A arte das águas: uma análise histórica das grandes cheias e secas do Rio Negro em Manaus (séculos XIX e XX)
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Resumo
Investiga a relação histórica entre a cidade de Manaus e o Rio Negro, analisando os impactos socioambientais das maiores cheias e secas registradas nos séculos XIX e XX. O estudo parte do problema central do início tardio da institucionalização do monitoramento hidrológico e da previsão de eventos hidrológicos extremos. Questiona-se, ainda, o papel de fatores como o degelo dos Andes e as atividades antrópicas na intensificação desses eventos. Ademais, examinam-se as diferentes percepções sobre as grandes cheias e secas ao longo do tempo. Inserida no campo da História Ambiental, esta pesquisa adota a metodologia da longa duração, elaborada por Fernand Braudel, pois compreende o rio como uma estrutura geográfica que influencia o desenvolvimento da cidade de Manaus, ao mesmo tempo em que constitui elemento de vulnerabilidade. Com base em pesquisa documental e bibliográfica, produz-se um panorama inédito das maiores cheias e secas nos séculos XIX e XX. As evidências históricas ratificam a hipótese de que o início tardio do monitoramento hidrológico e da previsão de eventos hidrológicos extremos decorreu de problemas econômicos e do desinteresse dos governantes. Há também evidências históricas de que o aumento do degelo nos Andes ocorre em paralelo à intensificação das atividades antrópicas e dos eventos hidrológicos extremos. Verifica-se, ainda, que a década de 1970 apresenta a maior média das cotas máximas de cheia do Rio Negro, em Manaus, coincidindo com o período de abertura das grandes rodovias federais na Amazônia brasileira. Sugere-se a integração do conhecimento histórico ao planejamento urbano e à gestão ambiental como forma de reduzir as vulnerabilidades da cidade frente às ocorrências de grandes cheias e secas. Por fim, conclui-se que esta pesquisa contribui para a historiografia regional e abre caminhos para novas investigações sobre rios e cidades amazônicas.

