
Submissões Recentes
Avaliação Geotécnica Pós-Desastre: São Raimundo das Mangabeiras, MA
JESUS, Denilson de; DIAS, Rubens Pereira
Atlas de risco geológico e hidrológico da Amazônia
TEIXEIRA, Sheila Gatinho; CONCEIÇÃO, Raimundo Almir Costa da; SZLAFSZTEIN, Claudio Fabian; BANDEIRA, Íris Celeste Nascimento; FONSECA, Dianne Danielle Farias; ANJOS, Gisele Corrêa dos; ANDRETTA, Elton Rodrigo; FERREIRA, Hugo de Souza
O ATLAS DE RISCO GEOLÓGICO E HIDROLÓGICO DA AMAZÔNIA é uma iniciativa do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), elaborada pelo Departamento de Gestão Territorial e pela Divisão de Geologia Aplicada. Seu objetivo é identificar, demonstrar e aprofundar a compreensão dos principais riscos geológicos e hidrológicos presentes na Amazônia Legal. Busca fornecer informações técnicas fundamentadas para subsidiar ações de prevenção, mitigação e planejamento territorial sustentável − medidas essenciais para proteger as comunidades, o meio ambiente e a infraestrutura da região.
O atlas aborda uma ampla gama de tipologias de risco, incluindo erosão costeira, erosão fluviomarinha, erosão pluvial, movimento de massa (deslizamentos planares, rastejos e quedas de blocos), terras caídas, inundações, ilhas flutuantes e terras crescidas. Cada processo é apresentado com explicações objetivas, mapas e imagens que ilustram sua dinâmica e severidade. Destaca-se, por exemplo, a erosão costeira, que ameaça praias e zonas urbanas litorâneas, além das inundações, que afetam diretamente a vida das populações ribeirinhas e dificultam o planejamento de uso do solo. Destacam-se ainda os processos denominados como ilhas flutuantes (formadas por erosão fluviomarinha) e as terras crescidas (resultantes do acúmulo de sedimentos transportados pelos rios) que nunca foram documentados como agentes deflagradores de desastres, mas que alteram o relevo natural e afetam a ocupação humana, causando perdas patrimoniais, desafios à agricultura e aumento da vulnerabilidade das comunidades frente às mudanças ambientais.
Outro aspecto relevante é a análise das vulnerabilidades socioambientais, que associa os riscos naturais às limitações de adaptação das populações locais e às condições de ocupação do território. O documento enfatiza a importância do uso dos mapas de risco e suscetibilidade como ferramentas essenciais para orientar o planejamento territorial, evitando construções em áreas classificadas com grau alto ou muito alto, promovendo a ocupação mais inteligente e sustentável. Por fim, o atlas constitui um importante instrumento técnico-científico, reforçando a necessidade de ações integradas entre órgãos ambientais, governos estaduais e municipais, comunidades e instituições de pesquisa. Sua implementação é fundamental para promover uma gestão proativa dos riscos ambientais na Amazônia, contribuindo para a preservação do bioma, a segurança das populações e o desenvolvimento sustentável da região − em consonância com as diretrizes de proteção e conservação estabelecidas pelo governo federal.
Estudo de dados de risco a deslizamentos no estado do Espírito Santo no período de 2011 a 2020
RIBEIRO, Rafael Silva
Entre 2011 e 2020, o Serviço Geológico do Brasil identificou 1.378 setores de alto e muito alto risco no Espírito Santo. Este estudo faz a análise dos dados dos mapeamentos relacionados a deslizamentos planares e rotacionais no referido estado. Deslizamentos planares são os movimentos gravitacionais de massa predominantes, afetando cerca de 78% da população em risco, enquanto deslizamentos rotacionais afetam apenas 0,5% da população capixaba. Os municípios de Serra, Cariacica e Cachoeiro de Itapemirim concentram cerca de um terço da população capixaba em situação risco originada por deslizamentos planares e têm mais de 2 mil construções vulneráveis. Por outro lado, os deslizamentos rotacionais, raros e presentes apenas em 0,4% dos setores de risco, afetam 145 construções distribuídas em 6 municípios, com destaque para Atílio Vivacqua. O estudo ressalta a disparidade na incidência desses dois tipos de deslizamento no estado e destaca a importância de ações preventivas e políticas públicas adequadas voltadas para a mitigação de riscos geológicos nos setores demarcados nos municípios capixabas.
Análise do histórico dos mapeamentos de risco e suscetibilidade a desastres no Serviço Geológico do Brasil entre 2011 e 2024
RIBEIRO, Rafael Silva
Desde 2011, o Serviço Geológico do Brasil tem se dedicado ao mapeamento de desastres geológicos e hidrológicos em todo o país. Entre os projetos desenvolvidos, estão as Cartas de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundações e a Cartografia de Risco Geológico, cujas publicações são analisadas nesta pesquisa e abrange o período de 2011 a 2024. Até 2024, áreas de riscos alto e muito alto foram delimitadas e qualificadas em quase um terço dos municípios brasileiros, com destaque para o Distrito Federal e os estados do Acre, Rondônia, Santa Catarina, Espírito Santo e Amazonas. O mapeamento identificou 15.277 setores de risco, dos quais 69% possuem risco alto e aproximadamente a metade destes são originados por deslizamentos. Cartas de suscetibilidade foram concluídas em 694 municípios, o que representa cerca de 12,5% das cidades brasileiras. No âmbito estadual, foram completamente mapeados Distrito Federal, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O Serviço Geológico do Brasil tem sido essencial na identificação de desastres no território nacional. Os dados revelam que houve avanço neste período e que um longo caminho se impõe nas próximas décadas.
Análise do processo de queda de blocos no estado do Espírito Santo no período de 2011 a 2020
RIBEIRO, Rafael Silva
Quedas de blocos são movimentos gravitacionais velozes e que, quando ocorrem, provocam danos de grandes proporções. No Espírito Santo, aproximadamente 10,5% da população que reside em construções com riscos alto e muito alto está em setores de risco originados por quedas de blocos. Entre doze desastres analisados, o processo de queda de blocos é o terceiro mais importante no estado. Nessa pesquisa, são apresentadas relações entre as áreas de risco de quedas de blocos com a geologia, a geomorfologia e a divisão municipal capixaba. No aspecto geológico, os resultados indicam uma relação significativa e distribuída de maneira equitativa entre rochas metamórficas e ígneas félsicas. No caso da geomorfologia, observa-se uma concentração dos setores de risco em regiões com montanhas, morros, serras e colinas dissecadas. A distribuição geográfica dos padrões geológico e geomorfológico no estado influencia diretamente na existência de áreas de risco, fato corroborado pela ausência de setores de risco em municípios das porções nordeste e do extremo sudeste do território capixaba.


