Avaliação da favorabilidade para depósitos de urânio no Brasil: urânio na província Lagoa Real, BA: principais aspectos das mineralizações e favorabilidade mineral

Resumo

Esta nota explicativa reporta as considerações e resultados sobre a geologia, o levantamento geoquímico da Província Uranífera de Lagoa Real (PULR), situada no aulacógeno do Paramirim, centro-sul do Cráton do São Francisco, constitui a principal região uranífera do Brasil. As mineralizações conhecidas são do tipo metassomática sódico, e se encontram hospedadas em albititos na Suíte Lagoa Real. A uraninita é o principal mineral de minério, ocorrendo de forma microgranular e disseminada, em associação com minerais máficos (piroxênio, granada, anfibólio), além de fases secundárias, como uranofano, autunita e torbernita. As mineralizações estão alinhadas ao longo de um trend NNW-SSE, e são controladas por zonas de cisalhamento dúcteis a rúpteis, associadas a intensa albitização e epidotização. Dentre as 38 anomalias descobertas pela Nuclebrás e INB, três depósitos concentram os maiores recursos: i) Depósito Lagoa da Rabicha (LR-03), localizado na porção centro-sul da província, compreende dois corpos principais de albititos mineralizados, atingindo profundidades de até 850 m. Possui recursos estimados em 23.310 t de U₃O₈ contido, com teor médio de 2.196 ppm. É considerado o alvo mais promissor da província. ii) Depósito Fazenda do Engenho (LR-09), situado ao norte, corresponde à atual mina ativa da INB. Neste depósito, os corpos mineralizados estão encaixados em albititos, epidositos e brechas tectônicas e apresentam forte epidotização tardia. Estima-se um recurso total de 16.724 t de U₃O₈ contido, com teor médio de 1.324 ppm. iii) Depósito Fazenda Cachoeira (LR-13), localizado no extremo norte da província, corresponde à primeira mina explotada (2000–2015), com produção histórica de 3.750 t de concentrado. Seus corpos de minério são tabulares, formados por anfibólio- e piroxênio-albititos. Totalizam cerca de 8.400 t de urânio, com teor médio de 2.343 ppm. O somatório dos recursos conhecidos na PULR ultrapassa 87.000 t de U₃O₈, distribuídos em 15 depósitos. A integração de dados geoquímicos (sedimentos de corrente e concentrados de bateia), magnetométricos e gamaespectrométricos possibilitou a construção do Mapa de Favorabilidade para urânio. Além da região onde se localizam as anomalias conhecidas, o mapa apontou novas áreas potenciais, com destaque para as regiões central e nordeste da província, onde teores de U em sedimentos chegam a 18 ppm, e há forte associação com Th, Y, Nb e ETR. A estimativa de recursos não descobertos na província, baseada na Lei de Zipf, aponta a possibilidade de existirem volumes adicionais expressivos de urânio. Estes podem estar associados a corpos não aflorantes ou regiões pouco investigadas. Assim, a PULR mostra-se uma região estratégica para o setor mineral e para segurança energética nacional, levando-se em conta a mina em atividade, os recursos conhecidos ainda não explotados e as áreas de alto potencial prospectivo apontadas no mapa de favorabilidade.

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POLO, Hugo José de Oliveira; MELONI, Raul Eigenheer; SILVA, Anderson Dourado Rodrigues da; SERAFIM, Isabelle Cavalcanti de Oliveira; CORREIA, Raphael Teixeira; SILVA, Guilherme Ferreira da; SANTOS, Caroline Couto; COSTA, Iago Souza Lima; FERREIRA, Marcos Vinicius; FREITAS, Monica Elizetti de; RIOS, Francisco Javier; QUEIROGA, Glaucia Nascimento; CASTRO, Marcos Paulo de; (org.). Avaliação da favorabilidade para depósitos de urânio no Brasil: urânio na província Lagoa Real, BA: principais aspectos das mineralizações e favorabilidade mineral. Brasília: Serviço Geológico do Brasil, 2025 (Série Minerais Estratégicos; 13).

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