PROGRAMA MINERAÇÃO SEGURA E SUSTENTÁVEL SÉRIE PROVÍNCIAS MINERAIS DO BRASIL Nº 40 BELÉM - 2024 INFORME DE RECURSOS MINERAIS PROVÍNCIA MINERAL DE CARAJÁS, PA: MAPA DE FAVORABILIDADE PARA COBRE DO CINTURÃO SUL DO COBRE AVALIAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS DO BRASIL MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA Ministro de Estado Alexandre Silveira de Oliveira Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Vitor Eduardo de Almeida Saback SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA EXECUTIVA Diretor-Presidente Inácio Cavalcante Melo Neto Diretor de Geologia e Recursos Minerais Francisco Valdir Silveira Diretora de Hidrologia e Gestão Territorial Alice Silva de Castilho Diretor de Infraestrutura Geocientífica Sabrina Soares de Araújo Góis Diretor de Administração e Finanças (interino) Inácio Cavalcante Melo Neto COORDENAÇÃO TÉCNICA Chefe do Departamento de Recursos Minerais Maísa Bastos Abram Chefe da Divisão de Geologia Econômica Guilherme Ferreira da Silva Chefe da Divisão de Minerais e Rochas Industriais Michel Marques Godoy Chefe da Divisão de Geoquímica Daliane Bandeira Eberhardt Chefe do Departamento de Geologia Marcelo Esteves Almeida Chefe da Divisão de Geologia Básica Patrick Araujo dos Santos Chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica Iago Sousa Lima Costa Chefe da Divisão Geodinâmica Joseneusa Brilhante Rodrigues Chefe do Departamento de Informações Institucionais Hiran Silva Dias (interino) Chefe da Divisão de Geoprocessamento Hiran Silva Dias Chefe da Divisão de Cartografia Fábio Silva da Costa Chefe da Divisão de Documentação Técnica Roberta Pereira da Silva de Paula Chefe do Departamento de Relações Institucionais e Divulgação Andrea Sanders Chefe do Núcleo de Comunicação Heber Vieira de Oliveira Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação Adriane Klamt da Cunha Chefe do Departamento de Apoio Técnico Américo Caiado Pinto Chefe da Divisão de Editoração Geral Hemilton Moraes Cunha SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE BELÉM Superintendente Homero Reis de Melo Junior Gerente de Geologia e Recursos Minerais Regina Célia dos Santos Silva Responsável Técnico do Projeto Cintia Maria Gaia da Silva MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL DIRETORIA DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Belém 2024 I PROGRAMA MINERAÇÃO SEGURA E SUSTENTÁVEL I ORGANIZADORES Antonia Railine da Costa Silva Junny Kyley Mastop de Oliveira Cintia Maria Gaia da Silva Marcely Pereira Neves Isabelle Cavalcanti Côrrea de Oliveira Serafim Felipe Mattos Tavares Felipe Grandjean Costa AVALIAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS DO BRASIL PROVÍNCIA MINERAL DE CARAJÁS, PA: MAPA DE FAVORABILIDADE PARA COBRE DO CINTURÃO SUL DO COBRE Escala 1:100.000 Estado do Pará INFORME DE RECURSOS MINERAIS Série Províncias Minerais do Brasil, nº 40 FOTO DA CAPA 1. Minério de cobre, Mina Sossego. Fotografia obtida por Ana Paula Justo. REALIZAÇÃO Superintendência Regional de Belém ORGANIZAÇÃO Antonia Railine da Costa Silva Junny Kyley Mastop de Oliveira Cintia Maria Gaia da Silva Marcely Pereira Neves Isabelle Cavalcanti Côrrea de Oliveira Serafim Felipe Mattos Tavares Felipe Grandjean Costa TEXTO EXPLICATIVO 1. Introdução Antonia Railine da Costa Silva Junny Kyley Mastop de Oliveira Cintia Maria Gaia da Silva 2. Contexto Tectonoestratigráfico Regional Cintia Maria Gaia da Silva 3. Geologia e Metalogênese do Cobre na PMC Antonia Railine da Costa Silva Junny Kyley Mastop de Oliveira Felipe Grandjean Costa Cintia Maria Gaia da Silva 4. Mapa de Favorabilidade: Integração de Dados e Geração de Alvos Junny Kyley Mastop de Oliveira Antonia Railine da Costa Silva Marcely Pereira Neves Isabelle Cavalcanti Côrrea de O. Serafim Felipe Mattos Tavares CARTOGRAFIA DIGITAL E GEOPROCESSAMENTO Sulsiene Machado de Souza Gaia Hugo de Souza Ferreira - TG LEVANTAMENTO E CONSISTÊNCIA DE BASE DE DADOS Junny Kyley Mastop de Oliveira COLABORADORES Lívio Wagner Correa Ana Paula Justo LEVANTAMENTOS GEOQUÍMICOS Marcely Pereira Neves Paulo Sérgio Ferreira dos Santos - TG Sílvio Cesar da Costa Lisboa - TG PROCESSAMENTO GEOFÍSICO Isabelle Cavalcanti Côrrea de O. Serafim GEOCRONOLOGIA Joseneusa Brilhante Rodrigues ANÁLISES PETROGRÁFICAS Antonia Railine da Costa Silva LAMIN – BE REDE LAMIN DE LABORATÓRIOS Denise Corrêa Lobato (in memoriam) - AG Érica de Jesus Fernandes Costa -TG Maria Rosalva Campos Coelho - TG Dayse Danielle Jesus - Téc. em Laminação Jenny A. O. Cardozo - Aux. de Laboratório MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE VARREDURA Junny Kyley Mastop de Oliveira Jenny Alexandra Ortega Cardozo PROJETO GRÁFICO/EDITORAÇÃO Capa (ASSCOM) Luiz Fernando do Valle Silvestre Miolo (DIEDIG) Andréia Amado Continentino Agmar Alves Lopes Diagramação (SUREG – BE) Marcelo Henrique Borges Leão NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA Nelma Fabrícia da P. Ribeiro Botelho REVISÃO GRAMATICAL E ORTOGRÁFICA Irinéa Barbosa da Silva Ana Maria Brito da Silva REVISÃO Guilherme Ferreira da Silva Raul Eigenheer Meloni Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Direitos desta edição: Serviço Geológico do Brasil Permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. Serviço Geológico do Brasil www.sgb.gov.br https://rigeo.sgb.gov.br seus@sgb.gov.br P969 Província mineral de Carajás, PA: mapa de favorabilidade para cobre do cinturão sul do cobre / Organização Antonia Railine da Costa Silva et al. [...]. – Belém : Serviço Geológico do Brasil, 2024. 1 recurso eletrônico: PDF; il.; 43.528 kbytes. (Informe de Recursos Minerais. Série Províncias Minerais do Brasil; n. 40) Programa Mineração Segura e Sustentável Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil. ISBN 978-65-5664-512-4 1. Geologia Econômica – Pará. 2. Metalogenia – Pará. 3. Cobre - Carajás, Serra dos (PA). I. Silva, Antonia Railine da Costa (org.). II. Oliveira, Junny Kyley Mastop de (org.). III. Silva, Cíntia Maria Gaia da (org.). IV. Neves, Marcely Pereira (org.). V. Serafim, Isabelle Cavalcanti Côrrea de Oliveira (org.). VI. Tavares, Felipe Mattos (org.). VII. Costa, Felipe Grandjean (org.). XII. Série. CDD 553.098115 Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Nelma Botelho CRB-4 2341 APRESENTAÇÃO O Serviço Geológico do Brasil (SGB) desenvolve, em âmbito nacional, a Ação Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil, a qual integra o Programa Mineração Segura e Sustentável, vinculado ao Plano Plurianual 2024-2027, do governo federal. A ação compreende um conjunto de projetos que visam esti- mular a pesquisa e a produção mineral brasileira, com foco no suprimento de matérias-primas essenciais para o desenvolvimento da infraestrutura e do agronegócio no Brasil. Parte dessa iniciativa está inserida no empreendimento Avaliação do Potencial das Províncias Minerais e Novas Fronteiras Exploratórias, que pela disponibilização de novos dados e produtos contribui para o entendimento de importantes províncias e distritos minerais brasileiros, desenvolvendo modelos exploratórios e reduzindo os riscos associados à prospecção mineral. É com essa premissa que o Ministério de Minas e Energia e a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, por meio do SGB-CPRM, tem a grata satisfação de disponibilizar à comunidade técnico-científica, aos empresários do setor mineral e à sociedade em geral, os resultados alcançados pelo projeto Geologia, Recursos Minerais e Arquitetura Crustal de Carajás, executado pela equipe técnica da Gerência de Geologia e Recursos Minerais da Superintendência Regional de Belém (GEREMI/SUREG-BE), com a supervisão nacional da Divisão de Geologia Econômica (DIGECO) e coordenação-geral do Departamento de Recursos Minerais (DEREM), da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM). A área do projeto engloba cerca de 2870 km2, localizada no sudeste do estado do Pará, no contexto da Província Mineral de Carajás, reconhecida pelo seu potencial para Cu-Au, na qual se encontram algu- mas das maiores jazidas do país. O projeto envolve mapeamento geológico, levantamentos geoquímicos e estudos temáticos de avaliação de potencial mineral, com o objetivo de avançar no conhecimento geo- científico da maior província mineral do país. Este relatório apresenta a síntese do contexto geológico-metalogenético e dos estudos de favorabi- lidade realizados no Cinturão Sul de Carajás, e acompanha o Mapa de Favorabilidade para Cobre. Ambos os produtos estão disponíveis no GeoSGB, banco de dados corporativo do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) (http://geosgb.sgb.gov.br), e no Repositório Institucional de Geociências-RIGeo (https://rigeo.sgb. gov.br). Com mais este produto, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) cumpre sua missão institucional de “gerar e disseminar conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo para melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil”. Inácio Cavalcante Melo Neto Diretor-Presidente Francisco Valdir Silveira Diretor de Geologia e Recursos Minerais RESUMO A Província Mineral de Carajás (PMC), localizada no sudeste do estado do Pará, Região Norte do Brasil, representa uma das mais importantes províncias metalogenéticas do mundo, com expressivas reservas de Fe, Mn, Cu, Au e Ni. Atualmente, é a maior produtora e detentora das maiores reservas conhecidas de cobre no país. Hospeda uma série de depósitos de cobre do tipo IOCG, VHMS e polimetálicos, destacada- mente os de classe mundial Salobo, Igarapé Bahia, Sossego-Sequeirinho, Cristalino e 118. O Cinturão Sul do Cobre (CSC) representa um dos distritos da Província Mineral de Carajás (PMC) com maior concentração de depósitos, alvos e ocorrências cupro-auríferas, incluindo a Mina do Sossego, primeira mina de cobre de Carajás, em operação desde 2004. Muitos dos depósitos conhecidos no CSC estão localizados nas regiões próximas dessa mina (por exemplo, Visconde, Bacaba, Jatobá, Bacuri), além dos depósitos da região de Serra do Rabo (Cristalino, Borrachudos, Santa Lúcia, dentre outros). Em face do alto potencial para descoberta de novos depósitos de cobre na região, foi elaborado o “Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul de Carajás”, na escala de 1:100.000, com base na integração de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos, por meio de técnicas de modelagem de potencial mineral, usando uma abordagem guiada pelo conheci- mento. O produto foi desenvolvido no âmbito do Projeto Geologia, Recursos Minerais e Arquitetura Crustal de Carajás, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), utilizando dados disponíveis no GeoSGB, na literatura e novos dados gerados neste projeto, e teve como objetivo a identificação de áreas favoráveis à prospecção mineral, e, assim, fomentar a pesquisa mineral na região. O modelo gerado se mostrou capaz de prever os principais depósitos conhecidos e apontou novas áreas favoráveis à pesquisa mineral, principalmente na região oeste deste estudo. O CSC mostra alto potencial para descoberta de novos depósitos, e, considerando a disponibilidade de infraestrutura para processamento e escoamento, representa um importante distrito de exploração para enfrentar as demandas cada vez maiores dessa commodity. ABSTRACT The Carajás Mineral Province (CMP), located in the southeast of the state of Pará, Northern of Brazil, represents one of the most important metallogenic province in the world, with significant reserves of Fe, Mn, Cu, Au and Ni. Currently, it is the largest producer and holder of the largest known reserves of copper in the country. The CMP hosts several IOCG, VHMS and polymetallic copper deposits, notably the world-class Salobo, Igarapé Bahia, Sossego-Sequeirinho, Cristalino and 118 deposits. The Southern Copper Belt (SCB) district contains one of the highest concentrations of cupro-auriferous deposits in Carajás, including the orebodies from Sossego Mine, the first copper mine in Carajás, in operation since 2004. Many of the known deposits in the SCB are located in the regions close to this mine (e.g. Visconde, Bacaba, Jatobá, Bacuri), and at the Serra do Rabo region (Cristalino, Borrachudos, Santa Lúcia deposits, among others). The high potential for new discoveries of copper deposits in this district led to the elaboration of the “Favorability Map for Copper of the South Carajás Belt”, on a 1:100.000 scale, based on the integration of geological, geochemical and geophysical dataset, using knowledge-driven approach to mineral potential modeling techniques. The product was developed as part of the “Geology, Mineral Resources and Crustal Architecture of Carajás” Project, from the Geological Survey of Brazil (GSB), using available GSB database, literature data, and new information generated in this project. The aim was to identify areas favorable to mineral prospecting, and thus increase mineral research in the region. The produced model proved capable of predicting the majority known deposits, and pointed out new areas favorable to mineral research, mainly in the western portion of the studied area. The CSC shows high potential for the discovery of new deposits, and, given the availability of logistic infrastructure, represents an important exploration district in face of the growing demands for copper. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................... 7 2. CONTEXTO TECTONOESTRATIGRÁFICO REGIONAL............................................................... 9 3. GEOLOGIA E METALOGÊNESE DO COBRE NA PMC.............................................................. 12 3.1. SISTEMAS MINERAIS DO COBRE NO CINTURÃO SUL DO COBRE (CSC).....................................13 3.1.1. Singenético............................................................................................................................13 3.1.2. IOCG....................................................................................................................................... 15 3.1.3. Depósitos de cobre polimetálicos......................................................................................... 15 3.2. PRINCIPAIS DEPÓSITOS DO CSC....................................................................................................15 4. MAPA DE FAVORABILIDADE: INTEGRAÇÃO DE DADOS E GERAÇÃO DE ALVOS.................. 23 4.1. INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 23 4.2. METODOLOGIA...............................................................................................................................23 4.2.1. Definição dos sistemas minerais do CSC: fatores críticos e critérios mapeáveis..................24 4.2.2. Mapeamento de favorabilidade mineral............................................................................... 27 4.2.3. Dados de entrada e mapas de evidências............................................................................. 27 4.2.3.1. Dados geológicos...................................................................................................... 27 4.2.3.2. Dados geoquímicos.................................................................................................. 31 4.2.3.3. Dados geofísicos.......................................................................................................34 4.3. INTEGRAÇÃO DOS DADOS.............................................................................................................40 4.4. VALIDAÇÃO.....................................................................................................................................40 4.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................ 45 | 7 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | 1. INTRODUÇÃO A Província Mineral de Carajás (PMC), localizada no sudeste do estado do Pará, é, atualmente, a maior produtora de cobre do Brasil, contribuindo com 68,35% da produção nacional em 2022 (Agência Nacional de Mineração, 2023). A PMC hospeda um importante conjunto de depósitos de cobre, que inclui os de classe mundial Salobo, Igarapé Bahia/Alemão, Sossego-Sequei- rinho e Cristalino, e uma série de outros depósitos e prospectos, em sua maior parte do tipo IOCG (iron oxide-copper-gold) (Hitzman; Oreskes; Einaudi 1992), conhecidos mundialmente por suas altas tonelagens e teores. Com estimativas de 27,34 Mt de metal contido (Silva; Cunha; Costa, 2023), Carajás detém as maiores reservas de cobre conhecidas no Brasil e figura como a província mais importante do país na busca pela autossuficiência desse metal. Um dos setores com as maiores densidades de jazi- mentos cupro-auríferos conhecidos da PMC está locali- zado na sua porção sudeste, e é conhecido como Cinturão Sul do Cobre (CSC). Esse distrito engloba importantes depósitos, tais como o Sossego/Sequeirinho (355 Mt @ 1,1% Cu e 0,28 g/t Au; Lancaster et al., 2000), em ope- ração desde 2004, Cristalino (500 Mt @ 1% Cu e 0,3 g/t Au; Huhn et al., 1999), Alvo 118 (170 Mt @ 1% Cu e 0,3 g/t Au; Rigon et al., 2000), além de diversos depósitos de menores tonelagens (p. ex. Castanha, Bacuri, Visconde, Borrachudos), alvos prospectivos e garimpos. Em vista da sua relevância metalogenética, o CSC foi definido, no âmbito do Projeto Geologia, Recursos Minerais e Arquitetura Crustal de Carajás, como foco para modelagem de potencial mineral, com o objetivo de identificar novas áreas favoráveis à prospecção mineral. Mapas de potencial mineral, elaborados a partir da integração de dados multifontes, por téc- nicas de análise espacial de dados em ambiente SIG (Sistema de Informações Geográficas), têm sido uma importante ferramenta na busca de novos depósitos (Knox-Robinson; Wyborn, 1997; Hronsky; Groves, 2008). Esses mapas são elaborados com metodologias pre- ditivas que podem ser aplicadas em diversas escalas, desde continentais até a de depósito, e permitem um aumento significativo da probabilidade de acerto das previsões de potencial mineral de uma área (Baars et al., 2003; McCuaig; Beresford; Hronsky, 2010). A área delimitada para a modelagem representa um polígono com cerca de 2870 km2, que engloba partes de quatro folhas cartográficas 1:100.000, Serra dos Carajás (SB.22-Z-A-II), Rio Verde (SB.22-Z-A-III), Rio Parauapebas (SB.22-Z-A-V) e Água Fria (SB.22-Z-A-VI). Compreende áreas dos municípios de Canaã dos Carajás, Curionó- polis, Água Azul do Norte e Xinguara, e o acesso aos principais depósitos e ocorrências minerais se dá por meio da PA-160 e de diversas estradas vicinais (Figura 1). A área é drenada pelos rios Parauapebas e Verde e seus afluentes, e pertence aos domínios geomorfo- lógicos de Superfícies Aplainadas do Sul da Amazônia, em sua porção mais antropizada, e Serra dos Carajás, representada pelas porções de vegetação mais densa e maiores altitudes (Dantas; Teixeira, 2013). Em ter- mos de Unidades de Conservação, a área de estudo se sobrepõe, na parte norte-noroeste, à Floresta Nacional (Flona) de Carajás e ao Parque Nacional (Parna) dos Campos Ferruginosos (Figura 1B). Este informe apresenta uma síntese do contexto geológico e metalogenético do CSC, bem como a des- crição do método (premissas, etapas e dados) aplicado à elaboração do mapa de favorabilidade para cobre do Cinturão Sul de Carajás, escala 1:100.000 (Oliveira et al., 2022), disponível em http://geosgb.sgb.gov.br. Os dados utilizados são provenientes de projetos executados pelo SGB-CPRM, publicações acadêmicas e gerados durante este projeto. A abordagem utilizada foi do tipo guiada pelo conhecimento (knowledge-driven; Bonham-Carter, 1994), tendo como base teórica o conceito de sistemas minerais (Wyborn; Heinrich; Jaques, 1994; McCuaig; Hronsky, 2014; Skirrow et al., 2019), e, para a integra- ção, aplicou-se o método de sobreposição de múlti- plas classes (multiclass index overlay; Carranza, 2009). O objetivo é fornecer à sociedade um produto capaz de indicar possíveis áreas favoráveis à descoberta de novos depósitos de cobre, fomentando, assim, os investimentos em pesquisa mineral na região. | 8 | | Serviço Geológico do Brasil - Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil | Figura 1.1 - Localização do Cinturão Sul do Cobre de Carajás. A) Porção sudeste do estado do Pará, com a delimitação da área do Projeto Carajás; B) Áreas circunvizinhas com os principais acessos, demais feições planimétricas e restritivas da região; C) Detalhe com as principais feições fisiográficas da área, a localização das ocorrências minerais de cobre conhecidas na área, incluindo a Mina do Sossego. No canto inferior direito, a situação da área em relação à articulação das folhas 1:100.000 englobadas. Imagem de satélite: Esri, Maxar, Earthstar Geographics, GIS User Community. Fonte: elaborado pela equipe do projeto. A B C | 9 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | 2. CONTEXTO TECTONOESTRATIGRÁFICO REGIONAL A Província Carajás localiza-se na porção sudeste do Cráton Amazônico (Almeida et al., 1977, 1981) (Figura 2A), o qual possui diversas proposições de compartimen- tação tectônica/geocronológica, como as de Cordani et al. (1979), Costa e Hasui (1997), Tassinari e Macambira (1999) e Santos (2003). No presente relatório, adota- se as compartimentações de Santos (2003), para as províncias, e de Vasquez e Rosa-Costa (2008), para os domínios tectônicos (Figura 2B). Neste contexto, a Pro- víncia Carajás engloba os domínios Carajás, a norte, e Rio Maria, a sul (Figura 2B). A denominação “Província Mineral de Carajás” (Hirata et al., 1982; Docegeo, 1988), comumente utilizada em trabalhos metalogenéticos, engloba os domínios tectônicos Carajás e Rio Maria. A área de estudo está localizada na parte oriental do Domínio Carajás (DC), porção norte da Província Carajás (Figura 2B), que tem grande relevância econômica por concentrar depósitos de Fe, Mn, Cu, Au, Ni, EGP e Cr. A Figura 2C apresenta o mapa geológico simplificado dessa região com as principais associações litológicas e tectônicas, lineamentos estruturais e jazidas. O DC é caracterizado por evolução geológica com- plexa com destaque para a formação de sequências vulcano-sedimentares, complexos acamadados e grani- toides diversos no Neoarqueano (2,76-2,5 Ga), sobre um embasamento mesoarqueano pré- 2,84 Ga. Sucessões sedimentares paleoproterozoicas (2,5-2,0 Ga) e corpos intrusivos de 1,88 Ga complementam o quadro evolu- tivo regional deste domínio. O DC faz limite ao sul com o Domínio Mesoarqueano Rio Maria (3,0-2,83 Ga), a norte com as suítes granítico-charnoquíticas sin a pós- colisionais do Domínio Arqueano-Paleoproterozoico Bacajá (2,6-2,09 Ga), a oeste com as formações vulcâ- nicas (1,88 Ga) do Domínio Iriri-Xingu, e a leste com as sequências metassedimentares neoproterozoicas (< 0,85 Ga) do Cinturão Araguaia (Figura 2B, C). As unidades mesoarqueanas constituem a associação de suítes plutônicas tipo TTG e complexos de alto grau, estes últimos representados por gnaisses, migmatitos, granulitos, tonalitos, trondhjemitos e granitoides diver- sos, com idades entre 3,0 e 2,83 Ga, além de faixas de greenstone belts (Figura 1C). As rochas mais antigas pos- suem protólitos entre 3,06 e 3,02 Ga e metamorfismo/ migmatização em torno de 2,86 Ga (Machado et al., 1991; Silva et al., 2014; Pidgeon; Macambira; Lafon, 2000; Silva et al., 2021). O final do Mesoarqueano é marcado pela colocação de granitos, em geral, potássicos e sanukitoides (2,87-2,83 Ga; Feio et al., 2013; Gabriel; Oliveira, 2014; Silva; Oliveira; Santos, 2018). O Neoarqueano é representado por três grandes conjuntos de associações litológicas: i) sequências vul- cano-sedimentares (2,76-2,70 Ga); ii) complexos máfi- cos-ultramáficos (2,76-2,72 Ga) e iii) suítes de granitos, charnockitos e gabros (2,76-2,73 Ga e 2,55 Ga). Destaca-se que o termo Bacia Carajás (Dall’Agnol et al., 2006), utilizado no presente trabalho, refere-se ao conjunto de rochas vulcano-sedimentares formadas entre 2,76 e 2,70 Ga. As sequências vulcano-sedimentares estão agrupadas no Supergrupo Itacaiúnas (Docegeo, 1988), com idade de vulcanismo em torno de 2,76 a 2,73 Ga (Gibbs et al., 1986; Machado et al., 1991; Trendall et al., 1998; Tavares, 2014; Martins et al., 2017). Corpos de gabros mais jovens (2,65 Ga) são intrusivos nessas sequências (Tallarico, 2003). Os depósitos de Fe e Cu-Au de classe mundial encontram- se hospedados nas rochas deste supergrupo. Contempo- râneo à formação do vulcanismo Itacaiúnas, ocorreu a colocação de corpos máfico-ultramáficos acamadados, como o Complexo Luanga (2,76; Machado et al., 1991), com depósitos de Ni-Cr-EGP associados. Os granitos, charnockitos e gabros representam um extensivo magmatismo neoarqueano, como o Metagra- nito Igarapé Gelado, na parte norte do DC, e os corpos da Suíte Planalto (Sardinha; Barros; Krymsky, 2006; Feio et al., 2012) e gabro-noritos da Suíte Pium (2,74 Ga; Santos; Galarza; Oliveira, 2013), na parte sul do DC. O magmatismo granítico persistiu até 2,55 Ga, na forma de pequenos corpos de granitoides e diques ácidos tardios, como o Metagranito Velho Salobo (2,57 Ga, Machado et al., 1991). O Paleoproterozoico do DC é marcado pela formação de bacias sedimentares e intrusões graníticas tipo A (ca. 1,88 Ga), estas últimas reunidas na suíte de granitos alca- linos (Figura 2), como a Suíte Serra dos Carajás (Dall Ágnol et al., 2005). As sequências sedimentares com depósitos de manganês de plataforma marinha (Formação Buriti- rama; Peters et al., 1977; Salgado et al., 2019a, 2019b) e marinha rasa/continental fluvial (Formação Águas Claras; Araújo; Maia, 1991; Nogueira; Truckenbrodt; Pinheiro, 1995; Araujo; Sousa, 2018) foram agrupadas como bacias plataformais (2,5-2,1 Ga) na Figura 2C. Sequências de sedimentação continental na porção leste (Formação Caninana; Pereira et al., 2009) são interpretadas como bacias de antepaís (< 2,0 Ga) e, na porção oeste, como de rift continentais (Formação Triunfo, Vasquez e Rosa- Costa, 2008) do Domínio Iriri-Xingu. | 10 | | SG B/ CP RM - Av al ia çã o do s R ec ur so s M in er ai s d o Br as il | Fi gu ra 2 .1 - Lo ca liz aç ão d a ár ea d e es tu do e m re la çã o: A ) a o Cr át on A m az ôn ic o e B) a os d om ín io s te ct ôn ic os d o su de st e do C rá to n Am az ôn ic o (a da pt ad o de S an to s, 2 00 3; V as qu ez ; R os a- Co st a, 2 00 8) ; C) M ap a de a ss oc ia çõ es li to ló gi ca s e te ct ôn ic as d a ár ea d o Pr oj et o Ca ra já s. F on te : e la bo ra do p el a eq ui pe d o pr oj et o. A C B | 11 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | Diversos diques cortam o DC, com direções prin- cipais NE e NW, e registram eventos de magmatismo intraplaca nas idades de 1,88 Ga (Rivalenti et al., 1998; Silva et al., 2016; Teixeira et al., 2019), 530 Ma e 200 Ma, sendo a última relacionada à Província Magmática do Atlântico Central (Central Atlantic magmatic province - CAMP) (Giovanardi et al., 2019; Cruz; Gorayeb, 2020). As rochas gabroicas toleíticas mesozoicas (Gabro Rio da Onça) foram correlacionadas ao magmatismo tipo CAMP. As unidades do Cenozoico (66 Ma ao presente) são representadas por coberturas lateríticas maturas, seguindo as proposições de Costa (1991) e Vasquez e Rosa-Costa (2008), e por planícies aluviais dos principais rios, Itacaiúnas e São Félix do Xingu. | 12 | | Serviço Geológico do Brasil - Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil | 3. GEOLOGIA E METALOGÊNESE DO COBRE NA PMC Os depósitos cupríferos da PMC estão dispostos ao longo da Bacia Carajás e de grandes estruturas que marcam os contatos norte e sul com as rochas do embasamento, e concentram-se em dois distritos principais: o Cinturão Norte, coincidente com o lineamento Cinzento (Xavier et al., 2012, Tavares; Oliveira; Lima, 2021) e o Cinturão Sul, relacionado à Zona de Cisalhamento Canaã (Pinheiro et al., 2013; Moreto et al., 2015a; Xavier et al., 2012). Os depósitos conhecidos são essencialmente hidro- termais, classificados em três modelos genéticos prin- cipais: a) depósitos exalativos/singenéticos (Cu-Zn-Co), associados às rochas vulcânicas e sedimentares do Supergrupo Itacaiúnas (Villas; Santos, 2001; Xavier et al., 2017); b) depósitos do tipo IOCG (Fe-Cu-Au-ETR-U- P), associados às grandes estruturas regionais WNW e contemporâneos a pulsos de magmatismo granítico (sub) alcalino, sobretudo da Suíte Planalto (Huhn; Nascimento, 1997; Grainger et al., 2008; Xavier et al., 2012, 2017); e c) depósitos de cobre polimetálicos (Cu-Au-Bi-Sn-Mo- W) ligados às intrusões graníticas do tipo A (Grainger et al., 2008; Xavier et al., 2017). Os dados geocronológicos disponíveis suportam o caráter multiestágio das mineralizações, com even- tos hidrotermais mineralizantes no Neoarqueano e no Paleoproterozoico, em três momentos principais: i) entre 2,76 e 2,69 Ga, com a formação dos depósitos singenéticos, uma primeira geração de depósitos IOCG do Cinturão Sul, e do depósito polimetálico do Santa Lúcia; ii) 2,57 e 2,55 Ga, restrito aos depósitos IOCG no Cinturão Norte; e iii) 1,90-1,88 Ga, quando se formaram os depósitos dos tipos polimetálico (ao longo de todo o DC) e uma segunda geração de IOCG no Cinturão Sul (Réquia et al., 2003; Tallarico et al., 2005; Neves, 2006; Silva et al. 2015; Moreto et al., 2015b; Trunfull et al., 2020; Hunger et al., 2021). Processos de enriquecimento supergênico, ocorridos no Cenozoico, foram relevantes para a concentração de cobre e ouro, com a formação de gossans (p. ex. depósi- tos Igarapé Bahia e 118; Tallarico; Coimbra; Costa, 2000; Santos; Costa, 2023), os quais representam importantes guias prospectivos na região. • Sistemas do Neoarqueano Os depósitos sulfetados do tipo stratabound, hospedados nas rochas metavulcanossedimentares do Supergrupo Itacaiúnas, são interpretados como singenéticos aos processos de sedimentação química e de vulcanismo da Bacia Carajás. São tipificados como associados a processos exalativos proximais, do tipo volcanic-hosted massive sulfide (VHMS), bem carac- terizado no depósito de Cu-Zn do Pojuca (Medeiros Neto; Villas, 1985; Schwarz; Frantz, 2013), e distais, em depósitos associados às sequências clásticas, como no caso do Tarzan (Pinheiro, 2019). O minério, composto por calcopirita, pirita, esfalerita e cobaltita, ocorre na forma de lentes e nódulos, maciços a disseminados, concordantes à estruturação das rochas. No caso dos VHMS, a mineralização está associada a rochas ricas em cordierita, antofilita e cummingtonita, interpretadas como resultado do metamorfismo de zonas cloritizadas (Medeiros Neto; Villas, 1985; Tavares; Oliveira; Lima, 2021). Ocorrências de minério de cobre sulfetado, singe- nético às rochas do Supergrupo Itacaiúnas, são também reportados em diversos outros depósitos da provín- cia, como no Igarapé Bahia, Salobo, Serra Verde, e Açaí, como corpos menos expressivos e superpostos por estágios posteriores de mineralização epigenética (Almada; Villas, 1999; Dreher et al., 2008; Tassinari; Mellito; Babinski, 2003; Reis; Villas, 2002; Riehel; Cabral, 2018; Melo et al., 2019). Os depósitos do tipo IOCG, formados no Neoar- queano, representam o conjunto mais expressivo em termos de volume de minério de cobre em Carajás, com depósitos contendo reservas acima de 100 Mt (p. ex. Salobo, Sossego, Cristalino). Apresentam como principais características: a) variedades de rochas hos- pedeiras (rochas metavulcanossedimentares, gabros e granitoides neoarqueanos e rochas metagranitoides mesoarqueanas); b) extensas zonas de alteração hidro- termal distal sódica e sódico-cálcica, e zonas potássicas a potássico-férricas proximais ao minério; c) enriqueci- mento em P, Ni, Co, Mo, Ag, Ba, U, ETRL; d) formação de óxidos de Fe (magnetita/hematita); e) corpos de minério estruturalmente controlados; f) relação tem- poral com magmatismo alcalino (de idade 2,74-2,70 Ga, no Cinturão Sul, e 2,57-2,55 Ga, no Cinturão Norte) (Huhn; Nascimento, 1997; Réquia et al., 2003; Tallarico et al., 2005; Williams et al., 2005; Grainger et al., 2006; Xavier et al., 2012, 2017; Moreto et al., 2015b). O processo de formação dos depósitos IOCG neo- arqueanos da PMC tem sido relacionado ao desenvol- vimento/reativação de extensas estruturas dúcteis/ | 13 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | rúpteis-dúcteis E-W e WNW-ESSE (Huhn; Nascimento, 1997; Xavier et al., 2012; Tavares; Oliveira; Lima, 2021). A correlação com o magmatismo félsico e máfico (p. ex. Suíte Planalto e corpos gabroicos), também, tem sido discutida, visto que as idades obtidas para hidrotermalismo/mineralização e corpos graníticos sugerem contemporaneidade (Tallarico et al., 2005; Réquia et al., 2003; Monteiro et al., 2008; Silva et al., 2015). Dados microtermométricos e de isótopos estáveis (H, O, C, S e B) apontam fluidos hipersalinos (35-70%) e quentes (> 500 °C) como principais trans- portadores de metais, processos de diluição (pela mistura com fluidos menos salinos e mais oxidados) como principal mecanismo de precipitação de minério, e fontes múltiplas (bacinais/evaporíticas, magmáticas, mantélicas) para fluidos, metais e ligantes (Monteiro et al., 2008; Xavier et al., 2008; Torresi et al., 2012; Silva et al., 2015; Xavier et al., 2017; Craveiro, Xavier; Villas, 2020; Pestilho et al., 2020). • Sistemas Paleoproterozoicos No Paleoproterozoico, a colocação de diversos corpos graníticos do tipo A (Suíte Serra dos Carajás), associados à estruturação rúptil NE-SW, NW-SE e N-S, tem sido ligada à geração de depósitos de Cu-Au caracteristicamente asso- ciados a brechas, veios e stockworks, e/ou relacionados às porções apicais desses granitos paleoproterozoicos. Tais depósitos têm sido classificados como: a) polimetálicos, (p. ex. os depósitos Breves, Águas Claras, Gameleira; Silva; Villas, 1998, Lindemayer et al., 2005; Botelho et al., 2005) e b) IOCG (depósitos Alvo 118 e Corpo Sossego; Neves, 2006; Torresi et al., 2012; Monteiro et al., 2008; Moreto et al., 2015a, 2025b). Os depósitos Cu-Au-Mo-Bi-W-Sn do tipo polime- tálico são correlacionados aos granitos tipo A de 1,88 Ga, e, em geral, representam depósitos de menores volumes com reservas de cobre menores que 50 Mt, e teores < 2% (Grainger et al., 2008; Xavier et al., 2017). São hospedados nas sequências metavulcanossedimen- tares neoarqueanas, nas rochas clásticas da Formação Águas Claras e nos corpos graníticos paleoproterozoi- cos. Têm como características principais: a) forte con- trole estrutural rúptil, com predomínio de sistemas de veios, stockworks e brechas; b) abundante silicificação e ausência ou escassez de óxidos de ferro (magne- tita/hematita); c) importante alteração potássica com biotita (p. ex. Estrela e Gameleira), ou dominada por clorita-sericita (como Águas Claras) ou tipo greisen com fengita (Breves e Santa Lúcia); d) assembleias hidrotermais mais reduzidas e de mais baixa sulfeta- ção, com combinações variadas de calcopirita, pirita, arsenopirita, pirrotita, esfalerita, galena (Grainger et al., 2008; Xavier et al., 2017). Os depósitos IOCG do Paleoproterozoico são repre- sentados no CSC, pelos depósitos Alvo 118 e Corpo Sossego (Torresi et al., 2012; Monteiro et al., 2008). Tal como os depósitos arqueanos, exibem uma assinatura metálica variada, rica em P-ETR-U-Ni-Co-Pd, amplas zonas de alteração hidrotermal e minério cupro-aurí- fero associado a óxidos de ferro (magnetita ou hema- tita). Diferem pela ausência (ou pouca expressividade) de zonas de alteração sódico-cálcica e calco-férrica. Os corpos de minério são controlados por estruturas rúpteis (veios e brechas) formados em níveis crustais mais rasos. Alguns autores questionam o sistema IOCG paleoproterozoico, interpretando as idades obtidas nesses depósitos como possíveis remobilizações dos corpos IOCG arqueanos, com consequente abertura dos sistemas geocronológicos (por exemplo, Pollard et al., 2019; Trunfull et al., 2020). 3.1. SISTEMAS MINERAIS DO COBRE NO CINTURÃO SUL DO COBRE (CSC) O chamado Cinturão Sul do Cobre (CSC) (Xavier et al., 2010, 2012; Moreto et al., 2015a) representa um corredor de depósitos localizado próximo ao contato sul entre a Bacia Carajás e o embasamento (Figura 3.1). Essa região é segmentada por uma série de estruturas de direção WNW-ESE associadas à Zona de cisalhamento Canaã, uma estrutura regional de caráter dúctil (Pinheiro et al., 2013). Na porção centro-leste da área, região da Serra do Rabo, ocorrem as estruturas NW-SE e N-S associadas à terminação da Falha Carajás. As rochas do CSC foram alteradas e mineralizadas durante os eventos hidrotermais ocorridos no Neoar- queano (2,76-2,68 Ga) e no Paleoproterozoico (1,9-1,88 Ga). Dentre as rochas hospedeiras, ocorre uma varie- dade de litotipos, incluindo metagranitoides, meta- tonalitos e rochas metaultramáficas mesoarqueanas, sequências vulcânicas máficas e félsicas, sedimentares químicas e clásticas, granitos e gabros do Neoarque- ano. Nessa região, tal como no restante da província, são reportados depósitos do tipo singenético, IOGC e polimetálico. 3.1.1. Singenético Essa tipologia de minério foi descrita na área do CSC apenas no depósito cupro-cobaltífero do Tarzan (Pinheiro, 2019). No depósito, os sulfetos disseminados nas sequên- cias clásticas da Formação Cigarra formam corpos lenti- culares e stratabound. Estes corpos foram interpretados como de natureza singenética, associados a porções distais de um sistema vulcanogênico-exalativo (Pinheiro, 2019). O depósito registra a superposição de um estágio de mineralização epigenético posterior na forma de brechas. | 14 | | SG B/ CP RM - Av al ia çã o do s R ec ur so s M in er ai s d o Br as il | Fi gu ra 3 .1 - M ap a ge ol óg ic o da re gi ão d o Ci nt ur ão S ul d o Co br e (C SC ), no p ol íg on o de fin id o pa ra a e la bo ra çã o da m od el ag em d o es tu do , c om a s p rin ci pa is un id ad es li to es tr at ig rá fic as e fe iç õe s es tr ut ur ai s, a lé m d as o co rr ên ci as e d ep ós ito s m in er ai s u til iza do s n a va lid aç ão d a m od el ag em a pr es en ta da n es te tr ab al ho . F on te : M od ifi ca do d e Ju st o e Lo pe s ( 20 14 ), Ta va re s ( 20 14 ), Co st a et a l. (2 01 6) . | 15 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | 3.1.2. IOCG Os depósitos de Fe-Cu-Au-ETR-U-P, do tipo IOCG, do CSC concentram-se ao longo da Zona de Cisalhamento Canaã, nas regiões de Serra Dourada e Bom Jesus, pró- ximos à Mina do Sossego (Sequeirinho-Sossego, 118, Visconde, Jatobá, Bacaba, Castanha, Bacuri), nas estru- turas da extremidade leste da Falha Carajás, localizadas na região da Serra do Rabo (Cristalino, Borrachudos), além de depósitos que ocorrem mais ao sul da área (Pedra Branca, GT-46), condicionados às estruturas E-W. Nesse distrito, os IOCG se formaram, principalmente, no Neoarqueano, entre 2,76 e 2,68 Ga (Sequeirinho, GT-46, Visconde, Bacuri; Moreto et al., 2015a, 2015b; Hunger et al., 2018) e em torno de 1,88 Ga, associado a reativações de estruturas (Sossego e Alvo 118; Tallarico, 2003; Neves, 2006; Moreto et al., 2015b). São observados nesses depósitos extensos halos de alteração sódica, com albita-escapolita e actinolita- magnetita, que precedem o estágio de mineralização principal. Os corpos de minério, em geral, ocorrem asso- ciados a estruturas dúcteis, ou em brechas e stockwork, e são formados especialmente por calcopirita, bornita e calcocita (Xavier et al., 2012, 2017). De acordo com a variedade de rochas hospedeiras, os depósitos podem exibir diferenças na assembleia metálica e de alteração. 3.1.3. Depósitos de cobre polimetálicos Na região do CSC, são caracterizados dois depósitos do tipo polimetálico: o Depósito Estrela (Cu-Au-Li-Be-Sn- W-Mo; Lindemayer et al., 2005), e o Depósito Santa Lúcia (Cu-Au-Bi-Sn-W-Mo; Hunger et al., 2021), ambos locali- zados na região da Serra do Rabo. O Depósito Estrela, tal como os demais depósitos dessa tipologia na PMC, tem sido interpretado como formado em torno de 1,88 Ga, contemporâneo à granitogênese tipo A da Suíte Serra dos Carajás. O Depósito Santa Lúcia exibe características típicas dos depósitos polimetálicos, porém, devido à ausência de granitos paleoproterozoicos no entorno dos corpos mineralizados, bem como pela idade de 2,69 Ma, obtida em monazita da zona de greisen (U-Pb; Hunger et al., 2021), tem sido considerado do tipo Cu-Au polime- tálico, formado no Neoarqueano. Esses dados sugerem a presença de um sistema magmático-hidrotermal dire- tamente associado aos granitos alcalinos neoarqueanos, ampliando a gama de depósitos formados nessa época metalogenética. Em outros depósitos, como o Tarzan e o Pedra Branca (Xavier et al., 2017; Pinheiro, 2019), são descritos corpos de minério com características do tipo polimetálico, o que sugere a superposição de um sistema desse tipo sobre mineralizações anteriores, porém faltam dados geocronológicos do minério que comprovem o evento. 3.2. PRINCIPAIS DEPÓSITOS DO CSC Este item traz a caracterização dos principais depósi- tos cupro-auríferos conhecidos no CSC. As informações são provenientes de trabalhos disponíveis na literatura, além de novos dados obtidos durante este projeto (por exemplo, no Depósito Pedra Branca). Informações adi- cionais desses depósitos, bem como das demais ocor- rências minerais utilizadas na validação do modelo de favorabilidade, constam na Tabela 3.1. A Figura 3.2 traz aspectos macroscópicos do minério de alguns dos depó- sitos/ocorrências apresentados. O Depósito IOCG do Sossego/Sequeirinho compre- ende dois grupos de corpos mineralizados, Sequeirinho- Pista-Baiano e Sossego-Curral, localizados ao longo de uma zona de cisalhamento dúctil, de direção WNW- ESE (Monteiro et al., 2008). Juntos compõem a Mina do Sossego, primeira mina de cobre implementada em Carajás, em operação desde 2004 (Juliani et al., 2016). São hospedados por rochas mesoarqueanas do emba- samento (Complexo Xingu, Granito Sequeirinho e rochas metavulcânicas dacíticas Pista) e unidades neoarqueanas de cerca de 2,74 Ga (Granito Granofírico Sossego, Granito Curral e gabro-noritos) (Monteiro et al., 2008; Moreto et al., 2011). Nos corpos Sequeirinho-Pista-Baiano (cerca de 85% das reservas) destacam-se amplas zonas de alteração sódicas e sódico-cálcicas, seguidas de zonas restritas de alteração potássica e clorítica. O minério ocorre na forma de brechas (Figura 3.2 A), disseminações nos planos de foliação milonítica, veios e stockworks, e é constituído de calcopirita, magnetita, pirrotita, pirita, e subordina- damente molibdenita, esfalerita, siegenita, millerita, ouro, Pb-melonita, galena, cassiterita e hesita. Os corpos Sossego-Curral são caracterizados por zonas de alteração potássica e clorítica, com os corpos de minério (brechas sulfetadas) constituídos por calcopirita (com inclusões de ouro) e pirita, além de siegenita, millerita, hesita, Pb-melonita, molibdenita e cassiterita subordinadas (Monteiro et al., 2008). De acordo com Monteiro et al., (2008), os corpos Sequeirinho-Pista-Baiano representam depósitos IOCG formados em condições mais profundas, enquanto Sossego-Curral em níveis intermediários a rasos. Idades obtidas em minerais hidrotermais e de minério atestam idades de 2,71-2,68 Ga para os primeiros e 1,90-1,88 Ga para os últimos (Neves, 2006; Moreto et al., 2015b). O Depósito Visconde (Craveiro; Villas; Silva, 2012; Silva et al., 2015) está localizado a cerca de 15 km do Depósito Sossego. É hospedado, principalmente, por rochas metagranitoides do embasamento (Suíte Serra Dourada), rochas gabroicas, metavulcânicas fél- sicas e vulcânicas máficas/intermediárias da Formação Parauapebas, além de lentes de rochas ultramáficas. | 16 | | SG B/ CP RM - Av al ia çã o do s R ec ur so s M in er ai s d o Br as il | N . DE PÓ SI TO - O CO RR ÊN CI A AS SI NA TU RA M ET ÁL IC A GR AU D E IM PO RT ÂN CI A TI PO LO G IA U N ID AD E ES TR AT IG RÁ FI CA EN CA IX AN TE / H O SP ED EI RA AL TE RA ÇÃ O H ID RO TE RM AL SU LF ET O S M O D O D E O CO RR ÊN CI A RE CU RS O S G LO BA IS RE FE RÊ N CI A 1 Pi um Cu O co rr ên ci a G ru po S eq ue iri nh o, D io ps íd io N or ito Pi um Ro ch a m et av ul câ ni ca m áf ic a e gr an ul ito m áf ic o Cc p D is se m in ad o Ar aú jo e M ai a (1 99 1) 2 G ar im po d o D im as Cu -A u G ar im po IO CG / Po lim et ál ic o( ?) M et ag ra ni to Cr uz ad ão M et ag ra ni to s, m et ad io rit os , an fib ol ito s/ br ec ha hi dr ot er m al N a- Ca (T r- Ac t, Ab ), K (K fs ), M ag , E p, Q z e Ch l Cc p- Bn -P y Ve nu la r, st oc kw or k, br ec ha Ju st o e Lo pe s ( 20 14 ); Es te p ro je to 3 G T- 34 Fe -C u- N i-P - ET RL D ep ós ito IO CG M et ag ra ni to Cr uz ad ão , Su pe rg ru po Ita ca iú na s O rt og na is se gr an íti co , l oc al m en te gr an od io rít ic o a to na lít ic o, c or po s ga br oi co s e ro ch as m áf ic as . N a- M g (S cp , O px ) i ni ci al , C a (H bl , C hl -A p, P l), K -F e (P hl , Tl c, M ag , A ct ) e e st ág io s ta rd io s Kf s- Ep -C hl -C al e Q z- Ab -C hl -C al -E p- H em Pr in ci pa l Pn - P o co m re m ob ili za do s de C cp -P o- Py - M lr Br ec ha s (m at riz ) e v ei os (r em ob ili za çõ es ta rd ia s) G ar ci a et a l. (2 02 0) 4 Cr is ta lin o Fe C u- Au -U - ET R D ep ós ito IO CG / Po lim et ál ic o( ?) Fo rm aç õe s Pa ra ua pe ba s e Ca ra já s; M et ag ra ni to Cr uz ad ão e G ra ni to Se rr a do R ab o. Ba sa lto s e rio lit os / rio da ci to s, fo rm aç ão fe rr ífe ra b an da da , co rp os d io rít ic os e m et ag ra ni to s. N a (A b- Tu r- Al n- Ca l-Q z- M nz ) e Ca - Fe (A ct -M ag -A ln -A p- Ep ), KI (K fs I- Q z- H em -C al - Tt n) , a lte ra çã o pr op ilí tic a (C hl -E p- Ca l c om S d- Ab -H em ) e KI I ( Kf s II) Cc p- Py ; su bo rd in ad os M lr- G n- Bn -C c- D is se m in aç õe s, ve io s e br ec ha s 50 0 M t @ 1% Cu ; 0 ,3 g /t A u H uh n et a l. (1 99 9) ; Ri be iro e t a l. (2 00 9) ; Cr av ei ro , X av ie r e Vi lla s (2 01 9) ; Cr av ei ro , X av ie r e Vi lla s (2 02 0) 5 (3 0 e 31 ) Vi sc on de (N E e EN E) Fe -C u- Au - U _E TR D ep ós ito IO CG / Po lim et ál ic o( ?) M et ag ra ni to V ila Se rr a D ou ra da , Su pe rg ru po Ita ca iú na s G ra ni to S er ra D ou ra da , r oc ha s m et av ul câ ni ca s fé ls ic as e m áf ic as e m et ag ab ro s N a (A b- Sc p) , N a- Ca (A b- Ac t- Sc p- M ag -E p) , K (B t- Kf s- Tu r) , Ca -M g (C hl -A ct -E p- Ca l) Cc p - B n Br ec ha s, v ei os , vê nu la s 20 -5 0 M t @ 1% Cu ; 0 ,2 8 g/ t A u Cr av ei ro , V ill as e Si lv a (2 01 2) ; S ilv a et al . ( 20 14 ) 6 (2 8) Se qu ei rin ho (S eq oe st e) Fe -C u- Au -N i- Co -P d- Se -V -P - U -E TR D ep ós ito IO CG G ru po S eq ue iri nh o, G ra ni to Se qu ei rin ho , G ab ro Sa nt a In ês Ro ch as m et av ul câ ni ca s fé ls ic as , m et ag ra ni to s e ga br os N a (A b- H em >> Sc p- Tu r) , N a- Ca (A ct -H s- Ab ) c om M ag - Ap -C al -E p- Q z- Tt n- Al n- Th r e K (K fs -B t r ic a em c lo ro ± Tu r- Sc p) p ou co e xp re ss iv a Cc p - ( Py -S ig - M lr< > Si e- M lr- M ol B re ch as e v ei os 35 5 M t @ 1, 1% Cu ; 0 ,2 8g /t A u La nc as te r e t a l. (2 00 0) ; M on te iro e t al . ( 20 08 ); M or et o et al . ( 20 15 a) 9 Pi st a Fe -C u- Au -N i- Co -P d- Se -V -P - U -E TR D ep ós ito IO CG G ru po S eq ue iri nh o M et av ul câ ni ca fé ls ic a in te rc al ad a a le nt es de m et au ltr am áf ic a N a (A b- H em >S cp -T ur ), N a- Ca (A ct -H st -A b) c om M ag -A p- Ca l-E p- Q z- Tt n- Al n- Th r, K (K fs -B t- Ch l ± Tu r- Sc p) e Cl or iti za çã o (C al -E p) c om Tt n, R t, Ap e A b. Cc p- (P o- Py - M ol << Si e- M lr- Sp ) D is se m in ad a ao lo ng o da fo lia çã o e em b re ch a st oc kw or k 35 5 M t @ 1 ,1 % Cu ; 0 ,2 8g /t A u La nc as te r e t a l. (2 00 0) ; M on te iro e t al . ( 20 08 ); M or et o (2 01 3) Ta be la 3 .1 - L is ta d e de pó si to s e oc or rê nc ia s m in er ai s de C u ut ili za da s ne st e tr ab al ho , s ua s pr in ci pa is ca ra te rís tic as e co nô m ic as e m et al og en ét ic as . | Ev ol uç ão C ru st al e M et al og en ia d a Pr ov ín ci a M in er al d o Ta pa jó s – A RI M T AP AJ Ó S | | 17 | N . DE PÓ SI TO - O CO RR ÊN CI A AS SI NA TU RA M ET ÁL IC A GR AU D E IM PO RT ÂN CI A TI PO LO G IA U N ID AD E ES TR AT IG RÁ FI CA EN CA IX AN TE / H O SP ED EI RA AL TE RA ÇÃ O H ID RO TE RM AL SU LF ET O S M O D O D E O CO RR ÊN CI A RE CU RS O S G LO BA IS RE FE RÊ N CI A 10 Se rr a D ou ra da Cu -A u G ar im po M et ag ra ni to V ila Se rr a D ou ra da , Fo rm aç ão Pa ra ua pe ba s Bt x is to , K fs -Q z- Se r xi st o e m et ag ra ni to Q z- Se r- Ep -C hl -A p- M ag -M nz Cc p (C u na tiv o, M lc ) Ve io s Ta va re s (2 01 4) 11 So ss eg o Fe -C u- Au -N i- Co -P d- Se -V - P- Pb -S n- Rb -Y - N b- ET R D ep ós ito IO CG G ra ni to G ra no fír ic o So ss eg o, G ra ni to C ur ra l, M et at on al ito Ca m pi na v er de G ra ni to s e ga br o N a e N a- Ca (A b- Ac t- M ag - Ap ) < < K (B t r ic a em c lo ro - Kf s- Q z± M ag ), cl or iti za çã o e ca rb on at iz aç ão ; a lte ra çã o hi dr ol íti ca ta rd ia (S er -H em - Q z- Ch l-C al ) Cc p- (P y> >S ie - M lr- M ol Br ec ha s e ve io s 35 5 M t @ 1, 1% Cu ; 0 ,2 8 g/ t A u La nc as te r e t a l. (2 00 0) ; M on te iro e t al . ( 20 08 ); M or et o et a l. (2 01 5a ) 12 Se rr a do R ab o Cu In dí ci o IO CG Fo rm aç ão Pa ra ua pe ba s M et av ul câ ni ca In te rm ed iá ria Si lic ifi ca çã o e Cl or iti za çã o Cc p (M lc ) Br ec ha s Ta va re s (2 01 4) 13 Ba ia no Fe -C u- Au -N i- Co -P d- Se -V - P- U -E TR D ep ós ito IO CG G ra ni to Se qu ei rin ho e G ab ro S an ta In ês M et ag ra ni to e ga br on or ito N a (A b- H em >> Sc -T ur ), Q z- Ep , N a- Ca (A ct -H st -A b) c om M ag -A p- Ca l-E p- Q z- Tt n- Al n- Th r e K (K fs -B t- Ch l) Cc p Ve io s 35 5 M t @ 1, 1% Cu ; 0 ,2 8 g/ t A u La nc as te r e t a l. (2 00 0) ; M on te iro e t al . ( 20 08 ) 14 (2 9) Ba ca ba (B ac ab a N or te ) Cu -F e- N i-T e- Ag -P b- U -S n- W -E TR -T h- P D ep ós ito IO CG G ra ni to S er ra D ou ra da , T on al ito Ba ca ba G ra ni to id e e to na lit o co rt ad os p or in tr us õe s ga br oi ca s N a (A b- H em -S cp ), si lic ifi ca çã o, K -F e (K fs -B t- M ag ), cl or iti za çã o (± E p) e al te ra çã o hi dr ol íti ca (S er - H em -Q z- Ca l) Cc p- Bn -P y- Cc -G n Ve io s, z on as de s ub st itu iç ão na fo lia çã o m ilo ní tic a 20 -5 0 M t @ 1% Cu 0 ,2 8 g/ t A u Au gu st o et a l. (2 00 8) ; M or et o et al . ( 20 11 ), Pe st ilh o et a l. (2 02 0) 15 11 8 Fe -C u- Au D ep ós ito IO CG / Po lim et ál ic o( ?) G ru po G rã o Pa rá , G ra ni to s in tr us iv os e D iq ue s ar qu ea no s Ro ch as m et av ul câ ni ca s m áf ic as e fé ls ic as , ro ch as g ra ní tic as re co rt ad os p or di qu es d ac íti co s e rio lít ic os p or fir íti co s N a (S cp -A b) in ic ia l, K (B t ou K fs c om ó xi do s de fe rr o (H em ) e s ili ci fic aç ão , am pl a cl or iti za çã o e ca rb on at iz aç ão Cc p- Bn -P y Br ec ha s e ve io s (s to ck w or k) 17 0 M t @ 1 % Cu ; 0, 3 g/ t A u Ri go n et a l. (2 00 0) ; To rr es i e t a l. (2 01 2) ; Ta lla ric o (2 00 3) 16 Ja to bá Fe -C u- Au -Z n- N i-C o- U D ep ós ito IO CG / Po lim et ál ic o( ?) G ru po G rã o Pa rá Ro ch as m et av ul câ ni ca s m áf ic as e ác id as , b re ch as vu lc an oc lá st ic as fé ls ic as D is ta l ( K- Fe -S i – B t, Q z, M ag ; N a- Ca – A b, S cp ; Fe -P rg ; K fs ), pr in ci pa l ( Ca - K- Fe – S cp , H s, M ag , C l-B t, Ch l-A p, K fs A ct , H bl , A ln ) e ta rd ia (K -F e- Ca -M g – Sc p, H s, K fs , C l-B t, Ch l, Ab e C al ). i) N i-P o, N i- Py , C o- Cc p, Co -P n; ii ) Co -C cp ± N i-P y, N i-P o; ii) C o- Cc p, S ie ± Co -P y; iv ) Cc p, C o- Cc p, Co Py , S p, M ol Ve io s, b re ch as hi dr ot er m ai s, di ss em in ad o e st oc kw or ks Ve lo so , M on te iro e Ju lia ni (2 01 9) Ve lo so , M on te iro e Ju lia ni (2 02 0) 17 Re gi ão d a Vi la P la na lto (P ed re ira d o D an ilo ) Cu In dí ci o M et at on al ito Ca m pi na V er de G ra no di or ito po rf irí tic o Fe m et as so m at is m o e si lic ifi ca çã o Cc p, B n V ei os Ta va re s (2 01 4) 18 Re giã o de Se rr a Do ur ad a, 6 km a n or te (F T- 59 9; LW 43 b pr óx im o) Cu O co rr ên ci a M et at on al ito Ca m pi na V er de Bi ot ita -g ra no di or ito a to na lit o, b io tit ito K (B t) , F e (M ag ), N a- Ca (A b- Sc p- Am p) , C a (E p, A p- Al l), Ch l, si lic ifi ca çã o (Q z) Cc p (M lc )- Py Ve io s e br ec ha s co m m at riz d e su lfe to -m ag Ta va re s (2 01 4) ; E st e pr oj et o Ta be la 3 .2 - L is ta d e de pó si to s e oc or rê nc ia s m in er ai s de C u ut ili za da s ne st e tr ab al ho , s ua s pr in ci pa is ca ra te rís tic as e co nô m ic as e m et al og en ét ic as . | 18 | | SG B/ CP RM - Av al ia çã o do s R ec ur so s M in er ai s d o Br as il | N . DE PÓ SI TO - O CO RR ÊN CI A AS SI NA TU RA M ET ÁL IC A GR AU D E IM PO RT ÂN CI A TI PO LO G IA U N ID AD E ES TR AT IG RÁ FI CA EN CA IX AN TE / H O SP ED EI RA AL TE RA ÇÃ O H ID RO TE RM AL SU LF ET O S M O D O D E O CO RR ÊN CI A RE CU RS O S G LO BA IS RE FE RÊ N CI A 19 G ar im po d o D ja lm a Cu O co rr ên ci a G ru po S eq ue iri nh o M et av ul câ ni ca s m áf ic as 20 Ca st an ha Fe -C u- Zn -N i- (C o- Pb -M o- Pd )- P- U -E TR D ep ós ito IO CG Fo rm aç ão Pa ra ua pe ba s Ro ch as m et av ul câ ni ca s ác id as , g ab ro s Si lic ifi ca çã o, N a- Ca (S cp - H st ), M ag , K (B t-T ur ), ca rb on at iz aç ão e a lte ra çã o hi dr ol íti ca (C hl -S er ) Cc p- Po -P y- Sp co m C v- G n- M ol , N i-P y, Co -P en - Su g Vê nu la s, v ei os e br ec ha s Pe st ilh o e M on te iro (2 00 8) 21 Es tr el a Cu - A u- Sn D ep ós ito Po lim et ál ic o G ru po G rã o- Pa rá e gr an ito ti po A M et a- an de si to s e ga br o co m a lte ra çã o K e gr ei se ns p ró xi m o a cú pu la d e ál ca li gr an ito s N a- Ca (Q z- Ab -H st /P rg ), K- Fe (B t - A b -M ag - Cl - Ap - Fl ), tip o gr ei se n (Q z - T ur -M s- Cl - Tp z) , c ar bo na ta çã o Cc p, C o- Py , N i-P o, M ol , Bn , P n, M rc Ve io s e zo na s de b re ch as 23 0 M t @ 0, 5% Cu Li nd en m ay er e t a l. (2 00 5) 22 Pe dr a Br an ca Cu , A u D ep ós ito IO CG / Po lim et ál ic o( ?) M et al eu co gr an ito Ve lh a Ca na dá G ra ni to c is al ha do in tr us iv o em g na is se s e di or ito N a- Ca Cc p - P y - P o Br ec ha s, di ss em in aç õe s na fo lia çã o, ve io s ta rd io s 16 ,7 4 M t @ 2, 29 % d e Cu e 0, 66 g /t A u M ot tr am (2 01 4) ; Es te p ro je to 23 Bo rr ac hu do Cu , A u D ep ós ito IO CG / Po lim et ál ic o( ?) Fo rm aç ão Pa ra ua pe ba s e di qu es g ab ro ic os M et ar rio lit os e m et a- an de si to s e di qu es de m ic ro ga br o Pr ec oc es : N a (a b- es c- ap ), N a- C (G ru -t ur -P rg -A ct ), Fe (M ag -A p) e K (B t - Fk ); ta rd ia s: s ili ci fic aç ão , N a e K, cl or iti za çã o e ca rb on at aç ão Cc p - P y D is se m in aç õe s na s es tr ut ur as dú ct ei s e ve io s, st oc kw or ks e br ec ha s Pr ev ia to (2 01 6) ; Pr ev ia to e t a l. 20 20 24 Sa nt a Lú ci a Cu -A u- Bi -S n D ep ós ito Po lim et ál ic o G rã o- Pa rá Ro ch a su bv ul câ ni ca rio lít ic a, p eg m at ito s N a (A b- H em >> Sc p- Tu r) , C lo rit iz aç ão s in - ci sa lh am en to (I O CG ), gr ei se n (Q z- M s- Tu r) , K (K fs -H m ) Cc p - S p - P o - P y Br ec ha s, v ei os de q ua rt zo le ito so e di ss em in ad a H un ge r ( 20 15 ); H un ge r e t a l. (2 02 1) 25 Ba cu ri Cu -A u- Co -N i D ep ós ito IO CG / Po lim et ál ic o( ?) G ra ni to S er ra D ou ra da , P ór fir o Ba cu ri, g ab ro s e ro ch as m et a- ul tr am áf ic as G ra ni to P ór fir o Ba cu ri, g ab ro s e ro ch as m et au ltr am áf ic as N a (A b, S cp -M ag ) K -f sp e Bt -S cp -M ag ; a lte ra çã o cl or íti ca , s ili ci fic aç ão ta rd ia s Cc p - P y D is se m in aç õe s, ve io s e br ec ha s M el o et a l. (2 01 4) ; M ar qu es (2 01 5) 26 Al vo S er ra Ve rd e Cu -A u O co rr ên ci a IO CG / Po lim et ál ic o( ?) Fo rm aç ão Pa ra ua pe ba s M et am áf ic a Cc p V ei o Ar aú jo e M ai a (2 01 1) 27 Cr is ta lin o 88 Cu -A u D ep ós ito IO CG Su íte P la na lto M et ag ra ni to s Ve io Ar aú jo e M ai a (1 99 1) 28 Al vo T ar za n Fe -C u- Co D ep ós ito VH M S (? ) / Po lim et ál ic o Fo rm aç ão Ig ar ap é Ci ga rr a G ra uv ac as , rit m ito s, a re ni to s co ng lo m er ad os e pe lit os Pr in ci pa l ( Cl or iti za çã o) , se cu nd ár ia (C hl -M s- Q z- Ca l-B t) Cc p- Py -P o- Co b N ód ul os e la ye rs (p rin ci pa l); ve io s, v ên ul as , br eh ca s e di ss em in aç õe s (s ec ud ár ia s) Pi nh ei ro (2 01 9 Ta be la 3 .3 - L is ta d e de pó si to s e oc or rê nc ia s m in er ai s de C u ut ili za da s ne st e tr ab al ho , s ua s pr in ci pa is ca ra te rís tic as e co nô m ic as e m et al og en ét ic as . Ab re vi at ur as m in er ai s – Ac t: ac tin ol ita ; A b: a lb ita ; A ln : a lla ni ta ; A lm : a lm an di na ; A m p: a nf ib ól io ; A p: a pa tit a; B is : b is m ut in ita ; B n: b or ni ta ; B t: bi ot ita ; C al : c al ci ta ; C ar b: c ar bo na to ; C c: c al co ci ta ; C cp : c al co pi rit a; C ob : c ob al tit a; C st : c as si te rit a; C v: c ov el ita ; Ep : e pi do to ; F l: flu or ita ; G n: g al en a; G ru : g ru ne rit a; H st : h as tin gs ita ; H bl : h or nb le nd a; H em : h em at ita ; K fs : f el ds pa to p ot ás si co ; M ag : m ag ne tit a; M rc : m ar ca ss ita ; M lr: m ill er ita ; M lc : m al aq ui ta ; M nz : m on az ita ; M ol : m ol ib de ni ta ; M s: m us co vi ta ; O px : o rt o- pi ro xê ni o; P hl : f lo go pi ta ; P l: pl ag io cl ás io ; P n: p en tla nd ita ; P o: p irr ot ita ; P rg : p ar ga si ta ; P y: p iri ta ; S cp : s ca po lit a; S d: s id er ita ; S er : s er ic ita ; S ie : s ie ge ni ta ; S p: e sf al er ita ; S ug : s ug ak iit a; Q z: q ua rt zo ; R t: ru til o; T hr : t ho tr ita ; T lc : t al co ; T r: tr em ol ita ; T pz : t op áz io ; Tt n: ti ta ni ta ; T ur : t ur m al in a. | 19 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | É marcado pela superposição de estágios de alteração hidrotermal, destacando-se um estágio inicial sódico (albita-escapolita-turmalina), seguido de alteração potássica (biotita-allanita) condicionado a estruturas dúcteis, e alterações Na-Ca com actinolita-magnetita, mais restrita. Estágios tardios com clorita, sericita, K-feldspato, hematita, epidoto, albita ocorrem princi- palmente associados a veios, vênulas e stockworks. O minério ocorre tanto disseminado, ao longo dos planos de foliação, quanto em brechas hidrotermais (Figura 3.2 C). Calcopirita e bornita, com pentlandita, molibdenita, calcocita-covelita subordinadas, formam a principal assembleia sulfetada. Idades Pb-Pb em calcopirita em torno de 2,73-2,74 Ga posicionam o depósito como um IOCG neoarqueano (Silva et al., 2015). O Alvo Bacaba (Augusto et al., 2008; Moreto et al. 2011; Pestilho et al., 2020) localiza-se a 7 km a ENE do Depósito Sossego, e é hospedado pelo Granito Serra Figura 3.2 - Aspectos típicos das mineralizações do Cinturão Sul do Cobre. A) brecha com cimento de calcopirita e clastos de rocha hidrotermalizada no Depósito Sossego; B) minério disseminado ao longo dos planos de foliação de rocha hidrotermalizada em garimpo na região de Serra Dourada; C) brecha com alta proporção cimento/clastos, cimento de calcopirita e magnetita no Depósito Visconde; D) brecha com cimento de calcopirita e pirrotita no Depósito Pedra Branca; E) dois tipos de minério no Depósito Santa Lúcia: na parte superior da foto, minério maciço deformado (neoarqueano) e, na parte inferior, minério em brecha cortando a zona silicificada (paleoproterozoico? 1,88 Ga?); F) rocha com presença de malaquita em zona de alteração supergênica sobre o minério sulfetado no Garimpo do Dimas. Fonte: arquivo fotográfico da equipe deste trabalho. A B D FE C | 20 | | Serviço Geológico do Brasil - Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil | Dourada (2,85 Ga), tonalito Bacaba (3,0 Ga) e rochas gabroicas. Caracteriza-se por albitização inicial, escapo- litização, seguidas de alteração potássica e formação de magnetita, e alteração tardia com clorita-epidoto-carbo- nato e sericitização. Os corpos de minério ocorrem com: a) calcopirita ± magnetita ± bornita, zonas de alteração K-Fe; e b) calcopirita ± pirita ± hematita/musketovita, relacionada às alterações tardias. A associação de sulfe- tos e óxidos descrita e a presença de galena, teluretos, uraninita e cassiterita conferem uma assinatura metálica de Cu-Fe-Ni-Te-Ag-Pb-U-Sn, compatível com depósitos IOCG. De acordo com Pestilho et al. (2020), o depósito evoluiu pela mistura de um fluido magmático quente (> 450 °C) hipersalino (> 30% em massa equivalente) com um menos salino, mais frio e empobrecido em 18O e enriquecido em D (p. ex. água do mar ou água meteórica). Esse processo resultou na elevação da oxidação, diluição e queda de temperatura (160-190 °C), desencadeando a precipitação do minério. O alvo de Cu-(Zn-Ni) Castanha (Pestilho; Monteiro, 2008; Pestilho et al., 2020) está localizado a 7 km a NE do Depósito Sossego. É hospedado, principalmente, por rochas metavulcânicas ácidas porfiríticas (Supergrupo Itacaiúnas) e por corpos de gabro. O conjunto de hospe- deiras mostra-se foliado e alterado hidrotermalmente, incluindo: alteração sódica (com albita e escapolita) precoce, seguida de sódico-cálcica (actinolita-magnetita), potássica (biotita), e sericitização e cloritização tardias. O minério ocorre, principalmente, como vênulas, veios e brechas, preenchidos por calcopirita, pirrotita, pirita, esfalerita, marcassita, além de galena, Pd-melonita, cobalto-pentlandita, sugakiita, Ni-pirita e molibdenita. As zonas de minério são ricas em carbonatos, minerais ricos em ETR e epidoto. As brechas ocorrem, predo- minantemente, cortando zonas foliadas, sugerindo a superposição de estágios mineralizadores nas mesmas estruturas. Estudos de isótopos de O, D, C e S e inclusões fluidas sugerem forte componente magmático, enquanto fonte dos fluidos e processos de interação fluido/rocha (com elevação do pH) como principais mecanismos desencadeadores da precipitação de minério (Pestilho et al., 2020). O Depósito Bacuri (Melo, 2011; Melo et al., 2014) está localizado a 9 km a ENE do Depósito Sossego. É hospedado pelo Granito Serra Dourada, Dacito Bacuri e gabros, que registraram os seguintes estágios de alteração: albitização, silicificação, escapolitização, alteração potássica (com biotita), alteração potássica com feldspato potássico, cloritização e sericitização. A mineralização de cobre, representada por calcopirita- pirita-magnetita, é interpretada como do tipo IOCG. Os corpos são estruturalmente controlados ao longo de estruturas de direção NE-SW, com os sulfetos dispostos ao longo da foliação milonítica, associados às zonas de cloritização e alteração potássica, ou preenchendo veios com quartzo-muscovita-fluorita. Datações Re-Os em molibdenita e U-Pb em monazita (de zonas cloríticas associadas ao minério) forneceram idades de 2,76 e 2,70 Ga, respectivamente, posicionando o depósito no Neoarqueano (Moreto et al., 2015a). O depósito de Cu-Ni Jatobá (Veloso; Monteiro; Juliani, 2019; Veloso; Monteiro; Juliani, 2020) é hospedado por dacitos porfiríticos, rochas metavulcânicas félsicas e máficas e gabros. As rochas são afetadas por alteração hidrotermal, sobretudo alteração sódica (albita-escapo- lita), alteração potássica (biotita-feldspato potássico), formação de óxidos de ferro, e alterações de menor tem- peratura tardias (sericita, clorita, epidoto e carbonato). Calcopirita, pirrotita, pentlandita, esfalerita, molibdenita e marcassita representam a principal assembleia sulfetada, atribuídas a um sistema do tipo IOCG rico em Ni. Veloso, Monteiro e Juliani (2020) interpretam que o depósito foi formado a partir de fluidos inicialmente hipersalinos, metalíferos e muito quentes (~ 600 °C). Tais condições permitiram a lixiviação de Ni de rochas máficas e máfico- ultramáficas e o transporte por esses fluidos. Episódios de descompressão foram responsáveis pela precipitação do minério rico em Ni e, em estágios tardios, a redução da temperatura (< 380 °C) favoreceu a precipitação do minério rico em calcopirita. O Depósito 118 (Albuquerque et al., 2001; Torresi et al., 2012) situa-se na porção sul-sudeste da Serra de Carajás, a cerca de 10 km a WNW do Depósito Sossego. É hospedado por rochas vulcânicas máficas a interme- diárias, além de corpos graníticos e gabroicos alterados hidrotermalmente. A sequência de alteração reconhecida no depósito inclui: a) alteração sódica precoce, com escapolita e albita; b) alteração potássica (com biotita e K-feldspato) acompanhada de magnetita e silicificação; c) alteração clorítica, associada a zonas de brechas e stockworks mineralizados; e d) alteração com quartzo- -sericita, tardia à mineralização. O minério é formado por brechas, veios e stockworks de orientação NW-SE. A associação calcopirita ± bornita representa a assem- bleia sulfetada, geralmente acompanhadas de magne- tita, hematita, traços de teluretos de Au-Ag, galena e cassiterita (Torresi et al., 2012). As datações Pb-Pb em xenotima do minério forneceram idades em torno de 1,86 Ga (Tallarico, 2003). Torresi et al. (2012) interpretam o Depósito 118 como do tipo IOCG, que registra estágios de alterações precoces típicas de porções profundas, cau- sadas por fluidos magmáticos e/ou salmouras quentes, e alterações tardias (incluindo a mineralização principal) típicas de nível crustal raso, envolvendo o influxo de águas meteóricas. O depósito de Cu-Co Tarzan (Pinheiro, 2019) está localizado na porção NW da área, na região da Serra Sul. É hospedado por rochas clásticas (grauvacas, | 21 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | conglomerados e pelitos) atribuídas ao topo do Super- grupo Itacaiúnas (Formação Cigarra), além de um dio- rito. A principal paragênese hidrotermal é de clorita ± sericita ± quartzo. Dois tipos de minério sulfetado são descritos: a) pirrotita-cobaltita-calcopirita em nódulos e layers concordantes ao acamamento sedimentar; e b) calcopirita-pirita em disseminações, veios, brechas e stockworks. Tais características sugerem tratar-se de um depósito de evolução policíclica, com um estágio singené- tico à sedimentação da Formação Igarapé Cigarra e um epigenético, tardio. Em virtude da presença de teluretos de Ag e Bi, além de minerais acessórios de Sn e ETRL, Pinheiro (2019) correlaciona esse estágio epigenético ao tipo polimetálico paleoproterozoico. O Depósito GT-34 está localizado a 12 km a SW da Mina Sequeirinho, e representa um depósito IOCG rico em Ni (Siepierski, 2008; Garcia et al., 2020). É hospe- dado em ortognaisses do Complexo Xingu, deformados segundo a orientação NE-SW (subvertical) e alterados hidrotermalmente. Os estágios de alteração reconhe- cidos são: a) alterações precoces pervasivas dos tipos Na-Mg (marialita-ortopiroxênio) e Ca (hornblenda- plagioclásio-clinopiroxênio); e b) alterações K-Fe, com magnetita-flogopita-talco e hematita-K-feldspato-albita- quartzo-clorita-calcita-epidoto, fissurais. O minério sul- fetado, rico em Ni, acompanha a estruturação, e ocorre na forma de brechas com a matriz rica em pentlandita- pirrotita-apatita. Veios tardios, com calcopirita-pirrotita- magnetita e milerita-pirita-apatita, são menos comuns, e interpretados como remobilizações do minério precoce. As paragêneses de alteração sugerem temperaturas > 700 °C nos estágios precoces (com ortopiroxênio), e pressões entre 5-7 kbar, o que levou Siepierski (2008) e Garcia et al. (2020) a interpretá-lo como o depósito IOCG de Carajás formado em condições mais profundas. Datações U-Pb em zircão, das zonas de alteração Na-Mg inicial e tardia K-Fe, forneceram uma idade concordante de 2724 ± 4 Ma, corroborando a idade neoarqueana para o depósito (Garcia et al., 2020). O depósito de Cu-Au Cristalino está localizado na Serra do Rabo, na extremidade da Falha Carajás (Huhn et al., 1999; Ribeiro et al., 2009; Craveiro; Xavier; Villas, 2019, 2020), e representa um dos mais importantes depósitos da PMC, com reservas estimadas em 500 Mt @ 1% Cu; 0,3 g/t Au. É hospedado por rochas metavul- cânicas félsicas, intermediárias e máficas, e intrusões dioríticas, alteradas hidrotermalmente. Foram reconhe- cidas zonas de alteração hidrotermal sódicas precoces, seguidas por alterações cálcico-férrica, potássica, pro- pilítica e carbonatação. As alterações ocorreram sob regimes estruturais que evoluíram de rúptil-dúctil para rúptil. Dois tipos de mineralizações foram descritos: a) uma precoce, com calcopirita-pirita-magnetita-ouro; e b) uma tardia com calcopirita-pirita-hematita-ouro. Estudos de inclusões fluidas mostram que o depósito foi gerado a partir de fluidos inicialmente muito quentes e hipersalinos (~ 550  °C e 55% em peso equiv. de NaCl), que evoluíram com redução da temperatura e diluição (250 °C e 7,8% em peso equiv. de NaCl), resultando na precipitação do minério (Craveiro; Xavier; Villas, 2020). Os dados de isótopos estáveis sugerem fontes mistas para os componentes do sistema, incluindo S com assinatura magmática, C com assinatura mantélica, e assinaturas de D e O derivadas de fluidos magmáticos misturados tardiamente a fluidos meteóricos (Ribeiro et al. 2009; Craveiro; Xavier; Villas, 2020). O depósito é interpretado como do tipo IOCG, multiestágio, com evidências de mineralização no Neoarqueano e no Paleoproterozoico. O Depósito Borrachudo (Previato, 2016; Previato et al., 2020) está localizado na Serra do Rabo, a cerca de 4 km do Depósito Cristalino. É hospedado por rochas vulcânicas félsicas, intermediárias e máficas atribuídas à Formação Parauapebas. Tais rochas exibem forte alteração hidro- termal, agrupadas em dois estágios principais: a) precoce, com biotita-quartzo-clorita e escapolita, associada à deformação em estágio dúctil e rúptil-dúctil; e b) tardio, com quartzo-carbonato-feldspato potássico-clorita- epidoto e sericita, relacionado a estruturas rúpteis. O minério ocorre subordinadamente nos planos de folia- ção, em maciços ou disseminações, e predominantemente em veios, vênulas, stockworks e brechas, relacionados ao estágio de alteração tardio. Calcopirita representa o prin- cipal mineral de minério, com pirita, magnetita, millerita, bravoíta e colbatita em menor proporção. Previato (2016) e Previato et al. (2020) interpretam o Depósito Borrachudo como do tipo IOCG, formado em múltiplos estágios, sendo o primeiro menos expressivo e formado em níveis mais profundos, e o segundo considerado como a minerali- zação principal, com características de sistemas IOCG rasos. Para este último, a autora interpreta uma idade de 2,01 Ga (datação U-Pb em titanita), correlacionando-o a eventos tectônicos do Orosiriano. O depósito de Cu-Au de Pedra Branca ocorre na porção sul da área, próximo à Vila Feitosa. É hospedado por gabro/dioritos da Suíte Pium e granitoides da Suíte Planalto deformados segundo a orientação E-W e NE-SW, e hidrotermalmente alterados. A alteração predominan- temente é do tipo sódico-cálcica, pervasiva, concordante com a foliação das rochas, e representada por anfibólios (nas rochas máficas) e albita (nas rochas granitoides). Esses halos são cortados por veios de quartzo-carbonato- albita. O minério sulfetado (calcopirita-pirrotita) ocorre, predominantemente, na forma de brechas discordantes à foliação principal (Figura 3.2 D). Essas brechas cortam as rochas gabro/dioríticas ou se encaixam no contato entre as máficas e os granitoides. A assembleia sulfetada pode ocorrer disseminada nas rochas máficas ou preenchendo fraturas discordantes à foliação dos granitoides Planalto. | 22 | | Serviço Geológico do Brasil - Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil | O aspecto rúptil e discordante dos corpos de minério em relação à foliação sugere estágio tardio, possivelmente paleoproterozoico, para a mineralização do depósito de Pedra Branca. A ausência de magnetita, bem como a pro- ximidade com granitos de 1,88 Ga (Granito Rio Branco) sugerem maior afinidade com o modelo polimetálico. O depósito de Cu-Au (Bi-Sn-W-Mo) Santa Lúcia (Hun- ger, 2015; Hunger et al., 2021) é hospedado por rochas subvulcânicas riolíticas milonitizadas, cortadas por corpos pegmatíticos. São descritas, na área do depósito, zonas de alteração hidrotermal, que compreendem: um estágio precoce de cloritização sin-cisalhamento, sobreposto por halos de alteração potássica (com microclina), grei- senização (quartzo-muscovita-turmalina) e, tardiamente, alteração com sericita-hematita. O estágio de minerali- zação principal (calcopirita ± esfalerita–pirrotita–pirita) é caracterizado por zonas de brechas, veios e dissemi- nações, espacialmente associados às zonas de greisen. Os padrões de alteração e a assinatura geoquímica do depósito, com Bi-Sn-W-Mo, assemelham-se aos obser- vados nos depósitos de Cu-Au polimetálicos associados aos corpos graníticos tipo-A de 1,88 Ga. Entretanto, a ausência desses corpos graníticos próximo ao depósito, bem como a datação de uma monazita da paragênese hidrotermal em 2688  ±  27 Ma (U-Pb SHRIMP II; Hunger et al., 2021) levaram os autores a interpretarem o Depósito Santa Lúcia como o primeiro polimetálico neoarqueano na província. No atual trabalho, foi também descrito um corpo de minério sulfetado maciço a semimaciço ao longo dos planos de foliação, associado aos estágios precoces de alteração, e possivelmente representando um estilo precoce de mineralização (IOCG?) no Depósito Santa Lúcia (Figura 3.2 E). O depósito de Cu-Au Estrela localiza-se na Serra do Rabo, na terminação SE da Falha Carajás (Santos; Brustolin; Hugn, 2002; Lindenmayer et al., 2005). O minério é hospedado por andesitos, gabros e riolitos do Grupo Grão-Pará, e que ocorrem diretamente sobre a cúpula de um albita-ortoclásio granito de 1,88 Ga (Lindenmayer et al., 2005). As rochas hospedeiras exi- bem padrões de alteração hidrotermal descritos como: cálcico-sódica precoce, seguida por intensa alteração potássica (biotita, siderofilita) e greisenização (quartzo, topázio, fluorita, turmalina, clorita e micas litiníferas), além de carbonatação tardia, mais restrita, e posterior à mineralização (Lindenmayer et al., 2005). Os corpos de minério estão associados a um sistema de veios e vênulas que segue o trend NW-SE da Falha Carajás (San- tos; Brustolin; Hugn, 2002). Calcopirita, pirita e pirrotita representam os principais minerais de minério, além de molibdenita, marcassita e pentlandita subordinadas. Tais sulfetos ocorrem tanto precipitados nos veios e brechas, quanto disseminados nas rochas encaixantes (Santos; Brustolin; Hugn, 2002). | 23 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | 4. MAPA DE FAVORABILIDADE: INTEGRAÇÃO DE DADOS E GERAÇÃO DE ALVOS 4.1. INTRODUÇÃO Os métodos de mapeamento de favorabilidade mine- ral fornecem ferramentas objetivas para a integração de grandes quantidades de dados geocientíficos. O uso de sistemas de informações geográficas (SIG) para esse fim foi demonstrado incialmente nos trabalhos pioneiros de Bonham-Carter, Agterberg e Wright (1988), Bonham- Carter (1994) e Knox-Robinson e Wyborn (1997). Essas técnicas são utilizadas para facilitar a análise e a síntese dos dados geocientíficos, que muitas vezes envolvem análises estatísticas para a parametrização de camadas de dados espaciais, e o reconhecimento de padrões prospectivos. Nas últimas décadas, esses métodos foram aprimo- rados por três motivadores principais (Sun et al., 2019): a) avanços nas técnicas de SIG, que oferecem uma exce- lente ferramenta para coleta, integração, visualização e análise de geoinformação de múltiplas fontes; b) apli- cações da abordagem de sistemas minerais que podem traduzir de forma eficiente a compreensão dos processos mineralizadores e dos critérios de exploração mapeáveis; e c) desenvolvimento e aplicação de métodos estatísticos inovadores e robustos que ponderam e combinam mapas de evidências para criar modelos preditivos confiáveis (Carranza, 2011; Nykänen et al., 2015). O mapeamento de favorabilidade mineral é uma tarefa de tomada de decisão multicritérios, que visa delinear e priorizar áreas prospectivas para exploração de depósitos minerais não descobertos (Carranza; Laborte, 2015). Baseia-se em metodologias de espacialização e integração de dados de campo, analíticos e sensores remotos, atualmente bem suportadas e facilitadas por plataformas de SIG. A elaboração de mapas preditivos tem sido amplamente aplicada na busca de novos depósi- tos, visto que representa uma resposta prática e de baixo custo às cada vez menores taxas de descoberta de novos depósitos (Groves; Santosh, 2015). Esse tipo de aborda- gem tem se mostrado particularmente relevante para exploração greenfield em áreas remotas, especialmente por se tratar de uma ferramenta que reduz os gastos em pesquisa e os riscos aos investimentos. Outro fator que permitiu imenso avanço das técnicas de mapeamento de favorabilidade mineral nos últimos anos foi a aplicação do conceito de sistemas minerais. Esse conceito tem como base o entendimento de que a geração de depósitos minerais resulta de processos geológicos maiores, que envolvem agentes específicos (fluidos, metais, energia, armadilha, etc.), que intera- gem para culminar em condições ideais de precipitação do minério e sua posterior preservação. Dessa forma, permite a definição das feições geológicas prospectivas associadas ao processo mineralizante, auxiliando na busca por novos depósitos (Knox-Robinson; Wyborn, 1994; McCuaig; Hrosnky, 2014). O conceito de sistemas minerais surgiu duas décadas depois do sucesso do conceito de sistema petrolífero, tendo sua elaboração motivada pela diminuição da taxa de sucesso na indústria de exploração mineral (Hagemann et al., 2016). Originalmente introduzido por Wyborn, Heinrich e Jaques (1994) e Knox-Robinson e Wyborn (1997), representa uma abordagem focada na identifi- cação dos processos geológicos essenciais para a gera- ção dos depósitos minerais, que podem ser mapeados para a identificação de áreas prospectivas. O conceito de sistemas minerais pode ser aplicado em estudos de escala regional (província), de distrito ou de depósito, a depender do foco do estudo e dos dados disponíveis. Segundo Groves et al. (2022), desde que o conceito foi proposto, houve um crescente aumento de seu uso na derivação de modelos genéticos holísticos e no auxílio da exploração de alvos em um mundo de decrescentes descobertas minerais. Essa abordagem é particularmente interessante pois os depósitos minerais, em geral, apresentam expressões muito pequenas e difíceis de rastrear, entretanto, os processos geológicos que levam à sua formação possuem expressões espaciais muito maiores e, portanto, mais fáceis de serem identificadas e mapeadas (Figura 4.1) (Wyborn; Heinrich; Jaques, 1994). 4.2. METODOLOGIA Para a elaboração do Mapa de Favorabilidade de Cobre do CSC utilizou-se a abordagem de sistemas mine- rais em conjunto com técnicas de modelagem espacial guiadas pelo conhecimento (knowledge-driven, Bonham- Carter, 1994; Skirrow et al., 2019). A modelagem foi realizada em escala de distrito, e envolveu a geração de mapas de favorabilidade mineral em etapas, visto que há sobreposição de processos mineralizantes na área. Neste item, apresentamos os dados e a metodologia aplicados na elaboração dos mapas de favorabilidade, bem como as discussões acerca dos resultados obtidos. | 24 | | Serviço Geológico do Brasil - Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil | 4.2.1. Definição dos sistemas minerais do CSC: fatores críticos e critérios mapeáveis No CSC, são reconhecidas duas épocas metalogenéti- cas principais associadas a sistemas minerais para cobre, geralmente com ouro associado: uma no Neoarqueano (2,76-2,68 Ga; p. ex.: Moreto et al., 2015a; Hunger et al., 2021) e outra no Paleoproterozoico (1,90-1,88 Ga; p. ex.: Tallarico et al., 2004; Moreto et al., 2015b). Neste trabalho, foram definidos os fatores críticos e respectivos elementos mapeáveis para cada um dos sistemas, que foram denominados como: Sistema Mineral Neoarque- ano (SMA) e Sistema Mineral Paleoproterozoico (SMP). O Sistema Mineral Neoarqueano (SMA) é destacado pela mineralização epigenética de Fe-Cu-Au-(U-ETRL) do tipo IOCG, cujas características principais são: ampla alteração hidrotermal dos tipos sódica e potássica; abundante formação de óxidos de Fe (magnetita/ hematita); contemporaneidade com eventos graníticos; controle por zonas de cisalhamento dúctil; e grandes volumes de sulfeto de cobre. Localmente, também de idade neoarqueana, ocorrem registros de mineralização cuprífera pretérita, singenética à deposição do Super- grupo Itacaiúnas, (Depósito Tarzan; Pinheiro, 2019). Além disso, sistemas IOCG profundos e ricos em Ni são encontrados (ex. GT-34), evidenciando que na escala de distrito, o SMA apresenta depósitos formados em diferentes níveis crustais. O Sistema Mineral Paleoproterozoico (SMP) está associado à volumosa granitogênese do tipo-A e às estruturas formadas sob regime rúptil a rúptil-dúctil, que favoreceram o desenvolvimento de depósitos do tipo IOCG e polimetálicos (Cu-Au-Bi-W-Sn-Mo). Além de serem mais jovens, esses depósitos apresentam padrões de alteração hidrotermal e assinaturas metálicas distintas dos IOCGs arqueanos, são mais rasos, mais oxidados e podem representar remobilizações, no Paleoprotero- zoico, de depósitos do SMA. Com base nos estudos das mineralizações cupro-aurí- feras do CSC (vide Capítulo 3.1), foram elaborados dois quadros conceituais, contendo os fatores críticos à geração de minério para o SMA e para o SMP. Os dados foram orga- nizados em três componentes fundamentais do sistema mineral: 1) fontes de fluidos, metais e ligantes; 2) condutos para a migração de fluidos; 3) gradientes para a deposi- ção do minério. Para cada componente, foram definidos critérios teóricos e mapeáveis, que foram posteriormente transformados em mapas de evidências e receberam pesos conforme sua importância, aplicabilidade e confiabilidade em relação ao sistema mineral (Tabelas 4.1 e 4.2). Figura 4.1 - Modelo de um sistema mineral para depósitos hidrotermais, modificado e traduzido de Knox-Robinson e Wyborn (1997) e Hagemann e Cassidy (2000), sumarizando os componentes mais relevantes na elaboração de um modelo mineralizador geral e na definição de fatores críticos na formação de um depósito, fornecendo exemplos de possíveis critérios mapeáveis. Fonte: | 25 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | CINTURÃO SUL DO COBRE - SISTEMA MINERAL NEOARQUEANO (SMA) Componentes do Sistema Mineral Critérios Teóricos Critérios Mapeáveis Dados de entrada (Mapas de evidência) Importância Aplicabilidade Confiabilidade Total Pesos 1. Fonte de fluídos, metais e ligantes (F) F1. Fontes não- magmáticas de fluidos hipersalinos F1a. Formação Igarapé Cigarra F1a. Dados geológicos: polígonos da unidade Igarapé Cigarra (shp.) alta média-alta alta alta 4 F2. Fontes magmáticas dos fluidos hipersalinos F2a. Granitoides com idade de 2,72 a 2,70 Ga (Metagranito Planalto) F2a. Dados geológico: polígonos da unidade Planalto (shp.), com buffer de 1 km e dist. Euclidiana alta média-alta alta alta 4 F3. Fontes profundas de metais F3a. Corpos máfico- ultramáficos ultraprofundos F3a. Dados magnetométricos: anomalias magnéticas profundas (grande comp. onda) utilizando MVI e GT, shape de litologia. Interpretados corpos profundos alta média-alta baixa média 3 F4. Fontes rasas de metais F4a. Rochas exalativas F4a. Dados geológicos: polígonos da unidade Carajás, com buffer de 100 m alta média-alta alta alta 4 F4b. Rochas máfico- ultramáficas aflorantes F4b. Dados geológicos: polígonos das unidades Parauapebas (máficas), Rio Novo e Sequerinho alta média-alta alta alta 4 2. Condutos para a migração de fluídos (C) C1. Estruturas rasas contemporâ- neas à evolução do sistema IOCG C1a. Contatos litológicos C1a. Contatos (buffer de 500 m): embasamento-bacia, bacia-granitos, greenstones- embasamento e ffb máficas hierarquizados por importância alta média-alta média-alta média- alta 4 C1b. Falhas extensionais e transtensionais coevas à evolução da bacia C1b1. Extensas estruturas dúcteis interpretadas e gerados buffer e distância euclidiana alta média-alta média-alta média- alta 4 C1b2. Extensas estruturas dúcteis interpretadas e gerados densidade de Kernel alta média-alta média-alta média- alta 4 C2. Estruturas profundas C2a. Falhas translitosféricas C2a1. Lineamentos interpretados a partir de produtos aeromagnéticos (Euler, SPI e MVI) alta média-alta média-baixa média- alta 4 C2a2. Lineamentos interpretados a partir de produtos aerogravimétricos alta média-alta média-baixa média- alta 4 3.Gradientes para a deposição do minério (G) G1. Barreiras químicas redutoras/ oxidantes G1a. Rochas com assinatura magnética. Minerais de magnetita G1a. Magnetometria: Magnetization Vector Inversion (MVI) alta alta alta alta 5 G2. Gradientes físico-químicos G2a. Associação geoquímica/ metálica (Fe-Cu- Au-U-P-Th- Ag- Co-Ni-Mo-B-Cr- Ti-As-Ni-Zn e ETRs G2a1. Ag alta alta média-alta alta 4 G2a2. Zn alta alta média-alta alta 4 G2a3. Fator 3 (Co-Cu-Fe-Ni- Sc-Ti-V (+) Sn-Ta (-) alta alta média-alta alta 4 G2a4. Fator 4 (Th-U-Y-ETRL (-)) alta alta média-alta alta 4 G2a5. Fator 6 (Cr (+) /K (-)) alta alta média-alta alta 4 G2b. Alteração K-Ca a Ca-Fe (K-feldspatos, biotita); Minerais de urânio G2b. Dados: gamaespectro- métricos: Kd (Potássio Anômalo) alta alta alta alta 5 G2c. Rochas com assinatura de urânio (anomalias). Minerais de urânio G2c. Dadosgamaespectro- métricos:Urânio Anômalo (Ud) alta alta alta alta 5 Tabela 4.1 - Dados de atributos para os componentes relacionado ao Sistema Mineral Neoarqueano (SMA). | 26 | | Serviço Geológico do Brasil - Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil | CINTURÃO SUL DO COBRE - SISTEMA MINERAL PALEOPROTEROZOICO (SMP) Componentes do Sistema Mineral Critérios Teóricos Critérios Mapeáveis Dados de entrada (Mapas de evidência) Importância Aplicabilidade Confiabilidade Total Peso 1. Fonte de energia, fluídos, metais e ligantes (F) F1. Fontes magmáticas de fluidos hipersalinos F1a. Granitoides com idade de 1,88 Ga F1a. Dados geológicos (shp.): polígonos das unidades graníticas de 1,88 Ga alta alta média-alta alta 4 F2. Fontes rasas de metais F2a. Depósitos IOCG arqueanos F2a. Pontos de IOCGs arqueanos com buffer de 500m+distância euclidiana 1 km alta média-alta média média 3 F2b. Rochas exalativas F2b. Dados geológicos: polígonos da unidade Carajás média-alta média-alta média-alta média- alta 4 2. Condutos para a migração de fluídos (C) C1. Estruturas rasas de alta permeabilidade C1a. Estruturas com silicificação evidente C1a1. Estruturas rúpteis a rúpteis-dúcteis interpretadas (shp) com buffer de 1 km e dist. euclidiana alta média-alta média-alta média- alta 4 C1a2. Estruturas rúpteis a rúpteis-dúcteis interpretadas e gerado densidade de Kernel alta média-alta média-alta média- alta 4 C2. Estruturas rasas de baixa permeabilidade C2a. Estruturas pré 1,88 Ga sem silicificação aparente C2a. Estruturas arqueanas dúcteis interpretadas (shp) com buffer de 1 km e dist. euclidiana média média baixa média- baixa 2 C2b.Contatos granitos paleoproterozoico C2b. Contatos granitos paleoproterozoico (shp) com buffer (500 metros) alta média-alta média-alta média- alta 4 C3. Estruturas profundas C3a. Falhas translitosféricas C3a1. Interpretação de imagens aerogravimétricas alta média-alta média-alta média- alta 4 C3a2. Lineamentos interpretados a partir de produtos aeromagnéticos (Euler, SPI e MVI) alta média-alta média-baixa média- alta 4 3.Gradientes para a deposição do minério (G) G1. Gradientes físico-químicos G1a.Zonas enriquecidas em U G1a. Dados gamaespectrométricos: Urânio Anômalo (Ud) alta alta alta alta 5 G1b. Associação geoquímica / metálica (Cu-Au- U-Th-W-Bi-Be-Li- Yb-Ag-Ti-Mo-Sn- ETRs) G1b1. Fator 2 (Bi-Mo-W (+) / Ba-Ca-Na-Sr (-) alta alta média-alta alta 4 G1b2. Fator 4 (Th-U-Y- ETRL) alta alta média-alta alta 4 G1b3. Fator 5 (Li-Mo (+) / Hf-Sn (-)) média alta média-alta média- alta 4 G1b4. Cobre alta alta alta alta 5 Tabela 4.2 - Dados de atributos para os componentes relacionado ao Sistema Mineral Paleoproterozoico (SMP). Para o SMA (Tabela 4.1), os critérios mapeáveis foram: litotipos favoráveis (rochas metavulcânicas e metassedimentares clásticas e químicas do Supergrupo Itacaiúnas; máficas e ultramáficas do Grupo Sequeiri- nho e granitos da Suíte Planalto) como fonte de fluidos, metais ou ligantes; contatos litológicos, lineamentos estruturais dúcteis (E-W e WNW-ESE, classificados como fase de deformação Dn) e estruturas profundas como condutos para migração de fluidos; assinaturas geoquí- micas (Fe-Cu-Au-U-P-Co-Ni-Cr-Ti-Ni-Zn-ETRs) e assina- turas geofísicas marcadas por anomalias radiométricas (principalmente Urânio Anômalo e Potássio Anômalo) e magnetométricas que marcam os efeitos resultantes dos processos de alteração hidrotermal e são gradientes para deposição de minério. Para o SMP (Tabela 4.2), foram utilizados, como crité- rios mapeáveis das fontes de metais ou ligantes, os litoti- pos favoráveis (granitoides de 1,88 Ga da Suíte Serra dos Carajás e rochas exalativas do Supergrupo Itacaiúnas) e a presença de depósitos IOCG arqueanos; dos condutos para migração de fluidos foram utilizados os contatos dos granitos paleoproterozoicos, as estruturas profundas e os lineamentos estruturais rúpteis a rúpteis-dúcteis (pós Dn: NE-SW e NW-SE) e dúcteis (estruturas Dn, pré | 27 | | Província Mineral de Carajás, PA: Mapa de Favorabilidade para Cobre do Cinturão Sul do Cobre | 1,88Ga; E-W e WNW-ESE); do gradiente de deposição foram utilizadas a assinatura geoquímica (Cu-Au-U-Th- W-Bi-Be-Li-Yb-Mo-Sn-ETRs) e a assinatura geofísica (Urânio Anômalo). 4.2.2. Mapeamento de favorabilidade mineral Uma vez definidos os critérios teóricos (fatores críti- cos) e mapeáveis dos principais sistemas mineralizantes do CSC (SMA e SMP – item 4.2.1), foram selecionados conjuntos de dados espaciais representativos de tais critérios, a partir dos bancos de dados dos projetos de mapeamento mais recentes do SGB-CPRM realizados na área de estudo (Justo; Lopes, 2014; Tavares, 2014; Costa et al., 2016), além de dados gerados e interpretados no presente projeto. Foram utilizadas bases de dados de litologia, geologia estrutural, recursos minerais, geoquí- mica prospectiva e aerogeofísica. Aos conjuntos de dados selecionados, foram aplicadas técnicas de geoprocessamento utilizando o software Arc- Map (versão 10.8.1), e exportados como arquivos do tipo raster, segmentados em vetores específicos (v), e pontuados em relação a sua importância no processo mineralizante, obtendo-se os mapas de evidência (e), relacionados aos distintos sistemas mineralizantes (SMA e SMP). As pontua- ções específicas P(ve), atribuídas a cada vetor, variam de 0 a 10, conforme a importância do processo mapeado para a formação do depósito mineral. Os critérios para pontuação foram: i) 0 significa que não há prospectividade alguma ou nenhuma chance para encontrar depósitos minerais; ii) 1 a 3 significa que o processo é incerto ou de menor impor- tância; iii) 4 a 6, um processo desejável; iv) 7 a 9 significa que os processos relacionados são de grande importância; v) 10 significa que o processo mapeado é essencial para a previsão de depósitos minerais. Além disso, a cada mapa de evidência foi atribuído um peso, W(e), de 1 a 5 (ver Tabelas 4.1 e 4.2), relacionado ao grau de incerteza e confiabilidade, à importância e à aplicabilidade do dado originário. A seguir, são apresentados os dados de entrada, os mapas de evidência gerados e todo o processo de integração dos dados para a geração dos mapas de favo- rabilidade mineral para cobre e ouro no CSC. 4.2.3. Dados de entrada e mapas de evidências 4.2.3.1. Dados geológicos De acordo com Hronsky e Groves (2008) modelos preditivos elaborados em escala de distrito têm como principais dados de entradas o conjunto litoestrutural. Neste contexto, a partir do entendimento dos sistemas minerais para cobre e ouro do CSC, foram seleciona- dos elementos geológicos (litotipos, conjuntos estrutu- rais, etc.) entendidos como críticos para a geração das mineralizações no distrito. Os dados geológicos utiliza- dos na elaboração do mapa do CSC foram extraídos do GeoSGB, sendo a cartografia geológica obtida do mapa ARIM Carajás 1:250.000 (Costa et al., 2016), que integrou dados das folhas SB.22-Z-A-II (Serra dos Carajás; Justo; Lopes, 2014) e SB.22-Z-A-III (Rio Verde; Tavares, 2014). • Litotipos O entendimento dos processos hidrotermais respon- sáveis pela geração das mineralizações de Cu-Au do CSC permite afirmar a importância de determinados litotipos, representados pelas unidades litoestratigráficas, enquanto fatores críticos dentro desses processos. Na definição dos litotipos mais relevantes, foram considerados mais impor- tantes aqueles com evidências de terem sido fontes de fluidos, metais e/ou ligantes, no contexto de cada modelo mineralizador delineado (Tabelas 4.1 e 4.2). Para o SMA, as unidades foram selecionadas, em termos de: a) fontes de fluidos de origem magmática (granitoides com idade de 2,72 a 2,70 Ga); b) fontes de fluidos não magmáticos (Formação Igarapé Cigarra); e c) fontes rasas de metais, incluindo roc