MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA MINISTÉRIO DA SAÚDE SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE 67º 66º 65º 64º 63º 62º 61º 60º 8º 8º IRA MAD E PORTO VELHO AMAZONAS RIO AMAZONAS PORTO VELHO CANDEIAS DOJAMARI DO MAC H 9º 9ºJAMARI MACHADINHO R-36 4 B O AI BR UNÃ ACRE BURITIS ARIQUEMES MATO 10º GROSSO 10º NOVA MAMORÉ CAMPO NOVO 80Km GOVERNADOR JORGE TEIXEIRA MIRANTE DA SERRA 11º 11º ALVORADA CACOAL ESPIGÃO GUAJARÁ-MIRIM D'OESTE D'OESTE SÃO ROLIM DE SERINGUEIRAS MIGUEL MOURA BR-364 12º 12º ALTA FLORESTA PARECIS COSTA MARQUES CHUPINGUAIA SÃO FRANCISCO VILHENA D'OESTE RIO V G 13º UAPI OR CORUMBIARAÉ 13º A MATO GROSSO 67º 66º 65º 64º 63º 62º 61º 60º BURITIS Mapa político da Estado de Rondônia com a localização do município de Buritis. AVALIAÇÃO DO POTENCIAL HIDROGEOLÓGICO DA ÁREA URBANA DO MUNICÍPIO DE BURITIS ESTADO DE RONDÔNIA NACIO ÃO NAL AÇ CPRM FNS M Ú Serviço Geológico do Brasil I N AISTÉRIO DA S RESIDÊNCIA DE PORTO VELHO COORDENAÇÃO REGIONAL DE RONDÔNIA JULHO 1999 BR-425 FUND A DE E SA ÚD DE RIO M A M O R É RIO Í L O B MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA Rodolfo Tourinho Neto Ministro de Estado José Luiz Péres Garrido Secretário Executivo Luciano de Freitas Borges Secretário de Minas e Metalurgia CPRM SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL Geraldo Gonçalves Soares Quintas Diretor Presidente Umberto Raimundo Costa Diretor de Geologia e Recursos Minerais Thales de Queiroz Sampaio Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Paulo Antônio Carneiro Dias Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento José Sampaio Portela Nunes Diretor de Administração e Finanças Frederico Cláudio Peixinho Chefe do Departamento de Hidrologia Humberto J. T. R. de Albuquerque Chefe da Divisão de Hidrogeologia e Exploração Fernando Pereira de Carvalho Superintendente Regional de Manaus Rommel da Silva Sousa Chefe da Residência de Porto Velho Amílcar Adamy Gerente de Hidrologia e Gestão Territorial Ministério da Saúde Fundação Nacional de Saúde José Serra Ministro da Saúde Mauro Ricardo Machado Costa Presidente da Fundação Nacional de Saúde Sadi Coutinho Filho Chefe do Departamento de Saneamento Josiclene Moura Leite Chefe da Coordenação Regional de Rondônia Vera A. de Oliveira Figueiredo Chefe do Serviço de Saneamento João Batista Zibetti Supervisor do Convênio CPRM/FNS EQUIPE EXECUTORA Residência de Porto Velho - REPO Geólogo: José Cláudio Viégas Campos Geólogo: Jaime Estevão Scandolara Geólogo: Paulo Roberto Callegaro Morais Geólogo: Rommel da Silva Sousa Aux. de Campo: Raimundo Gomes Aux. de Campo: Luís Rogério Aux. de Campo: Avelino Ramos Técnico em Sondagem: Francisco Bianor Superintendência Regional de Belo Horizonte -SUREG/BH Geofísico: Michael Gustav Peter Drews Prospector: Júlio de Freitas F. Vasques Aux. Técnico: Maurício Vieira Rios ESTUDO HIDROGEOLÓGICO NO MUNICÍPIO DE BURITIS (RO) Autores: José Cláudio Viégas Campos Michael Gustav Peter Drews Jaime Estevão Scandolara Colaboradores: Rommel da Silva Sousa Paulo Roberto Callegaro Morais Editoração: Alclemar Lopes Noé JULHO 1.999 NACIONA ÃO LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INIST AÚÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS SUMÁRIO APRESENTAÇÃO RESUMO.................................................................................................................................... 01 1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 02 2. GEOLOGIA REGIONAL E ESTRUTURAL........................................................................... 04 2.1 GEOLOGIA REGIONAL................................................................................................. 05 2.2 GEOLOGIA ESTRUTURAL............................................................................................ 06 2.3 CONCLUSÕES............................................................................................................... 08 3. HIDROGEOLOGIA................................................................................................................. 09 3.1. CADASTRAMENTO DE POÇOS.................................................................................. 09 3.2. MAPA PIEZOMÉTRICO................................................................................................ 10 3.3. HIDROGEOQUÍMICA.................................................................................................... 13 3.4. CARACTERIZAÇÃO BACTERIOLÓGICA E FÍSICO-QUÍMICA................................... 14 4. GEOFÍSICA............................................................................................................................ 17 4.1. OBJETIVOS................................................................................................................... 18 4.2. METODOLOGIA APLICADA......................................................................................... 18 4.3. RESULTADOS OBTIDOS............................................................................................. 19 4.4. CONCLUSÕES............................................................................................................. 21 5. SONDAGEM MECÂNICA...................................................................................................... 22 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................... 25 7. BIBLIOGRAFIA...................................................................................................................... 26 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI AÚSTÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS Apresentação A obtenção de água potável para o abastecimento dos centros urbanos tem se tornado um grande desafio para as autoridades responsáveis. Com o desenvolvimento desordenado dos núcleos urbanos, tem aumentado a preocupação com a qualidade e a quantidade de água disponível para o abastecimento público. A degradação deste importante bem é um dos grandes desafios a ser enfrentado pela humanidade. A CPRM - Serviço Geológico do Brasil tem procurado dar a sua contribuição com a aplicação de novas tecnologias na obtenção de água com qualidade e quantidade para o atendimento a uma demanda cada vez maior. Este trabalho contém as atividades desenvolvidas pela CPRM na avaliação do potencial hidrogeológico da área urbana do município de Buritis (RO), objeto de convênio celebrado com a Fundação Nacional de Saúde - FNS. Além do texto explicativo de cada atividade executada, são apresentados mapas, tabelas, fotografias e perfis construtivos dos poços-testes executados. FUNDA D E ÚDE SA E NACIO ÃO NAL Ç D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INIST AÚÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS Resumo A área urbana do município de Buritis - RO, com uma população de aproximadamente 15.000 habitantes (estimativa), vem sofrendo com a falta de abastecimento de água potável. A sede do município não possui um sistema de abastecimento e distribuição de água, dessa forma a população tenta suprir a sua demanda através de cacimbas que produzem pequenas vazões (ex.: 1000 l/dia). A CPRM - Serviço Geológico do Brasil, juntamente com a Fundação Nacional de Saúde, desenvolveu o estudo de avaliação do potencial hidrogeológico da área urbana de Buritis como uma alternativa para o abastecimento público através de água subterrânea. A metodologia empregada utilizou ferramentas, tais como: análise de imagens de sensoriamento remoto, mapeamento geológico-estrutural, levantamento geofísico, cadastramento de poços utilizados pela população com coleta de amostras de água para caracterização físico-química e bacteriológica e definição da direção de fluxo da água subterrânea, além da perfuração de dois poços tubulares profundos. O resultado da análise dos vários parâmetros utilizados indicou uma zona com maior favorabilidade para obtenção de água subterrânea do aqüífero fissural através de poços tubulares. Entretanto, os dois poços perfurados não apresentaram o resultado desejado. Ambos os poços, perfurados pela Geoeste Construções Civis Ltda, Pt01 com 81 metros de profundidade e o Pt02 com 91 metros de profundidade, foram considerados secos. Os parâmetros físico-químicos (condutividade elétrica e pH) e bacteriológicos analisados indicaram que a água que está sendo consumida pela população, captada nas cacimbas, está contaminada pelas fossas domésticas e/ou outras fontes poluentes locais, sendo necessário o tratamento por cloração ou fervura para o consumo. 01 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 1 Introdução O presente relatório é resultado do Tratando-se de um município novo, criado trabalho desenvolvido pela CPRM em convênio em 1995, Buritis ainda não apresenta serviços com a Fundação Nacional de Saúde no de infra-estrutura capazes de atender a município de Buritis - RO. Os trabalhos visavam contento a sua população urbana, estimada em avaliar o potencial hidrogeológico da área da 15.000 habitantes, vivendo em uma área de sede municipal para a captação de água aproximadamente 5 km2. A sua sede não possui subterrânea através de poços tubulares esgotamento sanitário, e o abastecimento de profundos, de modo a fornecer água potável a água potável é feito através de cacimbas sua população (Foto 1). A escolha da água particulares com características construtivas subterrânea como fonte de abastecimento se bastante precárias. Durante os meses de junho deve ao fato de que, normalmente, os custos a setembro, quando há a diminuição da para sua captação são bem menores do que intensidade pluviométrica, a população sofre aqueles que envolvem a captação de água consideravelmente com o abastecimento de superficial. água potável, pois, neste período, as cacimbas O município de Buritis (Figura 1) situa-se tendem a secar. na porção centro-oeste do Estado de Rondônia, limita-se ao norte com o município de Porto Velho, ao sul com Campo Novo, a leste com Monte Negro e Alto Paraíso e a oeste com Vila Nova do Mamoré. A sua sede está localizada a aproximadamente 330 km da cidade de Porto Velho. Para se ter acesso à mesma, partindo-se de Porto Velho, toma-se a BR364, sentido Cuiabá, até a cidade de Ariquemes, a partir daí, percorre-se 71 Km, ao longo da BR421, até a linha C-15, e através desta, mais 56 Km até a cidade de Buritis. Foto 1- Vista parcial da área urbana de Buritis. 02 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚSTÉRIO DA S A Convênio CPRM/FNS 67º 66º 65º 64º 63º 62º 61º 60º 8º 8º IRA ADEM PORTO VELHO AMAZONAS RIO AMAZONAS PORTO VELHO CANDEIAS DOJAMARI DO MAC H 9º 9ºJAMARI MACHADINHO -364BR O ARI BUNÃ ACRE BURITIS ARIQUEMES MATO 10º GROSSO 10º NOVA MAMORÉ CAMPO NOVO 80Km GOVERNADOR JORGE TEIXEIRA MIRANTE DA SERRA 11º 11º ALVORADA CACOAL ESPIGÃO GUAJARÁ-MIRIM D'OESTE D'OESTE SÃO ROLIM DE SERINGUEIRAS MIGUEL MOURA BR-364 12º 12º ALTA FLORESTA PARECIS COSTA MARQUES CHUPINGUAIA SÃO FRANCISCO VILHENA D'OESTE RIO V G 13º UAPI OR CORUMBIARAÉ 13º A MATO GROSSO 67º 66º 65º 64º 63º 62º 61º 60º Figura 1 - Mapa político da Estado de Rondônia com a localização do município de Buritis. 03 FUNDA BR-425 D E A RIO AÚ DE S E M A M O R É RIO Í L O B O N ACIONA Ã LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI AÚSTÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 2 Geologia Regional e Estrutural O levantamento geológico/estrutural Este parâmetro é a posição, o constitui-se em ferramenta de fundamental comportamento espacial e a abertura das importância, juntamente com o levantamento fraturas, pois a condutividade hidráulica varia geofísico terrestre, para a locação de poços ao cubo com relação ao último fator, mas é tubulares em áreas de aqüíferos fraturados. somente diretamente proporcional à densidade Estudos de casos recentes comprovam que o das fraturas (lei cúbica). Desta forma, o avanço nas pesquisas sobre a circulação de conhecimento dos eventos tectônicos mais água subterrânea em meios fraturados, recentes, cenozóicos ou neotectônicos, e seus depende do entendimento da geometria da campos de esforços, permitem determinar a rede de fraturas nas quais a água circula. posição espacial das fraturas mais abertas, Assim sendo, a investigação em questão denominadas como T. E isto é a chave para a objetivou identificar o que determina os padrões locação de um bom poço em área de aqüífero das redes de fraturamento, as densidades e fraturado. aberturas dessas fraturas, ou seja, entender a O e s t u d o d o s a s p e c t o s evolução tectôn ica da região e as geológico/estruturais da região de interesse características mecânicas das rochas. Apesar principiou com o levantamento bibliográfico das destes estudos serem relat ivamente informações disponíveis, sua compilação e complexos, porque envolvem uma sucessão de organização, estudos de sensores remotos campos tensionais e suas recorrências no ( imagens de saté l i te LANDSAT-TM, tempo geológico, é possível fazer algumas monocromáticas e policromáticas nas escalas simplificações que em nada diminuem o grau 1:100.000 e 1:250.000 e fotografias aéreas na de exatidão do método, uma vez que não é escala 1:120.000). Estas atividades pré- necessário estudar a evolução dos sistemas de operacionais permitiram a elaboração dos fraturas desde os tempos pré-cambrianos. Faz- primeiros mapas de serviço - de caráter se necessário, isto sim, entender como é a bibliográfico/interpretativos, que orientaram tectônica mais recente, porque é esta tectônica todas as atividades de campo (também que vai determinar o parâmetro fundamental denominadas operacionais). para a circulação da água subterrânea. As atividades de campo consistiram no 04 FUNDA D E DE SA Ú E O N ACIONA Ã LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS mapeamento geológico com ênfase nas feições 2.1 - Geologia Regional e s t r u t u r a i s - m a p e a m e n t o d a s O quadro geológico regional de Buritis descontinuidades mecânicas das rochas, (Figura 2) foi sistematizado no final da década principalmente os sistemas de fraturas, sua de setenta em termos de um granito de anatexia geometria e cinemática e suas interrelações ou granito de embasamento incluído no espaciais e cronológicas. O mapeamento Complexo Xingu ou Jamari de idade geológico desenvolveu-se com a visita a todos Arqueano/Paleoproterozóico. Na década de os afloramentos rochosos existentes no noventa, a evolução do conhecimento perímetro urbano, com os estudos estendendo- geológico regional permitiu que se procedesse se centrifugamente até um raio de 10 km do uma revisão dos dados geológicos disponíveis, centro da cidade. Além deste levantamento de com a definição da Suíte Intrusiva Alto alta densidade, as atividades de observação Candeias de idade mesoproterozóica que geológica mais expandidas, na escala constitui a geologia da região em questão. 1:25.000, forneceram importantes informações sobre o contexto geológico/estrutural regional no qual a região está inserida. PMj Os procedimentos de campo para a coleta Buritis das informações foram semelhantes daqueles usualmente efetuados nos mapeamentos Mac PMj geológicos. A rotina utilizada foi a seguinte: Campo Novo MNp  Descrição detalhada do afloramento e TQi coleta de amostras; MNnf 0 40km  Medição da atitude das fraturas, definição TQi Coberturas Cenozóicas de "famílias", suas interrelações, presença de Falha MNp Formação Palmeiral mesofalhas com definição do tipo de Zona de cisalhamento dúctil MNnf Formação Nova Floresta movimento e identificação de estrias; Contato definido Mac Suíte Intrusiva Alto Candeias  Medida da at i tude das fraturas PMj Complexo Jamari preenchidas. Estes dados foram anotados em uma tabela adequada e a seguir tratados em Figura 2 - Mapa geológico simplificado da região de escritório com a aplicação do Diagrama de Buritis/Campo Novo. Riedel para a definição dos campos tensionais, estruturas principais e das componentes, com o As rochas graníticas da região do Alto objetivo de identificar as direções T (fraturas Candeias (Foto 2) foram objeto de estudo de abertas). Souza et al. (1975), Leal et al. (1978) e Isotta et O levantamento mesotectônico dos al. (1978). Estes últimos delimitaram um corpo afloramentos da região de Buritis permitiu a de dimensões batolíticas (Maciço Alto coleta de 301 medidas estruturais. Candeias) e dois plutões mais a norte. 05 FUNDA D E AÚ DE S E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS zona de cisalhamento com transformação das rochas em protomilonitos e milonitos. Internamente zonas discretas de cisalhamento dúctil também ocorrem mas, em geral, mostram-se afetados apenas por uma tectônica rúptil. As rochas charnockíticas, anteriormente inseridas no Complexo Xingu, também fazem parte da suíte, com a principal ocorrência situada na borda SE do maciço Alto Candeias, Foto 2 - Afloramento granítico na região de Buritis além de outros corpos de menor expressão na representativo da Suíte Intrusiva Alto Candeias. porção central do mesmo, os quais exibem contato transicional com os granitos. O maciço Alto Candeias exibe uma forma alongada de direção WNW-ESE, sendo que as suas verdadeiras dimensões são ainda 2.2 - Geologia Estrutural desconhecidas. O contato com as encaixantes As descontinuidades (Foto 3) que é marcado por uma zona de cisalhamento segmentam as rochas que constituem o terreno transcorrente sinistral no seu limite norte, em torno do município de Buritis são enquanto que a borda sul é recoberta pelas dominantemente juntas, não raramente rochas básicas da Formação Nova Floresta e fraturas, quando a sua natureza cinemática pelas rochas sedimentares da Formação não pode ser definida, além de falhas, mais Palmeiral ("Graben" dos Pacaás Novos). É raramente. A figura 3 mostra o conjunto dos constituído predominantemente por granitos principais fotolineamentos interpretados, cujas porfiríticos de granulação média a grossa, direções foram integralmente confirmadas em texturalmente piterlíticos e, em menor escala de afloramento. quantidade, granitos equigranulares de A análise estatística das 301 medidas de granulação fina a média, aplitos e sienitos lineamentos (fraturas) mostrou o seguinte equigranulares de grão fino a médio. Os conjunto de "famílias": primeiros são composicionalmente definidos como hornblenda-biotita monzogranitos, biotita-monzogranitos e quartzo-monzonitos e N-S : 49 medidas; possuem cristais ovóides e tabulares E-W : 66 medidas; centimétricos de feldspato alcalino pertítico, N 30 a 40 E : 40 medidas; esporadicamente manteados por plagioclásio. N 60 a 75 E : 44 medidas; Representam a fase mais precoce e os N20 E : 14 medidas; contatos com os granitos equigranulares finos N20 a 30 W : 52 medidas; são observados na borda nordeste do maciço. N45 W : 6 medidas Na borda norte estes granitos exibem uma larga N60 a 75 W : 30 medidas. 06 FUNDA D E DE SA Ú E ACIO O N NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI AÚSTÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS espaçamento das juntas em cada família pode ser, localmente, de poucos decímetros, mas em geral é de vários centímetros até métrico. As falhas visíveis em escala de afloramento são superfícies pouco expressivas onde, devido à ação do intemperismo, as estrias são de difícil caracterização. Elas têm extensões que variam de poucos metros a dezenas de metros e envolvem, em geral, deslocamentos pouco expressivos, de Foto 3 - Rocha granítica na região de Buritis decímetros a centímetros. Associadas às apresentando direções variadas de fraturamento. f a l h a s a p a r e c e m , e s p o r á d i c a e l o c a l i z a d a m e n t e , p e q u e n a s z o n a s As juntas são superfícies de ruptura sem transtensionais representadas por fraturas de deslocamento dos blocos separados. Em geral, distensão com preenchimento de material têm alguns metros de extensão visível, remobilizado, além de zonas onde a cataclase podendo alcançar várias dezenas de metros. gerou materiais cuminuídos em "filmes" ou Elas configuram famílias entrecruzadas, em bandas pouco espessas. número de duas ou mais, conforme o local. O CAMPO TENSIONAL PLEISTOCÊNICO E PRINCIPAIS ESTRUTURAS GERADAS 1 3 T P R X R' 1 = N45 W Y= E-WT= N 45 W P= N 70 - 75 WE R= N 70 - 75 W X= N 20 - 25 E R'= N 20 - 25 W Buritis CAMPO TENSIONAL MIOCENO/PLIOCÊNICO E PRINCIPAIS ESTRUTURAS GERADAS 3 T R' X P R 1 1= N 40 - 50 E Y= N-S T= N 45 E P= N 15 - 20 E R= N 15 - 20 W X= N 70 - 75 W R'= N 70 - 75 E Figura 3 - Município de Buritis - Mapa de lineamentos fotointerpretados (Escala 1:100.000) e campos tensionais responsáveis pela geração das principais estruturas. 07 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS X y R' T P 1 R 3 Buritis Y T P R X R' T= Fraturas abertas Figura 4 - Esboço em escala ampliada da área em volta da cidade de Buritis com os principais lineamentos que a transectam e sua natureza mecânica, de acordo com o campo tensional pleistocênico (último evento tectônico do Cenozóico). 2.3 - Conclusões regional, foi possível definir a atuação de dois Nos diversos afloramentos estudados, (2) eventos neotectônicos (Figura 3), sendo que pode-se reconhecer a presença de "famílias" o campo tensional apregoado ao período de descontinuidades, em redes assimétricas, Pleistoceno Superior/Recente e as respectivas cujo padrão decorreu de regimes de estruturas derivadas, revestem-se de grande cisalhamento não-coaxiais relacionados a impor tânc ia prospec t i va para água eventos tectônicos superimpostos desde o Pré- subterrânea. Como conseqüência, deve-se dar Cambriano até o Quaternário. A separação das especial atenção às fraturas T (fraturas "famílias" de descontinuidades não é tarefa fácil abertas), com direção N45W, sem ,contudo, em virtude da escassez de estruturas de desprezar o entrecruzamento das demais movimentação falhas, que conferem maior descontinuidades que completam o modelo. segurança no estabelecimento dos campos Uma questão de extrema importância diz tensionais e respectivas estruturas. Apesar de respeito à atitude destas descontinuidades tais limitações, a presença de "famílias" de mais "recentes", pois estas estruturas de descontinuidades preenchidas já constitui neotectônica apresentam mergulhos altos (70 a importante ferramenta para definição dos 90), o que limita a sua interconexão em sistemas "antigos" e sua separação dos profundidade, deixando com conseqüência um sistemas neotectônicos. critério prospectivo ligado principalmente à Com base neste critério, conjugado com interconexão destes com as fraturas com elementos teóricos aplicados em escala menor ângulo de mergulho. 08 FUNDA D E DE SA Ú E NACIO ÃO NAL Ç D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI AÚSTÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 3 Hidrogeologia A cidade de Buritis está localizada sobre hotéis, posto de saúde e restaurantes; são terrenos cristalinos, rochas graníticas da Suíte obrigados a utilizar o manancial subterrâneo Intrusiva Alto Candeias, que em termos dessa forma. O problema se agrava no "verão", hidrogeológicos se comportam como aqüíferos período compreendido entre junho e setembro, fissurais, ou seja, o armazenamento e a quando o índice pluviométrico é bastante transmissão de água na rocha se dá através de reduzido. Nesse período as cacimbas têm o suas fraturas e/ou falhas. Os aqüíferos fissurais nível freático rebaixado chegando, até mesmo tendem a ser menos potenciais que os algumas a secar. aqüíferos porosos que armazenam e transmitem a água da sua formação através dos poros. Entretanto, no processo de 3.1 - Cadastramento de Poços intemperismo das rochas graníticas, o produto De acordo com o levantamento feito na de alteração é geralmente constituído por área urbana de Buritis (ver Tabela 1 e Figura 5), material quartzo-feldspático de granulometria foram selecionadas 50 cacimbas para bastante grosseira, dessa forma cria-se a determinação do nível estático, profundidade, possibilidade de obtenção de pequenos c a r a c t e r í s t i c a s c o n s t r u t i v a s , p H e volumes de água (1 a 3 m3/h) através de poços condutividade elétr ica, dentre outras tubulares de pequena profundidade (20 metros, informações. Utilizando-se o nível estático de em média), que captam água dessa zona de 37 cacimbas, juntamente com o mapa alteração. Na região de Buritis não foram planialtimétrico da área urbana, foi possível encontrados poços que captam água do confeccionar o mapa piezométrico de Buritis, aqüífero fissural. definindo-se a direção de fluxo da água Apesar de Buritis não possuir um sistema subterrânea. de abastecimento de água potável, a demanda De modo geral, as cacimbas possuem requerida é suprida pelos moradores através de características construtivas precárias, pois não cac imbas par t i cu la res . A té mesmo possuem a boca do poço bem vedada para estabelecimentos que necessitam de grandes impedir o acesso de animais, nem o piso volumes de água diariamente, tais como: cimentado ao redor do poço de modo a impedir 09 FUNDA D E ÚDE SA E NACIONA ÇÃ O L D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚSTÉRIO DA S A Convênio CPRM/FNS Cond. Cond. cacimba prof.(m) NE(m) extração pH elétrica Rev uso data cacimba prof.(m) NE(m) extração pH elétrica Rev uso data ( S/cm) ( S/cm) 1 13 11,9 bomba 5,5 120 não Dom. 08.09.98 26 8 7,4 - 5,4 87,5 não - 10.09.98 2 12 10,9 bomba 4,9 39 não Dom. 08.09.98 27 12 10,25 balde 5,4 85,2 não Dom. 10.09.98 3 7,5 6,8 balde 5 47 não Dom. 09.09.98 28 9,3 9 balde 4,2 16,9 não Dom. 10.09.98 4 9 8,15 bomba 5,48 87,8 não Dom. 09.09.98 29 12,5 11,8 - 5,24 64,8 não Dom. 10.09.98 5 7 6,35 - 5,76 156 não Dom. 09.09.98 30 12 11,6 - 4,05 14 não - 10.09.98 6 8,7 7,9 bomba 5,25 119 não Rest. 09.09.98 31 16 14,55 bomba 4,15 15,3 não Dom. 10.09.98 7 6,5 5,5 - 4,05 120 não Padar. 09.09.98 32 10 9,2 - 3,95 18,2 não Dom. 10.09.98 8 7 6,6 - 5,32 108 não hotel 09.09.98 33 7,5 6,75 bomba 4,95 57,1 não - 10.09.98 9 4,5 3,8 bomba 5,1 49,5 não posto 09.09.98 34 7,5 7,1 bomba 4 18,2 não - 10.09.98 10 7 5,5 - 4,55 95,2 sim hotel 09.09.98 35 9,5 7,25 - 4,4 36 não - 10.09.98 11 6,5 3,85 bomba 5,37 75,8 sim hotel 09.09.98 36 8 7,6 balde 4,15 24,5 não Dom. 10.09.98 12 3,7 2,2 bomba 4,9 27,6 sim Dom. 09.09.98 37 9 6,45 bomba 4,15 18,8 não Dom. 10.09.95 13 3 1,55 - 4,84 30,4 não Dom. 09.09.98 38 6 4 - 4,9 56,6 - Dom. 10.09.98 14 4,6 4 bomba 4,8 49,5 não hotel 09.09.98 39 4 3,65 balde 5,17 52,7 não Dom. 10.09.98 15 8 6,3 bomba 5,34 78,3 sim boate 09.09.98 40 11,5 10,75 balde 4,9 48,5 sim Dom. 10.09.98 16 8 7 bomba 4,89 58,5 sim lanche 09.09.98 41 17 14,2 bomba 4,9 23,1 não escola 10.09.98 17 14 10,7 bomba 5,9 238 sim escola 09.09.98 42 11 10,35 balde 3,92 13,4 não Dom. 10.09.98 18 8 7,5 bomba 5,66 153 sim Pref. 09.09.98 43 14 13 balde 4,05 14,5 não Dom. 10.09.98 19 8,5 7,5 - 5,4 39,7 não Dom. 09.09.98 44 11 8,7 - 5,34 53,1 não Dom. 11.09.98 20 10,5 9,2 bomba 5 34,2 - Dom. 09.09.98 45 12 10,5 balde 6,05 231 não Dom. 11.09.98 21 7 5,6 bomba 5,2 42 não Dom. 10.09.98 46 12 9,8 bomba 5,03 58,4 sim - 11.09.98 22 7 6,4 balde 4,25 14,8 não Dom. 10.09.98 47 12,5 11,9 bomba 4,65 25,7 não Dom. 11.09.98 23 8 6,9 - 4,32 21 não Padar. 10.09.98 48 9,5 8,8 - 4,54 52,7 - - 11.09.98 24 15 14,5 bomba 4,95 47,6 - Dom. 10.09.98 49 7 6,25 bomba 4,5 21,3 não Dom. 11.09.98 25 9 7,95 balde 4,2 12,6 não Dom. 10.09.98 50 10,5 9,4 bomba 5,14 53,3 sim Dom. 11.09.98 Rev. Revestimento Prof. - Profundidade NE - Nível Estático Dom.- doméstico Padar. - Padaria Pref. - Prefeitura Lanche - Lanchonete Rest. - Restaurante Tabela 1 - Informações coletadas na fase de cadastramento das cacimbas. a entrada por entre as paredes do poço e a do proprietário da empresa construtora do manilha (revestimento) de águas servidas e/ou poço. Possui uma profundidade de 22 metros, de enxurradas. A grande maioria possui como entretanto, não capta água das fraturas da tampa ripas de madeira, além de manilhas rocha cristalina local (granito), mas sim da como revestimento apenas na parte superior do rocha alterada, denominada tecnicamente de poço, em média, com 30 cm acima do nível do saprolito ou horizonte C. terreno. As cacimbas captam água subterrânea de pequena profundidade. Possuem uma profundidade média de 9,3 metros, variando de 3.2 - Mapa Piezométrico 3 a 17 metros. Utilizando-se as informações de 37 Foi cadastrado um poço tubular cacimbas, foi confeccionado o mapa pertencente a Escola Municipal de Buritis piezométrico da área urbana de Buritis (Figura localizada na Av. Porto Velho. A vazão de 6). As linhas de isopiezas, como era de se produção é de 2.000 l/h, segundo informações esperar, seguem, aproximadamente, a 10 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS w25 - cacimba cadastrada w43 w24 N w42 t i s u r i B w43 w23 A v. w41 w27 w22 w40 A v. B u r i t i s w26 w30 w29 w28 w21 w39 w33 w38 w20 w31 w32 w19 w36 w37 w35 w34 w18 w50 w17 w16 w14 w49 A v. A y r t o w a w10 n S e n n a 9 n A v. A y r t o n S e n w2 ww1132 w11 w1 w4 w7 w8ww5 w6 w3 48 w15 w47 E S C A L A (metros) w46 w45 w44 0 100 200 300 400 0 10 20 30 40 Figura 5 - Mapa da área urbana de Buritis com a localização das cacimbas cadastradas. topografia do terreno. As medições do nível moradores na cidade é pouco significativo para estático foram realizadas no período de 08 a promover um rebaixamento pronunciado 11/09/98, juntamente com a obtenção de outros nestes poucos dias. Além disso, ao analisar os parâmetros e informações. Apesar do mapa ter resultados obtidos, observa-se a pouca sido produzido baseado em níveis d'água de interferência desses fatores uma vez que é diferentes dias, o que não corresponde ao ideal, possível ter uma definição clara da direção de é preciso se levar em conta que no período de fluxo subterrâneo na área urbana de Buritis. medições o regime pluviométrico era baixo Uma vez que a totalidade da população (período de seca) e o volume retirado pelos utiliza-se de água subterrânea para suprir sua 11 FUNDA D E i r a l i v e O e e r d t Wa l r a d o g b a r m e s e D Av . ÚDE SA E NACIOO NA ÇÃ L D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 204.05 cota piezométrica metros 195 197 199 201 203 205 207 209 211 213 214.10 Direção de fluxo da cacimba cadastrada água subterrânea com cota piezométrica 208.00 N 210.50 209.40 s 204.i2t i 210.50 u r 5 v. B A 202.75 21 210.70208.30 A v. B u r i t 3i .s70 205.00 201.45 202.55 204.00 214.25 211.80 203.70 201.61099.05 203.40 204.20 210.50 203.60 202.90 195.50 208.25 196.00 206.30 2142.1150.10 211.65 201.10A v.1A98y r.6t o0n S e n n a v. A y r t o n S e n n a 202.50 212.90 A 206.20 201.40 199.40 E S C A L A(metros) 0 100 200 300 400 Figura 6 - Mapa piezométrico da água subterrânea da área urbana de Buritis. demanda, o mapa piezométrico é de bastante consigo o poluente. Dessa forma, aconselha-se utilidade para definição de áreas de proteção a utilização dessa área como de preservação desse manancial. Observa-se que na porção ambiental ou pelo menos que seja oeste da cidade, acima da cota piziométrica 211 desestimulada a instalação de postos de metros, qualquer fonte poluidora com gasolina, matadouros, curtumes, lixão, ou capacidade de dispersão (ex: hidrocarbonetos) outros tipos de estabelecimentos ou atividades tem condições de comprometer a qualidade da que produzam carga poluidora que ao ser água subterrânea em toda a área urbana. Isto disposta no solo ou no subsolo possa vir a porque as direções de fluxo subterrâneo partem contaminar a água subterrânea. deste ponto para toda a área, carreando 12 FUNDA D E e i r a O l i v r d e a l t e o r W g a d a r mb e s e . D Av ÚDE SA E O N ACIONA Ã LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 3.3 - Hidrogeoquímica os valores de condutividade elétrica tendem a Alguns parâmetros físico-químicos da ser menores do que 20 microS/cm, que é água subterrânea consumida pela população devido a uma menor influência antropogênica, foram medidos no local através de dois e podem estar representando o "background" aparelhos portáteis: o medidor de pH (pHmetro) da condutividade elétrica da água subterrânea e o de condutividade elétrica (condutivímetro). na área urbana de Buritis. O pH é representado pela concentração do íon Da mesma forma, nas porções centro- H+ na solução, enquanto a condutividade oeste e noroeste da área, onde há uma menor elétrica (CE) indica a capacidade da água densidade populacional e conseqüentemente conduzir eletricidade, e está intimamente ligada uma menor chance de influência antropogênica ao teor de sais dissolvidos (íons) na mesma. nas características químicas originais da água Foram feitas medições em 50 cacimbas. A subterrânea, os valores de pH tendem a ser condutividade elétrica variou de 12,6 a 238 menores do que 4,5 (Figura 8). microS/cm (Gráfico 1), com média de 59 microS/cm e o pH variou de 4 a 6,05 (Gráfico 2), com uma média de 4,86. Como já foi dito anteriormente, a área 90-120 >120 urbana de Buritis não possui uma rede de 10% 6% <30 esgotamento sanitário, sendo a disposição dos 60-90 33% 12% dejetos orgânicos produzidos pelos domicílios feita em fossas domésticas. 30-60 Na porção mais populosa da área urbana, 39% a produção de lixo e outros produtos contaminantes favorecem a uma maior contaminação da água subterrânea. Sabendo- Gráfico1 - Distribuição dos valores de condutividade se dessa situação, observa-se no mapa de elétrica (microS/cm) da água subterrânea das cacimbas em Buritis. condutividade elétrica da água subterrânea (Figura 7) que os valores maiores do que a média das medições (CE > 59 microS/cm) tendem a ser encontradas na porção mais >5,5 3,5-4 10% 4% 4-4,5 densamente povoada da cidade (sul). Isto leva 24% a crer que a água subterrânea pode estar sendo 5-5,5 contaminada pelas fossas domésticas e/ou 34% outras fontes de poluição antropogênicas, tais 4,5-5 28% como: valas negras, disposição de lixo nas ruas, etc. Gráfico 2 - Distribuição dos valores de pH da água Na área com menor densidade subterrânea das cacimbas na área urbana de Buritis. populacional (porção noroeste e centro-oeste) 13 FUNDA D E AÚ DE S E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 12.60 condutividade elétrica  S/cm 3.4 - Caracterização Bacteriológica e Físico- 10 59 Química 12.60 - cacimba cadastrada com valor de condutividade elétrica Além das medições de pH e condutividade 47.60 13.40 elétrica na água subterrânea em 50 cacimbasN 14.50 21.00 t i s 85u.r i23.10 20 na área urbana, foram selecionadas 10 14.80 v. B A 48.50 87.50 cacimbas (Tabela 2), preferencialmente, em 1i 4t i.0s 0 64.80 16.90 A v. B u r locais cujo o consumo de água fosse feito por 42.00 52.70 57.10 um grande número de pessoas, tais como:56.60 34.2 18.20 3 09.70 15.30 24.5018.80 hotéis, hospitais, escolas, restaurantes, 36.00 18.20 rodoviária, etc...; para realização de análises 153.00 53.30 238.00 bacteriológicas e físico-químicas. As amostras 58.50 coletadas foram remetidas para o laboratório 49.50 21.30 49.50 Sanear Engenharia Ambiental sediado em Belo 95.20 75.80 1203.090.00 3207.4.600 87.80 120.00A v.1A08y r.0t o0n S e n n a A v. A y r1t 5o 65n . 1 20 S1 .0 e9n.n0a0 78.30 Horizonte (MG) para processamento. Para 47.00 7025.70 58.40 251.00 53.10 cada análise físico-química foram coletados 4 E S C A L A(metros) 0 100 200 300 400 litros em quatro garrafas de um litro, sendo duas 0 10 20 30 40 com água in natura, outra com 0,2 ml de ácido Figura 7 - Mapa indicando o zoneamento dos valores de condutividade elétrica acima da média (59 nítrico e outra com 0,2 ml de ácido sulfúrico para microS/cm) da água subterrânea da área urbana de preservação de alguns elementos químicos. Buritis. Para cada análise bacteriológica foram 4.20 coletados 200 ml de água em recipiente valores de pH esterilizado fornecido pelo laboratório. Durante 3.9 4.9 4.2 o transporte todas as amostras foram mantidas - cacimba cadastrada com valor de pH 4.95 sob refrigeração até entrega para análise. As 3.92 N amostragens foram realizadas em julho de 99. 4.05 4.32 i s 4.90 5u.4 t r i0 B 4.25 A v. 4.90 Nas amostras coletadas, foram 5.40 u r 4 5.24 4.20 B i t .0i s5 analisados os elementos maiores (HCO3, Cl,A v. 5.23 5.17 NO3, SO4, Ca, Mg, K, e Na), bem como, Fe total, 4.95 4.90 5.00 resíduo seco e dureza total. Todos os5.40 4.15 3.95 4.15 4.15 4.40 4.00 parâmetros encontram-se dentro dos limites de 5.66 aceitabilidade (Portaria 36 do Ministério da 5.14 5.90 Saúde de 19/01/96), exceção feita ao Fe total 4.89 4.80 que apresentou valores acima do padrão na 4.50 5.10 4.55 44.8.940 5.37 Escola Buritis (0,91 mg/l) e na cacimba 1 (0,38 5.540.90 5.48 4.055.25 A v. 5 5.34 A .y3r2t o n S e a n n a 5.00 A v. A y r t 5o.n746.S5e4n n 4.65 mg/l), quando o máximo permitido é de 0,3 mg/l, 5.03 6.05 5.34 E S C A L A(metros) e ao nitrato, que encontra-se na cacimba 15 0 100 200 300 400 0 10 20 30 40 com valor de 24,37 mgN/l, quando o máximo aceitável é de 10 mgN/l. Os valores elevados de Figura 8 - Mapa indicando o zoneamento dos valores de Fe total (acima de 0,3 mg/l) podem aumentar a pH acima da média (pH > 4,9) da água subterrânea das incidência de problemas cardíacos e diabetes e cacimbas da área urbana de Buritis. a sua presença propicia o desenvolvimento de 14 FUNDA D E AÚ DE S E e i r a i r a i v i v eO l e O l e r d d l t e e r Wa t Wa l d o r r g a a d o a r r g mb mb a s e e De De s . Av .A v NACIOO NAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚSTÉRIO DA S A Convênio CPRM/FNS ferro-bactérias, que conferem à água cores que a água subterrânea captada através das avermelhadas e odores fétidos. Além disso, a cacimbas, em sua grande maioria, encontra-se utilização desta água pode causar incrustações contaminada pelas fossas domésticas aí nas canalizações e manchas ferruginosas em existentes. Tornando-se necessário, pelo louças e roupas. Enquanto que valores menos, a fervura ou cloração da água antes do elevados de nitrato (acima de 10 mgN/l) podem consumo. Um outro problema na utilização da causar, em casos extremos, cianose água subterrânea está relacionado às (metahemoglibinemia) em crianças, além condições construtivas das cacimbas, todas disso, o nitrato tem ação na produção de têm a presença de coliformes totais, o que nitrosaminas no estômago do homem que são indica as péssimas condições em que a água substâncias carcinogênicas. está armazenada. Para se evitar tal tipo de Segundo a Resolução nº 20 do CONAMA, contaminação, é necessário que as mesmas as águas destinadas ao abastecimento sejam bem construídas. Devem ter uma tampa doméstico sem prévia ou simples desinfecção de cimento, sem frestas de modo a não permitir são denominadas de Classe Especial e não a entrada de insetos (ex.: baratas), admitem a presença de coliformes totais ou revestimento da parede da cacimba para se fecais. Os resultados (Tabela 3) das análises evitar desmoronamentos e cimentação do piso bacteriológicas (coliformes fecais) indicaram ao redor da cacimba. P O N T O D E A M O S T R A G E M PARÂMETRO ANALISADO Escola Mal. Residência Residência Prefeitura Escola Boate Hotel Dallas Hotel Residência Residência Rondon (cacimba (cacimba Buritis (cacimba (cacimba 10) Avenida (cacimba (cacimba (cacimba 41) 22) 21) 15) (cacimba 11) 01) 31) * Resíduo seco 27,20 17,10 41,90 169,50 60,70 73,30 97,70 66,90 41,80 11,20 ** Dureza total 8,91 0,49 4,45 75,25 9,90 14,36 22,77 10,40 13,86 0,99 ** Bicarbonato 10,08 3,62 4,83 80,93 13,89 13,29 17,51 18,12 19,33 1,81 *Cloreto < 0,25 < 0,25 0,51 6,34 0,25 5,08 5,84 5,84 < 0,25 < 0,25 ***Nitrato < 0,01 < 0,01 < 0,01 0,84 < 0,01 24,37 < 0,01 0,66 < 0,01 < 0,01 *Sulfato 0,75 0,71 1,97 1,29 2,02 < 0,05 1,92 1,57 1,86 0,45 *Cálcio 3,36 0,20 1,58 29,31 2,77 5,35 8,32 3,76 5,15 0,40 Ferro Total 0,07 0,15 < 0,05 < 0,05 0,91 0,13 0,11 0,05 0,38 0,22 *Magnésio 0,12 < 0,10 0,12 0,48 0,72 0,24 0,48 0,24 0,24 < 0,10 *Potássio 0,21 0,46 1,20 2,24 4,00 2,39 2,29 4,05 0,46 0,29 *Sódio 0,18 1,13 2,36 10,15 1,12 5,96 7,19 6,19 0,11 0,43 *mg/l ** mg CaCO3/l *** mg N/l Tabela 2 - Resultado das análises físico-químicas da água subterrânea das cacimbas da área urbana de Buritis. 15 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚSTÉRIO DA S A Convênio CPRM/FNS R E S U L T A D O S P O N T O NMP de Coliformes Totais NMP de Coliformes Fecais (em 100 ml) (em 100 ml) A M O S T R A D O Escola Mal. Rondon – 1,6 x 103 2,2 x 102 cacimba 41 Residência - cacimba 22 2,4 x 104 4 Residência - cacimba 21 2,2 x 102 < 2 Prefeitura 1,7 x 10 4 Escola Buritis 1,1 x 10 < 2 Boate - acimba 15 9 x 102c 2 Hotel Dallas – cacimba 10 9 x 103 2,1 x 10 Hotel Avenida – cacimba 11 8 x 10 2 Residência - cacimba 01 9 x 10 4 Residência - cacimba 31 2,4 x 104 1,6 x 104 Tabela 3 - Resultado das análises bacteriológicas da água subterrânea das cacimbas da área urbana de Buritis. 16 FUNDA D E ÚDE SA E O N ACIONA Ã LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI AÚSTÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 4 Geofísica A uti l ização do método elétr ico Neste método, efetua-se a medida da (eletrorresistividade) para a pesquisa de água resistividade do subsolo por meio de eletrodos subterrânea, justifica-se pelo fato de serem os fixados na superfície do terreno, conectados a minerais componentes das rochas, com poucas um aparelho (resistivímetro), que faz passar exceções, praticamente isolantes. Desta uma corrente elétrica entre dois deles e mede o maneira, a existência de zonas fraturadas e potencial produzido por esta corrente nos zonas mais alteradas, onde ocorre maior outros dois eletrodos. quantidade de água, se torna visível e Os eletrodos pelos quais passa a corrente de tec táve l , pe lo con t ras te e lé t r i co elétrica se denominam eletrodos de corrente e correspondente. Assim, a resistividade rochosa são normalmente chamados de A e B. Os é função da quantidade de água contida e da eletrodos nos quais se mede a diferença de composição química da mesma, ou seja, dos potencial são conhecidos por eletrodos de eletrólitos nela dissolvidos. potencial e se chamam M e N, podendo o Não é possível generalizar ou tabelar quadripolo de eletrodos assumir vários arranjos valores da resistividade de cada material, pois geométricos, conforme os dados que se uma determinada rocha pode ter uma pretende obter. resistividade em uma região e outra A área em questão está assentada em completamente diferente em outra região, se a terrenos graníticos, Maciço Alto Candeias. água contida tiver salinidades diferentes, Neste ambiente geológico, optou-se pela apesar de conter a mesma quantidade de apl icação da geof ís ica , a t ravés de líquido nos seus interstícios. eletrorresistividade, com caminhamento Entretanto, numa mesma região, a elétrico, arranjo dipolo-dipolo, a fim de se composição da água contida nos solos e rochas detectar estruturas de subsuperfície favoráveis varia muito pouco de um local para outro, ao armazenamento de água, tais como zonas podendo-se afirmar que um material que for de falhas e fraturas. mais condutor terá mais água em seu interior, Os trabalhos de campo foram executados por ter maior porosidade intergranular e/ou pela equipe de geofísica do Serviço de maior fraturamento. Geofísica Aplicada da Superintendência 17 FUNDA D E ÚDE SA E O N ACIONA Ã LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INIST AÚÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS Regional de Belo Horizonte, contando com apoio técnico e operacional da Residência de Porto Velho, sendo as operações de campo realizadas no período de 19.08. a 04.09.98, com a cobertura de 16.160m de caminhamento elétrico. 4.1 - Objetivos Dentro do contexto deste trabalho, coube à geofísica fornecer informações adicionais de Foto 4 - Trabalho de geofísica sendo realizado em uma subsuperfície à hidrogeologia, com a finalidade das ruas da área urbana de Buritis. de demarcar locais promissores para furos de sonda. Tais locais, desejou-se, de preferência, dentro ou o mais próximo possível do perímetro urbano, visando uma significativa diminuição nos custos de captação e distribuição da água. Assim sendo, aplicou-se o método de eletrorresistividade com objetivo de mapear estruturas favoráveis à acumulação de água, como zonas de falhas, fraturas em rochas cristalinas de subsuperfície, bem como, para es t imar a espessura do manto de intemperismo, visando possíveis depressões, zonas mais alteradas nas rochas cristalinas subjacentes. 4.2 - Metodologia Aplicada Foi uti l izado nesta campanha o eletrorresistivímetro - ER/CPRM/ DIGEOF para medições das resistividades aparentes do subsolo (Foto 4), usando-se caminhamento elétrico dipolo-dipolo, com espaçamento entre os eletrodos, AB=MN=40 m, em cinco níveis de profundidade (n=5). Figura 9 - Planta das linhas de caminhamento elétrico realizadas em Buritis. 18 FUNDA D E DE SA Ú E O N ACIONAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚSTÉRIO DA S A Convênio CPRM/FNS Foram cobertos 12 perfis, perfazendo o Com o software INTERPEX/RESIX2DI, total de 16.160m, pelas ruas centrais da cidade através de inversão matemática, foi possível (Foto 5), conforme mostra o mapa de obter uma primeira idéia de um modelo localização dos perfis (Figura 9). geológico teórico correspondente à distribuição das resistividades no subsolo e, portanto, ter noções sobre a permeabilidade das rochas locais. Nas figuras 11 e 12, encontram-se os mapas do nível 5 de resistividades de modelamento e de resistividades aparentes, respectivamente. 4.3 - Resultados Obtidos Os dados adquiridos foram processados Foto 5 - Caminhamento Elétrico sendo realizado em uma das ruas da área urbana de Buritis. para a elaboração de pseudo-seções e mapas dos diferentes níveis de investigação, quais Com o caminhamento elétrico procurou- se jam: pseudo-seções e mapas de se mapear as est ru turas e corpos resistividades aparentes e resistividades de subsuperficiais de forma a se ter como modelamento. Na interpretação levou-se em resultado, pseudo-seções da distribuição das consideração tanto os resultados das pseudo- resistividades aparentes no subsolo e, em seções de resistividades aparentes, quanto das conseqüência, o feitio estrutural da área em pseudo-seções de resistividades dos curso, principalmente, falhas e fraturas (Figura modelamentos (software RESIX2DI), embora 10). com peso maior para os modelamentos. Figura 10 - Pseudo-seção do caminhamento elétrico. 19 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS Figura 11 - Mapa de resistividade de modelamento do Figura 12 - Mapa de resistividade aparente do 5° nível 5° nível na área urbana de Buritis. na área urbana de Buritis. A análise destes conjuntos de mapas e nas pseudo-seções podem ser atribuídas a pseudo-seções permitiu tecer as seguintes contatos litológicos, alguns dos quais a serem considerações: verificados mais detalhadamente pela - as resistividades aparentes dominantes geologia, e ao avanço do intemperismo de uma possuem valores de 1000 a 1600 ohm-m, em forma não uniforme em profundidade, um intervalo entre 100 e 13.000 ohm-m, sugerindo um relevo do topo da rocha sã; correspondentes a níveis argilo-arenosos e - de uma forma compatível, observa-se rocha sã, respectivamente; também, que os mapas de contorno de - Já nas resistividades do modelamento teórico resistividades aparentes e das resistividades, predominam valores da ordem de 1200 a 3400 do modelamento permitem delimitar zonas ohm-m, em um intervalo de 50 a 40.000 ohm-m; mais alteradas na rocha cristalina, como zonas as descontinuidades subverticais reveladas favoráveis ao armazenamento de água. 20 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI AÚSTÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 4.4 - Conclusões - as resistividades relativamente baixas, com Os resultados permitiram delimitar uma valores até 500 ohm-m, correspondem à área como a mais promissora e alguns pontos cobertura intemperizada com seus diversos isolados para investigações por sondagem materiais, chegando nestes locais até 42 m de mecânica, com necessidade de furos de 60-80 profundidade; metros, levando-se em conta que as - as resistividades maiores podem ser profundidades teóricas calculadas podem associadas às rochas granitóides sãs, sendo sofrer variações de até 30% em relação às que o topo desses granitóides pode apresentar profundidades dos locais indicados para furos sinais de intemperismo (fissuras etc.), por de captação (Figura 13). vezes representados por uma faixa de resistividades com valores menores, mas que podem chegar a até 1500 ohm-m em rocha sã; - analisando, tanto as pseudo-seções quanto os mapas de níveis de investigação, observa-se que o mais provável, é que se trata de uma topografia bastante irregular dos granitóides, cobertos por um manto de intemperismo de espessura variada; - com relação às fraturas/falhas, não se constatou evidências para as mesmas, razão pela qual evitou-se indicações, todavia isto não significa ausência delas; - outrossim, sabe-se que mantos de intemperismo muitas vezes possuem aqüíferos razoáveis e até bons, mas em caso de material muito fino, isto não se verifica. Além disso, em maior profundidade, já na rocha sã, não se atingiu falhas/fraturas ; De posse dos resultados do presente trabalho, com as interpretações e conclusões supracitadas, e prevalecendo a intenção de abastecer o município com água subterrânea, há necessidade de estudos geológico- estruturais mais detalhados com a utilização de Figura 13 - Planta da área urbana de Buritis com fotografias aéreas mais atualizadas e em indicação de área para perfuração de poços tubulares. escala maior (ex: 1:25.000), para que haja uma maior integração entre os dados geofísicos e Integrando-se as informações da estruturais ora levantados. Bem como, eletrorresistividade com as descrições dos dois reinterpretar os resultados a medida que se furos (PT01 e PT02), já executados, chegou-se obtenham maiores informações de novos às seguintes conclusões : poços tubulares perfurados. 21 FUNDA D E ÚDE SA E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INIST AÚÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 5 Sondagem Mecânica Após a análise dos dados de geofísica e No primeiro poço (Figura 15), a cobertura geologia estrutural, foram selecionadas as de solo e material residual da rocha foi áreas-alvo para perfuração de dois poços perfurada da seguinte forma: os primeiros 15 tubulares construídos pela empresa Geoeste metros pelo método de sondagem rotativa com Construções Civis Ltda de Cuiabá - MT. Os broca tricônica de 12 ½" , dos 15 aos 35 metros locais escolhidos encontram-se indicados no com broca tricônica de 10". A partir dos 35, onde mapa abaixo (Figura 14). As sondagens passa a ocorrer rocha sã, até os 81 metros, foi mecânicas foram realizadas no período de 01 e usado o método roto-pneumático com martelo 04/02/99. de 6". Durante toda a perfuração, o poço não apresentou condições de fornecimento de água - poço tubular perfurado PT01 subterrânea, tendo sido considerado improduivo. O poço foi entupido com material N retirado durante a perfuração, tendo sido s t i u r i v. B A cimentado e feita uma laje de proteção sobre o PT02 A v. B u r i t i s mesmo. No segundo poço (Figura 16), os primeiros 15 metros da cobertura de solo foram PTO1 perfurados pelo método rotativo com broca tricônica de 12 ½", dos 15 aos 43 metros com broca tricônica de 10". A partir dos 43 metros, onde começa a ocorrer rocha sã, até os 91 metros, foi usado o método roto-pneumático A v. A y r t o n S e a n n an S e n n A v. A y r t o com martelo de 6". Este poço também não apresentou condições favoráveis ao E S C A L A (metros) 0 100 200 300 400 0 10 20 30 40 fornecimento de água subterrânea, tendo sido considerado improdutivo. O poço foi entupido Figura 14 - Mapa da área urbana de Buritis com a com o material retirado durante a perfuração e localização dos poços tubulares. feita uma laje de proteção sobre o mesmo. 22 FUNDA D E ÚDE SA E r a i v e i O l r d e l t ea r W d o r g a a e m b De s Av . NACIONA ÇÃ O L D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INIST AÚÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS Obs.: Descrição fornecida pela Geoeste Construções Civis Ltda. Figura 15 - Perfil litológico do poço perfurado Pt01 23 FUNDA D E DE SA Ú E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚST AÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS Obs.: Descrição fornecida pela Geoeste Construções Civis Ltda. Figura 16 - Perfil litológico do poço perfurado Pt02 24 FUNDA D E AÚ DE S E NACIOO NAL ÇÃ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI ÚSTÉRIO DA S A Convênio CPRM/FNS 6 Considerações Finais A m e t o d o l o g i a u t i l i z a d a n o influenciaram no posicionamento do aqüífero desenvolvimento deste trabalho vem sendo fissural na região de Buritis. aplicada pela CPRM em vários municípios. Na Não foi possível uma maior interação das região amazônica, foi empregada em alguns informações de geologia estrutural com a municípios no Pará; Apuí e São Gabriel da geofísica, pois, devido a não observação de Cachoeira, no Amazonas; distrito de Surpresa, falhas/fraturas na área urbana (onde foram município de Guajará-Mirim em Rondônia e realizados os trabalhos de geofísica), bem Peixoto de Azevedo no Mato Grosso, dentre como a falta de fotografias aéreas em escala outras localidades, sendo que em todos estes maior (ex.: 1:25.000), não foi possível definir na houve êxito na obtenção de água subterrânea área urbana a ocorrência de fraturas de tração por poços tubulares. (tipo T, com direção N45W) que, juntamente Na região de Buritis, as várias ferramentas com a geofísica, indicariam, com maior de análise utilizadas, tais como: levantamento detalhamento, os locais potenciais para geofísico detalhado, análise de imagens de locação de poços tubulares. sensor iameto remoto , levantamento Os valores de condutividade elétrica e pH hidrogeológico e mapeamento geológico- indicaram que está havendo a contaminação da estrutural; indicaram uma boa favorabilidade água subterrânea na área mais densamente para captação de água subterrânea. povoada, tal conclusão é corroborada pelos Entretanto, os dois poços perfurados pela resultados das análises bacteriológicas Geoeste Construções Civis Ltda foram (coliformes fecais) que demonstram a considerados secos. contaminação da água das cacimbas pelas Apesar da metodologia do estudo não ter fossas domésticas. Isto faz com que seja apresentado bons resultados, não é coerente necessário que a água seja clorada ou fervida invalidá-la, pois, como já foi dito anteriormente, antes de ser consumida. A presença de o método conta com bons resultados em coliformes totais em todas as dez amostras trabalhos já realizados na região amazônica. O analisadas já era de se esperar, uma vez que as que deve ser feito é reavaliar os parâmetros cacimbas apresentam característ icas analisados e definir quais os parâmetros que construtivas precárias. 25 FUNDA D E DE SA Ú E NACIOO NAÃ LÇ D CPRM FNS M Serviço Geológico do Brasil INI AÚSTÉRIO DA S Convênio CPRM/FNS 7 Bibliografia - CETESB. Guia de coleta e preservação de amostras de água. São Paulo: 1988. 150p. il. - DAVIS, G.H. & REYNOLDS, S.J. Structural geology of rocks and regions. 2. Ed. New York: John Wiley, 1966. 776p. il. - DIAGNÓSTICO sócio econômico do município de Buritis. Buritis: Prefeitura Municipal, 1997. n.p. - DREWS, M.G.P. 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