Geologia e petrogênese dos granulitos máficos da folha Ruy Barbosa (1:100.000), orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá, cráton do São Francisco (BA): novos insights para a evolução neoarqueana-paleoproterozoica
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Resumo
Associações máfico-ultramáficas encontradas na crosta continental fornecem informações valiosas sobre o crescimento crustal e a evolução tectônica. Nesse trabalho, investigou-se a petrogênese e a história metamórfica da Suíte São José do Jacuípe (SJJS), localizada na porção norte do Orógeno Itabuna–Salvador–Curaçá, no Craton do São Francisco oriental, Brasil. A SJJS é composta por granulitos máficos de composição gabronorítica, caracterizados por paragêneses minerais de pico compostas por anfibólio cálcico + plagioclásio cálcico + clinopiroxênio + ortopiroxênio (+ fusão parcial). Dados integrados de campo, petrográficos, geoquímicos, geotermobarométricos, modelagem por pseudosseções e dados isotópicos indicam metamorfismo de ultra-alta temperatura, entre 910–944 °C e pressões no intervalo de 7,0–9,3 kbar. Geoquimicamente, a suíte exibe afinidades transicionais entre MORB e arcos magmáticos, enriquecimento em elementos litófilos de grande raio iônico (LILE) em relação aos elementos com alto campo de força (HFSE), além de anomalias negativas de Nb. Idades U–Pb em zircão indicam idade de cristalização de 2630 ± 26 Ma, sincrônica ao magmatismo no Arco Caraíba (2690–2589 Ma), do Neoarqueano. Dados de Lu–Hf em zircão (εHf(t) = –6,31 a +1,15) e idades modelo TDM (2860–3080 Ma) sugerem uma fonte mista, derivada do manto juvenil e de crosta continental retrabalhada. Idades U–Pb de zircão e titanita metamórficos (2088–2064 Ma) restringem o metamorfismo de alto grau ao Paleoproterozoico, coincidindo com o período em que ocorreu a colisão oblíqua entre a Paleoplaca Serrinha e o Arco Caraíba (2085–2060 Ma). Diante dos resultados, a SJJS foi interpretada como a raiz máfica de um arco de supra-subducção Neoarqueano, que foi posteriormente retrabalhada durante eventos tectonotermais do Paleoproterozoico. As elevadas razões Th/Yb sustentam uma origem a partir de uma fonte mantélica modificada por subducção, reforçando sua gênese em ambiente de arco magmático e posterior retrabalhamento durante o espessamento crustal no início do Proterozoico.
