1 INFORME TÉCNICO Número 21 Brasília, outubro de 2023 ISSN: 2448-2242 DOI: http://doi.org/10.29396/itcprm.2023.21 Insumos minerais aplicados na construção civil e as potenciais novas demandas ocasionadas pela problemática do bairro Pinheiro e arredores - Maceió, Alagoas Klaryana Cabral Alcântara1 (klaryana.alcantara@sgb.gov.br) 1Serviço Geológico do Brasil – CPRM, SUREG – RE, Superintendência Regional de Recife. Abstract This work gathers information of interest to the mineral sector focused on civil constructionof the Metropolitan Region of Maceió (MR�) and surrounding areas, State of Alagoas, Brazil, showing the analysis of the geological context; mineral potential and profile of inputs for civil construction. The activities were included in the registration, research and evaluation of deposits, through the geological recognition of the main stratigraphic units in areas with potential for the extraction of clay, sand and granitoid rocks for use as gravel, gravel and lending material.These data can guide the sector for a better applicability of these inputs in the face of all the interdiction problems for housing that occurred in the neighborhood of Pinheiro and surroundings areas. Keywords: Sand; Clay; Brita; Loan Material; Clay; Civil Construction; Maceió; Pinheiro. Palavras-chave: Areia; Argila; Brita; Material de Empréstimo; Argila; Construção Civil; Maceió; Pinheiro. INTRODUÇÃO O presente trabalho visa divulgar dados sobre a caracterização, a tipologia e a potencialidade dos insumos minerais aplicados na construção civil loca- lizados na Região Metropolitana de Maceió, com o objetivo de nortear o setor para uma melhor aplica- bilidade desses insumos perante toda a problemáti- ca do afundamento ocorrido nos bairros de Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol, causando a interdição das áreas para habitação. As fontes de insumos podem contribuir, portanto, para abastecer o setor da construção civil local, seja na produção de novas moradias, seja no fornecimen- to de materiais para a instalação de toda a infraestru- tura urbanística dos novos bairros. A PROBLEMÁTICA Em fevereiro de 2018, após fortes chuvas que ocorreram na Região Metropolitana de Maceió (Ala- goas), foram observadas rachaduras em alguns imó- veis no bairro do Pinheiro. Semanas depois, essas ra- chaduras aumentaram, quando um tremor de terra foi sentido em diversos bairros. Foi o início percep- tível de um lento processo de afundamento do solo que atingiu os bairros de Pinheiro, Bom Parto, Mu- tange, Bebedouro e Farol, em uma área correspon- dente a 5,5% da capital alagoana, responsável por condenar mais de 14 mil imóveis e deixando cerca de 55 mil pessoas sem suas residências e seus negócios. CONTEXTO GEOLÓGICO A Região Metropolitana de Maceió (RMM) situa-se, em sua maior parte, no contexto geológico- -tectônico da Província Costeira, constituída por uma extensa bacia sedimentar de margem passiva fane- rozoica (Delgado et al., 2003), a qual, localmente, re- cebe o nome de Bacia Sergipe-Alagoas. Nas bordas, encontra-se no contexto da Província Borborema, na Subprovíncia Meridional (Mendes et al., 2017). Segundo Mendes et al. (2017), conforme ob- servado no Mapa Geológico da Região Metropoli- tana de Maceió (RMM) (Figura 1), o embasamento cristalino compreende os paragnaisses e as rochas metavulcanossedimentares paleoproterozoicas do Complexo Arapiraca, os ortognaisses migmatíticos Informe Técnico 21 2 do Complexo Belém do São Francisco e os granitoi- des tardi a pós-tectônicos relacionados ao evento Brasiliano, que são utilizados como fonte de brita e de paralelo. Do Fanerozoico compreende, principal- mente, os sedimentos cenozoicos da Bacia Sergipe- Alagoas, principais fontes de areia, material de em- préstimo e argila da RMM e adjacências. Pertencen- te ao Cretáceo da bacia, ocorre a Formação Morro do Chaves, do Grupo Coururipe, composta por cal- cários coquinoides cinza-claros, com intercalações de arenitos finos e folhelhos cinza-esverdeados. Recobrindo a bacia, ocorrem os sedimentos do Gru- po Barreiras, composto por arenitos argilosos a con- glomeráticos, argilitos puros a arenosos e conglome- rados, principais depósitos de argila para cerâmica vermelha e material de empréstimo (laterito e sai- bro), e os depósitos quaternários, fontes de areia, argila e material de empréstimo. DESCRIÇÃO DAS OCORRÊNCIAS Areia Os depósitos de areia localizados na RMM ocorrem associados a vários domínios geológicos distintos, como: leito ativo, terraços aluvionares e cobertura arenosa (Figura 2). Os depósitos associados à cobertura arenosa caracterizam-se por areias inconsolidadas, ricas em quartzo, com alto grau de pureza, de granulometria muito fina a média, geralmente bem selecionadas e com coloração cinza a cinza-esbranquiçado. Consti- tuem depósitos extensos, que se distribuem ao longo de toda linha de costa da RMM, com larguras variáveis e formas alongadas. As principais fontes de areia as- Figura 1 - Mapa geológico da RMM e adjacências, com localização das ocorrências minerais relacionadas à construção civil. Fonte: extraído de Alcântara e Sampaio (2021a). sociadas aos depósitos de leito ativo são provenientes dos sedimentos oriundos dos rios Paraíba e Mundaú. Em geral, são areias quartzosas, em alguns pontos siltosas, mal selecionadas, de granulometria fina a grossa, e com coloração creme a cinza-amarelado. Em determinados trechos, apresentam fragmentos de conchas de bivalves, principalmente próximo às lagoas Manguaba e Mundaú. Os depósitos em terraços alu- vionares constituem bolsões de areia inconsolidada, acomodados ao longo dos sedimentos arenoargilosos de planície de inundação. São formados por areias quartzosas, grossas, na base, seguidas de média a fina, na parte superior dos depósitos. Apresentam ní- veis arenoargilosos de coloração cinza a cinza-escuro. Também é comum a presença de seixos esparsos de quartzo na base. Os principais depósitos associados estão entre os municípios de Pilar e Marechal Deodo- ro, nas áreas de várzea dos rios Salgado e Mundaú. Serviço Geológico do Brasil – CPRM 3 Figura 2 - Mapa potencial para areia da Região Metropolitana de Maceió e adjacências. Fotografia 1 - Areia oriunda dos depósitos litorâneos em Marechal Deodoro/AL; Fotografia 2 - Areia proveniente dos depósitos aluvionares, em Pilar/AL; Fotografia 3 - Areia de depósitos fluviolagunares, em Rio Largo/AL. Fonte: extraído de Alcântara e Sampaio (2021b). Além dos depósitos naturais, areias industriais são produzidas a partir da cominuição mecânica de rochas do embasamento cristalino. Quanto à caracterização granulométrica das areias naturais para definição dos limites de utiliza- ção no concreto (Tabela 1), os resultados de amos- tras analisadas mostram que: a) Amostra 1 (depósitos litorâneos): apre- senta areias quartzosas, esbranquiçadas, bem se- lecionadas, classificadas como muito fina a fina, e encontra-se próxima ao limite baixo da zona utilizável inferior; b) Amostra 2 (depósitos aluvionares): clas- sifica-se, majoritariamente, como areia muito fina a fina, com pequena quantidade de areia média, e encontra-se dentro da zona utilizável inferior; c) Amostra 3 (depósitos fluviolagunares): é classificada como muito fina a média, mostrando-se muito próxima ao limite entre a zona utilizável infe- rior e a zona ótima, pela análise do modulo de finura. A determinação do material fino é importante para quantificar materiais menores do que 75 µm (teor de finos), que podem ocorrer revestindo partículas ou dispersos nos agregados. Esses materiais aumentam a utilização de água, reduzindo a resistência à com- pressão uniaxial e à tração. A NBR 16973 (ABNT, 2021) aponta dois limites para diferentes aplicações em con- cretos: o limite de até 3% de materiais finos, indicados para a utilização em concretos submetidos ao desgaste superficial, e entre 3% e 5%, para a utilização em con- cretos protegidos de desgaste superficial. As amostras 1 e 2, de acordo o teor de finos, estão dentro do limite Amostra Número de campo Retido nas Peneiras (%) Modulo de Finura Teor de Finos (%) Graduação6,3 mm 4,75 mm 2,36 mm 1,18 mm 0,6 mm 0,3 mm 0,15 mm <0,15 mm 1 KC 013 0 0 0 0,04 1,14 70,09 28,11 0,29 1,72 0,08 Uniforme 2 KC 070 0 0,15 1,99 8,75 22,21 38,67 18,01 10,23 2,07 2,36 Bem graduado 3 KC 102 0 0 2,21 18,22 13,5 35,2 18,38 12,5 2,13 5,32 Bem graduado Tabela 1 - Resultados da análise granulométrica para amostras de areias naturais. 1 2 3 Informe Técnico 21 4 para utilização em concretos submetidos a desgaste superficial. A amostra 3 excede o limite para utilização em concretos protegidos de desgaste superficial. Argila As argilas da RMM ocorrem associadas a uni- dades geológicas distintas, tendo como tipologia ar- gilas aluvionares, residuais e formacionais/sedimen- tares (Figura 3). As argilas do tipo aluvionar são habitualmen- te chamadas de argilas de várzea, e estão associa- das, principalmente, às planícies aluviais. Geralmen- te, são produtos de erosão de terrenos mais altos submetidos ao transporte por água e depositados em ambientes de menor energia. Nos ambientes mais estacionários, é comum o acúmulo de maté- ria orgânica vegetal nas concentrações de argila, podendo acentuar a coloração cinza. Essa matéria orgânica vegetal decomposta é determinante para certas propriedades da argila, como a plasticida- de. Os principais depósitos de natureza aluvionar, associam-se às várzeas dos rios São Miguel, Sumaú- ma-Mirim, Satuba, Mundaú e Prataji. Localizam-se, principalmente, nos municípios de São Miguel dos Campos, Pilar, Rio Largo e Murici. As argilas residuais são geradas pela ação do intemperismo sobre rochas in situ ou por percolação de soluções ascendentes ou descendentes de origem magmática ou meteórica, respectivamente. Os fatores que aumentam a probabilidade de maior potencial para desenvolvimento de depósitos de argila residual são: intemperismo químico intenso; pouco transporte; elevada lixiviação de constituintes para dentro do solo; regiões úmidas, quentes e com relevo suave; e vegeta- ção desenvolvida. Argilas desse tipo são, normalmen- te, classificadas em caulins, de cor branca ou clara, ou argilas residuais de cor vermelha, após queima. As argilas sedimentares ou formacionais são compostas, predominantemente, por argilominerais, principalmente a iIlita, conferindo propriedades fun- dentes ao material. Apresentam, em geral, alto teor de ferro, o que proporciona uma cor avermelhada e aumenta as propriedades fundentes ao material. As principais ocorrências de argila de natureza sedi- mentar estão associadas a sedimentos paleógenos, ocorrendo, por vezes, em bolsões de argilitos, puros a arenosos, entre os arenitos argilosos do Grupo Bar- reiras. As frentes de extração ativas ocorrem nos mu- nicípios de Maceió e Paripueira. As amostras de argilas foram submetidas a ensaios tecnológicos com o objetivo de testar o uso para cerâmica vermelha (Tabela 2). Ambas as amos- tras sofreram retração linear (RL) à medida que a temperatura aumentava até 950 °C, aspecto atribu- ído ao fechamento da porosidade, que possibilita a densificação das peças acompanhada de retração. Para a RL após a queima, Dondi (2006) afirma que a variação ótima é menor do que 1,5% e a variação Figura 3 - Mapa potencial para argila da Região Metropolitana de Maceió e adjacências. Fotografia 4 - Argila formacional em Rio Largo/AL; Fotografia 5 - Argila aluvionar em Rio Largo/AL. Fonte: extraído de Alcântara e Sampaio (2021b). 4 5 Serviço Geológico do Brasil – CPRM 5 aceitável está entre 1,5% e 3%. Como todos os valo- res encontram-se com variação inferior a 1,5%, afir- ma-se que as argilas testadas estão dentro do limite recomendável. Os valores de absorção d’água (AA), também, estão de acordo com as normas vigentes regulamentadas pela NBR 15270-1 (ABNT, 2017), indicando que o índice de absorção d’água deve ser inferior a 20%. Para porosidade aparente, foram ob- tidos valores também dentro dos limites esperados, acima do limite mínimo de 19%. As amostras também foram submetidas à aná- lise química por fluorescência de raios-X (Tabela 3). O resultado apresentou valores de perda ao fogo dentro da faixa de 6% a 16%, que é o limite ideal (SENAI, 2006). A perda ao fogo corresponde, basica- mente, ao teor de matéria orgânica presente na ar- gila e a quantidade de gás e vapor que são formados durante o aquecimento, resultante da decomposição dos carbonatos. Os valores de ferro apresentaram-se acima de 10%, esse teor influencia diretamente na cor da queima, dando uma coloração vermelha mais viva e intensa (Dutra et al., 2005). Os resultados dos ensaios das argilas são com- patíveis aos valores determinados para uso como cerâmica vermelha (confecção de tijolos e telhas). A partir do amoldamento, mistura das matérias-pri- mas e do processamento térmico, as características ideais poderão ser obtidas para o produto cerâmico. Brita/Pedra de cantaria Os pontos potenciais cadastrados para pedra britada localizados na RMM e adjacências ocorrem as- sociados a rochas de composição granítica. Essas tipo- logias pertencem às rochas metamórficas do Complexo Belém de São Francisco e às rochas ígneas dos Grani- toides Indiscriminados e da Suíte Itaporanga (Figura 4). Am os tr a Número de campo Temperatura de Queima (°C) Cor Retração Linear (%) Absorção de Agua (%) Porosidade Aparente (%) Massa Especifica Aparente (g/cm³) TRF (Mpa) IP (%) Característica (IP) 4 KC 044 850 coral 0,13 ± 0,05 15,59 ± 0,09 29,39 ± 0,12 1,89 ± 0,07 1,40 ± 0,72 21,02 Altamente Plástica 900 coral 0,15 ± 0,05 15,53 ± 0,30 29,31 ± 0,39 1,89 ± 0,01 1,85 ± 0,27 950 coral 0,25 ± 0,04 16,05 ± 0,11 30,42 ± 0,16 1,90 ± 0,00 2,02 ± 0,35 5 KC 100 850 rosa 0,41 ± 0,01 17,97 ± 0,19 33,19 ± 0,23 1,83 ± 0,01 1,46 ± 0,19 7,81 Mediamente Plástica900 rosa 0,50 ± 0,04 18,13 ± 0,21 32,68 ± 0,25 1,84 ± 0,01 1,83 ± 0,04 950 rosa 0,98 ± 0,02 18,39 ± 0,19 34,10 ± 0,23 1,85 ± 0,01 1,95 ± 0,13 Tabela 2 - Resultados dos ensaios tecnológicos das argilas. Tabela 3 - Resultado da caracterização química das argilas. Amostra Número de campo Elementos (%) PF SiO2 Al2O3 Fe2O3 TiO2 ZrO2 SO3 MgO SrO ZnO 4 KC 044 53,21 28,43 10,66 1,05 0,11 0,12 0 0 0,02 6,41 5 KC 100 44,69 34,48 10,78 1,22 0,06 0,1 0,6 0,01 0 8,06 As rochas da Suíte Itaporanga não apresentam locais de extração (ativa ou inativa) na região, ape- nas ocorrências. Por outro lado, os Granitoides Indis- criminados, são responsáveis pela maior produção de pedra britada da região, com cinco lavras ativas. Já os gnaisses do Complexo Belém de São Francisco são fontes de toda a produção de paralelo (paralele- pípedo/pedra de cantaria), além de uma grande pro- dução de pedra britada, ocorrendo a concentração de extração nas proximidades do município de Murici. Em rocha britada, a reação álcali-sílica é comum e ocorre quando o agregado possui minerais amorfos ou de estrutura cristalina instável, como a sílica micro- cristalina (calcedônia), quartzo tensionado, feldspato mirmequítico e outros, capazes de reagir com os álcalis do cimento (Lima; Silva; Costa, 2009). Como consequ- ência, são formados produtos expansíveis, causando tensões internas nas estruturas de concreto, que po- dem evoluir para fissuras, trincas e outras patologias, comprometendo a durabilidade e a segurança da obra. A descrição das lâminas petrográficas para análise da potencialidade reativa dos agregados na presença de álcalis do concreto foi executada com base na norma ABNT NBR 15577-3 (2018). A carac- terização é feita a partir do levantamento semiquan- titativo da mineralogia e microtextura da rocha, analisando mineralogia (material reativo), textura, granulação, estado de alteração, deformação em grãos de quartzo (extinção ondulante e porcenta- gem de microgranular), textura em feldspatos (per- tita e mirmequita) e microfissuras. Os agregados foram classificados em poten- cialmente inócuo ou reativo, tendo como base a classificação do limite máximo para um agregado ser avaliado como inócuo: 5% de quartzo deforma- do, 3% de calcedônia, 1% de tridimita ou cristobali- ta, 3% de vidro vulcânico e 0,5% de opala. Conforme observado na Tabela 4, ambas as amostras analisa- das se apresentam potencialmente reativas à reação álcali-agregado. Informe Técnico 21 6 Figura 4 - Mapa potencial para brita/paralelo da Região Metropolitana de Maceió e adjacências. Fotografia 6 - Granitoides Indiscriminados em Rio Largo/AL; Fotografia 7 - Granitoides da Suíte Intrusiva Itaporanga em Atalaia/AL; Fotogragia 8 - Granitoide do Complexo Belém de São Francisco em Murici/AL. Fonte: extraído de Alcântara e Sampaio (2021b). Am os tr a N úm er o de Ca m po Unidade Descrição / Parâmetros Reação Álcali- Agregado 7 KC-R- 048 Suíte Intrusiva Itaporanga 1. presença acima de 15% de quartzo deformado evidenciado, principal- mente, por grãos de quartzo com extinção ondulante, onde em alguns grãos observa-se o desenvolvimento do padrão de extinção do tipo lamelar; 2. desenvolvimento de quartzo microcristalino ou microgranular, compondo grãos de granulação diminuta, menor que 0,15 mm; 3. desenvolvimento da textura mirmequítica, sendo esta uma feição proveni- ente da atuação de processos deformacionais. Potencialmente Reativo 8 KC-R- 086B Complexo Belém do São Francisco 1. ocorrência acima de 15% de quartzo deformado, evidenciado, principal- mente, por grãos de quartzo com extinção ondulante, onde em alguns grãos observa-se o desenvolvimento dos padrões de extinção lamelar e tabuleiro de xadrez; 2. desenvolvimento de quartzo microcristalino ou microgranular, compondo grãos de granulação diminuta, menor que 0,15 mm, onde verifica-se extinção dos tipos normal a ondulante; 3. formação da textura mirmequítica, que corresponde a uma textura simplectítica, de natureza subsolidus e deformacional, caracterizada pelo intercrescimento entre plagioclásio e quartzo, onde o último adquire formas vermiculares; e 4. grau de microfissuração moderado, comumente observado em grãos de hornblenda. KC-R- 086E Tabela 4 - Descrição sucinta dos parâmetros de reação álcali-agregado e correlação à unidade geológica. 7 66 8 Serviço Geológico do Brasil – CPRM 7 F. J. C. (org.) Projeto estudos dos insumos minerais para a construção civil da região metropolitana de Maceió/AL. Recife: Serviço Geológico do Bra- sil - CPRM, 2022. 1 mapa, color., 111,1 cm X 74,67 cm. Escala 1:150.000. Programa Geologia, Mine- ração e Transformação Mineral. Ação: Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil. Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/22478. Aces- so em: 02 out. 2023. ALCANTARA, K.C.; SAMPAIO, M. A. Mapa de recur- sos e potencial mineral para materiais de cons- trução da região metropolitana de Maceió/AL e adjacências. 2021b. In: ALCANTARA, K. C.; GODOY, M. M.; LIMA, F. J. C. (org.) Projeto estudos dos in- sumos minerais para a construção civil da região metropolitana de Maceió/AL. Recife: Serviço Geo- lógico do Brasil - CPRM, 2022. 1 mapa, color., 125 cm X 75 cm. Escala 1:150.000. Programa Geologia, Mineração e Transformação Mineral. Ação: Ava- liação dos Recursos Minerais do Brasil. Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/22478. Acesso em: 02 out. 2023. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15270-1: Componentes cerâmicos - Blo- cos e tijolos para alvenaria Parte 1: Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2017. 26 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15577-3: Agregados - reatividade álcali- -agregado Parte 3: análise petrográfica para verifica- ção da potencialidade reativa de agregados em pre- sença de álcalis do concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 10 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16973: Agregados - determinação do ma- terial fino que passa através da peneira 75 µm, por lavagem. Rio de Janeiro: ABNT, 2021. 3 p. DELGADO, I. de M.; SOUZA, J. D de; SILVA, L. C da; SILVEIRA FILHO, N. C. da; SANTOS, R. A. dos; PE- DREIRA, A. J.; GUIMARÃES, J. T.; ANGELIM, L. A. A.; VASCONCELOS, A. M.; GOMES, I. P.; LACERDA FILHO, J. V. de; VALENTE, C. R.; PERROTTA, M. M.; HEINECK, C. A. Geotectônica do escudo Atlântico. In: BIZZI, L. A.; SCHOBBENHAUS, C.; VIDOTTI, R. 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Os depósitos podem abranger extensas áreas e, geralmente, são explotados próximos a encostas de morros, devido à facilidade de extração. As especificações para esse material não são rígidas, principalmente para utilizações menos no- bres, como em aterros. Em geral, os parâmetros usados para utilizações específicas levam em consi- deração a forma, a textura e o grau de angulosidade dos grãos, além da composição de argilominerais, sais solúveis e matéria orgânica. Normalmente, o material mais argiloso pode ser usado em revesti- mentos, enquanto que o mais arenoso é mais utili- zado em pisos. No geral, o percentual de argila no saibro não deve ultrapassar 30% e o de areia deve ser no mínimo 20% (Rêgo, 2008). COMENTÁRIOS FINAIS Em razão de toda a problemática causada pelo afundamento do solo e tremores no bairro de Pinheiro e arredores, que acarretou a interdição das habitações e a evacuação de 55 mil pessoas de suas residências, um aumento anormal de demanda por materiais de construção deverá ser gerado a curto e médio prazo. Novos imóveis (residenciais e comerciais) deverão ser construídos em outras regiões da RMM, como forma de indenizar as famílias e os comerciantes que foram deslocados de suas propriedades. A RMM apresenta uma boa potencialidade e qualidade para quase todos os insumos aplicados na construção civil, como areia e brita, e possui ca- pacidade de atender, de forma satisfatória, a região pelas próximas décadas, mesmo enfrentado mo- mentos extraordinários, como será o caso da cons- trução das novas moradias dos residentes do bairro Pinheiros e arredores. No caso das argilas, um importante insumo da região, as amostras analisadas são adequadas para produtos cerâmicos e, atualmente, as jazidas mineradas estão localizadas nos arredores de Ma- ceió (Matriz de Camaragibe, Maribondo, Capela, Porto Calvo e Maragogi), e até mesmo em estados vizinhos. A região também apresenta duas fábricas de cimento, mas apenas uma está em funciona- mento, sendo a matéria-prima oriunda de municí- pios mais afastados da RMM e de outro estado da Federação (Sergipe). REFERÊNCIAS ALCANTARA, K. C.; SAMPAIO, M. A. Mapa geológico região metropolitana de Maceió/AL e adjacências. 2021a. In: ALCANTARA, K. C.; GODOY, M. M.; LIMA, Informe Técnico 21 8 ção química das argilas. In: ENCONTRO NACIONAL DE TRATAMENTO DE MINÉRIOS E METALURGIA, 21., 2005, Natal. Anais [...]. Natal: [s.n.], 2005. LIMA, R. B. S.; SILVA, A. S. R.; COSTA, F. N. Reação álcali agregado e seus efeitos na construção de edi- fícios. 2009. 24 p. 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Serviço Geológico do Brasil – CPRM 9 Diretor de Geologia e Recursos Minerais Francisco Valdir Silveira Corpo Editorial Marcelo Esteves Almeida (Editor) Guilherme Ferreira da Silva Revisores Michel Marques Godoy Cleide Regina Moura da Silva Normalização Bibliográfica Francisca Giovania Freire Barros Diagramação Marcelo Henrique Borges Leão INFORME TÉCNICO N° 21 Brasília, outubro de 2023. ISSN: 2448-2242 Publicação on-line seriada Serviço Geológico do Brasil – CPRM Disponível em: www.sgb.gov.br Serviço Geológico do Brasil – CPRM SBN – Quadra 02 – Bloco H, Ed. Central Brasília, 1º andar Brasília - DF - Brasil CEP: 70040-904 Telefone:(61) 2108-8400 www.sgb.gov.br contatos: seus@sgb.gov.br marcelo.esteves@sgb.gov.br