Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 529 Luiz Carlos da Silva et al.Revista Brasileira de Geociências 32(4):529-544, dezembro de 2002 REAVALIAÇÃO DA EVOLUÇÃO GEOLÓGICA EM TERRENOS PRÉ- CAMBRIANOS BRASILEIROS COM BASE EM NOVOS DADOS U-Pb SHRIMP, PARTE III: PROVÍNCIAS BORBOREMA, MANTIQUEIRA MERIDIONAL E RIO NEGRO-JURUENA(*) LUIZ CARLOS DA SILVA 1, RICHARD ARMSTRONG 2, MÁRCIO MARTINS PIMENTEL 3, JAIME SCANDOLARA 4, GILBERTO RAMGRAB 4, WILSON WILDNER 4, LUIZ ALBERTO DE AQUINO ANGELIM 4, ANTÔNIO MAURÍLIO VASCONCELOS 4, GILMAR RIZZOTO 4, MÁRCIO LUIZ DO ESPÍRITO SANTO QUADROS 4, ANDRÉA SANDER4 & ANA LÚCIA ZUCATTI DE ROSA 5 (*) Os seguintes documentos citados no texto: Tabela 1 - localização geográfica das amostras; Tabelas 3 a 21 - resultados analíticos completos; descrição dos métodos e procedimentos analíticos podem ser acessados como anexos do artigo no no site www.sbgeo.org.br ou obtidos com o Autor Senior. 1 - CPRM/IG-UnB (Pesquisador Associado)/Pesquisador do CNPq; 2 - Research School of Earth Sciences – RSES, Australian National University - ANU, Canberra, Austrália; 3 - IG/UnB/Pesquisadores CNPq; 4 - CPRM Autor correspondente: luizcarlos@aneel.gov.br Abstract REASSESSMENT OF THE GEOLOGIC EVOLUTION OF SELECTED PRECAMBRIAN TERRANES IN BRAZIL, BASED ON NEW SHRIMP U-Pb DATA, PART III: BORBOREMA , SOUTHERN MANTIQUEIRA AND RIO NEGRO-JURUENA PROVINCES This paper discusses new SHRIMP U-Pb data for 17 key-exposures (mostly granites and orthogneisses) from the Borborema, Southern Mantiqueira (Pelotas Orogen) and Rio Negro-Juruena provinces. In the Borborema Province (Ceará state) two samples from the Cruzeta Complex TTG orthogneisses, ascribed to the Paleoproterozoic basement, were studied. One revealed Paleoarchean crystallization minimum age of ca. 3270 Ma. Accordingly, the gneiss is interpreted as the oldest continen- tal crustal remnant already recognised in Ceará. The other sample, from the Saboeiro-Aiuaba Granite gave a crystallization age of ca. 625 Ma, suggesting the correlation of this syn-orogenic pluton with the Brasiliano II orogenic system (climax at 630 Ma). In the Paraíba state the granodioritic gneiss pluton ascribed to the Mesoproterozoic Sumé Complex showed a crystallization age of ca. 640 Ma, also indicating that its evolution is associated with the Brasiliano II orogenic system. In the Pernambuco state one widespread orthogneissic unit within the Pernambuco-Alagoas Massif (Belém do São Francisco Complex), mapped as a compo- nent of the Mesoproterozoic Cariris Velho Orogen, yielded a crystallization age of ca. 2079 Ma and metamorphic overprinting at ca. 655 Ma (1σ), without evidence of a Mesoproterozoic (Cariris Velhos) reworking. In the southern part of the province, near the northern margin of the São Francisco Craton, the Santa Maria da Boa Vista (S-type) orthogneiss yielded a crystallisation age of ca. 3070 Ma. In the southern Mantiqueira Province/Pelotas Orogen a foliated granitic pluton (mylonitic) from the Florianópolis Batholith showed Paleoproterozoic protolithic age of ca. 2175 Ma and imprecise Brasiliano age on reprecipitated overgroths. Both results match previous ages obtained on the orthogneisses protoliths from the Águas Mornas complex, the main exposure of reworked basement within the batholith. The large, zoned calc-alkaline pluton of the Maruim Suíte, confirmed its complex post-collisional history relatively to the ca. 650-630 Ma Pelotas Orogen. Two tonalitic rocks yielded crystallization ages of ca. 611 Ma and ca. 608 Ma, whereas a granitic end member a crystallisation age of ca. 580 Ma. An attempt to determine the age of rifting that originated the post-colisional foreland Itajaí Basin, a resedimented volcaniclastic felsic layer was investigated. The CL imagery revealed a very heterogeneous zircon population with a dominant detrital group ranging in age between ca. 1730-1800 Ma. One euhedral volcanic crystal, yielded an apparent age of ca. 608 Ma, interpreted as the best estimate age for the onset of the Itajaí volcanic-sedimentary basin, and a minimum age for the volcanogenic episode. In the SW domain of the Rio Negro- Juruena Province in Mato Grosso state, a pluton related to the Aripuanã Granitic Suite, revealed a crystallization age of ca. 1540 Ma. As the granite is related to Au and Cu-Zn hydrothermal mineralization, this precise geochronologic constraint on its emplacement age is also an important clue for exploratory purposes. In the central domain of the province, in Rondônia state, two orthogneissic units exposed in the vicinities of Ariquemes and Mutum-Paraná were dated at ca. 1660 Ma and ca. 1728 Ma respectively, and attributed to the Jamari Complex. In the same domain, two mylonitic leucogranites exposed close to Cacoal and Espigão do Oeste, belonging to the Serra da Providência Intrusive Suite yielded crystallisation ages of ca. 1522 Ma and ca. 1545 Ma, respectively. The former, showed also solid-state external overgrowths dated at ca. 1400 Ma, owing to recrystallizing processes at the roots of deep seated mylonitic shear zones. Finally, two orthogneissic units with crystallization ages of ca. 1555 Ma and ca. 1545 Ma - coeval with the crytallization age of the Serra da Providência Intrusive Suite - showed metamorphic overgrowths aged at ca. 1325 Ma, suggestive of overprinting by a regional metamorphic event, not reported in previous works on the suite, but already recognised in other associations in the region. Keywords: SHRIMP U-Pb, Borborema Province, Rio Negro-Juruena Province Resumo Esse artigo apresenta os resultados de 17 análises U-Pb SHRIMP em zircão de afloramentos-chaves de plutons graníticos e ortognaisses das províncias Borborema, Mantiqueira meridional (Orógeno Pelotas) e Rio Negro-Juruena. Na Provín- 530 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... INTRODUÇÃO Os novos dados geocronológicos das provín- cias Mantiqueira meridional (Orógeno Pelotas), Borborema e Rio Negro-Juruena aqui apresentados abrangem distintos domínios de cada província e foram obtidos com o objetivo de solucionar problemas estratigráficos salientados durante a execução do Mapa Geológico, Tectônico e de Recursos Minerais do Brasil, 1:2.500.000- SIG (Bizzi et al. 2002) e do programa Carta Geológica do Brasil ao Milionésimo-SIG. Visando consolidar estas cartas, várias geotransversais levantadas nas escalas 1: 250.000 e 1: 100.000 foram reavaliadas em seu conteúdo geológico e estrutural e diver- sas unidades de granitóides e ortognaisses de expressão cartográfica das três províncias amostradas para datação pelo método U-Pb SHRIMP em zircão (Tabela 1). Os resultados estão resumidos na Tabela 2. PROVÍNCIA BORBOREMA Nesta província selecionou-se 5 unidades-chave de distintos domínios para o entendimento da sua evolução. No Ceará, extremidade setentrional da província , selecionou-se 2 unidades previamente cartografadas como Com- plexo Cruzeta, supostamente parte do embasamento paleoproterozóico (Fig. 1). Na extremidade meridional, no limite Pernambuco/ Bahia, entre a Faixa Sergipana (Grupo Macururé) e o fragmento arqueano Riacho Seco, amostrou-se o Ortognaisse San- ta Maria da Boa Vista (Fig. 1). No Terreno Pernambuco-Alagoas, proximidades de Floresta, amostrou-se um ortognaisse do Com- plexo Belém do São Francisco (Fig. 1), supostamente relacionada ao Orógeno Cariris Velhos, do mesoprotezóico tardio. Por fim, a sudoeste da cidade de Sumé, Paraíba, selecionou-se uma amostra do ortognaisse do Complexo Sumé, cuja evolução tectônica se associa à nappe Serra de Jabitacá, limite dos terrenos Alto Pajeú/ Alto Moxotó, da Zona Tranversal (Fig. 1). EMBASAMENTO PALEOARQUEANO: COMPLEXO CRUZE- TA - UNIDADE PEDRAS BRANCAS (AMOSTRA REFO 09) CE O complexo foi definido por Oliveira & Cavalcante (1993) e se localiza na porção NW da Província Borborema, região central do Ceará (Fig. 1). Corresponde ao Maciço Tróia-Pedra Branca (Brito Neves 1975) e ocupa extensão considerável do Domínio Ceará Central. Consiste de terreno do tipo granito-greenstone e compre- ende as unidades Tróia (seqüência metavulcano-sedimentar), Pe- dra Branca (metaplutônicas calci-sódicas) e Mombaça (metaplutônicas sódio-potássicas). As metaplutônicas são inter- pretadas como segmentos de arcos magmáticos juvenis. Estudos geocronológicos recentes (U-Pb convencional e Sm-Nd) atribuem idade de cristalização de ortognaisses TTG entre 2680 e 2860 Ma (neoarqueanas) e de ortognaisses da Unidade Mombaça em 2150 Ma (Fetter 1999). A amostra selecionada provêm da Unidade Pedra Branca e con- siste de tonalito gnáissico de granulação média e forte orientação de minerais máficos. Ao microscópio é um hornblenda-biotita tonalito com textura granoblástica média com relíquias de domíni- os magmáticos hipidiomórficos. A rocha tem foliação proeminen- cia Borborema (Ceará) duas amostras de ortognaisses TTG do Complexo Cruzeta, atribuídos ao embasamento paleoproterozóico foram datadas. Uma delas apresentou a idade mínima de cristalização de ca. 3270 Ma. Dessa forma o gnaisse foi interpretado como o remanescente de crosta continental mais antigo já reconhecido no estado. A outra unidade datada foi o Granito Saboeiro- Aiuaba o qual forneceu a idade de cristalização de ca. 625 Ma, permitindo relacionar esse plúton sinorogênico ao sistema de orógenos Brasiliano II (clímax há 630 Ma). No estado da Paraíba um plúton gnáissico granodidorítico supostamente pertencente ao Complexo Sumé de idade mesoproterozóica apresentou idade de cristalização de ca. 640 Ma também sugerindo evolução local relacionada ao sistema orogênico Brasiliano II. No estado de Pernambuco outra unidade ortognáissica com extensa area de exposição no Maciço Pernambuco-Alagoas (Complexo Belém do São Francisco), mapeada como um componente do Orógeno Cariris Velho de idade mesoproterozóica, apresentou idade de cristalização de ca. 2079 Ma e idade de metamorfismo de ca. 655 Ma (1σ), sem evidências de retrabalhamento durante o evento Cariris Velho. No limite setentrional da Província São Francisco, o ortognaisse (tipo S) Santa Maria da Boa Vista forneceu uma idade de cristalização mesoarqueana de ca. 3070 Ma. Na Província Mantiqueira Meridional (Orógeno Pelotas) um plúton granítico foliado (metagranito) inserido no Batólito Florianópolis apresen- tou idade de do protólito de ca. 2175 Ma e uma idade imprecisa de reprecipitação brasiliana. Esses resultados são coincidentes com dados disponíveis dos protólitos dos gnaisses do Complexo Águas Mornas, a principal área exposta de embasamento retrabalhado no interior do batólito. O extenso plúton zonado cálcio-alcalino da Suíte Maruim confirmou sua evolução complexa pós-colisional. Dois membros tonalíticos forneceram idades de cristalização de ca. 611 Ma e ca. 608 Ma, enquanto que um membro granítico revelou uma idade mais jovem, de ca. 580 Ma. Na tentativa de obter uma idade confiável da abertura da bacia pós-colisional de foreland de Itajaí, uma camada vulcanoclástica de tufito félsico também foi datada. O estudo das imagens de catodoluminescência revelou uma população de zircão muito heterogênea, com um grupo dominante de cristais detríticos com idades entre ca. 1730-1800 Ma. Um cristal euédrico vulcânico sem evidências de retrabalhamento apresentou uma idade aparente (mínima) de ca. 608 Ma, interpretada como a melhor aproximação da idade máxima de abertura da bacia e da idade mínima do evento vulcanogênico. No domínio SW da Província Rio Negro-Juruena no Mato Grosso, um plúton relacionado à Suíte Granítica Aripuanã revelou idade de cristalização de ca. 1540 Ma. Como esse granito é portador de mineralizações hidrotermais de Au e Cu- Zn, a determinação da idade de seu alojamento é importante ferramenta para fins exploratórios. No domínio central da província, em Rondônia, duas unidades ortognáissicas aflorantes nas proximidades de Ariquemes e Mutum-Paraná foram datadas respecti- vamente em ca. 1660 Ma e 1728 Ma, sendo interpretadas como unidades pertencentes ao Complexo Jamari. Nessa mesma região dois leucogranitos miloníticos das proximidades de Cacoal e Espigão do Oeste, pertencentes à Suíte Intrusiva the Serra da Providência, forneceram idades de cristalização de ca. 1522 Ma e ca. 1545 Ma, respectivamente. O primeiro plúton também apresentou sobrecrescimentos externos nos zircões, datados em ca. 1400 Ma, sendo interpretados como associados à recristalização nas raízes de zonas de cisalhamento profundas. Finalments, duas unidades ortognáissicas forneceram idades de cristalização de ca. 1555 Ma e ca. 1545 Ma, similares às idades obtidas pata a Suíte Intrusiva Serra da Providência. Porém essasa unidades apresentam idades de recristalização de ca. 1325 Ma, sugestivas de recristalização em um evento metamórfico regional ainda não relatado para rochas da suíte, embora já reconhecido em outras unidades da região Palavras chaves: datações U-Pb SHRIMP, Província Borborema, Província Rio Negro-Juruena Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 531 Luiz Carlos da Silva et al. Tabela - 2 Síntese dos resultados obtidos te dada pela orientação de hornblenda e biotita. Os resultados analíticos de 9 spots em 9 cristais de zircão cons- tam da Tabela 3 e do diagrama da Figura 2a. A maioria dos dados são fortemente discordantes. A razão média 207Pb/206Pb obtida em 4 spots provenientes de uma mesma população de zircões magmáticos (MSWD = 0.75) forneceu uma idade aparente de 3270 ± 5 Ma, interpretada como a idade mínima de cristalização do protólito. As imagens de CL mostram cristais zonados, com margens metamórficas de alta luminescência (baixo U) que substituem parte de núcleos magmáticos. Uma delas (spot 1.1) forneceu idade 207Pb/206Pb discordante de 2084 ± 14 Ma de significado incerto. A existência de remanescentes de crosta paleoarqueana no ii = Intercepto inferior; HB= hornblenda; BT=biotita, GD = granada; CN= cianita; PE/CE/PB/BA/RO/M T/SC = estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba, Bahia, Rondônia, M ato Grosso, Santa Catarina Amostra Localidade Classificação petrográfica Designação litoestratigráfica Idade aproximada previamente admitida Idade de Cristalização SHRIM P (M a) Idade metamórfica SHRIM P (M a) PROVÍNCIA BORBOREM A In liers do embasamento paleoarqueno retrabalhado CE REFO 09 NW de Boa V iagem HB-BT tonalito gnáissico Complexo Cruzeta 2150 M a 3270± 5 Sistema orogênico Brasiliano II CE REFO 19 Proximidades de Saboeiro HB-BT granodiorito foliado Granodiorito Saboeiro ? 624±9 Inliers do embasamento mesoarqueano retrabalhado/Cráton do São Francisco PE/BA LA 21 ESE de Santa M aria da Boa V ista CN-BT Gnaisse granítico (tipo S) Ortognaisse Santa M aria da Boa V ista ? 3072± 5 870±330 ii In liers do embasamento paleoproterozóico retrabalhado PE LA 13 Proximidades de Floresta BT granodiorito gnáissico Complexo Belém do São Francisco 1070 M a 2079±34 576±96 ii 655±27 (1ó) Sistema orogênico Brasiliano II PB LA 04 Proximidades de Sumé HB granodiorito foliado Complexo Sumé mesoproterozóica 640±6 PROVÍNCIA M ANTIQUEIRA M ERIDION AL (ORÓGENO PELOTAS)/SISTEM A OROGÊNICO BRASILIANO II In liers do embasamento paleoproterozóico retrabalhado SC LC 07 Ponta do Corre M ar ou do Cabeço BT granito foliado Complexo Águas M ornas neoproterozóica? 2174±22? 868±330 ii Granitó ides pós-collisionais SC LC 05 Vargem Grande HB-BT tonalito Tonalito Forquilha neoproterozóica 611±3 LC 04 Estrada Rancho Queimado- Forquilha Hornblenda microtonalito alterado Tonalito Forquilha neoproterozóica 608±7 LC 06 Alto Varginha HB-BT granodiorito alterado Graniro Alto Varginha neoproterozóica 579±8 Vulcanismo félsico da bacia (tardi a pós-tectônica) do Itajaí SC LC 63 Gaspar Tufito Grupo Itajaí neoproterozóica/ cambriana 606±8 (1ó) zircão vulcânico (Idade M áxima de abertura) ca.1790 (Idade máxima de fonte) CRÁTON AM AZÔNIA CIDENTAL/PROV ÍNCIA RIO NEGRO-JU RUEN A Granito Aripuanã M T M Q 33 Proximidades de Aripuanã Granito foliado Granito Aripuanã 1270 M a 1537±8 Embasamento mesoproterozóico RO JS 15 N-NE Ariquemes HB-BT gnaisse granítico Complexo Jamari 1750 M a 1661±11 443+20 ii JS 26 M utum-Paraná Gnaisse quartzo- diorítico Complexo Jamari 1728 ± 15 913 ± 67 ii M agmatismo pós-Jamari (< 1600 M a) RO JS 32 SE de Cacoal Leuco granito milonítico Suíte Intrusiva Serra da Providência 1550 M a 1522±10 1394±5 JS 19 NE de Espigão do Oeste Leuco granito milonítico Suíte Intusiva Serra da Providência 1550 M a 1545±8 JS 16 N-NE Ariquemes BT gnaisse granodiorítico Gnaisse Granodiorítico do Norte de Ariquemes 1550 M a 1555±19 (1ó) 1321±27 ?742±11 (1ó) JS 01 N-NE Ariquemes GD-HB- BTgnaisse granítico Gnaisse Granítico do Norte de Ariquemes 1550 M a 1535±27 1332±11 532 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... Figura 1 - Compartimentação tectônica da Província Borborema. (Modificado de Santos 1996). com a localização das amostras. Legenda: DMC - Domínio Médio Coreaú, DCC - Domínio Ceará Central, BTP - Maciço Tróia-Pedra Branca, TJ - Terreno Jaguaribeano, TRP- Terreno Rio Piranhas, FSE- Faixa Seridó, TJC- Terreno São José do Campestre, NPJ -Núcleo Bom Jesus-Presidente Juscelino, TG- Terreno Granjeiro, FCH- Faixa Cachoeirinha, FIT- Fragmento Itaizinho, FIC- Fragmento Icaiçara, TAP- Terreno Alto Pajeú, TAM- Terreno Alto Moxotó, TRC- Terreno Rio Capibaribe, TPM- Terreno Paulistana-Monte Orebe, TPA- Terreno Pernambuco Alagoas, TCM- Terreno Canindé -Marancó, FPO- Faixa Riacho do Pontal, FS- Faixa Sergipana, DJP- Domo Jirau do Ponciano, CSF- Cráton do São Francisco, LP- Lineamento Patos, LPE- Lineamento Pernambuco, NSJ- Nappe Serra de Jabitacá, zona de cisalhamento contracional, zona de cisalhamento transcorrente dextral, zona de cisalhamento transcorrente sinistral, REFO O9 Local da amostragem C S F FP O FIC F IT FC H L A -13 L A -21 L A -21 R E FO 09 R E FO 19 L A -04 FS E FS E D M C D C C B T P B a c ia do P o tig ua r B acia do Parnaíb a B acia d o A rarip e B acia Pernam buco Paraíba Bac ia Sergipe - A l ag oas R ift e T uc an o - Jatobá FS FS T C M D JP T PM T PA T PA T R C LP E LP NS J TA MTA P T G T J T R P T JC N P J T G Oceano A tlântico embasamento da Província Borborema no Ceará foi preconizada a partir da datação U-Pb SHRIMP de uma população zircões detríticos de metarenitos do Grupo Cachoeirinha, que forneceram a idade máxima de 3278 ± 13 Ma de uma das fontes dos sedimen- tos (Silva et al. 1997). A idade aqui obtida (3270 ± 5 Ma) equivale, dentro do erro do método, à da área-fonte do Grupo Cachoeirinha e é a primeira comprovação da existência de remanescentes de crosta paleoarqueana na região, intepretados como a mais prová- vel fonte dos detritos daquele Grupo. A acresção desse núcleo paleoarqueano, um dos mais antigos na Província Borborema, precedeu à acresção dos gnaisses TTG de Brejinho, datados em ca. 3200 Ma, mas sucedeu à dos gnaisses TTG do Complexo Bom Jesus, datados em ca.3400 Ma (Dantas et al. 1998), ambos no Terreno São José do Campestre (Rio Grande do Norte). A sucessão de arcos acrescionados entre 3270 e 2150 Ma (Fetter 1999) caracteriza a natureza policíclica do complexo e, em conseqüência, demanda novo detalhamento cartográfico para discriminar os distintos componentes, hoje atribuídos a uma úni- ca unidade litoestratigráfica. A idade imprecisa de ca. 2084 Ma de domínios metamórficos de alguns cristais de zircão, sugere que a unidade foi metamorfisada durante evento colisional paleoproterozóico, interpretação que carece de dados adicionais. Sistema de Orógenos Brasiliano II: Complexo Cruzeta/Batólito Saboeiro-Aiuaba (Amostra REFO 19) CE A amostra foi coletada 7Km a norte da cidade de Saboeiro, região Centro-Sul do Ceará, no Domínio Ceará Central. Esta região foi cartografada como parte do Complexo Cruzeta, embasamento da província. No afloramento amostrado, as rochas estão afetadas por zonas de cisalhamento transcorrente e, por isto, exibem foliação milonítica, o que pode levar a sua intepretação como ortognaisses da unidade encaixante. A amostra coletada é de granitóide milonítico cinza, de granulação média, com pronunciada orientação dada pela alternância de ban- das félsicas (quartzo e feldspatos) e máficas (biotita e hornblenda), o que lhe imprime proeminente estrutura gnássica. Lentes de com- posição metamáfica/ultramáfica ocorrem subordinadamente. Ao microscópio é um granodiorito constituído por plagioclásio, feldspato potássico, quartzo e biotita em arranjo granoblástico e lepidoblástico, de granulação média, em domínios quartzo- feldspáticos alternados com bandas ricas em biotita. Localmente ocorrem domínios com textura magmática hipidiomórfica reliquiar. Os resultados analíticos de 15 spots em 14 cristais constam da Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 533 Luiz Carlos da Silva et al. Figura 2 - Diagramas concórdia das amostras da Província Borborema: a) REFO 09; b) REFO 19; c) LA 21(Concórdia expandida); D) LA 21 (Detalhe de Fig. 2c); e) LA 13; f) La 04 Pb/ U a 3200 2800 2400 2000 0 ,25 0 ,35 0 ,55 0 ,65 2 6 10 18 22 26207 235 20 6 P b/ 23 8 U G ru po 1 Idade m ín im a d e cris ta liza ç ão 3269.7 ± 5.1 M a [n =4, M S W D = 0 .7 5 ] H orn b lend a-b io tita ton a lito gn á iss ico d e B oa V iagem R E FO 09 So brecresc im ento m etam órfic o b 66 0 62 0 58 0 54 0 50 0 0,04 0 ,06 0 ,10 0 ,12 8 ,5 9 ,5 11 ,5 12,5 238U/206Pb 20 7 P b/ 2 0 6 P b P b c om um Idade conc órd ia (cris ta liza ç ão ) 624 ± 10 M a [n =9, M S W D = 1 .3 ] B io tita g ran od io rito fo liado d e Sa boe iro R E FO 19 c d 30 00 30 40 31 40 31 60 0,56 0 ,58 0 ,62 0 ,64 17,5 18,5 20,5 21,5207Pb/ 235U 20 6 P b/ 23 8 U 12 .1 3.1 3072 ± 5 M a & 870 ± 330 M a [n =8, M S W D = 0 .8 1 ] A ltera ç ão p ós-m a gm ática Detalhe da figura 2c C ian ita -b io t ita g na isse g ranítico (tipo S ) d e S an ta M aria d a Boa Vis ta LA 21 e f 550 650 750 850 0 ,08 0 ,10 0 ,12 0 ,14 0 ,16 0 ,5 0 ,7 0 ,9 1 ,3 1 ,5207Pb/235U qw ww 3 .1 853 ± 10 M a (xeno cris ta l) 640.0 ± 5.9 M a (cris ta liza ção) [n = 1 0 , M S W D = 0 .9 1 ] 7 H orn b lend a g ran ito fo l iado de S um é L A 04 534 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... Tabela 4 e do diagrama concórdia da figura 2b. Nove análises pertencentes à mesma população magmática (MSWD = 1.3) forne- ceram idade 206Pb/238U de 624 ± 10 Ma, interpretada como a de cristalização magmática. Na região estudada, os granitóides estão afetados por zonas de cisalhamento transcorrente, exibindo forte foliação milonítica, o que induziu sua correlação com os ortognaisses do embasamento. Em zonas de menor strain, seu caráter intrusivo nos gnaisses do embasamento é claro e consistente com a idade de cristalização de ca. 624 Ma aqui obtida. Por isso, o plúton é correlacionado à fase sin a tardi-colisional do batólito Saboeiro-Aiuaba, intrusivo nos gnaisses TTG do Complexo Cruzeta. Possivelmente compõe, jun- tamente com o Batólito Quixadá-Quixeramobim, de idade 585Ma (Fetter 1999), parte de um arco magmático relacionado ao sistema de orógenos Brasiliano II (sensu Silva et al. 2002, Delgado et al. 2002), com clímax há ca. 630 Ma. Embasamento mesoarqueano na área limítrofe norte do Cráton do São Francisco com a Província Borborema: Ortognaisse San- ta Maria da Boa Vista (Amostra LA – 21) PE/BA A unidade ocorre a ESE da cidade homônima, Pernambuco, e aflora em ambas margens do rio São Francisco. O local amostrado localiza-se na margem sul do rio, na Bahia. A unidade está exposta entre a Faixa Sergipana-Grupo Macururé a sul, e o fragmento arqueano Riacho Seco, a norte da Zona de Cisalhamento Macururé (Fig. 1). É um ortognaisse leucocrático rosa, com estrutura gnáissica descontínua de baixo ângulo, ressaltada por quartzo, aluminosilicatos e micas. Ao microscópio é um leucognaisse granítico, bastante alterado, com textura granoblástica média, com biotita titanífera e cianita como principais subordinados. Os resultados analíticos de 17 spots em 17 cristais constam da Tabela 5 e dos diagramas das figuras 2c e d. Oito spots pertencen- tes à mesma população magmática (MSWD = 1.9) alinham-se se- gundo uma discórdia com intercepto superior de 3072± 5 Ma, interpretado como a idade de cristalização do magma granítico, cuja assinatura química e mineralógica indica ser produto de fusão parcial de paragnaisses (tipo S). Os spots 3.1 e 12. 1, situados em margens metamórficas de alta luminescência e que substituem parte dos núcleos magmáticos, apresentam razões 207Pb/206Pb cor- respondentes às idades de 3035±7 Ma e 3052±5 Ma, respectiva- mente (Fig. 2d). Esses resultados sugerem distúrbio pós-cristali- zação de origem não indefinida (hidrotermal?, metamórfica?). A discórdia (Fig. 2c) mostra intercepto inferior muito impreciso de 870±330 Ma, sugestivo de perda de Pb no Neoproterozóico (?). No diagrama observam-se diversos spots resultados discordan- tes , com idades aparentes 206Pb/238U de até 796 ± 5 Ma (1σ) (spot 18.1), devido a distúrbio isotópico, com perda de Pb durante o Neoproterozóico. A idade de ca. 3072 Ma do gnaisse ressalta a presença de rema- nescentes arqueanos neste segmento crustal, interpretado como uma projeção do Bloco de Sobradinho do Cráton do São Francis- co, deslocado por zona de cisalhamento neoproteozóica. A idade mesoarqueana é compatível com a idade isocrônica Rb-Sr de 3.3 Ga (Santos & Silva Filho 1990) obtida em leuco-ortognaisse da região do povoado Uruais (Pernambuco), borda sudeste da Faixa Riacho do Pontal, e que aparenta pertencer ao mesmo segmento crustal. Esta hipótese sugere aloctonia dos grupos Macururé e Estância sobre a placa Sanfranciscana, na região de Curaçá (Bahia), correspondendo à terminação noroeste da Faixa Sergipana. Embasamento paleoproterozóico: Complexo Belém do São Fran- cisco (Amostra LA 13) PE A amostra foi coletada em afloramento situado na BR-316, cerca de 5,7 Km a SW da cidade de Floresta, Pernambuco (Fig. 1). O complexo foi definido por Santos (1995) como uma unidade metaplutônica mesoproterozóica do evento Cariris Velhos (ca 1100-950 Ma). Sua área-tipo é a região compre- endida entre Belém do São Francisco e Floresta (PE), com extensa distribuição no Terreno Pernambuco-Alagoas. O complexo é do- minado por leuco-ortognaisses graníticos e migmatitos associa- dos à zonas de cisalhamento transpressivas. Subordinadamente ocorrem ortognaisses tonalítico-granodioríticos e rochas supracrustais. A unidade se associa à seqüência metavulcano- sedimentar do Complexo Cabrobó, de presumida idade mesoproterozóica. Ambas unidades estão afetadas por tectônica transpressiva, com vergência para WNW, atribuída ao evento colisional do Orógeno Cariris Velho. No local amostrado, a unida- de é representada por gnaisse granítico finamente bandado e com pronunciada orientação de minerais máficos. Ao microscópio é um biotita-hornblenda granodiorito gnáissico, rico em allanita, com textura porfiroclástica caracterizada por augens subcentimétricos de plagioclásio em matiz granoblástica média com foliação dada por minerais máficos. A paragênese é compatí- vel com a fácies anfibolito. Os resultados analíticos de 9 spots em 8 cristais constam da Tabela 6 e do diagrama concórdia da figura 2e. Oito spots de uma mesma população magmática (MSWD = 1.9) alinham-se segundo uma discórdia, com intercepto superior de 2079±34 Ma, interpreta- da como a idade de cristalização magmática. O intercepto inferior de 576±96, sugere perda de Pb no Neoproterozóico. As imagens de CL mostram cristais zonados, com margens de alta luminescência (baixo U), típicas de recristalização metamórfica e que substituem núcleos magmáticos. Um desses domínios gerou uma análise con- cordante (spot 5.1, Tab. 6) que forneceu idade 206Pb/238U de 655±7 Ma (1σ), interpretada como a melhor aproximação da idade do metamorfismo. Lima et al. (1985) obtiveram duas isócronas Rb-Sr nos ortognaisses e migmatitos dessa unidade, as quais que fornece- ram idades de 1070 ± 28 Ma e 1080 ± 75 Ma. Uma idade modelo Sm- Nd de ca. 1330 Ma, compatível com as idades isocrônicas, foi obtida por Santos et al. (1994). A idade de ca. 2070 Ma desses gnaisses não confirmam as interpretações prévias de sua correla- ção com o Orógeno Cariris Velho. A possibilidade de a unidade representar restos do embasamento retrabalhado no mesoproterozóico tampouco tem suporte nos dados obtidos, já que os domínios metamorfizados foram datados em ca. 630 Ma, indicativo de retrabalhamento durante o Brasiliano II. Por outro lado, os ortognaisses do Complexo Belém de São Francisco asse- melham-se a outros fragmentos pré-Cariris Velhos, que ocorrem neste setor oeste do Terreno Pernambuco-Alagoas, a exemplo do fragmento Riacho Seco. Essa idade evidencia uma complexidade geológica ainda não indicada nos mapas disponíveis. Sistema de orógenos Brasiliano II: Complexo Sumé (Amostra LA-04) PB A amostra foi coletada na BR-412, cerca de 6,5 Km a sudoeste da cidade de Sumé, Paraíba (Fig. 1) e é representativa de ortognaisses do Complexo Sumé, como descrito por (Medeiros & Torres 1999). O complexo consiste de uma associação de ortognaisses TTG, com intercalações de metabasitos, metagabros, granada metagabros, metassienitos, mármores, skarns, raras for- mações ferríferas, granulitos, metapiroxenitos e prováveis retroeclogitos. Tem sido interpretado como alóctone e associado à nappe Serra de Jabitacá, limite dos terrenos Alto Pajeú/Alto Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 535 Luiz Carlos da Silva et al. Moxotó, da Zona Tranversal. A amostra é de ortognaisse granítico rosa, de granulação média a grossa e com foliação definida por minerais máficos. Ao microscópio a amostra é de hornblenda granodiorito foliado, com textura granoblástica fina e granoblástica-alongada com re- manescentes de textura hipidiomórfica granular e porfiroclástica, parcialmente recristalizada. A hornblenda está parcialmente cloritizada. Os dados analíticos de 12 spots em 11 cristais constam da Tabe- la 7 e do diagrama concórdia da figura 2f. Dez spots pertencentes à mesma população magmática (MSWD = 0.91) forneceram uma idade 206Pb/238U aparente de 640 ± 6 Ma interpretada como a de cristalização magmática. A análise do spot 3.1 é de núcleo herda- do, com idade aparente de 853±10 Ma. A evolução do Complexo Sumé tem sido atribuída à uma asso- ciação de provável paleossutura que inclui retroeclogitos inter- pretados como fragmentos de crosta oceânica mesoproterozóica, relacionados à orogênese Cariris Velhos (Brito Neves et al. 2000). A associação litológica descrita pelos autores inclui componen- tes magmáticos de assinatura geoquímica depletada, o que sugere provável ambiente de arco intraoceânico acrescido há 640 Ma, durante a implantação de orógeno neoproterozóico. No Brasil, o desenvolvimento de orógenos relacionados à subducção (sensu Sengör 1990), com preservação de arcos intraoceânicos neoproterozóicos são, em geral, precoces e relacionados ao siste- ma de orógenos Brasiliano I (900-700 Ma) (Silva et al.,2002, Delga- do et al., 2002). O orógenos mais primitivos da colagem brasiliana, como os de São Gabriel (RS) e o Arco Magmático de Goiás, desen- volveram-se em resposta ao consumo de um dos ramos do ocea- no neoproterozóico, de idade pré-Adamastor. A idade de 640 Ma aqui obtida representa um episódio de geração de arco intra-oce- ânico tardio do contexto de orógenos brasilianos (Brasiliano II, clímax há 640-610 Ma). Um dos cristais analisados forneceu idade 206Pb/238U aparente de 853 ± 10 (spot 3-1, Fig. 6), o que indica que, apesar da suposta natureza intraoceânica, o magma original foi contaminado por crosta gerada no sistema Brasiliano I. Esses da- dos indicam que a correlação desse complexo com a evolução do orógeno mesoproterozóico Cariris Velho deve ser revista, pelo menos na região estudada. PROVÍNCIA MANTIQUEIRA MERIDIONAL: O ORÓGENO PELOTAS A província Mantiqueira, no sul do Brasil, é um mosaico de terrenos agregados durante a colagem brasiliana. No extremo SE da província, domínio oriental do Cinturão Dom Feliciano (Fragoso-César et al. 1982, Basei 1985), em Santa Catarina, a pro- víncia é representada pelo Orógeno Pelotas (Campos Neto 2000, Silva et al. 2002). Nesse estado o arcabouço do orógeno é forma- do por um fold and thrust belt desenvolvido em resposta à con- vergência da margem passiva (Bacia Brusque) contra o Microcontinente Luís Alves (Basei 1985), constituído por ortognaisses arqueanos de alto grau (Fig. 3). O magmatismo orogênico e pós-orogênico está representado pelo Batólito Florianópolis, exposto em uma área com cerca de 200 km de com- primento por 60 km largura) (Fig. 3). O metamorfismo e colisão do orógeno data de cerca de ca. 630 Ma, como indica a recristalização metamórfica de gnaisses do Complexo Encantadas, na extensão do orógeno no Rio Grande do Sul (Silva et al. 1999). Essa idade, também obtida em outros orógenos da província (Paranapiacaba, Rio Piên e Rio Negro; Cam- pos Neto 2000) permitiu agrupá-los no sistema de orógenos Brasiliano II (Silva 1999, Silva et al. 2002, Delgado et al. 2002). A fase tardi a pós-tectônica está representada por diversas bacias vulcano-sedimentares (Itajaí, Campo Alegre, Corupá) e granitos alcalinos associados ao colapso do orógeno. Inliers do embasamento retrabalhados no Batólito Florianópolis Distintos inliers do embasamento do orógeno, retrabalhados pela injeção do batólito ocorrem no interior do mesmo, estando agru- pados como complexos Camboriú e Águas Mornas (Fig. 3). A sucessão evolutiva da granitogênese em ambos os complexos teve um curso similar, porém com distinto timing. Complexo Camboriú: i) ortognaisse TTG arqueano (G 1 ) com ca. 2500 Ma (Rb- Sr, Basei 1985); ii) uma fase granítica/migmatítica foliada (G 2 ), com ca. 2000 Ma, injetada nos gnaisses G 1 , dos quais derivaria por fusão parcial (Silva et al. 2000). O granitóide da fase G 2 registra intenso retrabalhamento há ca. 590 Ma (Babinski et al. 1997; Silva et al. 2000), possivelmente associado à refusão parcial, durante a injeção do batólito representado por intrusões graníticas tardias (G 3 ). O Complexo Águas Mornas é constituídos por: i) restos de ortognaisses tonalíticos (G 1 ) e anfibolitos com idades não deter- minadas; ii) intercalações granitóides grosseiros foliados (G 2 ) intrusivos na fase G 1, com ca. 2175 Ma (Silva et al. 2000); iii) os granitóides da fase G 2 mostram intenso retrabalhamento há ca. 590 Ma (Silva et al. 2000), possivelmente relacionado à refusão parci- al, durante a injeção do batólito, representado por intrusões graníticas tardias (G 3 ). Algumas dessas intrusões têm expressão cartográfica regional e embora não estejam representadas no es- boço da (Fig. 3), ) devem ser discriminadas do complexo em futu- ros trabalhos, como por exemplo o Granito Santo Amaro da Impe- ratriz, de ca. 606 Ma (Basei 2000). GRANITO FOLIADO DA PONTA DO CORRE MAR, (OU DO CABEÇO)/COMPLEXO ÁGUAS MORNAS (AMOSTRA LC 07) Um plúton granítico fortemente deformado, situado ao sul de Camboriú na Ponta do Corre Mar (ou do Cabeço) - relacionado à fase G 2 do complexo - foi recentemente datado pelo método U-Pb convencional (Basei 2000). A análise forneceu uma discórdia (MSWD =3,2) com um intercepto inferior relativamente bem defi- nido de 583±26 e um intercepto superior muito impreciso (2804+130 Ma). O intercepto inferior foi interpretado pelo autor supra como a idade de cristalização (ca. 583 Ma) do granito e o intercepto supe- rior, como indicativo de herança crustal. Visando comparar-se as performances dos métodos U/Pb con- vencional e SHRIMP nesses gnaisses policíclicos, a mesma uni- dade foi também selecionada para estudos SHRIMP. A amostra foi coletada em um novo corte da Br 101, na Ponta do Corre Mar (ou do Cabeço), proximidades de Itapema (Fig. 3). É um granito homogêneo, de granulação média a grossa, com forte foliação transcorrente com venulações (cm) de leucogranito fino. Ocorrem também abundantes enclaves de rochas máficas dispostos para- lelamente à foliação. Ao microscópio é um titanita-biotita metagranito foliado com textura milonítica, com abundantes remanescentes de megacristais magmáticos de ortoclásio microclinizado, lenticularizados (porfiroclastos) com comprimento subcentimétrico, alinhados em matriz quartzo-feldspática fina, recuperada (granoblástica/ poligonal), com forte foliação de biotita. Esse acessório está forte- mente alterado para epidoto e clorita, enquanto o felspato potássico altera-se a argilominerais e sericita. Os dados analíticos de 11 spots em 11 cristais constam da Tabe- la 8 e do diagrama concórdia da figura 4a. Oito spots de uma mes- ma população magmática (MSWD = 0.19) alinham-se segundo 536 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... Figura 3 - Mapa geológico do Escudo Catarinense, modificado de Silva (1987, 1999), Wildner et al. (1990). Granitos Zimbros e Estaleiro, simplificado de Bitencourt & Nardi (1993), com localização das amostras. uma discórdia, com intercepto superior de 2174 ± 22 Ma interpre- tado como a idade de cristalização do magma granodiorítico. A mesma discórdia apresenta um intercepto inferior muito impreciso com valores de 868 ± 330 Ma sugestivo de perda de Pb no brasiliano. Parte da população de zircões apresenta sobrecrescimentos exter- nos de baixa luminescência (alto U e Th), cuja largura inferior à do spot (< 25µm) raramente permite análise. Uma única análise obtida em um desses domínios (spot 4.1), que devido ao conteúdo muito alto de U (1753 ppm) apresentou uma idade aparente extremamen- te imprecisa de 368±5 Ma devido ao conteúdo muito alto de U, mas que estaria relacionada à perda de Pb no brasiliano, conforme sugere o intercepto inferior (868 ± 330 Ma). A interpretação desses resultados não é simples mesmo com a análise integrada dos resultados dos dois método. Os altos con- teúdos em U-Th dos sobrecrescimentos sugerem origem por reprecipitação no estado líquido (melt-precipitated). Entretanto, o processo indutor da reprecipitação pode ser interpretado ao menos de duas maneiras. Poderia relacionar-se às venulações graníticas regionalmente abundantes no plúton. Nesse caso, o resultado do intercepto inferior de ca. 585 Ma (definido mais acuradamente pela análise convencional) representaria a idade de reprecipitação dos sobrecrescimentos. Esses, estariam relaciona- dos às injeções graníticas tardias (venulações), parte das quais podem estar relacionadas a processos de refusão parcial nas raízes do plúton, correspondendo a leucossomas alóctones. O intercep- to superior de ca. 2175 Ma (determinado mais acuradamente pelo método SHRIMP nos núcleos e cristais homogêneos magmáticos) representaria a idade de cristalização do plúton. Outra interpretação possível, favorecida pela análise convenci- onal, seria de que o intercepto inferior (ca. 585 Ma) representaria a idade de cristalização do plúton e intercepto superior corresponderia à herança crustal (Basei 2000). Com os dados atuais nenhuma das duas possibilidades pode ser assumida sem restrições. Entretanto, primeira (cristalização Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 537 Luiz Carlos da Silva et al. Figura 4 - Diagramas concórdia das amostras da Província Mantiqueira Meridional: a)LC 7; b) LC 05; c) LC 04; d) LC 06; e) LC 63 (Concórdia expandida); f)LC 63 (Detalhe da Figura 4e) 0,0 0 ,1 0 ,4 0,5 0,4 0,6 1,0 1,2Pb/ U f 800 700 600 500 400 0,06 0,08 0,12 0,14 207 235 632 ± 12 M a (1 σ ) z ircã o m e tam órfico d etrítico 606 ± 8 M a (1σ)) (zircão vu lc ân ic o) d = 8% = ida de m ín im a d o vu lcan ism o σ) (zircão íg en eo /detr ítico ) Ida de m áxim a para abertu ra d a ba cia Detalhe da Fig. 2e Vulcanoc lástica fésica (tu fito) de Gaspar LC 63 4.1 2.1 6.1 20 6 P b/ 23 8 U c 238 206 U / Pb d 0,04 0,06 0,10 0,12 8 9 10 12 13 14238 U / 206 Pb 2 0 7 P b /2 0 6 P b 450 550 650 Ida de con có rd ia (c ris ta liza ç ã o) con córd ia n =6, 57 9 ± 8 M a 500 P b C o m um 4.1 1.1 6 .1 Hornb lenda-bio tita granodiorito alterado A lto da da Varg inha LC 06 6 8 0 6 4 0 6 0 0 5 6 0 5 2 0 4 8 0 0,05 0,06 0,08 0,09 8,5 9,5 12,5 13,5 238 U / 206 Pb 2 0 7 P b /2 0 6 P b 8.1 5.1 4.1 9.1 11.1 12.1 Hornblenda-biotita tonalito Forquilha , BR 282 LC 05 bb 611± 3 M a n=8 a 2400 2000 1600 1200 800 0 2 8 10207 Pb/ 235 U 2 0 6 P b /2 3 8 U 4 .1 S obre cre scim ento m etam órfic o 2.1 5.1 217 4 ± 2 2 M a & 868 ± 330 M a [n=7, M SWD = 0.19] Hornblenda-biotita granodiorito foliado da Ponta do Corre M ar (Com plexo Á guas Mornas) LC 07 538 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... paleoproterozóica e refusão parcial neoproterozóica) é favorecida pela ausência de grãos neoformados (cristais magmáticos homogêneos) com ca. 585 Ma, os quais seriam esperados em um magma cristalizado nessa época. Além disso, o pequeno volume de zircão reprecipitado relativamente aos domínios supostamente herdados (ca. 5%?), também não favorece sua origem por precipi- tação direta de magma. Por essas peculiaridades, e na ausência de um número mas significativo de análises para dar mais consistên- cia á presente interpretação, consideramos preliminarmente os re- sultados de ca. 2175 Ma e ca. 585 Ma, respectivamente como as idade de cristalização e refusão parcial. O presente estudo salienta a importância da aplicação de ambas as sistemáticas no estudo de gnaisses policíclicos dessa região, sendo interessante uma abordagem inicial focada na sistemática SHRIMP, precedida de estudos de catodoluminescência para en- tendimento dos padrões morfológicos, seguida de análise con- vencional, especialmente visando obtenção de idades mais acuradas (intercepto inferior), em populações portadoras de sobrecrescimentos de alto-U e/ou dimensões abaixo do limite de análise pela microssonda iônica(< 25µm). Magmatismo cálcio-alcalino juvenil tardi a pós-colisional no Batólito Florianópolis: Suíte Maruim A assinatura crustal do magmatismo granítico do Batólito Florianópolis vem sendo de- monstrada com base em dados químicos e isotópicos (e.g. Basei, 1985, Mantovani et al. 1987, Silva 1991, 1999). Contudo, magmatismo juvenil tem sido evidenciado em alguns plútons tarditectônicos de diversos segmentos do batólito (e.g. Bitencourt & Nardi 1993, Wildner et al. 1990). Wildner et al. (1990) discrimi- nam extenso plúton zonado da série cálcio-alcalina expandida, in- cluindo gabros, tonalitos e granitóides, designados de Suíte Maruim. Dois corpos do membro intermediário (Tonalito Forquilha) e um do membro félsico (Granodiorito Alto Varginha) dessa suíte foram selecionados para a presente pesquisa (Fig. 3). HORNBLENDA TONALITO/TONALITO FORQUILHA (AMOS- TRA LC 05) Amostra coletada na BR 282, próximo a Vargem Grande. É um tonalito cinza escuro, de granulação grossa, cortado por leucogranito tardio. Ao microscópio é um hornblenda-biotita tonalito melanocrático, equigranular grosso, com moderada saussuritização do plagioclásio e biotitização da hornblenda. Os dados analíticos de 13 cristais constam da Tabela 9 e do diagrama concórdia da Figura 4b. Oito spots de uma mesma popu- lação magmática formam um agrupamento concordante com idade concórdia (concordia age) 206Pb/238U de 611±3 Ma, interpretada como a de cristalização magmática. Quatro spots apresentam ra- zões 206Pb/238U menores por perda recente de Pb. A idade de ca 611 Ma desse tonalito permite datar o intervalo inferior do magmatismo tardi-colisional do orógeno, o qual teve uma duração entre ca. 610-580 Ma (Silva et al. 2002). HORNBLENDA MICROTONALITO ALTERADO/TONALITO FORQUILHA (AMOSTRA LC 04) A mostra foi coletada em corte da estrada Rancho Queimado-Forquilha. É um tonalito fino, cinza- escuro, cortado por leucogranitóide tardio. Ao microscópio é um hornblenda microtonalito, equigranular, com plagioclásio saussuritizado e hornblenda cloritizada. Os dados analíticos de 10 spots em 10 cristais constam da Tabe- la 9 e do diagrama concórdia da Figura 4c. Quatro spots de uma mesma população magmática formam um agrupamento concor- dante com idade concórdia (concordia age) 206Pb/238U de 608±7 Ma, interpretada como a idade de cristalização magmática. Os spots 6.1, 9.1 e 10.1 apresentam razões 206Pb/238U menores devido à per- da recente de Pb. A idade obtida (ca. 610 Ma) sugere que o plúton é contemporâ- neo com o da amostra LC 05 (ca 608 Ma). As acentuadas diferen- ças texturais entre ambas amostras sugerem que LC-04 pode re- presentar uma fácies marginal desse plúton zonado, devido a sua textura subvulcânica. HORNBLENDA-BIOTITA GRANODIORITO ALTERADO/ GRANTITO ALTO VARGINHA (AMOSTRA LC 06) A amostra foi coletada próximo a Alto Varginha. Trata-se de um plúton homogêneo, isótropo, de granulação grossa, e que ao microscó- pio é um hornblenda-biotita granodiorito, com textura hipidiomórfica granular e com alteração para sericita e clorita. Os resultados analíticos de 10 cristais constam da Tabela 10 e do diagrama concórdia da figura 4d. Seis spots de uma mesma popu- lação magmática formam um agrupamento concordante com idade concórdia (concordia age) 206Pb/238U de 579 ± 8 Ma, interpretada como a idade de cristalização magmática. Considerando o erro analítico, a idade ligeiramente mais jovem do granodiorito é com- patível com observações de campo segundo as quais o corpo desta amostra intrude o tonalito da amostra anterior. Por outro lado, a idade de 580 Ma é mais freqüente entre os plútons pós- tectônicos do batólito. Vulcanismo félsico tardi a pós-tectônico/Bacia do Itajaí (Amos- tra LC-63) A Bacia do Itajaí é uma, de uma série de pequenas bacias vulcano-sedimentares tardi a pós-orogênicas associadas ao colapso do Orógeno Pelotas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (Fig. 3). O magmatismo vulcano-plutônico alcalino asso- ciado à bacia foi datado em ca. 560 Ma (Basei 2000). sTrabalhos anteriores (e.g. Fragoso-César et al. 1982) consideram os depósi- tos como molassas do Ciclo Brasiliano. Krebs et al. (1990) a defi- nem como bacia transtensiva relacionada à fase pós-colisional do orógeno enquanto Rostirolla e Alkimim (1992) e Gresse et al. (1997), como bacia do tipo foreland. Krebs et al. (1988) descrevem nessas bacias três associações sedimentares. Uma proximal de leques aluviais e deltas, caracterizada por ruditos imaturos fluviais com raras intercalações de vulcânicas félsicas. Outra transicional com intercalações de arenitos e pelitos e na qual Silva & Dias (1981) identificaram leitos decimétricos de vulcânicas félsicas, e uma bacinal representada por espesso pacote de turbiditos proximais e distais, detalhados por Silva & Dias (1981). Um dos leitos de pelito cinza esverdeado, descrito como hori- zonte sedimentar vulcanogênico, localizado próximo a cidade de Gaspar, borda SE da bacia, foi amostrado para fins geocronológicos. A rocha é maciça, de espessura decimétrica, composição pelítica e se intercala em cerca de 20 m de arenito com laminação plano- paralela e cruzada. O horizonte amostrado situa-se cerca de 4 m acima de um nível com icnofósseis. Ao microscópio, a rocha exibe matriz afanítica félsica, rica em sílica microcristalina e sericita com fenocristais de felsdpato potássico e quartzo. Texturalmente, é um tufo cinerítico. Os resultados analíticos de 10 spots em 10 cristais constam da Tabela 11 e dos diagramas concórdia das figuras 4e e 4f. Os cris- tais se agrupam em duas populações. Uma é constituída por 7 zircões detríticos, com idades 207Pb/206Pb aparentes entre 1730 Ma e 1800 Ma (Fig. 10a). Três spots apresentaram idade 206Pb/238U neoproterozóica, dentre os quais o spot 2.1, obtido em cristal euédrico, de morfologia sugestiva de derivação vulcânica e sem Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 539 Luiz Carlos da Silva et al. evidências de retrabalhamento, apresentou idade 206Pb/238U apa- rente de 606 ± 8 Ma (1σ) (Fig. 10b). Apesar de moderadamente discordante (8%), esse resultado pode ser interpretado como a idade máxima de abertura da bacia e do evento vulcânico. O spot 6.1, obtido em zircão ígneo (vulcânico?) fraturado (detrítico) for- neceu resultado concordante de 642 ± 10 Ma (1σ). A idade de ca. 606 Ma situa-se no intervalo de 570-610 Ma obtido em rochas plutônicas alcalinas da Suíte Granítica Serra do Mar, em Santa Catarina e no Paraná, relacionada ao colapso do Orógeno Pelotas (e.g. Silva et al. 2002). A presença de uma popu- lação detrítica dominante, com idades entre 1800-1730 Ma, sugere que a rocha é misssstura de produtos juvenis e detritos sedimentares, mesmo na ausência de estruturas primárias. Como não se conhecem exposições de rochas magmáticas com essas idades na região, fontes mais remotas devem ser investigadas. PROVÍNCIA RIO NEGRO-JURUENA MT/RO A província situa-se na porção meridional do Cráton Amazonas (Tassinari & Macambira 1999, Santos et al.2000). Seis amostras do domínio central da mesma, em Rondônia, e uma do domínio oriental, em Mato Grosso, foram selecionadas para este estudo (Fig. 5). Granito Aripuanã (Amostra MQ 33) MT O Granito Aripuanã, localmente designado como Granito Rio Branco, é um stock com cerca de 20 km de diâmetro (Fig. 5). Outros corpos da borda N da Bacia dos Caiabis/Dardanelos podem a ele se relacionar, devido às semelhanças composicionais, geofísicas e de modo de ocor- rência. São plútons com incipiente textura de fluxo magmático, intrusivos na associação metavulcano-sedimentar deformada do Grupo Roosevelt, onde uma datação U-Pb (SHRIMP) forneceu idade de cristalização de 1740 ± 8 Ma (Santos et al. 2000). Ao microscópio, a amostra é de uma fácies sienogranítica porfirítica de granulação grossa, com fenocristais euédricos de feldspato potássico pertítico imersos em matriz grossa de quartzo, plagioclásio, biotita e titanita. A ocorrência de fácies microporfiríticas a porfiríticas sugere que o posicionamento do plúton ocorreu em nível crustal raso. Os dados analíticos de 11 spots de 11 cristais constam da Tabela 12 e do diagrama concórdia da figura 6a. Os dados obtidos em 9 spots, pertencentes à mesma população de cristais magmáticos (MSWD = 0.81) formam um agrupamento concordante com idade 207Pb/206Pb de 1538 ± 7 Ma, interpretada como a de cristalização magmática. Outra tentativa de aproximação da idade consta da figura 6a, na qual os resultados de 12 spots, pertencentes à mesma população de cristais magmáticos (MSWD = 0.86) formam um agrupamento alinhado em uma discórdia com intercepto superior de 1537 ± 8 Ma, interpretado como a idade de cristalização, e inter- cepto inferior impreciso de 92±290 Ma, que sugere perda de Pb em tempo recente. O magmatismo e as mineralizações associadas ao Granito Aripuanã têm sido atribuídas à evolução da seqüência metavulcano-sedimentar do Grupo Roosevelt, encaixante do plúton. Um metamonzogranito associado a esse grupo forneceu a idade de 1755 ± 5 Ma (U-Pb SHRIMP), e um metadacito da seqüência vulcânica a idade de 1762 ± 6 Ma (Neder et al. 2000). O resultado de ca. 1540 Ma aqui obtido permite, pela primeira vez, a correta hierarquização estratigráfica dessa associação granítica e sugere seu vínculo com fases tardias da evolução do Orógeno Cachoeirinha (ca. 1570-1537 Ma) de Teixeira et al. (2000). Além das implicações estratigráficas, essa idade é importante também do ponto de vista exploratório, devido à possível associação des- se plúton com depósitos auríferos e de sulfetos de Cu-Zn hidrotermais tardios. A idade de ca. 1540 Ma do granito, cerca de 200 ma. mais jovem que o vulcanismo do Grupo Roosevelt, abre a possibilidade da mineralização da serra do Expedito ser hidrotermal, com fluídos advindos do Granito Aripuanã, e não do tipo VMS, como sugerido na literatura. Do ponto de vista exploratório, esta descoberta favorece o investimento em outros batólitos do noro- este do Mato Grosso, comagmáticos com o Granito Aripuanã. Eembasamento Estateriano da Província Rio Negro-Juruena em RO Em Rondônia, o embasamento da Província Rio Negro- Juruena compreende o Complexo Jamari, o qual consiste princi- palmente de gnaisses policíclicos félsicos a intermediários, metamorfisados e migmatizados na fácies anfibolito, localmente granulito. Também ocorrem cinturões vulcano-sedimentares, com- plexos máfico-ultramáficos e repetidas intrusões de granito do tipo-A (Fig. 5). A província encerra prolongada história acrescional, dada por sucessivos episódios no intervalo entre 1800 a 1550 Ma (Santos et. al. 2000), com idades-modelo de 2200 a 1990 Ma (Payolla et al. 2002), representadas por protólitos mantélicos e por misturas de material juvenil e reciclado. O Complexo Jamari tem ampla distribuição na porção centro- oriental de Rondônia e compreende ortognaisses graníticos, granodioríticos, tonalíticos e quartzo-dioríticos, com intercalações lenticulares subordinadas de enderbitos, gnaisses calcissilicáticos, granada-biotita-sillimanita gnaisses, mica xistos e raros anfibolitos. Dados isotópicos em zircões detríticos de paragnaisses permitem estimar a idade máxima da deposição em ca. 1673 Ma (Payolla et al. 2002). A idade mínima da abertura da bacia é dada por granitos da Suíte Intrusiva Serra da Providência, datados de ca. 1570 Ma. Os gnaisses tonalíticos são cálcio-alcalinos de médio a alto potássio, semelhantes aos granitos de arco (Payolla et al. 2002) e metamorfizados na fácies anfibolito superior. Dois ortognaisses foram escolhidos para datação neste projeto (amostras JS 15 E JS 26). Várias suítes graníticas do tipo A, com textura rapakivi (Bettencourt et al. 1999) e diferentes idades, características petrológicas e composição geoquímica intrudiram as rochas do embasamento durante o Mesoproterozóico. Dentre essas, desta- ca-se a Suíte Intrusiva Serra da Providência, da qual amostrou-se 2 plútons (amostras JS 19 e JS 32) cartografados por Bizzi et al. (2002), e 2 outros a ela relacionados (amostras JS 16 e JS 01) para investigar a idade do plutonismo granítico pós-Jamari (<1600 Ma). GRANADA-TITANITA-HORNBLENDA-BIOTITA GNAISSE (COM- PLEXO JAMARI) (AMOSTRAS JS 15) É um ortognaisse de granulação grossa, composicionalmente bandado e parcialmente migmatitizado. Ao microscópio é um gnaisse granítico, foliado, com granada, titanita, hornblenda e biotita acessórias. Os resultados analíticos de 10 cristais constam da Tabela 13 e do diagrama concórdia da figura 6b. Os dados obtidos em 9 spots, pertencentes à mesma população de cristais magmáticos (MSWD = 0.92) formam um agrupamento discordante que se alinha em discórdia com intercepto superior de 1661 ± 11 Ma, interpretado como a idade de cristalização magmática. O intercepto inferior muito impreciso de 443±240 Ma, sugere perda de Pb em evento pós- magmático (alteração hidrotermal?). QUARTZO-DIORITO GNÁISSICO/COMPLEXO JAMARI (AMOS- TRA JS 26) Amostra de granulação grossa e com foliação milimetricamente espaçada. Ao microscópio é um gnaisse quart- 540 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... zo-diorítico com textura recuperada granoblástica-poligonal. Os resultados analíticos de 10 cristais constam da Tabela 14 e do diagrama concórdia da Figura 6c. Os dados de 10 spots perten- centes à mesma população de cristais magmáticos (MSWD = 0,31) formam um agrupamento discordante alinhado segundo uma dis- córdia com intercepto superior de 1728 ± 15 Ma, interpretado como a idade de cristalização magmática. O intercepto inferior de 913 ± 67 Ma, sugere perda de Pb por metamorfismo em ca. 1000 Ma. O episódio magmático mais antigo de Rondônia está registrado em ortognaisses tonalíticos, quartzo-dioríticos e enderbíticos, que forneceram idades de cristalização U-Pb de 1750±24 Ma, 1761±3 Ma e 1730±22 Ma, respectivamente (Payolla et al. 2002, Santos et al. 2002). Dados isotópicos Sm-Nd, relativamente uniformes, for- neceram idades-modelo entre 2060 e 2200 Ma, com E Nd(t) = -1,51 a +0,18 (Payolla et al. 2002). A idade de 1728 Ma aqui obtida no gnaisse quartzo-diorítico (amostra JS 26) se situa no intervalo de idade dos demais ortognaisses da região (1750-1730 Ma), com metamorfismo em 913 ± 67 Ma. BIOTITA GRANITO GNAISSE DE CACOAL/SUÍTE INTRUSIVA SERRA DA PROVIDÊNCIA (AMOSTRA JS 32) A amostra é de leucogranito de granulação grossa, homogêneo, foliado, porfiroclástico. Ao microscópio a composição é sienogranítica, com textura protomilonítica a porfiroclástica e consiste de uma matriz quarzo-felsdpática granoblástica, recuperada com porfiroclastos orientados de ortoclásio pertítico. Os resultados de 10 spots em 10 cristais constam da Tabela 15 e do diagrama concórdia da Figura 6d. Quatro spots obtidos em núcleos magmáticos de uma mesma população (MSWD = 0.97) formam um agrupamento concordante com idade concórdia Figura 5 - Mapa tectono-geológico simplificado da Província Rio Negro–Juruena, com a localização das amostras Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 541 Luiz Carlos da Silva et al. Figura 6 - Diagramas concódia das amostras da Província Rio Negro-Juruena: a) MQ 33; b) JS 15; c) JS 26; d) JS 32; e) Js19/ f) JS 16 b 1750 1650 1550 1450 1350 1250 0,16 0,20 0,28 0,32 2,2 2,6 3,0 3,8 4,2 4,6207Pb/ 235U 20 6 P b/ 23 8 U 9.1 1661 ± 11 M a & 443 ± 240 M a [n=9,MSW D = 0.92] Biotita-hornblenda gnaisse granítico de Ariquemes JS 15 fe 1620 1580 1540 1500 1460 1420 0 ,2 2 0 ,2 4 0,28 0 ,3 0 2,8 3,0 3,2 3,6 3,8 4,0207Pb/ 235 U 2 06 P b /23 8 U 1543 ± 8 M a & 11 ± 340 M a [n=10, MSW D = 1.4 ] Idade concórd ia (cr is talização) 1545 ± 8 M a [n = 7 , MSW D = 1.4 ] Leuco g ranito de Espi gão do Oeste JS 19 c 1 30 0 1 40 0 1 50 0 1 60 0 1 70 0 1 80 0 1 90 0 0,18 0,22 0,30 0,34 2 3 4 5 207Pb/235U 20 6 P b / 23 8 U 1728 ± 15 M a & 913 ± 67 M a [n=10,MSW D = 0.31] Gnaisse quartzo-diorítico de Mutum-Paraná JS 26 d 0,15 0,17 0,19 0,25 0 ,2 7 0,29 1,6 2,0 2,4 3,2 3,6 4,0207 Pb/ 235 U 20 6 P b /23 8 U 1100 1200 1400 1600 1300 1500 1347 ± 5 M a Idade (recrista lização) concórdia [n=5, MSWD = 1.5 1522 ± 10 M a (Cris ta lização) [n=4, MSWD] 8.1 2.1 Leuco-ortoclásio g ranito milonítico JS 32 542 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... 1700 1600 1500 1400 1300 1200 0 ,1 6 0 ,2 0 0 ,2 8 0 ,3 2 2 ,0 2 ,4 2 ,8 4 ,0 4 ,4 4 ,8207 Pb/ 235 U 2 0 6 P b /2 3 8 U Sobrecresc imentos 13 32 ± 11 M a [n=9, MSWD = 1.7] Dom ín io s m a g m átic os 15 35 ± 27 M a [n=4, MSWD = 1.7] Granada-biotita anfibólio gnaisse granítico JS 01 Núcleos he rdados Figura 7 - Diagrama concórdia da amostra JS 01, Província Rio Negro-Juruena. (concordia age) 207Pb/206Pb de 1522 ± 4 Ma, interpretada como a idade de cristalização magmática. Cinco spots obtidos em sobre- crescimentos metamórficos de uma mesma população (MSWD = 1.5) extremamente rica em U (até 3889 ppm) e muito pobre em Th formam um agrupamento concordante com idade 207Pb/206Pb apa- rente de 1349 ± 5 Ma. Apesar dos teores de U muito elevados, que tornam parte das análises suspeita, a reprodutibilidade do resulta- do de ca. 1350 Ma permite interpretá-lo como a idade do metamorfismo. LEUCOGRANITO GNÁISSICO DE ESPIGÃO DO OESTE/SUÍTE INTRUSIVA SERRA DA PROVIDÊNCIA (AMOSTRA JS 19) A amostra é de leucogranito estrutural, textural e composicionalmente idêntico ao da amostra anterior (JS 32). Os resultados analíticos de 10 spots em 10 cristais constam da Tabela 16 e do diagrama con- córdia da figura 6e. Os dados de 7 spots, pertencentes à mesma população magmática (MSWD = 1.4), formam um agrupamento concordante com idade concórdia (concordia age) 207Pb/206Pb de 1545 ± 8 Ma, interpretada como a melhor aproximação da idade de cristalização. Outra tentativa de aproximação da idade consta da figura 6e, na qual resultados de 10 spots, pertencentes à mesma população de cristais magmáticos (MSWD = 1.4) formam um agru- pamento alinhado em uma discórdia com intercepto superior de 1543 ± 8 Ma, interpretado como a idade de cristalização do magma, e intercepto inferior impreciso sugestivo de um perda de Pb pós- magmática, em tempo diferente do recente. BIOTITA GNAISSE GRANÍTICO (AMOSTRA JS 16) Trata-se de gnaisse leucogranítico, granoblástico, grosso e foliado. Ao mi- croscópio exibe textura recuperada granoblástica, com pronuncia- da orientação de quartzo, feldspatos e micas. Os resultados analíticos de 10 spots em 10 cristais constam da Tabela 17 e do diagrama concórdia da figura 6f. Um grupo principal de 5 análises, obtidas em cristais metamórficos de população rela- tivamente uniforme (MSWD = 2.5) forneceu o resultado de 1321 ± 27 Ma, interpretado como a idade do metamorfismo regional. O spot 7.1, obtido em domínio magmático forneceu a idade 207Pb/ 206Pb de 1555 ± 19 Ma (1σ), cujo valor pode ser interpretado como a idade aproximada da cristalização do protólito. Idades aparentes de até ca. 2170 Ma obtidas em núcleos herdados e xenocristais sugerem contaminação do magma por crosta mais antiga. O spot 6.1, de idade aparente 742 Ma (1σ), obtido em domínio metamórfico de alta razão U/Th, tem significado duvidoso. GRANADA-BIOTITA-ANFIBOLIO GRANITO GNÁISSICO (AMOSTRA JS 01) Trata-se de granada-biotita anfibolio gnaisse granítico bandado. Bandas claras com quartzo, feldspato-K e pro- vavelmente albita com espessura em torno de meio a 1 cm alter- nando com bandas máficas finas que não ultrapassam de 0,5 cm de largura, compostas por biotita e principalmente anfibólio que conferem à rocha um bandamento milimétrico regular, indicando deformação e recristalização em condições de strain moderado a alto. As bandas quartzo-feldspáticas invariavelmente contém cris- tais tardicinemáticos de granada de até 1 cm de diâmetro. Os resultados analíticos de 20 spots em 14 cristais constam da Tabela 18 e do diagrama concórdia da figura 7. Quatro análises obtidas em domínios magmáticos de uma população uniforme (MSWD = 1.7) forneceu um agrupamento com idade 207Pb/206Pb de 1535 ± 27 Ma. Nove análises obtidas em sobrecrescimentos metamórficos de uma população uniforme (MSWD = 1.7) forne- ceu a idade 207Pb/206Pb de 1332 ± 11 Ma, interpretada com a idade do metamorfismo. Quatro spots situados em núcleos magmáticos herdados forneceram resultado aproximado de 1650 Ma, interpre- tado como uma aproximação da idade da crosta continental intrudida pelo magma e equivale a idades de ortognaisses do Com- plexo Jamari. Os quatro plútons forneceram idades de cristalização entre ca. 1520 e ca. 1550 Ma o que os discrimina dos metagranitóides e ortognaisses do Complexo Jamari. As amostras JS 32 e JS 19 têm sido cartografadas como pertencentes à Suíte Intrusiva Serra da Providência. São ortoclásio leuco-sienogranitos protomiloníticos, cujas características petrogenéticas somadas à presença de fenocristais remanescentes de ortoclásio pertítico e o caráter leucocrático, sugerem tratar-se de granitos do tipo A. As idades de cristalização entre ca. 1522 Ma e ca. 1545 Ma situam-se no intervalo de ca. 1606 Ma e ca. 1532 Ma obtido em outros plútons da suíte (Bettencourt et al. 1999) o que confirma a sua correlação. A idade de ca. 1350 Ma obtida em sobrecrescimento metamórfico em zircão da amostra JS 32, indica recristalização da intrusão sob condições crustais profundas, possivelmente associada a um even- to deformacional/metamórfico regional. A idade de ca. 1522 Ma obtida na amostra JS 16, apesar de resultante de apenas um único spot em cristal magmático, pode ser considerada como a idade de cristalização, por ter reprodutibilidade em outros plútons da suíte. A idade de ca. 1320 Ma em sobrecrescimentos sugere a recristalização do granitóide protomilonítico nas raízes de uma zona de cisalhamento. As amostras JS 16 e JS 01 são de ortognaisses da fácies anfibolito, cuja textura granoblástica-alongada recuperada é característica de médio a alto grau metamórfico. Assim, apesar das idades de crista- lização (ca. 1555-1535 Ma), equivalentes com as obtidas nas amos- tras da Suíte Intrusiva Serra da Providência, sua correlação com esta suíte merece confirmação por meio de dados litogeoquímicos, face às distintas composições petrográficas. Ademais, as idades de sobrecrescimento metamórfico em ambas (ca. 1330 Ma) indi- cam que o evento metamórfico regional impresso nesses gnaisses ocorreu cerca de 70 m.a. após a milonitização e recristalização da suíte, datada em ca. 1350 Ma, na amostra JS-32. Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 543 Luiz Carlos da Silva et al. CONCLUSÕES As principais interpretações e conclusões decorrentes deste trabalho podem ser assim sintetizadas: Na Província Borborema: 1 - identificação de remanescentes de ortognaisses TTG paleoarqueanos (ca. 3270 Ma) relacionados ao Complexo Cruzeta no Ceará, anteriormente datados em ca. 2150 Ma; 2 - identificação de magmatismo orogênico ligado ao sistema de orógenos Brasiliano II, datado em ca. 625 Ma no Granodiorito Saboeiro no Ceará e em 640 Ma no Complexo Sumé na Paraíba, anteriormente cartografados, respectivamente, como unidades paleo- e mesoproterozóicas; 3 - definição da idade de ca. 2100 Ma de um ortognaisse do Com- plexo Belém do São Francisco, no Maciço Pernambuco-Alagoas em Pernambuco, anteriormente interpretado como parte de um arco mesoproterozóico do Orógeno Cariris Velho; 4 - identificação de uma unidade mesoarqueana, com ca. 3070 Ma (Ortognaisse Santa Maria da Boa Vista) na extremidade sul da Província Borborema. Na Província Mantiqueira Meridional/Orógeno Pelotas: 5 - identificação de inliers retrabalhados do embasamento com ca. 2170 Ma/600 Ma na extremidade NE do Batólito Florianópolis, Referências Almeida F.F.M de, Hasui Y., Brito Neves B.B., Fuck R.A., 1981. Brazilian structural provinces: an introduction. Ear. Sci. Rev., 17:1-29. Basei M.A.S. 1985. O Cinturão Dom Feliciano em Santa Catarina. Tese de Doutoramento, Universidade de São Paulo, São Paulo. 186p. Basei M.A.S. 2000. Geologia e modelagem geotectônica dos terrenos pré-cambrianos das regiões sul e oriental brasileira e uruguaia: possíveis correlações com províncias similares do sudoeste africa- no. Tese de Livre Docência, Universidade de São Paulo, São Paulo. 123p. Bettencourt J.S., Tosdal R.M., Leite Jr. W.B, Payolla B.L. 1999. Mesoproterozoic rapakivi granites of the Rondônia Tin Province, sothwestern border of the Amazonian craton, Brazil – Reconnais- sance U-Pb geochronology and regional implications. Prec. Res., 95:41- 67. 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Na Província Rio Negro-Juruena 8 - identificação da idade de cristalização em ca. 1540 Ma do grani- to Aripuanã (MT) e de dois granitos miloníticos em ca. 1545-1522 Ma da Suíte Serra da Providência (RO). 9 - reconhecimento de ortognaisses cronocorrelatos (ca. 1555- 1535 Ma) com a Suíte Serra da Providência, mas que registram recristalização metamórfica em ca. 1330 Ma. 10 - reconhecimento de dois ortognaisses do embasamento da província em Rondônia, datados em ca. 1728 Ma e 1661 Ma e que se correlacionam com o Complexo Jamari. Agradecimentos Ao Dr. Luiz Augusto Bizzi, Diretor de Geologia e Recursos Minerais da CPRM pelo apoio à execução destes estu- dos, materializados nos artigos que constam deste fascículo. Aos revisores da RBG pelas sugestões ao manuscrito. 544 Revista Brasileira de Geociências, Volume 32, 2002 Reavaliação da evolução geológica em terrenos pré-cambrianos brasileiros com base em novos dados U-Pb SHRIMP, Parte III... B.C. 1989. 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