LITORAL SUL DE PERNAMBUCO GEODIVERSIDADE DO LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL 2021 NOTA EXPLICATIVA Escala 1:100.000 LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO Escala 1:100.000 MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA MINISTRO DE ESTADO Bento Costa Lima de Albuquerque Junior SECRETÁRIO DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL Pedro Paulo Dias Mesquita SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Esteves Pedro Colnago Diretor de Geologia e Recursos Minerais Márcio José Remédio Diretora de Hidrologia e Gestão Territorial Alice Silva de Castilho Diretor de Infraestrutura Geocientífica Paulo Afonso Romano Diretor de Administração e Finanças Cassiano de Souza Alves COORDENAÇÃO TÉCNICA Chefe do Departamento de Gestão Territorial Diogo Rodrigues Andrade da Silva Chefe da Divisão de Gestão Territorial Maria Angélica Barreto Ramos Chefe da Divisão de Geologia Aplicada Tiago Antonelli Chefe do Departamento de Hidrologia Frederico Cláudio Peixinho Chefe da Divisão de Hidrogeologia e Exploração João Alberto Oliveira Diniz Chefe do Departamento de Informações Institucionais Edgar Shinzato Chefe da Divisão de Geoprocessamento Hiran Silva Dias Chefe da Divisão de Cartografia Fábio Silva da Costa Chefe da Divisão de Documentação Técnica Roberta Pereira da Silva de Paula Chefe do Departamento de Relações Institucionais e Divulgação Patrícia Duringer Jacques Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação Washington José Ferreira Santos Chefe do Departamento de Apoio Técnico Maria José Cabral Cezar Chefe da Divisão de Editoração Geral Valter Alvarenga Barradas SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO RECIFE Superintendente Vanildo Almeida Mendes (in memoriam) Adriano da Silva Santos Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial Robson de Carlo da Silva Supervisor de Hidrologia e Gestão Territorial Adson Brito Monteiro LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO Escala 1:100.000 ORGANIZAÇÃO Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff Fernanda Soares de Miranda Torres MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM DIRETORIA DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL Recife 2021 Direitos desta edição: Serviço Geológico do Brasil – CPRM Permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte. LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE/ NOTA EXPLICATIVA DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO Escala 1:100.000 REALIZAÇÃO Superintendência Regional de Recife ORGANIZAÇÃO Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff Fernanda Soares de Miranda Torres COORDENAÇÃO NACIONAL DEPARTAMENTO DE GESTÃO TERRITORIAL Diogo Rodrigues Andrade da Silva DIVISÃO DE GESTÃO TERRITORIAL – DIGATE Maria Angélica Barreto Ramos COORDENAÇÃO TEMÁTICA GEODIVERSIDADE Marcely Ferreira Machado Marcelo Eduardo Dantas EXECUÇÃO TÉCNICA Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff Fernanda Soares de Miranda Torres Rogério Valença Ferreira Margarida Regueira da Costa Alexandre Luiz Souza Borba Marcelo Eduardo Dantas SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA E LEIAUTE DO MAPA Fernanda Soares de Miranda Torres Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff REVISÃO TÉCNICA Marcely Ferreira Machado Marcelo Eduardo Dantas Este produto pode ser encontrado em: Serviço Geológico do Brasil – CPRM www.cprm.gov.br seus@cprm.gov.br NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA Isabel Ângela dos Santos Matos PREPARAÇÃO E REVISÃO DE TEXTO Irinéa Barbosa da Silva Paulo Henrique Macedo Varão (Abstract) COLABORAÇÃO Divisão de Geoprocessamento Janaina Marisa França de Araújo Ana Paula Rangel Jacques Gabriella Melo Oliveira (Geóloga/UFPE) AGRADECIMENTOS Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (ADDiper) Agência Nacional de Mineração (ANM) Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Universidade Federal de Pernambuco–UFPE PROJETO GRÁFICO / EDITORAÇÃO Capa (DIMARK) Washington José Ferreira Santos Miolo (DIEDIG) Andréia Amado Continentino Agmar Alves Lopes Diagramação (DIEDIG) Andrea Machado de Souza G342 Geodiversidade do litoral sul de Pernambuco : nota explicativa / Organizado [por] Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff e Fernanda Soares de Miranda Torres. – Escala 1:100.000. Recife : CPRM, 2021. Programa Geologia do Brasil - Levantamento da geodiversidade: nota explicativa. ISBN 978-65-5664-166-9 1. Geodiversidade – Pernambuco. 2. Meio Ambiente – Pernambuco. 3. Planejamento Territorial – Pernambuco. 4. Geologia Ambiental – Pernambuco. I. Pfaltzgraff, Pedro Augusto dos Santos, (org). II. Torres, Fernanda Soares de Miranda, (org.). III. Serviço Geológico do Brasil – CPRM. IV. Título. CDD 551.098134 CDD 55:504(813.4) Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Isabel Matos – CRB 5/995 FOTOS DA CAPA: 1. Geologia / Recursos minerais - Perfil de sedimentação da Formação Cabo em São José do Barreiro; 2. Uso do solo / Relevo - Morros altos com remanescentes de Mata Atlântica no topo e cultura de cana-de-açúcar nas encostas, município de Sirinhaém; 3. Relevo - Caneluras erosivas, município de Sirinhaém; e 4. Potencial geoturístico - falésia na Praia de Guadalupe, município de Sirinhaém. É com grande satisfação que o Serviço Geológico do Brasil – CPRM, no papel institucional de subsidiar o Estado na formulação de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável, dá continuidade à série de publicações que vem divulgando sobre o mapeamento da geodiver- sidade, discorrendo desta vez sobre a região do Litoral Sul de Pernambuco. Trata-se de um trabalho de abordagem multidisciplinar, que envolve profissionais de diversi- ficadas formações em geociências, oferecendo compreensão e recomendação integradas sobre o complexo físico da paisagem, envolvendo os elementos abióticos para o planejamento territorial ambiental de diferentes recortes do território brasileiro. O Brasil é detentor de riquíssima geodiversidade. Com base nessa premissa, a abordagem da temática envolve uma análise integrada entre a geologia, a geomorfologia e a pedologia associada às formações superficiais. Ou seja, cada unidade de geodiversidade mapeada irá representar o trinômio rocha-relevo-regolito/solo, num enfoque genuinamente geossistêmico. Informações sobre o potencial hídrico superficial e subterrâneo também são consideradas na análise. Tendo o homem forte ligação com o espaço físico, a sustentabilidade do desenvolvimento nacional passa necessariamente pela harmonia entre as necessidades humanas e as respostas do todo natural, sem comprometer a capacidade de atender as carências das futuras gerações. O Serviço Geológico do Brasil - CPRM sente-se honrado em contribuir, com o esforço e o conhecimento dos seus pesquisadores, para a promoção de planos de ordenamento territorial que considerem cada vez mais a geodiversidade, não só como condicionante no planejamento e gestão de ocupação, na orientação e implementação de políticas públicas, na prevenção de desastres naturais e no auxílio às obras de infraestrutura, mas também pela existência de poten- ciais recursos do patrimônio geológico a preservar. A expectativa é de que esta produção científica seja capaz de abrir novas fronteiras do conhecimento, gerando valor e mais qualidade de vida para o ser humano. ALICE SILVA DE CASTILHO Diretora de Hidrologia e Gestão Territorial APRESENTAÇÃO O estudo da Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco (LSPE), realizado numa área de 1.118,146 km2, abrangeu cinco municípios: Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande. Baseou-se na análise integrada da geologia, relevo e solo, associada às formações superficiais e aos processos intempéricos típicos das regiões tropicais úmidas. Com enfoque genuinamente sistêmico, teve como objetivo principal indicar para cada unidade geológico-ambiental, adequabilidades /potencialidades e limitações frente aos aspectos: geológico- geotécnico, recursos hídricos, recursos minerais, agricultura e geoturismo. Como resultado, o Mapa da Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco (LSPE), na escala 1:100.000, caracteriza-se por conter oito grandes domínios geológico-ambientais: DCGMGL (Domínio dos complexos gnáissico-migmatíticos e granulitos), DCGR2 (Domínios dos complexos granitoides deformados), DSP2 (Domínio das sequências sedimentares proterozoicas incluindo as coberturas plataformais, dobradas, metamorfizadas em baixo a alto grau), DVM (Domínio do vulcanismo fissural do tipo platô), DSM (Domínio das sequências sedimentares mesozoicas clastocarbonáticas consolidadas em bacias de margens continentais (Rifte), DCT (Domínio dos sedimentos cenozoicos pouco a moderadamente consolidados, associados a tabuleiros), DCB (Domínio dos sedimentos cenozoicos bioclásticos) e DC (Domínio dos sedimentos cenozoicos inconsolidados ou pouco consolidados, depositados em meio aquoso), os quais foram subdivididas em 12 unidades geológico-ambientais: DCGMGLgno, DCGR2salc, DCGR2pal, DSP2q, DVMdaba, DSMqcg, DCT, DCBr, DCa-Dpbc, DCfl-Dflco, DCmc-Dmar, DCm-Dm. O estudo desses agrupamentos litológicos, levando em consideração o manto de intemperismo e as coberturas superficiais, é de fundamental importância para o uso adequado do território. A classificação geológico-ambiental apontou diversos critérios associados ao meio físico que permitem serem utilizados na escolha de uma área para diversos tipos de uso e ocupação de forma mais planejada. Com a utilização deste trabalho, decisões podem ser tomadas para evitar que novos projetos contenham o mesmo erro existente em projetos já executados, tornando-os mais vantajosos economicamente e evitando ou sugerindo medidas mitigadoras de danos ambientais. Dessa forma, estudos mais aprofundados dos temas ligados à geodiversidade tais como: qualidade das águas consumidas pela população, localização e dimensões de depósitos de materiais de construção ou áreas próprias para ocupação urbana aqui tratados, podem ajudar na escolha de formas para melhorar o desenvolvimento econômico e social da região, com a geração de empregos e melhor utilização do meio físico. O registro de diversos pontos deste litoral atingidos pela erosão costeira torna importante para que estudos mais aprofundados sobre esse tema venham a ser feitos de forma urgente. Tais informações, relacionadas às potencialidades e limitações das unidades geológico-ambientais, possibilitarão auxiliar na formulação de políticas públicas para o planejamento e gerenciamento territorial mais adequado da região. Palavras-chave: Geodiversidade, Litoral Sul de Pernambuco, Formações Superficiais. RESUMO T he study of the Geodiversity of the Southern Coast of the State of Pernambuco (LSPE), Brazil, carried out in an area of 1.118.146 km², covered five municipalities: Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros and São José da Coroa Grande. It was based on an integrated analysis of geology, relief and soil, associated with the superficial formations and the weathering processes typical of humid tropical regions. With a genuinely systemic focus, its main objective was to indicate for each geological-environmental unit, suitability/potentialities and limitations regarding the aspects: geological-geotechnical, water resources, mineral resources, agriculture and geotourism. As a result, the Geodiversity Map of the Southern Coast of Pernambuco (LSPE), on a scale of 1: 100.000, is characterized by containing eight major geological-environmental domains: DCGMGL (Domain of the gneissic-migmatitic and granulite complexes), DCGR2 (Domains of the deformed granitoid complexes), DSP2 (Domain of Proterozoic sedimentary sequences including platform covers, folded, metamorphosed from low to high degree), DVM (Domain of plateau-type fissural volcanism), DSM (Domain of consolidated clastocarbonatic sedimentary sequences in basins of continental margins (Rift), DCT (Domain of little to moderately consolidated Cenozoic sediments, associated with trays), DCB (Domain of Cenozoic bioclastic sediments) and DC (Domain of unconsolidated or poorly consolidated Cenozoic sediments, deposited in an aqueous medium), which were subdivided into 12 geological-environmental units: DCGMGLgno, DCGR2salc, DCGR2pal, DSP2q, DVMdaba, DSMqcg, DCT, DCBr, DCa-Dpbc, DCfl-Dflco, DCmc-Dmar, DCm-Dm. The study of these lithological clusters, taking into account the weathering mantle and surface coverings, is of fundamental importance for the proper use of the territory. The geological- environmental classification indicated several criteria associated with the physical environment that allows them to be used in choosing an area for different types of use and occupation in a more planned way. With the use of this work, decisions can be made to prevent new projects from containing the same mistake as in existing projects, making them more economically advantageous and avoiding or suggesting measures to mitigate environmental damage. Thus, further studies of geodiversity-related topics such as: quality of water consumed by the population, location and dimensions of deposits of construction materials or areas suitable for urban occupation treated here, can help in choosing ways to improve economic development and social aspects of the region, with the generation of jobs and better use of the physical environment. The registration number of places on the coast affected by coastal erosion is important for that further study on this subject will be made urgently. Such information, related to the potential and limitations of the geological-environmental units, will help to formulate public policies for planning and more appropriate territorial management in the region. Key-Words: Geodiversity, Southern Coast of Pernambuco, Surface Formations. ABSTRACT . AUTORES 1. INTRODUÇÃO Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ¹ Fernanda Soares de Miranda Torres ¹ 2. METODOLOGIA E ORGANIZAÇÃO DE DADOS Maria Angélica Barreto Ramos ¹ Marcelo Eduardo Dantas 2 Maria Adelaide Mansini Maia ¹ Marcely Ferreira Machado ¹ Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ¹ Marcelo Ambrósio Ferrassoli ¹ Carlos Eduardo Osório Ferreira ¹ (in memorian) Rodrigo Luiz Gallo Fernandes ¹ 3. ASPECTOS DA GEODIVERSIDADE Fernanda Soares de Miranda Torres ¹ Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ¹ Vanja Coelho Alcântara ¹ Débora Melo Ferrer de Morais ¹ Klaryanna Cabral Alcantara ¹ Rogério Valença Ferreira 2 Marcelo Eduardo Dantas 2 Gabriella Melo Oliveira Geóloga (UFPE) José Coelho de Araújo Filho Agrônomo, Centro Nacional de Pesquisa de Solos – Embrapa Solos Cristiane Barbosa da Silva Geógrafa, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFPE Flávio Adriano Marques Agrônomo, Centro Nacional de Pesquisa de Solos – Embrapa Solos 4. GEOQUÍMICA DAS ÁGUAS SUBTERRANEAS - QUALIDADE DAS ÁGUAS Margarida Regueira da Costa 4 Alexandre Luiz Souza Borba ¹ 5. CONCLUSÃO Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ¹ Fernanda Soares de Miranda Torres ¹ 6. RECOMENDAÇÕES DE ESTUDOS FUTUROS Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ¹ APENDICE I - Domínios e Unidades Geológico-Ambientais ORGANIZAÇÃO Maria Angélica Barreto Ramos ¹ Antônio Theodorovicz 3 Maria Adelaide Mansini Maia ¹ APENDICE II - Biblioteca de Padrões de Relevo do Território Brasileiro ORGANIZAÇÃO Marcelo Eduardo Dantas2 1 Geólogos (as) do SGB-CPRM 2 Geógrafos (as) do SGB-CPRM 3 Geólogo aposentado do SGB-CPRM 4 Engenheira civil do SGB-CPRM SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.................................................... 12 CONSIDERAÇÕES GERAIS.................................................. 12 Justificativa e objetivos..........................................................12 CARACTERIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA............... 12 O TERMO GEODIVERSIDADE............................................. 12 USO PRÁTICO DA GEODIVERSIDADE................................. 14 2. METODOLOGIA E ORGANIZAÇÃO DE DADOS................................ 16 METODOLOGIA.................................................................. 16 Considerações gerais..............................................................16 Construção do produto..........................................................17 Elaboração do mapa de formações superficiais/regolito.....17 Dicionário de dados da shape das formações superficiais...............21 Elaboração do mapa de geodiversidade...............................21 Atributos geológicos e geotécnicos das unidades geológico-ambientais......................................................21 Dicionário de dados da shape da geodiversidade............................23 Conteúdo do Mapa .......................................................................25 ORGANIZAÇÃO DOS DADOS............................................. 25 Conteúdo do SIG....................................................................25 3. ASPECTOS DA GEODIVERSIDADE ..................... 26 ASPECTOS GEOLÓGICOS................................................... 26 Geologia regional...................................................................26 Embasamento cristalino.................................................................26 Sedimentos da Bacia Costeira Pernambuco ....................................28 Unidades quaternárias ...................................................................30 Recursos Minerais...................................................................31 Formações superficiais...........................................................32 ASPECTOS GERAIS DO RELEVO......................................... 36 Introdução..............................................................................36 Domínios geomorfológicos do litoral sul de Pernambuco...36 Planície costeira .............................................................................36 Depressão pré-litorânea ............................................................... 40 SOLOS................................................................................ 42 Introdução..............................................................................42 Principais solos e características gerais................................ 43 Argissolos .....................................................................................43 Espodossolos................................................................................ 44 Gleissolos.......................................................................................45 Latossolos......................................................................................45 Neossolos......................................................................................45 Solos indiscriminados de mangue.................................................. 46 Solos, quantitativos e indicativos da fertilidade natural .....47 Ambientes e solos: potencialidades, limitações e vocações naturais............................................................... 48 Baixada litorânea........................................................................... 48 Mar de morros...............................................................................49 Várzeas e terraços aluvionares........................................................50 Considerações finais...............................................................51 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO.............................................. 52 Introdução..............................................................................52 Metodologia...........................................................................52 Vegetação florestal........................................................................53 Agropecuária com remanescentes florestais...................................53 Vegetação florestal com áreas agrícolas.........................................53 Planícies fluviomarinhas (brejos).....................................................53 Mangue.........................................................................................55 Área urbana...................................................................................55 Massa d’água.................................................................................55 ADEQUABILIDADES E LIMITAÇÕES DAS UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO (geológico-geotécnico, recursos hídricos, recursos minerais, agricultura e geoturismo).................................... 55 Domínio dos sedimentos cenozoicos inconsolidados ou pouco consolidados, depositados em meio aquoso ou misto (DC) .........................................................................57 Ambiente de planícies aluvionares recentes ou antigos (Dca-Dpbc)...................................................................57 Ambiente fluviolacustre (DCfl-Dflco)...............................................59 Ambiente marinho costeiro (DCmc-Dmar)......................................59 Ambiente misto (marinho/continental) (DCm-Dm)......................... 60 Domínio dos sedimentos cenozoicos bioclásticos (DCB) .... 60 Plataforma continental – recifes (DCBr).......................................... 60 Domínio dos sedimentos cenozoicos pouco a moderadamente consolidados, associados a tabuleiros (DCT) ................................................................. 60 Alternância irregular entre camadas de sedimentos de composição diversa (arenito, siltito, argilito e cascalho) (DCT_Co-Sl-Ssp-Sp).......61 Domínio das sequências sedimentares mesozoicas clastocarbonáticas consolidadas em bacias de margens continentais (rift) (DSM).........................................63 Predomínio de sedimentos quartzo arenosos e conglomeráticos, com intercalações de sedimentos silticoargilosos e/ou calcíferos (DSMqcg_Sl-Ssp-Sp)........................................................63 Domínio do vulcanismo fissural do tipo platô (DVM).......... 64 Predomínio de rochas intermediárias (dacitos, andesitos e/ou basaltos andesíticos) (DVMdaba_Co-Sl-Ssp-Sp)...................... 64 . Domínio das sequências sedimentares proterozoicas incluindo as coberturas plataformais, dobradas, metamorfizadas em baixo a alto grau (DSP2)......................65 Predomínio de quartzitos (DSP2q_Co-Sl-Ssp-Sp).............................65 Domínio dos complexos granitoides deformados (DCGR2).............................................................65 Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, médio e alto-K) e toleíticas (DCGR2salc_Co-Sl-Ssp-Sp)....... 66 Granitoides peraluminosos (DCGR2pal_Co-Sl-Ssp-Sp).....................67 Domínio dos complexos gnáissico-migmatíticos e granulitos (DCGMGL) ........................................................ 68 Predomínio de gnaisses ortoderivados. Podem conter porções migmatíticas (DCGMGLgno_Co-Sl-Ssp-Sp)..................................... 68 4. QUALIDADE DAS ÁGUAS................................... 70 INTRODUÇÃO.................................................................... 70 Objetivos................................................................................ 70 Área em estudo..................................................................... 70 Objetivos................................................................................ 70 METODOLOGIA.................................................................. 70 Etapa de escritório.................................................................71 Etapas de campo (coletas de amostras das águas subterrâneas)...............................................................71 RESULTADOS...................................................................... 71 Análises dos íons nitrato e cloreto.........................................72 Análises de coliformes totais e fecais....................................72 Análise dos padrões físico-químicos de potabilidade...........74 CONCLUSÕES..................................................................... 81 5. CONCLUSÃO......................................................83 6. RECOMENDAÇÕES DE ESTUDOS FUTUROS.......84 REFERÊNCIAS........................................................85 APÊNDICE I...........................................................90 APÊNDICE II........................................................ 105 12 1 INTRODUÇÃO de retenção de poluentes lançados sobre esses materiais. Várias outras informações de interesse dos gestores públi- cos podem ser obtidas no mapa, tais como: áreas sujeitas a eventos geológicos que possam impactar na ocupação do solo, potencial e qualidade das águas subterrâneas, recursos minerais, caracterização geotécnica da região estudada, entre outros. Todo esse conhecimento pode ser útil em ações dos gestores públicos para geração de emprego e renda na região e, na área da saúde com o conhecimento das fontes e qualidade das águas que podem ser disponibilizadas para a população. CARACTERIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA O litoral sul de Pernambuco está situado numa faixa com mais de 44 km de comprimento ao longo da costa do estado de Pernambuco, extremo nordeste do Brasil (Figura 1.1), inserida na Região Macroeconômica da Mata Meridional, é composta pelos seguintes municípios: Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande e, de acordo com o IBGE, totaliza uma área de 1.118,146 km2, o que equivale a cerca de 1,14% da área total do estado, com uma população estimada de 156.745 habitantes (Quadro 1.1). O TERMO GEODIVERSIDADE O termo geodiversidade é relativamente recente, tendo sido utilizado pela primeira vez em 1940 pelo geógrafo argentino Federico Alberto Daus (MEDEIROS; OLIVEIRA, 2011), e é muito menos conhecido que o tema biodiversidade sem, entretanto, ser menos importante, pois é sobre o substrato rochoso e aquoso que a biodiversidade se desenvolve. A geodiversidade tem várias definições, todas simi- lares, podendo ser citadas com objetivos diferentes, tais como a de Daus, na década de 1940, que empregou o termo para diferenciar áreas da superfície da Terra, com uma conotação voltada para geografia cultural (ROJAS in SERRANO e FLAÑO, 2007). Em 1993, na Conferência de Malvern, sobre conservação geológica e paisagística, o termo foi usado para aplicação na gestão de áreas de proteção ambiental, em complemento ao termo biodiversi- dade, em um estudo integrado do meio ambiente biológico e não biológico (SERRANO e FLAÑO, op. cit). CONSIDERAÇÕES GERAIS A nota técnica do Mapa Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco apresenta um texto explicativo para auxiliar o usuário na interpretação das informações adquiridas durante a confecção do mapa, ilustrado com cartogramas mostrando os vários temas estudados na área em foco. Consta também um capítulo referente à metodologia aplicada e outro sobre os aspectos da geodiversidade, composto pela geologia, geomorfologia, uso do solo, solos e adequabilidades/limitações das unidades geológico- ambientais. Todo o conteúdo está disponibilizado na homepage do Serviço Geológico do Brasil - CPRM. As informações mostradas nessa nota explicativa foram obtidas e desenvolvidas a partir de estudos biblio- gráficos e atividades de campo na área estudada, realizadas pelos técnicos do SGB/CPRM, e que foram complementadas com informações fornecidas através da parceria com outros órgãos e pesquisadores de várias instituições federais e estaduais. Os temas relacionados à geologia, relevo, solos e formações superficiais foram integrados em unidades com características específicas, denominadas Unidades Geológico-Ambientais, formadas por materiais de origem ígnea, metamórfica ou sedimentar e apresentam-se, normalmente, recobertas por formações superficiais (regolito), que influenciam de forma importante nas suas características de aptidão e restrições de uso. Justificativa e objetivos O estudo da geodiversidade proporciona o conhe- cimento das aptidões e restrições ao uso do meio físico de uma área, sendo de grande importância para os ges- tores públicos, auxiliando na elaboração de propostas de uso e ocupação do solo em sintonia com suas aptidões e restrições naturais. Nesta perspectiva, o Mapa da Geodiversidade do Litoral Sul do estado de Pernambuco foi elaborado a partir dos estudos bibliográficos e levan- tamentos de campo da geologia, geomorfologia, solos e formações superficiais, que foram integrados em 12 unidades geológico-ambientais, constituídas por materiais que influenciam de forma importante nas características de aptidão e restrições de uso da região. Assim, as espessuras dos materiais de alteração, bem como a sua forma de ocorrência, demonstram, por exemplo, a possibilidade de existência de materiais de uso direto na construção civil, sua possível viabilidade econômica, capacidade de suporte ou NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 13 Figura 1.1: Localização do litoral sul de Pernambuco. Fonte: Equipe do Projeto Geodiversidade (2020). Quadro 1.1: Municípios localizados no litoral sul de Pernambuco. MUNICÍPIO POPULAÇÃO ESTIMADA (HABITANTES) (2019) ÁREA (Km2)(2018) SIRINHAÉM 45.865 374,321 RIO FORMOSO 23.535 227,458 TAMANDARÉ 23.388 213,750 BARREIROS 42.659 233,433 SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE 21.298 69,184 TOTAL 156.745 1.118,146 A partir do final da década de 1990, alguns autores inter- nacionais passaram a divulgar suas próprias definições para geodiversidade, de acordo com a área de atuação de cada um e o objetivo de suas pesquisas. Assim, temos abaixo, alguns autores e suas respectivas definições para geodiversidade: Segundo Eberhart (1997 apud SILVA et al., 2008, p.12.): “a diversidade natural entre aspectos geológicos, do relevo e dos solos”. Em 2004, Gray (2004, p. 7) escreve o primeiro livro dedi- cado à geodiversidade, intitulado Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature, caracterizando a geodiversidade como “a diversidade natural entre aspectos geológicos, do relevo e dos solos”. Sendo que, segundo sua concepção, cada cenário da diversidade natural (ou paisagem natural) estaria em constante dinâmica através da atuação de processos de natureza geológica, biológica, hidrológica e atmosférica. Já Owen, Price e Reid (2005 apud PFALTZGRAFF; TORRES, 2014, p. 11) trazem uma definição que aponta a inter-relação entre os sistemas físico, biótico e cultural, con- forme citação a seguir e, também, demonstrada na Figura 1.2: SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 14 Figura 1.2: Inter-relação entre os meios biótico, físico e as sociedades humanas. Fonte: adaptado de Bertrand (1972). RELAÇÃO ENTRE SISTEMAS “Geodiversidade é a variação natural (diversidade) da geologia (rochas minerais, fósseis, estruturas), geomor- fologia (formas e processos) e solos. Essa variedade de ambientes geológicos, fenômenos e processos faz com que essas rochas, minerais, fósseis e solos sejam o substrato para a vida na Terra. Isso inclui suas relações, propriedades, interpretações e sistemas que se inter-relacionam com a paisagem, as pessoas e culturas”. Carvalho (2007) nos traz a seguinte citação para definir a geodiversidade: “Biodiversidade é uma forma de dizer, numa só pala- vra, diversidade biológica, ou seja, o conjunto dos seres vivos. É para muitos, a parte mais visível da natureza, mas não é, seguramente, a mais importante. Outra parte, com idêntica importância, é a geodiversidade, sendo esta entendida como o conjunto das rochas, dos minerais e das suas expressões no subsolo e nas paisagens. No meu tempo de escola ainda se aprendia que a natureza abarcava três reinos: o reino animal, o reino vegetal e o reino mineral. A biodiversidade abrange os dois primeiros e a geodiver- sidade o terceiro”. Brilha, Pereira e Pereira (2008, p. 2): “...variedade de ambientes geológicos, fenômenos e processos activos que dão origem as paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que são o suporte para a vida na Terra”. Entre os autores brasileiros são mostradas duas defi- nições. A primeira é a de Veiga (2002 apud PFALTZGRAFF; TORRES, 2014, p. 11), que diz: “a geodiversidade expressa as particularidades do meio físico, abrangendo rochas, relevo, clima, solos e águas, subterrâneas e superficiais”. A segunda definição mostrada aqui, e na qual todo o presente trabalho se baseia, é aquela elaborada por Silva (2008, p. 12), que define a geodiversidade da seguinte forma: “O estudo da natureza abiótica (meio físico) cons- tituída por uma variedade de ambientes, composição, fenômenos e processos geológicos que dão origem às paisagens, rochas, minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvi- mento da vida na Terra. Tendo como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, o educativo e o turístico”. Em 2006, o Serviço Geológico do Brasil - CPRM ela- borou o primeiro Mapa da Geodiversidade do Brasil e, no ano seguinte, começou a elaborar mapas da geodiversi- dade de todos os estados brasileiros. Em 2014, lançou o Mapa Geodiversidade do Estado de Pernambuco e, agora, disponibiliza ao público o texto referente ao Mapa da Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco, cujo mapa e o SIG, no formato digital, já foram disponibilizados para o público em dezembro de 2019. USO PRÁTICO DA GEODIVERSIDADE O conhecimento da geodiversidade de uma área pro- porciona a identificação das características das suas rochas, relevo e solos, bem como, de forma fundamental, as adequa- bilidades e restrições para o uso dos terrenos ali existentes. Com base nesse conhecimento, é possível planejar e subsidiar atividades econômicas produtivas, de proteção ambiental e de uso sustentável de uma área, sendo uma boa ferramenta para gestão territorial (Figura 1.3). Se tomarmos como exemplo uma área onde o estudo da geodiversidade indicou que o substrato da área é for- mado por rochas graníticas pouco tectonizadas, com relevo constituído por morros altos, com declividade elevada, camada de solo pouco espessa e com vários locais onde essa camada não existe (afloramentos de rocha), seria possível sugerir que: • Inicialmente, é uma área propícia à exploração mineral para rocha ornamental ou brita para construção civil; • A alta declividade torna difícil a ocupação urbana, não só pela dificuldade de acesso e construção, mas também pelo risco de quedas de blocos; • A pequena espessura de solo, a declividade e a difi- culdade para armazenamento ou extração de água do subsolo torna a área imprópria para agricultura; • Todavia, as altas declividades e as cotas topográ- ficas elevadas podem ser propícias à instalação de mirantes para aproveitamento das paisagens do entorno, propiciando as atividades turísticas na área e, também, a criação de reservas e parques para proteção ambiental. NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 15 Figura 1.3: Diversas aplicações da geodiversidade. Fonte: (PFALTZGRAFF et al., 2014 p. 12). Podem ser citados vários exemplos práticos, onde o conhecimento da geodiversidade e o planejamento ade- quado do uso do ambiente teriam evitado o aparecimento de sérios problemas, tais como a ocupação inadequada de áreas inundáveis para uso habitacional junto às margens e planície de inundação dos rios Una e Sirinhaém, nos tre- chos onde cortam áreas urbanas, sem considerar o tipo de terreno e a sazonalidade das enchentes, o que ocasiona, quase todos os anos no período das chuvas, alagamentos que afetam inúmeras moradias. Outro exemplo, seriam os afundamentos e recalques dos terrenos onde prédios e vias públicas foram construídos sobre solos compressíveis formados por turfas e argilas moles. O conhecimento prévio da geodiversidade da área, mos- trando ambientes fluviolagunares com depósitos sedimenta- res ricos em matéria orgânica, teria alertado que apresentava restrições naturais para a ocupação, com necessidade de estudos aprofundados e soluções técnicas especificas. Nas áreas onde há previsão de ocupação (ou onde já existe), com vistas à utilização para atividades urbano- industriais ou atividades agropecuárias, o conhecimento das características dos solos, rochas e relevo e suas aptidões e restrições de uso podem determinar que a utilização desses terrenos, sem o planejamento adequado, pode levar à instalação de processos erosivos intensos, que além de impactar seriamente o meio ambiente, também acarretará sérios prejuízos financeiros aos usuários e à população que reside em seu entorno. Finalmente, é importante frisar que a geodiversidade é uma ferramenta de auxílio para a gestão da ocupação e do uso sustentável dos terrenos, propiciando o conhecimento das suas aptidões e restrições de uso. 16 Figura 2.1: Distribuição esquemática dos distintos ambientes deposicionais quaternários e suas formações superficiais/regolito correlatas. Fonte: Ramos et al. (2020). 2 METODOLOGIA E ORGANIZAÇÃO DE DADOS METODOLOGIA Considerações gerais Este capítulo apresenta a metodologia utilizada para o levantamento da geodiversidade na escala 1:100.000 do litoral sul de Pernambuco. No desenvolvimento do trabalho, a cartografia, os métodos e variáveis de análise integrada do meio físico para a caracterização da geodiversidade refletida nos Domínios e Unidades Geológico-Ambientais consideraram a Geologia, a Geomorfologia e a Pedologia associadas às Formações Superficiais, ou seja, cada unidade de geodiversidade mapeada irá representar o trinômio rocha-relevo-regolito/ solo, num enfoque geossistêmico. Por definição, mapas geológicos descrevem os mate- riais e as estruturas geológicas existentes sobre a superfície terrestre. Entretanto, existe uma preocupação de se carac- terizar os litotipos subaflorantes (rocha sã), em detrimento dos materiais que se desenvolvem a partir destes ou trans- portados sobre estes (formações superficiais), decorrentes das ações intempéricas, erosivas e tectônicas. O Serviço Geológico do Brasil – CPRM começou a introduzir essa temática nos estudos de geologia ambien- tal e de geodiversidade, conforme Scislewski, Frasca e Araújo (2003) e Ramos et al. (2020). Na abordagem desses autores, o conceito de Formações Superficiais abrange toda a cobertura de material decomposto sobrejacente à rocha sã, podendo ser de gênese autóctone, alóctone ou secundária (materiais neoformados, demonstrado na Figura 2.1). É frequentemente utilizado por geógrafos e geólogos e amplamente aplicado por diversos profissio- nais que atuam nas áreas de Geomorfologia, Geologia de Engenharia, Pedologia, Estratigrafia e estudos do Quaternário, dentre outros. Deste modo, as Formações Superficiais abarcam materiais gerados in situ, provenien- tes da alteração das rochas ou de materiais transportados e depositados em outros locais pelos agentes erosivos ou por movimentos gravitacionais, assim como materiais neoformados (tais como as cangas lateríticas, as argilas de Belterra ou os calcretes). Também são consideradas Formações Superficiais, depósitos de origem antrópica, como os aterros, lixões, pilhas de rejeito de minério, sambaquis, etc. NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 17 Construção do produto Para o início da confecção dos trabalhos, foram obtidas e organizadas todas as informações mais recentes sobre a área de estudo, incluindo a cartografia geológica dispo- nibilizada no GeoSGB, além dos mapas de solos e/ou for- mações superficiais em outras escalas já disponíveis, além da construção do mapa de compartimentação do relevo. Da mesma forma que na etapa regional da geodi- versidade, foi estruturado um Sistema de Informações Geográficas a partir da montagem do kit digital de trabalho, de responsabilidade das equipes técnicas, com orientação/ apoio da Coordenação Técnica. Para a elaboração dos com- partimentos de relevo, a equipe contou com a participação de um geomorfólogo, responsável pelo levantamento das imagens e modelos digitais de superfície ou terreno para a elaboração do tema. A partir de uma análise integrada do meio físico, com ênfase na compartimentação do relevo e dos materiais geoló- gicos, incluindo seus horizontes de alteração, desde os sapró- litos mosqueados, seguidos ou não de crostas lateríticas, até as coberturas residuais autóctones, as coberturas alóctones e os solos, as Formações Superficiais foram preliminarmente fotointerpretadas com base em diversos sensores remotos. A delimitação final das Unidades de Formações Superficiais foi realizada a partir de levantamentos de campo com o ajuste dos limites entre cada unidade, com ênfase na identificação e análise da estrutura do manto regolítico e suas características ao longo dos perfis intem- péricos analisados e registrados. Assim, a cartografia das formações superficiais cons- tituiu um “produto preliminar” a partir do qual se fez a reclassificação para os domínios e as unidades geológico- ambientais, conforme apresentado no Apêndice I. Elaboração do mapa de formações superficiais/regolito A elaboração da carta de Formações Superficiais/ Regolito na escala 1:100.000 foi executada a partir do arquivo vetorial da compartimentação do relevo (Apêndice II), interpretação de imagens ALOS e ArcGIS online e trabalhos de campo para o ajuste cartográfico dos limites. A partir da construção do arquivo vetorial dos com- partimentos de relevo, foram inseridas as informações provenientes da base de dados da litoestratigrafia do banco de dados do SGB–CPRM (GeoSGB), referente ao mapa geológico na escala 1:500.000 do estado de Pernambuco, Gomes et al. (2001). Da base, utilizaram-se os seguintes campos: SIGLA_UNID; NOME; HIERARQUIA; LITOTIPO 1 e LITOTIPO 2. SIGLA_UNID – Sigla Unidade: identidade única da unidade litoestratigráfica. NOME_UNIDA – Nome da Unidade: denominação formal ou informal da unidade litoestratigráfica. HIERARQUIA – Hierarquia à qual pertence a unidade litoestratigráfica. LITOTIPO1 – Litotipos que representam mais de 10% da unidade litoestratigráfica, ou com representativi- dade não determinada. LITOTIPO2 – Litotipos que representam menos que 10% da unidade litoestratigráfica. Também foram considerados, na tabela de atributos dos vetores das formações superficiais, os campos (COD_ REG) e (REGOLITO) e que tiveram as seguintes bibliotecas de acordo com o Quadro 2.1. COD_REG – Código da unidade regolítica: sigla da unidade regolítica. REGOLITO – Descrição da unidade regolítica: camada ou manto de material rochoso incoerente, de qual- quer origem (transportado ou residual), que recobre a superfície rochosa ou embasamento. Compreende materiais de alteração de rocha em geral. Quadro 2.1: Descrição do Regolito. NOME REGOLITO COD_REG COMPOSIÇÃO SOLO Solo Sl Material superficial desenvolvido por processos pedogenéticos (solum) DEPÓSITOS TECNOGÊNICOS Depósitos tecnogênicos Tec Material de origem natural ou artificial, depositados através de ação antrópica DEPÓSITOS DE GRAVIDADE Tálus T Fragmentos de rocha com dimensões decimétricas a métricas com pouca matriz (> 80% de blocos no volume total do depósito) Depósitos com predomínio de tálus e colúvio subordinado T-Co Fragmentos de rocha com dimensões decimétricas a métricas com pouca matriz (20- 80% de blocos no volume total do depósito) SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 18 NOME REGOLITO COD_REG COMPOSIÇÃO DEPÓSITOS DE GRAVIDADE Depósitos com predomínio de colúvio e tálus subordinado. Co-T Material de granulometria argilo-silto-arenosa (proporção > 80 % de matriz no volume total do depósito), envolvendo blocos decimétricos a métricos Colúvio Co Material de granulometria argilo- silto–arenosa proveniente da movimentação dos materiais ao longo das encostas DEPÓSITOS MISTOS COLUVIO - ALUVIONARES Depósitos de alúvio- colúvio Interdigitados Al-Co Sedimento argilo-arenoso, imaturo, mal selecionado DEPÓSITOS ALUVIONARES Leques detríticos Ld Material incipientemente estratificado composto por areia grossa, cascalho e matacões Depósitos de planícies de inundação (em médio e alto curso-alta energia) Dpac Material estratificado e bem selecionado composto por areia fina a grossa e grânulos, intercalada com sedimento síltico-argiloso Depósitos de planícies de inundação(em baixo curso-baixa energia) Dpbc Sedimento argiloso a areno-argiloso, bem selecionado, por vezes, rico em matéria orgânica Depósitos de terraços Dt Material estratificado e bem selecionado composto por areia fina a média intercalada com sedimento síltico-argiloso DEPÓSITOS MARINHOS Depósitos arenosos em cordões e terraços Dmar Areia fina a grossa, quartzosa, bem selecionada DEPÓSITOS EÓLICOS Dunas fixas Ddf Areia fina a média, quartzosa, arredondada e fosca, bem selecionadaDunas móveis Ddm Lençóis de areia Dla DEPÓSITOS FLÚVIO-MARINHOS Depósitos argilo-arenosos em planícies litorâneas Dfm Material estratificado e bem selecionado composto areia fina pouco a muito argilosa, com influência salina Depósitos de mangue Dm Sedimento argiloso ou argilo-arenoso, rico em matéria orgânica, sais e enxofre DEPÓSITOS FLUVIO-LAGUNARES Depósitos argilo-arenosos Dfl Sedimentos argilo-arenosos, com presença de sais em sua matriz Depósitos argilos orgânicos (incluindo turfas) Dflo Matéria orgânica em diferentes graus de decomposição, formando Organossolos Turfeiras Dflot Matéria orgânica DEPÓSITOS FLÚVIO-LACUSTRES Depósitos argilo-arenosos Dflc Sedimentos argilo-arenosos Depósitos argilo-arenosos (Incluindo turfas) Dflco Sedimentos argilosos, muito ricos em matéria orgânica RECIFES DE ARENITO Recifes Rec Areias e seixos consolidados por processos de cimentação ferruginosa ou carbonática (biogênica) Quadro 2.1: Descrição do Regolito (continuação). NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 19 NOME REGOLITO COD_REG COMPOSIÇÃO PERFIL INTEMPÉRICO CROSTAS LATERÍTICAS CROSTA: forma-se próximo ou na superfície de um perfil intempérico, normalmente a partir de precipitados de soluções aquosas em condições de intensa lixiviação. Para se desenvolver necessita de longo período estável com baixíssima erosão. Normalmente é polifásica e está encoberta por colúvio e/ou solo. Completas ou crostas lateríticas. Podem ser maturo ou imaturo1 1– Perfis Maturos (presença do horizonte aluminoso abaixo do horizonte ferruginoso) Plt Presença de crosta. As crostas variam de ferruginosas (80-90% de goethita e/ou hematita, 75 % de Fe2O3, mas geralmente entre 40 e 65 %) até aluminosas ou bauxitas (80-90% de minerais de Al, max 65% de Al2O3). Esporadicamente podem ser manganesíferas, titaníferas, fosfáticas. Inclui calcrete, gipcrete, silcrete. Truncadas Pli Ausência de um nível do perfil laterítico (no caso a crosta) em função da não formação ou erosão do perfil. Horizonte mosqueado Spm Horizonte caracterizado pela segregação de um material pelo envolvente. O Fe é removido em solução, essencialmente na forma de Fe2 +, provavelmente pela redução local de óxi-hidróxidos de Fe, o que provoca cor esbranquiçada ou cinza (desferruginização). Em clima tropical úmido, o mosqueado é a transição da rocha-mãe intemperizada (saprólito) para a crosta laterítica. Isolam-se zonas ricas em caulinita (neoformada in situ) e em quartzo (herdados da rocha-mãe) de zonas enriquecidas em óxi-hidróxidos de Fe. Há diferenciação de cores (material mais ferruginoso, avermelhado em relação a amarelado, esbranquiçado, acinzentado argiloso) e aumento da porosidade. PRODUTO DA DECOMPOSIÇÃO DA ROCHA NA QUAL SUA TEXTURA E ESTRUTURA SÃO PRESERVADAS. (Podem ser rochas ígneas, metamórficas e sedimentares) Saprólito Ssp Material rochoso bastante alterado, mas ainda com preservação da estrutura da rocha (solo saprolítico) Sp Material rochoso com as características geomecânicas e estruturais bem preservadas ROCHA SÃ Rochas (ígneas, metamórficas e sedimentares) Rch Material rochoso não alterado Quadro 2.1: Descrição do Regolito (continuação). Fonte: Ramos et al. (2020) Os solos também foram inseridos na definição do termo regolito. Entretanto, na metodologia ora pro- posta, os solos não nomeiam a Unidade Regolítica, mas compondo a informação do COD_REG na tabela de atributos, legenda do Mapa de Formações Superficiais/ Regolito e, por conseguinte, na legenda do Mapa da Geodiversidade, possibilitando novas deduções a res- peito das adequabilidades e limitações das unidades geológicas ambientais. Da mesma maneira que obtivemos a informação dos padrões de relevo, resgatamos a informação dos tipos de solo. Tal informação foi baseada nos trabalhos de campo e no melhor mapa de solo disponível para área, que no caso, foi o Mapa de Solos do Brasil (EMBRAPA, 2011). O objetivo do trabalho não foi elaborar um mapa de solos, pois a equipe não dispõe de um quadro técnico especializado para tal, contudo, durante os trabalhos de campo, algumas características morfológicas dos solos puderam ser observadas in loco, como cor, textura, estrutura, consistência, porosidade, cerosidade, nódu- los, concreções minerais, coesão, minerais magnéticos, carbonatos, manganês, sulfetos e eflorescências, e que puderam ser ou não descritas na legenda do mapa das formações superficiais. Cabe salientar que a fonte de informação do mapa pedológico sempre foi citada no rodapé das legendas e no campo OBSERVAÇÕES da tabela de atributos da shape. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 20 BIBLIOTECA (SOLOS) • LATOSSOLOS (1ª ordem) • LATOSSOLOS Vermelhos (2ª ordem) • LATOSSOLOS Vermelhos-Amarelos (2ª ordem) • LATOSSOLOS Amarelos (2ª ordem) • LATOSSOLOS Brunos (2ª ordem) • ARGISSOLOS (1ª ordem) • ARGISSOLOS Vermelhos (2ª ordem) • ARGISSOLOS Vermelho-Amarelos (2ª ordem) • ARGISSOLOS Amarelos (2ª ordem) • ARGISSOLOS Brunos-Acinzentados (2ª ordem) • ARGISSOLOS Acinzentado (2 ªordem) • CAMBISSOLOS (1ª ordem) • CAMBISSOLOS Háplicos (2ª ordem) • CAMBISSOLOS Flúvicos (2ª ordem) • CAMBISSOLOS Hísticos (2ª ordem) • CAMBISSOLOS Húmicos (2ª ordem) • NITOSSOLOS (1ª ordem) • NITOSSOLOS Háplicos (2ª ordem) • NITOSSOLOS Vermelhos (2ª ordem) • NITOSSOLOS Brunos (2ª ordem) • CHERNOSSOLOS Háplicos (2ª ordem) • CHERNOSSOLOS Argilúvicos (2ª ordem) • CHERNOSSOLOS Ebânicos (2ª ordem) • CHERNOSSOLOS Rêndzicos(1ª ordem) • LUVISSOLOS (1ª ordem) • LUVISSOLOS Háplico (2ª ordem) • LUVISSOLOS Crômicos (2ª ordem) • VERTISSOLOS (1ª Ordem) • VERTISSOLOS Háplicos (2ª Ordem) • VERTISSOLOS Ebânicos (2ª Ordem) • VERTISSOLOS Hidromóficos (2ª Ordem) • PLINTOSSOLOS Pétricos (2ª Ordem) • PLINTOSSOLOS Háplicos e Argilúvicos (2ª Ordem) BIBLIOTECA (SOLOS) • NEOSSOLOS (1ª Ordem) • NEOSSOLOS Litólicos (2ª Ordem) • NEOSSOLOS Regolíticos (2ª Ordem) • NEOSSOLOS Flúvicos • NEOSSOLOS Quartzarênicos (2ª Ordem) • ESPODOSSOLOS (1ª Ordem) • ESPODOSSOLOS Humilúvicos (2ª Ordem) • ESPODOSSOLOS Ferrilúvicos (2ª Ordem) • ESPODOSSOLOS Ferri-humilúvicos (2ª Ordem) • PLANOSSOLOS (1ª Ordem) • PLANOSSOLOS Háplicos (2ª Ordem) • PLANOSSOLOS Nátricos (2ª Ordem) • GLEISSOLOS (1ª Ordem) • GLEISSOLOS Háplicos (2ª Ordem) • GLEISSOLOS Melânicos (2ª Ordem) • GLEISSOLOS Sálicos (2ª Ordem) • GLEISSOLOS Tiomórficos (2ª Ordem) • ORGANOSSOLOS (1ª Ordem) • ORGANOSSOLOS Háplicos (2ª Ordem) • ORGANOSSOLOS Fólicos (2ª Ordem) • ORGANOSSOLOS Tiomórficos (2ª Ordem) • Afloramento Rochoso • Não se aplica BIBLIOTECA (ESPESSURA) • 0-50 cm • 50-100 cm • 100-200 cm • > 200 cm Para a informação dos solos, a tabela de atributos cons- tou apenas de dois parâmetros: TIPO_SOLO – Tipo de solo: baseado na 1ª ou na 2ª ordem de classificação de solos da EMBRAPA (2018). ESP_SOLO – Espessura dos horizontes pedológicos (superficiais e subsuperficiais) que puderam ser obser- vados em campo. Para completar a shape de formações superfciais, foram inseridos os campos PRO_GEOHID e OBSERVAÇÃO. PRO_GEOHID – Processos Geológico-Geotécnicos e Hidrogeológicos: características, feições e processos que são intrínsecos às coberturas superficiais correlatas. NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 21 BIBLIOTECA (PROCESSOS) • Deslizamento • Enchente e inundação • Erosão • Erosão marinha • Erosão/Voçorocas • Queda, tombamento ou rolamento de blocos • Fluxo de detritos • Rastejo • Solapamento • Recalque • Colapso • Deslizamento / Fluxo de detritos • Deslizamento / Rastejo • Deslizamento / Erosão • Deslizamento / Queda, tombamento ou rolamento e tombamento de blocos • Enchente e inundação / Recalques • Colapso / Solapamento • Erosão / Colapso • Dicionário de dados da shape das formações superficiais: SIGLA_UNID – Sigla da Unidade: identidade única da unidade litoestratigráfica. NOME_UNIDA – Nome da Unidade: denominação formal ou informal da unidade litoestratigráfica. HIERARQUIA: hierarquia à qual pertence a unida- de litoestratigráfica. LITOTIPO1: litotipos que representam mais de 10% da unidade litoestratigráfica, ou com representati- vidade não determinada. LITOTIPO2: litotipos que representam menos de 10% da unidade litoestratigráfica. CLASSE_ROC – Classe da Rocha: classe dos litotipos que representam mais de 10% da unidade litoestrati- gráfica, ou com representatividade não determinada. COD_REL – Código dos Compartimentos de Relevo: sigla para a divisão dos macrocompartimentos de relevo. RELEVO – Macrocompartimento de Relevo: descri- ção dos macrocompartimentos de relevo. DECLIVIDAD – Declividade: intervalos de declivida- des dos compartimentos de relevo. AMPL_TOPO – Amplitude: amplitudes topográficas. COD_REG – Código da Unidade Regolítica: sigla da unidade regolítica. REGOLITO – Descrição da Unidade Regolítica: material superficial resultante da alteração das rochas (autóc- tone ou in situ) ou de material transportado (alóctone). TIP_SOLO – Tipo de Solo: baseado na 1ª ordem de classificação de solos da EMBRAPA (2018). ESP_SOLO – Espessura do Solo: Espessura dos hori- zontes pedológicos (superficiais e subsuperficiais) que poderão ser observados em campo. PRO_GEOHID – Processos Geológico-Geotécnicos e Hidrogeológicos: características, feições e processos que são intrínsecos as coberturas superficiais correlatas. OBSERVAÇÃO – Descrição Livre: Baseada na infor- mação geológica e do que é observado em campo com relação às formações superficiais\regolito. Elaboração do mapa de geodiversidade As unidades geológico-ambientais advindas da reclassificação das formações superficiais/regolito foram inseridas no Apêndice I e analisadas com o objetivo de res- ponder a algumas perguntas como: Quais são os materiais que afloram na superfície do terreno? Qual o tipo do relevo e solo associado? Quais as características desse material? Quais as adequabilidades, potencialidades e limitações dessas unidades frente a uso agrícola, obras e ocupa- ção, recursos minerais e recursos hídricos? Quais áreas impróprias à ocupação devido aos riscos geológicos, cujos estudos deverão ser detalhados em estudos posteriores? Quais áreas potenciais para agricultura? Quais áreas potenciais para potencial hidrogeológico? Existem pontos de interesse geoturístico? Cabe ressaltar que o levantamento da geodiver- sidade teve por objetivo mostrar o panorama da área quanto seus aspectos positivos e negativos, sendo que estudos complementares podem ser contemplados. Como sugestão, podem ser realizadas cartas geotécnicas, estudos hidrogeológicos para caracterização de aquífero e ensaios para os materiais de construção civil. • Atributos geológicos e geotécnicos das unidades geológico-ambientais Nas etapas de maior detalhe (escalas 1:100.000), as uni- dades geológico-ambientais advindas da reclassificação das formações superficiais (coberturas inconsolidadas/regolito) obtiveram atributos geológicos e geotécnicos que permitem uma serie de interpretações na análise ambiental. A tabela de atributos das unidades geológico-ambientais contém todos os campos clássicos que fazem a indexação com a base da litoestratigrafia do GEOSGB, além dos seguintes campos ou parâmetros com suas seguintes bibliotecas: SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 22 Figura 2.2: Resistência à compressão uniaxial e classes de alteração para diferentes tipos de rochas. Fonte: Modificado de Vaz (1996). BIBLIOTECA • Ausente: solo e sedimentos inconsolidados (aluviões, dunas, terraços, etc.) • Rúptil: fraturas e falhas • Dúctil: dobras, foliações e bandamentos • Dúctil/Rúptil: Zonas de cisalhamento BIBLIOTECA • Isotrópica maciça • Anisotrópica indefinida • Anisotrópica orientada • Anisotrópica estratificada • Anisotrópica biogênica • Anisotrópica concrecional – nodular • Não se aplica BIBLIOTECA • Não se aplica - Solo (Vide figura 2.2) • Muito brandas • Brandas • Médias • Duras • Variável EST_TEC – Estruturas Tectônicas: relacionadas às dinâmicas interna do planeta. Procede-se a sua inter- pretação a partir da ambientação tectônica, litológica e análise de estruturas refletidas nos sistemas de relevo e drenagem. ASPECTOS – Aspectos Texturais e Estruturais Decorrentes do Comportamento Reológico: de acordo com Oliveira e Brito (1998), as rochas podem apresentar as seguintes características reológicas (comportamento frente a esforços mecânicos). A) Comportamento Isotrópico, quando as propriedades das rochas são constantes, independentemente da direção observada; e B) Comportamento Anisotrópico, quando as proprie- dades variam de acordo com a direção considerada. GR_RES – Grau de Resistência: resistência ao corte e à penetração, baseada na Figura 2.2 de resistência à compressão uniaxial e classes de alteração (VAZ, 1996). NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 23 BIBLIOTECA • Baixa: 0 a 15 % • Moderada: 15 a 30% • Alta: > 30% • Variável (0 a >30%): a exemplo das unidades em que o substrato rochoso é formado por um empilhamento irregular de camadas horizontalizadas porosas e não-porosas. BIBLIOTECA • 0-5 mts • 5-15 mts • > 15 mts BIBLIOTECA • Granular • Fissural • Granular/Fissural • Cársticos • Não se aplica BIBLIOTECA • 1ª Categoria: solo, materiais decompostos, aluviões... (escavações simples) • 2ª Categoria: solo duros, heterogêneos (escarificação) • 3ª Categoria: rocha (desmonte com explosivos) • 4 Categoria: variável ESP_ALTER – Espessura do Perfil de Alteração (metros): espessura média dos perfis. Inclui solo residual. POROS_1 – Porosidade Primária: relacionada ao volume de vazios sobre o volume total do substrato (rochoso ou cobertura). O preenchimento seguiu os procedimentos descritos na (Quadro 2.2). LITO_HIDRO – Característica da unidade lito- hidrogeológica. ESCAV – Escavabilidade: categoria do material de acordo com os métodos de escavação e sua resis- tência perante a eles. • Dicionário de dados da shape da geodiversidade: SIGLA_UNID – Sigla Unidade: identidade única da unidade litoestratigráfica. NOME_UNIDA – Nome da Unidade: denominação formal ou informal da unidade litoestratigráfica. HIERARQUIA – Hierarquia à qual pertence a unidade litoestratigráfica. LITOTIPO1 – Litotipos que representam mais de 10% da unidade litoestratigráfica, ou com representativi- dade não determinada. LITOTIPO2 – Litotipos que representam menos que 10% da unidade litoestratigráfica. CLASSE_ROC – Classe da rocha: classe dos litotipos que representam mais de 10% da unidade litoestrati- gráfica, ou com representatividade não determinada. COD_REL – Código dos Compartimentos de Relevo: sigla para a divisão dos macrocompartimentos de relevo. RELEVO – Macrocompartimento de Relevo: descrição dos macrocompartimentos de relevo. DECLIVIDAD – Declividade: intervalo de declividades dos compartimentos de relevo. AMPL_TOPO – Amplitude: amplitudes topográficas. COD_REG – Código da Unidade Regolítica: sigla da unidade regolítica. REGOLITO – Descrição da Unidade Regolítica: material superficial resultante da alteração das rochas (autóc- tone ou in situ) ou de material transportado (alóctone). TIP_SOLO – Tipo de Solo: baseado na 1ª ordem de classificação de solos da EMBRAPA (2018). ESP_SOLO – Espessura do Solo: espessura dos hori- zontes pedológicos (superficiais e subsuperficiais) que poderão ser observados em campo. PRO_GEOHID – Processos Geológico-Geotécnicos e Hidrogeológicos: características, feições e processos que são intrínsecos às coberturas superficiais correlatas. OBSERVAÇÃO – Descrição Livre: baseada na informa- ção geológica e do que é observado em campo com relação às formações superficiais\regolito. COD_DOM – Código do Domínio Geológico- Ambiental: sigla dos domínios geológico-ambientais. DOMINIO – Descrição do Domínio Geológico- Ambiental: reclassificação da geologia pelos grandes domínios geológicos. COD_UNIGEO – Novo Código da Unidade Geológico- Ambiental: sigla da unidade geológico-ambiental mais o detalhamento do código do regolito. UNIGEO – Descrição da Unidade Geológico-Ambiental mais a descrição que vem do detalhamento da des- crição do regolito: as unidades geológico-ambientais foram agrupadas com características semelhantes do ponto de vista da resposta ambiental, a partir da subdivisão dos domínios geológico-ambientais. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 24 Quadro 2.2: Tabela de porosidade total dos diversos materiais rochosos. Fonte: Modificado de Custodio e Llamas (1983). Nota: Alguns dados, em especial os referentes à porosidade eficaz (me), devem ser tomados com preocupações, segundo as circunstâncias locais. A = Aumenta m e me por meteorização; B = Aumenta m e me por fenômenos de dissolução; C = Diminui m e me com o tempo; D = Diminui m pode aumentar me com o tempo; E = me muito variável segundo as circunstâncias do tempo; F = Varia segundo o grau de cimentação e solubilidade. MATERIAL POROSIDADE TOTAL % Me POROSIDADE EFICAZ % me OBS. TIPO DESCRIÇÃO MÉDIA NORMAL EXTRAORDINÁRIA MÉDIA MÁX. MÍN. MÁX. MÍN MÁX MÍN. ROCHAS MACIÇAS Granito 0,3 4 0,2 9 0,05 <0,2 0,5 0,0 A Calcário maciço 8 15 0,5 20 <0,5 1 0,0 B Dolomito 5 10 2 <0,5 1 0,0 B ROCHAS METAMÓRFICAS 0,5 5 0,2 <0,5 2 0,0 A ROCHAS VULCÂNICAS Piroclasto e turfas 30 50 10 60 5 <5 20 0,0 C, E Escórias 25 80 10 20 50 1 C, E Pedra-pome 85 90 50 <5 20 0,0 D Basaltos densos, fonólitos 2 5 0,1 <1 2 0,1 A Basaltos vesiculares 12 30 5 5 10 1 C ROCHAS SEDIMENTARES CONSOLIDADAS (ver rochas maciças) Pizzaras sedimentares 5 15 2 30 0,5 <2 5 0,0 E Arenitos 15 25 3 30 0,5 10 20 0,0 F Creta blanda 20 50 10 1 5 0,2 B Calcário detrítico 10 30 1,5 3 20 0,5 ROCHAS SEDIMENTARES INCONSOLIDADAS Aluviões 25 40 20 45 15 15 35 5 E Dunas 35 40 30 20 30 10 Cascalho 30 40 25 40 20 25 35 15 Loess 45 55 40 <5 10 0,1 E Areais 35 45 20 25 35 10 Depósitos glaciais 25 35 15 15 30 5 Silte 40 50 25 10 20 2 E Argilas não- compactadas 45 60 40 85 30 2 10 0,0 E Solos superiores 50 60 30 10 20 1 E EST_TEC – Estruturas tectônicas: relacionada à dinâ- mica interna do planeta. Procede-se a sua interpre- tação a partir da ambiência tectônica, litológica e análise de estruturas refletidas nos sistemas de relevo e drenagem. ASPECTOS – Aspectos texturais e estruturais decor- rentes do comportamento reológico ESP_ALTER – Espessura do perfil de alteração: espes- sura média dos perfis. POROS – Porosidade: relacionada ao volume de vazios sobre o volume total do material (incluindo todo o perfil intempérico quando esse existir) LITO_HIDRO – Característica da unid. lito-hidrogeológica. ESCAV – Escavabilidade: categoria do material de acordo com os métodos de escavação e sua resis- tência perante a eles. LEGENDA: Campo utilizado para a organização da legenda do Mapa de Geodiversidade. NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 25 • Conteúdo do Mapa Mapa Principal: • Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco Cartogramas de: • Eventos Geológicos-Geotécnicos • Formações Superficiais • Potencialidade Hidrogeológica • Recursos Minerais e Unidades de Conservação • Relevo e Atrativos Geoturísticos • Solos Perfis regolíticos: • Perfis de Alteração das Unidades DCT, DC e DCGR2 ORGANIZAÇÃO DOS DADOS O Mapa Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco foi gerado a partir dos mapas das Formações Superficiais e de informações agregadas obtidas por meio de consulta bibliográfica; dados de instituições públicas e de pesquisa; interpretação de dados de sensores remotos e trabalhos de campos. Todo o acervo de dados está estruturado num Sistema de Informações Geográficas (SIG). Os arquivos vetoriais estão em coordenadas geográficas e datum Sirgas 2000. Os arquivos constituintes do SIG encontra-se em for- mato vetorial e raster, compatível com a escala 1: 100.000 do trabalho. O mapa a ser impresso em formato pdf está em projeção policônica e o meridiano central (-33) no datum Sirgas 2000. Os arquivos raster estão projetados para os cálculos dos subprodutos, declividade e hipsometria, seguindo a projeção especificada. Conteúdo do SIG • O SIG apresenta os seguintes temas: - Áreas Protegidas Especiais – Áreas de Proteção ambiental - foram obtidas em Pernambuco, CPRH (2018) e ICMBio, 2018. - Atrativos Geoturísticos – Atrativos Geoturísticos: A base de dados foi elaborada pela equipe técnica do Projeto Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco - Base cartográfica – Área urbana, distritos, drenagem, massa d’água, rodovias e sedes municipais foram obtidos através de IBGE, 2018, Secretaria de Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco (2002) e atualizado no Google Maps/Google Earth.Pro (2019); a curva de nível_20 m foi gerada a partir do MDT (2019). - Eventos geológicos-geotécnicos – A base de dados foi elaborada pela equipe técnica do Projeto Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco. - Formações superficiais – Informação elaborada pela equipe técnica do Projeto Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco através de informações coletadas no campo. - Geologia – Litologia e Estruturas Geológicas: Mapa Geológico do Projeto Geodiversidade do Estado de Pernambuco (2014); Barbosa et al. (2005); Gomes et al. (2001), e de informações agregadas que foram obtidas por meio de trabalhos de campo, consulta bibliográfica e dados de instituições públicas e de pesquisa. - Hidrogeologia – Potencialidade Hidrogeológica: foi elaborada pela equipe do projeto através da interpretação dos dados geológicos e hidrogeológicos do litoral sul de Pernambuco, na escala 1:100.000. - Limites – Limite litoral sul de PE, limite municipal, limite NE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2015. - Perfis regolíticos – Informação elaborada pela equipe técnica do Projeto Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco, com base em trabalhos de campo. - Pontos de campo – Descrição e registro fotográfico dos pontos visitados pela equipe técnica do Projeto Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco, com base em trabalhos de campo. - Recursos Minerais – Recursos Minerais (classe utilitária e situação legal/fase), foram elaborados a partir da Agencia Nacional de Mineração ANM, 2019 através do acesso no site http://www.anm.gov.br/assuntos/ao-minerador/sigmine, situação em outubro de 2019. - Relevo – A base de dados foi elaborada pela equi- pe técnica do Projeto Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco. - Solos – Elaborado pela equipe da Embrapa, adaptado de Araújo Filho et al. (2000). - Unidades Geológico-Ambientais – Elaborado pela equipe técnica do Projeto Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco, a partir do agrupamento das unidades geo- lógicas, segundo critérios adotados pelo presente projeto. 26 3 ASPECTOS DA GEODIVERSIDADE ASPECTOS GEOLÓGICOS Geologia regional A geologia do litoral sul do estado de Pernambuco (LSPE) é composta pelas rochas do Embasamento Cristalino, de idade proterozoica, sedimentos da porção sul da Bacia Sedimentar Costeira Pernambuco, do Mesozoico, sobrepos- tos pelos sedimentos inconsolidados de idade cenozoica a recente (Figuras 3.1 e 3.2). Figura 3.1: Mapa Geológico do Litoral Sul de Pernambuco. Fonte: a partir de Gomes et al. (2001); Barbosa et al. (2009); anotações de campo do projeto (2019). • Embasamento cristalino De acordo com Gomes et al. (2001), o LSPE está locali- zado no Terreno Tectônico Pernambuco-Alagoas (Figura 3.3), sendo representado pelos Complexos Cabrobó (Unidade 4) e Belém do São Francisco (NP1bf) e pelas Suítes Intrusivas Itaporanga (NP3γ2it) e Leucocrática Peraluminosa (MPNPγal). No extremo oeste dos municípios de Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré, afloram duas litologias de ida- de mesoproterozoica: NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 27 Figura 3.2: Quadro Estratigráfico da Bacia Pernambuco - Litoral sul de Pernambuco. Fonte: Elaborado pelos autores (2019). SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 28 - Complexo Cabrobó (unidade 4), constituído de quartzitos micáceos, quartzitos feldspáticos e metarcórsios bandados com intercalações de rochas calcissilicáticas, é circundado pela Suíte Leucocrática Peraluminosa, um conjunto de rochas ígneas composto por leucograni- toides granodioríticos a graníticos, foliados e deforma- dos (Figura 3.4); - Complexo Belém do São Francisco, na área em estudo, é constituído por ortognaisses e migmatitos com restos de rochas supracrustais associados. Essa unidade encontra-se bastante intemperizada, sendo capeada por colúvio, solo saprolítico e saprólito de espessuras variá- veis. Está localizado no extremo norte do município de Sirinhaém e na parte oeste dos municípios Tamandaré e Barreiros. Figura 3.3: Terrenos Tecnoestratigráficos de Pernambuco. Fonte: Adaptado de Gomes et al. (2001, p.159). Figura 3.4: Granitoides da Suíte Leucocrática Peraluminosa, município de Sirinhaém.Fonte: Arquivo do projeto (2019). Figura 3.5: Granitoides da Suíte Intrusiva Itaporanga na Pedreira Herval, município de Barreiros. Fonte: Arquivo do projeto (2019). As rochas da Suíte Intrusiva Itaporanga são encontra- das por toda a área estudada, sendo circundada pelos com- plexos Cabrobó (unidade 4) e Belém do São Francisco, no lado oeste, e pela Bacia Sedimentar Costeira Pernambuco e sedimentos inconsolidados, no litoral. Em sua composi- ção podemos encontrar biotita granito porfirítico, diorito, gabro, granito, granodiorito e monzonito, como demons- trado na Figura 3.5. • Sedimentos da Bacia Costeira Pernambuco A Bacia Pernambuco está localizada na porção sul do Lineamento Pernambuco até o Alto de Maragogi, limite sul do estado de Pernambuco com Alagoas, como demons- trado na (Figura 3.6). NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 29 Figura 3.7: Formação Cabo apresentando intrusões das rochas vulcânicas da Formação Ipojuca, município de Tamandaré. Fonte: Arquivo do projeto (2019).. A origem desta bacia está relacionada à abertura do Atlântico Sul, sendo considerada um dos últimos elos de ligação continental entre a América do Sul e a África (MATOS, 1999). Os estágios da evolução são caracteriza- dos pelos processos tectono-sedimentares das fases rifte e pós-rifte. Sua estratigrafia é constituída pelas Formações Cabo (K1cb), Estiva (K2et), Algodoais (K2ag) e Ipojuca (K12λip), todas do Mesozoico e são capeadas pelos sedi- mentos do Grupo Barreiras (ENb) (Figura 3.2). Os sedimentos basais dessa bacia, de idade cretácea, estão representados pela Formação Cabo (K1cb), um conjunto de rochas siliciclásticas, de origem continental, formada por arenitos, arcósios, siltitos, argilitos e conglo- merados polimíticos de matriz arcosiana. De acordo com Alheiros e Ferreira (1991, p.45), a Formação Cabo representa a seção rifte continental, com clásticos basais, oriundos de leques aluviais sintectônicos associados a sedimentos lacustres que são sobrepostos por sedimentos carbonáticos da Formação Estiva (K2et), constituídos por calcários dolomíticos argilosos e calcilu- titos, associados a folhelhos, siltitos calcíferos e argilas. A Formação Estiva, de pouca expressão na superfície, corresponde ao intervalo transicional a marinho que recobre os depósitos clásticos (ALHEIROS; FERREIRA, 1991, p.45). Na Figura 3.7, podemos observar que os sedimentos das formações Cabo e Estiva são cortados pelas rochas vulcânicas da Suíte Magmática Ipojuca (K12λip). A Formação Ipojuca caracteriza-se por uma suíte de rochas cretácicas vulcânicas, formada por traquitos, andesitos e riólitos, que podem ocorrer sob a forma de diques, plugs, sills e lacólitos. Também são encontrados tufos, brechas e derrames de basaltos (SIAL; LONG; BORBA, 1987 apud TORRES; PFALTZGRAFF, 2014 p.28). Os riólitos dessa suíte magmática são bem repre- sentados na Ilha de Santo Aleixo, localizada no litoral do município de Sirinhaém. Possui idade 40Ar/39Ar de 100 milhões de anos (NASCIMENTO, 2003). Figura 3.6: Arcabouço estrutural da Bacia Pernambuco. Fonte: Adaptado de Alheiros e Lima Filho (1991). O topo da sedimentação dessa bacia está represen- tado pela Formação Algodoais. De acordo com Lima Filho (1998), essa formação foi dividida em duas unidades: basal (então denominada Água Fria), constituída por conglome- rados de matriz arcosiana, com seixos de rochas vulcânicas, arenitos conglomeráticos maciços e arcóseos de granu- lação média a grossa, e a superior (então denominada Tiriri), composta por um arenito conglomerático esbranqui- çado, quartzoso. De acordo com Lima Filho (1998, p.14), recobrindo o embasamento cristalino e as unidades sedimentares cretáceas, encontra-se a Formação Barreiras ou Grupo Barreiras (GOMES et al., 2001, p.36), unidade cuja com- posição caracteriza-se por depósitos de areias grossas, intercaladas por estratos rítmicos de areia fina e/ou argila, que por suas próprias características granulomé- tricas e mineralógicas são bastante friáveis e facilmente erodíveis (Figura 3.8). SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 30 Figura 3.8: Formação Barreiras, município de São José da Coroa Grande. Fonte: Arquivo do projeto (2019). Figura 3.9: Terraço marinho, município de Rio Formoso. Fonte: Arquivo do projeto (2019). Figura 3.10: Sedimentos de mangues, município de Sirinhaém. Fonte: Arquivo do projeto (2019). Figura 3.11: Recifes de arenito da Praia dos Carneiros, município de Tamandaré. Fonte: Arquivo do projeto (2019). • Unidades quaternárias Todas as unidades geológicas anteriormente des- critas estão recobertas na área litorânea por sedimen- tos recentes de idade quaternária. Esses sedimen- tos estão representados por terraços marinhos recen- tes (Q2tm), sedimentos fluviolagunares recentes (Q2fl), rochas de praia (Qrp), sedimentos de praia (Qpr), sedi- mentos de mangue (Q2m) e sedimentos aluvionares recentes (Q2a). Os terraços marinhos recentes são constituídos por materiais similares aos terraços antigos, apresentando como diferenças básicas a granulometria mais fina das areias e a presença de restos de conchas (Figura 3.9). Os sedimentos fluviolagunares recentes são consti- tuídos por areias finas, siltes, argilas, vasas diatomáceas e sedimentos turfosos. Junto com os sedimentos fluviolagunares, os sedi- mentos de mangues também apresentam ampla distribui- ção no litoral dos municípios de Sirinhaém e Rio Formoso, sendo formado por argilas, siltes, areias finas, carapaças de diatomáceas, espículas de espongiários, restos orgâ- nicos e conchas (Figura 3.10). Os depósitos aluvionares recentes distribuem-se ao longo dos canais e nas planícies de inundação dos grandes rios que cortam as cidades de Sirinhaém, Rio Formoso e Barreiros. São depósitos formados por materiais arenosos e arenoargilosos. Por fim, encontram-se ao longo da costa as rochas de praia (Figura 3.11), conhecidas como arrecifes ou recifes, formados por grãos de quartzo e fragmentos de conchas, aglutinados por cimento silicoso, carbonático ou ferru- ginoso e, ao lado desses corpos rochosos, encontram-se os depósitos de praia recentes, constituídos por areias quartzosas com fragmentos de conchas. NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 31 Recursos minerais O potencial mineral do litoral sul do estado de Pernambuco mostra pouca diversidade de jazimentos minerais, onde, além de alguns poucos processos para água mineral, apresenta, em sua grande totalidade, potencial para insumos para construção civil. A produção mineral é representada, por areias, argilas, material de empréstimo e granitoides para produção de britas e paralelos. Atualmente, são 46 ocorrências minerais cadastra- das junto à Agencia Nacional de Mineração (ANM) no litoral sul do estado, englobando os municípios de Rio Formoso, Sirinhaém, Barreiros, Tamandaré e São José da Coroa Grande. O Quadro 3.1 mostra os dados de reserva mineral, produção e valores de produção dos municípios de Barreiros e Sirinhaém (ANM, 2019). - Areia – Consiste numa massa de material sedimen- tar inconsolidada, resultante da desagregação natural de rochas pré-existentes. Em geral, são formadas por quartzo, contendo, ainda, feldspatos, micas, argilas e minerais fer- romagnesianos em proporções menores. A areia pode ser classificada como natural ou artifi- cial. Na forma natural, origina-se de aluviões, coberturas coluviais e nas eluviões resultantes de fragmentação e intemperismo das rochas cristalinas. Na forma artificial, representa um subproduto nas unidades de britagens de lavras em pedreiras, sendo utilizada como matéria-prima para a produção de concreto betuminoso e pré-moldado. As areias apresentam um extenso campo de aplicação, pois além de amplamente empregadas na construção civil são, também, consumidas em diversos setores industriais, tais como vidraçaria, cerâmica, cimento, siderurgia, meta- lurgia, dentre outros usos. Os depósitos potenciais de areia identificados no litoral sul ocorrem, em geral, associados às Unidades Quaternárias. Sendo os sedimentos aluvionares, tanto nas suas várzeas, quanto o leito ativo dos rios que drenam a região, o domínio mais importante, do ponto de vista econômico. Quadro 3.1: Valores de Reserva e Produção dos municípios produtores de água mineral, brita e areia dos municípios do litoral sul do estado de Pernambuco (ANM,2019). Segundo dados disponibilizados pela ANM (2019), as reservas de areia para uso industrial no município de Sirinhaém alcançam o total de 1.179.427t de reservas medidas no ano de 2018, sendo o único município com expressividade em dados de reservas (Quadro 3.1). - Argilas – Apresentam uma vasta diversidade de aplicações industriais, sendo utilizadas, principalmente, na construção civil e na indústria de cerâmica. Constitui um material de textura terrosa, granulação fina, que geralmente quando umedecida em água, apresenta certo grau de plasti- cidade. Segundo Santos (1975), as argilas são formadas por partículas de fração granulométrica de dimensões iguais ou inferiores a 2µm, contendo um número restrito de minerais chamados argilominerais. As argilas encontradas no litoral sul do estado de Pernambuco fazem parte do pacote de sedimentos areno- argilosos da Grupo Barreiras. Esses sedimentos apresentam cores variadas, granulometria fina a média e espessuras que variam de poucos centímetros a algumas dezenas de metros (BARRETO et al., 2016). As principais ocorrências estão distribuídas entre os municípios de Barreiros, Tamandaré, Sirinhaém e Rio Formoso, enumerando um total de 19 processos junto à ANM. Porém, mesmo que geologicamente haja potencialidade para esse insumo na região, as argilas praticamente não estão sendo explotadas para finalidade das cerâmicas vermelhas, sendo limitadas ao uso local, muitas vezes de maneira informal, como material de empréstimo para construções de pequeno porte, aterros, dentre outras aplicabilidades de proporções menores havendo, desta forma, uma ausência de dados oficiais para reservas e produção na área. Diante do exposto, convém salientar que os produtos cerâmicos consumidos nos municípios do litoral sul do estado de Pernambuco provêm, em sua grande parte, das cidades circunvizinhas. É importante frisar que o segmento de argilas é ope- rado por pequenas empresas, cuja boa parte funciona na mais completa informalidade. Tais empresas, em geral por desconhecimento, atuam em desrespeito às boas técnicas de explotação e ao meio ambiente. MUNICÍPIO SUBSTÂNCIA RESERVA MEDIDA (t) PRODUÇÃO (t) OU (l) VALOR DA PRODUÇÃO (R$) 2016 2017 2018 2016 2017 2018 2016 2017 2018 Barreiros Água mineral 161.204 2.185.900 372.276 273.228 Brita 13.387.443 13.387.443 13.387.443 48.750 66.164 36.995 1.523.426 2.173.136 1.419.407 Serinhém Areia 1.257.725 1.233.648 1.179.427 28.078 24.078 54.222 557.757 373.038 852.246 SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 32 - Material de Empréstimo – Os depósitos de mate- rial de empréstimo do litoral sul do Estado de Pernambuco estão, principalmente, associados aos sedimentos do Grupo Barreiras e, eventualmente, são do tipo intempérico-resi- dual. De modo geral, a caracterização do tipo sedimentar é utilizada regionalmente para descrever uma sequência litológica heterogênea, formada por sedimentos arenosos, sedimentos sílticos a argilosos, intemperizados, pouco consolidados e de colorações roxa, amarela e vermelha. Esse conjunto pode atingir dezenas de metros de espessura. Mesmo que não calculada, as reservas deste insumo são expressivas na região. - Brita – Pedra britada ou brita é todo material pro- veniente da fragmentação mecânica de rochas. As rochas dominantemente utilizadas são granitos e gnaisses, em razão de serem compactas, com alta resistência à compres- são, ao impacto e à abrasão, baixa porosidade, constituí- das, em geral, por minerais de dureza média a alta, como quartzo e feldspato. A textura e a mineralogia da rocha, a forma dos frag- mentos minerais e a natureza da sua superfície são fatores determinantes na qualidade da pedra britada. Na construção civil, a rocha britada é essencial como agregado graúdo no preparo de concreto hidráulico, também denominado de concreto de cimento Portland, dentre vários outros usos de proporções maiores. As ocorrências de granitoides para pedra britada ocorrem no domínio das rochas magmáticas plutônicas, explorando os granitoides que compõem a Suíte Intrusiva Itaporanga, sendo esta a principal frente de produção de brita, localizada no município de Barreiros. Apenas uma pedreira está localizada dentro da área em tela, tendo estas outras áreas requeridas junto ao órgão regularizador que não estão explotando material no momento (Figura 3.12), além da frente de lavra em produção atual. Porém as pedreiras da Região Metropolitana do Recife também provêm suprimento desse insumo para os municípios do litoral sul. A produção de pedras britadas de Barreiros, englo- bando os diversos tipos de brita, pedra rachão, pedra de alvenaria, pó de pedra e pedra bruta, foi de aproxima- damente 37.000t de material beneficiado, apresentando mais de 13.000.000t em reserva medida, no ano de 2018, segundo dados da ANM (2019) (Quadro 3.1). No último ano, o segmento exibiu um comportamento recessivo com a produção, em consequência do período de estagnação pelo o qual a economia brasileira se apresenta. - Água mineral e potável – Os municípios do litoral sul do estado de Pernambuco apresentam capaci- dade de produção de água de boa qualidade, do ponto de vista da potabilidade. Estão inseridos no domínio hidrogeológico intersticial e no domínio hidrogeológico fissural. O domínio intersticial é composto de rochas sedimentares dos Depósitos Aluvionares, Depósitos Fluviomarinhos, do Grupo Barreiras e da Bacia Pernambuco. Figura 3.12: Lavra abandonada, Suíte Intrusiva Itaporanga, Barreiros - PE. Fonte: Arquivo do projeto (2019). O domínio fissural é formado de rochas do embasamento cristalino, que englobam o subdomínio rochas metamórfi- cas, constituído do Complexo Belém do São Francisco e do Complexo Cabrobó, e o subdomínio rochas ígneas da Suíte calcioalcalina Itaporanga e da Suíte Intrusiva Leucocrática Peraluminosa (CPRM, 2005). Esses dois domínios hidrogeológicos se apresen- tam como importantes reservatórios e a sua qualidade dependerá de composição química, características físico- químicas, temperatura, radioatividade, dentre outras pro- priedades. Com base na variação desses parâmetros, elas podem ser classificadas como águas minerais e captadas por meio de fontes naturais ou poços artesianos. Apenas o município de Barreiros é polo de produ- ção de água mineral no litoral sul, apresentando mais de 2.000.000 de litros para engarrafamento no ano de 2018 (ANM, 2019) (Quadro 3.1). Formações superficiais A maior parte das rochas e sedimentos do litoral sul de Pernambuco está recoberta por materiais provenientes da sua alteração devido à ação do clima ou encontra-se revestida por materiais oriundos de outras rochas alteradas que foram posteriormente transportados pelos agentes climáticos, como a água, os ventos ou pelas forças da gravidade. Esses materiais, provenientes da alteração das rochas e solos, são denominados de regolito ou, como é tratado neste trabalho, Formações Superficiais. Todo o pacote de material de alteração pode ser diferenciado em vários horizontes de espessura e compo- sição específicos que, de forma geral na área mapeada, podem ser descritos da seguinte forma: camada de colú- vio; depósitos aluvionares, de mangues e de planícies de inundação, sendo todos alóctones, ou seja, transportados de áreas diferentes daquela onde estão depositados. NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 33 Figura 3.13: Mapa das Formações Superficiais do Litoral Sul de Pernambuco (simplificado). Fonte: elaborado pela equipe do projeto (2019). Dentre os materiais autóctones, gerados in situ, destacam-se os solos, que já estão em um grau máximo de alteração com relação ao material original e submetidos a processos pedogenéticos, solos saprolíticos (provenientes da altera- ção menos intensa que a dos solos) e, saprólitos, que são as rochas em grau de alteração menos elevado, onde há uma grande alteração das características originais, como a resistência, a coloração e a porosidade. A distribuição dos materiais alóctones no litoral sul de Pernambuco pode ser vista nas Figuras 3.13, 3.14 e 3.15, que possuem, via de regra, as seguintes propriedades: - Depósitos aluvionares: areias e argilas deposita- das em leitos e margens de drenagens com espessuras e extensões variáveis; - Depósitos fluviolacustres: argilas, siltes e areias finas, com presença de matéria orgânica (turfa), assentados sobre sedimentos quaternários mais antigos; - Depósitos de materiais de planícies: areias e restos de conchas; - Depósitos de mangues: argilas e muita matéria orgânica misturada e areias finas; - Depósitos de recifes de arenito e restos de conchas cimentados por óxido de ferro, carbonato e sílica; - Solo antropizado: materiais originados de restos agrícolas e de adubação química, com espessura aproxi- mada de 40 centímetros e que recobre grande parte das áreas de plantação de cana-de-açúcar; SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 34 Figura 3.14: Perfis esquemáticos do manto de intemperismo no litoral sul de Pernambuco. Fonte: elaborado pela equipe do projeto (2019). NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 35 Figura 3.15: Perfis esquemáticos do manto de intemperismo no litoral sul de Pernambuco. Fonte: elaborado pela equipe do projeto (2019). SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 36 - Depósitos argilosos orgânicos: argilas e turfas; - Depósitos de terraços: areias quartzosas finas a médias; - Colúvios: materiais transportados pela água e/ou gravidade compostos por argilas, siltes e areias em propor- ções diversas. Encontram-se, principalmente, nas áreas de morros, colinas e fundos de vales. Já os materiais autóctones estão representados no litoral sul de Pernambuco da seguinte forma: - Solos: e o material de alteração final das rochas e sedimentos, já pedogeneizado, com composição que varia de argilosa até argilo-silto-arenosa e arenosa, de acordo com a rocha parental ou o tipo de sedimento pedogenei- zado, geralmente têm espessura superior a 2 metros. - Solos saprolíticos: são materiais menos alterados que os solos, não pedogeneizado, espessura geralmente menor que 2 metros e de composição arenosa ou arenosiltosa. - Saprolíticos: são representados pelas rochas muito alteradas que apresentam grandes alterações nas suas características originais tornando-as mais frágeis, desco- loridas e porosas. São encontrados poucos pontos onde esses saprólitos afloram e, nesses casos representam rochas graníticas e gnáissicas (principalmente). ASPECTOS GERAIS DO RELEVO Introdução O litoral sul de Pernambuco, aqui definido como o território constituído pelos municípios de Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande, apresenta nove compartimentos de relevo, estando esculpidos, parte, em terrenos do Embasamento Cristalino de idade proterozoica, parte em rochas sedimentares pouco litificadas da Bacia Sedimentar de Pernambuco e do Grupo Barreiras e, em parte, por sedimentos incon- solidados da planície costeira quaternária. Nas pesquisas realizadas por Andrade e Lins (1964); Bigarella e Andrade (1964); Mabesoone e Castro (1975); e Mabesoone (1978), a diversidade de compartimentos do referido território foi condicionada por um conjunto de fatores que interferiram na geomorfogênese, tais como a estrutura geológica, a evolução morfoclimática e os processos atuais. A evolução dos eventos geológicos, que caracteriza a atual conformação geomorfológica do litoral sul de Pernambuco, está relacionada ao processo de abertura do Oceano Atlântico durante o Cretáceo, num sistema de falhamentos e instalação de bacias sedimentares, tais como as bacias marginais cretáceas de Pernambuco e Paraíba, implantadas sobre o Escudo Pré-Cambriano das Faixas de Dobramento Nordestina e limitadas pela Zona de Cisalhamento Pernambuco (LIMA FILHO et al., 2006). Posteriormente, durante o Neógeno, essa zona costeira foi recoberta por rochas sedimentares pouco litificadas do Grupo Barreiras, cuja área de maior expressão está localizada no litoral norte de Pernambuco. Correlato à abertura do Atlântico e ao preenchimento sedimentar das Bacias Marginais, destaca-se o soerguimento epirogenético e arqueamento do Planalto da Borborema, que apresenta cotas, em suas superfícies cimeiras, superiores a 1.000 metros de altitude, na região Agreste do estado (GOMES et al., 2001), e com patamares escalonados na sua porção leste, que decrescem em altitude até o litoral. O território do litoral sul de Pernambuco, cujo clima é tropical úmido, é constituído por uma zona junto à linha de costa formada por depósitos marinhos e fluviomarinhos da planície costeira e por relevos de colinas e morros sus- tentados pelo embasamento cristalino. No presente trabalho de reconhecimento da geodi- versidade do litoral sul de Pernambuco, o referido território foi compartimentado em dois domínios geomorfológicos: Planície Costeira e Depressão Pré-Litorânea, baseado nos trabalhos de IBGE (2006) e Ferreira et al. (2014). Em complemento, os domínios geomorfológicos referidos foram subdivididos em nove padrões de relevo. O Domínio da Planície Costeira, com cinco compartimentos: planícies marinhas; terraços marinhos; planícies fluviomarinhas (man- gues); planícies fluviomarinhas (brejos); e recifes; o Domínio da Depressão Pré-Litorânea, com quatro compartimentos: planícies fluviais; colinas; morros baixos; e morros altos. Os citados compartimentos encontram-se represen- tados no Mapa de Padrões de Relevo do Litoral Sul de Pernambuco (Figura 3.16) e no Quadro 3.2, que serviu de subsídio para a elaboração do Mapa da Geodiversidade do Litoral Sul de Pernambuco. A individualização dos diversos compartimentos de relevo foi obtida com base em análises e interpretação de imagens SRTM (Shuttle Radar Topography Mission), com resolução de 15 metros, e de imagens do Basemap - ArcGis on-line, sendo as unidades de relevo agrupadas de acordo com a caracterização da textura e rugosidade das imagens. A escala de representação adotada foi de 1: 100.000. Domínios geomorfológicos do litoral sul de Pernambuco • Planície costeira A planície costeira do litoral sul de Pernambuco abrange uma área de 102,65 km² e está inserida entre a linha de costa e as colinas do Domínio da Depressão Pré-Litorânea. O Domínio da Planície Costeira compreende um conjunto de ambientes deposicionais de origens fluvial e marinha, cujos padrões de relevo são as planícies marinhas – cordões are- nosos (R1e); os terraços marinhos (R1b3); as planícies fluvio- marinhas - mangues (R1d1) e brejos (R1d2); e os recifes (R1g) de arenito de praia, ou, secundariamente, de corais, que são uma característica típica do litoral sul pernambucano. NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 37 Figura 3.16: Mapa de Padrões de Relevo do Litoral Sul de Pernambuco. Fonte: elaborado pelos autores (2020). O principal atrativo do litoral sul de Pernambuco são as famosas praias, conhecidas por suas águas calmas, mornas e de tons azul-esverdeados, que ocorrem em toda a costa dessa região. Em sua maioria, são planas ou com pequenos desníveis representados pelos terraços marinhos (R1b3) holocênicos, cujo limite é a linha de berma (Figuras 3.17 e 3.18), e pleistocênicos, que estão depositados à retaguarda dos terraços holocênicos em faixas que podem atingir centenas de metros (Figura 3.19). Devido à erosão costeira, alguns trechos de praia do litoral sul de Pernambuco tive- ram essa morfologia alterada, com a exposição de terraços pleistocênicos que formam pequenas falésias ativas (Figura 3.20); e nas áreas estuarinas, prolongam-se em cordões arenosos, constituindo o padrão de relevo planícies mari- nhas – cordões arenosos (R1e), como os encontrados nos estuários dos rios Una e Sirinhaém (Figuras 3.21 e 3.22). De forma paralela a essas praias, já em ambiente suba- quoso, encontram-se os recifes de arenito de praia (tam- bém denominados de beachrocks) (R1g), que ocorrem em boa parte da costa, a exemplo da belíssima Praia dos Carneiros, no município de Tamandaré (Figura 3.23). Em muitos trechos do litoral sul de Pernambuco, os recifes de arenito mais afastados da linha de costa ficam perma- nentemente submersos e são colonizados por corais que neles se desenvolvem, propiciando um ambiente muito rico em vida marinha. As planícies fluviomarinhas - mangues e brejos correspondem a relevos de agradação, em zona de acu- mulação atual. São superfícies extremamente planas, com amplitude de relevo nula, em ambientes mistos, de interface dos sistemas deposicionais continentais e mari- nhos constituídos de depósitos argiloarenosos a argilosos. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 38 Quadro 3.2: Declividade e amplitude topográfica dos padrões de relevo do litoral sul de Pernambuco. DOMÍNIO GEOMORFOLÓGICO PADRÕES DE RELEVO DECLIVIDADE (GRAUS) AMPLITUDE TOPOGRÁFICA (m) Domínio da Planície Costeira Planícies Marinhas (R1e) 0 a 3 2 a 10 Terraços Marinhos (R1b3) 0 a 5 2 a 10 Planícies Fluviomarinhas - Mangues (R1d1) 0 0 Planícies Fluviomarinhas - Brejos (R1d2) 0 0 Recifes (R1g) 0 0 Domínio da Depressão Pré-Litorânea Planícies Fluviais (R1a) 0 a 3 0 Colinas (R4a1) 3 a 10 20 a 50 Morros Baixos (R4a2) 5 a 20 50 a 120 Morros Altos (R4b1) 10 a 30 80 a 220 Figura 3.17: Extensa faixa de praia na baixa-mar, no Domínio das Planícies Marinhas. Praia de Tamandaré. Município de Tamandaré. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.19: Terraço marinho pleistocênico com desenvolvimento de Neossolos Quartzarênicos, boas condições geotécnicas. Município de Tamandaré. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.18: Planície Marinha com erosão, expondo o terraço marinho holocênico na Praia de Gravatá, onde se observa coqueiros tombados, indicativo de processos erosivos atuantes. Município de São José da Coroa Grande. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.20: Terraço marinho pleistocênico, com 8 m de altura. Processo de erosão marinha formou pequena falésia com exposição de plataforma de abrasão de arenitos cretácicos na base. Praia de Guadalupe, município de Sirinhaém. Foto: arquivo do projeto (2019). NOTA EXPLICATIVA GEODIVERSIDADE DO LITORAL SUL DE PERNAMBUCO 39 Figura 3.21:Cordão arenoso e extensa zona embrejada à retaguarda do sistema estuarino de Várzea do Una, constituído de sedimentos fluviomarinhos quaternários. Município de São José da Coroa Grande. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.22: Pontal do cordão arenoso que delimita o estuário do Rio Sirinhaém, em Barra de Sirinhaém. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.23: Pavimento de recifes areníticos da Praia dos Carneiros. Município de Tamandaré. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.24: Planície fluviomarinha com extensos manguezais em contato com o relevo colinoso, nas margens do Rio Ariquindá, estuário do Rio Formoso. Limite dos municípios de Rio Formoso e Tamandaré. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.25: Planície fluviomarinha com sedimentos lamosos, em primeiro plano, e vegetação de mangue. Estuário do Rio Una, na localidade de Várzea do Una. Município de São José da Coroa Grande. Foto: arquivo do projeto (2019). Com terrenos mal drenados, prolongadamente inundáveis, com padrão de canais meandrantes e divagantes, sob influ- ência das oscilações das marés ou resultantes da colmatação de paleolagunas. A vegetação de mangue tem grande importância para a bioestabilização da planície fluviomarinha e na deposição de sedimentos fluviais em suas margens (R1d1) (Figuras 3.24 e 3.25). Funcionam como área de amortecimento dos impactos provocados pelas inundações fluviais e avan- ços do mar. Além disso, os manguezais têm uma grande importância ecológica, por se tratar de um berçário, para reprodução de várias espécies de crustáceos e peixes. As planícies fluviomarinhas com vegetação de brejo (R1d2) encontram-se na transição dos ambientes de mangue para as planícies fluviais, nos baixos vales dos rios que convergem para a linha de costa (Figuras 3.26 e 3.27). SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE 40 Figura 3.28: Planície fluvial do Rio Sirinhaém, com extensa planície de inundação em meio ao Domínio Colinoso, junto à ocupação urbana de Sirinhaém. Município de Sirinhaém. Foto: arquivo do projeto (2019). Figura 3.26: Planície fluviomarinha do Rio Mamucabas, em área de brejo, entre colinas sustentadas