Litoestratigrafia e geocronologia da sequência metavulcanossedimentar de Souza, Quadrilátero Ferrífero - MG
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Resumo
As unidades vulcanossedimentares aflorantes ao sul da Serra do Curral, na região de Itatiaiuçu (Quadrilátero Ferrífero), eram historicamente atribuídas ao Grupo Nova Lima (Supergrupo Rio das Velhas) devido à sua semelhança litológica e proximidade geográfica. Entretanto, tais correlações careciam de embasamento por meio de trabalhos de detalhe, a exemplo um empilhamento estratigráfico formal para as unidades aflorantes e informações geocronológicas. Visando preencher essa lacuna, este trabalho apresenta o levantamento estratigráfico da sequência metavulcanossedimentar, através do recém-definido Grupo Souza, por meio de dados de campo, petrografia e análises isotópicas U-Pb em zircão detrítico via LA-ICP-MS. O Grupo Souza é dividido em duas formações: Rancharia (base) e Vila Pinheiro (topo). A Formação Rancharia compreende os membros Vila Viamão, Canjarana e Córrego Grande, representando uma sucessão metavulcanossedimentar caracterizada por vulcanismo ultramáfico a máfico basal, rochas vulcânicas intermediárias a félsicas e sedimentos químicos. A Formação Vila Pinheiro abrange os membros Vieiras, Veloso e Itatiaiuçu, correspondendo à porção sedimentar superior do grupo, marcada predominantemente por turbiditos. Essas rochas encontram-se metamorfizadas sob as fácies xisto verde a anfibolito. Análises geocronológicas em quatro amostras coletadas na Formação Vila Pinheiro forneceram idades máximas deposicionais neoarqueanas: 2.704 ± 13 Ma e 2.708 ± 18 Ma para metaconglomerados do Membro Vieiras; e 2.709 ± 18 Ma e 2.703 ± 14 Ma para uma metagrauvaca e um sericita-xisto do Membro Veloso. A evolução deposicional registra uma mudança abrupta do vulcanismo subaquático e precipitação química para uma sedimentação clástica de alta energia controlada por falhamento sin-sedimentar. Fluxos de massa induzidos pela gravidade, originados a partir do colapso de escarpas de falha, canibalizaram mecanicamente os cherts subjacentes, depositando conglomerados basais. À medida que a sub-bacia se aprofundou, esses fluxos evoluíram para turbiditos rítmicos espessos, culminando em pelitos de granulometria fina. Regionalmente, ao contrário dos greenstone belts adjacentes que registram transições para sucessões continentais, o Grupo Souza preserva um ambiente persistentemente de águas profundas ao longo de seu registro estratigráfico, truncado por contatos de falha associados ao Supergrupo Minas, do Paleoproterozoico.
