicas). tos e Agamenon Dantas. As informações geofísicas auxiliam na identificação • A Ronaldo Tadeu Pena (Reitor da UFMG), de algumas unidades da folha. As imagens de relevo Maria das Graças Fernandes Araújo (Pró-Rei- sombreado e modelo digital do terreno subsidiam o traçado dos grandes fotolineamentos. tora de Planejamento e Desenvolvimento da UFMG), Macilene Gonçalves de Lima (Diretora No seu conjunto, a área tem quantidade do Departamento de Contabilidade e Finanças adequada de afloramentos rochosos para atender ao da UFMG) e a equipe da Divisão de Convênios mapeamento em escala 1:100.000, embora muitos do DCF-UFMG (em particular, Cecília Pires, deles sejam encostas íngremes e/ou cumes de Cristiane Kume e Janaína Oliveira), que muito pontões (pães-de-açúcar). facilitaram a efetivação e o andamento deste Todos os afloramentos descritos e compilados contrato; estão registrados no banco de dados AFLORA (GEOBANK) e no arquivo Tabela_Campo (anexo). • A Vinicius Araújo, Valéria Paiva, José Carlos Em arquivos digitais (anexos) também estão os Delogo e Vicente Ângelo, da FUNDEP, pela per- acervos de fotografias de campo (Foto_Campo) e manente disponibilidade e eficiência; de descrição petrográfica microscópica, incluindo • A Luiz Carlos da Silva (supervisor do contrato fotomicrografias (Petrografia_Micro), referentes às pela CPRM) pelas proveitosas sugestões; estações listadas no arquivo Tabela_Campo. • A Farid Chemale Jr. e Ivo Dussin, do Laborató- Para melhor clareza de visualização gráfica, os bancos de dados diretamente ligados ao mapa rio de Geologia Isotópica da UFRGS; geológico digital em SIG foram alimentados apenas • A Antônio Carneiro (proprietário do Hotel Ci- com afloramentos selecionados, em função das dade e da Mineracan, em Nova Venécia), Wal- características das bibliotecas de símbolos, pontos e ter de Prá (ex-prefeito de Nova Venécia), José linhas, fornecidas pela CPRM. Orlandi (fazendeiro e proprietário de pedreiras O Mapa Geológico da Folha Nova Venécia é de rochas ornamentais), Mineração Bela Vista, sustentado por 589 estações de campo relacionadas Mineração Matatias (Nova Venécia Granitos), a afloramentos rochosos (533 estações) e coberturas Royal Granite Ltda, Rocha Branca Mineração, de solos, distribuídas ao longo de 4.480 km Granitos Montanha e CPEX Mineração. percorridos na área. 18 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 2 — ASPECTOS FISIOGRÁFICOS Na área coberta pela Folha Nova Venécia principais que, em geral, não correspondem aos foram delimitados quatro domínios geomorfológicos limites das unidades geológicas (Figura 2.1). Figura 2.1- As linhas amarelas sepa- ram os grandes domínios geomor- fológicos da área coberta pela Folha Nova Venécia, que são: 1, domínio de pontões (pães-de-açucar) e encos- tas íngremes; 2, domínio de morros rochosos; 3, domínio de colinas; e 4, domínio do planalto costeiro. Em vermelho destacam-se áreas de conjuntos de morros altos (i.e., remanescentes do domínio 2) nos domínios geomorfológicos de menor alti tude. Nenhum destes domínios tem correspondência direta com uma só unidade estrati gráfi ca O domínio 1 é composto por um conjunto de Uma das feições geomorfológicas mais marcantes do pontões rochosos (pães-de-açúcar) com encostas domínio é exatamente a Pedra do Elefante que, além íngremes e alti tudes de até 620 m, desenvolvidos de ponto turísti co, é palco da extração de brita (Figura principalmente sobre a intrusão graníti co-charnockíti ca 2.2). Este domínio engloba a cidade de Nova Venécia, denominada Pedra do Elefante (Suíte G5 Aimorés). principal concentração urbana da região. Figura 2.2- Feições do domínio geomorfológico 1 (pontões rochosos) na Folha Nova Venécia, onde se verifi ca a extração de brita na Pedra do Elefante. Nesta foto, o substrato é de rochas da Suíte Aimorés 19 Programa Geologia do Brasil O domínio 2, situado no quadrante sudoeste, se que alguns destes morros rochosos, como a Serra tem o relevo menos acentuado que o domínio da Pedra Roxa, seguem um lineamento de direção anterior, e é marcado por morros rochosos isolados N-S. O Rio Barra Seca corta esse domínio na direção (Figura 2.3) esculpidos em granitos da Suíte Ataléia e E-W. Algumas pedreiras de rocha ornamental paragnaisses do Complexo Nova Venécia. Observa- ocorrem no domínio. Figura 2.3- Detalhe da Serra da Pedra Roxa, morro rochoso de direção N-S do domínio geomorfológico 2 O domínio 3, que ocupa o quadrante Na maior parte da Folha Nova Venécia a noroeste da folha, caracteriza-se por relevo ainda drenagem tem padrão dendrítico, com algum menos acentuado, é materializado por colinas e controle nas direções NE, NW e N-S. Sobre o planalto extensos platôs desenvolvidos nas diversas unidades costeiro, a drenagem dendrítica é condicionada pela estratigráficas. O Rio Cricaré, ao sul, e o Cotaxé, pendente topográfica rumo ao Oceano Atlântico e também chamado Rio do Norte, delimitam este pela inclinação para sudeste. domínio com quedas abruptas de altitude. No leito destes rios afloram, predominantemente, rochas do A área da Folha Nova Venécia é coberta Complexo Nova Venécia, além de litotipos da Suíte por pastagens e culturas de cana, café, eucalipto, Aimorés no extremo norte da área. pimenta-do-reino, seringueira e frutas, além de O domínio 4 ocupa metade da área da folha e restos de mata fechada que se concentram nos vales representa o planalto costeiro desenvolvido sobre mais íngremes. Entretanto, no quadrante sudeste rochas sedimentares do Grupo Barreiras. As áreas da folha, a área de proteção ambiental da Reserva marcadas em vermelho (Figura 3) são morros rochosos Biológica de Soretama ainda preserva a vegetação remanescentes de outros domínios, que não foram original da Mata Atlântica. Nos maciços rochosos aplainados pela erosão cenozóica. No domínio 4, o desenvolvem-se espécies peculiares como, por planalto costeiro está levemente inclinado para sudeste. exemplo, bromélias e cactus. 20 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 3 — TRABALHOS ANTERIORES Esta síntese refere-se à região setentrional do augen granitóides gnáissicos, leucocráticos a Estado do Espírito Santo e suas vizinhanças em Minas mesocráticos, a biotita, granada, sillimanita Gerais, em particular a mapas que cobrem as áreas das e eventualmente cordierita, com abundantes folhas Nova Venécia, Montanha, Mantena e Ecoporanga. megacristais de feldspato ocelar a retangular, Cordani (1973) dividiu o substrato da região e xenólitos gnáissicos e calcissilicáticos. em duas grandes unidades litológicas: uma, a oeste, • O Complexo Medina foi interpretado como constituída por gnaisses migmatíticos e rochas graníticas, sin a tarditectônico e descrito como um con- e outra, a leste, formada por gnaisses kinzigíticos, com junto de biotita granito porfiróide, biotita grau metamórfico maior do que a primeira. granodiorito a tonalito gnaissificados e bioti- Fontes et al. (1978, Projeto Jequitinhonha ta granitóide, de granulação média a grossa, 1:250.000, CPRM) distinguem três unidades equigranulares a porfiróides, leucocráticos a litoestratigráficas na região (1:100.000), a saber: mesocráticos, com ou sem granada, maciços • O Complexo Gnáissico-Kinzigítico é descrito a foliados, portadores de xenólitos e enclaves com uma grande variedade de rochas gnáissi- microgranulares. cas, incluindo verdadeiros kinzigitos, em parte • A Suíte Intrusiva Aimorés, interpretada como migmatizadas, com intercalações leucocráti- tardi a pós-tectônica, estaria exposta em gran- cas e rochas graníticas associadas. As rochas des maciços nos arredores de Barra do São predominantes são referidas como: gnaisse Francisco e Águia Branca (Folha Mantena) e kinzigítico, gnaisse migmatítico, granitóide em pequenos stocks na região de Cotaxé (Fo- gnáissico, biotita-granada gnaisse, biotita- lha Ecoporanga), onde estaria representada -anfibólio-granada gnaisse e biotita-anfibólio por biotita ortopiroxênio granitóides, maciços gnaisse. Intercalações de rochas calcissilicá- ou foliados, com granulação grosseira a porfi- ticas e rochas charnockíticas também foram róide, coloração verde escura. agrupadas neste complexo. • A Suíte Intrusiva Guaratinga, interpretada • As rochas do Complexo Granitóide foram des- como pós-tectônica a anorogênica, englobaria critas com estrutura orientada, geralmente biotita monzogranitos a tonalitos e biotita gra- ocelar (augen), constituídas por feldspato po- nitos, isotrópicos, de granulação fina a média tássico, biotita, quartzo, plagioclásio, granada, e texturas equigranulares, que ocorreriam nos sillimanita e cordierita. arredores de Ecoporanga e nas vizinhanças de • O Complexo Charnockítico foi descrito próxi- Barra do São Francisco (Folha Mantena). mo a Barra do São Francisco (Folha Mantena) • A Suíte Intrusiva Fundão inclui os diques de dia- e Cotaxé (Folha Ecoporanga), sob a forma de básio de granulação fina a média e gabros, com batólitos e stocks em associação com os grani- textura ofítica e intergranular. Ocorrem com tóides porfiroblásticos e augen granitóides do orientação preferencial na direção NNW-SSE. Complexo Granitóide. • O Grupo Barreiras é composto por arenitos Siga-Júnior (1986) e Silva et al. (1987, Folha imaturos, conglomerados polimícticos e argili- Rio Doce 1:1000.000, IBGE) referem as seguintes tos variados, depositados no Terciário. unidades litoestratigráficas: • O Complexo Paraíba do Sul incluiria metatexi- Silva et al. (1987) refere que a região tos e diatexitos, cujos paleossomas são biotita particulariza-se por conter o alinhamento estrutural e/ou hornblenda-granada gnaisses e gnais- Vitória-(Colatina)-Ecoporanga, de direção NW-SE, ses kinzigíticos, com intercalações de rochas que foi interpretado como resultante de reativações calcissilicáticas, mármores, quartzitos e anfi- pré-cambriana (brasiliano) e mesozóica. bolitos; e neossomas cujos leucossomas são O Projeto Leste (Pinto et al. 2001, CPRM- quartzo-feldspáticos e os melanossomas são CODEMIG) apresenta mapas em escala 1:100.000 ricos em biotita. Este complexo, considerado que são adjacentes às folhas Mantena e Ecoporanga, como embasamento na região norte do Espíri- ou que incluem as pequenas partes do território to Santo, teria se formado pelo metamorfismo mineiro contidas nestas folhas. As cartas geológicas de material crustal preexistente, no Ciclo Bra- do Projeto Leste que cobrem estas áreas de Minas siliano, em torno de 630 Ma (Rb-Sr). Gerais também receberam os nomes Mantena e • O Complexo Montanha foi interpretado como Ecoporanga (Silva 2000), no Projeto Leste. Os demais sintectônico e descrito como um conjunto de mapas do Projeto Leste que interessam diretamente 21 Programa Geologia do Brasil ao presente trabalho são Conselheiro Pena-São granito (mais granodiorito e tonalito), cinza, Gabriel da Palha (Oliveira, 2000), Itabirinha de foliado, geralmente porfirítico, com enclaves Mantena (Vieira 2000) Ataléia (Tuller 2000), Mucuri de granada-biotita gnaisse bandado. O con- (Moreira 2000) e Carlos Chagas (Silva 2000). As tato do Granito Ataléia com o Leucogranito descrições de unidades litoestratigráficas das cartas Carlos Chagas é representado por uma falha do Projeto Leste, que interessam diretamente à de empurrão aproximada, com indicação do correlação com unidades da região mapeada, estão movimento da capa para leste. O Granito sintetizadas adiante: Ataléia é considerado como uma unidade • O Complexo Gnáissico-Kinzigítico, representa- sin- a tardi-tectônica mais nova da faixa mó- do pela unidade Gnaisse Kinzigítico, é descrito vel, nesta região. como portador de biotita-granada-cordierita • O Granito Caladão e o Charnockito Padre Pa- gnaisse, biotita-cordierita-granada-gnaisse- raíso são unidades englobados na Suíte In- -sillimanita gnaisse, cordierita-sillimanita-bio- trusiva Aimorés, considerada como tardi a tita gnaisse e biotita-cordierita gnaisse, com pós-tectônica. Na região, o Granito Caladão é lentes de rochas calcissilicáticas. O conjunto descrito como biotita granito porfirítico com está localmente milonitizado. Intensidades di- fenocristais de feldspato potássico em matriz versas de migmatização são observadas. A uni- de granulação grossa, de cor cinza, isotrópi- dade Gnaisse Kinzigítico é interpretada como co ou com orientação de fluxo magmático. O embasamento neoproterozóico e correlacio- Charnockito Padre Paraíso, geralmente isotró- nada ao Complexo Paraíba do Sul de Silva et pico, consiste de charnockito a enderbito, com al. (1987). quantidades variáveis de piroxênios, anfibólio • O Granito Nanuque, da Folha Carlos Chagas, é e biotita, e fenocristais de feldspato em matriz descrito como cordierita-sillimanita-granada- de granulação grossa a média. Os corpos de -biotita granito (eventualmente granodiorito e Granito Caladão e Charnockito Padre Paraíso tonalito) cinza, porfirítico, foliado, com matriz são referidos como nitidamente intrusivos e de granulação grossa muitas vezes subordina- estão intimamente associados entre si, ocor- da. Pode ocorrer rocha charnockítica. A descri- rendo no interior do mesmo plúton. ção do relatório desta folha deixa evidências • O Granito Pedra Pontuda, que ocorre como claras de que a foliação referida é tectônica uma intrusão no Granito Ataléia do extremo (solid-state foliation). O contato do Granito nordeste da folha homônima, é descrito como Nanuque com o Leucogranito Carlos Chagas, hornblenda-biotita granito cinza com tonalida- na Folha Carlos Chagas, é marcado como con- de rósea, granulação média a grossa e foliação tato aproximado, mas na Folha Ataléia a rela- incipiente. É considerado como um corpo tar- ção de contato entre estas unidades é marcada di- a pós-tectônico, que não pertence à Suíte por uma falha de empurrão com indicação do Intrusiva Aimorés. movimento da capa para leste. O Granito Na- nuque é considerado uma unidade sin- a tardi- • O Grupo Barreiras, de idade cenozóica, é deli- -tectônica da faixa móvel. mitado em grande parte do quadrante sudeste da Folha Carlos Chagas, onde é descrito como • O Leucogranito Carlos Chagas é descrito como sedimentos areno-argilosos imaturos de cores granito de cor branca, de granulação média, variegadas, mal classificados, inconsolidados, composto de quartzo, feldspato, biotita, silli- localmente conglomeráticos. manita e granada. Localmente possui compo- sição granodiorítica. Possui restos de granada- -sillimanita-cordierita gnaisse. O Leucogranito Noce et al (2004) obtiveram os primeiros Carlos Chagas apresenta foliação penetrativa, dados geocronológicos U-Pb para o complexo atribuída ao Evento Brasiliano. São descritas paragnáissico da região setentrional do Espírito também feições metamórficas nesta unidade, Santo. Os zircões detríticos (datados pelo método como texturas de blastese, por exemplo. O U-Pb SHRIMP) forneceram dados indicadores de contato do Leucogranito Carlos Chagas com o fontes de diferentes idades (631 ± 19 Ma, 773 ± 13 Gnaisse Kinzigítico é interpretado como falha Ma e 2104 ± 12 Ma) para os protólitos sedimentares de empurrão, com indicação do movimento da do complexo paragnáissico. A idade recalculada capa para leste, na Folha Itabirinha de Mante- para os zircões detríticos mais jovens limita a idade na, mas é representado como contato aproxi- máxima da deposição dos protólitos sedimentares mado, não discriminado, na Folha Carlos Cha- do paragnaisse de Nova Venécia em 608 ± 18 Ma gas. O Leucogranito Carlos Chagas também é (Pedrosa-Soares et al. 2008). A idade U-Pb de considerado como uma unidade sin- a tardi- monazita neo-formada (530 ± 5 Ma) indica a época -tectônica da faixa móvel. de episódio térmico tardi-orogênico que afetou o complexo. Esta idade é relacionada às fusões • O Granito Ataléia é descrito, na Folha Carlos tardias (veios e plútons graníticos livres da foliação Chagas, como (sillimanita)-granada-biotita regional), uma vez que, no contexto do Orógeno 22 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Araçuaí, a idade do metamorfismo sincolisional tem Soares et al. 2006). Anteriormente, os granitos da sido limitada no intervalo 585-560 Ma. suíte G2 eram incluídos nos complexos granitóide A designação Nova Venécia foi explicitada e gnáissico-kinzigítico da Associação Barbacena- por Pedrosa-Soares et al. (2006, 2008), com base Paraíba do Sul (Fontes et al. 1978), e nos complexos no trabalho de Noce et al. (2004) e no mapa Medina e Montanha (Silva et al. 1987). O granada- geológico de Gradim et al. (2005), para designar a biotita granito foliado da região de Montanha foi unidade composta de paragnaisse peraluminoso interpretado como sintectônico (Silva et al. 1987). As com intercalações de rocha calcissilicática, que denominações Granito Ataléia e Leucogranito Carlos apresenta zircões detríticos indicadores de idade Chagas foram utilizadas, informalmente, por Pinto máxima de sedimentação em torno de 608 Ma e et al. (2001) para identificar litotipos relacionados ocorre amplamente na região de Nova Venécia à granitogênese que também consideraram como a Vitória. O Complexo Nova Venécia difere das sintectônica. A unidade chamada Granito Ataléia unidades portadoras de paragnaisses situadas no é descrita como um conjunto de biotita granito e nordeste de Minas Gerais e sul da Bahia, onde o granada-biotita granito, foliados, de granulação Complexo Jequitinhonha é rico em intercalações de fina a média, cor cinza, ricos em xenólitos e restitos grafita gnaisse e quartzito, e a sul de Vitória (Espírito de paragnaisse e rocha calcissilicática. Segundo Santo), onde o complexo paragnáissico apresenta Tuller (1997), os contatos do Granito Ataléia com espessas lentes de mármore, quartzito, rochas o complexo paragnáissico e o Leucogranito Carlos manganesíferas e corpos meta-ultrabásicos. O Chagas são transicionais. Localmente, estes contatos Complexo Nova Venécia apresenta metamorfismo na são tectônicos (Pedrosa-Soares et al. 2006). O transição de fácies anfibolito-granulito, em função da termo Leucogranito Carlos Chagas foi utilizado paragênese cordierita-granada-sillimanita-hercynita para distinguir rochas graníticas, leucocráticas, (Castañeda et al. 2006, Pedrosa-Soares et al. 2006), de granulação grossa, estrutura augen, foliadas e mas com significativa presença de biotita em alguns dobradas (Pinto et al. 2001). O Leucogranito Carlos termos peraluminosos e sua quase ausência em Chagas mostra contato geralmente tectônico com outros. Dados quantitativos obtidos em paragnaisses o complexo paragnáissico, podendo ser localmente da região entre Colatina e Santa Tereza apontam transicional (Pinto et al. 2001; Pedrosa-Soares et temperatura metamórfica de 820 ± 20 °C (i.e., início al. 2006; Castañeda et al. 2006). Noce et al. (2000) da fácies granulito) a pressão de 6,5 ± 0,5 kbar apresentaram idade de cristalização magmática de (Munhá et al. 2005). 591 ± 5 Ma (Pb-Pb, evaporação de zircão) para o O plutonismo orogênico aqui abordado diz Granito Ataléia e Silva et al. (2002) de 573 ± 5 Ma respeito às suítes regionais identificadas por Pedrosa- (zircão, U-Pb SHRIMP) para o Granito Nanuque. Soares & Wiedemann (2000), Pedrosa-Soares et al. Roncato et al. (2007) e Vauchez et al. (2007) (2001, 2007, 2008) e Campos et al. (2004). Estas reportam idades U-Pb SHRIMP muito similares, em suítes numeradas de G1 a G5 e discriminadas com torno de 576 Ma, para amostras de diferentes partes base em relações de campo, feições estruturais, do Leucogranito Carlos Chagas. assinatura geoquímica e idades U-Pb têm suas A rocha típica da suíte G3 é o leucogranito características adiante resumidas. a granada e/ou cordierita, com textura isotrópica, A suíte G1, característica do estágio ou seja, livre da foliação dúctil regional (Pedrosa- pré-colisional, consiste de granitóides tipo-I, Soares & Wiedemann-Leonardos 2000; Pedrosa- metaluminosos e cálcio-alcalinos, representados Soares et al. 2001, 2006, 2007). O leucogranito G3 predominantemente por tonalito e granodiorito, geralmente é livre de biotita, ou a tem em muito ricos em autólitos dioríticos a máficos, foliados e pequena quantidade. Resíduos granulíticos, na estirados segundo a foliação regional impressa pela forma de aglomerados compostos por cordierita, deformação brasiliana. Esta suíte foi formada em granada, sillimanita, monazita e apatita, podem ambiente de margem continental ativa no intervalo ocorrer associados ao leucogranito G3. Esta suíte de ca. 630 a 585 Ma (Nalini-Junior et al. 2000a, 2005; ocorre de forma restrita, na forma de veios e bolsões Pedrosa-Soares & Wiedemann-Leonardos 2000; disformes, ou como corpos isolados de pequenas Pedrosa-Soares et al. 2001, 2008; Campos et al. dimensões (Pedrosa-Soares et al. 2006; Castañeda 2004; Silva et al. 2005). et al. 2006). Os contatos entre granitos das suítes G3 e G2 são transicionais, sem relações intrusivas A suíte G2 engloba os produtos da ou qualquer outra feição que evidencie injeção granitogênese sincolisional que teve lugar no ou movimento significativo, sugerindo o caráter intervalo 585 – 560 Ma no Orógeno Araçuaí autóctone a para-autóctone da suíte G3. Desta (Pedrosa-Soares & Wiedemann-Leonardos, 2000; forma, o cordierita-granada leucogranito da suíte G3 Pedrosa-Soares et al. 2001, 2007, 2008; Silva et al. parece ser produto de fusão parcial essencialmente 2005). São granitos geralmente peraluminosos, autóctone de granitos da suíte G2, após o evento tipo-S, que foram afetados pela deformação dúctil de deformação regional do estágio sincolisional do do estágio sin-colisional do Orógeno Araçuaí, embora Orógeno Araçuaí (Pedrosa-Soares et al. 2006). A localmente os grandes batólitos possam mostrar temperatura e pressão, calculadas por Castañeda porções preservadas desta deformação (Pedrosa- et al. (em preparação) a partir de análises de micro- 23 Programa Geologia do Brasil sonda eletrônica, indicam que a suíte G3 cristalizou- ou anortosíticas, sem a foliação regional. Enclaves se em torno de 815 ºC e a 5 kbar. Esta suíte tem idades máficos, evidenciando misturas mecânica (mingling) de ristalização magmática no intervalo de 545–520 e química (mixing) de magmas, e xenólitos de Ma (Whittington et al. 2001; Silva et al. 2005, 2007; encaixantes são comuns. A assinatura cálcio-alcalina Castañeda et al. 2006; Pedrosa-Soares et al. 2006) e de altos K e Fe é característica desses plútons, zircões com núcleos herdados de idade entre 630 Ma permitindo-lhes ser a origem de pegmatitos ricos e 850 Ma (Silva et al. 2007). em água-marinha e topázio. As idades disponíveis A suíte G4 engloba intrusões tardias do para a suíte G5, no intervalo 520-500 Ma, indicam tipo-S, compostas de granito a duas micas, granito que este plutonismo teve lugar no estágio pós- pegmatóide e raro biotita granito. As intrusões colisional do Orógeno Araçuaí (Wiedemann et al. graníticas desta suíte são fontes de grandes 1993, 1997, 2002; Noce et al. 2000; Pedrosa-Soares pegmatitos ricos em turmalina e minerais de lítio & Wiedemann-Leonardos 2000; Pinto et al. 2001; (Pedrosa-Soares & Wiedemann-Leonardos 2000, Campos et al. 2004; Martins et al. 2004; Castañeda Pedrosa-Soares et al. 1987, 2001). Os corpos da et al. 2006; Pedrosa-Soares et al. 2006a,b). suíte G4 parecem ser diacrônicos (ca. 535-500 Ma) Baltazar et al. (2008) apresentam os em relação à suíte G3 e podem ser considerados resultados do mapeamento geológico em escala como correspondentes alóctones, mais hidratados 1:100.000 que cobriu as áreas das folhas São Gabriel e cristalizados em nível crustal mais raso, em da Palha e Linhares, situadas imediatamente a sul relação à Suíte G3. das folhas Mantena (Pedrosa-Soares et al. 2006) A suíte G5 engloba intrusões tardias do e Nova Venécia (Queiroga et al. 2009), mostrando tipo-I, muitas vezes zonadas, constituídas por fácies características similares para as unidades que são graníticas, charnockíticas, enderbíticas, noríticas e/ comuns às folhas citadas. 24 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 4 — CONTEXTO GEOTECTÔNICO E GEOLOGIA REGIONAL A região setentrional do Estado do Espírito grau. A contraparte africana do Orógeno Araçuaí é Santo situa-se no setor oriental do Orógeno Araçuaí a Faixa Congo Ocidental (ou Oeste Congo) que foi (Figura 4.1). A definição e características deste herdada pela África após a abertura do Atlântico orógeno, bem como sínteses, modelos evolutivos e Sul no Cretáceo. Este orógeno faz parte do sistema dados recentes que interessam à região mapeada, orogênico brasiliano-panafricano, cuja evolução se se encontram em Almeida (1977), Brito-Neves et deu no Neoproterozóico e Cambriano, representando al. (1999), Pedrosa-Soares et al. (1998, 2001a,b, o setor setentrional da Província Mantiqueira. 2003, 2005, 2007, 2008), Pedrosa-Soares & Em conjunto, o Orógeno Araçuaí e a Faixa Wiedemann-Leonardos (2000), Lima et al. (2002), Congo Ocidental caracterizam um orógeno confinado Silva et al. (2002, 2005), Wiedemann et al. (2002), a uma reentrância do Cráton São Francisco – Congo Noce et al. (2004), Heilbron et al. (2004), Martins et (Figura 4.1). A bacia precursora desse orógeno seria al. (2004), Suita et al. (2004), Munhá et al. (2005), um golfo, ensiálico a norte e oceanizado a sul, que Marshak et al. (2006), Alkmim et al. (2006, 2007), desembocaria em amplo oceano voltado para onde Vieira (2007), Vieira et al. (2007), Queiroga et al. hoje se situa o Orógeno Ribeira. O fechamento desta (2007) e Roncato (2009). Apresenta-se adiante bacia teria sido induzido por colisões à distância, uma síntese destes trabalhos. contra os crátons do São Francisco e Congo, e O Orógeno Araçuaí é uma região orogênica seguiria um mecanismo similar a um quebra-nozes. A que se estende do Cráton do São Francisco ao litoral posição dos remanescentes oceânicos em relação ao atlântico, aproximadamente entre os paralelos 15º arco magmático indica que a subducção foi de oeste e 21º S (Figura 4.2). Este orógeno inclui a Faixa de para leste, de tal forma que a região aqui abordada Dobramentos Araçuaí e a região a leste dela, rica se situa na zona de retroarco do Orógeno Araçuaí em rochas graníticas e metassedimentares de alto (Figuras 4.1 e 4.2). Figura 4.1- Situação das folhas mapeadas pelos contratos CPRM-UFMG no Orógeno Araçuaí (modificado de Pedrosa-Soares et al. 2005 e Alkmim et al. 2006) 25 Programa Geologia do Brasil O embasamento está bem exposto no setor anatético do orógeno, onde consiste de unidades ocidental do Orógeno Araçuaí, onde é representado paleoproterozóicas (complexos Juiz de Fora e por unidades arqueanas e paleoproterozóicas, mas Pocrane e Suíte Caparaó) fortemente retrabalhadas ocorre em áreas restritas no núcleo metamórfico- pela Orogenia Brasiliana (Figura 4.2). Figura 4.2- Mapa geológico do Orógeno Araçuaí (Pedrosa-Soares et al. 2005, 2007) 26 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia A bacia precursora do Orógeno Araçuaí Grupo Rio Doce. Na Formação Palmital do Sul, basal, é representada pelo Grupo Macaúbas e seus ocorrem tufos piroclásticos com bombas vulcânicas correlatos. A fase rifte continental da bacia Macaúbas esparsas. A Formação Tumiritinga contém rochas desenvolveu-se entre ca. 930 e 880 Ma, e seu vulcanoclásticas (tufos e cinzas). As rochas vulcânicas registro sedimentar é representado pelas unidades têm composição dacítica e assinatura geoquímica basais e proximais do Grupo Macaúbas, constituídas de arco vulcânico continental, com idades de de quartzito e conglomerado, superpostos por cristalização magmática (zircão, U-Pb LA-ICP-MS metadiamictito com intercalações de quartzito. As e TIMS) em torno de 585 Ma. Estas formações manifestações magmáticas deste período estão bem são interpretadas como depósitos de bacias intra- registradas pelos diques máficos da Suíte Pedro arco a ante-arco, preenchidas no estágio final de Lessa, granitos anorogênicos da Suíte Salto da Divisa desenvolvimento do arco magmático. A Formação e pelos xistos verdes basálticos do Membro Rio São Tomé, que recobre as unidades acima referidas, é Preto da Formação Chapada Acauã (Figura 4.2). O composta por metagrauvaca, paragnaisse, quartzito estágio transicional entre as fases rifte e de margem e mármore que têm contribuição sedimentar do passiva é representado pela seqüência glácio-marinha arco magmático revelada por sua composição que inclui diamictito estratificado com turbidito mineralógica, assinatura geoquímica e grãos arenoso a pelítico e formação ferrífera sedimentar, detríticos de zircão com idades em torno de 595 Ma. metamorfisados na fácies xisto verde. A posição relativa entre o arco magmático e A fase de margem passiva da Bacia Macaúbas é os restos ofiolíticos da Formação Ribeirão da Folha representada por extensa sedimentação de turbiditos indica que a zona de sutura do Orógeno Araçuaí é areno-pelíticos de mar profundo e por remanescentes balizada pelo meridiano 42°W. de crosta oceânica. Esta unidade distal do Grupo Entre os estágios pré-colisional e sincolisional Macaúbas é a Formação Ribeirão da Folha a qual, ocorreu sedimentação, em bacia de retroarco, dos onde exclusivamente sedimentar, consiste de quartzo- protólitos do complexo paragnáissico da região mica xisto bandado com intercalações de rocha setentrional do Espírito Santo, que contém zircões calcissilicática, grafita xisto e mármore. A parte distal detríticos com idades entre 630 e 600 Ma. A rocha da Formação Ribeirão da Folha, que contém restos largamente predominante neste complexo é gnaisse de crosta oceânica, engloba micaxisto peraluminoso peraluminoso (rico em granada, cordierita e/ou com intercalações de metachert sulfetado, grafita sillimanita) que atingiu metamorfismo da fácies xisto com cianita e/ou sulfeto, formações ferríferas granulito. Entretanto, paragnaisses similares, bandadas dos tipos óxido, silicato e sulfeto, orto- situados no nordeste de Minas Gerais, sul da Bahia e anfibolitos e veios de plagiogranitos associados. sul do Espírito Santo, que apresentam intercalações Estes orto-anfibolitos têm assinatura geoquímica de de grafita gnaisse, quartzito, mármore e/ou rochas assoalho oceânico e representam seções diversas calcissilicáticas, poderiam também representar da crosta oceânica, desde a porção gabróica inferior componentes de margem passiva. até rochas vulcânicas. Lascas tectônicas de rochas meta-ultramáficas, encaixadas na Formação Ribeirão Os padrões regionais de deformação dúctil e da Folha e outras unidades, representam fatias de metamorfismo originaram-se no estágio sincolisional manto sub-oceânico. Recentemente, as vênulas de (585-560 Ma). No estágio sincolisional estruturou-se plagiogranito foram datadas em 660 ± 29 Ma (zircão, o transporte tectônico centrífugo que se observa no U-Pb LA-ICP-MS), indicando época de cristalização segmento mediano transversal do Orógeno Araçuaí magmática deste remanescente ofiolítico. O Grupo (Figura 4.2). A foliação regional dos metapelitos dos Dom Silvério, em função da similaridade litológica e grupos Macaúbas e Dom Silvério é materializada por geoquímica, é um provável correlato da parte oceânica paragêneses do regime de média pressão, desde a da Formação Ribeirão da Folha. zona da clorita, que margeia o cráton, até a zona da sillimanita, no domínio tectônico interno do orógeno. O Orógeno Araçuaí guarda marcantes O complexo paragnáissico registra metamorfismo de evidências dos estágios pré-colisional (630-585 Ma), fácies anfibolito alto a granulito, a pressões moderadas, sincolisional (585-560 Ma), tardi-colisional (560-530 com fusão parcial extensiva. O estágio sincolisional Ma) e pós-colisional (530-490 Ma). deu origem a enorme volume de granitos do tipo No estágio pré-colisional (630-585 Ma), S, amalgamados em batólitos que são englobados acrescionário, foi edificado um arco magmático na Suíte G2. Nesta suíte predominam granada- cálcio-alcalino em ambiente de margem continental biotita granito e cordierita-granada-biotita granito, ativa. Este arco é representado pela Suíte G1, com sillimanita freqüente, e granito a duas micas, constituída por batólitos tonalíticos a granodioríticos, portadores de xenólitos de rochas metassedimentares ricos em autólitos dioríticos e máficos, deformados, em estágios variados de assimilação. Os corpos que registram a foliação regional em fácies anfibolito graníticos G2 estão foliados, gnaissificados ou a granulito. Denominações locais desta suíte são milonitizados, em concordância com a foliação regional Galiléia, São Vítor, Mascarenhas e várias outras. que neles se manifesta na fácies anfibolito médio a Rochas vulcânicas deste arco magmático alto. Denominações locais desta suíte são Ataléia, foram caracterizadas em unidades inferiores do Carlos Chagas, Nanuque, Montanha e várias outras. 27 Programa Geologia do Brasil O estágio tardi-colisional, representado pela A Suíte G4 engloba intrusões em forma de Suíte G3, parece ter se estendido de 560 a 530 Ma. balão e conjuntos de plútons amalgamados, com Leucogranito com granada e/ou cordierita, que cúpulas pegmatóides localmente preservadas. Os geralmente ocorre em veios e bolsões superpostos granitos G4 são do tipo S e apresentam proporções a granitos G2, é a rocha característica (mas não diversas de muscovita, biotita e granada. Orientação exclusiva) desta suíte. A sedimentação do estágio de fluxo ígneo, xenólitos e restos de teto (roof tardi a pós-colisional é representada pela Formação pendants) são freqüentes. Os plútons G4 são fontes Salinas. Esta formação consiste de grauvaca, pelito e de inúmeros pegmatitos ricos em turmalinas e conglomerado clasto-suportado, metamorfisados na muitas outras gemas, feldspato industrial e minérios fácies xisto verde baixo. Entretanto, o metamorfismo de metais raros (lítio, berílio, tântalo). Denominações pode atingir a fácies anfibolito na zona oriental da locais desta suíte são Itaporé, Mangabeiras, Santa formação, provavelmente em função da influência do Rosa e outras. enxame de intrusões da Suíte G4. Datações de zircões A Suíte G5 é constituída de intrusões do detríticos e de zircões de seixos de rochas vulcânicas tipo I, livres da foliação regional, cuja ocorrência se félsicas limitam a idade máxima da Formação Salinas limita ao núcleo do orógeno. Estas intrusões são em 570 Ma. As intrusões graníticas G4 que a cortam predominantemente graníticas, mas podem conter balizam sua idade mínima em 500 Ma. A Formação charnockito, enderbito e termos mais básicos. Na Salinas representa sedimentação tardi-orogênica e, região sul do orógeno, em decorrência da exposição por isto, foi retirada do Grupo Macaúbas. de nível crustal mais profundo, são comuns os plútons zonados que mostram núcleos (raízes) de composição O estágio pós-colisional (530-490 Ma) oferece básica. Feições de mistura mecânica (mingling) e evidências marcantes do colapso gravitacional do química (mixing) de magmas são comuns. A assinatura Orógeno Araçuaí. No domínio tectônico externo, a geoquímica das intrusões é cálcio-alcalina de alto K e clivagem de crenulação íngreme que mergulha para alto Fe. Os plútons G5, particularmente aqueles que oeste e corta a foliação regional é a principal estrutura se situam na porção norte do orógeno, são fontes relacionada ao colapso do orógeno. No domínio de pegmatitos ricos em água-marinha e topázio. tectônico interno ocorrem as suítes graníticas G4 e Denominações locais desta suíte são Aimorés, G5, também relacionadas ao colapso gravitacional Caladão, Guaratinga, Medina, Padre Paraíso, Pedra tardi-orogênico. Preta, Santa Angélica e várias outras. 28 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 5 — UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS No mapa geológico da área coberta pela escala 1:100.000, foram delimitadas as unidades Folha Nova Venécia (Figura 5.1 e mapa anexo), estratigráficas referidas na Tabela 5.1. Tabela 5.1- Quadro estratigráfico das unidades delimitadas no mapa geológico da Folha Nova Venécia FANEROZÓICO NEOGENO N4a – Sedimentos fluviais predominantemente arenosos. GRUPO BARREIRAS ENb – Camadas horizontais de arenito conglomerático com matriz caolínica, com lentes e lençóis de conglomerado e brecha e intercalações de argilito caolínico silto-arenoso e arenito caolínico. PALEOZÓICO CAMBRIANO PLUTONISMO PÓS-COLISIONAL SUÍTE INTRUSIVA AIMORÉS eg5ambg – Biotita granito do tipo I. eg5amck – Rochas charnockíticas do tipo I. GRANITOS TARDI A PÓS-COLISIONAIS LEUCOGRANITO PORFIRÍTICO DO TIPO S e2g3 – Granada-cordierita leucogranito, granada leucogranito e/ou cordierita leucogranito. NEOPROTEROZÓICO EDIACARIANO GRANITOS SINCOLISIONAIS SUÍTE CARLOS CHAGAS NP3g2cc – Granada-biotita leucogranito, tipo S, foliado a milonítico. SUÍTE ATALÉIA NP3g2at – Biotita granito e granada-biotita granito do tipo S, pouco foliado a protomilonítico, com xenólitos e restitos de paragnaisse e rocha calcissilicática. CRIOGENIANO COMPLEXO NOVA VENÉCIA NP3nv – Sillimanita-granada-cordierita-biotita gnaisse bandado e cordierita granulito, com eventuais intercalações de rochas calcissilicáticas. 29 Programa Geologia do Brasil Figura 5.1- Mapa geológico integrado e simplifi cado das folhas Nova Venécia e Montanha, ilustrando as principais unidades es- trati gráfi cas: NV, Complexo Nova Venécia; G2at, Suíte Ataléia; G2cc, Suíte Carlos Chagas; G2cci, Suíte Carlos Chagas indeforma- da; G2mt, Suíte Montanha; G3, Suíte G3; G5bg, bioti ta granito da Suíte Aimorés; G5ck, charnockito da Suíte Aimorés; Nb, Grupo Barreiras; Na, aluvião (As siglas estão também simplifi cadas em relação aos mapas geológicos originais, em anexo) 30 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 5.1 - DESCRIÇÃO DAS UNIDADES, GEOLOGIA No Mapa Geológico da Folha Nova ESTRUTURAL E METAMORFISMO Venécia, o complexo homônimo é constituído por cordierita granulito e sillimanita-cordierita-granada- 5.1.1 - Complexo Nova Venécia (NP3nv) biotita gnaisse bandado, ambos com eventuais intercalações de rocha calcissilicática. O cordierita granulito concentra-se, principalmente, no centro- O levantamento bibliográfico mostrou que leste da Folha Nova Venécia, entre os paralelos esta unidade recebeu designações anteriores 352000E–368000E e 7932000S–7924000S e é, diversas, tais como Complexo Paraíba do Sul (Silva aparentemente, subordinado em volume. Corpos et al. 1987) e Gnaisse Kinzigítico do Complexo graníticos e veios pegmatíticos, não mapeáveis em Gnáissico-Kinzigítico (Silva 2000, Pinto et al. 2001). O escala 1:100.000, são freqüentes. nome Paraíba do Sul foi evitado em decorrência da O cordierita granulito é caracterizado pela grande controvérsia sobre sua utilização, constatada cor azul resultante da grande concentração de na literatura geológica do sudeste brasileiro. Os cordierita. A grande quantidade de cordierita, a demais nomes são informais e devem ser evitados, menor percentagem de biotita e o bandamento de acordo com as atuais normas de nomenclatura pouco marcado são as características de campo estratigráfica da CPRM. utilizadas para a diferenciação deste litotipo. A denominação Complexo Nova Venécia O cordierita granulito pode mostrar estrutura surgiu no mapeamento preliminar da folha bandada, quando apresenta pequena quantidade homônima, onde a unidade está bem datada de leucossoma quartzo-feldspático. Neste caso, as (Gradim et al. 2006, Pedrosa-Soares et al. 2006, bandas claras são ricas em quartzo, plagioclásio e 2008). Segundo Noce et al. (2004) e Pedrosa-Soares feldspato potássico e as bandas cinza-azuladas são et al. (2008), os paragnaisses com intercalações de ricas em cordierita, biotita, granada, sillimanita, rochas calcissilicáticas desta unidade representam hercinita e minerais opacos (Figura 5.2). Uma o setor distal da bacia de retroarco do Orógeno variedade de granulito maciço, rico em cordierita, Araçuaí. Os protólitos destes paragnaisses são biotita, sillimanita e hercinita, de textura pelitos grauvaquianos, cuja assinatura geoquímica é inequigranular, granoblástica e granulação média indicadora de fontes sedimentares situadas em arco a grossa, também ocorre na área mapeada (Figura magmático (Pedrosa-Soares et al. 2008). Os dados 5.2). Em ambos os casos, apatita, zircão, sulfeto dos grãos detríticos de zircão mais jovens e menos e outros opacos são os minerais acessórios. A discordantes, datados por Noce et al. (2004), sugerem foliação regional é materializada por sillimanita idade máxima de sedimentação dos protólitos do prismática, fibrosa (fibrolita), biotita e por Complexo Nova Venécia em 608 ± 18 Ma. porfiroblastos e poiquiloblastos de cordierita. O Complexo Nova Venécia aflora, geralmente, Quartzo, feldspatos e hercinita ocorrem estirados em lajedos e nos leitos dos principais cursos d’água. ao longo da foliação principal (Figura 5.3), mas Na porção sul da folha, esta unidade aflora onde o podem formar mosaicos granoblásticos. Os relevo é acidentado, como a Serra da Pedra Roxa, principais processos de alteração deste litotipo a sudoeste, e em pequenas áreas no interior da são saussuritização do plagioclásio, sericitização Suíte Ataléia e, a norte, em janelas de erosão no do feldspato potássico, cloritização da biotita e domínio do Grupo Barreiras. No extremo sudoeste pinitização da cordierita (Figura 5.3). da área, na região de Fartura – Valério, os polígonos delimitados em mapa representam, de fato, áreas de predominância de rochas metassedimentares em relação aos granitos, foliados a pouco foliados, que nelas estão encaixados. O Complexo Nova Venécia apresenta formas variadas de contato com outras unidades que ocorrem na área. O contato com a Suíte Ataléia é transicional, sendo marcado pelo aumento da intensidade de migmatização no complexo até predominar o granito Ataléia com restos de paragnaisse e de rocha calcissilicática. Corpos pós- colisionais da Suíte Aimorés (G5) são intrusivos no Complexo Nova Venécia, sendo o corpo da Pedra do Elefante o melhor exemplo. O contato com o Grupo Barreiras é marcado por uma discordância erosiva e angular. Figura 5.2 (a) 31 Programa Geologia do Brasil Figura 5.2 (b) Figura 5.2 (c) Figura 5.2 - Aspectos do cordierita granulito, às vezes com veios quartzo-felspáti cos, na Folha Nova Venécia Figura 5.3- Fotomicrografi as de lâminas de cordierita granulito, mostrando cristais de hercinita, sillimanita prismáti ca e bioti ta orientados em relação à foliação principal (a) e piniti zação da cordierita (b). Hy = hercinita; S = sillimanita; Bt = bioti ta; Cd = cordierita O sillimanita-cordierita-granada-bioti ta tonalidade azul é dada pela cordierita. Sua gnaisse é uma rocha bandada, migmati zada em composição mineralógica essencial consiste de intensidades diversas, e que, por isto, contém corpos quartzo, plagioclásio sódico a intermediário, bioti ta, graníti cos de tamanhos variados (Figura 5.4). O granada, sillimanita, cordierita e feldspato potássico, bandamento do paragnaisse varia de centi métrico a em ordem decrescente de abundância. A foliação, decimétrico e refl ete proporções diversas entre seus paralela ao bandamento e localmente com feições minerais félsicos e máfi cos, ou, onde migmati zado, a alternância de bandas escuras (paleossoma ou miloníti cas, é materializada pela orientação de melanossoma de neossoma) com bandas compostas bioti ta, sillimanita, cordierita e/ou hercinita (Figura de neossoma graníti co. O bandamento e a foliação 5.5). Quartzo e plagioclásio ocorrem esti rados ao geralmente são paralelos e têm direção variável longo da foliação, mas também formam mosaicos entre NNW-SSE a NE-SW, com mergulho médio a alto granoblásti cos. Por isto, a textura microscópica da para W. Em alguns afl oramentos o bandamento do rocha é lepidogranoblásti ca. A sillimanita ocorre tanto paragnaisse Nova Venécia apresenta-se niti damente como cristais prismáti cos ou como fi brolita orientada dobrado. Algumas medidas de eixo destas dobras ou em novelos. Porfi roblastos e poiquiloblastos de mostram direções entre NE-SW e E-W, com caimentos granada, freqüentemente rotacionados, mostram de ângulos variados para os dois senti dos. sombras de pressão assimétricas, indicando seu O paragnaisse é uma rocha de granulação caráter sin-cinemáti co à foliação. Cristais de granada fi na a média e cor cinza a cinza azulado, cuja pequenos, intensamente fraturados, ocorrem 32 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia dispersos na matriz. Uma geração de cordierita se progressivo são quartzo, plagioclásio, biotita, apresenta como poiquiloblastos estirados, com feldspato potássico, granada, cordierita e sillimanita. inclusões de sillimanita, que são sin-cinemáticos à A hercinita aparece apenas nos termos diatexíticos. foliação. Os minerais acessórios são opacos, apatita, A paragênese metamórfica (biotita-granada- zircão, hercinita e pirita, em ordem decrescente cordierita-sillimanita), a marcante migmatização de abundância. Os zircões são pequenos e e a ausência de muscovita primária, situam o arredondados, sugerindo sua natureza detrítica, a metamorfismo do paragnaisse na transição de fácies exemplo do que foi relatado por Noce et al. (2004). Os anfibolito-granulito. principais processos de alteração são saussuritização A intensa migmatização observada no do plagioclásio, sericitização de feldspato potássico e Complexo Nova Venécia é representada por pinitização da cordierita (Figura 5.5). quantidades variáveis de leucossoma quartzo- Materializando, localmente, o acamamento feldspático, que denunciam diversas intensidades sedimentar são comuns as lentes de rochas de fusão parcial no complexo (Figura 5.4). As porções calcissilicáticas. Trata-se de intercalações que preservam bem a foliação e o bandamento, centimétricas a métricas, alongadas na direção além de apresentarem menor quantidade de NE-SW, paralelas à foliação e ao bandamento leucossoma quartzo-feldspático, são designadas das rochas do Complexo Nova Venécia (Figura como metatexito. O diatexito representa maior 5.6). As intercalações calcissilicáticas têm cor intensidade de fusão parcial e, por isto, tende cinza escuro esverdeado (em superfície fresca) e a ser mais homogêneo composicionalmente estrutura aparentemente maciça (mas a foliação é e estruturalmente, em decorrência da maior realçada pelo intemperismo e notável em lâmina). recristalização e aumento da quantidade de Apresentam granulação variável entre fina e leucossoma quartzo-feldspático que acarretam o muito fina e textura granoblástica. A composição obscurecimento das estruturas anteriores. Estes mineralógica essencial das lentes calcissilicáticas produtos do processo de migmatização indicam o consiste de plagioclásio cálcico, minerais opacos, aumento progressivo de temperatura, evidenciado clino e ortopiroxênio (Figura 5.6). A mineralogia por sucessões de metatexito, diatexito e granito, acessória é composta por quartzo, hercinita, às vezes em um mesmo afloramento. As estruturas granada rosa claro (grossulária), traços de biotita, migmatíticas mais comuns são do tipo estromática, apatita, zircão e titanita. Os produtos de alteração ptigmática, schöllen, dobrada e schlieren (Figura são sericita, epidoto e carbonato, resultantes da 5.4). No neossoma, o leucossoma sin-cinemático à saussuritização do plagioclásio, e anfibólio resultante deformação regional é composto, principalmente, da uralitização dos piroxênios. Em realidade, trata-se por quartzo, feldspatos e granada (composição de um granulito calcissilicático, cujo protólito seria granítica) e ocorre em vênulas, bandas, lentes e uma mistura argilo-carbonatada (marga). camadas. O melanossoma e o mesossoma são Os litotipos do Complexo Nova Venécia, bem foliados, ricos em biotita e portadores de na folha homônima, apresentam associações granada, cordierita e/ou sillimanita. Melanossoma mineralógicas indicativas de metamorfismo na e mesossoma ocorrem adjacentes ao leucossoma, transição de fácies anfibolito-granulito. O cordierita como partes do neossoma, e se apresentam como granulito é a rocha peraluminosa de maior grau bandas, lentes ou schlieren. O melanossoma metamórfico encontrada na folha. Os principais consiste de biotita, plagioclásio, quartzo, minerais que nele aparecem em equilíbrio são granada, cordierita, sillimanita e/ou hercinita. Em quartzo, plagioclásio, feldspato potássico, cordierita, comparação com o melanossoma, o mesossoma sillimanita e hercinita, sendo que os três últimos é mais claro, pois possui mais minerais félsicos, constituem paragênese de cristais em contato incluindo feldspato potássico. mútuo. Essa paragênese, associada ao abundante Os migmatitos gradam para corpos de biotita- aparecimento de hercinita e a menor quantidade granito e biotita-granada granito, foliados a pouco de biotita (em relação ao paragnaisse), evidencia foliados, correlacionáveis à Suíte Ataléia, com restos condições PT da fácies granulito (Winkler 1977). O de paragnaisse e de rocha calcissilicática. Além disso, aumento da quantidade de titânio é denunciado episódio de granitogênese mais nova é indicado pela cor vermelha da seção basal da biotita e pela pela presença de veios graníticos e pegmatíticos (a análise litoquímica (ver item 6), refletindo o alto grau duas micas com magnetita e berilo), isotrópicos, metamórfico. De fato, dados geotermobarométricos que cortam, em direções variadas, o complexo apontam temperatura metamórfica na faixa de 800 paragnáissico e seus granitos foliados. a 900 °C, à pressão de 5,5-6,5 kbar, para o cordierita Dados isotópicos obtidos por métodos granulito (Munhá et al. 2005, Castañeda et al. diversos evidenciam que o Complexo Nova Venécia 2006, Pedrosa-Soares et al. 2006). No paragnaisse permaneceu em temperatura compatível com do Complexo Nova Venécia os minerais que estão anatexia granítica até o fim do Cambriano (e.g., Noce em equilíbrio na paragênese do metamorfismo et al. 2004 e Munhá et al. 2005). 33 Programa Geologia do Brasil Figura 5.4 - Aspectos do paragnaisse bandado em intensidades diversas de migmatização, na Folha Nova Venécia. As bandas azuladas são ri- cas em cordierita e biotita. Os cristais vermelhos são de granada. (a) Paragnaisse migmatítico com estrutura ptigmática; (b) Evidência da es- trutura migmatítica do tipo schöllen; (c) Detalhe das estruturas migmatíticas dos tipos dobrada e estromática; (d) Estrutura migmatítica do tipo schlieren e (e) Paragnaisse migmatítico com es- trutura estromática, mostrando leucossoma rico em granada e melanossoma rico em biotita Figura 5.5- Fotomicrografias de lâminas de paragnaisse bandado. (a) Orientação de sillimanita e hercinita segundo a foliação principal e (b) Pinitização da cordierita. Hy = hercinita; S = sillimanita; Cd = cordierita 34 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 5.6- Lente calcissilicática de granulação fina e cor cinza intercalada no paragnaisse granatífero migmatizado (a) e detalhe da mesma amostra (b). A fotomicrografia evidencia a textura granoblástica da rocha calcissilicática (c). Px = piroxênio 5.1.2 - Suíte Ataléia (NP3g2at) inequigranular, com o contato entre os cristais bem definidos (Figura 5.7). A foliação grada de incipiente a bem marcada com termos protomiloníticos a A Suíte Ataléia foi mapeada e caracterizada por miloníticos (Figura 5.7). Em geral, as medidas desta Tuller (2000) e Silva (2000), no âmbito do Projeto Leste foliação mostram uma grande dispersão, mas (Pinto et al. 2001). Trata-se de uma unidade composta prevalecem três direções: N-S com mergulho médio a por biotita granito, granada-biotita granito e biotita- alto para W, NE-SW com mergulho moderado para NW granada granito, do tipo S, correlacionáveis à Suíte G2 e NW-SE com mergulho médio para NE. Os granitos do Orógeno Araçuaí (Pedrosa-Soares et al. 2001, 2005). Ataléia são constituídos por quartzo, plagioclásio No Mapa Geológico da Folha Nova Venécia, esta suíte sódico, feldspato potássico (microclina e ortoclásio) ocorre como um batólito na porção sudoeste da área e e biotita. Granada, muitas vezes poiquilítica, é um em corpos isolados dentro do Complexo Nova Venécia mineral acessório que está quase sempre presente (alguns destes foram discriminados na parte central e, localmente, pode superar 5% em volume. Zircão do mapa). Pontualmente, outros corpos menores não (prismático ou arredondado), apatita, ortopiroxênio, representados no mapa, também foram descritos em anfibólio, hercinita, cordierita, sillimanita, monazita, meio a este complexo. Na realidade, a Suíte Ataléia minerais opacos (ilmenita, sulfeto, magnetita) e é um produto da fusão parcial autóctone das rochas rara titanita aparecem como minerais acessórios. metassedimentares do Complexo Nova Venécia, com Sillimanita e cordierita ocorrem onde há restos de o qual faz contato gradacional, caracterizado pelo paragnaisse. Os principais processos de alteração aumento da quantidade de leucossoma do paragnaisse são saussuritização do plagioclásio e sericitização do (Figura 5.7). Os afloramentos característicos desta feldspato potássico, principalmente nas fraturas e suíte granítica são, em sua maioria, lajedos e pães-de- bordas. Nas análises modais das lâminas, as rochas açúcar com blocos dispersos nas encostas. da Suíte Ataléia classificam-se, em geral, como Os granitos da Suíte Ataléia, geralmente sienogranito e monzogranito, com termos menos foliados, têm cor cinza a verde, granulação diferenciados qualificados como granodiorito e variável entre fina e média e textura hipidimórfica quartzo-monzodiorito (Figura 5.8). 35 Programa Geologia do Brasil Enclaves e restitos, de dimensões as mais variadas, e bolsões graníticos a cordierita e granada, livres da constituídos por paragnaisse e rocha calcissilicática são foliação regional, representam mobilizados anatéticos comuns nesta unidade (Figura 5.7). Veios pegmatíticos tardios (correlatos dos leucogranitos da Suíte G3). Figura 5.7-.Aspectos do granito da Suíte Ataléia na Folha Nova Venécia. (a) Contato transicional entre Complexo Nova Venécia e Suíte Ataléia; (b) Biotita-granada granito foliado mostrando cristais de granada estirados; (c) Fotomicro- grafia evidenciando uma amostra de granada-biotita granito com textura hipidiomórfica e (d) Enclave de paragnaisse bandado em amostra de biotita granito pouco foliado. Qzo = quartzo; Plg = plagioclásio; Gr = granada Figura 5.8- Representação no diagrama QAP das rochas da Suíte Ataléia, Folha Nova Venécia. Os pontos situam-se nos campos do sienogranito (3a), monzogranito (3b), granodiorito (4) e quartzo- monzodiorito (9). Os círculos referem-se às amostras de biotita granito, os triângulos aos granada- biotita granitos e o losango à amostra de biotita-granada granito 36 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia A Suíte Ataléia apresenta, próximo aos contatos cordierita. Esta últi ma confere tonalidade esverdeada com as intrusões tardias da Suíte Aimorés (G5), um à rocha e, junto com a sillimanita e granada, marcam litoti po característi co, não individualizado no mapa, a foliação. Os minerais acessórios são bioti ta, zircão, denominado granito “verde-eucalipto”. Esta rocha apati ta e opacos. As análises modais das seções ocorre em uma pedreira da região do Córrego São delgadas classifi cam este litoti po como sienogranito Geraldo, no extremo centro-oeste da folha, e em (Figura 5.10). corte da rodovia ES-137, nas proximidades da Pedra do Elefante. Trata-se de um cordierita-granada- A eliminação quase completa da bioti ta, sillimanita leucogranito foliado, de granulação média substi tuída por cordierita e sillimanita, e sua a grossa e coloração esverdeada (Figura 5.9). Tem localização sempre próximo aos contatos com porções enriquecidas em cordierita e granada, e intrusões tardias são as evidências de que o granito localmente textura semelhante à spott ed hornfels. “verde-eucalipto” representa hornfels peraluminoso A mineralogia essencial consiste de feldspato e indica que as rochas da Supersuíte G2 que fazem potássico, quartzo, cordierita, plagioclásio, granada contato com as intrusões charnockíti cas da Suíte e sillimanita, com cristais maiores de granada e Aimorés, sofreram metamorfi smo de contato. Figura 5.9 - Aspectos do granito “verde-eucalipto” da Suíte Ataléia, na Folha Nova Venécia. Notar a foliação marcada pela orientação de cristais de cordierita e granada Figura 5.10 - Representação no dia- grama QAP das amostras de granito verde-eucalipto, Folha Nova Venécia. Os pontos situam-se no campo do sienogranito (3a). Em verde amostra da Suíte Ataléia; em laranja amostras da Suíte Carlos Chagas 5.1.3 - Suíte Carlos Chagas (NP3g2cc) et al. 2001). Trata-se de uma unidade de rochas graníti cas leucocráti cas do ti po S, geralmente Esta unidade foi, anteriormente, designada foliadas, com termos protomiloníti cos a miloníti cos, como Leucogranito Carlos Chagas (Silva 2000, Pinto correlacionáveis à Suíte G2 do Orógeno Araçuaí 37 Programa Geologia do Brasil (Pedrosa-Soares et al. 2001, 2005). O litoti po A matriz da rocha é consti tuída predominante é um granito peraluminoso (com essencialmente de feldspato potássico pertí ti co, granada e bioti ta onipresentes e cordierita e/ quartzo, plagioclásio sódico, bioti ta e sillimanita. ou sillimanita freqüentes), tendo granito a duas Esta matriz tem granulação variável entre média micas e granodiorito granatí fero subordinados. Por e grossa e textura lepidoblásti ca, marcada pela aproximação, estas rochas ajustam-se à defi nição orientação de bioti ta e sillimanita, envolvendo os de leucogranito (i.e., granito com baixo conteúdo porfi roclastos de feldspato potássico e granada. de minerais máfi cos, geralmente menor que 5%), Estes porfi roclastos exibem sombras de pressão, embora sejam livres de moscovita magmáti ca. A Suíte geralmente assimétricas, e caudas de recristalização. Carlos Chagas é regionalmente muito extensa, tem Ocorrem sillimanita fi brosa, que raramente substi tui marcante homogeneidade composicional e registra a bioti ta, e prismáti ca. Zircão, apati ta, monazita e a foliação regional Sn em quase toda a sua área opacos (ilmenita e sulfeto) são os minerais acessórios de exposição nas folhas Nova Venécia, Montanha, comuns. São habituais os intercrescimentos pertí ti co, Ecoporanga, Mantena, Carlos Chagas, Itabirinha de anti -pertí ti co e mirmequíti co nos feldspatos. A Mantena e Ataléia, dentre outras. alteração retrometamórfi ca é incipiente e posterior A Suíte Carlos Chagas, representada no à deformação regional, manifestando-se como Mapa Geológico da Folha Nova Venécia por rochas sericiti zação do feldspato potássico, saussuriti zação deformadas, situa-se no quadrante noroeste da do plagioclásio e cloriti zação da bioti ta. folha. Um pequeno corpo, de dimensões métricas a As rochas desta unidade são produtos da decamétricas, foi delimitado próximo ao Rio Cotaxé. deformação miloníti ca progressiva de granada-bioti ta A unidade afl ora em alguns poucos pães-de-açúcar leucogranito rico em fenocristais centi métricos de e em muitas outras exposições rochosas. O contato feldspato potássico, originalmente orientados por entre as suítes Carlos Chagas e Ataléia é tectônico fl uxo ígneo (Figura 5.11). A deformação dúcti l regional e se representa como uma zona de cisalhamento transformou os fenocristais em porfi roclastos transpressional sinistral que, na porção sudeste da ocelares, sigmoidais e/ou fi tados (ribbon). A foliação Folha Mantena mostra evidências em campo em miloníti ca é anastomosada e materializada pela vários afl oramentos miloniti zados, mas que a norte orientação de bioti ta e sillimanita, e esti ramento de da Pedra do Elefante (já na Folha Nova Venécia) a quartzo e granada. falta de afl oramentos impediu o reconhecimento Bolsões de bioti ta granito fi no com fenocristais dessas evidências. de feldspato orientados também foram catalogados A unidade Carlos Chagas consiste, na unidade. principalmente, de sillimanita-granada-biotita Dados geotermobarométricos sugerem que leucogranito, porfirítico, foliado, com termos os sillimanita-granada-bioti ta granitos da Suíte G2 protomiloníticos a miloníticos (Figura 5.11). As se cristalizaram e ganharam a foliação dúcti l regional rochas desta unidade apresentam coloração em temperaturas entre 640 e 680 ºC (Pedrosa- branco-acinzentada, quando não intemperizadas. Soares et al. 2007). Idades U-Pb indicam que a O intemperismo confere as tonalidades amarelas, época de maior formação dos granitos G2 ocorreu desde levemente amarelada a amarelo intenso, em torno de 575 Ma (Silva et al. 2002, Pedrosa- que incrementam o valor destas rochas como Soares et al. 2006, Roncato et al. 2007, Vauchez et material ornamental. O solo e os saprólitos al. 2007), mas alguns corpos são mais anti gos (ca. apresentam geralmente coloração rosa-amarelada 582 Ma; Nalini et al. 2000) e outros mais jovens (ca. a vermelho-rosado. 560 Ma; Silva et al. 2005). a b Figura 5.11 (a) Figura 5.11 (b) 38 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia c Figura 5.11 - Rochas da Suíte Carlos Chagas, em diversos afl oramentos situados na Folha Nova Venécia. A seqüência de fotos mostra o incremento da deformação. (a) Detalhe de um fenocristal de feldspato potássico pertí ti co, eué- drico; (b) Textura protomiloníti ca e (c) Textura miloníti ca com esti ramento dos cristais de feldspato e granada Figura 5.11 (c) O estereograma de foliação desta unidade NNW-SSE e movimento de topo para W. Esta mostra uma grande dispersão de medidas, zona é materializada pela foliação milonítica com com predomínio daquelas com direção N-S atitude 075/45º e pela rotação e estiramento dos e mergulho entre 40º e 75º para E e para W feldspatos sigmoidais (Figura 5.13). O acervo de (Figura 5.12). Na região do Córrego Boa Vista, estruturas rúpteis é muito pobre nesta unidade, no extremo noroeste da folha, foi identificada assim como em toda a área da folha, e se resume uma zona de cisalhamento discreta, com direção a fraturas esparsas, sub-verticais. 0.00~2.00% 2.00~4.00% 4.00~6.00% 6.00~8.00% 8.00~10.00% 10.00~12.00% 12.00~14.00% 14.00~16.00% 16.00~18.00% 18.00~20.00% Figura 5.12 - Estereograma de densidade da foliação (hemisfério inferior) para as rochas deformadas da Suíte Carlos Chagas, Folha Nova Venécia Figura 5.13 - Milonito da zona de cisalhamento do Córrego Boa Vista em sillimanita-granada-bioti ta leucogranito, com sigmóides de feldspato rotacionados e fraturados Foliação indicando movimento milonítica 39 Programa Geologia do Brasil A Suíte Carlos Chagas é intrudida por um contato entre a intrusão e as encaixantes G2, não corpo charnockíti co indeformado da Suíte Aimorés, individualizado no mapa, denominado granito “verde- na região do Córrego do Volta (porção sul da área eucalipto”. As principais característi cas petrográfi cas de ocorrência). Nesta área, aparece um litoti po deste granito foram descritas anteriormente, no item característi co, resultante do metamorfi smo de 5.1.2 (Figuras 5.10 e 5.14). Figura 5.14 - Aspectos do granito “verde-eucalipto” da Suíte Carlos Chagas, na Folha Nova Venécia. Notar a foliação marcada pela orientação de cristais de cordierita e granada 5.1.4 - Leucogranitos Porfi rítico do Tipo S apati ta, monazita e sulfeto são minerais acessórios (e2g3) escassos. Processos de alteração, como piniti zação da cordierita, cloriti zação da bioti ta e sericiti zação do feldspato potássico, são incipientes. A análise No Mapa Geológico da Folha Nova Venécia, modal de uma seção delgada classifi ca este litoti po os corpos de leucogranito da Suíte G3 (e2g3) como sienogranito (Figura 5.16). ocorrem, quase sempre, como veios e bolsões de dimensões centi métricas a métricas, encaixados Feições petrográficas e estruturais nos granitos deformados das suítes Carlos Chagas evidenciam que os corpos de leucogranito G3 são e Ataléia e nos paragnaisses do Complexo Nova produtos autóctones e parautóctones da fusão Venécia (Figura 5.15). A maioria dos corpos G3, parcial de granitos G2 deformados, em episódio por serem pequenos, não foram delimitados no pós-cinemático à foliação regional. Evidências mapa. O único corpo discriminado localiza-se a disto são as relações de corte e superposição de oeste de Boa Esperança, próximo ao Rio Cotaxé, G3 em G2 e as presenças, em G3, de restos não no quadrante noroeste da área, e está associado à digeridos e traços de foliação (schlieren) de G2, e Suíte Carlos Chagas. de granada (com inclusões de fibrolita dobrada) Os veios e bolsões, assim como o corpo herdada de granito G2. Esta interpretação é delimitado, consistem de granada-cordierita comprovada pelas datações de amostras de G2 leucogranito, granada leucogranito e/ou cordierita (ca. 575 Ma) e G3 (ca. 540 Ma) de um mesmo leucogranito, de granulação média a grossa, textura afloramento dos arredores de Nanuque (Silva et porfi ríti ca a subporfi ríti ca, com fenocristais de al. 2002, 2005). Dados geotermobarométricos granada e/ou cordierita. Estes leucogranitos são indicam que os corpos G3 se cristalizaram a desprovidos da foliação regional, mas podem conter temperatura bem mais alta que a Suíte G2, em restos de granito G2 foliado (Figura 5.15). A matriz torno de 815 ºC a 5 kbar (Pedrosa-Soares et al. do leucogranito é composta por feldspato potássico 2007). Veios graníticos e pegmatitos livres da pertí ti co (~40%) e quartzo (~40%). O conteúdo foliação regional, encaixados no Complexo Nova modal do plagioclásio, incluindo vênulas pertí ti cas Venécia, podem ser correlatos da Suíte G3, e e cristais livres, gira em torno de 10%. Os conteúdos representariam produtos da fusão parcial deste de granada e cordierita são muito variáveis, embora complexo. A Suíte G3 registra herança de fontes subordinados. A granada pode chegar até 1,5 cm paragnáissicas envolvidas em processos de fusão e, por vezes, está sobrecrescida por cordierita de parcial, evidenciada por cristais de zircão com tonalidade escura, indicando que a cristalização da núcleos herdados de idades entre 630 Ma e 850 rocha se deu sob condições de pressão decrescente Ma, além de componentes paleoproterozóicos e (Figura 5.15). Bioti ta, sillimanita, moscovita, zircão, arqueanos (Silva et al. 2007). 40 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 5.15 - Feições do leucogranito G3 na Folha Nova Venécia. (a) Restos de G2 foliado, indicando avançado estado de fusão parcial, com bolsões de G3; (b) detalhe do granada leucogranito; (c) associação granada + cordierita + sulfeto em amostra de leucogranito e (d) cristais de granada sobrecrescidos por cordierita. Notar que o leucogranito G3, quan- do puro, é livre da foliação regional Figura 5.16 - Representação no diagrama QAP da amostra de leucogranito da Suíte G3, Folha Nova Venécia. O ponto situa-se no campo do sienogranito (3a) 5.1.5 - Suíte Aimorés (e2g5am) leste de Minas Gerais. Alguns nomes adotados pelo Projeto Leste (Pinto et al. 2001) foram A denominação Suíte Intrusiva Aimorés evitados, tais como Caladão e Padre Paraíso, por foi aplicada por Silva et al. (1987) para englobar se referirem a intrusões circunscritas localizadas a intrusões situadas no norte do Espírito Santo e grande distância da região abordada. 41 Programa Geologia do Brasil No Mapa Geológico da Folha Nova Venécia, os que corta a foliação dúcti l regional, encaixado no corpos da Suíte Aimorés foram referidos conforme Complexo Nova Venécia e nas suítes Ataléia e Carlos a composição litológica predominante, sendo todos Chagas. A orientação geral da intrusão indica que do ti po I. Desta forma, foram delimitados três ela aproveitou zonas de fraqueza associadas ao corpos intrusivos denominados intrusão do Quinze, sistema de lineamentos de direção NE para se alojar. a oeste de Boa Esperança e as intrusões do Córrego Entretanto, no terreno, são observadas apenas do Volta e da Pedra do Elefante, a noroeste e a fraturas esparsas nesta direção. sudoeste de Nova Venécia, respecti vamente. Estes A intrusão da Pedra do Elefante apresenta corpos possuem tamanhos e formas diferentes, zonamento litológico consti tuído de um grande corpo podendo exibir zonamento composicional, variando de bioti ta granito com autólitos máfi cos envolto de bioti ta granito a rochas da série charnockíti ca pelas rochas charnockíti cas. O nível de erosão (principalmente charnockito e opdalito com expôs a porção mais basal do plúton, evidenciado enderbito e norito subordinados). pela associação litológica afl orante e pela mudança A intrusão da Pedra do Elefante é a mais acentuada na foliação das rochas encaixantes, que expressiva da região, ocupando cerca de 5% da área perto do contato com a intrusão G5 adquirem um mapeada, e destaca-se pela topografi a acidentada. alto ângulo e mergulham para o centro do corpo Trata-se de um corpo alongado na direção NE-SW, (Figura 5.17). Figura 5.17 - Modelo esquemáti co da intrusão zonada da Pedra do Elefante e a relação com a foliação das rochas encaixantes, relacionado com o nível de erosão profundo A intrusão do Quinze acompanha o leito do Rio de cor entre granito e charnockito se deve Cotaxé, na parte noroeste da folha, e é consti tuída essencialmente à coloração verde do feldspato. Este predominantemente por charnockito, com um fenômeno se relaciona aos centros de cor impostos pequeno corpo de bioti ta granito na parte ocidental. ao feldspato pelas inclusões de CO2. A variação da A intrusão do Córrego do Volta, por sua vez, ocorre relação H2O/CO2 no interior da intrusão determina no leito do Rio Cricaré em dimensão menor que as a distribuição de fácies graníti ca (hidratada) em outras intrusões, sendo composta exclusivamente relação à charnockíti ca (ou seja, a fácies graníti ca por charnockito. Esta intrusão tende à forma circular signifi ca razão H2O/CO2 relati vamente alta). e está encaixada na Suíte Carlos Chagas. O contato O bioti ta granito apresenta-se como das intrusões com as rochas encaixantes é abrupto e uma rocha de coloração cinza a bege, com de alto ângulo. granulação variável entre média e grossa e textura No caso das intrusões da Pedra do Elefante inequigranular, subporfi ríti ca a porfi ríti ca. Contém e do Quinze, as rochas charnockíti cas e o bioti ta fenocristais de feldspato potássico maclados e granito são considerados como partes do mesmo pertí ti cos, de até 8,0 cm de diâmetro, às vezes corpo magmáti co, pois não se observou nenhuma orientados por fl uxo ígneo, mas sem uma direção desconti nuidade ou feição que indique pulsos predominante (Figura 5.18). Pontualmente, alguns magmáti cos disti ntos. Além do mais, a diferença autólitos máfi cos ricos em bioti ta, que sugerem 42 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia mistura mecânica de magmas, bem como xenólitos unidades (Figura 5.18). Intercrescimentos pertí ti co, das rochas encaixantes, estão presentes (Figura anti -pertí ti co e mirmequíti co nos feldspatos são 5.18). Bioti ta sienogranito de granulação fi na pode habituais. Os processos de alteração deutérica ocorrer como fácies de borda ou veios tardios. O são saussuriti zação do plagioclásio, sericiti zação bioti ta granito é consti tuído, principalmente, de do feldspato potássico, principalmente nas micro- feldspato potássico pertí ti co, quartzo, plagioclásio sódico e bioti ta. Os minerais acessórios são fraturas e bordas, e cloriti zação da bioti ta. As piroxênio, anfi bólio verde-oliva, zircão, apati ta, análises modais em amostras deste litoti po indicam allanita, magneti ta e sulfetos (Figura 5.18). composição da matriz variável de sienograníti ca Granada ocorre eventualmente e pode aumentar a granodioríti ca (Figura 5.19). Entretanto, a de quanti dade nas proximidades dos contatos com classifi cação mais apropriada para esta rocha estaria as suítes Ataléia e Carlos Chagas e/ou Complexo no campo do sienogranito, em decorrência da Nova Venécia, ou no entorno dos xenólitos destas abundância de fenocristais de feldspato potássico. Figura 5.18 - Feições do bioti ta granito que afl ora na Folha Nova Venécia. (a) Bioti ta grani- to porfi ríti co com fenocristais de feldspato po- tássico euédricos orientados por fl uxo ígneo; (b) Autólitos máfi cos no bioti ta granito; (c) Cristais de feldspato potássico assimilados pelo autólito biotí ti co, evidenciando mistura mecânica de magma; (d) Bioti ta granito com granada e (e) Fotomicrografi a evidenciando a associação feldspatos (Fds) + bioti ta (Bt) + anfi bólio verde oliva (Anf) em amostra de bioti ta granito 43 Programa Geologia do Brasil Figura 5.19 - Representação no diagrama QAP da matriz das amostras de bioti ta granito da Suíte Ai- morés, Folha Nova Venécia. Os pontos situam-se nos campos do sienogranito (3a) e monzogranito (3b) As rochas charnockíti cas que afl oram na Folha de alteração. Importante ressaltar a ocorrência, Nova Venécia são variedades de hiperstênio-bioti ta mesmo que restrita, de fácies enderbíti ca e granito, com cores em tons de verde quando livres noríti ca, indicadas pelo aumento na quanti dade de do intemperismo. Apresentam textura equigranular plagioclásio e pela diminuição da quanti dade de ou inequigranular, subporfi ríti ca a porfi ríti ca e quartzo (no caso do norito). granulação variável entre fi na e grossa. A estrutura A cor das rochas charnockíti cas se deve é geralmente isotrópica, mas localmente mostra essencialmente à coloração do feldspato, orientação de fenocristais euédricos a subédricos de como referido no início deste item. Entretanto, feldspato potássico (2 a 3 cm de diâmetro) por fl uxo esta coloração é extremamente suscetí vel ao ígneo. As rochas charnockíti cas são consti tuídas por intemperismo. Mesmo com alteração intempérica plagioclásio, feldspato potássico pertí ti co, quartzo, incipiente, estas rochas tendem a mudar de cor, bioti ta, ortopiroxênio e anfi bólio. A granada pode passando gradati vamente a verde amarelado, ocorrer próximo aos contatos do corpo, ou em zonas amarelo escuro, bege e cinza. restritas no seu interior, em função de assimilação de encaixantes. Os minerais acessórios comuns A Suíte G5 originou-se no intervalo 520- são zircão, ti tanita, apati ta, espinélio e opacos. Os 490 Ma, relacionado ao colapso gravitacional do processos de alteração deutérica são uraliti zação do Orógeno Araçuaí, e apresenta atributos isotópicos ortopiroxênio, sericiti zação do feldspato potássico, Sm-Nd e Rb-Sr que evidenciam origem híbrida saussuriti zação do plagioclásio e cloriti zação resultante da mistura de magmas mantélicos e da bioti ta. A alteração vermelho-amarelada do crustais (Pedrosa-Soares et al. 2006, Wiedemann et ortopiroxênio, gerando hidróxidos de ferro, é produto al. 2002, Campos et al. 2004, Marti ns et al. 2004, do intemperismo. Intercrescimentos anti -pertí ti co, Silva et al. 2005, 2007). pertí ti co e mirmequíti co no plagioclásio são comuns. As análises modais das lâminas delgadas 5.1.6 - Grupo Barreiras (ENb) classifi cam estas rochas como charnockito e opdalito (Figura 5.20). A fácies charnockíti ca apresenta granulação média a grossa, textura subporfi ríti ca a Representa a cobertura sedimentar sub- porfi ríti ca e, algumas vezes, feldspatos orientados horizontal, de idade cenozóica, que ocorre em por fl uxo (Figura 5.21). A fácies opdalíti ca apresenta grande parte da Folha Nova Venécia (perfaz coloração verde escura intensa (cuja variedade aproximadamente 55% da área mapeada), mas, que comercial recebe o nome de Granito Preto Rio na porção extremo oeste, aparece em áreas restritas. Preto), granulação predominantemente fi na, textura O Grupo Barreiras é consti tuído por arenito equigranular e estrutura isotrópica (Figura 5.22). O conglomeráti co, argilito arenoso, arenito com lentes aumento da proporção de plagioclásio do opdalito conglomeráti cas e canga (Figura 5.23). Entretanto, em relação ao charnockito é acompanhado pelo predomina arenito conglomeráti co consti tuído crescimento da quanti dade de piroxênio. Associados essencialmente por grãos de quartzo angulosos, a este mineral aparecem o anfi bólio e a bioti ta de baixa esfericidade e granulometria de areia 44 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 5.20 - Representação no diagrama QAP para rochas charnockíti cas, mostrando a distribuição modal dos compo- nentes totais das amostras charnockíti cas da Suíte Aimorés, Folha Nova Venécia. Os pontos situam-se nos campos do charnockito (3) e opdalito (4) Figura 5.21 - Feições das amostras de charnockito que afl oram na Folha Nova Venécia. (a) Charnockito de granulação média, isotrópico; (b) Charnockito de colo- ração verde amarelada, com fenocristais de feldspato potássico orientados por fl u- xo ígneo e (c) Fotomicrografi a evidencian- do a associação ortopiroxênio + plagioclá- sio + quartzo em amostra de charnockito de granulação média. Opx = ortopiroxênio; Plg = plagioclásio; Qzo = quartzo 45 Programa Geologia do Brasil Figura 5.22 - Feições do opdalito que afl ora na Folha Nova Venécia. (a) Opda- lito de granulação fi na, isotrópico; (b) Opdalito de coloração verde escura in- tensa, comercialmente chamado de Gra- nito Preto Rio Preto e (c) Fotomicrografi a mostrando o conteúdo de ortopiroxênio (Opx) em amostra de opdalito fi na a grânulo em meio a uma matriz argilo-siltosa O Grupo Barreiras predomina sobre o planalto (Figura 5.24). Nesse senti do, é uma rocha imatura costeiro e seu conjunto litológico indica sedimentação texturalmente e mineralogicamente. Ocorrem fl uvial. também clastos de plagioclásio, feldspato potássico pertí ti co, bioti ta e muscovita, e, raramente, 5.1.7 - Aluviões (N4a) zircão, opacos e turmalina (Figura 5.24). Quando intemperizado, o arenito apresenta aspecto mosqueado com porções brancas, consti tuídas Os aluviões ocorrem na porção sudeste por grânulos de quartzo sub-angulosos em meio a da Folha Nova Venécia, na Reserva Biológica uma matriz caoliníti ca, e porções avermelhadas de Sooretama, e ao longo dos principais leitos de material ferruginoso (Figura 5.24). drenagem. São compostos de material inconsolidado Em meio ao arenito, estão presentes lentes predominantemente arenoso, com cascalhos e seixos conglomeráti cas compostas por clastos de feldspato, de quartzo arredondados e raros depósitos de lama. quartzo e de rocha muito intemperizada, além de Extrações de areia de pequeno porte são feitas neste linhas de seixo paralelas ao acamamento e lentes de ti po de sedimento ao longo da área mapeada. argilito (Figura 5.24). Nos níveis superiores, ocorrem O aluvião aparece, muitas vezes, na forma de blocos de canga de até 50 cm, em meio ao solo areno- barras em pontal (Figura 5.25) em ambiente fl uvial argiloso (Figuras 5.23 e 5.24). A canga de cor vermelha meandrante (baixa energia) e na forma de barras escura é consti tuída por grãos de quartzo angulosos e longitudinais (Figura 5.26) em ambiente fl uvial cristais de hemati ta numa matriz ferruginosa. entrelaçado (alta energia), ambos no Rio Cotaxé. 46 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 5.23 - Coluna estrati gráfi ca geral do Grupo Barreiras na área da Folha Nova Venécia 47 Programa Geologia do Brasil Qzo Fds Fragmento líti co Figura 5.24 - As fotos ilustram os diversos litoti pos do Grupo Barreiras. (a) Arenito conglomeráti co com granocrescên- cia; (b) Arenito conglomeráti co intemperizado com aspecto “mosqueado”; (c) Fotomicrografi a de grãos de quartzo (Qzo) e feldspato (Fds) em meio à matriz pelíti ca no arenito conglomeráti co; (d) Fotomicrografi a evidenciando frag- mento líti co em lente conglomeráti ca; (e) Arenito conglomeráti co; (f) Lente de conglomerado com clastos de feldspato com clivagem perfeita; (g) Canga e (h) Blocos de canga em meio a solo areno-argiloso 48 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 5.25 - Barra em pontal no Rio Cotaxé, Folha Nova Venécia (estação VN-22) Figura 5.26 - Barra longitudinal no Rio Cotaxé, Folha Nova Venécia (estação VN-19) 49 Programa Geologia do Brasil 50 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 6 — GEOQUÍMICA As rochas mapeadas nas áreas cobertas Dados litoquímicos foram obtidos de 47 pelas folhas Nova Venécia e Montanha são de fácil amostras de rochas metassedimentares do Complexo caracterização e interpretação genética, com base Nova Venécia e de rochas graníticas tipo S das suítes em dados de campo e de petrografia microscópica. Carlos Chagas, Ataléia, Montanha e G3, coletadas nas Entretanto, para detalhar a caracterização das rochas metassedimentares e das suítes graníticas áreas das quatro folhas supra-citadas (Tabela 6.1). apresentam-se análises litoquímicas de elementos Os resultados analíticos estão dispostos nas Tabelas maiores, traços e terras raras, em abordagem 6.2 a 6.4. Para as rochas graníticas tipo I, da Suíte conjunta para as folhas Nova Venécia, Montanha, Aimorés, foram obtidas 9 análises em biotita granito Mantena e Ecoporanga. e charnockito, tratadas separadamente (Tabela 6.5). Tabela 6.1 - Amostras de rochas metassedimentares e graníticas tipo S analisadas para litoquímica. CG, NV e VN refe- rem-se à Folha Nova Venécia. FM e MF referem-se à Folha Montanha. MG e MQ são amostras da Folha Mantena. EB, EC e EP são amostras da Folha Ecoporanga. *MP: amostras da Folha Montanha; **MP: amostras da Folha Mantena Litotipo, Unidade Quantidade Amostras Paragnaisse, Complexo Nova Venécia 7 CG18, CG27, CG63, CG25, CG29, CG70A, VN22 Cordierita granulito, Complexo Nova Venécia 4 CG47, CG33, MP96*, NV100 Rocha Calcissilicática, Complexo Nova Venécia. 3 CG29-4, CG70B, VN47 Granitóides, Suíte Ataléia 8 CG28C, CG2A, MG53, CG55, CG55A, MG100A, NV11, VN27 EB145, MP21**, MP22**, CG23, EC104, EC12, Leucogranito, Suíte Carlos Chagas 16 EP08, EC8, MG15, EB140, EC90, EC92, EP15, MQ79, MP72*, NV41A Leucogranito Porfirítico do Tipo S, Suíte G3 6 CG28B, CG55C, EP05A, MG42B, FM178, MF166B Granito, Suíte Montanha 2 FM153, FM25 Restito do Complexo Nova Venécia 1 CG55D A simples comparação entre os conteúdos de aos da Suíte Ataléia (1 e 3%), mas superiores aos das diversos componentes sugere maior similaridade suítes Carlos Chagas (0,2 a 1,8%), Montanha (0,3 e litoquímica entre o Complexo Nova Venécia e a Suíte 0,6%) e G3 (0,1 a 1,0%). Ataléia, em relação às suítes Carlos Chagas, Montanha Entretanto, há componentes químicos que e G3 (Tabelas 6.2 e 6.4). Os conteúdos de SiO2 para variam pouco entre as unidades estudadas, mas a maioria das rochas do Complexo Nova Venécia (56 ainda assim mostram algumas diferenças entre elas. a 69%) e da Suíte Ataléia (62 a 67%) são baixos, em As concentrações de ferro total do Complexo Nova relação às suítes Carlos Chagas, Montanha e G3, cuja Venécia e suítes Ataléia, Carlos Chagas e Montanha sílica varia entre 67 e 74%. Os teores de Al2O3 das variam entre 1,5 e 9%, mas na Suíte G3 os valores rochas do Complexo Nova Venécia são variáveis, caem para 0,3 a 1,5%. As concentrações de CaO entre 15 e 21%, mas similares aos da Suíte Ataléia são pouco variáveis para o Complexo Nova Venécia (15 e 19%), e mais altos do que os valores (13 a 15%) e para a Suíte Ataléia, ficando entre 0,9 e 2%, mas determinados nos granitos das suítes Carlos Chagas, a variação é maior para as suítes Carlos Chagas (0,8 Montanha e G3. O MgO apresenta conteúdos entre a 2,5%), Montanha (1,6 a 3,1%) e G3 (0,5 a 2,5%). 1,2 e 3,9% para o Complexo Nova Venécia, similares Os valores de Na2O (1,8 a 3,5%) são sempre baixos 51 Programa Geologia do Brasil Tabela 6.2 - Resultados das análises de elementos maiores (% peso) das amostras de rochas metassedimentares e graníticas tipo S das folhas Nova Venécia, Montanha, Mantena e Ecoporanga. A identificação das amostras encontra-se na Tabela 6.1 Amostra SiO2 TiO2 Al2O3 Fe2O3 MnO MgO CaO Na2O K2O P2O5 P.F. Soma CG18 64,2 0,83 16 5,9 0,13 2,73 5,42 2,81 0,78 0,31 -- 99,11 CG27 66,4 1,21 14,7 6,75 0,13 3,1 1,64 1,93 2,82 0,07 -- 98,75 CG63 67 1,03 15,1 6,75 0,13 2,79 1,11 1,9 3,27 0,09 -- 99,17 CG25 68,5 0,96 14,2 6,4 0,16 2,84 1 0,97 3,41 0,06 -- 98,5 CG29 62,3 0,63 18,8 5,39 0,14 2,09 5,01 3,48 1,42 0,23 -- 99,49 CG70A 65,3 0,64 16,8 7 0,22 2,17 1,32 1,81 4,29 0,08 -- 99,63 MP96 56,91 1,03 20,1 9,39 0,15 3,23 1,34 2,31 3,91 0,11 1,2 99,68 VN22 74,51 0,63 12,04 3,4 0,04 1,15 1,62 2,62 3,26 0,1 0,4 99,74 CG47 57,9 1,31 19,6 10,2 0,15 4,57 0,51 0,77 3,91 0 -- 98,92 CG33 66,6 0,89 15,11 6,22 0,14 2,4 1,27 1,94 4,03 0,12 -- 98,72 NV100 53,37 1,07 21,47 10,42 0,18 3,81 0,94 1,8 5,41 0,14 1 99,68 CG29-4 53,5 1,1 18,5 10,3 0,22 4,85 8,96 0,89 0,6 0,09 -- 99,01 CG70B 65,6 0,53 16,8 5,72 0,09 2,55 4,56 2,99 0,84 0,12 -- 99,8 VN47 59,93 0,85 16,68 8,26 0,13 3,9 6,25 2,11 1,18 0,18 0,3 99,82 CG28C 62,9 0,57 19,4 3,56 0,09 1,64 5 4,21 1,54 0,29 -- 99,2 CG2A 65,7 0,94 15,1 6 0,14 3 2,19 2,22 3,45 0,12 -- 98,86 MG53 67,5 0,36 17,4 3,16 0,11 1,23 2,92 3,51 2,49 0,13 -- 98,81 CG55 47,5 1,49 25,2 14,2 0,26 5,26 0,42 0,78 3,44 0,03 -- 98,58 CG55A 63,4 0,82 17 7,21 0,17 3,78 1,47 1,81 3,81 0,05 -- 99,52 MG100A 71,4 0,69 14 2,65 0,05 0,54 2,16 2,27 4,97 0,31 0,69 99,73 NV11 65,16 1,28 15,22 4,53 0,04 1,17 2,46 2,76 5,4 0,4 1 99,47 VN27 65,34 1,25 14,94 4,65 0,05 1,02 2,58 2,49 5,81 0,57 0,8 99,5 EB145 71,9 0,66 14,1 2,77 0,08 0,97 1,72 2,3 3,89 0,2 0,7 99,29 MP21 72,1 0,28 14,4 1,47 0,02 0,22 1,16 2,45 6,41 0,26 0,5 99,27 MP22 72 0,14 16,05 1,82 0,14 1,85 1,38 2,35 2,42 1,22 0,2 99,57 CG23 58,1 0,72 18,9 8,8 0,27 3,16 4,04 3,15 2,44 0,05 -- 99,63 EC104 73,8 0,15 14 1,91 0,04 1,21 0,87 2,5 4,67 0,11 0,5 99,76 EC12 71,8 0,76 14 2,72 0,01 0,57 1,99 2,96 4,35 0,05 0,6 99,81 EP08 72,4 0,33 14,6 2,87 0,06 0,46 1,49 2,39 4,3 0,11 0,6 99,61 EC8 72,5 0,14 14,1 2,91 <0,01 0,12 0,84 2,46 4,99 0,21 0,6 98,87 MG15 72,6 0,38 14,2 2 0,02 0,45 1,4 2,2 5,24 0,23 0,61 99,33 EB140 72,6 0,57 14 2,28 0,06 0,78 1,85 2,15 4,1 0,09 0,6 99,08 EC90 73,2 0,32 14,1 1,98 0,05 0,16 1,47 2,65 4,97 0,13 0,6 99,63 EC92 73,5 0,81 14,6 4,67 0,01 0,37 0,05 0,13 4,59 0,04 1 99,77 EP15 53,6 1,5 15,2 10,5 0,11 6,12 8,11 2,97 0,42 0,05 0,6 99,18 MQ79 73,6 0,16 14,1 1,11 0,02 0,27 0,93 2,7 5,81 0,21 0,89 99,8 MP72 72,53 0,14 15,24 1,67 0,04 0,37 3,11 3,31 2,95 0,08 0,3 99,74 NV41A 72,29 0,22 14,55 1,54 0,03 0,46 0,79 3,12 5,35 0,19 1,3 99,84 CG28B 69,9 0,08 16,4 1,08 0,07 0,69 0,84 2,06 7,62 0,19 -- 98,93 CG55C 67,3 0,42 15,8 7,48 0,21 2,51 2,48 2,23 1,41 0,01 -- 99,85 EP05A 71 0,7 14,3 2,61 0,07 1,01 2,58 2,59 3,42 0,2 1,2 99,68 MG42B 74,43 0,14 14,48 0,95 <0,01 0,18 1,21 2,86 5,21 0,08 0,4 99,94 FM178 74,61 0,09 13,98 0,33 0,02 0,12 0,57 3,52 4,9 0,15 1,6 99,89 MF166B 74,3 0,11 14,17 1,45 0,04 0,22 1,91 3,2 3,94 0,03 0,4 99,76 FM153 69,05 0,61 15,12 4,22 0,07 1,18 2,66 2,94 3,35 0,2 0,3 99,7 FM25 72,67 0,52 13,01 3,24 0,04 0,58 1,64 2,63 4,61 0,17 0,6 99,71 CG55D 48,5 1,97 23,8 14,6 0,38 6,55 0,7 0,69 3,08 0,02 -- 100,29 Nota: Para o cálculo de FeO referido nos gráficos, utilizou-se a seguinte fórmula: FeO = Fe2O3 (analise) x 0,8998 52 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Tabela 6.3 - Resultados das análises de elementos traços (ppm) das amostras de rochas metassedimentares e graníticas tipo S das folhas Nova Venécia, Montanha, Mantena e Ecoporanga. A identificação das amostras encontra-se na Tabela 6.1 Amostra Rb Ba Sr Zr Nb Y Ta Th W CG18 3623 454 4,9 124 4 -- -- -- -- CG27 3755 997 56 221 4 -- -- -- -- CG63 142,1 713 155,9 267,3 15,1 37,3 1,2 18,9 837,1 CG25 3972 882 12 206 4 -- -- -- -- CG29 3455 409 129 172 4 -- -- -- -- CG70A 99,1 398 80 296,7 10,5 109,4 0,8 29 874,9 MP96 149,2 848 213,5 207,5 19,1 30,8 1,2 22,1 575,8 VN22 95 606 240,8 238,8 11,4 12,1 0,6 20 716,8 CG47 188,1 380 61 222,4 22,5 19,6 1,3 21,6 539,5 CG33 4032 1256 56 200 12 -- -- -- -- NV100 212,6 902 145,8 205,7 19,3 36,7 1 24,4 374,7 CG29-4 3037 474 29 47 4 -- -- -- -- CG70B 7,1 69 182,7 116,4 7,7 4,8 0,7 3,6 758,4 VN47 77 349 220,4 160,1 9,3 21 0,8 5,9 389 CG28C 69,9 164 245,9 188,6 8,6 14,9 0,4 1,7 695,4 CG2A 3749 1240 133 61 4 -- -- -- -- MG53 77,7 444 203,2 176 6,1 24,5 0,4 34,8 856,7 CG55 185 666 58 206 21 -- -- 6 -- CG55A 161,5 583 165,2 289,3 25,5 39 1,6 27,1 863,2 MG100A 97,8 312 248,3 121,8 15,4 16,5 1,5 10,9 794,6 NV11 205,6 1806 323 883,4 18,4 11 0,6 43,3 405,1 VN27 282,1 1063 160,1 1006 32,6 23,9 1,1 188,3 432,1 EB145 195,1 525 114,6 246 12,9 64,7 1,5 27 918,3 MP21 197,8 559 78,1 132,2 9 39,1 0,6 15,7 612,9 MP22 80,3 1115 507,7 704,8 31,2 40,2 1,7 25,3 355,3 CG23 100,2 189 157,9 117,2 16,1 35,3 1,1 4,6 760 EC104 245,7 432 41,6 131,5 4,6 269 0,6 6,9 1102 EC12 223,1 1173 174,8 598,3 25,4 23,6 0,9 79,3 885,8 EP08 76,6 952 429,6 304,5 26,9 43,4 1,3 8,3 403,5 EC8 159,2 80 35,7 47,8 9,1 15,2 0,9 5,8 795,3 MG15 179,1 520 107,5 172,8 9,7 27,3 0,7 16,2 750,5 EB140 158,6 597 116,8 190,6 10,4 59,8 0,9 28,4 1021 EC90 290,4 650 104,8 263,9 15,6 34,6 2,2 30,5 1360 EC92 190,1 865 185,1 495,4 25,1 37,6 1,5 45,2 744,2 EP15 3,7 244 726,4 24 1 3,7 0,4 0,6 343,4 MQ79 142,5 317 87,2 65,9 6,2 12,2 1,8 10,5 1992 MP72 92,7 620 189,4 98,7 13,5 17 0,7 15 1222,1 NV41A 135,9 220 58,7 98,2 7,1 8,9 0,3 17,5 504,2 CG28B 231,4 1441 238,1 41,3 0,2 9,4 0,2 0,4 640,5 CG55C 30 229 148,8 225 33 74,8 2,6 30 1034 EP05A 120,5 700 158,8 210,7 12,7 59 0,9 20,1 755,3 MG42B 173,4 124 51,1 29,2 5,6 9,5 0,5 8,5 726,8 FM178 107,2 162 30,7 44,9 2,1 36,5 0,4 6,5 587,4 MF166B 84,9 796 157,4 92,5 10,5 21,9 1 14,3 903,9 FM153 118,6 513 135,7 310,4 14,3 47,6 0,9 25,5 788,1 FM25 191,2 423 105,1 270 15,9 37,5 0,8 37,5 871,3 CG55D 143,4 591 86,3 326,3 29,9 59,7 2 27,1 696,2 53 Programa Geologia do Brasil Tabela 6.4 - Resultados das análises de elementos terras raras (ppm) das amostras de rochas metassedimentares e graníticas tipo S das folhas Nova Venécia, Montanha, Mantena e Ecoporanga. A identificação das amostras encontra-se na Tabela 6.1 Amostra La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Dy Tb Ho Er Tm Yb Lu CG18 -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- CG27 -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- CG63 47,4 93,8 11,3 41,3 8,12 1,67 7,04 1,17 6,57 1,29 3,83 0,59 3,48 0,49 CG25 -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- CG29 -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- CG70A 43 86,3 10,37 37,6 6,62 0,89 9,41 2,61 19,29 3,94 11,41 1,62 10,8 1,5 MP96 53,2 109 13,04 50,3 8,9 1,7 7,37 5,41 1,12 1,11 2,71 0,43 2,3 0,35 VN22 45,4 92,4 10,57 39 6,75 1,28 5,25 2,84 0,66 0,47 1,03 0,16 1,01 0,15 CG47 51,3 103,5 12,48 49,3 8,67 1,23 6,76 0,94 4,43 0,71 1,87 0,25 1,66 0,27 CG33 -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- NV100 60,9 130 15,16 57,7 10,27 1,69 8,57 6,95 1,31 1,29 3,43 0,49 2,8 0,41 CG29-4 -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- CG70B 27,1 52,7 6,49 23,8 5,14 1,31 3,86 0,44 1,58 0,15 0,3 0,04 0,32 0,05 VN47 21,5 45,9 5,9 23,2 4,69 1,2 4,3 3,58 0,67 0,72 2,18 0,34 2,11 0,29 CG28C 21,5 43,6 5,46 20,2 4,75 1,52 3,87 0,59 2,94 0,51 1,49 0,2 1,29 0,19 CG2A -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- MG53 60,3 120 14,34 50,8 8,94 1,67 5,88 0,8 4,18 0,88 2,82 0,46 2,77 0,4 CG55 -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- CG55A 59,2 116,9 14,33 54,4 10,82 1,61 9,49 1,51 7,69 1,38 3,58 0,52 3,39 0,48 MG100A 29,3 53,6 6,08 20,4 3,38 1,64 2,54 0,43 2,88 0,59 1,75 0,27 1,71 0,26 NV11 188,5 398,1 47,37 166,4 18,74 2,22 9,78 2,89 0,82 0,32 0,63 0,1 0,56 0,08 VN27 228 540,1 70,61 277,5 35,26 1,88 18,11 6,19 1,63 0,74 1,76 0,27 1,53 0,22 EB145 54 108,7 13,61 51,5 10,51 1,41 9,42 1,65 10,26 2,45 7,7 1,23 7,52 1,05 MP21 30,7 63,5 7,8 28,9 6,85 1,08 6,93 1,31 7,25 1,29 3,16 0,4 2,18 0,29 MP22 134,5 278,7 36,21 139,4 21,43 3,73 13,65 1,81 8,56 1,45 3,68 0,5 2,94 0,4 CG23 24 53,9 6,93 27,7 6,39 1,08 6,68 1,19 6,74 1,3 3,41 0,44 2,42 0,32 EC104 85.1 36,3 12,21 52.0 11,97 5,18 28,16 6,58 48,97 9,69 22,34 2,34 10,08 1,16 EC12 272,1 497,2 57,48 195,3 23,46 1,6 11,63 1,48 5,77 0,8 1,88 0,22 1,22 0,15 EP08 67 132,7 16,37 63,7 11,78 2,73 9,66 1,49 8,3 1,6 4,56 0,67 4,21 0,62 EC8 8,5 14,5 2,32 8,3 2,44 0,33 2,51 0,48 2,98 0,49 1,19 0,17 1,01 0,13 MG15 31 64,9 8,02 31,3 7,07 1,19 6,44 1,09 5,62 1,06 2,9 0,45 2,63 0,37 EB140 51,2 103,5 12,81 48,8 9,44 1,38 7,61 1,32 8,9 2,13 7,05 1,05 6,59 0,93 EC90 68.8 137,7 16,88 61.3 11,88 1,6 10,04 1,79 10,84 2,34 7,28 1,2 7,52 1,08 EC92 107.7 215,3 26,48 101.5 16,86 2,24 12,27 1,72 8,09 1,43 3,57 0,47 2,86 0,41 EP15 5.8 7,7 1,2 4.9 0,81 0,98 0,67 0,1 0,67 0,13 0,38 0,06 0,38 0,07 MQ79 16,2 33,3 4 14,9 3,47 0,58 3,09 0,54 2,6 0,4 0,94 0,12 0,78 0,1 MP72 37,3 76,5 9,15 35,2 6,21 1,32 4,89 3,42 0,7 0,56 1,32 0,2 1,18 0,15 NV41A 24,5 57 7,12 27,5 6,04 0,55 4,4 1,97 0,53 0,31 0,78 0,11 0,66 0,09 CG28B 8,3 11,3 1,66 6,3 1,61 1,49 1,36 0,19 1,47 0,33 1,27 0,23 1,98 0,36 CG55C 56,4 113,7 13,74 47,8 9,48 1,39 8,46 1,72 11,57 2,63 8,25 1,2 7,34 1,05 EP05A 48.0 97,3 12,01 46.7 9,4 1,69 8,69 1,56 9,81 2,2 6,59 0,94 6,23 0,86 MG42B 13,1 27,3 3,23 11,2 2,58 0,49 2,12 2,02 0,39 0,31 0,71 0,09 0,49 0,06 FM178 17,6 49,1 7,63 35,3 7,82 1,34 7,1 6,36 1,14 1,18 3,29 0,52 2,81 0,41 MF166B 33,3 66,8 8,14 32 6,02 1,39 4,88 4,04 0,74 0,71 1,69 0,28 1,45 0,21 FM153 53,1 113,2 14,17 55,2 10,95 1,42 9 8,66 1,46 1,65 4,78 0,75 4,07 0,62 FM25 67,5 145 17,73 68,4 11,31 1,04 8 6,81 1,23 1,33 3,9 0,67 3,85 0,61 CG55D 58 114,8 14,18 54,5 11 1,01 10,95 1,93 10,84 2,18 6,4 1,09 6,89 1,01 Nota: valores de normalização com base nos condritos de Evensem et al. (1978) 54 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia em toda a população analisada, relati vamente ao de apati ta e monazita na maioria das amostras. O K2O que é sempre alto (3 a 5,8%). O P2O5 não varia enriquecimento de K2O deve-se à grande quanti dade de forma signifi cati va entre os diferentes litoti pos, de feldspato potássico e/ou bioti ta, que podem mostrando valores entre 0,2 e 0,9%. À exceção do ati ngir conteúdos modais muito altos. baixo conteúdo em TiO nas amostras da Suíte G3 Quanto aos elementos traços, observa-2 (0,1 a 0,7%), as demais unidades apresentam valores se comportamento diferenciado nos elementos mais altos em média e variação similar entre elas (0,2 litófi los de grande raio iônico (LILE, na sigla em a 1,2% para o Complexo Nova Venécia; 0,5 e 1,5% inglês), tais como Rb, Sr e Ba (Figura 6.1). A para a Suíte Ataléia; e 0,1 a 1,5% para as suítes Carlos maioria das amostras do Complexo Nova Venécia Chagas e Montanha). apresentam enriquecimento em Rb, o que se explica pela maior quanti dade de bioti ta. A Suíte Ataléia Os valores de Fe e Mg, às vezes mais elevados, mostra enriquecimento em Sr, que se deve à maior refl etem concentrações de bioti ta, granada e quanti dade de plagioclásio, em relação ao Complexo cordierita. Os valores de P2O5 devem-se à presença Nova Venécia e suítes Carlos Chagas, Montanha e G3. Figura 6.1 - Diagrama Rb-Ba-Sr aplicado às rochas da área de estudo Uma avaliação dos dados litoquímicos • O diagrama triangular SiO2/Al2O3 - K2O/Na2O do Complexo Nova Venécia foi realizada para - MgO/CaO (Pedrosa-Soares 1995) expressa caracterização dos protólitos dos paragnaisses e de a derivação petrológica de rochas metassedi- seu ambiente tectônico de deposição, a parti r dos mentares. critérios para rochas siliciclásti cas, abaixo resumidos: Os resultados obti dos mostram que as • A razão SiO2/Al2O3 é usada como índice de ma- amostras de paragnaisse e cordierita granulito turidade para rochas clásti cas, K2O/Na2O como do Complexo Nova Venécia têm protólitos indicador da quanti dade de componentes po- tássicos (feldspato potássico) em relação ao essencialmente grauvaquianos, no senti do de conter plagioclásio e MgO/CaO como indicador da fração imatura (e.g., enriquecida em feldspatos e/ou contribuição de componentes magnesianos litoclastos) em quanti dade signifi cati va relati vamente em relação ao plagioclásio (Rozen 1992); à fração argila (Figuras 6.2 e 6.3). Observa-se nestes diagramas que as amostras têm uma distribuição • A distribuição de Al2O3/SiO2 versus Fe2O3 + similar em relação aos campos das razões MgO/CaO MgO e de TiO2 versus Fe2O3 + MgO ajuda na e K2O/Na2O, sugerindo equilíbrio na contribuição de disti nção de ambientes tectônicos de rochas componentes imaturos (e.g., plagioclásio e feldspato sedimentares (Bathia 1983); potássico), tal como se constatou nas análises • A distribuição dos óxidos de Ti, Al, Fe, Mg, Ca, modais de lâminas delgadas. Segundo Pedrosa- Na e K auxilia na interpretação da proveniência Soares (1995), o potássio encontra-se principalmente dos sedimentos (Roser & Korsch 1988); em feldspato potássico, micas e argilas ilíti cas de 55 Programa Geologia do Brasil sedimentos detríti cos. Como não há outras fontes herdado (recristalizado). A razão MgO/CaO, por sua signifi cati vas para este elemento químico nos vez, indica a contribuição relati va de fontes ricas em ambientes sedimentares comuns, a razão K2O/Na2O rochas máfi co-ultramáfi cas (MgO) ou de fontes ricas refl ete diretamente, mas não exclusivamente, a em plagioclásio (CaO), desconsiderados ambientes contribuição daqueles minerais. O sódio provém em restritos ricos em fontes carbonáti cas. Entretanto, maior parte do plagioclásio detríti co, mas também os valores relati vamente altos da razão SiO2/Al2O3 está presente em líquidos conatos e argilo-minerais. sugerem fontes intermediárias a félsicas, comuns Entretanto, Taylor & McLennan (1985) julgam em arcos magmáti cos conti nentais. Neste senti do, minoritária a infl uência da água do mar no teor de enfati za-se que as amostras do Complexo Nova sódio das rochas grauvaquianas. Desta forma, a razão Venécia situam-se essencialmente no campo de arco K2O/Na2O também sugere a presença de plagioclásio magmáti co conti nental (Figura 6.4). Figura 6.2 - Distribuição das amostras de paragnaisse do Complexo Nova Venécia no diagrama discriminador de rochas grauvaquianas e pelitos pós-arquenos de Pedrosa-Soares (1995) Figura 6.3 - Distribuição das amostras de paragnaisse e cordierita granulito do Complexo Nova Venécia no diagrama SiO2/Al2O3 – K2O/Na2O – MgO/CaO de Rozen (1992) 56 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 6.4 - Distribuição das amostras do Complexo Nova Venécia no diagrama discriminador de ambientes tectônicos para grauvacas, proposto por Rozen (1992). ACM, margem conti nental ati va; CMA, arco magmáti co conti nental; OIA, arco-de-ilha intraoceânico Segundo Bhati a (1983), alguns elementos Embora os resultados mostrados nos diagramas maiores são os melhores discriminantes de das fi guras 6.2, 6.3 e 6.4 sejam contrastantes, em ambientes geotectônicos em rochas grauvaquianas. termos de natureza do arco magmáti co que serviu Plotando-se os dados dos gnaisses paraderivados do Complexo Nova Venécia nestes diagramas (Figuras de fonte dos protólitos dos paragnaisses Nova 6.5 e 6.6), verifi ca-se que os valores caem no campo Venécia, a distribuição das amostras exclui, em todos dos arcos de ilhas imaturos com alguma tendência os casos, a hipótese de fontes situadas em margem para arcos de ilhas maduros (Al2O3/SiO2). conti nental passiva. Figura 6.5 - Diagrama TiO2 x (Fe2O3t + MgO), discriminante para ambientes geotectônicos de Bathia (1983). Os símbolos representam as amostras do Complexo Nova Venécia. As áreas tracejadas represen- tam os campos composicionais de grauvacas de arcos-de-ilhas imaturos ou oceânicos (OIA), arcos-de-ilhas maduros (MIA), margens conti nentais ati vas (ACM) e margens passivas (PM) 57 Programa Geologia do Brasil Figura 6.6 - Diagrama Al2O3 x (Fe2O3t + MgO), de Bhati a (1983), discriminante para ambientes geotectônicos (Fe2O3t representa ferro total como Fe2O3). Os pontos representam as amostras do Complexo Nova Venécia Os dados litoquímicos das amostras das peraluminoso (Figura 6.8). Se adotado o limite suítes Ataléia, Carlos Chagas, Montanha e G3 foram estabelecido por Chappell & White (1974, 2001), avaliados com o objeti vo de detalhar sua classifi cação algumas amostras fi cam no campo metaluminoso, em e de seus litoti pos, verifi car as relações entre elas e parti cular amostras da Suíte Ataléia em conseqüência caracterizá-las em relação ao estágio de evolução de seu maior conteúdo de Na2O e CaO decorrente do geotectônica. maior valor modal de plagioclásio. O diagrama TAS (Cox et al. 1979) mostra que Chappell & White (1974) estabeleceram uma os litoti pos mais representati vos da Suíte Ataléia têm série de característi cas químicas para separar granitos composição, em termos de álcalis, entre tonalito e dos ti pos S e I. No diagrama de Front & Nurmi (1987), granito, concordantemente com os valores modais de que é conseqüência da defi nição original de Chappell plagioclásio em relação a feldspato potássico (Figura & White (1974), todos os valores das amostras de 6.7). Por sua vez, granito é o litoti po predominante rochas graníti cas analisadas situam-se no campo dos nas demais suítes ti po-S da área. granitos ti po-S (Figura 6.9). Os dados do Complexo Em termos do índice de aluminosidade Nova Venécia foram plotados como forma de de Shand todas as amostras caem no campo comparação. Figura 6.7 - Classifi cação das amostras das suítes graníti cas ti po S estuda- das no diagrama TAS de Cox et al. (1979) 58 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 6.8 - Índice de Shand (aluminosidade) para as rochas da área de estudo. A linha ponti lhada separa os campos tí picos dos granitos ti po-S (ACNK > 1,1) daqueles do ti po-I (ACNK < 1,1), conforme Chappell & White (1974, 2001). ACNK = Al2O3/(Na2O + K2O). ANK = Al2O3/(Na2O + K2O + CaO) Figura 6.9 - Diagrama Na2O versus K2O de Front & Nurmi (1987), aplicado às rochas da área de estudo No diagrama de Rogers & Greenberg (1981) As curvas de distribuição de elementos verifi ca-se que a maioria das amostras da Suíte terras raras, normalizadas em relação ao condrito Ataléia se situa no campo dos batólitos cálcio- de Evensen et al. (1978), mostram padrões alcalinos, corroborando mais uma vez seu maior enriquecidos, medianamente fracionados e com conteúdo em plagioclásio, mas as amostras das anomalias negati vas de Eu, para todas as amostras suítes Carlos Chagas, Montanha e G3 se situam no estudadas (Figuras 6.12 a 6.16). A Suíte Ataléia campo dos álcali-granitos (Figura 6.10). tende a ser mais enriquecida em terras raras do No diagrama de Whalen et al. (1987) observa- que o Complexo Nova Venécia, mas os padrões de se que as suítes aqui estudadas não representam fracionamento são muito semelhantes. As suítes produtos de cristalização fracionada (Figura 6.11). Carlos Chagas, Montanha e G3 apresentam o padrão 59 Programa Geologia do Brasil Figura 6.10 - Diagrama log (K2O/MgO) versus SiO2 (Rogers & Grenberg 1981) aplicado aos granitos ti po S em estudo Figura 6.11 - Diagrama de Whalen et al. (1987) para discriminar granitos alcalinos originados por cristalização fracionada (FG) de granitos S e I não fracionados (OGT) e de granitos ti po-A, aplicado às rochas estudadas tí pico de granitos alcalinos peraluminosos. A razão para todas as amostras. A anomalia do európio (LaN/YbN) indica fracionamento da ordem de 9 a 23 é controlada pelo feldspato, sendo que algumas para o Complexo Nova Venécia e Suíte Ataléia, 8 a anomalias negati vas deste elemento são pouco 37 para as suítes Carlos Chagas e Montanha, e 6 a 26 pronunciadas pela grande presença de granadas nos para a Suíte G3. litoti pos das suítes Nova Venécia, Ataléia e Carlos As anomalias negati vas de európio são Chagas. A grande quanti dade de granada nestas pronunciadas, com valores na ordem de 0,3 a 0,7 rochas também explica o enriquecimento em terras 60 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia raras pesados. Nota-se um relati vo aumento das Venécia, suítes Ataléia, Carlos Chagas e Montanha, e terras raras leves e totais no caminho Complexo Nova Suíte G3, respecti vamente. Figura 6.12 - Distribuição dos padrões de terras raras para as rochas do Complexo Nova Venécia Figura 6.13 - Distribuição dos padrões de terras raras para as rochas da Suíte Ataléia Figura 6.14 - Distribuição dos padrões de terras raras para as rochas das suítes Carlos Chagas e Montanha 61 Programa Geologia do Brasil Figura 6.15 - Distribuição dos padrões de terras raras para as rochas da Suíte G3 Figura 6.16 - Distribuição dos padrões de terras raras para as todas as amostras analisadas No diagrama R1 versus R2 (Figura 6.17), as As análises das rochas graníti cas e suítes Ataléia, Carlos Chagas e Montanha situam-se charnockíti cas, como se esperaria pelas suas no campo dos granitos sincolisionais, e a suíte G3 no composições mineralógicas, evidenciam que campo tardi-orogênico, como era de se esperar. As as amostras das suítes Ataléia, Carlos Chagas e amostras do Complexo Nova Venécia, assim como da Montanha são mais silicosas que as amostras da Suíte Ataléia, tendem a se espalhar rumo ao campo Suíte Aimorés. pré-colisional, indicando, mais uma vez, a herança de O bioti ta granito G5 é levemente peraluminoso componentes de arco magmáti co. (Figura 6.19) e é classifi cado pelo diagrama TAS no campo do granito (Figura 6.20). O diagrama Rb versus Sr de Condie (1973) As rochas charnockíti cas são permite inferir a profundidade de cristalização das predominantemente metaluminosas, com algumas suítes magmáti cas, indicando que a grande maioria amostras levemente peraluminosas devido à granada das amostras analisadas representam magmas encontrada próximo à zona de contato com as rochas graníti cos cristalizados em crosta profunda (> 30 km; encaixantes (Figura 6.19). Este gráfi co evidencia Figura 6.18). que houve falta de alumina para a formação de plagioclásio, de modo que o Ca excedente pode As amostras da Suíte Aimorés, ti po I, analisadas ter sido incorporado pelos orto e clinopiroxênios e são divididas em bioti ta granito (MQ03A, MQ04, anfi bólios presentes nessas rochas. O diagrama TAS NV99) e rochas da série charnockíti ca (MQ03B, classifi ca as amostras charnockíti cas como norito, MQ81, MQ123, NV94, NV82, FM174) (Tabela 6.5). opdalito e charnockito (Figura 6.20). 62 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 6.17 - Diagrama multi cati ônico R1 versus R2 (De La Roche et al. 1980) Figura 6.18 - Diagrama Rb versus Sr de Condie (1973), aplicado às rochas graníti cas estudadas. As amostras do Complexo Nova Venécia foram plotadas como forma de comparação 63 Programa Geologia do Brasil Figura 6.19 - Índice de Shand (aluminosidade) para as rochas da Suite Aimorés. A linha ponti lhada sepa- ra os campos tí picos dos granitos ti po-S (ACNK > 1,1) daqueles do ti po-I (ACNK < 1,1), conforme Chappell & White (1974, 2001). ACNK = Al2O3/(Na2O + K2O). ANK = Al2O3/(Na2O + K2O + CaO) Figura 6.20 - Classifi cação das amostras da Suite Aimorés no diagrama TAS de Cox et al. (1979) 64 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Tabela 6.5 - Resultados das análises de elementos maiores (% peso) das amostras de granito e charnockito da Suite Aimorés, tipo I, das folhas Nova Venécia, Montanha e Mantena. NV e VN referem-se à Folha Nova Venécia; FM à Folha Montanha; MQ à Folha Mantena Amostra SiO2 TiO2 Al2O3 Fe2O3 MnO MgO CaO Na2O K2O P2O5 P.F. Soma MQ-03A 69 0,89 14,4 3,95 0,08 0,64 2,7 2,6 4,69 0,33 0,5 99,78 MQ-03B 69,1 0,89 14,2 3,77 0,08 0,64 2,9 2,55 4,34 0,34 0,8 99,61 MQ-04 70,1 0,69 14,6 3,11 0,07 1,7 3,63 3,02 2,07 0,07 0,5 99,56 MQ-81 70,4 0,93 14,2 2,35 0,02 0,71 2,01 2,27 5,47 0,32 1 99,68 MQ-123 67,9 0,83 14,5 4,61 0,08 0,57 2,32 2,64 5,74 0,39 0,3 99,88 FM174 57,47 2,57 12,84 12,53 0,17 1,57 5,67 2,18 2,9 0,66 1,1 99,66 VN82 57,38 2,41 14,94 9,55 0,13 2,53 5,07 2,75 3,17 1,09 0,5 99,52 NV94 54,08 3,11 14,64 11,45 0,15 2,78 5,85 2,57 3,08 1,57 0,2 99,48 NV99 66,7 1,03 14,9 3,44 0,03 1,08 2,19 2,46 5,94 0,39 1,4 99,56 65 Programa Geologia do Brasil 66 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 7 — RECURSOS MINERAIS A região onde se localiza a Folha Nova cuja localização, tipo de material e a unidade em Venécia se destaca pela grande produção de que estão localizadas estão referidas na Tabela 7.1. rochas ornamentais, além de pedra de talhe, Ressalta-se que a atividade de extração de rochas brita, material para calçamento e areia. Foram é muito dinâmica e os status mina ativa ou inativa cadastradas 40 pedreiras em minas ativas e inativas, tem as mais variadas durações. Tabela 7.1 Localização das pedreiras com tipo de material explorado e unidade pertencente Tipo Pedreira UTM Material Unidade Estação Ativa Inativa E N NV11 X 345087 7902289 Calçamento Suíte Ataléia NV15 X 345007 7900225 Rocha ornamental Suíte Ataléia NV19 X 349879 7900307 Rocha ornamental Suíte Ataléia NV21 X 350323 7901494 Rocha ornamental Suíte Ataléia NV27 X 347518 7931662 Rocha ornamental Leucogranito Porfirítico do Tipo S; Suíte G3 NV32 X 344994 7927250 Rocha ornamental Suíte Ataléia NV35 X 343127 7935568 Rocha ornamental Suíte Aimorés NV38 X 348493 7932039 Areia Aluvião NV51 X 343647 7951453 Rocha ornamental Suíte Carlos Chagas NV69 X 347797 7925770 Brita Suíte Aimorés NV70 X 346174 7925224 Brita Suíte Aimorés NV74 X 348107 7923388 Brita Suíte Aimorés NV80 X 346993 7922084 Brita Suíte Aimorés NV94 X 352882 7922895 Rocha ornamental Suíte Aimorés NV97 X 354924 7926637 Rocha ornamental Complexo Nova Venécia NV99 X 353517 7926043 Calçamento Suíte Aimorés NV100 X 355172 7926372 Rocha ornamental Complexo Nova Venécia NV102 X 353768 7921660 Rocha ornamental Complexo Nova Venécia NV102 A X 353633 7921850 Rocha ornamental Complexo Nova Venécia NV106 X 355139 7923945 Rocha ornamental Complexo Nova Venécia NV130 X 347347 7933783 Rocha ornamental Suíte Ataléia NV131 X 347088 7933419 Rocha ornamental Suíte Ataléia VN06 X 344737 7921064 Calçamento Suíte Aimorés VN83 X 347408 7919219 Rocha Ornamental Suíte Ataléia VN87 X 347233 7906839 Rocha Ornamental Suíte Ataléia VN97 X 342320 7921359 Rocha Ornamental Suíte Aimorés NVJ22 X 349103 7950520 Rocha Ornamental Leucogranito Porfirítico do Tipo S; Suíte G3 VP90 X 371454 7939247 Rocha Ornamental Complexo Nova Venécia VP105 X 360035 7934675 Pedra de Talhe Suíte Ataléia VP107 X 359028 7933208 Pedra de Talhe Suíte Ataléia VP109 X 344170 7935264 Rocha Ornamental Suíte Aimorés VP111 X 344062 7936651 Rocha Ornamental Suíte Carlos Chagas VP112 X 352855 7928862 Rocha Ornamental Suíte Ataléia VP113 X 353749 7929126 Rocha Ornamental Complexo Nova Venécia VP114 X 354083 7928739 Rocha Ornamental Complexo Nova Venécia VP121 X 355597 7928170 Brita Complexo Nova Venécia CG30 X 353989 7915938 Rocha Ornamental Complexo Nova Venécia CG35 X 349580 7951942 Rocha Ornamental Suíte Aimorés CG36 X 349485 7950493 Rocha Ornamental Suíte Carlos Chagas CG55 X 373719 7911137 Brita Complexo Nova Venécia 67 Programa Geologia do Brasil As principais concentrações de pedreiras se de granulação grossa e coloração verde clara a localizam na porção oeste da área, nas proximidades média também são explorados, porém com menor de Nova Venécia e dos povoados de Guarabu e Fartura, intensidade. e compreendem todas as unidades mapeadas. As A Suíte Carlos Chagas, representada por minas que exploram rochas ornamentais estão litotipos deformados no extremo centro-oeste da localizadas no Complexo Nova Venécia e nas suítes Folha, contém rochas de grande interesse devido, Ataléia, Carlos Chagas, G3 e Aimorés (Tabela 7.1). principalmente, à sua tonalidade amarela e sua O maior número de pedreiras para materiais facilidade de corte. O intemperismo incipiente ornamentais é encontrado no Complexo Nova de rochas miloníticas desta unidade dá origem à Venécia. Nesta unidade, diferentes nomes comerciais grande maioria dos materiais agrupados na “linha são dados aos seus litoti pos, tais como: Granito Blue dos amarelos”. Estas rochas incipientemente Valley (granada-cordierita gnaisse), Granito Azul intemperizadas mantêm as propriedades físicas Celeste, Granito Cinzul ou Blue Wave (cordierita essenciais, mas ganham as tonalidades amarelas granulito), Granito Azul Barracuda (cordierita- que as tornaram de grande procura e valor nos granada paragnaisse) e Granito Azul Brasil (cordierita- mercados nacional e internacional. Além da cor, granada-bioti ta gnaisse) (Figura 7.1). um outro motivo do valor dos materiais da linha A Suíte Ataléia é a segunda unidade com maior dos amarelos é a relativa facilidade de corte, uma número de minas, com: Granito Juparaná Venecian vez que o intemperismo incipiente abranda a (bioti ta granito) (Figura 7.2) e Granito Verde Eucalipto dureza da rocha. Na área de ocorrência da Suíte (bioti ta-granada granito foliado). Carlos Chagas são explorados o Granito Rio do Os materiais ornamentais extraídos da Suíte Norte Branco-Amarelo (granada-biotita granito Aimorés também possuem grande importância foliado), a variedade verde eucalipto (biotita- econômica. Apresentam tonalidades desde bege granada-cordierita leucogranito foliado) além amarelado, representado por um bioti ta granito do Granito Rio do Norte Amarelo (leucogranito grosso (Granito Amarelo Veneziano) até verde escuro foliado) (Figura 7.3). a preto intenso, exemplifi cado por um opdalito de Da Suíte G3, mesmo que em pequenas porções granulação predominantemente fi na (Granito Preto na área, também se extrai o Granito Rio do Norte Rio Preto) (Figura 7.2). Variedades de charnockito Branco (granada leucogranito) (Figura 7.3). Figura 7.1 - Exemplos de materiais da linha dos azuis, produzidos na Folha Nova Venécia, cujos nomes comerciais são Granito Blue Valley (a), Granito Blue Wave (b) e Granito Azul Brasil (c) 68 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia Figura 7.2 - Exemplos de materiais das Suítes Ataléia (a) e Aimorés (b), produzidos na Folha Nova Venécia, cujos nomes comerciais são Granito Juparaná Venecian (a) e Granito Preto Rio Preto (b) Figura 7.3 - Chapas polidas dos materais extraídos na Suíte Carlos Chagas – Granito Rio do Norte Branco-Amarelo (a) e Granito Rio do Norte Amarelo (b) – e na Suíte G3 – Granito Rio do Norte Branco (c) 69 Programa Geologia do Brasil Outros recursos explorados na Folha Nova Ataléia e brita em charnockito da Suíte Aimorés Venécia são pedra de talhe e brita em paragnaisse (especialmente no entorno da Pedra do Elefante). do Complexo Nova Venécia, bem como pedra de Areia em aluvião no leito do Rio Cricaré também é talhe em bioti ta-granada granito pertencente à suíte um ti po de recurso explorado (Figura 7.4). Figura 7.4 - Extração de areia em aluvião do Rio Cricaré (estação NV-38) 70 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia 8 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES As rochas mais antigas da área mapeada O leucogranito indeformado da Suíte G3 compõem o conjunto granulítico-migmatítico também tem todos os requisitos de granito tipo-S, mas do Complexo Nova Venécia, constituído por representa fusão autóctone tardia, cristalizada como paragnaisse peraluminoso, cordierita granulito e vênulas, veios e bolsões encaixados, principalmente, rocha calcissilicática. A associação mineralógica do nos granitos sincolisionais. Pelas características paragnaisse e cordierita granulito, com proporções verificadas trata-se de fusão parcial cristalizada variáveis de biotita, granada, cordierita, sillimanita em pressão decrescente (cordierita sobrecresce e hercynita, evidencia metamorfismo na transição granada). As idades disponíveis na literatura mostram de fácies anfibolito-granulito. As características que os leucogranitos G3 formaram-se em torno de mineralógicas, petrográficas e geoquímicas aqui 540-530 Ma (Silva et al. 2002, 2005; Pedrosa-Soares apresentadas demonstram que os protolitos do et al. 2006), cerca de 35 a 45 Ma após a cristalização Complexo Nova Venécia foram essencialmente das suítes Ataléia e Carlos Chagas. sedimentos grauvaquianos, enriquecidos em fração A intrusão da Pedra do Elefante (Suíte Aimorés pelítica peraluminosa e plagioclásio. O conjunto G5) está relacionada ao colapso extensional do paragnáissico do Complexo Nova Venécia apresenta Orógeno Araçuaí e à mistura de magmas mantélicos estágios progressivos de migmatização, desde e crustais, que, durante a ascensão, alojou-se em metatexito a diatexito, e se relaciona com Suíte Ataléia zonas de fraqueza NE-SW. O nível de erosão expôs por meio de contato transicional caracterizado pelo aumento de fusão granítica e desaparecimento dos a porção mais basal do plúton, representado pelo termos gnáissicos. O cordierita granulito representa charnockito, opdalito e pelo biotita granito com o resíduo granulítico resultante do processo de autólitos máficos. Outra evidência da exposição da migmatização do paragnaisse Nova Venécia. porção basal é a mudança acentuada na foliação das rochas encaixantes, que perto do contato com Embora a Suíte Ataléia inclua termos tonalíticos, essa intrusão adquirem um alto ângulo e mergulham além dos mais pobres em plagioclásio, ela apresenta para o centro do corpo. O granito “verde-eucalipto” todos os requisitos mineralógicos (biotita, granada, descrito, é resultado do metamorfismo de contato sillimanita, hercynita, ilmenita, apatita e monazita gerado pelas intrusões charnockíticas. A diferença livres), petrográficos (restitos e xenólitos de rochas de cor entre o granito e as rochas charnockíticas se paraderivadas) e geoquímicos (índice de aluminosidade deve essencialmente à cor verde do feldspato. Esse maior que 1, distribuição da razão K2O/Na2O) dos fenômeno de relaciona aos centros de cor impostos granitos tipo-S. A maior quantidade de plagioclásio ao feldspato pelas inclusões de CO . A variação da em litotipos da Suíte Ataléia pode ser explicada por 2relação H O/CO no interior da intrusão determina representarem baixas taxas de fusão parcial de rochas 2 2a distribuição de fácies graníticas (hidratadas) em ricas em plagioclásio do Complexo Nova Venécia, relação à charnockítica. mantendo plagioclásio como fase herdada na fusão granítica. A riqueza em enclaves de paragnaisse, A sedimentação cenozóica é representada bem como sua maior quantidade de ortoclásio pelo conjunto litológico do Grupo Barreiras - relativamente à microclina, evidencia a proximidade do arenito conglomerático, argilito arenoso, arenito local de cristalização da Suíte Ataléia em relação à fonte com lentes conglomeráticas e canga. Este Grupo anatética (o Complexo Nova Venécia). Desta forma, predomina sobre o planalto costeiro e seu conjunto a Suíte Ataléia é considerada como produto de fusão litológico indica sedimentação fluvial. Os aluviões parcial autóctone do Complexo Nova Venécia. A Suíte são representados por material inconsolidado Ataléia apresenta-se deformada e contém uma foliação predominantemente arenoso. dúctil compatível com a tendência regional deste setor A região da Folha Nova Venécia apresenta um do Orógeno Araçuaí. grande potencial econômico. Na área abrangida pelo A Suíte Carlos Chagas, representada mapeamento, foram cadastradas 40 pedreiras (ativas por granitos tipo-S, apresenta impressionante ou inativas) de rochas ornamentais, pedra de talhe, homogeneidade composicional e marcante brita, material para calçamento e areia. heterogeneidade estrutural. A foliação dúctil Em trabalhos futuros, recomenda-se o regional é verificada em toda a sua extensão na área mapeamento de áreas-chave em escalas maiores mapeada. Este grande batólito é interpretado como (por exemplo, 1:50.000 e 1:25.000), para se entender uma zona crustal de enorme acumulação de fusões melhor a relação genética entre o complexo graníticas alóctones (em relação à Suíte Ataléia e aos paragnáissico e os granitos tipo S pertencentes à migmatitos do Complexo Nova Venécia). Supersuíte G2. 71 Programa Geologia do Brasil 72 Geologia e Recursos Minerais da Folha Nova Venécia REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Fernando Flávio Marques de. 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