MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA NELSON JOSÉ HUBNER MOREIRA Ministro Interino Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral CLÁUDIO SCLIAR Secretário CPRM-SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL AGAMENON SÉRGIO LUCAS DANTAS Diretor-Presidente MANOEL BARRETTO DA ROCHA NETO Diretor de Geologia e Recursos Minerais JOSÉ RIBEIRO MENDES Diretor de Hidrogeologia e Gestão Territorial FERNANDO PEREIRA DE CARVALHO Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento ÁLVARO ROGÉRIO ALENCAR SILVA Diretor de Administração e Finanças UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UnB PROFESSOR THIMOTHY MARTIN MULHOLLAND Reitor INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS PROFESSOR PAULO ROBERTO MENESES Diretor PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL Contrato CPRM- UnB Nº. 071/PR/05 Brasília, 2007 APRESENTAÇÃO O Programa Geologia do Brasil (PGB), desenvolvido pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil, é responsável pela retomada em larga escala dos levantamentos geológicos básicos do país. Este programa tem por objetivo a ampliação acelerada do conhecimento geológico do território brasileiro, fornecendo subsídios para novos investimentos em pesquisa mineral e para a criação de novos empreendimentos mineiros, com a conseqüente geração de novas oportunidades de emprego e renda. Além disso, os dados obtidos no âmbito desse programa podem ser utilizados em programas de gestão territorial e de recursos hídricos, dentre inúmeras outras aplicações de interesse social. Destaca-se, entre as ações mais importantes e inovadoras desse programa, a estratégia de implementação de parcerias com grupos de pesquisa de universidades públicas brasileiras, em trabalhos de cartografia geológica básica na escala 1:100.000. Trata-se de uma experiência que, embora de rotina em outros países, foi de caráter pioneiro no Brasil, representando uma importante quebra de paradigmas para as instituições envolvidas. Essa parceria representa assim, uma nova modalidade de interação com outros setores de geração de conhecimento geológico, à medida que abre espaço para a atuação de professores, em geral líderes de grupos de pesquisa, os quais respondem diretamente pela qualidade do trabalho e possibilitam a inserção de outros membros do universo acadêmico. Esses grupos incluem também diversos pesquisadores associados, bolsistas de doutorado e mestrado, recém-doutores, bolsistas de graduação, estudantes em programas de iniciação científica, dentre outros. A sinergia resultante da interação entre essa considerável parcela do conhecimento acadêmico nacional com a excelência em cartografia geológica praticada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) resulta em um enriquecedor processo de produção de conhecimento geológico que beneficia não apenas a academia e o SGB, mas à toda a comunidade geocientífica e à industria mineral. Os resultados obtidos mostram um importante avanço, tanto na cartografia geológica quanto no estudo da potencialidade mineral e do conhecimento territorial em amplas áreas do território nacional. O refinamento da cartografia, na escala adotada, fornece aos potenciais usuários, uma ferramenta básica, indispensável aos futuros trabalhos de exploração mineral ou aqueles relacionados à gestão ambiental e à avaliação de potencialidades hídricas, dentre outros. Além disso, o projeto foi totalmente desenvolvido em ambiente SIG e vinculado ao Banco de Dados Geológicos do SGB (GEOBANK), incorporando o que existe de atualizado em técnicas de geoprocessamento aplicado à cartografia geológica e encontra-se também disponível no Portal do SGB www.cprm.gov.br. As metas físicas da primeira etapa dessa parceria e que corresponde ao biênio 2005- 2006, foram plenamente atingidas e contabilizam 41 folhas, na escala 1:100.000, ou seja aproximadamente 1,5% do território brasileiro. As equipes executoras correspondem a grupos de pesquisa das seguintes universidades: UFRGS, USP, UNESP, UnB, UERJ, UFRJ, UFMG, UFOP, UFBA, UFRN, UFPE e UFC. Este CD contém a Nota Explicativa Integrada das folhas Monte Alegre de Goiás, Cavalcante e Nova Roma, juntamente com o Mapa Geológico na escala 1:100.000 da Folha Cavalcante (SD.23-V-C-V), em ambiente SIG, executado pela UnB, através do Contrato CPRM-UnB No.071/PR/05. Brasília, setembro de 2007 AGAMENON DANTAS MANOEL BARRETTO Diretor Presidente Diretor de Geologia e Recursos Minerais MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL Contrato CPRM-UnB Nº. 071/PR/05 NOTA EXPLICATIVA DAS FOLHAS MONTE ALEGRE DE GOIÁS (SD.23-V-C-III) CAVALCANTE (SD.23-V-C-V) NOVA ROMA (SD.23-V-C-VI) 1:100.000 AUTORES Carlos José Souza de Alvarenga, Nilson Francisquini Botelho, Marcel Auguste Dardenne, Otávio Nunes Borges de Lima, Magno Augusto Machado COORDENAÇÃO GERAL Carlos José Souza de Alvarenga APOIO INSTITUCIONAL DA CPRM Departamento de Geologia-DEGEO Edilton José dos Santos Divisão de Geologia Básica-DIGEOB Inácio Medeiros Delgado Divisão de Geoprocessamento-DIGEOP João Henrique Gonçalves Edição do Produto Divisão de Marketing-DIMARK Ernesto von Sperling Gerência de Relações Institucionais e Desenvolvimento - GERIDE/ SUREG-BH Marcelo de Araújo Vieira Brysa de Oliveira Elizabeth de Almeida Cadête Costa M. Madalena Costa Ferreira Rosângela Gonçalves Bastos de Souza Silvana Aparecida Soares Representante da CPRM no Contrato Joffre Valmório de Lacerda Filho APOIO TÉCNICO DA CPRM Supervisor Técnico do Contrato Luiz Carlos da Silva Apoio de Campo Reginaldo Alves dos Santos Revisão do Texto Luiz Carlos da Silva Joffre Valmório de Lacerda Filho Luiz Carlos Moreton Organização e Editoração Luiz Carlos da Silva Carlos Augusto da Silva Leite Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais-CPRM/Serviço Geológico do Brasil. Cavalcante- SD.23-V-C-V, escala 1:100.000: nota explicativa integrada com Monte Alegre de Goiás e Nova Roma./Carlos José Souza de Alvarenga,Nilson Francisquini Botelho, Marcel Auguste Dardene, Otávio Nunes Borges de Lima, Magno Augusto Machado, - Goiás: UnB/CPRM, 2007. 67p; 01 mapa geológico (Série Programa de Geologia do Brasil – PGB) versão em CD-Rom. Conteúdo: Projeto desenvolvido em SIG – Sistema de Informações Geográficas utilizando o GEOBANK – Banco de dados. 1- Geologia do Brasil- I- Título II- Alvarenga, C.J.S., Coord. III- Botelho, N.F. IV- Dardene, M.A. V- Lima, O.N.B. VI- Machado, M.A.. CDU 551(815) ISBN 978-85-7499-050-7 Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma i AGRADECIMENTOS Os levantamentos de campo que resultaram na confecção deste relatório e das 3 folhas mapeadas (Monte alegre de Goiás, Cavalcante e Nova Roma) começaram a ser feitos de forma sistemática quando a região passou a fazer parte de uma das áreas para a realização dos trabalhos de formatura do curso de Geologia da Universidade de Brasília. Desta forma apresentamos nosso especial agradecimento a todos os estudantes e professores que participaram desses trabalhos: 1. Trabalho de Formatura de 1995 Professores: Nilson F. Botelho (Coordenador), Carlos J. S. de Alvarenga, Paulo R. Meneses, Luiz J. H. D. Silva. Estudantes: Paulo M. C. Santos, Rogério L. Alves, Christiane M. Silva, Isabela M. Batista, Cristiano S. Souza, Luiz F. W. Kitajima, Judson M. S. Matos, Gustavo P. Lustosa, Armstrong B. Lima, Marcus V. C. Melo, Simone F. Sabatier, Maurício T. Souza, Gustavo A. Mello. 2. Trabalho de Formatura de 1998 Professores: Nilson F. Botelho (Coordenador), Marcel A. Dardenne, Carlos J.S. de Alvarenga, José E. G. Campos, Valmir S. Souza (Pós-Graduando) Estudantes: Alexandre F. Vilela, Rodrigo B. de Oliveira, Gustavo C. Paes, Ubirajara S. Santos, Dario D. Peixoto, Romulo J.C. Ribeiro, José C. Ribeiro Filho, Maurício F. Guimarães, Andre L. M. Cadamuro, Érico C Borges, Adriano S. Leite, Roger H. O. Souza, Caio T. Joko, Juliana A. Antunes, Eduardo B. A. de Carvalho, Eduardo H. R. Pereira. 3. Trabalho de Formatura de 1999 Professores: Carlos J. S. de Alvarenga (Coordenador), Nilson F. Botelho, Paulo R. Meneses, José E. G. Campos, Márcia A. Moura, Marcel A. Dardenne, Roberto V. Santos, Valmir S. Souza(Pós- Graduando) Estudantes: Anna I. C. Benevides, Gustavo A. Rocha, Carlos C. D. Giustina, Flávio T.P. Silva, Magno A. Machado, Joyce P. O. Fiori, Karina T. Brito, Augusto P.M. Rego, Gustavo C. O. Lima, Frederico S. B. do Valle, Adriana N. P. Ferreira, Lúcio L. Mota, Edmar C. Silva Jr., Zânio L. R. Novais, Luiz G. S.Oliveira, Luciana G. Tibiriçá, Luciano W. Candido, Cristiano G. S. Gomes, Wellington R. Santos. 4. Trabalho de Formatura de 2001 Professores: José E. G. Campos (Coordenador), Nilson F. Botelho, Carlos J. S. de Alvarenga, Marcel A. Dardenne, Paulo R. Meneses, Márcia A. Moura, Carlos Nogueira (Pós-Graduando). Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma ii Estudantes: Leandro G. Silva, Letícia L. Moraes, Danilo G. Silva, Karlos R. O e Silva, Humberto A. F. Lima, Maria L. Souza, Domingos S. M Pinto, Ênio A. G. Araújo, João V. Queiroz Neto, Nazir M. Sá Filho, Ruth G. Gonzaga, Evandro M. Cunha Filho, Luciano B. Pimentel, Luciano C. Gonçalves, Márcio W. Tschiedel, Cristiane H. C. Pontes, Takato Nakayoshi. 5. Trabalho de Formatura de 2005 Professores: Nilson F. Botelho (Coordenador), Carlos J.S. de Alvarenga, Paulo R. Meneses, Marcel A. Dardenne, Elton L. Dantas, Edi M. Guimarães, Carlos T. Nascimento, Reinhardt A. Fuck. Estudantes: Frederico S, Miranda, Mirela P. P. Ribas, Daniella Castanheira, Thiago V. Andrade, Aline R. S. Dias, Danielle S. Cunha, Gabriel C.C. Seraphin, Ricardo C. V. Moraes, Christopher A. Braga, Ezequiel C. e Silva, Mariana M. Negrão, Bruno V. Oliveira, Maria E. S. D Giustina, Maria F. N. Barbosa, Caroline L. Czarin, Cristiano O. Ferreira, Nívea G. C. Silva, Luiz H. A. Moura, Ronaldo B. G. Almeida, André L. F. S. Souza, Lara N. R. A. Ramos, Italino B. Souza Neto, Ana P. M. F. Costa, Fábio R. Oliveira, Jaqueline Machado, Tássia M. Araes, Fernando J. P. Maia Jr., Jefferson F. Portela, Sérgio E. Silva, Emiliano S. R. Oliveira, Leonardo S. Rodrigues. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma iii RESUMO Este relatório apresenta os resultados do mapeamento, em escala 1:100.000, de uma área de aproximadamente 10.000 km2, na região nordeste de Goiás, compreendendo as folhas Cavalcante (SD.23-V-C-V), Nova Roma (SD.23-V-C-VI), Monte Alegre de Goiás (SD.23-V-C-III), aqui denominadas em conjunto de bloco Araí. O Bloco Araí está situado na porção nordeste da Faixa de Dobramentos Brasília, praticamente no limite entre suas zonas interna e externa. Na área mapeada, foram identificadas, da base para o topo, as seguintes unidades litoestratigráficas: Formação Ticunzal, Suíte Aurumina, Quartzo diorito Nova Roma, Suíte Pedra Branca, Grupo Araí, Formação Jequitaí e Grupo Bambuí. A Formação Ticunzal é a unidade litoestratigráfica mais antiga (> 2,15 Ga) encontrada até agora na região nordeste de Goiás, sendo constituída de paragnaisses e xistos grafitosos, cujas idades TDM, entre 2,6 a 2,8 Ga, são indicativas de uma fonte arqueana para os sedimentos da seqüência. A Suíte Aurumina representa a granitogênese mais antiga do Bloco Araí e constituída de granitos peraluminosos sin- a tardi-tectônicos, de idade entre 2,0 e 2,15 Ga. Quatro fácies graníticas foram identificadas: muscovita granito (PP2γ2au1), que é a fácies dominante, biotita–muscovita granito (PP2γ2au2), tonalito (PP2γ2au3) e biotita granito (PP2γ3au4). O Quartzo diorito Nova Roma (PP2γ3nr) é rocha calci-alcalina tardi-tectônica, com idade de 2,14 Ga, intrusiva nos granitos mais antigos da Suíte Aurumina. A Suíte Pedra Branca compreende os maciços graníticos do Tipo A, de idade entre 1,77 e 1,74 Ga, representados por fácies de afinidade rapakivítica (PP4γpb1) e fácies metaluminosas a peraluminosas, mineralisadas em estanho (PP4γpb2). Ambas as fácies são ricas em F, Sn, Rb, Y, Th, Nb, Ga e terras raras. O Grupo Araí, constituído de rochas supracrustais e vulcanismo bimodal intraplaca, está relacionado a uma complexa estrutura extensional, desenvolvida entre aproximadamente 1,8 e 1,6 Ga, dando origem a importante sedimentação sin-rifte e pós-rifte, além de magmatismo sin- rifte. Este grupo é subdividido em Formação Arraias e Formação Traíras. A idade do vulcanismo bimodal, 1,77 Ga, é a mesma dos granitos mais antigos da Suíte Pedra Branca. A principal fase de rifte, representada pela Formação Arraias, foi acompanhada de deposição de arenitos e conglomerados (PP4acg) de leques aluviais, e arenitos fluviais intercalados com rochas vulcânicas e vulcanoclásticas (PP4aα) (riodacitos, riolitos, ignimbritos e rochas piroclásticas indiferenciadas). Derrames de basalto continental (PP4aβ) ocorrem intercalados com quartzitos e metassiltitos, sempre sobrejacentes às seqüências de rochas vulcânicas ácidas. A sedimentação pós-rifte, Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma iv representada pela Formação Traíras, é caracterizada pela deposição de conjunto heterolítico de siltitos estratificados (PP4ts1 e PP4ts2) e arenitos (PP4tq), em ambiente marinho raso e transicional. As rochas do Grupo Araí são anquimetamórficas ou metamorfisadas em grau xisto verde baixo. A Formação Jequitaí ocorre distribuída irregularmente entre as rochas do Grupo Bambuí e de seu embasamento paleoproterozóico e representa episódio glacial ocorrido sobre uma ampla porção do Cráton do São Francisco, marcado por camadas de diamictito, contendo seixos de dolomito, quartzito, gnaisses e diversos tipos de granito. O Grupo Bambuí representa seqüência pelítico-carbonatada que cobre grande parte do Cráton do São Francisco e toda a borda oriental da Faixa Brasília. Na área do Bloco Araí, somente três das cinco unidades litoestratigráficas do grupo foram reconhecidas: Formação Sete Lagoas, contendo siltitos, calcários e dolomitos, Formação Serra de Santa Helena, constituída de siltitos e ritmitos, e Formação Lagoa do Jacaré, contendo calcários, dolomitos, margas e siltitos. A deformação na área mapeada, principalmente nas seqüências e suítes paleoproterozóicas, está relacionada a sistemas de falhamentos de alto ângulo, NE e NW, freqüentemente individualizados como importantes zonas de cisalhamento quilométricas, distribuídos em três conjuntos: (i) Sistema Cavalcante-Teresina de Goiás, (ii) Sistema Teresina de Goiás-Nova Roma-Monte Alegre-Campos Belos, e (iii) Sistema Campos Belos-Arraias. A principal feição desta deformação está representada por uma milonitização penetrativa na Formação Ticunzal e na Suíte Aurumina. Depósitos e ocorrências minerais no Bloco Araí estão relacionados a diferentes ambientes e idades metalogenéticas, com maior importância para depósitos de Au (± PGE) e Sn-Ta, associados a granitos da Suíte Aurumina e à Formação Ticunzal, e Sn (±In), relacionado a granitos PP4γpb2 da Suíte Pedra Branca, onde estão hospedados os mais importantes depósitos da Província Estanífera de Goiás. Pequenos depósitos de urânio também estão relacionados ao contexto Formação Ticunzal/Suíte Aurumina. Depósitos de pequeno porte e ocorrências de fosforitos, além de anomalias de Pb-Zn, ocorrem associados ao Grupo Bambuí. A área tem ainda potencial para rochas ornamentais, contendo pedreira e prospectos em rochas vulcânicas e granitos portadores de quartzo azul, além de prospectos em quartzo-muscovita milonito de granitos da Suíte Aurumina. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma v ABSTRACT This report contains the results of a 1:100,000 mapping of a 10,000 km2 area in the northeastern region of the Goiás State. The study area, called Araí Block, comprises three geographical sheets: Cavalcante (SD.23-V-C-V), Nova Roma (SD.23-V-C-VI), and Monte Alegre de Goiás (SD.23-V-C-III. The Araí Block is located in the northeastern portion of the Brasília Fold Belt, nearby the limit between its internal and external zones. The following litostratigraphic units were identified in the block, from the base to the top: Ticunzal Formation, Aurumina Suite, Nova Roma Quartz diorite, Pedra Branca Suite, Araí Group, Jequitaí Formation, and Bambuí Group. The Ticunzal Formation is the oldest sequence (> 2.15 Ga) recognized so far in the northeastern region of the Goiás State. It is composed of graphite-bearing paragneiss and schists, probably related to an Archean source, as indicated by the TDM ages between 2.6 and 2.8 Ga. The Aurumina Suite represents the oldest granitogenesis in the Araí Block and comprises 2.0 – 2.15 Ga syn- to late-kynematic peraluminous granites. Four granitic facies were identified in the Aurumina Suite: muscovite granite (PP2γ2au1), dominant, biotite–muscovite granite (PP2γ2au2), tonalite (PP2γ2au3) and biotite granite (PP2γ3au4). The Nova Roma Quartz diorite (PP2γ3nr) is a 2.14 Ga late-tectonic calc-alkaline rock intrusive in the oldest granites of the Aurumina Suite. The Pedra Branca Suite comprises 1.77 – 1.74 Ga A-type granite massifs, with rapakivi-related facies (PP4γpb1) and tin-mineralized metaluminous to peraluminous facies (PP4γpb2). Both are rich in F, Sn, Rb, Y, Th, Nb, Ga and REE. The Araí Group is constituted by supracrustal rocks and coeval within-plate bimodal volcanism, related to a complex continental extensional structure developped between approximately 1.8 Ma and 1.6 Ga, which gave rise to an important sin-rift to post-rift sedimentation and rift magmatism. This group is subdivided in the Arraias and Traíras formations. The bimodal volcanism has the same age, 1.77 Ga, of the oldest granites of the Pedra Branca Suite. The main rift phase, represented by the Arraias Formation, was accompained by deposition of alluvial fan conglomerates (PP4acg) and sandstones, and fluvial sandstones with intercalations of acid volcanic and volcaniclastic rocks (PP4aα) (rhyodacite, rhyolite, ignimbrites, pyroclastic rocks). Intercalations of continental basalt flows (PP4aβ) with quartzites and meta-siltstones also occur, but the basalts always overlay the acid volcanic sequence. Post-rift sedimentation, represented by the Traíras Formation, is marked by the deposition of a heterolithic assemblage of stratified siltstones (PP4ts1 e PP4ts2) and sandstones (PP4tq) in transitional and shallow marine environments. All the Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma vi Araí Group assemblages are anchi-metmorphic or were metamorphosed in lower greenschist conditions. The Jequitaí Formation is randomly distributed between the Bambuí Group and rocks of its Paleoproterozoic basement. It represents the expression of a glacial episode that occurred over a large part of the São Francisco Craton, marked by the presence of diamictite beds containing pebbles of dolomite, quartzite, gneiss and different types of granite. The Bambuí Group is a Neoproterozoic pelitic and carbonate sequence that covers a large part of the São Francisco Craton and all the eastern side of the Brasília Fold Belt. In the Araí Block area, only three of the five lithostratigraphic units of the group were recognized: the Sete Lagoas Formation, with siltstones, limestones and dolomites; the Serra de Santa Helena Formation, with siltstones and rythmites, and the Lagoa do Jacaré Formation, containing limestones, dolomites, marls, and siltstones The deformation in the mapped area, mainly in the paleoproterozoic sequences and suites, is represented by NE and NW high angle faults, often individualized as important kilometric shear zones, distributed in three systems: (i) Cavalcante-Teresina de Goiás System, (ii) Teresina de Goiás-Nova Roma-Monte Alegre-Campos Belos System, and (iii) Campos Belos-Arraias System. The main feature of this deformation is the pervasive mylonitization of the Ticunzal Formation and Aurumina Suite rocks. Ore deposits and occurrences in the Araí block are related to different metallogenetic ages and environments. The most important are Au (± PGE) and Sn-Ta deposits, associated with the Ticunzal Formation and the Aurumina Suite granites, and Sn (±In) related to PP4γpb2 granites of the Pedra Branca Suite, where the most important deposits of the Goiás Tin Province are hosted. Small uranium deposits are also related to the Ticunzal Formation/Aurumina Suite context, and minor deposits and occurrences of phosphorites and Pb-Zn anomalies are associated with the Bambuí Group. The area has a potential for dimension stones, with quarry and prospects in volcanic rocks and granites containing blue quartz, and prospects in quartz-muscovite mylonite of the Aurumina Suite. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma vii SUMÁRIO AGRADECIMENTOS ............................................................................................................. i RESUMO ...........................................................................................................................iii ABSTRACT ........................................................................................................................ v 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 1 1.1 Localização e Acesso ................................................................................................. 3 1.2 Aspectos Socioeconômicos ......................................................................................... 3 1.3 Geomorfologia ......................................................................................................... 4 1.4 Clima, Solo e Vegetação ............................................................................................ 4 2. CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL................................................................................... 6 3. UNIDADES ESTRATIGRÁFICAS ......................................................................................... 8 3.1 Formação Ticunzal .................................................................................................... 8 3.2 Suíte Aurumina ...................................................................................................... 11 3.3 Quartzo-diorito Nova Roma - PP2γ3dnr ...................................................................... 14 3.4 Suíte Pedra Branca ................................................................................................. 14 3.5 Grupo Araí ............................................................................................................ 16 3.5.1 Formação Arraias - PP4a ................................................................................ 16 3.5.2 Formação Traíras .......................................................................................... 22 3.6 Formação Jequitaí - NP12jt ...................................................................................... 23 3.7 Grupo Bambuí ....................................................................................................... 24 3.7.1 Formação Sete Lagoas ................................................................................... 25 3.7.2 Formação Serra de Santa Helena .................................................................... 27 3.7.3 Formação Lagoa do Jacaré ............................................................................. 28 3.8 Petrologia e Geoquímica .......................................................................................... 30 3.8.1 Suíte Auromina ............................................................................................. 30 3.8.2 Suíte Pedra Branca ........................................................................................ 33 3.8.3 Metavulcânicas do Grupo Araí ......................................................................... 36 4. GEOLOGIA ESTRUTURAL E TECTÔNICA ........................................................................... 39 4.1 Sistemas de Deformação ......................................................................................... 39 4.2 Estruturas por Domínio Geotectônico ........................................................................ 41 5. RECURSOS MINERAIS E CONTROLE DAS MINERALIZAÇÕES ............................................... 46 5.1 Depósitos Minerais Associados ao Contexto da Suíte Aurumina e da Formação Ticunzal .... 46 5.2 Depósitos e Ocorrências Minerais Relacionados ao Rifte Intracontinental Paleoproterozóico ................................................................................................ 53 5.3 Depósitos e Ocorrências Associados ao Grupo Bambuí ................................................. 56 5.4 Rocha Ornamental .................................................................................................. 57 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 58 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 60 ANEXO: • Súmula de Dados de Produção: Folha Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 1 1. INTRODUÇÃO Este relatório é uma síntese do levantamento geológico básico do conjunto das Folhas Cavalcante (SD.23-V-C-V), Nova Roma (SD.23-V-C-VI), Monte Alegre de Goiás (SD.23-V-C-III), na escala 1:100.000, denominado de Bloco Araí e executado na forma de acordo com o contrato de prestação de serviços Nº 071/PR/05, celebrado entre a Universidade de Brasília (UnB), Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (FINATEC) e a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), como parte do Programa de Levantamentos Geológicos Básicos-PGLB e dentro do Programa Geologia do Brasil do PPA 2004-2007 do Governo Federal. Os dados geológicos foram obtidos de trabalhos existentes e por levantamentos de campo realizados dentro do contrato deste serviço. Os trabalhos consultados incluem os Relatórios e mapas de Trabalhos de formatura, publicações, relatórios de pesquisa, dissertações de mestrado e teses de doutorado executadas por professores e estudantes do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília, além dos relatórios de mapeamento feitos pela CPRM e Metais de Goiás S.A., para esta área. A relação das fontes de dados geológicos utilizadas para as três folhas deste bloco encontra-se nas figuras 1, 2 e 3. Figura 1: Distribuição dos trabalhos de Mapeamento Geológico existentes na Folha Cavalcante e utilizados como fonte de dados. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 2 Figura 2: Distribuição dos trabalhos de Mapeamento Geológico existentes na Folha Monte Alegre de Goiás e utilizados como fonte de dados. Figura 3: Distribuição dos trabalhos de Mapeamento Geológico existentes na Folha Nova Roma e utilizados como fonte de dados. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 3 1.1 Localização e Acesso A folha Cavalcante (SD.23-V-C-V), com as coordenadas 14°00 e 13°30 de latitude sul e 47°30 e 47°00 de longitude oeste, a folha Monte Alegre de Goiás (SD.23-V-C-III), com as coordenadas 13°30 e 13°00 de latitude sul e 47°00 e 46°30 de longitude oeste e a folha Nova Roma (SD.23-V-C-VI), com as coordenadas 14º00 e 13º30 de latitude sul e 47° 00 e 46°30 de longitude oeste, localizam-se no nordeste de Goiás (Figura 4). O principal acesso a partir de Brasília se faz pela BR-020 até o entroncamento da GO-118 que segue em direção ao norte, passando por São João d´Aliança, Alto Paraíso, até Teresina de Goiás, onde se situa o entroncamento para oeste em direção a Cavalcante. Pela GO-118, pode-se continuar de Teresina de Goiás até Campos Belos, passando-se por Monte Alegre de Goiás. Para a Cidade de Nova Roma existe um entroncamento 40 km após Teresina de Goiás com entrada a leste. Figura 4: Localização das folhas 1:100.000 do Bloco Araí no Nordeste de Goiás e sua articulação com as folhas adjacentes. 1.2 Aspectos Socioeconômicos As principais atividades econômicas do Bloco Araí são a pecuária com gado bovino, e o ecoturismo. Entretanto é possível distinguir duas áreas bem diferenciadas pelas suas características próprias, as quais refletem diretamente a geologia e a geomorfologia da área: i) Uma zona muito acidentada e de difícil acesso, com solos rasos e pobres, onde predominam atividades agropecuárias de Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 4 subsistência.. Essa zona abrange as unidades geológicas pertencendo ao grupo Araí. ii) Uma zona plana e de fácil acesso, com solos relativamente pobres, onde predominam as atividades associadas a pecuária extensiva. Essa zona abrange essencialmente as unidades geológicas atribuídas ao embasamento granito-gnaissico. A outra atividade econômica de importância crescente consiste no ecoturismo, o qual encontra-se em pleno desenvolvimento na zona acidentada. Outras atividades econômicas existentes na região são associadas principalmente a mineração de ouro, a qual será abordada no item relativo aos recursos minerais da região. 1.3 Geomorfologia As Folhas do Bloco Araí, que integram em grande parte a área denominada Chapada dos Veadeiros, mostram uma geomorfologia muito interessante pelos contrastes observados. Basicamente, é possível diferenciar três domínios geomorfológicos distintos, os quais refletem diretamente as unidades individualizadas no mapa geológico. a) Domínio oriental: é caracterizado pela imensa planície do vale do Rio Paranã, situada nas cotas compreendidas entre 500 e 550 metros, e somente interrompida por pequenas elevações carbonáticas isoladas ou serrinhas alinhadas e descontínuas. b) Domínio de transição: é representado pela estreita faixa de escarpas carbonáticas, com cotas entre 650 e 700 metros, que bordejam o lado oeste do domínio oriental, onde predomina um relevo kárstico. c) Domínio ocidental: é evidenciado pelo relevo extremamente acidentado com escarpas abruptas apresentando desníveis da ordem de centenas de metros, atingindo altitudes superiores a 1000 metros, que caracterizam a superfície de aplainamento Sul-Americana (King, 1956; Braun,1971) e a região conhecida como Chapada dos Veadeiros. Esses relevos contrastam com as zonas aplainadas desenvolvidas sobre as rochas do embasamento em cotas de 550 a 600 metros, evidenciando a superfície de aplainamento Rio das Velhas (King1956; Braun 1971). 1.4 Clima, solos e vegetação O clima da região é do tipo AW segundo a classificação de Köepen, característico da região Centro- Oeste do Brasil, sendo um clima tropical quente, semi-úmido com duas estações bem contrastadas: uma estação chuvosa de outubro a mjarço, com um pico nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, e uma estação seca prolongada de abril a setembro. Os solos são de natureza variada refletindo diretamente as rochas sobre as quais se desenvolveram, as condições climáticas da região e a geomorfologia local. Distingüe-se vários tipos de solos: cambissolos, solos arenosos e litossolos, pobres, de coloração clara, amarela a branca, desenvolvidos sobre quartzitos, arcóseos e embasamento granito-gnáissico; e solos argilosos avermelhados, mais férteis, associados a rochas vulcânicas,principalmente máficas. A vegetação de Cerrado caracteriza essa porção da região Centro-Oeste do Brasil com o desenvolvimento de árvores e arbustos retorcidos, de tamanhos relativamente pequenos, com Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 5 caule e casca grossas e folhagem resistente, acompanhados por uma vegetação rasteira de gramíneas. Sobre os solos desenvolvidos a partir de rochas metavulcânicas máficas, a vegetação característica é de Cerrado Alto, mas praticamente desapareceu devido ao desmatamento pela agropecuária de subsistência. Ao longo das drenagens mais importantes, pode-se observar, a formação de majestuosas veredas e de exuberantes mata-galerias. Nas planícies do vale do Rio Paranã, onde se situam os solos mais espessos e mais férteis, se desen- volveu uma vegetação de grande porte com árvores gigantes como barriguda (Figura 5), aroeira, etc. que, com a exceção das barrigudas, desapareceram para dar lugar ás imensas pastagens da pecuária de gado de corte. Figura 5: Vale do Rio Paranã, onde as árvores (Barrigudas) ocorrem em solos vermelhos desenvolvidos sobre as rochas carbonáticas do Grupo Bambuí. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 6 2. CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL O conjunto das folhas Cavalcante, Nova Roma e Monte Alegre de Goiás, que compõem o bloco objeto desse relatório, situa-se na porção nordeste da Faixa de Dobramentos Brasília - FDB (Marini et al. 1984 a,b), praticamente no limite entre a zona externa e a zona cratônica da faixa (Dardenne, 2000; Fuck, 1994; Fuck et al., 1994). Esse limite é sublinhado por falhas longitudinais regionais com orientação vizinha de NS a N20E. Na zona externa da FDB (Dardenne, 2000), aparece um núcleo do embasamento Transamazônico, constituído pelas rochas metassedimentares da Formação Ticunzal (Marini et al., 1978) e pela Suíte Granítica Aurumina (Botelho et al., 1999), a qual baliza o final do Ciclo Transamazônico em torno de 2,0 Ga (Figura 6). No final do Paleoproterozóico, este núcleo mais antigo foi afetado por processo de rifteamento continental, o qual se traduziu sucessivamente pela intrusão, em cerca de 1,8 Ga (Pimentel et al., 1991; Pimentel & Botelho, 2000), dos granitos intraplaca da Suíte Pedra Branca na Subprovíncia Estanífera do Rio Paranã (Marini & Botelho, 1986), pela sedimentação do Grupo Araí e pelo vulcanismo bimodal (máfico e ácido) associado. O final do ciclo sedimentar do Grupo Araí parece ter ocorrido em volta de 1,56 Ga, idade das intrusões graníticas relacionadas à Suíte Serra da Mesa (Pimentel & Botelho, 2000; Rossi et al., 1992; Dardenne et al., 2003). Após um longo período de erosão, induzido pela tectônica rígida que afetou a área, a deposição do Grupo Paranoá se desenvolveu perto de Alto Paraíso de Goiás, na região imediatamente ao sul da Folha Cavalcante. Na zona cratônica, após novo e longo período de erosão e de tectônica rígida, ocorreu a sedimentação da Formação Jequitaí e do Grupo Bambuí, já no Neoproterozóico, em discordância sobre todas as unidades anteriores, ultrapassando em alguns casos, o limite ocidental da zona externa. No final do Neoproterozóico, toda a região foi afetada pela deformação relacionada ao Evento Brasiliano (630 Ma), que se caracterizou na FDB por dobramento, metamorfismo e transporte de oeste para leste em direção ao Cráton do São Francisco. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 7 Figura 6: Mapa geológico simplificado da faixa Brasília. 1. Bloco Arqueano de Crixás; 2. Terrenos Paleoproterozóicos Almas Natividade e Suíte Aurumina; 3. Complexos máfico-ultramáfico; 4. Complexo Anápolis Itauçu; 5. Arco Magmático de Goiás (Pimentel et al., 2004). Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 8 3. UNIDADES ESTRATIGRÁFICAS No Bloco Araí ou no conjunto das folhas Monte alegre de Goiás, Cavalcante e Nova Roma foram diferenciadas, da base para o topo, as seguintes unidades litoestratigráficas: Formação Ticunzal, Suíte Aurumina, Suíte Pedra Branca, Grupo Araí, Formação Jequitaí e Grupo Bambuí (Figura 7). 3.1 Formação Ticunzal A Formação Ticunzal tem a sua área-tipo na região das serras do Ticunzal e Tombador, no município de Cavalcante (Marini et al., 1978; Fernandes et al., 1982). A distribuição dessa seqüência no contexto da Faixa Brasília ainda provoca controvérsias, mas trabalhos recentes têm demonstrado sua presença em uma vasta área do nordeste de Goiás e sudeste de Tocantins (Botelho et al., 2002; Botelho & Portela, 2005). O conjunto de rochas metassedimentares e granitos peraluminosos intrusivos da Suíte Aurumina apresenta-se intensamente deformado, num domínio rúptil-dúctil, parte da controvérsia sendo decorrente da dificuldade em diferenciar milonitos orto e paraderivados. A Formação Ticunzal é formada essencialmente por xistos e paragnaisses freqüentemente grafitosos (Figura 8), além de quartzitos micáceos em menores proporções, e raras ocorrências de conglomerados, constituídos por uma paragênese retrometamórfica, onde ocorrem, em concentrações variáveis: quartzo, clorita, epidoto, carbonato e muscovita fina. Da paragênese de mais alto grau metamórfico anterior, somente subsistem a grafita de cristalinidade alta, porfiroblastos de granada parcialmente preservados e prováveis pseudomorfos de aluminossilicatos, os quais indicam que a seqüência sedimentar foi submetida, no mínimo, a condições metamórficas de fácies anfibolito média, como já sugerido por Marini et al. (1978) e Fuck et al. (1988). Os dados geoquímicos das rochas metassedimentares da Formação Ticunzal indicam que os paragnaisses têm uma composição química semelhante à de grauvacas, o que permite distingui-los das rochas ortoderivadas (Botelho & Portela, 2005). A idade da Formação Ticunzal ainda não está bem definida, mas é mais velha que 2,15 Ga, que é a idade das intrusões graníticas mais antigas da Suíte Aurumina nela identificadas (Figura 9). Dados preliminares de Sm-Nd mostram um TDM entre 2,6 e 2,8 Ga, indicando que os sedimentos da formação tiveram uma fonte predominantemente arqueana (Fuck et al., 2002). As rochas descritas sucintamente a seguir representam os tipos litológicos mais comumente encontradas na Formação Ticunzal. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 9 Figura 7: Carta estratigráfica das unidades geológicas presentes nas folhas Monte alegre de Goiás, Cavalcante e Nova Roma. Figura 8: Seção polida de xisto grafitoso da Formação Ticunzal. Os cristais de grafita estão representados pela cor amarelada. UTM 23L 277410E/8494969N. PP2γ2au1 Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 10 Litofácies - PP1tzp Paragnaisses da Formação Ticunzal apresentam bandamento milimétrico a centimétrico com bandas de coloração branca alternando com bandas de coloração verde escuro. As bandas claras são ricas em quartzo e feldspato, enquanto as bandas escuras são ricas em biotita, muscovita, e ilmenita, contendo ainda restos de granada. Como minerais de retrometamorfismo, aparecem clorita, muscovia, titanita, e rutilo. Certas fácies podem mostrar uma textura porfiroblástica com fenoblastos de granada atingindo até 5 cm. Em luz refletida, aparecem os cristais de grafita, os quais permitem atribuir com segurança essas rochas à Formação Ticunzal. Os paragnaisses têm como feição comum injeções concordantes de granitos da Suíte Aurumina, formando estruturas do tipo lit-par-lit (Figura 9). Litofácies - PP1tzx Quartzo-muscovita xistos, bastante abundantes, de cor esbranquiçada a esverdeada clara e de granulação fina, apresentam uma textura lepidoblástica característica, com as micas envolvendo os aglomerados granoblásticos de quartzo poligonal. Uma pequena proporção de biotita reliquiar é ainda visível. Muscovita-granada xistos, geralmente associados aos quartzo-muscovita xistos, se distinguem pela presença notável de fenoblastos de granada, alongados e orientados, imersos numa matriz de quartzo e muscovita fina, conferindo a rocha uma textura porfiroblástica muito característica. As granadas com textura poiquilítica contêm pequenos cristais de quartzo anédricos e não rotacionados, envolvidos pela matriz de quartzo e muscovita. Clorita-muscovita-quartzo xistos, de cor esverdeada e granulação fina, apresentam textura granoblástica e lepidoblástica, com bandas quartzosas envolvidas por clorita e muscovita, além de biotita reliquiar. Grafita xistos, de granulação fina e textura lepidoblástica, ricos em muscovita, com coloração cinza brilhante característica, constituem as rochas mais características da Formação Ticunzal. Contêm ainda quartzo, clorita e biotita reliquiar. Os cristais de grafita possuem alta cristalinidade e são facilmente identificados em luz refletida. Aos grafita xistos, estão freqüentemente associadas pequenas concentrações de óxidos de manganês. Litofácies de metacongomerados e quartzitos Os níveis de metaconglomerados e microconglomerados com matriz arenosa estão geralmente associados a quartzitos e quartzo xistos, mal selecionados. Os seixos são milimétricos a Figura 9: Afloramento mostrando relações entre paragnaisse (PP1tzp) da Formação Ticunzal e granito PP2γ2au1 da Suíte Aurumina, que apresentam a mesma deformação. Notar as injeções concordantes de granito ao longo da foliação do paragnaisse. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 11 centimétricos, constituídos quase exclusivamente por quartzo. A matriz é composta predomi- nantemente por grãos de quartzo recristalizados de 0,2 a 2,0 mm, apresentando extinção ondulante, junto com muscovita, biotita, clorita e grafita subordinadas. Esta litofácies não foi individualizada em mapa, tendo sido englobada no domínio dos xistos PP1tzx. 3.2 Suíte Aurumina Os primeiros granitos atribuídos à Suíte Aurumina, como definida por Botelho et al. (1998), afloram na região entre a cidade de Teresina de Goiás e o povoado de Aurumina. Em Aurumina, considerada a área-tipo, a suíte está representada por um pequeno corpo de 4 km2 de biotita – muscovita granito, milonitizado e alongado segundo N30W, intrusivo concordantemente em milonitos graníticos peraluminosos de distri- buição regional (Figura 10). Na definição atual, todos esses milo- nitos peraluminosos são conside- rados parte da Suíte Aurumina, que se estende para as regiões de Cavalcante, Nova Roma, Monte Alegre de Goiás, Campos Belos e Arraias. Em todas essas regiões, são observadas relações de contato indicadoras de que os granitos da suíte são intrusivos nas rochas metassedimentares da Formação Ticunzal. A Suíte Auru- mina está subdividida em seis fácies, incluindo rochas graníticas sin-, tardi- e pós-tectônicas, a saber: muscovita granito (PP2γ2au1), biotita–muscovita granito (PP2γ2au2), tonalito (PP2γ2au3), biotita granito (PP2γ3au4), migmatitos e turmalina – muscovita granito. Dessas fácies, apenas as quatro primeiras foram cartografadas nas folhas Monte Alegre de Goiás, Cavalcante e Nova Roma. Os granitos com predominância de muscovita são tipicamente sin-tectônicos, apresentando-se intrusivos e deformados concordantemente com a foliação de rochas metassedimentares atribuídas à Formação Ticunzal. Nos tonalitos, a deformação é incipiente e as relações de campo indicam que se trata de uma fase tardia da granitogênese, com características claramente tardi a pós- tectônicas. Os granitos PP2γ2au2 e PP2γ3au4 são ainda caracterizados por intensas anomalias aerogamaespectrométricas, reveladas pelo levantamento aerogeofísico Serra da Mesa II (Bentes et al., 1974). Outra característica importante e comum, tanto nos granitos quanto nos tonalitos, é a presença de aglomerados ou nódulos de grafita. Os primeiros dados de U-Pb em zircão indicam idades entre 2,0 e 2,2 Ga para as rochas da suíte peraluminosa. As idades mais jovens são comparáveis às idades U-Pb (~2,0 Ga) de cassiteritas de Figura 10: Relação entre as suítes Aurumina e Pedra Branca na área-tipo, nas proximidades do Povoado de Aurumina, Folha Cavalcante, mostrando o Maciço Pedra Branca, ao fundo, e pequeno corpo de biotita – muscovita granito (PP2γ2au2) intrusivo na fácies PP2γ2au1 e na Formação Ticunzal. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 12 depósitos de Sn da região de Monte Alegre de Goiás e à idade K-Ar (~2,1 Ga) em muscovita de pegmatitos estaníferos (Sparrenberger & Tassinari 1999), relacionados à fácies turmalina-albita granito, além das idades U-Pb em zircão de granitos tardios. Os granitos e tonalitos têm εNd(T=2,1) entre -3 e –6 e TDM entre 2,4 e 2,7 Ga (Fuck et al. 2002). Em comparação com os granitos paleoproterozóicos metaluminosos da Suíte Pedra Branca εNd(T=1,8) entre +3 e –11 e TDM entre 2,0 e 2,5 Ga (Pimentel e Botelho 2001), a fonte dos magmas peraluminosos da Suíte Aurumina é predominantemente arqueana, com pequeno retrabalhamento crustal. Os granitos da Suíte Aurumina hospedam uma série de pequenos depósitos de ouro (Cavalcante), às vezes contendo platinóides, relacionados a zonas de cisalhamento, onde o minério está concentrado em veios de quartzo e/ou em quartzo – sericita milonitos, localizados no contato entre o granito e a Formação Ticunzal. A suíte também é hospedeira de depósitos/ocorrências de estanho e tântalo associados a granitos e pegmatitos com turmalina, situados no contexto da fácies turmalina-muscovita granito (Monte alegre de Goiás). Na folhas do Bloco Araí a Suíte Aurumina está representada pelas fácies muscovita granito (PP2γ2au1), biotita–muscovita granito (PP2γ2au2), tonalito (PP2γ2au3) e biotita granito (PP2γ3au4). Litofácies - PP2γ2au1 - muscovita granito Muscovita granito está amplamente distribuído nas folhas do Bloco Araí, constituindo um amplo domínio na porção leste e nordeste da folha. Sua principal característica é a presença de grandes lamelas de muscovita, claramente pré-tectônicas a sin-tectônicas em relação à foliação milonítica penetrativa e regional. Relações de contato com a Formação Ticunzal estão expostas no leito e nas margens da estrada que liga Cavalcante a Colinas do Sul e no Morro do Passarinho nas proximidades de Monte Alegre de Goiás, onde são observadas injeções sin-tecônicas, concordantes com a foliação de xisto grafitoso. O contato intrusivo é marcado pelo aparecimento de andaluzita no xisto. A composição mineralógica da fácies PP2γ2au1 tem, como minerais essenciais, quartzo (30-40%), microclínio (30-35%), plagioclásio An15 (30-35%) e muscovita (2-15%). Biotita é mineral varietal nessa fácies, mas pode ocorrer até em proporções semelhantes à da muscovita. Os minerais acessórios são principalmente zircão, apatita e rara ilmenita. O muscovita granito possui uma deformação intensa, marcada, principalmente por foliação milonítica de caráter regional de direção NNE e forte mergulho SSE, responsável por reequilíbrio e recristalização de minerais primários, além de neoformação de minerais metamórficos como muscovita, epidoto, clorita, rutilo, titanita, carbonatos. Localizadamente, essa deformação dá origem a quartzo-muscovita milonitos e ultramilonitos, cuja maior expressão é encontrada nas encostas das serras do Boqueirão e Aboboreira e nas cabeceiras do Córrego Aboboreira e na Serra da Goiana. Litofácies - PP2γ2au2 – biotita-muscovita granito A fácies PP2γ2au2 constitui importantes domínios na porção oeste da Folha Cavalcante e na Folha Monte Alegre de Goiás, além de ocorrer como intrusões de menor porte, como a que ocorre na Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 13 área-tipo no povoado de Aurumina. A fácies PP2γ2au2 é caracterizada por importantes anomalias aerogamaespectrométricas em mapas do levantamento aerogeofísico Serra da Mesa (Bentes et al., 1977). Outra característica importante dessa fácies é sua associação com depósitos de ouro em Cavalcante e Aurumina, além de outras ocorrências nas folhas mapeadas. Relações de intrusão na fácies PP2γ2au1 podem ser observadas no leito do Rio das Pedras, a jusante da mina de ouro de Aurumina, onde a fácies PP2γ2au2 apresenta importante estrutura de fluxo concordante com a foliação da encaixante. A composição mineralógica da fácies PP2γ2au2 apresenta, como minerais essenciais, quartzo (30- 40%), microclínio (30-40%), plagioclásio An12 (30-35%), muscovita (5-15%), biotita (2-5%). Os minerais acessórios são apatita, zircão, monazita, torita e ilmenita. Como característica importante, deve-se ressaltar a presença constante de monazita, como grãos arredondados. Como minerais secundários, relacionados a deformação e metamorfismo regionais, são encontrados muscovita, clorita, epidoto, titanita, rutilo e carbonatos. A deformação encontrada na fácies PP2γ2au2 é a mesma descrita na fácies PP2γ2au1 e responsável pelo desenvolvimento de importantes zonas de cisalhamento às quais estão associadas mineralizações auríferas assinaladas na folha. Litofácies - PP2γ2au3 - tonalito O tonalito PP2γ2au3 tem sua maior expressão na Folha Cavalcante, onde ocupa toda a porção centro-norte, além de uma estreita faixa em contato, na parte leste, nas proximidades da Serra da Pedra Branca. Nas demais folhas, o tonalito aparece como intrusões menores sub-arredondadas. Esta fácies tem uma distribuição importante nas regiões nordeste de Goiás e sudeste do Tocantins, constituindo extensos terrenos na região entre Monte Alegre de Goiás e Arraias e entre Arraias e Paranã. A fácies PP2γ2au3 é predominantemente leucocrática, apresentando-se, em geral, menos deformada do que os granitos anteriores, às vezes constituindo núcleos isotrópicos com as características ígneas mais preservadas. Na porção nordeste da Folha Monte Alegre, o tonalito é mais rico em biotita (15-20%) e possui nódulos de grafita. Em comparação com as fácies PP2γ2au1 e PP2γ2au2, o tonalito é tardi-tectônico e mais discordante em relação às principais foliações regionais. Nele, a foliação milonítica é mais intensa em domínios ou faixas mais restritos. A composição mineralógica da fácies PP2γ2au3 apresenta, como minerais essenciais, quartzo (30- 40%), microclínio (até 10%), plagioclásio An15 (50-55%) e biotita (até 20%). Muscovita e granada são minerais varietais. Os minerais acessórios são apatita, zircão e rara allanita. Os minerais secundários são epidoto, zoisita-clinozoisita, muscovita e rara clorita. Litofácies - PP2γ3au4 – biotita granito A litofácies PP2γ3au4 tem ocorrência muito restrita, apenas na Folha Cavalcante, constituindo um pequeno corpo subarredondado nas proximidades de Teresina de Goiás. Esse biotita granito é caracterizado pela deformação incipiente, em comparação com as demais fácies da Suíte Aurumina Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 14 e por importantes anomalias aerogamaespectrométricas. O formato das intrusões e a deformação pouco penetrativa sugerem uma natureza pós-tectônica para o biotita granito au4. A composição mineralógica tem, como minerais principais, quartzo (30-40%), microclínio (40-45%), plagioclásio An12 (20-25%), biotita (5-10%) e muscovita (2-3%). Os minerais acessórios são apatita, zircão, monazita, torita e ilmenita. Dentre os granitos conhecidos na Suíte Aurumina, a litofácies PP2γ3au4 é aquela que apresenta maior enriquecimento em monazita, com disseminação de grãos arredondados, que pode atingir até 1% da rocha. 3.3 Quartzo-diorito Nova Roma - PP2γ3dnr O quartzo diorito Nova Roma ocorre apenas nas folhas Cavalcante e Nova Roma, na região situada entre a Serra da Pedra Branca e a cidade de Nova Roma, aflorando como rocha mesocrática, pouco deformadas, associada a áreas mais ou menos arrasadas de latossolo vermelho. A composição mineralógica apresenta, como minerais essenciais, plagioclásio An35-40 (55-65%), hornblenda (10- 20%), biotita (5-10%) e quartzo (10-15%). Como acessórios são encontrados apatita, zircão, allanita e ilmenita. Os minerais secundários principais são clorita, epidoto, zoisita-clinozoisita, carbonato e muscovita. Embora seja intrusivo no tonalito PP2γ2au3, o quartzo diorito possui idade também em torno de 2,15 Ga (2.140 ± 7 Ma, U-Pb zircão). O TDM de 2,48 Ga e εNd(T=2,14) de –3,9 são semelhantes àqueles de granitos da Suíte Aurumina. Entretanto, a natureza quartzo diorítica metaluminosa dessa litofácies não sugere relação petrogenética com os granitos peraluminosos da Suíte Aurumina, o que justifica sua abordagem como uma unidade distinta. 3.4 Suíte Pedra Branca Suíte Pedra Branca é termo utilizado pela primeira vez, na região nordeste de Goiás, para designar os granitos, ou parte deles, anteriormente conhecidos como granitos estaníferos de Goiás (Marini & Botelho, 1986), granitos Tipo A g1 e g2 (Botelho et al., 1992), Suíte Paranã (Lacerda Filho et al., 1998). A denominação Suíte Pedra Branca está sendo utilizada já que o maciço granítico de mesmo nome representa a área-tipo dessa suíte, com maior representação das diversas fácies que a compõem, além de conter os mais importantes depósitos de estanho do estado de Goiás, geneticamente ligados à evolução geológica dos granitos da suíte. Os granitos tipo A paleo a mesoproterozóicos do Estado de Goiás constituem várias intrusões distribuídas nas porções centro-norte e nordeste do estado, dentro do domínio da porção norte da Província Estanífera de Goiás, subdividida em Subprovíncia Tocantins, a oeste, e Subprovíncia Paranã, a leste (Marini e Botelho, 1986). Os granitos constituem dois grupos quimicamente e cronologicamente distintos, g1 e g2. As idades mais antigas existentes na província, 1,77 Ga (U/Pb em zircão; Pimentel et al., 1991) foram atribuídas ao grupo g1, enquanto que as idades mais jovens, em torno de 1,6 Ga (U/Pb em zircão; Pimentel et al., 1991), obtidas para granitos do Maciço Serra da Mesa, na Subprovíncia Tocantins, foram atribuídas ao grupo g2 (Botelho et al. 1993). Entretanto a continuação dos trabalhos no contexto da Província Estanífera de Goiás tem mostrado que, provavelmente, existem mais de dois eventos geradores de granitos Tipo A na Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 15 região. Datação em monazita, realizada em granito g2 do Maciço Pedra Branca, indica uma idade em torno de 1,74 Ga para esse grupo (Teixeira 2002). Assim, a partir de agora, os granitos g1 e g2 de Botelho et al., (1993), abordados também em Botelho & Moura (1998), Liverton & Botelho (1999), Pimentel et al. (2000), Pimentel & Botelho (2001) e Lenharo et al. (2003), estão sendo denominados de granitos pb1 e pb2, incluídos na suíte de idade estateriana (1,74 – 1,77 Ga), denominada de Suíte Pedra Branca, representada, na região nordeste de Goiás pelos maciços Pedra Branca, Mocambo, Mangabeira, Serra do Mendes, Sucuri e Soledade, bem como por intrusões menores e diques porfiríticos, alguns com dezenas de metros de espessura, distribuídos nos terrenos da Suíte Aurumina. Granitos - PP4γpb1 Os granitos PP4γpb1 são dominantes no contexto da Suíte Pedra Branca, constituindo quase na totalidade os maciços Soledade, Sucuri e Mocambo, bem como a maior parte do Maciço Pedra Branca. A essa litofácies, pertencem também os diques porfiríticos, com quartzo azul, encontrados às margens da estrada que liga a GO-118 a Nova Roma, passando pelo povoado de Aurumina. Nos trabalhos de detalhe realizados nos maciços graníticos (Botelho, 1992 e Botelho et al., 1993), essa litofácies está subdividida em granitos g1a, g1b e g1c, aqui denominados de pb1a, pb1b e pb1c. Os granitos pb1 têm composição de biotita granito, sendo que os granitos pb1b são rapakivíticos e granofíricos, principalmente no Maciço Soledade, constituído por biotita granito granofírico, às vezes denominado na literatura de Granófiro Soledade (Araújo e Alves, 1977). Esse granito possui tonalidade escura e textura porfirítica, composta de fenocristais arrendondados de microclínio e de quartzo azul, e é o representante mais importante de granito rapakivi na Suíte Pedra Branca. Sugestões de que os granitos intraplaca da Província Estanífera de Goiás sejam semelhantes a granitos da Série Rapakivi, o que é corroborado por Lenharo et al. (2002), que apontam o Maciço Soledade como portador de texturas e estruturas semelhantes àquelas encontradas em viborgitos. No Maciço Sucuri, Folha Cavalcante, os granitos PP4γpb1 possuem cor cinza e granulação média a grossa. Nos demais maciços, esses granitos têm cor rosa a vermelha, são porfiríticos, com megacristais de feldspato potássico e, às vezes, quartzo azulado e têm matriz de granulação muito grossa. Granitos - PP4γpb2 Os granitos PP4γpb2 são importantes no contexto das folhas mapeadas por estarem associados aos depósitos de estanho mais importantes, sendo considerados responsáveis pelos processos mineralizadores que deram origem aos depósitos de estanho mais importantes da Subprovíncia Estanífera Paranã (Botelho & Moura, 1998). Os granitos pb2 estão presentes em maior quantidade no Maciço Pedra Branca, em sua porção situada na Folha Nova Roma, onde são representados por biotita granitos equigranulares de cor rósea e leucogranitos com mica litinífera, também classificados como granitos Tipo A, mas muito evoluídos. No Maciço Sucuri, os granitos pb2 estão associados a pequenos depósitos de estanho, mas não são cartografáveis na escala do mapeamento. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 16 3.5 Grupo Araí O Grupo Araí, que teve seu nome herdado do povoado situado a 30 km a noroeste de Cavalcante, corresponde a um conjunto de rochas metassedimentares e metavulcânicas de grau anquimetamórfico a xisto verde baixo, que recobrem embasamento granito-gnáissico, Formação Ticunzal, Suíte Aurumina e Quartzo diorito Nova Roma e são recobertos pelos grupos Paranoá e Bambuí. O Grupo Araí ocorre na zona externa da Faixa de Dobramentos Brasília, constituindo uma região muito acidentada, com cotas variando entre 300 e 1650 metros. Aflora na parte setentrional da Chapada dos Veadeiros, na região das cidades de Alto Paraíso, Colinas de Goiás e Cavalcante, estendendo-se para norte, ocupando uma área de cerca de 11.000 km2 da porção nordeste do Estado de Goiás e sudeste do Estado de Tocantins. O Grupo Araí foi subdividido da base para o topo em duas grandes formações: Arraias, com cerca de 1000 metros de espessura, representada principalmente por sedimentos psamíticos, depositados em ambiente predominantemente fluvial, e Traíras, com cerca de 1.200 metros de espessura, formada essencialmente por sedimentos psamíticos e pelito-carbonáticos, depositados em ambiente predominantemente marinho (Barbosa et al., 1969; Dyer,1970), as quais foram posteriormente relacionadas a seqüências rifte e pós-rifte respectivamente (Alvarenga et al., 2000; Dardenne et al, 1998, 1999; Martins, 1999) (Figura 14). 3.5.1 Formação Arraias – PP4a A Formação Arraias é formada por rochas sedimentares e rochas vulcânicas depositadas em um ambiente sin-rifte, incluindo depósitos fluviais e eólicos intercalados com rochas vulcânicas ácidas, piroclásticas e basaltos. Os depósitos da fase rifte estão relacionados a estrutura extensional, desenvolvida entre 1770 e 1600 Ma no Centro Oeste do Brasil. O vulcanismo bimodal tem aproximadamente a mesma idade (1770 Ma) dos granitos estaníferos da Suíte Pedra Branca (PP4γpb) na sub-província do Rio Paranã. As principais unidades litológicas da Formação Arraias, descritas a seguir, não correspondem a um empilhamento estratigráfico rigoroso, mas a um conjunto de litofácies que podem ocorrer em qualquer posição da seqüência sedimentar continental, o que não permite correlações laterais a grande distância e ilustra a imbricação e a interdigitação das fácies continentais nesse ambiente de leques aluviais e de rios entrelaçados da fase sin-rifte. Litofácies - PP4acg Metaconglomerados suportados pelos seixos ou pela matriz, com seixos de granitos, riolitos, quartzo e quartzitos, ocorrem geralmente como lentes de grandes variações de espessura, onde as mais espessas estão na borda das falhas que limitam o rifte, e a partir das quais desenvolve-se o sistema de leques aluviais (Figura 12). Na Folha Cavalcante, os afloramentos mais espetaculares desta fácies são observados na cachoeira do Rio das Almas (Figura 13), onde os metaconglomerados apresentam um aspecto maciço característico, com seixos, blocos e matacões predominantemente graníticos e raras intercalações de quartzitos. Neste local, a espessura da seqüência conglomerática atinge mais de cem metros. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 17 Figura 11: Correlação entre diferentes colunas estratigráficas propostas para o Grupo Araí (Martins, 1999). Na Folha Monte Alegre de Goiás, o local privilegiado para a descrição desta fácies é o Morro da Cruz (Figura 14), ao lado da cidade de mesmo nome, onde é possível observar a presença de dois níveis maiores de metaconglomerados, sendo o primeiro basal e o segundo intercalado com um quartzito fino de coloração branca a ligeiramente rosada. Os afloramentos mais espetaculares desta fácies são observados no Ribeirão Areias (Figura 15), extremo oeste da Folha Nova Roma, onde os metaconglomerados apresentam um aspecto maciço característico, com seixos blocos e matacões predominantemente graníticos e raras intercalações de quartzitos. Neste local, a espessura da seqüência conglomerática atinge cerca de cem metros. Esses metaconglomerados caracterizam um sistema deposicional de leques aluviais diretamente relacionados ao desenvolvimento das falhas associadas à fase sin-rifte. Passam lateralmente a um sistema deposicional de rios entrelaçados, e são freqüentemente intercalados com sedimentos continentais de origem fluvial e eólica. O conjunto dessas fácies pode atingir uma espessura de cerca de até 180 metros, como na Cachoeira do Rio das Almas (Figura 13). Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 18 Figura 13: Coluna estratigráfica da seção basal da Formação Arraias na Cachoeira do Rio das Almas em Cavalcante, GO. Os primeiros 40 metros incluem conglomerado com blocos e matacões, principalmente de granito da Suíte Aurumina, seguidos por quartzitos e quartzitos com seixos por aproximadamente 100 metros de espessura, até atingir o segundo intervalo de conglomerado, composto de seixos arredondados de quartzito, quartzo e ocasionais rochas vulcânicas. A foto mostra a característica do contato abrupto entre o conglomerado do topo com a camada de quartzito (UTM: 246580; 8468457). Figura 12: Metaconglomerado com frag- mentos de granito, vulcânica, quartzito e quartzo. Ribeirão Areias (UTM: 282321- 8489630). Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 19 Litofácies - PP4as Metassiltitos e metarritmitos formam uma espessa seqüência metassedimentar situada na base das rochas metavulcânicas expostas ao longo da escarpa da Serra da Aboboreira na Folha Cavalcante e ao longo da escarpa da Serra da Prata. Nessa área, os metassiltitos e ritmitos parecem se sobrepor diretamente ao embasamento sem os metaconglomerados da base. Essa seqüência é constituída pela alternância de horizontes de metassiltitos argilosos bastante alterados com níveis de quartzitos arcoseanos muito finos e mais resistentes à erosão. São rochas bem foliadas, mas preservando ainda traços das laminações do acamamento original. A espessura desta unidade é relativamente importante, sendo da ordem de 200 a 300 metros. Figura 14: Seção vertical da base da Formação Arraias no Morro da Cruz, ao lado da Cidade de Monte alegre de Goiás. Base do Grupo Araí Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 20 Riolito (PP4aα) Quartzito (PP4aqs) Litofácies - PP4aα Metariolitos, metariodacitos e meta- piroclásticas ocorrem geralmente intercalados nas rochas metasse- dimentares da base da seqüência detrítica. A distribuição desta seqüência vulcânica ácida é extre- mamente irregular e descontínua, sua espessura variando de poucos centímetros a mais de 100 metros muito rapidamente. Na Folha Cavalcante, as melhores ocorrên- cias são observadas na escarpa da Serra da Aboboreira (Figura 15). Os metariolitos, geralmente com coloração roxa a esbranquiçada, apresentam feições de fluxo magmático, além de fenocristais de feldspato potássico e de quartzo com tendência idiomórfica, os quais mostram golfos de corrosão pela matriz constituída por uma massa fina de quartzo, fengita e epidoto. Os metariodacitos são rochas de coloração cinza escuro, de granulação fina, compostas por fenocristais milimétricos de plagioclásio e de raros cristais de quartzo, apresentando amígdalas milimétricas preenchidas por calcita, imersos numa matriz fina quartzo- feldspática. As rochas metapiroclásticas são de natureza muito variável (Figura 16), com predomi- nância de metaignimbritos, metatufos de cristais de quartzo, metalapilitufos e metapi- roclásticas líticas. Essas últimas apresentam fragmentos líticos de todas as dimensões (milimétricos a métricos) e de natureza extremamente variável, como granitos, vulcânicas diversas. Essas rochas ilustram o caráter explosivo do vulcanismo e sublinham provavelmente as principais falhas que serviram de condutos ao mesmo vulcanismo. Litofácies - PP4aqs A litofácies PP4aqs é constituída de quartzitos feldspáticos com seixos, ou laminados, com estratificações cruzadas tabulares e acanaladas, apresentando seixos esparsos geralmente de quartzo e quartzito, provavelmente de origem fluvial. Localmente ocorrem lentes de verdadeiros conglomerados intraformacionais suportados pelos seixos de quartzo e quartzitos, as quais se situam na base da seqüência sedimentar (Figura 14A), evidenciando assim uma granulometria Figura 15: Contato estratigráfico ente os riolitos e os quartzitos da Formação Arraias, na Serra da Aboboreira. Figura 16: Metapiroclástica laminada. Neste ponto (CB-4: Folha Monte Alegre de Goiás) elas estão intercaladas em metaconglomerados (PP4acg). Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 21 decrescente da base para o topo. Essas fácies, que são muito características da parte inferior a intermediária da Formação Arraias, intercalam-se com quartzitos sericíticos também feldspáticos, mas desprovidos de seixos. Figura 17: A) Quartzito com seixos a conglomerático que ocorre como intervalos não muito bem delimitados, entre quartzito grosso a muito grosso incluído na litofácies - PP4aqs. B) Metabasalto com amígdalas. Litofácies - PP4aβ Metabasaltos, às vezes com amígdalas (Figura 14B), vesículas e disjunções colunares, o que pressupõe uma deposição sub-aérea, são geralmente intercalados nas rochas metassedimentares da porção superior da Formação Arraias. Os derrames basálticos apresentam freqüentemente uma porção inferior ou intermediária mais cristalina, texturalmente semelhante a microgabros, contrastando com o aspecto afanítico e amigdalar da parte superior do derrame. Essas rochas mostram plagiocásios alterando-se para uma massa mineral fina rica em epidoto, actinolita formada a partir dos piroxênios, clorita e quartzo, além de minerais acessórios como apatita, zircão e titanita. Na Folha Cavalcante, esses metabasaltos são abundantes e formam espessos derrames intercalados nos quartzitos, constituindo extensas áreas de solos férteis em volta das quais estabeleceram-se as comunidades dos Kalungas, oriundas de antigos quilombos de escravos desde o século 18. Estratigraficamente acima das rochas vulcânicas, a seqüência sedimentar torna-se dominan- temente arenosa, incluindo as unidades de quartzitos feldspáticos, ortoquartzitos e arcóseos. Nos locais onde as rochas vulcânicas estão ausentes, a seqüência pode se apresentar composta por quartzito feldspático e arcóseos com intercalações de ortoquartzitos. Litofácies - PP4aqf A litofácies PP4aqf é representativa nas três folhas mapeadas e inclui quartzitos feldspáticos e ortoquartzitos, com intercalações de rochas metavulcânicas ácidas (PP4aα). Os quartzitos feldspáticos variam de médios a grossos, com baixo grau de selecionamento, estratificações cruzadas tabulares e acanaladas, tendo sido interpretados como depósitos de origem fluvial de rio entrelaçado. Os ortoquartzitos são mais frequente na base desta litofácies, como intercalações que variam de poucos centímetros até mais de 12 metros, são laminados, com comuns estratificações cruzadas de grande porte, numa rocha com grãos bem selecionados com granulometria normalmente média com grãos arredondados e esféricos, sugerindo uma origem eólica para estes ortoquartzitos. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 22 Litofácies - PP4aqo Ortoquartzitos com estratificações cruzadas tabulares e acanaladas de grande porte de origem eólica são os representantes da litofácies PP4aqo. Apresentam bimodalidade, com grãos de granulometria fina, média ou grossa, geralmente bem arredondados e esféricos, em lâminas muito bem selecionadas. São intercalados com fácies laminadas plano-paralelas, con- sideradas como depósitos interdunas (Figura 18), também de origem eólica e com fácies de quartzitos conglomeráticos, com estratificações acanaladas, interpretados como depósitos episódicos fluviais de rios entrelaçados ou de leques aluviais, de chuvas torrenciais, que ocorrem em um ambiente desértico. Litofácies - PP4aqa Quartzitos arcoseanos com estratificações cruzadas são interpretados como de origem fluvial. As fácies quartzíticas observadas na Formação Arraias não obedecem a um empilhamento litoestratigráfico constante, mas, ao contrário, ocorrem em várias posições litoestratigráficas ao longo das seções levantadas, impedindo correlações a grande distância e ilustrando a imbricação e a interdigitação das fácies continentais nesse ambiente de leques aluviais e de rios entrelaçados da fase sin-rifte. 3.5.2 Formação Traíras A Formação Traíras é formada essencialmente por rochas sedimentares depositadas em ambiente marinho. Litofácies - PP4ts1 Os metassiltitos, de cor cinza quando não alterados, oferecem um aspecto relativamente maciço e homogêneo, mostrando mais raramente uma estrutura finamente laminada. Esses metassiltitos são freqüentemente calcíferos. Os metarritmitos, com alternância de níveis argilosos e/ou siltosos com níveis arenosos, mostram estruturas sinsedimentares como laminações plano-paralelas, marcas onduladas, laminações cruzadas devidas á atividade de tempestades, e estruturas pós- deposicionais de soterramento e compactação como quick-sand (diques de areia) e chamas. Essas fácies foram depositadas em ambiente inframaré, mais profundo e mais calmo, encontrando-se geralmente fora da zona de influência das marés, sendo alcançado episodicamente por correntes de tempestade de baixa energia. Figura 18: Ortoquartzito laminado da fácies PP4aqo. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 23 Litofácies - PP4tq Quartzitos arcoseanos, dispostos em banco de até 20 cm com estratificações cruzadas e marcas onduladas (Figura 19) representam os afloramentos estratigrafi- camente superiores da Formação Traíras nesta região. Esta unidade está coberta por discordância pela Formação Jequitaí, nos limites SW da Folha Monte Alegre de Goiás e SE da Folha Cavalcante, e super- posta pelos metassiltitos da Litofácies PP4ts2 no extremo Oeste da Folha Caval- cante. São considerados como depósitos sedimentares de ambiente marinho raso sob influência das correntes de maré. Litofácies - PP4ts2 A litofácies PP4ts2 foi descrita apenas na parte oeste da Folha Cavalcante, onde ocorrem siltitos e quartzitos rítmicos, identificáveis apenas em alguns afloramentos, pois extensa formação de solo ocorre sobre esta unidade. 3.6 Formação Jequitaí - NP12jt A Formação Jequitaí é constituída por diamictitos com raras intercalaçõs de pelitos e arenitos. Sua espessura sobre o Cráton do São Francisco varia de 0 a 100 metros (Uhlein et al., 2004), podendo se extender em direção à Faixa Brasília, com ocorrências na região de Formosa e Cristalina, GO (Guimarães, 1997, Cukrov et al., 2005) e nas folhas Monte alegre de Goiás e Nova Roma (Dardenne et al., 1978a, b). A origem glacial da Formação Jequitaí foi reconhecida no início do século passado (Branner, 1919) e posteriormente confirmada por Moraes e Guimarães (1930). A sua seção tipo foi descrita na cidade homônima em Minas Gerais. Esta unidade tem suas melhores exposições nas folhas Monte Alegre de Goiás e Nova Roma. A litofácies dominante é o diamictito, que apresenta uma distribuição irregular e descontinua, mas sempre no contato entre as rochas do Grupo Bambuí e o embasamento Paleoproterozóico. Sua descontinuidade lateral está relacionada em alguns locais a falhamentos, mas na sua maioria está relacionada aos processos erosivos que ocorreram devido ao reequilíbrio isostático da crosta, no final do perído glacial, fazendo com que apenas algumas porções basais da unidade ficassem preservadas, pelos seus diamictitos. Os diamictitos recobrem por discordância as unidades paleoproterozóicas do Grupo Araí ou os granitos da Suíte Auromina e são cobertos pelas rochas da Formação Sete Lagoas. Sua espessura pode atingir aproximadamente 40 metros a sul da Cidade de Nova Roma e nas proximidades da Cidade de Campos Belos de Goiás. Figura 19: Marcas onduladas assimétricas nos quartzitos da litofácies PP4tq, no Sudeste da Folha Cavalcante. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 24 Os fragmentos contidos nos diamictitos variam de centimétricos a métricos e são angulosos e geralmente de baixa esfericidade (Figura 20). A composição dos fragmentos incluem quartzitos, granitos, quartzo xistos, basaltos, sustentados por uma matriz siltosa com grãos esparsos de quartzo, feldspato, anfibólio, etc. 3.7 Grupo Bambuí O Grupo Bambuí representa uma associação de litofácies siliciclásticas, químicas e bioquímicas, formadas pelo acúmulo de sedimentos depositadas sobre uma extensiva plataforma epicontinental, onde o mar recobriu grande parte do paleocontinente São Francisco durante o término do Neoproterozóico. Seus estratos correspondem a uma associação de rochas pelito-carbonáticas e, de forma restrita, intercalações de arenitos imaturos, predominantes nas unidades superiores, concentrados no limite sul-ocidental do Cráton do São Francisco (CSF). A distribuição geográfica do Grupo Bambuí, e correlatos, é ampla e contínua ao longo de uma expressiva faixa do Brasil centro-oriental. Ocorre ao longo de vastas áreas dos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e parte do Distrito Federal e do Estado de Tocantins. A estratigrafia clássica, e mais usual, do Grupo Bambuí foi definida por Costa & Branco (1961) e por Dardenne (1978). Em Dardenne (1978) seis formações litoestratigráficas foram definidas, a saber: Fm. Jequitaí, Fm. Sete Lagoas, Fm. Serra de Santa Helena, Fm. Lagoa do Jacaré, Fm. Serra da Saudade e Fm. Três Marias. Atualmente a única diferença, em relação a essa proposta, têm sido a exclusão da unidade inferior – Fm. Jequitaí - do Grupo Bambuí e sua incorporação ao Supergrupo São Francisco (Pflug e Renger, 1973) A unidade basal Fm. Sete Lagoas representa uma unidade pelito-carbonática, formada por siltitos, calcários laminados, calcários e dolomitos estromatolíticos, dolarenitos e brechas dolomíticas, depositados em ambientes de intermaré, inframaré e plataforma carbonática (Nobre-Lopes,1995; Lima, 1997). A Fm. Serra de Santa Helena representa uma espessa unidade dominada por siliciclásticos finos, principalmente folhelhos, siltitos e arenitos muito finos e impuros, depositados em plataforma dominada pela ação de ondas normais e de tempestades. A Fm. Lagoa do Jacaré é caracterizada pela associação de depósitos carbonáticos de retrabalhamento, principalmente calcarenitos oolíticos a pisolíticos, calciruditos e doloruditos, intercalados com níveis de espessura variável de siltitos e, raras, bioconstruções carbonáticas. A Fm. Serra da Saudade, de ocorrência mais restrita e também dominantemente siliciclástica, é formada por ritmitos finos silto-arenosos, localmente fosfáticos, siltitos, arenitos grauvaquianos e subarcoseanos e, mais raramente, por pelitos verdes conhecidos na literatura geológica como verdetes (Lima, 2005). A unidade superior Fm. Três Marias é dominada por arenitos arcoseanos médios a fino, amalgamados, com truncamentos de baixo ângulo e estratificação cruzada hummocky, silititos, ritmitos com Figura 20: Diamictito da Formação Jequitaí, mostrando fragmentos angulosos de quartzito em uma matriz síltica, ligeiramente carbonática, com vários granulos e pequenos seixos de quartzo, quartzitos etc. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 25 interlaminação arenosa e, de forma esparsa, conglomerados. O ambiente deposicional desta unidade evolui de um sistema marinho, fácies de plataforma siliciclástica dominada pela ação de ondas de tempestade, que evoluiu para sistemas transicionais e continentais, fácies de prodelta e fluvial (Uhlein, 1991; Chiavegatto, 1992; Chiavegatto et al., 1997; Lima, 2005). Na Folha Cavalcante o Grupo Bambuí ocupa apenas uma pequena parte do mapa, no seu extremo sudeste, onde está representado por ocasionais afloramentos de calcário, que são a continuidade da Formação Sete Lagoas, exposta na Folha Nova Roma, a leste. Siltitos em poucos afloramentos são também individualizados pela continuidade dessas rochas na Folha Nova Roma. As unidades mais superiores do Grupo Bambuí (formações Serra da Saudade e Três Marias) não estão presentes na área objeto de estudo. Através do empilhamento dos estratos, a espessura total do Grupo Bambuí nas folhas Monte Alegre de Goiás e Nova Roma é estimada em 800 metros. O limite inferior do Grupo Bambuí é marcado por um contato normal, conformidade correlativa, sobre estratos neoproterozóicos da Formação Jequitaí, e por discordância e por tectônica sobre as unidades paleo-mesoproterozóicas do Grupo Araí (Figura 21). 3.7.1 Formação Sete Lagoas A Formação Sete Lagoas está concentrada principalmente do lado oriental das folhas Nova Roma e Monte Alegre de Goiás. O limite oeste da unidade é feito por contato normal ou falhado com as unidades paleoproterozóicas de geomorfologia serrana desde a cidade de Campos Belos de Goiás a norte até a sul da cidade de Nova Roma. No lado ociental, as ocorrências desta formação se restringem a uma pequena exposição junto a uma falha inversa que a expõe em meio às formações superiores. Três conjuntos de litofácies (NP2slm, NP2slc, NP2sld) podem ser reconhecidos dentro da Formação Sete Lagoas. Litofácies - NP2slm A associação NP1slm corresponde à unidade basal e é constituída pela intercalação de margas, siltitos, siltitos calcíferos e calcários laminados. Afloramentos desta unidade são relativamente raros devido ao alto grau de alteração das rochas e ao espesso manto de intemperismo que as recobre, normalmente, caracterizado por um solo de cor vermelha ocre. Às vezes são encontrados na base desta unidade, em contato normal sobre os diamictitos da Formação Jequitaí (Dardenne et al. 1978a), delgados corpos lenticulares de dolomitos de cor cinza escuro a branco, normalmente bem recristalizados, de 3 a 7 metros de espessura, interpretados como carbonatos de capa pós-glaciais (cap carbonates), relacionados à glaciação sturtiana. A espessura desta unidade varia entre 120 a 80 metros. Litofácies - NP2slc Calcários laminados, às vezes com aspecto bandado, e calcários argilosos de cor cinza são as rochas dominantes da unidade intermediária, que é a unidade mais delgada da Formação Sete Lagoas, com uma espessura variável de 20 a 80 metros. O contato entre a associação basal (NP2slc) e os calcários laminados e argilosos é aparentemente, gradacional, sendo, portanto, individualizada pelo domínio do calcário sobre as margas (Figura 22). Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 26 Figura 21: Coluna estratigráfica do Grupo Bambuí na região das folhas Monte Alegre de Goiás e Nova Roma. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 27 Figura 22: Morro de calcário (NP2slc) da Formação Sete Lagoas, na Fazenda Covanca, Folha Monte Alegre de Goiás. Litofácies - NP2sld Dolomitos laminados, dolarenitos, brechas dolomíticas e dolomitos maciços recristalizados de cor cinza claro a branca são as fácies dominantes da associação NP2sld. A distribuição e a ocorrência desta unidade é bem descontínua em razão da geometria lenticular dos estratos e da atuação de falhas de rasgamento com rejeito direcional que segmentaram os corpos e, provavelmente, contribuíram com a dolomitização. Grande parte destes dolomitos está altamente recristalizada e venulada, o que dificulta o reconhecimento de estruturas primárias. A espessura desta litofácies varia de 0 a 60 metros e suas exposições estão relacionadas a morrotes de aspecto ruiniforme. Teores anômalos de Zn e Pb associados aos dolomitos NP2sld são encontrados a sul de Nova Roma (Soares, 1977, Dardenne et al., 1978b). 3.7.2 Formação Serra de Santa Helena - NP2sh A Formação Serra de Santa Helena representa uma espessa sucessão de rochas siliciclásticas finas, com intercalações esparsas de níveis margosos, próximo ao limite superior, e corpos lenticulares métricos a decimétricos de calcário argiloso e calcarenito fino próximo à base. Duas litofácies principais podem ser reconhecidas dentro desta unidade: Siltito argiloso laminado e ritmito fino. O siltito argiloso laminado corresponde a quase setenta por cento da Fm. Serra de Santa Helena na Folha Monte Alegre de Goiás. Está intimamente relacionado às áreas na qual a geomorfologia se destaca pela planura da paisagem e pelo espesso perfil de solo. Ele é representado pela sucessão de lâminas, localmente estratos, de material pelítico. A geometria das laminações é, normalmente, plano-paralela, mas truncamentos de baixo ângulo são observados. Outras estruturas presentes são laminações cruzadas tangenciais de porte centimétrico a subcentimétrico e climbe ripples, que sugerem a participação de fluxos oscilatórios e ou combinados, durante a deposição desta unidade. Quando sem alteração intempérica, esta rocha apresenta uma coloração cinza-esverdeado; no entanto, bons afloramentos de rocha fresca são raros. Quando alterados, os siltitos da Fm. Serra de Santa Helena assumem colorações que variam do bege ao vermelho (Figura 23 A). S0 S0 Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 28 Os ritmitos finos são formados pela intercalação de camadas milimétricas a centimétricas de siltito maciço e bancos centimétricas a decimétricas de arenito muito fino, rico em micas brancas detríticas. Alguns bancos arenosos apresentam estratificação gradacional normal. Geralmente, as camadas arenosas apresentam uma superfície basal irregular e brusca, de característica erosiva, e superfície de topo plana. Marcas onduladas assimétricas exibindo laminações internas e estratificações cruzadas de baixo ângulo são também encontradas nos bancos arenosos (Figura 23 B). A espessura da Formação Serra de Santa Helena pode chegar a 300-400 metros Figura 23: Litofácies da Formação Serra de Santa Helena – Grupo Bambuí, Goiás. (A) Siltitos laminados; (B) Ritmito fino. 3.7.3 Formação Lagoa do Jacaré A Formação Lagoa do Jacaré repre- senta a unidade superior do Grupo Bambuí dentro da região. Sua área de exposição é representada por toda a faixa oriental das folhas Monte Alegre de Goiás e Nova Roma. Esta formação inclui um conjunto de intercalações de calcário, siltitos, margas e dolomitos NP2lj que, quando possível, foram individualizadas em duas asso- ciações de litofácies (Figura 24). A associação basal NP2ljc e a asso- ciação superior NP2ljc. Litofácies - NP2ljc Carbonatos retrabalhados, ricos em intraclastos, de alta energia e calcários negros fétidos, bem recristalizados, com cristais 0,5 a 2,0 cm de calcita preta lamelar, são as rochas dominantes dentro desta associação. Dentre as litofácies de carbonatos retrabalhados, destacam-se os calcarenitos oolítico e pisolítico de cor cinza escuro (Figura 25) que, combinados, são as rochas mais Figura 24: Representação geral da Formação Lagoa do Jacaré, formada pela sucessão de camadas métricas a decamétricas de calcarenito oolítico e calcários pretos intercalados com camadas de siltito e marga. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 29 Calcário Siltito representativas da Fm. Lagoa do Jacaré. Seus afloramentos são, principalmente, morrotes isolados ou contínuos com aspecto ruiniforme e feições de endocarst, como condutos e pequenas cavidades naturais, e feições típicas de exocarst como as caneluras e as torres calcárias (Figura 26). Estes calcarenitos são formados pela sucessão de bancos decimé- tricas e, às vezes, métricos que freqüente- mente se acunham, sugerindo uma geometria lenticular. Marcas onduladas assimétricas, de até 30 cm de comprimento de onda, e estratificações cruzadas tabulares e, local- mente, sigmoidais de sets decimétricos são encontradas com freqüência. Camadas delgadas, de 1 a 5 cm, de calcilutitos são as vezes encontradas, de forma subordinada, dentro da seqüência. Outra peculiaridade é a presença constante de nódulos e concreções de morfologia esférica e tabular, ou em forma de charuto, de 1 a 30 cm, de silexito preto precipitado ao longo dos planos de acamadamento ou de fratura. A espessura total desta associação é de aproximadamente 180 metros. Figura 26: Aspecto geral de um morrote de calcarenito oolítico/pisolítico da unidade NP2ljd com um típico aspecto ruiniforme. Figura 27: Calcarenito pisolítico (NP2ljc). Litofácies - NP2ljd Esta associação é representada por dolomitos estromatolíticos, dololutitos, dolarenitos ricos em intraclastos, brechas dolomíticas e calcários dolomíticos. Sua ocorrência é restrita, estando limitada a região compreendida entre as microbacias do Rio Água Quente e do Rio São Vicente, ambos afluentes da margem direita do Rio Paranã. Suas exposições formam alguns morros elevados, às vezes, ultrapassando os 700 m de altitude como, por exemplo, no Morro da Larguinha, localizado próximo ao distrito de Monte Alto. Figura 25: Contato entre o siltito e o calcário, ambos da Formação Lagoa do Jacaré, ponto NR-89, na Folha Nova Roma. Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 30 Na base desta seqüência são encontradas bioconstruções dolomitizadas tipo biohermas, caracterizados por um padrão de laminação estromatolítica pseudo-colunar e, localmente, cônica (Figura 28 A). Associados a estas bioconstruções são encontrados níveis de brechas intraformacionais (Figura 28 B) de até um metro que lateralmente estão interdigitados com níveis delgados de dololutitos. Para o topo da seqüência, calcários dolomíticos e dolarenitos, ricos em intraclastos de cor cinza claro a cinza, passam a ser dominantes. Bancos centimétricas a decimétricas, de grande extensão lateral, de silexito cinza escuro a preto são encontrados na porção intermediária da seqüência. Estruturas de escorregamento (slumps), estruturas de carga e de fluidização, laminações convolutas e marcas onduladas são as estruturas sedimentares mais comuns nesta unidade. Atualmente, algumas pedreiras estão instaladas no entorno do município de Água Quente, fora da área mapeada, para explotação de calcário dolomítico, situado no topo da unidade NP2ljd, visando a produção de corretivo de solo para a agricultura. O beneficiamento e os métodos de lavra são bem simples, pois envolvem uma fase de desmonte, utilizando explosivos, uma fase de britagem e a fase final de moagem para transformação da matéria prima em pó Este pó é ensacado e comercializado em natura sem qualquer tipo de beneficiamento. Figura 28: Litofácies da Formação Lagoa do Jacaré – Grupo Bambuí, Goiás, encontradas na associação NP2ljd. (A) Biohermas dolomíticos com laminação estromatolítia pseudo-colunar; (B) Brecha dolomítica. 3.8 Petrologia e Geoquímica A petrologia e geoquímica de rochas graníticas e rochas metavulcânicas das folhas Cavalcante, Nova Roma e Monte Alegre de Goiás foram desenvolvidas com base em dados dos levantamentos executados para o presente projeto (Tabela 1) e dados geoquímicos da literatura (Tabela 2). Os dados geoquímicos novos foram obtidos em análises executadas pelo Laboratório ACME, no Canadá. Os elementos maiores foram analisados por ICP-AES, após fusão com LiBO2. Os elementos traços e as terras raras foram analisados por ICP-MS, após fusão com LiBO2, exceto para os metais-base, cuja extração foi feita por digestão com água régia. 3.8.1 Suíte Aurumina Os granitos da Suíte Aurumina mapeados podem ser individualizados com base na razão K2O/Na2O e no teor de Th, cuja concentração é a principal responsável pelas anomalias aerogamaespectrométricas das fácies Au2 e Au4, mencionadas anteriormente (Figura 29). Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 31 0 20 40 60 80 100 120 140 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 K2O/Na2O T h (p pm ) musc granito Au1 bt-musc granito Au2 bt granito Au4 tonalito Au3 Figura 29: Individualização das fácies da Suíte Aurumina, ressaltando os elevados teores de Th nas fácies Au2 e Au4. Tabela 1: Análises químicas de granitos da Suíte Aurumina, executadas para o Programa Geologia do Brasil em 2005. muscovita granito biot-musc granito biotita granito tonalito amostra 05-VII 05-VII 05-IX 05-IX 05-XIII 05-XIII 05-IX 05-IX 05-VIII TER 2 05-V 05-XI 05-XIV 05-XIV 169 204 145b 145a 146a 146c 142 145a 4 12a 64 76 326 SiO2(%) 74.48 72.19 73.39 71.7 73.77 73.84 73.63 70.56 70.56 70.16 72.07 73.96 66.85 62.58 TiO2 0.04 0.17 0.11 0.23 0.21 0.52 0.54 0.51 0.49 0.25 0.08 0.19 0.57 0.66 Al2O3 14.96 15.29 14.94 15.76 14.54 12.05 13.2 15.19 14.24 16.03 16.32 14.23 16.1 16.91 Fe2O3(t) 0.51 1.34 1.24 1.58 1.21 3.1 2.49 2.41 3.15 1.51 0.83 2.52 4.05 5.23 MnO 0.04 0.01 0.01 0.02 0.03 0.01 0.01 0.03 0.02 0.01 0.02 0.04 0.07 0.08 MgO 0.12 0.34 0.3 0.41 0.24 0.73 0.49 0.57 0.39 0.34 0.29 0.43 1.51 2.37 CaO 0.88 0.97 0.49 0.59 0.33 0.22 0.39 0.74 1 0.45 2.22 0.8 2.37 3.84 Na2O 3.72 3.43 3.06 2.93 3.21 0.04 1.93 2.35 2.61 2.31 5.6 5.31 3.92 3.52 K2O 4.57 4.51 4.85 5.03 5.25 4.42 5.62 5.27 5.67 6.66 1.45 1.64 2.85 2.83 P2O5 0.12 0.19 0.27 0.28 0.17 0.14 0.32 0.44 0.15 0.4 0.04 0.07 0.15 0.17 P.F. 0.6 1.4 1.2 1.3 1 4.9 1.2 1.3 1.3 1.2 0.9 0.8 1.3 1.5 Total 100.04 99.84 99.86 99.83 99.96 99.99 99.82 99.42 99.58 99.32 99.82 99.99 99.74 99.71 Be(ppm) 5 2 1 2 2 2 <1 2 1 n.a 4 3 1 2 Rb 188.7 222.5 201 320.4 365.6 251.5 320.2 339 250.2 414.8 51.9 153 95.1 105.7 Cs 2.9 6.1 2 2.4 7.3 12.8 2 5.8 1.8 1.9 2.3 2.2 4.7 5.6 Ba 125.4 294.3 291.6 184.4 382.1 284.5 947.3 479 1225.9 467 258.5 192.5 739.8 860.9 Sr 72.1 91.7 62.6 70.3 61.6 12.7 67.4 98.9 111.8 137.3 526.6 148.5 413.5 415 Ga 17.9 21.1 17.4 26 23.2 21.7 21.5 27.4 22.4 28 19.7 18.9 20.3 21.1 Ni 0.7 3.7 0.5 2 2.2 2 2 4.8 2 7.3 0.7 4.4 5.1 32.7 Cu 1.7 2.4 1.6 0.7 1.6 1.8 12.7 11.9 3.3 10.1 0.5 16.3 13.6 18.6 Mo 0.1 0.2 0.2 0.1 0.3 0.1 0.2 0.2 5.3 0.1 0.5 0.2 0.4 Pb 5.6 10.2 9 7.5 5.3 5.4 34.4 23.1 27.4 34 7.3 70.8 10 10.5 Zn 8 44 5 28 11 4 50 67 74 0.1 5 186 47 64 Au(ppb) 74.6 13.2 1.5 1.3 0.9 5.8 15 3.5 5.5 6.9 1.8 0.9 1 0.8 Sn 5 4 2 4 8 1 1 1 1 6 2 2 2 2 Ta 1.8 1.6 1.7 1.4 2.3 0.7 0.8 0.7 1.5 0.8 1 0.8 1.1 1 Nb 5.2 6.3 7.7 10.4 10.5 4.5 8.3 6.9 20.5 9.4 1.5 9.6 5.8 10.1 Th 3.1 4.2 3.6 18.8 29 5.9 101.7 79.9 97.1 36.6 0.6 4.3 8.6 12.6 U 29.2 3.6 3.1 9.8 6.4 2 7.3 12.9 4.4 18.4 0.2 0.7 1.7 1.8 V <5 12 <5 12 14 94 21 10 10 7 9 17 37 52 continua... Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 32 ...continuação muscovita granito biot-musc granito biotita granito tonalito amostra 05-VII 05-VII 05-IX 05-IX 05-XIII 05-XIII 05-IX 05-IX 05-VIII TER 2 05-V 05-XI 05-XIV 05-XIV 169 204 145b 145a 146a 146c 142 145a 4 12a 64 76 326 Zr 33.7 79.1 41 110.6 117.3 139.3 413.8 262.1 480.6 145.2 45.5 103 140 204.3 Hf 1.3 2.6 1.7 3.8 4.8 4.5 12.3 8.6 14 4.5 1.8 4.7 4 6.2 Y 8.9 4.5 4.4 38.6 10.5 6 12.3 11.8 30.6 15.9 2.8 19.9 19.1 20.8 Sc 1 3 2 3 3 7 2 2 4 8 1 5 8 11 La 7.3 10 9.4 37.8 34.7 10.9 132.3 95.1 335.2 70.2 4.7 22.8 32.9 52.1 Ce 14.7 24.2 22.2 92.4 85.8 24.5 346.9 181.7 652.3 130.3 9.6 47.4 64.4 109.9 Pr 1.55 2.59 2.41 10.33 9.93 2.8 36.53 27.33 65.33 17.62 0.99 5.03 6.59 12.08 Nd 5.6 9.9 8.2 39.2 35.8 11.1 126.9 100.9 213 67.5 2.8 19.4 26.2 41.2 Sm 1.4 2.2 2.3 7.3 6.6 2.9 16.9 18.3 25.3 12.5 0.7 3.4 4.6 6.9 Eu 0.37 0.52 0.37 0.46 0.44 0.61 0.99 0.79 1.6 0.62 0.39 0.32 1.17 1.38 Gd 1.42 1.68 1.84 5.21 4.15 2.07 6.66 7.79 11.92 6.56 0.36 3.18 3.84 4.74 Tb 0.24 0.22 0.23 0.89 0.47 0.3 0.76 0.64 1.45 0.68 0.03 0.54 0.62 0.7 Dy 1.34 0.87 1.17 4.34 2.45 1.32 2.14 2.53 4.9 2.62 0.3 2.37 3.26 4.32 Ho 0.24 0.13 0.11 0.86 0.35 0.21 0.3 0.3 0.73 0.31 <.05 0.51 0.58 0.69 Er 0.79 0.36 0.24 2.66 0.85 0.73 0.88 0.6 1.83 0.91 0.11 1.69 1.93 1.71 Tm 0.07 0.05 <.05 0.45 0.16 0.16 0.13 0.1 0.25 0.13 <.05 0.29 0.27 0.27 Yb 0.78 0.42 0.38 2.78 0.97 0.64 0.56 0.64 1.13 0.85 0.23 1.76 1.55 1.69 Todas as fácies da Suíte Aurumina têm características mineralógicas e químicas (muscovita magmática com TiO2 entre 0,8 e 1,5%, ISA>1) de granito peraluminoso, podendo ser interpretados como sin- até pós-colisionais ou simplesmente sin- até pós-tectônicos, derivados de fusão crustal (Figuras 30a e 30b). A derivação crustal da granitogênese da Suíte Aurumina é indicada, principalmente no caso dos sieno e monzogranitos, pela presença de muscovita e, eventualmente, granada ígneas, pela composição química peraluminosa, pelo enriquecimento em P, Th, Rb, Li e Ta e pelo grande fracionamento das terras raras (La/Yb)N>50. Tabela 2: Análises químicas de granitos da Suíte Aurumina, representativas de dados da literatura utilizados na confecção dos diagramas. *: Botelho et al., (2006b); demais dados: Botelho et al., (2002). muscovita granito biotita - muscovita granito tonalito AB-2B* AB-9A* AB-9B* AU10 AU-14 PB 199A MALEG2 MALEG6A KL 1 SiO2(%) 70.55 72.65 73.31 66.80 70.56 73.57 62.48 69.48 71.04 TiO2 0.189 0.141 0.132 0.82 0.51 0.28 0.85 0.22 0.14 Al2O3 16.19 15.34 15.22 15.85 15.19 14.54 16.73 16.33 15.48 Fe2O3(t) 1.44 1.15 1.11 3.53 2.41 1.84 5.68 2.01 1.46 MnO 0.013 0.017 0.017 0.03 0.03 0.01 0.06 0.04 0.02 MgO 0.45 0.29 0.28 0.96 0.57 0.33 1.76 0.64 0.44 CaO 0.93 0.95 0.95 1.54 0.74 0.27 4 3.29 3.09 Na2O 3.81 4.07 3.86 3.35 2.35 2.87 3.31 4.98 4.58 K2O 5.15 4.54 4.81 4.78 5.27 5.2 3.14 1.01 1.58 P2O5 0.18 0.18 0.21 0.58 0.44 0.16 0.29 0.08 0.05 P.F. 1.16 0.70 0.60 1.35 1.3 0.6 1.3 1.7 1.8 Total 100.06 100.03 100.50 99.59 99.37 99.67 99.60 99.78 99.68 Be(ppm) 3 8 3 <1 n. a. n. a. n. a. n. a. n. a. Rb 217 269 272 280 339 368.2 152.7 41.4 79.1 Cs 15.5 28.8 25.7 13 5.8 6.2 5.8 1.5 4.3 Ba 398 278 300 622 n. a. 481 860 278 219 Sr 132 113 115 180 98.9 86.3 319.1 267.6 668.8 Ga 32 29 27 24 27.4 24.2 0.1 0.1 <.1 Ni n. a. n. a. n. a. n. a. 4.8 2.3 33.8 5.7 1.3 Cu <10 <10 <10 25 11.9 1.3 27.6 1.4 5.4 Pb n. a. n. a. n. a. n. a. 23.1 n. a. 11.7 1.9 4.8 continua... Programa Geologia do Brasil – Folhas Cavalcante, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma 33 ...continuação muscovita granito biotita - muscovita granito tonalito Zn 63 55 48 141 67 25 87 43 15 Au(ppb) n. a. n. a. n. a. 16 3.5 1 0.2 <.1 0.1 Sn 12 18 13 4 1 5 3 < 1 6 Ta 2.9 2.7 3.1 0 0.7 1.1 1.4 0.6 0.4 Nb 9 7 6 11 6.9 9.2 15.1 6.3 2.1 Th 7.4 3.6 3.9 116 79.9 40.7 3.6 3.2 3 U n.a n.a n.a 6 12.9 4.1 1.1 0.7 0.5 V 12 9 7 0 10 12 192 15 Zr 85 60 59 428 262.1 163.6 284.8 131.6 73.7 Hf 2.8 1.7 1.8 0 8.6 5.2 7.5 3.3 2.4 Y 7 6 6 17 11.8 12.9 20.2 25.4 5.3 Sc n. a. n. a. n. a. 3 2 2 20.2 3 La 24.8 13.5 14.5 153 95.1 50.9 36.3 23.9 6.8 Ce 50.1 26.8 28.0 341 181.7 106.2 47.2 46.2 13.7 Pr 5.91 3.13 3.26 n. a. 27.33 13.04 5.91 5.52 1.44 Nd 20.9 11.3 11.9 n. a. 100.9 50 25.1 23.9 5.5 Sm 4.8 2.7 2.9 n. a. 18.3 8.8 4.1 5 1.5 Eu 0.67 0.52 0.52 1 0.79 0.55 1.75 1.36 0.37 Gd n. a. n. a. n. a. n. a. 7.79 4.45 4.18 4.36 1.05 Tb 0.5 0.3 0.4 n. a. 0.64 0.46 0.58 0.68 0.16 Dy 1.6 1.2 1.4 n. a. 2.53 1.92 3.03 4.01 0.72 Ho 0.2 0.2 0.2 n. a. 0.3 0.35 0.63 0.75 0.2 Er 0.5 0.4 0.5 n. a. 0.6 0.85 1.61 2.36 0.39 Tm 0.06 0.06 0.07 n. a. 0.1 0.14 0.23 0.32 0.06 Yb 0.3 0.3 0.3 0.56 0.64 0.91 1.33 2.36 0.39 Figura 30: Geoquímica de granitos e de muscovita da Suíte Aurumina. a: peraluminosidade em amostras de todos os litotipos no diagrama de Maniar e Piccoli (1989); b: comparação entre muscovita magmática (TiO2 > 0,6%) e secundária (TiO2 < 0,4%). (Adaptado de Botelho et al., 2002). 3.8.2 Suíte Pedra Branca Os granitos pb1 e pb2 da Suíte Pedra Branca têm características químicas muito semelhantes, mas podem ser individualizados com ba