MAPEAMENTO GEOLÓGICO DO BRASIL FOLHAS CARTOGRÁFICAS INTEGRADAS ESCALA 1:50.000 BELÉM - 2024 MAPEAMENTO GEOLÓGICO SISTEMÁTICO PROVÍNCIA MINERAL DE CARAJÁS, PA: GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DO SETOR AQUIRI PROGRAMA MINERAÇÃO SEGURA E SUSTENTÁVEL MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA Ministro de Estado Alexandre Silveira de Oliveira Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Vitor Eduardo de Almeida Saback SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA EXECUTIVA Diretor-Presidente Inácio Cavalcante Melo Neto Diretor de Geologia e Recursos Minerais Francisco Valdir Silveira Diretora de Hidrologia e Gestão Territorial Alice Silva de Castilho Diretor de Infraestrutura Geocientífica Paulo Afonso Romano Diretor de Administração e Finanças (interino) Inácio Cavalcante Melo Neto COORDENAÇÃO TÉCNICA Chefe do Departamento de Geologia Marcelo Esteves Almeida Chefe da Divisão de Geologia Básica Patrick Araujo dos Santos Chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica Iago Sousa Lima Costa Chefe da Divisão Geodinâmica Joseneusa Brilhante Rodrigues Chefe do Departamento de Recursos Minerais Maísa Bastos Abram Chefe da Divisão de Geologia Econômica Guilherme Ferreira da Silva Chefe da Divisão de Minerais e Rochas Industriais Michel Marques Godoy Chefe da Divisão de Geoquímica Daliane Bandeira Eberhardt Chefe do Departamento de Informações Institucionais Edgar Shinzato Chefe da Divisão de Geoprocessamento Hiran Silva Dias Chefe da Divisão de Cartografia Fábio Silva da Costa Chefe da Divisão de Documentação Técnica Roberta Pereira da Silva de Paula Chefe do Departamento de Relações Institucionais e Divulgação Andrea Sander Chefe do Núcleo de Comunicação Heber Vieira de Oliveira Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação Adriane Klamt da Cunha Chefe do Departamento de Apoio Técnico Américo Caiado Pinto Chefe da Divisão de Editoração Geral Hemilton Moraes Cunha SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE BELÉM Superintendente Homero Reis de Melo Junior Gerente de Geologia e Recursos Minerais Regina Célia dos Santos Silva Responsável Técnico do Projeto Ulisses Antônio Pinheiro Costa MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL DIRETORIA DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Belém 2024 I PROGRAMA MINERAÇÃO SEGURA E SUSTENTÁVEL I ORGANIZADORES Ulisses Antônio Pinheiro Costa Leda Maria Barreto Fraga Cintia Maria Gaia da Silva MAPEAMENTO GEOLÓGICO SISTEMÁTICO Escala 1:50.000 PROVÍNCIA MINERAL DE CARAJÁS, PA: GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DO SETOR AQUIRI Estado do Pará MAPEAMENTO GEOLÓGICO DO BRASIL FOTO DA CAPA Arenitos e siltitos da Formação Morro do Chapéu, Chapada Diamantina (BA). Autor: Alexandre Lisboa Lago. REALIZAÇÃO Superintendência Regional de Belém ORGANIZAÇÃO Ulisses Antônio Pinheiro Costa Leda Maria Barreto Fraga Cintia Maria Gaia da Silva TEXTO EXPLICATIVO 1. Introdução Ulisses Antônio Pinheiro Costa Iago Souza Lima Costa 2. Contexto Geotectônico Regional Cintia Maria Gaia da Silva 3. Unidades Litoestratigráficas Ulisses Antônio Pinheiro Costa Leda Maria Barreto Fraga Jaime dos Passos de Oliveira Barbosa Desaix Paulo Balieiro Silva Cintia Maria Gaia da Silva Luciano Castro da Silva 4. Geologia Estrutural e Tectônica Leda Maria Barreto Fraga Bruce Fabini Franco Chiba Desaix Paulo Balieiro Silva Luciano Castro da Silva Lívio Wagner Chaves Correa 5. Recursos Minerais Ulisses Antônio Pinheiro Costa Antônia Railine da Costa Silva Bruce Fabini Franco Chiba 6. Conclusões e Recomendações Ulisses Antônio Pinheiro Costa CARTOGRAFIA GEOLÓGICA (http://geosgb.cprm.gov.br) Leda Maria Barreto Fraga Cintia Maria Gaia da Silva Desaix Paulo Balieiro Silva Lívio Wagner Chaves Correa Luciano Castro da Silva Ulisses Antônio Pinheiro Costa Jaime dos Passos de Oliveira Barbosa Rodolfo Reis de Paula SIG GEOLÓGICO Alexandre Dias Carvalho Cintia Maria Gaia da Silva Lívio Wagner Chaves Correa APOIO TÉCNICO LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS Desaix Paulo Balieiro Silva Jaime dos Passos de Oliveira Barbosa Rodolfo Reis de Paula Ulisses Antônio Pinheiro Costa Leda Maria Fraga Cintia Maria Gaia da Silva Antônio Pereira de Araújo Júnior - TG Djalma Luiz Hartery Neto - TG Edilberto R. L. Leão (in memorian) - TG José Paulo Santos de Melo - TG Paulo Sérgio Ferreira dos Santos - TG Sílvio Cesar da Costa Lisboa - TG PROCESSAMENTO GEOFÍSICO Iago Souza Lima Costa Bruce Fabini Franco Chiba GEOCRONOLOGIA Joseneusa Brilhante Rodrigues ANÁLISES PETROGRÁFICAS Paulo dos Santos Freire Ricci Raphael Neto Araújo Ana Maria Dreher Luciano Castro da Silva LAMIN – BE REDE LAMIN DE LABORATÓRIOS Denise Corrêa Lobato (in memorian) - AG Érica de Jesus Fernandes Costa -TG Maria Rosalva Campos Coelho - TG Érica de Jesus Fernandes Costa - TG Dayse Danielle Jesus - Téc. em Laminação LITOTECA REGIONAL DE BELÉM - LIBE Tânia Keyler Coelho de Argolo - TG Gilberto Rosa de Oliveira - Aux. de Litoteca ESTAGIÁRIOS DE GEOLOGIA Isabela Farias Lima (UFPA) Lucas Maurício Conduru Melo (UFPA) Ana Carolina Moraes Resque (UFPA) PROJETO GRÁFICO/EDITORAÇÃO Capa (ASSCOM) Luiz Fernando do Valle Silvestre Miolo (DIEDIG) Andréia Amado Continentino Agmar Alves Lopes Diagramação (SUREG – BE) Marcelo Henrique Borges Leão NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA Nelma Fabrícia da P. Ribeiro Botelho REVISÃO GRAMATICAL E ORTOGRÁFICA Irinéa Barbosa da Silva REVISÃO Felipe Grandjean Costa César Lisboa Chaves REVISÃO FINAL Nelson Joaquim Reis Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Direitos desta edição: Serviço Geológico do Brasil Permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. Serviço Geológico do Brasil www.sgb.gov.br https://rigeo.sgb.gov.br seus@sgb.gov.br P969 Província Mineral de Carajás, PA: geologia e recursos minerais do setor Aquiri / Organização: Ulisses Antônio Pinheiro Costa, Leda Maria Bar- reto Fraga, Cintia Maria Gaia da Silva. – Escala 1:50.000; Mapeamento Geológico Sistemático – Belém: Serviço Geológico do Brasil, 2024. 1 recurso eletrônico: PDF; il. 281.066 kbytes. Programa Mineração Segura e Sustentável Mapeamento Geológico do Brasil ISBN 978-65-5664-477-6 1. Geologia Econômica – Pará. 2. Metalogenia – Pará. 3. Carajás, Serra dos (PA). I. Costa, Ulisses Antônio Pinheiro (org.). II. Fraga, Leda Maria Barreto (org.). III. Silva, Cintia Maria Gaia da (org.). CDD 553.098115 Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Nelma Botelho CRB-4 2341 APRESENTAÇÃO O Serviço Geológico do Brasil desenvolve em âmbito nacional a Ação Mapeamento Geológico do Brasil, a qual integra o Programa Mineração Segura e Sustentável, vinculado ao Plano Plurianual 2024-2027, do Governo Federal. Esta ação compreende um conjunto de projetos que visa promover o avanço do conhe- cimento geológico do país, o desenvolvimento das Geociências, fomentar a pesquisa e a produção mineral brasileira, para suprimento de matérias primas para indústria, para a transição energética mundial, para garantir a segurança alimentar da população, e assim promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil, sobre bases sustentáveis. Parte dessa iniciativa está inserida no empreendimento Mapeamento Geo- lógico Básico, que viabiliza projetos com objetivo de proporcionar o incremento do conhecimento geológico em todas as regiões do país, em províncias minerais e distritos mineiros, assim como em novas fronteiras do conhecimento geológico. É com essa premissa que o Ministério de Minas e Energia e a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, por meio do Serviço Geológico do Brasil, tem a grata satisfação de disponibilizar à comunidade técnico-científica, aos empresários do setor mineral e à sociedade em geral os resultados alcançados pelo Projeto Evolução Crustal e Metalogenia da Província Mineral de Carajás, executado pela Gerência de Geologia e Recursos Minerais da Superintendência Regional de Belém – GEREMI/SUREG-BE, com supervisão da Divisão de Geologia Básica – DIGEOB e coordenação geral do Departamento de Geologia – DEGEO, da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais – DGM. Este relatório apresenta os resultados do mapeamento geológico sistemático, na escala 1:50.000, reali- zado na região do Aquiri, em uma área de 1947 km2 localizada na porção ocidental da Província Mineral de Carajás, e acompanha o mapa geológico e o conjunto de bases de dados geocientíficos. Todos os produtos estão disponíveis no GEOSGB, banco de dados corporativo SGB (http://geosgb.gov.br), e no Repositório Institucional de Geociências – RIgeo (https://rigeo.sgb.gov.br). Com mais este lançamento, o Serviço Geológico do Brasil cumpre sua principal missão institucional, de “gerar e disseminar conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo para melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil”. Inácio Cavalcante Melo Neto Diretor-Presidente Francisco Valdir Silveira Diretor de Geologia e Recursos Minerais RESUMO O Projeto Evolução Crustal e Metalogenia da Província Mineral de Carajás – Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri, faz parte da Ação “Mapeamento Geológico do Brasil” e foi conduzido pelo Serviço Geológico do Brasil, sob a responsabilidade da Superintendência Regional de Belém (SUREG-BE). O Setor Aquiri compreende uma área de aproximadamente 1947 km2, situado no sudeste do estado do Pará, abrangendo partes dos municípios de São Félix do Xingu, Marabá e Parauapebas. Este produto apresenta as atividades de mapeamento geológico na escala 1:50.000 desenvolvidas nesse setor. Está inserido na parte oeste do Domínio Carajás, tendo como principais constituintes litológicos as sequências metavulcanosse- dimentares neoarqueanas, ordenadas da base para o topo em: Formação Parauapebas, que reúne rochas metavulcânicas de caráter máfico a félsico, com metamorfismo em fácies xisto-verde a anfibolito; Formação Carajás, que abrange formações ferríferas bandadas de fácies óxido; e a Formação Salobo-Pojuca, que neste trabalho reúne as rochas predominantemente metassedimentares, de composição pelítica e psamítica. Essa sequência supracrustal neoarqueana jaz sobre rochas gnáissicas ortoderivadas do Complexo Xingu. O magmatismo neoarqueano está representado, em sua contraparte máfica a ultramáfica, pela Suíte Cateté e, em sua contraparte félsica, por rochas tonalíticas a granodioríticas, agrupadas na Suíte Lavrado. O Complexo Vila Sassá, definido neste estudo, compõe uma sequência metassedimentar que atingiu grau metamórfico da fácies anfibolito alto a granulito, constituída de paragnaisses e rochas calcissilicáticas, com lentes de rochas metamáficas associadas, denominadas de Granulito Máfico Vale do Ouro. A sucessão sedimentar, que domina a porção central da área, foi correlacionada à Formação Águas Claras, dividida nas fácies arenítica, pelítica e conglomerática. Idades de 2,81 a 3,72 Ga (U-Pb em zircão detrítico) indicam, como áreas-fonte desses sedimentos, rochas do embasamento mesoarqueano, com as mais antigas ainda não reconhecidas na Província Carajás. O magmatismo paleoproterozoico tem caráter bimodal e a sua variedade máfica se atribuiu a denominação de Gabro Vila do T, que reúne gabros isotrópicos e fracamente magnéticos. A contraparte félsica, que inclui sienogranitos e alcalifeldspato granitos, foi correlacionada à Suíte Serra dos Carajás. Rochas vulcânicas félsicas não deformadas foram associadas à Formação Vila Santa Rosa. Ao Cenozoico, reúnem-se as coberturas lateríticas maturas e detríticas indiferenciadas, além de depósitos arenosos aluviais recentes. O arcabouço estrutural da área está ordenado em cinco fases de deformação. O conjunto mais antigo, rela- cionado à fase Dn, reúne feições estruturais geradas na fácies anfibolito a granulito que afetam o Complexo Xingu mesoarqueano. As feições relacionadas às fases Dn+1 e Dn+2 foram geradas sob condições da fácies xisto-verde a anfibolito nas unidades neoarqueanas do Supergrupo Itacaiúnas e na fácies anfibolito a granulito do Complexo Vila Sassá e do Granulito Máfico Vila do Ouro. As feições relacionadas às fases Dn+3 e Dn+4 do Complexo Vila Sassá e do Granulito Máfico Vila do Ouro, desenvolvidas na fácies xisto-verde inferior a anquimetamórfica, estão registradas nas unidades paleoproterozoicas. As estruturas relacionadas à fase Dn+3, de caráter rúptil-dúctil a rúptil, foram desenvolvidas sob condições anquimetamórficas até a fácies xisto-verde inferior e estão registradas na Formação Águas Claras. As estruturas relacionadas à fase Dn+4, eminentemente rúptil, estão relacionadas à reativação de estruturas pretéritas, correlacionáveis ao evento rúptil regional de ca. 1,88 Ga. A integração de imagens aerogeofísicas (gravimetria, magnetometria e gamaespectrometria) e de relevo permitiu a compartimentação tectônica da área em três grandes blocos, de orientação WNW-ESE. O Bloco 1 corresponde à anomalia gravimétrica positiva mais marcante do Setor Aquiri, e deve refletir a presença de formações ferríferas da Formação Carajás; o Bloco 2, ao norte do Bloco 1, caracteriza-se por uma anomalia gravimétrica negativa em áreas de ocorrência das formações Parauapebas e Salobo-Pojuca, parte do Complexo Xingu, e granitoides das suítes Lavrado e Serra dos Carajás; e, o Bloco 3, no extremo nordeste da área, corres- ponde a uma anomalia gravimétrica positiva, onde afloram rochas granulíticas do Complexo Vila Sassá e do Granulito Máfico Vale do Ouro. No modelamento de dados magnéticos (inversão do vetor de magnetização) e gravimétricos, foram identificadas descontinuidades profundas WNW-ESE, relacionadas a zonas de cisalhamento, e importantes estruturas NE-SW, interpretadas como altos intrabacinais que podem ter controlado a espessura do pacote metassedimentar neoarqueano e o fluxo de fluidos hidrotermais e meteóricos. Em relação aos recursos minerais, o Setor Aquiri tem potencialidade para depósitos de Cu-Au tipo IOCG, Au aluvionar e minério de ferro associado à alteração supergênica das formações ferríferas bandadas da Formação Carajás. Indícios de mineralização de manganês, em rochas da Formação Águas Claras e greinsens próximos a granitos da Suíte Serra dos Carajás, devem ser investigados. Associados às ocorrências de sulfe- tos de Cu (Au e Ni-Co), foram identificados quatro estágios de alteração hidrotermal: sódico/sódico-cálcico precoce; potássico; sulfetado e, por fim, sódico-cálcico tardio. Dados de levantamento aerogeofísico foram utilizados para a determinação de áreas com maior potencial para ocorrência de assembleias minerais resultantes do processo hidrotermal. No mapa de urânio anômalo (Ud), obtido do algoritmo Random Forest com metodologia Machine Learning, foram individualizadas quatro zonas anômalas e favoráveis à alteração hidrotermal. No caso da aeromagnetometria, foi utilizada a inversão do vetor de magnetização para repre- sentar as anomalias do campo magnético mais próximas à superfície e as seções 3D simplificadas. Foram delimitadas duas áreas, cujas anomalias não estão aparentemente associadas a outras fontes magnéticas comuns na área (formações ferríferas e rochas máficas). A primeira tem boa correlação com o mapa de Ud e a segunda se localiza sobre corpos mineralizados já conhecidos. ABSTRACT The project Crustal Evolution and Metallogeny of the Mineral Province of Carajás - Geology and Mineral Resources of the Aquiri Sector, is part of the Action Geological mapping of Brazil and was conducted by the Geological Service of Brazil and executed by the Regional Superintendence of Belém - SUREG-BE. The Aquiri Sector is based on an area of approximately 1,947 km2, located in the southeast of the state of Pará, as parts of São Félix do Xingu, Marabá and Parauapebas municipalities. It forms part of the Carajás Domain western, holding as main lithological constituents: Neoarchean metavolcanosedimentary sequences, ordered for base to top in: Parauapebas Formation, that comprises mafic and felsic metavolcanic rocks metamorphosed in greenschist to amphibolite facies; Carajás Formation that encompasses oxide facies banded iron formations; and the Salobo-Pojuca Formation that in this report gathers mainly pelitic and psamitic metasedimentary rocks. This Neoarchean supracrustal succession lies over ortho-derived gneissic rocks of Xingu Complex. The Neoarchean magmatism is represented by the Cateté Suite in its mafic to ultramafic counterpart and by the Lavrado Suite, composed of tonalitic to granodioritic rocks. The Vila Sassá Complex, defined in this study, comprises a metasedimentary sequence (paragneiss and calc-silicatic rocks) that reached upper amphibolite to granulite metamorphic facies, with metamafic lenses, named Vale do Ouro Mafic Granulite. The sedimentary succession that dominates area central was correlated to the Águas Claras Formation, divided into sandstone, pelitic and conglomerate facies. Ages from 2.81 to 3.72 Ga (U-Pb on detrital zircons) indicate Mesoarchean basement rocks as source areas for these sediments, with the older not yet recognized in Carajás Province. The Paleoproterozoic magmatism has a bimodal character with the mafic rocks named Vila do T Gabbro, composed mainly by isotropic and weakly magnetic gabbros. The felsic rocks, which includes syenogranites and alkali-feldspar granites were grouped in Serra dos Carajás Suite. Undeformed felsic volcanic rocks were correlated to the Vila Santa Rosa Formation. The Cenozoic units comprises lateritic covers, undifferentiated detrital covers e alluvial deposits. The structural framework of the area is ordered in five groups, related to different deformational phases. The older group, related to the Dn phase, gathers structural features generated in amphibolite to granulite facies that affect the Mesoarchean Xingu Complex. The features of the Dn+1 and Dn+2 phases were generated under greenschist to amphibolite facies conditions in the Neoarchean units of Itacaiúnas Supergroup and in the amphibolite to granulite facies of the Sassá Complex and Vale do Ouro Mafic Granulite. The Dn+3 and Dn+4 features of the Sassá Complex and Vale do Ouro Mafic Granulite that was developed under low greenschist or pre-metamorphic conditions, are registered in the Paleoproterozoic units. The brittle and brittle-ductile structures of the Dn+3 stage are imprinted in the rocks of the Águas Claras Formation, and that ones from the Dn+4 stage, eminently brittle, are related to reactivation of older structures, correlated to the brittle regional event of 1.88 Ga. The integration between aerogeophysical (gravimetry, magnetometry e gamaspectrometry) and satellite imagery allowed the tectonic compartmentalization of Aquiri area in three major blocks, with WNW-ESE orientation. Block 1 correspond to the most remarkable positive gravimetric anomaly of Aquiri Sector and must reflect the iron formations from Carajás Formation; Block 2, to the north of Block 1, stands out as a negative gravimetric anomaly in occurrence areas of the Parauapebas and Salobo-Pojuca formations, Xingu Complex parts and the Lavrado and Serra dos Carajás granitoids; and the Block 3, in northeastern portion of the area, corresponds to a positive gravimetric anomaly, generated in areas of granulitic rocks of Vila Sassa Complex and Vila do Ouro Mafic Granulite. The modeling of the magnetic data through MVI (Magnetic Vector Inversion) and gravimetric data allowed the identification of deep seated WNW-ESE discontinuities, related to shear zones and important NE-SW structures, interpreted as intrabasin highs that might have controlled de thickness of the Neoarchean metasedimentary cover and influenced the flux of hydrothermal and meteoric fluids. Regarding the mineral resources, the Aquiri sector has potential for Cu-Au deposits (IOCG type), gold placer deposits, and iron ore associated to the weathering profile of the Carajás Formation. Indications of manganese mineralization in rocks of the Águas Claras Formation, and greinsens close to granites of the Serra dos Carajás Suite should be investigated. Associated with the Cu (Au and Ni-Co) sulfides occurrences four stages of hydrothermal alteration were identified: sodic-calcic alteration early, potassic alteration, sulfide alteration and finally a late sodic-calcic alteration. Aerogeophysical data was used to determine areas with higher potential for occurrences of hydrothermal mineral assemblage. In the anomalous uranium map (Ud), generated using the Random Forest algorithm with Machine Learning methodology, four anomalous zones favorable to hydrothermal alteration were identified. The aeromagnetic data were used to build a MVI map that shows the anomalies of the magnetic field closest to the surface, and also to generate a simplified 3D model of the anomalies. Two areas were delimited, whose anomalies are not associated apparently with other common magnetic sources in the area (iron formations and mafic rocks), the first has a good correlation with the Ud map and the second is located on already known mineralized bodies. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 11 1.1. GENERALIDADES............................................................................................................................ 11 1.2 JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS..........................................................................................................12 1.3 LOCALIZAÇÃO, ACESSO E ASPECTOS FISIOGRÁFICOS.................................................................12 1.4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS E METODOLOGIAS......................................................................12 1.4.1. Fase preparatória..................................................................................................................12 1.4.2. Produtos de levantamentos aerogeofísicos.......................................................................... 14 1.4.3. Mapeamento geológico.........................................................................................................15 1.4.4. Análises laboratoriais............................................................................................................15 2. GEOLOGIA REGIONAL............................................................................................................ 17 3. UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS....................................................................................... 23 3.1. INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 24 3.2. COMPLEXO XINGU (A3�i)............................................................................................................... 24 3.2.1. Comentários gerais................................................................................................................ 24 3.2.2. Distribuição geográfica e morfologia.................................................................................... 24 3.2.3. Assinatura geofísica............................................................................................................... 24 3.2.4. Caracterização macroscópica................................................................................................ 25 3.2.5. Caracterização microscópica................................................................................................. 25 3.2.6. Idades e correlações..............................................................................................................28 3.3. SUPERGRUPO ITACAIÚNAS...........................................................................................................30 3.3.1. Comentários gerais e histórico.............................................................................................. 30 3.3.2. Recursos minerais.................................................................................................................30 3.3.3. Distribuição geográfica..........................................................................................................30 3.3.4. Grupo Grão-Pará .................................................................................................................. 30 3.3.4.1. Formação Parauapebas (A4pp)................................................................................ 31 3.3.4.1.1. Comentários gerais e histórico................................................................. 31 3.3.4.1.2. Distribuição geográfica, morfologia e relações de contato.....................32 3.3.4.1.3. Assinatura geofísica.................................................................................. 32 3.3.4.1.4. Caracterização macro e microscópica......................................................32 3.3.4.1.5. Formação Parauapebas, Litofácies Félsica (A4ppf).................................. 37 3.3.4.1.6. Formação Parauapebas, Litofácies Máfica (A4ppm)................................39 3.3.4.2. Formação Carajás (A4cj)...........................................................................................40 3.3.4.2.1. Comentários gerais...................................................................................40 3.3.4.2.2. Distribuição geográfica e morfologia.......................................................40 3.3.4.2.3. Assinatura geofísica................................................................................. 41 3.3.4.2.4. Caracterização macro e microscópica...................................................... 41 3.3.5. Grupo Serra da Bocaina.........................................................................................................44 3.3.5.1. Formação Salobo-Pojuca (A4pj)...............................................................................44 3.3.5.1.1. Comentários gerais...................................................................................44 3.3.5.1.2. Distribuição geográfica e morfologia.......................................................44 3.3.5.1.3. Assinatura geofísica..................................................................................44 3.3.5.1.4. Caracterização macro e microscópica......................................................45 3.3.5.1.5. Formação Salobo-Pojuca, Fácies Quartzítica (A4pjq)..............................45 3.3.5.1.6. Formação Salobo-Pojuca, Fácies Metapelítica (A4pjp)............................49 3.3.5.1.6. Geocronologia..........................................................................................49 3.4. SUÍTE CATETÉ (A4μca).................................................................................................................... 49 3.4.1. Comentários gerais................................................................................................................49 3.4.2. Distribuição geográfica e relações de contato...................................................................... 51 3.4.3. Assinatura geofísica............................................................................................................... 52 3.4.4. Caracterização macro e microscópica................................................................................... 53 3.4.5. Idades e correlações..............................................................................................................54 3.5. SUÍTE LAVRADO (A4γl)................................................................................................................... 55 3.5.1. Comentários gerais, distribuição geográfica e morfologia................................................... 55 3.5.2. Assinatura geofísica...............................................................................................................55 3.5.3. Caracterização macroscópica................................................................................................ 57 3.5.4. Caracterização microscópica................................................................................................. 58 3.5.5. Microscopia Eletrônica de Varredura.................................................................................... 58 3.5.6. Litogeoquímica......................................................................................................................60 3.5.7. Geocronologia........................................................................................................................64 3.6. COMPLEXO VILA SASSÁ (A4vs)......................................................................................................65 3.6.1. Comentários gerais, distribuição geográfica e morfologia...................................................65 3.6.2. Assinatura geofísica............................................................................................................... 66 3.6.3. Complexo Vila Sassá, Unidade Calcissilicática (A4vsc)..........................................................66 3.6.3.1. Relações de contato e caracterização macro e microscópica..................................66 3.6.4. Complexo Vila Sassá, Unidade paragnaisse quartzo-feldspático (A4vsp).............................67 3.6.4.1. Relações de contato e caracterização macro e microscópica..................................67 3.7. GRANULITO MÁFICO VALE DO OURO (A4vo)...............................................................................68 3.7.1. Comentários gerais, distribuição geográfica, morfologia e relações de contato..................68 3.7.2. Assinatura geofísica...............................................................................................................68 3.7.3. Caracterização macro e microscópica...................................................................................68 3.8. FORMAÇÃO ÁGUAS CLARAS (PP23ac)..........................................................................................69 3.8.1. Comentários gerais................................................................................................................ 69 3.8.2. Distribuição geográfica, morfologia e relações de contato..................................................70 3.8.3. Assinatura geofísica...............................................................................................................72 3.8.4. Formação Águas Claras, Fácies Arenítica (PP23aca).............................................................73 3.8.4.1. Distribuição geográfica, caracterização macro e microscópica...............................73 3.8.5. Formação Águas Claras, Fácies Pelítica (PP23acp)................................................................ 74 3.8.5.1. Distribuição geográfica, caracterização macro e microscópica............................... 74 3.8.6. Formação Águas Claras, Fácies Conglomerática (PP23acc)...................................................75 3.8.6.1. Comentários gerais e distribuição geográfica..........................................................75 3.8.6.2. Caracterização macro e microscópica..................................................................... 75 3.8.7. Geocronologia........................................................................................................................ 75 3.8.7.1. Trabalhos anteriores................................................................................................. 75 3.8.7.2. Resultados analíticos................................................................................................ 76 3.9. GABRO VILA DO T (PP3δt)..............................................................................................................80 3.9.1. Comentários gerais, distribuição geográfica, morfologia e relações de contato..................80 3.9.2. Assinatura geofísica...............................................................................................................81 3.9.3. Caracterização macroscópica................................................................................................ 81 3.9.4. Caracterização microscópica.................................................................................................84 3.9.5. Idade e correlações...............................................................................................................84 3.10. FORMAÇÃO VILA SANTA ROSA (PP3αsr).....................................................................................85 3.10.1. Comentários gerais, distribuição geográfica, morfologia e relações de contato................85 3.10.2. Caracterização macro e microscópica.................................................................................86 3.10.3. Ambiente tectônico, idades e correlações..........................................................................86 3.11. SUÍTE SERRA DOS CARAJÁS (PP3γsc)..........................................................................................86 3.11.1. Comentários gerais, distribuição geográfica, morfologia e relações de contato................86 3.11.2. Assinatura geofísica.............................................................................................................86 3.11.3. Caracterização macro e microscópica.................................................................................86 3.11.4. Idades, correlações e ambiente tectônico..........................................................................88 3.12. DIQUES MÁFICOS.........................................................................................................................88 3.12.1. Comentários gerais e caracterização geofísica....................................................................88 3.12.2. Caracterização macroscópica, idades e correlações...........................................................88 3.13. COBERTURAS SUPERFICIAIS CENOZOICAS................................................................................89 3.13.1. Coberturas Lateríticas (Elm)................................................................................................ 89 3.13.2. Coberturas Detríticas Indiferenciadas (Qdi)........................................................................89 3.13.3. Depósitos Aluvionares (Q2a)............................................................................................... 89 4. GEOLOGIA ESTRUTURAL....................................................................................................... 92 4.1. INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 92 4.2. SÍNTESE SOBRE OS MODELOS EVOLUTIVOS................................................................................93 4.3. SETOR AQUIRI................................................................................................................................. 96 4.3.1. Comentários gerais................................................................................................................96 4.3.2. Macroestruturação............................................................................................................... 96 4.3.3. Compartimentação tectônica............................................................................................... 98 4.3.3.1. Zonas de cisalhamento dúctil Dn+1 e Dn+2........................................................... 101 4.3.3.2. Zonas de cisalhamento rúptil-dúcteis e falhas Dn+3............................................. 101 4.3.3.3. Falhas pré-Dn+4, Dn+4 e diques interpretados pela magnetometria...................101 4.3.3.4. Veios de quartzo representados em mapa............................................................ 102 4.3.4. Feições mesoscópicas e microtectônicas............................................................................ 102 4.3.4.1. Feições estruturais relacionadas a Dn.................................................................... 102 4.3.4.2. Feições estruturais relacionadas a Dn+1 e Dn+2....................................................103 4.3.4.2.1. Estruturas Dn+1 e Dn+2 nas unidades do Supergrupo Itacaiúnas..........103 4.3.4.2.2. Estruturas Dn+1 e Dn+2 nas unidades Complexo Xingu, Complexo Vila Sassá, Granulito Máfico Vale do Ouro e Suíte Lavrado....................104 4.3.4.3. Feições estruturais relacionadas a Dn+3................................................................108 4.3.4.4. Feições estruturais rúpteis relacionadas à reativação Dn+4................................. 111 4.4. EVOLUÇÃO ESTRUTURAL............................................................................................................ 111 5. RECURSOS MINERAIS.......................................................................................................... 115 5.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................................115 5.2. PANORAMA MINERAL................................................................................................................. 117 5.3. BENS MINERAIS METÁLICOS....................................................................................................... 117 5.3.1. Ferro.................................................................................................................................... 117 5.3.2. Cobre (Depósitos de Cu-Au)................................................................................................ 120 5.3.2.1. Alteração sódica ou sódico-cálcica........................................................................122 5.3.2.2. Alteração potássica................................................................................................122 5.3.2.3. Sulfetação............................................................................................................... 124 5.3.2.4. Alteração sódico-cálcica tardia.............................................................................. 126 5.3.3. Controles estruturais das mineralizações........................................................................... 127 5.3.4. Indícios geofísicos para prospecção de bens minerais metálicos.......................................129 5.3.4.1. Áreas anômalas para Urânio (Ud)..........................................................................130 5.3.4.2. Anomalias a partir do Método de Inversão dos Vetores Magnéticos (IVM)..........132 5.3.5. Gossan.................................................................................................................................134 5.3.6. Manganês............................................................................................................................134 5.3.7. Ouro..................................................................................................................................... 135 5.4. INSUMOS PARA USO NA CONSTRUÇÃO CIVIL...........................................................................137 6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES..................................................................................... 139 REFERÊNCIAS........................................................................................................................... 142 | 11 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | 1. INTRODUÇÃO 1.1. GENERALIDADES O presente estudo apresenta os resultados das atividades de mapeamento geológico desenvolvidas na escala de 1:50.000, na porção oeste do Domínio Carajás, denominado Setor Aquiri, localizado no sudeste do estado do Pará (Figura 1.1). Este trabalho é parte do Projeto Evolução Crustal e Metalogenia da Provín- cia Mineral de Carajás, também referido como ARIM - Carajás (Áreas de Relevante Interesse Mineral), exe- cutado pela Gerência de Geologia e Recursos Minerais da Superintendência Regional de Belém, com apoio das divisões que compõem a Diretoria de Geologia e Recursos Minerais. Figura 1.1 - Mapa de localização do Setor Aquiri. Fonte: Elaborado pela equipe do projeto. | 12 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | A Província Mineral de Carajás (PMC) é uma região com potencialidade metalogenética diversificada, reco- nhecida por conter depósitos de classe mundial de ferro, cobre-zinco, cobre-ouro, níquel, paládio-platina, ouro e manganês. O Setor Aquiri, assim como o restante da porção oeste da PMC, se apresenta como uma nova fronteira para a descoberta de novos depósitos, princi- palmente, de cobre e ouro, mas também com indícios de mineralizações de níquel e estanho, este último explotado por garimpeiros desde a década de 1980. A descoberta dessas ocorrências tem motivado o investimento de empresas do setor mineral na região. O Projeto ARIM - Carajás foi executado no período de 2015 a 2018, tendo como um dos focos principais a cartografia geológica em escala 1:100.000, com ênfase na porção oeste da área, que carece de um nível de conheci- mento compatível com sua importância como segmento crustal arqueano do Cráton amazônico. Nesse contexto, uma das áreas que nos últimos anos vem atraindo investi- mentos consideráveis para prospecção de metais é aquela que engloba a bacia hidrográfica do Rio Aquiri. Por essa razão, foi delimitado um polígono para mapeamento na escala de 1:50.000, visando o detalhamento das infor- mações geológicas básicas para as principais zonas de ocorrências minerais conhecidas no setor. Todos os dados obtidos neste trabalho, bases digitais, mapa e o presente relatório, encontram-se disponíveis no site do SGB-CPRM (https://geosgb.sgb.gov.br/). 1.2. JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS O objetivo global do Projeto Evolução Crustal e Meta- logenia da Província Mineral de Carajás é o entendimento geológico e metalogenético da província, utilizando uma abordagem multidisciplinar que envolve a integração da geologia, da geofísica e da geoquímica explorató- ria, visando definir áreas favoráveis para prospecção mineral, gerar atratividade ao setor mineral e fomentar a descoberta de novos depósitos na maior província metalogenética do Brasil. Nesse contexto, a porção oeste do Domínio Carajás apresenta-se como uma área que ainda necessita de investimentos significativos em mapeamento geológico e em estudos para melhorar o entendimento dos ambientes metalogenéticos. O Setor Aquiri foi selecionado como alvo do atual estudo devido a diversos fatores que envolvem características geológicas e metalogenéticas favoráveis por conter depósitos e ocorrências de Cu-Au, como as do Igarapé Liberdade, Açaí, Angélica e Alvo 55 (da empresa Vale), além de diversos garimpos de ouro aluvionar em vários setores da área. Todas essas características fazem com que o avanço no conhecimento da geologia e recur- sos minerais do Setor Aquiri seja de grande importância para a descoberta de novos depósitos. 1.3. LOCALIZAÇÃO, ACESSO E ASPECTOS FISIOGRÁFICOS O Setor Aquiri está localizado na porção sudeste do estado do Pará, ocupando porções limítrofes dos municípios de Marabá, Parauapebas e São Félix do Xingu, cujos limites cartográficos são: 51058’ W, 51000’ E, 5050’ N e 6015’ S. Cerca de 35% da área faz parte da Floresta Nacional do Itacaiúnas e 15% é ocupada pela Reserva Indígena Xicrin do Rio Cateté (Figura 1.2). Constitui um polígono de 1947 km², abrangendo parte das folhas cartográficas SB.22-V-D-V, SB.22-V-D-VI e SB.22-Y-B-III, na escala de 1:100.000. O acesso é feito por rodovias estaduais pavimen- tadas, sendo a principal a PA-150, que liga a capital Belém à cidade de Xinguara, a partir da qual se utiliza a PA-279 até a cidade de Tucumã. Uma estrada vicinal não pavimentada (vicinal Minerasul), que liga Tucumã a vila de Lindoeste é o principal acesso, cujo limite sul dista cerca de 70 km de Tucumã (Figura 1.2). Grande parte da área de trabalho se encontra antropizada e ocupada por pastos e vegetação secundária. Segundo registros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), cerca de 80% da Floresta Nacional do Itacaiúnas (Flona) encontra-se degradada pelas queimadas e pastagens (www.icmbio.gov.br). A região é formada por relevo colinoso a suavemente ondulado, com altitudes variando entre 300-500 metros em relação ao nível do mar, e serras alinhadas principal- mente na direção WNW-ESE, com altitude média de 550 metros. As maiores altitudes estão na Serra da Gaivota, com 680 metros, que ocorre na parte sul da área de trabalho. Áreas aplainadas ocorrem na porção central relacionadas aos afluentes do Rio Aquiri, afluente da margem esquerda do Rio Itacaiúnas e na parte noroeste pelos afluentes das cabeceiras do Rio Bacajá (Figura 1.2). 1.4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS E METODOLOGIAS Os procedimentos adotados neste projeto seguem as instruções do Guia de Procedimentos Técnicos da Direto- ria de Geologia e Recursos Minerais (DGM) (Medeiros; Rosa-Costa, 2020). 1.4.1. Fase preparatória A etapa reuniu todas as atividades de recuperação, organização e espacialização de mapas, relatórios, arti- gos acadêmicos, comunicações em eventos técnico- científicos e outros tipos de publicações relacionados à área de estudo. As principais fontes de consulta foram: o SIG do Mapa Geológico do Estado do Pará (Vasquez; Sousa; Carvalho, 2008), mapas geológicos em escala | 13 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | 1:250.000 do Projeto Grande Carajás (Macambira; Vale, 1997; Araújo; Maia, 1991), além de mapas geológicos históricos do Projeto RADAM Brasil (Silva et al., 1974) e publicações diversas de cunho acadêmico. Também, foram utilizadas as informações das cartas planialtimé- tricas em escala de 1:100.000, publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A base cartográfica inicial do projeto foi forne- cida pela Gerência de Infraestrutura Geocientífica (GERINF-BE), pelo setor de geoprocessamento, que além de fornecer os temas básicos do projeto a partir do recorte de shapefiles do SIG do estado do Pará, tam- bém disponibilizou imagens de radar (SRTM) e satélite (Landsat-8 e ASTER), para conjuntamente aos produ- tos aerogeofísicos proceder com as interpretações geológicas e a geração de mapas temáticos. As bases digitais e mapas foram georreferenciadas segundo o datum SIRGAS2000. Figura 1.2 - A) Aspectos fisiográficos e de acesso ao Setor Aquiri e entorno sob imagem MDE (Modelo Digital de Elevação), com as unidades de conservação federal e terra indígena; B) Localização do Setor Aquiri em relação aos municípios da região. Fonte: Elaborado pela equipe do projeto. A B | 14 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | 1.4.2. Produtos de levantamentos aerogeofísicos Na área do Projeto ARIM - Carajás, há dados magne- tométricos e gamaespectrométricos provenientes de três projetos aerogeofísicos contratados pelo Serviço Geoló- gico do Brasil: Oeste de Carajás (CPRM, 2015a), Rio Maria (CPRM, 2015b) e Tucuruí (CPRM, 2010) (Figura 1.3). Esses projetos foram levantados, entre 2010 e 2013, com 500 m de espaçamento entre as linhas de voo (direção N-S), 10 km entre as linhas de controle (direção E-W) e altura de voo média de 100 m. As medidas magnetométricas possuem espaçamento de aproximadamente 7,7 m ao longo da linha de voo, enquanto as medidas gamaes- pectrométricas são adquiridas a cada 77 m. Os dados gravimétricos foram adquiridos no Projeto Levantamento Aerogravimétrico Carajás (CPRM, 2015c), contratado pelo SGB-CPRM, com linhas de voo espaçadas em 3 km, na direção N-S, linhas de controle transversais a cada 12 km e altura constante de 900 m. Os dados aerogeofísicos utilizados estão disponíveis no site do Serviço Geológico do Brasil (http://geosgb.sgb.gov.br/). O processamento e os produtos de interpretação dos dados aerogeofísicos para o Setor Aquiri foram executa- dos pela Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE). Após a união dos três projetos citados acima, foram gerados os produtos de concentração de K, eTh, eU e a composição ternária RGB (%K, eTh, eU), para cons- tituir a base da interpretação geofísico-geológica, como também mapas de anomalias gamaespectrométricas (exemplo: urânio anômalo), de acordo com a metodologia descrita por Costa, I. et al. (2020). Figura 1.3 - A) Mapa geológico do estado do Pará (Vasquez; Sousa; Carvalho, 2008), com localização dos principais levantamentos aerogeofísicos da região; B) Mapa aerogamaespectrométrico do Projeto ARIM-Carajás, destacando os limites dos levantamentos aerogeofísicos (magnetometria e gamaespectrometria). Fonte: Elaborado pela equipe do projeto. A B | 15 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | Acerca dos dados dos levantamentos magnetomé- tricos, os produtos gerados e utilizados para as interpre- tações foram: i) Primeira Derivada Vertical da Anomalia Magnetométrica (1DV), sendo o filtro passa-alta mais utilizado no entendimento do arcabouço estrutural; ii) Mapa de Inclinação da Anomalia Magnetométrica (Miller; Singh, 1994), que representa a razão entre a 1DV e o módulo das derivadas horizontais, equalizando as amplitudes das anomalias, mostrando as fontes pro- fundas e rasas realçadas simultaneamente; iii) Gradiente Total (GT) (Nabighian, 1972; Li, 2006), representando a amplitude do vetor resultante da soma das três derivadas direcionais da Anomalia Magnetométrica; e iv) Seções horizontais da inversão do vetor de magnetização (Mag- netic Vector Inversion – MVI) (Ellis; Wet; Macleod, 2012), para suprimir os efeitos de dispersão lateral (Costa et al., 2019) apresentadas pelo GT. Os dados do Projeto Aerogravimétrico Carajás foram utilizados, principalmente, na interpretação dos limites tectônicos da área do Aquiri, por meio do Mapa de Ano- malia Bouguer Residual, que se baseia no princípio de que a separação entre as componentes regional e resi- dual auxilia na classificação das fontes. A componente regional mostra o efeito das variações de densidade localizadas na interface manto superior/crosta inferior, enquanto a residual indica a contribuição de corpos no interior da crosta terrestre. Para esse procedimento, foi utilizado o filtro Butterworth (comprimento de onda = 40 km, grau = 4). 1.4.3. Mapeamento geológico Entre 2015 e 2017, foram executadas campanhas de campo, inicialmente em escala de reconhecimento regio- nal (1:250.000). Os trabalhos específicos no Setor Aquiri, com mapeamento geológico em escala de 1:50.000, iniciaram-se em 2016 e terminaram em 2017, com três campanhas de campo. Os trabalhos de campo seguiram os princípios de mapeamento geológico do SGB-CPRM: descrição de afloramentos de rocha, com levantamento de todas as informações necessárias para o preenchi- mento da base de dados oficial, coleta de amostras de rocha visando armazenamento no acervo da litoteca, laminação e análise geoquímica e, eventualmente, geo- cronologia, além de cadastramento e descrição de ocor- rências minerais (Figura 1.4). Os perfis foram inicialmente conduzidos nas vicinais e ramais de propriedades rurais, posteriormente executando-se caminhamentos em áreas desprovidas de acesso por veículo e/ou mata densa. 1.4.4. Análises laboratoriais Foram realizadas descrições petrográficas (lâminas delgadas e polidas) de 200 rochas mais representativas do Setor Aquiri, que subsidiaram a caracterização litológica das unidades rochosas. Análises por microscopia eletrô- nica de varredura (MEV) foram realizadas no microscópio EVO LS15 da Zeiss, no Laboratório do SGB-CPRM de Belém. Foram obtidas imagens de elétron retroespalhado Figura 1.4 - Distribuição das estações de campo do Setor Aquiri, com a indicação dos recursos minerais e análises geocronológicas. Fonte: Elaborado pela equipe do projeto. | 16 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | (Backscattering Electron – BSE) e identificação da com- posição química de minerais por meio da espectroscopia por dispersão de energia (Energy Dispersive Spectro- metry – EDS). Os resultados de EDS foram obtidos pelo programa AZTec da Oxford Instruments. A classificação dos minerais foi feita com consulta dos percentuais dos elementos e fórmulas minerais no Mineralogy Database (disponível em http://webmineral.com/). Foram realizadas análises por fluorescência de raios-X portátil em três amostras de gossans. As amostras foram pulverizadas e quarteadas para leitura em aparelho da marca Olympus, modelo Delta X6000C, com calibração a partir de amostra-padrão referenciada (padrão BRP-1, Cotta; Enzweiler, 2008). Análises geocronológicas foram conduzidas em qua- tro amostras, sendo três de rochas metassedimenta- res para estudo de zircões detríticos e uma em rocha cristalina para determinação da idade de cristalização. A quantidade de material coletado variou conforme a litologia (15 a 20 kg para rochas graníticas e 40 a 50 kg para rochas de origem sedimentar), com pré-britagem no afloramento, reduzindo o risco de contaminação da amostra e diminuindo o tempo de preparação no laboratório. A preparação das amostras foi conduzida nas depen- dências do Laboratório de Análises Minerais da Superin- tendência de Belém (Lamin-BE) e seguiu o procedimento padrão do SGB-CPRM de trituração, pulverização, lava- gem, peneiramento, separação magnética pelo separador Frantz, com posterior elutriação em bromofórmio e catação manual com auxílio de lupa binocular. As meto- dologias aplicadas nas análises foram SHRIMP (Sensi- tive High-Resolution Ion Microprobe) e LA-ICPMS (Laser Ablation-Induced Coupled Plasma-Mass Spectrometry), conduzidas nos laboratórios das universidades de São Paulo (USP) e Brasília (UnB), respectivamente. | 17 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | 2. GEOLOGIA REGIONAL O Cráton Amazônico compreende os escudos Brasil Central e das Guianas (Figura 2.1A), que representa uma extensa porção de crosta continental estável, constituída e estruturada entre o Arqueano e o Mesoproterozoico, e estabilizada tectonicamente por volta de 1,0 Ga (Brito Neves; Cordani, 1991). A compartimentação tectônica do Cráton Amazônico ainda é tema de amplo debate, com diversas propostas tectônicas e geocronológicas, desde o trabalho pioneiro de Amaral (1974). A Província Carajás, proposta por Santos (2003), loca- liza-se na porção sudeste do Cráton Amazônico e contém as rochas mais antigas e melhor preservadas do cráton (3,0-2,5 Ga). De acordo com esse autor, é constituída pelos domínios tectônicos Rio Maria e Carajás, limitada a norte e a sul pela Província Transamazonas (2,26-1,99 Ga), a oeste com a Província Amazônia Central (1,9-1,86 Ga) e a leste com o Cinturão Araguaia neoproterozoico (Figura 2.1B). Apesar de essa parte da crosta ser consi- derada como estabilizada no Arqueano (Teixeira et al., 1989; Tassinari; Macambira, 1999, 2004; Santos, 2003), novas evidências indicam que foi afetada pela Orogenia Transamazônica, em suas bordas norte e leste (Tavares et al., 2018; Pollard et al., 2019). No sudeste do estado do Pará, a parte aflorante do Cráton Amazônico abrange sete domínios tectôni- cos (Figura 2.2), de acordo com Vasquez e Rosa-Costa (2008), que se basearam nos trabalhos de Santos (2003), aqui atualizados pelo mapa tectônico da América do Sul (Cordani et al., 2016) e adotados no presente trabalho. Em termos metalogenéticos, os domínios tectônicos Carajás e Rio Maria constituem a Província Mineral de Carajás, denominação original de Hirata et al. (1982). As principais minas da região, como os depósitos de classe mundial, de ferro, manganês, cobre-ouro e níquel, ocorrem na porção leste do Domínio Carajás. Além dessas substân- cias minerais, possui metalogenia diversificada em toda a província, com depósitos de cobalto, zinco, alumínio, cromo, platinoides, estanho, wolfrâmio, além de inúme- ros garimpos de ouro, e gemas, como ametista e quartzo citrino (DOCEGEO, 1988; Dardenne; Schobbenhaus, 2003; Carvalho et al., 2004; Monteiro et al., 2014). O Domínio Rio Maria (Figura 2.2) representa um terreno granito-greenstone clássico com geração de crosta juvenil no Mesoarqueano (3,0-2,93 Ga), consti- tuído por séries tonalíticas-trondhjemíticas, greenstone belts e complexos máfico-ultramáficos de idades entre 3,0 e 2,93 Ga, além de suítes mais jovens (2,87-2,86 Ga) de sanukitoides e granitoides de alto Ba-Sr e potássi- cos (Lafon; Scheller, 1994; Macambira; Lancelot, 1996; Althoff; Barbey; Boullier, 2000; SOUZA et al., 2001; Leite, 2001; Oliveira et al., 2009; Almeida et al., 2011; Almeida; Dall Ágnol; Leite, 2013; Almeida; Dall Ágnol; Rocha, 2017). Figura 2.1 - (A) Localização do Cráton Amazônico e os escudos das Guianas e Brasil-Central, baseado em Almeida et al. (1981) e Cordani et al. (2016). (B) Localização da Província Carajás e seus limites tectônicos com outras províncias do sudeste do Cráton Amazônico, a partir de Vasquez e Rosa-Costa (2008) e da área de estudo. A B | 18 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | O Domínio Carajás (Figura 2.2) é caracterizado por uma crosta continental neoarqueana, com formação de sequências vulcano-sedimentares, complexos aca- madados e granitoides em um embasamento meso- arqueano (pré-2,83 Ga). Ocorrem ainda coberturas sedimentares e magmatismo anorogênico do Paleo- proterozoico, que também são aflorantes no Domínio Rio Maria. Por sua importância metalogenética, é uma das áreas mais estudadas do estado do Pará, possuindo várias sínteses sobre sua evolução geológica, como os trabalhos de Hirata et al., (1982), DOCEGEO (1988), Machado et al., (1991), Araújo et al. (1988, 1994), Costa et al. (1995), Macambira e Lafon (1995), Pinheiro (1997), Dall’Agnol et al. (1997, 2013), Vasquez e Rosa- Costa (2008), Tavares et al. (2018), Feio et al. (2012, 2013), Marangoanha, Oliveira e Dall’Agnol, 2019, Silva et al., 2021. As principais propostas estratigráficas para a parte leste do Domínio Carajás estão resumidas na Figura 2.3, com exceção de Costa et al. (2016) que se refere a todo o domínio. Figura 2.2 - Localização do Setor Aquiri em relação aos domínios tectônicos do sudeste do Cráton Amazônico. Fonte: modificado de Vasquez e Rosa-Costa (2008) e Cordani et al. (2016). | 19 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | O limite e o significado geotectônico entre os domí- nios Rio Maria e Carajás, apesar do avanço na evolução tectônica da região, ainda não é bem compreendido. Vasquez e Rosa-Costa (2008) indicaram esse limite, com base em produtos geofísicos, como uma descontinuidade regional E-W, não coincidente com contatos geológi- cos. Dall Ágnol et al. (2006) propuseram um domínio de transição para a região reconhecida por eles, como a Bacia Carajás e o Domínio Rio Maria, considerando como uma extensão do Domínio Rio Maria retrabalhado no Neoarqueano. Posteriormente, Dall Ágnol et al. (2013) subdividiram a região nos domínios Canaã dos Carajás e Sapucaia, em que o primeiro seria o embasamento retra- balhado da Bacia Carajás e o segundo parte do Domínio Rio Maria afetado pelos eventos neoarqueanos. Uma possível colisão entre os domínios Rio Maria e Carajás, no final do Mesoarqueano (2,83 Ga), vem sendo admitida por vários autores, como Tavares et al. (2018) e Silva et al. (2021). Uma proposição mais recente é que a crosta mesoarqueana seja contínua entre Rio Maria e Carajás (Costa, F. et al., 2020). O Domínio Bacajá (Figura 2.2), que se limita a norte com o Domínio Carajás, representa um segmento da Província Transamazonas (2,26-1,99 Ga; Santos, 2003) ou Maroni-Itacaiúnas, segundo Tassinari e Macambira (1999, 2004). O limite entre os domínios Bacajá e Carajás, inicialmente reconhecido por diferenças geocronológi- cas e estruturais (Cordani; Tassinari; Kawashita, 1984), ainda precisa de estudos mais detalhados, com autores considerando que seja colisional (Tavares et al., 2018; Oliveira, 2018) ou mesmo que a crosta arqueana seja contínua entre os domínios (Motta et al., 2019). As principais associações tectônicas do Domínio Carajás encontram-se sintetizadas na Figura 2.4, na qual a área do Setor Aquiri está incluída, e que serão abor- dadas a seguir. O embasamento do Domínio Carajás é mesoarqueano, formado por assembleias de gnaisses, migmatitos, granulitos, tonalitos, trondhjemitos e granitoides, além de faixas de greenstone belts. As rochas mais antigas, com protólitos entre 3,06 e 3,02 Ga e metamorfismo/ migmatização em torno de 2,86 Ga (Machado et al., 1991; Silva et al., 2014; Pidgeon; Macambira; Lafon, 2000; Silva et al., 2021), são ortognaisses e migmatitos do Complexo Xingu (Machado et al., 1991), Ortognaisse Bom Jesus (Feio et al., 2013, Tavares, 2014), ortogranulitos Chicrim-Cateté (Vasquez; Rosa-Costa, 2008; Silva et al., 2021) e Ouro Verde (Marangoanha; Oliveira; Dall Ágnol, 2019), além do Figura 2.3 - Principais colunas estratigráficas propostas para a parte leste do Domínio Carajás. Fonte: Elaborado pela equipe do projeto. | 20 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | Granito Canaã dos Carajás (2,95 Ga; Feio et al., 2013) e Metatonalito São Carlos (Silva et al., 2014). As sequências do tipo greenstone, de idade de 2,97 Ga (Moreto et al., 2015b) são contemporâneas das rochas TTG, atribuídas aos grupos Sequeirinho (Justo; Lopes, 2014) e Rio Novo (Hirata et al. 1982; Tavares, 2014). Granitoides mais jovens completam o quadro mesoarqueano, como os granitos Cruzadão e Serra Dourada, com idades entre 2,87-2,83 Ga (Feio et al., 2013), e sanukitoides de ca. 2,87 Ga (Gabriel; Oliveira, 2014; Silva; Oliveira; Santos, 2018), na região de Água Azul do Norte/Ourilândia. Tonalitos/trondhjemitos mais jovens (2,87 Ga) e similares a suítes TTGs ocorrem na porção sudeste, descritos por Silva et al. (2014) como Trondhjemito Colorado. Recobrindo o embasamento mesoarqueano, ocorrem as sequências metavulcanossedimentares neoarquea- nas do Supergrupo Itacaiúnas, proposto por DOCEGEO (1988) para agrupar o Grupo Grão-Pará e unidades cor- relatas que se distribuem em todo o Domínio Carajás. Os dados disponíveis permitem posicionar a deposição do Supergrupo Itacaiúnas no intervalo de 2,76-2,73 Ga, porém o empilhamento litoestratigráfico da unidade ainda é alvo de muitos debates, como a proposta de DOCEGEO (1988), tendo sido alterada e adaptada a novos dados geológicos, metalogenéticos e geocronológicos produzidos nas últimas décadas (Figura 2.3). Em trabalhos de mapeamentos realizados pelo SGB-CPRM (Costa et al., 2016), na porção oriental do Domínio Carajás, foram propostos dois grupos: o Grupo Grão-Pará, como uma associação de base, constituído pelas formações Paraua- pebas e Carajás (em acordo com DOCEGEO, 1988), e o Grupo Serra da Bocaina, como uma associação de topo, constituída pelas formações cronocorrelatas Salobo- Pojuca (antigos grupos Igarapé Pojuca e Igarapé Salobo de DOCEGEO, 1988), Igarapé Cigarra (Macambira, 2003; Justo; Lopes, 2014; Tavares, 2014) e Igarapé Bahia (DOCE- GEO, 1988). A Formação Parauapebas representa um vulcanismo bimodal máfico-félsico, com idades entre 2,76 e 2,73 Ga (Machado et al., 1991; Trendall et al. 1998; Tavares, 2014; Martins et al., 2017), enquanto a Formação Figura 2.4 - Associações tectônicas da área do Projeto ARIM Carajás, que engloba unidades dos domínios Carajás, Rio Maria, Bacajá, Iriri-Xingu e Araguaia, com minas e principais depósitos minerais. Modificado de Costa et al. (2016). | 21 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | Carajás (Beisiegel et al., 1973), hospedeira dos gigantes depósitos de ferro de Carajás, é constituída por espessos pacotes de formações ferríferas bandadas. As unidades do Grupo Serra da Bocaina são predominantemente metassedimentares clásticas, com contribuições vulcâ- nicas, representadas principalmente por metarenitos, quartzitos e metapelitos, aluminosos ou não. Outras unidades distribuídas na parte ocidental do Domínio Carajás são os grupos Aquiri, São Félix e São Sebastião, considerados como cronocorrelatos ao Grupo Grão- Pará. O Grupo Aquiri (Soares et al., 1988, Macambira; Vale, 1997), no presente trabalho, está sendo correla- cionado e atribuído à Formação Salobo-Pojuca (com predomínio de rochas metassedimentares) e à Formação Parauapebas, (predomínio de rochas metavulcânicas). O ambiente tectônico de geração das sequências vulcano- sedimentares ainda é controverso, com interpretações de bacias independentes ou uma única bacia deposicional com variações laterais, associadas tanto a ambientes de rifte continental como a arcos magmáticos (Gibbs et al., 1986; DOCEGEO, 1988; Meirelles; Dardenne, 1991; Teixeira, 1994; LIndenmayer et al., 2005; Zucchetti, 2007, Martins et al., 2017; Teixeira et al., 2021). Como parte importante da evolução dessa bacia, con- temporânea à formação das rochas vulcano-sedimentares Itacaiúnas, destaca-se o magmatismo máfico-ultramáfico com a colocação de corpos acamadados, como a Suíte Cateté (Ferreira Filho et al., 2007) e o Complexo Luanga (2,76-2,72 Ga; Machado et al., 1991; Teixeira et al., 2015), com depósitos de Ni-Cr e platinoides associados (Diella; Ferrario; Girardi, 1995; Ferreira Filho et al., 2007; Teixeira et al., 2015; Mansur; Ferreira Filho; Oliveira, 2020). Uma extensa granitogênese neoarqueana ocorreu por todo o Domínio Carajás, com os corpos mais bem estudados na porção oriental, tais como os metagrani- tos Estrela (Barros; Barbey; Boullier, 2001; Barros et al., 2009) e Igarapé Gelado (Barbosa, 2004) e suítes Planalto (Sardinha et al., 2006; Feio et al., 2012), Vila Jussara (Silva et al., 2014) e Vila União (Marangoanha et al., 2019). O quimismo desses corpos é similar aos granitos tipo A reduzidos, subalcalinos, com idades entre 2,76 e 2,71 Ga, em geral, deformados, sendo interpretados como sintec- tônicos durante a inversão da Bacia Itacaiúnas (Barros et al., 2009; Dall Ágnol et al., 2017; Felix et al., 2020; Silva, F. et al., 2020, Marangoanha et al., 2020) ou relacionados à fase extensional da bacia e deformados no Riaciano (Tava- res et al., 2018). Magmatismo granítico tardio, também, é reconhecido no extremo norte do Domínio Carajás, como o Granito Velho Salobo, com idades de 2,57-2,53 Ga (Machado et al., 1991; Melo et al., 2017; Toledo et al., 2019) e o Granito Itacaiúnas (2,56 Ga; Souza et al., 1996). Na região de Canaã dos Carajás, foram reconhe- cidas rochas gabro-noríticas de 2,74-2,73 Ga (Diopsídio Norito Pium; Ricci, 2008; Santos; Galarza; Oliveira, 2013) e enderbíticas (Enderbito Café, Marangoanha; Oliveira; Dall’ Agnol, 2019) que ocorrem associadas ao magmatismo neoarqueano da região, assim como tonalitos e trondhje- mitos de afinidade toleiítica a calcioalcalina pertencentes à Suíte Pedra Branca (ca. 2,75 Ga; Feio et al., 2013). Eventos metamórfico-hidrotermais e magmáticos, associados a dois pulsos principais (2,5 e 1,8 Ga) e a extensas zonas de cisalhamento regionais de direção geral WNW-ESSE com prováveis reativações, são com- ponentes importantes na evolução metalogenética de Carajás e na formação de depósitos IOCG, como ao longo do Lineamento Cinzento (Tavares et al., 2017) e na região de Sequeirinho-Sossego (Monteiro et al., 2008; Moreto et al., 2015b), localizados a norte e a sul da Serra dos Carajás, respectivamente. Mineralizações singenéticas exalativas, tipo VMS, contemporâneas ao Vulcanismo Parauapebas (ca. 2,76 Ga), com geração de importantes depósitos de Cu-Au, como o Depósito Pojuca (Schwarz; Frantz, 2013), são mais restritas e representam a época metalogenética inicial de Carajás. Coberturas sedimentares complementam o arca- bouço evolutivo do Paleoproterozoico do Domínio Carajás, representadas pelas formações Águas Claras, Caninana (ou Gorotire), Buritirama, Serra Sul e Grupo Paredão. A sucessão sedimentar Águas Claras é a mais expres- siva e ocorre na parte central da Serra dos Carajás (Araújo et al., 1988; Nogueira, 1995), além dos segmentos das regiões de Serra Pelada (Tavares; Silva, 2013) e Aquiri (Fraga et al., 2020). Araújo Filho, Nogueira e Araújo (2020) propuseram uma nova estratigrafia, reconhecendo como Grupo Águas Claras, que foi subdividido nas formações Azul e Águas Claras. A Formação Azul é o registro de uma sedimentação marinha transgressiva e a Formação Águas Claras de depósitos litorâneos a fluvial. A idade dessa sucessão tem várias controvérsias e foi, inicialmente, con- siderada como neoarqueana e parte superior do Grupo Grão-Pará (Araújo et al., 1988; Dias et al., 1996; Mougeot et al., 1996). No entanto, Justo et al. (2018) sugeriram uma idade mais jovem para a sequência, devido à pre- sença de zircões detríticos de 2,38 Ga, já aventada em trabalhos anteriores (Nogueira; Truckenbrodt; Pinheiro, 1995; Fabre et al., 2011; Buhn et al., 2012). Uma nova formação, proposta por Araújo e Nogueira (2019) como Formação Serra Sul, representa uma asso- ciação de fácies de diamictitos foliados a maciços, rit- mitos e conglomerados-arenitos-ritmitos-diamictitos, de sedimentação glacial, com idade atribuída ao Sideriano- Riaciano, e que ocorre acima do Grupo Grão-Pará. A Formação Buritirama, hospedeira de depósitos de manganês, considerada por anos como uma sequência per- tencente ao Supergrupo Itacaiúnas (DOCEGEO, 1988), teve uma nova interpretação por Salgado et al. (2019a, 2019b), a partir da datação de zircão detríticos que consideraram | 22 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | a sua idade máxima de sedimentação em 2,3 Ga. É uma sequência constituída de rochas silicáticas e carbonatos silicáticos, metamorfizados em fácies anfibolito baixo e interpretada por esses autores como parte de um sistema plataformal na borda norte do bloco Carajás. A Formação Caninana, também denominada de For- mação Gorotire, é reconhecida como uma sucessão de arenitos e conglomerados depositada em ambientes de leque aluvial e de canais fluviais, de idade máxima de deposição de 2,01 Ga (Pereira, 2009). O Grupo Paredão, constituído por arenitos, grauvacas e conglomerados, é de idade desconhecida, e foi correlacionado à Formação Serra Grande da Bacia do Parnaíba por Pinheiro (1997) e como uma cobertura do Paleoproterozoico por Tavares e Silva (2013). O Paleoproterozoico no Domínio Carajás, além das bacias sedimentares, é marcado por um extensivo magmatismo, estabelecido em torno de 1,88 Ga, que ocorre em toda porção oriental do Cráton Amazônico, e que, em Carajás, se manifesta pela colocação de intrusões graníticas do tipo A, como os granitos Cigano, Serra dos Carajás e Velho Guilherme (Dall’Agnol et al. 2005), esse último mineralizado em Sn e W. Ocorrem ainda enxames de diques máficos e félsicos de direções NE e NW de 1,88 Ga (Rivalenti et al., 1998; Silva et al., 2016; Teixeira et al. 2019; Giovanardi et al., 2019). Outros episódios de magmatismo intraplaca ocorrem em ca. 530 Ma e 200 Ma, este último, relacionado à Província Magmática do Atlântico Central (CAMP) (Teixeira et al., 2019; Giovanardi et al.; 2019; Cruz; Gorayeb, 2020). As unidades do Cenozoico (66 Ma ao presente) são representadas por coberturas detrito-lateríticas (Costa, 1991) e planícies aluviais dos principais rios, como o Itacaiúnas. | 23 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | 3. UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS 3.1. INTRODUÇÃO Nesta seção são descritas as unidades litoestrati- gráficas apresentadas no mapa do Setor Aquiri, cujo empilhamento estratigráfico encontra-se representado na Figura 3.1. Dentre as fontes consultadas, podem ser citadas o trabalho de Soares et al. (1988), o Mapa Geológico da Folha São Félix do Xingu (Macambira; Vale, 1997), o Mapa Geológico do Estado do Pará (Vas- quez; Sousa; Carvalho, 2008) e outros que se referem às porções a leste da área de estudo (Tavares, 2015; Araújo; Nogueira, 2019). A Figura 3.2 apresenta o mapa geológico simplificado. Em relação aos dados e interpretações apresenta- dos, podem ser destacados: (i) A individualização de um segmento dominado por rochas orto e paraderivadas, metamorfizadas em fácies anfibolito alto a granulito, reunidas no Complexo Vila Sassá e Granulito Máfico Rio do Ouro, na parte norte da área, interpretadas como de idade neoarqueana; (ii) A reorganização da estratigrafia das rochas correlatas à sequência metavulcanossedimen- tar do Supergrupo Itacaiúnas, que ocorrem na parte leste da PMC, ordenando, da base para o topo, as formações Parauapebas, Carajás e Salobo-Pojuca; (iii) O reconhe- cimento de um magmatismo granítico neoarqueano de 2,67 Ga, o qual recebeu a denominação de Suíte Lavrado; (iv) A continuidade da Formação Águas Claras na estrutu- ração elíptica do Aquiri e o reconhecimento de distintas fácies sedimentares; (v) Distinção de dois conjuntos máfi- cos/ultramáficos: Suíte Cateté (2,76-2,71 Ga) e Gabro Vila do T (que secciona a Formação Águas Claras). As abreviaturas de minerais e rochas utilizadas nas figuras que ilustram este capítulo são as estabelecidas no Guia de Procedimentos Técnicos da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM), Instrução Técnica Digeob 06 (Medeiros; Rosa-Costa, 2020). Figura 3.1 - Relações tectonoestratigráficas do Setor Aquiri. Fonte: Elaborado pela equipe do projeto. | 24 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | 3.2. COMPLEXO XINGU (A3�i) 3.2.1. Comentários gerais O Complexo Xingu foi definido inicialmente por Silva et al. (1974) para agrupar as rochas do embasamento, se estendendo desde o Domínio Rio Maria até o limite com o Domínio Bacajá (Figura 2.2). Os litotipos do Complexo Xingu incluíam ortognaisses e gnaisses migmatíticos, granulitos, anfibolitos, granitoides e até mesmo rochas supracrustais. Os trabalhos desenvolvidos, inclusive com aporte de dados geocronológicos, a partir da segunda metade da década de 1980, trouxeram importantes avan- ços na caracterização do complexo, já evidenciado como de idade mesoarqueana, a sul do Domínio Bacajá. Na região de Carajás, nas décadas seguintes, foi reconhecida uma série de granitoides meso e neoarqueanos, anterior- mente não individualizados do Complexo Xingu (Feio et al., 2012; Feio et al., 2013; Tavares, 2015). Esses estudos foram desenvolvidos, em sua maioria, na porção leste do Domínio Carajás, que até os dias atuais concentra o maior volume de publicações técnico-científicas. Para a porção oeste, a unidade Complexo Xingu permanece sendo amplamente usada, segundo o conceito de Vasquez e Rosa-Costa (2008), onde predominam ortognaisses, de composição dominantemente tonalítica, e migmatitos, além de granitoides diversos. Neste trabalho, o Complexo Xingu reúne as rochas ortoderivadas que compõem o embasamento da sequência metavulcanossedimentar do Grupo Grão-Pará, além de ser intrudido pelos corpos plutônicos das suítes Cateté, Lavrado e Serra dos Carajás. 3.2.2. Distribuição geográfica e morfologia No Setor Aquiri, o Complexo Xingu aflora em faixas estreitas em três setores distintos: norte-noroeste, sul- sudoeste e extremo nordeste (Figura 3.3), mantendo con- tato tectônico com o Supergrupo Itacaiúnas e o Complexo Vila Sassá. O relevo associado ao complexo é dominante- mente formado por planícies arrasadas, com morros baixos de topo abaulado e ravinas pouco dissecadas, propício ao desenvolvimento de solos espessos. Os afloramentos são escassos e se apresentam na forma de blocos de tamanhos diversos ou lajedos pouco extensos em encostas suaves. 3.2.3. Assinatura geofísica O Complexo Xingu possui resposta gamaespectro- métrica heterogênea, comum em todo o Domínio Cara- jás, particularmente para rochas do embasamento que apresentam graus variáveis de migmatização e lentes de anfibolitos associados. Predominam moderados a altos valores nos canais de K, eTh e eU, com eU destacando- se mais do que o eTh e K (Figura 3.4A). A assinatura nos mapas de aeromagnetometria para o Complexo Xingu é baixo magnético, com zonas magnéticas localizadas, que podem estar relacionadas a corpos máficos intrusivos e/ ou lentes anfibolíticas (Figura 3.4B). Figura 3.2 - Mapa Geológico simplificado do Setor Aquiri. Localização da área na Figura 2.1. Fonte: Elaborado pela equipe do projeto. | 25 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | 3.2.4. Caracterização macroscópica Na porção norte-noroeste, afloram metagranitoides intensamente hidrotermalizados (Figura 3.5A e B). São rochas de granulação média a grossa, de coloração rosada-clara a esverdeada, em matriz composta, em grande parte, por feldspato potássico e quartzo, com quantidades variáveis de epidoto, tanto em vênulas, quanto intergranular. Veios de quartzo leitoso, com ou sem feldspato potássico, são frequentes nesses litotipos. Na porção norte, imbricados tectonicamente com rochas metavulcanossedimentares e granulíticas, encontram-se metagranitoides, por vezes, fortemente hidrotermalizados (com sulfetos), nos quais é possível o reconhecimento da composição primária granodiorítica (Figura 3.5C). Os afloramentos são esparsos e exem- plares de rochas intemperizadas são as mais comuns. Nas exposições menos alteradas, as rochas possuem cor cinza, granulação média a grossa, com uma distinta foliação milonítica (Figura 3.5D). O gnaisse granodiorítico da estação JB-319 apresenta bandamento composicional centimétrico (Figura 3.5E), caracterizado pela alternân- cia de camadas claras, ricas em quarto e plagioclásio, e bandas cinza-escuro ricas em biotita, por vezes descon- tínuas, sendo realçada pela presença de veios quartzo- feldspáticos concordantes (Figura 3.5F), que podem atingir vários centímetros de espessura. Outra área de ocorrência das rochas do Complexo Xingu localiza-se no setor sul-sudoeste, numa estreita faixa, mantendo contato tectônico, a norte, com rochas da Formação Carajás. Nessa faixa predominam leucogra- nitoides róseos (Figura 3.6A) a acinzentados, protomiloní- ticos (Figura 3.6B) a miloníticos (Figura 3.6C). Em alguns afloramentos, as feições ígneas ainda estão bem preser- vadas, enquanto em outras ocorrências a foliação milo- nítica confere à rocha um aspecto gnáissico (Figura 3.6D). No extremo leste dessa faixa de afloramento, próximo ao contato com as rochas máficas da Suíte Cateté, observam- se migmatitos. Correspondem a diatexitos heterogêneos com neossomas formados por mais de uma geração de leucossoma e melanossoma, por vezes, correspondendo a selvedges, além de porções lenticulares de neossoma mesocrático internamente foliado e com bandamento milimétrico realçado por finos veios de leucossoma. Nes- ses migmatitos, são observados boudins de anfibolitos de granulação fina a média, fortemente foliados (Figura 3.6E). 3.2.5. Caracterização microscópica Duas lâminas foram descritas para as rochas do Com- plexo Xingu (JB-218A e RF-88A), isentas de alteração hidrotermal e intemperismo. A análise petrográfica da amostra da estação JB-218A revelou que a rocha é um leucogranitoide Figura 3.3 - Mapa geológico simplificado destacando os três principais setores de ocorrência do Complexo Xingu. Elaborado pela equipe do projeto. | 26 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | milonítico, composta majoritariamente por plagioclásio, quartzo e biotita, cujas feições primárias do protólito ígneo foram obliteradas pela deformação. A foliação é desenhada pela isorientação da maioria das fases minerais, porém realçada por “trilhas” de cristais de biotita e/ou titanita, além dos porfiroclastos isorienta- dos. O plagioclásio se faz presente como grãos anédri- cos, tanto na forma de fenoclastos orientados, como grãos matriciais, equi- a inequidimensionais. Raramente exibem geminações ígneas (normalmente, apagadas pela deformação extrema), a não ser muito tênues. O quartzo é a segunda fase mineral mais abundante e comparece sempre como cristais anédricos, desde porfiroclastos alongados (fitados) e/ou lenticulares, até finos neocristais matriciais (equidimensionais), os quais compõem extensos mosaicos granoblásticos- inequigranulares com os cristais de plagioclásio. A bio- tita, por sua vez, ocorre tanto na forma de palhetas alongadas (frequentemente cloritizadas), como também finos cristais cominuídos pela milonitização, enfileirados em “trilhas” e/ou “filmes” com o mineral máfico (ou associado com a titanita). Figura 3.4 - Mapas aerogeofísicos com destaque para o Complexo Xingu (polígonos com linha branca): A) Composição ternária RGB da gamaespectrometria; B) Primeira derivada vertical da magnetometria. Elaborado pela equipe do projeto. A B | 27 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | Em lâmina, o ortognaisse granodiorítico migmatítico (amostra RF-88A) possui como minerais constituintes principais o quartzo, microclina e plagioclásio, e tex- tura porfirítica. Dentre os minerais varietais ocorre, principalmente, a biotita, com fases acessórias mar- cadas por alanita, zircão e rutilo. O quartzo possui contatos irregulares, pontos tríplices e forte extinção ondulante. O plagioclásio e a microclina ocorrem na forma de porfiroclastos ou como pequenos cristais dispersos na matriz da rocha. As geminações internas do plagioclásio mostram-se, muitas vezes, deforma- das (Figura 3.7A) concordantemente ao bandamento principal. Biotita (alguma muscovita) possui granulação predominantemente fina (Figura 3.7B), concentrando- se nas zonas mais máficas e/ou contornando os por- firoclastos de feldspatos. Os cristais de alanita (Figura 3.7C) são finos a médios, subédricos e encontram-se metamitizados, além de gerarem halos pleocróicos nos cristais hospedeiros. O zircão é subordinado, na forma de cristais muito finos, associado, geralmente, com a biotita. O rutilo ocorre isolado na forma de finíssimos cristais ou comumente associado à biotita. O limitado acervo de informações não possibilita maiores considerações sobre a deformação e metamor- fismo, entretanto, a presença de migmatitos diatexíticos indica que o metamorfismo atingiu o grau alto. Figura 3.5 - A) Metagranitoide hidrotermalizado (estação UP-372); B) Metagranitoide hidrotermalizado e intemperizado, com presença de bornita (estação RF-328); C) Metagranodiorito (estação RF-326); D) Idem foto anterior, destacando a foliação milonítica; E) Detalhe da rocha foliada e destaque para uma camada rica em máficos (estação JB-319); F) Ortognaisse com veios quartzo-feldspáticos concordantes (estação JB-319). Fonte: arquivo fotográfico da equipe do projeto. A B D FE C | 28 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | Figura 3.6 - A) Granitoide milonítico rosado (estação RF-90); B) Granitoide alterado com destaque para a foliação (estação RF-91); C) Granito milonítico (estação JB-78); D) Leucogranitoide milonítico (estação JB-218A); E) Ortognaisse migmatítico, destacando os boudins de composição anfibolítica (estação RF-88). Fonte: arquivo fotográfico da equipe do projeto. 3.2.6. Idades e correlações Uma idade de cristalização do protólito do Complexo Xingu de 2974 ± 15 Ma (Pb-Pb em zircão) foi obtida por Avelar et al. (1999), enquanto que para o episódio de migmatização é atribuída uma idade de 2859 ± 2 Ma (U-Pb em zircão), obtida em leucossoma de um migmatito nas proximidades da cidade de Eldorado dos Carajás (Machado et al., 1991; Silva (2018) e Silva et al. (2021) estabeleceram o intervalo de cristalização dos ortognaisses entre 2,97 e 2,94 Ga, com metamorfismo e migmatização em 2,89-2,85 Ga. Datações em rochas de alto grau, descritas como Ortogranulito Chicrim-Cateté, foram obtidas por Silva et al. (2021), no intervalo de 3,06-2,93 Ga (U-Pb em zircão), indicando o período de fusão parcial sofrida pelos protólitos dos ortogranulitos. Em estudo de um segmento dominado por rochas mesoarqueanas metamorfizadas em alto grau, próximo à cidade de Canaã do Carajás, Marangoanha, Oliveira e Dall’Agnol (2019), consideraram que os protólitos dos granuli- tos félsicos se formaram no intervalo de 3,05 e 2,93 Ga, e que o metamorfismo de ultra-alta tempera- tura ocorreu durante o período de 2,89 a 2,84 Ga. A Tabela 3.1 apresenta uma compilação das princi- pais datações para as rochas do embasamento do DC, incluindo o Complexo Xingu e rochas granulíticas. A B D E C | 29 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | IDADE/INTERVALO MÉTODO REFERÊNCIA 2974 ± 15 Ma1 Pb-Pb em zircão Avelar et al., 1999 2859 ± 2 Ma3 U-Pb em zircão (T) Machado et al., 1991 3002 ± 14 Ma2 U-Pb em zircão (S) Pidgeon, Macambira e Lafon, 2000 2859 ± 9 Ma3 U-Pb em zircão (S) Pidgeon, Macambira e Lafon, 2000 3,05-3,00 Ga2 Pb-Pb, U-Pb em zircão (S, L) Feio et al., 2013 3066 ± 6.6 Ma1 U-Pb em zircão (S)) Silva, 2014 3002 ± 22 Ma1 U-Pb em zircão (L) Costa et al., 2016 3,05-2,93 Ga1,2 U-Pb em zircão (S, L) Marangoanha, Oliveira e Dall’Agnol, 2019 2,89-2,84 Ga3 U-Pb em zircão (S, L) Marangoanha, Oliveira e Dall’Agnol, 2019 3,05-2,93 Ga1,2 U-Pb em zircão (S, L) Silva, 2018; Silva et al., 2021 2,89-2,84 Ga3 U-Pb em zircão (S, L) Silva, 2018; Silva et al., 2021 (1) cristalização; (2) protólito; (3) migmatização/metamorfismo; (T) – ID-TIMS; (S) – SHRIMP; (L) – LA-ICP-MS Figura 3.7 - Fotomicrografias da lâmina RF-88A: A) Detalhe das bandas félsicas dos gnaisses com porfiroclastos de plagioclásio com maclas encurvadas e cristais de quartzo recristalizados ao redor (NC); B) Finos leitos compostos por biotita (e muscovita) intercalados às bandas quartzo-feldspáticas. No canto inferior esquerdo, grande cristal de microclina com inclusão de turmalina (NC); C) Cristal de alanita em meio a cristais de quartzo com pontos tríplices e neoformação de grãos (NP). Legenda: NC: nicóis cruzados; NP: nicóis paralelos; Qtz: quartzo; Pl: plagioclásio; Bt: biotita; Ms: muscovita; Mic: microclina; Aln: alanita. Fonte: arquivo fotográfico da equipe do projeto. Tabela 3.1 - Compilação de dados geocronológicos para o Complexo Xingu e Ortogranulito Chicrim-Cateté na região de Carajás. Elaborado pela equipe do projeto. O Projeto ARIM - Carajás analisou um granodiorito foliado localizado no Igarapé Carapanã (dado preliminar em Costa et al., 2016), entre as cidades de São Félix do Xingu e Tucumã, interpretado como parte do embasa- mento das sequências neoarqueanas e que apresentou uma idade de 3002 ± 22 Ma (U-Pb, LA-ICP-MS), inter- pretada como de cristalização do protólito. Essa idade é semelhante àquelas obtidas por Feio et al. (2013), entre 3,05 a 3,0 Ga, em zircões herdados do Complexo Pium e Tonalito Bacaba, na porção leste do Domínio Carajás. A B C | 30 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | 3.3. SUPERGRUPO ITACAIÚNAS 3.3.1. Comentários gerais e histórico Na literatura geológica existem diversas propos- tas de agrupamentos e correlações que envolvem as sequências metavulcanossedimentares neoarquea- nas, historicamente reconhecidas na parte oriental do Domínio Carajás e referidas como Supergrupo Itacaiúnas. Os grupos Grão-Pará, Igarapé Salobo, Igarapé Pojuca, Igarapé Bahia e Buritirama foram atribuídos originalmente pela DOCEGEO (1988) como parte do Supergrupo Itacaiúnas, que no decorrer das últimas décadas foram alvo de várias propostas litoestratigráficas. Trabalhos de mapeamento do Serviço Geológico do Brasil-CPRM, na região oriental de Carajás (Tavares; Silva, 2015; Tavares, 2014; Justo; Lopes, 2014; Oliveira, 2018; Costa et al., 2016; Tavares; Oliveira; Lima, 2021) permitiram reagrupar as unidades metavulcanosse- dimentares em associações de base e topo. A base é representada pelo Grupo Grão-Pará, individualizado nas formações Parauapebas (máfica e félsica) e Cara- jás. O topo, denominado de Grupo Serra da Bocaina, engloba as formações Igarapé Cigarra, Salobo-Pojuca e Igarapé Bahia. A Formação Salobo-Pojuca reúne as rochas metassedimentares dos grupos Igarapé Salobo e Igarapé Pojuca, que foram definidos nos trabalhos da DOCEGEO (1988), nas áreas dos depósitos minerais homônimos. Na porção oeste do Domínio Carajás, as sequên- cias metavulcanossedimentares dos grupos Aquiri, São Sebastião e São Félix foram consideradas crono- correlatas ao Grupo Grão-Pará (Soares et al., 1988; Macambira; Vale, 1997; Costa et al., 2016) e, portanto, pertencentes ao Supergrupo Itacaiúnas. Na região do Setor Aquiri, Costa et al. (2016) mantiveram a deno- minação de Grupo Aquiri (Soares et al., 1988) para as rochas metavulcanossedimentares e propuseram o Grupo Liberdade para reunir as rochas metassedi- mentares que ocorrem na região. Com a continuidade dos trabalhos de mapeamento pelo Serviço Geológico do Brasil-CPRM no Setor Aquiri, e apresentados no presente trabalho, os grupos Aquiri e Liberdade foram abandonados e correlacionados aos grupos Grão-Pará e Serra da Bocaina, ambos definidos na parte leste do Domínio Carajás. No Setor Aquiri foram reconhecidas as formações Parauapebas, representada por metavulcânicas máficas e félsicas, e Carajás, composta por formações ferríferas bandadas (FFB), ambas integrantes do Grupo Grão-Pará, e uma sucessão de rochas metassedimentares, predo- minantemente clásticas, correlacionadas à Formação Salobo-Pojuca, unidade do Grupo Serra da Bocaina. 3.3.2. Recursos minerais As sequências metavulcanossedimentares neoar- queanas de Carajás formam o conjunto litológico mais importante do ponto de vista metalogenético. Além de abrigar gigantescos depósitos de ferro, hospedam depó- sitos IOCG de Cu-Au de classe mundial (a exemplo de Salobo) e depósitos de Cu-Zn do tipo VMS (Pojuca) com idades entre 2,73-2,55 Ga (Melo et al., 2017; Réquia et al., 2003; Tallarico et al., 2005; Toledo et al., 2019), além de depósitos IOCG e polimetálicos de Cu-Au paleoproterozoi- cos em 1,88 Ga (Pollard et al., 2019; Moreto et al., 2015b; Tallarico et al., 2004). Alguns depósitos exibem tanto mineralizações neoarqueanas como paleoproterozoicas (Moreto et al., 2015b; Toledo et al., 2019; Jesus, 2016) e, recentemente, foi proposta a presença de depósitos tipo skarn paleoproterozoicos (Fernandes, 2020). 3.3.3. Distribuição geográfica As rochas metavulcanossedimentares dos grupos Grão-Pará e Serra da Bocaina ocupam grande parte da área de estudo (Figura 3.8), dividida em três porções: (i) uma faixa no extremo sul, estendendo-se para NW e que bordeja o limite sudoeste da área, com dobramentos aper- tados e assimétricos, que configuram uma área de relevo proeminente, que, na parte sul do mapa, desenha a Serra da Gaivota; (ii) uma zona na porção oeste, dominada por rochas dobradas e lenticularizadas; e (iii) a porção centro- leste, com morros ondulados e serras alinhadas na direção NNE-SSW, por vezes sustentadas por veios de quartzo. 3.3.4. Grupo Grão-Pará O Grupo Grão-Pará foi originalmente definido pela CVRD e CMM (1972), na região da Serra dos Carajás, como uma sequência vulcano-sedimentar composta pelas unida- des: Sequência Paleovulcânica Inferior (basaltos), Formação Carajás (itabiritos e minério de ferro) e Sequência Paleovul- cânica Superior (basaltos de topo com alguns horizontes de ferro). A unidade basáltica inferior foi posteriormente citada como Formação Parauapebas por Meireles et al. (1984), a partir de relatório interno da empresa Docegeo, representando diversos derrames de um evento vulcânico submarino, com possíveis contribuições piroclásticas, enquanto a unidade basáltica superior foi denominada como Formação Superior. Macambira et al. (1990) deno- minaram de Formação Igarapé Cigarra para as rochas que ocorrem estratigraficamente acima da Formação Carajás (CVRD; CMM, 1972), incluindo basaltos com intercalações de formações ferríferas e rochas metassedimentares para o topo. No presente relatório, considera-se as formações Parauapebas e Carajás como unidades que compõem o Grupo Grão-Pará no Setor Aquiri. | 31 | | Província Mineral de Carajás, PA: Geologia e Recursos Minerais do Setor Aquiri | Pela sua importância metalogenética, é uma das unidades mais estudadas do Domínio Carajás. A idade do vulcanismo é considerada entre 2,76 e 2,73 Ga (Machado et al., 1991; Trendall et al., 1998; Tavares, 2014; Martins et al., 2017; Justo et al., 2019). O ambiente geotectô- nico permanece controverso, sendo admitido como de intraplaca (rifte continental), de afinidade transicional entre toleiítica e calcioalcalina (por exemplo, Gibbs et al., 1986; DOCEGEO, 1988; Martins et al., 2017) ou de assinatura calcioalcalina e alto-K, em ambiente de zona de subducção (Meirelles; Dardenne, 1991; Teixeira; Eggler, 1994) ou de bacia retroarco (Zucchetti, 2007). 3.3.4.1. Formação Parauapebas (A4pp) 3.3.4.1.1. Comentários gerais e histórico A Formação Parauapebas (Meireles et al., 1984) foi definida, originalmente, na região dos depósitos de ferro da Serra dos Carajás e, posteriormente, ampliada para outras regiões (Vasquez; Sousa; Carvalho, 2008; Costa et al., 2016). Agrupa rochas vulcânicas máficas e subordinadas intercalações de rochas vulcânicas félsi- cas, classificadas como basaltos, basaltos andesíticos, andesitos basálticos, traquiandesitos e riolitos, com tex- turas ígneas e estruturas preservadas, como amígdalas, vesículas e vidro vulcânico. O metamorfismo regional varia de condições anquimetamórficas a xisto-verde e admite-se pelo menos dois eventos hidrotermais que atuaram nessas rochas: espilitização (hidrotermalismo submarino quando da colocação das rochas) e metas- somatismo, em cerca de 1,88 Ga, por fluidos aquecidos pela intrusão de granitos da Suíte Serra dos Carajás (Beisiegel et al., 1973; Lemos; Villas, 1983, Gibbs et al., 1986, Meirelles; Dardenne, 1991, Teixeira et al., 1997; Pinheiro, 1997; Macambira, 2003; Lobato et al., 2005; Zucchetti, 2007). Na região oeste do Domínio Carajás, existem poucos trabalhos detalhados sobre as rochas máficas, desta- cando-se o de Soares et al. (1988) nas cabeceiras do Rio Aquiri, que as denominaram de Formação Azulona, constituída por metabasaltos com intercalações de rochas ultrabásicas, metavulcânicas félsicas, tufos e FFB, em fácies anfibolito. Acima da citada formação, propuseram a Formação Cuxiú (constituída de sedimentos psamope- líticos) que, juntamente à Formação Azulona, comporia o Grupo Aquiri, como parte do Supergrupo Itacaiúnas. Macambira e Vale (1997) assinalaram, na parte norte da Folha São Félix do Xingu (1:250.000), a ocorrência de rochas metavulcânicas ácidas (metarriolitos e metadaci- tos), metamáficas (xistos actinolíticos) e metassedimen- tares (quartzitos, filitos e FFB), porém optaram por não dividir a sequência em formações, correlacionando-as ao Grupo Aquiri de Soares et al. (1988). Figura 3.8 - Mapa geológico simplificado destacando a distribuição dos grupos Grão-Pará e Serra da Bocaina. Elaborado pela equipe do projeto. | 32 | | Serviço Geológico do Brasil - Mapeamento Geológico do Brasil | No presente trabalho, a Formação Parauapebas representa a unidade vulcânica basal do Grupo Grão- Pará, formada por rochas metavulcânicas máficas, inter- mediárias a félsicas, localmente com ocorrências de formações ferríferas bandadas e xistos sedimentares. São foliadas e o metamorfismo é de fácies xisto-verde a anfibolito. Neste trabalho, utiliza-se as proposições de Tavares (2014) e Justo e Lopes (2014), que individu- alizaram a Formação Parauapebas nas litofácies félsica e máfica, mapeadas nas regiões sul e leste da Serra dos Carajás. 3.3.4.1.2. Distribuição geográfica, morfologia e relações de contato No Setor Aquiri, a Formação Parauapebas foi reco- nhecida nas porções central, sul e oeste, e subdividida nas litofácies máfica e félsica, onde foi possível a sua individualização (Figura 3.8). A forma predominante de afloramento é a de blocos soltos ou em cortes de estrada, via de regra, moderada a altamente intemperizadas. O relevo, no geral, é arrasado com morros e colinas suaves. A Formação Parauapebas é intrudida por corpos da Suíte Lavrado, granitos da Suíte Serra dos Carajás e gabros da unidade Gabro Vila do T. Dados de campo identificaram a presença de veios de sienogranito e grei- sens cortando a Formação Parauapebas, assim como a presença de diques de diabásio. Os contatos da Formação Parauapebas com as formações Carajás e Salobo-Pojuca são concordantes e, com as rochas dos complexos Xingu e Vila Sassá e Formação Águas Claras, em geral, são tec- tônicos, definidos por zonas de cisalhamento. 3.3.4.1.3. Assinatura geofísica O padrão gamaespectrométrico da formação é caracterizado por uma variação relativamente ampla no conteúdo dos radioelementos, com concentrações moderadas a altas de eU e eTh e baixas em K (Figura 3.9A), com exceção da litofácies félsica que apresenta valores mais altos de K. Em relação à magnetometria (Figura 3.9B), de modo geral, possui um relevo magnético de pouco destaque e valores relativamente baixos, com porções atenuadas que podem inclusive indicar corpos intrusivos ainda não mapeados. 3.3.4.1.4. Caracterização macro e microscópica Na porção central do Setor Aquiri, ocorre uma diver- sidade de litotipos, o que não permitiu a individualiza- ção das litofácies da Formação Parauapebas. A maior parte das rochas encontram-se com moderado a alto grau de intemperismo, e, por vezes, hidrotermalizadas. Há o predomínio de xistos avermelhados ou amarelados e xistos finos cinza-escuros, interpretados como xistos de derivação vulcânica, anfibolitos, rochas calcissilicáticas, além da ocorrência subordinada de quartzitos, micaxis- tos, formação ferrífera e serpentinito. A descrição de testemunhos de sondagem, por Riehl e Cabral (2018) e Fernandes (2020), nos alvos Angélica e Açaí (Figura 3.10A), revelou uma sucessão de hornblenda quartzi- tos com subordinados granada-biotita-xistos, apatita- epidoto-quartzo-magnetita-actinolita-xistos, albititos e turmalinitos xistos, biotita-xistos e grunerita-(almandina)- biotita-xistos cortada por inúmeros diques de diabásio e de sienogranito e por pegmatitos graníticos, relacionados ao magmatismo de 1,88 Ga. A Figura 3.10B ilustra a seção geológica descrita por Fernandes (2020), que observou, no Alvo Açaí, paragêneses minerais características de alteração skarn, enquanto Riehl e Cabral (2018) assina- laram a presença de rochas evaporíticas na região. Os xistos de derivação vulcânica máfica, de modo geral, são de granulação fina a média, por vezes porfiríti- cos, em geral foliados, de cor cinza-escuro a verde-escura (Figura 3.11A e B), e, quando hidrotermalizados, assumem tonalidade verde-clara. Rochas máficas finas, isotrópicas, interpretadas como subvulcânicas, provavelmente repre- sentando os diques caracterizados por Fernandes (2020), são aqui descritos. Os dois conjuntos apresentam minera- logia semelhante, porém com texturas diversas. Petrogra- ficamente, são formados essencialmente por plagioclásio, diopsídio, ortopiroxênio e hornblenda verde-amarronzada (Figura 3.12A). Outros minerais em men